GESTÃO E CARREIRA

À CAÇA DAS VAGAS

A expectativa do mercado para 2019 é de recuperação econômica, o que deve gerar um aumento na oferta de emprego. Quer aproveitar uma dessas oportunidades? Nós criamos um passo a passo para ajudá-lo em todas as etapas da busca por novos desafios.

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O país inicia 2019 com certo otimismo. O empresariado brasileiro aposta numa recuperação econômica já no primeiro ano do novo governo e, por isso, tende a liberar os investimentos para projetos e expansões, o que deve representar um aumento das oportunidades de emprego. Segundo a pesquisa Agenda 2019, realizada pela consultoria Deloitte com 826 empresas de todo o país, as quais, juntas, faturam o equivalente a 43% do PIB nacional, o otimismo está atrelado às reformas tributária e previdenciária, apontadas pela maioria como prioridades. “Além disso, endereçar temas estruturais, que gerem empregos e façam com que a sociedade se movimente, é de suma importância para 80% dos entrevistados. Esses são fatores condicionantes para o destravamento da economia”, afirma Othon Almeida, sócio- líder das áreas de desenvolvimento de mercado e talentos da Deloitte.

Ainda segundo a pesquisa, 97% dos empresários pretendem investir ou implementar ações que desenvolvam os seus negócios neste ano. E, para melhorar, quase metade (47%) manifestou a intenção de aumentar o quadro. Outros 32% planejam manter o número de funcionários no patamar atual, mas realizando substituições. “À medida que os empresários tomam a decisão de investir e ampliar as linhas de produção, sentimos o efeito direto sobre a criação de posições de trabalho”, diz Sergio Firpo, professor de economia no Insper. Outra informação positiva vem da plataforma de recrutamento Vagas, que espera um aumento de 6% a 10% no número de postos oferecidos no site durante o ano que está começando. Isso representa, em média, 1.400 novos empregos por dia.

Essas são boas notícias para quem quer se recolocar em 2019. E, para ajudar nessa jornada, criamos um guia para melhorar o currículo, ampliar a presença digital, ficar na mira dos recrutadores, encontrar a empresa ideal e se sair bem na entrevista de seleção. Confira as dicas dos especialistas nas páginas a seguir e feliz emprego novo!

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CURRÍCULO

FOCO É TUDO

Por mais conectado que o mercado esteja, tudo ainda começa com um bom currículo. E, por mais simples que esta tarefa pareça, ela exige atenção e cuidado. “Se estiver muito fácil montar seu currículo, vale a pena revê-lo”, afirma Sérgio Margosian, gerente da consultoria Michael Page e especialista em recrutamento para área de recursos humanos. Lembre-se de incluir seu objetivo profissional. E, quanto mais focado, melhor. “Quando é muito abrangente, fico em dúvida sobre onde o profissional se encaixa”, diz Sérgio.

O documento deve ir direto ao ponto, mas destacar, de forma sucinta, os resultados alcançados. “Assim como todo mundo, recrutadores também têm pouco tempo para administrar tanta informação. Para chamar a atenção, é preciso mostrar uma trajetória de constante evolução e entregas de forma coesa”, diz Sergio. A sugestão é pontuar os cargos dos últimos cinco anos e embaixo de cada um deles as principais entregas, como a redução de uma despesa, a conquista de uma premiação ou um feedback positivo por determinado resultado. “Se você tem 25 anos, pode colocar a experiência desde o estágio. Se é um diretor, coloque a partir de sua posição como gerente, por exemplo”, diz Rebeca Mayan, gerente da divisão de vendas da consultoria Talenses, especializada no recrutamento de executivos. Organizar em tópicos transmite mais objetividade, mas, se precisa descrever em texto corrido, cuide para que não ultrapasse três linhas.

Quando analisam esse documento, os recrutadores olham, além do objetivo e da experiência com resultados, as competências técnicas e as ferramentas ou os sistemas que o profissional domina. “Se sua posição exige Excel, por exemplo, é bom incluir. Mas, se você é um programador e domina sistemas mais avançados, coloque esses, e não o Excel”, completa Rebeca.

LAYOUT-PADRÃO

A aparência do currículo pode variar conforme sua preferência, indo desde um documento profissionalmente diagramado até um simples Word. Mas alguns cuidados devem ser tomados. Um deles é colocar as informações de contato em um local de fácil de visualização, de preferência próximo ao seu nome.

Outro ponto importante é manter um padrão de formatação. Coloque o nome das empresas por onde passou com o mesmo negrito ou sublinhado. Se quiser adicionar a data ao lado do cargo, padronize em todas as posições. “Quando tenho dois currículos de pessoas igualmente qualificadas, priorizo para entrevista a que tem mais cuidado ao apresentar sua trajetória. É a primeira impressão que o candidato passa”, diz Sérgio. Por isso, cuidado com erros de português ou de digitação. O documento deve ter de duas a três páginas.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA

Se você busca uma posição em uma multinacional, é importante ter um currículo em inglês. “Não é necessário preparar uma versão especial, apenas a mesma versão do documento traduzido para o inglês”, explica Sérgio. Um bom currículo e uma apresentação simpática no corpo do e-mail com um resumo sobre você e suas intenções já são suficientes. Cartas de apresentação são dispensáveis hoje em dia. “Elas podem se tornar repetitivas quando se tem um currículo bem-feito. Como buscamos assertividade, uma apresentação bacana no próprio e-mail já faz esse papel”, afirma Sérgio.

HACKEANDO O VAGAS.COM

Especialista da plataforma de recrutamento dá três dicas para fazer seu currículo aparecer

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PRESENÇA DIGITAL

ONDE SE CADASTRAR

Currículo pronto, é hora de aumentar sua presença no mundo virtual. Se você quer se destacar como profissional, o primeiro passo é ter um perfil no LinkedIn. O Brasil é o quarto país no ranking de utilização da rede social, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, da China e da Índia. São 35 milhões de usuários no mundo e 100.000 novos perfis por semana. Haja networking. Além disso, as empresas postam suas vagas e recrutam pela ferramenta, e quem está em uma busca ativa por emprego pode filtrar as oportunidades. Só no Brasil estão disponíveis 350.000 vagas e, no dia do fechamento desta reportagem, haviam sido criadas 6.000 novas posições nas últimas 24 horas.

O segundo passo é cadastrar seu currículo no Vagas, que oferece 14.000 empregos por dia, tem mais de 3.000 clientes cadastrados — 70 das 100 maiores empresas do Brasil compõem esta lista — e uma base cadastral de 17 milhões de currículos. Todos os serviços oferecidos pelo site são gratuitos. Já o LinkedIn tem também a conta Premium, que é paga e indicada para quem está ativamente atrás de um emprego. Entre outros serviços, a versão top da rede social permite que os candidatos mandem um número determinado de mensagens diretas às pessoas mesmo sem estar conectados a elas, mostra estatísticas de uma vaga e como você está posicionado em relação a outros postulantes. Se quiser ter mais evidência em relação aos concorrentes, pode ativar o recurso Candidatura em Destaque. “Para ser encontrado não faz tanta diferença. Os recrutadores, em geral, têm as contas Premium, com mais filtros para buscar os profissionais”, diz Rebeca.

SIGA AS EMPRESAS

Embora muita gente esqueça, as companhias também possuem banco de currículos. E ele pode ser bastante útil. Nem sempre a oportunidade para seu perfil está aberta naquele momento, mas empresas sérias checam frequentemente os postulantes. “O RH faz a devida triagem e coloca os candidatos em um banco de talentos”, diz Sérgio, da Michael Page. O mesmo acontece quando você registra suas experiências em sites de consultorias de recrutamento, que estão constantemente atrás de bons profissionais. “O currículo é sempre encaminhado ao recrutador da área de atuação do trabalhador”, afirma Rebeca, da Talenses.

POR DENTRO DO LINKEDIN

Aproximadamente 26 milhões de empresas mundo afora ofertam vagas no LinkedIn e mais de 4 milhões de pessoas já encontraram um emprego por meio da ferramenta desde sua criação, em 2012. Portanto, não tem como estar fora dessa plataforma. “Cerca de 70% das pessoas que participam da rede não estão procurando emprego, mas estão dispostas a ouvir propostas e ampliar seu networking”, diz Milton Beck, presidente do LinkedIn no Brasil. Para que seu perfil atraia olhares e seja admirado por suas conexões, seguem algumas dicas valiosas.

 COLOQUE UMA FOTO QUE REFLITA SUA IMAGEM NO TRABALHOPerfil com foto é 21 vezes mais visto e recebe nove vezes mais pedidos de conexão. “É necessário porque humaniza o profissional, afinal, estamos à frente de um computador”, afirma Milton.

ATUALIZE SEU CARGO e terá oito vezes mais visitas ao seu perfil.

PREENCHA CORRETAMENTE A INSTITUIÇÃO DE ENSINO QUE FREQUENTOU e amplie em 17 vezes a chance de receber mensagens de recrutadores.

INSIRA SUA LOCALIZAÇÃO. Isso aumenta 23 vezes sua chance de ser encontrado.

TENHA PALAVRAS-CHAVE sobre sua expertise e entregas ao longo de seu perfil. As empresas buscam por esses termos. “É muito importante ter o resumo de quem você é com detalhes, características que fazem de você um profissional especial”, diz Milton.

MANTENHA o perfil em vários idiomas.

ANEXE CONTEÚDO QUE SEJA RELEVANTE À SUA ATIVIDADE PROFISSIONAL e poste artigos e informações que o exponham positivamente.

AJA NO MUNDO VIRTUAL DO MODO COMO VOCÊ É NO MUNDO OFFLINE. “Imagine p LinkedIn como uma reunião. Se você fala com a pessoa e ela não te responde, você tende a perder o interesse. O comportamento tem de ser parecido com o real”, diz Milton.

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NETWORKING

NA MIRA DOS HEADHUNTERS

Os recrutadores utilizam suas redes de contatos para conseguir indicações. “Temos muitas conexões com pessoas que atuam na área para a qual selecionamos e eles sempre nos indicam profissionais com quem já trabalharam. O networking é muito importante. E a melhor forma de desenvolvê-lo é enquanto se está empregado”, diz Sérgio, da Michael Page. Por isso, é preciso entrar no radar desse pessoal. Descubra qual é o headhunter que atua em sua área e escreva para ele no LinkedIn. Pode fazer o convite para tomar um café e conversar sobre carreira ou iniciar a conversa indicando um artigo ou pesquisa que possa ser aproveitado pelo hunter.

Outra maneira de aparecer é adicioná-los à sua rede — desde que ela seja positivamente movimentada. Publicar artigos e compartilhar conhecimento pode atrair os olhares desses profissionais. “Buscamos pessoas que tenham visão positiva e construtiva para os problemas. Já cheguei a convidar um executivo para um café depois que li um texto dele no LinkedIn”, afirma Sérgio.

Estar próximo dos caçadores de talentos é importante porque algumas vagas são sigilosas e são trabalhadas no boca a boca — e só serão divulgadas para quem tem algum contato com o recrutador.

APROXIMAÇÃO INTELIGENTE

Além de acompanhar sites e conhecer os headhunters, outra maneira de encontrar emprego é ficar atento às movimentações de cargo que acontecem entre suas conexões nas redes sociais. Por exemplo: se você é gerente de marketing e viu que um colega na mesma posição mudou de empresa, já sabe que existe uma vaga disponível ali. Nesse caso, a dica é conversar com seus contatos naquela companhia para se colocar à disposição e entender se o RH vai procurar alguém no mercado.

Aproximar-se de colegas é importante não só quando há uma vaga disponível. Vale ter essa atitude para sinalizar que você está aberto a de- safios. “Seja transparente sobre suas intenções. Diga: ‘Estou entrando em contato porque busco uma nova oportunidade e gostaria de agendar um café para a gente se conhecer melhor’”, orienta Sérgio. Segundo ele, a conversa deve ser feita diretamente com o gestor da posição que você almeja ou com o responsável pelo RH. Mas seja cauteloso com a quantidade de vezes que aciona a mesma pessoa. “Não se torne impertinente insistindo em ter uma resposta em curto espaço de tempo. Não pega bem”, diz Sérgio. Além disso, se você estiver empregado, mantenha a discrição para não prejudicar as relações com os atuais chefes e colegas. Nesse caso, o volume de contatos tem de ser pequeno e assertivo.

EM ALTA

Com a retomada do crescimento econômico, as consultorias Deloitte e Michael Page apostam no desenvolvimento de alguns setores que vão precisar de mão de obra em 2019. São eles:

SERVIÇOS – TECNOLOGIA – COMÉRCIO – VAREJO – CONSTRUÇÃO CIVIL – AUTOMOBILÍSTICO – SEGURANÇA PÚBLICA – SAÚDE.

 Já a plataforma Vagas espera um aumento de 6% a 10% no número de oportunidades ofertadas pelas empresas, principalmente nos setores abaixo:

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ENTREVISTAS

FACE A FACE

Chegar à fase de entrevistas é sinal de que a chance de conquistar uma vaga é grande. Por isso, é importante se preparar. Estude o próprio currículo, sinta-se seguro para falar sobre datas e principais metas atingidas e tenha na manga detalhes de como as entregas foram feitas. Não se esqueça, também, de pesquisar sobre a possível empregadora: olhe relatórios de sustentabilidade da empresa, busque notícias sobre a companhia e sobre o setor no qual ela atua. Além disso, tente descobrir um pouco sobre a trajetória do entrevistador. “Se você conta algo com o que a pessoa se identifica já quebra um gelo e cria a empatia”, diz Sérgio, da Michael Page. Mas a questão mais importante é ser sincero — para falar, inclusive, sobre assuntos complicados. “Todo mundo passa por momentos que saíram do planejado. Eles devem ser abordados na entrevista, assim como as lições que ensinaram”, diz Sérgio.

Atente-se também a ser verdadeiro ao declarar o nível de fluência em uma segunda língua porque os entrevistadores podem mudar o idioma, de repente, no meio da conversa.

E lembre-se de que, dependendo do interlocutor, o objetivo do bate-papo muda. O gestor direto precisa entender se o profissional se encaixa na equipe e se aprofundar em questões técnicas. A conversa com o RH gira em torno de valores e competências. O trabalho do headhunter é compreender de forma macro quem é esse profissional e entrar em detalhes para direcioná-lo para a vaga certa.

ETIQUETA BÁSICA

O básico para não errar na roupa é o bom e velho “menos é mais”. Vá de forma coerente com a posição que você pretende ocupar e com a cultura da empresa. “Mais importante do que estar de camisa ou camiseta é o cuidado que se tem. Se você vai a uma festa, você se arruma, então, mostre que teve esse cuidado para estar na entrevista também”, afirma Sérgio, da Michael Page.

Em termos de postura, sempre olhe no olho do entrevistador e não exagere supervalorizando as entregas. “Não é elegante perguntar sobre remuneração no momento da entrevista. No entanto, se for questionado sobre pretensão salarial, responda”, diz Rebeca, da Talenses. Ao final da conversa, vale a pena acordar uma data para o feedback, seja ele positivo ou negativo. E, no caso de o recrutador não retornar na data combinada, pode ligar. Mas é educado insistir no retorno apenas por três tentativas. Se for necessário mais que isso, melhor desistir.

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GESTÃO E CARREIRA

#PARTIU…NOVOS DESAFIOS

Como saber se chegou o momento de encerrar um ciclo na sua vida e virar a página.

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Anos desafiadores como os de crise, que estamos enfrentando neste agora, pedem coragem em vários sentidos. É preciso coragem para se manter produtivo e otimista, para continuar fazendo um bom trabalho apesar das diversidades e, também, para dar uma guinada na sua vida quando as coisas não estão seguindo o caminho que você imaginava. Mas essa coragem para mudar nem sempre é uma tarefa fácil. Afinal, é comum que os profissionais entrem em uma zona de conforto e se mantenham lá até serem obrigados a se reinventar. Só que quem percebe qual é o momento de partir para outra sai na frente: essa consciência é essencial para que a realidade de uma demissão, por exemplo, não pegue você de surpresa. É claro que mudar é assustador, mas, quando isso acontece, essa é a melhor decisão a ser tomada. “Se a pessoa não muda, fica esperando eternamente algo que não vem”, diz Telma Guido, especialista em transição de carreira da Right Management Brasil, consultoria de São Paulo. Ao longo desta reportagem, mostramos como virar a página da sua vida e como entender se está na hora de correr atrás de um novo emprego, abandonar um projeto que não vinga, fechar um empreendimento, aca- bar com um mau hábito, repensar os seus objetivos de carreira ou encerrar um ciclo. Os profissionais desta matéria vão inspirar você a respirar fundo e se jogar sem medo em um novo desafio.

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#É HORA DE…MUDAR UM HÁBITO

Seja tomar café, colocar o cinto de segurança, roer as unhas ou fumar, de acordo com uma pesquisa da Universidade Duke, dos Estados Unidos, os hábitos estão presentes em 40% dos nossos dias – tanto os bons quanto os ruins. “Hábito é toda ação que não envolve um processo de decisão, quando entramos no piloto automático e não temos mais consciência de que estamos fazendo algo”, diz Sâmia Simurro vice-presidente de projetos da Associação Brasileira de Qualidade de Vida, de São Paulo.

Assim como no dia a dia, os hábitos ruins no trabalho podem ter consequências na saúde e nos relacionamentos. “Quando a pessoa começa a ter prejuízos e negligencia tarefas, é sinal de que convive com um mau hábito”, diz Renata Maransaldi, psicóloga e coach, de São Paulo. Clarissa Soneghet, de 35 anos, só percebeu que o hábito de trabalhar demais era prejudicial quando teve um problema sério no quadril. Formada em turismo, ela assumiu uma posição como gerente de produção de eventos e chegava a passar dez, 12 horas no trabalho – inclusive aos finais de semana. “Mais que o tempo, o ritmo de trabalho era muito frenético, eu sou perfeccionista e queria acompanhar tudo de perto, nada podia dar errado”, afirma Clarissa.

Quando saiu da área de eventos, Clarissa migrou para marketing em uma agência e o cenário não mudou. “Eu era responsável pelos lançamentos dos produtos. Chegou uma hora que não tinha tempo de fazer mais nada, o trabalho consumia toda a minha dedicação”, afirma Clarissa. Mesmo sofrendo constantemente de enxaqueca crônica foi só em 2012, quando teve o problema no quadril, que ela repensou seu estilo de vida. “Comecei a questionar por que eu gastava tanta energia em projetos com os quais eu não me identificava. Os prazos sempre para ontem me incomodavam também. Daí eu decidi que era hora de construir algo para mim”, afirma Clarissa.

Ela queria mudar e, para isso, fez um exercício de autoconhecimento parecido com o descrito no best-seller O Poder do Hábito (Objetiva, 49,90 reais), lançado em 2012. No livro, o escritor Charles Duhigg afirma que os hábitos são compostos de três etapas e que precisamos compreendê-las para nos livrarmos deles. São elas: o sinal ou o gatilho que desencadeia aquela ação, a rotina ou a frequência com que o realizamos e aquilo que buscamos ao repetir o hábito. Para Clarissa, o impulso surgiu após um curso de empreendedorismo, no qual ampliou sua visão sobre outras formas de trabalho e conheceu sua atual sócia, Nathália Roberto. Juntas fundaram, em 2014, a Kind, uma empresa de consultoria voltada para o universo feminino. Hoje, com horários flexíveis e mais autonomia, Clarissa nem cogita voltar ao modelo antigo de trabalho. “Agora faço exercícios e tenho flexibilidade para escolher parceiros de negócios”, diz.

5 PERGUNTAS PARA MUDAR UM HÁBITO

1 – Esse hábito está prejudicando algum aspecto da minha vida?

2 – Qual o motivo pelo qual eu realizo essa ação?

3 – Eu estou motivado a mudar esse hábito?

4 – Qual o meu plano de ação para isso?

5 – Como eu vou me manter afastado desse hábito?

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#É HORA DE…ENCERRAR UM CICLO!

Mesmo que os ciclos profissionais tenham encurtado, encerrar uma etapa ainda gera conflitos. “A maioria das pessoas não possui um plano para a carreira e, por isso, esse momento vem associado a uma crise”, diz Vera Vasconcelos, da Produtive, consultoria de carreira, de São Paulo. E, quando as causas desse desejo de mudança são originadas pelas emoções, o processo fica mais complicado. “Quando a pessoa tem uma visão clara do que quer, lê o cenário e encerra uma etapa porque não possui mais possibilidades de concretizar os objetivos. Isso acontece naturalmente”, diz Telma Guido, da Right Management.

Esse foi o caso do engenheiro Eduardo Lima, de 38 anos, CEO da eduK, plataforma de cursos online. Após anos trabalhando na área de mineração e siderurgia, Eduardo percebeu que seus objetivos haviam mudado: “Eu ia trabalhar todo dia e questionava o que eu estava fazendo ali, pensava que precisava encontrar outro caminho profissional”, diz. O sonho de empreender era uma inquietação. Então o mineiro fez um plano para dar uma guinada. “Pesquisei modelos de negócios, mas nunca tinha achado algo com que eu me identificasse, até que, em 2007, surgiu o convite de um amigo de Belo Horizonte que estava montando uma franquia de e-commerce, a Neomerkato.” No começo, ele trabalhava nas horas livres, mas depois começou a investir, o empreendimento cresceu e ele abandonou de vez a engenha- ria, passando a trabalhar de casa.

Embora a mudança de Eduardo tenha ocorrido em poucos meses, não existe um prazo correto para definir quando é exatamente a hora de encerrar um ciclo. Algumas pessoas precisam sempre de estímulos, de mudanças, de adrenalina e, para elas, os ciclos fecham mais rápido. Para outras, é necessário estabilidade e movimentos de carreira mais tranquilos. “Fazer algumas perguntas como: ‘O que eu ganho se eu continuar aqui? E o que perco?’ ajudam a analisar se o problema está no lugar em que você trabalha ou em você mesmo”, diz José Roberto Marques, presidente do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), de São Paulo. A motivação e a satisfação com o trabalho são alguns dos sinais mais claros que devem ser levados em conta na hora de decidir partir pra outra. “Todo ser humano busca felicidade, e isso está diretamente ligado com engajamento, com o sentimento de ter uma missão e contribuir para algo”, diz José Roberto.

Depois que encontrou seu caminho no empreendedorismo, Eduardo estava próximo desse estágio. Mas conseguiu conquistar de fato o tão desejado propósito quando montou, ao lado de um amigo, a eduK.

Criada em 2013, a empresa tem estúdios para gravação de aulas online dos mais diversos tipos – de empreendedorismo a moda – e hoje conta com mais de 100 mil assinantes. “Sinto que mudei pela minha qualidade de vida e porque queria mais satisfação. No começo, cheguei a ganhar menos. Mas agora eu trabalho com um propósito, que é a educação”, afirma Eduardo.

5 PERGUNTAS PARA SE FAZER ANTES DE DESISTIR DE UM CICLO

1 – Quais foram os meus aprendizados?

2 – Eu entreguei todos os projetos com os quais me comprometi?

3 – A causa da minha insatisfação está em mim ou no meu trabalho?

4 – Onde estou não existe mais possibilidade de mudanças?

5 – O que eu faço deixou de fazer sentido?

#Partiu novos desafios. 4 #É HORA DE…MUDAR DE EMPREGO

Os motivos para querer deixar um emprego podem ser inúmeros. Na crise, costuma pesar a falta de reconhecimento, a remuneração baixa, a pressão, as equipes enxutas. E o fator chefe chato sempre é uma questão. Antes de pedir demissão, porém, é preciso identificar esses problemas, avaliar se existe uma solução e medir a temperatura do mercado. “Mesmo sendo um momento difícil, cada um precisa saber avaliar se vale a pena continuar em um lugar que não lhe faz bem”, diz Isabella Santoyo, coach de vida e carreira, de São Paulo. Essa foi a estratégia de Lara Hammoud, de 24 anos, gerente de finanças na Bidu, startup de seguros, de São Paulo. Formada em administração, ela trabalhava em uma consultoria onde aprendeu bastante, mas tinha medo de ficar presa em uma carreira mais consultiva e não conhecer a rotina de uma empresa. “Além disso, me incomodava o fato de ser prestadora de serviços e não desenvolver relações de longo prazo”, diz Lara.

Para encontrar qual caminho trilhar, a paulistana fez algo altamente recomendado pelos especialistas: conversar com amigos e colegas que já enfrentaram a situação. “Fazer um planejamento da mudança é fundamental para encontrar uma saída e entender aonde você quer chegar”, diz Isabella. Com isso em mente, Lara começou a entender que não queria uma carreira numa multinacional, por exemplo, e que desejava algo mais dinâmico. Um dos amigos sugeriu que, talvez, ela tivesse perfil para trabalhar em uma startup e a indicou para entrar na Bidu. “Foi tudo muito rápido, eles precisavam de alguém e, em menos de duas se- manas, eu já tinha sido contratada”, diz Lara. Mas, antes de dar a palavra final, ela voltou várias vezes na empresa, conversou com gestores e colegas com os quais trabalharia. “Expliquei que não possuía experiência em diversas atuações e que precisava de um tempo para aprender e de suporte”, afirma. As portas da empresa anterior continuaram abertas. Isso porque a administradora não saiu de supetão: indicou ao chefe que estava se sentindo estagnada – o que é fundamental. “Fazer uma análise detalhada de que a insatisfação continua mesmo depois de pensar em alternativas dentro do atual emprego é fundamental”, diz Isabella.

Além da ânsia por se demitir logo, outro erro que os profissionais cometem é de postergar demais a decisão da saída. Quando há muito desgaste emocional (e até físico) e os valores não estão mais alinhados, não tem jeito: é hora de partir para outra. “Quando há essa combinação, a pessoa não se sente mais engajada e sair faz todo o sentido”, diz Isabella. Ficar no em- prego apenas por receio do que os outros vão achar da sua decisão ou porque você prefere insistir em algo que está lhe fazendo mal em vez de encontrar outra solução é terrível. Isso só vai minar as suas energias e minguar sua força de vontade para tentar algo novo.

5 PERGUNTAS PARA SE FAZER ANTES DE DEIXAR SEU EMPREGO

1 – Meus valores estão alinhados aos valores da empresa?

2 – Minhas habilidades estão sendo utilizadas?

3 – Sinto vontade para desempenhar o que esperam de mim?

4 – Vejo um futuro e desejo crescer junto com a empresa?

5 – Estou ficando doente por causa de aspectos do trabalho com os quais não consigo lidar?

#Partiu novos desafios. 5 #É HORA DE…DESAPEGAR DE UM PROJETO

Quem trabalha com projetos sabe como é grande a pressão para que as empreitadas deem certo rapidamente – ainda mais na crise, quando os investimentos minguam. “A principal habilidade para trabalhar bem com isso é decidir rápido”, diz Randes Enes, professor da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. É evidente que projetos precisam de um tempo hábil para dar certo, e muitas vezes a ansiedade acaba atrapalhando. Mas há um limite entre insistir em algo que vai parar em pé e em algo que está fadado a dar errado.

Alexandre da Silva, de 53 anos, líder da área de sistemas inteligentes do Centro de Pesquisas Global da GE no Brasil, lida com essas questões. Ele é responsável por coordenar um grupo de pesquisadores que trata de automação industrial avançada e atua em diferentes negócios da GE, em setores como óleo e gás, energia elétrica, transportes ferroviários e aviação. Todo ano, ele administra uma carteira de 12 projetos, mais ou menos. “A decisão entre perseverar ou interromper acontece em todos os projetos”, diz Alexandre. O passo a passo ideal para estruturar um projeto é avaliar o grau de risco, traçar um plano e definir parâmetros para avaliar se as coisas estão caminhando bem ou não. Segundo Randes, a experiência de realizar um projeto é semelhante à de ler um livro. A pessoa gosta da capa, começa a ler o livro, e no primeiro capítulo já não aprecia. Em vez de largar a leitura, muitos continuam lendo. “Isso é uma mentalidade cultural, ler um livro é um projeto. Mas, uma vez que não está gostando, vira uma perda de tempo”, afirma Randes. “Ela sabe que não vai dar certo, que não é lucrativo, mas, só porque já começou, acha que precisa terminar – mesmo que isso envolva recursos desnecessários e que não atinja o resultado desejado. Essa é uma decisão extremamente emocional e que envolve o ego”, diz o professor. E o mesmo raciocínio nos acomete quando nos dedicamos a um projeto que não vai render. Depois que se fez a análise de que é preciso mudar de rumo ou partir para outra, o mais importante é não se deixar consumir pela sensação de fracasso e incompetência nem encarar esses “erros” de maneira negativa. O melhor é abandonar o barco furado rapidamente – para não afundar junto.

Para tomar uma decisão desse tipo, Alexandre tenta alinhar sua visão e intuição ao julgamento técnico. “Interromper requer mais coragem do que insistir”, diz. O que o ajuda na análise, além de sua experiência prévia, é ouvir feedbacks dos clientes e colegas e fazer projetos com ciclos mais curtos. “Antigamente, a gente levava entre três e cinco anos para desenvolver um produto novo, hoje esses ciclos foram encurtados significativamente, para menos de um ano”, afirma Alexandre. Isso dá agilidade para abastecer o mercado de novidades e, também, para errar rápido.

5 PERGUNTAS ANTES DE ABANDONAR UM PROJETO

1 – A equipe que trabalha comigo está alinhada para atingir a meta estabelecida?

2 – Eu tenho indicadores objetivos que apontam que estou no caminho certo?

3 – O projeto está chegando ao final de seu prazo sem a maioria dos resultados esperados?

4 – Já tentei reajustar o plano para tentar salvar o projeto?

5 – Estou apegado demais ao plano e não consigo enxergar saídas?

# Partiu novos desafios. 6 #É HORA DE… TER UMA NOVA META

Ainda na época da faculdade, o publicitário Felipe Versati, de 29 anos, já tinha decidido qual caminho gostaria de seguir: iria trabalhar na área de criação de uma grande agência. “A gente acredita que vai encontrar um ambiente informal, onde você pode trabalhar de bermuda, ter liberdade para criar e ainda ganhar prêmios com seu trabalho”, diz Felipe. Mesmo passando por outras áreas, o desejo persistia e, em 2011, prestes a concluir a graduação, Felipe aceitou a proposta de trabalhar na Bilheteria.com, agência especializada em serviços culturais, em São Paulo. Chegando lá, o publicitário encontrou uma realidade totalmente diferente da que esperava. Trabalhando mais de 18 horas por dia, sem horário para comer e dormir e sem vida social, o paulista percebeu que, mesmo alcançando o seu sonho, ele se sentia insatisfeito. “Muitas pessoas criam expectativas irreais sobre algo porque olham apenas para as coisas boas e acreditam que isso representa o todo. Daí, quando se deparam com a realidade, acabam se frustrando”, diz Daniela do Lago, coach de São Paulo.

Um ano e uma úlcera depois, Felipe entendeu que era hora de mudar seu objetivo, mesmo com expectativas de crescimento na agência. “Eu já havia me tornado analista sênior e tinha a perspectiva de uma promoção em breve, mas isso não compensava a minha falta de adaptação ao modelo de trabalho e vi que tinha que almejar outra coisa”, diz Felipe. E essa mudança de ambição é normal. Muitos entram no mundo corporativo acreditando que sucesso é sinônimo de uma posição elevada, por exemplo, mas conforme o tempo passa as expetativas mudam e você precisa se ajustar.

Com um MBA que o auxiliou a ampliar seus horizontes, em 2013, Felipe quis resgatar um sonho antigo e começou a procurar oportunidades no terceiro setor, onde havia estagiado. Mesmo com ganhos menos agressivos, ele aceitou a proposta de estruturar a área de marketing da Associação Cruz Verde, organização filantrópica que atende pessoas com paralisia cerebral grave, em São Paulo. “Mudei as minhas expectativas”, diz.

Um dos pontos mais difíceis na hora de largar uma ambição é, por vezes, reconhecer que a definição de sucesso que cada um de nós possui pode ser diferente daquela que aprendemos ser a mais acertada. “Precisamos conhecer nossos objetivos e expectativas e compreender que nossa satisfação tem que estar relacionada com as nossas crenças”, diz Paulo Moraes, diretor da Talenses, empresa de recrutamento do Rio de Janeiro. Outro ponto é não olhar para essa mudança de ambição como um fracasso. “Quando você entende que aquele desejo não lhe pertencia, precisa encarar como uma alternância de caminho, e não um passo para trás”, diz Vera.

Hoje, quase três anos após a escolha, a associação é um dos empregos mais duradouros de Felipe. “Antes, com um ano eu queria mudar de trabalho, agora me sinto muito recompensado. Por mais que você seja premiado, nunca seus produtos vão te dar um abraço de agradeci- mento, como os que eu ganho dos pacientes diariamente”, conclui.

5 PERGUNTAS PARA SE FAZER ANTES DE DESISTIR DE UMA META

1 – O que eu valorizo de verdade?

2 – Eu tenho condições reais de concretizar essa ambição onde estou?

3 – Eu fiz algo no sentido de concretizar esse objetivo?

4 – Essa meta está prejudicando outros aspectos da minha vida?

5 – Eu ainda quero me tornar aquilo que planejei há algum tempo?

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#É HORA DE…FECHAR SEU EMPREENDIMENTO

O advogado Francisco Pereira, de 35 anos, trilhou uma carreira na área de consultoria. Em 2008, era supervisor da multinacional Terco e queria se tornar gerente. Tudo mudou quando um amigo o chamou para empreender na área têxtil. “Sempre tive esse sonho e, quando fui convidado para ser responsável pela gestão da empresa, aceitei”, diz Francisco. Os dois montaram uma companhia que concebia e fabricava peças de vestuário. Em sete meses, o investimento havia sido quitado, eles fecharam contratos, tinham uma equipe de 12 pessoas e cada sócio lucrava 5 000 reais mensais.

Só que as coisas pioraram em 2009, quando sofreram um baque. Um cliente que já havia retirado 50% das peças desapareceu, o que gerou um rombo. Os sócios pegaram dinheiro emprestado, cobriram os gastos com funcionários e com a manutenção. Até que, seis meses depois, outro cliente deu calote. “Com a dívida anterior e sem dinheiro para brigar judicialmente, ficamos com um prejuízo de mais de 217.000 reais”, diz Francisco.

Nesse momento, o advogado sentiu o drama comum aos empreendedores: sabia que talvez fosse melhor voltar atrás, mas ainda se sentia muito ligado ao negócio para desistir. “É como uma bateria que está sempre no vermelho, chega uma hora que não vai aguentar mais”, diz Tiago Aguiar, mentor empresarial e sócio da QI Empreender Grandes Ideias, de São Paulo. Desistir é sempre difícil no mundo do empreendedorismo porque é fácil se iludir com histórias mirabolantes de perseverança que se assemelham aos “doze trabalhos de Hércules”. Claro que a persistência é boa – desde que o empreendedor tenha um olhar racional sobre suas metas e sobre seus erros e encontre saídas viáveis para continuar tentando até esgotar todas as possibilidades. Sem isso, é provável que a persistência se transforme em teimosia. “O teimoso passa anos e não sabe quais ações deram errado, não estabelece um plano e não se adapta à nova realidade”, diz Tiago.

Para não fazer parte desse grupo, Francisco e seus sócios analisaram tudo friamente. Notaram que, por causa das dívidas, pagariam juros sobre juros, o que não valeria a pena. A saída foi fazer um novo empréstimo para fechar o negócio em 2010. Além da tristeza com o fracasso, o advogado tinha que lidar com uma dívida de 12.000 reais, dividida entre os sócios, que demorou três anos para quitar. Desempregado, vendeu o carro e precisou de ajuda familiar para pagar as contas.

A solução foi começar tudo de novo – só que, desta vez, no mundo corporativo. Ele entrou em contato com seu antigo gerente da Terco, que o indicou para uma vaga em outra consultoria, a BDO, onde é, hoje, gerente sênior da área de tributos. “Voltar foi difícil porque eu não aceitei esse baque, tive que vir de cabeça baixa, ganhando menos”, diz. Mas essa humildade o ajudou a perceber que poderia aprender com os erros e que, pelo menos em médio prazo, o seu lugar é onde há uma carteira assinada.

5 PERGUNTAS ANTES DE DESISTIR DE UM EMPREENDIMENTO

1 – Acredito na ideia?

2 – A ideia está ligada ao meu propósito?

3 – Atingi o limite de tempo?

4 – Atingi o limite de dinheiro?

5 – Esgotei todos os caminhos?

GESTÃO E CARREIRA

A ARTE DE NEGOCIAR

Seja na disputa entre empresas, envolvendo milhões de dólares, em uma briga de crianças engalfinhando-se por um brinquedo ou numa guerra entre grupos étnicos em luta por um território, todos parecem ter a premissa de que um lado só vence se o outro perde. Em geral, porém, o maior inimigo não é o outro, mas sim nós mesmos.

A arte sw negociar

Todos nós realizamos fazemos várias negociações diariamente. No sentido mais amplo do termo, negociar é desenvolver qualquer comunicação interpessoal na tentativa de chegar a um acordo entre as partes. Ano após ano, faço a diferentes públicos a seguinte pergunta: “Com quem você negociou hoje?”. As respostas que recebo geralmente começam com “cônjuges” ou “companheiros”; em seguida, “filhos”; depois, “chefes”, “colegas” e “clientes”. E, finalmente, “todo mundo, o tempo todo”. Às vezes, no entanto, alguém responde: “Negocio comigo mesmo”, e os demais riem – a risada do reconhecimento.

Negociamos não só para chegar a um acordo, mas também para conseguir o que queremos. Depois de ter atuado durante décadas na condição de mediador em conflitos difíceis – de brigas de família e rixas em reuniões de conselhos executivos a greves trabalhistas e guerras civis -, descobri que os maiores obstáculos para conseguir o que queremos na vida não são as outras partes, por mais intratáveis que sejam os adversários – mas, sim, nós mesmos.

Sabotamos os próprios interesses reagindo de maneira incompatível com eles. Numa disputa de negócios, um sócio chama o outro de mentiroso na imprensa; este, por sua vez, entra com uma ação por difamação, envolvendo ambos em um processo judicial dispendioso. Em uma conversa delicada sobre divórcio, o marido se descontrola, ataca verbalmente a mulher e sai da sala fora de si, comprometendo a intenção expressa de resolver o conflito em termos amigáveis para o bem da família.

Por trás de nossas reações tempestuosas em momentos de confronto está a mentalidade hostil ganha ­ perde, com base no pressuposto de que só uma das partes deve sair vitoriosa – nós ou eles. E não ambas. Não importa que sejam gigantes dos negócios lutando pelo controle de um império comercial, crianças engalfinhando-se por um brinquedo ou grupos étnicos disputando um território, todos parecem partir da premissa de que um lado só vence se o outro perde.

Mesmo quando queremos cooperar, receamos que o outro lado tire proveito da situação e nos explore. O que sustenta essa mentalidade é o senso de escassez, o medo de que os recursos não sejam suficientes e que, por isso, temos de garantir a nossa parte, mesmo em prejuízo dos outros. Com frequência, o resultado dessa forma de agir é os dois lados ficarem com menos.

O maior obstáculo ao sucesso, no entanto, pode acabar sendo nossa melhor oportunidade. Se aprendermos primeiro a nos influenciar, antes de procurar influenciar os outros, seremos mais capazes de satisfazer as nossas necessidades, assim como atender às dos outros. Em vez de atuarmos como nossos piores adversários, podemos nos tornar nossos maiores aliados. Esse processo de transformação pessoal de oponente em aliado é o que chamo de chegar ao sim com você mesmo.

SEIS PASSOS DESAFIADORES

Passei muitos anos estudando o processo de chegar ao sim com você mesmo explorando profundamente minhas próprias vivências pessoais e profissionais, além de também observar experiências alheias. Tentei compreender o que nos impede de conseguir o que realmente almejamos, o que nos ajuda a satisfazer as nossas necessidades e também a chegar ao sim com os outros. Reuni o que aprendi em um método de seis passos, em que cada um deles trata de um desafio pessoal específico.

Talvez, à primeira vista, esses passos pareçam mero senso comum. Mas, após três décadas e meia como mediador, posso garantir que na verdade o método está mais para senso incomum, ou seja, senso comum raramente aplicado. Talvez muitas pessoas já conheçam alguns ou até todos os passos individualmente. Aqui, porém, eles estão combinados num método integrado que pretende ajudar os interessados a mantê-los sempre em mente e aplicá-los de maneira consistente e eficaz.

É importante compreender o processo de chegar ao sim com você mesmo como uma jornada circular para o “sim interior”, conforme mostra o diagrama. Esse sim interior trata-se na verdade de uma atitude construtiva incondicional de aceitação e respeito – primeiro em relação a si mesmo, depois com a vida e, finalmente, nas interações com os outros.

Uma pessoa diz sim para si mesma colocando-se no próprio lugar e desenvolvendo sua melhor alternativa possível de acordo interior. Diz sim para a vida reenquadrando seu panorama e mantendo-se no presente. Diz sim para os outros respeitando-os e sabendo dar e receber. Cada sim abre caminho para o seguinte. Juntos, esses três sins formam um único sim interior que torna muito mais fácil chegar a um acordo com as outras partes, mesmo nas disputas mais acirradas.

A arte sw negociar. 2

VÁRIOS JEITOS DE DIZER SIM

1 – COLOQUE-SE NO SEU LUGAR. O primeiro passo é compreender a fundo seu adversário mais poderoso: você mesmo. É muito comum cair na armadilha de ficar se julgando o tempo todo. O desafio é fazer o oposto e ouvir com empatia suas necessidades básicas, do mesmo modo que você faria com um cliente ou parceiro valioso.

2 – DESENVOLVA SUA “BATNA” INTERIOR. Quase todos nós tendemos a jogar a culpa pelo conflito em outras pessoas. O desafio é fazer o oposto e tornar-se responsável por sua vida e por seus relacionamentos. Mais especificamente, é desenvolver a batna interior (do inglês, best alternative to a negotiated agreement, ou melhor alternativa a um acordo negociado) e assumir o compromisso de cuidar de seus interesses, independentemente do que os outros façam ou deixem de fazer.

3 – REEQUADRE SEU PANORAMA. O medo natural da escassez se manifesta em praticamente todo mundo. O desafio é mudar a maneira como você vê a sua vida, criando as próprias fontes de satisfação independentes e autossuficientes. É pensar que a vida está do seu lado, mesmo quando ela parece hostil.

4 – MANTENHA-SE NO PRESENTE. No calor do conflito, é fácil se perder em ressentimentos do passado ou em preocupações com o futuro. O desafio é fazer o oposto e viver o presente, a única condição em que é possível experimentar a verdadeira satisfação e mudar a situação para melhor.

5 – RESPEITE OS OUTROS. É tentador reagir à rejeição com rejeição, ao ataque pessoal com ataque pessoal, à exclusão com exclusão. O desafio é surpreender os outros com respeito e inclusão, mesmo que se trate de pessoas difíceis.

6 – SAIBA DAR E RECEBER. É muito comum, principalmente quando os recursos são escassos, cair na armadilha do ganha-perde e se concentrar em satisfazer apenas as próprias necessidades. O desafio final é mudar o jogo para o ganha-ganha-ganha, dando antes de receber.

 

WILLIAM URY – é doutor em antropologia social. Cofundador do Harvard Negotiation Project, é autor de sete livros, sendo o mais recente Como chegar ao sim com você mesmo (Sextante, 2015). Este artigo foi retirado do livro.

GESTÃO E CARREIRA

LIDERANÇA EM AMBIENTES INOVADORES

Sem um líder capaz de mover as pessoas em busca de um objetivo comum, é impossível ter negócios disruptivos.

Liderança em ambientes inovadores

Uma ótima ideia de negócio pode ser o bastante para inovar. Mas entre existir, sobreviver, crescer e prosperar há um longo percurso — por vezes, repleto de obstáculos. Nada de que o melhor dos planejamentos estratégicos não dê conta, certo? Errado. Se fosse assim, o número de startups que ficam pelo caminho não seria tão alto: 30% daquelas que iniciam sua jornada, segundo pesquisa do Sebrae. Por que estou trazendo essa perspectiva de fracasso se prometo no título falar em liderança? Porque essa é a palavra-chave para estar do lado dos vencedores. Uma proposta inovadora e um bom plano de negócios só se transformam em uma empresa de sucesso se, por trás disso, há alguém capaz de conduzir a execução.

Você parou para pensar nos desafios de uma nova empresa e em quanto sua solução depende de um líder assertivo, criativo e determinado?

Dá para obter algumas pistas em um recente estudo apresentado pelo escritório Nogueira, Elias, Laskowski e Matias Advogados (Nelm). Ali aparecem questões como a dificuldade na captação de investimentos (ou seja, vender a outro um sonho que é seu, citada por 57% dos entrevistados).

Não se pode esquecer, contudo, que esse mesmo sonho precisa ser comprado pelo público interno. Em bom português: pela sua equipe. Encontrar talentos com potencial para escalar negócios é só o primeiro passo. Para dar certo, eles precisam de um líder capaz de proporcionar o engajamento que levará aos resultados.

Como fazer dar certo? Investir primeiro em você, nas habilidades necessárias para dar conta do recado. Para alcançar a excelência na liderança, há algumas etapas que não podem ser negligenciadas. Veja quais são:

TENHA UM PROPÓSITO CLARO

Dê a sua equipe uma missão pela qual lutar, mostre ao mercado que você não está a passeio e conquiste parceiros que compartilhem seus sonhos.

DESENVOLVA COMPETÊNCIAS

Autoconhecimento, inteligência emocional, resiliência, assertividade. As habilidades nos preparam para lidar melhor com novos e velhos desafios.

ESTABELEÇA PROCESSOS

O Nelm descobriu que 77% dos investidores temem os riscos gerais do negócio. Se você não estrutura a forma como a empresa funciona, afugenta o capital externo.

DÊ ATENÇÃO TOTAL AO TIME

Nem tudo se resume a um alto salário. Ofereça capacitações e feedbacks. Delegue tarefas, confie responsabilidades. Dê autonomia, mas se faça presente.

GESTÃO E CARREIRA

PERSONALIDADES SOMBRIAS

Todo mundo tem um lado obscuro, mas cientistas europeus descobriram que algumas pessoas têm traços que as tornam bem difíceis de lidar. Aprenda a identificá-las e a conviver com elas sem deixar que prejudiquem seu bem-estar psicológico.

Personalidades sombrias

Ninguém é perfeito e, convenhamos, em meio à pressão e ao estresse do dia a dia profissional, todo mundo acaba adotando um comportamento questionável de vez em quando.

Uma palavra atravessada, uma atitude grosseira, um gesto impulsivo… Sempre há o risco de decepcionar alguém e até se prejudicar, mas, afinal, faz parte do lado sombrio da personalidade, do “eu escondido” que todo mundo tem. Algumas pessoas, porém, demonstram uma tendência a agir na sombra o tempo todo. E não é de hoje que os cientistas se concentram em entender as muitas variáveis de comportamento antissocial e os traços de personalidade marcantes em indivíduos que parecem seguir uma ética particular, em que o próprio benefício e interesse estão sempre à frente, nem que para isso seja necessário passar por cima de alguém (ou de todo mundo).

Um trio de pesquisadores europeus divulgou recentemente na revista oficial da Associação Americana de Psicologia o resultado de um trabalho que mostra que, apesar de diferenças de perfil, indivíduos com condutas marcadas por falta de empatia, egoísmo, manipulação e narcisismo, entre outras atitudes nocivas (leia o quadro Ingredientes Básicos), compartilham uma espécie de matriz malévola, que eles chamaram de dark core (algo como “núcleo escuro”) da personalidade — ou apenas fator D. “A ideia básica é que todos os traços sombrios poderiam ser resumidos em um único elemento — o fator D —, suficiente para descrever a tendência individual de colocar a si mesmo, suas necessidades e seus interesses em primeiro lugar e ser capaz de tudo para chegar aonde quer, ainda que isso signifique prejudicar outras pessoas”, explicou, em entrevista, Morten Moshagen, professor e pesquisador do Instituto de Psicologia e Educação da Universidade de Ulm, na Alemanha, e um dos autores do estudo. Trocando em miúdos, em vez de descrever essas pessoas como egoístas e maquiavélicas, por exemplo, seria suficiente dizer que elas têm D alto (semelhante ao QI alto quando se trata de inteligência). Segundo Morten, o D é justamente uma mistura de vários ingredientes, “calculado” pela composição de desvios de caráter, desde os mais “inofensivos”, como narcisismo e egoísmo, até os mais malignos, como psicopatia e sadismo.

A ORIGEM DO MAL

Todo mundo tem um pouco dessas características negativas de personalidade. “Muitas vezes é o modo encontrado pelo indivíduo para manifestar insegurança e medo — de não ser admirado, de ser desrespeitado ou de não conseguir o que deseja”, diz Alexandre Pellaes, fundador da Ex-Boss, consultoria de modelos e práticas de gestão. “À medida que amadurece e aprende a lidar com a vulnerabilidade e a aceitar ajuda, o indivíduo passa a entender como pode controlar essas condutas antissociais.” Os autores do estudo europeu suspeitam que de 5% a 10% das pessoas apresentem níveis problemáticos de fator D — são aquelas que chegam ao ponto, por exemplo, de adotar comportamento violento, criminoso ou altamente transgressor.

Morten e os colegas insistem que a pesquisa é recente e ainda há bastante o que investigar sobre como aplicar na vida real as descobertas acerca do fator D. Mas deixam claro que esse conhecimento pode ser útil no contexto forense (para identificação de suspeitos e solução de crimes) e em processos seletivos. “Por meio de um teste de medição, seria possível identificar candidatos com propensão a comportamento nocivo nas empresas, como corrupção e assédio moral”, diz Morten. Os dados também seriam proveitosos para criar programas de treinamento e avaliação de equipes.

FUGINDO DA SOMBRA

Um dos princípios dessa teoria é que um sujeito não precisa ter em si todos ou muitos traços malignos para ser “diagnosticado” como dono de uma personalidade sombria. Alguém reconhecido pelos outros como maquiavélico, sádico ou maldoso provavelmente é assim mesmo. Resta, então, saber como lidar com ele.

Ainda mais porque os modelos de gestão conservadores resultaram no surgimento de uma legião de chefes D nas empresas. Acostumados a se impor pelo poder e até pela tirania, exercem uma liderança construída sobre a entrega de resultados e com pouco interesse pelas pessoas. Wilma Dal Col, diretora da consultoria de gestão ManpowerGroup, comenta que esses tipos devem se tornar cada vez mais raros e podem estar fadados ao isolamento. “Pessoas autocentradas e dispostas a tudo para vencer tendem a avançar na carreira porque são focadas em obter resultados, mas têm cada vez menos espaço em um mundo corporativo baseado na colaboração e no coletivo”, diz.

Não sucumbir a um chefe que sabe manipular as emoções nem sempre é fácil. Alexandre Pellaes sugere que a combinação de autoconhecimento com empatia é chave para saber como agir. “Tentar entender a posição do outro pode revelar que talvez você fizesse a mesma coisa em diversas situações, e isso pode tornar a relação e o trabalho mais leves”, diz. Oferecer feedback sobre como se sente e recorrer às ferramentas de RH disponíveis para sua proteção também são boas estratégias. Só o que não pode é engolir sapos sem necessidade. “Assédio moral é o limite”, diz Alexandre.

Criar conexões fortes e confiáveis no ambiente de trabalho vale como uma espécie de blindagem contra pessoas negativas. Ter com quem desabafar e se aconselhar em momentos de estresse causado por um chefe ou par tóxico faz uma grande diferença para não se deixar contaminar, perder motivação e, muito menos, achar que é você quem apresenta algum desvio de personalidade. Mas, nesse processo, é importante seguir o conselho de Wilma: “Não se pode modular o próprio comportamento pelo medo, deixando de agir quando se sente agredido ou injustiçado. Muito menos pelas atitudes do outro, espelhando condutas condenáveis para se mostrar próximo ao ‘algoz’”. O que você precisa é buscar o equilíbrio interno e aprender a se defender.

INGREDIENTES BÁSICOS

O fator D é uma espécie de denominador comum entre diversas características que constituem uma personalidade obscura. Para ser assim, uma pessoa precisa ter pelo menos um pouco de cada uma dessas características

Personalidades sombrias. 2

EGOÍSMO

Tendência a valorizar apenas o que resulta em benefício próprio, excluindo ou ignorando o bem-estar coletivo.

Personalidades sombrias. 3

SADISMO

Capacidade de sentir prazer ao infligir dor ou sofrimento (físico ou psicológico) a outra pessoa.

Personalidades sombrias. 4

MAQUIAVELISMO

Hábito de mentir e manipular para conseguir o que deseja.

Personalidades sombrias. 5

DESENGAJAMENTO MORAL

Descompromisso com as implicações éticas e morais das próprias ações.

Personalidades sombrias. 6

DIREITO PSICOLÓGICO

Crença de que determinadas pessoas merecem ter mais e ser mais bem tratadas do que outras.

Personalidades sombrias. 7

PSICOPATIA

Desprezo pelos outros, reforçado por baixa empatia e falta de autocontrole (ou excesso de impulsividade).

Personalidades sombrias. 8

NARCISISMO

Autoadmiração excessiva, que leva a acreditar ser razoável usar e maltratar outras pessoas para conquistar o que quer.

Personalidades sombrias. 9

MALDADE

Comportamento, geralmente movido por vingança, que leva a ferir e prejudicar outras pessoas, mesmo que isso signifique ferir a si próprio.

Personalidades sombrias. 10

INTERESSE PRÓPRIO

Disposição para fazer de tudo pela conquista de “bens” socialmente valorizados – coisas materiais, posição social, reconhecimento profissional e felicidade, por exemplo.

 

DESCUBRA O “D” EM VOCÊ

O teste a seguir foi elaborado por Morten Moshagen, Benjamin Hibig e Ingo Zetter, autores do estudo The Dark Core of Personality (“O núcleo escuro da personalidade”, numa tradução livre). Responda quanto você concorda com as afirmações listadas abaixo, marcando de 1 (discordo totalmente) a 5 (concordo totalmente). Para as frases com asterisco (*), calcule a pontuação subtraindo sua resposta de 5. Por exemplo, se respondeu 3 (não concordo nem discordo), o resultado é 5 – 3 = 2 (discordo).

***Atenção: por se tratar de uma pesquisa em fase inicial, os resultados são abertos. Mas, quanto mais próximo de 60 for sua pontuação, maior é seu coeficiente do fator D.

 1 – “Só o que importa para mim é meu bem-estar”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

2 – “Vingança não traz conforto”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

3 – “Uma pessoa deve usar de todo e qualquer meio disponível a seu favor, cuidando para que os outros não saibam disso, é claro”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

4 – “A maioria das pessoas merece ser respeitada*”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

5 – “Não tenho satisfação em ver o fracasso de meus adversários*”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

6 – “O sucesso é uma questão de sobrevivência dos mais aptos. Não me preocupo com os perdedores”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

7 – “Quem mexe comigo sempre se arrepende”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

8 – “Sou capaz de dizer qualquer coisa para conseguir o que desejo”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

9 – “Quando estou irritado, atormentar os outros faz com que eu me sinta melhor”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

10 – “Prejudicar alguém me deixa muito desconfortável*”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

11 – “Fico mal quando alguma coisa que fiz deixa alguém chateado*”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

12 – “Houve ocasiões em que estive disposto a sofrer algum dano a fim de punir alguém que merecia”.

  1. DISCORDO TOTALMENTE
  2. DISCORDO PARCIALMENTE
  3. NÃO CONCORDO NEM DISCORDO
  4. CONCORDO PARCIALMENTE
  5. CONCORDO TOTALMENTE

 

GESTÃO E CARREIRA

CONSUMO ENGAJADO

Listamos nove apps e um site para ajudar quem deseja consumir melhor e fazer compras mais sustentáveis do ponto de vista social e ambiental.

Consumo engajado

Você entra no supermercado, escolhe os produtos que precisa, mas, antes de colocá­los no carrinho, enquadra o código de barras na câmera de seu celular e, ali mesmo, descobre, por meio de um aplicativo que rastreia as práticas das indústrias, se está levando para casa um item sustentável, cuja produção esteja alinhada com seus valores.

Exemplos de tecnologias como essa pipocam no Brasil e no mundo em resposta ao aumento do interesse das pessoas em fazer compras mais responsáveis. De uns anos para cá, adquirir alimentos de origem certificada, usar produtos livres de testes em animais, comprar de empresas sem histórico de trabalho escravo e priorizar a locação em vez da aquisição tornaram-se atitudes comuns. Prova disso é que o Indicador de Consumo Consciente (ICC), que mede o equilíbrio entre a satisfação pessoal e o nível de práticas ambientais, financeiras e de engajamento social dos brasileiros, subiu de patamar nos últimos quatro anos. Segundo dados da pesquisa anual realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), o ICC saltou 4 pontos percentuais de 2015 a 2018, saindo de 69% para 73%.

Embora o desempenho esteja aquém do desejado – o estudo só considera que haja consumo consciente no país quando esse índice fica acima de 80% -, os brasileiros avançam nessa questão. Hoje, de acordo com o SPC Brasil, 98% das pessoas reconhecem a importância da adoção de práticas sustentáveis na hora de comprar e 55% se encaixam no grupo de transição, gente que já começou a inserir mudanças positivas na forma de consumir, mas cujas atitudes, em geral, ainda estão abaixo do esperado.

Um estudo do Instituto Akatu, organização sem fins lucrativos que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade em prol do consumo consciente, publicado em julho, mostrou que a principal barreira para quem deseja ser um consumidor melhor é a necessidade de fazer um esforço, ou seja, mudar de hábitos (60%). “Muitos protelam essa atitude por achar que não faria diferença no coletivo”, diz José Vignoli, educador financeiro do SPC. Outro entrave (apontado por 38% das pessoas) é o fato de os produtos sustentáveis serem mais caros (artigos orgânicos, por exemplo, custam, em média, 30% mais do que os convencionais). Nesse cenário, a tecnologia ganha relevância. “A revolução trazida pela internet das coisas e pela inteligência artificial viabiliza engajar o consumidor por meio das embalagens e formar uma nova cultura de consumo. Grandes varejistas e atacadistas também estão se mobilizando nesse sentido. Acreditamos que esteja em curso uma economia na qual os impactos sociais, ambientais e econômicos farão diferença na decisão de compra”, diz Marcel Fukayama, cofundador e diretor executivo do Sistema B Brasil, movimento empresarial que milita por um comércio mais inclusivo e sustentável. Conheça, a seguir, dez ferramentas que podem ajudá-lo a se inserir nesse movimento.

Consumo engajado..2

1 – OLHO CIDADÃO

Com 271 empresas e 11.054 marcas brasileiras em sua base de dados, esse aplicativo desenvolvido em 2017 pelo Instituto Totum, que atua no mercado de auditorias independentes, selos e programas de auto-regulamentação, permite ao consumidor checar no momento da compra a idoneidade dos fabricantes. Basta posicionar o código de barras do produto na câmera do celular para ter acesso à “ficha” da empresa ou grupo que produz o item e saber, por exemplo, se há envolvimento em casos de corrupção, fraude ou desrespeito ao meio ambiente. A plataforma é alimentada com informações enviadas pelos próprios usuários.

GRÁTIS – ANDROID E iOS

institutototum.com.br

 

2 – GOOD ON YOU

Focado em moda ética e sustentável, esse App fornece informações e classifica cerca de 2.000 marcas, principalmente as de abrangência internacional, como Nike, Zara e Abercrombie. Lançado em 2015 na Austrália, permite ao usuário saber, entre outras coisas, o posicionamento da fabricante do artigo desejado sobre diferentes questões, tais como emissão de poluentes e uso de peles e couro. Também classifica marcas e empresas de um a cinco estrelas e traz notícias sobre temas relacionados e ofertas de marcas responsáveis. O App é em inglês, mas os fundadores cogitam fazer versões em outros idiomas.

GRÁTIS – ANDROID E iOS

goodonyou.eco

 

3 – MODA LIVRE

Desenvolvida pela ONG repórter Brasil para combater o trabalho escravo na indústria da moda, essa plataforma avalia o envolvimento das marcas de roupas e o compromisso das lojas em relação ao tema. Para isso, faz investigações próprias e auditoria de um questionário aplicado às empresas. Com base nas respostas, classifica-as com as cores verde, amarelo e vermelho, considerando as práticas de cada uma e os flagrantes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Com 170.00 downloads, tem atualização anual. Até o fechamento desta matéria, eram 119 grifes e varejistas avaliados, como C&A e Hope.

GRÁTIS – ANDROID E iOS

reporterbrasil.org.br

 

4 – DESQUEBRE

A iniciativa nasceu em 2015 de uma ideia de dois amigos de São Paulo que estavam incomodados com a redução da vida útil de eletrodomésticos, descartados cada vez mais cedo. Ao entrar no App, o consumidor informa sobre o equipamento e os “sintomas” apresentados. Na sequência, recebe orientações específicas. Caso seja necessário a presença de um técnico, o dispositivo aciona um profissional cadastrado que atue na região do cliente e, em até 15 minutos, é feito contato para agendar a visita. Com 16.000 downloads, o App funciona na Grande São Paulo, em Jundiaí e em Caxias do Sul (RS), atendendo cerca de 300 chamados por mês. Em 2019, deve chegar a outras regiões.

GRÁTIS – ANDROID e iOS

desquebre.com.br

 

5 – MOLÉCOOLA

A Startup homônima que trabalha com logística reversa de recicláveis lançou o App em julho para estimular a separação do lixo e bonificar adeptos à causa. Depois de baixa-lo, o consumidor preenche um cadastro e recebe a informação sobre os pontos de coleta nos arredores. Ao levar os recicláveis – garrafa pet, lata de refrigerante, caixa de leite -, o consumidor é bonificado com pontos que podem ser trocados por produtos como copo de silicone, lápis de cor, recarga de celular e créditos em Apps de transporte, ou então, pode doar os pontos às instituições apoiadas. Funciona na capital paulista.

GRÁTIS – ANDROID E iOS

molecoola.eco

 

6 – ETIQUETAGEM VEICULAR

Neste App desenvolvido pela Petrobras, em parceria com o programa da racionalização do uso dos derivados do petróleo e do gás natural (CONPET), é possível (antes de trocar de carro) consultar o consumo de combustível de diferentes veículos e marcas que aderiram ao programa brasileiro de etiquetagem veicular do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO). Há informações de automóveis de 35 marcas e de 1.249 modelos. Outro destaque da ferramenta é a estimativa de gastos mensal e anual com base em dados inseridos pelo usuário.

GRÁTIS – ANDROID E iOS

conpet.gov.br

 

7 – ROTA DA RECICLAGEM

Visa reduzir a geração de lixo no país e estimular a reciclagem. Para isso, indica pontos de coleta no Brasil todo para reciclagem de itens longa vida, como caixas de leite e de suco. Idealizado pela Tetra Pak, multinacional sueca de embalagens, o aplicativo possibilita digitar o endereço onde mora e mostra os locais próximos, divididos em três categorias: cooperativas; pontos de entrega voluntária (PEVs), como Supermercados; e comércios que compram embalagens para beneficiamento e envio aos recicladores. São 5.000 endereços cadastrados.

GRÁTIS – ANDROID e iOS

rotadareciclagem.com.br

 

8 – BUYCOTT

Com escâner do código de barras pelo celular, o App mostra aos usuários a filosofia e as práticas das empresas, oferecendo informações sobre o posicionamento em relação a diversas causas, como feminismo, trabalho escravo e proteção ao meio ambiente. Permite ao consumidor escolher qual produto levar para casa. O usuário também pode aderir às campanhas da ferramenta, como de combate aos testes em animais e de igualdade salarial entre gêneros, para indicar apoio ou oposição à vários assuntos e tópicos. Em sua base de dados, global, há cerca de 20 milões de tags de códigos de barras. Em inglês.

GRÁTIS – ANDROID E iOS

buycott.com

 

9 – CRUELTY-FREE

Criado pela organização australiana Choose Cruelty, o App fornece informações em inglês sobre empresas de cosméticos e produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica que não fazem testes em animais. Basta escanear o código de barras – embora esteja em inglês, funciona no mundo todo. Permite pesquisar por categoria, como xampus ou hidratantes. Tudo é organizado em ordem alfabética, o que facilita a navegação. Oferece, ainda, uma lista vegana para os interessados em comprar apenas itens desse tipo.

GRÁTIS – ANDROID E iOS

choosecrueltyfree.org.au

 

10 – BOBAGS

Lançado em 2015, o site responsivo para mobile é focado no consumo inteligente de bolsas e acessórios, como cintos e lenços. A ideia é que, em vez de comprar itens novos, os consumidores os aluguem por alguns dias. Quem tem esses itens parados pode coloca-los para locação. Entre acervo próprio e de terceiros, há 550 itens à disposição, com marcas que vão de Chanel, Louis Vuitton e Gucci a outras que são novidades por aqui, mas são famosas fora, como Cult Gaia e Modjewel. Ao entrar na plataforma, o cliente escolhe a peça, define por quantos dias quer usá-la, faz o pagamento por cartão de crédito e recebe o item em até três dias.

Atende em todo o Brasil.

bobags.com.br

Consumo engajado.. 4

 

Consumo engajado.. 3

GESTÃO E CARREIRA

A LINGUAGEM DO FUTURO

A habilidade de programar será exigida em todas as áreas e se tornará tão importante quanto saber falar inglês. Descubra como entrar nesse universo.

A linguagem do futuro

Imagine estar em uma reunião em que apenas você não fala a língua em que ocorrem os debates. É assim que vão começar a se sentir aqueles que ainda não aprenderam a programar. Isso porque a linguagem dos códigos, antes restrita a quem trabalhasse com tecnologia e aos “nerds”, está se tornando cada vez mais comum no dia das pessoas. No futuro próximo, desvendar esse idioma será tão básico no cotidiano do trabalho quanto falar inglês. “Essa será a linguagem mais importante dos próximos anos, não porque todo mundo vai programar, mas porque todo mundo vai depender da programação para trabalhar”, afirma Juliano Seabra, diretor de inovação e novos negócios da Totvs. O impacto será tão grande que, de acordo com o relatório The Next Era of Human-Machine Partner- ships (“A nova era de parcerias homem-máquina”, numa tradução livre), elaborado pela Dell Technologies em parceria com o Institute for the Future (IFF), até 2030 todas as empresas serão baseadas em tecnologia, qualquer que seja seu setor de atuação. Por isso, é bom se preparar. Hoje, candidatos que sabem escrever um sistema já são vistos com bons olhos — e a demanda só vai crescer. “No caso dos recursos humanos, por exemplo, temos plataformas de treinamento e sistema de contratação com robô interagindo com funcionários. Se tenho gente no meu setor que sabe programar, não dependo da área de TI para tudo”, diz Carla Alessandra de Figueiredo, gerente executiva de RH da Stefanini, que está treinando não só os funcionários, mas também os filhos deles no tema. “É como conhecer o pacote Office. Todo mundo terá de saber essa linguagem para extrair o máximo possível da tecnologia”, diz Carla. Mas quem quer se destacar precisa ir além de simplesmente criar alguns códigos. É necessário compreender o que está por trás desse processo. “Você precisa entender a lógica e saber como estruturar um algoritmo. Assim, evita ter que contratar alguém para executar uma ideia simples ou analisar informações necessárias para algumas tarefas”, diz Marielen Ferreira, cientista de dados da Totvs.

ALTA DEMANDA

No Guia Salarial 2019, da consultoria Robert Half, que indica quais carreiras estarão em alta no ano que começa, o programador aparece como uma das profissões de destaque. O documento ressalta que, “se antigamente o departamento de TI era visto como de suporte, hoje é vital e estratégico para os negócios”. De acordo com Caio Arnaes, gerente sênior de recrutamento da Robert Half, o crescimento dessa área tem a ver com a automação dos processos, com a necessidade de analisar a quantidade de dados gerados (o famoso big data) e com a interação com os clientes por meio de aplicativos. “A demanda deve se manter nos próximos anos. Esses profissionais não vão apenas criar softwares, mas entender essa nova linguagem e utilizá-la no dia a dia de seu trabalho”, diz Caio. Os salários acompanham a crescente do setor. Um exemplo é o desenvolvedor mobile, que em 2018 ganhou entre 6.000 e 11.000 reais e deve receber de 6.000 a 13.000 reais em 2019, uma alta de quase 12%.

Embora as vagas estejam aí, há um apagão de programadores e cientistas de dados — não só no Brasil, de acordo com Luís Gonçalves, vice-presidente sênior e gerente-geral para o Brasil na Dell EMC. “Essa é uma preocupação mundial. Há déficit de pessoal por causa da velocidade da transformação digital, o que tem feito com que, em alguns países, não seja exigida a formação universitária para trabalhar nessa área”, diz.

O lado bom é que existem muitos cursos para quem quer aprender por conta própria. Fazer um deles ajudou Jessica Oliveira, de 25 anos, a conquistar um estágio no setor de análise de dados e sistemas no site de notícias Nexo. “Fiz curso de iniciação em programação front-end na PrograMaria, que atende apenas mulheres. Não foi o primeiro, mas o mais condensado. Aprendi a utilizar e pesquisar as ferramentas e tags de html, o que ajuda a tornar o código mais acessível ao usuário final. Meu trabalho hoje tem a ver com o que aprendi”, diz Jéssica. “Gosto do universo da informática e quero continuar estudando, pois essa é uma área muito aberta que sempre tem novidades e novas vagas.”

 POR ONDE COMEÇAR

Cursos para quem quer ingressar no universo dos códigos

A linguagem do futuro. 2

 

A linguagem do futuro. 3