PSICOLOGIA ANALÍTICA

DO QUE AS CRIANÇAS SE LEMBRAM?

A forma como os pequenos aprendem os leva a criar mais recordações falsas e fantasias do que os adultos; novas maneiras de investigar o assunto, porém, têm trazido novas pistas sobre esse tema.

Do que as crianças se lembram

Crianças não são testemunhas muito confiáveis. A sabedoria popular diz que frequentemente “relembram” coisas que nunca aconteceram. Nos últimos anos, porém, vários cientistas discordaram dessa tese com base em alguns estudos segundo os quais adultos criam até mais memórias falsas do que os pequenos. Um novo estudo, porém, confirma a propensão infantil para confundir realidade e fantasia, e seus defensores alegam que experimentos anteriores podem simplesmente não ter utilizado o método de pesquisa mais adequado.

Tradicionalmente, em geral, para explorar falsas memórias, os cientistas apresentam aos pequenos voluntários uma lista de palavras (por exemplo, “lacrimejar”, “tristeza” e “molhado”) tematicamente relacionadas a um termo que não está na lista (nesse caso, “choro”) e, em seguida, perguntam aos participantes do que se recordam. Tipicamente, os adultos mencionam a palavra que falta com maior frequência do que as crianças. “Isso acontece possivelmente porque suas experiências de vida permitem traçar associações entre os conceitos mais facilmente”, diz o psicólogo forense Henry Otgaar, da Universidade de Maastricht, na Holanda, coautor do estudo, publicado no periódico científico Journal of Experimental Child Psychology.

Em vez de usar esse tipo de analogia para investigar o fenômeno, Otgaar e seus colegas mostraram aos voluntários imagens de cenas que se passavam numa sala de aula, num funeral ou numa praia. Depois de uma pequena pausa, perguntavam aos participantes se haviam notado certos objetos em cada figura. Em três experimentos, crianças de 7 e 8 anos relataram consistentemente terem visto mais detalhes inexistentes do que os adultos.

“Até então os estudos revelavam que os pequenos tendem a confiar na essência de uma memória quando fazem inferências”, salienta Otgaar. E não se trata de mentir. Por exemplo: se visualizaram uma sala de aula, podiam acreditar também que viram um lápis, um material comumente encontrado nesse ambiente. Esse processo de reconhecimento de padrões os ajuda a aprender mais rapidamente. Quando ficamos mais velhos, costumamos focar detalhes específicos que usamos para reconstruir uma cena. É provável que esse novo estudo, feito com imagens em vez de listas de palavras, tenha se aproximado um pouco mais de como falsas memórias ocorrem no cotidiano – afinal, a maioria de nós experimenta o mundo visualmente.

Os autores afirmam que o experimento pode fornecer pistas para colhermos testemunhos mais confiáveis tanto de crianças como de adultos, já que mudanças sutis no enquadramento poderiam alterar decisivamente nossas recordações. Ao falar com os pequenos, os advogados devem, por exemplo, tentar evitar dar dicas para reavivar a memória ou usar linguagem muito descritiva, pois isso pode desencadear a ativação do sistema cerebral padrão de decisões que contribui para a criação de falsas memórias.

 FRONTEIRAS DA MEMÓRIA

De 0 a 2 anos: bebês formam memórias curtas e esparsas

De 2 a 3: crianças começam a recordar fatos e eventos. No entanto, são efêmeros, porque o hipocampo (chave para memórias de longo prazo) ainda está amadurecendo

De 4 a 7: há o aperfeiçoamento da memória de curto prazo. A memória prospectiva (a capacidade de planejar e relembrar para executar um plano) começa a surgir

De 8 a 10: os pequenos já se esqueceram de aproximadamente dois terços de suas recordações antes dos 3 anos. Habilidades espaciais e lembranças de fatos se desenvolvem rapidamente

De 10 a 12: nos pré-adolescentes, o crescimento do hipocampo desacelera; as conexões começam a ser podadas nessa região; e as memórias de longo prazo se aperfeiçoam. A capacidade de suprimir recordações conscientemente também parece aumentar

De 13 a 21: em adultos jovens, o córtex temporal superior, que ajuda a integrar informações, e o córtex pré-frontal dorsolateral, envolvido na memória de curto prazo, continuam a amadurecer nos nossos 20 e poucos anos. Esse padrão pode explicar por que recordações se tornam mais ricas e complexas nesse período.

 QUAL A SUA PRIMEIRA MEMÓRIA?

Talvez você espere que sua lembrança mais remota seja um acontecimento emocionante. A verdade, porém, é que a maioria de nós se lembra de alguma situação bastante comum. Apenas aproximadamente 25% das pessoas relatam que a primeira memória envolve algum trauma, de acordo com estudos.

As crianças são mais propensas a se recordar de uma situação se solicitadas a falar sobre o assunto detalhadamente. Talvez isso ajude a entender por que o momento em que uma memória se fixa pela primeira vez varia de acordo com a cultura. Entre os maoris da Nova Zelândia, por exemplo, a maioria se recorda de eventos um ano mais antigos em comparação com crianças americanas. “Esse fenômeno está relacionado à cultura; é preciso considerar que o povo maori honra e discute constantemente sua história”, diz a psicóloga Carole Peterson, da Universidade Memorial de Newfoundland.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.