A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A TERAPIA DA JUSTIÇA E DO PERDÃO

Encontro entre vítima e agressor pode trazer alívio para ambos

A terapia da justiça e do perdão

Em muitos casos, o sistema legal não consegue ajudar quem sofreu uma ofensa nem quem a praticou. Anos depois de um crime, a pessoa que sofreu a agressão ainda pode sofrer de estresse pós-traumático, e os ex – condenados muitas vezes apresentam dificuldades depois de sair da prisão. Não é novidade que uma reabilitação ineficaz costuma significar o retorno à prática de delitos. Na opinião de alguns especialistas, no entanto, o método da justiça restaurativa (em que réus e agredidos ficam face a face) pode ajudar nessas situações e mudar a trajetória dos envolvidos, em geral traumática.

A maioria das vítimas que se dispõe a participar desse processo frequentando grupos de discussão e tem acesso ao depoimento dos criminosos depois de algum tempo sentem que podem perdoá-los. Os infratores, por sua vez, alegam sentir responsabilidade por suas ações. Dois estudos recentes randomizados controlados reforçam o crescente corpo de pesquisa sobre a eficácia desse tipo de abordagem.

A criminologista Caroline M. Angel e seus colegas, da Universidade da Pensilvânia, analisaram os efeitos da justiça restaurativa para as vítimas e os agressores em casos de roubos e furtos em Londres. Pessoas que passaram por situação de violência foram encaminhadas aleatoriamente tanto para reuniões de justiça restaurativa apenas quanto para esse serviço e também ao sistema judicial.

Paralelamente, facilitadores treinados propuseram a infra­ tores que discutissem sobre os efeitos do crime na vida das vítimas e de seus familiares e amigos. Aproximadamente 25% das pessoas atendidas somente pelo sistema de justiça criminal apresentaram sintomas clínicos de estresse pós-traumático, mas apenas 12% das pessoas do outro grupo manifestaram esses sinais. “Um dos pontos mais interessantes da justiça restaurativa é que permite às vítimas ressignificar a própria vida e curar algumas feridas ao longo desse processo”, diz a pesquisadora.

O segundo estudo, coordenado pelos criminologistas Lawrence Sherman e Heather Strang, da Universidade de Cambridge, se propunha a avaliar se esses métodos podem reduzir a reincidência. A pesquisa, publicada em março no journal of Quantitative Criminology, analisou dez estudos que utilizaram controles randomizados para investigar o efeito das reuniões de justiça restaurativa nos infratores. Os cientistas constataram que os criminosos que participaram dessas discussões cometeram menos crimes subsequentes.

Apesar do excelente custo-benefício, o uso dessa prática ainda é bastante restrito. Defensores da técnica acreditam que a cultura de punição severa e a necessidade de políticos de serem vistos como rigorosos em relação ao crime interferem na aceitação do método.

 

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OUTROS OLHARES

PARA APRENDER, NÃO BASTA OBSERVAR

A educação ganhou espaço para falar e também para ouvir. Os projetos práticos adotados hoje comprovam eficácia na cognição e na formação do sujeito.

Para aprender, não basta observar

Imagine uma criança em frente à televisão, assistindo a programas em alemão ou qualquer outra língua desconhecida, durante várias horas por dia. Em quanto tempo ela aprenderia a falar alemão? Depois de múltiplas exposições a uma mesma palavra ou frase, ela ganharia, no máximo, o entendimento de um vocabulário bastante limitado, que dificilmente conseguiria aplicar em uma conversa. Coloque a mesma criança para brincar com colegas e adultos que só falam alemão e em algumas horas de interação ela vai começar a testar palavras. Com interesse e necessidade, em poucos meses irá se comunicar naturalmente. Ninguém aprende a falar ouvindo, assim como não se aprende a andar assistindo a outros andarem.

Para aprender, é preciso fazer – errar inúmeras vezes, repetir de diversas formas. Em qualquer lugar do inundo, esse processo é base do trabalho com crianças pequenas. Elas aprendem a controlar as emoções, a dividir, a esperar a vez e a respeitar o outro em atividades práticas e interações sociais. E dessa mesma forma desenvolvem as habilidades motoras, de linguagem e de raciocínio.

Até que iniciam a fase de receber informações, divididas em disciplinas, geralmente independentes. E todas aquelas habilidades, que deveriam continuar sendo formadas, cedem lugar aos fatos, muitas vezes entregues de forma desconexa e distante da realidade dos alunos. São tantos que, para as escolas baseadas em conteúdo, não sobra tempo para as atividades coletivas. Nem para falar, nem para trocar ideias com colegas – apenas ouvir. A educação eficaz compreende que pouco se aprende somente escutando. Sabe que menos ainda há o aprendizado se aquilo o que se escuta está totalmente longe da realidade e fora do campo de interesse do ouvinte.

Uma educação focada no aluno não é compartimentada nem hierarquizada. Ela forma – e não apenas informa. O conteúdo não é desconexo e forçado, mas assimilado naturalmente em atividades que respeitam o processo de aprendizagem do ser humano, tão evidente em crianças pequenas – aquele que acontece na prática, envolvendo o ambiente e as pessoas que nele estão.

Toda a aprendizagem acontece por associação: a nova informação necessariamente é relacionada a um conhecimento já consolidado para que faça sentido. O que não faz sentido não é compreendido e sem compreensão não há aprendizagem. Há o que chamamos de “decoreba” – o que pode ser suficiente para passar em alguns testes, mas não para que a informação possa ser manipulada, aplicada e transferida para outras áreas. Um conteúdo muito distante da realidade da criança, portanto, não promove ganhos de habilidades nem de conhecimento e tende a ser logo esquecido. Nas escolas centradas no aluno, o que ele aprende não é depositado em algum lugar da memória para que um dia, se precisar, possa acessar. O Google e outros extensores da mente que carregamos no bolso tornaram essa prática mais desnecessária que nunca. Em meio à sobrecarga de informações, precisamos, mais que nunca, saber onde procurá-las e o que fazer com elas para transformá-las em conhecimento. Necessitamos, portanto, estimular nossa competência inata de questionar, desenvolver o pensamento crítico e fazer jus a um dos grandes diferenciais do cérebro humano, que é a capacidade de manipular informações para a resolução criativa de problemas.

Uma pessoa verdadeiramente educada, para o linguista e cientista cognitivo Noam Chomsky, não é aquela que tem mais facilidade para memorizar uma quantidade enorme de fatos e nomes, mas a que sabe onde procurar a informação, como formular questões relevantes e sabe questionar doutrinas padrão.

O escritor e pedagogo português José Pacheco faz parte do grupo de educadores desobedientes que questionam doutrinas padrão e participam ativamente do processo de transformação do ensino. Desde o início de sua jornada na educação, ele se recusou a seguir o sistema convencional, centrado no professor. Percebeu que a aprendizagem é movida por interesse e pela ação e revolucionou as práticas da Escola da Ponte, na cidade do Porto, que passaram do que ele chama de “paradigma da instrução” para o “paradigma da aprendizagem”.

Esse paradigma parte da instrução como evento cooperativo, centrada na ação e na interação – como acontece com a linguagem, raciocínio e habilidades motoras. “Ninguém é autônomo sozinho”, costuma destacar. Autonomia talvez seja a palavra que mais repete em seus discursos. Pois mais que ensinar, o grande papel das escolas é justamente esse: formar pessoas autônomas. Não individualistas nem autossuficientes, mas capazes de entender e cumprir seu papel em uma equipe, de planejar, de comunicar-se bem, de pesquisar e buscar conhecimento além dos muros da escola, de respeitar o outro, os limites e as diferenças.

Assim, no decorrer de um processo movido pela motivação e pela ação, os alunos trabalham habilidades que precisam ser continuamente exercitadas em todo o período da vida escolar (e não apenas no início): as sociais e emocionais, motoras, de linguagem e raciocínio. Sustentado por essas competências, o conhecimento – que inclui as informações previstas pela base comum curricular – passa a ser significativo e transformador; e os alunos, indivíduos que não apenas sabem, mas que pensam, decidem e fazem.

 

MICHELE MÜLLER – é jornalista, pesquisadora, especialista em Neurociências, Neuropsicologia Educacional e Ciências da Educação. Pesquisa e aplica estratégias para o desenvolvimento da linguagem. Seus projetos e textos estão reunidos no site www.michelemuller.com.br

GESTÃO E CARREIRA

COMUNICAÇÃO NA NOVA ERA: FALA QUE EU NÃO TE ESCUTO

Comunicação na nova era - fala que eu não te escuto

Retirada do livro “Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças”, de Javier Naranjo, obra que surpreendeu o mundo ao se tornar o maior sucesso da Feira Internacional do Livro de Bogotá em abril de 2013, essa frase esconde atrás de si uma grande verdade, o egoísmo latente de nossa comunicação.

Em “O Gene Egoísta”, Richard Dawkins, etólogo, biólogo evolutivo e escritor britânico, diz:

Um indivíduo se comunica com outro quando há uma influência no comportamento ou no estado de seu sistema nervoso.

Os exemplos de comunicação no mundo animal são numerosos: o canto das aves; o balançar da cauda e eriçar dos pelos em cães; o arreganhar dos dentes nos chimpanzés.

Os pintos, por exemplo, influenciam o comportamento de suas mães soltando pios agudos e penetrantes quando estão perdidos ou com frio. Isto geralmente tem o efeito imediato de chamar a mãe, a qual conduz o pinto de volta à ninhada. Poder-se-ia dizer que este comportamento desenvolveu-se para o benefício mútuo, no sentido de que a seleção natural favoreceu os filhotes que piam quando estão perdidos, e também as mães que respondem adequadamente ao pio.

No humano, esse sistema se dá pela linguagem e pelos gestos.

Segundo a analogia de Dawkins, nossa linguagem e gestos deveriam ter a função de influenciar o comportamento de outro indivíduo.

Porém, não é o que temos visto com frequência.

Cada vez mais pessoas reclamam de reuniões chatas e sem objetivo, apresentações entediantes, em que são perdidas horas e horas com comunicadores que falam de interesses próprios, de valores, missão, clientes, serviços e produtos maravilhosos. O modelo “eu falo e você me escuta” gera desinteresse e tédio e, de forma alguma, influencia o comportamento do ouvinte. Se não influencia, podemos entender que não existe comunicação?

Estamos tateando um momento novo, obscuro, imprevisível, uma nova geração de indivíduos com novos hábitos e uma nova forma de se comunicar.

A criança dessa geração já nasce em meio a controles remotos, milhares de canais na televisão, informação disponível em diferentes dispositivos, em todos os idiomas. A música, a dança, a arte, os games são parte dos exercícios escolares e as redes sociais e mensagens de texto representam amigos conectados 24 horas por dia.  

Surge um indivíduo mais crítico, mais contestador.

Pais e professores começam a enfrentar uma mudança de papéis, uma vez que já não são mais os únicos detentores da informação.

“Isso é assim porque é assim” não funciona com a nova geração. Tudo deve ter uma razão de existir, tudo tem uma explicação lógica. Tudo tem que ser comprovado. Não sabe? Procura no Google.

Na nova geração, não existe comunicação sem troca. O mundo digital nos abre a porta da revolução cognitiva, onde o repertório, ou seja, a bagagem de experiências de cada indivíduo deve ser levada em consideração.

Termos como colaborativoconexão e rede nunca estiveram tão em alta. E não tem como ser colaborativo sem prestar atenção no outro, sem construir junto, sem tratar cada ato de comunicar-se como único e sob medida para cada indivíduo, para cada situação.

Em seu livro, “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, um dos maiores best-sellers do mundo desde 1937, Dale Carnegie dizia:

Ouvir é uma arte, uma habilidade e uma disciplina e, tal como outras habilidades, exige autocontrole. Você precisa aprender a ignorar suas necessidades e concentrar a atenção na pessoa que está falando. Escutar se transforma em ouvir apenas quando você dá atenção e acompanha de perto aquilo que está sendo dito.

Este é um dos fatos mais básicos da psicologia humana. Ficamos lisonjeados diante da atenção de outras pessoas. Isso nos faz sentir especiais. Queremos estar perto de pessoas que demonstram interesse por nós. Queremos mantê-las por perto. Nossa tendência é retribuir seu interesse mostrando interesse por elas.

Setenta e seis anos depois, ainda não sabemos ouvir. Por isso, temos aqui um dos desafios mais interessantes e motivadores da nossa era. A evidência clara que o interesse e a motivação do ouvinte são tarefas do comunicador.

Muitas vezes pensa-se que, para gerar interesse no ato de comunicar uma ideia, basta usar vídeos, imagens, novas tecnologias. As pessoas gastam um tempo enorme com seus PowerPoints, Prezis e keynotes, porém, nada disso irá provocar mudança de comportamento no outro se não gerar comunicação efetiva.

Se o novo indivíduo é colaborativo, é impossível não considerar sua participação na construção da comunicação. Aguçar a percepção e ouvir mais se tornam, então, as principais ferramentas dessa construção. As tecnologias ajudam; porém, são apenas alegorias que devem ser utilizadas para reforçar a troca de experiências.

Um exemplo:

Quando um vendedor expõe uma quantidade enorme de produtos e serviços utilizando as tecnologias mais modernas, com milhões de detalhes “super” importantes, gera uma angústia terrível no cliente, que não consegue nem solucionar o seu problema, nem guardar as informações recebidas.

Para provocar mudança de comportamento, ou seja, fazer com que o cliente queira comprar o produto oferecido, a comunicação deve ser construída em conjunto.

Primeiro, o comunicador ouve o cliente, convida-o a expor seus conflitos e necessidades e, em troca, recebe um cenário muito mais preciso do problema a ser resolvido. Após perceber esse cenário, ele tem condições de trazer uma solução objetiva e clara, direto ao ponto, sem precisar expor informações desnecessárias. O resultado é muito mais interessante, tanto para o vendedor, que não precisa ficar horas falando, quanto para o cliente, que fica satisfeito ao perceber que encontrou uma solução para resolver seu problema.

Não há mais espaço para uma comunicação em que há um indivíduo falando e outro ouvindo. Temos que pensar em um indivíduo dividindo seu conhecimento, baseado em percepções construídas em conjunto com o ouvinte.

Não estamos mais falando de reuniões cujo objetivo é ver quem tem razão. Estamos falando de reuniões cuja solução de um determinado assunto é o foco e os participantes são peças fundamentais para dividir conhecimento e chegar à solução.

Na nova era da comunicação não há mais espaço para a verdade absoluta. As experiências e repertório de cada indivíduo são levados em consideração, bem como suas diferentes percepções sobre um mesmo assunto. A união dessas percepções dá origem a novas ideias, que são discutidas e encontradas ao longo da construção da comunicação. Não é mais a sua ideia ou a minha ideia. É uma nova ideia que surgiu da junção de duas ou mais ideias.

Dessa forma, é possível criar uma identificação com o ouvinte, fazê-lo perceber que o seu momento está sendo valorizado. Que o assunto é ele e não o ego do comunicador.

Usar o egoísmo, ou seja, o interesse do público na construção da comunicação, pode nos ajudar, enfim, a influenciar seu comportamento.

JOYCE BAENA – é sócia-diretora da La Gracia Design, graduada em Comunicação Social pela PUC-SP e desde 2008 é jurada do Festival Universitário de Comunicação.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 21: 5-9Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 5 – Aqui temos:

1. O caminho para ser rico. Se desejarmos viver com abundância e conforto no mundo, devemos ser diligentes em nossas atividades, e não recuar do esforço e das dificuldades, mas prosseguir neles, aproveitando todas as vantagens e oportunidades para realizá-las, e fazendo o que fazemos, com todas as nossas forças; mas não devemos ser precipitados nisto, nem nos apressar ou apressar aos outros com isto, mas continuar agindo corretamente e suavemente, o que, como dizemos, faz grandes avanços em um dia. Com a diligência deve haver planejamento. Os pensamentos do diligente são tão necessários como as mãos do diligente. A previsão é tão boa como o trabalho. Vês um homem prudente e diligente? Ele terá o suficiente de que viver.

2. O caminho para ser pobre. Os que são precipitados, que agem impensadamente em seus negócios, e que não tomam tempo para pensar, que ambicionam o ganho, certo ou errado, e que se apressam para ser ricos com práticas injustas ou projetos imprudentes, estão no caminho certo para a pobreza. Os seus planos e pensamentos, pelos quais esperam se exaltar os destruirão.

 

V. 6 – Este verso mostra a tolice dos que esperam enriquecer, por meios desonestos, oprimindo e sobrepujando aqueles com quem lidam, por meio de falsos testemunhos, ou por contratos fraudulentos, a tolice dos que não têm escrúpulos em mentir quando há a possibilidade de lucrar alguma coisa com tal atitude. Eles podem, talvez, ajuntar tesouros desta maneira, mas:

1. Não encontrarão a satisfação que esperam. É uma vaidade, levada de um lado a outro, será desapontamento e angústia de espírito para eles; eles não terão a consolação desta riqueza, nem poderão confiar nela, mas serão perpetuamente inquietos e intranquilos. Esta satisfação será atirada, de um lado a outro, por suas consciências, e pelas censuras dos homens, e eles devem esperar estar em uma pressa constante.

2. Eles encontrarão a destruição que não esperam. Enquanto estão procurando riquezas, por meio destas práticas tão ilícitas, estão, na verdade, procurando a morte; eles se expõem à inveja e à má vontade dos homens pelos tesouros que obtêm, e à ira e à maldição de Deus, pela língua falsa com que obtêm os tesouros, que Ele fará cair sobre eles, e afundá-los no inferno.

 

V. 7 – Veja aqui:

1. A natureza da injustiça. Obter dinheiro com mentiras (v. 6) não é melhor do que o roubo puro e simples. Trapacear é roubar; você pode roubar a carteira de um homem ou pode, ao fazer um negócio, se aproveitar dele por meio de uma mentira, da qual ele não tem proteção nenhuma, a não ser não crendo em você; e não será desculpa para a culpa do roubo dizer que ele poderia decidir se iria crer ou não em você, pois esta é uma dívida que devemos ter com todos os homens.

2. A causa da injustiça. Os homens se recusam a praticar a justiça; eles não darão a todos o que lhes é devido, mas o reterão, e as omissões abrem caminho para comissões; com o tempo eles chegam ao próprio roubo. Os que se recusam a praticar a justiça decidirão praticar a injustiça.

3. Os efeitos da injustiça; ela retornará sobre a cabeça do próprio pecador. O roubo dos ímpios os aterrorizará (segundo alguns); as suas consciências se encherão de horror e espanto, os cortarão, os separarão (segundo outros ); isto os destruirá, aqui e para sempre, por isto foi dito (v. 6) que eles buscam a morte.

 

V. 8 – Isto mostra que, assim como são os homens, também é o seu caminho.

1. Os homens maus têm maus caminhos. Se o homem é rebelde, o seu caminho também é tortuoso; e este é o caminho de muitos homens, tal é a corrupção geral da humanidade. Desviaram-se todos (Salmos 14.2,3); toda a carne perverteu o seu caminho. Mas o homem perverso, o homem de fraude, que age com astúcia e trapaça em tudo o que faz, o seu caminho é tortuoso, contrário a todas as regras de honra e honestidade. É tortuoso, pois você não sabe onde encontrá-lo, nem quando o terá; é tortuoso, pois está alienado de todo o bem, e afasta os homens de Deus e da sua bondade. É aquilo que Ele contempla à distância, e todos os homens honestos também o fazem.

2. Os homens que são puros provam sê-lo por suas obras, pois são retas, são justas e regulares; e são aceitas por Deus e aprovadas pelos homens. O caminho da humanidade, na sua apostasia, é perverso e tortuoso; mas quanto aos puros, os que, pela graça de Deus, são recuperados deste estado, de que há um aqui e outro ali, a sua obra é reta, como foi a de Noé, no mundo antigo (Genesis 7.1).

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CÉREBRO DE HOMENS E MULHERES REAGE A MEDICAMENTOS DE MANEIRA DIFERENTE

Em média, elas são até 75% mais propensas a manifestar efeitos colaterais

Cérebro de homens e milheres reagem a medicamentos de maneira diferente

As diferenças de gênero na resposta do organismo às medicações são muitas vezes negligenciadas em testes clínicos. Nos Estados Unidos, até meados dos anos 90, praticamente não havia voluntárias em estudos que avaliavam novos medicamentos. No entanto, elas são as principais pacientes: recebem quase duas vezes mais prescrições de remédios psicotrópicos (que alteram a química cerebral) que os homens. Pesquisas sugerem que hormônios femininos e diferenças na composição corporal e no metabolismo podem torná-las mais sensíveis a certas drogas. Não por acaso, mulheres são 50% a 75% mais propensas a manifestar efeitos colaterais.

No ano passado, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos anunciou as primeiras diretrizes para dosagem de medicamentos de acordo com cada sexo. O efeito do indutor de sono Ambien, por exemplo, é duas vezes mais potente nas mulheres. Algumas evidências sobre como alguns fármacos agem de acordo com o sexo:

ANSIOLÍTICOS

Como no caso dos antidepressivos, o meio estomacal menos ácido das mulheres absorve a medicação mais rapidamente – de maneira que doses padronizadas são potencialmente mais tóxicas para elas.

Os rins dos homens filtram os componentes das drogas mais rápido. Assim, mulheres devem esperar mais tempo entre uma dose e outra, especialmente benzodiazepínicos.

Benzodiazepínicos, aliás, são planejados para ser solúveis em lipídios e atravessar a corrente sanguínea em direção ao cérebro. Assim, a maior gordura corporal das mulheres aumenta as chances de o remédio permanecer mais tempo no organismo, tornando-as mais vulneráveis a sua toxicidade.

ANALGÉSICOS

Prescritos para combater dores crônicas e dores agudas intensas, os medicamentos opioides, como a morfina, são mais eficientes em mulheres. Isso ocorre provavelmente porque o hormônio estrogênio, que oscila durante o ciclo menstrual, é importante na modulação do sistema opioide endógeno.

Homens são mais propensos a se automedicar com doses exageradas de analgésicos. Mulheres, porém, têm mais dificuldade em deixar de usá-los. Uma vez dependentes, são mais propensas à recaída, particularmente na metade do ciclo menstrual, quando os níveis de glicose no cérebro estão mais baixos, o que compromete o autocontrole.

ANTIDEPRESSIVOS

Vários estudos sugerem que as mulheres respondem melhor a inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS). já os homens parecem se adaptar mais aos tricíclicos.

Alguns antidepressivos são mais potentes no sexo feminino. A eficácia de uma droga é afetada pelo grau em que ela se liga a proteínas no plasma sanguíneo. Quanto menos ligante a droga for, melhor ela pode transpor a membrana celular ou se difundir. O sangue das mulheres tem, em geral, menos capacidade de ligação, o que significa que as proteínas sanguíneas “limpam” menos substâncias estranhas. Se forem administrados com outras drogas, antidepressivos tricíclicos (como a amitriptilina) podem ficar em excesso na corrente sanguínea, o que aumenta a chance de efeitos colaterais. Além disso, o estômago das mulheres é menos ácido, de maneira que os ISRSs podem ser absorvidos mais rapidamente, o que aumenta sua toxicidade. A gordura corporal das mulheres é outro fator que pode manter os antidepressivos no corpo por mais tempo – de maneira que a chance de efeitos colaterais com doses menores é maior.

INDUTORES DE SONO

A maioria das drogas psicotrópicas é metabolizada no fígado. O organismo masculino metaboliza o Ambien e outros indutores de sono com mais rapidez, de maneira que as mulheres costumam apresentar mais quantidades do medicamento no corpo na manhã seguinte, o que pode prejudicar o desempenho em tarefas que exigem atenção, como trabalhar e dirigir

ANTICONVULSIVANTES

Abundante no fígado e no intestino e especialmente ativa em mulheres jovens, a CYP3A4 é uma enzima importante para o funcionamento do organismo. Ela oxida moléculas estranhas, como toxinas e drogas, de maneira a removê­las do corpo. Algumas substâncias são ativadas por essa enzima, mas outras são desativadas: é o caso dos anticonvulsivantes, que costumam ter menos eficácia nas mulheres. Estudos preliminares sugerem que a velocidade das reações catalisadas por enzimas difere em homens e mulheres, o que afeta a resposta a medicamentos de forma geral.

ANTIPSICÓTICOS

Exemplares da primeira geração, como o haloperidol, parecem ser mais eficazes para controlar alucinações em mulheres. Homens necessitam de doses maiores para responder ao tratamento.

OUTROS OLHARES

COMPULSÃO PELA INTERNET

As redes sociais são uma realidade e estão na nossa vida para o bem e para o mal. Estar plugado constantemente é uma forma de desplugar de “si mesmo”

Compulsão pela internet

Um husky siberiano persegue freneticamente a própria cauda e gira sem parar, outra vez e outra vez. Um gato, toda noite, acorda sua dona mordiscando repetidamente seu ombro ou sua orelha. O que tem isso a ver com a internet? Imagine uma cena de laboratório: Um ratinho branco aciona urna alavanca para receber uma gota de água açucarada, num experimento de condicionamento. Agora troque a alavanca por um celular.

Animais domesticados também desenvolvem compulsão e sofrem de estresse, tédio, ansiedade e depressão. Não só o vício em drogas, mas também o uso compulsivo da internet apresenta-se em pessoas que frequentemente são tomadas por estados de raiva (frustração), ansiedade e depressão.

Se décadas atrás até a propaganda subliminar era empregada para aumentar a venda de produtos a qualquer custo, hoje as empresas de internet gastam bilhões pesquisando como fazer com que você e eu passemos mais horas ainda plugados.

A internet e as redes sociais são uma realidade e estão nas nossas vidas para o bem e para o mal. Não se trata de demonizar as ferramentas. A vida antes seguiu, e segue agora. Porém, atualmente, organizações ocuparam-se de estratégias de como capturar o nosso desejo com fetiches, mas não nos tornamos (totalmente) robotizados e submetidos.

O que o husky, o gato, eu e você temos em comum é o fato de todo mal­ estar emocional disparar mecanismos de defesa (mantenedores de homeostase) de dois tipos: 1- ação, movimento (gastar energia, Reich explica) e 2- desviar a atenção, evitar a constatação, “saber”. Como nos três macaquinhos que cobrem olhos, ouvidos e boca. No caso da internet, estar plugado compulsivamente é uma forma de desplugar de “si mesmo”. Ou seja, não é a internet isoladamente – apesar dos investimentos – que “vicia”. Há a contra­partida no sofrimento emocional presente naquele que desenvolve o sintoma.

Mas há também uma dimensão coletiva envolvida. Heidegger, por exemplo, equivocadamente tornado como crítico à tecnologia, em verdade apontou que a modernidade (e o desenvolvimento tecnológico) foi acompanhada de uma forma coletiva de “ser no mundo” em que a reflexão tornou- se ausente. Reflexão como autorreflexão. Aquilo que é vivido quando se observa em quietude uma fogueira. Reich, por sua vez, demonstrou como a neurose individual tem como contraponto uma neurose de massa na qual a angústia e os mecanismos de evitação da mesma são onipresentes, levando a uma forma de alienação.

Um bom exercício de imaginação é ficar quieto, sem fazer nada (e sem dormir). Ou então ir a um lugar sem energia elétrica, sem a possibilidade de uso de tecnologias, por uma semana. Sem internet.

Em síntese, a internet não “cansa” nada. É a nossa relação com ela que determina sua utilidade ou as desordens e sintomas. O objetivo das grandes empresas de tecnologia só é alcançado, em última instância, em função de nossas eventuais fragilidades emocionais. Por causa da nossa condição humana, e naquilo que partilhamos com os outros animais.

 

NICOLAU JOSÉ MALUF JR. – é psicólogo, analista reichiano. Doutor em História das Ciências. Técnicas e Epistemologia(HCTE/UFRJ) Psicanalista, precursor das psicoterapias corporais.

GESTÃO E CARREIRA

ALTA QUILOMETRAGEM

Em 11 anos, o Brasil terá mais idosos do que jovens. Ao mesmo tempo que preocupa, o envelhecimento da população pode ser um ótimo negócio.

Alta quilometragem

O Brasil está envelhecendo rápido. Previsões do Instituto Brasileiro ele Geografia e Estatística (IBGE) mostram que até 2030 os idosos chegarão a 41,5 milhões (18%) – jovens de até 14 anos serão 39,2 milhões (17,6%). Isso significa que, em 11 anos, haverá mais pessoas acima de 65 anos do que crianças no país. Além disso, a expectativa de vida seguirá aumentando, chegando a 80 anos nas próximas décadas (hoje é de 76). O fenômeno, apelidado por especialistas como “tsunami prateado”, implicará mudanças profundas na economia, nas políticas públicas, na assistência social, no mercado de trabalho, na Previdência e, claro, nos negócios.

Se por um lado esse mar de grisalhos impõe desafios, por outro gera oportunidades. Embora não existam pesquisas mensurando a capacidade exata de consumo desse pessoal, os números dão pistas do potencial. Um levantamento da Quorum, consultoria especializada em hábitos de consumo da população mais velha, estima que os clientes mais maduros movimentem 12,4 bilhões de reais ao ano só no Brasil. Globalmente, as cifras são ainda mais impressionantes. Segundo o relatório Consumer Generations, divulgado pela Tetra Pak em 2017, o poder de compra dessa geração será de 20 trilhões de dólares até 2020. As perspectivas são tão positivas que a Euromonitor International, empresa global de pesquisa de mercado, classificou produtos voltados para idosos como a principal tendência para 2019.

Empreendedores brasileiros estão começando a sacar isso. Após conduzirem um levantamento no ano passado, a Hype60+, consultoria de marketing especializada no consumidor sênior, e a Pipe.Social, vitrine de negócios de impacto social, notaram que o movimento é bem recente. Ao mapear 221 iniciativas com soluções para o envelhecimento, a conclusão foi de que os negócios do setor ainda engatinham: 73% possuem menos de cinco anos e 40% ainda nem sequer têm faturamento. “Tudo nessa área é muito embrionário. Empresas e investidores atinaram agora para esse mercado”, diz Layla Vallias, co­fundadora da Hype60+.

Embora existam negócios voltados para saúde, bem-estar, segurança, autonomia, moradia, geração de renda e lazer, as propostas mais bem­ sucedidas, por enquanto, vêm da área de tecnologia – uma tendência que se observa não só por aqui, mas ao redor do mundo também.

Que o diga o robô americano Elliq, desenvolvido para atuar como companheiro, assistente e cuidador de idosos. Recém – lançado nos Estados Unidos, esgotou rapidamente por fazer de tudo um pouco: cria lembretes, responde a perguntas, envia mensagens, atente telefone, toca música e exibe vídeos.

No Brasil, as inovações são menos audaciosas e, segundo especialistas, ainda se limitam a coisas mais básicas, com sensores de mobilidade, que ajudam a subir escadas e evitam quedas no banheiro, por exemplo.

Como o mercado é incipiente, quem deseja atuar nele precisa ser resiliente e ter perspicácia para fazer a leitura de dados ainda pouco consolidados. A maior dificuldade é atender a diversidade desse público, que possui realidades e necessidades bem diferentes, sobretudo de renda e capacidade física e mental. “Ao mesmo tempo que é complicado, ser pioneiro numa área onde falta praticamente tudo é também muito promissor”, diz Layla, da Hype60+.

Alta quilometragem. 2

ONDE HÁ DEMANDA

Com sessentões, setentões e oitentões trocando remédios e hospitais por diversão e bem-estar, além dos empreendedores, ganham relevância diversos profissionais. Vanessa Cepellos, professora de gestão de pessoas da Fundação Getúlio Vargas, diz que serão altamente valorizados psicólogos, geriatras, gerontólogos, personal trainers para a terceira idade, fisioterapeutas, agentes de turismo e até especialistas em aconselhamento para aposentadoria. “Haverá demanda na área da saúde e em setores como alimentação, estética, finanças, moradia, entretenimento e tecnologia. “Mas, a despeito de todo otimismo, é preciso colocar à mesa alguns problemas incômodos. Dados mostram que idosos brasileiros são, de modo geral, pobres. A parcela de grisalhos que desfruta de uma condição financeira confortável é pequena – a maioria dos aposentados do INSS (72%) recebe apenas um salário mínimo. Ou seja, a renda necessária para que essa população consuma e usufrua de tantos produtos esbarra em duas questões importantes: a atual reforma da Previdência, que corta na carne dos mais desfavorecidos, e o preconceito do mercado de trabalho, que exclui trabalhadores com rugas e cabelos brancos.

Foi pensando em reverter essa situação que o engenheiro de software Mórris Litvak, de 36 anos, criou a Maturi Jobs, plataforma de empregos para pessoas com mais de 50 anos. A ideia dele é justamente conectar essa mão de obra com empresas interessadas. Desde 2017, a startup já publicou cerca de 1.000 vagas em 750 empresas. Ao todo, 40.000 pessoas se candidataram e 850 foram contratadas. “O preconceito etário ainda faz parte do cenário brasileiro, o que é um equívoco. Cerca de 70% de nossos 85.000 inscritos têm nível superior e 20% tem MBA, por exemplo,” afirma o empreendedor.

Na visão dele, empregar essa fatia da população é interessante por vários aspectos: redução de gastos do governo com saúde, incentivo ao consumo, aumento da autoestima dessa população e ganhos macroeconômicos. Para ter noção, um estudo da consultoria PwC em parceria com a FGV mostrou que o Brasil aumentaria seu PIB em 18,2 bilhões de reais por ano se elevasse para cerca de 60% o nível de empregabilidade de pessoas acima de 50 anos (em 2015, esse índice estava em 26%). “Profissionais com bagagem e experiência na tomada de decisões só trazem ganhos para as companhias”, afirma João Lins, professor na FGV. Resta saber se o mercado, além de vender, também está disposto a trazer os idosos para dentro de suas operações.

Alta quilometragem. 3

APOSTA

Oito setores promissores e os profissionais mais cobiçados em cada um deles.

TURISMO

Planejadores voltados para a criação de roteiros de viagens para idosos e guias para acompanhar esse tipo de grupo.

BELEZA

Engenheiros químicos capazes de desenvolver itens especiais que atendam às necessidades de pele de pessoas com mais de 60 anos; vendedores especializados em atender esse público.

ALIMENTAÇÃO

Nutricionistas e engenheiros de alimentos capazes de criar produtos para idosos e dietas adequadas à faixa etária.

SAÚDE

Enfermeiros, cuidadores, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e médicos que façam diagnóstico, prevenção e acompanhamento de idosos.

MOBILIDADE

Arquitetos, urbanistas e engenheiros que sejam especializados em planejar espaços que facilitem a locomoção e a acessibilidade desse pessoal em ruas, edifícios e espaços públicos.

TECNOLOGIA

Desenvolvedores e programadores, para sustentar soluções inovadoras que minimizem as agruras do envelhecimento.

PUBLICIDADE

Marqueteiros, jornalistas e social media, gente com habilidade para analisar o comportamento e os novos hábitos de consumo dessa população.

EDUCAÇÃO

Professores, sobretudo de idiomas e informática. há mais de 9 milhões de brasileiros acima de 55 anos no Facebook: 50,82% deles têm de 61 a 70 anos. o interesse em aprender e o tempo disponível levam os mais maduros a procurar cursos.

FONTE: Especialistas FGV, PwC e HYPER60+