PSICOLOGIA ANALÍTICA

PRONTO-SOCORRO CONTRA O PÂNICO

O que passa em sua cabeça quando reconhece os sinais de uma crise? Talvez pense: “Estou morrendo, estou ficando louco, vou desmaiar, estou enjoado, vou passar vergonha em público”. E a lista continua. Para lidar com a angústia e evitar que o descontrole aumente, alguns exercícios práticos podem ser muito úteis.

Pronto-socorro contra o pânico

De repente seu coração dispara. Parece não haver ar suficiente para respirar, você sente uma leve vertigem e as mãos transpiram. Esse conjunto de sintomas costuma revelar uma crise de pânico. “Não raro, nesse momento as pessoas acreditam que estão morrendo ou ficando loucas”, diz a doutora em psicologia Ellen Hendriksen. Ela ensina técnicas desenvolvidas com base na psicologia cognitivo-comportamental para controlar a angústia, uma espécie de “pronto-socorro” para que a pessoa retome a autonomia sobre o próprio corpo. Considerando que a crise pode ter causas nem sempre óbvias, é fundamental buscar ajuda de um profissional, mas – pelo menos no momento mais crítico – é possível se acalmar sozinho e em poucos minutos. Os resultados costumam ser bastante positivos, principalmente quando o paciente aprende a se preparar para enfrentar o desconforto. Mas a especialista alerta: é preciso estar disposto a suportar um pouco de ansiedade para superar esse estado.

BRINQUE COM OS SINTOMAS

Parece bem pouco atraente induzir o mal-estar justamente quando nos sentimos bem. E é compreensível que experimentar sentimentos desagradáveis seja a última coisa que alguém deseja. “Mas é fundamental se familiarizar com os sintomas, como o coração batendo descompassado, por exemplo, e se dar conta de que isso não é, necessariamente, sinal de perigo”, afirma Hendriksen. Ela enfatiza que os sinais de que “a pessoa está morrendo” surgem na hora da crise e têm efeito de uma bola de neve, que aumenta de forma descontrolada. Segundo a psicóloga, é importante simular fora do contexto de um ataque os sintomas que tanto nos assustam para nos acostumarmos a não vê-los como perigosos. A ideia é que a pessoa passe a lidar com o coração acelerado ou garganta apertada sem ver essas reações físicas como um grande problema. “Quando estamos no controle, temos a chance de nos habituar aos sintomas isoladamente”, salienta a psicóloga.

Mas, na prática, o que fazer? Simples. Se a pessoa está preocupada com a aceleração cardíaca, caminhe ou corra na esteira até perceber o coração batendo forte e, então, apenas interrompa o movimento e note como o organismo se estabiliza. Aterrorizado com a possibilidade de sentir tontura? Sente-se em uma cadeira de escritório e gire várias vezes, em seguida pare e respire profundamente até que a vertigem passe. Falta de ar? Segure a respiração por alguns segundos e depois estabilize a inspiração e a expiração. O importante é ir, aos poucos, “brincando” com o que o assusta, de forma segura e sem se expor a perigos.

 NÃO BRIGUE COM A CRISE

Pode parecer estranha a ideia de aceitar calmamente a chegada dos sintomas, sem fazer absolutamente nada para fugir deles. “Mas uma pequena dose de ‘psicologia inversa’ pode fazer maravilhas”, garante Hendriksen. Ela observa que grande parte da energia gasta durante um ataque de pânico é direcionada a fugir dos sintomas para que eles não se tornem intensos a ponto de nos matar, mas isso só aumenta a ansiedade e a sensação de descontrole. “Por isso, faça o teste: quando começar a se preocupar com o pânico ou sentir o primeiro sinal de que uma crise se aproxima, diga a si mesmo: ‘Ei, corpo, eu quero mais. Pode vir!’; então respire fundo e não brigue com seu corpo.”

Curiosamente, estar disposto a sentir sintomas de pânico ajudará a parar o ciclo. Afinal, o pânico é a resposta a algo que seu cérebro entende como um grande perigo; quando você entra na briga (ainda que seja consigo mesmo), o embate só aumenta exponencialmente. Em contraste, quando você acolhe as sensações de medo sem lutar contra elas, seu organismo percebe que não tem motivos para lutar ou fugir. E as coisas tendem a se acalmar.

É SÓ ANSIEDADE, NÃO É REALIDADE

O pânico está na interpretação. Considere um exemplo: são 3 horas da manhã e o telefone toca. O que aconteceu? Pode significar que uma pessoa querida está com graves problemas ou até mesmo morta. Mas também pode significar apenas que alguém ligou para o número errado. Até que você atenda o telefone, o motivo da chamada é mero produto da sua interpretação. O mesmo acontece durante crises de ansiedade. Em vez de entender o desconforto físico como sinal claro de que você está morrendo, é possível pensar: “É apenas meu alarme interno que está desregulado; é desagradável, mas já senti isso antes e na ocasião eu não estava morrendo, da mesma forma como não vou morrer agora”. Hendriksen oferece uma dica bastante útil: “Vale a pena lembrar que não há perigo em interpretar o medo nesses casos como algo de fato irritante com o qual você já lidou antes e pode lidar de novo; é apenas ansiedade, não realidade”.

 FATOR TEMPO

Uma paciente minha teve um ataque de pânico durante um treino na academia e não só não voltou ao local, mas também parou de se exercitar inteiramente. Passou até mesmo a evitar subir escadas, pois se preocupava com a possibilidade de seu coração acelerar e deflagrar outro ataque de pânico. Para reverter essa situação, a moça começou a lidar com o esforço gradualmente: nas primeiras tentativas, tinha uma tarefa simples: atirar longe um bloco de concreto. Dias depois, deveria dar uma volta no quarteirão e, ao longo das semanas, ininterruptamente, fazer um trajeto mais longo, até que após dois meses voltou à academia. “É comum que um lugar ou situação fique associado ao temor que a pessoa sentiu, é comum que passe a evitar qualquer coisa parecida, mas podemos ‘enganar’ o medo, mostrando ao cérebro que está tudo bem aos poucos, para que uma nova memória seja registrada”, observa Hendriksen. “Se você teme ter um ataque de pânico em um cinema lotado, por exemplo, comece por ir ao teatro e se sente o mais perto possível da saída. Da próxima vez, avance mais dois lugares em direção ao centro”, sugere a psicóloga. Duas coisas importantes: não deixe passar tempo demais entre um exercício de habituação e outro (nesse caso, as idas ao teatro) nem avance rápido demais, achando que o desafio está muito fácil, pois seu cérebro precisa de treinamento gradual e constante.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.