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ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 26: 47–56

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Cristo é traído por Judas.

O Servo do Sacerdote é Agredido por Pedro. Cristo E Abandonado pelos seus Discípulos

 Somos informados aqui de como o bendito Senhor Jesus foi apanhado e levado preso. Isto se seguiu imediatamente à sua agonia, enquanto Ele ainda falava; porque desde o início até o fim de sua paixão, Ele não teve a mínima interrupção ou pausa, mas a situação só se agravou. Sua dificuldade, até este ponto, havia sido em seu interior; mas agora o cenário está mudado, agora os filisteus estão sobre ti, bendito Sansão. “O respiro das nossas narinas, o Ungido do Senhor, foi preso nas suas covas” (Lamentações 4.20).

Agora, com respeito à prisão do Senhor Jesus, observe:

I – Quem eram as pessoas que foram empregadas nessa situação.

1. Aqui estava “Judas, um dos doze”, na frente de sua guarda infame; ele foi o guia para aqueles que prenderam Jesus (Atos 1.16); sem a sua ajuda, eles não poderiam tê-lo encontrado em seu retiro. Observe e se admire; o primeiro que aparece com os seus inimigos é um dos seus próprios discípulos, que, uma ou duas horas antes, estava comendo pão com ele!

2. Aqui estava, com Judas, uma grande multidão, para que a Escritura pudesse ser cumprida: “Senhor, como se têm multiplicado os meus adversários!” (Salmos 3.1). Essa multidão era composta, em parte, por um destacamento dos guardas que foi colocado na torre de Antonia pelo governador romano; esses eram gentios, pecadores, como Cristo os chama (v. 45). Os demais eram servos e oficiais do sumo sacerdote, e eram judeus; aqueles que divergiam uns dos outros, puseram-se de acordo contra Cristo.

II – Como eles estavam armados para esta empreitada.

1. Com que armas eles estavam armados: eles vieram “com espadas e porretes”. Os soldados romanos, sem dúvida alguma, tinham espadas; os servos dos sacerdotes, aqueles que não possuíam espadas, levaram porretes e varas. Furor arma ministra Sua fúria fornecia as suas armas. Eles não eram tropas regulares, mas uma turba agitada. Mas para que todo esse trabalho? Se eles fossem dez vezes mais em quantidade, não poderiam tê-lo prendido se Ele não tivesse permitido; e, tendo chegado a sua hora de renunciar a si mesmo, toda essa força foi desnecessária. Quando um açougueiro entra no campo par a pegar um cordeiro para matar, ele levanta uma milícia e vem armado? Não, ele não precisa disso; no entanto, toda essa força foi usada para apanhar o Cordeiro de Deus.

2. Com que mandado eles estavam armados. “Eles vinham dos príncipes dos sacerdotes, e anciãos do povo”; essa multidão armada foi enviada por eles para essa missão. Ele foi preso por ordem do grande sinédrio, como uma pessoa que lhes era odiosa. Pilatos, o governador romano, não lhes deu nenhum mandato de busca, porque não tinha inveja de Jesus; mas os homens que fingiam agir em nome da religião, e presidiam os assuntos da sinagoga, é que estavam ativos nessa perseguição, e eram os inimigos mais vingativos que Cristo tinha. Esse era um sinal de que Ele era apoiado por um poder divino, porque Ele não só foi desertado por todos os poderes terrenos, mas foi atacado por eles. Pilatos lançou lhe isto em rosto: ”A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim” (João 18.35).

III – O modo como isso foi feito, e o que se passou nesse período.

1. Como Judas o traiu; ele fez esse acordo de forma eficiente, e a sua resolução nessa maldade pode envergonhar a todos nós que falhamos naquilo que é bom. Considere:

 

(1)  As instruções que ele deu aos soldados (v. 48): “Ele lhes deu um sinal”; como o comandante do grupo nessa ação, ele dá a palavra ou o sinal. Ele lhes deu um sinal, para que não prendessem por engano um dos discípulos em vez dele, tendo os discípulos recentemente dito, aos ouvidos de Judas, que estariam dispostos a morrer por Ele. Que abundância de cuidados, aqui, para não deixar de prendê-lo: “O que eu beijar é esse”; e quando eles o prenderam, para não deixá-lo fugir: “Prendei-o”; porque Ele algumas vezes tinha escapado daqueles que pensavam tê-lo segurado (Lucas 4.29,30). Embora os judeus que frequentavam o templo o conhecessem, os soldados romanos talvez nunca o tivessem visto, e o sinal tinha a finalidade de orientá-los. E Judas, através de seu beijo, tinha não só a intenção de identificá-lo, mas de detê-lo, enquanto eles viriam por trás, e colocariam as suas mãos sobre Ele.

(2)  A saudação hipócrita que ele fez ao seu Mestre. “Ele se aproximou de Jesus”. Se alguma vez o coração mau de Judas pensou em voltar atrás, isso certamente aconteceu naquele momento. Quando veio olhá-lo no rosto, ele deve ter ficado admirado com a sua majestade, ou encantado pela sua beleza. Judas ousa colocar-se diante de sua presença e traí-lo? Pedro negou a Cristo, mas quando o Senhor virou-se e fitou-o, ele vacilou imediatamente. Porém, Judas se coloca diante da face de seu Mestre, e o trai. Ele disse: “Eu te saúdo, Rabi”. E beijou-o. Parece que o nosso Senhor Jesus tinha por hábito permitir um certo grau de familiaridade consigo, dando-lhes a sua face para beijar depois de eles terem estado ausentes por algum tempo, o que Judas maldosamente usou para facilitar essa traição. Um beijo é um sinal de lealda­ de e amizade (Salmos 2.12). Mas Judas, quando violou todas as leis do amor e do dever, profanou esse sinal sagrado para servir ao seu propósito. Note que há muitos que traem a Cristo com um beijo, e o saúdam, dizendo Rabi. Sob o pretexto de honrá-lo, traem e desprezam os interesses de seu reino. Abraçar é uma coisa, amar é outra. O beijo de Joabe e o beijo de Judas foram muito parecidos.

(3)  Como o seu Mestre o recebeu (v. 50).

[1] Ele o chama de amigo. Se Jesus o tivesse chamado de canalha, traidor, maldito, louco, e filho do diabo, não teria dito nada errado; mas Ele nos ensinou, sob a maior provocação, a suportar a amargura e a calúnia, e a mostrar toda mansidão. ”Amigo”, porque Judas tinha sido um amigo, e deveria ter sido, e até parecia ser. Assim o Senhor Jesus o repreende, como Abraão, quando chamou de filho o homem rico que estava no inferno. Jesus o chama de amigo, porque Judas promoveu os seus sofrimentos, e assim agiu como seu amigo; ao passo que Jesus chamou a Pedro de Satanás, por tentar impedir os seus sofrimentos.

[2] Ele lhe pergunta: “‘A que vieste?’ É paz, Judas? Explica-te; se tu vens como um inimigo, o que significa este beijo? Se como um amigo, o que significam estas espadas e porretes? A que vieste? Que dano fiz a ti? Em que te desgastei? Qual é a razão da tua presença? Por que não tens tanta vergonha, quanto a manter-se fora da vista, o que poderias ter feito, mesmo comunicando ao oficial onde eu estava?” Este foi um exemplo de grande insolência, através do qual Judas se mostra atrevido e descarado nessa transação iníqua. Mas é habitual que os apóstatas da religião sejam os seus inimigos mais amargos. Juliano é prova disso. Portanto, Judas fez a sua parte.

2. Como os oficiais e os soldados o prenderam: ”Aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus e o prenderam”; eles o fizeram seu prisioneiro. Como não estavam com medo de estender as suas mãos contra o Ungido do Senhor? Podemos muito bem imaginar que mãos rudes e cruéis elas eram, as mãos que essa multidão bárbara colocou sobre Cristo; e como certamente o trataram de modo tosco, por terem tão frequentemente ficado desapontados quando procuraram colocar as suas mãos sobre Ele. Eles não poderiam tê-lo prendido, se Ele não tivesse se entregado, e sido entregue “pelo determinado conselho e presciência de Deus” (Atos 2.23). Aquele que disse a respeito de seus servos ungidos: “Não toqueis nos meus ungidos” (Salmos 105.14,15), não poupou a seu Filho ungido, mas o entregou por todos nós; e outra vez, “deu a sua força ao cativeiro, e a sua glória à mão do inimigo” (Salmos 78.61). Veja qual foi a queixa de Jó (cap. 16.11): “Entrega-me [ou entregou-me] Deus ao perverso”. Esta e outras passagens no livro de Jó tipificam a Cristo.

O nosso Senhor Jesus foi feito prisioneiro, porque Ele seria tratado, em todas as coisas, como um criminoso, punido pelo nosso crime; e como um penhor Ele seria confiscado pela nossa dívida. O jugo das nossas transgressões estava ligado pela mão do Pai ao pescoço do Senhor Jesus (Lamentações 1.14). O Senhor Jesus se tornou um prisioneiro, para que pudesse nos colocar em liberdade. Ele disse: “Se, pois, me buscais a mim, deixai ir estes” (João 18.8); e aqueles que Ele liberta certamente estão livres.

3. Como Pedro lutou por Cristo, e sentiu as suas dores. Aqui ele é mencionado apenas como um dos que estavam com Jesus no jardim; mas em João 18.10, somos informados de que foi Pedro quem se distinguiu nessa ocasião. Observe:

(1)  A precipitação de Pedro (v. 51). Ele “puxou a espada”. Entre todos eles, só haviam duas espadas (Lucas 22.38), e parece que uma delas foi deixada com Pedro; e agora ele achou que seria a hora de puxá-la, e deu golpes impetuosos à sua volta como se tivesse feito algo muito importante; mas tudo o que ele fez foi cortar uma orelha de um servo do sumo sacerdote. Ê provável que Pedro desejasse arrancar-lhe a cabeça, pelo fato de tê-lo visto mais à frente do que os demais que colocavam as mãos em Cristo; mas ele deve ter errado o golpe, decepando então a orelha daquele homem. Porém, se Pedro estivesse lutando, em meu pensamento ele deveria ter antes mirado Judas, e tê-lo marcado como um trapaceiro. Pedro havia falado muito do que faria pelo seu Mestre, e disse que até mesmo sacrificaria a sua vida por Ele; sim, ele faria isso. E agora ele seria tão bom quanto a sua palavra, e arriscaria a sua vida para resgatar o seu Mestre. Até este ponto, ele era louvável por demonstrar um grande zelo por Cristo, por sua honra e segurança. Mas Pedro não agiu de acordo com o conhecimento, nem foi guiado pela discrição, porque:

[1] Ele fez isso sem autorização; alguns dos discípulos realmente perguntaram: “Senhor, feriremos à espada?” (Lucas 22.49). Mas Pedro golpeou antes que tivesse uma resposta. Devemos ver não só a nossa boa causa, mas o nosso chamado claro, antes de puxarmos a espada; devemos mostrar com que autoridade fazemos aquilo que fazemos, e quem nos deu esta autoridade.

[2] Ele indiscretamente expôs a si mesmo e aos seus companheiros discípulos à fúria da multidão. Porque, o que eles poderiam fazer com apenas duas espadas, contra um bando de homens?

(2)  A repreensão que o nosso Senhor Jesus lhe fez (v. 52): “Mete no seu lugar a tua espada”. O Senhor não ordenou aos oficiais e soldados que guardassem as suas espadas, que foram puxadas contra Ele; o Senhor os deixou a critério de Deus Pai, que julga aquele s que estão fora; mas Ele ordena a Pedro que guarde a sua espada, não o censurando, na verdade, pelo que fez, porque foi feito com boa intenção, mas interrompendo a sua ação, estabelecendo que não haja um precedente. A missão de Cristo no mundo é fazer a paz. Note que “as armas da nossa milícia não são carnais, mas espirituais”; e os ministros de Cristo, embora sejam seus soldados, não guerreiam com a carne (2 Coríntios 10.3,4). Isso não significa que a lei de Cristo derrube a lei da natureza ou a lei das nações, na medida que esses códigos se colo­ quem em defesa de seus direitos e liberdades civis, e de sua religião de uma forma legal; mas ela sustenta a preservação da paz e da ordem pública, proibindo que qualquer pessoa resista aos poderes estabelecidos. Não, temos um preceito geral para que não resistamos ao mal (cap. 5.39), nem Cristo mandará que os seus ministros propaguem a sua religião pela força das armas: A religião não pode ser forçada; e deve ser defendida, não matando, mas morrendo. Assim como Cristo proibiu os seus discípulos de tentarem dominar o mundo através da espada (cap. 20.25,26), aqui Ele proíbe a espada da guerra. Cristo ordenou que Pedro guardasse a sua espada, e nunca lhe ordenou que fizesse uso dela novamente.  No entanto, Pedro é culpado, aqui, de fazer isso intempestivamente; havia chegado a hora de Cristo sofrer e morrer. O Senhor sabia que Pedro conhecia isso, e a espada do Pai foi levantada contra Ele (Zacarias 13.7). Ao puxar a sua espada, Pedro estava dizendo: “Mestre, poupe a ti mesmo”.

Três razões que Cristo dá a Pedro para essa repreensão:

[1] Puxar a espada seria uma atitude perigosa tanto para Pedro como para os seus companheiros discípulos. “Todos os que lançarem mão da espada à espada morrerão”. Aqueles que usam a violência, cairão pela violência; e os homens apressam e aumentam os seus próprios problemas proferindo ameaças de métodos sangrentos de defesa pessoal. Aqueles que pegam a espada antes de lhes ser dadas, que a usam sem um mandato ou autorização, expõem a si mesmos à espada de guerra, ou à justiça pública. Se não tivesse sido pelo cuidado e providência especiais do Senhor Jesus, Pedro e o restante deles, pelo que sei, teriam sido feitos em pedaços imediatamente. Grotius dá um outro sentido provável à expressão do Senhor, como se os oficiais e os soldados que vêm com espadas para prender a Cristo é que fossem morrer pela espada, e não Pedro. “Pedro, você não precisa puxar a espada para puni-los. Deus Pai certamente, em breve, ajustará contas com eles de uma forma severa”. Eles pegaram a espada romana para prender a Cristo, e pela espada romana, não muito tempo depois, eles, o seu lugar, e a sua nação foram destruídos. Portanto, não devemos nos vingar, porque Deus Pai retribuirá (Romanos 12.19); portanto, devemos sofrer com fé e paciência, porque os perseguidores serão pagos com a sua própria moeda. Veja Apocalipse 13.10.

[2] Era desnecessário alguém puxar a sua espada em defesa de seu Mestre, pois Ele, agora, se quisesse, poderia convocar a seu serviço todas as hostes celestiais (v. 53). “‘Ou pensas tu que eu não poderia, agora, orar a meu Pai e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?’ Pedro, se Eu fosse desviar estes sofrimentos, poderia fazê-lo facilmente, sem a tua ajuda e sem a tua espada”. Note que Deus não precisa de nós, dos nossos serviços, muito menos dos nossos pecados, para executar os seus propósitos; a nossa falta de confiança e a nossa falta de fé no poder de Cristo é evidenciada quando saímos do caminho da nossa obediência para servir aos seus interesses. Deus pode fazer a sua obra sem nós; se olharmos para os céus, e virmos como Ele é servido ali, poderemos facilmente inferir que, mesmo que sejamos justos, Ele não nos deve nada (Jó 35.5,7). Embora Cristo tenha sido crucificado em fraqueza, essa foi uma fraqueza voluntária. Ele se sujeitou à morte, não porque não pudesse lutar contra ela, mas porque não desejou fazê-lo. Isto remove a ofensa da cruz, e prova que o Cristo crucificado é o poder de Deus. Mesmo agora, na profundidade de seus sofrimentos, o Senhor Jesus poderia convocar a ajuda de legiões de anjos. “Agora”. “Embora a história já tenha passado, eu ainda poderia, com uma palavra, reverter todas as coisas”. Cristo aqui nos faz saber:

Em primeiro lugar, que grande interesse o Senhor Jesus demonstrou por seu Pai. Eu posso orar a meu Pai, e Ele enviará ajuda do santuário. Eu posso solicitar de meu Pai esses reforços. A oração de Cristo tem autoridade. Note que é uma grande consolação para o povo de Deus, quando está cercado de inimigos por todos os lados, ter um caminho aberto em direção ao céu. Se o povo de Deus não puder fazer mais nada, ele pode orar àquele que pode fazer todas as coisas. E aqueles que oram muito em outros momentos, têm uma grande consolação ao orar quando surgem os tempos turbulentos. Observe que Cristo disse não só que Deus poderia lhe enviar tal número de anjos, mas que, se Ele o pedis­ se, Deus o faria. Embora o Senhor tenha realizado a obra da nossa redenção, parece que se Ele tivesse desejado ser livre, o Pai não o teria impedido. Ele poderia ter se retirado, evitando tamanho sofrimento. Mas o Senhor Jesus amou a sua obra salvadora, e por essa razão Ele não se retiraria; assim, foi apenas com as cordas de seu próprio amor que Ele foi atado ao altar.

Em segundo lugar, que grande interesse Ele tinha pelas hostes celestiais. O Pai “lhe daria agora mais de doze legiões de anjos”, perfazendo mais de setenta e dois mil seres celestiais. Observe aqui:

1. Existe uma companhia inumerável de anjos (Hebreus 12.2). Um destaca­ mento de mais de doze legiões poderia ser cedido para o nosso serviço, e não haveria falta ao redor do trono. Veja Daniel 7.10. Eles são dispostos em ordem exata, como as legiões bem disciplinadas; não são uma multidão confusa, mas tropas regulares; todos conhecem o se u posto, e observam a palavra de comando.

2. Essa companhia inumerável de anjos está toda à disposição do nosso Pai celestial, e executa o seu beneplácito (Salmos 103.20,21).

3. Essas hostes angelicais estavam prontas para vir em auxílio do nosso Senhor Jesus em seus sofrimentos, se Ele tivesse precisado ou desejado isso. Veja Hebreus 1.6,14. Eles teriam estado com Ele como estiveram com Eliseu, em carros de fogo e cavalos de fogo, não só para protegê-lo, mas para consumir aqueles que procurassem atentar contra Ele.

4. O nosso Pai celestial deve ser visto e reconhecido em todos os ser viços das hostes celestiais: “Ele me daria”; portanto, não devemos orar aos anjos, mas ao Senhor dos anjos (Salmos 91.11).

5. É uma questão de conforto para todos os que desejam o bem do reino de Cristo, que haja um mundo de anjos sempre a serviço do Senhor Jesus, e que podem fazer maravilhas. Aquele que possui os exércitos do céu às suas ordens, pode fazer o que lhe agrada entre os habitantes da terra: “Ele me daria agora”. Veja como o Pai estava pronto a ouvir a oração do Senhor Jesus, e como os anjos estavam prontos a obedecer às suas ordens; eles são servos dispostos, mensageiros alados, eles voam rapidamente. Isto é muito animador para aqueles que desejam intimamente que Cristo seja honrado, e o bem-estar de sua igreja. Será que alguém pensa que tem mais cuidado e preocupação por Cristo e sua igreja, do que o próprio Deus e os seus santos anjos?

[3] Não era hora de fazer qualquer defesa, ou se oferecer para desviar o golpe: “Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?” (v. 54). Foi escrito que Cristo deveria “ser levado como um cordeiro para o matadouro” (Isaias 53.7). Se o Senhor Jesus chamasse os anjos para lhe auxiliarem, Ele não seria de modo algum levado para o matadouro; se Ele permitisse que os seus discípulos lutassem, Ele não seria levado silenciosamente e sem resistência; portanto, Ele e os seus discípulos deveriam se submeter ao cumprimento das profecias. Note que, em todos os casos difíceis, a Palavra de Deus deve ser conclusiva contra os nossos próprios conselhos, e nada deve ser feito, nada tentado, contra o cumprimento das Escrituras. Se o alívio das nossas dores, a quebra das nossas amarras, a salvação das nossas vidas, não coincidirem com o cumprimento das Escrituras, devemos dizer: “Que seja feita a vontade de Deus, que a sua Palavra seja cumprida, que a sua lei seja louvada e respeitada, a despeito daquilo que nos aconteça”. Assim Cristo deteve a Pedro, quando este quis se colocar como seu defensor, e capitão salva-vidas.

4. Em seguida, somos informados sobre como Cristo resolveu o caso com aqueles que foram buscá-lo (v. 55). Embora não tenha resistido a eles, o Senhor argumentou com eles. Note que condiz com a paciência cristã debater calmamente com os nossos inimigos e perseguido­ res quando estamos sob os nossos sofrimentos, como aconteceu no caso de Davi e Saul (1 Samuel 24.14; 26.18). “Saístes”:

(1)  Com fúria e hostilidade, como contra um ladrão, como se Eu fosse um inimigo para a segurança pública, e como se sofresse isso merecidamente? Os ladrões atraem para si mesmos o ódio comum; todos ajudarão a deter um ladrão; e então eles caíram sobre Cristo como a escória de todas as coisas. Se Ele tivesse sido a praga de sua nação, não poderia ter sido perseguido com mais empenho e violência.

(2)  Com todo esse poder e força, como contra o pior dos ladrões, que desafia a lei e a justiça pública, e acrescenta a rebelião ao seu pecado? Saístes, como para prender um salteador, com espadas e porretes, como se houvesse perigo de resistência; considerando que “matastes o justo; “ele não vos resistiu” (Tiago 5.6). Se ele não estivesse disposto a sofrer, seria loucura sair com espadas e porretes, porque eles não poderiam vencê-lo; se Jesus desejasse resistir, teria considerado o ferro como palha, e as suas espadas e porretes teriam sido como a sarça diante do fogo consumidor; mas, estando disposto a sofrer, foi tolice irem assim armados, porque Ele não iria discutir com eles.

Ele posteriormente debate com eles, lembrando-os de como havia se comportado com eles até aquele momento, e eles em relação a Ele.

[1] De sua presença pública: “Todos os dias me assentava junto de vós, ensinando no templo”. E:

[2] Da conivência pública deles: “E não me prendestes”. Qual o motivo dessa mudança? Eles foram muito irracionais, ao agirem com Ele como o fizeram. Em primeiro lugar, Ele não lhes havia dado motivo para considerá-lo como um ladrão, pois havia ensinado no Templo. E o assunto e a maneira de seu ensino era tal, que o Senhor Jesus foi manifestado na consciência de todos os que o ouviram como sendo um homem bom. As palavras bondosas que saíram de sua boca não foram palavras de um ladrão, nem de alguém que tinha um demônio. Em segundo lugar, Ele não lhes havia dado motivos para que o considerassem como um foragido da lei e da justiça, para que viessem à noite para capturá-lo; se eles tivessem alguma coisa para lhe dizer, poderiam encontrá-lo todos os dias no Templo, pronto para responder a todos os desafios, a todas as acusações, e ali poderiam fazer o que bem entendessem com Ele; porque os príncipes dos sacerdotes tinham a custódia do Templo, e o comando dos guardas que estavam em torno do Templo. Mas vir até Ele assim, clandestinamente, no local de seu retiro, era uma atitude vil e covarde. Desse modo, o maior herói pode ser perversamente assassinado em uma esquina, por alguém que, em campo aberto, tremeria só por encará-lo.

Mas tudo isso aconteceu (vê-se em seguida, v. 56) para que as Escrituras dos profetas pudessem ser cumpridas. Ê difícil dizer se essas foram as palavras do sagrado historiador, como um comentário sobre essa história, e uma instrução ao leitor cristão, para compará-lo com as Escrituras do Antigo Testamento, que apontavam para esse fato. Ou ainda se foram as palavras do próprio Cristo, como se estivesse expressando o motivo de tudo aquilo estar ocorrendo. Mesmo assim, Ele não poderia deixar de se ressentir por esse tratamento tão vil. Ele precisou se sujeitar à situação para que as Escrituras dos profetas pudessem se cumprir. O Senhor Jesus havia acabado de fazer uma referência a essa necessidade (v. 54). Note que as Escrituras se cumprem todos os dias; e todas as Escrituras que falam do Messias tiveram o seu pleno cumprimento em nosso Senhor Jesus Cristo.

5. Como Ele foi, em meio a essa aflição, vergonhosa­ mente desertado pelos seus discípulos: “Então, todos os discípulos, deixando-o, fugiram” (v. 56).

(1)  Esse foi o pecado deles; e foi um grande pecado para aqueles que haviam deixado tudo para segui-lo, agora deixá-lo por algo que nem sabiam o que era. Houve crueldade nisso, considerando a relação que havia entre eles, os favores que eles haviam recebido da parte dele, e as circunstâncias melancólicas que agora se apresentavam. Houve infidelidade nisso, porque eles haviam prometido solenemente se unir a Ele, e nunca abandoná-lo. Ele havia reivindicado o salvo-conduto deles (João 18.8); no entanto, eles não puderam confiar nisso, e fugiram vergonhosamente. Que coisa insensata foi essa; por medo da morte, fugiram daquele a quem conheciam e haviam reconhecido como a Fonte da vida? (João 6.67,68). “Senhor, que é o homem”!

(2)  Foi parte do sofrimento de Cristo, e acrescentou aflição às suas cadeias, ser dessa maneira desertado, como aconteceu com Jó (cap.19.13): “Pôs longe de mim a meus irmãos”. E também com Davi (Salmos 38.11): “Os meus amigos e os meus propínquos [ou companheiros] afastam-se da minha chaga”. Eles deveriam ter permaneci­ do com o Senhor, para servi-lo e apoiá-lo; e, se fosse necessário, deveriam ser testemunhas favoráveis a Ele em seu julgamento no tribunal. Mas eles traiçoeiramente o desertaram. Algo parecido aconteceu com o apóstolo Paulo, pois, em sua primeira defesa, nenhum homem ficou do lado dele. Porém, havia um mistério nisso.

[1] Cristo, como um sacrifício pelos pecados, foi assim abandonado. O cervo que, pela flecha do seu dono, é marcado para ser caçado e abatido é imediatamente abandonado por todo o rebanho. Nisso, Ele foi feito uma maldição por nós, pois foi deixado como alguém que é separado para o mal.

[2] Cristo, como o Salvador de almas, ficou assim sozinho. Ele não precisava, e não teve a ajuda de nenhum outro ao operar a nossa salvação. Tudo Ele suportou, e fez tudo sozinho. Ele pisou o lagar sozinho, e como não havia ninguém que o apoiasse, então o seu próprio braço trouxe a salvação (Isaias 63.3,5). Assim o Senhor, sozinho, conduziu o seu Israel; eles só precisaram “contemplar esta grande salvação” (Deuteronômio 32.12).

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POR QUÊ CRIAR O BLOG? POR QUÊ O TÍTULO?

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Nos dias atuais gastamos mais tempo conectados  que o diálogo e a leitura de livros de papel tornaram-se absoletos.  Em contrapartida, a leitura visual através de mídias vem crescendo e ocupando o tempo das pessoas que, imperceptíveis aderem aos novos hábitos. Assim, faz-se necessário que nós, os que ainda prezam pelos bons e velhos hábitos ajustarmos às novas necessidades e assim, servir de leme aos que naufragam  ante a ignorância não somente de conhecimento mas até mesmo de conhecimento de verdades que consolidam suas opiniões.

A igreja é ainda o principal elo de ligação entre a sociedade e as necessidades do homem para a aproximação do Criador e sua criatura. Àqueles que entendem que precisam se preparar melhor e que não encontram tempo para a leitura e seminários cuja presença física se faz  necessária, ofereço a oportunidade de compartilhar conhecimento e aprendizado acumulados ao longo de mais de vinte anos de caminhada e serviço cristão como uma forma de auxiliar na capacitação para transformar pessoas comuns em líderes extraordinários.

Fazendo assim, não só cresceremos na graça e conhecimento como glorificaremos o nome do Senhor entre povos e nações.

 

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PRECONCEITO GERA SOFRIMENTO PSÍQUICO

Apesar de ser considerada crime, a manifestação de discriminação, seja geográfica, religiosa, de etnia, aparência ou orientação sexual, ainda é frequente e pode provocar danos graves à saúde

Preconceito gera sofrimento psiquico

Você já imaginou a seguinte cena: uma criança ser chamada de feia, gorda, baixa, magrela, idiota, burra, colorida, chocolate, ferrugem ou gigante? Será que alguém gosta quando recebe uma crítica ferrenha? Certamente que não. E com um adulto é diferente? Também não.

O preconceito é algo danoso à vida humana. Inclusive tido como ato ilegal, um crime. É preciso mudar isso rápido, pois essa situação está tornando o ser humano segregado e infeliz a cada dia que passa.

Em princípio todo ser humano é bom. Não importam cor, aparência, intelecto, religião ou país de origem. E onde fica o amor? Pois é exatamente o amor que nutre a natureza das pessoas. O amor pode curar tudo. A empatia é mãe das emoções positivas. Colocar-se no lugar do outro, sentir o que ele sente é fundamental. Até mesmo no trânsito é possível observar isso. Quem já não deu uma fechada em alguém ou fez alguma “barbeiragem”? Via de regra, se alguém faz isso, já é rotulado de ignorante, ou então surge a indagação: “não vê por onde anda”? Será que não foi só um momento de vacilo, um descuido, um cansaço? E saímos ofendendo um ser humano bom.

Todo mundo nasce amoroso e tem em seus princípios naturais a tendência a se relacionar, fazer amizades e cuidar do outro com carinho, como deseja ser cuidado. Mas o que está acontecendo nesse mundo? Preconceito, disputas, rivalidades, mau humor, brigas, guerras. Por quê?

Porque parece que todo mundo quer o “seu mundo” como prioridade. Escolhe sua religião como a melhor, seu partido político como o melhor, sua cor, seu negócio etc. O ser humano necessita de mais amor e mais alegria. A vida é reabastecida por essa energia maravilhosa. Gentilezas e generosidade podem refazer a energia das pessoas.

O Butão, um país tão pequenino lá no Oriente, preza pelo nível de felicidade interna de sua população, o FIB – Felicidade Interna Bruta. Não pelo Produto Interno Bruto (PIB), como nos outros países, para ver seu desenvolvimento.

A vida de hoje coloca as pessoas numa corrida desenfreada pelo consumo. Todos querem ter algo mais e melhor. Por isso, trabalham mais horas e se dedicam a TER. Deveriam se dedicar mais a SER, como no Butão. A vida seria mais prazerosa e educaríamos as crianças do futuro com mais amor.

Será que ninguém vê que se estão criando crianças para um mal maior, cada vez mais com preconceitos, diferenças, agressividade, falta de amor e guerras? As crianças que se desenvolvem num meio amoroso e que recebem elogios verdadeiros de seus pais e educadores são mais fortes e resilientes às dificuldades do futuro.

A autoestima se baseia no amor próprio. Num primeiro momento ela vem de fora. Vem dos pais que abençoam com seu amor e carinho, que dizem que amam seu filho, que o tratam bem. A criança deve crescer recebendo elogios em suas habilidades, em suas conquistas. Desde a mais básica, como conseguir balbuciar as primeiras palavras, bater palmas, entender o significado das coisas. Isso ainda em seu primeiro ano de vida.

E segue assim. Recebendo elogio porque andou sozinha, comeu com as próprias mãos, tomou banho sozinha, deu o laço no sapato, andou de bicicleta com rodinha, sem rodinha, aprendeu a escrever seu nome etc. Uma criança que recebe elogios e carinho se abastece de autoestima primária. Enxerga a si mesma através do amor e cuidados dos pais. Ela se vê como especial e quer mais elogios. Pois como se abastece dos mesmos, os elogios se tornam o alimento que faz a autoestima crescer.

 AMOR

Quem quiser que seu filho tenha uma vida com mais condições de lutar pelas oportunidades, em meio aos obstáculos, deve cuidar bem dele. Dar amor! O cuidado básico e o elogio verdadeiro criam na criança uma autoconfiança. Ela se vê uma pessoa bacana. Para isso bastam atitudes simples: colocar no colo, falar “eu te amo” sempre, fazer carinho, elogiar as pequenas habilidades conquistadas, mostrar os talentos natos que a criança pequena tenha. O caminho das pedras se baseia no amor e no apreciar.

Uma criança que foi elogiada quando pequena enfrenta muito melhor qualquer adversidade. Ela é mais segura. Ela sabe que pode dar conta das coisas. Em contrapartida, o contrário é significativo. No mundo de hoje, com tantas dificuldades, pais que não têm tempo de cuidar bem de seus filhos, que sofrem de ansiedade, depressão ou coisa pior como poderão abastecer seus pequenos de amor?

Uma mãe deprimida não elogia, não investe em seu filho. Pais muito atarefados podem chegar em casa exaustos e não elogiarem ou até mesmo brigarem com seus filhos pequenos.

Muitas dessas crianças estão expostas a serem cuidadas de forma negligente por pessoas desalmadas, que podem começar a tratá-las mal desde cedo. Ofender, desaprovar e até espancar. Assim, vemos crianças que já crescem ser ter autoestima. Sem estímulo amoroso, sem confiança e na condição sub-humana da falta de cuidados. E, muitas vezes, passam fome, frio, medo, raiva e estão caladas por não encontrarem um meio de se livrarem desse que é, no momento, “o seu protetor”.

Essas crianças ainda não têm defesa, não sabem se libertar dos males que sofrem pelos seus próprios cuidadores. Acabam aprendendo que quem cuida é do mal. E evitam contato, amor e relacionamentos. Aprenderam que cuidador faz mal. Agora, imaginem que essa criança despreparada e sem amor-próprio segue para a escola e é exposta ao preconceito malvado das outras crianças, ou dos professores, de alguém na rua. Como ela vai se defender? O preconceito vira um grande sofrimento psíquico!

Se a vida começa assim, como ficará essa pessoa no futuro? Ela se tornará um agressor, imitando os que um dia a agrediram ou tiveram preconceito, segregando pessoas, formando facções, tomando raiva radical de grupos contrários. Ou se tornará um sofredor, talvez até mesmo sofrer de algum mal psíquico maior, como a depressão ou transtorno de personalidade dissociativo, sofrido por aqueles que foram abusados, agredidos quando pequenos.

É possível observar isso com frequência entre as crianças pobres e abandonadas. Elas se tornam pequenos infratores, vendem drogas, assaltam e não sentem que estão fazendo mal a ninguém. No entanto, acham que estão fazendo justiça contra uma sociedade malvada. Outros se tornarão radicais de grupos extremistas, segregarão pessoas de grupos contrários. Participarão de grupos de opinião muito extremistas, porque aprenderam a ser preconceituosos.

Preconceito gera sofrimento psiquico. 2

DESTRUIÇÃO

As coisas só pioram com a evolução da humanidade. Contudo, sabe-se que essa parte preconceituosa vem desde que o homem existe. Mas, infelizmente, será ela a destruir a espécie humana em breve (daqui a alguns milhares de anos ou agora?!).

Se em contrapartida o amor constrói, o mal destrói. Ter preconceito ajuda muito a aumentar o sofrimento psíquico e o mal-estar da humanidade. Devemos cuidar dos nossos e espalhar a luz do amor. A nova onda é seguir aqueles que ajudam, libertam, trazem paz e amor. Dalai Lama uma vez disse: “Basta uma vela acesa para acender mil outras velas”. Que tal entendermos que o mundo precisa de mais amor e tolerância? Praticar o bem sem saber a quem, isso sim traz muita paz e alegria. Se cada um parasse e refletisse sobre o seu próprio preconceito? O que você discrimina? Quem você trata diferente e mal?

Como você poderia fazer diferente? Aplicando a empatia! Colocando-se no lugar do outro, vendo com outros olhos, estendendo a mão àquele que precisa, sem distinguir preconceitos, apenas lembrando que ele é um ser humano também. Simples, faça o bem!

O sofrimento das pessoas que são perseguidas vem do tempo bíblico, com os judeus perseguidos e fugidos da escravidão do Egito, buscando sua Terra Prometida. Ou em séculos atrás, os negros africanos que foram escravizados por sua cor. E, hoje, os gordos, os homossexuais…

Mas todo mundo é gente! Tem sentimentos e dor. E por que discriminamos tanto? Será uma forma de auto- afirmação de que “sou melhor do que você?” Que pena! Ninguém é melhor do que ninguém, ninguém é pior do que ninguém, nem tampouco ninguém é igual a ninguém. Cada um é único, fagulha divina, filho de Deus, ser iluminado. Mas único e diferente do outro. Somos todos diferentes, mas iguais. Somos seres humanos!

Como se pode ajudar a quem sofre preconceitos? Ensinando as qualidades que essa pessoa tem. Mostrando que cada um tem um dom, talento especial, que pode usar esse dom e levar ao mundo coisas boas. Todo mundo pode seguir sua vida com um propósito maior. Traz sentido à vida, faz o coração saltar de alegria. Muda a energia e faz vibrar.

De certa forma, essa maneira de agir, seguir seus propósitos dando sentido à vida pessoal, com prazer e seguindo seus talentos, torna a pessoa muito mais feliz. A alegria de estar alinhado com algo que o indivíduo pode espalhar ao mundo ilumina o caminho e traz de volta aquela autoestima que um dia foi apagada da vida. Mesmo que nunca tenha existido, à medida que a pessoa consegue realizar tarefas que fazem dar sentido à vida, e o faz com prazer, todos serão mais felizes.

Preconceito gera sofrimento psiquico. 3

NEUROCIÊNCIA

E para finalizar, é importante acrescentar que a Neurociência vem estudando que somos os únicos seres na face da Terra capazes de mudar nossa biologia celular pelo que sentimos e pensamos. As células estão constantemente sendo modificadas pelos sentimentos. Já é sabido que uma grave crise depressiva pode arrasar o sistema imunológico. Apaixonar-se, ao contrário, pode trazer mais energia e fortificar as defesas. A alegria e a realização nos mantêm saudáveis e mais longevos.

Para se ter uma ideia, apenas um minuto de raiva ativa o cortisol e baixa o sistema imunológico, e se levam, em média, até seis horas para reequilibrar. Os hormônios do estresse são altamente destruidores e podem acusar, além do mal psíquico, danos irreversíveis ao corpo, como doenças graves e malignas.

O ciclo do sono é interrompido, dorme-se menos e isso será prejudicial à saúde mental e física. Uma pessoa pode deprimir, ter pânico e outras doenças mais pelo estresse. Portanto, é possível imaginar o quanto sofrem aqueles que passam por preconceito diariamente? Qual é a tendência deles de adoecerem?

Para se conseguir uma vida melhor no planeta, é preciso melhorar o amor e a empatia. Que todos possam ter uma vida plena, que o preconceito seja mesmo combatido e que se possa viver com amor e alegria. E Shakespeare, uma vez, disse: “Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos”. Por isso, seja mais um a fazer a diferença certa. Quer saber como você estará amanhã? Veja como se sente hoje. O mesmo se aplica ao que fará ao outro. Cuide bem do próximo como a ti mesmo.

OUTROS OLHARES

O SEGREDO DA RESSUSCITAÇÃO

A reversão da morte é um dos grandes desafios da medicina, mas a prática recente mostra que a melhor forma de salvar uma vítima de parada cardíaca é com medidas simples e rápidas

O segredo da ressuscitação

Desde tempos imemoriais são feitas tentativas de reverter a morte. Tentar salvar o próximo é um impulso universal e altruísta do ser humano. Na Bíblia, há uma passagem que narra os esforços do profeta Eliseu para ressuscitar o filho de sua mulher, Sunamita, usando respiração boca a boca. O médico e alquimista Paracelso foi pioneiro, no século 16, na utilização de foles de lareira para introduzir ar nos pulmões de pessoas aparentemente mortas com o objetivo de trazê-las à vida. Hoje em dia, a fórmula de reversão da morte passa por técnicas de compressão pulmonar e por um aparelho chamado desfibrilador externo automático (AED). Se no passado a morte súbita era reconhecida em casos de afogamento, asfixia ou trauma, no mundo contemporâneo sua principal causa é uma parada cardíaca fulminante. “O mais importante na ressuscitação é fazer os procedimentos com simplicidade e prontidão”, diz o cardiologista Sérgio Timerman, diretor do Laboratório de Treinamento e Simulação em Emergências Cardiovasculares do Instituto do Coração (Incor). “É imprescindível dar diagnóstico e atendimento rápidos”.

Hoje, os males que mais provocam paradas cardiorrespiratórias são doenças cardiovasculares, coronarianas, cerebrovasculares e a embolia pulmonar. Diagnosticar a causa da parada aumenta as possibilidades de ressuscitação. Depois que o coração para, as chances da pessoa morrer aumentam 10% a cada minuto que passa. A partir do terceiro minuto, a probabilidade de ficar com alguma sequela é muito grande. “Tempo é vida”, diz Timerman. “Quanto mais a gente complica para fazer a ressuscitação, pior é”. Antigamente, por exemplo, media-se o pulso e agora não se faz mais isso num primeiro atendimento de emergência. Só se buscam dois sinais simples: se a vítima está respirando e se está consciente. Medir o pulso não é função de quem não é médico e a respiração boca a boca tampouco deve ser aplicada por leigos. O importante é reconhecer a parada e iniciar as compressões até que chegue o socorro. “A gente vê pessoas que resistem a uma parada cardíaca por 30, 40 minutos, quando bem atendidas, e ainda conseguem voltar à vida. Mas isso é incomum”, afirma.

CHOQUE ELÉTRICO

Os desfibriladores emitem um choque elétrico que reativa o coração. Embora sejam indispensáveis, eles não são eficientes em todos os casos. Há três situações que levam a um acidente cardiovascular. A mais comum, que representa 60% dos casos, é a fibrilação ventricular, quando o coração passa a bater de maneira caótica e deixa de funcionar como uma bomba. Nesse caso, para reverter o ritmo desordenado, a única maneira é usar um desfibrilador. Outras situações são a assistolia, em que o órgão para de bater e fica sem nenhuma contração, e a atividade elétrica sem pulso, que deixa o coração com os batimentos dissociados. Tanto na assistolia como na atividade elétrica sem pulso, o desfibrilador não tem eficácia. Daí a necessidade de um diagnóstico rápido antes do uso do equipamento.

Segundo Timerman as principais novidades nos processos de reversão da morte estão, na verdade, na pós-ressuscitação e nos procedimentos realizados no hospital. Depois que o paciente se salva, há recursos que devem ser usados para garantir a sobrevivência. O primeiro é a oxigenação por membrana extracorpórea, feita com um aparelho que promove a oxigenação continua do sangue do paciente. Outro tratamento é a hipotermia ou resfriamento da temperatura do corpo, cujo objetivo é preservar as células nervosas.

No Brasil, Timerman estima que haja 280 mil tentativas de ressuscitação por ano e os índices de reversão são baixos. Se um cidadão tiver uma parada cardíaca no meio da rua longe do ambiente hospitalar e sem qualquer apoio técnico, suas chances de sobreviver são de 1%. Mas se o acidente acontecer num hospital ou em um lugar com gente capacitada para lidar com emergências, como o metrô de São Paulo, por exemplo, essa probabilidade pode subir para 30% ou 40%. Em São Paulo existe uma lei desde 2005 que determina a obrigatoriedade de manutenção de um aparelho desfibrilador em locais que tenham concentração ou circulação média diária de pelo menos 1.500 pessoas, mas a adesão à lei deixa muito a desejar. De qualquer forma, o conhecimento sobre a ressuscitação está se disseminando e reverter uma morte que parece certa não é mais um milagre.

O segredo da ressuscitação. 2

GESTÃO E CARREIRA

TER AMIGOS NO TRABALHO PODE AJUDAR SUA CARREIRA

Conheça os prós e contras de fazer amizades no ambiente corporativo e dicas para administrar esses relacionamentos

Ter amigos no trabalho pode ajudar sua carreira

Ter amigos no trabalho ou manter a política da boa vizinhança, sem aprofundar nenhum relacionamento? Essa é uma pergunta que ainda divide opiniões. Uma pesquisa recente liderada pela Comparably mostrou que, de mais de 33 mil trabalhadores em toda a indústria de tecnologia, mais da metade relatam ter grandes amigos na empresa em que trabalham. 

Para a especialista em desenvolvimento humano Susanne Andrade, ter amigos no trabalho pode ser uma experiência vantajosa e positiva, inclusive para o aspecto profissional. “No momento em que a pessoa sabe que tem vínculos no ambiente de trabalho, colegas com quem ela pode criar elos e conexões, ela se sente mais feliz naquele lugar, se entregando mais por gostar dos profissionais que estão ali, e construindo um ambiente de confiança”, explica ela.

Susanne lista alguns prós e contras da amizade no trabalho:

PERTENCER A UM GRUPO

Pesquisas mostram que, depois de contar com comida e abrigo, pertencer a um grupo é uma necessidade humana fundamental. “Considerando que passamos entre 8 e 9 horas diárias no trabalho (sem incluir o tempo de deslocamento), temos muito menos tempo para atender às nossas necessidades sociais fora do trabalho. Quando não estamos trabalhando, estamos lidando com familiares, questões pessoais ou tentando descansar quando podemos”, pontua Susanne.

Nesse sentido, é mais fácil achar amigos no próprio trabalho do que em outras situações e ambientes da vida cotidiana. Mas, segundo a especialista, é preciso ter cautela, pois você pode conhecer o seu “melhor amigo” no trabalho, como também pode fazer uma amizade que possa se tornar prejudicial. “É preciso ter maturidade para separar o que é profissional e o que é pessoal”, comenta.

DIVERGÊNCIAS X AMIZADE

Quando ocorre uma discussão por conta do trabalho, entre amigos, isso pode ocasionar um rompimento daquela amizade. “O certo seria sair do escritório e não misturar a discussão profissional com a vida pessoal, continuar como se nada tivesse acontecido. Mas, aqui no Brasil, é muito comum que as pessoas não saibam separar isso, o que pode causar problemas”, avalia a autora.

CHEFE X AMIGO

Outro ponto importante que Susanne ressalta é que gestores devem deixar a amizade de lado quando tiverem informações que não podem passar para seus funcionários, mesmo que sejam amigos fora do trabalho. “Quando a pessoa não tem maturidade suficiente para separar as coisas, a amizade pode atrapalhar”.

Se existe uma amizade muito grande entre o líder e um colaborador de uma equipe, por exemplo, e surge uma oportunidade de promoção, o líder terá que escolher quem será promovido avaliando o trabalho e não a amizade “É preciso ter um equilíbrio, pois não se pode promover alguém por amizade, e sim pelo merecimento do funcionário. Nesses casos, o foco tem que ser na meritocracia”.

ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 51 – O SEGREDO DE PERMANECER EM CRISTO

 

Existe uma grande pergunta que foi feita por todos os maiores santos no decorrer da história da igreja em relação à busca por Deus. Vimos no capítulo anterior que essa pergunta foi feita três vezes por Zacarias. E o questionamento comum da alma diligente. É a eterna pergunta compartilhada por gerações. A pergunta é muito simples: “Como eu posso permanecer em Cristo?”.

A pergunta é simples, mas a resposta é profunda. E poucos a encontraram.

Muitos de nós temos a sensação de entrar e sair da sala do trono de Deus. Temos períodos de grande conexão e, depois, passamos por períodos de desconexão. Não podemos sempre analisar exatamente o motivo que desencadeou a distância de nossos corações em relação ao Senhor, mas a maioria de nós sente como se o relacionamento com Cristo fosse uma montanha-russa. Ora nos sentimos próximos, ora distantes, então novamente próximos e depois distantes, e então próximos novamente. Dentro e fora. E odiamos isso. Fomos criados para termos constante intimidade e qualquer coisa que seja menos que isso nos deixa loucos.

Em minha opinião, esta passagem é uma das mais gloriosas de Cristo de toda a Bíblia: “Se vocês permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será concedido. Meu Pai é glorificado pelo fato de vocês darem muito fruto; e assim serão meus discípulos” João 15.7-8). O “se” encontrado aqui quase me deixa louco com desejo santo. “Se!” A grande condição de se ter a oração respondida é desenvolver um relacionamento de permanência em Cristo e em suas palavras.

Essa aquisição não é garantida. Ela está disponível, mas é raramente experimentada em sua plenitude. Sei que não permaneço em Cristo dessa maneira, porque as coisas que desejo ainda não foram dadas a mim. Por­ tanto, eu busco esta dimensão de viver santo com maior apetite espiritual – com o que eu chamo de “fervor santo”. Preciso ganhar Cristo!

Uma revista cristã que tinha Hudson Taylor em uma de suas edições mencionava como ele lutava para obter um andar mais próximo com Deus. Embora ele seja considerado um dos missionários mais vitoriosos da história da igreja, ansiava por um relacionamento mais íntimo com Cristo. “Orei, agonizei, me esforcei, tomei resoluções, li a palavra com mais diligência, dediquei mais tempo para isolamento e meditação – mas tudo isso foi ineficaz”, ele se consumia “Sei que se eu tivesse conseguido permanecer em Cristo, tudo estaria bem, mas eu não consegui.”

Taylor chegou no momento decisivo de sua vida quando recebeu uma carta de um colega. Esta simples mensagem abriu a porta: “A amizade com Deus não provém de esforço por fé, mas de descansar naquele que é fiel”.

Essas simples palavras foram de alguma forma exatamente o que Hudson Taylor precisava para ajudá-lo a cruzar o limiar de seu relaciona­ mento com Cristo. Ele conseguiu parar de se esforçar e abraçar a proximidade, o poder e a vida de Cristo.

Refiro-me à experiência de Taylor não como se fosse uma fórmula para se aprender a permanecer em Cristo, mas para mostrar que até o mais eminente dos santos se debateu com essa mesma questão.

A forma como você conseguirá permanecer em Cristo será diferente de todas as outras pessoas. Nós permanecemos de formas diferentes, porque somos criaturas únicas de Deus. Seu relacionamento com Cristo nunca será parecido com o meu e vice-versa. Este é o motivo pelo qual você nunca aprenderá a permanecer em Cristo lendo as histórias de outras pessoas.

Você não aprende a permanecer lendo o livro certo nem ouvindo um grande sermão. Ninguém pode ensiná-lo a ter um relacionamento de permanência em Cristo. Um mestre pode ajudá-lo até um grau limitado, mas por fim todos nós teremos que encontrar nossa própria maneira de permanecer em Cristo. Quando tudo tiver sido dito e feito, devemos fechar a porta, entrar no lugar secreto com Deus e descobrir como é um relacionamento de permanência em Cristo para nós.

Normalmente o caminho para se obter um relacionamento de permanência em Cristo é conquistado com perseverança. Deus permite circunstâncias desconfortáveis ou emoções em nossas vidas que fazem com que nos voltemos para Cristo com determinação vigilante. A maioria de nós nunca se entregará à busca de um relacionamento de permanência a menos que o Senhor, em sua bondade, permita calamidades ou lutas em nossas vidas que elevem o nível de nossa dor ao ponto do desespero.

José ilustra esta verdade essencial. Deus levou José a trilhar um caminho doloroso para ajudá-lo a encontrar um relacionamento de permanência. Deixe-me repassar rapidamente a história com você.

Com dezessete anos José se afastou de seus irmãos por ser um homem de caráter divino em meio a uma geração perversa. Então, Deus disse basicamente: “Parabéns, José, você está mantendo seu coração puro; você está vivendo de modo inculpável diante de Deus e dos homens; você está se mantendo afastado de uma geração maligna. Você está qualificado para receber uma promoção no reino – vai se tornar um escravo!”. Então, José foi vendido como escravo por seus irmãos.

No Egito, ele foi vendido para um homem chamado Potifar. Potifar logo percebeu que Deus era com José e abençoava tudo o que José fazia. Então, Potifar tornou José o administrador chefe de todas as suas propriedades. Embora fosse um escravo, José mantinha seu coração diante de Deus e continuava a andar com zelo diante do Senhor. Ele era. diligente para cultivar seus dons e talentos, demonstrando ser um administrador fiel de toda a casa. Ele escapou da tentação sexual quando a esposa de Potifar tentou seduzi-lo.

Então, Deus respondeu: “Parabéns, José, você continua na minha presença, está cultivando fielmente seus dons e talentos e está fugindo da tentação. Você está qualificado para outra promoção no reino – você agora vai para a prisão!”.

José não tinha ideia do motivo pelo qual estava preso. Certamente, ele deve ter sido tentado com o seguinte pensamento: “Deus, qual é o proveito em servi-lo? Quando eu o amo, o sirvo e mantenho meu coração puro, isso não me faz bem”.

Satanás queria convencer José que servir a Deus não vale a pena. Mas José optou por afastar os pensamentos tentadores e, em vez de dar vazão a eles, continuou amando a Deus mesmo na prisão. Ele se apegou aos sonhos que Deus lhe tinha dado de uma eventual promoção.

Entretanto, o desespero se apossou do espírito de José. Ele percebeu que longe da intervenção divina passaria o resto de sua vida apodrecendo na prisão egípcia. Nenhum de seus talentos lhe seria útil naquele lugar. Não importava que fosse cheio de dons, carismático e inteligente; nada disso poderia tirá-lo da prisão. Cada dom que ele tinha cultivado agora era inútil.

Reduzido a uma total impotência, José começou a clamar a Deus com intenso desespero. “Deus, fale comigo ou minha vida se acabará!” Ele começou a criar raízes no Espírito de Deus mais profundas do que jamais foram. “Deus, por que o Senhor permitiu que isso acontecesse comigo?”

Deus disse: “Quero raízes mais profundas”. Então, ele aprofundou ainda mais suas raízes. “Ainda mais profundas.” Então, em seu desespero, José se aprofundou ainda mais no Espírito de Deus. “Mais profundas, José.” José continuou aprofundando suas raízes espirituais cada vez mais no Espírito de Deus – até que um dia encontrou um rio! Há um rio, meu caro amigo, cujos canais alegram a cidade de Deus. Esse rio subterrâneo corre tão profundamente que a maioria das pessoas não o encontra. Mas, em alguns casos, Deus permite que um sofrimento extremo recaia sobre o seu servo a fim de levá-lo às profundezas do Espírito com uma paixão inigualável.

Quando José encontrou esse rio, ele encontrou a fonte da vida em Deus que é mais profunda do que as estações da vida. Seja numa estação de inundação ou seca, há um rio disponível para o santo, que fornece uma fonte constante de vida divina e poder do Espírito Santo. Parece que poucos encontram esse grande rio subterrâneo, mas quando você encontrá-lo, isso se chamará “permanecer em Cristo”.

Deus estava dizendo a José:

“Filho, tenho uma grande promoção na loja para você. Mas o chamado que estou fazendo nunca será conseguido por meio da força de seus dons e talentos. E sei que se esses recursos estiverem disponíveis, você sempre lançará mão deles. Então, agora, vou colocá-lo em um lugar onde seus próprios recursos serão inúteis. Colocarei você em uma prisão! Ao sentir a impotência de perder o controle, você encontrará uma dimensão em mim que ultrapassará os seus dons e talentos. Veja, José, há uma dimensão em mim que não é por força nem por violência, mas é pelo meu Espírito.”

Quando José encontrou aquele rio, foi sua capacidade de se valer da vida proveniente de Deus que o tirou da prisão. Não foram seus talentos que o libertaram da prisão, mas sua vida no Espírito. Quando Faraó chamou José para interpretar seu sonho, ele conseguiu acessar o rio e dar a Faraó a resposta sábia que desejava. E, em um único dia, José saiu da prisão e foi direto para o palácio!

É um relacionamento de permanência em Cristo que leva o cristão à dimensão de Deus. Estou falando da dimensão em que Deus opera soberana e poderosamente nos assuntos dos homens. Jesus tinha um relacionamento de permanência com o seu Pai e Ele mudou a história do mundo. Se Deus conceder a você a graça de encontrar essa fonte inesgotável de poder divino chamada “permanecer em Cristo”, então você também mudará sua geração para Deus!

Não fique desanimado por causa das dificuldades e adversidades que, repentinamente, recaírem sobre você. Volte-se para Deus como jamais fez em toda a sua vida! Permita que o desespero de sua alma o ajude a buscar a Deus com entrega total.

O segredo é o seguinte: se você buscá-lo de todo o seu coração, Ele o guiará até o rio antigo que corre nas profundezas do coração de Deus. Quando você buscar a Deus com toda a sua força, Ele o trará até a fonte de vida divina. Quando a vida de Deus começar a fluir em seu mundo de impossibilidades, chamamos isso de milagre.

A vida de Deus não pode ser parada! Se você beber deste rio, tudo em você e a sua volta começará a sacudir e a tremer sob o maremoto do poder liberado por Deus. Tudo relacionado a sua prisão está prestes a mudar!

Oro para que você receba esta palavra: aprenda a permanecer em Cristo!

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SATISFAÇÃO DO EU

As ações altruístas veiculadas nas redes sociais exigem uma leitura psicanalítica dessa que é uma questão atual, pois a sociedade contemporânea, cada vez mais, observa a espetacularização das ações cotidianas

Satisfação do eu

Apontar as origens da violência não é tarefa fácil. A genética e a teoria evolucionista indicam que a agressividade é um traço característico do homem, e que a história da vida de cada indivíduo está intimamente ligada a um conjunto de sentimentos bons ou maus, originados na infância e evocados quando nos indagam sobre nossa conduta familiar.

A sociedade contemporânea se vê cada vez mais às voltas com a espetacularização das ações cotidianas. No seu clássico A Sociedade do Espetáculo (La Société du Spetacle, de 1967), o escritor Guy Debord já apontava para essa teatralização da vida (incentivada pelo espírito capitalista), alertando-nos sobre uma realidade intermediada por imagens, na qual o caráter mercantil se espraiava para todos os âmbitos da existência. O que diria então Guy Debord sobre a internet e as redes sociais?

As redes sociais fazem parte do dia a dia de uma grande parcela da população e possibilitam o “com- partilhar” de momentos vividos que consideramos especiais – ou apenas corriqueiros, banais. Se por um lado as redes sociais aproximam-nos daqueles com quem, não fossem elas, talvez não teríamos contato, por outro indicam-nos um fenômeno bastante intrigante: se aquilo que é postado é uma mensagem ao outro, enviesada pela espetacularização, o que dizer do trabalho voluntário e das ações ditas “altruístas” de forma geral, quando essas aparecem vinculadas a um perfil nas redes sociais? Para tentar esclarecer esses questionamentos, um bom caminho é a teoria psicanalítica e os conceitos com os quais ela pode nos auxiliar a pensar sobre esse tema.

As redes sociais e os aplicativos de telefones celulares (atualmente chamados de smartphones) fazem parte da vida comum atual, como dito acima, tratando-se de fenômenos com um caráter próximo ao de instituições sociais, de insistência e de relevância bastante acentuadas. As mensagens e os posts veiculados nessas redes e aplicativos podem levantar uma série de questionamentos, dentre os quais aquele que se refere ao papel exercido por tais redes no viver coletivo moderno, qual seja, o papel de formadoras de imagens pessoais. Ainda a esse respeito, cabe ressaltar o surgimento de identificações (que ali, nos meios “virtuais”, aparecem via likes e “curtidas”), bem como identificar os percalços e os embaraçamentos que as redes sociais podem produzir, revelando algo que, muitas vezes, está além daquilo que as mensagens veiculadas querem (ou quereriam) dizer.

Até que ponto esses instrumentos digitais de compartilhamento da vida localizam as ações no nível narcísico dos sujeitos, em detrimento de atos genuinamente (ou apenas) altruístas? Relembremos o mito grego de Narciso, que inspirou o pai da Psicanálise, Sigmund Freud, a elaborar sua teoria sobre o narcisismo, ou, dito de outro modo, sobre o complexo de Narciso que habita cada um de nós.

O que inspirou Freud foi o enamoramento de Narciso por si mesmo, que metaforiza um tipo especial de investi- mento do aparelho psíquico, no qual ele direciona – ainda que sem saber, como Narciso – energia (libido) em direção ao Eu, via imagem refletida no outro, imagem que parte do próprio Eu.

Em Sobre o Narcisismo: uma Introdução, Freud introduz a ideia de que a energia psíquica serve sempre a dois senhores: aos objetos externos e ao Eu. Mais tarde, em O Eu e o Isso (1923), o autor aprofunda tal questão, postulando a teoria de que a dinâmica do aparelho psíquico é enviesada por ideais, construídos socialmente e interiorizados via identificação. Assim, é possível, por exemplo, que uma criança entenda o tipo de ação que é valorizada socialmente (ideal) e aquela que não é. Dessa forma, essa criança buscará agir (ou demonstrar aos outros que age) de acordo com esse ideal, uma vez que está em jogo o amor do outro, agir como o outro espera (ideal) ou como o outro age (identificação) “garante” de alguma forma que eu seja amado ou no mínimo amável. É com base nesses elementos que Freud postula uma posição do sujeito em que esse investe a si mesmo de libido, ainda que esse “si mesmo” seja apenas uma “imagem de si”.

 VALORAÇÃO SOCIAL

Voltando ao problema inicial, isto é, o ato de postar, de publicar em redes sociais algo a respeito de uma ação altruísta. O engodo e a contradição aqui residem no fato de que, ao mesmo tempo em que tal ação deveria ser indicativa de um investimento libidinal no outro, ela alimenta, também, uma imagem de si. Assim, seria possível imaginar um altruísmo pleno, total (sem ganhos para o Eu) nos termos da Psicanálise? Podemos dizer que, a partir da formulação da “segunda tópica do aparelho psíquico” (que contém os conceitos de “Eu”, de “Isso” e de “Supereu”, bem como suas relações e desdobramentos) – na qual Freud dá lugar ao estudo do narcisismo secundário (ideal do Eu) –, torna-se praticamente improvável a existência de um altruísmo que não tenha lucros para o Eu, que não alimente o Narciso que há em nós.

Ao postar algo em uma rede social a respeito de uma ação voluntária, generosa (altruísta, de uma maneira geral), passo a alimentar também uma imagem do meu Eu nessa mensagem, que faz apelo ao estético como valoração social daquela mesma ação. Desse modo, reiteramos que, no âmbito das redes sociais, ações exclusivamente altruístas seriam muito raras, se levarmos em conta as teses psicanalíticas. Digamos, por meio de uma alegoria, que uma ação altruísta que não visasse (simultaneamente) embelezar a minha própria imagem deveria ser ao mesmo tempo uma ação “escondida”, não somente do outro, mas também de mim mesmo.

Uma ação que desconhecesse a si mesma seria, como afirma o zen-budismo (bastante estudado por Jacques Lacan), uma ação “Não-Eu”; ou, ainda, sob a mesma óptica, uma “Não-ação”. Ao postar algo compartilhado em uma rede social, ao contrário de desconhecer minha própria ação, redobro, isso sim, a atenção que nela é colocada e, dessa forma, transformo aquela ação em alguma forma de ornamento do Eu, em uma formulação da minha autoimagem duas vezes replicada: a mim e ao outro. O ideal de Eu – o narcisismo – é então alimentado.

 QUAL LIMITE?

Chega-se aqui a dois caminhos diversos: o da ação altruísta que culmina em alimento do Eu pelo reconhecimento público, via rede social; e o da ação altruísta que desconhece a si mesma e que não se duplica em favor de minha autoimagem. Diante das armadilhas do amor narcísico, suspendemos a resposta de nossa questão inicial e a elevamos à qualidade de um novo questionamento: qual seria o limite entre, por um lado, me despojar do Narciso que há em mim, em direção ao outro, e (contraditória e simultaneamente), por outro lado, alimentar meu Eu com uma satisfação que pode ser mensurada por likes e por compartilhamentos?

Sem querer tachar o compartilhamento de postagens como algo que contenha em si a essência da ação narcísica, é importante apontar para as possíveis armadilhas que o Eu prepara para ele mesmo quando, por vezes, ao se direcionar a um objeto externo não percebe ser esse objeto uma duplicação de si mesmo (do Eu), que é por si só investido de energia psíquica. Essa é a principal dificuldade que se apresenta quando se tenta pensar o altruísmo psicanaliticamente, porém sem levar em conta o narcisismo. Isso porque, como vimos, de acordo com a Psicanálise, mesmo uma ação aparentemente altruísta traz ganhos psíquicos para quem a pratica (tais como o reconhecimento social, e a valoração que o outro dá à minha ação).

 O OUTRO

Psicanálise convida a uma visita ao Narciso que há em cada um para, quem sabe, poder compreender as dimensões das ações, de tal modo que elas não sejam mais apenas baseadas em imagens, mas que possam, de fato, incluir o outro nessa trama de amor de Eu para Eu. Com isso, é possível e provável que a ação ou a mensagem não se inicie e se encerre em mim, ou no Outro, mas que, em vez disso, ela possa chegar ao outro, ou seja, a outro semelhante.

Segundo Lacan, há uma diferença entre o “dito” (que se refere ao campo dos saberes enquanto enunciados – em nosso caso postados, ou seja, conscientes) e o “dizer” (que é da ordem do inconsciente e da outra cena que esse dizer implica). O dizer é pensar a ação enquanto sendo feita, e não como estando pronta, finalizada; é questionar os desdobramentos dessa ação. Mais do que encerrar (como fazem o dito, o feito, a imagem, o post), o dizer nos impele a questionar aquele a quem se diz, procurando também pelo motor daquilo que se diz, aqui no caso do que se posta.

Pois, como afirma Lacan, “um discurso que não se articula por dizer alguma coisa é um discurso de vaidade”.

Satisfação do eu. 2

A REPRESENTAÇÃO DE SI MESMO

Segundo a mitologia grega, Narciso era filho do deus Cefiso e da ninfa Liríope, e, apesar de ser muito belo e atraente, preferia viver sozinho. Ao ser alvo de mais um dos muitos amores por ele não correspondidos, Narciso acaba sendo amaldiçoado com a seguinte sina: dali em diante, o seu amor (aquele por quem ele se apaixonasse) seria tão intenso quanto impossível de se concretizar. Certo dia, ao se inclinar para beber das águas cristalinas e límpidas do lago de Eco (uma ninfa das montanhas que, anteriormente, também se apaixonara pelo belíssimo protagonista do mito), Narciso se encanta ao ver a sua imagem ali refletida – sem saber ser ela uma simples representação de si mesmo, espelhada na água – e por ela se apaixona, tentando inutilmente alcançar o próprio reflexo. O desfecho da história mostra que Narciso foi tragado pelo rio, nascendo uma flor solitária no local de sua morte, o “narciso”.

Satisfação do eu. 3

CAMPO DA VERDADE

Lacan chama o Outro de “campo da verdade”, isto é, um “lugar em que o discurso do sujeito ganha consistência, e onde ele se coloca para se oferecer e ser ou não refutado”. O conceito de “campo da verdade” não contém necessariamente em si algum efeito de verdade; ele apenas se apresenta como verdade, sem, porém, apontar para a verdade do sujeito, que é inconsciente. Assim, Lacan define o Outro como esse campo que se propõe o campo dos saberes e das verdades, enquanto que o outro (com inicial minúscula) permanece sendo o outro semelhante, a outra pessoa.

 

OUTROS OLHARES

A PLANTA QUE CURA

Anvisa convocará consulta popular sobre a liberação do plantio e da produção de medicamentos à base de maconha. O cultivo individual continuará proibido

A planta que cura

Em breve, crianças que sofrem de epilepsia severa talvez tenham a seu dispor um remédio nacional mais barato e legalizado feito à base de maconha para conter suas crises. Outros doentes de autismo, câncer, esclerose múltipla e dores crônicas também poderão ter medicamentos similares. Tudo depende, no entanto, da aprovação popular que será dada ou não em consulta que será convocada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Se a população disser sim, as empresas poderão fazer o plantio, sempre em lugares fechados e sob condições rigorosas de segurança. As audiências públicas serão feitas ao longo de dois meses e o diretor-presidente da Anvisa, William Dib, espera que haja uma legislação publicada e pronta até o fim do ano. Caso haja a liberação, ocorrerá o barateamento de remédios, produzidos no Brasil, em torno de 30% em comparação com os importados.

Há uma demanda crescente por remédios à base de cannabis por causa de sua reconhecida eficácia no tratamento de algumas doenças. Nos últimos quatro anos, foram concedidas cerca de sete mil autorizações para importação desse tipo de medicamento, especialmente do canabidiol, usado em casos de epilepsia em crianças. As associações que promovem o uso medicinal da cannabis calculam que atualmente existam outros 60 mil brasileiros que usam o produto de forma clandestina, devido aos altos preços dos importados e aos custos jurídicos para viabilizar a importação.

Para as associações pró-cannabis, a decisão da Anvisa representa um pequeno avanço, mas está longe de ser uma solução. “A decisão dessa semana é só o início do debate, mas é muito importante que o tema, sempre tratado como um tabu, seja discutido cientificamente”, afirma Patrick Ferrer, diretor jurídico da Associação Brasileira dos Usuários de Canabidiol (Abuc). O principal problema identificado na medida é que a Anvisa não libera o cultivo individual ou o associativo e privilegia os interesses da indústria farmacêutica e a plantação exclusivamente em lugares fechados – a rigor, tal precaução está correta, porque seria impossível fiscalizar o plantio indiscriminado dessa planta. Tal proposta só é defendida por radicais. “O passo dado pela Anvisa é muito pequeno diante do tamanho da necessidade. O que precisamos é de um acesso realmente democrático”, diz Maria Aparecida de Carvalho, de 51 anos, casada com Fábio e mãe de Clarian, de 16 anos, que sofre da Síndrome de Dravet, uma epilepsia cujas convulsões são persistentes e não cessam com terapias convencionais. Segundo a mãe, com o uso de óleo de canabidiol, as crises de Clarian diminuíram 80% e passaram a ser menos intensas.

A planta que cura. 2 PLANTIO DOMÉSTICO

Na audiência da Anvisa, em Brasília, além da regulamentação para o cultivo com fins medicinais uma outra resolução foi aprovada que estabelece “procedimentos específicos para registro e monitoramento de medicamentos feitos à base de cannabis ou de seus derivados e análogos sintéticos”. O plantio doméstico ainda seguirá proibido no Brasil, embora existam cerca de 40 pessoas que conseguiram a liberação do cultivo próprio por meio de habeas corpus. É o caso de Maria Aparecida e também do designer Gilberto Castro, de 45 anos, que sofre de esclerose múltipla e, desde 2014, mantém um jardim de cannabis na sua casa. Aposentado e sofrendo com as sequelas da doença, Gilberto conseguiu depois de quatro ações judiciais uma autorização, em 2016, para manter o cultivo próprio. “A decisão da Anvisa ajudará algumas pessoas, mas muitas ainda dependerão do cultivo caseiro”, diz. Depois que começou a consumir a planta, Castro não teve mais nenhum surto.

O grande empecilho para o uso legal da maconha no tratamento de saúde, além das limitações legais, é o preço. Medicamentos à base de cannabis custam caro. No Brasil, o único disponível nas farmácias é o Mevatyl, registrado em outros países com o nome de Sativex, desenvolvido para o tratamento da esclerose múltipla. Ele inibe os espasmos causados pela doença. Uma embalagem de Mevatyl, registrado pela Anvisa no início de 2017, não sai por menos de R$ 2,5 mil. Para quem importa canabidiol, dependendo da quantidade que o doente necessita, o custo mensal pode superar R$ 1,5 mil. A proposta da Anvisa tem chances de ser aprovada, mas obstáculos devem aparecer. O principal adversário do uso medicinal é o próprio governo. O ministro da Cidadania, Osmar Terra, já declarou que a considera uma medida “irresponsável” da Anvisa. O governo deve trabalhar para atrasar a liberação da produção local, indicando um membro para uma vaga em aberto na diretoria da agência – o que de fato ele tem direito, assim como gestões anteriores. De todo modo, até na comunidade científica, existe um clima favorável ao uso medicinal da maconha.

A planta que cura. 3

GESTÃO E CARREIRA

PESQUISA: O QUE ELES E ELAS QUEREM

Depois de ouvir mais de 17 mil pessoas, sendo cerca de 10 mil mulheres e 7 mil homens por meio de uma pesquisa on-line, feita no início de março, o Love Mondays, plataforma em que profissionais avaliam as empresas onde trabalham, percebeu o que os brasileiros e as brasileiras mais desejam no ambiente de trabalho

Pesquisa - O que eles e elas querem

De uma forma em geral, as respostas foram bem semelhantes entre os dois grupos. Quando perguntados sobre o que mais valorizam na vida profissional, a maior parte (45,6% das mulheres e 40,3% dos homens) respondeu “superar desafios e me desenvolver”. Em segundo lugar para ambos aparece “trabalhar com um propósito maior”, seguido por “estabilidade no emprego”. Mas homens e mulheres diferem quanto ao quarto e quinto lugares: para elas, ter um bom relacionamento com os colegas vem antes de ter um bom salário; para eles, a ordem se inverte.

Pesquisa - O que eles e elas querem. 2
DESAFIOS PROFISSIONAIS

A pesquisa também perguntou aos respondentes qual seu maior desafio ao pensar na vida profissional como um todo. Os resultados foram bastante semelhantes entre homens e mulheres. O desafio mais citado por ambos os grupos foi “alcançar estabilidade financeira”, seguido por “achar um trabalho com o qual eu me identifique”. “Manter-me motivado” aparece em terceiro lugar, à frente de “conseguir reconhecimento”, “conciliar vida pessoal e trabalho” e “manter-me atualizado”.

“Esses resultados sugerem que os profissionais brasileiros querem se desenvolver e trabalhar com propósito, mas têm dificuldade de aliar isso à estabilidade financeira”, afirma Luciana Caletti, cofundadora e CEO do Love Mondays.

Pesquisa - O que eles e elas querem. 3