PSICOLOGIA ANALÍTICA

ARREDIOS E GENIAIS

Dificuldade na interação social e tendência a comportamento repetitivo caracterizam a síndrome de Asperger. Portadores desse tipo de autismo, porém, têm inteligência e habilidades lógico-matemáticas notáveis.

Arredios e geniais

Por favor, não se cure. Soa pelo menos insólito o pedido dos alunos de um instituto em Nova York. Tão insólito a ponto de ter merecido um artigo no New York Times, jornal que acolheu os protestos de um grupo de adolescentes em que foi diagnosticada a síndrome de Asperger e outras formas do que os textos de psiquiatria definem como “transtornos do espectro autístico”.

A definição é recusada pelos jovens americanos portadores de Asperger, para os quais o seu modelo de raciocínio é simplesmente um modo diferente de pensar. “As nossas dificuldades não nascem de nós, mas da sociedade”, afirmam os adolescentes entrevistados pelo jornal nova-iorquino. E pedem que as escolas estimulem as suas capacidades intelectuais para ajudá-los a viver como os outros: os chamados normais ou “neurotípicos”, como os define, de forma polêmica parte da comunidade autística.

Não se trata de um protesto isolado: nos países anglo-saxões, nasceram associações como a Autistic Liberation Front, que propõe defender a dignidade dos cidadãos autistas, e sites que coordenam iniciativas contra as discriminações denunciadas por muitos deles.

A mobilização é, sobretudo, de portadores de Asperger ou “autistas high functioning, isto é, pessoas em que os traços característicos do autismo não são acompanhados por deficiências mentais, e que, não obstante, algumas dificuldades em manejar os códigos comunicativos “normais”, estão em condições de se fazer ouvir e entender. E de estudar com proveito: é para esses estudantes brilhantes e um pouco especiais, de fato, que estão aparecendo, nos Estados Unidos, escolas projetadas para oferecer ambiente didático estruturado e atividades de apoio na socialização, que é para eles o obstáculo mais difícil de superar.

A síndrome de Asperger recebeu seu nome de um pediatra vienense que, em 1944, descreveu pela primeira vez um grupo de crianças que mostravam alguns traços autísticos – dificuldade de interação social, falta de jeito, tendência a comportamentos repetitivos e estereotipados -, não associados, porém, com retardo mental, os adolescentes com Asperger têm em geral uma inteligência notável, superior à média particularmente nas disciplinas lógico-matemáticas.

Mas foram necessários 50 anos para que a síndrome de Asperger encontrasse lugar no Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-IV). E mesmo hoje a diferença entre Asperger e autismo high functioning precisa ser mais bem explicada, ainda que os dois distúrbios estejam classificados de maneira distinta. “Daqui a alguns anos, provavelmente estaremos em condições de operar uma distinção com base nas alterações genéticas e na estrutura cerebral, mas por ora os limites entre ambos são bastante nebulosos, explica Paolo Curatolo, professor de neuropsiquiatria infantil na Universidade de Roma.

Torna ainda mais confusa a situação a grande variedade de sintomas que caracterizam esses distúrbios, cuja incidência parece estar crescendo, provavelmente devido a uma maior precisão nos diagnósticos, segundo as estatísticas, uma pessoa em cada 250 sofreria da síndrome.

Mas onde fixar fronteira entre patologia e modo de ser? A polêmica não é nova: “Pensem nos canhotos, que até há alguns anos, eram corrigidos, ou nos homossexuais, que por séculos foram considerados doentes”, dizem muitos portadores de Asperger. “O artigo publicado no New York Times é provocativo e descreve uma realidade muito diversa da nossa, mas enfrenta um problema importante: alguns dos distúrbios de que sofrem as pessoas com Asperger, como a depressão, podem ser causados ou pelo menos atenuados, pela atitude da sociedade e pelo fato de que essas pessoas se percebem como inadequadas em relação ao que lhe é exigido, sublinha Curatolo.

Ser reconhecido corno portador de Asperger proporciona uma explicação plausível para excentricidades e dificuldades, o que facilita a aceitação por parte da sociedade. Mas pode significar também ser submetido a terapias não desejadas que alguns consideram uma verdadeira violência.

O grande problema ainda é difundir o conhecimento da síndrome, pouco conhecida mesmo no ambiente médico. Muitos adultos com Asperger não sabem que são portadores da síndrome. Professores e alunos frequentemente não têm orientação para lidar com os problemas que surgem na escola. “A variedade dos distúrbios de desenvolvimento e a dificuldade do diagnóstico podem levar a se pôr no mesmo caldeirão situações muito diversas, nota o médico Paolo Cornáglia Ferraris, autor de Asp, Asper, Asperger, livro em que uma criança “como todas as outras, mas não bem igual-igual’, conta em primeira pessoa o  desafio de viver com um distúrbio de relacionamento que tem a ver com a dificuldade de regular os órgãos de percepção. Os portadores de Asperger sofrem, de fato, de uma espécie de hipersensibilidade sensorial e emotiva que torna difícil inserir-se num ambiente apinhado, barulhento ou iluminado, como se qualquer forma de comunicação tivesse um volume muito alto para ser tolerado.

VIDA DE ASPIE

Entre normalidade e deficiência há um limite sutil que pode depender de muitas variáveis, como o contexto familiar ou o ambiente escolar. São as circunstâncias que permitem a um adolescente com Asperger desenvolver a inteligência que, aliada a uma incansável dedicação às matérias preferidas, pode ajudá-lo a abrir caminho para a sociedade e para ele próprio aceitar o seu comportamento. Num contexto diverso, o mesmo adolescente poderia ser rotulado como deficiente antes de ter a possibilidade de mostrar seu valor. O mesmo vale para os adultos. Há portadores de Asperger que passaram toda a vida sem um diagnóstico, aprendendo a conviver com suas estranhezas. Outros casos são mais dramáticos, e há quem viva à margem do convívio social.

“Não existe o branco ou o preto, uma linha de demarcação precisa entre uma personalidade normal e uma patológica”, sustenta Temple Gradin, a professora autista que se tornou famosa ao ter sua história contada por Oliver Sacks em Um Antropólogo em Marte.

O DSM-IV, porém, busca traçar um limite: os diversos sintomas representam uma síndrome quando começam a comprometer seriamente uma área importante da vida, como o trabalho ou as relações afetivas e sociais. Mas são mesmo os sintomas que constituem o problema? É difícil dizer se são nossas ‘fixações’ que tornam difíceis nossas relações com os outros ou se a dificuldade de se comunicar faz com que nos concentremos no que fazemos de melhor, observa um adolescente com Asperger. E, segundo um adolescente portador de Asperger, “a nossa sociedade, tão baseada na comunicação, nos leva a ver com suspeita quem tem problemas de relacionamento e a rotular como doentes pessoas que, no passado, teriam sido consideradas talvez esquisita, ou apenas solitárias, mas, ao menos eram aceitas”.

“A meu ver, a síndrome de Asperger é somente um diferente modelo cognitivo, que comporta forte tendência à sistematização e certa dificuldade em estabelecer relações empáticas com os outros”, explica Simon Baron-Cohen, diretor do Centro de Pesquisa em Autismo da Universidade de Cambridge. “Acredito que a sociedade poderia se esforçar para ser mais tolerante no contato com esses indivíduos, aprendendo a valorizar suas capacidades e a não estigmatizar os seus limites!’

É sempre grande o risco de descuidar de quem verdadeiramente necessita de ajuda. Nos Estados Unidos, associações como a Asperger Liberation Front são duramente criticadas por pais de crianças com distúrbios de desenvolvimento, os quais gostariam de conduzir seus filhos, o quanto for possível, à normalidade.

Perduram questões básicas, mesmo para as pessoas com Asperger a solidão pode ser um peso, e também para elas a inserção no mundo do trabalho é necessária para garantir não só a indispensável autonomia econômica, mas também importante estímulo intelectual. “Muitos portadores sofrem de depressão causada precisamente pela dificuldade de estabelecer relações com os outros, especialmente a partir da adolescência”, explica Curatolo. Assim, se não existem terapias para a síndrome – e ainda se discute se ela é uma doença -, muitos portadores de Asperger devem tomar medicamentos antidepressivos ou ansiolíticos para reduzir agitações, distúrbios obsessivos e fobias que nascem da dificuldade de se confrontar com o ambiente.

NO LIMIAR DO GÊNIO

Ao mesmo tempo a síndrome de Asperger exerce um certo fascínio na opinião pública. Diversos estudiosos identificaram traços de Asperger em alguns grandes nomes do passado, como Leonardo da Vinci, Michelangelo, Ludwig Witgenstein e Albert Einstein. E mesmo Bill Gates, segundo alguns mostraria característicos traços da síndrome, não apenas certo embaraço social e grande habilidade com a informática, mas também o hábito de balançar discretamente o corpo de um lado a outro. No mundo da ficção científica, doutor Spock, o sábio vulcaniano de orelhas pontudas de Jornada nas Estrelas, apresenta algumas características de Asperger, racionalidade extrema e incapacidade de apreciar as convenções sociais. A dedicação obsessiva e uma boa dose de misantropia tornam potenciais vítimas de Asperger investigadores famosos como Sherlock Holmes ou Gil Grissom, protagonista do seriado CSI Las Vegas.

No entanto, no mundo dos aficionados pela informática, a Aspi, – o termo familiar com que se auto definem os portadores – tornou-se quase um sinônimo de geek (ou, como se diz no Brasil, cdf). Tanto que, atualmente, são vendidas camisetas e xícaras de café ou mouse pads com escritos como “Adultos com Asperger, não queremos a cura (não aquela que alguém tenha escolhido por nós)”. Enquanto isso. nos sites sobre Aspies, multiplicam-se as “instruções de uso” para falar com os outros, os chamados “normais”: aprenda o que é metáfora; pergunte como vai a um estranho mesmo que a saúde dele não lhe interesse.

“Tudo bem que os outros, para nos entender, imaginem que nos falta algum componente no circuito cerebral”, observa um jovem portador de Asperger num fórum de discussão. Os indivíduos com Asperger são pessoas mais frágeis que a média do ponto de vista evolutivo, porque a sua dificuldade de entender o pensamento dos outros as torna vulneráveis, mas uma sociedade igualitária deve estar em condições de tolerar diferenças e variantes, concluí Curatolo. Enquanto isso, do universo dos portadores de Asperger ecoa uma pergunta ainda sem resposta: o que é a normalidade, e quem está em condições de avalia-la?

RETRATOS DA SÍNDROME

No princípio, era Raymond Babbit; o personagem autista de Rain man. Graças ao filme, um distúrbio tão difícil de abordar se tomou conhecido e mais acessível, na bela interpretação de Dustin Holfman. O ator interpreta um autista dotado de inteligência particular, exemplo de modalidade da patologia em que transtornos do desenvolvimento encontram-se associados a habilidades especiais. Do mesmo modo, talvez nem todos os portadores de Asperger se pareçam com Christopher Boone, o jovem protagonista de O estranho Caso do Cachorro Morto, romance de Mark Haddon que fez o mundo conhecer a síndrome. Foi a primeira vez que um romance centrado na psicologia desses indivíduos chegou às listas dos mais vendidos. Mas Haddon não foi o primeiro escritor a falar dos portadores de Asperger: um dos personagens de um romance de ação como O Fator Hodes, de Robert Ludlum, é Marty, um portador de Asperger, gênio da eletrônica, que acompanha o protagonista nas suas Investigações; e a escritora de ficção científica, Elizabeth Moon ganhou o prêmio Nebula em 2003 com um romance, The speed of dark, que tem como protagonista um pesquisador com Asperger. Hoje, porém, são os portadores de Asperger e suas famílias que contam suas histórias. E não se trata só de manuais de autoajuda. Entre as memórias mais recentes, está Song of the Gorilla Nation, de Dawn Prince-Hughes, a autobiografia de uma primatologista que graças ao trabalho com gorilas conseguiu superar as dificuldades de relacionamento geradas pela síndrome. Já em An Asperger Marriage os autores Christopher e Gisela Slater-Walker narram de seus respectivos pontos de vista alegrias e problemas de um matrimônio com um homem portador da síndrome. E estes são só dois de um elenco de títulos que contam as “crônicas do planeta errado” (como diz um título de autor com Asperger) e os esforços dos portadores para conviver com os normais. No repertório de organizações como Oasis (Online Asperger Syndrome lnformation and Support, http://www.udel.edu/bkirby/asperger) há também histórias para crianças e romances de ficção científica – como aqueles da série de Jornada nas Estrelas – em que abundam personagens com características dos portadores de Asperger. Além da biografia de personagens famosos em que foram identificados traços de Asperger, como o presidente americano Thomas Jefferson (Diagnosing Jefferson, de Norm Ledgin) ou o músico Glenn Gould (Glenn Gould: The ecstasy ond tragedy of a genius, de Peter F. Ostwald).

 Arredios e geniais2

 

 PAOLA EMILIA CICERONE – é Jornalista científica.

OUTROS OLHARES

TREINO INTENSO CONTROLA PARKINSON

Pela primeira vez, a ciência mostra que caminhar em ritmo forte retarda a progressão da doença

Treino intenso controla Parkinson

Trinta minutos por dia, quatro vezes por semana, em alta intensidade. Caminhar assim, cotidianamente, retarda a progressão da doença de Parkinson em pessoas que receberam o diagnóstico há menos de cinco anos e que ainda não usam medicação. A notícia de que esse tipo de exercício pode quase ser equiparado a um remédio preventivo foi anunciada por pesquisadores da Northwestem University e Colorado University (EUA). Foi o primeiro estudo clínico do gênero.

Os cientistas queriam saber se as evidências de benefícios dessa atividade encontradas em alguns estudos com animais seriam observadas em humanos. Além disso, o grupo desejava descobrir a intensidade e a periodicidade que de fato trariam resultados. Até então, as informações oriundas das pesquisas em cobaias eram insuficientes para obter um padrão de efetividade.

Com indicadores positivos obtidos na primeira fase dos estudos. os especialistas seguiram para a segunda etapa. Os pacientes foram divididos em três grupos. Os dois primeiros treinaram quatro vezes por semana, mas em intensidades distintas. Uma parte treinou em ritmo moderado, com a frequência cardíaca entre 60% e 65% da máxima. A outra, em ritmo intenso. com a frequência cardíaca entre 80% e 85% da máxima. O restante seguiu com sua rotina, mesmo que isso implicasse sedentarismo.

Seis meses depois, os únicos que não apresentaram qualquer declínio associado à doença, como perda de equilíbrio e dificuldades na coordenação motora, foram os indivíduos submetidos ao regime de treino intenso. Uma das hipóteses para o efeito é a de que a boa oxigenação proporcionada pelo exercício ajude a impedir a deterioração de neurônios. “Acredito que o treinamento aeróbico intenso beneficiará inclusive pacientes em estado mais avançado da enfermidade”, disse Margaret Schenkmann, responsável pelo estudo.

 OUTROS EXERCICIOS QUE AJUDAM

DANÇA – Ajuda a manter ou retarda a perda progressiva da coordenação motora. As mais elaboradas, como o tango, têm maior eficácia

BOXE – Treina a coordenação motora e melhora a força muscular

PILATES – Aumenta o tônus muscular e eleva o poder de concentração, muitas vezes prejudicado

GESTÃO E CARREIRA

APRENDIZADO DIVERTIDO

Seis cursos e eventos que, com elementos Lúdicos, ajudam os profissionais a fazer networking, adquirir novos conhecimentos e aperfeiçoar habilidades.

aprendizado divertido

MONDAY NIGHT BURGERS

Após nove anos trabalhando como diretor de arte em uma produtora, Daniel Pires se deu conta de que sua parte favorita do dia era depois do expediente, quando amigos se juntavam em alguma mesa de bar para bater papo, tomar cerveja e comer.

Daí surgiu a inspiração para o evento Monday Night Burgers (ou’ segunda-feira do hambúrguer”), que reúne, semanalmente, 26 pessoas para conversar sobre inquietações de carreira e da vida pessoal. “Usamos o hambúrguer como desculpa, mas nosso propósito é conectar todo mundo,” diz Daniel. O evento acontece de maneira fixa na capital paulista, em um porão na Vila Olímpia, mas já contou com edições em Bauru e Ribeirão Preto (no interior de São Paulo) e em Londres na Inglaterra. Para o futuro, há a avaliação de levar o encontro para o Rio de Janeiro e Brasília. “Tiramos a ideia de que segunda é um dia chato,’ diz Daniel.

Como Participar: As inscrições abrem toda quarta-feira, às 14 toras, no link: facebook.com/mondaynightburgers

Preço: 60 reais. O valor inclui um hambúrguer, batata frita e bebida

Frequência: Toda segunda-feira

ALTITUDE PARK

ALTITUDE PARK

É para quem quer levar os colegas de trabalho para fazer exercícios físicos. O Altitude Park é o primeiro do Brasil dedicado a camas elásticas. São mais de 50 aparelhos desse tipo que ficam interligados. Além disso, há paredes de escalada e slackline. É possível fechar grupos de no mínimo 12 pessoas e fazer festas corporativas – inclusive a de fim de ano.

Como Participar: Compras de passes em altitudepark.com.br

Preço: 39 reais por hora de segunda á quinta-feira e 44 reais às sextas, aos domingos e aos feriados, 10 reais pelo par de meias antiderrapantes, obrigatórias.

Frequência: Todos os dias.

aprendizado divertido.3

ESCAPE 60

Os jogos de fuga estão fazendo sucesso. Os participantes são trancados em uma sala para coletar pistas e decifrar algum mistério ou enigma no prazo de 1 hora. A porta da sala se abre assim que o enigma é desvendado e, caso a equipe não consiga encontrar a solução, um monitor esclarece as dúvidas. Uma das empresas que oferecem disputas desse tipo é a Escape 60, que tem mais de dez salas temáticas em São Paulo, as quais incluem cemitério, quarto de hotel e até uma cozinha de reality show com ingredientes supostamente envenenados. A atividade ajuda a estimular a liderança e o trabalho em equipe. Algumas companhias, como Nestlé e Sodexo usam a dinâmica em atividades de treinamento e recrutamento.

Como Participar: Atendimento via escape60.com.br

Preço: A partir de 69 reais por pessoa, com no mínimo quatro pessoas por sala.

Frequência: Todos os dias.

aprendizado divertido.2.

LADIES, WINE E DESIGN

Uma vez por mês, o evento reúne dez mulheres no escritório do Twitter – um dos parceiros – em São Paulo para tomar vinho e bater papo sobre assuntos relativos a criatividade, design e negócios. Para participar da conversa basta ser mulher e se interessar por esses assuntos. Nos últimos meses, já houve um encontro dedicado a revisar os portfólios das participantes, outro sobre como desenvolver um traço de design autoral e uma anterior sobre processo criativo. A inciativa de realizar os encontros surgiu de Jessica Walsh, uma designer que mora em Nova York e chegou ao Brasil por meio da 65/10 consultoria que ajuda as marcas a se comunicar melhor com o público feminino.

Como Participar: ladieswinedesign.com.br

Preço: Gratuito

Frequência: Mensal

aprendizado divertido.6.

SHIFT CINECLUB

O evento é voltado para profissionais do mundo do cinema e interessados por audiovisual. A cada edição, são exibidos curtas e pequenos documentários – já premiados -, seguidos por debates com os diretores. O objetivo, além de exibir filmes, é atrair pessoas de todos os tipos que se interessem por cinema e queiram expandir sua rede de contatos. A ideia surgiu de conversas entre Rodrigo Hurtado, da agência de Publicidade Cubo CC, e Fábio Seixas, diretor da Conspiração filmes e um dos criadores do Festival Path, que acontece todo ano em São Paulo e reúne shows, palestras e discussões sobre inovação. A dupla queria que o público tivesse acesso a filmes que dificilmente entram no circuito comercial das salas de cinema.

Como participar: Fique atento à divulgação na página facebook.com/ShiltCineclub

Preço: Gratuito.

Frequência: Mensal

aprendizado divertido.4

HOUSE OF GENIUS

Dois empreendedores expõem seus negócios e apresentam algum desafio ou problema pelo qual estão passando. Durante 1 hora e meia, cada um deles ouve sugestões e críticas de 13 participantes anônimos, com diferentes perfis e trajetórias, que revelam sua identidade apenas ao fim do processo. O mistério serve para encorajar os participantes a dar ideias, mesmo para problemas que estão fora de seu campo de especialização – ingrediente crucial para ganhar novas perspectivas e criar soluções inovadoras. O evento surgiu em 2011, nos Estados Unidos e já acontece de maneira fixa em diversas cidades do mundo.

Como participar: Em São Paulo, é preciso ser indicado por um participante. Em outras cidades,

inscrições via link: houseofgenius.org/apply

Preço? Gratuito

Frequência: Mensal

aprendizado divertido.5 

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 23: 13-33 – PARTE I

20180104_191605

Os Crimes dos fariseus

Nesses versículos, temos oito “ais” dirigidos diretamente contra os escribas e os fariseus, pelo nosso Senhor Jesus Cristo, como o ruído de trovões ou os relâmpagos do Monte Sinai. Três “ais” já fazem parecer muito assustador (Apocalipse 8.13; 9.12), mas aqui há oito “ais”, em oposição às oito bem-aventuranças (cap. 5.3). O Evangelho tem os seus “ais”, assim como a lei, e as maldições do Evangelho são as piores, entre todas as maldições. Estes “ais” são os mais notáveis, não somente por causa da autoridade, mas por causa da humildade e da bondade daquele que os denunciou. Ele veio para abençoar, e se comprazia em abençoar; mas se a sua ira se inflama, certamente há motivo para tanto. E quem fará alguma súplica a favor daquele contra quem o grande Intercessor se pronuncia? Um “ai” de Cristo é um “ai” sem remédio.

Aqui está o refrão do cântico, e é um refrão pesado: ”Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!”. Considere:

1. Os escribas e fariseus eram hipócritas; é nisto que se resume todo o restante da sua má personalidade; esse era o fermento que dava sabor a tudo o que eles faziam e diziam. Um hipócrita é um ator na religião (este é o significado básico da palavra); ele personifica ou interpreta o papel de alguém que ele não é, nem poderá sei; ou talvez que ele não é, nem deseja ser.

2. Esses hipócritas estão numa condição e num estado lamentável. ”Ai dos… hipócritas”. O fato de Jesus dizer isto mostra que o caso deles era lamentável; enquanto eles vivessem, a sua religião seria inútil; quando morressem, a sua ruína seria grande.

Cada um desses “ais” contra os escribas e os fariseus tem uma razão anexa a ele, contendo um crime de que eles são acusados, provando a sua hipocrisia e justificando o julgamento de Cristo sobre eles; pois os “ais”, as maldições pronunciadas por Jesus, nunca são infundadas.

I – Eles são inimigos declarados do Evangelho de Cristo, e, consequentemente, da salvação das almas dos homens (v.13): Eles “fecham aos homens o Reino dos céus”, isto é, eles faziam tudo o que podiam para impedir que as pessoas cressem em Cristo e, dessa maneira, entrassem no seu reino. Cristo veio para abrir o Reino dos céus, isto é, para nos mostrar um “novo e vivo caminho” para entrar nele, para levar os homens a serem súditos desse Reino. Mas os escribas e os fariseus, que se assentavam na cadeira de Moisés, e pretendiam ter a chave do conhecimento, deviam ter contribuído com a sua ajuda, abrindo aquelas Escrituras do Antigo Testamento que apontavam para o Messias e o seu reino, no seu sentido verdadeiro e adequado; aqueles que eram responsáveis por explicar Moisés e os profetas deviam ter mostrado às pessoas como estes testificavam a respeito de Cristo, mostrar que as semanas de Daniel estavam se esgotando, que o cetro se afastava de Judá, e que, portanto, aquela era a ocasião para a aparição do Messias. Desta maneira, eles poderiam ter facilitado aquela grandiosa obra, e ajudado milhares de pessoas a irem ao céu. Mas, em vez disso, eles fecharam o Reino dos céus; eles se empenharam em forçar a observância da lei cerimonial, que estava sendo abolida; em suprimir as profecias, que então se cumpriam; e em criar e nutrir; nas mentes das pessoas, preconceitos contra Cristo e a sua doutrina.

1. Eles mesmos não entrariam: “Creu nele, porventura, algum dos principais ou dos fariseus?” (João 7.48). Não. Eles eram orgulhosos demais, para curvar-se à sua pobreza, formais demais, para serem compatíveis com a sua simplicidade; eles não gostavam de uma religião que insistia tanto na humildade, na renúncia de si mesmo, no desprezo ao mundo e na adoração espiritual. O arrependimento era a porta de entrada a esse Reino, e nada podia ser mais desagradável para os fariseus, que se justificavam e se admiravam, do que arrepender-se, isto é, acusar e humilhar e abominar a si mesmos. Por isso eles mesmos não entrariam; mas isso não era tudo.

2. Eles não deixavam “entrar aos que estão entrando”. É ruim nos mantermos afastados de Cristo, mas, é pior manter os outros afastados dele. No entanto, este é o procedimento normal dos hipócritas; eles não gostam que alguém vá além deles na religião, ou que seja melhor que eles. O fato de eles mesmos não entrarem era um obstáculo para muitos, pois, como eles atraíam tão grande interesse das pessoas, as multidões rejeitavam o Evangelho somente porque os seus líderes faziam isso; mas, além disso, eles se opunham tanto a Cristo receber os pecadores (Lucas 7.39) quanto aos pecadores receberem a Cristo. Eles deturparam a sua doutrina, opuseram-se aos seus milagres, discutiram com os seus discípulos, e o descreveram, e às suas instituições e à sua economia, perante o povo, da maneira mais negativa e falsa que se podia imaginar. Eles vociferaram a sua excomunhão contra aqueles que o confessavam, e usaram todo o seu talento e poder a serviço da sua maldade contra Ele. Assim, eles fecharam o Reino dos céus, pois aqueles que quisessem entrar nele deviam fazê-lo por meio da violência (cap. 11.12), e forçar a entrada (Lucas 16.16) em meio a uma multidão de escribas e fariseus, e todas as dificuldades e todos os obstáculos que eles pudessem imaginar para colocar em seu caminho. Como é bom, para nós, que a nossa salvação não esteja confiada às mãos de qualquer homem ou grupo de homens deste mundo! Se assim fosse, estaríamos arruinados. Aqueles que fecham a igreja fechariam também o céu, se pudessem; mas a maldade dos homens não pode tornar sem efeito a promessa ele Deus aos seus escolhidos; graças a Deus, não pode.

II – Eles faziam da religião e do modelo de santidade um disfarce e um pretexto para as suas práticas e os seus desejos ambiciosos (v. 14). Observe aqui:

1. Quais eram os seus procedimentos mal-intencionados: eles “devoravam as casas das viúvas”, seja hospedando-se, e aos seus auxiliares, ali, para entretenimento, que deve ser o melhor para homens da estirpe deles, seja insinuando-se nos seus afetos, conseguindo desta maneira a função de administradores elas suas propriedades, o que fazia delas presas fáceis, pois quem iria pensar em chamar para prestar contas alguém como eles? O que eles desejavam era enriquecer, e sendo este o seu objetivo final e principal, todas as considerações de justiça e retidão eram deixadas de lado, e até mesmo as casas das viúvas eram sacrificadas em nome disso; portanto, eles se apegavam a elas para torná-las suas presas. Eles devoravam aquelas a quem, segundo a lei de Deus, eram particularmente obrigados a proteger, ajudar e socorrer. Há um “ai” no Antigo Testamento para aqueles que faziam das viúvas suas presas (Isaias 10.1,2); e Cristo, aqui, o apoia, com seu “ai”. Deus é “juiz de viúvas”; elas são a sua preocupação especial, Ele firma a sua herança (Provérbios 15.25) e adota a sua causa (Êxodo 22.22,23); mas essas eram aquelas cujas casas os fariseus devoravam em grandes quantidades, tanta ambição tinham eles de encher seus ventres com os tesouros da impiedade! O fato de devorarem indica não apenas ambição, mas crueldade na sua opressão, descrita em Miquéias 3.3: “comeis a carne do meu povo, e lhes arrancais a pele”. E sem dúvida eles faziam tudo isso sob pretextos de lei, pois eram tão habilidosos ao fazê-lo que isso era aceito sem censuras, e de maneira nenhuma diminuía a veneração do povo por eles.

2. Qual era o pretexto sob o qual disfarçavam esses procedimentos mal-intencionados: “sob pretexto de prolongadas orações”. Muito longas, realmente, se for verdade o que alguns dos autores judeus nos dizem, que eles passavam três horas consecutivas nas formalidades da meditação e da oração, e faziam isto três vezes ao dia, o que é mais do que uma alma justa, consciente de ser íntima com Deus no seu dever, ousa pretender fazer normalmente; mas para os fariseus isso era fácil, pois eles nunca se preocupavam com o dever e sempre se preocupavam com a aparência externa. Com esses artifícios, eles conseguiam a sua riqueza, e conservavam a sua grandeza. Não é provável que essas longas orações fossem extemporâneas, pois (como observa Baxter) os fariseus tinham o dom da oração muito mais do que os discípulos de Cristo o tinham; mas eles tinham formas determinadas de oração para usar entre si, e que eles repetiam, da mesma maneira como os romanistas rezam o terço. Aqui Cristo não condena as longas orações como sendo, por si mesmas, hipócritas; o problema é que estavam orando como uma forma de se sobressair em relação às outras pessoas. E se não houvesse, nessas orações, uma grande aparência, como se fossem algo muito bom, elas não poderiam ter sido usadas como um instrumento para tamanho fingimento. Além disso, a “capa” necessária para encobrir procedimentos tão mal-intencionados precisava ser muito espessa. O próprio Cristo passava “a noite em oração a Deus”, e nós somos instruídos a orar sem pressa de parar: Onde há muitos pecados a confessar; e muitas necessidades, por cuja satisfação orar, e muitas bênçãos para agradecer existe oportunidade para longas orações. Mas as longas orações dos fariseus eram constituídas de repetições vãs e (este era o seu objetivo) eram um pretexto. Com elas, eles conseguiam ter a reputação de homens piedosos e devotos, que amavam a oração e eram os favoritos do Céu; e com isso, as pessoas eram levadas a crer que não era possível que homens assim as enganassem. Portanto, feliz a viúva que conseguisse um fariseu para administrar os seus bens, e ser guardião dos seus filhos! Dessa maneira, enquanto eles pareciam estender a proteção do céu, com as asas da oração, os seus olhos, como os da ave de rapina, estavam todo o tempo sobre a sua presa na terra, a casa de uma viúva ou outra que lhes fosse conveniente. Assim, a circuncisão foi o disfarce da ambição dos siquemitas (Genesis 34.22,23); o pagamento de um voto em Hebrom foi o pretexto da rebelião de Absalão (2 Samuel 15.7); um jejum em Jezreel permitiu o assassinato de Nabote; e a extirpação de Baal foi o escabelo da ambição de Jeú. Os sacerdotes romanistas, com a desculpa de longas orações pelos mortos, missas e lamentações, além de outras práticas pecaminosas, enriqueceram devorando a casa das viúvas e dos órfãos. Note que não é novidade que a santidade seja utilizada para fins de exibição, como pretexto para esconder enormes abusos e pecados. Mas a piedade dissimulada, por mais que seja aceita agora, será computada como dupla iniquidade, “no dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens”.

1. A condenação que recebem por isso: “sofrereis mais rigoroso juízo”. Observe que:

(1) Existem graus de desgraça; há alguns cujo pecado é mais imperdoável, e cuja ruína, portanto, será mais intolerável.

(2) Os pretextos da religião, com que os hipócritas disfarçam ou desculpam o seu pecado agora, irão, em pouco tempo, agravar as suas condenações. Tal é o engano do pecado, que a mesma coisa pela qual os pecadores esperam expiar e conciliar os seus pecados se voltará contra eles, e fará os seus pecados ainda mais pecaminosos. Mas é triste para o criminoso quando a sua defesa prova o seu crime, e os seus apelos (Em teu nome nós profetizamos, e em teu nome fizemos longas orações) aumentam a acusação contra eles.

III – Enquanto eram tão inimigos da conversão das almas ao cristianismo, os escribas e fariseus eram muito empenhados na distorção dela, nos ensinos da sua seita. Eles fecham o Reino dos céus para aqueles que se voltam para Cristo, mas, ao mesmo tempo, percorrem o mar e a terra para fazer prosélitos para si mesmos (v.15). Observe aqui:

1. O esforço elogiável deles para fazer prosélitos para a religião judaica, não somente prosélitos de porta, que se obrigavam a nada mais que a observância dos sete preceitos dos filhos de Noé, mas prosélitos de justiça, que adotavam integralmente todos os ritos da religião judaica, pois era isto o que eles queriam. Para tanto, para conseguir alguém assim, ainda que fosse apenas um, eles percorriam o mar e a terra, teciam planos ardilosos, e os executavam, e cavalgavam, e corriam, e mandavam chamar, e escreviam, e trabalhavam incansavelmente. E qual era o seu objetivo? Não a glória de Deus, e o bem das almas, mas que eles pudessem ter o crédito de fazer prosélitos, e a vantagem pecaminosa de transformar estes prosélitos em presas. Considere que:

(1) Fazer prosélitos, se para a santidade verdadeira e séria, e se com boa intenção, é um bom trabalho, bastante digno de preocupação e de esforços extremos. Tal é o valor das almas, que nada deve ser julgado como demais para ser feito, para salvar uma alma da morte. O empenho dos fariseus aqui pode mostrar a negligência de muitos dos quais se esperava que agissem com melhores princípios, mas que não se esforçarão para propagar o Evangelho.

(2) Para fazer um prosélito, o mar e a terra precisam ser percorridos. Todos os caminhos e meios devem ser tentados; primeiro, um caminho, e depois, outro. Eles não perdiam de vista o fato de que se o objetivo fosse alcançado, eles seriam bem pagos.

(3) Os corações carnais raramente evitam os esforços necessários para dar prosseguimento aos seus objetivos carnais. Quando é necessário fazer um prosélito para que este lhes seja útil, eles percorrem o mar e a terra para consegui-lo, em vez de ficarem desapontados.

2. A maldita impiedade daqueles homens ao atormentarem os seus prosélitos. Eles o transformam em um discípulo de fariseu, e ele absorve todas as noções de um fariseu. Assim, “de pois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós”. Observe que:

(1) Os hipócritas, embora se julguem herdeiros do céu, são, no juízo de Cristo, os filhos do inferno. A sua hipocrisia nasce do inferno, pois o diabo é o pai da mentira; e a tendência da sua hipocrisia é em direção ao inferno, que é o lugar ao qual eles pertencem, a herança de que são herdeiros; eles são chamados “filhos do inferno”, por causa da sua inimizade enraizada ao Reino dos céus, o que foi o princípio e o talento do farisaísmo.

(2) Embora todos os que maldosamente se opõem ao Evangelho sejam filhos do inferno, alguns são duas vezes mais que os outros, mais furiosos e teimosos e malignos.

(3) Os prosélitos pervertidos são, normalmente, os mais teimosos; os alunos superam os seus mestres:

[1] Na preocupação com as cerimônias. Os fariseus enxergavam a tolice das suas próprias imposições, e em seus corações sorriam ao ver a obediência daqueles que se sujeitavam a elas; mas os seus prosélitos ansiavam por elas. Observe que mentes fracas normalmente admiram aqueles espetáculos e aquelas cerimônias que os homens sábios não podem deixar de desprezar (embora, para fins públicos, eles os admitam).

[2] Na fúria contra o cristianismo. Os prosélitos prontamente se impregnavam dos princípios que os seus líderes ardilosos não deixavam de possuir, e se tornavam extremamente fervorosos contra a verdade. Os inimigos mais amargos que os apóstolos encontraram, em todos os lugares, foram os judeus helenistas, que eram, principalmente, prosélitos (Atos 13.45; 14.2-19; 17.5; 18.6). Paulo, um discípulo dos fariseus, era excessivamente mau contra os cristãos (Atos 26.11), enquanto o seu mestre, Gamaliel, parece ter sido mais moderado.