PSICOLOGIA ANALÍTICA

OS SONS DA LUZ

Estímulos luminosos podem produzir atividade neural bastante precisa no tronco cerebral, similar à provocada pela audição normal, os animais conseguiram ter um elevado grau de discriminação, superior ao que próteses atuais podem alcançar.

Os sons da luz

O som da orquestra varia do extremamente suave ao mais intenso e os espectadores, todos surdos, apreendem cada nota, graças a implantes cocleares que traduzem sons complexos em um arco-íris de luz óptica. É esse o objetivo de uma equipe de cientistas da Alemanha, do Japão, da Coreia do Sul e de Cingapura. Eles trabalham no desenvolvimento de um dispositivo que usa a óptica em vez de ondas sonoras para desenvolver uma classe reinada de próteses auditivas.

No caso de pessoas sem problemas auditivos, neurônios do gânglio espiral no ouvido interno permitem a discriminação precisa do som. Podemos reconhecer centenas de pessoas pelo som da voz e distinguir entre milhares de diferentes alturas e frequências. Implantes cocleares tradicionais dispõem de um microfone externo para captar o som e transmiti-lo para essas células através de eletrodos, mas com baixíssima resolução. Os neurônios são afinados como teclas de piano no ouvido interno. Usar eletrodos para estimulá-los é como dirigir um concerto com os punhos em vez dos dedos. Os cientistas acreditam que há uma maneira melhor.

Em um estudo publicado no Journal of Clinical Investigation, pesquisadores usaram um vírus para implantar genes com sensibilidade à luz em embriões de camundongos surdos. As unidades agiram nas vias auditivas do cérebro dos ratos, criando manchas sensíveis à luz nas membranas dos neurônios do gânglio espiral e de outras células. Então, os cientistas direcionaram luz LED sobre esses neurônios e gravaram a atividade do tronco cerebral, um passo de integração essencial no processamento auditivo.

A atividade indicou que os ratos surdos perceberam a luz como som com sucesso. Em comparação com a estimulação dos eletrodos de implante coclear tradicionais, a luz produziu atividade neural mais precisa no tronco cerebral, similar à audição normal. Os ratos também exibiram um elevado grau de discriminação de som que próteses atuais não podem alcançar.

Os cientistas acreditam que, no futuro, pessoas surdas poderão se beneficiar de terapia genética semelhante às abordagens atualmente testadas em ensaios clínicos para outras doenças. E caso queiram, poderiam alterar a cóclea para expressar canais sensíveis à luz. Então, uma cadeia de luz LED poderia ser inserida no ouvido, que se acende de acordo com as qualidades de um som externo, permitindo que neurônios auditivos comuniquem ricos detalhes para o cérebro.

OUTROS OLHARES

MULHERES EM RISCO

Pela primeira vez no Brasil o total de óbitos femininos por causa de AVC se equipara ao de homens. E elas têm três vezes mais chance de morrer de um novo infarto.

Mulheres em risco

A exposição mais intensa aos principais fatores de risco para infarto e acidente vascular cerebral e a negligência no cuidado médico estão tornando as mulheres cada vez mais vulneráveis às principais doenças cardiovasculares. Segundo a Sociedade Brasileira de cardiologia, no ano passado, pela primeira vez, o número de mulheres que morreram de AVC equiparou-se ao de homens, alcançando a marca de 50 mil óbitos. E o total das mortes por infarto entre elas já superou os 45 mil por ano.

É um fenômeno mundial. Na semana passada, um estudo da Universidade de Leeds, no Reino Unido, em parceria com o instituto Karolinska, na Suécia, mostrou que a população feminina tem três vezes mais chance de morrer de ataque cardíaco depois de já ter sofrido um. Evidências anteriores demonstram que elas recebem tratamento preventivo inadequado mesmo quando exibem o perfil de um indivíduo de risco (hipertensivo e diabético, por exemplo), e, no momento do ataque, têm os sintomas negligenciados. Sinais da iminência de um evento cardiovascular, como pressão arterial elevada, ainda são confundidos, em mulheres, com crises de ansiedade ou de estresse. Por elas, por quem está do lado e pelos profissionais de saúde.

Mulheres em risco2

CAMPANHAS DE INFORMAÇÃO

No Rio de Janeiro, a engenheira Camila Epprecht, 33 anos, sofreu um AVC há três anos e enfrentou uma incredulidade em relação a seu quadro. “Ninguém acreditava como uma mulher tão nova tinha tido um problema desse”, conta. Na época, Camila estava sob forte estresse (fator de risco) por conta da conclusão de um trabalho acadêmico. Depois de um ano em recuperação, ela voltou ao trabalho. Em São Paulo, a comerciante Roseli De Caprio, 56 anos, demorou a reconhecer os sintomas de que estava sofrendo um infarto, em setembro de 2017. Só depois de quatro horas de dor, inclusive no peito, procurou ajuda. “Não imaginava que pudesse ser o coração”, diz. Roseli foi tabagista (outro fator de risco importante) até o episódio. Na opinião do médico Roberto Kalil Filho, presidente do Instituto do Coração (SP), faltam campanhas de conscientização dirigidas aos médicos e à população em geral. “Temos que falar da importância dos exames do coração também para as mulheres”, diz. “É fundamental ressaltar a eficácia do tratamento preventivo e do prognóstico.”

GESTÃO E CARREIRA

GESTÃO À PROVA DE CURTO-CIRCUITO

Conheça os desafios que serão enfrentados pelos líderes, nas próximas décadas, ao gerenciar times híbridos, formados por humanos e robôs.

Gestão a prova de curto-circuito

O clássico de Charles Chaplin, Tempos modernos, de 1936, fazia uma crítica à Revolução Industrial, ao trabalho designado aos humanos e aos efeitos da tecnologia sobre o indivíduo.

Agora, com a quarta Revolução Industrial, descrita no livro homônimo de Klaus Schwab, presidente executivo do Fórum Econômico Mundial, o problema do trabalho repetitivo, tão criticado por Chaplin, está prestes a acabar. Simplesmente porque o trabalho repetitivo vai desaparecer com a substituição maciça dos trabalhadores por robôs. Um exemplo vem da Adidas, que anunciou recentemente a abertura de uma nova fábrica em Atlanta, nos Estados Unidos, onde os 50.000 sapatos anuais serão produzidos inteiramente por máquinas. Diferentes categorias de atividades, particularmente aquelas que envolvem o trabalho mecânico e manual de precisão, já estão sendo automatizadas. Outras seguirão o mesmo caminho”, escreve Klaus em seu livro, publicado no ano passado. Mas isso não é ruim, de acordo com Kevln Kelly, cofundador da revista Wired e autor do livro Inevitável – As 12 Forças Tecnológicas Que Mudarão o Nosso Mundo (HSM).”Não estamos dando os bons trabalhos para as máquinas. Ao contrário: estamos desenvolvendo robôs para fazer justamente as tarefas perigosas, como desarmar uma bomba; enfadonhas, como dirigir um caminhão; ou que não seriamos capazes de fazer, como analisar milhares de artigos científicos buscando padrões”, afirma Kevin.

Mas, e quando até trabalhos complexos começam a ser executados por inteligência artificial? Até o ano de 2025, 21 inovações tecnológicas transformarão o mercado de trabalho, prevê a pesquisa Mudança Profunda, realizada pelo Fórum Econômico Mundial, que ouviu 800 executivos de todo o mundo. Uma dessas novidades será a presença de robôs no conselho administrativo das empresas, apostam 4.596 dos respondentes. Parece coisa de roteirista de Hollywood, mas a verdade é que isso já está acontecendo atualmente. Em 2.014, o Deep Knowledge Ventures, um fundo de capital de risco de Hong Kong que investe em biotecnologia, nomeou para seu conselho de administração o algoritmo Vital (validating investment tool for advancing life sciences). Ou seja, além de dirigir carros autônomos, a inteligência artificial poderá, com base no aprendizado gerado por experiências anteriores, apresentar sugestões e automatizar o processo de tomada de decisões complexas.

Entretanto, antes de eles chegarem ao conselho das empresas, será preciso aprender a conviver com os colegas robôs e até a gerenciá-los. Nos contact centers, isso já é inevitável. “Robôs trabalham sem descansar e não faltam. “Num setor em que a média de absentismo é de 30%, isso representa uma vantagem estratégica”, diz Antônio André Neto, coordenador do curso de formação executiva em negócios digitais da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. Nesse contexto, o trabalho do atual coordenador de operadores de telemarketing vai mudar bastante. “Em vez de lidar com pessoas, esse chefe estará em contato constante com o pessoal de TI, porque é essa equipe que vai desenvolver a tecnologia para ele”, afirma Antônio. O principal desafio desse gestor será definir os requisitos que a solução precisa ter e como ela deve funcionar. Afigura do especialista em experiência do usuário (UX), responsável por testar as soluções e sua usabilidade, vai se popularizar.

 LAÇOS ARTIFICIAIS

Haverá também equipes híbridas, formadas por pessoas e máquinas trabalhando lado a lado. Embora os robôs sejam capazes de mostrar sinais de criatividade e consigam “copiar” um estilo de texto, música ou pintura e desenvolver coisas novas, eles ainda estão distantes de inventar produtos ou serviços. A verdadeira inovação que surge com a criação de novas conexões entre as informações, ainda é inerentemente humana. Um robô pode até sugerir qual quarto de hotel é mais adequado a você, mas não seria capaz de inventar o Airbnb. “Tendemos a pensar em automação como a substituição de humanos, mas não é sempre assim, faz muito mais sentido que tarefas individuais, e não ocupações inteiras, sejam automatizadas”, afirma Luís Rasquilha, CEO da Inova Business School de São Paulo. Por isso, o mais provável é que, enquanto os robôs fizerem o trabalho pesado, as pessoas vão trabalhar em tarefas que exijam criatividade. “Algumas automatizações vão melhorara vida dos profissionais”, diz Luís.

A convivência profissional entre máquinas e seres humanos, porém, poderá trazer dificuldades. Estudos no campo da computação afetiva, setor da robótica que analisa os estados emocionais dos seres humanos para que as máquinas respondam adequadamente a eles, demonstram que a relação entre humanos e robôs será mais complexa do que aquela que temos com nossos computadores. Para explicar Isso, Kate Darling, pesquisadora do MIT Media Lab, usa o exemplo do Roomba, robô-aspirador que varre a casa e se recarrega sozinho. “Os donos desses robôs costumam sentir pena quando o aparelho fica preso em baixo do sofá. Isso acontece por causa de nossa capacidade de projetar comportamentos humanos em formas inanimadas, chamada antropomorfismo”, disse Kate numa palestra. Para isso ocorrer, é preciso que haja alguma identificação.

No caso do Roomba, trata-se da autonomia de movimento, mas o efeito é o mesmo em softwares como Siri e Alexa, que têm voz própria. “Dar um nome, um rosto ou uma voz aos robôs faz com que os humanos se relacionem com eles de maneira diferente”, afirma Kate. Por isso, são imprevisíveis os laços ou os conflitos que poderão surgir com os robôs que trabalharem no escritório, mais um ponto de atenção para os gerentes que liderarem esses times. “A habilidade mais procurada nos profissionais do futuro será a imaginação artística, no sentido de imaginar novos mundos. Entender e gerenciar os sentimentos da relação emocional que teremos com as máquinas também serão importantes”, afirma Tim Leberecht, autor do livro Romantize Seus Negócios (Rocco).

CHEFE ROBÔ

Gerenciar um robô ou ter uma máquina como colega de trabalho pode até causar estranhamento. Mas é ainda mais complicado pensar que ainda poderemos ser liderados por sistemas de inteligência artificial. Embora a ideia pareça distante, considere as principais atividades de um gestor: usar dados para analisar problemas e tomar decisões, monitorar a performance da equipe, determinar metas, dar feedback. Todas essas atividades já podem ser desempenhadas de maneira individual por sistemas em operação. E com alguns pontos positivos: evitam-se confrontos de personalidade, e os feedbacks são mais objetivos e imparciais. Ao que parece, no longo prazo, poucas carreiras estarão imunes à automatização. “Se você quiser manter seu trabalho, terá de fazer algo que não seja facilmente quantificado, formalizado ou replicado, e terá de criar valor por uma história e experiência, em vez de consistência, conveniência e eficiência”, diz Tim Leberecht. “No final, nossa redenção virá de nossa maior ameaça: a vulnerabilidade humana. Somos humanos porque podemos sofrer. É só porque podemos sofrer que podemos sentir a felicidade, o amor e a beleza. E disso, as máquinas não vão chegar perto, afirma.

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GESTOR DE FUTURO

Os principais pontos de atenção para os chefes que terão robôs como subordinados.

COMUNICAÇÃO

Quando a Revolução Industrial chegou, as pessoas simplesmente precisaram aprender a trabalhar deum jeito diferente, operando máquinas. Coma Revolução Tecnológica, será necessário aprender a conversar” com o robô, entendendo a linguagem necessária para “informar” a ele o que precisa ser feito.

CONFIANÇA

Assistentes pessoais tecnológicos, como os de Google e Amazon, nos ouvem o tempo todo. É possível, portanto, que o colega robô também escute e registre as reclamações dos colegas humanos, o que pode gerar desconfiança no ambiente de trabalho. As regras deverão ser claras para que os funcionários não se sintam monitorados o tempo todo.

AMBIENTE DE TRABALHO

Por mais que a tecnologia esteja avançando e alguns sistemas sejam capazes de reconhecer sentimentos e até demonstrar empatia, especialistas dizem que, para que os trabalhadores não se sintam desconfortáveis, será necessário adotar cuidados para humanizar o ambiente, evitando os sentimentos de isolamento e solidão.

FEEDBACKS

Um dos campos mais promissores para o emprego da inteligência artificial, é a análise de dados sobre a produtividade. Entretanto, talvez o robô não seja capaz de levar em conta fatores como problemas pessoais na hora de dar feedbacks, o que vai requerer atenção do gestor para evitar que um ambiente de análise pura e fria comprometa o engajamento dos funcionários humanos.

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 22: 1-14 – PARTE II

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A Parábola da Ceia das Bodas

V – O repovoamento da igreja, com o convite aos gentios, é aqui representado pela realização do jantar com convidados ajuntados dos caminhos (vv. 8-10). Aqui temos: 

1. O comentário do dono da festa a respeito daqueles que tinham sido convidados primeiro (v. 8). As bodas estão preparadas, isto é, o concerto da graça está preparado para ser firmado, há uma igreja preparada para ser fundada; mas aqueles que tinham sido convidados, isto é, os judeus, a quem pertenciam o concerto e as promessas, motivo pelo qual eram convidados primeiro às festas de cevados, não eram dignos. Eles eram completamente indignos e, com o seu desprezo por Cristo, tinham perdido todos os privilégios a que tinham sido convidados. Não é devido a Deus que os pecadores perecem, mas a si mesmos. Assim, quando a antiga nação de Israel estava próxima de Canaã, a terra prometida estava preparada, como também o leite e o mel. Mas a sua falta de fé, a sua murmuração e o desprezo por aquela terra agradável, impediram que eles entrassem na terra prometida e as suas carcaças pereceram no deserto; e essas coisas lhes aconteceram para que nos demos por avisados (1 Coríntios 10.11; Hebreus 3.16-4.1).

2. A comissão que ele deu aos servos, de convidar a outras pessoas. Os habitantes da cidade (v. 7) tinham recusado. “Ide, pois, às saídas dos caminhos”, os caminhos dos gentios, que, a princípio, os mensageiros deviam evitar (cap. 10.5). Dessa maneira, com a queda dos judeus, a salvação chegou aos gentios (Romanos 11.11,12; Efésios 3.8). Cristo terá um reino no mundo, embora muitos rejeitem a graça e resistam ao poder de tal reino. Mesmo que Israel não se una ao seu reino, ele será um reino glorioso. A oferta de Cristo, a salvação aos gentios, foi:

(1). Imprevista e inesperada; uma surpresa aos homens dos caminhos, que receberiam um convite para um banquete de bodas. Os judeus souberam do Evangelho muito tempo antes, e esperaram o Messias e o seu reino. Mas para os gentios, tudo isso era novidade, coisas que nunca tinham ouvido antes (Atos 17.19,20), e, consequentemente, coisas que eles não podiam sequer imaginar que pudessem lhes pertencer. Veja Isaias 65.1,2.

(2). Foi universal e sem diferenciação. “Ide…, e convidai para as bodas a todos os que encontrardes”. Os caminhos são lugares públicos, e ali a Sabedoria clama (Provérbios 1.20). “Convidem os que passam pelos caminhos, convidem a qualquer pessoa (Jó 21.29), altivo e humilde, rico e pobre, escravo e livre, jovem e velho, judeu e gentio; digam a todos que eles serão bem-vindos aos privilégios do Evangelho, nos termos do Evangelho; quem desejar, que venha, sem exceção”.

3. O sucesso desse segundo convite; se alguns não vierem, outros virão (v.10); eles “ajuntaram todos quantos encontraram”. Os servos obedeceram às suas ordens. Jonas foi enviado aos caminhos, mas estava tão preocupado com a honra da sua nação, que evitou a missão. Mas os apóstolos de Cristo, embora fossem judeus, preferiram o serviço a Cristo ao respeito pela sua nação; e o apóstolo Paulo, embora lamentando pelos judeus, engrandeceu o seu trabalho como o apóstolo dos gentios. Eles reuniram todos. O desígnio do Evangelho é:

(1). Reunir as almas, não somente a nação dos judeus, mas todos os filhos de Deus que estão dispersos, no estrangeiro (João 11.52), as ovelhas que não pertencem a este aprisco (João 10.16). As almas foram reunidas em um corpo, em uma família, em uma corporação.

(2). Reunir as almas na ceia das bodas, para prestar seu respeito e reverência a Cristo, e para participar dos privilégios do novo concerto. Onde houver distribuição de alimentos e gêneros de primeira necessidade, ali os pobres estarão reunidos.

Os convidados reunidos eram:

[1]. Uma multidão, todos, tantos quantos puderam encontrar; tantos, que a festa nupcial ficou repleta de convidados. Os escolhidos dos judeus estão contados, mas aqueles que eram das outras nações não se podiam contar; eram uma multidão muito grande (Apocalipse 7.9. veja Isaias 60.4,8).

[2]. Uma multidão variada, tanto de bons quanto de maus; alguns que, antes da sua conversão, eram sérios e tinham boas intenções, como os gregos religiosos (Atos 17.4) e Cornélia; outros que tinham sido pecadores, como os coríntios (1 Coríntios 6.11). “Tais fostes alguns de vós” (versão ARA); ou alguns que, depois da sua conversão, provaram ser maus, que não se voltaram ao Senhor com todo o seu coração, mas com fingimento; outros que foram sinceros e justos, e provaram ser o tipo certo. Os ministros, ao lançarem a rede do Evangelho, abrangem tanto os peixes bons quanto os maus; mas o Senhor sabe quais são aqueles que lhe pertencem.

VI – O caso dos hipócritas – que estão na igreja, mas que não pertencem a ela, que têm fama de que vivem, mas que não estão realmente vivos – é representado pelo convidado que não estava trajado com vestes nupciais, um dos maus que estavam junto com os bons. Aqueles que não alcançam a salvação de Cristo, não são apenas aqueles que se recusam a assumir a profissão da religião, mas também os que não são sinceros nessa pro­ fissão de fé. A respeito desse hipócrita, observe:

1. Como ele foi descoberto (v. 11).

(1). O rei entrou para ver os convidados, para dar as boas-vindas àqueles que tinham vindo preparados, e para afastar os que não tinham se preparado para vir. Note que o Deus do céu observa, em especial, aqueles que professam a religião e têm um lugar e um nome na igreja visível. O nosso Senhor Jesus anda no meio dos castiçais de ouro, e por isso conhece as suas obras. Veja Apocalipse 2.1,2; Cantares 7.12. Que isto seja, para nós, uma advertência contra a hipocrisia, o fato de que os disfarces logo serão descobertos, e todo homem se mostrará com as suas verdadeiras características. Temos um incentivo para a nossa sinceridade o fato de que Deus é testemunha dela.

Esse hipócrita não estava usando uma veste nupcial, e não foi descoberto até que o próprio rei entrou para ver os convidados. Note que é prerrogativa de Deus conhecer os que são sinceros em sua profissão de fé, e aqueles que não o são. Nós podemos ser enganados pelos homens, de uma maneira ou de outra, mas Ele não. O dia do juízo será o grande dia das revelações, quando todos os convidados serão apresentados ao Rei: então Ele irá separar os preciosos dos vis (cap. 25.32). Nessa ocasião, os segredos de todos os corações serão manifestos, e poderemos discernir, de maneira inequívoca, entre os justos e os maus, o que agora não é fácil fazer. Todos os convidados devem se preocupar em se preparar para o escrutínio, e considerar como irão suportar o olho penetrante do Deus que investiga todos os corações.

(2). Imediatamente depois de entrar, o rei percebeu o hipócrita. “Viu ali um homem que não estava trajado com veste nupcial”; embora fosse apenas um, ele logo o percebeu; não há esperança de conseguir, em meio a uma multidão, esconder-se da justiça divina; ele não estava trajado com veste nupcial; ele não estava vestido para uma cerimônia nupcial; ele não estava vestido com as suas melhores roupas. Muitos vêm à festa das bodas sem uma veste nupcial. Se o Evangelho é a festa das bodas, então a veste nupcial é uma condição do coração e um modo de vida agradáveis ao Evangelho e à nossa profissão dele, dignos da vocação à qual fomos chamados (Efésios 4.1), como convém ao Evangelho de Cristo (Filipenses 1.27). Ajustiça dos santos, a sua verdadeira santidade e santificação, e Cristo, feito justiça neles, são o linho fino (Apocalipse 19.8). Esse homem não estava nu, nem estava maltrapilho; ele estava vestido de alguma maneira, mas não com uma veste nupcial. Aqueles que se revestem do Senhor Jesus, que têm um estado de espírito cristão, que são adornados com graças cristãs, que vivem pela fé em Cristo, e para quem Ele é tudo, aqueles, e somente aqueles, têm a veste nupcial.

2. O seu julgamento (v.12); e aqui podemos observar:

(1). Como ele foi acusado (v. 12): ”Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial?” Uma pergunta assustadora a alguém que estava secretamente orgulhoso do lugar que tinha na festa. ”Amigo”. Esta é uma palavra penetrante; um amigo aparente, um amigo fingido, alguém que professa ser amigo, aquele que finge mediante vários laços e ardis. Observe que existem muitos, na igreja, que são falsos amigos de Jesus Cristo, que dizem que o amam, enquanto os seus corações não estão com Ele. “Como entraste aqui?” Ele não repreende os servos por terem permitido a sua entrada (a veste nupcial é uma coisa interior; os ministros agem de acordo com aquilo que percebem), mas questiona a sua presunção por entrar, quando ele sabia que o seu coração não era justo. “Como você reivindica uma participação nos benefícios do Evangelho, quando você não tem respeito pelas regras do Evangelho? Quem é você para declarar os meus estatutos?” (Salmos 50.16,17). Esse tipo de pessoa macula a festa, desonra o esposo, afronta os amigos e se arruína; e, por isso: “Como entraste aqui?” Observe que está chegando o dia em que os hipócritas serão chamados para responder por todas as suas invasões arrogantes nas regulamentações do Evangelho, e por usurparem os privilégios do Evangelho. “Quem requere u isso de vossas mãos?” (Isaias 1.12). Deve-se prestar contas pelos sábados negligenciados e pelos sacramentos mal utilizados, e o julgamento exigirá uma ação contra todos aqueles que receberem a graça de Deus em vão. “Como você vem à mesa do Senhor, numa ocasião como esta, sem se humilhar, sem se santificar? O que faz com que você se sente diante dos profetas de Deus, como o seu povo, uma vez que o seu coração está cheio de cobiça? Como você entrou aqui? Não foi pela porta, mas de alguma outra maneira, como um bandido e um ladrão. Foi uma entrada tortuosa, uma apropriação sem direito a um título”. Note que é bom que aqueles que têm um lugar na igreja sempre façam esta pergunta a si mesmos: “Como é que eu entrei aqui? Eu tenho uma veste nupcial?” Se nós nos julgássemos, desta maneira, não seríamos julgados.

(2). Como ele se condenou: “Ele emudeceu”, ele estava amordaçado (essa foi a palavra utilizada, 1 Coríntios 9.9). O homem ficou mudo com a acusação, sendo condenado pela sua própria consciência. Aqueles que vivem na igreja, e que morrem sem Cristo, não terão nenhuma palavra para dizer em defesa própria no julgamento do grande dia; eles não terão desculpas. Se eles disserem: Temos comido e bebido na tua presença (Lucas 13.26), isto será equivalente a dizer que são culpados; pois o crime de que são acusados é o de se colocarem na presença de Cristo, e à sua mesa, antes de serem chamados. Aqueles que nunca ouviram uma palavra sobre essa festa de bodas terão mais para dizer em sua defesa; o seu pecado será mais justificável, e a sua condenação mais tolerável do que a daqueles que vêm à festa sem a veste nupcial, pecando, desta forma, contra a luz mais clara e o amor mais precioso.

3. A sentença (v. 13): ”Amarrai-o de pés e mãos”.

(1). Ele deve ser amarrado, como o são os malfeitores condenados; deve ser algemado e acorrentado. Pode-se esperar que aqueles que não trabalham, nem andam como deveriam, sejam amarrados de pés e mãos. Existe uma obrigação neste mundo, por parte dos servos e dos ministros, de suspender as pessoas que andam desordenadamente, para o prejuízo da fé cristã, o que é chamado de “ligar” estas pessoas (cap. 18.18). Ligá-las, para que não participem das cerimônias especiais e dos privilégios especiais da sua filiação à igreja; ligá-las, para o julgamento justo de Deus. No dia do julgamento, os hipócritas serão amarrados; os anjos os lançarão ao fogo (cap. 13.41,42). Os pecadores condenados são amarrados de pés e mãos por uma sentença irreversível; isto significa a mesma coisa que a existência do grande abismo; eles não podem resistir à sua punição, nem anulá-la.

(2). Ele dá a ordem para que o homem seja removido da festa das bodas: “Levai-o”. Quando aparece a maldade dos hipócritas, eles devem ser levados da comunhão dos crentes, devem ser extirpados como galhos secos. Isto evidencia a punição da perda no outro mundo. Eles serão afastados do rei, do reino, e da festa das bodas: ”Apartai-vos de mim, malditos”. A sua desgraça será pior, pois (como o capitão sem fé, 2 Reis 7.2) verão toda essa abundância com os seus próprios olhos, mas não sentirão o seu sabor. Observe que aqueles que andam como indignos do seu cristianismo perdem toda a felicidade cujo direito reivindicam arrogantemente, e louvam a si mesmos com uma expectativa infundada.

(3). Ele é enviado a uma deprimente masmorra: “Lançai-o nas trevas exteriores”. O nosso Salvador aqui, sem emoção, passa dessa parábola para aquilo que dá a entender que é a destruição dos hipócritas no outro mundo. O inferno é as trevas exteriores, as trevas fora do céu, que é a terra da luz; ou é a escuridão completa, a escuridão até o último estágio, sem o menor raio ou fagulha de luz, ou esperança dela, como a escuridão do Egito; a escuridão que pode ser sentida; uma terra completamente escura, como a própria escuridão (Jó 10.22). Observe que os hipócritas vão, da luz do próprio Evangelho, até à escuridão completa; e o inferno será realmente o inferno para eles, uma condenação mais intolerável. ”Ali haverá pranto e ranger de dentes”. Isto o nosso Salvador frequentemente usa como parte da descrição dos tormentos do inferno, que aqui são representados não tanto pela própria infelicidade quanto pelo ressentimento que os pecadores terão dela; haverá pranto, uma expressão de grande tristeza e angústia, não um jorro de lágrimas que dá alívio imediato, mas um choro constante, que é um tormento contínuo. E o ranger de dentes é uma expressão de grande fúria e indignação; eles serão como um antílope selvagem na rede, cheio do furor do Senhor (Isaias 51.20; 8.21,22). Portanto, devemos ouvir e temer.

Finalmente, a parábola conclui com as palavras admiráveis que tivemos anteriormente (cap. 20.16). Muitos são chamados, mas poucos escolhidos (v. 14). Dos muitos que são convidados para a festa das bodas, se você deixar de lado todos aqueles, como os não-escolhidos, que fazem pouco caso dela, e abertamente preferem outras coisas a ela; se, a seguir, você deixar de lado todos aqueles que professam a fé, mas cujo estado de espírito e o teor de suas conversas são uma constante contradição ao que professam: se você deixar de lado todos os profanos, e todos os hipócritas, você irá descobrir que são poucos, muito poucos, os que são escolhidos. Muitos são chamados ao jantar das bodas, mas há poucos escolhidos para trajar a veste nupcial, isto é, para a salvação, pela santificação do Espírito. Esta é a porta estreita, e o caminho estreito, que poucos encontram.