A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A TERAPIA DA JUSTIÇA E DO PERDÃO

Encontro entre vítima e agressor pode trazer alívio para ambos

A terapia da justiça e do perdão

Em muitos casos, o sistema legal não consegue ajudar quem sofreu uma ofensa nem quem a praticou. Anos depois de um crime, a pessoa que sofreu a agressão ainda pode sofrer de estresse pós-traumático, e os ex – condenados muitas vezes apresentam dificuldades depois de sair da prisão. Não é novidade que uma reabilitação ineficaz costuma significar o retorno à prática de delitos. Na opinião de alguns especialistas, no entanto, o método da justiça restaurativa (em que réus e agredidos ficam face a face) pode ajudar nessas situações e mudar a trajetória dos envolvidos, em geral traumática.

A maioria das vítimas que se dispõe a participar desse processo frequentando grupos de discussão e tem acesso ao depoimento dos criminosos depois de algum tempo sentem que podem perdoá-los. Os infratores, por sua vez, alegam sentir responsabilidade por suas ações. Dois estudos recentes randomizados controlados reforçam o crescente corpo de pesquisa sobre a eficácia desse tipo de abordagem.

A criminologista Caroline M. Angel e seus colegas, da Universidade da Pensilvânia, analisaram os efeitos da justiça restaurativa para as vítimas e os agressores em casos de roubos e furtos em Londres. Pessoas que passaram por situação de violência foram encaminhadas aleatoriamente tanto para reuniões de justiça restaurativa apenas quanto para esse serviço e também ao sistema judicial.

Paralelamente, facilitadores treinados propuseram a infra­ tores que discutissem sobre os efeitos do crime na vida das vítimas e de seus familiares e amigos. Aproximadamente 25% das pessoas atendidas somente pelo sistema de justiça criminal apresentaram sintomas clínicos de estresse pós-traumático, mas apenas 12% das pessoas do outro grupo manifestaram esses sinais. “Um dos pontos mais interessantes da justiça restaurativa é que permite às vítimas ressignificar a própria vida e curar algumas feridas ao longo desse processo”, diz a pesquisadora.

O segundo estudo, coordenado pelos criminologistas Lawrence Sherman e Heather Strang, da Universidade de Cambridge, se propunha a avaliar se esses métodos podem reduzir a reincidência. A pesquisa, publicada em março no journal of Quantitative Criminology, analisou dez estudos que utilizaram controles randomizados para investigar o efeito das reuniões de justiça restaurativa nos infratores. Os cientistas constataram que os criminosos que participaram dessas discussões cometeram menos crimes subsequentes.

Apesar do excelente custo-benefício, o uso dessa prática ainda é bastante restrito. Defensores da técnica acreditam que a cultura de punição severa e a necessidade de políticos de serem vistos como rigorosos em relação ao crime interferem na aceitação do método.

 

Anúncios

GESTÃO E CARREIRA

COMUNICAÇÃO NA NOVA ERA: FALA QUE EU NÃO TE ESCUTO

Comunicação na nova era - fala que eu não te escuto

Retirada do livro “Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças”, de Javier Naranjo, obra que surpreendeu o mundo ao se tornar o maior sucesso da Feira Internacional do Livro de Bogotá em abril de 2013, essa frase esconde atrás de si uma grande verdade, o egoísmo latente de nossa comunicação.

Em “O Gene Egoísta”, Richard Dawkins, etólogo, biólogo evolutivo e escritor britânico, diz:

Um indivíduo se comunica com outro quando há uma influência no comportamento ou no estado de seu sistema nervoso.

Os exemplos de comunicação no mundo animal são numerosos: o canto das aves; o balançar da cauda e eriçar dos pelos em cães; o arreganhar dos dentes nos chimpanzés.

Os pintos, por exemplo, influenciam o comportamento de suas mães soltando pios agudos e penetrantes quando estão perdidos ou com frio. Isto geralmente tem o efeito imediato de chamar a mãe, a qual conduz o pinto de volta à ninhada. Poder-se-ia dizer que este comportamento desenvolveu-se para o benefício mútuo, no sentido de que a seleção natural favoreceu os filhotes que piam quando estão perdidos, e também as mães que respondem adequadamente ao pio.

No humano, esse sistema se dá pela linguagem e pelos gestos.

Segundo a analogia de Dawkins, nossa linguagem e gestos deveriam ter a função de influenciar o comportamento de outro indivíduo.

Porém, não é o que temos visto com frequência.

Cada vez mais pessoas reclamam de reuniões chatas e sem objetivo, apresentações entediantes, em que são perdidas horas e horas com comunicadores que falam de interesses próprios, de valores, missão, clientes, serviços e produtos maravilhosos. O modelo “eu falo e você me escuta” gera desinteresse e tédio e, de forma alguma, influencia o comportamento do ouvinte. Se não influencia, podemos entender que não existe comunicação?

Estamos tateando um momento novo, obscuro, imprevisível, uma nova geração de indivíduos com novos hábitos e uma nova forma de se comunicar.

A criança dessa geração já nasce em meio a controles remotos, milhares de canais na televisão, informação disponível em diferentes dispositivos, em todos os idiomas. A música, a dança, a arte, os games são parte dos exercícios escolares e as redes sociais e mensagens de texto representam amigos conectados 24 horas por dia.  

Surge um indivíduo mais crítico, mais contestador.

Pais e professores começam a enfrentar uma mudança de papéis, uma vez que já não são mais os únicos detentores da informação.

“Isso é assim porque é assim” não funciona com a nova geração. Tudo deve ter uma razão de existir, tudo tem uma explicação lógica. Tudo tem que ser comprovado. Não sabe? Procura no Google.

Na nova geração, não existe comunicação sem troca. O mundo digital nos abre a porta da revolução cognitiva, onde o repertório, ou seja, a bagagem de experiências de cada indivíduo deve ser levada em consideração.

Termos como colaborativoconexão e rede nunca estiveram tão em alta. E não tem como ser colaborativo sem prestar atenção no outro, sem construir junto, sem tratar cada ato de comunicar-se como único e sob medida para cada indivíduo, para cada situação.

Em seu livro, “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, um dos maiores best-sellers do mundo desde 1937, Dale Carnegie dizia:

Ouvir é uma arte, uma habilidade e uma disciplina e, tal como outras habilidades, exige autocontrole. Você precisa aprender a ignorar suas necessidades e concentrar a atenção na pessoa que está falando. Escutar se transforma em ouvir apenas quando você dá atenção e acompanha de perto aquilo que está sendo dito.

Este é um dos fatos mais básicos da psicologia humana. Ficamos lisonjeados diante da atenção de outras pessoas. Isso nos faz sentir especiais. Queremos estar perto de pessoas que demonstram interesse por nós. Queremos mantê-las por perto. Nossa tendência é retribuir seu interesse mostrando interesse por elas.

Setenta e seis anos depois, ainda não sabemos ouvir. Por isso, temos aqui um dos desafios mais interessantes e motivadores da nossa era. A evidência clara que o interesse e a motivação do ouvinte são tarefas do comunicador.

Muitas vezes pensa-se que, para gerar interesse no ato de comunicar uma ideia, basta usar vídeos, imagens, novas tecnologias. As pessoas gastam um tempo enorme com seus PowerPoints, Prezis e keynotes, porém, nada disso irá provocar mudança de comportamento no outro se não gerar comunicação efetiva.

Se o novo indivíduo é colaborativo, é impossível não considerar sua participação na construção da comunicação. Aguçar a percepção e ouvir mais se tornam, então, as principais ferramentas dessa construção. As tecnologias ajudam; porém, são apenas alegorias que devem ser utilizadas para reforçar a troca de experiências.

Um exemplo:

Quando um vendedor expõe uma quantidade enorme de produtos e serviços utilizando as tecnologias mais modernas, com milhões de detalhes “super” importantes, gera uma angústia terrível no cliente, que não consegue nem solucionar o seu problema, nem guardar as informações recebidas.

Para provocar mudança de comportamento, ou seja, fazer com que o cliente queira comprar o produto oferecido, a comunicação deve ser construída em conjunto.

Primeiro, o comunicador ouve o cliente, convida-o a expor seus conflitos e necessidades e, em troca, recebe um cenário muito mais preciso do problema a ser resolvido. Após perceber esse cenário, ele tem condições de trazer uma solução objetiva e clara, direto ao ponto, sem precisar expor informações desnecessárias. O resultado é muito mais interessante, tanto para o vendedor, que não precisa ficar horas falando, quanto para o cliente, que fica satisfeito ao perceber que encontrou uma solução para resolver seu problema.

Não há mais espaço para uma comunicação em que há um indivíduo falando e outro ouvindo. Temos que pensar em um indivíduo dividindo seu conhecimento, baseado em percepções construídas em conjunto com o ouvinte.

Não estamos mais falando de reuniões cujo objetivo é ver quem tem razão. Estamos falando de reuniões cuja solução de um determinado assunto é o foco e os participantes são peças fundamentais para dividir conhecimento e chegar à solução.

Na nova era da comunicação não há mais espaço para a verdade absoluta. As experiências e repertório de cada indivíduo são levados em consideração, bem como suas diferentes percepções sobre um mesmo assunto. A união dessas percepções dá origem a novas ideias, que são discutidas e encontradas ao longo da construção da comunicação. Não é mais a sua ideia ou a minha ideia. É uma nova ideia que surgiu da junção de duas ou mais ideias.

Dessa forma, é possível criar uma identificação com o ouvinte, fazê-lo perceber que o seu momento está sendo valorizado. Que o assunto é ele e não o ego do comunicador.

Usar o egoísmo, ou seja, o interesse do público na construção da comunicação, pode nos ajudar, enfim, a influenciar seu comportamento.

JOYCE BAENA – é sócia-diretora da La Gracia Design, graduada em Comunicação Social pela PUC-SP e desde 2008 é jurada do Festival Universitário de Comunicação.

GESTÃO E CARREIRA

ALTA QUILOMETRAGEM

Em 11 anos, o Brasil terá mais idosos do que jovens. Ao mesmo tempo que preocupa, o envelhecimento da população pode ser um ótimo negócio.

Alta quilometragem

O Brasil está envelhecendo rápido. Previsões do Instituto Brasileiro ele Geografia e Estatística (IBGE) mostram que até 2030 os idosos chegarão a 41,5 milhões (18%) – jovens de até 14 anos serão 39,2 milhões (17,6%). Isso significa que, em 11 anos, haverá mais pessoas acima de 65 anos do que crianças no país. Além disso, a expectativa de vida seguirá aumentando, chegando a 80 anos nas próximas décadas (hoje é de 76). O fenômeno, apelidado por especialistas como “tsunami prateado”, implicará mudanças profundas na economia, nas políticas públicas, na assistência social, no mercado de trabalho, na Previdência e, claro, nos negócios.

Se por um lado esse mar de grisalhos impõe desafios, por outro gera oportunidades. Embora não existam pesquisas mensurando a capacidade exata de consumo desse pessoal, os números dão pistas do potencial. Um levantamento da Quorum, consultoria especializada em hábitos de consumo da população mais velha, estima que os clientes mais maduros movimentem 12,4 bilhões de reais ao ano só no Brasil. Globalmente, as cifras são ainda mais impressionantes. Segundo o relatório Consumer Generations, divulgado pela Tetra Pak em 2017, o poder de compra dessa geração será de 20 trilhões de dólares até 2020. As perspectivas são tão positivas que a Euromonitor International, empresa global de pesquisa de mercado, classificou produtos voltados para idosos como a principal tendência para 2019.

Empreendedores brasileiros estão começando a sacar isso. Após conduzirem um levantamento no ano passado, a Hype60+, consultoria de marketing especializada no consumidor sênior, e a Pipe.Social, vitrine de negócios de impacto social, notaram que o movimento é bem recente. Ao mapear 221 iniciativas com soluções para o envelhecimento, a conclusão foi de que os negócios do setor ainda engatinham: 73% possuem menos de cinco anos e 40% ainda nem sequer têm faturamento. “Tudo nessa área é muito embrionário. Empresas e investidores atinaram agora para esse mercado”, diz Layla Vallias, co­fundadora da Hype60+.

Embora existam negócios voltados para saúde, bem-estar, segurança, autonomia, moradia, geração de renda e lazer, as propostas mais bem­ sucedidas, por enquanto, vêm da área de tecnologia – uma tendência que se observa não só por aqui, mas ao redor do mundo também.

Que o diga o robô americano Elliq, desenvolvido para atuar como companheiro, assistente e cuidador de idosos. Recém – lançado nos Estados Unidos, esgotou rapidamente por fazer de tudo um pouco: cria lembretes, responde a perguntas, envia mensagens, atente telefone, toca música e exibe vídeos.

No Brasil, as inovações são menos audaciosas e, segundo especialistas, ainda se limitam a coisas mais básicas, com sensores de mobilidade, que ajudam a subir escadas e evitam quedas no banheiro, por exemplo.

Como o mercado é incipiente, quem deseja atuar nele precisa ser resiliente e ter perspicácia para fazer a leitura de dados ainda pouco consolidados. A maior dificuldade é atender a diversidade desse público, que possui realidades e necessidades bem diferentes, sobretudo de renda e capacidade física e mental. “Ao mesmo tempo que é complicado, ser pioneiro numa área onde falta praticamente tudo é também muito promissor”, diz Layla, da Hype60+.

Alta quilometragem. 2

ONDE HÁ DEMANDA

Com sessentões, setentões e oitentões trocando remédios e hospitais por diversão e bem-estar, além dos empreendedores, ganham relevância diversos profissionais. Vanessa Cepellos, professora de gestão de pessoas da Fundação Getúlio Vargas, diz que serão altamente valorizados psicólogos, geriatras, gerontólogos, personal trainers para a terceira idade, fisioterapeutas, agentes de turismo e até especialistas em aconselhamento para aposentadoria. “Haverá demanda na área da saúde e em setores como alimentação, estética, finanças, moradia, entretenimento e tecnologia. “Mas, a despeito de todo otimismo, é preciso colocar à mesa alguns problemas incômodos. Dados mostram que idosos brasileiros são, de modo geral, pobres. A parcela de grisalhos que desfruta de uma condição financeira confortável é pequena – a maioria dos aposentados do INSS (72%) recebe apenas um salário mínimo. Ou seja, a renda necessária para que essa população consuma e usufrua de tantos produtos esbarra em duas questões importantes: a atual reforma da Previdência, que corta na carne dos mais desfavorecidos, e o preconceito do mercado de trabalho, que exclui trabalhadores com rugas e cabelos brancos.

Foi pensando em reverter essa situação que o engenheiro de software Mórris Litvak, de 36 anos, criou a Maturi Jobs, plataforma de empregos para pessoas com mais de 50 anos. A ideia dele é justamente conectar essa mão de obra com empresas interessadas. Desde 2017, a startup já publicou cerca de 1.000 vagas em 750 empresas. Ao todo, 40.000 pessoas se candidataram e 850 foram contratadas. “O preconceito etário ainda faz parte do cenário brasileiro, o que é um equívoco. Cerca de 70% de nossos 85.000 inscritos têm nível superior e 20% tem MBA, por exemplo,” afirma o empreendedor.

Na visão dele, empregar essa fatia da população é interessante por vários aspectos: redução de gastos do governo com saúde, incentivo ao consumo, aumento da autoestima dessa população e ganhos macroeconômicos. Para ter noção, um estudo da consultoria PwC em parceria com a FGV mostrou que o Brasil aumentaria seu PIB em 18,2 bilhões de reais por ano se elevasse para cerca de 60% o nível de empregabilidade de pessoas acima de 50 anos (em 2015, esse índice estava em 26%). “Profissionais com bagagem e experiência na tomada de decisões só trazem ganhos para as companhias”, afirma João Lins, professor na FGV. Resta saber se o mercado, além de vender, também está disposto a trazer os idosos para dentro de suas operações.

Alta quilometragem. 3

APOSTA

Oito setores promissores e os profissionais mais cobiçados em cada um deles.

TURISMO

Planejadores voltados para a criação de roteiros de viagens para idosos e guias para acompanhar esse tipo de grupo.

BELEZA

Engenheiros químicos capazes de desenvolver itens especiais que atendam às necessidades de pele de pessoas com mais de 60 anos; vendedores especializados em atender esse público.

ALIMENTAÇÃO

Nutricionistas e engenheiros de alimentos capazes de criar produtos para idosos e dietas adequadas à faixa etária.

SAÚDE

Enfermeiros, cuidadores, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e médicos que façam diagnóstico, prevenção e acompanhamento de idosos.

MOBILIDADE

Arquitetos, urbanistas e engenheiros que sejam especializados em planejar espaços que facilitem a locomoção e a acessibilidade desse pessoal em ruas, edifícios e espaços públicos.

TECNOLOGIA

Desenvolvedores e programadores, para sustentar soluções inovadoras que minimizem as agruras do envelhecimento.

PUBLICIDADE

Marqueteiros, jornalistas e social media, gente com habilidade para analisar o comportamento e os novos hábitos de consumo dessa população.

EDUCAÇÃO

Professores, sobretudo de idiomas e informática. há mais de 9 milhões de brasileiros acima de 55 anos no Facebook: 50,82% deles têm de 61 a 70 anos. o interesse em aprender e o tempo disponível levam os mais maduros a procurar cursos.

FONTE: Especialistas FGV, PwC e HYPER60+

PSICOLOGIA ANALÍTICA

PRECONCEITOS CONTRA SI MESMO

Quando nos sentimos discriminados, somos dominados pela angústia, a mente divaga e sofremos de um esgotamento momentâneo da memória que prejudica a capacidade intelectual. O mais curioso é que as ideias preconcebidas que nos fazem tanto mal são mantidas por nossas próprias crenças.

Preconceitos contra si mesmo

O astrônomo americano Neil Degrasse Tyson obteve seu doutorado em astrofísica na Universidade Colúmbia em 1991. Algo em torno de 4 mil astrofísicos viviam no país naquela época.

Tyson elevou o total de afro-americanos entre eles a parcos sete membros. Em discurso de formatura, ele falou abertamente sobre os desafios que enfrentava: “Na percepção da sociedade, meus fracassos acadêmicos são esperados e minhas conquistas atribuídas a outros”, disse Tyson. “Passar a maior parte da minha vida combatendo essas atitudes representa um imposto emocional que equivale a uma forma de castração intelectual. É um encargo que não desejo para meus inimigos.”

As palavras de Tyson abordam uma verdade desconfortável: estereótipos negativos impõem uma sobrecarga intelectual para muitas pessoas que acreditam ser vistas pelos outros como inferiores. Em muitas situações – escola, trabalho, esportes -, essas pessoas receiam fracassar e, assim, reforçar estereótipos depreciativos. Jovens atletas brancos temem não ter desempenho tão bom quanto seus colegas negros, por exemplo, e mulheres em aulas de matemática avançada têm medo de receber notas inferiores às dos homens. Essa ansiedade – o tal “imposto emocional” ao qual Tyson se refere – é conhecida como ameaça dos estereótipos. Centenas de estudos confirmaram que o fenômeno contribui para o fracasso: as pessoas ficam confinadas a um círculo vicioso em que os baixos resultados aumentam a preocupação, o que prejudica ainda mais o desempenho.

Nos últimos anos, psicólogos ampliaram muito o conhecimento sobre como preconceitos não só sobre os outros, mas também em relação a si mesmo, afetam as pessoas, por que isso acontece e, mais importante, como evitar essa situação. Embora atualmente alguns pesquisadores questionem se alguns estudos laboratoriais refletem com fidelidade a ansiedade no mundo real, destacando que esse seria apenas um dos muitos fatores que contribuem para a desigualdade social e acadêmica, outros cientistas argumentam que esse é um dos fatores que podem ser facilmente mudados – o que tornaria melhor a vida das pessoas. Em estudos realizados em escolas, intervenções relativamente simples – como exercícios de redação para aumentar a autoestima, concluídos em menos de uma hora – produziram efeitos espetaculares e de longa duração, diminuindo a disparidade de resultados e eliminando a ameaça dos estereótipos.

IDENTIFICANDO O RISCO

Foi em 1995 que os psicólogos Claude Steele, da Universidade Stanford, e Joshua Aronson, na época trabalhando na mesma instituição, cunharam o termo ameaça dos estereótipos. Assim como acontece atualmente, há quase duas décadas estudantes negros americanos obtinham, na média, notas piores que seus colegas e mostravam maior probabilidade de abandonar os estudos antes dos brancos em todos os níveis de ensino. As várias explicações para essa desigualdade incluía a ideia perniciosa (e preconceituosa) de que os estudantes negros eram, de forma inata, menos inteligentes. Steele e Aronson não estavam convencidos disso. Eles argumentavam que a própria existência desse estereótipo negativo poderia prejudicar o desempenho dos estudantes negros.

Numa experiência agora clássica eles apresentaram a mais de 100 universitários um teste frustrante. Os voluntários foram divididos em dois grupos. No primeiro, no qual os pesquisadores disseram que o exame não mediria habilidades intelectuais, participantes negros e brancos -com pontuação comparável num dos mais utilizados exames de admissão à faculdade, o SAT (originalmente chamado Scholastic Aptitude Test) – se saíram igualmente bem. Na outra equipe, onde Steele e Aronson informaram aos jovens que o teste iria avaliar sua capacidade intelectual, a pontuação dos alunos negros caiu, mas a dos brancos não. O simples pedido para que os estudantes registrassem sua etnia antecipadamente teve o mesmo efeito.

O estudo foi inovador. Steele e Aronson mostraram que testes padronizados estão longe de serem de fato padronizados: quando apresenta­ dos de forma que evoquem a ameaça dos estereótipos, mesmo que sutilmente, colocam muitas pessoas automaticamente em desvantagem. “Houve muito ceticismo no início, mas isso está diminuindo com o tempo. No começo, mesmo eu não acreditava no quanto esses efeitos eram fortes; eu pensava que mais alguém precisava replicar o experimento”, conta Aronson.

Muitos pesquisadores o fizeram. Até agora, centenas de estudos descobriram evidências da ameaça dos estereótipos nos mais variados tipos de grupos. Ela aflige estudantes de origem mais pobre em testes acadêmicos e homens em tarefas de sensibilidade social. Estudantes brancos sofrem diante de colegas asiáticos em testes de matemática e frente a colegas negros em esportes. Em muitos desses estudos, os mais hábeis enfrentam os maiores reveses. Os que cultivam maior expectativa de sucesso têm mais probabilidade de se aborrecer com um estereótipo negativo e grande probabilidade de apresentar desempenho inferior como resultado.

O grau exato de existência da ameaça dos estereótipos no mundo real continua incerto, provavelmente porque os estudos relevantes enfrentam os mesmos problemas que rondam boa parte dos experimentos de psicologia social. A maioria foi realizada com poucos estudantes universitários – o que aumenta as probabilidades de acasos estatísticos – e nem todos os estudos demonstraram um efeito intenso. Alguns críticos também ressaltam que experimentos são, com frequência, um fraco substituto do mundo real. Paul Sackett, da Universidade de Minnesota, argumenta que, fora do laboratório, a ameaça dos estereótipos pode ser menos comum e mais facilmente superada. Recentemente, Gijsbert Stoet, então na Universidade de Leeds, Inglaterra, e David C. Geary, da Universidade de Missouri- Columbia, examinaram cada estudo sobre ameaça dos estereótipos entre mulheres que realizavam testes de matemática.

A pesquisadora Ann Marie Ryan, da Universidade do Estado de Michigan, identificou algumas razões plausíveis para essas conclusões inconsistentes. Em 2008, ela e a psicóloga Hanna-Hanh Nguyen, então na Universidade do Estado da Califórnia em Long Beach, compararam os resultados de 76 diferentes estudos sobre a ameaça dos estereótipos em estudantes de ensino médio e universitários. Descobriram que no laboratório os cientistas são capazes de detectar a ameaça apenas sob determinadas condições, como quando pedem que voluntários resolvam um teste especialmente difícil, ou em ocasiões em que trabalham com pessoas que se identificam fortemente com seu grupo social.

O QUE É IMPORTANTE?

Na última década, psicólogos deixaram de apenas mostrar que a ameaça dos estereótipos existe e detiveram em entender como ela funciona. Pesquisadores demonstraram que a ameaça opera da mesma forma em diferentes grupos de pessoas. A ansiedade chega, a motivação cai e as expectativas ficam mais baixas. Avançando nessas descobertas, a psicóloga Toni Schmader, da Universidade da Colúmbia Britânica, sugeriu que a ameaça ataca algo fundamental. O alvo mais óbvio seria a memória operacional – habilidades cognitivas que nos permitem reter e manipular temporariamente a informação. Esse conjunto de habilidades é finito e a ameaça dos estereótipos pode esgotá-lo. É possível que as pessoas se tornem psicologicamente exauridas ao se preocupar com os preconceitos alheios e tentando provar que os outros estão errados. Para testar esta ideia, a cientista deu a 75 voluntários um teste difícil: eles tinham de memorizar uma lista de palavras enquanto resolviam equações matemáticas. Ela disse a alguns participantes que avaliaria sua capacidade de memória e que homens e mulheres podem ter diferenças inatas de habilidades. As mulheres, informadas sobre a suposta discrepância, guardaram menos palavras, enquanto os homens não tiveram esses problemas.

O esgotamento da memória operacional cria vários bloqueios ao sucesso. As pessoas tendem a repensar ações que, de outra forma, seriam automáticas e se tornam mais sensíveis a sugestões que possam indicar discriminação. Uma expressão ambígua pode ser equivocadamente entendida como escárnio, e mesmo a ansiedade pode se tornar um sinal de fracasso iminente. A mente divaga e o autocontrole enfraquece. Quando Toni Schmader interrompeu mulheres no meio de um teste de matemática e perguntou o que elas estavam pensando, as que estavam sob a ameaça do estereótipo mostraram probabilidade maior de estarem devaneando.

Mais recentemente, pesquisadores passaram do estudo da ameaça dos estereótipos nos laboratórios para escolas e salas de palestras reais, onde tentaram dissipar ou evitar a ameaça totalmente. “Vejo três linhas de pesquisa: a primeira foi para identificar o fenômeno e até onde ele vai; a segunda olhou para quem experimenta o efeito e seus mecanismos; a terceira traduz esses resultados em intervenções”, diz a cientista. O doutor em psicologia Geoffrey Cohen, também de Stanford, conseguiu resultados particularmente impressionantes. Seu método é de uma simplicidade desconcertante: ele pede que as pessoas considerem o que é importante para elas (popularidade ou habilidade musical, por exemplo) e escrevam por que isso é importante. O exercício de 15 minutos age como uma vacina mental que aumenta a autoconfiança dos estudantes, ajudando-os a combater qualquer futura ameaça dos estereótipos.

Em 2003 Cohen visitou escolas de ensino médio na Califórnia e aplicou seu exercício num experimento controlado de forma aleatória – o teste consagrado em medicina que checa se uma intervenção funciona comparando-a com um placebo. Cohen administrou seu exercício a estudantes do sétimo ano: metade escreveu sobre seus próprios valores e os demais sobre coisas não importantes para eles. O teste foi o duplo-cego, o que significa que nem Cohen nem os estudantes sabiam a que grupo estavam integrados.

No fim do trimestre, estudantes negros que concluíram o exercício reduziram em 40% a defasagem acadêmica entre eles e seus colegas brancos. Melhor ainda, os alunos mais fracos da classe foram os que mais se beneficiaram. Nos dois anos seguintes os mesmos estudantes realizaram duas ou três versões de reforço do exercício original. Apenas 5% dos que tinham notas mais baixas que escreveram sobre seus valores precisaram de aulas de reforço ou repetiram de ano, em comparação com 18% do grupo de controle. Finalmente, as médias de notas dos estudantes negros subiram 0,25 ponto e as dos que exibiam pior desempenho aumentaram 0,40 ponto.

Umas poucas frações de pontos aqui e ali podem não parecer um grande avanço, mas mesmo pequenas mudanças no grau de confiança – positivas ou negativas – têm efeito cumulativo. Crianças que vão mal desde cedo podem rapidamente perder autoconfiança ou a atenção de um professor; em contrapartida, sinais de um progresso modesto podem motivar um avanço muito maior. Ao intervir no início, assegura Cohen, os educadores podem tornar ciclos viciosos em virtuosos.

A tarefa proposta por Cohen é tão simples que Ann Marie Ryan e outros pesquisadores não ficaram inteiramente convencidos dos seus resultados. Desde então o teste tem sido replicado inúmeras vezes. Nos últimos cinco anos o exercício foi usado para “mudar a sorte” de estudantes negros em três escolas de nível médio e para praticamente eliminar a desigualdade entre os gêneros numa classe de física de nível universitário.

Cohen, porém, tem buscado novos meios de ajudar estudantes. Ele colaborou com Greg Walton, também de Stanford, para abordar um isolamento induzido com frequência pela ameaça dos estereótipos. Muitos componentes de grupos minoritários temem que seus colegas acadêmicos não os aceitem. Walton combateu essas preocupações com estudos e citações de estudantes mais velhos, mostrando que esses sentimentos são comuns a todos, independentemente de etnia, e que eles desaparecem com o tempo. “Isso faz com que os jovens reformulem suas próprias experiências por meio das lentes dessa mensagem e não pela da etnia”, considera Walton. Walton e Cohen testaram seu exercício de uma hora de duração com estudantes universitários no primeiro trimestre. Três anos depois, quando os estudantes se graduaram, a disparidade de resultados entre negros e brancos havia caído pela metade. Os jovens negros estavam mais felizes e saudáveis que seus colegas que não participaram do exercício de Walton e nos últimos três anos eles haviam adoecido menos que os colegas do grupo de controle. Walton reconhece que um exercício tão simples pode parecer trivial, mas, para quem está preocupado se será aceito, saber que suas angústias são partilhadas e temporárias é muito significativo. Cohen e Walton trabalham atualmente na ampliação de intervenções simples e baratas. Os dois – assim como Carol Dweck e Dave Paunesku -, também de Stanford, criaram o Project for Education Research That Scales (PERTS), que permite administração rápida de intervenções on-line, combinando programas e avaliando resultados. Esse esforço está na aposta de que desfazer o efeito estereótipo não é panaceia contra a desigualdade ou uma solução definitiva e muito menos única para uma questão psíquica e pessoal tão complexa. Cohen, por exemplo, testou seu exercício de redação apenas em escolas com etnias mistas e admite que não está seguro se funcionaria em outros contextos. Mas o que é animador é a perspectiva de avançar no enfrentamento de situações que trazem sofrimento a tanta gente. Trabalhos recentes sobre o fenômeno do estereótipo oferecem esperança realista de aliviar o problema e subverter crenças arraigadas. Ao diminuir a ameaça, os pesquisadores mostram que nossos próprios preconceitos não têm fundamento. As desigualdades de desempenho entre estudantes negros e brancos ou entre cientistas homens e mulheres não indicam diferenças de capacidade, mas refletem preconceitos que se pode mudar.

Preconceitos contra si mesmo. 2

OUTROS JEITOS DE VER A BELEZA

Pense em uma propaganda de um produto, um carro, por exemplo, e tente descrever a primeira imagem que vem à cabeça – há por acaso mulheres magras e altas, dentro dos padrões de beleza atualmente tão valorizados (e inacessíveis), junto à máquina? Agora busque evocar alguma peça publicitária de veículos adaptados para deficientes. “Se se lembrar de alguma, vai perceber que há somente o carro na imagem. Um anúncio totalmente focado no produto, não no público para o qual é voltado. Apesar de haver cerca de 45 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência, eles ainda não são vistos pelo mercado como consumidores, como parte da economia e da sociedade”, diz a fotógrafa Kica de Castro, criadora de uma agência de modelos exclusiva para deficientes físicos. Atualmente são 81 homens e mulheres agenciados, a maioria com passagem por cursos de moda e teatro, com algum tipo de deficiência, como paralisia cerebral, paraplegia, membros amputados e nanismo.

A seleção para fazer parte do casting é por meio de entrevistas e avaliação do preparo profissional do candidato a modelo – o que não significa que pessoas sem formação voltada para esse mercado, mas com aptidão natural, apesar de mais raras, não possam ser escolhidas. Se o candidato é aprovado na entrevista, a própria agência arca com os custos do material fotográfico, o book, que servirá como amostra. Mais tarde, se chamado para algum trabalho, o modelo paga uma porcentagem à agência, que fica em São Paulo. “No início as pessoas disseram que o projeto não daria certo, mas houve aceitação. Ainda não há tantas oportunidades no Brasil, mas no exterior sim”, diz Kica, que começou a fotografar pessoas com deficiência há quase uma década, quando trabalhava em um centro de reabilitação fazendo fotos nas quatro posições globais (frente, costa e laterais) para prontuários e fichas médicas. As fotografias de moda foram uma maneira de se aproximar dos fotografados e ajudá-los a relaxar. Segundo Kica, as pessoas chegavam cabisbaixas, ficavam seminuas, e era evidente a baixa autoestima delas nesse momento.

“Depois de uma conversa com uma amiga psicóloga, comprei várias quinquilharias na rua 25 de Março (centro de comércio popular em São Paulo) e passei a dizer, antes das fotos, que estava fazendo um trabalho para um editorial de moda e os convidava para se enfeitar e participar.

Eram uns poucos minutos que os ajudavam a fazer as fotos médicas com mais satisfação”, diz Kica, que pouco depois começou a fazer books particulares a pedido dos fotografados, tipo de trabalho que ainda continua a fazer. Nenhuma das fotos é tratada com programas de edição de imagem, como o Photoshop, que geralmente é usado para retocar “imperfeições” das modelos como, aliás, também acontece em outros trabalhos fotográficos.

Preconceitos contra si mesmo. 3

NO FIM, TODOS SAEM PREJUDICADOS

A psicologia caracteriza o preconceito como a presença, profundamente arraigada na memória, de associações negativas vinculadas a pessoas de culturas estrangeiras. Estudos realizados em muitos países evidenciam que todo ser humano nutre várias reservas e age em consonância com elas. Nesse contexto, a violência praticada contra estrangeiros, que em muitos casos culmina com assassinatos, é apenas a ponta do iceberg. Como mostra um teste idealizado pelos psicólogos sociais Andreas Klink e Ulrich Wagner, das universidades alemãs Jena e Marburg, respectivamente, o comportamento discriminatório se manifesta principalmente em situações cotidianas.

Com a ajuda de uma estudante de psicologia, os pesquisadores propuseram a seguinte situação: na calçada, a jovem pergunta qual o caminho até a estação rodoviária. A maioria dos transeuntes ofereceu informações à moça e só uns poucos mal-educados ou apressados a ignoraram. Um pouco mais tarde, ela retornou ao local para fazer a mesma pergunta, mas com uma diferença: a garota vestia roupas orientais e um véu na cabeça. Resultado: o número de pessoas que ignoraram a suposta estrangeira mais que duplicou.

Em outro experimento, os dois psicólogos solicitaram a pessoas com nomes estrangeiros que respondessem a anúncios imobiliários e de emprego. A proposta da dupla era observar se haveria algum sinal de repúdio por parte dos funcionários que analisavam os currículos e as propostas para alugar imóveis. E de fato houve: estrangeiros eram preteridos. A causa, evidente, era uma só: preconceito.

Os estereótipos, entretanto, não dificultam a vida apenas de pessoas e grupos estigmatizados. Os psicólogos sociais americanos Robert A. Baron e Donn Byrne observam que pessoas com atitudes preconceituosas tendem a se sentir extremamente expostas a conflitos e enfrentam medos muitas vezes exagerados e desnecessários. Sentem constante temor, por exemplo, de ser atacadas ou molestadas por pessoas supostamente hostis, de classe social ou cor de pele diferente da sua. Ou seja, essa postura redunda em considerável prejuízo para a qualidade de vida dos preconceituosos.

GESTÃO E CARREIRA

A INOVAÇÃO QUE VEM DE PARCEIROS

Em tempos de dificuldade crescente para inovar a portas fechadas, grandes empresas se aproximam de startups para buscar soluções para seus problemas, gerar novos negócios e transformar a cultura interna.

A inovação que vem dos parceiros

A lentidão da justiça brasileira, cujo excesso de burocracia costuma retardar a conclusão dos processos, é uma velha conhecida das empresas. O setor jurídico do banco Itaú, no entanto, está cada vez menos preocupado com esse problema. Isso porque a área ganhou no ano passado um reforço tecnológico: uma parceria com a startup Mediação Online levou as demandas judiciais a um ambiente integralmente digital, facilitando a resolução de casos que envolvam pessoas físicas e empresas. O banco passou a usar uma plataforma da Mediação Online para resolver pendências financeiras dos clientes. Após um período de avaliação de cerca de um ano, com mais de 700 mediações, o Itaú fechou uma parceria com a startup para a gestão de 5.000 casos por mês. O banco avalia que, para cada real investido na parceria, já teve um retorno de 103 reais.

O aumento da eficiência na área jurídica é apenas um dos resultados obtidos pelo banco desde a criação do centro de empreendedorismo tecnológico Cubo Itaú em 2015. Instalado em São Paulo, o prédio abriga mais de 300 pequenas empresas e serve de espaço para coworking e geração de negócios com grandes corporações que buscam inovação. “Não há receita de bolo para a transformação digital. As startups são ferramentas para facilitar esse processo”, diz Renata Zanuto, executiva responsável pelo relacionamento com as startups do Cubo. Em três anos, o Itaú já realizou mais de 70 projetos com startups residentes no cubo. “Grande parte delas não é ligada à área financeira, mas impacta na transformação de processos internos do banco”, afirma Reynaldo Gama, responsável por fomentar os negócios entre grandes empresas e as startups do Cubo.

O que o Itaú está colocando em prática é o que se chama de inovação aberta, um conceito formulado no início dos anos 2000 pelo americano Henry Chesbrough, professor na Universidade da Califórnia. A expressão se refere à disposição de uma empresa em aceitar cooperação externa, seja de startups, seja de instituições de ensino, seja de governos, para desenvolver novas tecnologias em produtos e processos. Foi o caso do revolucionário iPod, lançado pela Apple em 2001, mas com parte de sua tecnologia desenvolvida pela startup americana PortalPlayer. Hoje, a ideia de inovação aberta passa por uma ampliação: engloba o corporate venture capital – prática mais ligada a investimentos de grandes companhias em startups ou de criação de uma startup interna. Mais recentemente, surgiu o conceito de corporate – startup engagement, algo que vai além da criação de novos negócios. “As grandes empresas querem trabalhar em diversas modalidades com as startups, e não necessariamente ser donas delas”, afirma Bruno Rondani, presidente da 100OpenStartups, uma plataforma que conecta grandes organizações às pequenas inovadoras. “A ideia é unir para criar mais valor”.

A contratação de serviços de startups é apenas uma das possibilidades de parcerias com grandes empresas. A indústria química Basf, por exemplo, aposta na estratégia de aceleração. Em uma parceria com a aceleradora ACE, a empresa alemã criou o programa AgroStart e, por meio dele, investiu em mais de dez startups, trazendo a inovação para dentro de casa. “A iniciativa é voltada para melhorar, de uma forma digital, a eficácia da aplicação de agro- defensivos e as tecnologias de análise de solo”, afirma Manfredo Rübens, presidente da Basf para a América do Sul. Hoje, por exemplo, a empresa usa drones para identificar situações de risco em lavouras. Após a análise, o aparelho transmite dados a uma equipe da Basf, que envia recomendações para que o agricultor resolva o problema de forma eficiente.

A Basf está satisfeita com os resultados que vem obtendo com a inovação aberta. E quer mais. Há cerca de duas semanas, inaugurou em São Paulo um centro colaborativo de experiências científicas digitais, batizado de Onono. “É um lugar onde confrontamos clientes e funcionários com as novas tecnologias e a digitalização”. diz Rübens. Ele acredita que o Brasil tenha um ambiente propício para transformações na cultura da empresa. “Já trabalhei na Alemanha, nos Estados Unidos e no Brasil. Por aqui, as mudanças são muito mais reconhecidas como oportunidades e menos como ameaças aos funcionários do que em outras regiões do mundo”.

Essas transformações, claro, acabam afetando os clientes finais em sua relação com a tecnologia. De olho na evolução das formas de pagamento, a empresa de serviços financeiros Visa fechou uma parceria, no início de abril, com a empresa de entregas Rappi na terra natal da startup: a Colômbia. Juntas, elas vão lançar um cartão de débito. A ideia é substituir o dinheiro vivo em transações pequenas. A Visa também tem centros de inovação espalhados pelo mundo – um deles em São Paulo -, além de um programa de aceleração de startups desde 2017. De lá para cá, mais de 50 empresas de inovação receberam investimentos. “As parcerias quebram o mito de que os bancos são rivais das fintechs”, diz Percival Jatobá, vice-presidente de produtos da Visa. “O envolvimento com startups nos permite também estabelecer nossa marca no ecossistema, além de sermos instigados por seus modelos de pensamento”.

Não são apenas as startups que enriquecem o ecossistema da inovação. Na indústria de alimentos BRF, a experiência positiva com pequenas empresas levou a corporação a ficar ainda mais receptiva às ideias externas. Depois de criar o programa b.Connect em 2016, para se aproximar das startups, a BRF aprimorou a iniciativa e lançou, em fevereiro deste ano, o brfHU, que reúne novos parceiros. “Entendemos que havíamos deixado de fora uma parte relevante do modelo de conexão: instituições de ensino superior, de ensino técnico e empresas de tecnologia em geral”, diz Sérgio Pinto, gerente executivo de inovação da BRF. “Colocando todos os parceiros em uma única avenida, o diálogo fica mais fácil”. No novo programa, a BRF lançou um site onde publica desafios em áreas diversas, como pesquisa e desenvolvimento, recursos humanos e vendas. “Há muitas ações bacanas na academia e no mercado. O que faltava era conexão”, diz Pinto. Para a BRF e outras empresas que perceberam os benefícios da inovação aberta, não falta mais.

A inovação que vem dos parceiros. 2

ABERTAS PARA APRENDER – E FAZER NEGÓCIOS

Algumas formas de cooperação entre grandes empresas e startups

 RECONHECIMENTO

Para construir uma reputação de marca inovadora, a empresa pode promover competições de inovação, oferecer mentorias para startups ou compartilhar espaços de trabalho.

QUEM FAZ: O Itaú mantém o Cubo, espaço que abriga startups. Elas têm acesso livre para eventos promovidos no local, e o banco pode fazer parcerias com fornecedoras mais inovadoras.

COCRIAÇÃO

Para resolver problemas de clientes ou ter parceiros inovadores, as empresas podem atrair startups e manter rotinas de exposição a alguns de seus desafios.

QUEM FAZ: a Visa passou a receber startups e clientes para discutir inovação. Assim ajudou por exemplo, o Bradesco a criar um atendimento automático em rede social.

ACELERAÇÃO

Em parceria com aceleradoras de startups, a empresa pode lançar seu próprio programa para ajudar as novatas a crescer, com foco em temas que considera estratégicos.

QUEM FAZ: a empresa química Basf lançou em 2018, o programa AgroStart e, desde então, acelerou dez startups. Os novos serviços ajudam os produtores rurais a detectar problemas nas lavouras.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

MENSAGENS PARA O INCONSCIENTE

Os sentidos captam informações que escapam à consciência, mas há dúvidas de que esses dados possam manipular nossa vontade. Pesquisas mostram, porém, que esses estímulos provocam reações cerebrais mensuráveis.

Mensagens para o inconsciente

Quando falamos em estímulos subliminares, em geral pensamos em imagens que aparecem de forma tão fugaz a ponto de não serem percebidas pela consciência, mas que mesmo assim são capazes de influenciar as nossas decisões. Alguns acreditam que esse recurso permite criar determinados estados de ânimo e até obter ganhos, influenciando as pessoas a fazer certas escolhas. Usada de forma indiscriminada, essa técnica poderia ser um risco nas mãos de publicitários e políticos. Os cientistas demonstraram, porém, que o efeito da percepção subliminar não é tão espetacular como durante muito tempo se acreditou.

Essas técnicas vieram à tona em 1957, com uma experiência desenvolvida pelo publicitário americano James Vicary (1915 – 1977), especialista em pesquisa de mercado. Durante uma projeção em um drive-in, ele exibiu – em velocidade muito alta, sem que o público notasse – uma mensagem na tela: “Coma pipoca e beba Coca-Cola”. Na ocasião, Vicary anunciou que o sistema aumentou em 20% o consumo do refrigerante e em 60% o de pipoca. No entanto, cinco anos mais tarde o próprio Vicary admitiu que nunca levara a cabo uma experiência nesses moldes, e que queria apenas incrementar o faturamento de sua agência publicitária. Mas o mito da manipulação inconsciente já tinha nascido. Posteriormente, ele de fato fez uma experiência em um cinema na presença de um grupo de jornalistas, mas os dados haviam sido falsificados: o famigerado tactoscópio, aparelho que envia as breves mensagens, teria tido seus dados fraudados.

Para o cinquentenário de “Coma pipoca e tome Coca-Cola”, em 2007, o psicoterapeuta Jim Brackin, especialista em publicidade e hipnose, realizou uma experiência similar em um congresso de marketing em Istambul. Usando imagens subliminares, divulgou o produto inexistente, Delta. Após a projeção, os 400 congressistas tinham de escolher entre o Delta e outro produto, Theta. Resultado: 81% escolheu a primeira opção. Mas nunca se procedeu a uma comprovação – normalmente usada nos estudos científicos – para estabelecer se a mesma experiência sem as mensagens subliminares poderia trazer um resultado diferente.

CRUCIFIXO MISTERIOSO

No final de 2007, suspeitou-se que o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos    Mike Huckabee tivesse procurado manipular os eleitores durante a propaganda eleitoral. No centro das suspeitas havia uma estante de livros branca, visível na propaganda atrás de Huckabee. Com a ajuda do enquadramento e de um pouco de boa vontade, os eixos horizontais e verticais da estante formavam uma cruz. A acusação feita ao ex-pregador batista era de que ele pretendia associar, na mente do público, a própria imagem a um símbolo cristão. Aqui, porém, o termo “subliminar” é insuficiente. Em latim sub limen significa “sob o limite” e se refere a estímulos tão fracos a ponto de não serem percebidos conscientemente; mas a estante “em cruz” era bem reconhecível pelos espectadores.

Os cientistas desenvolveram um critério mais rigoroso que o limite de tempo, no qual um símbolo pode ser considerado “subliminar”. Se, por exemplo, o “4” aparece por um segundo na tela, é percebido conscientemente. Mas se o tempo de exibição for reduzido, chega-se a um patamar limite e quem observa garante que não enxerga nenhum número. Ainda assim, caso se deva adivinhar se o número mostrado é inferior ou superior a “5”, a resposta é descoberta com frequência superior à média: evidentemente, quem olha enxerga alguma coisa sem se dar conta.

Portanto, uma percepção é considerada subliminar mesmo se, como no caso descrito, os participantes adivinham só por acaso. O número não deve aparecer na tela por mais de 30 milissegundos. Além disso, deve ser logo “disfarçado” por uma faixa com uma série de letras colocadas por acaso. É assim que os pesquisadores definem esse artifício – caso contrário a imagem que fica na retina poderia ter uma impressão fixa. Assim sendo, a estante de Huckabee estava muito acima desse limite da percepção.

Como deve ser o estímulo para que passe despercebido? Pode ser de vários tipos, como demonstraram experiências desenvolvidas por psicólogos e neurocientistas. Sem que saibamos, o cérebro entende palavras, interpreta a mímica dos rostos, decifra símbolos e capta sons. Numerosas experiências de priming (facilitação) desvendam a influência dos símbolos que escapam à consciência: um impulso desencadeado abaixo do patamar limite, o prime, influencia a reação a um estímulo percebido conscientemente, o target (alvo). Os exemplos clássicos dessas experiências têm base nos números: os participantes veem na tela um número entre 1 e 9 e devem classificá-lo, apertando a tecla esquerda se inferior a 5 e a direita, se superior. É uma tarefa tão simples que, em geral, ninguém costuma errar.

A ação dos estímulos subliminares se manifesta principalmente no tempo da reação: os indivíduos reagem mais rápido se, antes do estímulo-target percebido conscientemente, aparecer ligeiramente um estímulo-prime subliminar, que requer apertar a mesma tecla. Se, por exemplo, um 7 for rapidamente iluminado antes de um 8 percebido conscientemente, os participantes decidem com mais rapidez apertar a tecla correta. Ao contrário, um 4 subliminar os faria hesitar por mais tempo. A experiência também funciona se o número estiver escrito por extenso, como no caso de “sete”. As palavras com significado emotivo, como “medo”, também influenciam a escolha, e a mímica dos rostos, mais ainda.

A elaboração subliminar da expressão facial foi acompanhada em 2007 pelos psicólogos Monika Kiss e Martin Eimer, pesquisadores da Universidade de Londres, por meio do registro de medidas com o eletroencefalograma (EEG). Durante a experiência, 14 participantes eram orientados a diferenciar as fotos de pessoas com expressão assustada ou neutra. Os voluntários conseguiam realizar a tarefa com desenvoltura se o rosto fosse exibido por 200 milissegundos. Quando o tempo era reduzido para 8 milissegundos, as respostas eram eventuais. Neste caso, o estímulo podia ser definido como subliminar. Mesmo assim o eletroencefalograma mostrava as mesmas variações que têm origem também com a percepção consciente.

FORTES EMOÇÕES

O “mito da ação subliminar” tem, portanto, uma base empírica: estímulos não captados conscientemente provocam reação que pode ser medida no cérebro. Não é aceitável, porém, falar de 1 manipulação profunda dos nossos julgamentos e decisões.

Em 2000 surgiu o temor de possíveis influências políticas ocultas quando, para combater o adversário político Al Gore, um assessor da equipe de George W. Bush sugeriu iluminar muitas vezes em uma propaganda eleitoral a palavra bureaucrats (burocratas) e, por três centésimos de segundo apenas, as quatro últimas letras: rats, ou seja, ratos. Mas o uso da palavra “negativa” realmente influenciava os eleitores? O grupo de pesquisa coordenado pelo neurocientista cognitivo Stanislas Dehaene, pesquisador do Collège de France, em Paris, estudou de que maneira os estímulos subliminares podem ser captados. O pesquisador Lionel Naccache, membro da equipe, forneceu a primeira demonstração direta da influência das palavras com conteúdo emotivo. Ao acompanhar três pacientes epiléticos que tinham em seu cérebro eletrodos para o trata- mento da patologia, chamou sua atenção que palavras subliminares com forte dose emotiva exercem influência sobre a amígdala, uma região cerebral determinante no processamento de emoções. “Tais vocábulos modificavam a atividade da amígdala, justamente como acontece com a elaboração consciente”, afirmou Naccache.

O cientista Raphael Gaillard, outro pesquisador da equipe de Paris, demonstrou que palavras fugazes com conteúdo emotivo entram na consciência antes daquelas com sentido neutro. Durante sua experiência, mudou o tempo em que um vocábulo apresentado de forma subliminar é disfarçado, aleatoriamente, pela exibição de vá- rias de letras na mesma cena. No caso daquelas neutras, de cada dois pacientes um se lembrava do que estava representado na tela. Quando se tratava de termos com conotação negativa, três em cada duas pessoas se recordavam deles. Gaillard concluiu que o conteúdo emotivo de uma palavra pode reduzir o limiar da percepção consciente. E que as palavras percebidas de que possamos nos dar conta são elaboradas de maneira específica, de acordo com o seu conteúdo semântico. É muito improvável que com esses artifícios seja possível manipular as pessoas, porque, quando o estímulo não atinge a consciência, a influência dura pouco tempo. A experiência de Gaillard demonstra serem determinantes não apenas a duração da percepção, mas também o seu conteúdo. Além disso, os estímulos subliminares são elaborados de acordo com a atividade que a pessoa está desempenhando naquele momento.

Esse tema foi estudado pelo neurologista Kimihiro Nakamura, da Universidade de Kyoto. Fazendo uso da estimulação magnética transcraniana (EMT), ele desativou algumas áreas do cérebro em um grupo de pessoas que enxergavam imagens subliminares nas palavras. Com essa técnica, ele podia interromper dois efeitos priming. No primeiro caso, em um teste de reconhecimento verbal, os voluntários deveriam apertar uma tecla para comunicar se a faixa de letras rapidamente sobrepostas formava ou não uma palavra. Se o mesmo vocábulo era proposto de forma subliminar, os voluntários reagiam com mais velocidade, desde que o estímulo magnético não impedisse essa ação.

No segundo caso, os participantes do teste tinham de pronunciar em voz alta uma palavra inscrita. Desta vez a resposta era mais rápida quando era projetada de forma subliminar. E, também neste caso, a EMT podia anular o efeito priming.

Com base nessa tarefa, era preciso desativar várias áreas do cérebro: se os indivíduos mantinham separadas entre si as palavras e as faixas com as letras colocadas ao acaso, havia uma desativação da parte superior do lobo temporal. Ao contrário, na tarefa de leitura a área magnética precisava estar na parte inferior do lobo temporal. Isso significa que a área em que o estímulo subliminar deixa rastros no cérebro é determinada pela tarefa na qual os candidatos são submetidos à percepção subliminar.

Segundo Stanislas Dehaene, pode ser que elaboremos o estímulo subliminar em nível semântico. Seria um resultado fascinante: o estímulo óptico é reconhecido como palavra, a faixa de letras é decifrada e a representação da palavra é lembrada pelo cérebro. Tudo isso acontece sem nos darmos conta.

De acordo com Nakamura, o efeito priming subliminar passa de uma modalidade sensorial a outra. Mesmo se a palavra fosse inserida sob a forma escrita por 3 centésimos de segundo e a tarefa sucessiva de reconhecimento verbal consistisse na sua pronúncia, a faixa de letras inserida de forma subliminar diminuía o tempo de reação das pessoas. Dehaene deduz que percebemos os estímulos de maneira consciente quando produzem uma “reverberação” distribuída e duradoura no cérebro. Portanto, não apenas o tempo do estímulo é determinante, mas também os processos cognitivos superiores: por exemplo, a tarefa em que a pessoa está envolvida naquele momento ou na qual deve se concentrar.

Mas a questão científica ainda está aberta. Os céticos refutam a ideia de que possamos ler palavras em um nível inferior ao patamar da consciência. É provável que as faixas com poucas letras tenham sido “arquivadas” no cérebro como figura completa e criado efeitos priming.

Em 2000, o psicólogo Richard Abrams, da Universidade de Washington, encontrou alguns indícios disso. Inicialmente, permitiu que os indivíduos determinassem o conteúdo emotivo dos termos: a palavra smile (sorriso), por exemplo, tinha efeito positivo, enquanto smut (sujeira) assumia conotação negativa. Após a experiência de priming, Abrams confirmou que uma palavra subliminar de cunho negativo provocava reações mais rápidas nos indivíduos quando se davam conta conscientemente de uma palavra que tinha o mesmo significado.

Mas também os acrônimos sem sentido como anrm suscitavam o efeito de uma palavra prime de caráter positivo se antes os indivíduos tivessem lido várias vezes palavras de conotação positiva, como angel (anjo) e warm (calor). Abrams conseguiu até transformar smile em uma palavra subliminar emotiva- mente negativa: deixou que os indivíduos lessem várias vezes smut (sujo) e bile (bílis). O psicólogo deduz que, em nível subliminar, reconhecemos apenas fragmentos das palavras na memória.

Em 2007, a empresa coreana Xtive lançou um programa de computador que sussurrava em frequências não audíveis frases bem-humoradas como “desligue este treco” às pessoas dependentes do computador. Os produtores argumentam que a mensagem subliminar pode curar a dependência. Existe até “CDs subliminares” à venda: em geral, são inofensivas gravações de textos extraídos do seu contexto, acrescidos à música relaxante, que ajudam as pessoas a pegar no sono (pelo menos tem esse efeito para boa parte delas). No entanto, não existe uma indicação com relação ao efeito exato desse material. E há poucas pesquisas em curso: do ponto de vista científico, esses produtos são pouco discutidos. Por definição, quem os compra não sabe que alcance têm as mensagens “disfarçadas” – se é que realmente têm algum efeito.

Essas propostas estão quase totalmente em desacordo com a definição científica do estímulo subliminar. Se, por um lado, pesquisadores como Stanislas Dehaene usam esses recursos para medir o limite da consciência, por outro alguns supostos especialistas se apropriam do assunto e propõem uma “programação da mente”, apostando que um estímulo imperceptível do inconsciente pode fazer a fantasia humana alçar voo. Porém, se excluímos o que foi demonstrado pela ciência, o efeito que se pode obter com essas técnicas é pura questão de fé.

GESTÃO E CARREIRA

VOCÊ SABE O QUE É RESILIÊNCIA?

Businessman in crisis

Do universo da física, o conceito de resiliência migrou para o cotidiano das empresas e tornou-se uma competência cada vez mais valorizada e requerida pelas empresas, que buscam profissionais com capacidade de resolver problemas e suportar reveses.

Segundo Emerson Weslei Dias, coach e consultor de carreira, ser resiliente significa que, mesmo diante de adversidades, é possível lidar com os próprios problemas, encontrar alternativas e enxergar oportunidades para alcançar o seu propósito. As empresas buscam profissionais com essa característica porque acreditam que eles vão conseguir, mesmo passando por dificuldades, superá-las com alguma facilidade. Além disso, pessoas resilientes não vão transpor pro ambiente o que sentiram de negativo, porque já absorveram e já trabalharam internamente os problemas, solucionando-os.

Como desenvolver essa habilidade? O primeiro passo é tentar se conhecer melhor. Não existe a possibilidade de mudarmos como a gente reage perante determinada situação se, em primeiro lugar, não soubermos como reagimos. Portanto, a sugestão para o desenvolvimento dessa habilidade é passar por um processo de autoconhecimento.

Para atingir esse objetivo, vale a pena investir em um programa de coaching. Quem passa por essa experiência ganha vantagens em situações como dinâmicas de grupo e painéis de negócios da seleção. O candidato adquire maior capacidade de adaptação, consegue identificar suas debilidades e tem a possibilidade de tentar se fortalecer nesses pontos.

A seguir, o especialista lista algumas atitudes que podem ser praticadas no dia a dia.

ENCARE MUDANÇAS COMO OPORTUNIDADES
Aceite que a mudança é uma oportunidade de crescimento e de melhoria. Não se faça de vítima. Ainda que a situação seja complicada, é possível aproveitar o momento para amadurecer de maneira muito mais rápida.

TENHA AUTOCONFIANÇA
Esse comportamento está relacionado à segurança para enfrentar diversas situações. Acredite que você é capaz de superar os desafios.

SAIA DA ZONA DE CONFORTO
Evite o comodismo intencionalmente através de experiências que promovam novas possibilidades em sua vida. Desafie a si mesmo. Essa prática permitirá que você pense diferente e tenha novas crenças a respeito daquilo que se deseja.

OUÇA A OPINIÃO DOS OUTROS
Saber ouvir opiniões diferentes e aceitar críticas é outro ponto que ajuda a fortalecer sua resiliência.

SEJA FLEXÍVEL
Ter flexibilidade é a ser capaz de se adaptar. Quando não conseguir, tente identificar quais são seus limites e o que pode fazer para ultrapassá-los.

LISTE AS COISAS QUE LHE DÃO ÂNIMO
Pense em todas as coisas que mais gosta de fazer, como assistir um filme, praticar um esporte ou frequentar determinado lugar. Tenha essa lista sempre à mão e assim será mais fácil saber o que fazer quando se sentir desmotivado.

CULTIVE BOAS RELAÇÕES
Mantenha relacionamentos com familiares, amigos e colegas de trabalho que sejam significativos pra você. Conversar com pessoas que gosta e que se sente à vontade para falar sobre suas dificuldades promove bem-estar e saúde psicofísica.