ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 22: 23-33

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A Questão a respeito do Casamento

Encontramos aqui a discussão de Cristo com os saduceus a respeito da ressurreição; isso aconteceu no mesmo dia em que Ele foi atacado pelos fariseus sobre o pagamento do tributo. Satanás estava então mais ocupado do que nunca, para irritá-lo e perturbá-lo; esta foi uma hora de tentação (Apocalipse 3.10). A verdade, assim como ela é em Jesus, ainda encontra contradições, em um lugar ou outro. Considere aqui:

 

I – A oposição que os saduceus faziam a uma grande verdade da religião. Eles diziam: Não existe ressurreição, da mesma maneira como há alguns tolos que dizem: Não existe Deus. Esses hereges eram chamados saduceus, por causa de um homem chamado Sadoque, um discípulo de Antígono Sochaeus, que viveu cerca de duzentos e oitenta e quatro anos antes do nascimento do nosso Salvador. Eles eram fortemente censurados, por autores da sua própria nação, como homens de palavras vis e corrompidas, às quais os seus princípios os conduziram. Eles eram, em número, a menor entre todas as seitas dos judeus, mas geralmente eram pessoas de posição. Assim como os fariseus e os essênios pareciam seguir Platão e Pitágoras, também os saduceus tinham muito do gênio de Epicuro. Eles negavam a ressurreição; diziam que não existe um estado futuro, que não existe uma vida após esta. Diziam que, quando o corpo morre, a alma é aniquilada, e morre com ele; diziam que não existe condição de recompensas nem de punição no outro mundo; nenhum julgamento vem do céu ou do inferno. Sustentavam que não existe espírito (exceto Deus, Atos 23.8), nada além de matéria e movimento. Eles não podiam admitir a inspiração divina dos profetas, como também nenhuma revelação do céu, exceto aquilo que o próprio Deus falou, no Monte Sinai. Então, a doutrina de Cristo trazia aquela grande verdade da ressurreição e de uma condição futura, muito além do que já tinha sido revelado, e por isso os saduceus, de uma maneira particular, se colocavam contra ela. Os fariseus e os saduceus eram antagônicos, porém, juntos, se aliavam contra Cristo. O Evangelho de Cristo sempre sofreu com os hipócritas e invejosos cerimoniais e supersticiosos, de um lado, e os deístas e descrentes profanos, do outro. Os primeiros maltratavam, e os últimos desprezavam a divindade, mas ambos negavam o seu poder.

 

II – A objeção que fizeram contra a verdade, que foi tomada de um suposto caso de uma mulher que teve sete maridos sucessivamente. Então, eles assumem que, se houver uma ressurreição, deve haver um retorno ao estado em que estamos agora, e às mesmas circunstâncias, como o ano platônico imaginário. Se isto for verdade, será um absurdo intransponível para essa mulher, numa condição futura, ter sete maridos; ou ainda um problema insuperável, pois de qual deles ela seria esposa? Daquele que foi o seu primeiro marido, ou daquele que foi o último? Daquele a quem ela mais amou, ou daquele com quem viveu mais tempo?

1. Eles sugerem a lei de Moisés nessa questão (v. 24). “Se morrer alguém, não tendo filhos, o seu irmão se casará com a viúva” (Deuteronômio25.5); isto era praticado (Rute 4.5). Era uma lei política, baseada na constituição particular da nação judaica, para preservar a distinção de famílias e heranças, pois as duas coisas eram de especial preocupação para aquele governo.

2. Eles propuseram um caso sobre esse estatuto. Não é relevante se era um caso verídico, ou se era somente uma pergunta hipotética. E se não tinha realmente ocorrido, era possível que ocorresse. Era o caso de sete irmãos que se casaram com a mesma mulher (vv. 25-27). Esse caso supõe:

(1). A desolação que algumas vezes a morte provoca em famílias quando o assunto é comissão. Com que frequência uma fraternidade inteira é destruída em pouco tempo; raramente (como acontece nesse caso) de acordo com a idade (a terra das trevas não respeita nenhuma ordem), mas montões sobre montões; ela reduz famílias que tinham se multiplicado muito (Salmos 107.38,39). Onde havia sete irmãos crescidos e adultos, na condição de homens, havia uma família com grandes possibilidades de ser edificada; e, ainda assim, esta numerosa família não deixa filhos nem sobrinhos, nem algum remanescente nas suas moradas (Jó 18.19). Podemos então dizer: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que edificam”. Que ninguém tenha de antemão a certeza do progresso e da perpetuidade de seus nomes e de suas famílias, a menos que possam fazer um concerto de paz com a morte, ou ter um acordo com a sepultura.

(2). A obediência à lei daqueles sete irmãos, embora tivessem o poder de recusa, sob pena de uma censura (Deuteronômio 25.7). Observe que as providências desanimadoras não devem nos impedir de cumprir o nosso dever, porque nós devemos ser regidos pelas leis, não pelos acontecimentos. Muitos diriam que o sétimo, que se arriscou a casar-se por último com a viúva, era um homem valente. Eu diria que, se ele fez isso puramente por obediência a Deus, era um homem bom, e alguém que tinha consciência do seu dever.

Mas, no final, a mulher também morreu. A sobrevivência é apenas um adiamento; aqueles que vivem mais tempo, e enterram os seus amigos e vizinhos, um após o outro, não adquirem a imortalidade. Não, o seu dia chegará. O cálice amargo da morte prossegue, e, mais cedo ou mais tarde, todos nós deveremos beber dele (Jeremias 25.26).

3. Eles propõem uma dúvida nesse caso (v. 28): “Na ressurreição, de qual dos sete será a mulher?”. Como se dissessem: “Você não pode dizer de qual deles ela será, e por isso devemos concluir que não existe ressurreição”. Os fariseus, que professavam crer na ressurreição, tinham noções muito grosseiras e carnais a respeito dela, e a respeito da condição futura. Eles esperavam encontrar ali, como os islâmicos, no seu paraíso, as delícias e os prazeres da vida animal, o que talvez levasse os saduceus a negar a sua existência; pois nada dá maior vantagem ao ateísmo e à infidelidade do que a natureza carnal daqueles que fazem da religião, seja nas suas profissões ou nas suas expectativas, um servo dos seus apetites sensuais e dos seus interesses seculares. Enquanto aqueles que estão errados negam a verdade, aqueles que são supersticiosos a traem. Então, fazendo essa objeção, eles passam à hipótese dos fariseus. Não é estranho que as mentes carnais tenham noções muito falsas a respeito de coisas espirituais e eternas. O homem natural não compreende essas coisas, porque lhe parecem loucura (1 Coríntios 2.14). Que a verdade esteja sob uma forte luz, e apareça em sua força plena.

 

III – A resposta de Cristo a essa objeção. Reprovando a ignorância, e corrigindo o engano daqueles homens, Ele mostra que a objeção é fraudulenta e pouco convincente, além de não ser conclusiva.

1. Ele reprova a ignorância deles (v. 29): “Errais”. Erram profundamente, no julgamento de Cristo, aqueles que negam a ressurreição e uma condição futura. Cristo reprova aqui com a mansidão da sabedoria, e não é rígido com eles (qualquer que seja o seu motivo), como algumas vezes foi com os principais dos sacerdotes e os anciãos: “Errais, não conhecendo as Escrituras”. A ignorância é a causa do erro. Aqueles que estão nas trevas, perdem o caminho. Os padrões de erro, portanto, resistem à luz, e fazem o que podem para afastar a chave do conhecimento. “Errais, não conhecendo as Escrituras”. A ignorância é a causa do erro sobre a ressurreição e a condição futura. O que há nesses exemplos particulares, os mais sábios e os melhores não conhecem; não aparece o que nós seremos, é uma glória que ainda será revelada; quando nós falamos da condição de almas separadas, da ressurreição do corpo, e da felicidade e infelicidade eternas, estamos logo perdidos. Não conseguimos ordenar as nossas palavras, por causa das trevas, mas isto é algo em que nós não somos deixados nas trevas. Bendito seja Deus, nós não somos; e aqueles que negam isso são culpados de uma ignorância grosseira e voluntária. Parece que havia alguns saduceus, alguns tolos como esses, entre os cristãos que professavam a fé: “Como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos?” (1 Coríntios 15.12), e alguns que realmente negaram que ela existe, transformando-a em uma alegoria, dizendo que a ressurreição já havia ocorrido. Considere:

(1). Eles não conhecem o poder de Deus. Isso levaria os homens a concluírem que poderia haver uma ressurreição e uma condição futura. Observe que a ignorância, a descrença ou a crença fraca no poder de Deus está no fundo de muitos erros, particularmente no caso daqueles que negam a ressurreição. Quando aprendemos sobre a existência da alma, e a sua condição durante a separação do corpo, e especialmente de um corpo morto, que está há muito tempo no túmulo, e se transforma em uma poeira comum e indistinta, que ressuscitará transformado em um corpo glorioso (1 Coríntios 15.35-38), e viverá, e se moverá, e agirá outra vez, estamos prontos para dizer: Como isso pode acontecer? A natureza expressa tudo isso numa máxima: Os hábitos ligados a uma condição de existência se extinguem, irremediavelmente, com a própria condição. Se um homem morre, ele viverá outra vez? Ho­ mens vãos, por não compreenderem como isso pode acontecer, questionam a verdade; ao passo que, se nós crermos firmemente em Deus Pai todo-poderoso, se crermos que nada é impossível para Deus, todas essas dificuldades desaparecerão. Devemos nos apegar, portanto, em primeiro lugar, ao fato de que Deus é onipotente, e pode fazer aquilo que Ele desejar; e não haverá, então, lugar para dúvidas, pois Ele fará aquilo que prometeu. E, sendo assim, por que deveria ser algo incrível o fato de Deus ressuscitar os mortos? (Atos 26.8). O poder dele excede, em muito, o poder da natureza que Ele mesmo criou.

(2). Eles não conhecem as Escrituras, que decididamente afirmam que haverá uma ressurreição e uma condição futura. O poder de Deus, determinado e empenhado na sua promessa, é a base sobre a qual se edifica a fé. As Escrituras falam, claramente, que a alma é imortal, e que existe outra vida depois desta; este é o escopo tanto da lei quanto dos profetas, “que há de haver ressurreição de mortos, tanto dos justos como dos injustos” (Atos 24.14,15). Jó sabia disso (Jó 19.26), Ezequiel previu isso (Ezequiel 37.12), e Daniel predisse isso claramente (Daniel 12.2). Cristo ressuscitou, de acordo com as Escrituras (1 Coríntios 15.4), e nós também ressuscitaremos. Aqueles, portanto, que negam isso, não analisaram as Escrituras, ou não creem nelas, ou não aceitaram o seu verdadeiro sentido e significado. A ignorância em relação às Escrituras traz o crescimento dos enganos, que se tornam abundantes.

2. O Senhor Jesus corrige o engano (v. 30) e essas ideias grosseiras que eles tinham sobre a ressurreição e a condição futura, e fixa essas doutrinas sobre uma base verdadeira e duradoura. A respeito da condição, observe:

(1). Não é como a condição em que nós estamos agora, sobre a terra: “nem casam, nem são dados em casamento”. Na nossa situação atual, o casamento é necessário; ele foi instituído em inocência; a despeito de qualquer intromissão ou negligência que tenha havido por parte de outras instituições, ele nunca foi deixado de lado, nem o será, até o fim dos tempos. No mundo antigo, eles se casavam e eram dados em casamento; os judeus, na Babilônia, mesmo quando eram proibidos de ter outros rituais, ainda tinham que tomar suas esposas (Jeremias 29.6). Todas as nações civilizadas tiveram um senso da obrigação do concerto de casamento, que é o requisito para a satisfação dos desejos, e para a correção das limitações da natureza humana. Mas na ressurreição, não há oportunidade para o casamento, pois nos corpos glorificados não haverá nenhuma distinção de sexos, que alguns curiosamente defendem (os antigos estão divididos em suas opiniões a esse respeito). Porém, se houver ou não uma distinção, certamente não haverá conjunção. Onde Deus será tudo, não é necessário haver nenhuma outra ajuda; o corpo será espiritual, e não terá desejos carnais que precisem de satisfação. Quando o corpo místico estiver completo, não haverá mais oportunidades para se procurar uma semente de piedosos, que foi uma das finalidades da instituição do casamento (Malaquias 2.15). No céu, não haverá decadência de indivíduos, e, portanto, não haverá comida nem bebida, não haverá decadência das espécies, e, portanto, não haverá casamento; onde não haverá mais morte (Apocalipse 21.4), não haverá a necessidade de mais nascimentos. O estado conjugal é uma composição de alegrias e preocupações. Aqueles que nele entram são ensinados a considerá-lo como sujeito a mudanças, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença; e por isso ele é adequado a este mundo misto e mutante. Mas no inferno, onde não há alegria, a voz do esposo e a voz da esposa não serão mais ouvidas. E também no céu, onde tudo é alegria, e não há preocupação, nem dor, nem problemas, não haverá casamento. No céu, as alegrias dessa condição são puras e espirituais, e surgem do casamento de todos eles com o Cordeiro; mas não haverá casamentos entre os salvos.

(2). É como a condição dos anjos que estão agora no céu; os salvos “serão como os anjos no céu”. Serão, isto é, sem dúvida serão assim. Eles já são assim em Cristo, sua Cabeça, que os levou assentados consigo nos lugares celestiais (Efésios 2.6). Os espíritos dos homens justos já aperfeiçoados pertencem à mesma corporação dos muitos milhares de anjos (Hebreus 12.22,23). O homem, na sua criação, foi feito menor que os anjos (Salmos 8.5), mas na sua completa redenção e renovação, será como os anjos; puro e espiritual, como os anjos, conhecedor e amoroso, como esses abençoados serafins, sempre louvando a Deus como eles, e com eles. Os corpos dos santos ressuscitarão incorruptíveis e gloriosos, como os veículos, não compostos, daqueles espíritos puros e santos (1 Coríntios 15.42 etc.), rápidos e fortes como eles. Por isso, devemos desejar e nos esforçar para fazer a vontade de Deus, como os anjos fazem no céu, porque esperamos, em pouco tempo, ser como os anjos, que estão sempre contemplando o rosto do nosso Pai. Ele não diz nada sobre o estado dos maus na ressurreição, mas, como consequência, estes deverão ser como os demônios, cuja vontade realizaram.

 

IV – O argumento de Cristo que confirma essa grande verdade da ressurreição e de um estado futuro. Como a questão é de grande importância, Ele não julga suficiente (como em outras discussões) descobrir a falácia e a astúcia da objeção, muito menos a sua sofisticação. Antes, o Senhor respalda a verdade com um sólido argumento. Pois Cristo traz o julgamento à verdade, assim como à vitória, e capacita os seus seguidores a darem uma razão para a esperança que está neles. Considere:

1. De onde Ele tomou o seu argumento? Das Escrituras; elas são o grande armazém, ou arsenal, de onde podemos nos equipar com armas espirituais, ofensivas e defensivas. Nela está escrito sobre a espada de Golias. Não tendes lido o que Deus vos declarou? Observe:

(1). Aquilo que as Escrituras dizem é o que Deus diz.

(2). O que foi dito a Moisés, foi dito a nós; foi dito e escrito para o nosso aprendizado.

(3). É nosso interesse ler e ouvir o que Deus disse, porque Ele está falando conosco. Foi dito a vocês, judeus, em primeiro lugar, pois a vocês foram confiados os oráculos de Deus. O argumento é retirado dos livros de Moisés, pois eram os únicos que os saduceus aceitavam, como alguns pensam, ou, pelo menos, aceitavam principalmente esses livros como escrituras canônicas. Cristo, portanto, tomou a sua prova dessa fonte indiscutível. Os últimos profetas têm provas mais expressas de uma condição futura do que a lei de Moisés; pois embora a lei de Moisés suponha a imortalidade da alma e uma condição futura como princípios daquilo que é chamado religião natural, nenhuma revelação expressa é feita pela lei de Moisés, porque grande parte daquela lei era peculiar a este povo, e, portanto, era guardada como leis municipais, com promessas e ameaças temporais, e a revelação mais expressa de um estado futuro estava reservada para os últimos dias. Mas o nosso Salvador encontra um argumento muito sólido a favor da ressurreição, até mesmo nos textos de Moisés. Há muitas Escrituras “sob o solo” que devem ser “escavadas”.

2. Qual foi o seu argumento (v. 32): “Eu sou o Deus de Abraão”. Esta não era uma prova expressa em tantas palavras, e ainda assim era um argumento conclusivo. As consequências das Escrituras, se corretamente deduzidas, devem ser compreendidas como Escrituras, pois foram escritas para aqueles que têm o uso da razão.

O argumento tem a finalidade de provar:

(1). Que existe uma condição futura, outra vida depois desta, na qual o justo será verdadeira e constantemente feliz. Isto é provado através daquilo que Deus disse: “Eu sou o Deus de Abraão”.

[1]. Deus, para ser o Deus de alguém, pressupõe alguns privilégios e felicidade muito extraordinários; a menos que nós conheçamos plenamente o que Deus é, não poderemos compreender as riquezas destas palavras: “Eu vos serei por Deus”, isto é, um Benfeitor, com todo o meu poder. O Deus de Israel é Deus para Israel (1 Crônicas 17.24), um Benfeitor espiritual, pois Ele é o Pai dos espíritos, e abençoa com bênçãos espirituais. Ele é o Benfeitor suficiente, o Deus que é suficiente, o Deus completo, e o Benfeitor eterno, pois Ele é o Deus eterno, e será, para aqueles que estão em concerto com Ele, o Deus eterno. Estas palavras, Deus dizia frequentemente a Abraão, Isaque e Jacó; e elas tinham a função de ser uma recompensa pela sua fé e obediência singular, ao deixarem a nação, atendendo ao chamado de Deus. Os judeus tinham um profundo respeito por esses três patriarcas, e estenderiam ao máximo a promessa que Deus lhes tinha feito.

[2]. É evidente que esses bons homens não tiveram uma felicidade extraordinária, nesta vida, como poderia ser o cumprimento de palavras tão grandes quanto essas. Eles foram estrangeiros na terra das promessas, vagando, atormentados com a fome; eles não tiveram um pedaço de chão que fosse seu, exceto um sepulcro, o que os levou a procurar alguma coisa além desta vida. Nas alegrias presentes, eles ficaram muito aquém dos seus vizinhos, que eram estranhos ao concerto. O que havia neste mundo que os distinguia, tanto a eles como aos herdeiros da sua fé, de outras pessoas, algo mínimo, proporcional à dignidade e à distinção desse concerto? Se nenhuma felicidade estivesse reservada a esses grandes e bons homens, no outro lado da morte, aquelas palavras melancólicas do pobre Jacó, quando já velho (Genesis 47.9) “poucos e maus foram os dias dos anos da minha vida” teriam sido uma reprovação eterna à sabedoria, à bondade e à fidelidade daquele Deus que tinha, tão frequentemente, chamado a si mesmo de Deus de Jacó.

[3]. Por isso, certamente deve existir um estado futuro, no qual, assim como Deus irá viver para sempre, para ser eternamente recompensado, também Abraão, Isaque e Jacó viverão para serem recompensados eternamente. O que o escritor aos Hebreus disse (Hebreus 11.16) é uma chave para esse argumento. Ele estava falando da fé e da obediência dos patriarcas na terra da sua peregrinação. Ele acrescenta, portanto, que Deus não se envergonha de ser chamado de seu Deus, porque Ele lhes deu uma cidade, uma cidade celestial, dando a entender que se Ele não tivesse lhes provido tão bem no outro mundo, considerando como eles viveram neste, Ele se envergonharia de se chamar de seu Deus. Mas o Senhor não está envergonhado, pois fez muito por eles; e isso mostra a verdadeira intenção do Senhor, e a completa extensão de suas bênçãos.

(2). Que a alma é imortal, e o corpo ressuscitará novamente, para se unir a ela. Se a questão anterior foi esclarecida, esta vem em seguida; mas, da mesma maneira, isto pode ser provado, considerando a época em que Deus o disse. Foi para Moisés na sarça, muito tempo depois que Abraão, Isaque e Jacó estavam mortos e enterrados, e Deus não disse: “Eu fui”, nem: “Eu era”, mas: “Eu sou” o Deus de Abraão. “Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos”. Ele é um Deus vivo, e transmite influências vitais àqueles para quem Ele é Deus. Se, quando Abraão morreu, o seu ser tivesse sido aniquilado, da mesma maneira teria havido um fim na relação de Deus com ele, como seu Deus. Mas naquela época, quando Deus falou com Moisés, Ele era o Deus de Abraão, e, portanto, Abraão devia estar vivo, o que prova a imortalidade da alma em um estado de bênção. E isto, por consequência, sugere a ressurreição do corpo, pois existe uma inclinação da alma humana para o seu corpo, como para tornar uma separação final e eterna inconsistente com a bênção daqueles que têm a Deus como o seu Deus. O conceito dos saduceus era de que a união entre o corpo e a alma é tão íntima que, quando o corpo morre, a alma morre com ele. Sob a mesma hipótese, se a alma vive, como certamente ela vive, o corpo deve, em alguma época, viver com ela. Além disso, o Senhor é para o corpo, que é uma parte essencial do homem; existe um concerto com o pó, que deve ser recordado, caso contrário o homem não será feliz. A preocupação que os patriarcas mortos tinham com os seus ossos, na fé, é uma evidência de que tinham alguma expectativa da ressurreição dos seus corpos. Mas essa doutrina estava reservada para uma revelação mais ampla, depois da ressurreição de Cristo, que foi feito as primícias dos que dormem.

Por fim, temos o resultado dessa discussão. Os saduceus emudeceram (v. 34), e se envergonharam. Eles pensaram que, com a sua sutileza, poderiam envergonhar a Cristo, quando estavam, na realidade, preparando a vergonha para si mesmos. Mas a multidão ficou maravilhada “da sua doutrina” (v. 33).

3. Porque era novidade para eles. Observe como foi a exposição das Escrituras para eles, quando ficaram maravilhados com ela, como se fosse um milagre ouvir a promessa fundamental aplicada a essa grande verdade; eles tinham escribas lamentáveis, pois se não o fossem, isso não teria sido novidade para eles.

4. Porque havia algo de muito bom e grandioso nessas palavras. A verdade frequentemente se mostra mais brilhante, e é mais admirada, quando sofre oposição. Observe que muitos opositores se silenciam, e muitos ou­ vintes se maravilham, sem serem convertidos pelos opositores; mas até mesmo no silêncio e na maravilha das almas não-santificadas Deus engrandece a sua lei, engrandece o seu Evangelho e torna ambos honoráveis.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

2 comentários em “ALIMENTO DIÁRIO”

  1. JESUS É O SENHOR!
    Estou precisando tirar um tempo para ler seus estudos.Confio em DEUS que me suprirá e me ajudara.
    Fiel é DEUS que nos chamou.
    Vou voltar com mais tempo outras vezes.Quero ler os estudos ALIMENTO DIÁRIO.
    Paz!

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