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CROCÂNCIA MILAGROSA

Air Fryers ganham as cozinhas e as redes sociais em perfis que servem memes e receitas inusitadas, de churrasco a pudim

Rafael Brandão lembra-se bem de quando testemunhou um milagre, cinco anos atrás. Naquele dia, o empresário e a mulher, a hoteleira Náhiman Souza, sequer sabiam onde ficavam os pacotes de batatas congeladas no supermercado. “Não fazíamos fritura em casa”, conta o curitibano, sobre o primeiro produto preparado na “fritadeira sem óleo” arrematada por R$ 100 no bota-fora de um amigo. “Ficamos impressionados e viramos os novos convertidos na religião da air fryer.”

Vieram, então, os salgadinhos de grão-de-bico, os petiscos de macarrão temperados com lemon pepper e o início da pregação. Em pouco tempo, Rafael converteu a mãe e a sogra para a seita e hoje prega a palavra de um dos eletrodomésticos mais desejados do Brasil para mais de 7 mil fiéis pelo perfil @TestemunhaAF, no Twitter. O primeiro versículo? “Pré-aqueça a sua air fryer”.

O maior pecado? “Usar e não lavar.” O milagre mais impressionante? “Fizemos um petit gateau delicioso.”

Projetada em 2005 por um holandês, a máquina caiu no gosto dos brasileiros desde que aportou por aqui em 2011. Virou vedete nas redes, em perfis que ensinam receitas e truques. Basta jogar o nome do eletrodoméstico na busca do Instagram para que os algoritmos comecem a servir um banquete de preparações inusitadas — de churrasco a pudim.

Você também vai encontrar memes, versões em brinquedo e fotos de pessoas como a carioca Elaine Santos que, de tão devota, tatuou uma imagem do produto no antebraço. “Amo fazer pão de queijo e carne temperada sem correr o risco de queimá-los, já que ela desliga sozinha”, diz a moça, que reivindica o lugar de pioneira na tatuagem de air fryer. “Depois que viralizou, apareceram outras.”

Mas essa máquina promissora nem sempre foi acessível. Trazido ao país pela Philips Walita, o eletrodoméstico era vendido pela TV e deixava o público incrédulo com coxinhas e bolinhos suculentos feitos sem imersão no óleo. Para sentir a crocrância daquelas receitas, porém, era preciso desembolsar cerca de R$ 2 mil. Foi só alguns anos depois que outros fabricantes criaram modelos similares e mais gente passou a comprá-lo.

A Shopee, por exemplo, registrou um aumento de 342% nas buscas pelo item em janeiro deste ano, se comparado ao mesmo período de 2022. Pesquisas mencionadas pela Philips Walita indicam que os brasileiros compram 7 milhões de unidades do aparelho por ano.

Mas, afinal, o que a air fryer tem? Professora e pesquisadora de publicidade e consumo da Universidade Federal do Espírito Santo, Lívia Souza afirma que três elementos ajudam a resolvera equação. O primeiro deles é o fator saúde, que faz da promessa de uma fritura sem óleo naturalmente atraente. Em seguida, vieram a pandemia e a legião de cozinheiros de primeira viagem, fazendo com que produtos facilitadores ganhassem ainda mais atenção.

Por fim, há os likes: “A air fryer permite a preparação de pratos que saem bem na foto, com aparência crocante”.

O chef Pepo Figueiredo, do Clan BBQ, reconhece que, embora o utensílio seja bastante semelhante ao forno, tem vantagens por conta da convecção (ventilação do ar quente em seu interior). “Os principais usos, na minha opinião, são para a caramelização de alguns legumes e, às vezes, carne, principalmente, a suína”, lista, sem considerá-lo, ainda assim, indispensável na cozinha.

Elaine, enquanto isso, segue convicta dos milagres. Ela só lamenta que, mesmo com uma propaganda ambulante sobre a pele, nenhuma marca tenha lhe presenteado com um modelo mais poderoso do que o seu, simplesinho, pago em suadas prestações. “Tem umas gigantes que são o meu sonho de consumo. Faria tantas coisas ali”, planeja. Neste quesito, as marcas não estão para a brincadeira.

A Philips Walita tem uma linha capaz de se conectar à Alexa, o dispositivo de inteligência artificial da Amazon, e pode ser acionada remotamente. Se você está se perguntando qual a utilidade prática disso, o gerente de marketing da marca, Caleb Bordi, afirma que utiliza o recurso com frequência. “Ao sair de casa, deixo uma marmita congelada dentro da air fryer e, no caminho de volta, abro o aplicativo para ligá-la. Caso pegue um trânsito, é só acionar a função ‘manter aquecido’. Quando chego, a comida está pronta.”

Para quem esperava carros voadores para 2023, ainda não foi dessa vez.

OUTROS OLHARES

PROJETO USA A ARTE DE RUA PARA INTEGRAR PESSOAS COM SÍNDROME DE DOWN

Além das aulas de pintura, realizadas uma vez por semana, grupo visita exposições e participa de ações para colorir as ruas de Pelotas

Eduardo Camargo Moraes, de 24 anos, vê a arte como uma forma de mostrar para o mundo quem é, seja por meio da dança ou da pintura. Diagnosticado com síndrome de Down, o estudante do curso de bacharelado em Artes Visuais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) busca ocupar todos os espaços na sociedade. A arte faz parte da vida de Dudu, como é conhecido, desde sua infância, pois tem artistas na família. “Desde criança eu desenho. No início rabiscava as paredes, hoje participo de exposições graças ao Graffiti Down”, conta. O objetivo do projeto, localizado em Pelotas (RS), é inserir o grafite e a cultura hip-hop na vida de jovens e adultos com a síndrome.

O projeto foi criado por Gabriel Veiz, de 36 anos, que há mais de duas décadas dedica sua vida à arte. Veiz é um dos irmãos mais velhos de Dudu e viu no grafite uma forma de se aproximar do irmão. “Queria estar mais perto dele e dos amigos dele, conviver e entender o mundo deles”, explica. Assim, desde março do ano passado, o Graffiti Down busca promover a inclusão social por meio da arte e cultura hip-hop.

A turma se formou entre os amigos e colegas de Dudu que fazem parte da Associação de Pais de Down de Pelotas (APAD- Pel). O projeto reúne jovens e adultos às segundas-feiras, na reitoria do Instituto Federal Sul-Riograndense (IFSul), campus Pelotas (RS). “São aulas de pintura voltadas à estética do grafite e hip-hop. Ensinamos a técnica – e tudo que eles veem em aula colocam em prática”, ressalta Veiz. E, para inseri-los no meio artístico, a turma faz visitas a galerias de arte, exposições e participa de eventos. Em setembro, a turma participou do Spray’sons, ação que reuniu 24 artistas para colorir o bairro Porto de Pelotas.

EXPOSIÇÃO

Em agosto, Dudu e seu colega Gustavo Bicca expuseram suas obras pela primeira vez em uma galeria de arte. “Fiquei realizado e feliz, expliquei o significado por trás dos meus desenhos para todos os que foram prestigiar o evento”, lembra.

As aulas, além de promoverem a inclusão, também geram impactos positivos na vida dos alunos e suas famílias. “As mães me passam um feedback muito bom de que seus filhos estão se soltando mais, que começaram a se sentir mais à vontade em outros ambientes, e talvez isso tenha lhes proporcionado uma autonomia maior”, destaca Gabriel.

Marli Rezende, de 74 anos, mãe de Edison, relata que sempre buscou inserir o filho – hoje com 45 anos – em diferentes atividades, mas é no Graffiti Down que ele está se achando e se tornando mais independente. “Agora ele se reconhece adulto, como os outros homens”, afirma.

Edison é o aluno mais velho da turma. Teve o primeiro contato com a técnica do grafite no projeto. “Fiquei um pouco nervoso e tímido na primeira vez em que usei a tinta spray, mas está sendo muito legal aprender com eles”, conta. Ele também afirma que “existe um apoio muito grande por parte dos colegas, vão ser meus amigos para sempre”.

INDEPENDÊNCIA

Além das aulas de pintura, o projeto proporciona aos alunos a inclusão em diferentes ambientes, como bares, restaurantes e festas. “A gente sai pra jantar, já fomos ao cinema e também fazemos churrascos nos fins de semana. Essa união e independência que o projeto está gerando para eles é muito importante”, avisa Gabriel.

Atualmente, 15 jovens e adultos, de 13 a 45 anos, integram o projeto. Quatro, como Júlia Costa, de 23 anos, são mulheres. Diagnosticada com a síndrome, estudante do curso de Licenciatura em Dança na UFPel, ela dedica as tardes das segundas-feiras às aulas. Aliado a isso, Júlia conta que o grafite se tornou tão importante para ela quanto a dança. “São atividades que me deixam alegre, quando estou grafitando eu fico leve e solto a imaginação”, diz.

Júlia acredita que “as mulheres precisam se arriscar, ocupar todos os espaços”. “Foi o que eu fiz no grafite e na minha vida. Me sinto bem, todos somos iguais e todos podemos.” Ela ressalta que, no projeto, não se aprende apenas sobre desenhos, mas também sobre convivência e amizade.

INCLUSÃO

Para Agda Brigatto, professora do curso de Artes Visuais da PUC, “ver arte, fluir arte, fazer uma leitura de arte, produzi-la, é uma forma de participação e inclusão social”. Segundo a professora, a arte, como o grafite, é uma forma de conhecimento, uma linguagem, uma maneira de se expressar no mundo. “Se a arte é um conhecimento, todo mundo pode aprender dentro das suas especificidades”, observa.

Por meio de suas criações artísticas, os alunos com síndrome de Down se expressam e mostram quem são para a sociedade. “É mais do que pertinente ter pessoas com deficiência, que foram segregadas durante tanto tempo, produzindo arte para dizer para o mundo o que elas precisam, o que elas querem e qual o seu lugar na sociedade”, adverte Agda. Para ela, toda a sociedade se beneficia com a inclusão. “O mundo que acolhe a diversidade beneficia todo mundo e isso pode acontecer por meio da arte.”

TRISSOMIA 21

De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, estima-se que no Brasil um em cada 700 nascimentos seja de crianças com trissomia 21, o que totaliza em torno de 300 mil pessoas com síndrome de Down no País.

Marli Rezende, mãe de Edison, conta que o diagnóstico foi uma surpresa. “Foi um choque, me vi com aquele bebê sem saber o que fazer. Foi o brilho do olhar dele que me impulsionou a ir à luta em busca do conhecimento na área”, conta. Marli se dedicou aos estudos após o nascimento do filho para entender a condição e dar suporte para ele. A psicopedagoga lembra das dificuldades: “O preconceito era muito mais forte do que hoje, portas se fechavam para ele. As escolas formais não o aceitavam”.

Mãe de Dudu e Gabriel, Tânia Camargo, de 63 anos, conta que, quando Dudu foi diagnosticado, após o nascimento, ela ficou insegura sobre como os outros filhos – três meninos e uma menina – iriam receber o caçula. “Tenho três filhos adolescentes, o que eles vão achar? Vão gostar do irmão? Vão ter vergonha dele?” A notícia chegou aos irmãos quando Dudu completou três meses de vida e a mãe foi surpreendida positivamente pelos filhos. “No dia que contei para eles, eu disse assim ‘olha o médico falou que se ele for muito estimulado ele vai ter uma vida praticamente normal’ e a resposta que eu ouvi foi: ‘bom, se vai depender de estimulação então ele vai ser uma criança bem sapeca, pois a gente vai estimular muito’”, recorda.

Dudu sempre teve uma relação muito próxima com Gabriel. “Meu irmão nos motiva”, completa. Para o criador do Graffiti Down, a experiência está sendo incrível. “Estamos conquistando espaços e ganhando visibilidade. Eles participam de eventos, trabalham, expõem suas obras em galerias com outros artistas. Isso é mais do que eu imaginei”, acrescenta.

GESTÃO E CARREIRA

O QUE VOCÊ PODE FAZER PARA TORNAR SEU EMPREGO MENOS ESTRESSANTE

Especialistas dão dicas de algumas mudanças que trabalhadores podem começar a fazer para melhorar o desempenho e diminuir o estresse em 2023

Assim como muitas pessoas veem o início de um novo ano como um momento para começar a se alimentar de forma mais saudável, fazer atividade física ou beber mais água, especialistas em produtividade dizem que este também é um bom período para redefinir o modo como trabalhamos.

“É importante reservar um tempo para avaliar o ano que terminou e pensar no futuro”, disse Jono Luk, vice-presidente de gestão de produtos da Webex. “Acredito muito em fazer pequenas mudanças progressivas”, disse Joshua Zerkel, chefe de marketing de engajamento global e especialista em produtividade da Asana. Veja seis dicas para se preparar e evitar estresse no trabalho:

FRONTEIRAS

A pandemia confundiu as fronteiras entre o trabalho e a vida pessoal, disse Luk, por isso talvez seja um bom momento para fortalecê-las. Isso pode ocorrer de várias maneiras, desde garantir que você tenha um espaço específico para trabalhar, até entender quando algo deve ou não ser feito dentro de seu expediente. “Compartilhe seus objetivos e limites com os outros”, disse ele. “Faça algo como: ‘Se você me vir online às 19h, me mande embora’. Eles vão mantê-lo responsável por suas ações.”

OBJETIVOS

Uma maneira de refletir sobre seus objetivos é lembrar do que conquistou e aplicar isso ao que deseja fazer no futuro, disse Akhila Satish, CEO da Meseekna, empresa de tecnologia que usa simulações para ajudar na avaliação de talentos. Tente tornar seus objetivos os mais práticos. Anita Williams Woolley, professora e pró-reitora de pesquisa da Tepper School of Business da Universidade Carnegie Mellon, sugere reservar um tempo todos os dias ou todas as semanas para analisar suas atividades.

PRIORIDADES

O que é urgente talvez nem sempre seja o que é importante, disse Anita, por isso certifique-se de compreender as suas prioridades. Depois de fazer isso, você pode mapear especificamente o que planeja fazer e repetir até criar novos hábitos. Isso pode significar adicionar compromissos no calendário para bloquear horários e conseguir se concentrar em tarefas específicas.

INTENÇÕES

Torne conhecidos os seus compromissos e intenções para o ano, dizem os especialistas. Compartilhar seus pensamentos talvez seja útil para o restante de sua equipe, que pode ter sugestões ou precisar ajustar as próprias expectativas.

PRODUTIVIDADE

Dê uma olhada em seu calendário e analise quando você foi mais e menos produtivo, disse Akhila. Isso pode dar pistas de quando sua produtividade melhora ou piora e, assim, você pode organizar reuniões futuras e trabalhar sem interrupções entre elas. Verifique também o que vale a pena manter, disse Luk. Isso pode significar encurtar as reuniões recorrentes, cancelá-las ou transformá-las em e-mails, disse Zerkel.

EQUILÍBRIO

Divida a porcentagem de tempo que você deseja dedicar para seis áreas da sua vida: carreira e educação contínua, família e amigos, espiritualidade, saúde, diversão e responsabilidade social. Depois, compare isso com quanto tempo você está de fato dedicando e faça os ajustes necessários, disse ele. “Temos esse conceito bizarro de multitarefa, mas será que confundimos atividade com produtividade?”

EU ACHO …

UM NAMORADO A ESSA ALTURA?

Quem é que tem namorado, namorada? Garotada. Antes de casar, de constituir família e cumprir com toda a formalidade, namora-se, e o verbo é de uma delícia de matar de inveja, namorar, experimentar, entrar em alfa, curtir, viajar, brigar, voltar, se vestir pra ele, se exibir pra ela, telefonar, enviar torpedos, dar presentinhos, apresentar mãe, pai, amigos, ocultar ex-ficantes, declarar-se, agarrar-se no cinema, não ter grana para morar junto, ausência dolorosa, ver-se de vez em quando, um dia tem faculdade, no outro se trabalha até mais tarde, quando então? Amanhã à noite, marca-se, aguarda-se. Namorados. Que fase.

Depois vem o casamento, os filhos, as bodas e aquela coisa toda. Dia dos namorados vira pretexto para mais um jantar num restaurante chique, onde se pagará uma nota pelo vinho. Depois dos 3.782 “te amo” já trocados, mais um, menos um, o coração já não se exalta. Deita-se na mesma cama, o colchão já afundado, transa-se no automático, renovam-se os votos e segue o baile, amanhã estaremos de novo juntos, e depois de amanhã, e depois de depois, até os cem anos. Casados. Bem casados.

Mas namorado, não. Namorar tem frescor, é amor estreado, o choro trancado no quarto, o presente comprado com uns míseros trocados, os porta-retratos, os malfadados bichinhos de pelúcia, as camisinhas e todos os cuidados, os “pra sempre” diariamente renovados, namorados. Cada qual no seu quadrado.

Pois outro dia vi uma mulher de 56 anos dar um depoimento engraçado. Disse ela: “Já fui casada, hoje tenho filhos adultos, um netinho e um namorado, e me sinto quase retardada. Difícil nessa idade dizer que o que se tem não é um marido, nem mesmo um amante. Que outro nome posso dar a esse homem que vejo três vezes por semana, que me deixa bilhetinhos apaixonados e me liga para dar boa noite quando não está ao meu lado?”.

Minha senhora, é um namorado. Por mais fora de esquadro.

Como apresentá-lo, ela que já não usa minissaia, nem meia três quartos, e que já possui um imóvel quitado? Ele grisalho, ex-surfista, hoje meio alquebrado: um namorado?

Pois é o que se vê por aí: namorados de 47, 53, 62 anos, todos veteranos no papel de novatos. Começando tudo de novo, depois de tanto já terem quebrado os pratos. Eles, livres como pássaros. Elas, coração aos pulos, depilação em dia, sem tempo pros netos: vovó tem direito a uma volta ao passado.

O que poderia ser constrangedor agora é um fato. Namora-se antes do casamento, e depois. Com a vantagem de os namoros da meia-idade dispensarem ultimatos.

MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

COMO ESCOLHER A ESCOVA DE DENTES IDEAL?

Cabos precisam ter uma boa empunhadura e aderência às mãos; em relação às cerdas, a recomendação vai para o uso das macias e das supermacias

Escolher a escova de dentes ideal não é uma tarefa fácil. Existem versões elétricas, com diferentes quantidades de cerdas, formatos variados e até algumas feitas com material reciclado, como as de bambu. Os preços também variam bastante. Há escovas que chegam a custar mais de R$ 400. É para deixar qualquer pessoa perdida. Entretanto, mesmo que pareça complicado encontrar uma escova que atenda às suas necessidades em meio a tantas opções, essa não é uma escolha de pouca importância. Afinal, a escova é fundamental para uma boa limpeza dos dentes e evitar complicações, como as cáries. Veja as dicas do ortodontista Gabriel Politano para escolher a sua.

PRESTE ATENÇÃO AOS CABOS

Existem recomendações quanto ao cabo das escovas de dente. “Escovas infantis devem ter pelo menos 10 cm e as para o público adulto, pelo menos 13 cm”, afirma Gabriel Politano, ortodontista e docente da Faculdade São Leopoldo Mandic, que sugere observar as embalagens para confirmar as dimensões.

Os cabos também precisam ter uma boa empunhadura e aderência às mãos. Como, em geral, as escovas são vendidas dentro de embalagens, a saída é observar se elas possuem regiões com diferentes texturas e formatos, como uma área emborrachada ou com relevo. “Essas características evitam que a escova escorregue das mãos durante a escovação”, explica. Escovas com cabos lisos podem não ser tão indicadas, especialmente para pessoas com problema de mobilidade.

APOSTE NAS CERDAS MACIAS OU EXTRAMACIAS

As cerdas de uma escova servem para realizar a limpeza dos dentes, mas é importante garantir que a remoção das placas bacterianas e do resto de alimentos não traga prejuízos. Cerdas muito duras podem agredir as gengivas, desgastar o esmalte dental e ocasionar uma maior sensibilidade na região, além de bastante desconforto. Por isso, a recomendação do ortodontista é investir nas escovas com cerdas macias ou extramacias.

Cerdas médias e duras só são recomendadas para limpeza de próteses e dentaduras. Já as macias podem ser utilizadas por todos os públicos, de crianças aos mais velhos. As extramacias também estão liberadas para todos, mas são mais indicadas para quem possui algum tipo de sensibilidade ou passou por cirurgia.

ESCOVAS PARA CRIANÇAS

Para os pequenos, algumas indicações são parecidas: usar escovas com cerdas macias ou extramacias e com todas as cerdas da mesma altura. No entanto, para esse público, costumam haver diferenças nas escovas de acordo com a faixa etária. E é importante que pais, responsáveis ou cuidadores fiquem atentos a esse ponto na hora de comprar uma escova infantil.

Para crianças menores, é necessário que o tamanho se adapte às mãos dos pais, uma vez que eles é que vão realizar a escovação. Já as maiores, que conseguem escovar os dentes sozinhas, precisam de uma escova que se adapte ao seu tamanho. Em geral, os rótulos indicam para qual faixa etária aquela escova é indicada. Seguir o que está recomendado na embalagem pode facilitar uma escolha mais assertiva.

ESCOVAS PARA QUEM USA APARELHO NOS DENTES

Não faltam itens de higiene bucal para quem utiliza aparelho ortodôntico fixo. Existem opções como a escova de tufo, que permite limpar cada dente de forma individual, e a escova interdental, que possui cerdas bem finas e atravessa os fios ortodônticos conectados aos bráquetes.

“Mas, ainda que sejam boas opções, não há estudos que mostrem uma diferença significativa com o uso delas em comparação a uma escova comum”, diz.

Uma escova comum é capaz de realizar uma boa limpeza em dentes com aparelho. O importante é reforçar a escovação, uma vez que o aparelho pode facilitar o acúmulo de restos de alimentos. É fundamental também observar o aspecto visual das escovas, que podem ficar danificadas mais rapidamente. Quando as cerdas estiverem com aspecto mais desgastado, é importante trocar por uma nova.

ESCOVAS DE DENTE ELÉTRICAS

Do ponto de vista da higiene bucal, o odontologista não avalia que há resultados muito diferentes da escova comum para a escova elétrica. “Ela até pode reduzir melhor a placa bacteriana em comparação com a escova convencional, mas não chega a ser um resultado relevante”, explica ele, que enxerga isso de forma positiva, visto que escovas elétricas costumam ter preços mais altos. “É a minoria da população que pode comprar esse tipo de produto”, afirma.

No entanto, em outras situações, ela pode ser indicada, como para pessoas com dificuldade motora, como aquelas que têm doenças neurológicas que afetam os movimentos, ou para quem utiliza aparelho ortodôntico fixo. “Nesses casos, há mais benefícios em ter uma escova que faz o movimento de limpeza sozinha”, observa.

Para crianças que têm resistência ao hábito de escovar os dentes, as escovas elétricas também podem ajudar. “Muitas empresas têm lançado escovas elétricas com desenho, que se conectam ao tablet e até que conversam com a criança”, avisa. “Se isso estimular a criança a escovar os dentes, pode valer a pena, mas não pela limpeza em si.”

PREÇO FAZ DIFERENÇA?

No supermercado, uma escova de dentes custa menos de R$ 10. Mas há modelos, como das marcas Curapox e Edel White, que podem custar até R$ 45. Para o ortodontista, em termos de higiene, não há grandes diferenças entre essas marcas e a escova comum vendida no supermercado. O que justifica o preço mais alto desses modelos são características como a flexibilidade do cabo e o tipo de cerda, que costuma ser extramacia e em maior quantidade. São aspectos positivos, que podem facilitar a escovação, mas isso não significa que as versões mais baratas não sejam boas opções.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

AGORAFOBIA TEM TRATAMENTO COM DROGAS E TERAPIA

Transtorno vivido pelo príncipe Harry desencadeia ataques de pânico em espaços públicos e situações de desamparo. Acontecimentos negativos na infância e hereditariedade estão entre fatores de risco para quadro

O recém-lançado livro autobiográfico do príncipe Harry, “O que sobra”, é recheado de revelações íntimas sobre sua vida sempre em evidência como membro da família real. Um dos fatos mais surpreendentes para parte do público foi que o filho de Charles e Diana sofreu de agorafobia. “Eu era um agorafóbico. O que era quase impossível devido ao meu papel público”, escreveu ele no livro.

Agorafobia é um transtorno de ansiedade que causa medo intenso em certas situações, principalmente no meio de multidões ou em espaços públicos. O indivíduo teme lugares ou situações que possam causar pânico ou que tragam sensações de desamparo e vergonha.

Os sentimentos desagradáveis podem ser tão avassaladores que muitos pacientes podem ficar presos em casa. Eles geralmente não usam transporte público, têm medo de ficar em certos locais ou encarar determinadas situações sociais, como enfrentar uma fila.

Muitas vezes, a fobia surge após a ocorrência de episódios de ataques de pânico. No Brasil, a condição é considerada comum, com cerca de 150 mil casos anuais.

A pessoa com agorafobia vive um medo excessivo de não ser capaz de escapar ou encontrar ajuda em caso de um novo ataque de pânico. Elas também receiam passar novamente por situações embaraçosas ou mesmo incapacitantes.

Caso o paciente esteja em um ambiente público, outros sintomas costumam aparecer. Ele começa suar em profusão, seus batimentos cardíacos se aceleram, ele sente muita ansiedade, tremores pelo corpo, dores no peito, além de ter pensamentos desconexos, medo irracional de um mal iminente, incapacidade de se expressar com clareza, desconforto estomacal, tontura, paranoia e náusea.

Não existe causa específica definida para o transtorno, mas há fatores que contribuem para o seu aparecimento. Pessoas ansiosas e com disposição neurótica, por exemplo, são mais suscetíveis a desenvolver patologias associadas do tipo. O temperamento da pessoa, bem como o estresse ambiental e a perda de um ente querido, podem desencadear o quadro.

A fobia pode surgir quando o paciente experimenta episódios de síndrome do pânico ou crises de ansiedade e passa a associar o medo descomunal que sentiu a situações concretas. A ansiedade da antecipação de um ataque pode vir acompanhada da impressão de que será difícil conseguir ajuda. Outro fator que corrobora para o surgimento da agorafobia é a hereditariedade.

Dentre as fobias, essa condição traz a associação mais forte com o fator genético, que predispõe seu aparecimento. Recomenda-se uma consulta com um psicólogo ou um psiquiatra para investigar a causa ou os fatores que contribuíram para o medo irracional de frequentar esses ambientes públicos.

O problema pode começar na infância, mas normalmente aparece no final da adolescência, nos primeiros anos da vida adulta, geralmente antes dos 35 anos. Entretanto, adultos mais velhos também podem desencadear a condição, sendo maior a frequência em mulheres.

FATORES DE RISCO

Outros fatores de risco também incluem: eventos negativos na infância, como separação dos pais, mudanças na escola ou de cidade, bullying, impactos negativos na autoestima e autoconfiança, bem como demissão ou término de relacionamento, que podem aumentar níveis de angústia, tristeza e ansiedade.

Caso a agorafobia seja diagnosticada, um psiquiatra deve ser consultado para avaliar a possibilidade de tratamento com medicamentos. Entre os principais remédios, estão os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS), ansiolíticos e sedativos.

O tratamento efetivo para a agorafobia geralmente inclui psicoterapia e medicação. A terapia cognitivo-comportamental, a terapia de exposição, a psicoterapia com auxílio de realidade virtual estão entre os tratamentos mais eficazes para a condição.

Algumas abordagens incluem o enfrentamento dos lugares ou situações que servem de gatilho para o problema. É importante que o paciente saiba que não há perigo na esquina.

OUTROS OLHARES

VÍTIMA DE TRABALHO ESCRAVO ENFRENTA LONGA JORNADA APÓS RESGATE

Políticas públicas ainda esbarram em falta de acompanhamento e estrutura para proteger e reinserir submetido à exploração

O primeiro piquenique na companhias das irmãs, cunhados e sobrinhos, a primeira visita a uma livraria, a primeira vez no Museu da Língua Portuguesa. A primeira peça de roupa jeans, as primeiras tranças nos cabelos, a primeira dança – ao som de Blitz.

Aos 51, Thawanna Mendes tem vivido uma série de primeiras vezes, acumuladas desde que tomou coragem e, também pela primeira vez, pediu ajuda em um hospital. Vivia desde a adolescência em uma casa, onde trabalhava sem registro e sem direitos. Somente quando se viu internada é que a ficha começou a cair.

“Chorava muito porque eu não me conformava, estava lá e ninguém se preocupou comigo, eu cuidei de todo aquele pessoal. Aquela mágoa estava me deixando louca”, diz. “Ainda voltei para lá [a casa], mas aí acordei. Eles mudaram por uns três dias. Depois, ela [a patroa], mesmo sabendo que eu precisava de repouso, pediu se eu tinha como fazer comida, se tinha como só arrumar o quarto.”

Por 36 anos, Thawanna viveu com uma família que acreditou ser também a dela. Não era. Foi a babá, a cozinheira e a faxineira. Cuidou dos filhos e depois dos netos daqueles que a colocaram para trabalhar, junto a duas irmãs, quando ainda era adolescente. Não tinha salário, não estudava, não tinha amigos.

O pedido de ajuda definitivo chegou por intermédio de um fisioterapeuta que a atendeu em casa, como parte do tratamento de uma fratura no quadril. Dias depois, o Ministério Público do Trabalho chegava com a autorização judicial para retirá-la de lá.

O percurso até o fio de esperança ao qual se agarrou foi cheio de altos e baixos. Os primeiros seis meses, diz, foram piores. Por diversas vezes, quis voltar, quis se desculpar. “Sentia como se eles [a rede de assistência social e o MPT] estivessem destruindo minha vida, mesmo tendo sido eu quem pediu ajuda.”

Thawanna não é o nome que aparece em sua certidão de nascimento, mas é aquele escolhido por ela para contar dos mais de 30 anos vividos em situação análoga à de escravidão. Antes disso, era o nome que queria dar a uma filha, um sonho que se perdeu.

Primeiro, pela vida delimitada pelo quarto das filhas dos patrões – onde dormia no chão – e a sala da casa, onde dormiu em um sofá nos últimos anos até deixar a família definitivamente. Depois, pelo trauma de ter sido vítima de abuso sexual em casa, pelo patrão, e outra vez, na rua, em uma das poucas vezes em que saiu sozinha.

Agora, mais de um ano depois do resgate, Thawanna faz planos para o futuro. Quer, assim como a escritora Carolina Maria de Jesus, mulher negra a quem tanto admira, escrever para dar voz a outras meninas e mulheres que passam ou passaram pelo mesmo sofrimento. “Eu quero contar que a Thawanna sobreviveu, está livre e está começando um nova vida. A vida de sofrimento acabou.”

NÚMERO DE RESGATES CRESCE

Em 2022, 2.575 trabalhadores foram encontrados pela fiscalização em condições degradantes de trabalho ou em jornadas exaustivas em todo o Brasil. O número foi o maior registrado pelo grupo volante de fiscalização desde 2013, quando 2.808 trabalhadores foram encontrados.

O rosto do trabalho escravo contemporâneo ainda é masculino e predominantemente na zona rural. A procuradora Lys Sobral, da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Conaete) do Ministério Público do Trabalho, diz que hoje os homens são 90% dos resgatados. Em 2018, eram 95%.

Entre os trabalhadores encontrados em situação análoga à escravidão em 2022, 1.982 estavam no campo, quase 77% do total. E, se o trabalho análogo ao escravo, no geral, tem rosto de trabalhador do campo, nos serviços domésticos ele é feminino e preto.

No ano passado, 30 trabalhadores foram localizados em situação de escravidão doméstica. “Caso de homens ocorrem quando são caseiros de sítio, mas, em geral, nem são considerados domésticos”, diz a procuradora.

Para ela, a prevalência de homens nas estatísticas de resgate denota a invisibilidade do trabalho doméstico. “A gente despertou de que existe uma forma de trabalho invisibilizada e que os casos de trabalho escravo doméstico custam a serem vistos. Tanto que, na medida em que casos se tornam públicos, as denúncias são de que “vi na TV e acho que é a situação da minha vizinha.”

Desde 1995, quando o grupo interinstitucional de combate ao trabalho escravo foi criado, 60.251 trabalhadores foram encontrados em todo o Brasil em situações análogas à escravidão, 46.779 dos quais em serviços rurais.

A partir de 2017, o sistema que inclui Auditoria Fiscal do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e Federal, Defensoria Pública e as polícias Rodoviária Federal e Federal passou a registrar também os casos de trabalho escravo doméstico, um dos mais difíceis de fiscalizar por esbarrar no direito constitucional da inviolabilidade de domicílio. Enquanto os auditores podem entrar a qualquer momento em empresas ou propriedades rurais, o mesmo não vale para as residências. É necessário ter autorização judicial, e, para pedi-la, indício de crime.

PÓS-RESGATE É MAIOR GARGALO

A política pública de enfrentamento ao trabalho escravo, prevista em um plano nacional, fala em três eixos de atuação, que são a repressão, a prevenção e o atendimento à vítima. Para a psicóloga social Yasmim França, o Brasil avançou muito no eixo repressivo, mas ainda caminha a passos lentos nos outros dois.

O trabalho no pós-resgate é igualmente importante, especialmente nos casos de trabalho doméstico. “A pessoa vivia naquela casa e ela se desterritorializou. Há então a necessidade de estimular a autonomia, expandir esse território”, diz.

Yasmim coordena o projeto Ação Integrada, da Cáritas-RJ, organização que atua no processo de acolhimento e reinserção de pessoas resgatadas e que acompanha atualmente mais de 20 famílias em processo de readaptação.

Para os casos de trabalho doméstico, ela faz um paralelo às situações de violência doméstica. “Há uma mistura de afetos, de relações íntimas. Como na violência doméstica, há a redução da rede de apoio, que fica restrita ao violentador. Por isso, em todas essas violências há importância dessa rede externa à casa, ampliada.”

As semelhanças com a violência doméstica conjugal vão além. Lys Sobral, do Ministério Público do Trabalho, diz que os procuradores têm pedido separação de corpos (liminar para que a pessoa seja retirada de casa imediatamente) com base na Lei Maria da Penha. “Há uma fragmentação na estrutura emocional dessas mulheres, é uma relação de abuso. A pessoa é leal e se sente mal de falar mal daquela família.”

Quando são idosas, elas com frequência acabam indo para abrigos públicos, onde começam a reconstruir laços comunitários. Por meio da Cáritas-RJ, trabalhadores mais jovens e urbanos podem fazer cursos. Na avaliação de Lys, o pós-resgate é um dos gargalos da política pública, hoje resumida à garantia de três parcelas do seguro-desemprego. Para as mulheres em situação de escravidão doméstica, a legislação limita o benefício a um teto de um salário mínimo.

“O trabalho doméstico ainda é um resquício da escravidão mesmo, é uma imensa maioria de mulheres, em um país muito tolerante com a violência”, diz a procuradora.

Os procuradores têm tentado, caso a caso, garantir indenizações por danos morais a essas trabalhadoras. “Para que seja ressarcido aquele dano gravíssimo, mas também dar condições materiais da pessoa seguir adiante”, afirma. “Cada vez mais se discute a necessidade de elevação do patamar dessas indenizações.”

Nos casos de trabalho escravo doméstico, a indenização é, com frequência, a única possibilidade de aquela mulher tomar algum controle da própria vida, pois é comum que percam outros laços sociais e familiares. Em casos que se tornaram públicos, procuradores brigaram na Justiça por outras soluções.

Madalena Giordano, de Minas Gerais, ficou 38 anos sob exploração por uma família e foi resgatada no fim de 2020. O apartamento em que viveu com a família agora é dela, diz Lys. A trabalhadora também tinha sido obrigada a casar com um militar. Por anos, a família se apropriou da pensão recebida por ela após a morte do marido – mais de R$ 8.000. Hoje, esse valor também é dela. Em outro caso, de uma mulher resgatada em um bairro de classe alta em São Paulo, a empregadora da antiga patroa da idosa mobiliou uma casa e bancou um ano de aluguel para que ela pudesse refazer a vida.

“No trabalho escravo doméstico, temos pedido até mesmo pensionamento vitalício porque, dependendo da idade, vai ser difícil conseguir renda. Quando a família empregadora não pode pagar um valor global de indenização, então que seja pago mês a mês.”

Lucas Reis, da auditoria do trabalho, também defende que a política pública vá além da questão financeira. “O ideal seria uma política transversal.”

As ações para o atendimento aos resgatados estão previstas no Fluxo Nacional de Atendimento às Vítimas de Trabalho Escravo, organizado a partir da Conatrae (Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo), ligada à pasta dos Direitos Humanos.

Estados e municípios também organizam suas próprias comissões e fluxos, de acordo com as estruturas de assistência social disponíveis. A definição desses protocolos é importante porque cabe aos órgãos federais a fiscalização, e aos Ministérios Públicos, as ações judiciais, mas são os municípios que precisam abrir vaga em abrigos e incluir essas pessoas na rede de assistência.

Na capital paulista, projeto de lei apresentado no fim de 2022, por meio da Rede de Promoção do Trabalho Decente e da Comissão Extraordinária de Direitos Humanos da Câmara de São Paulo, pretende reforçar a política pública municipal do pós-resgate com a concessão de benefícios como a gratuidade no transporte público por seis meses.

O texto já recebeu parecer favorável nas comissões e prevê que pessoas resgatadas possam pedir o auxílio-aluguel por até 12 meses quando o município não tiver como fornecer habitação provisória para ela e para sua família.

Na Bahia, dois projetos-piloto tentam atacar a insuficiência da política pública por um outro viés. Famílias resgatadas em situação de escravidão serão assentadas em fazendas de base agroecológica (onde o cultivo orgânico e coletivo são prioridade).

Os programas já estão em execução e, segundo um dos idealizadores, o professor da Faculdade de Economia da UFBA, Vitor Filgueiras, passam no momento por questões burocráticas, mas já têm orçamento completo.

Inicialmente,70 famílias deverão ser atendidas em duas regiões: Una e Aracatu. São pessoas resgatadas do trabalho rural escravo. A ligação com a vida no campo acaba fazendo com que muitos voltem às fazendas depois de não encontrar trabalho nas cidades. “Você não quebra o ciclo do trabalho escravo sem fazer com que as pessoas tenham autonomia”, diz o pesquisador.

‘HOJE EU SOU VISTO’

Da casa onde mora, no Ceará, João mostra para a câmera sua carteirinha do Coren (Conselho Regional de Enfermagem). “Essa é a minha profissão, olha, sou técnico de enfermagem.”

Com 29 anos, João está feliz. Há seis meses, trabalha em um laboratório. O emprego, e mais do que ele, a profissão, é motivo de orgulho para o cearense. “Quando voltei [para o Ceará], não sabia o que eu queria, mas acabei gostando. Antes eu não tinha uma profissão. Hoje eu sou técnico de enfermagem. Meus colegas me elogiam”, diz.

Agora, João faz planos de viajar. Uma ida à praia com os amigos é um dos desejos. Outro é voltar ao Rio, cidade onde viveu por quase três anos e da qual conheceu apenas os arredores do restaurante em que trabalhou, no centro. A rotina que segue hoje em dia é muito diferente da que levava até o início de 2019, quando foi resgatado por uma operação de fiscalização. Até aquele dia, não imaginava que a situação que vivia fosse ilegal, ou mesmo que aquilo era considerado trabalho escravo. Alguns colegas diziam que “aquilo estava errado”, mas João não tinha dimensão do crime do qual era vítima.

O trabalho começava às 7h e seguia até as 17h, de segunda a segunda. Folgas eventuais eram concedidas em apenas um período do dia, de manhã ou à tarde. Entre os colegas com quem dividia uma casa – locada pelo dono do restaurante -, ele ainda tinha o privilégio de ter o registro em carteira.

O verniz legal não se estendia aos direitos. Não recebia vale-transporte, horas extras ou descanso semanal remunerado. Também não tinha horário de almoço. No alojamento pago pelo empregador, não havia banheiro, portas e geladeira. No restaurante, fazia de tudo: atendia mesas, era caixa, preparava saladas, limpava o salão. Até cano estourado consertou.

“Agora eu tenho escala. Dá para sair, se divertir. No Rio era só trabalho, trabalho, trabalho. Eu tinha curiosidade de conhecer aquele Museu do Amanhã, o Pier Mauá”, diz. João trabalhava próximo a esses importantes pontos turísticos, que também estão na zona central do Rio.

Se pudesse dar um recado a quem desconfia da legalidade de um trabalho, João diz que pediria que as pessoas denunciem. “A pessoa fica traumatizada, né? Que elas possam se libertar dessa situação. Hoje eu saio, hoje eu posso sair, encontrar meus familiares. Hoje eu sou valorizado, sou visto.”

HERANÇA COLONIAL

Para o auditor fiscal do trabalho Lucas Reis, o trabalho escravo contemporâneo é uma espécie de continuação da escravidão colonial. “A abolição ocorreu apenas legalmente e é muito recente. O Brasil ainda não reparou 380 anos de escravidão. Há muitos resquícios desse período, e a escravidão é uma delas”, afirma.

A pobreza e a miséria são dois combustíveis para a exploração de trabalhadores em níveis considerados degradantes. Há um tipo de retroalimentação: na miséria, os trabalhadores ficam mais vulneráveis a aceitar trabalhos exaustivos que garantam o mínimo para a sobrevivência, e, em condições sempre ruins, esses trabalhadores nunca deixam a miséria. “É um terreno muito fértil. Às vezes a pessoa precisa se submeter para pode comer, sobreviver, morar.”

A definição de “reduzir alguém a condição análoga à de escravo” vem do artigo 149 do Código Penal. O texto legal diz que isso pode acontecer tanto no trabalho forçado quanto em jornadas exaustivas, seja porque o trabalhador foi sujeito a condições degradantes, seja porque teve sua locomoção restringida pelo empregador ou preposto.

A pena prevista é de dois a oito anos de reclusão e multa. No âmbito trabalhista, as ações costumam pedir indenização por danos morais individuais, por danos coletivos e o recolhimento de todas as verbas trabalhistas.

OUTROS OLHARES

CORPOS GORDOS, POLÍTICOS E LIVRES

Pessoas com sobrepeso lutam por lugar no mundo, contra preconceito e vão à Justiça combater gordofobia

Com mãos trêmulas e o olhar atento, a consultora de imagem Amanda Souza, de 35 anos, esperou pelo momento em que veria, pela primeira vez, o homem por quem se apaixonou às cegas, em um reality show da Netflix. A esperada cena romântica duraria poucos minutos. O script fugiu do controle, o match não aconteceu e a repercussão se eternizou.

“É sempre decepcionante saber que, mesmo no pior cenário imaginado pela outra pessoa, ela nunca espera uma parceira gorda. O preconceito está em todos os lugares, nos olhares e nos “elogios” ofensivos”, diz Amanda que, na quinta-feira, revisitou a história em meio ao burburinho da Vila Madalena, em São Paulo, ponto de confluência de uma grande diversidade de corpos. A gordofobia pode ter sido o muro que se ergueu entre os dois. O noivo pôs fim ao romance porque, mesmo apaixonado, não aguentaria o “rojão”. “Ela não é nada parecida com o que já lidei na minha vida”, disse. A especulação sobre o que o levou a desistir do casamento, acertado às cegas e negado ao vivo, desencadeou uma grande discussão sobre o alcance do preconceito estético, que ganha dimensão política com o surgimento de ONGs voltadas para o tema e bandeiras levantadas até por entidades médicas.

Com um caráter estrutural, assim como racismo, a gordofobia está em relacionamentos, dentro de casa, no trabalho, no lazer ou simplesmente no olhar, às vezes, indisfarçavelmente contrariado do outro para alguém fora dos padrões impostos pela ditadura da magreza. O preconceito disseminado pode ter outras consequências práticas sérias como a exclusão do mercado de trabalho ou mesmo a morte, em casos em que até hospitais não estão preparados para atender pacientes com obesidade.

Ex-profissional do mercado financeiro, Amanda não tem dúvidas de que, pelo menos uma vez, perdeu uma boa oportunidade de carreira por causa de sua aparência. As muitas perdas contabilizadas por pessoas que não se encaixam em modelos estéticos e os ataques, ora velados, ora escrachados, provocaram, nos últimos anos, uma explosão de ações judiciais nunca vista no país.

‘BOOM’ DE AÇÕES NA JUSTIÇA

De acordo com o Data Lawyer, desde 2014 o Brasil registrou 688 processos não sigilosos envolvendo gordofobia que tramitam em varas federais e trabalhistas. Desse total, 87% foram abertos a partir de 2020. Embora não haja uma lei específica para o tema, alguns tribunais enquadram os casos como injúria e assédio moral.

O problema é gigante e potencialmente pode atingir mais da metade da população brasileira. Dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas indicam que, em 2021, 57,25% dos brasileiros a estavam com o peso acima do considerado ideal pelo Índice de Massa Corporal (IMC).

São essas pessoas, sobretudo mulheres, que cada vez mais são acuadas por uma ideia de meritocracia social em que aprendem, desde crianças, que só as meninas magras e que se exercitam são inteligentes, alegres, bonitas e merecem ser respeitadas. Atitudes   gordofóbicas acontecem, em geral, com plateias. Muitas vezes, o assédio vem disfarçado de elogios a ou preocupação com bem-estar. Há pesquisas que sugerem, por exemplo, que há nuances nas reações negativas a um corpo gordo e que elas dependem do peso — ou seja, uma pessoa de 90 quilos não provoca tanto espanto quanto uma de 130, o que comprovaria que a preocupação nunca foi com a saúde.

A fotógrafa Flaviane Oliveira, de 37 anos, sucumbe a gatilhos ao lembrar do comentário que a deixou arrasada quando foi se vacinar contra a Covid, no que deveria ter sido um dos dias mais felizes de sua vida. Com comorbidades e sempre sob acompanhamento de médicos e nutricionistas, Flaviane, que usava máscara, ouviu de uma enfermeira que “ela parecia bonita”, mas precisava cuidar da saúde.

“Na hora, eu não tive reação. Quando entrei no Uber, eu desabei”, admite. “Como alguém se sente apta a me dar um diagnóstico somente por olhar meu corpo?

Nos anos 1990, a OMS passou a tratar a obesidade como uma epidemia mundial. Mas o alerta passou a ser usado, muitas vezes, para legitimar velhos preconceitos. Uma pesquisa da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) mostra que oito em cada 10 pessoas com sobrepeso já foram vítimas da gordofobia. O estudo ouviu mais de 3,6 mil pessoas. Setenta e dois por cento delas foram alvo de preconceito dentro de casa; 65,5%, em estabelecimentos comerciais; 63%, de amigos; 60,4%, em consultas médicas; e 54,7%, no ambiente de trabalho.

Episódios como o de Flaviane têm feito médicos repensarem suas abordagens. No país, há 18 milhões de pessoas obesas e, se consideradas todas que estão “acima” do peso, o número salta para 70 milhões. A cada ano, 2 milhões de novos casos são registrados. A eventual associação de problemas de saúde à obesidade não dá a médicos e a profissionais de saúde o direito de submeter seus pacientes a julgamentos degradantes ou a usar adjetivos negativos ao tratar de seus corpos.

“É preciso evitar frases como “você está muito gordo”, “é desleixado”. O ideal é perguntar a pessoa sobre a percepção dela acerca de seu peso e se isso a preocupa”, ensina Lúcia Cordeiro, endocrinologista e membro da SBEM, destacando que denúncias podem ser feitas a ouvidorias de hospitais. “O preconceito é muito danoso. Pois reduz a autoestima e aumenta a ansiedade, um gatilho que afeta a alimentação”.

Logo no início do ano, Andréia da Silva gritava por socorro na porta do Hospital Geral de Taipas, na Zona Norte de São Paulo. Ela tinha visto o filho morrer após ter sido recusado em seis hospitais numa busca frenética por atendimento pelo sistema único de regulação. Nenhuma unidade tinha maca para atender Vitor Augusto de Oliveira, de 25 anos, que pesava 190 quilos. O Ministério Público do Estado de São Paulo abriu inquérito contra as secretarias de Saúde do estado. Vitor não resistiu a três paradas cardíacas.

“Estou orando a Deus para me dar discernimento”, fala Andréia, na única frase que conseguiu balbuciar enquanto vive o luto.

GORDA NA LEI

Em novembro do ano passado, a modelo brasileira e influenciadora digital plus size Juliana Nehme, de 38 anos, denunciou que a Qatar Airways a impediu de embarcar num voo do Líbano para o Brasil por “ser gorda demais”. A companhia exigia, segundo ela, que fosse comprada uma passagem executiva de US$ 3 mil (cerca de R$ 15 mil) ou mais duas passagens normais para “caber no assento”. A Qatar nega a acusação. Quase dois meses depois, a modelo evita relembrar o caso. Juliana obteve uma liminar judicial em que a empresa fica obrigada a pagar a ela, durante um ano, R$ 400 por sessões de terapia. Ainda cabe recurso contra a decisão.

“Na luta contra a gordofobia, é uma importante vitória”, afirma Eduardo Barbosa Lemos, advogado da influenciadora.

A batalha coletiva continua. De acordo com o Data Lawyer, apenas 2% dos processos desde 2014 foram favoráveis às vítimas. Cerca de 33,38% das denúncias favoreceram parcialmente denunciantes. As comarcas de Minas Gerais e São Paulo concentram o maior número de reclamações.

Para defender vítimas da gordofobia, Rayane Souza e Mariana Vieira de Oliveira criaram o Gorda na Lei. Segundo Rayane, em média, 70 pessoas as procuram todo mês. A ativista teve a ideia do projeto quando foi vítima de cyberbullying dentro da Faculdade de Direito. Ela descobriu, por acaso, que suas fotos eram ridicularizadas num grupo de WhatsApp criado por outros alunos.

“Só fiquei sabendo porque uma dessas pessoas saiu do grupo e me pediu perdão. Sou ativista anti gordofobia. Esse movimento é essencial para a sociedade perceber que não cabe mais naturalizar certos comportamentos. Pessoas gordas têm se empoderado e isso faz com que cresça a busca por direitos”, observa. “Nosso objetivo é incluir ainda a demanda de acessibilidade, mostrar como as ofensas afetam a vida de pessoas gordas e criminalizar o preconceito.

GESTÃO E CARREIRA

COMO AS SOLUÇÕES DE VIDEOCONFERÊNCIA IMPACTAM O FUTURO DO TRABALHO

Se durante a pandemia as telas foram protagonistas nos ambientes de trabalho, é certo que mesmo com o retorno ao presencial, as soluções de videoconferência e colaboração continuarão liderando transformações na sociedade. Seja no escritório ou no atendimento ao público, a oferta de equipamentos de videoconferência touchscreen e all-in-one ultrapassaram o uso restrito às reuniões online e já se consolidam como uma alternativa efetiva e econômica para diversos cenários

Para quem ainda não está familiarizado com as soluções, basta imaginar que com apenas um toque é possível realizar uma videoconferência ou uma ligação, sem a necessidade de webcams, monitores extras, alto-falantes ou telefones de mesa, e ainda utilizar a tela como um quadro em branco para realizar anotações. Simples, não? Em muitos escritórios esta já é a realidade. Contudo, a tendência é que estes equipamentos saiam da sala de reunião e adentrem no varejo, no setor de saúde, estacionamentos, e onde mais a conectividade seja um diferencial.

Imagine encontrar uma promoção de vinhos no supermercado, mas não saber qual o melhor rótulo levar para a casa. Com uma pequena tela na prateleira é possível se conectar com um sommelier a distância e tirar dúvidas. Outro exemplo, gostaria de ouvir um especialista antes de comprar um novo smartphone? Conecte-se com um vendedor especializado que ainda pode exibir vídeos durante o atendimento em tempo real. Já em hospitais, a solução pode ser utilizada na hora da triagem ou no acompanhamento de exames em tempo real pela equipe médica.

No entanto, até mesmo dentro dos escritórios, soluções de videoconferência e colaboração – como a DTEN, marca de nosso portfólio vem apresentando – também podem ir além das reuniões. Na nova dinâmica de trabalho híbrido, as telas touchscreen podem ser utilizadas pelos colaboradores para fazer um check-in e visualizar quais as estações de trabalho estão disponíveis, ou até mesmo para ter acesso às vagas do estacionamento que estão liberadas e até que horas ficarão livres. A mesma dinâmica serve para outras reservas – de armários na academia à churrasqueiras em clubes.

O que está no horizonte é que a modernização de qualquer ambiente passa pelas telas, mas isso não significa um desafio para conectar milhares de dispositivos, fios e plataformas: com apenas uma solução inteligente é possível dar conta de uma profusão de cenários. O usuário cada vez mais digitalizado impõe novas necessidades, mas a tecnologia nos brinda com caminhos mais efetivos e simplificados. O futuro será conectado, mas também será plug-and-play.

VERA THOMAZ – Head of Sales da Unentel Distribuição

EU ACHO …

FELIZ POR NADA

Geralmente, quando uma pessoa exclama “Estou tão feliz!”, é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.

Digamos: feliz porque maio recém começou e temos longos oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém lhe elogiou. Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.

Esquece. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.

Feliz por nada, nada mesmo?

Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza. “Faça isso, faça aquilo”. A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?

Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando “realizado”, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma. Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.

Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.

Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto?

A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.

Ser feliz por nada talvez seja isso.

MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

SUOR EM EXCESSO TRAZ CONSTRANGIMENTO, MAS TEM DIVERSAS SOLUÇÕES

Tratamentos vão de produtos tópicos às injeções de toxina botulínica, a depender do grau de sudorese do indivíduo

Frio ou quente, sem motivo aparente, as famosas “pizzas”, ou bolsas de suor, surgem debaixo da manga de camisas e camisetas. Em casos mais graves, pode até pingar das mãos. A hiperidrose ou sudorese anormal e excessiva, que não necessariamente está relacionada a altas temperaturas, afeta a qualidade de vida de quem sofre com ela. No verão, os incômodos podem ainda ser potencializados, afetando os hábitos e o cotidiano. Embora não seja considerada uma doença, dependendo do transtorno que causa a sudorese, é recomendado a ida ao médico especializado para tratá-la, e assim resolver um problema que pode se tornar social.

Segundo a Mayo Clinic, “a hiperidrose ocorre pelo menos uma vez por semana, durante o dia. E a transpiração geralmente ocorre em ambos os lados do corpo”. A recomendação de consultar um médico aplica-se quando “o suor perturba a rotina diária; causa sofrimento emocional ou retraimento social”.

O cirurgião plástico Raúl Banegas, membro da Sociedade Argentina de Cirurgia Plástica, Estética e Reconstrutiva (SACPER), esclarece que a hiperidrose focal primária ocorre quando suamos mais do que o normal, não em todo o corpo, mas de maneira concentrada nas axilas e/ou mãos e/ou solas dos pés e não tem causa, por isso é dito primário.

“Às vezes são secundários a outras doenças muito mais graves, como um processo tumoral maligno”, diz.

Certas doenças e alguns medicamentos podem desencadear a transpiração excessiva. Por isso, explica o dermatologista Christian Sánchez Saizar, “a primeira recomendação começa com a obtenção de um diagnóstico que o dermatologista fará, para ver que tipo de hiperidrose o paciente tem”.

Banegas cita um estudo realizado pela Academia Americana de Dermatologia, segundo o qual a hiperidrose atinge 2% da população e que sua versão primária representa mais de 90% dos casos.

“Ela não está diretamente relacionada à temperatura ambiente, ocorre por excesso de estímulos nervosos e aumenta com o estresse emocional”, explica.

Trata-se de uma funcionalidade exagerada das glândulas sudoríparas, que tem respostas excessivas, sejam por fatores emocionais ou térmicos. A hiperidrose focal é mais comum em adolescentes e jovens. Embora não seja uma doença, é uma alteração de grande impacto na vida.

“Conheço casos, por exemplo, de violonistas que não conseguiram tocar bem o instrumento porque a mão escorrega. Há pessoas que não conseguem segurar uma raquete ou não podem praticar um esporte como o golfe. Existem casos de hiperidrose palmar em que há dificuldade em apertar as mãos, porque a outra pessoa tem uma sensação fria e molhada. É algo incapacitante socialmente”, descreve Banegas.

O desconforto transcende o aspecto social, pois também pode complicar o cotidiano profissional.

“A transpiração nas mãos pode molhar o papel e dificultar o manuseio dos materiais, causando constrangimento e desconforto”, acrescenta Sánchez Saizar.

A hiperidrose axilar tem outras conotações sociais, não pelo cheiro – geralmente não há – mas pelo desconforto causado por camisetas e outras roupas visivelmente molhadas de suor.

“Já ouvi casos de pacientes que me disseram que gostaram de uma camiseta e compraram duas iguais. Então, eles iriam para uma festa com as duas, uma vestida e a outra na bolsa, e no meio do evento pediriam permissão para ir ao banheiro trocar a que já estava completamente encharcada pela seca”, relata o cirurgião.

Devido às constantes manchas de suor nas roupas, as pessoas acometidas pela hiperidrose muitas vezes se vestem apenas de preto. No caso de afetar os pés, o desconforto ocorre, sem dúvida, ao calçar os sapatos.

Para resolver o problema existem diferentes alternativas. É aconselhável progredir dos tratamentos menos aos mais complexos. Primeiro, vem a aplicação de produtos tópicos, como loções com sais de alumínio. De acordo com Sánchez Saizar, essa é a opção preferencial para os mais jovens, “antes de se recorrer a um tratamento minimamente invasivo”.

São produtos vendidos sob prescrição médica, que devem ser verificados periodicamente pelo especialista.

“Esses produtos são amplamente utilizados em desodorantes graças aos seus efeitos antitranspirantes. Os sais bloqueiam o duto de suor e impedem que ele escape para a superfície da pele. Devem ser indicados e supervisionados por um médico”, destaca o dermatologista.

OUTRAS OPÇÕES

Caso a alternativa tópica não tenha dado os resultados esperados, é indicada a aplicação de radiofrequência fracionada com microagulhas, em consultório. Por fim, pode-se recorrer à toxina botulínica, o popular botox.     

“O que se faz nesses casos é a aplicação da toxina botulínica na derme, que é justamente onde estão as glândulas sudoríparas. A toxina interfere nos comandos dados pelas terminações nervosas ao receptor da glândula. Então, ela para de funcionar, simplesmente porque a comunicação está cortada”, explica Banegas.

Sánchez Saizar acrescenta que a aplicação tem excelentes resultados em apenas uma sessão de menos de meia hora. A chave é a consulta médica para decidir, de acordo com o grau da patologia, a melhor opção de tratamento.

O indivíduo que pode fazer o tratamento com toxina botulínica é aquele que se sente afetado socialmente pela sudorese. Ele pode ser usado a partir da adolescência e a duração é bem maior do que para rugas dinâmicas. O efeito perdura entre seis e oito meses, em algumas pessoas um pouco mais.

“O tratamento costuma ser feito uma vez ao ano, principalmente no verão, quando é mais incômodo, mesmo que no inverno quem sofre dessa patologia também precise tratá-la. Embora a hiperidrose seja geralmente acentuada durante o verão e como resultado do estresse emocional, às vezes esses pacientes suam o tempo todo sem nenhum fator desencadeante óbvio”, afirma Saizar.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

UM QUER E O OUTRO, NÃO: QUANDO A DECISÃO DE (NÃO) TER FILHO SEPARA O CASAL

Caso do humorista Fábio Porchat, que anunciou divórcio recentemente, reforçou o debate sobre o tema. Escolha demanda honestidade com o parceiro, dizem especialistas

No mês de janeiro, o humorista Fábio Porchat anunciou o término do seu casamento com a produtora cinematográfica Nataly Mega após oito anos de relacionamento. Segundo ele, o motivo foi a divergência entre os dois sobre o desejo de ter filhos. Enquanto o ator não se vê como pai, o que ele já manifestou em várias declarações públicas, Nataly teria o sonho de ser mãe.

A psicanalista Natália Marques diz que esse tipo de situação é mais comum do que parece. Isso porque, se décadas atrás muitas pessoas acabavam tendo filhos sem refletir muito sobre o assunto, hoje esse tipo de decisão se tornou cada vez mais planejado, em especial entre pessoas de classe média a alta, que têm investido mais em autoconhecimento.

A consultora de imagem Priscila Citera, de 42 anos, é um exemplo. Ela tinha 30 anos e estava casada havia oito quando percebeu que não queria aumentar a família, ao contrário do então marido. “Já estávamos juntos tinha um bom tempo e entendemos que era a hora de ter filhos. Parei de tomar o remédio que evita gravidez, mas, toda vez que eu menstruava, ele ficava triste e eu me sentia aliviada”, diz.

“Percebi que tinha algo de errado e comecei a trabalhar isso na terapia. Com o tempo, percebi que aquele não era um sonho meu de verdade. Eu só naturalizei porque a sociedade dizia que, depois de casados, a gente deveria ter filhos”, afirma Priscila.

Ela decidiu, então, terminar o relacionamento, mas optou por não revelar ao ex o real motivo. Priscila diz que, influenciada pelo pensamento machista dominante de que toda mulher deve sonhar com a maternidade, ela se sentiu uma pessoa egoísta por ter tomado essa decisão.

ESCOLHA

Para a psicóloga Gabriela Luxo, a maternidade ou a paternidade deve ser uma escolha tomada não só em casal, mas também individualmente e após muita reflexão, afinal, tem grande impacto na vida das pessoas. Em alguns casos, pode ser interessante procurar sessões de psicoterapia para se conhecer melhor.

“A chegada de uma criança muda completamente a rotina. Quando a pessoa tem um filho sem querer realmente, ela vai passar por uma série de questões emocionais para lidar com a sensação de mudança e de frustração em relação às coisas que podiam ser feitas antes, sem a criança, e que depois não podem mais”, diz.

As duas especialistas escutadas pela reportagem ressaltam ainda que tomar esse tipo de decisão por pressão de outras pessoas – seja do parceiro romântico, da família ou da sociedade, de forma geral – cria problemas não só para a pessoa que tomou a decisão, como também para a criança e para o casal.

“A pessoa que não quer genuinamente ter filhos não vai conseguir dar o carinho e a atenção que gostaria para a criança e pode até se sentir culpada por isso”, diz Natália. “Isso pode afetar a autoestima da criança ao passo em que ela se sente indesejada”, aponta Gabriela.

Ao mesmo tempo, segundo Natália, o companheiro que queria ter filhos tende a ficar frustrado ao longo do tempo, pois o seu real desejo era de que o outro quisesse a criança tanto quanto ele – algo que está fora do controle de ambas as partes. A tendência é que, mesmo inconscientemente, a pessoa que cedeu (seja tendo filho sem querer, seja deixando de tê-lo para se adaptar ao desejo do outro) culpe o parceiro por estar vivendo algo que não gostaria. Com o tempo, isso produz ressentimento e tende a afastar o casal. Priscila concorda com as especialistas. “Só tive coragem de contar para o meu ex-marido o real motivo pelo qual decidi terminar depois de alguns meses. Na época, ele chegou a dizer que, se eu tivesse falado a verdade, ele teria aceitado não ter filhos para ficar comigo, mas respondi que mesmo assim não daria certo”, afirma.

ADOÇÃO

Isabella Silva, advogada de 29 anos, também terminou um relacionamento amoroso por não ter o mesmo desejo que a ex-companheira em relação a filhos. Ela conta que as duas sabiam dessa divergência desde o começo do relacionamento, mas não se preocuparam com isso inicialmente porque ambas queriam “aproveitar o momento”.

“Depois de dois anos, essa vontade de ser mãe foi aumentando dentro dela e um dia ela chegou para mim dizendo que tinha começado a pesquisar sobre adoção e que queria já entrar com a papelada”, conta Isabella. “Eu me senti pressionada e muito ansiosa.”

As profissionais recomendam também honestidade no diálogo com o parceiro. Se o plano de ter filhos está completamente descartado, vale a pena conversar sobre isso com o companheiro abertamente.

OUTROS OLHARES

USO DE TELAS PODE SER A RAZÃO DO AUMENTO DE CASOS DE MIOPIA

O problema está na forma e frequência, já que em muitos casos os equipamentos são usados por longos períodos e bem perto dos olhos

Em uma pessoa com a visão normal, os raios de luz passam pela córnea, atravessam a retina e se juntam para formar a imagem no fundo do olho. No entanto, naqueles que convivem com a miopia, a imagem é formada antes de a luz atingir a retina. É como se elas tivessem um globo ocular mais “longo”. E isso causa uma dificuldade maior para enxergar com nitidez aquilo que está distante dos olhos.

A condição é cada vez mais recorrente entre os jovens. De 2019 a 2022, foi registrado um aumento de 134% nos casos de miopia entre crianças e adolescentes de até 19 anos em São Paulo, de acordo com dados da Secretaria Municipal da Saúde. Em nível nacional, levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) confirma essa tendência: sete em cada dez oftalmologistas relatam alta de miopia entre esse público. Segundo especialistas, a pandemia de covid-19 é o principal motivo do crescimento.

LUZ

O uso de telas é outro agravante. Ainda que seja comum acreditar que a luz emitida pelas telas cause a miopia, esse não é o motivo. “Não existe comprovação que a luz emitida por celulares ou computadores cause danos aos olhos”, afirma a oftalmologista.

De acordo com ela, o efeito desse tipo de luz está relacionado ao ritmo circadiano, que é o ciclo de funções biológicas dos seres humanos no período de 24 horas. A exposição às telas em determinados momentos, como antes de dormir, pode atrapalhar a sincronização do organismo ao ciclo e prejudicar o sono. Dessa forma, a relação entre as telas e a miopia não está no uso em si, mas na forma e frequência em que é feito.

Em geral, tablets, computadores e celulares são utilizados por longos períodos e bem próximos aos olhos. E esse é o problema. “Quando olhamos para perto, estimulamos um movimento do olho chamado acomodação”, explica. A função desse movimento é preparar os olhos para enxergar com nitidez aquilo que está próximo. “Porém, se você estimula muito essa acomodação, há maiores possibilidades de miopia.”

SINAIS

Na pandemia, quando a sala de aula e as conversas com os amigos migraram para o ambiente digital, não teve como João Miguel, de 7 anos, fugir das telas. “Ele assistia às aulas pelo celular e computador e, como as telas estavam próximas, não tinha dificuldade para enxergar”, conta sua mãe, Dayane Santos. A confirmação para miopia foi por acaso. “Um dia, brincando na piscina, ele bateu o olho e machucou. Foi só aí que eu o levei ao oftalmologista”, diz Dayane. Na consulta, ela descobriu que o filho estava com 4,5 graus de miopia.

Ainda que não tenha sido o caso de João, existem fatores que podem indicar a presença da miopia entre os pequenos. “Crianças míopes costumam ser mais inquietas e com dificuldade para desenvolver algumas atividades escolares”, indica Leôncio Queiroz, médico oftalmologista do Instituto Penido Burnier, em Campinas. “Elas podem entortar a pescoço na tentativa de enxergar melhor, se aproximam da televisão ou se queixam de dores de cabeça”, completa.

De qualquer forma, com indícios ou não, a recomendação é que toda criança faça visitas periódicas ao oftalmologista. As diretrizes da SBOP indicam que, entre 6 e 12 meses, já podem ser realizados os exames oftalmológicos de rotina e, depois, entre 3 e 5 anos. “Até porque, por não ter referências, a criança não sabe dizer que não está enxergando bem ou que vê embaçado”, pondera Queiroz. Realizando o exame, é possível identificar a presença da condição.

Fatores hereditários também podem ser sinal de alerta, como foi para Aline de Melo, de 40 anos, mãe de Luiz, de 14. “Aos 6 anos, o Luiz começou a reclamar de dor de cabeça. E como eu e todos os avós maternos e paternos dele usamos óculos, achei que era uma boa idade para levá-lo ao oftalmologista”, diz. “Ele se adaptou bem aos óculos, que é a última coisa que ele tira antes de dormir e a primeira coisa que coloca ao acordar. Ele é muito disciplinado.”

TRATAMENTO

Seja aos 7 anos, como João, ou aos 14, como Luiz, o objetivo do tratamento da miopia é estabilizar o grau. Por isso, o primeiro passo é realizar exames com o oftalmologista, que vão identificar o grau da criança. Após 6 meses, se houver a progressão do grau, o tratamento é iniciado. Uma das opções de controle mais utilizadas são as lentes, que têm a função de corrigir a visão e retardar a progressão.

“O sucesso do tratamento não é a redução do grau, mas é ele não aumentar. Em geral, eles reduzem em quase 70% a progressão”, diz. Luiz, no entanto, iniciou com grau menor, mas teve progressão ao longo do tratamento. “Ele começou a usar óculos para corrigir 0,5 grau de miopia. As dores de cabeça pararam e ele passou a enxergar bem”, conta Aline. Mas hoje o jovem já está com 6 graus. “A expectativa é de que, completando 18 anos e estabilizando a miopia, ele possa operar.”

No caso da cirurgia, o objetivo é mudar a curvatura da parte anterior do olho, chamada de córnea, para que as imagens sejam formadas com mais precisão. “Após a cirurgia, as pessoas passam a não precisar mais de óculos, mas ela só é indicada para maiores de 18 anos, com grau estável e que não seja muito alto”, explica a oftalmologista Júlia.

No caso de João, por ser diagnosticado com um grau bastante alto, foi necessário fazer o uso das lentes de contato específicas para miopia. A adaptação foi difícil no começo. “Ele se sentia incomodado quando a gente ia colocar a lente, mas agora já se adaptou, mesmo sendo eu quem coloca, porque ele não sabe colocar sozinho”, afirma Dayane.

Há, ainda, outra linha de tratamento, que é o uso de colírios que agem em diferentes partes do olho. “O mecanismo exato pelo qual o colírio reduz a progressão da miopia não é esclarecido, mas sabemos que algumas ações do medicamento ajudam na estabilização”, explica Júlia. Essas ações incluem a redução da acomodação – aquele movimento do olho ao focar em objetos próximos – e estímulo à liberação de dopamina.

Para Júlia Rossetto, oftalmologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP), dois comportamentos das crianças na pandemia explicam o aumento: mais tempo em frente às telas e menos tempo fora de casa. “A luz solar, em contato com a retina, estimula a produção de hormônios, como a dopamina, que inibe o crescimento ocular”, diz. Dessa forma, além de reduzir as possibilidades de miopia, atividades em ambientes externos também podem diminuir a progressão de grau daqueles que já possuem a condição.

RECOMENDAÇÕES PARA USO DE CELULARES POR IDADE

Confira as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) para o uso de telas entre crianças e adolescentes, para reduzir as probabilidades de problemas de visão e melhorar a qualidade do sono.

MENORES DE 2 ANOS

Não é indicado o uso de telas, mas chamadas de vídeo estão liberadas.

DE 2 A 5 ANOS

O ideal é não ultrapassar 1h diária de uso, e sempre com um adulto por perto.

DE 6 A 10 ANOS

No máximo 2h por dia, também com supervisão.

A PARTIR DOS 10 ANOS

O limite é de 3h por dia, evitando a utilização à noite, que pode atrapalhar o sono e torná-lo mais agitado.

TODAS AS IDADES

Prefira as maiores telas, com maiores distância. Se for usar tablet ou celular, manter a distância de um braço adulto do aparelho ao rosto. Não usar durante as refeições e 2h antes de dormir.

OUTROS OLHARES

EPIDEMIA DE DROGAS Z, PARA INSÔNIA, GERA DEPENDÊNCIA E SONAMBULISMO

País tem alta de vendas de medicamento diante de facilidade de acesso e resistência a mudanças

Um vídeo postado numa rede social no final de dezembro fez soar um alerta entre os amigos de Matias (nome fictício). Era o registro de um inusitado passeio na chuva pela orla do Rio de Janeiro, narrado com uma voz estranhamente embargada.

“Eu tomei um zolpidem de tarde porque estava muito ansioso e queria dormir, mas fiquei mexendo no celular; e essa é a última lembrança que eu tenho daquele dia”, conta o estudante de administração de 22 anos, que foi resgatado por um amigo e levado para casa.

Zolpidem é o nome de um dos medicamentos hipnóticos indicados para insônia cujas vendas explodiram no Brasil nos últimos anos. Segundo a Anvisa, entre 2019 e 2021, elas cresceram 73% para a versão de 5 mg, a mesmo que Matias tomou.

Esses remédios são conhecidos como drogas z, em razão dos nomes que as substâncias receberam: zolpidem, zopiclona (ou eszopidona) e zaleplona. Ingeridos durante qualquer atividade, promovem estados dissociados, como confusão e sonambulismo, o que coloca a pessoa em risco. E geram dependência quando usados durante longos períodos.

As redes sociais estão repletas de relatos de pessoas que, sob o efeito de zolpidem, fizeram compras extravagantes para muito além de seus recursos, deram declarações desconexas ou embaraçosas e agiram de maneira confusa ou mesmo violenta.

“As parassonias, comportamentos não desejáveis durante o sono, são um efeito colateral importante do uso de drogas Z”, explica a médica neurofisiologista Letícia Azevedo Soster, especialista em medicina do sono e coordenadora da pós-graduação em sono do Hospital Israelita Albert Einstein.

“Tem histórias de pessoas que se machucaram, que compraram coisas e que agrediram outras pessoas, com implicações forenses. É bastante perigoso”, alerta.

Diversas celebridades já culparam o zolpidem por comportamentos inoportunos. Em 2018, a atriz Roseanne Barr teve seu programa na TV americana cancelado depois de um tuíte racista que, afirmou ela, foi redigido sob o efeito do medicamento. O laboratório Sanofi, fabricante do remédio que Barr afirmava ter tomado, emitiu uma nota dizendo que “racismo não era um efeito colateral” de seu produto.

Tuítes bizarros de Elon Musk também foram creditados pelo bilionário como obra do zolpidem. Em 2017, o golfista Tiger Woods foi preso e processado após ser encontrado, desacordado, dentro de seu carro numa estrada, num efeito que atribuiu ao medicamento.

E, ainda em 2010, o ator Charlie Sheen culpou o remédio pela quebradeira que promoveu no quarto de um hotel em Nova York. “É a aspirina do demônio”, disse, um ano depois, numa entrevista.

As drogas z emergiram há cerca de 20 anos com a promessa de combater a insónia e promover um sono rápido e com poucos efeitos colaterais em comparação aos medicamentos até então disponíveis.

“Os pacientes relatam que são drogas que fazem a pessoa fechar os olhos e dormir, como se fosse um botão de desligar”, conta Soster. “A indústria vendeu essas drogas como se elas não promovessem o efeito-ressaca de outras medicações nem tivessem efeitos colaterais. Não é verdade”, alerta.

A médica aponta para riscos de problemas relacionados ao uso prolongado ou excessivo dessas substâncias.

“As pessoas estão usando cada vez maiores quantidades de drogas z porque, com o tempo, se tornam refratárias a elas. Já recebi um paciente que estava tomando 40 comprimidos por noite de zolpidem para conseguir dormir.“

Foi o caso de Marcelo (nome fictício), 19, que começou a tomar zolpidem aos 15, após o diagnóstico de ansiedade e depressão associado a dificuldade para dormir. Chegou a tomar 30 comprimidos por semana e admite ter usado o medicamento não só para dormir, mas para ter alucinações durante o período de vigília. “A cada semana, eu usava mais e mais. Passei a confundir o que era sonho com o que era realidade, vivia em atrito com a minha família, foi destruidor”, diz. Para conseguir medicação suficiente, o hoje estudante de arquitetura conta que falsificava cópias das receitas e mentia para psiquiatras.

Soster explica que, no processo de difusão de drogas z no Brasil, dois fatores são complicadores. “Primeiro, o fato de o brasileiro ser um povo que tende a ser ansioso, o que potencializa a ocorrência de problemas com o sono”, aponta.

Segundo um estudo realizado por cientistas da USP e da Unifesp e publicado na revista Sleep Epidemiology, 65% dos brasileiros relatam ter algum problema relacionado ao sono.

“O segundo é o fato de o Brasil ter um sistema híbrido de saúde, meio público e meio privado. Então, o paciente vai num sistema, recebe indicação do remédio, vai em outro, recebe também”, conta. “E como os sistemas não estão interligados, ninguém percebe essa duplicidade, que tem acontecido muito com as drogas Z, que são remédios controlados. Isso sem falar no mercado clandestino”.

A médica explica que os problemas de sono ganharam maior amplitude durante a pandemia da Covid-19, quando o gasto energético do cotidiano ficou reduzido com o distanciamento social e o aumento do uso de telas incrementou os estímulos do cérebro que nos mantêm acordados.

“Isso fez a preocupação relacionada ao sono aumentar, e essa é a base da insônia crônica. A preocupação se torna maior do que o problema em si, ativando o mecanismo de alerta e gerando o desejo de controle do sono”, explica. “As pessoas querem deitar e dormir imediatamente sem assumir as responsabilidades pelos seus próprios processos físicos necessários para isso.”

Regular o horário de dormir e de se levantar, fazer exercícios físicos regulares, expor­ se à luminosidade durante o dia, reduzir o tempo de tela de noite e cessá-lo horas antes de ir para a cama são algumas dessas responsabilidades a que Soster se refere.

“É como numa dieta: a pessoa quer emagrecer, mas não quer cortar gorduras nem carboidratos. E, então, toma um remédio para isso”.

O desejo de um controle absoluto sobre o sono com o mínimo esforço, diz ela, também está por trás da epidemia de drogas z. “Não tem absurdo maior do que tomar uma droga para dormir e outra para acordar. É isso o que está acontecendo hoje em dia.”

GESTÃO E CARREIRA

CINCO DICAS PARA SE DESTACAR NAS VAGAS E PROCESSOS SELETIVOS DE TI

Segundo um estudo realizado pela Brasscom, Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais, o mercado de vagas de TI vive um crescimento exponencial. Até 2025, as empresas de tecnologia vão demandar cerca de 797 mil talentos no Brasil.

Mas, dentre tantas vagas, existem aquelas que são as preferidas dos profissionais, e também as mais disputadas. Por isso, para conseguir a posição que você deseja, existem algumas estratégias que podem dar maior destaque à sua candidatura durante um processo seletivo.

Confira algumas dicas para se destacar nas vagas e processos seletivos de TI:

ENTENDA AS SUAS EXPECTATIVAS

Para começar, existem duas análises importantes para serem feitas: uma interna, para entender quais são os seus objetivos profissionais, e outra externa, para determinar qual é o perfil de empresa que você busca. E essa segunda análise é consequência da primeira: ter mais clareza sobre as suas expectativas vai ajudar a escolher as oportunidades certas.

Se você deseja seguir uma carreira como especialista ou na gestão de times, por exemplo, ou quer trabalhar numa startup ou enterprise, se prefere trabalho remoto ou híbrido, se planeja desenvolver-se em uma técnica específica… As possibilidades são infinitas, por isso é importante compreender o que deseja. Saber o que quer e ter clareza sobre os seus objetivos é o primeiro passo para se destacar em um processo seletivo na área de TI.

ESTUDE AS ETAPAS DO PROCESSO SELETIVO

Outro ponto importante é realmente entender as etapas do processo seletivo e qual é o papel delas na análise da empresa sobre você. Afinal, as etapas de avaliação dos candidatos são os caminhos que a empresa possui para obter uma visão mais completa sobre a sua atuação profissional.

Por isso, é comum que envolvam a junção da análise do conhecimento técnico e comportamental, que podem ser feitos por diferentes abordagens. As mais comuns são o currículo e a entrevista. Veja algumas dicas para esses dois momentos:

CURRÍCULO

Com esse documento é que os profissionais de RH vão começar a compreender a linha do tempo da sua trajetória profissional. Um erro comum é inserir apenas a empresa de atuação e não mencionar as atividades desenvolvidas.

Lembre-se de descrever melhor quais eram as suas funções nos cargos anteriores, e também as ferramentas e técnicas que você usava. De preferência, o texto deve ser claro e conciso. Não envie o mesmo currículo para todas as oportunidades, faça modelos personalizados para o escopo de cada vaga, isso vai aumentar as chances de o currículo ser selecionado.

Uma forma de personalizar é ter uma versão do CV de fácil acesso, que você pode editar sempre que precisar, pode ser em um arquivo no Google Docs ou em uma versão personalizada no Canva. Estude o escopo de atuação daquela vaga e veja o que faz sentido manter no currículo e o que pode ser retirado.

ENTREVISTA

A entrevista é o ponto alto do processo seletivo, etapa na qual provavelmente você vai construir o maior vínculo com a empresa, a oportunidade e as pessoas com quem vai trabalhar futuramente. É muito importante que você aproveite ao máximo essa oportunidade! Embora possa ser difícil, busque estar tranquilo para se apresentar como você se vê e compartilhar sua trajetória, expectativas e o que mais valoriza.

Também é na entrevista que se analisa o chamado “fit cultural’’, que pode ser explicado como a conexão entre quem está concorrendo a uma vaga e a cultura. Essa visão é essencial para entender o quanto essa pessoa poderá ser feliz na empresa, o quanto ela poderá encontrar o que busca e valoriza.

Durante a conversa, podem perguntar sobre situações vividas e como você lidou e conseguiu resolver.

Nesse cenário, as chamadas “soft skills”, também compreendidas como habilidades pessoais, ganham cada vez mais destaque. Por exemplo, capacidades socioemocionais, pois cada colaborador lida com a pressão e as obrigações de forma diferente. Entender isso ajuda a criar um ambiente mais saudável para todos. Profissionais que apresentam uma distância muito grande entre os pilares de habilidades técnicas e comportamentais podem ter um desafio maior no processo de desenvolvimento. Quanto mais os dois forem desenvolvidos, mais sustentável será o crescimento.

Por isso, o conhecimento técnico é importante, mas também a capacidade de comunicar e compartilhar esse conhecimento com os colegas. Para compreender os valores e a cultura organizacional da empresa que oferece a vaga, confira as redes sociais e site oficial dela.

PREPARE-SE PARA O PROCESSO SELETIVO

Tenha uma organização dos processos seletivos para os quais está se candidatando. Quanto mais você souber sobre a vaga e a empresa, e demonstrar entendimento sobre qual vaga está concorrendo, maior será a conexão e a possibilidade de compreender as expectativas.

Pode até ser que tentar todas as vagas que aparecerem te leve a uma contratação rápida, mas nem sempre isso reflete em conseguir uma oportunidade alinhada com o que você espera para a sua carreira. É importante entender que independente do volume de candidaturas, o mais importante é garantir que estejam alinhadas aos seus objetivos.

Estude o escopo de atuação da vaga, procure saber mais sobre a empresa, a equipe e até mesmo quem são os clientes. Hoje, existem muitas plataformas que podem ajudar nisso, como LinkedIn, Glassdoor e Reclame Aqui. Verifique também se a empresa não possui um guia ou vídeo explicativo sobre o processo de recrutamento.

Outra maneira de fazer essa pesquisa é verificar as redes sociais da empresa para entender quais são os temas relevantes e sobre o que ela fala com o seu público. Em meio às publicações podem existir posts voltados para a comunicação com candidatos. Isso pode ajudar a entender melhor a relação da empresa com os funcionários, a cultura e o que ela espera dos colaboradores, incluindo as novas contratações.

TIRE SUAS DÚVIDAS

Ao longo de todo o processo seletivo, fazer perguntas será sua maior ferramenta para entender o que se espera da sua atuação e como as situações são vividas dentro da empresa. Não hesite em fazê-las. É importante que se prepare e compreenda qual seu objetivo com cada questionamento. E após as conversas analise como se sentiu com as perguntas e com as respostas dadas.

Perguntas como salário, benefícios e até como funcionam os processos de aumento salarial são importantes para entender a vaga de maneira global. Elas podem inclusive contar positivamente, indicando que você é uma pessoa organizada e que sabe o que quer para a sua carreira.

CONFIE NO SEU CONHECIMENTO E SIGA EM FRENTE

Acima de tudo, é importante confiar no histórico de conhecimento que você tem e na sua capacidade para ocupar aquela vaga. Formule respostas genuínas com base no seu perfil profissional.

Lembre-se que nem sempre a pessoa com o maior conhecimento técnico é contratada, justamente porque, como mencionado antes, o processo seletivo considera também a análise comporta- mental de cada candidato.

Na minha atuação como Head de Gente & Gestão, busco desenvolver processos seletivos que sejam proveitosos para todos os envolvidos. Muito mais que uma seleção de candidatos, é um momento de conhecer pessoas e entender o momento de cada um. E lembre-se que, embora um resultado negativo agora possa não ser o retorno que você espera, ele pode gerar aprendizado e ser a conexão que você precisa para uma oportunidade futura. Espero que as dicas te ajudem a começar 2023 com o pé direito. Até a próxima!

LÍVIA FREITAS  – É graduada em Psicologia e especialista em Gestão de Pessoas, com mais de 10 anos de experiência em atração, seleção e gestão de talentos. Hoje é Head de Gente e Gestão na Minds Digital, Voice IDtech pioneira em biometria de voz para prevenção de fraudes.

EU ACHO …

SAÚDE MENTAL

Acabo de saber da existência de um filósofo grego chamado Alcméon, que viveu no século VI antes de Cristo, e que certa vez disse que saúde é o equilíbrio de forças contraditórias.

O psicanalista Paulo Sergio Guedes, nosso contemporâneo, reforça a mesma teoria em seu novo livro, A paixão, caminhos & descaminhos, em que ele discute os fundamentos da psicanálise. Escreve Guedes: “A saúde constitui sempre um estado de equilíbrio instável de forças, enquanto a doença traz em si a ilusória sensação de estabilidade e permanência”.

Não sei se entendi direito, mas me pareceu coerente. O sujeito de boa cuca não é aquele que pensa de forma militarizada. Não é o que nunca se contradiz. Não é o cara regido apenas pela lógica e que se agarra firmemente em suas verdades imutáveis. Esse, claro, é o doente.

Do nascimento à morte há uma longa estrada a ser percorrida. Para atravessá-la, recebemos uma certa munição no reduto familiar, mas nem sempre é a munição que precisávamos: em vez de nos darem conhecimento, nos deram regras rígidas. Em vez de nos ofertarem arte, nos deram apenas futebol e novela. Em vez de nos estimularem a reverenciar a paixão e o encantamento, nos adestraram para ter medo. E lá vamos nós, vestidos com essa camisa de força emocional, encarar os dias em total estado de insegurança, desprotegidos para uma guerra que começa já dentro da própria cabeça.

Armados até os dentes contra qualquer instabilidade, como gozar a

vida?

A paz que tanto procuramos não está na previsibilidade e na constância, e sim no reconhecimento de que ambas inexistem: nada é previsível nem constante. E isso enlouquece a maioria das pessoas. Quer dizer que não temos poder nenhum? Pois é, nenhum.

É um choque. Mas o segredo está em acostumar-se com a ideia. Só então é que se consegue relaxar e se divertir.

Ou seja, a pessoa de mente saudável é aquela que, sabedora da sua impotência contra as adversidades, não as camufla, e sim as enfrenta, assume a dor que sente, sofre e se reconstrói, e assim ganha experiência para novos embates, sentindo-se protegida apenas pela consciência que tem de si mesma e do que a cerca – o universo todo, incerto e mágico.

Acho que é isso. Espero que seja isso, pois me parece perfeitamente curável, basta a coragem de se desarmar. O sujeito com a mente confusa é um cara assustado, que se algemou em suas próprias convicções e tenta, sem sucesso, se equilibrar em um pensamento único, sem se movimentar.

Já o sadio baila sobre o precipício.

MARTHA MEDEIROS 

ESTAR BEM

SUCO DE BETERRABA PODE AUMENTAR FORÇA MUSCULAR

Estudo americano revela presença de nitrato nos tecidos musculares pós-treino uma hora depois da ingestão do líquido

A beterraba é a fonte mais biodisponível de nitrato, que tem a capacidade de gerar uma série de alterações que melhorariam o rendimento de atletas, tanto em resistência quanto em intensidade. Isso ocorre porque o nitrato é convertido em nitrito pelas bactérias da boca e do intestino que é convertido em óxido nítrico, um potente vasodilatador, que melhora o funcionamento muscular e cardiovascular.

Como cada beterraba possui em torno de 1300mg de nitrato, e devido a necessidade do consumo de altas quantidades para o treino, normalmente atletas utilizam o recurso na forma de suco ou através de suplementos. Pensando nisso, pesquisadores da Universidade de Exeter e dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos realizaram uma pesquisa em que encontraram de fato como e onde o recurso se tornava mais ativo.

Para isso, os pesquisadores rastrearam a distribuição de nitrato ingerido na saliva, sangue, músculo e urina de dez voluntários saudáveis e solicitaram que eles realizassem exercícios máximos para as pernas. Uma hora após a ingestão do nitrato, os participantes realizaram 60 contrações do quadríceps – um dos músculos da coxa – na intensidade máxima durante cinco minutos, em uma máquina de exercícios.

Como resultado, a equipe encontrou um crescimento significativo nos níveis de nitrato no músculo, além de um aumento de 7% na massa magra, ou força muscular, dos participantes em relação ao grupo que ingeriu placebo.

“Esses resultados têm implicações significativas não apenas para o campo da atividade física, mas possivelmente para outras áreas médicas, como aquelas voltadas para doenças neuromusculares e metabólicas relacionadas à deficiência de óxido nítrico”, disse Barbora Piknova, cientista nos Institutos Nacionais de Saúde.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

COMO ELABORAR UMA BOA MENSAGEM DE TEXTO NOS APPS DE NAMORO

Encontrar o tom ideal de escrita e lidar com a ansiedade em relação a respostas pode ser desafiador em relações online

Pouco depois de Abby Norton conhecer alguém de quem ela gostou em um aplicativo de encontros, em julho passado, a editora de 24 anos fez uma viagem de duas semanas ao exterior. Por causa dos diferentes fusos horários, ela e seu pretendente tiveram dificuldade para estabelecer uma rotina de mensagens de texto enquanto ela estava fora do país, embora trocassem algumas mensagens por dia.

Assim que Norton voltou para Minneapolis, onde ela mora, os dois começaram a sair, mas as mensagens de texto ainda pareciam insatisfatórias, prosseguindo “só algumas vezes por dia, apesar de estarem no mesmo fuso”. Isso deixava Norton ansiosa. “As coisas chegaram a um ponto de ebulição certa noite, quando me peguei chorando” depois de não ter notícias dele por “um ou dois dias” – principalmente, disse ela, porque “me ocorreu que eu provavelmente precisava resolver os problemas internos que tinham me trazido a esse ponto de insegurança e ansiedade”. Ela então decidiu contar com a ajuda de uma profissional do emergente campo de cursos de namoro focados em mensagem de texto. Ela fez um curso chamado Curso Rápido de Cura de Comunicação por Mensagem de Texto, oferecido pela terapeuta licenciada e coach de namoro Kelsey Wonderlin, que mora em Nashville, Tennessee.

Wonderlin, que oferece cursos de namoro desde o outono de 2021, mas começou a atender especificamente problemas de mensagens de texto a partir de setembro, é uma das várias coaches de namoro que tentam fornecer aos clientes as habilidades de comunicação por escrito necessárias para levar os matches para o mundo real. Entre as perguntas que tentam ajudar a responder: Qual é a primeira mensagem mais certeira para mandar num aplicativo de namoro? Como flertar de um jeito que não seja muito assustador? E se as pessoas simplesmente não responderem?

COACH DE NAMORO

Com 180 mil seguidores no Instagram, Blaine Anderson, coach de namoro em Austin, Texas, sempre achou que os vídeos sobre mensagens de texto faziam sucesso com seu público majoritariamente masculino. Essa percepção, além de suas experiências pessoais recebendo mensagens estranhas em apps de namoro, a inspirou a lançar em agosto um curso chamado Sistema Operacional de Mensagens de Texto, “para eliminar o estresse e a ansiedade dos homens na hora de se comunicar com mulheres por meio de mensagens ou texto”, informou Anderson, de 33 anos.

De acordo com Damona Hoffman, coach de namoro em Los Angeles e Nova York e apresentadora do podcast Dates & Mates, muitas pessoas ficam presas no que ela chama de “relação por mensagem”. As mensagens de texto se tornaram uma fase do relacionamento, disse ela, e seu programa Acelerador de Namoro, que custa US$ 1.297 e combina sessões ao vivo e aulas em vídeo, ensina as pessoas a evitá-la.

Apesar do uso generalizado de apps de encontro, especialistas como Hoffman, Wonderlin e Anderson acreditam que nossa sociedade ainda carece de habilidades de comunicação digital. O motivo, de acordo com Wonderlin, é que não existe um lugar onde as pessoas possam aprender como iniciar e manter um relacionamento saudável. Em vez disso, têm de descobrir as coisas por conta própria.

Afinal, mensagens de texto são um meio de comunicação relativamente novo. “Nossos cérebros não estão programados para pensar” em mensagens de mais de 100 caracteres, admitiu Anderson. Embora os textos sejam convenientes, eles não têm a textura e a profundidade das conversas presenciais. “Destilar nossos sentimentos complexos e sutis em mensagens de texto é difícil, e as pessoas acabam dizendo a coisa errada inadvertidamente.”

CONFUSÃO

Para Hoffman, não é de surpreender que as pessoas estejam com dificuldades. Embora muitas gostem de enviar mensagens de texto por motivos de praticidade e eficiência, há muito espaço para interpretações errôneas. E pedir conselhos a amigos também pode abrir uma “caixa de Pandora”. Embora um amigo possa lhe dizer para adiar uma resposta para não demonstrar carência, outro pode dizer para mandar várias mensagens para mostrar interesse. Aí começa a confusão.

“Sempre faltou educação em comunicação saudável”, ressaltou Wonderlin, “mas como hoje as pessoas se encontram online e começam a trocar mensagens”, elas se tornaram o meio como as pessoas formam seus padrões de comunicação nos relacionamentos. E como muitas preferem se comunicar por texto em vez de falar por telefone antes de se encontrarem, “é importante definir o tom desde o início para uma comunicação recíproca e saudável”.

O curso em vídeo de duas horas de Anderson custa US$ 149 e é dividido em sete módulos que cobrem cenários comuns, de conversar offline a conseguir um segundo encontro. O curso se concentra principalmente na psicologia por trás das diferentes mensagens e fornece modelos de texto.

Já o curso em vídeo de Wonderlin custa US$ 333 e conduz os alunos por cinco módulos. Começa abordando a  importância de criar uma comunicação saudável no início do relacionamento e, em seguida, abrange diferentes tipos de mensagens – o texto seco, o texto animado, o texto compulsivo, o texto distraído – e ajuda os alunos a entender o que é uma bandeira vermelha e qual é seu estilo particular de escrita de mensagens. Também ensina a evitar o desespero quando alguém envia uma resposta de uma palavra ou não responde imediatamente.

Dan Leader, gerente de engenharia de 36 anos em Detroit, se inscreveu no curso de Anderson em dezembro “porque não estava transformando muitos matches em encontros e, quando conseguia encontros, eles não levavam a segundos encontros”, revelou ele. Desde que fez o curso, “agora escrevo com propósito e intenção”, contou. “Faço perguntas para conhecer a pessoa e para que ela possa me conhecer. Então traço um plano claro para marcar um encontro no momento apropriado. Não sinto mais a necessidade de manter o contato com conversa fiada.”

OUTROS OLHARES

FEVEREIRO LARANJA

As leucemias são um tipo de câncer do sangue que acomete os glóbulos brancos, também chamados de leucócitos

Os órgãos de saúde nacionais e internacionais têm se dedicado à realização de campanhas para conscientização e prevenção de diversos tipos de câncer. O mês de fevereiro foi escolhido para falarmos sobre as leucemias, um tipo de câncer do sangue que pode acometer pessoas de todas as faixas etárias e cuja incidência tem aumentado de forma significativa nos últimos anos.

Segundo os dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), só em 2020, o Brasil teve 10.81O novos casos da doença – um aumento de 31,8%em relação aos 7.370 de 2019.

As leucemias são um tipo de câncer do sangue que acomete, na maioria das vezes, os glóbulos brancos, também chamados de leucócitos. Ao longo da vida, nosso corpo sofre alterações genéticas causadas pelo processo de crescimento/envelhecimento e, também, por fatores do meio ambiente. Essas alterações levam ao desenvolvimento de uma célula anormal, que se reproduz e dá origem ao câncer.

Nas leucemias, essa célula surge na medula óssea, o tutano do osso, local onde as células do sangue são produzidas; ela multiplica-se e interrompe o processo de formação de células saudáveis. Isso provoca anemia, que causa cansaço e fadiga. Também leva à queda das plaquetas, responsáveis pela coagulação e, assim, o paciente pode apresentar hematomas e/ou sangramentos espontâneos. As células brancas doentes não são capazes de realizar a defesa do nosso organismo contra germes – logo, a febre devido à baixa imunidade é o sinal mais comum.

A suspeita é feita diante dos sinais e sintomas citados, mas também pode ocorrer durante resultados de exames de rotina alterados, em pacientes sem sintomas. O hemograma é o primeiro exame que nos sugere a doença. Nos casos de leucemias agudas, que necessitam de diagnóstico e tratamento urgentes, é necessário a coleta de uma amostra da medula óssea para estudo. Já nas hipóteses de leucemias crônicas, o diagnóstico pode ser feito com amostra de sangue coletado das veias. Em ambos os tipos são realizados estudos genéticos que nos permitem entender a gravidade da doença. Tudo isso influência na escolha do melhor tratamento.

Nas leucemias agudas, utilizamos quimioterapia associada ou não à terapia-alvo (medicações que atacam células com alterações genéticas específicas da leucemia). Já nas leucemias crônicas, é  possível realizar o tratamento com medicações via oral. Em alguns casos, o tratamento não é indicado de imediato.

Durante o período de tratamento, os pacientes precisam de várias transfusões de sangue (hemácias e plaquetas, principalmente). E, em muitos casos, para conseguir a cura, é necessário realizar o transplante de medula óssea. Por isso, é de extrema importância as doações de sangue que recebemos no Hemocentro e o cadastramento como doador de medula.

Os fatores que levam a um aumento no risco de desenvolver leucemias são: exposição à radiação ionizante e a pesticidas; alguns tipos de infecções virais da infância; síndromes congênitas, especialmente a Síndrome de Down; e o uso prévio de quimioterapia e/ou radioterapia

O diagnóstico precoce é importante para indicação correta de tratamento e, assim, conseguirmos melhores respostas. Por isso, é importante o acompanhamento regular com seu médico de confiança e, se houver qualquer suspeita, procure um hematologista.

OUTROS OLHARES

CUIDADO PRECOCE

Medicina fetal multiplica recursos para tratar bebês dentro do útero

A medicina alcançou feitos que há algumas décadas pareciam impossíveis. Um deles é a possibilidade de não apenas identificar, mas também tratar alterações enquanto o bebê ainda está no útero da mãe. O avanço recente nesse campo faz parte de uma subespecialidade da ginecologia e obstetrícia em franco crescimento: a medicina fetal.

De acordo com Rita Sanchez, coordenadora do setor de medicina fetal do Hospital Israelita Albert Einstein, há uma mudança de paradigma importante nos tratamentos. Por muito tempo, um bebê só se tornava um paciente para a medicina após seu nascimento. O  problema é que muitas das disfunções surgidas na fase intrauterina, se não tratadas, podem levar ao parto prematuro, deixar sequelas ou até mesmo causar a morte da criança.

Embora seja uma área relativamente nova na medicina, também é uma das que evolui mais rapidamente, em especial graças ao advento e sofisticação da ultrassonografia. Essas imagens não só satisfazem a curiosidade das mães, pais e avós, mas permitem que os médicos identifiquem alterações que só apareciam após o parto.

“Hoje, meu equipamento de ultrassonografia permite ver coisas que, com o anterior, não era possível. Isso possibilita o diagnóstico de doenças que a gente nem sabia que existiam”, diz o médico Fábio Peralta, responsável pelo serviço de medicina fetal e de cirurgia fetal da Maternidade São Luiz Star e um dos maiores especialistas no assunto.

A imediata consequência dessa identificação foi o desenvolvimento de tratamentos para essas condições.

“A evolução dessas tecnologias de imagem permitiu o desenvolvimento e o aprimoramento de tratamentos e exames complementares, que ajudam a avaliar se é necessário fazer uma intervenção precoce ou não”, complementa Sanchez.

ACOMPANHAMENTO

O ideal seria fazer quatro ultrassonografias durante a gestação para um bom acompanhamento pré-natal. O primeiro exame, indicado em torno da sétima ou oitava semana de gravidez, ajuda a determinar mais precisamente a data inicial da gestação, o que permite observar com mais precisão se o bebê está crescendo e se desenvolvendo conforme o esperado. Ele também é importante para verificar se a gravidez está ocorrendo mesmo dentro do útero ou nas tubas uterinas, o que constitui um quadro grave que exige intervenção cirúrgica na maioria das vezes.

Mas o exame mais importante realizado no primeiro trimestre da gravidez é o ultrassom morfológico. Indicado entre a 11ª e a 14ª semana, ele tem esse nome porque analisa diferentes estruturas do bebê e permite suspeitar do risco de alterações genéticas, como síndrome de Down, de problemas maternos como o pré-eclâmpsia ou parto prematuro e diagnosticar algumas malformações que exigem intervenção precoce. O índice de acerto na identificação de alterações é de cerca de 70%. Por isso, é necessário a realização de exames complementares para fazer o diagnóstico definitivo.

Se nada de errado for identificado, a gestante deve realizar um segundo ultrassom morfológico entre a 18ª e a 24ª semana. Como nesse estágio o feto já está bem desenvolvido, a confiabilidade chega a 90%, segundo informações do Colégio Brasileiro de Radiologia. Um outro ultrassom é recomendado entre 28 e 32 semanas para acompanhar o crescimento do bebê e o funcionamento e a localização da placenta.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 6% dos bebês em todo o mundo nascem com uma anomalia congênita, resultando na morte de 240 mil recém-nascidos por ano. Atualmente, os problemas de saúde mais frequentes nos fetos que permitem uma intervenção dentro do útero são: mielomeningocele ou espinha bífida, transfusão feto-fetal, hérnia diafragmática congênita, obstruções da bexiga e cardiopatias congênitas. Segundo Peralta, a maioria das cirurgias para essas condições é realizada entre a 19ª e a 26ª semana de gestação.

Entre essas alterações, a mielomeningocele é mais comum, com incidência de um caso para cada mil. A condição envolve o não fechamento total da coluna do feto durante o desenvolvimento, deixando a medula espinhal exposta e sequelas neurológicas. Evidências mostram que a operação, com mínima incisão no útero, dobra o número de bebês que conseguem andar e reduz o risco de hidrocefalia, uma das consequências da condição.

RISCO EM GÊMEOS

A segunda condição mais comum é a transfusão feto-fetal, que ocorre em 10% a 15% das gestações de gêmeos idênticos, quando um dos bebês “rouba” o sangue do outro. Há 95% de risco de perda gestacional ou danos neurológicos. A intervenção cirúrgica minimamente invasiva, feita por via endoscópica, utiliza um laser para cauterizar os vasos e interromper a circulação anormal entre os fetos e aumenta a sobrevida para 80%.

Na hérnia diafragmática congênita, há um orifício no diafragma que causa o deslocamento dos órgãos abdominais, como fígado, estômago e intestino para a região onde deveriam ficar os pulmões. Em casos muito graves, a chance de sobrevida é menor do que 10%. A intervenção é feita ocluindo-se temporariamente a traqueia do feto com um pequeno balão de silicone, o que faz com que os pulmões se expandam, aumentando a sobrevida para aproximadamente 50%.

Em um em cada 4 mil fetos, há obstrução da bexiga. O problema pode comprometer a função renal e afetar o líquido amniótico, o que prejudica o desenvolvimento dos pulmões. A desobstrução é minimamente invasiva. Alguns bebês também têm alterações estruturais cardíacas específicas, que se não forem corrigidas antes do nascimento exigem a realização de transplante. O tratamento intraútero desobstrui a valva e evita a necessidade de cirurgias mais complexas após o nascimento.

Todas essas alterações são gravíssimas e, embora as intervenções dentro do útero melhorem o prognóstico, esses bebês ainda são considerados de alto risco e precisam de um suporte altamente especializado ao nascer.

“Todos os bebês submetidos à cirurgia fetal vão para uma UTI neonatal porque eles precisam de um monitoramento mais rigoroso. Além disso, algumas condições, como problemas cardíacos e hérnia diafragmática, exigem intervenções complementares após o nascimento”, explica Peralta. Atualmente, o Brasil é referência na área de medicina fetal. São cerca de 15 a 20 centros no país que realizam esses procedimentos. Há também inúmeras em pesquisas andamento tanto para o desenvolvimento de novos tratamentos como hidrocefalia fetal — um projeto do médico Fábio Peralta —, quanto para o aprimoramento de terapias já existentes, de forma a elevar a chance de sobrevida, diminuir os riscos do procedimento e melhorar a qualidade de vida. O Hospital Israelita Albert Einstein, por exemplo, está usando a medicina de precisão para prever algumas condições estudadas pela medicina fetal, como a restrição de crescimento uterino, quando o bebê está abaixo do tamanho ideal para a idade gestacional, e pré-eclâmpsia, quando a mãe desenvolve uma hipertensão específica da gravidez, o que coloca ela e o bebê em risco.

“As técnicas estão evoluindo para cada vez mais você ter menos lesão do útero materno e conseguir corrigir o feto”, avalia Sanchez.

SEM COBERTURA

O maior desafio no país é ampliar o acesso a esses tratamentos. No Sistema Único de Saúde (SUS), não são todas as gestantes que têm acesso ao ultrassom morfológico no pré-natal. Além disso, nenhum dos procedimentos fetais tem cobertura pelos planos de saúde ou pelo sistema público. A única maneira de ter acesso a eles é por meio do custeio integral ou por programas de filantropia, que são realizados no país. Mas há um movimento de especialistas para mudar esse cenário e regularizá-los junto ao sistema de saúde brasileiro.

Além das cirurgias realizadas via endoscopia ou com incisões que abrem a barriga da mãe, as preocupações com a saúde do feto começam bem antes.

“Apesar de a cereja do bolo da medicina fetal ser a cirurgia, ela na verdade se inicia antes  da gravidez. Precisamos orientar a mãe para que ela comece a gravidez mais saudável e com menos fatores de risco para o bebê desenvolver uma doença. Durante a gestação, tanto a mãe quanto o bebê são acompanhados para rastrear, diagnosticar e tratar problemas fetais e maternos, como risco de parto prematuro e hipertensão”, explica Peralta.

GESTÃO E CARREIRA

AS CINCO SEMELHANÇAS ENTRE O FUTEBOL E OS NEGÓCIOS

O futebol e os negócios podem estar muito mais conectados do que imaginamos. Acompanhar o esporte mais popular do mundo, que conta com mais de 4 bilhões de admiradores, ao longo de toda a carreira me trouxe a oportunidade de entender como o desenvolvimento empresarial pode ter similaridade com a dinâmica presente dentro das quatros linhas.

De acordo com um recente estudo do Ministério da Economia chamado ‘Mapa das Empresas’, o primeiro quadrimestre de 2022 registrou a abertura de mais de 1,3 milhão de empresas no Brasil, e o total de empresas ativas no país subiu para 19.373.257.

Com esses dados é possível notar a importância, tanto do futebol quanto dos negócios e da tecnologia para nós brasileiros. São diversas semelhanças entre ambos, mas uma das principais é a capacidade de ser criativo e inovador.

Assim como os jogadores precisam elaborar dribles e jogadas ensaiadas para ter a oportunidade de fazer um gol, nos negócios a tática é a mesma. É necessário criar estratégias para driblar desafios, prever situações, estudar a concorrência e entender qual é o melhor momento para agir. A seguir, compartilho o alguns insights entre estes universos compartilhados:

PLANEJAMENTO COMO UM ESQUEMA TÁTICO

Qualquer jogador de futebol com experiência sabe que é necessário se preparar antes de entrar em campo.  É preciso estudar as jogadas dos adversários e analisar estratégias junto com sua equipe. E o mesmo acontece com os negócios, especialmente no mercado de TI, onde contar com uma estratégia bem estruturada, e planejada, pode fazer a diferença.

É fundamental observar o mercado, validar resultados, definir o modelo, objetivos e metas, e traçar estratégias para alcança-las.

LIDERANÇA

Cabe ao técnico pensar no esquema tático, coordenar cada jogador, enxergar talentos e tirar todo o potencial de cada um para garantir o melhor resultado após o apito inicial. Nos negócios, um líder deve saber gerir e manter um olhar atento à equipe, percebendo as capacidades e aproveitando os talentos de cada colaborador, mantendo-os, dessa forma, motivados e engajados.

TRABALHO EM EQUIPE

O futebol é um esporte coletivo, com isso, um placar favorável depende também da boa performance de cada jogador em campo. Da mesma forma, em uma empresa o bom desempenho de cada colaborador afeta diretamente nos resultados de todo o negócio, e os erros devem ser evitados ao máximo para que nenhum integrante do time receba um cartão vermelho e comprometa o restante do time.

Para que o trabalho em equipe seja bem-sucedido, algumas estratégias são fundamentais, como treino, entrosamento e prática das táticas alinhadas.

A IMPORTÂNCIA DO MOVIMENTO

Seguir em frente e manter-se em movimento é uma sabedoria milenar, que se aplica também no futebol e nos negócios. O mercado muda o tempo todo, o que significa que um negócio fechado hoje não necessariamente vai se repetir amanhã, da mesma forma um gol de placa feito em um jogo, provavelmente não se repetirá no próximo. Ficar preso nessa ideia é um risco desnecessário que pode ocultar novas possibilidades.

SUPERAÇÃO

Um time de futebol, entretanto, não é feito só de vitórias. O grupo deve saber lidar bem com os resultados negativos, para estar preparado e dar o seu melhor em uma nova tentativa. Equipes de negócios também precisam saber superar os obstáculos e ter paciência para recalcular rotas. E o esporte nos ensina muito bem como lidar com as inevitáveis derrotas.

Assim como um árbitro de uma partida de futebol pode se beneficiar com o uso da tecnologia por meio do VAR e rever as marcações para tomar a melhor decisão, os times de negócios também podem fazer o uso de soluções tecnológicas. Tais como: IoT (Internet das Coisas), Big Data, computação em nuvem, e armazenamento, infraestrutura e gestão de dados, para tomar a decisão mais acertada no processo de transformação digital.

Com um planejamento bem estruturado, uma liderança sólida, um trabalho em equipe bem estabelecido e com o uso das ferramentas tecnológicas corretas, os times estarão preparados para entrar em campo em busca da vitória.

CLAUDIO TANCREDI – É Country Manager da Hitachi no Brasil https://www.hitachivantara.com

EU ACHO …

O GRANDE TEATRO DO MUNDO

A única regra inabalável para receber pessoas é deixar todos à vontade – o resto é secundário

Quando ofereço um jantar na minha casa, preparo com antecedência. Uma hora antes da chegada prevista dos convidados, a mesa está posta com todo o necessário. Coloco música ambiente adequada ao “clima” do evento. No Brasil, curiosamente, há pessoas que pedem que eu explique essa “ansiedade” em organizar. Em outros lugares do mundo, seria vista apenas como virtude de um bom anfitrião.

Frequento casas de amigos. Em algumas delas, sentar-se à mesa vira um exercício físico. “Ih, faltaram os guardanapos!”, e lá vamos nós em busca deles. “Alguém vai querer água com o vinho?” Essa é uma pergunta estranha. Sempre temos de servir água com o vinho. O sim coletivo desencadeia novo surto de busca de jarras, água e copos. O mais interessante, no próximo almoço, naquela mesma casa: a mesma pergunta será repetida, e o esquecimento não se tornou pedagógico.

A alma da etiqueta é a única regra inabalável para receber pessoas – deixar todos confortáveis, à vontade na sua casa. Os outros detalhes são secundários. Pode faltar um talher de peixe, mas jamais é permitido que desapareçam o sorriso e a acolhida sincera.

Sobre minha ansiedade, explico que gosto de ficar conversando com as pessoas, mas não vasculhando armários em busca de peças faltantes. É verdade. Aprofundando, existem outras questões complexas. Esquecer-me de algo parece que agride minha noção de ordem ou de previdência. Parece falta de estratégia e, no limite, improviso amador.

Tenho muitos amigos que não passam por essa experiência interna de arranhar seu superego nas falhas.

Existe uma hipótese incômoda: uma pessoa típica brasileira fica mais à vontade em um ambiente em que tudo está pronto, ou, para usar termo antigo, ajaezado?

A ordem exata e a cenografia teatral do título da obra de Calderón (que tomei emprestado para a crônica) seriam uma barreira, um certo ar de arrogância até? Se entro em uma casa onde mais cadeiras devem ser buscadas em algum lugar, ou que os lugares à mesa não contemplam o número de convidados, isso desperta uma participação mais informal e, como tal, libera o superego de todo mundo? Que teatro agrada mais: aquele a que assisto, como público, ou aquele em que ajudo a reescrever o roteiro?

Para um cenógrafo exigente como eu, a sociabilidade brasileira é um desafio. Ofereço um almoço, com lugares marcados. Um amigo querido diz que gostaria muito de trazer outra pessoa que deseja me conhecer.

Cedo, sem entusiasmo. Um alemão ou um francês diriam o não com facilidade. Evito. Consigo um lugar a mais para a mesa. Reorganizo tudo. Abro a porta e… surpresa! A amiga extra trouxe a irmã que também partilha… o mesmo desejo. Sorrio externamente, grito por dentro e transformo o palavrão da laringe em um audível: “Que bom receber vocês. Sejam bem-vindos!” Ser gentil é mais importante do que respeitar meu TOC de ordem. Rapidamente, reorganizo a mesa já (re)organizada. Aqui foi fácil. Já tive desafios maiores – pessoas confirmando a presença, não aparecendo, mas outros, que não tinham confirmado, surgindo de forma natural.

Examinei um outro modelo de sociabilidade. Convidado para um almoço com carnes assadas. Churrascos são refeições um pouco mais bárbaras (no sentido romano do termo). Minha surpresa: não havia uma mesa posta. Na hora de começar a servir, ninguém ocupou um lugar específico. As pessoas caminhavam com pratinhos, iam até a churrasqueira, pegavam caipirinhas e cervejas; de pé, comendo. Mesmo assim, os donos da casa, com extrema simpatia, recebiam todos. Foi uma descoberta social.

Seria possível receber para um almoço, sem ter – de fato – uma mesa? Havia um carrossel de pratos, copos e circulação contínua e, claro, extrema felicidade. Adaptei-me, alegre, e caminhei por vários grupos, em meio a corações de frango e carne enfarinhada. Terminado um longo tempo de consumo dos salgados, começaram a trazer ótimas sobremesas.

No entanto, alguns não queriam doces e continuavam nas novas carnes que brotavam do fogo contínuo. Finalmente, quando uma parte dos convivas consumia café, havia quem estivesse (ainda) nos doces, enquanto outros (ainda) se concentravam na cerveja com carne. Houve um momento de sincronia em que todas as etapas de um almoço estavam ocorrendo: gente chegando, pessoas se despedindo; café, pudim, carne, farinha, cerveja; alguém já dormindo, em completa tranquilidade, no sofá. Achei fascinante! Aboliram-se as regras formais da narrativa, e o prólogo conviveu, sem obstáculos, com a conclusão. Morra, Gloria Kalil! Entendi que o grande teatro do mundo tem muitos tipos de peças. Há o clássico formal e o teatro de vaudeville, ou, traduzindo à brasileira, o ballet e o teatro de rebolado.

O importante é sempre reforçar a única questão pétrea da arte de receber: que todos fiquem à vontade. No próximo almoço, decidi: esquecerei algo e pedirei ajuda. Meu conviva sorrirá com minha falha, e eu serei mais feliz com a esperança inglória de agradar.

LEANDRO KARNAL – É historiador, escritor, membro da Academia Paulista de Letras e autor de ‘A Coragem da Esperança’, entre outros

ESTAR BEM

PORÇÕES DE SAÚDE NO PRATO

Dieta mediterrânea se firma como melhor opção para o coração

No início do mês, o ranking do US News & World Report elegeu a dieta mediterrânea como a melhor de 2022, o sexto ano consecutivo em que ela leva o prêmio. A opção alimentar tem ganhado repercussão à medida que estudos e especialistas apontam benefícios para a saúde em incluí-la na rotina. Mas afinal, ela é tão boa como dizem?

A resposta é sim, e há uma ampla variedade de evidências que justificam o interesse pela alimentação, explica o médico cardiologista Sean Heffron, do Centro de Saúde Langone, da Universidade de Nova York (NYU), nos Estados Unidos.

“É uma das poucas dietas que tem pesquisas para apoiá-la. Não foi inventada na cabeça de uma pessoa para gerar dinheiro. É algo que foi desenvolvido ao longo do tempo, por milhões de pessoas, porque realmente tem um gosto bom. E acontece de ser saudável”, afirma.

Nos anos 1950, pesquisadores de todo o mundo embarcaram em um estudo abrangente e ambicioso. Durante décadas, examinaram dietas e estilos de vida de milhares de homens de meia-idade que vivem nos EUA, Europa e Japão e, em seguida, examinaram como essas características afetavam seus riscos de desenvolver doenças cardiovasculares.

O Estudo dos Sete Países, como mais tarde ficou conhecido, descobriu algo notável: aqueles que viviam dentro e ao redor do Mediterrâneo – em países como Itália, Grécia e Croácia – apresentavam taxas mais baixas de doenças cardíacas do que os participantes que moravam em outros lugares. Suas dietas, ricas em frutas, vegetais, legumes, grãos integrais, nozes, sementes, proteínas magras e gorduras saudáveis, pareciam ter um efeito protetor.

Desde então, a dieta mediterrânea, como ficou conhecida, tornou-se a base da alimentação saudável para o coração, com benefícios que incluem pressão arterial e colesterol mais baixos e risco reduzido de diabetes tipo 2.

Confira as principais dúvidas sobrea dieta.

O QUE É A DIETA MEDITERRÂNEA?

A dieta mediterrânea não é um plano alimentar rígido, está mais para um estilo de vida, diz Julia Zumpano, nutricionista especializada em cardiologia preventiva na Clínica Cleveland, nos EUA. As pessoas que a seguem tendem a “comer alimentos que seus avós reconheceriam”, acrescenta Heffron, ou seja, integrais e não processados, com poucos ou nenhum aditivo.

A dieta prioriza grãos integrais, frutas, vegetais, legumes, nozes, ervas, especiarias e azeite. Já peixes ricos em ácidos graxos ômega-3, como salmão, sardinha e atum, são a fonte preferida de proteína animal. Outras proteínas animais magras, como frango ou peru, são consumidas em menor escala.

Ovos e laticínios, como iogurte e queijo, também podem fazer parte da dieta, mas com moderação. E o consumo moderado de álcool, como uma taça de vinho no jantar, é permitido. Por outro lado, alimentos ricos em gorduras saturadas, como carne vermelha e manteiga, raramente são consumidos.

O café da manhã pode ser abacate esmagado em torradas integrais com frutas frescas e um iogurte grego com baixo teor de gordura, descreve Heffron. Para o almoço ou jantar, um prato de vegetais e grãos cozidos com azeite e temperados com ervas – tubérculos assados, folhas verdes, um lado de homus e pequenas porções de macarrão ou pão integral, com uma proteína magra como peixe grelhado.

“É muito fácil de seguir, muito sustentável, muito realista”, avalia Zumpano.

QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS DESSA DIETA PARA A SAÚDE?

Vários estudos descobriram que a dieta mediterrânea contribui para melhorar a saúde e, em particular, a do coração. Durante um deles, publicado em 2018, os pesquisadores avaliaram quase 26 mil mulheres e descobriram que aquelas que seguiram a dieta por até 12 anos tiveram cerca de 25% de redução no risco de desenvolver doenças cardiovasculares.

Isso ocorreu principalmente devido às mudanças nas taxas de açúcar no sangue, de inflamação e do índice de massa corporal, relataram os pesquisadores. Outros estudos, com homens e mulheres, chegaram a conclusões semelhantes.

A pesquisa também descobriu que a dieta pode proteger contra o estresse oxidativo, um processo que leva a danos no DNA e que contribui para condições crônicas, como doenças neurológicas e câncer. Alguns estudos sugerem ainda que a opção alimentar pode ajudar a reduzir o risco de desenvolver diabetes tipo 2. A dieta também pode trazer benefícios profundos para a saúde na gravidez, diz Anum Sohail Minhas, professor de medicina na Universidade Johns Hopkins. Em um estudo recente com quase 7,8 mil mulheres, os pesquisadores descobriram que aquelas que seguiram a dieta mediterrânea na época da concepção e durante o início da gravidez tiveram cerca de 21% de redução no risco de complicações, como pré-eclâmpsia, diabetes gestacional ou parto prematuro.

A DIETA MEDITERRÂNEA AJUDA A PERDER PESO?

A dieta pode levar à perda de peso, diz Zumpano, mas você ainda precisa observar a quantidade de calorias ingerida. O recuo na balança vem quando alguém gasta mais energia do que consome.

“Alimentos ricos em nutrientes não são necessariamente baixos em calorias”, lembra Heffron, que observou que a dieta inclui alimentos como azeite e nozes, que são saudáveis para o coração, mas ricos em calorias e podem levar ao ganho de peso se ingeridos em excesso.

Mas, como em toda adequação alimentar, a mudança a longo prazo importa mais. Em um estudo com mais de 30 mil pessoas na Itália, os pesquisadores descobriram que aqueles que seguiram a dieta mediterrânea de forma mais rigorosa por cerca de 12 anos tinham menos probabilidade de ficar acima do peso ou obesos.

HÁ RISCOS ENVOLVIDOS?

A dieta geralmente fornece uma mistura balanceada de nutrientes e proteínas, então normalmente não há riscos significativos associados a segui-la, diz Heffron. Mas, como a dieta recomenda minimizar ou evitar a carne vermelha, uma boa ideia é certificar-se de que se está ingerindo ferro suficiente. Boas fontes do mineral na alimentação incluem nozes, tofu, legumes e vegetais de folhas verde-escuras, como espinafre e brócolis.

Alimentos ricos em vitamina C, como frutas cítricas, pimentões, morangos e tomates, também podem ajudar o corpo a absorver o ferro. E, como a dieta minimiza os laticínios, você pode conversar com seu médico sobre a necessidade de tomar um suplemento de cálcio.

No entanto, para uma pessoa comum, os benefícios da dieta mediterrânea provavelmente superam qualquer potencial negativo, destaca Minhas.

“Essas são coisas que todos podemos tentar incorporar em nossas vidas”, diz.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CORTAR O ÁLCOOL, A BOA ARMA CONTRA A ANSIEDADE E A DEPRESSÃO

A maioria das pessoas não percebe que, mesmo que os efeitos prazerosos da bebida sejam quase instantâneos, os efeitos negativos são demorados – muitas vezes se alastram por várias horas ou dias

Tradicional no Hemisfério Norte (especialmente nos Estados Unidos e Reino Unido), a campanha Janeiro Seco tem como objetivo diminuir o consumo de álcool propondo um desafio de um mês sem bebidas alcoólicas. Para quem quer aderir, seja por motivos de saúde, dieta ou apenas se recuperando da alegria das festas de fim de ano, o início do ano é o momento perfeito para repensar o papel do álcool na sua vida.

Ele é, de imediato, com- pensador – dependendo da rapidez com que você bebe e com que sobe no sangue – e pode relaxar, empolgar ou desinibir.

Mas a maioria das pessoas não percebe que, mesmo que os efeitos prazerosos do álcool sejam quase instantâneos, os efeitos negativos são demorados – muitas vezes se alastram por várias horas ou mesmo dias. E esse intervalo de tempo faz com que seja mais difícil ver a conexão entre o álcool e seus efeitos adversos.

Um paciente meu, um homem de 40 e poucos anos que eu estava tratando de depressão, ficou inexplicavelmente ansioso e deprimido com o retorno da insônia após muitas semanas de melhora sólida. Perguntei a ele sobre quaisquer fatores de estresse no trabalho e em casa, mas ele insistiu que não estava acontecendo nada de mais.

Então perguntei sobre seu consumo de álcool e descobri o motivo da piora no humor: depois de reduzir a bebida no início do tratamento por insistência minha, ele retomara o uso habitual de duas a três taças de vinho no jantar assim que passou a se sentir melhor.

Quando expliquei que o álcool tinha efeitos depressivos e era o provável culpado por sua recaída, ele não quis acreditar. “É relaxante, doutor, e me ajuda a desligar depois do trabalho”, disse ele. Então, propus um experimento: “Pare de beber no fim de semana e vamos ver o que acontece com seu humor na segunda-feira”.

Ele ficou surpreso – e convencido – com os resultados. Seu sono se normalizou e seu humor teve uma melhora nítida. Não era apenas que ele não soubesse que o álcool havia arruinado seu humor e seu sono; ele estava começando a beber mais a cada noite para conter a ansiedade provocada pelo álcool da noite anterior, estabelecendo um ciclo autossustentável de depressão, ansiedade e bebida.

Você não precisa sofrer de depressão clínica nem ter um transtorno de ansiedade para sentir os efeitos negativos do álcool. Eles ocorrem mesmo em níveis moderados de consumo, típicos de quem bebe apenas socialmente, sem qualquer doença psiquiátrica.

SONO

Você já notou a rapidez com que adormece depois de apenas uma ou duas taças de vinho, mas acorda algumas horas depois, perturbadoramente alerta?

O álcool tem efeitos sedativos impressionantes. Seu alvo é o “receptor Gaba” no cérebro, que aumenta a atividade do Gaba – o principal neurotransmissor inibitório do cérebro – e faz a mediação do efeito calmante do álcool. (Remédios como Ambien e os benzodiazepínicos, como Klonopin e Ativan, também modulam o receptor Gaba, mas em um local diferente.) O problema para o sono é que o álcool é absorvido rapidamente e em geral eliminado em duas a cinco horas, então a sedação desaparece, deixando você hiperalerta no meio da noite.

O álcool faz você dormir, mas suprime o sono REM – e os sonhos – e o desperta horas depois. Isso gera um sono de má qualidade e reduz a energia diurna, que você pode automedicar com cafeína, o que agrava a insônia e exige mais álcool para adormecer. E agora você se fechou em uma espiral descendente que se autoperpetua.

Outro paciente que não tinha doença psiquiátrica evidente, mas que bebia muito à noite, certa vez perguntou se eu poderia passar uma receita de Ambien para sua insônia. Beba menos, eu disse a ele, e você vai dormir a noite toda. Ele não gostou do conselho, mas adorou os resultados.

EFEITOS NO CÉREBRO

E quanto aos efeitos adversos do álcool no humor cotidiano? Há fortes evidências empíricas de que o álcool tem efeitos depressores e, além de um certo limiar que varia de pessoa para pessoa, pode causar depressão clínica. O aumento da ansiedade após uma noite de bebedeira, mesmo moderada, é comum, pois o efeito do álcool que aumenta o Gaba se dissipa rapidamente.

Já mencionei o potencial impacto do álcool na cognição? Não há dúvida de que beber em excesso é ruim para o cérebro, mas evidências recentes sugerem que mesmo o consumo modesto – cerca de quatro a cinco taças de vinho por semana – está relacionado a mais lentidão nas funções executivas e no tempo de reação.

Um estudo recente com cerca de 20 mil pessoas descobriu que o consumo de álcool acima de 3,5 taças de vinho por semana estava associado a níveis mais altos de ferro em várias regiões do cérebro e pior desempenho em testes cognitivos. A boa notícia de outros estudos é que esses efeitos cognitivos normalmente são reversíveis depois que a pessoa para de beber.

Então, se você está sentindo ansiedade, tristeza, cansaço ou névoa mental, tente cortar o álcool por uma ou duas semanas. Você pode ter uma bela surpresa.

E se você já se comprometeu com o Janeiro Seco, talvez esteja se sentindo tão bem que não deveria voltar correndo para o álcool em fevereiro. Mesmo se você voltar, pode concluir que é melhor reduzir o consumo já que sentiu algumas das desvantagens do álcool para sua saúde mental.

OUTROS OLHARES

JOHNSON CRIA PRIMEIRA LINHA PARA OS CABELOS DE CRIANÇAS NEGRAS

Multinacional americana preenche lacuna histórica no país com nova versão do seu tradicional xampu infantil, seguindo movimento de outras marcas

Há mais de 80 anos no Brasil, a Johnson & Johnson virou referência em cosméticos infantis, sobretudo com o xampu para bebês. E logo vem à cabeça aquela publicidade com um bebê branco, de olhos e cabelos claros. Num esforço de atualização para alcançar novos consumidores, a multinacional americana lança agora por aqui seus primeiros produtos voltado para os cabelos crespos de crianças negras. A nova linha “Blackinho Poderoso” é fruto de um trabalho de dois anos em parceria com o Estúdio Nina, uma empresa de pesquisa focada no entendimento do público negro, e com o grupo de afinidade étnico-racial interno da empresa.

“É o resultado de muita escuta e cocriação com consumidores e consultorias especializadas, além de um minucioso processo de pesquisa e desenvolvimento. Ainda existem poucos produtos para cabelos crespos infantis. Também identificamos uma carência de mercado, já que o consumo de cuidado com o cabelo é nove pontos percentuais maior na cesta afro (88,7%) que no total do mercado (80,8%)”, diz Daniella Brissac, vice-presidente de Marketing Brasil e Experiência de Clientes e Consumidores para a América Latina da Johnson & Johnson Consumer Health. Desde um concurso promocional realizado na década de 1960, a expressão “bebê Johnson” virou um adjetivo para definir beleza infantil no Brasil. No entanto, todas as crianças escolhidas para a disputa eram brancas. Acontece que mais da metade da população brasileira é preta ou parda.

‘DESCONSTRUÇÃO’

Depois de algumas interrupções, em 2011 a empresa fez um novo concurso de beleza infantil para a produção de um calendário. Mesmo com concorrentes negros, os escolhidos para estampar os 12 meses seguiram o mesmo padrão anterior. Questionada sobre isso, Daniella reconhece a responsabilidade da marca na construção de estereótipos:

“Não temos dúvidas de que o lançamento de “Blackinho Poderoso” representa avanço muito significativo nessa jornada de desconstrução. Vale ressaltar que pais, mães e cuidadores dessa geração vieram de processos de alisamento e agressões em relação ao cabelo, que é um marcador social importante. Por isso, para tudo o que envolve essa nova linha, o consumidor negro está no centro do processo, desde as pesquisas, desenvolvimento da fórmula, passando pela embalagem, seus personagens e as comunicações e identidades visuais da campanha.

Os concorrentes também estão atentos à demanda. O Boticário colocou à venda recentemente uma linha de perfumaria infantil com produtos licenciados com a marca do filme “Pantera Negra”, em parceria com a Marvel. Entre os itens que trazem a imagem e a estética afrofuturista do herói negro estão creme para pentear e gel, com direito ao pente garfo, acessório que é um símbolo de luta contra o racismo para o movimento negro.

“É muito importante as marcas darem esses passos para que o cenário atual realmente mude, tanto as grandes quanto pequenas empresas. A valorização da diversidade está no centro deste processo e sempre esteve presente em nossas decisões, políticas, estratégias de comunicação e de produtos. Sabemos que esse é um longo caminho e não vamos parar”, afirma Rony Santos, gerente de ESG Diversidade no Grupo Boticário.

A empresa se comprometeu a retirar os termos “normal” e “perfeito” por completo de sua comunicação até 2024, por entender que “são expressões que contribuem para a busca de um padrão inalcançável de beleza”. Em 2020, baniu o termo “clareamento”, discutido por conter um viés racista.

Para Ricardo Silvestre, publicitário e fundador da Black Influence, empresa de gerenciamento e conexão com influenciadores negros, a população negra nunca teve atenção da grande indústria, principalmente a de beleza:

“Era como se de fato nunca tivéssemos existido. Não havia produtos específicos com foco nas pessoas pretas, e menos ainda para crianças pretas. O lançamento de linhas de grandes empresas é uma evolução importante, mas elas chegam atrasadíssimas. Correm atrás do prejuízo porque perderam dinheiro por não se preocupar com esse público específico. Isso não era inteligente do ponto de vista de negócios.

As grandes empresas do setor que começam a se voltar para o segmento afroinfantil encontram um mercado já composto por marcas médias nacionais e produtos artesanais criados especificamente para os cabelos crespos. Um exemplo é o da rede de salões Beleza Natural, que lançou a linha infantil “Turma da Ziquinha” em 2009. Atualmente, a empresa produz 90 mil unidades de xampu, condicionador, creme de pentear e outros produtos próprios para crianças negras. Desde 2015,a Embelezze tem a linha Novex Meus Cachinhos.

MERCADO É O QUE ATRAI

Silvestre diz que ainda há espaço neste mercado. No estudo “Afroconsumo – O protagonismo preto no consumo brasileiro”, produzido pela consultoria Nielsen em 2022, um em cada quatro pretos ou pardos ouvidos diz ser razoavelmente difícil encontrar itens para a comunidade negra. A pesquisa mostra que o ramo da beleza concentra o maior percentual de produtos direcionados, com 62% da preferência dos que responderam.

Para Karine Karam, professora de comportamento do consumidor da ESPM e sócia da Markka Consultoria, o interesse das grandes empresas nesse público aumentou com o movimento de valorização da autoestima negra e da beleza do cabelo natural:

“Ninguém faz por ser bonzinho. É uma questão de mercado e de dinheiro.

OUTROS OLHARES

 A LETRA INVISÍVEL

Representados pelo ‘a’ da sigla LGBTQIAP+, assexuais lutam contra estigmas e ganham visibilidade na mídia, com personagem na novela ‘travessia’

Inventar um sem-número de relações amorosas para os amigos e a família foi rotina na vida da artesã e escritora Simone Hernández (nome fictício) durante mais de 20 anos. Apesar de conhecer rapazes bonitos, explica, ela se esquivava sempre que recebia uma investida mais incisiva. “Tinha uma atração estética, mas algo me mandava sair, como se aquilo não fosse para mim. Já fui beijada, mas sentia repulsa.” Meses atrás, porém, sua verdade veio à tona: aos 44 anos e virgem, Simone teve a intimidade exposta por um ginecologista durante uma consulta em que a mãe estava presente. “Foi traumático! Criava histórias porque queria que me deixassem em paz. Eu me achava incompetente emocionalmente”, desabafa.

O que Simone acreditava ser incompetência, na verdade, tem outro nome. Ela é assexual, e vem vivendo sozinha e de forma um pouco menos dolorida, por causa das sessões de terapia, seu processo de autodescoberta há dez anos. Entendeu que não há nada errado em nunca ter tido um relacionamento mais íntimo ou feito sexo, porque os assexuais, de forma geral, são pessoas que não sentem atração sexual por outras. Mas, por causa disso, sempre foi desvalidada socialmente. “Em festas de família, enquanto as primas da minha idade sentavam na mesa dos adultos, eu, que não era casada, ficava na das crianças. Ouvi muitas piadas de que serei solteirona”, conta ela, que pretende conversar e abrir o jogo para os pais quando se sentir pronta.

Cercada por mitos, a assexualidade é a letrinha A dentro da sigla LGBTQIAP+ e uma das identidades mais invisibilizadas socialmente. Um deles é exatamente a de que todos os assexuais não transam ou não têm desejo ou libido. “Assexuais podem não sentir atração, mas podem se apaixonar e sentir desejo. Até porque ele é muito amplo e não só sexual. Podemos desejar um bolo, uma viagem, um trabalho. É algo no qual queremos investir”, explica o psicólogo e pesquisador Breno Rosostolato, de São Paulo. “E podemos fazer sexo por vários motivos: para agradar ao outro, por dinheiro… A atração não é algo obrigatório.”

A assexualidade, assim como a homo ou heterossexualidade, é autodeclarada e está longe de ser uma patologia. “As normativas guiam muito a sociedade. Então, existe esse sofrimento. Somos cobrados por performances sexuais. Muitas vezes, o parceiro de um assexual não entende ou aceita seu jeito de existir”, afirma Breno.

E é essa situação conflituosa, além de ser um tema pouco explorado na ficção, que a escritora Gloria Perez entendeu ser importante para abordar em “Travessia”, novela da 21h da TV Globo. O personagem Caíque, de Thiago Fragoso, é assexual e vive um conflito com a namorada, Leonor, papel de Vanessa Giácomo. A moça acreditava não ser amada por ele não querer transar, mas no decorrer da história, compreende a sexualidade dele.

“Conversei com um cara assexual e tivemos um papo profundo sobre ereção, masturbação e erotismo. Não posso correr o risco de passar informações ilegítimas. Caíque é vibrante, potente, e mostra que assexualidade não é fraqueza”, afirma o ator.

Segundo pesquisa feita em 2016 pela psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (Prosex) da USP, sete em cada cem mulheres e três em cada cem homens não têm interesse na vida sexual. “Foi um levantamento com milhares de brasileiros, e é um número bastante expressivo, levando em conta o tamanho da população”, observa ela.

Em outra pesquisa mais recente, de 2022, Carmita e outros pesquisadores indicaram, em artigo da revista científica Nature, que 12% da população brasileira é LGBTQIAP+; desse número, a maior porcentagem é de assexuais: 5,76%. Na década de 1940, estudos feitos pelo pesquisador Alfred Kinsey e, em 2004, pelo sexólogo Anthony Bogaert, mostraram que pelo menos 1% da população mundial não quer ter relações sexuais. No entanto, para o psiquiatra Alexandre Saadeh, é preciso cuidado ao falar sobre o assunto. “Vejo jovens que não querem mais viver o desejo e o erotismo, e descaracterizam a sexualidade como algo interessante. Está muito ligado ao tempo em que passam on-line e aos questionamentos sobre identidade de gênero”.

Dentro do espectro da assexualidade, há o que os pesquisadores chamam de “área cinza”. Ali, um assexual pode se identificar como estrito, ou seja, nunca sente atração sexual e raramente tem relações; greyssexual ou assexual fluido, podendo ou não fazer sexo, até os demissexuais, que transam quando criam vínculo afetivo. É o caso da cantora Iza e da apresentadora Giovanna Ewbank. Ambas afirmaram ser demissexuais, fazendo o termo ser um dos mais buscados no Google em 2022.

Uma das criadoras do Coletivo Abrace, voltado à visibilidade sobre o tema, a designer gráfica Sara Hanna, 38 anos, também se identifica como demissexual. “Nunca entendi meus amigos falando sobre ‘ficar na seca’. Achava que era comum criar um vínculo para, talvez, ter atração pela pessoa e transar”, diz ela, que está solteira. “Quando estou sozinha, passo anos sem procurar alguém. Canalizo minha libido para culinária e jardinagem”, completa.

Sara é ex-namorada do advogado Walter Mastelaro Neto, de 35 anos. Estudioso da assexualidade, ele, que é assexual estrito, mantém duas comunidades sobre o assunto no Facebook, com quase seis mil membros. “Aos 14 anos, por curiosidade, tive minha primeira experiência sexual. Isso era tão interessante para todo mundo, mas não para mim”, recorda-se. O mais importante em jogar luz sobre o tema, ele diz, é eliminar o estigma de  que os assexuais são pessoas frias ou não podem se relacionar amorosamente: “Podemos construir relações afetivas, saudáveis e duradouras. O afeto é que me faz ter interesse em alguém.

É ele que nos liga às pessoas de forma diferente”.

GESTÃO E CARREIRA

   FALTA DE SAÚDE MENTAL –  COMO EVITAR ESSA PRÓXIMA PANDEMIA

A pandemia trouxe uma série de desafios para o mercado corporativo. Muitos foram superados, entre eles viabilizar o trabalho remoto sem impactar a produtividade das equipes. Mas, agora, novos obstáculos estão surgindo e uma outra preocupação vem ocupando cada vez mais espaço entre os líderes das empresas: o impacto desses quase três anos na saúde mental dos colaboradores.

O isolamento social, o desemprego, os problemas financeiros e de saúde e a perda de entes queridos, afetaram radicalmente o comportamento humano e, em muitos casos, de uma forma irreversível. Doenças como depressão, ansiedade e estresse registraram um boom nunca visto antes. É quase como se estivéssemos vivendo uma segunda pandemia, a de problemas emocionais.

Um recente estudo do Ministério da Saúde mostrou que 11,3% dos brasileiros receberam o diagnóstico de depressão em 2020. Já globalmente, segundo a OMS, a depressão e a prevalência de ansiedade aumentaram 25% no mundo todo neste mesmo ano, e, desde então 90% dos países pesquisados passaram a incluir a saúde mental e o apoio psicossocial em seus planos de resposta a essas doenças.

O Great Place to Work, que é um dos rankings mais respeitados no mundo, por exemplo, criou até uma categoria de Saúde Emocional em 2022, para destacar as organizações por bons índices de práticas voltadas à melhoria da saúde emocional, mental e bem-estar de colaboradores e líderes, o que só vem a reforçar essa preocupação em relação ao tema.

Usando minha vivência dos últimos anos, nos quais a área pela qual sou responsável, a de Desenvolvimento Humano Organizacional, liderou diversas iniciativas para se adaptar a esse novo cenário, listei algumas dicas que podem ser colocadas em prática para beneficiar a saúde emocional como um todo:

*** Crie um comitê bem estruturado para propagar as ações de saúde mental por toda a empresa;

*** Crie um canal de comunicação com informações úteis e atualizadas a respeito, para que os colabora dores possam acessá-las facilmente e tirar dúvidas sempre que preciso;

*** Promova palestras e campanhas com temas realmente relevantes e atuais. É importante que essa iniciativa seja recorrente para ajudar a estabelecer uma frequência que não permita que os assuntos caiam no esquecimento;

*** Faça rodas de conversas informais. É uma maneira de todos se sentirem mais à vontade para falar dos problemas;

*** Identifique os diferentes grupos que existem na sua empresa para detectar aspectos que impactam diretamente no emocional, como comportamentos racistas e homofóbicos, que impactam diretamente o emocional das pessoas;

*** Trabalhe a formação dos líderes. A responsabilidade da gestão de pessoas não é somente do RH. O líder é o grande responsável pela gestão diária do time;

*** Apoie iniciativas relacionadas à prática de esportes. Os benefícios trazidos pelo esporte na vida pessoal e profissional já foram mais do que comprovados, por isso cabe ao RH facilitar a aprovação dessas iniciativas e torná-las sempre viáveis. Apoie seu time, ofereça horários flexíveis para que as pessoas possam ter uma rotina de exercícios.

Além de melhorar a saúde física e mental, proporcionando como consequência uma melhora na produtividade, o esporte traz muitas lições importantes para o mundo corporativo. Ele ensina a disciplina, a humildade, o respeito aos limites do próximo, o espírito de equipe;

*** Deixe à disposição um time de especialistas como médicos e psicólogos para atender aos colaboradores, sempre que for preciso;

*** Estabeleça a cultura do diálogo e do acolhimento. Faça com que as pessoas se sintam à vontade e acolhidas para conversar sobre qualquer problema que possa estar afetando sua vida profissional e pessoal.

*** Monte pacotes de benefícios flexíveis para que cada um possa usar da maneira que preferir, seja numa academia, ou para gastar no supermercado, por exemplo.

Certamente esse conjunto de ações vai te ajudar a promover uma melhora na saúde mental de todos, e isso vai refletir diretamente no resultado do seu negócio. Eu acredito muito que não é possível separar o lado profissional do pessoal. Somos um só e devemos ser tratados como indivíduos único que somos e não apenas como a força de trabalho que vai levar a sua empresa a lucrar mais.

Para alcançar alta performance e excelência, é fundamental considerar os fatores de saúde emocional. Tudo está associado. Por isso, fale sobre esse tema, sempre. Torne-o uma pauta recorrente e, se for preciso, revise o código de valores e os princípios da sua organização para se certificar que eles estejam aderentes às novas demandas do pós-pandemia.

E lembre-se, sempre: todos nós somos guardiões da cultura da empresa e desse grande desafio de evitar essa segunda pandemia em nossas vidas.

NATÁLIA PRUCHNESKI – É Gerente de Desenvolvimento Humano Organizacional (DHO) da Teltec Solutions – https://teltecsolutions.com.br/

EU ACHO …

A MORTE COMO CONSOLO

Assim como qualquer mortal, eu também esquento a cabeça com questões de difícil praticidade. Teorizar é moleza, mas como agir do mesmo modo que essas supermulheres que a gente vê nas revistas e jornais, sempre bem resolvidas? Você acha que eu sei? Sei nada.

Eu também me desgasto com assuntos mundanos, aqueles que nos atormentam dia e noite: sinto ciúmes, me constranjo ao negar convites, às vezes acho que sou severa demais com minhas filhas, às vezes severa de menos, não consigo ser tão solícita quanto gostaria, me sinto desatualizada em relação a tanta coisa, não sei direito a direção para a qual conduzir minha vida, enfim, coisinhas que nos roubam algumas horas preciosas de sono.

Como não faço terapia e não posso perder nem um minuto precioso de sono, já que normalmente durmo pouco, resolvi procurar um método pessoal para relativizar meus pequenos grilos cotidianos. E encontrei um que pode parecer macabro, mas está funcionando. Quando estou muito preocupada com alguma coisa, penso: eu vou morrer.

Óbvio que vou morrer, todo mundo sabe que vai morrer um dia, mas a gente evita pensar nesse assunto desagradável. No entanto, tenho pensado na morte não como uma tragédia, mas como um recurso para desencanar dos problemas, e então a morte se torna, ulalá, um paliativo: daqui a quarenta anos, mais ou menos, eu não vou estar mais aqui. O que são    quarenta    anos?  Um  flash.    Todas  as    minhas  preocupações desaparecerão. Nada do que eu sinto ou penso permanecerá, ao menos não para mim mesma – o que as pessoas lembrarem de mim será de responsabilidade delas. Eu vou evaporar. Sumir. Escafeder-me. Então pra que me preocupar com bobagem?

Diante da morte, tudo é bobagem. Recapitulando os exemplos dados no segundo parágrafo: ciúmes? Ouvi bem: ciúmes? De quem, pra quê, se todos irão pra baixo da terra e ninguém sobreviverá para cantar vitória? Aproveite os momentos que você tem hoje – hoje! – para desfrutar seus prazeres e não pense em perdas e ganhos, isso não existe, é pura ilusão.

Os filhos nos amam, mas fatalmente reclamarão de nós um dia, não importa o quão bacana fomos com eles. Ser 100% solícita é coisa para Madre Teresa. Atualização pode ser importante para o trabalho, mas nem sempre para nosso bem-estar. E, finalmente, seja qual for a direção que você der à sua vida, o que importa é que ela seja satisfatória hoje (repito a palavra mágica – hoje!) porque daqui a pouco você e suas preocupações virarão poeira. Até Ivete Sangalo vai virar poeira.

Importantíssimo (me descuidei, deveria ter colocado esse último parágrafo lá no início, mas já que vou morrer, dane-se): se você tem menos de quarenta anos, desconsidere todas as linhas dessa crônica. Leve seu nascimento a sério. Antes dos quarenta, ninguém vai morrer. Essa é a ordem natural do pensamento humano. Pague seus impostos, preocupe-se com a direção que sua vida está tomando, morra de ciúmes, dê-se o direito de todas as cenas passionais e irracionais que incrementam seu script: não se entregue ao fatalismo. Honre o primeiro ato dessa encenação chamada vida.

Porém, depois dos quarenta, apenas divirta-se e não perca tempo se preocupando com bobagens. Vai dar em nada.

MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

OS 11 SINTOMAS DA DEFICIÊNCIA DE FERRO E O QUE COMER PARA EVITÁ-LA

A anemia é o distúrbio nutricional mais comum do planeta e afeta mais de 30% da população mundial, segundo a OMS

Você costuma se sentir cansado, com falta de ar ou perceber que seu coração está batendo mais forte do que deveria? Ou seus amigos comentaram que você parece muito pálido? Em caso afirmativo, você pode estar sofrendo de deficiência de ferro ou de anemia por esse motivo, o distúrbio nutricional mais comum do planeta.

Mais de 30% da população mundial é anêmica, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Trata-se de uma condição na qual o corpo carece do mineral nos glóbulos vermelhos, o que significa que menos oxigênio chega às células, já que o ferro é o responsável pelo seu transporte.

A anemia por deficiência de ferro não deve ser autodiagnosticada nem tratada por conta própria, com automedicação. Os sintomas podem indicar a existência de outra doença, e sobrecarregar o corpo com ferro pode ser perigoso, pois o acúmulo excessivo desse elemento pode danificar o fígado e causar outras complicações, alertam médicos.

Portanto, você deve se consultar com um médico se sentir um ou mais dos seguintes sintomas:

  •  Fadiga extrema e falta de energia
  •  Falta de ar
  •  Batimentos cardíacos perceptíveis (palpitações cardíacas)
  •  Pele pálida

Os sinais destacados acima são os mais comuns de acordo com a Mayo Clinic e o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), embora existam outros menos comuns, como:

  • Dores de cabeça, tonturas ou vertigens;
  • Inchaço ou dor na língua;
  • Perda de cabelo — quando há mais cabelo saindo ao escovar ou lavar;
  • Desejos de comer substâncias não alimentares, como papel ou gelo, uma condição conhecida como alotriofagia;
  • Feridas abertas dolorosas (úlceras) nos cantos da boca;
  • Unhas em forma de colher ou quebradiças;
  • Síndrome das pernas inquietas, um distúrbio que causa um forte desejo de mover as pernas.

CAUSAS

Existem vários fatores diferentes que podem levar à anemia por deficiência de ferro, incluindo gravidez, falta de ferro na dieta, crescimento rápido na infância, menstruação com fluxo intenso e condições de saúde que afetem a absorção de ferro.

O nosso corpo não é capaz de produzir este nutriente essencial para o funcionamento do organismo. Se você quiser manter os níveis desse mineral adequados – seja por meio da alimentação natural ou da ingestão de alimentos fortificados – é preciso saber que nem todo ferro está em uma forma que seu corpo consegue absorver facilmente.

Existem dois tipos de ferro: heme e não heme.

O ferro heme vem de fontes animais, que é mais facilmente absorvido pelo organismo. Ele é encontrado em carne bovina e suína, frango, fígado, ovos e peixes.

Há boas fontes de ferro em vegetais folhosos verde-escuros, como couve e espinafre, e legumes como ervilhas e lentilhas. No entanto, esses minerais são do tipo não heme, o que significa que você não absorve tanto ferro de fontes vegetais quanto de origem animal.

Além disso, há como consumir ferro a partir de pães fortificados e cereais matinais, embora essa não seja uma forma que promova uma alta absorção do mineral.

IMPACTO NA ABSORÇÃO

A maneira como você prepara sua comida e o que você bebe também podem alterar a quantidade de ferro que você absorve.

Para demonstrar isso, o cientista e nutricionista Paul Sharp, do King’s College London, fez alguns experimentos que imitam a digestão humana.

Os testes reproduziram o efeito das enzimas envolvidas na digestão dos alimentos e a reação química que ocorre nas células intestinais humanas para mostrar quanto ferro seria absorvido.

Sharp mostrou que se você beber suco de laranja com seu cereal matinal fortificado, uma quantidade muito maior de ferro é absorvida em comparação a apenas comer o cereal. Isso ocorre porque o suco de laranja contém vitamina C, o que facilita a absorção do ferro dos alimentos.

Mas, infelizmente, se você tomar café enquanto come sua tigela matinal de cereal, isso impactará diretamente na absorção de ferro, fazendo seu corpo captar um nível menor desse mineral. Segundo Sharp, isso ocorre porque o café está cheio de substâncias químicas chamadas polifenóis, que são muito eficientes em se ligar ao ferro e torná-lo menos solúvel.

Portanto, se um cereal fortificado é o seu café da manhã preferido, beber um copo pequeno de suco de laranja ou comer laranja ajudará a aumentar sua ingestão de ferro. Assim como também fará com que você espere pelo menos 30 minutos para tomar sua xícara de café após comer, para não prejudicar a absorção de ferro.

FONTES VEGETAIS

O repolho cru é uma boa fonte de ferro disponível, mas cozinhá-lo no vapor reduz a quantidade do mineral, enquanto fervê-lo diminui ainda mais. Isso porque, assim como a laranja, o repolho é rico em vitamina C e, ao fervê-lo, a vitamina C é liberada na água do cozimento, não facilitando a absorção.

Portanto, se você deseja obter o máximo de nutrientes do repolho, coma-o cru ou no vapor. O mesmo vale para outros vegetais que contêm ferro e vitamina C, como couve, brócolis, couve-flor e agrião.

Mas, curiosamente, o espinafre é completamente diferente. Sharp descobriu que a folha fervida libera 55% mais ferro do tipo biodisponível do que cru.

“O espinafre tem compostos, chamados oxalatos, que basicamente prendem o ferro. Quando cozinhamos o espinafre, o oxalato é liberado na água de cozimento e, portanto, o ferro que sobra estará mais disponível para absorção”, explica o nutricionista.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MENTE ACEITA SÓ AQUILO EM QUE ACREDITA

Viés da confirmação explica a nossa atual sociedade polarizada

Narciso acha feio o que não é espelho, canta Caetano Veloso em Sampa. Contudo, não foi em São Paulo, mas em Londres, na década de 1960, que o psicólogo Peter Wason deu o nome de “viés de confirmação” para o mecanismo que induz a mente a aceitar as informações que sustentam as próprias crenças, em vez de questionar e ter abertura para analisar outros tipos de informação.

A ideia de uma mente racional, a serviço de apreender a realidade tal qual ela é, seguiu sendo desacreditada na década seguinte. Em 1979, foi realizado um estudo na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, com estudantes universitários que tinham opiniões opostas sobre a pena de morte. Com base em dois artigos falsos – um que argumentava a favor e outro contra a pena de morte –, os estudantes apoiaram justamente aquele artigo que confirmava sua crença original. O estudo mostrou que ter as certezas contestadas serviu apenas como reforço para as próprias convicções.

Para os especialistas, a política e o futebol são campos de florescência do viés de confirmação. “A partir do momento em que você se expõe, você se cristaliza naquele posicionamento e aí você vai polarizando, polarizando…”, diz a neurocientista Claudia Feitosa-Santana. “As pessoas estão polarizando até em relação a Neymar e Richarlison por causa da política.”

Segundo Claudia, as conversas não ajudam a reduzir a polarização porque as pessoas acham que o diálogo está a serviço de desconstruir o argumento do outro. “A polarização política, da forma como ela é, só ajuda os próprios políticos. Eles conseguem conversar entre si, eles fazem acordos a portas fechadas, o eleitorado não.” Há quem coloque na conta da empatia a solução. Acontece que a empatia, relacionada à verdadeira escuta, custa energia cerebral ou glicose, que é um recurso limitado.

“É muito difícil você conseguir ‘empatizar’ com o que não faz parte do que você considera seu círculo moral”, diz Claudia. “As pessoas hoje em dia focam em empatia, sendo que ninguém tem empatia com ninguém. Usam a palavra empatia para cobrar do outro empatia, não para ser empático. O foco na verdade é a palavra respeito e ninguém se respeita”.

Alinhada ao viés de confirmação, a polarização política já chega formatada. “Quem é de esquerda tem que ser a favor do aborto. Se você é de direita, você tem que ser contra. Alguns autores chamam isso de identidade prêt-à-porter, uma identidade que já vem pronta, você só vai ali e veste”, diz Sérgio Rodrigo Ferreira, pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo. “De certo modo, isso vai matando o aspecto mais subjetivo e mais diverso. Nós temos tido muita dificuldade de conviver com o contraditório por conta disso”.

Se um ambientalista e um executivo de companhia petrolífera buscarem na internet por “mudanças climáticas”, os resultados das buscas serão diferentes.

“Cada vez mais o monitor do nosso computador é uma espécie de espelho que reflete nossos próprios interesses, baseando-se na análise de nossos cliques feita por observadores algorítmicos”, escreve o ativista Eli Pariser no livro O Filtro Invisível: O Que a Internet Está Escondendo de Você (Editora Zahar).

Ao mapear as preferências do usuário, o algoritmo forma as chamadas bolhas, delimitando as respostas de acordo com seus gostos. Isso gera uma autossatisfação viciante que pode isolar o indivíduo num sistema de conhecimento unilateral, reforçando sua visão em vez de expandi-la, assim como acontece com o viés de confirmação.

Mais do que as bolhas, existem ainda as câmeras de eco, que recebem a contribuição dos usuários para manter o alinhamento das crenças. “Quando recebe algum posicionamento diferente, além de ser ferrenhamente contrário a ele, o usuário exclui pessoas e conteúdos que divergem de si”, explica Sérgio. “Não é apenas o algoritmo que está criando a bolha, mas os usuários ativamente estão construindo esses espaços fechados.”

FAKE NEWS

O constante reforço da própria opinião, evitando ter valores e crenças questionados, é abertura para a desinformação e para as fake news.

“O mundo é extremamente complexo hoje em dia. Nós temos muita dificuldade de enxergar e compreender a dimensão das várias camadas das coisas que acontecem e, de certo modo, na câmara de eco há uma simplificação do mundo a partir do que previamente eu já entendo, compreendo e creio. Eu faço o mundo caber na minha crença”, considera Sérgio.

Claudia Feitosa-Santana traz um contraponto, lembrando que fazemos parte de grupos diversos, como veganos ou pet lovers. “Nós não estamos todos exatamente dentro das mesmas bolhas. Nós temos muitos grupos e é isso que confere estabilidade para a nossa sociedade.”

A falta de tempo, de conhecimento e de fontes confiáveis para filtrar a enxurrada de informações que recebemos pode colocar também a ciência no balaio do descrédito.

Amanda Moura de Sousa, pesquisadora na Universidade Federal do Rio de Janeiro, vem estudando a desinformação na área da saúde e a infodemia, o enorme fluxo de informações que invade a internet, diante da pandemia de covid-19.

“Para economizar o esforço de tentar lidar com algum fato, às vezes a gente precisa recorrer às nossas crenças, só que essas crenças podem levar para um caminho não muito saudável, que é eliminar a dúvida e se focar na certeza que você já tem”, diz a especialista em ciência da informação.

Ela lembra de mensagens que circulavam no início da pandemia, dizendo que os laboratórios não tinham avançado suficientemente em seus estudos e usavam as pessoas como cobaias na aplicação de vacinas. Mais de 71% das mensagens falsas naquele período circulavam pelo WhatsApp, segundo análise do aplicativo Eu Fiscalizo, desenvolvido por pesquisadoras da Fiocruz. “Pela relação de desconfiança que as pessoas muitas vezes têm com os cientistas ou com o próprio fazer da ciência, que às vezes escapa à compreensão delas, elas acabam aderindo à desinformação sem buscar outra fonte”, afirma Amanda.

FATOS

O medo da complexidade e o viés de confirmação são também citados pela pesquisadora de Nova York Sara Gorman no livro Denying to the Grave: Why We Ignore the Facts That Will Save Us (Negando Até o Túmulo: Por Que Ignoramos os Fatos Que nos Salvarão, em tradução livre). Segundo a autora, é tendência da mente enfatizar um pequeno risco, fortalecendo, assim, as próprias crenças. “Recusar-se a vacinar uma criança é um exemplo disso: aqueles que têm medo da imunização exageram o pequeno risco de um efeito colateral e subestimam a devastação que ocorre durante uma epidemia de sarampo ou apenas o quão letal a coqueluche pode ser”, escreve.

Se a ciência é vista muitas vezes de forma distorcida, o próprio fazer científico não está imune ao viés de confirmação – simplesmente porque cientistas são também humanos.

Kelley Cristine Gasque, da Universidade de Brasília, investigou as percepções de cientistas em relação ao viés de confirmação no processo de busca e uso das informações em seu fazer científico.

“Uma questão que achei bastante interessante que surgiu é que esse viés pode ser influenciado pelo financiamento da pesquisa, pela exigência dos resultados e expectativa do mercado”, comenta Kelley. “Empresas, por exemplo, que têm interesses econômicos vão investir muito em pesquisa e é óbvio que querem tal resultado. Então, você tem a tendência de buscar pesquisas em uma base que vai corroborar com aquilo que eles querem.”

Também o desejo de que a pesquisa dê certo foi citado pelos cientistas como gatilho para o viés de confirmação.

O antídoto para o problema seria, segundo os próprios cientistas, ter uma boa formação acadêmica, buscar fontes diversificadas, manter o espírito aberto para pontos de vista diferentes, desenvolver o pensamento crítico e a criatividade.

“O ser humano não é que nem um bezerro ou um potro que sai da mãe já andando. Nós somos extremamente dependentes até nossos 2, 3 anos de idade. Nós dependemos dos outros para sobreviver e isso é extremamente assustador”, observa João Luiz Cortez, especialista em programação neurolinguística.

Se a sobrevivência de hoje implica depender de um cuidador nos primeiros anos de vida, em tempos passados a dependência do grupo tinha peso e medida maiores. “Nós nos perpetuamos como espécie porque adquirimos a capacidade de viver em sociedade e é isso que nos fez resistir numa floresta inóspita com animais muito mais fortes do que nós”, conta João.

Valores são construídos de forma complexa e ancorados na afetividade desde a primeira infância. Por isso, mudar certas certezas é difícil e vai além da questão do orgulho narcisístico. A base de crenças é esteio para a sobrevivência emocional.

Charles Peirce, filósofo e pedagogo americano nascido em 1839, afirmava que só a dúvida leva ao conhecimento e, para chegar a ele, passamos por uma alternância entre o desconforto da dúvida e a segurança da crença. Os métodos de fixação da crença listados por Peirce incluem apego, imposição, gostos e também, mas não apenas, o método científico.

Segundo João, ignorar fatos reais para proteger a estabilidade emocional representa um estado limitado de desenvolvimento pessoal. “À medida que eu vou me fortalecendo emocionalmente, espiritualmente, eu tenho uma estrutura, uma musculatura que me permite lidar com a realidade como ela é.”

Apesar das bolhas, grupos, e algoritmos, não há o que unifique a experiência humana. “A maneira como nos sentimos nunca se repete no tempo e jamais é igual à forma como outra pessoa se sente”, escreve Claudia Feitosa-Santana no livro Eu Controlo Como Me Sinto. “E os filósofos já sabiam disso havia muito tempo. Na Grécia Antiga, Heráclito, um dos pensadores mais antigos que conhecemos, afirmou o seguinte: ‘Não podemos nos banhar no mesmo rio duas vezes’.”

Para além da soberania da razão, Caetano cantaria: “Alguma coisa acontece no meu coração”.

OUTROS OLHARES

DO TERREIRO À IGREJA, HISTÓRICO DE TRANSFOBIA MARCA DIFERENTES RELIGIÕES

Transgêneros contam dificuldades e experiências de preconceito que passaram em casas de fé

Há algo que une todas as principais religiões do Brasil, e não estamos falando do amor a Deus ou a deuses, seja qual for sua crença. Aliás, amor não tem qualquer espaço aqui. A transfobia é uma fístula que lacera relações sociais em múltiplas casas de fé, do terreiro à igreja.

Mesmo religiões tidas como trincheira contra o preconceito com pessoas LGBTQIA+ têm um histórico de marginalizar transgêneros, apontam cinco deles às vésperas do Dia Nacional da Visibilidade Trans, comemorado neste domingo (29).

A modelo Ariadna Arantes, 38, primeira trans no Big Brother Brasil, fez um desabafo no dia seguinte à data que celebrou a causa em 2020. “Estou sofrendo intolerância dentro da própria religião.”

Havia acabado de ser iniciada no candomblé. Virou notícia: a ex-BBB de saião, blusa e turbante brancos. Mas muita gente, inclusive nos terreiros, torceu o nariz. Se a biologia não lhe fez mulher desde sempre, ela não podia se vestir como uma, alegavam. “Vocês são o que, professores de anatomia?”, Ariadna esbravejou. Luyza Nogueira dos Santos, 24, já viu esse filme antes, e passou por maus bocados antes de conseguir seu final feliz.

Ela conhece o preconceito desde pequena. Andou com fé primeiro numa igreja pentecostal, e depois na Igreja Católica, onde chegou a fazer a primeira comunhão. Voltou a ser evangélica porque os católicos lhe pareciam certinhos, e ela “sentia falta do transe”. Até que se descobriu médium ao receber no templo o Caboclo Laço de Ouro, uma entidade da umbanda, diz. Os fiéis em volta se horrorizaram. “Acordei lavada de óleo de unção dos pés à cabeça.”

Foi aí que Luyza encontrou a religiosidade afro-brasileira, mas sem se encontrar por completo nela. Tinha uma tia de santo, uma parente espiritual, que apanhou com sandália da avó de santo porque havia chegada maquiada na casa. “Era travesti declarada, mas dentro do terreiro a tratavam pelo nome morto [o que recebeu ao nascer], e vestia roupas ditas masculinas”, conta. Luyza ainda não havia feito a transição de gênero e vivia sendo amolada para se assumir gay. Mas ela era uma mulher, não um homem homossexual. E se sentia desconfortável com regras como não poder baixar entidades femininas. “Até que uma pomba-gira pegou minha cabeça, a Maria Navalha do Cabaré.” Conta que recebia ameaças, inclusive físicas, toda vez que aparecia com trajes femininos, como tranças ou uma saia.

Para Ronan Gaia, 28, que escreveu uma tese de mestrado sobre mulheres trans no candomblé, a religiosidade afro-brasileira não está isenta de preconceitos que encharcam toda a sociedade. “Em alguns terreiros, sobretudo os mais tradicionais, apenas mulheres dançam o xirê, ritual que antecede a evocação dos orixás. Mulheres trans são excluídas desse processo, e homens trans, inseridos”.

E esse é só um exemplo. O corpo é fundamental para o rito candomblecista, diz Gaia. Daí um destaque maior para a biologia, como se os orixás só compreendessem o gênero a partir do sistema reprodutor com que a pessoa nasceu. Para o pesquisador, ainda que reproduzam dinâmicas transfóbicas, os terreiros são redes importantes para acolher a população trans.

É como a reverenda trans Alexya Salvador, 42, vê muitas das chamadas igrejas inclusivas. Elas, ao contrário da maioria do meio evangélico, não percebem a identidade LGBTQIA+ como pecado. O problema é que esses templos não discriminam o fiel trans, mas nem sempre o aceita na liderança, diz.

Vide a amiga Jacque Chanel. Após ter sua ordenação como pastora negada por uma igreja que se dizia livre de preconceitos, ela abriu a Séforas, pioneiro templo trans.

Hoje líder na Igreja da Comunidade Metropolitana, Alexya cresceu na Igreja Católica e diz que conheceu padres que excluíam os LGBTQIA+ da “obra de Deus”.

A psicóloga e pesquisadora Cris Serra, 49, é católica praticante. E diz mais. “Foi justamente a minha experiência de sagrado a partir da sacralidade do meu corpo que permitiu que eu compreendesse minha experiência para além dessa norma cis-heterossexual tão dominante”, afirma.

Ela hoje usa o pronome feminino para se referir a si, mas gosta “quando a fronteira fica confusa” e lhe tascam o masculino. Cris se define como pessoa não binária. Entende-se portanto como trans, sem se identificar com o gênero que lhe foi atribuído no nascimento.

Sabe da longa ficha corrida do Vaticano na transfobia. Recentemente, um post nas redes sociais ilustrou bem do que Cris está falando: lamentava “ver travecão comungando” nas missas modernas.

Papa Francisco, nesse sentido, emite sinais dúbios. Na quarta (25), declarou que a homossexualidade não é crime, mas é pecado. Imagina então o que acham deles, se perguntam os transgêneros. Em 2016, o pontífice disse que a teoria de gênero, “grande inimiga” da família, quer propagar a “colonização ideológica”.

Cris cita como exemplo dom Luciano Bergamin, bispo-emérito de Nova Iguaçu (RJ). Certo dia, veio até ele o pai de uma jovem trans, “muito atordoado com a situação da filha, chamando-a várias vezes pelo nome morto, masculino”. O bispo, “com bom humor, perguntou como era o nome dela e, rindo e alegando estar surdo, fez o grupo todo repetir o nome [feminino] várias vezes, cada vez mais alto”. Ser homossexual, em casos extremos, já rendeu pena de morte em nações de maioria muçulmana. Não que trans sejam plenamente aceitos, mas a transfobia pode ser mais branda a depender do país, aponta a antropóloga Francirosy Campos Barbosa, coordenadora do Gracias (Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos), da USP.

Já os pares religiosos de Lilyth Ester Grove, 31, se incomodavam menos “quando eu era bicha”, segundo essa antropóloga judia. Até ela perceber que não era um homem gay e fazer a transição de gênero. Aí já era demais.

No fim, a comunidade judaica reflete a sociedade como um todo, diz Lilyth. “Sobre o Brasil em particular, a visão da travesti é muito precarizada. Somos vistas como apenas trabalhadoras de sexo, barraqueiras”. Para Alexya, a pastora evangélica, a força maior que transgêneros podem mostrar “é que nossos corpos também são templos de Deus”. Os incomodados que se mudem.

OUTROS OLHARES

A AFLIÇÃO DO OUTRO

Visto como racista, hino ‘Alvo Mais que a Neve’ leva debate sobre o politicamente correto nas artes para o universo gospel

Quando o pastor e cantor gospel Kleber Lucas definiu como racista “Alvo Mais que a Neve”, um clássico da música cristã que ele próprio cantou no passado, acabou importando para o segmento evangélico uma discussão que há bons anos transborda em outros círculos culturais.

Haveria letras de música que, se em outros tempos passavam batidas, hoje soam inadequadas, com uma carga preconceituosa inaceitável?

Pululam exemplos de canções outrora incensadas e depois banidas de caixas de som.  É o caso da marchinha “O Teu Cabelo Não Nega”, em que Lamartine Babo promete à “mulata” que, como “a cor não pega”, quer o seu amor. Racista. Recentemente, Beyoncé regravou “Heated” para remover um termo que irritou ativistas dos direitos de pessoas com deficiência. Derivava de “spaz” e remetia à espasticidade, distúrbio comum na paralisia cerebral. Capacitista.

Eis a questão —excesso de zelo, como afirmam detratores do politicamente correto, ou uma revisão de intolerâncias normalizadas no passado, para outros. Um debate que já pega fogo no meio secular, como evangélicos chamam o que é externo à sua religião, e que passou a carbonizar as relações entre irmãos de fé.

Kleber arrastou o bode para a sala religiosa quando, em entrevista a Caetano Veloso para o canal Mídia Ninja, apontou racismo na adaptação brasileira de “Blessed by the Fountain”, hino de 1881 do metodista Eden Reeder Latta.

O título da versão vem de uma passagem do Livro de Isaías — “embora os seus pecados sejam vermelhos como escarlate, eles se tornarão brancos como a neve”. Kleber, que regravou com Caetano sua música “Deus Cuida de Mim”, interpretou a mensagem com lentes contemporâneas. “Porque o sangue de Jesus me torna branco, as ideias de embranquecimento estão lá no hino.”

Disse entender que, por memória afetiva, muitos entoem essa “canção lindíssima”. Mas hoje, mais ciente da “teologia preta” que ganha corpo no Brasil, enxerga uma mensagem “nefasta”. “Por que a igreja evangélica brasileira, de maioria negra, continua cantando ‘Alvo Mais que a Neve’?”

A colocação do pastor desagradou a meio mundo evangélico. Colega no gospel, a cantora Eyshila postou um vídeo cantando o hino da discórdia.

Pastor e deputado federal, Marco Feliciano se referiu a Kleber como “pregoeiro da loucura socialista comunista” e questionou se evangélicos deveriam “rasgar a Bíblia”, já que a inspiração para a música vem de lá. “Onde chegamos? Eu confesso que isso me embrulhou o estômago vindo de um levita, um pastor cujos louvores me fizeram adorar a Deus com intensidade.”

Portais evangélicos repercutiram a fala de Kleber em tom pouco amigável. O Gospel Mais publicou que, “assim como ocorre com outros problemas sociais, [o racismo] também tem sido instrumentalizado para apregoar um tipo de narrativa que enxerga discriminação em quase tudo”. O hino cristão, diz o texto, nada mais é do que uma “óbvia referência à purificação”.

Segundo o pastor Pedrão, líder da Comunidade Batista do Rio de Janeiro, o amigo “comeu mosca, falou besteira”. Afinal, “Deus não faz acepção de pessoas”, diz.

Kleber não é míope ao contexto ideológico em que o bafafá teológico emergiu. Sua questão, afirma, não tem como alvo o texto bíblico mas como ele é recebido num mundo que carrega a chaga da escravidão de africanos.

“Essa polêmica se acentua no momento em que a maioria do segmento que votou no governo derrotado se levanta num tipo de revanchismo, de hostilidade contra todos que se posicionaram contra Bolsonaro.” Foi o caso dele, um dos raros quadros evangélicos de expressão que apoiou Lula, do PT, contra Bolsonaro, do PL. E também o do cantor gospel Leonardo Gonçalves, que saiu em sua defesa.

“Você pode chamar de militância, mas estamos falando de sensibilidade. E a fala é do pastor Kleber. Um homem preto que cresceu na favela. Sua fala está marcada pela experiência. Você não consegue ter sensibilidade para ouvir?”

Gonçalves pegou a deixa e problematizou outra canção do gospel, para ficar num verbo que dá alergia em quem reclama de um mundo “chato demais” onde todo mundo se ofende a toda hora. Sua mira, dessa vez, foi para “O Nosso General É Cristo”, do veterano pastor Adhemar de Campos.

A mensagem pode se perder para quem sofreu nas mãos das “incontáveis ditaduras militares na América Latina”, afirma. “Para alguém que foi torturado por um general, como você acha que soa cantar ‘O Nosso General É Cristo’?”

Combinada com o comentário de Kleber, a análise de Gonçalves fomentou uma corrente direcionada à “tchurma” do mimimi”, que viralizou nas redes evangélicas. A troça era pegar trechos do cancioneiro gospel e os associar a alguma queixa da militância.

“Sabor de Mel”, famosa na voz da cantora Damares, acionaria gatilhos em diabéticos. “Olhai, olhai, olhai, os lírios cresceram no campo” seria preconceito contra cegos. “Eu não procuro por coroas”, verso sobre a busca por Deus ser superior àquela pelo poder, poderia ser mal interpretado por mulheres mais velhas. E o que dizer de “Caminhando Eu Vou para Canaã”, um acinte a cadeirantes?

Quem perde a sensibilidade, mas não perde a piada corre o risco de classificar de “exagero” e “militância” a dor do outro, disse Leonardo Gonçalves numa rede social. É preciso empatia. E também é fundamental entender que contextos mudam, e isso é saudável para todos os envolvidos.

Ele lembra músicas da Igreja Adventista do Sétimo Dia, frequentada por sua família. “Muitas dessas letras usavam os termos ‘gozo’ e ‘gozar’, que indicavam alegria, mas hoje são compreendidos de forma menos, digamos, inocente. “Você vai me dizer que o significado dessa palavra não mudou? Tanto mudou que foram substituindo essa palavra porque estava ridículo!”

GESTÃO E CARREIRA

PRINCIPAIS TENDÊNCIAS PARA O AUDIOVISUAL CORPORATIVO

O audiovisual foi um dos segmentos que mais cresceram desde o início da pandemia, segundo a 22ª Pesquisa Global de Entretenimento e Mídia 2021-2025 da PwC, o setor no Brasil deve crescer 4,7% até 2025 e 5% ao ano.

Os vídeos estão presentes em todos os lugares e em grandes quantidades: não somente nas redes sociais e como forma de entretenimento, mas também como formato de construção de imagem de marca para muitas empresas, além de ser um assertivo ponto de contato com clientes, fornecedores, parceiros e colaboradores.

A tendência permanece em 2023. Pensando nisso, a ‘thanks for sharing’, produtora audiovisual de animação 2D para o mercado corporativo, por meio da CEO e fundadora, Simone Cyrineu, separou quatro tendências para o mercado no ano que vem:

ANÁLISE DE DADOS

Em meio à crise econômica e retração de muitas empresas, é cada vez mais necessário que os orçamentos de vídeos sejam feitos com base em dados, sejam eles de performance de campanhas anteriores das empresas ou de pesquisas de mercado.

“Na análise de dados, é também importante avaliar o motivo do vídeo contratado e o conteúdo dos vídeos feitos anteriormente, como adequação de linguagem e resultados obtidos”, pontua a especialista.

AUTOMATIZAÇÃO DE PROCESSOS

Ao entender a importância do vídeo para a comunicação corporativa e as frequentes e rápidas mudanças do ambiente digital, a produção audiovisual precisa acompanhar esse ritmo por meio de entregas escaláveis e processos automatizados, ágeis e tecnológicos. A ‘thanks for sharing’, por exemplo, aposta nos valores por meio de feedbacks e contatos frequentes com os times envolvidos e produtos e preços presentes no site.

VÍDEOS ESCALÁVEIS

Partindo do pressuposto que os vídeos contratados pelas empresas terão diferentes públicos-alvo, estes acessam e consomem diferentes tipos e formatos de conteúdo. Sendo assim, a prática mais assertiva para os fornecedores de vídeo é apostar em automatização e escalabilidade de vídeos. Isto é, vídeos ágeis e eficientes produzidos em escala e adaptáveis para cada propósito e canal de comunicação.

CAMPANHAS OMNICHANNEL

Com múltiplos canais de comunicação e contato com clientes, fornecedores e parceiros, é essencial que as empresas apostem em campanhas omnichannel com vídeos personalizados de acordo com a necessidade de cada público, assim como adaptado para os específicos canais.

Atuante no setor e já aderente às tendências listadas, a thanks for sharing inova no setor ao traduzir comunicações e objetivos das empresas em vídeos personalizados. Traduzindo a solidez do negócio, a produtora tem, em seu portfólio clientes, de diversos segmentos e tamanhos, como Electrolux, Porto Seguro, Syngenta, XP Inc. entre outros

FONTE E MAIS INFORMAÇÕES: www.thanksforsharing.com.br

EU ACHO …

NÁUFRAGOS DO ORGULHO

No naufrágio do Titanic da espécie humana, eu me agarro à boia da minha vaidade

Vejo pessoas tomadas de fúria. Observo outros humanos atacados de ciúmes doentios ou inveja corrosiva. A luxúria consome meus conhecidos e induz cada um deles a atos torpes. Por todo lado, o “humano, demasiado humano”, domina. Egoístas sempre, altruístas de quando em vez. E eu? Sinto-me igual (ou pior) a todos os que perambulam neste umbral chamado vida. Ressalto: minha estrutura iguala-me a toda a mesquinhez do mundo. Minha vaidade é tão imensa que tenho vergonha de demonstrar a fraqueza em público. Como funciona? Alguém me diz algo desagradável na rua. Fico perturbado, sempre, mas… teria muita vergonha de reagir com raiva desmedida, demonstrando que o agressor acertou o alvo; eu acuso o golpe, sentindo afluir o sangue da “vendetta”. Prefiro fingir indiferença disfarçada por certo estoicismo de “minha paz me pertence”. Olhando de longe, pareço sábio; de perto, sou uma besta-fera amordaçada.

Tenho ciúmes vários, mas nada digo. Parece que seria uma humilhação pedir que evite encontrar alguém. É algo similar a “como o meu concorrente pode ser melhor do que eu, prefiro que você não o encontre”. Passar atestado de fraqueza, de medo e berrar ao mundo que não sou bom o suficiente? Minha máscara é a superioridade ocultando meu medo trêmulo: “Pode ir, amor… você quem sabe”.

Em meu favor, o fino verniz consegue ter efeito denso. Tive um colega invejoso que me atacava na universidade. Num dia, em meio a uma chuva de críticas gratuitas em almoço coletivo, respondi com calma, trocando o nome dele por um similar. Vi como ficou perturbado. O ódio é um pedido de atenção, entretanto fingi, com sucesso, que ignorava a ação e o ser atrás de tal ação. Foi devastador, e ele perdeu o controle. Eu pisquei por último no fogo-fátuo das vaidades acadêmicas.

Sou vaidoso a ponto de controlar minha raiva. Meu orgulho é tão grande que gosto de emular a sabedoria. Insisto pouco se alguém não quer sair comigo. Disfarço e domestico, parcialmente, minha ira.

Uma pessoa sábia não pode ser atingida por ataques. Sua tranquilidade é profunda; sua paz é um lago sereno ao redor da consciência. O equilibrado de verdade é um monumento de granito que fica indiferente às ondas que se abatem. Não sou assim.

O segundo tipo é o ser impulsivo que enfrenta tudo e todos. Cada palavra seca é respondida com agressão verbal ou física. O raivoso imaturo deixa ao mundo a decisão sobre ter ou não equilíbrio. Basta um gesto e… lá vem a pororoca reativa. Essas pessoas são folhas frágeis que oscilam de acordo com o desejo do vento externo, carregadas para lá e para cá. Barulhentos, porém vítreos; brigões, todavia dependentes. Causam mais incômodo e pena do que medo. Também não sou assim.

Sou um mestiço estranho entre os dois tipos anteriores. Nunca fui o perfeito equilibrado em um mar de dificuldades. Melhorei, porém estou longe do modelo do filósofo Epicteto. Da mesma forma, não encarno o segundo modelo. O impulso não é soberano sobre meu mundo. Minha raiva existe e é controlada, como disse, pela vaidade. O zelo pela minha imagem me domina mais do que ter feito psicanálise ou ter lido tanta filosofia. Não me sinto guiado pela virtude. Meu freio está na fragilidade do meu ego, que finge, pretende, encena e age com serenidade, na maioria das vezes.

De alguma forma, existe uma secreta admiração pela sinceridade transparente de alguém que muda física e psiquicamente, porque outra pessoa deu uma buzinada indevida. É como se essa pessoa não tivesse vergonha de ser visceral e gritasse ao mundo: emita um som, e o meu mundo desmorona como Jericó diante das trombetas dos hebreus. Um perturbado é uma espécie de criança que fica emburrada diante da atenção dada ao irmão na festa de aniversário. Como os pequenos, alguns adultos parecem achar que mostrar carência e fraqueza em público é… legal. Eu morro de vergonha de berrar para todos que sou uma carne viva, sem pele, e um vento frio pode me fazer sentir dor. Há uma parte minha que admira a sinceridade na fraqueza de quem tem acesso de ciúme, em público, sem culpa de reconhecer que não se considera com atrativos suficientes para enfrentar a concorrência.

Volto ao tema: sou igual (ou pior) a todos os motoristas do mundo, a todos os maridos ou a qualquer outro profissional inseguro. Sou raivoso e cheio de complexos. Tenho medo e acho sempre que me abandonarão. Porém, no naufrágio do Titanic da espécie humana, eu me agarro à boia da minha vaidade, minha companheira fiel, vasta e segura. Fico à deriva sim, temo a água fria, a morte e… não grito para não atestar que sou feito do mesmo lodo de todos os fracos e pusilânimes.

Reconhecer-se igual a todos é quase humildade. Saber-se pior é próprio da consciência dos santos. Minha vaidade é tão enorme que, freando minhas raivas e acessos, ainda me fornece uma narrativa de superioridade: “Viu? Não sou como esses que se descontrolam”. Assim, afundo, no mar gelado e patético da humanidade, como todo náufrago, mas… sem gritar. Diferente dos ruidosos, sou um imbecil silencioso e altaneiro. Afundo com total dignidade e estudada cenografia. Tenho esperança de, num dia, ficar sábio. O tempo está diminuindo…

LEANDRO KARNAL – É historiador, escritor, membro da Academia Paulista de Letras e autor de ‘A Coragem da Esperança’, entre outros

ESTAR BEM

TREINO DE 10 MINUTOS PARA ENFRENTAR O DIA A DIA

Desafios diários exigem diferentes esforços do corpo humano. Para evitar dores e lesões, é preciso condicioná-lo. Aprenda exercícios que usam apenas o peso corporal e proporcionam força, estabilidade e flexibilidade

Você não precisa ser um atleta para desafiar seu corpo diariamente. Seja levantando sua bagagem no compartimento superior de um avião ou agachando-se para brincar com seus filhos, muitos movimentos rotineiros exigem uma combinação de força, estabilidade e flexibilidade. Assim como um atleta, se você quer fazer essas coisas bem e sem correr o risco de se machucar, precisa treinar.

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA recomenda 150 minutos de exercício aeróbico de intensidade moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa por semana e duas sessões semanais de treinamento de força que visam todos os principais grupos musculares.

Mas a vida é corrida. Se você tiver apenas 10 minutos por dia, há muito o que se pode fazer usando apenas o peso do corpo. Apesar de curto, esse tempo é suficiente para evitar joelhos que rangem, costas rígidas e pescoço dolorido.

Uma maneira de criar um treino rápido e eficaz é focar no conceito de mobilidade, que envolve aumento de força, estabilidade e flexibilidade, diz Cedric Bryant, presidente do Conselho Americano de Exercício:

“Quando pensamos em mobilidade, pensamos em movimento”.

Isso significa treinamento de força usando movimentos dinâmicos, como afundos, que trabalham grupos de músculos, em vez de músculos individuais, como rosca direta para os bíceps.

“Na vida diária, o corpo nunca usa apenas os bíceps”, comenta Jessica Valant, fisioterapeuta e instrutora de pilates de Denver.

Outra maneira de construir força para a vida cotidiana é fazer exercícios que visam partes importantes do corpo em movimento, como ombros, quadris e coluna, fortalecendo-os enquanto percorrem suas amplitudes de movimento.

“Sua coluna é o centro do tronco, o quadril é o que conecta as pernas ao tronco e o ombro é o que conecta os braços ao tronco. Essas são as principais áreas que você usa para alcançar, levantar e puxar. Se você puder trabalhar para mantê-los móveis, vai se ajudar em 90% das atividades que realiza todos os dias”, enfatiza Valant.

Mark Lauren, especialista em condicionamento físico e ex-treinador do Comando de Operações Especiais da Força Aérea dos EUA, diz que, em sua própria rotina de atividades físicas, exercita metodicamente ombros, coluna, quadris e pernas, incorporando o movimento completo de cada articulação. Isso permite que ele trabalhe de forma rápida e eficiente para aumentar a força e a mobilidade.

Se você está trabalhando ativamente para desenvolver uma amplitude completa de movimento para essas partes do corpo, disse ele, “todo o resto tende a cuidar de si mesmo”.

Para criar a rotina de treinos mais eficiente usando apenas o peso corporal para aumentar a força e a mobilidade na vida cotidiana, conversamos com especialistas sobre quais exercícios eles recomendam e por quê. Os movimentos que eles indicaram aumentam a força do corpo inteiro e farão você se sentir mais capaz e ágil.

FORÇA E MOBILIDADE

Este treino tem como alvo os quadris, ombros e coluna, começando na parte inferior e subindo. Você também pode misturá-los, se preferir. Faça pausas conforme necessário, mas tente trabalhar até o ponto em que não precise delas. À medida que avança, você também pode adicionar pesos leves, mas concentre-se em dominar os movimentos primeiro.

“Se você não dedicar um tempo para se sentir seguro e forte, é aí que os problemas podem ocorrer mais tarde”, alerta Valant.

Comece correndo, marchando sem sair do lugar ou faça outros aquecimentos dinâmicos e, em seguida, faça duas rodadas de um minuto dos seguintes exercícios:

AFUNDO: 10 a 20 repetições por minuto

AGACHAMENTO: 10 a 20 repetições por minuto

PONTE DE GLÚTEOS: 10 a 15 repetições por minuto

PERDIGUEIRO: 6 a 10 repetições por minuto

FORMAÇÃO YTWL: 3 a 5 repetições por posição, com 5 posições por minuto

AGACHAMENTOS E AFUNDOS PARA A PARTE INFERIOR DO CORPO

Agachamentos e afundos são os melhores exercícios para melhorar a mobilidade do quadril. Eles fortalecem suas pernas e desenvolvem a amplitude de movimento de seus quadris. Embora os exercícios sejam semelhantes, conta Valant, é importante fazer os dois. Os agachamentos, que visam os glúteos e os quadríceps, irão ajudá-lo a descer ao chão e voltar com facilidade.

“Fomos feitos para fazermos esses agachamentos profundos. É bom para o assoalho pélvico, é bom para os quadris”, recomenda a fisioterapeuta.

Os agachamentos também trabalham o corpo uniformemente, com as duas pernas fazendo o mesmo movimento.

Para agachamentos com peso corporal, fique em pé com os pés afastados na largura dos ombros. Ao agachar, seus joelhos devem se mover alinhados com os dedos dos pés, descendo o máximo que você puder confortavelmente.

Os afundos, por outro lado, são assimétricos, exigindo equilíbrio e estabilidade, e abrangem muitos outros movimentos diários. Visam os glúteos, quadríceps e isquiotibiais (músculo posterior de coxa), que ajudam a caminhar e subir escadas, mas também criam equilíbrio e firmeza.

Para afundos, assuma uma postura ampla, com o calcanhar traseiro levantado.

“Não tenha medo de usar um balcão ou uma cadeira quando estiver começando”, tranquiliza Valant.

Tanto para agachamentos quanto para afundos, à medida que avança, você pode começar a adicionar alguns pesos, mas como se trata de melhorara mobilidade, “quando mais profundo, melhor”, acrescenta a fisioterapeuta.

PONTE E POSIÇÃO CÃO-PÁSSARO PARA FORTIFICAR A COLUNA

A coluna vertebral é única porque é composta de muitas pequenas articulações, todas as   quais precisam permanecer móveis para funcionar adequadamente. Os principais movimentos da coluna são para frente, para trás, de um lado para o outro e torcer – então esses são os movimentos que você deve treinar.

Lauren recomenda o exercício cão-pássaro, que move a coluna para frente, para trás e de um lado para o outro.

Fique de joelhos na posição de engatinhar, estendendo totalmente o braço direito e a perna esquerda, como faria em um exercício de cão-pássaro do ioga. Em seguida, traga o braço e a perna para o centro do corpo, tentando tocar o cotovelo direito no joelho esquerdo. Repita isso, usando o braço esquerdo e a perna direita.

“É um exercício muito bom para quebrar um longo dia sentado em frente ao computador”, comenta Lauren.

O próximo exercício é a ponte de glúteos, que trabalha a parte inferior da coluna. Para fazer uma ponte de glúteo, deite-se de costas com os joelhos dobrados e os pés apoiados no chão. Pressione os quadris para cima, contraindo os glúteos ao fazê-lo. Evite arquear as costas e mantenha-as retas. Em seguida, traga os quadris de volta ao chão.

FORTALEÇA OS OMBROS COM SEUS QUATRO MOVIMENTOS PRIMÁRIOS

Nossos ombros são capazes de uma ampla gama de movimentos. Para desenvolver e manter ombros fortes e ágeis, Bryant recomenda a formação YTWL, que leva os ombros por toda a sua amplitude tridimensional, em quatro movimentos separados, e trabalha para construir músculos que são cruciais para a vida cotidiana, mas que muitas vezes são esquecidos.

Este exercício pode ser feito deitado. O objetivo é mover os braços e ombros em quatro movimentos que imitam as quatro letras, fazendo de três a cinco repetições para cada um. À medida que avança, você pode adicionar pesos leves, mas o foco deve estar em mover os ombros totalmente.

Para iniciar o primeiro movimento, mantenha os braços acima da cabeça na posição Y. Traga-os para baixo até as coxas e depois de volta acima da cabeça, como se estivesse movimentando uma bola grande e invisível de cima da cabeça até a cintura.

Em seguida, faça a posição T mantendo os braços estendidos em um ângulo de 90 graus em relação ao corpo e juntando as mãos, como se estivesse batendo palmas, certificando-se de manter os braços retos.

Para a posição W, mantenha os braços estendidos em um ângulo de 90 graus em relação ao corpo, mas dobre os cotovelos para criar ângulos retos e mantenha as mãos para cima, formando um W. Traga os braços acima do corpo, encostando os dedos das mãos uns nos outros, como se estivesse se preparando para mergulhar em uma piscina, depois leve-os de volta para formar novamente a forma de W. Para a posição L, mantenha os braços estendidos ao lado do corpo em uma posição dobrada semelhante a do exercício anterior, de modo que os dois braços formem um L cada. Mas, desta vez, mova os antebraços para a direção do quadril, fazendo um semicírculo, mas mantendo a parte superior do braço no mesmo lugar, sem se mexer muito.

Dez minutos podem não parecer muito para uma rotina de fortalecimento. Mas quando bem feito, com o objetivo de aumentar a mobilidade geral, este treino facilitará os movimentos diários, seja agachar ou levantar algo.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

GHOSTING

Psicólogos alertam para danos à saúde mental causados pelo ‘sumiço’ digital

“Responsabilidade afetiva é saber que o que fazemos tem consequências na vida de quem está ao nosso redor. Atrás de uma tela existe alguém que sonha, que vive, que anseia, que espera, que deseja e que já sofreu. Cuidar e ser cuidado é a ação essencial do amor visto como saudável.” A postagem que fez sucesso nas redes sociais é de Alejandro Schujman, psicólogo argentino especialista em família.

Desaparecer, deixar de responder ou bloquear diretamente alguém sem aviso prévio nas redes é conhecido, há algum tempo, como “ghosting” (termo em inglês derivado da palavra ghost, que significa fantasma). Os psicólogos admitem que a tecnologia apenas acelerou e facilitou o que já existia no mundo real.

Sumir sem nenhuma explicação mostra irresponsabilidade emocional. E a “vítima”, sem saber se o outro vai reaparecer ou entender os motivos do silêncio, fica sem o fechamento necessário numa relação, o que pode impactar na sua autoestima e bem-estar mental.

É consenso entre os especialistas que o crescimento generalizado dos contatos virtuais, envolvendo, muitas vezes, pessoas desconhecidas, facilita a possibilidade de “desaparecimento”, situação que acontece não só nas relações afetivo-sexuais mas também nas amizades e vínculos de trabalho.

Desobrigadas a mostrar o corpo e o rosto, muitas pessoas se sentem livres para agir a partir de uma espécie de anonimato, avalia a psicóloga Claudia Ghersevich.

“É mais fácil se desconectar do outro, e também é uma forma de se desconectar daquilo que mobilizaria a pessoa para enfrentar o conflito. É uma maneira rápida de terminar algo com o que você não quer lidar. O contato desaparece, o conflito desaparece —reforça a especialista esclarecendo que essa decisão de sumir é consciente.

O psicólogo Fabio Calvo confirma que, embora aqueles que “desaparecem” de um relacionamento tenham existido “a vida toda”, a tecnologia torna essas ações mais “evidentes e virais”.

Calvo atribui esses comportamentos a quem se move socialmente com “desapego ou apego mal aprendido” e concorda que as pessoas podem agir por medo, por não ousar falar as coisas diretamente para o outro, mas alerta que isso pode machucar alguém.

“A comunicação está mais despersonalizada, a multiplicidade de canais virtuais possibilita uma dose de crueldade que não significa que haja, necessariamente, mais pessoas más, mas sim que são tempos de amor covarde, de medo de compromisso —diz Alejandro Schujman.

“A maioria das pessoas sofre quando as coisas terminam sem explicação, quando as situações ficam sem solução clara. Esse tipo de atitude é prejudicial e se a pessoa que sofreu o “ghosting” estiver em um momento de baixa autoestima, é ainda pior”, reforça o especialista.

FANTASMAS

O termo “ghosting” foi usada pela primeira vez em 2014 pela atriz de comédia Hannah Vander Poel, que ao contar sua experiência pessoal no YouTube, definiu “ghosting” como o “homem perfeito que promete tudo antes de desaparecer como um fantasma”.

Três anos depois, o conceito foi incluído no dicionário Merriam-Webster (que é uma referência para novos termos) e começou a ser aceito em todo o mundo. Com o tempo, ao ghosting foi adicionada a ideia de “orbitar”, que acontece quando a mesma pessoa que sumiu e não faz mais contato, continua acompanhando as redes sociais da outra, abandonada. Uma combinação considerada fatal pelos psicólogos. Os especialistas destacam que ninguém é obrigado a permanecer em um relacionamento, mas ressaltam que é importante que todos os envolvidos conheçam as regras do jogo.

Alejandro Schujman reforça que se uma relação acaba “deve haver um fechamento”:

“É a maneira de estar em paz. Precisamos iniciar e encerrar etapas.

De acordo com ele, caso isso não seja feito, pode acontecer que a pessoa fique “esperando como Penélope”, referindo-se ao mito grego relatado na Odisseia, em que a esposa de Ulisses espera 20 anos por ele durante a Guerra de Troia. Obrigada pelo pai a casar novamente, ela prometeu fazê-lo quando terminasse uma colcha, que tecia durante o dia e desfiava à noite. O psicólogo diz que, em geral, são as mulheres que mais assumem o comportamento de esperar e acreditar que o outro vai reaparecer e mudar, mas que “neste modus operandi não há mudança possível porque não há empatia”.

“Posso escolher não me relacionar com a outra pessoa, mas devo cuidar da maneira como gerencio isso. O problema não é a emoção, mas a gestão”, resume Claudia Ghersevich.

Ela explica que o ghosting é diferente da situação em que a pessoa se afasta para refletir, não agir na raiva ou ganhar distanciamento.

A psicóloga também aponta que, na comunicação digital, não existe um ritmo único, e é preciso entender que nem todos respondem instantaneamente a um contato, que há quem se desconecte nos finais de semana, por exemplo. Ou seja: atraso na resposta não é ghosting.

Há quem repita sistematicamente o “desaparecimento” e é aí que os especialistas destacam que há falta de responsabilidade afetiva.

“Significa não entender como minhas ações impactam os outros”, diz Ghersevich, lembrando que o filósofo e escritor chileno Humberto Maturana falou de três direitos humanos: errar, sair de um lugar e mudar de ideia.

“A pessoa que está ali pode exercer qualquer um desses chamados direitos, mas cuidando do outro, sendo claro”, acrescenta.

COMO EVITAR

Não existe um guia para evitar o ghosting, mas Calvo ressalta que esse tipo de comportamento é mais frequente se o contato for apenas virtual.

“É importante conhecer o outro em seu ambiente natural, seus amigos, seu contexto. Relacionamento vai além do individual, inclui vínculos e isso é muito importante”, alerta.

Ele acrescenta que é muito importante que as pessoas se priorizem, mas isso “não significa ser egoísta; não implica fazer só por mim sem me importar com o que o outro sente. Devo tomar cuidado para não machucar”.

Schujman acrescenta que o diálogo é outro fator que pode orientar o andamento de um relacionamento.

Ele também aponta que se uma pessoa adota atitudes de ghosting, ela tem que rever seu próprio modelo de relacionamento e analisar se não tem teimosia ou excesso de expectativas.

“A coisa mais dolorosa para quem sofre com o ghosting é se sentir invisível para o outro. Agir com responsabilidade afetiva implica em não deixar o outro com o inacabado e a incerteza. Quem está bem pode fechar aquela história mais rápido, se não, há ruminação e o luto é mais difícil”, afirma Claudia Ghersevich.

OUTROS OLHARES

JOVENS ‘DESENTERRAM’ A CYBERSHOT E SENTEM GOSTO DA ERA ORKUT

Câmeras digitais voltam a circular, impulsionadas pelas redes sociais e pela curiosidade da Geração Z a respeito das limitações da tecnologia de imagem

A volta do emo, das calças de cintura baixa e de Paris Hilton atestam que a cultura e a estética dos anos 2000 passam por um momento de redescoberta pela Geração Z (os nascidos no “novo milênio”). Agora, mais um item do período em que o Orkut era rei começa a fazer sucesso entre essas pessoas: a Cybershot.

É pelo nome da câmera digital que a Sony comercializou nos anos 2000 que os jovens atualmente se referem a qualquer dispositivo do tipo – mesmo que sejam de outras marcas, como Canon e Kodak.

Segundo dados do Google Trends, ferramenta que mede o interesse por assuntos pesquisados no buscador, a procura pelo assunto começou a ganhar força em outubro do ano passado, quando o termo “powershot”, correspondente a um modelo da marca Canon, teve um pico. Em novembro, houve um novo pico, desta vez para a busca por “câmera digital”. Neste mês de janeiro, foi a vez do termo “cybershot” disparar em interesse.

“Fui em festas em que as pessoas estavam utilizando essas máquinas e achei muito legal. Achei interessante a forma como as fotos ficam, com um ar vintage. Mas a aparência é de anos 2010 e não anos 1990”, conta Lucas Manoel, de 24 anos. Com a sua primeira Cybershot, ele sente que tem uma máquina do tempo para um passado que quase não viveu.

NOVIDADE

Para quem está experimentando pela primeira vez, a novidade ganha ares de                                                 descoberta arqueológica. “A câmera digital traz uma sensação de usar algo antigo que ainda funciona e não é parte de um celular. Tem um charme próprio e é mais interessante do que fazer algo que já estamos acostumados”, diz Luiza Dill Silveira, de 21 anos.

O regresso das câmeras digitais tem um objetivo diferente de quando surgiram, na metade dos anos 90. Na época, o aparelho revolucionou a fotografia amadora, dominada por câmeras com rolos de filme. Com a máquina digital, foi possível tirar fotos, visualizar, apagar os cliques indesejados e seguir fotografando.

Agora, parece existir a busca por um tipo de estética nas imagens. Apps para smartphones Huji Cam, Dazz Cam e VSCO tentam simular os efeitos e limitações desses equipamentos, mas não são suficientes. “A gente percebe (nas redes sociais) quem utilizou filtro e quem tirou com a câmera”, diz Manoel.

No fim, a busca não é por aquilo que a Cybershot oferece, mas por aquilo que não oferece. Eduardo Pellanda, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), explica que um dos aspectos que mais contribui para a estética vintage das fotos não são as lentes, mas, sim, a simplicidade do software.

“O software dos smartphones tem conseguido juntar processadores cada vez mais rápidos com a inteligência de entender a imagem. É possível tirar muitas fotos quase simultâneas com exposições diferentes e juntar essas imagens em várias composições. Hoje, a mágica está muito mais software no hardware”, diz Pellanda.

‘TREND’

É impossível também desvincular o uso das câmeras das redes sociais. A tendência não apenas surgiu em plataformas como Twitter e TikTok, mas também se alimenta delas. A hashtag “digitalcamera”, na plataforma de vídeos curtos, já atraiu mais de 211 milhões de visualizações. Já a versão “cameradigital” ultrapassou os 3,9 milhões de views.

Artur Bier, de 17 anos, conta que os cliques feitos por ele fazem sucesso nas redes – a “Cybershot” foi comprada no final do ano passado. “Meus amigos gostaram bastante quando apareci com ela, inclusive conheço mais três que possuem modelos semelhantes”, diz.

Já Manoel percebeu que as imagens feitas com a câmera geraram interação no TikTok. Um dos vídeos, que mostra o modelo de máquina que ganhou da tia no ano passado, já ultrapassou 20,5 mil curtidas e 131 mil visualizações. “Meu vídeo no Tiktok virou um comércio de máquina digital. A galera nos comentários ficou perguntando: ‘Alguém vende?’, ‘Como que eu uso?’”, diz.

EMPOLGAÇÃO COM CÂMERAS DIGITAIS IMPULSIONA AS VENDAS

Enquanto as redes começam a ser inundadas com fotografias “vintage”, canais de vendas de câmeras digitais usadas come- moram o aumento na procura por esses dispositivos. Uma dessas lojas, a Annalogica, tem um perfil no Instagram especializado em máquinas antigas – desde Polaroids às famosas Cybershot – e diz que as vendas cresceram cerca de 80% desde o ano passado.

“Antes a procura era zero, as pessoas tinham até um certo preconceito com a câmera digital. Achavam cafona”, explica Giovanna. “Depois do meio do ano passado, a venda aumentou muito. Quem gosta do efeito e da granulação da analógica não troca, mas as pessoas procuram as digitais por serem mais ‘fáceis’, não precisarem nem de filme e nem de revelação, com a vantagem de um efeito retrô similar.”

A lojinha fundada em 2020, gerida por Anna Avino e Giovanna Avino, fica em Praia Grande (SP), mas é na rede social que faz a maior parte dos negócios – o nome, inclusive, surgiu dos apelidos das duas esposas (Anna e Gica). Agora, as câmeras digitais amadoras já representam metade das vendas mensais da dupla.

A OLX e o Mercado Livre são dois dos canais preferidos por quem procura um aparelho do tipo. Nos sites, anúncios de câmeras vão de R$ 50 a R$ 400, em diversos estados de conservação. A Shopee afirma que registrou aumento de 165% nas buscas por câmeras digitais no período de outubro de 2022 a janeiro de 2023.

OUTROS OLHARES

MAIS POBRES PAGAM ‘PEDÁGIO SOCIAL’ PARA EVITAR DISCRIMINAÇÃO AO COMPRAR

Consumidor prefere lojas com público da mesma classe social para não ser hostilizado, diz estudo

Era verão de 2021, na cidade do Rio de Janeiro. O jovem Leonardo Vitor de Oliveira foi com alguns amigos à praia do Arpoador, em Ipanema, zona sul carioca. Na metade do passeio, decidiram comprar alimentos e bebidas no supermercado mais próximo e saíram com os produtos na mão, “sem bolsa” (sacola), paga à parte.

No caminho de volta para a praia, ele e dois amigos foram abordados por policiais que participavam de uma blitz do outro lado da rua. “Vocês pagaram por isso aí?”, perguntou um deles, já partindo para a revista. Felizmente, a nota fiscal estava no bolso de Oliveira.

“Eram apenas três homens carregando produtos na mão”, diz o jovem de 25 anos, morador da favela da Maré, na zona norte do Rio. “Se a gente tivesse roubado alguma coisa, teria saído correndo, mas não, a gente estava andando normalmente, sem bagunça.” Mas, para Oliveira – um jovem branco de 1,95 metro, bigode fino e “corte do jaca” no cabelo (um corte navalhado com efeito dégradé, que teria nascido na comunidade do Jacarezinho) – , ficou claro que os policiais viram nele e nos dois amigos negros que o acompanhavam sinais de que se tratava de moradores da favela.

“Eles nunca teriam feito isso [abordagem sem motivo] com gente de Ipanema, mesmo se os moradores estivessem vestidos como a gente”, diz ele, lembrando que estavam de chinelos, bermuda e sem camisa. “Desanima ir à praia assim.”

E não só à praia, segundo estudo da FGV Ebape (Escola Brasileira de Administração Pública de Empresas), em parceria com a francesa Iéseg School of Management. O levantamento apontou que o medo da discriminação faz com que consumidores de baixa renda prefiram comprar em lojas com público da mesma classe social – mesmo em casos em que o produto é mais caro do que em lugares frequentados por pessoas mais abastadas.

“Existe uma alta expectativa de discriminação dos consumidores pobres em ambientes comerciais mais sofisticados, uma preocupação praticamente não existente entre os consumidores ricos”, diz o professor Yan Vieites, coordenador do centro de pesquisas comportamentais da Ebape e um dos autores do estudo, intitulado “Expectativa de discriminação socioeconômica reduz a sensibilidade ao preço entre os pobres”.  

O levantamento foi conduzido de agosto de 2017 a janeiro de 2022, com a participação de 1.936 pessoas, entre moradores do complexo de favelas da Maré e da zona sul do Rio de Janeiro. “Mas a expectativa é que sejam generalizáveis para outras localidades, porque refletem a realidade de outros estados e até mesmo de outros países”, afirma Vieites.

De acordo com o especialista, muitas vezes os mais pobres acabam pagando um custo econômico para evitar o preconceito em ambientes comerciais. “Chamamos de ‘pedágio social’ o custo adicional que se paga para ter acesso aos mesmos bens e serviços”, diz ele. “Grandes redes de mercado costumam estar fora de favelas, por exemplo, assim como serviços bancários formais”, afirma.

A pesquisa envolveu alguns experimentos. Em um deles, foi dada uma quantia de dinheiro para moradores da Maré comprarem um par de chinelos, com direito a ficarem com o troco. Havia duas opções: pagar mais em uma banca de jornal ou menos em uma loja de um shopping de luxo, que estava em liquidação. A maioria preferiu não entrar no shopping e pagar mais pelo produto na banca.

Em outro experimento, foram oferecidos vales de compras em supermercados para os entrevistados. Os valores maiores eram para comprar em shoppings mais distantes e mais frequentados por outro grupo social. Mas havia valores menores para comprar em locais mais próximos e de predominância do mesmo grupo social dos moradores. A maioria optou pelo voucher menor.

Funcionário de uma loja de ferramentas, onde trabalha como entregador, Vieira gostaria de ir mais ao shopping Rio Sul, em Botafogo, zona sul carioca, com a namorada. “Eles têm mais variedade, mais opção”, diz o jovem, que está estudando para prestar concurso a fim de ingressar no Corpo de Bombeiros. “Mas eu acabo indo ao Norte Shopping”, diz ele, referindo-se ao centro de compras no bairro do Cachambi, zona norte do Rio. “Não quero ser tachado de bandido.”

Foi exatamente assim que Douglas Viana, 30, se sentiu quando, depois da praia no fim de semana, foi a um supermercado em Ipanema. “O segurança perseguiu a mim e aos meus amigos dentro da loja, nos encarando o tempo todo. Ele percebeu que a gente não era parte daquele público cativo da loja”, diz Viana, coordenador-executivo do Seja Democracia, projeto de formação política não partidária do Instituto Maria e João Aleixo, apoiado pela Fundação Tide Setúbal, na Maré.

Graduado em marketing e com pós-graduação em gerência de projetos, Viana diz que costuma analisar muito as opções de compras antes de se decidir por alguma. E que existem chances interessantes de consumo fora da zona norte do Rio.

“Como um homem negro e periférico, entendo que é melhor eu consumir na Maré, um espaço que de certa forma me protege do racismo estrutural”, diz ele.

“Fui criado por uma lógica simples: cuidado por onde você anda para não ser confundido com bandido.”

De acordo com Viana, os sinais de reprovação à sua circulação por espaços da classe média e média alta carioca são muito sutis. “Os olhos dos outros estão sempre voltados para você. Os seguranças e os atendentes, que vêm da mesma classe social que eu, me reconhecem como um igual. Mas estão ali para mostrar que aquele não é meu lugar como cliente.”

No Leblon ou em Ipanema, diz, um jovem pode vestir bermuda, regata e chinelo e ser bem tratado, porque é reconhecido como um morador do bairro. “Eu preciso me arrumar mais para frequentar o mesmo lugar que ele. Nesses espaços, não posso me vestir do mesmo jeito que eu me vestiria aqui na Maré.”

Passear em um shopping da zona sul é sempre um problema, afirma. “Eu não posso entrar em uma loja, olhar e sair. O segurança com certeza vai querer ver o que está na minha bolsa. E como não gosto de ser abordado desta forma, prefiro não ir.”

GESTÃO E CARREIRA

VALE A PENA INVESTIR EM UM APLICATIVO PRÓPRIO?

Com smartphones e tablets chegando com força no mercado, os desenvolvedores de softwares ganharam, com os aplicativos, um mercado robusto para trabalhar. Os apps se tornaram tão corriqueiros no cotidiano das pessoas, que diversas empresas optaram pelo desenvolvimento de uma solução mobile que os aproxime de seus clientes e parceiros.

Hoje, encontrar aplicativos de bancos ou instituições financeiras, redes de supermercado, escolas e universidades, lojas, convênios médicos e até mesmo serviços públicos tornou-se algo comum. De acordo com Rafael Franco, CEO da Alphacode, responsável pelo desenvolvimento de aplicativos para marcas como Habib’s, Madero e TV Band, a busca por tecnologias mais acessíveis e modernas cresce cada vez mais. Nesse contexto, um app pode trazer uma série de vantagens.

“O primeiro ponto é a capacidade de aumentar a margem de lucro de um negócio. Vender através de marketplaces, por exemplo, é uma boa estratégia para reduzir o custo de aquisição e fazer as primeiras vendas. Mas apenas com um canal próprio será possível garantir as melhores margens de lucro, pois não trará a obrigação de pagar uma comissão sobre cada venda”, relata.

Segundo um estudo realizado pela Delivery Much em 2020, aproximadamente 94% dos brasileiros preferem fazer pedidos de comida em apps de delivery ao invés de fazer ligações, algo que era comum há alguns anos. Aplicativos como o iFood e o Rappi foram determinantes para dominar esse segmento, mostrando-se mais eficientes que entregas por telefone. “Um app surge como um diferencial de mercado, não apenas no delivery, mas em qualquer segmento”, declara o CEO da Alphacode.

Aplicativos também têm a capacidade de fidelizar os consumidores e consolidar uma marca no mercado. “O desenvolvimento de um app próprio é o melhor caminho para construir o seu programa de fidelidade.

Com as notificações push, por exemplo, é possível aumentar o número de recompras por parte dos clientes. Estudos apontam um aumento de mais de 30% nas compras de consumidores fidelizados através de aplicativos próprios. Isso porque o comprador sabe que não é qualquer empresa que tem um aplicativo próprio, por isso ele coloca aquelas marcas que disponibilizam essa solução em uma prateleira mais elevada”, pontua Rafael Franco.

É comum que os consumidores mantenham em seus dispositivos apps daquelas marcas que eles mantém um relacionamento mais próximo. Com isso, a empresa pode criar um ecossistema que vai se relacionar com o cliente em diversos momentos da sua jornada. “Isso abre uma oportunidade para que sejam construídos produtos e serviços disruptivos, aumentando o retorno do mesmo cliente a longo prazo.

Assim, será possível trabalhar com um público-alvo específico, apresentando promoções que podem aumentar consideravelmente o volume de vendas pelo aplicativo”, finaliza o desenvolvedor.

FONTE E MAIS INFORMAÇÕES, ACESSE: https://site.alphacode.com.br

EU ACHO …

O ÚLTIMO A LEMBRAR DE NÓS

Recentemente li Rimas da vida e da morte, do excelente Amós Oz, que narra os delírios de um escritor que, ao participar de um sarau literário, começa a olhar para cada desconhecido na plateia e a criar silenciosamente uma história fictícia para cada um deles, numa inspirada viagem mental. Lá pelas tantas, em determinado capítulo, o autor comenta algo que sempre me fez pensar: diz ele que a gente vive até o dia em que morre a última pessoa que lembra de nós. Pode ser um filho, um neto, um bisneto ou um admirador, mas enquanto essa pessoa viver, mesmo a gente já tendo morrido, viveremos através da lembrança dele. Só quando essa pessoa morrer, a última que ainda lembra de nós, é que morreremos em definitivo, para sempre. Estaremos tão mortos como se nunca tivéssemos existido.

Pra minha sorte, tive poucas perdas realmente dolorosas. Perdi um querido amigo há mais de vinte anos, perdi uma avó que era como uma segunda mãe, perdi uma tia inesquecível. Lembro deles constantemente, sonho com eles, busco-os na minha memória, porque é a única homenagem possível: mantê-los vivos através do que recordo deles. Daqui a cem anos, ninguém mais se lembrará nem de um, nem de outro, eles não terão mais amigos, netos ou bisnetos vivos, eles estarão definitivamente mortos, e pensar nisso me dói como se eles fossem morrer de novo.

Aquele que compõe músicas, faz filmes, escreve livros, bate recordes ou é um Pelé, um Picasso, um Mozart, consegue uma imortalidade estendida, mas, ainda assim, será sempre lembrado por sua imagem pública, não mais a privada, não mais a lembrança da sua voz ao acordar, da risada, do bom humor ou do mau humor, não mais daquilo que lhe personificava na intimidade. Serão póstumos, mas não farão mais falta na vida daqueles    com quem compartilharam almoços, madrugadas, discussões, já que essas testemunhas também não estarão mais aqui.

Alguém me disse: se você acreditasse em reencarnação, nada disso te ocuparia a mente. De fato, não acredito, e mesmo que eu esteja enganada, de que me serve a eternidade sem poder comprová-la? Se sou um besouro reencarnado ou se já fui uma princesa egípcia, que diferença faz? Minha consciência é que me guia, não minhas abstrações. Sou quem sou, sou aquela que pode ser lembrada. Não me conforta ser uma especulação.

É provável que ainda não tenha nascido aquele que será o último a me recordar, a rever minhas fotos, a falar bem ou mal de mim. Nem tive netos ainda. Qual será a data de minha morte definitiva? Não será a do meu último suspiro, e sim a do último suspiro daquele que ainda me carrega na sua lembrança afetiva – ou no seu ódio por mim, já que o ódio igualmente mantém nossa sobrevivência. Cafajestes e assassinos também se mantém vivos através daqueles que lhes temeram um dia.

Nessa véspera de Finados, queria fazer uma homenagem a ele: ao último ser  humano a lembrar  de nós, a ter  saudade de nós, a recordar nosso jeito de caminhar, de resmungar, o último a guardar os casos que ouviu sobre nós e a reter nossa história particular. O último a pronunciar nosso nome, a nos fazer elogios ou a discordar de nossas ideias. O último a permitir que habitássemos sua recordação. Bendita seja essa criatura, que ainda nos manterá vivos para muito além da vida.

MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

SAIBA QUAIS OS SINAIS QUE AJUDAM A IDENTIFICAR A QUEDA CAPILAR

Ao lavar os cabelos você vê fios indo, literalmente, embora pelo ralo? Saiba que você não está sozinha.

Uma pessoa normal perde em média 100 fios por dia naturalmente. Essa queda que ocorre ao lavar ou pentear é normal e ajuda na renovação capilar. Mas quando identificar que há excesso de fios sendo perdidos?

A queda de cabelo pode se desenvolver por anos, sendo sorrateira e discreta a ponto de ser percebida somente quando as falhas ficam evidentes pela perda de mais de 40% do volume ou quando alguém avisa que seus cabelos parecem minguados. Mesmo essa queda de cabelos deixa sinais e eles podem ser detectados em momentos rotineiros dos cuidados com as madeixas.

Quem faz o alerta é o médico e tricologista Ademir Leite Junior, o especialista que há mais de vinte anos atua na área, aponta sinais facilmente detectáveis durante a rotina de cuidados com os cabelos para afastar o risco de quadros severos de queda capilar.

O TESTE DO RABO DE CAVALO

Esse penteado simples usado no dia a dia é muito útil para sentir o volume dos cabelos ao pentear e ao prender. Existem quedas que são sorrateiras, onde a pessoa vai perdendo um pouquinho de cabelo por dia, porém que não chamam a atenção. Como isso que pode levar anos para ser percebido, a comparação do rabo de cavalo colabora muito.

A DEMORA PARA “PERDER O CORTE”

Se você tem uma rotina de ir ao cabeleireiro todos os meses para atualizar o corte e percebe que essa necessidade está cada vez menor porque esse corte está durando mais, é melhor se atentar.

ROUPAS, TOALHAS DE BANHO, A MESA DO TRABALHO, AS COSTAS DAS CADEIRAS…

Nem sempre os fios que caem aparecem em lugares e situações óbvias como na escovação ou durante o banho. A perda constante de fios pode dar sinais pelos diversos locais por onde você passa.

VÁ ALÉM DOS EXAMES DE ROTINA

Se você já notou a queda de cabelos, mas nenhuma alteração foi detectada em exames de rotina, como de sangue, por exemplo. É hora de aprofundar essa investigação para dar fim a angustia do não diagnóstico que aponte a causa da queda. A Tricologia tem recursos para investigar problemas que levam a perda de cabelos com causas, até então, obscuras. Nessa pesquisa ampla cabe exames como tricograma, o trichoscan, a biópsia de couro cabeludo, entre outros. Quer dizer dá para explorar mais para que você chegue na fonte do problema.

COMO ANDA SEU ESTRESSE

Não precisa ser um estresse enorme, pode ser um conjunto de pequenos estresses da vida que, na somatória, produzirão um sinal clínico. Por isso, não podemos negligenciar os impactos deles em nossa saúde. Pode até ser que o estresse não acompanhe simultaneamente a queda capilar, mas pode vir acompanhado de problemas em outros órgãos e sistemas do nosso corpo. Na forma de hipertensão arterial, asma, alergias, doenças autoimunes, gastrite, refluxo gastroesofágico, ou qualquer outra patologia.

DOR NO COURO CABELUDO PODE SER UM SINAL

A tricodinia ocorre quando o paciente manifesta desconforto, dor ou aumento da sensibilidade do couro cabeludo. Ela está associada há muitos casos de queda de cabelo, embora não seja uma regra. A sensibilidade e a dor de couro cabeludo podem ser causadas por problemas importantes e que exigem tratamento rápido para evitar complicações maiores, como as inflamações causadas pelo uso de químicas de transformação, que muitas vezes começa com uma simples irritação, podendo chegar a queimaduras.

Outros exemplos são as doenças infecciosas como aquelas relacionadas aos fungos (Kerion celsii), e as relacionadas a bactérias (foliculite, foliculite decalvante, abscessos), normalmente acompanham dor do couro cabeludo. Quando a dor e o desconforto de couro cabeludo persistem, o ideal é procurar um médico para um diagnóstico preciso e a escolha de medidas de tratamento coerentes para a melhora do quadro. É quase certo que com a conduta correta o quadro desaparece e o paciente fica sem dor e satisfeito.

“Hoje o arsenal terapêutico da Tricologia e da Terapia Capilar é muito amplo e muito vasto. A pessoa não precisa desenvolver um grau avançado de queda para ter respostas ou abordagens que combatam os problemas. Há mais clareza nos diagnósticos e opções variadas para combinar dentro dos tratamentos individuais. Não precisa ficar careca”, explica o Ademir.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

INFIDELIDADE EXIGE RECONSTRUÇÃO DA CONFIANÇA, MAS PODE SER SUPERADA

Para especialistas, traição indica distância emocional e confunde sentidos dos parceiros. Entender os motivos é o primeiro passo

“Você pensou que tinha me machucado, mas me deixou mais forte. Mulheres não choram mais, mulheres faturam”, canta Shakira em sua última música que fez em colaboração com o produtor musical Bizarrap. Em “BZRP Music Session vol. 53”,a cantora colombiana manda indiretas ao ex- companheiro, Gerard Piqué, sobre os momentos difíceis que viveu durante o relacionamento deles e reflete sobre a força que adquiriu desde que soube das infidelidades do ex-jogador de futebol.

Existem muitas formas de ser infiel. Pode ser consigo mesmo, pode ser com o outro, mas o mais doloroso é se sentir traído pelo seu parceiro. O psicólogo Miguel Espeche explica que não há uma única forma de infidelidade.

“Há situações que ocorrem uma vez e nunca mais. Há outras que perduram no tempo, e outras que são padronizadas”, afirma.

Ao mesmo tempo, esclarece que existem diferentes formas de lidar com os relacionamentos a dois, pois cada uma deles é diferente.

Para Espeche, quando um terceiro entra, provavelmente é porque há uma ruptura no casal, ou seja, um certo distanciamento afetivo e emocional.

“Muitas vezes, a infidelidade ocorre quando algo está quebrado. Se você quiser superar, é preciso tempo, paciência e amor. Alguns conseguem, outros não”, diz Carolina Moché, psicóloga especializada em relacionamentos de casais.

ZERO REMORSO

Um estudo realizado por pesquisadores da Wright State University, em Ohio, Estados Unidos, no qual 522 casais foram entrevistados uma vez por ano durante seus primeiros dez anos de convivência, mostrou que aos quatro anos de relacionamento ocorre a primeira crise da relação. Aos sete, vem outra ainda mais forte. Em uma pesquisa realizada pelo site RomanceSecreto.com, na qual foram entrevistados 1.500 argentinos, 41% de participantes afirmaram ter traído o parceiro, e 56% disseram não sentir nenhum remorso por fazê-lo.

Sobre as consequências psicológicas, os especialistas explicam que, em alguns casos, quando se descobre uma infidelidade de longa data, isso cria problemas para que o enganado volte a confiar, não só no outro, mas também em si mesmo.

“Eles perdem a confiança em seus próprios sentidos para perceber o que está acontecendo”, diz Espeche.

As infidelidades são difíceis de superar, há casais que trabalham para se reaproximar e ter sucesso nessa tentativa. E outros que não. O processo de reconstrução é longo e diferente em cada caso. Alguns conseguem entender o que aconteceu com eles e sair mais fortes e unidos, pondera Moché.

O escândalo que causou a separação – Piqué teria iniciado o relacionamento com a atual namorada enquanto ainda estava casado com Shakira – e a polêmica música da cantora colombiana que surgiu em seguida colocam na mesa o debate sobrea infidelidade e como ela pode afetar a saúde emocional de quem a sofre.

COMO VENCER A DECEPÇÃO

Os especialistas concordam que o essencial é estar conectado e atento a si mesmo, para assim começar a perceber e sentir o que está acontecendo ao seu redor. Para os especialistas, as emoções são um termômetro do que acontece nas relações e funcionam como uma espécie de indicador. Outras recomendações são:

1) Deve haver um pedido sincero de desculpas por parte do infiel. Não adianta minimizar o fato porque isso contribui para subestimar a dor do trauma sofrido pelo outro.

2) Recomenda-se fazer terapia de casal na qual ambos possam vero que aconteceu na relação. Se a situação acabou mal, pelo menos pode-se buscar ajuda individualmente para tentar transformar a dor em algo que contribua para o crescimento pessoal.

3) A comunicação é essencial: poder se mostrar, falar e ser sincero sobreo que aconteceu, seja com o casal ou como ambiente. Esconder o problema não permite que o luto passe e faz com que essas emoções guardadas sejam detonadas mais tarde.

4) Estabeleça limites para que no futuro se evite uma situação semelhante e assim não volte a passar por esse sofrimento.

OUTROS OLHARES

CAÇADORES DO SELO AZUL

‘Blue Check’, símbolo de perfil verificado nas redes sociais, atiça influencers, inspira músicos e gera debate agora que pode ser comprado no Twitter

O designer goiano Felipe Foster, de 28 anos, é o típico profissional bem-sucedido. Entre os clientes de seus pôsteres digitais estão os grupos musicais Coldplay e BTS e cantores como Justin Bieber e Anitta. Um de seus últimos trabalhos de 2022, por exemplo, foi uma criação para a Adidas argentina para celebrar a final da Copa do Mundo. Mas ainda falta uma coisa na carreira do jovem – e não é um contratante em especial. É aquele selo azul, que indica que uma conta é “verificada”, em seu Instagram, o @fosterlands.

“Ano passado, passei a ver este selo de outra forma. Imaginava que fosse coisa de cantor grande, mas notei artistas pequenos, fotógrafos e DJs verificados, gente com seis mil seguidores (ele tem 20 mil), e fiquei com essa vontade”, diz o jovem.

O desejo de Felipe é compartilhado por centenas de milhares de pessoas em todas as redes sociais. Elas veem no blue check o símbolo máximo de status no mundo digital, que já virou funk (“Perfil verificado”, do DJ Jonatas Felipe) e hit sertanejo (“Só as verificadas”, de Lucas Lucco).

O tema também voltou à baila porque Elon Musk, novo dono do Twitter, de olho na importância do tema, resolveu vender o selo por US$ 8 mensais (cerca de R$ 42) desde o fim do ano passado, a princípio para usuários de Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia ou Reino Unido.

RECONHECIMENTO EXTERNO

Mas, afinal, o que está por trás deste símbolo, e o que o faz ser tão perseguido? Doutora em psicanálise pela Uerj, Fernanda Samico conta um caso que viu nas redes para responder à questão. Ela lembra bem do dia em que apareceu em seu feed do Instagram um vídeo de um influenciador digital muito emocionado por ter ganhado o selo.

“Ele estava aos prantos porque tinha acabado de ser verificado. Dizia: “Obrigado pelo reconhecimento” , lembra Fernanda. “Ao mesmo tempo que dá autenticidade, o selo vem com (a ideia de) reconhecimento. E nós somos constituídos também a partir do reconhecimento do outro. Precisamos que o outro endosse que a nossa imagem é única. Fora das redes sociais e mesmo antes delas, quem fazia o papel da verificação, diz Fernanda, eram “insígnias de poder”:

“Podemos pensar na coroa de um rei, numa condecoração militar e até numa faixa de miss.”

Oficialmente, o Instagram diz que a verificação serve para certificar a veracidade de uma conta e não para demarcar “autoridade, importância ou experiência num assunto”. E o TikTok afirma que “é uma forma para que as pessoas saibam que as contas de alto perfil que seguem são exatamente de quem elas dizem que são.”

Ambas as plataformas concedem os selos a partir de solicitações via aplicativo e esclarecem que número de seguidores não é critério. Também deixam claro que nenhum serviço de compra e venda de verificação é permitido, apesar de algumas agências prometerem conseguir a validação por até US$ 500,o que nem sempre é garantido e fere as diretrizes das duas empresas.

MUDANÇA DE PERCEPÇÃO

A “venda” do selo pelo Twitter tem mudado a percepção de muita gente sobre o real significado da verificação. Usuários como o editor de vídeos e streamer de games Murilo Geraldi, que já quis ter o blue check no microblog, acham que esta nova dinâmica fez o símbolo perder a razão de existir.

“Não vejo o verificado com o mesmo peso de antes. Ao se tornar comprável, a estima se perdeu”, diz Murilo, de 26 anos, natural de Rio Claro (SP).

Doutora em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Daniela Schmitz acredita que a comercialização proposta por Musk muda um paradigma importante das redes sociais em relação aos influenciadores.

“Há uma quebra de contrato no que diz respeito à audiência. A conexão que se estabelece com os seguidores é o que dá legitimidade para se conseguir o selo”, diz Daniela. “Agora, se há possibilidade de compra, há um deslocamento da dinâmica social para a dinâmica financeira. Não é a audiência quem me coloca nesse lugar de ser verificado, e sim o quanto eu tenho para pagar.

O fato de os cobiçados blue checks não estarem à venda no passado é uma prova de que status não tem, necessariamente, a ver com poder financeiro. Mas, analisando o caso do Twitter, se todo mundo começar a pagar por ele, qual o valor simbólico do “produto”?

“A partir do momento em que todas as pessoas têm acesso, ele deixa de ser importante. É preciso criar uma dinâmica de escassez, o que, em última instância, é subir o preço. É a lógica da oferta e da demanda, porque vai virar um mar de selos azuis que não dizem mais nada”, afirma Daniela, salientando que não se sabe ainda como a proposta do Twitter pode impactar outras redes sociais.

Psicólogo, pesquisador da comunicação e professor da Universidade Federal de Minas Gerais, Claudio Paixão já vê um movimento de “ridicularização” de quem compra o verificado:

“Deixou de ser símbolo de status para ser apenas um símbolo de dinheiro. O que antes era significativo hoje é uma mera demonstração de riqueza. Não sabemos para onde isso vai confluir, mas cada episódio gera uma mudança nos tabuleiros de poder das redes sociais.

OUTROS OLHARES

QUER SE LIVRAR DA PAPELADA? SAIBA O QUE E COMO GUARDAR

Especialistas orientam como armazenar documentos na nuvem e cuidados para descartar sem expor dados sensíveis

O início de um novo ano pode ser um bom momento para limpar as gavetas e organizar a documentação dentro de casa, mas é preciso ter em mente alguns cuidados antes de se desfazer de itens que podem ser essenciais no futuro. É preciso estar atento à maneira correta do descarte de documentos para não expor dados sensíveis da família e às melhores formas de armazenamento on-line, para quem quer eliminar de vez a papelada do seu dia.

Confira a seguir as principais orientações.

ARMAZENAMENTO NA NUVEM

De acordo com Rodrigo da Costa Alves, advogado especialista em direito da proteção e uso de dados pessoais, o armazenamento de documentos on-line proporciona, muitas vezes, a redução de custos e dos riscos de perda do item por algum problema natural, como uma inundação dentro de casa ou o estrago causado por um animal de estimação ou criança pequena, por exemplo.

“Existem diversos serviços virtuais que proporcionam o armazenamento em nuvem. Alguns são gratuitos e outros são pagos, cada um tem seu diferencial. No caso dos serviços on-line, há mais segurança, pois eles garantem o que chamamos de redundância. Ou seja, os arquivos que colocamos na nuvem estão armazenados em vários servidores da empresa que escolhemos para o armazenamento”, explica Alves.

Diferentemente de um HD ou pen drive, por exemplo, o documento salvo na nuvem está “disperso” em diferentes servidores protegidos por criptografia.

NO COMPUTADOR

Para o líder da prática de Riscos Cibernéticos da Kroll, Walmir Freitas, quem resolver manter os registros localmente, o ideal é que o computador utilizado tenha sempre o disco e a cópia de segurança criptografados.

“Qualquer documento pode ser digitalizado. É um processo manual, é possível escanear o documento e, depois, salvar em PDF ou em outro formato compatível. Após esse processo, o arquivo pode ser armazenado em um HD, no computador, ou em um HD externo. Mas, hoje em dia, é muito comum o upload desses arquivos para a nuvem. A vantagem, nesses casos, é que a pessoa pode acessá-los de qualquer lugar”, explica Freitas.

POR QUANTO TEMPO SE DEVE GUARDAR UM DOCUMENTO?

As ferramentas digitais disponíveis para guardar a documentação também contribuem para que as informações contidas no papel sejam preservadas ao longo do tempo, mas nem todos os itens precisam ser mantidos para sempre.

A lei determina que se guardem os comprovantes de pagamento de serviços de fornecimento contínuo, como água, luz e telefonia, por cinco anos. O mesmo prazo de armazenamento recomendado para extratos bancários e faturas dos cartões de crédito.

Já recibos de pagamento de aluguel devem ser guardados por três anos, e os de condomínio, por ao menos cinco anos.

O comprovante de quitação de um financiamento imobiliário deve ser mantido até o registro da escritura em cartório.

Costa Alves orienta ainda manter as notas fiscais dos produtos como eletrodomésticos e eletrônicos durante toda a vida útil daquele item, mesmo após o fim da garantia. A nota pode ser útil em casos do chamado vício oculto ou caso haja um recall.

Os recibos de pagamento das mensalidades escolares devem ser guardados por cinco anos ou até o recebimento do certificado ou do diploma. Já os contratos com instituições de ensino devem ser mantidos por três anos.

Contratos de trabalho e rescisões devem ser guardados por período indeterminado.

IMPOSTOS E IR

Os comprovantes de pagamento de impostos, como IPVA e IPTU, devem ser guardados por cinco anos. No caso do Imposto de Renda (IR), é necessário manter também os documentos comprobatórios da declaração.

E SE O DOCUMENTO FOR PERDIDO?

Caso um documento seja perdido, a orientação é entrar em contato com a empresa e pedir a segunda via. Em muitos casos, diz o advogado, é possível obter virtualmente o documento.

QUITAÇÃO ANUAL

Pode-se substituir os recibos acumulados de janeiro a dezembro por uma declaração de quitação anual de débitos. A lei federal 12.007/ 2009 determina que as empresas emitam a quitação na fatura a vencer no mês de maio. Há ainda, no Estado do Rio, a lei 8.168/2018, que estabelece que o documento esteja disponível no site da empresa e no serviço de atendimento ao consumidor. Quando solicitada, a declaração deve ser enviada em 48 horas.

Não é prática de mercado a emissão de declarações anuais de quitação de condomínio e aluguel. Há administradoras que fornecem um documento semelhante, mas isso não é obrigatório.

QUAL A MELHOR MANEIRA DE DESCARTAR UM DOCUMENTO?

O descarte da documentação, seja ela digital ou física, deve passar por alguns cuidados. No caso do arquivo ter sido salvo on-line, é preciso fazer a seleção do que deve ser excluído e não esquecer o backup automático de 30 dias, um serviço oferecido por empresas como Google e Apple.

Assim que o documento tiver sido eliminado da pasta principal, é importante checar a lixeira do ambiente em que ele estava armazenado.

“No caso do documento físico, o descarte deve observar medidas de segurança. A fragmentadora, também conhecida como triturador de papel, é importante. Mas, como nem todo mundo tem, o ideal é rasgar bem o documento, especialmente onde há os dados mais sensíveis, como endereço, nome completo etc. Ou seja, os dados que podem ajudar a identificar a pessoa”, ressalta Alves.

GESTÃO E CARREIRA

SOLUÇÃO DIGITAL PARA FACILITAR GERENCIAMENTO NO HOME OFFICE

O mundo corporativo passou por várias adaptações nos últimos dois anos e, desde então, as empresas tiveram que reestruturar seus modos de trabalho. Atualmente, nossa realidade é bem diferente, onde o ambiente físico da empresa não é mais o único lugar em que colaboradores executam as suas atividades

Também não é mais necessário morar próximo do local de trabalho, seja da sede, cidade ou mesmo estado. Essa flexibilidade tem sido proporcionada pelas tecnologias digitais, que tornaram o trabalho híbrido ou remoto uma realidade funcional, além de possibilitar a contratação de profissionais sem a necessidade de um deslocamento territorial.

No entanto, esse cenário também  exige algumas adaptações, como a facilidade do uso do equipamento, o acesso aos dados e a segurança da informação. É neste contexto que a N1IT Stefanini, empresa brasileira voltada para soluções de tecnologia da informação, desenvolveu o N1 Zero Touch. Foi idealizado com o objetivo de possibilitar mais melhorias no processo de gerenciamento centralizado das estações de trabalho, seja no modelo home office ou híbrido, de forma segura, padronizada e centralizada na nuvem.

A escalabilidade trazida fornece benefícios concretos para empresas de todos os tamanhos, com colaboradores somente no Brasil ou em vários países. A ferramenta já está em uso em uma startup surgida de uma parceria entre um grande banco estatal e uma empresa de benefícios, que iniciou a utilização com 20 colaboradores e, atualmente, já são mais de 100 trabalhadores beneficiados. Além disso, recentemente, o N1 Zero Touch também foi adotado por uma das maiores empresas de aviação do mercado, contemplando mais de 20 mil colaboradores e estações e trabalho. O objetivo em comum dessas empresas a busca constante pela otimização dos processos e por mais segurança para o ambiente de trabalho, modernizando e aumentando produtividade. O N1 Zero Touch apresenta as seguintes características:

  • Padronização de ambientes;
  • Simplificação com a chegada de um novo colaborador;
  • Centralização das políticas em um único sistema;
  • Segurança no acesso aos dispositivos;
  • Escalabilidade de um gerenciamento através da nuvem;
  • Alcance ilimitado.

Ao implementar o uso do N1 Zero Touch, o processo iniciado com a abertura e uma solicitação pelo RH. Em seguida, a área de TI recebe o chamado, ativa o processamento e envia o equipamento para onde o colaborar ou a empresa desejar. Por fim, é o próprio colaborador que faz o onboarding (processo para integrar o novo funcionário à equipe, cultura e forma de operação da organização), sem o acompanhamento do TI.

O N1 Zero Touch age como uma suíte de segurança por meio de um único serviço, funcionando como uma solução ideal para os processos de SelfOnboarding, Passwordless, NativeSec e FastCrypto, termos indicados para os processos existentes dentro do N1 Zero Touch.

“Atualmente, para conectar todos os colaboradores com as políticas de tecnologia da empresa, o modo mais eficaz é a utilização de recursos em nuvem, em que todo colaborador sempre estará conectado para a execução de suas atividades. Porém, muitas empresas se utilizam de diversas soluções descentralizadas e não integradas, o que reflete em grandes desafios tecnológicos, muitas vezes caros ou inseguros”, explica Shirley Fernandes, diretora Comercial da N1 IT.

O N1 Zero Touch apresenta um nível de segurança que protege as plataformas da organização e garante diferentes níveis de acesso a cada colaborador, de acordo com a necessidade de uso da informação. Além disso, habilita os principais recursos de maneira transparente, mantendo a segurança de acesso aos dados, garantindo que as restrições de segurança aplicáveis independente de sua localização.

FONTE E MAIS INFORMAÇÕES: https://stefanini.com/pt-br

EU ACHO …

NUNCA IMAGINEI UM DIA

Até alguns anos atrás, eu costumava dizer frases como “eu jamais vou fazer isso” ou “nem morta eu faço aquilo”, limitando minhas possibilidades de descoberta e emoção. Não é fácil libertar-se do manual de instruções que nos auto impomos. Às vezes, leva-se uma vida inteira, e nem assim conseguimos viabilizar esse projeto. Por sorte, minha ficha caiu a tempo.

Começou quando iniciei um relacionamento com alguém completamente diferente de mim, diferente a um ponto radical mesmo: ele, por si só, foi meu primeiro “nunca imaginei um dia”. Feitos para ficarem a dois planetas de distância um do outro. Mas o amor não respeita a lógica, e eu, que sempre me senti tão confortável num mundo planejado, inaugurei a instabilidade emocional na minha vida. Prendi a respiração e dei um belo mergulho.

A partir daí, comecei a fazer coisas que nunca havia feito. Mergulhar, aliás, foi uma delas. Sempre respeitosa com o mar e chata para molhar os cabelos, afundei em busca de tartarugas gigantes e peixes coloridos no mar de Fernando de Noronha. Traumatizada com cavalos (por causa de um equino que quase me levou ao chão quando eu tinha oito anos de idade), participei da minha primeira cavalgada depois dos quarenta, em São Francisco de Paula. Roqueira convicta e avessa a pagode, assisti a um show do Zeca Pagodinho na Lapa. Para ver o Ronaldo Fenômeno jogar ao vivo, me infiltrei na torcida do Olímpico num jogo entre Grêmio e Corinthians, mesmo sendo colorada. Meu paladar deixou de ser monótono: comecei a provar alimentos que nunca havia provado antes. E muitas outras coisas vetadas por causa do “medo do ridículo” receberam alvará de soltura. O ridículo deixou de existir na minha vida.

Não deixei de ser eu. Apenas abri o leque, me permitindo ser um “eu” mais amplo. E sinto que é um caminho sem volta.

Um mês atrás participei de outro capítulo da série “Nunca imaginei um dia”. Viajei numa excursão, eu que sempre rejeitei essa modalidade turística. Sigo preferindo viajar a dois ou sozinha, mas foi uma experiência fascinante, ainda mais que a viagem não tinha como destino um país do circuito Elizabeth Arden (Paris-Londres-Nova York), mas um país africano, muçulmano e desértico. Aliás, o deserto de Atacama, no Chile, seria meu provável “nunca imaginei um dia” de 2010.

E agora cometi a loucura jamais pensada, a insanidade que nunca me permiti, o ato que me faria merecer uma camisa de força: eu, que nunca me comovi com bichos de estimação, adotei um gato de rua. Pode colocar a culpa no espírito natalino: trouxe um bichano de três meses pra casa, surpreendendo minhas filhas, que já haviam se acostumado com a ideia de ter uma mãe sem coração. E o que mais me estarrece: estou apaixonada por ele.

Ainda há muitas experiências a conferir: fazer compras pela internet, andar num balão, cozinhar dignamente, me tatuar, ler livros pelo kindle, viajar de navio e mais umas quatrocentas coisas que nunca imaginei fazer um dia, mas que já não duvido. Pois tem essa também: deixei de ser tão cética.

Já que é improvável que este ano seja diferente de qualquer outro ano, que a novidade sejamos nós.

MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

O DESCONFORTO DOS DIAS QUENTES

Saiba como se prevenir da candidíase, mais comum durante o verão

Praia, areia, sol, piscina…tudo de bom, não é? Sim, mas o verão é também a estação em que uma conhecida da maioria das mulheres mais aparece: a candidíase vulvovaginal, uma patologia muito frequente, causada pelos fungos do gênero cândida, e que atinge 75% das mulheres em alguma fase da vida. Cerca de 5% delas terão candidíase vulvovaginal recorrente, o que significa que vão experienciar quatro ou mais episódios a cada 12 meses.

“Na prática, a infecção vaginal por Cândida albicans é associada a situações de debilidade do organismo, alto teor de glicogênio (derivado dos açúcares) e acidez vaginal”, explica Brianna Nicoletti, alergista e imunologista pela USP.

Por isso, doenças imunossupressoras, diabetes e o uso crônico de corticoides são fatores de risco para a candidíase. O mesmo vale para o uso de alguns antibióticos, que, segundo estudos, costumam suprimir a flora vaginal, favorecendo a colonização e infecção pelos fungos.

Quando o assunto são os hormônios, a possibilidade de desenvolvimento da doença também aumenta. Segundo a médica, o excesso de progesterona no organismo aumenta a disponibilidade de glicogênio no ambiente vaginal, e serve como uma excelente fonte de alimento para o crescimento e germinação das leveduras.

Já o excesso de estrogênio – muito comum em quem toma pílula anticoncepcional combinada, faz terapia de reposição hormonal ou durante a gravidez – também pode aumentar as chances de infecção.

“Pequenos traumas como o ato sexual, o hábito de usar roupas muito justas ou de fibras sintéticas, ou ainda de permanecer muito tempo com roupas de banho molhadas ou úmidas podem favorecer o ambiente para proliferação do fungo”, continua a profissional. “Além disso, sabemos que podem estar relacionadas a dieta alimentar rica em açúcares e carboidratos e também a vivências de situações de estresse, que aumentam o nível sérico de cortisol.”

Por ser uma condição tão comum, as mulheres ficam facilmente preocupadas e com medo da doença, mas a simples presença do fungo não representa nenhum risco e não requer nenhum tratamento quando a mulher não tem sintomas. Os mais comuns são irritação, coceira e corrimento branco-amarelado.

“A candidíase acontece quando a população de fungos aumenta excessivamente e entra em desequilíbrio com o restante da flora vaginal. Isso pode ocorrer em situações que levem à diminuição da imunidade, uso de antibióticos, diabetes, entre outras”, explica o Dr. Igor Padovesi, ginecologista e obstetra pela USP e médico do Hospital Albert Einstein.

O tratamento envolve comprimidos e cremes de uso tópico, incluindo remédios para restabelecer a flora vaginal. Nos casos de candidíase recorrente, a conduta é um pouco diferente: esses quadros precisam de acompanhamento médico especializado.

Para esses quadros, a conduta pode ser combinada, com uso de medicamentos mais ajustes no estilo de vida, para controlar a condição e melhorar os sintomas. É importante que a mulher consulte seu ginecologista regularmente.

FATORES DE RISCO PARA CANDIDÍASE

  • Doenças imunossupressoras
  • Antibióticos
  • Corticoides
  • Hormônios
  • Pequenos traumas
  • Roupas justas
  • Dieta alimentar rica em açúcares e carboidratos
  • Estresse

SINTOMAS

  • Irritação, coceira e corrimento branco-amarelado.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

RISO É FUNDAMENTAL PARA O SER HUMANO E PODE TER FUNÇÃO RITUAL E CURATIVA

Para pesquisadores, humor merece mais espaço na vida das pessoas e é ferramenta para conectar e tranquilizar

“Eis que então, surgindo do nada, uma figura estranha aparece com uma peruca prateada, um tecido enrolado no quadril como uma minissaia, um andar sinuoso com os joelhos bem colados um no outro, meio cobra e meio mulher. É um hotxuá que se aproxima e se coloca na fila entre as mulheres. Sua dança também é sutil, com um leve exagero, numa imitação do que as mulheres fazem, mas com um tom jocoso e matreiro. As mulheres todas tentam manter o canto, mas é perceptível que estão morrendo de rir, assim como os homens e todo o restante da tribo que assistem ao ritual.” As palavras expressam o encanto do palhaço Ricardo Puccetti, pesquisador do Lume Teatro, ao assistir à performance de um hotxuá durante a gravação do documentário que retrata essa figura do cotidiano do povo krahô, em Tocantins. No povo krahô e em comunidades originárias da América do Norte, ainda existe o palhaço sagrado, responsável por provocar o riso no dia a dia, que desapareceu em outras comunidades com o tempo.

Puccetti relata que as manifestações cômicas surgiram com o próprio ser humano e integravam rituais. Só depois foram delimitadas a alguns espaços. “Surge o teatro japonês, o teatro indiano, o teatro grego. As artes performáticas vão deixando de ser algo cotidiano para se transformarem em momentos específicos, em espetáculo em que um faz e os outros assistem.” Se nas artes o movimento foi do espaço amplo para o restrito, na ciência o caminho foi oposto. Somente nos últimos séculos o riso e o sorriso despertaram maior interesse nos pesquisadores.

Foi no século 19, por exemplo, que o médico francês Guillaume-Benjamin-Amand Duchenne descobriu, a partir de experiências com choques nos músculos da face, que o sorriso verdadeiro é simétrico e não se limita à boca.

“O movimento, quando autêntico, é combinado com a contração da musculatura ao redor dos olhos (músculo orbicular do olho), o que ergue também as maçãs do rosto e enruga a pele no canto dos olhos”, escreve o psiquiatra Daniel Martins de Barros, professor colaborador da Faculdade de Medicina da USP, no livro “Rir é Preciso”.

A obra, conta o autor, é uma forma de ressaltar o poder do riso e dar ferramentas para nos reerguermos, reconstruirmos relações e recuperarmos nossas emoções positivas após a pandemia.

“Quando rimos, sinalizamos que está tudo bem, passamos uma mensagem de tranquilidade mesmo em uma situação ruim. Encontrar aspectos positivos inclusive nas situações adversas é muito importante para seguir em frente, e o riso é uma maneira de estimular isso”, afirma.

Um exemplo disso, diz Barros, é o tombo. A queda gera instantes de tensão, mas, se a pessoa se levanta e sorri, acalma os demais. Pode não ser o melhor cenário – ela pode ter machucado a pele, rasgado a roupa -, porém o sorriso sinaliza que vai ficar tudo bem. Para rir durante o dia é preciso ter uma boa noite de repouso. “Estamos em uma sociedade que não é muito amiga do sono. Pela quantidade de atividades, as pessoas vão cortando as horas de descanso, mas isso tem um preço”, lembra o médico Gustavo Moreira, pesquisador do Instituto do Sono.

Ele explica que o sono impacta as funções cardíaca e respiratória, o metabolismo e a atividade intelectual, incluindo a concentração e o desempenho. Quando dormimos mal, as funções cerebrais ficam alteradas e, além da sonolência durante o dia, podemos ter problemas de humor. Nessas situações, pequenos incômodos ganham grandes proporções e uma toalha fora do lugar, por exemplo, pode ser suficiente para iniciar uma briga. “Dormir bem é fundamental para ficar bem humorado”, diz Moreira.

O segundo passo para rir é observar o outro. “O grande poder do riso, do humor, vem da sua capacidade de nos conectar e percebemos isso porque estamos olhando um para o outro, prestando atenção”, destaca Barros. “O riso é muito mais fácil, intenso e eficaz quando é compartilhado.” Se alguém está sendo excluído, se sentindo mal, é um sinal de que o humor foi negativo ou agressivo – e isso muda com o tempo. Aquilo que era engraçado no passado hoje pode ser considerado uma ofensa, conforme as alterações da sociedade.

Há, contudo, o humor atemporal. “A história muda, mudam os costumes, o que é aceitável ou não. Mas os grandes vão além disso. Chaplin, por exemplo, trabalha a relação do poder. ‘O Gordo e o Magro’ trabalham com o fracasso, com o erro, com nossa incapacidade de controlar a vida, algo muito humano”, analisa Puccetti. Para ele, a palhaçaria é um ofício, uma arte e, principalmente, um território. Trata-se de um lugar de onde o mundo é experimentado com outro olhar. Há o princípio de reinventar as coisas, ver por outros ângulos, relacionar- se com objetos e espaços de outra maneira, o que resgata a força do brincar que perdemos conforme crescemos. O palhaço recorda então uma experiência na ala psiquiátrica de um hospital. Ele chegou ao local e começou a interagir com o espaço, a cadeira e a mala que havia levado. Aos poucos, um paciente se aproximou e começou a falar. “Ele falava sem parar e formamos uma dupla. Quando acabou, um psiquiatra veio conversar comigo. Ele perguntou o que eu tinha feito, porque aquele paciente estava lá há algum tempo e não falava nada. Isso não sou eu. Isso é a força desse brincar, desse jogo de você não se policiar e simplesmente existir. É isso que vejo de curativo no trabalho da palhaçaria. Você chega a tocar essa universalidade do humano, e daí é curativo.”

OUTROS OLHARES

JÁ SE SENTIU DISCRIMINADO AO FAZER COMPRAS?

Racismo, gordofobia, transfobia. Consumidores relatam constrangimento no dia a dia das relações de consumo

Em uma loja de grife vazia, em Goiânia, a única pessoa a perceber a presença da estudante de Medicina Lara Borges, de 20 anos, foi o segurança. Ser seguida pelos corredores e ter o cuidado de só abrir a bolsa no caixa é uma rotina para a advogada paulista Agatha Nunes, de 28 anos. Para as duas jovens negras, não há dúvida de que o racismo estrutural está fortemente presente nas relações de consumo no Brasil.

E racismo é crime. Mas o fato é que há comportamentos difíceis de serem enquadrados criminalmente, mas que nem por isso deixam de ser discriminatórios e precisam ser combatidos no dia a dia do comércio.

“Há um descompasso enorme entre a legislação e a sociedade brasileira. A legislação criminalizou racismo e homofobia no plano das palavras, mas e os olhares, a invisibilidade, os constrangimentos? Esses são os grandes desafios. O que se vai dizer? ‘Você não me viu?’ Como classificar um olhar? Isso dói profundamente, mas as pessoas acabam se sentido fragilizadas, sem potência, e deixam pra lá. Isso acontece também com idosos, pessoas acima do peso… As empresas precisam levar isso a sério”, diz a antropóloga do consumo Carla Barros, professora e pesquisadora da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Agatha conta que as duas amigas brancas que a acompanhavam em um passeio num shopping da Zona Oeste paulista sequer se deram conta de que o segurança de uma grande varejista, na qual entraram para ver as novidades, a havia seguido por três corredores.

“Eu parei para ver perfumes, e o segurança veio para próximo. Achei que podia ser impressão, então, mudei de corredor. Na terceira vez que ele veio atrás de mim, disse para as minhas amigas que queria ir embora. Elas não entenderam, comecei a chorar e, quando contei o que tinha acontecido, me incentivaram a voltar à loja, disseram que eu tinha que me defender, afinal eu trabalho com isso”, conta a advogada, que acabou processando a loja por discriminação.

EDUCAÇÃO E INFORMAÇÃO

Para Lara, sua experiência na loja em Goiânia traz um sentimento de não pertencimento.

“É visível que foi mais um caso de racismo. Eu poderia considerar um mau atendimento se visse que outras pessoas estavam tendo a mesma experiência, mas não foi o que aconteceu”, diz Lara, pontuando que essa foi só mais uma das situações discriminatórias pelas quais passa no seu dia a dia.

É justamente para combater o que foge à esfera criminal, mas que representa um grande mal às relações de consumo, que o Procon-SP criou, em parceria com a Universidade Zumbi dos Palmares, o Procon Racial. Mais do que uma plataforma de denúncias de discriminação, a ideia do projeto é ser um instrumento de transformação no comportamento das empresas.

“Quando é crime, tem que chamar a polícia. Mas há ações subliminares presentes no dia a dia do atendimento que precisam ser mudadas com educação e informação. As empresas denunciadas passam por um curso de letramento racial, são acompanhadas por 90 dias e devem instalar em suas lojas os dez princípios para o enfrentamento do racismo nas relações de consumo. Tudo isso antecede qualquer punição”, explica Guilherme Farid, chefe de gabinete do Procon-SP.

QUEIXAS TRAÇAM CENÁRIO

Ed Mattos, coordenador do Procon Racial, diz que as pessoas ainda têm dificuldade de nomear esses problemas no atendimento como racismo. O que explica o pequeno número de queixas à plataforma, cerca de 40, em um ano de funcionamento:

“Uma pesquisa do Procon-SP, de 2019, mostra que só 4% dos consumidores fazem relatos de racismo. É preciso encorajar as pessoas a relatarem e trabalhar com as empresas essas mudanças. Reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente pontua que o olhar distingue por raça, gênero, orientação sexual e até idade:

“Em algumas situações, em que há a agressão da dignidade do indivíduo, é difícil comprovar materialidade, cai naquele discurso de supervalorização ou vitimismo. Mas a consistência nas denúncias pode demonstrar a realidade dos fatos. A agressão física é inaceitável, mas há um impacto psicológico terrível da discriminação, com sequelas de difícil reversão”.

A professora Hana Silva Santos, de 22 anos, moradora de Gandu, na Bahia, sabe exatamente do que José Vicente está falando. Vítima de gordofobia, para ela, ir às compras é tarefa das mais estressantes, o que a leva a optar, muitas vezes, por lojas virtuais para evitar constrangimentos no comércio:

“Toda vez que penso em sair de casa para comprar alguma roupa, já sei que vou me estressar. Mal entro na loja, e a vendedora nem me escuta, logo fala que não tem roupa para o meu tamanho. Não posso ir comprar um presente? Avaliam meus gostos pelos seus próprios olhos, que, muitas vezes, são gordofóbicos”, diz a professora, que relata que o preconceito é maximizado por ser uma mulher negra.

Comprar roupas também é um problema para a paulista Natasha Palma, de 33 anos, profissional autônoma. Desde que se assumiu como uma mulher trans, ela evita as lojas de departamento por se sentir discriminada. Ela faz suas roupas em costureiras ou compra on-line. Natasha, que já foi vítima de violência em um supermercado do seu bairro, diz que, mesmo quando não há agressão física, a rotina de compras é pontuada por constrangimento:

“Há olhares estranhos, de reprovação, quando entro. Sinto que alguns vendedores não sabem como agir, não é intencional, mas o sentimento é o mesmo de discriminação”.

DESAFIO PARA EMPRESAS

Para a fundadora da Transcendemos Consultoria em Diversidade e Inclusão, Gabriela Augusto, os relatos demonstram a necessidade da criação de procedimentos internos, treinamentos e iniciativas efetivas para combater o preconceito nas relações de consumo. As empresas, diz, precisam ser uma parte ativa no combate às discriminações:

“A empresa não deve deixar essas questões no campo da subjetividade, é preciso que se tenha um posicionamento e um script de atendimento, uma regra. E pensar em todas as diversidades possíveis, não só nas pessoas gordas, negras, trans, mas em quem é deficiente, por exemplo. Como um cadeirante vai entrar e consumir numa loja que não tem rampas para ele?

Carla, da UFF, concorda que inclusão, além do atendimento, prevê um espaço físico adequado:

“É preciso uma visão integrada, é ótimo fazer propaganda incluindo gente idosa, pessoas de diferentes corpos. Mas, para além do treinamento, que deve ter um acompanhamento permanente, a loja tem que ter uma cabine que uma pessoa gorda se sinta confortável, mercadorias em locais acessíveis para um idoso. Uma cabine que a pessoa não entra, um local em que um idoso ou um deficiente encontram empecilhos, tudo isso causa constrangimento.

O consultor de varejo Antônio Cesar Carvalho, sócio-diretor da Acomp Consultoria e Treinamento, pondera que o desafio das empresas, quando se fala em discriminação, é o fato de os preconceitos já virem “de casa”, a questão estrutural:

“A discriminação é latente, e não só no Brasil. A educação corporativa tem um desafio nessa área de letramento, pois, independentemente de seus posicionamentos institucionais, os funcionários trazem o preconceito de casa e os reproduzem no atendimento, mesmo sem perceber. Por isso, a importância da constância e do acompanhamento do treinamento.

Na avaliação de Stella Susskind, CEO da SKS CX Customer Experience, empresa especializada em pesquisa de mercado, o desafio do varejo começa na seleção, que deve observar no candidato se há posturas preconceituosas.

Stella pontua que a entrada no mercado de uma geração mais ativa nas redes sociais e engajada em políticas de diversidade impõe às empresas a necessidade de adoção de uma nova postura:

“Essa geração é engajada politicamente e ativa nas redes sociais. E as reclamações nas redes sociais viraram coisa séria, com um efeito sobre a imagem da empresa.

Carvalho reforça que, se a responsabilidade social não for suficiente para que as empresas façam uma mudança, elas devem levar em consideração ainda a questão comercial.

“Passamos da fase do discurso. Se não houver honestidade de propósito, o efeito será a perda de consumidores que exigem respeito. É mais do que uma questão legal, é uma exigência do consumidor”, afirma.

OUTROS OLHARES

CENTÍMETROS VALIOSOS

Para aumentar a altura, medicina oferece apenas cirurgia ou hormônio

Ser mais alto é o desejo de muita gente. A altura de uma pessoa é resultado da combinação de vários genes herdados dos pais associada à influência do ambiente. Em geral, cada um tem 50% de chance de ter a mesma altura do pai ou da mãe. Irmãos têm 50% de chance de ficarem com alturas parecidas e temos 25% de chance de termos tamanho semelhante ao de avós e tios. Entretanto, problema nutricionais, hormonais ou alguma doença crônica podem interferir no resultado final. Na infância, é possível utilizar um hormônio chamado GH em crianças com deficiência ou baixos níveis da substância. Por outro lado, uma vez que o crescimento natural está consolidado, não há terapia hormonal que permita continuá-lo. A única forma de ganhar alguns centímetros a mais na idade adulta é recorrera um procedimento extremo chamado alongamento ósseo.

A técnica envolve quebrar o fêmur ou a tíbia e, com a ajuda de uma armação de metal, afastar gradativamente as duas metades do osso, forçando-o a cicatrizar mais longo do que antes. Pode parecer absurdo, mas a verdade é que para muitas pessoas, em especial homens, a resposta é “sim”.

“A procura é muito grande e aumentou muito durante a pandemia”, diz o ortopedista Guilherme Gaiarsa, presidente do comitê de reconstrução e alongamento ósseo da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).

O Instituto LimbplastX, uma clínica fundada em 2016, em Las Vegas, nos Estados Unidos, diz que, na pandemia, o número de pacientes dobrou, segundo informações da revista GQ.

A pressão social é um dos fatores que influencia na decisão deles. Socialmente, está tudo bem se uma mulher é baixinha. Para aquelas que se incomodam, é possível recorrer ao salto alto. Para os homens, não é tão simples assim. Um estudo de 2013 mostrou que as mulheres eram mais altas que seus parceiros em apenas 7,5% dos casos. Também há prejuízos financeiros. A altura média de um CEO da Fortune 500 é de 1,82 m. De acordo com um estudo feito em 2009, com homens australianos, os baixinhos ganham menos dinheiro do que seus colegas mais altos (cerca de US$ 500 por ano a cada 2,5 cm).

Alonso tinha 1,68m e queria aumentar sua altura. Ele procurou o LimbplastX Institute. Após um alongamento do fêmur, ganhou 8,7 centímetros e ficou com uma altura final de 1,77 m, de acordo com uma publicação na rede social do cirurgião Kevin Debiparshad, que está à frente da clínica. Em um comentário na publicação, Alonso disse que o procedimento é doloroso e a recuperação, demorada. “Ainda não ando rápido, ainda não tenho meu ritmo de caminhada de antes, mas sou pedreiro, eletricista, e já consegui subir escadas, verificar sótãos, até rastejar debaixo de uma casa. Estou fazendo isso para recuperar a mobilidade, mas minha recuperação ainda não terminou”, contou o paciente.

COMPLEXIDADE

Apesar do aumento no interesse, especialistas brasileiros afirmam que muitos pacientes desistem quando descobrem o valore quando entendem como é a cirurgia, o quanto demora a recuperação e os riscos envolvidos.

“Eles acham que é uma coisa mais simples, mas não é. É um procedimento complexo, que envolve uma longa recuperação, afastamento de trabalho, além de dedicação e cuidados de longo prazo”, diz o ortopedista Fabiano Nunes, da BP- Beneficência Portuguesa de São Paulo. O alongamento ósseo em si é um procedimento bem estabelecido, desenvolvido para a correção de deformidades causadas por doenças congênitas ou traumas, por exemplo. Nos últimos anos, a cirurgia ganhou apelo estético por ser a única forma de “crescer” na idade adulta. Primeiro, é realizada uma cirurgia na qual o médico faz um corte em um dos ossos da perna (fêmur ou tíbia, mas geralmente no fêmur, pois tem maior capacidade de alongamento) e coloca um fixador, que pode ser externo, interno ou uma combinação dos dois. É o fixador, acionado diariamente pelo paciente, que tem a função de separar os ossos lentamente e causar o alongamento. A distância é de cerca de um milímetro por dia. Mas esse processo só começa 15 dias após a operação. O corpo produz novo tecido ósseo para preencher a lacuna crescente.

“Esse osso começa a cicatrizar e no momento em que isso acontece, forçamos para não cicatrizar e assim consecutivamente. Alongamos um milímetro por dia em quatro movimentos de 0,25 milímetros por dia. São movimentos muito pequenininhos ao longo do dia, da semana, do mês, que vão causar esse alongamento”, explica Gaiarsa.

Após o período de alongamento em si, o fixador ainda precisa ser mantido por mais alguns meses, até o osso se consolidar. No total, um alongamento de 5 centímetros, por exemplo, demora cerca de seis meses.

Nunes explica que para o osso em si, não há limite para alongamento. Entretanto, outras estruturas ao redor, como músculos, tendões, cartilagens e nervos, não respondem tão bem a alongamentos muito grandes. Para ajudar na recuperação e no alongamento dessas estruturas, o paciente precisa passar por sessões diárias de fisioterapia durante e depois do alongamento.

“Quanto mais centímetros eu alongo, maior é o risco de complicações. Quanto menor o alongamento, menor o risco de complicações. A gente fala que um tamanho ideal é de cinco, sete ou oito centímetros, no máximo”, pontua Nunes.

O alto custo está associado à complexidade do procedimento e demora na recuperação. Cada fixador custa cerca de R$40mil. Ao incluir a equipe médica, internação, medicamentos e fisioterapia, o valor inicial estimado é de R$ 100 mil e deve ser pago integralmente pelo paciente. Tanto os planos de saúde quanto o Sistema Único de Saúde (SUS) cobrem apenas os custos de alongamentos para correção de deformidades.

Além da dor e do longo período de recuperação, o alongamento ósseo envolve muitos riscos, desde aqueles presentes em qualquer cirurgia, como infecção, até os específicos. As complicações incluem embolia pulmonar, problemas de regeneração óssea, lesões vasculares, neurológicas e funcionais (limitação da mobilidade). Pode haver ainda deformação e diferença de comprimento entre as pernas.

Pacientes obesos e com problemas de coagulação têm risco aumentado. Apesar disso, a única contraindicação absoluta para a realização desse procedimento para fins estéticos é o tabagismo.

“O osso não consolida bem em pacientes tabagistas. Para um caso traumático, de necessidade, o tabagismo é uma contraindicação relativa. Mas para uma cirurgia eletiva, é absoluta”, diz Gaiarsa.

CRIANÇAS

Na infância, problemas de crescimento podem ser corrigidos com a ajuda do GH, um hormônio do crescimento produzido pela hipófise. O tratamento envolve injeções diárias do hormônio, aplicadas ao deitar, por via subcutânea, por um longo prazo.

“O ideal seria começar a reposição entre os cinco e sete anos e o tratamento precisa ser mantido até fechar a idade óssea, o que ocorre por volta dos 13 a 14 anos”, explica a endocrinologista Claudia Cozer, diretora da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

A médica alerta que o tratamento só é benéfico para crianças com deficiência ou baixa secreção desse hormônio – comprovada por exame laboratorial. Nesses casos, o ganho pode ser de 5 cm.

Para aquelas com produção normal do hormônio, a reposição não trará benefício algum. Pelo contrário.

“É usar uma medicação desnecessariamente, além de gerar custo para a família e estresse psicológico para a criança”, alerta Cozer.

Ele é indicado por um endocrinologista quando um médico constata que a criança está abaixo da curva de crescimento e outras causas já foram descartadas, como alergias e intolerâncias, problemas de fígado, de rins, tireoide, fatores psicológicos, alimentares e nutricionais.

GESTÃO E CARREIRA

PARA EXECUTIVOS DE TI NOVOS TALENTOS TÊM FORMAÇÃO INSUFICIENTE

A pesquisa Tendências em Tecnologia, realizada durante o Universo TOTVS 2022, em parceria com a H2R Pesquisas Avançadas, aponta que cerca de 58% dos executivos de TI acreditam que os novos talentos não estão totalmente capacitados para o mercado

“Desde 2019, as empresas de tecnologia alertam para o apagão de profissionais de TI no Brasil. A falta de profissionais capacitados impulsiona o crescimento das universidades e escolas corporativas no país”, menciona a Coordenadora de Treinamento e Capacitação da Keyrus Academy, Christiane Gatti.

O estudo ainda aponta que apenas 13% dos participantes consideram que os profissionais de TI são mais valorizados no Brasil. Em relação ao investimento na capacitação de suas equipes, quase metade das empresas afirmaram que investem menos do que o suficiente, outros 26% consideram que fazem um investimento normal, 14% afirmam investir pouco e 5% dizem que não investem nada.

O Brasil forma apenas 53 mil pessoas por ano em cursos de perfil tecnológico, mas a demanda média anual é de 159 mil profissionais de TI e comunicação. É o que aponta o estudo “Demanda de Talentos em TIC e Estratégia TCEM”, publicado pela Brasscom.

De acordo com a entidade, a projeção é de um déficit anual de 106 mil talentos, 530 mil em cinco anos. São números que refletem o crescimento acelerado do setor de TIC, e deixam clara a urgente necessidade de que a formação profissional também seja ampliada no mesmo ritmo.

Para a Brasscom, o ideal é as empresas criarem estratégias inovadoras para ampliar a formação de talentos e superar o déficit – previsto para ultrapassar meio milhão de profissionais, pois a baixa de mão de obra desperta um alerta para o risco de um apagão de profissionais qualificados para ocupar os postos vagos. A implantação de Universidades Corporativas têm crescido em diferentes segmentos que têm percebi- do a importância de investir no ativo mais importante de uma organização: o capital humano e intelectual.

O movimento é descrito como Employer U (universidade conectada à empresa, em tradução livre) que além de formar ou capacitar profissionais de acordo com a cultura organizacional da empresa, ainda contribui para inserir mão de obra qualificada no mercado de TI. A multinacional Keyrus, líder mundial em consultoria de inteligência de dados, digital e transformação de negócios, lançou a Keyrus Academy, Universidade Corporativa com o objetivo de ampliar a rede da multinacional e capacitar profissionais de TICs. “O objetivo é ampliar a rede e capacitar o profissional de tecnologia, indiferente de ser um colaborador ou não. Sentimos a necessidade de capacitar a mão de obra disponível no mercado. Além dessa ampliação, mantemos nossos treinamentos internos e os treinamentos corporativos”, menciona Christiane. O diferencial é que as pessoas aprendem com quem vive na prática o dia a dia do mercado de tecnologia. No caso da Keyrus os cursos são ministrados por consultores Keyrus que são profissionais altamente capacitados tecnicamente e mercadologicamente.

“Entendemos que a educação é fator determinante para o engajamento dos colaboradores, o que impacta diretamente em uma entrega de qualidade”, enfatiza Christiane. Considerando o atual cenário, em que a crise afeta diferentes áreas e setores da sociedade, é de extrema importância e necessidade que os colaboradores estejam alinhados e capacitados a lidar com as novas realidades, caso contrário, a empresa pode estagnar. Logo, com uma capacitação adequada é muito mais fácil ampliar a excelência no trabalho executado.

Outro ponto importante a se destacar é o fato de que a capacitação dos colaboradores contribui para a gestão de planos de carreira, afinal, tem ocorrido uma movimentação de profissionais que buscam por uma aprendizagem contínua para investir em um plano de carreira vindouro.

FONTE: https://keyrus.com/br/pt/services

EU ACHO …

CONFIE EM DEUS, MAS TRANQUE O CARRO

Mike Tyson segue na mídia: andou sendo entrevistado pela Oprah e fazendo um mea-culpa por uma vida inteira de desvios de comportamento.

Isso me fez lembrar de quando ele foi acusado de estupro pela ex-miss Desiree Washington, em 1991. A moça havia entrado no quarto com ele, de madrugada e, ao que consta, desistiu de levar adiante a brincadeira. Qualquer pessoa tem o direito de desistir do ato sexual na hora H e o parceiro tem o dever  de respeitar a decisão, por  mais fulo da vida que fique, mas deixar Mike Tyson fulo não é algo que uma pessoa de juízo arrisque. Na época, a escritora Camille Paglia disse que Tyson errou, logicamente, mas que a moça era uma idiota. E justificou sua opinião dando o seguinte exemplo: se você estaciona seu carro numa rua escura e deixa a chave na ignição, não significa que ele possa ser roubado. Mas, se for, você foi um panaca.

Essa história sempre me volta à cabeça quando começo a ouvir algum “ai de mim”, que é o mantra das vítimas. Fico prestando atenção na história e, quase sempre, descubro que o mártir deixou a chave na ignição. São os casos de garotas que se deixam filmar nuas pelo namorado e depois descobrem que viraram as musas do YouTube, ou de garotos que dirigem alcoolizados a 140km/h e acordam no outro dia no hospital (quando acordam). Eles devem se perguntar, dramáticos: onde está Deus nessa hora que não me ajuda? Está ajudando a encontrar sobreviventes de um tsunami ou consolando quem tem um câncer em metástase, porque esses sim são vítimas genuínas: mesmo deixando seus carros bem trancados, foram surpreendidos pelo destino.

“Não há prêmio ou punição na vida, apenas consequências.” Não sei quem escreveu isso, mas está coberto de razão. Sorte e azar são responsáveis por uns 10% do nosso céu ou inferno, os 90% restantes são efeitos das nossas atitudes. Vale para o trabalho, para o amor, para o convívio em família, para o dinheiro, para a saúde da mente e também do corpo. Reconheço que os governos não ajudam, que certas leis atrapalham, que a burocracia atravanca, que o cotidiano é cruel, e até as disfunções climáticas conspiram contra. Ainda assim, avançamos (prêmio) ou retrocedemos (punição) por mérito ou bananice nossas.

Então, tranque o carro numa rua escura e também dentro da sua garagem, não entre no quarto de um neanderthal se você não estiver bem certa do que deseja, não deixe uma vela acesa perto de uma cortina, pense duas vezes antes de mandar seu chefe para um lugar que você não gostaria de ir, não tenha em casa Doritos, Coca-Cola e Ouro Branco se estiver planejando perder uns quilos e lembre-se do que sua bisavó dizia: regue as plantas, regue suas relações, regue seu futuro, porque sem cuidar, nada floresce.

E, por via das dúvidas, confie em Deus, que mal não faz.

MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

MARMITA FITNESS – OPÇÃO IDEAL PARA QUEM DESEJA UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL

Feitas com ingredientes frescos e de qualidade, as marmitas fitness também são uma boa opção para começar o ano de forma leve

Depois da comilança de fim de ano, época que geralmente as pessoas costumam enfiar o pé na jaca e comer exageradamente – mesmo cientes das consequências, como aumento de peso e colesterol, por exemplo – chegamos à véspera do ano novo. Agora surgem muitos dos planos que incluem cuidar da saúde, ter uma alimentação mais saudável e equilibrada, fazer uma dieta, praticar exercícios físicos e, por que não, perder alguns quilinhos? Com isso em mente, muitas pessoas decidem começar fazer academia, outras optam apenas pela caminhada, algumas procuram um nutricionista, e isso certamente já é um bom começo para alcançar os objetivos, afinal, é preciso tirar os planos do papel.

PRATICIDADE

E para quem deseja, de fato, começar o ano novo mudando a alimentação, fazendo refeições mais saudáveis, pode contar com a ajuda das marmitas fitness. Além de práticas no dia a dia para quem tem uma rotina agitada, elas são um investimento que vale a pena, principalmente para evitar o consumo de alimentos gordurosos e ricos em sal, e também uma opção ideal para quem não tem tempo ou não gosta de ficar nas filas dos supermercados e na cozinha. As marmitas fitness resolvem esse problema e ainda oferecem um cardápio variado, com diferentes ingredientes. Elas podem ser congeladas e são aquecidas facilmente.

Além disso, são receitas preparadas sempre com muito cuidado, com produtos selecionados e fresquinhos, com temperos na medida certa, sem prejudicar o sabor dos alimentos. Em Rio Preto, muitas empresas têm investido nesse ramo, para proporcionar aos clientes a alternativa e a comodidade de terem suas refeições prontas, focando não apenas na qualidade e benefícios à saúde, mas também no bolso, já que, em alguns casos, pode ser mais econômico comprar a marmita pronta do que gastar com todos os ingredientes e preparar o cardápio semanal em casa.

NOVIDADES SEMANAIS

A Do Reino Fit é uma loja online que trabalha pelo Instagram e WhatsApp com a venda de kits de marmitas sob encomenda, com um cardápio variado que muda semanalmente, oferecendo sempre novidades aos clientes de Rio Preto e região, como Mirassol e Cedral, que recebem os produtos pelo sistema delivery. Tem pernil ao barbecue com mandioca e farofa de banana com bacon, macarrão caprese, sobrecoxa desossada com quiabo e polenta cremosa, strogonoff de frango, bobó de frango, macarrão ao alho, brócolis, bacon e tomatinhos cereja, entre muitas outras opções. Segundo a proprietária Yara Ribeiro Albertini, as marmitas que fazem mais sucesso são a de galinhada e a mineirinho (arroz integral, feijão, calabresa, bacon, ovo e couve).

“Variar o cardápio semanalmente é um grande diferencial para quem vende comida congelada, pois o cliente não enjoa e consegue comer uma comida diferente, saborosa e saudável ao mesmo tempo. Escolher ingredientes de qualidade faz toda a diferença no resultado final, pois o sabor será sempre o mais importante e, consequentemente, o alimento terá um padrão mais alto. E isso inclui não somente usar produtos de qualidade como também manter um controle de qualidade, uma higienização adequada, tanto do alimento quanto do ambiente de trabalho”, diz Yara.

EXPERIÊNCIA AFETIVA

Salmão grelhado com purê de mandioquinha e legumes com Shimeji, do Gostinho

O Gostinho tem uma cozinha especializada em alimentação saudável, para que as refeições preparadas sejam sempre nutritivas e, ao mesmo tempo, tenham o sabor da comida caseira. O restaurante oferece um cardápio extenso, com uma variedade de mais de 100 pratos, que são divididos em grupos: Low Carb, Fitness, Vegetariano, Especiais, Caldos e Salgados. Os campeões de vendas são as panquecas de carne e frango, o risoto de shimeji com alcatra, o escondidinho de mandioca com carne e a coxinha de frango com cream cheese sem massa. Disponibiliza marmitas avulsas ou a adesão de combos, além de um cardápio personalizado, de acordo com as necessidades do cliente.

“Trabalhamos com muito zelo e cuidado, pois acreditamos que através da alimentação também é possível se ter uma experiência afetiva. Nossos pratos são feitos com produtos de primeira qualidade, pois cremos que para ter um resultado satisfatório quando se propõe seguir uma alimentação saudável, a qualidade é essencial, a começar pela higiene de nossa cozinha”, afirma a proprietária Angélica Costa. O Gostinho atende de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h e aos sábados das 9h às 12h, e está localizado na rua Professora Zulmira da Silva Salles, no Parque Industrial, em Rio Preto. As marmitas são entregues no local ou pelo delivery.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PAPAI, MAMÃE, TITIA

Famílias vivem crise por intolerância e acirramento de preconceitos

Em uma rede social, o publicitário Cyro Freitas, de 38 anos escreveu em novembro: “levante-se da mesa quando o amor não estiver mais sendo servido”, da música da artista e ativista negra Nina Simone, que aprendeu a tocar blues escondida dos pais.

A reflexão foi como traduziu seus sentimentos um dia depois de ter saído do grupo da família por ser gay. Laços familiares desfeitos no país são um fenômeno cada vez mais estudado desde que se intensificou a polarização com as eleições de 2018. Por trás do que parece política, há muito mais: histórias de profundas divergências sobre temas como homofobia, racismo e papel da mulher na sociedade. Diferenças que extrapolam os limites do lar.

Cyro saiu do grupo e de casa, deixando para trás afetos e vínculos sanguíneos para mergulhar na aventura de viver as suas verdades.

“Quando eu saí de casa, meu pai foi indiferente, mas minha mãe não queria que eu me mudasse. Mesmo eu morando perto, ela me fez adiar ao máximo a mudança”, relembra ele, que rompeu de vez o cordão umbilical em 2016, ainda dois anos antes de os ânimos ficarem ainda mais acirrados, de acordo com o termômetro de especialistas.

Cyro, que tinha 31 anos quando se despediu de casa, buscava mais independência e fugia da homofobia.. Pesquisadores que se dedicam a casos como o dele avaliam que as rupturas acontecem porque, cada vez mais, almoços e jantares de família servem pratos de intolerância. O avanço do conservadorismo no Brasil está na raiz do problema que não se limita a um debate eleitoral.

REJEIÇÃO E MEDO

Para o antropólogo Bernardo Conde, professor da PUC-RJ, a divisão familiar transpassada pelo preconceito pode gerar problemas psíquicos e sociais à vítima, mesmo quando ela se rebela e rompe o ciclo de ataques, como fez Cyro.

“Às vezes, um filho que se rebela demarca autonomia, mas também pode existir a ideia de rejeição, que leva à insegurança ou à baixa autoestima. Por não poder se abrir com a família, a pessoa pode vir a ter uma incapacidade de se relacionar plenamente ou pode ainda reproduzir o sistema conservador da família”, explica.

Um levantamento realizado pela consultoria Quaest mostrou que, só nos últimos dois anos, mais de 2,5 milhões de publicações na internet indicavam polarização familiar para além de divergências políticas, com destaque para brigas envolvendo LGBTfobia, intolerância religiosa e racismo. Dos posts analisados no Twitter, Instagram, Facebook e Reddit, 17% denunciavam atitudes LGBTfóbicas no núcleo familiar. O pico de publicações foi em outubro, durante as últimas eleições, quando viralizou o tuite de um homem trans expulso da casa da irmã. Os casos de intolerância religiosa somam 13%, e os de racismo, 3%. Os principais termos associados a polarização entre familiares se referiam a “sair de casa”, “igreja” e “sair do armário”. Em postagens na internet, pode-se encontrar um enorme varejo de temas indigestos, que vão de gordofobia a racismo reverso – que consistiria em brancos sendo alvo de preconceito por parte de negros -, refutado por estudiosos.

Nascido em uma família de militares, o publicitário conta que nunca se sentiu à vontade para se assumir gay. Desde pequeno ouvindo que era errado ser homossexual, Cyro só oficializou o relacionamento de 11 anos com Hilderlan Fernandes Martins, de 32 anos, em 2020. Hoje, tem  o apoio da mãe e dos irmãos. Mas o pai se recusa até mesmo a permanecer no mesmo ambiente com o filho e o genro. O preconceito, segundo o publicitário, o afastou das celebrações em família de que tanto sente falta. Neste Natal, não haverá ceia.

Embora não haja uma causa única para esses comportamentos, Conde vê no cristianismo, principalmente da igreja evangélica, uma das faces desse radicalismo.

Quando as pessoas fogem do considerado correto pela Bíblia, precisam ser combatidas ou convertidas por medo do “inferno” e do “pecado”. A desinformação fomenta o ódio”, diz.

O afastamento progressivo da designer Rebeka Guimarães, de 23 anos, da mãe se solidificou nos últimos quatro anos, com a eleição do presidente Jair Bolsonaro (PL). Sentindo-se humilhada por ter amigos LGBTs ou por ser a favor da vacina contra a Covid- 19, ela rompeu de vez com a mãe e teve uma semana para achar uma casa nova em Santa Catarina.

“Minha mãe disse para eu arrumar as malas e ir embora. Eu comecei a chorar e decidi que não merecia continuar passando por aquilo. Ela destruiu a nossa família, que ela dizia ser prioridade”,  desabafa Rebeka, recém-empregada, que ganhou móveis usados de amigos e recebeu ajuda financeira do pai, que mora com a irmã mais velha no Paraná.

O cientista social Milton Lahuerta, coordenador do Laboratório de Política e Governo da Universidade Estadual Paulista (Unesp), afirma que a radicalização conservadora, que também acontece em outros lugares do mundo, ameaça direitos conquistados pelas minorias. Por outro lado, tem provocado o surgimento de outros arranjos sociais:

“Há uma reconfiguração do papel da família, que passa a ter outras raízes fora do pai, da mãe e de irmãos.

RACISMO ENCOBERTO

Apesar de aparecer de forma menos expressiva na pesquisa, o racismo acabou com a paz familiar do escritor baiano Ricardo (nome fictício), de 28 anos. Ele passou a ser assediado a cortar o cabelo black power, porque os país achavam “feio”. Ricardo resolveu se mudar há três meses de Salvador para São Paulo.

“Sou de uma família de não-brancos, mas o racismo sempre esteve presente. O meu black é um problema para o meu pai”, conta ele que viu o afastamento como inevitável.

OUTROS OLHARES

VIAGRA REDUZ EM 39% O RISCO DE MORTE POR DOENÇA CARDIOVASCULAR

Remédio destinado à disfunção erétil aumenta fluxo sanguíneo nas artérias do coração e distribuição de oxigênio pelo corpo

O Viagra, medicamento comumente usado para disfunção erétil, tem um benefício adicional: reduzir o risco de doenças cardíacas em até 39% em homens. A conclusão é de um novo estudo feito por pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos. Os homens que tomam o remédio também parecem menos propensos a sofrer morte prematura por qualquer causa.

O trabalho, publicado recentemente na revista científica Journal of Sexual Medicine, analisou dados de mais de 70 mil homens, com em média 52 anos, diagnosticados com disfunção erétil, entre 2006 e 2020. Por meio de registros médicos, os pesquisadores determinaram quem havia tomado remédios para disfunção erétil – e quaisquer problemas cardíacos subsequentes que possam ter sofrido durante o período de acompanhamento. Entre os participantes, 23.816 usavam os remédios para ajudar na cama, enquanto outros 48.682 não.

Os resultados mostraram que aqueles que usaram esses medicamentos eram menos propensos a sofrer problemas cardíacos. Eles tinham um risco 17% menor de insuficiência cardíaca, quando o coração não bombeia tão bem quanto deveria; 15% menos probabilidade de necessitar de um procedimento de revascularização coronária, usado para limpar bloqueios nas artérias do coração; diminuição de 22% na probabilidade de desenvolver angina instável, quando a placa na artéria coronária não fornece oxigênio e sangue ao coração.

Cada uma dessas condições pode ser fatal se não a for tratada e aumentar significativamente a probabilidade de uma pessoa sofrer um ataque cardíaco. No geral, as mortes por problemas cardíacos nesses homens caíram quase 40%. Além disso, os homens que usaram medicamentos para disfunção erétil também viveram, em média, por mais anos, e com o risco de morte prematura caindo em um quarto durante o período do estudo.

Embora os pesquisadores não tenham investigado por que os medicamentos estavam ligados a uma melhor saúde do coração, eles acreditam que a droga aumenta o fluxo sanguíneo nas artérias do coração e melhora o fluxo de oxigênio por todo o corpo. Não é à toa que pesquisas anteriores vincularam o uso do Viagra a uma diminuição do risco de Alzheimer, que pode ser causado pela falta de fluxo sanguíneo para o cérebro.

A medicação funciona relaxando os músculos do pênis, o que permite um maior fluxo de sangue no local. O Viagra, e outras medicações para disfunção erétil, também diluem o sangue, facilitando o fluxo no corpo.

Esse processo reduz a pressão sanguínea como um todo, o que ajuda o sangue a fluir melhor pelo o corpo e diminui o risco de coagulação e outros bloqueios que causam problemas cardíacos graves. Também há melhora do fluxo na artéria braquial, um importante vaso sanguíneo que fornece sangue para a parte superior do corpo, como braço, cotovelo e mão.

Embora os resultados deste estudo sejam promissores, não é recomendado tomar esses medicamentos para a prevenção de qualquer uma das condições acima, exceto para o tratamento de disfunção erétil, sob recomendação médica.

OUTROS OLHARES

CASOS E ÓBITOS POR HIV/AIDS VOLTAM A CRESCER ENTRE HOMENS NO BRASIL

Número de infecções, em queda há sete anos, aumentou 8% em 2021; pessoas negras, jovens e do sexo masculino são maioria

Após sete anos em queda, o número de contaminação por HIV entre homens voltou a crescer no Brasil em 2021, último ano com as estatísticas fechadas. Foram 12.511 diagnósticos registrados pelo Ministério da Saúde – aumento de aproximadamente 8% em comparação a 2020. Os principais afetados são os negros (pretos e pardos, conforme definição do IBGE), representando 7.313 (58,5%) do total.

A quantidade de brasileiros do sexo masculino mortos pela doença também cresceu: 7.613 óbitos no período, 363 a mais que em 2020. Novamente, negros representaram a maioria, com 59%, ou seja, a cada dez brasileiros que tiveram a vida ceifada pela Aids no ano passado, seis eram negros.

Há dez anos, o quadro racial da contaminação era outro. Em 2011, a maioria dos diagnósticos de HIV positivo foi detectado em homens brancos, que somavam 46,1% do total, ante 45,1% pardos e pretos.

Os índices, basicamente, refletem a desigualdade social e racial presente no país, afirma o vice-presidente da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), Veriano Terto.

“Em comparação à população branca do Brasil, os negros têm menos acesso a serviços de saúde de qualidade, como insumos de prevenção e tratamentos. São pessoas em posição economicamente desigual”, destaca o especialista.

A curva ascendente de números de óbitos pela doença entre os negros preocupa os estudiosos da área. Para Terto, os dados denunciam a escassez de campanhas com recorte social e racial:

“Não podemos falar que há uma falha nas campanhas de Aids do governo para jovens negros. A verdade é que essas ações raramente são pensadas. Nos dias de hoje, podemos falar que elas praticamente não existem.

De acordo com o Ministério da Saúde, entre 2010 e 2020, verificou-se queda de 10,6 pontos percentuais na proporção de óbitos de pessoas brancas e crescimento de 10,4 pontos percentuais na proporção de óbitos de pessoas negras.

JOVENS

Conforme revelado, os casos de detecção entre os jovens de 14 a 29 anos também cresceram nos últimos dez anos. Entre o sexo masculino, a notificação entre a faixa etária registrou aumento de 20% – passou de 6.641 para 7.970. Os índices motivaram a pasta a lançar, neste mês, a campanha

“Quanto mais combinado, melhor!”, que alerta os jovens sobre as formas de se proteger da contaminação pelo HIV.

Levando em consideração o universo da população brasileira, tanto as infecções quanto as mortes caíram ao longo de uma década. Em 2011, foram identificados 20.583 diagnósticos e 7.925 óbitos por HIV/Aids. Já no ano passado, foram registrados 12.511 casos e 4.471 mortes.

Os dados do ministério mostram que, em dez anos, houve queda de 18,5% nos diagnósticos gerais. Entre as mulheres, a redução foi acima da média, com 37,3% menos casos em 2021 do que em 2011. Já entre os homens, a redução foi de apenas 7,2% no mesmo período. A desigualdade entre os sexos já foi menor. Entre 2002 e 2009, a média dos diagnósticos era de 15 homens a cada dez mulheres. A partir de 2011, a pasta começou a identificar avanço do HIV no sexo masculino, com 25 casos em homens para cada dez mulheres.

“Campanhas massivas são cruciais para diminuir os números. O tratamento no início da detecção também é importante para derrubar a contaminação. Nesse cenário, a doença não evolui, e a carga viral se torna praticamente indetectável”, explica o infectologista do Hospital das Forças Armadas Hemerson Luz.

Há duas estratégias de prevenção da doença, além do uso de preservativos: a profilaxia pré-exposição (PrEP), um comprimido que evita a contaminação em um possível caso de exposição, que deve ser tomado em casos de comportamento de risco, e a profilaxia pós-exposição (PEP), um comprimido que pode ser tomado até 72h após a exposição ao HIV.

Procurado, o Ministério da Saúde afirmou que, com relação ao aumento no número de casos entre homens, “a pandemia da Covid-19 fez com que as pessoas procurassem menos os serviços de saúde para realizar a testagem do HIV”. Informou ainda que lançou uma campanha de enfrentamento ao HIV/Aids com estratégias de prevenção combinada para populações vulneráveis, principalmente jovens.

GESTÃO E CARREIRA

HOME OFFICE: VALORIZAR RESULTADOS E NÃO HORAS TRABALHADAS

Há alguns anos, despender horas a mais no ambiente de trabalho era visto como empenho e aperfeiçoamento. Contudo, a nova rotina de home office tem modificado essas percepções, levando as empresas a darem mais atenção ao resultado dos colaboradores do que ao tempo que levam para realizar suas atividades.

Segundo o escritor Uranio Bonoldi, especialista em tomada de decisão e negócios, essa é uma tendência do mercado capaz de oferecer aos trabalhadores mais equilíbrio entre vida profissional e pessoal. “O empenho de um colaborador não pode mais ser medido pelo tempo em que ele permanece no escritório. Na verdade, esse critério sempre foi falho, pois trabalhar muitas horas não é sinônimo de dedicação e proatividade”, aponta o especialista.

Uma pesquisa da Asana, um software de gerenciamento de projetos, corrobora essa  perspectiva. A partir de uma análise de 10 mil funcionários, o estudo revelou que 58% do expediente era utilizado para refazer trabalhos. Já segundo outra pesquisa, da revista  Harvard  Business Review, os colaboradores tendem a passar 41% do tempo em atividades que os fazem sentir-se ocupados e úteis, sem de fato serem produtivos.

Para Uranio, isso é sinal de que o tempo de trabalho pode, muitas vezes, ser mal aproveitado. “Certamente há atividades que são mais trabalhosas e demoradas do que outras, mas o que mede de fato a boa performance de um colaborador é a sua entrega aliada a outras qualidades no convívio e no desenvolvimento das atividades, que agregam valor ao seu desempenho”, diz.

Em tempos de home office, onde há menos controle sobre o início e o fim do expediente, o mercado volta sua atenção para os resultados dos colaboradores. Há estudos que indicam que o pico de produtividade do trabalhador dura cerca de três horas. Ou seja, o resto do tempo pode estar sendo mal gerido. Essa gestão do tempo precisa ser feita para que haja um bom rendimento sem levar os colaboradores a crises de burnout.

Autor de “Decisões de alto impacto: como decidir com mais consciência e segurança na carreira e nos negócios”, o escritor afirma que há uma tensão no mercado de trabalho, no qual os trabalhadores vêm demonstrando insatisfação com as configurações atuais.

“Vimos recentemente discussões importantes sobre as ondas de demissões e o quiet quitting, o que parece ser sinal de que os colaboradores estão buscando melhores condições de trabalho. Assim, as empresas precisam estar atentas a essas demandas para manterem profissionais comprometidos e que entregam bons resultados sem se desgastarem com o excesso de trabalho”, conclui.

FONTE E OUTRAS INFORMAÇÕES, ACESSE: https://www.uraniobonoldi.com.br

EU ACHO …

E SE TIVESSE SIDO DIFERENTE?

Quem leu o perturbador Precisamos falar sobre Kevin, sabe que sua autora, Lionel Shriver, é craque em esmiuçar as razões psicológicas que motivam todos os nossos atos, mesmo os mais tolos, e em demonstrar o quanto esses atos geram consequências previsíveis e imprevisíveis. Em seu novo livro, O mundo pós-aniversário, ela conta a história de Irina, uma mulher instalada num sólido casamento de dez anos, que um dia sente um incontrolável desejo de beijar outro homem. Pra complicar, esse homem é um  amigo do casal. A partir daí, a autora desmembra o livro em  duas histórias que correm paralelas: a vida de Irina caso consumasse seu impulso erótico, e a vida de Irina caso reprimisse seu desejo.

A autora poderia ter se contentado em escrever sobre o poder transformador de um primeiro beijo em alguém, mas foi mais inteligente e abordou também o poder transformador de mantermos tudo como está. É comum pensarmos que, ao ficarmos parados no mesmo lugar, sem agir, sem mudar nada, estamos assegurando um destino tranquilo. Engessados na mesma situação, é como se estivéssemos protegidos de qualquer possível ebulição que nos inquiete. Sssshh. Quietos. Ninguém se mexe pra não acordar o demônio.

Não deixa de ser uma estratégia, mas falta combinar com o resto da população. As pessoas que nos cercam sempre interferirão no nosso destino. Se dermos uma guinada brusca ou permanecermos na rotina, tanto faz: o mundo se encarregará de trocar as peças de lugar nesse imenso tabuleiro chamado dia a dia.

Ao fazer algo socialmente condenável (como ser casada e dar um beijo em outro homem, pra dar o exemplo do livro), tudo poderá acontecer – inclusive nada. Você poderá se apaixonar, abandonar seu marido e viver uma tórrida história de amor, e essa história de amor se revelar uma furada e você se arrepender, e tentar reatar com seu marido que a essa altura já estará apaixonado pela vizinha. Ou você beijará e em vez de iniciar um romance tórrido, voltará pra casa bocejando e nada, nadinha será alterado. Foi só uma pequena estupidez momentânea e sem consequências. Mas das consequências de continuar viva você não escapa. Esse 2010 promete ser bom: ano do tigre no horóscopo chinês, ano de Vênus no horóscopo ocidental. Quem entende do assunto diz que teremos um aquecimento global do tipo que ninguém tem nada contra. Emoções calientes. Mas adianta fazer planos? Seja qual for o caminho que optarmos por seguir, haverá altos e baixos. E  isso é tudo. Se fizermos uma auditoria em nossas vidas, em algum momento questionaremos: “e se eu tivesse feito diferente?”. O diferente teria sido melhor e teria sido pior. Então o jeito é curtir nossas escolhas e abandoná-las quando for preciso, mexer e remexer na nossa trajetória, alegrar-se e sofrer, acreditar e descrer, que lá adiante tudo se justificará, tudo dará certo. Algumas vidas até podem ser tristes, outras são desperdiçadas, mas, num sentido mais absoluto, não existe vida errada.

MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

QUER COMER MENOS CARNE? SAIBA O QUE É O FLEXITARIANISMO

Movimento, que não tem como objetivo eliminar a proteína anima da dieta, mas reduzir seu consumo, pode trazer benefícios à saúde

Nem restrição total, nem dieta que prioriza alimentos de origem animal: os flexitarianos buscam o meio-termo. Nesse padrão alimentar, equilíbrio é a palavra-chave. Por isso, ainda que os vegetais componham a base da alimentação, como nas dietas vegetarianas e veganas, os flexitarianos abrem uma exceção em certas ocasiões para consumir a proteína animal. O objetivo não é eliminar a carne, mas reduzir o consumo.

Segundo a nutricionista Tatiana Consoli, do Departamento de Medicina e Nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), esse padrão alimentar permite reduzir as chances de uma maior ingestão de fibras, presentes em verduras, grãos, frutas e legumes. Aumentar a ingestão de alimentos ricos em fibras auxilia na redução da absorção de açúcares e gorduras e melhora a sensação de saciedade.

Como resultado, além de reduzir o risco de complicações cardiovasculares, diminuir o consumo de carne pode evitar uma série de doenças, como o câncer. Desde 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para o potencial cancerígeno das carnes processadas, como presunto, linguiça e bacon. A nutricionista também sinaliza para menores riscos de diabete tipo 2, pois a dieta à base de vegetais costuma ter menos gorduras e açúcares.

No entanto, ao reduzir os ali- mentos de origem animal, pode surgir uma dúvida: será que estou consumindo a quantidade necessária de proteínas? É provável que sim. “O consumo de proteínas, no Brasil, está acima de nossas necessidades”, diz Tatiana. “Quando comparamos uma alimentação à base de vegetais com outra em que a proteína animal esteja presente, vemos uma redução no consumo de proteínas, mas que ainda pode superar as necessidades.”

Em algumas situações, como no caso de quem pratica atividades físicas intensas e de forma frequente, pode ser necessário ingerir mais proteínas do que para a média da população. Se for o caso, é importante o acompanhamento nutricional para se saber a melhor fonte e maneira de adquirir as proteínas.

VITAMINA B12

Outra preocupação é com a vitamina B12, presente nos alimentos de origem animal – carnes, ovos, leite e derivados. Ela é responsável, entre outras funções, pela formação das células sanguíneas e dos neurônios. Se estiver em níveis baixos, os principais sintomas são danos neurológicos e má disposição física e mental.

A recomendação é que vegetarianos, veganos e flexitarianos façam suplementação dessa vitamina e exames frequentes para acompanhar os seus níveis

E isso pode trazer muitos benefícios à saúde. Ao investir na proteína de origem vegetal, presente em alimentos como feijão, lentilha, grão-de-bico e tofu, fica mais fácil controlar os níveis de colesterol – e, dessa forma, doenças cardiovasculares, como hipertensão e enfarte. Isso acontece porque os alimentos de origem animal, em especial a carne vermelha, costumam ser ricos em gorduras saturadas que, consumidas em excesso, podem prejudicar a saúde.

DICAS PARA SE TORNAR FLEXITARIANO

TRANSIÇÃO GRADATIVA

A redução dos alimentos de origem animal não precisa ser abrupta – tanto em relação à frequência quando sobre a quantidade consumida. Pode ser mais fácil garantir o sucesso da transição quando ela respeita limites e vontades pessoais.

OUTRAS PROTEÍNAS

É possível adquirir proteínas de alimentos de origem vegetal, como grão-de-bico, feijão, ervilha, lentilha, nozes, tofu, chia, quinoa e soja.

CEREAIS

É importante incluir cereais na dieta, como aveia e trigo. A combinação brasileira de arroz e feijão é bastante nutritiva e recomendada.

PLANEJE

Criar um cardápio semanal pode ajudar na transição. Definir os pratos para a se- mana ou deixar marmitas prontas é uma estratégia.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ESTUDOS TENTAM EXPLICAR O QUE FAZ O CÉREBRO HUMANO PROCRASTINAR

Lembrar-se das tarefas pendentes e projetar o futuro podem ajudar a enfrentar hábito, diz neurocientista

Um estudo de 2022 publicado na revista Nature Communications sugere que a raiz da procrastinação pode estar em um viés cognitivo – acreditamos que fazer tarefas será de alguma forma mais fácil no futuro. “Você sabe que vai ser ruim no futuro tanto quanto é ruim fazê-lo agora, mas internamente você simplesmente não consegue evitar”, disse Samuel McClure, professor de Psicologia e neurocientista cognitivo da Arizona State University.

Há variação individual, mas “a procrastinação é uma tendência que todos encontramos em nossas vidas em diferentes domínios ou em diferentes momentos”, disse Raphaël Le Bouc, neurologista do Paris Brain Institute e autor do estudo. “Mas os verdadeiros mecanismos cognitivos por trás disso não são realmente conhecidos. E isso pode ser uma razão pela qual é difícil superar essa tendência.”

RECOMPENSA

Os pesquisadores pediram a 43 adultos que avaliassem suas preferências por receber recompensas menores mais rapidamente ou recompensas maiores mais tarde, bem como por realizar tarefas mais fáceis mais cedo ou as mais difíceis mais tarde.

Para recompensas, pesquisas anteriores mostraram que os humanos tendem a ser mais impulsivos e preferem uma menor mais cedo do que uma maior mais tarde, uma descoberta que foi replicada no estudo de Le Bouc.

O trabalho mostra ainda que as pessoas também desconsideram e minimizam o esforço futuro, preferindo uma tarefa mais fácil agora a uma mais difícil depois.

Quando os pesquisadores fizeram com que 27 dos 43 indivíduos realizassem o mesmo experimento em uma máquina de neuroimagem fMRI, uma área do cérebro se destacou como central para fazer esse cálculo de custo-benefício – o córtex pré-frontal medial dorsal.

A atividade cerebral nessa região parecia combinar informações sobre recompensas e esforços para uma tarefa – tarefas mais trabalhosas aumentaram sua atividade neural, enquanto mais recompensas a diminuíram.

COMO ENFRENTAR

Para lidar com a procrastinação, Le Bouc sugere que a pessoa lembre-se da tarefa e cobre a decisão com mais frequência. Imaginar o seu futuro eu – aquele que será sobrecarregado com contas não pagas, prazos iminentes e pratos sujos – também pode lembrá-lo de que procrastinar não torna a tarefa mais fácil, diz.

“Tentar tornar esses esforços no futuro mais realistas pode ajudá-lo a perceber que, na verdade, o custo será exatamente o mesmo que seria agora”, afirma o neurologista.

OUTROS OLHARES

COISA DE HOMEM

Relutância masculina em procurar médico adia tratamentos e amplia riscos à saúde

Há um divertido episódio do seriado “Os Simpsons” em que o protagonista Homer faz o possível e o impossível para fugir de uma cirurgia de doação de órgãos. É evidente que ele quer ajudar a salvar a vida de seu pai – que receberia um de seus rins – mas o pânico da operação o faz desistir da ideia sucessivas vezes. Para além do exagero do desenho, é claro, o comportamento masculino em termos de cuidado com a própria saúde não é, exatamente, muito diferente do exibido por Homer. Médicos alertam que, em geral, homens só procuram o serviço de saúde quando o quadro é avançado – em casos já com queixas e sintomas.

Levantamentos recentes sobre o tema reforçam as percepções dos consultórios. Um estudo da ONG Oxfam mostrou que, em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, os homens se vacinaram menos do que as mulheres contra a Covid-19. Em São Paulo a diferença foi de 3 pontos percentuais, no Rio de quase 6. Homens e rapazes também são mais relapsos com os cuidados necessários em caso de contágio com HIV, em todo o mundo. Enquanto 80% das mulheres com o vírus fazem o tratamento regularmente, entre os homens essa taxa é mais baixa, de 70%.

É possível ir além: os brasileiros – em comparação com as brasileiras – vivem menos. A expectativa de vida de um homem no Brasil é de 72,2 anos, enquanto a das mulheres é de 79,3. Também são os que mais fumam – em São Paulo, 12,9% dos homens contra 9,6% das mulheres são tabagistas – e tomam refrigerante acima de cinco dias na semana com mais frequência – no Rio, são 19,8% dos homens contra 11,26% das mulheres.

Os dados são do Sistema de o Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizado pelo Ministério da Saúde.

“Em geral, as mulheres se preocupam um pouco mais cedo com a saúde. Caso ganhem um pouquinho a de peso, elas já procuram o e endocrinologista. O que facilita, por exemplo, o diagnóstico de uma diabetes precoce. Os homens, por outro lado, esperam algo mais grave acontecer para só aí procurar o médico”, descreve Tarissa Petry, endocrinologista do Hospital Oswaldo Cruz.

Eliézer Silva, diretor-superintendente do sistema de saúde Einstein, concorda e afirma que a soma de hábitos mais precários e a falta de vontade de procurar o médico desfavorecem o homem amplamente.

“A mulher tem consulta recorrente com a ginecologista. As meninas são ensinadas, desde cedo, que devem ir ao médico, os meninos não. Pacientes que chegam tarde ao hospital, têm tratamentos mais caros e com menor chance de sucesso”, sustenta.

UROLOGISTA

Dados compilados pela Sociedade Brasileira de Urologia ratificam essa colocação. Para se ter uma ideia do abismo que separa homens e mulheres, entre janeiro e julho deste ano, 1,2 milhão de consultas com ginecologista foram realizadas no SUS, contra 200 mil com o urologista. Se observarmos os atendimentos gerais dos dois sexos no SUS, em 2021, foram 370 milhões consultas e procedimentos com mulheres contra 312 milhões com os homens.

“A mulher contar para uma amiga ou vizinha que fará um papanicolau é algo comum. Se a outra fala em uma rodinha de amigas que vai à gineco, as colegas dão a maior força. Agora, se tiver uma roda de amigos e um deles fala que vai ao urologista, ele vai ouvir piadas. Ouve que homem que é homem não vai. Tem medo de ficar impotente, foge do exame de toque, imagine, algo absolutamente simples, de três ou quatro segundos. Há muito tabu, muito preconceito”, afirma Stênio de Cássio Zequi, líder da área de urologia do A.C. Camargo.

O médico acrescenta que o homem tem o triplo de chance de ter câncer na bexiga que a mulher, já que um dos fatores de risco desse tipo de tumor é o tabagismo.

Miguel Srougi, um dos maiores especialistas em urologia do país, do Hospital Vila Nova Star, ainda afirma que a hesitação masculina tem a ver com o receio de aparentar fragilidade.

“Os homens mais poderosos querem esconder quando estão doentes, os políticos também. Isso vêm mudando, mas eles ainda sentem medo de parecer vulneráveis. Pois isso, eles imaginam, pode minar a atenção que eles gostariam de receber”, explica.

Para o urologista, é preciso buscar atendimento e tratamento com velocidade. Em um estudo, nos Estados Unidos, foi constatado que os pacientes que protelaram o tratamento do tipo mais agressivo de câncer na bexiga por três meses tiveram 30% mais chance de morte do que os que iniciaram os cuidados imediatamente. Esperar não é opção.

PREVENÇÃO E CUSTO

Em consenso, os médicos pontuam como um fator absolutamente negativo a oportunidade perdida em identificar uma doença no início. Eles explicam que, em geral, problemas de saúde em estágio mais avançado têm tratamento mais caro, doloroso e menos proveitoso.

“Se pegarmos especificamente o câncer de próstata, o homem que só procura o médico após algum sintoma relacionado tem a chance de ter uma doença disseminada em mais de 90%. Significa, primeiro, que você não conseguirá curar esse paciente e vai diminuir a qualidade de vida dele. As medicações para esses estágios de saúde são muito mais caras e têm funcionamento inferior às indicadas aos pacientes em caso inicial”, diz o presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, Alfredo Félix Canalini.

O especialista acrescenta que caso o tratamento seja feito com celeridade, as estimativas se invertem.

“Imagina quantas vidas podem ser salvas?”, indaga.

OUTROS OLHARES

MOVIMENTO QUEER MIRA AMPLIAÇÃO DE DEBATES SOBRE GÊNERO E SEXUALIDADE

Tema tem suscitado mais discussões, que estão sendo impulsionadas pelo público jovem. Definições de orientação sexual são contestadas por quem não se vê reconhecido

Pagu Vulcão, de 24 anos, artista visual e tarólogo, nunca se identificou completamente com as roupas e o comportamento que a sociedade esperava que ele tivesse por ter nascido com vagina e, por isso, ter sido identificado socialmente como menina. Seu desejo sexual também não acompanhava as expectativas alheias e, na adolescência, ele se assumiu como bissexual, que sente atração tanto por homens, quanto por mulheres, mas não foi o suficiente para definir a complexidade da sua identidade.

Foi aos 20 anos que, após ter contato com debates mais profundos sobre gênero, Pagu conheceu as teorias queer e se entendeu como pessoa transgênero não binária e fluida – termo usado para definir pessoas que não se identificam com o gênero atribuído a elas no nascimento e nem se enxergam estritamente como homem ou mulher, mas transitam entre esses dois espectros.

A partir disso, ele começou a adotar pronomes masculinos para se identificar, pois entendia esses pronomes como neutros, conforme a norma culta da língua portuguesa, e se viu livre para se vestir, agir e ser quem de fato ele é.

Assim como Pagu, muitas outros, em especial jovens, têm se aberto para discussões sobre gênero e sexualidade e entendido os dois como coisas distintas e complexas.

Há poucas semanas, o apresentador Tadeu Schmidt falou sobre a relação com a filha Valentina Schmidt, de 20 anos, após ela ter se assumido como pessoa queer. “Minha filha continuou sendo a mesma”, disse ele. Em julho, a jovem disse no Instagram que estava feliz em ter liberdade para falar abertamente sobre sua sexualidade. Não à toa, a sigla que inicialmente era para lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) cresceu nos últimos anos. Primeiro, foi acrescentado um Q, de queer, depois um I, de intersexo, e um A, de assexuais. Por fim, entendeu-se que esse é um tema em constante construção e, por isso, foi adicionado um “+” à sigla, representando a infinidade de possíveis definições de gênero e orientação sexual e o acolhimento do movimento a todas elas.

COMPLEXIDADE

“Estamos em uma constante construção e atualização de conceitos em busca de entender a complexidade do ser humano”, afirma a psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo Alícia Beatriz Dorado de Lisondo.

Segundo o sociólogo e professor da Unifesp Richard Miskolci, queer é um conjunto de teorias, estudos e políticas que se contrapõem à definição de gênero e orientação sexual.

Segundo ele, nunca houve linearidade férrea entre sexo, gênero e desejo. “A expectativa de que uma pessoa que foi definida ao nascer como homem seja necessariamente um adulto masculino e se interesse sexualmente por mulheres é a reprodução de um estereótipo, uma atitude irrefletida que, quando confrontada pela realidade cotidiana, se transforma”, diz.

Com base nessa perspectiva, o movimento queer ganhou força principalmente no fim dos anos 1980, durante o auge da epidemia de Aids e a ascensão do neoliberalismo. “Acadêmicos e parte minoritária do movimento social feminista e homossexual começaram a refletir sobre o papel do desejo nas relações sociais e formas alternativas de compreender as desigualdades e injustiças na esfera das sexualidades e dos gêneros”, diz Miskolci.

DIREITOS

Em meio àquele contexto histórico, afirma, ficou nítido que “marcar” pessoas pelo seu gênero e sua orientação sexual faz com que quem não se enquadre nas identidades padrão fique excluído e invisível, o que implica no não desenvolvimento de políticas públicas que considerem as especificidades desse grupo.

Por isso, o professor afirma que “o que chamamos de queer é uma vertente de estudos e uma perspectiva política crítica em relação às identidades como via para construir conhecimento ou demandar direitos (para pessoas que não se enquadram em padrões socialmente impostos)”.

O artista Pagu acredita que, na prática, definir sua identidade de gênero em um mundo que ainda funciona com base em  gêneros  é  essencial  para ser reconhecido.

GESTÃO E CARREIRA

TRABALHO REMOTO EXPANDE MERCADO NO EXTERIOR PARA PROFISSIONAL BRASILEIRO

Entre perfis mais procurados por empresas estrangeiras estão os da área de tecnologia da informação, mas cresce a procura por influenciadores digitais e designers

O número de profissionais que vivem no Brasil, mas trabalham para o exterior aumentou 491% entre 2020 e 2022, conforme pesquisa exclusiva da Husky, plataforma que facilita o recebimento de transferências internacionais. Os brasileiros da área de tecnologia da informação são os mais requisitados pelas empresas estrangeiras, mas profissionais de outras áreas também passaram a ser procurados para esse modelo de trabalho, como designers, influenciadores digitais e streamers.

Conforme a pesquisa, em março de 2020, no início da pandemia, havia 1.251 usuários da Husky. No fim de novembro de 2022, eram 11.284. O total de profissionais que trabalham do Brasil para empresas do exterior pode ser maior, pois nem todos usam a plataforma que fez a pesquisa. Para especialistas, o movimento reflete a consolidação do home office e as mudanças nas leis trabalhistas, como as que permitiram o trabalho híbrido.

Algumas empresas dispõem de alternativas no momento da admissão. A startup brasileira Mesa é uma delas. No contrato, o profissional pode escolher se prefere remoto, híbrido ou presencial. “Temos colaboradores espalhados pelo Brasil inteiro, e até em outros países. No nosso caso, a opção do remoto é de suma importância”, afirma Larysse Gurgel, responsável pela gestão de pessoas da Mesa.

Segundo Maurício Carvalho, gerente de Tecnologia da Husky, a permanência do trabalho remoto após a pandemia também é motivada pela flexibilidade do modelo. “Isso tem a ver com estilo vida e virou um fator determinante para um funcionário continuar na empresa”, afirma. Conforme a pesquisa, a área de tecnologia da informação é a mais atrativa para posições no exterior.

VAGA REMOTA

Há cinco anos, a advogada Caroline Florian, por exemplo, trabalha no setor de atendimento ao cliente de uma companhia americana. Ela decidiu encarar uma vaga remota no exterior em razão da sobrecarga do antigo trabalho. “Claro, foi um ajuste na minha rotina. Ganhei tempo para mim”, afirma.

Johnathan Alves, de 28 anos, é engenheiro de software sênior de uma empresa americana que não tem espaço físico desde que foi fundada. Antes do atual emprego, ele trabalhou remotamente para outras duas companhias estrangeiras.

A primeira experiência foi em 2020, em uma consultoria dos EUA. Passados dois meses, decidiu pedir demissão. Em menos de um ano, conseguiu ser selecionado em uma startup em Malta. No momento da contratação, o empregador sinalizou que, após a melhora da pandemia, seria necessário migrar para o modelo presencial. “Mas depois de dez meses na empresa disse que não fazia sentido ir para a Europa.” O chefe aceitou. Ele descarta um emprego presencial, já que não planeja sair de São Paulo. “Eu me vejo, no máximo, em um emprego híbrido.”

TRABALHADOR TEM DE SE ADAPTAR À LEI LOCAL E NÃO É AMPARADO PELA CLT

Quem opta por essa modalidade de trabalho remoto em empresas do exterior não possui direitos previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como 13.º salário, rescisão e outras regras da norma brasileira. Na prática, cada empresa estrangeira pode ter uma política específica. Isso significa que a legislação pode se diferenciar conforme o país de interesse e a cultura da companhia.

Segundo a advogada especialista em direito trabalhista Maria Laura Alves, uma empresa estrangeira precisa ter uma parte do capital brasileiro para contratar um profissional por meio da CLT. Quando isso não é possível, o ideal é “escolher a lei mais benéfica para o trabalhador”.

EU ACHO …

A NOVA MINORIA

É um grupo formado por poucos integrantes. Acredito que hoje estejam até em menor número do que a comunidade indígena, que se tornou minoria por força da dizimação de suas tribos. A minoria a que me refiro também está sendo exterminada do planeta, e pouca gente tem se dado conta. Me refiro aos sensatos.

A comunidade dos sensatos nunca se organizou formalmente. Seus antepassados acasalaram-se com insensatos, e geraram filhos e netos e bisnetos mistos, o que poderia ser considerada uma bem-vinda diversidade cultural, mas não resultou em grande coisa. Os seres mistos seguiram procriando com outros insensatos, até que a insensatez passou a ser o gene dominante da raça. Restaram poucos sensatos puros.

Reconhecê-los não é difícil. Eles costumam ser objetivos em suas conversas, dizendo claramente o que pensam e baseando seus argumentos no raro e desprestigiado bom-senso. Analisam as situações por mais de um ângulo antes de se posicionarem. Tomam decisões justas, mesmo que para isso tenham que ferir suscetibilidades. Não se comovem com os exageros e delírios de seus pares, preferindo manter-se do lado da razão. Serão pessoas frias? É o que dizem deles, mas ninguém imagina como sofrem intimamente por não serem compreendidos.

O sensato age de forma óbvia. Ele conhece o caminho mais curto para fazer as coisas acontecerem, mas as coisas só acontecem quando há um empenho conjunto. Sozinho ele não pode fazer nada contra a avassaladora reação dos que, diferentemente dele, dedicam suas vidas a complicar tudo. Para a maioria, a simplicidade é sempre suspeita, vá entender.

O sensato obedece regras ancestrais, como, por exemplo, dar valor ao que é emocional e desprezar o que é mesquinho. Ele não ocupa o tempo dos outros com fofocas maldosas e de origem incerta. Ele não concorda com muita coisa que lê e ouve por aí, mas nem por isso exercita o espírito de porco agredindo pessoas que não conhece. Se é impelido a se manifestar, defende sua posição com ideias, sem precisar usar o recurso da violência.

O sensato não considera careta cumprir as leis, é a parte facilitadora do cotidiano. A loucura dele é mais sofisticada, envolve rompimento com algumas convenções, sim, mas convenções particulares, que não afetam a vida pública. O sensato está longe de ser um certinho. Ele tem personalidade, e se as coisas funcionam pra ele, é porque ele tem foco e não se desperdiça, utiliza seu potencial em busca de eficácia, em vez de gastar sua energia com teatralizações que dão em nada.

O sensato privilegia tudo o que possui conteúdo, pois está de acordo com a máxima que diz que mais grave do que ter uma vida curta, é ter uma vida pequena. Sendo assim, ele faz valer o seu tempo. Reconhece que o Big Brother é um passatempo curioso, por exemplo, mas não tem estômago para aquela sequência de conversas inaproveitáveis. É o vazio da banalidade passando de geração para geração.

Ouvi de um sensato, dia desses: “Perdi minha turma. Eu convivia com pessoas criativas, que falavam a minha língua, que prezavam a liberdade, pessoas antenadas que não perdiam tempo com mediocridades. A gente se dispersou”. Ele parecia um índio.

Mesmo com poucas chances de sobrevivência, que se morra em combate. Sensatos, resistam.

MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

COMO SE PREVENIR DAS PICADAS DE MOSQUITO?

As coceiras podem ser bastante incômodas, especialmente para os alérgicos; por isso é importante evitar os insetos a todo custo. Veja algumas opções

Com a chegada do verão, as picadas de mosquitos se tornam mais frequentes. Isso porque as temperaturas altas e o clima úmido favorecem a proliferação e a ação desses insetos. Em geral, as picadas costumam resultar em sintomas simples, como coceira, vermelhidão e pequenos inchaços, que podem ser tratados em casa e com recuperação rápida. Compressas com água gelada ou com chá de camomila costumam ajudar, uma vez que temperaturas mais baixas em contato com a pele podem reduzir a coceira e ajudar a reduzir a inflamação – em especial a camomila, que tem ação anti-inflamatória.

Porém, entre aquelas pessoas que têm maior sensibilidade à ação dos mosquitos, é possível que reações alérgicas apareçam. Nesses casos, os sintomas são mais intensos e a reação pode se espalhar. “Parece que são várias picadas, mas é apenas uma que se espalhou pelo corpo”, descreve Renata Barreto, dermatologista e gerente médica do Hapvida Notre Dame Intermédica.

ALERGIA A PICADA EM CRIANÇAS

O cuidado deve ser ainda maior com as crianças, que têm mais possibilidades de desenvolver alergias, conforme alerta Jandrei Rogério Markus, presidente do Departamento Científico de Dermatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Segundo ele, por causa da imaturidade do sistema imune dos pequenos, a resposta à picada é desproporcional. “A saliva do mosquito é interpretada como algo estranho pelo organismo da criança e faz com que o sistema imune tenha reação exagerada”, diz. Essa tendência maior à alergia costuma durar até os 8 anos e diminui conforme a criança cresce. “O organismo percebe que isso vai ser frequente ao longo da vida, que a criança vai entrar em contato com as picadas em outros momentos. Por isso, ele vai se adaptando e reduzindo essa resposta imune exagerada.”

Por causa da gravidade, é importante investir no uso de repelentes, telas e mosquiteiros – principalmente no caso de pessoas que já sabem que são alérgicas. “Se tiver reação muito exuberante, procure um dermatologista ou alergologista que vai saber manejar todas as reações com os medicamentos apropriados”, diz. Mas, para evitar maiores complicações, a prevenção é fundamental.

COMO ESCOLHER O REPELENTE IDEAL?

A função do repelente é atrapalhar a capacidade dos mosquitos de encontrar o corpo humano. “Eles atuam nos receptores das antenas desses insetos e impedem que eles reconheçam o cheiro exalado pelo ser humano”, explica Renata. E há diversas opções no mercado, em versões em creme, gel ou spray.

De forma geral, não há grandes diferenças quanto à função de proteção. Seja qual for a versão escolhida, ela vai repelir os mosquitos. Por isso, a recomendação da dermatologista é investir nos que mais se adaptam a sua realidade. Repelentes em spray, por exemplo, podem ser boa opção para crianças, já que sua aplicação costuma ser mais prática.

Algumas pessoas optam por repelentes naturais. Há versões feitas com plantas, flores, ervas e especiarias, que prometem repelir insetos sem poluir o ambiente e trazer prejuízos à saúde. A citronela é bastante usada e há no mercado versões em óleo, que podem ser aplicadas diretamente na pele.

Lavanda, cravo-da-índia e eucalipto também são versões encontradas em lojas de produtos naturais. “Mas os inseticidas naturais não têm ação tão prolongada”, pondera a médica, que recomenda reaplicar o produto com frequência maior para garantir a proteção.

QUAL A MELHOR MANEIRA DE USAR O REPELENTE ELÉTRICO?

A indicação é que eles sejam ligados próximos a janelas e portas para criar uma espécie de nuvem de proteção, que impede que os mosquitos entrem no ambiente. Ao ligar em tomadas posicionadas distantes desses locais, a proteção pode não ser tão efetiva.

COMO USAR O REPELENTE COM O PROTETOR SOLAR?

É importante não deixar de lado a proteção solar, que deve ser feita antes da aplicação do repelente. Há produtos no mercado com Fator de Proteção Solar (FPS) em sua formulação, mas não são opções recomendadas pela dermatologista. “Isso atrapalha a reaplicação. O filtro solar exige reaplicação de hora em hora e com os repelentes não é possível fazer isso, por que não devem ser aplicados mais de três vezes ao dia.”

QUAL O MELHOR REPELENTE PARA CRIANÇAS?

A escolha do repelente ideal para os pequenos apresenta alguns detalhes. O mais importante é se atentar aos princípios ativos de cada produto.

São três aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): o DEET, IR3535 e Icaridina.

Antes dos 6 meses, a recomendação é não usar repelente e investir nas barreiras físicas, como roupas e mosquiteiro. Entre 6 meses e 2 anos, são indicados repelentes com o composto químico IR3535, mas em concentração de até 20%. Entre 2 e 12 anos, podem ser usados repelentes com DEET – desde que sua concentração não seja superior a 10%. A partir dos 12 anos, já é possível utilizar repelentes para adultos.

Os rótulos também costumam indicar a quantidade máxima de aplicação, que varia entre 1 e 3 vezes ao dia.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

COMPORTAMENTO INDIVIDUAL É AFETADO POR CONEXÕES SOCIAIS

Estudo mostra que contatos com família e amigos são importantes em momentos de crise como uma pandemia

Uma pesquisa de instituições acadêmicas do Reino Unido feita com 13.263 participantes de 122 países durante o auge da pandemia de Covid-19 mostrou que as conexões sociais afetam os comportamentos e, consequentemente, a saúde e o bem-estar das pessoas durante episódios de crise coletiva em larga escala. Os resultados do estudo global indicam novas diretrizes para o sucesso de ações de saúde pública e mental em momentos de turbulência ou de isolamento.

Os dados foram publicados na revista internacional Science Advance e destacam, sobretudo, a importância da família e de grupos próximos para o sucesso da adoção de condutas de segurança, bem como para o suporte emocional dos indivíduos.

O artigo “Social bonds are related to health behaviours and positive wellbeing globally” (“Laços sociais estão relacionados, globalmente, a comportamentos de saúde e bem-estar positivo”, em português) foi divulgado pela Sociedade Americana de Avanços da Ciência. Bahar Tunçgenç, Valerie van Mulukom e Martha Newson, autores do estudo, são ligados aos departamentos de psicologia e ciências sociais das universidades de Oxford, Nottingham Trent, Kent e Coventry. Segundo eles, desde o início da pandemia, os relatórios científicos têm observado um aumento do isolamento social e da ansiedade, bem como uma dependência mais profunda da conexão social em vários âmbitos para orientação sobre protocolos de saúde.

Os pesquisadores descobriram que os laços sociais, principalmente com a família, levaram a melhores comportamentos de saúde durante a pandemia. Também observaram que vínculos intensos (sentimentos fortes de confiança, pertencimento e compromisso) com certos grupos sociais foram associados a maior bem-estar e posturas saudáveis —com exceção do distanciamento, uma vez que o contato presencial é o que dá liga a esses círculos.

Foram utilizados no levantamento dois grandes conjuntos de dados que examinaram a ligação com círculos sociais próximos (ou seja, família e amigos) e grupos estendidos (país, governo e humanidade) nos primeiros meses da pandemia. Foram recolhidas amostras de mais de 100 participantes em três países do Hemisfério Sul (Bangladesh, Brasil e Peru) para balancear os dados trazidos do Hemisfério Norte.

“A necessidade de pertencer e se conectar com os outros é uma questão humana universal, mas as maneiras pelas quais os indivíduos representam seus relacionamentos são culturalmente variáveis”, relatam os autores.

Contudo, em contraste com estudos anteriores, os pesquisadores não encontraram evidências que sugerissem que a nacionalidade ou vínculo de alguém com seu país melhorasse o comportamento de saúde. “As mensagens de saúde pública e o apoio psicológico devem visar redes menores, como famílias e organizações de base, para proteger as comunidades dos impactos das crises globais”, alertam.

Mesmo diversos demograficamente e geograficamente, os participantes demonstraram que a identidade do indivíduo tende a estar em fusão com normas e valores de grupo, levando as pessoas a seguirem o comportamento de suas redes mais próximas. Quando ocorrem eventos críticos da vida pessoal —uma insuficiência cardíaca ou um acidente vascular cerebral, por exemplo —, essa tendência se repete. Se nosso grupo é favorável e nos apoia nessa decisão, somos assim mais propensos a fazer mudanças saudáveis no nosso estilo de vida. O painel avaliou que a forte identificação com a comunidade local antes da pandemia estava associada a maior probabilidade de fornecer serviços e apoio aos vizinhos durante o isolamento, bem como maior adesão às regras.

Os autores também argumentam que a definição da OMS (Organização Mundial da Saúde) para saúde mental não é a ausência de doença mental, mas a presença de “um estado de bem-estar no qual o indivíduo percebe suas próprias habilidades, pode lidar com o estresse normal da vida, pode trabalhar de forma produtiva e frutífera e é capaz de contribuir para a sua comunidade”.

O grupo A completou um questionário online disponibilizado em oito idiomas, entre 28 março e 24 de abril de 2020. Os participantes responderam a perguntas sobre uso de máscara, comportamentos de higiene e estado emocional durante a pandemia de Covid-19.

Ao grupo B foi oferecido outro documento, com opção de 12 idiomas e aplicação entre 9 de abril e 24 de maio de 2020. Neste questionário, os entrevistados informaram o quanto seguiram o conselho geral de “manter distância física de outras pessoas”.

O critério de inclusão nos conjuntos foi a idade: mínimo de 18 anos para o A, e de 16 anos para o B. A adesão foi obtida por meio de anúncios nas redes sociais dos autores e canais de mídia locais, bem como em grupos de Facebook, Reddit e Twitter.

Para o psicólogo Yuri Busin, doutor em neurociência do comportamento e pós-graduado em terapia cognitivo-comportamental, os dados mostram que o sentimento de pertencimento é capaz de afetar a saúde mental.

“Esse estudo pega um recorte muito específico, o da pandemia, no qual tivemos um isolamento social grandioso. Com esse impacto vieram milhões de questões psicológicas para além das da Covid, que eram pessoas cada vez mais deprimidas, ansiosas e até perdendo os vínculos sociais”, diz Busin.

“Esse sentimento de pertencimento, de segurança em um grupo, de não sentir-se solitário e incompreendido é uma realidade. Apesar de muitas pessoas terem dificuldade ou frustrações com o outro, nós somos seres sociais”, afirma o psicólogo.

OUTROS OLHARES

‘INCONSISTÊNCIA’ INVISÍVEL

Como ninguém viu o rombo de R$ 20 bi da Americanas

Na origem da crise que levou a Americanas a entrar em recuperação judicial está a descoberta de um rombo de R$ 20 bilhões nos balanços de 2022 e de anos anteriores. O anúncio das “inconsistências contábeis” levou a uma queda de braço entre acionistas da varejista e bancos. Com restrições de crédito, fornecedores apreensivos e queda vertiginosa no valor das ações, a saída foi pedir proteção à Justiça contra os credores. A empresa declarou um total de R$ 43 bilhões em dívidas e 16.300 credores. Mas como um rombo financeiro desse tamanho, maior que o patrimônio líquido de R$ 14,7 bilhões da empresa, passou despercebido em uma companhia de capital aberto, fiscalizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), integrante do Novo Mercado da Bolsa e do Índice de Sustentabilidade da B3 — que só admitem empresas com alto padrão de governança -, que tinha demonstrações financeiras auditadas por multinacionais e crédito bilionário em grandes bancos, além do aval de notas de crédito positivas de agências?

Com tantos sistemas de proteção ao investidor, como nenhum deles conseguiu identificar o problema antes que a empresa viesse a público? Especialistas avaliam que erros contábeis podem ser difíceis de identificar, mas algumas das partes envolvidas tinham mais chance de se dar conta do que ocorria do que outras. Até para CVM, que tem a incumbência de regular e fiscalizar o mercado de capitais, ficaria difícil enxergar, principalmente se, ao fim da investigação, concluir-se que houve fraude.

“A CVM tem que garantir o bom funcionamento do mercado. Uma análise de conteúdo individual é muito mais difícil de acontecer antes de ser apurada uma falha.

Quando acontece, a CVM vai punir”, diz Gustavo Flausino Coelho, sócio do Bastilho Coelho Advogados.

Para o consultor Renato Chaves, professor da FGV Direito, o órgão fiscalizador deveria ser mais firme nas investigações e nas punições:

“Tudo acaba com a assinatura de um termo de compromisso. Para delitos graves, não deveria ser permitido.

Os bancos estão entre os credores da varejista. O Banco Safra, consultado, ressaltou que já havia provisionado metade de sua exposição à Americanas, de R$2,4 bilhões, no exercício de 2022 e que fez um aumento de capital de R$ 7,4 bilhões em novembro. Os bancos Itaú e Bradesco preferiram não comentar.

A responsabilidade das auditorias será cobrada, dizem os analistas, porque era delas a atribuição de se aprofundar nos números da empresa.

O fato de a Americanas integrar o Novo Mercado e seguir os padrões mais rígidos de governança não blindam o investidor de revezes como este, advertem Chavez e Coelho.

Ronaldo Vasconcellos, professor da Faculdade de Direito do Mackenzie e sócio do escritório VH Advogados, diz que é provável que os credores busquem a responsabilização dos acionistas de referência da Americanas— os bilionários Jorge Paulo Lemman, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira —, criadores da 3G e que detêm 31,13% do capital da varejista:

“É quase certo que haverá pedidos para que esses acionistas paguem pelos prejuízos, até na pessoa física”, diz Vasconcellos.

Em nota, a CVM afirma que “constituiu uma força-tarefa” para apurar o caso e está usando convênios com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Diz ainda que mantém acordo de intercâmbio de informações com o Tribunal de Contas da União (TCU).

A B3 informou que pode prever regras de exclusão do Novo Mercado. Procuradas, Americanas, KPMG e PwC não responderam.

PAPEL DA CVM

Órgão fiscalizador pode ser investigado por omissão pelo TCU

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tem como missão fiscalizar, normatizar, disciplinar e desenvolver o mercado de capitais no Brasil. Com a crise das Americanas, abriu sete processos para investigar os erros nas demonstrações financeiras da empresa, mas só depois que a própria veio a público informar um rombo de pelo menos R$ 20 bilhões. O Ministério Público pediu que o Tribunal de Contas da União (TCU) investigue se houve omissão do órgão regulador. Para Renato Chaves, professor da FGV Direito, é difícil identificar falhas na fiscalização do mercado:

“A CVM cumpre seu papel. Pede explicações, dá dez dias para respostas e, daqui a um ano, vamos ver os envolvidos assinarem termo de compromisso”, critica o consultor, referindo-se aos acordos firmados pela autarquia que amenizam punições.

Lá fora, opina Chaves, o órgão fiscalizador já teria acionado a Justiça para obter mandado de busca e apreensão na empresa, para evitar a destruição de provas de eventuais fraudes.

Para Gustavo Coelho, da FGV, é difícil a CVM perceber equívocos dessa natureza:

“O objetivo dela é criar um ambiente adequado no mercado, mas não é imune a falhas. A CVM informou que “constituiu uma força-tarefa” para apurar o caso e que “está fazendo uso dos convênios e da cooperação que possui junto à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal”. Diz ainda que está em constante diálogo com a Advocacia Geral da União e mantém acordo de troca de informações com o TCU.

AUDITORIA EM XEQUE

Análise não detectou rombo, e empresas podem ser responsabilizadas

As inconsistências nos balanços da Americanas não se restringem ao ano de 2022. Mas PwC e KPMG, duas das consultorias mais respeitadas do mundo, fizeram auditorias e avalizaram as contas da varejista sem apontá-las. Escritórios de advocacia que preparam processos no exterior para reparação já citaram que pretendem incluir auditores e acionistas.

Especialistas dizem que houve falha nas auditorias. Segundo Renato Chaves, professor da FGV Direito, as consultorias têm obrigação de ir mais fundo nos números:

“Há fraudes difíceis de identificar, escondidas no meio de contratos de pequenos valores. Não entram na régua de avaliação de auditores. Mas, nesse caso, foi grande e ao longo do tempo.

O advogado Gustavo Flausino Coelho diz que, nesses momentos, a independência das consultorias é sempre questionada. É a teoria da captura, que discute a isenção de consultorias, pagas pelas auditadas, e suas limitações:

“Há poucas no mercado e predileção pelas de mais prestígio. Podem ser responsabilizadas. Bruno Furiati, sócio da Sampaio Ferraz Advogados, diz que um problema é a quantidade de aferições feitas só com base em declarações da administração. As auditorias precisam analisar contratos como o de risco sacado (quando bancos antecipam recursos a fornecedores):

“No caso das Americanas, não pediram? Se pediram, não bateram com o balanço?

As consultorias não comentaram.

AVAL DOS BANCOS

Com pagamentos em dia e boa reputação, varejista tinha crédito

A enorme dívida de R$ 43 bilhões declarada pela Americanas à Justiça tem entre os credores muitos bancos, evidenciando que a rede não tinha problemas para obter crédito, mesmo junto a tradicionais instituições financeiras. Quem acompanha o caso se pergunta: como os bancos, tão ciosos na hora de conceder empréstimos, não viram os erros nos balanços?.

Analistas explicam que os bancos se fiaram nas demonstrações financeiras auditadas, no poderio econômico e nos bons números que a empresa exibia, diz Gustavo Coelho:

“São contas sólidas, aprovadas em assembleia, com margem baixa de lucro, mas muita penetração, faturamento bastante elevado com tendência de perenidade. As notas das agências de rating são outra chancela.

O consultor Renato Chaves lembra que os bancos estavam sendo pagos em dia.

André Pimentel, consultor da Performa Partners, afirma que a reputação dos sócios da 3G Capital foi outra chancela para as instituições.

Consultado, o Banco Safra ressaltou que já havia provisionado metade de sua exposição à Americanas, de R$ 2,4 bilhões, no exercício de 2022. O banco fez um aumento de capital de R$7,4 bilhões em novembro, o que reduz a proporção da exposição em seu patrimônio líquido. Um assessor de outro banco credor diz que ninguém sabia do problema contábil da empresa, que era listada no Novo Mercado e tinha balanços auditados sem apontamentos.

SELO NA BOLSA

Rede fazia parte do núcleo considerado coma melhor governança na B3

Um erro contábil de R$ 20 bilhões foi revelado numa companhia que faz parte de um grupo seleto da Bolsa de Valores, a B3. Até quinta-feira, a Americanas estava no Novo Mercado, que exige regras mais rígidas de governança: classe única das ações (ON), com direito a voto, conselho com membros independentes e alto nível de transparência. A varejista também integrava o Índice de Sustentabilidade, outro selo de boas práticas da B3. Após a recuperação judicial, foi retirada de todos os índices.

“O Novo Mercado aumenta a barra de cobrança, exige governança mais elevada, e a empresa se torna mais interessante para investir. Mas não necessariamente esses selos blindam essas ações”, diz o advogado Gustavo Coelho.

O Novo Mercado traz mais segurança e conforto ao investidor, “mas não é uma garantia”, concorda Renato Chaves:

“Ele ainda precisa evoluir. A relação com o investidor da Americanas é muito ruim. O modelo de negócios merece ser questionado.

Na última terça, o CEO da B3, Gilson Finkelsztain, afirmou que evitar prejuízos ao investidor deve mobilizar todos os agentes do mercado. Disse que a B3 poderá avaliar a criação de regras de exclusão do Novo Mercado: “É um debate que sozinho não evita prejuízo ao investidor, porque funciona após o surgimento do problema. O mais relevante é buscarmos medidas mais eficientes de evitar que isso ocorra”.

‘RATING’ ATRASADO

Agências de risco só cortaram nota de crédito após ação ter queda de 77%

As principais agências de rating do mundo, que avaliam risco de crédito, só rebaixaram a nota da Americanas para C (risco elevado) e D (risco de default, calote) depois que os papéis da companhia já tinham caído 77% na Bolsa. Até então, a varejista exibia nota B das agências. Mais uma vez elas chegam depois, diz o advogado Gustavo Coelho. As agências não deram qualquer aviso anterior sobrea nota da varejista, que vinha contabilizando dívida financeira como despesa com fornecedores há anos, reduzindo no papel seu nível de endividamento.

As avaliadoras olham as demonstrações financeiras, o mercado, a expansão da empresa. Mas críticos ao modelo dizem que é preciso que o rating vire de fato uma referência da saúde financeira da companhia. A avaliação, segundo Coelho, passa mais por monitorar, a partir de fatos do mercado, as circunstâncias da economia para o setor e a empresa.

“Cria-se a obrigação de ter um rating, que pode não valer nada. Analisam com base nas demonstrações, não entram na companhia para verificar nada. Acreditam naquilo que tem aval dos auditores. Não há regulação específica”, critica Renato Chaves.

Na crise global de 2008,as agências de classificação de risco foram criticadas e responsabilizadas por avalizar com nota máxima papéis sem lastro, que viraram pó em pouco tempo.

Procuradas, as agências não comentaram.

OUTROS OLHARES

MULHERES TÊM ATÉ 75% MAIS RISCO DE REAÇÕES ADVERSAS A REMÉDIOS

Novo estudo indica que diferenças nas características biológicas entre os sexos masculino e feminino podem explicar a forma como os medicamentos reagem

As mulheres têm até 75% mais chances de sofrer reações adversas a medicamentos prescritos do que os homens, devido a uma série de diferenças nas características entre os sexos, de acordo com um novo estudo da Universidade Nacional da Austrália, publicado esta semana na revista científica Nature Communications. Os pesquisadores acreditam que isso deve ser levado em consideração no momento de prescrever os remédios para o tratamento de doenças.

Segundo Laura Wilson, principal autora do estudo, essas reações adversas eram anteriormente atribuídas a diferenças no peso corporal, mas a realidade não é tão simples.

“Muitas vezes, as mulheres recebem medicamentos na mesma dose que os homens, apesar de terem, em média, um peso corporal menor, o que significa que frequentemente recebem uma dose relativa mais alta”, diz Wilson, em comunicado.

No trabalho, os pesquisadores australianos utilizaram um método da biologia evolutiva chamada de alometria, com a qual a relação entre uma característica de interesse e o tamanho do corpo é examinada em uma escala logarítmica. Os cientistas aplicaram análises de alometria a 363 características pré-clínicas em camundongos machos e fêmeas. Eles questionaram se as diferenças de gordura, glicose, colesterol LDL poderiam ser explicadas apenas pelo peso corporal diferente.

As análises apontaram que existem diferenças que não podem ser explicadas pelo peso corporal desigual. Portanto, são resultado das diferenças sexuais. Alguns exemplos são características fisiológicas, como níveis de ferro e temperatura corporal, características morfológicas, como massa magra e gordura, e características do funcionamento do coração, como variabilidade da frequência cardíaca.

Os pesquisadores descobriram que a relação entre uma característica e o peso corporal variou consideravelmente em todas as examinadas, o que significa que as diferenças entre machos e fêmeas não podem ser generalizadas. Em suma, as fêmeas não são simplesmente versões menores dos machos. E as diferenças de sexo devem ser levadas em consideração para a dosagem de medicamentos.

DIFERENÇAS BIOLÓGICAS

De acordo com os pesquisadores, sabemos muito menos sobre como as mulheres vivenciam as doenças.

“A maioria das pesquisas biomédicas foi realizada em células masculinas ou animais machos. Supõe-se que quaisquer resultados também se apliquem às fêmea”, explica Wilson. “Mas sabemos que homens e mulheres experimentam doenças de maneira diferente, incluindo como as doenças se desenvolvem, a duração e a gravidade dos sintomas e a eficácia das opções de tratamento.”

E, geralmente, as mulheres se dão pior. Por exemplo, uma dor forte no peito é frequentemente citada como um sintoma primário de ataque cardíaco. Embora isso possa ser comum para os homens, é um sintoma muito menos comum para as mulheres, que são mais propensas a sentir náuseas intensas. Mas como este sintoma não é apontado como um dos principais, as mulheres tendem a demorar a receber atendimento médico, aumentando risco de complicações e desfechos negativos.

GESTÃO E CARREIRA

NOVO VOCABULÁRIO DO MUNDO CORPORATIVO

Os últimos anos foram marcados por inúmeras mudanças no ambiente de trabalho e, com isso, os espaços corporativos tornaram- se mais flexíveis e plurais.

Nesse cenário, os colaboradores desfrutam de melhores condições e benefícios. Novos termos surgiram e o ‘corporativês’ ganhou infinitos jargões, estrangeirismos e termos técnicos que marcam presença na rotina das empresas.

Fato é que o mundo empresarial possui siglas, expressões e conceitos exclusivos, em suma utilizadas em inglês, como officeless, anywhere office, workcation e muitos outros. Além disso, a pandemia trouxe para o mercado infinitos modelos de trabalho, portanto, ser fluente neste novo vocabulário é essencial no dia a dia.

Confira os principais conceitos que estão – e vão continuar – fazendo parte da rotina corporativa:

OFFICELESS

O conceito officeless significa, literalmente, sem escritório. Isto é, o termo é utilizado em suma para designar empresas que não possuem ou não precisam de um espaço físico para realização de suas respectivas atividades. Neste caso, os colaboradores trabalham remotamente, onde e como preferirem. Flexibilidade, mobilidade e confiança são as principais características do officeless e, por isso, é possível explorar novos ambientes.

ANYWHERE OFFICE

Já o anywhere office trata-se do escritório em qualquer lugar, ou seja, o trabalho pode ser realizado em qualquer lugar do mundo. Este conceito tornou-se tendência nas organizações ao oferecer independência e liberdade, afinal, mesmo com vínculo empregatício, os colaboradores não precisam estar em um escritório ou sede da empresa, basta apenas acesso à internet e aos sistemas operacionais.

WORKCATION

Também conhecido como workoliday ou woliday, este conceito dispõe da possibilidade de viajar para pontos turísticos enquanto trabalha. Conhecidos como nômades digitais, o colaborador aluga uma casa na praia ou no campo e realiza suas atividades enquanto desfruta da vista de uma paisagem paradisíaca, por exemplo.

No caso do workcation, há apenas dois pré-requisitos: wi-fi e conforto. O formato possibilita uma rotina de trabalho menos estressante e mais produtiva.

COWORKING

Tendência que voltou a ganhar força, o coworking aposta no compartilhamento de espaços. Basicamente, cada empresa usufrui do local por tempo determinado, que conta com internet e instalações físicas semelhantes ao escritório. Com a ascensão do trabalho híbrido, muitas organizações estão apostando na criação de coworkings em regiões descentralizadas das grandes cidades.

O principal benefício deste modelo é o networking que fomenta a troca de ideias, experiências, além de mais produtividade e até mesmo criatividade.

ZOOM FATIGUE

Conhecido como a fadiga do zoom, uma plataforma virtual para reuniões, diante da expansão do home office e, sobretudo, o excesso de videoconferências, este estado de exaustão se dá muitas vezes por conta da quantidade excessiva de contato visual durante uma reunião virtual, além do incômodo ou mal-estar em visualizar a si mesmo a todo momento na chamada, algo que torna a situação ainda mais estressante.

Estabelecer uma rotina organizada, dispor de horários para as refeições e pausas entre as atividades, é essencial para minimizar o esgotamento mental.

BURNOUT

Também conhecido como a “síndrome do esgotamento profissional”, o temido burnout está mais popularizado entre os colaboradores. Resumidamente, a Síndrome de Burnout é um distúrbio psíquico caracterizado pelo excesso de estresse e tensão emocional na rotina corporativa.

O conceito foi muito disseminado ao longo da pandemia, principalmente diante da ausência de separação entre questões pessoais e profissionais, além da falta de ergonomia no home office.

PAMELA PAZ – É CEO do Grupo John Richard – https://www.johnrichard.com.br/).

EU ACHO …

      DANE-SE O SORVETE    

Você chega na cidade em que nasceu, hospeda-se na casa da sua irmã e vai até o supermercado comprar alguns ingredientes para o jantar. Aproveita para comprar sorvete, que sua irmã incluiu na lista, e fica feliz de poder fazer essa gentileza a ela, uma retribuição pela acolhida.

No corredor do supermercado, encontra um ex-namorado, seu primeiro grande amor, com quem teve um relacionamento 20 anos atrás e cujo desenlace deixou alguns fios soltos. Depois de uma vacilante troca de palavras, ele te convida para um café. Seu marido e filhos estão lá na cidade onde você mora, a quilômetros de distância. Ora, é só um café.

Esse é o início do filme “Blue Jay”, disponível na Netflix. Quando a personagem aceitou o convite, a primeira coisa que pensei foi: o sorvete vai derreter. A segunda foi: por que raios fui lembrar do sorvete?

Porque, apesar de já ter feito progressos, ainda tenho muito a evoluir no quesito “vou pensar em mim e que o mundo se exploda”, também conhecido, afetuosamente, por “foda-se”. É uma questão cultural que herdei de casa. As amigas da minha mãe sempre contavam, entre gargalhadas, a longínqua ocasião em que elas propuseram um programa de última hora, sem chance de planejamento, e minha mãe respondeu: “mas hoje é o dia em que troco os lençóis”.

Esse foi o cenário da minha infância. Sair da rotina, repentinamente, atendendo ao apelo excitante da vida, era algo que perturbava. Desconsiderando o exagerado exemplo dos lençóis, acho que perturba muitas outras pessoas também. Ainda mais quando o apelo está relacionado a amor e sexo.

Cada hora continua tendo os mesmos 60 minutos que tinha no século 17, mas a impressão é que a vida tem passado feito um rato na sala, como dizia o saudoso Domingos Oliveira. Um dia somos adolescentes, no outro estamos debatendo a menopausa. Nem todo mundo encontra ex-namorados dentro de supermercados, mas a cena serve como metáfora: há momentos que exigem um confrontamento com as escolhas que fizemos, que nos colocam cara a cara com aquilo que preferíamos não saber, não remexer. É típico do destino: às vezes ele mexe as peças do tabuleiro só para nos pegar de surpresa, a fim de testar nossa coragem, curiosidade e abertura para saltos sem rede, o velho e conhecido “ver qual é”. Quantas vezes você evitou se jogar? Apego à rotina também?

A renúncia de viver aquilo que tem potencial para nos desacomodar costuma ser um bom plano de previdência, uma garantia de futuro tranquilo, mas não demorará até que o olhar opaco denuncie a covardia. Você concorda que os relógios entraram em desacordo com o tempo e aceleraram os ponteiros? Você mal acordou e já é quase noite? Então deixe para trocar os lençóis amanhã e danem-se os sorvetes.

MARTHA MEDEIROS

marthamedeiros@terra.com.br

ESTAR BEM

É RUIM PARA A SAÚDE BEBER CAFÉ COM O ESTÔMAGO VAZIO?

Estudo não encontra associação entre o consumo da bebida e úlceras estomacais e intestinais, mas há aumento da acidez

Para muitas pessoas, desfrutar de uma xícara de café feito na hora, logo pela manhã, é uma maneira inegociável de começar o dia. Mas a ideia de que tomar um gole sem comer nada junto pode prejudicar seu intestino – ou contribuir para outros males como inchaço, acne, perda de cabelo, ansiedade ou problemas de tireoide, como algumas pessoas alegam nas mídias sociais – conquistou tanta popularidade quanto incredulidade.

Pesquisadores têm investigado os benefícios e malefícios de beber café, especialmente no que se refere ao intestino, desde a década de 1970, afirma Kim Barrett, professora de fisiologia e biologia de membranas na Universidade da Califórnia, Davis School of Medicine. Felizmente, o estômago pode suportar todos os tipos de irritantes, incluindo o café.

“O estômago tem muitas maneiras de se proteger”, afirma Barrett.

Por exemplo, ele secreta uma espessa camada de muco que cria um poderoso escudo entre sua parede e tudo o que você ingere. Esse escudo também protege o estômago de seu próprio ambiente ácido natural necessário para decompor os alimentos, explica ela.

Você teria que consumir uma substância muito dura “para que as defesas do estômago fossem rompidas, porque ele está constantemente em um ambiente muito adverso e prejudicial”, diz a especialista.

Irritantes como álcool, fumaça de cigarro e anti-inflamatórios não esteroides — como ibuprofeno ou naproxeno — são bem conhecidos por alterar os mecanismos naturais de defesa do estômago e ferir seu revestimento, afirma Byron Cryer, chefe de medicina interna no Baylor University Medical Center, em Dallas.

Seu laboratório é especializado em entender como diferentes medicamentos e outras substâncias podem prejudicar o estômago e o intestino delgado. Embora certos irritantes possam tornar o estômago mais vulnerável a ácidos e à formação de úlcera, grandes estudos descobriram que esse não é o caso do café.

Um estudo feito por pesquisadores do Kameda Medical Center Makuhari, no Japão, com mais de 8 mil pessoas, não encontrou associação significativa entre o consumo de café e a formação de úlceras no estômago ou no intestino – mesmo entre aqueles que bebiam três ou mais xícaras por dia.

“O café, mesmo em forma concentrada, provavelmente não causa dano objetivo ao estômago”, diz Cryer.

“E muito menos nas doses típicas das bebidas habituais”.

ACIDEZ

No entanto, o café tem um efeito sobre o intestino — pode acelerar o cólon e induzir a evacuação, e o café aumenta a produção de ácido no estômago.

Além do intestino, a cafeína é bem conhecida por aumentar a frequência cardíaca, a pressão sanguínea e pode atrapalhar o sono. Mas são mudanças temporárias. É improvável que beber café com o estômago vazio cause algum dano ao estômago, mas teoricamente pode provocar azia, diz Barrett. Sabemos que o café desencadeia a produção de ácido estomacal, mas se você tiver comida no estômago ou se tomar café com leite ou creme, isso criará um tampão que ajuda a neutralizar esse ácido. Portanto, beber café, especialmente se for preto, sem uma refeição pode reduzir o pH do estômago mais do que se você o bebesse com leite ou acompanhado de comida.

ESÔFAGO

Embora um pH ligeiramente mais baixo não seja problema para o revestimento do estômago, pode representar um problema para o revestimento do esôfago, que é muito mais vulnerável a danos causados pelo ácido. Além disso, alguns estudos mostraram que o café pode relaxar e abrir o esfíncter que conecta o esôfago ao estômago, o que hipoteticamente poderia permitir que o ácido do estômago espirrasse mais facilmente para o esôfago e causasse sintomas desagradáveis de azia.

Mas mesmo aí, os dados são dúbios. Uma revisão feita por pesquisadores da Coreia do Sul de 15 estudos na Europa, Ásia e Estados Unidos não encontrou nenhuma ligação entre o consumo de café e os sintomas de azia, enquanto, em contraste, um estudo de pesquisadores americanos usando dados de mais de 48 mil enfermeiras encontrou um risco maior de sintomas de azia entre os bebedores de café.

Para entender como o café pode afetar o esôfago, os cientistas também estudam uma condição chamada esôfago de Barrett, que ocorre quando o esôfago é danificado pela exposição crônica ao ácido estomacal, como em pessoas com problemas de refluxo de longa data. Com essa condição, as células que revestem o esôfago se transformam em células mais resistentes, semelhantes ao estômago, para se protegerem do ácido. Essas alterações podem aumentar o risco de câncer de esôfago, especialmente se você tiver histórico familiar da doença ou se fumar. Mas, de forma tranquilizadora, um estudo americano não encontrou relação semelhante com o café.

Na prática, como gastroenterologista, costumo dizer aos meus pacientes para observarem seus sintomas. Se eles notam constantemente uma dor ardente no peito ou um gosto amargo na boca depois de beber café, eles podem reduzir a quantidade – ou devem considerar um antiácido. Adicionar um pouco de leite ou dar uma mordida em alguma coisa enquanto toma seu café matinal também pode ajudar. Mas se você não está percebendo nenhum sintoma, provavelmente é alguém que não sente refluxo significativo após o café e pode continuar bebendo em paz.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

EXPERIÊNCIAS NA INFÂNCIA MOLDAM PALADAR ADULTO

Estudo mostrou que os alimentos que comemos nos anos de formação ficam ‘impressos’ no cérebro, que tem dificuldade de alterar preferências mais tarde. Exposição a vários sabores ajuda no desenvolvimento gustativo

Por que gostamos das comidas que gostamos? A preferência alimentar é entendida por especialistas como algo relacionado a fatores como experiências passadas, desenvolvimento de hábitos e identidades culturais. Mas agora, um time de pesquisadores decidiu avaliar esse processo à luz da ciência e entender de que maneira comer durante a infância impacta o cérebro, e consequentemente os seus efeitos no decorrer da vida.

Os resultados do estudo, publicados no periódico Science Advances, destacam a importância da exposição precoce a uma variedade de sabores diferentes, uma vez que os benefícios não foram observados quando ela ocorre na idade adulta. Além disso, identificam os mecanismos que intermedeiam a relação entre o gosto alimentar e o cérebro.

Para entender melhor esse cenário, os cientistas do departamento de neurobiologia e comportamento da Universidade Stony Brook, nos Estados Unidos, utilizaram camundongos, já que a biologia do sistema gustativo, ligado ao paladar, é semelhante entre os mamíferos.

Eles dividiram os animais entre filhotes e adultos e os expuseram a uma variedade de sabores diferentes durante uma semana. Após o período, devolveram os camundongos a suas dietas antigas, que não tinham a mesma diversidade de estímulos. Ao mesmo tempo, os pesquisadores monitoraram um outro grupo de indivíduos que não passaram pela intervenção alimentar, para efeito de comparação.

Semanas depois da exposição, os pesquisadores retornaram aos animais e ofereceram uma solução adocicada para observar a preferência deles em comparação a água.

Aqueles que eram filhotes durante o primeiro experimento apresentaram uma atração mais forte pelo sabor diferenciado na idade adulta, o que não aconteceu entre os camundongos que passaram pela intervenção já quando eram mais velhos.

Além disso, os cientistas identificaram que a exposição a múltiplos sabores na infância levou ao desenvolvimento de circuitos neurais, e que essa preferência do sabor foi influenciada por todos os aspectos da experiência gustativa: as sensações na boca, o olfato e a interação do intestino com o cérebro.

Os resultados indicaram que a experiência com a diversidade de sabores influencia a preferência alimentar, mas apenas se acontecer dentro de uma janela de tempo restrita durante a infância, afirmam os cientistas.

“Foi impressionante descobrir como os efeitos duradouros da experiência inicial com o gosto eram nos grupos jovens. A presença de um ‘período crítico’ do ciclo de vida para o desenvolvimento da preferência pelo gosto foi uma descoberta única e empolgante. A visão predominante de outros estudos anteriores a essa descoberta era que o gosto não tem uma janela definida de maior sensibilidade à experiência como outros sistemas sensoriais, como visão, audição e tato”, diz Hillary Schiff, pesquisadora da universidade e autora do estudo, em comunicado.

Embora feito com animais, os cientistas afirmam que os resultados são replicáveis para humanos.

NÍVEL CEREBRAL

A equipe analisou também a atividade dos neurônios no córtex gustativo dos animais, uma parte do cérebro envolvida no paladar e nas decisões sobreo que comer. Eles observaram que, no grupo adulto que não teve a preferência desenvolvida, havia diferenças na atividade de neurônios chamados de inibitórios.

Com as descobertas, os cientistas decidiram testar se a manipulação desses neurônios inibitórios na fase adulta poderia “reabrir” a janela de sensibilidade em relação à experiência com a diversidade de sabores. Para isso, eles injetaram uma substância no córtex gustativo que quebra redes de proteínas acumuladas ao redor dessas células cerebrais. Em seguida, expuseram os camundongos com as redes desfeitas à variedade de sabores. Os animais exibiram, então, mudanças semelhantes na preferência pela solução adocicada à observada entre os indivíduos expostos durante a infância. A intervenção “rejuvenesceu” as sinapses no córtex gustativo e restaurou a plasticidade

OUTROS OLHARES

TÉCNICA RECRIA PÊNIS ‘DO ZERO’ E PERMITE TER UMA VIDA SEXUAL ATIVA

Cirurgia inovadora é destinada a homens amputados, trans ou com micropênis. Sete já foram submetidos ao método

Era meia-noite de um dia comum de 2012 quando João (nome fictício), de 61 anos, acordou com o latido dos cachorros. Ele saiu da cama para descobrir se alguém tentava entrar em sua casa, localizada na zona rural de uma cidade baiana, e chegou a ver os bandidos de longe, no escuro. Foi quando um deles disparou um único tiro, acertando a virilha do fazendeiro e decepando parte do pênis. A história só teve um desfecho positivo no fim de setembro deste ano, quando ele passou por uma cirurgia de reconstrução peniana desenvolvida por um médico urologista brasileiro.

“Eu fiquei defeituoso. Não conseguia nem urinar. Quase que eu morri, mas agora tudo vai mudar”, disse ele, pouco antes da intervenção. Um dia após o processo, que começou às 15h e terminou por volta de 22h, João disse que não sentiu dor e não via a hora de retirar as bandagens. Ele teve alta dois dias depois da cirurgia, sem nenhuma complicação ou necessidade de bolsa de sangue.

Ao todo, sete pessoas já passaram pelo procedimento inovador criado pela equipe do médico Ubirajara Barroso, chefe do serviço de urologia do Hospital Universitário Prof. Edgard Santos da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde também é coordenador da disciplina de urologia.

Seis dos pacientes passaram pela Mobilização Total dos Corpos (TCM, na abreviação em inglês) por intermédio do SUS, sendo João o único a realizar a cirurgia de forma particular.

TÉCNICA

Barroso explica que só parte do pênis fica para fora do corpo, tendo uma extensão, não visível, dentro do homem. Em média, a parte que é vista corresponde a 2/5 do órgão e os outros 3/5 ficam fixos na bacia, garantindo a ereção. A ideia de Barroso foi relativamente simples: puxar a parte interna para fora.

“O que fazemos na cirurgia é destacar essa porção do corpo cavernoso do osso e levar tudo para a superfície. É como um iceberg: tem uma porção pequena acima da água e uma grande porção abaixo da água. O pênis pequeno é só a ponta desse iceberg, então nós retiramos a parte de ‘dentro da água’ e colocamos na superfície”, afirma.

Apesar da teoria simplificada, o procedimento não era feito dessa forma pelos médicos. A primeira vez que ele adotou técnica foi em 2019, em um menino que teve o pênis arrancado por um cachorro aos 8 meses de idade.

O caso foi em Itapicuru (BA). O cão da família arrancou o pênis do garoto, que teve o órgão completamente amputado. Por volta dos 11 anos, ele passou pela primeira cirurgia com Barroso.

Utilizando uma técnica anterior ao TCM, o médico recuperou a uretra do menino, que urinava por um orifício. Era a segunda cirurgia do tipo no Brasil e teve sucesso. “Fizemos uma espécie de enxerto de pele para que ele tivesse o aspecto da genitália masculina.”

O segundo a passar pela técnica foi Moacir (nome fictício), que tem transtornos psiquiátricos. Em um surto psicótico, ele arrancou o próprio pênis, sobrando apenas cerca de oito centímetros. Anos após a crise e sob controle, ele procurou o médico na tentativa de recuperar o órgão. Hoje, após o procedimento, o pênis possui 12,5 centímetros e é capaz de proporcionar prazer semelhante ao órgão sem intervenção.

FILA

Atualmente, o Brasil contabiliza mais de 500 casos de amputação de pênis por ano e não há dados concretos sobre o número de homens trans que pretendem fazer cirurgia de redesignação. A fila de espera de Barroso, segundo conta, já está na casa dos milhares, especialmente pelo fato de os procedimentos serem realizados pelo SUS. O profissional reforça que está em contato com diversos urologistas brasileiros.

Conforme José de Ribamar Rodrigues Calixto, da Sociedade Brasileira de Urologia, a expectativa é de que a TCM seja cada vez mais usada em casos ligados a câncer de pênis. Embora possa aumentar e até engrossar o órgão sexual, Barroso só prevê a técnica para diagnosticados com micropênis, câncer peniano, mutilação ou redesignação de gênero.

Segundo o profissional, a maioria dos homens que acreditam ter pênis pequeno normalmente não o tem, sendo desnecessária uma intervenção cirúrgica. “Esses casos nunca foram tratados de maneira a ganhar significativamente no tamanho, mas na vida pessoal”, afirma.

OUTROS OLHARES

PASSADO DO CÃO E PERFIL DO DONO INFLUENCIAM NA AGRESSIVIDADE

Pesquisa mostra que peso e focinho também afetam comportamento animal

Cachorros que passeiam diariamente com seus donos são menos agressivos. Cães cujas donas são mulheres supostamente latem menos para estranhos.

Já os caninos mais pesados tendem a ser menos insolentes com seus donos do que os pesos leves. Pugs, buldogues, shih-tzus e outros animais com o focinho encurtado podem ser mais afrontosos com humanos do que os cachorros de focinho médio e longo, como é o caso do golden retriever e do popular vira-lata caramelo.

Foi o que mostrou um estudo feito por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) com 665 cães de estimação de diferentes raças, inclusive sem raça definida.

Na pesquisa, publicada na revista Applied Animal Behaviour Science, foram relacionados fatores morfológicos, ambientais e sociais com perfis de agressividade dos cães. O cruzamento de dados mostrou que não apenas condições como peso, altura e tamanho do focinho estão associadas a maior ou menor incidência de agressividade, como também questões relacionadas às histórias de vida dos animais e às características do dono.

De acordo com o artigo, os resultados confirmam a hipótese de que o comportamento dos cachorros não é algo definido apenas pelo aprendizado, nem só pela genética. Trata-se do efeito de uma interação constante com tudo o que cerca a vida do animal. O estudo teve apoio da Fapesp por meio de um projeto sobre a abordagem etológica da comunicação social entre diversas espécies, entre elas a humana.

“Os resultados ressaltam algo que estamos estudando já há algum tempo. O comportamento emerge da interação do animal com o seu contexto, ou seja, o ambiente e o convívio com o tutor, por exemplo, além é claro da morfologia do cachorro. Todos esses fatores têm impacto na forma como o cachorro interage com o ambiente e também na maneira como a gente interage com ele”, explica Briseida de Resende, professorado IP- USP (Instituto de Psicologia da USP) e coautora do artigo. No estudo, realizado durante a pandemia de Covid-19, 665 donos de cães responderam a três questionários on-line, que forneciam informações sobre características do animal, seu ambiente, dono e comportamentos agressivos, como latir para estranhos e até atacar. Ao cruzar essas informações com o grau de agressividade dos cães, os pesquisadores identificaram alguns padrões interessantes.

Os questionários foram desenvolvidos pela pesquisadora do IP-USP Natália Albuquerque e pela professora Carine Savalli, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

“Apenas o gênero do tutor se mostrou um fator capaz de predizer o comportamento com estranhos: a ausência de agressividade foi uma característica 73% mais frequente entre os cães de mulheres”, conta Flávio Ayrosa, primeiro autor do artigo.

O sexo do animal também parece influenciar o grau de agressividade. “A chance de o animal ser hostil com o dono foi 40% menor em fêmeas do que em machos”, diz o autor. “Mas foi na comparação entre tamanho do focinho que encontramos uma diferença mais significativa: as chances de agressividade contra o dono tendem a ser 79% maiores em cães braquicefálicos [focinho achatado] do que nos mesocefálicos”, afirma.

Por outro lado, quanto mais pesado o cão, menor era a possibilidade de agressividade contra seu dono. Ao cruzar os dados, os pesquisadores identificaram que as chances de agressividade diminuíram 3% para cada quilo extra de massa corporal.

Mas Ayrosa ressalta que os achados associados ao perfil do dono não são uma relação de causa e efeito. “Encontramos uma relação, mas não é possível dizer o que vem primeiro. O fator ‘passear com os cães’, por exemplo: pode ser que as pessoas passeavam menos com os cachorros por eles serem animais agressivos, ou os cachorros podem ter se tornado mais agressivos porque seus tutores não passeavam com eles”, afirma.

“Características como peso, altura, morfologia do crânio, sexo e idade influenciam a interação entre os cães e seu ambiente. Isso pode fazer com que o animal passe mais tempo em casa, por exemplo”, completa.

Historicamente, a agressividade dos cães tem sido associada única e exclusivamente à questão da raça. Tal paradigma começou a mudar nos últimos dez anos, quando surgiram os primeiros estudos que relacionavam perfis comportamentais com fatores como idade do cão, sexo, questões metabólicas e diferenças hormonais.

No Brasil, a pesquisa coordenada pelo grupo do IP-USP foi a primeira a avaliar questões morfológicas e comportamentais, entre elas a agressividade, em animais sem raça definida. “Só mais recentemente os estudos passaram a investigar a influência de fatores relacionados à morfologia, histórias de vida dos animais, características dos tutores, origem [comprado ou adotado], como é o caso do nosso estudo”, diz Ayrosa. O artigo Relationships among morphological, environmental, social factors and aggressive profiles in Brazilian pet dogs pode ser lido no site https://www.sciencedirect.com/science/article/ abs/pii/S0168159122002246?-via=ihub#gs2.

GESTÃO E CARREIRA

EXECUTIVOS BRASILEIROS GANHAM ESPAÇO NA DISPUTA POR CARGOS FORA DO PAÍS

Para especialistas, experiência obtida em um “ambiente instável’ de negócios tem feito diferença no recrutamento

A atuação de executivos brasileiros em multinacionais pode ir além do território nacional. Seja de caso pensado ou por oportunidades inesperadas, profissionais têm ganhado espaço para assumir posições globais. Em comum, eles manifestaram o desejo da internacionalização, estavam previamente preparados e dispostos a aprender.

Henrique Braun, por exemplo, entrou na Coca-Cola como trainee nos Estados Unidos há 26 anos. Em dezembro de 2022, passou de presidente da marca para a América Latina para presidente de Desenvolvimento Internacional, agregando países como Japão, Coreia do Sul, Mongólia, Índia e no sudeste e sudoeste asiático.

O desafio, ele diz, é manter a lente do aprendizado. “É importante tentar entender o contexto da região, estar interessado nas diferenças culturais, porque, no final das contas, é esse olhar que permite entender o consumidor e o contexto das comunidades.”

Para Suelen Marcolino, gerente de Diversidade, Inclusão e Pertencimento no LinkedIn para América Latina, Europa, Oriente Médio e África, o ímpeto de sempre estudar a levou a dominar três idiomas (inglês, espanhol e alemão), começar engenharia mecânica e depois transitar para relações internacionais. As experiências abriram portas, seja pelo trabalho ou por bolsas para estudar fora. “Quando as oportunidades surgiram, eu já estava preparada de certa forma. É não esperar que as oportunidades batam à porta, porque são muito escassas e a gente não tem o ‘quem indica’”, afirma, incentivando que principalmente mulheres e negros se qualifiquem ao máximo dentro das condições que possuem.

HABILIDADES

Para Fábio Cunha, fundador e co-CEO da Woke, empresa focada em recrutamento de executivos, o cenário brasileiro molda um profissional atrativo. As adversidades econômicas do País são um ambiente de teste para lidar com instabilidades em pouco tempo e de forma eficiente. Já o crescimento do mercado de inovação, pouco visto em outras localidades, é outro fator-chave.

“Quando analisa as competências da liderança, o brasileiro traz como diferencial o direcionamento de resultado e a qualidade na tomada de decisão”, diz. Ele também destaca habilidades comportamentais, como carisma, criatividade, motivação de equipe e bom relacionamento pessoal.

“Sempre tive interesse em ter parte da minha carreira internacional”, diz Gustavo Aires, superintendente executivo e diretor de Recursos Humanos do J. P. Morgan no Brasil e para o segmento de banco de investimentos internacional.

A empresa tem um programa de mobilidade interna, então, quando chegou à companhia em 2014, ele sabia que teria oportunidades, buscou entendê-las e falou abertamente sobre o interesse.

PREPARAÇÃO

De um cargo generalista em RH, ele foi ganhando exposição ao ter contato com os negócios internacionais. Como consequência, recebeu uma proposta para se candidatar a uma vaga nos EUA. “Já estava bem preparado quando chegou a oportunidade”, afirma, destacando o domínio do inglês. Em 2017, ele foi atuar em Nova York e, quatro anos depois, de volta ao País, passou a oferecer suporte regional para um grupo internacional.

Viviane Gaspari também sonhava em morar e trabalhar nos EUA. Com 26 anos de carreira em RH, atuou a maior parte do tempo em multinacionais e, em janeiro de 2021, entrou na Ingredion com o desafio de comandar a América do Sul. Sete meses depois, recebeu a oferta para liderar também a América do Norte. No final de março de 2022, ela foi transferida para Chicago e hoje é vice-presidente de RH para as duas regiões.

“O que te faz receber um convite é o que você entrega hoje. A questão dos resultados é inquestionável”, ela comenta. “Tem o lado da abertura da empresa para não desmotivar o profissional, mas tem um pouco dessa coragem de ser vocal, se desafiar, pensar diferente.”

ADAPTAÇÃO

Se adaptar à cultura do outro país é o desafio número um dos executivos. Aires diz que antecipou estudos sobre os EUA para evitar surpresas, o que o ajudou a entender a nova rotina e criar novas amizades. Ele lembra que uma mudança tranquila para outros país demanda saber questões básicas como emitir novos documentos e abrir conta em banco.

“Você dá 15 passos atrás e tem de entender coisas básicas para operar na estratégia”, resume Viviane, que terá de se acostumar também à temperatura abaixo de zero. Mas, antes de entender a cultura, Suelen considera importante compreender a si para lidar com o outro. “Quando se trabalha com time global, com gestores que não estão presencialmente, você precisa estar consciente das suas capacidades e habilidades”, afirma.

LIDERANÇA

Braun avalia que viver experiências globais agregou para sua liderança, pois há um repertório de situações que pode agregar no presente. “É o olhar de Co criar uma solução e saber que algo já foi feito em outro lugar, que é possível escrever uma história de sucesso constantemente.”

Viviane diz que algumas habilidades se intensificam com a atuação internacional, como escuta ativa e resiliência para tomar decisões que vão impactar mais pessoas. Para Suelen, aprender a ter paciência consigo para refletir antes de passar alguma mensagem foi essencial. “É questão de prudência para não dar margem para uma interpretação errada.”

EU ACHO …

INJEÇÃO NA TESTA

‘Sexo’ é dessas palavras que basta ler para que neurônios espirrem dopamina

“Guapimirim sem corrupção!”, leio na camiseta da Renata assim que ela me libera no Zoom. Estranho, pois minha colega está sempre elegante: blusas e macacões coloridos, brincos, colares e penteados mil.

Trabalhamos juntos faz uns dois anos e embora nossos encontros presenciais possam ser contados nos dedos —ela no Rio, eu em São Paulo e a pandemia no meio—, temos intimidade o suficiente para que a cumprimente não com um protocolar “oi”, mas com “Guapimirim sem corrupção, Renatinha? Onde é Guapimirim? Quem a está corrompendo? Quem será o herói incorruptível a salvá-la?”.

Renatinha termina de mastigar umas pipocas, responde “Sei lá, a camiseta era grátis” e eu entendo tudo.

“Sexo” é dessas palavras que basta ler para que alguns neurônios espirrem dopamina. “Pudim” tem efeito semelhante, embora seja outra a turma de células, creio eu, a babar neurotransmissores. Mas nem “sexo”, nem “pudim”, nem “Bahia”, nem “Pelé” faz com que minha massa encefálica – e, aparentemente, a da Renatinha também – vibre como diante de “grátis”.

Deve ser produto da seleção natural, epifenômeno resultante do nosso passado caçador/coletor. Imagina você e seu bando caminhando pela floresta, famintos, suados sob o sol a pino, então dão de cara com um cajueiro carregado. Suponho que seja esse o tipo de encontro responsável por moldar, ao longo de milhares de anos, as emoções em torno de tudo o que é gratuito.

Não à toa um dos nossos maiores mitos fundadores trata do assunto. O que é o “Gênesis” senão a triste história da passagem do paraíso 0800 pra dura realidade do pré e pós-pago?

O primeiro capítulo da Bíblia poderia ser resumido a “Era tudo na faixa, vacilaram, agora vão ter que trabalhar”. Anos atrás fui participar de uma CCXP. Ao chegar no camarim meu coração bateu mais forte. Tinha ali um freezer cheio de refrigerantes grátis. Peguei uma Coca e sentei numa poltrona, mas minha alegria pueril (ou primeva?) terminou assim que me dei conta da matemática deficitária daminha satisfação: uma lata de Coca-zero custa R$ 2,77 e o Uber pra Comic Com havia saído uns R$ 80. Não importa. O apelo de tudo o que é “de grátis” me faria pagar R$ 1.000 pra pegar um chaveiro de R$ 10.

Trabalho na Globo. Antes da recente pindaíba nacional, todo fim de ano a empresa dava aos funcionários uma mala térmica com um peru congelado, um salame, um tender e uma torta Miss Daisy.

Não era raro você encontrar na fila do brinde um Galvão Bueno, uma Glória Perez, um Walcyr Carrasco, gente cujo salário de um mês compraria perus de Natal suficientes para dar duas voltas na Terra – caso voltas na Terra fossem medidas em perus de Natal. Gula? Mesquinharia? Nada. Era o chamado da natureza, a partitura cromossômica composta nas savanas a nos fazer executar aquela mesma coreografia, ano após ano, no Subsolo 1 do Módulo Laranja, Estrada dos Bandeirantes, 6.700, Curicica, RJ – portaria 2.

Imagino se o Galvão Bueno, a Glória Perez ou o Walcyr Carrasco também sentem, como eu, uma leve melancolia lá por 15 de dezembro, ao lembrar dos farnéis de outrora. A torta era meio ruim, verdade, mas o retro gosto da gratuidade compensava a textura rançosa do chantilly congelado. O mundo só piora, não tem jeito. O que consola é lembrar que em Guapimirim ainda dão camisetas grátis – e, claro, lutam contra a corrupção. Agora chega de papo-furado, Renatinha, vamos trabalhar que a vida não tá ganha e embora não nos deem mais malas térmicas ainda pagam o nosso salário – sabe-se lá até quando.

ANTÔNIO PRATA – Escritor e roteirista, autor de “Por quem as panelas batem”

ESTAR BEM

ESTUDO EXPLICA COMO PRÁTICA DE EXERCÍCIOS PRESERVA APTIDÃO FÍSICA

É consenso entre os especialistas que a prática regular de exercício físico é fundamental para garantir qualidade de vida e longevidade. No entanto, ainda pouco se sabe sobre como esse hábito influencia o funcionamento das células musculares. Um novo estudo conduzido no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) ajuda a entender, em nível celular, como a atividade física contribui para a manutenção da aptidão física até mesmo durante o envelhecimento.

Segundo o trabalho, apoiado pela Fapesp e divulgado na revista The Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), a resposta está na mitocôndria. Esse importante componente celular, responsável por fornecer energia às células, está em constante remodelamento graças a um fenômeno chamado dinâmica mitocondrial.

Essa organela pode se dividir em duas ou se unir a outra semelhante por meio de processos denominados fissão e fusão mitocondrial. A partir dessa dinâmica são coordenadas a distribuição e a função das centenas ou milhares de mitocôndrias presentes nas células musculares.

Por meio de experimentos com um organismo modelo bem simples, o verme de solo Caenorhabditis elegans, os pesquisadores observaram que, durante o envelhecimento, vão se acumulando nas células musculares mitocôndrias fragmentadas [que são disfuncionais]. Mas quando o exercício físico é praticado regularmente ao longo da vida, a frequência de mitocôndrias fusionadas aumenta, o que beneficia tanto o metabolismo mitocondrial quanto o funcionamento celular, contribuindo assim para a manutenção da fisiologia muscular durante o envelhecimento.

“No trabalho, demonstramos que, no músculo, uma única sessão de exercício físico induz rapidamente a fissão mitocondrial. E logo em seguida, após um período de recuperação, ocorre a fusão mitocondrial. Já sessões diárias ao longo da vida favorecem o aparecimento de mitocôndrias conectadas, retardando então a fragmentação mitocondrial e o declínio do condicionamento físico observados durante o envelhecimento. Dessa forma, o exercício físico e a dinâmica mitocondrial apresentaram importante associação com a manutenção da função muscular na senescência. Era a prova de conceito que faltava”, afirma Júlio Cesar Batista Ferreira, professor do ICB-USP e coordenador da pesquisa.

Em estudos anteriores, o grupo já havia demonstrado que o exercício físico atua no tratamento de doenças cardiovasculares promovendo o aparecimento de mitocôndrias fusionadas no coração. Mas ainda era preciso entender como a atividade física impacta o envelhecimento de organismos saudáveis. E para isso os pesquisadores optaram por usar o nematoide C. elegans, considerado um excelente modelo experimental para estudos do envelhecimento.

“É muito trabalhoso e caro fazer um estudo sobre envelhecimento acompanhando indivíduos ou roedores por anos, ao longo de toda a vida. A vantagem do C. elegans é que ele apresenta uma série de similaridades com os humanos, mas tem um ciclo de vida de apenas 25 dias. Desse modo, foi possível mostrar, pela primeira vez, o que acontece com um organismo que se exercita ao longo da vida e quais são os eventos celulares críticos envolvidos no processo”, afirma Ferreira.

Segundo o pesquisador, a dinâmica mitocondrial é importante para manter a quantidade e a qualidade das mitocôndrias na célula e, por consequência, o bom funcionamento muscular. Por meio de proteínas denominadas GT- Pases que “cortam” e “colam” as mitocôndrias, ocorre a fusão ou a fissão dessas organelas. “Dessa forma, em condições estressoras, as proteínas removem a parte da mitocôndria que não está funcionando para ser destruída e juntam a parte funcional com outra mitocôndria. É nessa dinâmica de fissão e fusão que se dá a segregação mitocondrial e o bom funcionamento celular.”

Os resultados do estudo indicam que tanto a conectividade quanto o ciclo mitocondrial de fissão e fusão são essenciais para manter a aptidão física e a capacidade de resposta ao exercício ao envelhecer. Um dos primeiros passos do estudo foi desenvolver um protocolo de exercício físico para os vermes. “Geralmente, esses organismos vivem em meio sólido [na natureza eles vivem na terra e, nos laboratórios de pesquisa, em gelatina]. Quando os transferimos para meio líquido, observamos que eles aumentam a frequência ondulatória associada a maior gasto energético, semelhante ao que acontece com nós humanos quando nos exercitamos”, conta Ferreira.

Desse modo, os pesquisadores demonstraram que a exposição diária dos vermes ao meio líquido resulta em uma série de adaptações fisiológicas e bioquímicas semelhantes às observadas em humanos e roedores exercitados.

Segundo Ferreira, os vermes que nadaram regularmente até a fase adulta, mas se tornaram sedentários na velhice, também apresentaram melhores indicadores em comparação aos que sempre foram sedentários.

Em uma segunda parte do estudo, investigaram se o aumento da longevidade é acompanhado de melhora da aptidão física nos vermes. Para isso, foram feitos experimentos com linhagens de vermes capazes de viver até 40 dias graças a alterações pontuais no genoma.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

COMO SE SENTIR BEM PELADO? PRIMEIRO PASSO É AUTOACEITAÇÃO

Muitos ficam desconfortáveis nus, de biquíni ou mesmo com roupas leves no verão. Especialistas ensinam a melhorar a relação com o corpo

Quando Carolyn Hawkins foi para seu primeiro resort nudista quatro décadas atrás, aos 37 anos, estava absolutamente decidida a não ficar nua.

“Eu disse: “Eu vou, mas nunca vou fazer isso. Não vou tirar a roupa”, revela Hawkins sobrea visita ao resort com o marido.

Contudo, ao se ver cercada por um aglomerado de corpos imperfeitos sob o sol da Flórida, ela se sentiu uma exceção e tomou coragem:

“Eu aceitei imediatamente, lembra ela, agora com 79 anos e diretora de relacionamentos para clubes e membros da Associação Americana de Nudez Recreativa.

Nem todo mundo se sente tão confortável pelado. Para muitos de nós, a nudez – ou apenas a perspectiva de mostrar mais pele durante o verão, por exemplo – pode ser inquietante.

“Até mesmo ficar pelado sozinho pode nos deixar vulneráveis à voz crítica existente na nossa cabeça”, afirma Renee Engeln, professora de Psicologia da Northwestern University, nos Estados Unidos, responsável por pesquisar questões relacionadas à imagem corporal das mulheres.

Sentir-se “bem” nu envolve padrões culturais de beleza que poucos de nós alcançamos, explica a especialista. No entanto, terapeutas, ativistas e nudistas afirmam que existem razões convincentes para buscar um relacionamento mais alegre com a própria figura, ou, pelo menos, uma relação “neutra”.

Pesquisas mostram, por exemplo, que as percepções das mulheres sobre o quão atraentes elas são podem influenciar seu desejo sexual, enquanto estar relativamente confortável com a própria aparência tem sido associado a maior autoestima e satisfação com a vida.

Para Virgie Tovar, ativista de imagem corporal, o debate sobre a nudez é paralelo a uma conversa sobre usar um biquíni. Ela lembra sua primeira experiência usando as peças em público como uma mulher plus size:

“Fiquei chocada com a sensação incrível de ter o sol na pele, sentir o vento na minha carne, uma parte do meu corpo que nunca havia sido exposta em nenhum lugar fora de casa. Foi mais poderoso do que eu poderia ter imaginado”, revela Tovar.

A seguir, foram organizadas quatro estratégias sugeridas por uma série de especialistas focados em nudez e imagem corporal. O entendimento sobre elas não significa, necessariamente, a transformação de seu relacionamento com seu corpo durante o verão, época na qual partes da pele podem ficar mais à mostra, mas é um começo.

TEMPO NU

Aprender a se sentir bem com seu corpo pode ser uma tarefa árdua e longa, e muitos dos obstáculos que surgem no caminho são sociais. Ainda assim, Engeln diz que, para algumas pessoas, a chave para se sentir melhor nu é “simplesmente ficar nu com mais frequência”.

Erich Schuttauf, diretor executivo da Associação Americana de Nudez Recreativa, concorda que há um poder libertador em, simplesmente, fazer coisas pelado, permitir-se. Você pode lavar a roupa enquanto está nu, sugere, ou tomar sol por 20 minutos se tiver um quintal privado, saboreando o calor e a brisa em sua pele.

“Acostume-se com a liberdade de não ter que usar roupas”, aconselha Schuttauf, para quem quase todas as tarefas domésticas são mais divertidas quando se está nu.

Stephanie Yeboah, ativista da imagem corporal e escritora, afirma que passar uma ou duas horas nua vários dias por semana foi um passo crucial no início de sua própria jornada de aceitação do corpo. Ela tirava a roupa e lia, assistia TV ou arrumava a casa.

É importante, no entanto, garantir que você esteja em um espaço seguro, seja na privacidade do seu quarto ou em um ambiente destinado à nudez, como uma praia de nudismo ou resort.

“O amor próprio não pode te salvar de um sistema opressor”, diz Yeboah, que já foi chamada de gorda e insultada na rua.

FOCO NAS SENSAÇÕES

Tovar não acredita que a insistência para se sentir bem nu seja um passo necessário para uma aceitação corporal mais ampla, mas encoraja as pessoas a considerar como seria estar em paz com seus corpos em situações onde a nudez é necessária, como no banho.

Para chegar lá, a ativista recomenda o uso de estratégias de atenção para mudar o foco de como “é seu corpo” para como “ele se sente”. E, segundo ela, o chuveiro é um bom lugar para começar.

“Concentre-se nas sensações. Qual é a sensação na minha pele quando entro no chuveiro? Como é a temperatura? O que isso faz com o meu corpo?”, questiona.

Yeboah também transformou o banho em uma meditação regular. Ela compra loções e óleos bons e gasta tempo aplicando-os lentamente, observando cuidadosamente como eles cheiram e como sua pele reage.

“Foi algo que comecei a fazer em minha jornada de amor-próprio para chegar a um acordo com (e aprender a amar novamente) meu corpo”, revela.

PORQUE NÃO?

Zoë Bisbing, assistente social clínica e diretora fundadora da Body-Positive Therapy NYC, costuma trabalhar com pacientes que estão lutando no que ela chama de “estado de evitação do corpo”. Eles cobrem meticulosamente certas partes do corpo e raramente, ou nunca, olham para si mesmos. Frequentemente, optam por não participar de atividades ao ar livre ou que exijam a nudez, como ir à praia, sair em um dia quente ou fazer sexo.

A especialista recomenda observar conscientemente o que está por trás da dificuldade de ficar pelado (ou de deixar certas partes do corpo nuas) ao longo de um dia ou dois. Se fizer isso, pode ser útil tentar uma “terapia de exposição”, uma intervenção cognitiva bem conhecida que visa revelar as pessoas aos seus medos.

“Digamos que você se sinta realmente desconfortável com os braços nus. Pode começar a deixar seu braço exposto um minuto ao dia quando estiver sem casaco, por exemplo. Também pode ajudar olhar para seu corpo no espelho por curtos períodos de tempo, orienta a especialista, e treinar seu cérebro para descrevê-lo usando uma linguagem simples e sem julgamento”.

É fundamental, no entanto, para qualquer pessoa que esteja lutando com problemas como dismorfia corporal ou transtornos alimentares, entrar em contato com um terapeuta para conseguir ajuda, reforça Bisbing. Portanto, esteja atento aos possíveis sinais de um problema de saúde mental mais sério, incluindo imagem corporal distorcida ou sentimentos de vergonha sobre o que você come.

DIFERENTES TIPOS DE CORPO

A cultura pop e as mídias sociais nos condicionaram a ver o corpo magro, o corpo jovem, ou o corpo “capaz” como o padrão e o mais valioso. Por isso, Tovar incentiva todos a se cercarem de fotos de diferentes tipos de corpos.

“Imprima, digamos, 20 imagens de corpos mais próximos do seu e de corpos completamente diferentes”, sugere Tovar. Salve-os no telefone ou coloque-os no espelho para vê-los com frequência.

Faça uma curadoria do que você segue no Instagram, Facebook ou TikTok também. Embora a ligação entre a mídia social e a imagem corporal negativa não seja tão clara quanto às vezes parece, pesquisas mostram que passar o tempo olhando para diferentes corpos e conteúdos de aceitação da própria aparência pode melhorar o humor.

“Lembre-se de que quase todos os corpos adultos nus balançam, têm cabelo, pelo, celulite, cicatrizes, marcas de vida”, reforça Engeln. “É fácil esquecer isso se você está atolado em um mundo de mídia que inclui apenas imagens editadas no Photoshop de corpos jovens e magros.

OUTROS OLHARES

MANUAL CONTRA O ABUSO NAS REDES

Americana Nina Jankowicz parte dos ataques virtuais que sofreu para lançar ‘lugar de mulher é on-line e onde mais ela quiser’

Ser uma mulher on-line é um ato, em si, perigoso, acredita a americana Nina Jankowicz.   Como muitas mulheres em posição de destaque, a escritora e pesquisadora viveu essa ameaça de forma extrema. Diretora executiva do extinto Conselho de Governança de Desinformação, criado pelo presidente Joe Biden, sofreu uma série de ataques virtuais. Em sua maioria homens, os assediadores criticaram seu corpo, disseram que ela tinha aparência de transexual, fizeram memes insinuando que havia feito sexo para conseguir seu cargo e a importunaram com ofensas diárias.

No livro “Lugar de mulher é on-line e onde mais ela quiser, editado no Brasil pela Vestígio com prefácio da jornalista Patrícia Campos Mello, ela oferece um manual para lidar com abuso nas redes sociais (e fora delas, quando eles extrapolam o ambiente on-line). Embora use como base a sua própria experiência e também a de outras figuras públicas (como a da vice-presidente dos EUA Kamala Harris), a obra é destinada a qualquer mulher que use a internet como meio de expressão pessoal e profissional.

“Muita gente não entende que as consequências vão além do virtual. Não basta apenas bloquear a pessoa que está lhe ameaçando”, diz Jankowicz. “Eu mesma bloqueei milhares de contas, mas no fim você sabe que pessoas malucas têm seu endereço e sempre teme que alguém possa aparecer na sua porta. É algo que vai te afetar no seu dia a dia e você não consegue mais fazer as coisas normalmente, nem mesmo em público. Você teme levar seu cachorro para passear, ou teme que alguém a reconheça quando chamam seu nome no aeroporto”.

IGNORAR OU REAGIR?

Jankowicz entrevistou mulheres que se viram obrigadas a abandonar as redes após ameaças. Muitas acabaram voltando após perceberem que aquele era um espaço em que elas precisavam divulgar seu trabalho. Como o objetivo dos ataques é justamente intimidar e silenciar, fica o dilema: ignorar ou reagir? A autora dá uma série de dicas para fazer sua voz ser ouvida sem  tanto perigo (leia abaixo).

Mas não foram só anônimos on-line que perturbaram Jankowicz. Após assumir a sua posição no governo, foi atacada sistematicamente por senadores do Partido Republicano. Ela não tem dúvidas de que o atual ecossistema da internet normalizou esse tipo de comportamento na política.

“Esse tipo de ataque não é inteiramente novo, mas chegou a um nível em que indivíduos  como Donald Trump, Jair Bolsonaro e os congressistas que me alvejaram não parecem ter nenhum problema moral em colocar pessoas em perigo”, diz a autora. “Porque não é só xingar, é encorajar ações violentas de outros indivíduos contra você. Os políticos sabem hoje que, quanto mais raivosos eles tornarem seus seguidores, maior a chance desses seguidores lhes continuarem seguindo. A violência os beneficia politicamente.

COMO DAR TROCO NOS HATERS

NÃO ALIMENTE OS TROLLS

Ao denunciar ofensas e provocações a elas na internet, as mulheres costumam receber  um conselho: “Apenas ignore. “Ou então ouvem que precisam ser superiores e terem até empatia por seus haters. Segundo Jankowicz,  ignorar os trolls pode ser urna alternativa válida, claro. Mas há casos que também é saudável “fazer a sua voz ser ouvida”, aponta ela. Uma coisa, no entanto, é certa: o problema só pode ser tratado, não resolvido.

NEGUE NOTORIEDADE

Há diversas possibilidades de denunciar o mau comportamento de uma conta sem dar muita visibilidade a ela. Se a conta tem muitos seguidores, é melhor fazer uma captura do comentário em questão e compartilhar sem se envolver diretamente com ela. Ridicularizar os seus abusadores depois deixá-los falando sozinhos também costuma ser uma alternativa de autopreservação.

ADOTE O BLOQUEATIVISMO

A maioria dos trolls merece apenas ser silenciados ou bloqueados. Como o objetivo deles é atenção, apenas se beneficiam de seu engajamento. Jankowicz conversou com mulheres que só conseguiram usar suas redes de forma minimamente saudável após bloquear dezenas de milhares de perfis que tentavam interagir com ela.

RECONHEÇA OS FAKES

Analise com atenção as contas que solicitam sua amizade em contas fechadas. Algumas delas podem estar tentando adiciona-la para colher suas informações pessoais. Perfis criados recentemente, sem foto de perfil, e com os quais você não possui amigos em comum têm maiores chances de serem falsos. Use seu instinto: se uma conta parece estranha, não adicione.

CUIDADO COM O QUE COMPARTILHA

A violência virtual pode se tornar real e ferramentas como as dos serviços de localização facilitaram a vida dos assediadores. Por isso, cuidado com os detalhes que compartilha on-line – muitas vezes sem perceber. Uma simples foto das árvores da sua vizinhança pode servir de pista para que abusadores encontrem sua residência na internet.

EVITE O TEMPO REAL

Não é seguro compartilhar fotos ou informações que mostrem sua atual localização de forma pública. Se você está em um parque de diversão, por exemplo, é melhor esperar algumas horas depois de ir embora antes de postar nas suas redes sociais. Uma solução é abusar do recurso falso “amigos próximos” do Instagram, compartilhando suas imagens em tempo real de forma controlada, apenas com seus amigos de verdade.

OUTROS OLHARES

TÉCNICA QUE USA ÓLEO E MEIA NOS CABELOS VIRALIZA

Objetivo do procedimento é hidratar os fios; especialistas avaliam que prática pode mesmo ser eficaz, mas alertam que ela pode causar infecções e caspas caso não seja feita corretamente; veja as recomendações

Uma nova  técnica para hidratar o cabelo tem viralizado nas redes sociais, principalmente pelos produtos usados: meias e óleos. Chamada de “hair slugging”, consiste em aplicar óleo no cabelo à noite, envolver os fios com uma meia e só tirar no dia seguinte. Entretanto, especialistas ouvidos afirmam que, apesar da técnica ser eficiente, existem algumas recomendações que devem ser seguidas e alertam que não são todos os tipos de cabelo que suportam bem o procedimento.

A estratégia consiste em aplicar o óleo capilar uniformemente em todo o comprimento dos fios. Depois enrolar o cabelo e colocar o rabo de cavalo dentro da meia, de modo que seja confortável para deixa-lo durante um bom tempo, de preferência durante a noite. Algumas adeptas da técnica optam por enrolar mechas de cabelo em volta da meia.

Ao acordar, na manhã seguinte, basta retirar ou desenrolar a meia e finalizar normalmente.

“A utilização de óleos ajuda a tratar os fios, principalmente os que estão ressecados ou com frizz. Os benefícios desse tipo de prática são principalmente nos cabelos danificados por química ou que já têm sua hidratação menor, como no caso de cabelos cacheados e afro. O uso da meia tem como objetivo reter o óleo e diminui o atrito entre o cabelo e a fronha do travesseiro, por exemplo, reduzindo o frizz”, explica Violeta Tortelly, coordenadora do Departamento de Cabelos da Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio de Janeiro (SBDRJ).

RECOMENDAÇÕES

A especialista, no entanto, recomenda alguns cuidados. O primeiro é não aplicar o óleo no cabelo molhado, pois pode aumentar o risco de infecções fúngicas e piorar doenças de base, como a dermatite, seborreia popularmente conhecida como caspa. A técnica também não é indicada para quem já tem cabelo oleoso, pois a condição pode ser agravada com o procedimento.

“O couro cabeludo não pode ser bloqueado pela meia, pois a umidade também pode gerar infecções ou caspas. E o elástico da meia precisa estar frouxo, visto que a tração excessiva sobre os fios pode desencadear a fratura dos fios e consequentemente a queda dos cabelos”, diz a dermatologista Patrícia Ormiga, coordenadora do Departamento de Cosmiatria da SBDRJ.

O tipo de meia mais indicado para esse processo é a de algodão. Já entre os óleos, dois se destacam: os de argan, que já são conhecidos por serem ricos em ácidos graxos (como o ômega 9), essenciais para a saúde dos cabelos. Eles promovem a hidratação e nutrição profunda dos fios, deixando-os mais brilhantes, macios e sem pontas duplas. O outro é o óleo de coco, por ter propriedades muito semelhantes ao óleo natural que reveste os fios.

“A indústria consegue pegar esses óleo, mas também outros, e aumentar ainda mais a permanência dele no fio, associando a outros componentes e deixando o produto potencializado. Então os produtos com base em óleos industrializados, vão se adaptando e direcionando a diferentes tipos de cabelo: o ressecado, o com química e aquele com os fios mais finos”, diz Tortelly.

Apesar de sua eficácia e seu poder de hidratação, como tudo em excesso é ruim, o procedimento não é diferente.  As especialistas  afirmam que o produto pode ficar a noite inteira no cabelo ou até no máximo 12 horas, mas é recomendado que a técnica seja feita apenas uma vez por semana para não causar danos aos fios nem ao couro cabeludo.

GESTÃO E CARREIRA

A BUSCA PELO RECONHECIMENTO NO TRABALHO

Levando em consideração que uma equipe desmotivada impacta diretamente na produtividade, é possível dizer que o sucesso de uma empresa depende de profissionais engajados e comprometidos. Um levantamento realizado pela Gallup, apontou que pessoas engajadas contribuem no aumento de satisfação dos clientes, possibilitando um volume até 20% maior nas vendas. Além disso, o desempenho individual desses colaboradores pode chegar a um índice 147% superior. A pesquisa aponta que os trabalhadores satisfeitos têm maior facilidade em desempenhar suas tarefas, contribuindo para um clima saudável dentro das empresas.

De acordo com Ricardo Chaves, psicólogo e especialista no desenvolvimento de líderes e profissionais de alta performance, é preciso ter honestidade consigo mesmo e analisar se o trabalho exercido realmente merece um destaque. “Muitas vezes nós estamos, apenas, cumprindo com aquilo para que fomos contratados e criamos uma expectativa muito alta sobre o reconhecimento.

Essa expectativa sobre uma ascensão que existe nas gerações mais emergentes no mercado de trabalho gera, também, uma grande frustração por conta de não serem realistas do ponto de vista das empresas. É necessário que se busque esse reconhecimento, mas não podemos ser reféns dessa necessidade emocional de sermos reconhecidos”, relata. Para o psicólogo, o sucesso depende da conexão entre propósito de vida e aquilo que se está exercendo no trabalho.

“O trabalho é onde acontece a grande realização existencial do ser humano. Investimos muito tempo e dinheiro na nossa formação e qualificação para que possamos ser cada vez melhores naquilo o que fazemos. Enquanto as pessoas estão buscando apenas a realização de metas, devemos nos importar com quem estamos nos tornando, se isso está alinhado com os seus valores e com quem eu quero ser reconhecido como pessoa, seja dentro do trabalho, seja pela família ou pelos amigos”, pontua.

Como ser notado no ambiente de trabalho:

SE EXPONHA, oferecendo ideias e opiniões sobre os mais diversos assuntos na empresa;

DESENVOLVA A CORAGEM, pois a falta de bravura pode limitar os colaboradores;

DESENVOLVA UMA VISÃO SISTÊMICA, entendendo o porquê de estar realizando aquelas tarefas;

TENHA EMPATIA pelas pessoas ao seu redor, articulando ideias com pessoas que não possuem um pensamento compatível ao seu;

TENHA RESILIÊNCIA para lidar com frustrações e superar os desafios que ainda estão por vir.

Ricardo acredita que a alta produtividade apresenta uma melhor percepção sobre o trabalho executado. “Quando entendemos o porquê de fazermos o que fazemos, temos mais conexão, mais pertencimento sobre o que construímos com o trabalho, aumentando a nossa produtividade e engajamento.

Para que a produtividade seja sustentável, é necessário uma conexão mais ampliada sobre aquilo que se produz”, finaliza.

FONTE E MAIS INFORMAÇÕES: (https://www.rickcha.com.br/).

EU ACHO …

QUANDO OS CHATOS SOMOS NÓS

Você conhece um chato. Ou dois. Ou meia dúzia. E até gosta deles, viraram figuras folclóricas na sua vida. Talvez seja um cunhado, um amigo de um amigo, um colega de trabalho. Os chatos são bem-intencionados, não se pode negar. E é justamente essa boa intenção fora da medida que faz deles uns chatos. O chato nada mais é que um exagerado. Ele é prestativo demais, ele é piadista demais, ele leva muito tempo para contar algo que lhe aconteceu, ele fica hooooras no telefone, ele se leva a sério além do razoável, ele ocupa o tempo dos outros com histórias que não são interessantes. O chato é, basicamente, um cara (ou uma mulher) sem timing.

Estava pensando nisso quando escutei alguém citando uma das coisas mais chatas que existe. Tive que concordar: colocar um filho pequeno no telefone pra falar com a dinda, com a vovó, com o titio, é muito chato. A gente ama aquela criança – talvez seja até o nosso filho! – mas ao telefone, esquece. Tentamos entabular um diálogo minimamente inteligível e nada rola. Ou ele não fala nada que se compreenda, ou não abre o bico, e só nos resta ficar idiotizados do outro lado da linha.

Todo mundo sabe que isso é chato. Mas todo mundo que já teve um filho cometeu essa mesma chatice com os outros. Por quê? Porque pai e mãe de primeira viagem são chatos por natureza. Ninguém escapa. Se não for chato, será considerado um sem-coração. Todos irão apontar: olha lá, aquele ali esconde o filho. Põe ele no telefone!

Outra chatice é mostrar 3.487 fotos do bebê. Dá nos nervos quando o filho não é nosso. Todos os bebês são iguais, menos para seus pais. Seja bem sincero: dá pra aguentar ver foto de bebê pelo celular? Basta perguntar educadamente pra alguém: e seu filhinho, vai bem? Pronto. Num segundo o celular ou iPhone será sacado e apontado direto para seus olhos: veja você mesmo.

A gente sabe que é chato, mas toleramos com sorrisos parcialmente sinceros porque faremos a mesma coisa quando chegar a nossa vez – ou já fizemos um dia. Se você passou dessa fase, segure a onda e compreenda os que ainda não passaram. Nada de reclamar. Aqui se faz, aqui se paga.

Outras chatices? Quando alguém pergunta: lembra de mim? Se está perguntando, é porque a chance é remota. Mas já não fizemos isso diante de alguém que gostaríamos muuuuito que lembrasse? E esticar as letras das palavras quando se está escrevendo? E quando a gente começa uma frase com “adivinha”. Adivinha pra onde eu vou nas próximas férias. Adivinha quem me convidou pra jantar. Adivinha com quem eu sonhei hoje.

Falando em sonho, tem coisa mais chata do que ouvir o sonho dos outros? Mas você já contou os seus. Váááárias vezes.

Agora adivinha qual o próximo exemplo que vou dar (kkkkk). Precisamos mesmo colocar risadas entre parênteses para que os outros entendam nossas piadinhas cretinas?

Alguns menos, outros mais, chatos somos todos.

MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

TRATAMENTO PARA ENDOMETRIOSE É O MESMO HÁ 25 ANOS, DIZ MÉDICO

Com causas ainda indefinidas, condição afeta cerca de 190 milhões de mulheres no mundo e leva, em média, sete anos para ser diagnosticada

Marina Bonache começou a sentir dores muito fortes durante a menstruação faz quatro anos. Seu ginecologista disse a ela que estava tudo bem. Os níveis hormonais estavam normais e nada apareceu nos ultrassons que fizeram. Mas ela não se contentou com essa resposta. Continuou procurando e, dois anos depois, aos 25 anos, outro médico deu um nome ao seu problema: endometriose.

Trata-se de uma patologia crônica em que o tecido endometrial cresce fora do útero. Segundo Emanuela Spagnolo, da Sociedade Espanhola de Ginecologia e Obstetrícia (Sego), leva-se em média sete anos para a doença ser diagnosticada. De acordo com Raúl Gómez, médico e pesquisador principal do Grupo de Investigação de Terapias para Endometriose e Câncer de Endométrio do Health Research Institute (Incliva), há 25 anos as mesmas estratégias — geralmente terapia hormonal — têm sido usadas contra a doença. As pequenas variações empregadas são heranças dos últimos estudos realizados em pacientes.

O pesquisador atribui isso ao fato de que, historicamente, a endometriose nunca ganhou a atenção merecida. Cientistas se concentraram mais em saber como ela funcionava, como eram as lesões, quais os fatores envolvidos, mas não conheciam tanto os parâmetros da dor.

“A endometriose sempre existiu, mas foi pouco visível, pouco reconhecida“, avalia. Cerca de 190 milhões de mulheres sofrem com esse problema em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS ). Nessa doença, o endométrio, que é o tecido que reveste o interior do útero, encontra-se anormalmente fora da cavidade uterina. A mulher sofre alterações menstruais nos locais onde esse tecido se insere, produzindo sangramento cíclico nessas áreas sem que o sangue possa sair.

A doença pode causar fortíssimas cólicas menstruais, sangramento excessivo, dor abdominal (que às vezes pode ser incapacitante) e problemas para ter filhos ou, diretamente, infertilidade. Ela é diagnosticada por ultrassom ou laparoscopia (uma cirurgia minimamente invasiva), mas Gómez reconhece que é difícil identificar quando está em estágio inicial. Embora a prevalência do problema seja alta, não se sabe o que a causa.

“Sabe-se que fatores imunológicos e genéticos estão envolvidos, mas a causa ainda é desconhecida”, resume Spagnolo, que trabalha na unidade de endometriose do Hospital La Paz, em Madri.

Para conviver com a doença, Bonache segue um tratamento hormonal à base de antiestrógenos, que reduzem os níveis de estradiol, o hormônio que causa a proliferação da endometriose, esclarece Gómez. O problema dessas drogas é que elas acabam induzindo uma pseudomenopausa que pode causar os mesmos sintomas do climatério, como ondas de calor, desequilíbrios hormonais e início da osteoporose, diz o especialista. Outras opções são cirurgia, anti-inflamatórios e analgésicos opioides, os dois últimos em casos leves. Entre 10% e 15% das mulheres que se submetem à cirurgia conservadora (sem retirada do útero) voltam a ter a doença um ano depois, número que sobe para 40% e 50% após cinco anos, segundo estudo feito por pesquisadores do Hospital União China-Japão da Universidade Jilli, na China, e publicado na revista científica Frontiers em novembro passado.

No caso de Bonache, com a medicação ela tem conseguido controlar a maior parte dos sintomas, embora sofra de dispareunia (dor na relação sexual) e tenha dificuldade para urinar. A jovem, hoje com 27 anos, chegou a passar três semanas de cama, “sem tolerar nem água, pelos vômitos que sofria e pelas dores”. Ela tem endometriose peritoneal e adenomiose (quando fragmentos do endométrio invadem a musculatura uterina).

INFERTILIDADE

Para ela, o mais difícil da doença é ter que levar uma vida extremamente regrada e, mesmo assim, não ter o controle do próprio corpo. Você não pode se permitir exceções: deve dormir horas suficientes, fazer exercícios, mas não em excesso, nem pode pular a medicação. Você também deve seguir uma dieta pobre em alimentos que aumentam o estrogênio. Ela quer ser mãe, mas para isso tem que ter tudo planejado:

“É como se você tivesse um relógio com menos tempo”, lamenta.

Entre 30% e 35% das mulheres com problemas de fertilidade sofrem de endometriose, diz Spagnolo. Essa condição faz com que os ovários funcionem menos e, em muitos casos, com baixa reserva ovariana, comenta sua colega de trabalho, Silvia Iniesta. Todas as mulheres podem ver a sua fertilidade reduzida a partir dos 30 anos, mas no caso daquelas que têm desta patologia, a idade implica um risco maior para quem pretende ter filhos.

O que mais ajuda Bonache a lidar com sua situação é, além do apoio da família e do companheiro, “seguir no Instagram pessoas que sofrem a mesma coisa, ver pessoas que são iguais a mim”, e o apoio do Associação de Afetados de Endometriose da Catalunha (Endocat). Conversar com outros pacientes a ajudou muito, diz ela, a ser capaz de lidar com a doença e a se sentir totalmente compreendida. Além disso, existe a Associação Estadual dos Acometidos pela Endometriose (Adaec) na Espanha, que oferece assessoria.

Um dos objetivos atuais dos especialistas é a detecção precoce dessa doença, diz Spagnolo. O Hospital La Paz, onde ela trabalha, desenvolve um projeto em conjunto com universidades europeias para identificar essa condição em adolescentes. Com isso, pretendem também capacitar profissionais da atenção básica e mais ginecologistas para que o diagnóstico não chegue tarde demais.

“Detectá-la em seus estágios iniciais e tratá-la desde o início melhora a qualidade de vida de quem sofre, porque a dor e a duração do problema serão menores”, acrescenta Gómez.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CINCO ESTRATÉGIAS PARA RETOMAR O FOCO NAS TAREFAS DIÁRIAS

Cérebro precisa de interrupções para recalibrar, mas celulares agravaram desatenção. Saiba como recuperar concentração

Em 2004, Gloria Mark, professora de informática da Universidade da Califórnia, em Irvine, Estados Unidos, observou trabalhadores em um dia típico no escritório. Usando um cronômetro, ela anotou cada vez que eles trocavam de tarefas em seus computadores, passando de uma planilha para um e-mail, para uma página da web e de volta para a  planilha. Na época, as pessoas demoravam em média apenas dois minutos e meio em uma determinada tarefa antes de mudar. Quando a pesquisadora repetiu o experimento em 2012, o tempo médio gasto em uma tarefa caiu para75 segundos. Uma medição recente mostrou que agora esse intervalo é de cerca de 47 segundos. Qualquer pessoa que já tentou estudar para uma prova, escrever um relatório ou ler um livro sabe como é difícil se concentrar por períodos significativos de tempo. Normalmente, os dispositivos digitais são os culpados pela interrupção.

Felizmente, existem maneiras de recuperar o controle de sua atenção.

ENTENDA O QUE ESTÁ DISTRAINDO VOCÊ

As notificações são uma das principais fontes de distração, pois geram a necessidade de verificar suas mensagens. Como nossos cérebros são projetados evolutivamente para prestar atenção à novidade, esses alertas são quase impossíveis de ignorar.

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade do Estado da Califórnia levou ao laboratório usuários moderados e intensos de smartphones. Eles foram conectados monitores capazes de medir os níveis de excitação. Seus telefones foram retirados sob a alegação de que poderiam interferir no equipamento. Em seguida, os pesquisadores enviaram mensagens de texto aos participantes várias vezes. Quando seus telefones tocavam, os níveis de excitação dos participantes disparavam.

“Eles sentiram que precisavam responder as mensagens ou pelo menos ver de quem eram, e não podiam. Isso gerou ansiedade neles”, afirma Larry Rosen, professor emérito de psicologia e coautor do estudo.

DESLIGUE AS NOTIFICAÇÕES

Desativar as notificações é uma boa maneira de reduzir as distrações —na verdade, é uma dica clássica —mas não resolverá completamente o problema. Em sua pesquisa, Mark descobriu que as distrações externas representavam apenas metade das interrupções do foco. A outra metade foi motivada por uma vontade interna para mudar de tarefa. O mais interessante é que Mark observou que, quando o número de interrupções externas diminuía, o número de auto interrupções aumentava.

Rosen levanta a hipótese de que esses impulsos para se distrair são causados pelo estresse. Pesquisas mostram que o uso mais intenso de smartphones está relacionado a níveis mais altos de cortisol e outros marcadores de estresse. O aumento da ansiedade pode se tornar um sinal interno para olhar suas redes sociais, mesmo sem um toque ou vibração. De acordo com Mark, também pegamos nossos telefones porque precisamos de uma pausa.

“Nossos cérebros não são capazes de se concentrar por longos períodos de tempo. Manter a atenção e resistir às distrações consome recursos cognitivos, e precisamos reabastecê-los periodicamente para recuperar o foco.

FAÇA PAUSAS CRONOMETRADAS

Não há nada de errado em navegar nas redes sociais para “recarregar”. O problema surge quando as pausas se tornam mais longas ou mais frequentes do que você pretendia.

Para aumentar seu tempo de atenção, Rosen recomenda empregar o que ele chama de “pausa tecnológica”. Antes de se concentrar em uma tarefa, reserve um ou dois minutos para abrir seus aplicativos favoritos. Em seguida, defina um cronômetro para 15 minutos, silencie o telefone, vire-o para baixo. Quando o cronômetro disparar, você tem mais dois minutos para verificar seu telefone. Repita este ciclo três ou quatro vezes antes de fazer uma pausa mais longa.

O objetivo é aumentar gradualmente o tempo entre as pausas técnicas, aumentando para 20, 30 e até 45 minutos. O pesquisador afirma que você saberá que está pronto para se concentrar por períodos mais longos quando o cronômetro disparar e você escolher permanecer na tarefa em vez de pegar o dispositivo.

DESENVOLVA AUTOCONSCIÊNCIA

Outra estratégia recomendada por Mark é aumentar sua autoconsciência sobre o uso da tecnologia. Quando você sentir vontade de abrir o Instagram, por exemplo, pergunte-se por quê: você se sente exausto e precisa de uma pausa? Isso ajudará a restaurá-lo? Em caso afirmativo, vá em frente. Depois de alguns minutos, verifique novamente e pergunte se o aplicativo ainda está agregando valor. Se não, é hora de voltar ao trabalho.

TENTE LEITURA PROFUNDA

As pausas tecnológicas e a autoconsciência podem ajudá-lo a controlar o desejo de pular de tela em tela, mas Maryanne Wolf, professora da Escola de Pós-Graduação em Educação e Estudos da Informação da Universidade da Califórnia, diz que mesmo quando estamos lendo apenas uma tela, não nos envolvemos profundamente com ela. Isso porque as telas são projetadas para nos fazer ler muito rapidamente. Por isso, não damos toda a atenção ao texto.

Segundo ela, nosso cérebro se adaptou a ler assim. E, para recuperar o que chama de “leitura profunda”, recomenda ler todos os dias, por pelo menos 20 minutos, um livro físico.

OUTROS OLHARES

MULHERES VENDEM SEXO PARA PAGAR AS CONTAS

Com aumento cada vez maior do custo de vida no reino Unido, muitas assumem riscos maiores e cobram menos

Tiffany alisou seus cabelos, se olhando no espelho do banheiro, e tirou a aliança de casamento do dedo, sentindo um frio tenso na barriga.

A antiga funcionária pública entrou no carro dirigido por seu marido, que a deixou perto de um hotel confortável em Cardiff. Ela entrou no bar do hotel, tentando identificar o homem com quem vinha trocando mensagens, em meio ao zumbido das conversas e à música de piano. Quando ela o avistou, ele também parecia nervoso.

Tiffany deixou o hotel algumas horas mais tarde, se sentindo aliviada. “Sinto orgulho por poder ajeitar nossa situação e manter um teto sobre nossas cabeças”, diz. “Estou fazendo isso por minha família, minha casa e meu marido.”

Tiffany é parte de uma onda de mulheres que, impulsionadas em parte pelo panorama econômico sombrio do Reino Unido, decidiram neste ano começar no, ou retornar ao, trabalho sexual, uma constatação extraída de entrevistas do Financial Times com 23 profissionais do sexo e com 14 organizações assistenciais e de defesa das mulheres em cidades como Manchester, Sheffield, Liverpool, Leicester, Wolverhampton e Londres.

Há muitas razões para que as pessoas comecem a vender sexo, e elas variam do desejo de garantir a independência financeira à exploração por quadrilhas de criminosos. Mas há também uma explicação mais direta: com a inflação chegando aos 11% anuais, o Reino Unido parece estar entrando em uma recessão prolongada, o que cimenta uma crise de custo de vida que está levando as famílias a se prepararem para severas dificuldades.

Em um momento em que mais mulheres parecem estar vendendo sexo, a situação econômica do país também está reduzindo a demanda, o que cria um ambiente mais perigoso para aquelas que trabalham no setor, já que elas precisam correr mais riscos para conseguir pagar as contas. É algo que afeta tanto as mulheres que trabalham em domicílio ou em hotéis, muitas vezes atendendo a clientes mais ricos, quanto aquela que recorrem à prostituição de rua.

O aumento no número de mulheres que recorrem ao trabalho sexual vem tornando mais urgente o debate político sobre a maneira pela qual esse tipo de atividade é policiado no Reino Unido.

Ativistas dizem que é mais importante do que nunca rever as leis que regem o setor, embora haja uma divisão entre aqueles que querem descriminalizar completamente da atividade e aqueles que querem proibir o sexo pago. Todos argumentam que o trabalho sexual é uma parte da sociedade que não pode ser silenciosamente ignorada: o Serviço Nacional de Estatísticas (ONS) do Reino Unido estima que ele tenha contribuído com £ 4,7 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2021, e 1 em cada 10 homens no Reino Unido diz já ter pago por sexo.

Tiffany começou a fazer trabalhos sexuais ocasionais seis anos atrás, para pagar uma fatura de cartão de crédito. Quando ela foi demitida do serviço público, mais tarde, sobreviveu com os ganhos de seu marido até que os lockdowns da pandemia resultaram no fechamento da oficina dele.

Uma grave deterioração na saúde mental de seu marido, neste ano, significa que ele não tem mais condições de trabalhar. Tiffany, que está na casa dos 30 anos, precisa cuidar do marido em tempo integral.

O aumento nas contas de energia e no custo dos alimentos, combinado a pagamentos de dívidas, é mais alto que os benefícios combinados que o casal recebe, ela diz. E, com as taxas de juros em alta, Tiffany está ansiosa para concluir o mais rápido possível o pagamento da hipoteca do casal.

Em setembro, Tiffany sentiu que o trabalho sexual era a única maneira de obter renda suficiente para cobrir seus gastos e ao mesmo tempo manter a flexibilidade necessária para cumprir suas responsabilidades como cuidadora.

Ela ganha cerca de £ 1.000 por semana, uma renda que ela diz declarar à Receita britânica, o que significa que os pagamentos de assistência ao casal devem parar em breve. O trabalho sexual não é “o trabalho dos sonhos de ninguém”, ela afirma, acrescentando: “Estou feliz por poder fazer isso para nos apoiar financeiramente, mas depois vou parar”.

Das 23 profissionais do sexo entrevistadas, 5 dizem que voltaram ao setor em 2022, depois de anos afastadas dele, e que o aumento do custo de vida determinou ou pelo menos influenciou sua decisão. É amplamente aceito que a maioria dos trabalhadores do sexo são mulheres, embora o trabalho sexual masculino tenha aumentado nos últimos anos, com o crescimento da venda casual de serviços em plataformas como o Grindr e o Instagram.

Uma análise pelo Financial Times dos perfis de todos os 21 mil acompanhantes registrados no site Adultwork.com no Reino Unido sugere que neste ano o número de adesões foi três vezes mais alto que o de 2019. Não está claro se isso reflete uma transição dos trabalhadores do sexo existentes para a publicidade online ou um aumento em seu número geral, que em 2015 foi estimado em cerca de 73 mil.

OUTROS OLHARES

BARREIRA ESTÉTICA

Transgêneros ainda lutam por inclusão no mercado de trabalho

O estudante de administração Nathan Meireles, de 24 anos, gosta de usar boné e roupas confortáveis. Um colar de metal dá um ar descolado ao rapaz, que cultiva barba e bigode bem aparados. Com 1,54m, ele modela e planeja ser empreendedor. Nathan tem a cara de sua geração e está em paz com sua imagem. Mas não com o reflexo da sua condição de homem trans numa sociedade que acha feio o que não é espelho.

“A partir do momento que eu me entendi trans, quis me adequar a uma estética mais masculina. Mas sempre soube que não seria um homem com características cis, e nem queria isso. Hoje olho e gosto. Não me incomodo com a altura, mas o meu tamanho e voz ainda causam constrangimentos que me impedem de arrumar até mesmo um emprego”, relata o jovem, terceiro colocado no Concurso Mister Brasil Trans 2022, realizado este mês em São Paulo, voltado para a afirmação de belezas negadas pela cisnormatividade.

Natural do Espírito Santo, Nathan, que se descobriu transem 2013, superou inúmeros desafios, mas hoje está desempregado. Foi rejeitado numa entrevista para estoquista de loja por não cumprir “exigências físicas” para a vaga. A baixa estatura pesou, assim como a voz ainda fina, apesar da terapia hormonal com testosterona, iniciada quando tinha 18 anos.

Na lógica da cisnormatividade, sistema que coloca as características relacionadas ao sexo biológico como privilegiadas e pretere as singularidades de pessoas trans, são inúmeros os conflitos enfrentados por homens e mulheres que iniciam a hormonização e a troca de nome. Nesse processo, eles precisam resistir e reafirmar suas belezas de indivíduos que fogem do considerado padrão estético.

ANGÚSTIA E SOFRIMENTO

A história de Nathan é a de milhares de brasileiros. Uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp) estimou, no ano passado, que o Brasil já tem pelo menos 3 milhões de transgêneros. Entre os respondentes, 85% dos homens trans afirmaram já terem sentido sofrimento ou angústia em relação ao próprio corpo. Entre as mulheres trans, esse sentimento foi apontado por 50% das entrevistadas.

Os transgêneros ainda lutam por representatividade social, especialmente no mercado de trabalho. Um estudo deste ano do Transvida, centro de convivência e promoção da empregabilidade LGBTQIAP+, mostrou que no Rio de Janeiro, por exemplo, pessoas trans vivem à margem: cerca de 44,2% dos entrevistados estavam desempregados e apenas 15% deles tinham carteira assinada.

O especialista em gênero e sexualidade Leonardo Peçanha diz que a transexualidade bate de frente com a lógica cis ao ampliar as possibilidades de ser homem ou mulher no mundo, para além da genitália. De acordo com ele, as exigências cisnormativas de que pessoas trans devem usar hormônios, fazer cirurgias e modificar o nome, para só a partir disso serem respeitadas e vistas como homem ou mulher, são extremamente violentas e podem produzir sofrimento psicológico.

“A sociedade precisa entender que, quando uma pessoa trans faz uma cirurgia, ela está buscando se adequar à identidade delas. Existem diferentes tipos de beleza, e isso precisa ser respeitado para que as pessoas trans tenham uma boa autoestima e oportunidades de existência”, ressalta Peçanha.

PASSABILIDADE

Assim como Nathan, a atendente de telemarketing Eloah Rodrigues, de 29 anos, viveu inúmeras transfobias por sua estética. Travesti negra, magra e com cabelos longos, ela conta que lutou por mais de seis anos para conseguir espaço nas passarelas. Ainda assim, a participação no Miss Trans Brasil e no Miss International Queen, o “Miss Universo Trans”, em junho, na Tailândia, só foi possível porque hoje Eloah considera que em passabilidade – termo usado pela comunidade para se referir à pessoas trans tidas socialmente como cis, devido às características físicas muito semelhantes.

“A moda reforça muitos estereótipos. Quando comecei, fui rechaçada por não ter um padrão de beleza esperado para miss. E existem ideal cis até mesmo dentro do mundo trans, porque tememos o preconceito. Hoje, quando chega uma oportunidade, é sempre em meses de conscientização LGBT. Me questiono quando as marcas e empresas vão nos convidar para atuar num contexto comum”, afirma a carioca, que desde criança faz aulas de teatro.

Para a professora de psicologia do Instituto Federal do Rio de Janeiro Jaqueline Gomes de Jesus, a passabilidade é um conceito carregado de preconceitos, pois torna “mais aceitável” pessoas que se encaixam no padrão. A cobrança por uma leitura social feminina é mais intensa porque perpassa o machismo, que dita como mulheres devem ser e se comportar, diz. No caso de Eloah, por ser negra, ainda há o racismo estrutural, que nega a beleza afro, mesmo quando 56% dos brasileiros se declaram pretos ou pardos, segundo o IBGE.

“Para mulheres em geral, a beleza é um grande desafio. Para homens, a leitura social masculina é menos exigente, o que faz com que esse processo seja mais acessível aos trans. Mas, em ambos os casos, há uma ditadura do embelezamento, que é o do corpo branco, cis normativo e magro”, aponta Jaqueline.

Para naturalizar a representação de homens trans na moda, foi realizada neste mês a segunda edição do Concurso Mister Brasil Trans 2022. Primeiro concurso exclusivamente para trans masculinos do mundo, o evento busca quebrar paradigmas da indústria da moda ao contemplar candidatos gordos, magros, de diferentes etnias, e que podem ou não ter passado pela cirurgia de retirada das mamas.

Um dos concorrentes, que posou sem camisa e usando binder (faixa que aperta os seios),o autônomo João Daniel Dionísio, de 25 anos, usou sua imagem para mostrar que peitos ressaltados não são intrusos. Dionísio não quer passar por cirurgias porque pretende gerar e amamentar filhos biológicos, num futuro não tão distante.

“Eu nunca criei muitas expectativas para não me frustrar, mas sempre quis ter cavanhaque para me sentir bem. Hoje, com barba ou sem, eu sei quem sou. Não vejo meus seios como intrusos e não quero correr riscos em cirurgias se estou bem comigo mesmo. Não sofro preconceito porque os hormônios reduzem a quantidade de gordura e faço exercício físico. Mas quando percebem, as pessoas não me validam como homem”, conta.

Dono de um ateliê de costura, Daniel vive um dilema de ser um homem com um emprego considerado socialmente feminino. No entanto, ele conta que hoje o estigma é menor, porque confecciona roupas voltadas ao público LGBTQIAP+:

“Já passei semanas fazendo teste de emprego para no final dizerem que eu não sou o perfil certo. Fiz trabalhos como modelo, mas nunca consegui me consolidar na área. Então resolvi criar o meu próprio negócio. Hoje, considero que tenho sucesso no que faço, apesar de ainda receber olhares, por ser costureiro, mas principalmente por ser negro.

GESTÃO E CARREIRA

SOCIAL HIRING: TENDÊNCIA NA ÁREA DE RECRUTAMENTO E SELEÇÃO DE TALENTOS

Utilizar redes sociais como uma estratégia de recrutamento se tornou uma realidade nas empresas. Essas plataformas são capazes de promover vagas de emprego e conectar os candidatos de forma mais interativa e eficiente. A técnica é conhecida como Social Hiring e, dessa forma, os candidatos são atraídos pelo conteúdo e pelo valor que a empresa entrega, se conectando desde o início do processo seletivo pela cultura da organização.

De acordo com Alisson Souza, CEO da abler, startup que tem o propósito de trazer facilidade na gestão dos processos seletivos, alguns pontos se destacam nessa modalidade de recrutamento. “O primeiro ponto positivo é a possibilidade de reduzir os custos do processo de seleção. Isso porque as redes sociais, majoritariamente, são plataformas gratuitas, tornando o recrutamento menos custoso.

Outra vantagem do Social Hiring é encontrar os talentos exatamente na rede social que eles frequentam, seja o LinkedIn, Facebook, Instagram ou Twitter. Um terceiro ponto positivo é o maior alcance da divulgação das vagas, justamente porque essas plataformas têm algoritmos que trabalham em prol do alcance de suas publicações. Além dessas vantagens, o recrutamento social tem a possibilidade de fortalecer a marca empregadora”, relata.

Alguns passos devem ser seguidos para desenvolver uma estratégia de Social Hiring dentro de uma organização. “O primeiro direcionamento é manter atualizados os perfis de redes sociais da empresa e entender quais plataformas fazem sentido para o público de candidatos que se pretende atingir.

O segundo passo é, além de manter esse perfil atualizado, postar conteúdos que possam atrair esses talentos, montando uma cadência de publicações que faça sentido e prenda a atenção daquele tipo de candidato, seja com dicas de emprego ou conteúdos relacionados à carreira dos possíveis talentos”, revela.

Para o especialista, engajar os colaboradores nas redes da empresa é fundamental para que eles participem ativamente do recrutamento social. “Quando sua equipe começa a compartilhar os conteúdos das páginas da organização, expande o alcance da empresa e faz com que seus colaboradores se tornem verdadeiros embaixadores da marca empregadora”, pontua.

Escolher a plataforma ideal é um dos principais desafios na hora de adotar uma filosofia de Social Hiring. “Isso é algo que pode variar de acordo com o perfil de candidato desejado. Se a busca é por pessoas mais novas, por exemplo, provavelmente o Instagram e o TikTok são as melhores ferramentas.

Se a intenção é atingir um público um pouco mais maduro, as plataformas mais indicadas podem ser o LinkedIn e o Facebook. Existem inúmeras redes sociais, como o próprio WhatsApp e o Twitter, mas essa escolha pode mudar para atender a necessidade daquela vaga”, finaliza Alisson Souza. Fonte e mais informações: https://abler.com.br

EU ACHO …

NÃO HÁ LUGAR PARA AS MULHERES

É preciso saber de onde vem a autorização dos homens para odiar o feminino

Nas últimas semanas, vimos casos estarrecedores de violência contra a mulher. Como venho escrevendo continuamente, é preciso tratar esses temas com a seriedade que merecem, pois não se trata de casos isolados, mas de violências históricas e sistêmicas. O médico colombiano Andres Eduardo Oñate Carrillo foi preso nesta semana por produzir e armazenar pornografia infantil. Ele matinha mais de 20 mil imagens de abuso sexual de crianças e adolescentes em seus equipamentos eletrônicos. Nessas imagens, a polícia encontrou vídeos de Carrillo estuprando pacientes mulheres anestesiadas.

Ano passado, em um caso semelhante, as enfermeiras da sala de cirurgia desconfiaram do comportamento do anestesista Giovanni Quintella Bezerra e, para que pudessem comprovar as suspeitas, tiveram de preparar um ambiente de captação de provas com o fim de flagrar o médico abusador, expondo a paciente a uma violência sexual, mas impedindo que ele continuasse a violentar impunemente. Apesar da ação corajosa por romper com o código de autoridade de médicos, bem como do bem-sucedido flagra e colheita de prova que possibilitaram a prisão e provável condenação do estuprador, uma violência ocorreu para que isso fosse viabilizado, afetando a vida da mulher de forma dramática. Os dois casos têm mais em comum do que as violências terem sido praticadas por anestesistas: seriam casos ocultos não fossem a investigação por material pornográfico infantil no primeiro caso, ou a atuação das enfermeiras no segundo. Outros tantos que não contaram com essas barreiras são cometidos impunemente, aviltando a dignidade das crianças e mulheres.

Ainda nesta semana, deparei-me na rede social com um vídeo que expunha mais uma situação de violência contra a mulher. A repórter da TV Record Bahia, Tarsilla Alvarindo, foi agredida por um homem, que desferiu um soco em seu rosto. A cena nos mostra mais do que essa descrição: a mulher estava acompanhada do cinegrafista e de um produtor, dois homens. Mas o homem veio na direção da equipe e agrediu a jornalista. Ele estava irritado, pois havia pedido que a equipe não filmasse um familiar seu que havia falecido em um acidente de carro.

A equipe não estava filmando, a reportagem contando o caso estava posta longe do corpo da vítima, quando ele interrompeu para agredir a mulher. Mas fico pensando que, se o incômodo dele era com a suposta filmagem, porque não agredir o cinegrafista? Porque ele foi direto na mulher? É preciso questionar de onde vem esse senso de autorização que os homens carregam para direcionar seus ódios às mulheres.  

Um outro caso também chamou a atenção, o crime ocorreu no dia 24 de dezembro de 2022, mas veio a público nesta semana após divulgação da vítima nas redes sociais. A influencer Gabriella Camello afirmou que o zelador do prédio onde mora invadiu seu apartamento e se masturbou na frente da sua cama. O homem tinha as chaves do seu apartamento e só interrompeu o ato, pois a vítima acordou e gritou.

Segundo Camello, o síndico do prédio se recusou a demitir o zelador e teria dado risada da situação; na delegacia da mulher, ela afirma ter sido maltratada. Ela pede os vídeos de segurança do edifício que mostram o zelador se masturbando na escadaria do prédio, pouco antes de invadir o apartamento dela.

Diante da falta de acolhimento e dos registros, decidiu gravar um vídeo expondo o caso em uma rede social e somente após isso o zelador foi demitido e medidas foram tomadas. São casos repugnantes e que escancaram o desprezo pelas vidas das mulheres no país quinto do mundo em feminicídio.

Situações como essas mostram que mulheres se sentem inseguras dentro de suas próprias casas, exercendo suas profissões, quando são submetidas a cirurgias e estão completamente vulneráveis.

Trata-se de uma pauta fundamental e que precisa ser conduzida com seriedade e compromisso. Não pode haver espaço para esvaziamentos e deturpações, pois não há lugar seguro para as mulheres em uma sociedade que banaliza a misoginia e insiste em manter uma cultura de culpabilização das vítimas. Um projeto de emancipação para este país precisa fundamentalmente priorizar a dignidade humana das mulheres.

DJAMILA RIBEIRO – Mestre em filosofia política pela Unifesp e coordenadora da coleção de livros Feminismos Plurais

ESTAR BEM

NOVAS DROGAS PARA OBESIDADE PROMETEM SEGURANÇA E PERDA SIGNIFICATIVA DE PESO

Remédios mais antigos eram lançados sem testes a longo prazo e com pouco resultado duradouro

As três últimas décadas de estudos sobre obesidade mostram que emagrecer em uma sociedade como a nossa, pouco ativa e com fácil acesso a alimentos para parte da população, deve ser cada vez mais difícil para quem atingiu marcas de sobrepeso ou já está em um quadro de comorbidade. Por essa razão, a liberação de medicações como o Wegovy, recém-aprovado pela Anvisa, tem sido comemorada por especialistas, que alertam para o uso consciente desse tipo de produto.

O medicamento traz uma nova perspectiva para quem vive uma luta crônica contra a balança e não deve ser usado por quem tem peso normal ou para atingir padrões estéticos.

Paulo Augusto Carvalho Miranda, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e  Metabologia (SBEM), reforça que a obesidade precisa ser vista como uma doença, e crônica. O avanço no tratamento dela, aliás, está ligado à pesquisa de redução dos danos cardiovasculares na população gerados pelo crescente ganho de peso dos últimos anos.

Diferentemente dos medicamentos para emagrecer dos anos 1990, lançados no mercado sem testes de longo prazo e com pouco ou nenhum resultado duradouro, esta nova geração promete perdas significativas e mais segurança. Saem de cena as anfetaminas e inibidores de apetite e entram as medicações nas quais emagrecer é só um dos benefícios, uma vez que o objetivo inicial é tratar diabetes, hipertensão, colesterol alto, entre outros fatores que ajudam a reduzir doenças cardiovasculares.

Liberado pela Anvisa, a injeção de Wegovy contém semaglutida, o mesmo princípio ativo do Ozenpic, remédio injetável de menor dosagem empregado para o tratamento da diabetes tipo dois, e do Rybelsus, também para diabetes, mas de via oral.

A diferença do Wegovy é o emprego específico no tratamento da obesidade e sobrepeso, sendo uma opção também para os mais jovens. Também pode ser receitado para pacientes cujo emagrecimento significa controle de comorbidades como hipertensão, diabetes e dislipidemia.

A nova medicação é de uso semanal e ainda não está à venda. “Ainda tem que cumprir um caminho regulatório para que a medicação chegue ao mercado. O uso atualmente para o tratamento da obesidade é ‘off label’ [fora das condições aprovadas na bula]”, afirma Miranda.

Além do controle da glicose, ideal para pacientes com diabetes tipo dois, o Wegovy ajuda a tratar a vontade de comer excessivamente, reduzindo a ingestão calórica ao longo do dia e, com isso, o peso.

“A semaglutida tem ação sobre a regulação da função do trato gastrointestinal, atrasando a velocidade do esvaziamento do estômago. Também atua na modulação da secreção da insulina pelas células pancreáticas e age centralmente aumentando a percepção de saciedade no hipotálamo”, diz o presidente da SBEM.

Miranda divide a linha temporal dos emagrecedores em antes e depois das regulamentações americanas para medicamentos do tipo nos anos 2000. “As teorias farmacológicas para a obesidade já tiveram múltiplos campos de estudo. Até a década de 1990, nós tínhamos medicações lançadas no mercado baseadas em estudos de curta duração e que não traziam, muitas vezes, estudos de eficácia e segurança, sobretudo cardiovascular.”

Fundadora do Ambulatório Clínico de Obesidade Severa do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC/USP), a endocrinologista Alessandra Rascovski está otimista, pois a nova geração de remédios se mostra segura para uso a longo prazo (necessário em casos de obesidade).

“Uma doença crônica na maioria das vezes se trata com medicação crônica. Infelizmente, as pessoas tomam um pouco, emagrecem e depois param. Só que a gente também sabe que a intensidade dos efeitos colaterais piora se você ficar usando de modo intermitente, começa e para”, diz ela.

Os novos medicamentos, segundo ela, trazem incômodos apenas da ordem gastrointestinal, sem riscos vasculares ou para saúde mental, por isso são mais viáveis para uso contínuo. Outra vantagem é agirem em centros de dopamina, que regulam o desejo de comer compulsivamente.

Rascovski, que também é médica do Hospital Israelita Albert Einstein, diz que as medicações dos anos 1990 traziam mais danos que benefícios ao tratamento de obesidade.

“Peguei a época das chamadas ‘bolinhas para emagrecer’, que na verdade eram os derivados de anfetamina. Os efeitos colaterais eram principalmente de alteração de humor e comportamento, e os indivíduos pré-dispostos a quadros psiquiátricos acabavam ficando mais vulneráveis.”

A segunda leva, já na entrada dos anos 2000, foram os adrenérgicos, como a sibutramina, ainda utilizados, mas com riscos. “Quem toma a sibutramina tem que assinar termo de responsabilidade. Quem está com hipertensão descompensada não pode usar”, afirma Rascovski.

Outro é o Orlistate, porém seu resultado de emagrecimento é considerado baixo, em torno de 5% a 6% do peso.

“Ele inibe a absorção da gordura do que a gente comeu na dieta. Quando foi lançado, deu muito problema porque, como era vendido sem receita, as pessoas tomavam e iam comemorar na churrascaria e soltava demais o intestino, [mas] ele tem um uso interessante, principalmente para pessoas com colesterol alto, porque acaba tratando as duas coisas”, diz a médica.

No ano passado, a Anvisa liberou o Contrave, uma combinação de bupropiona com naltrexona, que está na fase de liberação comercial, como o Wegovy.

Rascovski destaca ainda que muito do que foi conquistado hoje em termos de medicações deriva do conhecimento obtido pelo tratamento cirúrgico.

“É o quanto se aprendeu com cirurgia bariátrica. A perda de peso que acontecia com ela era mais rápida, e a melhora metabólica também. Níveis de glicemia, de insulina, de colesterol… simplesmente porque a pessoa perdeu quilos e diminuiu a ingestão. E aí começou a se estudar bastante as incretinas ou os hormônios gastrointestinais que regulam fome e saciedade”, diz ela.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

BAGUNÇA PIORA HUMOR E PODE SER SINAL DE CRISE NA SAÚDE MENTAL

Desordem é resultado de exaustão física emocional. Especialistas dão dicas de estratégias para deixar a casa arrumada

O chão é praticamente invisível, pois há roupas espalhadas por todo lado. Quatro grandes cestos de plástico estão empilhados uns sobre os outros, alguns cheios de roupas, outros de eletrônicos. Há oito xícaras de café abandonadas na escrivaninha e na mesinha de cabeceira. No chão estão duas garrafas de água meio vazias, uma garrafa de tequila com um cacto de vidro dentro e um dispensador de ração para animais de estimação. Este é o “depression room” (“cômodo da depressão”, em tradução livre do inglês) de Abegael Milot, uma youtuber de 24 anos. Ela se propôs a arrumá-lo, e decidiu gravar o processo e compartilhá-lo no site de vídeos.

O termo é relativamente novo, e se popularizou por vídeos no TikTok e no YouTube que acumulam centenas de milhões de visualizações. Mas os especialistas há muito reconhecem a ligação entre bagunça e saúde mental. A desordem que pode se acumular quando as pessoas estão passando por uma crise nesse campo não é uma forma de acumulação, nem o resultado de preguiça. O culpado é a fadiga extrema, afirma N. Brad Schmidt, diretor da Clínica de Ansiedade e Saúde Comportamental da Universidade Estadual da Flórida.

“Muitas vezes, as pessoas estão tão exaustas física e mentalmente que não sentem que têm energia para cuidar de si mesmas ou de seus arredores. Elas simplesmente não têm a capacidade de se envolver com a limpeza e manutenção da casa como provavelmente já fizeram”, diz Schmidt.

Uma casa bagunçada também pode contribuir para sentimentos de opressão, estresse e vergonha, fazendo você se sentir pior do que já se sente. E, embora a organização não cure sua depressão, ela pode melhorar seu humor. Se você está lutando e parece impossível manter seu ambiente organizado, aqui estão algumas dicas sobre como limpar estrategicamente para otimizar sua energia e seu espaço.

FOQUE NA FUNCIONALIDADE

KC Davis, terapeuta e autora do livro “How to keep house while drowning”(“Como manter a casa enquanto se afoga”, em tradução livre do inglês), conta que seu problema de desordem aumentou quando seu segundo filho nasceu no início de 2020. Ela afirma que sempre foi “bagunceira”, mas que sua bagunça era funcional. De repente, confrontada com um novo bebê, depressão pós-parto e uma pandemia, Davis percebeu que estava perdida por não ter nenhum sistema de organização. Enquanto trabalhava para organizar sua casa, Davis começou a postar vídeos de seu progresso no TikTok, onde agora tem 1,5 milhão de seguidores. Em meio a uma grande quantidade de conteúdo sobre autoajuda e limpeza, ela optou por uma abordagem mais gentil e pragmática. Suas dicas são realistas sobre suas capacidades e se concentram em ter um espaço habitável, não impecável.

Uma de suas estratégias mais populares é “arrumar cinco coisas”, a ideia de que há apenas cinco categorias de coisas em qualquer cômodo: lixo, pratos, roupas, coisas com lugar e coisas sem lugar. Concentrar-se em uma categoria por vez evita que ela fique sobrecarregada quando parece que há uma centena de itens diferentes que precisam ser guardados. Davis também é uma grande defensora do que chama de “deveres do fim do dia”. Sem disposição de arrumar a cozinha inteira toda noite, começou a fazer só algumas pequenas tarefas pensando no que seria útil na manhã seguinte.

“Afastei-me dessa ideia de que tinha que ser tudo ou nada e comecei a pensar apenas no que era útil quando se tratava de limpeza”, afirma. “Quando penso em “do que vou precisar amanhã de manhã?” posso ser específica.”

Ela, por exemplo, prioriza ter pratos limpos e espaço suficiente no balcão para preparar o café da manhã, esvaziar o lixo e varrer as migalhas.

“O que parece uma tarefa grande e interminável é, na verdade, apenas 20 minutos do meu dia”, conclui.

FAÇA SUA CASA TRABALHAR MELHOR PARA VOCÊ

As pessoas que são neurodivergentes, com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), autismo ou outros problemas de funcionamento executivo, também costumam lutar contra o excesso de desordem. Assim como “depression room”, o termo “doom piles” (“pilhas de desgraça”, em tradução livre do inglês) tornou-se popular nas redes sociais para descrever as coisas aleatórias que se acumulam e você não sabe o que fazer com elas.

Lenore Brooks, designer de interiores especializada em trabalhar com pessoas neurodivergentes, percebeu que quase não havia nenhum recurso para ajudar adultos com TDAH ou autismo no breve período em que sua irmã, com o primeiro transtorno, foi morar com ela.

Grande parte de seu trabalho gira em torno de ajudar seus clientes a lidar com a desordem aparentemente interminável: eles sentem que estão constantemente limpando, mas a bagunça está sempre lá. As pessoas com TDAH lutam especialmente com isso porque “é quase como uma fadiga de decisão o tempo todo”, diz. O pensamento é que “se não consigo decidir o que fazer com isso, então simplesmente não vou fazer nada”.

O primeiro passo, diz Brooks, é prestar atenção aos itens que você costuma limpar. Em seguida, encontrar os melhores lugares para eles ficarem:

“(É preciso) descobrir por que as coisas estão onde estão, por que a bagunça se acumula onde está e, em seguida, mudar a organização em torno de como as pessoas estão realmente usando sua casa.”

Essas mudanças podem ser simples. Por exemplo, se você sempre retira canetas das almofadas do sofá e da mesa de centro, pense em destinar um local para manter as canetas na sala onde você está realmente as usando.

OUTROS OLHARES

CÂNCER DE INTESTINO SE TORNA MAIS COMUM ANTES DOS 50 ANOS

Cantora Preta Gil revelou caso nesta semana. Estilo de vida ligado a alimentação e sono, além da qualidade dos exames, explicam maior prevalência

A cantora Preta Gil, de 48 anos, publicou em seu perfil no Instagram esta semana um comunicado informando que foi diagnosticada com um câncer no intestino. Em agosto, a cantora Simony, de 46 anos, também identificou a doença na mesma região. A ocorrência desse tipo de câncer em pacientes com menos de 50 anos é vista pela medicina como de início precoce e tem se tornado cada vez mais comum.

Um estudo feito no ano passado pela Universidade Harvard (EUA), publicado na revista científica Nature Reviews Clinical Oncology, mostrou que mesmo os cânceres que comumente eram diagnosticados em pessoas mais velhas, como os de intestino, mama, estômago e pâncreas, têm crescido entre pacientes com menos de 50 anos. Essas informações foram reafirmadas em um outro estudo, britânico, publicado na British Journal of Cancer.

Após revisar os registros de câncer de 44 países, os cientistas de Harvard identificaram que essa incidência de início precoce está aumentando rapidamente em muitos países de renda média a alta, o que indica que não se trata de uma questão de falta de recursos.

ESTILO DE VIDA

Entre os possíveis motivos, o estudo aponta o estilo de vida da sociedade, que mudou consideravelmente nas últimas décadas. Sedentarismo, consumo de alimentos ultraprocessados, obesidade, distúrbios no sono e poluição ambiental estão entre os hábitos que favorecem o surgimento da doença e são mais comuns hoje que há 50 anos.

Além disso, o uso de tecnologias mais precisas na detecção de tumores sensíveis, como os de tireoide, pode estar contribuindo para o diagnóstico precoce de cânceres que se alastram lentamente.

Nas últimas semanas, o câncer do cólon também foi a causa de morte dos ex-jogadores de futebol Pelé, aos 82 anos, e Roberto Dinamite, aos 68 anos.

INCIDÊNCIA

O câncer de intestino, que pode ser de cólon ou reto, é um dos mais incidentes no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), logo atrás dos de pele, mama e próstata.

Apesar de a incidência ser semelhante em homens e mulheres, a mortalidade, segundo o Inca, varia de 8,4% dos casos em pacientes do sexo masculino a 9,6% no sexo feminino.

A doença é mais comum entre os 60 e os 65 anos e o intestino grosso é o órgão mais afetado. Tem tratamento, na maioria dos casos, e é curável se detectado precocemente, principalmente quando ainda não atingiu outros órgãos. Os tumores chamados adenocarcinoma, mesmo tipo que foi diagnosticado em Preta Gil, são o mais comuns.

Na maioria dos casos, o câncer começa com uma pequena lesão ou ferida no intestino, um pólipo (verruga), que não resulta em sintomas. É comum que os sintomas surjam apenas quando a lesão está avançada e obstruindo o intestino, dificultando a passagem das fezes, ou se aprofundando nas camadas do órgão, causando dores. A colonoscopia é o principal exame para detectar pólipos ou tumores.

SINTOMAS

Os sintomas do câncer de cólon podem variar muito de paciente para paciente e dependem, principalmente, da fase em que a doença está, aponta Ricardo Carvalho, médico oncologista da BP, a Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Geralmente, são desconfortos abdominais, sangramento nas fezes, alteração no tamanho das fezes (muito finas, por exemplo), mudanças na frequência de ir ao banheiro e constipação. Dores abdominais fortes, redução de peso, fadiga e vômitos podem aparecer em casos mais agravados. “Em muitos casos, principalmente quando a doença está em fase inicial, não há sintomas aparentes ou eles são muito leves”, diz o médico, reforçando a importância dos exames de rotina para detectar a doença.

OUTROS OLHARES

DESPROTEGIDOS

Medo e falta de estrutura impedem pais de vacinar filhos no Brasil, revela estudo

Os pais brasileiros que não vacinaram seus filhos tomaram a decisão principalmente por conta da pandemia (24,5%), do medo de reações adversas (24,4%) e da não recomendação da imunização por um médico ou profissional de saúde (9,2%). Os dados são do Inquérito de Cobertura Vacinal e Hesitação Vacinal no Brasil, um projeto do Ministério da Saúde para avaliar como está a vacinação infantil no país.

Os resultados do estudo foram apresentados ontem durante live realizada pela Educa VE, fruto de uma parceria entre a BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, o Ministério da Saúde e o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems).

A mais recente edição do estudo, cujos resultados preliminares foram apresentados ontem, foi realizada entre 2020 e 2021. Pela primeira vez, a pesquisa não apenas analisou a proporção de crianças que efetivamente completaram o esquema de vacinação recomendado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) até completarem 24 meses como também buscou entender os fatores que influenciam a hesitação vacinal.

Foram incluídas crianças nascidas em 2017 e 2018, residentes em áreas urbanas das capitais brasileiras e do Distrito Federal. Entre mais de 31 mil entrevistas realizadas, a maioria dos pais ou responsáveis acredita que a vacinação infantil é importante e confia nos imunizantes distribuídos pelo PNI. No entanto, 3% dos entrevistados disseram que não levaram os filhos para receber uma ou mais vacinas.

IMPACTO NA COBERTURA

Embora o índice seja baixo, a epidemiologista Carla Do- mingues, ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), lembra que o número já é suficiente para impactar negativamente as metas de imunização do Ministério da Saúde, que ficam em torno de 90 a 95%.

Há ainda pais que disseram ter levado seus filhos ao posto, mas enfrentaram dificuldade no processo. As principais adversidades relatadas foram: o fato de o local ficar longe da residência ou do endereço de trabalho, seguido por falta de tempo, horário inadequado de funcionamento e falta de transporte.

Houve também casos de pais que levaram a criança ao posto de vacinação e, mesmo assim, ela não foi vacinada. O principal motivo foi a falta de doses, apontado por 44,1% dos pais; em seguida, vêm os casos em que a sala de aplicação estava fechada (10,8%) e a contraindicação da administração da vacina pelo profissional de saúde (7,9%).

“Essa pesquisa mostra que o modelo de vacinação que funcionou muito bem na década de 1980 não funciona mais, e isso provavelmente também está acontecendo em outras áreas da atenção primária à saúde. Precisamos repensar esse modelo para elevar a taxa de cobertura vacinal”, diz Domingues.

A necessidade de campanhas de comunicação para levar informação qualificada aos pais, melhorias na operação das unidades de saúde e na educação dos profissionais sobre a importância da vacinação foram citados como os principais pontos a serem trabalhados para elevar a adesão à vacinação infantil.

O Inquérito de Cobertura Vacinal mostrou que apenas 60% dessas crianças completaram o esquema de vacinação recomendado pelo Ministério da Saúde até os 2 anos de idade. Nesse período da vida, as crianças devem receber de 22 a 23 doses de diferentes vacinas. A diferença no número depende da região de residência da família. Em alguns locais, a vacinação contra febre amarela é obrigatória, enquanto em outros, não.

Diversos estudos publicados nos últimos anos apontam para sucessivas quedas nas coberturas vacinais no Brasil, mas, segundo Domingues, esse trabalho é o que traz o dado mais próximo da realidade, já que os pesquisadores de fato vão até a casa das crianças e coletam informações das cadernetas.

“Em comparação com 2005, quando foi feito o último Inquérito, há diminuição da cobertura vacinal. Em nenhuma vacina, atingimos a meta estabelecida pelo PNI”, alerta a epidemiologista.

A maior cobertura vacinal foi verificada entre famílias com renda familiar de R$ 3.001 a R$ 8 mil e com 13 a 15 anos de escolaridade. Já a menor está entre aquelas que ganham até R$ 1 mil por mês e têm até oito anos de estudo.

DESINFORMAÇÃO

A pesquisa revelou que 16% dos brasileiros consideram desnecessário aplicar nos filhos vacinas contra doenças que já estão controladas no país. O problema é que o principal risco da queda da cobertura vacinal é justamente o retorno de infecções consideradas eliminadas ou controladas no país, como a poliomielite.

A cobertura para a terceira dose da vacina de pólio, por exemplo, ficou em 88%. Já a taxa da segunda dose da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, ficou em apenas 82%. Essa vacina, em conjunto com o primeiro reforço da vacina meningocócica C, foi a que teve menor cobertura no período avaliado.

O estudo revela que a adesão à vacinação infantil cai ao longo do tempo. As coberturas são maiores para vacinas aplicadas no nascimento e diminuem à medida que a criança vai crescendo. Segundo os pesquisadores, os dados são importantes para desenhar estratégias contra a queda de cobertura vacinal.

GESTÃO E CARREIRA

TECNOLOGIA – COMO MELHORAR A EFICIÊNCIA NO NOVO MUNDO DO TRABALHO

Em organizações modernas, a eficiência dos funcionários é tão importante quanto a sua produtividade

Embora esses termos sejam frequentemente vistos como sinônimos, eles capturam fenômenos diferentes. Por definição, a produtividade mede quanto trabalho um colaborador realiza, enquanto a eficiência refere-se à capacidade deste fazer mais em menos tempo e com menos recursos.

Portanto, executivos que se concentram em apenas um aspecto podem estar perdendo uma parte crucial da experiência do colaborador e dificultando sua capacidade de inovar. Cerca de metade dos funcionários relatam gastar duas horas ou mais em tarefas repetitivas, de acordo com o relatório Formstack 2022 State of Digital Maturity.

Outra pesquisa, encomendada pela ServiceNow, indica que 66% dos brasileiros gostariam que seu trabalho fosse mais significativo – sendo que 95% dos respondentes disseram esperar que a tecnologia ajude a reduzir este trabalho operacional no futuro. Ou seja, quando um trabalhador passa horas participando de reuniões e respondendo e-mails, ele pode sentir que nada está sendo feito.

Assim, ainda que seja produtivo, ele não é necessariamente eficiente, já que a conclusão de tarefas às vezes exige etapas desnecessárias: como representar obstáculos evitáveis ou forçar os trabalhadores a procurar ajuda ou aprovação de equipes externas, como engenharia ou recursos humanos (RH). Por outro lado, a maioria dos executivos (80%) está aberta a mudar os principais processos do local de trabalho, como estrutura e cadência de reuniões, para evitar perder tempo com atividades inúteis, descobriu a McKinsey. O problema, dizem os executivos, é que seus processos atuais muitas vezes criam silos e promovem uma comunicação deficiente.

Tal ineficiência tem consequências além dos prazos perdidos e do atraso no lançamento de produtos como o desgaste e a redução do ânimo dos funcionários. Um exemplo é o da empresa sueca aeroespacial e de defesa Saab, que usou o ServiceNow Enterprise Onboarding and Transitions para digitalizar seu processo de integração antes  baseado em papel, economizando 12.000 horas por ano e aumentando a satisfação dos funcionários em 25%.

Os fluxos de trabalho automatizados conectaram os departamentos e funções envolvidos na integração, para que os novos contratados pudessem utilizar todas as ferramentas, serviços e informações de que precisam para se manterem engajados desde seu primeiro dia. Além disso, a eficiência pode impulsionar o engajamento por meio da tecnologia com a criação de landing pages pelos times de marketing.

Tradicionalmente, as equipes de marketing necessitam da ajuda das equipes de desenvolvimento para garantir o funcionamento no back-end. Agora, com o uso de inteligência artificial (IA) e aprendizado de máquina (ML), esse processo se transforma em um fluxo de trabalho rápido e repetível, capaz de ser automatizado. Aumentar a eficiência dos funcionários, nesse contexto, é benéfico tanto para as empresas quanto para os funcionários. Ao permitir um trabalho mais eficiente, as organizações podem promover a inovação e, ao mesmo tempo, ajudar as pessoas a fazer o trabalho de que gostam.

Fonte e mais informações: (https:// www.servicenow.com/solutions/employee-experience/employee-productivity.html.

EU ACHO …

A MODERNIDADE TOSSE

Não é possível existir sem ser incomodado e sem incomodar os outros. Da mesma forma, trilha um caminho tenso quem decide manifestar tudo o que altera sua paz e agride seus valores.

Ao meu lado, no avião, alguém tosse, sem máscara e sem qualquer proteção. Mundo pós-pandêmico… Será? Posso calar-me, como fiz, em mais de três horas, de São Paulo a Belém, vendo a expectoração úmida e forte da pessoa ao meu lado, ou posso pedir que coloque uma máscara, adquira um lenço e evite voar quando estiver encarnando a Dama das Camélias tísica? Devemos aguentar o incômodo calados ou devemos arriscar uma discussão?

As pessoas falam (muito) no cinema e parecem estar assistindo a um filme na sala das suas casas. Os que possuem mochilas às costas movem-se no transporte público sem considerarem a situação de “dromedários temporários” com corcova beligerante. Há quem escute música, ou veja vídeos no celular, indiferentemente à maravilha do fone de ouvido, descoberta extraordinária, que tem até opções muito econômicas para fácil aquisição. Um mundo de gente isolada nas suas telas. Sumiu a distinção do público e do privado, e todos deslizam pela cidade como se fossem uma espécie de Robinson Crusoé em ilha deserta.

Quem notou a escolha entre o incômodo e o outro incômodo, entre suportar em silêncio ou tentar advertir, foi o próprio Hamlet, no seu monólogo mais famoso. Ele perguntou (ato 3, cena 1): “Pode ser mais nobre suportar as flechadas da fortuna ou enfrentar tudo?”. Se ele, príncipe bem-nascido, estava atormentado com a dúvida entre tolerar calado ou agir, imaginemos nós, mortais sem segurança e diluídos no mar de gente?

Posso estar errado, generalizando, porém vejo que há sociedades em que a reclamação é mais fácil. Exemplo? Espanhóis e alemães, habitualmente, são diretos em dizer o que os incomoda. Sou brasileiro e sei que nossa estrutura de linguagem é cheia de sinuosidades, para evitar atrito direto. Falar “brasileiro”, sem sotaque, é aprender a matizar o não com mil voltas. A negativa, em Madri ou Berlim, é o caminho mais curto entre dois pontos. No Brasil, a estrada vicinal é a preferida.

Seria melhor ser mais direto, expressando com clareza que alguém está ultrapassando um limite civilizacional? Nunca descobri a resposta adequada.

Meu vizinho acometido de tosse forte continua manifestando ao mundo a força dos seus brônquios obstruídos. A arte da vida é tentar focar no que vale a pena. O espaço privado? Faleceu há alguns anos e repousa no campo santo da modernidade líquida. Esperança de ressurreição?

LEANDRO KARNAL – É historiador, escritor, membro da Academia Paulista de Letras, autor de ‘A Coragem da Esperança’, entre outros

ESTAR BEM

SUPERPODER DO CORPO: SAIBA POR QUE SUAR FAZ BEM

Recurso do corpo para regular a temperatura, ele ainda evita complicações no metabolismo; em excesso, pode ser necessário tratamento

É comum que o corpo comece a transpirar em dias muito quentes, durante a prática esportiva ou mesmo em momentos de nervosismo. Pode ser na palma das mãos, na sola dos pés, nas axilas ou na testa, junto ao couro cabeludo. O suor, que pode ser considerado um problema para algumas pessoas – seja por deixar manchas na roupa ou pelo cheiro desagradável –, na realidade é uma espécie de “superpoder do corpo humano”.

É graças ao suor eliminado pelas glândulas sudoríparas que a temperatura do corpo é regulada. Isso evita, por exemplo, complicações no funcionamento do metabolismo humano, conforme explica, a seguir, Everardo Carneiro, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

POR QUE TRANSPIRAMOS?

Segundo o especialista, há uma tendência ao aumento da temperatura corporal interna durante as atividades metabólicas, que pode representar um problema quando essa temperatura ultrapassa 36 graus Celsius. Com a transpiração, porém, o corpo sofre um processo de resfriamento natural, que põe o calor para fora, reduz a temperatura corporal e permite que as atividades metabólicas ocorram sem maiores complicações.

“Esse processo é chamado de sudorese”, explica Carneiro, que ressalta outras formas de perda de calor: a convecção e a respiração. No primeiro caso, ao entrar em contato com a superfície da pele, as correntes de ar retiram calor do corpo – que costuma estar mais quente do que a temperatura externa. Com a respiração o processo é parecido. “É um mecanismo de troca do ar mais quente que está no pulmão pelo ar mais frio, que está no ambiente externo”, explica. Isso ocorre durante as atividades físicas quando a frequência respiratória é mais intensa no processo de aumentar as trocas de ar e resfriar o corpo.

Porém, alguns pontos colocam a sudorese como o mecanismo mais importante, em especial em países tropicais como o Brasil. Quando a temperatura do ambiente é maior que a temperatura interna do corpo (acima de 36 graus) a convecção e a respiração não são suficientes para o corpo perder calor. “Assim, a única forma é por meio da transpiração”, diz.

DE ONDE VEM O MAU ODOR?

O suor é formado, quase em sua totalidade, por água. “Além disso, estão presentes sais, como sódio e potássio, e pequenas substâncias que por ventura estão no sangue e que a glândula sudorípara consegue mandar para fora do organismo”, descreve Carneiro.

Por isso, o cheiro desagradável não vem do suor. Na verdade, é resultado da interação do suor com bactérias e fungos que vivem na pele.

Quando o suor é eliminado, ele se mistura ao resíduo de células mortas da pele, na qual vivem microrganismos que delas se alimentam – e da umidade do suor. A pele, então, se torna um ambiente perfeito para que fungos e bactérias se desenvolvam. “E isso produz algum odor, que pode incomodar as pessoas.”

QUANDO O SUOR SE TORNA UM PROBLEMA?

Suar é um processo natural e fundamental para o organismo. Mas, quando em excesso e sem estar associado ao aumento da temperatura corporal, pode ocasionar situações desconfortáveis. “É o que chamamos de hiperidrose”, explica Marcelo Arnone, dermatologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. “Isso faz com que a pessoa fique constrangida ou porque fica com a mão molhada ou porque precisa enxugar com frequência o suor da testa”, explica.

Nesses casos, o que acontece é que as glândulas sudoríparas recebem mensagem do sistema nervoso autônomo simpático para liberar o suor mesmo quando não há aumento da temperatura do corpo. Arnone diz que não é possível saber ao certo as causas dessa desregulação. Por isso, os tratamentos contra hiperidrose apostam no controle do suor em excesso e não em fatores que os causam.

COMO CONTROLAR O SUOR EM EXCESSO?

Uma das opções é o uso de antitranspirantes, que agem sob as glândulas sudoríparas bloqueando o suor. “O estímulo do sistema nervoso continua existindo, mas a glândula não libera suor em excesso porque está sob ação de um produto”, explica. Esses produtos podem ser utilizados tanto nas axilas como na palma das mãos ou nas solas dos pés. Em geral, aplicados à noite, antes de dormir.

Outro tratamento é a aplicação de toxina botulínica – a mesma utilizada no tratamento de rugas de expressão –, que tem uma ação local na região das glândulas sudoríparas. “O efeito da toxina é temporário, dura entre seis e dez meses. Por isso, é necessária a reaplicação.”

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

USO DE REDES MUDA CÉREBRO DOS JOVENS

Estudo mapeia mudanças no cérebro de adolescentes e se junta a pesquisas crescentes sobre o assunto

O efeito do uso das redes sociais nas crianças é uma área de pesquisa repleta de desafios, pois pais, mães e legisladores vêm tentando observar os resultados de um vasto experimento já em pleno andamento. Estudos sucessivos acrescentam peças ao quebra-cabeça, detalhando as implicações de um fluxo quase constante de interações virtuais que começam na infância.

Um novo estudo realizado por neurocientistas da Universidade da Carolina do Norte tenta algo novo, realizando sucessivas varreduras cerebrais em adolescentes do ensino médio entre 12 e 15 anos, um período de desenvolvimento cerebral especialmente rápido.

Os pesquisadores descobriram que as adolescentes que, por volta dos 12 anos de idade, já verificavam habitualmente seus feeds de redes sociais apresentaram uma trajetória particular, com sua sensibilidade às recompensas sociais dos colegas aumentando com o tempo. Os adolescentes com menos engajamento nas redes sociais, por sua vez, seguiram o caminho oposto, com uma queda no interesse por recompensas sociais.

O estudo, publicado neste mês na revista científica JAMA Pediatrics, está entre as primeiras tentativas de capturar mudanças na função cerebral correlacionadas ao uso das redes sociais ao longo de anos.

O estudo tem limitações importantes, reconhecem os autores. Como a adolescência é                                                 um período de expansão das relações sociais, as diferenças cerebrais podem refletir uma mudança natural em relação aos colegas, o que pode levar ao uso mais frequente das redes sociais.

“Não podemos fazer alegações causais de que as redes sociais estão mudando o cérebro”, disse Eva H. Telzer, professora associada de psicologia e neurociência da Universidade da Carolina do Norte, Chapel Hill, e uma das autoras do estudo.

Mas, acrescentou ela, “os adolescentes que verificam habitualmente suas redes sociais estão mostrando essas mudanças bastante dramáticas na maneira como seus cérebros reagem, o que pode ter consequências de longo prazo na idade adulta, preparando o terreno para o desenvolvimento do cérebro ao longo do tempo”.

PADRÕES

Uma equipe de pesquisadores estudou um grupo etnicamente diverso de 169 alunos da sexta e sétima séries de uma escola no interior da Carolina do Norte, dividindo- os em grupos de acordo com a frequência com que relataram checar os feeds de Facebook, Instagram e Snapchat.

Por volta dos 12 anos, os alunos já apresentavam padrões distintos de comportamento. Usuários habituais relataram verificar seus feeds 15 ou mais vezes por dia; usuários moderados verificavam entre uma e 14 vezes; usuários não habituais checavam menos de uma vez por dia.

Os sujeitos receberam varreduras cerebrais completas três vezes, em intervalos de aproximadamente um ano, enquanto jogavam um jogo de computador que oferecia recompensas e punições na forma de colegas sorridentes ou de cara fechada.

Ao realizar a tarefa, os usuários frequentes mostraram ativação crescente de três áreas do cérebro: circuitos de processamento de recompensas, que também respondem a experiências como ganhar dinheiro ou comportamentos de risco; regiões cerebrais que determinam a saliência, captando o que se destaca no ambiente; e o córtex pré-frontal, que ajuda na regulação e controle. Os resultados mostraram que “os adolescentes que crescem verificando as redes sociais com mais frequência es- tão se tornando hipersensíveis ao feedback de seus colegas”, disse Telzer.

As descobertas não capturam a magnitude das mudanças cerebrais, apenas sua trajetória. E não está claro, disseram os autores, se as mudanças são benéficas ou prejudiciais. A sensibilidade social pode ser adaptativa, mostrando que os adolescentes estão aprendendo a se conectar com os outros, ou pode levar à ansiedade social e à depressão se as necessidades sociais não forem atendidas.

Pesquisadores no campo das redes sociais alertaram contra tirar conclusões radicais com base nas descobertas. “Os estudos estão mostrando que a maneira como você usa as redes em determinado momento da vida influencia o modo como seu cérebro se desenvolve, mas não sabemos quanto, nem se é bom ou ruim”, disse Jeff Hancock, diretor fundador do Stanford Social Media Lab, que não esteve envolvido no estudo. Ele disse que muitas outras variáveis podem ter contribuído para essas mudanças.

“E se essas pessoas entrassem em um time – um time de hóquei ou de vôlei, por exemplo – e começassem a ter muito mais interação social?”, disse ele. Pode ser, acrescentou, que os pesquisadores estejam “identificando o desenvolvimento da extroversão, e os extrovertidos são mais propensos a verificar suas redes sociais”.

Ele descreveu o artigo como “um trabalho muito sofisticado”, que contribui para pesquisas recentes que mostram que a sensibilidade às redes sociais varia de pessoa para pessoa.

“Algumas pessoas têm um estado neurológico que significa que são mais propensas a serem atraídas para entrar nas redes com frequência”, disse ele. “Não somos todos iguais e precisamos parar de pensar que as redes sociais são iguais para todos”.

COMUNICAÇÃO

Na última década, as redes sociais transformaram as experiências centrais da adolescência, um período de rápido desenvolvimento do cérebro.

Quase todos os adolescentes americanos se comunicam por meio das redes sociais, com 97% acessando a internet todos os dias e 46% relatando que estão online “quase constantemente”, de acordo com o Pew Research Center. Adolescentes negros e latinos passam mais horas nas redes sociais do que os brancos, mostraram pesquisas.

Os pesquisadores documentaram uma série de efeitos na saúde mental das crianças. Alguns estudos relacionaram o uso de redes sociais com depressão e ansiedade, enquanto outros encontraram pouca conexão.

Um estudo de 2018 com adolescentes lésbicas, gays e bissexuais descobriu que as redes sociais forneciam validação e apoio, mas também os expunham ao discurso de ódio.

Especialistas que analisaram o estudo disseram que, como os pesquisadores mediram o uso de rede social dos alunos apenas uma vez, por volta dos 12 anos, era impossível saber como isso mudou ao longo do tempo ou descartar outros fatores que também podem afetar o desenvolvimento do cérebro.

DESAFIO

Sem mais informações sobre outros aspectos da vida dos alunos, “é um desafio discernir como as diferenças específicas no desenvolvimento do cérebro se relacionam com o uso das redes sociais”, disse Adriana Galvan, especialista em desenvolvimento do cérebro adolescente na Universidade da Califórnia em Los Angeles, que não esteve envolvida no estudo.

Jennifer Pfeifer, professora de Psicologia na Universidade de Oregon e codiretora do Conselho Científico Nacional de Adolescência, disse: “Toda experiência se acumula e se reflete no cérebro”. “Acho que nós temos de colocar as coisas nesse contexto”, disse ela. “Muitas outras experiências que os adolescentes têm também vão mudar os seus cérebros. Portanto, não vamos entrar em pânico moral com a ideia de que o uso das redes sociais está mudando o cérebro dos adolescentes”, acrescentou.

Telzer, uma das autoras do estudo, descreveu a crescente sensibilidade ao feedback social como um elemento que pode ser considerado “nem bom nem ruim”. “As redes estão ajudando os adolescentes a se conectar com outras pessoas e obter recompensas das coisas que são comuns em seu mundo social, que é se envolver em interações sociais online”, afirmou a especialista.

“Este é o novo normal”, acrescentou ela. “Entender como esse novo mundo digital está influenciando os adolescentes é importante. Pode ter a ver com alterações no cérebro, para o bem ou para o mal. Ainda não sabemos necessariamente as implicações a longo prazo”.

JOVENS FORAM SUBMETIDOS A VARREDURAS CEREBRAIS

MÉTODO

Cerca de 170 alunos da sexta e sétima séries tiveram sua frequência de checagem de feeds em sites e apps como Facebook, Instagram e Snapchat submetidas a análise. Eles receberam varreduras cerebrais completas três vezes, em intervalos de aproximadamente um ano.

RESULTADOS

Os resultados mostraram que os adolescentes que crescem verificando as redes sociais com mais frequência, apontam os pesquisadores, estão se tornando hipersensíveis ao feedback de seus colegas.

PONDERAÇÕES

As descobertas não capturam a magnitude das mudanças cerebrais, apenas sua trajetória. Não está claro, disseram os especialistas, se as mudanças são benéficas ou prejudiciais. A sensibilidade social, pontuam, pode ser adaptativa, mostrando que os adolescentes estão aprendendo a se conectar com os outros ou pode levar à ansiedade social e à depressão se as necessidades sociais não forem atendidas.

OUTROS OLHARES

CÂNCER EM USUÁRIOS DE VAPES SURGE 20 ANOS ANTES

Pesquisa mostrou que adeptos do cigarro eletrônico enfrentam risco de tumor precoce e problemas vasculares

Os danos à saúde causados pelo cigarro tradicional já são bem documentados. Há um aumento do risco de doenças pulmonares, cardiovasculares, além de diversos tipos de câncer. O cigarro eletrônico, por outro lado, ainda é visto como uma forma mais segura de tabagismo. Porém. uma pesquisa inédita, publicada na revista cientifica World Journal of Oncology, descobriu que usuários de vapes são diagnosticados com câncer quase 20 anos antes do que os fumante convencionais. Além disso, o uso desses dispositivos eleva o risco de tumores até mais do que o cigarro comum.

As versões eletrônicas dos cigarros têm ganhado espaço especialmente entre adolescentes e adultos jovens. Apesar dos casos documentados de Evali, uma síndrome respiratória aguda causada por esses dispositivos, os cientistas ainda sabem pouco sobre os riscos do uso dos vapes no longo prazo.

No novo trabalho, um equipe composta por pesquisadores de diversas universidades americanas analisou informações de 154.856 pacientes, coletadas entre 2015 e 2018. Destes, 5% eram usuários de cigarros eletrônicos, 31,4% eram fumantes tradicionais e 63,6% eram não fumantes. Foram fornecidos dados sobre o histórico de câncer e uso do vape.

Os resultados mostraram uma maior prevalência de uso de cigarro eletrônico entre os participantes mais jovens e do sexo feminino, em comparação com os fumantes tradicionais. Além disso, pessoas que usam vape foram diagnosticados com câncer em uma idade mais jovem – em média aos 45 anos, contra 63 entre os fumantes convencionais.

Em comparação com não fumantes, os adeptos do novo modelo apresentam um risco de  câncer 2,2 vezes maior. Para fator de comparação, o risco dos fumantes de cigarro tradicional, em comparação com quem não fuma é 1,96 vezes maior, ou seja menor do que o vape. Outro dado revelado pelo estudo americano é que os tumores mais comuns entre usuários de vape são diferentes daqueles observados em pessoas que fumam cigarro convencionais. Os cânceres mais comuns entre esse público foram cervical, leucemia, de pele e de tiroide.

Os riscos do cigarro eletrônico à saúde começam a aparecer em diversos estudos. Pesquisas recentes, financiadas pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH), mostram efeitos prejudiciais do vape nos vasos sanguíneos. O uso prolongado desses aparelhos pode prejudicar significativamente o funcionamento circulatório, aumentando o risco de doenças cardiovasculares.

IRRITAÇÃO E DANOS

Além disso, se a pessoa fumar cigarro tradicional e também o vape, o risco de problemas vasculares é consideravelmente maior do que o consumo desses produtos isoladamente. O estudo revelou que os danos nos vasos sanguíneos parece ser causado pela irritação das vias aéreas e não por algum componente específico do cigarro ou do vape.

“Ficamos surpresos ao descobrir que não havia um único componente que pudesse ser removido para interromper o efeito prejudicial da fumaça nos vasos sanguíneos. Enquanto houver um irritante nas veias aéreas, a função dos vasos sanguíneos pode ser prejudicada”, afirmou o pesquisador Matthew L. Springer, professor da Universidade da Califórnia em São Francisco.

GESTÃO E CARREIRA

RETENÇÃO DE TALENTOS: UM DESAFIO PARA TODAS AS EMPRESAS

Caminhos que levam ao desenvolvimento de pessoa

Basta abrir o LinkedIn para ver muitos colaboradores felizes, falando sobre seus projetos de sucesso e comemorando seus resultados.

Isso enche qualquer gestor de orgulho, claro. Mas sabemos que as redes sociais são vitrines que nem sempre mostram o que acontece de verdade nos bastidores. E quando seu perfil no LinkedIn está bombando de posts positivos, mas sua pesquisa de satisfação interna diz o contrário, é sinal de que algo precisa melhorar.

Uma pesquisa realizada este ano pela empresa de gestão de RH com 294 gestores indicou que só 18% deles acreditam que a educação corporativa é prioridade; 32% afirmam que deve haver investimento nessa área em 2022 e 26,5% afirmaram que, apesar de ainda não ser prioridade, o tema está no planejamento para ser. Outro dado interessante é que só 9,5% responderam que são totalmente orientados por indicadores de RH.

E sobre diversidade, apenas 21% das companhias a consideram uma prioridade. São dados que mostram claramente como são conduzidas as ações com foco nas pessoas e as políticas de desenvolvimento, e como ainda há muito o que fazer para tornar as empresas mais produtivas, criativas e capazes de despertar o que os colaboradores têm de melhor.

Desenvolver pessoas significa trazer mais eficiência e aprimoramento dos times, e em muitos casos, se torna um diferencial competitivo. Isso porque, quando o colaborador está em uma empresa na qual ele enxerga potencial de desenvolvimento e de crescimento, e sente que seus valores estão alinhados aos da companhia, certamente sua entrega terá mais qualidade.

É a motivação que ele precisa para despertar o sentimento de realização profissional e pessoal, gerando para a empresa o tão sonhado engajamento. Dificilmente observamos ações consistentes nesse sentido. O que vemos são iniciativas que podemos considerar mais do mesmo, que podem solucionar questões pontuais em curto prazo, mas que não promovem uma percepção de pertencimento verdadeira, aquela que traz resultados notáveis e perenes.

Muitas companhias priorizam grandes investimentos em tecnologia de ponta, mas elas de nada adiantam se as pessoas que as operam não se sentem valorizadas, tampouco se identificam com os valores da empresa. Muitas nem mesmo possuem entendimento do objetivo da empresa com determinado produto, o que faz com que trabalhem de forma dissociada dos objetivos da empresa.

Por isso afirmo com segurança que as pessoas são o principal fator que definirá se uma empresa terá ou não sucesso: ao contar com colaboradores que não possuem um propósito maior, uma empresa estará longe de alcançar o máximo de sua produtividade.

Para estimular o desenvolvimento das pessoas, é necessário ter líderes preparados para a gestão – esse talvez seja um grande diferencial para alcançar o sucesso.

Além disso, é necessário também estruturar um plano de carreira, no qual o colaborador possa enxergar seu próximo passo dentro da companhia e o que ele precisa para chegar lá. Precisamos lembrar que o desenvolvimento de pessoas não depende apenas da empresa, é uma via de mão dupla, por isso estimular é essencial.

As empresas precisam ser mais transparentes, dar oportunidades, para que o colaborador perceba os benefícios de se preparar para novos desafios. Além de direcionamentos técnicos, por exemplo, sobre quais cursos fazer, existe o direcionamento social, profissional e o exemplo. Aqui, não cola a frase “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”!

Por isso, um dos principais fatores de sucesso do desenvolvimento de pessoas está relacionado à liderança. E outro ponto importante é investir em diversidade. Ela é um fator importantíssimo para o desenvolvimento de pessoas porque per- mite que todos tenham acesso a outras histórias de vida, outras realidades e novas perspectivas. Não há nada menos produtivo do que chegar a uma reunião e não nos depararmos com pontos de vista diferentes.

É preciso contar com um time diverso, que se respeite e consiga pensar junto com criatividade e parceria. O sucesso para o desenvolvimento de pessoas é empenho e dedicação. É também ter a certeza que os colaboradores estão em posições corretas, que seus valores estão alinhados ao da companhia e que eles possuem o desejo de se desenvolver naquela realidade. Isso é o que faz os posts do LinkedIn corresponderem à realidade.

CAROLINA CABRAL – É CEO da Nimbi – https://nimbi.com.br).

EU ACHO …

AMIGO DE SI MESMO

Em seu livro Quem pensas tu que eu sou?, o psicanalista Abrão Slavutzky reflete sobre a    necessidade de conquistar o reconhecimento alheio para que possamos desenvolver nossa autoestima. Mas como sermos percebidos generosamente pelo olhar dos outros? Os ensaios que compõem o livro percorrem vários caminhos para encontrar essa resposta, em capítulos com títulos instigantes como “Se o cigarro de García Márquez falasse”, “Somos todos estranhos” ou “A crueldade é humana”. Mas já no prólogo o autor oferece a primeira pílula de sabedoria. Ele reproduz uma questão levantada e respondida pelo filósofo Sêneca: “Perguntas-me qual foi meu maior progresso? Comecei a ser amigo de mim mesmo”.

Como sempre, nosso bem-estar emocional é alcançado com soluções simples, mas poucos levam isso em conta, já que a simplicidade nunca teve muito cartaz entre os que apreciam uma complicaçãozinha. Acreditando que a vida é mais rica no conflito, acabam dispensando esse pó de pirlimpimpim.

Para ser amigo de si mesmo é preciso estar atento a algumas condições do espírito. A primeira aliada da camaradagem é a humildade. Jamais seremos amigos de nós mesmos se continuarmos a interpretar o papel de Hércules ou de qualquer super-herói invencível. Encare-se no espelho e pergunte: quem eu penso que sou? E chore, porque você é fraco, erra, se engana, explode, faz bobagem. E aí enxugue as lágrimas e perdoe- se, que é o que bons amigos fazem: perdoam.

Ser amigo de si mesmo passa também pelo bom humor. Como ainda pode haver quem não entenda que sem humor não existe chance de sobrevivência? Já martelei muito nesse assunto, então vou usar as palavras de Abrão Slavutzky: “Para atingir a verdade, é preciso superar a seriedade da certeza”. É uma frase genial. O bem-humorado respeita as certezas, mas as transcende. Só assim o sujeito passa a se divertir com o imponderável da vida e a tolerar suas dificuldades.

Amigar-se consigo também passa pelo que muitos chamam de egoísmo, mas será? Se você faz algo de bom para si próprio estará automaticamente fazendo mal para os outros? Ora. Faça o bem para si e acredite: ninguém vai se chatear com isso. Negue-se a participar de coisas em que não acredita ou que simplesmente o aborrecem. Presenteie-se com boa música, bons livros e boas conversas. Não troque sua paz por encenação. Não faça nada que o desagrade só para agradar aos outros. Mas seja gentil e educado, isso reforça laços, está incluído no projeto “ser amigo de si mesmo”.

Por fim, pare de pensar. É o melhor conselho que um amigo pode dar a outro: pare de fazer fantasias, sentir-se perseguido, neurotizar relações, comprar briga por besteira, maximizar pequenas chatices, estender discussões, buscar no passado as justificativas para ser do jeito que é, fazendo a linha “sou rebelde porque o mundo quis assim”. Sem essa. O mundo nem estava prestando atenção em você, acorde. Salve-se dos seus traumas de infância.

Quem não consegue sozinho deve acudir-se com um terapeuta. Só não pode esquecer: sem amizade por si próprio, nunca haverá progresso possível, como bem escreveu Sêneca cerca de dois mil anos atrás. Permanecerá enredado em suas próprias angústias e sendo nada menos que seu pior inimigo.

MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

CONHEÇA TODOS  OS BENEFÍCIOS DA QUINOA, CHAMADA DE SUPERALIMENTO

Rico em fibras, proteínas e ômega3e cálcio, grão pode desempenhar papel importante em diversos mecanismos do organismo

Saborosa e de alto valor nutricional, a quinoa é uma semente ancestral que vem da região andina e, na última década, diante da crescente demanda por alimentos saudáveis, se popularizou e faz parte da alimentação diária em muitas países do mundo. Era um dos alimentos básicos dos antigos incas, que o chamavam de “a mãe dos grãos”. Hoje é idolatrado por seus fãs devido às suas propriedades excepcionais.

“Tudo o que vem da terra, ou seja, que não contém conservantes ou é industrializado, vai trazer mais benefícios. Antigamente comia-se o que se colhia e, como nada continha aditivos ou processos que alterassem a alimentação, protegia-se a saúde”, afirma Marcos Apud, da Wellness Coach.

A quinoa vem conquistando cada vez mais adeptos e, aos poucos, ganhou espaço na culinária internacional devido aos seus múltiplos benefícios para a saúde. A nutricionista argentina Estela Mazzei destaca as vantagens de ser isenta de glúten, ideal para celíacos, e indicada para diabéticos por ter baixo índice glicêmico.

A especialista recomenda o consumo de quinoa por atletas, pois o alimento fornece energia a partir de macronutrientes, o que melhora o desempenho e a resistência e, por ser fonte de proteína, mantém a musculatura saudável, de acordo com a nutricionista.

Paralelamente, detalha, por ser rico em fibras, colabora com o bom funcionamento do sistema digestivo e ajuda a processar os alimentos de forma eficaz. Também ajuda a proteger o sistema cardiovascular porque “reduz o nível de colesterol ruim (LDL) no sangue”. Entre suas maiores virtudes está a reparação tecidual.

“A quinoa possui os nove aminoácidos essenciais, ou seja, aqueles que o corpo não consegue produzir sozinho e que são responsáveis por formar e restaurar as estruturas celulares dos músculos, pele, hormônios e enzimas para o metabolismo funcione corretamente”, afirma a especialista.

Nesse sentido, Silvina Tasat, nutricionista e membro titular da Associação Argentina de Nutrição, comenta que é uma boa opção “para quem segue uma dieta vegetariana ou vegana, porque pode incorporar proteínas completas presentes na carne”.

Além disso, é um produto nobre para a culinária, já que pode ser combinado em pratos quentes e frios, usada como acompanhamento e até mesmo como ingrediente em receitas doces.

Os fiéis seguidores de um estilo de vida saudável foram rápidos em incorporá-la em seus planos alimentares diários. Um deles, a renomada atriz de cinema Gwyneth Paltrow, recomenda o ingrediente em seu livro “The clean plate: Eat, reset, heal”. Lá, ela dá o passo a passo dos preparos onde inclui a quinoa. Um dos exemplos é uma salada que combina com um mix de legumes cozidos e frango salteado.

PROPRIEDADES

Quinoa é um pseudocereal integral. De acordo com Mazzei, esta característica deve-se ao fato de “ter propriedades semelhantes às dos cereais, como trigo, aveia, cevada, centeio e arroz, mas na realidade provém de uma planta diferente”.

Hoje, a quinoa é considerada um “superalimento”, fundamental para a segurança alimentar devido ao seu valor nutricional.

“Ele é rico em macronutrientes, entendidos como a principal fonte de energia, entre eles os carboidratos formados por fibras que regulam o funcionamento digestivo, as proteínas, que dão estrutura aos músculos, e as gorduras poliinsaturadas ômega 3, que contribuem para o bom funcionamento do metabolismo”, enumera Mazzei.

Além disso, tem vitaminas do grupo B, essenciais para maior energia, e minerais, como:

CÁLCIO: atua na estrutura óssea e dentária;

FERRO: contribui no transporte de oxigênio e fortalece o sistema imunológico;

MAGNÉSIO: regula o sistema nervoso e os níveis de açúcar no sangue;

FÓSFORO: está envolvido nas contrações musculares e na sinalização nervosa;

POTÁSSIO: chave para a função cardíaca;

ZINCO: participa do reparo celular.

Por outro lado, na hora de cozinhá-lo, é preciso levar em conta alguns cuidados:

“É preciso lavar os grãos com bastante água, em uma peneira fina, devido a uma substância chamada saponina. Ela é produzida como proteção natural para não ser atacada por insetos”, detalha Tasat, que sugere repetir a lavagem cerca de sete vezes ou “até parar de sair uma espuma branca”. “Caso não sejam lavados, os nutrientes não serão absorvidos”, ressalta Mazzei.

Quanto às quantidades, os especialistas consultados detalham que não há uma porção estipulada, pois depende da necessidade energética de cada pessoa e do seu estilo de vida.

ORIGENS

A quinoa vem de uma planta andina do gênero Chenopodium, nativa da área do entorno do Lago Titicaca, localizado ao longo da fronteira andina entre o Peru e a Bolívia.

Achados arqueológicos estimam que data de aproximadamente 3.000 e 5.000 A.C. e estima-se que seu cultivo tenha chegado ao Chile e à Argentina há cerca de 2 mil anos, principalmente nas províncias do Noroeste, Jujuy e Salta, onde é uma marca registrada de sua gastronomia.

Coma chegada dos espanhóis ao território sul-americano, os colonizadores se apropriaram desse grão e rapidamente o distribuíram para fora de sua região, introduzindo-o na Europa e na Ásia.

Atualmente, esse alimento está na moda porque “as pessoas começaram a se conscientizar dos malefícios produzidos pelos alimentos ultraprocessados”, comenta Mazzei, que acrescenta:

“Nessa ânsia de aprender a comer bem para cuidar da saúde e prevenir doenças crônicas, as sementes são as aliadas perfeitas.

Sua relevância é tamanha que a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2013 como o “Ano Internacional da Quinoa” com o intuito de divulgar suas qualidades e aumentar seu consumo.

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