PSICOLOGIA ANALÍTICA

CULPA DA OCITOCINA

Culpa da Ocitocina

Conhecida como o hormônio do amor, a ocitocina promove melhor interação social em contextos positivos em família ou com amigos, num concerto de rock ou outras situações em que sua concentração é aumentada em certas regiões cerebrais. No entanto, em um contexto negativo, a ocitocina poderia promover a prevenção social, de evitação de situações desconhecidas.

Tal efeito foi atestado em um estudo com ratos da UC Davis (Califórnia, EUA), que também descobriu como um mesmo hormônio pode agir provocando reações diametralmente opostas.

Não só esse achado foi surpreendente, mas o fato de que o novo estudo favorece outras pesquisas para a criação de drogas e intervenções mais ágeis em mitigar certos transtornos emocionais. Segundo o observado pelos pesquisadores da UC, suprimindo-se a ocitocina em ratos, foi possível torná-los menos propensos ao isolamento e mais saciáveis. E isso em um timing bem curto, diferentemente do necessário para se obter o mesmo efeito com o uso de fluoxetina, por exemplo.

ÁREAS DIFERENTES

Já no que diz respeito à forma como o hormônio é capaz de produzir reações tão distintas, verificou-se que ele age em diferentes áreas do cérebro. No núcleo accumbens, região cerebral importante para recompensa e motivação, a ocitocina promove aspectos gratificantes das interações sociais. Já no núcleo leito da estria terminal, região conhecida por controlar a ansiedade, ela provocaria a evitação social. Mulheres e homens respondem de forma diferente em intensidade à presença do hormônio nessas regiões cerebrais.

OUTROS OLHARES

ENERGIA BOMBÁSTICA

Estudo realizado no Canadá lista os efeitos nocivos que apenas duas latinhas de energético podem causar no organismo humano – especialmente no dos jovens

Energia bombástica

Desenvolvidas na Tailândia na década de 70, as bebidas sem álcool feitas com substâncias estimulantes surgiram para dar pique aos caminhoneiros. Para suportarem longas travessias de estradas, os motoristas de Bangcoc tomavam um tônico caseiro chamado de Krating Daeng (Touro Vermelho,) referência a uma espécie de bovino do Sudeste da Ásia.

Dez anos depois, um empresário austríaco experimentou a mistura, sentiu algum efeito positivo e decidiu ganhar dinheiro com o produto. Nasceram, assim, os energéticos, hoje amplamente espalhados em todo o mundo, usados por esportistas, frequentadores de academias e pessoas que, de um jeito ou de outro, enfrentam longas jornadas de trabalho. O consumo entre jovens é quase uma epidemia, uma muleta artificial para atravessarem as noites nas baladas. Suspeitava-se que o uso exagerado provocasse desconforto ao produzir taquicardia, mas nada muito grave. Um recente estudo conduzido pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Waterloo, no Canadá, porém, demonstra que os efeitos são mais complicados.

Divulgados no Canadian Medical Association Journal, os resultados são contundentes. Com a participação de 2055 homens e mulheres com idade entre 12 e 24 anos, o trabalho listou os efeitos do consumo de até duas latinhas de energético – uma quantidade inferior à máxima recomendada para esse tipo de bebida. Quatro em cada dez entrevistados já haviam tido sintomas que variavam de aceleração dos batimentos cardíacos a dor de cabeça, dificuldade para dormir, vômito e diarreia. Os problemas de saúde estão associados à quantidade de estimulantes contidos nos energéticos – que, atenção, nada têm a ver com os isotônicos, cuja função é reidratar o organismo.

A cafeína é o principal composto dos energéticos. “A quantidade de cafeína em uma embalagem de 250 mililitros pode ser equivalente ao conteúdo de três xícaras de café, a depender da marca do produto”, diz o endocrinologista Francisco Tostes, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, especialista em medicina do esporte e atividade física. Os energéticos também são preparados com taurina, um aminoácido encontrado em peixes, frutos do mar, aves e carne bovina que tem ação excitatória, capaz de diminuir o cansaço muscular. A taurina potencializa o efeito da cafeína, aumentando a sensação de disposição e bem­ estar. O produto contém ainda glucoronolactona, substância derivada da glicose, que dá mais energia.

Os adultos, com seu organismo já formado, também podem sentir a bomba estimulante, sobretudo se já sofrem de alguma doença, como problemas cardíacos ou hipertensão. Nos jovens, no entanto, o impacto é maior. Eles têm naturalmente menos massa corporal e possuem metabolismo mais acelerado. ”Acreditamos que esse tipo de bebida seja realmente mais nocivo para organismos novos”, disse David Hammond, um dos coordenadores da pesquisa. Há um problema adicional, de probabilidade. Quanto mais jovem é o adolescente, maior é o consumo de energéticos. Um levantamento conduzido pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar, instituição que fornece à Comissão Europeia pareceres científicos sobre alimentos, mostrou que jovens entre 10 e 18 anos são os que mais ingerem essas bebidas. Nessa faixa etária, 68% dos indivíduos consomem energéticos. Entre os mais velhos, a taxa é de30%.

Outra preocupação dos médicos é a associação dos energéticos com o álcool – um hábito crescente entre os jovens. Segundo estudo do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, da Universidade Federal de São Paulo, 15,4% dos adolescentes que tomam bebidas alcoólicas adicionaram os energéticos ao copo. Outra pesquisa, da Universidade da Flórida, revelou que meninos e meninas em idade escolar que acrescentam bebidas alcoólicas aos energéticos correm risco três vezes maior de embriagar-se, em comparação àqueles que consomem apenas bebidas alcoólicas. Isso porque os estimulantes reduzem a ação depressora do álcool no córtex cerebral, postergando a hora de parar.

Os energéticos servem de gatilho para o consumo de bebidas alcoólicas, pois seu sabor adocicado disfarça o gosto amargo do álcool – ideal para o paladar ainda inexperiente. Parte das cinquenta marcas do produto disponíveis no Brasil passou a ter recentemente versões mais agradáveis e palatáveis, com sabores como lima-da-pérsia e açaí.

A venda de energéticos é liberada para qualquer idade. Alguns países adotam medidas próprias, mas sem legislação específica. No Reino Unido, por exemplo, desde o início do ano os grandes supermercados passaram a só autorizar a compra para clientes com mais de 16 anos. No Brasil, a Câmara dos Deputados analisa projeto de lei que proíbe a venda, a oferta e o consumo de bebidas energéticas a menores de 18 anos. Se aprovado, passa por duas comissões, depois para o plenário da Câmara dos Deputados para, então, seguir para o Senado Federal e, enfim, pousar na mesa do presidente da República. Enquanto esse percurso não for concluído, a venda continuará totalmente liberada.

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GESTÃO E CARREIRA

MARKETPLACE, JÁ OUVIU FALAR?

Largamente utilizada no exterior, a modalidade de negócio desde que chegou ao Brasil tem ganhado muitos adeptos.

Marketplace, já ouviu falar

 Nem é tão recente assim, mas a grande maioria das pessoas, e até profissionais das indústrias, ainda desconhece, tampouco ouviu falar em Marketplace. Pois bem, Marketplace é mais uma modalidade de negócio destinada a aumentar a gama de produtos ofertados, que teve início no Brasil em 2012 por iniciativa dos grandes sites de comércio eletrônico, que buscam cada vez mais equalizar a questão das margens que afetam fortemente os resultados das operações de e-commerce. Mas foi nos últimos dois anos que ganhou destaque.

Como oferecer maior gama de produtos sem onerar os estoques e o caixa? Como oferecer produtos com melhores condições comerciais aos consumidores? A saída foi propor aos fabricantes uma parceria “ganha-ganha-ganha”, na qual todos passam a realmente ganhar: revendedores, fabricantes e consumidores. Pode parecer algo simples, mas não é bem assim. Quem é do ramo sabe que é muito difícil essa equação. Normalmente, o consumidor tem que ter acesso aos melhores preços, o revendedor tenta manter suas margens, assim como a indústria, porém a experiência mostra que um sempre saia perdendo, principalmente em tempos de queda nas vendas, como este que estamos passando.

O conceito é bem simples. Os sites passaram a “disponibilizar” seus espaços aos fabricantes e cobram uma “comissão” somente sobre os produtos vendidos. Essa taxa pode variar de 10% a 25%, dependendo do segmento. A indústria, por sua vez, tem a possibilidade de expor em sites com milhões de visitantes todos os meses; boa parte, senão todo seu portfólio, era até então limitado pelos entraves negociais que restringiam essa exposição. E vale ressaltar que, além de divulgar os produtos, poderá ter melhora significativa das margens, seja por não ter que pagar contratos de fornecimento, seja pelas verbas extras por baixos giros ou pela bitributação que deixa de existir.

Cabe o esclarecimento que as operações de Marketplace são, por enquanto, independentes dos sites convencionais que compram e vendem produtos. A plataforma é a mesma, porém são diretorias totalmente separadas, criando até competição dentro do próprio ambiente. Assim, não é de estranhar que em alguns deles o consumidor encontre o mesmo produto anunciado duas vezes e com preços diferentes. Isso acontece porque o próprio site comprou e o produto foi também colocado no Marketplace. É bom alertar: não é uma prática aconselhável, pois cria desconfiança no consumidor.

Voltando ao funcionamento da operação, as indústrias precisam ter um site de vendas próprio de modo a alimentar as informações passadas aos demais. Vale destacar que os preços dos produtos no Marketplace são determinados pelo fabricante, assim como o faturamento e a entrega. O site vende e recebe do consumidor, passa as informações para a indústria, que cuida do restante. Ao final de 15 ou 30 dias, varia de site para site, os valores são repassados para a indústria com a comissão já deduzida. O prazo de pagamento é deliberação dos sites, mas pode ser negociado.

Por fim, os consumidores, por meio dessa nova prática, agora contam com vasta oferta de produtos, anteriormente não disponível, com condições bem mais atraentes. Na maioria dos casos, nem chegam a perceber que compraram de uma empresa e que a nota fiscal é de outra. mesmo com os sites indicando na confirmação da compra que o produto está sendo gerado por outro CNPJ. Importante dizer que o consumidor pode ficar tranquilo quanto à garantia dos produtos: mesmo toda a parte de SAC sendo feita pelos sites, essa responsabilidade ficará sempre sob a tutela da indústria.

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 24: 32 – 51 – PARTE II

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A Parábola da figueira. Predições terríveis. O dever da vigilância. O bom e o mau administrador

II – Para essa finalidade, nós devemos esperar esses eventos: para que possamos nos preparar para eles, e aqui temos um aviso contra a segurança e a sensualidade, que farão dele um dia realmente funesto para alguns (vv. 37-41). Nesses versículos, nos é dada uma ideia do Dia do Juízo, que pode servir para nos chocar e despertar, para que não durmamos, como os outros.

Será um dia surpreendente, e um dia separador.

1. Será um dia surpreendente, como o dilúvio foi para o mundo antigo (vv. 37-39). O que Ele pretende descrever aqui é a postura do mundo com a vinda do Filho do Homem. Além da sua primeira vinda, para salvar, Ele tem outra vinda, para julgar. Ele disse (João 9.39): “Eu vim a este mundo para juízo”; e para juízo Ele virá, pois todo julgamento foi confiado a Ele, tanto o da Palavra quanto o da espada.

Isto se aplica:

(1)  A julgamentos temporais, particularmente àquele que então se precipitava sobre a nação e o povo judeus. Embora eles tivessem recebido muitos avisos, e tivesse havido muitos prodígios que eram presságios desse juízo, ainda assim ele os encontrou seguros, gritando: “Paz e segurança” (1 Tessalonicenses 5.3). O cerco a Jerusalém foi realizado por Tito, quando era Páscoa e eles estavam em meio à sua felicidade. Como os homens de Laís, eles viviam despreocupados quando a destruição os atacou (Juízes 18.7,27). A destruição da Babilônia, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo, surge quando ela disse: “Eu serei senhora para sempre” (Isaias 47.7-9; Apocalipse 18.7). Por isso as pragas vêm em um momento, em um dia. Observe que a incredulidade dos homens não tornará as ameaças de Deus sem efeito.

(2)  Ao juízo eterno; assim é chamado o julgamento do Grande Dia (Hebreus 6.2). Embora Enoque tenha dado avisos, ainda assim, quando ele vier, será inesperado para a maioria dos homens. Os últimos dias, que são mais próximos daquele dia, irão produzir escarnecedores que dirão: “Onde está a promessa da sua vinda?” (2 Pedro 3.3,4; Lucas 18.8). Assim será quando o mundo que existe agora for destruído pelo fogo; pois assim foi, quando o mundo antigo, tendo sido inundado com água, pereceu (2 Pedro 3.6,7). Cristo mostra então qual era o espírito e a postura do mundo antigo, quando veio o dilúvio.

[1] Eles eram sensuais e mundanos; comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento. Não está dito que eles estavam matando, roubando, prostituindo-se e blasfemando (estes eram realmente os crimes horríveis de alguns, entre os piores; a terra estava cheia de violência), mas eles estavam, todos eles, exceto Noé, sem esperança no mundo, e sem considerar a Palavra de Deus; e isto os destruiu. Observe que a negligência universal da religião é um sintoma mais perigoso, para qualquer pessoa, do que exemplos particulares, aqui e ali, de uma ousada falta de religiosidade. Comer e beber são coisas necessárias à preservação da vida do homem; casar-se e dar-se em casamento são coisas necessárias à preservação da humanidade. Mas, se forem realizadas de forma lícita. Em primeiro lugar; eles eram irracionais, desordenados e buscavam exclusivamente os prazeres dos sentidos, e os ganhos do mundo; estavam completamente dominados por essas coisas, eles viviam de uma forma elementar, como se não existissem para nenhuma outra finalidade, a não ser comer e beber (Isaias 56.12). Em segundo lugar, eles eram irracionais. Estavam completamente atentos ao mundo e à carne, quando a destruição estava à porta, destruição da qual tinham tido tantos avisos. Estavam comendo e bebendo, quando deveriam estar se arrependendo e orando. Deus, pelo ministério de Noé, os convocou a chorarem e a se lamentarem, para que, mais tarde, tivessem alegria e satisfação. Isto era, para eles, como depois o foi para Israel, um pecado imperdoável (Isaias 22.12,14), especialmente porque eles o faziam desafiando aqueles avisos, pelos quais de­ viam ter despertado. “‘Comamos e bebamos, que amanhã morreremos’; se é preciso ter uma vida curta, que seja alegre”. O apóstolo Tiago fala disso como sendo o costume geral dos judeus ricos antes da destruição de Jerusalém. Quando deviam estar chorando e pranteando por suas misérias, que sobre eles haveriam de vir, eles estavam se deleitando e cevando seus corações, como num dia de matança (Tiago 5.1,5).

[2] Eles estavam seguros e despreocupados, e não o perceberam, até que veio o dilúvio (v. 39). Não o perceberam! Certamente, eles não podiam ter deixado de saber. Deus, por meio de Noé, não tinha lhes dado muitos avisos disso? Ele não os tinha convidado ao arrependimento, enquanto os aguardava em sua longanimidade? (1 Pedro 3.19,20). Mas eles não o perceberam, isto é, eles – não creram; eles podiam ter sabido, mas não quiseram saber. Observe que, quanto àquilo que nós conhecemos das coisas que pertencem à nossa paz eterna, se não o mesclarmos com a fé, e o aperfeiçoarmos, é como se não tivéssemos conhecido. O fato de eles não conhecerem acompanha o fato de comerem, beberem, e se casarem; pois, em primeiro lugar; eles eram sensuais, porque eram seguros. A razão pela qual as pessoas são tão ansiosas na busca, e tão envolvidas nos prazeres deste mundo, é que não conhecem, nem creem, nem consideram a eternidade em que estão prestes a entrar. Se nós soubéssemos, de modo adequado, que todas estas coisas em breve serão dissolvidas, e que certamente devemos sobreviver a elas, não concentraríamos nossos olhos e corações sobre elas, não tanto como o fazemos. Em segundo lugar, eles eram seguros, porque eram sensuais; eles não sabiam que o dilúvio se aproximava, porque estavam comendo e bebendo; eles estavam tão dominados pelas coisas visíveis e presentes, que não tinham tempo nem coragem para se preocupar em com as coisas não vistas, embora tivessem sido avisados delas. Assim como a segurança fortalece os homens na sua sensualidade brutal, também a sensualidade os “embala” na sua segurança carnal. Eles não o perceberam, até que veio o dilúvio.

2. O dilúvio veio, embora eles não o antevissem. Observe que aqueles que não querem aprender pela fé, aprenderão experimentando a ira de Deus, que lhes será revelada, do céu, contra a sua impiedade e injustiça. O dia do mal nunca está tão distante que os homens não possam afastá-lo ainda mais.

3. Eles não o perceberam, até que foi tarde demais para evitá-lo, como poderiam ter feito se o tivessem percebido a tempo, o que tornava tudo ainda mais lamentável. Os juízos são mais terríveis e espantosos para aqueles que se sentem seguros, e para os que zombaram deles.

Temos a aplicação disso, a respeito do mundo antigo, nas seguintes palavras: ”Assim será também a vinda do Filho do Homem”, isto é:

(1) Nessa condição, Ele encontrará pessoas comendo e bebendo, e não esperando por Ele. Observe que a segurança e a sensualidade provavelmente serão as epidemias dos últimos dias. Todos tosquenejam e adormecem, e à meia-noite o esposo vem. Todas sem vigiar, e descansadas.

(2) O Senhor virá a eles com esse poder, e com esse objetivo. Da mesma maneira como o dilúvio levou os pecadores do mundo antigo de uma forma irresistível e irrecuperável, também os peca­ dores seguros, que zombaram de Cristo e da sua vinda, serão levados pela ira do Cordeiro, quando vier o grande dia da sua ira, que será como a vinda do dilúvio; uma destruição da qual não se pode fugir.

4. Este será um dia separador (vv. 40,41): “Haverá dois no campo”. Isto pode ser aplicado de duas maneiras:

(1)  Nós podemos aplicar essa palavra ao sucesso do Evangelho, especialmente na sua primeira pregação. Ele dividiu o mundo; alguns creram nas coisas que foram ditas, e foram levados até Cristo; outros não creram, e foram abandonados para perecer na sua incredulidade. Aqueles da mesma idade, do mesmo lugar, capacidade, emprego e condição, no mundo, que moíam no mesmo moinho, os da mesma família, aqueles que estavam unidos pelo mesmo laço de casamento – um deles será chamado, e o outro será deixado na tristeza da amargura. Essa é aquela divisão, aquele fogo de dissensão que Cristo veio trazer (Lucas 12.49,51). Isso torna a graça gratuita ainda mais obrigatória do que diferenciadora; a nós, e não ao mundo (João 14.22), ou melhor, a nós, não àqueles que estão no mesmo campo, no mesmo moinho, na mesma casa.

Quando a destruição se abateu sobre Jerusalém, uma distinção foi feita pela Divina Providência, de acordo com o que havia sido feito anteriormente pela divina graça. Pois todos os cristãos entre eles estavam salvos de perecer naquela calamidade, por proteção especial do Céu. Se dois deles estavam trabalhando juntos no campo, e um deles era um cristão, ele era levado a um lugar de abrigo, e tinha a sua vida conserva da com o um despojo, ao passo que os outros eram deixa dos para a espada do inimigo. Se apenas duas mulheres estivessem moendo no moinho, e se uma delas pertencesse a Cristo, embora fosse apenas uma mulher, uma pobre mulher, uma serva, ela seria levada a um lugar de abrigo, e a outra seria abandonada. Assim os mansos da terra estariam escondidos no dia da ira do Senhor (Sofonias 2.3), fosse no céu, ou sob o céu. Observe que a preservação diferenciada, em tempos de destruição geral, é um sinal especial do favor de Deus, e assim deve ser reconhecida. Se nós estamos a salvo quando milhares caem à nossa direita e à nossa esquerda, se nós não somos consumidos quando outros o são à nossa volta, de modo que nós somos como tições arrancados do fogo, temos razão para dizer que isso é misericórdia de Deus, e uma grande misericórdia.

(2) Nós podemos aplicar isso à segunda vinda de Jesus Cristo, e à separação que se fará naquele dia. Ele havia dito anteriormente (v. 31) que os escolhidos serão reunidos. Aqui Ele nos diz que, para que isso aconteça, eles serão diferenciados daqueles que estão mais próximos a eles neste mundo; aqueles que são chamados e escolhidos são levados à glória; os demais são abandonados para que pereçam por toda a eternidade. Aqueles que dormem no pó da terra, na mesma sepultura, com as cinzas misturadas, ressuscitarão, uns para “a vida eterna e outros para vergonha e desprezo eterno” (Daniel 12.2). Esta palavra é aplicada aqui àqueles que estiverem vivos. Cristo virá de forma inesperada, encontrará as pessoas ocupadas com seus afazeres usuais no campo e no moinho; e então, conforme sejam eles vasos de misericórdia prepara dos para a glória, ou vasos da ira preparados para a perdição, este fato acontecerá com eles. Um será levado para encontrar o Senhor e os seus anjos nos ares, para estar eternamente com Ele e com eles; o outro será deixado para Satanás e os seus demônios, que, depois de Cristo ter reunido os seus, varrerão o resíduo. Isto tornará a condenação dos pecadores ainda mais grave, o fato de outros serem removidos do seu meio para a glória, e eles serem deixados para trás. E isto transmite abundante consolo ao povo do Senhor.

[1] Eles são humildes e desprezados no mundo, como o servo no campo, ou a mulher no moinho (Êxodo 11.5)? Ainda assim, eles não serão esquecidos, nem negligenciados naquele dia. Os pobres no mundo, os ricos em fé, são os herdeiros do Reino.

[2] Eles estão dispersos por lugares distantes e improváveis. Onde ninguém esperaria encontrar os herdeiros da glória? No campo, no moinho? Ainda assim, os anjos os encontrarão (escondidos como Saul, quando devem ser entronizados), e dali os levarão. E é justo que se diga que eles serão mudados, pois será uma grande mudança; ir para o céu, em vez de arar e moer.

[3] Eles são fracos e incapazes de se dirigirem ao céu? Eles serão levados, ou tomados, assim com Ló foi tirado de Sodoma por uma graciosa violência (Genesis 19.16). Cristo nunca perderá aqueles que já são dele, aqueles de quem Ele já se apossou.

[4] Eles estão misturados com outros, relacionados com eles, nas mesmas casas, sociedades, e trabalhos materiais? Que isto não desencoraje nenhum verdadeiro cristão. Deus sabe como separar o precioso do vil, o ouro e o lixo no mesmo monte, o trigo e a palha na mesma eira.