GESTÃO E CARREIRA

OS ROBÔS QUE INVESTEM POR VOCÊ

Entenda como funciona o aconselhamento financeiro via inteligência artificial e descubra se vale a pena aplicar seu dinheiro com a ajuda da tecnologia.

Os robôs que investem por você.

O robô Ueslei começou a trabalhar com gestão de investimentos no fim de julho de 2016. Na época, administrava 16 milhões de reais. Agora já faz o gerenciamento de uma carteira de 260 milhões de reais. Sua inteligência artificial lhe possibilita desenvolver estratégias e recomendações de aplicações de acordo com o perfil de cada cliente. Ueslei também realiza operações financeiras de compra e venda de papéis e monitora as cestas de investimentos.

Desenvolvido pela Vérios, uma das primeiras plataformas a oferecer esse serviço por aqui, Ueslei não está sozinho. Nos últimos anos houve uma proliferação de robôs investidores em empresas como Magnetis, Monetus e Warren – esta última, criada por quatro ex- executivos da XP, acumulou 20.000 clientes e 10 milhões de reais sob sua gestão desde que surgiu, em janeiro de 2017. “Existe um mercado enorme no Brasil que não é atendido por planejadores financeiros, porque esse serviço ainda é visto como caro e exclusivo. Essas fintechs estão chegando para, de certa forma, democratizar o acesso ao aconselhamento e aos fundos de investimento”, diz Luís Fernando Affonso, professor do programa avançado de finanças no lnsper de São Paulo e membro do conselho da CFA Society Brazil, associação responsável pela certificação de agente financeiro CFA. Para ter uma ideia, enquanto um plano de aconselhamento financeiro custa cerca de 2.500 reais ao ano, o trabalho de um robô é calculado sobre o valor aplicado: se investir 10.000 reais, o preço cobrado será, em média, de 100 reais.

Paulo Medeiros, de 30 anos, servidor público, de Brasília, é um dos que resolveram experimentar esse tipo de tecnologia. Há cerca de dois anos ele começou a investir o capital que sobrava em CDBs, mas não tinha disciplina. “Sempre que gastava mais no cartão de crédito, resgatava tudo”, diz. Por conta própria, começou a consultar corretoras e a estudar o mercado. Descobriu que havia robôs capazes de fazer aplicações financeiras e investigou sobre o serviço no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que regula o mercado de capitais no país, para verificar quais plataformas eram registradas. “Como eram empresas novas, pesquisei muito e decidi pela que tinha mais avaliações positivas no Facebook”, afirma Paulo. Ele fez um aporte para testar o serviço e, depois de um mês, transferiu 95% de seu capital de aplicações para lá. “Apesar de ser um serviço automatizado, o que eu gostei foi da rapidez na resposta do atendimento ao cliente.”

 CONFIANÇA NA TECNOLOGIA

As plataformas robóticas de investimento já existem há dez anos nos Estados Unidos. No Brasil, seguem o modelo de duas empresas americanas, a Betterment, fundada em 2008, e a Wealthfront, lançada em 2011. Ambas cobram taxas baixíssimas de administração (0,25% ao ano) e exploram um mercado que, segundo estimativas da Bloomberg, tem potencial para chegar a 2,2 trilhões de dólares até 2020.

Assim como nos Estados Unidos, a aceitação da tecnologia tende a ser promissora no Brasil. Segundo o relatório “O Surgimento do Aconselhamento por Robôs” (numa tradução livre), da consultoria Accenture, 84% dos brasileiros estariam dispostos a ouvir orientações de inteligências artificiais. Para 33% deles, a razão para essa opção é a simplicidade do sistema. Para outros 31%, o mais atraente nesse tipo de ser viço é não haver um ser humano tentando empurrar algo visando aos próprios Interesses. Foi a percepção de receber uma oferta livre de segundas intenções que levou a paulistana Mariana Assis, gerente de sucesso do cliente do LinkedIn, de 33 anos, a investir nessa modalidade.

Autodidata em investimentos, há quatro anos ela procurou um planejador financeiro, começou a estudar a bolsa de valores e abriu uma conta numa corretora. “Mas eu sentia que era enganada pelos agentes autônomos, porque eles ganham por comissão e, multas vezes, oferecem um produto financeiro por causa do valor que receberiam com esse investimento”, afirma A ausência de emoções humanas (que, no limite, pode prejudicar a estratégia) ao oferecer um produto animou Mariana a migrar todo o seu dinheiro para uma plataforma de robot advice poucos meses depois. “Se for para confiar nos cálculos de juro e risco de uma pessoa ou de uma máquina, prefiro a máquina”, diz a gerente. A cada seis meses Mariana faz uma reunião de reavaliação das metas com seu planejador financeiro – ela continua com ele para revisar sua estratégia financeira de longo prazo, coisa que o robô não faz. O expediente de unir o desempenho robótico ao humano coma orientação do especialista já rendeu conquistas como a compra de um carro à vista e a primeira viagem internacional. E você, delegaria seus investimentos às decisões de um robô?

Os robôs que investem por você.2

 QUEM JÁ OFERECE

As principais empresas que fazem o serviço hoje no Brasil

MAGNETIS

O robô, lançado em 2015, acompanha milhares de tipos de investimento e monta a combinação ideal de acordo com o perfil do investidor. O CEO, Luciano Tavares, foi vice-presidente da Merryl Lynch no Brasil. (magnetts.com.br)

Aplicação mínima: 10.000 reais

Taxa: 0,4% ao ano do valor investido

WARREN

Tem um processo com etapas bem definidas: conversa com o robô, estabelecimento de objetivos, análise das sugestões de investimento, aplicação do dinheiro e acompanhamento em tempo real do desempenho. (warren.com)

Aplicação mínima:100 reais

Taxa:0,8% ao ano do patrimônio total

ALKANZA

Desenvolvida no vale do silício, foi lançada aqui pela corretora Rico em 2016. Analisa centenas de investimentos e seleciona as melhores opções de acordo com o objetivo. Limitação: O cliente precisa ter conta atrelada a corretora. (rico/alkanza.com.br)

Aplicação mínima: 5.000 reais

Taxa:0,5% ao ano do valor investido.

VÉRIOS

Otimiza a rentabilidade comum modelo matemático que faz rebalanceamento automático da carteira para melhorar o retorno. (verios.com.br)

Aplicação mínima:12.000 reais para clientes novos ou 5.000 reais se houver recomendações de amigos.

Taxa: 0,95% ao ano do valor investido.

MONETUS

A plataforma vende a simplificação como diferencial: É só criar a conta, transferir o dinheiro e, a partir daí acompanhar os rendimentos. Daniel Calonge; cofundador, trabalha com gestão de fortunas em Belo Horizonte. (wmonetus.com.br).

Aplicação mínima: 100 reais

Taxa:0,5% ao ano do valor investido.

SMARTTBOT

Primeira plataforma de robôs traders no Brasil. Nela, os algoritmos enviam ordens para a corretora na qual o cliente tem conta. É possível acompanhar entradas e saídas e métricas de retorno. (smattbot.com).

Aplicação mínima:10.000 reais.

Taxas: Começam em 100 reais mensais para contratar dois robôs, com capacidade de negociar 10.000 reais por dia.

Fontes: ANBINA, CVM, CFA, SOCIETY BRASIL E EMPRESAS

 

POR DENTRO DA TECNOLOGIA

Qual é a lógica por trás dos robôs de investimentos.

O QUE É: Serviço de investimento baseado em algoritmos que automatizam cálculos, decisões e análises. O robô, na verdade, um software que pode só recomendar ou também fazer gestão de portfólio. Esse serviço ajuda quem não tem conhecimento a diversificar aplicações, diz Luiz, do INSPER.

COMO FUNCIONA: O investidor preenche um formulário on line para definição de objetivos e perfil de risco. A partir daí o software faz simulações com diferentes carteiras, seguindo padrões estabelecidos pelo investidor. O robô advisor acompanha o desempenho da carteira e, se necessário, faz reorganizações.

PERFIL DO INVESTIDOR: “Esse tipo de serviço é em geral, indicado para quem deseja aplicar para sacar no médio e longo prazo e não tem condições nem vontade de estudar o mercado a fundo ou de contratar um agente autônomo para fazer isso por ele”, diz a planejadora financeira Fabiana Góes, de São Paulo.

APLICAÇÃO MINIMA: O valor de aplicação varia de 100 a 12.000 reais, de acordo com a plataforma. Por isso, o capital inicial é um fator determinante na escolha do robô.

TAXAS: Como realiza operações simultâneas e consegue atender muitos clientes ao mesmo tempo, o sistema é bem mais barato do que um assessor de carne e osso. As taxas variam de 0,4% a 0,95% ao ano.

RISCO: É controlado, já que a tolerância é definida segundo o perfil investidor. Os produtos de renda fixa são segurados pelo fundo garantidor de crédito (CVM). Vale verificar se o serviço tem registro no site da CVM e se o algoritmo é consultor ou gestor. Se for a primeira opção, ele só sugere investimentos/ se for a segunda, poderá operar a carteira.

TIPOS DE ROBÔ: Além do advisor, há o robô trader, que começa a se popularizar no Brasil nessa modalidade. Serve para quem deseja aplicar em renda variável e tem conhecimento de mercado ou auxílio de um especialista para criar estratégias.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.