GESTÃO E CARREIRA

 POR QUE OS LÍDERES FALHAM?

 Por que os líderes falham

As frases e os incentivos proferidos por Henrique V na famosa batalha de Agincourt destacam-se entre as maiores passagens escritas por Shakespeare, aflorando todo seu patriotismo. Com enorme habilidade, Henrique estimulava seus soldados para que continuassem lutando, não importando que, do outro lado, para cada inglês havia cinco franceses. E vaticina: “De hoje até o fim dos tempos nós seremos lembrados. Nós, os afortunados, nós, os irmãos. Pois aquele que hoje sangra comigo será o meu irmão”.

Líderes são bem-sucedidos, até que falhem. Assumir riscos e eventualmente falhar é da natureza da liderança. De acordo com recente estudo do Center for Creative Leadership, cerca de 40% dos novos diretores executivos falham em seus primeiros 18 meses no cargo, e um percentual ainda maior não consegue viver de acordo com as expectativas de quem os contratou. Parte desse fenômeno pode ser explicada por processos de seleção ineficientes e pela ausência de acompanhamento e suporte.

Um líder eficaz aprende com o fracasso e avança. Entretanto, existem falhas na liderança, não necessariamente associadas à assunção de riscos, que podem comprometer e paralisar uma organização. O esforço da organização para destilar as razões e causas dessas falhas é indispensável. Negligenciar essas causas sufoca a capacidade da empresa de buscar novas oportunidades e impede o avanço das organizações. Mesmo que se possa atribuir esses infortúnios ao azar ou timing equivocado, pesquisas têm sugeri do que, dentre as principais causas, encontra-se a inaptidão cognitiva e comportamental. Primeiro porque existe uma tendência inconsciente do líder em atribuir maior relevância às informações que vão ao encontro de suas crenças. hipóteses e experiências recentes. em detrimento de variáveis conflitantes.

Muitos líderes criam, involuntariamente, barreiras pessoais que corroem sua capacidade de manter os princípios de liderança, rigor metodológico em motivação. Por outro lado, o excesso de confiança conduz os líderes a superestimar sua capacidade de gerenciar o negócio, assumindo riscos demasiados na expectativa de que tenham controle sobre suas consequências. É importante que os líderes compreendam que suas habilidades, conhecimento, experiência e liderança serão continuamente desafiados em um mercado cada vez mais volátil e complexo. A liderança tem de ser adaptável.

Em outras palavras, o pensamento que tornou possível o sucesso de ontem pode ser, eventualmente, o mesmo pensamento que resultará em seu fracasso amanhã. Em contrapartida, a credibilidade de um líder é consequência de dois aspectos: o que faz sua competência e o que é seu caráter. A discrepância entre esses cria um problema de integridade. Quando a integridade deixa de ser prioridade para um líder, a obtenção de resultados torna-se mais importante do que os meios utilizados para sua realização. É nesse momento que o líder adentra um terreno pantanoso, onde a ética é de conveniência. Muitas vezes esses líderes enxergam seus liderados como simples peões, confundindo manipulação com liderança. Esses líderes não têm empatia. Liderança é, também, ascendência moral. Por fim, a liderança não pode ser um fardo. Deve ser gratificante e, até mesmo, divertida. Um líder deve caminhar convencido de que toda tarefa, não importando sua dimensão, o leva cada vez mais perto de seus sonhos.

Ao elaborar a fórmula da liderança, o especialista em comportamento organizacional e professor Nigel Nicholson ensina: “A eficácia da liderança envolve ser a pessoa certa no momento e no lugar certo, fazendo a coisa certa”. Isso significa que a liderança pode assumir variadas formas para uma infinidade de situações, e os líderes falham quando o seu modelo, insight ou relacionamentos estão errados.

 

ANDRIEI JOSÉ BEBER – é professor da FGV, especialista e palestrante nas áreas de finança, gestão e governança, e doutor em engenharia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.