ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 30: 1-6

Alimento diário

AS PALAVRAS DE AGUR

 

V. 1 a 6 – Alguns afirmam que Agur não é o nome deste autor, mas a sua descrição; ele era um coletor (este é o significado da palavra), alguém que juntava, que não compunha pessoalmente as coisas, mas coletava os dizeres sábios e as observações de outras pessoas, resumia os textos de outras pessoas, e alguns pensam que esta é a razão pela qual ele diz (v. 3 ): “Eu mesmo não aprendi a sabedoria, mas tenho sido um escriba, ou amanuense, de outros homens, sábios e instruídos”. Observe que não devemos enterrar o nosso talento, ainda que possa ser apenas um, mas, da mesma maneira como recebemos a dádiva, devemos usá-la, mesmo que seja apenas para coletar o que outros escreveram. Mas nós preferimos pensar que Agur é o nome do autor, que, sem dúvida, era bastante conhecido na época, ainda que não seja mencionado em nenhuma outra passagem das Escrituras. Itiel e Ucal são mencionados, seja:

1. Como os nomes de seus alunos, a quem ele instruía, ou que o consultavam como um oráculo, tendo uma opinião excelente de sua sabedoria e bondade. Provavelmente eles escreviam o que ele ditava, como Baruque escrevia o que Jeremias ditava, e por intermédio deles o texto foi preservado, uma vez que eles estavam prontos a atestar que o texto era dele, pois foi dito a eles; eles foram duas testemunhas. Ou:

2. Como o assunto do seu discurso. Itiel significa Deus comigo, a aplicação de Emanuel, Deus conosco. A palavra o denomina Deus conosco; a fé apropria isto, e o chama “Deus comigo, que me amou e se entregou por mim, e a cuja união e comunhão eu sou aceito”. Ucal significa o Poderoso, pois é de alguém que é poderoso que a ajuda nos é estendida. Muitos bons intérpretes, portanto, aplicam isto ao Messias, pois todas as profecias dão testemunho sobre Ele, e por que não esta também? É o que Agur disse a respeito de Ucal, e também a respeito de Itiel (este é o nome em que está a ênfase) conosco (Isaias 7.14). Três coisas o profeta tem em mente aqui:

 

I – Humilhar-se. Antes de fazer a confissão da sua fé, ele faz a confissão da sua tolice e da sua razão fraca e deficiente, deixando-nos evidente que é necessário que sejamos guiados e governados pela fé. Antes de falar sobre o Salvador, ele fala sobre si mesmo, como alguém que precisa do Salvador, e não sendo nada sem Ele; nós devemos deixar de lado o nosso “eu” antes de nos aprofundarmos em nosso relacionamento com o precioso e bendito Senhor Jesus Cristo.

1. Ele fala de si mesmo como não tendo justiça, e como tendo agido de maneira tola, muito tola. Quando reflete sobre si mesmo. ele reconhece: “Na verdade, que eu sou mais bruto do que ninguém”. “Todo homem se embruteceu” (Jeemiasr 10.1-1). Mas aquele que conhece o seu próprio coração conhece muito mais maldade em si mesmo do que em qualquer outra pessoa, quando clama: na verdade, eu não posso deixar de pensar que sou mais bruto do que ninguém: na verdade, nenhum homem tem um coração tão corrupto e enganador como o meu. Eu agi como alguém que não tem o entendimento de Adão, como alguém que degenerou miseravelmente do conhecimento e da justiça em que o homem foi criado no princípio; ou melhor, eu não tenho o bom senso e a razão de um homem, pois se tivesse, não teria agido como agi. Agur, quando considerado pelos outros como sendo mais sábio que muitos, reconhecia ser mais tolo do que alguns. Qualquer que seja o bom conceito que os outros possam ter de nós, é apropriado que tenhamos pensamentos humildes sobre nós mesmos.

2. Ele fala sobre si mesmo, como alguém a quem falta uma revelação que o guie pelos caminhos da verdade e da sabedoria, e reconhece (v.3): “Não aprendi a sabedoria pelo meu próprio poder (as profundezas da sabedoria não podem ser compreendidas pelo meu papel e pela minha pena) nem tenho o conhecimento do Santo, dos anjos, dos nossos pais em inocência, nem das santas coisas de Deus; eu não tenho conhecimento delas, nem faço nenhum juízo delas, além do que Deus se alegra em me dar a conhecer”. O homem natural, com as forças naturais, não percebe, ou melhor, não compreende as coisas do Espírito de Deus. Alguns supõem que tivessem perguntado a Agur, como ao oráculo de Apolo, anteriormente: Quem é o homem mais sábio? A resposta é: aquele que tem conhecimento da sua própria ignorância, especialmente nas coisas divinas.

 

II – Promover Jesus Cristo, e o Pai, nele (v. 4): Quem subiu ao céu, etc.

1. Alguns entendem que isto se refere a Deus e às suas obras, que são incomparáveis e insondáveis. Ele desafia toda a humanidade a explicar os céus nas alturas, os ventos, as águas, a terra: “Quem subiu ao céu, para examinar os astros nas alturas, e então desceu, para nos dar uma descrição deles? Quem encerrou os ventos nos seus punhos e os dominou, como Deus? Quem amarrou as águas do mar na sua roupa, como Deus? Quem estabeleceu todas as extremidades da terra, ou pode descrever a resistência de suas fundações, ou a extensão dos seus limites? Digam-me: qual é o seu nome, o nome do homem que poderia argumentar com Deus ou ser um membro do seu gabinete, do seu conselho, ou, se estiver morto, qual é o nome daquele a quem deixou como legado este grande segredo?”

2. Outros entendem que isto se refere a Cristo, a Itiel e a Ucal, o Filho de Deus, pois é o nome do Deus, bem como o do Pai, que é examinado aqui, e um desafio é feito a quem desejar competir com Ele. Agora, devemos exaltar a Cristo como alguém revelado; eles, então, o exaltavam como alguém oculto, como alguém de quem tinham ouvido falar alguma coisa, mas de quem tinham ideias muito obscuras e insuficientes. Ouvimos com os nossos ouvidos a sua fama, mas não podemos descrevê-lo (Jó 28.22); certamente, é Deus que encerrou os ventos nos seus punhos e amarrou as águas na sua roupa. mas qual é o seu nome? “EU SOU O QUE SOU” (Êxodo 3.14), um nome a ser adorado, e não entendido. Qual é o nome do seu Filho, por quem Ele faz todas estas coisas? Os santos do Antigo Testamento esperavam que o Messias fosse o Filho do Deus Bendito, e Ele é aqui citado como uma pessoa distinta do Pai, mas o seu nome ainda é secreto. Observe que o grande Redentor, nas glórias da sua providência e graça, não pode ser comparável ou igualado a ninguém, nem considerado menos que perfeito.

(1) As glórias do reino da sua graça são insondáveis e incomparáveis: pois quem, além dele. subiu ao céu e desceu? Quem. além dele. está perfeitamente familiarizado com ambos os mundos. e tem uma livre correspondência com ambos, e, portanto, é capacitado para estabelecer uma correspondência entre eles, como Mediador, como a escada de Jacó? Ele estava no céu, no seio do Pai (João 1.1,18); de lá, Ele desceu. para assumir a nossa natureza: e nunca houve uma condescendência semelhante a esta. Naquela natureza. novamente subiu (Efésios 4.9), para receber as glórias prometidas e o seu estado exaltado; e quem, além dele, fez isto (Romanos 10.6).

(2) As glórias do reino da sua providência são, igualmente, insondáveis e incomparáveis. Aquele que reconcilia os céus e a terra foi o Criador de ambos, e governa e dispõe de tudo. O seu governo dos três elementos inferiores – o ar, a água e a terra – é aqui particularizado.

[1] Os movimentos do ar são comandados por Ele. Satanás tem pretensões de ser o príncipe das potestades do ar, mas mesmo ali Cristo tem todo o poder; Ele repreendeu os ventos, e eles obedeceram a Ele.

[2] Os limites das águas são definidos por Ele: Ele amarra as águas como em uma roupa: “Até aqui virás, e não mais adiante” (Jó 38.9-11).

[3] Os alicerces da terra foram estabelecidos por Ele. Ele a fundou, no princípio; e Ele ainda a sustenta. Se Cristo não tivesse se interposto. os alicerces da terra teriam afundado sob o peso da maldição que estava sobre o solo, devido ao pecado do homem. Quem é Aquele Todo-Poderoso que faz tudo isto? Não podemos encontrar Deus, nem o Filho de Deus, senão na perfeição. Ó profundidade desse conhecimento!

 

III – Assegurar-nos a verdade da Palavra de Deus, e recomendá-la a nós (vv. 5,6). Os alunos de Agur esperam que ele os instrua nas coisas de Deus. “Ai!”, diz ele, “não posso instruir vocês; recorram à Palavra de Deus; vejam o que Ele revelou ali sobre si mesmo, e sobre a sua vontade: vocês não precisam saber nada além do que aquilo lhes ensinará, e nisto poderão confiar, como algo certo e suficiente. Toda Palavra de Deus é pura; não há a menor falsidade e impureza nela”. As palavras dos homens devem ser ouvidas e lidas com cuidados e reservas, mas não há o menor motivo para suspeitar de qualquer deficiência na Palavra de Deus; ela é como a prata purificada sete vezes (Salmos 12.6), sem a menor mistura ou impureza. A tua palavra é muito pura (Salmos 119.140).

1. É certa e segura, e por isto devemos confiar nela e arriscar nossas almas por ela. Deus na sua Palavra, Deus na sua promessa, é um escudo, uma proteção segura, a todos os que se colocam sob a sua proteção e depositam nele a sua confiança. A Palavra de Deus. aplicada pela fé, nos será socorro bem presente na angústia (Salmos 46.1,2).

2, É suficiente, e por isto não devemos acrescentar nada a ela (v. 6): nada acrescentes às suas palavras, porque são puras e perfeitas. Isto proíbe a promoção de qualquer coisa, não somente que contradiga a Palavra de Deus, como também que rivalize com ela; ainda que seja sob o plausível pretexto de explicá-la, se tiver pretensões de ter a mesma autoridade que ela, será um acréscimo às suas palavras, o que não somente é uma censura a elas, como se fossem insuficientes, como abre uma porta para todo tipo de erros e corrupções; pois, se permitirmos que um absurdo, uma palavra de qualquer homem ou grupo de homens seja recebido com a mesma fé e veneração que a Palavra de Deus, mil se seguirão. Devemos nos satisfazer com o que Deus julgou adequado nos dar a conhecer da sua vontade, e não cobiçar ter sabedoria acima do que está escrito; pois:

(1) Deus considerará isto como uma afronta odiosa: ele te repreenderá, e te considerará traidor à sua coroa e dignidade, e te colocará sob o pesado destino dos que acrescentam às suas palavras ou diminuem delas (Deuteronômio 4.2; 12.32).

(2) Nós mesmos incorreremos em incontáveis enganos: serás considerado um mentiroso, que corrompe a Palavra da verdade, e espalha heresias, e é culpado da pior das falsificações, a do selo do céu, alegando ter uma missão e uma inspiração divina, quando é tudo uma fraude. Os homens podem ser enganados. mas Deus não se deixa escarnecer.

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PROVÉRBIOS 29: 21-27

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MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 21 – Observe:

1. É imprudente que um senhor se apegue demais a um servo, que o promova com excessiva rapidez, e permita a excessiva familiaridade com ele, que aceite que ele se intrometa na sua dieta, e no seu modo de vestir e se alojar, e desta maneira o crie delicadamente, por ser um servo favorito e agradável; o senhor deve se lembrar de que ele é um servo, e, sendo assim gratificado, será arruinado para qualquer outra função. Os servos devem suportar as dificuldades.

2. É algo muito ingrato em um servo, mas muito comum, comportar-se de maneira insolente, porque foi tratado com carinho. O humilde filho pródigo se julga indigno de ser chamado de filho, e se concentra em ser um servo: o jovem mimado se julga bom demais para ser chamado de servo, e por derradeiro quererá ser um filho. tomará sua liberdade, se julgará igual ao seu senhor, e talvez tenha pretensões à herança. Que os senhores deem a seus servos aquilo que é justo e adequado a eles, nem mais, nem menos. Isto se aplica ao corpo, que é um servo da alma; os que tratam o corpo com delicadeza. que o mimam e cuidam excessivamente dele, verão que, no final, ele esquece o seu lugar, e se torna um filho, um senhor, um perfeito tirano.

 

V. 22 – Veja aqui o dano que se origina de uma índole irada, inflamada, furiosa.

1. Os homens se provocam, uns aos outros: o homem iracundo levanta contendas, é incômodo e briguento na família e com os outros, alimentando as brasas das contendas, e até mesmo força a urna briga os que desejariam viver tranquilamente ao seu lado.

2. Os homens provocam a Deus: o furioso, que se casa com o seu temperamento e com as suas paixões, não pode deixar de multiplicar as transgressões. A ira indevida é um pecado que causa muitos outros pecados; não somente impede que os homens invoquem o nome de Deus, mas faz com que praguejem, e amaldiçoem, e profanem o nome de Deus.

 

V. 23 – Isto está de acordo com o que Cristo disse, mais de uma vez:

1. Que aqueles que se exaltam serão humilhados. Os que pensam conquistar respeito, exaltando-se acima de sua posição, apresentando-se como nobres, falando de maneira importante, apresentando-se como elegantes e aplaudindo a si mesmos, ao contrário, somente se exporão ao desprezo, perderão a sua reputação, e provocarão a Deus, que tomará providências humilhantes para abatê-los e derrubá-los.

2. Os que se humilham, serão exaltados, e estabelecidos em sua dignidade: o humilde de espírito obterá honra; a sua humildade é a sua honra. e os tornará verdadeiramente e seguramente excelentes, e os recomendará à estima de todos os que são sábios e bons.

 

V. 24 – Veja aqui em que pecado e ruína se envolvem os que são arrastados pela sedução dos pecadores.

1. Eles trazem para si mesmos uma grande culpa: faz isto o que tem parte com o ladrão, que rouba e engana, e lança sua sorte entre eles (Provérbios 1.11, e versículos seguintes). O receptor é tão ímpio quanto o ladrão; e, sendo levado a unir-se a ele, na comissão do pecado, não pode deixar de se unir a ele, no encobrimento do pecado, ainda que seja com os mais terríveis perjúrios e execrações. Ele ouve maldições. quando deveria dizer toda a verdade, e não o denuncia.

2. Eles se precipitam à total ruína: odeiam as suas próprias almas, pois voluntariamente farão o que será a sua destruição inevitável. Veja os absurdos de que os pecadores são culpados; amam a morte, o que há de mais terrível, e odeiam as suas próprias almas, o que há de mais precioso.

 

V. 25 – Observe aqui:

1. Nós somos advertidos a não temer o poder dos homens, nem o poder de um príncipe nem o da multidão; ambos são suficientemente formidáveis, mas o receio servil a qualquer deles é um laço, isto é, expõe os homens a muitos insultos (alguns se orgulham de aterrorizar os temerosos), ou melhor, expõe os homens a muitas tentações. Abraão, por temor ao homem, negou sua esposa, e Pedro, o seu Mestre, e muitos negam o seu Deus e a sua religião. Não devemos recuar do dever, nem cometer pecado, para evitar a ira do homem, e nem devemos nos inquietar com temor, ainda que a vejamos aproximando-se de nós (Daniel 3.16; Salmos 98.6). O homem é mortal (Isaias 51.12) e pode apenas matar o nosso corpo (Lucas 12.5).

2. Nós somos encorajados a confiar no poder de Deus, que nos guardará de todo aquele receio do homem que causa tormento ou tentação. Quem depositar a sua confiança no Senhor, em busca de proteção e provisão, no caminho do dever, será posto em alto retiro, acima do poder dos homens e acima do receio desse poder. Uma santa confiança em Deus engrandece e tranquiliza o homem, e o capacita a olhar com gracioso desprezo os mais formidáveis desígnios do inferno e da terra contra ele. “Eis que Deus é a minha salvação; eu confiarei e não temerei”.

 

V. 26 – Veja aqui:

1. Qual é o caminho comum que os homens tomam para progredir e enriquecer, e se enaltecer: eles buscam a benevolência do governante, e, como se todo o seu juízo procedesse dele, a ele fazem toda a corte. Salomão era um governante, e sabia com que diligência os homens o buscavam, alguns em uma tarefa, outros em outra, mas todos buscavam a sua benevolência. O caminho do mundo consiste sempre em buscar o melhor relacionamento possível com os grandes homens e esperar muito dos sorrisos que têm segundas intenções, e que, no entanto, são incertos, e frequentemente desapontam os homens. Muitos se esforçam buscando a benevolência do governante, e não conseguem obtê-la; muitos podem tê-la por algum tempo, mas não conseguem se conservar nela. em um momento ou outro incorrem no seu desprazer; muitos a têm, e a conservam, mas ela não corresponde à sua expectativa, eles não conseguem aproveitá-la como pensavam que poderiam. Hamã teve a benevolência do governante, mas isto não lhe serviu de nada.

2. Qual é o caminho mais sábio que os homens podem tomar, para ser felizes. Devem olhar para Deus, e buscar o favor do Príncipe dos príncipes; pois o juízo de cada homem vem do Senhor. Conosco, não é como o príncipe quiser; o seu favor não pode nos fazer felizes, e a sua reprovação não nos torna infelizes. Mas tudo está sob a vontade de Deus; cada criatura é, para nós, o que Deus a criou para ser. nem mais, e nem diferente. Ele é a primeira Causa, da qual todas as segundas causas dependem; se o Senhor não ajudar, ninguém poderá fazê-lo (2 Reis 6.27; Jó 34.29).

 

V. 27 – Isto expressa não somente a oposição inata que existe entre a virtude e a maldade, como entre a luz e as trevas, o fogo e a água, mas também a antiga inimizade que sempre existiu entre a semente da mulher e a semente da serpente (Genesis 3.15).

1. Todos os que são santificados têm uma antipatia enraizada pela iniquidade e pelos ímpios. Eles têm boa vontade com as almas de todos (Deus tem, e não deseja que ninguém pereça), mas odeiam os caminhos e procedimentos dos que são ímpios com relação a Deus, e ofensivos aos homens; eles não podem ouvir falar deles, nem falar deles, sem santa indignação; eles odeiam a sociedade dos ímpios e injustos, e temem a ideia de estimulá-los, mas fazem tudo o que podem para trazer a um fim a impiedade dos ímpios. Assim, os homens injustos se tornam odiosos para os justos, e contribui para a sua vergonha e punição o fato de que os homens bons não conseguem suportá-los.

2. Todos os que não são santificados têm uma antipatia igualmente enraizada pela santidade e pelas pessoas piedosas: aquele que é de retos caminhos, que se importa com o que diz e faz, é uma abominação para os ímpios, cuja iniquidade talvez seja suprimida e restringida ou, pelo menos, envergonhada e condenada pela retidão dos retos. Assim aconteceu com Caim, que foi um demônio para o seu pai. A iniquidade dos ímpios é o fato de que odeiam aqueles a quem Deus ama, e, além disso, são também infelizes, pois odeiam aqueles a quem verão, em breve, em eterna bem-aventurança e honra, e que terão domínio sobre eles na manhã (Salmos 49.14).

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PROVÉRBIOS 29: 15-17

Alimento diário

A DISCIPLINA DOS PAIS

 

V. 15 – Os pais, na educação de seus filhos, devem considerar:

1. O benefício da correção apropriada. Não somente os pais devem dizer aos seus filhos o que é bom e mau, como devem repreendê-los, e corrigi-los e puni-los também, se necessário for, quando negligenciarem aquilo que é bom ou fizerem o que é mau. Se uma repreensão servir, sem a vara, muito bem, mas a vara não deve ser usada nunca sem uma repreensão racional e séria; e então, embora possa haver um desconforto momentâneo para o pai e também para o filho, ainda assim dará ao filho sabedoria. O filho receberá a advertência, e desta maneira, obterá sabedoria.

2. O erro da indulgência indevida: um filho que não é reprimido nem repreendido, mas é deixado à própria sorte, como Adonias, para seguir as suas próprias inclinações, pode fazer o que desejar, mas, se decidir enveredar por maus caminhos, ninguém o impedirá; é praticamente garantido que seja uma desgraça para a sua família, e traga sua mãe, que o minou e lhe permitiu a sua devassidão, à vergonha, à pobreza, à reprovação, e talvez ele mesmo a maltrate e insulte.

 

V. 16 – Observe:

1. Quanto mais pecadores existirem, mais pecado existirá: quando os ímpios, tolerados pelas autoridades, se multiplicam, e circulam por toda parte, não é de admirar que se multipliquem as transgressões; é como o caso de uma praga no campo: diz-se que ela aumenta quando mais e mais se infectam por ela. A transgressão fica mais atrevida e ousada, mais imperiosa e ameaçadora, quando há muitos que a estimulam. No mundo antigo, quando os homens começavam a se multiplicar, começavam a se degenerar e a se corromper, sim, tanto a si mesmos como uns aos outros.

2. Quanto mais pecado existe, mais próxima está a destruição ameaçada. Que os justos não tenham a sua fé e a sua esperança chocadas pelo crescimento do pecado e pelo aumento dos pecadores. Que não digam que lavaram em vão suas mãos, ou que Deus abandonou a terra, mas que esperem pacientemente; os transgressores cairão, a medida da sua iniquidade será total, e então cairão de sua dignidade e poder, e cairão em desgraça e destruição, e os justos terão a satisfação de ver a sua queda (Salmos 37.34), talvez neste mundo, certamente no juízo do grande dia, quando a queda dos inimigos implacáveis de Deus será a alegria e o triunfo dos santos glorificados. Veja Isaías 66.24; Gênesis 19.28.

 

V. 17 – Observe:

1. É algo muito feliz quando os filhos mostram ser a consolação de seus pais. Os bons filhos o são; eles lhes dão descanso, sossego, e os livram das muitas preocupações que tiveram, a seu respeito; eles dão delícias às almas de seus pais. É um prazer para os pais, um prazer que ninguém conhece, exceto os que recebem a bênção de poder desfrutá-lo, ver o feliz fruto da boa educação que deram aos seus filhos, e ter uma amostra do bem que eles farão, para os dois mundos; é um prazer proporcional às muitas inquietudes de coração que preocuparam os pais.

2. Para isto, os filhos devem ser educados sob rígida disciplina, e não devem ter permissão de fazer o que bem desejarem, nem deixar de ser repreendidos, quando fizerem algo errado. A tolice existente em seus corações deverá, pela correção, ser expulsa, quando são jovens, ou irromperá, para sua própria vergonha, bem como a de seus pais, quando já forem crescidos.

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PROVÉRBIOS 29: 11-14

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MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 11 – Observe:

1. Ser aberto demais é uma fraqueza: É um tolo o que diz tudo o que pensa – que diz tudo o que sabe, e cuja boca pronuncia instantaneamente o que ele tem em seus pensamentos, e não guarda conselhos – que, quando provocado, diz qualquer coisa que lhe vem à boca, não importando sobre quem recaia – que. quando tem que falar sobre qualquer assunto, diz tudo o que pensa, e nunca pensa ter dito o suficiente, se bom ou mau, se trigo ou joio, se pertinente ou não, diz tudo.

2. É prudente e sábio ser reservado: um homem sábio não dirá tudo o que pensa imediatamente, mas levará algum tempo para pensar melhor, ou reservará o pensamento atual para um momento mais apropriado, quando será mais pertinente e provavelmente alcançará seu objetivo; ele não se entregará a um discurso contínuo e rígido, mas fará pausas, para que possa ouvir objeções e respostas a ele.

 

V. 12 – Observe:

1. É um grande pecado em qualquer pessoa, especialmente nos governantes, dar ouvidos a mentiras; pois não somente farão uma avaliação errada de pessoas e coisas, conforme as mentiras às quais dão crédito, como encorajam os outros a dar informações incorretas. As mentiras são ditas aos que lhes dão ouvidos; mas o receptor, neste caso, é tão ímpio quanto o mentiroso.

2. Os que fazem isto, isto é, dão atenção às palavras mentirosas, acharão que todos os seus servos são ímpios. Todos os seus servos parecerão ímpios. pois mentiras serão ditas sobre eles; e todos serão ímpios, pois dirão mentiras a eles. Todos os que tiverem ouvidos encherão seus ouvidos com calúnias e falsas descrições; e se os príncipes, bem como o povo, forem enganados, todos serão enganados, e em vez de fazerem com que a culpa pelos seus próprios falsos juízos recaia sobre os seus servos, que os informaram mal, devem compartilhar a culpa dos seus servos, e sobre eles estará grande parte da culpa por encorajar estas informações errôneas e dar ouvidos a elas.

 

V. 13 – Isto mostra quão sabiamente o grande Deus serve os desígnios da sua providência por meio de pessoas de diferentes temperamentos, capacidades e condições, até mesmo:

1. Os que são contrários uns aos outros. Alguns são pobres e forçados a tomar empréstimos; outros são ricos, têm uma grande quantidade da riqueza da injustiça (chamadas riquezas enganosas), e são credores ou usurários. Alguns são pobres, e honestos, e esforçados; outros são ricos, preguiçosos e fraudulentos. Eles se encontram nas atividades deste mundo, e se relacionam uns com os outros, e o Senhor alumia os olhos de todos eles; Ele faz com que o seu sol brilhe sobre eles e lhes dá, a todos, as consolações desta vida. A alguns. dos dois tipos, Ele dá a sua graça. Ele esclarece os olhos do pobre, dando-lhe paciência, e os do fraudulento, dando-lhe arrependimento, como foi o caso de Zaqueu.Os que pensamos que

2. poderiam ser poupados. Nós somos propensos a considerar os pobres e os usurários como máculas da Providência. mas Deus deseja que até mesmo eles exibam a beleza ela Providência; Ele tem objetivos sábios, não somente ao deixar os pobres sempre conosco, mas também ao permitir que haja o enganado e o enganador, o que erra e o que faz errar. pois ambos são seus (Jó 12.16). e tudo isto redunda em seu louvor.

 

V. 14 – Aqui, temos:

1. O dever dos magistrados, que é julgar fielmente entre homem e homem, e determinar todas as causas trazidas diante deles, de acordo com a verdade e a equidade. particularmente cuidar dos pobres, não incentivar nenhuma causa injusta por causa de sua pobreza (Êxodo 23.3), mas cuidar que a sua pobreza não se torne seu prejuízo, se tiverem uma justa causa. Os ricos cuidarão de si mesmos, mas os pobres e necessitados o príncipe deve defender (Salmos 82.3) e por eles devem abrir a sua boca (Provérbios 31.9).

2. A felicidade elos magistrados que cumprem o seu dever. O seu trono de honra e o seu tribunal de juízo serão estabelecidos para sempre. Isto lhes assegurará a bondade de Deus e fortalecerá o seu interesse pelos sentimentos do seu povo, o que estabelecerá o seu poder e ajudará a transmiti-lo à posteridade, perpetuando-o na família.

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PROVÉRBIOS 28: 13-16

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 13 – Aqui, temos:

1. A tolice de tolerar o pecado, de aliviá-lo e desculpá-lo, negá-lo ou reduzi-lo, diminuí-lo, dissimulá-lo, ou lançar a culpa por ele sobre outras pessoas: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará”, é melhor que nem espere isto. Ele não será bem-sucedido no seu esforço para encobrir o seu pecado, pois este será descoberto, mais cedo ou mais tarde. “Nada há encoberto que não haja de ser descoberto”. Um pássaro no ar levará a notícia. O homicídio será revelado, e também todos os outros pecados. Ele não prosperará, isto é, não obterá o perdão para o seu pecado, nem terá nenhuma verdadeira paz de consciência. Davi reconhece ter estado em constante agitação quando encobriu seus pecados (Salmos 32.3,4). Enquanto o paciente esconde a sua doença, não pode esperar uma cura.

2. O benefício de se afastar dele, tanto por uma confissão penitente como por uma transformação universal: aquele que confessa a Deus a sua culpa, e toma cuidado para nunca mais retornar ao pecado, alcançará misericórdia com Deus, e terá a consolação no seu próprio seio. A sua consciência será aliviada e a sua destruição, evitada. Veja 1 João 1.9; Jeremias 3.12,13. Quando colocamos o pecado diante de nossos olhos (como Davi: “O meu pecado está sempre diante de mim”), Deus o lançará para trás de Si.

 

V.14 – Aqui, temos:

1. O benefício de uma santa precaução. Parece estranho, mas é muito verdadeiro: “Bem-aventurado o homem que continuamente teme”. Muitas pessoas pensam que bem-aventurados são os que nunca temem; mas há um temor que está tão longe de ter um tormento em si, que tem consigo a maior satisfação. Bem-aventurado é o homem que sempre tem em mente um santo respeito e reverência por Deus, pela sua glória, bondade e pelo seu governo, que está sempre temendo ofender a Deus, e incorrer no seu desprazer, que conserva a consciência e teme a aparição do mal, que é sempre zeloso de si mesmo, que não confia na sua própria suficiência, e vive na expectativa de problemas e mudanças, para que, quando vierem. não sejam surpresas para ele. Aquele que conserva esse temor viverá uma vida de fé e vigilância, e por isto, bem-aventurado é ele, bem-aventurado e santo.

2. O perigo de uma arrogância pecaminosa: o que endurece o seu coração, que zomba do temor, e desafia a Deus e os seus juízos, e não se impressiona pela sua Palavra nem pela sua vara, este virá a cair no mal. A sua arrogância será a sua ruína, e qualquer pecado (que é o maior mal) em que venha a cair, será de\ido à dureza de seu coração.

 

V. 15 – Está escrito, “O príncipe dentre o teu povo não maldirás”; mas se o tal for um príncipe ímpio, que oprime o povo, especialmente as pessoas pobres, roubando-lhes o pouco que têm, e fazendo deles vítimas, não importa de que o chamemos, esta passagem das Escrituras o chama de “leão bramidor e urso faminto”.

1. Com respeito ao seu caráter. Ele é bruto, bárbaro e sedento de sangue; ele deve ser colocado entre os animais de rapina, os mais selvagens, e não ser incluído naquela nobre classe de se­ res cuja glória é a razão e a humanidade.

2. Com respeito à maldade que ele faz aos seus súditos. Ele é terrível e apavorante, como o leão que brama, que faz tremer as florestas; ele é como um urso faminto, e quanto mais fome sente, mais maldade faz, e mais ganho cobiça.

 

V. 16 – Duas coisas são aqui sugeridas como as causas da má administração dos príncipes:

1. O amor pelo dinheiro, a raiz de todos os males; o ódio à cobiça aqui se opõe à opressão, segundo o caráter que Moisés estipulou para os bons magistrados, homens tementes a Deus e que odeiem avareza (Êxodo 18.21 ), não somente não sendo cobiçosos, mas odiando a cobiça, e impedindo que as mãos segurem subornos. Um governante que é cobiçoso nunca agirá com justiça nem amará a misericórdia, mas as pessoas sujeitas a ele serão compradas e vendidas.

2. Falta de consideração. Aquele que odeia a cobiça prolongará o seu governo e a sua paz, será feliz com os sentimentos do seu povo e a bênção do seu Deus. É o interesse do príncipe, bem como seu dever, reinar com justiça. Portanto, os opressores e os tiranos são os maiores tolos do mundo; a eles, falta entendimento; eles não procuram a sua própria honra, o seu sossego e a sua segurança, mas sacrificam tudo à sua ambição de possuir um poder absoluto e arbitrário. Eles serão muito mais felizes nos corações de seus súditos do que em suas posições eminentes ou em suas propriedades.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 28: 25-28

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MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 25 – Observe:

1. Tornam-se magros, e inquietos, os que são soberbos e contenciosos, pois se opõem aos que engordam: aquele que tem um coração soberbo, que é convencido e olha com desprezo a todos ao seu redor, que não suporta competição nem contradição, levanta contendas, causa prejuízos, e cria perturbações para si mesmo e para todos os demais.

2. Engordarão, e estarão sempre tranquilos, os que vivem em contínua confiança em Deus e na sua graça; o que deposita sua confiança no Senhor, que, em lugar de lutar sozinho, entrega a sua causa a Deus, engordará. Ele economiza o dinheiro que os outros gastam com sua soberba e suas contendas; ele se deleita e tem abundante satisfação no Senhor seu Deus; e assim, a sua alma está em paz, e provavelmente ele terá abundância de boas coisas materialmente. Ninguém vive de maneira tão tranquila e tão agradável como os que vivem pela fé.

 

V. 26 – Aqui, temos:

1. O caráter de um tolo: ele confia no seu próprio coração, na sua própria sabedoria e nos seus conselhos, na sua própria força e suficiência, no seu próprio mérito e justiça. e na boa opinião que tem de si mesmo; aquele que faz isto é um insensato, pois confia naquilo que não somente é enganador, mais do que todas as coisas (Jeremias 17.9), mas que sempre o enganou. Isto indica que é o caráter de um homem sábio (como antes, v. 25) depositar a sua confiança no Senhor; e no seu poder, e na sua promessa, e seguir a sua orientação (Provérbios 3.5,6).

2. A consolação de um homem sábio: o que anda sabiamente, que não confia no seu próprio coração, mas é humilde e não confia em si mesmo, e confia na força do Senhor Deus, escapará; ao passo que o insensato, que confia no seu próprio coração, será destruído.

 

V. 27 – Aqui, temos:

1. Uma promessa para os caridosos: aquele que dá ao pobre nunca ficará mais pobre por fazer isto: ele não terá necessidade. Se tiver pouco, e, portanto, estiver em perigo de ter necessidade, que dê um pouco do que tem, e isto o impedirá de chegar a não ter nada; como a generosidade da viúva de Sarepta a Elias (para quem ela fez, primeiro, um bolo pequeno) salvou o que ela tinha, quando estava reduzida a um punhado de farinha. Se ele tem muito, que dê o muito que tem. e isto impedirá a diminuição do que tem: ele e os seus não terão necessidade do que é dado em piedosa caridade. O que demos, temos.

2. Uma ameaça aos não generoso: O que esconde os olhos para não ver a infelicidade do pobre, nem ler as suas súplicas, para que seus olhos não influenciem o seu coração, extorquindo dele alguma ajuda, terá muitas maldições, tanto de Deus como dos homens, e nenhuma delas infundada; portanto, todas virão. Lamentável é a condição do homem que tem contra si a Palavra de Deus e também as orações dos pobres.

 

V. 28 – Isto tem o mesmo objetivo do que já lemos (v. 12).

1. Quando os ímpios sobem, aquele que é bom se torna obscuro e diminuído. Quando os ímpios chegam ao poder, os homens se escondem; os sábios se retiram, e se isolam, e recusam serviços públicos, não desejando trabalhar submissos aos ímpios: os ricos saem do caminho, temendo ser privados do que têm; e, o que é o pior de tudo, os homens de bem se escondem, sem esperanças de fazer o bem e temendo ser perseguidos e maltratados.

2. Quando os ímpios sofrem desgraças, degradação e o poder é tirado deles, então aquilo que é bom revive outra vez, e os justos se multiplicam; pois, quando os ímpios perecerem, no seu lugar serão postos homens bons que, por seu exemplo e interesse, incentivarão a religião e a justiça. É bom, para uma terra, quando o número de pessoas boas nela aumenta; portanto, é a política de todos os príncipes, governantes e potentados, incentivá-los e tomar cuidados especiais com a boa educação dos jovens.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 28: 21-24

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V21 – Observe:

1. É um erro fundamental na administração da justiça, e apenas leva os homens à abundância de transgressão, considerar os lados envolvidos mais do que os méritos da causa, de modo a favorecer um dos lados porque é um nobre, um acadêmico, um compatriota, um velho conhecido, ou alguém que nos fez alguma bondade, ou pode nos fazer uma, ou tem a mesma filosofia que nós, e oprimir o outro lado, porque é estrangeiro, pobre, ou nos fez algum mal, ou é ou foi nosso rival, ou não tem a mesma filosofia que nós, ou votou contra nós. O juízo é pervertido quando qualquer consideração desse tipo é admitida na balança, qualquer coisa, que não a pura justiça.

2. Aqueles que são parciais serão desprezíveis. Aqueles que romperam os limites da equidade, embora, a princípio, isto pudesse parecer um grande suborno, um nobre presente que os torna parciais, enganaram as suas próprias consciências; no final eles serão tão sórdidos que, por um pedaço de pão julgarão contra as suas consciências; eles preferirão ter poucos benefícios a não ter nenhum.

 

V. 22 – Aqui, novamente, Salomão mostra o pecado e a tolice dos que desejam ser ricos: eles decidiram que o serão, certos ou errados; eles o serão, o mais rápido possível; eles estão acumulando bens apressadamente.

1. Eles não têm nisto nenhuma consolação: Eles têm um olho mau, isto é, estão sempre se angustiando por causa dos que têm mais do que eles, e estão sempre reclamando de suas despesas necessárias, porque pensam que os outros os impedem de parecer ricos, e as despesas os impedem de ser ricos, e entre ambos eles ficam perpetuamente atormentados.

2. Eles não têm certeza da continuidade disto, mas não se dedicam a tomar providências contra a sua perda. A pobreza há de vir sobre eles, e as riquezas para as quais fizeram asas, para que pudessem voar até elas. farão asas para si mesmas, para voar e se afastar deles; mas eles sentem-se seguros e são imprudentes, e não consideram o fato de que, enquanto estão se apressando para ser ricos, na verdade estão se apressando para ser pobres; caso contrário, não se atira­ riam a riquezas incertas.

 

V. 23 – Observe:

1. Os aduladores podem agradar por algum tempo aos que, depois de pensar melhor. os detestarão e desprezarão. Se eles vierem a ser convencidos do mal dos caminhos pecaminosos em que são adulados, e se envergonharem da soberba e da vaidade que gratificaram com estas adulações, detestarão os aduladores por terem tido maus desígnios contra eles, e as adulações falsas e excessivas, por terem tido um mau efeito sobre eles, e por terem se tornado repugnantes.

2. Os que repreendem podem desagradar, a princípio, aos que, posteriormente, quando a paixão passar e o remédio amargo começar a trabalhar bem, os amarão e respeitarão. Aquele que se relaciona fielmente com seu amigo, que lhe fala sobre os seus erros, ainda que ele se inflame por algum tempo, e talvez receba palavras duras, em lugar de agradecimentos, pelos seus esforços, no futuro não somente terá o consolo, no seu próprio seio, de ter feito o seu dever, mas aquele a quem reprovou reconhecerá que isto foi um ato de bondade, e terá uma boa opinião da sua sabedoria e fidelidade, e o considerará apropriado para amigo. Aquele que reclama contra o seu médico, por machucá-lo, quando este está procurando o seu ferimento, ainda lhe pagará bem, e também lhe agradecerá, depois de curado.

 

V. 24 – Da mesma maneira como Cristo mostra o absurdo e a iniquidade daqueles filhos que pensam que não têm nenhum dever, em alguns casos, de sustentar seus pais (Mateus 15.5), também Salomão aqui mostra o absurdo e a iniquidade dos que pensam que não é pecado roubar seus pais, seja pela força ou secretamente, lisonjeando­ os ou ameaçando-os, ou dissipando tudo o que eles têm, e (o que não é nada melhor do que roubá-los) contraindo dívidas e deixando o pagamento sob responsabilidade deles.

1. Isto normalmente é menosprezado por filhos rebeldes: eles dizem: “Não é transgressão, pois logo isto será nosso, nossos pais podem muito bem viver sem esse dinheiro, nós temos um uso para ele, não podemos viver como nobres com os recursos que os nossos pais nos dão; é muito difícil para nós”. Com estas desculpas, eles se esforçam para desviar a condenação. Mas:

2. Ainda que uma juventude descontrolada menospreze este pecado, ele é, na realidade, um pecado muito grave; aquele que o comete é companheiro do destruidor, e não é melhor do que um ladrão na estrada. Que iniquidades terá escrúpulos para cometer alguém que rouba aos seus próprios pais?