A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ANSIEDADE INCONTROLÁVEL

Agorafobia e transtorno de personalidade esquiva são apenas dois dos distúrbios que provocam inúmeros desconfortos, mas que, identificados de forma correta, podem ser tratados para minimizar seus efeitos

Ansiedade incopntrolável

Nunca estivemos tão ansiosos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o país mais ansioso do mundo e o quinto colocado em geração de depressão e transtornos decorrentes da ansiedade. Os dados revelam que 9,3% da nossa população sofrem de transtorno de ansiedade, quase o triplo da média mundial. A mente humana é, definitivamente, um mistério que, a cada dia, desafia os profissionais e especialistas da área. Existe uma infinidade de distúrbios e transtornos que podem surgir a partir da exposição do estresse e ansiedade e, sem uma avaliação criteriosa, podem se confundir e dificultar o diagnóstico, sem uma avaliação criteriosa, podem inclusive se confundir.

No caso do transtorno de personalidade esquiva, por exemplo, o indivíduo tem um padrão extremamente tímido e inibido do ponto de vista social. Percebe-se deslocado em acontecimentos sociais e comporta-se bastante melindroso a comentários e apreciações pejorativas a seu respeito, podendo ficar intensamente melancólico nessas ocorrências. Forma ideia de inferioridade, considera-se incapaz e que não possui qualificação própria (vamos abordar detalhadamente mais à frente).

A agorafobia, por sua vez, vem do termo grego ágora = praça pública, multidão; e fobia = medo. Ou seja, medo de lugares com muitas pessoas. A agorafobia tem como característica principal forte ansiedade que eclode no momento em que o indivíduo se encontra em lugares ou situações em que a fuga é dificultosa, iniciando, assim, uma crise semelhante ao ataque de pânico. Pode acontecer em ambientes públicos ou lugares com grande aglomeração de pessoas, como em praças públicas, shopping centers, dentro de bancos, shows musicais abertos ou fechados, elevadores etc.

Os leigos costumam confundir a agorafobia com o transtorno do pânico pela proximidade dos sintomas. É bom que saibamos que o transtorno do pânico pode ocorrer sem agorafobia. Porém, a agorafobia sem pânico é incomum, embora existam casos raros relatados na área psiquiátrica, pois a agorafobia é uma condição exclusiva, na qual as pessoas parecem ter medo de frequentar lugares abertos ou fechados desacompanhadas.

O medo e a clausura encontram-se sempre presentes entre as evidências e os sintomas mais habituais. O indivíduo com esse transtorno faz o possível para não se expor a determinadas localidades ou circunstâncias que possam manifestar outros episódios de crises de pânico, ou, então, percepções de reclusão ou dificuldade de se retirar do local.

São demasiadamente incômodas as crises de transtorno do pânico quando ocorrem. Todavia, não comprometem o estilo de vida como acontece com a agorafobia, quando os portadores são diretamente dependentes de terceiros, no sentido de executar tarefas primordiais, como sair de casa para ir ao supermercado ou ir ao médico.

Esse transtorno também dificulta que o indivíduo aceite convites para festas, que saia de casa para trabalhar ou que compareça a quaisquer eventos onde aconteçam alvoroços, envolvendo aglomerações de pessoas, mesmo que esses eventos sejam para cumprimentos de protocolos ou formalidades. A agorafobia costuma se manifestar de duas formas, dependendo das ocorrências vinculadas ao transtorno: simples ou patológica.

SIMPLES – Quando a situação ameaçadora é superada e tudo volta ao normal após psicoterapia.

PATOLÓGICA – Quando a situação ameaçadora não é superada e o indivíduo necessita de medicação para amenizar os sintomas.

“A agorafobia ‘leve’ pode ser exemplificada pela pessoa que hesita em dirigir sozinha por longas distâncias, mas consegue ir e voltar de carro para o trabalho; que prefere se sentar no corredor nos cinemas, mas segue indo ao cinema; que evita lugares lotados”.

Fatos considerados naturais podem ser perturbadores para uma pessoa portadora da agorafobia. Exemplos: voar em aviões, atravessar pontes, túneis, passarelas, adentrar elevadores, trafegar em ônibus, trens, metrôs, eventos musicais etc. O mais interessante de tudo isso é que esses tipos de bloqueios se tornam amenos e vencíveis se o agorafóbico estiver acompanhado. Até mesmo a companhia de uma criança pode trazer mais conforto às suas inquietações.

O comportamento de evitação dos locais e das situações citadas acima é um fator determinante para a concretização do diagnóstico. Na maioria dos casos, os lugares sempre coincidem por tratar-se de registros mentais fixados no inconsciente da pessoa afetada e, pela mesma razão, o agorafóbico desencadeia mal-estares vinculados ao receio de percorrer tais trajetos, manifestando, assim, crises de pânico ou sensações dos sintomas recorrentes. Por vezes, sua imaginação se torna tão fértil que o leva a ter crises mesmo que nada de concreto tenha ocorrido.

As crises de pânico na agorafobia, mesmo que se manifestem intensas e prolongadas, não devem ser confundidas com eventos traumáticos (no caso do transtorno do estresse pós-traumático – TEPT), sobremodo que nem todo ataque de pânico deve ser rotulado de agorafobia. Um indivíduo pode apresentar os mesmos sintomas somente imaginando que futuramente terá de atravessar uma ponte ou passarela, fazendo com que a possibilidade da eclosão dos sintomas venha à tona mesmo sem sair de casa.

“A agorafobia ‘moderada’ é exemplificada pela pessoa que só dirige em um raio de 15 km de casa e somente se estiver acompanhada; que compra em horário fora do pico e evita grandes supermercados; que evita aviões ou trens. Já a agorafobia ‘grave’ está relacionada à mobilidade muito limitada, às vezes, até mesmo a ponto de não sair de casa”.

DURAÇÃO E SINTOMAS

A fobia e o afastamento das situações de pânico geralmente duram seis meses ou mais.

Os sintomas psicológicos provocados pela agorafobia são receio de morrer; medo de lugares repletos de gente; pavor de ficar só ou sair sozinho; ansiedade; baixa autoestima; insegurança.

Os sintomas físicos provocados pela agorafobia são disparo da frequência cardíaca; falta de ar; dor ou compressão no peito; vertigens; dormência pelo corpo; suor em demasia; calafrios; vômitos; diarreia; desmaios.

A agorafobia apresenta fatores de risco, como sintomas de precedentes dos transtornos de ansiedade, fobias ou pânico; convívio em um meio propício para o estresse elevado; manifestações de crises de pânico e medo irracional exagerado; mau uso de substâncias – a utilização abusiva de ansiolíticos e antidistônicos, como os benzodiazepínicos; gestos ansiosos, inquietos e nervosos; lembranças de eventos traumáticos; infância violenta; fatos históricos de doença na família.

Um dos principais fatores da agorafobia é o biológico – compreendendo os caracteres de saúde e genética: índole, temperamento, estresse ambiental e experiências de aprendizagem podem desempenhar um papel no desenvolvimento da agorafobia.

“Aqui não há mistério, pois a alma bastarda e impura pela desorientação mental sofre por ansiedade. A mente é como um bando de andorinhas sem ter onde pousar, desprendendo-se o voo pelo vão dos ares sem destino. Assim é a nossa mente procurando encontrar-se nesse mundo tumultuado em que vivemos. Dessa forma, a ansiedade é fato constante que possibilita interpretações equivocadas de nós mesmos (…). Naquele instante em que vacilamos, a mente estimula a ansiedade e a nossa insegurança. Nesse momento, fogem a inteligência e a racionalidade, e o medo torna-se nosso inimigo mortal. (…). Ao adormecermos, as trevas do nosso labirinto do sono surgem como eterna visão ansiosa e assentam-se junto à nossa mente. Mas esse mar de problemas tem solução! Precisamos nos conectar à nossa essência, ao nosso mundo interior, onde também há um mar de tranquilidade que nos espera, às luzes da consciência mais profunda”.

Ela desperta quando o sujeito que apresentou repetidos ataques de ansiedade adquire um medo terrível de que eles se desencadeiem em circunstâncias reais. Esse medo incontrolável é fundamentado pelo pensamento de que essa crise possa se repetir mais vezes e de que será mais complicado obter ajuda de alguém.

O tratamento prático para a agorafobia, de modo geral, envolve a psicoterapia e a medicação. A Psicanálise, a terapia cognitivo-comportamental, a terapia de exposição (psicoterapia com auxílio de realidade virtual) estão entre os procedimentos que produzem mais efeitos sobre o transtorno.

Ainda não existe uma forma segura para a profilaxia da agorafobia. E, por isso, a ansiedade tende a disparar seu gatilho quanto mais evitar situações que desencadeiam o medo. Se o portador da agorafobia principiar a sentir medos insignificantes sobre locais não confiáveis, seria aconselhável frequentar esses lugares uma vez ou outra antes que esse medo se torne incontrolável. É evidente que essa tarefa não é fácil, mas, se não for possível soluciona r por conta própria, vá em busca de um profissional habilitado, solicitando que um familiar ou amigo possa estar presente nesse momento.

Mas se você (portador da agorafobia) perceber algum sintoma ansioso em lugares que possam desencadear ataques de pânico, procure tratamento médico e psicoterápico com rapidez. Evite que o quadro sintomático se agrave. A ansiedade na agorafobia, como em muitas outras categorias de transtornos ansiosos, pode ser mais difícil de cuidar se você prolongar essa ajuda.

“Na complexa vida moderna, a ansiedade e os ataques de pânico estão se tornando mais comuns. Mas a boa notícia é que a compreensão sobre esses distúrbios aumentou e as formas de tratamento estão mais eficientes”.

MÉTODOS ALTERNATIVOS

Existem, também, métodos alternativos para acalmar as crises de pânico na agorafobia:

RESPIRE PROFUNDAMENTE – Se você estiver em meio a um ataque de pânico, é provável que comece a hiperventilar. Mesmo que não haja hiperventilação, a respiração profunda pode auxiliar na redução do estresse e facilitar no fornecimento de mais oxigênio ao cérebro para compensar o equilíbrio neuronal. Ao notar que uma crise queira se manifestar, pare e abrevie a cadência respiratória. Sus­ tente a respiração. Assim, reduz-se a sensação de supressão, a circulação do sangue e a incapacidade de res­ pirar. Depois da respiração segura, comece a respirar lentamente, exercitando o diafragma. Ponha uma das mãos sobre o tórax e a outra no abdômen. Você vai sentir o ventre subir e descer durante o exercício. Em seguida, aspire o ar pelo nariz em um intervalo de 5 segundos. Prenda a respiração por dois segundos. Depois expire pausadamente pela boca em um tempo também de 5 segundos. Prossiga a respiração diafragmática por mais alguns minutos até observar um alívio no relaxamento muscular e limpidez de concentração.

CONCENTRE-SE NO RELAXAMENTO – Em uma crise de pânico, os reflexos cerebrais podem ficar desordenados. É provável que você perceba diversos sintomas nesse mesmo instante, o que contribui para a tensão nervosa. Esse processo vem à tona porque o corpo impulsiona o gatilho do mecanismo de “luta ou fuga” do sistema nervoso simpático, dispersando a cadência cardíaca e respiratória, contraindo os músculos e os canais de vasos e artérias sanguíneos. Relaxe por um instante no intuito de abreviar o ritmo cardíaco e pulmonar, para ganhar harmonia com as experiências sensoriais. Esse processo também pode auxiliar na manipulação da reação automática de reagir a agentes estressantes. Logo após, tente elaborar uma listagem sobre o que está ocorrendo, sem julgar ou criticar os acontecimentos túrbidos. Exemplo: “Meu coração está batendo descompassadamente…Minhas mãos estão transpirando… Acho que eu vou desmaiar”.

Logo após, fortaleça a ideia em sua mente de que essas manifestações são mero fruto da ansiedade. Evite fiscalizar essas sensações. Isso pode ativar o gatilho da ansiedade. Fique certo de que são sintomas transitórios. Fique imóvel enquanto faz a listagem dos sintomas. Essa postura, com o passar do tempo, manipula o cérebro, ajudando-o a reconhecer que a circunstância não é tão nociva quanto parece. O exercício empregado pode induzir o cérebro a compartilhar com mais veemência o quadro sintomático de pânico.

CONFUSÃO

É importante não confundir o transtorno de personalidade esquiva com fobia social, apesar de haver muita semelhança. Na fobia social as pessoas fazem o possível para evitar certos acontecimentos sociais. No entanto, não perdem as ligações afetivas. Já no transtorno da personalidade esquiva, o sujeito contrapõe-se a qual quer caráter de convivência pessoal. Nesse caso, há o impulso de aproximar-se das pessoas, porém o temor de não ser aceito é mais forte, contribuindo, assim, para a resistência.

Na maior parte dos casos os sintomas são experimentados pelo indivíduo como normais (eu- sintônico), de modo que o diagnóstico só poderá ser ordenado a partir de um panorama externo.

“A psicoterapia deve ser ajustada à capacidade do paciente à medida que ele se demonstra disposto a enfrentar situações que geram sua ansiedade. Mesmo na Psicanálise, chega um momento em que o paciente deve enfrentar seus medos. O psicólogo ou psicanalista terá um papel fundamental no acolhimento e posterior encorajamento do paciente”.

No Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais – DSM-5, ficaram assim outorgados os indicadores diagnósticos para o transtorno de personalidade esquiva:

“Um padrão difuso de inibição social, sentimentos de inadequação e hipersensibilidade à avaliação negativa que surge no início da vida adulta e está presente em vários contextos, conforme indicado por quatro (ou mais) dos seguintes:

  1. Evita atividades profissionais que envolvam contato interpessoal significativo por medo de crítica, desaprovação ou rejeição.
  2. Não se dispõe a se envolver com pessoas, a menos que tenha certeza de que será recebido de forma positiva.
  3. Mostra-se reservado em relacionamentos íntimos devido ao medo de passar vergonha ou de ser ridicularizado.
  4. Preocupa-se com críticas ou rejeição em situações sociais.
  5. Inibe-se em situações interpessoais novas em razão de sentimentos de inadequação.
  6. Vê a si mesmo como socialmente incapaz, sem atrativos pessoais ou inferior aos outros.
  7. Reluta de forma incomum em assumir riscos pessoais ou se envolver em quaisquer novas atividades, pois estas podem ser constrangedoras”.

Como prestar auxílio a um portador do transtorno? Jamais o critique, se ele optar por não comparecer a um evento social por receio de ser rejeitado. Também não o julgue nem o deprecie. Esses episódios, excentricamente, sobrecarregarão seus pensamentos negativos e a pessoa experimentará sensações de rejeição, fato este que o fará se sentir mais inferiorizado. Ao contrário disso, estimule-o a sair de casa, buscando o lazer como fonte de preenchimento mental, mesmo que sua resposta seja negativa. Proponha também projetos que despertem seus desejos, demonstrando que ele poderá contar sempre com você nos momentos de aflição. Incentive-o a não se deixar levar pelo medo de repulsa de outrem, pois o importante é estar confiante para desatar-se dos laços fóbico-ansiosos.

Em uma perspectiva freudiana, esse transtorno de personalidade se constitui a partir das vivências e pelo desenvolvimento em fases da libido (energia vital/sexual), pelo modo como se estrutura o desejo inconsciente e as formas como o ego lida com os conflitos e frustrações libidinais.

“As pulsões sexuais dos transtornos de personalidade percorrem um caminho sinuoso de desenvolvimento para então alcançar o ‘primado da zona genital’. Antes de este ser alcançado, a pulsão pode ficar fixada em alguma organização pré-genital, como a oral e a anal, às quais retornará quando ocorrer uma repressão, o que caracterizaria uma regressão” (Sigmund Freud).

Em relação aos tratamentos, a terapia cognitivo-comportamental – TCC pode ser de bom préstimo. Essa modalidade de terapia psicológica oferece o respaldo de que o raciocínio flutuante do paciente estaria provocando o referido transtorno, e que, de certa forma, centraliza-se na transformação de paradigmas cognitivos distorcidos por ponderar a legitimidade das suposições por trás do problema. Outra excelente técnica para tratamento é a análise da transferência, que é um dos focos principais da Psicanálise. Ela é direcionada a pacientes com graves distúrbios de personalidade por considerar qualquer interpretação transferencial no contexto do que está ocorrendo na vida atual do paciente. As transferências negativas ou positivas desses pacientes devem ser trabalhadas restritamente no “aqui e agora”, sem que se tente atingir reconstruções genéticas, pois a falta de diferenciação e individualização dos objetos interfere na capacidade para diferenciar os relaciona mentos objetais presentes e passados.

GESTÃO E CARREIRA

EMPRESAS COM CAUSA

Por que resolver problemas socioambientais é a melhor estratégia para atrair talentos e consumidores, promover a inovação e contribuir para uma sociedade mais justa

Empresas com causa

“Os empresários acreditam que estão defendendo a livre-iniciativa quando asseguram que as empresas não estão preocupadas ‘apenas’ com o lucro, mas também em promover fins ‘sociais’ desejáveis; que as empresas têm uma ‘consciência social’ e levam a suas responsabilidades de oferecer empregos, eliminas a discriminação, evitar a poluição e quaisquer outras frases prontas da safra de reformistas contemporâneos (…) Empresários que falam dessa forma são marionetes involuntárias das forças intelectuais que, nas últimas décadas, vêm minando a base de uma sociedade livre”.

Esse é apenas o começo do artigo The Social Responsability of Business is to Increase its Profits, publicado em 13 de setembro de 1970 na revista dominical do jornal The New York Times. No texto de quase 3 mil palavras o economista Milton Friedman (1912-2006) atacava duramente as companhias que ensaiavam as primeiras políticas de responsabilidade socioambiental.

Para o vencedor do Nobel de 1976, a defesa corporativa de valores éticos não passava de “fachada hipócrita”, estado de “miopia” e ”impulso suicida” de alguns empresários. Em resumo, uma ameaça à sobrevivência dos negócios. A missão de uma empresa, defendia veementemente, seria apenas e tão somente gerar lucro. E sua única responsabilidade era para com seus acionistas.

Época intensa aquela. Anos de revolução de costumes e ideias. Do movimento hippie da década de 60 e do ativismo político da década de 70. Do “flower power” e “peace and love” dos jovens cabeludos com roupas coloridas. Do grito pela paz. Do “não” à violência. Da defesa do amor livre e vida em comunidade. Do “eu tenho um sonho”, de Martin Luther King (1929-1968), que, em agosto de 1963, levou 250 mil pessoas ao Lincoln Memorial, em Washington, por uma sociedade mais igualitária. Do “é proibido proibir” dos estudantes franceses que, em maio de 1968, tomaram as ruas de Paris, insatisfeitos com o sistema educacional. Do “o privado é político”, da feminista americana Car Hanisch, hoje com 77 anos. Dos sutiãs queimados em praça pública, em 7 de setembro daquele 1968, em Atlantic City durante o protesto de 400 ativistas do Womens’s Liberation Movement contra o concurso de beleza Miss América.

No campo da ciência, em 1972, a bióloga americana Lynn Margulis (1938-2011) e o ambientalista inglês Jam Lovelock, 99 anos, formularam a Teoria de Gaia, segundo qual a Terra é um organismo vivo, inteligente, consciente e integrado. Pela primeira vez, a ONU falou em mudança climática, efeito estufa, resíduos sólidos, recursos renováveis…O Brasil de então lutava contra a ditadura e assistia ao recrudescimento do movimento sindical – com as greves históricas do ABC paulista.

À exceção das raríssimas empresas nascidas com DNA do ativismo, como as americanas Patagonia, de roupas esportivas, e a Ben&Jerry’s, de sorvete, ou a inglesa Body Shop, de cosméticos e produtos de beleza, o mundo dos negócios manteve-se alheio à efervescência daqueles anos. Seguiu a ferro e fogo os preceitos de Friedman. Lucro, lucro e lucro – “the business of business is business”.

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FRIEDMAN X FREEMAN

Nos anos 80, no entanto, alguns empresários e teóricos da economia começam a defender uma nova narrativa do Autor do best-seller Strategic Management: A Stakehold Approach, de 1984, o filósofo Robert Edward Freeman, anos, tornou-se a principal voz do movimento ao defender que os empreendedores não têm do que se envergonhar desde que seus negócios sejam acompanhados por senso de propósito e de moralidade… Em geral, somente 20 das pessoas ao redor do mundo confiam que homens mulheres de negócios estejam fazendo a coisa certa, ou seja, 80% das pessoas não confiam nos executivos”, disse Freeman, em entrevista, em novembro de 2018, “Como chegamos até aqui? Ao ponto de os negócios ocuparem um lugar tão baixo na sociedade em termos morais?”

Capitalismo consciente, capitalismo inclusivo, investimento de impacto, investimento socialmente responsável, empreendedorismo social… Não importa o termo, a filosofia corporativa está em processo de transformação profunda. De mudança de paradigmas. Como costuma dizer Bethlem, diretor-geral do Instituto Capitalismo Consciente Brasil, atualmente, “o negócio de todos os negócios está nas pessoas”. E os sinais dos novos tempos são evidentes.

Na última edição da Parada Gay de São Paulo, em junho passado, várias empresas participaram da festa de 3 milhões de pessoas na avenida Paulista. Estiveram presentes companhias da nova economia, como Salesforce e Google, quanto as seculares Basf e Boyer. Tânia Cosentino, presidente da Microsoft no Brasil, e Alessandra Del Debbio, vice-presidente jurídica da gigante de tecnologia, desfilaram no carro oficial do evento, o trio elétrico da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Bissexuais e Intersexos (ABGLT). Por intermédio do grupo Respeito, de defesa da diversidade, a Barilla caminhou ao lado do coletivo “Mães da Diversidade”.

Outro indício? Ganham espaço as consultorias especializadas em estratégias de posicionamento. Uma das proeminentes é a Cause – imperativo do verbo “causar”. Criada em 2013 por quatro ex- executivos de grandes empresas, entre 2017e 2018 registrou um crescimento de estrondosos 78% na receita bruta e 36% de aumento no número de projetos realizados. “Nós não fabricamos causas”, diz o antropólogo Rodolfo Guttilb, 57 anos, um dos fundadores da consultoria. “Elas surgem do encontro entre o propósito da organização e as demandas da sociedade.” É natural as empresas mais jovens, como as startups, tenham desde sua fundação um propósito claro, bem definido.

Ex- executivo da Natura, uma das primeiras empresas brasileiras de fato engajadas em questões socioambientais. Rodolfo conta que muito se avançou nos últimos anos, ainda há um longo caminho a ser percorrido. “Algumas organizações estão fazendo ‘marketing de oportunidade’ define ele. “Excessivamente pragmáticas, querem saber o que devem fazer para aparecer no Jornal Nacional.”

Se o propósito não for genuíno, não se sustenta. Fácil entender, portanto, por que 29% dos consumidores brasileiros definem as empresas que se posicionam como oportunistas. O dado é de uma pesquisa com 1,2 mil consumidores, realizada pelo lpsos Global Reputation Center e fruto de uma parceria entre a Cause, a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e o Instituto Ayrton Senna. Por outro lado, o mesmo trabalho indica que a maioria de nós espera que as empresas abracem mais causas e contribuam efetivamente para o bem-estar da sociedade – muito mais do que faziam no passado; se é que faziam alguma coisa no passado.

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MAIS CONSCIENTES E MAIS EXIGENTES

Analisadas as faixas etárias, os que mais defendem o engajamento das companhias são os Millennials, os nativos digitais. No mundo do tudo ao mesmo tempo e agora, das redes sociais, do encurtamento de distâncias e da aproximação de realidades e experiências, os consumidores são naturalmente mais conscientes – e exigentes. Ultra conectados, querem informação. E para já. De onde veio? foi feito? Por quê? Não compramos mais apenas serviços. Consumimos causas. Pela inclusão e equidade de gênero, raça, orientação sexual, religião… Por um mundo sustentável. Por respeito, liberdade e transparência, de cada cem Millennials, 95 não titubeariam em mudar de marca em nome de uma causa na qual eles acreditam. E essa turma não é fraca, não. Estima-se que eles tenham um poder de gasto anual de US$ 2,5 trilhões.

Recentemente, a festejada Prose, startup que utiliza inteligência artificial para desenvolver produtos personalizados para os cabelos, foi interpelada por um consumidor no Twitter:

– O que nós realmente queremos saber é se os ingredientes usados por vocês foram testados em animais.

Ao que a empresa, com escritórios em Paris, Manhattan e no Brooklyn, respondeu:

– Nós somos certificados pela PETA (People for the Ethical Treatment of Animais).

O selo PETA – Approved Vegan and Cruelty Free, nos dias de hoje, vale ouro. Segundo a agência de pesquisas Grand View Research, o mercado global de cosméticos veganos deve chegar a US$ 20,8 bilhões, em 2025. “A maioria dos consumidores considera a crueldade contra os animais antiética e está espalhando alertas para essa tomada consciência”, lê-se no documento do instituto.

Fazer o bem para a sociedade e para o mundo no qual vivemos, definitivamente, faz bem aos negócios. Segundo o relatório Ali In Inclusion & Diversity Drive Shopp Habit”, sobre o impacto da inclusão e da diversidade nas escolhas dos consumidores, elaborado pelo Accentur multinacional de consultoria, 42% dos compradores estão dispostos a pagar um adicional de 5% ou mais para comprar de empresas comprometidas com a inclusão e a diversidade. Foram ouvidos 4.662 consumidores dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, entre novembro e dezembro 2018. “0 silêncio não é uma estratégia aceitável”, conclui o estudo da Accenture.

Em artigo exclusivo, o antropólogo Caio Magri, 64 anos, diretor-presidente do Instituto Ethos, escreve: “Em escala global, temas como diversidade, direitos humanos, integridade e meio ambiente são questionados por movimentos que flertam com o retrocesso (É chegada a hora do protagonismo destas lideranças empresariais] revelar sua vital importância para a sociedade, Ir além de seu papel tradicional nas pautas corporativas puramente econômicas e setoriais”.

O levantamento anual da Edelman, líder global e relações públicas, mostra que, em 2018, 64% dos 40 mil entrevistados, ao escolher uma marca, se guiaram por crenças – um aumento de 13% em relação ao ano anterior. Realizado em oito países (Alemanha, Brasil, China, Estados Unidos, França, índia, Japão e Reino Unido, o estudo vai além. Para a maioria dos consumidores, as empresas são poderosas para promover transformações sociais do que os governos de seus próprios países. Par uma ideia, segundo Michael 72 anos, professor da Harvard Business School, em 2013, enquanto os recursos do governo americano somavam USS 3,1 trilhões, os das empresas eram de USS 20,1 trilhões – e o das ONGs, USS 1,2 trilhão. “É uma nova relação entre em consumidor, onde a compra é baseada no movimento da marca em viver seus valores, agir com propósito e, se necessário, dar o salto para o ativismo”, disse Richard Ed, 65anos, CEO da agência. Independentemente do grau de engajamento da companhia, é um caminho sem volta. A questão, segundo os especialistas, não é se uma empresa deve ou não assumir uma posição e sim, como fazê-lo – os chamados investimentos éticos totalizam verbalmente USS 114 bilhões.

Nos negócios 4.0, como na vida cotidiana, a ofensa pode ser devastadora. Em 2013, o presidente da Barilla, Guido Barilla, então com 55 anos, sem nenhum constrangimento, disse que casais gays jamais apareceriam em anúncio empresa, líder global do setor de massas. A uma rádio, ele garantiu que preferiria associar a imagem da companhia à da “família tradicional”. O estrago estava feito. Ao redor do mundo, consumidores convocaram um boicote à marca. A empresa tomou um susto. Cuidou de ir a público duas vezes para se retratar. Internamente, a Barilla se mobilizou. Criou um comitê de inclusão e diversidade. E, no ano seguinte, conquistou um lugar na lista da americana Human Rights Campaign (HRC), poderoso grupo de defesa dos direitos civis LGBTQ+, Guido fez o mea-culpa: “Todos nós aprendemos muito sobre a real definição e significado de família”.

Mais recentemente, no final de junho passado, um funcionário da Votorantim Cimentos publicou uma página da fintech Nubank, no LinkedIn: “Líder é líder, independente escolha sexual. Ter um líder LGBT é de uma idiotice sem tamanho”. Cretinice é escancarar o preconceito e achar que sexualidade se esconde. Obviamente, a grita foi geral. O rapaz foi demitido e a Votorantim, em nota, explicou que aquele comportamento fere o código de conduta da empresa.

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MARKETING DE CAUSA

Há basicamente duas formas (excludentes, diga-se) de conduta dos negócios rumo ao engajamento. A mais comum é pelo chamado marketing de causa. Ou seja, a companhia defende um posicionamento que, sabidamente, tem a ver não só com seu propósito, mas com o de seus clientes também. Um exemplo clássico no Brasil de marketing de causa é o da Visa. “O propósito da marca é conectar pessoas”, define Fernanda Teles, 52 anos, CEO da empresa de cartões no Brasil. São 3,5 bilhões de consumidores no mundo. 55 milhões de estabelecimentos e 16 mil instituições de pagamento. Como impactar a sociedade por intermédio do eco sistema dos meios de pagamento.

Dessa provocação surgiu, há cerca de um ano e meio, o Visa Causas. “Depois de várias pesquisas, de olhar para as necessidades do país e avaliar os oito objetivos da ONU para 2030, nós optamos por cinco causas”, diz Fernando. “Crianças e adolescentes, idosos, animais e educação e capacitação, representadas por 17 instituições.” Quem decide a causa da Visa é o cliente. Para a transação ser feita por meio dos cartões de crédito, débito ou pré-pago, a empresa destina um centavo para a entidade da preferência do cliente. “A empresa conecta a pessoa com a causa que ela julga relevante”, explica o CEO. E o que a Visa ganha com isso?

Ao apelar para as crenças de seus clientes, ao incentivá-los a fazer o bem, a empresa espera que eles usem mais e mais o pagamento eletrônico. “Eu quero que as pessoas paguem o cafezinho, o pão, o metrô com o plástico”, resume o executivo. Nesse momento, ganhar mercado é essencial. Com previsão de movimentar RS 1,8 trilhão até o 2019, a indústria de meios de pagamento no Brasil passa por transformações profundas. O setor assiste à chegada de fintechs, gigantes de hardware e software e empresas de telefonia. As companhias financeiras tradicionais têm de se mexer para não perder mais espaço. E, como prega a cartilha da economia 4.0, engajar-se em uma ou várias causas pode ser uma ótima estratégia.

O Visa Causas conta atualmente com 150 mil associados. Ainda que a empresa não divulgue a base de clientes no país, é evidentemente um contingente baixo.” Nosso grande desafio é vencer a barreira do cadastramento”, reclama Fernando. A empresa estuda formas mais diretas, simples de o consumidor se inscrever no programa. “0 potencial de doação anual é da ordem de R$ 60/65 milhões”, aposta o executivo. Até meados de junho, o número de doações estava em torno de 76 milhões.

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ATIVISMO CORPORATIVO

Entre as empresas militantes, a métrica é outra. Tomemos a Ben&Jerry’s como exemplo. No Brasil, a causa da fabricante cante de sorvetes é a criminalização da LGBT fobia e a educação para a diversidade. Nas eleições do ano passado, em parceria com a plataforma Me Representa, a companhia apresentou à população os candidatos simpáticos das causas. “Ao final, o que nos interessava era sabe quantas dessas pessoas foram eleitas no Legislativo brasileiro”, comenta Rodrigo Santini, 39 anos, líder da marca. “O palco não é para mim nem para a empresa. É para a causa”, resume. Em 13 de junho passado, o Supremo Tribunal Federa determinou que a discriminação por orientação sobre identidade de gênero passe a ser considerada crime, pela Lei do Racismo.

As empresas militantes não estão preocupadas se as pessoas aceitam ou não sua militância. “Nós não somos misóginos, racistas ou LGBTfóbicos”. Neste espaço, é assim que funciona – e tudo bem se alguém não quiser”, diz Rodrigo. “Todo mundo tem a opção de sair daqui e buscar outra coisa. O consumidor não é a causa de decisão para a empresa pensar suas ações.” Sem dúvida, o ativismo corporativo é uma estratégia de negócios mais arriscada. Vira e mexe, a Ben&Jerry’s sofre ataques nas redes sociais:

– Me desculpem, mas vocês deveriam se limitar a vender sorvete e não ficar falando desses assuntos. Não vou mais comprar o sorvete de vocês.

Ao que a empresa costuma responder:

– Está desculpado.

Na década de 70, os amigos de infância Ben Cohen Jerry Greeafield, ambos com 68 anos hoje, como todos os hippies, queriam mudar o mundo. Mas precisavam de dinheiro para sobreviver. Encontraram uma máquina de sorvete bem baratinha, fizeram um curso por correspondência de apenas US$ 5, juntaram USS 12 mil e assim nasceu a Ben&Jerry’s – em um posto de gasolina na cidade de Burlington, em Vermont. “Ninguém precisa de sorvete. Sorvete é legal, é bom, mas não é necessário”, costuma dizer Jerry. “O mundo precisa de mais compaixão”. Se no Brasil, a causa é a do movimento LGBTQ+, nos dos Unidos, com o slogan “Black lives matter”, critica a violência policial contra a população negra. E na Europa coloca-se ao lado dos imigrantes. Comprada em 2000 Unilever, a Ben&Jerry’s está em 27 países, com cerca de 600 pontos de venda. Seu faturamento global gira em torno de US$ 1 bilhão.

Recentemente, a indústria de sorvetes foi sacudida nos Estados Unidos pela chegada ao mercado da Top. Fundada em 2011, tem um apelo irresistível nos dias atuais. Com o slogan “Cuilt-free zone”, a Halo Top vende a ideia de que é possível ser saudável sem se abster dos prazeres à mesa. Com dificuldades para controlar as taxas de açúcar no sangue, Justin Woolverton, 39 anos, advogado e especialista em marketing digital, desenvolveu na cozinha de sua casa, em Los Angeles um sorvete de baixíssimas calorias, com quantidades reduzidas de açúcar e gordura, se comparadas às marcas tradicionais. Em apenas oito anos, os americanos levaram a Halo Top à sexta posição entre os sorvetes mais consumidos, o que equivale a 3,7% do mercado, segundo o Euromonitor, superando inclusive a Hangen Dazs e Ben&Jerry’s.

Poucas marcas superam a Patagônia em militância corporativa. Fundada na virada das décadas de 60, 70, pelo ambientalista Yvon Chouinard, hoje com 80 anos, a empresa sugere aos consumidores que evitem o consumo exagerado – mesmo o de seus produtos. Um clássico foi do Black Friday americano de 2011. Naquela tradicional sexta-feira de novembro, em que as pessoas saem de casa enlouquecidas para comprar, a Patagônia em um anúncio de página inteira no The New York Times estampou a foto de uma de suas jaquetas, acima da qual se lia: “Não compre essa jaqueta”. Em suas etiquetas a empresa costuma provocar: “Você realmente precisa disso?”.  A Patagônia se propõe a consertar roupa para que as pessoas não comprem novas. Faz a intermediação na doação e troca de peças usadas. E se o produto realmente estiver sem condições de uso, a empresa dispõe a buscá-lo e reciclá-lo.

INOVAÇÃO E RETENÇÃO DE TALENTOS

Ao abraçar uma causa, uma empresa também ganha (e muito) da porta para dentro. Na imensa maioria dos casos, funcionários se sentem bem trabalhando onde trabalham. Sentem orgulho. Em todas as organizações, não importa a indústria, sentimentos positivos como esse reduzem o turnover e atraem novos talentos.

Um fato interessante aconteceu na consultoria de software ThoughtWorks. Por meio do programa Enegrecer a Tecnologia, a empresa busca aumentar a participação de desenvolvedores negros em seu quadro de funcionários. O projeto é resultado de um trabalho intenso de conscientização dentro da ThoughtWorks. Dos 600 funcionários da empresa, em 2017, 13% se declaravam negros. No ano seguinte, 18%. Esse aumento, porém, não se deveu somente as políticas de equidade racial. ”Algumas pessoas, entram na ThoughtWorks, não se enxergam como negras”, conta Renata Gusmão, 30 anos, diretora de Justiça Social e consultora sênior da empresa. “A partir dos programas de conscientização, compartilhamento de histórias pela representatividade, elas começaram a se identificar, se reconhecer como pessoas negras, com maior compreensão da importância de sua presença nesse ambiente”.

Uma empresa onde os funcionários estão livres para ser quem são é, naturalmente uma empresa mais produtiva e inovadora. Não se trata, portanto, de assistencialismo, tampouco caridade. É incentivar as pessoas para que elas cheguem a seu potencial máximo. Nesse sentido, uma iniciativa interessante é a da fabricante de computadores Dell.

Em parceria com a Universidade Estadual do Ceará, foi criada o Le@d, centro de pesquisa e inovação dedicado a desenvolver sistemas para aumentar a empregabilidade e a produtividade de pessoas com deficiência. “Nós queremos que as pessoas prosperem por meio da tecnologia”, diz Eder Soares, 36 anos, gerente de projetos de inovação da Dell e líder do Le@d. Por enquanto, as criações do laboratório ficam na Deli, mas a ideia, no futuro, é que elas sejam oferecidas no mercado. Da sede em Fortaleza, por exemplo, já saiu um programa que permite aos surdos testar a caixa de som dos computadores. Uma outra linha de pesquisa investiu na criação de um dicionário que traduza para a linguagem dos sinais palavras do universo tech. Como se representa ”algoritmo” em libras? E “Java”? Um dos projetos que mais entusiasmam os pesquisadores atualmente é o desenvolvimento de um exoesqueleto que permita aos cadeirantes trabalhar de pé, na linha de montagem dos computadores.

Como diz Rosi Teixeira, 42 anos, consultora de desenvolvimento principal da ThoughtWorks: “Não tem como o mundo ser bacana apenas para mim. Ou a gente vive em uma sociedade bacana para todos ou estaremos fadados a violências cada vez maiores”. Que nos sirva de inspiração.

 

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

Qualificados - Tony Cooke

CAPÍTULO SETE – A COISA CERTA

“Integridade significa que se a nossa vida privada for subitamente exposta, não teremos qualquer razão para ficarmos envergonhados ou embaraçados. Integridade significa que a nossa vida pública é consistente com as nossas convicções interiores.” — Billy Graham

 

Pensamento-chave: Integridade e fidelidade são essenciais para a fundação da verdadeira liderança espiritual.

Ali estava ele, um profeta idoso e grisalho. Seu semblante refletia uma vida inteira de serviço marcado por honestidade e integridade.

Lágrimas podem ter umedecido os seus olhos enquanto refletia acerca de sua jornada ao longo de décadas e falou àqueles a quem havia servido (1 Samuel 12:2-5):

Agora, pois, eis que tendes o rei à vossa frente. Já envelheci e estou cheio de cãs, e meus filhos estão convosco; o meu procedimento esteve diante de vós desde a minha mocidade até ao dia de hoje. Eis-me aqui, testemunhai contra mim perante o SENHOR e perante o Seu ungido: de quem tomei o boi? De quem tomei o jumento? A quem defraudei? A quem oprimi? E das mãos de quem aceitei suborno para encobrir com ele os meus olhos? E vo-lo restituirei. Então, responderam: Em nada nos defraudaste, nem nos oprimiste, nem tomaste coisa alguma das mãos de ninguém. E ele lhes disse: O SENHOR é testemunha contra vós outros, e o Seu ungido é, hoje, testemunha de que nada tendes achado nas minhas mãos. E o povo confirmou: Deus é testemunha.

Samuel tinha completado a sua carreira com as mãos e o coração limpos. Ele resistiu às tentações que todo líder enfrenta e se recusou a perder a sua integridade ou ceder à atração de explorar o povo ou abusar do seu poder.

 INTEGRIDADE E MATEMÁTICA

A palavra “integridade” está realmente relacionada a um termo matemático, “número inteiro”. Um “número inteiro” é um número que não é dividido ou que não contém uma fração. Por exemplo, 2 e 7 são “inteiros”. Já 2/3 ou 5,7 não são. Uma pessoa com integridade, portanto, é uma pessoa que não está dividida; ela é uma pessoa “inteira”. Ela não está vivendo 92% para Deus e 8% no prazer do pecado. Ela não fala a verdade 96% do tempo ou exagera e fala mentira nos outros 4%. Estou ciente de que nenhum ser humano nesta terra é impecavelmente perfeito ou incapaz ou errante, mas uma pessoa de integridade não vive uma vida dupla. Se ela erra em uma área, ela se arrepende, recebe perdão, se corrige e segue em frente. Ela não leva um estilo de vida que é parcialmente comprometida com a santidade e parcialmente não.

Ecoando o legado de integridade de Samuel, Paulo disse:

  • “Acolhei-nos em vosso coração; a ninguém tratamos com injustiça, a ninguém corrompemos, a ninguém exploramos” (2 Coríntios 7:2).
  • “… me esforço por ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens” (Atos 24:16).
  •  “Vós e  Deus  sois  testemunhas  do  modo  por  que  piedosa,  justa  e irrepreensivelmente procedemos em relação a vós outros, que credes” (1 Tessalonicenses 2:10).

 INTEGRIDADE INFLUENCIA OUTROS

Paulo ensinou que não importa quão alta ou baixa seja a nossa posição na sociedade, todo seguidor do Senhor Jesus Cristo pode ser qualificado ou desqualificado — eficaz ou ineficaz — quando se trata de ser uma boa influência para outros. Vivendo em uma sociedade na qual a escravidão era comum, Paulo instruiu os cristãos escravos a como serem uma testemunha positiva:

Quanto aos servos, que sejam, em tudo, obedientes ao seu senhor, dando-lhe motivo de satisfação; não sejam respondões, não furtem; pelo contrário, deem prova de toda a fidelidade, a fim de ornarem, em todas as coisas, a doutrina de Deus, nosso Salvador. — Tito 2:9-10

A partir desse versículo, concluímos que uma pessoa não precisa ter um alto status na vida ou uma posição ministerial imponente para ter uma influência positiva sobre outros. Não tem nada a ver com o nosso status ou posição; definitivamente, tem a ver com o nosso caráter e conduta.

José é um grande exemplo bíblico de um indivíduo que teve o favor de Deus em sua vida, quando ele era um escravo e um prisioneiro (e, com o tempo, o primeiro-ministro do Egito).  Ele deliberada e intencionalmente manteve a sua integridade diante de Deus, mesmo quando tentado pela esposa de Potifar. José não aproveitou a situação, mas em vez disso, agarrou-se tenazmente ao plano e a vontade de Deus para a sua vida. Ele disse: “… como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?” (Gênesis 39:9).

Daniel é outro exemplo marcante de um homem cuja vida refletia um caráter temente a Deus. Muito antes de ele ser um profeta, era um estudante com convicções santas e fortes. Depois disso, ele serviu como primeiro-ministro de dois impérios diferentes. Suas posições, contudo, não o definiam; seu caráter, sim.

Então, o mesmo Daniel se distinguiu destes presidentes e sátrapas, porque nele havia um espírito excelente; e o rei pensava em estabelecê-lo sobre todo o reino. Então, os presidentes e os sátrapas procuravam ocasião para acusar Daniel a respeito do reino; mas não puderam achá-la, nem culpa alguma; porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa. — Daniel 6:3-4

Uma história de origem desconhecida tem circulado em livros de ilustrações para pregações, e agora ela está amplamente difundida pela Internet. Seja essa história verídica ou fictícia, o fato é que ela tem um grande impacto:

Muitos anos atrás, um pregador de fora do Estado aceitou um chamado para uma igreja em Houston, Texas.

Algumas semanas após a sua chegada, ele precisou tomar um ônibus da sua casa para o centro da cidade. Quando ele se sentou, descobriu que o motorista, acidentalmente, lhe dera 25 centavos a mais de troco.

Enquanto considerava o que fazer, pensou: Você deveria devolver os 25 centavos. Seria errado ficar com ele. Então ele pensou: são só 25 centavos! Quem iria se preocupar com esse valor? De qualquer maneira, a companhia de ônibus já arrecada muito dinheiro; jamais sentirão falta disso. Aceite isso como um presente de Deus e fique quieto.

Quando chegou ao seu ponto de descida, ele parou momentaneamente na porta e disse: “Aqui, você me deu troco a mais”.

O motorista, com um sorriso, respondeu: “Você não é o novo pregador na cidade?” “Sim”, ele replicou.

“Bem, ultimamente tenho pensado muito a respeito de ir a algum lugar para adorar. Eu só queria ver o que você iria fazer se eu lhe desse troco a mais. Eu o verei na igreja no domingo.”

Quando o pregador desceu do ônibus, ele literalmente agarrou-se ao poste mais próximo e disse: “Ó, meu Deus, eu quase vendi o Seu Filho por 25 centavos”.

Ao comentar acerca da influência de David Livingstone em sua vida, Henry M. Stanley disse: “Quando eu vi a paciência incansável e o zelo incansável daqueles filhos iluminados da África, eu me tornei um cristão ao seu lado, embora ele jamais tenha falado uma só palavra para mim”.

Revelando o poder do exemplo, Francisco de Assis supostamente disse: “Pregue o Evangelho em todo o tempo e, se for necessário, use palavras”.

Como embaixadores de Deus na terra, não somos chamados apenas para pregar uma mensagem, mas para conduzirmos vidas exemplares a fim de que, segundo Tito 2:10: “… fazer o ensino sobre Deus nosso Salvador atrativo de todas as formas”.

Seríamos tolos, todavia, em pensarmos que somos aqueles que fazemos as pessoas virem a Deus. Paulo também disse: “Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus” (2 Coríntios 4:5). Ele entendia totalmente que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação (Romanos 1:16). Entretanto, as nossas vidas deveriam expressar a bondade do Evangelho para outros, e não distraí-los dele.

INTEGRIDADE ESTÁ CONECTADA À FIDELIDADE

Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério, a mim, que, noutro tempo, era blasfemo, e perseguidor, e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade. — 1 Timóteo 1:12-13

Sabemos que o ministério de Paulo teve a sua origem no chamado e na misericórdia de Deus, mas houve uma resposta na parte de Paulo a qual foi essencial para a sua iniciação e promoção no ministério. Qual foi? Deus considerou Paulo fiel.

Fidelidade é tão importante que Paulo disse: “… é [essencialmente] exigido dos mordomos que um homem seja achado fiel [provando-se digno de confiança]” (1 Coríntios 4:2, AMP). Um mordomo é alguém que gerencia os assuntos de outro, e é exatamente isso que fazemos quando servimos a Deus. Deveríamos vigiar e executar fielmente a obra (Sua obra) que Ele nos atribuiu para fazermos.

Alguns dos sinônimos e palavras atribuídas para “fidelidade” incluem: constante, dedicado, devotado, bom, leal, firme, resistente, fidedigno, confiável, responsável, sólido, experimentado, digno, decidido, determinado, resoluto, entusiasta, fervoroso e impetuoso. Essas são todas boas palavras para descrever o que Deus deseja ver em nossas vidas, à medida que respondemos ao Seu chamado e à Sua Palavra.

Jesus descreveu a natureza essencial da fidelidade em Lucas 16:10-12:

Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito. Se, pois, não vos tornastes fiéis na aplicação das riquezas de origem injusta, quem vos confiará a verdadeira riqueza? Se não vos tornastes fiéis na aplicação do alheio, quem vos dará o que é vosso?

Existem três áreas distintas em nossas vidas onde Deus procura por fidelidade:

1. NAS PEQUENAS COISAS (“se for fiel no pouco, você será fiel no muito”). Algumas pessoas acreditam que não há problema em se tornarem fiéis apenas quando Deus lhes der uma tarefa realmente grande e importante. Com base nesse raciocínio, elas acreditam que está tudo bem dispensar um esforço mínimo ou ser pouco dedicado a uma tarefa caso ela não pareça assim tão grande ou interessante. Contudo, muito ao contrário, Jesus disse que é vital, para nós, sermos fiéis mesmo nas pequenas coisas e que a nossa fidelidade nas coisas pequenas indica que seremos fiéis nas responsabilidades maiores. Alguém disse: “Deus não tem um campo maior para o homem que não é fiel fazendo a obra onde ele está”.

2. NAS COISAS PRÁTICAS OU NATURAIS (“… se você é desonesto nas riquezas naturais, quem irá confiar a você as riquezas do céu?”).

Fidelidade se aplica muito mais do que simplesmente a coisas consideradas espirituais ou religiosas. Jesus se refere especificamente a riquezas materiais e firmemente implica que exercer boa administração no que tange a coisas naturais é um pré-requisito para que alguém seja encarregado de coisas espirituais. Se as pessoas são descuidadas e imprudentes ao lidar com o seu dinheiro, então isso é um indicativo de como elas lidariam com as riquezas espirituais.

3. NAS COISAS QUE NÃO SÃO SUAS (“… se você não é fiel com as coisas das outras pessoas, por que você seria confiável com as suas próprias coisas?”). Algumas pessoas expressam um desejo pelo seu “próprio” ministério, mas como elas têm se comportado ao ajudar outra pessoa a cumprir a tarefa que Deus lhe tem confiado? O que realmente importa não é se eu estou no comando, mas que a vontade de Deus seja realizada. Se isso significa assumir um papel de apoio, então deveríamos estar tão entusiasmados e comprometidos como estaríamos se fôssemos os líderes “principais”.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A CONSTRUÇÃO DAS EMOÇÕES

Há um grande corpo de estudos que sugere que emoções são construções sociais, contradizendo a visão de que são universais e pré-programadas

A construção das emoções

Apesar de não haver consenso entre os pensadores – Descartes entre eles – que refletiram sobre quantas e quais emoções são consideradas básicas, o senso comum sempre nos fez acreditar que são universais e que todos os seres humanos são pré-programados a senti-las. Rostos felizes, tristes e preocupados são facilmente identificados em qualquer cultura, o que foi comprovado em pesquisas, sendo as conduzidas por Paul Ekman na década de 1970 a mais difundida. Então a neurociência passou a investigar o assunto de forma mais objetiva, a partir de imagens do cérebro e outras informações.

Foi o que fez a neurocientista canadense Lisa Barrett durante duas décadas. Após centenas de pesquisas com neuroimagens e análises de estudos das emoções, concluiu que nossa intuição está essencialmente errada: as emoções não são necessariamente universais e a interpretação das expressões evocadas por elas pode ser considerada pouco confiável. Inúmeras investigações lideradas por Barrett mostram que uma mesma expressão facial pode representar emoções distintas e, portanto, é extremamente dependente do contexto e até mesmo da cultura para ser identificada.

Em seu livro How Emotions Are Made, ela defende que não existe um circuito neural pré-programado para processar as emoções complexas. Elas seriam construções do cérebro baseadas em predições, assim como acontece com toda a aprendizagem e interpretação do mundo.

Para que possa interpretar um estímulo, bem como um sentimento, o cérebro recorre a experiências anteriores e prediz o que está acontecendo. Trancado na caixa escura do crânio, para que possa dar sentido de forma ágil às informações que recebe e integra, ele preenche lacunas e fabrica os detalhes a partir do que já vivenciou. Qualquer novo conhecimento interfere na construção de sentido feita pelas predições. Assim, quando olhamos a face de alguém, predizemos o que está acontecendo ou o que vai acontecer, o que o outro sente ou a emoção que determinado estímulo irá provocar com base nas nossas experiências anteriores. Essas previsões são aprendidas de acordo com o ambiente e nas interações sociais.

Isso não significa que não existe uma base emocional inata comum a todos os seres humanos. Mas é preciso distinguir os fenômenos psicológicos mais complexos daqueles que são reguladores dos processos biológicos essenciais para a manutenção da vida, como conforto e desconforto, o prazer e o desprazer – motivadores da busca de oportunidades e prevenção contra ameaças que dividimos com todas criaturas com sistema nervoso.

Na visão de Barrett, esses conceitos são sentimentos simples que acompanham os processos fisiológicos e atuam como um reflexo do que está acontecendo no corpo. Mas não dizem muito sobre o que está acontecendo no mundo de fora. Tais detalhes são aprendidos socialmente para que o cérebro construa sentimentos complexos, como ansiedade, frustrações, alívio, remorso, encantamento, fascínio e até felicidade.

A ideia de que a emotividade não é um processo fixo, e sim fluido e adquirido, é também defendida pelo neurocientista português Antônio Damásio em seu mais recente livro, A Estranha Ordem das Coisas: “Ao que parece, a maquinaria dos nossos afetos é educável, até certo ponto, e boa parte daquilo a que chamamos de civilização ocorre através da educação dessa maquinaria no ambiente da nossa infância, em casa, na escola, e no ambiente cultural”.

Essas conclusões podem significar mais que uma mudança na forma como as emoções são compreendidas e explicadas. A ideia de que são construídas indica, segundo Barrett, que também podem ser desconstruídas e modificadas a partir da autoconsciência. Podemos ser o que ela chama de “arquitetos das próprias emoções” ao perceber o que nos provoca determinadas respostas emocionais negativas.

Não significa que isso seja simples, pois não temos acesso consciente às circunstâncias e situações que formaram o enorme arsenal emotivo que guia nosso comportamento. Esse ganho de controle é um exercício diário, que envolve a identificação da emoção e o reconhecimento de que é fluida, está relacionada a situações sociais inconstantes e, muitas vezes, a necessidade e fisiológicas também impermanentes.

Barrett lembra em seu livro que o corpo não pode ser esquecido quando falamos em processos mentais. Assim como envolvem o contexto social, as emoções envolvem também movimentos fisiológicos nos quais não damos atenção e que podem explicar grande parte das mudanças de humor. Fazemos isso quando cuidamos de crianças pequenas e com o tempo passamos a nos considerar “seres racionais” e a tratar corpo e mente de forma separada -uma separação que nunca acontece.

Prestar atenção em necessidades como sono, cansaço, incômodo físico, fome, alterações hormonais é uma das atitudes que nos ajudam a entender determinadas reações e a mudar as circunstâncias que promovem emoções negativas. Nomear as emoções, como veremos em uma próxima oportunidade, é outra forma de trabalhar a inteligência emocional.

Não precisamos ser reféns dessas emoções e agir sempre de acordo com elas: é possível, como já disse o filósofo Viktor Frankl, aproveitar o espaço entre estímulo e reação – um espaço que representa nossa liberdade e crescimento – para reconhecer a possibilidade de escolhas e assumir o controle sobre as ações.

 

MICHELE MULLER – é jornalista pesquisadora, especialista em Neurociências, Neuropsicologia Educacional e Ciências da Educação. Pesquisa e aplica estratégias para o desenvolvimento da Linguagem. Seus projetos e textos estão reunidos no Site:  www.michelemuller.com.br

OUTROS OLHARES

A RODOVIÁRIA DO FUTURO

A rodoviária do futuro

A 311 quilômetros de Amsterdã, Tilburgo é uma cidade de 200 mil habitantes. Foi o local da morte do rei Willem II (1792 -1849), que, vítima de problemas respiratórios, costumava dizer que somente lá conseguia respirar livremente e ser feliz. No século 19, a cidade era um dos principais centros têxteis da Holanda, capital da lã. Hoje, é famosa por uma animada feira. que, todos os anos, se estende por dez dias ao longo de julho. Agora, Tilburgo faz novamente história ao chegar no futuro, com sua rodoviária inteligente. Projetada pelo escritório de arquitetura cepezed, a belíssima (e minimalista) estação é composta por uma série de colunas finas e um toldo que, de tão leve, parece flutuar. À base de tecnologia fotovoltaica, a cobertura dispõe de 250 metros quadrados de painéis solares capazes de iluminar toda a rodoviária – das áreas de embarque e desembarque às placas digitais de sinalização. Sensores de movimento, colocados a cada 14 metros na borda de aço do toldo respondem à presença de pessoas e ônibus.

GESTÃO E CARREIRA

A GUERRA DAS CANCELAS

A chegada de novas concorrentes acirra a competição no mercado de pagamento automático de pedágios. E a disputa muito vai além das rodovias

A guerra das cancelas

Fundada no ano 2000, a Sem Parar foi a pioneira no mercado local de etiquetas de pagamento automático de pedágios, mais conhecidas como tags. E, assim como os carros que passaram a adotar o seu sistema, a empresa teve, durante mais de uma década, pista livre para desenvolver e expandir esse modelo pelas estradas — e, mais tarde, pelos estacionamentos do País. A primeira rival, de fato, surgiu apenas em 2013, com o lançamento da ConectCar, criada pela Ipiranga em parceria com a Odebrecht Transport. Quatro anos depois, foi a vez da MoveMais, com foco no segmento corporativo. No ano passado, a Veloe, da Alelo, engrossou essa lista. Agora, a Sem Parar começa a enxergar no retrovisor a chegada de novas concorrentes, em um cenário que promete redesenhar a competição no setor. Ao mesmo tempo, essa disputa tem tudo para alcançar outras cancelas além daquelas nas rodovias brasileiras.

O nome mais recente a ingressar nesse mercado é o C6 Bank. O banco digital recebeu sinal verde do Banco Central para operar em janeiro. Ainda em fase de estruturação, a empresa acaba de lançar o C6 Taggy, serviço de pedágio automático. Depois de uma etapa de testes com seus próprios funcionários, as tags estão sendo distribuídas
a sua base de clientes e já são aceitas em 61 concessionárias. Na contramão das rivais, não haverá cobrança de taxas de adesão e nem de mensalidade. O valor de cada transação será debitado diretamente da conta do correntista. “É como se fosse um cartão de débito do carro”, diz Maxnaun Gutierrez, líder de produtos e pessoa física do C6 Bank. Com a previsão de chegar também aos estacionamentos até o fim do ano, o C6 Taggy vai integrar um pacote de ofertas que inclui cartões múltiplos isentos de anuidade e transferências ilimitadas e gratuitas, entre outros recursos.

As novidades não se restringem ao C6 Bank. Outras empresas estão prontas para colocar seus pés — e etiquetas — nessa estrada. “Temos mais dois bancos e quatro meios de pagamento em fase de integração, além de negociações com mais de trinta empresas”, afirma João Cumerlato, CEO e cofundador da Greenpass. O empreendedor criou a startup no fim de 2017, ao lado de Carlo Andrey. Dois anos antes, a dupla havia deixado a ConectCar, serviço que ambos ajudaram a estruturar e cuja fatia de 50%, da Odebrecht, acabara de ser vendida ao Itaú Unibanco, por R$ 170 milhões. O acordo foi seguido pela movimentação de outras cifras no setor. Em 2016, a americana Fleetcor pagou R$ 4 bilhões para assumir o controle da Sem Parar.

Na sequência, o lançamento da Veloe concentrou um aporte de R$ 110 milhões, que contou com a participação do Bradesco e do Banco do Brasil, acionistas da Alelo. “Começamos a perceber que esse mercado ficaria restrito a uma briga de cachorros grandes”, diz Cumerlat. A Greenpass entrou nessa briga ao criar uma plataforma “bandeira branca” para que bancos e empresas de qualquer porte possam atuar no mercado de pagamentos automáticos de pedágios e estacionamentos. A startup responde pela tecnologia e a operação junto às concessionárias. Frentes como marketing e vendas ficam sob a alçada de seus clientes, como é o caso do C6 Bank, o primeiro projeto desenvolvido pela novata. “Nossa plano é permitir que essas tags custem muito pouco para o usuário na ponta”, afirma.

O preço ainda é uma das barreiras para que esse mercado ganhe mais escala. Em 2018, o segmento de pedágios movimentou R$ 19 bilhões, com 1,75 bilhão de transações. A participação das tags, no entanto, vem apresentando uma tendência de estagnação nos últimos anos, com um patamar que gira em torno de 47% do total de pagamentos. De uma frota de 48 milhões de carros no País, estima-se que cerca de 6 milhões possuam esses sistemas automáticos. “Esses são os ‘heavy users’, para quem faz todo sentido pagar uma mensalidade de R$ 25. Queremos ganhar escala ao tornar o acesso a esses serviços mais democrático”, explica Cumerlato. A meta da empresa é chegar, via parceiros, a uma base de 2 milhões de usuários no prazo de dois anos

DESCONTOS 

O fator preço e a competição mais acirrada já estão influenciando as estratégias das empresas que atuam há mais tempo nesse mercado. A ConectCar, por exemplo, está oferecendo a adesão com a isenção de cobrança de mensalidades nos primeiros três meses, além de um desconto de 20% durante toda a vigência do plano contratado. Quem também está recorrendo a esses expedientes é a Veloe, cuja oferta exclui a cobrança de mensalidade por um período de 12 meses. “É uma forma de mudar a visão de parte dos usuários”, diz Cesario Nakamura, CEO da Alelo. “Hoje, o pagamento via tags é uma comodidade disponível não apenas nos pedágios, mas também nos centros urbanos.” Presente em 64 rodovias e mais de 200 estacionamentos, a operação já concentrou um investimento de R$ 160 milhões desde o seu lançamento, em maio de 2018. Até 2020, a previsão é chegar a um aporte total de R$ 310 milhões e a uma base de 1,5 milhão de usuários.

Para alcançar esse número, a Veloe trabalha em duas pontas: usuários finais e mercado corporativo. Nessa frente, as sinergias com outras ofertas da Alelo, como as plataformas de gestão de frotas, são a aposta para ganhar terreno. A utilização dos canais de relacionamento de Bradesco e Banco do Brasil (os dois acionistas da operação) para a oferta do serviço aos correntistas são mais um componente. E a empresa vem criando parcerias. No início do mês, fechou acordo com a Zul Digital, responsável por um aplicativo de Zona Azul disponível em São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Fortaleza. Em junho, a companhia já havia se associado com a Unidas para que a frota de mais de 140 mil veículos da locadora seja equipada com suas tags. O mesmo caminho foi adotado recentemente pela ConectCar e pela Sem Parar, que firmaram parcerias com a Localiza e a Movida, respectivamente.

Responsável por desbravar o segmento, a Sem Parar não está de braços cruzados com a perspectiva de aumento da concorrência. Embora não revele o valor consolidado dos investimentos para este ano, a empresa informa que está ampliando em 30% o volume dos aportes na comparação com 2018. “Internamente, esse cenário aumenta nosso senso de urgência para acelerar as inovações. Temos de estar sempre três passos à frente”, afirma Fernando Yunes, CEO da companhia, que responde por cerca de 20% da operação global da Fleetcor, grupo que faturou US$ 2,4 bilhões em 2018. “De uma operação de pedágios eletrônicos, estamos nos transformando em uma empresa que elimina filas e paradas na vida das pessoas.”

DRIVE THRU DO MCDONALD’S 

Hoje, os pedágios representam apenas 12% de utilização na rede da companhia, que possui 5,5 milhões de usuários ativos. Os 88% restantes estão divididos em diversos segmentos. Nos estacionamentos, que incluem shoppings, aeroportos, hospitais, condomínios e mesmo de rua, já são 1,2 mil pontos, além de 650 postos de combustíveis. Os lava rápidos, uma aposta recente, somam 20 estabelecimentos e o plano nesse segmento é chegar a 150 nos próximos meses. No fim de 2018, a empresa também fechou um acordo com o McDonald’s. Mais de 300 drive thrus da marca já contam com a opção de pagamento via tag da Sem Parar. A empresa negocia ainda com outras duas redes de fast food que planejam seguir a mesma trilha.

Toda essa movimentação não significa, no entanto, que a empresa deixou os pedágios em segundo plano. Nessa área, a Sem Parar acaba de desenvolver uma tecnologia intermediária para ser aplicada em cabines manuais. No lugar de tags, a solução será baseada nos celulares dos usuários e permitirá a abertura das cancelas com a desaceleração do carro ou da moto. A previsão é de que dois pilotos comecem a ser testados neste semestre. “Nosso primeiro passo foi concentrar a atuação ao redor do carro”, diz Yunes. “A próxima etapa é levar isso ao entorno do indivíduo. Sempre que houver fila e pagamentos, estaremos presentes.”

A guerra das cancelas. 2

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QUALIFICADOS

Qualificados - Tony Cooke

CAPÍTULO CINCO – O PERIGO DA DESQUALIFICAÇÃO

 Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra. — 2 Timóteo 2:21

Pensamento-chave: Paulo não estava apenas cauteloso quanto a liderar e influenciar outros, mas ele também via a grande necessidade de assegurar que ele mesmo permanecesse no caminho. Se você está jogando para ganhar, você tem que jogar pelas regras.

 

O apóstolo Paulo entendia que a jornada de liderança espiritual é desafiadora e que grande diligência é exigida para terminar bem.

Comparando a jornada cristã a uma corrida, ele disse:

Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado. — 1 Coríntios 9:24-27

Em minha experiência cristã inicial, achei a declaração de Paulo alarmante: “… tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado”. O que significaria tornar-se “desqualificado”? Quando eu comecei a ler a Bíblia, esse versículo me parecia ainda mais inquietante, ao perceber que Paulo expressava um desejo de não terminar como um “inútil”. Mais tarde, como um estudante de escola bíblica e como um jovem pastor ambicioso, ouvi advertências moderadas de ministros que terminaram no provérbio “monturo espiritual” devido à flagrante desobediência e persistente infidelidade. Lamentavelmente, eu tenho visto alguns terminarem dessa maneira.

Entretanto, nessa declaração, Paulo não está falando de filiação; ele está falando de ministério eficaz e duradouro, o qual é executado sem implosões autoinfligidas. Ele está se referindo a ser um atleta espiritual que está exercendo grande esforço, não para a glória pessoal, mas para o avanço do Reino. Paulo usa terminologias esportivas para introduzir a ideia da possível desqualificação. Ele fala do rigor atlético e da disciplina necessária para ser competente no ministério.

Observe que Paulo não estava apenas preocupado em “pregar a outros”. Ele era diligente em disciplinar o seu próprio corpo e reduzi-lo “à escravidão”. Paulo reconhecia que antes que ele pudesse liderar outros, primeiramente ele teria que liderar a si mesmo. Antes que ele pudesse efetivamente influenciar outros, primeiramente, ele teria que influenciar a si mesmo para permanecer “no curso”. É terrivelmente infeliz quando ministros buscam exceder em seu desempenho público, mas se deterioram em seu caráter e integridade. Patsy Cameneti uma vez disse: “No processo de se tornarem grandes pregadores, alguns se tornam cristãos repugnantes”.

A coisa mais fácil que você irá fazer no ministério é permanecer atrás de um púlpito e dizer aos outros como eles supostamente devem viver e o que eles supostamente devem fazer. O nosso desafio não é apenas ser um proclamador da Palavra, mas um praticante da Palavra. “Praticar” confere grande autenticidade para o nosso ensino.

George Whitefield, certa vez, foi indagado se certo indivíduo era um bom homem. Ele sabiamente respondeu: “Como eu poderia saber disso? Nunca vivi com ele”. Deus não julga a nossa espiritualidade e temor a Ele com base em como pregamos ou em como nos comportamos quando pessoas que queremos impressionar estão observando. Não é que a maneira como nos comportamos em público ou na igreja não seja importante, mas acredito que o teste definitivo para a nossa espiritualidade é como nos comportamos em casa com o nosso cônjuge e nossos filhos, e como nos comportamos quando ninguém está observando.

No primeiro capítulo, falamos sobre a seleção de Davi, quando ele foi escolhido para ser o novo rei de Israel. Esse trecho da Bíblia também fala da rejeição de Saul como o rei “autodesqualificado” de Israel.

Então, disse Samuel a Saul: Procedeste nesciamente em não guardar o mandamento que o SENHOR, teu Deus, te ordenou; pois teria, agora, o SENHOR confirmado o teu reino sobre Israel para sempre. Já agora não subsistirá o teu reino. O SENHOR buscou para si um homem que lhe agrada e já lhe ordenou que seja príncipe sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o SENHOR te ordenou. — 1 Samuel 13:13-14

Mais tarde, em 1 Samuel 15:23, Samuel disse a Saul: “Visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, Ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei”.

O nome hebraico do apóstolo Paulo também era Saulo e ele era da mesma tribo (Benjamim) que o rei Saul, do Antigo Testamento. Ele recebeu esse nome em homenagem ao seu rei desobediente, o qual desqualificara a si mesmo para a liderança do Reino. Paulo estava determinado a não seguir nas mesmas pisadas de desobediência e desqualificação do seu homônimo. Em vez disso, ele resolveu completar a sua carreira com alegria (Atos 20:24).

Considerando que Paulo resolveu usar um evento esportivo (atletismo) para ilustrar a sua ideia, talvez possamos extrair mais revelação ao explorar esse tópico também. No atletismo, um corredor que “queima a largada” ou sai da sua faixa, pode ser desqualificado naquele evento. Entretanto, isso não significa que ele será banido do atletismo para sempre. Para essa corrida em particular, sim, todavia, ele terá que sair do caminho e deixar os outros corredores seguirem sem ele.

Diego Mesa é um amigo meu que pastoreia uma igreja no sul da Califórnia. Ele costumava correr maratonas e participar de triatlo. No início dos anos 80, ele se sentiu ótimo ao terminar em terceiro lugar em um evento muito competitivo. Ele foi bem na corrida, no ciclismo e na natação, portanto, ele alegremente recebeu o seu prêmio de 250 dólares (isso era muito dinheiro para ele na ocasião). Entretanto, em vez disso, ele recebeu um cheque de 175 dólares e foi informado de que ele negligenciara o uso do capacete durante a parte de ciclismo do evento. Como resultado, 75 dólares foram deduzidos da sua premiação. Imagino quantos crentes, e até mesmo pregadores, estarão diante do Senhor, pensando que fizeram coisas maravilhosas para Ele, apenas para descobrir que o seu prêmio foi afetado por motivos, atitudes e métodos errados.

Paulo avisou a Timóteo, um jovem pastor: “… o atleta não é coroado se não lutar segundo as normas” (2 Timóteo 2:5). Ao querer evitar o legalismo, muitos têm minimizado a ideia de “normas”, entretanto, existem diretrizes definidas e princípios envolvidos ao executar um serviço ministerial frutífero e eficaz. Semelhantemente, ignorar ou violar tais ensinamentos e preceitos pode diminuir consideravelmente a produtividade de alguém e, finalmente, afetar o seu prêmio.

Jesus falou abertamente acerca da influência espiritual de uma pessoa ser diminuída ou destruída completamente: “Permitam-me dizer por que vocês estão aqui. Vocês estão aqui para ser o sal que traz o sabor divino à terra. Se perderem a capacidade de salgar, como as pessoas poderão sentir o tempero da vida dedicada a Deus? Vocês não terão mais utilidade e acabarão no lixo” (Mateus 5:13, A Mensagem).

Foi na mesma veia de pensamento que Paulo expressou o cuidado de que, se ele não conduzisse sua vida de modo temente a Deus, ele poderia perder a sua utilidade e se tornar desqualificado. Ao falar para um grupo de crentes, Paulo disse: “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados. Mas espero reconheçais que não somos reprovados” (2 Coríntios 13:5-6).

De maneira a desqualificar-se, parece-me que uma pessoa teria que se tornar qualificada em primeiro lugar. Ao falar do seu próprio ministério, Paulo disse: “Deus nos testou duramente para que houvesse certeza de que estávamos qualificados para receber a Mensagem” (1 Tessalonicenses 2:3, A Mensagem).

O QUE FAREMOS, ENTÃO?

O nosso dever é buscar, de todo o coração, aquelas características que nos qualificam para o serviço eficaz e erradicam da nossa vida aqueles traços que nos desqualificariam. A analogia e a admoestação de Paulo em 2 Timóteo reforçam isso inteiramente:

Ora, numa grande casa não há somente utensílios de ouro e de prata; há também de madeira e de barro. Alguns, para honra; outros, porém, para desonra. Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra. — 2 Timóteo 2:20-21

 

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MATÉRIA-PRIMA DO PENSAMENTO

A linguagem vai além do campo cognitivo. ela auxilia na identificação de sensações e na construção da inteligência emocional

Matéria-prima do pensamento

Quando você ensina conceitos emocionais às crianças, você ensina mais que comunicar: cria a realidade dessas crianças – uma realidade social”, destaca a neurocientista Lisa Barrett, autora de How Emotions Are Made, baseado em suas pesquisas sobre a construção das emoções. Conforme foi destacado, estudos neurocientíficos apontam uma nova perspectiva na compreensão dos sentimentos, não como respostas pré-programadas, mas como construções sociais – o que leva a uma visão mais flexível sobre a forma como podemos lidar com elas, saindo do papel de reféns da s emoções para ganhar o poder de desconstruí-las.

A linguagem tem um papel fundamental no desenvolvimento da inteligência emocional. Sua função, portanto, não se limita à expressão das nossas experiências e emoções, com a finalidade de influenciar de incontáveis maneiras aqueles com os quais interagimos. É a matéria-prima do pensamento, o conjunto de peças que molda a forma como percebemos o ambiente, como interpretamos o outro e como compreendemos as próprias emoções.

Diferentemente de palavras que representam elementos concretos, os conceitos abstratos geralmente dependem do contexto para serem definidos e explicados. E é nessa maleabilidade que está a riqueza de uma língua – e também, de acordo com Barrett, do repertório emocional que cada um carrega. Por isso, com o ensino de conceitos, damos às crianças e adolescentes “ferramentas que irão ajudar a regular seu equilíbrio fisiológico, a encontrar significado nas suas sensações e a influenciar os outros de forma mais eficaz. São habilidades que elas usarão a vida inteira”.

A linguagem abstrata permite enxergarmos coisas que antes se encontravam em um ponto cego da percepção. Como se fossem lanternas da mente, as palavras expandem os limites do nosso mundo interno, como defendeu o filósofo alemão Wittgenstein. Um mundo que é inteiramente guiado pelas emoções e sentimentos – das grandes conquistas às piores decisões. Para conseguir identificá-los é necessário nomeá-los. Com a consciência dos ingredientes que os compõem, a partir da clareza trazida pelas palavras certas damos ao cérebro a capacidade de categorizar, perceber e predizer as emoções – ferramentas fundamentais para que possamos lidar melhor com eles e responder aos estímulos de forma mais flexível e funcional. Quanto maior o vocabulário, portanto, maior o que Barrett chama de “granularidade emocional”. Um repertório que possibilita expressar da forma mais acurada possível o leque de nuances emocionais que as diversas situações e estímulos podem evocar está relacionado à capacidade de construir experiências emocionais mais refinadas, levando a melhores predições e instâncias de emoções que são modeladas de acordo com cada situação.

O desenvolvimento da inteligência emocional a partir da identificação das emoções por meio de linguagem é o que chamam os de processo top-bottom: do cognitivo para o emocional, ou das regiões corticais para as subcorticais. Como muitos processos mentais, a relação cognição/emoção ocorre por um a via de mão dupla: os estímulos que envolvem o pensamento, ou seja, que operam no modo cognitivo, agem sobre as emoções, da mesma forma como o contrário também é verdade.

Dentro dessa mesma perspectiva, o neurocientista e psiquiatra Daniel Siegel defende que o vocabulário relacionado às inúmeras experiências internas seja ensinado a crianças e adolescentes como forma de educação emocional – uma técnica que ele chama de name it to tame it (uma rima em inglês que significa nomeie para amansar, ou domar). Não saber o que sente, ele explica, pode ser confuso e até aterrorizante. “Dividir a sua experiência com outros pode muitas vezes fazer com que momentos terríveis sejam compreendidos e não se transformem em trauma. Tanto seu mundo interno quanto relações interpessoais irão se beneficiar da identificação do que está acontecendo, trazendo mais integração à sua vida”, explica Siegel, no livro Cérebro do Adolescente (Editora Versos, 2016).

Há muitos estudos que confirmam esse raciocínio. Em uma investigação conduzida pelo Centro de Inteligência Emocional de Yale, foram trabalhados conceitos emocionais em 62 classes de crianças em sessões de meia hora por semana, durante dois anos, e avaliados seus desempenhos acadêmico e social. Em ambos domínios, aquelas que participaram do programa apresentaram melhores resultados que alunos que não tiveram a instrução.

Outra pesquisa indicando que o aprendizado de palavras relacionadas aos diversos estados emocionais leva a um refinamento dos sentimentos envolveu pessoas com aracnofobia: foram avaliadas três abordagens distintas, e aquela que utiliza o repertório mais rico de sensações mostrou-se mais eficaz e duradoura que as outras.

Os resultados do ensino e da evocação de conceitos abstratos, portanto, não se restringem a um enriquecimento cognitivo, mas expandem-se ao universo social e emocional, afetando profundamente essas experiências. No próximo post veremos como o cérebro constrói sentido na linguagem abstrata, um conhecimento que nos fornece meios e formas mais eficazes de ensinar esses conceitos.

 

MICHELE MÜLLER – é jornalista, pesquisadora, especialista em Neurociências. Neuropsicologia Educacional e Ciências da Educação. Pesquisa e aplica estratégias para o desenvolvimento da linguagem. Seus projetos e textos estão reunidos no site www.michelemuller.com.br

OUTROS OLHARES

O FUTURO DA MENTE

Como a inteligência artificial pode melhorar o cérebro humano e ajudar na criação de máquinas conscientes

O futuro da mente

Penso na natureza fundamental da mente e na natureza do “eu”. Ultimamente, tenho refletido sobre essas questões tendo em vista tecnologias emergentes. Tenho pensado sobre o futuro da mente e, mais especificamente, sobre como a tecnologia de inteligência artificial (IA) pode remodelar a mente humana e criar mentes sintéticas. À medida que a IA fica mais sofisticada, uma coisa que me interessa bastante é saber se os seres que talvez consigamos criar poderão ter experiências conscientes.

A experiência consciente é o aspecto sensorial de sua vida mental. Quando você vê os exuberantes tons de um pôr do sol ou sente o aroma de café pela manhã, você está tendo uma experiência consciente. Ela lhe é bastante familiar. Inclusive, não há um momento de sua vida em que você não seja um ser consciente.

O que quero saber é, se tivermos uma inteligência artificial geral — capaz de conectar ideias de maneira flexível através de diferentes domínios e de talvez ter algo similar a uma experiência sensorial —, seria ela consciente ou tudo estaria sendo computado no escuro — envolvendo coisas como tarefas de reconhecimento visual de uma perspectiva computacional e pensamentos sofisticados, mas sem ser verdadeiramente conscientes?

Ao contrário de muitos filósofos, especialmente aqueles na mídia e transumanistas, costumo ter uma abordagem de “esperar para ver” em relação à consciência das máquinas. Primeiro porque rejeito a linha totalmente cética. Existiram filósofos muito conhecidos no passado que não acreditavam na possibilidade de consciência das máquinas — notoriamente John Searle —, mas creio que seja cedo demais para falar. Haverá muitas variáveis que determinarão se má- quinas conscientes existirão.

Em segundo lugar, temos de nos perguntar se a criação de máquinas conscientes é ao menos compatível com as leis da natureza. Não sabemos se a consciência pode ser implementada em outros substratos. Não sabemos qual será o microchip mais rápido, portanto não sabemos de que material uma inteligência artificial geral será feita. Então, até este momento, é muito difícil dizer que algo altamente inteligente será consciente.

Seria provavelmente mais seguro agora colocar uma barreira conceitual entre a ideia de inteligência sofisticada, de um lado, e a consciência, de outro. O que devemos fazer é manter a mente aberta e suspeitar que, talvez, com tudo que sabemos no momento, a mais sofisticada das inteligências não será consciente. Há muitas questões, e não apenas as que envolvem substratos, que determinarão se má- quinas conscientes serão possíveis. Imagine, por um minuto, que é concebível, ao menos em tese, construir uma inteligência artificial consciente. Quem ia querer fazer isso? Pense nas discussões que estão ocorrendo agora sobre os direitos dos androides, por exemplo.

Imagine que todos esses androides japoneses, criados para cuidar dos mais velhos e da casa das pessoas, acabem se tornando conscientes. Não haveria preocupações quanto a forçar criaturas a trabalhar para outras sendo elas seres conscientes? Não seria parecido com escravidão? Não creio que produzir esses seres seja uma vantagem para as companhias de IA. Na verdade, elas podem decidir retirar-lhes a consciência. Claro, não somos capazes de dizer se a consciência pode ser incluída ou retirada de uma máquina. Até onde sabemos, poderia ser uma consequência inevitável de um cálculo sofistica- do, e então teríamos de nos preocupar com os direitos de androides e de outras IAs.

Caso as máquinas se mostrem conscientes, não vamos apenas aprender sobre suas mentes, mas também sobre as nossas. Poderíamos descobrir mais sobre a natureza da experiência consciente, o que nos levaria a refletir, como cultura, sobre o que é ser um ser consciente. Humanos deixariam de ser especiais, no que tange a sua capacidade de ter pensamentos intelectuais. Estaríamos compartilhando essa posição com seres sintéticos que não são feitos das mesmas coisas que nós. Essa seria uma lição de humildade para os humanos.

Conforme as civilizações ficam mais inteligentes, elas podem se tornar pós-biológicas. Então, a inteligência sintética acabaria sendo um resultado natural de civilizações tecnológicas bem-sucedidas. Num espaço de tempo relativamente curto, conseguimos criar inteligências artificiais interessantes e sofisticadas. Agora estamos direcionando essa inteligência para dentro, em termos de construção de próteses neurais para melhorar o cérebro humano. Já vemos gurus da tecnologia, como Ray Kurzweil e Elon Musk, falando sobre aperfeiçoar a inteligência humana com chips cerebrais — não apenas para auxiliar quem tem distúrbios neurológicos, mas para ajudar as pessoas a viver mais e de maneira mais inteligente. Pode ser que civilizações ao longo do universo tenham se tornado pós-biológicas e melhorado sua inteligência para se transformar, elas próprias, em seres sintéticos. De certa maneira, a IA poderia ser um resultado natural de uma civilização tecnológica bem-sucedida. Claro, não estamos dizendo que o Universo tenha uma abundância de vida. Talvez não tenha. Esse é um questiona- mento empírico, embora muitos de meus colegas na Nasa estejam otimistas. E não estamos sugerindo que, mesmo que outros planetas tenham vida, essa vida seria tecnológica. Ainda não sabemos quão provável é que a própria vida continue a progredir e existir além de sua maturidade tecnológica.

Comecei minha vida acadêmica como economista e em seguida topei com uma aula de Donald Davidson, o eminente filósofo. Descobri que gostava de filosofia anglo-americana e trabalhei com Jerry Fodor, famoso filósofo da mente e crítico das ideias que deram origem à aprendizagem profunda (modelo de aprendizado de computadores a partir de algoritmos que simulam redes neurais do cérebro).

Fodor e eu passávamos horas discutindo sobre o escopo e os limites da inteligência artificial. Eu discordava dele quanto a essas visões iniciais sobre a aprendizagem profunda. Não achava que eram tão impossíveis como ele sugeria. Naquela época, elas eram chamadas de “visões conexionistas”. Ele alegava que o cérebro não é computacional e que a inteligência artificial provavelmente não prosperaria quando chegasse ao nível de inteligência artificial de domínio geral por- que havia uma característica especial no cérebro humano não computacional. A saber, ele estava se referindo ao que chamava de “sistemas centrais”, áreas do cérebro que podemos classificar como sendo de domínio geral, indo além de funções mentais altamente compartimentalizadas — aquele material de primeira que dá origem à criatividade humana e à cognição.

Argumentei que o cérebro era computacional de cabo a rabo. Por exemplo, havia teorias bem-sucedidas de memória de trabalho e atenção que envolviam funções de domínio geral. Enquanto eu estava trabalhando com Fodor, li bastante sobre neurociência computacional. Insisti que o cérebro talvez seja um sistema híbrido que possa ser descrito nos termos da abordagem da rede neural discutida em neurociência computacional, mas no qual essas descrições de alto nível tratadas na psicologia cognitiva fazem referência à forma de pensar a que pessoas como Jerry Fodor recorrem — a linguagem do pensamento, que afirma que o cérebro é um dispositivo de processamento de símbolos que os manipula de acordo com regras.

Teria sido divertido conversar com Fodor sobre sistemas de aprendizagem profunda. Imagino que ele ainda estaria um tanto cético quanto à possibilidade de esses sistemas se desenvolverem ainda mais, tornando-se o que algumas pessoas chamariam de inteligência artificial geral. De forma alguma estou sugerindo que os recursos atuais poderiam originar algo tão sofisticado. Entretanto, acho que, com todo dinheiro que vem sendo investido em inteligência artificial, com todo sucesso com que a velocidade dos cálculos vem aumentando ano após ano, sempre encontrando microchips mais rápidos e melhores, com a possibilidade de computação quântica sendo desenvolvida de maneira séria — todas essas coisas militam fortemente pela inteligência artificial, que progressivamente se torna cada dia melhor. Enquanto isso, podemos observar recursos em diferentes áreas da neurociência, como a neurociência computacional, e aprender com o funcionamento do cérebro. Podemos fazer uma engenharia reversa de IA a partir do cérebro quando precisarmos.

À medida que comecei a pensar sobre as histórias de sucesso da Deep Mind — com sistemas de domínio específico, por exemplo —, passei a acreditar que, com toda ênfase em tecnologia de IA e tecnologias aperfeiçoadas disponíveis, mais IAs sofisticadas seriam criadas. Não apenas criaremos robôs inteligentes; também colocaremos a IA em nossa cabeça e mudaremos o molde da mente humana. Então comecei a me preocupar com a maneira como isso poderia transformar a sociedade.

Vejo muitos mal-entendidos nas discussões atuais sobre a natureza da mente, como a suposição de que, se criarmos IAs sofisticadas, elas inevitavelmente criarão uma consciência. Também existe essa ideia de que deveríamos “nos fundir com a IA” — que, para que humanos possam acompanhar os desenvolvimentos nesse campo e não sucumbira IAs superinteligentes ou ao desemprego tecnológico causado por elas, precisamos melhorar nosso próprio cérebro com essa tecnologia.

Uma coisa que me preocupa nisso tudo é que eu não acho que empresas de IA deveriam estar resolvendo problemas referentes ao molde da mente. O futuro da mente deveria ser uma decisão cultural e uma decisão individual. Muitas das questões em jogo aqui envolvem problemas clássicos de filosofia que não têm soluções fáceis. Estou pensando, por exemplo, nas teorias metafísicas sobre a natureza de uma pessoa. Digamos que você implante, em si, um microchip para se integrar à internet e continue colocando melhorias após melhorias. Até que ponto você ainda vai ser você? Quando pensamos em aperfeiçoar o cérebro, a ideia é melhorar a vida — ficar mais inteligente ou mais feliz, talvez até viver mais ou ter um cérebro mais afiado à medida que envelhece —, mas e se todas essas melhorias nos alterassem de formas tão drásticas que já não fôssemos mais a mesma pessoa?

Há questões apresentadas por filósofos como Hume, Locke, Nietzsche e Parfit que vêm sendo pensadas há anos no contexto de debates sobre a natureza humana. Agora que temos a oportunidade de, possivelmente, esculpir nossa própria mente, acredito que precisamos dialogar com essas posições filosóficas clássicas sobre a natureza do “eu”. Preocupo-me profundamente com a obsessão com a tecnologia. Eu me considero uma tecnoprogressista, no sentido de que quero ver a tecnologia ser usada para melhorar a vida humana, mas precisamos ter cuidado com a aceitação inabalável dessa ideia de fundir-se com IAs ou até de ter uma internet das coisas a nosso redor o tempo todo.

O que precisamos fazer agora, conforme essas tecnologias de aprimoramento neurais estão sendo desenvolvidas, é ter um diálogo público sobre isso. Todas as partes interessadas precisam se envolver, dos pesquisadores dessas tecnologias aos legisladores e até pessoas comuns, especialmente os jovens, contanto que, à medida que tomem essas decisões quanto ao aperfeiçoamento do cérebro, eles sejam capazes de fazer isso com mais escrutínio. Aqui, as questões filosóficas clássicas sobre a natureza do “eu” e a natureza da consciência dão as caras.

Conselhos de ética de IA em grandes empresas são importantes, mas, de certa forma, é a raposa cuidando do galinheiro. A única maneira de termos um futuro positivo quando se trata do uso de tecnologias de IA para criar mentes sintéticas e melhorar a mente humana é trazer essas questões diretamente para o público, e é por isso que eu me importo bastante com o engajamento popular e com a garantia de que todas as partes interessadas estejam envolvidas.

Em um mês, serei a ilustre acadêmica da Livraria do Congresso para o próximo ano, então poderei levar essas questões à capital americana. Espero que, embora muitos líderes de tecnologia estejam ocupados demais para pensar seriamente sobre algumas das questões filosóficas subjacentes, o próprio público se dedique a esse tópico.

Como saberíamos se uma máquina é consciente? Eu sugeri que não podemos presumir que uma IA sofisticada será consciente. Além disso, pode ser que a consciência seja desenvolvida apenas em certos programas de IA ou com certos substratos, certos tipos de microchips e não em outros. Até onde sabemos, talvez sistemas de base de silicone possam ser conscientes, mas sistemas que usem nanotubos de carbono não. Não sabemos. É um questionamento empírico. Então, seria útil fazer alguns testes.

A parte complicada é que, mesmo hoje em dia, não podemos dizer com exatidão o que sistemas de aprendizagem profunda es- tão fazendo. O problema da caixa-preta da IA questiona como podemos saber quais cálculos estão nos sistemas de aprendizagem profunda, inclusive no nível inicial de sofisticação em que se encontram hoje.

Em vez de olhar por baixo do capô da arquitetura da IA, a maneira mais eficaz de determinar a consciência em máquinas é fazer uma abordagem em duas partes. A primeira coisa a se fazer é um teste com base em comportamento, que desenvolvi no Instituto de Estudos Avançados com o astrofísico e prodígio dos exoplanetas Edwin Turner. É um teste simples. Uma das coisas que mais chamam a atenção na consciência humana é o fato de que temos a capacidade de compreender situações imaginárias que envolvam a mente. Quando você era criança, talvez tenha visto o filme “Sexta-feira muito louca”, em que mãe e filha trocam de corpo. Por que isso fez sentido para nós? Fez sentido porque conseguimos imaginar a mente deixando o corpo. Não estou dizendo que a mente de fato saia do corpo, mas conseguimos imaginar situações, pelo menos em linhas gerais, que envolvam uma vida após a morte, reencarnação, experimentos de pensamentos filosóficos.

O que precisamos fazer, então, é promover IAs capazes de imaginar esses tipos de situações. Há, porém, uma boa objeção a isso, que é o fato de podermos programar uma IA para agir como se fosse consciente. Hoje em dia, já existem IAs que conversam e agem como se tivessem vidas mentais. Pense em Sophia, da Hanson Robotics. Ela fala com você, e a imprensa até conversa com ela como se fosse um ser consciente. Creio que tenha sido oferecida a ela cidadania na Arábia Saudita, o que é interessante.

O que precisamos fazer para determinar se uma IA é consciente é confiná-la. Essa é uma estratégia usada na pesquisa de segurança de IAs para evitar que ganhem conhecimento sobre o mundo ou ajam nele durante o estágio de pesquisa e desenvolvimento, em que se aprende sobre as capacidades de um sistema. Nesse momento, se você não fornece à inteligência artificial conhecimento sobre neurociência e consciência humana e percebe comportamentos anômalos quando a examina à procura de experiência consciente, faça experimentos de pensamento e veja como ela reage. Pergunte, simplesmente: “Você consegue se imaginar existindo após a destruição de suas partes?”.

Turner e eu escrevemos várias perguntas, uma espécie de teste de Turing para consciência de máquinas, projetado para despertar comportamentos contanto que elas estejam confinadas apropriadamente, e isso serve para garantir que não tenhamos falsos positivos. Dito isso, não acho que o teste seja a única maneira de abordar essa questão. É o que filósofos chamam de “condição suficiente” para a consciência de máquinas. Então, se uma má- quina passar no teste, temos motivo para acreditar que ela é consciente. Mas, se for reprovada, outros testes podem ainda assim de- terminar que ela é consciente. Talvez não seja devidamente linguística, talvez não tenha noção do “eu”, e por aí em diante.

Como mencionei, ofereço uma abordagem de duas partes. Deixe-me falar sobre a segunda maneira de determinar se máquinas podem ser conscientes, porque esse é um caminho sensível devido aos desenvolvimentos recentes em chips cerebrais. Conforme usamos neuropróteses ou chips em partes do cérebro que fundamentam a experiência consciente em humanos, se esses chips forem bem-sucedidos e se não notarmos déficit de consciência, então temos motivo para crer que aquele microchip feito de um substrato em particular — digamos, silicone — possa proporcionar consciência quando está no ambiente arquitetônico certo.

Isso seria importante se determinássemos que outro substrato, quando inserido no cérebro humano, não muda a qualidade de nossa experiência consciente quando está em áreas do cérebro que acreditamos ser responsáveis pela consciência. Isso significaria que, em tese, poderíamos desenvolver uma consciência sintética. Talvez façamos isso simplesmente ao substituir de forma gradual o cérebro humano por componentes artificiais até que, no fim, tenhamos um ser que seja uma IA plena.

Eu amo a interseção entre filosofia e ciência ou a parte em que a ciência fica turva e precisa pensar sobre suas implicações. Exemplos disso seriam as teorias da emergência do espaço- tempo na física, nas quais é necessário observar teorias matemáticas e então tirar conclusões a partir delas sobre a natureza do tempo. Questões como essa envolvem um equilíbrio delicado entre considerações matemáticas ou empíricas e questões filosóficas. Este é o momento em que eu gosto de intervir e me envolver.

Estou bastante interessada no escopo e no limite do que podemos saber enquanto humanos. Somos seres humildes e talvez, conforme aperfeiçoemos nossos cérebros, encontraremos respostas para alguns dos clássicos problemas filosóficos. Quem sabe? Por enquanto, se desenvolvermos tecnologia de inteligência artificial sem ter o cuidado de pensar sobre questões envolvendo a natureza da consciência ou a natureza do “eu”, veremos que essas tecnologias talvez não façam aquilo que as pessoas que as desenvolveram queriam que fizessem: melhorar as nossas vidas e pro- mover a prosperidade dos humanos.

Precisamos ter cuidado para nos assegurar de que saberemos se estamos criando seres conscientes e de que saberemos se melhorias radicais em nossos cérebros serão compatíveis com a sobrevivência da pessoa, se- não essas tecnologias levarão à exploração e ao sofrimento de seres conscientes, em vez de melhorar as nossas vidas.

Gosto daquele lugar de humildade em que deparamos com uma parede epistemológica, porque isso nos ensina o escopo e os limites do que conseguimos compreender. Às vezes é importante lembrar, nos dias atuais, com as abundantes inovações tecnológicas, que sempre existirão questões para as quais não temos respostas definitivas. Um bom exemplo é o questionamento sobre cérebros em tonéis — se estamos ou não vivendo dentro de simulações de computador. Essas são questões epistemológicas, sobre a natureza do conhecimento, e que não apresentam respostas fáceis. 

O futuro da mente. 2

GESTÃO E CARREIRA

ESQUEÇA O QUE APRENDEU SOBRE MILLENNIALS E XERS

Quem tem filhos pequenos já notou: o cenário muda muito em dois anos com a I.A., vamos lidar não com gerações, e sim com indivíduos

Esqueça o que aprendeu sobre Millenials e XERs

O conceito de gerações, como o usamos hoje, vem de uma série de estudos de sociólogos e filósofos que escreveram sobre o tema nas primeiras décadas do século 20. Em especial Karl Mannheim, com um artigo intitulado O Problema das Gerações, publicado em 1928.

Embora na época se considerasse que uma geração tinha um ciclo de 30 anos, Mannheim deixa claro que o determinante do período não é a questão cronológica, mas sim a homogeneidade das influências externas no indivíduo. Segundo ele, mais importante do que nascer num mesmo período é a possibilidade de presenciar os mesmos acontecimentos e processar as experiências de forma semelhante.

Naquela época, os períodos entre grandes transformações eram bem mais longos do que hoje. Enquanto o telefone levou 70 anos para atingir 90% da população, a TV colorida levou 20 anos e o celular, menos de dez. Enquanto a internet levou quatro anos para atingir milhões de usuários, o Facebook levou dois anos, o YouTube, dez meses e o Pokémon Go, 19 dias. As curvas de adoção de novas tecnologias se tornam cada vez agressivas, e isso significa que as influências externas estão mudando o tempo todo.

Se as influências mudam com velocidade crescente, isso significa que uma criança de 10 anos hoje está exposta a um ambiente muito diferente do que outra criança estará daqui a dois ou três anos, ao chegar à mesma idade. Tem sentido falarmos em uma geração a cada 20 ou 30 anos?

Quem tem filhos pequenos sabe bem o que estou afirmando. Até as escolas se transformam e precisam se atar a um mundo que evolui muito rapidamente. Vive uma era em que as experiências se tornam mais personalizadas. Com o uso cada vez mais imenso de inteligência artificial, isso vai aumentar. Com a computação quântica vai dar outro salto.

A inteligência artificial vai permitir que as difere pessoais. de personalidade, background, gostos e preferências sejam valorizadas numa dimensão nunca a vista. Os aplicativos serão únicos, e cada usuário vai viver experiências especificas. Isso estará em constante mutação, numa evolução ditada pelo consumidor. Imagine entrar numa loja de roupas, identificar-se na tela do espelho e imediatamente começar a se ver vestido com uma série de roupas sugeridas pelo algoritmo do varejista, que leva em consideração seu histórico de compras, suas curtidas nas redes sociais, as pessoas que você segue, seus influenciadores e amigos. Essa tecnologia já existe hoje, num centro de inovação da varejista japonesa de roupas Uniqlo, em Tóquio. É muito diference da experiência a que estamos acostumados. Mas é muito provável que em pouco tempo se dissemine por todo o varejo. O que vai mudar o layout das lojas, o perfil e a quantidade dos seus funcionários, o tempo que passamos dentro das lojas, além de outras consequências desconhecidas que só veremos na prática. O espaço de tempo paro a adoção de uma tecnologia como essa será muito curto comparado ao conceito de uma geração. E uma tecnologia como essa muda o comportamento das pessoas de forma significativa. É provável que período de, digamos, cinco anos após sua implementação, outras inovações causem outros impactos no comportamento do consumidor. Pessoas com pequenas diferenças de idade terão sofrido influências externas muito diferentes. Ainda serão da mesma geração?

As crianças de até 10 anos hoje já têm uma dificuldade muito grande de entender o conceito de televisão como seus pais a concebem. Mas ainda poderão compreender como era usado esse dispositivo, com muita explicação. Uma criança que hoje tem 5 anos, entretanto, quando chegar aos 10, terá uma capacidade de compreensão mais limitada do mesmo conceito. O esforço de abstração precisará ser imenso. Porque, em cinco anos, muita coisa tem mudado no entretenimento.

Se você estava pensando que o ambiente de negócios ganhou uma complexidade adicional por dar voz a mais gerações no ambiente de trabalho ao mesmo tempo com comportamentos muito diferentes, dou-lhe uma boa e uma má notícia: a boa é que, ao esquecer o conceito de gerações, você deixa de se preocupar com os estereótipos (aplicados às gerações X, Y. Z…) e de pensar pela ótica de tribos ao definir políticas de atração e estímulo de talentos, e de melhoria do ambiente de trabalho. A má notícia é que a complexidade leva à granularidade. Não estamos falando de quatro ou cinco grupos, e sim de diversidade real. Vamos lidar não com gerações, e sim com indivíduos.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

Qualificados - Tony Cooke

CAPÍTULO QUATRO – CARACTERÍSTICAS DOS QUALIFICADOS

“O nosso Senhor deixou claro para Tiago e João que, no Reino de Deus, a alta posição está reservada para aqueles cujos corações — até mesmo nos lugares secretos onde ninguém mais sonda — são qualificados.”  Oswald Sanders

Pensamento-chave: Todos os líderes espirituais deveriam empenhar-se diligentemente para se tornarem e permanecerem qualificados.

Se chamássemos a nós mesmos para o serviço — se nos “autodesignássemos” — então, teríamos o direito de determinarmos os nossos próprios padrões. Mas se Deus nos chama para o serviço, então iremos prestar contas a Ele, e Ele tem o direito de estabelecer o que nos qualifica para servi-Lo de modo eficaz.

Moisés estava em um ponto de total sobrecarga. Ele estava tentando ser sozinho os poderes executivo, legislativo e judiciário do governo de Israel. Seu sogro, Jetro, o aconselhou a respeito dos ajudantes que ele deveria escolher (Êxodo 18:21): “Procura dentre o povo homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza”. A versão da Bíblia A Mensagem traduz esses traços de qualidade como “homens competentes, que temam a Deus e sejam íntegros, incorruptíveis”.

Por acaso alguém foi qualificado por Moisés para servir como juiz sob a sua liderança? Não, mas as seguintes características comuns foram identificadas:

  • Eles tinham que ser capazes e competentes.
  • Eles tinham que ser tementes a Deus.
  • Eles tinham que ser pessoas de integridade e honestidade.
  • Eles tinham que ser incorruptíveis, odiando a avareza e imunes ao suborno.

Aqueles que foram selecionados para servir em posição de alta responsabilidade tinham que personificar credibilidade e integridade, para que a corrupção e a injustiça não alcançassem o povo da aliança de Deus. Muitos anos depois, o rei Davi disse: “Aquele que domina com justiça sobre os homens, que domina no temor de Deus” (2 Samuel 23:3).

Em Atos 6, os apóstolos reconheceram a necessidade de trabalhadores que auxiliariam na distribuição diária de comida (tinha havido acusações de parcialidade e negligência nessa área). Os apóstolos também listaram certas qualificações que foram necessárias quando eles deram a seguinte orientação (Atos 6:3): “… escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço”.

Os apóstolos não estavam simplesmente procurando “descarregar” trabalho em alguém, mas era imperativo que aqueles que executariam a tarefa de distribuição tivessem certas qualificações e pudessem lidar com essa responsabilidade.

  • Eles tinham que ser bem respeitados, confiáveis e ter uma boa reputação.
  • Eles tinham que ser cheios do Espírito Santo.
  • Eles tinham que ser cheios de sabedoria.

Além disso, como o Evangelho espalhou-se e igrejas foram estabelecidas em outras nações, Paulo providenciou certas diretrizes para aqueles que serviriam como diáconos.

Semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância, conservando o mistério da fé com a consciência limpa. Também sejam estes primeiramente experimentados; e, caso se mostrem irrepreensíveis, exerçam o diaconato. Da mesma sorte, quanto a mulheres, é necessário que sejam elas respeitáveis, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo. O diácono seja marido de uma só mulher e governe bem seus filhos e a própria casa. — 1 Timóteo 3:8-12

Ao ler essa vasta lista de qualificações, você percebeu que a maioria das exigências tinha a ver com caráter? Em todas essas situações, o serviço oferecido a Deus deveria ser executado por pessoas tementes a Deus. Os traços que são mencionados nessa lista (temente a Deus, integridade, bem respeitado, inocente, temperado, etc.) são, na realidade, simplesmente as características da maturidade daquele que busca ser como Cristo. Elas não são “emblemas de distinção” inalcançáveis que estão disponíveis apenas para alguns indivíduos especialmente chamados. Na verdade, todo cristão, a despeito de qualquer atribuição ministerial específica, é chamado para crescer em temor a Deus e à semelhança de Cristo.

O apóstolo Pedro disse:

…reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento; com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade; com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor.

Porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele a quem estas coisas não estão presentes é cego, vendo só o que está perto, esquecido da purificação dos seus pecados de outrora.

Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum. Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no Reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. — 2 Pedro 1:5-11

Como você está nas seguintes áreas?

  • Excelência moral
  • Conhecimento
  • Domínio próprio
  • Perseverança
  • Temor a Deus
  • Fraternidade
  • Amor para com todos

Se o desenvolvimento em todas essas áreas fosse automático para os cristãos, Pedro não teria destacado a necessidade de crescermos nesses pontos, nem teria mencionado a   

possibilidade de algumas pessoas fracassarem em desenvolvê-las.

A última coisa que eu desejo para qualquer um que leia este livro é decidir que não é perfeito o suficiente e desista da ideia de servir a Deus. Precisamos entender que Deus é por nós! Ele não é um Deus crítico em busca de falhas e que está à procura de meios para impedir de nos engajarmos no serviço cristão. Ele está procurando nos ajudar a nos tornarmos tudo o que Ele nos chamou para ser, para que possamos ter credibilidade diante dos outros e trazer glória para Ele.

Mesmo cristãos jovens, que acabaram de entregar os seus corações a Deus, podem procurar por oportunidades para amar e servir a outros. Certamente, existem qualificações que se aplicam especialmente a ofícios ministeriais mais elevados e a serviços de maior expressividade, mas não significa que jovens cristãos não possam ser usados por Deus enquanto ainda estão crescendo.

QUANDO SE TRATA DE POSIÇÕES MAIS ELEVADAS…

Quando se trata de funções de maior visibilidade e influência na igreja, certo crescimento e desenvolvimento são exigidos. Paulo falou dos diáconos e disse: “Também sejam estes primeiramente experimentados; e, caso se mostrem irrepreensíveis, exerçam o diaconato” (1 Timóteo 3:10). Indicando a necessidade de liderança espiritual, Paulo também ensinou: “Não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo” (1 Timóteo 3:6). A palavra “neófito”, no grego, literalmente significa “recentemente plantado” e se refere a um recém ou novo convertido.

A Bíblia nos ensina que “àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão” (Lucas 12:48). É bom convocar jovens para   servir a Deus de alguma forma “apropriada à sua idade”, assim como é bom para uma criança aprender a ter responsabilidade guardando os seus brinquedos. À medida que uma criança amadurece, ela se torna capaz de fazer mais e mais. 

Cristãos “bebês” não devem sentir que não podem fazer alguma coisa para Deus; ao contrário, eles precisam entender que, ao crescerem em maturidade e fidelidade, serão capazes de serem chamados para executar níveis mais altos de responsabilidade.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DOAR PARA GANHAR

É importante ensinar às crianças quais suas necessidades reais de consumo, aprender a olhar a necessidade do outro e ter em mente que esse é um processo de amadurecimento

Doar para ganhar

No começo de uma nova estação do ano, ou antes de datas festivas, quando novas roupas, brinquedos e coisas serão adquiridos, é comum as famílias separarem peças de vestuário, objetos e jogos usados para doar a instituições e, assim, conseguir criar um espaço destinado a guardar as coisas novas e deixar tudo em ordem para o novo período.

Sobre vários aspectos, essa é uma ação importante e louvável. Constitui ato de cidadania que deveria fazer parte da rotina de todas as famílias. Além disso, é uma forma de ensinar às crianças e jovens que objetos que eles já não usam nem precisam podem ser de grande valia para outras pessoas. Um aprendizado de valores e convívio em sociedade.

Tomar consciência de possuir peças repetidas, roupas sem uso, livros que nem foram lidos, brinquedos na caixa que ninguém nem lembra de ter ganhado, ao serem vistos, traz à razão o quanto podemos ser perdulários, consumistas.

É uma boa hora para se refletir sobre um outro lado da questão: podem os pais, sem risco de desrespeitar os filhos como pessoas, dispor das coisas que lhes pertencem, sem os comunicar? Até que ponto essa decisão é dos pais e até onde os filhos devem ser ouvidos? Qual a idade certa para a criança opinar?

Todos lemos objetos, roupas e livros que consideramos especiais, quer porque nos agradam muito, nos foram oferecidos por alguém muito querido, em uma data memorável, ou porque têm um valor simbólico e sentimental inestimável. Por que não pode ser assim para as crianças? Elas devem participar dessa seleção e ter oportunidade para manifestar sua opinião!

É conveniente, antes de tudo, explicar por exemplo que se precisa do espaço para guardar os no vos materiais escolares no lugar dos antigos e até trocar com outras crianças alguns jogos que se tornaram desinteressantes porque elas estão mais amadurecidas. No caso de resistência exagerada, os pais devem ser mais persuasivos e até firmes, pois sempre há aquelas crianças que não se desprendem de nada, não conseguem abrir mão mesmo de coisas pelas quais nunca mostraram interesse. E esse é um aprendizado necessário e formativo para todos, embora possa demorar algum tempo para se tornar uma rotina familiar tranquila.

Mas deixar de atender todos os pedidos dos filhos em favor da manutenção de um brinquedo especial, ou qualquer outro bem de valor sentimental, é uma medida que vai consolidar a ideia de que as coisas estão sendo “roubadas” deles, sem respeito algum pelos seus sentimentos pessoais. E isso vai torná-los mais egoístas, diminuindo ou mesmo fazendo desaparecer o espírito de colaboração social e de desprendimento que se objetivava ensinar.

Talvez algumas estratégias precisem ser adotadas pelos familiares encarregados dessa tarefa em relação aos pequenos. Em primeiro lugar, fazer disso um hábito periódico, para que a criança desde cedo se acostume. Segundo, a arrumação deve começar pelos armários dos próprios adultos e as crianças podem acompanhar a tarefa, ajudando a empacotar e etiquetar, por exemplo. Assim também começam a compreender o que significa doar, o que vai acontecer com as coisas depois que forem separadas e as razões para fazer essa doação. A postura dos adultos nesse momento é decisiva para o sucesso do aprendizado: contar como foi levar as coisas para este ou aquele local, como foi recebido e para que foi utilizado.

Terceiro, antes de retirar as coisas dos armários das crianças é aconselhável explicar o critério que será usado na seleção das coisas dela: brinquedos já muito usados, que perderam o interesse para sua idade, roupas justas, pequenas, livros que não serão mais usados etc. Podem ser colocadas caixas ou sacolas para cada fim.

Ao separar o material, mostrar à criança peça por peça e perguntar o que ela acha que deve ser doado. E estar atento para a sua atitude para poder intervir com sensibilidade e serenidade, antes que os problemas comecem. A doação deve ser pensada e espontânea.

Dar à criança a oportunidade de pensar o que deseja ou precisa guardar é respeitar sua maneira de lidar com perdas e seu grau de maturidade. Por muitas vezes a própria criança acaba por entregar para doação e com grande desprendimento algo que horas antes tanto queria guardar.

A maior lição, entretanto, está justamente no ensinar aos mais jovens que o respeito pelo outro independe de hierarquia, de poder ou de força. O respeito é um exercício de deferência ao direito do próximo e enobrece a imagem de quem, podendo simplesmente dar ordens por ser o mais velho ou ter maior poder, se preocupa verdadeiramente com o outro.

Aliás, a doação não precisa ser apenas de objetos, pode ser de tempo, de atenção aos outros: escrever um bilhete ao amigo doente, doar uma tarde de domingo para ajudar em um mutirão, participar em um bazar beneficente. Tudo depende da idade e interesse da criança: se aos 3 anos já pode opinar sobre os brinquedos e roupas que deseja doar, antes dos 10 anos visitar creches e asilos pode não ser para todas uma boa ideia.

De toda forma, doar tempo, atenção ou objetos faz muito bem a quem doa, pois estimula a empatia e a solidariedade, aumenta a autoestima por ter aprendido a ser generoso e menos consumista.

 

MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/07). É autora de artigos e publicações nacionais e internacionais. Coordena cursos de especialização em Neuroaprendizagem. irenemaluf@uol.com.br

OUTROS OLHARES

A ERA DA DEPRESSÃO DIGITAL

O drama do youtuber Whindersson Nunes, que teve um esgotamento, ilumina um problema atual: a saúde psíquica em tempo de redes sociais

A era da depressão digital

Nascido de um famoso comercial de televisão de biscoitos dos anos 1980, o dilema do Tostines se resumia à seguinte e conhecidíssima indagação: “Vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”. Transfira-se, com alguma liberdade de raciocínio, a indagação para o mundo das redes sociais: por que tantos youtubers têm ansiedade e depressão ou, ao avesso, por que tantos indivíduos que sofrem de ansiedade e depressão se tornam youtubers? Não há uma resposta definitiva, é impossível assegurar o que é causa, o que é efeito, mas há algumas hipóteses. O sujeito que vive pendurado na web, falando de si e de seu mundo à procura de curtidas e visualizações, acaba por entrar numa angustiante roda-viva de querer e precisar de mais e mais, atalho para desordens comportamentais. A pessoa deprimida no universo analógico muitas vezes usa as janelas digitais para pedir socorro, para ter algum contato, para sair do fundo do poço psicológico.

Como a dúvida sempre permanecerá, um bom modo de tentar desenhar a depressão na era da internet é entender o que se passa na cabeça dos grandes campeões de cliques – e poucos personagens são mais adequados a essa investigação do que o piauiense Whindersson Nunes, ex- ajudante de garçom que, em 2013, pousou no YouTube para compartilhar gravações engraçadas feitas dentro do próprio quarto e, debochado, virou fenômeno. Seu canal, que registra 36 milhões de inscritos e 2,9 bilhões de acessos, está entre os maiores do Brasil. Ele chegou a fazer vinte shows por mês, tem programa no Multishow, virou estrela de cinema – e alcançou faturamento anual de pelo menos 35 milhões de reais.

É um superstar de nosso tempo, incapaz de ser enquadrado em qualquer um dos escaninhos do passado (não é propriamente um humorista, não é exatamente um ator). Cresceu tanto, mas tanto, que explodiu – teve o que no universo empresarial é chamado de burnout, a palavra em inglês que designa o esgotamento profissional de caráter psíquico. Comoveu seus fãs ao admitir a depressão em uma de suas postagens, e depois se recolheu. Falou muito pouco ou quase nada do assunto. Agora, ele revelou com exclusividade o que de fato aconteceu. “Será que eu fiquei famoso para morrer como os artistas que partem aos 20 e tantos anos?”, indaga Whindersson. Ele assegura não ser viciado em smartphone – “Fico numa boa” -, mas essa é uma postura improvável, uma contradição em termos, para quem vive de se expor – o que no YouTube significa estar quase sempre plugado, 24 horas por dia. Outros nomes de peso desse time, como Felipe Neto (33 milhões de fãs no YouTube e 9 milhões no Twitter) e Kéfera Buchmann (11milhões de inscritos em seu canal no YouTube), já revelaram ter perdido o prumo. Ele admitiu medicar-se diariamente, com acompanhamento psicológico. Ela disse, em vídeo, e não poderia ser de outra maneira: “Se você sofre de depressão (…) tenho uma coisa para te falar. Não pense no suicídio como uma opção (…) você não quer acabar com sua vida, quer que a dor pare(…)depressão é uma doença muito séria. Não é doença de rico, de quem não tem nada para fazer da vida, ou coisa de desocupado”.

Afinal de contas, os problemas de Whindersson, Felipe e Kéfera, e de tantos outros youtubers, no Brasil e no mundo, são o retrato de uma nova modalidade de disfunção, que poderia ser chamada de depressão digital? E, se ela realmente existe, no que difere da depressão desplugada, do tempo de nossos pais? Ressalve-se, como premissa, que, do ponto de vista dos sintomas, a depressão dos tempos atuais e a de antes, quando não havia o smartphone, são semelhantes. Contudo, a influência das novíssimas tecnologias soa incontestável. “Ninguém está reinventando a depressão, mas a utilização excessiva das redes sociais e smartphones pode estar na base dos gatilhos depressivos”, diz o psicólogo Cristiano Nabuco, coordenador do grupo de dependências tecnológicas do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo. “Ou seja, a internet acaba alavancando uma eventual predisposição genética que o indivíduo já carrega e que, sem esse uso exagerado, talvez não apresentasse”.

A depressão é um transtorno de múltiplos fatores e se caracteriza por tristeza profunda e forte sentimento de desesperança. Suas origens biológicas e suas causas ainda não foram totalmente desvendadas pela ciência.

Fatores genéticos, ambientais e psicológicos a tornam ainda mais desafiadora. A história familiar também é decisiva – alguém cujo pai ou mãe seja vítima do problema tem um risco 40% maior de desenvolver depressão. Pelo menos três dezenas de genes já foram identificados como uma chave de risco para a aguda aflição.

As pessoas propensas à depressão demonstram pouca habilidade para regular as emoções, têm resiliência frágil e, invariavelmente, tendem a levar a autoestima à lona – nesse aspecto, as redes sociais são o ambiente propício para embaralhar a saúde mental. O uso à noite, na hora de dormir, prejudica o sono; as notificações incessantes afetam a concentração; os likes (e que sorte não haver dislikes) aceleram a montanha-russa emocional; e a busca pela selfie perfeita termina como uma desnecessária briga de egos. Além disso, o ambiente virtual é habitado pelos haters, que adoram odiar, escrevem e falam o que pensam, atacam a vida dos outros sem medo de repercussões, incentivando o cyberbullying. Enfim, a vida digital mudou completamente a forma como as pessoas se comunicam, interagem e trabalham. Estudos recentes mostram que elas checam seu celular oitenta vezes por dia. Os brasileiros são os mais assíduos. Passam mais de nove horas diárias ligadíssimos, período inferior apenas ao dos filipinos e bem superior à média global, de pouco mais de seis horas no ar. O limite, considerado saudável, dentro do equilíbrio, é restrito a três horas diárias.

Do ponto de vista científico, as respostas sobre a influência que o uso massivo das redes sociais tem na saúde mental são embrionárias, mas interessantes demais para ser negligenciadas. Embora os smartphones tenham se popularizado já há uma década, com o lançamento do iPhone, a base de dados dos pesquisadores ainda está em construção. Um estudo publicado no início deste ano pela Universidade College London, do Reino Unido, mostrou que as meninas são duas vezes mais propensas a ter depressão devido ao uso das redes sociais do que os meninos. O levantamento analisou as associações entre redes sociais e sintomas depressivos em cerca de 11.000 jovens britânicos. Para a pesquisa, todos os participantes responderam a um questionário com informações sobre o tempo diário de uso de internet, a frequência de assédios on­line, os padrões de sono e impressões sobre a autoestima. Algumas conclusões: 25% das meninas apresentaram sinais clínicos de depressão; entre os meninos, a taxa foi de 11%. Outro levantamento, também do Reino Unido, avaliou quanto as principais redes (YouTube, Instagram, Twitter e Snapchat) influenciavam os jovens entre 14 e 24 anos. O canal mais nocivo, de acordo com o estudo, seria o Instagram. A necessidade, ou melhor, a imposição de fotos bem posadas e tratadas com filtros impacta a autoimagem e multiplica um medo recentíssimo, com direito a sigla –   POMO, que significa fear of missing out, ou medo de ficar de fora (veja o quadro abaixo).

O uso excessivo da internet é especialmente preocupante na adolescência, período em que o cérebro é mais vulnerável ao surgimento de doenças mentais. “As redes amplificam algumas fraquezas comuns entre os adolescentes – a busca por ser valorizado, a aprovação pelos grupos, a apreensão com as aparências”, diz Guilherme Polancyzk, psiquiatra de crianças e adolescentes da Universidade de São Paulo. “Essa transição para a vida adulta pode tornar-se mais difícil.” É tão preocupante o risco de o admirável mundo novo produzir uma geração doente, psiquicamente desguarnecida, que as grandes empresas de tecnologia começam a se mexer, criando mecanismos de freio. Recentemente, o Instagram anunciou um recurso para tentar ajudar usuários com transtornos de ansiedade e depressão. Se alguém fizer uma busca por hashtags associadas a essas condições, receberá rapidamente uma mensagem com sugestões de cuidados. E mais: o Instagram chegou a cogitar uma experiência radical, ao testar o fim da contagem de curtidas. A tentativa é reduzir a ansiedade pelos likes. Mas a pressão é permanente, talvez seja inescapável, e continuará a acelerar, na velocidade das redes, explosões como a de Whindersson Nunes.

A era da depressão digital. 2

GESTÃO E CARREIRA

RECREIO DIGITAL E CONSCIENTE

A fintech Nutrebem possibilita que pais acompanhem os gastos e as escolhas alimentares de seus filhos nas cantinas escolares

Recreio digital e consciente

A preocupação com a alimentação e o balanceamento nutricional das crianças em idade escolar tem sido uma constante, tanto para os pais quanto para as escolas. Afinal, essa é mais uma fase em que os pequenos precisam se alimentar corretamente e de maneira mais saudável. Estudos indicam que as crianças estão mais obesas e cada vez mais se alimentando de industrializados ou porções calóricas demais.

Para essa questão, a fintech Nutrebem descobriu o “pulo do gato” e criou uma conta digital para o acompanhamento nutricional das crianças nas cantinas escolares. Além de dar mais segurança aos pais com relação ao consumo nutricional das crianças, o objetivo da empresa é ensinar os alunos a lidar com dinheiro e também manter o serviço com preços mais acessíveis. Seu sistema tem dado tão certo que acaba de receber um novo aporte de R$5 milhões de investimentos dos fundos Kviv Ventures, Confrapar e Barn e prevê crescimento de 100% em 2019, alcançando 300 escolas particulares atendidas.

TOTENS NAS ESCOLAS

O serviço funciona de uma maneira bem simples. A Nutrebem fornece uma conta digital em que os pais colocam o saldo e podem fazer o acompanhamento dos gastos e checar a classificação nutricional do consumo dos filhos durante os intervalos das aulas. Para facilitar o serviço, a empresa oferece a cada aluno uma conta digital, em que o responsável pode ativá-la e adicionar valores ao saldo pelo aplicativo da Nutrebem ou diretamente na cantina do colégio. O aluno também possui acesso à conta a partir de totens instalados na escola, o que reduz filas, acelera o atendimento e encerra eventuais problemas com dinheiro vivo.

A plataforma oferece outras opções, como a montagem do cardápio e o mapeamento nutricional dos produtos, assim o responsável consegue acompanhar em tempo real a classificação do consumo. Para mais orientações, são enviados e-mails de alertas com dicas de melhoria dos hábitos alimentares das crianças.

“Queremos ajudar os pais na educação financeira e alimentar dos filhos. Afinal, o primeiro dinheiro que uma criança recebe é justamente aquele dado para utilizar na cantina da escola e é lá onde faz suas primeiras escolhas na vida”, explica o fundador e CEO da Nutrebem, Henrique Mendes.

O serviço prestado pela empresa vai além e auxilia também os operadores das cantinas escolares não só ao ofertar outras opções nutricionais no cardápio, mas também na mensuração da aceitação desses novos produtos. “Mais de 95% das cantinas aceitam apenas dinheiro em espécie, o que demonstra o grande potencial do mercado para a Nutrebem”, exemplifica Mendes.

INVESTIMENTOS E RETORNO

A Nutrebem nasceu do desejo de Henrique e de sua esposa falarem com os filhos sobre dinheiro, alimentação, habilidades comportamentais, entre outros assuntos. Fora isso, eles tinham muitas dificuldades de cuidar e acompanhar a rotina dos pequenos na escola. Como uma forma de solucionar essa falta, o CEO da Nutrebem acabou encontrando em empresas do exterior esse foco de atuação e nelas baseou o seu negócio.

Inicialmente, o empresário teve muitas dificuldades no recrutamento de pessoas e na captação de investimentos, por isso teve que dedicar mais tempo a essas etapas. A receita que Mendes dá para quem deseja ingressar nesse setor é ter muita resiliência: “a maioria das pessoas vai dizer que é muito complicado, não funciona, ou que é legal, mas não vai investir. Resiliência e motivação precisam caminhar juntas nessa montanha-russa do empreendedorismo”.

Mendes não acredita em uma receita específica para o sucesso de um negócio como o seu, entretanto, ressalta a importância de os empreendedores conhecerem bem o mercado em que sua empresa atua e buscarem uma equipe de sócios complementar. “Isso dará muito mais assertividade nas decisões rápidas a serem tomadas diariamente”, opina. Tirou da vida, dos seus mais de 47 anos, os aprendizados com o negócio. Os anos em que trabalhou fora do Brasil o ajudaram muito nessa nova carreira como empreendedor. “Porque fui ajudar a montar operações do zero, as chamadas green field”, relata.

O esforço deu certo! Com investimento inicial de R$ 350 mil, hoje a Nutrebem possui 28 funcionários e está presente em 202 escolas, sendo 55% delas em São Paulo, 30% no Rio de Janeiro e em Minas Gerais e o restante nos demais estados do Brasil. A empresa impacta 150 mil alunos. Com sede no Rio de Janeiro e escritório em São Paulo, a companhia atende todas as regiões do Brasil e tem como público-alvo alunos de 6 a 18 anos de idade.

Henrique Mendes não conta quanto lucra, mas explica que investiram muito em seu crescimento. “Transacionamos R$20 milhões em 2018 e estimamos fechar R$35 milhões em 2019”, relata. Ele espera conquistar mais de 400 escolas e transacionar R$60 milhões em 2020, sempre de olho em melhorias entre as opções de alimentação.

Para incrementar ainda mais o negócio, lançou em fevereiro o acesso à conta do aluno para a compra do lanche sem precisar usar o cartão. Atualmente, 34 escolas já operam com a funcionalidade. Os números mostram que quase 50% dos pedidos são feitos por meio dela e há escolas em que seu uso tem passado de 70%. ”Começamos também um cardápio exclusivo do Fundamental, em que uma única escola duplicou o número de alunos que lancham na escola, basicamente porque deixamos os pais mais seguros sobre o uso do dinheiro e a qualidade nutricional do lanche”, lembra.

 LANCHE VIA QR CODE

Em julho, a Nutrebem deve lançar mais uma facilidade, a compra do lanche pelo celular através de QR Code. Para que a implementação ocorra com sucesso, a empresa pretende investir ainda em equipe, tecnologia, marketing e novos serviços. “Temos concorrentes, mas o maior deles ainda é o dinheiro em espécie, que domina mais de 90% das escolas particulares na compra de lanches”, esclarece. O marketing digital, que gera conteúdo sobre segurança financeira e nutricional, também é preocupação. Fora isso, a empresa participa de feiras para gestores de escolas. O feedback vem de seus clientes e da equipe de campo: “Já erramos bastante também, mas vamos aprendendo com os erros”.

O principal dessa história é o amor que Mendes tem pela empresa e a missão que ela carrega. “Quero ajudar a construir um negócio que gere lucro e melhore a relação dos alunos com dinheiro e alimentação, dando mais segurança aos pais. Atualmente somos a maior empresa dessa área e a que cresce mais rapidamente focados no nosso maior concorrente, que é o dinheiro em espécie. Sonhamos grande e executamos com muita resiliência e motivação”, finaliza.

ALIMENTO DIÁRIO

                QUALIFICADOS

Qualificados - Tony Cooke

CAPÍTULO TRÊS – MAS EU NÃO ME SINTO QUALIFICADO!

“Aquele que cresce em graça lembra-se de que é apenas pó e, portanto, não espera que seus companheiros cristãos sejam algo mais. Ele desconsidera dez mil de suas faltas porque sabe que o seu Deus desconsidera vinte mil em seu próprio caso. Ele não espera perfeição na criatura e, portanto, não se desaponta quando não a encontra… Quando as nossas virtudes amadurecerem, acredito que não toleraremos mais o mal, mas seremos mais tolerantes com as debilidades, mais esperançosos para com o povo de Deus e certamente menos arrogantes em nossas críticas. Doçura para com os pecadores é outro sinal de maturidade.” — Charles H. Spurgeon

Pensamento-chave: Se Deus tivesse de esperar até que fôssemos perfeitos para nos usar, ninguém jamais seria usado por Deus.

 

Você já lutou contra o sentimento de não ser bom o suficiente para ser usado por Deus? Você não é o único. Medite nas palavras de Paulo aos coríntios.

Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus. — 1 Coríntios 1:26-29

Deus chamou apenas uma pessoa perfeita: o Senhor Jesus Cristo. Todos os outros que Deus chamou para fazer alguma coisa para Ele — inclusive você e eu — são pessoas muito falíveis e imperfeitas. Deus sabe a nossa condição exata quando nos chama, e Ele começa conosco — exatamente onde estamos. A graça e a misericórdia de Deus têm feito com que muitos que não pareciam grandes “candidatos” à liderança espiritual, se submetessem a transformações extraordinárias:

  • Moisés, o Assassino, tornou-se o Libertador Poderoso.
  • Gideão, o Inseguro, tornou-se o Guerreiro do Senhor.
  • Davi, o Adúltero, tornou-se o Doce Salmista de Israel.
  • Pedro, o Covarde, tornou-se o Proclamador do Pentecostes.
  • João, o Tempestuoso, tornou-se o Apóstolo do Amor.
  • Saulo, o Fariseu (alguns historiadores creem que Paulo foi um Terrorista), tornou-se o Apóstolo da Graça.
  • Marcos, o Inconstante, tornou-se Útil para o Ministério.

Relatos bíblicos revelam que aqueles que Deus chamou para o serviço com frequência sentiram-se desqualificados e incapazes.

CONSIDERE MOISÉS

Quando o Senhor apareceu para Moisés e o comissionou para libertar os filhos de Israel da escravidão do Egito, Moisés ofereceu inúmeras desculpas que revelaram o seu choque e insegurança.

  • Ele perguntou a Deus: “Quem sou eu para ir a Faraó…?” (Êxodo 3:11).
  • Ele questionou: “Mas eis que não crerão, nem acudirão à minha voz…” (Êxodo 4:1).
  • “Ah! SENHOR! Eu nunca fui eloquente, nem outrora, nem depois que falaste a teu servo; pois sou pesado de boca e pesado de língua” (Êxodo 4:10).

Pessoa alguma que crê na Bíblia jamais duvidaria que Moisés tinha um chamado de Deus em sua vida, mas alguns admitem que ele não tinha qualquer consciência desse chamado até o incidente da sarça que ardia, quando estava com 80 anos (Êxodo 3). Entretanto, quando era mais jovem, Moisés teve uma percepção do propósito de Deus para a sua vida. Ele parecia ter captado uma ideia geral do seu papel, mas não compreendera completamente os detalhes vitais acerca do tempo e do modo como o seu chamado se cumpriria.

Quando completou quarenta anos, veio-lhe a ideia de visitar seus irmãos, os filhos de Israel. Vendo um homem tratado injustamente, tomou-lhe a defesa e vingou o oprimido, matando o egípcio. Ora, Moisés cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus os queria salvar por intermédio dele; eles, porém, não compreenderam. — Atos 7:23-25

Você certamente se lembra do restante da história. Quando Moisés descobriu que o seu crime de assassinato fora descoberto, ele fugiu e passou os quarenta anos seguintes no deserto. Talvez o sonho inicial de Moisés em ser usado por Deus para libertar os israelitas tivesse morrido por quatro décadas de dias quentes e noites frias no deserto de Midiã, mas Deus ressuscitou aquelas percepções iniciais, trouxe esclarecimento para ele e lhe deu uma tarefa maravilhosa.

Talvez você esteja como Moisés. Você recebeu uma ideia de Deus e fez uma tentativa fracassada de realizar algo para Ele, não percebendo o tempo errado ou o modo errado. Quando você agiu sobre aquela ideia as coisas não funcionaram bem, então, você jogou a toalha. Deus quer que nós sirvamos a Ele, exatamente como Moisés o fez, mas é necessário que façamos as coisas do Seu jeito e no Seu tempo (isso com frequência inclui um período de preparação considerável).

Um grande passo em começar a cooperar com Deus envolve tirar os nossos olhos de nós mesmos. O porquê Deus escolheu Moisés diz respeito a Deus. Temos consciência de que Deus não escolheu Moisés porque ele era perfeito, ao contrário, Ele escolheu Moisés por causa do seu amor pelos israelitas e o seu desejo de libertá-los. Antes que Moisés entrasse em seu destino, ele teve de tirar os seus olhos de si mesmo e esquecer o seu passado. Ele tinha que olhar para Deus, para a responsabilidade que o Senhor lhe dera e para as pessoas que Deus queria libertar.

Moisés finalmente entendeu que seu chamado estava alicerçado na graça daquele que chama e não na perfeição daquele que está sendo chamado. Ele disse ao povo: “Não vos teve o SENHOR afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos” (Deuteronômio 7:7).

MUITOS OUTROS SENTIRAM-SE DESQUALIFICADOS

Gideão sentiu-se desqualificado por causa da inferioridade que ele sentia devido à sua condição socioeconômica inferior. Em Juízes, 6:15, ele disse: “Ai, SENHOR meu! Com que livrarei Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu, o menor na casa de meu pai”.

  • Jeremias sentiu-se muito jovem (Jeremias 1:6).
  • Sara pensou que era muito velha (Gênesis 18:12).
  • Quando o Senhor apareceu a Isaías, ele disse: “Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros” (Isaías 6:5).
  • Quando Pedro encontrou-se com Jesus, sua resposta foi: “Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador” (Lucas 5:8).
  • Paulo disse de si mesmo: “… não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a Igreja de Deus” (1 Coríntios 15:9).

Paulo disse a Timóteo que Deus “… nos salvou e nos chamou com santa vocação; não   segundo as nossas obras, mas conforme a Sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos” (2 Timóteo 1:9). Paulo sabia que Timóteo tinha certos medos e inseguranças, e ele queria que esse jovem ministro entendesse: 

“Timóteo, isso não tem nada a ver com você ou quão perfeito ou imperfeito você é. Tire os seus olhos de si mesmo — desista de ficar preso às suas imperfeições e deficiências — e ponha os seus olhos no propósito e na graça de Deus para a sua vida”.

Paulo estava ciente de que seu passado não era puro. Ele disse:

Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério, a mim, que, noutro tempo, era blasfemo, e perseguidor, e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade. Transbordou, porém, a graça de nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus. — 1 Timóteo 1:12-14

Alguma coisa o tem prendido no passado?

Você já se sentiu desqualificado para ser usado por Deus?

Você se considera “indigno” por causa de algumas deficiências em suas habilidades ou pecados em seu passado, ou até mesmo devido a alguma batalha que está travando em sua vida agora mesmo?

Existe insegurança ou sentimento de inferioridade que o tem impedido de render a sua vida a Deus e ao Seu propósito para a sua vida?

Se respondeu sim a essas perguntas, como eu disse, você não está sozinho. Jamais devemos esquecer que somos privilegiados por servir a Deus, e apenas por Sua misericórdia e graça que podemos fazer isso. Considere algumas passagens importantes que revelam o discernimento de Paulo sobre a origem e a natureza do seu ministério e perceba que o seu passado não o impediu de entrar no seu futuro.

Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a Igreja de Deus. Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a Sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo. — 1 Coríntios 15:9-10

… não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus, o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança… — 2 Coríntios 3:5-6

Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão… — Filipenses 3:12-13

Quais foram algumas das ideias-chave que direcionaram a perspectiva de Paulo sobre o seu ministério?

  1. Paulo nunca se esqueceu de onde tinha vindo. Ele reconhecia que Deus não o chamara porque ele era perfeito, ao contrário, chamara-o a despeito de sua hostilidade contra Jesus.
  2. A graça não era apenas a base para Deus salvar Paulo, mas também a base para a capacitação de Paulo no ministério.
  3. A graça era a base para o ministério de Paulo, mas ele trabalhou duro e fez a sua parte. Ele reconhecia que a sua obra não era independente de Deus, mas se dava em combinação com as obras de Deus nele.
  4. Paulo reconhecia que Deus era Aquele que o qualificava e o capacitava para ser um ministro.
  5. Paulo não considerava a si mesmo perfeito ou como tendo alcançado a perfeição. Ele reconhecia que ainda havia mais, e ele estava buscando o melhor de Deus.

A obra que realizamos para Deus não é fundamentada em nossa perfeição, mas em Sua misericórdia e graça. Todos nós somos uma “obra em progresso”. Não é o que fomos que importa; é onde estamos estabelecidos agora que conta para Deus. O seu passado não é desculpa para privá-lo do futuro que Deus tem para você. Deus tem uma obra para você realizar, e o que Jesus disse em Lucas 9:62 é válido para nós hoje: “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o Reino de Deus”.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

FERRAMENTAS DA EDUCAÇÃO

Pesquisas reconhecidas mostram que a construção da inteligência é influenciada por aspectos genéticos e ambientais em meio a um complexo de trocas de experiências de várias ordens

Ferramentas da educação

A inteligência é construída pela riqueza de estímulos que a criança recebe no dia a dia, pela afetividade, atenção, interação e envolvimento de seus pais, assim como pelo seu tempo organizado com atividades adequadas, qualitativa e quantitativamente à idade, por normas de comportamento claramente estabelecidas, por rotinas e limites que desenvolvem as noções de hierarquia e lhe dão segurança e autoestima.

O cérebro humano tem inegável superioridade no quesito de conceber e utilizar ferramentas. Como inicialmente não éramos providos de grande velocidade para a caça, depois das ferramentas, que nos permitiram extrair vegetais, construímos os primeiros instrumentos para suprir essa dificuldade e podermos obter carne através da caça. Passamos para uma alimentação rica em proteínas, especialmente a cozida, que promoveu um extraordinário desenvolvimento de nosso cérebro, e o homem criou então a sua ferramenta mais espetacular: a linguagem falada, que impulsionou a transmissão dos conhecimentos, inclusive mais tarde, na forma escrita.

Ferramentas nos fazem progredir também em educação. Mas é preciso ponderações. É comum vermos nas revistas, na internet, na TV muitos artigos e programas com aconselhamentos sobre educação infantil, quase todos interessantes a um tipo de público em particular: os pais. É grande o mérito desse trabalho, que ajuda muitas famílias, alertando-as e orientando-as quanto à forma como conduzem a criação de seus filhos, subsidiando nesse assunto tão importante quanto delicado.

Quando escritos por profissionais sérios, experientes, com anos de estudo e prática na área, constituem material de inegável utilidade e valor. São verdadeiras ferramentas, pois, em linguagem acessível, traduzem e levam para a experiência do dia a dia intrincadas teorias e resultados de pesquisas científicas nas áreas da educação, da Psicologia, entre outras. Por isso, podem e devem ser ouvidas, lidas e aproveitadas. Mas essas orientações feitas de modo genérico jamais eliminam a necessidade de uma reflexão e adequação à realidade de cada família e cada criança. E nem da busca de um profissional, quando as dúvidas dos familiares impõem situações cada vez mais conflituosas.

A máxima “cada caso é um caso” se aplica perfeitamente bem à educação, dada a singularidade do ser humano, desde o momento de seu nascimento – senão antes – e durante os primeiros anos. É no início da vida que todo aparato genético e neurológico, em contato com as experiências vivenciadas no meio ambiente, desenvolve cada criança cognitiva, social, biológica e emocionalmente, construindo uma configuração comportamental que dificilmente poderá ser modificada mais tarde.

Como cada cultura e cada família têm uma forma diferente de vivenciar essas questões e um tipo distinto de ambição educacional, o leque da diversidade, já imenso frente às questões biológicas e emocionais, se multiplica. Por essa razão, os mais importantes aconselhamentos profissionais, regras e normas, que em tese foram pensados para favorecer a educação das crianças, não devem ser tomados como uma bula de remédio que cura qualquer doença, porque isso não funciona dessa forma.

As peculiaridades do ser humano passam pela genética, pelos aspectos culturais trazidos pela origem da família, pelo momento afetivo, social, financeiro, cultural, por condições de saúde física e mental, que delimitam características e determinam necessidades diferenciadas de compreensão e de ações educativas, principalmente nos primeiros cinco anos de vida. Se assim não fosse, gêmeos seriam exatamente iguais, e todos sabemos que não é assim: o contato e a troca com o meio e a maneira como cada qual recebe essa influência vivenciada nas experiências de vida, sejam sensoriais, motoras, psíquicas, cognitivas, vão moldar pessoas diferentes, que precisam de um olhar personalizado, de observação e educação pensadas especialmente para elas.

Em educação, há ferramentas importantíssimas, que são os valores socialmente aceitos pela cultura onde a criança crescerá e que fazem parte dos padrões éticos e morais de comportamento dos cidadãos, das famílias. Até aí, todo aconselhamento de bom senso é bem-vindo, assim como os de hábitos gerais de saúde e higiene, de conservação de alimentos, datas de vacinação etc., feitos estes últimos pelos profissionais da saúde.

Mas – e essa é a diferença – há conhecimentos específicos, ferramentas individualizadas, cujo domínio se circunscreve a especialistas da educação e da Psicopedagogia e que, para serem bem aplicados, não dispensam o contato profissional direto com cada família e sua criança, sua história, objetivando resolver as questões e desenvolver toda potencialidade infantil.

Adquirir destreza nessas ferramentas especializadas, de forma aprofundada, exige longos estudos e anos de prática: como motivar, modelar, reforçar comportamentos positivos, desenvolver mudanças no campo da aprendizagem e do comportamento, de forma séria, diretiva e eficaz. É um trabalho profissional, singular, que não pode ser substituído por aconselhamentos genéricos.

Então, qual a importância deste e tantos outros artigos escritos por profissionais de diferentes áreas, para orientar as famílias? Respondo aqui: são, antes de tudo, reflexões ou alertas, que buscam sinalizar, de forma generalizada, a ajuda mais indicada aos pais quando a dúvida é a respeito da educação dos filhos.

 

MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/07). É autora de artigos em publicações nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuroaprendizagem. irenemaluf@uol.com.br

OUTROS OLHARES

SEU NOME NAS ESTRELAS

Países ligados à União Astronômica poderão escolher como vai se chamar uma dupla de astros. A votação está aberta.

Seu nome nas estrelas

Muito tempo antes do advento do telescópio, os babilônios, pioneiros na fascinante aventura de investigar os astros, cultivavam o hábito de dar nome aos pontos cintilantes que admiravam a partir da Terra. Batizar estrelas e planetas continuou sendo prática e hobby em civilizações que viriam a encantar-se com o tema, como os romanos. Enquanto desfrutavam um poder sem fronteiras, eles também agiam como senhores dos céus — os deuses Júpiter, Vênus e companhia giram em volta do Sol até hoje para provar isso. Nos tempos modernos, nomear galáxias, planetas ou mesmo um singelo asteroide virou alta honraria concedida a grandes astrônomos, que recorrem, quase sempre, a códigos ininteligíveis aos olhos de simples mortais. Agora, uma iniciativa da União Astronômica Internacional (IAU) pretende trazer ao infinito estelar um toque, digamos, pop. Os países ligados à IAU terão direito de escolher como vão chamar um minissistema — constituído de uma única estrela e do planeta que orbi­ta em torno dela. Por ora, 79, entre eles o Brasil, aceitaram o desafio. A votação está aberta.

A categoria sujeita à nova nomenclatura é a dos exoplanetas — eles gravitam fora do sistema solar, mas ainda dentro da Via Láctea. Desde 1995, cerca de 4.000 deles foram descobertos em expedições espaciais da Nasa. Em uma extrapolação, dizem os cientistas, podem existir bilhões de mundos habitáveis nesse pontilhado de planetas recém-encontrados. A ideia de estender da academia a curiosos em geral a oportunidade de bolar nomes para esse universo de pequenos sistemas celestes tem um objetivo claro, que casa justamente com o centenário que a IAU completa neste ano e a reflexão que ele suscita sobre a necessidade de tirar a astronomia de seu casulo científico, como aconteceu com a chegada do homem à Lua, há cinquenta anos. “Se conseguirmos envolver a sociedade, ela entenderá melhor a relevância do que fazemos”, diz o carioca Eduardo Penteado, representante da União Astronômica no Brasil e um dos que encabeçam a missão NameExoWorlds.

A dupla de astros que caberá a cada país foi escolhida pelo critério da distância: precisava estar próxima o suficiente para se fazer visível, por meio de telescópio, à população daquele lugar que a batizou. No caso do Brasil, a estrela em questão é atualmente conhecida pelo árido casamento de letras e números HD 23079 — e o seu exoplaneta, para piorar, ainda tem um “b” depois de tudo isso. A estrela é feita basicamente de hidrogênio e equivale em tamanho ao Sol. O planeta parece um gigante gasoso, com um período de translação equivalente a dois anos na Terra. Não, lá nunca haverá vida como a concebemos: além do excesso de gás, o local, ao que tudo indica, é uma geladeira, por estar muito longe da estrela que o poderia aquecer.

O conjunto, que fica a mais de 100 anos-luz da Terra e pode ser avistado entre os meses de dezembro e fevereiro com a mãozinha de um telescópio, sairá desta com um cartão de visita mais palatável. As duplas que estão na roda brasileira até agora (a votação vai até 31 de agosto no site da União Astronômica Internacional) são Riobaldo e Diadorim, de Grande Sertão: Veredas, e Capitu e Bentinho, de Dom Casmurro, entre outras que sorvem inspiração da literatura e da cultura nacional — aliás, um pré-requisito para vencer, com o perdão do trocadilho, esta corrida espacial. A criatividade é quase livre, mas a IAU impõe certas regras. Uma delas é submeter nomes já contando que o sistema não é tão míni assim: podem-­se descobrir outros planetas girando em torno daquela estrela. Aí será preciso nomear os novos astros em harmonia com a dupla original. Pinçar um personagem que faça parte de uma trama repleta de outros, por exemplo, pode ajudar. Surgiu um planeta, é só voltar ao livro. No século XVII, a mesma regra já norteava esse tipo de escolha, tanto que se convencionou que todas as luas de Júpiter ganhariam nome de uma amante de Zeus, o poderoso dono do Olimpo. Ainda bem que ele era adepto da poligamia: são 79 luas.

Esta é a iniciativa de maior envergadura feita pela União dos Astrônomos para aproximar sua ciência da vida cotidiana. Mas houve outra, em 2015, que deu mais graça ao espaço sideral. Uma votação on-line para nomear catorze estrelas e 31 exoplanetas fez da constelação Mu Arae (uma denominação técnica que indica posição e tamanho da estrela) uma apoteose a Miguel de Cervantes e sua obra-prima, Dom Quixote de La Mancha. A estrela foi batizada de Cervantes, enquanto os planetas no entorno são Quixote, Sancho, Dulcinea, Rocinante. Segundo a organização do projeto no Brasil, desde que a votação foi aberta ao público, em 6 de junho, houve mais de 500 sugestões aqui, 307 inválidas. “Aparece muito nome relacionado a política e futebol, que cortamos”, conta o astrônomo Hélio Rocha, responsável pelo comitê nacional. O regulamento veta referências religiosas, políticas e a pessoas vivas. A lista produzida em cada país ainda precisa passar pelo crivo da IAU — processo árduo e competitivo que deve se encerrar até o fim do ano

Seu nome nas estrelas. 2

GESTÃO E CARREIRA

JAMAIS DESISTIR

Saber parar no momento certo, de algo que nos custa mais investimento do que poderemos obter de retorno, pode evitar desgaste e sofrimento desnecessários

Jamais Desistir

Somos condicionados, desde novos, de que não devemos desistir jamais de nossos sonhos, e isso acaba por criar uma modelagem que se expande em todas as direções de nossas   estratégias comportamentais e projetos pessoais. Porém, se tornar obsessivo por algo que não apresenta resultados práticos, por mais que possamos injetar energia ou recursos financeiros, apenas para não demonstrar à sociedade que fracassamos em algo, ou, por orgulho próprio de não se sentir comprometido totalmente, pode levar ao esgotamento físico e mental. Isso não vai trazer desfecho positivo no projeto em curso e, pior ainda, criará estruturas de defesa que vão prejudicar o ingresso futuro em qualquer outro perfil de investimento.

A história está cheia de exemplos de pessoas que usaram a expressão “Não desista nunca” e obtiveram, ao final, êxito em suas conquistas. A verdade é que não há espaço, nos livros e mitos, para quem soube investir energia em projetos mais viáveis abandonando outros que só iriam lhe causar desgaste físico e emocional.

Como base de apoio a essa crença popular temos o célebre discurso de Winston Churchill, proferido em 4 de junho de 1940, na Câmara dos Comuns, onde, com uma boa e poética estruturação verbal, reafirma o compromisso de lutar até o fim, em qualquer lugar que fosse necessário e jamais desistir, jamais se render.

Motivador, o discurso de Churchill é utilizado regularmente em palestras corporativas como exemplo de persistência e luta. Ocorre que, naquele momento histórico, a única possibilidade de sobrevivência, diante de uma Europa cheia de campos de concentração, era lutar ou morrer. Era a Segunda Guerra Mundial, algo monstruoso tirando a vida de milhões de pessoas. Não havia outra alternativa.

Como exemplo contrário temos o projeto do avião supersônico Concorde, mais rápido que a velocidade de rotação da Terra, sendo ele capaz de decolar após o pôr do sol de Londres e chegar em Nova York ainda de dia. Quando seu projeto bilionário, iniciado em 1962 por meio de um consórcio franco-britânico, estava gerando as primeiras unidades (apenas 20 foram fabricadas) já era previsto que jamais seria possível obter o retorno do investimento. Mas o pensamento era que desistir seria o mesmo que perder todo o dinheiro gasto, então o plano prosseguiu mesmo sabendo-se que não ocorreria um sucesso comercial devido ao alto custo operacional das aeronaves.

Em 2003 O Concorde, finalmente, foi retirado dos céus.

A NASA, agência espacial americana, é outro exemplo de projetos que não deveriam sair do papel. Os famosos cinco ônibus espaciais, os spaces shuttles, projetados para colocar satélites em órbita tinham um custo operacional altíssimo em comparação à mesma atividade feita pelos russos com o projeto Soyuz. O alto custo e os dois acidentes destruíram as naves Challenger e Columbia, tirando a vida de 14 astronautas, pôs fim ao projeto em 2011. Hoje, por um valor infinitamente menor, as soyuz russas são as únicas naves espaciais que servem a Estação Espacial Internacional, levando astronautas e mantimentos de forma rotineira sem nenhum acidente fatal desde 1971.

Claro que não há muita divulgação quando, na indústria, projetos sabia- mente fracassados são levados até as últimas consequências apenas para, teoricamente, não se perder o que já foi investido. Gigantes como a Sony também enfrentaram grandes prejuízos apenas para levar, até o fim, uma ideia já percebida como fracassada. Você se recorda do gigantesco Toca Disco Laser da Sony? Ou, pequenino Mini Disc Sony?

Também sabemos a mitológica história que a Coca-Cola só vendeu 25 galões em 1887, seu primeiro ano de atividade. Mas o que não contam é que somente em 1893 surge de verdade a marca Coca–Cola, e que a empresa distribuiu milhares de unidades por vários anos em cinemas e escolas até consolidar a marca de uma vez por todas.

A questão é que você pode desistir, sim! Pode escolher outro projeto, ou investimento de afeto que lhe proporcione um resultado melhor em sua vida pessoal/profissional. Saber prospectar o futuro é o que diferencia as pessoas com maior ou menor capacidade intelectiva.

Pessoas mais inteligentes são capazes de fazer uma viagem mental ao futuro e ir além dos cálculos matemáticos e desenhos em pranchetas, vislumbrar as possibilidades e conferir com o mercado-alvo se as projeções podem ser, realmente, validadas. Ter uma ideia fixa, sem alterações de rumos, de certo pode levar ao fracasso e à desilusão no mundo corporativo e, muito mais vezes, no universo dos relacionamentos sociais/pessoais.

Benjamin Franklin costumava dizer que devemos sempre nos preparar para o pior e, caso o melhor ocorresse, seria uma grata surpresa. Muitas pessoas podem ficar cegas a uma dessas possibilidades e só se guiar pela outra. Alguns podem focar apenas no fracasso, outros só no sucesso. Os dois estão errados.

Saber balancear as possibilidades de resultados possíveis na mente, se lançar na busca de soluções de forma aprofundada e investir naquilo que apresenta as melhores condições de retorno é ser, antes de tudo, o empreendedor de sucesso antecipado.

Não é vergonha alguma pular no oceano, deixando um navio naufragado, quando sabe que é capaz de nadar mar afora, com os próprios braços e pernas.

 

JOÃO OLIVEIRA – é Doutor em Saúde Pública, psicólogo e diretor de Cursos do Instituto de Psicologia Ser e Crescer (www.isec.psc.br). Entre seus livros estão: Relacionamento em Crise: Perceba Quando os Problemas Começam. Tenha as Soluções!; Jogos para Gestão de Pessoas: Maratona para o Desenvolvimento Organizacional; Mente Humana: Entenda Melhor a Psicologia da Vida; e Saiba Quem Está à sua Frente – Análise Comportamental pelas Expressões Faciais e Corporais (Wak Editora).

ALIMENTO DIÁRIO

A CASA FAVORITA DE DEUS

A Casa Favorita de Deus - Tommy Tenney

CAPÍTULO 10 – DESCUBRA O PODER SECRETO DE UM PORTEIRO (NO LUGAR CERTO)

 

Um jovem que entrevistou seis veteranos anciãos de oração do avivamento de New Hebrides, disse: “Um deles olhou para mim com fogo em seus olhos idosos e falou com sotaque: ‘Se você alguma vez encontrá-Lo, nunca, nunca, nunca, nunca O deixe passar.’ As experiências e conclusões que esses homens compartilharam com seus jovens entrevistadores foram gravadas para a posteridade em uma fita cassete que tenho comigo. Eu simplesmente não consigo me restabelecer daquelas palavras: “Se você uma vez encontrá-Lo, nunca, nunca, nunca, nunca O deixe passar.”

O que essas palavras significam? Elas significam que se você pretende ter a porta do Céu escancarada, nunca deixe que ela se feche de novo. Você pode ter sido deixado em uma porta inútil do passado, guardando apenas a fragrância do que realmente era. Agora você vai se ver correndo pelas ruas como a noiva de Salomão, desesperadamente perguntando às outras pessoas: “Você o viu? Ό meu amado é alvo e rosado, o mais distinguido entre dez mil. A sua cabeça é como o ouro mais apurado, ‘os seus cabelos, cachos de palmeira, são pretos como o corvo’. Eu não sabia que era Ele; eu estava cansada demais quando Ele bateu.” – (Veja Cantares 5:4-11).

Caçadores de Deus desesperados estão sendo agraciados para “atraí-Lo” em visitação divina mais do que nunca e há propósito celestial em tudo isso. Todos os dias, eu ouço mais relatos de pessoas tropeçando em seus joelhos pelas portas ou pelos portões a tempo de deixá-los contemplar a eternidade. A mesma coisa aconteceu com Jacó quando ele foi dormir muito perto de um portão entre os céus. Ele acordou com uma clara visão de um céu aberto diante dele, e isso marcou um começo de uma mudança permanente em sua vida. Quando nos encontramos em lugares de visitações divinas, é como se uma aresta no tempo se abrisse diante de nós. Quando a Própria Eternidade entra em nossa pequena casinha de brinquedo na terra do tempo, tudo que é de importância terrena parece desvanecer-se. Por quê? Porque Deus está na casa! A Eternidade visitou nosso pequeno mundo de tempo-limitado e Sua glória está enchendo nossa sala apertada. É por isso que três horas parecem meros três minutos quando ficamos perdidos em Sua presença no meio da nossa adoração. Nestes momentos, chegamos o mais perto do portão. Quase podemos deslizar pelos rudes limites do tempo até o reino atemporal da eternidade.

TENHA CUIDADO PARA NÃO PERDER O LUGAR DE ACESSO DIVINO

Quando Jacó ultrapassou o portão do Céu, ele estabeleceu pedras para marcar o lugar e disse: “Eu não quero esquecer isto.” No entanto, se não tomarmos cuidado, podemos usar marcadores deste reino que não são adequados com os marcadores no reino espiritual.

A maioria das pessoas tenta marcar a “localização” das suas experiências espirituais com marcadores temporais e mutáveis. Eles podem dizer ao líder de louvor: “Vamos cantar aquela música que cantamos três semanas atrás, porque quando eu tive uma visitação de Deus eu a estava cantando.” Infelizmente, marcadores temporais nunca podem marcar um lugar de eternidade. E por esta razão que eles voltam ao líder de louvor e dizem: “Bem, está bom, mas não está igual.” O problema é que eles estabeleceram o tipo errado de marcador. Eles deveriam ter marcado a posição e a fome do coração deles, não a música.

Certa vez, meu avô me levou ao seu lugarzinho de pescaria favorito. Depois que cuidadosamente manobrou o barco até a posição exata, ele disse: “Agora, filho, se você sempre pescar neste pequeno ponto, bem aqui, apanhará muitos peixes. Exatamente aqui você está sobre um afloramento submerso.”

Eu voltei lá posteriormente e posicionei meu barco na mesma área, mas não apanhei nada. Quando voltei para casa, telefonei para meu avô e lhe disse: “Vovô, não havia nenhum peixe lá.” Ele disse: “Não, filho, sempre há peixes lá. Você só não estava no lugar certo.”

“Bem, eu não poderia estar muito longe…”

“Você não entende, filho.” – ele disse. “Você não precisa estar a 15 metros do lugar para perder o ponto. Poderia se instalar somente a 1 metro de distância do lugar certo e mesmo assim não apanhar nenhum peixe. Você tem de ficar exatamente em cima dele. Venha, eu irei com você desta vez.”

Voltamos à posição de pescaria do vovô mais uma vez e ele disse: “Agora, você dirige o barco e o posiciona.” Manobrei o barco até deixá-lo exatamente onde achava que ele deveria estar e, então, olhei para o vovô. Ele simplesmente sorriu e disse: “Filho, você não está no lugar certo – é bem ali.”

ESTES SÃO OS TIPOS ERRADOS DE MARCADORES

Onde quer que pescadores passem por um bom “lago de pescaria”, eles querem marcar aquele ponto para futuras viagens de pescaria. O problema é que é difícil marcar um lugar que está debaixo da água. Algumas pessoas tentam fazer isso com um jarro de leite fechado e um peso, mas a maior parte do tempo o vento e a água levam esses marcadores temporários para fora da posição, ou um barco veloz corta a linha. Esses são os tipos errados de marcadores. Vovô sabia como voltar a este ponto especial porque ele usou marcas permanentes na terra que não mudariam quando o vento soprasse. Então, ele me explicou: “Você tem de olhar para cima 110 horizonte.” E disse: “Você está vendo aquela árvore ali?” Uma vez que ele me deu os marcos apropriados, eu pude posicionar corretamente o barco. Ele concluiu: “Agora, aquele lugar especial é bem aqui.” – e, com certeza, era.

Não tente usar marcadores temporais ou temporariamente terrenos para marcar lugares de acesso celestial, porque eles nem sempre funcionam. Jacó estabeleceu pedras para marcar seu encontro noturno com Deus. Muitos anos depois, quando os israelitas finalmente cruzaram o rio Jordão e entraram na terra prometida, eles marcaram sua travessia com pedras. Uma vez que o leito do rio estava seco quando eles atravessaram, eles pegaram suas pedras marcadoras no meio do leito do rio Jordão e as colocaram na margem. Ora, essas pedras foram bons marcadores porque pedras de um leito de rio se tornam lisas pela ação da água, enquanto pedras que não são de um rio são ásperas e denteadas.

Toda vez que os filhos deles passavam por aquela pilha de pedras lisas, estava claro para eles que aquelas pedras estavam fora do seu lugar natural. Eles marcaram uma fenda da eternidade no véu do tempo. Quando eles dissessem: “Essas pedras não são daqui.” – seus pais diriam: “Você está certo filho. Essas pedras são do tempo da visitação de Deus.” Estes marcadores lembraram geração após geração dos israelitas sobre o dia que o rio se dividiu por causa dos céus abertos.

EU PREFERIRIA SER UM PORTEIRO

Caçadores de Deus precisam de um tipo diferente de “marcador” para marcar os lugares onde os céus se abriram. O que podemos usar – uma “lista de músicas de avivamento” favoritas ou um especial “guarda-roupas de avivamento”? Nenhum desses funcionará. Mais uma vez, precisamos voltar para a Palavra de Deus e tomar uma página da íntima viagem de Davi com Deus. Davi disse: “Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil. Preferiria ser um porteiro na casa do meu Deus a permanecer nas tendas da perversidade.” – (Salmos 84:10 – NKJV).

Por que ele disse isso? “Davi, você é um rei. Esta é uma posição real de influência. Por que é que você gostaria de ser um porteiro?” Davi estava dizendo: “Não, eu aprendi algo: o porteiro na porta certa tem mais influência no mundo do que um rei em seu trono! Um porteiro na casa de Deus é um porteiro no portão do Céu. Agora, se eu conseguir pelos menos achar aquela abertura no Céu…”

A glória de Deus está reprimida no Céu como águas de enchente por trás de uma barragem, e Deus declarou abertamente Sua intenção de inundar todo o mundo com o conhecimento de Sua glória. Na maior parte do tempo, não sabemos realmente onde a porta está, ou como passar por ela, uma vez que a encontramos por acaso pela primeira vez.

Nossa solução para o problema é esquecer o melhor, que é representado por uma enchente da glória de Deus. Em vez de esperar pacientemente pelo Senhor, apresentamos o “bom” (a unção) que Deus nos deu como se fosse o “melhor” (a glória manifesta). Isso acontece quando exclamamos: “Deus está aqui!”, querendo dizer que Sua glória desceu quando, na verdade, isso não aconteceu.

Paulo nos disse: “Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente.” – (1 Coríntios 13:12). Este podia ser o nosso versículo tema. Temos feito um estilo de vida do segundo melhor. Trazemos as pessoas uma a uma para olhar pelo nosso “olho mágico da unção” – somente para deixá-las saber que há algo do outro lado. Então, frustramos o mundo quando dizemos: “Porém, perdemos a chave para abrir a porta.’’

Temos nos ocupado ensinando as pessoas como estarem insatisfeitas com alguém, impondo as mãos sobre elas, contudo, nunca lhes dizemos que a unção de Deus sobre a carne é, quando muito, um substituto barato para a presença manifesta do próprio Deus descendo entre eles. Ouça, se Deus Se manifestar, você não vai precisar que eu nem ninguém imponhamos as mãos sobre você. Eu lhe prometo. Procure o Ungidor, não o ungido e a unção. Há uma grande diferença entre as minhas mãos impostas sobre sua cabeça e o dedo d’Ele escrevendo nas paredes de carne do seu coração!

QUEM ENCONTRARÁ AS ANTIGAS CHAVES QUE TILINTAVAM NAS MÃOS DE DEUS?

O que Deus prometeu, acontecerá: a enchente da Sua glória. Ela começará em algum lugar com alguém. Mas onde? Quem encontrará as antigas chaves que tilintavam nas mãos de Deus quando Ele disse a Pedro: “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus.” Quem ouvirá uma batida do outro lado e colocará aquela chave antiga naquela porta para abrir o portão do Céu? Onde quer que isso aconteça, seja quem for que abra a porta, o resultado vai ser uma incessante e imensurável enchente da glória de Deus. Se a glória d’Ele vai cobrir a Terra, ela tem de começar em algum lugar. Por que não aqui? Por que não você?

Há algumas chaves do Reino espalhadas e alguém tem de encontrá-las e escancarar a porta. Deus disse: “Eu busquei dentre eles um homem que estivesse tapando o muro, e estivesse na brecha perante Mim por esta terra, para que Eu não a destruísse; mas a ninguém achei.” – (Ezequiel 22:30 – NKJV). Precisamos exterminar nossas maneiras extremamente religiosas de olhar as coisas para realmente entender o que Deus está dizendo. Onde está e o que é esta “brecha” que Deus quer que preenchamos?

Em certa ocasião, levei minha família inteira para Atlanta para que eles pudessem estar comigo enquanto falava em uma igreja naquela cidade. Quando chegou a hora de partir, todos saíram do quarto do hotel e se dirigiram ao elevador. Tinham suas mãos cheias de sacolas, malas e pacotes, inclusive minha filha mais nova. Parece que ela tem sua própria pequena família de animais de pelúcia chamados “Beanie Babies”. Naquela ocasião, ela havia trazido a “família inteira” dentro de sua mochila abarrotada.

A PORTA COMEÇOU A SE FECHAR

Você já viu criancinhas tentando carregar mais do que elas conseguem? Andréa estava arrastando sua mochila pelo corredor e ficando para trás. O elevador naquele hotel específico se fechava muito rápido e assim que Andréa pisou no elevador, a porta começou a se fechar nela. Todos os outros já estavam no elevador.

Andréa, instintivamente, pulou para fora do elevador o mais rápido que pôde, e foi quando eu vi um olhar de pânico tomar conta da sua face. Eu podia imaginar o que estava se passando na sua mente naquele momento: Querido Deus, eles vão me deixar aqui! Eu vou ficar presa aqui sozinha neste hotel enquanto eles vão sem mim.

Meus instintos paternais também se aguçaram quando a porta começou a fechar. Rapidamente, coloquei minha mão entre as portas do elevador e esperei que fosse capaz de forçá-las a se abrirem. Finalmente as abri, mas, literalmente, tive de forçar minhas mãos entre as portas e empurrá-las. Quando consegui abri-las, pisei entre elas e as segurei abertas. Naquele momento, vi um olhar de completo alívio no rosto de Andréa, e ela me disse: “Meu papai está segurando ela aberta para mim.” Com um sorriso acanhado e uma risadinha infantil, ela entrou rapidamente por entre aquelas portas e se sentiu segura novamente.

Deus nunca quis que usássemos nossos hinos favoritos ou canções de adoração para marcar nossos encontros divinos ou manter os portões do Céu abertos. Um sermão não fará isso, nem uma personalidade brilhante ou um poderoso ministério poderá fazê-lo. Deus tem uma ideia melhor. Mantenha aquele portão aberto com sua própria vida! Tome-se um porteiro e abra a porta para deixar a luz do Céu brilhar em sua igreja e cidade.

NADA É MELHOR DO QUE UM ATIVO E SERVIL PORTEIRO

Às vezes, penso que nossa cadeia de restaurantes nacionais são mais sensíveis do que nós! Eu gosto de frequentar uma cadeia especial de restaurantes que é especializada em comida italiana, em parte porque gosto da comida e em parte porque aprecio seu atendimento. Notei que este restaurante pensa tanto em seus clientes que posiciona um recepcionista na porta para pessoalmente cumprimentá-los quando entram. Em outros lugares, eles mantêm a porta aberta com um prendedor de plástico ou deixam a porta se fechar bruscamente. Nada é melhor do que um ativo e servil porteiro quando se trata de introduzir os convidados e satisfazer-lhes as necessidades.

Deixe-me lhe perguntar isto: Qual é o propósito da Igreja? Ela não foi feita para servir apenas a você e eu. A Igreja é para Ele, acima de tudo. Agora, se temos um encontro com Ele, se de algum modo colocarmos nossas mãos através do véu para dentro do Céu aberto, é nossa responsabilidade manter abertos os portões do Céu para benefício daqueles que seguem atrás de nós.

Se você topar com aquela porta no meio da sua adoração arrependida e quebrantada, então se posicione no vão da porta e a mantenha aberta. Permaneça na brecha. Deus prometeu que Ele vai ajudar a reconstruir Sua casa favorita, se pudermos manter a porta aberta. Se puder imaginar-se mantendo aberta uma larga porta no Céu com suas mãos, então você tem a figura de um porteiro no lugar certo – mantendo aberta a porta da presença de Deus com mãos levantadas na postura e posição de louvor e adoração.

DAVI RECEPCIONOU A PRESENÇA DE DEUS CONTINUAMENTE POR TRINTA E SEIS ANOS

Davi descobriu uma chave que precisamos redescobrir atualmente. Ele fez mais do que retornar a presença de Deus para Jerusalém. Ele fez mais do que expor a glória de Deus em uma tenda aberta sem paredes ou véu de separação. De algum modo, Davi conseguiu recepcionar a presença de Deus em sua tenda humilde e manteve um céu aberto sobre todo o Israel por quase trinta e seis anos! A geração de Davi foi beneficiada com sua adoração.

Quando abrimos as janelas do Céu pela nossa adoração, também precisamos manter uma sentinela (um porteiro) dentro da dimensão de Deus (adoração) para manter aberta as janelas do Céu. Na época de Davi, os adoradores levíticos cercavam a arca da Aliança com louvor e adoração contínuos. Eles desfrutavam os benefícios de um céu continuamente aberto porque alguém permanecia no portão e o mantinha aberto. Se você é um pastor ou líder de igreja, sua principal responsabilidade em sua cidade é ser um guardador do portão. Você tem a oportunidade de ser bem-sucedido ou fracassar na responsabilidade que lhe foi dada.

Esses porteiros podem ser qualquer um que tenha a responsabilidade de abrir as janelas do Céu para uma cidade. Eles podem ser líderes de igreja, intercessores e todos os adoradores. Um céu aberto se refere ao livre acesso à presença de Deus para o homem e ao livre fluir da glória de Deus para a dimensão humana com o mínimo possível de impedimento demoníaco.

Ló era um guardador do portão em Sodoma e Gomorra. Sabemos disso porque a Bíblia diz que “Ló se assentava à porta de Sodoma”. – (Gênesis 19:1). Apesar de sua infeliz escolha de cidades, ele claramente reconheceu a justiça quando a encontrou em seus visitantes angélicos. Ele especificamente “abriu os portões” para a justiça e acolheu seus santos visitantes em sua casa. Ló também reconheceu a injustiça pelo que ela era, mas ele falhou em “fechar as portas” para o pecado que estava consumindo sua cidade. Porque Ló não tomou a posição correta e não influenciou a cidade, Sodoma e Gomorra o influenciaram. No final, Sodoma foi destruída pelo fogo porque o guardador da porta de Deus não fez seu trabalho.

Davi também era um guardador da porta, mas ele entendeu a importância do seu trabalho. Quando escreveu o Salmo 84:10, eu percebo que ele estava dizendo: Eu preferiria ser um porteiro na porta certa, porque este é o lugar de real influência. Nunca subestime o poder da presença de Deus. Você pode ser um porteiro e abrir a porta da presença manifesta de Deus para sua igreja e comunidade. Entenda que você foi colocado na posição de maior influência no mundo inteiro. Como os levitas de antigamente, somos todos chamados para ser um povo guardador da porta, o povo da presença d’Ele. Você pode, literalmente, tornar-se uma porta de entrada andante para a presença de Deus. As pessoas podem perceber a luz da glória brilhando embaixo da porta.

O homem chamado Obede-Edom descobriu a importância de ser o guardador da porta no lugar certo. A maioria acredita que ele era uma parte da ordem levítica, mas sabemos isto com toda certeza a seu respeito. Ele sabia como era ter Deus habitando em sua casa ao invés de meramente visitá-la.

ELE SABIA O QUE FAZER QUANDO A VISITAÇÃO SE TRANSFORMA EM HABITAÇÃO

Obede-Edom sabia o que fazer quando a divina visitação se transformava em divina habitação e descobriu que havia outros benefícios advindos deste trabalho. Sua safra crescia melhor, seu cachorro parou de morder as pessoas, seu telhado não tinha goteira, seus filhos não ficavam doentes e tudo em sua vida era incrivelmente abençoado. Você sabe que algo bom está acontecendo quando sua safra está tão abençoada que em três meses todos sabem sobre ela. Finalmente a palavra alcançou todo o caminho até o rei Davi, em Jerusalém: “Davi, você não vai acreditar: Obede-Edom se transformou em um milionário em três meses!”

Davi disse: “Eu sabia que estava certo. Eu tenho de trazer aquela arca para Jerusalém. Se Obede-Edom pôde ser tão abençoado localmente, então, se eu puder colocar a arca em seu lugar apropriado, seremos todos abençoados nacionalmente.”

E o quanto Israel foi abençoado quando Davi manteve o tabernáculo todos aqueles anos?

Ainda que não tenhamos começado a adorar e servir como deveríamos, se a Igreja e sua adoração fossem retiradas do mundo hoje, as coisas iriam à queda disparada rapidamente. Por outro lado, se, algum dia, o povo de Deus puder colocar a glória d’Ele de volta na Igreja, em seu lugar apropriado, a nação inteira poderá ser abençoada.

VOCÊ O ENCONTRARÁ ONDE QUER QUE A ARCA FOR

Não importava para aonde a arca fosse durante o reinado de Davi como rei, você encontraria um certo homem seguindo-a. Seu nome é mencionado seis vezes em 1 Crônicas, capítulos 15 e 16. Isso é o que aconteceu segundo a versão de Tenney: Toc, toc.

Rei Davi: “Obede, aqui é o rei Davi. Sabe aquela arca que deixamos aqui três meses atrás? Viemos para apanhá-la. Meu Deus, tudo está lindo por aqui, Obede!”

Obede: “Rei Davi, deixe-me esclarecer isso: Você vai tirar a arca de mim?”

Rei Davi: “Sim, bem, como me recordo, você estava meio temeroso quando a deixamos aqui.”

Obede: “Isso foi antes. Agora, aprendi que onde esta arca permanece há bênção.”

Rei Davi: “Bem, precisamos levá-la agora porque eu preparei um lugar especial para a arca em Jerusalém. Vai demorar um pouco para chegar lá, mas quando chegarmos, toda a nação será abençoada.”

Obede: “Rei Davi, você poderia esperar só um minuto?… Mamãe, você e as crianças arrumem as malas! Sim, coloquem todas as suas coisas na mala e juntem todas as suas roupas.” Obede Júnior: “Aonde vamos, pai?”

Obede: “Onde quer que esta arca for, é para lá que estamos indo.”

A próxima vez que ouvimos sobre Obede-Edom, sabe o que é que ele estava fazendo? A Bíblia diz que ele era um porteiro da porta da arca! – (Veja 1 Crônicas 15:24). Obede-Edom se mudou quando a arca mudou. Parece que ele topava qualquer trabalho que apenas pudesse deixá-lo perto da presença do Senhor. No versículo de 1 Crônicas 5:18, Obede-Edom é descrito como um porteiro, o que significa que ele deve ter dito: “Eu não ajudarei a carregar o objeto.” Eu acredito que ao lhe perguntarem o motivo, Obede-Edom tenha dito: “Porque eu simplesmente quero estar onde a arca estiver. Eu quero ser um porteiro. Honestamente, quero manter a porta aberta porque descobri sobre a bênção…”

Certa vez, eu estava pregando em um local extremamente quente nos trópicos. Não havia ar condicionado no prédio, então, pedi aos organizadores locais: “Vocês poderiam colocar o palanque bem perto daquela porta? Há uma forte brisa vindo daquela porta de entrada. Eu estarei pregando e quero tentar permanecer refrescado.”

Todo tempo que eu preguei, pude sentir o vento constantemente soprando pelas minhas pernas e assoviando ao passar por meus braços. Como estava no lugar certo, o calor tropical não estava tão ruim. Deixe-me lhe dizer que há um benefício em se posicionar no vão de entrada para o Céu. Quando você se torna um porteiro e escancara a porta do Céu, você pode sentir o precipitar do poderoso vento do Espírito Santo à medi’ da que Ele enche o lugar da reunião com glória.

Sem dúvida, os cento e vinte estavam embriagados no Dia de Pentecostes. Eles tinham escancarado os céus e se posicionaram no vão de entrada, à medida que o veloz e poderoso vento de Deus explodiu do Céu e encheu-lhes a casa terrena. Sua glória então se derramou na rua e a próxima coisa que se lê sobre isso é o que a Palavra de Deus diz: “Encheste Jerusalém de vossa doutrina.’’ – (Atos 5.28). Então lemos que “todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra.’’ – (Atos 19.10 – NKJV).

O que aconteceu? Alguém encontrou a porta e simplesmente a escancarou com sua própria vida. O outro benefício é que os porteiros também conseguem ter um encontro com Deus, mesmo que Sua presença flua às nações. Esta é a bênção e a herança de um porteiro no lugar certo.

PRECISAMOS DE PORTEIROS MAIS DO QUE REIS OU PRESIDENTES

Onde estão os porteiros? Deus sabe que precisamos de porteiros mais do que de reis e presidentes. Precisamos de pessoas que saibam como ter acesso à presença de Deus e abrir a porta para Sua glória entrar em nossas casas, igrejas, cidades e nações. Davi novamente escreve a visão para que possamos nos apressar:

“Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória.’’ – (Salmos 24:7).

Portas não têm cabeças. É óbvio que somos as portas deste Salmo. Se levantarmos nossas cabeças, o que acontecerá? Literalmente, esta frase no hebreu é “estejam abertos 6 portais eternos”. Quando obedecemos a esse comando, o Próprio Rei da Glória entrará. O que isso tudo significa? Nós, como Igreja, somos literalmente a porta para o resto do mundo ter um encontro com Deus. Quando você se posiciona em lugar de adoração, está literalmente abrindo e mantendo uma ampla porta espiritual, uma entrada para o Senhor ressurreto. Um Davi dos dias modernos, chamado Martin Smith, canta uma música nova baseada em um tema antigo:

“Escancarando seus portões celestiais. Prepare o caminho do Senhor ressurreto…”

Esta chamada para a adoração tem de ser o hino da Igreja.

SE EU PUDESSE PELO MENOS PÔR MINHAS MÃOS NAQUELA BRECHA

Somos chamados para tomar nossa posição ao lado de nosso grande Sumo Sacerdote e nos posicionarmos na brecha entre o mundo que não conhece e aqueles que conhecem. Estamos mantendo aberto o “elevador de fechamento rápido” que leva as pessoas para o Céu. Às vezes, eu consigo perceber uma brecha nas regiões celestiais mesmo quando prego mensagens para congregações em certos lugares onde parece que os céus estão para se abrir. Às vezes, penso comigo mesmo: Se eu apenas puder por minhas mãos naquela brecha e penetrá-la ou orar com ela aberta, talvez a glória de Deus desça nesta noite.

Os porteiros são raros e de valor inestimável na economia de Deus. Talvez, certa noite, Davi tenha penetrado a escuridão noturna e se sentido reconfortado ao ver os pés dançantes e os braços estendidos da equipe de louvor do turno da tarde filtrando a glória de Deus e foi inspirado a escrever:

“Bendizei ao Senhor, vós todos, servos do Senhor, que assistis na Casa do Senhor, nas horas da noite; erguei as mãos para o santuário e bendizei ao Senhor.” – (Salmos 134:1-2).

Se alguma vez, quisermos mudar de uma visitação de Deus para uma habitação de Deus, alguém tem de aprender como manter aberta a porta dos céus. Parece que alguns de nós preferiríamos ir para dentro do véu e deixar a porta se fechar bruscamente atrás de nós. Não nos importamos com o mundo desde que consigamos entrar. Desculpe-me, talvez isto seja devido à cultura do Sul na qual fui criado, mas aprendi a ser um cavalheiro. Você não deve simplesmente entrar por uma porta e deixá-la se fechar atrás de você. Você a mantém aberta para outros. Eu acho que é tempo de a Igreja adotar certa etiqueta espiritual e dizer: “Vamos manter a porta do Céu aberta.” Então, os que nos assistem de longe podem dizer: “Bendizei ao Senhor, vós todos servos do Senhor que assistis na casa do Senhor nas horas da noite.” – Escancarando os céus.

Por quanto tempo você tem orado por um céu aberto sobre sua igreja e comunidade? Eu prometo a você que não é nem perto de quanto tempo Ele tem esperado atrás da porta para ela se abrir. Em Cânticos, nós O vemos ilustrado como o Noivo apaixonado, perscrutando através da treliça por um vislumbre de Sua amada. Ele está esperando atrás da porta, dizendo: “Se eu puder colocar Minha Igreja na posição, então Eu poderei abrir as janelas e as portas do Céu e derramar…”

NOSSA INATIVIDADE PODE ABRIR O INFERNO Ε FECHAR O CÉU

Deus está procurando por pessoas que tenham as chaves do reino e saibam como usá-las (você e eu)! A parte triste de tudo isso é que não somente nossa atividade obediente em louvor e adoração abre o Céu e fecha o inferno, mas também nossa inatividade pode abrir o inferno e fechar o Céu tão eficientemente quanto a primeira afirmação. Jesus repreendeu os líderes religiosos da Sua época dizendo aos fariseus:

“Ai de vós, intérpretes da Lei! Porque tomastes a chave da ciência; contudo, vós mesmos não entrastes e impedistes os que estavam entrando.” – (Lucas 11:52).

Esse aviso é muito forte e todos deveríamos perguntar a nós mesmos: “Será que eu tenho sido um impedimento para o reino de Deus por estar bloqueado por algo que Deus nunca disse ou ordenou?” Talvez o maior problema da Igreja que está impedindo a abertura nos céus hoje seja o medo do homem. Isto penetra na liderança pastoral, e alguns líderes admitem que o medo do homem direciona 90% das suas decisões. Decisões orientadas pelo homem e para agradar o homem estão levando a Igreja na direção da falência espiritual e fechando as janelas do Céu. Devemos estar decididos a buscar somente uma coisa: Nós queremos Deus. Queremos abrir as janelas do Céu para que a glória de Deus inunde nossas igrejas, nossas cidades e a vida do nosso povo.

Somente quando Jesus voltar é que Deus irá destruir as portas que o inimigo levantou na Terra. Naquele grande dia o Portão do Ocidente simplesmente se abrirá diante d’Ele. Até então, controlamos se Deus virá ou não à nossa cidade. Você está disposto a chorar por sua cidade como Jesus chorou por Jerusalém?

ESCANCARE A PORTA PARA QUE O REI DA GLÓRIA POSSA ENTRAR

Você tem as chaves em suas mãos, transferidas pelo Espírito, mediante a liderança da Igreja, desde quando Jesus primeiramente as entregou nas mãos de Pedro. Você vai destrancar as janelas do Céu e trancar as portas do inferno? Você vai escancarar a porta para que o Rei da Glória possa pessoalmente entrar para reconstruir Sua casa favorita, a casa que a adoração construiu?

Enquanto isso, Deus está perscrutando através das pequenas venezianas do Céu e dizendo: “Eu quero escancarar a janela. Eu quero abolir o véu. Eu tenho odiado os véus desde o início. Então, Eu os rasgo toda vez que tenho uma chance. Se Eu puder fazer a Igreja tomar seu lugar como adoradores arrependidos ao redor do trono, vou escancarar as janelas do Céu. O julgamento vai parar com Meus adoradores, mas Minha misericórdia vai se derramar por causa dos pagãos e eles correrão para a Igreja.” Eles não vão nem mesmo ver os adoradores porque suas costas estão viradas para o mundo terreno. Tudo que eles verão é a chama azul da glória Shekinah de Deus. E os perdidos dirão: “Isto é misericórdia.” Este é o trono da misericórdia.

Deus ainda está Se escondendo do mundo porque Ele não pode fluir pelas ruas até que a Igreja tome o seu lugar e comece a filtrar a glória. Então, os olhos caçadores de Deus estão correndo para lá e para cá enquanto Ele pergunta: “Onde está alguém para ser um intermediário a se posicionar na brecha e formar a cerca viva? Não a deixe cair. Segure-a alto para outros lugares e outras pessoas. Estou procurando por alguém que possa manter aberta a janela do Céu na ‘zona do choro’.”

DEVEMOS DEIXAR NOSSOS UZÁS MORREREM PARA QUE A GLÓRIA POSSA SER RESTAURADA

Esta revelação traz responsabilidade. Não espere fazer coisas como de costume porque você agora sabe onde a Igreja tem de estar posicionada. Não há problema em sermos amistosos com os amigos, mas nosso primeiro chamado é para ser amigo do Espírito. Ser agradável aos amigos é muito bom, mas ser amigo do Espírito é fogo! Devemos deixar nossos Uzás morrerem para que a glória seja restaurada a Deus, à medida que alcançamos o Céu com uma mão e a Terra com a outra.

Você pode sentir o vento e a brisa do Espírito zunindo entre suas pernas? Quando Deus Se manifesta em seus cultos, é muito melhor do que ter tesouros em volta da cidade. Cultos como esses fazem mais do que qualquer propaganda de TV. Por quê? Porque isso não atrai o homem, isso atrai Deus. Se você alcançar a Deus, você não terá de se preocupar com o homem. Os famintos virão.

Se você puder simplesmente aprender como se posicionar assim em um lugar, começará a se sentir cercado por Sua presença. À medida que você começar a andar assim, sua vida se tornará uma janela andante da presença d’Ele e estará sujeita a ser aberta a qualquer hora por homens de alma faminta. Isso significa que a glória de Deus poderá ser liberada sempre que você visitar um supermercado ou uma loja de conveniência.

Alguma coisa está sacudindo a Igreja. Nós sofremos uma batida, nossa carroça foi sacudida e nossos Uzás estão morrendo, ou estão mortos. Nós O queremos, mas tivemos de aprender as maneiras certas de recepcioná-Lo e reverenciar Sua presença. Nossas mãos trêmulas encontraram o rasgo no véu. Encontramos a porta do Céu, e Deus está procurando um lugar de habitação. Abra o véu e o mantenha aberto. Apenas um bom culto não é o suficiente.

TIRE O SEU FOCO DAS RECLAMAÇÕES MURMURADORAS DOS HOMENS

Será que os porteiros vão se levantar e tomar suas posições na porta certa? Será que os adoradores arrependidos e quebrantados vão tirar seu foco das reclamações murmuradores dos homens para oferecer um incenso suave de louvor e entronizar o Grande Rei? Se eles fizerem… Se nós fizermos, então Ele virá. E Ele construirá novamente o tabernáculo de Davi. Sua casa de adoração infinita e “sem véu” entre os homens redimidos. Então, as portas do Céu serão abertas e inundarão as igrejas, as cidades e toda a Terra com o conhecimento da Sua glória e atrairá todos os homens a Si mesmo. Eu creio que O vejo reunindo os componentes para reconstruir Sua casa favorita…

Adoradores.

Quebrantados neste mundo, justos para este mundo. Você é um?

Aqui, ajude-me. Isso mesmo – posicione-se bem aqui. Levante suas mãos… prossiga.

Adore.

F I M

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A PALAVRA DITA PELO ADOLESCENTE

Escutar é diferente de ouvir, pressupõe disponibilidade e sensibilidade. Quando se fala em adolescência, a escuta se torna algo peculiar que necessita cuidado.

A palavra dita pelo adolescente

Observa-se com frequência, em processos judiciais, genitores e até mesmo magistrados “levando ao pé da letra” as palavras do adolescente, sem levar em consideração, através de uma investigação mais profunda, o enredo, os aspectos familiares, a personalidade e a decodificação da mensagem dita.

É comum observar que deixam a cargo de jovens a decisão, por exemplo, de com quem irá residir quando há discussão a respeito da guarda, principalmente se o jovem é articulado e transmite algo que pode ser interpretado como amadurecimento. Como se dissessem: “ele(a) tem maturidade suficiente para escolher com quem irá residir, e como fará a convivência com o outro genitor”. É um erro não verificar o porquê e de onde parte esse desejo, uma vez que se deve observar como funciona emocionalmente esse adolescente, em que situação se encontra seu duplo referencial, pai e mãe e como esses pais lidam com suas funções parentais. Nota-se que esse tipo de demanda direcionada ao jovem ocorre, mais facilmente, quando há decadência das funções parentais ou aliança do adolescente com um dos genitores.

O processo da adolescência pode ser visto como uma travessia de uma ponte com inúmeros obstáculos e desafios. No qual se parte da infância rumo à vida adulta. Durante esse percurso, muitos incidentes podem ocorrer e cabem aos pais ou cuidadores a supervisão e a contenção dos impulsos destrutivos bem como a troca afetiva e a intimidade não confundidas com invasão; isso tem a ver com a aproximação e o cuidado. Sabe-se ainda que o entendimento de tudo isso é bastante complexo a um adulto, quiçá a um adolescente; e quando ocorre a separação dos pais nessa época se torna mais difícil a compreensão. É durante essa travessia que a adolescência (aspectos emocionais), junto com a puberdade (aspectos biológicos), promove uma série de mudanças no jovem.

A adolescência como fase instável necessita que seu ambiente representado pela família seja estável. Essa estabilidade e segurança do ambiente servirão de anteparo para os aspectos mais agressivos e impulsivos.

A aparência potente do adolescente serve para encobrir sua fragilidade, bastante natural, cercada de medos e ansiedades comuns de um processo de identidade em fase de amadurecimento.

Na experiência clínica em consultório e/ou no estudo pericial no judiciário, observa-se que as disputas por guarda neste período tendem a ser muito complicadas.

O adolescente como bom hedonista deseja liberdade, busca fazer suas predileções baseado no imediatismo do aqui e agora. E por isso tenderá a apontar como sua escolha parental aquela que entende que terá maior controle sobre o genitor(a)e benefícios, nem sempre sendo o melhor para eles. Por outro lado, os pais acreditam na força do adolescente, como se adultos fossem. E quando acreditam cegamente, deixam de observar que essa fase de transição é delicada e precisa de muita supervisão. Como se eles, pais, se deslocassem de seu lugar de adultos e colocassem o adolescente diante do lugar que pertence a eles como pais.

É preciso estar atento e ir além do desejo objetivo de um adolescente. Torna-se necessário que se tenha uma escuta diferenciada, que se decodifique a linguagem. E para isso é importante que os pais saibam que um adolescente não tem competência para resolver assuntos que são dele.

Na adolescência existe um psiquismo em turbulência que não pode ser confundido com a complexidade de um processo de divórcio dos adultos. Pode parecer estranho, mas o adolescente não tem maturidade e por isso certas decisões durante essa época devem ser inteiramente de responsabilidade dos adultos.

É possível que, ao liberá-los desse lugar, esses adolescentes se sintam aliviados por terem sido vistos como meninos ou meninas carentes e desamparados, escondidos em sua pseudomaturidade utilizada como defesa, necessitados da orientação e da contenção de seus pais e não o contrário. É preciso ter um olhar bem mais amplo do que somente aquilo que se mostra aos olhos desavisados.

Cabe ao magistrado, quando se depara com essa demanda, encaminhar para estudo psicológico e não deixar a cargo do adolescente uma decisão a qual ele não pode sustentar emocionalmente, fazendo-se valer apenas da vontade consciente; é preciso investigar de onde partiu o real desejo.

Afinal, uma decisão tomada de forma errada num processo tão conturbado como um divórcio pode influenciar toda a dinâmica familiar e a construção do amadurecimento sadio do adolescente.

 

RENATA BENTO – é psicóloga, especialista em criança, adulto, adolescente e família Psicanalista, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro. Perita em Vara de Família e assistente técnica em processos judiciais. Aliada à IPA – lnternational Psychoanalytical Association, à Fepal – Federación Psicoanalítica de América Latina e à Febrapsi – Federaçao Brasileira de Psicanálise.  renatabentopsi@gmail.com

OUTROS OLHARES

FALTA QUÍMICA

A aprovação do segundo remédio para o desejo feminino levanta a discussão: é possível uma droga agir na complexa sexualidade da mulher?

Falta química

Para os homens, foi sempre tudo mais fácil. Em 1998, o lançamento do Viagra, o poderoso remédio contra a impotência, foi descrito da seguinte maneira: “O único quesito para uma deliciosa noite de sexo passa a ser o desejo pela mulher amada. Tão bom quanto nos tempos de Adão. A maçã, agora, é uma drageazinha azul, com a forma de um losango, a ser ingerida junto com um gole d’água uma hora antes do ato sexual”. Para as mulheres, foi sempre tudo mais difícil. A pílula anticoncepcional, no fim dos anos 60, representou um passo revolucionário, o direito ao prazer sem o risco de gravidez — mas o passo seguinte, algo que incrementasse a libido, como o Viagra faz com a ereção masculina, demorou a ser dado, e ainda hoje é claudicante. Há duas semanas, a agência americana de controle dos medicamentos, a FDA, aprovou uma droga injetável, de nome comercial Vyleesi, que potencializa a oferta de dopamina no cérebro, neurotransmissor associado à sensação de bem-estar. Em 2015, deu-se a aprovação de outra droga, em formato de comprimido, o Addyi. Ambas provocam efeitos colaterais muito chatos, como náusea, vômito e dor de cabeça — e a nenhuma das duas, definitivamente, cabe o apelido de “viagra feminino”, que rapidamente viralizou, por ser bom e de rápida compreensão.

Mas, afinal de contas, por que a medicina não consegue produzir um “viagra feminino”? Convém ressaltar, logo de saída, que existe ainda um imenso tabu quando se trata de incentivar sinteticamente o desejo da mulher — tabu que, entre os homens, foi permanente motivo de piada. Ainda que fosse vencida essa barreira comportamental — e é bom lembrar que macho algum foi às ruas, em manifestações, para celebrar o Viagra, como fizeram elas há cinco décadas, no amanhecer da pílula —, mesmo assim haveria outro obstáculo, por ora intransponível: a química do corpo humano. A aprovação de um novo medicamento para reacender a libido alimenta o interminável mas necessário debate: qual o papel das drogas em algo tão complexo e indizível quanto o desejo feminino?

Ele depende, tudo somado, de reações bioquímicas, mas também do humor, do stress cotidiano, da confiança no parceiro. O desinteresse pelo sexo é fruto também de engrenagens sobejamente mais complexas, como o uso de anticoncepcionais (que têm a redução da libido como efeito colateral), os distúrbios do sono e a menopausa. É uma imensa sinfonia, que às vezes desafina.

O Vyleesi foi aprovado para o tratamento de mulheres em uma situação específica: na pré-menopausa com transtorno do desejo sexual hipoativo, condição que afeta 10% da população feminina. A substância atua em receptores cerebrais que desempenham papéis relevantes em atividades biológicas, como a ingestão de alimentos, a pigmentação da pele e a regulação da dor. Os resultados da ação foram sutis: 25% das mulheres que participaram dos estudos relataram aumento considerável no desejo sexual, enquanto no grupo placebo o índice foi de 17%. Em seu anúncio, a FDA admitiu que o mecanismo exato pelo qual o Vyleesi melhora o desejo sexual e ameniza o sofrimento é desconhecido. E mesmo assim, apesar da nuvem de desconhecimento, a entidade deu o sim. Com o Viagra, não houve zona de sombra alguma: funciona, clara e simplesmente, segundo a lógica da mecânica básica do desejo do homem — aumentando o fluxo sanguíneo para o pênis e dispensando qualquer ação cerebral. Diz a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade, da Universidade de São Paulo: “A resposta sexual da mulher é muito mais complexa e diferente da do homem. Ainda há muito que ser desvendado, e os medicamentos representam mais um pequeno avanço nesse universo”. É, enfim, somente uma peça de um fascinante quebra-cabeça. E não existe remédio que facilite o encaixe.

Falta química. 2

GESTÃO E CARREIRA

PEOBLEMAS COM A REALIZAÇÃO DE TAREFAS

A dificuldade em manter uma comunicação adequada dentro da empresa é um dos principais aspectos que podem prejudicar o bom rendimento e o relacionamento satisfatório de uma equipe de trabalho

Problemas com a realização de tarefas

Alguns adultos podem apresentar dificuldades de comunicação, de entendimento, de leitura, de interpretação. Muitas vezes, não possuem hábitos de estudo, leitura e acham as palestras, os treinamentos, as apostilas algo muito chato.

É preciso trabalhar de forma a resgatar, nesses colaboradores, essas atividades. Precisam perceber que o mercado está em constante mudança, muita informação acontece de forma quase imediata. Enquanto, por exemplo, a pessoa aprende a utilizar um soft novo, uma atualização já está sendo preparada. Assim, não adianta fugir do desenvolvimento, as coisas não param porque a pessoa não consegue acompanhá-las. Elas simplesmente continuam e a pessoa fica para trás. E a paciência de alguns chefes e gerentes também se perde nessa agitação.

Mais e mais dá-se valor aos colaboradores proativos, flexíveis, comunicativos, criativos, organizados e com foco em resultados. Há uma crença de que com esse perfil um colaborador tende ao sucesso e, consequentemente, seu trabalho é de qualidade para o mercado. Contudo, nem todos são assim e é possível desenvolver algumas dessas habilidades.

Quando o psicopedagogo acompanha os colaboradores em seu desenvolvimento no trabalho, acaba observando o desempenho aquém de alguns e passa a observá-los mais de perto. Às vezes, faz descobertas incríveis, um mau desempenho pode ocorrer porque o colaborador não escuta bem ou não enxerga bem, mas não quer falar que precisa de óculos ou de um aparelho de surdez. E os motivos são vários: vaidade, falta de recursos financeiros, falta de tempo, medo de ser visto como alguém que já não é tão perfeito entre outros.

 DDAS DAS EMPRESAS

Existem os casos dos portadores do distúrbio do déficit de atenção. Muitos desses funcionários são dispensados porque a empresa desconhece o distúrbio, o próprio DDA também. Algumas vezes esses funcionários exercem uma função que não condiz com seus momentos de distração. Um adulto DDA pode ser flagrado em importante reunião com seu chefe em um de seus lapsos de atenção, o que pode não ser bem-visto. É difícil para um DDA manter-se concentrado em falas, ações e assuntos por menor que seja o tempo. Ele começa a dispersar. Esse comportamento pode até causar problemas de ordem interpessoal na empresa.

Porém, o DDA tem algo muito importante a oferecer para a empresa: sua criatividade e seu entusiasmo. Longe do trabalho monótono e repetitivo, ele pode desenvolver, de forma significativa, trabalhos liga- dos à arte, criação, implantação de projetos. Possui um funcionamento mental diferente.

O psicopedagogo deve encaminhar esse funcionário a outro especialista psicopedagogo para um diagnóstico em conjunto com o seu. É antiético tratar de um funcionário que, na verdade, é um colega de trabalho. Não se deve confundir trabalho com clínica.

LIMITE TÊNUE

Hoje, existe outro problema bem grave nas empresas, que é o uso de WhatsApp durante o trabalho. As redes sociais e o aplicativo do WhatsApp realmente trouxeram uma revolução para a comunicação instantânea entre as pessoas. Porém, têm sido utilizados no ambiente de trabalho e é preciso cuidado e muito discernimento, tanto da parte do empregado quanto do empregador.

Aquele que emprega precisa atentar, por exemplo, para o fato de acionar o colaborador após o horário de expediente, para decidir atividades concernentes ao trabalho. Isso pode gerar reclamação trabalhista, na qual o colaborador pleiteará horas extras, porque tudo fica registrado nas conversas. Isso afeta o colaborador emocional- mente, pois ele necessita de suas horas de descanso. Cobrança excessiva no tocante à produtividade pode trazer desconforto e baixa produtividade no trabalho.

Em relação aos colaborado- res, o uso dos aplicativos e mídias sociais no ambiente corporativo pode gerar problemas de desenvolvimento do trabalho, que pode atrasar, ser feito de forma a ter uma baixa qualidade. O uso excessivo pode gerar mudanças de humor. É necessário limitar ou não utilizá-lo. É bom evitar chegar ao ponto de aplicar punições disciplinares para que não se iniciem contendas internas.

Por outro lado, pode ser que a utilização das mídias seja uma necessidade de trabalho. É preciso saber equilibrar o trabalho na mídia com descanso para que a produtividade não seja afetada. O uso continuado desfavorece a concentração. Assim, é necessário que seja criada uma norma interna de conduta clara, divulgada a todos os emprega- dos, sobre a utilização do aplicativo, e-mail corporativo e mídias sociais durante a jornada de trabalho, bem como orientar e fiscalizar o uso cor- reto, a fim de minimizar problemas no trabalho, com prazos de entrega, por exemplo.

ÁREAS DE ATUAÇÃO

O setor de Treinamento & Desenvolvimento (T&D) da empresa é uma das principais áreas de atuação do psicopedagogo, além de dar suporte àqueles que possuem dificuldade de desenvolver suas tarefas.

Existe todo um processo, dentro da empresa, ao qual o psicopedagogo é responsável, que alia desempenho e produtividade. É a educação profissional, que possui, como objetivo, preparar o homem para exercer uma profissão, uma atividade dentro do mercado de trabalho. Com a constante de- manda de mercado, cada vez mais algumas funções pedem conheci- mentos, não só generalistas, mas também específicos. Assim, os chefes de setores, devido à demanda de trabalho, recorrem a preparar melhor seus funcionários ao invés de contratar outros. Nesse caso, o próprio chefe de setor percebe a necessidade do treinamento e em um primeiro momento poderá  conversar,  de  forma  informal, com  o  psicopedagogo acerca do funcionário  e  seu  perfil  profissional. Às vezes, o treinamento pode ser interno (palestras, workshops, vídeos, webpalestras, contratação de cursos ou de professores etc.), desenvolvido ou organizado pelo próprio psicopedagogo, ou o treinamento pode ser externo, matriculando o profissional em cursos específicos, que ofereçam uma certificação reconhecida.

  Assim, a direção deve estar sempre a par de toda a movimentação de treinamento, seja interno ou externo, e deve autorizar esse treinamento, que muitas vezes vai gerar um custo para a empresa. E à direção deve ser dado, também, um retorno em relação ao treinamento após seu término, ainda que sob a forma de um relatório.

PROGRAMA DE TREINAMENTO

É possível organizar ações de treinamento através de projetos de cunho educativo, iniciando, assim, programas ligados a bolsa-auxílio faculdade, treinamentos internos e externos, acompanhar programas de trainees, de estagiários etc.

Tudo deve ser feito com muita organização e de forma clara. Porque muitas vezes a escolha dos funcionários que irão participar de treinamento pode gerar desconforto entre os demais colegas. Podem achar que não têm prestígio junto ao chefe, e por isso não tiveram chance. Aquele que está em treinamento pode achar que sabe menos que os colegas, por isso está em treinamento. É preciso saber a razão da necessidade daquele treinamento.

O treinamento minimiza ou termina com a dificuldade de realizar tarefas e deixa o colaborador mais confiante. É preciso organizar um treinamento quando se verifica dificuldade de aprendizado e de afinidade com a tarefa à qual o colaborador foi destinado. Muitas vezes, a dificuldade está no fato de que se necessita de um aprofundamento em determinado assunto, que no recrutamento e seleção não se detectou por uma infinidade de motivos (veja quadro Fluxograma de treinamento).

 JOVENS TALENTOS

O psicopedagogo na empresa também está ligado à área de T&D junto ao desenvolvimento dos estagiários, trainees e jovens aprendizes da empresa. A carreira inicial dos jovens sempre é mais difícil. Eles têm medos que muitas vezes são infundados, algo que ouviram dizer e não pesquisam, por exemplo: “se você começar a ganhar dinheiro vai parar de estudar”. Os próprios pais, às vezes, incentivam o jovem a não iniciar uma carreira cedo, pois acham que os filhos podem ficar estudando indefinidamente. E sabe-se que quanto mais tarde acontecer a inserção no mercado mais difícil será a adaptação ao mundo das organizações. As incertezas são comuns na hora de optar em qual área ou ramo se deseja trabalhar. E quando iniciam qualquer atividade em uma das modalidades acima, é preciso que obtenham ajuda e acompanha- mento. O jovem chega à empresa ávido por aprender e encontra uma empresa defasada em relação às mídias, ou, pelo contrário, muito avançada pode desmotivar o jovem que tem pressa em aprender e pouca paciência.

É preciso cuidar desse jovem que inicia sua carreira para que a própria organização não acabe excluindo um talento que ainda não tem experiência com regras e seguir líderes.

DIFERENÇAS

Trainee é aquele jovem que está terminando o ensino superior ou já terminou. Pode ser aluno, recém-formado ou pode ter terminado seus estudos há dois ou três anos. A média de idade dos trainees varia entre 22 a 30 anos. As empresas os treinam, em geral, para ocuparem posições técnicas e até gerenciais. É um funcionário registrado pela empresa.

Estagiário é o estudante, maior de 16 anos, que está sob a responsabilidade e coordenação de uma instituição de ensino. Pode ser um aluno de curso superior, profissionalizante de ensino médio ou de escolas de educação especial. Não é funcionário da empresa, recebe uma bolsa-auxílio, que não é obrigatória.

Jovem Aprendiz é aquele contratado diretamente pelo empregador ou por intermédio de entidades sem fins lucrativos; que tenha entre 14 e 24 anos; esteja matriculado e frequentando a escola, caso não tenha concluído ainda o Ensino Fundamental; e esteja inscrito em curso ou programa de aprendizagem desenvolvido por instituições de aprendizagem.

O que eles têm em comum apesar das diferenças? Estão todos em busca de desenvolvimento, de chances dentro da empresa. Apesar de terem perfis diferentes, irão, dentro da organização, desenvolver uma atividade, interagir com seus pares e com as outras pessoas que formam o quadro da empresa. Estarão ligados à imagem da organização, muitos vão conseguir uma posição e fixar-se nela e outros precisam sair preparados para outras empresas.

Há necessidade que a organização não seja apenas um espaço de passagem, mas de verdadeiro preparo desses jovens para o mercado. A empresa deve deixar sua marca na carreira desses jovens, ainda que eles possam não vir a fazer parte do quadro permanente de funcionários.

 PROGRAMA

Segue um exemplo de projeto de Programa Trainee na Empresa para ser apresentado à direção: Objetivo – Captar jovens talentos para fazerem parte do quadro efetivo de funcionários da empresa, agregando a ela, através de seus conhecimentos  prévios  aliados aos conhecimentos de interesse da empresa que serão desenvolvidos, força de trabalho, desenvolvimento e ganho de mercado. Formando profissionais com o perfil da organização para serem futuros gerentes em até cinco anos.

A justificativa para o projeto é que faz-se necessário, a partir do momento em que jovens talentos têm sido formados pelas universidades e pouco aproveitados em toda a sua potencialidade. Percebendo isso, várias empresas possuem um programa de trainee consolidado, porque entendem o valor agregado desses jovens aos seus negócios. Sendo essa empresa uma organização voltada para o futuro, é indiscutível trazer e fixar em seus quadros esse talento humano, além de proporcionar ao jovem treinamento e desenvolvimento continuado.

Descrição geral da empresa: médio porte, do ramo de embalagens personalizadas, com número atual de funcionários 300, localizada na zona Sul da cidade. A empresa conta com os setores de RH, DP, serviços gerais, manutenção geral, segurança patrimonial, recepção, produção, criação, transporte, compras, estoque, almoxarifado, financeiro, gerência geral.

As empresas esperam dos jovens que sejam bons profissionais, atuantes, que estejam alinhados com as competências de mercado, antenados com as tecnologias e saibam usá-las para trazer produtividade às empresas. E que saibam manejar o conteúdo de sua área de atuação trazendo-o para o contexto financeiro da empresa. Todos esses requisitos exigem dessa geração high tech personalidade, diferencial produtivo. Fatores como competência, que é o saber prático, saber fazer e acontecer, são considerados importantes, além de conhecimento teórico na área de atuação. Há necessidade de flexibilidade, conduta assertiva e proatividade. Precisa atuar em equipe, onde cada um desenvolve uma tarefa e todos juntos conseguem atingir objetivos finais. Perfil de liderança e habilidade para tomar decisões e ética, visão holística e espírito empreendedor também são características esperadas pelos empregadores.

A atuação do psicopedagogo na empresa deve ser aquela que leva o indivíduo à reflexão sobre seu desenvolvimento dentro das organizações, levando-o a crescer e trazer resultados condizentes com a missão e visão da empresa. Assim, outro ponto importante é incentivar o jovem a organizar um networking, que é uma rede de contatos. Não tem nada a ver com rede de amigos, de amizade, pode até acontecer, mas é uma relação puramente profissional. Alguém ajuda alguém já antevendo o dia em que poderá precisar também de alguma ajuda. Amigos não cobram favores, enquanto os integrantes de uma rede de contatos dependem disso para continuar a ser uma rede de contatos.

Trocar e-mails de mensagens não é um networking, mas apenas uma relação informal. Networking pressupõe “auxílio profissional”. Não se trata de fazer contato com pessoas que você não conhece, e sim com as que você conhece bem, para que elas indiquem a você, por exemplo, um serviço ou um pro- duto que sua empresa precisa e você não sabe quem oferece. É pedir para ser apresentado a alguém que irá agregar valor ao seu trabalho na empresa.

Dentro da empresa, o psicopedagogo precisa ter um bom relacionamento com todos. Ninguém pode achar que ele pertence a um grupo e não a outro. Ele deve manter-se o mais isento possível em suas relações, sem perder o vínculo com todos. Não é fácil, porque às vezes pode parecer que as relações são artificiais demais. Na verdade, ele deve conversar com todos e estar atento a tudo.

O psicopedagogo, em sua área de atuação na empresa, a educacional, deve manter contato com as instituições parceiras onde os jovens realizam seus treinamentos. Todos os estabelecimentos de ensino, nos quais se confiam funcionários para realizar treinamento, devem perceber que a empresa que dá suporte a eles é organizada e as responsabilidades educativas estão sob responsabilidade de um setor, e nesse setor há uma pessoa competente para realizar negociações, matrículas e tirar dúvidas.

 COMO O JOVEM DEVE ESCOLHER A PROFISSÃO

O que o jovem deve levar em conta, no momento de escolher a profissão?

Deve considerar as áreas do conhecimento nas quais possui afinidade e interesse, levantar informações sobre o mercado de trabalho no qual quer estar inserido profissionalmente, por exemplo: oferta de oportunidades para a área que deseja, competências exigidas para o cargo, remuneração oferecida e, se possível, ter contato com profissionais que já atuam na profissão almejada. Dada a importância de um networking. A constante atualização na área educacional possibilita o aperfeiçoamento contínuo, entender melhor o contexto e o ambiente no qual está inserido, ou que se quer inserir e estar a par das inovações, tecnologias e mudanças, trocar conhecimento, informação e experiências no caso de um curso importante na sua formação, Essa atualização educacional também influenciará na colocação, na posição do profissional no mercado de trabalho. Há empresas que fazem um trabalho muito sério na inserção de jovens no âmbito profissional e oferecem ferramentas internas para obtenção do desenvolvimento desses aprendizes, estagiários e trainees:

Problemas com a realização de tarefas. 2

ALIMENTO DIÁRIO

A CASA FAVORITA DE DEUS

A Casa Favorita de Deus - Tommy Tenney

CAPÍTULO 9 – EXPANDINDO A “ZONA DO TRONO” NA TERRA ASSIM COMO É NO CÉU

 

Pastores de todo o país costumavam me chamar para pregar o “avivamento” em suas igrejas locais, esperando que eu pudesse ajudá-los a levantar os ânimos e talvez ganhar umas poucas pessoas para o Senhor. Tudo aquilo terminou no dia em que minha carreira de pregador foi arruinada por um encontro Jacó em Jaboque “detonante” com Deus.

O evangelista outrora respeitado que eles conheciam foi transformado em um Caçador de Deus quebrantado e chorão, com manqueira permanente e perpétua fome por mais. Meu coração ainda arde para ver os perdidos vindo a Jesus, mas não estou mais interessado no tipo de avivamento que o povo vem para ouvir um homem pregando. Estou em busca do “Avivador” – quando Ele vier à cidade, o avivamento virá com Ele.

Deus mudou meu “nome” em um encontro que deslocou minhas credenciais denominacionais e murchou minha dependência ao meu dom de pregação. Isso foi tão completamente que, a maior parte do tempo, tudo que eu posso fazer é ficar em pé diante de uma congregação e chorar por Sua presença. É difícil definir o que eu sou atualmente, então, basicamente criei o termo “Caçador de Deus” para descrever isso. Mas eu posso lhe dizer o que estou procurando: Estou procurando uma experiência da sarça ardente que desencadeia a libertação da escravidão para todos dentro dos limites de Sua “zona de trono”.

Um amigo meu inventou o termo “zona do trono” para descrever a atmosfera de adoração que ocorre ao redor do trono de Deus. Se de algum modo pudermos recriar a “zona do trono” na Terra como é no Céu, em nossas igrejas e reuniões, se nossa adoração se tomar tão atrativa que a presença manifesta de Deus passar a ser presente em nosso meio, então veremos a glória de Deus começar a fluir completamente em nossas cidades. Quando isso acontecer, os perdidos virão maciçamente para Cristo de modo como nunca vimos antes. Ele disse: “E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo.” – (Veja João 12:32). Temos nos concentrado no “atrair” em vez de no “levantar”!

Esta afirmação é mais do que uma metáfora de ensino ou uma frase memorável de um pregador. E uma realidade espiritual revelada na visão do profeta Ezequiel milhares de anos atrás. O profeta viu um rio “significando a glória de Deus” fluindo de debaixo das portas do Seu santuário celestial e entrando no mundo, trazendo vida aonde quer que fosse. A profundidade do rio era mais rasa na porta do santuário, mas ficava mais profunda à medida que fluía. Rios naturais são rasos em sua foz e fluem mais rápido, mais profundo e mais largos à medida que seguem na direção do oceano. Esta é uma figura do “avivamento típico-de-Deus”.

O QUE ACONTECE QUANDO A GLÓRIA DE DEUS CAI SOBRE UMA CIDADE?

Deus é poderoso para “fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos.” – (Efésios 3:20). E Ele quer fazer algo tão grande que não somos capazes de conceber a magnitude ou dimensões. Ele Se moveu sobre os homens no passado e tem Se movido sobre nossa geração em certa proporção. Eu sou grato pela maneira como Ele tem visitado lugares como Toronto, Ontário, Pensacola, Flórida, Houston, Baltimore, Maryland e Londres, Inglaterra. (Há inúmeros outros lugares na América do Sul, África, Austrália, Europa e no Oriente.) Ainda assim, tenho de lhe dizer que ainda não vimos o que acontece quando a glória de Deus cai sobre uma cidade. Sabemos como é quando Deus visita uma igreja, mas ainda não vimos o que acontece quando Ele visita uma cidade.

Um verdadeiro avivamento deveria afetar a cidade como a enchente da glória na visão de Ezequiel afetou Jerusalém e as nações. Ele deve acontecer na Igreja primeiro, porque determinamos o padrão e o passo para o que acontece na cidade. No entanto, o que vemos em nossas reuniões seria nada se comparado ao Seu poder manifesto revelado nas ruas! Atos 2 novamente, Senhor!

FALSAS PREMISSAS SOBRE O AVIVAMENTO E UNÇÃO PRODUZEM MAL-ENTENDIDO

Às vezes, temos falsas premissas sobre avivamento e as pessoas que Deus usa em verdadeiros avivamentos. Essas falsas premissas sobre avivamento e unção podem produzir muitos mal-entendidos. Alguém pediu a Duncan Campbell para definir avivamento e ele tocou nisto em sua resposta:

“Primeiro deixe-me lhe dizer o que eu entendo por avivamento. Uma campanha evangelística ou uma reunião especial não é avivamento. Em uma campanha ou cruzada evangelística bem-sucedida, haverá centenas ou mesmo milhares de pessoas aceitando Jesus Cristo. Contudo, a comunidade pode permanecer inabalável, e as igrejas continuarem as mesmas de antes do evangelismo.

Mas no avivamento, Deus Se move na região. De repente, a comunidade se torna consciente de Deus, e o Espírito de Deus prende a atenção de homens e mulheres de tal maneira que mesmo o trabalho é renunciado à medida que as pessoas se dão para encontrar Deus. No meio do Despertamento de Lewis (que chamamos de avivamento Hebrides), o ministro da congregação… escreveu: ‘o Espírito do Senhor estava repousando maravilhosamente sobre as diferentes cidades da região. Sua presença estava nas casas das pessoas, nas campinas, nas montanhas e nas rodovias públicas. ’

Essa presença de Deus é a característica suprema de um avivamento enviado por Deus. Das centenas de pessoas que encontraram Jesus Cristo durante esse tempo, pelo menos 75% foram salvas antes que chegassem perto de um culto ou ouvissem um sermão meu ou de qualquer outro ministro da congregação. O poder de Deus estava se movendo em uma operação na qual o temor de Deus se prendeu às almas dos homens antes mesmo de eles chegarem às reuniões.”

Eu nunca estarei feliz em meramente ver a glória de Deus fluir nos belos corredores acarpetados das nossas igrejas. Eu quero vê-Lo fluir na rua principal em uma incontrolável e ininterrupta enchente de glória que carrega tudo que está em seu caminho. Eu quero que Sua glória invada os shoppings, lojas de conveniência, as casas de saúde e bares em toda a cidade. Eu quero ouvir pessoas que não são da igreja dizerem que tiveram de abandonar um caro prato principal em seu restaurante favorito para seguir o caminho da glória de Deus em direção a uma igreja, em algum lugar, e questionar: “Alguém me diga o que fazer!”

Se bons sermões e boas músicas fossem salvar o mundo, ele já estaria salvo. Há um ingrediente faltando, e este “ingrediente divino” está batendo na porta. O avivamento Hebrides fornece um sinal do que acontece quando a glória surge. Enquanto estava descrevendo os primeiros dias do movimento das Ilhas Hebrides, Duncan Campbell se lembrou do encerramento de um culto em uma igreja lotada, quando notou que a congregação parecia relutante em se dispersar. Muitas das pessoas simplesmente estavam em pé do lado de fora do templo da igreja em um silêncio que era quase tenso.

“De repente, ouviu-se um grito vindo de dentro da igreja. Um jovem rapaz mergulhado na busca pela Salvação de seus amigos estava derramando sua alma em intercessão.” Campbell disse que o homem orou até entrar em colapso e deitar prostrado no chão do templo da igreja. Ele disse: “A congregação movida por um poder ao qual ela não podia resistir, voltou para dentro da igreja e uma onda de convicção se apoderou da reunião, movendo homens fortes a chorar diante de Deus por misericórdia.”

“DEUS, VOCÊ PROMETEU!”

u perguntei a um amigo inglês sobre este incidente e ele ouvira Duncan Campbell falar sobre isso. Ele me disse: “A maioria das pessoas já tinha deixado a igreja de acordo com o Sr. Campbell, mas ele disse: ‘O carteiro se colocou em pé, orou e então aquele jovem se levantou. Eu nunca me esquecerei das palavras que ele disse: “Ó Deus, Você prometeu!” De repente, houve um som parecendo que rodas de carroça estavam soando alto e continuamente no telhado do prédio da igreja. A próxima coisa que soubemos foi que a igreja estava se enchendo de gente novamente!’”

Eles souberam, mais tarde, que muitas das pessoas que já estavam a caminho de casa, sentiram, de repente, serem chamadas para refazer o mesmo caminho e retornar ao templo da igreja para orar. Durante alguns pontos do avivamento de Hebrides, Campbell disse: “A maioria deles (os convertidos a Cristo) somente vieram à igreja para nos dizer que haviam se convertido. Eles estavam tecendo no tear ou arando o campo quando Deus os convenceu. Eles simplesmente apareceram para dizer: Onde devo me unir e o que eu faço?’”

Estou tão cansado das manipulações dos homens suplantando a glória de Deus, achando que são os sermões bobos que eles pregam ou as canções bobas que eles cantam que causam alguma coisa! Ele é a causa original. Se não temos uma visitação soberana de Deus, estamos com problemas. Devemos parar de olhar para o homem. Nós somos os jovens (ou os velhos ou as mulheres) que se levantarão em nosso meio e dirão: “Deus, Você prometeu!”

Precisamos parar de procurar pelo poder de Deus no púlpito. Temos colocado enorme pressão sobre os servos de Deus para tentar manipular e criar o que só pode vir de Deus. Precisamos esperar n’Ele e buscá-Lo até que algo aconteça nos céus!

A VOZ DA ORAÇÃO MISTUROU-SE COM OS GEMIDOS DOS ARREPENDIDOS

De acordo com Duncan Campbell, esta visitação divina simplesmente continuou. Eles provaram uma medida de habitação divina que balançou a região. “Certa tarde, quando a congregação estava deixando a igreja e se dirigindo à rua principal, o Espírito de Deus caiu sobre o povo com poder Pente-costal. Nenhuma palavra pode descrever aquilo. Em poucos minutos, a consciência da presença do Altíssimo se tornou tão maravilhosa e tão dominante que todos só podiam dizer como Jacó, antigamente: ‘Com certeza, o Senhor está neste lugar.’” E lá debaixo dos céus abertos e ao lado da beira da estrada, a voz da oração foi misturada com os gemidos dos arrependidos, à medida que a graça gratuita acordou os homens com a luz que veio do alto.

Logo toda a ilha estava envolvida em um forte movimento do Espírito, trazendo profunda convicção de pecado e fome por Deus. Este movimento era diferente do ocorrido nas outras ilhas: enquanto em Lewis (ilha) havia manifestações físicas e prostrações, aqui não houve, mas a obra foi da mesma forma profunda, e o resultado foi contínuo.” Isto é uma figura, uma amostra, da vontade de Deus para a Igreja hoje.

E papel da Igreja dar à luz aos propósitos de Deus nesta geração. Durante anos em que pastoreei uma igreja, costumava dizer aos casais que estavam esperando seu primeiro bebê: “Eu preciso lhes dizer que a vida de vocês vai mudar completamente quando o bebê nascer.” A resposta típica que davam era uma espécie de aceno com a cabeça e um sorriso: “Sim, sim, nós entendemos.” Eu queria simplesmente pegá-los pelos ombros e olhá-los nos olhos e dizer mais uma vez: “Não, não, vocês não entendem! Na verdade, não têm nem ideia. Vocês acham que sim, mas na verdade não entendem.”

VOCÊS NÃO TÊM IDEIA

Muitos de nós nos sentamos juntos em nossas reuniões de “avivamento” e acenamos com a cabeça e sorrimos e dizemos: “Sim, nós sabemos o que é avivamento e estamos prontos para ele.” A verdade é que não temos ideia. O propósito original da Igreja era para ser um lugar de encontro entre Deus e o homem, não um glorificado “clube-me-abençoe” ou lugar de recebimento aonde o homem vem somente para receber de Deus. A Igreja não foi criada como um meio-de-me-abençoar espiritual, onde podemos rolar na unção e nos lambuzarmos. A Igreja foi criada para você dar algo de si mesmo a Ele.

Se quisermos restaurar a Igreja ao seu poder original, devemos tomar a receita essencial de Deus para o avivamento em 2 Crônicas 7:14: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar…” Mas a próxima frase revela o passo que vai além da oração. Deus disse: “E se buscar minha face.” (NKJV) Achamos que sabemos tudo que se tem de saber sobre oração. Dizemos que entendemos de oração e recitamos orações, podemos até mesmo prevalecer em oração. Ainda sim, pondero sobre quantos de nós entendem completamente o comando de Deus em 2 Crônicas para buscar Sua face? Devemos buscar a face de Deus, não Sua mão. Oração é fazer petição – “buscar Sua face” é tomar posição.

Devemos abandonar a adoração baseada-em-entretenimento que coça nossas orelhas, e encorajar nossos desejos egoístas para constantemente ouvir algo, sentir algo ou fazer algo que nos faça sentir bem. Você não está com fome por mais1 Algum dia, em algum lugar, nos encontraremos para buscar a face de Deus, e a Sua glória irá instalar-se entre nós. Quando isso acontecer, não deixaremos aquele lugar apenas com um toque temporário da unção de Deus. Todos que contemplarem Sua glória sairão dramaticamente diferentes de antes d’Ele ter vindo.

IMAGINE A GLÓRIA DE DEUS PRENDENDO A ATENÇÃO DE COMUNIDADES INTEIRAS

Precisamos de milhares de experiências como a da estrada de Damasco, onde a glória de Deus seja revelada a uma multidão de pessoas de uma vez.

Certa vez, a presença manifesta de Deus transformou Saulo de Tarso de um perseguidor a um propagador do evangelho. Agora, imagine a glória de Deus prendendo a atenção de comunidades inteiras com convicção, após envolver todos na luz de Sua glória!

Essa é a maneira de ganhar o perdido. E se a adoração for feita corretamente, então ganhar almas e chamados para o altar não gastará muitas palavras. Simplesmente diga: “Venha”; e eles virão. Por quê? A adoração atrai a presença de Deus, e Sua presença afasta qualquer outra coisa. Isso significa que as pessoas na “zona do trono” podem ter recebido, pela primeira vez, a oportunidade de uma escolha de liberdade quando Sua presença vem.

O avivamento vindouro não será sobre sermões e informação; mas, sim, a respeito de adoração e doação. A pregação da Palavra não cessará, mas os sermões que virão servirão para o mesmo propósito do sermão improvisado de Pedro no Dia de Pentecostes. Eles não vão necessariamente produzir ações desejáveis nas pessoas; elas virão após o do acontecimento para explicar o que aconteceu depois que “Deus desceu”. (Agora, tendemos a pregar pela fé antes da manifestação e desejar que aconteça.) A adoração atrai a presença de Deus.

O “DE REPENTE DE DEUS” REQUER O “ESPERAR DO HOMEM”

“De repente”, veio uma experiência da sala superior onde Ele escancarou as janelas do Céu e desceu bem rápido. Isto é o que queremos: a invasão de Deus, aquele “de repente” de Deus. Mas não se tem o “de repente de Deus’’ sem o “esperar do homem”. Precisamos buscar a face de Deus. Não podemos mais estar satisfeitos somente com o fato de Deus deslizar Sua mão para baixo do véu para distribuir as bênçãos do evangelho para nós. Queremos que o véu se rompa e desejamos passar através dele para o Santo dos Santos e ter um encontro transformador com Ele. Então, precisamos manter esse véu aberto com a mesma paixão de Davi, e adorar para que a glória de Deus se manifeste nas ruas da cidade.

A Igreja está grávida com os propósitos de Deus. Nosso corpo parece inchado; nossa barriga está distendida. Não sabemos quando ou onde o bebê irá nascer, mas sabemos que um bebê está para nascer e estamos desesperados. Para ser honesto, espero que você viva com tanta frustração santa que não possa dormir esta noite. Eu oro para que uma fome inquietante pela presença de Deus cresça em seu coração com resultados devastadores. Quero que você seja “arruinado” para qualquer coisa, exceto para os propósitos d’Ele.

No dia em que a Igreja subir para construir um trono de misericórdia de acordo com o padrão do Céu, Deus dirá adeus para Miguel e Gabriel e, literalmente, estabelecerá uma “zona do trono” em nosso meio! Deixe-me assegurá-lo de que quando a glória de Deus aparece desta forma, não precisamos fazer propaganda para promover nada. Uma vez que o Pão do Céu tomar Seu assento entre nós, os famintos virão.

“Pai, inflame-nos as chamas da fome. Que nunca mais sejamos os mesmos. Incendeie nosso coração.”

Esta é a única maneira pela qual você e eu podemos pagar o preço da obediência para criar a “zona do trono” na Terra. Precisamos deixar que nosso coração esteja tão quebrantado diante d’Ele, que as coisas que quebrantam Seu coração também quebrantem o nosso.

Coloque sua mão em seu coração, se você tem coragem, e ore esta oração: “Quebre meu coração, Senhor; Eu não quero ser o mesmo.

Amoleça meu coração, Senhor Jesus, E deixe-me habitar em Sua presença.”

A MANEIRA INFALÍVEL DE ABRIR AS PORTAS DO CÉU

Há uma maneira infalível de abrir as portas do Céu e fechar as portas do inferno, sobre as potestades e principados das trevas que regem em sua região. Ore, arrependa- se, interceda e adore a Deus até que você escancare um buraco nos céus e Deus acenda a luz da Sua glória. As forças satânicas fugirão em todas as direções!

Mesmo nossa melhor “guerra espiritual” e nossos gritos mais altos contra as forças demoníacas não podem se comparar com o poder liberado quando Deus acende a luz da Sua glória. As coisas como estão não andam funcionando. Não conseguimos que as pessoas do mundo entrem em nossas igrejas – Nosso estilo de vida tem convencido as pessoas de que não temos nada a lhes oferecer. Devemos levar o “Deus da Igreja” até eles. Depende de nós. Podemos continuar satisfeitos com nossas dietas brandas de cultos sem poder, intercalados com alguns “bons” cultos a cada ano, ou podemos nos dedicar a Deus a qualquer custo. A maioria de nós se sente desconfortável com mudanças, mas a mudança é uma parte do que Deus está para fazer. Ele está redefinindo a Igreja e tornando nossos rótulos religiosos totalmente obsoletos. Eu posso lhe afirmar isto: Sua presença manifesta será suprema. Isto significa que não terá realmente importância quem fala, quem canta, quem ora ou quem faz qualquer coisa nesses cultos – contando que Ele esteja lá.

PEGO NUMA EXPLOSÃO DA SUA PRESENÇA!

As pessoas não entendem o que significa ser pego numa explosão da presença manifesta de Deus. Duncan Campbell descreveu um incidente em Hebrides que ficou gravado em sua memória.

A meu pedido, diversos líderes da congregação visitaram a ilha, trazendo com eles um jovem rapaz que recentemente havia conhecido a Salvação. Após um tempo de oração no chalé, fomos para a igreja e a encontramos lotada. Mas raramente eu experimentara tal dependência do espírito, e pregar estava muito difícil, tanto que, estando somente na metade da minha pregação, eu parei de pregar.

“Somente então, avistei este jovem rapaz que estava visivelmente quebrantado e parecia estar profundamente no fogo do Espírito. Apoiando-me sobre o púlpito eu disse: ‘Donald, você poderia nos dirigir em oração.’ Houve uma resposta imediata e, naquele momento, os portões da enchente do Céu se abriram e a congregação foi alcançada como que por um furacão, e muitos clamaram por misericórdia.

“Mas a característica mais marcante desta visitação não foi o que aconteceu lá na igreja, e, sim, o impacto espiritual na ilha. Homens, que até aquele momento não tinham nenhum pensamento de busca a Deus, foram repentinamente arrebatados de onde estavam em pé, assentados ou deitados e se tornaram profundamente preocupados com a própria alma até que disseram: Isto é o agir de Deus.”

EU QUERO QUE OS CÉUS SE ABRAM SOBRE CIDADES INTEIRAS

Estou cansado de ler o cardápio do avivamento programado. Quero que os céus se escancarem sobre cidades inteiras, mas a Igreja sabe muito pouco sobre este tipo de evangelismo. Nossa especialidade parece ser “evangelismo programado”. Sabemos como fazer chamadas telefônicas, enviar cartas e bater nas portas de maneira organizada para ganhar almas para Cristo, e sou grato por cada alma que veio a Cristo por esses métodos.

Também sabemos sobre “evangelismo de poder”, o método de ganhar almas introduzido por igrejas americanas há quase vinte anos pelo falecido John Wimber. Também é um programa, mas mistura a unção que cura com evangelismo organizado.

Devemos aprender como atrair Deus para a Igreja de tal maneira que Ele possa manifestar Sua glória livremente. Quando isto acontecer, não teremos que nos preocupar em atrair os homens. Deus mesmo o fará. O evangelismo da “presença” ocorre quando Jesus é exaltado em toda a Sua glória, porque Ele prometeu que atrairá todos os homens a Si. – (Veja João 12:32). Quando assumimos a responsabilidade de atrair as pessoas para a igreja, tudo que conseguimos é uma multidão.

Tentamos atrair o homem, achando que este trabalho é nosso. Quando é que iremos aprender?

O principal propósito da Igreja é atraí-Lo!

O mais importante é simplesmente isto: precisamos mais de Deus e menos do homem. Precisamos de pessoas que vão orar até que o céu desça, clamando: “Deus, Você prometeu!”

Você pode estar bem na porta da “zona do trono” neste exato momento. Deus quer encontrá-lo onde está. Você pode permitir este compromisso divino com uma doação de Deus que pode levar avivamento para sua igreja e cidade e trazer os pródigos de volta à família. Mas ninguém pode fazer isso por você. Você tem de andar pessoalmente por aquela porta de morte chamada arrependimento. A glória de Deus está somente esperando do outro lado, mas somente homens mortos podem ver Sua face. Apenas adoradores quebrantados podem construir o trono de misericórdia mediante a adoração quebrantada, purificada e arrependida. E possível que você seja o “alguém” que mudará o destino da nação.

Quando o povo perguntou a John Wesley como ele dirigiu tão grandes multidões e levantou tantas pessoas a Cristo, ele lhes disse: “Eu simplesmente me enchi do fogo por Deus e as pessoas vinham para me ver queimar.” Alguém tem de começar o fogo. Se não for você, então, quem será? Se não for aqui e agora, então onde e quando? Somente lembre-se de que você não tem direito de orar pedindo o fogo de Deus a não ser que esteja querendo ser o combustível de Deus!

EU NÃO PODIA MAIS CORRER!

Coisas milagrosas acontecem quando a glória de Deus começa a descer sobre um lugar. Eu sei de uma igreja na Geórgia, onde uma explosão de Deus começou a invadir a comunidade fora do prédio da igreja. O testemunho de uma mulher ilustra em um pingo o que estou pedindo que venha como uma torrente. Ela me disse:

Três domingos atrás, eu estava sentada na minha sala de jantar a aproximadamente 1 km de distância da igreja. Eu não sei o que era, mas um espírito, a presença de Deus entrou na minha sala. Eu estava sentada ali fumando um cigarro Malboro, bebendo Budlight e assistindo canais de TV quando a presença de Deus simplesmente entrou na minha sala de estar. Eu fugi dela primeiramente. Na verdade, me levantei e fui para a cozinha.

Na primeira semana, eu podia ir da cozinha para a sala. A presença estava apenas na sala e não na cozinha. Na semana passada, ela não somente entrou na sala, mas invadiu a cozinha. Então fui para meu quarto.

Nesta manha, levantei-me e ela tinha se estendido até o meu quarto e eu não podia mais correr. Eu sabia que ela estava vindo daqui, e eu simplesmente tinha de vir.”

Aquela mulher foi salva naquela noite, e o seu testemunho ilustra perfeitamente a maneira pela qual “o evangelismo da presença” invade uma cidade. Se você tomar o testemunho dela e multiplicá-lo por centenas e milhares e milhões de vidas, poderá vislumbrar o que Deus tem guardado para esta geração se pudermos criar uma “zona do trono” da Sua presença que simplesmente continue movendo pela cidade. Quando isso acontece, as pessoas não são mais capazes de correr, pois a misericórdia e a graça estarão fluindo pelas ruas da cidade. Este rio de glória se tornará mais largo e mais fundo quanto mais longe ele for. Deus, faça isto!

Pai, dá-nos um coração quebrantado, como o Seu coração estava quebrantado, e permita que adoradores com asas amassadas construam um lugar de habitação. Viramos nossas costas para o que é bom, para buscar o que é melhor. Queremos Sua Kabod, Sua glória, ó Deus. Pai, obrigado pela unção e pelo que ela faz. Mas isso ainda cheira como homem. Nós oramos: “Que o homem morra e que a glória de Deus venha”.

Alguém precisa orar a oração de Moisés: “Mostre-me Sua glória.” Precisamos da glória de Deus em nossas igrejas, casas e escolas públicas. Eu busco o dia em que um jovem inclinará sua cabeça para orar no pátio da escola e a glória de Deus repentinamente cairá sobre a escola inteira! Temos tido sangue de estudantes derramado pelos corredores. É hora do sangue de Jesus fluir nas escolas.

ELE SÓ VIRÁ ATRAVÉS DAS BRECHAS DO NOSSO QUEBRANTAMENTO

Precisamos de Deus no nosso meio. Se construirmos o trono de misericórdia, Ele virá. Queremos que Deus Se manifeste em nossas igrejas. Ele só virá através das brechas do nosso quebrantamento, não pela inteireza da nossa arrogância. Somente vasos terrenos quebrantados podem conter a glória celestial. Não faz sentido, mas é verdade.

Eu não posso ministrar nada sobre você a não ser minha fome. Eu tenho fome de Deus, e Ele nos prometeu suprir nossas necessidades. “Bem-aventurados os que têm fome e sede… porque eles serão fastos.” – (Mateus 5:6). A glória não pode vir sobre um vaso cheio. Devemos clamar por mais d’Ele e menos de nós. Devemos esvaziar nossas taças de ‘nós mesmos’ antes que Ele possa enchê-las de Si mesmo. Essa é a única maneira de abrir os céus e liberar a glória de Deus sobre nossas cidades.

Você pode imaginar o que acontecerá se nos esvaziarmos de nós mesmos e a presença manifesta de Deus vier? O que acontecerá quando a presença manifesta d’Ele repousar sobre uma igreja em uma cidade? Devemos criar uma “zona do trono” e expandir os parâmetros da presença manifesta de Deus onde Sua glória esteja disponível para todos sem véu, parede ou porta.

Quando não há barreira entre Deus e o homem, você poderá ouvi-Lo se Ele sussurrar. Não será preciso um vento de Deus com a força de um furacão para mover você; pelo contrário, será apenas um suave vento, a menor brisa, o mais leve sussurro do Seu coração. Se pudermos criar um lugar tal, mediante a nossa adoração arrependida e “amassada”, Deus virá. O tabernáculo de Davi era Sua “casa favorita” por causa da sua adoração de intimidade sem véu. É esta atmosfera de intimidade que cria um lugar para a divina habitação – uma “zona do trono” na Terra como no Céu – a casa favorita de Deus.

Jesus, deixe Sua glória fluir, deixe-a fluir. Nós buscamos Sua face. 

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

OBSTÁCULOS A SEREM VENCIDOS

Fatores psicológicos na formação de adolescentes e adultos jovens os deixaram mais vulneráveis ao sofrimento e à depressão, e a resiliência pode ser um aspecto esclarecedor para entender esse fenômeno

Obstáculos a serem vencidos

Nas entrevistas sobre transtornos de humor que concedo a diversos tipos de mídia, uma pergunta quase obrigatória é sobre um suposto aumento da prevalência de depressão em nosso meio. A percepção do aumento do número de casos é quase unânime, mas sabemos que uma percepção não corresponde necessariamente a um fato. Qualquer afirmação que se faça sobre algo tão objetivo quanto a epidemiologia de um transtorno deve estar obrigatoriamente embasada por dados. Minha resposta invariavelmente versava sobre a maior divulgação e o menor grau de preconceito e estigma em relação à depressão.

Apesar de ainda precisarmos avançar muito nesses pontos, há uma compreensão crescente sobre os transtornos psiquiátricos em geral e sobre a depressão em particular, o que leva ao maior reconhecimento dos quadros e a diálogos mais abertos sobre o tema, nos diversos níveis sociais. Isso pode conduzir à percepção de que estamos tratando de um problema da contemporaneidade ou que, no mínimo, recrudesceu em nossos tempos. Esse era meu comentário até o final de 2017, quando um grande estudo populacional norte-americano trouxe dados reveladores. Mais de 600 mil pessoas dos 50 estados e do distrito de Columbia foram seguidas de 2005 a 2015.A prevalência de depressão no último ano subiu de aproximadamente 6,6% para 7,3%. Veja abaixo quadro Evolução na prevalência de depressão no último ano nos EUA de 2005 a 2015.

Tal elevação pode parecer discreta, mas duas coisas chamam a atenção. A primeira é a tendência de alta. A segunda é a análise exploratória que investigou os grupos mais afetados nesse aumento de prevalência. Considerando variáveis socioeconômicas não houve aumento da prevalência preferencial em nenhum grupo, ou seja, o aumento acometeu indistintamente pessoas de diferentes níveis de renda. O mesmo aconteceu com nível de escolaridade, etnia e sexo. O grupo de risco mostrou-se evidente quando a análise separou as faixas etárias. Adultos jovens (18 a 25 anos) e sobretudo adolescentes (12 a 17 anos) foram os grupos responsáveis pelo aumento da prevalência de depressão nos EUA nos últimos 10 anos. Entre adolescentes o aumento foi de quase 6%, ocorrendo sobretudo de 2011 a 2015 e com tendência de alta.

Obstáculos a serem vencidos. 2

A questão óbvia que se impõe são os motivos para tal aumento, ou, em outras palavras, os motivos para que uma geração inteira tenha se tornado mais vulnerável ao adoecimento por depressão. Em epidemiologia é relativamente fácil constatar que um fenômeno existe, porém quase sempre é difícil atestar as causas desse fenômeno. No caso da depressão, que é um transtorno multifatorial e sem causa única definida, as dificuldades são ainda maiores. É preciso ser prudente em propor causas e explicações para um problema tão complexo. Mais ainda em propor soluções. A dicotomia diátese/estresse é um bom ponto de partida para se pensar nessa evolução na epidemiologia da depressão.

Para o desenvolvimento do transtorno, temos um organismo com vulnerabilidade e predisposição a determinada afecção (diátese) sobre o qual agem fatores ambientais em diferentes níveis (estresse), que podem aumentar as chances de precipitação ou perpetuação do quadro. Quais fatores podem ter mudado tanto e em tão curto intervalo de tempo, de modo a perturbar dessa forma o equilíbrio na balança diátese/estresse da prevalência da depressão? Lembremos que estamos falando de um grupo muito específico: uma geração de adultos jovens e, sobretudo, adolescentes, em um país desenvolvido e com relativa estabilidade institucional, econômica e social. Em um dos pratos dessa balança, o do estresse, seriam impensáveis alterações drásticas, salvo em situações de catástrofes, guerras ou grave crise social. E, ainda assim, tais estressores atingiriam em graus diferentes toda a sociedade, não apenas uma geração ou faixa etária específica. No outro prato da balança temos a diátese ou vulnerabilidade biológica e psicológica. Entre gerações subsequentes é inconcebível uma diferença relevante na vulnerabilidade biológica, contudo, quanto à vulnerabilidade psicológica, pode haver mudanças significantes. Um exemplo marcante foi a comparação entre veteranos norte-americanos da Segunda Guerra Mundial e veteranos da Guerra do Vietnã, que são de gerações subsequentes. Após a guerra, os primeiros foram menos vulneráveis ao transtorno do estresse pós-traumático e ao abuso de substância e tiveram melhor readaptação. Um complicador para a análise desse caso é que o contexto social e a visão do papel histórico desempenhado pelos soldados haviam se transformado muito entre as guerras. Hoje, não temos esse complicador: as gerações vivem o mesmo contexto, mas nem todas demonstraram maior vulnerabilidade ao adoecimento. Fatores psicológicos na formação desses adolescentes e adultos jovens os deixaram mais vulneráveis ao sofrimento e à depressão, e a resiliência pode ser um prisma esclarecedor para analisar esse fenômeno.

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O modelo diátese (ou vulnerabilidade) e estresse está historicamente atrelado ao modo de se pensar a pesquisa e a prática clínica em saúde mental. Uma mudança de paradigma seria inverter esse olhar, alternar o foco dos mecanismos que determinam a vulnerabilidade aos problemas de saúde para fatores que estimulem os indivíduos a permanecer saudáveis ou se recuperar rapidamente ao passarem por estressores sérios ao longo da vida. Não se trata de inverter a lógica do discurso sem real mudança do sentido. Ao olharmos para as evidências acumuladas em saúde mental, conhecemos muito mais os fatores de risco que os fatores de proteção. Ações de profilaxia primária são muito restritas e pouco estudadas. A maior parte das ações em saúde mental se dá tratando transtornos já insta lados, minimizando danos e posteriormente promovendo recuperação funcional.

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PARADIGMA

A prevenção de recaídas, ou profilaxia secundária, também faz parte do planejamento terapêutico. Contudo, muito pouco ou quase nada é investido em profilaxia primária, que visa evitar o desenvolvimento de doenças em pessoas com ou sem fatores de risco evidentes para tal desenvolvimento. Nesse contexto, o conceito de resiliência poderia ter destaque.

Todas as definições de resiliência propostas se referem a uma adaptação bem-sucedida após a transposição de um estressor grave. Uma definição seria o conjunto de características e recursos de um indivíduo que, sob condições de estresse, o possibilitam manter ou recuperar rapidamente sua homeostase física ou psíquica. Complementando essa definição, é importante pontuar que o exercício da resiliência se dá em um processo dinâmico, interativo e adaptativo com o ambiente. O objetivo desse processo seria minimizar o abalo ao bem-estar, o sofrimento, o risco de adoecimento e o prejuízo da funcionalidade e, em última análise, até mesmo incrementar essa funcionalidade.

Colocada dessa forma, a definição é abrangente e, com adaptações, pode ser usada em diversos contextos, da Psiquiatria ao esporte competitivo, do mundo corporativo ao neurodesenvolvimento e à Pedagogia. Dado meu viés clínico, citei a resiliência como um possível fator protetor quanto ao desenvolvimento de transtornos psiquiátricos. Nos esportes, a resiliência poderia estar relacionada à capacidade diferencial entre os atletas para superar estressares comuns à carreira, como lesões ou transições profissionais, ao atingir uma idade que limita resultados competitivos na modalidade. No mundo corporativo a resiliência pode, por exemplo, estar relacionada ao modo com que diferentes profissionais mantêm a funcionalidade e o bem-estar, diante da competitividade na carreira ou exigências como o cumprimento de metas. Essa adaptabilidade é uma virtude do conceito, mas também pode gerar distorções e maus usos. Certa vez, um amigo sugeriu-me simplesmente deixar de empregar o termo resiliência devido à banalização do seu uso em diversos meios, sendo usado como sinônimo de mera resistência às intempéries da vida. Essa simplificação é muito comum: confundir resiliência com resistência. É dessa confusão que advém uma ideia de que resiliência é uma questão de gerenciamento de estresse ou simplesmente de transpassar de cabeça baixa e com determinação as situações adversas. Mas é muito mais do que apenas atravessar situações, saindo do outro lado ileso ou com o mínimo de dano: antes, pode ser oportunidade de aprendizado e desenvolvimento, como veremos adiante.

DESENVOLVIMENTO

desenvolvimento da resiliência se dá desde a mais tenra idade. Experiências traumáticas durante a infância, por exemplo, são fatores de risco bem conhecidos para vários transtornos psiquiátricos ou comportamentos disfuncionais. Evidências convincentes que se acumulam ao longo do tempo nos estudos epidemiológicos confirmam relação causal entre trauma de infância e vários transtornos psiquiátricos na idade adulta. Contudo, muitas crianças expostas a traumas graves não desenvolvem psicopatologia, mas, ao contrário, adaptam-se com sucesso e recuperam-se rapidamente. Onde estaria o diferencial na formação dessas crianças? Dada a complexidade do conceito de resiliência, não há resposta unívoca para essa pergunta. Mas existe um denominador comum entre os autores dedicados ao tema: o papel do apego seguro.

A primeira fonte importante de resiliência na vida é o apego que a criança desenvolve com o seu cuidador principal nos primeiros anos. Em um relacionamento com apego seguro, o bebê ou a criança aprendem a integrar em uma representação mental suas experiências cognitivas e afetivas. Com base nas experiências desse relacionamento, a criança vai aprender a confiar nos outros, sobretudo no sentido de que estará protegida, no caso de ameaça ou adversidade. Trata-se de um relacionamento de proximidade e conforto, na busca por segurança quando confrontado por alguma situação de estresse. Crianças com apego seguro formam modelos internos nos quais o eu é percebido como digno, os outros são percebidos como disponíveis e confiáveis e ambientes hostis ou desafiadores são percebidos como gerenciáveis com apoio de outros. A base para o anexo seguro é criada desde os primeiros momentos da vida e continua a ser sedimentada junto aos pais ou outros cuidadores primários, ao longo da infância e da adolescência. O apego seguro resulta de uma relação parental de apoio, sensibilidade e responsiva, que está em sintonia com as necessidades e comportamentos da criança. O comportamento do cuidador é determinante. Estudos genéticos comportamentais com gêmeos indicam que o apego é de fato o resultado de influências ambientais apenas.

A formação do apego seguro dá­ se sobretudo no desenvolvimento dos vínculos primários na primeira infância, contudo ainda pode ser modulado ao longo da vida. Estratégias psicoterapêuticas específicas para aumentar bem-estar psicológico e resiliência devem promover intervenções que levem a uma avaliação positiva do eu, a uma sensação de crescimento e desenvolvimento contínuos e ao senso de pertencimento e posse de relações de qualidade com os outros.

Quanto às emoções positivas e à saúde, as evidências acumuladas fornecem cada vez mais suporte empírico para as teorias populares. As emoções positivas fornecem um antídoto útil para as emoções negativas que surgem nas adversidades e para problemas de saúde. Estudos sugerem que emoções positivas diminuem a experiência de dor e catastrofização relacionada aos estressores e parecem contribuir positivamente aos resultados de saúde em geral. O aumento da emoção positiva, na primeira semana de tratamento farmacológico da depressão, se relacionou com melhora e remissão da depressão em seis semanas. Curiosamente, esse efeito foi independente da diminuição das emoções negativas. Não apenas nos agravos à saúde, mas também na vida cotidiana, a experiência de emoções positivas durante momentos de estresse protege a saúde psicológica, tamponando a reatividade às emoções negativas a eventos estressantes.

A capacidade de gerenciar efetivamente a própria vida e um senso de auto­ determinação são importantes para a expressão de emoções positivas. Uma visão positiva diante da adversidade não é desenvolver um viés positivo de avaliação da realidade, como uma espécie de síndrome de Poliana aplicada ao momento presente. Diferente disso é conseguir visualizar possibilidades de ação e de autoafirmação, mesmo diante da pior das adversidades; é ter o senso de que coisas importantes estão sob controle e podem ser mobilizadas, mesmo em situações adversas que expõem nossa mais profunda fragilidade. Negar a emoção negativa diante da avaliação honesta de uma realidade adversa seria um “polianismo” infrutífero. Não se trata aqui de negar a emoção negativa, mas de nutrir emoções positivas. E a crença na possibilidade de reação é uma fonte primordial de emoções positivas.

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RELIGIÃO OU ESPIRITUALIDADE

A religião, ou a espiritualidade, sempre estará no cerne da questão quando falamos em propósito de vida. Em contraste com contextos momentâneos de prazeres, um senso de propósito de vida opera em um maior nível de experiência global, que é alimentado por valores pessoais e objetivos individuais, ou seja, está inserido na cosmovisão pessoal. Assim, a religião ou a espiritualidade não apenas trazem um propósito ou sentido de vida mais elevado como operam e constroem os alicerces, o conjunto de valores que suportam e elevam tal propósito. A espiritualidade parece favorecer o exercício da resiliência e é fator de proteção para os efeitos das experiências negativas de vida sobre a saúde mental. A espiritualidade, pela sua natureza, fornece um sentido transcendente para as experiências de vida. Porém, tal transcendência não precisa necessariamente ter um sentido espiritual. Um exemplo muito didático vem de um relato de caso do psiquiatra Victor Frankl, sobrevivente de um campo de concentração. Um paciente passava anos a fio por um arrastado luto complicado. Após décadas de um casamento harmonioso e que preenchia de amor e significado sua vida, esse senhor encarava a viuvez e velhice com total falta de sentido e motivação. Frankl encontrou um modo de fazer a reverência e o amor que esse senhor nutria pela esposa continuarem a dar sentido e propósito à sua vida, mesmo que de uma fom1a transcendente. Qual alternativa haveria à situação em que ele vivia, a de suportar a existência sem a pessoa que amou ao longo de toda uma vida? Diante dessa pergunta ele vislumbrou a única alternativa: que ele falecesse antes da esposa. Estaria ela então nesse momento carregando o fardo da saudade. Frankl relata que esse foi o início da resolução do luto. Ele havia encontrado um sentido transcendente para o seu sofrimento.

Foram apresentadas três colunas para o desenvolvimento da resiliência: apego seguro, emoções positivas e sentido de propósito. Qualquer abordagem centrada na resiliência precisa vislumbrar esses três conceitos, seja em ambiente pedagógico, ocupacional, familiar ou terapêutico. Dessas, a única para a qual existe uma janela de oportunidade de desenvolvimento bem definida, na infância e na adolescência, é o apego seguro. Expressão de emoções positivas é um exercício contínuo e o sentido de propósito aguça-se com experiência e maturidade. Mesmo quanto ao apego seguro, há possibilidade de mudanças e desenvolvimento ao longo de toda a vida. Sempre há margem para o fortalecimento das bases que determinam o melhor exercício da resiliência, mas são necessárias disposição, flexibilidade e direção.

 

 

 

OUTROS OLHARES

REMÉDIOS DA FLORESTA

O uso de tecnologia de ponta contribuirá para um melhor aproveitamento da biodiversidade nacional na produção de medicamentos

Remédios da floresta

Quando se contempla, a olho nu, o céu, límpido, à noite, o brilho mais intenso – capaz de sequestrar, inapelavelmente, nossa visão – é o que vem da estrela Sirius. Não por acaso ela chamou a atenção de poetas como o latino Horácio (6.5 a.C. 8a.C.), monumento literário da Antiguidade. Não por acaso ela empresta seu nome ao extraordinário acelerador de partículas que entra em operação em 2020 e constitui um dos mais ambiciosos empreendimentos da ciência brasileira. Com investimentos da ordem de 1,8 bilhão de reais, o Sirius ajudará a jogar luz sobre várias áreas do conhecimento. Suas primeiras aplicações serão no campo da medicina.

Situado em Campinas (SP), no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) – uma organização da sociedade civil que recebe recursos federais -, o Sirius será utilizado para ajudar em quebra-cabeças cuja resolução possibilitará o desenvolvimento de medicamentos com princípios ativos descobertos em meio à biodiversidade brasileira. Para tanto, o projeto Brazilian Biodiversity Molecular Power House (MPH) – batizado em inglês para facilitar sua inserção global – dedica-se a desvendar e analisar a estrutura de moléculas naturais de plantas, ervas etc. oriundas de várias regiões do país. Como fonte da chamada “luz sincrotron”, que permite enxergar substâncias em escala de átomos, o Sirius vai se alinhar entre os mais avançados equipamentos do gênero em todo o planeta – só a Suécia possui hoje algo similar.

A fim de dar curso a pesquisas que possam levar à produção de remédios realmente efetivos contra doenças ainda sem cura, como Alzheimer e Parkinson, o MPH trabalhará com parcerias, como a que firmou com a empresa nacional Phytobios, responsável pela realização de expedições regulares de bioprospeccão a quatro biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. Anualmente entre três e cinco viagens são feitas para a coleta de material. A biblioteca de amostras da empreitada já tem mais de 600 espécies – e a tendência é aumentar. O Brasil, a nação mais biodiversa do mundo, figura como o laboratório vivo com maior potencial para despontar nessa área. Segundo Cristina Ropke, CEO da Phytobios, a opção pelos negócios sustentáveis é um modo estratégico de valorizar a floresta. “Com a extração de recursos naturais de forma controlada e responsável, podemos dar valor à natureza sem desmatar. Em vez de derrubarmos para criar pastos, vamos manejar para encontrar fármacos”, diz ela.

O laboratório farmacêutico nacional Aché foi o primeiro a apostar nos resultados do projeto iluminado pelo Sirius – ainda em 2017 ele firmou um contrato para o desenvolvimento de dois medicamentos. Com investimento inicial de 10 milhões de reais, o grupo espera encontrar resultados positivos para tratamentos oncológicos e para problemas de pele (nesse caso, com a produção de um fármaco ou mesmo de um cosmético). Até que um novo produto chegue ao mercado, o que deve ocorrer em treze anos o investimento poderá alcançar 200 milhões de dólares. De acordo com o diretor de inovação e novos negócios da Aché, Stephani Saverio, são poucas as drogas genuinamente baseadas em matérias-primas nativas do país – cenário que poderá se transformar de modo expressivo a partir das pesquisas com o Sirius. Entre as substâncias já aproveitadas pela indústria farmacêutica está a tubocurarina. um alcaloide venenoso que é o principal constituinte do curare, usado pelos índios sul-americanos em flechas para caça, e apresenta propriedades de relaxante muscular. Outra descoberta brasileira foi o peptídeo bradieinina, isolado do veneno da jararaca, importante para a terapia da hipertensão. Como exemplo se poderia citar ainda a pilo­carpina, encontrada no jaborandi e usada para tratamento de glaucoma e de xerostomia, um efeito adverso de boca seca provocado pela radioterapia com pacientes com câncer.

Por enquanto, o MPH vem conduzindo suas pesquisas no Laboratório Nacional de Luz Sincrotron, dentro do CNPEM, valendo-se de uma versão de acelerador anterior ao Sirius, chamada UVX, que está em operação há mais de vinte anos. Uma das diferenças entre as duas gerações desses equipamentos é a qualidade na resolução das imagens obtidas. Com um brilho maior e mais potente, o Sirius permitirá ver, e de forma mais rápida, detalhes que o UVX não tem potência para decodificar.

Para além do uso no desenvolvimento de fármacos, o Sirius será empregado, segundo o diretor-geral do CNPEM, Antônio José Roque da Silva, em áreas tão distintas quanto a exploração de petróleo e a paleontologia. “Temos o melhor instrumento. Para utilizá-lo adequadamente, precisamos de um investimento forte em ciência e tecnologia como política de governo. Sem a formação de cientistas e universidades consolidadas, não teremos as pesquisas de altíssimo nível que farão bom uso do Sirius”, enfatizou Roque da Silva. Nenhum país avança quando fecha os olhos para o firmamento científico.

NA VELOCIDADE DA LUZ

Como funcionará o acelerador de partículas Sirius, que vai entrar em operação em 2020 e, entre outras aplicações, poderá trazer soluções para a criação de remédios extraídos de moléculas de espécies brasileiras

1 – Um canhão libera elétrons – partículas de carga negativa -, que são acelerados linearmente e atingem uma velocidade próxima à da luz. O feixe de elétrons entra em uma trajetória circular e ganha ainda mais velocidade e energia.

2 – Movimentando-se em alta velocidade e com muita energia, os elétrons têm sua trajetória desviada pelos campos magnéticos criados por imãs presentes no acelerador. Forma-se, então, um tipo de radiação de amplo espectro e alto brilho, a chamada luz cincroton.

3 – O feixe de luz sincroton é direcionado para as amostras de cada estação de pesquisas do laboratório, revelando informações sobre o material analisado – no caso de exemplares extraídos de biodiversidade nacional, dados como formato e estrutura das moléculas que agirão como remédios no combate a diferentes tipos de doença.

Remédios da floresta. 2

 

 

GESTÃO E CARREIRA

GERAÇÕES DIFERENTES, OBJETIVOS SEMELHANTES

Ter no quadro de colaboradores profissionais com idades variadas é uma realidade e as corporações enfrentam o desafio de alinhar valores e códigos de comunicação muito distintos

Gerações diferentes, objetivos semelhantes

Não é de hoje que identificamos diversas gerações que trabalham juntas, mas possuem enormes dificuldades para encontrar a sinergia entre elas. Muitas são as mudanças tecnológicas, descobertas científicas e acadêmicas que impactam diariamente na vida profissional e pessoal dos indivíduos como um todo.

Além desse cenário, a transformação de pensamento, comportamento e de atitude das novas gerações aconteceu de forma muito rápida e complexa perante as demais. Assim, podemos dizer que existe um gap comportamental entre as pessoas de diferentes idades, que de certa forma faz com que os indivíduos se encontrem mais desconcertados, com a sensação de que perderam o controle sobre o significado e a finalidade da própria vida e do papel profissional.

Atualmente, em grande parte das empresas encontramos profissionais de quatro gerações. Todos interessados em solucionar os mesmos problemas, porém maneiras distintas, pois eles têm valores, motivações, expectativas e códigos de comunicação muito diferentes.

A maioria desses profissionais tem o mesmo objetivo: ascender na carreira e contribuir com o sucesso do todo. No entanto, nem sempre eles conseguem entrar em um acordo quando pensam nos meios para chegar a uma solução. Esse gap comportamental é um dos principais desafios encontrados pelos líderes atuais, uma vez que essa interação de gerações não depende do cargo. Pelo contrário, já é muito comum encontrarmos líderes mais novos que os liderados, ou seja, os profissionais precisam, urgentemente, encontrar pontos de referência e valores para nortear as ações das equipes multigeracionais. Além de moldar novos modelos estratégicos, equilibrando questões como inovação, desafios, competitividade e estabilidade de negócio.

Para que isso funcione, é fundamental entendermos um pouco das quatro gerações e suas principais diferenças. Por exemplo, as pessoas nascidas entre 1940 e 1970 podem entender as mudanças como acontecimentos negativos, que muitas vezes são encaradas de forma ameaçadoras e vividas como pressões indesejadas, já que correm o risco de perderem aquilo que foi conquistado ao longo dos anos como cargos, posições e benefícios. Esse comportamento não muito maleável dificulta o poder de inovação e está atrelado ao medo das rápidas e complexas mudanças no contexto profissional, pessoal e mundial. Dessa forma, pode surgir uma enorme ansiedade em provar que possuem as capacidades e competências adequadas no trabalho, e assim sendo impactados diretamente com desmotivação para conhecer novas soluções, ferramentas e técnicas inovadoras.

As gerações mais novas, nascidas entre 1971 e 1999, acreditam que ao fazer diferente vão conquistar posições novas e melhores, uma vez que não foram muito explorados e há um leque de oportunidades. Entretanto, demonstram muitos questionamentos às experiências dos mais velhos, tendendo a agir com certa teimosia, justamente por esse ímpeto inovador e destemido que apresentam.

De fato, tudo é um risco, mas a questão é estar com a cabeça aberta a um comportamento diferente e inovador. E isso inclui descobrir aquilo que já existe também. Não sabemos também se aquela certa estabilidade durará por muito mais tempo. Tudo é uma forma de olhar e de lidar com as circunstâncias.

São relevantes a sensibilização e a informação no contexto profissional, as diferenças entre as gerações, a importância da solidariedade entre elas e a valorização da diversidade, permitindo a mistura geracional eficaz. Assim como incentivar a mobilidade dos conhecimentos e competências, a troca de experiências e as atividades de integração – com atenção especial à comunicação e ao feedback – também é essencial.

Ao respeitar as diversidades podemos ter a consciência de que todos podem caminhar juntos, criando modelos muito mais valiosos e eficazes do que os desenvolvidos pelo indivíduo que produz sozinho. Dessa forma, promove-se o intercâmbio de ideias e a realização do trabalho em conjunto, o que aumenta o desempenho corporativo e a concretização de resultados.

Cada geração e cada pessoa têm uma riqueza a compartilhar. Sejam elas a maturidade e a experiência ou as ideias e propostas inovadoras. Nesse sentido, o importante é a diversidade favorecer a criação de um contexto mais satisfatório tanto no aspecto intelectual quanto emocional; ambos são a base da motivação, da qualidade do clima organizacional e de resultados positivos.

As diferenças acontecem justamente para pensarmos em novas soluções e possibilidades. Se estivermos abertos a pensar e agir de forma diferente, também estaremos agarrando uma enorme oportunidade: de conhecer novos horizontes, talvez até melhores do que aqueles que já dominamos. Isso é o que chamamos de vida que merece ser vivida todos os dias com um novo olhar. Contemplar novas paisagens pode significar apreciar as mesmas imagens, porém com novos olhares.

 

EDUARDO SHINYASHIKI – é palestrante, consultor organizacional, especialista em Desenvolvimento das Competências de Liderança e Preparação de Equipes. É presidente do Instituto Eduardo Shinyashiki e também escritor e autor de importantes livros como Transforme seus Sonhos em Vida (Editora Gente), sua publicação mais recente. www.edushin.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

A CASA FAVORITA DE DEUS

A Casa Favorita de Deus - Tommy Tenney

CAPÍTULO 8 – O DIA EM QUE A MÚSICA MORREU (E O DIA EM QUE ELA RESSUSCITARÁ)

 

A querida Irmã “B” era uma verdadeira maravilha para mim quando eu estava crescendo. Meu avô e meu pai co-pastorearam uma igreja em Louisiana. Às vezes, quando o clima espiritual se tornava um pouco difícil num culto, eles se reuniam e então chamavam a irmã “B” para cantar.

Ora, aquilo não fazia muito sentido para mim porque a voz da irmã “B” soava como uma buzina estridente. Eu simplesmente não conseguia suportar o seu canto e nem podiam também os outros meninos, então costumávamos fazer piadas sobre ela (secretamente, é claro). Agora, eu sou um pouco mais sábio. Aprendi que se a presença de Deus pode transformar uma camponesa em uma princesa, então Ele pode definitivamente usar Irmãs “Bs” do mundo.

Eu posso lhe dizer que já estive em centenas de reuniões “sem a arca”, como ministro do evangelho, quando desejei que pudesse chamar pela Irmã “B”. Meu pai e meu avô sabiam o que estavam fazendo. Eles chamaram-na porque toda vez que aquela irmã começava a cantar, as lágrimas começavam a rolar e a dureza do culto acabava. Por alguma razão, quando a Irmã “B” ficava em pé para cantar para Deus, a Sua presença era repentinamente introduzida.

Era óbvio que mesmo que não gostássemos do canto da Irmã “B”, Deus gostava das notas que ela estava atingindo. Isso era porque as notas altas da Irmã “B” tinham pouco a ver com os tons espalhafatosos que agrediam os nossos ouvidos carnais. Adoradores, tomem nota: Não foi a qualidade quase melodiosa da voz da Irmã “B” que fez a diferença; mas a impecável melodia que jorrava do seu coração.

Parecia que toda vez que ela se levantava e cantava, a presença de Deus entrava. Não havia nenhuma conexão óbvia entre sua voz natural e a repentina aproximação da presença de Deus que pudesse ser percebida por nossos olhos e ouvidos terrenos. A bela melodia que atraía a Deus até nossa pequena igreja “no lado oposto da trajetória da sociedade” só podia ser escutada pelo “ouvido” do interior do homem, o órgão de audição espiritual do coração. Era a isso que Jesus Se referia quando Ele disse: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz.” – (Apocalipse 2:7). Ele não estava falando sobre as extremidades dos lados da nossa cabeça. Estava Se referindo ao órgão de audição espiritual ao qual Deus sussurra e fala.

DEUS NÃO QUERIA PERDER UMA ÚNICA NOTA DA CANÇÃO DE NINAR DA IRMÃ “B”

A chave para a unção da irmã “B” era o fato de que ela era uma adoradora. Quando se levantava para cantar, estava alheia ao barulho dos meninos que davam risadinhas e às outras pessoas nos bancos. Ela cantava diretamente para Deus num ato de pura adoração, para o próprio prazer d’Ele, e ponto final. Como resultado, Deus não queria perder uma única nota de sua canção de ninar para Ele (apesar das nossas orações de meninice para que ela parasse). Ele tinha de mover Sua cadeira um pouco mais perto cada vez que a Irmã “B” começava a adorá-Lo.

Se não tivermos cuidado, podemos nos tornar tão enlaçados na maquinaria de “ter igreja” e nos divertirmos, que esquecemos o propósito da adoração. Nossa opinião geral sobre adoração é frequentemente expressada com a declaração: “Bem, eu vou chegar um pouco atrasado na igreja. Vou perder o louvor, mas vou estar lá para a Palavra.”

O que deixamos de perceber é que pelo que toca a Deus, a adoração é Sua parte e a Palavra é nossa parte. Isto significa que se perdermos o louvor, teremos perdido a melhor parte que damos a Ele. Em vez disto, nós egoisticamente pulamos a parte de Deus e só aparecemos para que nossos ouvidos, que coçam, sejam coçados.

“Bem, Deus aprecia a Palavra.” Oh, sim, eu sei, mas eu quero lhe perguntar uma coisa séria: Você realmente pensa que Deus recebe algo com nossa pregação? Você acha que Ele deve aprender algo sobre Si mesmo com nossas ungidas pregações? (A resposta deve ser sim, mas pela razão errada. Ele provavelmente ouve a nossa pregação e diz “Eu disse isto? Eu não me lembro de dizer isso exatamente dessa maneira…”)

Deus não recebe nada com nossa pregação. Eu não estou dizendo que a pregação da Palavra de Deus não é importante. Estou dizendo que a adoração é mais importante para Deus do que a pregação, porque a adoração forma a cesta para o Pão vivo do Céu. Se você constrói um trono de misericórdia, então pode ter a glória de Deus entrando, e a adoração é o que constrói o trono de Deus. Faça a si mesmo esta pergunta: “Qual é a prioridade do Céu?” Falar com Ele ou falar sobre Ele?

SEU HINO FAVORITO É: “ME DÁ, ME DÁ, ME DÁ?”

Em nossa valorização mal calculada sobre qual é a razão da “igreja”, pensamos em termos do que recebemos dela ao invés do que damos a Ele. Consequentemente, temos transformado a “Igreja” em uma proposta egoísta. Eu vou fazer uma afirmação corajosa que vai irritar alguns: Temos transformado a igreja em glorificados clubes ‘abençoa-me’ onde chegamos com nossas mãos estendidas e com uma longa lista de desejos. Podemos muito bem começar com o nosso hino favorito: “Me dá, me dá, me dá!”

E isso estabelece uma séria divergência e conflito porque Deus vem para a igreja com Seu coração faminto. Diga-me, o que Deus come quando Ele fica com fome? A resposta deve surpreendê-Lo. Jesus nos dá a resposta durante Seu encontro com a mulher samaritana no poço, no capítulo 4 do evangelho de João.

Jesus tinha um encontro marcado com a mulher samaritana no poço de Jacó, na cidade samaritana de Sicar, que significa “Bebida intoxicante”. Os discípulos não estavam com humor para esperar, porque estavam preocupados com seus estômagos carnais resmunguentos. Você consegue imaginar Jesus encostado numa parede levantada no poço de Jacó, olhando para o relógio de pulso da eternidade e dizendo a Si mesmo: “Ela deve estar vindo a qualquer momento agora.” Deus Filho tinha um encontro marcado com uma mulher do mundo. Ela tinha um encontro às cegas com o destino e nem mesmo sabia sobre isso.

Talvez você se lembre do dia e da hora em que o seu destino o interceptou com divindade – você tinha ideia de que estava para ter um encontro com Deus? Isto é porque Deus marcou o compromisso e não você. Enquanto Jesus esperava a mulher samaritana aparecer, Seus discípulos estavam esfregando a barriga. (Eles não eram bons “esperadores” na época, e nós não fazemos melhor hoje.) Eles disseram algo como: “Jesus, nós vimos uma lanchonete bem ali no final dessa estrada. Nós vamos lá comprar algo para comer. Traremos algo para Você, tudo bem?” Jesus simplesmente lhes disse: “Vão, Eu vou esperar bem aqui.”

A MULHER DA REJEIÇÃO TINHA UM ENCONTRO COM A PERFEIÇÃO

Jesus, provavelmente, observou os discípulos passarem pela mulher samaritana na estrada em seu caminho para conseguir comida. (Os discípulos pareciam ter uma habilidade para perder momentos importantíssimos.) A mulher que se aproximou do poço de Jacó estava vivendo uma vida de rejeição. A Bíblia claramente nos diz que ela veio ao meio-dia (a sexta hora), e as mulheres normalmente vinham pela manhã para tirar água para cozinhar e à tarde, para tirar água para tomar banho e limpeza. Eu acho que ela queria evitar os comentários picantes e olhares de julgamento das mulheres da cidade.

Jesus viu além dos múltiplos maridos dessa mulher e sentiu a necessidade do seu coração. Ela admitiu ter muitos maridos, mas não fez menção de filhos. Talvez isso indique que ela era uma mulher estéril. É possível que ela tivesse ido de marido a marido procurando por alguém para lhe dar filhos? Será que ela passou por toda aquela dor somente para reconhecer no final que o problema estava com ela?

À medida que andava para o poço de Jacó, ela, provavelmente, pensou que teria caído em algo muito pior do que as línguas afiadas das mulheres da cidade – havia um rabino Judeu esperando lá. Eu quase posso ouvir seus pensamentos: Ele provavelmente é um fariseu que guarda cada minúcia e título da antiga lei de Moisés – inclusive a exigência de não fazer negócios com samaritanos. Então, o inconcebível aconteceu: o santo Homem judeu disse: “Eu gostaria de um pouco de água.”

Ela esperava ser rejeitada, mas não estava preparada para o pedido de Jesus: “Como você pode me pedir isso? Você é judeu, e judeus não devem nem mesmo falar conosco.” (Esta é uma “versão Tenney de João 4:9) Naquele momento, Jesus embarcou em uma complexa viagem de levar uma alma a um lugar de fome, fazendo perguntas e afirmações intrigantes que a direcionava profundamente para dentro da conversa.

Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: dá-Me de beber, tu Lhe pedirias, e Ele te daria água viva. Disse-lhe a mulher: Tu não tens com que tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva?- (João 4:10-11 – NKJV).

JESUS ESTAVA FALANDO SOBRE ÁGUA VIVA E ADORAÇÃO

Por fim, Jesus deu à mulher a entender que Ele não estava falando do tipo de água encontrada no poço de água de Jacó. Ele estava falando da água viva e adoração. Ele revelou o propósito para o seu encontro divino quando Ele disse:

Mulher, crê-Me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai… Mas a hora vem e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. – (João 4:21,23-24 – NKJV).

Aquela mulher samaritana que tinha andado até a fonte de Jacó com sede de água da fonte, terminou encontrando a Fonte da Vida e descobriu que, na verdade, ela estava com sede de água viva. Jesus disse-lhe: “O Pai está buscando a tais para O adorarem.” A única coisa que o Pai está ativamente buscando são adoradores!

NÃO HAVERÁ PASTORES NO CÉU

Este encontro com a mulher no poço é uma figura da incessante busca de Deus por adoradores. Você percebe que não haverá pastores no Céu? Nem haverá apóstolos, pregadores, evangelistas, mestres de escola dominical, membros do conselho da igreja, anciãos ou diáconos, também. Isto é porque a única “descrição de trabalho” no Céu é de adorador. Na Terra, você pode ser um pastor e também um adorador, ou um professor de escola dominical e um adorador, mas você tem de entender que nosso primeiro chamado é para adorar o Pai em espírito e em verdade. O que você faz na vida pode variar, mas todos os reais filhos e filhas apaixonadamente amam seu pai.

Deus sabe de todas as coisas – e Ele sabe onde tudo está escondido. Ele não precisa de ouro ou pedras preciosas, mas sabe onde cada grama de ouro está escondida e pode apontar Seu dedo a cada pedra preciosa encravada em pedra bruta na terra. Ainda assim, há uma mercadoria que é mais preciosa do que todas as outras juntas, pela qual Deus procura incessantemente – um adorador que livremente ofereça amor, louvor e adoração a Ele em espírito e em verdade. A pura adoração de Seus filhos feitos à Sua imagem é excepcionalmente rara porque vem de apenas uma fonte em todo o Universo criado – nós. Nossa adoração está escondida atrás da pedra da vontade do homem – e Deus Se recusa a violar nossa vontade e mover a pedra.

Deus está em uma missão para povoar o Céu com adoradores por uma razão realmente boa. Quando lúcifer caiu do Céu, eu creio que um aspecto crucial da adoração celestial caiu com ele. Se você fosse acostumado a ouvir um quarteto cantar em harmonia das quatro partes, iria imediatamente sentir falta de algo se uma das vozes se retirasse. Você sabe como costumava ser e como deveria ser o som. No momento em que uma dessas vozes fosse removida, você diria: “Bem, está bom, mas algo está faltando.”

DEUS SENTE FALTA DA CANÇÃO QUE VEM DO CORAÇÃO

Deus Se lembra de quando lúcifer e os filhos da manhã costumavam cantar Seus louvores com beleza e poder sobrenaturais. E como se Ele dissesse: “Quando é que aquilo será restaurado?” Ele ainda está cercado por serafins de seis asas que declaram incessantemente Sua glória, mas Ele sente falta da canção que vem do coração.

Apesar de anos de pesquisa, eu não consigo encontrar um único lugar na Bíblia onde a música é mencionada como uma parte do ambiente do Céu após a queda de satanás. Eu tenho perguntado a inúmeros teólogos sobre isto. A maioria deles me responde dizendo: “Bem, Tommy, você se lembra do que os anjos cantaram no nascimento de Cristo em Belém, não se lembra? Eles cantaram: ‘’Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem.”

Naquele ponto, eu gentilmente me dirijo a eles com as passagens bíblicas nos Evangelhos. “Não, se você ler cuidadosamente, você verá que a Bíblia não diz que eles cantaram. Eu realmente detesto atrapalhar nossas maravilhosas peças de Natal e hinos de feriado. Eu não vou impedir que suas crianças se vistam de anjinhos e cantem na cantata de Natal, então não se preocupem com isto. Eu só quero que vocês saibam que a Bíblia, na verdade, diz:

E, subitamente, apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem. – (Lucas 2:13-14).

Em Jó 38:7, lemos: “[…] quando as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus?” O contexto claramente coloca este evento na própria criação do Universo exatamente antes da queda de lúcifer. Após a queda, não consigo encontrar nenhuma referência bíblica literal para canto ou música no Céu. Eu não tenho problema com pessoas que dizem: “Bem, eu tive uma visão e vi anjos cantando.” Eu só estou dizendo que não pude encontrar isto mencionado na Bíblia depois que satanás foi expulso do Céu.

Se a música caiu quando satanás caiu, então explica por que a maior parte da influência satânica em nosso mundo vem do reino da música. A música é seu local, então não deveríamos nos surpreender com o fato de que o primeiro lugar de onde os problemas geralmente acontecem na maioria das igrejas é na área do louvor e adoração. Obviamente, nem toda música “vem de satanás”, mas ele exerce grande influência pela música. Isto também explica algo mais…

A Igreja passa horas incontáveis elaborando sermões, arranjando partituras de música e ensaiando corais e cantores para ter certeza de que eles estão realmente corretos. Mas independente do quanto de energia gastamos buscando a excelência nessas áreas, devo lhes dizer que nunca iremos competir com as orquestras sinfônicas do mundo ou as bandas e artistas apresentados na MTV ou VH1. De fato, não temos de competir nessas arenas!

Antes que você feche este livro e o jogue na lata de lixo, quero que você entenda algo:

NOSSA MÚSICA TALVEZ NUNCA SEJA TÃO BOA QUANTO A MÚSICA DO MUNDO, PORQUE NOSSO SISTEMA DE VALORES É DIFERENTE DO SISTEMA DO MUNDO

 

NÃO ESTAMOS ATRÁS DA PERFEIÇÃO TANTO QUANTO BUSCAMOS A PRESENÇA

Quando a Igreja volta todo o seu alvo e todas as suas energias na direção da perfeição técnica e profissional de nossa música bem ensaiada, de nossos artísticos sermões e nossos cultos firmemente planejados, podemos inconscientemente começar a competir na arena errada. Precisamos permanecer na arena na qual ninguém pode competir conosco – a arte e a habilidade de atrair a presença manifesta de Deus. Perfeição técnica pode ganhar o louvor dos homens, mas somente a unção e a glória de Deus podem derreter seus corações endurecidos.

Em certo ponto, temos de diminuir o volume do homem e aumentar o volume de Deus. Um encontro como o da estrada de Damasco vai transformar um assassino como o Saulo em um mártir chamado Paulo em menos de trinta segundos. Música aperfeiçoada não fará isso, mas louvor aperfeiçoado deverá atraí-Lo, e Sua presença se fará!

POR QUE DEUS É ATRAÍDO COM NOSSO MEDÍOCRE LOUVOR?

Por essas razões, eu acredito que a música caiu quando satanás caiu. Será que isso significaria que quando Deus quer este aspecto da adoração, Ele tem de vir à Terra para ouvir? Eu não quero ofender ninguém, mas tenho de fazer esta pergunta onde quer que eu vá: Você já pensou por que Deus é atraído com nosso medíocre louvor1

O Senhor usou minha filha mais nova para responder essa pergunta para mim. Onde quer que eu vá, carrego essa obra de arte sem preço comigo. Às vezes, quando estou em algum aeroporto, eu a tiro de dentro da minha maleta somente para olhá-la e manuseá- la. Não é uma pintura a óleo, nem foi feita com carvão ou guache. Ela é o que eu chamo de “rabisco de lápis num bloco de folhas amarelas” tamanho médio. O texto rabiscado à mão nessa peça de arte é geralmente difícil para a maioria das pessoas lerem, mas eu tenho um dom paternal de interpretação! Francamente, a escrita é realmente medíocre, mas você consegue decifrar as palavras:

“Eu amo Deus. Para Deus, com carinho, Andréa Tenney.”

E realmente insignificante nos padrões adultos e não significaria nada para você, mas é inestimável para mim. Algum dia, irei ajuntar uma caixa cheia de outras obras-primas rabiscadas com lápis de cera de volta para casa. Cada uma delas é especial para mim. O que as torna preciosas para mim? Não é porque são tão artisticamente feitas nem é a qualidade da escrita que toma essas coisas atrativas ao meu coração; é quem as desenhou! E o meu relacionamento com a criança.

Os desenhos de lápis de cera das minhas crianças não significariam nada para você. E os desenhos dos seus filhos não significariam nada para mim. Da mesma maneira, os anjos do Céu que circulam o trono de Deus com louvor incessante e magnífica adoração coçam a cabeça quando, de repente, a divindade se inclina para frente e diz: “SSSHHHHHH!” Quando eles caem num rápido silêncio obediente, Ele diz: “Eu acho que estou escutando algo…”

TUDO PARA, QUANDO O DEUS ALTÍSSIMO ESCUTA NOSSO MEDÍOCRE REFRÃO

Os serafins de seis asas estavam simplesmente fazendo o que eles foram criados para fazer. Estavam entoando os louvores de Deus em perfeição e agitando a atmosfera com suas asas, enquanto cobriam a face e os pés em humildade. Então, tudo para quando o Deus Altíssimo ouve o comovente refrão subindo levemente do caos da Terra abaixo: “Ele é santo, Ele é santo.” Deus rapidamente comanda aos anjos: “Fiquem quietos.” (Eu quase posso ouvir os anjos atrás sussurrando uns aos outros: “Lá vai Ele novamente.’’)

Você consegue ver os arcanjos Miguel e Gabriel conversando e dizendo: “Eu não sei o que dá n’Ele; toda vez que os ouve, Ele faz isso. Esse louvor é tão medíocre…” Achamos que estamos fazendo tão bem quando pintamos uma obra prima, quando o quarteto atinge a nota final em sua melhor harmonia de quatro partes, quando o coral traz a multidão aos seus pés. Ao mesmo tempo, os anjos que uma vez ouviram lúcifer, o arcanjo, sacudir os céus com adoração tempestuosa e música celestial comovente, estão dizendo: “O que é o homem mortal para que te lembres dele? E o filho do homem para que o visites?” – (Salmos 8:4 – NKJV).

Alheio a toda pergunta sussurrada, Deus faz calar os anjos e diz a Miguel e a Gabriel:

“Olha, Eu vou ter de deixar isso com vocês.” “Por quê? O que é isso Senhor?”

“Bem, vejam vocês, eu ouvi algo que simplesmente não posso ignorar. Eu ouvi a canção dos redimidos novamente…”

O ALTÍSSIMO DEIXA SEU TRONO PARA SE AJUNTAR AO ACONCHEGO DOS ADORADORES PROSTRADOS

Numa piscar de olhos, a presença manifesta de Deus é transportada do Céu para o meio do aconchego de adoradores prostrados, reunidos em um círculo de canções banhadas a lágrimas: “Santo, Santo, Santo é o Senhor…”

Deus deixa o Seu trono magnífico no Céu e vem à Terra para ser entronizado nos comoventes louvores de Seu povo. Podemos achar que os nossos cultos de louvor e adoração são maravilhosos enquanto os anjos no Céu estão dizendo: “Eu não entendo. Este é um desenho medíocre de lápis, comparado ao que fazemos no Céu.” Deus não é atraído pela qualidade da nossa adoração ou por nossa habilidade musical. É por causa de quem nós somos. Ele é atraído por causa do Seu relacionamento com os adoradores. Somos Seus filhos!

Eu quase posso ouvi-Lo explicando a Miguel e Gabriel: “Bem, eu sei que eles não conseguem cantar ou fazer a música celestial que vocês ouviam quando lúcifer estava aqui, mas são Meus filhos e filhas”. Jesus teve de explicar isto aos fariseus. Ele lhes disse: “Nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito saem o perfeito louvor?” – (Mateus 21:16).

Quem pode resistir ao som da voz ainda falando errado de uma criança de dois anos de idade dizendo: “Te amo, papai!” Não é a perfeição de sua dicção que comove nosso coração. Não somos movidos pela pura habilidade oradora de seu enunciado. E o coração ingênuo que nos faz pegar aquela criança em nossos braços em uma onda de emoção.

Quando levantamos nossos “desenhos de lápis” para o Céu com as palavras desajeitadamente rabiscadas: “Eu amo você, Deus. Com carinho: Tommy Tenney”, Ele deixa o trono do Céu e é literalmente entronizado sobre nosso medíocre louvor. Deus disse: “Não importa o quão belo eles façam. Eles são Minha descendência.” Ele preferiria ouvi-los errar ao longo de uma canção com uma voz semelhante a uma buzina estridente do que ouvir o serafim de seis asas rodeando-O com cantos de “Santo” nos tons da perfeição celestial.

CANTAREMOS UMA CANÇÃO QUE OS ANJOS NÃO PODEM CANTAR

A música pode ter caído do Céu quando o angélico líder de adoração foi expulso por rebelião, mas Deus tinha um plano para restaurar a música do Céu mediante Seu plano de redenção para o homem. Satanás não é o único ser equipado e ungido para cantar ao Altíssimo. Nosso louvor e nossa adoração podem soar medíocres para os ouvidos dos anjos, mas a Bíblia diz que, quando entrarmos naquela cidade santa, cantaremos uma canção que os anjos não podem cantar. – (Veja Apocalipse 15:2-3) Quando entrarmos cantando o cântico de Moisés e o cântico dos redimidos, o anfitrião celestial irá cair em um silêncio pasmado por trinta minutos, como se eles estivessem comentando: ‘‘Nunca ouvimos isso deste jeito.”

Lúcifer foi expulso do Céu porque ele queria ilegalmente ascender ao nível de Deus e assentar em Seu trono. Deus decretou que os santos redimidos do Cordeiro estarão assentados no trono com Ele – bem onde lúcifer queria estar, e não pode. Deus vai literalmente usar adoradores imperfeitos para constranger lúcifer, a estrela da manhã caída. O homem, que foi feito um pouco menor do que os anjos, e será elevado acima de todos os anjos e se assentará no trono de Deus junto a Ele. – (Veja Salmos 8:4-5; Efésios 2:6; 2 Timóteo 2:12).

JESUS DISSE: “EU ACHO QUE ENCONTREI ALGUÉM…”

Você sabe o que Deus come quando está com fome? “Adoração”. Você se lembra da mulher do poço, quando Jesus lhe disse sobre Sua água viva? E disse que Seu Pai estava buscando verdadeiros adoradores? Ela deu a resposta que Ele estava procurando. Ela disse: “Eu quero essa água.” Naquele momento, Jesus deve ter meditado: Eu acho que encontrei alguém. É isso que Eu estava esperando.

Quando os discípulos voltaram, eles disseram: “Senhor, compramos Seu sanduíche; ou “Aqui está o Seu Big Mac do MacDonald’s, Mestre.” Eles ficaram chocados quando Jesus disse: “Eu não estou com fome. Eu tive carne para comer sobre a qual vocês não entendem.” É como se Ele estivesse pensando: Vocês não iriam entender isso, mas, no poço, Eu recebi adoração de uma mulher rejeitada. Eu fiz a vontade do meu Pai e encontrei uma adoradora. Depois daquela festa, Eu não preciso de nada que vocês têm para Mim. – (Veja João 4:31 -34).

Deus vem à Terra porque Suas dores intensas por adoradores O atraem ao louvor imperfeito dos Seus filhos que dizem: “Eu amo Você, Papai”. Ele não está particularmente impressionado com nossos refinados cânticos e templos multimilionários. Isso é totalmente medíocre aos padrões celestiais, mas é precioso para Ele porque Ele nos ama.

“Vermelhas e amarelas, pretas e brancas. Elas são preciosas aos olhos d’Ele. Jesus ama as criancinhas do mundo.”

Ele vem porque nós levantamos um infantil louvor imperfeito com corações cheios de amor – como uma criança estendendo-se para cima e um Pai estendendo-se para baixo para um abraço.

Ele sai para povoar o Céu com adoradores que possam cumprir aquela parte que faltava, que tem estado ausente desde que lúcifer caiu. Jesus ouviu a mulher no poço à procura daquela “nota alta” de transparência de pureza. Ele lhe deu a oportunidade de responder a uma questão cuja resposta Ele já sabia: Você consegue alcançar esta notai Ele quis saber, à medida que procurava, debaixo da “rocha da vontade humana”, por um adorador. Então, Jesus disse à mulher: “Vai buscar seu marido.”

Ela poderia ter escondido seu pecado ou coberto sua vida quebrada com as folhas de figo de uma mentira, mas por uma vez em sua vida ela pensou: Não, eu sei que não é muito bonito, mas eu vou dizer a Ele a verdade. Então ela disse: “Eu não tenho marido.”

Ela podia ter escondido seu pecado, ou recoberto sua arruinada vida com as folhas de figueira de uma mentira, mas pela primeira vez em sua vida, ela pensou: Não, eu sei que não é muito bonito, mas eu vou Lhe dizer a verdade. Então ela disse: “Eu não tenho marido.”

Jesus não podia mais conter Suas emoções e a interrompeu para dizer: “Bem disseste, não tenho marido; porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.” – (João 4:17-18).

Esta foi a nota alta de transparência e pureza que Ele estava procurando. Agora Jesus tinha algo com que podia trabalhar. Ele começou a falar com a samaritana sobre água viva. Logo que Ele terminou, ela estava pronta a abandonar seus potes de água no poço. Então, correu de volta para a vila para contar ao povo que tinha deixado tudo por causa do incrível Homem no poço. Ela estava tão transformada que a mesma mulher a quem toda a vila tinha rejeitado agora os levava ao poço de Jacó para conhecer a Fonte da água vida. Uma conversa com o Mestre trouxe credibilidade àquela mulher – ela teve um encontro de adoração com Ele e toda a vila a escutou.

DEUS ESTÁ TESTANDO CORAÇÕES PARA UM CORAL CELESTIAL

Deus está indo a todos os cantos da Terra neste exato momento, testando corações para ver quem vai se tornar um verdadeiro adorador em Seu coral celestial. Ele não está ouvindo a qualidade técnica das nossas vozes ou avaliando nossas variedades vocais. Essas coisas não têm importância para Ele porque Seu primeiro interesse é a canção do coração. Talvez você seja um dos muitos que estão desesperados por um encontro com Deus; e está de tal modo, que algo dentro de você o impulsiona a uma apaixonada e faminta canção do coração. Posso lhe dizer uma coisa? Ele está em pé aí bem à sua frente dizendo: “Continue cantando. E exatamente por isso que Eu vim.”

Se soubesse quão perto Ele está de você e quão cuidadosamente ouve a cada “Amém” sussurrado e a cada crepitar do seu coração quebrantado, você estaria surpreso. A única coisa que o Pai efetivamente procura são adoradores. Ele ama e unge as pessoas que a maioria de nós considera “importantes”, como pregadores, líderes de louvor e músicos, mas o que Ele realmente necessita é de adoradores. Isso me faz querer gritar: “Venha Irmã “B”, cante!” Não se preocupe, Deus tem colocado o ouvido d’Ele em seu coração para ver se você consegue atingir aquela nota. Você consegue?

“Pai, queremos um encontro Contigo que nos faça deixar os nossos potes no poço da religião do homem. Queremos um encontro Contigo do qual não possamos nos restabelecer. Transforme nossa refeição em aceitação. E nossos poços empoeirados e secos em experiências de uma fonte interior. Queremos Lhe dar a melhor parte – nós Lhe damos louvor e adoração e ações de graça em nome de Jesus.”

Prossiga adorador, adore! Ele está ouvindo!

Deus está procurando adoradores neste exato momento. E a única coisa que O traz do Céu para a Terra. É o material de construção para Sua casa favorita. Lembre-se de que a adoração é para Ele; ela é a Sua melhor e favorita parte. Não é hora de cercarmos Aquele a quem amamos com louvor e adoração incessantes?

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

POSITIVO E SEMPRE AVANTE

Há evidências de que uma vida social e psicológica feliz, comprometida e satisfatória não é apenas fruto da boa saúde, mas o que leva à longevidade

Positivo e sempre avante

Todos nós provavelmente já experimentamos ter um dia agradável e produtivo e, ao retornar para casa, ser acometidos por uma sensação de vitalidade e bem-estar. Agora, imagine uma sequência de dias assim, durante toda uma vida, marcados por diversas emoções positivas. O resultado? Provavelmente você viverá melhor e por mais tempo. Longevidade é a longa duração de uma vida significativa e vigorosa, segundo a definição adotada por cientistas, médicos e pesquisadores. Ela pode estar relacionada a uma variedade de fatores, incluindo hereditariedade, gênero, status socioeconómico, nutrição, apoio social, assistência médica e características de personalidade e comportamento. Esses fatores podem operar ao longo ou em fases específicas da vida. Por isso, atualmente os especialistas dizem que acabou o tempo em que envelhecer significava “murchar” para a vida. Hoje, a perspectiva de os adultos chegarem aos 100 anos é a maior em toda a história.

Qual será, então, o segredo? Inúmeros cientistas estão tentando descobri-lo e já chegaram a algumas conclusões importantes. Um estudo clínico publicado nos anos 2000 pelo periódico Mayo Clinic Procedings com 839 pacientes mostrou que as pessoas otimistas tiveram uma expectativa de vida 19% maior. Já um estudo holandês realizado com quase 1.000 pessoas entre 65 e 85 anos mostrou que a maioria das cansas de mortalidade foi reduzida entre os otimistas. Uma possível explicação, segundo os pesquisadores, é que as pessoas otimistas talvez sejam mais capazes de enfrentar adversidades e talvez sejam mais capazes de cuidar de si próprias quando ficam doentes.

Contudo, só o otimismo não explica tudo: um estudo de Ohio com 660 pessoas com mais de 50 anos mostrou que, após 23 anos, aqueles que encaravam o envelhecimento como uma experiência positiva viveram em média 7,5 anos a mais. Por fim, em um estudo dinamarquês com 3.966 gêmeos de 70 anos ou mais, o bem­ estar subjetivo, avaliado em uma escala afetiva de três pontos, previu aumento da longevidade. Avaliar a própria vida positivamente é um motivador potente para uma vida longa e de qualidade.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade. Será que estamos, então, buscando apenas viver sem doenças ou perseverando para termos bem-estar de forma plena e constante?

Para que seja possível alcançar uma vida longeva, portanto, não basta simplesmente não estar enfermo, mas também possuir um alto nível de bem-estar subjetivo (subjetive well-being). Ele tem a ver com o modo como as pessoas avaliam suas vidas, com base em julgamentos relacionados à satisfação pessoal e avaliações baseadas na qualidade de sentimentos e emoções. Quando as pessoas sentem um humor triste ou uma emoção alegre é porque percebem que suas vidas estão indo mal ou bem. Evidências indicam que um alto bem-estar subjetivo (pontuado por índices como satisfação com a vida, ausência de emoções negativas e presença de emoções positivas) causa melhor saúde e, adivinhe: longevidade.

Assim, se um alto bem-estar subjetivo é capaz de propiciar a adição de 4 a 10 anos de vida em comparação a um baixo bem-estar subjetivo, no mínimo esse é um resultado digno de atenção. Quando se considera que os anos vividos por uma pessoa feliz são mais agradáveis e experimentados com uma saúde melhor, a importância dos achados do bem-estar subjetivo e da saúde positiva torna-se ainda mais relevante.

Nesse sentido, entre os estudos de longo prazo mais conhecidos que mostraram a possível ligação entre ativos psicológicos positivos e resultados de saúde está o famoso “estudo das freiras”. De acordo com essa pesquisa longitudinal, publicada no periódico Journal of Personality and Social Psychology, um grupo de freiras católicas que eram parte das Irmãs da Escola de Notre Dame, nos Estados Unidos, escreveu ensaios autobiográficos quando tinham uma média de 22 anos de idade e se juntaram à Irmandade. Seis décadas depois, os pesquisadores que acessaram o arquivo do convento analisaram o conteúdo emocional de 180 ensaios em termos de positividade e investigaram se isso tinha alguma ligação com a mortalidade das religiosas, quando as mesmas respondentes atingiram idades entre 75 e 95 anos.

De fato, o conteúdo emocional positivo foi significativamente relacionado à longevidade. As freiras que expressaram mais emoções positivas em seus ensaios, surpreendentemente, viveram em média 10 anos a mais do que aquelas que expressaram menos emoções positivas. Em outras palavras, as freiras mais felizes viviam mais que as freiras menos felizes (mas não deprimidas). Isso aponta para a necessidade de repensarmos a forma como encaramos o conceito de “saúde” se quisermos estar preparados para viver longamente e com qualidade de vida. No Brasil, o processo do envelhecimento é um dos mais rápidos do mundo. Em 2000, a proporção de pessoas com mais de 60 anos era de 9% da população. Em 2050, deverá ultrapassar 29%. O que significa que daqui a três décadas nossa população estará mais envelhecida do que a de qualquer outro país, com exceção do Japão. O envelhecimento é um tema de imensa importância não só para o indivíduo, mas também para toda a sociedade, inclusive para a economia. Não se trata apenas de viver mais. Trata-se, principalmente, de viver mais e melhor. A longevidade, portanto, não é uma utopia. Seja qual for a sua idade, você pode começar a construir agora mesmo os pilares para uma vida mais positiva, longa e saudável.

 

FLORA VICTÓRIA – é presidente da SBCoachng Training, mestre em Psicologia Positiva Aplicada pela Universidade da Pensilvânia, especialista em Psicologia Positiva aplicada ao coachng. Autora de obras acadêmicas de referência. Ganhou o título de embaixadora oficial da Felicidade no Brasil por Martin Seigman. É fundadora da SBCoachng Social

 

OUTROS OLHARES

GUARDA-ROUPA DIGITAL

De origem americana, o hábito de alugar peças de vestuário por assinatura cresce no Brasil. O serviço agrada principalmente às mulheres dos 20 aos 35 anos

Guarda-roupa digital

Tudo se compartilha: filmes, apartamentos de temporada, músicas e carros. Em tempos de Netflix, Airbnb, Spotify e Uber, consumir um produto sem ter sua propriedade é uma das características de comportamento que mais refletem os humores do século XXI. Há, nessa tendência, uma novidade: o aluguel de roupas. Crescem, nos Estados Unidos e na Europa, e agora também no Brasil, as lojas físicas ou startups que oferecem peças finas mediante um pagamento mensal.

O negócio nasceu em 2009, com a nova-iorquina Rent the Runway. Hoje, o serviço tem listados, e guardados em imensos galpões, mais de 450.000 modelos. Com o equivalente a 600 reais, alugam-se até quatro itens por vez, sem tempo estabelecido de devolução. A Rent the Runway foi recentemente avaliada em 1 bilhão de dólares, o que a instalou no grupo dos unicórnios (termo utilizado para designar as startups que atingiram tal valor de mercado). No Brasil, passa­ dos dez anos da explosão americana, a ideia já desembarcou com vigor: existem pelo menos dez marcas em quatro capitais – São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre. As assinaturas, por aqui, começam em 50 reais mensais e chegam a 550 reais. A diferença varia de acordo com a quantidade de peças e o prazo para a devolução dos produtos. Com o valor de largada, retira-se uma peça por vez e permanece-se com ela por no máximo dez dias. Nas versões mais caras, o consumidor tem direito a um número ilimitado de peças, mas só pode levar três itens de cada vez e tem o direito de guardá-los durante quatro semanas. A escolha é feita on-line e, se quiser, o cliente nem precisa ir até a loja (as entregas são feitas em casa). Diz a administradora de empresas Eduarda Ferraz, sócia da Clorent, uma das maiores do gênero em São Paulo: ”As pessoas gostam porque é prático e econômico”.

Na ponta do lápis, as assinaturas valem, sim, a pena – especialmente para quem aprecia modelos da alta­ costura. Por 319 reais, por exemplo, podem-se usar ao longo de um mês um vestido Valentino, uma calça Bobô, um casaco Yves Saint Laurent, um macacão Rosa Chá, um blazer Lorane e uma saia Gucci. Essas seis peças juntas custariam uma loja a bagatela de 14.720 reais. É possível também alugar apenas um item por vez. Mas, em geral, o aluguel unitário nessas em­ presas equivale em média a 15% do valor da roupa. Só o vestido Valentino custaria mais ou menos os 319 reais da assinatura. Dois dos grandes desafios do negócio são evitar a repetição dos modelos e executar a lavagem das roupas. A pioneira Rent the Runway mantém o próprio serviço de limpeza, com capacidade para lavar e secar 2.000 peças por hora. No Brasil, a lavanderia ainda é terceirizada.

Os homens que se interessarem pelo assunto, infelizmente, não poderão aderir ao ser viço. Até o momento não existem empresas com ofertas ao público masculino – nem aqui nem nos EUA. Mas isso pode mudar no futuro, marcadamente entre os mais jovens. Segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do Serviço de Proteção ao Crédito, 89% dos brasileiros que já experimentaram alguma forma de consumo colaborativo com roupas aprovaram o modelo. O serviço agrada às consumidoras das gerações Y e Z (na faixa dos 20 aos 35 anos). “A moda compartilhada pegou porque tem um viés de sustentabilidade importantíssimo para a sociedade moderna – e os mais novos estão ligados no fim do desperdício”, diz Bruna Ortega, especialista em beleza e moda na WGSN, empresa de análise de tendências. A indústria da moda realmente é uma das mais poluentes. De acordo com uma pesquisa do instituto Boston Consulting Group, cerca de 100 bilhões de peças de vestuário são produzidas anualmente no mundo, e boa parte delas acaba sendo descartada em pouco tempo. Até 2050, a indústria da moda consumirá 25% da cota do carbono permitida. Compartilhar roupas, portanto, pode ser bom para o bolso e para a consciência.

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GESTÃO E CARREIRA

OS DESAFIOS DO PSICOPEDAGOGO NA EMPRESA

A atuação do especialista é fundamental, especialmente porque algumas corporações não contam com uma gestão de desenvolvimento humano eficiente, atribuição específica da Psicopedagogia

Os desafios do Psicopedagogo na empresa

O psicopedagogo na empresa, muitas vezes, encontra alguns desafios, principalmente quando os funcionários não conhecem essa atividade e a atuação do profissional na organização. É um trabalho de construção de confiança e certeza de que objetivos traçados pela direção serão alcançados em coletividade. Não melindrar chefes e encarregados, que a princípio percebem, erroneamente, um trabalho para espionar setores, algo que os venha prejudicar. É essencial, porém, que vencida essa etapa as relações assumam a tendência de ser muito boas e bem definidas. No início é um trabalho de reconhecimento, observação, aprendizado, porque lida com vidas. Lidamos com seres humanos e, nesse caso, somos sempre aprendizes de nós mesmos.

A atuação do psicopedagogo faz-se necessária, e talvez única, por não haver, em algumas empresas, uma gestão de desenvolvimento humano, isto é, que olhe seu colaborador não apenas como aquele cuja mão de obra é necessária para a produção constante e desenvolvimento da empresa, mas também como aquele cujo crescimento profissional e humano depende da humanização do ambiente. E humanizando o ambiente os funcionários ficarão mais motivados e produzirão mais. Muitos desconhecem o valor do trabalho psicopedagógico dentro das organizações, sejam elas de cunho educativo, religioso, empresarial, entre outros. Não é difícil vincular o trabalho desse especialista somente à es- cola, que é sua área de atuação. Porém, sua atividade possui uma abrangência significativa. Não só nos diagnósticos de déficit de atenção e dificuldades de aprendizagem e seus diversos fatores, como também na área da saúde hospitalar, na implementação de projetos educativos e socioeducativos das empresas, por exemplo.

A Psicopedagogia preocupa-se com a aprendizagem e seu desenvolvimento normal em um contexto. Levando em consideração a realidade interna ou a realidade externa daquele que aprende, sem deixar de lado os aspectos afetivos e sociais que estão envolvidos em tal processo. Até por- que, historicamente, o psicopedagogo está ligado à educação. É uma área cujo objetivo é o ser que aprende, como aprende e de que maneira esse aprendizado se insere e o insere no ambiente do qual faz parte.

 INTER-RELACIONAMENTO

A área de Treinamento & Desenvolvimento da empresa é muito importante para sua saúde interna. É preciso ter profissionais treinados e desenvolvendo seus talentos. A Psicopedagogia, dentro da empresa, atua diretamente com o inter-relacionamento entre todos que fazem parte do seu dia a dia, no desempenho dos funcionários, porém, nunca deixando de perceber o outro de forma homogênea e não fragmentada. Onde esse funcionário possui uma história anterior, possui um saber específico, um saber emocional, e tudo isso faz parte de sua formação e deverá estar ligado à sua história na empresa, enquanto ali permanecer, e levará todo esse aprendizado adiante.

Dentro da empresa, o psicopedagogo procura atuar na superação das dificuldades de relacionamento de um grupo, cabendo também a ele levar a empresa a vencer as fragmentações de setores e trabalhar de forma interdisciplinar. Através de intervenções, o psicopedagogo vai auxiliar um determinado grupo, observando como reage em diversos momentos de trabalho, como funciona, como lida com suas frustrações e erros. Assim, o psicopedagogo estará onde houver relações sociais, seja no setor da educação, em hospitais ou empresas.

No momento atual sobreviverá, na sociedade, o profissional mais formado, o mais estruturado, o mais competente. Daí advém o vínculo psicopedagogo-empresa, atuando de forma eficaz na formação desse funcionário, investigando o processo de aprendizagem do indivíduo e seu modo de aprender, identificando áreas de competência e limitações, visando entender as origens das dificuldades e/ou distúrbio de aprendizagem apresentado. O psicopedagogo poderá necessitar do auxílio de outros profissionais, como o neurologista, psicólogo e fonoaudiólogo para aprofundar sua investigação. Os instrumentos de avaliação podem incluir diferentes modalidades de atividades.

Dentro da empresa, em geral, o psicopedagogo está ligado ao setor de RH (Recursos Humanos). Na gestão organizacional, o setor de RH tem como função frequente atrair, treinar, desenvolver e reter os colaboradores da organização. Essas atividades podem ser realizadas por uma pessoa ou se formar um departamento ou setor com profissionais ligados ao RH, que atuarão em conjunto com os diretores da organização, alinhando políticas de RH com a cultura organizacional da empresa. Modernamente é utilizado o termo Gestão de Pessoas, que visa englobar todas as atividades envolvendo as pessoas da empresa. A valorização do capital humano passou a ser uma prioridade dentro das organizações, partindo do pensamento que se forem agregados valores às pessoas, isso as motivará. E valorizadas, contribuirão de forma produtiva em relação aos objetivos estratégicos da organização.

O setor de RH das empresas, em geral, está ligado a: recrutamento e seleção de pessoal; treinamento e desenvolvimento; avaliação de desempenho; remuneração (cargos e salários); benefícios; eventos, confraternizações, entre outras atividades de cunho motivacional.

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AVALIAÇÃO E FEEDBACK

Entre as várias atividades do psicopedagogo na área de T&D da empresa está, também, a de avaliar o desempenho dos colaboradores em suas áreas de atuação. Obviamente, esse especialista não conhece todas as ferramentas utilizadas em todas as atividades exercidas dentro da empresa, e nem tem essa pretensão. Porém, ele pode avaliar a maneira como essas atividades são desenvolvidas.

Há chefes de setores que confundem habilidades técnicas (falta de preparo suficiente para apresentar um produto, não conhecimento e/ou do- mínio insuficiente de um produto, falta de técnicas para passar uma informação adiante) com habilidades comportamentais (impaciência, insegurança, resistência, agressividade) e não têm isenção suficiente na hora de avaliar seus subordinados. Assim, o especialista poderá organizar esse trabalho, de forma que todos saibam o porquê de estarem sendo avaliados, os motivos, os objetivos da avaliação, o que isso significa para aqueles que fazem parte da empresa, a médio e longo prazo.

Alguns gerentes, antigos funcionários e encarregados podem não querer passar pela avaliação. Nesse momento, tudo fica mais delicado porque a situação está relacionada a crenças, medos, preconceitos, hábitos, vícios, culturas particulares e isso vai levar um tempo para ser aceito. Mas quanto mais rápido o processo for iniciado, mais rápido terminará. E quanto mais pessoas do RH estiverem envolvidas, mais rápido o resultado será elaborado.

A avaliação pode até ser feita apenas com os gerentes ou só com as pessoas da produção. Entretanto, há sempre a questão da finalização, isto é, de se terminar o que se começou. Se há uma demanda de avaliação, ela deve acontecer e o resultado deve ser logo devolvido.

Nesse momento, surge a pergunta: como fazer essa avaliação? Primeiro, saber o que cada função necessita. Quais os requisitos das funções; o que o colaborador possui em termos de competências para desempenhar essa função; dentro das competências que possui quanto de cada uma delas ele possui; traçar um paralelo entre o que a função necessita e o que é oferecido pelo colaborador.

As competências do colaborador podem não estar no mesmo nível das competências que a função necessita. O colaborador pode estar: acima das exigências da função que exerce; no mesmo nível das exigências da função que exerce; abaixo das exigências da função que exerce.

Se uma empresa possui um colaborador cujo nível de competência é superior ao que sua função necessita, não será o momento de mudar esse colaborador para outro setor com outras funções e atividades para extrair melhor o potencial que ele possui? Novos desafios? Perspectivas de crescimento?

Por outro lado, se o colaborador está no mesmo nível de sua função ele pode estar acomodado e satisfeito. Então, é preciso motivá-lo a alcançar novos horizontes. E se o colaborador está abaixo, ele será um desafio para o especialista de treinamento e desenvolvimento, porque terá que atingir as competências exigidas pela função. Vai ser necessário um plano de ação em relação às suas competências.

Cria-se um questionário avaliativo onde as próprias pessoas envolvidas respondem. Funcionará como um inventário, um levantamento comportamental. A partir dos resultados, será iniciado um mapeamento e uma intervenção em relação aos pontos deficientes que foram levantados. É importante lembrar que se um determinado funcionário nunca é pontual, isso é um fato apontado em sua avaliação. O que fazer? Primeiro, será necessário entender o que significa pontualidade para a empresa, quais indicadores estão ligados à pontualidade, e traçar um plano de ação para que aquele colaborador melhore esse indicador. Assim, o plano de ação não será genérico, e sim focado. Isso irá trazer uma economia de tempo e de custo financeiro para a empresa, porque oferecerá um treinamento específico no que precisa melhorar. Se uma pessoa da área de vendas não consegue ser objetiva na exposição de suas ideias, isso é um indicador, um sinalizador, e a competência que deverá ser trabalhada é a da comunicação, entre outras.

Conhecimentos, habilidades e atitudes. Esse conjunto é o que se espera que o colaborador tenha. Seja dos que já estão na organização, fazem parte dela ou daqueles que serão selecionados para fazer parte. E cada pessoa possui esse conjunto, mas em níveis diferentes, e é preciso “casá-los” com as funções que exercem.

Para esse tipo de avaliação é necessário que já tenham sido feitos: a descrição de cada função dos avaliados, quais as atribuições reais da função e o que o colaborador exerce realmente. Em muitas empresas o colaborador é multifuncional e é desviado de suas funções. É preciso analisar as competências do colaborador em relação ao que, de fato, a função necessita. Nem mais nem menos. A missão, visão, os valores e estratégias da empresa também devem estar bem definidos a essa altura (veja quadro Exemplo de avaliação).

Essa avaliação seria do gestor para o colaborador, não no sentido de punir, mas, sim de verificar gaps de relacionamento no/com o trabalho e construir atividades que diminuam ou superem essas dificuldades. É a difícil tarefa de quem treina e desenvolve, porém basta não ter pressa em relação aos resultados e desenvolver planos de ação focados nesses itens.

Sendo uma avaliação que só possui um olhar, do chefe para seu subordinado (também conhecida como 90º), é possível também aplicar uma avaliação 360º, porque essa é a visão de todos. É a autoavaliação, a avaliação dos colegas de trabalho, de superiores, clientes e fornecedores. Todos avaliam todos. Isso garante mais qualidade à avaliação. Contudo, nem todas as organizações estão prepara- das para elas. É preciso fazer um trabalho de conscientização na empresa para que todos percebam que é um trabalho de feedback. Muitas vezes um gerente não está preparado para avaliar seus subordinados, porque ele nunca está presente, ou não observa as coisas que acontecem ao seu redor. Como os resultados são obtidos, não está muito interessado em como esses resultados acontecem. Assim, muitas vezes um colega ou um encarregado está mais apto.

Não é um trabalho rápido, é de muita responsabilidade. Se a empresa não possui um setor de gestão de pessoas, um RH, existem consultorias no mercado que desenvolvem esse tipo de trabalho e que oferecem bons serviços. Ainda que a empresa seja peque- na, com poucos funcionários, vale a pena acompanhar o desenvolvimento de seus colaboradores em suas funções. Eles são os talentos humanos e é através deles que a empresa mantém sua saúde interna e desenvolve bom trabalho no mercado.

A realidade do mercado hoje é que várias empresas oferecem os mesmos produtos ou serviços, com os mesmos diferenciais, as mesmas facilidades. Portanto, o que vai sobrar como diferencial será o atendimento. E quem atende o consumidor de forma direta ou indireta é o capital humano da empresa. Por isso é importante investir em pessoas.

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EVOLUÇÃO

Sistemas de avaliação de desempenho sempre estiveram presentes na ação evolutiva da humanidade. O ser humano é avaliado pelos membros da sociedade, em sua família, no grupo ao qual pertence. Nas empresas, é um processo presente e de grande importância para a vida dos colaboradores e da evolução futura das organizações. No âmbito empresarial, sem a avaliação adequada não há sistema integrado e eficaz de gestão empresarial.

A avaliação precisa ter como objetivo principal a análise do desenvolvimento dos colaboradores, promovendo um melhor crescimento pessoal e profissional. Esse instrumento visa medir a competência do funcionário no exercício do cargo e desenvolvimento de suas funções, durante certo período de tempo.

De posse da avaliação, a organização poderá colher dados e informações acerca da performance de seus colaboradores e direcionar suas ações e políticas internas, no sentido de desenvolver a organização por intermédio de programas de melhoria do desempenho de seus funcionários. Alguns conceitos difundidos nas empresas e divulgados atualmente são novos, tais como estratégias de remuneração. Porém, outros, como a liderança, a qualidade e a valorização do ser humano ganham roupagem nova, mas sempre existiram de alguma forma.

Valorizar o ser humano é um assunto que volta a ser discutido. Essa tendência mais humanística está embasada nos princípios que se ocupam a considerar aspectos motivacionais, psicológicos e comportamentais dos colaboradores. O homem possui necessidades, desejos e sentimentos que devem ser considerados e analisados, porque influenciam comportamentos e desempenho de todos que fazem parte da organização.