ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 11: 9 – 14

Pensando biblicamente

VERDADES COMUNS

 

V9 – Aqui temos:

1. A hipocrisia engenhando a calamidade. Não é somente o assassino com a sua espada, mas também o hipócrita, com a sua boca, que danifica o seu próximo, levando ao pecado ou ao engano, com pretextos de bondade e boa vontade. A vida e a morte estão no poder da língua, mas nenhuma língua é mais fatal do que a língua lisonjeira.

2. A honestidade derrotando o desígnio e escapando à armadilha: Por meio do conhecimento dos esquemas de Satanás o justo libertado será das armadilhas que o hipócrita preparou para ele; os sedutores não enganarão os eleitos. Pelo conhecimento de Deus, e das Escrituras, e pelos seus próprios corações, os justos serão libertados daqueles que espreitam e esperam para enganar, e assim, destruir (Romanos 16.18,19).

 

V. 10 – 11 – Aqui observamos:

I – Que os homens bons são, em geral, amados por seus próximos, mas ninguém se importa com os ímpios.

1. É verdade que há alguns poucos que são inimigos dos justos, que têm preconceitos contra Deus e a santidade, e que, portanto, se incomodam em ver homens bons no poder e em prosperidade; mas todas as pessoas indiferentes, mesmo aquelas que não vivem uma grande religiosidade, têm uma palavra boa a respeito de um homem bom; e por isto, quando tudo vai bem com os justos, quando eles progridem e adquirem urna capacidade de fazer o bem, de acordo com os seus desejos, é muito melhor para todos os que estão ao redor deles, e a cidade exulta. Pela honra e pelo encorajamento da virtude, e como é o cumprimento da promessa de Deus, devemos ficar alegres por ver os virtuosos prosperando no mundo, e conquistando uma boa reputação, e o prestígio que merecem.

2. Os ímpios podem, talvez, ter, aqui e ali, alguém que lhes deseje o bem, entre os que são, de maneira geral, como eles, mas entre a maioria dos seus próximos, eles obtêm apenas má vontade; eles podem ser temidos, mas não são amados, e por isto, quando perecem, há júbilo; todos se alegram ao vê-los desgraçados e desarmados, afastados de posições de confiança e poder, expulsos do mundo, e desejam que nenhum problema maior venha à cidade, porque esperam que os justos possam tomar o lugar deles, quando sofrerem angústias, no lugar dos justos (v. 8). Que, portanto, um senso de honra nos conserve nos caminhos da virtude, para que possamos viver desejados e morrer lamentados, e não ser expulsos do palco da vida sob as vaias da plateia (Jó 27.23; Salmos 52.6).

 

II – Que há boas razões para isto, porque os que são bons fazem o bem, mas (como diz o provérbio dos antigos), a iniquidade vem dos ímpios.

1. Os homens bons são bênçãos públicas. Com a bênção dos sinceros, as bênçãos com que eles são abençoados, que ampliam a sua esfera de utilidade – com as bênçãos com que eles abençoam os seus próximos, seus conselhos, seus exemplos, suas orações, e todos os aspectos da sua utilidade para o interesse público – com as bênçãos com que Deus abençoa os outros, por causa deles – com tudo isto, se exalta a cidade, e se torna mais confiável para os habitantes, e mais considerável entre os seus vizinhos.

2. Os ímpios são transtornos públicos, não somente incômodos, mas as pragas da sua geração. A cidade é derribada pela boca dos ímpios, cujas atitudes más corrompem as boas maneiras, são suficientes para perverter uma cidade, para arruinar a virtude que nela houver; e para fazer com que os juízos de Deus venham sobre ela.

 

V. 12 – 13 – O silêncio é recomendado, como um sinal de verdadeira amizade, e algo que a preserva; portanto, é uma evidência,

1. De sabedoria: Um homem de entendimento, que domina o seu próprio espírito, ainda que provocado, cala-se, para que não dê vazão à sua paixão e nem acenda a paixão de outras pessoas, por linguajar ultrajante ou por reflexões mal-humoradas.

2. De sinceridade: Aquele que tem um espírito fiel, não somente à sua própria promessa, mas ao interesse de seu amigo, encobre todo assunto que, se divulgado, pode prejudicar seu próximo.

 

II – Este encobrimento amistoso e prudente é aqui apresentado em oposição a duas maldades terríveis da língua:

1. Escarnecer de um homem, diante dele: O que despreza o seu próximo é falto de sabedoria; ele despreza o seu próximo, chama-o de Raca, e de louco, diante da menor provocação, e pisa sobre ele, como alguém indigno de ser colocado com os cães do seu rebanho. Acaba menosprezando a si mesmo aquele que menospreza a alguém que é feito do mesmo material.

2. Falar maldosamente de alguém, nas suas costas: um mexeriqueiro, que espalha todas as estórias que puder descobrir, sejam verdadeiras ou falsas, de casa em casa, para fazer maldades e semear discórdias, revela segredos que lhe foram confiados, e assim, infringe as leis e perde todos os privilégios da amizade e da convivência.

 

V. 14 – Aqui temos:

1. O mau presságio da ruina de um reino: “Não havendo sábia direção”, nenhum conselho, mas sendo tudo feito precipitadamente e impensadamente, sem busca prudente pelo bem comum, mas somente visando interesses divididos, “o povo cai, fragmentado em facções, cai como presa fácil a seus inimigos comuns. Os conselhos de guerra são necessários para as operações de guerra; dois olhos veem mais do que um; e o conselho mútuo é necessário para a ajuda mútua.

2. O bom presságio da prosperidade de um reino: “Na multidão de conselheiros”, que veem necessidades, uns dos outros, e que agem de comum acordo visando o bem-estar público, “há segurança”; pois um deles poderá discernir os métodos pendentes que outro não perceber. Nos nossos assuntos particulares, frequentemente veremos que será vantajoso que nos aconselhemos com muitas pessoas; se elas estiverem de acordo nos seus conselhos, o nosso caminho será ainda mais claro; se elas divergirem, ouviremos o que nos é dito, de todos os lados, e seremos mais capazes de tomar uma decisão.

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PROVÉRBIOS 11: 3 – 8

Pensando biblicamente

AS VANTAGENS DOS JUSTOS

 

 V. 3 – Não somente temos a promessa de que Deus guiará os justos, e a ameaça de que Ele irá destruir os transgressores, mas, para que possamos ter ainda mais certeza de ambas, isto é aqui descrito como se a natureza da questão fosse tal, nos dois lados, que fizesse isto, por si mesma.

1. A sinceridade de um homem sincero será, ela mesma, o seu guia, no caminho do dever e no caminho da segurança. Os seus princípios são fixos, o seu governo é assegurado e por isto o seu caminho é plano; a sua sinceridade o mantém firme, e ele não precisa mudar de direção a cada vez que muda o vento, não tendo outro objetivo senão o de manter uma boa consciência. A sinceridade e a retidão guardarão os homens (Salmom 25.21).

2. A perversidade de um homem desleal será, ela mesma, a sua ruína. Da mesma maneira como a sinceridade de um homem bom será a sua proteção, ainda que ele esteja muito exposto, também a perversidade dos pecadores será a sua destruição, ainda que eles se julguem tão fortificados. Eles cairão nas covas que eles mesmos tiverem cavado (Provérbios 5.22).

 

V. 4 – Observe:

1. O dia da morte será um dia de ira. Ele é um mensageiro da ira de Deus; por isto, depois que Moisés tinha meditado sobre a mortalidade do homem, ele aproveita a ocasião para admirar a força da ira de Deus (Salmos 110.5). Esta é uma dívida, não para com a natureza, mas para com a justiça de Deus. Depois da morte, segue-se o juízo; e este será um dia de ira (Apocalipse 6.17).

2. As riquezas não servirão de nada para os homens, naquele dia. Elas não desviarão o golpe, nem diminuirão a dor, e muito menos removerão o ferrão; que benefício os direitos de primogenitura deste mundo, então, terão? No dia dos juízos públicos, as riquezas frequentemente expõem os homens, em lugar de protegê-los (Ezequiel 7.19). 3. É somente a justiça que liberta do mal da morte. Uma boa consciência suavizará a morte, e remo­ verá o terror dela; é privilégio somente dos justos não sofrer a segunda morte, e não serem muito feridos pela primeira morte.

 

V. 5 – 6 – Estes dois versos, na verdade, dizem a mesma coisa, e também coincidem com o verso 3. Pois as verdades aqui têm tal certeza e importância que nunca serão excessivamente inculcadas. Que sejamos governados por estes princípios. 

I – Os caminhos da religião são planos e seguros, e neles podemos desfrutar de uma santa segurança. Um princípio vivo de honestidade e graça será:

1. A nossa melhor orientação no caminho correto, e em caso de dúvida nos dirá: “Este é o caminho, andai nele”. Aquele que age sem um guia olha à frente e procura enxergar o caminho diante de si.

2. A nossa melhor libertação de todos os falsos caminhos: Ajustiça dos virtuosos será uma armadura para eles, que os livrará das seduções do mal e do mundo, e de suas ameaças. Os caminhos dos ímpios são perigosos e destrutivos: O ímpio cairá em desgraça e destruição, pela sua própria impiedade, e será apanhado na sua própria perversidade, como em uma cilada. ”A tua ruína, ó Israel, vem de ti mesmo” (Oséias 13.9, na versão RA). O seu pecado será a sua punição – aquela mesma coisa pela qual se empenharam, para se abrigar, se voltará contra eles.

 

V. 7 – Observe:

1. Mesmo os ímpios, enquanto vivem, podem conservar uma expectativa confiante de uma felicidade quando morrerem, ou, pelo menos, uma felicidade neste mundo. O hipócrita tem a sua esperança, na qual se envolve, como uma aranha, em sua teia. O materialista espera grandes coisas da sua riqueza; ele diz que são bens acumulados para muitos anos, e espera ter nela a sua tranquilidade, e ser feliz, mas na morte, a sua expectativa será frustrada; o materialista deverá deixar este mundo, em que esperava continuar, e o hipócrita não alcançará o muito que esperava desfrutar (Jó 27.8).

2. Será o grande agravamento da infelicidade dos ímpios o fato de que as suas esperanças se converterão em desespero, exatamente quando eles esperavam que elas fossem coroadas de benefícios. Quando um homem piedoso morre, as suas expectativas são excedidas, e todos os seus temores desaparecem; mas quando um ímpio morre, as suas expectativas são destruídas, despedaçadas, e neste mesmo dia perecem os seus pensamentos com que ele se alegrava, e desaparecem as suas esperanças.

 

V. 8 – Como sempre na morte, também, algumas vezes, na vida, os justos são notavelmente favorecidos, e os ímpios, atormentados.

1. Os bons são libertados da angústia, na qual se consideravam perdidos, e seus pés são colocados em um lugar de abundância (Salmos 66.12; 34.19). Deus encontrou uma maneira de libertar o seu povo, mesmo quando eles estiveram desesperados e quando seus inimigos triunfaram, como se o deserto os tivesse aprisionado.

2. Os ímpios caem na angústia da qual se julgavam a salvo, ou melhor, à qual eles tinham sido úteis para levar os justos, de modo que, aparentemente, ficam em seu lugar, como um resgate pelos justos. Mardoqueu é salvo da forca, Daniel, da cova dos leões, e Pedro, da prisão; e os seus perseguidores ficam em seus lugares. Os israelitas são libertados do mar Vermelho, e os egípcios se afogam nele. Tão preciosos são os santos, aos olhos de Deus, que Ele dá homens por eles (Isaias 43.3,4).

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PROVÉRBIOS 11: 1 – 2

Pensando biblicamente

AFIRMAÇÕES IMPORTANTES

 

V. 1 – Da mesma maneira como a religião, com relação a Deus, é uma ramificação da justiça universal (não é um homem honesto o que não é devoto), também a justiça para com os homens é uma ramificação da verdadeira religião, pois não é um homem de­ voto aquele que não é honesto, nem pode esperar que a sua devoção seja aceita: pois:

1. Nada é mais ofensivo a Deus do que a fraude no comércio. Uma balança enganosa aqui representa todas as formas de práticas injustas e fraudulentas, ao lidar com qualquer pessoa, práticas estas que são, todas elas, uma abominação para o Senhor, e tornam abomináveis para Ele os que se permitem usar estas amaldiçoadas formas para prosperar. É uma afronta à justiça, da qual Deus é o defensor, bem como uma injustiça para com o nosso próximo, de quem Deus é o protetor. Os homens fazem pouco de tais fraudes, e pensam que não existe pecado naquilo pelo que se consegue dinheiro, e, uma vez que estes atos passam despercebidos, não podem se culpar por eles; uma mancha não é uma mancha, até que seja descoberta (Oseias 12.7,8). Mas eles não são menores aberrações para Deus, que será o vingador daqueles que são enganados por seus irmãos.

2. Nada agrada mais a Deus do que atitudes justas e honestas, e nada é mais necessário para nos tornar, e a nossas devoções, aceitáveis a Ele: o peso justo é o seu prazer. Ele mesmo se guia por um peso justo, e segura a balança do juízo com uma mão imparcial, e por isto se alegra com aqueles que, nisto, são seus seguidores. Uma balança engana, sob o pretexto de ser extremamente precisa, e por isto é uma abominação ainda maior para Deus.

 

V. 2 – Observe:

1. Como aquele que se exalta é aqui humilhado, e desprezado. Vindo a soberba, virá também a afronta. A soberba é um pecado da qual os homens têm razão para se envergonhar; é uma vergonha para um homem que veio do pó, que vive de doações, que depende de Deus, e que perde tudo o que tem, por ser soberbo. É um pecado que os outros julgam vergonhoso, e que consideram com desdém; aquele que é soberbo se torna desprezível; é um pecado, pelo qual Deus frequentemente abate os homens, como fez com Nabucodonosor e Herodes, cuja ignomínia acompanhava a sua vanglória; pois Deus resiste aos soberbos, e os contradiz, e se opõe a eles, naquilo de que mais se orgulham (Isaias 2.11, e versículos seguintes).

2. Como aquele que se humilha é aqui exaltado, e lhe é atribuído um excelente caráter. Da mesma maneira como, com os soberbos, há loucura, e haverá vergonha, também com os humildes há sabedoria, e haverá honra, pois a sabedoria de um homem lhe conquista respeito e faz com que o seu rosto brilhe diante dos homens; ou, se alguém for tão vil, a ponto de pisotear os humildes, Deus dará a estes últimos a graça, que será a sua glória. Considerando o quanto estão a salvo, e tranquilos, os que têm um espírito humilde, e a comunhão que têm com Deus e a consolação que têm em si mesmos, diremos: Com os humildes está a sabedoria.

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PROVÉRBIOS 10:  26 – 32

Pensando biblicamente

 O JUSTO É EXCLUSIVAMENTE FELIZ

 

V. 26 – Observe:

1. Os que têm uma disposição preguiçosa, que amam a sua tranquilidade e não conseguem dedicar as suas mentes a nenhuma atividade, não são apropriados a ser empregados, nem mesmo a ser enviados em uma tarefa, pois não transmitirão uma mensagem com nenhum cuidado, nem se apressarão de volta. Portanto, são muito inadequados para ser ministros, mensageiros de Cristo; Ele não admitirá o envio de preguiçosos à sua seara.

2. Os que são culpados de um descuido tão grande como confiar uma tarefa a alguém assim, certamente terão irritação por causa deles. “Como vinagre para os dentes, como fumaça para os olhos, assim é o preguiçoso para aqueles que o mandam”; ele provoca a paixão do seu senhor, como o vinagre nos dentes, e faz com que ele se entristeça por ver os seus negócios negligenciados e arruinados, como a fumaça faz chorar os olhos.

 

V. 27 – 28 – Observe:

1. A religião prolonga a vida dos homens e coroa as suas esperanças. Que homem é aquele que ama a vida? Que tema a Deus, e isto o protegerá de muitas coisas que prejudicariam a sua vida, e lhe assegurará vida suficiente neste mundo, e vida eterna, no outro; o temor do Senhor aumenta os dias, mais do que era esperado; os acrescentará incessantemente, e os prolongará até os dias da eternidade. Que homem é aquele que verá dias bons? Que seja religioso, e então seus dias não serão somente muitos, mas felizes, muito felizes, além de muitos, pois a esperança dos justos é alegria; eles terão aquilo que esperam, para sua indescritível satisfação. É algo futuro e invisível aquilo em que depositam a sua felicidade (Romanos 8.24,25), não o que eles têm à mão, mas o que têm em esperança, e a sua esperança logo será absorvida pelo desfrute, e será a sua felicidade eterna. “Entra no gozo do teu senhor”.

2. A iniquidade encurta a vida dos homens, e frustra as suas esperanças: os anos dos ímpios, que são passados nos prazeres do pecado e no trabalho penoso do mundo, serão abreviados. Corta as árvores que sobrecarregam o solo. E qualquer consolação ou felicidade que um homem ímpio prometa a si mesmo, neste mundo ou no outro, ele será frustrado; pois a expectação dos ímpios perecerá; a sua esperança se converterá em interminável desespero.

 

V. 29 – 30 – Estes dois versículos têm o mesmo objetivo que os imediatamente anteriores, sugerindo a felicidade dos santos e a infelicidade dos ímpios; é necessário que isto seja inculcado em nós, pois somos relutantes de­ mais para crer nisto e considerá-lo.

1. Força e estabilidade são transmitidas pela integridade: O caminho do Senhor (a providência de Deus, o caminho em que Ele anda em nossa direção) é fortaleza para os retos, e os confirma na sua justiça. Todas as atitudes de Deus para com o homem reto, tanto as misericordiosas como as aflitivas, servem para despertá-lo para o seu dever, e animá-lo contra o seu desencorajamento. Ou o caminho do Senhor (o caminho da santidade, em que Ele diz que devemos andar), é fortaleza para os retos; quanto mais próximos nos mantivermos deste caminho, mais os nossos corações serão incentivados a prosseguir nele, e mais capacitados seremos, tanto para os serviços como para os sofrimentos. Uma boa consciência, conservada pura e preservada do pecado, dá ao homem coragem, em tempos de perigo, e a constante diligência no dever torna o trabalho de um homem fácil, em tempos difíceis. Quanto mais fizermos por Deus, mais poderemos fazer (Jó 17.9). Aquela alegria do Senhor, que somente pode ser encontrada no caminho do Senhor, será nossa força (Neemias 8.10), e, portanto, os justos não serão jamais removidos. Os que têm uma virtude estabelecida, têm paz e felicidade estabelecidas, de que ninguém pode privá-los; eles têm perpétuo fundamento (v. 25).

2. A ruína e a destruição são as consequências asseguradas da iniquidade. Os ímpios não somente não herdarão a terra, embora acumulem nela os seus tesouros, mas sequer habitarão a terra; os juízos de Deus os extirparão. A ruína, rápida e assegurada, virá aos que praticam a iniquidade, a destruição da presença do Senhor e da glória do seu poder. Na verdade, aquele caminho do Senhor que é a fortaleza dos justos, consome e aterroriza aqueles que praticam a iniquidade; o mesmo Evangelho que, para uma pessoa, é cheiro de vida para vida, é, para outra. cheiro de morte para morte; a mesma providência. como o mesmo sol, suaviza a uma, e insensibiliza a outra (Oseias 14.9).

 

V. 31 – 32 – Aqui, como antes, os homens são julgados, e, consequentemente, são justificados ou condenados, pelas suas palavras (Mateus 12.37).

1. O fato de que um homem fale sabiamente e bem é a prova da sua sabedoria e da sua bondade, e também o louvor por estas qualidades. Um homem bom, no seu discurso, exibe sabedoria para o benefício dos outros. Deus lhe dá sabedoria, como uma recompensa pela sua justiça (Êxodo 2.26), e ele, em gratidão por este presente e por justiça a quem o deu a utiliza para fazer o bem, e como o seu discurso sábio e piedoso, edifica a muitos. Ele sabe o que é aceitável, qual discurso será agradável a Deus (pois ele procura agradar mais no discurso, do que agradar a companhia), e o que será agradável, tanto para quem fala como para quem ouve, o que será conveniente para ele, e o que irá beneficiar os seus ouvintes, e enfatizará aquilo que ele dirá.

2. É o pecado, e será a destruição de um ímpio, o fato de que ele fale com iniquidade sobre si mesmo. A boca do ímpio fala com petulância, aquilo que é desagradável a Deus e provoca àqueles com quem Ele tem concerto; e qual será o resultado disto? Ora, a língua da perversidade será desarraigada, como a língua lisonjeira (Salmos 12.3).

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PROVÉRBIOS 10:  22 – 25

Pensando biblicamente

AS VANTAGENS DOS JUSTOS

 

V. 22 – A riqueza terrena é aquilo a que a maioria dos homens dedica os seus corações; mas, de um modo geral, eles se confundem, tanto a respeito da natureza daquilo que de­ sejam, quanto na maneira como esperam obtê-lo. Aqui, portanto, lemos:

1. Qual é a riqueza realmente desejável: A riqueza realmente desejável é não ter somente abundância, mas tê-la e não ter nenhuma tristeza com ela, não ter preocupação inquietante para obtê-la e conservá-la, é não ter nenhuma irritação de espírito no desfrute dela, nenhuma angústia aflitiva pela sua perda, nenhuma culpa gerada pelo mau uso dela – é tê-la, e ter a coragem de aceitar a sua consolação, fazendo o bem com ela e servindo a Deus com alegria e satisfação no coração, no uso dela.

2. Como esperar obter esta riqueza desejável: Não nos tornando escravos do mundo (Salmos 127.2), mas pela bênção de Deus. É isto que enriquece e não acrescenta dores; o que vem do amor de Deus tem a graça de Deus consigo, para preservar a alma dos desejos e paixões turbulentos dos quais o acréscimo de riquezas é, normalmente, o incentivo. Ele tinha dito (v. 4), a mão dos diligentes enriquece, como um meio; mas aqui ele atribui isto à bênção do Senhor; mas esta bênção está sobre a mão dos diligentes. Está, portanto, nas riquezas espirituais. A diligência em obtê­ las é nosso dever, mas a bênção e a graça de Deus devem ter toda a glória por aquilo que adquirimos (Deuteronômio 8.17,18).

 

V .23 – Aqui temos:

1. Um pecado extremamente grave: “Um divertimento é para o tolo praticar a iniquidade”; isto é tão natural para ele, e tão agradável, como é o riso, para um homem. A iniquidade é seu Isaque (esta é a palavra, aqui); é seu deleite, seu amado, e aquilo em que ele se compraz. Quando é advertido para não pecar, pela consideração à lei de Deus e à revelação da sua ira contra o pecado, ele zomba da admoestação, e ri com o brandir da lança; quando peca, em lugar de se entristecer por isto, ele se vangloria por ter pecado, ridiculariza as repreensões, e ri das condenações da sua própria consciência (Provérbios 14.9).

2. Uma sabedoria extremamente sábia, pois traz consigo a evidência da sua própria excelência; ela pode ser estabelecida, por si só, e isto já é elogio suficiente; não é preciso dizer mais nada em louvor de um homem de entendimento, além disto: é um homem inteligente, ele tem sabedoria; ele é tão sábio, a ponto de não cometer maldades, ou, se tiver come­ tido, por descuido, ele é tão sábio, a ponto de não brincar sobre isto. Ou, para declarar a sabedoria realmente sábia, interprete da seguinte maneira: Assim como é um divertimento, para o tolo, praticar a iniquidade, para o homem inteligente, o mesmo é o ser sábio, e mostrar isto. Além da recompensa futura, um homem bom tem tanto prazer atual, nas restrições e nos exercícios da religião, como os pecadores podem alegar ter, nas liberdades e nos prazeres do pecado, e muito mais, e muito melhor.

 

V. 24 – 25 – Aqui é dito, e repetido, para os justos, que tudo lhes sairá bem, e aos ímpios, Ai deles – eles são comparados, entre si, para mútuo exemplo.

I – As coisas serão tão más, com os ímpios, como eles poderiam temer, e tão boas, com os justos, como eles poderiam desejar.

1. Os ímpios, é verdade, se sustentam. às vezes, na sua iniquidade, com vãs esperanças que os enganarão, mas, em outras ocasiões, eles não podem deixar de ser assombrados com justos temores, e estes temores os esmagarão; eles perceberão que o Deus que eles provocam será tão terrível como eles, quando estiverem sob os seus maiores desalentos. Assim como é o teu temor, também a tua ira (Salmos 90.11). Os ímpios temem a punição do pecado. mas não têm sabedoria para melhorar a situação dos seus temores; e assim, o que temem vem até eles, e os seus terrores atuais são prenúncios de seus tormentos futuros.

2. Os justos, é verdade, têm, às vezes, os seus temores, mas o seu desejo se dirige para a benevolência de Deus e uma felicidade nele, e este desejo será concedido. De acordo com a sua fé, e não com o seu temor, lhes será dado (Salmos 37.4).

 II – A prosperidade dos ímpios logo terminará, mas a felicidade dos justos jamais terminará (v.25). Os ímpios fazem muito ruído, apressam tanto a si mesmos como aos outros, como um redemoinho, que ameaça destruir tudo o que esteja à sua frente; mas, como um redemoinho, em certo momento ele acaba, e eles morrem, de maneira irrecuperável; não mais existem; ao seu redor todos estão quietos e satisfeitos, assim que termina a tempestade (Salmos 37.10,36; Jó 20.5). Os justos, ao contrário, não se exibem; ficam escondidos, como uma fundação, que é baixa e fora de vista, mas são determinados na sua resolução de se agarrar a Deus, estabelecidos em virtude, e serão uma fundação eterna, um bem inalterável e inabalável. Aquele que é santo será santo, e imutavelmente feliz; a sua esperança está edificada sobre uma rocha, e, por isto, não se abalará pela tempestade (Mateus 7.24). O justo é a coluna do mundo (assim alguns interpretam); o mundo continua, por causa dele; a santa semente é a essência dele.

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PROVÉRBIOS 10:  18 – 21

Pensando biblicamente

O USO APROPRIADO DA LÍNGUA

 

V. 18 – Observe aqui, a malícia é loucura e iniquidade.

1. É assim, quando oculta pela lisonja e dissimulação: É um louco, ainda que possa se considerar um político, o que encobre o ódio com lábios falsos, porque, se esse ódio irromper, ele se envergonhará perante os homens, e perderá a oportunidade de satisfazer a sua maldade. Os lábios mentirosos são suficientemente maus, por si só, mas têm uma malignidade peculiar neles quando se fazem um disfarce para a maldade. Mas é um louco o que pensa esconder alguma coisa de Deus.

2. Não é nada melhor, quando ela é expressa em linguajar rancoroso e perverso: O que difama é um insensato, também, pois Deus, mais cedo ou mais tarde, exibirá aquela justiça como a luz que ele se esforça para esconder, e encontrará uma maneira de remover a reprovação.

 

V.19 – Aqui, somos advertidos a respeito do controle da língua, esse dever necessário de um cristão.

1. É bom falar pouco, porque na multidão de palavras não falta transgressão, ou o pecado não cessa. Normalmente, os que falam muito, falam muitas coisas incorretas, e entre tantas palavras não conseguem deixar de incluir palavras vãs, pelas quais, em breve, terão que se explicar. Aqueles que amam ouvir a si mesmos não consideram aquilo que é necessário para o arrependimento. O problema deles é que o arrependimento será exigido, mais cedo ou mais tarde, onde não faltarem as transgressões.

2. É, portanto, bom controlar nossa boca, como com rédeas: O que modera os seus lábios, que se controla frequentemente, suprime o que pensou e retém o que poderia expressar, é prudente; isto é uma evidência da sua sabedoria, e nisto ele procura a sua própria paz. O pouco que é dito é mais facilmente corrigido (Amós 5.13; Tiago 1.19).

 

V. 20 – 21 – Aqui nos é ensinado como valorizar os homens, não pela sua riqueza e promoção no mundo, mas pela sua virtude.

I – Os homens bons são bons para alguma coisa. Ainda que sejam pobres e humildes neste mundo, e possam não ter poder ou riquezas com que fazer o bem, enquanto tiverem uma boca para falar, eles serão valiosos e úteis, e por causa disto devemos honrar os que temem ao Senhor, porque do bom tesouro de seu coração produzem boas coisas.

1. Isto os torna valiosos: Prata escolhida é a língua do justo; eles são sinceros, livres dos dejetos da maldade e dos maus desígnios. As obras de Deus são comparadas à prata refinada (Salmos 12.6), e por isto podemos confiar nelas; e assim são as palavras dos homens justos. Elas têm peso e valor, e enriquecerão os que as ouvirem com sabedoria, que é melhor do que a prata escolhida.

2. E os torna úteis: Os lábios do justo apascentam muitos, pois estão cheios da Palavra de Deus, que é o pão da vida, e esta confiável doutrina de que as almas se alimentam. Um discurso piedoso é alimento espiritual para os necessitados, sim, para os famintos.

II – Os ímpios não servem para nada.

1. Não se obtém nenhum bem com eles: o coração dos ímpios é de nenhum preço, e por isto, o que sai da abundância de seu coração não pode valer muito. Os seus princípios, as suas noções, os seus pensamentos, os seus propósitos, e todas as coisas que estão nele e o afetam, são terrenas e carnais, e por isto, de nenhum valor. Aquele que vem da terra fala da terra, e não entende nem aprecia as coisas de Deus (João 3.31; 1 Coríntios 2.14). O ímpio alega que, embora não fale de religião como o justo, ainda assim ele a traz dentro de si, e agradece a Deus pelo fato de que o seu coração é bom; mas aquele que sonda o coração aqui diz o contrário: isto “é de nenhum preço”.

2. Não se pode fazer nenhum bem a eles. Enquanto muitos são apascentados pelos lábios dos justos, os tolos, por falta de entendimento, morrem; e tolos, realmente, morrerão, pela falta daquilo que poderiam obter tão facilmente. Os tolos morrem, por falta de um coração (este é o significado da palavra); eles perecem por falta de consideração e resolução; eles não têm coragem de fazer nada, para o seu próprio bem. Enquanto os justos alimentam os outros, os tolos morrem de fome.

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PROVÉRBIOS 10:  8 – 17

Pensando biblicamente

SINAIS DE SABEDORIA E LOUCURA

V. 8 – Aqui temos:

1. A honra e a felicidade dos obedientes. Eles aceitarão os mandamentos; eles considerarão um privilégio, e realmente uma tranquilidade para eles, estarem sujeitos a um governo, o que lhes poupa os esforços de deliberar e decidir por si mesmos; e aceitarão como uma benevolência o fato de que lhes seja dito qual é o seu dever, e admoestados a respeito dele. E esta é a sua sabedoria; são sábios de coração os que são dóceis, e obedientes; e aqueles que se curvam ficarão em pé, e serão estabelecidos; eles prosperarão se forem bem aconselhados.

2. A vergonha e a ruína dos desobedientes, que não desejarem ser governados, nem suportar nenhum jugo, que não querem ser ensinados, nem receber nenhum conselho. São loucos, pois agem contra si mesmos e contra os seus próprios interesses; eles são loucos palradores, de lábios loucos, de conversa louca, sem sentido, e se vangloriam, falando com desprezo dos que os admoestam (3 João 10), e com a pretensão de dar conselhos e ditar a lei aos outros. De todos os loucos, nenhum é mais problemático do que o louco palrador, e nenhum se expõe mais; mas eles cairão no pecado, no interno, porque não quis eram receber os mandamentos. Os que falam muito, raramente olham para seus pés, e por isto tropeçam e caem.

 

V. 9 – Aqui lemos, e podemos ter a certeza de que:

1. A integridade do homem será a sua segurança; Aquele que anda em sinceridade para com Deus e o homem. que é fiel a ambos, que deseja o que deveria e tenciona o que diz, anda seguro, ele está a salvo sob a proteção divina, e tranquilo, em urna santa segurança. Ele prossegue pelo seu caminho com humilde ousadia, bem armado contra as tentações de Satanás, as dificuldades do mundo e as difamações dos homens. Ele sabe sobre qual base se encontra, qual guia segue, qual guarda o protege, e para qual glória se dirige, e por isto prossegue com segurança e grande paz (Isaias 32.17; 33.15,16). Alguns entendem que é parte do caráter de um homem reto o fato de que ele anda com segurança, em oposição a andar arriscando-se. Ele não ousará fazer aquilo com cuja legitimidade não esteja plenamente satisfeito na sua própria consciência, mas verá o seu caminho livre, em tudo.

2. A desonestidade dos homens será a sua vergonha: Aquele que perverte os seus caminhos, que se desvia para caminhos tortuosos, que tenta ludibriar a Deus e aos homens, que olha para um lado e segue para outro, ainda que possa, por algum tempo, disfarçar-se, dará a conhecer o que ele realmente é. É certeza absoluta que, em um ou outro momento, ele se trairá; pelo menos, Deus o revelará, no grande dia. Aquele que perverte os seus caminhos será feito um exemplo, para advertir os outros. É assim que alguns entendem esta situação.

 

V. 10 – A maldade é aqui descrita como acompanhando:

1. Os pecadores oportunistas, engenhosos dissimulados: o que acena com os olhos, como se não observasse você, quando. ao mesmo tempo, está esperando uma oportunidade para lhe fazer mal, que faz sinais aos seus cúmplices para que venham ajudá-lo em seus projetos ímpios, que são todos executados por truques e artimanhas, dá dores, e traz tristeza, tanto aos outros como a si mesmo. A ingenuidade não será desculpa para a iniquidade – tal pecador deverá se arrepender ou agir de um modo ainda pior; deverá lamentar este pecado ou ser arruinado por ele.

2. Os pecadores públicos, tolos, e que se revelam: O tolo de lábios, cujos pecados vão a juízo, será transtornado, como foi dito antes (v. 8). Mas o seu caso é o menos perigoso dos dois, e, embora ele se destrua, não cria tanta tristeza para os outros como o que acena com os olhos. O cão que morde nem sempre é o cão que ladra.

 

V. 11 – Observe aqui:

1. Quão diligente é um homem bom, ao comunicar a sua bondade, em fazer o bem com ela: A boca do justo, a saída da sua mente, é manancial de vida; é uma fonte constante, de onde saem bons discursos para a edificação dos outros, como correntes que regam o solo e o tornam frutífero, e para sua consolação, como águas que matam a sede do viajante cansado. É como uma fonte de vida, que é pura e limpa, não somente não envenenada, mas não enlameada, não contendo nenhuma mensagem corrupta.

2. Quão diligente é um homem mau , escondendo a sua iniquidade, para fazer o mal com ela: A boca dos ímpios encobre a maldade, disfarça a maldade pretendida com declarações de amizade, para que possa ser executada com mais segurança e eficácia, como Joabe beijou e matou, e Judas beijou e traiu; este é o seu pecado, ao qual corresponde a punição (v. 6): A violência cobre a boca dos ímpios; o que ele conseguiu com violência, será tirado dele (Jó 5.4,5).

 

V. 12 – Aqui temos:

1. O grande criador de contendas – o ódio. Mesmo quando não há oportunidade manifesta de contenda, ainda assim o ódio busca a oportunidade e assim excita contendas e realiza a obra do diabo. Estas são as mais desprezíveis pessoas de má índole, as que se alegram em atrair seus próximos pelos ouvidos, por meio de fábulas, suspeitas e descrições indevidas, insuflando as fagulhas da contenda, que estavam enterradas, e convertendo-as em chama, junto à qual, com incontável prazer, aquecem suas mãos.

2. O grande pacificador; que é o amor, que cobre todas as transgressões, isto é, as ofensas nos relacionamentos, que ocasionam discórdia. O amor, em lugar de divulgar e agravar a transgressão a esconde e aplaca, até onde ela pode ser escondida e aplacada. O amor irá perdoar a transgressão que cometemos por engano e inadvertidamente, quando podemos dizer que não tínhamos má intenção, mas foi um descuido, e quando amarmos ao nosso amigo, apesar de tudo, isto encobrirá a transgressão. O amor também irá ignorar a ofensa que nos for feita, e a cobrirá, e a usará para o bem: com isto, a luta é evitada, ou, se tiver sido iniciada, a paz será recuperada e restaurada rapidamente. O apóstolo cita isto: O amor cobrirá a multidão de pecados (1 Pedro 4.8).

 

 V. 13 – Observe:

1. A sabedoria e a graça são a honra dos homens bons: nos lábios daquele que tem entendimento, aquele bom entendimento que têm os que obedecem aos mandamentos, se acha a sabedoria, isto é, ela é descoberta ali, e consequentemente, se descobre que ele tem consigo um bom tesouro, e que ele é usado, consequentemente, para o benefício dos outros. É honra de um homem ter sabedoria, mas muito mais ser útil para tornar sábios os outros.

2. A loucura e o pecado são a vergonha dos maus: ”A vara é para as costas do falto de entendimento”, daquele que não tem entendimento; ele se expõe às punições da sua própria consciência, aos açoites da língua, às censuras do magistrado, e aos justos juízos de Deus. Os que prosseguem, loucamente e voluntariamente, em caminhos ímpios, estão preparando varas para si mesmos, cujas marcas serão a sua desgraça perpétua.

 

V. 14 – Observe:

1. É a sabedoria dos sábios que acumulem um estoque de conhecimento útil, que ser á a sua preservação. Portanto, nos lábios do sábio se acha a sabedoria (v. 13), porque ela está guardada em seus corações, e deste depósito, como o bom chefe de família, eles trazem coisas novas e velhas. Devemos guardar qualquer conhecimento que possa ser, em algum momento, útil para nós, porque não sabemos quando, mas em algum momento ou outro poderemos ter algum uso para ele. Nós devemos continuar guardando e acumulando, enquanto vivermos; e devemos nos certificar de guardá-lo em segurança, para que não tenha que ser buscado quando precisarmos dele.

2. É a loucura dos loucos que acumulem maldade em seus corações, que está pronta e preparada para eles, em tudo o que dizem, e que opera terror e destruição, para os outros e para si mesmos. Eles amam as palavras devoradoras (Salmos 52.4) e estas são as que mais aparecem. A sua boca está muito próxima da destruição, tendo as flechas afiadas de palavras amargas sempre à mão para atirar.

 

V. 15 – Isto pode ser interpretado de duas maneiras:

1. Como uma razão pela qual devemos ser diligentes em nossas atividades, para que possamos evitar aquele desconforto desanimador e depressivo que acompanha a pobreza, e possamos desfrutar do benefício e conforto que têm os que estão em uma boa situação no mundo. Esforçar-se é, realmente, a maneira de fazer com que nós mesmos e nossas famílias estejamos em tranquilidade. Ou,

2. Como uma descrição dos enganos comuns, tanto de ricos como de pobres, a respeito de sua condição externa.

(1) Os ricos se julgam felizes porque são ricos, mas este é o seu engano: A fazenda do rico é, no seu próprio conceito, a cidade da sua fortaleza, porém ela é fraca demais e completamente insuficiente para protegê-los do pior dos males. Suas riquezas provarão que eles não estão tão a salvo como imaginam; na verdade, elas podem, talvez, expô-los.

(2) Os pobres se julgam infelizes porque são pobres, mas isto é um engano: a destruição dos pobres é a sua pobreza; ela diminui seu ânimo e destrói todas as suas consolações; mas um homem pode viver com muito conforto, ainda que tenha apenas um pouco de que viver, se puder estar satisfeito, e conservar uma boa consciência, e viver pela fé.

 

V. 16 – Aqui, Salomão confirma o que seu pai tinha dito: “Vale mais o pouco que tem o justo do que as riquezas de muitos ímpios” Salmos 37.16).

1. Talvez um homem justo não tenha nada além do que aquilo pelo que trabalha arduamente; ele come somente a obra das suas mãos, mas essa obra conduz à vida: ele não deseja nada além de ter um sustento honesto, não cobiça ser rico e nobre, mas deseja viver e sustentar a sua família. Isto não diz respeito somente à sua própria vida, mas ele deseja se capacitar para fazer o bem aos outros; ele trabalha, para que tenha o que repartir (Efésios 4.28); todas as suas atividades resulta m em um ou outro bom resultado. Ou isto pode se referir ao seu trabalho na religião; ele se esforça naquilo que tem uma tendência para a vida eterna; ele semeia no Espírito, para que possa ceifar a vida eterna.

2. Talvez a riqueza de um ímpio seja o fruto pelo qual ele não se esforçou, mas veio facilmente, e assim conduz ao pecado. Ele faz dela o alimento e o combustível de seus desejos, o seu orgulho e a sua luxúria; com ela, ele obtém danos, e não o bem; ele é prejudicado por ela, e é insensibilizado por ela, em seus caminhos ímpios. As coisas deste mundo são boas ou más, vida ou morte, conforme são usadas, e conforme são as pessoas que as têm.

 

V. 17 – Observe aqui:

1. Que estão certos os que não somente recebem a instrução, mas que a retém, que não permitam que ela lhes escape por descuido, como acontece com muitos, nem permitem que ela passe para os que desejam roubá-la deles, mas os que guardam a instrução a salvo, pura e intacta, para seu próprio uso, para que possam se governar por ela, e que a guardam para o benefício dos outros, para que possam instruí-los – os que fazem isto estão no caminho da vida, o caminho que tem em si verdadeira consolação e a vida eterna, no seu final.

2. Que estão errados os que não somente não recebem instrução, mas deliberadamente e obstinadamente a recusam, quando lhes é oferecida. Eles não desejam que o seu dever lhes seja ensinado, porque isto lhes revela os seus erros; eles têm particular aversão àquela instrução que traz consigo repreensão, e certamente erram; este é um sinal de que erram em avaliação, e têm falsas noções sobre o bem e o mal; é uma causa para os seus erros no seu modo de vida. O viajante que errou o caminho, e não aceita que isto lhe seja dito nem que lhe mostrem o caminho correto, necessariamente continuará errado, e estará errado incessantemente; certamente não encontrará o caminho da vida.