PSICOLOGIA ANALÍTICA

SINCRONIA NA DOR

Sincronia na dor

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Colorado Boulder (EUA) e da Universidade de Haifa, Israel, descobriu que a empatia de um parceiro num momento de dor física, manifestada por meio de toque físico (mãos dadas), reconforta a mulher e melhora o sintoma. O fenômeno seria promovido por uma sincronia de ondas cerebrais que ocorre entre o casal nesse momento – e quanto mais sincronizam, mais a dor diminui e tende a desaparecer.

Ao todo, 22 casais heterossexuais, de 23 a 32 anos, foram selecionados como voluntários da pesquisa. Trata-se de parceiros que estiveram juntos por pelo menos um ano, que foram solicitados a se expor em diversos cenários, que envolviam algum ou nenhum toque físico entre eles. Tais situações se repetiram com a parceira sofrendo algum estímulo doloroso. As atividades cerebrais dos casais foram medidas por eletroencefalografia (EEG).

Entre os casais, somente em presença um do outro, com ou sem toque, houve alguma sincronia de ondas cerebrais na banda alfa mu, um comprimento de onda associado à atenção dirigida. Quando eles mantinham as mãos dadas enquanto a parceira sentia dor, a sincronia mostrava-se mais intensa. No momento de dor, a ausência do toque do parceiro também foi associada a menor sincronia de ondas cerebrais.

O mecanismo cessador ativado no experimento ainda não foi decifrado, sendo evidente apenas a relação causa-efeito entre os fenômenos. Os pesquisadores também alertam para o fato de que esses resultados podem variar entre casais de natureza homossexual, sendo necessários outros experimentos para averiguá-los. O mesmo vale para um experimento em que o homem seja o voluntário a receber estímulos dolorosos e a empatia da parceira.

OUTROS OLHARES

PSIQUIATRIA FORENSE: A LEI EXISTE PARA SER APLICADA

É importante ressaltar sempre que um crime grave não se caracteriza somente pela agressão física, mas também pela violência psicológica.

A lei existe para ser aplicada

Recentemente foi preso um homem de 27 anos que, dentro de um ônibus, na av. Paulista (centro financeiro de São Paulo), ejaculou no pescoço de uma mulher. Trata-se de caso de exibicionismo que se caracteriza por desejo de expor os genitais em público. A excitação sexual ocorre durante a exposição e o orgasmo é atingido por meio de masturbação, como ocorreu nesse caso. Aqui é preciso lembrar que os exibicionistas apreciam a reação da vítima à exposição, se fica brava, surpresa etc.

Levado à delegacia de polícia, depois ao juiz para audiência de custódia, este o liberou sob o argumento de que não houve violência ou grave ameaça, ou seja, a sua conduta não caracterizara, para o magistrado, estupro. Passados dois dias, o mesmo indivíduo, no mesmo local, praticou outro crime semelhante.

Assim nascem as primeiras perguntas: qual o tipo de transtorno que esse indivíduo tem e o que deve ser feito?

Antes de responder, seja-nos permitido dizer que o juiz e o Ministério Público erraram ao não caracterizar crime violento, lembrando que violência não é somente agressão física, mas também psicológica.

O homem é soma e psiquê, corpo e alma, que são duas substâncias diferentes amalgamadas a formar um composto uno e indiviso; por isso se denomina indivíduo, indivisível. Isso quer dizer que quando há uma agressão física, o psiquismo também apanha e vice-versa.

Ora, ser vítima de uma ejaculação em um coletivo, de maneira totalmente indesejada, claro que é altamente agressivo para a moral, os costumes, o pensamento, o sentimento, o humor, os valores éticos do indivíduo-vítima.

Quanto ao criminoso, em vez de soltá­lo, o juiz e o representante do Ministério Público deveriam fazer o que manda a lei nessas circunstâncias: instaurar incidente de insanidade mental para verificar o que esse anormal apresenta. Lembremos que ele já foi pego mais de 15 vezes praticando os mesmos atos. E quem é pego 15 vezes é porque praticou no mínimo 50, ou seja: faz três e pegam uma.

E quem age dessa maneira bizarra, escancarada, impulsiva, agressiva, com absoluta certeza não está em uma condição mental normal. Há algo a ser avaliado. Assim, determinado o mal do qual esse perturbado padece, em vez de cadeia, seria aplicada medida de segurança detentiva, por apresentar periculosidade social, consistente em internação na casa de custódia e tratamento psiquiátrico (antigo manicômio judiciário) e lá permanecer por um período inicial, mínimo, de um a três anos, para tratamento e para a salvaguarda social.

O que não é tolerável é um indivíduo com tal comportamento, multireincidente específico, continuar a agir impunemente e, o que é pior, amparado por uma lei mal interpretada e aplicada de forma errada por alguém que deveria, isso sim, proteger a sociedade.

 

 GUIDO ARTURO PALOMBA – é psiquiatra forense e membro emérito da Academia de Medicina de São Paulo.

 

GESTÃO E CARREIRA

 

 ALERTA VERMELHO

 Em tempos de retração do mercado de trabalho, muitos profissionais se perguntam qual é o segredo para sobreviver aos tempos de crise. Certamente algumas atitudes como a perseverança, otimismo e altas doses de energia e iniciativa fazem com que possamos lidar melhor com todas as dificuldades que estamos experimentando nos dias de hoje. Será que você está bem preparado para estes tempos áridos? Faça o teste e confira!

 Alerta vermelho - Teste

1.  Você acabou de ser demitido(a) ou sua empresa está prestes a fechar, ao chegar em casa você…

(A)  Fala claramente com a família sobre a situação e lida com o sentimento da melhor forma possível.

(B) Não diz o que está acontecendo, mas dá sinais de que isso pode acontecer e já vai preparando a família. e esconde o sentimento.

(C)  Esconde de todos até a hora que der, principalmente dos amigos e dos parentes. Sofre com o sentimento.

2. Você agora enfrentará um período de contenção de despesas e deve fazer suas economias durarem o máximo possível. Para isso você….

(A)  Já conversa com todos e juntos definem o que, e quanto será cortado da estrutura da casa e das dívidas para enfrentar este momento de transição.

(B)  Acha que logo se recolocará e corta só os luxos mesmo.

(C)  Acha deprimente rebaixar o padrão de vida da família, vai ter que dar um jeito.

3. Agora é hora de conseguir uma nova oportunidade. Você sabe o que está buscando?

(A)  Sim, mesmo antes de ser demitido ou fechar minha empresa eu já percebia os sinais, estudei o mercado e minhas opções e já tinha um “plano B”, agora é só colocar mais força

(B)  Acho que sei. Busco uma posição semelhante à que eu tinha e com salário compatível.

(C ) Não sei se quero continuar nesta área, nunca pensei nisso…

4. Quando busca por outras oportunidades, você…

(A)  Faz pesquisas diversas, lê e avalia se está dentro do perfil buscado pela empresa, organiza os links das vagas em uma planilha, controla as inscrições que já fez e os retornos ou encerramentos ao longo do processo para ter um painel de navegação eficiente nessa busca.

(B)  Busca vagas e se inscreve inclusive em algumas oportunidades para as quais não tem todos os requisitos, afinal o “não” você já tem, o que custa tentar?

(C)   Acha insuportável ficar horas buscando vagas, prefere enviar o currículo aos amigos e contar com indicações.

5. O seu currículo é….

(A)  Nem curto nem extenso. Organizei todas as minhas informações ressaltando meus conhecimentos, qualificações, cursos e resultados que trouxe para as empresas. Tomei o cuidado de passar corretor ortográfico.

(B)  Considero adequado, uso o mesmo há anos, só fiz algumas atualizações, não sei muito bem o que escrever, mas acho que está bom.

(C)  Curto e direto. Preencho um básico inclusive nos sites porque eu acho que ninguém lê currículo, olham os cargos e a formação somente. Se me chamarem para entrevista eu detalho melhor minha carreira.

6. O dia amanhece, você…

(A)  Levanta, se veste, toma seu café e vai para o computador “trabalhar” na busca por sua recolocação. Afinal, procurar emprego é um trabalho!

(B)  Dorme um pouco mais, fica de pijama, afinal ninguém está vendo, e toma coragem para ligar o computador e garimpar as vagas. Porém, se a vontade de assistir a um seriado for mais forte, não pode responder por si…

(C)  Aproveita para descansar da rotina estressante do relógio. Acorda e vê o que vai fazer do seu dia, inclusive em que momento vai procurar outras oportunidades.

7. Nas redes sociais você é aquele que….

(A)  Aparece com moderação e evita conflitos.

(B)  Aparece com frequência e acha que falar a verdade é essencial, doa a quem doer.

(C)  Não tem redes sociais.

8. A maioria das empresas possui em seu site o link “trabalhe conosco”, você acha isso…

(A)  Um grande avanço! Afinal poderei ser pesquisado e chamado para os processos a qualquer momento sem o risco de o meu currículo ser jogado fora ou deletado da caixa de e-mails do RH.

(B)  Uma chateação! Não tenho paciência para ficar cadastrando meu currículo em cada empresa que anuncia vaga, só prossigo nas que são mais interessantes.

(C)  Uma dificuldade! Fico perdido com muitas telas abertas no meu computador e acabo me candidatando somente às vagas que pedem o currículo por e-mail.

9. Como anda seu networking? Alguém pode recomendá-lo?

(A)  Tenho um bom networking, mesmo quando eu estava trabalhando eu sempre interagia com todos e sempre ajudei as pessoas encaminhando o currículo ou indicando para o RH da minha empresa, agora creio que também serei ajudado.

(B)  Conheço bastante gente, mas confesso que estava meio sumido(a), agora é hora de retomar os contatos.

(C)  Não mantive contato com colegas de trabalho, acho que dificilmente poderei contar com ajuda ou recomendação deles.

10. Em matéria de afinidade com tecnologia, você…

(A)  Está antenado com as ferramentas e sistemas utilizados em sua área de atuação.

(B)  Está parcialmente atualizado, precisaria desenvolver-se mais em algumas tecnologias para concorrer nas melhores vagas.

(C)  Está defasado, ficou muito tempo em uma empresa e acabou não acompanhando a evolução tecnológica da área.

11. Passados 30 dias da sua demissão ou do fechamento da sua empresa, você ainda não se recolocou no mercado, como você se sente?

(A)  Ainda me sinto triste em alguns dias, mas sei que tenho que superar este momento e estou fazendo tudo que está ao meu alcance para me recolocar o mais rápido possível.

(B)  Ainda tenho raiva, tenho falado constantemente com meus colegas que ainda estão na empresa para ver como estão sobrevivendo sem mim.

(C)  Ainda não entendi por que me demitiram, penso constantemente nos motivos e está difícil superar esta fase.

12. Você foi convidado a participar de uma entrevista, você se sente:

(A)  Confiante, tenho um bom currículo e estou preparado, pois já estudei tudo sobre a empresa e segmento de atuação.

(B)  Apreensivo, meu currículo é adequado, mas é impossível prever o que será perguntado.

(C)  Inseguro, porque meu currículo está menos qualificado do que de outros candidatos, preciso aperfeiçoar o inglês ou fazer uma especialização.

 13. Chegando à entrevista, você:

(A)  Comporta-se um pouco mais formalmente e responde atentamente ao que lhe é perguntado. Ao final, tira suas dúvidas e reforça seu interesse.

(B)  Comporta-se menos formalmente, pois acredita que a entrevista é a única chance que você tem de mostrar suas qualificações e passar para a próxima fase. Ao final, pede o telefone e e-mail e pergunta quando terá uma resposta.

(C)  Comporta-se de forma saliente, pois acredita que, se de alguma forma conseguir conduzir a entrevista, sairá na frente. Ao final, pede o telefone e e-mail e semanalmente envia uma mensagem pedindo uma posição.

14. Na entrevista você descobre que o salário é 20% menor do que sua renda era:

(A)  Avalia a proposta considerando o conjunto de remuneração, benefícios, distância da sua casa e potencial que terá para evoluir dentro da empresa.

(B)  Avalia a proposta, mas fica incomodado porque as empresas estão aproveitando o desemprego para achatar os salários. É possível que aceite para não ficar desempregado, mas continuará procurando outro emprego.

(C)  Nem considera a proposta e acha imperdoável ter sido chamado para um processo em que o salário oferecido é menor do que sua pretensão salarial. Os tempos são de crise, mas não está disposto a reduzir seu padrão de vida.

15. Seu inglês é:

(A)  Avançado/ Fluente. Sempre priorizei o aperfeiçoamento do idioma, pois as melhores oportunidades do mercado exigem inglês.

(B)  Intermediário. Comecei e parei várias vezes um curso de inglês.

(C)  Básico. Nunca investi no idioma, talvez seja a hora.

16. Quando pensa em sua carreira em médio e longo prazo, você:

(A)  Sabe que tem que planejar uma transição de carreira perto dos 50 anos, quando sua empregabilidade começará a declinar.

(B)  Sabe que planejar é importante, mas nunca teve tempo para refletir sobre isso porque sua rotina de trabalho hoje consome todo o seu tempo.

(C)  Acha que quando estiver mais próximo da aposentadoria considerará as opções existentes.

17. Imagine-se com 60 anos. Como será sua vida?

(A)  Mantenho um estilo de vida mais simples para não me preocupar tanto com dinheiro. Dou aulas ou palestras em minha área de conhecimento e presto serviços para algumas pequenas empresas que valorizam minha experiência.

(B)  Vendi alguns bens para sustentar-me. Ainda não sei o que fazer, até hoje busco um emprego, mas noto que as oportunidades para alguém da minha idade são cada dia mais raras.

(C)  Estou endividado. Que país é este com uma aposentadoria tão baixa?

  

CONTABILIZE SEU TESTE

A = 4               B = 2               C= 1

ACIMA DE 50 PONTOS Parabéns, você é uma pessoa que não costuma ser pega de surpresa pelos acontecimentos. Você investe seu tempo de forma positiva e construtiva em sua carreira, é diligente e precavido. Planejar ações em cenários adversos é uma ferramenta poderosa para adaptar­ se rapidamente a novas situações.

ENTRE 30 E 49 PONTOS – Você deve ficar atento à sua carreira. Não deixe o tempo passar sem uma avaliação constante de seu potencial de empregabilidade. O mundo globalizado e a era da hiperconectividade que vivemos traz desafios duros aos profissionais. É importante manter- se competitivo no mercado de trabalho através da aquisição constante de conhecimentos, aperfeiçoamento de idioma, leitura e interação com as comunidades de sua área para evitar a estagnação e desvalorização do seu currículo.

ABAIXO DE 30 PONTOS – Sinal amarelo para você! Se você não adotar ações urgentes para alavancar sua carreira, a tendência é que perca valor no mercado de trabalho e se transforme em um “dinossauro… Comportamentos inflexíveis aliados à falta de investimento em qualificação colocarão você na prateleira das “sobras” de mercado. Sempre é tempo de dar a volta por cima, basta decidir, focar e agir na direção das metas que você estabelecer. Assuma o rumo da sua carreira.

ENTENDA UM POUCO MAIS O TESTE

As alternativas “A” trazem respostas de pessoas que têm como hábito o investimento continuo na carreira, seja por meio de cursos, especializações, idiomas, manutenção de um bom networking, atualização de conteúdos técnicos e sobre carreira, a que confere a elas um melhor posicionamento no mercado de trabalho. Esses profissionais têm chances de recolocaram-se mais rapidamente. A flexibilidade ao considerar propostas e outras opções de trabalho gera pontos extras e abre mais oportunidades.

As alternativas “B” trazem respostas de pessoas que possivelmente vivem a vida no “automático”, drenadas pelo cotidiano e que não investem tempo em uma autoavaliação constante de carreira e objetivos pessoais. Podem ser frequentemente surpreendidas por desligamentos, pois não são suficientemente qualificadas a ponto de serem consideradas essenciais na empresa.

As alternativas “C” trazem respostas de pessoas que não priorizaram a carreira. Frequentemente são menos qualificadas, possuem pouco interesse em leituras direcionadas, não possuem grande ambição, não têm o hábito de planejar ações ou considerar cenários ruins e possuem tendência a acomodar-se em seus empregos. Esse conjunto de atitudes faz com que se posicionem de forma inferior à média de candidatos, o que fará com que diminuam cada vez mais suas oportunidades e remuneração.

 

LUCIANA TEGON – é headhunter, personal e executive coach da Consultants Group by Tegon, consultoria especializada em Recrutamento e Seleção, Outplacement e Recolocação de Executivos.

 

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 20: 29-34

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A Vista é dada aos cegos

Temos aqui um relato da cura de dois mendigos pobres e cegos, no qual podemos observar:

 I –  A palavra deles a Cristo (vv. 29,30). E nisso:

1.  As circunstâncias do evento devem ser observadas. Ele ocorreu quando Cristo e seus discípulos partiram de Jericó; daquele lugar devotado, que foi reconstruído sob uma maldição, Cristo se despediu com essa bênção, porque Ele recebeu dons até mesmo para os rebeldes. Foi na presença de uma grande multidão que o seguia. Cristo tinha um público numeroso, mas sem pompa, e fazia o bem para eles, embora não tomasse para si qualquer pompa. Nessa multidão que o seguia por pão, alguns por amor, outros por curiosidade, e alguns na expectativa de seu reino temporal (algo com que os próprios discípulos sonhavam), poucos tinham o desejo de serem ensinados sobre as suas obrigações. No entanto, por amor a esses poucos, Ele confirmou a sua doutrina através de milagres operados na presença de grandes multidões, que, se não fossem convencidas por eles, seriam as mais indesculpáveis. Dois homens cegos recorreram ao Senhor com um pedido; porque a oração conjunta é agradável a Cristo (cap. 18.19). Esses, que sofriam juntos, fizeram a sua petição juntos; sendo companheiros na mesma tribulação, eles se tornaram parceiros na mesma súplica. Bom é para aqueles que es­ tão lutando sob a mesma calamidade, ou enfermidade do corpo ou da mente, unirem-se na mesma oração a Deus por alívio, para que possam reanimar a devoção um do outro, e encorajar a fé um do outro. Há misericórdia suficiente em Cristo para todos os suplicantes. Esses cegos estavam assentados “junto do caminho”, como os mendigos cegos costumavam fazer. Note que aqueles que desejam receber a misericórdia de Cristo devem se colocar na presença de Cristo, pois é ali que Ele se manifesta àqueles que o buscam. É bom, portanto, abordar a Cristo, colocando-nos em seu caminho.

“Eles ouviram que Jesus passava”. Embora fossem cegos, eles não eram surdos. Ver e ouvir são os sentidos do aprendizado. É uma grande calamidade não ter nenhum deles; mas o defeito de um pode ser, e frequentemente é, compensado pela sensibilidade e perspicácia do outro; portanto, tem sido observado por alguns como um caso da bondade da Providência, o fato de que não se sabe de ninguém que tenha nascido cego e surdo; mas que, de um modo ou de outro, todos são capazes de receber conhecimento. Esses cegos tinham ouvido falar de Cristo pela audição, mas desejavam que os seus olhos pudessem vê-lo. Quando eles “ouviram que Jesus passava”, não fizeram mais perguntas como, por exemplo, quem estava com Ele, ou se Ele estava com pressa, mas imediatamente clamaram. É bom aproveitar a oportunidade presente, fazer o melhor daquilo que se tem agora em mãos, porque, se deixarmos que algo escape uma vez, tal benefício pode jamais voltar; esses cegos fizeram assim, e o fizeram de forma sábia; porque não encontramos em nenhuma passagem que Jesus tenha, algum a vez, retornado a Jericó. “Hoje é o dia aceitável”.

2. O clamor em si é mais observável: “Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós”, e é repetido novamente (v. 31). Quatro coisas nos são recomendadas como um exemplo nesse texto; porque, embora os olhos do corpo estivessem na escuridão, os olhos da mente estavam iluminados com respeito à verdade, ao dever e ao interesse.

(1).  Aqui está um exemplo de importunação em oração. Eles clamaram como homens sinceros; homens necessitados são sinceros, naturalmente. Desejos frios só atraem a rejeição. Aqueles que desejam prevalecer em oração, devem se esforçar para se firmar em Deus através da obediência. Quando eles foram desencorajados, clamaram mais. A corrente de fervor, se for interrompida, irá aumentar e crescer ainda mais. Essa luta com Deus em oração nos torna mais adequados para recebermos misericórdia; porque quanto maior for o esforço, maior será a recompensa, e será reconhecido com gratidão.

(2). Da humildade em oração. Nesse texto: “Tem misericórdia de nós”, eles não estão especificando o favor, nem descrevendo a necessidade, muito menos pleiteando algum mérito, mas estão se lançando e se submetendo alegremente à misericórdia do Mediador, da maneira que Ele se agra da. “Apenas tem misericórdia.” Eles não pedem prata e ouro, embora fossem pobres, mas misericórdia. É nisso que os nossos corações devem se apoiar quando nos aproximamos do “trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia” (Hebreus 4.16; SI 130.7).

(3). Da fé em oração. No título que eles deram a Cristo, que estava na natureza de um apelo: “Senhor, Filho de Davi”, eles confessam que Jesus Cristo é Senhor, e, portanto, tinha autoridade para ordenar a libertação deles. Certamente foi pelo Espírito Santo que eles chamaram a Cristo de Senhor (1 Coríntios 12.3). Desse modo, eles tomam a sua coragem em oração a partir de seu poder, assim como, ao chamá-lo de Filho de Davi, eles tomam coragem a partir de sua bondade, como Messias, de quem tantas coisas bondosas e ternas foram preditas, particularmente de sua compaixão pelos pobres e necessitados (Salmos 72.12,13). É algo excelente, em oração, ver a Cristo na graça e na glória como o Messias, para nos lembrarmos de que Ele é o Filho de Davi, cujo ofício é ajudar e salvar. E assim podemos pleitear com Ele.

(4).  Da perseverança em oração, apesar do desencorajamento: ”A multidão os repreendia”, como barulhentos, insistentes e impertinentes, e lhes ordenou que se calassem, e que não perturbassem o Mestre, que talvez, a princípio, parecia não se dar conta deles. Ao seguirmos a Cristo com as nossas orações, devemos esperar encontrar obstáculos e múltiplos desencorajamentos de dentro e de fora, uma coisa ou outra que nos exorte a nos calar. Tal repreensão é permitida, para que o fervor, a fé, a paciência e a perseverança possam ser testados. Esses pobres cegos foram repreendidos pela multidão que seguia a Cristo. Aqueles que são sinceros e sérios fazendo os seus pedidos a Cristo, geralmente enfrentam repreensões piores do que aqueles que o seguem com falsa aparência e hipocrisia. Mas eles não seriam afastados; quando buscavam tal misericórdia, não havia tempo para saudações, nem para praticarem uma delicadeza tímida. Não, eles “cada vez clamavam mais”. Os homens devem sempre orar, e não esmorecer; orar com toda a perseverança (Lucas 18.1); perseverar em oração de forma resoluta, e não sucumbir à oposição.

 

II – A resposta de Cristo a essa palavra deles. A multidão os repreendeu; mas Cristo os encorajou. Seria triste para nós se o Mestre não fosse mais bondoso e terno do que a multidão; mas Ele ama aprovar com favor especial aqueles que estão sob desaprovações, censuras e desprezos dos homens. Ele não deixará que os seus humildes suplicantes sejam difamados e colocados em situações embaraçosas.

1.  E Jesus, parando, “chamou-os” (v. 32). Ele então estava subindo para Jerusalém, e foi pressionado até que a sua obra estivesse realizada; e mesmo assim Ele parou para curar esses cegos. Sempre que estivermos com muita pressa sobre qualquer assunto, devemos estar dispostos a parar para fazer o bem. Jesus chamou-os, não porque não pudesse curá-los à distância, mas porque Ele iria fazê-lo de um modo mais prestativo e instrutivo, e só iria aceitar pacientes e solicitantes, ainda que fracos, dispostos. Cristo não só nos ordena que oremos, mas nos convida a orar. Ele estende o cetro de ouro para nós, e solicita que nos aproximemos para tocá-lo.

2. Ele os interrogou sobre o caso deles: “Que quereis que vos faça?” Isto sugere:

(1).  Uma oferta muita justa: ”Aqui estou eu; deixe-me saber o que você quer, e você o terá.” O que mais desejaríamos? Ele pode fazer tudo por nós, e está igualmente disposto: “Pedi, e dar-se-vos-á”.

(2).  Uma condição agregada a esta oferta, que é muito fácil e razoável – eles deveriam lhe dizer o que queriam que lhes fizesse. Alguém pode achar estranha essa pergunta, porque qualquer pessoa poderia dizer o que eles queriam. Cristo bem sabia; mas Ele queria que eles lhe dissessem, se eles queriam apenas esmolas, como algo que viesse de uma pessoa comum, ou a cura, como algo que só poderia vir do Messias. Note que esta é a vontade de Deus, que nós, em todas as coisas, tornemos as nossas petições conhecidas a Ele pela oração e súplica; não para informá-lo ou comovê-lo, mas para nos qualificarmos para a misericórdia. O barqueiro, no barco, que com o seu gancho o prende à praia, não puxa a praia para o barco, mas o barco para a praia. Da mesma forma, na oração não atraímos a misericórdia a nós mesmos, mas nos aproximamos da misericórdia.

Eles logo o fizeram saber de seu pedido, como um pedido que eles nunca haviam feito a nenhuma outra pessoa: “Senhor, que os nossos olhos sejam abertos”. As necessidades e as cargas do corpo que logo percebemos, e que prontamente podemos relacionar. Seria bom se fôssemos tão perceptivos sobre os nossos males espirituais, e se pudéssemos sensivelmente reclamar deles, especialmente da nossa cegueira espiritual! Senhor, que os olhos da nossa mente possam ser abertos! Muitos são espiritualmente cegos, contudo dizem que veem (João 9.41). Se estivéssemos cientes das nossas trevas, logo nos entregaríamos a Ele, o único que pode atender este pedido: “Senhor, que os nossos olhos sejam abertos”.

3. Ele os curou. Quando Jesus os encorajou a buscá-lo, Ele não disse: Buscai-me em vão. O que Ele fez foi um exemplo:

(1). De sua compaixão. Jesus “moveu-se de íntima compaixão”. A infelicidade é o objeto da misericórdia. Aqueles que são pobres e cegos são desgraçados e infelizes (Apocalipse 3.17), e os objetos de compaixão. Foi a terna misericórdia do nosso Deus que deu luz e vista àqueles que estavam em trevas (Lucas 1.78,79). Não podemos ajudar aqueles que estão sob tais calamidades, como Cristo ajudou; mas podemos e devemos ter compaixão deles, como Cristo teve, e movermos a nossa alma em direção a eles.

(2). De seu poder. Aquele que formou o olho, não pode curá-lo? Sim, Ele pode, Ele curou, Ele fez isso facilmente, Ele tocou os seus olhos; e Ele o fez de modo eficaz: “Logo viram”. Assim, Ele não só provou que foi enviado por Deus, mas mostrou qual era a sua missão – dar vista àqueles que são espiritualmente cegos, levando-os das trevas para a luz.

Por último, esses cegos, quando receberam a visão, o seguiram. Ninguém segue a Cristo às cegas. Ele primeiramente, por sua graça, abre os olhos dos homens, e então atrai os seus corações a si. Eles seguiram a Cristo como seus discípulos, para aprenderem dele, e como suas testemunhas, testemunhas oculares, para darem o seu testemunho a respeito dele, de seu poder e de sua bondade. A melhor evidência da iluminação espiritual é uma adesão constante e inseparável a Jesus Cristo como o nosso Senhor e Líder.