ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 30: 7-9

Alimento diário

A ORAÇÃO DE AGUR

 

V. 7 a 9 – Depois da confissão e do credo de Agur, aqui temos a sua litania, onde podemos observar:

I – O prefácio à sua oração: Duas coisas te pedi, ó Deus! Antes de orar, é bom considerar o que necessitamos, e quais são as coisas que temos que pedir a Deus. O que o nosso caso exige? O que os nossos corações desejam? O que desejamos que Deus faça por nós? para que não tenhamos que procurar a nossa súplica quando deveríamos estar apresentando-a. Ele implora, “não mas negues, antes que morra”. Na oração, devemos pensar em morrer, e orar de maneira apropriada. “Senhor, dá-me perdão, e paz, e graça, antes que eu morra, antes que eu me vá daqui e não mais exista; pois, se eu não for renovado e santificado antes de morrei; esta obra não será feita depois; se eu não prevalecer na oração antes de morrer, orações posteriores não prevalecerão, Senhor. Não há nada desta sabedoria ou destas obras na sepultura. Não me negues a tua graça, pois, se o fizeres, morrerei, perecerei; se te silenciares comigo, serei como aqueles que descem à cova (Salmos 28.11. “Não me negues, antes que morra”: enquanto eu permanecer na terra dos vivos, deixa-me continuar sob a condução da Tua graça e boa providência.

 

II – A oração propriamente dita. As duas coisas que ele pede são graça suficiente e alimento apropriado.

1. Graça suficiente para a sua alma: “Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa”; livra-me do pecado, de todos os princípios, práticas e sentimentos corruptos, do erro e do engano, que estão no fundo de todos os pecados, do amor ao mundo e das coisas do mundo, que são apenas vaidade e mentira. Alguns entendem que esta é uma oração que pede o perdão do pecado, pois quando Deus perdoa o pecado, Ele o remove. Ou melhor, é uma oração com o mesmo objetivo que aquela: “Não nos induzas à tentação”. Nada nos é mais prejudicial do que o pecado, e por isto, não há nada contra o que devemos orar mais fervorosamente. para que não façamos o mal.

2. Alimento apropriado para o seu corpo. Tendo orado pedindo as operações da graça divina, aqui ele implora os favores da Providência divina, mas os que possam trazer o bem, e não o prejuízo, da alma.

(1) Ele ora para que da generosidade de Deus ele possa receber uma porção adequada das boas coisas desta vida: “Mantém-me do pão da minha porção acostumada”, o pão que julga res adequado para mim. Quanto a todos os dons da divina Providência, devemos recorrer à sabedoria divina. Ou, “o pão que é adequado para mim, como homem e chefe de família, aquilo que está de acordo com a minha posição e condição no mundo”. Pois assim como é o homem, também é a sua competência. O nosso Salvador parece se referir a isto, quando nos ensina a orar, “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje”, como isto parece se referir ao voto de Jacó, em que ele não desejava nada mais do que pão para comer e vestes para vestir’. O alimento conveniente para nós é aquele com que devemos nos contentar, ainda que não tenhamos delícias, manjares, ou algo supérfluo – o que é para suprir a necessidade, embora não tenhamos para o prazer ou para o ornamento; e isto é aquilo que podemos, com fé, pedir em oração, e em tudo isto podemos depender de Deus.

(2) Ele ora para que possa ser guardado de cada condição da vida que possa ser uma tentação para ele.

[1] Ele ora contra as situações extremas de abundância e necessidade: “Não me dês nem a pobreza nem a riqueza”. Com isto, ele não pretende aconselhar a Deus, nem ensiná-lo qual é a condição que Ele lhe deverá destinai; nem ora contra a pobreza ou a riqueza de modo absoluto, como sendo más em si mesmas, pois ambas, pela graça de Deus, podem ser santificadas e convertidas em um meio que nos trará o bem; mas, em primeiro lugar, com isto ele deseja expressar o valor que os homens bons e sábios dão a um estado intermediário de vida, e, com submissão à vontade de Deus, deseja que este possa ser o seu estado – nem uma honra excessiva, nem um grande desprezo. Nós devemos aprender como controlar as duas coisas (como o apóstolo Paulo, Filipenses 4.12), porém desejar estar sempre entre essas duas coisas. Em segundo lugar, com isto, ele indica o santo zelo que tinha consigo mesmo, o temor de que não conseguisse resistir às tentações, fosse em uma situação de aflição ou de prosperidade. Outros podem preservar a sua integridade em qualquer dessas duas situações, mas ele receia as duas, e por isto a graça o ensina a orar contra as riquezas tanto quanto a natureza o ensina a orar contra a pobreza; mas a vontade do Senhor será feita.

[2) Ele apresenta uma razão piedosa para a sua oração (v. 9). Ele não diz, “Que eu não seja rico, e sobrecarregado de preocupações, e invejado por meu próximo, e devorado por uma multidão de servos”, nem “Que eu não seja pobre e humilhado e forçado a trabalhar duro e ganhar pouco”; mas “para que eu não seja rico e peque, ou pobre, e peque”. O pecado é aquilo que um homem bom deve temer em cada condição e sob cada circunstância; veja Neemias (Provérbios 6.13), para me atemorizar, e para que eu assim fizesse e pecasse. Em primeiro lugar, ele receia as tentações de uma condição próspera, e por isto até mesmo a menospreza: Para que, porventura, de farto te não negue” (como Jesurum, que engordou e deu coices e deixou a Deus que o fez, Deuteronômio 32.15), e não diga, como Faraó, no seu orgulho: “Quem é o Senhor cuja voz eu ouvirei?” A prosperidade faz que as pessoas se assoberbem e se esqueçam de Deus, como se não tivessem necessidade dele e não tivessem nenhuma obrigação com Ele. O que o Todo-Poderoso pode fazer por elas? (Jó 22.17). E, por isto, não desejam fazer nada por Ele. Mesmo os homens bons receiam os piores pecados, tão enganosos julgam que podem ser os seus próprios corações; e sabe m que os maiores ganhos deste mundo não compensarão a menor culpa. Em segundo lugar, ele receia as tentações de uma condição de pobreza, e por esta razão, e nenhuma outra, a menospreza: “Que, empobrecendo, venha a furtar”. A pobreza é uma forte tentação à desonestidade, e domina muitas pessoas que estão prontas a pensar que isto será a sua desculpa, mas não os defenderá no tribunal de Deus. nem no tribunal dos homens, dizer, “roubei porque era pobre”; mas se um homem roubar para satisfazer a sua alma, quando tinha fome, o tribunal poderá decidir que se trata de um caso de compaixão (Provérbios 6.30), e algo a que podem ser levados até mesmo aqueles que têm alguns princípios de honestidade. Mas observe por que Agur receia isto, não porque se colocaria em perigo, mas ‘”para que não venha a furtar, e seja enforcado por isto, açoitado ou torturado, ou vendido como cativo”, como era o caso dos ladrões pobres entre os judeus, que não tinham com que fazer a restituição; mas para que não desonrasse a Deus com isto; “para que [não] venha a furtar e lance mão do nome de Deus, isto é, refute a minha profissão de religião por práticas que não condizem com ela”. Ou, “Para que eu [não] venha a furtar, e, quando acusado, negue sob juramento”. Portanto, ele teme apenas um pecado, porque este o levaria a outro pecado, pois o caminho do pecado é descendente. Observe que ele chama Deus de seu Deus, e por isto teme fazer alguma coisa que o ofenda, por causa do relacionamento que tem com Ele.

Anúncios

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 29: 21-27

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 21 – Observe:

1. É imprudente que um senhor se apegue demais a um servo, que o promova com excessiva rapidez, e permita a excessiva familiaridade com ele, que aceite que ele se intrometa na sua dieta, e no seu modo de vestir e se alojar, e desta maneira o crie delicadamente, por ser um servo favorito e agradável; o senhor deve se lembrar de que ele é um servo, e, sendo assim gratificado, será arruinado para qualquer outra função. Os servos devem suportar as dificuldades.

2. É algo muito ingrato em um servo, mas muito comum, comportar-se de maneira insolente, porque foi tratado com carinho. O humilde filho pródigo se julga indigno de ser chamado de filho, e se concentra em ser um servo: o jovem mimado se julga bom demais para ser chamado de servo, e por derradeiro quererá ser um filho. tomará sua liberdade, se julgará igual ao seu senhor, e talvez tenha pretensões à herança. Que os senhores deem a seus servos aquilo que é justo e adequado a eles, nem mais, nem menos. Isto se aplica ao corpo, que é um servo da alma; os que tratam o corpo com delicadeza. que o mimam e cuidam excessivamente dele, verão que, no final, ele esquece o seu lugar, e se torna um filho, um senhor, um perfeito tirano.

 

V. 22 – Veja aqui o dano que se origina de uma índole irada, inflamada, furiosa.

1. Os homens se provocam, uns aos outros: o homem iracundo levanta contendas, é incômodo e briguento na família e com os outros, alimentando as brasas das contendas, e até mesmo força a urna briga os que desejariam viver tranquilamente ao seu lado.

2. Os homens provocam a Deus: o furioso, que se casa com o seu temperamento e com as suas paixões, não pode deixar de multiplicar as transgressões. A ira indevida é um pecado que causa muitos outros pecados; não somente impede que os homens invoquem o nome de Deus, mas faz com que praguejem, e amaldiçoem, e profanem o nome de Deus.

 

V. 23 – Isto está de acordo com o que Cristo disse, mais de uma vez:

1. Que aqueles que se exaltam serão humilhados. Os que pensam conquistar respeito, exaltando-se acima de sua posição, apresentando-se como nobres, falando de maneira importante, apresentando-se como elegantes e aplaudindo a si mesmos, ao contrário, somente se exporão ao desprezo, perderão a sua reputação, e provocarão a Deus, que tomará providências humilhantes para abatê-los e derrubá-los.

2. Os que se humilham, serão exaltados, e estabelecidos em sua dignidade: o humilde de espírito obterá honra; a sua humildade é a sua honra. e os tornará verdadeiramente e seguramente excelentes, e os recomendará à estima de todos os que são sábios e bons.

 

V. 24 – Veja aqui em que pecado e ruína se envolvem os que são arrastados pela sedução dos pecadores.

1. Eles trazem para si mesmos uma grande culpa: faz isto o que tem parte com o ladrão, que rouba e engana, e lança sua sorte entre eles (Provérbios 1.11, e versículos seguintes). O receptor é tão ímpio quanto o ladrão; e, sendo levado a unir-se a ele, na comissão do pecado, não pode deixar de se unir a ele, no encobrimento do pecado, ainda que seja com os mais terríveis perjúrios e execrações. Ele ouve maldições. quando deveria dizer toda a verdade, e não o denuncia.

2. Eles se precipitam à total ruína: odeiam as suas próprias almas, pois voluntariamente farão o que será a sua destruição inevitável. Veja os absurdos de que os pecadores são culpados; amam a morte, o que há de mais terrível, e odeiam as suas próprias almas, o que há de mais precioso.

 

V. 25 – Observe aqui:

1. Nós somos advertidos a não temer o poder dos homens, nem o poder de um príncipe nem o da multidão; ambos são suficientemente formidáveis, mas o receio servil a qualquer deles é um laço, isto é, expõe os homens a muitos insultos (alguns se orgulham de aterrorizar os temerosos), ou melhor, expõe os homens a muitas tentações. Abraão, por temor ao homem, negou sua esposa, e Pedro, o seu Mestre, e muitos negam o seu Deus e a sua religião. Não devemos recuar do dever, nem cometer pecado, para evitar a ira do homem, e nem devemos nos inquietar com temor, ainda que a vejamos aproximando-se de nós (Daniel 3.16; Salmos 98.6). O homem é mortal (Isaias 51.12) e pode apenas matar o nosso corpo (Lucas 12.5).

2. Nós somos encorajados a confiar no poder de Deus, que nos guardará de todo aquele receio do homem que causa tormento ou tentação. Quem depositar a sua confiança no Senhor, em busca de proteção e provisão, no caminho do dever, será posto em alto retiro, acima do poder dos homens e acima do receio desse poder. Uma santa confiança em Deus engrandece e tranquiliza o homem, e o capacita a olhar com gracioso desprezo os mais formidáveis desígnios do inferno e da terra contra ele. “Eis que Deus é a minha salvação; eu confiarei e não temerei”.

 

V. 26 – Veja aqui:

1. Qual é o caminho comum que os homens tomam para progredir e enriquecer, e se enaltecer: eles buscam a benevolência do governante, e, como se todo o seu juízo procedesse dele, a ele fazem toda a corte. Salomão era um governante, e sabia com que diligência os homens o buscavam, alguns em uma tarefa, outros em outra, mas todos buscavam a sua benevolência. O caminho do mundo consiste sempre em buscar o melhor relacionamento possível com os grandes homens e esperar muito dos sorrisos que têm segundas intenções, e que, no entanto, são incertos, e frequentemente desapontam os homens. Muitos se esforçam buscando a benevolência do governante, e não conseguem obtê-la; muitos podem tê-la por algum tempo, mas não conseguem se conservar nela. em um momento ou outro incorrem no seu desprazer; muitos a têm, e a conservam, mas ela não corresponde à sua expectativa, eles não conseguem aproveitá-la como pensavam que poderiam. Hamã teve a benevolência do governante, mas isto não lhe serviu de nada.

2. Qual é o caminho mais sábio que os homens podem tomar, para ser felizes. Devem olhar para Deus, e buscar o favor do Príncipe dos príncipes; pois o juízo de cada homem vem do Senhor. Conosco, não é como o príncipe quiser; o seu favor não pode nos fazer felizes, e a sua reprovação não nos torna infelizes. Mas tudo está sob a vontade de Deus; cada criatura é, para nós, o que Deus a criou para ser. nem mais, e nem diferente. Ele é a primeira Causa, da qual todas as segundas causas dependem; se o Senhor não ajudar, ninguém poderá fazê-lo (2 Reis 6.27; Jó 34.29).

 

V. 27 – Isto expressa não somente a oposição inata que existe entre a virtude e a maldade, como entre a luz e as trevas, o fogo e a água, mas também a antiga inimizade que sempre existiu entre a semente da mulher e a semente da serpente (Genesis 3.15).

1. Todos os que são santificados têm uma antipatia enraizada pela iniquidade e pelos ímpios. Eles têm boa vontade com as almas de todos (Deus tem, e não deseja que ninguém pereça), mas odeiam os caminhos e procedimentos dos que são ímpios com relação a Deus, e ofensivos aos homens; eles não podem ouvir falar deles, nem falar deles, sem santa indignação; eles odeiam a sociedade dos ímpios e injustos, e temem a ideia de estimulá-los, mas fazem tudo o que podem para trazer a um fim a impiedade dos ímpios. Assim, os homens injustos se tornam odiosos para os justos, e contribui para a sua vergonha e punição o fato de que os homens bons não conseguem suportá-los.

2. Todos os que não são santificados têm uma antipatia igualmente enraizada pela santidade e pelas pessoas piedosas: aquele que é de retos caminhos, que se importa com o que diz e faz, é uma abominação para os ímpios, cuja iniquidade talvez seja suprimida e restringida ou, pelo menos, envergonhada e condenada pela retidão dos retos. Assim aconteceu com Caim, que foi um demônio para o seu pai. A iniquidade dos ímpios é o fato de que odeiam aqueles a quem Deus ama, e, além disso, são também infelizes, pois odeiam aqueles a quem verão, em breve, em eterna bem-aventurança e honra, e que terão domínio sobre eles na manhã (Salmos 49.14).

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 29: 18-20

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 18 – Veja aqui:

I –  A infelicidade do povo que não tem um ministério estabelecido: onde não há visão, nenhum profeta que explique a lei, nenhum sacerdote ou levita que ensine o bom conhecimento do Senhor, nenhum meio de graça, a Palavra do Senhor é escassa, não há visão manifesta (1 Samuel 3.1), então o povo perece; isto tem vários significados, alguns dos quais serão expostos aqui.

1. As pessoas são despidas de seus ornamentos, e assim, expostas à vergonha, privadas de sua armadura, e assim, expostas ao perigo. Quão desolado é um lugar sem Bíblias e ministros, e que presa fácil é, para o inimigo das almas!

2. As pessoas se rebelam, não somente contra Deus, mas contra o seu príncipe; a boa pregação fará das pessoas boas súditas, mas, quando esta falta, elas se tornam turbulentas e facciosas, e desprezam os domínios, por­ que não têm conhecimento.

3. As pessoas são ociosas ou brincam como tendem a fazer os alunos quando o mestre está ausente; não fazem nada com bons propósitos, mas ficam ociosas o dia inteiro, e se divertem no mercado, por falta de instrução sobre o que fazer, e como fazê-lo.

4. As pessoas se dispersam, como ovelhas que não têm pastor, por falta dos mestres das assembleias, para chamá-los e mantê-los juntos (Marcos 6.34). Elas se afastam de Deus e do seu dever por apostasias, e se afastam umas das outras por divisões; Deus é provocado e as dispersa pelos seus juízos (2 Crônicas 15.3,5).

5. Elas perecem, são destruídas pela falta de conhecimento (Oseias 4.6). Veja quantas razões temos para ser gratos a Deus pela abundância de visões manifestas de que desfrutamos.

 

II – A felicidade de um povo que não tem somente um ministério estabelecido, mas bem-sucedido, entre eles, as pessoas que ouvem e observam a lei, entre as quais a religião é o principal; bem-aventurado é este povo, e cada pessoa entre eles. Não é ter a lei, mas obedecer a ela, e viver de acordo com ela, que nos dá direito à bem-aventurança.

 

V. 19 – Aqui está uma descrição de um servo inútil, preguiçoso, ímpio, um escravo que não serve com consciência ou amor, mas puramente por temor. Que aqueles que têm servos como estes tenham paciência, para suportar a irritação e não se atormentar por isto. Veja o seu caráter.

1. Palavras racionais não funcionarão com eles; eles não se emendarão, nem se modificarão, nem serão trazidos às suas atividades, nem curados de sua preguiça e ociosidade, seja por meios agradáveis, seja por palavras ásperas; até mesmo o mais gentil senhor será forçado a usar de severidade com eles; nenhuma razão servirá, pois são irracionais.

2. Nenhuma palavra racional se obterá deles. Eles são teimosos e obstinados, e, ainda que entendam as perguntas que você lhes faz, não lhe darão uma resposta; ainda que você explique claramente o que espera deles, não prometerão corrigir o que está errado, nem cuidar de seu trabalho. Veja a tolice dos servos cuja boca, pelo seu silêncio, pede maus tratos; eles poderiam ser corrigidos por palavras e dispensar os golpes, mas não o serão.

 

V. 20 – Aqui, Salomão mostra que há pouca esperança de trazer à sabedoria um homem que é precipitado, seja:

1. Por impulsividade e irreflexão: Tens visto um homem precipitado nos seus assuntos, que tem uma inteligência desordenada, que parece fazer uma coisa rapidamente, mas a faz somente pela metade, que estuda um livro ou ciência, mas não tem tempo par a digerir o que leu, não tem tempo para fazer uma pausa ou meditar sobre um negócio? Há mais esperança de fazer um estudioso e sábio de alguém que é tolo e lento em seus estudos, do que de alguém que tem uma inteligência veloz e não consegue se fixar.

2. Por orgulho e arrogância: tens visto um homem precipitado nas suas palavras, que fala sobre todos os assuntos iniciados, e se apressa para falar primeiro, para iniciá-lo e concluí-lo, para julgá-lo como se fosse um oráculo? Maior esperança há de um tolo modesto, que conhece a sua tolice, do que dele. que é arrogante.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 29: 15-17

Alimento diário

A DISCIPLINA DOS PAIS

 

V. 15 – Os pais, na educação de seus filhos, devem considerar:

1. O benefício da correção apropriada. Não somente os pais devem dizer aos seus filhos o que é bom e mau, como devem repreendê-los, e corrigi-los e puni-los também, se necessário for, quando negligenciarem aquilo que é bom ou fizerem o que é mau. Se uma repreensão servir, sem a vara, muito bem, mas a vara não deve ser usada nunca sem uma repreensão racional e séria; e então, embora possa haver um desconforto momentâneo para o pai e também para o filho, ainda assim dará ao filho sabedoria. O filho receberá a advertência, e desta maneira, obterá sabedoria.

2. O erro da indulgência indevida: um filho que não é reprimido nem repreendido, mas é deixado à própria sorte, como Adonias, para seguir as suas próprias inclinações, pode fazer o que desejar, mas, se decidir enveredar por maus caminhos, ninguém o impedirá; é praticamente garantido que seja uma desgraça para a sua família, e traga sua mãe, que o minou e lhe permitiu a sua devassidão, à vergonha, à pobreza, à reprovação, e talvez ele mesmo a maltrate e insulte.

 

V. 16 – Observe:

1. Quanto mais pecadores existirem, mais pecado existirá: quando os ímpios, tolerados pelas autoridades, se multiplicam, e circulam por toda parte, não é de admirar que se multipliquem as transgressões; é como o caso de uma praga no campo: diz-se que ela aumenta quando mais e mais se infectam por ela. A transgressão fica mais atrevida e ousada, mais imperiosa e ameaçadora, quando há muitos que a estimulam. No mundo antigo, quando os homens começavam a se multiplicar, começavam a se degenerar e a se corromper, sim, tanto a si mesmos como uns aos outros.

2. Quanto mais pecado existe, mais próxima está a destruição ameaçada. Que os justos não tenham a sua fé e a sua esperança chocadas pelo crescimento do pecado e pelo aumento dos pecadores. Que não digam que lavaram em vão suas mãos, ou que Deus abandonou a terra, mas que esperem pacientemente; os transgressores cairão, a medida da sua iniquidade será total, e então cairão de sua dignidade e poder, e cairão em desgraça e destruição, e os justos terão a satisfação de ver a sua queda (Salmos 37.34), talvez neste mundo, certamente no juízo do grande dia, quando a queda dos inimigos implacáveis de Deus será a alegria e o triunfo dos santos glorificados. Veja Isaías 66.24; Gênesis 19.28.

 

V. 17 – Observe:

1. É algo muito feliz quando os filhos mostram ser a consolação de seus pais. Os bons filhos o são; eles lhes dão descanso, sossego, e os livram das muitas preocupações que tiveram, a seu respeito; eles dão delícias às almas de seus pais. É um prazer para os pais, um prazer que ninguém conhece, exceto os que recebem a bênção de poder desfrutá-lo, ver o feliz fruto da boa educação que deram aos seus filhos, e ter uma amostra do bem que eles farão, para os dois mundos; é um prazer proporcional às muitas inquietudes de coração que preocuparam os pais.

2. Para isto, os filhos devem ser educados sob rígida disciplina, e não devem ter permissão de fazer o que bem desejarem, nem deixar de ser repreendidos, quando fizerem algo errado. A tolice existente em seus corações deverá, pela correção, ser expulsa, quando são jovens, ou irromperá, para sua própria vergonha, bem como a de seus pais, quando já forem crescidos.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 29: 11-14

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 11 – Observe:

1. Ser aberto demais é uma fraqueza: É um tolo o que diz tudo o que pensa – que diz tudo o que sabe, e cuja boca pronuncia instantaneamente o que ele tem em seus pensamentos, e não guarda conselhos – que, quando provocado, diz qualquer coisa que lhe vem à boca, não importando sobre quem recaia – que. quando tem que falar sobre qualquer assunto, diz tudo o que pensa, e nunca pensa ter dito o suficiente, se bom ou mau, se trigo ou joio, se pertinente ou não, diz tudo.

2. É prudente e sábio ser reservado: um homem sábio não dirá tudo o que pensa imediatamente, mas levará algum tempo para pensar melhor, ou reservará o pensamento atual para um momento mais apropriado, quando será mais pertinente e provavelmente alcançará seu objetivo; ele não se entregará a um discurso contínuo e rígido, mas fará pausas, para que possa ouvir objeções e respostas a ele.

 

V. 12 – Observe:

1. É um grande pecado em qualquer pessoa, especialmente nos governantes, dar ouvidos a mentiras; pois não somente farão uma avaliação errada de pessoas e coisas, conforme as mentiras às quais dão crédito, como encorajam os outros a dar informações incorretas. As mentiras são ditas aos que lhes dão ouvidos; mas o receptor, neste caso, é tão ímpio quanto o mentiroso.

2. Os que fazem isto, isto é, dão atenção às palavras mentirosas, acharão que todos os seus servos são ímpios. Todos os seus servos parecerão ímpios. pois mentiras serão ditas sobre eles; e todos serão ímpios, pois dirão mentiras a eles. Todos os que tiverem ouvidos encherão seus ouvidos com calúnias e falsas descrições; e se os príncipes, bem como o povo, forem enganados, todos serão enganados, e em vez de fazerem com que a culpa pelos seus próprios falsos juízos recaia sobre os seus servos, que os informaram mal, devem compartilhar a culpa dos seus servos, e sobre eles estará grande parte da culpa por encorajar estas informações errôneas e dar ouvidos a elas.

 

V. 13 – Isto mostra quão sabiamente o grande Deus serve os desígnios da sua providência por meio de pessoas de diferentes temperamentos, capacidades e condições, até mesmo:

1. Os que são contrários uns aos outros. Alguns são pobres e forçados a tomar empréstimos; outros são ricos, têm uma grande quantidade da riqueza da injustiça (chamadas riquezas enganosas), e são credores ou usurários. Alguns são pobres, e honestos, e esforçados; outros são ricos, preguiçosos e fraudulentos. Eles se encontram nas atividades deste mundo, e se relacionam uns com os outros, e o Senhor alumia os olhos de todos eles; Ele faz com que o seu sol brilhe sobre eles e lhes dá, a todos, as consolações desta vida. A alguns. dos dois tipos, Ele dá a sua graça. Ele esclarece os olhos do pobre, dando-lhe paciência, e os do fraudulento, dando-lhe arrependimento, como foi o caso de Zaqueu.Os que pensamos que

2. poderiam ser poupados. Nós somos propensos a considerar os pobres e os usurários como máculas da Providência. mas Deus deseja que até mesmo eles exibam a beleza ela Providência; Ele tem objetivos sábios, não somente ao deixar os pobres sempre conosco, mas também ao permitir que haja o enganado e o enganador, o que erra e o que faz errar. pois ambos são seus (Jó 12.16). e tudo isto redunda em seu louvor.

 

V. 14 – Aqui, temos:

1. O dever dos magistrados, que é julgar fielmente entre homem e homem, e determinar todas as causas trazidas diante deles, de acordo com a verdade e a equidade. particularmente cuidar dos pobres, não incentivar nenhuma causa injusta por causa de sua pobreza (Êxodo 23.3), mas cuidar que a sua pobreza não se torne seu prejuízo, se tiverem uma justa causa. Os ricos cuidarão de si mesmos, mas os pobres e necessitados o príncipe deve defender (Salmos 82.3) e por eles devem abrir a sua boca (Provérbios 31.9).

2. A felicidade elos magistrados que cumprem o seu dever. O seu trono de honra e o seu tribunal de juízo serão estabelecidos para sempre. Isto lhes assegurará a bondade de Deus e fortalecerá o seu interesse pelos sentimentos do seu povo, o que estabelecerá o seu poder e ajudará a transmiti-lo à posteridade, perpetuando-o na família.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 29: 6-10

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 6 – Aqui, temos:

1. O perigo de um caminho pecaminoso. Não há somente uma punição no seu final, mas também um laço, uma cilada. Um pecado é uma tentação para se cometer outro, e há problemas que, como um laço, sobre­ vêm repentinamente aos homens maus, em meio às suas transgressões; na verdade, a sua transgressão frequentemente os envolve em dificuldades; o seu pecado é a sua punição, e eles ficam presos nas cordas de sua própria iniquidade (Provérbios 5.22).

2. O prazer do caminho da santidade. O laço que há na transgressão dos homens ímpios lhes estraga toda a sua alegria, mas os justos são protegidos desses laços, ou livrados deles; eles andam em liberdade, caminham em segurança, e por isto cantam e se regozijam. Os que fazem de Deus a sua principal alegria o terão como sua extrema alegria, e será sua própria culpa se não se alegrarem para sempre. Se há alguma verdadeira alegria, deste lado do céu, sem dúvida a têm aqueles que convivem com o céu.

 

V. 7 – É lamentável que nem todo aquele que move uma ação contra um pobre, tenha uma causa honesta (entre todos os outros, são indesculpáveis, se não tiverem), porque as Escrituras providenciaram que essa causa fosse ouvida devidamente, com justiça, e que o próprio juiz seguisse a justiça no caso do prisioneiro, e também do pobre.

1. O caráter de um juiz justo o levará a considerar a causa do pobre. É dever de cada homem considerar os pobres (Salmos 41.1), mas o juízo dos pobres deve ser considerado por aqueles que julgam; eles devem se esforçar tanto para descobrir o que é certo na causa de um pobre, como na de um rico. O senso de justiça deve fazer com que o juiz e também o advogado sejam solícitos e diligentes na causa do pobre, como se esperassem grandes benefícios.

2. O caráter do ímpio fará com que, por ser a causa de um pobre, e sendo assim não lhe trará nenhum benefício, ele não a considere, não se importe em conhecê-la, no seu verdadeiro estado, pois não se importa para que lado se dirige; para o certo ou para o errado. Veja Jó 29.16. 

 

V. 8 – Veja aqui:

1. Quem são os homens que são perigosos para o público – homens escarnecedores. Quando estes homens estão empregados nos negócios do estado, fazem coisas com precipitação, porque não gostam de ponderar ou deliberar, e não dedicam tempo à consulta ou consideração; fazem coisas ilegais e injustificáveis, porque desdenham ser limitados pelas leis e constituições; eles rompem a sua fé, porque não gostam de estar presos por sua palavra, e provocam as pessoas, porque desdenham agradá-las. Assim, eles abrasam a cidade, pela sua má conduta, alvoroçam-na (levam a cidade a uma cilada, conforme a anotação de margem); semeiam discórdia entre os cidadãos, e os confundem. São homens escarnecedores, que zombam da religião, das obrigações da consciência, dos temores do outro mundo, e de tudo o que é sagra­ do e sério. Estes homens são as pragas da sua geração; eles trazem os juízos de Deus sobre a terra, e assim levam todos à confusão.

2. Quem são os homens que são as bênçãos de uma terra – os sábios que, ao promoverem a religião, que é a verdadeira sabedoria, desviam a ira de Deus, e que, através de conselhos prudentes reconciliam grupos divergentes e impedem as consequências nocivas das divisões. Os homens soberbos e tolos acendem o fogo que os homens sábios e bons precisam extinguir.

 

V. 9 – Um homem sábio é aqui aconselhado a não comparar a sua inteligência à de um tolo, não discutir com ele nem debater com ele, pensando vencê-lo pela razão ou obter direitos sobre ele: se um sábio contende com outro sábio, pode esperar ser compreendido, e, se tiver a razão e a equidade do seu lado, poderá provar o seu ponto de vista, pelo menos para encerrar a controvérsia e dar-lhe um resultado amistoso; mas, se a contenda for com um tolo, não há descanso, ele não verá o fim da controvérsia, nem terá nenhuma satisfação com ela, mas deve esperar estar sempre inquieto.

1. Quer o tolo discuta com ira ou riso, quer receba com ira ou escárnio o que lhe é dito, quer ele ataque ou zombe do que lhe é dito, fará uma das duas coisas, e não haverá descanso. Não importa como lhe seja dito, será mal recebido, e até o homem mais sábio deve esperar ser repreendido ou ridicularizado, se discutir com um tolo. Aquele que luta com um monte de lixo, quer seja o vencedor ou o vencido, certamente será contaminado.

2. Quer o sábio se enfureça ou ria, quer adote o caminho sério ou o jocoso de lidar com o tolo, quer seja severo ou agradável com ele, quer venha com uma vara ou com espírito de mansidão (1 Coríntios 4.1), acontece a mesma coisa, nenhum bem é feito. “Tocamo-vos flauta, e não dançastes; cantamo-vos lamentações, e não chorastes”.

 

V. 10 – Observe:

1. Os homens maus odeiam seus melhores amigos: Os sanguinários, toda a semente da velha ser­ pente, que foi homicida desde o princípio, todos os que herdam a sua inimizade contra a semente da mulher, odeiam os justos; busca m a destruição dos homens bons, porque estes condenam o mundo ímpio e testemunham contra ele. Cristo disse aos seus discípulos que eles seriam odiados por todos os homens. Os homens sanguinários odeiam particularmente os magistrados justos, que os restringem e corrigem, e põem em execução leis contra eles, fazendo-lhes, na verdade, um ato de bondade.

2. Os homens bons amam seus piores inimigos: os retos, a quem os sanguinários odeiam, buscam a sua alma, oram pela sua conversão, e fariam alegremente qualquer coisa pela sua salvação. Isto, Cristo nos ensinou: “Pai, perdoa­ lhes”. O reto busca o seu bem, isto é, busca o bem da alma do justo, a quem o sanguinário odeia (assim se interpreta, normalmente), busca protegê-lo da violência, e o salva, ou o defende das mãos do sanguinário.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 29: 1-5

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 V. 1 – Aqui:

1. A obstinação de muitos ímpios, em um caminho ímpio, deve ser muito lamentada. Eles são frequentemente repreendidos por parentes e amigos, por magistrados e ministros, pela providência de Deus e, pelas suas próprias consciências, têm seus pecados apresentados diante de si, e recebem justos avisos das consequências desses pecados, mas é tudo em vão: endurecem a cerviz. Talvez eles nem ouçam com paciência a repreensão, ou, se o fizerem, ainda assim continuem nos pecados pelos quais foram repreendidos; não curvarão seus pescoços ao jugo. são filhos de Belial; eles rejeitam a repreensão (Provérbios 10.17), e a desprezam (Provérbios 5.12), e a aborrecem (Provérbios 12.1).

2. O resultado dessa obstinação deve ser intensamente temido. Os que persistem no pecado, apesar das admoestações, serão destruídos: os que não desejarem ser transformados devem esperar ser destruídos; se as varas não alcançarem o seu objetivo, esperem os machados. Serão subitamente destruídos, em meio à sua segurança, e de maneira irremediável; eles pecaram contra o remédio de prevenção, e por isto não devem esperar nenhum remédio de recuperação. O inferno é a destruição sem remédio. Eles serão destruídos, e não haverá cura, este é o significado. Se Deus fere, quem poderá curar?

 

V. 2 – Isto já foi dito antes (Provérbios 28.12,18).

1. As pessoas terão motivo para se alegrar ou lamentar, conforme seus governantes sejam justos ou ímpios; pois, se os justos tiverem autoridade, o pecado será punido e reprimido, a religião e a virtude serão apoiadas e terão uma ótima reputação; mas se os ímpios tiverem poder em suas mãos, a iniquidade será abundante, a religião e as pessoas religiosas serão perseguidas, e assim os objetivos do governo serão pervertidos.

2. As pessoas se alegrarão ou lamentarão conforme seus governantes sejam justos ou ímpios. Até mesmo as pessoas comuns têm tal convicção, sob a excelência da virtude e da religião, e se alegrarão, quando as virem promovidas e estimuladas; e, ao contrário, ainda que os homens tenham muita honra e poder, se forem ímpios e perversos, e usarem mal os seus dons se tornarão desprezíveis e infames diante de todo o povo (como os sacerdotes, Malaquias 2,9), e os súditos se consideração infelizes sob tal governo.

 

V. 3 – As duas partes deste versículo repetem o que já foi dito frequentemente, mas, na comparação, o seu sentido será ampliado.

1. Devemos observar. para a honra de um homem virtuoso, que ele ama a sabedoria, ele é um filósofo (pois esta palavra significa alguém que ama a sabedoria). pois a religião é a melhor filosofia; ele evita as más companhias, e particularmente a companhia de mulheres libertinas. Desta maneira, ele alegra seus pais, tem a satisfação de ser uma consolação para eles, aumenta os seus bens. e tem maiores chances de desfrutar uma vida confortável.

2. Devemos observar, para a vergonha de um jovem mau, que ele odeia a sabedoria: ele conserva a companhia de mulheres reprováveis, que serão a sua ruína, tanto em corpo como em alma; ele angustia seus pais e, como o filho pródigo, devora o sustento deles com prostitutas. Nada empobrecerá os homens mais rapidamente do que os desejos impuros; e a melhor maneira de evitar estes desejos destrutivos é a sabedoria.

 

V.4 – Aqui, temos:

1. A felicidade de um povo sob um bom governo. A preocupação e os negócios de um príncipe devem ser estabelecer a terra, manter as suas leis fundamentais, tranquilizar a mente de seus súditos, proteger suas liberdades e propriedades de hostilidades e garanti-las para a posteridade, e colocar em ordem coisas que estavam faltando; isto eles devem fazer por avaliação, por sábios conselhos e pela firme administração da justiça, sem acepção de pessoas; assim terão estes bons resultados.

2. A infelicidade de um povo sob um mau go­ verno: um homem de oblações (é o que diz a anotação de margem de algumas traduções da Bíblia Sagrada ) destrói a terra; um homem que é sacrílego ou supersticioso, ou que invade a função dos sacerdotes, como Saul e Uzias – ou um homem que não deseja nada além de obter dinheiro, e, por um bom suborno, será tolerante até mesmo com os mais culpados, e, com esperança de um bom suborno, perseguirá o inocente – estes governantes destruirão uma nação.

 

V. 5 – Podem ser descritos como homens que lisonjeiam o seu próximo aqueles que elogiam e aplaudem o bem que há neles (o bem que fazem ou o bem que têm), o bem que não existe ou que não é como o descrevem, e que professam esta estima e afeto por eles, quando, na realidade, não o sentem; estes homens armam uma rede aos seus passos:

1. Para os passos do próximo, a quem lisonjeiam. Eles têm nisto um mau desígnio; eles não os elogiariam como o fazem, mas o fazem esperando obter algum benefício deles, e por isto é sensato suspeitar dos que nos lisonjeiam, porque estão, secretamente, armando uma cilada para nós, e por isto devemos estar sempre vigilantes. Ou o efeito será nocivo aos que são lisonjeados; isto os incha de orgulho e os torna convencidos e confiantes de si mesmos, e assim é uma rede que os envolve em pecado.

2. Para os seus próprios passos; assim interpretam alguns. Aquele que lisonjeia outras pessoas, com a expectativa de que retribuam seus elogios e o adulem, apenas se torna ridículo e odioso, mesmo para aqueles aos quais lisonjeia.