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ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 26: 47–56

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Cristo é traído por Judas.

O Servo do Sacerdote é Agredido por Pedro. Cristo E Abandonado pelos seus Discípulos

 Somos informados aqui de como o bendito Senhor Jesus foi apanhado e levado preso. Isto se seguiu imediatamente à sua agonia, enquanto Ele ainda falava; porque desde o início até o fim de sua paixão, Ele não teve a mínima interrupção ou pausa, mas a situação só se agravou. Sua dificuldade, até este ponto, havia sido em seu interior; mas agora o cenário está mudado, agora os filisteus estão sobre ti, bendito Sansão. “O respiro das nossas narinas, o Ungido do Senhor, foi preso nas suas covas” (Lamentações 4.20).

Agora, com respeito à prisão do Senhor Jesus, observe:

I – Quem eram as pessoas que foram empregadas nessa situação.

1. Aqui estava “Judas, um dos doze”, na frente de sua guarda infame; ele foi o guia para aqueles que prenderam Jesus (Atos 1.16); sem a sua ajuda, eles não poderiam tê-lo encontrado em seu retiro. Observe e se admire; o primeiro que aparece com os seus inimigos é um dos seus próprios discípulos, que, uma ou duas horas antes, estava comendo pão com ele!

2. Aqui estava, com Judas, uma grande multidão, para que a Escritura pudesse ser cumprida: “Senhor, como se têm multiplicado os meus adversários!” (Salmos 3.1). Essa multidão era composta, em parte, por um destacamento dos guardas que foi colocado na torre de Antonia pelo governador romano; esses eram gentios, pecadores, como Cristo os chama (v. 45). Os demais eram servos e oficiais do sumo sacerdote, e eram judeus; aqueles que divergiam uns dos outros, puseram-se de acordo contra Cristo.

II – Como eles estavam armados para esta empreitada.

1. Com que armas eles estavam armados: eles vieram “com espadas e porretes”. Os soldados romanos, sem dúvida alguma, tinham espadas; os servos dos sacerdotes, aqueles que não possuíam espadas, levaram porretes e varas. Furor arma ministra Sua fúria fornecia as suas armas. Eles não eram tropas regulares, mas uma turba agitada. Mas para que todo esse trabalho? Se eles fossem dez vezes mais em quantidade, não poderiam tê-lo prendido se Ele não tivesse permitido; e, tendo chegado a sua hora de renunciar a si mesmo, toda essa força foi desnecessária. Quando um açougueiro entra no campo par a pegar um cordeiro para matar, ele levanta uma milícia e vem armado? Não, ele não precisa disso; no entanto, toda essa força foi usada para apanhar o Cordeiro de Deus.

2. Com que mandado eles estavam armados. “Eles vinham dos príncipes dos sacerdotes, e anciãos do povo”; essa multidão armada foi enviada por eles para essa missão. Ele foi preso por ordem do grande sinédrio, como uma pessoa que lhes era odiosa. Pilatos, o governador romano, não lhes deu nenhum mandato de busca, porque não tinha inveja de Jesus; mas os homens que fingiam agir em nome da religião, e presidiam os assuntos da sinagoga, é que estavam ativos nessa perseguição, e eram os inimigos mais vingativos que Cristo tinha. Esse era um sinal de que Ele era apoiado por um poder divino, porque Ele não só foi desertado por todos os poderes terrenos, mas foi atacado por eles. Pilatos lançou lhe isto em rosto: ”A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim” (João 18.35).

III – O modo como isso foi feito, e o que se passou nesse período.

1. Como Judas o traiu; ele fez esse acordo de forma eficiente, e a sua resolução nessa maldade pode envergonhar a todos nós que falhamos naquilo que é bom. Considere:

 

(1)  As instruções que ele deu aos soldados (v. 48): “Ele lhes deu um sinal”; como o comandante do grupo nessa ação, ele dá a palavra ou o sinal. Ele lhes deu um sinal, para que não prendessem por engano um dos discípulos em vez dele, tendo os discípulos recentemente dito, aos ouvidos de Judas, que estariam dispostos a morrer por Ele. Que abundância de cuidados, aqui, para não deixar de prendê-lo: “O que eu beijar é esse”; e quando eles o prenderam, para não deixá-lo fugir: “Prendei-o”; porque Ele algumas vezes tinha escapado daqueles que pensavam tê-lo segurado (Lucas 4.29,30). Embora os judeus que frequentavam o templo o conhecessem, os soldados romanos talvez nunca o tivessem visto, e o sinal tinha a finalidade de orientá-los. E Judas, através de seu beijo, tinha não só a intenção de identificá-lo, mas de detê-lo, enquanto eles viriam por trás, e colocariam as suas mãos sobre Ele.

(2)  A saudação hipócrita que ele fez ao seu Mestre. “Ele se aproximou de Jesus”. Se alguma vez o coração mau de Judas pensou em voltar atrás, isso certamente aconteceu naquele momento. Quando veio olhá-lo no rosto, ele deve ter ficado admirado com a sua majestade, ou encantado pela sua beleza. Judas ousa colocar-se diante de sua presença e traí-lo? Pedro negou a Cristo, mas quando o Senhor virou-se e fitou-o, ele vacilou imediatamente. Porém, Judas se coloca diante da face de seu Mestre, e o trai. Ele disse: “Eu te saúdo, Rabi”. E beijou-o. Parece que o nosso Senhor Jesus tinha por hábito permitir um certo grau de familiaridade consigo, dando-lhes a sua face para beijar depois de eles terem estado ausentes por algum tempo, o que Judas maldosamente usou para facilitar essa traição. Um beijo é um sinal de lealda­ de e amizade (Salmos 2.12). Mas Judas, quando violou todas as leis do amor e do dever, profanou esse sinal sagrado para servir ao seu propósito. Note que há muitos que traem a Cristo com um beijo, e o saúdam, dizendo Rabi. Sob o pretexto de honrá-lo, traem e desprezam os interesses de seu reino. Abraçar é uma coisa, amar é outra. O beijo de Joabe e o beijo de Judas foram muito parecidos.

(3)  Como o seu Mestre o recebeu (v. 50).

[1] Ele o chama de amigo. Se Jesus o tivesse chamado de canalha, traidor, maldito, louco, e filho do diabo, não teria dito nada errado; mas Ele nos ensinou, sob a maior provocação, a suportar a amargura e a calúnia, e a mostrar toda mansidão. ”Amigo”, porque Judas tinha sido um amigo, e deveria ter sido, e até parecia ser. Assim o Senhor Jesus o repreende, como Abraão, quando chamou de filho o homem rico que estava no inferno. Jesus o chama de amigo, porque Judas promoveu os seus sofrimentos, e assim agiu como seu amigo; ao passo que Jesus chamou a Pedro de Satanás, por tentar impedir os seus sofrimentos.

[2] Ele lhe pergunta: “‘A que vieste?’ É paz, Judas? Explica-te; se tu vens como um inimigo, o que significa este beijo? Se como um amigo, o que significam estas espadas e porretes? A que vieste? Que dano fiz a ti? Em que te desgastei? Qual é a razão da tua presença? Por que não tens tanta vergonha, quanto a manter-se fora da vista, o que poderias ter feito, mesmo comunicando ao oficial onde eu estava?” Este foi um exemplo de grande insolência, através do qual Judas se mostra atrevido e descarado nessa transação iníqua. Mas é habitual que os apóstatas da religião sejam os seus inimigos mais amargos. Juliano é prova disso. Portanto, Judas fez a sua parte.

2. Como os oficiais e os soldados o prenderam: ”Aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus e o prenderam”; eles o fizeram seu prisioneiro. Como não estavam com medo de estender as suas mãos contra o Ungido do Senhor? Podemos muito bem imaginar que mãos rudes e cruéis elas eram, as mãos que essa multidão bárbara colocou sobre Cristo; e como certamente o trataram de modo tosco, por terem tão frequentemente ficado desapontados quando procuraram colocar as suas mãos sobre Ele. Eles não poderiam tê-lo prendido, se Ele não tivesse se entregado, e sido entregue “pelo determinado conselho e presciência de Deus” (Atos 2.23). Aquele que disse a respeito de seus servos ungidos: “Não toqueis nos meus ungidos” (Salmos 105.14,15), não poupou a seu Filho ungido, mas o entregou por todos nós; e outra vez, “deu a sua força ao cativeiro, e a sua glória à mão do inimigo” (Salmos 78.61). Veja qual foi a queixa de Jó (cap. 16.11): “Entrega-me [ou entregou-me] Deus ao perverso”. Esta e outras passagens no livro de Jó tipificam a Cristo.

O nosso Senhor Jesus foi feito prisioneiro, porque Ele seria tratado, em todas as coisas, como um criminoso, punido pelo nosso crime; e como um penhor Ele seria confiscado pela nossa dívida. O jugo das nossas transgressões estava ligado pela mão do Pai ao pescoço do Senhor Jesus (Lamentações 1.14). O Senhor Jesus se tornou um prisioneiro, para que pudesse nos colocar em liberdade. Ele disse: “Se, pois, me buscais a mim, deixai ir estes” (João 18.8); e aqueles que Ele liberta certamente estão livres.

3. Como Pedro lutou por Cristo, e sentiu as suas dores. Aqui ele é mencionado apenas como um dos que estavam com Jesus no jardim; mas em João 18.10, somos informados de que foi Pedro quem se distinguiu nessa ocasião. Observe:

(1)  A precipitação de Pedro (v. 51). Ele “puxou a espada”. Entre todos eles, só haviam duas espadas (Lucas 22.38), e parece que uma delas foi deixada com Pedro; e agora ele achou que seria a hora de puxá-la, e deu golpes impetuosos à sua volta como se tivesse feito algo muito importante; mas tudo o que ele fez foi cortar uma orelha de um servo do sumo sacerdote. Ê provável que Pedro desejasse arrancar-lhe a cabeça, pelo fato de tê-lo visto mais à frente do que os demais que colocavam as mãos em Cristo; mas ele deve ter errado o golpe, decepando então a orelha daquele homem. Porém, se Pedro estivesse lutando, em meu pensamento ele deveria ter antes mirado Judas, e tê-lo marcado como um trapaceiro. Pedro havia falado muito do que faria pelo seu Mestre, e disse que até mesmo sacrificaria a sua vida por Ele; sim, ele faria isso. E agora ele seria tão bom quanto a sua palavra, e arriscaria a sua vida para resgatar o seu Mestre. Até este ponto, ele era louvável por demonstrar um grande zelo por Cristo, por sua honra e segurança. Mas Pedro não agiu de acordo com o conhecimento, nem foi guiado pela discrição, porque:

[1] Ele fez isso sem autorização; alguns dos discípulos realmente perguntaram: “Senhor, feriremos à espada?” (Lucas 22.49). Mas Pedro golpeou antes que tivesse uma resposta. Devemos ver não só a nossa boa causa, mas o nosso chamado claro, antes de puxarmos a espada; devemos mostrar com que autoridade fazemos aquilo que fazemos, e quem nos deu esta autoridade.

[2] Ele indiscretamente expôs a si mesmo e aos seus companheiros discípulos à fúria da multidão. Porque, o que eles poderiam fazer com apenas duas espadas, contra um bando de homens?

(2)  A repreensão que o nosso Senhor Jesus lhe fez (v. 52): “Mete no seu lugar a tua espada”. O Senhor não ordenou aos oficiais e soldados que guardassem as suas espadas, que foram puxadas contra Ele; o Senhor os deixou a critério de Deus Pai, que julga aquele s que estão fora; mas Ele ordena a Pedro que guarde a sua espada, não o censurando, na verdade, pelo que fez, porque foi feito com boa intenção, mas interrompendo a sua ação, estabelecendo que não haja um precedente. A missão de Cristo no mundo é fazer a paz. Note que “as armas da nossa milícia não são carnais, mas espirituais”; e os ministros de Cristo, embora sejam seus soldados, não guerreiam com a carne (2 Coríntios 10.3,4). Isso não significa que a lei de Cristo derrube a lei da natureza ou a lei das nações, na medida que esses códigos se colo­ quem em defesa de seus direitos e liberdades civis, e de sua religião de uma forma legal; mas ela sustenta a preservação da paz e da ordem pública, proibindo que qualquer pessoa resista aos poderes estabelecidos. Não, temos um preceito geral para que não resistamos ao mal (cap. 5.39), nem Cristo mandará que os seus ministros propaguem a sua religião pela força das armas: A religião não pode ser forçada; e deve ser defendida, não matando, mas morrendo. Assim como Cristo proibiu os seus discípulos de tentarem dominar o mundo através da espada (cap. 20.25,26), aqui Ele proíbe a espada da guerra. Cristo ordenou que Pedro guardasse a sua espada, e nunca lhe ordenou que fizesse uso dela novamente.  No entanto, Pedro é culpado, aqui, de fazer isso intempestivamente; havia chegado a hora de Cristo sofrer e morrer. O Senhor sabia que Pedro conhecia isso, e a espada do Pai foi levantada contra Ele (Zacarias 13.7). Ao puxar a sua espada, Pedro estava dizendo: “Mestre, poupe a ti mesmo”.

Três razões que Cristo dá a Pedro para essa repreensão:

[1] Puxar a espada seria uma atitude perigosa tanto para Pedro como para os seus companheiros discípulos. “Todos os que lançarem mão da espada à espada morrerão”. Aqueles que usam a violência, cairão pela violência; e os homens apressam e aumentam os seus próprios problemas proferindo ameaças de métodos sangrentos de defesa pessoal. Aqueles que pegam a espada antes de lhes ser dadas, que a usam sem um mandato ou autorização, expõem a si mesmos à espada de guerra, ou à justiça pública. Se não tivesse sido pelo cuidado e providência especiais do Senhor Jesus, Pedro e o restante deles, pelo que sei, teriam sido feitos em pedaços imediatamente. Grotius dá um outro sentido provável à expressão do Senhor, como se os oficiais e os soldados que vêm com espadas para prender a Cristo é que fossem morrer pela espada, e não Pedro. “Pedro, você não precisa puxar a espada para puni-los. Deus Pai certamente, em breve, ajustará contas com eles de uma forma severa”. Eles pegaram a espada romana para prender a Cristo, e pela espada romana, não muito tempo depois, eles, o seu lugar, e a sua nação foram destruídos. Portanto, não devemos nos vingar, porque Deus Pai retribuirá (Romanos 12.19); portanto, devemos sofrer com fé e paciência, porque os perseguidores serão pagos com a sua própria moeda. Veja Apocalipse 13.10.

[2] Era desnecessário alguém puxar a sua espada em defesa de seu Mestre, pois Ele, agora, se quisesse, poderia convocar a seu serviço todas as hostes celestiais (v. 53). “‘Ou pensas tu que eu não poderia, agora, orar a meu Pai e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?’ Pedro, se Eu fosse desviar estes sofrimentos, poderia fazê-lo facilmente, sem a tua ajuda e sem a tua espada”. Note que Deus não precisa de nós, dos nossos serviços, muito menos dos nossos pecados, para executar os seus propósitos; a nossa falta de confiança e a nossa falta de fé no poder de Cristo é evidenciada quando saímos do caminho da nossa obediência para servir aos seus interesses. Deus pode fazer a sua obra sem nós; se olharmos para os céus, e virmos como Ele é servido ali, poderemos facilmente inferir que, mesmo que sejamos justos, Ele não nos deve nada (Jó 35.5,7). Embora Cristo tenha sido crucificado em fraqueza, essa foi uma fraqueza voluntária. Ele se sujeitou à morte, não porque não pudesse lutar contra ela, mas porque não desejou fazê-lo. Isto remove a ofensa da cruz, e prova que o Cristo crucificado é o poder de Deus. Mesmo agora, na profundidade de seus sofrimentos, o Senhor Jesus poderia convocar a ajuda de legiões de anjos. “Agora”. “Embora a história já tenha passado, eu ainda poderia, com uma palavra, reverter todas as coisas”. Cristo aqui nos faz saber:

Em primeiro lugar, que grande interesse o Senhor Jesus demonstrou por seu Pai. Eu posso orar a meu Pai, e Ele enviará ajuda do santuário. Eu posso solicitar de meu Pai esses reforços. A oração de Cristo tem autoridade. Note que é uma grande consolação para o povo de Deus, quando está cercado de inimigos por todos os lados, ter um caminho aberto em direção ao céu. Se o povo de Deus não puder fazer mais nada, ele pode orar àquele que pode fazer todas as coisas. E aqueles que oram muito em outros momentos, têm uma grande consolação ao orar quando surgem os tempos turbulentos. Observe que Cristo disse não só que Deus poderia lhe enviar tal número de anjos, mas que, se Ele o pedis­ se, Deus o faria. Embora o Senhor tenha realizado a obra da nossa redenção, parece que se Ele tivesse desejado ser livre, o Pai não o teria impedido. Ele poderia ter se retirado, evitando tamanho sofrimento. Mas o Senhor Jesus amou a sua obra salvadora, e por essa razão Ele não se retiraria; assim, foi apenas com as cordas de seu próprio amor que Ele foi atado ao altar.

Em segundo lugar, que grande interesse Ele tinha pelas hostes celestiais. O Pai “lhe daria agora mais de doze legiões de anjos”, perfazendo mais de setenta e dois mil seres celestiais. Observe aqui:

1. Existe uma companhia inumerável de anjos (Hebreus 12.2). Um destaca­ mento de mais de doze legiões poderia ser cedido para o nosso serviço, e não haveria falta ao redor do trono. Veja Daniel 7.10. Eles são dispostos em ordem exata, como as legiões bem disciplinadas; não são uma multidão confusa, mas tropas regulares; todos conhecem o se u posto, e observam a palavra de comando.

2. Essa companhia inumerável de anjos está toda à disposição do nosso Pai celestial, e executa o seu beneplácito (Salmos 103.20,21).

3. Essas hostes angelicais estavam prontas para vir em auxílio do nosso Senhor Jesus em seus sofrimentos, se Ele tivesse precisado ou desejado isso. Veja Hebreus 1.6,14. Eles teriam estado com Ele como estiveram com Eliseu, em carros de fogo e cavalos de fogo, não só para protegê-lo, mas para consumir aqueles que procurassem atentar contra Ele.

4. O nosso Pai celestial deve ser visto e reconhecido em todos os ser viços das hostes celestiais: “Ele me daria”; portanto, não devemos orar aos anjos, mas ao Senhor dos anjos (Salmos 91.11).

5. É uma questão de conforto para todos os que desejam o bem do reino de Cristo, que haja um mundo de anjos sempre a serviço do Senhor Jesus, e que podem fazer maravilhas. Aquele que possui os exércitos do céu às suas ordens, pode fazer o que lhe agrada entre os habitantes da terra: “Ele me daria agora”. Veja como o Pai estava pronto a ouvir a oração do Senhor Jesus, e como os anjos estavam prontos a obedecer às suas ordens; eles são servos dispostos, mensageiros alados, eles voam rapidamente. Isto é muito animador para aqueles que desejam intimamente que Cristo seja honrado, e o bem-estar de sua igreja. Será que alguém pensa que tem mais cuidado e preocupação por Cristo e sua igreja, do que o próprio Deus e os seus santos anjos?

[3] Não era hora de fazer qualquer defesa, ou se oferecer para desviar o golpe: “Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?” (v. 54). Foi escrito que Cristo deveria “ser levado como um cordeiro para o matadouro” (Isaias 53.7). Se o Senhor Jesus chamasse os anjos para lhe auxiliarem, Ele não seria de modo algum levado para o matadouro; se Ele permitisse que os seus discípulos lutassem, Ele não seria levado silenciosamente e sem resistência; portanto, Ele e os seus discípulos deveriam se submeter ao cumprimento das profecias. Note que, em todos os casos difíceis, a Palavra de Deus deve ser conclusiva contra os nossos próprios conselhos, e nada deve ser feito, nada tentado, contra o cumprimento das Escrituras. Se o alívio das nossas dores, a quebra das nossas amarras, a salvação das nossas vidas, não coincidirem com o cumprimento das Escrituras, devemos dizer: “Que seja feita a vontade de Deus, que a sua Palavra seja cumprida, que a sua lei seja louvada e respeitada, a despeito daquilo que nos aconteça”. Assim Cristo deteve a Pedro, quando este quis se colocar como seu defensor, e capitão salva-vidas.

4. Em seguida, somos informados sobre como Cristo resolveu o caso com aqueles que foram buscá-lo (v. 55). Embora não tenha resistido a eles, o Senhor argumentou com eles. Note que condiz com a paciência cristã debater calmamente com os nossos inimigos e perseguido­ res quando estamos sob os nossos sofrimentos, como aconteceu no caso de Davi e Saul (1 Samuel 24.14; 26.18). “Saístes”:

(1)  Com fúria e hostilidade, como contra um ladrão, como se Eu fosse um inimigo para a segurança pública, e como se sofresse isso merecidamente? Os ladrões atraem para si mesmos o ódio comum; todos ajudarão a deter um ladrão; e então eles caíram sobre Cristo como a escória de todas as coisas. Se Ele tivesse sido a praga de sua nação, não poderia ter sido perseguido com mais empenho e violência.

(2)  Com todo esse poder e força, como contra o pior dos ladrões, que desafia a lei e a justiça pública, e acrescenta a rebelião ao seu pecado? Saístes, como para prender um salteador, com espadas e porretes, como se houvesse perigo de resistência; considerando que “matastes o justo; “ele não vos resistiu” (Tiago 5.6). Se ele não estivesse disposto a sofrer, seria loucura sair com espadas e porretes, porque eles não poderiam vencê-lo; se Jesus desejasse resistir, teria considerado o ferro como palha, e as suas espadas e porretes teriam sido como a sarça diante do fogo consumidor; mas, estando disposto a sofrer, foi tolice irem assim armados, porque Ele não iria discutir com eles.

Ele posteriormente debate com eles, lembrando-os de como havia se comportado com eles até aquele momento, e eles em relação a Ele.

[1] De sua presença pública: “Todos os dias me assentava junto de vós, ensinando no templo”. E:

[2] Da conivência pública deles: “E não me prendestes”. Qual o motivo dessa mudança? Eles foram muito irracionais, ao agirem com Ele como o fizeram. Em primeiro lugar, Ele não lhes havia dado motivo para considerá-lo como um ladrão, pois havia ensinado no Templo. E o assunto e a maneira de seu ensino era tal, que o Senhor Jesus foi manifestado na consciência de todos os que o ouviram como sendo um homem bom. As palavras bondosas que saíram de sua boca não foram palavras de um ladrão, nem de alguém que tinha um demônio. Em segundo lugar, Ele não lhes havia dado motivos para que o considerassem como um foragido da lei e da justiça, para que viessem à noite para capturá-lo; se eles tivessem alguma coisa para lhe dizer, poderiam encontrá-lo todos os dias no Templo, pronto para responder a todos os desafios, a todas as acusações, e ali poderiam fazer o que bem entendessem com Ele; porque os príncipes dos sacerdotes tinham a custódia do Templo, e o comando dos guardas que estavam em torno do Templo. Mas vir até Ele assim, clandestinamente, no local de seu retiro, era uma atitude vil e covarde. Desse modo, o maior herói pode ser perversamente assassinado em uma esquina, por alguém que, em campo aberto, tremeria só por encará-lo.

Mas tudo isso aconteceu (vê-se em seguida, v. 56) para que as Escrituras dos profetas pudessem ser cumpridas. Ê difícil dizer se essas foram as palavras do sagrado historiador, como um comentário sobre essa história, e uma instrução ao leitor cristão, para compará-lo com as Escrituras do Antigo Testamento, que apontavam para esse fato. Ou ainda se foram as palavras do próprio Cristo, como se estivesse expressando o motivo de tudo aquilo estar ocorrendo. Mesmo assim, Ele não poderia deixar de se ressentir por esse tratamento tão vil. Ele precisou se sujeitar à situação para que as Escrituras dos profetas pudessem se cumprir. O Senhor Jesus havia acabado de fazer uma referência a essa necessidade (v. 54). Note que as Escrituras se cumprem todos os dias; e todas as Escrituras que falam do Messias tiveram o seu pleno cumprimento em nosso Senhor Jesus Cristo.

5. Como Ele foi, em meio a essa aflição, vergonhosa­ mente desertado pelos seus discípulos: “Então, todos os discípulos, deixando-o, fugiram” (v. 56).

(1)  Esse foi o pecado deles; e foi um grande pecado para aqueles que haviam deixado tudo para segui-lo, agora deixá-lo por algo que nem sabiam o que era. Houve crueldade nisso, considerando a relação que havia entre eles, os favores que eles haviam recebido da parte dele, e as circunstâncias melancólicas que agora se apresentavam. Houve infidelidade nisso, porque eles haviam prometido solenemente se unir a Ele, e nunca abandoná-lo. Ele havia reivindicado o salvo-conduto deles (João 18.8); no entanto, eles não puderam confiar nisso, e fugiram vergonhosamente. Que coisa insensata foi essa; por medo da morte, fugiram daquele a quem conheciam e haviam reconhecido como a Fonte da vida? (João 6.67,68). “Senhor, que é o homem”!

(2)  Foi parte do sofrimento de Cristo, e acrescentou aflição às suas cadeias, ser dessa maneira desertado, como aconteceu com Jó (cap.19.13): “Pôs longe de mim a meus irmãos”. E também com Davi (Salmos 38.11): “Os meus amigos e os meus propínquos [ou companheiros] afastam-se da minha chaga”. Eles deveriam ter permaneci­ do com o Senhor, para servi-lo e apoiá-lo; e, se fosse necessário, deveriam ser testemunhas favoráveis a Ele em seu julgamento no tribunal. Mas eles traiçoeiramente o desertaram. Algo parecido aconteceu com o apóstolo Paulo, pois, em sua primeira defesa, nenhum homem ficou do lado dele. Porém, havia um mistério nisso.

[1] Cristo, como um sacrifício pelos pecados, foi assim abandonado. O cervo que, pela flecha do seu dono, é marcado para ser caçado e abatido é imediatamente abandonado por todo o rebanho. Nisso, Ele foi feito uma maldição por nós, pois foi deixado como alguém que é separado para o mal.

[2] Cristo, como o Salvador de almas, ficou assim sozinho. Ele não precisava, e não teve a ajuda de nenhum outro ao operar a nossa salvação. Tudo Ele suportou, e fez tudo sozinho. Ele pisou o lagar sozinho, e como não havia ninguém que o apoiasse, então o seu próprio braço trouxe a salvação (Isaias 63.3,5). Assim o Senhor, sozinho, conduziu o seu Israel; eles só precisaram “contemplar esta grande salvação” (Deuteronômio 32.12).

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POR QUÊ CRIAR O BLOG? POR QUÊ O TÍTULO?

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Nos dias atuais gastamos mais tempo conectados  que o diálogo e a leitura de livros de papel tornaram-se absoletos.  Em contrapartida, a leitura visual através de mídias vem crescendo e ocupando o tempo das pessoas que, imperceptíveis aderem aos novos hábitos. Assim, faz-se necessário que nós, os que ainda prezam pelos bons e velhos hábitos ajustarmos às novas necessidades e assim, servir de leme aos que naufragam  ante a ignorância não somente de conhecimento mas até mesmo de conhecimento de verdades que consolidam suas opiniões.

A igreja é ainda o principal elo de ligação entre a sociedade e as necessidades do homem para a aproximação do Criador e sua criatura. Àqueles que entendem que precisam se preparar melhor e que não encontram tempo para a leitura e seminários cuja presença física se faz  necessária, ofereço a oportunidade de compartilhar conhecimento e aprendizado acumulados ao longo de mais de vinte anos de caminhada e serviço cristão como uma forma de auxiliar na capacitação para transformar pessoas comuns em líderes extraordinários.

Fazendo assim, não só cresceremos na graça e conhecimento como glorificaremos o nome do Senhor entre povos e nações.

 

PSICOLOGIA ANALÍTICA

O TEMPO E O ESPAÇO NO CÉREBRO

Para entender conceitos relativos a localização, parece ser necessário aprender primeiro as noções associadas a temporalidade: pesquisas com voluntários que tiveram tensões neurológicas ajudam cientistas a compreender por que tendemos a imaginar o passado “à direita” ou “à esquerda”, dependendo da língua que falamos.

O tempo e o espaço no cérebro

Costumamos julgar a ideia abstrata de tempo em termos concretos de espaço. Dizemos, por exemplo, que estamos “ansiosos para o fim de semana” ou “que deixamos o passado para trás”. Esse modo de falar pode ser mais do que apenas metáfora. Um estudo publicado pelo periódico cientifico Psychological Science sugere que definir o espaço pode ser necessário para entender o tempo. Pesquisadores descobriram que, se não compreendemos o primeiro conceito com precisão, temos dificuldade com o outro.

Pessoas com a síndrome de negligência unilateral (que ignoram o que está do lado esquerdo) não se lembram de uma cena completa ou até mesmo deixam de comer metade da comida do prato após uma lesão ou acidente vascular cerebral (AVC) no lobo parietal inferior direito. Nesse novo estudo, cientistas investigaram como esses pacientes compreendem o tempo. Pessoas que falam idiomas escritos da esquerda para a direita, como o inglês ou francês, tendem a pensar a linha do tempo com o passado a esquerda e o futuro à direita. A equipe se concentrou em como a negligência unilateral pode alterar o lado esquerdo da cronologia mental, isto é, o pensamento sobre o passado.

Os cientistas selecionaram sete falantes do francês com negligência unilateral, sete pacientes com AVC sem a síndrome e sete pessoas saudáveis para participarem de um estudo simples de memória. Eles aprenderam alguns fatos sobre um personagem fictício, um homem de 40 anos chamado David. Algumas informações sobre ele faziam sentido dez anos no passado e outras só seriam possíveis em uma década no futuro. Os cientistas pediram, então, que os voluntários se lembrassem de todos os fatos que pudessem. Depois, deveriam dizer em que época aconteceram, aos 30 ou aos 50 anos de David. Como os pesquisadores suspeitavam, os participantes com diagnóstico de negligência unilateral tiveram dificuldade para recordar informações relacionadas ao passado, mas não ao futuro.

“Na hora de desenhar um rosto, por exemplo, as pessoas com esse tipo de dano cerebral podem representar apenas a sobrancelha e a orelha direitas ou agrupar todas as características desse lado”, explica a psicóloga Lera Boroditsky, autora do estudo, da Universidade da Califórnia, em San Diego. “As memórias ficam confusas: de alguma forma, os participantes tinham muita dificuldade de recordar elementos associados ao passado ou acreditar que fatos antigos aconteceram no futuro, diz.

A pesquisadora acredita que, quando perdemos a compreensão interna de espaço, a ordem correspondente de tempo é afetada. Ela pretende repetir o estudo com falantes de hebraico e árabe, que leem (e compreendem a linha do tempo) da direita para a esquerda, para verificar se negligenciam o futuro em vez do passado.

 QUANDO A DISTÂNCIA FÍSICA E A EMOCIONAL COINCIDEM

Tempo, espaço e relações sociais partilham uma língua comum de distância: falamos de lugares longínquos, amigos próximos e passado remoto. Talvez seja porque essas concepções dividem padrões comuns de atividade cerebral, de acordo com um estudo publicado no periódico científico Journal of Neuroscience.

Interessados em entender por que a metáfora de distância serve para diferentes domínios conceituais, psicólogos da Universidade de Dartmouth, em Hanover, nos Estados Unidos, usaram a ressonância magnética funcional para analisar o cérebro de 15 pessoas enquanto observavam objetos domésticos (próximos ou distantes), fotografias de amigos ou apenas conhecidos ou liam frases do tipo “em poucos segundos” ou “daqui a um ano”. Os padrões de atividade no lobo parietal inferior direito, uma região associada ao processamento de informações de distância, permitiram aos cientistas identificar quando os participantes pensavam sobre algo perto ou distante em qualquer categoria, o que indica que certos aspectos relacionados ao tempo, ao espaço e a relacionamentos são processados de maneira similar no cérebro. Segundo os pesquisadores, os resultados sugerem que as funções cerebrais superiores são organizadas mais em torno de cálculos, como perto em oposição a longe, do que domínios conceituais, como tempo ou relações sociais.

O tempo e o espaço no cérebro.2

OUTROS OLHARES

DÁ UMA LICENCINHA

Passageiros com transtorno psicológicos agora têm permissão para viajar de avião com seu animal de estimação – mesmo que seja um pato.

Da uma licencinha

Imagine a cena: nos Estados Unidos em um voo de cinco hora de Nova York para Los Angeles, o passageiro acomoda-se na poltrona e depara, instalado no assento ao lado com um pavão-azul.   Não, isso não aconteceu – mas, por pouco. Em janeiro, a artista plástica americana Ventiko queria porque queria embarcar com o exótico companheiro em um voo da United Airlines. A empresa vetou a entrada de Dexter, (o pavão, claro, tem nome) na aeronave e aproveitou a ocasião para fazer uma revisão e estabelecer limite mais claros em sua política de transportes dos chamados animais de suporte emocional, ou ESA, na sigla em inglês – uma categoria de pet cada vez mais comum no exterior e que está começando a pôr a patinha de fora no Brasil.

Só a concorrente Delta transporta anualmente cerca de 250.000 animais acomodados na cabine, junto aos donos. Eles se encaixam em três classes de, digamos, passageiro. Uma é o cachorrinho ou gato pequeno, levado em caixa apropriada. Outra é o animal de serviço, treinado para auxiliar pessoas com deficiência, principalmente cegos, que sabe se comportar e viaja solto. A terceira é o ESA, bicho de estimação do qual o dono não se separa porque ele lhe dá tranquilidade e confiança. Sua companhia é prescrita por psicólogos e psiquiatras, como parte do tratamento contra ansiedade, depressão e síndrome do pânico.

Ainda pouco reconhecidos no Brasil, os animais de suporte emocional são cada vez mais vistos no exterior em ambientes nos quais bichos não são bem-vindos, como lojas, cinemas, shows, palestras e, claro, viagens, levados por donos munidos de prescrição que atesta sua necessidade constante. A modelo Ana Cláudia Carttori, de 28 anos, erradicada em Nova York, conta que chegou a sofrer crises agudas de ansiedade e pânico antes de viagens de trabalho até encontrar um terapeuta nos Estados Unidos que lhe recomendou a adoção de um cachorro. “Minha vida mudou completamente com a chegada da Jazz”, afirma Ana Cláudia. Sempre que precisa voar, a cadela mestiça de labrador veste um coletinho com a sigla ESA, para facilitar a identificação. Ao contrário da maioria dos colegas, ela passou por um treinamento. “Aprendeu a não brincar, não correr e não fazer suas necessidades no avião. Ninguém é obrigado a viajar com um cachorro indisciplinado”, diz a modelo

Jazz não está sozinha em seu programa de viajante frequente na condição de fornecedora de suporte emocional. A United registrou um aumento de 75% nos pedidos desse tipo de transporte entre 2016 e 2017.  Na Delta, o salto foi de 84%. O designer Thiago Oliver, de 31 anos, mudou-se de São Paulo para Lisboa para cursar um mestrado em 2017 e teve dificuldade para embarcar no avião, com o chow-chow Yuri. Diagnosticado com depressão, Oliver diz que, precisa do gigante de pelos escuros para levar vida normal. “Nunca viajei sem o Yuri e fiquei aflito com a ideia de mudar de país sozinho”, explica. Decidido, gastou 3.500 reais em documentação (laudo psiquiátrico e vacinas) e treinamento do cão.

É compreensível que as empresas façam restrições ao ESA. Em novembro do ano passado, uma mulher foi expulsa de um voo da US Airways por falta de etiqueta higiênica de seu porquinho de estimação. Em 2016, passageiros da Delta se surpreenderam com a presença de um peru de apoio emocional. No mesmo ano, um macaco teve a viagem interrompida em uma escala nos Estados   Unidos por falta de documentação. Entre os animais indispensáveis ao dono já se registrou a presença de uma lhama e de um mini cavalo. Ao rever suas regras depois do incidente com o pavão Dexter, a United proibiu viagens na cabine de porco-espinho, furão, cobra, aranha e répteis, em qualquer circunstância. Também passou a exigir certificado de treinamento e atestado veterinário. Alguns passageiros estavam tentando tirar vantagem da política da empresa de poder levar a bordo os animais de suporte. Daí a razão das novas normas, mais restritas, afirma o americano Charles Hobart, porta-voz da United.

A psicóloga Silvana Prado, fundadora da ONG Patas Therapeutas explica o benefício de ter um animal de apoio para quem sofre de transtornos psicológicos.

“A ciência já provou que acariciar e cuidar de um animal estimula a produção de hormônios relacionados ao bem-estar, como a dopamina, a prolactina e a ocitocina”, diz. “Muitos portadores de transtornos psicológicos têm dificuldade para construir vinculo e cuidar de si mesmo, obstáculos que o laço com um animal, desprovido das cobranças e julgamentos que acompanham as relações humanas, pode ajudar a transpor “, afirma a psicóloga.

No Brasil não existe legislação relativa aos ESA, mas eles também começam a se fazer presentes nos aviões.  A Azul já permite o transporte dos animais nessa categoria em voo para os Estados    Unidos, onde eles são bem­ vindos. A Latam, a primeira a aceitá-los em trajetos nacionais, registrou um aumento de 70% no transporte de animais de assistência nos primeiros quatro meses deste ano, em comparação com o mesmo período no ano passado. Por mais que possam causar problemas, alguns bichinhos têm lá seu charme. Em 2016, o pato Daniel viralizou nas redes sociais ao viajar de Charlotte para Asheville, na Carolina do Norte.

Quietinho, de sapatinhos vermelhos, passou o trajeto de 50 minutos observando as nuvens pela janela enquanto era acariciado pelo dono. Um bom garoto.

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PASSARADA A BORDO

Ter estes animais cheios de penas e plumas dentro do avião pode ser tanto uma experiência indolor, a depender do comportamento da ave, como, estranha –  tão estranha que há companhias que vetam sua presença

Da uma licencinha.3

GESTÃO E CARREIRA

TODOS POR ELAS

Impulsionada por estudos que revelam o potencial de ganhos econômicos da igualdade de gêneros, o tema do avanço das mulheres no mercado de trabalho entra na agenda das grandes empresas – desta vez com ações práticas, metas e métricas.

Todos por elas

Dominada nos últimos anos pela crise financeira e pela recessão desencadeada por ela, a agenda do Fórum Econômico Mundial, realizado todo mês de janeiro em Davos, na Suíça, incluiu na mais recente edição um novo tópico: o da desigualdade de gêneros. Na esteira de dois estudos de grande repercussão, publicados pela consultoria McKinsey no ano passado, e dos desdobramentos da campanha Eles por Elas, da ONU Mulheres, os líderes de negócios reunidos na estância gelada levaram a discussão do tema da diversidade para um novo patamar: menos blá- blá- blá e mais ação. Em vez de debates abstratos sobre a importância de ampliar a representação feminina no mundo corporativo, as conversas se deram em cima de indicadores de desigualdade, metas de curto e médio prazo e do potencial de ganhos econômicos trazido por um cenário mais equilibrado.

Duas iniciativas de vulto chamaram a atenção. A primeira, do Conselho de Investimentos do Estado de Washington, que gerencia um dos maiores fundos de pensão dos Estados Unidos, visa estimular um salto na contratação de mulheres pelas indústrias de private equity e gestão de fundos. E a segunda, de alcance global, é capitaneada pela ONU Mulheres, como parte do programa Eles por Elas (lançado com alarde pela atriz britânica Emma Watson, em 2014). Trata-se do Impact 10x10x10, programa piloto envolvendo chefes de Estado, universidades e dez empresas multinacionais que se voluntariaram a liderar pelo exemplo e pavimentar o caminho para a igualdade de gêneros, implementando mudanças culturais e, sobretudo, estruturais. Ao todo, são 30 líderes globais, publicamente comprometidos com a aceleração do processo de igualdade de gêneros. Em Davos, eles apresentaram o primeiro relatório anual, divulgando informações sobre o percentual de mulheres nessas empresas, ocupando cargos de liderança, postos no conselho de administração e também entre as novas contratações. “Isso nos permite entender em que ponto essas empresas estão e, principalmente, em que direção caminham, quais são as tendências de gênero em cada uma delas”, diz Nadine Gasman, representante do escritório da ONU Mulheres no Brasil. “Pela primeira vez, temos em mãos um indicador de progresso em tempo real, um conjunto amplo de indica- dores que irá permitir uma análise profunda dos desequilíbrios de gênero em dez corporações globais.”

PÉ NA TÁBUA

Unilever, Barclays, Grupo Accor, Vodafone, PriceWaterhouse Coopers, McKinsey, Tupperware, Twitter, Schneider Electric e o conglomerado europeu de origem turca Koç compõem o grupo das primeiras dez empresas signatárias da iniciativa da ONU Mulheres que, além do compromisso de transparência, estabeleceram também três metas de curto prazo para acelerar o processo de construção de um mercado de trabalho igualitário. A pesquisa mais recente do Fórum Econômico Mundial sobre a evolução da representatividade das mulheres no mercado de trabalho sugere que, ao passo atual, levaríamos pelo menos mais 80 anos para alcançar a igualdade de gênero. Segundo os líderes reunidos pela ONU Mulheres, a economia mundial não pode esperar tanto. Juntas, essas dez empresas empregam mais de 1 milhão de pessoas, distribuídas por 180 países. Os compromissos assumidos por elas não estão circunscritos a seus escritórios-sede. Há metas assinaladas para fábricas e até programas de treinamento para agricultores. As iniciativas contemplam auditorias sobre paridade de gênero na cadeia de fornecedores e a determinação de metas que devem ser cumpridas por aqueles que não se enquadram e querem seguir como parceiros. O objetivo é acelerar o progresso em diversas esferas.

Na Schneider Electric, por exemplo, uma das metas é elevar de modo significativo a representação feminina em todos os níveis hierárquicos da empresa, em suas subsidiárias no mundo todo: até 2017, a multinacional europeia de distribuição de energia deve ter 40% de mulheres no nível de entrada, 33% no nível gerencial e 30% nos postos de alta liderança. O desafio não é pequeno. Nos cargos de liderança, o percentual de mulheres era de 22 % ao final de 2015. Mas a experiência da subsidiária brasileira indica que não se trata de um objetivo impossível. Comandada pela engenheira Tânia Cosentino (que assumiu o cargo de CEO em 2009 e, desde o início de 2013, é também presidente regional para a América do Sul), a Schneider já tem 40% de mulheres entre as executivas que se reportam diretamente à CEO. No ano passado, em toda a América do Sul, 46% dos profissionais contratados foram mulheres. “Não posso descansar enquanto não tiver um pool de executivas de alto potencial prontas para assumir posições de liderança”, diz Tânia.

Ela conta que, além das metas de recrutamento, há em curso diversas iniciativas de desenvolvimento e capacitação. O esforço é coordenado por dois grupos envolvendo os presidentes de todas as subsidiárias, que foram criados para garantir a capilaridade dos programas: a Plataforma de Liderança pela Igualdade de Gênero e o Women Advisory Board, voltado especificamente para a alta liderança. “Nesse processo, garantir que as executivas de alto potencial tenham acesso a um programa estruturado de mentores é fundamental”, ressalta Tânia. Única mulher a presidir a multinacional francesa no Brasil, a executiva de 50 anos conta que os mentores foram essenciais ao avanço de sua carreira, desde muito cedo. Ainda no colégio, Tânia foi estimulada por seus professores a fazer o ensino médio em uma escola técnica, devido ao seu interesse acima da média pela matemática. “É importante deixar claro que todos esses esforços têm como ponto de partida a competência: ela é condição inegociável para que as metas de representatividade sejam atingidas”, diz Tânia. “Os mentores apenas ajudam essas profissionais de alto potencial a desenvolver suas habilidades.” A segunda meta da Schneider Electric para o ano que vem endereça outra questão fundamental quando se trata da igualdade de gênero: a paridade salarial. O compromisso da empresa é ampliar o programa de equidade, que hoje cobre os 20 mil funcionários da sede francesa, para um total de 150 mil empregados (o que equivale a 85% de sua força de trabalho no mundo todo).

Embora não seja signatária do Impact 10x10x10, a brasileira Natura compartilha dessas duas metas, com prazos diferentes. Fátima Rossetto, diretora de RH, conta que uma das prioridades da companhia é atingir, até o ano de 2020, o índice de 50% de mulheres em cargos de liderança, considerando os níveis de diretoria e superiores. Hoje, esse percentual é de 29%. A Natura também é uma das poucas empresas a publicar, em seu relatório anual, uma série de indicadores segmentados por gênero, como dados sobre o número de funcionários homens e mulheres por nível hierárquico, bem como a proporção dos salários das mulheres em relação ao dos homens, por categoria funcional. “Dar transparência à paridade salarial é uma questão de maturidade da em- presa. É uma prática alinhada aos valores da companhia”, diz.

A FORÇA DOS NÚMEROS

Partindo do princípio que as empresas não têm como melhorar indicadores que não são medidos de forma sistemática, Sheryl Sandberg, COO do Facebook, se uniu à consultoria McKinsey para realizar uma pesquisa. Divulgada em outubro do ano passado, Women in The Workplace ouviu mais de 30 mil executivos e executivas de 118 grandes companhias americanas. O levantamento mapeou os principais pontos críticos, estabeleceu benchmarks e disponibilizou os dados para que os gestores de empresas possam se comparar a seus concorrentes e a outras indústrias. Segundo o Banco Mundial, as mulheres respondem hoje por 40% da força de trabalho, e por um percentual crescente dos diplomas universitários. A despeito dos muitos progressos, a retenção e a promoção de mulheres aos níveis hierárquicos mais altos permanece um desafio. Um em cada quatro executivos sênior são mulheres. Nas 500 maiores companhias americanas (S&P 500), as mulheres ocupam 19,2% dos postos nos conselhos de administração, um percentual que cai para 17% quando analisada a média global. No Brasil, esse número é um terço disso: só 5% dos conselheiros de administração são mulheres. Na Noruega, onde uma política de cotas foi implementada no final dos anos 90, elas representam 39%.

Desnecessário dizer que políticas de cotas são alvo de muita polêmica em todo o mundo. Por aqui, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) é contra. Acredita que o movimento pode gerar mais conflito de gêneros e que não teria impacto significativo sobre as situações de desigualdade de oportunidades. Andrea Menezes, CEO do banco sul-africano Standard Bank, que capitaneia no Brasil a comunidade internacional de mulheres conselheiras de administração (o Women Corporate Directors – WCD), pensa diferente. “Já fui contra as cotas e entendo quem ainda pensa assim”, diz. “Mas hoje defendo que precisamos de medidas extremas para uma situação extrema.” A executiva faz, no entanto, uma ressalva. Para ela, a política de cotas deve ser temporária e encarada apenas como um mecanismo para acelerar a chegada aos conselhos de mulheres extremamente bem preparadas. Ela mesma é um exemplo dessa mistura de oportunidade, planejamento e mérito. Física de formação e financista por vocação, passou pelo JP Morgan, Merrill Lynch e Lehman Brothers. Trabalhou na mesa de operações, na tesouraria e na área internacional antes de assumir a presidência do Standard Bank no Brasil, em 2012. Hoje, é também conselheira de seis startups. “Quem não tem competência não vai longe”, diz. Nem mesmo com cotas.

Acompanhar os índices de representação feminina nos diferentes níveis hierárquicos irá propiciar um melhor entendimento dos pontos de queda e permitir que estratégias específicas sejam desenhadas para endereçar essas perdas. Mariana Donatelli, gerente sênior da McKinsey no Brasil, participou nos últimos anos de estudos realizados pela consultoria como parte do programa Women Matter, que investiga questões de gênero e carreira em empresas do mundo todo. Diz que um grande ponto de inflexão nesse assunto é, sem dúvida, a maternidade – uma decisão que tem grande influência sobre o ritmo e o alcance do avanço das carreiras femininas. “Nas decisões sobre promoções ou expatriações, a vida pessoal da mulher sempre é incluída entre os fatores ponderados pelos superiores”, diz Mariana. “Por outro lado, a vida pessoal do homem muito raramente entra nessa equação.”

PONTO DE INFLEXÃO

Em geral, mulheres em idade de ter filhos (ou com filhos pequenos) são preteridas em processos de expatriação que, muitas vezes, são cruciais para o avanço da trajetória de um executivo. Andrea Alvares, vice-presidente de marketing e inovação da Natura, é uma das raras exceções. Quando trabalhava na PepsiCo, ela foi expatriada para a Argentina. Tinha dois filhos pequenos. O marido ficou no Brasil e ela se mudou com as crianças e uma babá. Ele passava uma semana inteira por mês com a família – nas outras três, as visitas se restringiam aos finais de semana. Quando a filha caçula nasceu, o arranjo começou a pesar e Andrea planejou com seus superiores a sua volta para o Brasil. “É preciso eleger prioridades e ficar em paz com elas.” Na volta, sua carreira não estagnou. Ela mudou novamente de área e liderou projetos que tiveram grande exposição dentro da companhia. Em janeiro deste ano, aceitou o convite para assumir a posição na Natura – e agora é uma de apenas duas mulheres presentes no corpo executivo da empresa.

Nessa seara, empresas do mundo inteiro vêm se mobilizando para implementar políticas de estímulo ao equilíbrio entre a vida pessoal e a carreira, visando não apenas a mulher, mas a família toda. Nos Estados Unidos, a Netflix estabeleceu a política de licença parental mais ousada de que se tem notícia: é ilimitada no primeiro ano de vida (ou de adoção) para o pai ou para a mãe, que pode escolher uma combinação de licença total, jornada de trabalho reduzida, home office integral ou home office part time. Por aqui, a agenda dos direitos da família, que contempla tanto a mãe quanto o pai, avança. Além das iniciativas privadas (a maioria vinda de subsidiárias que trazem esse tipo de cultura de suas sedes), uma lei sancionada no início de março deve estimular a prática – ou pelo menos o debate. Trata-se do Marco Legal da Primeira Infância, que estabelece uma série de regras de atenção a crianças de 0 a 6 anos e que tem como principal destaque a ampliação da licença paternidade para 20 dias. O benefício se aplica apenas aos funcionários de companhias que aderem ao programa Empresa Cidadã (que concede licença maternidade estendida, de seis meses em vez de quatro). Até então, a licença paternidade ampliada só podia ser usufruída por funcionários públicos de 13 estados brasileiros.

No fim de fevereiro, Melinda Gates fez da divisão das tarefas domésticas entre homens e mulheres o tema da carta que publica todos os anos para divulgar os desafios da Fundação Gates, que toca com o marido, Bill. Apontando a diferença no número de horas dedicadas diariamente ao trabalho não remunerado, que inclui as tarefas domésticas e os cuidados com os filhos, ela propõe um novo contrato social. “Imagine que metas surpreendentes você não poderia bater se tivesse uma hora extra por dia? Ou, no caso de muitas meninas de países pobres, cinco horas extras ou mais? Há muitas maneiras de responder a essa pergunta, mas é óbvio que uma boa parte dessas mulheres passaria mais tempo fazendo trabalhos remunerados, abrindo um negócio ou contribuindo de outra forma para o bem-estar econômico de sociedades ao redor do mundo. O fato de elas não poderem atrasa o desenvolvimento de suas famílias e comunidades”, diz Melinda.

POR QUE A IGUALDADE?

Mais do que uma questão ética e social, a igualdade de gêneros é vista como um imperativo de negócios. Diversos levantamentos mostram o seu impacto econômico. Empresas com alta representatividade de mulheres nos comitês executivos têm melhor performance financeira, com retorno médio sobre capital 47% maior que a de seus pares com menor índice de diversidade. Essa relação também foi confirmada pela comparação do faturamento bruto: nas empresas mais igualitárias, ele é 55% maior. E esse efeito sobre o resultado das empresas, evidentemente, se reflete na economia como um todo. O estudo O Poder da Paridade, publicado em setembro passado pelo McKinsey Global Institute, revela que zerar a desigualdade de gêneros em escala global viria a dobrar a contribuição das mulheres para o PIB mundial, já em 2025. Em um cenário de mercado de trabalho igualitário, US$ 28 trilhões seriam adicionados à economia do planeta – valor equivalente à soma das economias dos Estados Unidos e da China, em números de hoje.

Segundo os números levantados pela McKinsey, a contribuição da igualdade de gêneros é expressiva tanto para os países desenvolvidos quanto para os países em desenvolvimento. Em 46 das 95 nações estudadas, o crescimento do PIB em 2025 seria pelo menos 10% maior em um cenário de igualdade de gêneros. A Índia e a América Latina seriam as regiões em que esse impacto econômico seria maior. Para Tracy Francis, sócia-diretora da McKinsey no Brasil, além do impacto econômico, há nesses esforços para promover a igualdade de gêneros um componente de sustentabilidade dos negócios. “Hoje, cerca de metade dos profissionais formados por universidades de excelência é mulher. Não posso abrir mão de uma parte desses talentos sem consequências”, diz Tracy. “Sem contar que, comprovadamente, equipes mais igualitárias tendem a tomar decisões melhores e mais inovadoras.”

Todos por elas 2

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 27: 33-49 – PARTE I

Alimento diário

A Crucificação

Temos aqui o relato da crucificação de nosso Senhor Jesus Cristo.

I – O lugar onde o nosso Senhor Jesus foi morto.

1. Eles chegaram a um lugar chamado Gólgota, bem perto de Jerusalém, provavelmente o lugar público de execução. Se Jesus tivesse uma casa em Jerusalém, é provável que, para sua maior desgraça, eles o tivessem crucificado diante de sua própria porta. Mas então, no mesmo lugar onde os criminosos eram sacrificados para cumprir a justiça do governo, o nosso Senhor Jesus foi sacrificado para cumprir a justiça de Deus. Alguns pensam que o local era chamado de lugar da caveira porque ali se situava o ossuário público, onde os ossos e crânios dos mortos eram colocados lado a lado, fora do caminho, para que as pessoas não os tocassem e fossem assim contaminadas. Ali jaziam os troféus da vitória da morte sobre multidões de filhos dos homens; mas, ao morrer, Cristo destruiu o poder da morte. Ele adicionou essa circunstância de honra à sua vitória. Ele triunfou sobre a morte, no próprio campo em que a morte reinava.

2. Ali eles o crucificaram (v. 35). Pregaram suas mãos e seus pés na cruz, e então a levantaram, com o Senhor pendurado nela; pois essa era a maneira de os romanos crucificarem. Que os nossos corações sejam tocados pelo sentimento daquela dor cortante que o nosso bendito Salvador suportou, e olhemos para aquele que foi perfurado dessa maneira, e gemeu de tanta dor. Já houve alguma dor como a dele? E, quando contemplarmos a maneira como Ele morreu, observemos o quanto Ele nos amou.

II – O tratamento bárbaro e agressivo que eles dispensaram ao Senhor. Eles competiam em sagacidade e malícia para ver quem era superior. Como se a morte, um a morte tão sofrida, não fosse ruim o suficiente, eles contribuíam para aumentar o seu amargor e terror.

1. Pela bebida que eles providenciaram para Ele, antes que fosse pregado à cruz (v. 34). Era comum oferecer um cálice de vinho temperado àqueles que seriam mortos, conforme a orientação de Salomão (Provérbios 31.6,7): “Dai bebida forte aos que perecem”; mas naquele cálice do qual Cristo estava a ponto de beber, eles misturaram vinagre e fel para torná-lo azedo e amargo. Isso significava:

(1) O pecado do homem, que é uma raiz de amargura, que dá fel e absinto (Deuteronômio 29.18). O pecador talvez o revolva sob a sua língua como uma migalha, mas para Deus é uva de fel (Deuteronômio 32.32). Foi assim para o Senhor Jesus quando Ele tomou sobre si os nossos pecados, e mais cedo ou mais tarde será assim para o próprio pecador; amargura no final da vida, mais amarga do que a morte (Eclesiastes 7.26).

(2) Representava a ira de Deus, aquele cálice que Deus Pai colocara em sua mão, um cálice amargo, sem dúvida, como a água amarga que trazia a maldição (Números 5.18). Eles lhe ofereceram essa bebida como fora literalmente previsto (Salmos 69.21). E:

[1] Ele a provou, tendo assim o pior dela, sentindo o gosto amargo em sua boca. Ele não deixou de provai· o cálice da amargura, quando estava expiando toda a nossa predileção pecaminosa pelo fruto proibido. Ele estava provando a morte em todo o seu amargor.

[2] Ele não a beberia, pois não queria ter o melhor dela; o Senhor Jesus não queria ter nenhum narcótico par a diminuir a sua sensação de dor, pois Ele morreria de um modo que sentisse a morte em toda a sua força. Ele tinha uma grande obra a fazer como o nosso Sumo Sacerdote em seu esforço agonizante.

2. Pela partilha de suas vestes (v. 35). Quando eles o pregaram à cruz, arrancaram as suas vestes, pelo menos a parte de cima; pois, pelo pecado, ficamos nus, para nossa vergonha, e dessa maneira Ele comprou para nós trajes brancos para nos cobrirmos. Se formos, a qualquer tempo, despidos por Cristo de nossos consolos, suportemos isso pacientemente; Ele foi despido por nossa causa. Os inimigos podem tirar as nossas roupas, mas não podem nos privar de nossos melhores confortos; eles não podem tomar de nós as vestes de louvor. As roupas daqueles que são executados são o pagamento dos carrascos: quatro soldados foram utilizados para crucificar a Cristo, e eles devem, cada um, ter uma parte. A sua veste superior, se dividida, não seria útil para nenhum deles, e por isso resolveram lançar sortes sobre ela.

(1) Alguns pensam que a veste era tão fina e rica que valia a pena lutar por ela; mas isso pode não estar de acordo com a pobreza que Cristo aparentava.

(2) Talvez eles tivessem ouvido sobre aqueles que haviam sido curados ao tocar a orla de sua roupa, e a considerassem valiosa devido a alguma virtude “mágica” nela existente. Ou ainda (3) Eles esperavam conseguir dinheiro de seus amigos por uma relíquia sagrada como essa. Ou

(4) Por escárnio, eles pareciam lhe atribuir o valor das roupas de um rei. Ou

(5) Por diversão. Para passar. o tempo enquanto aguardavam a sua morte, eles jogavam dados pelas roupas; mas, quaisquer que fossem os seus desígnios, a Palavra de Deus é, nesse fato, cumprida. Em um famoso salmo, de cujas primeiras palavras Cristo fez uso do alto da cruz, está escrito: “Repartem entre si as minhas vestes e lançam sortes sobre a minha túnica” (Salmos 22.18). Isto nunca aconteceu a Davi, mas parece antes de tudo uma palavra direcionada a Cristo, de quem Davi falava em espírito. Então, essa parte da humilhação na cruz termina; pois parece ter sido por deliberação e conhecimento prévio de Deus. Cristo se despiu de suas glórias, para dividi-las entre nós.

Eles agora se sentaram e o vigiaram (v. 36). Os príncipes dos sacerdotes foram cuidadosos, sem dúvida, ao colocarem essa guarda, a fim de evitar que o povo, de quem eles ainda tinham muito medo, pudesse se revoltar e resgatá-lo. Mas a Providência assim o determinou, para que aqueles que foram designados para vigiá-lo, com isso se tornassem testemunhas irrepreensíveis dele. Tiveram a oportunidade de ver e ouvir aquilo que arrancou deles esta nobre confissão (v. 54): “Verdadeiramente, este era o Filho de Deus”.

3. Pelo título colocado sobre a sua cabeça (v. 37). Era comum justificar o julgamento público e humilhar ainda mais os malfeitores que eram executados, não apenas colocando um arauto à frente deles para anunciar, mas um manuscrito acima da cabeça deles para informar o crime pelo qual eles sofriam; assim, colocaram sobre a cabeça de Cristo, por escrito, a acusação contra Ele, para avisar ao público porque Ele fora condenado: “Este é Jesus, o Rei dos Judeus”. Isto, eles planejaram para sua vergonha, mas Deus desconsiderou tanto isso, que até mesmo a acusação contra Ele contribuiu para a sua glória. Pois:

(1) Nela não havia nenhum crime alegado contra Ele. Não estava escrito que Ele era um pretenso Salvador ou um Rei usurpador, embora eles pensassem assim (João 19.21); mas: Este é Jesus, o Salvador; com certeza, isso não era um crime. E a expressão “Este é o Rei dos Judeus” também não é um crime; pois eles esperavam que o Messias fosse assim. Dessa forma, o Senhor Jesus não cometeu nenhuma transgressão, nem mesmo contra os seus próprios inimigos, que estavam na posição de juízes. Ao contrário,

(2) Aqui estava uma verdade, muito gloriosa declarada a respeito dele, de que Ele é Jesus, o Rei dos judeus, aquele Rei que os judeus esperavam e a quem deviam ter e submetido; de modo que a acusação contra Ele corresponde a isto: que Ele era o verdadeiro Messias e o Salvador do mundo. Aqui vemos algo parecido com o caso de Balaão, quando foi enviado para amaldiçoar Israel, porém os abençoou completamente por três vezes (Números 24.10), pois Pilatos, em vez de acusar a Cristo como criminoso, o proclamou Rei por três vezes em três inscrições. Desse modo, Deus faz com que os homens sirvam aos seus propósitos, muito mais do que aos propósitos deles.

4. Pelos seus companheiros de sofrimento (v. 38). Havia dois ladrões crucificados com Ele, ao mesmo tempo e no mesmo lugar e sob a mesma guarda; dois assaltantes de estrada ou salteadores, é o significado correto da palavra no texto original. É provável que aquele fosse o dia designado como o dia das execuções; e por isso, eles apressaram o processo de Cristo pela manhã, para que o tivessem pronto para ser executado com os criminosos. Alguns pensam que Pilatos determinou que as coisas fossem feitas desse modo, para que o ato de justiça da execução desses dois ladrões pudesse reparar a injustiça que ele praticou ao condenar a Cristo. Outros, que os judeus o planejaram, para aumentar a ignomínia dos sofrimentos do nosso Senhor Jesus; seja como for, as Escrituras foram cumpridas aqui (Isaias 53.12): “Ele foi contado com os transgressores”.

(1)  Ser crucificado com eles era uma vergonha para Jesus. Embora, enquanto vivo, ficasse separado dos pecadores, na morte eles não foram separados, mas Ele foi obrigado a compartilhar com os mais baixos malfeitores os seus flagelos, como se Ele tivesse sido um parceiro em seus pecados; pois Ele se fez pecado por nós e tomou para si a semelhança da carne pecaminosa. Ele foi, em sua morte, contado entre os transgressores e compartilhou o seu destino com os perversos para que nós, em nossa morte, possamos ser contados entre os santos e ter o nosso destino entre os escolhidos.

(2)  Era uma vergonha adicional que fosse crucificado entre os dois, como se Ele tivesse sido o pior dos três, o principal malfeitor; pois, entre três, o meio é o lugar reservado ao chefe. Cada detalhe foi planejado para a sua desonra, como se o grande Salvador fosse, de todos, o maior pecador. Foram, também, concebidos para contrariá-lo e embaraçá-lo, em seus últimos momentos, os gritos, os gemidos e as blasfêmias desses malfeitores, que, provavelmente, fizeram uma gritaria terrível quando foram pregados na cruz. Mas, nesse caso, tudo isso comoveria o próprio Cristo, pois Ele estava presenciando os sofrimentos dos pecadores, e estava padecendo pela salvação deles. Alguns apóstolos de Cristo foram, mais tarde, crucificados – como, por exemplo, Pedro e André-, mas nenhum deles foi crucificado junto com Ele, para que não parecesse que eles tivessem compartilhado com Ele o pagamento do pecado do homem, bem como a compra da vida eterna e da glória. Por isso, Ele foi crucificado entre dois malfeito­ res que não poderiam contribuir de forma alguma para a dignidade de sua morte. Jesus Cristo, e só Ele, levou os nossos pecados sobre o seu próprio corpo.

5. Pelas blasfêmias e insultos com os quais eles o oprimiram quando estava pendurado na cruz. Porém, não está escrito que eles tenham lançado acusações contra os ladrões que foram crucificados com o Senhor: Seria de se pensar que, quando o pregaram na cruz, tivessem feito o pior possível, e que a maldade tivesse se dissipado: sem dúvida, se um criminoso for colocado no pelourinho ou levado em uma carroça, por ser uma punição inferior à morte, isto geralmente é acompanhado de tais expressões de maus tratos; mas um homem moribundo, mesmo um homem infame, deve ser tratado com compaixão. É uma vingança insaciável, sem dúvida, aquela que não pode ser saciada nem mesmo com a morte, e uma morte tão notável. Mas, para completar a humilhação de nosso Senhor Jesus, e para mostrar que enquanto estava morrendo Ele carregava a iniquidade, Ele foi, então, oprimido com acusações. E, pelo que parece, nenhum de seus amigos, que há alguns dias gritavam “Hosana” para Ele, foi visto ousando mostrar algum respeito por Ele.

(1)  O povo que passava o insultava. Seu sofrimento extremo e paciência exemplar nessa condição, não os modificava nem os fazia demonstrar piedade; mas aqueles que, por sua gritaria, o conduziram a isso, agora pensavam se justificar através de suas acusações, como se houvessem pra ticado o bem ao condená-lo. Eles o insultavam: eles disseram blasfêmias contra Ele; e eram blasfêmias no sentido mais exato, pois estavam falando com maldade daquele que não considerava crime o fato de ser igual a Deus. Considere agora:

[1] As pessoas que o insultavam; aqueles que passavam, os viajantes que seguiam ao longo da estrada, e era uma grande estrada, que ia de Jerusalém a Gibeão. Elas estavam dominadas pelos preconceitos contra Ele, pelos relatos e clamores das pessoas dominadas pelos sacerdotes da religião judaica. Ter urna boa opinião a respeito das pessoas e das coisas que são depreciadas e criticadas em todo lugar é algo difícil, e requer mais dedicação e determinação do que aquelas com que geralmente nos deparamos. Todos tendem a repetir o que diz a maioria, e atirar uma pedra contra aquilo cuja reputação é ruim.

[2] O gesto que usaram, em desrespeito a Ele, meneando a cabeça; isso indicava o triunfo deles através da sua degradação, e os seus insultos contra Ele (Isaias 37.22; Jeremias 18.16; Lamentações 2.15). A linguagem era: “Eia, sus, alma nossa (Salmos 35.25). Desse modo, eles insultavam aquele que era o Salvador de seu país, assim como os filisteus fizeram com Sansão, o destruidor de seu país. Esse mesmo gesto fora profetizado (Salmos 22.7): “Eles meneiam a cabeça para mim”. E também o Salmo 109.25.

[3] Os insultos e os escárnios que eles disseram. Estes são registrados aqui.

Em primeiro lugar, eles o censuraram quanto à destruição do Templo. Embora os próprios juízes tivessem percebido que o que Ele dissera fora distorcido (como entendemos em Marcos 14.59), ainda assim eles habilmente espalharam entre o povo, para induzir ao ódio contra Ele, que era seu objetivo destruir o Templo; nada inflamaria mais o povo contra alguém. E essa não foi a única vez em que os inimigos de Cristo haviam se dado ao trabalho de fazerem os outros pensarem dessa forma sobre a religião e o povo de Deus, cuja acusação eles próprios sabiam ser falsa e injusta: “‘Tu que destróis o templo’, aquela estrutura enorme e poderosa, usa esse poder para descer agora da cruz, remove esses pregos e salva-te a ti mesmo; se tens o poder que apregoas, esta é a hora adequada para manifestá-lo e demonstrá-lo; pois espera-se que todo homem faça o máximo que puder para salvar a si mesmo”. Isso transformou a cruz de Cristo em um tremendo obstáculo para os judeus; eles a consideraram inconsistente com o poder do Messias. Ele foi crucificado em fraqueza (2 Coríntios 13.4); assim lhes parecia. Mas, sem dúvida, o Cristo crucificado é o Poder de Deus.

Em segundo lugar, eles o censuraram por dizer que era o Filho de Deus: “Se és o Filho de Deus, desce da cruz”. Agora eles usam as palavras do Diabo, aquelas com as quais ele tentou o Senhor no deserto (cap. 4.3,6), e repetem a mesma agressão: “Se és o Filho de Deus”. Eles pensam que Ele deve provar agora que é o Filho de Deus ou nunca o fará; eles esqueceram de que Ele o havia provado pelos milagres que realizou, e, particularmente, ainda o faria ressuscitando dos mortos. Eles se recusavam a esperar pela prova completa, a sua própria ressurreição, a qual o Senhor Jesus havia tantas vezes mencionado. Se eles tivessem percebido realmente que Ele estava dizendo que iria ressuscitar, a humilhação da cruz teria sido antecipada. Este tipo de atitude resulta ele julgar as coisas pelos seus aspectos atuais, sem a de­ vida lembrança do que se passou e uma paciente espera pelo que pode acontecer no futuro.

(2)  Os príncipes dos sacerdotes e os escribas, os administradores da sinagoga judaica, os anciãos e os governantes o ridicularizaram (v. 41). Eles não pensaram que era suficiente convidar a multidão para fazê-lo, mas deram a Cristo a desonra, e a si mesmos, a diversão, reprovando-o em seus corações. Eles deviam estar no Templo em sua devoção, pois era o primeiro dia da festa dos pães asmos, quando deveria haver uma santa convocação (Levíticos 23.7); mas estavam aqui, em um lugar de execução, expelindo seu veneno contra o Senhor Jesus. Quão abaixo da grandeza e da seriedade de seu caráter estava isso! Podia qualquer outra coisa levá-los a se tornarem mais desprezíveis e baixos diante do povo? Podia-se pensar que, embora não temessem a Deus nem respeitassem o homem, ainda assim a prudência deveria lhes ter ensinado, sim, àqueles que tiveram uma grande participação na morte de Cristo, a se manter em o quanto pudessem nos bastidores e ficarem o menos possível à vista; mas nenhuma atitude má é tão ruim a ponto de a malícia não poder se agarrar a ela. Eles foram assim tão baixos, a ponto de causar um grande desgosto a Cristo. E será que devemos temer a aparente humilhaão ao nos juntarmos às multidões para glorificar ao Senhor, dizendo: “Se isto é ser vil, ele boa vontade me humilharei ainda mais?”.

Duas coisas pelas quais os sacerdotes e os anciãos tentaram censurá-lo.

[1] Disseram que Ele não podia salvar a si mesmo (v. 42). Ele havia sido ofendido anteriormente em seu ministério profético e real, e agora, em seu ministério sacerdotal, como o Salvador. Em primeiro lugar, eles tinham como certo que Ele não podia salvar a si mesmo, e por isso não tinha o poder que alegava ter, quando, na verdade, o Senhor Jesus não se livraria da morte porque morreria para nos salvar. Eles deviam supor: “Ele salvou a outros, portanto poderia salvar a si mesmo. E, se não o faz, é por alguma boa razão”. Mas, em segundo lugar, eles desejavam insinuar que, como Ele, agora, não salvava a si mesmo, toda a sua pretensão de salvar a outros nada mais era do que simulação e ilusão, e era algo que nunca, de fato, fora feito, embora a veracidade de seus milagres fosse demonstrada e estivesse além de qualquer contestação. Em terceiro lugar, eles o repreenderam por afirmar ser o Rei de Israel. Eles sonhavam com a pompa e o poder exterior do Messias, e por isso consideravam a cruz como algo completamente incompatível com o Rei de Israel e inconsistente com tal personagem. Muitas pessoas gostariam do Rei de Israel se Ele descesse da cruz, se eles pudessem ter o reinado dele sem a tribulação pela qual eles devem passar. Mas a questão está resolvida; se não há cruz, não há Cristo, nem coroa. Aqueles que reinariam com Ele, deveriam aceitar sofrer com Ele, pois Cristo e a sua cruz estão ligados um ao outro neste mundo. Em quarto lugar, eles o desafiaram a descer da cruz. E o que seria de nós, então, e da obra da nossa redenção e salvação? Se Ele tivesse sido incitado a descer da cruz por essas zombarias, deixando assim a sua missão incompleta, nós estaríamos arruinados para sempre. Mas o seu amor e resolução imutáveis o colocaram acima dessa tentação, e fortaleceram-no contra ela, de forma que Ele não foi mal- sucedido e nem desanimou. Em quinto lugar, eles prometeram que, se Ele descesse da cruz, eles acreditariam nele. Que Ele lhes dê essa prova de que é o Messias, e eles confessarão que Ele o é. Anteriormente, quando eles exigiram um sinal, Ele lhes disse que o sinal que lhes daria seria não a sua descida da cruz, mas algo que seria uma amostra maior do seu poder: ressuscitar dentre os mortos, algo que não tiveram a paciência de aguardar por dois ou três dias. Se o Senhor tivesse descido da cruz, eles poderiam utilizar o mesmo argumento que usaram quando Ele ressuscitou, dizendo que os seus discípulos vieram à noite e roubaram o seu corpo, ou pode­ riam dizer que os soldados haviam trapaceado ao pregá-lo na cruz. Mas prometer que acreditaríamos se tivéssemos tais e tais condições e motivos ele fé, conforme condições determinadas por nós mesmos, quando não aproveitamos os desígnios ele Deus, não é apenas um exemplo grosseiro ela falsidade de nossos corações, mas o triste refúgio, ou melhor, subterfúgio, ele uma obstina­ da infidelidade destruidora.

[2] Disseram que Deus, o seu Pai, não o salvaria (v. 43). Ele confiou em Deus, quer dizer, Ele assim o fingiu; pois disse: “Sou o Filho ele Deus”. Aqueles que chamam a Deus ele Pai, e a si mesmos ele seus filhos, estão declarando a sua confiança nele (Salmos 9.10). Agora eles sugerem que Ele apenas decepcionou a si mesmo e a outros, ao se mostrar como sendo tão querido pelos céus; pois, se Ele fosse o Filho de Deus (como os amigos ele Jó argumentaram a respeito dele), não teria sido abandonado à mercê ele todo esse sofrimento, e muito menos mantido nele. Isto era uma espada em seus ossos, como Davi se queixa em uma condição semelhante (Salmos 42.10); e era uma espada de dois gumes, pois foi planejado, em primeiro lugar, para difamá-lo e fazer os espectadores pensarem que Ele era um impostor; como se as suas declarações ele que era o Filho de Deus estivessem agora efetivamente desmentidas. Em segundo lugar, para aterrorizá-lo e fazê-lo desconfiar e perder a esperança do amor e do poder de seu Pai; o que, alguns pensam, era o que Ele temia, zelosamente, orando para que não ocorresse e que fosse livre dela (Hebreus 5.7). Davi se queixou mais dos esforços de seus perseguidores para abalar a sua fé e afastá-lo de sua esperança em Deus do que das suas tentativas de afastá-lo do seu trono e do seu reino. As afirmações deles eram: “Não há salvação para ele em Deus” (Salmos 3.2) e “Deus o desamparou” (Salmos 71.11). Nisso e em outras coisas, ele tipificou a Cristo. Nessa famosa profecia a respeito de Cristo, Davi menciona as palavras que foram ditas por seus inimigos (Salmos 22.8). Ele confiava que o Senhor o libertaria. Certamente, esses sacerdotes e escribas haviam-se esquecido elos seus Salmos, caso contrário, não teriam usado as mesmas palavras de uma forma tão exata, para responder ao tipo e á profecia: mas as Escrituras devem ser cumpridas.

(3)  Para completar o vitupério, os ladrões que também foram crucificados com Ele não apenas não foram insultados como Ele foi, como se tivessem sido santos quando comparados com Ele, mas, sendo seus companheiros de sofrimento, juntaram-se aos seus acusadores e lhe proferiam insultos face a face. Um deles chegou a dizer: “Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo e a nós (Lucas 23.39). Seria de se pensar que, de todas as pessoas, esse ladrão tinha menos motivos e deveria ter se preocupado menos em provocar ou ridicularizar a Cristo. Companheiros de sofrimento, ainda que por motivos diferentes, geralmente se solidarizam um com o outro; e poucos, a despeito do que tenham feito anteriormente, gastarão o seu último suspiro com insultos. Mas parece que as maiores mortificações do corpo e as repreensões mais humilhantes da Providência de Deus não mortificarão, por si mesmas, as corrupções da alma, nem conterão as iniquidades dos perversos, sem a graça de Deus.

Bem, desse modo, tendo o nosso Senhor Jesus tomado para si o encargo de satisfazer a justiça divina pelo mal que o pecado fez no tocante à honra de Deus, Ele o fez sofrendo em sua honra. E Ele o fez não apenas negando a si mesmo o que lhe era devido por ser o Filho de Deus, mas se submetendo à pior indignidade que poderia ser feita ao pior dos homens; porque Ele foi feito pecado por nós. Ele se tornou, assim, uma maldição por nós, para que possamos suportar com mais facilidade as situações mais difíceis, como, por exemplo, se formos acusados injustamente de todo tipo de iniquidade, por amor à justiça.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

UMA VEZ CONFIÁVEL, SEMPRE CONFIÁVEL?

Estudo iniciado há mais de seis décadas procura mostrar que alguns aspectos do caráter podem mudar significativamente ao longo da vida, em especial após a adolescência; conclusões, porém ainda intrigam cientistas.

Uma vez confiável, sempre confiável

Muitas pesquisas sugerem que aspectos marcantes de personalidade permanecem estáveis mesmo depois de décadas. No entanto, um experimento de longa duração sugere que características relacionadas com a confiabilidade diferem de forma substancial entre adolescência e vida adulta. Os resultados suscitam novas questões e destacam os desafios inerentes à tentativa de acompanhar os traços que definem uma pessoa ao longo dos anos.

Em um estudo publicado na Psychology and Aging, pesquisadores do Reino Unido acessaram os registros de 635 indivíduos de 77 anos, da Escócia, que haviam participado de uma pesquisa quando tinham 14. Na época, seus professores haviam feito uma análise dos adolescentes em relação a seis características de personalidade associadas com a confiabilidade: autoconfiança. perseverança, estabilidade do humor, capacidade de cuidar de si mesmo e dos outros, originalidade e desejo de se destacar. Agora, depois de mais de 60 anos, 174 participantes do grupo original se auto avaliaram em relação aos mesmos seis traços, além de receber a opinião de um parente ou amigo próximo.

O psicólogo lan Deary, professor da Universidade de Edimburgo e autor principal do artigo, esperava – com base em descobertas anteriores –  que os níveis de confiabilidade permanecessem estáveis com o passar do tempo. De fato, ele e seus colegas não encontraram nenhuma relação entre as classificações no período de 63 anos estudado.

Apesar de Deary enfatizar que os resultados se aplicam apenas a esses seis traços – não à personalidade em geral-, um dos pontos fortes da pesquisa é que abrange um período longo. Mas, essa característica também é um desafio. A psicóloga social Nate Hudson, professora da Universidade Estadual de Michigan, que não estava envolvida na pesquisa, afirma que a conclusão de que personalidade é maleável pode ser enganosa, considerando o fato de haver diferentes pessoas avaliando os participantes idealmente, o mesmo individuo deveria classificar a personalidade de um voluntario em ambos os momentos.

Ouro problema é que, ao longo das décadas de estudos, muitos participantes desapareceram, morreram ou optaram por não participar de avaliações de acompanhamento. Deary e seus colegas tiveram acesso a apenas 174 dos voluntários originais, o que traz obstáculos para encontrar correlações sutis, mas reais em conjuntos de dados. Embora o trabalho traga avanços. ainda são necessárias mais pesquisas para obter uma imagem mais completa de como o jeito de ser evolui ao longo da vida.

OUTROS OLHARES

ELES NÃO SERVEM PARA NADA

Uma revisão de mais de cem artigos científicos mostra que os quatro suplementos vitamínicos mais consumidos não têm efeito protetor.

Eles não servem para nada

Um estudo que acaba de ser publicado no jornal do Colégio Americano de Cardiologia parece colocar um ponto final na discussão sobre a utilidade de recorrer aos suplementos vitamínicos em busca de mais proteção para o coração e o cérebro. Segundo o artigo, de modo geral eles não têm qualquer interferência sobre a saúde cardiovascular. Ou seja, nem ajudam nem atrapalham. As exceções ficam por conta dos complementos de ácido fólico, que apresentam pequeno benefício para o cérebro. Realizada pelos pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, a pesquisa também concluiu que suplementos de niacina (vitamina B3) e de antioxidantes na verdade estão associados ao aumento do risco de morte por doenças.

A análise da eficácia dos suplementos sempre foi pautada por conclusões discrepantes. Apesar dos desencontros de informações, o consumo desses recursos mantém-se alto. Nos EUA, por exemplo, mais de 50% dos adultos tomam algum tipo de suplemento. No Brasil a indústria de suplementos cresce 15 % ao ano desde 2010.

O trabalho apresentado propôs-se a analisar os resultados de 179 pesquisas realizadas entre 2012 e 2017. Os cientistas descobriram que os quatro suplementos mais consumidos (multivitamínicos, vitamina D, cálcio e vitamina C) não apresentaram evidências consistentes de benefícios na prevenção de infarto ou de AVC. “O único exemplo de eficácia foi o uso de ácido fólico”, afirmou o coordenador do trabalho, médico David Jenkins.

DEFICIÊNCIAS

O resultado corrobora as orientações da força tarefa de especialistas montada pelo governo americano para a área de nutrição e prevenção de saúde. O grupo afirmava que não há evidência nem dos benefícios nem dos prejuízos causados pelos suplementos.

A vitamina D, por exemplo, tornou-se popular, mas, surpreendentemente, não mostrou efeito contra doenças cardíacas ou para prolongar a vida, diz Jenkins.

No Brasil, o presidente da Associação Brasileira de Fabricantes de Suplemento Nutricionais, Sinésio da Costa, diz que os produtos beneficiam grupos específicos. “Eles devem continuar sendo resposta para pessoas com deficiências”, diz. Ele cita como exemplo os esportistas, cujas atividades requerem do organismo desempenho superior ao normal.

AS ÚLTIMAS EVlDÊNCIAS CIENTÍFlCAS MOSTRAM QUE

  • Multivitamínicos e suplementação de vitaminas D e C e de Cálcio não ajudam na prevenção contra infarto e acidente vascular cerebral(AVC)
  • Complementos de ácido fólico e de complexos de vitamina B têm algum benefício na prevenção de AVC.
  • Niacina e antioxidantes estão associados ao aumento de risco de morte por todas as doenças.

O QUE SE RECOMENDA

  • adotar dietas alimentares comprovadamente benéficas, pobre em gorduras trans. (presente em alimentos como biscoitos e sorvete), saturada (manteiga e carne gordurosa) e ricas no consumo de frutas, verduras e

 Eles não servem para nada.2

GESTÃO E CARREIRA

COMO DEFINIR MEU PROPÓSITO?

Em algum momento da vida nos encontramos em um ponto em que vivemos no automático, na rotina, presos a esquemas mentais e de comportamentos repetitivos, desejando sair deles.

Como definir meu propósito

Atualmente, é normal nos depararmos com pessoas que se sentem perdidas em um dia a dia incessante, prisioneira de hábitos mecânicos e inconscientes que afetam negativamenete a  saúde, a famíia e a realização. É como se elas viessem com o piloto automático acionado, andando pela  vida com o freio de mão puxado, sem energia, força e motivação. Automaticamente, os planos projetos são substituídos pela obrigaçõo, pelo fardo e tédio de cumprir as tarefas e, assim, o desânimo e a falta de entusiasmo acabam tomando conta.

Nesses momentos, como nâo perder os próprios objetivos de vista? Como não cair no vazio? E como não se perguntar “qual é o meu propósito de vida?” Aristóteles nos deixou uma grande dica em um dos seus pensamentos, que está diretamente relacionada a essa questão: “Onde meus talentos e paixões encontram as necessidades do mundo, lá está meu caminho, meu lugar”.

Todos nós, em diferentes momentos da vida, nos perguntamos qual é o real sentido dela.   Perguntas como “O que estou fazendo faz sentido para mim?” e “estou vivendo o meu propósito?”   são corriqueiras, principalmente quando nos deparamos com adversidades ou decepções na vida pessoal e profissional.

Para encontrar a resposta de “como definir o propósito de vida?”, é necessário esclarecer, em síntese, o que é um propósito. Ele é o significado, o sentido e a finalidade maior pelos quais fazemos e realizamos objetivos e metas. Trata-se da motivação que nos move diariamente e pela qual buscamos um objetivo e um resultado.

O propósito é o combustível das nossas ações. Descobrimos “quem é ele”, quando conseguimos responder as perguntas: “Por que estou fazendo isso?”, “Por que quero esse objetivo?”, “Por que estou disposto a dedicar tempo e esforço para atingir uma determinada meta?”

Se tivermos as respostas para essas dúvidas, certamente encontramos nosso propósito. Para entender melhor, vou dar um exemplo: Por que me dedico ao trabalho? Muitos podem ser as motivações para essa dedicação: para proporcionar conforto e segurança a minha família, para fazer a diferença na minha comunidade, para gerar prosperidade a todos os envolvidos ou simplesmente para ser feliz e realizado.

Sem um propósito claro, as pessoas até alcançam os seus objetivos, mas não se sentem felizes. Elas concluem uma meta e não ficam satisfeitas, cumprem seus planos, mas não entram em um estado de plenitude e realização. Para elas, falta o significado maior do seu agir e fazer.

O seu propósito não é e nunca será igual ao de outras pessoas. Ele é especialmente único. É essencial saber que, para atingi-lo, percorrerá por objetivos e metas, por isso faz-se necessário saber se os objetivos que você tem como prioridade servem realmente para você.

É comum que as pessoas escolham objetivos que não são para elas, que não fazem parte da sua vida, nem dos seus valores. Isso significa que é preciso avaliar o que é realmente válido para ter aquele entusiasmo real e verdadeiro que motiva a correr atrás do propósito.

Preste atenção também para saber se seus objetivos não beiram ao impossível pois boa parte do êxito é ser realista, o que evita um círculo vicioso de metas e fracassos, de esforços e decepções, de tentativas e desistências.  Para isso, estabeleça as metas que são etapas de curto prazo, que nos levam à realização dos objetivos e propósitos.

Lembrando que encontrar o próprio propósito não é uma cobrança, nem um motivo de comparação ou desvalorização. Cada um de nós tem um caminho pessoal, tem seu tempo, seus talentos e unicidade. Precisamos olhar para o nosso interior e perceber o que amamos fazer, quais os nossos valores e princípios e quais as nossas habilidades.

As vezes as pessoas param de buscar seu propósito ou de acreditar nele porque as pressões da vida desmotivam, cansam, frustram e elas voltam a viver na superficialidade.

Mantenha cada vez mais o alinhamento e a coerência entre seus propósitos, objetivos e metas, mantenha o foco, avalie os resultados no decorrer do caminho e se falhar em algum momento ou desmotivar por um instante, reajuste a rota com determinação e comprometimento.

Estudos da Neurociência comprovam que estar alinhado e comprometido com sua meta estimula a cognição, e algumas substâncias do cérebro também potencializam a sensação de prazer.

Além disso, a dra. Bárbara Fredrickson, referência em Psicologia Social e pesquisadora de estudos sobre as emoções positivas evidenciou que estas são o grande objetivo da evolução humana. As emoções positivas ampliam os recursos intelectuais, físicos e sociais das pessoas. Quando sentem, por exemplo, emoções de realização, satisfação e alegria de estarem cumprindo seu propósito na vida, elas se tornam mais tolerantes, criativas e abertas a novas ideias e experiências mais felizes.

EDUARDO SHINYASHIKI – é mestre em Neuropsicologia, liderança educadora e especialista em desenvolvimento das competências de liderança organizacional e pessoal. Com mais de 30 anos de experiência no Brasil e na Europa, é referência em ampliar o crescimento e a auto liderança das pessoas.

http://www.edushin.com.br