PSICOLOGIA ANALÍTICA

AUTOCONTROLE NA MEDIDA

Uma maior motivação está ligada à execução de tarefas variadas, diz estudo

Autocontrole na medida

Pesquisa publicada no periódico PLOS ONE sugere que a execução de tarefas variadas ao longo do dia mantém nosso nível de motivação e autocontrole. É que nossa habilidade para executá-las, por outro lado, não decai ao longo do dia, mesmo quando nos deparamos­ com algumas mais longas e difíceis.

Os cientistas responsáveis pelo estudo corroboram análises anteriores que mostram, na verdade, um declínio de desempenho a partir da marca de 30 minutos de um esforço cognitivo complexo, com uma queda ainda maior em torno de 50 minutos. Mas isso não quer dizer que com isso percamos a capacidade de cumprir determinadas tarefas. O empenho inicial na tarefa anterior basta para gerar a motivação necessária para completarmos o desafio seguinte.

Os achados são substanciais sobretudo para o desenvolvimento de metodologias de ensino e aprendizagem, e o estudo em questão é único em observar desempenho, motivação e autocontrole em ambiente natural. Os pesquisadores envolvidos reuniram dados de mais de 16 mil alunos que completaram exercícios voluntários de aprendizagem e revisão ao longo de vários meses usando um a plataforma virtual.

Anúncios

OUTROS OLHARES

LIBERDADE É POUCO

É um equívoco referir-se ao feminismo como um ideário só.

Liberdade é pouco

O feminismo é necessariamente de esquerda? Existe feminismo de direita? Essas são questões prementes num contexto em que a polarização política corrói o debate público e afasta da agenda de defesa dos direitos das mulheres um número relevante de brasileiras e brasileiros. São frequentes os ataques de um conservadorismo in­ culto ao feminismo: supostamente seria tudo mimimi, vitimismo, exagero dos esquerdistas. Será?

O filme The Post, de Steven Spielberg, conta a história verídica de Katharine Graham, dona do The Washington Post. Interpretada por Meryl Streep, ela herdou o jornal após o suicídio do marido, o escolhido para comandar os negócios da família. Uma mulher na liderança era (e ainda é) uma exceção. Kay transpôs o empecilho informal ao avanço profissional das mulheres, a barreira invisível (glass ceiling, ou “telhado de vidro”, na expressão em inglês) ao sucesso feminino. O jornal teve papel central, nos anos 70, na divulgação da verdade sobre a guerra no Vietnã. Kay enfrentou seus demônios, o sexismo, o autoritarismo do presidente Nixon e pavimentou a avenida da democracia, da liberdade de imprensa e do respeito aos direitos das mulheres nos Estados Unidos. Um legado e tanto. O ponto que nos interessa é simples. Kay não era de esquerda. Era próxima dos republicanos, parte da elite da capital americana. Mas descobriu que os direitos das mulheres são uma agenda de todas. Que o telhado de vidro precisa ser estilhaçado e todas as pedras são bem-vindas.

Sarah Palin também não é de esquerda. Líder do Tea Party, a ex­ governadora do Alasca é conhecida por suas posturas conservadoras. Palin se orgulha de ser ponta de lança do que chama de “novo feminismo conservador”. Defende ao seu modo uma agenda de direitos das mulheres, e afirma que nenhuma delas deveria ter de escolher entre a família e o trabalho. Desde 2006 ela integra o coletivo Feminists for Life. Sim, Sarah Palin se diz feminista e até faz parte de um coletivo feminista.

Margaret Thatcher, a dama de ferro inglesa e camisa 10 da seleção mundial de neoliberais, dizia não dever nada ao movimento feminista, mas lembrava sempre que, quando queria que algo fosse dito no mundo da política, pedia a um homem. Mas, quando queria que algo fosse efetivamente realizado, pedia a uma mulher. Sim, Thatcher defendia os direitos das mulheres. Bombardeou o telhado de vidro como bombardeou as Malvinas.

O feminismo não é um conjunto de movimentos obrigatoriamente de esquerda. E um equívoco, que mesmo esta colunista comete costumeiramente, fazer referência ao feminismo como um ideário só, monolítico. Existem feminismos. Muitos, de distintas matrizes e matizes.

Somar-se a algum deles é nossa missão como mulheres. Apoiar algum deles é a missão dos homens. O machismo não tem partido nem ideologia. Está por toda parte e deve ser combatido em toda parte. O que queremos, mulheres de direita e de esquerda? Liberdade? Recorro a Clarice Lispector, a quem a esquerda que lhe foi contemporânea sempre chamou de “alienada demais”: liberdade é pouco, o que queremos ainda não tem nome.

GESTÃO E CARREIRA

DETOX EMOCIONAL

O desafio do ser humano é depurar a mente do estresse e tensão, equilibrando emoções para estar preparado para os momentos de turbulência e trazer a consciência à vida cotidiana.

Detox emocional

No dia a dia, por conta da crise econômica e do ritmo intenso no mercado de trabalho, é comum as pessoas vivenciarem momentos mais estressantes. O grande problema é quando são afetadas por sentimentos como a angústia, ansiedade, medo, raiva, tristeza e desmotivação e eles são ignorados. Todas essas sensações tóxicas, os problemas no trabalho, as preocupações com os filhos e as dificuldades financeiras esgotam as pessoas e, geralmente, por causa delas, ficam com baixa autoestima, com o foco apenas em seus problemas e se esquecem das demais pessoas ao seu redor. Toda essa inércia pode até diminuir a capacidade de exercer a empatia, por não conseguirem enxergar com clareza os fatos.

Assim, com esse cenário, os seres humanos podem ficar cada vez mais isolados e perder o real significado da vida. Por isso, de tempos em tempos é necessário fazer um detox emocional. Antes de tudo, é preciso reconhecer a responsabilidade perante seus resultados, a forma em que você pode impactar na vida do outro, distinguir o que é importante, aprender a lidar com os sentimentos, de maneira apropriada, com autocontrole e equilíbrio.

Além disso, é preciso se conscientizar de algumas atitudes importantes para não entrar em pensamentos e comportamentos de autossabotagem.

É importante ter momentos de reflexão, pois somos responsáveis por nossa própria experiência, e a vida é um reflexo do que está em nossa mente. Ao ficarmos focados em pensamentos negativos, criamos tensões no corpo, bloqueamos a respiração, pioramos a oxigenação dos tecidos, paralisamos o nosso agir e as nossas ações. Ocasionalmente, é preciso dedicar um tempo para fazer uma auto-observação.

Algumas pessoas focam apenas nas dificuldades e duvidam da própria capacidade. Para não entrar em autossabotagem, é fundamental reconhecer e evidenciar os pontos fortes e as unicidades.

Outro ponto que vale a pena destacar é: não se deixe influenciar, porque há quem carregue para si comportamentos negativos de outras pessoas que as rodeiam. Desligue o piloto automático e tenha bons pensamentos. O bom humor pode mudar tudo.

Estar atento à alimentação, como a ingestão de alimentos saudáveis, também pode contribuir significativamente no processo do detox emocional. Mas um passo essencial para isso é o empoderamento. Para isso, é importante ter autoconhecimento, autoconsciência e autopercepção sobre aquilo que realmente precisa ser transformado. Saber lidar com as próprias emoções é um processo de transformação. Devemos deixar para trás os sentimentos que se acumularam pelos mais diversos motivos e nos permitir atingir um estado de paz interior.

A maioria das pessoas, normalmente, deixa que os acontecimentos do passado continuem machucando e interferindo no presente. Libertar sentimentos dolorosos e perdoar mágoas e decepções são atitudes que promovem o equilíbrio emocional. E, assim, deixam nossa alma mais leve, com um sentimento de paz interior para viver plenamente o presente.

Por fim, a gratidão é o ato de perceber que os acontecimentos da vida nos conduziram a algo maior. Quando somos gratos, também nos tornamos capazes de perdoar e de deixar ir embora aquele sentimento negativo que trava a nossa vida, como mágoa, decepção, raiva e frustração. Não devemos permitir que as circunstâncias e as interferências do dia a dia apaguem o nosso entusiasmo pela vida. A celebração das conquistas está relacionada ao nosso próprio poder de agradecer, criar, escolher, decidir, pensar e viver.

O desafio do ser humano é equilibrar as emoções, estar centrado nos momentos de turbulência, de desânimo, e encontrar a natureza mais profunda e verdadeira para trazer a consciência à sua vida cotidiana. É isso que faz a diferença no nosso caminho para a conquista dos resultados escolhidos, para colocar em prática todo o próprio potencial, redirecionar o foco, as escolhas, e abrir a mente e o coração para as ricas oportunidades da vida, os resultados e a autorrealização.

 

EDUARDO SHINYASHIKI – é mestre em Neuropsicologia, liderança educadora e especialista em desenvolvimento das competências de liderança organizacional e pessoal. Com mais de 30 anos de experiência no Brasil e na Europa, é referência em ampliar o crescimento e a auto liderança das pessoas.

www.edushin.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 24: 4 – 31 – PARTE V

20180104_191605

Predições Terríveis 

VIII – Jesus prediz a sua segunda vinda, no final dos tempos (vv. 29-31): “O sol escurecerá” etc.

1. Alguns entendem que isso se refere somente à destruição de Jerusalém e da nação judaica. O escurecimento do sol, da lua e das estrelas sugere o eclipse da glória naquela nação, as suas convulsões e a confusão geral que acompanhou tal desolação. Grandes mortes e devastação eram assim anunciadas no Antigo Testamento (como em Isaias 13.10; 34.4; Ezequiel 32.7; Joel 2.31); ou o sol, a luz e as estrelas podem significar o Templo, Jerusalém e as cidades de Judá, que seriam todos destruídos. O “sinal do Filho do Homem” (v. 30) significa uma manifestação notável do poder e da justiça do Senhor Jesus, vingando o seu próprio sangue naqueles que lançaram a culpa sobre si mesmos, e sobre seus filhos; e o ajuntar dos “seus escolhidos” (v. 31) significa a libertação dos remanescentes desse pecado e dessa destruição.

2. Mas isso parece se referir mais à segunda vinda de Cristo. A destruição dos inimigos particulares da igreja é típica da derrota completa de todos eles; portanto, o que realmente acontecerá naquele grande dia pode ser aplicado metaforicamente a essas destruições. Mas nós precisamos prestar atenção ao seu escopo principal. E se todos nós estivermos de acordo em esperar a segunda vinda de Cristo, que necessidade haverá de atribuir significados tão tensos, como fazem alguns, a esses versículos, que falam dela com tanta clareza, e também a outras passagens das Escrituras, especialmente quando Cristo está aqui respondendo a uma pergunta sobre a sua vinda no fim do mundo? Cristo nunca teve receio de falar sobre este assunto com os seus discípulos.

A única objeção a isso é o fato de que está dito que a segunda vinda acontecerá “logo [ou imediatamente] depois da aflição daqueles dias”; mas, quanto a isso:

(1) É normal, no estilo profético, falar de coisas grandiosas e certas como estando próximas, somente para expressar a sua grandeza e certeza. Enoque falou da segunda vinda de Cristo como algo ao seu alcance: “Eis que é vindo o Senhor” (Judas 14).

(2) “Um dia para o Senhor é como mil anos” (2 Pedro 3.8). A Palavra de Deus nos traz uma urgente exortação sobre esse dia, que também pode ser interpretado como estando muito próximo. A tribulação daqueles dias inclui não apenas a destruição de Jerusalém, mas todas as outras tribulações que a igreja deve enfrentar; não apenas a sua cota nas calamidades que as nações sofreriam, mas também as que seriam peculiares a ela mesma. Enquanto as nações estiverem destroçadas com as guerras, e as igrejas com cismas, ilusões e perseguições, nós não podemos dizer que a tribulação daqueles dias esteja terminada; toda a situação da igreja na terra é militante, e nós devemos confiar nisso; mas quando a tribulação da igreja estiver terminada, a sua peleja, concluída, e a luta e os sofrimentos de Cristo tiverem se cumprido, então poderemos esperar pelo fim.

A respeito da segunda vinda de Cristo, aqui está predito:

[1] Que haverá uma transformação nas coisas criadas, grande e surpreendente, e particularmente nos corpos celestes (v. 29). “O sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz”. A lua brilha com uma luz emprestada, e, portanto, se o sol, de quem ela toma emprestada a sua luz, se escurecer, ela naturalmente fracassará, e falirá. ”As estrelas cairão do céu”; elas perderão a sua luz, e desaparecerão, e será como se elas tivessem caído; e “as potências dos céus serão abaladas”. Isto sugere:

Em primeiro lugar, que haverá uma grande mudança, para fazer novas todas as coisas. Então haverá a “restauração de tudo”, quando os céus não serão deixados de lado como um trapo, mas serão mudados como uma veste, para serem usados em uma maneira melhor (Salmos 102.26). Eles “passarão com grande estrondo”, para que possa haver “novos céus” (2 Pedro 3.10-13).

Em segundo lugar, será uma mudança visível, e todo o mundo deverá percebê-la; pois um escurecimento assim, do sol e da lua, não pode deixar de ser notado; e será uma mudança notável, pois os corpos celestiais não são tão sujeitos a alterações como o são as criaturas deste mundo inferior. Os dias do céu e a continuidade do sol e da lua são usados para expressar o que é duradouro e imutável (como em Salmos 89.29); ainda assim, eles serão abalados.

Em terceiro lugar, haverá uma transformação universal. Se o sol escurecer, e as potências do céu forem abaladas, a terra não poderá deixar de se transformar em uma masmorra, e a sua fundação tremerá. “Gemei, faias, porque os cedros caíram”. Quando as estrelas do céu caírem, as pessoas não deverão se espantar se os “montes perpétuos” se esmiuçarem, e se “outeiros eternos” se encurvarem. A natureza irá sustentar um choque e uma convulsão gerais, que não serão obstáculos para a alegria do céu e o regozijo da terra “ante a face do Senhor”, quando vier a “julgar a terra” (Salmos 96.11,13). Eles estarão como se houvesse glória na tribulação.

Em quarto lugar, o escurecimento do sol, da lua e das estrelas, que foram criados para governar o dia e a noite (que é o primeiro domínio que encontramos de cada criatura, Genesis 1.16-18), significa a aniquilação de “todo império e toda potestade e força” (mesmo aqueles que parecem ser bastante antigos e muito úteis), para que o reino possa ser entregue a Deus Pai, e “para que Deus seja tudo em todos” (1 Coríntios 15.24,28). O sol escureceu por ocasião da morte de Cristo, pois aquele acontecimento foi, de certa maneira, “o juízo deste mundo” (João 12.31), um indício do que acontecerá no juízo final.

Em quinto lugar, a gloriosa aparição do nosso Senhor Jesus, que então irá se mostrar como o resplendor da glória de seu Pai, e a expressa imagem da sua pessoa”, irá escurecer o sol e a lua, assim como o brilho de uma vela fica mais fraco sob os raios do sol do meio-dia; eles não terão glória, “por causa desta excelente glória” (2 Coríntios 3.10). Então “a lua se envergonhará, e o sol se confundirá”, quando Deus aparecer (Isaias 24.23).

Em sexto lugar, o sol e a lua escurecerão, porque não haverá mais lugar para eles. Para os pecadores, que escolhem a sua parte nesta vida, todo consolo será negado eternamente. Eles não terão nem uma gota d’água, e nem um raio de luz. Agora Deus faz com que o seu sol se erga sobre a terra. As trevas devem ser a parte deles. Aos santos, que preferiram ter o seu tesouro no céu, será dada tal luz de alegria e consolo, que irá exceder a luz do sol e da lua; a luz do sol e da lua serão inúteis. Que necessidade haverá de lâmpadas, quando formos para junto da Fonte da luz, sim, para junto do Pai das luzes? Veja Isaias 60.19; Apocalipse 22.5.

[2] Que quando aparecer “no céu o sinal do Filho do Homem” (v. 30), ou seja, o próprio Filho do Homem, eles “verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu”. Na sua primeira vinda, Ele foi posto para “sinal que é contraditado” (Lucas 2.34), mas na sua segunda vinda, um sinal que será admirado. Ezequiel era um filho do homem, dado por sinal (Ezequiel 12.6). Alguns interpretam isto como uma predição dos anunciadores e precursores da sua vinda, avisando da sua chegada: Uma luz brilhante diante dele, e o fogo consumidor (Salmos 50.3; 1 Reis 19.11,12), os raios de luz saindo de sua mão, onde, durante muito tempo, havia sido o esconderijo da sua força (Habacuque 3.4). E um conceito infundado de alguns dos antigos, que este sinal do Filho do Homem seja o sinal da cruz, exibido como uma bandeira. Certamente será um sinal claramente convincente, que irá eliminar a infidelidade, e encherá de vergonha os rostos dos que diziam: “Onde está a promessa da sua vinda?”

[3] Que então “todas as tribos da terra se lamentarão” (v. 30). Veja Apocalipse 1.7. “Todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele”; entre todas as tribos e famílias da terra, algumas se lamentarão, pois a maior parte irá tremer com a sua chegada, enquanto os restantes, os eleitos, tanto das famílias como das tribos, irão levantar as cabeças com alegria, sabendo que a sua redenção se aproxima, e também o seu Redentor. Observe que, mais cedo ou mais tarde, todos os pecadores se lamentarão. Os pecadores penitentes confiam em Cristo, e choram por uma sorte piedosa; e aqueles que semeiam com lágrimas, em breve irão colher com alegria. Os pecadores impenitentes verão aquele a quem traspassaram, e embora riam agora, irão chorar e lamentar por uma sorte diabólica, com horror e desespero intermináveis.

[4] Que “verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória”. Considere, em primeiro lugar, que o juízo do grande dia será confiado ao Filho do Homem, tanto para a sua realização quanto como recompensa da sua grande missão por nós, como Mediador (João 5.22,27). Em segundo lugar, que o Filho do Homem, naquele dia, virá “sobre as nuvens do céu”. Grande parte do relacionamento perceptível entre o céu e a terra se dá pelas nuvens; elas estão entre eles, atraídas da terra para o céu, purificadas pelo céu, e posicionadas sobre a terra. Cristo ascendeu ao céu sobre uma nuvem, e de igual maneira virá outra vez (Atos 1.9,11). “Eis que vem com as nuvens” (Apocalipse 1.7). As nuvens serão o carro do grande Juiz (Salmos 104.3), a sua roupa (Apocalipse 10.1), o seu pavilhão (Salmos 18.11), o seu trono (Apocalipse 14.14). Quando o mundo foi destruído pela água, o julgamento veio nas nuvens dos céus, pois as janelas dos céus se abriram; assim será, também, quando ele for destruído pelo fogo. Cristo andou diante de Israel em uma nuvem, que tinha um lado resplandecente e outro escuro. Assim também será a nuvem em que Cristo virá no grande dia. Ela trará tanto consolo quanto terror. Em terceiro lugar, que Ele virá “com poder e grande glória”. A sua primeira vinda ocorreu em fraqueza e grande simplicidade (2 Coríntios 13.4). Mas a sua segunda vinda será com poder e glória, em conformidade com a dignidade da sua pessoa e também com os objetivos da sua vinda. Em quarto lugar, que Ele será visto com olhos físicos, na sua vinda. Portanto, o Filho do Homem será o Juiz, para que Ele possa ser visto, para que fiquem ainda mais confusos os pecadores, que o verão como Balaão viu, “mas não de perto” (Números 24.17). Eles o verão, mas não como seu. Isto se acrescenta ao tormento daquele pecador condenado que “viu ao longe Abraão”. “E este aquele que nós desprezamos, e rejeitamos, e contra quem nos rebelamos? Aquele que nós crucificamos? Aquele que podia ter sido o nosso Salvador; mas será o nosso inimigo para sempre?” O “Desejado de todas as nações” será, então, o seu temor.

[5] Que “ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta” (v. 31). Considere, em primeiro lugar, que os anjos serão os ajudantes de Cristo na sua segunda vinda, eles são chamados de “seus anjos”, o que prova que Ele é Deus, e Senhor dos anjos; eles deverão auxiliá-lo. Em segundo lugar, que estes ajudantes serão empregados por Ele como oficiais no tribunal do julgamento daquele Dia. Eles agora são “espíritos ministradores”, enviados por Ele (Hebreus 1.14), e será assim naquela ocasião. Em terceiro lugar, que a sua ministração será iniciada com um “rijo clamor de trombeta”, para despertar e alarmar um mundo adormecido. Esta trombeta é mencionada em 1 Coríntios 15.52 e 1 Tessalonicenses 4.16. Quando a lei foi entregue, no monte Sinai, o som da trombeta foi particularmente terrível (Êxodo 19.13, 16), mas será muito mais terrível no grande Dia. Pela lei, as trombetas deviam ser tocadas para a “convocação da congregação” (Números 10.2), para louvar a Deus (Salmos 81.3), na oferta de sacrifícios (Números 10.10) e ao proclamar o ano do jubileu (Levíticos 25.9). Portanto, é muito adequado que haja o som de uma trombeta no último dia, quando a congregação geral será convocada, quando os louvores a Deus serão gloriosamente celebrados, quando os pecadores cairão, como sacrifícios à justiça divina, e quando os santos entrarão no seu eterno jubileu.

[6] Que se ajuntarão “os seus escolhidos desde os quatro ventos”. Observe que na segunda vinda de Jesus Cristo, haverá uma congregação geral de todos os santos. Em primeiro lugar, somente os “escolhidos” se ajuntarão, os eleitos remanescentes, que são poucos, em comparação com os muitos que são apenas chamados. Este é o fundamento da felicidade eterna dos santos, o fato de que são os eleitos de Deus. O dom do amor segue, por toda a eternidade, as características do amor que existe desde a eternidade. E “o Senhor conhece os que são seus”. Em segundo lugar, os anjos serão empregados para ajuntá-los, como servos de Cristo, e como amigos dos santos; nós conhecemos a tarefa que lhes foi dada (Salmos 50.5). “Congregai os meus santos”; na verdade, será dito a eles: Estes são seus irmãos; pois os eleitos “são iguais aos anjos” (Lucas 20.36). Em terceiro lugar, eles se ajuntarão “de uma à outra extremidade dos céus”. Os eleitos de Deus estão dispersos (João 11.52). Há eleitos em todos os lugares, em todas as nações (Apocalipse 7.9); mas quando chegar o dia desse grande ajuntamento, nenhum deles estar á faltando. A distância física não manterá ninguém fora do céu, se a distância afetiva não o fizer. O céu é igualmente acessível de qualquer lugar: Veja Mateus 8.11; Isaías 43.6; 49.12.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

O PODER AFETA O CÉREBRO

Ele bloqueia o processo neural de manifestação de empatia.

O poder afeta o cérebro

No século 19, quando o historiador britânico Lorde Acton proferiu sua manjada frase (“O poder absoluto corrompe absolutamente”), ele se referia essencialmente a aspectos morais da questão. Mas agora a ciência mostra que a sensação de poder também causa danos cerebrais e não apenas desvios éticos. Estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley detectou que o poder torna a pessoa mais impulsiva, a ponto de não levar riscos em consideração e, sobretudo, de demonstrar menos habilidade de ouvir e avaliar pontos de vista alheios. E pesquisa semelhante, da Universidade McMaster, em Ontário, Canadá, confirmou essa conclusão: ao analisar tomografias cerebrais de participantes, constatou que aqueles com maior sensação de poder bloqueavam um processo neural específico, impedindo a manifestação de empatia.

É o que os cientistas batizaram de “paradoxo do poder”: uma vez conquistado o comando, perdemos aquela capacidade que nos levou a ele inicialmente. Isso gera o “déficit de empatia”, fazendo com que o chefe deixe de reagir de acordo com o comportamento dos subordinados, como retribuir piadas com bom humor ou agir sério quando a situação é grave. Ao final, esse “fosso emocional” acaba prejudicando os relacionamentos e, em consequência, a produtividade. Para uma boa liderança, agir de acordo com o contexto de cada momento ajuda a fortalecer a confiança da equipe e abrir espaço para debater e formular soluções.

Estudo da Kellogg School of Management, da Universidade Northwestern, emite outro alerta: o poder reduz percepção e perspectiva. Em um experimento, por exemplo, os participantes deveriam escrever a letra “E” na própria testa para que outros a lessem, isto é, a pessoa deveria se ater ao ponto de vista do observador. Resultado: aqueles com maior sensação de poder demonstraram três vezes mais a tendência de escrever a letra voltada para si mesmo, sem se preocupar com a leitura do observador.

Os pesquisadores da Universidade McMaster também ressaltam a importância do fenômeno mental conhecido como “espelhamento”, que muitas vezes ocorre totalmente independente de nosso controle: ao vermos alguém desempenhar uma tarefa, inconscientemente ativamos em resposta a região do cérebro que usaríamos para fazer a mesma coisa. Chegamos até a imitar alguns elementos da linguagem corporal do outro, como gestos, expressões faciais ou respiração – o que sinaliza a importância de uma liderança adotar a postura correta para gerar um “espelhamento” produtivo em sua equipe.

OUTROS OLHARES

A ARTE DOS NOMES

As escolhas auspiciosas dos pais chineses para seus rebentos.

A arte dos nomes

Para alguns, a exemplo da Julieta de Shakespeare, se a rosa tivesse qualquer outro nome, ainda exalaria o mesmo doce aroma. Para outros, como Chihiro, da anin1ação A viagem de Chiriro, dirigida por Hayao Miyazaki, o nome define a vida de uma pessoa. A maioria dos chineses que pretendem ter filhos concorda com a segunda perspectiva – que nomes devem ser elegantes, auspiciosos e, se possível, únicos.

A polícia de Guangdong, província que fica no sul da China, tem oferecido ajuda àqueles que querem dar a seus filhos nomes fora do ordinário. O escritório de Segurança Pública da cidade lançou uma nova plataforma no Wechat (aplicativo chinês de mensagens instantâneas) que, entre os serviços disponíveis, oferece uma função que permite checar quantos residentes da província têm o mesmo nome.

Diferentemente de muitas culturas, a maioria dos chineses não costuma reciclar nomes já usados em suas famílias. Ainda assim, encontrar um nome único em uma população de 1,3 bilhão de pessoas pode ser uma tarefa difícil. Apenas em 2014, por volta de 290 mil recém-nascidos – o equivalente à população da Islândia – foram registrados com o nome Zhang Wei, o mais usado naquele ano.

Não raro, nomes populares refletem os valores do momento em que foram escolhidos. Atualmente, além de nomear tradições transmitidas por intermédio de diferentes gerações, jovens pais buscam diversificar as fontes de inspiração, que podem ir da literatura antiga à cultura popular.

Sixth Tone, uma publicação on-line focada na China contemporânea, analisou a arte de criar nomes ao longo dos anos.  

A arte dos nomes2

1. PARENTESCO E LINHAGEM

Na tradição agrária chinesa, o clã que compartilha um sobrenome transmitido de pai para filho tem nomes pré-designados para cada geração. Um ancião respeitado escreve um verso com desejos para o futuro daquele clã, e cada nova geração usará em seu nome o próximo caractere da frase. Por exemplo, caso o caractere Zhi seja atribuído a uma geração da família Li, haverá nomes que incluirão esse símbolo, como Li Zhiqiang e Li Zhiming.

Em alguns casos, a prática só se aplica a meninos; em outras famílias, a regra é aplicada a todas as crianças.

O costume não permite que membros de uma família identifiquem a que geração eles pertencem – mesmo quando um tio é mais novo que seu sobrinho. No entanto, atualmente, a tradição foi rompida em diversas famílias, já que muitos a enxergam como antiquada.

2 – UM SINAL DOS TEMPOS

Muitos chineses dão a seus filhos nomes inspirados em eventos históricos. Meninos nascidos depois que a República Popular da China foi estabelecida, em 1949, geralmente têm nomes como Jianguo, que significa “a fundação de uma nação”. Durante a Guerra da Coreia, muitos rapazes foram nomeados Yuanchao, algo como “ajudando a Coreia do Norte”. Já aqueles nascidos em 1º de outubro, Dia Nacional da China, com frequência recebem o nome Guoqing, palavra chinesa que significa celebração.

Um exemplo muito conhecido é o do vocalista da banda T F Boys, :Yi Yangqianxi. Yi nasceu no ano 2000 e recebeu um pré nome com três caracteres – que significa milênio -, enquanto a maioria dos nomes chineses tem um ou dois símbolos.

3 – FÉ E SUPERSTIÇÃO

Alguns pais procuram cartomantes para nomear os filhos. O taoismo acredita que, dependendo de quando uma pessoa nasceu, o corpo dela pode ser carente em um dos cinco elementos – metal, madeira, água, fogo ou terra -, o que pode ter efeitos sobre a saúde do indivíduo. Uma cartomante pode orientar os pais sobre como escolher um nome que corrija essa deficiência, usando um caractere que incorpore um dos cinco elementos. Alguns inclusive oferecem conselhos sobre quantos traços o nome da criança deverá ter.

4 – LITERATURA CLÁSSICA E CULTURA POPULAR CONTEMPORÂNEA

“Se você tiver um menininho, leia Chuci. Caso tenha uma menininha, leia Shijing.” Essa é uma crença comum entre novas gerações, cujo amor por literatura antiga é parte de uma ampla retomada do interesse pela antiguidade chinesa. Celebrada como fonte de imponentes e corajosos nomes masculinos, Chuci é uma antologia de poesia patriota, escrita há mais de 2.200 anos, durante o período dos Reinos Combatentes. Shijing é ainda mais antiga. Essa coleção de poesia chinesa do século XI ao VII a.C. inclui poemas sobre amor que muitos consideram boas fontes de nomes românticos para meninas. Já alguns procuram por uma musa nos programas de televisão. Depois que a série Scarlet heart tornou-se um sucesso, em 2011, muitos nomearam suas filhas de Ruoxi, inspirados pela heroína do programa.

5. O PAPEL DO GÊNERO

Nomes revelam as expectativas que pais nutrem sobre o futuro de seus filhos, e muitos desses desejos incluem o gênero da criança. Além de inspirados em canções de guerra para os nomes dos rapazes e em poemas para os das moças, muitos meninos têm o nome Song, que significa pinheiro, uma árvore que simboliza coragem e perseverança. Já o nome das meninas em geral inclui Feng, que significa fênix, representando uma rainha. Famílias que esperam ter filhos homens por vezes nomeiam suas filhas Zhaodi, algo como “acenando para um irmãozinho”.

Embora valores tradicionais ainda afetem a escolha de nomes, binarismos de gênero começam a perder força. Em vez de usar caracteres que incorporam conceitos de masculinidade e feminilidade, alguns pais escolhem nomes unissex, como Chenxi, “sol da manhã”, em referência ao desejo de ter um filho brilhante. Com a política dos dois filhos também é possível ver um número maior de crianças que recebem o sobrenome da mãe.

6. QUE O COMPUTADOR DECIDA

A tecnologia também interfere. Em vez de bateram cabeça atrás do nome perfeito, pais recorrem à internet. Em alguns sites, usuários podem colocar seus sobrenomes, a data prevista para o parto e outros poucos requisitos para ter uma sugestão de nome em minutos. Existem programas supostamente capazes de avaliar como o nome pode ajudar a criança no futuro – uma versão moderna e algorítmica das cartomantes taoistas.

Culturas estrangeiras também moldam características chinesas, com pais escolhendo nomes femininos como Anqi, algo perto da palavra “anjo”.

Mas a criatividade tem limite: para ter uma identidade nacional, todos os cidadãos devem registrar um nome em caracteres chineses (ou caracteres Han. Aqueles cuja língua materna é outra devem traduzir seus nomes. Em 2012, uma estudante do centro de Hunan, uma província chinesa, foi forçada a mudar de nome porque a polícia se recusava a aceitá-lo. Inspirado por Ah Q, um caractere do escritor modernista Lu Xun, o pai da jovem a nomeou de “A”.

A arte dos nomes3

GESTÃO E CARREIRA

10 COMPORTAMENTOS INADEQUADOS PARA UM LÍDER

Veja as atitudes mais negativas dos líderes que podem acabar com a credibilidade, causando uma péssima imagem com os colaboradores.

10 comportamentos inadequador para um líder

Quando todos estão com problemas na empresa, o primeiro a ser procurado é o líder. Quando é necessária uma tomada de decisão, é o líder que toma a frente. Ele é aquele que motiva, inspira e leva o time rumo à vitória. Mas, do mesmo jeito que pode ser a peça-chave em uma empresa, em outras é ele também que pode colocar tudo a perder, dependendo da sua com­ postura no dia a dia.

Afinal, quem quer um líder arrogante, despreparado e cheio de comportamentos inadequados? A seguir, listamos dez condutas negativas de um líder no ambiente de trabalho que podem prejudicar a sua imagem no mercado, especialmente com os colaboradores.

1 – NÃO TER NADA A CONTRIBUIR

O líder tem um papel importante, de ser alguém que inspira e motiva. No entanto, segundo a consultora da GC-5 Soluções Corporativas e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Vera Cavalcanti, esse papel está relacionado à necessidade de ser exemplo para seus funcionários, que devem ver no líder alguém em quem possam confiar e com quem tenham vontade de trabalhar, contribuir e dar o melhor de si. “Nesse sentido, o maior erro do líder é não ser alguém que valha a pena seguir, estar perto para aprender e crescer”, afirma.

2 -NÃO SER O EXEMPLO

Façam o que eu falo, mas não o que eu faço. Para o líder, essa frase jamais terá valia. De acordo com a especialista em Gestão Estratégica da Sociedade de Advogados do Cers Corporativo e autora de oito livros, Lara Selem, a melhor liderança é pelo exemplo, isso fortalece a confiança dos liderados no líder e motiva demais! Em contrapartida, Vera Cavalcanti diz que um importante atributo do Líder para isso é a credibilidade, que não se consegue por meio de palavras ou do dom da oratória, mas sim por meio das atitudes. “Gosto muito da reflexão que diz ‘o que você é ecoa tão forte em meus ouvidos que eu mal consigo ouvir o que você diz’. Acreditamos primeiro no mensageiro para depois acreditar na mensagem, ou seja, primeiro acreditamos em quem fala e depois o que ele fala. A coerência entre o verbo e a ação é essencial para garantir a credibilidade e, consequente ­ mente, o respeito, a admiração e o exemplo”, pontua.

3 – LIDERAR APENAS POR INTUIÇÃO

A liderança não é matemática, e, por lidarmos com pessoas, uma dose de intuição ou “feeling’ é necessária. No entanto, Lara Selem diz que não é recomendado o líder só liderar pela intuição. “Liderança pode ser aprendida, existem técnicas que ajudam no processo e precisam ser utilizadas em conjunto com a intuição”, aponta.

Vera Cavalcanti explica ainda que pela própria compreensão desse contexto organizacional complexo de hoje, ágil e competitivo, a visão contemporânea da teoria gerencial parte da ideia de que não existem etapas previsíveis e predeterminadas para as ações estratégicas na organização. Mas o líder que tomar decisões através de um processo intuitivo, em grande parte inconsciente, deverá, no entanto, estar baseado na reflexão constante, no hábito e na experiência adquirida, não só no trato de dados objetivos, como também na percepção de oportunidades temporal e política.

4 – TENTAR IMPOR MEDO

Na opinião da professora da FGV, os líderes “carrascos”, embora existam, não terão vida longa. Alguns indicadores, como alto turnover, faltas, desmotivação, baixa produtividade, entre outros, vêm demonstrando que esse estilo de liderança não é mais sustentável. “Temos percebido a mudança na relação de trabalho em que os ‘chefes’ vêm percebendo a necessidade de abandonar a postura tradicional de mando para assumirem uma postura educadora que valoriza a ação transformadora do homem ao invés de aprisioná-lo em suas potencialidades. Estamos cada vez mais falando do líder coach. Entretanto, a ação de deixar de dirigir para influenciar é uma grande mudança para quem passou anos dizendo às pessoas o que fazer, afirma.

Por isso, Lara Selem explica que o líder não deve fazer com que a equipe tenha medo, mas sim respeito. “O medo é péssimo, pois as pessoas tenderão a querer esconder os erros, o que pode ser fatal para a organização. Respeito é conquistado com clareza de expectativas, promessas cumpridas, feedbacks constantes, sinceridade respeitosa do líder”, argumenta.

Vera compartilha da mesma opinião dizendo que “sem dúvida o respeito promove relações saudáveis e maduras, enquanto o medo cria um clima de insatisfação e de rancor silencioso, além de gerar prejuízo para a saúde. O efeito negativo da postura do ‘carrasco’ pode ser respondido com a seguinte questão que frequentemente levanto com os alunos: dá para imaginar os custos pessoais e organizacionais quando os funcionários não empenham plenamente a paixão, o talento, a inteligência e a criatividade no trabalho que realizam? A gestão pelo medo convida você a responder quando solicitado e dar apenas aquilo que precisa, sem comprometimento genuíno”, alerta.

5 – NÃO SABER SE COMUNICAR

A primeira habilidade de quem pretende assumir uma equipe é saber se comunicar, diz Lara Selem. “Seja falando ou escrevendo, o líder tem que se conectar aos seus liderados”, afirma.

A comunicação é a força motriz que promove a interação e o entendimento entre os homens. Para o líder, a comunicação desempenha o importante papel de disseminar a missão, visão e valores da organização, assim como levar o funcionário a conhecer para onde vai a organização e como ela pretende ocupar o lugar no mundo corporativo. “Por meio da construção da visão compartilhada com os funcionários sobre o papel de cada um para o alcance das metas e objetivos organizacionais, o funcionário passa a entender e a se comprometer com o seu papel no contexto maior da organização”, explica Vera.

Ela diz que a comunicação assim entendida leva o líder a perceber que seu papel é traduzir a trajetória organizacional em diretrizes, visões em práticas e propósitos em processos. Ao comunicar a visão do negócio à sua equipe, ele envolve pessoas, dando a elas norte e sentido de trabalho. A visão torna-se assim um elemento motivador, além de atuar como critério de seleção para alocação de esforços, filtrar as informações relevantes e disciplinar as ações de modo a canalizar todos os esforços na mesma direção, ampliando a responsabilidade individual e coletiva.

6 – FALTA DE CONFIANÇA NA EQUIPE

Não há trabalho de equipe sem confiança, sem senso de pertencimento, sem compromisso com as metas e objetivos. “Claro que confiança se conquista, tanto de um lado quanto de outro. A dose de confiança deve ser dada gradualmente até que se atinja um nível adequado à função que seja possível alguma autonomia”, afirma Lara.

Vera Cavalcanti diz que confiar é importante, e no âmbito do trabalho a confiança implica um processo de construção da maturidade para gerar autonomia nas pessoas. “Eu só posso confiar no funcionário ou na equipe quando eles estiverem preparados para caminhar sozinhos e demonstrarem competência para tomar decisões responsáveis. Mas a liderança situacional traz uma base interessante de conhecimento que o líder deve dominar para saber identificar o grau de desenvolvimento de cada funcionário. Alguns têm maior autonomia para a execução de suas tarefas (conhecimentos, habilidades), mas podem não ter a mesma competência interpessoal para relacionamentos”, explica.

No entanto, ela completa que cada situação requer do líder diferentes abordagens, todas levando ao mesmo objetivo: capacitar os funcionários para se tornarem autônomos, a quem então o líder pode delegar e confiar. “Assim, ele erra quando confia sem preparar e acerta quando prepara pessoas para assumir sua vida e carreira”.

7 – SER PESSIMISTA AO EXTREMO

O pessimismo ou o otimismo pode fazer parte de qualquer pessoa, impactando diretamente no sucesso pessoal ou profissional. Para o líder esse impacto toma maiores proporções, pois atua diretamente no desempenho e na produtividade da equipe. “Sem dúvida um líder pessimista impactará diretamente na motivação de seus colaboradores, e sem motivação os dons mais raros permanecem estéreis, as capacidades adquiridas ficam em desuso e as técnicas mais sofisticadas sem rendimento”, reflete a professora da FGV.

A especialista em Gestão Estratégica, Lara Selem, pondera que o líder deve ser, em primeiro lugar, verdadeiro com seus liderados. “E a verdade às vezes é dura. O líder deve ter equilíbrio no tratamento das notícias e saber encontrar saída nos momentos difíceis. Sem ser pessimista demais, nem Poliana demais. A coerência de suas atitudes diante dos problemas vai motivar ainda mais a equipe a se unir para resolver”, julga.

8 – NÃO BUSCAR CRESCIMENTO PESSOAL

Segundo Lara Selem, um líder jamais pode se dar ao luxo de dizer que está tão atarefado que não tenha tempo para buscar crescimento pessoal. “Tempo é uma questão de prioridades, e o crescimento pessoal é uma prioridade na nossa vida. Aprender a gerenciar o tempo é uma das tarefas cruciais do líder em evolução”, ensina.

A competência dentro das organizações é uma condição de existência, e sua plasticidade nos alerta para a necessidade de constante atualização na nossa forma de pensar, agir e decidir. “O líder precisa ser o eterno aprendiz, aberto e comprometido com o seu autodesenvolvimento, de forma a obter melhoria contínua na realização de seu trabalho e de seu crescimento pessoal. Não basta ser um especialista no que faz, é preciso também integrar competência interpessoal e eficácia pessoal. Torna-se importante buscar meios adequados para adquirir novos conhecimentos e experiências, manter-se atualizado e atento às oportunidades no seu campo de atuação, assim como mostrar-se receptivo a críticas construtivas, orientações e agir para superação de suas dificuldades e carências”, indica Vera.

A professora diz ainda que o crescimento pessoal é condição de sobrevivência na vida pessoal e profissional e abre caminho para que os líderes desenvolvam uma expressão pessoal da liderança baseada na autenticidade, integridade e ética.

9 – SER ARROGANTE

Na opinião de Lara Selem, a arrogância é câncer no trabalho de equipe e destrói a confiança na liderança, levando o líder ao fracasso. “Esse tipo de comportamento gera na equipe um descomprometimento com as ideias do líder, e só por isso já é péssimo para todos”, afirma.

Esse jamais será um comportamento construtivo e, em geral, se encontra nos perfis centralizadores e críticos. “Os líderes com essa característica tendem a ser autorreferentes, pouco abertos para sugestões ou opiniões e têm dificuldade para delegar, pois acreditam que ninguém fará tão bem quanto eles”, aponta Vera Cavalcanti.

Ela diz que sem dúvida ainda encontramos líderes/gestores apegados à chamada “era do insubstituível”, na qual se percebiam como os únicos capazes de resolver todos os problemas e encontrar as melhores soluções para a organização. O resultado dessa postura é a ineficácia gerencial. Nesse caso as características positivas do líder entram em uma esfera negativa de atuação, comprometendo o alcance de resultados com pessoas.

10 – FALTA DE CRIATIVIDADE

À medida que as organizações buscam tornar-se cada vez mais receptivas às mudanças contínuas do ambiente competitivo e às necessidades dos clientes e do mercado, buscam também alternativas mais eficazes para gerir seus negócios e pessoas; a necessidade de renovação e a criatividade é uma constante no mundo dos negócios e na vida das pessoas. “Todas as pessoas têm potencial criativo, para o líder a sua utilização é fundamental, pois as transformações que se fazem necessárias às organizações exigem flexibilidade e adaptação”, compreende Vera.

No entanto, ela diz que mais do que líderes criativos, as organizações precisam de pessoas criativas voltadas ao comprometimento com o empreendedorismo, inovação e com os resultados organizacionais capazes de trazer o diferencial competitivo para o mercado.

Então ela dá a dica: Criatividade se treina como os músculos. “Se você começa a explorar formas diferentes de olhar uma  situação, de conceber  um produto  ou  processo  de  trabalho, se você se  arrisca a levantar hipóteses que considerava inviáveis ou ridículas, de início sente dificuldade, mas à medida que pratica, o pensamento se torna fluido e a criatividade vem à tona. Não se pode abrir mão da flexibilidade mental do líder, essencial para lidar em ambientes complexos onde exista ambiguidade, contradições e paradoxos e estar aberto a novas maneiras de compreender e solucionar problemas, desafios e oportunidades. É fundamental a disposição para a curiosidade e principalmente a disposição e talento para inspirar pessoas no processo da criatividade”, finaliza.