ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 24: 4 – 31 – PARTE II

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Predições Terríveis

II – O Senhor prediz guerras e grandes perturbações entre as nações (vv. 6,7). Quando Cristo nasceu, havia uma paz universal no império, o templo do deus Jano estava fechado; mas não pense que Cristo veio para trazer paz, ou dar prosseguimento àquela paz (Lucas 12.51). Não, a sua cidade e o seu muro devem ser construídos até mesmo em tempos difíceis, e até mesmo as guerras contribuirão para o avanço da sua obra. Desde a ocasião em que os judeus rejeitaram a Cristo, e Ele deixou a casa deles desolada, a espada nunca deixou esta casa, a espada do Senhor nunca se aquietou, porque Ele lhe tinha dado uma incumbência contra a nação hipócrita e contra o povo da sua ira, e com ela Ele trouxe a ruína deles.

Aqui temos:

1. Uma predição dos eventos da época: Em breve, “ouvireis de guerras e de rumores de guerras”. Quando houver guerras, elas serão ouvidas; pois cada peleja do guerreiro se dá com confuso ruído (Isaias 9.5). Veja como é terrível (Jeremias 4.19): “Tu, ó minha alma… ouviste o alarido da guerra”. Nem mesmo os quietos na terra, e os menos curiosos sobre as coisas novas, podem deixar de ouvir os mensageiros da guerra. Deus tem uma espada pronta para vingar a disputa do seu concerto, do seu novo concerto, e assim se “levantará nação contra nação”, isto é, uma parte ou província da nação judia contra outra, cidade contra cidade (2 Cr 15.5,6); e na mesma província e cidade, um grupo ou facção se levantará contra outro, de modo que eles se devorarão, e serão despedaçados, um contra o outro (Isaias 9.19-21).

2. A recomendação do dever da época: “Olhai, não vos assusteis”. É possível ouvir notícias tão tristes, e não se assustar? Mas quando o coração está firme e confiante em Deus, ele fica em paz e não se amedronta, nem pelas más novidades das guerras e rumores de guerras, nem pelo alarido de: Armai-vos, armai-vos. “Não vos assusteis”, não sofrais, como uma mulher grávida, com medo. Observe que existe a necessidade de um cuidado e uma vigilância constantes para não perturbar o coração quando há guerras no exterior; e é contra o desejo de Cristo que o seu povo tenha corações perturbados, mesmo em tempos tumultuados.

Nós não devemos nos perturbar, por duas razões:

(1) Porque sabemos que devemos esperar por isso. Os judeus devem ser punidos, a destruição deve ser trazida sobre eles; com isto, ajustiça de Deus e a honra do Redentor devem ser confirmadas; “porque é mister que isso tudo aconteça”. A palavra saiu da boca de Deus, e ela será cumprida no seu tempo. Observe que a consideração da imutabilidade do conselho divino, que governa todos os eventos, deveria compor e aquietar os nossos espíritos, aconteça o que acontecer. Deus está apenas realizando aquilo que nos foi designado, e a nossa perturbação desordenada é uma discussão interpretativa com aquela designação. Devemos, portanto, aquiescer, porque “é mister que isso tudo aconteça”. Não somente como o produto do conselho divino, mas também como um meio para alcançar um fim. A casa antiga deve ser derrubada (embora isto não possa ser feito sem ruído, poeira e perigo), para que a nova construção possa ser edificada; as coisas móveis (e malfeitas) devem ser removidas, “para que as imóveis permaneçam” (Hebreus 12.27).

(2) Porque devemos esperar o pior: “Ainda não é o fim”. O fim dos tempos ainda não chegou, e, enquanto existir o tempo, nós devemos esperar problemas, e o fim de uma aflição será apenas o início de outra; ou: ”Ainda não é o fim desses sofrimentos; deve haver mais julgamentos além daquele utilizado para derrubar o poder judaico; mais cálices de ira devem ser derramados; somente um ‘ai’ já passou, outros ‘ais’ estão por vir, mais flechas ainda deverão ser atiradas da aljava de Deus; portanto, não se perturbem, não deem lugar ao medo e à perturbação, não afundem sob a carga atual, mas, em lugar disso, reúnam toda a força e a coragem que vocês tiverem, para enfrentar o que ainda está à sua espera. Não se perturbem por ouvir de guerras e rumores de guerras. Pois o que acontecerá com vocês, quando vierem as fomes e as pestes?” Se, para nós, somente o “ouvir tal notícia causará grande turbação” (Isaias 28.19), como será sentir o golpe, quando ele tocar o osso e a carne? “Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com cavalos? Se tão-somente numa terra de paz estás confiado, que farás na enchente do Jordão?” (Jeremias 12.5).

III – Ele prediz outros julgamentos que Deus enviaria em um futuro mais próximo: “fomes, e pestes, e terremotos”. A fome frequentemente é o resultado da guerra, e a peste, da fome. Estes foram os três julgamentos dos quais Davi devia escolher um; e ele estava numa dificuldade séria, pois não sabia qual deles era o pior: mas que desolação terrível eles provocam, quando todos eles recaem juntos sobre um povo! Além da guerra (que já é suficiente), haverá:

1. “Fome”, representada pelo “cavalo preto”, sob o “terceiro selo” (Apocalipse 6.5,6). Nós lemos sobre uma fome na Judéia, pouco tempo depois da época de Jesus, que empobreceu muito a nação (Atos 11.28), mas a pior fome aconteceu em Jerusalém, durante o cerco (veja Lamentações 6.9,10).

2. “Pestes”, representadas pelo “cavalo amarelo”, e a morte assentada sobre ele, e o inferno que o seguia, sob o “quarto selo” (Apocalipse 6.7,8). Isto destrói sem distinção, e em pouco tempo amontoa cadáveres.

3. “Terremotos, em vários lugares”, ou de um lugar a outro, perseguindo aqueles que fogem deles, “como fugiram do terremoto nos dias de Uzias” (Zacarias 14.5). Algumas vezes, os terremotos causaram grande desolação, nos últimos tempos e antigamente; eles foram a causa da morte de muitas pessoas, e o terror de outras. Nas visões do Apocalipse, pode-se notar que os terremotos são prenúncios do bem, e não do mal, para a igreja (Apocalipse 6.12; compare Apocalipse 6.15; 11.12,13,19; 16.17-19). Quando Deus assombrar terrivelmente a terra (Isaias 2.21), será para sacudir dela os ímpios (Jó 38.13), e para apresentar o “Desejado de todas as nações” (Ageu 2.6,7). Mas aqui eles são mencionados como julgamentos terríveis, e apenas “o princípio das dores”, das dores de parto, rápidas, violentas, e também tediosas. Observe que quando Deus julgar, Ele vencerá; quando Ele começar com a sua ira, Ele acabará (1 Samuel 3.12). Quando olhamos adiante, para a eternidade de infelicidade que está diante dos obstinados que recusam a Cristo e ao seu Evangelho, podemos verdadeiramente dizer, a respeito dos maiores julgamentos temporais: Eles são apenas o princípio das dores; ainda que as coisas sejam ruins em meio a esses juízos, serão piores depois deles.

IV – Ele prediz a perseguição do seu próprio povo e dos seus ministros, uma apostasia geral, e uma consequente decadência na religião (vv. 9,10,12). Considere:

1. A predição da própria cruz (v. 9). Note que entre todos os eventos futuros, nós mais nos preocupamos, embora normalmente com um pouco de ansiedade, em saber mais dos nossos sofrimentos do que qualquer outra coisa. Então, quando houver as fomes e as pestes, os incrédulos as atribuirão aos cristãos, fazendo delas um pretexto para persegui-los. Cristo havia dito aos seus discípulos, quando os enviou pela primeira vez, acerca dos sofrimentos que eles iriam passar; mas até então, eles tinham passado por poucos sofrimentos, e por isto Ele os relembra de que quanto menos eles tivessem sofrido, mais aflições teriam que cumprir (veja Colossenses 1.24).

(1)  Os santos serão “atormentados”, sendo amarrados e presos, cruelmente ridicularizados e açoitados, como o bendito apóstolo Paulo (2 Coríntios 11.23-25); não seriam mortos diretamente, mas mortos em todo o tempo, em mortes frequentes, mortos de modo a se sentirem morrendo, “feitos espetáculo ao mundo”(I Coríntios 4.9,11).

(2)  Eles serão “mortos”. Tão cruéis são os inimigos da igreja, que nada menos que o sangue dos santos poderá satisfazê-los, do qual eles são sedentos, e bebem e espalham, como água.

(3)  Eles serão “odiados de todas as gentes” por causa do seu nome, como Ele lhes tinha dito antes (cap. 10.22). O mundo estava, de modo geral, influenciado pela malignidade e pela inimizade aos cristãos; os judeus, embora odiados pelos pagãos, nunca foram perseguidos por estes como os cristãos foram perseguidos pelos judeus; os cristãos eram odiados pelos judeus que estavam dispersos nas nações, eram o alvo comum da maldade do mundo. O que devemos pensar deste mundo, quando os melhores homens eram os mais maltratados nele? Ê a causa que faz o mártir, e o consola; era por causa de Cristo que eles eram odiados dessa maneira; o fato de eles professarem e pregarem o seu nome incitava as nações dessa maneira contra eles; o diabo, percebendo um ataque fatal lançado contra o seu reino, e “sabendo que já tem pouco tempo”, desceu “com grande ira”.

2. “O escândalo da cruz” (vv. 10-12). Satanás trabalha pelos seus próprios interesses através da força dos braços e das suas armas, embora Cristo, no final, traga a glória para si por meio dos sofrimentos do seu povo e dos seus ministros. Três resultados ruins da perseguição são aqui preditos.

(1)  A apostasia de alguns. Quando a profissão do cristianismo começar a custar caro para os homens, então muitos se ofenderão, se debaterão com a sua profissão de fé, e por fim a deixarão; eles começarão a entrar em conflitos com a sua religião, serão indiferentes a ela, se cansarão dela, e no final se revoltarão contra ela. Considere:

[1) Não é novidade (embora seja estranho) que aqueles que conheceram o caminho da justiça se afastem dele. Paulo sempre reclama dos desertores, que começaram bem, mas foram impedidos por alguma coisa. Eles estavam conosco, mas saíram de nós, porque jamais foram nossos verdadeiramente (1 João 2.19). Isto já nos foi dito anteriormente.

[2) Os tempos de sofrimento são tempos de agitação; e na tempestade, caem alguns daqueles que estavam em pé no tempo bom, como os ouvintes cujos corações são como os pedregais (cap. 13.21). Muitos, que não precisam da ajuda de outros, seguirão a Cristo nos dias de sol, e o deixarão nos dias escuros e nublados. Eles gostarão da sua religião se puderem tê-la a um custo baixo, e estarão dispostos a perseverar nela se as exigências forem mínimas; mas quando a sua profissão de fé passar a lhes custar alguma coisa, eles a abandonarão imediatamente.

(2)  A maldade dos ímpios. Quando a perseguição está na moda, a inveja, a inimizade e a maldade estão estranhamente difundidas nas mentes dos homens, por contágio: e a caridade, a ternura e a moderação são consideradas raridades que fazem do homem um pássaro manchado. Então, eles “trair-se-ão uns aos outros”, isto é, aqueles que traiçoeiramente abandonaram a sua religião, irão odiar e trair aqueles que aderirem a ela, por quem fingiram sentir amizade. Os apóstatas, em geral, foram os mais amargos e violentos perseguidores. Observe que os tempos de perseguição são tempos de descobrimento. Os lobos em peles de ovelhas se livrarão do seu disfarce, e aparecerão como lobos; eles “trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se aborrecerão [ou odiarão)”. Os tempos serão necessariamente perigosos, quando a traição e o ódio – duas das piores coisas que pode haver, porque são diretamente opostas a duas das melhores (a verdade e o amor) – serão predominantes. Isto parece se referir ao tratamento bárbaro que as diversas facções entre os judeus dedicavam umas às outras; e aqueles que devoravam o povo de Deus como comiam pão, foram, com justiça, deixados para se morderem e se devorarem uns aos outros, até que se consumissem uns aos outros. Estas palavras também podem se referir aos danos causados aos discípulos de Cristo por aqueles que estavam mais próximos a eles, como descrito em Mateus 10.21: “E o irmão entregará à morte o irmão”.

(3)  O declínio geral e o esfriamento de muitos (v.12). Em tempos enganadores, quando surgem os falsos profetas, e em tempos de perseguição, quando os santos são odiados, deve-se esperar duas coisas:

[1] A “multiplicação” da iniquidade. Embora o mundo sempre esteja mergulhado na maldade, ainda existem ocasiões em que pode-se dizer que a iniquidade abunda de uma maneira especial; como quando ela é mais abrangente do que é usual, como no mundo antigo, quando “toda carne havia corrompido o seu caminho” (Genesis 6.12); e quando é mais excessiva do que é usual, quando “a violência se levanta em vara de impiedade” (Ezequiel 7.11), de modo que o inferno parece estar solto em blasfêmias contra Deus, e em inimigos aos santos.

[2] A diminuição do amor. Isto é consequência da multiplicação da iniquidade: “por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará”. Isto pode ser entendido de maneira geral, referindo-se à santidade séria e verdadeira, que é resumida no amor. É bastante comum que os professores da religião esfriem na sua profissão de fé quando os maus se aquecem na sua maldade. Como a igreja de Éfeso, que, em tempos difíceis, deixou o seu primeiro amor (Apocalipse 2.2-4). Ou isto pode ser entendido, de maneira mais particular, como referindo-se ao amor fraternal. Quando a iniquidade abunda, a iniquidade enganadora, a iniquidade perseguidora, o amor normalmente esfria. Os cristãos começam a se intimidar, e a suspeitar uns dos outros; os afetos se distanciam, as distâncias se criam, formam-se grupos e, desta maneira, o amor resulta em nada. O diabo é o acusador dos irmãos, não somente para os seus inimigos, o que faz abundar a iniquidade perseguidora, mas entre si, o que faz com que o amor de muitos esfrie.

Isto fornece uma perspectiva melancólica dos tempos, pois haverá uma grande decadência de amor. Porém, em primeiro lugar, trata-se do amor de “muitos”, mas não de todos. Nos piores tempos, Deus tem os seus remanescentes que conservam a sua integridade, e retêm o seu zelo, como nos tempos de Elias, quando ele pensava ter sido abandonado. Em segundo lugar, este amor esfriou, mas não morreu; ele diminuiu, mas não se extinguiu. Existe vida na raiz, que se exibirá quando o inverno terminar. A nova natureza pode esfriar, mas não por muito tempo, pois se fosse assim, ela iria degenerar e desaparecer.

3. O consolo administrado em referência a este escândalo da cruz, pelo apoio do povo do Senhor que está sob ela (v. 14): “aquele que perseverar até ao fim será salvo”.

(1) É consolador, para aqueles que desejam o bem da causa de Cristo em geral, que, embora muitos se magoem, ainda assim alguns irão perseverar até o fim. Quando vemos tantos se afastando, temos a tendência de temer que a causa de Cristo vá afundar por falta de quem a apoie, e o seu nome seja abandonado e esquecido por falta de quem o professe; mas mesmo “neste tempo ficou um resto, segundo a eleição da graça” (Romanos 11.5). Aqui se trata do mesmo tempo a que esta profecia faz referência; um remanescente que não é “daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que creem para a conservação da alma”; eles perseveram até o fim, até o fim das suas vidas, até o fim do atual estado de experiência, ou até o fim deste tempo de provações e sofrimentos, até o último encontro, embora eles sejam chamados a resistir até ao sangue.

(2) É consolador, para aqueles que realmente perseveram desta maneira até o fim, e sofrem por causa da sua perseverança, saber que serão salvos. A perseverança ganha a coroa, por meio da graça, e ela a usará. Eles serão salvos. Talvez eles possam ser resgatados dos seus problemas, e sobrevivam a eles confortavelmente neste mundo; mas o que se pretende aqui é a eterna salvação. Aqueles que perseveram até o fim dos seus dias, alcançarão o fim da sua fé e esperança, a salvação de suas almas (1 Pedro 1.9; Romanos 2.7; Apocalipse 3.20). A coroa da glória irá indenizar a todos; e uma forte consideração por ela, em fé, nos capacitará a escolher morrer em uma estaca, com os perseguidos, em vez de viver em um palácio, com os perseguidores.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.