PSICOLOGIA ANALÍTICA

AUTOCONTROLE NA MEDIDA

Uma maior motivação está ligada à execução de tarefas variadas, diz estudo

Autocontrole na medida

Pesquisa publicada no periódico PLOS ONE sugere que a execução de tarefas variadas ao longo do dia mantém nosso nível de motivação e autocontrole. É que nossa habilidade para executá-las, por outro lado, não decai ao longo do dia, mesmo quando nos deparamos­ com algumas mais longas e difíceis.

Os cientistas responsáveis pelo estudo corroboram análises anteriores que mostram, na verdade, um declínio de desempenho a partir da marca de 30 minutos de um esforço cognitivo complexo, com uma queda ainda maior em torno de 50 minutos. Mas isso não quer dizer que com isso percamos a capacidade de cumprir determinadas tarefas. O empenho inicial na tarefa anterior basta para gerar a motivação necessária para completarmos o desafio seguinte.

Os achados são substanciais sobretudo para o desenvolvimento de metodologias de ensino e aprendizagem, e o estudo em questão é único em observar desempenho, motivação e autocontrole em ambiente natural. Os pesquisadores envolvidos reuniram dados de mais de 16 mil alunos que completaram exercícios voluntários de aprendizagem e revisão ao longo de vários meses usando um a plataforma virtual.

OUTROS OLHARES

LIBERDADE É POUCO

É um equívoco referir-se ao feminismo como um ideário só.

Liberdade é pouco

O feminismo é necessariamente de esquerda? Existe feminismo de direita? Essas são questões prementes num contexto em que a polarização política corrói o debate público e afasta da agenda de defesa dos direitos das mulheres um número relevante de brasileiras e brasileiros. São frequentes os ataques de um conservadorismo in­ culto ao feminismo: supostamente seria tudo mimimi, vitimismo, exagero dos esquerdistas. Será?

O filme The Post, de Steven Spielberg, conta a história verídica de Katharine Graham, dona do The Washington Post. Interpretada por Meryl Streep, ela herdou o jornal após o suicídio do marido, o escolhido para comandar os negócios da família. Uma mulher na liderança era (e ainda é) uma exceção. Kay transpôs o empecilho informal ao avanço profissional das mulheres, a barreira invisível (glass ceiling, ou “telhado de vidro”, na expressão em inglês) ao sucesso feminino. O jornal teve papel central, nos anos 70, na divulgação da verdade sobre a guerra no Vietnã. Kay enfrentou seus demônios, o sexismo, o autoritarismo do presidente Nixon e pavimentou a avenida da democracia, da liberdade de imprensa e do respeito aos direitos das mulheres nos Estados Unidos. Um legado e tanto. O ponto que nos interessa é simples. Kay não era de esquerda. Era próxima dos republicanos, parte da elite da capital americana. Mas descobriu que os direitos das mulheres são uma agenda de todas. Que o telhado de vidro precisa ser estilhaçado e todas as pedras são bem-vindas.

Sarah Palin também não é de esquerda. Líder do Tea Party, a ex­ governadora do Alasca é conhecida por suas posturas conservadoras. Palin se orgulha de ser ponta de lança do que chama de “novo feminismo conservador”. Defende ao seu modo uma agenda de direitos das mulheres, e afirma que nenhuma delas deveria ter de escolher entre a família e o trabalho. Desde 2006 ela integra o coletivo Feminists for Life. Sim, Sarah Palin se diz feminista e até faz parte de um coletivo feminista.

Margaret Thatcher, a dama de ferro inglesa e camisa 10 da seleção mundial de neoliberais, dizia não dever nada ao movimento feminista, mas lembrava sempre que, quando queria que algo fosse dito no mundo da política, pedia a um homem. Mas, quando queria que algo fosse efetivamente realizado, pedia a uma mulher. Sim, Thatcher defendia os direitos das mulheres. Bombardeou o telhado de vidro como bombardeou as Malvinas.

O feminismo não é um conjunto de movimentos obrigatoriamente de esquerda. E um equívoco, que mesmo esta colunista comete costumeiramente, fazer referência ao feminismo como um ideário só, monolítico. Existem feminismos. Muitos, de distintas matrizes e matizes.

Somar-se a algum deles é nossa missão como mulheres. Apoiar algum deles é a missão dos homens. O machismo não tem partido nem ideologia. Está por toda parte e deve ser combatido em toda parte. O que queremos, mulheres de direita e de esquerda? Liberdade? Recorro a Clarice Lispector, a quem a esquerda que lhe foi contemporânea sempre chamou de “alienada demais”: liberdade é pouco, o que queremos ainda não tem nome.

GESTÃO E CARREIRA

DETOX EMOCIONAL

O desafio do ser humano é depurar a mente do estresse e tensão, equilibrando emoções para estar preparado para os momentos de turbulência e trazer a consciência à vida cotidiana.

Detox emocional

No dia a dia, por conta da crise econômica e do ritmo intenso no mercado de trabalho, é comum as pessoas vivenciarem momentos mais estressantes. O grande problema é quando são afetadas por sentimentos como a angústia, ansiedade, medo, raiva, tristeza e desmotivação e eles são ignorados. Todas essas sensações tóxicas, os problemas no trabalho, as preocupações com os filhos e as dificuldades financeiras esgotam as pessoas e, geralmente, por causa delas, ficam com baixa autoestima, com o foco apenas em seus problemas e se esquecem das demais pessoas ao seu redor. Toda essa inércia pode até diminuir a capacidade de exercer a empatia, por não conseguirem enxergar com clareza os fatos.

Assim, com esse cenário, os seres humanos podem ficar cada vez mais isolados e perder o real significado da vida. Por isso, de tempos em tempos é necessário fazer um detox emocional. Antes de tudo, é preciso reconhecer a responsabilidade perante seus resultados, a forma em que você pode impactar na vida do outro, distinguir o que é importante, aprender a lidar com os sentimentos, de maneira apropriada, com autocontrole e equilíbrio.

Além disso, é preciso se conscientizar de algumas atitudes importantes para não entrar em pensamentos e comportamentos de autossabotagem.

É importante ter momentos de reflexão, pois somos responsáveis por nossa própria experiência, e a vida é um reflexo do que está em nossa mente. Ao ficarmos focados em pensamentos negativos, criamos tensões no corpo, bloqueamos a respiração, pioramos a oxigenação dos tecidos, paralisamos o nosso agir e as nossas ações. Ocasionalmente, é preciso dedicar um tempo para fazer uma auto-observação.

Algumas pessoas focam apenas nas dificuldades e duvidam da própria capacidade. Para não entrar em autossabotagem, é fundamental reconhecer e evidenciar os pontos fortes e as unicidades.

Outro ponto que vale a pena destacar é: não se deixe influenciar, porque há quem carregue para si comportamentos negativos de outras pessoas que as rodeiam. Desligue o piloto automático e tenha bons pensamentos. O bom humor pode mudar tudo.

Estar atento à alimentação, como a ingestão de alimentos saudáveis, também pode contribuir significativamente no processo do detox emocional. Mas um passo essencial para isso é o empoderamento. Para isso, é importante ter autoconhecimento, autoconsciência e autopercepção sobre aquilo que realmente precisa ser transformado. Saber lidar com as próprias emoções é um processo de transformação. Devemos deixar para trás os sentimentos que se acumularam pelos mais diversos motivos e nos permitir atingir um estado de paz interior.

A maioria das pessoas, normalmente, deixa que os acontecimentos do passado continuem machucando e interferindo no presente. Libertar sentimentos dolorosos e perdoar mágoas e decepções são atitudes que promovem o equilíbrio emocional. E, assim, deixam nossa alma mais leve, com um sentimento de paz interior para viver plenamente o presente.

Por fim, a gratidão é o ato de perceber que os acontecimentos da vida nos conduziram a algo maior. Quando somos gratos, também nos tornamos capazes de perdoar e de deixar ir embora aquele sentimento negativo que trava a nossa vida, como mágoa, decepção, raiva e frustração. Não devemos permitir que as circunstâncias e as interferências do dia a dia apaguem o nosso entusiasmo pela vida. A celebração das conquistas está relacionada ao nosso próprio poder de agradecer, criar, escolher, decidir, pensar e viver.

O desafio do ser humano é equilibrar as emoções, estar centrado nos momentos de turbulência, de desânimo, e encontrar a natureza mais profunda e verdadeira para trazer a consciência à sua vida cotidiana. É isso que faz a diferença no nosso caminho para a conquista dos resultados escolhidos, para colocar em prática todo o próprio potencial, redirecionar o foco, as escolhas, e abrir a mente e o coração para as ricas oportunidades da vida, os resultados e a autorrealização.

 

EDUARDO SHINYASHIKI – é mestre em Neuropsicologia, liderança educadora e especialista em desenvolvimento das competências de liderança organizacional e pessoal. Com mais de 30 anos de experiência no Brasil e na Europa, é referência em ampliar o crescimento e a auto liderança das pessoas.

www.edushin.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 24: 4 – 31 – PARTE V

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Predições Terríveis 

VIII – Jesus prediz a sua segunda vinda, no final dos tempos (vv. 29-31): “O sol escurecerá” etc.

1. Alguns entendem que isso se refere somente à destruição de Jerusalém e da nação judaica. O escurecimento do sol, da lua e das estrelas sugere o eclipse da glória naquela nação, as suas convulsões e a confusão geral que acompanhou tal desolação. Grandes mortes e devastação eram assim anunciadas no Antigo Testamento (como em Isaias 13.10; 34.4; Ezequiel 32.7; Joel 2.31); ou o sol, a luz e as estrelas podem significar o Templo, Jerusalém e as cidades de Judá, que seriam todos destruídos. O “sinal do Filho do Homem” (v. 30) significa uma manifestação notável do poder e da justiça do Senhor Jesus, vingando o seu próprio sangue naqueles que lançaram a culpa sobre si mesmos, e sobre seus filhos; e o ajuntar dos “seus escolhidos” (v. 31) significa a libertação dos remanescentes desse pecado e dessa destruição.

2. Mas isso parece se referir mais à segunda vinda de Cristo. A destruição dos inimigos particulares da igreja é típica da derrota completa de todos eles; portanto, o que realmente acontecerá naquele grande dia pode ser aplicado metaforicamente a essas destruições. Mas nós precisamos prestar atenção ao seu escopo principal. E se todos nós estivermos de acordo em esperar a segunda vinda de Cristo, que necessidade haverá de atribuir significados tão tensos, como fazem alguns, a esses versículos, que falam dela com tanta clareza, e também a outras passagens das Escrituras, especialmente quando Cristo está aqui respondendo a uma pergunta sobre a sua vinda no fim do mundo? Cristo nunca teve receio de falar sobre este assunto com os seus discípulos.

A única objeção a isso é o fato de que está dito que a segunda vinda acontecerá “logo [ou imediatamente] depois da aflição daqueles dias”; mas, quanto a isso:

(1) É normal, no estilo profético, falar de coisas grandiosas e certas como estando próximas, somente para expressar a sua grandeza e certeza. Enoque falou da segunda vinda de Cristo como algo ao seu alcance: “Eis que é vindo o Senhor” (Judas 14).

(2) “Um dia para o Senhor é como mil anos” (2 Pedro 3.8). A Palavra de Deus nos traz uma urgente exortação sobre esse dia, que também pode ser interpretado como estando muito próximo. A tribulação daqueles dias inclui não apenas a destruição de Jerusalém, mas todas as outras tribulações que a igreja deve enfrentar; não apenas a sua cota nas calamidades que as nações sofreriam, mas também as que seriam peculiares a ela mesma. Enquanto as nações estiverem destroçadas com as guerras, e as igrejas com cismas, ilusões e perseguições, nós não podemos dizer que a tribulação daqueles dias esteja terminada; toda a situação da igreja na terra é militante, e nós devemos confiar nisso; mas quando a tribulação da igreja estiver terminada, a sua peleja, concluída, e a luta e os sofrimentos de Cristo tiverem se cumprido, então poderemos esperar pelo fim.

A respeito da segunda vinda de Cristo, aqui está predito:

[1] Que haverá uma transformação nas coisas criadas, grande e surpreendente, e particularmente nos corpos celestes (v. 29). “O sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz”. A lua brilha com uma luz emprestada, e, portanto, se o sol, de quem ela toma emprestada a sua luz, se escurecer, ela naturalmente fracassará, e falirá. ”As estrelas cairão do céu”; elas perderão a sua luz, e desaparecerão, e será como se elas tivessem caído; e “as potências dos céus serão abaladas”. Isto sugere:

Em primeiro lugar, que haverá uma grande mudança, para fazer novas todas as coisas. Então haverá a “restauração de tudo”, quando os céus não serão deixados de lado como um trapo, mas serão mudados como uma veste, para serem usados em uma maneira melhor (Salmos 102.26). Eles “passarão com grande estrondo”, para que possa haver “novos céus” (2 Pedro 3.10-13).

Em segundo lugar, será uma mudança visível, e todo o mundo deverá percebê-la; pois um escurecimento assim, do sol e da lua, não pode deixar de ser notado; e será uma mudança notável, pois os corpos celestiais não são tão sujeitos a alterações como o são as criaturas deste mundo inferior. Os dias do céu e a continuidade do sol e da lua são usados para expressar o que é duradouro e imutável (como em Salmos 89.29); ainda assim, eles serão abalados.

Em terceiro lugar, haverá uma transformação universal. Se o sol escurecer, e as potências do céu forem abaladas, a terra não poderá deixar de se transformar em uma masmorra, e a sua fundação tremerá. “Gemei, faias, porque os cedros caíram”. Quando as estrelas do céu caírem, as pessoas não deverão se espantar se os “montes perpétuos” se esmiuçarem, e se “outeiros eternos” se encurvarem. A natureza irá sustentar um choque e uma convulsão gerais, que não serão obstáculos para a alegria do céu e o regozijo da terra “ante a face do Senhor”, quando vier a “julgar a terra” (Salmos 96.11,13). Eles estarão como se houvesse glória na tribulação.

Em quarto lugar, o escurecimento do sol, da lua e das estrelas, que foram criados para governar o dia e a noite (que é o primeiro domínio que encontramos de cada criatura, Genesis 1.16-18), significa a aniquilação de “todo império e toda potestade e força” (mesmo aqueles que parecem ser bastante antigos e muito úteis), para que o reino possa ser entregue a Deus Pai, e “para que Deus seja tudo em todos” (1 Coríntios 15.24,28). O sol escureceu por ocasião da morte de Cristo, pois aquele acontecimento foi, de certa maneira, “o juízo deste mundo” (João 12.31), um indício do que acontecerá no juízo final.

Em quinto lugar, a gloriosa aparição do nosso Senhor Jesus, que então irá se mostrar como o resplendor da glória de seu Pai, e a expressa imagem da sua pessoa”, irá escurecer o sol e a lua, assim como o brilho de uma vela fica mais fraco sob os raios do sol do meio-dia; eles não terão glória, “por causa desta excelente glória” (2 Coríntios 3.10). Então “a lua se envergonhará, e o sol se confundirá”, quando Deus aparecer (Isaias 24.23).

Em sexto lugar, o sol e a lua escurecerão, porque não haverá mais lugar para eles. Para os pecadores, que escolhem a sua parte nesta vida, todo consolo será negado eternamente. Eles não terão nem uma gota d’água, e nem um raio de luz. Agora Deus faz com que o seu sol se erga sobre a terra. As trevas devem ser a parte deles. Aos santos, que preferiram ter o seu tesouro no céu, será dada tal luz de alegria e consolo, que irá exceder a luz do sol e da lua; a luz do sol e da lua serão inúteis. Que necessidade haverá de lâmpadas, quando formos para junto da Fonte da luz, sim, para junto do Pai das luzes? Veja Isaias 60.19; Apocalipse 22.5.

[2] Que quando aparecer “no céu o sinal do Filho do Homem” (v. 30), ou seja, o próprio Filho do Homem, eles “verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu”. Na sua primeira vinda, Ele foi posto para “sinal que é contraditado” (Lucas 2.34), mas na sua segunda vinda, um sinal que será admirado. Ezequiel era um filho do homem, dado por sinal (Ezequiel 12.6). Alguns interpretam isto como uma predição dos anunciadores e precursores da sua vinda, avisando da sua chegada: Uma luz brilhante diante dele, e o fogo consumidor (Salmos 50.3; 1 Reis 19.11,12), os raios de luz saindo de sua mão, onde, durante muito tempo, havia sido o esconderijo da sua força (Habacuque 3.4). E um conceito infundado de alguns dos antigos, que este sinal do Filho do Homem seja o sinal da cruz, exibido como uma bandeira. Certamente será um sinal claramente convincente, que irá eliminar a infidelidade, e encherá de vergonha os rostos dos que diziam: “Onde está a promessa da sua vinda?”

[3] Que então “todas as tribos da terra se lamentarão” (v. 30). Veja Apocalipse 1.7. “Todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele”; entre todas as tribos e famílias da terra, algumas se lamentarão, pois a maior parte irá tremer com a sua chegada, enquanto os restantes, os eleitos, tanto das famílias como das tribos, irão levantar as cabeças com alegria, sabendo que a sua redenção se aproxima, e também o seu Redentor. Observe que, mais cedo ou mais tarde, todos os pecadores se lamentarão. Os pecadores penitentes confiam em Cristo, e choram por uma sorte piedosa; e aqueles que semeiam com lágrimas, em breve irão colher com alegria. Os pecadores impenitentes verão aquele a quem traspassaram, e embora riam agora, irão chorar e lamentar por uma sorte diabólica, com horror e desespero intermináveis.

[4] Que “verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória”. Considere, em primeiro lugar, que o juízo do grande dia será confiado ao Filho do Homem, tanto para a sua realização quanto como recompensa da sua grande missão por nós, como Mediador (João 5.22,27). Em segundo lugar, que o Filho do Homem, naquele dia, virá “sobre as nuvens do céu”. Grande parte do relacionamento perceptível entre o céu e a terra se dá pelas nuvens; elas estão entre eles, atraídas da terra para o céu, purificadas pelo céu, e posicionadas sobre a terra. Cristo ascendeu ao céu sobre uma nuvem, e de igual maneira virá outra vez (Atos 1.9,11). “Eis que vem com as nuvens” (Apocalipse 1.7). As nuvens serão o carro do grande Juiz (Salmos 104.3), a sua roupa (Apocalipse 10.1), o seu pavilhão (Salmos 18.11), o seu trono (Apocalipse 14.14). Quando o mundo foi destruído pela água, o julgamento veio nas nuvens dos céus, pois as janelas dos céus se abriram; assim será, também, quando ele for destruído pelo fogo. Cristo andou diante de Israel em uma nuvem, que tinha um lado resplandecente e outro escuro. Assim também será a nuvem em que Cristo virá no grande dia. Ela trará tanto consolo quanto terror. Em terceiro lugar, que Ele virá “com poder e grande glória”. A sua primeira vinda ocorreu em fraqueza e grande simplicidade (2 Coríntios 13.4). Mas a sua segunda vinda será com poder e glória, em conformidade com a dignidade da sua pessoa e também com os objetivos da sua vinda. Em quarto lugar, que Ele será visto com olhos físicos, na sua vinda. Portanto, o Filho do Homem será o Juiz, para que Ele possa ser visto, para que fiquem ainda mais confusos os pecadores, que o verão como Balaão viu, “mas não de perto” (Números 24.17). Eles o verão, mas não como seu. Isto se acrescenta ao tormento daquele pecador condenado que “viu ao longe Abraão”. “E este aquele que nós desprezamos, e rejeitamos, e contra quem nos rebelamos? Aquele que nós crucificamos? Aquele que podia ter sido o nosso Salvador; mas será o nosso inimigo para sempre?” O “Desejado de todas as nações” será, então, o seu temor.

[5] Que “ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta” (v. 31). Considere, em primeiro lugar, que os anjos serão os ajudantes de Cristo na sua segunda vinda, eles são chamados de “seus anjos”, o que prova que Ele é Deus, e Senhor dos anjos; eles deverão auxiliá-lo. Em segundo lugar, que estes ajudantes serão empregados por Ele como oficiais no tribunal do julgamento daquele Dia. Eles agora são “espíritos ministradores”, enviados por Ele (Hebreus 1.14), e será assim naquela ocasião. Em terceiro lugar, que a sua ministração será iniciada com um “rijo clamor de trombeta”, para despertar e alarmar um mundo adormecido. Esta trombeta é mencionada em 1 Coríntios 15.52 e 1 Tessalonicenses 4.16. Quando a lei foi entregue, no monte Sinai, o som da trombeta foi particularmente terrível (Êxodo 19.13, 16), mas será muito mais terrível no grande Dia. Pela lei, as trombetas deviam ser tocadas para a “convocação da congregação” (Números 10.2), para louvar a Deus (Salmos 81.3), na oferta de sacrifícios (Números 10.10) e ao proclamar o ano do jubileu (Levíticos 25.9). Portanto, é muito adequado que haja o som de uma trombeta no último dia, quando a congregação geral será convocada, quando os louvores a Deus serão gloriosamente celebrados, quando os pecadores cairão, como sacrifícios à justiça divina, e quando os santos entrarão no seu eterno jubileu.

[6] Que se ajuntarão “os seus escolhidos desde os quatro ventos”. Observe que na segunda vinda de Jesus Cristo, haverá uma congregação geral de todos os santos. Em primeiro lugar, somente os “escolhidos” se ajuntarão, os eleitos remanescentes, que são poucos, em comparação com os muitos que são apenas chamados. Este é o fundamento da felicidade eterna dos santos, o fato de que são os eleitos de Deus. O dom do amor segue, por toda a eternidade, as características do amor que existe desde a eternidade. E “o Senhor conhece os que são seus”. Em segundo lugar, os anjos serão empregados para ajuntá-los, como servos de Cristo, e como amigos dos santos; nós conhecemos a tarefa que lhes foi dada (Salmos 50.5). “Congregai os meus santos”; na verdade, será dito a eles: Estes são seus irmãos; pois os eleitos “são iguais aos anjos” (Lucas 20.36). Em terceiro lugar, eles se ajuntarão “de uma à outra extremidade dos céus”. Os eleitos de Deus estão dispersos (João 11.52). Há eleitos em todos os lugares, em todas as nações (Apocalipse 7.9); mas quando chegar o dia desse grande ajuntamento, nenhum deles estar á faltando. A distância física não manterá ninguém fora do céu, se a distância afetiva não o fizer. O céu é igualmente acessível de qualquer lugar: Veja Mateus 8.11; Isaías 43.6; 49.12.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

O PODER AFETA O CÉREBRO

Ele bloqueia o processo neural de manifestação de empatia.

O poder afeta o cérebro

No século 19, quando o historiador britânico Lorde Acton proferiu sua manjada frase (“O poder absoluto corrompe absolutamente”), ele se referia essencialmente a aspectos morais da questão. Mas agora a ciência mostra que a sensação de poder também causa danos cerebrais e não apenas desvios éticos. Estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley detectou que o poder torna a pessoa mais impulsiva, a ponto de não levar riscos em consideração e, sobretudo, de demonstrar menos habilidade de ouvir e avaliar pontos de vista alheios. E pesquisa semelhante, da Universidade McMaster, em Ontário, Canadá, confirmou essa conclusão: ao analisar tomografias cerebrais de participantes, constatou que aqueles com maior sensação de poder bloqueavam um processo neural específico, impedindo a manifestação de empatia.

É o que os cientistas batizaram de “paradoxo do poder”: uma vez conquistado o comando, perdemos aquela capacidade que nos levou a ele inicialmente. Isso gera o “déficit de empatia”, fazendo com que o chefe deixe de reagir de acordo com o comportamento dos subordinados, como retribuir piadas com bom humor ou agir sério quando a situação é grave. Ao final, esse “fosso emocional” acaba prejudicando os relacionamentos e, em consequência, a produtividade. Para uma boa liderança, agir de acordo com o contexto de cada momento ajuda a fortalecer a confiança da equipe e abrir espaço para debater e formular soluções.

Estudo da Kellogg School of Management, da Universidade Northwestern, emite outro alerta: o poder reduz percepção e perspectiva. Em um experimento, por exemplo, os participantes deveriam escrever a letra “E” na própria testa para que outros a lessem, isto é, a pessoa deveria se ater ao ponto de vista do observador. Resultado: aqueles com maior sensação de poder demonstraram três vezes mais a tendência de escrever a letra voltada para si mesmo, sem se preocupar com a leitura do observador.

Os pesquisadores da Universidade McMaster também ressaltam a importância do fenômeno mental conhecido como “espelhamento”, que muitas vezes ocorre totalmente independente de nosso controle: ao vermos alguém desempenhar uma tarefa, inconscientemente ativamos em resposta a região do cérebro que usaríamos para fazer a mesma coisa. Chegamos até a imitar alguns elementos da linguagem corporal do outro, como gestos, expressões faciais ou respiração – o que sinaliza a importância de uma liderança adotar a postura correta para gerar um “espelhamento” produtivo em sua equipe.

OUTROS OLHARES

A ARTE DOS NOMES

As escolhas auspiciosas dos pais chineses para seus rebentos.

A arte dos nomes

Para alguns, a exemplo da Julieta de Shakespeare, se a rosa tivesse qualquer outro nome, ainda exalaria o mesmo doce aroma. Para outros, como Chihiro, da anin1ação A viagem de Chiriro, dirigida por Hayao Miyazaki, o nome define a vida de uma pessoa. A maioria dos chineses que pretendem ter filhos concorda com a segunda perspectiva – que nomes devem ser elegantes, auspiciosos e, se possível, únicos.

A polícia de Guangdong, província que fica no sul da China, tem oferecido ajuda àqueles que querem dar a seus filhos nomes fora do ordinário. O escritório de Segurança Pública da cidade lançou uma nova plataforma no Wechat (aplicativo chinês de mensagens instantâneas) que, entre os serviços disponíveis, oferece uma função que permite checar quantos residentes da província têm o mesmo nome.

Diferentemente de muitas culturas, a maioria dos chineses não costuma reciclar nomes já usados em suas famílias. Ainda assim, encontrar um nome único em uma população de 1,3 bilhão de pessoas pode ser uma tarefa difícil. Apenas em 2014, por volta de 290 mil recém-nascidos – o equivalente à população da Islândia – foram registrados com o nome Zhang Wei, o mais usado naquele ano.

Não raro, nomes populares refletem os valores do momento em que foram escolhidos. Atualmente, além de nomear tradições transmitidas por intermédio de diferentes gerações, jovens pais buscam diversificar as fontes de inspiração, que podem ir da literatura antiga à cultura popular.

Sixth Tone, uma publicação on-line focada na China contemporânea, analisou a arte de criar nomes ao longo dos anos.  

A arte dos nomes2

1. PARENTESCO E LINHAGEM

Na tradição agrária chinesa, o clã que compartilha um sobrenome transmitido de pai para filho tem nomes pré-designados para cada geração. Um ancião respeitado escreve um verso com desejos para o futuro daquele clã, e cada nova geração usará em seu nome o próximo caractere da frase. Por exemplo, caso o caractere Zhi seja atribuído a uma geração da família Li, haverá nomes que incluirão esse símbolo, como Li Zhiqiang e Li Zhiming.

Em alguns casos, a prática só se aplica a meninos; em outras famílias, a regra é aplicada a todas as crianças.

O costume não permite que membros de uma família identifiquem a que geração eles pertencem – mesmo quando um tio é mais novo que seu sobrinho. No entanto, atualmente, a tradição foi rompida em diversas famílias, já que muitos a enxergam como antiquada.

2 – UM SINAL DOS TEMPOS

Muitos chineses dão a seus filhos nomes inspirados em eventos históricos. Meninos nascidos depois que a República Popular da China foi estabelecida, em 1949, geralmente têm nomes como Jianguo, que significa “a fundação de uma nação”. Durante a Guerra da Coreia, muitos rapazes foram nomeados Yuanchao, algo como “ajudando a Coreia do Norte”. Já aqueles nascidos em 1º de outubro, Dia Nacional da China, com frequência recebem o nome Guoqing, palavra chinesa que significa celebração.

Um exemplo muito conhecido é o do vocalista da banda T F Boys, :Yi Yangqianxi. Yi nasceu no ano 2000 e recebeu um pré nome com três caracteres – que significa milênio -, enquanto a maioria dos nomes chineses tem um ou dois símbolos.

3 – FÉ E SUPERSTIÇÃO

Alguns pais procuram cartomantes para nomear os filhos. O taoismo acredita que, dependendo de quando uma pessoa nasceu, o corpo dela pode ser carente em um dos cinco elementos – metal, madeira, água, fogo ou terra -, o que pode ter efeitos sobre a saúde do indivíduo. Uma cartomante pode orientar os pais sobre como escolher um nome que corrija essa deficiência, usando um caractere que incorpore um dos cinco elementos. Alguns inclusive oferecem conselhos sobre quantos traços o nome da criança deverá ter.

4 – LITERATURA CLÁSSICA E CULTURA POPULAR CONTEMPORÂNEA

“Se você tiver um menininho, leia Chuci. Caso tenha uma menininha, leia Shijing.” Essa é uma crença comum entre novas gerações, cujo amor por literatura antiga é parte de uma ampla retomada do interesse pela antiguidade chinesa. Celebrada como fonte de imponentes e corajosos nomes masculinos, Chuci é uma antologia de poesia patriota, escrita há mais de 2.200 anos, durante o período dos Reinos Combatentes. Shijing é ainda mais antiga. Essa coleção de poesia chinesa do século XI ao VII a.C. inclui poemas sobre amor que muitos consideram boas fontes de nomes românticos para meninas. Já alguns procuram por uma musa nos programas de televisão. Depois que a série Scarlet heart tornou-se um sucesso, em 2011, muitos nomearam suas filhas de Ruoxi, inspirados pela heroína do programa.

5. O PAPEL DO GÊNERO

Nomes revelam as expectativas que pais nutrem sobre o futuro de seus filhos, e muitos desses desejos incluem o gênero da criança. Além de inspirados em canções de guerra para os nomes dos rapazes e em poemas para os das moças, muitos meninos têm o nome Song, que significa pinheiro, uma árvore que simboliza coragem e perseverança. Já o nome das meninas em geral inclui Feng, que significa fênix, representando uma rainha. Famílias que esperam ter filhos homens por vezes nomeiam suas filhas Zhaodi, algo como “acenando para um irmãozinho”.

Embora valores tradicionais ainda afetem a escolha de nomes, binarismos de gênero começam a perder força. Em vez de usar caracteres que incorporam conceitos de masculinidade e feminilidade, alguns pais escolhem nomes unissex, como Chenxi, “sol da manhã”, em referência ao desejo de ter um filho brilhante. Com a política dos dois filhos também é possível ver um número maior de crianças que recebem o sobrenome da mãe.

6. QUE O COMPUTADOR DECIDA

A tecnologia também interfere. Em vez de bateram cabeça atrás do nome perfeito, pais recorrem à internet. Em alguns sites, usuários podem colocar seus sobrenomes, a data prevista para o parto e outros poucos requisitos para ter uma sugestão de nome em minutos. Existem programas supostamente capazes de avaliar como o nome pode ajudar a criança no futuro – uma versão moderna e algorítmica das cartomantes taoistas.

Culturas estrangeiras também moldam características chinesas, com pais escolhendo nomes femininos como Anqi, algo perto da palavra “anjo”.

Mas a criatividade tem limite: para ter uma identidade nacional, todos os cidadãos devem registrar um nome em caracteres chineses (ou caracteres Han. Aqueles cuja língua materna é outra devem traduzir seus nomes. Em 2012, uma estudante do centro de Hunan, uma província chinesa, foi forçada a mudar de nome porque a polícia se recusava a aceitá-lo. Inspirado por Ah Q, um caractere do escritor modernista Lu Xun, o pai da jovem a nomeou de “A”.

A arte dos nomes3

GESTÃO E CARREIRA

10 COMPORTAMENTOS INADEQUADOS PARA UM LÍDER

Veja as atitudes mais negativas dos líderes que podem acabar com a credibilidade, causando uma péssima imagem com os colaboradores.

10 comportamentos inadequador para um líder

Quando todos estão com problemas na empresa, o primeiro a ser procurado é o líder. Quando é necessária uma tomada de decisão, é o líder que toma a frente. Ele é aquele que motiva, inspira e leva o time rumo à vitória. Mas, do mesmo jeito que pode ser a peça-chave em uma empresa, em outras é ele também que pode colocar tudo a perder, dependendo da sua com­ postura no dia a dia.

Afinal, quem quer um líder arrogante, despreparado e cheio de comportamentos inadequados? A seguir, listamos dez condutas negativas de um líder no ambiente de trabalho que podem prejudicar a sua imagem no mercado, especialmente com os colaboradores.

1 – NÃO TER NADA A CONTRIBUIR

O líder tem um papel importante, de ser alguém que inspira e motiva. No entanto, segundo a consultora da GC-5 Soluções Corporativas e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Vera Cavalcanti, esse papel está relacionado à necessidade de ser exemplo para seus funcionários, que devem ver no líder alguém em quem possam confiar e com quem tenham vontade de trabalhar, contribuir e dar o melhor de si. “Nesse sentido, o maior erro do líder é não ser alguém que valha a pena seguir, estar perto para aprender e crescer”, afirma.

2 -NÃO SER O EXEMPLO

Façam o que eu falo, mas não o que eu faço. Para o líder, essa frase jamais terá valia. De acordo com a especialista em Gestão Estratégica da Sociedade de Advogados do Cers Corporativo e autora de oito livros, Lara Selem, a melhor liderança é pelo exemplo, isso fortalece a confiança dos liderados no líder e motiva demais! Em contrapartida, Vera Cavalcanti diz que um importante atributo do Líder para isso é a credibilidade, que não se consegue por meio de palavras ou do dom da oratória, mas sim por meio das atitudes. “Gosto muito da reflexão que diz ‘o que você é ecoa tão forte em meus ouvidos que eu mal consigo ouvir o que você diz’. Acreditamos primeiro no mensageiro para depois acreditar na mensagem, ou seja, primeiro acreditamos em quem fala e depois o que ele fala. A coerência entre o verbo e a ação é essencial para garantir a credibilidade e, consequente ­ mente, o respeito, a admiração e o exemplo”, pontua.

3 – LIDERAR APENAS POR INTUIÇÃO

A liderança não é matemática, e, por lidarmos com pessoas, uma dose de intuição ou “feeling’ é necessária. No entanto, Lara Selem diz que não é recomendado o líder só liderar pela intuição. “Liderança pode ser aprendida, existem técnicas que ajudam no processo e precisam ser utilizadas em conjunto com a intuição”, aponta.

Vera Cavalcanti explica ainda que pela própria compreensão desse contexto organizacional complexo de hoje, ágil e competitivo, a visão contemporânea da teoria gerencial parte da ideia de que não existem etapas previsíveis e predeterminadas para as ações estratégicas na organização. Mas o líder que tomar decisões através de um processo intuitivo, em grande parte inconsciente, deverá, no entanto, estar baseado na reflexão constante, no hábito e na experiência adquirida, não só no trato de dados objetivos, como também na percepção de oportunidades temporal e política.

4 – TENTAR IMPOR MEDO

Na opinião da professora da FGV, os líderes “carrascos”, embora existam, não terão vida longa. Alguns indicadores, como alto turnover, faltas, desmotivação, baixa produtividade, entre outros, vêm demonstrando que esse estilo de liderança não é mais sustentável. “Temos percebido a mudança na relação de trabalho em que os ‘chefes’ vêm percebendo a necessidade de abandonar a postura tradicional de mando para assumirem uma postura educadora que valoriza a ação transformadora do homem ao invés de aprisioná-lo em suas potencialidades. Estamos cada vez mais falando do líder coach. Entretanto, a ação de deixar de dirigir para influenciar é uma grande mudança para quem passou anos dizendo às pessoas o que fazer, afirma.

Por isso, Lara Selem explica que o líder não deve fazer com que a equipe tenha medo, mas sim respeito. “O medo é péssimo, pois as pessoas tenderão a querer esconder os erros, o que pode ser fatal para a organização. Respeito é conquistado com clareza de expectativas, promessas cumpridas, feedbacks constantes, sinceridade respeitosa do líder”, argumenta.

Vera compartilha da mesma opinião dizendo que “sem dúvida o respeito promove relações saudáveis e maduras, enquanto o medo cria um clima de insatisfação e de rancor silencioso, além de gerar prejuízo para a saúde. O efeito negativo da postura do ‘carrasco’ pode ser respondido com a seguinte questão que frequentemente levanto com os alunos: dá para imaginar os custos pessoais e organizacionais quando os funcionários não empenham plenamente a paixão, o talento, a inteligência e a criatividade no trabalho que realizam? A gestão pelo medo convida você a responder quando solicitado e dar apenas aquilo que precisa, sem comprometimento genuíno”, alerta.

5 – NÃO SABER SE COMUNICAR

A primeira habilidade de quem pretende assumir uma equipe é saber se comunicar, diz Lara Selem. “Seja falando ou escrevendo, o líder tem que se conectar aos seus liderados”, afirma.

A comunicação é a força motriz que promove a interação e o entendimento entre os homens. Para o líder, a comunicação desempenha o importante papel de disseminar a missão, visão e valores da organização, assim como levar o funcionário a conhecer para onde vai a organização e como ela pretende ocupar o lugar no mundo corporativo. “Por meio da construção da visão compartilhada com os funcionários sobre o papel de cada um para o alcance das metas e objetivos organizacionais, o funcionário passa a entender e a se comprometer com o seu papel no contexto maior da organização”, explica Vera.

Ela diz que a comunicação assim entendida leva o líder a perceber que seu papel é traduzir a trajetória organizacional em diretrizes, visões em práticas e propósitos em processos. Ao comunicar a visão do negócio à sua equipe, ele envolve pessoas, dando a elas norte e sentido de trabalho. A visão torna-se assim um elemento motivador, além de atuar como critério de seleção para alocação de esforços, filtrar as informações relevantes e disciplinar as ações de modo a canalizar todos os esforços na mesma direção, ampliando a responsabilidade individual e coletiva.

6 – FALTA DE CONFIANÇA NA EQUIPE

Não há trabalho de equipe sem confiança, sem senso de pertencimento, sem compromisso com as metas e objetivos. “Claro que confiança se conquista, tanto de um lado quanto de outro. A dose de confiança deve ser dada gradualmente até que se atinja um nível adequado à função que seja possível alguma autonomia”, afirma Lara.

Vera Cavalcanti diz que confiar é importante, e no âmbito do trabalho a confiança implica um processo de construção da maturidade para gerar autonomia nas pessoas. “Eu só posso confiar no funcionário ou na equipe quando eles estiverem preparados para caminhar sozinhos e demonstrarem competência para tomar decisões responsáveis. Mas a liderança situacional traz uma base interessante de conhecimento que o líder deve dominar para saber identificar o grau de desenvolvimento de cada funcionário. Alguns têm maior autonomia para a execução de suas tarefas (conhecimentos, habilidades), mas podem não ter a mesma competência interpessoal para relacionamentos”, explica.

No entanto, ela completa que cada situação requer do líder diferentes abordagens, todas levando ao mesmo objetivo: capacitar os funcionários para se tornarem autônomos, a quem então o líder pode delegar e confiar. “Assim, ele erra quando confia sem preparar e acerta quando prepara pessoas para assumir sua vida e carreira”.

7 – SER PESSIMISTA AO EXTREMO

O pessimismo ou o otimismo pode fazer parte de qualquer pessoa, impactando diretamente no sucesso pessoal ou profissional. Para o líder esse impacto toma maiores proporções, pois atua diretamente no desempenho e na produtividade da equipe. “Sem dúvida um líder pessimista impactará diretamente na motivação de seus colaboradores, e sem motivação os dons mais raros permanecem estéreis, as capacidades adquiridas ficam em desuso e as técnicas mais sofisticadas sem rendimento”, reflete a professora da FGV.

A especialista em Gestão Estratégica, Lara Selem, pondera que o líder deve ser, em primeiro lugar, verdadeiro com seus liderados. “E a verdade às vezes é dura. O líder deve ter equilíbrio no tratamento das notícias e saber encontrar saída nos momentos difíceis. Sem ser pessimista demais, nem Poliana demais. A coerência de suas atitudes diante dos problemas vai motivar ainda mais a equipe a se unir para resolver”, julga.

8 – NÃO BUSCAR CRESCIMENTO PESSOAL

Segundo Lara Selem, um líder jamais pode se dar ao luxo de dizer que está tão atarefado que não tenha tempo para buscar crescimento pessoal. “Tempo é uma questão de prioridades, e o crescimento pessoal é uma prioridade na nossa vida. Aprender a gerenciar o tempo é uma das tarefas cruciais do líder em evolução”, ensina.

A competência dentro das organizações é uma condição de existência, e sua plasticidade nos alerta para a necessidade de constante atualização na nossa forma de pensar, agir e decidir. “O líder precisa ser o eterno aprendiz, aberto e comprometido com o seu autodesenvolvimento, de forma a obter melhoria contínua na realização de seu trabalho e de seu crescimento pessoal. Não basta ser um especialista no que faz, é preciso também integrar competência interpessoal e eficácia pessoal. Torna-se importante buscar meios adequados para adquirir novos conhecimentos e experiências, manter-se atualizado e atento às oportunidades no seu campo de atuação, assim como mostrar-se receptivo a críticas construtivas, orientações e agir para superação de suas dificuldades e carências”, indica Vera.

A professora diz ainda que o crescimento pessoal é condição de sobrevivência na vida pessoal e profissional e abre caminho para que os líderes desenvolvam uma expressão pessoal da liderança baseada na autenticidade, integridade e ética.

9 – SER ARROGANTE

Na opinião de Lara Selem, a arrogância é câncer no trabalho de equipe e destrói a confiança na liderança, levando o líder ao fracasso. “Esse tipo de comportamento gera na equipe um descomprometimento com as ideias do líder, e só por isso já é péssimo para todos”, afirma.

Esse jamais será um comportamento construtivo e, em geral, se encontra nos perfis centralizadores e críticos. “Os líderes com essa característica tendem a ser autorreferentes, pouco abertos para sugestões ou opiniões e têm dificuldade para delegar, pois acreditam que ninguém fará tão bem quanto eles”, aponta Vera Cavalcanti.

Ela diz que sem dúvida ainda encontramos líderes/gestores apegados à chamada “era do insubstituível”, na qual se percebiam como os únicos capazes de resolver todos os problemas e encontrar as melhores soluções para a organização. O resultado dessa postura é a ineficácia gerencial. Nesse caso as características positivas do líder entram em uma esfera negativa de atuação, comprometendo o alcance de resultados com pessoas.

10 – FALTA DE CRIATIVIDADE

À medida que as organizações buscam tornar-se cada vez mais receptivas às mudanças contínuas do ambiente competitivo e às necessidades dos clientes e do mercado, buscam também alternativas mais eficazes para gerir seus negócios e pessoas; a necessidade de renovação e a criatividade é uma constante no mundo dos negócios e na vida das pessoas. “Todas as pessoas têm potencial criativo, para o líder a sua utilização é fundamental, pois as transformações que se fazem necessárias às organizações exigem flexibilidade e adaptação”, compreende Vera.

No entanto, ela diz que mais do que líderes criativos, as organizações precisam de pessoas criativas voltadas ao comprometimento com o empreendedorismo, inovação e com os resultados organizacionais capazes de trazer o diferencial competitivo para o mercado.

Então ela dá a dica: Criatividade se treina como os músculos. “Se você começa a explorar formas diferentes de olhar uma  situação, de conceber  um produto  ou  processo  de  trabalho, se você se  arrisca a levantar hipóteses que considerava inviáveis ou ridículas, de início sente dificuldade, mas à medida que pratica, o pensamento se torna fluido e a criatividade vem à tona. Não se pode abrir mão da flexibilidade mental do líder, essencial para lidar em ambientes complexos onde exista ambiguidade, contradições e paradoxos e estar aberto a novas maneiras de compreender e solucionar problemas, desafios e oportunidades. É fundamental a disposição para a curiosidade e principalmente a disposição e talento para inspirar pessoas no processo da criatividade”, finaliza.

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 24: 4 – 31 – PARTE IV

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Predições Terríveis

VII – O Senhor Jesus lhes prediz a repentina propagação do Evangelho no mundo, próxima a essa época de grandes eventos (vv. 27,28): “Assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do Homem”. Isto surge aqui como um antídoto contra o veneno desses enganadores, que diziam: “Eis que o Cristo está aqui ou ali”; compare com Lucas 17.23,24: “Não vades, nem os sigais, porque, como o relâmpago ilumina desde uma extremidade inferior do céu até à outra extremidade, assim será também o Filho do Homem no seu dia”.

1. Isto parece, primeiramente, referir-se à sua vinda para estabelecer o seu reino espiritual no mundo. Onde o Evangelho veio com a sua luz e o seu poder, ali veio o Filho do Homem, e de uma maneira bastante contrária à dos enganadores e falsos Cristos, que vinham se infiltrando no deserto, ou nas casas (2 Timóteo 3.6). Cristo vem, não com “espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação”. O Evangelho seria notável por duas coisas:

(1) A sua rápida pregação. Ele voará como o relâmpago; assim o Evangelho será pregado e propagado. O Evangelho é luz (João 3.19), e neste aspecto, não é como o relâmpago, que é um brilho repentino, e já se vai, pois ele é a luz do sol, e a luz do dia; mas é como o relâmpago nos seguintes aspectos:

[1] É uma luz vinda do céu, como o relâmpago. É Deus, e não o homem, que envia os relâmpagos, e os comanda, para que possam ir e dizer: “Eis-nos aqui” (Jó 38.35). E Deus que os envia (Jó 37.3). Para o homem, é um dos milagres da natureza, acima do seu poder de realização, e um dos mistérios da natureza, acima da sua capacidade de compreender. O relâmpago vem do céu. “Os seus relâmpagos alumiam o mundo” (SI 97.4).

[2] É visível e evidente, como o relâmpago. Os enganadores mantinham as. suas profundezas com Satanás no deserto e nas casas, afastando a luz. Os hereges eram chamados de lucifugae os que evitam a luz. Mas a verdade não procura os cantos, embora algumas vezes possa ser forçada a ir até eles, como a mulher no deserto, embora “vestida do sol” (Apocalipse 12.1,6). Cristo pregava o seu Evangelho abertamente (João 18.20), e os seus apóstolos, “sobre os telhados” (cap. 10.27), não “em qualquer canto” (Atos 26.26). Veja Salmos 98.2.

[3] O Evangelho foi repentino e surpreendeu o mundo, como o relâmpago. Os judeus realmente tinham tido predições sobre ele, mas para os gentios ele foi completamente inesperado, e veio sobre eles com uma energia incalculável, por mais prevenidos que estivessem. Foi uma luz vinda das trevas (cap. 4.16; 2 Coríntios 4.6). Nós lemos sobre as armas sendo dissipadas pelos raios (2 Samuel 22.15; Salmos 144.6). Os poderes das trevas foram dissipados e vencidos pelo relâmpago do Evangelho.

[4] Ele se propaga por todos os lugares, e de maneira rápida e irresistível, como o relâmpago, que surge, supõe-se, do leste (está escrito que Cristo sobe “da banda do sol nascente”, ou seja, do leste, Apocalipse 7.2; Isaias 41.2), em direção ao oeste. A propagação do cristianismo a tantos países distantes, de diversas línguas, com instrumentos tão improváveis, destituído de todas as vantagens seculares, e enfrentando tanta oposição, e em tão pouco tempo, foi um dos maiores milagres que já se realizou para a sua confirmação. Aqui estava Cristo sobre o seu cavalo branco, sugerindo rapidez, além de força, e prosseguindo, “saiu vitorioso e para vencer” (Apocalipse 6.2). A luz do Evangelho nasceu com o sol e prosseguiu com ele, para que os seus raios chegassem “aos confins do mundo” (Romanos 10.18). Compare com Salmos 19.3,4. Embora ele fosse combatido, ele nunca poderia ficar confinado a um deserto, ou a uma casa, como estavam os enganadores; mas dessa maneira, de acordo com o que disse Gamaliel, provou que era de Deus, que não poderia ser desfeito (Atos 5.38,39). Cristo fala de mostrar-se até o ocidente, por­ que ele se propagou mais efetivamente naqueles países que estão ao oeste de Jerusalém, como observa o Sr. Herbert, na sua igreja militante. Com que rapidez a luz do Evangelho alcançou a ilha da Grã-Bretanha! Tertuliano, que escreveu no século II, observa isto:  A estabilidade da Grã-Bretanha, embora inacessível aos romanos, foi ocupada por Jesus Cristo. Esta foi uma obra do Senhor.

(2) Outra coisa notável a respeito do Evangelho era o seu estranho sucesso naqueles lugares onde ele se propagou. Ele reunia multidões, não por nenhuma compulsão externa, mas como se fosse por um instinto, uma tendência natural, como a que traz as aves de rapina às suas presas, “pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as águias” (v. 28), e onde Cristo é pregado, as almas se reúnem para ouvir. Alguém poderia pensar que a ascensão de Cristo, deixando a terra, e a pregação do Cristo crucificado deveriam afastar todos os homens do Senhor. Porém, ocorrerá o contrário. Ele atrairá todos a si (João 12.32), de acordo com a profecia de Jacó, “e a ele se congregarão os povos” (Genesis 49.10). Veja Isaias 60.8. As águias estarão onde o cadáver estiver, pois ele é alimento para elas, é um banquete para elas; “onde há mortos, ela aí está” (Jó 39.30). Sabe-se que as águias possuem uma estranha astúcia e prontidão de olfato para encontrar a presa, e se lançam a ela rapidamente (Jó 9.26). Assim, aqueles cujos espíritos Deus estimula serão efetivamente atraídos a Jesus Cristo, para se alimentarem dele. Para onde deve ir a águia, a não ser para a presa? Para onde deve ir a alma, a não ser para Jesus Cristo, que tem “as palavras de vida eterna”? As águias irão distinguir o que é adequado para elas daquilo que não o é; assim também, aqueles que têm os sentidos espirituais treinados, irão diferenciar a voz do bom Pastor daquela de um malfeitor ou ladrão. Os santos estarão onde o Cristo verdadeiro está, e não onde estão os falsos Cristos. Isto se aplica ao desejo pela presença de Cristo e pela comunhão com Ele, que estão em cada alma. Onde Ele estiver, em suas atividades, ali os seus servos deverão decidir ficar. Um princípio vivo de graça é um tipo de instinto natural que está em todos os santos, e que os atrai a Cristo para que se alimentem dele.

2. Alguns interpretam esses versículos como referindo-se a vinda do Filho do Homem para destruir Jerusalém (Malaquias 3.1,2,5). Naquele evento, houve uma exibição tão extraordinária de poder e justiça divinos, que ele é chamado de vinda de Cristo.

Aqui se sugerem duas coisas a este respeito:

(1)  Que para a maioria das pessoas isso seria tão inesperado como um relâmpago, que, na verdade, avisa do trovão que o segue, mas é surpreendente por si só. Os enganadores dizem: “Eis que o Cristo está aqui”, para nos libertar; ou: Ele está ali, como se fosse um ser criado pelos seus próprios caprichos. Mas antes que eles se deem conta, a ira do Cordeiro, o Cristo verdadeiro, os prenderá, e eles não conseguirão escapar.

(2)  Que isso pode ser tão esperado quanto o voo da águia até os cadáveres. Embora eles se afastem do dia do mal, ainda assim a desolação virá tão certamente quanto as aves de rapina voam até um cadáve1 que está exposto, em campo aberto.

[1] Os judeus eram tão corruptos e degenerados, tão vis e maldosos, que tinham se tornado um cadáver, detestáveis ao justo julgamento de Deus; eles também eram tão facciosos e sediciosos, e provocavam tanto os romanos, de tantas maneiras, que eles tinham se tornado ofensivos aos seus rancores, e eram uma presa convidativa para eles.

[2] Os romanos eram como uma águia, e a insígnia dos seus exércitos era uma águia. Diz-se que o exército dos caldeus voou “como águias que se apressam à comida” (Habacuque 1.8). A destruição da Babilônia do Novo Testamento é representada por um chamado às aves de rapina, para que comessem e se banqueteassem da carne dos mortos (Apocalipse 19.17,18). Conhecidos malfeitores terão os seus olhos devorados pelos “pintãos da águia” (Provérbios 30.17); os judeus serão presos, mortos e não serão sepultados (Jeremias 7.33; 16.4).

[3] Os judeus não poderão se proteger dos romanos, assim como um cadáver não pode se proteger das águias.

[4] A destruição encontrará os judeus onde eles estiverem, da mesma maneira como as águias sentem o odor da sua presa. Note que quando um povo, pelo seu pecado, se transforma em cadáver, pútrido e repulsivo, nada se pode esperar, exceto que Deus envie águias, para devorá-lo e destruí-lo.

3. Isso é bastante aplicável ao dia do juízo, à vinda do nosso Senhor Jesus Cristo nesse dia, e à “nossa reunião com Ele” (2 Tessalonicenses 2.1). Veja aqui:

(1)  Como Ele virá: “Como o relâmpago”. Já era chegada a sua hora de passar “deste mundo para o Pai”. Por isso, aqueles que procuram Cristo não devem ir ao deserto, nem ao interior das casas, nem ouvir a qualquer pessoa que faça um sinal com o dedo, convidando-os a uma visão de Cristo; mas devem olhar para cima, pois “a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador” (Filipenses 3.20). Ele virá “com as nuvens”, como faz o relâmpago, “e todo olho o verá”, pois se diz que é natural que todas as criaturas vivas voltem os seus rostos em direção ao relâmpago (Apocalipse 1.7). Cristo irá aparecer para todo o mundo, de uma extremidade do céu até a outra; nada poderá se esconder da luz e do calor daquele dia.

(2)  Como os santos se reunirão a Ele. Da mesma maneira como as águias se aproximam do cadáver, por instinto natural e com a maior rapidez e diligência imagináveis. Os santos, quando forem levados até a glória, serão  VII – O Senhor Jesus lhes prediz a repentina propagação do Evangelho no mundo, próxima a essa época de grandes eventos (vv. 27,28): “Assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do Homem”. Isto surge aqui como um antídoto contra o veneno desses enganadores, que diziam: “Eis que o Cristo está aqui ou ali”; compare com Lucas 17.23,24: “Não vades, nem os sigais, porque, como o relâmpago ilumina desde uma extremidade inferior do céu até à outra extremidade, assim será também o Filho do Homem no seu dia”.

4. Isto parece, primeiramente, referir-se à sua vinda para estabelecer o seu reino espiritual no mundo. Onde o Evangelho veio com a sua luz e o seu poder, ali veio o Filho do Homem, e de uma maneira bastante contrária à dos enganadores e falsos Cristos, que vinham se infiltrando no deserto, ou nas casas (2 Timóteo 3.6). Cristo vem, não com “espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação”. O Evangelho seria notável por duas coisas:

(1) A sua rápida pregação. Ele voará como o relâmpago; assim o Evangelho será pregado e propagado. O Evangelho é luz (João 3.19), e neste aspecto, não é como o relâmpago, que é um brilho repentino, e já se vai, pois ele é a luz do sol, e a luz do dia; mas é como o relâmpago nos seguintes aspectos:

[1] É uma luz vinda do céu, como o relâmpago. É Deus, e não o homem, que envia os relâmpagos, e os comanda, para que possam ir e dizer: “Eis-nos aqui” (Jó 38.35). E Deus que os envia (Jó 37.3). Para o homem, é um dos milagres da natureza, acima do seu poder de realização, e um dos mistérios da natureza, acima da sua capacidade de compreender. O relâmpago vem do céu. “Os seus relâmpagos alumiam o mundo” (SI 97.4).

[2] É visível e evidente, como o relâmpago. Os enganadores mantinham as. suas profundezas com Satanás no deserto e nas casas, afastando a luz. Os hereges eram chamados de lucifugae os que evitam a luz. Mas a verdade não procura os cantos, embora algumas vezes possa ser forçada a ir até eles, como a mulher no deserto, embora “vestida do sol” (Apocalipse 12.1,6). Cristo pregava o seu Evangelho abertamente (João 18.20), e os seus apóstolos, “sobre os telhados” (cap. 10.27), não “em qualquer canto” (Atos 26.26). Veja Salmos 98.2.

[3] O Evangelho foi repentino e surpreendeu o mundo, como o relâmpago. Os judeus realmente tinham tido predições sobre ele, mas para os gentios ele foi completamente inesperado, e veio sobre eles com uma energia incalculável, por mais prevenidos que estivessem. Foi uma luz vinda das trevas (cap. 4.16; 2 Coríntios 4.6). Nós lemos sobre as armas sendo dissipadas pelos raios (2 Samuel 22.15; Salmos 144.6). Os poderes das trevas foram dissipados e vencidos pelo relâmpago do Evangelho.

[4] Ele se propaga por todos os lugares, e de maneira rápida e irresistível, como o relâmpago, que surge, supõe-se, do leste (está escrito que Cristo sobe “da banda do sol nascente”, ou seja, do leste, Apocalipse 7.2; Isaias 41.2), em direção ao oeste. A propagação do cristianismo a tantos países distantes, de diversas línguas, com instrumentos tão improváveis, destituído de todas as vantagens seculares, e enfrentando tanta oposição, e em tão pouco tempo, foi um dos maiores milagres que já se realizou para a sua confirmação. Aqui estava Cristo sobre o seu cavalo branco, sugerindo rapidez, além de força, e prosseguindo, “saiu vitorioso e para vencer” (Apocalipse 6.2). A luz do Evangelho nasceu com o sol e prosseguiu com ele, para que os seus raios chegassem “aos confins do mundo” (Romanos 10.18). Compare com Salmos 19.3,4. Embora ele fosse combatido, ele nunca poderia ficar confinado a um deserto, ou a uma casa, como estavam os enganadores; mas dessa maneira, de acordo com o que disse Gamaliel, provou que era de Deus, que não poderia ser desfeito (Atos 5.38,39). Cristo fala de mostrar-se até o ocidente, por­ que ele se propagou mais efetivamente naqueles países que estão ao oeste de Jerusalém, como observa o Sr. Herbert, na sua igreja militante. Com que rapidez a luz do Evangelho alcançou a ilha da Grã-Bretanha! Tertuliano, que escreveu no século II, observa isto:  A estabilidade da Grã-Bretanha, embora inacessível aos romanos, foi ocupada por Jesus Cristo. Esta foi uma obra do Senhor.

(2) Outra coisa notável a respeito do Evangelho era o seu estranho sucesso naqueles lugares onde ele se propagou. Ele reunia multidões, não por nenhuma compulsão externa, mas como se fosse por um instinto, uma tendência natural, como a que traz as aves de rapina às suas presas, “pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as águias” (v. 28), e onde Cristo é pregado, as almas se reúnem para ouvir. Alguém poderia pensar que a ascensão de Cristo, deixando a terra, e a pregação do Cristo crucificado deveriam afastar todos os homens do Senhor. Porém, ocorrerá o contrário. Ele atrairá todos a si (João 12.32), de acordo com a profecia de Jacó, “e a ele se congregarão os povos” (Genesis 49.10). Veja Isaias 60.8. As águias estarão onde o cadáver estiver, pois ele é alimento para elas, é um banquete para elas; “onde há mortos, ela aí está” (Jó 39.30). Sabe-se que as águias possuem uma estranha astúcia e prontidão de olfato para encontrar a presa, e se lançam a ela rapidamente (Jó 9.26). Assim, aqueles cujos espíritos Deus estimula serão efetivamente atraídos a Jesus Cristo, para se alimentarem dele. Para onde deve ir a águia, a não ser para a presa? Para onde deve ir a alma, a não ser para Jesus Cristo, que tem “as palavras de vida eterna”? As águias irão distinguir o que é adequado para elas daquilo que não o é; assim também, aqueles que têm os sentidos espirituais treinados, irão diferenciar a voz do bom Pastor daquela de um malfeitor ou ladrão. Os santos estarão onde o Cristo verdadeiro está, e não onde estão os falsos Cristos. Isto se aplica ao desejo pela presença de Cristo e pela comunhão com Ele, que estão em cada alma. Onde Ele estiver, em suas atividades, ali os seus servos deverão decidir ficar. Um princípio vivo de graça é um tipo de instinto natural que está em todos os santos, e que os atrai a Cristo para que se alimentem dele.

5. Alguns interpretam esses versículos como referindo-se a vinda do Filho do Homem para destruir Jerusalém (Malaquias 3.1,2,5). Naquele evento, houve uma exibição tão extraordinária de poder e justiça divinos, que ele é chamado de vinda de Cristo.

Aqui se sugerem duas coisas a este respeito:

(1)  Que para a maioria das pessoas isso seria tão inesperado como um relâmpago, que, na verdade, avisa do trovão que o segue, mas é surpreendente por si só. Os enganadores dizem: “Eis que o Cristo está aqui”, para nos libertar; ou: Ele está ali, como se fosse um ser criado pelos seus próprios caprichos. Mas antes que eles se deem conta, a ira do Cordeiro, o Cristo verdadeiro, os prenderá, e eles não conseguirão escapar.

(2)  Que isso pode ser tão esperado quanto o voo da águia até os cadáveres. Embora eles se afastem do dia do mal, ainda assim a desolação virá tão certamente quanto as aves de rapina voam até um cadáve1 que está exposto, em campo aberto.

[1] Os judeus eram tão corruptos e degenerados, tão vis e maldosos, que tinham se tornado um cadáver, detestáveis ao justo julgamento de Deus; eles também eram tão facciosos e sediciosos, e provocavam tanto os romanos, de tantas maneiras, que eles tinham se tornado ofensivos aos seus rancores, e eram uma presa convidativa para eles.

[2] Os romanos eram como uma águia, e a insígnia dos seus exércitos era uma águia. Diz-se que o exército dos caldeus voou “como águias que se apressam à comida” (Habacuque 1.8). A destruição da Babilônia do Novo Testamento é representada por um chamado às aves de rapina, para que comessem e se banqueteassem da carne dos mortos (Apocalipse 19.17,18). Conhecidos malfeitores terão os seus olhos devorados pelos “pintãos da águia” (Provérbios 30.17); os judeus serão presos, mortos e não serão sepultados (Jeremias 7.33; 16.4).

[3] Os judeus não poderão se proteger dos romanos, assim como um cadáver não pode se proteger das águias.

[4] A destruição encontrará os judeus onde eles estiverem, da mesma maneira como as águias sentem o odor da sua presa. Note que quando um povo, pelo seu pecado, se transforma em cadáver, pútrido e repulsivo, nada se pode esperar, exceto que Deus envie águias, para devorá-lo e destruí-lo.

6. Isso é bastante aplicável ao dia do juízo, à vinda do nosso Senhor Jesus Cristo nesse dia, e à “nossa reunião com Ele” (2 Tessalonicenses 2.1). Veja aqui:

(1)  Como Ele virá: “Como o relâmpago”. Já era chegada a sua hora de passar “deste mundo para o Pai”. Por isso, aqueles que procuram Cristo não devem ir ao deserto, nem ao interior das casas, nem ouvir a qualquer pessoa que faça um sinal com o dedo, convidando-os a uma visão de Cristo; mas devem olhar para cima, pois “a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador” (Filipenses 3.20). Ele virá “com as nuvens”, como faz o relâmpago, “e todo olho o verá”, pois se diz que é natural que todas as criaturas vivas voltem os seus rostos em direção ao relâmpago (Apocalipse 1.7). Cristo irá aparecer para todo o mundo, de uma extremidade do céu até a outra; nada poderá se esconder da luz e do calor daquele dia.

(2)  Como os santos se reunirão a Ele. Da mesma maneira como as águias se aproximam do cadáver, por instinto natural e com a maior rapidez e diligência imagináveis. Os santos, quando forem levados até a glória, serão levados “sobre asas de águias” (Êxodo 19.4), e sobre asas de anjos. Eles “subirão com asas como águias”, e, como elas, renovarão a sua juventude.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A AULA DA FELICIDADE

Universidade de Yale oferece um curso que ensina a ser feliz praticando gratidão, gentileza e intimidade. Ele já é o mais procurado nos 378 anos da instituição americana.

A aula da felicidade

É certo que não existe fórmula para felicidade, mas há caminhos descritos pela ciência para melhorar o bem-estar. São eles a base do curso que começou a ser ministrado no início do ano pela psicóloga Laurie Santos na Universidade de Yale (EUA) e que rapidamente se transformou no mais procurado na história dos 378 anos da instituição. Às terças e quintas-feiras, o principal auditório da universidade lota para ouvir as lições de Laurie. “Os estudantes perceberam que a cultura do estresse, do excesso de trabalho, é muito nociva”, disse a psicóloga. “Isso explica a procura além do que esperávamos.”

As aulas ensinam que a felicidade tem menos a ver com circunstâncias da vida, como receber um bom salário, e mais com a prática cotidiana de ações que se mostraram cientificamente eficazes. Coisas como aumentar as conexões sociais, lembrar-se dos aspectos bons da sua vida, dormir oito horas por noite, meditar e se exercitar. ”Não basta identificarmos o que nos faz felizes. É preciso praticar. Caso contrário, nada muda”, diz Laurie.

No curso, os alunos conhecem as alterações cerebrais promovidas pela sensação de bem-estar e de que maneira são processadas a partir de ações diárias. Com a consistência científica por trás dos dados, fica mais fácil aos frequentadores compreenderem de que maneira o comportamento influencia o funcionamento cerebral e vice-versa. “Entendi de que forma a cognição humana guia a maneira como nos sentimos”, afirma o paulistano Davi Lemos da Silva, 21 anos, matriculado nas faculdades de Ciências da Computação e de Psicologia. “Temos mitos em relação ao que achamos que nos fará felizes, como dinheiro, casamento. Na verdade, é a gentileza, gratidão, saúde, senso de comunidade, intimidade.”

LIÇÃO DE CASA

Os alunos devem listar diariamente cinco coisas boas que aconteceram no dia “Não deixo de fazer isso”, diz o português João Cardoso, 18 anos. Aluno de Astrofísica, ele aprendeu o quanto fazer novos amigos é importante. Seguindo as orientações das aulas, descobriu uma ótima companhia na colega Julia Sanderson, estudante de Economia. “Eu a conheci às cinco da manhã, na lavanderia. Tornou-se uma grande companheira”, diz.

OUTROS OLHARES

MUDANÇAS NECESSÁRIAS

A cada etapa da vida dos filhos, a família precisa se reciclar

Mudanças necessárias

Será que existe um modelo estável de família, ou ela se transforma à medida que os filhos nascem e, depois, crescem? Em tempos em que muitos pais e mães tentam entender os mais diversos comportamentos dos filhos, em todas as etapas da vida deles, é bom pensar sobre como a dinâmica familiar influencia, para o bem e para o mal, o desenvolvimento dos mais novos.

Uma família sempre começa com a reunião de, pelo menos, duas pessoas, e elas podem ser pares da mesma geração, ou um adulto e uma criança. Temos, na atualidade, muitas “mães-solo”, a nova expressão usada e mais aceita, e alguns “pais-solo” também, mas em menor número. Para que essa reunião de pessoas se torne um grupo familiar, cada um deve assumir o seu lugar, tanto geracional quanto no grupo.

Isso significa que o adulto precisa se comportar como adulto, a mãe como mãe e o pai como pai, independentemente de o casal estar junto ou não. A criança deve ter o direito à infância, de se comportar como criança. O adolescente, por sua vez, precisa assumir aos poucos a responsabilidade por sua vida –  ainda sob a tutela dos pais –  , ser reconhecido e acolhido como alguém que está em construção e transformação constantes e ter a oportunidade de aprender, na prática, que ser integrante de uma família acarreta compromissos.

Tudo isso exige que os vínculos entre os adultos e os mais novos sejam construídos e mantidos o tempo todo. Sabemos, por exemplo, que pais que têm bebê em casa perdem o sono por um motivo bem diferente do daqueles que têm filho adolescente, que já gosta de frequentar reuniões e festas noturnas. Os primeiros se cansam, os segundos se angustiam.

Os vínculos familiares dos pais com os filhos pequenos são de um tipo, expressam-se de determinadas maneiras, mas o crescimento dos filhos faz com que esses vínculos se transformem, ou seja, se expressem de outras maneiras. Quer saber como? Filhos pequenos adoram colo, mimo, beijar e abraçar, mas, já no início da segunda parte da infância, costumam sinalizara os pais que insistem nesses comportamentos: “menos, mãe, menos, pai, por favor!”. É ou não é? Os pais precisam, portanto, aprender a comunicar sua amorosidade pelos filhos de outras maneiras.

E aí está: a cada etapa da vida dos filhos, a família precisa mudar, adaptar-se, reciclar-se. Há famílias que insistem em permanecer do mesmo jeito como se construíram em sua origem e, muitas vezes, esse é um dos motivos do grande desconforto que os filhos – principalmente os adolescentes – experimentam quando estão com a família.

Não é a família em si que o jovem recusa com os comportamentos que expressa; é a família que insiste em permanecer a mesma desde quando ele era criança. Como ele já não é mais uma criança, não consegue identificar o seu lugar no grupo: sente-se, desse modo, excluído da panelinha. Mudança não produz instabilidade; provoca, sim, crescimento, adaptação, maturidade. Evitar mudanças não oferece segurança. Pense em sua família: ela tem se transformado na mesma medida e com a mesma velocidade com que seus filhos crescem?

GESTÃO E CAREIRA

EM BUSCA DAS REAIS COMPETÊNCIAS

Existe uma necessidade urgente de aprimoramento das habilidades para que os colaboradores possam dar o melhor de si em suas funções laborais.

Em busca das reais competências

Esse movimento do aprimoramento pode ocorrer em dois sentidos: da empresa para o funcionário ou do próprio indivíduo que busca uma melhor posição no mercado independentemente da função que ocupa atualmente.

Ocorre que muitas são as pessoas que não são capazes de vislumbrar seu real potencial e acabam por deixar de lado suas reais competências. Podemos dizer que a competência pode ser dividida em três elementos principais: o conhecimento formal que pode ser adquirido normalmente com estudo e/ ou treinamentos; saber­ fazer que está ligado às habilidades pessoais de uma pessoa e os recursos disponíveis para sua atuação; e por último saber – ser, que reflete as atitudes de uma pessoa diante das demandas apresentadas no dia a dia.

Quando não há um investimento por parte da instituição para que seus colaboradores possam melhorar ou, até mesmo, descobrir suas competências, é necessário que isso seja feito pelo próprio profissional que deseja alcançar um posicionamento melhor na empresa ou no mercado. Ocorre que as competências passaram a ser pré-requisitos exigidos por qualquer empresa atual no processo de recrutamento e seleção para suas vagas.

Diversos são os mecanismos existentes usados pelos selecionadores, que vão desde entrevistas até aplicação de dinâmicas e testes, a fim de pontuarem as competências necessárias para determinado cargo. Não saber quais são as competências pessoais e/ ou não aprimorar as que existem fazem toda diferença na hora de se candidatar a um processo seletivo.

Conheça as dez principais competências mais requeridas nos processos seletivos para a maioria dos cargos. Dessa forma você poderá analisar em quais possui melhor desempenho e em quais precisa melhorar. Vale a pena lembrar que, com um bom treinamento, tudo pode ser melhorado em um profissional. A ordem disposta não está ligada à importância de cada competência. Afinal, diferentes cargos vão exigir melhor desempenho em diferentes competências:

TRABALHO EM EQUIPE: Provavelmente a mais requerida das competências. Trabalhar em grupo requer que o indivíduo possua uma boa inteligência emocional para poder lidar com os conflitos que sempre surgem nas equipes. Administrar diferenças é o foco dessa competência.

SER LÍDER: O passo seguinte de saber trabalhar em equipe é se tornar um líder. Lembrando que existe uma diferença crucial entre ser o chefe e ser o líder. Você é uma pessoa que exerce influência no ambiente onde está inserido?

AUTO CONHECIMENTO: Um profissional necessita conhecer seus pontos fortes e frágeis da mesma forma que deve descobrir o que realmente o motiva a crescer todos os dias.

VISÃO DE NEGÓCIO: Uma certa ambição sempre é importante e, para isso, é necessário que se tenha uma visão além de sua própria área de atuação. Conhecer bem todo o sistema que o rodeia na instituição (ou mercado) para perceber as oportunidades de crescimento. Ir além do que toca e vê diariamente, abrir horizontes.

ATITUDE (O “A” DO CHA): Todos os profissionais minimamente qualificados conhecem bem o significado do CHA (conhecimentos, habilidades, atitudes). Ter atitude diante do grupo de atuação com comprometimento e ética faz toda diferença na hora de ser lembrado pelas pessoas. Ser lembrado positivamente, como um elemento de atitude, é um bom passo para o crescimento na instituição.

SER SOCIÁVEL: Não se trata de uma competência exclusiva do ambiente laboral. Hoje, ser sociável é a mola­ mestra da cultura recheada de redes sociais. Nesse ponto, saber ouvir os outros é uma habilidade que deve ser alavancada.

FOCO NA PRODUTIVIDADE: Qualquer instituição deseja que sua produtividade seja ampla e que o retorno financeiro ocorra para a manutenção de todos os processos envolvidos na produção. “Tempo é dinheiro” não é só um ditado popular, raras são as empresas que por algum motivo conseguem sobreviver no mercado com baixa produtividade.

CAPACIDADE DE SE ADAPTAR A MUDANÇAS: A resiliência é uma competência altamente solicitada para suportar as pressões internas e externas no ambiente de trabalho. Darwin nunca disse que é a espécie mais forte que sobrevive. Ele sempre afirmou que é a que melhor se adapta ao ambiente. Dessa forma, a única certeza que temos é a mudança constante do mercado. Sem capacidade de adaptabilidade não haverá um futuro para ninguém.

CAPACIDADE DE COMUNICAÇÃO PLENA: Em uma instituição uma falha no processo comunicacional pode gerar erros e prejuízos na produtividade, por isso, manter uma comunicação clarificada, sem dúvidas, é essencial no ambiente de trabalho.

CAPACIDADE DE CRIAR E MANTER AGENDAS: Saber lidar com prazos, ser organizado e capaz de cumprir as metas estabelecidas no tempo certo é uma competência muito bem vista e, por que não dizer, essencial para as pessoas que desejam usufruir de um crescimento na instituição. Saber se programar e criar estratégias de resolução de demandas irão colocar qualquer pessoa na direção do sucesso na vida profissional.

Assim, observando as diversas competências podemos descobrir quais devemos trabalhar para melhorar e quais as que podemos usar em prol de conseguirmos alcançar nossos objetivos. Sempre é possível aprimorar as habilidades que possuímos e aquelas que julgamos deficitárias podem ser alavancadas com treinamentos. O importante é ter consciência da real condição e usar isso como ponto de partida e nunca como uma condição finalizada.

 

JOÃO OLIVEIRA – é doutor em Saúde Pública, psicólogo e diretor de Cursos do Instituto de Psicologia Ser e Crescer (www.isec.psc.br).Entre seus livros estão: Relacionamento em Crise: Perceba Quando os Problemas Começam. Tenha as Soluções! Jogos para Gestão de Pessoas: Maratona para o Desenvolvimento Organizacional – Mente Humana: Entenda Melhor a Psicologia da Vida, e Saiba Quem Está à sua Frente Análise Comportamental pelas Expressões Faciais e Corporais (Wak Editora).

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 24: 4 – 31 – PARTE III

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Predições Terríveis

V – O Senhor prediz a pregação do Evangelho a todo o mundo (v. 14). “Este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo… e então virá o fim”. Observe aqui:

1. Ele é chamado de Evangelho do Reino, porque ele revela o reino da graça, que leva ao reino da glória; ele estabelece o reino de Cristo neste mundo; e nos assegura o outro mundo.

2. Este Evangelho, mais cedo ou mais tarde, deverá ser pregado em todo o mundo, a todas as criaturas, e todas as nações deverão ser ensinadas por ele; pois é nele que Cristo se mostra como a “salvação até aos confins da terra”. Para este fim, o dom de línguas era “as primícias do Espírito”.

3. O Evangelho será pregado “em testemunho a todas as gentes”; ou seja, ele é a declaração fiel do pensamento e da vontade de Deus a respeito do dever que Deus exige de um homem, e da recompensa que o homem pode esperar de Deus. É um “testemunho” (1 João 5.11) para aqueles que creem, de que eles serão salvos, e contra aqueles que persistem na incredulidade, de que serão condenados. Veja Marcos 16.16. Mas como esta verdade é mostrada aqui?

(1) Aqui está sugerido que era necessário que todo o mundo que se conhecia na época ouvisse a pregação do Evangelho, ou pelo menos ouvisse falar dele, antes da destruição de Jerusalém; isto era necessário para que a instituição do Antigo Testamento não se dissolvesse completamente até que o Novo Testamento estivesse bem estabelecido, tivesse uma base considerável, e começasse a formar uma imagem. Nesse contexto, era melhor que houvesse um grupo que buscasse a Deus, mesmo que de uma forma corrompida e degenerada, do que não haver ninguém que o fizesse. Dentro de quarenta anos depois da morte de Cristo, a “voz” do Evangelho tinha chegado aos confins do mundo (Romanos 10.18). O apóstolo Paulo pregou integralmente o Evangelho “desde Jerusalém e arredores até ao Ilírico”; e os outros apóstolos não foram ociosos; a perseguição dos santos em Jerusalém ajudou a dispersá-los, de modo que eles foram a todos os lugares, anunciando o Evangelho (Atos 8.1-4). E quando as notícias do Redentor alcançassem todas as partes do mundo, então o fim da nação judaica ocorre­ ria. Assim, aquilo que eles pensavam evitar, condenando Jesus à morte, foi precisamente o que procuraram.

Todos creram nele, e, vieram os romanos, e tiraram o seu lugar e a sua nação (João 11.48). Paulo disse que o Evangelho estava em “todo o mundo”, e havia sido “pregado a toda criatura ” (Colossenses 1.6-23).

(2)  Da mesma maneira, está sugerido que mesmo em tempos de tentação, dificuldades e perseguição, o Evangelho do rei no será pregado e propagado, e irá abrir o seu caminho em meio à maior oposição. Embora os inimigos da igreja se acalorem, e o amor de muitos dos seus amigos esfrie, ainda assim o Evangelho será pregado. E mesmo então, quando muitos caírem pela espada e pelo fogo, e muitos agirem malvadamente, e forem corrompidos por adulações, aqueles que realmente conhecem ao seu Deus serão fortalecidos para realizar as maiores proezas, instruindo a muitos (veja Daniel 11.32,33; e veja um exemplo em Filipenses 1.12-14).

(3)  O que, aparentemente, se pretende aqui é dar a entender que o fim do mundo ocorrerá quando o Evangelho tiver realizado o seu trabalho no mundo, e não antes disso. O Evangelho será pregado, e a palavra será transmitida, mesmo depois que vocês estiverem mortos; para que todas as nações, sejam as primeiras ou as últimas, possam apreciar ou recusar o Evangelho; e “então virá o fim”, quando o reino ser á entregue a Deus Pai, quando o mistério de Deus será concluído, o corpo espiritual será completado, e as nações forem convertidas e salvas, ou condenadas e silenciadas pelo Evangelho. Então virá o fim, de que Ele tinha falado anteriormente (vv. 6,7), não antes, não até que estes conselhos intermediários se cumpram. O mundo permanecerá enquanto existir algum dos eleitos de Deus que não tiver sido chamado; mas quando estiverem todos reunidos, ele se incendiará imediatamente.

VI – Ele prediz, mais particularmente, a destruição que viria sobre o povo dos judeus, a sua cidade, o seu Templo e a sua nação (v. 15ss.). Aqui Jesus chega mais perto de responder às perguntas dos discípulos sobre a destruição do Templo, e o que Ele disse aqui será útil para eles, tanto para o seu comportamento quanto para o seu consolo, referindo-se àquele grande evento. Ele descreve os diversos estágios daquela calamidade, como é usual em uma guerra.

1. Os romanos trarão “a abominação da desolação” ao “lugar santo” (v. 15). Considere que:

(1) Alguns entendem que uma imagem, ou estátua, colocada no Templo por alguns dos governantes romanos, e que era muito ofensiva aos judeus, os levou a se rebelarem, e desta maneira trouxe a desolação sobre eles. A imagem de Júpiter (um dos deuses do Olimpo), que Antíoco mandou colocar sobre o altar de Deus, é chamada A abominação da desolação, a mesma palavra usada aqui pelo historiador (1 Macabeus 1.54). Desde o cativeiro na Babilônia, nada era, nem poderia ser, mais desagradável para os judeus do que uma imagem no lugar santo, como se pode perceber pela poderosa oposição que eles fizeram quando Calígula se ofereceu para colocar a sua estátua ali, o que teria tido consequências fatais, se não tivesse sido evitado, e a questão apaziguada, pelo comportamento de Petrônio. No entanto, Herodes colocou a imagem de uma águia sobre a porta do Templo e, dizem alguns, a estátua de Tito foi colocada dentro do Templo. 

(2) Outros preferem explicar isso com o trecho paralelo (Lucas 21.20): “quando virdes Jerusalém cercada de exércitos”. Jerusalém era a cidade santa, Canaã era a terra santa, e o monte Moriá, que está próximo de Jerusalém, pela sua proximidade com o Templo, era, de uma maneira especial, considerado solo sagrado; o exército romano estava acampado na região ao redor de Jerusalém, e isto teria sido a abominação que produziu a desolação. A terra de um inimigo é considerada como “a terra de que te enfadas” (Isaias 7.16), de modo que um exército inimigo, para um povo fraco, mas voluntarioso, pode perfeitamente ser chamado de abominação. Diz-se que isto se refere a Daniel, que falou mais claramente do Messias e do seu reino que qualquer outro dos profetas do Antigo Testamento. Ele fala de uma “abominação desoladora”, o que seria feito por Antíoco (Daniel 11.31; 12.11), mas isto a que se refere o nosso Salvador nós temos na mensagem trazida pelo anjo (Daniel 9.27) do que aconteceria no final de setenta semanas, muito tempo depois da anterior; pois com o aumento das abominações, ou, como diz a anotação na margem, com os exércitos abomináveis (o que esclarece a profecia), Ele trará a desolação. Exércitos de idólatras podem ser chamados de exércitos abomináveis; e alguns pensam que os tumultos, insurreições, facções e sedições abomináveis, na cidade e no Templo, podem, pelo menos, ser interpretados como parte da abominação causando desolação. Cristo lembra aos discípulos a profecia de Daniel, para que eles possam ver como a destruição da sua cidade e do seu Templo foi mencionada no Antigo Testamento, o que confirmaria a sua predição e, ao mesmo tempo, removeria a ira da sua profecia. Da mesma maneira, eles poderiam, a partir de então, começar a contar o tempo logo depois da morte do Messias, o príncipe. O pecado cometido quando os judeus o rejeitaram e a certeza da destruição são uma desolação determinada. Assim como Cristo, pelos seus preceitos, confirmou a lei, também pelas suas predições Ele confirmou as profecias do Antigo Testamento, e isto será útil para a comparação de ambas.

Tendo sido feita referência a uma profecia, que normalmente é obscura, Cristo insere este lembrete: “Quem lê, que entenda”. Aquele que lê a profecia de Daniel, compreenda que ela deverá se cumprir então, dentro de pouco tempo, na destruição de Jerusalém. Observe que aqueles que leem as Escrituras, devem se esforçar para entendê-las, caso contrário a sua leitura terá pouco propósito. Nós não podemos utilizar aquilo que não compreendemos. Veja João 5.39; Atos 8.30. O anjo que trouxe esta profecia a Daniel o estimulou para que a conhecesse e entendesse (Daniel 9.25). E nós não devemos perder a esperança de entender, nem mesmo as profecias obscuras; a maior profecia do Novo Testamento é chamada de “revelação”, e não de segredo. Agora as coisas reveladas pertencem a nós; portanto, elas devem ser investigadas com humildade e diligência. Também podemos compreender não apenas as Escrituras que falam dessas coisas, mas pelas Escrituras devemos compreender os tempos (1 Crônicas 12.32). Observemos e prestemos atenção; assim alguns interpretam isso. Que nos asseguremos de que, apesar das esperanças vãs com as quais as pessoas iludidas se alimentam, os exércitos abomináveis trarão desolação.

2. Os meios de preservação que os homens sérios deveriam empregar (vv. 16,20): “Os que estiverem na Judéia, que fujam”. A conclusão é que não existe outra maneira de se salvar, exceto fugir. Nós podemos interpretar isto:

(1)  Como uma predição da própria ruína – que ela seria impossível de evitar; que seria impossível, mesmo para os corações mais corajosos, resistir a ela, ou lutar contra ela. Eles devem recorrer à última opção, sair do caminho. Isto indica aquilo em que Jeremias tanto insistia, embora em vão, quando Jerusalém estava sitiada pelos caldeus, que seria inútil resistir, mas que seria prudente render-se e capitular; assim também Cristo aqui, para mostrar o quanto seria inútil resistir a isso, convida todos a seguir o seu conselho.

(2)  Nós podemos interpretar isso como uma orientação aos seguidores de Cristo quanto ao que fazer, o que não significa uma aliança com aqueles que lutaram e guerrearam contra os romanos pela preservação da sua cidade e nação, somente para que pudessem consumir a riqueza de ambas nos seus desejos (pois o apóstolo se refere a essa mesma questão – as lutas dos judeus contra o poder romano, alguns anos antes da sua destruição final, Tiago 4.1-3). Mas que eles concordem com o que foi dito, e que saiam rapidamente da cidade e do país, como se estivessem abandonando um cavalo que está caindo ou um navio naufragando, como Ló saiu de Sodoma e como Israel deixou as tendas de Datâ e Abirão. Ele lhes mostra:

[1] Para onde deveriam fugir ao sair da Judéia: “para os montes”. Não os montes ao redor de Jerusalém, mas aqueles nos lugares distantes, que lhes serviriam de abrigo, não tanto pela sua resistência, mas pelo seu isolamento. Está dito que Israel se dispersará pelos montes (2 Crônicas 18.16; veja também Hebreus 11.38). Haveria maior segurança entre os covis dos leões, e os montes dos leopardos, do que entre os sediciosos judeus ou os furiosos romanos. Note que em tempos de perigo iminente, não apenas é lícito, mas também é nosso dever, procurar a nossa própria preservação por todos os meios bons e honestos, e se Deus nos abre uma porta, nós devemos usá-la para escapar, do contrário não estaremos confiando em Deus, mas tentando-o. Pode haver uma ocasião em que mesmo aqueles que estão na Judéia, onde Deus é conhecido e o se u nome também, precisem fugir para os montes; e desde que nós saiamos somente do caminho do perigo, e não do caminho do dever, nós podemos confiar que Deus proverá um refúgio para os seus desterrados (Isaias 16.4,5). Em tempos de calamidade pública, quando fica claro que não temos utilidade em casa e podemos estar mais seguros em outro lugar, a Providência nos convida a fugir. Aquele que fugir poderá lutar outra vez.

[2] A pressa que eles devem ter (vv. 17,18). A vida estará em perigo, em perigo iminente, o açoite surgirá de repente, e, portanto, “quem estiver sobre o telhado”, quando soar o alarme, “não desça a tirar alguma coisa de sua casa”, para cuidar das suas coisas, mas desça o mais rapidamente possível, para fugir; e também “quem estiver no campo”, encontre o caminho mais acertado para fugir imediatamente, e não “não volte atrás a buscar as suas vestes”, ou para tirar coisa alguma de sua casa, por dois motivos. Em primeiro lugar, porque o tempo que ele perderia para empacotar as suas coisas iria atrasar a sua fuga. Observe que quando a morte está à porta, atrasos são perigosos. Isto foi recomendado a Ló: “Não olhes para trás de ti”. Aqueles que estão convencidos da infelicidade de uma condição de pecado, e da destruição que os espera nessa condição, e, consequentemente, da necessidade de fugir em direção a Cristo, devem se apressar, para que, depois de todas essas convicções, eles não pereçam eternamente por causa de atrasos. Em segundo lugar, porque carregar as suas vestes, e outras coisas de valor, iria sobrecarregá-lo, e obstruir a sua fuga. Os sírios, na sua fuga, lançaram fora suas vestes (2 Reis 7.15). Numa ocasião como esta, nós devemos dar graças se as nossas vidas forem poupadas, ainda que não possamos salvar nada do que é nosso (Jeremias 45.4,5). Pois “a vida é mais do que o mantimento” (cap. 6.25). Aqueles que carregam menos coisas, têm a fuga mais segura. Aquele que viaja sem dinheiro não tem nada a perder para os ladrões. Foi para os seus próprios discípulos que Cristo recomendou que deixassem a sua casa e as suas roupas, pois eles tinham uma morada no céu, tinham um tesouro ali, e roupas duráveis, que o inimigo não lhes poderia roubar. Eu levo comigo tudo o que tenho, disse Bias, o filósofo, na sua fuga, de mãos vazias. Aquele que tem a graça no seu coração a leva consigo, mesmo quando despojado de tudo.

Aqueles a quem Cristo disse isso não viveram para ver esse dia funesto, nenhum dos doze, exceto João, e apenas ele; eles não precisaram se esconder nos montes (Cristo os escondeu no céu), mas eles deixaram a orientação aos seus sucessores na fé, que a obedeceram, e ela foi útil para eles; pois quando os cristãos de Jerusalém e da Judéia viram a destruição que se aproximava, todos fugiram para uma cidade chamada Pella, no outro lado do rio Jordão, onde ficaram em segurança; de modo que, entre os muitos milhares que pereceram na destruição de Jerusalém, não havia nenhum cristão. Veja Eusébio, Eclesiástica. História, liv. 3, cap. 5. Assim “o avisado vê o mal, e esconde-se” (Provérbios 22.3; Hebreus 11.7). Este aviso não foi mantido em segredo. O Evangelho de Mateus foi publicado muito tempo antes da destruição, para que outros pudessem se beneficiar dessa orientação; mas aqueles que pereceram por não crerem nisso, tornaram-se um exemplo daqueles que perecerão eternamente por causa da sua descrença nas advertências que Cristo expressou a respeito da ira futura.

[3] Para quem esta ocasião seria difícil (v. 19): ”Ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias!” As palavras proferidas por Cristo, por ocasião da sua morte, se referem a esse mesmo evento (Lucas 23.29): “Porque eis que hão de vir dias em que dirão: Bem-aventuradas as estéreis, e os ventres que não geraram, e os peitos que não amamentaram!” Bem-aventurados aqueles que não têm filhos, para não verem o assassinato deles; todavia, mais infelizes são aquelas cujos ventres estão gerando, e que estão amamentando: elas, entre todas as outras, são as que estarão na situação mais melancólica. Em primeiro lugar, a fome seria mais grave e lamentável para elas, quando vissem a língua do que mama pegada pela sede na boca, e elas mesmas seriam mais cruéis que avestruzes no deserto (Lamentações 4.3,4). Em segundo lugar, a espada seria mais terrível para elas, por estar em uma mão que seria movida por algo pior que a fúria brutal. Seria um parto terrível, quando as mulheres grávidas viessem a ser cortadas ao meio pelo conquistador enfurecido (2 Reis 15.16; Oseias 13.16; Amós 1.13), ou as crianças fossem levadas ao matador (Oseias 9.13). Em terceiro lugar, a fuga seria também mais aflitiva para elas. As mulheres grávidas não podem se apressar, nem percorrer grandes distâncias; a criança que amamenta não pode ficar para trás, ou, se pudesse: “Pode uma mulher esquecer-se tanto do filho… que se não compadeça dele?” Se a criança for levada, ela retarda a fuga da mãe, e assim arrisca a vida dela, e corre o perigo da fuga de Mefibosete, que ficou coxo devido a uma queda que sofreu durante a fuga da sua ama (2 Samuel 4.4).

[4] O que eles deveriam pedir em oração naquela ocasião: “Orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no sábado” (v. 20). Observe que, em geral, é conveniente que os discípulos de Cristo, em tempos de problemas e calamidades, estejam em oração, pois isto é um bálsamo para todas as feridas; nenhuma ocasião deixará de ser apropriada, mas será especialmente apropriada quando eles sofrerem aflições de todos os lados. Não existe remédio, mas você deve fugir; a orientação já é pública e é um decreto, para que Deus não seja tentado a afastar a sua ira, nem mesmo que Noé, Daniel e Jó estejam diante dele. Isto deve bastar para nós, não falemos mais no assunto, mas nos esforcemos para fazer o melhor; e mesmo que não consigamos, pela fé, orar para que não sejamos forçados a fugir ainda assim devemos orar para que as circunstâncias da fuga sejam ordenadas graciosamente, para que, embora o cálice não possa ser afastado de nós, os prejuízos do juízo possam ser reduzidos. Observe que Deus dispõe das circunstâncias dos eventos, e isto, de uma maneira ou de outra, algumas vezes provoca uma grande alteração. Por isso, os nossos olhos devem estar sempre voltados a Ele. O fato de Cristo os convidar a orar a favor disso dá a entender o seu propósito de conceder-lhes tal coisa; e numa calamidade geral, nós não devemos negligenciar uma gentileza circunstancial, mas considerar e reconhecer que a situação poderia ter sido pior. Cristo sugere ainda aos seus discípulos que orem por si mesmos, e por seus amigos, para que, se eles forem forçados a fugir, possam fazê-lo na época mais conveniente. Observe que quando se espera problemas a uma grande distância, é bom ter de antemão um estoque de orações. Os discípulos devem orar, em primeiro lugar, para que a sua fuga, se for a vontade de Deus, não aconteça no inverno, quando os dias são curtos, o tempo, frio, as estradas, sujas, e, portanto, a viagem será muito desconfortável, especialmente para famílias inteiras. Paulo apressa Timóteo par a vir vê-lo antes do inverno (2 Timóteo 4.21). Note que embora o bem-estar do corpo não deva ser levado em conta acima de tudo, ele deve ser devidamente considerado. Embora devamos tomar o que Deus nos envia, e quando Ele envia, nós devemos orar contra inconveniências para o corpo, e somos incentivados a fazer isso, pois “o Senhor é para o corpo”. Em segundo lugar, par a que a fuga não ocorra num sábado. Não no sábado judaico, por que viajar nesse dia seria ofensivo àqueles que estavam irados com os discípulos por colherem as espigas nesse dia. Não no sábado cristão, porque ser forçado a viajar nesse dia seria uma tristeza para um cristão. Isto sugere o desígnio de Cristo, de que um descanso semanal fosse observado pela sua igreja depois da pregação do Evangelho a todo o mundo. Não sabemos de nenhum dos rituais da igreja judaica, que eram puramente cerimoniais, sobre o qual Cristo tenha expressado qualquer preocupação, porque eles seriam todos abolidos; mas o Senhor frequentemente expressava uma preocupação pelo sábado. Isto sugere, da mesma maneira, que o sábado, basicamente, deve ser observado como um dia de descanso de viagens e do trabalho terreno; mas que, de acordo com a sua própria explicação do quarto mandamento, obras necessárias eram lícitas no sábado, como essa, de fugir de um inimigo para salvar a própria vida. Se não fosse lícito, Ele teria dito: “Aconteça o que acontecer, não fujam no sábado, mas permaneçam, ainda que morram por causa disso”. Nós não devemos cometer o menor pecado para escapar ao maior problema. Mas isto sugere, da mesma maneira, que é muito desagradável que um bom homem seja privado de qualquer obra de necessidade por causa do serviço solene e da adoração a Deus. Nós devemos orar para que possamos ter “sábados” tranquilos e despreocupados, não tendo nenhum outro trabalho no dia que consagramos à oração e à adoração ao Senhor. Assim poderemos nos preocupar com o Senhor, sem distrações. Era desejável, se eles tivessem que fugir, que pudessem ter o benefício e o consolo de um sábado para ajudá-los a suportar as suas cargas. Fugir no inverno é incômodo para o corpo, mas fugir no sábado é incômodo para a alma; ainda mais quando alguém se lembra dos dias passados, como no Salmo 42.4.

3. Os grandes problemas que se seguiriam imediatamente (v. 21): “Haverá, então, grande aflição”; então, quando a medida da iniquidade está completa; então, quando os servos de Deus estão selados e protegidos, então vem os problemas. Nada pode ser feito contra Sodoma até que Ló tenha chegado a Zoar, e então podemos procurar fogo e enxofre imediatamente. “Haverá, então, grande aflição”. Grande, realmente, quando dentro da cidade as pragas e a fome se enfureceram, e (pior do que qualquer coisa) houve facção e divisão, de modo que a espada de cada homem estava contra o seu companheiro. Foi então, e ali, que as mãos das mulheres desprezíveis esfolaram os seus próprios filhos. Fora da cidade, estava o exército romano, pronto para engoli-los, com uma ira especial contra eles, não somente como judeus, mas como judeus rebeldes. A guerra foi o único dos três julgamentos dolorosos de que Davi foi isento. Mas seria isso o que destruiria os judeus. E houve fome e pestes extremas, além da guerra. A obra History of the Wars of the Jews (História das Guerras dos Judeus), de Josefo, contém mais passagens trágicas do que, talvez, qualquer outra história.

(1) Foi uma desolação incomparável, “como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco haverá jamais”. Muitas cidades e reinos foram de­ solados, mas nenhum com uma desolação como essa. Os pecadores ousados não devem pensar que Deus fez o pior que podia fazer. Ele pode aquecer a fornalha sete vezes e ainda outras sete vezes mais quente, e o fará, quando vir abominações maiores e ainda maiores. Os romanos, quando destruíram Jerusalém, estavam destituídos da honra e da virtude dos seus ancestrais, o que tornou as suas vitórias mais fáceis de serem obtidas. E a determinação e teimosia dos próprios judeus contribuíram muito para o aumento da tribulação. Não é de admirar que a destruição de Jerusalém tenha sido uma destruição sem paralelos, quando o pecado de Jerusalém foi um pecado sem paralelos – a crucificação de Cristo por eles. Quanto mais próximo alguém está de Deus, em profissão de fé e privilégios, maior e mais grave será o julgamento divino sobre tal pessoa, se usar mal os seus privilégios, e for falso à sua profissão de fé (Amós 3.2).

(2) Foi uma desolação que, se continuasse por muito tempo, seria intolerável, de modo que “nenhuma carne se salvaria” (v. 22). A morte chegaria tão triunfante, de tantas maneiras funestas, e com tantos ajudantes, que não haveria como escapar, mas, em algum momento, todos seriam mortos. Aquele que escapasse a uma espada, cairia por outra (Isaias 24.17,18). A estimativa que Josefo faz daqueles que foram mortos em diversos lugares soma mais de dois milhões de pessoas. “Nenhuma carne se salvaria”. Ele não diz: ” Nenhuma alma se salvaria”, pois a destruição da carne pode ser “para que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus”. Mas a vida temporal será sacrificada com tal profusão, que se poderia pensar que, se isto durasse algum tempo, o fim seria completo.

Mas há uma palavra de consolo em meio a todo este terror – que, “por causa dos escolhidos, serão abreviados aqueles dias”, não significa menos do que Deus tinha determinado (pois “o que está determinado será derramado sobre o assolador”, Daniel 9.27), porém menos do que Ele poderia ter decretado, se Ele tivesse lidado com eles de acordo com os seus pecados. Menos do que o inimigo teria desejado, pois ele teria eliminado a todos, se Deus, que o usa para servir aos seus próprios objetivos, não tivesse contido a sua ira. Menos do que teria imaginado alguém que julga de acordo com as probabilidades humanas. Observe que:

[1] Em tempos de calamidade geral, Deus manifesta o seu favor aos eleitos remanescentes; as suas joias, que Ele então irá reunir; o seu tesouro particular, que Ele irá proteger, quando os restos forem abandonados aos espoliadores.

[2] A abreviação das calamidades é uma benignidade que Deus frequentemente concede para o bem dos eleitos. Em vez de reclamar que as nossas aflições duram tanto tempo, se nós levarmos em consideração nossos defeitos, veremos motivos para sermos gratos porque elas não duram para sempre; quando as coisas estão ruins para nós, é conveniente que digamos: “Bendito seja Deus, porque não são piores. Bendito seja Deus, porque isto não é uma desgraça infernal, interminável e irremediável”. Foi uma igreja aflita que disse: ”As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos”, e isto ocorre para o bem dos eleitos, para que o seu espírito não caia antes deles (se Ele desejasse combater para sempre), e para que eles não sejam tentados a oferecer as suas mãos, se não o seu coração, à iniquidade.

E então vem o aviso repetido, que já foi apresentado antes, de tomar cuidado para não se deixar enganar por falsos Cristas e falsos profetas (v. 23ss.), que lhes pro­ meteriam a libertação, como os profetas mentirosos da época de Jeremias (Jeremias 14.13; 23.16,17; 27.16; 28.2), mas os iludiriam. Os tempos de grande tribulação são tempos de grandes tentações, e por isso nós precisamos dobrar a nossa guarda. Se disserem: “Eis que o Cristo está aqui ou ali”, e irá nos libertar dos romanos, “não lhe deis crédito”, isto são apenas palavras. Tal libertação não deve ser esperada, e tampouco tal libertador.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

DE ONDE VÊM OS BEBÊS?

Não há idade para falar de sexo com as crianças, o importante é saber escutar suas perguntas e responder, sempre de forma adequada à sua idade.

De onde vêm os bebês

Apesar de ser por volta dos 3 anos de vida que as crianças começam a manifestar alguma curiosidade sexual, é a partir do nascimento, e da gradual exploração do próprio corpo, que tem início a sua identidade sexual. O prazer de se tocar, de se mostrar e observar os outros além das perguntas decorrentes vão se sucedendo em etapas adequadas ao desenvolvimento humano, por isso pode se generalizar e dizer que a educação sexual começa no berço.

Notar as características do corpo dos pais, dos irmãos e irmãs, chama a atenção infantil para as diferenças que obviamente criam dúvidas e aí começa um ciclo de perguntas que precisam ser respondidas pelos adultos.

A curiosidade é natural às crianças e jovens e, portanto, não é de se estranhar que indagações sobre o próprio corpo e sua sexualidade aflorem tão cedo. Por isso, estar preparado para oferecer esclarecimentos é uma obrigação das famílias, pois faz parte do processo educativo.

Embora o receio de falar sobre sexo aflija muitos adultos, seja por não saberem o que dizer ou como o fazer de modo adequado à idade da criança, às suas convicções religiosas ou tabus na sua própria educação ou não ter tido acesso a informações mais assertivas, hoje existem vários livros, sites sérios e profissionais que dão orientações sobre o assunto, e os pais não estão mais sozinhos nessas dúvidas.

Mas existe uma regra fundamental em educação: responder somente à pergunta de modo simples e nem sonhar em dar explicações longas, cheias de detalhes que não estão sendo solicitados pela criança. Dúvidas infantis são sempre pontuais e diretivas: falar de modo sucinto, simples, é a melhor maneira de esclarecer, até que surja a próxima indagação por parte da criança.

A partir dos 3 ou 4 anos de idade, a maioria das crianças já se preocupa sobre “de onde vêm os bebês”. É natural que elas se intriguem com o assunto, ainda mais hoje quando as grávidas expõem suas barriguinhas em roupas marcantes e ouvir falar em sexualidade na própria televisão não seja difícil. Percebem a relação entre alguns fatos e, ao perguntar, desejam obter mais que um novo conhecimento: querem “provar” sua hipótese junto aos pais e assim também verificar a confiabilidade de suas respostas!

Em pleno século XXI há ainda quem ache correto contar historinhas facilmente desmistificáveis como a da cegonha, o que realmente é lamentável. Além de não explicar, a criança perderá a confiança no adulto, pois logo saberá que esse lhe mentiu, se sentirá traída e menosprezada em sua inteligência.

Também não se aconselha o hábito de adiar respostas (“mais tarde explico, você ainda é pequeno”) ou mandar perguntar ao pai, ou à mãe ou até à professora. Esquivar-se dos devidos esclarecimentos é a pior opção depois da mentira. A não ser que deseje perder o respeito do   filho, quebrar o elo de ligação natural, criar um desconforto sobre o assunto. É mais indicado dizer de modo natural que os bebês surgem da barriga da mãe. Afinal, a criança não perguntou ainda como é a reprodução em si, o que fará numa ocasião futura e só então terá sua elucidação.

Nessa fase é recomendável introduzir as primeiras ideias de pudor, evitando tomar banho despido com a criança ou deixando a porta do quarto dos pais trancada à noite. Dormir na cama do casal, permitir que manipule o corpo dos pais não são recomendáveis: a criança precisa se acostumar com o fato de que a nudez é natural, mas é também uma questão de intimidade; sem cair em exageros, no entanto, para que não sinta futuramente constrangimento perante, por exemplo, outra pessoa seminua em um vestiário.

Entre 4 e 6 anos, quase todas as crianças gostam de brincar de médico e não raramente se despem para se mostrar e ver o corpo do outro. É a curiosidade natural, que não pode nem deve ser proibida nem revestida de culpa, mas deve ser orientada, pois é preciso que saibam que as pessoas na nossa cultura não andam despidas e que há áreas do corpo que são íntimas, que não devem ser mostradas em público a outras pessoas nem se deixar tocar por outrem.

A mesma orientação deve ser dada quando começam a fase de autoerotismo ou masturbação. Ao se tocarem percebem a sensibilidade da região genital e daí a descobrirem o prazer que vem da manipulação é apenas um passo. Surge por instinto e os pais, embora não devam proibir ou gerar culpa na criança, devem intervir caso o pequeno se masturbe em público.

As crianças devem entender que esse gesto é íntimo, e, portanto, o contexto deve ser outro. O cuidado nesse caso é que se a criança for mal orientada, além de desenvolver problemas futuros com sua sexualidade, poderá entender que é para se esconder, já que não entende a diferença entre pudor e interdição.

Por volta dos 6 a 8 anos, a necessidade de intimidade começa a se mostrar mais forte e isso acarreta mais dúvidas aos pais, caso não tenham acompanhado o crescimento do filho. Perguntas como “o que é fazer amor” ou por que não se deve tocar nos genitais de adultos etc. vão surgir, e da confiança da criança em seus pais e de sua capacidade de terem dado bom andamento a esse aprendizado é que na puberdade e adolescência será ou não mais fácil orientar sua iniciação na vida sexual.

MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial Neuroaprendizagem, foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/07). É autora de artigos e publicações nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuroaprendizagem.

irenemaluf@uol.com.br

OUTROS OLHARES

DE LÚDICO A TRÁGICO

Perfil e origem da compulsão por jogos varia entre os sexos. A idade em que os jogadores procuram a primeira ajuda psicológica gira em torno dos 40 anos.

De lúdico a tragico

Aos 17 anos, Márcia (nome fictício) fez sua primeira aposta no “jogo do bicho”. No começo gastava seu próprio salário para sustentar o comportamento compulsivo de jogar. Com o tempo, porém, passou a dispor das economias capitalizadas pela família no banco em que era responsável pela área de aplicações. Movimentava o dinheiro dos parentes entre as contas, até deixá-las negativas. Descoberta por um auditor, acabou demitida por justa causa e prometeu jamais voltar a jogar. O compromisso foi mantido nos quase 20 anos que se seguiram, período em que pôde reorganizar sua vida, cursar faculdade e conseguir bons empregos.

Entretanto, um problema emocional a fez voltar a apostar, desta vez, em máquinas eletrônicas. “Voltei a jogar compulsivamente, perdi tudo o que havia construído. Além do dinheiro, perdi minha dignidade, minha moral, autoestima, caráter, e espirito familiar. Tudo isso coube naquelas máquinas”, enfatiza ela, que chegou a dormir na rua e a passar frio e fome, tendo, inclusive, tentado o suicídio na véspera do aniversário da mãe. Desde julho de 2015, frequenta as reuniões dos Jogadores Anônimos, grupo que funciona segundo os moldes dos Alcoólatras Anônimos e dá suporte aos dependentes. “Desde então nunca mais fiz nenhuma aposta, faz dois anos e 11 meses e dois dias. Tenho o amor da minha família de volta, minha autoestima, minha dignidade, amigos. Hoje, a vida, que não é só o espaço entre nascer e morrer, é curtir cada momento e poder ajudar alguém, finaliza.

Histórias, como as de Márcia, mostram os desdobramentos reais de um problema que ganha vulto nos serviços de saúde mental. Embora não existam estatísticas brasileiras, pesquisas feitas nos Estados Unidos, Canadá, Espanha e Austrália mostram que, nestes países, entre 0,8 e 4% da população vivencia o hábito de jogar de maneira patológica, o que pode ser caracterizado como um comportamento mal adaptativo persistente e recorrente de apostar em jogos de azar, implicando em prejuízo significativo em diferences aspectos da vida. “O jogo perde seu significado lúdico quando o indivíduo joga para recuperar perdas anteriores, perde o controle ao apostar mais que ó programado ou jogar por mais tempo do que o planejado, recorre ao jogo como fuga, se endivida, compromete as relações familiares e sociais e ainda persiste na atividade”, enumera o psiquiatra Hermano Tavares, coordenador do Ambulatório do Jogo Patológico, vinculado ao Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo.

ENQUADRAMENTO

Reconhecido como transtorno psiquiátrico pela Organização Mundial de Saúde somente em 1992, aparece nos manuais de psiquiatria desde a década de 80. No DSM-IV, faz parre do grupo de Transtornos do Controle dos Impulsos Não Classificados em Outro local, já no CID-10 consta entre os Transtornos de Hábitos e Impulsos. O enquadramento vem justamente pelo fato de existirem similaridades entre o jogar patológico e consumo de substâncias psicoativas. Conceitos como o de tolerância, que pontua a necessidade de se consumir uma quantidade maior de substâncias (nesse caso, de se apostar cada vez mais), para a obtenção do mesmo prazer ou perda de controle são válidos também neste contexto. “A atividade de jogar excita o sistema nervoso central e se reflete no corpo pela aceleração dos batimentos cardíacos, elevação da tensão muscular e aumento da frequência respiratória. Nesse sentido, seus efeitos se assemelham muito às reações produzidas por excitantes químicos como cocaína, anfetamina e ecstasy”, compara o psiquiatra.

Embora cada um traga sua própria bagagem de vida, é possível pontuar algumas características que se combinam significativamente; propiciando o aparecimento destes quadros. ”A impulsividade e a instabilidade emocional são os principais fatores de vulnerabilidade ao jogo. Ambas têm uma determinação compartilhada entre a genética e o ambiente. Estima-se que 30 a 50% dos fatores determinantes sejam herdados e o restante vem do meio,  como estresse no trabalho, na vida familiar e a oferta abundante e progressiva de jogos de azar em nossa sociedade”,  esclarece Tavares, enfatizando também que a expansão do jogo de azar é um fenômeno internacional, comum na cultura Ocidental, em que auto estima e reconhecimento social foram progressivamente alçados à condição de valores intercambiáveis e, de certa forma,  identificados com a questão da posse financeira.

No cenário nacional, a expansão dos Bingos acabou por se tornar um fator decisivo no aumento da demanda por tratamento, assumindo a dianteira como jogo de preferência entre as pessoas que buscam ajuda em programas especializados na cidade de São Paulo.

QUEM É O JOGADOR?

O psiquiatra delimita dois perfis de jogadores, sendo que; muitas vezes é possível reunir características de ambos. O primeiro é predominantemente masculino e começou a jogar no fim da adolescência. Antes de se tornar praticante preferencial de uma modalidade de jogo, transitou por várias, formas, entre sinuca, jogo do bicho, dominó, cartas, cavalos. Em geral; casou-se cedo e logo entrou no mercado de trabalho, tendo um sucesso inicial por ser falante, ágil e extrovertido, o que lhe protegeu por um tempo de envolver-se mais profundamente com jogo.  ”Entre os 30 e 40 anos, contando com uma folga financeira, passa a apostar mais intensamente na busca pela emoção do risco. Aposta grande volume de dinheiro em um curto espaço de tempo visando à excitação. Em torno dos 40 anos tem sua primeira quebra financeira, mas como é orgulhoso é independente ainda vai cair e levantar-se algumas vezes até aceitar o fato de que necessita de ajuda ou tratamento especializado para lidar com seu problema”, delimita o psiquiatra, acrescentando que a média de idade na primeira procura por tratamento dessas pessoas é em torno dos 45 anos.

Quanto ao segundo perfil, que tanto pode ser masculino quanto feminino, engloba os indivíduos que começaram a jogar mais tarde, em torno dos 40 anos, sem ter experiência prévia. Aqui, o jogar aparece como um reflexo do esvaziamento do cotidiano, uma vez que os filhos são mais independentes e a demanda por dinheiro na família se reduz, ou seja, a principal motivação para jogar é o alheamento dos problemas.

“Este paciente dá preferência a caça-níqueis e jogos eletrônicos em geral, e história anterior de depressão ou transtorno de ansiedade é comum nesta população. A progressão para a compulsividade é muito rápida, em geral de 6 meses a 2 anos”, caracteriza o médico, informando ainda que este jogador aposta valores enormes buscando prolongar o seu tempo em frente à máquina.

Nestes casos, a procura por tratamento é mais rápida e muitas vezes vem mascarada como uma queixa de tristeza e nervosismo, acompanhada de reclamações sobre a incompreensão da família, já que neste perfil, o paciente tem vergonha de confessar que joga. “Como a progressão é mais rápida, apesar do início tardio, este paciente chega ao tratamento mais ou menos na mesma época, ou seja, em torno dos 45 anos de idade. A progressão acelerada é chamada de efeito telescópio e seus principais fatores de risco são: gênero feminino, preferência por jogos eletrônicos e início após a quarta década de vida”, esclarece o médico.

A psicóloga Thaís Grade Maluf, integrante do Programa de Atendimento de Jogadores Patológicos do Proad, vinculado à Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp), pontua que o pedido de ajuda costuma vir quando “a corda já passou do pescoço”, ou seja, quando houve uma desestruturação financeira significativa e o casamento está comprometido ou desfeito. Para a entrada no programa oferecido pela instituição, a pessoa passa por um grupo de acolhimento que integra outros dependentes não químicos, como compradores, dependentes de sexo ou de internet. O intuito é o de sensibilizar não só o paciente, como também seus familiares para o tratamento, colocando-se em pauta a questão da impulsividade e da compulsividade, presentes de forma contundente nos jogadores, embora manifestos em graus diferentes no decorrer da vida. “O jogador tem um estigma muito parecido com o do viciado em drogas e por isso procura o tratamento com mais frequência”, pondera a psicóloga ao comparar a maior participação desta clientela, em relação ao espectro de dependências reunidos no grupo.

Entre as crenças do jogador patológico está a de que se tem controle sobre o hábito, ou que se “joga só para relaxar”. Há ainda uma tendência em buscar continuamente a experiência vivida numa fase inicial de “euforia’, em que o retorno financeiro ainda era significativo. “Este estado prazeroso do ganho fica na memória por muito tempo e, de uma certa forma, é atrás desta sensação de ganho e poder que se vai”, pontua a psicóloga.

A partir deste ponto, o usuário do serviço passa a receber acompanhamento psiquiátrico e psicoterápico individual ou em grupo, sendo que a equipe segue uma orientação psicodinâmica da dependência. Nesta perspectiva, o foco de atenção se direciona para além dos sintomas, em busca das causas do que não vai bem e que se manifestam através do comportamento compulsivo. Muitas das pessoas que procuram o serviço trazem, no seu histórico familiar e também pessoal, o fato de já terem feito o uso abusivo de droga, muitas vezes apenas “migrando” de uma adição para outra.

Mais do que o ‘cessar a atividade, busca-se a conscientização e a possibilidade do sujeito em responsabilizar-se pela sua condição, reduzindo os inúmeros prejuízos vinculados à dependência de jogar e a possibilidade da construção, de outros vínculos de lazer e possibilidades efetivas de prazer. Enquanto se busca o enfrentamento na gênese do problema, a equipe também traz orientações simples, como a de que o usuário do serviço leve uma quantia determinada ao sair de casa para jogar ou ainda que jogue no computador, em casa, sem apostas.

A psicóloga pontua que boa parte dos homens chegam ao serviço impotentes nas diversas esferas da vida, pois não conseguem gerir o próprio dinheiro, sendo que muitos tiveram sucesso profissional e conseguiram um bom padrão de vida trabalhando. Esta situação acaba favorecendo um novo arranjo de papéis dentro do lar, em que há um certo ganho de poder por parte da mulher, que acaba assumindo um papel central no comando das finanças, por exemplo, o que, de alguma maneira, a torna resistente em partilhar com o companheiro do percurso do tratamento.

O médico Hermano Tavares reitera a importância do processo psicoterápico nestes casos, pelo alto índice de associação com outros transtornos psiquiátricos, principalmente na dependência química, depressão e ansiedade. “É importante uma avaliação psiquiátrica e o tratamento dessas condições associadas”, pontua o psiquiatra, enfatizando que, ainda em fase experimental, estão sendo testadas medicações que possam reduzir a “fissura” que os jogadores sentem ao tentarem parar, ressaltando que os resultados são promissores, mas ainda inconclusivos.

No Instituto de Psiquiatria da USP é oferecido, tratamento gratuito por um ano aos jogadores que são voluntários. O programa inclui psicoterapia individual e existe há dois anos o trabalho com grupos de orientação psiquiátrica, supervisionado por uma psicanalista para investigação e tratamento neste território de atuação. Além do acompanhamento psiquiátrico e orientação familiar; a participação nos Jogadores Anônimos é fortemente encorajada.

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EXPERIÊNCIAS COMPARTILHADAS

Os grupos de Jogadores Anônimos são o resultado de um encontro, em janeiro de 1957, entre dois homens, que tinham em comum uma trajetória de vida repleta de dificuldades e misérias, relacionadas ao jogo. Começaram a reunir-se regularmente, e, com o passar do tempo, nenhum dos dois voltou a jogar. Como resultado da publicidade favorável por parte de um colunista de jornal e apresentador de televisão, a primeira reunião de Jogadores Anônimos aconteceu numa sexta-feira, 13 de setembro de 1957, em Los Angeles, Califórnia.

Foi o passo inicial para que grupos do gênero fossem fundados pelo mundo. “Em São Paulo comemoramos todo dia primeiro do mês de junho, tendo completado 11 anos em 2006. Hoje, contamos com reuniões todos os dias da semana, inclusive feriados, e somamos um total de 45 grupos de Jogadores Anônimos espalhados pelo Brasil, que têm como objetivo o parar de jogar e ajudar outros jogadores compulsivos a fazerem o mesmo através de nossos depoimentos de vida e do que a doença nos causou”, pontua a Relações Públicas dos Jogadores Anônimos, informando que o Programa de Recuperação segue os “Doze Passos”, que refletem a aplicação de princípios espirituais, praticados cotidianamente, possibilitando o despertar de mudanças interiores. “O jogo compulsivo é uma doença, progressiva por natureza, que não pode ser curada, porém pode ser detida. A pessoa inventa montanhas de problemas aparentemente insolúveis. Criam problemas financeiros, mas também têm que enfrentar questões legais, de emprego e matrimoniais. Descobrem que perderam amigos e são rejeitados por parentes”, enumera, salientando o longo trajeto percorrido pelas pessoas até poderem aceitar ajuda, muitas vezes se entregando a uma deterioração sutil.

A ARTE IMITA A VIDA

“Pelo que diz respeito a adquirir e a ganhar, não fazem os homens outra coisa, não só na roleta como em toda parte, do que tirarem e do que lucrarem-se algo reciprocamente. Outra questão é saber se a aquisição e o proveito são algo feio. (…) Há duas espécies de jogo nitidamente diferentes: o dos gentis homens e o da plebe. Há quem os distinga com muita severidade. Todavia, a falar a verdade, que tolice tal distinção! Um gentil homem pode, por exemplo, arriscar cinco ou dez luízes, raras vezes mais. Podem também arriscar mil francos. Se é muito rico, mas só por causa do jogo propriamente dito, para se divertir, para estudar o processo do ganho e da perda. Mas não       deve, de modo nenhum, interessar-se pelo ganho como tal. Depois de ganhar, pode ele, por exemplo, dar uma boa gargalhada, ou contar uma piada a um dos circunstantes. Pode mesmo tornar a jogar essa quantia toda, duplica-la, mas unicamente por curiosidade, para ver os lances da sorte, para fazer combinações. E nunca movido pelo desejo plebeu de tirar proveito disso. Numa palavra, ele não deve ver no salão de jogo, nas roletas e ‘Trente – et – quarente’ mais do que um simples divertimento. Nem sequer deve suspeitar das possibilidades de ganho e das armadilhas em que se baseia a banca. Não seria mau se, por exemplo, lhe sucedesse que todos os outros jogadores, a plebe, que teme por cada florim, fosse igualmente ricos e jogasse unicamente para seu divertimento. Essa ignorância completa da realidade e da concepção ingênua do homem podem, sem dúvida, ter efeito altamente aristocrático.”

O trecho extraído do livro O Jogador, de Fédor Dostoievski, narra a história de um jovem que joga todas as suas economias na esperança de recuperar sua fortuna. Assim, como o personagem, o escritor russo também conheceu as amarras do jogo, transformando as linhas de seu romance, em contundente tratado sobre a avidez pelas apostas, a crença na sorte e, principalmente, os estragos inerentes ao jogar patológico. Ficção com duras pitadas de realidade.

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UM DIA DE CADA VEZ

Em tratamento há 3 anos, Walter (nome fictício) conta como construiu e destruiu um império financeiro, mas entre perdas e ganhos conseguiu manter a família unida. “Desde jovem queria ser bem-sucedido na vida e galguei os mais altos cargos hierárquicos nas empresas, chegando a vice-presidente de um grupo de empresas com mais de 5.000 funcionários e faturamento anual de mais de 5 bilhões de dólares. Como ganhava bem, cerca de 2 milhões de dólares anuais, podia jogar à vontade, pois não sentia as perdas financeiras”, conta ele que esteve em cassinos mundo afora, além de operar em bolsas de valores nos grandes conglomerados financeiros, pois, como atuava no setor de comércio exterior, pode viajar com frequência aos Estados Unidos e à Europa.

Em 1994, deixou o posto que ocupava para poder conviver mais com a família e construir um cotidiano menos estressante. “Em 1996 montei um pequeno comércio somente para me manter ocupado, pois tinha dinheiro suficiente para viver o resto da minha vida e um patrimônio razoável, com três fazendas, cinco imóveis em São Paulo, diversos terrenos em Palmas, além de dez milhões de reais em conta bancária”, enumera, salientando que as idas aos cassinos e bingos na capital paulistana começaram como um lazer ou extensão do prazer passado. “Quando parei de jogar, em janeiro de 2003, todo o meu patrimônio havia sido perdido no jogo e fiquei até sem casa para morar. Hoje moro de aluguel e só me restou um pequeno comércio que havia montado em 1996. Durante o meu tempo de jogatina, mentia a todos, inclusive a meus familiares, manipulava todo mundo, pois jogador tem uma lábia como ninguém”, completa. Sinaliza, porém, que o maior dano é o moral. “Além de ter perdido tudo o que havia conquistado, em 25 anos de trabalho, estava atolado em uma dívida de 300 mil reais junto aos bancos e cartões de credito. Fui obrigado pela minha esposa a ir em uma reunião de jogadores anônimos e nem mesmo sabia se, queria participar”, lembrando que esta foi a condição para que não fosse expulso de casa.

PREOCUPAÇÃO COM A FAMÍLIA

Após um mês frequentando as reuniões, ficou sabendo que um colega de infância havia se suicidado por causa do jogo. “Nesse dia; chamei os meus filhos e minha esposa e falei tudo que o pai deles havia feito na vida: da destruição financeira que havia causado, das minhas safadezas.  Chorei muito, aliás, choramos todos juntos”, lembra. Foi o momento que aceitou sua impotência diante do jogo. “Como alguém que sempre foi um vencedor havia sido derrotado pelo jogo? Joguei por que não aceitava derrotas, desafiava as máquinas, queria ser também um vencedor, mas não consegui”. Hoje procura melhorar como ser humano., pai, marido, filho e irmão. “Me dedico de corpo e alma ao pequeno comércio que possuo e os frutos foram aparecendo. Todas as minhas dívidas junto aos bancos foram quitadas em 30 meses. Não tenho problemas financeiros, muito pelo contrário, tenho agregado patrimônio na minha vida. Mas o que é mais importante de tudo isso foi a reconquista da minha família, a união impera no nosso lar”, comemora.

Além dos Jogadores Anônimos, faz tratamento no AMJO, do Hospital das Clínicas e terapia. “Sei que para o alcoólatra, a droga é álcool. Para os drogados, a droga. Para mim, é o dinheiro. Então, deixei a parte financeira aos cuidados da minha esposa e a minha obrigação é somente trabalhar. Luto a cada dia para não voltar a jogar, mato um leão a cada dia, mas para mim o mais importante não foi parar de jogar e sim melhorar como ser humano. Minha meta é buscar uma vida mais serena, equilibrada e feliz”, finaliza

GESTÃO E CARREIRA

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Com um leque infinito de opções, pequenos e médios empreendedores podem crescer e garantir lucratividade oferecendo produtos e serviços a grandes empresas. Confira o que orientam especialistas sobre o assunto e os principais mercados que estão sempre de portas abertas.

Seja um fornecedor

Em um mercado cada vez mais competitivo, destaca-se quem apresenta diferencial e estratégia de venda, principalmente se o negócio se tratar de uma micro ou pequena empresa almejando voos mais altos. Essas são características apontadas pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) como essenciais aos empreendedores que buscam sucesso. Inovação e capacitação são as chaves para alcançar os objetivos e garantir competitividade.

Prova disso é que mais de seis milhões de empreendedores optaram pelo Simples Nacional, sistema que recolhe taxas e impostos das empresas. O número, disponível no Portal do Empreendedor, do Governo Federal, demonstra o interesse dos empresários em se formalizar e garantir o diferencial que o consumidor/ cliente tanto procura.

Foi o que fez o empresário Wagner Tasso, proprietário da Tass Componentes, com sede em Birigui, interior de São Paulo, distante pouco mais de 500 quilômetros da capital. Com a empresa aberta desde 2015, após outras experiências com sócios, Tasso é responsável por fornecer componentes para calçados, como desenhos, estampas e tecidos, a empresas multinacionais reconhecidas nacionalmente, como Pampili, Pé com Pé e Reflex. Ele conta que para se destacar apostou na atualização constante. “Precisamos estar atentos a todas as tendências e garantir o melhor material, além de bom preço. Fornecer a qualquer empresa, seja ela grande ou pequena, exige organização e planejamento”, diz.

De acordo com o executivo, os contratos com as multinacionais garantem 50% do faturamento total da empresa. “Foi um nicho em que conseguimos entrar e temos nos saído muito bem. Temos outras empresas em negociação que ficaram sabendo do nosso trabalho realizado em Birigui. Ou seja, uma empresa do interior de São Paulo que está destacando-se no cenário nacional”, comenta. Tasso revela, no entanto, que precisou estruturar a empresa com a aquisição de maquinário e showroom que atendesse à expectativa dos clientes. “Não adianta apenas falar que você faz um bom trabalho, é preciso mostrar isso na prática para o cliente. Por isso, invisto bastante no nosso catálogo de produtos e estamos sempre em busca de novidades. Um exemplo é o jeans como tecido para sapatos e vestuário. Ele está em alta hoje, mas eu comecei a trabalhar com ele há mais de seis meses. Isso é o diferencial, e nosso desejo é estar sempre à frente, buscando novidades dentro e fora do País”, explica.

A estratégia tem dado tão certo que, segundo ele, há planos para o futuro de trabalhar também com o setor de decoração. “São produtos aos quais podemos agregar mais valor e garantir materiais personalizados, de acordo com o desejo do cliente”, afirma.

PLANEJAMENTO

Garantir crescimento, solução de problemas e sucesso exigem do empreendedor planejamento e orientação. A consultora de Marketing do Sebrae-SP, Vanessa Heleno de Oliveira Alves, afirma que uma empresa torna-se competitiva no mercado quando investe em organização. “Isso inclui Recursos Humanos, Financeiro, Marketing… É uma série de itens que precisam estar em sintonia para que a empresa ganhe visibilidade. Neste sentido, ela precisa cumprir prazos, investir em inovações e comunicar­ se com o cliente”, explica. A comunicação e até mesmo o investimento em comercial são itens indispensáveis, segundo Vanessa. “O empreendedor precisa ser visto, então orientamos para que ele participe de feiras e eventos onde estão os possíveis clientes”, comenta.

Segundo a especialista, mercados como confecções, componentes calçadistas e de brindes são alguns exemplos que podem oferecer boas oportunidades ao empresário que está em busca de entrar no mercado como fornecedor. “São nichos que ajudam a sustentar uma empresa que tem margem lucrativa baixa, mas com volume alto de pedidos”, disse. Outra orientação do Sebrae para empresas que atendem a setores de Indústria, Comércio e Serviços e Agronegócio é para que elas conheçam ao máximo os mercados externos para seu produto e, assim, consigam atuar neles também. Segundo o órgão, o sucesso depende do cumprimento da previsão orçamentária e do equilíbrio entre o custo, lucro e despesas, oferecendo ainda vantagens de compra ao cliente.

 RELACIONAMENTO

A especialista em Facilitação e Planejamento, Alie Ferreira, garante que comunicação é a chave para o desenvolvimento positivo de uma empresa que fornece para outras empresas de vários portes. Segundo ela, estar presente em redes sociais e apresentar bons resultados são importantes para qualquer mercado. “Uso como exemplo o LinkedIn, uma rede social de relacionamento onde é possível fechar grandes negócios. Por meio do contato digital, a pequena empresa demonstra que é confiável e consegue alcançar o objetivo de agendar uma reunião presencial, por exemplo”, explica.

Alie lembra também a importância da apresentação de cases e depoimentos de sucesso. “As redes sociais são ótimas ferramentas para isso. O vídeo é uma coisa que funciona muito bem também. Disponibilizar tudo isso na internet é uma forma muito eficaz de ser conhecido e reconhecido pelos bons resultados. Essa referência é uma das coisas que funciona muito bem para que pequenas e médias empresas consigam oportunidades”, comenta.

Para a especialista, os relacionamentos dão início a todo o processo de crescimento de uma empresa. “As relações humanas não podem ser deixadas de lado. As pequenas empresas podem e devem destacar-se não só pelo comprometimento e pelos processos, mas também pelos relacionamentos que podem proporcionar com o contato face a face. São características que grandes empresas valorizam muito”, aponta.

A designer Maiara Santos é um exemplo de empreendedora que utiliza-se dos benefícios da internet de olho no futuro. A Fifi – Arte em Tecido surgiu como um trabalho em família para complementar a renda, no ano de 2010, e segue até hoje produzindo bolsas, carteiras, capas para notebooks e, como ela mesma define, o que a criatividade mandar. ”A formalização foi uma das coisas mais importantes para a empresa. Conseguimos emitir nota e comprar matéria-prima de qualidade, que é o que garante a nossa competitividade no mercado, com a oportunidade de produzir e distribuir para o Brasil inteiro”, disse.

Com planos de oferecer os serviços às grandes empresas, a designer garante que tem seguido o caminho de sucesso apresentado por diversos micro e pequenos empreendedores. “Estamos sempre em feiras e de olho nos lançamentos, tanto de tecidos como de aviamentos. Já temos um público bastante fiel, mas conquistar o mercado nacional sempre foi um dos nossos sonhos”, afirma. Ela conta que entre os próximos passos da empresa está a produção de coleções para oferecer às lojas físicas. “Hoje ofereço o meu produto na internet, principalmente nas redes sociais, mas quero fazer algumas aparições físicas, como se fosse uma loja itinerante”, afirma.

ALÉM DO EMPREENDEDORISMO

Para se tornar um empresário de sucesso é preciso planejamento, organização e criatividade. Ao fornecer produtos ou serviços a grandes empresas, o empreendedor compromete-se com prazos e qualidade. Além disso, é preciso:

  •  PROCESSOS DEFINIDOS: garanta a capacidade da equipe de trabalho, estruture departamentos e avalie o estoque para não deixar o cliente na mão
  • INVESTIMENTO: em pessoas e em máquinas, para que a tecnologia seja uma aliada do negócio e garanta competitividade no mercado
  • CERTIFICAÇÕES: quanto melhor for a empresa, mais visibilidade ela ganha e isso inclui especializações na área em que você atua
  • RELACIONAMENTO: esteja onde o cliente estiver, como feiras e eventos voltados à sua área. Investir em publicidade também é importante para o crescimento da empresa.

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ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 24: 4 – 31 – PARTE II

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Predições Terríveis

II – O Senhor prediz guerras e grandes perturbações entre as nações (vv. 6,7). Quando Cristo nasceu, havia uma paz universal no império, o templo do deus Jano estava fechado; mas não pense que Cristo veio para trazer paz, ou dar prosseguimento àquela paz (Lucas 12.51). Não, a sua cidade e o seu muro devem ser construídos até mesmo em tempos difíceis, e até mesmo as guerras contribuirão para o avanço da sua obra. Desde a ocasião em que os judeus rejeitaram a Cristo, e Ele deixou a casa deles desolada, a espada nunca deixou esta casa, a espada do Senhor nunca se aquietou, porque Ele lhe tinha dado uma incumbência contra a nação hipócrita e contra o povo da sua ira, e com ela Ele trouxe a ruína deles.

Aqui temos:

1. Uma predição dos eventos da época: Em breve, “ouvireis de guerras e de rumores de guerras”. Quando houver guerras, elas serão ouvidas; pois cada peleja do guerreiro se dá com confuso ruído (Isaias 9.5). Veja como é terrível (Jeremias 4.19): “Tu, ó minha alma… ouviste o alarido da guerra”. Nem mesmo os quietos na terra, e os menos curiosos sobre as coisas novas, podem deixar de ouvir os mensageiros da guerra. Deus tem uma espada pronta para vingar a disputa do seu concerto, do seu novo concerto, e assim se “levantará nação contra nação”, isto é, uma parte ou província da nação judia contra outra, cidade contra cidade (2 Cr 15.5,6); e na mesma província e cidade, um grupo ou facção se levantará contra outro, de modo que eles se devorarão, e serão despedaçados, um contra o outro (Isaias 9.19-21).

2. A recomendação do dever da época: “Olhai, não vos assusteis”. É possível ouvir notícias tão tristes, e não se assustar? Mas quando o coração está firme e confiante em Deus, ele fica em paz e não se amedronta, nem pelas más novidades das guerras e rumores de guerras, nem pelo alarido de: Armai-vos, armai-vos. “Não vos assusteis”, não sofrais, como uma mulher grávida, com medo. Observe que existe a necessidade de um cuidado e uma vigilância constantes para não perturbar o coração quando há guerras no exterior; e é contra o desejo de Cristo que o seu povo tenha corações perturbados, mesmo em tempos tumultuados.

Nós não devemos nos perturbar, por duas razões:

(1) Porque sabemos que devemos esperar por isso. Os judeus devem ser punidos, a destruição deve ser trazida sobre eles; com isto, ajustiça de Deus e a honra do Redentor devem ser confirmadas; “porque é mister que isso tudo aconteça”. A palavra saiu da boca de Deus, e ela será cumprida no seu tempo. Observe que a consideração da imutabilidade do conselho divino, que governa todos os eventos, deveria compor e aquietar os nossos espíritos, aconteça o que acontecer. Deus está apenas realizando aquilo que nos foi designado, e a nossa perturbação desordenada é uma discussão interpretativa com aquela designação. Devemos, portanto, aquiescer, porque “é mister que isso tudo aconteça”. Não somente como o produto do conselho divino, mas também como um meio para alcançar um fim. A casa antiga deve ser derrubada (embora isto não possa ser feito sem ruído, poeira e perigo), para que a nova construção possa ser edificada; as coisas móveis (e malfeitas) devem ser removidas, “para que as imóveis permaneçam” (Hebreus 12.27).

(2) Porque devemos esperar o pior: “Ainda não é o fim”. O fim dos tempos ainda não chegou, e, enquanto existir o tempo, nós devemos esperar problemas, e o fim de uma aflição será apenas o início de outra; ou: ”Ainda não é o fim desses sofrimentos; deve haver mais julgamentos além daquele utilizado para derrubar o poder judaico; mais cálices de ira devem ser derramados; somente um ‘ai’ já passou, outros ‘ais’ estão por vir, mais flechas ainda deverão ser atiradas da aljava de Deus; portanto, não se perturbem, não deem lugar ao medo e à perturbação, não afundem sob a carga atual, mas, em lugar disso, reúnam toda a força e a coragem que vocês tiverem, para enfrentar o que ainda está à sua espera. Não se perturbem por ouvir de guerras e rumores de guerras. Pois o que acontecerá com vocês, quando vierem as fomes e as pestes?” Se, para nós, somente o “ouvir tal notícia causará grande turbação” (Isaias 28.19), como será sentir o golpe, quando ele tocar o osso e a carne? “Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com cavalos? Se tão-somente numa terra de paz estás confiado, que farás na enchente do Jordão?” (Jeremias 12.5).

III – Ele prediz outros julgamentos que Deus enviaria em um futuro mais próximo: “fomes, e pestes, e terremotos”. A fome frequentemente é o resultado da guerra, e a peste, da fome. Estes foram os três julgamentos dos quais Davi devia escolher um; e ele estava numa dificuldade séria, pois não sabia qual deles era o pior: mas que desolação terrível eles provocam, quando todos eles recaem juntos sobre um povo! Além da guerra (que já é suficiente), haverá:

1. “Fome”, representada pelo “cavalo preto”, sob o “terceiro selo” (Apocalipse 6.5,6). Nós lemos sobre uma fome na Judéia, pouco tempo depois da época de Jesus, que empobreceu muito a nação (Atos 11.28), mas a pior fome aconteceu em Jerusalém, durante o cerco (veja Lamentações 6.9,10).

2. “Pestes”, representadas pelo “cavalo amarelo”, e a morte assentada sobre ele, e o inferno que o seguia, sob o “quarto selo” (Apocalipse 6.7,8). Isto destrói sem distinção, e em pouco tempo amontoa cadáveres.

3. “Terremotos, em vários lugares”, ou de um lugar a outro, perseguindo aqueles que fogem deles, “como fugiram do terremoto nos dias de Uzias” (Zacarias 14.5). Algumas vezes, os terremotos causaram grande desolação, nos últimos tempos e antigamente; eles foram a causa da morte de muitas pessoas, e o terror de outras. Nas visões do Apocalipse, pode-se notar que os terremotos são prenúncios do bem, e não do mal, para a igreja (Apocalipse 6.12; compare Apocalipse 6.15; 11.12,13,19; 16.17-19). Quando Deus assombrar terrivelmente a terra (Isaias 2.21), será para sacudir dela os ímpios (Jó 38.13), e para apresentar o “Desejado de todas as nações” (Ageu 2.6,7). Mas aqui eles são mencionados como julgamentos terríveis, e apenas “o princípio das dores”, das dores de parto, rápidas, violentas, e também tediosas. Observe que quando Deus julgar, Ele vencerá; quando Ele começar com a sua ira, Ele acabará (1 Samuel 3.12). Quando olhamos adiante, para a eternidade de infelicidade que está diante dos obstinados que recusam a Cristo e ao seu Evangelho, podemos verdadeiramente dizer, a respeito dos maiores julgamentos temporais: Eles são apenas o princípio das dores; ainda que as coisas sejam ruins em meio a esses juízos, serão piores depois deles.

IV – Ele prediz a perseguição do seu próprio povo e dos seus ministros, uma apostasia geral, e uma consequente decadência na religião (vv. 9,10,12). Considere:

1. A predição da própria cruz (v. 9). Note que entre todos os eventos futuros, nós mais nos preocupamos, embora normalmente com um pouco de ansiedade, em saber mais dos nossos sofrimentos do que qualquer outra coisa. Então, quando houver as fomes e as pestes, os incrédulos as atribuirão aos cristãos, fazendo delas um pretexto para persegui-los. Cristo havia dito aos seus discípulos, quando os enviou pela primeira vez, acerca dos sofrimentos que eles iriam passar; mas até então, eles tinham passado por poucos sofrimentos, e por isto Ele os relembra de que quanto menos eles tivessem sofrido, mais aflições teriam que cumprir (veja Colossenses 1.24).

(1)  Os santos serão “atormentados”, sendo amarrados e presos, cruelmente ridicularizados e açoitados, como o bendito apóstolo Paulo (2 Coríntios 11.23-25); não seriam mortos diretamente, mas mortos em todo o tempo, em mortes frequentes, mortos de modo a se sentirem morrendo, “feitos espetáculo ao mundo”(I Coríntios 4.9,11).

(2)  Eles serão “mortos”. Tão cruéis são os inimigos da igreja, que nada menos que o sangue dos santos poderá satisfazê-los, do qual eles são sedentos, e bebem e espalham, como água.

(3)  Eles serão “odiados de todas as gentes” por causa do seu nome, como Ele lhes tinha dito antes (cap. 10.22). O mundo estava, de modo geral, influenciado pela malignidade e pela inimizade aos cristãos; os judeus, embora odiados pelos pagãos, nunca foram perseguidos por estes como os cristãos foram perseguidos pelos judeus; os cristãos eram odiados pelos judeus que estavam dispersos nas nações, eram o alvo comum da maldade do mundo. O que devemos pensar deste mundo, quando os melhores homens eram os mais maltratados nele? Ê a causa que faz o mártir, e o consola; era por causa de Cristo que eles eram odiados dessa maneira; o fato de eles professarem e pregarem o seu nome incitava as nações dessa maneira contra eles; o diabo, percebendo um ataque fatal lançado contra o seu reino, e “sabendo que já tem pouco tempo”, desceu “com grande ira”.

2. “O escândalo da cruz” (vv. 10-12). Satanás trabalha pelos seus próprios interesses através da força dos braços e das suas armas, embora Cristo, no final, traga a glória para si por meio dos sofrimentos do seu povo e dos seus ministros. Três resultados ruins da perseguição são aqui preditos.

(1)  A apostasia de alguns. Quando a profissão do cristianismo começar a custar caro para os homens, então muitos se ofenderão, se debaterão com a sua profissão de fé, e por fim a deixarão; eles começarão a entrar em conflitos com a sua religião, serão indiferentes a ela, se cansarão dela, e no final se revoltarão contra ela. Considere:

[1) Não é novidade (embora seja estranho) que aqueles que conheceram o caminho da justiça se afastem dele. Paulo sempre reclama dos desertores, que começaram bem, mas foram impedidos por alguma coisa. Eles estavam conosco, mas saíram de nós, porque jamais foram nossos verdadeiramente (1 João 2.19). Isto já nos foi dito anteriormente.

[2) Os tempos de sofrimento são tempos de agitação; e na tempestade, caem alguns daqueles que estavam em pé no tempo bom, como os ouvintes cujos corações são como os pedregais (cap. 13.21). Muitos, que não precisam da ajuda de outros, seguirão a Cristo nos dias de sol, e o deixarão nos dias escuros e nublados. Eles gostarão da sua religião se puderem tê-la a um custo baixo, e estarão dispostos a perseverar nela se as exigências forem mínimas; mas quando a sua profissão de fé passar a lhes custar alguma coisa, eles a abandonarão imediatamente.

(2)  A maldade dos ímpios. Quando a perseguição está na moda, a inveja, a inimizade e a maldade estão estranhamente difundidas nas mentes dos homens, por contágio: e a caridade, a ternura e a moderação são consideradas raridades que fazem do homem um pássaro manchado. Então, eles “trair-se-ão uns aos outros”, isto é, aqueles que traiçoeiramente abandonaram a sua religião, irão odiar e trair aqueles que aderirem a ela, por quem fingiram sentir amizade. Os apóstatas, em geral, foram os mais amargos e violentos perseguidores. Observe que os tempos de perseguição são tempos de descobrimento. Os lobos em peles de ovelhas se livrarão do seu disfarce, e aparecerão como lobos; eles “trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se aborrecerão [ou odiarão)”. Os tempos serão necessariamente perigosos, quando a traição e o ódio – duas das piores coisas que pode haver, porque são diretamente opostas a duas das melhores (a verdade e o amor) – serão predominantes. Isto parece se referir ao tratamento bárbaro que as diversas facções entre os judeus dedicavam umas às outras; e aqueles que devoravam o povo de Deus como comiam pão, foram, com justiça, deixados para se morderem e se devorarem uns aos outros, até que se consumissem uns aos outros. Estas palavras também podem se referir aos danos causados aos discípulos de Cristo por aqueles que estavam mais próximos a eles, como descrito em Mateus 10.21: “E o irmão entregará à morte o irmão”.

(3)  O declínio geral e o esfriamento de muitos (v.12). Em tempos enganadores, quando surgem os falsos profetas, e em tempos de perseguição, quando os santos são odiados, deve-se esperar duas coisas:

[1] A “multiplicação” da iniquidade. Embora o mundo sempre esteja mergulhado na maldade, ainda existem ocasiões em que pode-se dizer que a iniquidade abunda de uma maneira especial; como quando ela é mais abrangente do que é usual, como no mundo antigo, quando “toda carne havia corrompido o seu caminho” (Genesis 6.12); e quando é mais excessiva do que é usual, quando “a violência se levanta em vara de impiedade” (Ezequiel 7.11), de modo que o inferno parece estar solto em blasfêmias contra Deus, e em inimigos aos santos.

[2] A diminuição do amor. Isto é consequência da multiplicação da iniquidade: “por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará”. Isto pode ser entendido de maneira geral, referindo-se à santidade séria e verdadeira, que é resumida no amor. É bastante comum que os professores da religião esfriem na sua profissão de fé quando os maus se aquecem na sua maldade. Como a igreja de Éfeso, que, em tempos difíceis, deixou o seu primeiro amor (Apocalipse 2.2-4). Ou isto pode ser entendido, de maneira mais particular, como referindo-se ao amor fraternal. Quando a iniquidade abunda, a iniquidade enganadora, a iniquidade perseguidora, o amor normalmente esfria. Os cristãos começam a se intimidar, e a suspeitar uns dos outros; os afetos se distanciam, as distâncias se criam, formam-se grupos e, desta maneira, o amor resulta em nada. O diabo é o acusador dos irmãos, não somente para os seus inimigos, o que faz abundar a iniquidade perseguidora, mas entre si, o que faz com que o amor de muitos esfrie.

Isto fornece uma perspectiva melancólica dos tempos, pois haverá uma grande decadência de amor. Porém, em primeiro lugar, trata-se do amor de “muitos”, mas não de todos. Nos piores tempos, Deus tem os seus remanescentes que conservam a sua integridade, e retêm o seu zelo, como nos tempos de Elias, quando ele pensava ter sido abandonado. Em segundo lugar, este amor esfriou, mas não morreu; ele diminuiu, mas não se extinguiu. Existe vida na raiz, que se exibirá quando o inverno terminar. A nova natureza pode esfriar, mas não por muito tempo, pois se fosse assim, ela iria degenerar e desaparecer.

3. O consolo administrado em referência a este escândalo da cruz, pelo apoio do povo do Senhor que está sob ela (v. 14): “aquele que perseverar até ao fim será salvo”.

(1) É consolador, para aqueles que desejam o bem da causa de Cristo em geral, que, embora muitos se magoem, ainda assim alguns irão perseverar até o fim. Quando vemos tantos se afastando, temos a tendência de temer que a causa de Cristo vá afundar por falta de quem a apoie, e o seu nome seja abandonado e esquecido por falta de quem o professe; mas mesmo “neste tempo ficou um resto, segundo a eleição da graça” (Romanos 11.5). Aqui se trata do mesmo tempo a que esta profecia faz referência; um remanescente que não é “daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que creem para a conservação da alma”; eles perseveram até o fim, até o fim das suas vidas, até o fim do atual estado de experiência, ou até o fim deste tempo de provações e sofrimentos, até o último encontro, embora eles sejam chamados a resistir até ao sangue.

(2) É consolador, para aqueles que realmente perseveram desta maneira até o fim, e sofrem por causa da sua perseverança, saber que serão salvos. A perseverança ganha a coroa, por meio da graça, e ela a usará. Eles serão salvos. Talvez eles possam ser resgatados dos seus problemas, e sobrevivam a eles confortavelmente neste mundo; mas o que se pretende aqui é a eterna salvação. Aqueles que perseveram até o fim dos seus dias, alcançarão o fim da sua fé e esperança, a salvação de suas almas (1 Pedro 1.9; Romanos 2.7; Apocalipse 3.20). A coroa da glória irá indenizar a todos; e uma forte consideração por ela, em fé, nos capacitará a escolher morrer em uma estaca, com os perseguidos, em vez de viver em um palácio, com os perseguidores.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A INTELIGÊNCIA DO CORAÇÃO

A variação da frequência cardíaca exerce enorme influência no nosso estado emocional e nos processos mentais conscientes que dele emergem.

A inteligência do coração

Quando alguém adoece após um período de muita pressão, o estresse é sempre a causa mais suspeita. Décadas de estudos e muita mídia nos ensinaram a associar os oscilantes níveis hormonais à nossa situação emocional e garantiram fama ao cortisol, o hormônio do estresse, que se tornou o grande vilão da imunidade.

Na prática, não temos como acompanhar essas oscilações e nos resta acreditar que aqueles momentos de descontração – que com muitas manobras conseguimos incluir na agenda – mantenham em equilíbrio as estranhas substâncias que têm tanto poder sobre nosso bem-estar. Costumamos focar no controle dos processos mentais para administrar o estresse e acabamos esquecendo de prestar atenção aos sinais fisiológicos que são tão confiáveis quanto níveis hormonais na identificação do estado emocional.

Ciência relativamente nova, a neurocardiologia está comprovando que o coração tem muito a nos ensinar sobre nossas emoções e percepções: a variação da frequência cardíaca é um dos indicadores mais precisos do nível de estresse e exerce enorme influência na forma como interagimos com o mundo. Hoje reconhecido como um complexo centro de processamento de informações, o coração se comunica diretamente com o cérebro por meio de vias neurais, hormonais, biofísicas (pressão) e eletromagnéticas.

A conclusão mais óbvia é de que essa comunicação aconteça de cima para baixo, ou seja: são as ocupações da mente que provocam determinadas emoções e, como consequência, alterações no ritmo do coração. Preservamos, sem questionar, a ideia de que a relação entre corpo e mente é dominada pelo cérebro. Assim, o equilíbrio nessa relação dependeria do domínio dos processos mentais – um controle que, como toda decisão consciente, vem com certa carga de responsabilidade e, quando não bem-sucedido, de culpa.

Mas aos poucos a ciência vem abalando essas convicções e mostrando que a relação é de influência mútua. Assim como acontece com o intestino, o coração dialoga com o cérebro por uma via de mão dupla. Um consistente corpo de pesquisas mostra que a variabilidade da frequência cardíaca reflete condições de saúde, capacidade de autorregulação emocional, resiliência psicológica e clareza de pensamento.

Ali no coração também são produzidos e secretados hormônios e neurotransmissores que causam grande impacto na forma como nos sentimos. Um deles é a ocitocina – substância conhecida como hormônio do amor e da conexão social, que age como neurotransmissor e é produzida em quantidade semelhante no coração e no cérebro, de acordo com pesquisas recentes.

O sistema nervoso intrínseco do coração está constantemente enviando informações ao cérebro pelas vias aferentes (ascendentes) do nervo vago e coluna espinal, influenciando diretamente as funções cerebrais. Basta lembrar o que acontece com nossa performance mental quando estamos sob pressão: sob o caos fisiológico provocado pela situação estressante, os lapsos de memória são muito mais comuns que as ideias criativas.

A consciência de que devemos nos acalmar pouco tem poder sobre esse estado. Já uma alteração induzida na resposta fisiológica – num movimento de baixo para cima – restabelece o equilíbrio biológico necessário e propício para o desempenho favorável da mente e do corpo.

Um estado de coerência cardíaca – termo que indica a harmonia e estabilidade do padrão de ritmo do coração – leva a uma sincronização entre sistemas oscilatórios, como a respiração. De acordo com pesquisadores do Instituto de Neurocardiologia Heart Math, “emoções positivas, inclusive aquelas que são auto induzidas, transformam o sistema inteiro em um modo psicológico harmonioso e globalmente coerente, o que pode ser associado a uma melhoria na performance do sistema, na capacidade de autorregulação e num estado geral de bem-estar”, descreve Rolin McCraty, diretor de pesquisa do instituto, no livro Science of the Heart (“ciência do coração”).

Isso significa que com as técnicas certas podemos induzir mudanças fisiológicas que irão agir positivamente sobre os nossos sentimentos e, como consequência, pensamentos e atitudes. Há evidências, por exemplo, de aumento na coerência cardíaca com a prática de alguns minutos de respiração lenta e profunda (seis respirações por minuto). Outra técnica eficaz consiste no direcionamento da atenção aos próprios batimentos cardíacos enquanto se respira mais profunda e lentamente que de costume. A atenção focada ao ritmo cardíaco está associada à sincronização da comunicação entre coração e o cérebro, numa interação não apenas psicológica, mas energética.

Está no controle da atenção, portanto, o poder de regular as respostas fisiológicas e psicológicas a qualquer tipo de situação que nos tire do conforto. A mudança induzida de ritmo é capaz de transformar o estado emocional e, assim, todos os processos mentais que deles emergem, sendo favorecidos pelas emoções que consideramos positivas.

 

MICHELE MULLER – é jornalista, pesquisadora especialista em Neurociências, Neuropsicologia Educacional e Ciências da Educação. Pesquisa e aplica estratégias para o desenvolvimento da linguagem. Seus projetos e textos estão reunidos no site www.michelemuller.com.br

OUTROS OLHARES

BONECAS RUSSAS

Às vésperas da Copa do Mundo, um bordel em Moscou lançou uma nova atração: robôs sexuais dotados de inteligência artificial que atuam como meretrizes.

Bonecas russas

Em um encontro romântico, diz-se que houve química quando há aquela faísca indescritível, única, ao toque de uma pele em outra.

A evolução tecnológica, porém, agora permite que essa química não se dê mais necessariamente pelo contato carnal. Em vez de pele com pele, pode-se substituir uma delas por plástico. Na vanguarda desse novo movimento está um bordel inaugurado em Moscou, desde já chamariz para quem busca algum tipo, qualquer tipo, insista-se, de turismo sexual durante a Copa do Mundo, que começa em 14 de junho.

O The Dolls Hotel (O Hotel das Bonecas) oferece, pelo equivalente a 300 reais, intimidade com uma ginoide (o feminino de androide). É um cabaré de robôs. A unidade moscovita é a segunda abastecida com os modelos da fabricante espanhola LumiDolls, que abriu o primeiro serviço do tipo em Barcelona, em 2017. Há outros exemplos pelo mundo, com bonecas de origens diversas, como o prostíbulo parisiense Xdolls. O proprietário da casa de prazeres na Rússia, Dmitry Alexandrov, exibe uma estatística para defender seu negócio: segundo ele, 36% de seus conterrâneos afirmam estar insatisfeitos sexualmente. “Criar um centro de lazer adulto é uma forma legal e segura de melhorar essa condição”, diz ele.

As ginoides – o lupanar russo não oferece versões masculinas – têm corpo de silicone (para suportar banhos quentes) ou de borracha termoplástica (que dá maior sensação de maciez). Algumas características do robô, como a cor dos olhos e o tamanho da boca, são customizáveis pela clientela. Os modelos avançados têm sensores sensíveis ao toque. Guiadas por softwares de inteligência artificial, as bonecas podem sentir o contato e reagir com falas, movimentos e sons. Algumas até conversam com o companheiro – antes ou depois do ato – sobre assuntos banais. Depois de desempenharem seus trabalhos, os robôs são higienizados, garantem os donos dos estabelecimentos. Usualmente, as genitálias são destacáveis e podem ser esterilizadas numa máquina comum de lavar louça.

O fetiche soa esquisito – e é esquisito. Só que essa estranheza não deve perdurar. O mercado de maquinas sexuais e incipiente, mas apenas uma das fábricas de maior sucesso já produz trinta exemplares por mês, tanto masculinos quanto femininos, a maioria deles para uso doméstico, e não em prostíbulos. Os modelos básicos custam 4.000 reais, mas os incrementados, como os de Moscou, ultrapassam os 20.000 reais. Estima-se que a indústria desses brinquedos sexuais possa movimentar anualmente acima de 25 bilhões de dólares nos anos 2020.

“Esses robôs serão bem comuns”, disse a sexóloga americana Holly Richmond. “Mas não é preciso alarmar-se, pois os sexbots se tornarão uma ferramenta como qualquer outra, e jamais substituirão a intimidade com humanos. As pessoas continuarão a ter filhos.” Há, todavia, os que exageram na dose. No ano passado, o chinês Zheng Jiajia se declarou casado com uma máquina desse tipo – o matrimônio não foi oficializado pelo governo. Do outro lado, a ONG Campaign Against Sex Robots (Campanha contra Robôs Sexuais) batalha pelo banimento da prática. A ruidosa discussão não é uma brincadeira. É coisa séria se lembrarmos da existência de uma ginoide, Sophia, que recebeu, em 2017, o status (e os direitos) de cidadã na Arábia Saudita. Se Sophia fosse levada à força para um bordel na Rússia, seu algoz poderia ser punido?

GESTÃO E CARREIRA

TRABALHOS DESCENTRALIZADOS: FLEXIBILIDADE E REDUÇÃO DE CUSTOS

A opção para cortar gastos com a sede da empresa tem sido a contratação de funcionários em regimes descentralizados. Entenda as modalidades de trabalho a distância previstas na legislação.

Trabalhos descentralizados - Flexibilidade e redução de custos

Uma tendência presente na pós-modernidade é um fenômeno conhecido como desmaterialização. É algo como a tendência pelo intangível. A nossa sociedade está cada vez mais habituada a trabalhar com o intangível. Músicas, filmes e até livros são armazenados em estruturas ou arquivos virtuais. Essa tendência também vem sendo incorporada por algumas empresas, que para lidar com os altos custos mensais, como aluguel, mobília, equipamentos, entre outros, optam pela descentralização das suas sedes, permitindo que os seus profissionais trabalhem em casa ou até mesmo em outros locais, fazendo apenas eventuais contatos com o empregado por meios previamente definidos.

Na esfera dos trabalhos descentralizados temos pelo menos três modalidades principais: o trabalho em domicílio, o trabalho a distância e o teletrabalho, que embora sejam semelhantes são conceitualmente diferentes.

O trabalho em domicilio é aquele que tem lugar próprio para ser realizado, geralmente a residência do empregado. O profissional utiliza a sua casa como escritório, o famoso home office. Nessa modalidade de trabalho, em especial, é comum que o empregado seja remunerado em razão dos seus serviços e das tarefas realizadas, visto que existe certa impossibilidade de realizar o controle de jornada dele, por estar em sua própria residência. Além disso, uma vez que o empregado está dispondo de parte de seus recursos para a prestação de serviços, é comum que o empregador realize certa quantia em pagamento a título de ajuda de custo, de forma a fazer frente a despesas esperadas na prestação de serviços.

Já o trabalho a distância em sentido estrito é aquele realizado fora da sede do empregador e que não possui local fixo para a sua prestação, podendo ocorrer em qualquer outra localidade. Essa modalidade é a típica situação dos empregados que realizam vendas ou outra espécie de representação na qual seu emprego consiste justamente em atividades fora da empresa. Nesses casos também não são exigidos o controle de jornada e o consequente pagamento de horas extras. É prática comum nesse segmento o pagamento de ajuda de custo para deslocamentos e diárias quando o profissional se ausenta para regiões para realizar seu trabalho.

O teletrabalho é a forma mais moderna e versátil desse grupo, pois é a aglutinação das duas formas anteriores ao uso das novas tecnologias para controle e subordinação do empregado. O teletrabalho é definido basicamente pelos seguintes elementos: o trabalho externo (domicilio ou não do empregado) e a utilização de meios telemáticos de controle e subordinação do empregado.

 TELETRABALHO E SUAS VERTENTES

O teletrabalho é na verdade a figura à qual geralmente nos referimos quando dizemos que alguém presta serviços home office, pois na maior parte das vezes essa pessoa está conectada à sede da empresa por sistemas de comunicação. Teletrabalho pode ocorrer por meio de três principais formas: a mais comum é na casa do empregado, onde é necessária a disponibilização de um computador ou outro mecanismo tecnológico para se conectar com a empresa.

A segunda maneira acontece nos chamados centros satélites, que são micro estabelecimentos de propriedade do empregador que, para evitar o deslocamento de seus profissionais, estabelece sedes alternativas para que os serviços sejam prestados sem a necessidade de deslocação para a matriz da empresa.

Por último, ocorre nos chamados tele centros, que são espaços compartilhados por grupo de empresas, principalmente com finalidade de redução de custos. Esses ambientes possibilitam aos profissionais um espaço de trabalho com contato direto com as suas empresas, mas apartados fisicamente delas.

Em todos os casos, o vínculo trabalhista é preservado e o profissional possui direito a todas as vantagens que não sejam incompatíveis com a natureza da sua prestação de serviços.

 

FAGNER FABRÍCIO SOUZA – é bacharelado em Direito pela Universidade São Judas Tadeu, atua na ProPay como advogado e sua especialidade é Consultoria Trabalhista com foco nas rotinas de Departamento Pessoal

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 24: 4 – 31 – PARTE I

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Predições Terríveis

Os discípulos tinham perguntado sobre a época: “Quando serão essas coisas?” Cristo não lhes deu nenhuma resposta, não lhes disse depois de quantos dias e anos a sua predição se cumpriria, pois não nos “pertence saber os tempos” (Atos l. 7), mas eles tinham perguntado: “Que sinal haverá?” A esta pergunta, Ele responde de maneira completa, pois nós estamos preocupados em conhecer “os sinais dos tempos” (cap. 16.3). A profecia, basicamente, diz respeito aos eventos próximos da destruição de Jerusalém, o fim da igreja e da nação judaicas, o chamado dos gentios, e o estabelecimento do reino de Cristo no mundo; mas assim como as profecias do Antigo Testamento, que têm uma referência imediata às questões dos judeus e às revoluções na sua nação, sob o exemplo delas, estas profecias vão mais adiante, referindo-se à igreja do Evangelho e ao reino do Messias, e desta maneira são expostas no Novo Testamento, e as expressões que são encontradas nessas predições são peculiares a ele, e não se aplicam a nada mais. Sendo assim, esta profecia, como símbolo da destruição de Jerusalém, refere-se até ao juízo geral, e como é usual nas profecias, algumas passagens são mais aplicáveis aos acontecimentos do presente, e outras, aos do futuro; e no seu final, como é usual, ela aponta mais particularmente para o futuro. Deve-se notar que o que Cristo diz aqui aos seus discípulos tende mais a despertar a sua precaução do que a satisfazer a sua curiosidade; mais para prepará-los para os eventos que iriam acontecer, do que para lhes dar uma ideia distinta dos próprios eventos. Este é aquele bom conhecimento dos tempos que todos nós deveríamos procurar obter; para deduzir o que Israel deveria fazer; e assim essa profecia é de uso duradouro para a igreja, e assim será, até o final dos tempos; pois “o que foi, é o que há de ser” (Eclesiastes 1.5,6,7,9), e a série, conexão, e presságios dos eventos são praticamente os mesmos que eram naquela época; par a que sobre a profecia deste capítulo, que aponta para aquele evento, possam ser feitos prognósticos morais, e os sinais dos tempos possam ser discernidos de modo que o coração do homem sábio possa saber como melhorar.

I – Aqui Cristo prediz o aparecimento de enganadores. Ele começa com um aviso: ”Acautelai-vos, que ninguém vos engane”. Eles esperavam ouvir quando essas coisas aconteceriam, esperavam ser aceitos para participar desse segredo; mas esse aviso serve para refrear a sua curiosidade: “O que isto interessa a vocês? Cuidem dos seus deveres, sigam-me e não se deixem convencer a deixar de me seguir”. Aqueles que são mais curiosos a respeito dos assuntos secretos que não lhes dizem respeito são mais facilmente impressionáveis pelos enganadores (2 Tessalonicenses 2.3). Os discípulos, quando ouviram que os judeus, seus mais inveterados inimigos, seriam destruídos, poderiam estar correndo o risco de um excesso de segurança. “Não”, diz Cristo, “vocês estão mais expostos de outras maneiras”. Os enganadores são inimigos mais perigosos à igreja do que os perseguidores.

Três vezes, nesse sermão, Ele menciona o aparecimento de falsos profetas, o que era:

1. Uma predição da ruína de Jerusalém. Aqueles que mataram os verdadeiros profetas foram, com justiça, deixados para ser enganados pelos falsos profetas; e aqueles que crucificaram o verdadeiro Messias, foram deixados para ser ludibriados e destruídos pelos falsos Cristas e Messias imaginários. O aparecimento deles seria a ocasião da divisão do povo em partidos e facções, o que tornaria a sua destruição mais fácil e rápida; e o pecado dos muitos que eram deixados de lado por eles ajudou a completar a medida.

2. Um teste para os discípulos de Cristo, que, portanto, estava de acordo com a sua situação de experiência, “para que os que são sinceros se manifestem”.

A respeito desses enganadores, observe aqui:

(1) Os pretextos sob os quais eles apareceriam. Satanás age maliciosamente quando aparece como um anjo de luz; o pretexto de um bem maior é, frequentemente, o que encobre o mal maior.

[1) Apareceriam “falsos profetas” (vv. 11- 24). Os enganadores fingiriam ter inspiração divina, uma missão imediata e um espírito de profecia, quando tudo isso era uma mentira. Assim eles tinham sido anteriormente (Jeremias 23.16; Ezequiel 13.6), como havia sido predito (Deuteronômio 13.3). Alguns pensam que os enganadores aqui indicados eram pessoas que tinham se estabelecido como professores na igreja, e tinham conquistado reputação por sê-lo, mas posteriormente traíram a verdade que tinham ensinado e se voltaram para o erro; e de pessoas assim, o perigo é ainda maior, porque elas são mais insuspeitas. Um falso traidor nas tropas pode causar mais mal que mil arqui-inimigos de fora.

 

[2] Apareceriam falsos Cristos: “Muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo” (v. 5), estes assumirão o nome peculiar a Ele, dizendo: “Eu sou o Cristo” – “falsos cristos” (v. 24). Havia, naquela época, uma expectativa geral pelo aparecimento do Messias; falava-se dele como sendo aquele que viria; mas quando Ele realmente veio, a nação o rejeitou; disso, aqueles que tinham ambição de serem famosos se aproveitaram, e se passaram por Cristo. Josefo fala de diversos impostores deste tipo, entre essa ocasião e a destruição de Jerusalém; um Teudas, que foi derrotado por Cóspio Fado. Outro, por Félix, outro, por Festa. Dosetheus disse que era o Cristo profetizado por Moisés. Veja Atos 5.36,37. Simão, o mágico, fingiu ter “a grande virtude de Deus” (Atos 8.10). Nos anos posteriores, houve pessoas que fingiram como ele; um deles, cerca de cem anos depois de Cristo, chamava a si mesmo de Barcochobas – O filho de uma estrela, mas, na verdade, era Barcosba – O filho de uma mentira. Aproximadamente cinquenta anos antes, Sabbati-Levi tinha se estabelecido como Messias no império turco, e foi muito querido pelos judeus; mas dentro de pouco tempo, foi revelada a sua tolice. A religião papista, na verdade, estabelece um falso Cristo. O papa se apresenta, em nome de Cristo, como seu substituto, mas invade e usurpa todos os seus ofícios, e passa a ser seu rival; e como tal, torna-se seu inimigo, um enganador, e um anticristo.

[3] Esses falsos Cristas e falsos profetas teriam seus agentes e emissários trabalhando em todos os lugares, para atrair pessoas (v. 23). Então, quando os problemas públicos forem grandes e ameaçadores, e as pessoas estiverem procurando qualquer coisa que se pareça com libertação, Satanás irá se aproveitar e impor-se a elas. Eles dirão: Eis aqui o Cristo, ou: Ei-lo ali; mas não acreditem neles: o verdadeiro Cristo não luta, não clama, nem foi dito sobre Ele: “Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali”! (Lucas 17.21), portanto, se alguém disser isso sobre Ele, considere que é uma tentação. Os eremitas, cuja religião é vivida em uma vida monástica, dizem: Ele está no deserto; os sacerdotes, que dizem que a hóstia consagrada é Cristo, dizem: Ele está no interior da casa. “Eis que Ele está neste santuário, naquela imagem”. Desta maneira, alguns se apropriam da presença espiritual de Cristo, em benefício de um grupo ou de uma crença, como se tivessem o monopólio de Cristo e do cristianismo; e assim pensam que o reino de Cristo deve erguer-se e cair, viver e morrer, com eles. “Eis que Ele está nesta igreja, ou naquele concílio”. Mas “Cristo é tudo em todos”, e assim não é possível ficar dizendo que Ele está aqui ou ali; pois Ele vai ao encontro do seu povo com uma bênção em todos os lugares onde Ele registra o seu nome.

(2) A prova que eles ofereceriam por fazer o bem com esses pretextos: eles “farão tão grandes sinais e prodígios” (v. 24). Não seria m milagres verdadeiros, aqueles que são um selo divino, e com os que se confirma a doutrina de Cristo; portanto, se alguém tentar nos atrair por tais sinais e prodígios, nós devemos recorrer àquela regra dada antigamente (Deuteronômio 13.1-3): “Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti e te der um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos, porquanto o Senhor, vosso Deus, vos prova”. Mas esses eram “prodígios de mentira” (2 Tessalonicenses 2.9), operados por Satanás (com a permissão de Deus), que é “o príncipe das potestades do ar”. Não foi dito: Eles realizarão milagres, mas sim: Eles farão grandes sinais. Eles nada são, além de um espetáculo; ou influenciam a credulidade dos homens por falsas narrativas, ou enganam os seus sentidos com truques de prestidigitação, ou artes de adivinhação, como faziam os mágicos do Egito com seus encantos.

(3) O sucesso que eles teriam nos seus esforços:

[1] Eles “enganarão a muitos” (v. 5), e novamente no versículo 11. Observe que o diabo e os seus instrumentos podem vencer ao enganar pobres almas; poucos encontram a porta estreita, mas muitos são atraídos para o caminho mais largo: muitos serão influenciados pelos seus sinais e prodígios, e muitos serão atraídos pelas esperanças de libertação dos seus sofrimentos. Observe que nem milagres nem multidões são sinais seguros de uma verdadeira igreja; pois “toda a terra se maravilhou após a besta” (Apocalipse 13.3).

[2] Eles, “se possível fora, enganariam até os escolhidos”, v. 24. Isto sugere, em primeiro lugar, o poder da ilusão. Este poder será tal, que muitos serão fascinados por ele (tão forte será a corrente), mesmo aqueles que julgavam que iriam resistir. O conhecimento dos homens, os dons, o estudo, a situação eminente, e o longo tempo de profissão de fé, nada irá protegê-los; mas, apesar deles, muitos serão enganados; nada, exceto a graça onipotente de Deus, de acordo com o seu eterno objetivo, será uma proteção. Em segundo lugar, a segurança dos eleitos em meio ao perigo, que é sugerida pelas palavras: “se fora possível”, dando a entender, claramente, que isto não é possível, pois eles estão protegidos pelo poder de Deus, para que o propósito de Deus, de acordo com a eleição, possa persistir (Hebreus 6.4,5,6). Se os escolhidos de Deus fossem enganados, a escolha de Deus seria derrotada, o que não é imaginável, pois aos que Ele “predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Romanos 8.30). Eles foram dados a Cristo, e ele todos os que lhe foram dados, Ele não perderá nenhum (João 10.2 8). Grotius interpretou isso como significando a maior dificuldade em afastar os cristãos primitivos da sua religião, e cita que isto era usado proverbialmente por Galen. Quando ele queria expressar algo que era muito difícil e moralmente impossível, ele dizia, “é mais fácil afastar um cristão de Cristo”.

(4) Os avisos repetidos que o nosso Salvador dá aos seus discípulos, para que se acautelem contra eles. Ele lhes deu avisos para que pudessem estar vigilantes (v. 25): “Eis que eu vo- lo tenho predito”. Aquele que é avisado de que será atacado, poderá se salvar, como fez o rei de Israel (2 Reis 6.9,10). Observe que os avisos de Cristo têm o objetivo de despertar a nossa vigilância, e embora os eleitos sejam preservados do engano, eles serão preservados através do uso dos meios indicados, e de uma devida consideração aos avisos da Palavra. Nós somos protegidos, pela fé, pela fé na Palavra de Cristo, daquilo que Ele nos adverte com antecedência.

[1] Não devemos crer naqueles que dizem: “Eis que o Cristo está aqui ou ali” (v. 23). Nós cremos que o Cristo verdadeiro está à destra de Deus, e que a sua presença espiritual está onde estiverem dois ou três reunidos em seu nome; não devemos crer; portanto, naqueles que tentam nos afastar de um Cristo no céu, dizendo que Ele está em algum lugar aqui na terra; ou que tentam nos afastar da igreja universal na terra, dizendo que Ele está aqui, ou que está ali; “não acrediteis”. Observe que não existe maior inimigo da fé verdadeira do que a credulidade vã. O simples crê em cada palavra, e persegue cada clamor.

[2] Não devemos seguir aqueles que dizem: “Eis que ele está no deserto”, ou: “Eis que ele está no interior da casa” (v. 26). Não devemos dar ouvidos a todo fingidor e empírico, nem seguir a todos os que erguem o dedo para nos indicar um novo Cristo e um novo Evangelho. “Não os sigam, pois se o fizerem, vocês estarão correndo perigo de serem levados por eles; por isso, não permaneçam no caminho do mal, não sejam “levados em roda por todo vento de doutrina”; a vã curiosidade de muitos homens em segui-los os levou a uma apostasia fatal; a sua força, nessa situação, consiste em permanecer quietos, para que tenham o coração estabilizado com graça”.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

QUEM VÊ CARA VÊ CORAÇÃO?

A morfologia do rosto humano carrega mensagens sobre comportamento sexual e social.

Quem vê cara vê coração

Estudos recentes têm ligado a morfologia facial humana a uma série de características comportamentais ou tendências de disposição para agir. Os traços craniofaciais que são dependentes de androgênios (hormônios masculinos) foram, em teoria, moldados pela seleção natural para fornecer pistas que revela m características reprodutivas subjacentes, como agressividade e dominância social. A associação entre a forma do crânio e da face com comportamento agressivo vem da influência com um que a exposição à testosterona (principal hormônio masculino) tem no crescimento dos tecidos craniofaciais e na organização da circuitaria cerebral que processa o comportamento agressivo. Ou seja, maior exposição à testosterona em períodos críticos do desenvolvimento pode influenciar tanto o tamanho e forma do rosto como também os circuitos cerebrais que estão envolvidos no comportamento.

Uma medida empregada nos estudos é a relação entre a medida da largura do rosto dividida pela medida da altura, a chamada relação largura / altura facial. Quanto maior o valor dessa relação, ou seja, quanto mais largo é o rosto, mais é exibido comportamento agressivo em homens, comportamento antiético, expressão de preconceito, traços de psicopatia, impulso de realização, sacrifício frente aos membros de seu grupo, sucesso financeiro e atratividade como parceiro sexual de curto prazo. Tomadas em seu conjunto, essas descobertas parecem indicar que os níveis hormonais podem de fato influenciar a forma do rosto e o comportamento. Mesmo observadores externos avaliam o rosto masculino com maior relação largura/ altura como mais dominante e agressivo.

O nível de testosterona tem sido associado não somente a comportamentos de busca de status ou dominância, mas a uma variedade de condutas sexuais, como maior interesse em sexo autorrelatado, em auto estimulação psicossexual e em aumento de fantasias sexuais e de frequência de relações sexuais eletivas. Já níveis baixos de testosterona têm sido relatados em casos de disfunção erétil e baixa libido, e em situações de masturbação e intercurso menos frequente. A administração de testosterona aumenta o desejo e a frequência sexual entre homens. Em mulheres, verifica-se transtorno de desejo hipoativo quando os níveis desse hormônio estão baixos, e resposta positiva de aumento do impulso quando se administra a testosterona.

Em um estudo, cerca de 500 participantes foram questionados sobre sua orientação sexual, suas relações sexuais e se consideravam ser infiéis aos parceiros. Os resulta dos mostraram que os homens com rostos mais largos e curtos em altura, com maior relação entre largura e altura craniofacial, eram vistos como mais atrativos como parceiros de curto prazo, e como mais dominantes. Os homens com maior relação largura / altura tinham maior impulso sexual e expressaram maior inclinação para trair seus parceiros. As mulheres com rostos mais largos também apresentam um maior impulso sexual, embora uma importante diferença entre os gêneros tenha emergido, pois estas não relataram maior intenção de trair seus parceiros.

Uma outra pesquisa considerou fotos de homens com diferentes relações entre a largura e altura craniofacial. Os pesquisadores verificaram que observadores dessas fotos julgavam os rostos com maior relação entre largura e altura como mais agressivos do que aqueles com rostos mais finos. Um aspecto interessante desse estudo foi o uso de versões com barba e sem barba dos mesmos rostos. A barba não fez diferença na percepção da relação entre largura e altura facial, mostrando que os julgamentos faciais evoluíram para serem altamente sensíveis a formas que revelam disposições e traços subjacentes. Sem dúvida, a seleção natural foi construindo ao longo de milhares de gerações mecanismos neurais extremamente precisos para extrair, de um rápido olhar para um rosto humano, informações que permitem prever aspectos de comportamento importantes, como os ligados aos comportamentos sexual e social da pessoa.

 

MARCO CALLEGARO – é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC) e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental (Artmed,2011).

OUTROS OLHARES

A DINÂMICA DA FELICIDADE

Afinal, quem é feliz? Por que algumas pessoas são mais felizes que outras? Qual a relação entre a riqueza material e a felicidade? Quais características, traços, atributos e circunstâncias marcam as vidas felizes?

A dinâmica da felicidade

O que faz um homem ou uma mulher feliz tem sido objeto de atenção desde os tempos mais antigos e as respostas têm varado desde o materialismo, que busca a felicidade nas condições externas até o espiritualismo, que afirma que a felicidade é o resultado de uma atitude mental. Se Aristóteles, em seu tempo, já havia notado que os seres humanos valorizavam um grande número de coisas como saúde, fama e aquisição de bens materiais, porque acreditavam que estas os tornariam felizes, nós na contemporaneidade também valorizamos a felicidade pelo bem-estar que ela nos proporciona. Assim, a felicidade é o único objetivo intrínseco que as pessoas procuram para o seu próprio bem, ou seja, é a linha de base para todos os desejos.

 ANTECEDENTES FILOSÓFICOS

Não foi somente Aristóteles quem abordou a felicidade. Outros filósofos, como John Locke e Jeremy Bentham, por exemplo, também o fizeram e entendiam que uma boa sociedade é aquela que permite uma maior quota de felicidade para um maior número de pessoas.

Em particular, Locke estava consciente da futilidade de se buscar a felicidade sem qualificações e argumentou que era necessário buscá-la com prudência, isto é, as pessoas não deveriam confundir a felicidade imaginária com a felicidade real. Parece que Locke se inspirou no filósofo grego Epicuro, que há 2300  anos enfatizou claramente que, para gozar uma vida feliz devemos desenvolver a autodisciplina. O materialismo de Epicuro era solidamente baseado na habilidade de procrastinar a gratificação de modo que, para ele, a felicidade poderia, algumas vezes, ser adiada caso a convivência momentânea com a dor servisse, de algum modo, para evitar uma dor maior.

Todavia, esta não é a imagem que muitas pessoas têm atualmente do Epicurismo. A visão popular é que o prazer e o conforto material devem ser sempre alcançados, quaisquer que sejam, e que eles, sozinhos, melhorarão a qualidade de vida das pessoas. Com o avanço tecnológico promovendo a longevidade, parece plenamente justificada a esperança de que as recompensas materiais possam fazer uma melhor qualidade de vida. Entretanto, o século XXI está deixando claro que a solução não é tão simples assim. Ainda que os habitantes das nações industrializadas mais ricas estejam vivendo períodos de riqueza sem precedentes, os mesmos não dão indício de estarem mais satisfeitos com sua vida do que estavam antes. Ou seja, a melhoria de vida não equivaleu a uma maior felicidade.

 A PSICOLOGIA POSITIVA

Apesar do reconhecimento de que a felicidade é um objetivo fundamental da vida, tem havido um progresso muito lento no entendimento do que consiste, a felicidade e quais os fatores que a caracterizam. A Psicologia, por exemplo, tendo redescoberto este tópico recentemente, tem procurado tratá-lo nos domínios da Psicologia Positiva ou Psicologia do Funcionamento Ótimo. De fato, desde a criação do primeiro laboratório de Psicologia Experimental, por Wundt, em 1879, a Psicologia, como Ciência, tem focalizado mais a doença do que a saúde, mais o medo do que a coragem, mais a agressão do que o amor.

Embora seja plenamente compreensível que muito da atenção dos psicólogos se dirija com maior ênfase para a compreensão do sofrimento humano, vislumbra-se, no início deste milênio, uma Psicologia mais preocupada com a investigação científica do bem-estar subjetivo. E, para isto, duas questões têm sido formuladas: quão felizes são as pessoas? E quais são as pessoas felizes e que características, traços e circunstâncias marcam a vida dessas pessoas?

 DINHEIRO VERSUS FELICIDADE

Dados epidemiológicos e levantamentos estatísticos sobre patologias sociais, obtidos, nos Estados Unidos, servem de evidências indiretas para mostrar que, atualmente, as pessoas não são mais felizes do que os seus antepassados. De fato, os dados mostram que duplicaram ou mesmo triplicaram os crimes violentos, os colapsos familiares e os sintomas/sinais psicossomáticos desde a última metade do século passado. Se o bem-estar material conduz a felicidade, por que nem a solução capitalista nem a socialista parecem funcionar? Por que uma grande multidão, vivendo sob a abundância capitalista, está se tornando crescentemente viciada em drogas para dormir, para se animar, para se manter em forma/elegância, e para escapar do tédio e da depressão? Por que os suicídios e a solidão são problemas crônicos na Suécia, que tem aplicado os melhores princípios socialistas para fornecer segurança material aos seus habitantes?

Evidências diretas sobre a relação ambígua entre bem-estar material e bem-estar subjetivo se originam dos estudos sobre felicidade que os psicólogos, finalmente, empreenderam, após um longo período de atraso em que a pesquisa sobre felicidade era considerada muito elementar e sem rigor para ser empreendida experimentalmente.

Certamente é verdade que estes estudos são baseados somente em levantamentos envolvendo registros verbais e em escalas que podem ter diferentes significados dependendo da cultura e da linguagem nas quais são escritas. Não obstante, até o presente momento, estes trabalhos representam o estado de uma arte que, inevitavelmente, se tornará mais precisa com o decorrer do tempo.

Estes estudos mostram que comparações entre nações indicam uma correlação razoável entre a riqueza de um país, como mensurada pelo seu Produto Interno Bruto (PIB), e a felicidade avaliada pelos registros verbais de seus habitantes. Os habitantes da Alemanha e do Japão, por exemplo, nações com um PIB duas vezes maior que o PIB da Irlanda, registraram, todavia, níveis menores de felicidade. Comparações dentro dos países mostraram relações muito mais fracas entre o bem-estar material e o bem-estar subjetivo. Por exemplo, em um estudo no qual foram analisados alguns dos indivíduos mais ricos dos Estados Unidos constatou-se que os níveis de felicidade deles se situavam ligeiramente acima dos indivíduos com um rendimento mediano.

Em outro estudo foi’ analisado um grupo de ganhadores na loteria e dele se concluiu que, apesar deste aumento repentino na riqueza, o nível de felicidade não foi diferente daquele das pessoas injuriadas por traumas, tais como cegueira ou paraplegia. Outro estudo envolvendo um escalonamento nacional, realizado nos Estados Unidos também mostrou que o fato de ter mais dinheiro para gastar não necessariamente conduz a um nível maior de bem-estar subjetivo. Os dados mostraram que, embora os valores dos rendimentos pessoais, ajustados depois dos descontos do imposto de renda, tenham praticamente dobrado entre os anos de 1960 – 1990, a porcentagem de pessoas se auto relatando muito felizes permaneceu praticamente inalterada, por volta de 30%. Logo, apesar da evidência de que riqueza material e felicidade é, na melhor das hipóteses, fraca, muitas pessoas ainda se apegam à noção de que os seus problemas seriam facilmente resolvidos se elas tivessem unicamente mais dinheiro.

Face a estes fatos, parece-nos que uma das mais importantes tarefas dos psicólogos será entender melhor a dinâmica da felicidade e imediatamente comunicar estes resultados a um grande público. Se uma das principais justificativas para a existência da Psicologia é ajudar a  reduzir o estresse e suportar o bem-estar psíquico, então os psicólogos deveriam tentar prevenir a desilusão que se origina quando as pessoas sentem que gastaram uma grande parte de sua vida se esforçando para alcançar objetivos que não podiam satisfazê-las completamente. Os psicólogos deveriam, então, ser hábeis em fornecer alternativas que, em longo prazo, conduzissem a uma vida mais recompensadora.

 RAZÕES SOCIO CULTURAIS E PSICOLÓGICAS

Há entre outras, quatro principais razões que explicam a falta de uma relação direta entre o bem-estar material e a felicidade. As duas primeiras são socioculturais e as duas últimas são de natureza mais psicológicas. A primeira razão é o nível de aspiração ou o escalonamento das expectativas. Se uma pessoa se empenha em alcançar certo nível de riqueza pensando que isto a tomará mais feliz, logo verificará que, ao alcançar este nível, ela se tomará rapidamente habituada e que neste ponto ela almejará o nível seguinte de rendimento, propriedade ou boa saúde.

Assim, não é o tamanho objetivo dá recompensa, mas sim sua diferença em relação ao nível de adaptação de uma dada pessoa que fornece o valor subjetivo.

A segunda razão está relacionada à primeira. Quando os recursos são desigualmente distribuídos, as pessoas avaliam suas posses não pelo que elas de fato necessitam para viver em conforto, mas sim, em comparação com aquelas pessoas que têm mais. Deste modo, as pessoas relativamente abastadas sentem-se pobres em comparação àquelas muito ricas e são, por consequência, infelizes. Este fenômeno denominado de privação relativa, parece ser relativamente universal e bem robusto. Por sua vez, a terceira razão é que a riqueza material, isoladamente, não é bastante paro fazer uma pessoa feliz. Outras condições, como por exemplo, ter uma vida familiar satisfatória, ter amigos íntimos e ter tempo para refletir e buscar diversos interesse têm sido relacionadas com a felicidade. Não há certamente qualquer razão intrínseca para que estes dois conjuntos de recompensas – a material e a socio­emocional –  sejam mutuamente exclusivos. Na prática, todavia, é muito difícil reconciliar suas demandas conflitantes.  Logo, as vantagens materiais nem sempre são prontamente traduzidas em benefícios sociais e emocionais.

A quarta razão é corroborada pelo fato de que, à medida que muito de nossa energia psíquica torna-se investida em objetivos materiais, é comum que a nossa sensibilidade para outras recompensas se atrofie. Amizade, arte, literatura, beleza natural, religião e filosofia tornam-se cada vez menos interessantes. O economista sueco Stephen Linder certa vez mencionou que, quando os rendimentos aumentam e, por consequência, o valor do tempo de uma pessoa aumenta, torna-se cada vez menos ”racional” gastá-lo em algo além de obter dinheiro ou gastá-lo com conspicuidade. O custo da resposta de brincar com uma criança, ler uma poesia ou atender a uma reunião familiar torna-se bastante alto e, assim, a pessoa para de fazer tais coisas, achando-as irracionais. Eventualmente uma pessoa que responde apenas às recompensas materiais torna-se cega para qualquer outro tipo e perde a habilidade para derivar a felicidade de outras fontes. Como quaisquer vícios, em geral as recompensas materiais, num primeiro momento, enriquecem a qualidade de vida e, talvez, devido a isso, tendamos a concluir que, quanto mais, melhor. Porém, a vida raramente é linear; em inúmeros casos, o que é bom, em pequenas quantidades, torna-se corriqueiro e, então, perigoso em doses maiores. A dependência dos objetivos materiais é bastante difícil de evitar, em parte porque nossa cultura tem, progressivamente, eliminado alternativas que no passado foram usadas para dar significado e propósito à nossa vida.

Muitos historiadores têm afirmado que as culturas passadas forneceram uma grande variedade de modelos atrativos para viver com sucesso. Uma pessoa poderia ser valorizada e admirada pelo fato de ser um santo, um sábio, um bom escultor, um patriota ou um cidadão honesto. Nos dias de hoje, a lógica de reduzir cada coisa a uma medida mensurável, tem feito do dinheiro uma métrica comum pela qual se avalia cada aspecto das ações humanas. Com isso, uma pessoa e suas realizações são, atualmente, valorizadas muito mais pelo preço que alcançam no mercado. Assim não é surpreendente que um grande número de pessoas sinta que a única maneira de alcançar uma vida feliz é acumulando todos os bens materiais que pode caber em suas mãos. Aliás, muitos gostariam de ter só mãos em seu corpo. Importante novamente mencionar que não estamos sugerindo que as recompensas materiais de riqueza, saúde, conforto e fama sejam depreciativas da felicidade. Estamos apenas afirmando que após um limiar mínimo – variável com a distribuição dos recursos numa dada sociedade, estas recompensas parecem ser irrelevantes.

A PSICOLOGIA DA FELICIDADE

Sendo assim, uma alternativa ao enfoque materialista é a solução denominada psicológica. Este enfoque é baseado na premissa de que, se a felicidade é um estado mental, as pessoas poderiam ser hábeis em controla-la por meios cognitivos. Naturalmente, é possível também controlar a mente farmacologicamente. Cada cultura tem desenvolvido drogas que variam desde a heroína até o álcool num esforço para melhorar a qualidade da experiência por meios químicos diretos. Todavia, ao bem-estar quimicamente induzido, falta um ingrediente vital para a felicidade: o conhecimento de que alguém é responsável por tê-la realizado. Felicidade não é alguma coisa que acontece para as pessoas, mas sim alguma coisa que elas fazem acontecer. Esta é a diferença fundamental.

O enfoque psicológico da felicidade, portanto, considera, exclusivamente os processos em que a consciência humana usa a sua habilidade de auto-organização, para realizar um estado interno positivo por meio de seus próprios esforços, sem depender de qualquer manipulação externa do sistema nervoso. Há várias maneiras de programar a mente para aumentar a felicidade ou pelo menos para evitar ser infeliz. Algumas religiões têm feito isso prometendo uma vida eterna de felicidades após a nossa existência terrena. Outras religiões têm desenvolvido técnicas complexas para controlar o fluxo de pensamentos e de sentimentos e, portanto, fornecendo meios para expulsar o conteúdo negativo da consciência. Algumas das disciplinas mais radicais e sofisticadas para o auto­ controle da mente foram desenvolvidas na Índia, culminando com os ensinamentos budistas de 25 séculos atrás. Independentemente da verdade de seu conteúdo, a fé numa ordem sobrenatural parece enriquecer o bem-estar subjetivo.

De fato, levantamentos têm indicado que há uma baixa, mas consistente correlação entre religiosidade e felicidade. A Psicologia contemporânea tem desenvolvido várias soluções que compartilham destas premissas das tradições antigas, mas diferem, drasticamente, em conteúdo e detalhes. O que é comum nelas é a suposição de que técnicas cognitivas, atribuições, atitudes e estilos perceptivos podem ajudar a mudar os efeitos das condições materiais na consciência, ajudar a reestruturar os objetivos das pessoas e, consequentemente, melhorar a qualidade da experiência. Muitos estudiosos têm desenvolvido seus conceitos teóricos com suas próprias implicações preventivas e terapêuticas.

A EXPERIÊNCIA AUTOTÉLICA

Assim estabelecido, cumpre lembrar que uma das noções recentemente introduzida para explicar a felicidade é aquela denominada experiência autotélica ou de personalidade autotélica. O conceito descreve um tipo particular de experiência que é tão absorvente e prazerosa que ela se torna autotélica, isto é, valorosa por fazer algo para o seu próprio bem, mesmo que não tenha qualquer consequência externa. Atividades crianças, música, esportes, jogos e rituais religiosos são alguns exemplos típicos deste tipo de experiência. As pessoas autotélicas são aquelas que têm com frequência tais tipos de experiências, independente do que elas estejam fazendo.

Muitos estudos têm sugerido que a felicidade depende de uma pessoa ser capaz de derivar experiências autotélicas a partir de qualquer coisa que ela faz. Em adição, os dados têm mostrado que este tipo de experiência não é limitada aos empenhos criativos. Ela também pode ser encontrada nos adolescentes que adoram estudar, nos trabalhadores que apreciam os seus trabalhos e nos motoristas que adoram dirigir. Esse tipo de experiência tem algumas características comuns. Primeiro, as pessoas reportam que conhecem muito claramente o que elas têm de fazer, passo a passo, em parte porque elas conhecem o que cada atividade exige e, em parte, porque elas estabelecem com clareza os objetivos de cada passo ou atividade. Segundo, as pessoas podem obter feedback imediato sobre o que estão fazendo. Novamente, pode ser porque as atividades fornecem informações sobre o desempenho ou porque as pessoas têm um padrão interno que torna possível conhecer se as ações realizadas alcançaram aquele padrão internalizado.

Finalmente, uma personalidade autotélica sente que suas habilidades para agir se emparelham às oportunidades para a ação. Se o desafio é muito maior para as habilidades de uma pessoa, provavelmente ela sente ansiedade ou angústia, se as habilidades são maiores que os desafios, a pessoa se sentirá entediada. Quando, porém, os desafios estão em perfeito equilíbrio com as habilidades, a pessoa se sentirá envolvida e encantada com a atividade e uma experiência genuinamente autotélica resultará.

Em resumo, as pessoas autotélicas tendem a registrar mais frequentemente estados emocionais positivos, sentem que sua vida é mais significativa e têm mais objetivos. Este conceito de experiência autotélica nos ajuda a explicar as causas contraditórias, e algumas vezes conflitantes, do que nós usualmente denominamos de felicidade. Ele explica por que é possível alcançar estados de bem-estar subjetivos por meio de diferentes caminhos: as pessoas são felizes não por causa do “que” elas fazem, mas por causa do “como” elas fazem. Devemos ter prazer num dado estado mental para nos beneficiarmos dele. Em outras palavras, o pré-requisito para a felicidade é a habilidade de estar completamente envolvido com a vida. Se as condições materiais são abundantes, tanto melhor, mas a falta de riqueza ou de saúde, não pode impedir uma pessoa de ter experiências autotélicas, quaisquer que sejam as circunstâncias que ela tenha em mãos.

É necessário também encontrar satisfação na realização de atividades que são complexas e que fornecem um potencial para o crescimento durante toda a vida e que, também, permitem a emergência de novas oportunidades para a ação e a estimulação de novas habilidades. Quando experiências positivas derivam-se de atividades físicas, mentais ou de envolvimentos emocionais plenos oriundos do trabalho, dos esportes, dos hobbies, da meditação e das relações interpessoais, então as chances para uma vida complexa que leva à felicidade certamente aumentam. Devemos finalmente lembrar, tal como John Locke alertou, que as pessoas não devem confundir felicidade imaginária com a felicidade real, e enfatizar, tal como Platão fez há 2 séculos, que a tarefa mais urgente de nossos educadores é ensinar os nossos jovens a encontrar prazer nas coisas certas. Felicidade é a harmonia entre o pensar, o dizer e o fazer (Mahatma Gandhi).

A dinâmica da felicidade2

GESTÃO E CARREIRA

DELIVERY TURBINADO

Os aplicativos que revolucionaram o mercado de entrega de refeições em domicílio devem chegar a 75% das franquias de alimentação do País.

Delivery Turbinado

O antigo disque-pizza, quem diria, deu origem a um novo e promissor negócio da era digital. As foodtechs, empresas que desenvolvem tecnologias para incrementar as vendas de alimentos prontos, são o novo grande filão do mercado de aplicativos para celular. As soluções criadas pelas startups do setor incluem desde o gerenciamento de programas de fidelidade para redes de supermercado até clubes de assinatura de cervejas e vinhos, O maior filão, porém, é representado pelas empresas que intermediam entregas de refeições em domicilio – hoje presentes em 55,4% das franquias de alimentação do País.

O “delivery turbinado”, que tem atraído empresas e investidores estrangeiros, também como chamou a atenção do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O órgão autorizou, em março, a compra do aplicativo Pedidos Já pelo Naspers, um dos maiores Investidores do líder de mercado iFood. Mesmo com a anuência, o órgão vai acompanhar as novas aquisições do grupo no Brasil, assim como futuros contratos de exclusividade com restaurantes.

Com 6,6 milhões de pedidos mensais, o iFood concentra 60% do setor e quer mais, “Esperamos o mesmo crescimento para os próximos anos, com novas soluções para novos públicos”, diz Alex Anton, diretor de estratégia e novos negócios do iFood. Um exemplo é a máquina de pagamento que lançaremos em breve, afirma. Desde 2013, a empresa que nasceu da Disk Cook, realizou dez aquisições no País. Sua expansão vem incomodando alguns restaurantes, que consideram a taxa cobrada pelo serviço exagerada – o que pode ficar ainda pior no caso de uma concentração que beire o monopólio. O cade só autorizou a mais recente aquisição por entender que a concorrência é favorecida pela chegada ao Brasil de multinacionais como Uber EATS e Rappi.

 REFORMA TRABALHISTA

Uma pesquisa realizada pela consultoria ECD Food Service para a Associação Brasileira de Franchising mostra que esse mercado, já bem aquecido, é também promissor: 75% das franquias de alimentação que ainda não usam o serviço pretendem aderir. ‘A crise fez as pessoas trocarem o restaurante por refeições em casa, assim economizam com estacionamento, serviço e combustível do carro·, diz Enzo Donna, presidente da consultoria.

“Essa baixa aumentou a adesão dos estabelecimentos aos aplicativos, diz ele. Outro propulsor desse mercado foi a Reforma Trabalhista, que permitiu aos estabelecimentos terceirizarem o serviço de entrega e assim reduzirem esses custos. “Antes alguns juízes consideravam a logística parte da atividade-fim das empresas, que tinham receio de terceirizar esse trabalho”, diz Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes.

Delivery turbinado2

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 24: 1 – 3

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Predições Terríveis

Aqui, temos:

I –  Cristo deixando o Templo, e concluindo o seu trabalho público ali. Ele havia dito, no final do capítulo anterior: ”A vossa casa vos ficará deserta”; e aqui Ele cumpre suas palavras: “Jesus ia saindo do templo”. A expressão é notável; Ele não apenas saiu do Templo, mas partiu dele, deu-lhe o seu último adeus. Ele partiu, para nunca mais voltar ali. E imediatamente segue-se uma predição da sua destruição. Observe que aquela casa realmente é deixada deserta quando Cristo parte. ”Ai deles, quando deles me apartar” (Oseias 9.12; veja Jeremias 6.8). Então era a hora de lamentar a sua Icabô, “Foi-se a glória”, “retirou-se deles o seu amparo”. Três dias depois disso, o véu do Templo se rasgou; quando Cristo o deixou, tudo ali tornou-se “comum e impuro”; mas Cristo não partiu, até que eles o expulsassem; não os rejeitou, até que eles o rejeitassem primeiro.

II – O sermão particular de Jesus aos seus discípulos. Ele deixou o Templo, mas não deixou os doze, que seriam a semente da igreja cristã, enriquecida pela expulsão dos judeus. Quando Ele deixou o Templo, os seus discípulos também o deixaram, e aproximaram-se dele. Observe que é bom estar onde Cristo está, e abandonar aquilo que Ele abandona. Eles aproximaram-se dele para serem instruídos em particular, quando a sua pregação pública estivesse concluída, pois “o segredo do Senhor é para os que o temem”. Ele tinha falado à multidão sobre a destruição da instituição judaica sob a forma de parábolas, que aqui, como normalmente fazia, Ele explica aos seus discípulos. Observe:

1. ”Aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo “. Era uma estrutura muito bonita, e majestosa, uma das maravilhas do mundo; nenhum custo foi poupado, nenhum tipo de arte foi deixado de lado, para torná-lo suntuoso. Embora ele não se comparasse ao Templo de Salomão, e fosse pequeno no início, ele realmente cresceu mais tarde. Ele era ricamente adornado com ofertas, às quais contínuos acréscimos eram feitos. Eles mostraram a Cristo essas coisas, e desejaram que Ele também as observasse:

(1) Porque eles mesmos estavam muito satisfeitos com elas, e esperavam que Ele também estivesse. Eles tinham vivido principalmente na Galileia, distantes do templo, raras vezes o tinham visto, e, portanto, estavam grandemente tocados de admiração por ele, e pensaram que Jesus admiraria toda essa glória, tanto quanto eles (Genesis 31.1); e eles queriam que Ele se distraísse (depois da sua pregação, e da sua tristeza, que eles viam que talvez quase o esmagasse) olhando à sua volta. Observe que até mesmo os homens bons são capazes de ficar excessivamente impressionados com a pompa exterior e a alegria, e de supervalorizá-las, até mesmo nas coisas de Deus; quando deveriam estar, como Cristo estava, insensíveis a isso, e considerá-las com desprezo. O Templo era verdadeiramente glorioso, mas:

[1] A sua glória estava suja e manchada com o pecado dos sacerdotes e do povo; aquela doutrina maléfica dos fariseus, que preferiam o ouro ao Templo que o santificava, era suficiente para desfigurar a beleza de todos os ornamentos do Templo.

[2] A sua glória era eclipsada e destruída pela presença de Cristo nele, pois Ele era a glória “desta última casa” (Ageu 2.9), de modo que o edifício não tinha glória, em comparação com esta glória que se sobressaía.

Ou:

(2) Porque lamentavam que esta casa ficasse deserta. Eles lhe mostraram as estruturas, como se pudessem motivá-lo a reverter a sentença; “Senhor, não permita que esta casa santa e bela, onde os nossos pais o louvaram, fique deserta”. Eles se esqueceram de quantas providências, a respeito do Templo de Salomão, tinham evidenciado quão pouco Deus se importava com esta glória externa que eles tanto tinham admirado. Deus se preocupava mais com as pessoas; se eram boas ou más (2 Crônicas 7.21). Essa casa, que é exaltada, o pecado destruirá. Cristo tinha, recentemente, considerado as almas preciosas, e chorado por elas (Lucas 19.41). Os discípulos consideram as estruturas pomposas, e estão prontos a chorar por elas. Nisso, como em outras coisas, os pensamentos do Senhor não são como os nossos. Era uma fraqueza, e pobreza de espírito, dos discípulos, preocuparem-se tanto com as lindas estruturas; isto era uma infantilidade.

2. Cristo, em seguida, prediz a destruição completa que estava por vir a este lugar (v. 2). Observe que uma previsão confiante da desfiguração de toda a glória mundana irá nos ajudar para que deixemos de admirá-la e supervalorizá-la. O corpo mais bonito, em breve, será alimento de vermes, e o edifício mais bonito, um monte de ruínas. E então nós colocaremos os nossos olhos naquilo que, em breve, não mais existirá, e dedicaremos tanta admiração àquilo que, dentro de pouco tempo, consideraremos com tanto desprezo? “Não vedes tudo isto?” Eles queriam que Cristo considerasse essas coisas, e se importasse tanto com elas como eles se importavam. Ele queria que eles estivessem tão mortos para essas coisas como Ele estava. Existe uma visão dessas coisas que nos fará bem; vê-las de modo a ver através delas, e ver o fim delas.

Cristo, ao invés de reverter as suas palavras, as confirma: “Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada”.

(1) Ele fala disso como uma destruição certa. “‘Eu vos digo’. Eu, que sei o que Eu digo, e sei como fazer cumprir o que Eu digo. Aceitai a minha palavra, pois isto irá acontecer. Eu, o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, vos digo isto”. Como todo o julgamento pertence ao Filho, as ameaças, assim como as promessas, são nele sim; e por ele o Amém (Hebreus 6.17,18; 2 Coríntios 1.20).

(2) Ele fala disso como uma destruição completa. O Templo não será somente despojado, e saqueado, e desfigurado, mas será completamente demolido e devastado: “Não ficará aqui pedra sobre pedra”. Na construção do segundo Templo, chamou-se a atenção para a colocação de pedra sobre pedra (Ageu 2.15); e aqui, na destruição, para não deixar pedra sobre pedra. A história nos conta que isto se cumpriu mais tarde; pois embora Tito, quando tomou a cidade, tivesse feito tudo o que podia para preservar o Templo, não conseguiu impedir que os soldados furiosos o destruíssem completamente; e isto foi feito a tal ponto, que Turno Rufo arou o local onde ele tinha estado; assim se cumpriu esta passagem das Escrituras (Miqueias 3.12): “Por causa de vós, Sião será lavrado como um campo”. E depois disso, na época de Juliano, o Apóstata (quando ele incentivou os judeus a reconstruírem o Templo, em oposição à religião cristã), aquilo que restava das ruínas foi completamente destruído, para nivelar o terreno, para uma nova fundação; mas a tentativa foi frustrada pela milagrosa erupção de fogo no terreno, que destruiu a fundação que eles tinham lançado, e assustou os construtores. Esta predição da destruição final e irreparável do Templo inclui uma predição do fim do sacerdócio levítico e da lei cerimonial.

3. Os discípulos, não discutindo nem a verdade nem a justiça dessa sentença, nem duvidando do seu cumprimento, perguntam mais especificamente sobre quando isso viria a acontecer, e sobre os sinais de que isso estivesse próximo (v. 3). Observe:

(1) Quando eles fizeram essa pergunta: em particular, quando Ele estava “assentado no monte das Oliveiras”. Provavelmente, Ele estava voltando para Betânia, e ali sentou-se, para descansar. O monte das Oliveiras estava voltado diretamente para o Templo, e dali Ele podia ter uma visão geral do Templo, a alguma distância. Ali Ele sentou-se, como um Juiz no tribunal, tendo o templo e a cidade diante de si, como na corte; e assim Ele passou a sua sentença sobre eles. Nós lemos (Ezequiel 11.23) sob moção da glória do Senhor do Templo para o monte; as­ sim Cristo, o grande Shequiná, aqui vai para este monte.

(1) Qual foi a pergunta propriamente dita: “Quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?” Aqui há três perguntas.

[1] Alguns pensam que todas essas perguntas apontam para uma única coisa – a própria destruição do templo e o fim da organização religiosa e da nação judaicas, de que o próprio Cristo tinha falado como sendo a sua vinda (cap. 26.28), e que seriam a consumação dos tempos (pois assim pode ser interpretado), o final daquela dispensação. Ou pensam que a destruição do Templo precisa ser o fim do mundo. Se aquela construção fosse destruída, o mundo não poderia continuar; pois os rabinos costumavam dizer que a casa do santuário era um dos sete motivos pelos quais o mundo fora criado; e eles pensavam que o mundo não sobreviveria ao Templo.

[2] Outros opinam que a pergunta: “Quando serão essas coisas?” se refere à destruição de Jerusalém, e as outras duas se referem ao fim do mundo, ou a vinda de Cristo pode se referir à fundação do seu reino mencionado no Evangelho, e o fim do mundo ao dia do juízo. Eu estou inclinado a pensar que a sua pergunta não ia além do evento que Cristo então predizia; mas parece, por outras passagens, que os discípulos tinham ideias muito confusas sobre os eventos futuros, de modo que talvez não seja possível atribuir nenhum significado seguro a essa pergunta.

Mas Cristo, na sua resposta, embora não corrija expressamente os enganos dos seus discípulos (isto deverá ser feito através do derramamento do Espírito), ainda vai além da pergunta deles, e instrui a sua igreja, não somente a respeito dos grandes acontecimentos daquela época, da destruição de Jerusalém, mas também ares­ peito da sua segunda vinda, no final dos tempos, sobre o que Ele passa, de maneira imperceptível, a falar aqui, e de que Ele fala claramente no próximo capítulo, que é uma continuação desse sermão.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

SERÁ MESMO UMA QUESTÃO DE SORTE (!?)

Muitos desconhecem o conceito de felicidade, aplicando-o equivocadamente e banalizando a formação de opinião. Quem perde com isso é toda uma sociedade

Será mesmo questão de sorte

Há quem diga, criticando a Psicologia Positiva, que a busca pela felicidade é um “modismo americano”. Pois acreditar que o movimento de Martin Seligman inaugurou a busca do homem por uma vida feliz beira a ingenuidade. Desde a Era pré-Cristã, temos registros filosóficos acerca da felicidade, bem como uma série de recomendações de importantes pensadores sobre os melhores caminhos para atingi-la. Além do próprio Aristóteles e sua proposta de eudaimonia, sobre a qual não discutirei neste artigo, agrada-me em especial algumas reflexões de Sêneca, filósofo contemporâneo de Cristo que, ao refletir sobre o tema felicidade frente à sociedade de sua época, recomendava: “aquele que quiser ser feliz, a primeira coisa que deve fazer é negar-se seguir a multidão”. Sêneca fazia tal recomendação pelo simples fato de que, ao observar a sociedade de sua época, não parecia encontrar uma maioria feliz.

Passados mais de dois mil anos e a despeito do que é veiculado (e fabricado) nas mídias sociais, olho ao meu redor e chego à mesma conclusão. Não acredito que a maioria das pessoas seja feliz. Quero, contudo, deixar claro que esta não se trata de uma afirmação científica, mas, uma mera opinião pessoal.

OUTROS OLHARES

CRIANÇAS APARTADAS DOS PAIS

A política de tolerância zero do governo Trump separa milhares de famílias de imigrantes ilegais, levando crianças a gritos de desespero.

Crianlas apartadas dos pais

Suas vozes frágeis e seus corpos miúdos sugerem que elas não têm mais de 7anos, mas já conhecem a brutal realidade dos desventurados cuja sina é cruzar fronteiras para sobreviver. O drama das crianças tiradas dos braços de seus pais e mães pela “política de tolerância zero” do governo americano tem comovido o mundo e dividido o país do presidente Donald Trump. Os relatos são de solidão e desespero para essas famílias divididas, que, não raro, mal podem se comunicar com o mundo exterior nem conseguem informações sobre o paradeiro de seus parentes após terem cruzado fronteira do México para os EUA em busca de uma vida menos difícil. Em vez de encontrarem a realização de seu “sonho americano”, elas vêm sendo recebidas por uma prática de hostilidade reforçada na zona fronteiriça, que separou mais de 2.200 crianças de seus pais desde abril.

As famílias mais afetadas pela nova prática da Casa Branca, que agora processa criminalmente pais e os leva a presídio enquanto filhos são mantidos em abrigos temporários, têm sido as hondurenhas, as guatemaltecas e as mexicanas. Mas há também brasileiros experimentando esse sofrimento, e alguns nem mesmo entraram ilegalmente nos EUA, mas sim pediram asilo político. É o caso da avó Maria Bastos e seu neto autista, Matheus, que há dez meses não se encontram, separados por mais de 2.000 quilômetros em um país estranho. Enquanto isso, um menino brasileiro de 9 anos esperou em vão por 22 dias por telefonemas no abrigo. Seu pai não consegue falar com ele enquanto está detido no estado do Novo México e já perdeu 13 quilos durante esse tempo no cárcere, onde estão presos também condenados por diversos outros crimes

Um áudio divulgado pela Pro Publica organização jornalística sem fins lucrativos, registrou o momento em que dez crianças centro-americanas foram separadas dos pais. Elas choram, soluçam e soltam gritos agudos. Mas, de um agente migratório, o que essas crianças ouvem é: “Bem, temos uma orquestra aqui. Só falta o maestro”.

Enquanto os pais nos presídios se preocupam com as condições dos filhos, crianças e adolescentes detidos se sentem abandonados. Antar Davidson, americano de origem brasileira que trabalhou num centro de acolhimento para menores em Tucson, no Arizona, afirmou que os apreendidos dão sinais diários de instabilidade emocional, depressão e rebeldia. Durante vários meses 300 menores entre 4 e 17 anos não receberam educação nem ajuda psicológica apropriadas. Ele contou que três irmãos brasileiros foram proibidos de se abraçar.

“Isso é inacreditável. Autoridades do governo Trump estão enviando bebês e crianças pequenas… desculpem… há pelo menos três…” Foi o que conseguiu dizer Rachel Maddow, âncora da MSNBC, antes de se render às lágrimas ao tentar noticiar o drama infantil latino-americano, num vídeo que já viralizou. Os relatos cruéis sobre as separações familiares vêm dominando a imprensa americana nos últimos dias e, assim, pressionando o governo a se explicar sobre as consequências de sua nova política.

Crianças têm sido colocadas em enormes estruturas parcialmente improvisadas, algumas das quais já são chamadas de “cidades-tenda”. No Texas, por exemplo, edifícios que serviam como lojas de departamentos se converteram em um abrigo para quase 1.500 meninos entre 10 e 17 anos. Lá, durante duas horas do dia, os menores podem sair ao ar livre. Relatos na imprensa falam também de abrigos rodeados por cercas, provocando comparações com verdadeiras prisões.

 Antes de chegarem a esses abrigos, os pequenos migrantes devem passar por centros de processamento, em que são colocados em celas que mais parecem jaulas feitas de metal. Em imagens divulgadas pelo próprio governo, crianças – algumas aparentando ter 4 ou 5 anos – aparecem deitadas em colchões bem finos com cobertores de alumínio, do tipo usado por corredores após maratonas.

O maior de todos os medos, pata filhos e pais, é nunca mais verem uns aos outros, o que em alguns casos não é impossível. A deportação dos guardiões legais torna altamente desafiadora: a reunificação familiar para quem, de volta ao seu país de origem, tem poucos meios legais disponíveis. Alguns pais, inclusive, recebem ofertas da Justiça para serem soltos e reverem seus filhos se desistirem do pedido de refúgio. A ONG Anistia internacional chamou essa prática de tortura, explicando que se trata da “imposição deliberada de sofrimento extremo para evitar comportamentos indesejados pelo governo.

“A vasta maioria das famílias se apresentou legalmente. Não há justificativa para isso. Precisa parar agora, e as famílias devem ser reunificadas”, disse Brian Griffey, pesquisador da organização que se encontrou com duas famílias brasileiras detidas nessas circunstâncias.

Na quarta-feira, Trump, criticado dentro e fora de seu país, inclusive em seu Partido Republicano, anunciou um decreto para que as famílias sem documentos fossem mantidas juntas, evitando a separação de pais e filhos. Mas, com apenas três centros de detenção familiar em todo o país, não está claro como isso pode acontecer. O republicano vem seu reforço na vigilância migratória como moeda de troca para negociar com democratas sua desejada reforma bipartidária sobre o assunto, em que a construção de um muro na fronteira com o México é o carro-chefe.

Crianlas apartadas dos pais.2

GESTÃO E CARREIRA

 POR QUE OS LÍDERES FALHAM?

 Por que os líderes falham

As frases e os incentivos proferidos por Henrique V na famosa batalha de Agincourt destacam-se entre as maiores passagens escritas por Shakespeare, aflorando todo seu patriotismo. Com enorme habilidade, Henrique estimulava seus soldados para que continuassem lutando, não importando que, do outro lado, para cada inglês havia cinco franceses. E vaticina: “De hoje até o fim dos tempos nós seremos lembrados. Nós, os afortunados, nós, os irmãos. Pois aquele que hoje sangra comigo será o meu irmão”.

Líderes são bem-sucedidos, até que falhem. Assumir riscos e eventualmente falhar é da natureza da liderança. De acordo com recente estudo do Center for Creative Leadership, cerca de 40% dos novos diretores executivos falham em seus primeiros 18 meses no cargo, e um percentual ainda maior não consegue viver de acordo com as expectativas de quem os contratou. Parte desse fenômeno pode ser explicada por processos de seleção ineficientes e pela ausência de acompanhamento e suporte.

Um líder eficaz aprende com o fracasso e avança. Entretanto, existem falhas na liderança, não necessariamente associadas à assunção de riscos, que podem comprometer e paralisar uma organização. O esforço da organização para destilar as razões e causas dessas falhas é indispensável. Negligenciar essas causas sufoca a capacidade da empresa de buscar novas oportunidades e impede o avanço das organizações. Mesmo que se possa atribuir esses infortúnios ao azar ou timing equivocado, pesquisas têm sugeri do que, dentre as principais causas, encontra-se a inaptidão cognitiva e comportamental. Primeiro porque existe uma tendência inconsciente do líder em atribuir maior relevância às informações que vão ao encontro de suas crenças. hipóteses e experiências recentes. em detrimento de variáveis conflitantes.

Muitos líderes criam, involuntariamente, barreiras pessoais que corroem sua capacidade de manter os princípios de liderança, rigor metodológico em motivação. Por outro lado, o excesso de confiança conduz os líderes a superestimar sua capacidade de gerenciar o negócio, assumindo riscos demasiados na expectativa de que tenham controle sobre suas consequências. É importante que os líderes compreendam que suas habilidades, conhecimento, experiência e liderança serão continuamente desafiados em um mercado cada vez mais volátil e complexo. A liderança tem de ser adaptável.

Em outras palavras, o pensamento que tornou possível o sucesso de ontem pode ser, eventualmente, o mesmo pensamento que resultará em seu fracasso amanhã. Em contrapartida, a credibilidade de um líder é consequência de dois aspectos: o que faz sua competência e o que é seu caráter. A discrepância entre esses cria um problema de integridade. Quando a integridade deixa de ser prioridade para um líder, a obtenção de resultados torna-se mais importante do que os meios utilizados para sua realização. É nesse momento que o líder adentra um terreno pantanoso, onde a ética é de conveniência. Muitas vezes esses líderes enxergam seus liderados como simples peões, confundindo manipulação com liderança. Esses líderes não têm empatia. Liderança é, também, ascendência moral. Por fim, a liderança não pode ser um fardo. Deve ser gratificante e, até mesmo, divertida. Um líder deve caminhar convencido de que toda tarefa, não importando sua dimensão, o leva cada vez mais perto de seus sonhos.

Ao elaborar a fórmula da liderança, o especialista em comportamento organizacional e professor Nigel Nicholson ensina: “A eficácia da liderança envolve ser a pessoa certa no momento e no lugar certo, fazendo a coisa certa”. Isso significa que a liderança pode assumir variadas formas para uma infinidade de situações, e os líderes falham quando o seu modelo, insight ou relacionamentos estão errados.

 

ANDRIEI JOSÉ BEBER – é professor da FGV, especialista e palestrante nas áreas de finança, gestão e governança, e doutor em engenharia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 24: 32 – 51 – PARTE III

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A Parábola da figueira. Predições terríveis. O dever da vigilância. O bom e o mau administrador

III – Há aqui uma exortação geral a nós, para que vigiemos e estejamos preparados para aquele dia que se aproxima, uma exortação reforçada por diversas considerações importantes (vv.42ss). Considere:

1.  A tarefa exigida: “Vigiai. pois. porque não sabeis a que hora há de v:ir…estai vós apercebidos (vv. 42,44).

(1)  “Vigiai, pois” (v. 42). Observe que vigiar é o maior dever e interesse de todos os discípulos de Cristo, que devem estar e se manterem despertos, para que possam cuidar da sua vida. Assim como um estado ou comporta ­ mento pecaminoso é comparado a dormir, como estando desacordado e inativo (1 Tessalonicenses 5.6), também um estado ou comportamento de graça é comparado a vigiar e despertar. Nós devemos esperar a vinda do nosso Senhor, a nós, em particular, na nossa morte, depois da qual segue-se o juízo, que é o grande dia para nós, o fim do nosso tempo; e a sua vinda no final de todos os tempos, para julgar o mundo, o grande dia para toda a humanidade. Vigiar implica não somente em crer que o nosso Senhor virá, mas também desejar que Ele venha, estar sempre pensando na sua vinda, e procurá-la como sendo certa e próxima, embora a sua ocasião seja desconhecida. Vigiar pela vinda de Cristo é manter aquele espírito de graça e aquela disposição mental com que devemos estar desejosos de que o nosso Senhor, quando vier, nos encontre. Vigiar é estar ciente das primeiras notícias da sua chegada, para que possamos imediatamente atender às suas ordens, e nos apresentarmos ao dever de encontrá-lo. Vigiar é uma atitude que ocorre, supostamente, à noite, que é o horário de dormir; enquanto nós estivermos neste mundo, a noite estará conosco, e precisaremos nos esforçar para nos mantermos despertos.

(2)  “Estai vós apercebidos também”. Nós desperta­ remos em vão, se não estivermos preparados. Não é suficiente procurar tais coisas; devemos, portanto, viver de forma diligente (2 Pedro 3.11,14). Nós teremos o nosso Senhor, a quem deveremos acompanhar, e assim precisaremos ter as nossas lâmpadas prontas. Há uma causa para ser julgada, e nós devemos ter a nossa apelação já preparada e assinada pelo nosso Advogado; uma prestação de contas para fazer, e devemos ter as nossas contas já declaradas e equilibradas. Existe uma herança que esperamos receber, e nós devemos estar preparados, dignos de participar dela (Colossenses 1.12).

2. As razões que nos induzem a essa vigilância e preparação diligente para aquele dia; e são duas.

(1)  Porque o dia da vinda do nosso Senhor é completamente incerto. Esta é a razão imediatamente anexa à dupla exortação (vv. 42,44), e é exemplificada por uma comparação (v. 43). Consideremos:

[1] Que não sabemos a que hora há de vir o nosso Senhor (v. 42). Nós não sabemos o dia da nossa morte (Genesis 27.2). Podemos saber que temos apenas pouco tempo de vida (“O tempo da minha partida está próximo”, 2 Timóteo 4.6), mas não podemos saber quanto tempo teremos, pois as nossas almas estão continuamente em nossas mãos. Também não podemos saber quanto tempo de vida nos resta, pois pode acabar sendo menos do que esperávamos; muito menos sabemos o dia fixado para o grande juízo. A respeito dos dois dias, nós somos mantidos na incerteza, para que possamos, todos os dias, esperar por aquilo que poderá vir qualquer dia; nunca podemos nos orgulhar de mais um ano (Tiago 4.13), não, nem do retorno do amanhã, como se este nos pertencesse (Provérbios 27.1; Lucas 12.20).

[2] Que Ele há de vir à hora em que não pensamos (v. 44). Embora exista tal incerteza quanto à hora, não há nenhuma incerteza quanto à sua vinda. Embora não saibamos quando Ele virá, temos plena certeza de que Ele virá. As suas palavras de despedida foram: “Certamente, cedo venho”. As suas palavras: “Certamente venho”, nos compelem a esperá-lo. As suas palavras: “Cedo venho”, nos compelem a estar sempre esperando por Ele; pois isto nos deixa numa condição de expectativa. “À hora em que não penseis”, isto é, nesta hora, quando não estão prontos nem preparados, quando nem imaginam (v. 50); ou melhor, numa hora, naquela em que a maioria consideraria improvável. O esposo veio quando as prudentes estavam dormindo. E conveniente à nossa condição atual que estejamos sob a influência de uma expectativa geral e constante, em vez da influência de presságios e prognósticos particulares, que, às vezes, somos tentados, inutilmente, a desejar e esperar.

[3] Para que os filhos deste mundo sejam, consequentemente, sábios na sua geração, para que, se souberem de um perigo próximo, se mantenham despertos e mantenham a sua guarda contra este. O Senhor nos mostra isso em um exemplo particular (v. 43). Se o pai de família soubesse que um ladrão viria em certa noite, e a certa vigília da noite (pois a noite era dividida em quatro vigílias, de três horas cada uma), e tentaria arrombar a sua casa, ainda que fosse a vigília da meia-noite, quando ele teria mais sono, ainda assim estaria acordado, ouviria todos os ruídos em todos os cantos, e estaria preparado para oferecer ao ladrão a resistência adequada. Embora nós não saibamos exatamente quando o nosso Senhor virá, ainda assim, sabendo que Ele virá, e que virá sem demora, e sem nenhum outro aviso além dos que Ele já deu em sua Palavra, é interesse nosso vigiar sempre. Observe, em primeiro lugar, que cada um de nós tem uma casa para manter, que está exposta; tudo o que temos está nesta casa. Esta casa é a nossa própria alma, que nós devemos conservar com toda a diligência. Em segundo lugar, o dia do Senhor vem inesperadamente, como um ladrão. Cristo decide vir quando Ele é menos esperado, para que os triunfos dos seus inimigos possam ser convertidos na maior vergonha deles, e os temores dos seus amigos se transformem na maior alegria. Em terceiro lugar, se Cristo, quando vier, nos encontrar adormecidos e despreparados, a nossa casa será invadida e nós perderemos tudo o que tivermos, não injustamente, para um ladrão, mas por um processo justo e legal. A morte e o juízo tomarão tudo o que os despreparados tiverem, para seu prejuízo irreparável e completa destruição. Por isso, devemos estar preparados; “estai vós apercebidos também”; tão preparados, em todos os momentos, como o bom homem da casa estaria à hora em que esperasse o ladrão; nós devemos vestir a armadura de Deus para que possamos não apenas permanecer naquele dia mau, mas para que, como mais que vencedores, possamos repartir os despojos.

(2)  Porque o resultado da vinda do nosso Senhor será muito feliz e consolador para aqueles que forem encontrados preparados, mas muito triste e assustador para os demais (vv.45ss.). Isto é representa do pela situação diferente do servo bom e do mau, quando o seu senhor vem para acertar as contas com eles. Será bom ou mau para nós, por toda a eternidade; tudo depende de sermos encontrados preparados ou despreparados, naquele dia, pois Cristo dará a cada um segundo as suas obras. Esta parábola, que conclui o capítulo, se aplica a todos os cristãos, que são, por profissão e obrigação, servos de Deus. Mas ela parece destinada, em especial, como uma advertência aos ministros, pois o servo de que se fala é um administrador. Observe o que Cristo diz aqui:

[1] A respeito do servo bom. O Senhor mostra aqui que aquele é um administrador da casa; sendo assim, ele deveria ser fiel e prudente; e se fosse assim, seria eternamente bem-aventurado. Aqui há boas instruções e bons incentivos aos ministros de Cristo.

Em primeiro lugar, temos aqui o seu lugar e trabalho. Ele é aquele que o Senhor tornou administrador da sua casa, para dar o sustento a cada um a seu tempo. Observe:

1. A igreja de Cristo é a sua casa, ou família. Ele é o Pai e Mestre. É a casa de Deus, uma família que toma o nome de Cristo (Efésios 3.15).

2. Os ministros do Evangelho são nomeados administradores nessa casa. Não como príncipes (Cristo advertiu contra isso), mas como administradores, ou outros encarregados subordinados; não como senhores, mas como guias; não para prescrever novos caminhos, mas para mostrar e conduzir nos caminhos que Cristo indicou. Este é o significado de hegoum enoi, que traduzimos: governando sobre vós (Hebreus 13.17). Como supervisores, não para interromper nenhum novo trabalho, mas para orientar e acelerar a obra que Cristo ordenou; este é o significado de episcopoi bispos. Eles são governantes por Cristo; qualquer poder que eles tenham deriva dele, e ninguém pode tomá-lo deles, ou reduzi-lo. Jesus é aquele a quem Deus Pai fez governante; e Cristo tem o poder de fazer ministros. Eles são governantes sob Cristo, agindo subordinados a Ele; e governantes para Cristo, para o progresso do seu reino.

3. O trabalho dos ministros do Evangelho é de dar à casa de Cristo o seu sustento a seu tempo, como administradores, e por isso eles têm as chaves da casa.

(1) O seu trabalho é dar, e não tomar para si mesmos (Ezequiel 34.8), mas dar à família o que o Mestre trouxe, distribuir o que Cristo comprou. E aos ministros foi dito: “Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (Atos 20.35).

(2) Trata-se de dar sustento, e não a lei (isto é função de Cristo), mas transmitir à igreja essas doutrinas, que, se devidamente digeridas, serão alimento para as almas. Eles devem dar, não o veneno das falsas doutrinas, não as pedras das doutrinas duras e infrutíferas, mas o sustento que é saudável e que faz bem.

(3) O sustento deve ser dado a seu tempo, en kairo enquanto há tempo para isso; quando vier a eternidade, será tarde demais; nós precisamos trabalhar enquanto é dia: isto é, sempre que houver qualquer oportunidade; ou no tempo indicado, continuamente, conforme exija o de­ ver de cada dia.

Em segundo lugar, a sua liberação desse ofício. O bom servo, se assim o preferir, será um bom administrador; pois:

1. Ele é fiel; os administradores devem ser fiéis (1 Coríntios 4.2). Aquele a quem algo é confiado, deve ser confiável; e quanto mais lhe é confiado, mais se espera dele. É uma coisa boa e grandiosa que é confiada aos ministros (2 Timóteo 1.14); e eles precisam ser fiéis, como Moisés também o foi (Hebreus 3.2). Cristo considera os ministros que são fiéis, e somente eles (1 Timóteo 1.12). Um ministro fiel de Jesus Cristo é alguém que deseja sinceramente a honra do seu Mestre, não a sua própria; este transmite integralmente a Palavra de Deus, não as suas próprias fantasias e ideias; ele segue as instituições de Cristo e adere a elas; considera os mais humildes, reprova os mais poderosos e não respeita a aparência das pessoas.

2. Ele é sábio para compreender o seu dever e a ocasião apropriada para ele. E para guiar o rebanho é necessária não apenas a integridade do coração, mas a habilidade das mãos. A honestidade pode ser suficiente para um bom servo, mas a sabedoria é necessária para um bom administrador; pois orientar é um trabalho frutífero.

3. Ele trabalha, como exige o seu cargo. O ministério é uma boa obra, e aqueles que têm este trabalho sempre têm alguma coisa para fazer; eles não devem permitir-se descansar, nem deixar o trabalho inacabado, nem descuidadamente passá-lo a outros, mas precisam estar trabalhando, e trabalhando para alcançar os objetivos do seu trabalho, dando sustento à casa, cuidando dos seus deveres e não se envolvendo no que não lhe diz respeito; trabalhando como o Mestre ordenou, como importa ao cargo, e como exige a situação da família; não conversar, mas trabalhar. Este era o lema que o Sr. Perkins usava: Minister verbi es Você é um ministro da Palavra. Não apenas Age Trabalhe, mas Hoc age Trabalhe assim.

1- Ele é encontrado trabalhando quando chega o seu Mestre, o que indica:

(1) Constância no seu trabalho. A qualquer hora em que chegue o seu Mestre, ele será encontrado ocupado com o trabalho. Os ministros não devem deixar lacunas no seu tempo, para que o Senhor não os encontre parados por ocasião da sua volta. Assim como para o Deus benigno o fim de uma misericórdia é o início de outra, também para um homem bom, um bom ministro, o fim de um dever é o início de outro. Quando tentaram persuadir Calvino a diminuir os seus deveres ministeriais, ele respondeu, com ressentimento: “Vocês desejam que o meu Mestre me encontre ocioso?”

(2) Perseverança no seu trabalho, até a chegada do Senhor. “Retende-o até que eu venha” (Apocalipse 2.25). “Persevera nestas coisas” (1 Timóteo 4.16; 6.14). Persevere até o fim.

Em terceiro lugar, a recompensa destinada ao servo fiel, em três aspectos:

1. Ele será notado. Isto está indicado nestas palavras: “Quem é, pois, o servo fiel e prudente?” Isto dá a entender que poucos têm esta qualidade; um administrador tão fiel e prudente será um entre mil. Àqueles que se distinguirem pela humildade, diligência e sinceridade no seu trabalho, Cristo, no grande dia, honrará e distinguirá através da glória que lhes será conferida.

2. Ele será bem-aventurado. “Bem-aventurado aquele servo”; e Cristo, ao dizer isto, o torna bem-aventurado. “Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor” (Apocalipse 14.13). Mas há uma bênção especial garantida àqueles que se mostram administradores fiéis, e são encontrados trabalhando. Ao lado da honra daqueles que morrem no campo de batalha, sofrendo por Cristo, como os mártires, está a honra daqueles que morrem no campo de trabalho, arando, e semeando, e colhendo, por Cristo.

3. Ele será preferido (v. 47); [Ele] “o porá sobre todos os seus bens”. A alusão é ao caminho dos grandes homens: se os administradores da sua casa se conduzem bem, eles normalmente os preferem para que sejam os administradores das suas propriedades. Assim José foi preferido na casa de Potifar (Genesis 29.4,6). Mas a maior honra que o senhor mais gentil já fez aos seus servos mais experimentados neste mundo não é nada, quando comparada ao peso da glória que o Senhor Jesus irá conferir aos seus servos fiéis e vigilantes, no mundo vindouro. O que aqui é dito, em comparação, é a mesma coisa dita, mais claramente, em João 12.26: “Meu Pai o honrará”. E os servos de Deus, quando assim preferidos, serão perfeitos em sabedoria e santidade, para sustentar o peso daquela glória, para que estes servos não representem perigo, quando reinarem.

[2] A respeito do servo mau, temos aqui:

Em primeiro lugar, a descrição que é dada a respeito dele (vv. 48,49), onde temos o infeliz com as suas características. A mais vil das criaturas é um homem mau, o mais vil dos homens é um mau cristão, e o mais vil entre eles é um mau ministro. O que é melhor; quando corrompido, torna-se o pior. A maldade nos profetas de Jerusalém é verdadeiramente uma coisa horrível (Jeremias 23.14). Aqui está:

1. A causa da sua maldade, que é uma descrença prática na segunda vinda de Cristo. Ele diz no seu coração: o meu Senhor atrasa a sua vinda; e por isso começa a pensar que Ele nunca virá, e que abandonou a sua igreja. Considere que:

(1) Cristo sabe o que dizem, nos seus corações, aqueles que com seus lábios clamam: “Senhor, Senhor”, como este servo.

(2) A demora da vinda de Cristo, embora seja um exemplo gracioso da sua paciência, é muito mal interpretada pelas pessoas más, cujos corações, desta maneira, se endurecem, com os seus métodos de iniquidade. Quando a vinda de Cristo é considerada duvidosa, ou algo que está a uma distância imensa, o coração do homem se torna inteiramente disposto a praticar o mal (Eclesiastes 8.11). Veja Ezequiel 12.27. Aqueles que caminham pelos seus sentidos estão prontos para falar, a respeito do Jesus invisível, como o povo falou sobre Moisés, quando ele se demorou no monte, depois da sua peregrinação: “Não sabemos o que lhe sucedeu” portanto “levanta-te, faze-nos deuses”; o mundo é um deus, o nosso ventre é um deus, qualquer coisa pode ser um deus, porém nunca será o Deus verdadeiro.

2. As particularidades da sua iniquidade. E esses são pecados de primeira grandeza; o ímpio é um escravo das suas paixões e dos seus apetites.

(1)  Aqui ele é acusado de perseguição. Ele começa a espancar os seus conservos. Veja que:

[1] Até mesmo os administradores mais importantes da casa devem considerar os servos da casa como seus conservos, e por isso estão proibidos de agir como se fossem senhores deles. Se o anjo se considerava conservo de João (Apocalipse 19.10), não é de admirar que João tivesse aprendido a se considerar um irmão dos cristãos das igrejas da Ásia (Apocalipse 1.9).

[2] Não é novidade ver maus servos ferindo os seus conservos; tanto cristãos em particular quanto ministros fiéis. Ele os fere, seja porque eles o reprovam, seja porque eles não o reverenciam; não dizem o que ele diz, e não fazem o que ele faz, agindo contra as suas consciências: ele os fere com a língua, da mesma maneira como eles feriram o profeta (Jeremias 18.18). E se ele tiver poder nas mãos, ou puder pressionar aqueles que o têm, como os dez chifres sobre a cabeça da besta, isso continuará. Pasur, o sacerdote, feriu o profeta Jeremias, e o meteu no tronco (Jeremias 20.2). Aqueles que se insurgem contra Deus têm descido até ao profundo, na matança (Oseias 5.2). Quando o administrador fere os seus conservos, o faz deturpando a autoridade do seu Mestre, e no seu nome. Ele diz: “O Senhor seja glorificado” (Isaias 66.5), mas ele virá a saber que não poderia ter feito afronta pior ao seu Mestre.

(2) Profanação e imoralidade. Ele começa a comer e a beber com os bêbados.

[1] Ele se associa aos piores pecadores, se relaciona com eles, é íntimo deles. Ele caminha sob a orientação deles, segue o caminho deles, senta-se na cadeira deles e canta as canções deles. Os bêbados são os companheiros, alegres e joviais, e aqueles a quem ele prefere, e por isso ele fortalece a sua iniquidade.

[2] Ele age como eles; “come, e bebe e folga”, assim consta no texto de Lucas. Isto é uma introdução a todos os tipos de pecado. A embriaguez é uma iniquidade dominante; aqueles que são seus escravos, nunca são senhores de si mesmos em qualquer outro aspecto. Os perseguidores do povo de Deus normalmente têm sido os homens mais maldosos e imorais. As consciências dos perseguidores, quaisquer que sejam os argumentos, normalmente são as mais corruptas e pervertidas. De que não se embriagam aqueles que se embriagam com o sangue dos santos? Esta é a descrição de um mau ministro, que, apesar disso, ainda pode ter os dons do ensino e do discurso sobre os demais; e, como foi dito sobre alguns, este tipo de obreiro pode pregar tão bem no púlpito, que seja uma pena que ele deva sair dali, e ainda assim viver de maneira tão má fora do púlpito, que seja uma pena que ele deva subir ali.

Em segundo lugar, é apresentada a sua condenação (vv. 50,51). A “capa” e o caráter dos maus ministros não os protegem da condenação, mas a agrava grandemente. Eles não podem reivindicar que estejam fora do alcance ou da jurisdição de Cristo, nem da jurisdição dos magistrados civis; os clérigos não possuem nenhum benefício no tribunal de Cristo. Considere:

1. A surpresa que irá acompanhar a sua condenação (v. 50): “Virá o senhor daquele servo”. Então:

(1) O fato de nós adiarmos os pensamentos sobre a vinda de Cristo não irá adiar a sua vinda. Não importa com o quê alguém procure se iludir; o seu Senhor virá. A descrença do homem não tornará sem efeito aquela grande promessa, ou ameaça (você pode chamá-la como quiser).

(2) A vinda de Cristo será uma surpresa terrível para os pecadores seguros e descuidados, especialmente para os maus ministros: “virá o senhor daquele servo num dia em que o não espera”. Aqueles que desprezaram os avisos da Palavra, e calaram os avisos das suas próprias consciências, a respeito do juízo futuro, não podem pretender esperar quaisquer outras advertências; serão considerados como tendo recebido suficientes avisos legais, tenham estes sido aceitos ou não; e não se pode acusar a Cristo de nenhuma injustiça se Ele vier repentinamente, sem qualquer aviso. Ele já nos falou a este respeito anteriormente.

2. A severidade da sua condenação (v. 51). Ela não é mais severa do que justa, mas é uma condenação que traz a destruição completa, envolta por duas palavras terríveis: morte e condenação.

 

(1)  Morte. O seu Senhor o separará. “Ele o separará da terra dos vivos”, da congregação dos justos, irá separá-lo para o mal; esta é uma definição de maldição (Deuteronômio 29.21). Ele o derrubará, como uma árvore que sobrecarrega o solo; talvez isto seja uma alusão à sentença frequentemente usada na lei: “Esta alma será extirpada do seu povo”, o que sugere uma extirpação completa. A morte separa um bom homem, assim como um escolhido é separado para ser enxertado em um rebanho melhor; mas ela também separa um homem mau, assim como um galho seco é separado quando o fogo o separa deste mundo. Ou, como podemos interpretar, Ele o separará, isto é, separará o corpo da alma, enviará o corpo à sepultura, para ser uma presa dos vermes, e a alma para o inferno, para ser uma presa dos demônios; e assim o pecador é separado. Na morte, a alma e o corpo de um homem temente e obediente a Deus se separam da maneira adequada; a primeira é alegremente levada à presença de Deus, e o segundo é deixado para a terra. Mas a alma e o corpo de um homem iníquo, na morte, são separados, pois para eles a morte é o rei dos terrores (Jó 18.14). O mau servo se divide entre Deus e o mundo, entre Cristo e Belial, entre a sua profissão de religião e os seus desejos; portanto, com justiça, ele também será dividido.

(2)  Condenação. Ele “destinará a sua parte com os hipócritas”, e será uma porção miserável, pois “ali haverá pranto”. Observe que:

[1] Há um lugar e um estado de miséria perpétua no outro mundo, onde não há nada, exceto pranto e ranger de dentes; o que expressa a tribulação e a angústia da alma sob a indignação e a ira de Deus.

[2] A sentença divina designará este lugar e esta­ do como a porção daqueles que, por seu próprio pecado, foram preparados para ele. Até àquele de quem Ele disse, que dizia que Ele era o seu Senhor, designará, desta maneira, a sua porção. Aquele que agora é o Salvador, será, então, o Juiz, e o estado perpétuo dos filhos dos homens será como Ele designar. Eles, que escolhem o mundo por sua porção nesta vida, terão o inferno por sua porção na outra vida. “Esta, da parte de Deus, é a porção do homem ímpio” (Jó 20.29).

[3] O inferno é o lugar apropriado para os hipócritas. Este servo perverso tem sua porção com os hipócritas. Eles são, como eram, os proprietários livres, outros pecadores são meramente como moradores com eles, e têm somente uma porção da sua miséria. Quando Cristo desejava expressar o mais severo castigo no outro mundo, Ele o chamava de “a porção dos hipócritas”. Se houver algum lugar no inferno mais ardente que outro, como é provável que haja, ele será a parte daqueles que têm a forma, mas odeiam o poder da piedade.

[4] Os ministros perversos terão a sua porção no outro mundo com os piores dos pecadores, certamente com os hipócritas, e com justiça, pois eles são os piores dos hipócritas. O sangue de Cristo, que eles têm, por suas profanações, pisado sob os seus pés, e o sangue das almas, que eles têm, por sua deslealdade, trazido sobre as suas cabeças, os oprimirão naquele lugar de tormento. “Filho, lembra-te”, será como o corte de uma palavra a um ministro, se ele perecer, como a qualquer outro pecador. Que eles, portanto, que pregam aos outros, temam, para que eles mesmos não sejam reprovados.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

CULPA DA OCITOCINA

Culpa da Ocitocina

Conhecida como o hormônio do amor, a ocitocina promove melhor interação social em contextos positivos em família ou com amigos, num concerto de rock ou outras situações em que sua concentração é aumentada em certas regiões cerebrais. No entanto, em um contexto negativo, a ocitocina poderia promover a prevenção social, de evitação de situações desconhecidas.

Tal efeito foi atestado em um estudo com ratos da UC Davis (Califórnia, EUA), que também descobriu como um mesmo hormônio pode agir provocando reações diametralmente opostas.

Não só esse achado foi surpreendente, mas o fato de que o novo estudo favorece outras pesquisas para a criação de drogas e intervenções mais ágeis em mitigar certos transtornos emocionais. Segundo o observado pelos pesquisadores da UC, suprimindo-se a ocitocina em ratos, foi possível torná-los menos propensos ao isolamento e mais saciáveis. E isso em um timing bem curto, diferentemente do necessário para se obter o mesmo efeito com o uso de fluoxetina, por exemplo.

ÁREAS DIFERENTES

Já no que diz respeito à forma como o hormônio é capaz de produzir reações tão distintas, verificou-se que ele age em diferentes áreas do cérebro. No núcleo accumbens, região cerebral importante para recompensa e motivação, a ocitocina promove aspectos gratificantes das interações sociais. Já no núcleo leito da estria terminal, região conhecida por controlar a ansiedade, ela provocaria a evitação social. Mulheres e homens respondem de forma diferente em intensidade à presença do hormônio nessas regiões cerebrais.

OUTROS OLHARES

ENERGIA BOMBÁSTICA

Estudo realizado no Canadá lista os efeitos nocivos que apenas duas latinhas de energético podem causar no organismo humano – especialmente no dos jovens

Energia bombástica

Desenvolvidas na Tailândia na década de 70, as bebidas sem álcool feitas com substâncias estimulantes surgiram para dar pique aos caminhoneiros. Para suportarem longas travessias de estradas, os motoristas de Bangcoc tomavam um tônico caseiro chamado de Krating Daeng (Touro Vermelho,) referência a uma espécie de bovino do Sudeste da Ásia.

Dez anos depois, um empresário austríaco experimentou a mistura, sentiu algum efeito positivo e decidiu ganhar dinheiro com o produto. Nasceram, assim, os energéticos, hoje amplamente espalhados em todo o mundo, usados por esportistas, frequentadores de academias e pessoas que, de um jeito ou de outro, enfrentam longas jornadas de trabalho. O consumo entre jovens é quase uma epidemia, uma muleta artificial para atravessarem as noites nas baladas. Suspeitava-se que o uso exagerado provocasse desconforto ao produzir taquicardia, mas nada muito grave. Um recente estudo conduzido pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Waterloo, no Canadá, porém, demonstra que os efeitos são mais complicados.

Divulgados no Canadian Medical Association Journal, os resultados são contundentes. Com a participação de 2055 homens e mulheres com idade entre 12 e 24 anos, o trabalho listou os efeitos do consumo de até duas latinhas de energético – uma quantidade inferior à máxima recomendada para esse tipo de bebida. Quatro em cada dez entrevistados já haviam tido sintomas que variavam de aceleração dos batimentos cardíacos a dor de cabeça, dificuldade para dormir, vômito e diarreia. Os problemas de saúde estão associados à quantidade de estimulantes contidos nos energéticos – que, atenção, nada têm a ver com os isotônicos, cuja função é reidratar o organismo.

A cafeína é o principal composto dos energéticos. “A quantidade de cafeína em uma embalagem de 250 mililitros pode ser equivalente ao conteúdo de três xícaras de café, a depender da marca do produto”, diz o endocrinologista Francisco Tostes, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, especialista em medicina do esporte e atividade física. Os energéticos também são preparados com taurina, um aminoácido encontrado em peixes, frutos do mar, aves e carne bovina que tem ação excitatória, capaz de diminuir o cansaço muscular. A taurina potencializa o efeito da cafeína, aumentando a sensação de disposição e bem­ estar. O produto contém ainda glucoronolactona, substância derivada da glicose, que dá mais energia.

Os adultos, com seu organismo já formado, também podem sentir a bomba estimulante, sobretudo se já sofrem de alguma doença, como problemas cardíacos ou hipertensão. Nos jovens, no entanto, o impacto é maior. Eles têm naturalmente menos massa corporal e possuem metabolismo mais acelerado. ”Acreditamos que esse tipo de bebida seja realmente mais nocivo para organismos novos”, disse David Hammond, um dos coordenadores da pesquisa. Há um problema adicional, de probabilidade. Quanto mais jovem é o adolescente, maior é o consumo de energéticos. Um levantamento conduzido pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar, instituição que fornece à Comissão Europeia pareceres científicos sobre alimentos, mostrou que jovens entre 10 e 18 anos são os que mais ingerem essas bebidas. Nessa faixa etária, 68% dos indivíduos consomem energéticos. Entre os mais velhos, a taxa é de30%.

Outra preocupação dos médicos é a associação dos energéticos com o álcool – um hábito crescente entre os jovens. Segundo estudo do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, da Universidade Federal de São Paulo, 15,4% dos adolescentes que tomam bebidas alcoólicas adicionaram os energéticos ao copo. Outra pesquisa, da Universidade da Flórida, revelou que meninos e meninas em idade escolar que acrescentam bebidas alcoólicas aos energéticos correm risco três vezes maior de embriagar-se, em comparação àqueles que consomem apenas bebidas alcoólicas. Isso porque os estimulantes reduzem a ação depressora do álcool no córtex cerebral, postergando a hora de parar.

Os energéticos servem de gatilho para o consumo de bebidas alcoólicas, pois seu sabor adocicado disfarça o gosto amargo do álcool – ideal para o paladar ainda inexperiente. Parte das cinquenta marcas do produto disponíveis no Brasil passou a ter recentemente versões mais agradáveis e palatáveis, com sabores como lima-da-pérsia e açaí.

A venda de energéticos é liberada para qualquer idade. Alguns países adotam medidas próprias, mas sem legislação específica. No Reino Unido, por exemplo, desde o início do ano os grandes supermercados passaram a só autorizar a compra para clientes com mais de 16 anos. No Brasil, a Câmara dos Deputados analisa projeto de lei que proíbe a venda, a oferta e o consumo de bebidas energéticas a menores de 18 anos. Se aprovado, passa por duas comissões, depois para o plenário da Câmara dos Deputados para, então, seguir para o Senado Federal e, enfim, pousar na mesa do presidente da República. Enquanto esse percurso não for concluído, a venda continuará totalmente liberada.

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