PSICOLOGIA ANALÍTICA

EXPECTATIVAS INFLUENCIAM EFEITO DE MEDICAMENTOS

Acreditar tanto no efeito positivo quanto no negativo dos remédios que tomamos pode mudar a maneira como o organismo recebe a droga e a forma como ela age.

Expectativas influenciam efeito de medicamentos

Uma atitude otimista pode fazer mais do que ajudar você a começar bem o dia – é capaz também de melhorar condições clínicas gerais do corpo. A pesquisa recente coordenada pela neurocientista cognitiva Irene Tracey, professora da Universidade de Oxford, mostrou que tanto os pensamentos radiantes como os céticos influem na forma como as drogas são assimiladas pelo organismo. As descobertas foram publicadas no periódico Science Translational Medicine.

Durante o estudo, 22 voluntários saudáveis foram submetidos a exames de imagem por ressonância magnética funcional (fMRI) enquanto um dispositivo aquecia a panturrilha de sua perna direita até um nível desconfortável durante dez minutos. Como era esperado, regiões do cérebro associadas à percepção da dor foram ativadas pelo estímulo.

Na fase seguinte do experimento, os participantes receberam continuamente na veia doses do analgésico remifentanil, de ação rápida, enquanto se submetiam ao mesmo aquecimento na perna. Os pesquisadores, porém, enganaram os participantes da pesquisa.

De início, os voluntários não sabiam que o tratamento tinha começado, por isso não pensaram que a dor fosse diminuir. Dez minutos depois, foram informados de que a droga estava sendo administrada – e pensaram que, em razão disso, o desconforto deveria diminuir. Depois de mais dez minutos, os aplicadores do teste informaram aos voluntários que tinham parado de administrar o medicamento, o que induziu as pessoas a acreditar que sua perna começaria a doer mais nos minutos seguintes.

Após a experiência, os participantes relataram que a dor que sentiam era muito menos intensa e desagradável quando acreditavam estar recebendo o analgésico, em comparação ao momento em que pensavam não estar sendo medicados – independentemente de a administração da droga ter sido interrompida ou não.

O que acontecia era que, quando eles esperaram que a dor aumentasse porque pensavam que a droga tinha sido suspensa, essa percepção desanimadora interferia no benefício químico do analgésico. Nesses casos, o desconforto que sofriam era o mesmo do primeiro ensaio, sem administração de medicamento. Além disso, as áreas cerebrais responsáveis pela captação de sensações dolorosas permaneciam mais ativas quando eles esperavam pelo pior, imitando a atividade cerebral durante a aplicação inicial do calor.

“Os efeitos do pessimismo são provavelmente mais pronunciados em pacientes com condições clínicas crônicas, que vivenciaram anos de frustração com medicamentos ineficazes”, observa Irene Tracey. “Por isso, é muito importante que profissionais da área da saúde não subestimem a influência das expectativas negativas dos pacientes; estes, por sua vez, também devem ficar atentos para que as baixas expectativas não agravem desnecessariamente o sofrimento.”

OUTROS OLHARES

ESCRAVOS DO SÉCULO XXI

Calcula-se que mais de 160.000 brasileiros trabalhem em condições deploráveis – e o Brasil, que já foi exemplo mundial de combate a essa chaga, está ficando cada vez pior em razão da escassez de verbas para as equipes de fiscalização.

Escravos do Século XXI

Escravos do Século XXI.1

Os 48 retratos desta reportagem formam uma galeria que o país não gosta de ver. São vários Antônios, vários Franciscos, vários Josés e uma Vicentina, que dão carne e osso a um grande drama brasileiro: o trabalho em condições análogas às de escravidão. Sim, todas essas pessoas foram escravizadas – em pleno século XXI. Enredadas em dívidas impagáveis, manipuladas pelos patrões e submetidas a situações deploráveis no trabalho, elas chegaram a beber a mesma água que os porcos e algumas sofreram a humilhação máxima de ser espancadas, para não falar de constantes ameaças de morte. Quando os livros escolares informam que a escravidão foi abolida no Brasil em 13 de maio de 1888, háexatos130 anos, fica faltando dizer que se encerrou a escravidão negra – e que, ainda hoje, a escravidão persiste, só que agora é multiétnica.

Estima-se que atualmente 160.000 brasileiros trabalhem e vivam no país em condições semelhantes às de escravidão – ou seja, estão submetidos a trabalho forçado, servidão por meio de dívidas, jornadas exaustivas e circunstâncias degradantes (em relação a moradia e alimentação, por exemplo). Comparada aos milhões de africanos trazidos para o país para trabalhar como escravos, a cifra atual poderia indicar alguma melhora, mas abrigar 160.000 pessoas escravizadas é um escândalo humano de proporções épicas. Em 1995, o governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso reconheceu oficialmente a continuidade daquele crime inclassificável – e criou uma comissão destinada a fiscalizar o trabalho escravo. O pior é que, em vez de melhorar, a situação está ficando mais grave.

O país caminhava razoavelmente bem no combate à prática escabrosa até 2013, quando o número de ações de fiscalização começou a cair drasticamente. Naquele ano houve verba para 185 autuações contra o trabalho escravo. Em 2014, registrou-se queda de14%, com 160. Em 2015, foram 155. Um ano depois, 106. No ano passado, realizaram-se somente 88 fiscalizações, e todas de menor porte em relação às executadas anteriormente. Em 2017, 341 trabalhadores foram resgatados. A queda no número de autuações seria uma notícia alvissareira se não representasse, na verdade, o contrário do que se imagina: não é a escravidão que está retrocedendo, é o dinheiro para fiscalizá-la que está minguando.

Em agosto do ano passado, o Ministério Público do Trabalho entrou com uma ação civil pública contra a União para garantir verba mínima até o fim de 2017, diante da ameaça de paralisação total das atividades. O chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae), André Roston, afirmou que o departamento tinha então menos de 7000 reais em caixa. O valor médio de uma única ação gira em torno de 60 000 reais. Em outubro, Roston foi exonerado, porque incomodava. Entre ex-colegas, circula a versão de que Roston era “dedicado demais” à defesa do conceito de escravidão e permanentemente atento aos abusos. Para funcionários do Detrae ouvidos, a falta de verbas é resultado de uma dupla razão. O combate à escravidão não rende votos em eleições. E a bancada governista nunca escondeu seus laços com ruralistas, parte dos quais se habituou a usar mão de obra em situação deplorável.

É o caso de Sebastião Cunha, de 48 anos, e seu filho Geovane, de 25. Eles vivem em Monção, município de 30 000 habitantes, a 300 quilômetros de São Luís, capital do Maranhão. Começaram a trabalhar na roça da família aos 9 anos, idade na qual os meninos da região costumam cair na labuta. Nela permaneceram até o fim da adolescência, quando saíram em busca de emprego fora de casa. A partir daí, ao trocarem o serviço doméstico pelo mercado, viram-se obrigados a se sujeitar ao regime escravocrata. “Pela falta de oportunidades, sempre aceitei qualquer coisa que apareceu na terra dos outros”, conta o pai.

Até 2007, Sebastião Cunha não tinha noção deque trabalhava em condições ilegais. Foi então que os fiscais o encontraram, pela primeira vez, submetido a um regime análogo ao de escravidão. Estava magérrimo, passava fome, tinha febre. Em duas outras oportunidades ele seria flagrado nessa situação desumana. Ele não é exceção: a reincidência atinge algo em torno de 60% das vítimas da escravização. Mesmo nos dias atuais, com plena ciência do contexto geral do problema, Sebastião Cunha admite que voltaria a se entregar àquela situação degradante, pois se julga como que acorrentado a um destino cruel e incontornável. “Todos os dias, pela manhã, bem cedo, minha filha de 6 anos me acorda e me pede pão”, relatou ele. “Como é que vou dizer a ela que não tenho dinheiro para comprar pão? Então tenho de aceitar qualquer coisa, mesmo que caia novamente na escravidão, para poder garantir o pão da minha filha, para garantir o pão na nossa mesa”, diz. Em Monção, mais da metade da população vive na linha de pobreza (renda inferior a 140 reais por mês), 31% estão em condições consideradas pela ONU como de extrema miséria e 64% não têm ocupação formal.

No Maranhão e no Piauí, meia centena de indivíduos que, como os Cunha, foram retirados pela Justiça de trabalhos degradantes. Setenta e cinco por cento dos trabalhadores em regime semelhante ao de escravidão atuam no setor agropecuário, mas a reportagem flagrou também escravizados urbanos, no coração de São Paulo. Vítimas de um mesmo e terrível crime, no campo e na cidade, os personagens que aparecem neste texto compõem um retrato intolerável.

A arregimentação de trabalhadores escravos segue idêntica à que existia em 1995, quando o governo FHC iniciou o ataque a essa prática. Um recrutador, chamado de “gato”, chega à região­ alvo com a promessa de uma boa oportunidade de emprego. Normalmente, o patrão paga os custos da viagem até o local de trabalho, e esse valor acaba por se tornar a primeira de muitas dívidas que o empregado acumulará. Quando ele chega à fazenda onde vai trabalhar, a comida e as ferramentas também passam a ser cobradas – e o desconto é feito do salário. Em pouco tempo, ele deve mais do que recebe, num processo que o põe inteiramente nas mãos do patrão.

A rotina típica desses trabalhadores é, por si só, abominável. Eles saem para a labuta, nas primeiras luzes do dia, com apenas um café puro no estômago. No almoço, perto do meio-dia, comem arroz, feijão, farinha e alguma proteína, em quantidade mínima. No fim da jornada, vão dormir em um barracão coberto somente por uma lona. Não há camas; só redes, no meio das quais é comum ver suínos passeando. Muitas vezes, a única água disponível é a de córregos – em que os animais se lançam para matar a sede e quase sempre urinam e defecam. Se a imagem que veio à sua mente foi a de uma senzala, saiba que não há exagero – as senzalas, em algumas casas-grandes, eram um pouco melhores. Ainda assim, uma fazenda do Maranhão denunciada em 2017 por manter uma “senzala contemporânea” conseguiu se ver livre das punições porque as autoridades não chegaram a tempo de fazer o flagrante – reflexo da dificuldade de deslocamento dos fiscais.

A evidência de que o Brasil retrocedia para valer na questão da escravização veio à tona em 16 de outubro do ano passado, quando foi publicada no Diário Oficial da União a portaria de número 1129, que alterava o conceito de trabalho escravo e as regras para a inclusão de empresas que o adotavam em uma lista suja. O texto eliminava os termos “jornada exaustiva” e “condições degradantes” da caracterização da prática, limitando a escravidão à restrição da liberdade de ir e vir. A tal lista suja, a cargo do ministro do Trabalho, passaria a ser atualizada apenas duas vezes ao ano. Antes da portaria, ela era de responsabilidade da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae), e a atualização podia ocorrer a qualquer momento. Em abril deste ano, a Detrae divulgou o mais recente cadastro dos empregadores já autuados no crime. Essa versão incluiu pastelarias, uma empresa que vendia batata frita no Rock in Rio e construtoras ligadas ao programa Minha Casa, Minha Vida. Com 37 novos empregadores, agora a lista tem 165 patrões responsáveis por manter 2.264 trabalhadores em condições análogas às de escravidão.

A medida de 16 de outubro de 2017 tinha o propósito de socorrer o presidente Temer, que tentava obter no Congresso votos para o arquivamento da segunda denúncia contra ele por obstrução da Justiça e organização criminosa. O assunto virou moeda de negociação com a bancada ruralista da Câmara, cujos integrantes representam proprietários rurais. A pressa em resolver sua emergência política levou o Executivo a atropelar projetos de lei estacionados no Congresso com o mesmo objetivo de mudar o conceito de trabalho escravo – um deles, o PLS 432/2013, de autoria do senador Romero Jucá (PMDB-RR), ex-ministro do Planejamento de Temer. O alívio do governo durou pouco: em 24 de outubro, a ministra Rosa Weber, do STF, suspendeu a portaria casuística por considerar que ela vulnerabilizava “princípios basilares da Constituição”. A suspensão e as pressões que o governo teve de enfrentar acabariam levando-o a ceder – ele publicou em dezembro uma nova portaria, que recolocava as coisas nos devidos eixos.

“O Brasil era uma referência nessa área, e podemos continuar a ser”, disse a ex-secretária de Cidadania do Ministério dos Direitos Humanos Flávia Piovesan. Jurista e procuradora do Estado de São Paulo, ela foi escolhida para o cargo em maio de 2016. Ao assumir a pasta, tinha a intenção de convencer o chefe do Executivo a investir na área, incluindo nisso a fiscalização contra a propagação do trabalho escravo. Entretanto, no tempo que passou no posto, Flávia só viu acontecer o contrário. Em agosto passado, por exemplo, em uma reunião da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Com-atrae), representantes dos empregadores defendiam o afrouxamento da lei anti- escravização com a justificativa de que os fiscais seriam tendenciosos, puniriam os fazendeiros sem razão explícita e classificariam como “escravidão” o que na verdade não passava de trabalho duro. No entanto, os porta-vozes da Confederação Nacional da Indústria e da Confederação da Agricultura e Pecuária não souberam apontar um único caso que exemplificasse a suposta parcialidade dos agentes de fiscalização. Flávia Piovesan esteve presente no encontro, assim como a então ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois (PSDB-BA), que, meses mais tarde, deixou a pasta.

A ofensiva contra Luislinda ocorreu em novembro, depois que ela disse estar trabalhando como “uma escrava”, pois não podia receber um adicional de 30.471 reais sobre seu salário de 30.934 reais, uma vez que isso a faria ultrapassar o teto do funcionalismo público. Ao contrário da condição de Luíslinda Valois, os casos reais de escravidão no Brasil do século XXI são de pobreza extrema – o que só amplia a gravidade do problema.

Ao deixar o governo, Flávia Piovesan passou a integrar a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Ao comentar a atual dificuldade de reprimir o trabalho escravo no Brasil, ela é taxativa: “Quando se fala de escravidão, não há espaço para juízo de ponderação. É indiscutível do que se trata e, mais ainda, que é preciso combatê-la”.

No início de 2000, uma dupla de trabalhadores brasileiros viveu uma dessas experiências que, tal como aponta Flávia Piovesan, não deixam espaço para juízo de ponderação. Tudo começou em março daquele ano, quando José Francisco Furtado de Souza, o Zé Pitanga, e um colega fugiram da Fazenda Brasil Verde, no Pará. Naquela época, o proprietário da terra era João Luis Quagliato Neto. Seu funcionário que atuava como “gato” prometera às suas vítimas uma função na qual pagaria 10 reais por linha de alqueire transformada em pasto. Para os trabalhadores rurais isso significa um bom dinheiro. Contudo, depois de deixarem as cidades de Barras e Porto (PI), onde viviam, já devendo os custos da viagem, Zé Pitanga e o amigo viram ser descontados do salário os valores das ferramentas que utilizavam e da comida que consumiam. Depois de um mês e meio desdobrando-se em péssimas condições, e ardendo em febre, Zé Pitanga, que tem um defeito na perna direita, disse aos chefes que não trabalharia doente. Foi surrado e ameaçado de morte. Diante disso, ele e o colega decidiram fugir. Andaram três dias até chegar à cidade mais próxima e denunciaram a fazenda às autoridades.

Desde 1988, bem antes, portanto, da fuga desses trabalhadores, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) fez várias denúncias contra a Brasil Verde, que culminaram em sucessivas fiscalizações em 1989, 1992 e 2000. Em razão da incompetência do Estado para prevenir a repetição do aliciamento, a CPT e o Centro pela Justiça e o Direito Internacional enviaram, em 1998, uma petição à Corte Interamericana de Direitos Humanos, órgão da OEA. Em 2016, dezesseis anos após o último resgate na Brasil Verde, o Estado foi condenado por negligência. A indenização a 128 trabalhadores ultrapassou o valor de 4 milhões de dólares. O Brasil, que foi o último país das Américas a abolir a escravidão negra, tornou­ se o primeiro a ser condenado pela OEA por trabalho escravo.

Para o antropólogo americano Kevin Bales, autor de cinco livros sobre a escravização contemporânea e cofundador da ONG Free the Slaves (Liberte os Escravos), o Brasil perdeu o rumo que já teve nessa frente. “Quando pessoas de outros países me perguntavam o que elas deveriam fazer para combater a escravidão, eu dizia para seguirem o exemplo do Brasil. O que o país fez nos anos de 1990 a 2000 foi espetacular”, avaliou ele. “As atuais barreiras políticas devem ser superadas para que o governo possa voltar a acertar nesse terreno.”

Segundo a ONU, em todo o mundo os lucros obtidos com os cerca de 30 milhões de trabalhadores escravos chegam a 150,2 bilhões de dólares ao ano. O dado chama atenção – afinal, no passado, a escravidão exigia alto investimento e tinha baixo retorno; hoje em dia, é o oposto. Com a evolução tecnológica, os custos operacionais ficaram mais baixos. Antigamente, o trabalho escravo oferecia algo entre 15% e 20% de retorno anual. Hoje, esse número fica dentro de uma margem que vai de 300% a 500%. Sob essa lógica perversa, a escravização vale a pena. Não é de estranhar, portanto, que a resistência a combatê-la seja tão grande. Mesmo que isso signifique ter no país milhares de biografias devolvidas a um passado vergonhoso.

Escravos do Século XXI.2.

GESTÃO E CARREIRA

SEM MEDO DA CONCORRÊNCIA

Deixar a disputa de lado e investir em uma convivência saudável com um adversário pode render lições surpreendentes e ajudá-lo a crescer profissionalmente.

Tennis - Laver Cup - 2nd Day

No esporte, Rafael Nadal e Roger Federer, atualmente números 1 e 2 no ranking mundial da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), alimentam uma rivalidade que dura mais de uma década e já se enfrentaram dezenas de vezes em lados opostos da rede. Em setembro deste ano, último ano, o espanhol e o suíço dividiram a quadra de um jeito inusitado: em vez de adversários, foram companheiros em uma partida de duplas da Laver Cup, torneio amistoso que aconteceu em Praga, na República Tcheca. Eles venceram por 2 sets a 1 uma das duplas americanas em um jogo tão aguardado quanto suado.

Fora da quadra, os atletas são amigos e fãs um do outro. Na competição, encenaram o que no dia a dia de trabalho é rotina, embora nem todo mundo se dê conta: aquele adversário profissional (seja o colega da empresa concorrente, seja seu vizinho de baia no escritório, com quem você está sempre disputando visibilidade e reconhecimento) pode ser um grande aliado de seu sucesso. Que fique claro: a disputa predatória por posições ou promoções, que ainda reina nas empresas mais conservadoras, está fadada a desaparecer. Na realidade dos negócios modernos, “colaboração” é a palavra de ordem. Compartilhar recursos e conhecimento, oferecer e pedir ajuda e comemorar juntos as conquistas são atitudes de uma concorrência colaborativa, que se baseia no respeito, na ética e na sustentabilidade do negócio, sem precisar deixar de lado a preocupação com o lucro. “Cada vez mais, o que se defende é que ninguém precisa pisar no oponente para conquistar um lugar de destaque”, diz o coach Nélio Bilate, da NB Heart, consultoria de São Paulo. “A competição saudável é o que leva à evolução constante de indivíduos e corporações.”

A “competição”, termo difundido nos anos 90 para descrever estratégias de negócios que valorizam a atuação conjunta de pessoas e organizações a fim de gerar oportunidades positivas para todos os envolvidos, nunca foi tão atual. Gigantes do setor automobilístico e de tecnologia, por exemplo, já praticam a teoria, unindo-se no desenvolvimento de soluções com mais agilidade e menos custos. Entre pessoas físicas, o lucro também é certo. Descubra aprendizados valiosos, de vida e de carreira, que podem surgir dessa parceria tão rica.

1 – O RIVAL É SEU TRAMPOLIM

Numa entrevista após a vitória na Laver Cup, Roger Federer reforçou a importância do rival espanhol para sua carreira.

“Nadal sempre foi minha maior inspiração, pelas jogadas e pela intensidade em quadra. Tive de reinventar completamente meu jogo enfrenta-lo, de modo que devo parte do meu sucesso a ele, disse”. Quando o adversário a ser vencido é uma empresa concorrente, o profissional ao seu lado no escritório ou outro candidato no processo de seleção, a solução também é válida. “Enxergar algo que você ainda precisa desenvolver deverá deixar para buscar novos aprendizados e aperfeiçoamento”, diz Maria Cândida Baumer Azevedo, da People & Results, consultoria de carreira, de São Paulo.

 2 –  GANHAR NÃO É TUDO

Perseguir a todo custo o posto mais alto do pódio (ou de maior destaque no trabalho) quase sempre é certeza de uma vida estressante e, de certo modo, limitada e solitária. Focar seus esforços para estar entre os melhores, não importa quantos estejam acima, parece ser mais negócio. “Quando você elimina a comparação com os outros e diminui o nível de exigência consigo mesmo, fica livre para agir de acordo com sua verdade e cresce de forma construtiva sem o sofrimento de ter de ser melhor do que alguém”, diz Adriana Prates, presidente da Dasein Executive Search, consultoria de recrutamento, de Belo Horizonte.

3 – NINGUÉM VENCE SOZINHO

No esporte, só há competição porque há oponentes. Na vida corporativa, por sua vez, toda vitória é conquista de um time. “Somar visões de mundo, habilidades e estilos diferentes de trabalho ajuda a lidar com processos e projetos complexos e a encontrar soluções que um profissional, sozinho, talvez não conseguisse”, diz Nélio. Nem os líderes são autossuficientes. Um gestor deve equilibrar e estimular potencialidades de modo a incluir todos os talentos – assim como um treinador eficiente.

4 – CONFLITOS FAZEM CRESCER

Ambientes corporativos hostis, em que se incentiva um cabo de guerra diário, ainda existem. Se você trabalha num lugar assim, mas não pretende fazer o jogo do predador, precisa se adaptar para não virar presa. “Autocontrole, paciência, resiliência e resistência à frustrações são emoções a ser trabalhadas para não acabar desmotivado ou doente”, afirma Adriana. No fim, todas essas qualidades fazem de qualquer pessoa um ser humano melhor.

 5 – NOVAS FERRAMENTAS DE TRABALHO

Na partida em que jogaram em dupla, Federer e Nadal colocaram em prática habilidades que não necessariamente acessam nas partidas de simples, nas quais são reis. O interesse pelo outro e a convivência amistosa com a concorrência tem dessas coisas; obrigam à adaptação, expandem o repertório, geram autoconhecimento, somam competências ao arsenal técnico e intelectual e, quanto mais ferramentas você tem a mão, mais preparado fica para enfrentar desafios e se destacar.

6 – ERRO TAMBÉM É APRENDIZADO

O colega da baia ao lado que está sempre atrasado na entrega das tarefas ou que se comunica de modo ríspido com a equipe também pode ser uma inspiração sobre como não agir. “Observar com atenção as ações e as escolhas do concorrente ou do parceiro de time trazem insights importantes do que se deve evitar para obter bons resultados”, diz Adriana. De quebra você aprende a olhar para si mesmo e para suas qualidades de modo mais acolhedor, sem achar o outro uma ameaça.

7 – OUTRO ÂNGULO

Conhecer o jogo da concorrência é básico para o sucesso de qualquer negócio. Imagine duas empresas do mesmo segmento: uma que investe pesado em tecnologia para desenvolver seus produtos e outra que foca o apelo emocional para alavancar as vendas. Colocar-se no lugar do adversário é uma maneira de olhar o cliente de outro ponto de vista e captar informações que não se tinha sobre ele para, então aprimorar o relacionamento e o serviço oferecido.

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 22: 1-14 – PARTE I

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A Parábola da Ceia das Bodas

Aqui temos a parábola dos convidados ao jantar das bodas. O texto sagrado registra que Jesus (v.1) tornou a falar em parábolas, não respondendo ao que os seus oponentes tinham dito (pois eles haviam sido silenciados), mas ao que eles pensaram, quando desejaram uma oportunidade para prendê-lo (cap. 21.46). Cristo sabe como responder aos pensamentos dos homens, pois Ele tem o poder de discerni-los. Ou ainda Ele respondeu, isto é, Ele prosseguiu com o seu discurso com o mesmo objetivo; pois essa parábola representa a oferta do Evangelho, e a recepção que ele encontra, da mesma maneira que a parábola anterior, mas com outra analogia. A parábola da vinha representa o pecado dos governantes que perseguiam os profetas; ela também mostra o pecado do povo, que, de maneira geral, negligenciava a mensagem, enquanto os seus líderes estavam perseguindo os mensageiros.

 

I –  Os preparativos do Evangelho aqui são representados por um jantar que um rei ofereceu para celebrar as bodas do seu filho; assim é o Reino dos céus, assim é a provisão feita para as almas preciosas, no novo concerto e por meio dele. O Rei é Deus, um grande Rei, o Rei dos reis. Então:

1. São as bodas do seu Filho. Cristo é o Esposo, a igreja é a esposa; o dia do Evangelho é o dia do seu casamento (Cantares 3.11). Contemplem pela fé a igreja do primogênito, aqueles que estão escritos no céu, e foram dados a Cristo por Ele, de quem eles eram; e neles vemos a esposa do Cordeiro (Apocalipse 21.9). O concerto do Evangelho é um concerto de casamento entre Cristo e os crentes, e é um casamento feito por Deus. Esse lado da analogia é somente mencionado, e não detalhado aqui.

2. Há um jantar preparado para essas bodas (v. 4). Todos os privilégios da filiação à igreja, e todas as bênçãos do novo concerto, o perdão dos pecados, a graça de Deus, a paz de consciência, as promessas do Evangelho, e todas as riquezas ali contidas, dão acesso ao trono da graça, aos consolos do Espírito e a uma bem fundamentada esperança na vida eterna. Estes são os preparativos desse jantar, um céu sobre a terra, e um céu, no céu, em breve. Deus preparou esse jantar no seu conselho, no seu concerto. Ê um jantar que denota os privilégios atuais no nosso dia, além do jantar à noite, em glória.

(1). É uma festa. Os preparativos do Evangelho tinham sido profetizados como os de uma festa (Isaias 25.6), uma festa com animais gordos, e caracterizados como as muitas festas da lei cerimonial (1 Coríntios 5.8). Uma festa é um dia de alegria (Ester 9.17); assim também é o Evangelho; é uma festa contínua. Bois e cevados foram mortos para essa festa; nada de delicadezas, mas comida substancial; suficiente, e da melhor. O dia de uma festa é um dia de matança, ou de sacrifícios (Tiago 5.5). Os preparativos do Evangelho estão todos baseados na morte de Cristo, em seu próprio sacrifício. Uma festa foi feita para o amor, ela é uma festa de reconciliação, um símbolo da boa vontade de Deus em relação aos homens. Ela foi feita para a alegria (Eclesiastes 10.19), ela é uma festa de regozijo. Ela foi feita para a plenitude; o desígnio do Evangelho era encher todas as almas famintas com boas coisas. Ela foi feita para a comunhão, para conservar a relação entre o céu e a terra. Nós somos convidados para o banquete do vinho, para podermos dizer quais são as nossas súplicas, quais são os nossos pedidos.

(2). É um jantar de bodas. Os jantares de bodas normalmente são abundantes, gratuitos e alegres. O primeiro milagre que Cristo realizou foi providenciar uma provisão abundante para uma festa de bodas (João 2.7), e certamente Ele não desejaria que lhe faltasse provisão na sua própria festa de bodas, quando chegassem as bodas do Cordeiro, e a esposa estivesse pronta, um jantar vitorioso e triunfante (Apocalipse 19.7,17,18).

(3). É um jantar real de bodas; é um banquete de um rei (1 Samuel 25.36), nas bodas, não de um servo, mas de um filho. Então, Ele, como Assuero, mostrará as riquezas da glória do seu reino (Ester 1.4). A provisão feita para os crentes no concerto da graça não é algo que vermes indignos, como nós, tenhamos motivos para esperar, mas algo que é conveniente que o Rei da glória ofereça. Ele dá a si mesmo; pois Ele se dá para ser para eles El Shaddai um Deus que é suficiente, uma festa de verdade para a alma.

 

II – Os chamados e as ofertas do Evangelho são representados por um convite para esse jantar. Aqueles que oferecem um banquete comemorativo devem ter convidados a quem agraciar com o jantar. Os convidados de Deus são os filhos dos homens. “Senhor, que é o homem”, para ser dignificado dessa maneira! Os que foram convidados primeiro foram os judeus; onde quer que o Evangelho seja pregado, esse convite é feito. Os ministros são os servos que são enviados com os convites (Provérbios 9.4,5).

Considere que:

1. As pessoas são chamadas, convidadas para as bodas. Os convites são enviados a todos aqueles que ouvem o som alegre do Evangelho. Os ser­ vos que trazem os convites não escrevem os nomes dos convidados em um papel; não há necessidade disso, uma vez que ninguém está excluído, exceto aqueles que se excluem voluntariamente. Aqueles que são convidados para o jantar são convidados para as bodas; pois todo aquele que participa dos privilégios do Evangelho deve com­ parecer respeitosamente diante do Senhor Jesus, como amigo fiel e servo humilde do Esposo. Eles são convidados para as bodas, para que possam ir e encontrar o Esposo; pois é a vontade do Pai que todos os homens honrem ao Filho.

2. As pessoas são chamadas, pois no Evangelho não há apenas propostas graciosas, mas também persuasões graciosas. Nós persuadimos os homens e lhes rogamos da parte de Cristo (2 Coríntios 5.11,20). Veja o quanto o coração de Cristo está preocupado com a felicidade das nossas pobres almas! Ele não somente provê para elas, em consideração às suas necessidades, mas manda chamá-las, em consideração à sua fraqueza e descuido. Quando os convidados não quiseram comparecer, o rei enviou outros servos (v. 4). Quando os profetas do Antigo Testamento não conseguiram convencê-los, nem João Batista, nem o próprio Cristo – que lhes disse que os preparativos estavam prontos (era chegado o Reino de Deus) – , os apóstolos e os ministros do Evangelho foram enviados, depois da ressurreição de Cristo, para lhes dizer que o reino era chegado, que estava tudo pronto, e para persuadi-los a aceitar o convite. Alguém poderia pensar que teria sido suficiente dar a entender aos homens que eles tinham permissão de vir, e que seriam bem-vindos; que, durante a solenidade das bodas, o rei deixaria as portas abertas; mas, como o homem não discerne naturalmente, e, portanto, não deseja as coisas do Espírito de Deus, somos pressionados a aceitar o convite mediante as persuasões mais poderosas, atraídos com as cordas humanas e com todos os laços do amor. Se a repetição do convite nos comover: “E o Espírito e a esposa dizem: Vem! E quem ouve diga: Vem! E quem tem sede venha; e quem quiser tome de graça da água da vida” (Apocalipse 22.17). Se o motivo do chamado nos comover: “Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevados já mortos, e tudo já pronto”. O Pai está preparado para nos aceitar; o Filho, para interceder por nós; o Espírito, para nos santificar; o perdão está pronto; a paz está pronta; o consolo está pronto; as promessas estão prontas, como fontes de água viva; as regulamentações estão prontas, como grandes canos para transporte de água; os anjos estão prontos para nos servir; as criaturas estão prontas para serem nossas aliadas; as providências estão prontas para trabalhar para o nosso bem; e o céu, por fim, está pronto para nos receber. Está tudo pronto. E nós não estamos? Toda essa preparação está feita para nós, e ainda há lugar para alguma dúvida quanto à maneira como seremos recebidos, se viermos de maneira adequada? Venha, portanto, venha às bodas; nós vos exortamos a que “não recebais a graça de Deus em vão” (2 Coríntios 6.1).

 

III – A fria recepção que o Evangelho frequentemente encontra entre os filhos dos homens, representada pela fria recepção que esse convite encontrou, e pela recepção que os mensageiros encontraram, em que tanto o próprio rei como o noivo são ofendidos. Isso reflete, basicamente, os judeus, que rejeitaram o conselho de Deus contra si mesmos; mas também se refere ao desprezo que, em todas as épocas, será dedicado ao Evangelho de Cristo, e à oposição que ele enfrentará.

1. O convite foi desprezado de maneira imoral (v. 3): “não quiseram vir”. Observe a razão pela qual os pecadores não vêm a Cristo, nem à salvação que é dada por Ele. Não é porque eles não possam, mas porque não querem (João 5.40): “Não quer eis vir a mim”. Isso irá agravar a infelicidade dos pecadores, pois poderiam ter tido uma grande felicidade se viessem; mas foi uma obra deles mesmos a atitude de se recusarem a vir. “Quis eu…, e tu não quiseste”. Mas isso não era tudo (v. 5): “não fazendo caso”. Eles pensaram que não valia a pena ir. Pensaram que os mensageiros faziam mais alvoroço que o necessário; por mais que eles destacassem os preparativos, os convidados festejariam muito bem em suas próprias casas. Fazer pouco de Cristo, e da grande salvação operada por Ele, é o pecado destruidor do mundo. Eles foram negligentes. Multidões perecem, eternamente, por simples descuido, não por terem qualquer aversão direta às questões das suas almas, mas por uma indiferença predominante, e por uma despreocupação com tais questões.

E a razão pela qual fizeram pouco do jantar das bodas foi que eles tinham outras coisas com que se preocupavam mais; seguiram seus caminhos, “um para o seu campo, outro para o seu negócio”. Observe que os negócios e o lucro das coisas do mundo provam ser, para muitos, um grande obstáculo ao fechamento com Cristo; nenhum deu as costas para o jantar, mas todos ofereceram alguma desculpa plausível (Lucas 14.18). As pessoas do campo tinham as suas fazendas para cuidar, onde sempre há uma coisa ou outra para fazer; as pessoas da cidade precisavam cuidar das lojas, e se preocupar com as questões financeiras; eles precisavam comprar, vender, e ter luro. É verdade que tanto os fazendeiros quanto os comerciantes precisam ser diligentes nos seus negócios, mas não a ponto de se verem impedidos de fazer da fé o se u principal negócio. Essas coisas lícitas nos destroem, quando são manejadas de maneira imprópria, quando somos tão cuidadosos e preocupados com tantas coisas, a ponto de negligenciarmos a única coisa necessária. Observe que tanto a cidade quanto o campo têm as suas tentações; o comércio tem algumas, enquanto as fazendas têm outras. Desse modo, a despeito de qualquer coisa do mundo que tenhamos em nossas mãos, a nossa preocupação deve ser mante r isso fora dos nossos corações, para que não se interponha entre nós e Cristo.

2. Os mensageiros foram maltratados de forma vil; os que sobraram, isto é, aqueles que não foram ao campo nem aos seus negócios, não eram nem lavradores nem comerciantes, mas eclesiásticos. Eram os escribas e os fariseus, os principais dos sacerdotes; eram os perseguidores. Eles tomaram os servos e os ultrajaram, e os mataram. Isto, na parábola, é incompreensível. Como puderam ser tão rudes e bárbaros, como essas pessoas, com os servos que vieram convidá-los a uma festa; mas, na aplicação da parábola, era verdade; aqueles cujos pés deveriam ter sido bonitos, porque traziam as boas-novas de festas solenes (Naum 1.15), foram tratados como a escória de todos (1 Coríntios 4.13). Os profetas e João Batista já tinham sido maltratados dessa maneira, e os apóstolos e ministros de Cristo deviam esperar a mesma coisa. Os judeus, direta ou indiretamente, eram os agentes da maioria das perseguições contra os pregadores do Evangelho. Um testemunho dessa verdade é a história dos Atos dos Apóstolos, que retrata os seus sofrimentos.

 

IV – A destruição completa que viria sobre a igreja e a nação dos judeus é aqui representada pela vingança que o rei, irado, enviou contra esses insolentes dissidentes (v. 7). Ele se encolerizou. Os judeus, que tinham sido o povo do amor e da bênção de Deus, ao rejeitarem o Evangelho, tornaram-se a geração da sua ira e maldição. A ira de Deus caiu sobre eles até ao fim (1 Tessalonicenses 2.16). Considere aqui:

1. Qual foi o pecado que produziu a destruição: o fato de eles terem assassinado os servos. Não se diz que Ele destruiu os que desprezaram o seu convite, mas que destruiu os homicidas, os que tinham matado os seus servos. Como se Deus tivesse mais zelo pela vida dos seus ministros do que pela honra do seu Evangelho. Aquele que os toca, toca a menina dos seus olhos. Observe que a perseguição dos ministros fiéis de Cristo merece a imputação da culpa, mais que qualquer outra coisa. Encher Jerusalém de sangue inocente foi o pecado de Manasses que o Senhor não quis perdoar (2 Reis 24.4).

2. Qual foi a destruição que veio: Ele enviou “os seus exércitos”. Os exércitos romanos eram os seus exércitos, que Ele convocou, que Ele enviou contra o povo da sua ira, e a ordem era destruí-lo (Isaias 10.6). Deus é o Senhor dos exércitos dos homens, e faz deles o uso que quiser, para servir aos seus próprios objetivos, embora eles não o percebam, nem o seu coração assim o imagine (Isaias 10.7; veja Miqueias 4.11,12). Com seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade. Isto indica, muito claramente, a destruição dos judeus e o incêndio de Jerusalém, pelos romanos, quarenta anos mais tarde. Nenhuma época jamais viu uma destruição maior do que aquela, nem efeitos mais diretos do fogo e da espada. Embora Jerusalém tivesse sido uma cidade santa, a cidade que Deus tinha escolhido para lhe dar o seu nome, bonita por condição, a alegria de toda a terra, ainda as­ sim aquela cidade agora tinha se tornado uma prostituta, e a justiça não mais habitava ali, mas os homicidas, os piores homicidas (como diz o profeta, Isaias 1.21). Assim, o julgamento caiu sobre ela, e a destruição não teve remédio; e isso serve de exemplo a tudo o que se opuser a Cristo e ao seu Evangelho. A vingança à oposição ao seu concerto foi uma obra do Senhor.