PSICOLOGIA ANALÍTICA

DO QUE VOCÊ TEM MEDO?

Esse sentimento resulta de processos tão básicos quanto a respiração ou a digestão; mesmo assim, compreender e descrever o que acontece em nosso cérebro quando algo nos apavora continua sendo um desafio para cientistas.

Do que você tem medo

O que é mais assustador: uma cobra venenosa serpenteando em sua direção numa trilha, ou observar uma queda de mil pontos na bolsa de valores? Embora os dois acontecimentos sejam de natureza bastante diversa, ambos são assustadores. “Medo é uma resposta para estímulos imediatos, que podemos sentir no corpo como sensação de vazio no estômago, aceleração do coração, suor nas mãos e a tensão muscular”, diz o neurocientista Joseph LeDoux, professor de neurociência e psicologia da Universidade de Nova York. Segundo ele, essas reações evidenciam que o cérebro está respondendo de forma pré-programada a uma ameaça muito específica. “Ver a bolsa de valores despencar mil pontos é a mesma coisa que observar uma cobra”, avalia LeDoux. “O medo, caraterizado pela sensação de vazio, aceleração do coração, palmas das mãos suadas e tensão é uma resposta para estímulos imediatos”, afirma o neurocientista. O pesquisador observa que, do ponto de vista neuroanatômico podemos assumir que nossas sensações diante de ameaças são semelhantes.

O medo afeta diferentes espécies de modo semelhante. “Viemos ao mundo sabendo como ter medo, pois nosso cérebro evoluiu para lidar com a natureza”. avalia LeDoux, observando que os cérebros de ratos e humanos respondem de maneiras semelhantes a ameaças, ainda que de naturezas distintas.

Para outros pesquisadores o medo é uma experiência muito pessoal. Enquanto algumas pessoas ficam apavoradas ao assistir a um filme de terror, outras podem ficar com muito mais medo ao se encaminharem para seus carros, em um estacionamento escuro, depois de assistir ao filme.

Se pedirmos para várias pessoas fazerem uma lista das coisas que mais as assustam, provavelmente cada uma fará uma lista bem diferente da outra, avalia Michael Lewis, diretor do Instituto de Desenvolvimento Infantil, da Faculdade de Medicina Robert Wood Johnson, em New Brunswick, Nova Jersey. “Intimamente, podemos concordar que o medo de uma auditoria do imposto de renda ou de um assalto pode se manifestar da mesma maneira. O problema é que não temos como obter uma boa medida fisiológica do medo ou de qualquer outra emoção”, considera Lewis.

Ele observa que o comportamento das pessoas que nos cercam influi nas nossas respostas a situações ameaçadoras. “Aprendemos a ter medo por experiências com fatos assustadores, ou com pessoas próximas, como nossos pais, irmãos, amigos”, observa Lewis. “O medo parece ter um componente contagiante, que faz com que o medo dos outros seja transmitido para nós. É um comportamento condicionado, como Pavlov e os cães que salivavam.”

Outros pesquisadores recorrem à tecnologia para ajudar a melhor entender o medo. “É muito difícil definir essa emoção em termos do sentimento que ela evoca”, argumenta Joy Hirsch, professora de neurorradiologia, neurociência e psicologia, bem como diretora do Programa para Ciências de Imageamento e Cognição, da Columbia University, em Nova York. “É possível definir dor? É possível definir a cor vermelha? Essas sensações extremamente pessoais são consideradas os problemas mais difíceis em neurociência.”

Para descobrir mais sobre o que nos faz perder o sono, Hirsch e sua equipe usam imageamento por ressonância magnética funcional (fMRI) para investigar como funcionam as conexões no nosso cérebro. “O circuito que comanda a sensação de medo é ativado imediatamente por meio de um estímulo específico”. observa Hirsch. Na pesquisa que ela desenvolve, uma fotografia do rosto de uma pessoa com expressão assustada é mostrada aos participantes. Uma biblioteca padrão de estímulos que evocam atividades assustadoras usa atores para criar expressões faciais que transmitem sensação de medo.

Na pesquisa com fMRI, a reação ao estímulo indutor de medo manifesta-se na amígdala, uma estrutura arredondada em forma de amêndoa, localizada abaixo do lobo temporal e também conhecida como centro cerebral do medo. Hirsch lembra que a amígdala é a primeira a responder a estímulos ameaçadores.

O escâner de fMRI rastreia a alteração no fluxo sanguíneo para a amígdala. “Estamos à procura de mudanças de sinais em regiões específicas do cérebro”, argumenta Hirsch; “Esse sinal significa aumento da atividade neural.” O sinal de ressonância magnética responde à quantidade de sangue que está abastecendo uma determinada área. Durante o período de varredura da amígdala a foto de um rosto apavorado provoca um maior afluxo sanguíneo – intensificando o sinal da imagem – que um rosto com expressão neutra.

Críticos da pesquisa baseada na fMRI argumentam que nem sempre é claro o significado do afluxo de sangue em uma região cerebral. Mas Hirsch reba- te os adversários: “Usamos estímulos escolhidos de forma muito cuidadosa e que não necessariamente assustam as pessoas que estão sendo analisadas, mas que despertam sistemas envolvidos em sensações de medo, se você estiver assustado”. conclui. “A interpretação de outra face demonstrando medo estimula regiões neurais do observador que respondem ao medo.”

Hirsch observa que a amígdala responde a outros estímulos além de expressões faciais. “Se você estiver em um beco escuro e alguma coisa saltar de repente em cima de você, provocando um susto, ela adverte: “É a amígdala que vai fazer você sair correndo.”

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.