ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 23: 13-33 – PARTE III

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Os Crimes dos Fariseus 

 

VII – Eles fingiam sentir muito carinho pela lembrança dos profetas que estavam mortos, enquanto odiavam e perseguiam aqueles que estavam com eles. Isso é deixado para o final, porque era a pior característica do seu caráter. Deus zela pela sua honra nas suas leis e cerimônias, e se ressente se elas forem profanadas e deturpadas, mas Ele frequentemente expressa um zelo igual pela sua honra nos seus profetas e ministros, e se ressente ainda mais se alguém os trata mal ou os persegue; portanto, quando o nosso Senhor Jesus chega a esse ponto, Ele fala mais completamente do que sobre qualquer outro (vv. 29-37); pois o que toca um de seus ministros, toca o seu ungido, e “toca na menina do seu olho”. Aqui, observe:

1. O respeito que os escribas e fariseus fingiam sentir pelos profetas que já estavam mortos (vv. 29,30). Este era o verniz, aquilo que lhes dava a aparência exterior de justos.

(1)  Eles honravam os restos mortais e relíquias dos profetas, edificavam os seus túmulos e adornavam os seus sepulcros. Aparentemente, os lugares onde estavam enterrados eram conhecidos, e a sepultura de Davi estava entre eles (Atos 2.29). Havia um título sobre a “sepultura do homem de Deus” (2 Reis 23.17), e Josias julgou que era suficientemente respeitoso não mover os seus ossos (v. 18). Mas eles faziam mais que isso, eles reconstruíam e adornavam os sepulcros. Considere, então:

[1] Como um exemplo da honra dada aos profetas mortos, que, enquanto viviam, eram considerados párias, e era dito falsamente, a seu respeito, todo o tipo de coisas ruins. Note que Deus pode arrancar, até mesmo de homens maus, um reconhecimento da honra da piedade e da santidade. Deus honrará aqueles que o honram; e às vezes o Senhor usará, para isto, aqueles de quem só se pode esperar o desprezo (2 Samuel 6.22). A memória dos justos é abençoada, enquanto os nomes daqueles que os odiavam e perseguiam é coberto de vergonha. A honra da constância e da determinação no caminho do dever será uma honra duradoura; e aqueles que agirem de acordo com a vontade de Deus serão manifestados na consciência daqueles que estão ao seu redor.

[2] Como um exemplo da hipocrisia dos escribas e fariseus, que lhes prestavam respeito. Observe que as pessoas carnais podem facilmente honrar as lembranças dos ministros fiéis que morreram, porque não podem censurá-los, nem perturbá-los, quanto aos seus pecados. Os profetas mortos eram videntes que não viam, e isso eles toleravam bem; eles não atormentavam os escribas e fariseus, como as testemunhas vivas o faziam, aquelas que dão testemunho com uma voz viva (Apocalipse 11.10). Eles podem respeitar os escritos dos profetas mortos, que lhes dizem o que eles deveriam ser: Que haja santos, mas que não vivam aqui. O respeito extravagante que a igreja de Roma presta à lembrança dos santos mortos, especialmente aos mártires, dedicando dias e lugares aos seus nomes, guardando os seus restos como relíquias, orando a eles e fazendo ofertas às suas imagens, enquanto se embriagam com o sangue dos santos da sua época, é uma prova manifesta de que eles não apenas sucederam, mas superaram os escribas e fariseus numa religião hipócrita e falsificada que edifica os sepulcros dos profetas, mas detesta a doutrina deles.

(2)  Eles protestaram contra o assassinato dos profetas (v. 30): “Se existíssemos no tempo de nossos pais, nunca nos associaríamos com eles”. Eles nunca teriam consentido em silenciar Amós, e aprisionar Micaías, ou prender Hanani ao tronco, e Jeremias na masmorra, apedrejar Zacarias, zombar de todos os mensageiros do Senhor e maltratar os seus profetas. Não. Não eles. Eles antes prefeririam perder suas mãos direitas a fazer qualquer dessas coisas. “Que é teu servo, que não é mais do que um cão?” E ainda assim, nessa ocasião, eles estavam planejando assassinar a Cristo, de quem todos os profetas haviam testificado. Eles pensavam que se tivessem vivido na época dos profetas, os teriam ouvido e obedecido alegremente, mas eles se rebelaram contra a luz que Cristo trouxe a este mundo. Porém é certo que um Herodes e uma Herodias para João Batista teriam sido como um Acabe e uma Jezabel para Elias. Note que a falsidade dos corações pecadores aparece muito no fato de que, embora eles acompanhem a corrente dos pecados da sua própria época, eles imaginam que teriam nadado contra a corrente dos pecados de antigamente. Apoiavam-se no fato de que, se tivessem tido as oportunidades de outras pessoas, as teriam aproveitado com mais lealdade; se tivessem passado pelas tentações de outras pessoas, teriam resistido a elas mais vigorosamente; mas eles não aproveitam as oportunidades que têm, nem resistem às tentações que sofrem. Às vezes, pensamos que se tivéssemos vivido quando Cristo estava na terra, nós o teríamos seguido com constância; não o teríamos desprezado e rejeitado, como eles fizeram. Mas Cristo, por meio do seu Espírito, da sua Palavra, e dos seus ministros, ainda não foi mais bem tratado.

2. A inimizade e oposição dos escribas e fariseus a Cristo e ao seu Evangelho, apesar disso, e a destruição que traziam a si mesmos e à sua geração (vv. 31-33). Considere:

(1)  A acusação provada: “Vós mesmos testificais”. Observe que os pecadores não podem esperar escapar ao julgamento de Cristo por falta de provas contra eles, quando é fácil encontrá-los testemunhando contra si mesmos; e as suas próprias alegações não somente serão rejeitadas, mas transformadas para a sua condenação, e as suas próprias línguas se voltarão “contra si mesmos” (Salmos 64.8 ).

[1] Pela própria confissão deles, a maior maldade dos seus antepassados foi matar os profetas; de modo que eles conheciam esse pecado, e foram culpados da mesma coisa. Observe que aquele que condena o pecado nos outros, e apesar disso permite o mesmo pecado, ou pior, em si, é, de todos os outros, o mais imperdoável (Romanos 1.32-2.1). Eles sabiam que não deviam ter sido parceiros dos perseguidores, contudo eram seus seguidores. Estas contradições agora irão se somar às condenações do grande dia. Cristo coloca outra construção sobre a edificação que fizeram nos sepulcros dos profetas, diferente da que eles pretendiam; pois, ao embelezar os sepulcros, eles esperavam estar justificando os seus assassinos (Lucas 11.48), porém estavam persistindo no pecado.

[2] Pela própria confissão deles, esses perseguidores notórios eram seus ancestrais: “Sois filhos dos que mataram os profetas”. Eles não queriam dizer nada além do fato de que eram seus filhos, por sangue e por natureza. Mas Cristo volta isso contra eles, pois eles o eram por espírito e disposição: Vocês são filhos desses pais, e assim satisfarão os desejos deles. Eles são, corno vocês dizem, seus pais, e vocês se parecem com seus pais, e este pecado é o que corre no sangue de vocês. “Vós sois como vossos pais” (Atos 7.51). Eles vieram de uma raça perseguidora, eles eram uma “semente de malignos” (Isaias 1.4), levantados em lugar de seus pais (Números 32.14). A maldade, a inveja e a crueldade nasciam com eles, e eles as tinham adotado como princípio, como seus pais tinham feito (Jeremias 44.17). E aqui se observa (v.30) com que cuidado eles mencionam a relação: “Eles eram nossos pais, que mataram os profetas, e eram homens de honra e poder, cujos filhos e sucessores somos nós”. Se eles tivessem detestado a maldade dos seus ancestrais, como deviam ter feito, não teriam se preocupado tanto em chamá-los de seus pais; pois não existe crédito em ser parente de perseguidores, embora eles tenham muita dignidade e domínio.

(2)  A condenação que eles recebem. Aqui:

[1] Cristo passa a entregá-los ao pecado, como pessoas incorrigíveis (v. 32): “Enchei vós, pois, a medida de vossos pais”. Se Efraim se uniu aos ídolos, e não deseja ser transformado, que seja abandonado. “Quem está sujo suje-se ainda”. Cristo sabia que eles estavam tramando a sua morte e que em poucos dias isto se realizaria. “Bem”, disse Ele, “continuai com o vosso plano, segui o vosso caminho, caminhai no caminho do vosso coração e segundo o que os seus olhos veem, e vede qual será o resultado. ‘O que fazes, faze-o depressa’. Vós apenas enchereis a medida da culpa, que irá transbordar num dilúvio de ira”. Observe que, em primeiro lugar, existe uma medida de culpa para ser preenchida, antes que a completa destruição caia sobre as pessoas e as famílias, as igrejas e as nações. Deus tolera muito tempo, mas chegará a ocasião em que Ele não mais poderá suportar (Jeremias 44.22). Nós lemos sobre a medida dos amorreus que devia ser cheia (Genesis 15.16), sobre a seara da terra já madura para a foice (Apocalipse 14.15-19), e sobre os pecadores tratando perfidamente, e acabando perfidamente tratados (Isaias 33.1). Em segundo lugar, os filhos enchem a medida dos pecados dos seus pais, depois de mortos, quando persistem no mesmo comportamento. Aquela culpa nacional que traz a destruição nacional é feita do pecado de muitos, em diversas épocas, e nas sucessões das sociedades existe um placar em andamento; pois Deus adequadamente examina a iniquidade dos pais nos filhos que seguem os seus passos. Em terceiro lugar, perseguir a Cristo, e ao seu povo e aos seus ministros, é um pecado que enche a medida da culpa de uma nação mais depressa que qualquer outro. Foi isto que trouxe a ira sem remédio sobre os pais (2 Crônicas 36.16), e a máxima ira também sobre os seus filhos (1 Tessalonicenses 2.16). Essa era a quarta transgressão, da qual, quando acrescida às outras três, o Senhor “não retirará o castigo” (Amós 1.3,6,9,11,13). Em quarto lugar, é justo que Deus entregue essas pessoas aos desejos dos seus próprios corações, aquelas que tão obstinadamente persistem na gratificação desses desejos. Quanto àqueles que se precipitam à destruição, que as suas rédeas sejam enroladas aos seus pescoços, sendo esta a condição mais triste que um homem pode ter nesta vida, antes de ir para o inferno.

[2] O Senhor Jesus continua a entregá-los à destruição como irrecuperáveis, a uma destruição pessoal no outro mundo (v. 33): “Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?” Estas eram palavras estranhas saídas da boca de Cristo, de cujos lábios se derramava a graça. Mas Ele pode falar de terror, e o fará, e nessas palavras Ele explica e resume os oito “ais” que tinha denunciado contra os escribas e fariseus.

Aqui está, em primeiro lugar, a sua descrição: “Ser­ pentes!” Cristo dirige insultos? Sim, mas isso não nos permite fazer o mesmo. Ele sabe, infalivelmente, o que há no homem, e sabia que eles eram sutis como serpentes, abrindo caminho sobre a terra, alimentando-se de pó; eles tinham uma aparência plausível, mas interiormente eram malignos, tinham veneno sob suas línguas, a semente da velha serpente. Eles eram uma “raça de víboras”, eles e os que tinham vindo antes deles. Eles e os que os acompanhavam eram uma geração de adversários envenenados, enfurecidos e malévolos de Cristo e do seu Evangelho. Eles amavam que os homens os chamassem “Rabi, Rabi”, mas Cristo os chama de “serpentes” e “víboras”, pois Ele dá aos homens as suas reais personalidades, e se alegra de desprezar os orgulhosos.

Em segundo lugar, a sua destruição. Jesus representa a condição deles como sendo muito triste, e de certa maneira, desesperada: “Como escapareis da condenação do inferno?” O próprio Cristo pregou o inferno e a destruição, pelo que os seus ministros sempre foram censurados por aqueles que não queriam ouvir falar deste assunto. Considere que:

1. A condenação do inferno será o temido fim de todos os pecadores impenitentes. Essa condenação vinda de Cristo era ainda mais terrível do que vinda de todos os profetas e ministros que já tinham vivido, pois Ele é o Juiz em cujas mãos estão “as chaves da morte e do inferno”. Ao dizer que eles estavam condenados, Ele os estava condenando.

2. Existe uma maneira de escapar dessa condenação, e está sugerida aqui; alguns serão salvos da ira futura.

3. Dentre todos os pecadores, aqueles que têm o espírito dos escribas e fariseus são provavelmente os que menos escaparão dessa condenação. Pois o arrependimento e a fé são necessários para escapar. E como é que o arrependimento e a fé serão trazidos a essas pessoas, que têm a si mesmas em tão elevado conceito, e têm tanto preconceito contra Cristo e o seu Evangelho? Como poderão ser curados e salvos, se não podem suportar que a sua ferida seja examinada, nem que o bálsamo de Gileade seja aplicado sobre ela? Os publicanos e as meretrizes, que conheciam a sua doença e procuravam o Médico, tinham mais probabilidade de escapar à condenação do inferno do que aqueles que, embora estivessem no caminho expresso para o inferno, estavam certos de que estavam a caminho do céu.

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Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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