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ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 26: 47–56

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Cristo é traído por Judas.

O Servo do Sacerdote é Agredido por Pedro. Cristo E Abandonado pelos seus Discípulos

 Somos informados aqui de como o bendito Senhor Jesus foi apanhado e levado preso. Isto se seguiu imediatamente à sua agonia, enquanto Ele ainda falava; porque desde o início até o fim de sua paixão, Ele não teve a mínima interrupção ou pausa, mas a situação só se agravou. Sua dificuldade, até este ponto, havia sido em seu interior; mas agora o cenário está mudado, agora os filisteus estão sobre ti, bendito Sansão. “O respiro das nossas narinas, o Ungido do Senhor, foi preso nas suas covas” (Lamentações 4.20).

Agora, com respeito à prisão do Senhor Jesus, observe:

I – Quem eram as pessoas que foram empregadas nessa situação.

1. Aqui estava “Judas, um dos doze”, na frente de sua guarda infame; ele foi o guia para aqueles que prenderam Jesus (Atos 1.16); sem a sua ajuda, eles não poderiam tê-lo encontrado em seu retiro. Observe e se admire; o primeiro que aparece com os seus inimigos é um dos seus próprios discípulos, que, uma ou duas horas antes, estava comendo pão com ele!

2. Aqui estava, com Judas, uma grande multidão, para que a Escritura pudesse ser cumprida: “Senhor, como se têm multiplicado os meus adversários!” (Salmos 3.1). Essa multidão era composta, em parte, por um destacamento dos guardas que foi colocado na torre de Antonia pelo governador romano; esses eram gentios, pecadores, como Cristo os chama (v. 45). Os demais eram servos e oficiais do sumo sacerdote, e eram judeus; aqueles que divergiam uns dos outros, puseram-se de acordo contra Cristo.

II – Como eles estavam armados para esta empreitada.

1. Com que armas eles estavam armados: eles vieram “com espadas e porretes”. Os soldados romanos, sem dúvida alguma, tinham espadas; os servos dos sacerdotes, aqueles que não possuíam espadas, levaram porretes e varas. Furor arma ministra Sua fúria fornecia as suas armas. Eles não eram tropas regulares, mas uma turba agitada. Mas para que todo esse trabalho? Se eles fossem dez vezes mais em quantidade, não poderiam tê-lo prendido se Ele não tivesse permitido; e, tendo chegado a sua hora de renunciar a si mesmo, toda essa força foi desnecessária. Quando um açougueiro entra no campo par a pegar um cordeiro para matar, ele levanta uma milícia e vem armado? Não, ele não precisa disso; no entanto, toda essa força foi usada para apanhar o Cordeiro de Deus.

2. Com que mandado eles estavam armados. “Eles vinham dos príncipes dos sacerdotes, e anciãos do povo”; essa multidão armada foi enviada por eles para essa missão. Ele foi preso por ordem do grande sinédrio, como uma pessoa que lhes era odiosa. Pilatos, o governador romano, não lhes deu nenhum mandato de busca, porque não tinha inveja de Jesus; mas os homens que fingiam agir em nome da religião, e presidiam os assuntos da sinagoga, é que estavam ativos nessa perseguição, e eram os inimigos mais vingativos que Cristo tinha. Esse era um sinal de que Ele era apoiado por um poder divino, porque Ele não só foi desertado por todos os poderes terrenos, mas foi atacado por eles. Pilatos lançou lhe isto em rosto: ”A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim” (João 18.35).

III – O modo como isso foi feito, e o que se passou nesse período.

1. Como Judas o traiu; ele fez esse acordo de forma eficiente, e a sua resolução nessa maldade pode envergonhar a todos nós que falhamos naquilo que é bom. Considere:

 

(1)  As instruções que ele deu aos soldados (v. 48): “Ele lhes deu um sinal”; como o comandante do grupo nessa ação, ele dá a palavra ou o sinal. Ele lhes deu um sinal, para que não prendessem por engano um dos discípulos em vez dele, tendo os discípulos recentemente dito, aos ouvidos de Judas, que estariam dispostos a morrer por Ele. Que abundância de cuidados, aqui, para não deixar de prendê-lo: “O que eu beijar é esse”; e quando eles o prenderam, para não deixá-lo fugir: “Prendei-o”; porque Ele algumas vezes tinha escapado daqueles que pensavam tê-lo segurado (Lucas 4.29,30). Embora os judeus que frequentavam o templo o conhecessem, os soldados romanos talvez nunca o tivessem visto, e o sinal tinha a finalidade de orientá-los. E Judas, através de seu beijo, tinha não só a intenção de identificá-lo, mas de detê-lo, enquanto eles viriam por trás, e colocariam as suas mãos sobre Ele.

(2)  A saudação hipócrita que ele fez ao seu Mestre. “Ele se aproximou de Jesus”. Se alguma vez o coração mau de Judas pensou em voltar atrás, isso certamente aconteceu naquele momento. Quando veio olhá-lo no rosto, ele deve ter ficado admirado com a sua majestade, ou encantado pela sua beleza. Judas ousa colocar-se diante de sua presença e traí-lo? Pedro negou a Cristo, mas quando o Senhor virou-se e fitou-o, ele vacilou imediatamente. Porém, Judas se coloca diante da face de seu Mestre, e o trai. Ele disse: “Eu te saúdo, Rabi”. E beijou-o. Parece que o nosso Senhor Jesus tinha por hábito permitir um certo grau de familiaridade consigo, dando-lhes a sua face para beijar depois de eles terem estado ausentes por algum tempo, o que Judas maldosamente usou para facilitar essa traição. Um beijo é um sinal de lealda­ de e amizade (Salmos 2.12). Mas Judas, quando violou todas as leis do amor e do dever, profanou esse sinal sagrado para servir ao seu propósito. Note que há muitos que traem a Cristo com um beijo, e o saúdam, dizendo Rabi. Sob o pretexto de honrá-lo, traem e desprezam os interesses de seu reino. Abraçar é uma coisa, amar é outra. O beijo de Joabe e o beijo de Judas foram muito parecidos.

(3)  Como o seu Mestre o recebeu (v. 50).

[1] Ele o chama de amigo. Se Jesus o tivesse chamado de canalha, traidor, maldito, louco, e filho do diabo, não teria dito nada errado; mas Ele nos ensinou, sob a maior provocação, a suportar a amargura e a calúnia, e a mostrar toda mansidão. ”Amigo”, porque Judas tinha sido um amigo, e deveria ter sido, e até parecia ser. Assim o Senhor Jesus o repreende, como Abraão, quando chamou de filho o homem rico que estava no inferno. Jesus o chama de amigo, porque Judas promoveu os seus sofrimentos, e assim agiu como seu amigo; ao passo que Jesus chamou a Pedro de Satanás, por tentar impedir os seus sofrimentos.

[2] Ele lhe pergunta: “‘A que vieste?’ É paz, Judas? Explica-te; se tu vens como um inimigo, o que significa este beijo? Se como um amigo, o que significam estas espadas e porretes? A que vieste? Que dano fiz a ti? Em que te desgastei? Qual é a razão da tua presença? Por que não tens tanta vergonha, quanto a manter-se fora da vista, o que poderias ter feito, mesmo comunicando ao oficial onde eu estava?” Este foi um exemplo de grande insolência, através do qual Judas se mostra atrevido e descarado nessa transação iníqua. Mas é habitual que os apóstatas da religião sejam os seus inimigos mais amargos. Juliano é prova disso. Portanto, Judas fez a sua parte.

2. Como os oficiais e os soldados o prenderam: ”Aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus e o prenderam”; eles o fizeram seu prisioneiro. Como não estavam com medo de estender as suas mãos contra o Ungido do Senhor? Podemos muito bem imaginar que mãos rudes e cruéis elas eram, as mãos que essa multidão bárbara colocou sobre Cristo; e como certamente o trataram de modo tosco, por terem tão frequentemente ficado desapontados quando procuraram colocar as suas mãos sobre Ele. Eles não poderiam tê-lo prendido, se Ele não tivesse se entregado, e sido entregue “pelo determinado conselho e presciência de Deus” (Atos 2.23). Aquele que disse a respeito de seus servos ungidos: “Não toqueis nos meus ungidos” (Salmos 105.14,15), não poupou a seu Filho ungido, mas o entregou por todos nós; e outra vez, “deu a sua força ao cativeiro, e a sua glória à mão do inimigo” (Salmos 78.61). Veja qual foi a queixa de Jó (cap. 16.11): “Entrega-me [ou entregou-me] Deus ao perverso”. Esta e outras passagens no livro de Jó tipificam a Cristo.

O nosso Senhor Jesus foi feito prisioneiro, porque Ele seria tratado, em todas as coisas, como um criminoso, punido pelo nosso crime; e como um penhor Ele seria confiscado pela nossa dívida. O jugo das nossas transgressões estava ligado pela mão do Pai ao pescoço do Senhor Jesus (Lamentações 1.14). O Senhor Jesus se tornou um prisioneiro, para que pudesse nos colocar em liberdade. Ele disse: “Se, pois, me buscais a mim, deixai ir estes” (João 18.8); e aqueles que Ele liberta certamente estão livres.

3. Como Pedro lutou por Cristo, e sentiu as suas dores. Aqui ele é mencionado apenas como um dos que estavam com Jesus no jardim; mas em João 18.10, somos informados de que foi Pedro quem se distinguiu nessa ocasião. Observe:

(1)  A precipitação de Pedro (v. 51). Ele “puxou a espada”. Entre todos eles, só haviam duas espadas (Lucas 22.38), e parece que uma delas foi deixada com Pedro; e agora ele achou que seria a hora de puxá-la, e deu golpes impetuosos à sua volta como se tivesse feito algo muito importante; mas tudo o que ele fez foi cortar uma orelha de um servo do sumo sacerdote. Ê provável que Pedro desejasse arrancar-lhe a cabeça, pelo fato de tê-lo visto mais à frente do que os demais que colocavam as mãos em Cristo; mas ele deve ter errado o golpe, decepando então a orelha daquele homem. Porém, se Pedro estivesse lutando, em meu pensamento ele deveria ter antes mirado Judas, e tê-lo marcado como um trapaceiro. Pedro havia falado muito do que faria pelo seu Mestre, e disse que até mesmo sacrificaria a sua vida por Ele; sim, ele faria isso. E agora ele seria tão bom quanto a sua palavra, e arriscaria a sua vida para resgatar o seu Mestre. Até este ponto, ele era louvável por demonstrar um grande zelo por Cristo, por sua honra e segurança. Mas Pedro não agiu de acordo com o conhecimento, nem foi guiado pela discrição, porque:

[1] Ele fez isso sem autorização; alguns dos discípulos realmente perguntaram: “Senhor, feriremos à espada?” (Lucas 22.49). Mas Pedro golpeou antes que tivesse uma resposta. Devemos ver não só a nossa boa causa, mas o nosso chamado claro, antes de puxarmos a espada; devemos mostrar com que autoridade fazemos aquilo que fazemos, e quem nos deu esta autoridade.

[2] Ele indiscretamente expôs a si mesmo e aos seus companheiros discípulos à fúria da multidão. Porque, o que eles poderiam fazer com apenas duas espadas, contra um bando de homens?

(2)  A repreensão que o nosso Senhor Jesus lhe fez (v. 52): “Mete no seu lugar a tua espada”. O Senhor não ordenou aos oficiais e soldados que guardassem as suas espadas, que foram puxadas contra Ele; o Senhor os deixou a critério de Deus Pai, que julga aquele s que estão fora; mas Ele ordena a Pedro que guarde a sua espada, não o censurando, na verdade, pelo que fez, porque foi feito com boa intenção, mas interrompendo a sua ação, estabelecendo que não haja um precedente. A missão de Cristo no mundo é fazer a paz. Note que “as armas da nossa milícia não são carnais, mas espirituais”; e os ministros de Cristo, embora sejam seus soldados, não guerreiam com a carne (2 Coríntios 10.3,4). Isso não significa que a lei de Cristo derrube a lei da natureza ou a lei das nações, na medida que esses códigos se colo­ quem em defesa de seus direitos e liberdades civis, e de sua religião de uma forma legal; mas ela sustenta a preservação da paz e da ordem pública, proibindo que qualquer pessoa resista aos poderes estabelecidos. Não, temos um preceito geral para que não resistamos ao mal (cap. 5.39), nem Cristo mandará que os seus ministros propaguem a sua religião pela força das armas: A religião não pode ser forçada; e deve ser defendida, não matando, mas morrendo. Assim como Cristo proibiu os seus discípulos de tentarem dominar o mundo através da espada (cap. 20.25,26), aqui Ele proíbe a espada da guerra. Cristo ordenou que Pedro guardasse a sua espada, e nunca lhe ordenou que fizesse uso dela novamente.  No entanto, Pedro é culpado, aqui, de fazer isso intempestivamente; havia chegado a hora de Cristo sofrer e morrer. O Senhor sabia que Pedro conhecia isso, e a espada do Pai foi levantada contra Ele (Zacarias 13.7). Ao puxar a sua espada, Pedro estava dizendo: “Mestre, poupe a ti mesmo”.

Três razões que Cristo dá a Pedro para essa repreensão:

[1] Puxar a espada seria uma atitude perigosa tanto para Pedro como para os seus companheiros discípulos. “Todos os que lançarem mão da espada à espada morrerão”. Aqueles que usam a violência, cairão pela violência; e os homens apressam e aumentam os seus próprios problemas proferindo ameaças de métodos sangrentos de defesa pessoal. Aqueles que pegam a espada antes de lhes ser dadas, que a usam sem um mandato ou autorização, expõem a si mesmos à espada de guerra, ou à justiça pública. Se não tivesse sido pelo cuidado e providência especiais do Senhor Jesus, Pedro e o restante deles, pelo que sei, teriam sido feitos em pedaços imediatamente. Grotius dá um outro sentido provável à expressão do Senhor, como se os oficiais e os soldados que vêm com espadas para prender a Cristo é que fossem morrer pela espada, e não Pedro. “Pedro, você não precisa puxar a espada para puni-los. Deus Pai certamente, em breve, ajustará contas com eles de uma forma severa”. Eles pegaram a espada romana para prender a Cristo, e pela espada romana, não muito tempo depois, eles, o seu lugar, e a sua nação foram destruídos. Portanto, não devemos nos vingar, porque Deus Pai retribuirá (Romanos 12.19); portanto, devemos sofrer com fé e paciência, porque os perseguidores serão pagos com a sua própria moeda. Veja Apocalipse 13.10.

[2] Era desnecessário alguém puxar a sua espada em defesa de seu Mestre, pois Ele, agora, se quisesse, poderia convocar a seu serviço todas as hostes celestiais (v. 53). “‘Ou pensas tu que eu não poderia, agora, orar a meu Pai e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?’ Pedro, se Eu fosse desviar estes sofrimentos, poderia fazê-lo facilmente, sem a tua ajuda e sem a tua espada”. Note que Deus não precisa de nós, dos nossos serviços, muito menos dos nossos pecados, para executar os seus propósitos; a nossa falta de confiança e a nossa falta de fé no poder de Cristo é evidenciada quando saímos do caminho da nossa obediência para servir aos seus interesses. Deus pode fazer a sua obra sem nós; se olharmos para os céus, e virmos como Ele é servido ali, poderemos facilmente inferir que, mesmo que sejamos justos, Ele não nos deve nada (Jó 35.5,7). Embora Cristo tenha sido crucificado em fraqueza, essa foi uma fraqueza voluntária. Ele se sujeitou à morte, não porque não pudesse lutar contra ela, mas porque não desejou fazê-lo. Isto remove a ofensa da cruz, e prova que o Cristo crucificado é o poder de Deus. Mesmo agora, na profundidade de seus sofrimentos, o Senhor Jesus poderia convocar a ajuda de legiões de anjos. “Agora”. “Embora a história já tenha passado, eu ainda poderia, com uma palavra, reverter todas as coisas”. Cristo aqui nos faz saber:

Em primeiro lugar, que grande interesse o Senhor Jesus demonstrou por seu Pai. Eu posso orar a meu Pai, e Ele enviará ajuda do santuário. Eu posso solicitar de meu Pai esses reforços. A oração de Cristo tem autoridade. Note que é uma grande consolação para o povo de Deus, quando está cercado de inimigos por todos os lados, ter um caminho aberto em direção ao céu. Se o povo de Deus não puder fazer mais nada, ele pode orar àquele que pode fazer todas as coisas. E aqueles que oram muito em outros momentos, têm uma grande consolação ao orar quando surgem os tempos turbulentos. Observe que Cristo disse não só que Deus poderia lhe enviar tal número de anjos, mas que, se Ele o pedis­ se, Deus o faria. Embora o Senhor tenha realizado a obra da nossa redenção, parece que se Ele tivesse desejado ser livre, o Pai não o teria impedido. Ele poderia ter se retirado, evitando tamanho sofrimento. Mas o Senhor Jesus amou a sua obra salvadora, e por essa razão Ele não se retiraria; assim, foi apenas com as cordas de seu próprio amor que Ele foi atado ao altar.

Em segundo lugar, que grande interesse Ele tinha pelas hostes celestiais. O Pai “lhe daria agora mais de doze legiões de anjos”, perfazendo mais de setenta e dois mil seres celestiais. Observe aqui:

1. Existe uma companhia inumerável de anjos (Hebreus 12.2). Um destaca­ mento de mais de doze legiões poderia ser cedido para o nosso serviço, e não haveria falta ao redor do trono. Veja Daniel 7.10. Eles são dispostos em ordem exata, como as legiões bem disciplinadas; não são uma multidão confusa, mas tropas regulares; todos conhecem o se u posto, e observam a palavra de comando.

2. Essa companhia inumerável de anjos está toda à disposição do nosso Pai celestial, e executa o seu beneplácito (Salmos 103.20,21).

3. Essas hostes angelicais estavam prontas para vir em auxílio do nosso Senhor Jesus em seus sofrimentos, se Ele tivesse precisado ou desejado isso. Veja Hebreus 1.6,14. Eles teriam estado com Ele como estiveram com Eliseu, em carros de fogo e cavalos de fogo, não só para protegê-lo, mas para consumir aqueles que procurassem atentar contra Ele.

4. O nosso Pai celestial deve ser visto e reconhecido em todos os ser viços das hostes celestiais: “Ele me daria”; portanto, não devemos orar aos anjos, mas ao Senhor dos anjos (Salmos 91.11).

5. É uma questão de conforto para todos os que desejam o bem do reino de Cristo, que haja um mundo de anjos sempre a serviço do Senhor Jesus, e que podem fazer maravilhas. Aquele que possui os exércitos do céu às suas ordens, pode fazer o que lhe agrada entre os habitantes da terra: “Ele me daria agora”. Veja como o Pai estava pronto a ouvir a oração do Senhor Jesus, e como os anjos estavam prontos a obedecer às suas ordens; eles são servos dispostos, mensageiros alados, eles voam rapidamente. Isto é muito animador para aqueles que desejam intimamente que Cristo seja honrado, e o bem-estar de sua igreja. Será que alguém pensa que tem mais cuidado e preocupação por Cristo e sua igreja, do que o próprio Deus e os seus santos anjos?

[3] Não era hora de fazer qualquer defesa, ou se oferecer para desviar o golpe: “Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?” (v. 54). Foi escrito que Cristo deveria “ser levado como um cordeiro para o matadouro” (Isaias 53.7). Se o Senhor Jesus chamasse os anjos para lhe auxiliarem, Ele não seria de modo algum levado para o matadouro; se Ele permitisse que os seus discípulos lutassem, Ele não seria levado silenciosamente e sem resistência; portanto, Ele e os seus discípulos deveriam se submeter ao cumprimento das profecias. Note que, em todos os casos difíceis, a Palavra de Deus deve ser conclusiva contra os nossos próprios conselhos, e nada deve ser feito, nada tentado, contra o cumprimento das Escrituras. Se o alívio das nossas dores, a quebra das nossas amarras, a salvação das nossas vidas, não coincidirem com o cumprimento das Escrituras, devemos dizer: “Que seja feita a vontade de Deus, que a sua Palavra seja cumprida, que a sua lei seja louvada e respeitada, a despeito daquilo que nos aconteça”. Assim Cristo deteve a Pedro, quando este quis se colocar como seu defensor, e capitão salva-vidas.

4. Em seguida, somos informados sobre como Cristo resolveu o caso com aqueles que foram buscá-lo (v. 55). Embora não tenha resistido a eles, o Senhor argumentou com eles. Note que condiz com a paciência cristã debater calmamente com os nossos inimigos e perseguido­ res quando estamos sob os nossos sofrimentos, como aconteceu no caso de Davi e Saul (1 Samuel 24.14; 26.18). “Saístes”:

(1)  Com fúria e hostilidade, como contra um ladrão, como se Eu fosse um inimigo para a segurança pública, e como se sofresse isso merecidamente? Os ladrões atraem para si mesmos o ódio comum; todos ajudarão a deter um ladrão; e então eles caíram sobre Cristo como a escória de todas as coisas. Se Ele tivesse sido a praga de sua nação, não poderia ter sido perseguido com mais empenho e violência.

(2)  Com todo esse poder e força, como contra o pior dos ladrões, que desafia a lei e a justiça pública, e acrescenta a rebelião ao seu pecado? Saístes, como para prender um salteador, com espadas e porretes, como se houvesse perigo de resistência; considerando que “matastes o justo; “ele não vos resistiu” (Tiago 5.6). Se ele não estivesse disposto a sofrer, seria loucura sair com espadas e porretes, porque eles não poderiam vencê-lo; se Jesus desejasse resistir, teria considerado o ferro como palha, e as suas espadas e porretes teriam sido como a sarça diante do fogo consumidor; mas, estando disposto a sofrer, foi tolice irem assim armados, porque Ele não iria discutir com eles.

Ele posteriormente debate com eles, lembrando-os de como havia se comportado com eles até aquele momento, e eles em relação a Ele.

[1] De sua presença pública: “Todos os dias me assentava junto de vós, ensinando no templo”. E:

[2] Da conivência pública deles: “E não me prendestes”. Qual o motivo dessa mudança? Eles foram muito irracionais, ao agirem com Ele como o fizeram. Em primeiro lugar, Ele não lhes havia dado motivo para considerá-lo como um ladrão, pois havia ensinado no Templo. E o assunto e a maneira de seu ensino era tal, que o Senhor Jesus foi manifestado na consciência de todos os que o ouviram como sendo um homem bom. As palavras bondosas que saíram de sua boca não foram palavras de um ladrão, nem de alguém que tinha um demônio. Em segundo lugar, Ele não lhes havia dado motivos para que o considerassem como um foragido da lei e da justiça, para que viessem à noite para capturá-lo; se eles tivessem alguma coisa para lhe dizer, poderiam encontrá-lo todos os dias no Templo, pronto para responder a todos os desafios, a todas as acusações, e ali poderiam fazer o que bem entendessem com Ele; porque os príncipes dos sacerdotes tinham a custódia do Templo, e o comando dos guardas que estavam em torno do Templo. Mas vir até Ele assim, clandestinamente, no local de seu retiro, era uma atitude vil e covarde. Desse modo, o maior herói pode ser perversamente assassinado em uma esquina, por alguém que, em campo aberto, tremeria só por encará-lo.

Mas tudo isso aconteceu (vê-se em seguida, v. 56) para que as Escrituras dos profetas pudessem ser cumpridas. Ê difícil dizer se essas foram as palavras do sagrado historiador, como um comentário sobre essa história, e uma instrução ao leitor cristão, para compará-lo com as Escrituras do Antigo Testamento, que apontavam para esse fato. Ou ainda se foram as palavras do próprio Cristo, como se estivesse expressando o motivo de tudo aquilo estar ocorrendo. Mesmo assim, Ele não poderia deixar de se ressentir por esse tratamento tão vil. Ele precisou se sujeitar à situação para que as Escrituras dos profetas pudessem se cumprir. O Senhor Jesus havia acabado de fazer uma referência a essa necessidade (v. 54). Note que as Escrituras se cumprem todos os dias; e todas as Escrituras que falam do Messias tiveram o seu pleno cumprimento em nosso Senhor Jesus Cristo.

5. Como Ele foi, em meio a essa aflição, vergonhosa­ mente desertado pelos seus discípulos: “Então, todos os discípulos, deixando-o, fugiram” (v. 56).

(1)  Esse foi o pecado deles; e foi um grande pecado para aqueles que haviam deixado tudo para segui-lo, agora deixá-lo por algo que nem sabiam o que era. Houve crueldade nisso, considerando a relação que havia entre eles, os favores que eles haviam recebido da parte dele, e as circunstâncias melancólicas que agora se apresentavam. Houve infidelidade nisso, porque eles haviam prometido solenemente se unir a Ele, e nunca abandoná-lo. Ele havia reivindicado o salvo-conduto deles (João 18.8); no entanto, eles não puderam confiar nisso, e fugiram vergonhosamente. Que coisa insensata foi essa; por medo da morte, fugiram daquele a quem conheciam e haviam reconhecido como a Fonte da vida? (João 6.67,68). “Senhor, que é o homem”!

(2)  Foi parte do sofrimento de Cristo, e acrescentou aflição às suas cadeias, ser dessa maneira desertado, como aconteceu com Jó (cap.19.13): “Pôs longe de mim a meus irmãos”. E também com Davi (Salmos 38.11): “Os meus amigos e os meus propínquos [ou companheiros] afastam-se da minha chaga”. Eles deveriam ter permaneci­ do com o Senhor, para servi-lo e apoiá-lo; e, se fosse necessário, deveriam ser testemunhas favoráveis a Ele em seu julgamento no tribunal. Mas eles traiçoeiramente o desertaram. Algo parecido aconteceu com o apóstolo Paulo, pois, em sua primeira defesa, nenhum homem ficou do lado dele. Porém, havia um mistério nisso.

[1] Cristo, como um sacrifício pelos pecados, foi assim abandonado. O cervo que, pela flecha do seu dono, é marcado para ser caçado e abatido é imediatamente abandonado por todo o rebanho. Nisso, Ele foi feito uma maldição por nós, pois foi deixado como alguém que é separado para o mal.

[2] Cristo, como o Salvador de almas, ficou assim sozinho. Ele não precisava, e não teve a ajuda de nenhum outro ao operar a nossa salvação. Tudo Ele suportou, e fez tudo sozinho. Ele pisou o lagar sozinho, e como não havia ninguém que o apoiasse, então o seu próprio braço trouxe a salvação (Isaias 63.3,5). Assim o Senhor, sozinho, conduziu o seu Israel; eles só precisaram “contemplar esta grande salvação” (Deuteronômio 32.12).

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POR QUÊ CRIAR O BLOG? POR QUÊ O TÍTULO?

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Nos dias atuais gastamos mais tempo conectados  que o diálogo e a leitura de livros de papel tornaram-se absoletos.  Em contrapartida, a leitura visual através de mídias vem crescendo e ocupando o tempo das pessoas que, imperceptíveis aderem aos novos hábitos. Assim, faz-se necessário que nós, os que ainda prezam pelos bons e velhos hábitos ajustarmos às novas necessidades e assim, servir de leme aos que naufragam  ante a ignorância não somente de conhecimento mas até mesmo de conhecimento de verdades que consolidam suas opiniões.

A igreja é ainda o principal elo de ligação entre a sociedade e as necessidades do homem para a aproximação do Criador e sua criatura. Àqueles que entendem que precisam se preparar melhor e que não encontram tempo para a leitura e seminários cuja presença física se faz  necessária, ofereço a oportunidade de compartilhar conhecimento e aprendizado acumulados ao longo de mais de vinte anos de caminhada e serviço cristão como uma forma de auxiliar na capacitação para transformar pessoas comuns em líderes extraordinários.

Fazendo assim, não só cresceremos na graça e conhecimento como glorificaremos o nome do Senhor entre povos e nações.

 

POESIA CANTADA

METADE

ADRIANA CALCANHOTTO

COMPOSIÇÃO: ADRIANA CALCANHOTTO

Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim

Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio
Onde será
Que você está agora?

Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio
Onde será
Que você está agora?

Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim

Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio
Onde será
Que você está agora?

Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio
Onde será
Que você está agora?

OUTROS OLHARES

STATUS DE CUIDADO COM FILHOS E CASA VOLTA AO DEBATE NA PANDEMIA

Decisão argentina de contar cuidado materno para aposentadoria reforça ideia sobre aumentar proteção social

Invisível tanto quanto essencial, o cuidado com filhos, com parentes e com a casa ganhou uma nova dimensão durante a pandemia da Covid-19 e motivou o desligamento de mulheres do mercado de trabalho.

Segundo estudo do Banco Mundial, 56% das mulheres da América Latina  e do Caribe ficaram desempregadas, temporária ou permanentemente, a partir da crise sanitária – um índice 44% superior ao dos homens da região. Ainda que parte delas tenha perdido emprego por atuar nos setores mais atingidos pela crise, como comércio e serviços domésticos, de acordo como estudo, o fator mais relevante para a desproporção do desemprego de mulheres em relação a homens foi a atividade de cuidado.

“Jamais pensei em sair do meu emprego e ficar em casa cuidando das crianças”, admite a matemática Joana Villas Boas Mello, 41, que trabalhou no setor bancário por 13 anos e abandonou o emprego durante a pandemia.

“Esse nunca foi um plano na minha vida, mas nossa rotina na pandemia não se sustentava”,  admite ela, que tem dois filhos pequenos.

Joana passou a desempenhar um tipo de trabalho não remunerado que, mesmo sendo às vezes mais exaustivo que o dia a dia do banco, está longe de receber reconhecimento similar. “O trabalho de casa e dos cuidados com os filhos é muito subvalorizado. Uma coisa é saber disso na teoria. Outra coisa é viver na prática. Foi desse lugar que ela assistiu à decisão da Argentina de contabilizar os anos de cuidado materno para a aposentadoria de mulheres que são mães.

As argentinas poderão acrescentar de um a três anos de tempo de serviço por filho que tenha nascido com vida para atingir o tempo mínimo exigido por lei para garantir o direito à previdência. Segundo o decreto, serão ainda considerados dois anos por filho adotado e será adicionado um ano para cada filho com deficiência. A medida é alvo de debate, mas não se trata de um caso isolado. O Uruguai já havia reconhecido o trabalho materno em 2008 e permite que mulheres contabilizem um ano de tempo de serviço adicional para cada filho, até o limite de cinco anos.

E o Chile, que complementa a aposentadoria de mulheres segundo a quantidade de filhos, tem vivido debates intensos sobre a economia do cuidado durante sua nova Constituinte.

A Assembleia chilena é marcada pela paridade de gênero e as mulheres constituintes reivindicam a criação de políticas públicas para que o trabalho de cuidado não recaia desproporcionalmente sobre elas.

O Brasil é exemplo flagrante da desigualdade na divisão sexual do trabalho de cuidado. Antes da pandemia, as mulheres do país gastavam, em média, o dobro de horas semanais dos homens em trabalho não remunerado de cuidado, segundo dados de 2019 do IBGE. Na pandemia, 50% das mulheres brasileiras passaram a se responsabilizar pelos cuidados com alguém, de acordo com pesquisa da Sempre Viva Organização Feminista.

Segundo definição da OIT(Organização Internacional do Trabalho); o trabalho de cuidado pode ou não ser remunerado e envolve atividades diretas, como alimentar um bebê ou assistir a um doente, e indiretas, como cozinhar ou limpar.

Na pandemia, o Brasil foi um dos países em que as escolas ficaram fechadas por mais tempo no mundo. Como as normas sociais do país colocam a mulher como principal responsável pelo cuidado com os filhos, o impacto desse fechamento na vida das mães foi desproporcional.

De acordo com o Banco Mundial, ter filhos de até cinco anos pesou para a perda de emprego de mulheres muito mais do que para os homens que têm filhos nessa faixa etária. E o peso desse fator para o desemprego de mulheres se intensificou à medida que a pandemia se alongou.

“A novidade na questão da inserção das mulheres no mercado de trabalho não é apenas que elas são numerosas entre os desempregados, mas também que são mais numerosas entre aquelas que abandonaram o mercado de trabalho “, diz Lena Lavinas, professora de economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Segundo o IBGE, o país tem hoje 14,8 milhões de desempregados, entre eles quase 2 milhões de trabalhadoras domésticas, além de 6 milhões de pessoas que saíram do mercado de trabalho e não estão mais procurando emprego – situação chamada de desalento.

Estudo do Núcleo Afro do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) já havia indicado que três dos cinco setores econômicos com maior redução de postos de trabalho na pandemia (alojamento e alimentação, serviços domésticos e demais serviços) eram dominados por mulheres e por mulheres negras.

O mesmo estudo apontou ainda para o aumento, durante 2020, da proporção de mulheres que deixaram de buscar emprego por causa de atividades de cuidado. Em novembro do ano passado, 21% das mulheres em desalento informaram como causa os cuidados não remunerados com parentes e com a casa. Entre os homens, esse percentual era de apenas 1,3%.

Trata-se de uma situação cercada de estigmas negativos.

“Trabalho desde os 17 anos, nunca fiquei sem emprego, e não me ver como profissional foi muito difícil”, admite Joana, que parou de trabalhar para cuidar dos filhos. “Tive que renovar a carteira de motorista na pandemia e, quando me perguntaram minha profissão, eu travei. Simplesmente não conseguia responder”, conta. Para a professora de sociologia da USP, Nadya Araújo Guimarães, uma construção longeva não reconhece isso como um trabalho, e o vigor dessa construção é tão grande que as próprias pessoas que fazem esse trabalho às vezes não o reconhecem como trabalho.”

Segundo ela, foram os movimentos feministas que apontaram para o cuidado como um “trabalho não pago e desigualmente distribuído, que onera as mulheres”.

“No Brasil, essa desigualdade é impactante porque ela tem uma diferença de sexo e uma diferença de cor”, diz. “As mulheres trabalham mais do que os homens, mas as mulheres negras têm uma quantidade de trabalho não remunerado doméstico ainda maior:”

É o caso de Ana Paula da Silva Vieira, 38, que se desdobrava entre o trabalho como porteira, a manutenção da casa de três cômodos e os cuidados de mãe-solo com o filho de cinco anos até perder o emprego no mês passado.

“Sou o homem e a mulher da casa, e tudo depende só de mim”, desabafa. “Já tinha feito uma dívida antes da pandemia, que agora ficou pior. Às vezes deixo de pagar uma coisa pra poder pagar outra. O primeiro trabalho que aparecer, eu estou pegando. Não posso ficar desempregada”,  preocupa-se.

Para ela, que sempre trabalhou com registro em carteira, sem trabalho não dá para pagar o INSS de maneira autônoma para garantir melhor aposentadoria no futuro. “Previdência não é minha prioridade, neste momento”.

“Numa conjuntura recessiva, com alto desemprego feminino e queda de renda das mulheres, a capacidade de contribuição para a aposentadoria é muito baixa”, diz Lena Lavinas. “Inclusive porque, estando essas mulheres também endividadas junto ao setor financeiro, a prioridade é pagar a dívida para poder renegociá-la”.

É por causa dessa urgência que mães de crianças pequenas muitas vezes têm que o economista Naercio Menezes Filho, professor do Insper, pondera a iniciativa argentina. “A medida é interessante, mas garante um benefício lá na frente, quando a mulher tiver por volta de 65 anos, e isso pode já ser tarde demais para beneficiar a criança, que pode ter se desenvolvido na pobreza, acumulando problemas socioemocionais e de aprendizado que vão impactar seu futuro”, diz ele, que integra o Núcleo Ciência pela Infância do Insper. Para Menezes, e mais vantajoso para as mães ter auxílio direto e imediato por meio de uma transferência de renda no valor mínimo de RS 400 por criança. “Seria uma espécie de Bolsa Família turbinado”. O economista Paulo Tufne, diretor-presidente do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social, enxerga como polêmico e questionável querer corrigir, a partir da previdência, problemas decorrentes do mundo do trabalho ou da convivência social e familiar.

“É muito mais interessante criar um mecanismo assistencial para famílias em que a mulher definitivamente é privada do trabalho e de renda para cuidar de um parente. E fazer isso focalizado nas famílias mais pobres”, avalia.

No caso brasileiro, o trabalho de cuidado não tem proteção social nem benefício previdenciário.

“Trata-se de uma carga desigualmente distribuída, que pesa sobre o trabalho remunerado, diminuindo as chances da mulher de estar no mercado de trabalho, o que gera efeitos sobre os benefícios futuros”, diz Guimarães, da USP. Ela destaca a pandemia deu visibilidade para o trabalho do cuidado em suas diversas formas, inclusive o não remunerado, feitos nos domicílios.

Segundo a professora, há no Brasil uma defasagem em relação a outros países quanto ao reconhecimento e a mensuração desse fenômeno. “Só em 2016 que a Pnad passou a considerar essas atividades como trabalho. E, enquanto países como Colômbia, Argentina e Uruguai fazem pesquisas de orçamento de tempo [que permite a atribuição de um valor para esse tipo de trabalho], no Brasil isso nunca aconteceu. Medir esse fenômeno é condição para que se desenvolvam políticas públicas para ele”, afirma.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 19 DE SETEMBRO

NÃO OFENDA A SEU IRMÃO

O irmão ofendido resiste mais que uma fortaleza; suas contendas são ferrolhos de um castelo (Provérbios 18.19).

Não é uma atitude sensata ferir uma pessoa, pois um homem ofendido em sua honra torna-se uma fortaleza inexpugnável. Suas contendas são mais fortes do que os ferrolhos dum castelo. Quando Tito Vespasiano invadiu e devastou Jerusalém no ano 70 d.C., cerca de três mil judeus fugiram e se refugiaram na fortaleza de Massada, nas proximidades do mar Morto. Depois de verem seu povo ser massacrado e seu templo ser incendiado, esses judeus se tornaram verdadeiros gigantes para se defenderem no alto dessa fortaleza construída por Herodes, o Grande. Quando os romanos tentavam aproximar-se, os judeus jogavam pedras lá de cima. Estavam feridos em seu orgulho e em sua honra e, como se fossem um só homem, lutaram bravamente até o dia em que, sem esperança de salvamento, resolveram que um suicídio coletivo seria melhor do que cair nas mãos dos romanos para serem desonrados e mortos à espada. Não podemos ferir as pessoas. Não podemos agredi-las com palavras e atitudes. Não temos o direito de humilhá-las. Todo ser humano deve ser respeitado. Devemos tratar a todos com dignidade e amor. Pois uma pessoa ferida resiste como uma fortaleza, e suas contendas são tão fortes como os ferrolhos de um palácio.

GESTÃO E CARREIRA

PRESSÃO POR INCLUSÃO FAZ ESCOLAS DE ELITE BUSCAREM ALUNOS E PROFESSORES NEGROS

Diante da demanda dos pais pela pauta antirracista, colégios particulares de São Paulo reformam currículos, formam docentes e incluem novos autores e pesquisadores não brancos. Oferta de bolsas e auxílios ajuda a tornar classes mais plurais

A demanda dos pais por uma educação antirracista pode levar a uma das maiores mudanças na história recente das escolas particulares de elite de São Paulo. Já há reformulação de currículos, não só na forma como se fala dos negros e indígenas na aula de História, mas com novos autores e pesquisadores não brancos. Elas também passaram a dar preferência para contratar professores negros – superando a ideia de que eles são sempre o porteiro ou a faxineira. E ainda abriram bolsas para alunos negros e indígenas, com mensalidade, material, transporte e passeios pagos pela escola e pelas famílias, com doações que chegam a R$4 milhões.

Projetos parecidos surgiram em 2020 e 2021 em colégios como Santa Cruz, Vera Cruz, Oswald de Andrade, Escola da Vila, Gracinha, Equipe, entre outros. O caminho para a mudança não é fácil e causa questionamentos pessoais e institucionais, admitem diretores e professores ouvidos pela reportagem. Eles falam da deficiência na própria formação, buscada também em currículos eurocêntricos e brancos. E ainda existe a dificuldade em lidar com situações de racismo, considerado muitas vezes um tabu, ou com dúvidas das crianças sobre raça e cor.

Para ajudar no chamado letramento racial, as escolas procuraram assessorias que analisam materiais, abordagem dos docentes e falam da importância de se cuidar também da relação entre negros e brancos no ambiente escolar. “Não é pra trazê-los para ‘o mundo encantado do Alto de Pinheiros’, e, sim, criar um novo lugar”, diz a advogada Roberta di Ricco Loria, mãe de três filhos na Escola Vera Cruz e diretora da associação criada pelos pais, o Projeto Travessias. “O racismo é complexo. Se não houver sensibilização de toda a comunidade escolar, não funciona.”

Em 2020, o Vera Cruz recebeu 18 alunos negros ou indígenas no último ano da educação infantil – são três bolsistas por sala. A mensalidade é dividida entre a escola e a associação de pais, que já arrecadou R$ 4 milhões. A intenção é garantir 18 bolsistas anualmente e que todos possam ficar até o fim do ensino médio na escola.

Uma delas é Fernanda, de 6 anos, filha da massagista Norma Oliveira da Luz. Entre os requisitos do processo seletivo, que já está aberto para 2022, estão raça, renda baixa e morar, no máximo, a 12  quilômetros da escola. No ano passado, a direção entrevistou cerca de 50 famílias das 270 que se inscreveram. Norma fala da alegria quando soube que a filha, que estudava numa escola pública, tinha conseguido a vaga. Ela veio do interior da Bahia com o pai e 21 irmãos, já foi babá, empregada doméstica e hoje sustenta Fernanda sozinha. “Eu não pude, mas minha filha vai poder sonhar.”

A pressão das famílias por uma educação antirracista ganhou força no ano passado depois do assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos. Em meio à pandemia, surgiram grupos no WhatsApp para discutir a inclusão nas escolas. Alguns pais e mães formaram a Liga lnterescolas por Equidade Racial, que intermediou o acesso dos colégios a especialistas.

A inclusão de negros na educação havia ganhado força no País em 2012, quando foi aprovada a lei de cotas, que estabelece reserva de vagas nas universidades federais para jovens pobres, com recortes por raça. A Universidade de São Paulo (USP) também adotou ações afirmativas recentemente, amparada em estudos sobre o bom desempenho de cotistas. Antes disso, em 2003, uma lei determinou que os currículos das escolas incluíssem a história e a cultura afro-brasileira, mas pouco foi feito na rede privada.

“Não tem mais como a gente não reconhecer o racismo estrutural e não contribuir para eliminá-lo. A escola é uma instituição importante porque participa da educação da sociedade”, diz a diretora pedagógica do Colégio Santa Cruz, Débora Vaz. A escola contratou professores negros, está mexendo no currículo e anuncia amanhã bolsas para negros e indígenas para 2022. Serão 12 vagas para não pagantes e 10 para pagantes, um lugar de honra no concorrido processo seletivo do Santa Cruz.

Mirian Ferreira dos Santos, de 27 anos, foi contratada este ano como professora assistente na escola. Nas séries iniciais do fundamental, onde dá aulas, é a única negra. Certa vez, ela substituiu uma outra professora numa sala onde há uma aluna negra. “Eu vi a diferença no olhar dela, o sorriso, ela me viu como uma profissional que estava em um lugar de reconhecimento e se parecia com ela.”

CURRÍCULO.

Em vez de apresentar o negro pela primeira vez na escola como o escravo, falar de Martin Luther King – esse é um exemplo de educação antirracista. Ou aprender sobre os povos indígenas antes de falar sobre a chegada dos portugueses ao Brasil. E não ter apenas bonecas brancas na educação infantil. “O currículo às vezes é muito engessado e conteudista. Os professores têm dificuldade na literatura, usam só os cânones em seus planos de aula”, diz Suelem Lima Benício, consultora de educação em relações étnico raciais do Colégio Oswald de Andrade. Ela fez formação dos professores e dos funcionários administrativos e analisou o projeto pedagógico. “É um processo que vai durar muito. Se queremos formar jovens transformadores, a escola precisa estar incomodada”, diz a diretora pedagógica do Oswald, Andrea Andreucci. O cientista político Cássio França, pai de duas filhas na escola e membro do grupo antirracista, diz que o colégio “já é outro”. A leitura de férias da filha adolescente incluiu O quarto do despejo, de Carolina Maria de Jesus, o diário da catadora de papel que vivia numa favela. “Com o fim da pandemia o projeto deve acelerar mais.”

Para Sheilla André, contratada como coordenadora pedagógica no Oswald este ano, um colégio que se diz humanista precisa buscar a igualdade. “No meu currículo não dizia que eu era negra, mas percebi que era importante para a escola nas entrevistas.  “O colégio também deve lançar um programa de bolsas em setembro. Sheilla diz que temeu a reação dos pais na escola de elite, mas acabou se sentindo acolhida.

“Nosso desafio é que não seja uma coisa pontual, um evento, para ter um selinho antirracista”, diz a coordenadora da Ação Educativa, Denise Carreira. Ela é autora de um documento sobre relações raciais na escola, feito em 2013 com o Unicef e o Ministério da Educação, mas abandonado pelo governo federal hoje. Denise usa o material com as escolas particulares e diz que a abordagem tem de ser multidimensional. “Precisamos educar crianças e adolescentes brancos para construir uma cultura democrática. A situação dramática atual do País é em parte responsabilidade de uma elite segregada em seu mundo.”

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ENXAQUECA CIRÚRGICA

Com bons resultados, procedimento recebe aval de sociedade americana

Classificada pela Organização Mundial da Saúde como uma das doenças mais incapacitantes do planeta, a enxaqueca aflige 30 milhões de brasileiros. São as mulheres as principais vítimas, pela oscilação natural dos hormônios do corpo feminino. Não é por menos que o problema é um dos principais alvos da indústria dos remédios. Um dos procedimentos mais interessantes, no entanto, com nenhuma ligação com medicações, tem ganhado espaço nos últimos tempos no Brasil e no mundo: a cirurgia.

O procedimento consiste em descomprimir dois tipos de nervos associados à sensibilidade: o trigêmeo (que passa pelas regiões de nariz, maxilar, bochechas, testa e lateral) e o occipital (com ramificação pela nuca e parte de trás da cabeça).Ambos são apontados como uma das causas das intensas dores de cabeça.

São sete tipos de cirurgias já praticadas, uma para cada área em que as dores costumam começar ou se tornar mais fortes. Com preço que pode variar de RS5 mil a R$ 50 mil, a depender da complexidade, elas são feitas nos hospitais, sob anestesia geral ou local, e duram de 20 minutos a cinco horas. A mais comum é a retirada de um pequeno pedaço de músculo ou vaso para descomprimir os nervos da sensibilidade.

A operação é indicada para pacientes com diagnóstico de enxaqueca feito por neurologistas e que não respondam bem ao tratamento convencional ou que sofram muitos efeitos colaterais causados pelos remédios contra a doença. Cerca de 80% a 90% das pessoas submetidas à cirurgia de enxaqueca apresentam pelo menos 50% de melhora na intensidade, duração e frequência das crises, sendo que de 30% a 40% delas afirmam não sentir mais as dores.

Nos Estados Unidos, onde é mais popularizada, é realizada em universidades, como Harvard, e recentemente foi reconhecida pela Sociedade Americana de Cirurgia Plástica. No Brasil, o procedimento é considerado experimental pela Academia Brasileira de Neurologia e pela Sociedade Brasileira de Cefaleia, e, por isso, neurologistas não podem realizá-lo. O Conselho Federal de Medicina(CFM) não impede a prática, no entanto.

“Este é um procedimento que existe há mais de uma década e que tem evoluído fortemente. Trata-se de uma cirurgia superficial, e, portanto, não chega perto do cérebro. Os efeitos colaterais são relacionados à sensibilidade da região operada, não há risco de sequelas neurológicas”, destaca Paolo Rubez, cirurgião plástico e especialista em cirurgia de enxaqueca pela Case Western University, nos EUA, um dos médicos que mais fazem a operação no Brasil.

A técnica nasceu nos anos 2000, nos Estados Unidos, por acaso. Naquele tempo, o cirurgião plástico Bahman Guyuron percebeu que após procedimentos cirúrgicos estéticos no rosto, alguns pacientes relatavam uma diminuição nas enxaquecas.

Nem toda dor de cabeça pode ser classificada como enxaqueca. Ela é definida como uma dor que pode durar de quatro a 72 horas, com intensidade moderada a grave, e que dificulta a realização de atividades do cotidiano, como trabalhar, ler, comer. A sensação costuma ser do tipo pulsátil, ou seja, como se fosseuma artéria latejando. Normalmente, vem acompanhada de outros sintomas, como irritabilidade com a luz (fotofobia), com sons e cheiros.

OUTROS TRATAMENTOS

São variados os tipos de tratamento da enxaqueca: eles vão desde o uso de analgésicos até os anticorpos monoclonais e a aplicação de toxina botulínica. Eles vão depender se a enxaqueca é aguda – um episódio específico – ou crônica – recorrente.

“Nos casos de enxaqueca crônica, os tratamentos têm como objetivo diminuir a frequência e a intensidade das dores ao longo do mês. Não é uma cura, é colocar o paciente no grupo em que as dores são episódicas”, explica Gabriel Batistella, neurologista e assistente de Neuro-Oncologia Clínica na Escola Paulista de Medicina da Unifesp.

É nos casos da enxaqueca crônica que entram também os anticorpos monoclonais e a toxina botulínica. Em 2019, a Anvisa aprovou o uso do erenumabe, que pertence ao primeiro grupo. Ele bloqueia os receptores do peptídeo relacionado com os genes de calcitonina (CGRP), responsável por desencadear crises de enxaqueca. Já a toxina botulínica promove o relaxamento muscular da região onde é aplicada, evitando contrações, e inibe sinais dolorosos, aliviando assim as crises. Essas duas técnicas são úteis e evitam episódios frequentes de dor.

Quando a enxaqueca é aguda, , explica o médico, o tratamento visa suspender as dores daquele momento. Os medicamentos mais comuns são dipirona, paracetamol, anti-inflamatório e os triptanos.

“Não costumo recomendar remédios que apresentam uma combinação de muitas substâncias, como dipirona, cafeína e relaxante muscular. Este tipo de medicamento pode induzir à resistência a ele mesmo ou então gerar um vício no paciente. O corpo gosta tanto do remédio que vai gerar uma dor de cabeça só para o paciente voltar a usá-lo”, afirma Batistella.

POESIA CANTADA

BILHETE

IVAN LINS

COMPOSIÇÃO: IVAN LINS / VITOR MARTINS.

Quebrei o teu prato
Tranquei o meu quarto
Bebi teu licor
Arrumei a sala
Já fiz tua mala
Pus no corredor

Eu limpei minha vida
Te tirei do meu corpo
Te tirei das entranhas
Fiz um tipo de aborto
E por fim nosso caso acabou
Está morto

Jogue a cópia das chaves
Por debaixo da porta
Que é pra não ter motivo
De pensar numa volta
Fique junto dos teus
Boa sorte, adeus
Boa sorte, adeus

OUTROS OLHARES

EM UM ANO, #METOOBRASIL RECEBEU RELATOS DE 151 VÍTIMAS

Mais da metade só narrou o abuso sexual; 68 foram encaminhadas à Justiça

“Por que você não gritou? Não tentou bater nele? Essa é a primeira vez que vejo uma pessoa ser violentada e não lutar.”

As frases vêm do relato que Júlia (nome fictício) enviou à campanha #MeTooBrasil, narrando o abuso que sofreu aos 14 anos. No depoimento, relembra como o padrasto a assediou, como foi rejeitada pelo pai ao buscar ajuda e maltratada ao denunciar o caso para o delegado da sua cidade.

Lançado há um ano, o movimento #MeTooBrasil, que acolhe vítimas de violência sexual, se inspirou na campanha americana de mesmo nome que expôs abusos em Hollywood e que resultou, em março de 2020, na condenação do produtor Harvey Weinstein a 23 anos de prisão por agressão sexual e estupro.

Neste primeiro ano, a campanha brasileira recebeu 151 relatos relacionados à violência sexual. Desses, 77 usaram a plataforma como forma de relatar suas histórias, como Júlia; as outras 74 vítimas buscaram ajuda efetivamente – 68 desses atendimentos resultaram no encaminhamento para rede de proteção do Estado.

Para a advogada Marina Ganzarolli, idealizadora do projeto, frases como “em briga de marido e mulher não se mete acolher” não encontram mais uma aceitação tácita na sociedade. Campanhas nas redes sociais, contudo, como a que diz que “a culpa não é da vítima”, ainda se limitam a hashtags e o que elas pregam não foi ainda assimilado. A advogada admite que a campanha que concebeu, com um nome em inglês, esbarra em barreiras sociais, econômicas e até digitais. Mas,  diz, sua criação foi a forma que encontrou para romper bolhas. “Para a gente conseguir uma resposta eficaz contra a violência sexual no Brasil, precisamos falar com todo o mundo. Aprendi que seria interessante beber das influências das hashtags e das redes sociais e atingir movimentos hegemônicos para conversar fora desse círculo de garantia de direitos humanos.

Ao entrar em contato com a plataforma, a vítima recebe apoio e orientação do Projeto Justiceiras, que oferece amparo à mulheres vítimas de violência sexual. Depois disso, é dado o encaminhamento do caso no âmbito judicial.

De acordo com o levantamento realizado pela campanha, 54% das mulheres que buscaram pelo #MeToo Brasil são casos não urgentes, ou seja, que não aconteceram na hora e, por isso, não buscam ajuda imediata. A maioria dos relatos da campanha são pedidos de ajuda que partem de mulheres brancas (65%), da região Sudeste do país (53%) e tem entre 21 e 30 anos.

”A maioria nos procura para saber se ainda tem como denunciar as violências sofridas há mais de dez anos. Elas ainda estão revisitando traumas do passado e entendendo as possibilidades de reparação”, diz Ganzarolli. ”Nenhuma vítima consegue denunciar sozinha, não conseguem nem falar para pedir ajuda, quem dirá brigar com um Saul Klein ou um Roger Abdelmassih.

Ela lembra que é comum que vítimas de crimes sexuais demorem anos para buscar ajuda e aponta que um dos maiores problemas da violência sexual no Brasil é a subnotificação do casos.

De acordo com o mais recente anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2010, houve uma queda de 14% no registro de estupros e estupros de vulneráveis. Mas  a leitura não é  necessariamente otimista, diz a advogada.

“As condições em que esses crimes acontecem são dentro do convívio familiar e aumentaram com o isolamento social. Por isso, com certeza, a violência sexual aumentou, o que caiu foram os registros”. São vários os fatores que contribuem para a subnotificação, mas um deles é a incompreensão de como funciona a violência sexual, normalmente perpetrada por pessoas do ciclo afetivo da vítima.

“Não é uma pessoa que ela odeia, que ela quer ver presa, que ela quer destruir, normalmente é o pai, irmão, padrasto, tio, chefe, um colega. É um processo difícil porque a vítima tem uma série de afetos com aquela pessoa para fora da situação de trauma”.

De acordo com os dados das mulheres que recorreram ao #MeTooBrasil, 55% das denúncias são de violências que aconteceram dentro de casa, 54% afirmaram que era a primeira vez que buscavam ajuda, 21% relataram que o agressor possui posse ou acesso a armas de fogo e 14,7% vivem com seus agressores. Os dados seriam divulgados nesta terça (31), em um Webinar.

Ganzarolli afirma que, apesar de a grande maioria das vítimas dos casos de violência sexual ser de mulheres, meninos também são vítimas de violência sexual, tanto na infância quanto na adolescência.

“Não são nem 5% dos casos, mas eles são ainda mais invisibilizados, por sofrerem com a chave da homofobia. Por isso não falam nunca sobre as violências sofridas”.

Como Márcio (nome também fictício), que teve sua história contada à campanha pela avó. O garoto contou que o pai havia introduzido o dedo em seu ânus. A família, então, levou o menino, cuja idade não foi indicada no relato, para fazer exame de corpo de delito. Porém as investigações nada constataram. Agora a avó teme que a guarda da criança vá para o pai.

Medos como o da avó de Márcio são constantes entre as vítimas que sofrem abusos, diz Ganzarolli, que estima que o Brasil 30 anos atrasado na compreensão da violência sexual, se comparado aos EUA e países da Europa.

“Lá fora, se o funcionário de uma empresa é acusado de abusar de alguém, a lógica é afastá-lo ou demiti-lo. Aqui pensam “e se eu punir o cara e não for verdade? Eu vou ser condenado pelo agressor por ter difamado e acabado com a vida dele?” É sempre pela perspectiva do agressor”.

Na visão da advogada, a atual legislação contra crimes sexuais no Brasil é boa e resguarda bem as vítimas. O gargalo estaria na aplicação das leis. “Quantos equipamentos de saúde pública no Brasil estão preparados para aplicar a Lei do Minuto Seguinte (que prevê que hospitais ofereçam às vítimas de violência sexual atendimento emergencial e multidisciplinar)? Estaria exagerando se eu dissesse 40.”

Ela identifica como um avanço recente na área o surgimento da Ouvidoria das Mulheres, em maio de 2020. O canal, criado pelo conselho do Ministério Público a fim de receber denúncias, foi também uma forma de agilizar o encaminhamento dentro da instituição e promover o apoio multidisciplinar às vítimas – em um ano, mais de 870 já procuraram ajuda do órgão.

“Quando falamos de violência doméstica, discute-se um bem protegido, que é a entidade familiar; já quando falamos de violência sexual, é sobre um crime que aborda a sexualidade doentia de homens. Mas as pessoas acham que estamos falando sobre sexo”.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 18 DE SETEMBRO

A DECISÃO SÁBIA VEM DE DEUS

Pelo lançar da sorte, cessam os pleitos, e se decide a causa entre os poderosos (Provérbios 18.18).

Nos tribunais há muitas batalhas jurídicas em andamento entre os poderosos. Os pleitos são defendidos com vigor e fortes arrazoados. Advogados ilustres, com argumentos arrasadores, defendem o pleito de seus clientes com eloquência irreparável. Esses pleitos, porém, se arrastam por longos anos, em virtude da complexidade da causa e da burocracia da justiça. A queda de braço entre os poderosos parece não ter fim. A pugna parece interminável. Os pleitos não chegam a um fim desejável. Sempre que uma sentença é dada, recorre-se a um tribunal imediatamente superior e, assim, a pendenga jurídica cruza anos e anos sem um veredito final. Nos tempos antigos, especialmente no povo de Deus, essas questões eram resolvidas pelo lançar da sorte. O Deus que sonda os corações era consultado quando uma decisão difícil precisava ser tomada. Então, Deus respondia e trazia uma solução clara, justa, que cessava os pleitos. Quando Judas Iscariotes, traindo o seu Senhor, enforcou-se, era necessário um substituto para ocupar o seu lugar. A igreja reunida no cenáculo, em Jerusalém, buscou a Deus em oração, e por meio do lançamento de sortes Matias foi escolhido para ocupar o seu lugar. Hoje, não usamos mais esse expediente, porém o princípio de buscar a Deus e agir segundo a sua vontade ainda deve reger nossas decisões.

GESTÃO E CARREIRA

RECUSA DE VACINA ACENDE DEBATE CORPORATIVO

Segundo especialistas, proteção do coletivo se impõe à do indivíduo e normas das empresas são asseguradas por lei

Com o avanço da vacinação contra a covid-19 no País, muitas empresas que mantiveram o time em home office até agora estão voltando a operar no presencial. Apesar de a imunização ser comprovadamente a forma mais eficaz de se proteger do vírus, o fato de algumas pessoas recusarem a vacina tem obrigado o mundo corporativo a se posicionar para garantir um ambiente coletivo seguro.

Com a previsão de reabrir seus escritórios em outubro, a Microsoft dos Estados Unidos já anunciou que vai exigir o comprovante de vacinação de todos os funcionários e visitantes para que possam entrar nos prédios da companhia a partir de setembro. Facebook e Google também informaram, no início do mês, que os colaboradores que retomarem ao presencial deverão estar vacinados.

No Brasil, o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP) manteve recentemente a justa causa aplicada à demissão da funcionária de um hospital que não quis se vacinar. A justificativa foi que, apesar de a vacinação não ser compulsória, a imunização em massa é a única maneira de frear a pandemia. Nesse caso, para proteger a saúde do coletivo, as empresas têm o direito de restringir a frequência ou o exercício de atividades de quem não aceitar entrar na dança – e até de demitir por justa causa, dependendo do motivo da recusa.

“A empresa não pode forçar o empregado a se vacinar, mas, se ele não o fizer, poderá sofrer consequências trabalhistas”, afirma Rodrigo Takano, sócio do departamento trabalhista do Machado Meyer Advogados. “Caso a empresa estabeleça a vacinação como uma condição para a proteção da saúde e segurança dos seus empregados no ambiente do escritório e o empregado se recuse a se vacinar, ele estará violando uma norma interna e inviabilizando o seu trabalho no ambiente coletivo. Nesse contexto, o empregador tem legitimidade para dispensar o empregado por justa causa”, ele esclarece.

Sob a ótica do trabalhador, o especialista ressalta que ele não poderá ser punido por não se imunizar se houver prescrição médica com contraindicação, mas o acesso presencial à empresa pode ser limitado. “Em comparação com outros programas nacionais de vacinação, como o da H1N1 (Influenza), a obrigatoriedade de vacinação é a mesma, porém, no contexto de pandemia e calamidade pública, há um rigor maior de toda a sociedade no que concerne a exigir e fiscalizar a vacinação individual em razão da tutela da coletividade”, reitera.

PROTEÇÃO DIRETA E INDIRETA

Diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações e médica do corpo clínico da Cedipi, a pediatra Silvia Bardella Marano explica que, apesar de nenhuma das atuais vacinas contra a covid-19 eliminar o estado de portador do vírus, a pessoa que se imuniza não adoece com a mesma frequência que a que está desprotegida – e, se contrair o vírus, as chances de transmissão são inferiores. “Além dos anticorpos, quem se vacina desenvolve vários graus de resposta contra aquele agente e as chances de o vírus se multiplicar são muito menores”, afirma.

A médica sublinha a importância da questão traçando um paralelo com outros vírus conhecidos. “Urna pessoa com sarampo contamina 18 pessoas, uma com varicela transmite a doença para quase 100 % dos contatos não imunes e uma pessoa com Covid-19 contamina de 3 a 6 pessoas, dependendo da cepa. Então, ela representa um risco para a população, especialmente para quem não está vacinado por limitações da idade, gestação ou imunossupressão.”

De acordo com Silvia, quem ainda não pode tomar a vacina por algum motivo acaba indiretamente protegido pela imunidade de rebanho.

CONSCIENTIZAÇÃO

Em Goiânia, a Consciente Construtora promoveu campanhas de conscientização sobre a importância da imunização para seus colaboradores. Como resultado, a grande maioria dos funcionários já recebeu a primeira dose e deve estar completamente imunizada até setembro. Dos 190 operários, apenas 4 optaram por não tomar a vacina.

A empresa afirma que orienta, incentiva e procura sempre conscientizar os colaboradores sobre a importância da vacina, inclusive facilitando para que os profissionais possam sair durante o expediente de trabalho para se vacinar. Apesar da campanha permanente, no entanto, eles entendem se tratar de um ato voluntário. Não há nenhum tipo de descontinuidade de contrato ou penalidade com aqueles que, por questões pessoais, decidam não se vacinar.

No caso da healthtech Dandelin, como a equipe é jovem, por enquanto somente os dois sócios-fundadores já estão 100% imunizados e voltaram a frequentar o escritório em formato híbrido. “Com o avanço da vacinação, optamos por deixar opcional o retorno ao escritório, mas somente para aqueles que tiverem tomado as duas doses da vacina e aguardado os 14 dias para que a imunização esteja completa”, explica o CEO Felipe Burattini.

Ele fala que nenhum dos colaboradores tem um posicionamento negacionista quanto à necessidade da vacinação, tanto para a prevenção pessoal quanto coletiva, mas que a empresa é rigorosa com a questão. “Caso algum colaborador se recusasse a ser vacinado, teríamos a certeza de que os valores dele não estariam em conformidade com os da Dandelin”, complementa Mára Rêdiggollo, COO da empresa.

A foodtech Pratí, que até hoje manteve na fábrica somente os profissionais que exercem atividades que não podem ser realizadas a distância, também optou por uma volta gradativa para o escritório daqueles que tenham tomado as duas doses da vacina ou a dose única, no caso da Janssen. Se houver recusa, porém, a empresa vai dialogar. “Os colaboradores que estão em home office e não quiserem se vacinar, manteremos no formato remoto até se vacinarem”, afirma o CEO Fabio Canina. “Para os que atuam de forma presencial, buscaremos entender o motivo da recusa e continuaremos reforçando a importância da imunização, pensando sempre no bem-estar de todos”, ele pondera.

EU ACHO …

A XEPA DO INSTAGRAM

De batom a biscoito, a publicidade na internet virou uma praga

Eu concordo com a publicidade. Base da nossa sociedade de consumo. Digo isso para não ficar semelhante a um esquerdista dos velhos tempos para quem anunciar já era, em si, um pecado. Hoje vivemos sob a era dos influencers. E me pergunto: não há responsabilidade sobre o que eles dizem? Abro meu celular, passo por uma figura pública comendo biscoitos, dizendo que são deliciosos. É uma ação paga, claro. Mas ela comeu os biscoitos, ou só está dizendo pela graninha? Na publicidade tradicional, há um projeto que envolve inúmeras pessoas, e se exige responsabilidade. Quando alguém fura, há inclusive processos. Toda a estrutura pressiona para proteger o consumidor. Mas e os influencers?

Dizem o que querem. Não digo que sejam coisas ruins. A maioria fala de biscoitos, cosméticos, dá a dica de comidinhas… A minha pergunta é: a influencer usou aquele produto? Desfrutou a comidinha? Eu tenho um contato relativo com o mundo de influencers. Sei que ganham por ações pagas, e muitos faturam alto. Cada batom apresentado, cada unha pintada. Mas eles usam os produtos? Experimentam pelo menos? Ou só na hora de gravar?

Quando eu era pequeno, aprendi que devo ter responsabilidade sobre o que falo. Na publicidade tradicional também já vimos gente que “não bebe” fazendo propaganda de cerveja – inclusive a Sandy. Não colou. Mas no dia a dia da internet está desenfreado. Às vezes – acho pior – disfarçado. A personalidade faz uma foto descontraída e lá no canto tem o produto. Como que por acaso. Eu mesmo, confesso, já fiz post com chocolates. Sinto a consciência em paz porque sou guloso e adorava a marca. Mas exagerei dando mordidas de hipopótamo em um ovo de Páscoa. Eu comeria aquele chocolate de novo? Todos os anos. Comeria outro? Daquele jeito? Exagerei. Ou seja, a palavra tem valor. Só que esse valor passou a ser medido em preços. As pessoas ficam ricas ou pelo menos vivem bem falando de coisas que não experimentam, não conhecem. E se um produto fizer mal?

O contato dos influencers com o produto é rápido, só na hora da gravação, na maior parte das vezes. Não têm a menor ideia do que estão dizendo. Criam um mundo falso, de um cotidiano recheado de produtos que não conhecem. As pessoas que os seguem pagam a conta.

Eu não sei dizer. Mas a gente não deveria pensar em cobrar responsabilidade social dos influencers? Tipo: que no mínimo conhecessem o produto que alardeiam? Não digo que se tenha de usar o produto todo dia, mas, antes de falar bem, não teriam de conviver com ele?

São questões novas que estão surgindo com a força do Instagram. Eu me lembro que, no passado, tudo que um jovem ator queria fazer era uma peça de teatro. Muitos não pensam mais nisso. Querem bons posts bem pagos, e com isso viver. São objetivos de vida, não tenho nada a dizer. Mas essa nova publicidade motiva um estilo de vida, de consumo rápido e crenças em testemunhos positivos.

Testemunhos nos quais as pessoas nem sabem do que estão falando.

*** WALCYR CARRASCO

EU ACHO …

AGIR É VITAL

Eventos on-line facilitam a vida. Perde-se o contato presencial, mas ganha-se em tempo. Num mesmo final de tarde, sem levantar do sofá, assisti a uma palestra do biólogo americano Jared Diamond promovida pelo Fronteiras do Pensamento, e em seguida uma live com a gerontologista Candice Pomi, no Instagram da jornalista Patrícia Parenza. Falaram sobre dois assuntos que convergiram: o fim. Jared, sob o aspecto universal; Candice, pessoal.

Candice abordou a troca de papéis (filhos cuidando dos pais idosos) e a importância de nos prepararmos (cedo) para nosso próprio envelhecimento, não com o intuito de viver mais, mas de viver melhor, com autonomia. Nossa população tem hoje mais adultos acima dos 60 anos do que crianças de O a 5. No entanto, a quantidade de pediatra continua bem maior do que a de geriatras. Costumamos deixar para pensar na velhice só quando ela se aproxima, o que é, no mínimo, um desperdício. Entre os 60 e os 100 anos, há oportunidades magnífica de vida, mas antes temos que perder o medo de conversar sobre declínios, adaptações, finitude.

Aos 84 anos, o biólogo Jared Diamond mantém a mente ativa e os olhos no futuro. Ele lembra que doenças emergentes sempre existiram, mas hoje elas circulam a jato pelos cinco continentes, caso da Covid. O único proveito dessa pandemia é reconhecer que, pela primeira vez, o mundo precisa de uma solução global – nenhum país vencerá o vírus sozinho. E temos um desafio ainda maior: nosso senso de coletividade precisa ser direcionado para três dramas planetários que matam mais que a Covid. São eles: as mudança climáticas, o esgotamento dos recursos naturais e a desigualdade social.

A Covid assusta porque mata rapidamente e de forma direta, mas ela não extinguirá o planeta. Já as outras três catástrofes, sim, serão fatais se não houver uma mobilização integrada. Alterações do clima provocam tsunamis, incêndios, estiagem, elevação do níveldo mar e destruição de recifes. A exploração indiscriminada da natureza elimina florestas, acaba com os solos, provoca escassez de energia. E a desigualdade social gera fome, disseminação de doenças, violência. Mas continuamos preocupados apenas com o amanhã imediato, e não com o fim do planeta que se desenha para depois de amanhã.

Tanto no cotidiano privado como no exercício da cidadania, o recado está dado: planeje-se, em vezde entregar-se aos humores do destino. Se parece paranoia, paciência, é uma paranoia útil. Que façamos bom uso do relativo controle que ainda temos sobre o período que iremos viver. Frase de Jared Diamond: ”Negar uma crise é o caminho mais curto para o desastre”. Seja uma crise existencial, política, sanitária, ambiental, não importa: uma vezinformados, é preciso, agora, levantar do sofá.

*** MARTHA MEDEIROS

marthamedeiros@terra.com.br

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CÂMERA LIGADA, A CULPADA PELO CANSAÇO NAS WEB CHAMADAS

Pesquisa mostra que lidar com a própria imagem em reuniões on-line pode causar pressão excessiva sobre funcionários

Aquele cansaço típico relatado por muitas pessoas após uma reunião virtual, realizada em frente a uma tela de computador ou celular, pode ter um responsável: a webcam aberta. Isso é o que afirma estudo conduzido pela Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, que analisou o impacto de uma câmera ligada na fadiga dos usuários.

O estudo, publicado no Journal of Applied Psychology, analisou 103 participantes em 1.400 instantes de suas chamadas e concluiu que o ato de deixar o dispositivo ligado pode estar diretamente relacionado com a sensação de cansaço após o encontro virtual. Isso porque as pessoas tendem a se sentir mais pressionadas com a exposição e com a necessidade de parecerem profissionais engajados diante de uma câmera.

“Há muita tensão em relação à autoimagem associada às câmeras. Ter uma formação profissional e parecer pronta, ou manter as crianças fora da sala estão entre algumas das pressões”, explica a professora Allison Gabriel, autora do estudo.

O trabalho também mostrou que, ao contrário do pensamento convencional, pessoas com câmeras ligadas tendem a apresentar menor produtividade nas reuniões do que aqueles que as mantêm desligadas, uma vez que há um cansaço maior para se manter “apresentável” e disponível. Além disso, mulheres e funcionários mais novos seriam mais vulneráveis a essa fadiga, provavelmente devido às pressões adicionais de apresentação pessoal.

“As mulheres muitas vezes sentem uma pressão para serem perfeitas sem esforço ou têm maior probabilidade de interrupções no cuidado dos filhos”, afirma a pesquisadora. “Já os funcionários mais novos imaginam que devem participar mais para mostrar produtividade”.

O esforço para se expor é algo familiar para a publicitária Flávia Moura, que tem trabalhado de forma remota desde abril de 2020 devido ao distanciamento imposto pela Covid-19. Mãe de uma criança de cinco anos, Flávia sente que, além de ter ficado mais “neurótica”- nas palavras dela -por causa da pandemia em si, também se sente mais preocupada com a aparência e menos confiante no próprio trabalho.

A publicitária relata que tem que se desdobrar para comparecer às reuniões on­line da empresa em que trabalha, além de cuidar da filha, da casa e dos gatos de estimação. É comum ter que desligar a câmera quando a filha lhe pede atenção, o que a faz sentir-se culpada.

“É uma culpa que eu sei que é injustificada. Ninguém é obrigado a ficar com a câmera aberta, mas eu costumo deixar por achar que, assim, vão me levar mais a sério como profissional. No fundo, eu sei que é besteira, mas fiquei mais preocupada com essa visão que os outros têm de mim durante a pandemia”, conta Flávia.

A preocupação sentida pela publicitária se tornou mais comum de um ano para cá, quando grande parte das pessoas se viu em uma situação semelhante e com a qual não estava acostumada. O psicólogo e pesquisador na área de prevenção em saúde mental Renato Caminha afirma que essa sensação pode ser explicada no seu campo de trabalho por meio de um fenômeno chamado de “exaustão do eu”.

“Quando a gente tem longos períodos de atenção fixa, direcionada, isso promove um fenômeno chamado de “exaustão do eu”. Fazendo uma analogia, é como se você fosse à academia e desgastasse excessivamente o físico. É o excesso do foco de atenção que justamente pode tornar você mais desatento, disperso”, afirma o psicólogo.

Para recuperar o vigor dos processos cognitivos, as pessoas necessitam de descanso, mas, como aponta o psicólogo, isso muitas vezes não é possível, sobretudo quando já se está no ambiente de repouso, em casa. Esse cansaço pode levar à irritabilidade, menos disponibilidade para o outro e, inclusive, mais déficit de atenção.

A pesquisadora Allison Gabriel, inclusive, recomenda no estudo que as empresas não obriguem o uso da câmera em reuniões. A ideia é não forçar um situação em que o funcionário se sinta pressionado e, posteriormente, prejudicado.

“No final das contas, queremos que os funcionários se sintam autônomos e apoiados no trabalho para estarem em sua melhor forma. Ter autonomia sobre o uso da câmera é mais um passo nessa direção”, defende a psicóloga.

POESIA CANTADA

NADA POR MIM

MARINA LIMA

COMPOSIÇÃO: HERBERT VIANNA / PAULA TOLLER

Você me tem fácil demais
Mas não parece capaz
De cuidar do que possui
Você sorriu e me propôs
Que eu te deixasse em paz
Me disse vá e eu não fui

Não faça assim
Não faça nada por mim
Não vá pensando que eu sou seu

Você me diz o que fazer
Mas não procura entender
Que eu faço só prá agradar (Te agradar)

Me diz até o que vestir
Por onde andar, por onde ir
E não me pede prá voltar

Não faça assim
Não faça nada por mim
Não vá pensando que eu sou seu

OUTROS OLHARES

REVOLUÇÃO VIRTUAL

Facebook propõe novo modelo de interação em que as pessoas e os acontecimentos reais são projetados no mundo online em três dimensões

Se há vinte anos alguém dissesse que as pessoas não iriam mais para os seus escritórios, mas que trabalhariam de casa através de videoconferências, ninguém acreditaria como algo provável ou até mesmo prático. Hoje isso já está superado e a previsão é que viveremos plenamente em ambientes virtuais em 3D, na forma de avatares, cumprindo todo tipo de função profissional e reproduzindo nossa própria vida na rede com personagens animados. O Facebook, empresa comandada por Mark Zuckerberg, está encabeçando essa revolução para estabelecer a nova realidade tridimensional. A empresa lançou novos óculos “VR” (virtual reality) e ditou que o futuro será a imersão no online. Você deixará de ter uma foto de perfil e terá seu corpo inteiro transportado para um lugar cibernético chamado “metaverso”. “Faremos com que as pessoas que nos veem como uma empresa de mídia social nos vejam como uma empresa metaversa”, disse Zuckerberg.

Se a palavra parece saída da ficção científica é porque isso é verdade: o termo “metaverso” surgiu pela primeira vez no livro “Snow Crash”, escrito por Neal Stephenson, em 1992. O enredo trazia dois entregadores de pizza que mergulham no espaço virtual para fugir de uma vida disfuncional. Hoje se fala simplesmente numa combinação da vida comum das pessoas com recursos de realidade aumentada, como uma espécie de projeção de si mesmo na rede. “As pessoas conversam em telas onde só o rosto é visto”, explica o cofundador da empresa de realidade virtual VR Monkey, Pedro Kayatt. “Mas uma reunião de trabalho onde é possível ver o gestual dos envolvidos, será muito mais produtiva”. Ele diz que os ganhos na educação serão relevantes, já que os estudantes poderiam interagir como em um videogame com colegas e professores. Apesar da ideia não ser nova, só agora a humanidade ­— e os desenvolvedores — conseguiram reunir tecnologia avançada e internet de boa qualidade para fazer com que um mundo paralelo seja possível. Jogos como “Second Life”, que surgiu em 2003, eram pesados e com gráficos ruins. Por lá se criava uma segunda vida e se estabeleciam relações sociais virtuais. A ideia agora é usar essas ferramentas em nosso cotidiano e permitir que o metaverso seja acessado por todos.

Se os óculos de realidade virtual ainda causam estranheza, atualmente os modelos são modernos, leves e acompanhados por dois controles. O futuro, é ainda mais promissor. A Apple deve lançar seus dispositivos de realidade aumentada em breve e o design deve ser cada vez mais funcional e prático. O metaverso é centrado em uma economia em pleno funcionamento: ou seja, você poderá entrar em lojas, ocupar diversos “espaços” com facilidade e ainda manter os avatares e mercadorias que compra. Os videogames ensaiam esse universo, mas ainda em uma tela. Jogos como Roblox, Fortnite e Animal Crossing — criam comunidades, colocam roupas de grife para serem compradas e usadas pelos avatares e até levam a shows de artistas reais, recriados conforme o gráfico dos jogos. Entretenimento, mercado de trabalho e viagens são apenas o começo. Essa fronteira tecnológica pode tomar proporções grandiosas — imagine um mundo sem limitação de tamanho e criatividade no qual você poderá percorrer normalmente. A possibilidade de mercado — de geração de riqueza, principalmente para as empresas — será imensa.
Mark Zuckerberg quer as pessoas literalmente dentro do Facebook — e com isso dividir seus gestos, sotaques, maneiras de se vestir com a empresa. Um passo além da concessão de privacidade. Se atualmente a rede social já sabe muito sobre você, passará a saber ainda mais. Quem irá controlar o metaverso? O que sua existência faria ao nosso senso comum de realidade? A humanidade ainda está abraçando a versão bidimensional das plataformas sociais e disputar a versão 3D pode ser exponencialmente mais difícil. “Estamos mediando as nossas vidas e nossa comunicação através de pequenos retângulos brilhantes. Acho que não é realmente como as pessoas são feitas para interagir”, disse Zuckerberg em entrevista à imprensa americana. Com o aquecimento global e futuras pandemias, viver sem tecnologia será impossível — mas será que estamos indo na direção correta?

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 17 DE SETEMBRO

CUIDADO COM SUAS MOTIVAÇÕES

O que começa o pleito parece justo, até que vem o outro e o examina (Provérbios 18.17).

As coisas não são o que aparentam ser; elas são o que são em sua essência. Não somos o que somos no palco, mas o que somos na intimidade. Muitas vezes as pessoas não admiram quem somos, mas quem aparentamos ser. Não gostam de nós, mas da máscara que usamos. Respeitam não nosso caráter, mas nosso desempenho. Amam nossas palavras, mas não nossos sentimentos. Salomão está dizendo aqui que as pessoas podem julgar-nos justos quando iniciamos um pleito. Nossas palavras são eloquentes, nossa defesa é irretocável, nossos direitos são soberanos. Porém, quando alguém se aproxima, levanta a ponta do véu e revela o que escondemos sob as camadas de nossas motivações mais secretas, descobre que há um descompasso entre nosso pleito e nossos interesses pessoais. Há um abismo entre o que falamos e o que somos. Há um hiato entre o que professamos e o que praticamos. Há inconsistência em nossas palavras e deformação em nosso caráter. Uma cunha separa nossas intenções mais secretas do nosso pleito. Não basta parecer justo em público; é preciso ser justo em secreto. Não basta parecer justo no tribunal dos homens; é preciso ser justo no tribunal de Deus. Não basta parecer justo aos olhos dos homens; é preciso ser justo aos olhos de Deus.

GESTÃO E CARREIRA

ROBÔS ASSUMEM TAREFAS DE RISCO EM FÁBRICAS E NO CAMPO

‘Cachorro-robô’ para a mineração emáquinas autônomas para o agronegócio refletem o desenvolvimento de tecnologias no País

Empresas brasileiras aceleraram os investimentos em robôs móveis para realizar trabalhos considerados mais perigosos no lugar de empregados. Desde p cachorro-robô de quatro pernas até veículos movidos por rodas e esteiras, a tecnologia está assumindo o risco em serviços expostos a altas temperaturas, grandes alturas e a produtos químicos em diferentes setores.

A mineradora Vale, por exemplo, vai comprar um “cão-robô”, chamado anymal, por aproximadamente T$ 1 milhão. O robô quadrúpede criado pela suíça Anybodes, com seu rostinho inofensivo, foi adaptado para operações de fiscalização na área de mineração.

O cão-robô realizou neste ano uma prova de conceito na usina de Cauê, em Itabira (MG). Planejou rotas. Subiu e desceu escadas, exibiu mapa da área sob inspeção. Focou ainda em objetos e instrumentos, transmitindo imagens, inclusive com medições de temperatura. No fim do teste, executivos da Vale estavam convencidos de que precisam ter um daqueles.

“Com o robô, eliminamos os riscos pertinentes às atividades de inspeções”, disse Rayner Teixeira, analista operacional responsável pelo desenvolvimento do Anymal na Vale.  “O robô também nos dá acesso a espaços confinados, como o interior de um moinho.”

Além da compra do Anymal, a Vale desenvolve os próprios robôs, que consumiram investimentos de R$ 1,5 milhões nos últimos anos. Um deles é o EspeleoRobô, projetado inicialmente para mapear cavernas próximas às minas utilizando rodas e esteiras. A tecnologia foi desenvolvida pelo Instituto Tecnológico Vale  (ITV) , em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Segundo a Vale, quatro unidades do EspeleoRobô estarão em operação até o fim do ano, em áreas de cobre no Pará e de minério de ferro em Vitória (ES) e Itabira (MG). Serão colocados para realizar inspeções de moinhos de usina, dutos e outros ambientes confinados. “Esses robôs foram criados dentro da Vale pelos próprios empregados e são uma tecnologia em constante evolução”, diz Gustavo Pessim, do ITV.

Em relatório divulgados no início deste mês , a Federação Internacional de Robótica (IFR na sigla em inglês) avaliou que o mercado de robôs móveis autônomos deverá crescer 31% ao ano até 2023 no mundo. A IFR explica que o acelerado avanço de hardwares e softwares está provocando um “boom” em vários segmentos do setor.

PETRÓLEO

Um dos segmentos que devem puxar o crescimento do uso de robôs na indústria é o de petróleo. Imagine trabalhar pendurado a 30 metros de altura em alto-mar para pintar o casco de uma plataforma de 300 metros de comprimento? Para eliminar esse risco, a Petreobrás desenvolveu o “robô´pintor”. Formado por cordas erodas, além de um compressor de ar, é capaz de pintar 300 m2 de superfície em uma hora, dez vezes mais do que um humano.

O uso de robôs não é novidade na Petrobrás. Na Estatal, a fronteira está na combinação de automação com inteligência artificial. A companhia tem 15 projetos em carteira para desenvolvimento de robôe e drones com instituições de ciência e tecnologia, além de startups.

Julianos Dantas, gerente executivo do Centro de Pesquisas da Perobrás, explica que os investimentos em robótica da companhia somam R$ 100 milhões, entre valores realkizados e previstos para os próximos anos. Além do “robô pintor”, a Petrobrás desenvolve uma espécie de “robô minhoca” – que desobstrui dutos de petróleo – e o CRAS, um robô escalador capaz de se locomover em superfícies quentes.

As máquinas autônomas também chegaram ao campo. A fabricante de máquinas agrícolas Jacto desenvolveu um robô autônomo pulverizador de pomares, o Arbus 400JAV. O veículo sobre rodas tem a parte dianteira semelhante a um rosto e espécie de braços de pulverização, no melhor estilo de série de filkmes Transformers.

Fernando Gonçalves Neto, diretor-presidente fa Jactom explica que o operador acompanha o robô a distância, por meio de câmeras. “Quando oveículo é autônomo, caso haja  névoa química ou excesso de ruido,o operador não estará embarcado. É um benefício de segurança”, diz Gonçalves Neto.

EU ACHO …

O BUQUÊ DO NOIVO

Pense em cenas típicas de festas de casamento nos moldes mais tradicionais das culturas ocidentais. Quais imagens lhe vêm à mente? Uma das cenas mais recorrentes é a da noiva segurando um buquê de flores. Num determinado momento do evento, ela deve lançá-lo.

Neste instante, outras mulheres solteiras se colocam atrás da noiva e disputam entre si a possibilidade de alcançar as flores.

De acordo com a crença popular, quem pegar o buquê será a próxima a se casar. É uma brincadeira que marcou vários casamentos? Sim. Porém, é mais do que isso. Já fui em uma cerimônia na qual duas amigas se estapearam para pegar o buquê. Rolou um mal-estar e elas ficaram anos sem se falar.

Por ora, não vou problematizar a pressão ainda imposta pela sociedade, sobretudo às mulheres, em torno da necessidade de se casar. Mas quero focar em outro ponto: a quantos casamentos você já foi em que o noivo jogava o buquê? Você já viu uma situação na qual homens disputaram as tais míticas flores?

Por que seria este, obrigatoriamente, um momento da festa dedicado somente às mulheres? Por que não temos um momento institucionalizado como a hora do buquê do noivo para homens que queiram participar?

Sabemos bem que o nosso machismo estrutural mora nos detalhes. E, ao abrir este momento para os homens, podemos provocar reflexões. E até, quem sabe, quebrar algumas das bases dessa estrutura e seus paradigmas, como a de que o casamento é um sonho só das mulheres, não sendo este um desejo compartilhado pelos homens; e de que só elas consideram o matrimônio a maior realização de suas vidas. Há ainda a própria noção que reforça um imaginário de que apenas as mulheres disputam esse tipo de “conquista” entre si. Para eles, o casamento não seria urna vilória. Pelo contrário.

Parei para pensar sobre esta tradição e me dei conta de que nunca havia presenciado tal cena até rever o vídeo da cerimônia da minha cunhada em que convocamos, ou melhor, obrigamos, os homens a pegarem o buquê. Tudo começou com o meu marido, que incentivou os rapazes a participarem. Alguns vieram puxados, ainda reticentes, dizendo que aquilo era coisa de mulher.

Pouco apouco, o time de homens foi ficando maior do que o das mulheres. E demos ao noivo a tarefa de jogar o buquê. Desajeitado com as flores e com a situação, ele ficou com as mãos trêmulas. A cena inusitada ganhou até espectadores virtuais. Três, dois, um e foi.

Um homem não muito alto saiu do fundo do grupo e pulou bem para arrematar o buquê. Uma cena digna de um jogo de futebol americano. Ele saltou o mais alto que conseguiu, pegou o buquê e rolou no chão com as flores. Sujo de grama, levantou-se orgulhoso. Tá passada? Ainda deu um grito de vitória. O episódio provocou risos da audiência, mas também foi bastante inspirador.

Sorte a dele ter sido o primeiro homem para muitas pessoas, inclusive para mim, que disputou e ganhou um buquê jogado pelo noivo. Brincadeira à parte, como ele mesmo disse, depois de recusar o título de “fofo”, não fez mais do que o óbvio em participar de um momento que já poderia existir na cerimônias de casamentos e na vida: a divisão saudável dos papéis de cada um.

*** LUANA GÉNOT

lgenot@simaigualdaderacial.com.br

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MAIS SONO, MAIS VIDA

Pesquisa mostra o impacto de noites mal dormidas na longevidade

Desde a década de 1980, quando as pesquisas sobre o impacto do sono na saúde do organismo foram aprofundadas, poucas vezes uma descoberta sobre o assunto chamou tanto a atenção. Um trabalho conduzidos por cientistas da Universidade da California, nos Estados Unidos, revelou que, seis meses após o nascimento de seus bebês, as mães sofrem um envelhecimento biológico de três a sete anos, além da idade cronológica. A Causa? A falta de descanso crônico provocado pelas noites mal dormidas, tão comuns depois da chegada de um bebê. O trabalho foi publicado na revista científica Sleep Health.

Os pesquisadores avaliaram um grupo de mulheres durante a gravidez e ao longo do primeiro ano de vida de seus filhos. Durante esse período várias amostras de sangue foram colhidas para observar o DNA das voluntárias. Eles descobriram que as mães que dormiram menos de sete horas por noite de forma frequente eram mais velhas biologicamente em relação às que dormiam sete horas ou mais.

RISCO À SAÚDE

As mães que dormiam menos de sete horas tinham uma alteração: os telômeros, pequenos pedaços de DNA nas extremidades dos cromossomos que agem como capasprotetoras do material genético, eram mais curtos. Telômeros encurtados têm sido associados ainda por cima a um risco maior de câncer, doenças cardiovasculares e outras doenças e morte precoce.

“A principal função dele é proteger o material genético transportado pelos cromossomos. No entanto, conforme as células se multiplicam para promover a regeneração dos tecidos do organismo, o comprimento dos telômeros é reduzido. Com o passar do tempo, eles ficam tão curtos que não são mais capazes de proteger o material genético , o que faz com que as células parem de se reproduzir e atinjam um estado de envelhecimento que é sentido em todo o organismo. Há influência genética para o encurtamento mais rápido dos telômeros, mas isso também ocorre em situações de grande estresse e agora, como se sabe, de privação de sono”, explica o geneticista Marcelo Sady, responsável técnico do Laboratório Multigene, de Botucatu, em São Paulo.

Participaram do estudo mulheres com idades entre 23 e 45 anos. Enquanto o sono noturno das participantes variou de cinco a nove horas, mais da metade teve menos de sete horas, tanto aos seis meses, quanto no período deum ano após o  parto, relatam os pesquisadores. Eles observaram que cada hora de sono adicional refletia em uma menor idade biológica da mãe, ou seja, seu corpo sofria menos com o fator do envelhecimento do que as outras.

“Quando nós dormimos à noite, continuamos com uma grande descarga de adrenalina e outros hormônios que nos fazem ficar acordados, quando o organismo deveria estar no repouso. É como se mantivéssemos os vasos sanguíneos e o coração no modo trabalho. Só que isso gera um estresse fisiológico muito grande para o organismo. E acelera o envelhecimento. Fazendo uma comparação, é como se você deixasse uma máquina o tempo todo ligada e, quanto mais tempo ligada, menor a vida útil”, explica a neurologista Christianne Martins Bahia, responsável pelo setor de Distúrbios do Sono do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade estadual do Rio de Janeiro.

Um sono de qualidade é um dos pilares de uma boa saúde física e mental. Enquanto dormimos, o corpo faz uma verdadeira faxina em neurotoxinas que prejudicam o funcionamento e estão associadas ao surgimento do Alzheimer.

Os pesquisadores incentivaram as mães para dormir um pouco mais, como cochilar durante o dia quando o bebê está dormindo, aceitar ajuda de sua rede de apoio, como família e amigos, e, sempre que possível, dividir com o pai da criança a responsabilidade de cuidar do bebê, tanto durante o dia quanto à noite.

Uma mães que está extremamente privada do sono ainda produz menos leite porque está estressada, tem menos energia e disposição para cuidar da criança. Dormir pouco pode ser fator de risco para outras doenças, como a depressão e ansiedade. Precisamos olhar para essa mãe do pós-parto e conscientizar a família sobre a importância da rede de apoio, para ela ter esse momento do descanso garantido”, destaca Bahia.

SETE ANOS ATÉ DORMIR

Um outro estudo, feito por pesquisadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, mostrou que as mães só conseguem recuperar a quantidade e a qualidade do sono que tinham antes de engravidar, seis anos após o nascimento do filho. Nos primeiros 3 meses depois do nascimento, as mães dormiram em média 1 hora a menos do que antes da gravidez e, enquanto a duração do sono do pai diminuiu em apenas 15 minutos. O impacto era maior nos pais de primeira viagem.

Dormir pouco todos os dias influencia inclusive na questão alimentar. A privação do sono reduz os níveis de leptina (hormônio da saciedade) e aumenta os níveis de grelina (hormônio da fome). Esse cenário estimula o risco de sobrepeso ou obesidade, já que a pessoa terá mais fome e mais tempo de comer. E aqui outro problema: a obesidade é um dos principais fatores para o desenvolvimento da apneia do sono, um distúrbio em que a respiração para e volta diversas vezes, diminui muito a qualidade do descanso.

“Quando há uma grave perturbação da ordem temporal, bioquímica , fisiológica e dos ritmos comportamentais, isso mexe também com a expressão de alguns genes que regulam o metabolismo e os hormônios. Muitos pacientes que enfrentam mudanças  nesse ciclo não conseguem seguir um plano alimentar, têm maior carga de estresse e impulsos alimentares”, diz a médica nutróloga Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Apesar de não ser possível recuperar o sono perdido, é possível mitigar os efeitos estabelecendo uma rotina de descanso. O nosso corpo é capaz de se reprogramar e amenizar os danos já causados.

As oito horas diárias de sono são a recomendação básica. No entanto, cada faixa etária tem seu tempo recomendado de descanso (veja no quadro abaixo).

POESIA CANTADA

CANÇÃO DA AMÉRICA

MILTON NASCIMENTO

COMPOSIÇÃO: FERNANDO BRANT / MILTON NASCIMENTO

Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir

Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam: Não
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração

Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar

OUTROS OLHARES

HOMENS PRETOS E PARDOS SE TORNAM PAIS ANTES E TEM MAIS FILHOS, DIZ IBGE

Estudo indica que população com baixo nível de estudo e de menor renda também vira pai antes

Um novo estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que homens pretos ou pardos costumam ter mais filhos e viram pais mais cedo, na comparação com o restante da população.

A mesma lógica também vale para quem tem pouco estudo ou está nas menores fatias de renda, indica a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, divulgada nesta quinta-feira (16).

0 estudo inclui novos recortes de dados frente a edição anterior; de 2013. O levantamento, contudo, ainda não capta os reflexos da pandemia de coronavírus na área de saúde, já que a Covid-19 chegou ao país em 2020.

Uma das novidades da pesquisa e justamente o retrato sobre os homens de 15 anos ou mais que já tiveram pelo menos um filho.

Conforme o estudo, pais pretos ou pardos tinham, em média, 25 anos quando o primeiro filho nasceu. A marca entre os brancos foi maior; de 26,8 anos.

A média de filhos entre os homens pardos que já eram pais ficou em 2,8. Pretos vieram logo na sequência, com 2,7. Já entre os brancos, o número foi de 2,4.

No recorte por nível de escolaridade, os dados apontam que homens com ensino fundamental completo e médio incompleto tinham 24,6 anos quando viraram pais. É a menor marca da pesquisa.

Já os homens sem instrução ou ensino fundamental incompleto se tornaram pais com 25,1 anos.

Brasileiros que tem ensino superior completo, por sua vez, viraram pais mais tarde. A média nesse grupo foi de 27 anos para iniciar a paternidade.

Segundo o IBGE, o número de filhos foi superior entre os pais sem instrução ou fundamental incompleto: 3,5. Já entre os homens com ensino superior completo, a marca foi de 2 filhos.

Quando a variável é nível de renda, os brasileiros com renda domiciliar per capita inferior a um quarto do salário mínimo ingressaram na paternidade antes, com 24 anos, e eram os que tinham o maior número de filhos (3,1).

Na faixa de renda mais alta da pesquisa, com rendimento domiciliar per capita de mais de um salário mínimo, a idade era maior (26,7 anos), e a média de filhos, menor (2,4).

Os dados também trazem recorte por região. Segundo o estudo, homens do Norte e do Nordeste viraram pais antes e tinham mais filhos.

Outro módulo pesquisado pela PNS é o da saúde da mulher. De acordo com o estudo, em torno de 80,5% das mulheres de 15 a 49 anos sexualmente ativas usavam algum método para evitar a gravidez em 2019.

A fatia de 40,6 % considerava a pílula anticoncepcional como o método mais eficaz. Em seguida, vinham a camisinha masculina (20,4%) e a laqueadura (17,3%).

No Brasil, 4,7 milhões de mulheres de 15 anos ou mais tiveram filhos entre 29 de julho de 2017 e 27 de julho de 2019. Em  relação ao parto, 87,2% foram atendidas por médicos, 10,4 % por enfermeiros e 1% por parteiras. O levantamento também indica que, em 2019, 81,3% das mulheres entre 25 e 64 anos haviam realizado o exame preventivo para câncer de útero no período de menos de três anos. Enquanto isso, 6,1% nunca haviam feito o procedimento.

De acordo com o IBGE, cerca de 58,3% das mulheres de 50 a 69 anos haviam realizado mamografia nos últimos dois anos. O percentual foi ligeiramente mais alto do que o verificado em 2013 (54,3%). O estudo mostra ainda que em 2019, 17,3 milhões de pessoas com dois anos ou mais tinham alguma deficiência no país. O número equivale a 8,4% da população nessa faixa etária.

Segundo o  IBGE, apenas 28,3% das pessoas com deficiência e em idade de trabalhar (14 anos ou mais) estavam na força de trabalho em 2019. Entre as pessoas sem deficiência, o percentual era superior; de 66,3%.

A força de trabalho e o conceito que reúne tanto os profissionais empregados (ou ocupados) quanto os desempregados (ou desocupados, que seguem em busca de novas vagas).

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 16 DE SETEMBRO

A GENEROSIDADE ABRE PORTAS

O presente que o homem faz alarga-lhe o caminho e leva-o perante os grandes (Provérbios 18.16).

Um coração generoso é o nosso melhor cartão de visitas. O amor traduzido em atitudes abre portas para novos relacionamentos. Você quer falar com alguém importante? Leve um presente, e será fácil. Um simples gesto de bondade pavimenta o caminho para novas amizades. Ninguém perde por ser gentil. O coração aberto é revelado por mãos abertas, e estas são generosas para presentear. Às vezes ficamos constrangidos em presentear alguém que tem tudo do bom e do melhor. Porém, não é uma questão do que estamos oferecendo, mas de como estamos oferecendo. O que importa não é o valor monetário do presente, mas seu significado. É o gesto de amor que conta. É a demonstração de carinho que enternece. Ninguém é tão rico que não possa receber um presente, e ninguém é tão pobre que não possa dá-lo. A generosidade consegue entrar em palácios. A generosidade nos coloca em companhia dos príncipes. Quando temos amor no coração e um presente nas mãos, alargamos o caminho para novos contatos, e esse gesto nos leva à presença dos grandes. A generosidade é uma chave que abre o cofre dos mais difíceis relacionamentos e pavimenta o caminho para as mais profundas amizades.

GESTÃO E CARREIRA

ERROS QUE VALEM OURO NO MUNDO DOS NEGÓCIOS

Antes de seguir a leitura, enfatizo que são experiências reais de um sonhador que visualiza uma empresa estruturada e que não dependa de seu fundador para seguir atuante no mercado. São erros. Erros de quem conseguiu perceber exatamente em quais pontos agir para recuperar o campo cultivado que foi temporariamente invadido por um “vírus” – cujos tentáculos foram neutralizados até que a atualização de sistema seja concluída e o vírus eliminado.

Quatro anos de imersão prática entre dezenas de projetos entregues para clientes, construção de rede de contatos profissionais, muita persistência, busca por informações a todo instante a fim de defender um propósito validado pelo mercado. Desde menino eu sonhava ser empresário e às vezes questionava meu pai, depois de ouvir notícias no rádio, sobre “por que eles [governo] não conseguiam melhorar o Brasil?”, “os donos de empresas não podem ajudar?”.

Saí para rua e troquei picolés por dinheiro antes mesmo de frequentar as aulas na pré-escola. Segui carreira no varejo e, hoje tenho uma agência especializada em Internet Marketing. Em 2011 surgiu A Oportunidade e então nasceu minha empresa. Era uma produtora de sites (desenvolvimento web) que também oferecia serviços de marketing no mundo digital. Muitas “coisas” aconteceram, pessoas entraram e outras saíram, clientes, tecnologia. A verdade é que eu não me sentia realizado com aquela entrega. Um dos meus mentores perguntou durante um café: “qual o seu propósito, por qual razão você faz o que faz?”.

Foram oito meses incansáveis de busca por resposta até que um dia “a ficha caiu”. Decidi então mudar o modelo de negócio da agência, a estratégia, procedimentos, ferramentas, portfólio de entregáveis… A equipe também sofreu alterações [de forma orgânica, inclusive]. Passamos a fazer algo que está no nosso DNA e vai além do resultado financeiro. Vendas por atração, estratégia de comunicação digital (e performance) para fortalecer relacionamentos antes e depois da venda é o que entregamos para nossos clientes.

1. VIRADA RADICAL VS. REPOSICIONAMENTO – Inovação, reposicionamento e mudanças no modelo de negócio são, em geral, paradigmas que assumem que as empresas podem e devem utilizar ideias e caminhos tantos internos quanto externos para ofertar novidades ao mercado em seu caminho de crescimento.

Quando se fala de governança corporativa, sustentabilidade de negócios, gestão de projetos, etc., os gestores levam a sério a famosa “Curva-S”.

Posso garantir que este conceito faz uma baita diferença na tomada de decisão.

Minha escolha foi radical ao ponto de que, numa sexta-feira vendíamos sites; na segunda-feira seguinte, não mais. Focamos 100% em Content/Inbound Marketing. Reposicionamento até permite uma virada de curto/médio prazo por entrar no contexto de campanha. Estratégia sustentável deve assumir o lugar da “virada radical disruptiva” quando se pretende adotar um novo modelo de negócio, um novo produto/ serviço, uma tecnologia.

Olhando agora, teria sido inteligente deixar de fazer sites somente quando o número de clientes de Content/Inbound garantissem faturamento superior aos projetos de desenvolvimento web. Ao invés de entrar no vermelho, manteria a saúde financeira da empresa estável e crescente. Primeira grande lição.

2. CICLO DE VENDA – Imagine o estoque de um supermercado. Considere que o giro de “produto xpto” na prateleira aconteça três vezes ao mês. Ou seja, a mercadoria fica no máximo dez dias em exposição até que alguém compre o item. Significa que o estoque destes produtos sofre exatas 36 reposições ao ano para atender a demanda de compra. Ciclo de venda é exatamente a linha do tempo necessária para fechar um novo negócio. O restaurante tem ciclo diário, a escola particular é mensal, o IPTU anual.

Para cada tipo de negócio um ciclo, fases, abordagens específicas. Identificar os passos e estágios chave para nova estratégia gera fortes impactos nas vendas. O empresário deve ter em mente que será necessário rever os processos, talvez contratar novo time comercial, ajustar as previsões financeiras. Em minha experiência, estava absolutamente confiante e não fiz nenhuma verificação. Afinal, era comum vender um projeto de criação de site em duas semanas, além de colocar em produção (pagamento pontual).

Quatro meses após a “virada radical”, percebi que vender projetos de consultoria era algo desafiador e demorado porque o contrato era assinado depois de três ou quatro meses após a primeira abordagem de venda (pagamento recorrente). Qual é o ciclo de vida média de um site? Três anos? Vender, entregar, cobrar, finalizar em seis meses é um prazo razoável? Parece que sim. Já o modelo adotado para projetos de consultoria em Inbound é anual com pagamentos mensais.

Como otimizar tudo isso e manter a saúde financeira da empresa em modo estável crescente? O custo de aquisição de novos clientes é o mesmo para ambas as situações? Mudou o cenário, mudaram as escolhas. Considerar esses conceitos e métricas torna-se imprescindível na tomada de melhores decisões. Segunda grande lição.

3. REFUTAR PARCERIAS ESTRATÉGICAS – Características comporta- mentais do empreendedor fazem toda diferença no processo de inovação e raramente se encontra alguém completo. Quando o assunto é dominância cerebral, por exemplo, me destaco nas esferas experimental e relacional – pontos que endossam visão mercadológica, encontrar alternativas, fazer correlações, transformar problemas em projetos, negociação e valorização do cliente.

Mas nem só de liderança, estratégia e propósito vive o homem. A moeda tem dois lados e é necessário o equilíbrio tático em torno de análises e controles efetivos. Ou seja, administrar, implementar, acompanhar, garantir entregas são responsabilidades vitais na empresa.

Sempre fui resistente à ideia de sociedade e optei por atuar como empresário individual. Hoje entendo que um sócio, um colaborador de alta confiança, além de excelentes parceiros alinhados ao ganha-ganha também é vital para o negócio. Um empreendedor como eu precisa ser apoiado por pessoas com perfil tático/útil e que divida uma meta em pequenas partes, que administre e implemente o plano.

Refutei em fechar parcerias altamente estratégicas que trariam receita para a agência porque achava que o mundo girava em torno do meu umbigo e discordava em passar por treinamentos específicos. Lembro de argumentos como “especializei-me em SEO há mais de seis anos e vou ter que passar pelo programa ‘engage’ para poder firmar um compromisso?”

Por sorte, esses parceiros persistiram e seis ou sete meses depois assinamos contrato por conta do principal ingrediente: relacionamento. Ter maturidade para compreender que um sócio ou um time de pessoas pode acelerar a realização proposital de uma visão de negócio e conquistar resultados sustentáveis dá segurança ao empresário e dispara a produtividade. Como diz o provérbio africano: “Se queres ir rápido, vá sozinho. Se queres ir longe, vá em grupo.”

4. NÃO SER PRODUTO DO PRODUTO – Lembra da Curva-S? Ela cabe aqui também. Se você ainda não tem um caso de sucesso, não é produto do seu produto, como pode ousar uma mudança brusca de atividade empresarial? Não considerei sequer o básico de campanha publicitária. Sim, dei um tiro no pé. A velha crença de que na casa de ferreiro o espeto é de pau já venceu.

O grande psicólogo Robert Cialdini recomenda que você deve ser exemplo para potencializar o poder de persuasão e consequentemente obter sucesso em negociações, por exemplo. A estratégia de comunicação, a abordagem de venda, a forma de atendimento de uma produtora de sites não combina com uma consultoria de Content/Inbound marketing. Além da demora em promover o próprio negócio, perdemos oportunidades durante o período em que relutava a aceitar as propostas de parceiros.

Focamos então na solução e cada pessoa da equipe trabalhou na construção de um “case” de Inbound Marketing, inclusive em projetos pessoais. A ideia de ser produto do produto passou a fazer parte do dia a dia e transformou-se em um enorme brainstorming. O time ganhou confiança e alinhou as entregas com o discurso do comercial, resultando em entregas com melhor qualidade para os clientes. Use seus próprios produtos, abuse dos seus próprios serviços.

5. QUALIFICAÇÃO DA EQUIPE X ENTREGA – Entre no jogo para ganhar. Tenha certeza de que seus jogadores estão preparados para correr, criar soluções em campo e fazer o gol. E mais do que isso, que estão preparados para fazer o que deve ser feito propositadamente. É comum que o empresário esteja enlouquecido com as rotinas do dia a dia da empresa e deixe passar detalhes que certamente irão comprometer a eficiência e os resultados.

É compromisso do líder assumir que o desempenho necessário para equipe atingir metas e objetivos depende pessoalmente dele e não adianta investir somente em ferramentas esperando que os liderados resolvam processos e caminhem sozinhos. Delegar com excelência significa direcionar, orientar e acompanhar as entregas da equipe.

Bem, estamos falando de erros que valem ouro. Quando decidi reposicionar o negócio, compartilhei a estratégia com a equipe e eles disseram estar preparados para atuar nas novidades e, acredite, fui convidado a “vai pra rua vender que nós tocamos os projetos” e fiquei anestesiado com aquela atitude. No entanto, não verifiquei em termos práticos se, de fato, aqueles profissionais estavam capacitados o suficiente para entregar um novo tipo e formato de projeto.

Pessoas. Taí o maior desafio de qualquer empresário… Outra lição! Mudou o modelo, as pessoas, os processos, o perfil de cliente, a tecnologia e tudo estava bem aqui na minha cabeça. A equipe não tinha clareza de processos, não dominava as ferramentas, tinha dificuldade em interpretar uma estratégia e desenvolver as ações necessárias. Só validei essas deficiências quando os clientes começaram a manifestar insatisfação com as entregas.

Fizemos esforços para melhorar o atendimento e CRM (gestão de clientes) da agência, mas nossa atuação ainda era fraca. Os maiores desafios consistiam em descentralizar a comunicação, cumprir prazos e, de fato, fazer a gestão dos projetos. Decidi mapear as deficiências, estruturar um programa de estudo colaborativo e estimular cada pessoa a desenvolver suas habilidades, dar aula aos demais colegas sobre os temas previamente planejados.

Foram três meses intensos de aprendizagem, talentos revelados e boas surpresas. Reforçamos a importância de ser produto do produto, geramos conteúdo, melhoramos muito a comunicação, revisamos os projetos… todos entendiam o que era um workflow de CRM (processo) e os motivos pelos quais tínhamos que nos conectar com os valores de cada cliente. Passamos a entregar valor no lugar de bits.

6. VENDER OU FAZER? – Definitivamente, quem faz tudo não faz nada. Com um lado da moeda descoberto, passei a alternar as atividades (comercial, atendimento, produção) até o ponto em que me vi desfocado e ao mesmo tempo imerso nos projetos. Cheguei à conclusão de que o vendedor deve evitar contato com o operacional para manter-se imune à insegurança e pensamentos do tipo “vou vender, mas será que os caras vão conseguir entregar?”.

De outro lado, é natural para os responsáveis pela entrega pensarem que “o pessoal do comercial só perde tempo com reunião, networking, etc.”. Penso que o ideal é que cada profissional se dedique àquilo que se propõe a fazer com maestria. Gosto de fazer, mas as consequências neste caso acenderam a luz vermelha e comprometeram complemente minhas ações comerciais.

Somente depois da equipe visitar cada cliente, equilibrar as entregas, reduzir os conflitos e eliminar jobs “ladrões de tempo/dinheiro” é que voltamos a dar atenção para as oportunidades e propostas paradas no pipeline de venda. Ter pessoas chave para atividades vitais da empresa é essencial para garantir proposta de valor ao cliente e atingir objetivos e metas. Também é importante expressar confiança na sua própria capacidade de realizar uma tarefa difícil ou enfrentar um desafio.

7. OLHAR PARA CRISE ECONÔMICA E POLÍTICA – É preciso dizer que os recursos financeiros se esgotaram depois de todos esses erros? A sequência de erros me fez desalinhar o foco e, para completar, me deixei contaminar pelo pessimismo brasileiro alimentado pela crise política e questões sociais que destroem a economia e nos levam para a recessão.

Noticiário, besteirol de redes sociais, mensageiros como WhatsApp, excesso de informação, estafa… Tudo isso contribui para a perda de foco e tempo do empresário, que por sua vez, baixa a guarda para persistência, se distrai a cada minuto e “esquece” de fazer as coisas antes de ser solicitado ou é forçado pelas circunstâncias.

Enfim! Olhar para fontes de informações que o mantenham no trilho e deslizar rumo aos objetivos do plano estratégico é o mais adequado. Ao invés de timelines como Facebook, faça ligações telefônicas para os clientes a fim de ajudá-los a mapear novas oportunidades, entender as dificuldades, buscar novos negócios. Faça como sugere o psicólogo Daniel Goleman e reserve tempo para refletir, manter foco no foco.

Para finalizar, fontes como IBGE e Sebrae apontam que cerca de 53% das empresas brasileiras fecham após quatro anos de atuação (dados de 2013). Para o empresário, um oceano de variáveis a serem administradas diariamente e sem descanso. Para os americanos, fracasso significa crescimento, maturidade. Os brasileiros tendem a desqualificar o empreendedor.

Não vejo problema algum em compartilhar estas experiências aprendidas a preço de ouro. Tomar consciência e usar os erros para potencializar as forças me faz acreditar ainda mais que iniciativa somada a conhecimento, dinheiro e atitudes positivas (sim, com- portamento) são fundamentais para materialização de um projeto. Gosto de ver o copo cheio e avalio estes erros como experiência prática, como impulso produtivo que me possibilita transformar um sonho em algo concreto e de valor para sociedade, tanto em termos econômicos como sociais.

É necessário dizer ‘Não’ e enfrentar o caos com valentia. Você precisa concentrar pessoas, energia, fazer com que o ambiente ao seu redor apoie suas ideias e queira realizar os projetos com ambição. Cuidar da saúde, alimentar-se bem, tirar folgas também é necessário para manter o foco no foco e lidar melhor com os desafios do dia a dia. Lembre-se: o empresário nunca faz o que faz somente pelo dinheiro.

Nem tudo são flores. Decisões dolorosas foram tomadas para podermos ajustar a empresa e garantir que o plano fosse executado de forma propositada. Afinal, resultado positivo é relevante para a continuidade do negócio. Estamos fora da estatística fúnebre do IBGE. Sim, boiando e finalizando a limpeza de um “vírus” no sistema para acelerar os motores e buscar ouro em terra firme.

ROGÉRIO MATOFINO – É arquiteto de negócios e publicitário especializado em gestão. Atua também como professor universitário e palestrante nas áreas de Vendas, Comunicação, Marketing e Transformação Digital.

EU ACHO …

VACINA OSTENTAÇÃO

As reuniões de  trabalho têm agora uma nova conversa de aquecimento. O tempo e a família foram, afinal, substituídos, depois de uma vida estando entre os temas favoritos daquele momento “quebra-gelo” antes de um encontro profissional. Foram quase dois anos sem as reuniões formais e presenciais – assunto é o que não falta, mas todos têm o mesmo foco nos dias de hoje: a vacina

– Tudo bem? Quanto tempo! Vacinada?

– Sim! Tomei a segunda dose esta semana, estou mais tranquila.

– Já? Nossa, tomei apenas a primeira. Qual você tomou?

– Pfizer

– Claro… você, né.

De encontro em encontro, quem tomou Pfizer cresce, quem tomou Janssen é até “considerado” e quem tomou CoronaVac se dá por vencido, “qualquer uma vale, né?”, dizem, com os olhos sorrindo “amarelo” entre as máscaras. Nenhuma das indústrias farmacêuticas que fabrica vacinas contra Covid-19 fez um plano estratégico de posicionamento, muito menos construiu a imagem de marca em estudos elaborados por agências de comunicação ou pensou que a vacina pudesse virar sinônimo de status, mas, no Brasil, virou.

Costumamos investir nosso dinheiro na bolsa da marca tal ,no sapato, na roupa, na gravata, no carro, no restaurante, no hotel e nas classes dos aviões, mas agora está mais difícil. O nome da fabricante da vacina que tomamos, todos sabem, é para ser uma escolha aleatória, mas avaliações e julgamentos são feitos e piadinhas, reiteram: “Você tem cara de CoronaVac, claro que trocaram na hora que te viram”, ouve-se em tom de brincadeira, como se o destino privilegiasse os mais abastados que passam a ter ainda mais status.

“Como se posicionar em uma reunião com pessoas influentes que só tomaram Pfizer?”, foi a pergunta que um colaborador disparou durante um encontro. Resposta padrão: “Não estou planejando viajar, então, tanto faz” ou a Pfizer pode ser perigosa, preferia CoronaVac, coisa nossa”. Apesar de todo esse debate, a ciência mostra que todas as vacinas disponíveis no Brasil são seguras e eficientes. A comparação entre elas não faz sentido técnico porque foram testadas em grupos de pessoas diferentes.

Na verdade, a simples pergunta, ”qual vacina você tomou?” já demonstra que existe uma classificação por estrato social, pois nunca alguém na vida soube ou perguntou qual nome da vacina para varíola que tomamos. Será que existe mais que uma? E febre amarela? E gripe? Está claro: a marca da vacina importa agora. É o Brasil lançando a moda da vacina ostentação.

*** ALICE FERRAZ

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SOBREPESO ADIANTA IDADE DE EXAME PARA DIABETES

Especialistas americanos recomendam que investigação seja feita a partir dos 35 anos; no Brasil, onde quase 15,5 milhões são diabéticos, população acima do peso já tem indicação para análise, sem restrição de idade

Adultos com sobrepeso devem ser examinados para diabetes tipo 2 e para detecção de níveis elevados de açúcar no sangue a partir dos 35 anos, cinco anos antes do que era recomendado até então nos Estados Unidos.

A nova recomendação que partiu de uma força-tarefa de especialistas e não se aplica a mulheres grávidas, surge em meio ao aumento das taxas de obesidade e diabetes nos Estados Unidos. Isso significa que mais de 40% da população adulta americana agora deve ser rastreada, de acordo com   uma estimativa. A recomendação da força-tarefa (que orienta as seguradoras americanas) e um resumo das últimas evidências científicas foram publicados na semana passada na revista Jama (Journal of the American Medical Association).

No Brasil, segundo a última pesquisa Vigitel do Ministério da Saúde, divulgada em 2020, 20,3% dos brasileiros estão obesos. Conforme o mesmo levantamento, 7,4% da população brasileira é diabética, o que equivale a 15,5 milhões de brasileiros.

Por aqui, explica o endocrinologista Paulo Miranda, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, toda a população obesa e com sobrepeso já tem indicação para fazer o exame para diabetes, sem restrição de  idade e independentemente de outros fatores de risco. Já para a população geral, a recomendação para o rastreio é a partir de 45 anos.

“O diagnóstico de pré-diabetes é muito importante, porque essas pessoas já têm fatores de risco maiores para doenças cardiovasculares, doenças renais e outros problemas do que a população em geral. E (o rastreio de) uma alteração mais leve da glicose é uma oportunidade de prevenir diabetes com medidas não farmacológicas, com mudança de hábitos de vida, como a prática de atividades físicas, o controle alimentar e a perda de peso.(O diagnóstico de pré-diabetes) é um momento muito pertinente para prevenir”, diz Miranda.

Ele explica ainda que, no Brasil, estima-se que 40 % das pessoas que tenham diabetes potencialmente ainda não foram diagnosticadas e, portanto, não estão em tratamento.

“A diabetes do tipo 2 é uma doença silenciosa, que vai gerar sintomas e complicações no longo prazo. Se o diagnóstico é precoce, existe uma chance maior de prevenir as principais complicações”, alerta.

Quase um em cada sete adultos americanos agora tem diabetes, a taxa mais alta já registrada no país, descobriu um estudo recente. Na última década, houve pouca melhora na capacidade dos pacientes de controlar a doença, ou seja, reduzindo seus níveis de açúcar no sangue, pressão arterial e colesterol.

O aumento é especialmente preocupante em meio à pandemia, já que o diabetes é uma das condições médicas crônicas que aumentam o risco de uma infecção por coronavírus levar a quadros graves, hospitalização e até à morte por Covid- 19.

O diabetes está relacionado a doenças cardíacas e hepáticas, e é a principal causa de insuficiência renal e nova cegueira em adultos. A condição pode levar à amputação de membros, danos aos nervos e a outras complicações.

A força-tarefa disse que os prestadores de cuidados de saúde devem considerar a triagem de alguns indivíduos ainda antes dos 35 anos, se eles estiverem sob risco elevado. Isso inclui pessoas com histórico familiar de diabetes ou histórico pessoal de condições como diabetes gestacional e pessoas que são negras, hispânicas, nativas americanas, nativas do Alasca ou asiáticas americanas.

Todos esses grupos têm taxas mais altas de diabetes do que os americanos brancos.

“A epidemia da Covid é realmente importante, mas também temos uma epidemia de diabetes e pré-diabetes impulsionada pela obesidade e falta de exercícios”, disse Michael J. Barry, vice­ presidente da força-tarefa e diretor no Massachusetts General Hospital, em Boston. “Todas essas condições com as quais vivemos por anos ainda estão valendo.”

Cerca de um terço dos adultos norte-americanos têm níveis elevados de açúcar no sangue, uma condição chamada pré-diabetes que geralmente precede a diabetes tipo 2 e pode progredir para uma doença desenvolvida. A maioria não sabe que tem a doença, que não produz sintomas óbvios, e é por isso que o rastreamento é essencial, disse Michael J. Barry.

PRÉ-DIABETES

Estar acima do peso ou ser obeso é fator de risco mais importante para o tipo mais comum de diabetes, diabetes tipo 2 e pré-diabetes. Mudanças no estilo de vida – incluindo aumento da atividade física, alimentação mais saudável e perda até mesmo de uma pequena quantidade de peso – podem prevenir a progressão de pré-diabetes para diabetes completo. (O tratamento medicamentoso também é uma opção).

A triagem geralmente envolve um exame de sangue para determinar se o açúcar no sangue (ou glicose) está elevado. A força-tarefa pediu a redução da idade da primeira triagem para 35, porque é quando a prevalência de diabetes tipo 2 começa a aumentar. A triagem deve ser realizada a cada três anos até os 70 anos, disse a força-tarefa.

Tannaz Moin, endocrinologista que coescreveu um editorial acompanhando as novas recomendações, disse que reduzir a idade para o rastreamento foi um passo na direção certa e que ficou satisfeita com o fato de as diretrizes enfatizarem a importância de detectar o pré-diabetes. “Há muito mais reconhecimento de que o pré-diabetes é um grande problema que muitas vezes passa despercebido”, disse Moin. É fundamental detectar pré-diabetes em adultos jovens, porque eles podem viver com diabetes por muito tempo se desenvolverem uma condição em uma idade relativamente jovem, e terão maior risco de desenvolver complicações.

POESIA CANTADA

SÓ TINHA DE SER COM VOCÊ

ELIS REGINA

COMPOSIÇÃO: ALOYSIO DE OLIVEIRA / ANTONIO CARLOS JOBIM

É
Só eu sei
Quanto amor
Eu guardei
Sem saber
Que era só
Pra você

É, só tinha de ser com você
Havia de ser pra você
Senão era mais uma dor
Senão não seria o amor
Aquele que a gente não vê
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você

É, você que é feito de azul
Me deixa morar nesse azul
Me deixa encontrar minha paz
Você que é bonito demais
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim

É, você que é feito de azul
Me deixa morar nesse azul
Me deixa encontrar minha paz
Você que é bonito demais
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim
Eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim
Eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim
Eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim

OUTROS OLHARES

ADEUS CINEMA?

Pesquisa aponta o futuro das salas e do streaming na pandemia

É praticamente eufemismo dizer que 2020 foi difícil para todo mundo, sejam as pessoas ou a economia. Para a mídia e o entretenimento, não foi diferente, com uma queda mundial de 3,8% na receita. No Brasil, foi ainda pior, com uma diminuição de 6% na renda do setor em relação a 2019. O país perdeu duas posições no ranking mundial, indo de 9º para 11º, segundo dados da Pesquisa Global de Entretenimentos e Mídia 2021-2025, estudo anual feito pela consultoria PwC, com previsões para os próximos cinco anos, feita em 53 países que englobam 14 segmentos, entre eles  internet, publicidade de jornal e revista, TV por assinatura, livros, cinema e vídeo OTT (vídeo de TV ou cinema, que inclui os serviços de streaming) – no Brasil, os dados que chamam mais atenção se referem aos dois últimos itens.

O cinema despencou 70,4% em receita. No Brasil, a queda foi mais drástica: 86%. “O mundo da exibição em salas de cinema está esfacelado”, disse Paulo Sérgio Almeida, do Filme B, site de análise e acompanhamento do mercado audiovisual. “Mas sou otimista”. Em compensação, o consumo do vídeo OTT explodiu, crescendo 29,4%.

O streaming virou o porto seguro dos fãs de audiovisual que encontraram as salas fechadas durante boa parte dos últimos 17 meses. Habituados a assistir a pelo menos dois filmes no cinema antes da pandemia, o blogueiro Diorman Werneck, de 29 anos, não retomou a rotina cinéfila.  Primeiro, por continuar  se sentindo seguro em casa, onde assistia a seus programas via streaming. Mas, principalmente, por não se sentir mais tão atraído pelas estreias semanais.

“O streaming  logo ocupou o horário que antes eu dedicava ao cinema – fechado em casa, se tornou meu principal passatempo”, disse Werneck. “A decisão de não voltar aos cinemas foi motivada porque vários serviços de streaming começaram a trazer as estreias junto com as salas ou um tempo depois”. O blogueiro, que assina três serviços de streaming, exemplifica: “Viúva Negra estava  disponível no mesmo dia que estreou no cinema e só não assisti imediatamente porque considerei o valor cobrado pela ferramenta (Disney)muito caro. Como eu sabia que logo estaria disponível, preferi esperar”. Werneck assistiu em casa a longas como Tenet, Convenção das Bruxas e Cruella. Com a comodidade de assistir em qualquer horário e mais de uma vez”.

DESAFIO DE RECONEXÃO COM O PÚBLICO

Apesar dos números desanimadores, estudo aponta cenário otimista para setor de mídia e entretenimento

Apesar dos números desanimadores, o estudo da PwC apontou uma perspectiva otimista para o setor de mídia e entretenimento até 2025. No Brasil, a expectativa da pesquisa anterior (de 2020 a 2024) previa um crescimento de 2,5%. De 2021 a 2021, espera-se que o aumento seja de 4,7% – claro que partindo de um patamar baixo -, mais ou menos seguindo as previsões globais de 5%.

O cinema é o segmento que deve crescer mais, cerca de 40% ao ano – o vídeo OTT deve continuar subindo cerca de 13% a cada 365 dias. Ainda assim, a arrecadação nas bilheterias nacionais, que foi de apenas US$96 milhões em 2020, deve chegar a US$ 518 milhões em 2025, mais ou menos o mesmo nível de 2016. “Já vemos alguma recuperação em 2021, mas a retomada deve se dar a partir de 2022. Ainda assim, também em termos de ingressos, ele volta apenas em 2025 ao nível de 2016”, disse Ricardo Queiroz, sócio da PwC Brasil.

Quem é da área vê com certo ceticismo quaisquer previsões sobre o futuro. ”Ninguém sabe de fato o que vai acontecer”., disse Jean Thomas Bernardini, que é dono da distribuidora Imovision, dos cinemas Reserva Cultural, em São Paulo e Niterói, e da plataforma de streaming Reserva Imovision. “Estamos no meio  de um túnel sem luz, sem saber quando vai acabar o túnel, se vai acabar, se tem um precipício no final do túnel ou uma floresta encantada”.

Nos casos dos cinemas mais comerciais, houve um respiro a partir do final de maio, quando lançamentos como Cruella, Invocação do Mal3,  Velozes e Furiosos e Viúva Negra chegaram às salas consecutivamente. Mas os números voltaram a baixar em agosto. “Ainda é uma incógnita”, disse Juliano Russo, diretor comercial e de marketing da rede de cinemas Cinépolis Brasil. “Mas a expectativa para os próximos meses é boa. Veja a repercussão que o trailer de Homem Aranha: Sem Volta para Casa teve”.

Bernardini acredita que a recuperação vai ser lenta. Em seu planejamento, a normalidade deve chegar apenas em 2024. “Até lá não tem como voltar aos números de antes, que já não eram tão bons, porque o cinema independente passava por uma crise”, afirmou. “Eu só posso afirmar que 2022 ainda não vai ser normal. Vai melhorar, claro. Mas são muitos fatores, não apenas a vacinação. No Brasil temos a questão política, o cinema brasileiro que não se define”.

Muitos distribuidores acabaram apostando no streaming como forma de ganhar algum dinheiro ou atrair novos assinantes para suas plataformas. Foi o caso da Warner, que lançou seus filmes simultaneamente nos cinemas e na HBO Max nos Estados Unidos, e da Disney, que colocou suas estreias ao mesmo tempo nas salas e no Disney+, com custo adicional. “Foi um teste e claramente não deu certo. Elas não estão faturando”, disse Juliano Russo.

Para Ricardo Queiroz, não há remuneração adequada para grandes produções no streaming. “Elas precisam da primeira semana de bilheteria. O pacote mais caro da Netflix custa por volta de R$55. O ingresso de cinema é mais do que isso, a TV por assinatura, também. Então o cinema está empatado; as pessoas aprenderam a ver em casa durante a pandemia, mas a receita do streaming é ainda pequena”. Para efeito de comparação, a previsão é que o gasto do brasileiro com vídeo OTT chegue a US$ 1,25 milhões em 2025. A TV por assinatura, mesmo com quedas anuais de 17%, deve faturar US$ 3 bilhões em 2025.

Por isso a Imovision decidiu não abolir a janela cinematográfica. Nenhum filme foi diretamente para a Reserva Imovision. “A gente tem os dois: uma plataforma que quer que cresça e um cinema que quer que volte. Obviamente que estamos torcendo para os dois”, disse Bernardini.

Ninguém acredita que o cinema vai acabar, como muitos mensageiros do apocalipse andaram apregoando. “Conversei com muitos amigos no Festival de Cannes e não vi ninguém achando que o cinema ia parar. É uma diversão quase insubstituível. Não vejo um debate pessimista”, disse Bernardini. Queiroz concordou. “Determinadas experiências não morrem nunca. É como a música: o que se houve em uma live não é a mesma coisa que o show ao vivo. A experiência presencial vai continuar existindo. Mas as pessoas aprenderam a separar o que vale e o que não vale pagar”.

SETE EM CADA 10 BRASILEIROS USAM STREAMING

O brasileiro definitivamente se apaixonou pelo streaming. Segundo pesquisa realizada pelo Itaú Cultural, em parceria com o Datafolha, para medir os hábitos culturais durante a pandemia, sete entre dez brasileiros acessam plataformas de vídeo sob demanda no País. Foram ouvidas 2.276 pessoas de 16 a 65 anos entre os dias 10 de maio e 9 de junho.

Uma grande parte assiste diariamente. Dos71% dos brasileiros que têm acesso, 44% assistem todos os dias. Para 23%, a média é de mais de cinco horas diárias, com 26% dedicando duas horas para o streaming, 18% vendo três horas, 17%, uma hora e 15% quatro horas. Entre os usuários pesados, que veem os conteúdos todos os dias,49% são mulheres, e 40% são homens; 51% são das classes D e E, ante 43% das classes A< B e C. Quem tem de 25 a 34 anos tende a consumir mais (49%), seguidos daqueles com 16 a 24 anos (45%) e 35 a 44 (45%).

Na classe AB, a penetração das plataformas de streaming é de 94%, enquanto 74% da classe C e 43% da classe D usam os serviços.

Na Região Sudeste, 756% dos entrevistados utilizam o streaming. Nas Regiões Norte e Centro-Oeste são 73%, com 70% na Região Sul e 61% no Nordeste. Nos habitantes das capitais e regiões metropolitanas, 75% declararam assistir a filmes e séries nesses serviços, ante 68% no interior.

Em termos de faixa etária, 48% das pessoas com idades entre 30 e 45 utilizam as plataformas em relação  a 44% daqueles com 17 a 25 anos, 33% dos que têm 46 a 60 anos e 26% de quem tem 26 a 30 anos. Apenas 8% dos maiores de 60 anos são usuários.  Entre as crianças, 11% daquelas com 1 a 5 anos e 19% entre os pequenos de 6 a 11 anos e os adolescentes de 12 a 16 usam Netflix, Disney+ e companhia.

A maior parte assiste televisão (49%), com 36% preferindo os celulares, 9% os notebooks, e 5% os computadores de mesa.

Os conteúdos preferidos são as séries, vistas por 77% dos usuários, seguidas por filmes estrangeiros (65%), filmes nacionais (49%), infantis (45%), animações (42%) e shows de música (36%).

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 15 DE SETEMBRO

A BUSCA DA SABEDORIA

O coração do sábio adquire o conhecimento, e o ouvido dos sábios procura o saber (Provérbios 18.15).

O conhecimento é a busca incansável do sábio. Os tolos buscam prazeres, sucesso e conforto, mas, ainda que alcancem o objeto de seu desejo, não se satisfazem. Quando o rei Salomão pediu a Deus sabedoria, recebeu também riquezas e glórias. Quando buscou, entretanto, a felicidade na bebida, na riqueza, no sexo e na fama, colheu apenas vaidade. As coisas mais atraentes do mundo não passam de bolha de sabão. Têm beleza, mas não conteúdo. São multicoloridas, mas vazias. Atraem os olhos, mas não satisfazem a alma. O tolo abre seu coração para o que é frívolo, mas o sábio não desperdiça seu tempo buscando coisas fúteis. O sábio está sempre disposto e pronto para aprender. Seu coração busca o conhecimento mais do que o ouro depurado. Seus ouvidos aspiram à sabedoria mais do que à música mais encantadora. O conhecimento é a base da sabedoria. Sem conhecimento, seremos massa de manobra nas mãos dos aproveitadores. A sabedoria é mais do que o conhecimento, contudo. É a aplicação correta do conhecimento. Não basta ao homem a informação; ele necessita de transformação. Não basta saber; é preciso saber o que convém e viver de acordo com esse conhecimento. A sabedoria é olhar para a vida com os olhos de Deus. É imitar a Deus. É andar nas mesmas pegadas de Jesus. É viver como Jesus viveu.

GESTÃO E CARREIRA

FIM DO E-MAIL É TENDÊNCIA NA COMUNICAÇÃO INTERNA DAS EMPRESAS

Parece algo distante, mas os e-mails estão com os dias contados, pelo menos da forma como conhecemos hoje.

Diariamente, bilhões de e-mails são enviados e o excesso de mensagens que lotam as caixas de entrada nos e-mails corporativos geram cada vez mais estresse e angústia entre os colaboradores, sem contar o risco de perder informações importantes, não ser copiado em alguma mensagem e o recebimento crescente de spams.

Algumas empresas utilizam a caixa de e-mails como lista de tarefas que precisam ser feitas, como arquivo de informações importantes, registro de aprovação de propostas, discussão de ideias e até como detalhamento do escopo de projetos. Esta forma de gestão torna a organização da informação quase impossível.

A startup Ummense, uma plataforma de gestão de equipes para micro, pequenas e médias empresas, é um exemplo de empresa que optou em não utilizar mais e-mails na comunicação interna, utilizando apenas com clientes e fornecedores. Mesmo antes da startup ser lançada, os fundadores já idealizavam o fim da troca de e-mails internamente, utilizando a própria plataforma para organizar as informações, de uma forma segura, ágil e inteligente.

“Temos alguns colaboradores que, desde que entraram na empresa, nunca enviaram um e-mail, tudo é pela plataforma”, afirma Raul Sindlinger, CEO e co-fundador da Ummense. Armazenar todos os e-mails recebidos diariamente pode gerar diversas implicações, principalmente quando as mensagens são perdidas ou apagadas de um servidor, por exemplo, é o que aconteceu com o CEO da Ummense.

“Fui engenheiro de obras por 10 anos Toda a comunicação era por e-mail, e recebíamos mais de 100 mensagens por dia. Eu arquivava as mensagens em pastas para tentar organizar a informação para o caso de precisar delas um dia. Chegou o dia em que o responsável pela TI resolveu reduzir custos e limpou as mensagens antigas do servidor de e-mails. A obra que eu tocava ficou sem nenhuma informação: contratos, negociações, aprovações, detalhamentos, alterações. O prejuízo foi gigante”. Mudança cultural é fundamental para eliminar a troca de e-mails internos

Toda mudança exige tempo e também começa com o exemplo, principalmente da liderança. Com uma equipe de 13 pessoas, a Ummense não parou de usar e-mails de um dia para o outro. Esta mudança, que foi muito mais cultural, aconteceu de forma gradual, conforme novas funcionalidades da plataforma da startup eram implementadas, utilizando cada vez menos a troca de mensagens por e-mail. “Aos poucos, não usar e-mails passou a ser parte da cultura da empresa. Conforme novas pessoas iam se juntando ao time, acessar a caixa de e-mail já não fazia mais parte da rotina desde o primeiro dia na empresa”, comenta Keli Campos, co-fundadora da Ummense.

Mais produtividade e organização foram os principais pontos que a startup notou após eliminar os e-mails na rotina diária. Atualmente, toda a comunicação interna é realizada pela plataforma da Ummense, que também pode ser acessada por aplicativo no celular, e funciona como um Kanban Digital, organizando todas as informações das equipes em fluxos, cards e tarefas, sendo possível centralizar a comunicação em único lugar. Atualmente, conta com mais de 1.500 usuários assinantes que também utilizam a plataforma para centralizar a comunicação das equipes, e as informações dos seus projetos, processos e clientes.

“Essa mudança está alinhada com o nosso propósito de melhorar a qualidade de vida no trabalho das pessoas. Com as informações organizadas, tudo fica mais fácil para ser acessado pela equipe, reduzindo o tempo de busca o por informações e esse é um dos motivos pelos quais a produtividade aumenta. Os gestores não precisam perder tanto tempo em reuniões para saber o andamento dos projetos ou para a discutir informações pontuais.

“Na plataforma da Ummense essas informações ficam acessíveis de forma visual e prática, propiciando um ambiente mais a colaborativo e produtivo”, explica Keli Campos. Sobre o futuro da comunicação interna: “Provavelmente não eliminaremos a completamente os e-mails de nossa vida tão cedo, mas para a comunicação interna e organização das informações nas empresas, que representa grande parte do problema, sabemos que hoje já existe uma forma muito mais inteligente e organizada para fazer isso”.

“Além de organizar a comunicação interna, a Ummense também comercializa um aplicativo por assinatura, 100% integrado com a plataforma, e que é entregue com a identidade visual da empresa que contrata, para organizar e reduzir consideravelmente os e-mails também na comunicação com os clientes.

FONTE E MAIS INFORMAÇÕES:  www.ummense.com.

EU ACHO …

MARCO TEMPORAL

A falta de memória desse país é um projeto para absolver o colonialismo

Na última semana estava na praia. Tirei cinco dias de descanso entre baterias de escrito, evento e aula. Foi ótimo, pude respirar a brisa do mar, olhar para a imensidão e agradecer à natureza pela conexão.

Na terça, cheguei em São Paulo. Assim que entrei na cidade, me senti mole, cansada, sufocada. Minha pressão baixou e eu quase desmaiei. Passei a semana com dificuldades de cumprir minha agenda, encontrando forças para sair do sofá.

Enquanto passava mal, estranhava o que estava acontecendo, afinal estava bem momentos antes. Foi então que soube que um incêndio havia destruído boa parte de uma floresta na região, uma das pouquíssimas que restam. O incêndio, causado por um balão, se somou à poluição, à devastação de outras florestas para fazer pasto para gado, entre outras dinâmicas que estão superaquecendo o planeta e produzindo consequências desastrosas.

Como uma mulher negra que cultiva a ancestralidade, me vejo como parte da mata. A conexão entre os povos negros ancestrais e a natureza materializam o axé, força vital que traz o poder de viver com realização.

Como nossos mais velhos já ensinaram, a ancestralidade negra e a ancestralidade de indígenas produziram um intercâmbio de resistência física, espiritual e territorial que seguem até hoje. A soma do legado desses povos diversos, compostos por um vasto número de etnias, produziu a cultura brasileira e tudo que esse país se orgulha.

Entretanto, como sabemos, o colonialismo vive de apagar idiomas, culturas e memórias de grupos explorados e perseguidos ontem nos engenhos, hoje nas fazendas. Parafraseando Darcy Ribeiro, a falta de memória desse país não é uma crise, mas um projeto desenhado para absolver o colonialismo e seus descendentes da responsabilidade por atrocidades.

Um exemplo paradigmático do que estamos falando é a tese do marco temporal das terras indígenas, defendida por ruralistas – os descendentes dos senhores de engenho – para impedir novas e travar as atuais tentativas de demarcação de terras dos povos originários. Esse tema está em discussão no Supremo Tribunal Federal desde a última semana e, se nenhum ministro ou ministra resolver pedir vista e arrastar o caso por mais anos ainda, pode ser decidido nas próximas sessões.

Para quem não está familiarizado com o tema, em linhas gerais significa dizer que os advogados dos ruralistas defendem por essa tese que somente é terra indígena aquela que estava ocupada na promulgação da Constituição de 1988.

Ocorre que povos indígenas foram alvos de chacinas, agressões, intimidações durante todo o período escravista e seguiram durante o século 21. Nesse ano de 1988, portanto, muitas terras estavam desocupadas como resultado da violência histórica contra esses povos. A tese, portanto, chancela a vitória infame do colonizador e autoriza a morte, a tortura e o exílio de povos inteiros.

A interpretação constitucional deve ser de fortalecimento da rede de proteção a esses povos, bem como à rede de proteção ambiental. Nesse sentido, é necessário destacar que diversas pesquisas apontam que as terras demarcadas historicamente funcionam como ilhas de conservação do meio ambiente. Na contemporaneidade constitucional, diante do aquecimento global, todas as medidas que implicam na proteção ao meio ambiente se sobrepõem aos anseios de pasto da pecuária brasileira.

Como mostrou reportagem esta semana, o índice de desmatamento nessas reservas tem aumentado exponencialmente durante o atual governo, devido à invasão de grilagem, extração de madeira e garimpo. Sob constante ameaça e invasão, as comunidades sofreram uma escalada de extermínio no atual governo.

Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), sob o atual governo, em 2019 houve um recorde nos conflitos de campo e assassinato contra indígenas. Ou seja, sequer o marco temporal é respeitado pelos que tanto defendem “segurança jurídica”. E, de novo, além do direito constitucional de maior demarcação aos povos originários, o STF deve determinar a proteção policial maciça aos limites dos territórios.

A discrepância do acesso ao sistema notarial e de justiça pelos povos brancos, criadores desses espaços, e os povos indígenas pode nos induzir a pensar que os descendentes dos senhores de engenho foram bem-sucedidos no STF, ou no Congresso, onde dominam e buscam aprovar leis nesse sentido.

Mas milhares de indígenas acampados em Brasília mostram o contrário. Com a força da natureza e a fé na justiça ancestral, seguem os passos de seus antepassados que resistiram apesar de tudo, apesar inclusive da justiça branca e suas teses engenhosas.

*** DJAMILA RIBEIRO – Mestre em filosofia política pela Unifesp e coordenadora da coleção de livros “Feminismos Plurais”.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

(RE) CONEXÃO

Dias de folga aliviam cansaço mental causado pela pandemia

Reconexão, descoberta, bem-estar. Diante de tantos significados que uma viagem pode ter, muitos se tornam agora ainda mais relevantes. Experiências proporcionadas pelo turismo podem ser aliadas no cuidado com a saúde mental e ajudar a lidar com quadros provenientes da pandemia, como ansiedade e exaustão.

“A viagem sempre traz descobertas de lugares e interações. Com uma parcela da população em home office, também oferece a possibilidade de deslocamento”, afirma Mary Yoko Okamoto, professora de Psicologia da Universidade Estadual Paulista no campus de Assis(Unesp/Assis). Ela explica que a conexão com os outros e consigo mesmo vivida nos dias longe de casa promove uma experiência emocional interna: “É uma medida para buscar um alívio, mesmo que seja temporário, para descarregar tensão, tristeza e angústia.”

Quando a ansiedade se caracteriza como transtorno ou doença, pode ser preciso fazer terapia e às vezes usar medicamentos, diz o médico Joel Rennó Jr., professor colaborador do Departamento de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). “Porém, atividades de lazer, socialização e ressignificação da experiência de vida podem contribuir positivamente”, diz.

Rennó Jr. lembra que todos vimos escapar o referencial de controle diante de tantos casos de doença e mortes. ”Tem quem lide com sequelas da covid, outros perderam pessoas próximas. A pandemia exacerbou o sentimento de apreensão, de finitude da vida. Algumas pessoas acabaram projetando planos até como forma de não adoecer, para encontrar força para lidar com estresse, medo, fracasso. Por exemplo, dizem ‘assim que isso passar, vou fazer uma viagem para a Itália ou Fernando de Noronha. Sempre tive vontade e nunca fiz’.

O longo período em isolamento, segundo a professora da Unesp, tirou do ambiente doméstico o significado de lugar de descanso.” Ele se tornou um ambiente para muitas coisas. O mundo do trabalho e dos estudos invadiu o mundo de casa. Sair traz a sensação de liberdade, de movimento.”

Depois de meses ensinando Artes em aulas online ou híbridas, Thaiany Ferreira passou uns dias em julho na Bahia. Foi para o Grand Palladium Imbassuí Resort & Spa com o namorado, Bruno Izzo, que trabalha na rede pública de Saúde em São Paulo. “Sou professora do Estado e meu namorado trabalha na parte administrativa de um hospital. São áreas desafiadoras”, diz. A quebra na rotina ajudou a espairecer. “Depois de um ano e meio bem rígido, serviu para relaxar. Sentimos um pouco da vida de antes da pandemia”, conta Izzo.

Esse foi um dos beneficias de viajar apontados por Felipe Laccelva, CEO da Fepo, startup digital especializada em atendimentos psicológicos, com preços acessíveis, a partir de R$38. “Traz a sensação de que estamos retomando ao modo de vida anterior, que o pior ficou para trás. Vivenciar experiências novas e inspiradoras é o que todos nós precisamos agora”, diz  o CEO da empresa que, só em 2020, ultrapassou o total de 2,7 mil sessões, ante 1,8 mil no ano anterior.

“O Brasil antes da pandemia já era considerado o país mais ansioso do mundo, com 93% da população com o transtorno, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Em junho de 2020, na pandemia, 41% dos brasileiros ouvidos numa pesquisa do Instituto Ipsos afirmaram ter experimentado algum nível de ansiedade. Outro estudo da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) verificou que cerca de 80% dos entrevistados sentiram subir os nível de ansiedade.”

O distanciamento prolongado, necessário contra o coronavírus, acabou afetando o lado psicológico, afirma Laccelva. “O ser humano é um ser social e o distanciamento provocou o aumento dos níveis de ansiedade”, diz. “A terapia é a principal maneira para lidar com isso. Mas há outras formas que ajudam a minimizar as consequências, como atividades físicas e de lazer. Desde que respeitada a segurança sanitária, essas ações geram bem-estar”.

A professora Thaiany lembra que o medo causado pela covid afetou seu equilíbrio. “A pandemia, a pressão no trabalho, questões pessoais, familiares, são várias as situações. Acabou acontecendo de eu não pensar na saúde mental. Mesmo que a viagem não resolva, ajuda a sair um pouco da rotina”, diz. Mary Yoko explica que as pessoas têm um limite para suportar coisas. “Não é porque somos privilegiados do ponto de vista econômico que estamos impedidos de sofrer, que não ficamos tristes. Temos sido muito exigidos. Quando atingimos um limite, precisamos de algo que forneça alívio”.

ATIVIDADES

Talvez isso explique o maior interesse dos hóspedes do Virá Charme Resort, no Paraná, em serviços de relaxamento e bem-estar. Em julho de 2021, a procura por passeios a cavalo cresceu 29% em relação a junho, o mês recordista em números de saídas, e 181% quando comparado a janeiro do ano passado, principal período da alta temporada. O empreendimento, a 150 km de Curitiba, vendeu 14.91% mais tratamentos no spa do que em junho deste ano e 20% acima de janeiro de 2020. O hotel-fazenda tem apenas 38 bangalôs em 170 hectares de área.

“Hotéis-fazenda e resorts estão entre os mais vendidos de julho no Zarpo. A infraestrutura de lazer e descanso é um atrativo incrível nesses tempos de isolamento”, diz Daniel Topper, CEO do Zarpo, agência online com 7 milhões de clientes e cerca de 500 parceiros, caso das redes Blue Tree, Tauá, Vila Galé, Iberostar e Bourbon. O setor de turismo no Brasil vem percebendo uma retomada gradual. No Zarpo, junho de 2021 teve 9% mais vendas do que o mesmo mês em 2019. “Depois de mais de um ano de pandemia, as pessoas estão ávidas para viajar”, diz Topper.

Pode ser uma escapada longa ou curta, rumo ao interior ou para a praia, sozinho ou em família. O aposentado Cláudio Ferreira fechou com a Pomptur um roteiro em outubro para voltar ao Jurema Águas Quentes, no Paraná, desta vez com a mãe e a irmã. Com dois resorts e águas termais, em 34 mil km2, o complexo viu o movimento subir em 2021: teve ocupação 41% maior em julho, em relação ao mesmo mês em 2020, no meio da pandemia

“A expectativa é boa, de ter um pouco mais de tranquilidade. Minha mãe está vacinada com as duas doses. Até lá, já tomei a segunda, e minha irmã também”, conta. “Estamos há muito tempo dentro de casa, e isso mexe com o psicológico e o físico. E o hotel é próprio para isso: oferece a parte recreativa, piscinas aquecidas, um ambiente gostoso, com tudo limpo e bem cuidado. Tem muita natureza e espaço.”

BENEFÍCIOS

VÍNCULO: Os especialistas ouvi­ dos na reportagem ressaltam que uma viagem pode servir para se conectar com outras pessoas e até consigo mesmo – e num ambiente novo.

SENTIDO: Diante de tantas incertezas trazidas pela pandemia, desfrutar de momentos de tranquilidade e paz pode dar à pessoa a chance de refletir e encontrar um sentido para seu momento de vida atual.

CONTROLE: Planejar dias fora da rotina e conseguir cumprir o que foi definido pode trazer segurança, a sensação de que algo pode ser previsto e realizado.

POESIA CANTADA

VELHA ROUPA COLORIDA

BELCHIOR

COMPOSIÇÃO: BELCHIOR

Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era jovem e novo, hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer

Nunca mais meu pai falou: She’s leaving home
E meteu o pé na estrada, like a rolling stone
Nunca mais eu convidei minha menina
Para correr no meu carro, loucura, chiclete e som
Nunca mais você saiu à rua em grupo reunido
O dedo em V, cabelo ao vento, amor e flor, quêde o cartaz?

No presente, a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais
No presente, a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais

Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era jovem e novo, hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer

Como Poe, poeta louco americano
Eu pergunto ao passarinho
Black bird, assum preto, o que se faz?
Raven, never, raven, never, raven, never, raven, never, raven
Assum preto, pássaro preto, black bird, me responde: Tudo já ficou atrás
Raven, never, raven, never, raven, never, raven, never, raven
Black bird, assum preto, pássaro preto, me responde: O passado nunca mais

Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
O que há algum tempo era jovem e novo, hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer
E precisamos todos rejuvenescer
E precisamos todos rejuvenescer

OUTROS OLHARES

CANNABIS ANTIVIRUS

A ciência avalia o uso de canabinoides nas terapias contra a Covid-19 e suas sequelas, como lapsos de memória. Até agora, os resultados são positivos

“Descobri que estava com Covid-19 em dezembro, perto do Natal. Tive sintonias leves, como tosse e cansaço, e fiz o tratamento em casa. Mas, depois de um mês, notei que a minha memória estava com uma espécie de delay, meu raciocínio, lento, e eu tinha dificuldade para lembrar palavras.” O relato da advogada previdenciária Débora Macedo, de 48 anos, é compartilhado por milhões de pacientes que passaram pela fase aguda da doença e agora apresentam sequelas. A chamada Covid longa afeta até mesmo pessoas que tiveram sintomas leves, como a advogada. Ainda não há tratamento específico, tampouco se sabe por quanto tempo as condições persistirão. Por isso, a ciência busca novas possibilidades de tratamento para a Covid e também suas heranças. Nesse caminho, surgiu unia possibilidade um tanto quanto inusitada: a Cannabis medicinal.

Com 198 milhões de consumidores no mundo – 1,5 milhão no Brasil -, a maconha é a mais popular das drogas. Restrita ou ilícita na maioria dos países, ela é também a mais estudada para uso medicinal. A planta possui diversos fitocanabinoides, sendo os mais conhecidos o canabidiol (CBD) e o THC, que interagem com receptores presentes no organismo. “É fundamental afastar o efeito farmacológico do canabidiol do recreativo. Acreditamos que o efeito anti-inflamatório da substância ajude a controlar a tempestade de citocinas que pode ocorrer em pacientes com Covid e possivelmente atenuar os sintomas persistentes”, diz o cardiologista Edmar Bocchi, diretor do Núcleo de Insuficiência Cardíaca e Dispositivos Mecânicos para Insuficiência Cardíaca do Instituto do Coração, de São Paulo. A instituição coordenará o primeiro estudo clinico do Brasil com canabidiol para o tratamento de pacientes com Covid longa. A pesquisa, com duração prevista de três meses, contará com a participação de 290 pacientes que apresentam fadiga muscular, insônia, ansiedade, depressão e alterações cognitivas por pelo menos noventa dias após o diagnóstico. Há outro teste clinico semelhante em andamento nos Estados Unidos. Os ensaios são importantes porque buscam comprovar o que já foi observado na prática clínica e em laboratório. “Temos bons indícios de que pode ser uma opção eficaz de tratamento, mas precisamos do estudo para comprovar”, diz José Bacellar, CEO da Verdemed, empresa canadense de Cannabis medicinal parceira do estudo no InCor.

Logo após notar os problemas de cognição, Débora procurou ajuda médica e começou o tratamento com Cannabis medicinal. “Já melhorei 90% “, conta. A advogada faz uso do medicamento há cerca de seis meses. “Vemos melhora nos pacientes e, do ponto de vista teórico, faz sentido, porque a Cannabis fornece uma neuroproteção importante, além de uma diminuição na inflamação cerebral”, diz o neurocirurgião Pedro Pierro, que trata pacientes com Covid longa, incluindo a Débora.

O composto de maior interesse dos cientistas é o canabidiol, encontrado em pequeno volume no caule e na folha da erva Cannabis. Ele não é psicoativo nem tóxico. Não causa dependência nem altera o raciocínio. Mas, em níveis controlados, até mesmo o THC, responsável pelo efeito psicoativo da planta, tem benefícios farmacológicos. Um estudo publicado na revista Frontiers in Pharmacology mostrou que o composto atenuou a inflamação nos pulmões de cobaias, resultando em 100% de sobrevivência. Testes em laboratório mostram que os canabinoides reduzem a produção de citocinas inflamatórias associadas ao agravamento da doença. 

Por isso, seu uso também está sendo avaliado para tratar casos leves, moderados e graves de Covid. A expectativa é de que o resultado dos trabalhos seja publicado em breve. “A Cannabis entraria como uma das possibilidades terapêuticas da Covid-19″, diz a especialista em radiologia e diagnóstico por imagem Paula Dall’Stella, pioneira na prescrição de Cannabis medicinal no Brasil. As descobertas não representam um passe livre para o uso recreativo da droga. Fumantes regulares de maconha correm mais risco de complicações da Covid-19 e o impacto terapêutico não está associado ao uso de produtos com canabidiol encontrados fora do Brasil. A Cannabis medicinal é segura e tem baixo potencial de toxicidade – já existem remédios aprovados para o controle da epilepsia em crianças e da esclerose múltipla quando o paciente não reage a outros tratamentos. Agora, além dos testes contra a Covid-19 e a Covid longa, ela vem sendo usada experimentalmente no tratamento de ansiedade, dor crônica, insônia, esquizofrenia, depressão e Alzheimer. Enfim, a planta que gera o mais famoso dos entorpecentes também produz um poderoso remédio.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 14 DE SETEMBRO

NA DOENÇA, TENHA ESPERANÇA

O espírito firme sustém o homem na sua doença, mas o espírito abatido, quem o pode suportar? (Provérbios 18.14).

Nossa atitude diante dos dramas da vida tem uma conexão muito estreita com nossa saúde física. A vontade de viver mantém a vida de um doente, mas, se ele desanima, não existe mais esperança. Quem entrega os pontos e joga a toalha, quem perde a esperança e não luta mais para sobreviver é vencido pela enfermidade. Nossas emoções têm um peso decisivo quando se trata de enfrentar a doença. Não basta usar os recursos medicamentosos. Precisamos alimentar nossa alma com o tônico da esperança. Precisamos tirar os olhos das circunstâncias e colocá-los naquele que está no controle das circunstâncias. Nossos pés podem estar no vale, mas nosso coração deve estar no plano. Mesmo quando passamos por vales áridos, Deus pode transformá-los em mananciais. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã. Aqueles que se entregam ao desânimo, porém, fazem do lamento a sinfonia da vida. Perdem as forças, atrofiam-se emocionalmente e são dominados por irremediável sentimento de fracasso. Na doença precisamos colocar nossos olhos em Deus, pois a última palavra não é da ciência, mas daquele que nos criou, nos sustenta e pode intervir em nossa vida, redimindo-nos da cova da morte.

GESTÃO E CARREIRA

PEOPLE ANALYTICS, CIÊNCIA E A PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL – O TRIPÉ DO NOVO RECRUTAMENTO

O caminho que algumas empresas estão trilhando para abraçar o futuro, começa a ser mais nítido.

A transformação digital e cultural passou a fazer parte da rotina do RH, que teve a coragem e desapego das antigas formas de recrutamento, e isso requer mudança de mentalidade, ao mesmo tempo em que motivados por uma visão ampla e menos enviesada, estão seguindo uma jornada inclusiva para todas as pessoas. Estes times de recrutamento já entenderam que vivem o futuro e estão “abrindo mão” de alguns pré-requisitos na escolha de candidatos – antes cobrados e exigidos, como domínio do inglês, faculdades de primeira linha, certificações e experiências. Esses, entre muitos outros fatores, barram grande parte da população nos processos seletivos.

Pouco a pouco, esses profissionais de RH têm percebido, graças aos novos métodos de recrutamento, que avaliar um talento somente pelo seu currículo, ignorando seu perfil cultural e comportamental, pode eliminar muitas pessoas com potencial. Além da exclusão, afeta diretamente os índices e planos de ampliação de diversidade, como por exemplo, para jovens pretos, pessoas trans, pessoas PCD (Pessoa com deficiência), e muitas outras. O Brasil é um país desigual, economicamente e de oportunidades, e precisamos falar sobre isso para que essa realidade seja transformada, melhor e justa.

Paralelamente, muito se discute sobre o uso da tecnologia no R&S, e a importância de tê-la como aliada do RH, e não como uma inteligência pro- gramada, excluindo a humanização. No mesmo ritmo em que a área se torna cada vez mais estratégica e ágil para as empresas, as contratações de novos talentos exigem, em mesma escala, a utilização de métodos inteligentes e com embasamento científico. O mapeamento cultural, por exemplo, é uma excelente ferramenta para ajudar as empresas na busca de profissionais com estilo de trabalho semelhante aos delas. Isso proporciona um aumento do sucesso nas contratações e valoriza profissionais que combinam culturalmente com as contratantes.

O “futuro” sempre parece muito distante, mas esse é o RH do futuro, e as empresas que não acompanharem essa transformação, tanto tecnológica quanto cultural, estarão em constante retrocesso. Com os recentes desafios que a pandemia impõe, fica nítido o quanto a digitalização tem ajudado nas contratações a distância. A tecnologia é essencial nas relações e vital para o sucesso do recrutamento e seleção, sendo possível contratar talentos em todo país, ou seja, a barreira geográfica já foi superada.

Uma pesquisa realizada pela Kenoby, em janeiro deste ano, com analistas de RH, coordenadores gerentes, diretores, business partners, presidentes, CEOs, sócios, entre outros cargos, mostrou que a maioria das empresas, no Brasil, pretendem investir em  tecnologias para tornar o RH mais estratégico. O levantamento mostrou que 38,8%, ainda analisam a possibilidade, 15% disseram não ser uma prioridade e 45% apontaram já ter um planejamento para isso acontecer. A pesquisa revelou, ainda, o quão tecnológico ou automatizado já é o RH. Cerca de 59% dos respondentes disseram ser “mais ou menos tecnológicos e/ou automatizados”, 20% afirmaram não ser nem um nem outro e apenas 19% disseram ser totalmente tecnológicos.

CONTRATAÇÃO À BASE DE DADOS, E MENOS VIESES

Observando o movimento do mercado, o recrutamento será cada vez mais baseado em dados e, principalmente, nas habilidades individuais de cada candidato, relacionando capacidades pessoais às necessidades empresa- riais. Unindo perfis que tenham uma cultura mais próxima das empresas, cria-se conexões, deixa-se de lado pré-julgamentos, os vieses inconscientes, características físicas ou técnicas no currículo para possibilitar novas contratações. Quando o processo seletivo é baseado em estudo e metodologias ágeis e não somente em currículo, dinâmicas, ou recomendações de profissionais, a pessoa candidata já tem um ganho, pois ela será avaliada por outros critérios, dessa vez, com reais embasamentos. A transformação digital permitiu essas novas formas de recrutar e, por isso, o currículo deixa de ser fator essencial e é tão somente complementar ao processo.

Utilizar as avaliações culturais, comportamentais e técnicas, e não apenas considerar faculdades ou experiências anteriores, reflete em possibilidades abertas para todas as pessoas, e não só para as que preenchem um tal requisito, majoritariamente, feito por uma pequena parcela social. Isso é contratar e recrutar sem viés, e os benefícios são claros: mais diversidade, melhores resultados e menos turnover. Um recrutamento que é baseado no processo científico e humano, capaz de fazer o match perfeito entre empresa, vaga e talento, além de trazer precisão aos processos, valoriza o potencial individual.

O foco sai do currículo e vai para a pessoa, com suas análises de fit cultural, fit técnico e soft skills do futuro. O RH agora tem agora dados valiosos nas mãos (People Analytics), que ajudam a tomar decisões mais precisas. É um sinalizador de caminho de onde e para onde o RH está indo e pode chegar e com quem querem chegar. Esse é o movimento, e o futuro já chegou!

*** FELIPE SOBRAL – É diretor de marketing da 0, software para gestão do recrutamento e seleção, que utiliza a ciência da psicologia organizacional para conectar os talentos às empresas e construir igualdade de oportunidades de empregos.

EU ACHO …

AS CAMADAS

Quando você nasceu, havia um nome e um sobrenome esperando-o. O que eram? Uma decisão aleatória que fala muito dos desejos e projeções dos pais sobre cada um de nós. Nosso nome nos antecede e não aguardou nenhum traço de personalidade para ser colocado. Por mais fraco que seja, o menino Gabriel recebe o indicativo de que é “o homem forte de Deus” pela raiz hebraica. Por mais limitada que seja no futuro, a menina assinará Sofia, o nome que aponta sua densa sabedoria. Nem toda Letícia é feliz. Conheci um Adamastor que pouca similitude guardava com o gigante de Camões. Eu sou Leandro, homem-leão, como se nota pela juba vistosa O nome é, como cada signo, arbitrário. Primeira camada sobre nós.

A segunda camada constará nos documentos: brasileiro nato. O que é ser brasileiro? Fronteiras traçadas ao longo da história com linhas imaginárias, respeitando ou não o terreno que as recebe. Uma entidade nacional que, supostamente, será sua pátria, sua identidade, sua marca quase sempre permanente. “Meu coração é brasileiro” eu já o declarei; todavia, um exame do meu cadáver pouco revelará ao anatomista quaisquer distinções dos meus ventrículos em relação a um vizinho argentino ou a um longínquo japonês. As metáforas são bonitas, poéticas até: meu coração é apátrida, biologicamente. Pátria é uma convenção celebrada diariamente, já foi dito. Sem dúvida, é a segunda camada que nos foi dada, quase sempre, ao ver a luz do mundo.

Recebi uma religião no berço. Fui batizado católico, apostólico, romano. Segui a lista de sacramentos e recebi minha primeira comunhão, confessei­ me e fui crismado. Candidatei-me a um quarto sacramento, a ordem, mas não segui o impulso até o fim. Como católico praticante, incorporei liturgias, práticas devocionais, repertório e comportamentos. Criei um hábito, aquele que, segundo velho ditado cristão, não faria, sozinho, o bom monge. Despi-me e, com ele, foi-se o religioso. Era uma camada, a terceira, tão aleatória quanto as anteriores.

Meus círculos profissionais e acadêmicos? Bem, quase todos só valem no Brasil. Atravesso uma fronteira e só posso ser servente em uma construção. Logo, mesmo que envolvam esforços meus, tem algo de randômico. Nos EUA, em uma casa que alugamos, a mulher da limpeza era advogada mineira, com carteira da OAB. A camada jurídica não resistiu à alfândega. Bem o sabe o médico brasileiro com anos intensos de estudo que, nos EUA, pode ir para a prisão se prestar algum serviço. Seus títulos e esforços o qualificam para atender corpos com o mesmo passaporte e em território nacional. Camada sobre camadas: a quarta.

Poderia ampliar nossa múltipla cebola identitária. Talvez, como no bulbo citado, ao se retirarem as camadas, encontramos o nada. Sou feito de sobreposições, ainda que elas sejam fruto do acaso combinado com minhas respostas aos acidentes da vida. Uma curva tensa entre convenções e percepções do que seria o real.

Dizem que pouco antes de morrer, a 3 de outubro de 1226, Francisco de Assis estipulou: “Quando perceberdes que cheguei ao fim, do jeito que me vistes despido antes de ontem, assim me colocai no chão, e lá me deixai ficar mesmo depois de morto, pelo tempo que alguém levaria para caminhar uma milha, devagar”. O frade fundador queria estar no chão, despido de toda pompa, roupa e circunstância. Ao redor da pequena igreja da Porciúncula e da Capela do Trânsito onde ele faleceu, ergue-se hoje a majestosa basílica de Nossa Senhora dos Anjos. Uma imensa e luxuosa… camada arquitetônica que grita, alta e com luxo, a mensagem que o santo desejou evitar. As sobreposições são tão fortes que nos tomam mesmo após a morte.

E, afinal, minha querida leitora e meu caro leitor, qual seria, de verdade, seu “eu” mais íntimo e verdadeiro? Difícil separar rosto de máscara, substantivo de adjetivo, você de tantas outras personagens. Vamos piorar tudo: cada um é uma pessoa para sua família e outra para seu trabalho. Alguns cidadãos possuem uma personalidade específica para o trânsito, quase sempre a pior. E quando bebe? E quando está tranquilo na praia? Esse amplo concílio de ”vocês” é, somado, o eu indivisível e profundo que você chamaria de “eu”? A internet facilitou mais camadas possíveis de recortes aleatórios de marketing pessoal. Apesar de sempre ter sido um desafio, “conhece a ti mesmo” do Templo de Apolo em Delfos virou uma jornada épica. A frase melhor de hoje: “Fora seu Instagram, você está bem?”.

Vejo o vídeo de uma senhora berrando em uma manifestação. Seu discurso é de ódio puro, catártico, furibundo e agressivo. Imagino-a chegando em casa, retirando a camiseta, tomando um banho e brincando com os netinhos ou com o gato enrolado aos seus pés. Volta a ser vovó, dona de receitas e de afagos, em tudo distante daquela pessoa que, há pouco, seria capaz de invadir a Polônia com seu panzer. Onde está a mentira? Na dona do bichano ou na manifestante? Duas antíteses ou mais um “estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde”?

O cachimbo deforma a boca; as camadas constroem identidades. Sou eu e minhas circunstâncias, como queria Filipe II e Ortega YGasset. Na circunstância atual, querida leitora e estimado leitor, você seria alguém com esperança?

*** LEANDRO KARNAL

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

TRANSTORNO DA INFELICIDADE

A depressão é um distúrbio carregado de tabus que prejudicam a recuperação dos pacientes

A depressão é uma das doenças que mais atinge a população mundial atualmente. Dados de 2015 apontam que o suicídio, uma consequência mais grave do desenvolvimento do distúrbio, foi a segunda maior causa de morte entre os jovens na faixa etária de 15 a 29 anos. A estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que até 2025 esse será o segundo transtorno mais incapacitante do mundo. Mesmo assim, poucas pessoas falam do assunto, que é tratado como tabu ou taxado apenas como uma tristeza passageira.

TRISTEZA X DEPRESSÃO

Perder um ente querido, experienciar o fim de um relacionamento ou a morte de um animal em extinção pode gerar sentimentos ruins que duram um longo período. Contudo, a infelicidade é   uma emoção passageira, ou seja, com o tempo, a pessoa se recupera e volta a sentir alegria no dia a dia. A depressão, no entanto, “é uma tristeza muito mais profunda e recorrente, com sintomas mais marcantes. Além disso, o distúrbio não precisa, necessariamente ter um motivo para aparecer”, explica a psicóloga Lizandra Arita.

O transtorno também pode surgir decorrente de um acontecimento pessoal dos mesmos modos que a tristeza intensa, mas a depressão vem somada com traumas do passado. Além disso, pode ser causada por alterações fisiológicas e hormonais, como problemas na tireoide e o pós-parto, além do aspecto genético. O distúrbio é considerado uma doença que deve ser diagnosticada e tratada, enquanto a infelicidade “faz parte da vida, aliás, é um dos sentimentos básicos do ser  humano, junto com a alegria, o medo e a raiva”, esclarece Lizandra.

DISFUNÇÃO CEREBRAL

Para a neurociência a depressão é causada pelo mau funcionamento dos neurotransmissores – substâncias que comunicam as áreas do órgão ao ativarem as células neurais –  responsáveis pela regulação do  humor e motivação. “Uma das hipóteses mais aceitas é de que os sistemas monoaminérgicos não funcionam adequadamente. Estes são compostos por neurônios que contêm neurotransmissores como noradrenalina e serotonina, que, junto com a acetilcolina, exercem efeitos na modulação e integração sobre outras ações envolvidas na regulação da atividade psicomotora, apetite, sono e do humor”, explica a neurologista Vanessa Muller.

Além disso, outras desregulações podem estar presentes nos sintomas depressivos, como a deficiência da dopamina – neurotransmissor responsável pela motivação –  e a diminuição do hipocampo, região que regula as emoções. A consequência dessas disfunções são: falta de interesse em atividades que geram prazer, insônia ou sono excessivo, baixos níveis de energia e autoestima, pouca concentração e pensamentos suicidas.

IDENTIFICANDO E CURANDO

Para diagnosticar a doença é preciso passar por uma avaliação clínica com um psicólogo ou psiquiatra. Assim, os profissionais podem encaminhar o paciente para um tratamento mais adequado dependendo do grau de depressão que o indivíduo apresenta. O tratamento pode abranger desde uma psicoterapia para níveis mais leves, até medicamentos antidepressivos para quadros mais avançados.

O papel dos amigos e familiares de uma pessoa depressiva é importante no momento do diagnóstico e tratamento, da doença. O primeiro passo é entender o transtorno e não desdenhar da dor do outro como algo sem motivo ou relevância. Assim, o círculo social pode ajudar o paciente a manter a rotina de medicamentos e presença nas sessões com o médico responsável, bem como propor novas atividades benéficas para a saúde física e mental.

CONSEQUÊNCIA DA DEPRESSÃO

A grande maioria dos casos de suicídio é causado por quadros depressivos avançados, segundo um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2015, a cada 40 segundos uma pessoa tira sua própria vida no mundo. No Brasil, são estimados 32 casos por dia, ou seja, uma morte a cada 45 minutos. Além disso, essa é a segunda forma de óbito entre os jovens entre 15 a 29 anos. Apesar do alto índice de falecimento, 80% dos depressivos dão sinais ou, até mesmo, falam abertamente sobre seus planos antes de cometer o ato. Contudo, o assunto ainda é tratado como tabu pela sociedade.

Reconhecer os indícios é o primeiro passo para ajudar uma pessoa a evitar o suicídio. Por isso, fique atento em comportamentos como: mudança de hábito, isolamento social, marcas de automutilação pelo corpo – muito comum em adolescentes depressivos -, autocrítico, atitudes autodepreciativas, melhora súbita – quando uma pessoa depressiva aparenta uma recuperação surpreendentemente rápida a fim de ficar sozinho – e frases sugestivas, por exemplo, “a vida não vale a pena”, ou explícitas, como “não aguento mais, quero morrer”. Se detectar essas ações em um parente ou amigo, ajude-o a procurar um especialista e ofereça atenção para ouvir o que tem a dizer. Se você se enquadra nos aspectos listados, o Centro de Valorização da Vida (CVV) tem suportes como ligação gratuita no número 141 e chat pelo sitehttp://www.cvv.org.br paraatender pessoas que precisam conversar a qualquer momento.

POESIA CANTADA

NÓS

CÁSSIA ELLER

COMPOSIÇÃO: TIÃO CARVALHO.

Eu… sei que me disseram por aí
E foi pessoa séria quem falou
Você tava mais querendo era me ver passar por aí

Eu… sei que você disse por aí
Que não tava muito bem seu novo amor
Você tava mais querendo era me ver passar por aí

Pois é
Esse samba é pra você, ó, meu amor
Esse samba é pra você
Que me fez sorrir, que me fez chorar
Que me fez sonhar, que me fez feliz
Que me fez amar

Eu… sei que me disseram por aí
E foi pessoa séria quem falou
Você tava mais querendo era me ouvir cantar por aí

Eu… sei que você disse por aí
Que não tava muito bem seu novo amor
Você tava mais querendo era me ver passar por aí

Pois, é
Esse samba é pra você, ó, meu amor
Esse samba é pra você
Que me fez sorrir, que me fez chorar
Que me fez sonhar, que me fez feliz
Que me fez amar

Pois é
Esse samba é pra você, ó, meu amor
Essa samba é pra você
Pra você sorrir, pra você chorar
Pra você sonhar, pra você feliz
Pra você amar!

OUTROS OLHARES

CONTROLE HI-TECH

Cem anos depois da sintetização da insulina, a medicina oferece um extraordinário arsenal contra o diabetes, doença crônica que atinge 12 milhões de brasileiros

Há um século, indivíduos que tinham diabetes ganharam a primeira esperança de viver um pouco mais. Em 1921, os médicos canadenses Charles Best e Frederick Banting sintetizaram a insulina e abriram o caminho para que a doença finalmente tivesse alguma forma de controle. A insulina é um hormônio produzido no pâncreas e tem a função de permitir a passagem da glicose que circula no sangue para dentro das células. É assim que o corpo ganha combustível para funcionar. Se ela não for produzida ou não atuar como deveria, sobra açúcar no sangue e o corpo todo sofre.

Isso é o diabetes. Da aplicação das primeiras injeções, em 1922, até hoje, a ciência construiu um arsenal terapêutico extraordinário. Não se chegou à cura, mas a vida do paciente está bem melhor e, a contar pelo que está saindo dos laboratórios, será ainda mais bem preservada.

Sem controle, o diabetes age como erva daninha. Não dá sinais, mas aos poucos danifica vasos sanguíneos, dispara processos inflamatórios, bagunça o metabolismo e, quando a pessoa se dá conta, pode estar a um passo de um infarto ou de um acidente vascular cerebral. Só no Brasil há 12 milhões de indivíduos que precisam ser tratados antes que tudo isso aconteça. Cerca de 90% deles têm diabetes tipo 2, associado à obesidade e ao sedentarismo. Para esse grupo, a forma mais fácil de manter os índices de glicose sob controle é ter uma boa alimentação e fazer exercício físico. Quando isso não é suficiente, uma das indicações mais comuns é o uso de insulina sintetizada, para ajudar o corpo a se livrar do açúcar em excesso. Nesse campo uma das novidades é a Icodec, insulina de dose semanal produzida pelo laboratório Novo Nordisk. Ela está na fase 3 de ensaio clínico, mas resultados preliminares sugerem que tenha a mesma eficácia das insulinas tomadas diariamente.

Há tempos recomenda-se aos pacientes que façam periodicamente um exame que revela o comportamento da doença durante três meses. A medida é relevante porque aponta um padrão de evolução que pode exigir mais do que intervenções pontuais. Esse teste se chama hemoglobina glicada. É feito como outros exames laboratoriais cujos resultados saem após alguns dias. Porém, uma opção mais moderna chamada AlCNow+ chegou ao Brasil prometendo entregar o resultado cinco minutos depois da coleta da amostra de sangue. Como a insulina semanal, o objetivo é garantir conforto e rapidez na entrega de informações.

A ideia de usar um pâncreas artificial para tratar o diabetes tipo 2 também começa a ser discutida. Hoje, estão em estudo modelos que serviriam para o tipo1 da doença, causado pelo ataque do sistema de defesa do corpo contra as células produtoras de insulina. Porém, um time da Universidade de Cambridge , na Inglaterra, iniciou testes em pacientes com o tipo 2 com a expectativa de que a invenção funcione também para eles. O pâncreas artificial é, na verdade, um sistema instalado do lado de fora do corpo composto de um sensor que capta o nível de glicose no sangue, de um chip capaz de calculara dose de insulina necessária e de uma bomba que injeta o hormônio sintético na circulação sanguínea. Nos Estados Unidos, criação um tanto mais sofisticada está em criação na Universidade Rice: um implante que libera insulina quando preciso. “Queremos reproduzir o que acontece no corpo”, diz Omid Veiseh, líder do trabalho. Esses recursos vêm para evitar que o paciente chegue à cirurgia metabólica, opção invasiva recomendada apenas aos que tentaram outros tratamentos. Se bem indicada, ela tem bons resultados. No entanto, o melhor a fazer é se cuidar e deixar o bisturi como última alternativa.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 13 DE SETEMBRO

ESCUTE PARA DEPOIS RESPONDER

Responder antes de ouvir é estultícia e vergonha (Provérbios 18.13).

A Palavra de Deus nos ensina a sermos prontos para ouvir e tardios para falar. Falar muito e ouvir pouco é sinal de tolice. Responder antes de ouvir é então, passar vexame na certa. Não podemos falar daquilo que não entendemos. Não podemos responder sem nem mesmo ouvir a pergunta. Uma pessoa sábia pensa antes de abrir a boca e avalia as palavras antes de proferi-las. Uma pessoa sensata rumina a pergunta antes de dar a resposta. Avalia e pesa cada palavra antes de enunciá-la. O apóstolo Pedro não seguia esse padrão. Era um homem de sangue quente. Falava sem pensar e, muitas vezes, sem entender o que estava falando. Por ter uma necessidade quase irresistível de falar sempre, tropeçava em suas próprias palavras e se envolvia em grandes encrencas. Na casa do sumo sacerdote, afirmou três vezes que não conhecia a Jesus, e isso depois de declarar que estava pronto a ser preso com ele e até mesmo morrer por ele. Pedro proferia afirmações intempestivas e dava respostas sem nenhum sentido. Era um homem contraditório, que num momento fazia declarações audaciosas para em seguida recuar e demonstrar uma covardia vergonhosa. Falar do vazio da cabeça e da plenitude da emoção pode ser um enorme perigo. O caminho da sabedoria é ouvir mais e falar menos, é pensar mais e discutir menos, é abrir mais os ouvidos e menos a boca.

GESTÃO E CARREIRA

COMO MONTAR UM PITCH DE SUCESSO PARA O SEU NEGÓCIO

Mas, o que é Pitch? Pequena e poderosa, a palavra descreve a apresentação rápida de uma ideia ou oportunidade de negócio com uma narrativa efetiva e direta, para conquistar clientes e investidores.

Você tem um baita produto, mas não sabe como vendê-lo? Deu branco na hora da apresentação? Se nem numa conversa de elevador sua lábia funcionou, lamento, mas seu Pitch não vai bem. “Afinal, o Pitch é a alma do negócio!”, afirmou Juliana Alvarenga, da Evoa, convidada da live que tratou do tema numa organização da Assespro-PR.

Mas, o que é Pitch? Pequena e poderosa, a palavra descreve a apresentação rápida de uma ideia ou oportunidade de negócio com uma narrativa efetiva e direta, para conquistar clientes e investidores. “O Pitch é a porta de entrada para outras oportunidades. Essa apresentação é curta, rápida e objetiva, que precisa chamar a atenção e gerar o interesse”, explicou Juliana. O Pitch, em média, varia de 30 segundos a três minutos. Neste tempo, é preciso convencer e mostrar a que o serviço/produto se propõe. “Se existe o vidraceiro, é para consertar vidros. Se existe táxi, é para atender ao problema de transporte. O Pitch é o intervalo de tempo em que a pessoa vai mostrar o problema e a solução”, exemplificou. Embora nem todas as pessoas tenham o dom da oratória, vale a pena treinar em frente ao espelho e lembrar dos velhos tempos de sala de aula, quando você tinha trabalho para apresentar.

Colocar todas as ideias no papel – um borrão ajuda muito – ou já anotar os pontos em programas simples, como o Canva ou PowerPoint, são de grande valia. “Comece com o nome da empresa, com uma logo bonita, uma frase marcante. Depois, apresente o problema, posteriormente, o produto, o modelo de negócio, os próximos passos. Apresente seu time e jamais conclua dizendo: ‘era isso, pessoal’. Encerre com um sorriso e um agradecimento”, ensinou a especialista.

Guilherme Oliveira, da Assespro-PR, mediou a live e lembrou que o Pitch é comum em outros países também. Nos Estados Unidos, por exemplo, o modelo é solicitado previamente em forma de texto, para tornar a reunião de apresentação mais objetiva. “Às vezes, a gente peca pela ansiedade e por isso é preciso conhecer bem o nosso produto ou serviço para não errar”.

Na live, a profissional foi generosa e, entregando o ouro, passou três dicas valiosas de como preparar um bom Pitch e garantir feedback. Confira:

1) CHEGA DE BLÁ-BLÁ-BLÁ

A primeira orientação dada pela profissional é carregada de bom humor. “Evite falar igual uma metralhadora”, disparou. “Imagina você numa feira de negócios e você começa a falar sem parar? A pessoa vai dar meia-volta e não vem mais”. Deixar o futuro cliente perguntar/interagir faz parte desse primeiro momento. “Evite falar igual uma metralhadora”, disparou. “Imagina você numa feira de negócios e você começa a falar sem parar? A pessoa vai dar meia-volta e não vem mais”. Deixar o futuro cliente perguntar/interagir faz parte desse primeiro momento.

2) PÚBLICO CERTO

Escolher bem o público é fundamental. Como ressaltou Juliana, não adianta falar de produto de salão de beleza em um açougue. Talvez errar a mão neste ponto pode ser o motivo do fracasso de alguns Pitchs.

3) NÃO FALE GREGO

“Se não entenderam, mude o nicho e altere as estratégias”, orienta Juliana. Para a profissional, se o plano não está funcionando, é preciso revê-lo. “O problema existe, a solução existe, mas às vezes seu modo de despertar a atenção também não seja o correto”. De novo, vale o maior de todos os recados: conhecer muito bem o seu produto ou serviço faz toda a diferença.

EU ACHO …

QUERIDOS SUDESTINOS

Quando vi o vídeo “Sudestino” no canal Porta dos Fundos, não me contive. Vi e revi em looping. Já passou da hora de nós, sudestinos, entrarmos na nossa caixinha e deixarmos de achar que o centro do Brasil é o Sudeste.

Precisamos parar de acreditar que o que se faz no Sudeste é a norma e que os demais são “os outros”, os diferentes os que têm sotaque fofo, os que comem comidas estranhas, os que são do outro lado do Brasil. “Meu”(gíria de sudestinos de Sampa), é óbvio que como indivíduos, somos múltiplos etnicamente e temos várias influências culturais ao longo da vida, mas precisamos  reconhecer que, como em toda e qualquer região do Brasil e do mundo, compartilhamos hábitos que não podem ser negados e tampouco colocados  como padrão absoluto. Conforme já disse algumas vezes, todo mundo tem caixinhas. E acho a discussão fascinante assim como acho curioso como muitos só se dão conta disso tardiamente.

A discussão não é nova nem foi superada. Há ainda quem diga que os moradores do Rio não têm sotaque. Acredite.

Mas se o humor sudestino está se reinventando e se permitindo ironizar fora do centro, quem sou eu para não ter esperança de um futuro menos sudestino-centrado?

Reconhecer nosso chiado ao falar “bixcoito” é o mínimo. Pode parecer algo pequeno, mas já considero um avanço.

Você também deve se lembrar de ter visto um país dividido que acusou o Nordeste de votar mal, como se sudestinos soubessem o que é a democracia melhor do que os demais. Há muito preconceito contra os nordestinos e nós, do Sudeste responsáveis por essa disseminação e esse enraizamento, podemos também ser responsáveis pelo rompimento dessa lógica.

Como sudestina, acredito que já passou da hora de acharmos que representamos uma norma e que nossa visão é o retrato do Brasil, além da mania de considerar que “somos melhores” e sabemos númetizar as outras culturas. Você certamente já viu um sudestino imitando um nordestino. Isso é mais do que etnocentrismo, é pura metidez histórica mesmo. Ver sudestinos sendo estereotipados é uma perspectiva que nos faz voltar para uma caixinha e descer do salto um pouquinho.

Gosto muito das noções de’ “familiar” e “exótico” expostas pelo antropólogo Gilberto Velho. Familiar tem a ver com a frequência com que somos expostos a algo e exótico com aquilo que nos parece distante. Por meio de produções audiovisuais, ao longo da vida, costumamos colocar atores e atrizes do Sudeste e brancos fingindo ser nordestinos. Acredito que isso, durante muito tempo, tenha corroborado para que tivéssemos uma visão do Norte e do Nordeste como algo fantasioso e exótico e não como a norma ou algo familiar.

Morando em um país de dimensões continentais, devemos ter mais dúvidas do que certezas quando o assunto o que se fazem todas as regiões do Brasil fora do eixo Sul-Sudeste. Nem tudo é tão óbvio quanto muitos de nós, Sudestinos, achamos. Qual o programa mais assistido pelas crianças de 6 a 10 anos no Tocantins? Cite alguns pratos presentes em restaurantes do Acre?

Se você não faz ideia, provavelmente o padrão sudestino é o que embasa as suas noções de Brasil e mostra o quanto ainda somos ignorantes sobreo nosso próprio país.

Espero que esse tipo de reflexão nos provoque a querer descobrir os tantos Brasis que acabamos subdimensionando por conta de uma visão centralizadora. Revisitar esses conceitos pode nos ajudar a descobrir os Brasis que cabem dentro do nosso Brasil e diminuir nossa arrogância e ignorância. Quem sabe assumir nossa caixa sudestina nos ajude a navegar nesse Brasil maior do que a nossa pseudo centralidade do Sudeste?

*** LUANA GÉNOT

lgenot@simaigualdaderacial.com.br

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

BAILA COMIGO

Estudos mostram que a dança ajuda a perder calorias, desenvolver a coordenação, estimular a memória e combater a depressão. Está esperando o que para se mexer ?

Desde o começo da pandemia, em março de 2020, a dança se apresentou como uma alternativa eficaz para combater os efeitos nocivos do confinamento. “Toda atividade física promove a liberação de uma série de neurotransmissores responsável pela dopamina, que está relacionada com a sensação de prazer e de bem-estar”, diz o preparador físico Marcio Atalla. “Na dança, por ter a questão da música, esse efeito é ainda mais bacana. É um ótimo método para, além de entrar em forma e ter o gasto energético, combater a depressão e a ansiedade”, emenda o especialista.

Coincidência ou não, muita gente vem mexendo o corpo para espantar o baixo-astral, na vida e no feed. Foi justamente durante a quarentena que a dermatologista Juliana Neiva redescobriu a atividade, que faz parte da sua vida desde a infância, entre idas e vindas. Em junho do ano passado, ela começou a ter aulas semanais, de uma hora e meia, com os devidos protocolos de segurança, com o professor Décio Costa Neto. “Ele sugeriu que fizéssemos um estilo de cada vez. Praticamos jazz, valsa, salsa, funk, sertanejo, samba”, conta. À medida em que as coreografias foram se aprimorando, Juliana passou a compartilhá-las no Instagram. “Para transmitir os impactos positivos para meus seguidores e pacientes”, observa.

A médica também buscou pesquisas sobre o tema para embasar ainda mais seu exemplo. “Uma delas, da New York Academy of Sciences, sugere que a dança pode mudar a plasticidade do cérebro (capacidade de desenvolver novas conexões sinápticas).Outro estudo norte-americano (cujos autores são da Emory University School of Medicine) relaciona os efeitos positivos da atividade em pacientes com Mal de Parkinson, em autistas e em outras condições psiquiátricas”, diz Juliana, ressaltando: “Além de unir a arte à psicomotricidade, as coreografias exercitam a memória, a coordenação e o equilíbrio”. Diretor técnico da Bodytech, Eduardo Netto também aposta no poder da atividade. “As diversas formas de ritmos e músicas desafiam constantemente o cérebro. A dança também é extremamente benéfica para a socialização.”

Formado em Educação Física e bailarino profissional, Décio garante não ter idade para dar os primeiros passos. “Indico começar pelo estilo de música preferido. É fã de forró? Inicie, então, pelo forró. Tem de sentir afinidade”, opina. O professor, que está passando uma temporada em Paris e dá aulas on-line na Academia Foguete, destaca os efeitos terapêuticos: “Além de aumentar a resistência cardiorrespiratória, desenvolver a flexibilidade, o tônus muscular e a coordenação motora, eleva a autoestima. A pessoa se desliga dos problemas”, diz.

Atalla frisa as vantagens para mulheres com mais de 45 anos e as que estão na menopausa. “Nesse período é comum o aparecimento da osteoporose. A dança, por trabalhar com o peso do próprio corpo, estimula o ganho de massa óssea.” O preparador físico aconselha quem está fora de forma: “A pessoa muito descondicionada deve evitar ritmos mais intensos”.

A atriz Claudia Mauro dança desde criança e é bailarina profissional. Durante a quarentena, ela filmou com a câmera do celular uma série de oito episódios dançando em diversos lugares da casa, como embaixo da mesa e sobre a cama. Os movimentos atrelados a reflexões sobre aquela fase viraram a série “Em casa ela dança”, com direção de Udylê Procópio, disponível na plataforma Now. “A dança me salvou demais.”

A série é um reflexo da ênfase que a atriz dá ao balé. “Incentivo as pessoas com vídeos. A dança é livre e te leva para longe da realidade”, comenta. “Está triste? Coloque uma música boa, arraste os móveis e movimente o corpo. Garanto como melhora”, conclui.

POESIA CANTADA

UM DIA, UM ADEUS

GUILHERME ARANTES

COMPOSIÇÃO: GUILHERME ARANTES.

Só você pra dar
A minha vida direção
O tom, a cor
Me fez voltar a ver
A luz, estrela no deserto a me guiar
Farol no mar da incerteza

Um dia, um adeus
E eu indo embora
Quanta loucura
Por tão pouca aventura

Agora entendo
Que andei perdido
O que é que eu faço
Pra você me perdoar

Ah! Que bom seria
Se eu pudesse te abraçar
Beijar, sentir
Como a primeira vez
Te dar o carinho
Que você merece ter
E eu sei te amar
Como ninguém mais

Ninguém mais
Como ninguém jamais te amou
Ninguém jamais te amou
Te amou

Ninguém mais
Como ninguém jamais te amou
Ninguém jamais te amou
Como eu, como eu

OUTROS OLHARES

O ‘COVIDIOMA’ NOSSO DE CADA DIA

Se atualizar um dicionário já é difícil em condições normais, imagine em meio a uma pandemia que, em um curto período de tempo, acelerou o surgimento de palavras novas – e a ressignificação de outras. Com 382 mil entradas, a sexta edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (“Volp”), disponível exclusivamente na versão on-line no site da Academia Brasileira de Letras, enfrentou este desafio. Dos 1.160 verbetes inseridos nesta nova edição da obra, que é considerada o fiel da balançada língua pátria, 65 (cerca de 5% do total) estão ligados direta ou indiretamente ao contexto pandêmico, como “Covid-19”, “lockdown” e “trabalhador essencial”.

Mas  houve  também  um número considerável de termos barrados pelos lexicógrafos. Alguns são curiosíssimos: “coronaplauso” (salva de palmas da população em quarentena como forma de agradecimento à dedicação dos trabalhadores da área de saúde), “corona­ baby”(criança nascida durante a pandemia) ou ainda “blursday”  (impressão de que todos os dias são iguais na quarentena). Preteridos ou não, todos fazem parte do chamado  “covidioma” – outro termo novo que, por ironia, acabou ficando de fora da lista.

“A pandemia trouxe esse estímulo a mais para os lexicógrafos”, diz o acadêmico Evanildo Bechara, presidente da Comissão de Lexicologia e Lexicografia da ABL, que produz o  “Volp. “A sociedade passou por uma ebulição cultural e tecnológica e isso teve repercussão no uso da língua.

Produzida em parte ao longo da pandemia, a nova edição no ar desde o mês passado, só foi possível graças a uma palavra que também faz sua estreia no “Volp”: ”home office”. O uso do termo, aliás, é polêmico, já que a frase “I’m doing home office” (estou fazendo home office) não existe em inglês. Mas não tem problema. Basta dizer que, para levar a cabo sua tarefa, a equipe de Lexicologia e Lexicografia da instituição aderiu ao “teletrabalho” – termo que também estreou agora no dicionário.

Mesmo com as atividades presenciais da ABL suspensas, o trabalho de atualização continuou com muitas trocas de e-mails, mensagens de celular e o uso de videoconferência”, esta tecnologia pandêmica que acaba de realizar o sonho do verbete próprio. Coisa de dar “nomofobia” (medo patológico de ficar sem acesso ao celular). Foi uma dinâmica inédita nos 75 anos de carreira de Bechara. Aos 93 anos, o professor aderiu ao confinamento, já que não é um “negacionista”. Sim, mais uma palavra recém-dicionarizada.

ESTOU AQUI DE PASSAGEM

O ingresso de um verbete novo depende de uma série de exigências. Em primeiro lugar, a sua criação precisa traduzir com eficiência a ideia que quem a empregou quis transmitir. Em segundo, não pode haver palavras antigas e mais expressivas que transmitam melhor a mesma ideia.

Também são levadas em consideração a frequência de uso, a presença em textos oficiais, jornalísticos, acadêmicos etc. e a relevância para a vida social. “Covidengue” e “covidivórcio’ ‘ ingressaram no Real Academia Espanhola, mas ficaram de fora do ” Volp”. Ainda que tratem de fenômenos que também ocorreram no Brasil, tiveram, segundo a equipe da ABL uma repercussão baixa ou inexistente por aqui.

“Há expressões que nasceram para situações específicas e que acabaram não tendo circulação na sociedade. É como se morressem em seu nascedouro”, explica Bechara, que acaba de lançar o livro “Fatos e dúvidas de linguagem” (Nova Fronteira), uma reunião de seus estudos publicados ao longo da carreira.

Palavras existem para nomear a realidade que nos cercam. Mas nem sempre é necessário inventá-las. Autor do livro “De onde vêm as palavras: origens e curiosidades da língua portuguesa” e vice-presidente da Academia Brasileira de Filologia, Deonísio da Silva lembra que a crise sanitária não apenas enseja o surgimento de termos e expressões como também altera o significado das existentes. É o caso, por exemplo, de “comorbidade”,  “imunossuprimido” e “média móvel”. Por sinal, “pandemia” não designou originalmente a peste. Foi precedida em séculos por “epidemia”: do mesmo étimo, observa Deonísio.

“Quantas destas novas palavras ou novos significados prevalecerão? Ainda é cedo para saber”, diz ele.

“O alemão já criou mais de mil palavras nessa pandemia. E com a habitual precisão. Aliás, chamar de pandemia e não peste, como antes, já me parece uma opção pelo eufemismo. Nós como que exorcizamos ou abençoamos as coisas com as palavras.

Responsável pela atualização do “Dicionário Aurélio”, Renata Menezes garante que a fábrica covidiana de expressões está longe de ser um pesadelo para um dicionarista. Pelo menos não para o “lexicógrafo-raiz”, que é como ela chama os apaixonados pelas palavras. Ainda que não façam mais parte do nosso dia a dia depois que a crise sanitária acabar, afirma Renata, os novos termos estão fadados a se eternizar por meio de diferentes registros (científicos, históricos, literários, jornalísticos, lexicográficos…).

“Que esse momento chegue logo e que tenhamos, de fato, aprendido algo com a pandemia, não é mesmo?”, diz a consultora de lexicografia das obras “Aurélio”.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 12 DE SETEMBRO

HUMILDADE, O CAMINHO DA HONRA

Antes da ruína, gaba-se o coração do homem, e diante da honra vai a humildade (Provérbios 18.12).

A soberba é a sala de espera da queda, mas a humildade é o portão de entrada da honra. Quanto mais alto o homem colocar o seu ninho, mais desastrosa será a sua queda. Quanto mais envaidecer seu coração, mais amarga será sua derrota. Deus não tolera o soberbo e resiste aos orgulhosos. Deus lançou do céu o querubim de luz porque o orgulho entrou em seu coração quando quis ser semelhante ao Altíssimo. Deus arrancou Nabucodonosor do trono e o lançou no campo, para pastar com os animais, porque o rei se ensoberbeceu. O anjo de Deus fulminou o rei Herodes porque, ao ser exaltado pelos homens como um ser divino, não deu glória a Deus. O orgulho é um terreno escorregadio, uma estrada cujo destino é o fracasso irremediável. A humildade, porém, precede a honra. A pessoa humilde é respeitada. Deus dá graça aos humildes. Levanta o pobre do monturo e o faz assentar-se entre príncipes. Deus exalta aqueles que se humilham. João Batista disse: Convém que ele [Jesus] cresça e que eu diminua (João 3.30). Esse precursor do Messias considerou-se indigno de desatar as correias das sandálias de Jesus, mas o Mestre o exaltou, dizendo que, dentre os nascidos de mulher, ninguém era maior do que ele. Permanece a verdade imperturbável de que a humildade é o caminho da honra.

GESTÃO E CARREIRA

POR QUE AS EMPRESAS DEVEM INVESTIR EM GOVERNANÇA CORPORATIVA

Termo define conjunto de práticas por meio das quais as companhias precisam ser administradas para cumprirem seus objetivos

Existe uma crença de que apenas as grandes empresas precisam se preocupar com as práticas de governança corporativa. Na realidade, corporações a partir de um determinado porte deveriam entender que a governança é um imperativo para o seu crescimento e gestão dos seus negócios e que terá um impacto positivo no desempenho e na viabilidade de longo prazo. Aqueles que acham que a governança corporativa “não se aplica” à sua empresa são os que têm uma visão de que essa não afeta os seus resultados financeiros, que é cara para implementar, muito burocrática e vai retardar as tomadas de decisões.

O termo governança corporativa não tem uma definição única aceita em todos os meios. Em termos gerais, ela descreve os processos, as práticas de tomadas de decisões e as estruturas por meio das quais uma empresa é administrada no sentido de cumprir seus objetivos financeiros, operacionais e estratégicos com sustentabilidade de longo prazo. A governança também está moldada para demonstrar a transparência da administração de uma empresa para com os seus clientes, acionistas, órgãos reguladores, empregados, colaboradores, fornecedores e mídia, entre outros.

Os administradores e conselheiros têm o dever da lealdade para com as companhias a que servem e têm o dever fiduciário de agir honestamente.de boa fé e no melhor interesse da empresa, e a governança corporativa tem o papel fundamental de supervisionar e apoiar as atividades desses.

Talvez o maior de todos os objetivos da governança é promover empresas competitivas, fortes e viáveis que prestem contas às partes interessadas por meio do conjunto de suas políticas e  normas internas de forma transparente.

Elencamos cinco práticas de governança corporativa que irão beneficiar as empresas:

1. CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO – implante um conselho independente e sem qualquer relação material direta ou indireta que possa interferir em seu julgamento, composto por profissionais com ótima qualificação, experiência e tempo suficiente para se comprometer com suas funções e tenham como principais valores de vida a ética e a integridade

2. PAPÉIS E RESPONSABILIDADES – defina linhas claras de responsabilidade entre conselho, presidente, CEO, diretores executivos e comitês de gestão. O presidente lidera o conselho e garante que ele esteja agindo nos melhores interesses da empresa, já o CEO lidera a gestão, desenvolve e implementa a estratégia de negócios.

3. CULTURA GERAL – desenvolva uma cultura geral de ética e integridade nos negócios e de respeito e conformidade com as leis. Enfatize a necessidade dessa integridade e de o trato ético estar aderente a políticas internas.

4. DESEMPENHO DOS DIRETORES – tenha metas mensuráveis para executivos e avalie o seu desempenho, tome decisões sobre remuneração baseadas nesses princípios, pois assim atrairão candidatos adequados para sua empresa.

5. GESTÃO DE RISCOS – estabeleça uma gestão integrada de risco baseada no apetite ao risco que a empresa está disposta. Aja mediante uma definição clara de qual é sua tolerância aos riscos da empresa. Também é necessário produzir informações suficientes para que, na sua estrutura organizacional, os responsáveis possam tomar as devidas decisões quando ocorrer desvios dos riscos. Quando falamos de riscos, as empresas devem atentar para identificar claramente e avaliar os riscos financeiros, operacionais, legais, de reputação, socioambientais que estão relacionados à sua indústria. Seus sistemas precisam estar adequados para suprir informações de controles, identificação, avaliação, mitigação e monitoramento do risco.

Por fim, uma governança corporativa eficaz apoiará e supervisionará de forma transparente se a empresa está em conformidade com as leis e regulamentos e como ela é dirigida, administrada  e controlada.

*** ‘LUIZ ANTÔNIO BULI – é Diretor Executivo do Banco Master S/A – Operações, Risco e Compliance. Formado em Administração de Empresas, possui MBA em Finanças e em Neurociência nos Estados Unidos e no Brasil. Atua no mercado financeiro há mais de 35 anos, sendo 13 nos Estados Unidos e na Europa e com passagem como diretor pelos bancos Safra, Jsafra, Safra National Bank of New York e várias empresas do Grupo Safra no Exterior.

EU ACHO …

O VÉU DA NATUREZA

Apesar da falação boba de hoje em dia, nem sempre o natural é bom

A natureza é objeto de muita falação boba hoje em dia. O adjetivo “natural” acompanha todo tipo de equívoco. Como exemplo clichê, o uso do adjetivo em questão visa, comumente,  dizer que algo é  bom ou orgânico, confiável ou saudável.

Aqui já reside a ignorância crassa – câncer é tão natural quanto uma bela praia deserta. Pestes são tão naturais quanto alfaces criadas sem agrotóxicos, por exemplo.

Existem duas concepções de natureza egressas da filosofia e religião gregas que marcam o ocidente. A obra “Le Voile d’Isis (O véu de Isis), do filósofo francês Pierre Hadot (1922- 2010),  narra essa história para quem quiser saber um pouco o que se quer dizer quando se diz “natureza” para além do senso comum banal. O combate à banalidade é da natureza da filosofia.

A primeira concepção é chamada por Hadot de prometeica, sendo fiel à interpretação consensual entre especialistas no assunto. Claro que essa nomenclatura está vinculada à peça “Prometeu Acorrentado”, de ÉsquiIo (525 a. C – 456 a. C), na qual Prometeu rouba o segredo do fogo dos deuses, dá a chama aos homens e é punido por Zeus por isso.

O fogo aqui é a grande metáfora da técnica, e os homens não seriam vistos pelos deuses como capazes de manipular tanto poder técnico – nem as mulheres, já deixo o aviso às afoitas de gênero.

Nessa linhagem, o termo mais preciso é uma relação mecânica com a natureza, em que “mechané”, termo grego para contendas ou luta, descreve nossa atitude em relação à natureza, a fim de obriga-la a nos revelar seus segredos. E aqui temos um detalhe fundamental na concepção de natureza dos gregos.

O pré-socrático Heráclito de Éfeso (540 a. C – 470 a. C) nos deixou um fragmento em que ele afirma que a natureza ama se esconder de nós. O ambiente permanece sob um véu que nunca podemos atravessar plenamente. A imagem normalmente associada na arte figurativa à de uma mulher que se esconde ou se desvela, relevando ou não os segredos do seu corpo feminino, é enormemente poética.

 Para os prometeicos, como os cientistas modernos – e, à época, já havia experimentos próximos do que hoje chamamos de ciência moderna -, trata-se de torturar a natureza, via experimentos calculados, para fazer com que ela nos releve seus segredos para que vivamos melhor.

É evidente a linhagem direta entre o segredo do fogo de Prometeu e vacinas, aviões, computadores, construção de casas, transplantes, engenharia genética e outras invenções científicas similares. Francis Bacon (1561-1626), grande organizador do método indutivo na ciência moderna, usava essa metáfora da tortura da natureza para a ciência nascente.

Na verdade, a pergunta que separa a linhagem prometeica da órfica – nos termos de Hadot – é se temos ou não o direito de torturar a natureza para que ela revele seus segredos, como no ato de rasgar as roupas de uma mulher e, assim, destruir seu pudor e acessar os recantos do seu corpo. Seria esse ato uma desmedida?

A figura do mítico poeta Orfeu representa aqui o ato de contemplar a natureza, deixando-nos encantar por ela ou passando a encantá-la com nossa poesia, arte e música, dedicando ao ambiente o nosso amor e o nosso respeito, em oposição à atitude prometeica de violá-la. Há uma oposição clara entre usar a natureza como recurso ou contemplá-la como divindade.

Nas antiguidades grega e romana, muitos filósofos de peso que você conhece – Platão, estoicos, epicuristas, entre outros – foram contra esse viés mecânico de invasão dos segredos da natureza.

Mesmo entre os românticos modernos, como Goethe e Schelling, ambos vivendo entre os séculos 18 e 19, ecos da atitude órfica são encontrados em suas obras, como na medicina antroposófica.

A crítica aos excessos da ciência na lida com o planeta ou com a natureza carrega claros traços da ideia de contemplação como forma de respeito aos limites do pudor da natureza. Diante do sucesso da ciência prometeica ao longo dos séculos, hoje em dia, a atitude contemplativa órfica nos parece quase a afetação de uma doce ignorância.

Pergunte-se quando você tiver um ataque cardíaco, você prefere um médico prometeico ou um órfico no pronto-atentimento do hospital.

*** LUIZ FELIPE PONDÉ

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SEXO SOB EFEITO DE DROGAS, ‘CHEMSEX’ ATRAI PRATICANTES E ACUMULA RISCOS

Metanfetamina e cocaína são algumas das substâncias preferidas por quem adota a atividade

Lá nos anos 1980, chamavam de sexo, drogas e rock’n’roll. Agora usam o nome “chemsex contração de “chemical” (químico, em inglês) com “sex” (sexo). O rock’n’roll não é mais parte fundamental da fórmula, e a história se tornou uma prática recreativa que, vez ou outra, faz casais e grupos estenderem a transa por todo um fim de semana. Ou para segunda, para terça, para quarta…

O uso do termo comporta um cigarro de maconha e uma rapidinha após o expediente? Não é bem assim. O chemsex costuma ir além. Hoje, tem sido estimulado pelo crescimento da circulação de metanfetamina, também conhecida por cristal (pronunciada como no inglês “crystal”) ou tina.

Entram no jogo também a cocaína, o GHB (também chamado de ecstasy liquido) e o MDMA, princípio ativo do ecstasy. São drogas mais fortes e que, no contexto das festinhas de sexo ou nas maratonas sexuais de casais, geram riscos.

O chemsex é mais associado ao universo LGBTQIA+, ainda que transar sob efeito de substâncias psicoativas aconteça entre todos os grupos. Para Álvaro Sousa, doutor em ciências pela USP que publicou um estudo sobre chemsex na pandemia no Brasil e em Portugal, a prática é discutida e negociada mais abertamente entre os gays, mas também não é rara entre heterossexuais.

Já a psiquiatra Camila Magalhães vê uma associação entre o uso desse tipo de droga e a cultura de festas e baladas gays. “Entre os héteros, a busca por desinibição para os encontros sexuais é mais calcada no álcool”, afirma ela.

Um dos riscos do chemsex é a dependência. Ouvimos de diversos praticantes da modalidade que em algum momento eles perceberam que haviam desenvolvido dependência química e psicológica. E que, quando não havia uma substância a mais, o sexo havia se tornado algo sem graça.

“Hoje em dia sou abstêmio do sexo. Quando me masturbo, tento imaginar que estou louco de MDMA. Se não imagino o efeito do MDMA e dos poppers (nitritos inalados), fica mais difícil. Chego a virar o olho, para imaginar que estou sob efeito de algo”, diz Fernando, 40 (os nomes dos entrevistados foram trocados).

“Em 95% das vezes em que transei, acho que estava sob efeito de drogas pesadas, entre elas MDMA e cocaína”, conta. “Hoje, quando vejo pornô, faço pesquisa na internet procurando termos como esse”, diz, em resposta sobre se conhece o termo chemsex.

O isolamento causado pela pandemia do coronavírus pode ter contribuído para o aumento da frequência desse tipo de prática. Entre os pacientes de Magalhães, alguns trocaram baladas e casas noturnas por festinhas em residências com sexo e drogas.

“Muitas dessas pessoas tiveram sua sexualidade reprimida ao longo da vida. Essas festas são um momento em que se sentem ‘liberadas’ para fazer tudo o que não puderam fazer, para curtir”, diz a médica.

Alguns praticantes relatam desempenho sexual melhor ou maior sensação de prazer sob o efeito das drogas.

Para Sousa, isso não vem necessariamente do efeito da droga em si, mas, sim, da desinibição que ela causa. “Muitos gays têm uma homofobia internalizada, não aceitam que têm desejo por esse tipo de sexo ou não aceitam seu próprio corpo. Como a droga desinibe, têm a impressão de que o sexo é melhor”, afirma.

Juliana, uma prostituta de 29 anos, observa que não são só os gays que procuram essa prática. Ela conta que é comum atender homens que querem transar sob efeito de substâncias psicoativas.

A trajetória da vida sexual de José também passou pela sensação de riscos iminentes, para além da compulsão. Ele começou a frequentar uma sauna gay no centro de São Paulo e descreve um cenário de uso de substâncias químicas, dentro de quartos e cabines, com maratonas que chegavam a durar 48 horas.

O perigo era a perda de controle e o risco de overdose. “A minha primeira conexão com cocaína foi quando eu tinha 35 anos de idade. Eu me achava bastante maduro para tomar esse tipo de decisão e fechado para alguma vulnerabilidade. Sempre fui muito careta comigo”, diz.

José conta que tinha amigos que usavam drogas em um contexto como o da sauna. “Eu ia, era capaz de curtir a noite [sem usar nada]. Via que outros amigos continuavam lá. Às vezes, por dias. E eu ficava tentando entender como encontravam tanta força? Aos poucos, prossegue, ele foi compreendendo que essas maratonas eram movidas pelo sexo químico. A primeira vez que resolveu aderir ao chemsex foi para acompanhar um parceiro com quem já mantinha relações.

O entrevistado relata que só na terceira ou quarta vez que fez chemsex sentiu uma espécie de “gozo infinito”, um prazer continuo e duradouro.

“Era menos importante ejacular e era uma experiência introspectiva, às vezes quem estava comigo nem era tão interessante para mim:”

José diz que sempre achou que o que estava fazendo era algo errado e que, com a dificuldade de interromper as sessões de chemsex, passou a se considerar dependente químico. “Não fazia uso diário, às vezes era mensal, quinzenal, mas eu desaprendi a transar fora do contexto do uso de cocaína”, afirma ele.

Naquele momento, José desconfiou que estava vulnerável. “Primeiro, porque o uso que eu fazia era muito intenso, havia gastos excessivos e eu me sentia derrotado já no momento em que pensava em usar. Depois, eu passava por ressacas absurdas e que duravam dias”, conta ele.

“Acho que nunca normalizei o uso disso [mesmo se], via esse discurso ser reiterado por amigos, que diziam que não havia problema, porque eu nunca faltava no trabalho por causa disso. O problema é que passei a não saber fazer sexo de uma outra maneira.”

Camila Magalhães afirma que há quem faça chemsex de maneira consciente, planejada e ocasional, protegendo-se e evitando perigos. Outras, porém, têm maior risco de desenvolver dependência química, seja por fatores hereditários, seja por questões psíquicas ou emocionais.

Assim como outros entrevistados, José passou a deixar de lado sua rotina de treinos físicos, de boa alimentação e especialmente de hidratação.

A perda de controle também traz outros riscos. Sob efeito das substâncias, dizem especialistas, muitos passam a não usar preservativo ou interrompem o uso da PrEP (profilaxia pré-exposição, medicação que reduz o risco de contrair HIV), expondo-se a infecções sexualmente transmissíveis.

O uso combinado de algumas drogas ou sua associação com álcool também pode levar a efeitos físicos como desidratação, taquicardia e arritmia cardíaca.

Em Portugal, relata Sousa, a fim de reduzir esse tipo de dano, os organizadores de festas chamam o Ministério da Saúde, que envia equipes ao local. Na entrada, perguntam aos frequentadores que tipo de droga pretendem usar e dão orientações sobre doses adequadas. Também ficam a postos caso alguém precise de atenção médica.

Existe ainda o perigo de abuso sexual por parceiros desconhecidos, do qual Luís foi vítima. Ele conta que foi chamado para uma sessão de chemsex há cerca de duas semanas, respondendo ao contato, por aplicativo, feito por um homem com quem ele já havia tido relações sexuais.

Luís diz que estava buscando prazer sexual sem uso de aditivos, porque já tinha passado pela sensação da dependência. Naquela noite, foi atraído por conversas no aplicativo e a indicação de uso de drogas. Ele diz que topou ir ao apartamento desse conhecido, onde havia um terceiro homem.

“Existe um momento em que você negocia consigo mesmo se você vai ou não. Eu havia decidido que só faria uso da droga que eu mesmo ia levar, metanfetamina”, diz. Ele havia resolvido também que não faria o slam, prática de injetar metanfetamina, e que alertou os dois de que só consentia em fazer sexo no qual estivesse na posição de ativo.

“Durante muito tempo naquela ocasião foi muito gostoso, foi bom mesmo”, diz. Porém, em um determinado momento ele não conseguiu mais ter ereção. “Falei: pessoal, vou ficar de fora, vou tomar uma água. Nesse momento, afirma, alguém lhe ofereceu um refrigerante. “A partir dali comecei a ficar muito obediente, comecei a fazer o que eles mandavam”, conta Luís.

Sob a insistência de fazer uma dose de slam, virou “um brinquedo na mão dos parceiros”. “Lembro que começaram a chegar outras pessoas. Ele foi perdendo a consciência, mas percebeu que pingaram algo em seu ouvido. ‘Quando retornei a consciência, havia seis ou sete pessoas ao meu redor”.

Dias depois, decidiu ir à polícia. Fez exame toxicológico, que, para sua surpresa, acusou uso de morfina, entre outras substâncias. Ele diz ter sido vítima de abuso por um grupo de ao menos dez homens.

POESIA CANTADA

SONHOS

PENINHA

COMPOSIÇÃO: PENINHA.

Tudo era apenas uma brincadeira
E foi crescendo, crescendo
Me absorvendo
E de repente eu me vi assim
Completamente seu

Vi a minha força amarrada no seu passo
Vi que sem você não tem caminho
Eu não me acho
Vi um grande amor gritar dentro de mim
Como eu sonhei um dia

Quando o meu mundo era mais mundo
E todo mundo admitia
Uma mudança muito estranha
Mais pureza, mais carinho
Mais calma, mais alegria
No meu jeito de me dar

Quando a canção se fez mais forte
Mais sentida
Quando a poesia fez folia em minha vida
Você veio me contar
Dessa paixão inesperada
Por outra pessoa

Mas não tem revolta, não
Eu só quero que você se encontre
Ter saudade até que é bom
É melhor que caminhar vazio
A esperança é um dom
Que eu tenho em mim
(Eu tenho sim)

Não tem desespero, não
Você me ensinou milhões de coisas
Tem um sonho em minhas mãos
Amanhã será um novo dia
Certamente eu vou ser mais feliz

Quando o meu mundo era mais mundo
E todo mundo admitia
Uma mudança muito estranha
Mais pureza, mais carinho
Mais calma, mais alegria
No meu jeito de me dar

Quando a canção se fez mais forte
Mais sentida
Quando a poesia realmente fez folia em minha vida
Você veio me contar
Dessa paixão inesperada
Por outra pessoa

Mas não tem revolta, não
Eu só quero que você se encontre
Ter saudade até que é bom
É melhor que caminhar vazio
A esperança é um dom
Que eu tenho em mim
(Eu tenho sim)

Não tem desespero, não
Você me ensinou milhões de coisas
Tem um sonho em minhas mãos
Amanhã será um novo dia
Certamente eu vou ser mais feliz

Mas não tem revolta, não
Eu só quero que você se encontre
Ter saudade até que é bom
É melhor que caminhar vazio
A esperança é um dom
Que eu tenho em mim
(Eu tenho sim)

Não tem desespero, não
Você me ensinou milhões de coisas
Tem um sonho em minhas mãos
Amanhã será um novo dia
Certamente eu vou ser mais feliz

OUTROS OLHARES

BYE BYE BRASIL

Atraídos pelas facilidades oferecidas por universidades estrangeiras no meio da pandemia, cada vez mais jovens brasileiros voam atrás do diploma no exterior

O tão temido Enem, passaporte para ingressar na maioria das universidades do país, se avizinha, logo ali em novembro, mas para uma turma de brasileiros a ansiedade gira em torno de outro grande e decisivo acontecimento: eles estão de malas prontas para fazer faculdade no exterior. Esses jovens embalam uma tendência que já vinha tomando corpo nos últimos anos, com a ascensão da ideia de que, além de uma segunda língua, a experiência estudantil longe de casa ajuda a dar estofo para que se convertam em cidadãos do mundo. A pandemia, sempre ela, contribuiu para turbinar o movimento – no isolamento, muitos jovens curiosos experimentaram aqueles cursos livres das faculdades de fora, a distância mesmo, e, quando as aulas voltaram a ser presenciais, as próprias instituições estimularam as matrículas dos estrangeiros. Resultado: em 2020 aumentaram em 41% as inscrições de brasileiros no Common Application, sistema de admissão usado por 900 universidades americanas – e não param de subir.

O vasto acesso às plataformas digitais de universidades no exterior, ainda que de forma despretensiosa em meio às incertezas trazidas pelo novo coronavírus, abriu a pais e alunos brasileiros uma janela para o exterior antes mais longínqua. Eles passaram a encarar com maior naturalidade o desafio de estudar longe de casa e começaram a caçar possibilidades, inclusive na seara de faculdades menos famosas, mais acessíveis e de bom ensino. Estas, por sua vez, dão boas-vindas a gente de variadas nacionalidades para compensar as perdas recentes: nos Estados Unidos, a queda foi de 603.000 alunos nos bancos universitários para o ano escolar que se inicia em setembro. “Diversas instituições derrubaram a exigência de que estrangeiros passassem por avaliações como o SAT, o que estimula o ingresso dos estrangeiros”, diz Simone Ferreira, orientadora do Education USA, que divulga o sistema de ensino superior americano. Atualmente, cerca de 70.000 brasileiros fazem faculdade fora, e a procura dispara, entre outras razões, sob o impulso de programas de países desenvolvidos para atrair talentos de toda parte. “Estamos em busca de diversidade. Os estudantes brasileiros têm perfis muito diferentes e podem contribuir com visões múltiplas para os problemas globais”, avalia Simon Nascimento, brasileiro que estudou relações internacionais na Universidade de Chicago e dirige agora a área de admissões para graduação na instituição. É na Universidade de Chicago, considerada o berço do neoliberalismo, que Vinicius Alvarez, 18 anos, começa no mês que vem o curso de economia e matemática. “Sei que ter esse diploma será um grande diferencial”, afirma Alvarez, que, como outros, nem chegou a prestar o Enem. “Sempre quis que meu filho fosse capaz de se virar e ter destaque em qualquer ambiente”, ressalta o pai dele, o empresário Thiago Alvarez.

Os Estados Unidos são, de longe, a meca dos brasileiros que procuram excelência cruzando fronteiras. Neste último ano, o estado que mais vem registrando matrículas é a Flórida, onde não há universidade de ponta, como nas costas Leste e Oeste. Preços variam imensamente – em instituições sem grife, custam em média o dobro de uma universidade particular no Brasil, com casa e comida incluídas e chances de bolsas para amenizar a conta. É preciso pôr tudo na balança e pesar custos e benefícios. Ao estudar em outro país, o jovem afia a capacidade de se adaptar a outras culturas, além de ganhar destreza em um segundo idioma. “Eles desenvolvem habilidades valorizadas no mercado de trabalho, como a de assumir riscos, encarar o novo e demonstrar empatia”, lista Ronaldo Mota, membro da Academia Brasileira de Educação. O carioca João Vitor Boechat, 17 anos, mostrou iniciativa ainda no processo de seleção: criador de um clube de robótica na escola, obteve bolsa integral para cursar engenharia elétrica na renomada Duke University, nos Estados Unidos. “Não imaginava conseguir estudar em uma das melhores universidades do mundo”, comemora.

Diante do interesse, colégios brasileiros tradicionais estão oferecendo turmas específicas a quem busca os ares acadêmicos de fora, com aulas preparatórias para exames internacionais, reforço na língua estrangeira e orientação vocacional. “Ao longo da preparação, percebemos os anseios dos alunos e os direcionamos para as universidades com que têm mais afinidade”, explica Edmilson Motta, coordenador-geral do Etapa, em São Paulo. Escolas no topo do ranking aplicam a metodologia International Baccalaureate, aceita mundo afora e um ponto altamente positivo no currículo do aluno estrangeiro. “No IB, além das áreas de conhecimento, abordamos projetos práticos, valores humanistas e questões globais”, frisa Mareio Cohen, vice-presidente pedagógico do Eleva, do Rio de Janeiro. Outra trilha percorrida com mais frequência para conseguir uma vaga fora são as escolas internacionais, que seguem o currículo do seu país de origem e dão os diplomas aceitos lá.

Ainda que facilitados nos últimos tempos, os processos de seleção seguem árduos e longos. Na maioria dos casos, exige-se um exame de proficiência em língua estrangeira, carta de recomendação, bom desempenho em redação e nas entrevistas. Notas altas nos exames nacionais, como o próprio Enem e o americano SAT, ajudam, mas não são decisivas, e atividades como participação em olimpíadas acadêmicas, serviço voluntário e esportes são muito bem-vistas. “Tive de fazer oito redações e entrevistas com dois professores, além de estudar intensamente francês e integrar clubes acadêmicos”, diz Gabrielle Balestra, 18 anos, que está de malas prontas para cursar relações internacionais na École SciencesPo, em Paris – depois de uma queda de braço, vencida pelos alunos, para que o governo francês afrouxasse os protocolos e aprovasse o visto para brasileiros. E assim a sala de aula sem fronteiras vai ficando a cada dia mais cheia.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 11 DE SETEMBRO

UM REFÚGIO FALSO

Os bens do rico lhe são cidade forte e, segundo imagina, uma alta muralha (Provérbios 18.11).

Um dos maiores mitos da vida é que o dinheiro pode oferecer segurança ao homem. O rico pensa que a sua riqueza o protege como as muralhas altas e fortes em volta de uma cidade. Imagina que seus bens são como um muro alto que é impossível escalar. Pensa que o mal ficará sempre do lado de fora. Acredita que, se vestir uma couraça de bronze, os perigos naturais da vida não o alcançarão. Completo engano. O dinheiro não é uma torre forte nem um muro seguro. Não torna seu possuidor inexpugnável diante das tempestades da existência. Jesus fala a respeito de um homem que confiou nos seus bens, dizendo a si mesmo: Tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? (Lucas 12.19,20). A riqueza de um homem não consegue manter a morte do lado de fora do muro. A morte chega para todos, ricos e pobres, jovens e velhos, doutores e analfabetos. Não trouxemos nada para o mundo nem nada dele levaremos. Quando John Rockefeller, o primeiro bilionário do mundo, morreu, perguntaram a seu contador no cemitério: “Quanto o Dr. John Rockefeller deixou?” Ele respondeu: “Deixou tudo, não levou nenhum centavo”.

GESTÃO E CARREIRA

TECNOLOGIAS MONITORAM O ESTRESSE NO TRABALHO

Startups criam ferramentas para reduzir riscos à saúde mental de profissionais

Em um momento em que a discussão de saúde mental no trabalho ganha força, em  meio à pandemia de Covid-19 e com a maior parte das companhias adotando modelos híbridos de atuação, a tecnologia pode ajudar a identificar questões relacionadas ao tema no ambiente corporativo – seja no escritório, seja a distância. Várias startups passaram a olhar para esse mercado.

Uma delas é a Bee Touch, fundada pela psicóloga Ana Carolina Peuker e pelo cientista da computação Felipe Scuciatto, que desenvolve soluções tecnológicas que auxiliam empresas e profissionais a cuidar do bem-estar. “A grande vantagem que a tecnologia traz é atuar de maneira preditiva, antecipar potenciais riscos de adoecimento mental e permitir o diagnóstico da raiz dos problemas”, diz a psicóloga. Uma das inovações da empresa é a plataforma Avax Psi, que realiza avaliações psicológicas a partir da ciência de dados para identificar riscos psicossociais no trabalho.

A psicóloga destaca que o recurso difere das demais inteligências artificiais que identificam sintomas – o que ela considera uma abordagem reativa, de atuar nos casos já em andamento.

O produto foi desenvolvido para empresas e pode ser customizado de acordo com a realidade e a necessidade de cada local, uma vez que alguns riscos de estresse são específicos de determinadas profissões. Além de indicadores de saúde e segurança ocupacional, a ferramenta aborda questões individuais, história pregressa e atual.

“A gente avalia doença mental, histórico familiar, desempenho cognitivo, como a pessoa está do ponto de vista de atenção. A plataforma tem testes psicológicos, e tudo depende da função que o profissional desempenha”, explica Peuker.

A metodologia segue três aspectos preconizados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT): organização, conteúdo e contexto do trabalho. Em cada categoria, há uma série de aspectos   analisados, como apoio entre pares, nível de competição do  ambiente, grau de responsabilidade e poder de decisão, entre outros.

Todas as questões são avaliadas por meio de um formulário respondido anonimamente pelos funcionários. Uma tabela reúne os resultados em gráficos para que o gestor tenha uma visão analítica do cenário. A startup também envia um relatório técnico com a análise dos pontos críticos e um plano de ação para cada um deles. Com isso, é possível trabalhar com ciclos de melhoria contínua dentro do ambiente de trabalho.

Outra ferramenta desenvolvida pela Bee Touch, acessível de forma gratuita pela internet, é o Estressômetro, que avalia o nível de estresse com base em dados científicos. Como as doenças da mente ainda são um estigma social, a ideia foi criar um recurso mais lúdico, com o objetivo de favorecer a adesão. “Decidimos criar esse termômetro como forma de mostrara importância da identificação e do monitoramento das fontes de estresse para que as pessoas busquem ajuda”, explica Peuket. “O ‘Esctessômetro’ serve para a pessoa ter experiência de monitorar a  sintomatologia de estresse. Não adianta saber que está estressado sem saber a causa.”

GESTÃO DA SAÚDE METAL

Horas extras de trabalho, reuniões consecutivas e tempo subaproveitado em atividades podem ser avaliados, a princípio, para fins de gestão laboral. Entender rotinas e monitorá-las ajuda gestores a evitar riscos trabalhistas. Foi por isso que a startup Fhinck desenvolveu uma inteligência artificial que, instalada no computador, traduz tempos e movimentos em dados.

Com ela, é possível saber se o funcionário trabalhou a mais, se fez pausa de almoço ou se está perdendo tempo excessivo em determinadas tarefas. Na pandemia, a empresa identificou, na base de 17 clientes, um aumento de 12% na jornada média de trabalho, além de risco de 27% no aumento de casos de burnout em cargos sênior e de liderança.

”Ao longo do tempo, começamos a ver que a ferramenta não só olhava para processos, mas também o quanto os dados eram poderosos no sentido de análise de pessoas. Acabamos evoluindo o olhar e, por meio dos dados, entendendo melhor os hábitos”, explica Paulo Castello, fundador e presidente da startup.

“Você imagina que a pessoa que sai para almoçar para de mexer no computador por pelo menos uma hora, mas às vezes tem ausência de pausa, que também é um indicador. A pessoa pode dizer que está almoçando, mas está trabalhando com o prato na mão”, ilustra Castello. O empreendedor reconhece, porém, que o software é limitado, porque foi desenvolvido para rotinas de escritório – ou seja, pode não identificar riscos para o caso de quem trabalha predominantemente fora do computador.

EU ACHO …

O VIZINHO

Há alguns anos, a casa de praia trazia a paz e o aconchego que eles precisavam para o fim de semana. Ao lado da Serra do Mar, a mudança de ares trazia uma calmaria e as duas horas de carro funcionavam como um tempo de descompressão para o casal. Era chegar na costa, abrir um vinho para ser degustado com queijos e, quando estava frio, uma lareira com barulho das ondas ao fundo, para que a noite focasse perfeita. Sono profundo, dias de leitura e um cardápio cheio de delícias feitas pela caseira reconhecida na região por seu tempero, marcavam esses dias. Se existia algum programa melhor, não conheciam.

Até que uma nova família começou a frequentar a mesma praia – ou será que já frequentavam e eles nunca tinham reparado? O fato era que o vizinho acordava cedo e logo de manhã já estava com as crianças pequenas paramentadas em suas respectivas bicicletinhas, prontas para o primeiro exercício do dia. Sim, primeiro porque o vizinho, depois disso, também corria na rua de trás da praia. Lá ia ele, dessa vez sozinho, veloz. “Será que é atleta?”, se entreolharam enquanto iam de havaianas até a padaria em busca do pão francês bem quentinho. Voltando para a praia com jornais, se debruçaram por toda manhã nas notícias do dia.

Lá pelo meio dia, caipirinhas e drinques estavam prontos e a lula frita para acompanhar também. Olhando para a barraca ao lado, lá estava o vizinho, também feliz, agora correndo na praia de tombo mesmo, pés descalços. “Que loucura, deve até fazer mal para a coluna”, o casal pensou.

Enfim, casquinha de siri cheirando e o marido se estica na cadeira para pegar uma cor, mas, por poucos minutos o casal, não conseguiu evitar a cena diante deles: uma prancha de madeira, dessas de filme, lindamente talhada à mão. Era o vizinho, agora pronto para levar as crianças para mais um programa. Pegava uma no colo com os braços musculosos, a colocava delicadamente sobre a prancha e saia em direção ao alto mar, remando em pé, em equilíbrio perfeito com o pequeno êxtase para uma miniaventura.

Depois de um tempo. voltava para pegar o outro, esse já à espera com seu mini colete salva-vidas. De um em um, os três passearam. Quando acabou, o vizinho comprou sorvetes, guardou a prancha e o casal, agora na terceira caipirinha, pediu em silêncio a Deus para ele, o vizinho, parar quieto, tomar um drink, demonstrar impaciência ou até pedir batatas fritas engorduradas, mas o vizinho sentou ali ao lado, se alongou, fez posições de ioga e depois colocou sua touca de natação e  mergulhou para sua sessão de nado no mar. Sem falar nada, o casal se levantou da praia, comeu sem muito gosto o risoto que já escava pronto. Dormiram depois do almoço como de costume, mas tiveram, os dois, um sono inquieto. Resolveram voltar antes da praia naquele domingo. Ela marcou na segunda a tão adiada consulta na clínica de emagrecimento, ele comprou uma esteira e um relógio para contar passos. Não falaram do assunto, o vizinho, mas combinaram de ficar alguns finais de semana em São Paulo para “descomprimir”.

***ALICE FERRAZ

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DICAS PARA ACABAR COM O REFLUXO E A QUEIMAÇÃO

Medidas para conter o desconforto da azia podem ajudar a reduzir o uso de medicamentos potencialmente perigosos; queixa pode ter se tornado mais comum após o estresse relacionado à pandemia e ao ganho de peso

O alerta dos tempos de infância de não nadar até uma hora depois de comer, aparentemente para evitar cãibras, já não é mais suficiente para mim. Agora tenho que esperar pelo menos duas horas antes de tentar qualquer atividade mais vigorosa ou tarefas que envolvam me curvar. Isso para evitar a sensação horrorosa do refluxo ácido, conhecida pelo mais comum de seus sintomas, a azia.

Também descobri que um ingrediente preferido do café da manhã, manteiga de amendoim, é especialmente problemático, além do peixe defumado, do arenque em conserva ou de café coado com o estômago vazio.

QUAL A INCIDÊNCIA DO REFLUXO?

O refluxo está entre as queixas de saúde mais frequentes dos adultos americanos e pode ter se tornado ainda mais comum após o estresse relacionado à pandemia e ao ganho de peso. No final do ano passado, as farmácias relataram uma corrida sem precedentes pelos antiácidos por pessoas que descreveram estar sofrendo com um “estômago pandêmico”, deixando desabastecidos aqueles com doenças graves que precisavam daqueles medicamentos.

Mesmo antes da pandemia de Covid-19, uma  pesquisa on-line de 2019 com mais de 71 mil adultos descobriu que quase um terço relatou que era acometido ao menos uma vez por semana pelos sintomas desconfortáveis de refluxo, quando uma pequena quantidade do conteúdo do estômago inverte seu curso e retorna no esôfago.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DO REFLUXO?

Os sintomas mais comuns incluem uma sensação de queimação no peito, sensação de um nó na garganta, arrotos, inchaço e regurgitação na boca de alimentos altamente ácidos e parcialmente digeridos do estômago.

O refluxo também pode afetar o trato respiratório, resultando em rouquidão, sibilos, gotejamento pós­ nasal, tosse ou mesmo ataques de asma.

Mas o refluxo ácido persistente é mais do que apenas irritante. Se ocorrer com muita frequência e persistir por muito tempo, pode corroer o revestimento do esôfago e aumentar o risco de desenvolvimento de um câncer mortal chamado adeno­carcinoma esofágico.

CINCO MANEIRAS DE REDUZIR O RISCO DE REFLUXO

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Harvard relatou recentemente que muitas pessoas poderiam evitar esse sofrimento ao aderir a um estilo de vida “antirrefluxo'”. Os pesquisadores analisaram pesquisas periódicas de saúde ao longo de 12 anos com mais de 40 mil enfermeiras e identificaram cinco características de estilo de vida que ajudaram a manter o refluxo ácido sob controle.

Quanto mais o estilo de vida foi colocado em prática, menor o risco de desenvolver DRGE, a sigla popular para “doença do refluxo gastroesofágico”, a forma mais persistente e potencialmente grave de refluxo ácido.

Seguir todos os cinco comportamentos abaixo reduziu em 37% o risco geral de desenvolver sintomas de DRGE.

1. MANTENHA UM PESO CORPORAL SAUDÁVEL

Uma análise da literatura médica conduzida pelo médico Jesper Lagergren, do Instituto Karolinska de Estocolmo, na Suécia, descobriu que a DRGE afetou 22% das pessoas que foram classificadas como obesas, em comparação com cerca de 14% daquelas que não eram obesas.

Depois de comer, um esfíncter muscular na parte inferior do esôfago se abre para permitir que o alimento entre no estômago e se fecha para evitar que ele mude de direção. Um abdômen superdimensionado pode colocar pressão excessiva nesse esfíncter epode impedir que ele se feche quando deveria, permitindo que o conteúdo ácido do estômago vaze para o esôfago.

2. NÃO FUME

A equipe de Jesper Lagergren descobriu ainda que o tabaco pode estender o tempo que leva para os alimentos ácidos saírem do esôfago. Em uma análise de 30 estudos, a DRGE afetou cerca de 20% dos fumantes em comparação com cerca de 16% dos não fumantes.

3. FAÇA EXERCÍCIO FÍSICO

Aqueles que se engajaram em atividades físicas moderada a vigorosas por pelo menos 3 minutos por dia eram menos propensos a desenvolver sintomas de DRGE, relatou a equipe de Harvard.

4. REDUZA CAFÉ, CHÁ E REFRIGERANTES

O risco de DRGE foi reduzido entre aqueles que consumiam no máximo duas xícaras de café, chá ou refrigerante por dia.

5. SIGA UMA DIETA SAUDÁVEL PARA O CORAÇÃO

Aqueles que seguiram uma dieta de estilo mediterrâneo,  por exemplo,  com frutas  e vegetais, legumes, peixes, aves e grãos inteiros, mas com pouca ou nenhuma carne vermelha ou outras fontes de gorduras saturadas, eram menos propensos a desenvolver refluxo ácido.

A genética também pode influir no risco de desenvolvimento de refluxo, portanto pessoas com histórico familiar com o problema precisam se proteger ainda mais para evitar os riscos destacados acima.

Isso também ajudará a protegê-las contra as principais causas de morte, como doenças cardíacas, diabetes e muitas formas de câncer.

COMO ATENUAR OS SINTOMAS

Se você já sofre de refluxo, há muitas medidas que você pode tomar para minimizar os sintomas e talvez evitá-los totalmente, como consumir refeições menores, com mais frequência; minimizar os alimentos gordurosos e evitar totalmente alimentos fritos e fast food; e evitar comer três horas antes de se deitar. Além disso, tente dormir como se estivesse reclinado, com a cabeceira da cama apoiada em uma posição mais alta do que os pés. Em caso de uso de medicação, siga a prescrição do seu médico pelo curto período de tempo necessário.

POESIA CANTADA

MANIA DE VOCÊ

RITA LEE

COMPOSIÇÃO: RITA LEE E ROBERTO DE CARVALHO

Meu bem, você me dá água na boca
Vestindo fantasias, tirando a roupa
Molhada de suor de tanto a gente se beijar
De tanto imaginar loucuras

A gente faz amor por telepatia
No chão, no mar, na lua, na melodia
Mania de você, de tanto a gente se beijar
De tanto imaginar loucuras

Nada melhor do que não fazer nada
Só pra deitar e rolar com você
Nada melhor do que não fazer nada
Só pra deitar e rolar com você

Meu bem, você me dá água na boca
Vestindo fantasias, tirando a roupa
Molhada de suor de tanto a gente se beijar
De tanto imaginar loucuras

A gente faz amor por telepatia
No chão, no mar, na lua, na melodia
Mania de você, de tanto a gente se beijar
De tanto imaginar loucuras

Nada melhor do que não fazer nada
Só pra deitar e rolar com você
Nada melhor do que não fazer nada
Só pra deitar e rolar com você
Com você, com você

Nada melhor, nada melhor
Do que não fazer nada
Nada, nada melhor do que não fazer nada
Só pra deitar e rolar com você

Rolar, rolar, rolar, rolar com você
Rolar, rolar, rolar, rolar com você

OUTROS OLHARES

‘MATCH’ DA VACINA

Avanço da imunização contra o coronavírus reaquece a rotina de flertes, e quem tomou as duas doses ganha ares de bom partido, embora especialistas alertem que ainda seja cedo para retomar os encontros

Renata Rodrigues descobriu por acaso que a segunda dose da vacina contra o coronavírus lhe daria mais do que a imunização. A jovem, de 23 anos, mora em Florianópolis e marcou o prefeito da cidade na foto postada no Instagram, mostrando o momento da agulhada.

O clique foi compartilhado pelo chefe do executivo e, consequentemente, alavancou a popularidade da moça na rede. “Vários contatinhos vieram falar comigo, no estilo ‘oi, sumida’. Mas também apareceram uns caras desconhecidos, que começaram a me seguir e puxar assunto”, conta.

A parte dos novos admiradores, ela confessa, não a deixou confortável. Mas, a quem interessar possa, ela manda avisar que o flerte da vacina é uma realidade incontestável. Tanto que tratou de incrementar a sua apresentação no Tinder com essa informação. Além de frases como “apaixonada por ciclismo” e “gosto de passear em supermercados”, adicionou: “agora já com duas doses no braço”. “Gera uma conexão e puxa uma conversa sobrea imunização”, diz.

A própria ferramenta de paquera está atenta a essa movimentação e lançou, na última semana, figurinhas personalizadas para que as pessoas atestem a imunização.

Segundo dados divulgados pela empresa, as citações do termo “vacina” aumentaram mais de 900% desde o início da pandemia. No mês passado, conforme a campanha avançava no país, as menções a “vacinado” cresceram seis vezes e à “vacinada”, cinco, nas descrições dos perfis.

Usuária da plataforma, a designer Thalita Vieira, de 27 anos, acha ótimo. Além de se divertir com rapazes que postam fotos com cara de jacaré, afirma que os perfis que trazem essas informações ganham pontos com ela. “Já fico feliz em saber que não é antivacina. Se vier com um ‘fora genocida’, melhor ainda”, diverte-se a moça, que receberá a sua segunda dose no próximo mês. “Já estou acompanhando a movimentação. Na hora que a vontade bater, vou buscar alguém com a imunização completa”.

Doutor em Epidemiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Paulo Petry lamenta “jogar água no chope” dessa turma e adverte que ainda é cedo para tais saliências. “A vacina é uma grande aliada, mas não garante 100% de proteção. E agora, com a variante delta, considero precipitado esse tipo de encontro”, afirma.

Ele acrescenta que tampouco há como minimizar os riscos de maneira eficiente. Um encontro que envolve beijos e troca de saliva anula qualquer cuidado prévio. Além disso, como lembra, não há como ter certeza de que o parceiro ou a parceira está se cuidando e até mesmo recebeu as duas doses do imunizante. “A garotada tem razão em estar ansiosa, mas ainda é perigoso. Com a nova cepa, temos visto muitos jovens adoentados.”

Feitos os alertas, o fato é que quem recebeu as duas doses tem se tornado um bom partido. Ao postar no Instagram a foto do momento em que recebia a vacina, a designer Clara Morais, de 25 anos, viu os seguidores serem “seduzidos” pela beleza do profissional de saúde (mesmo de máscara) que lhe aplicou o imunizante. A imagem fez tanto sucesso que chegou até o rapaz, e o mesmo terminou por adicioná-la na rede. Os dois começaram a se falar e marcaram um encontro para esta semana. “Ele é médico e já recebeu as duas doses. Então, sinto-me mais segura”, diz, afirmando tratar-se de um convite irrecusável.  “Mesmo se ele fosse feio, ia sair com ele. Pegar o cara da vacina é uma história incrível para contar.”

No meio da paquera pandêmica também há quem invista nas fotos de imunização como cartão de visitas, como foi no caso do estudante de Rádio e TV João Vítor, de 25 anos. Usuário do Scruff, plataforma de encontros voltada a homens gays, ele escolheu a imagem como a principal. “É um jeito de manifestar apoio à vacinação e deixar claro que sou contra o atual presidente. Serve para afastar negacionistas e a trair pessoas imunizadas”, acredita

Estratégia semelhante foi adotada pelo professor Rogério do Nascimento, de 44 anos, que tem um perfil no mesmo aplicativo. Ele mudou o apelido usado por lá para “vacinado total”. “As pessoas estão curiosas em relação à vacina e acabam puxando papo sobre o assunto. Tem uns que dão uma de sommelier.

Quando isso acontece, faço questão de dizer que tomei a dose disponível no posto”, conta. “Mas também já peguei gente mentindo, dizendo que tomou o imunizante de uma marca numa primeira conversa e, depois, citando outra.”

Se a carne é fraca, Paulo Petry deixa um último recado: encontrar-se num local aberto, como um  parque, usando máscaras e mantendo o distanciamento pode ser uma alternativa para quem está exausto da vida entremeada por telas luminosas. Só tem um problema:” Pode ser difícil resistir e não passar disso. Principalmente, se o encontro for bom”.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 10 DE SETEMBRO

UM REFÚGIO VERDADEIRO

Torre forte é o nome do Senhor, à qual o justo se acolhe e está seguro (Provérbios 18.10).

Há refúgios que não podem nos proteger na hora da tempestade. Muitos pensam que o dinheiro é um abrigo invulnerável no dia da calamidade. Mas isso é um completo engano. O dinheiro pode nos dar um carro blindado e escoltas, uma casa espaçosa e muito conforto, viagens extravagantes e cardápios saborosos, mas não nos pode dar paz. O dinheiro não oferece segurança nem felicidade. Outros pensam que o poder político é um refúgio verdadeiro. Mas prestígio diante dos homens não é garantia de proteção diante dos reveses da vida. Outros ainda julgam que a força da juventude ou a beleza física são escudos suficientemente fortes para livrá-los dos esbarros da caminhada. Muitos chegam a pensar que o sucesso e o estrelato são abrigos seguros o bastante para guardá-los dos vendavais da vida. Mas a verdade é que somente o nome do Senhor é torre forte. Somente no Senhor podemos estar seguros. No entanto, apenas os justos, aqueles que se reconhecem pecadores e buscam o perdão divino, é que procuram esse abrigo no nome do Senhor. Aqueles que confiam em si mesmos jamais correrão para essa torre forte. Por isso, quando a tempestade chegar, serão atingidos por irremediável calamidade. Faça do Senhor o seu alto refúgio, o refúgio verdadeiro!

GESTÃO E CARREIRA

MANTENHAM O CURRICULO ATUALIZADO. SEU TELEFONE IRÁ TOCAR

Se o início de 2020 ficou marcado como um período letárgico, onde boa parte das empresas não sabiam como agir por conta do início da pandemia agora, mais do que nunca, viveremos a “tempestade perfeita” para os profissionais que se destacam em suas respectivas organizações. Com o volume de trabalho remoto acima do que se esperava as habilidades que ganharam ênfase no mercado de trabalho de quase um ano e meio pra cá não são detectadas no CV. Sim, fomos testados dia e noite mentalmente e fisicamente pra dar conta de tudo. Casa, família, trabalho, equipe, etc… passaram a fazer parte do cotidiano.

Ano passado, as mudanças que ocorreram, em sua maioria, foram substituições pontuais ou trocas já planejadas antes até da Covid-19. Notamos, desde o final de 2020 (mesmo ainda com a segunda onda do vírus) que as contratações passaram a ser pra ganho de performance efetivamente, ou mesmo uma nova posição que não existia anteriormente.

O esgotamento mental dos colaboradores, somado a essas novas demandas por profissionais e ocorrendo em paralelo com a volta ao escritório dará o tom da “dança das cadeiras” no restante do ano. Historicamente, o mercado de trabalho no Brasil se antecipa as tendências do cenário econômico. Sejam elas positivas ou negativas. E agora, fica a percepção de que se o pior já passou o momento de buscar “gente boa” é latente.

Os fatores todos nós sabemos: projeção do PIB acima do esperado, alta das commodities no mercado global, vacinação em massa junto ao público mais economicamente ativo. E esperem um 2022, ao menos no primeiro semestre, tão ou mais aquecido ainda. Em ano eleitoral as empresas planejam 80% das contratações na primeira metade do ano.

Em suma: nos próximos 12 meses imaginem um jacaré (não o da vacina, mas você mesmo como profissional) com a boca aberta. Esperando a melhor oportunidade de sua carreira pra “abocanhar”. Vai acontecer, só mantenha seu CV atualizado e seu telefone ligado. A dica nesse momento: surfem a onda! Empresas ou profissionais. Entendam a real motivação das pessoas a médio e longo prazo e não somente pro agora.

Empresa com cultura forte e clima positivo contrata gente que quer deixar uma marca ou um legado na carreira. Não avaliem somente o CV ou as experiências do passado. Tente projetar o futuro com seus novos colaboradores. O mundo mudou e vai mudar ainda mais. Essa nova geração de líderes que está sendo formada não coloca o “holerite” como principal fator decisório numa movimentação.

Não é incomum que pessoas troquem de emprego sem um aumento efetivo no salário. Não se procura somente emprego hoje em dia. Melhorem e humanizem quem conduz a empresa. No pós pandemia as pessoas valorizam detalhes de gestão e skills humanos do líder que não era tão perceptível antes. Com o Home Office, que fatalmente se manterá nesse novo modelo híbrido idealizado para o futuro, a cultura organizacional que entra em nossa casa e não o inverso.

Recentemente fizemos um levantamento entre outubro/2020 e abril/2021 e constatamos um aumento de 230% nas contratações para alta liderança comparado ao mesmo período antes da pandemia. Na absoluta maioria que participou dessa pesquisa conosco as habilidades buscadas pelas empresas, clientes e parceiros não eram técnicas. Temas como diversidade, ESG e Sustentabilidade também já fazem parte do vocabulário do líder moderno.

*** MARCELO ARONE – Sócio Fundador da OPTME RH, é headhunter e especialista em empresas que passam por processo de transformação e profissionalização. Há 12 anos atua com recrutamento e seleção pra alta liderança, C-Level e Conselhos.

EU ACHO …

NÃO BASTA FALAR EM DEUS

Um leitor me pergunta por e-mail: “Como podes atacar um homem tão bom, um aliado de Deus?” Não preciso dizer a quem ele defendia. A mensagem era cortês, de alguém que acredita que um político que se apresenta abraçado a Deus logicamente fará o melhor para todos. Enquanto isso, o diabo ri pelas costas dos inocentes.

Política e religião não deveriam se misturar, um assunto é público e o outro é privado. Mas, curiosamente, são os políticos mais “polêmicos” (ah, os eufemismos) que usam e abusam de Deus como cabo eleitoral, pois sabem que a religião sempre serviu como blindagem contra críticas.

Muitos de nós buscam conforto na religião. Outros buscam conforto na natureza, na arte, na ciência, no humanismo. Tanto faz. Uma pessoa é boa pelos seus princípios éticos e morais, não pelos meios com que alimenta seu espírito. Eu posso ser equilibrada, amorosa, generosa e solidária sem nunca ter colocado uma hóstia na boca e sem atribuir minhas ações a uma força divina e sobrenatural. Assim como posso ir à missa todos os domingos, crer que Deus está acima de tudo, e minha suposta benignidade ser uma fraude.

O que eu chamo intimamente de Deus, e o que você chama, está igualmente a serviço do bem e do mal, ou não haveria extremistas radicais, atentados terroristas, populações subjugadas em nome da fé. Adesivar carro com o emblema “Jesus te ama” ou rezar antes das refeições têm efeito zero sobre nossa índole.

Há maneiras mais eficientes de descobrir se alguém é de fato especial. Ouça o que ela diz. Observe como se comporta. Que respeito tem pelos outros. O quanto é sensível ao sofrimento alheio. Como trata aqueles que a estão servindo. O quanto se interessa por quem não lhe é útil. O que a emociona. Em que medida se compromete com a verdade. O quanto se dedica à escuta. O tom de voz com que se comunica. Em que ela contribui para a sociedade. Qual sua predisposição em evoluir, em acompanhar as mudanças do seu tempo. O quanto evita causar desassossegos. Se estende a mão quando lhe pedem ajuda. Como lida com crianças e idosos. Qual a importância que dá para a beleza de uma escultura, para a emoção provocada por uma música. Se consegue compreender que miséria e vício não são escolhas, se sente compaixão por quem padece pela desigualdade social.

Prestando bem atenção, você conseguirá perceber se essa pessoa tem valores e intenções confiáveis, ou se é uma egoísta a serviço da própria vaidade e da ambição por poder. Seja qual for o resultado da sua análise, você não terá a mínima ideia se ela é religiosa ou não.

A pessoa que fala em Deus, que cita Deus, que se agarra em Deus, pode ser um ser humano extremamente bom e justo. Mas para confirmarmos, falta todo o resto.

*** MARTA MEDEIROS

marthamedeiros@terra.com.br

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A AUTOESTIMA DO HOMEM E A GINECOMASTIA

Constrangimento social e possível câncer marcam diagnóstico

Uma súbita queda na autoestima de jovens adultos é observada quando surge um aumento de volume de suas mamas. É a ginecomastia, o alargamento do tecido mamário glandular do homem.

A maioria dos casos é benigna, mas não deve ser afastada a possibilidade de uma causa subjacente grave, como um tumor.

Na revista medico British Journal of General Practice a medica Hannah L. Bromley e colaboradores alertam os colegas para a eventual necessidade de encaminhar esse paciente para cuidados especializados. Os autores explicam que a condição é resultante de um desequilíbrio do hormônio masculino (testosterona) por deficiência ou excesso de estrogênio. No Reino Unido, a prevalência da ginecomastia está situada entre 35% e 65% em homens dos 50 ao 69 anos de idade.

Nos pacientes com ambos os seios com volume aumentado, surge o constrangimento social e preocupação com a possibilidade de um câncer. Afastada a gravidade do tumor, o paciente costuma recorrer à cirurgia plástica.

As causas benignas mais frequentes são as hereditárias e a obesidade. Mas medicamentos podem ser causa frequente da ginecomastia.

Medicamentos anti-hipertensivos – espironolactona e os inibidores da ECA (enzima de conversão da angiotensina) – podem contribuir para o problema. Antirretrovirais inibidores da protease estão entre os principais, assim como antifúngicos (cetoconazol), antipsicóticos como o Haloperidol, e várias drogas cardiovasculares como digoxina, amiodarona e clopidrogel. A ginecomastia tem relação com o sistema endócrino (hipertireoidismo) ou urológico (tumor testicular). Doença hepática crônica e cirrose contribuem para o aumento da mama masculina.

*** JÚLIO ABRAMCZYK – É médico, vencedor dos prêmios Esso (Informação Científica) e J. Reis de divulgação científica (CNPq).

POESIA CANTADA

ALMA GÊMEA

FÁBIO JR.

COMPOSIÇÃO: PENINHA.

Por você eu tenho feito
E faço tudo que puder
Pra que a vida seja
Mais alegre
Do que era antes

Tem algumas coisas
Que acontece
Que é você
Quem tem que resolver
Acho graça quando
Às vezes louca
Você perde a pose
E diz: Foi sem querer

Quantas vezes
No seu canto em silêncio
Você busca o meu olhar
E me fala sem palavras
Que me ama, tudo bem
Tá tudo certo

De repente você põe
A mão por dentro
E arranca o mal pela raiz
Você sabe como me fazer feliz

Carne e unha
Alma gêmea
Bate coração
As metades da laranja
Dois amantes, dois irmãos
Duas forças que se atraem
Sonho lindo de viver
Estou morrendo de vontade
De você!

Carne e unha
Alma gêmea
Bate coração
As metades da laranja
Dois amantes, dois irmãos
Duas forças que se atraem
Sonho lindo de viver
Estou morrendo de vontade
De você!

Quantas vezes no seu canto
Em silêncio você busca
O meu olhar
E me fala sem palavras
Que me ama, tudo bem
Tá tudo certo

De repente você põe
A mão por dentro
E arranca o mal pela raiz
Você sabe como me fazer feliz

Carne e unha
Alma gêmea
Bate coração
As metades da laranja
Dois amantes, dois irmãos
Duas forças que se atraem
Sonho lindo de viver
Estou morrendo de vontade
De você!

Carne e unha
Alma gêmea
Bate coração
As metades da laranja
Dois amantes, dois irmãos
Duas forças que se atraem
Sonho lindo de viver
Estou morrendo de vontade
De você!

Bate coração!
As metades da laranja
Dois amantes dois irmãos
Duas forças que se atraem
Sonho lindo de viver
Tô morrendo de vontade
De você!

OUTROS OLHARES

COMO ALIMENTOS FERMENTADOS PODEM MELHORAR SUA SAÚDE

Ingestão de microrganismos presentes no iogurte, no chucrute e na kombucha reduz os níveis de inflamação, mostra estudo

Alimentos fermentados como iogurte, kimchi, chucrute e kombucha estão há muito tempo na dieta básica em muitas partes do mundo. De fato, por milhares de anos, diferentes culturas dependeram da fermentação para produzir pão e queijo, conservar carnes e vegetais e realçar os sabores e texturas do que comem.

Agora os cientistas estão descobrindo que os alimentos fermentados podem ter efeitos intrigantes em nosso intestino. Comer esses alimentos pode alterar a composição das trilhões de bactérias, vírus e fungos que habitam nosso trato intestinal, conhecidos como microbioma intestinal. Eles também podem levar a níveis mais baixos de inflamação em todo o corpo, que os cientistas associam cada vez mais a uma série de doenças ligadas ao envelhecimento. As últimas descobertas vêm de um estudo publicado na revista Cell, realizado por pesquisadores da Universidade de Stanford. Eles queriam ver que impacto os alimentos fermentados poderiam ter no intestino e no sistema imunológico, e como isso poderia se comparar a uma dieta relativamente saudável e rica em fibra, cheia de frutas, vegetais, feijão e grãos integrais.

Para o estudo, os pesquisadores recrutaram 36 adultos saudáveis e os dividiram aleatoriamente em grupos. Um deles foi designado para aumentar o consumo de vegetais ricos em fibras, enquanto um segundo foi instruído a comer muitos alimentos fermentados, incluindo iogurte, chucrute, kefir, kombucha e kimchi.

Esses alimentos são feitos pela combinação de leite, vegetais e outros ingredientes crus com microrganismos como fermento e bactérias. Como resultado, os alimentos fermentados costumam estar repletos de microrganismos vivos, bem como subprodutos do processo de fermentação que incluem várias vitaminas e ácidos lático e cítrico.

ACOMPANHAMENTO

Os participantes seguiram as dietas por dez semanas, enquanto os pesquisadores rastreavam marcadores de inflamação em seu sangue e procuravam por mudanças em seus microbiomas intestinais. Ao final do estudo, o primeiro grupo dobrou a ingestão de fibras, de cerca de 22 gramas por dia para 45 gramas diárias, o que é quase o triplo da ingestão média americana. O segundo grupo partiu de quase nenhum alimento fermentado para a ingestão de seis porções por dia. Para chegar lá, bastam uma xícara de iogurte no café da manhã, uma garrafa de kombucha no almoço e uma xícara de kimchi no jantar.

Após o período de acompanhamento, nenhum dos grupos apresentou mudanças significativas nas medidas de saúde imunol6gica geral. Mas o grupo de alimentos fermentados mostrou reduções marcantes em 19 compostos inflamatórios. Entre eles a interleucina – 6, uma proteína que tende a ser elevada em doenças como diabetes tipo 2 e artrite reumatoide. O grupo rico em fibras, em contraste, não mostrou uma diminuição comparável.

Para as pessoas no grupo dos fermentados, as reduções nos marcadores inflamatórios coincidiram com as mudanças em seus intestinos. Eles começaram a abrigar uma gama mais ampla e diversa de micróbios, algo semelhante ao que foi observado em estudos recentes com esses alimentos. A nova pesquisa descobriu que quanto mais alimentos fermentados as pessoas comiam, maior o número de espécies microbianas que floresciam em seus intestinos. Ainda assim, surpreendentemente, apenas 5% dos novos micróbios em seus intestinos pareciam vir  diretamente dos itens acrescidos à dieta.

“Acho que havia micróbios de baixo do nível de detecção que floresceram ou os alimentos fermentados fizeram algo que permitiu o rápido recrutamento de outros micróbios para o intestino”, diz Justin Sonnenburg, autor do estudo e professor de microbiologia e imunologia em Stanford.

Níveis mais altos de diversidade do microbioma intestinal são geralmente considerados uma coisa boa. Estudos relacionaram taxas mais baixas a problemas como obesidade, diabetes tipo 2, doenças metabólicas e outros males. Pessoas que vivem em nações industrializadas tendem a ter menos diversidade microbiana em seus intestinos do que aquelas que vivem em sociedades mais tradicionais e não industrializadas.

VIDA MODERNA

Alguns cientistas especulam que fatores do estilo de vida moderno, como dietas ricas em alimentos processados, estresse crônico e inatividade física, podem suprimir o crescimento de micróbios intestinais potencialmente benéficos. Outros discutem que a correlação entre diversos microbiomas e boa saúde é exagerada e que os baixos níveis de diversidade de microbiomas comuns em nações desenvolvidas podem ser adequadamente adaptados aos dias de hoje.

Entre os especialistas, os benefícios de uma dieta rica em fibras são inegáveis. Além de ajudarem a reduzir a incidência de doenças crônicas, elas são consideradas aliadas da saúde intestinal. Os micróbios presentes nesse ambiente se alimentam delas e contribuem com subprodutos benéficos, como ácidos graxos de cadeia curta, que podem reduzir a inflamação.

Os pesquisadores de Stanford esperavam que o consumo de mais fibras teria um grande impacto na composição do microbioma. Em vez disso, o grupo que incluiu esses alimentos mostrou pouca mudança na diversidade de micróbios. Mas, quando os cientistas olharam com mais atenção, descobriram algo impressionante. Pessoas que começaram com variedade maior de microrganismos tiveram reduções na inflamação comendo mais fibras, enquanto aqueles que tinham um ambiente menos múltiplo apresentaram ligeiros aumentos na inflamação.

Ospesquisadores disseram suspeitar que as pessoas com baixa diversidade de microbioma podem não ter os micróbios certos para digerir todas as fibras que consumiram. Isso ajudaria a explicar porque algumas pessoas experimentam inchaço e outros problemas gastrointestinais desconfortáveis quando comem muita fibra. Para Suzanne Devkota, diretora da Microbiome Research do Cedars-Sinai Medical Center em Los Angeles, apesar dos indícios anteriores de que comer alimentos fermentados traz benefícios, a nova pesquisa fornece algumas das primeiras “evidências concretas”.

A pesquisadora sugere que uma das explicações para esses benefícios pode ser a produção de nutrientes durante a fermentação. “Quando você come um alimento fermentado, está consumindo todos os produtos químicos dos micróbios que são bons para você.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 09 DE SETEMBRO

FAÇA O SEU TRABALHO BEM FEITO

Quem é negligente na sua obra já é irmão do desperdiçador (Provérbios 18.9).

Duas verdades depreendem-se do texto em apreço. A primeira é que uma pessoa relaxada no que faz não alcança sucesso em seu trabalho. Será sempre medíocre. Ficará sempre abaixo da média. O trabalhador preguiçoso jamais será perito no que faz. Nunca deslanchará na vida nem será expert em seu trabalho. Por ser acomodado, passará a vida na mesmice, sem sair do lugar. O negligente não se empenha, não trabalha até a exaustão, não se esmera no que faz. Prefere o comodismo, o descanso e o desleixo. Por não ter semeado em sua obra, sua única colheita é a pobreza. O perito no que faz assenta-se entre príncipes, pois quem semeia no seu trabalho colhe os frutos da prosperidade e do sucesso. A segunda verdade é que uma pessoa negligente na sua obra é um desperdiçador incorrigível. Desperdiça talentos, tempo e oportunidades. Desperdiça o investimento que os outros fazem em sua vida e os poucos recursos que chegam às suas mãos. O preguiçoso é um perdulário. Joga fora os bens mais preciosos: o tempo e a oportunidade. O negligente é um indivíduo ingrato, pois enterra seus talentos e arranja desculpas infundadas para não se esmerar em sua obra. A sabedoria nos leva a executar bem o nosso trabalho. Devemos fazer tudo com excelência, como para o Senhor e para a glória do Senhor.

GESTÃO E CARREIRA

SEIS DICAS PARA NÃO CAIR EM “ROUBADAS” AO USAR O PIX

O Pix vem ganhando cada vez mais aderência junto aos brasileiros.

Conforme divulgou a Febraban, a representatividade do sistema de transferências e pagamentos instantâneos do Banco Central (BC) já chega a 30% – número bem superior aos 7% registrados em novembro de 2020, quando foi lançado.

E de novembro a junho, o montante em movimentações superou R$ 441 bilhões, há mais 274 milhões de chaves ativas, e o Pix está disponível em pelo menos 760 instituições bancárias, segundo dados do próprio BC.

Os números são expressivos, e novas funcionalidades devem ser anunciadas nos próximos meses – como o open banking, o Pix saque, que permitirá o saque de dinheiro em estabelecimentos autorizados, e o Pix offline, no qual o cliente poderá pagar contas mesmo sem conexão com a internet -, o que deve aumentar ainda mais o montante de usuários do Pix.

Com essa popularidade toda, Francisco Carvalho, CEO da Zipdin, techfin autorizada pelo BC e que opera através de uma plataforma 100% digital que objetiva facilitar o acesso a crédito para empresas e pessoas, acredita que o Pix tem tudo para se tornar o principal meio de pagamento no país e, consequentemente, um alvo de criminosos.

“Conforme os serviços financeiros avançam no ambiente digital, é fundamental que aumentem também os cuidados de quem faz compras ou pagamentos pelo celular e desktops

Pensando na segurança de quem usa o novo sistema, com base em recomendações do Banco Central, o CEO da Zipdin listou seis pontos de atenção:

1. Utilize apenas o site e aplicativo do seu banco para fazer pagamentos, cadastrar seu Pix ou realizar qualquer transação, e evite clicar em links recebi- dos via SMS ou por e-mail. Eles podem ser provenientes de sites falsos. E não passe nenhuma informação sobre a sua conta por telefone.

2. Não use wi-fi de shoppings, bares ou qualquer outro tipo de local público para realizar suas transferências. Pode haver vírus que colocam em risco seus dados.

3. Chave Pix à qual deve ser direcionada uma transferência é uma coisa, senha para concluir o Pix é outra. Nunca passe sua senha para ninguém, a informação a ser compartilhada para a realização de uma transação é seu CPF, e-mail, chave aleatória ou número

4. Atenção aos pagamentos por campo de proximidade, o famoso NFC. Alguns terminais para esse tipo de transação podem ter sofrido alterações para roubar dados. Se notar algo suspeito, opte por outra forma de pagamento para garantir sua segurança.

5. Desconfie dos pedidos de Pix que chegam via WhatsApp, mesmo que eles venham de números de conhecidos de amigos e parentes. A clonagem das contas de WhatsApp tem acontecido com frequência e o recomendado é sempre desconfiar, e confirmar por telefone ou pessoalmente a solicitação antes de efetuar o envio do dinheiro.

6. Cuidado com QR Codes falsos. O QR Code, sem dúvida, facilita muito o dia a dia ao agilizar as transações por meio da captura do código. No entanto, certifique-se de que o valor que consta no QR Code e o destino do dinheiro estão corretos antes de realizar pagamentos e transferências.

FONTE E OUTRAS INFORMAÇÕES: https://zipdin.com.br/.

EU ACHO …

QUATRO JANELAS

Há obras de arte por todos os lados. Enchem museus, casas, praças e livros. Impossível ver todas, conhecer sequer a maioria. Conhecimento sempre implica dizer o que deixaremos de ver e analisar, mais do que o que faremos de verdade como projeto estético. Você se casa com uma ou duas pessoas. Significa que deixou de ter a experiência conjugal com bilhões! Tudo é sempre a mesma escolha: o que deixarei de lado e jamais saberei?

Quadros são janelas. Eu olho por elas e o mundo delas me observa. Vejo e sou visto,  percorro e sou perscrutado. A experiência de um quadro é como a de um texto: o livro também me lê. Se assim não for, vira aula chata e estetizante de arte. Exemplo? ”O pintor não utilizou linhas definidas de desenho, fez sombras coloridas, definiu quase tudo pela luz e registrou um instantâneo rápido da vida e, por consequência, há a chance de ser impressionista.” A observação anterior é útil, como um dicionário o é para a literatura. É importante não confundir mestre Aurélio ou Houaiss com Fernando Pessoa ou Clarice Lispector. Gramáticas de estilos são ferramentas para entender estética e emoção, jamais a arte em si. Imagine alguém dizer que ama boa comida e, indagado do motivo, cita como se deve glaçar, reduzir um molho ou distinguir entre creme brulêe e crema catalana… Quem ama chora com a arte e não classifica os pincéis quanto ao diâmetro. Arte é janela. Por ela, algo deve sair e outra coisa deve entrar. No caminho, o diálogo que muda a vida de alguém.

Quero falar de quatro quadros fundamentais na minha vida. Só usei o critério impacto subjetivo em mim. Logo por favor, não cobrem: “Você não incluiu um pintor do Camboja ou com estrabismo convergente”. Toda escolha implica perda. A minha tem uma arbitrariedade insuperável: minha emoção.

Eu era adolescente quando o vi pela primeira vez em uma enciclopédia de arte: A Tempestade, de Giorgione (L’Accademia, certa de 1508). Não entendi. Talvez seja isso: escapou da compreensão lógica: uma mulher amamentando, um soldado, uma espécie de raio e uma cegonha branca empoleirada. Estranhamento pode ser um começo. Intrigado, passei a ler sobre ele. Há um cipoal de interpretações. O pintor veneziano deve rir da maioria. Eu tinha 32 anos quando vi a obra ao vivo, na Itália. Já tinha dado aulas sobre Goirgione. Agora estava ali, pequeno e denso, quase do tamanho da Mona Lisa de Leonardo. Já sonhei com o quadro. A Tempestade funciona como trufas: entendo quem não ame, é algo fora do espectro, diferente de uma obra ampla e alegre como as Ninfetas de Monet. Reforço: minha seleção é arbitrária.

O segundo é também da península genial: Judite Halofenes, deCaravaggio (Palácio Barberiny Galeria Nacional de Arte Antiga, cerca de 1599). Aqui tudo é mais declarado: um general morrendo, uma heroína bíblica e uma criada ansiosa pela cabeça. Tenho uma experiência como professor de adolescentes: eles estão sonolentos com a aula sobre Barroco até eu mostrar esse quadro. Todos acordam. Descrevo a cena na Bíblia. Uns riem: “Deitou com o cara e cortou sua cabeça de manhã!”. Caravaggio continua causando efeito na Contrarreforma e na juventude da internet. É forte, é dramático, é arte em qualquer sentido do tempo, da técnica à emoção. Giorgione seria Ingmar Bergman, Caravaggio é Quentin Tarantino.

Não esperem muita lógica. A terceira janela é uma linha de quadros. Falo dos murais Seagram, de Mark Rothko (em parte na Tale Gallery de Londres, a partir de 1958). Aqui não foi um amor fácil. Precisei ler um pouco, ir à Capela Rothko no Texas, dar um curso sobre o pintor e ver a peça Vermelho, Antônio Fagundes e seu filho Bruno. Por fim, o que acendeu o rastilho da pólvora ainda úmida foi o livro O Poder da Arte, de Simon Schama, com o capítulo sobre os quadros. Finalmente, fez-se a luz e, todas as vezes que vou a Londres, entro naquela sala escura da Tale e fico extático e estático. Não consigo explicar. São minhas Janelas para a não razão e para o silencio que atordoa. Se fosse uma experiência religiosa, Giorgione seria católico, caravaggio, herege, e Rothko, budista.

A quarta janela será homenageada na Bienal de Veneza de 2022. Ela é anglo­ mexicana: Leonora Carrington. O quadro Offring (e vários outros dela) está na West Dean College (West Sussex, pintado em 1957). Quase tudo simbólico e surreal, algo sombrio, como se fosse permitida que a estética se libertasse de vez da aliança com o belo. A vida repensada pela imaginação, “o leite dos sonhos”, mote da mostra de Veneza que a curadora Cecilia Alemani elegeu para a festa pós-pandemia (assim esperamos). Nunca fui apaixonado pelo surrealismo. Leonora Garrington funcionou, para mim, como o cachorrinho que se dá a alguém que, até então, dizia ser avesso a mascotes e, ao acariciar o animal, se rende ao ato que contraria o discurso. Uma mulher genial no todo e no detalhe.

Descerrei quatro janelas da minha vida. Adverti: são aleatórias. O randômico é muito revelador. Quais seriam seus quatro quadros, querida leitora e estimado leitor? Quais janelas permitem que a luz entre na sua alma ou mostram sua pupila dilatada para um novo mundo? Faça sua lista! Boa semana com novas luzes!

*** LEANDRO KARNAL

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DÉFICIT DE ATENÇÕES

Pessoas com deficiência têm menos chances de estudo e de emprego

Um estudo do IBGE traçou o perfil do abismo que separa os 17,3 milhões de brasileiros com pelo menos um tipo de limitação de suas funções do restante da população. Dados de 2019 mostram que 67,6%dessas pessoas não possuem instrução ou concluíram só o ensino fundamental, contra 30,9% daqueles que não têm deficiência. Os mais prejudicados são os que possuem alguma deficiência intelectual, que aparecem como os mais excluídos em todos os quesitos. O estudo é parte da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS).

“Os dados refletem baixa escolaridade e pouco acesso dessas pessoas às universidades. Apenas 5% concluíram o nível superior, enquanto os sem deficiência representam um número três vezes maior. Parte disso pode ser explicada pelo fato de que muitos não estão concluindo sequer o ensino médio. Nossos números convidam à investigar se há problemas no acesso ao ensino superior, se há falta de acessibilidade”, comentou a analista do IBGE Maíra Bonna Lenzi, que participou da pesquisa, e é deficiente auditiva.  “Há um desnível muito grande educacional, se comparado com as pessoas sem deficiência.

Contribuem para os números a idade das pessoas com deficiência no país. Praticamente a metade (49,4%) tem 60 anos ou mais. Pessoas com deficiência nessa faixa etária costumam ter menor escolaridade. Há mais mulheres do que homens nessa situação. As mulheres têm expectativa de vida maior (de 80,1 anos, contra 73,1 dos homens) e acabam ficando nessa condição por causa da idade.

O estudo detalha ainda a quantidade de pessoas com deficiência em cada estado. Enquanto em todo o Brasil eles representam 8,4% da população, em Sergipe, são 12,3%, o maior índice, seguido da Paraíba (10,7%), Ceará (10,6%) e Bahia (10,3%). São Paulo tem 7,4% da população com alguma deficiência, enquanto Rio de Janeiro tem 8,1% e Maranhão 9%.

APELIDOS E PRECONCEITO

Hoje bailarina, atleta de bocha – com pretensão de ir à próxima Paralimpíada – e ativista, embaixadora da Amigos da Atrofia Muscular Espinhal (AAME-Brasil), Laíssa Silva, ou melhor, Laíssa Guerreira, como é conhecida, aos 15 anos já sabe bem o que esse desnível traduzido em números representa. Paraibana de Campina Grande, dependente da cadeira de rodas  desde os 8 anos, Laíssa viu portas de escolas se fecharem por sua condição, sofreu bullying por parte de crianças e de profissionais de educação, mas hoje, mesmo com a pouca idade, já inspira e luta pelos direitos de pessoas com deficiência.

“Já passei por muito preconceito, antes mesmo de conseguir ir para a escola. Diziam que pessoas com deficiência não podiam entrar porque dariam trabalho, porque precisariam de pessoas para ajudar e que não era responsabilidade deles. Mas era. Está na Constituição. No colégio, os próprios alunos e profissionais tinham preconceito comigo. As outras crianças me chamavam de quatro rodas, aleijada. Antes de eu parar de andar totalmente -, diziam que eu tinha um defeito, enquanto minha doença avançava rapidamente. Os pais dos outros alunos, então… só o jeito que olhavam para mim, já me colocavam para baixo”, lembra a bailarina.

Para Laíssa, o problema começa na educação de base e termina na falta de ocupação no mercado de trabalho. Ela criticou declarações dadas esta semana pelo ministro da Educação, Milton Ribeiro, de que algumas pessoas com deficiência atrapalham as aulas regulares.

“Temos deficiência, mas isso não nos deixa pior ou menor que ninguém. Infelizmente, vimos o que aconteceu, de o ministro falar que nós atrapalhamos. O que atrapalha, infelizmente, é o  excelentíssimo ministro, porque com essas palavras, ele acaba com a esperança e com a oportunidade de várias pessoas com deficiência. Precisamos de acolhimento e empatia e que saibam que somos pessoas normais. O que precisamos realmente é de investimento na área de acessibilidade e inclusão.

Segundo a jovem, as dificuldades enfrentadas hoje têm se traduzido em problemas que vão além dos mais variados tipos de deficiência, e têm afetado a saúde mental.

“Aspessoas estão ficando cada vez mais tristes, excluídas e dentro de casa, porque não têm sequer a oportunidade de ir à escola. É como se estivessem separadas da sociedade, como uma nuvem branca separada de um céu azul. É algo muito nítido. Isso tudo gera ansiedade, sintomas psicológicos, depressão. É muito triste você ouvir que uma criança perdeu a esperança de ir à escola, que se sente um peso, que só vai atrapalhar.

A pesquisa do IBGE mostra que o perfil médio do deficiente no Brasil hoje seria o de uma mulher (9.9% de toda a população), negra (9,7%), idosa, nascida no Nordeste ou no Norte, com baixa ou nenhuma escolaridade e oportunidades reduzidas de emprego.

DIVISÃO NA DIVISÃO

Se a educação não vai bem, a situação no mercado de trabalho também está longe de ser a ideal. O levantamento ocupacional dos brasileiros com algum tipo de deficiência , levando em consideração empregos formais ou informais, e dividindo-os entre cada tipo de limitação, mostra uma grande separação com aqueles sem deficiência, como também entre cada segmento. Hoje, apenas 2S,4 % de todos os trabalhadores do Brasil são pessoas com algum tipo de deficiência. Dentro deste percentual, as pessoas ainda mais prejudicados são as com deficiência intelectual (4,7% dos  trabalhadores), com limitações nos membros superiores (16,3%) e inferiores(15,3%).

“Embora os dados de pesquisa não façam distinção de trabalho formal e informal, mostram um desnível se comparadas as pessoas com ou sem deficiência. É uma população que está disponível para trabalhar, que poderia estar trabalhando”, comenta a analista Mafra Lenzi. “Há de se incentivar essas pessoas a entrarem no mercado de trabalho, valorizar o trabalho delas, seja formal ou informal, potencializá-los.

Fundador do Instituto Serendipidade, ONG que atua pela inclusão de pessoas com deficiência intelectual, Henri Zylbentajn comentou o cenário retratado no estudo.

“A inclusão de pessoas com deficiência ainda não é uma realidade em nossa sociedade. Associações equivocadas como a de deficiência com incapacidade ou como doença são muito frequentes e contribuem para a criação de barreiras. A inclusão não deveria ser vista como um favor ou como uma obrigação legal, mas como uma solução para um mundo mais justo e plural. Informar-se sobreo tema e buscar oportunidades de convívio inclusivo costumam ser bons aliados.

POESIA CANTADA

DIA A DIA, LADO A LADO

TULIPA RUIZ

DIA A DIA, LADO A LADO

COMPOSIÇÃO: GUSTAVO RUIZ / MARCELO JENECI / TULIPA RUIZ.

Eu sonhei que estava exatamente aqui, olhando pra você
Olhando pra você exatamente aqui
Cê não sabe, mas eu tava exatamente aqui, olhando pra você
Olhando pra você exatamente aqui

Pronto para despertar
Perto mesmo de explodir
Parto para não voltar
Pranto para estancar
Tanto para acordar
Tonto de tanto te ver
Perto mesmo de explodir
Prestes a saber por quê

Por que um raio cai?
Por que o sol se vai?
Se a nuvem vem também
Por que você não vem?

É que eu sonhei que estava exatamente aqui, olhando pra você
Olhando pra você exatamente aqui
Cê não sabe, mas eu tava exatamente aqui, olhando pra você
Cê não sabe, mas eu tava exatamente aqui

Pronto para despertar
Perto mesmo de explodir
Parto para não voltar
Pranto para estancar
Tanto para acordar
Tonto de tanto te ver
Perto mesmo de explodir
Prestes a saber por quê

Por que um raio cai?
Por que o sol se vai?
Se a nuvem vem também
Por que você não vem?

Nada a ver ficar assim sonhando separado
Se no fundo a gente quer o dia a dia, lado a lado
Eu não vou deixar você com esse medo de se aproximar
Pra ter um fim toda história um dia tem que começar

Então me diz por que um raio cai?
Por que que o sol se vai?
Se a nuvem vem também
Por que você não vem?

É natural que seja assim você aí e eu aqui exatamente aqui
É natural que seja assim você aí e eu aqui exatamente aqui
É natural que seja assim você aí e eu aqui exatamente aqui

OUTROS OLHARES

CONTEÚDOS ACELERADOS VIRAM TENDÊNCIA NA INTERNET EM SOCIEDADE COM PRESSA

Sem tempo. Plataformas digitais como WhatsApp e Netflix aderem a ferramentas para aumentar a velocidade de reprodução de áudios e vídeos; para especialistas, fenômeno está relacionado ao excesso de informações que circulam hoje no mundo virtual

Hoje, é possível passar um dia inteiro na internet em ritmo acelerado: as principais plataformas digitais já têm ferramentas para aumentar a velocidade de reprodução dos conteúdos. No YouTube, é possível assistir a um vídeo inteiro na metade do tempo. No WhatsApp, você também pode ouvir um áudio até duas vezes mais rápido. O efeito atinge até produções culturais, com opções para ver um documentário na Netflix acelerado em 50% ou ouvir um podcast no Spotify até 3,5 vezes mais rápido.

Para muitas pessoas, acelerar é o único jeito de consumir conteúdos em uma internet cada vez mais abarrotada de informações. A contadora Heloisa Motoki, de 43 anos, está acostumada com essa forma de usar a web: ela acelera tanto os áudios de amigos no WhatsApp (recurso que chegou a todos os usuários do app em maio passado) quanto vídeos no YouTube – por lá, ela costuma acompanhar treinamentos para o trabalho e receitas de culinária.

Dessa forma, diz ela, a “aula” fica mais curta, mas o conteúdo é absorvido da mesma forma. Para Heloisa, a exceção é na hora de ouvir músicas, que ficam na velocidade normal para degustar o ritmo do artista.

“A nossa mente se acostuma com a rapidez e, com isso, ganho tepo”, explica ela, cuja filha, de 16 anos, também adotou essa agilidade no YouTube para assistir a anime. “Eu faço muita coisa, recebo muitas mensagens e, com a pandemia, tudo foi para o online. Se eu não acelerar, não dou conta com o pouco tempo que me resta.”

É comum navegar pelo YouTube, por exemplo, e ler comentários de usuários dizendo que determinada música fica mais “animada” em velocidade 75% mais rápida. Há também casos em que espectadores de plataformas de streaming “apertam o passo” no ritmo da série para pular momentos considerados maçantes – a Netflix implementou a ferramenta de aceleração em julho do ano passado.

Não é possível dizer se são esses recursos que nos deixam mais acelerados ou se são as pessoas que exigem soluções que ajudem a superar essas dores. Para especialistas, o ponto central da discussão são as consequências de toda essa pressa.

A psicóloga Andrea Jotta, pesquisadora do Janus, o Laboratório de Estudos de Psicologia e Tecnologias da Informação e Comunicação, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, afirma que a tecnologia acompanha o uso das pessoas, que têm a autonomia sobre como vão utilizar essas ferramentas no dia a dia. “A aceleração de qualquer conteúdo vem por causa do excesso de informações”, aponta, citando que a pandemia potencializou esse cenário. “Não é possível consumir tudo o que está na internet, e não é nem saudável buscar esse conhecimento cedo. Por isso, todos nós temos de fazer escolhas.”

Andrea dá um exemplo: uma série de streaming é criada para reter a atenção do espectador, seja por truques de roteiro, seja por poderosos algoritmos de recomendação que mantêm o usuário na plataforma. O usuário pode escolher entre consumir aquilo da maneira que foi planejado, acelerar o tempo, pular episódios ou abandonar. Em todas, a decisão cabe ao indivíduo e as ferramentas estão ali para serem utilizadas ou não, diz Andrea: “É preciso fazer o consumo saudável da internet, sem extrapolar limites.”

RELAÇÕES

 Ainda não há detalhes científicos sobre o impacto dessa aceleração no psicológico das pessoas. Contudo, há quem já esteja sentindo efeitos dessas ferramentas.

Para a advogada Thaís Vargas Binicheski, de 26 anos, que aumenta a velocidade dos áudios recebidos no WhatsApp para ganhar tempo no trabalho, a vida “offline” está parecendo mais agitada também – ela tem notado que as pessoas estão falando mais rápido depois de acostumarem a ouvir com tanta rapidez. “Conversando com amigos, eles me disseram que também têm essa sensação. É um reflexo dessa ferramenta”, diz. Na visão da professora de jornalismo Michelle Prazeres, da Faculdade Cásper Líbero e criadora do movimento “Desacelera SP”, as grandes empresas de tecnologia, como o Facebook (dono do WhatsApp) e o Google (do YouTube), se aproveitam dessa sensação “latente” de urgência na sociedade para implementar esses recursos, solucionando dores que partem dos usuários, soterrados de mensagens recebidas e conteúdos recomendados.

“Ao mesmo tempo, esses aceleradores são vistos como livre-arbítrio, mas as pessoas se entregam ao imperativo desta época, em que a velocidade é uma violência”, afirma Michelle, esclarecendo que o uso dessas ferramentas não pode ser criticado de forma unilateral porque pode trazer benefícios individuais, como em situações de emergência. “Mas, do ponto de vista coletivo, daqui a um tempo, isso terá reverberações no jeito que as pessoas conversam não só no âmbito da tecnologia, mas das relações humanas.”

Michelle levanta o ponto de que essas ferramentas podem “desumanizar” as relações. Um exemplo é uma conversa entre amigos, que, ao usar o áudio acelerado, alteram a entonação da voz e eliminam pausas dramáticas ou hesitações.

“Em uma obra artística como uma série de televisão, o artista pensou a duração daquilo sob determinado ritmo. E isso também faz parte da arte. Se você pega a temporalidade e acelera, você descaracteriza o produto e desumaniza”, explica.

Apesar desse cenário de urgência sentido pela sociedade, o professor Fábio Mariano Borges, da Escola superior de Propaganda e Marketing, acredita que essas ferramentas não vão tornar a experiência de filmes de longa duração ou grandes obras literárias: ” Hoje, ter síntese é o futuro, apesar de termos sido educados para sermos prolixos. Mas não dá para falar que o mundo vai abolir tudo o que for demorado. Vai haver espaço para aquilo que se justifica e que tem sua importância.”

PLATAFORMAS ACELERAM, MAS HÁ COMO IR MAIS DEVAGAR

Em tempos em que WhatsApp, Netflix, YouTube e Spotify deixam acelerar a velocidade de conteúdos, entender como se relacionar com essas ferramentas pode aliviar um pouco a sensação de “correria” no cotidiano digital – há caminhos para reduzir o excesso de informações recebidas diariamente.

Algumas dicas podem ser úteis para entender como dar um respiro na vida digital. O primeiro passo é simples: esses recursos de aceleração não são obrigatórios nas plataformas digitais e podem ser acionados somente a pedido do usuário. Ou seja, existe livre arbítrio.

Outro ponto é analisar a compreensão. Economizar tempo ouvindo um áudio em velocidade dobrada, mas perder metade do entendimento do conteúdo, pode indicar que a ferramenta não é a melhor para o momento. A dica é usá-la quando você estiver, de fato, com pressa.

“O problema é transformar o uso ocasional em hábito”, explica a psicóloga Andrea Jocca, pesquisadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Vale também entender como a ferramenta impacta a percepção do indivíduo na vida “offline”. “E problemático trazer esse comportamento para a vida ‘real’. Começar a achar as coisas e as pessoas mais lentas é um sinal que exige atenção”, completa a psicóloga.

Em seguida, especialistas recomendam um exercício de autoconhecimento para entender se você é um “escravo” ou não das tecnologias. Aqui, a pergunta deve sempre ser: você consegue dizer não a esses recursos? Consegue assistir a um vídeo em velocidade normal?

“A pessoa precisa perceber a própria relação com a tecnologia. Se essa situação de aceleração e de dependência está relacionada ao trabalho e o indivíduo consegue se distanciar, está tudo bem”, explica Michelle

Prazeres, professora de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero e criadora do movimento “Desacelera SP”. O problema é não conseguir criar barreiras em momentos de lazer e estar sempre “apressado”.

A solução para alguns é “ir devagar”, um dos mantras do chamado movimento Slow Web, que segue a máxima de que a internet precisa ser consumida aos poucos. Assim como outros estilos “slow” (na moda e na alimentação, por exemplo), a ideia é não sair vendo tudo o que buscas e redes sociais oferecem de informação.

Uma das dicas do Slow Web é experimentar passar um tempo sem ver notificações e sem checar redes sociais – apenas concentrado naquilo em que você está fazendo, como ver uma série de televisão. É claro, consumir vídeos e áudios acelerados não entram nesse manual.

Em resumo, a percepção depende de cada pessoa. “O que temos visto é que, como todo novo fenômeno, vamos ter várias visões. Vamos ter pessoas que vão achar um absurdo e outras que vão achar normal, como se fosse uma evolução do nosso comportamento digital”, conclui Andrea.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 08 DE SETEMBRO

PETISCOS DELICIOSOS, MAS PERIGOSOS

As palavras do maldizente são doces bocados que descem para o mais interior do ventre (Provérbios 18.8).

O ser humano tem uma atração quase irresistível por comentários maliciosos. Boas notícias não vendem jornais. Os noticiários que comentam algum escândalo ou trazem à tona notícias comprometedoras de alguma pessoa pública geram enorme interesse na população. Os mexericos parecem deliciosos ao nosso paladar. Como gostamos de saboreá-los! As palavras do caluniador são como petiscos deliciosos; descem até o íntimo do homem. Há pessoas que se regalam em ouvir notícias más acerca do seu próximo. Sentem imenso prazer em saber do fracasso dos outros. Olham a queda do próximo como uma espécie de compensação. Comparam-se com aqueles que tropeçam e sentem-se muito bem por não estarem na mesma situação de desgraça. Esses aperitivos podem ser doces ao paladar. Podem descer até o mais interior do ventre, mas não são nutritivos. Fazem muito mal à saúde física, mental e espiritual. Saborear a desgraça alheia é um estado de profunda degradação espiritual. É o degrau mais baixo do aviltamento humano. É sinal de decadência dos valores morais, atestado de insensatez e prova inegável de entorpecimento espiritual.

GESTÃO E CARREIRA

COMO O COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR FOI AFETADO PELA PANDEMIA?

A pandemia mudou efetivamente muitas dinâmicas em vários setores, mas a maneira como as pessoas se relacionam, com certeza, foi uma das mais afetadas

A forma de se adquirir produtos ou serviços foi repensada, e muitas empresas correram para acelerar o processo de transformação digital, não ficar para trás, e diminuir o impacto na sua renda.

Entretanto, não foram apenas as empresas que tiveram que se adaptar a essa nova realidade: o comportamento do consumi- dor também foi moldado por ela.

“As pessoas já haviam tido uma mudança de comportamento grande lá atrás, muita gente já tinha abandonado a telefonia e migrado para o chat como canal principal de comunicação.

Com o advento da pandemia, as pessoas se viram obrigadas a aderir ao isolamento social, por segurança, e isso mudou o modo como as pessoas se relacionam com outras pessoas e, consequentemente, a maneira como as pessoas compram”, explica Mauricio Trezub, CEO da OmniChat, startup líder no segmento de implantação de chat-commerce.

Uma pesquisa realizada pela Think With Google mostrou que 40% dos consumidores começaram a comprar mais em comércios locais desde o início do isolamento social. Outra pesquisa, do IBOPE, mostrou que 87,5% das empresas no Brasil aceleraram projetos de transformação digital, 92% estão reinventando seu modelo de negócio por conta da pandemia e que 56% dos entrevistados acreditam que a situação incentivou o uso da tecnologia no dia a dia.

“O desafio nesse momento foi entender que apesar do digital ter crescido e muito, o consumidor está buscando cada vez mais um atendimento personalizado e humano. Eu brinco que o WhatsApp é o sistema operacional do brasileiro, e quando uma pessoa entra em contato com a sua empresa usando um canal de mensagens, ela espera um tratamento diferenciado. Só no Brasil são 120 milhões de pessoas no WhatsApp, tornando o chat-commerce um serviço com muito potencial para ser explorado”, diz o CEO.

Atualmente, a sociedade tem uma aderência cada vez maior pelas compras online, isso foi moldado pela pandemia, que limitou as oportunidades de aquisição de muitos produtos considerados não essenciais. O faturamento do comércio online no Brasil teve um crescimento de 122% no acumulado do ano (janeiro a novembro de 2020), em relação ao mesmo período do ano de 2019. Neste caso, movimentou cerca de R$115,3 bilhões, segundo o indicador de e-commerce da empresa Neotrust e da Câmara Brasileira da Economia Digital.

Os dados não mentem, pelo menos é isso o que mostra uma pesquisa realizada pelo Facebook, que apontou que 70% das experiências de compras são afetadas pela forma como o consumidor sente que está sendo tratado, e que 68% dos clientes desistem de uma empresa por se sentirem negligenciados em um atendimento.

A jornada do consumidor virou digital, e as marcas precisam se atentar na criação de estratégias para esse novo modelo. “Um consumidor que vai atrás de uma empresa no WhatsApp não espera ter o mesmo atendimento de ir sozinho no e-commerce da marca. Quando você conecta essa pessoa com o vendedor da sua loja, ele espera que o atendimento seja o mais detalhado possível. É uma outra dinamicidade, um desafio mais complexo”, pensa Mauricio.

Para aquelas pessoas que já fizeram com- pras por chat e compararam com outros canais de e-commerce, existe um senti- mento de maior confiança com a marca, além de acharem o tempo de resposta mais rápido, atendimento melhor e respostas mais honestas, diz a pesquisa “Facebook Seasonal Holiday Study”.

“Neste momento, é cada vez mais nítido que as empresas que não se adaptarem às novas demandas por parte de seus consumidores ficarão para trás e terão dificuldade em trazer uma experiência de compra adequada a essa nova expectativa que foi criada pela pandemia”, finaliza Trezub.

FONTE E MAIS INFORMAÇÕES: https://www.omni.chat/.

EU ACHO …

A CLAREZA DO DISCURSO

Um elogio aos profissionais que traduzem as complexidades

Admiro as pessoas que, sendo mestres em seus ofícios, conseguem transmitir seus complexos conhecimentos a leigos. Não há nada de trivial na simplicidade. Ao contrário, deve dar um trabalho danado traduzir a essência de uma mensagem em linguagem amigável, sem abrir mão do conteúdo, nem resvalar na superficialidade que pouco acrescenta à compreensão do que está em jogo. Alguns médicos se encaixam nesse perfil. Certa vez, quando embarquei numa dieta pobre em carne vermelha, apresentei sinais de deficiência de ferro. O médico e amigo, o doutor João Toniolo, poderia ter se exibido com expressões tão científicas quanto obscuras. Em vez disso, fez uma comparação feliz. Os nutrientes do corpo humano, ele enumerou, estão como que dispostos em três lugares de uma mercearia: no balcão, na prateleira e no estoque. E concluiu: um produto desaparece primeiro do balcão para depois sumir da prateleira e, finalmente, do estoque. Gosto de pensar que o médico pensou a metáfora especialmente para mim, considerando minha memória afetiva com o varejo. De qualquer maneira, a verdade é que desde então pensei em como os nutrientes do meu corpo estariam espalhados no meu empório corporal.

Outro caso inesquecível envolveu um prosaico Bubbaloo, o colorido e inocente chiclete que tanto apela às crianças. Como o armazém, ele também serve como metáfora. Numa consulta por causa de uma queixa relacionada à minha coluna, o médico deixou de lado o palavreado técnico e resolveu simplificar a explicação. As articulações das vértebras da nossa coluna, ele disse, lembram aquela goma de mascar em formato de almofadinha com uni liquido dentro. Quando o chiclete racha, o recheio vaza –  e vêm daí o prazer fugaz da molecada e a preocupação do adulto com alguma dor nas costas. Desde esse dia foi impossível voltar a caminhar ou pegar peso sem pensar nos Bubbaloos.

A comunicação, como se sabe, não é aquilo que você fala ou escreve. É o que o outro entende. De que adianta a melhor explicação do mundo, se colocada em termos que vão deixar o interlocutor boiando? O jargão profissional serve, no mais das vezes, para valorizar quem dele lança mão tentando projetar a imagem de depositário de um conhecimento profundo e inacessível. Pois esse, arrisco afirmar, não é o profissional mais brilhante. O bom médico, o bom engenheiro, na minha percepção, é aquele que não tem medo de compartilhar seu saber, e o faz de maneira criativa.

Não é de hoje que se sabe da eficiência da mensagem indireta. Jesus Cristo, que transmitia ensinamentos por parábolas, usava o recurso com grande propriedade, tanto que até hoje elas ainda povoam o imaginário popular. Tive excelentes professores de humanidades, desde o Colégio Assunção. Mas confesso que, sem as imagens adequadas na época, não sabia para que serviam os conceitos de seno, cosseno e outros tantos. Mas as escolas mudaram. Conversando com minha neta Valentina, percebi sua admiração pelo estilo de alguns de seus professores, que ensinam traduzindo as matérias. Médicos, professores, líderes empresariais, qualquer um capaz de dominar essa arte sempre terá seu público na palma da mão.

*** LUCÌLIA DINIZ

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MULHERES RELATAM MUDANÇA NO CICLO PÓS-COVID

Alterações na menstruação são variadas, e a ciência ainda não oferece explicação; para especialistas, podem estar associadas a estresse emocional ou físico, causado por excesso de medicamentos e perda de peso

Nos grupos de Facebook em que se discutem os sintomas persistentes da Covid-19, frequentemente há mulheres relatando mudanças no ciclo menstrual. Os casos são dos mais variados: tem quem diga que está há meses sem menstruar; quem afirme que o fluxo está bem maior do que costumava ser; e até quem reclame sobre a duração do sangramento, variando entre períodos mais curtos e prolongados. Mas, afinal, o que se sabe sobre o impacto da pandemia na menstruação? Por enquanto, muito pouco, segundo Márcia Gaspar Nunes, ginecologista e perceptora da disciplina Ginecologia Endocrinológica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ela afirma que há apenas um estudo, e feito com um número pequeno de mulheres, em que se constatou não haver alteração hormonal. Mas a principal hipótese levantada por especialistas é que pode ter a ver com o estresse, diz Gaspar Nunes.

“Os casos mais leves podem estar associados a um estresse emocional. O medo de evoluir para um quadro mais grave, de ter uma sequela tardia, tudo isso causa um estresse que pode gerar mudanças nos neurotransmissores que ajudam a controlar a produção de hormônios”, explica a médica.

A psicóloga Marcelle Valva do Carmo Prota, de 35 anos, é exemplo disso. Ela contraiu a Covid-19 junto com a avó, de 86 anos, que precisou ser internada e não resistiu.

“Foi um nível de estresse muito alto, eu fiquei solada com ela no hospital por um mês. Foram três dias no Centro de Terapia Intensiva (CTI), depois ela foi para o quarto, chegou a apresentar melhora, mas acabou morrendo. E eu nesse tempo todo não tive o repouso necessário. Vivi um momento de muito estresse e além de tudo estava preocupada com o meu marido, que também se infectou”, conta a psicóloga.

Desde janeiro, quando recebeu o diagnóstico positivo, ela diz que seu ciclo tem sido irregular. Há mês em que dura dois dias. Outros, quatro.

“Um mês vem muito, no outro quase nada. Eu tinha um ciclo muito certo. Apesar de não tomar nenhum remédio, vinha na data certinha. Agora está totalmente desregulado”, diz Marcelle.

‘PODE SER TUDO’

Ginecologista, obstetra e vice-presidente do Hospital Albert Einstein, Eduardo Zlotnik explica que muitos fatores podem influenciar o ciclo menstrual:

“Há um número importante de mulheres se queixando de mudanças na menstruação após a Covid. Mas o que pode influenciar o ciclo? Tudo. Há um impacto se, por exemplo, você ia andando para o trabalho e agora fica parado no home office. Ou mesmo se a dieta mudou, e em casa você está comendo melhor, mas ingerindo mais gordura, que retém o hormônio feminino. Sem contar o estresse e a ansiedade. São fatores que, pequenos e somados, acabam mudando o ciclo. E tudo isso quem regula é a cabeça, e fica bem perto de onde temos os sentimentos”, afirma Zlotnik.

A professora Cristiana Moreira, de 48 anos, passou 57 dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Nesse meio­ tempo, a educadora pegou duas bactérias, precisou fazer hemodiálise e teve um pequeno Acidente Vascular Cerebral (AVC). Desde o dia 15 de maio, quando voltou para casa, ela não menstruou uma só vez.

“Foi um processo muito estressante e doloroso. Eram muitas medicações, tiravam sangue constantemente, tanto que meu braço ainda está roxo. Desde que voltei do hospital, não estou menstruando mais. Foi uma das sequelas que fiquei, além da tontura constante e a dificuldade de andar. Os exames de sangue indicaram anemia e baixo hormônio, mas a minha ginecologista decidiu não passar medicamentos. Por enquanto, vamos dar um tempo para o meu organismo  voltar ao normal”, conta Cristiana.

De acordo com Márcia Gaspar Nunes, casos graves como o de Cristiana, além do estresse emocional, também geram um estresse físico para o organismo.

“Muita dose de corticoide, perda de peso, tudo isso pode gerar um estresse físico muito grande e alterar o equilíbrio do eixo reprodutivo, responsável pela produção dos hormônios que atuam sobre os ovários”, explica a ginecologista.

SOLUÇÃO ESPONTÂNEA

Na maioria dos pacientes, as alterações no ciclo se resolvem de  forma espontânea, sem precisar de intervenção, diz Gaspar Nunes. Isso porque geralmente o estresse das pacientes – físico ou psicológico – se resolve com o tempo. As alterações podem se tornar um problema caso a situação se torne crônica.

A dona de casa Mirela Silva, de 42 anos, teve Covid-19 no começo de abril e até hoje também não menstruou. Os exames feitos recentemente mostram que não há alterações, mas ela conta que tem sido difícil passar pela situação:

“Já passei por alguns médicos e fui diagnosticada com ansiedade e síndrome do pânico. Minha menstruação não desceu ainda, já fiz exames e deu tudo normal. Ainda fico muito assustada, por isso fiquei ansiosa e estou me tratando”, relatou.

Gaspar Nunes afirma que é preciso ficar atenta a alguns sinais, como sangramento exagerado ou intervalos muito longos. Tudo isso, segundo ela, deve ser uma preocupação, e por isso é recomendado procurar um médico.

POESIA CANTADA

A CRUZ E A ESPADA

RENATO RUSSO

A CRUZ E A ESPADA

COMPOSIÇÃO: LUIZ SCHIAVON / PAULO RICARDO

Havia um tempo em que eu vivia
Um sentimento quase infantil
Havia o medo e a timidez
Todo um lado que você nunca viu

Agora eu vejo
Aquele beijo era mesmo o fim
Era o começo
E o meu desejo se perdeu de mim

E agora eu ando correndo tanto
Procurando aquele novo lugar
Aquela festa o que me resta
Encontrar alguém legal pra ficar

Agora eu vejo
Aquele beijo era mesmo o fim
Era o começo
E o meu desejo se perdeu de mim

E agora é tarde, acordo tarde
Do meu lado alguém que eu nem conhecia
Outra criança adulterada
Pelos anos que a pintura escondia

Agora eu vejo
Aquele beijo era o fim, era o fim
Era o começo
E o meu desejo se perdeu de mim

Agora eu vejo
Aquele beijo era o fim, o fim
Era o começo e o meu desejo se perdeu de mim

OUTROS OLHARES

DEZ MANDAMENTOS DO ATIVISMO ALIMENTAR

Mais do que bem-estar, dieta da vez mira ingredientes como preocupação social e ambiental

Para alguns, já não basta ser vegetariano ou flexitariano. A mudança de hábito alimentar é mais radical, uma dieta que vai além do bem-estar pessoal e inclui ingredientes como preocupação social e ambiental. Nessa sopa de letrinhas contemporânea, despontam movimentos que atendem  por nomes como Locavorismo e Climaterianismo que bebem na mesma fonte: redução de poluentes, trabalho justo e desperdício zero, entre outras bandeiras do ativismo alimentar.

Mestre em alimentação sustentável, Francine Xavier explica que ativismo neste campo é pensar o mundo a partir das escolhas que fazemos:

“Compro do pequeno produtor ou de uma grande indústria ? Se uma marca é poluente, por que não optar por outra? Se no meu estado encontro bons insumos, por que escolher os que vêm de longe? São práticas simples, que fazem a diferença.

Daniel Biron, do restaurante Teva, coloca algumas destas bandeiras em prática, como o uso de orgânicos de pequenos produtores locais.

“Ao abrir, não queríamos ser excessivamente militantes nas questões de orgânico, veganismo e sustentabilidade para não afugentar as pessoas. Mas nestes cinco anos percebemos uma mudança na mentalidade do público. E cada vez mais nos posicionamos nesse sentido”, conta.

A popularização de dietas com menos ou sem proteína animal, como o veganismo, faz parte desta tendência. A nutricionista Elaine Azevedo, do podcast “Panela de impressão” cunhou o termo “comedores políticos” para os adeptos dessas correntes.

Entre esses movimentos, estão o Climateriano, que propõe diminuir o consumo de carnes por questões ambientais, para evitar a emissão de gases e dar preferências a alimentos sazonais, que demandam menos recursos para serem produzidos. Tem pontos em comum com o Locavorismo (de locavore, local) -, que prega o consumo de  insumos produzidos por perto  -,  o Sustentarianismo – que defende, entre diversas práticas, o consumo dos alimentos da estação, a diminuição do uso de plásticos e o desperdício de alimentos – e o Reducitarianismo, que busca o bem-estar reduzindo a ingestão de carne. Todas práticas sem contra indicações.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 07 DE SETEMBRO

LÍNGUA INSENSATA, COVA PROFUNDA

A boca do insensato é a sua própria destruição, e os seus lábios, um laço para a sua alma (Provérbios 18.7).

Uma pessoa sem juízo acaba se tornando vítima de suas próprias palavras. A língua do tolo é uma armadilha para seus próprios pés. Ele acaba caindo na cova profunda que cavou com a sua língua. A conversa do tolo é a sua desgraça, e seus lábios são um laço mortal para a sua alma. Quando um tolo fala, ele causa sua própria ruína, pois termina na armadilha das suas palavras. Foi isso o que aconteceu com Eva no jardim do Éden. Ela entrou num diálogo perigoso com a serpente. Torceu a palavra de Deus, diminuindo suas promessas e aumentando seu rigor. Sua insensatez abriu uma larga avenida para Satanás prosseguir em seu intento de levá-la à transgressão. Eva caiu na armadilha. Comeu do fruto proibido e ainda o deu a seu marido. Ambos perderam a inocência. Perderam a comunhão com Deus. Perderam a paz. Experimentaram vergonha e dor. Toda a raça humana foi atingida por essa queda. Aquilo que parecia tão inofensivo tornou-se o maior problema da raça humana. Eva tropeçou nas suas palavras e arruinou a si mesma e às gerações pósteras.

GESTÃO E CARREIRA

NEGOCIAÇÃO VERBAL

A comunicação é a base de qualquer gestão. Não existe uma instituição sem que antes se estabeleça um acordo para uma ação comum, após uma negociação, pelo menos entre duas pessoas

A negociação é uma peça-chave para qualquer estrutura organizacional. Sem uma estratégia de negociação, o processo comunicacional entrará em colapso em algum momento, trazendo danos gerais à instituição. Existem algumas formas já definidas de negociação, segundo a definição de Matus (1994):

COOPERATIVA: baseada em interesses distintos e objetivos comuns, dando lugar a um jogo de soma positiva quando as partes entram em acordo.

CONFLITIVA: baseada em interesses opostos, dando lugar a um jogo de soma zero no qual alguém ganha quando o outro perde. Isso ocorre porque as partes não querem abrir mãos de nenhum item de seus interesses.

MISTA: baseada em interesses opostos combinados com motivações distintas, dando lugar a uma negociação mista. Esse é o jogo do ganha-ganha: todos saem com seus interesses (ou parte deles) resolvidos.

John Nash, matemático norte-americano falecido em maio deste ano, ganhou o Nobel de Economia em 1994 com a sua Teoria dos Jogos, que trata exatamente das possibilidades existentes em um ambiente de negociações. Largamente utilizada em várias áreas, essa teoria demonstra as principais estratégias usadas por lados opostos de uma negociação.

Uma dica valiosa é sempre colocar o problema antes da solução; é um bom método para atrair a atenção desde que sempre se possuam opções para finalizar o problema. De forma alguma é bem-vindo um interlocutor que sempre traz à tona problemas sem solução. Quem atua dessa forma passa a ser considerado um problema também e poucos vão querer participar de uma negociação com ele.

Ocorre que um dos mais graves problemas que podem surgir durante uma negociação é quando uma das partes não abre mão de sua posição. Sobre isso, os autores Fisher e Ertel (1997) demonstram que existe uma diferença entre posições e interesses. Quando só existe uma maneira de satisfazer uma das partes, isso é uma posição: Mas, quando existem várias maneiras de satisfazer uma exigência, trata-se de um interesse. Procurar levar sempre interesses ao plano da negociação é uma boa estratégia para se criar possibilidades de resolução.

Com o processo da negociação iniciado é importante esquecer as situações ruins que ocorreram no passado e focar apenas no futuro, que será gerado graças ao entendimento mútuo. Trazer os fracassos ao momento presente pode alterar a percepção emocional das partes e gerar frustações mesmo quando diante de excelentes soluções atuais.

Manter sempre a mente aberta para as várias possibilidades que podem surgir durante o diálogo é uma regra de ouro. Isso só é possível de fato se existir uma escuta ativa e uma comunicação clarificada. Não ter vergonha de pedir mais explicações sobre o posicionamento do outro, para diminuir os ruídos existentes no curso da ação, é garantia de entendimento pleno.

No momento em que uma contenda se inicia é necessário manter uma observação contínua para avaliar se as partes estão caminhando para um acordo que possa beneficiar a instituição ou as instituições envolvidas. O gestor deve encarar esse processo como um item da engrenagem de funcionamento e não como um problema recorrente. Sempre teremos negociações e as técnicas são úteis para diminuir os riscos de falha.

Jamais um interlocutor deve focar a dificuldade na pessoa que negocia uma solução. Na verdade, um bom negociador procura ser amável com a pessoa e rigoroso com o problema. O efeito dessa atitude cria uma dissonância cognitiva que, como fenômeno psicológico, deve criar um campo emocional mais adequado à resolução.

A empatia também é parte do ferramental de uma negociação em curso. A capacidade de se colocar no lugar do outro e, de forma estratégica, usar desse instrumento para dissociar o outro negociador. Provocar no outro um pensamento deslocado de sua própria pessoa: “O que você acredita que fulano faria se estivesse em sua posição agora? Como ele veria esse problema?”. Isso oferta a possibilidade de a pessoa tirar um pouco o peso do próprio ego e abrir novas possibilidades.

O silêncio, após uma pergunta bem elaborada, pode trazer uma reflexão do outro.

Tendo em vista que todas as opções podem ser válidas no final, o bom negociador não deve atacar a alternativa de resolução apontada pelo outro. Afinal, ela pode ser a única possível para atender a posição colocada pelo outro. Quando a sobrevivência da instituição é colocada em questão, medidas extremas podem ser praticadas mesmo que não sejam excelentes opções.

Não existe solução inalcançável. Sempre teremos possibilidades, mesmo que tenhamos de abrir mão de parte de nossos interesses. Quando criança, diante da desavença de dois irmãos que disputavam um pedaço de bolo, a sábia mãe disse: “Façam assim: um corta e o outro escolhe o pedaço que quiser!”.

JOÃO OLIVEIRA – é psicólogo, mestre em Cognição e Linguagem, pós-graduado em Hipnose Clinica Hospitalar e Organizacional, em Psicologia Humanista Existencial e em Cultura, Comunicação e Linguagem. Diretor de Cursos do ISEC – Instituto de Psicologia Ser e Crescer. Autor dos livros Jogos para Gestão de Pessoas: a Maratona para o Desenvolvimento Organizacional. Saiba Quem Está à sua Frente: Análise Comportamental pelas Expressões Faciais e Comportamentais e Ativando o Cérebro para Provas e Concursos (todos pela Editora Wak).

EU ACHO …

ESTAMOS NOS TEMPOS DO IMPERADOR

Romantização da escravidão por novelas não aconteceria em um país sério

Há duas semanas, ao escrever sobre a brilhante série The Underground Railroad; disse que fui vê-la com um pouco de receio, pois como uma mulher negra brasileira, cresci vendo novelas de época que romantizam a escravidão, glorificam imigrantes europeus e expõem uma imagem depreciativa da comunidade negra.

Historicamente, movimentos negros denunciaram a tradição de canais de televisão de criar imaginários negativos de pessoas negras em novelas. Em 1999, par exempla, Sueli Carneiro escreveu sobre a novela “Terra Nostra: orgulho da época para a comunidade de imigrantes italianos, mas que reservava as mais depreciativas narrativas à população escravizada. Antes, durante e depois seguiram-se novelas atrás de novelas escritas, dirigidas e protagonizadas por pessoas brancas. No enredo,louros a personagens colonizadores, enquanto ao personagem negro e negra cabiam o “sim, senhor” ou o tronco. Quantas magníficas atrizes negras tiveram para si papeis de ridículas oportunidades…

Novelas têm um grande impacto na construção de ideários na população e de reforço de estereótipos. Com o fortalecimento da agenda da população negra, o descompasso da narrativa supremacista produziu algumas coisas interessantes. Em algum lugar da grade, na TV ou digital, em algum dia qualquer, podemos nos orgulhar de termos algo positivo sobre nós. De resto, é a programação hegemônica de sempre. Atualmente, está em curso mais uma novela dessa natureza. Do ponto de vista profissional, são produções que cumprem um papel de empregar pessoas brancas, da autoria a produção, passando pelos atores e atrizes protagonistas, direção etc. Há personagens negros, mas não são protagonistas. São pessoas brancas que detém o poder econômico no país, e enquanto grupo, adoram mecanismos para manter a concentração de renda.

Já em uma perspectiva narrativa, há o reforço da romantização da escravidão no país. Desta vez, o capítulo de glorificar dom Pedro 2. As seis da tarde, todo residente no Brasil e assinantes do canal no exterior podem ter acesso a uma peculiar versão da história brasileira, aquela que só se viu na TV. Várias cenas são curiosas, porém uma chamou a atenção. Há o inédito amor entre uma mulher bronca e um escravizado malê fugido da Bahia. O amor é repleto de insinuações de poder da mulher e de libertação do povo negro. Andando de mãos dadas, eles veem obstáculos para concretizar o amor por terceiros que não aceitam a união. Mas nada disso os abala, enquanto trocam juras de amor.

Em uma cena peculiar, Pilar, branca, está sentada em um banco de mãos dadas com Jorge, o personagem negro. Ele estava irritado, pois ela não havia sido aceita na Pequena África, local de refúgio para negros libertos e que tinha grande respeito de Pedro 2.  Irritado pela recusa, Jorge desabafa: “Só porque você é branca não pode morar na Pequena África? Como que queremos ter os mesmos direitos se fazemos com os brancos as mesmas coisas que eles fazem com a gente?

Seria mais uma cena de romantização da escravidão e de racismo reverso dramatizada para milhões de pessoas na história da maior emissora do país, não fosse a consciência, perspicácia e coragem do pesquisador e diretor de marketing do canal negro Trace Brasil, Ad Junior, que em suas redes denunciou o ocorrido: “São cenas como essa que viram verdades para pessoas desinformadas sobre o período da escravidão”.

Coube a Ad puxar para a realidade, pena que para sua conta no Instagram e não diante dos milhões de telespectadores atingidos pela narrativa: “Pessoas negras nem eram consideradas seres humanos e nem poderiam de fato segregar pessoas. Sem poder. Os brancos poderiam morar até lá no centro da Pequena África se quisessem. Eles são e eram donos de tudo”.

“Pessoas negras viviam em regime de exceção. Um homem preto sentado num banco de uma praça com uma mulher branca seria um E.T. que está visitando a sua namorada em Marte. Primeiro porque pessoas negras não podiam “vadiar”, ou seja, andar sem destino e sentar no banco da praça!’

Nos comentários, a autora fez o mea-culpa afirmando que a cena havia sido escrita no ‘longínquo” 2018 e somente depois passou a contar com a consultoria do fantástico Nei Lopes.

Sabemos que se esse país fosse sério, novelas que romanceiam a colonização nem poderiam ser feitas. E, quando feitas, no caso de um desserviço dessa natureza, seriam devidos capítulos de reparação e indenização à coletividade. Em casos reincidentes, a série seria interrompida, seus responsáveis afastados e de fato haveria preocupação em contratar profissionais negros. Mas, repito, isso se fosse em um país sério…

*** DJAMILA RIBEIRO – Mestre em filosofia política pela Unifesp e coordenadora da coleção de livros “Feminismos Plurais”

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

COMBATE À HIPERTENSÃO EM HOMENS FALHA NO PAÍS

Prevalência do problema vascular entre mulheres brasileiras caiu na última década, ao mesmo tempo em que subiu na população masculina, revela levantamento global encomendado pela Organização Mundial da Saúde

Nos últimos dez anos, o combate à hipertensão obteve números de sucesso no Brasil. O país conseguiu reduzir razoavelmente a prevalência desse problema na década passada, após vê-lo se agravando nas duas anteriores. Essa melhora, porém, foi praticamente toda puxada pela saúde das mulheres. Entre os homens, a presença desse problema continuou entre as mesmas taxas.

No ranking de incidência do problema entre as mulheres para a população entre 30 e79 anos, o  Brasil desceu da posição 19 para 52, depois de ter uma redução pequena de 45% para 42%. Entre os homens, o número subiu de 47% a 48% (o Brasil desce da posição 27 para 24 no ranking, apenas porque outros países tiveram pioras mais acentuadas.

Esse foi o cenário delineado para um novo estudo do Imperial College, de Londres, que, a pedido da OMS (Organização Mundial da Saúde) fez um novo mapeamento global da hipertensão, um dos principais fatores de risco para infartos e AVCs. A entidade publicou uma nova série de diretrizes para monitoramento e tratamento do problema, junto do mapeamento global do problema.

O cenário mundial é preocupante porque o problema se agrava muito em países da África Subsaariana e da região do Pacífico. E, apesar de avanços expressivos terem sido registrados em países de renda alta e média, o aumento da população global elevou muito o número absoluto de hipertensos no mundo. Hoje há 1,28 bilhão de pessoas hipertensas no mundo, das quais 700 milhões não estão sendo tratadas.

“Quase meio século depois de termos começado a tratar a hipertensão, que é fácil de diagnosticar e tratada com baixo custo, é um fracasso de saúde pública ver tantas pessoas com alta pressão no  mundo ainda sem o tratamento necessário”, afirmou o sanitarista Majid Ezzati, professor do Imperial College e coordenador da pesquisa.

DESEQUILÍBRIO

Em muitos países existe um desequilíbrio entre a prevalência do problema entre os gêneros, com os homens em geral mais afetados que as mulheres. Não há muitos casos como o Brasil, porém, em que um dos gêneros obteve melhoras e outro não.

Segundo especialistas brasileiros da área, o Brasil e outros países da América Latina têm um traço cultural que atrapalha o monitoramento e o tratamento.

“O homem brasileiro não tem o costume de monitorar a saúde e só procura atendimento quando tem sintomas, mas, como a hipertensão é essencialmente uma doença não sintomática, o homem só busca apoio quando o problema já avançou muito”, diz o médico Luíz Bortolotto, do Incor (Instituto do Coração), presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão. “A mulher cria um hábito, porque vai ao ginecologista a partir do momento que começa a menstruar, e esse monitoramento contribui para uma identificação mais precoce.”

Segundo Roberto Dischinger Miranda diretor para a área na Sociedade Brasileira de Cardiologia, o diagnóstico tardio faz com que o Brasil desperdice a sua capacidade de combater o problema, porque o SUS está bem equipado para oferecer o tratamento, e os medicamentos são acessíveis.

“O combate à hipertensão também é por medidas não farmacológicas que incluem controle do sal na alimentação, controle do peso, estilo de vida ativo, moderação no consumo de álcool e evitar o cigarro”, afirma. “A mudança de hábitos é uma barreira forte, e no homem é uma barreira um pouco maior.”

POESIA CANTADA

QUANDO O AMOR ACONTECE

LEILA PINHEIRO

QUANDO O AMOR ACONTECE

COMPOSIÇÃO: ABEL SILVA / JOÃO BOSCO

Coração sem perdão, diga fale por mim
Quem roubou toda a minha alegria
O amor me pegou, me pegou pra valer
Aí que a dor do querer, muda o tempo e a maré
Vendaval sobre o mar azul
Tantas vezes chorei, quase desesperei
E jurei nunca mais seus carinhos
Ninguém tira do amor, ninguém tira, pois é
Nem doutor nem pajé, o que queima e seduz, enlouquece
O veneno da mulher
O amor quando acontece a gente esquece logo que sofreu
um dia, ilusão
O meu coração marcado tinha um nome tatuado que ainda
doía, pulsava só na solidão
O amor quando acontece a gente esquece logo que sofreu
um dia, esquece sim
Quem mandou chegar tão perto se era certo um outro
engano, coração cigano
Agora eu choro assim
O amor quando acontece a gente esquece logo que sofreu
um dia, esquece sim
Quem mandou chegar tão perto se era certo um outro
engano coração cigano
Agora eu choro assim

OUTROS OLHARES

COLESTEROL AUMENTA O RISCO DE ALZHEIMER, COMPROVA PESQUISA

Acúmulo anormal de proteínas está ligado ao desenvolvimento da doença

Um estudo científico comprovou a correlação entre o colesterol e a produção de uma das proteínas associadas ao Alzheimer, a beta-amiloide. A pesquisa ajuda a esclarecer como a doença – que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), acomete cerca de  35,6 milhões de pessoas no mundo, sendo mais de 1 milhão no Brasil – está diretamente ligada ao acúmulo anormal dessas proteínas, que atuam como receptoras de sinais químicos no cérebro.

A conexão foi comprovada através da observação de uma outra proteína, a apolipoproteína E (apoE), que atua diretamente no transporte do colesterol para os neurônios, facilitando a produção da proteína na membrana externa dessas células. O bloqueio do fluxo de colesterol seria capaz de impedir esse contato, evitando efetivamente a produção dessas substâncias.

Segundo o estudo, a beta-amiloide pode se aglomerar formando grandes emaranhados de “placas” nas membranas celulares dos neurônios, o que atrapalha na transmissão dos sinais nervosos e pode desencadear a perda de memória, uma das principais características da doença. Essa ligação já havia sido detectada em estudos anteriores, mas não comprovada, devido às limitações tecnológicas.

Conduzida por pesquisadores da Scripps Research, na Flórida, EUA, a pesquisa só se tornou possível por utilizar técnicas de microscopia muito avançadas, com alta resolução de imagens, para poder enxergar as células cerebrais de camundongos e como elas atuavam na produção da beta-amiloide.

“Mostramos que o colesterol age essencialmente como um sinal nos neurônios, o que determina quanto da beta-amiloide é produzido. Portanto, não deveria ser surpreendente que a apoE, que carrega o colesterol para os neurônios, também influencie no risco de Alzheimer”, afirma o coautor do estudo e professor associado do Departamento de Medicina Molecular da Scripps Research, Scott Hansen.

Com a comprovação do papel do colesterol na produção da beta-amiloide, o estudo sugere que seja possível, a partir de agora, explorar o potencial de prevenção da progressão da doença. No entanto, o trabalho esclarece que, em níveis adequados, o colesterol é necessário ao cérebro – e ao organismo, como um todo – para diversos outros processos, que incluem a manutenção do estado de alerta e cognição.

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa, isto é, com perda progressiva dos neurônios, e cujos sintomas principais são a perda de memória e a confusão mental. Outros desdobramentos desse processo costumam preceder o esquecimento, como mudanças súbitas de humor, apatia, desinteresse, ansiedade, dificuldade de compreensão, fala e escrita. Com progressão lenta, a incidência da doença é maior entre os mais idosos, mas pode se desenvolver precocemente em casos mais raros.

Cerca de 70% dos casos de demência são causados pelo Alzheimer, segundo a OMS. No Brasil, estima-se que a proporção de pessoas com a doença possa quadruplicar em 30 anos, segundo pesquisas recentes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Universidade de Queensland, na Austrália.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 06 DE SETEMBRO

LÍNGUA DESCONTROLADA, AÇOITES NA CERTA

Os lábios do insensato entram na contenda, e por açoites brada a sua boca (Provérbios 18.6).

Um indivíduo que não tem domínio sobre sua língua também não tem controle sobre suas atitudes. Quem não domina a língua não domina o corpo. O insensato vive entrando em confusão e criando contendas. Onde chega, promove intriga. É causador de verdadeiras guerras dentro do lar, no trabalho e até na igreja. Quando o tolo abre a boca, fere não apenas quem está à sua volta, mas também atrai confusão para si mesmo. Quando o insensato abre a boca para brigar com alguém, o que está pedindo é uma surra. As palavras do tolo são como açoites que afligem seus lombos. Uma pessoa descontrolada emocionalmente, que fala sem refletir, agride as pessoas, quebra relacionamentos e promove inimizades. Uma língua sem freios atrai castigo. Uma pessoa desbocada é um barril de pólvora: provoca explosões e destruição à sua volta. A Bíblia fala sobre Doegue, o fofoqueiro. Por ter a língua solta, esse homem induziu o rei Saul a cometer uma chacina na cidade de Nobe. Inocentes foram mortos, famílias foram trucidadas, e um banho de sangue foi derramado por causa do veneno destilado pela boca desse insensato. Mas Doegue não saiu ileso dessa deplorável história. O rei Saul o forçou a matar os próprios homens que ele acusou. Doegue foi chicoteado por sua própria língua, pois além de fofoqueiro tornou-se também assassino.

GESTÃO E CARREIRA

BICHO TAMBÉM CONSOME

Mais presentes nos lares, ‘pets’ elevam gastos das famílias e estimulam negócios

Cães, gatos e outros tipos de animais de estimação cada vez mais presentes nos lares dos brasileiros, introduzindo novos itens de consumo nos orçamentos que vão muito além de ração. Muitas famílias que passam mais tempo em casa desde o ano passado por causa da pandemia agregaram novos bichinhos de estimação no último ano, o que ajudou a aquecer um mercado bilionário em plena crise. O potencial de crescimento ainda é grande, e isso atrai agora investimentos de grandes companhias.

Metade dos domicílios brasileiros tem ao menos um pet. São cerca de 150 milhões de animais -0,7 para cada brasileiro – no país, que estimulam negócios formais e informais das grandes redes de varejo aos pequenos pet shops, passando pelos veterinários e passeadores. E, agora, pesos pesados da indústria investem no setor no Brasil, citando a BRF e a Nestlé.

A universitária Luiza Carretero, de 24 anos, resolveu adotar, em janeiro, a gata Lila para fazer companhia a ela e a Bento, cachorro shitzu que a família já tinha. Ela mora com a mãe, na Zona Norte de São Paulo, mas, com aulas e trabalho remotos desde o início da pandemia, passou a ficar sozinha em casa durante o dia. O cão e a gata se estranharam um pouco no começo, mas já acertaram os ponteiros e a dona 1não perde uma oportunidade de recompensá-los pela cumplicidade diária.

“Achei que seria o melhor momento para adotar”, conta Luiza, que viu seus gastos aumentarem com duas bocas para alimentar (são ao menos RS300 por mês de ração), embora não saiba precisar quanto, já que acaba comprando brinquedos e acessórios por impulso ao passar pela pet shop.

“Lila ama a ração úmida, mas dou de vez em quando, pois a seca é bem mais em conta. Só que toda vez que saio de casa acabo comprando alguma coisa para eles. Gosto de mimá-los.

RELAÇÃO ESTIMULA COMPRAS

Luíza é a típica consumidora na mira das empresas que investem no mercado pet: quanto mais tempo as pessoas dedicam aos seus bichinhos, mais estão propensas a gastar com eles. Em 2020, o segmento – que inclui alimentação, higiene, serviços e produtos veterinários e toda a sorte de acessórios – cresceu 15,5%.

Neste ano, segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), deve desacelerar para 13,8%, movimentando RS 46,5 bilhões, mas ainda com taxa de expansão de dois dígitos.

A pandemia funcionou mesmo como um gatilho para muitas famílias que estavam indecisas sobre ter um animal de estimação. É o que mostra a pesquisa Radar Pet 2021, realizada pela Comissão de Animais de Companhia (Comac) do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal (Sindan). Do total de entrevistados em todo o país, 30% dos que tinham pet agregaram um novo membro à família durante a fase de isolamento social. Para 23% foi o primeiro bichinho de estimação da vida.

Com mais entidades e até pet shops promovendo a adoção de filhotes ou animais adultos abandonados ficou ainda mais tentador. Os cães ainda são maioria nos lares, mas a preferência pelos felinos aumentou em 2020, observa Leonardo Brandão, coordenador da Comac:

“O interessante é que a maioria foi adoção, e de gatos. Historicamente, a compra de cachorros é sempre maior. Entre os felinos, 84% foram adotados e, entre os cães, 54% são frutos de adoção. Isso confirma uma tendência de que os gatos futuramente serão os pets predominantes no Brasil”,  diz Brandão, destacando que a maior parte dos que adotaram na pandemia são pessoas que moram sozinhas.

A adoção incentiva as pessoas a levar para casa cães mestiços, os chamados vira-latas, abandonados, em vez de comprar cães de raça, mas há quem ainda faça questão de pedigre”.

No comércio autorizado, os mais populares, segundo a Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), são as espécies spitz alemão (conhecido como lulu ou anão da pomerânia) e buldogue francês, entre outros. Já entre os gatos, os queridinhos são os persas, incluindo o colorpoint e o himalaio.

Para Eduardo Yamashita, diretor de Operações da consultoria especializada em consumo Gouvêa Ecosystem, os números refletem uma mudança no comportamento das famílias, que ganhou força na pandemia, cujo potencial de consumo ainda não foi totalmente explorado:

“Com o número de filhos por família caindo nos últimos anos, assim como a renda familiar, e a quantidade cada vez maior de domicílios com uma pessoa só ou com idosos, é natural que os lares tenham mais bichos de estimação e busquem opções de serviços e produtos para eles. Quanto mais próximo o dono é do pet, mais ele gasta.

Ainda que já responda por 70% do mercado pet, a indústria de ração é onde está o maior potencial. Menos de 50% dos bichos de estimação no Brasil consomem esse tipo de alimento industrializado, mas os fabricantes notam maior interesse e disposição dos donos para gastar em alimentos mais saudáveis. Por isso, a indústria de ração tem atraído investimentos altos de gigantes como Nestlé, BRF e Mars.

Carlos Martella, diretor de marketing da marca de rações Royal Canin, conta que, nos últimos três anos, o rótulo da Mars investiu R$5 milhões no desenvolvimento de produtos com viés veterinário. Há alimentos hipoalérgicos e com a adição de elementos que ajudam a diminuir a geração de bolas de pelo, por exemplo. Segundo ele, a procura por esse tipo de ração cresceu muito desde o ano passado:

“Muitas pessoas que não tinham pet compraram ou adotaram um, o que fez aumentar a quantidade de animais em casa. Mas outro fenômeno que vemos é que os tutores que já tinham um passaram a investir em melhores produtos ao passar mais tempo com eles em casa.

VIA PARA IMPORTAÇÃO

Além do mercado interno crescendo, grandes companhias também apostam no setor, de olho nas vantagens relativas do país para exportar, como o acesso às principais matérias-primas agrícolas para a fabricação de rações, como carnes, trigo e milho. A alta recente das commodities levou a reajustes dos produtos finais, mas o consumo segue em alta.

“Ainda assim, o pet food (alimentação) tem um aumento previsto de 7,5% na produção em 2021, chegando a 3.41 milhões de toneladas. O segmento de per care (produtos de higiene) deve crescer em torno de 10% e o pet vet (atendimento veterinário), 12%”, diz José Edson Galvão de França, o presidente-executivo da Abinpet.

O aposentado Jorge Bezerra dos Santos adotou uma cachorrinha já adulta, a Yanka, durante a pandemia, para trazer um pouco mais de vida à casa onde mora com a mulher, Regina da Costa, na Zona Sul de São Paulo. Como estão a maior parte do tempo em casa, brincar com Yanka é uma diversão. Além dos gastos com ração e veterinário, Santos compra brinquedos para animar a interação com ela.

“Eu e minha mulher nos aposentamos em dezembro de 2019 e tínhamos projetado viagens, mas aí veio a pandemia. Ficamos muito reclusos, começamos a sentir falta de algo. Yanka é muito brincalhona, ocupa o tempo”, diz o aposentado.

POPULAÇÃO CRESCENTE

Pesquisa estima que o número de animais domésticos no país aumentou em 2020

INVESTIMENTOS VÃO DE RAÇÃO E XAMPU A PLANO VETERINÁRIO

O aumento do consumo de produtos e serviços para ‘pets’ estimula a expansão da indústria, dos serviços e do varejo

Com a alta no consumo de produtos para o bem-estar de animais de estimação, grandes empresas investem alto em diferentes segmentos, das rações aos cosméticos e medicamentos veterinários, passando por brinquedos e roupinhas. Só a indústria ligada ao tema deve crescer 17.8% este ano, segundo a Abinpet, mas também estão em expansão redes de pet shops, e serviços como os planos veterinários.

A Purina, da Nestlé, anunciou uma nova fábrica de rações em Santa Catarina, cujo investimento será de R$1 bilhão na primeira fase e mais RS 1 bilhão nas duas seguintes. Investiu RS 600 milhões na expansão da fábrica de Ribeirão Preto (SP) nos últimos três anos, incluindo uma nova linha de rações úmidas, fonte de proteínas para os pets.

“A população de cães e gatos de raças pequenas cresce e aumenta a tendência de alimentos premium e úmidos. No Brasil, só 40% da necessidade calórica deles é fornecida por alimentos industrializados”, diz o CEO da Nestlé Purina no Brasil, MarceI de Barros. A gigante brasileira de alimentos BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão comprou em junho duas empresas voltadas para comida especial e úmida de bichos. Uma delas é a gaúcha Hercosul, cuja marca Biofresh, de rações mais saudáveis, tem forte atuação no Sul e no exterior. A outra é a Mogiana, de São Paulo, com operação mais relevante no Sudeste.

BISCOITO DE HAMBÚRGUER

Se os negócios forem aprovados pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a BRF será um dos maiores produtores, com aproximadamente 10% desse mercado Estima o vice-presidente de Novos Negócios da companhia. Marcel Sacro.

A rede de lanchonetes Burger King também resolveu agradar pets e seus donos. Lançou em julho uma edição limitada de um biscoito para cães com sabor de carne grelhada.

“A resiliência do segmento e o crescimento, mesmo com as crises, contribui para que investidores se sintam seguros”, avalia Eduardo Yamashita, diretor de Operações da consultoria Gouvêa Ecosystem.

A Unilever lançou em 2020 sua primeira linha de cosméticos para cães e gatos, a Cafuné. Há, por exemplo, xampu e condicionador fabricados a partir de extratos naturais com direito a opções de diferentes fragrâncias. A marca de brinquedos Fisher-Price também acaba de estrear no mundo pet com uma linha de higiene em parceria com a Neutrocare.

No varejo pet, ainda muito pulverizado, os investimentos buscam a criação de “ecossistemas'” em lojas com produtos e serviços. A rede Petz, que se capitalizou ao lançar ações na Bolsa em 2020, tem hoje 145 lojas, e planeja abrir mais 30 até dezembro. A partir de 2022 o plano é inaugurar 30 qualidades a cada ano e alcançar todos os estados até 2026.

Na semana passada, a Pet Center, um dos braços do grupo, fechou acordo para a compra da plataforma de e-commerce Zoe.Org, espécie de grife do mundo animal, com peças e acessórios para pet.

“A estratégia é ampliar o “ecossistema”. Pode ser por aquisição, parceria, não faz diferença. A expansão é a partir da necessidade do cliente, como o day care ou hotel, por exemplo. Estamos nos preparando para oferecer estes serviços”, explica Sergio Zimerman, presidente da Petz.

Segundo Nelo Marracini, presidente-executivo do Instituto Pet Brasil (IPB), o plano da Petz segue um modelo de negócios já comum na Europa e nos EUA, onde grandes redes compram marcas menores e exclusivas. A Petland, de franquias, também busca frentes complementares. No mês passado, a rede de clínicas veterinárias do grupo, a Dra. Mei, comprou 50% da startup Vetsign, uma plataforma de conteúdo educacional sobre saúde dos pets. O objetivo é vender cursos digitais e fortalecer o e-commerce. Com 306 lojas no país, pretende alcançar 2,5 mil em todo o país até 2027.

BICHO COMO DENPENDENTE

Já a Petlove firmou, em abril, um acordo com a Health for Pet, da Porto Seguro, para oferecer planos a partir de R$99, que dão a cães e gatos acesso a serviços ambulatoriais, vacinas e outros serviços. Um plano veterinário pode fazer diferença numa emergência. já que as clínicas estão cada vez mais sofisticadas e caras.

A Insurtech (startup do setor de seguros) Ciclic passou a aceitar animais de estimação como dependentes de seus serviços de saúde para humanos. Cobre consulta veterinárias presenciais, orientação por telefone, assistência funeral, além de outras conveniências, como indicação de hotel, transporte emergencial e entrega de ração. A cada quatro planos vendidos, um tem pet como dependente. O Itaú criou adicional semelhante ao seu seguro de acidentes pessoais para clientes Personalité.

“Conversando com clientes, percebi que eles consideram o pet membro da família. Se a pessoa pode adicionar um filho ou um marido ele também ter um pet no plano”, diz o presidente da Ciclic, Raphael Swierczynski.

PENSE BEM ANTES DE AGREGAR UM ‘PET’ À FAMÍLIA

COMPRAR OU ADOTAR?

Segundo o Ibama, não há regra nacional sobre a comercialização de animais domésticos, que é regulada por estados e prefeituras. A maior parte dos cães, particularmente os de pequeno porte, é vendida. No entanto, ONGs vêm tentando aumentar a adoção de pets abandonados.

LONGO COMPROMISSO

A veterinária Kellen Oliveira observa que o maior interesse por pets vem acompanhado do aumento de animais abandonados, principalmente fêmeas grávidas. Ao se apaixonar por uma linda gata persa, pense bem se tem condições de manter os cuidados do bichinho até o fim da vida dele.

EU ACHO …

E SE EU MORRER?

Tal como na psicanálise, na antropologia social ou cultural seus aprendizes são forçados a provar o seu próprio remédio (ou veneno). Em ambas as disciplinas, o aprendizado implica um ambíguo e arriscado trabalho que consiste no fato de o aprendiz viver com o investigado com o intuito de compreendê-lo: de sentir e pensar como ele.

No caso da psicanálise, ocorre a submissão a uma prototípica análise didática na qual o futuro médico torna-se paciente; ou melhor, aceita-se como um doente, pois descobre e aprende que a doença (essa diferenciação extremada) ensina. Já nas antropologias, o observador é obrigado a sair do seu costumeiro e “civilizado” gabinete e sala de aula para morar com os selvagens – com os “índios”-, como se diz no Brasil.

O futuro psicanalista (cuja imago é aquela impactante fotografaria de Freud feita por Max Halberstad) vira um decifrador de compulsões e manias; o aprendiz de antropólogo experimenta línguas e costumes exóticos. Suas subjetividades viram laboratórios e eles entram em contato com a sua fragilidade e a sua ignorância, num processo árduo e arriscado, revelador das contradições e angústias sem as quais não se compreende o diferente. Como prémio, eles aprendem o poder das diferenças tidas como alternativas e não como enfermidades ou primitivismos.

A prova do remédio antes de toma-lo é mais comum do que pensamos e certamente ocorre em qualquer aprendizado, mas nestas duas profissões o trocar de lado talvez seja mais profundo e marcante. Que leitor não tome minhas palavras biblicamente, mas como uma ilustração.

Não me esqueço da agonia que se manifestava na véspera das minhas viagens de campo. Sair de casa para depois de alguns dias ou semanas, deitar-se numa rede com a intenção de se entregar ao sono (esse avatar da morte) num lugar remoto, numa palhoça sem paredes e como um intruso, longe do conforto e do carinho dos familiares, era o que me fustigava. Será que eu seria capaz de cumprir a tarefa exigida pelo aprendizado?

Pesquisei o que havia sobre os “meus” nativos, mas na hora de conhecê-los em carne e osso surgia dentro de mim uma enorme insegurança. Um fato que eu – nascido e criado num sistema no qual o maior castigo é a ausência de ficar longe dos seus – jamais havia me dado conta. Como, pois, transformar castigo em aprendizado profissional?

Curiosa profissão essa que me obrigava a viver com selvagens sem roupa e hora certa para comer; para não mencionar a ausência de escrita e de registros de sua língua ou história. E passar ao largo do agressivo preconceito contra os nativos que tornava o projeto ainda mais anormal: como é que uma pessoa “fina” como o senhor – ouvi inúmeras vezes – vai viver com aqueles brutos?

Não se pode ser antropólogo sem ter feito um trabalho de campo e realizado essa cisão consciente entre sua vida e as vidas alheias que, sem censura ou julgamento, deveriam ser observadas e trazidas de volta para interrogar o nosso estabelecido modo de se viver…

Um jovem aprendiz pensava em tudo isso na noite anterior de sua partida do Rio para Belo Horizonte e ,dali, para Goiânia, a ponte para uma desconhecida Marabá; por sua vez, a base para seguir para uma Itupiranga de onde, depois de um dia e uma noite a pé, dentro de uma Amazônia até hoje possuída por grileiros, chegava-se, devidamente grilado, à aldeia do povo a ser estudado. O curioso é que ele jamais pensou nos riscos concretos de ser picado por uma cobra ou sofrer um acidente. Sua onipotência o contemplou com uma malária.

Em meio ao oceano de ansiedade, surgia o que levar – cadernos de campo, filmes, bife enlatado e pilhas para lanterna – e, ao lado disso, algumas questões graves e reais: levo facão ou revólver?

Vendo sua agonia, a mulher largou a limpeza e os filhinhos para acalmá-lo.

– Querido, tudo vai dar certo. Por que te atormentas tanto? As situações criam seus consolos. Você vai suportar esse teste e vai realizar um bom trabalho.

As palavras fazem coisas. Mas não há nada como o real para liquidar fantasias e terrores.

– Mas e se eu morrer, o que vai ser das crianças? Apelou o aprendiz como um último recurso, um soluço desesperado.

– Se você morrer não se preocupe. Elas são pequenas e vão te esquecer…

Ele seguiu, fez o  trabalho, ficou mais velho do que esperava e hoje conta essa anedota como um alento para os tempos de ansiedade e morte que não merecemos viver.

Tempos no quais um presidente destrambelhado rompe compulsivamente com rotinas institucionais e convoca incertezas. Esses avatares dos golpes.

*** ROBERTO DA MATTA

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

EVOLUÇÃO NO TRANSPLANTE DE CABELOS DERRUBA TABU

Refinados, novos procedimentos trazem resultados mais naturais e deixam cicatrizes imperceptíveis; inovação principal está no rastro deixado na área doadora, em geral perto da nuca, onde os fios costumam ser à prova de queda

Foi depois do fim de um casamento que o youtuber Flávio Giusti, de 44 anos, resolveu se livrar dos dreadlocks que cultivava há duas décadas. Passou a tesoura nas mechas de 70 cm, tingidas de verde- amarelado nas pontas, para só então constatar outra questão: clareiras abertas nas laterais e no topo da cabeça. Era sua retumbante estreia como calvo.

Conhecido pelos seguidores da plataforma por estampar a cara – e os dreads – há quase dez anos em um canal de receitas, Giusti não conseguiu ficar em paz com o espelho depois da descoberta. Começou a usar boné para disfarçar, mas ficou com medo de abafar demais o couro cabeludo e agravar o problema. Enfim, procurou uma clínica especializada para ver o que havia de salvação. E encontrou mais do que esperava.

“Antigamente o sujeito fazia o implante e ganhava uma espécie de milharal na cabeça. A coisa evoluiu muito”, comemora ele, que optou pela solução cirúrgica há cerca de três semanas e já gravou um vídeo para dividir com o público a satisfação do replantio.

“É como ralar o joelho, não precisei nem tomar sedação. Acordei no dia seguinte com umas casquinhas e nada mais.”

METAMORFOSE

De fato, o transplante capilar – expressão hoje considerada mais adequada que “implante” – passou por uma metamorfose expressiva desde sua consolidação, há pouco mais de 20 anos, quando o microscópico foi Incorporado ao procedimento. As técnicas atuais deixam cicatrizes quase imperceptíveis e um resultado mais natural, mesmo na linha da testa, onde no passado era fácil detectar o “cabelo de boneca” dos recém-transplantados.

O método mais recente é descrito por uma sigla, em inglês, FUE (na tradução, “extração da unidade folicular). A inovação principal está no rastro deixado na área doadora, que geralmente fica perto da nuca, onde os fios costumam ser à prova de queda. Ali, tradicionalmente se retira uma tira de couro cabeludo, deixando uma cicatriz linear. Hoje são mais comuns as microperfurações esparsas, com um instrumento em forma de cânula chamado punch. Essas marcas desaparecem entre os fios remanescentes, mesmo com o cabelo em corte mais curto.

“É como se a região doadora fosse a Amazônia e a calva, a caatinga. Onde tem floresta o dano é mínimo, enquanto o ganho para a área transplantada é enorme”, explica o cirurgião plástico Mauro Speranzini, que comanda uma clínica especializada em São Paulo. O transplante capilar é indicado para casos de calvície chamada androgenética, ou seja, com origem nos genes e relacionada aos hormônios masculinos. Esse tipo de perda de cabelo hereditária costuma se manifestar já na casa dos 20 anos e se agravar com o tempo. É mais comum que o problema passe a incomodar depois dos 40.  Fatores como estresse, alimentação e até a tração –  penteados em coques apertados, como era o caso de Giusti – podem agravar a queda.

“É um processo lento e progressivo que conta com tratamentos clínicos medicamentosos, como o minoxidil, dependendo do estágio e do incômodo estético do paciente”, afirma o cirurgião plástico Fernando Basto, ressaltando que o caminho cirúrgico nem sempre interrompe a progressão. “Há casos de pessoas que dez anos depois nos procuram para fazer uma segunda intervenção porque surgiram novos pontos de calvície”.

Dedicado à restauração capilar há 30 anos, Basto acompanhou de perto os avanços. Desde o diâmetro do punch, que costumava ser de 1,5 mm e hoje chega a 0,6mm, até a chegada recente dos micromotores manuais. Atualmente, o instrumento giratório poupa uma parte do esforço de remover os folículos. Trata-se de um alívio considerável para o profissional, considerando que uma cirurgia costuma envolver a retirada de 2 a 3 mil unidades foliculares (a porção de tecido com um a quatro fios e suas raízes) e durar em média, sete horas.

Com preços entre os R$ 10 mil e os R$ 36mil, a FUE é realizada com anestesia local, geralmente acompanhada de uma leve sedação. Depois de retirados, os folículos são cuidadosamente reparados e deixados em uma solução nutritiva antes de ganharem novo lar. O paciente deixa o hospital no mesmo dia e tem recuperação rápida e indolor. Os primeiros fios transplantados caem e o cabelo volta a crescer a partir de três meses.

Nessas décadas de experiência, os cirurgiões ampliaram o arsenal de truques na manga, como reservar os folículos com uma só raiz pau a linha de frente do rosto. Com fios menos agrupados, o efeito “boneco” é amenizado. Outro esforço é o de garantir que o trauma da retirada seja mínimo para não se perder a vascularização que alimenta essas raízes.

“Consideramos sucesso um transplante em que 95% ou mais unidades foliculares vingam na nova área. Em cirurgias mais grosseiras, temos incisões também grosseiras e uma taxa de êxito menor”, diz Speranzini, que neste ano publicou um protocolo com 40 passos para um procedimento bem­ sucedido na Revista Fórum Internacional, da International Society of Hair Restoration Surgery (JSHRS), principal publicação do segmento do mundo.

Com o aperfeiçoamento dos procedimentos, caiu o tabu da vergonha que antes cercava a cirurgia. O ator Paulinho Vilhena chegou a postar no Instagram, depois de preencher as entradas já pronunciadas: “Bora bater cabelooooo”. O cantor Lucas Lucco, dono de um famoso topete, também tornou público seu transplante. Como bom influencer, o músico baiano Leo Santana publicou orgulhoso o resultado do seu, com direito a arroba do profissional.

O crescimento de demanda criou até rotas de turismo capilar. Na Turquia, onde a forte concorrência entre clínicas especializadas criou preços atrativos, mais de 60 mil turistas do mundo todo desembarcam anualmente em busca do procedimento. Mas especialistas alertam que muitos desses centros carecem de higiene adequada e profissionais com a exigida formação.

Segundo dados da ISHRS, homens compõem a grande maioria (84.2%) dos pacientes de transplante capilar no mundo. Foram mais de 6 mil procedimentos do tipo no país em 2018, de acordo com levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. E se engana quem pensa que a antiga técnica de faixa, a FUT (de “transplante de unidade folicular”), foi completamente abandonada pelos cirurgiões. Por ser mais abrangentes é ainda indicada para áreas de calvície maiores, às vezes associada com o refinamento da FUE.

“Minha filosofia é sempre informar ao paciente das vantagens e desvantagens de cada técnica para ele tomar uma decisão embasada”, diz o cirurgião plástico Luiz Paulo Barbosa, com mais de 3 mil transplantes capilares no currículo.

POESIA CANTADA

ROMANCE IDEAL

PARALAMAS DO SUCESSO

ROMANCE IDEAL

COMPOSIÇÃO: HERBERT VIANNA / MARTIN CARDOSO

Ela é só uma menina
E eu pagando pelos erros que eu nem sei se eu cometi
Ela é só uma menina
E eu deixando que ela faça o que bem quiser de mim

Se eu queria enlouquecer essa é a minha chance
É tudo que eu quis
Se eu queria enlouquecer
Esse é o romance ideal

Eu não pedi que ela ficasse
Ela sabe que na volta
Ainda vou estar aqui

Ela é só uma menina
E eu pagando pelos erros
Que eu nem sei se cometi

Se eu queria enlouquecer essa é a minha chance
É tudo que eu quis
Se eu queria enlouquecer
Esse é o romance ideal

OUTROS OLHARES

NEM-NEM NEGRAS

Gravidez e tarefas de casa tiram jovens do estudo e do trabalho

Aos 21 anos, Maria Eduarda de Morais dedica os dias aos cuidados dos filhos – uma menina de seis anos e um menino de três – e às tarefas domésticas, como cozinhar e limpar. Ela saiu da escola quando ficou grávida, no nono ano do ensino fundamental. Tentou retomar os estudos, mas depois do segundo filho não foi possível. A rotina em casa é cansativa, conta a jovem, que sonha em ter sua própria renda, mas há anos não consegue nenhum serviço. Para voltar a estudar, precisaria ter alguém para tomar conta das crianças.

“Quero ter minha independência. Já trabalhei como ajudante de idoso, com faxina, o que aparecer eu trabalho. Acho que por causa da pandemia está ainda mais difícil”, diz.

Maria Eduarda mora no bairro Pantanal, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, com as crianças e o marido, que faz biscate em obra. Sua condição não é um caso isolado. Como ela, 32% das mulheres pretas ou pardas entre 15 e 29 não estudavam nem estavam ocupadas no Brasil, segundo a Síntese de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base em dados de 2019. O instituto considera como ocupada a pessoa que trabalhou ao menos uma hora na semana em que foi feita a pesquisa.

De acordo com o IBGE, as chances de uma jovem negra (preta ou parda) estar nessa situação eram 2,4 vezes maiores do que as de um homem branco da mesma faixa etária (13,2%). O grupo também estava em desvantagem em relação aos homens negros (18,9%) e às mulheres brancas (20,8%). Especialistas afirmam que a gravidez na adolescência e os afazeres domésticos estão entre as principais causas para a alta taxa de “nem-nem” entre jovens negras.

“Estar sem trabalhar e estudar para as mulheres tem a ver com os afazeres domésticos e cuidados com os filhos. E quando perguntamos o motivo do abandono escolar inicialmente, a gravidez aparece como principal. As pretas e pardas abandonam mais”, explica Betina Fresneda, pesquisadora do IBGE e especialista em Educação.

Betina explica que é gerado um “ciclo vicioso” entre o abandono escolar precoce e a dificuldade de ingresso no mercado. As mulheres têm menor participação nessa força de trabalho e as pretas ou pardas são as que têm incidência menor.

Historicamente, as mulheres negras ocupam mais o trabalho doméstico, que não tem visibilidade no Brasil, explica Thaiana Rodrigues, mestre em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

“As mulheres negras geralmente são as primeiras a serem responsáveis pelo trabalho doméstico e os cuidados com um irmão mais novo, com sua família, mas muitas vezes são vistas como se não estivessem fazendo nada”, afirma a socióloga e pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre Desigualdades Contemporâneas e Relações de Gênero.

Diretor do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV Social), o economista Marcelo Neri pesquisa o impacto da pandemia nos jovens “nem – nem” com base em informações da Pnad Contínua do IBGE. Os microdados do primeiro trimestre de 2021, em comparação com o último trimestre de 2019, antes da Covid-19, dão indícios de piora da situação para jovens negras.

CRISE SO8RE UMA CRISE

Na comparação entre os dois períodos, o percentual de todos os jovens de 15 a 29 anos sem ocupação e sem frequentar escola passou de 23,7% para 26,7%. Entre mulheres, a taxa foi de 29.9% a 32.7%. Entre pardos, passou  de 26,9% para 29,8%. Entre pretos, a alta foi de 25.8% para 28.4%.

“Teve uma crise sobre uma crise. Principalmente entre as crianças mais novas a evasão escolar explodiu na pandemia, e isso impacta as jovens que têm filhos”, afirma Neri. “ Os dados também mostram que os índices de “nem-nem” são piores quando os jovens são negros, cônjuges (a maioria mulheres), não têm nenhuma escolaridade e vivem em periferias.

A pandemia agravou a situação de Carla Monteiro, de 28 anos, moradora de Terra Firme, em Belém (PA). Mãe solteira, cuida da casa e dos filhos, um menino de cinco anos e uma menina de nove meses. Já trabalhou vendendo doces em ónibus e como trancista, mas com a Covid-19., “as portas se fecharam”.

“Tive que procurar cestas básicas. Teve um momento em que me vi muito apertada, não tinha nem leite para minha filha, que não mama. Agora voltou o auxílio. Não é muito, mas já dá para ajudar. Vou me virando”, conta, e explica que a família do pai do menino contribui “vez ou outra”.

Carla parou de estudar no primeiro ano do ensino médio, quando foi trabalhar na loja de uma tia. Depois tentou trabalhar como babá, mas descobriu que, além de cuidar da criança, que nem que ela fizesse todos os serviços domésticos – por RS 300. Ela saiu do trabalho e em seguida engravidou. Ela não gosta de lembrar da infância: conta que “não foi das melhores”.

Camila Santana. de 27 anos, também deixou de trabalhar devido à Covid-19 e ao nascimento dos filhos gêmeos, hoje com dois anos. Ela fazia objetos de arte e decoração, antes da última gravidez. Camila tem outra filha de sete anos e mora com as crianças e o marido, que é maqueiro, em cima da casa da sogra no bairro da Ribeira, em Salvador (BA).

“Sempre morei perto da minha família, mas nos mudamos para sair do aluguel e agora não tenho quem ajude a ficar com as crianças. Foi bem difícil, me senti muito sozinha, voltei a ter depressão e até hoje ainda tenho, às vezes. Agora, com a filha maior, é um pouco menos de trabalho, mas ainda é difícil”, conta.

Camila diz que está “louca para trabalhar”, mas não sabe quando será possível, com os filhos pequenos e o receio de mandar a mais velha para as aulas presenciais por conta da Covid-19.

“Com o que meu marido recebe conseguimos pagar o básico, mas todo mês aperta. Estamos tentando tirar as fralda para diminuir o gasto. Quando eu trabalhava era melhor. Também gosto, trabalhei desde os 14 anos, estou acostumada. Não quero depender de homem,     isso não é para mim não”, reclama.

DUPLAMENTE AFETADAS

Betina afirma que os percentuais de mulheres negras sem estudar e sem trabalho ilustram a ausência de políticas públicas para continuação nos estudos e inserção no mercado no Brasil desse grupo de pessoas. Para Thaiana, a situação ressalta a importância da maior valorização da educação para as jovens e da conscientização sobre as desigualdades de gênero e os impactos das responsabilidades que costumam recair mais sobre elas após a gravidez.

“Para as mulheres são necessárias mais políticas de primeira infância, creches”, aconselha Neri. “No recorte de raça, a educação de negros ou negras é menor do que de brancos, então, são necessárias políticas como as de cotas. As mulheres negras são afetadas pelos dois efeitos. É preciso enxergar as especificidades, principalmente em termos de políticas de educação e acesso ao mercado de trabalho”, alerta o economista.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 05 DE SETEMBRO

NÃO SEJA INJUSTO EM SEU JULGAMENTO

Não é bom ser parcial com o perverso, para torcer o direito contra os justos (Provérbios 18.5).

Os tribunais humanos estão cheios de decisões parciais e injustas. Condenar o inocente e inocentar o culpado é uma atitude indigna para um tribunal cujo propósito é defender a verdade e estabelecer a justiça. Não é certo dar razão ao culpado, deixando de fazer justiça ao inocente. É um escândalo torcer a lei, subornar testemunhas e comprar sentenças. É um desatino quando um tribunal de justiça se converte num antro de corrupção, em que os inocentes são rifados pela ganância insaciável daqueles que transformam a toga sagrada em vestes de violência. É um pecado abominável para Deus justificar o perverso e condenar o justo. Esse fato pode ser identificado no julgamento de Jesus. No tribunal de Pilatos, os criminosos acusavam, e o inocente era julgado. No tribunal de Pilatos, a verdade foi escamoteada, a justiça foi aviltada, e o inocente saiu condenado. No tribunal de Pilatos, o juiz iníquo lavou as mãos, os judeus invejosos foram tidos como defensores da lei e do Estado, e Jesus de Nazaré terminou açoitado, cuspido e pregado na cruz. Ser parcial com o perverso para favorecê-lo ou torcer o direito contra os justos não é bom. Deus ama a justiça. Ele é o Deus da verdade. Devemos refletir esses valores em nossas palavras, atitudes e julgamentos, pois um dia seremos também julgados na mesma medida com que julgamos.

GESTÃO E CARREIRA

MAIS BARATA, LOJA EM CONTÊINER VIRA ‘FEBRE’

Redes apostam em novo formato de olho em melhor retomo e imagem de ‘modernidade’

Uma loja que pode ser transportada em um caminhão de um canto para o outro, caso o ponto comercial não esteja registrando o retorno esperado. É por conta desse tipo de flexibilidade, além de um custo mais baixo e maior celeridade na abertura, que os pontos de venda em contêineres têm começado a ganhar espaço na estratégia de redes brasileiras de varejo.

No caso da chocolateria Cacau Show, o projeto começou a ser desenvolvido há cerca de dois anos. A ideia inicial era que esse modelo funcionasse como uma espécie de unidade temporária -para ser levada a determinados locais para um evento ou um parque, por exemplo. No entanto, o projeto ganhou um escopo maior após ter boa aceitação entre os franqueados.

“Para ter essas lojas, passamos por um processo de desenvolvimento, tivemos primeiramente outras versões até chegar ao modelo que nos atende”, afirma o diretor de expansão e novos canais da Cacau Show, Daniel Roque. Para a empresa, o principal desafio foi em relação à temperatura interna, de forma a adequar a estrutura do contêiner para vender chocolate.

Vencido esse desafio, a Cacau Show já comercializou 200 unidades de lojas desse modelo, sendo que 81 já foram inauguradas. Uma das portas que o contêiner abriu, explica Roque, é estar em locais em que os pontos de venda tradicionais não se mostravam viáveis, como em cidades menores. Outro diferencial é a celeridade para abertura da loja: a inauguração ocorre em até 30 dias, ou um terço do tempo de uma loja tradicional.

DE UM LADO PARA O OUTRO

  Outra empresa que decidiu explorar o modelo de lojas modulares – e começando no início da pandemia de covid-19 – foi a Moldura Minuto. A estratégia, segundo o fundador da empresa, Antônio Carlos Viegas, foi exatamente driblar a falta de circulação de pessoas na pandemia, em um momento em que as pessoas saiam muito pouco de casa por causa da quarentena.

No entanto, quando o cliente sala, ele se deslocava a poucos lugares, como os supermercados. “Foi com isso em mente que fechamos uma parceria com o GPA, dono do Pão de Açúcar”, diz Viegas.

Hoje, a Moldura Minuto tem três lojas contêineres dentro de três supermercados de São Paulo, e o plano é fechar o ano com 15 unidades. “A loja contêiner tem alto lucratividade com baixo investimento e, se for necessário, ainda é possível com certa facilidade mudar a loja de local”, afirma.

Outra marca com pontos em contêineres é a rede de restaurantes Madero, do empresário Junior Durski, que está em processo de abertura de capital. Hoje, segundo o prospecto da oferta da empresa, são 72 restaurantes nesse modelo.

Dos recursos que poderiam irrigar o caixa da empresa com a oferta inicial de ações, (IPO, na sigla em inglês), a empresa utilizará a metade para pagar dívidas, e a outra servirá para abrir mais restaurantes, incluindo em contêineres.

TOQUE DE MODERNIDADE

O especialista no setor de varejo Alberto Serrentino, fundador da Varese Retail, afirma que muitas marcas já testaram esse modelo – que, além dos benefícios já citados, também tem um apelo de sustentabilidade. Serrentino lembra, por exemplo, que, a BR Distribuidora chegou a usar lojas da DR Mania em contêineres durante reformas ou quando faltava espaço para uma loja ser construída no posto de combustível.

A presidente do AGR Consultores, Ana Paula Tozzi, aponta que as marcas que optam por projetos do gênero acabam ganhando ainda toques de modernidade. “As marcas vêm usando, cada vez mais, os contêineres. É uma opção sustentável, com reutilização de material e menor consumo de recursos naturais.”

EU ACHO …

A MORTE COMO ELA É

Pensar publicamente não é uma atividade feita para agradar, danem-se os patrocinadores

Eu acho que uma pessoa adulta nos usos das suas faculdades mentais e numa situação de sofrimento terminal deveria, sim, ter o direito de morrer. Negar às pessoas essa possibilidade é um abuso em nome de um bem que já não existe, a saber, a vida como horizonte. Sei que o tema é delicado. Alguns podem interpretá-lo como uma defesa do suicídio como direito. Aqueles que assim o fizerem, que o façam. Não podemos nos defender de toda forma de interpretação coisas que nos dias atuais muita gente parece se esquecer. Pensa publicamente não é uma atividade feita para agradar – inclusive aos patrocinadores, que, aliás desejo  que se danem no seu poder de limitar o uso da palavra pública.

Aborto é outro tema espinhoso. Já tive muitas opiniões sobre ele. Hoje as tenho em muito menor quantidade e qualidade.

Sei que existem pessoas que não comem carne nem usam proteína animal de qualquer tipo, mas que são a favor do aborto. Para muitos haveria uma contradição nessa atitude. Ou hipocrisia. Eu suspeito que, no caso de não comer carne, a pessoa acredita que isso será saudável para ela. Já no caso do aborto, está em jogo a liberdade de ela transar e, se algo no processo der errado, por assim dizer, pode resolver o problema com o menor sofrimento físico possível, apesar de essa solução nunca ser de forma alguma fácil do ponto de vista moral.

Óbvio que existe a dimensão da saúde pública . Óbvio também que em uma etapa lógica anterior,  se pressupõe a ideia que o feto não é um ser humano ainda. Penso que, em meio a um mundo em que a desumanização corre solta, a dificuldade em desumanizar o feto parece uma afetação de virgens de bordel.

Mas voltando ao que me interessa hoje, o tema da escolha pela morte assistida e legítima me parece significativo. Antes de tudo porque a população envelhece a olhos nus, e muita gente faria uso de uma saída de cena com classe se lhes fosse dada essa opção. Aliás, o filme “A despedida”, de 2019, com Susan Sarandon e Kate Winslet, é excelente sobre o tema.

Alguns poderão considerar essa afirmação um absurdo moral. Alguém escolher essa opção implica que você seja obrigado a escolhê-la. Talvez, um dia, vivendo uma situação semelhante, você venha a entender a opção do outro.

Óbvio que há sofrimento. Mas é justamente em nome dele que se deve dar às pessoas o direito de morrer quando elas querem e quando a vida já não aparece como um horizonte fisiológico viável. Obrigar a uma pessoa no uso de sua inteligência a existir num corpo que já não mais é seu me parece uma violência moral muito maior.

Se há hipocrisia no vegetariano a favor do aborto – o que me parece totalmente evidente -, aqui há com certeza. Se quero manter a pessoa viva porque eu a amo, mesmo que ela sinta que o melhor é repousar na pedra, o meu amor, sim, é de alguma forma impróprio.

A ideia de que a vida pertence a Deus me parece irrelevante. Se não acredito em Deus, entendo que a vida pertence apenas a mim, mas se sou terminal, ela já pertence  à pedra.

Mas, mesmo que eu seja um crente, posso sê-lo de forma ousada e desafiar a afirmação religiosa institucional de que só Deus pode tirar a vida. Posso escolher encará-lo, afinal de contas, por que sou obrigado a ficar em agonia se poderia já descansar.

Detalhes jurídicos são o menor aqui. Em termos de lei, tudo pode, uma vez decidido que pode. Quanto ao fato de que médicos só podem salvar vidas, também é algo que se pode ajustar. E nem me falem sobre a possibilidade de uma descoberta milagrosa de cura: a ciência, nesse caso,está a favor de quem se sabe terminal. Não existem milagres na ciência.

O centro do problema é a possibilidade de se decidir que basta. Esse passo não significa a escolha de uma certa agonia moral em detrimento de outra, sendo  a diferença capital o fato de que quem quer sair de cena é quem deve decidir a qualidade da agonia moral que pretende enfrentar.

À medida que a humanidade envelhece, há que nos prepararrmos para um mundo em que pessoas desistam dele.

*** LUÍZ FELIPE PONDÉ

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

TIKTOK AJUDA A ESCLARECER TRANSTORNOS

Plataforma passa a ser canal ele conteúdo sobre experiências pessoais que conscientizam usuários sobre algumas deficiências ocultas

O TikTok, que inicialmente era conhecido pelas dancinhas e desafios, ganhou nova função: amplificar vozes de jovens com deficiência ocultas e transtornos. Em meio a pandemia de covid-19, elas passaram a divulgar conteúdos com o intuito de desmistificar estereótipos e conscientizar a sociedade sobre diferenças. A base para essa transformação utiliza um combo já conhecido: ciência e experiência do cotidiano.

Bianca Bittencourt, de 21 anos, é uma dessas vozes. A graduanda de design de moda foi clinicamente diagnosticada com autismo durante a pandemia. Desde a infância, ela mostrava alguns sinais do transtorno, mas nunca obteve um diagnóstico completo. Já adulta, começou a considerar a possibilidade de que precisasse de ajuda médica após se identificar com vídeos sobre autismo. “Descobrir isso sobre mim é muito libertador”, conta.

O que motivou Bianca a falar sobre autismo nas redes sociais foi tentar oferecer esse sentimento libertador a outras pessoas. “Eu decidi fazer um vídeo sobre autismo porque foram eles que me fizeram ir atrás do meu próprio diagnóstico”, disse. ”Para produzir, eu uso a minha experiência pessoal de artigos acadêmicos. Por isso que, às vezes, acabo demorando um tempo.”

Há três anos, quando começou a produzir conteúdo para internet, Yummii, de 25anos, host do Sistema  Orquestra, produzia artigos acadêmicos do inglês para o português com o intuito de educar as pessoas sobre Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI). Pessoas com esse transtorno são caracterizadas pela presença de mais de uma identidade dentro do mesmo corpo e se identificam como ‘sistema’, por causa dessa polifragmentação.

Para enfatizar o que diz, Yummii não se restringe apenas a sua experiência. O perfil realiza vídeos em colaboração com outras pessoas que possuem TDI, como uma forma de diversificar as experiências.  “A melhor forma que eu tenho para combater os estereótipos é mostrar sistemas que possua uma vida funcional, que realmente conseguem viver, além de utilizar a ciência como fonte”, disse.

O processo de  conscientização, entretanto, não tem sido fácil. Em inúmeros momentos, Bianca lidou com comentários que estereotipam o transtorno. “As pessoas conhecem um autista e querem que todos sejam iguais, não funciona assim. E a mesma coisa que eu conhecer a minha mãe e achar que todas as mães tem que ser igual a minha”, explica.

A dificuldade se intensifica com a viralização de informações falsas na plataforma. Yummii conta que, para conseguir maior visibilidade, algumas contas propagam inverdades sobre o TDI. “Uma pessoa falava que era super comum ter alters (identidades) com tendências violentas e assassinas, sendo que não é. Isso é um estereótipo forte sobre TDI, que nós lutamos para mudar”, disse.

INSTANTÂNEO

Camille Guazzelli, de 18 anos, dormiu e acordou no dia seguinte com 10 mil seguidores após a  publicação do primeiro vídeo falando sobre Síndrome de Tourette, distúrbio do sistema nervoso que envolve movimentos repetitivos, vocais ou motores. “As pessoas deixaram dúvidas nos comentários e eu respondia. Assim, ideias para novos vídeos iam se formando”.

A estudante recebeu o diagnóstico durante a pandemia, quando os espasmos se intensificaram por causa do estresse. Com a sensação de ter algo e não compartilhar, Camille começou a falar da sua condição na internet.  “Eu tive a ideia de utilizar o TikTok como um meio de expressar aquele sentimento e também porque eu não tinha coragem ainda de contar aos amigos o que eu estava passando. Eu sentia muita vergonha”, disse. Com medo de não ser aceita e ter a doença desacreditada, a jovem regravava os vídeos sempre que tinha muitos espasmos.

A atenção imediata na rede também faz parte da história de Maria Luísa Paris, 15 anos, que utiliza a plataforma para falar sobre a sua surdez. “Eu gosto de fazer um humor que faça refletir. Você ri, depois, para e pensa: ‘Realmente! Eu nunca parei para  pensar sobre isso antes”, conta. Malu  perdeu a audição aos 5 anos, consequência do alargamento da cóclea, característica da Síndrome do Aqueduto Vestibular Alargado (SAVA). Para Cristiane Paris, mãe de Malu, ver o trabalho de conscientização da filha na internet resolve um medo antigo: o da filha não se encontrar dentro da deficiência. “O mais interessante é que ela fala para os ouvintes. Ela explica coisas que nem eu sabia”, disse.

IMPACTO

A psicóloga clínica especialista em adolescentes Andressa Cristina Guedes explica que essa fase da vida é o momento em que o indivíduo está buscando ser inserido em grupo e alcançar uma noção de pertencimento. Nesse sentido, ao compartilhar conteúdos sobre suas condições na internet e ter um engajamento positivo, esses jovens passam a se sentir pertencentes, gerando também um reconhecimento tanto da sociedade quanto de si mesmo a partir das suas diferenças. ”Esses jovens passam a ser reconhecidos pelo meio, ampliam o ambiente em que estão inseridos e contribuem para que outras pessoas, nas mesmas condições ou condições adversas, se identifiquem”, disse.

Esse processo de identificação fez com que Bianca recebesse mensagens de jovens autistas que se sentiram representados. ”Poder compartilhar o meu conteúdo sobre autismo é como se elas conseguissem falar sobre porque nós temos dificuldade de comunicação, principalmente quando    somos mais novos”, disse.

A conscientização sobre os temas também tem resultado em ações práticas na própria plataforma em favor da acessibilidade. Malu passou a ver pessoas no TikTok engajadas em ensinar e legendar os vídeos, por exemplo. ” Mesmo que usemos aparelho, a audição não é só sobre ouvir. A audição  é sobre compreender e identificar.  Eu entendo que você fala, mas eu preciso ainda da leitura labial  e preciso de um apoio para poder te entender”, explica.

POESIA CANTADA

LÁGRIMAS DE CHUVA

PAULA TOLLER

LÁGRIMAS DE CHUVA

COMPOSIÇÃO: BRUNO FORTUNATO / GEORGE ISRAEL.

Eu perco o sono e choro
Sei que quase desespero
Mas não sei por quê
A noite é muito longa
Eu sou capaz de certas coisas
Que eu não quis fazer
Será que alguma coisa
Nisso tudo faz sentido?
A vida é sempre um risco
Eu tenho medo do perigo

Lágrimas e chuva
Molham o vidro da janela
Mas ninguém me vê
O mundo é muito injusto
Eu dou plantão nos meus problemas
Que eu quero esquecer
Será que existe alguém
Ou algum motivo importante
Que justifique a vida
Ou pelo menos este instante

Eu vou contando as horas
E fico ouvindo passos
Quem sabe o fim da história
De mil e uma noites
De suspense no meu quarto

Eu perco o sono e choro
Sei que quase desespero
Mas não sei por quê
(Não sei por quê)
A noite é muito longa
Eu sou capaz de certas coisas
Que eu não quis fazer
Quis fazer
Será que existe alguém no mundo?

Eu vou contando as horas
E fico ouvindo passos
Quem sabe o fim da história
De mil e uma noites
De suspense no meu quarto
Eu vou contando as horas
E fico ouvindo passos
Quem sabe o fim da história
De mil e uma noites
De suspense no meu quarto
No meu quarto

OUTROS OLHARES

DESEMPREGO AFETA MAIS MULHER JOVEM E COM POUCO ESTUDO

Levantamento mostra que, de cada 3 desempregados, 2 são do sexo feminino com idades entre 17 e 29 anos e baixa qualificação

O perfil de quem procura emprego há mais de dois anos no Brasil é mulher, jovem e com baixa escolaridade. A cada três trabalhadores desempregados, dois são mulheres. Metade das pessoas que estão desempregadas por muito tempo tem entre 17 e 29 anos. Elas acabam caindo na informalidade ou desistindo de procurar emprego, fenômeno chamado pelos economistas de “desalento”. Do total, 80 % dos jovens desempregados por mais de dois anos têm baixa qualificação. Ou seja, no máximo, possuem nível médio – 38% deles não possuem sequer esse nível de escolaridade.

É o que mostra raio X do perfil do desempregado traçado pela Secretaria de Política Econômica (SPE), do Ministério da Economia. O levantamento avalia o tempo que o trabalhador está à procura de ocupação para identificar a taxa de desemprego de longo prazo (TDLP). Ela é definida como o tempo de procura por um emprego superior a dois anos.

O quadro de desemprego persistente é considerado de difícil superação porque acaba gerando um efeito de inércia, relacionado à perda de interesse por parte do profissional, e de competitividade, devido à desatualização técnica e tecnológica. Nas crises econômicas, como a causada pela pandemia da covid-19, a situação se agrava.

A divulgação dessa radiografia ocorre no momento em que o governo tenta aprovar no Congresso um pacote que prevê cursos de qualificação dos trabalhadores jovens, afrouxa as regras de contratação e permite até mesmo contratos sem carteira assinada para jovens de 18 a 29 anos e trabalhadores acima de 55 que estejam desempregados há mais de um ano. Não há, contudo, nenhuma medida específica para incentivar a contratação de mulheres. Quanto mais tempo uma pessoa fica desempregada, maior será a perda de capital humano e, consequentemente, menor a chance de ela se recolocar no mercado de trabalho. “Para desenhar uma política de emprego eficiente, temos de entender qual é a composição da taxa de desemprego, em especial, a TDLP”, diz o subsecretário de Política Fiscal, Erik Figueiredo. Segundo ele, problemas históricos que levaram a esse quadro foram agravados na pandemia. O professor de Relações do Trabalho da Universidade de São Paulo (USP) José Pastore explica que o mercado de trabalho brasileiro ainda está concentrado em empregos relacionados a commodities (produtos básicos, como alimentos e minério de ferro) e serviços de baixa complexidade com milhões de trabalhadores de baixa qualificação – grande parte informais.

No Brasil, 3% dos trabalhadores são analfabetos, 32% têm o ensino fundamental incompleto ou completo, 41% têm o ensino médio incompleto e completo e 24% têm o ensino superior incompleto e completo.

É muito diferente da situação da Alemanha, por exemplo, que exporta quase metade do seu Produto Interno Bruto (PIB), com grande concentração em bens de alta tecnologia, que exigem pessoal altamente qualificado. São automóveis, aviões, computadores, maquinário, instrumentos científicos, produtos químicos, farmacêuticos, tecnologias verdes e serviços técnicos de engenharia, robótica, inteligência artificial e outros. Cerca de metade dos trabalhadores alemães completam escolas técnicas; 10% formam-se como especialistas, tornando-se mestres em sua profissão; 2.2% têm diploma universitário e doutorado; apenas 18% não fizeram cursos profissionais.

“De nada adianta oferecer empregos bons quando não há qualificação, nem ter qualificação se não há bons empregos. Esse é o caso do desemprego de longa duração dos mais educados”, diz Pastore.

REFERÊNCIA

Na nota técnica, foram utilizados os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Continua) referentes ao primeiro semestre de cada ano, para o período 2012-2020. O desemprego de “curta duração” (de até 1 ano), que atingia 5% da população em 2012, cresceu até 8,1% da população no período entre 2014 e 2017. Depois, recuou para 7,3% entre 2017 e 2019 e aumentou novamente em 2020 para 9,5 %da força de trabalho devido à pandemia.

Já o desemprego de longo prazo, por outro lado, apresentou um crescimento constante entre 2014 e 2019, partindo de 1,2% da força de trabalho, em 2014, e atingindo o máximo de 3,2% da força de trabalho em 2019. Em 2020, atingiu 2,6% da força de trabalho. Para a SPE, essa queda pode ser resultado de medidas fiscais e de socorro ao mercado de trabalho adotadas ao longo de 2019 e início de 2020, como o programa que permitiu às empresas cortarem salários e jornada ou suspenderem contratos de trabalho.

“Diferentemente da recessão de 2014 e 2016, o grande movimento negativo no mercado de trabalho durante a pandemia foi a saída de milhões de trabalhadores da força de trabalho”, afirma o economista Fernando Veloso, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas. Ele lembra estudo do Banco Mundial, divulgado recentemente, mostrando que crises econômicas têm efeitos persistentes. No caso do Brasil, o impacto sobre emprego e salários do trabalhador médio pode perdurar por nove anos após o seu início, diz o estudo. Veloso ressalta que a pandemia é uma crise dessa natureza, por ter afetado sobretudo os informais e menos escolarizados. Por isso, segundo ele, é possível que a taxa de desemprego de longo prazo tenha aumentado, ao contrário do que indica a nota da SPE.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 04 DE SETEMBRO

O PODER DAS PALAVRAS

Águas profundas são as palavras da boca do homem, e a fonte da sabedoria, ribeiros transbordantes (Provérbios 18.4).

A linguagem humana é profunda como o mar, e as palavras dos sábios são como rios que nunca secam. Nossas palavras são profundas porque brotam do coração, e esse é um território desconhecido. Por mais que pesquisemos sobre essa terra distante, jamais chegaremos ao pleno conhecimento a respeito dela. Nosso coração é um universo ainda insondável. O que sabemos é que ele é semelhante a um mar profundo. O que lemos nas Escrituras é que o nosso coração é desesperadamente corrupto e enganoso. Só Deus pode conhecê-lo perfeitamente. Por isso, as palavras que sobem do nosso coração e saltam dos nossos lábios são como águas profundas, cuja fundura não conseguimos medir. As palavras do sábio, porém, são como ribeiros transbordantes, como rios que jamais secam, cujas águas correm dentro do leito, levando vida por onde passam. As palavras do homem sábio são conhecidas. Os rios de água que fluem de sua boca abastecem os sedentos, irrigam a alma aflita daqueles que vivem na sequidão e produzem prosperidade para aqueles que os ouvem. Nossas palavras nunca são neutras. Abençoam ou maldizem. Curam ou ferem. São veneno ou medicina. Carregam a morte ou transportam a vida.

GESTÃO E CARREIRA

JOVENS NÃO QUEREM VOLTAR PARA OS ESCRITÓRIOS NO CENÁRIO PÓS-PANDEMIA

Conflito de gerações entre eles e colegas que apreciam mais o presencial pode exigir flexibilidade

David Gross, executivo em uma agência de publicidade sediada em Nova York, reuniu seus comandados via Zoom este mês para uma mensagem que ele e seus sócios estavam ansiosos por transmitir: era hora de pensar em voltar ao escritório.

Gross, 40, não estava seguro de como seus empregados, muitos na casa dos 20 e 30 anos, receberiam a ideia. A resposta inicial – um completo silencio – não foi nem um pouco encorajadora. E aí um jovem sinalizou que tinha uma pergunta. “Vai ser obrigatório?”, ele questionou.

Sim, a presença no escritório seria obrigatória três dias por semana, foi a resposta. E foi assim que começou uma conversa complicada na Anchor Worldwide, a empresa de Gross, que está sendo reproduzida no momento em muitas empresas, grandes e pequenas, espalhadas pelos Estados Unidos.

Embora trabalhadores de todas as idades tenham se acostumado a trabalhar de longe e evitar a cansativa jornada de casa para o escritório, os mais jovens desenvolveram apego especial pela nova maneira de operar.

E, em muitos casos, a decisão de voltar opõe gestores mais velhos, que consideram trabalhar no escritório a ordem natural das coisas, a subordinados mais jovens que passaram a considerar o trabalho remoto como completamente normal nos 16 meses transcorridos desde que a pandemia surgiu. Alguns novos contratados jamais foram ao local de trabalho de seus empregadores.  “Francamente, eles não sabem o que estão perdendo, porque temos uma cultura forte”, disse Gross. “O desenvolvimento e a produção de trabalho criativo requerem colaboração face a face. É difícil fazer uma reunião de ‘brainstorm’ via Zoom”.

Alguns setores, como os bancos e as companhias financeiras, estão adotando linha mais dura e insistindo no retorno do pessoal, mais jovem e mais velho igualmente.

Os presidentes-executivos de gigantes de Wall Street como o Morgan Stanley, Goldman Sachs e JP Morgan Chase sinalizaram que esperam ter seu pessoal de volta às baias e escritórios nos próximos meses.

Outras companhias, especialmente as de tecnologia e mídia, estão mostrando flexibilidade. Por mais que Gross deseje o retorno do pessoal de sua agência de publicidade, ele se preocupa com reter novos talentos em um momento no qual o giro do pessoal cresce, e por isso deixou claro que existe espaço para acomodação.

“Estamos em um setor verdadeiramente progressivo, e há empresas que adotaram o trabalho completamente remoto”, ele explicou. “Temos de definir a questão em termos de flexibilidade”.

Em uma pesquisa recente do Conference Board, 55% dos entrevistados da geração Y definidos como pessoas nascidos entre 1981 e 1996, questionaram a sabedoria em voltar aos escritórios.

Entre os membros da geração X, nascidos entre 1965 e 1980, 45% tinham dúvidas sobre voltar ao escritório, enquanto apenas 36% dos integrantes da geração Baby Boom, nascidos entre 1946 e 1964, tinham restrições parecidas.

E a ascensão da variante delta do coronavírus, nos últimos dias, pode alimentar a relutância a retornar entre os trabalhadores de todas as idades.

“Entre as gerações, a Y é a mais preocupada com sua saúde e bem-estar psicológico”, disse Rebecca Rey, vice-presidente executiva de capital humano do Conference Board. “As companhias farão bem em oferecer o máximo possível de flexibilidade.”

Matthew Yeager, 33 deixou seu emprego como desenvolvedor de web em uma empresa de seguros em maio, depois que esta o informou de que ele precisava voltar ao escritório, com a elevação dos índices de vacinação em sua cidade, Columbus, Ohio.

Ele limitou sua busca de emprego a oportunidades que oferecessem trabalho remoto, e em junho começou a trabalhar para uma empresa de contratação e recursos humanos de Nova York.

“Foi difícil porque eu realmente gostava de meu emprego e das pessoas com quem trabalhava, mas não queria perder a flexibilidade de poder trabalhar remotamente”, disse Yeager. “O escritório oferece muitas distrações, que são removidas quando você trabalha de casa”.

Yeager disse que gostaria da opção de trabalhar remotamente em quaisquer postos que ele vier a considerar no futuro. “Mais empresas deveriam oferecer oportunidades para que as pessoas trabalhem e sejam produtivas da melhor maneira que podem”, ele disse.

Embora essa divisão por idades tenha levado os gestores a buscar maneiras de persuadir os contratados mais jovens a retornar ao escritório, existem outras distinções.

Muitos trabalhadores que têm filhos ou outras responsabilidades de cuidar de terceiros se preocupam sobre deixar de trabalhar em casa quando os planos de retorno à escola ainda estão em dúvida, uma consideração que afetou as mulheres de maneira desproporcional.

Ao mesmo tempo, mais que uns poucos trabalhadores mais velhos recebem com agrado a positividade de trabalhar em casa, depois de anos em seus cubículos, enquanto pessoas na casa dos 20 anos sonham com a camaradagem de um escritório e o dinamismo de um ambiente urbano.

Ainda assim, que tantos jovens estejam trabalhando em casa é uma reversão de hábitos bem estabelecidos, disse Julia Pollak, economista do trabalho no mercado online de emprego ZipRecruiter.

“A norma por muito tempo foi a de que, nos escritórios, o trabalho remoto era reservado ao pessoal mais velho e mais confiável”, ela disse. “É interessante a rapidez com que os trabalhadores jovens se adaptaram a isso”.

Quando trabalham separados, os empregados mais jovens perdem a oportunidade de desenvolver contatos, encontrar mentores e ganhar experiência ao observar de perto o trabalho dos colegas, dizem gestores veteranos.

Em alguns casos, membros mais velhos da geração Y, como Jonathan Singer, 37, advogado imobiliário em Portland, Oregon, se veem defendendo o retorno antecipado aos escritórios diante de colegas mais jovens e céticos, que se acostumaram a trabalhar de casa.

“Como gestor, é realmente difícil desenvolver coesão e coleguismo sem que as pessoas estejam juntas em base regular, e é difícil orientar alguém sem estar no mesmo lugar que a pessoa”, disse Singer. Mas persuadir os colegas mais jovens a ver as coisas dessa maneira não vem sendo fácil.

“Com a força que os trabalhadores ganharam e a prova de que eles são capazes de trabalhar de casa, é difícil empurrar o creme dental de volta para dentro do tubo”, ele disse. Por medo de perder mais um subordinado, em um mercado de trabalho onde existe escassez de pessoal, Singer permitiu que um jovem colega trabalhe de casa um dia por semana, sob o entendimento de que a questão seria retomada no futuro.

“Tornou-se impossível dizer não ao trabalho remoto”, explicou Singer. “Simplesmente não vale a pena correr o risco de perder um bom trabalhador por causa de uma postura doutrinária de que as pessoas precisam estar no escritório”.

Amanda Diaz, 28, se sente aliviada por não precisar voltar ao escritório, ao menos por enquanto. Ela trabalha para a Humana, uma operadora de planos de saúde, em Porto Rico, mas vem realizando seu trabalho de casa, em Trujillo Alto, a cerca de 40 minutos de carro do escritório.

A Humana oferece ao pessoal a opção entre trabalhar no escritório ou de casa, e Diaz disse que continuaria a trabalhar remotamente enquanto tivesse escolha.

“Pense em todo o tempo que você perde se preparando para trabalhar e se deslocando para o trabalho”, ela disse. “Em lugar disso, uso essas duas horas ou pouco mais para preparar um almoço saudável, me exercitar ou descansar”.

Alexander Fleiss, 38, presidente-executivo da Rebellion Research, uma empresa de administração de investimentos, disse que alguns empregados haviam resistido a voltar ao escritório. Ele espera que o exemplo dos colegas e o medo de perder promoções por falta de interação pessoal com a chefia convençam as pessoas a voltar.

“As pessoas podem perder seus empregos por conta da seleção natural”, disse Fleiss. Ele disse que não se surpreenderia se trabalhadores começarem a processar empresas caso sintam ter sido demitidos por se recusarem a voltar ao escritório.

Fleiss também tenta persuadir os membros de sua equipe que estão trabalhando em projetos a voltar ao escritório chamando a atenção deles para os aspectos positivos da colaboração face a face, mas muitos trabalhadores ainda prefeririam continuar a interagir via Zoom.

“Se é o que eles querem, é o que eles querem”, ele disse. “Hoje em dia não há como forçar qualquer pessoa a fazer qualquer coisa. Só podemos insistir”.

EU ACHO …

LICENÇA PARA BELISCAR

Um snack fora de hora é demasiadamente humano

A pandemia colocou no vocabulário cotidiano do Japão a palavra kuchisabishii. Nas reuniões online, em consultórios médicos de Tóquio, nas revistas especializadas ou não, cada vez mais se ouve falar de kuchisabishii. Antes de nos afogarmos na sopa de letrinhas, o Google nos ensina a pronunciar corretamente:” kutchí-sabichí”. Literalmente, significa “boca solitária,” se bem que traduções literais em geral não ajudam muito a compreender o sentido das palavras estrangeiras.

O termo se refere, na verdade, ao hábito de comer por puro tédio, enquanto zapeamos a TV ou teclamos no computador. Quem sente a sensação de não ter nada melhor a fazer durante o confinamento prolongado acaba assaltando a geladeira seguidamente mesmo sem ter fome. Uma hora pega uma lasquinha de queijo. Mais tarde, ataca o resto da compota. Pouco depois, prepara um sanduíche. Se kuchisabishii fosse um verbo, a sua tradução seria “beliscar”.

É interessante notar, no entanto, que kuchisabishii não tem a conotação negativa que nós, brasileiros, costumamos atribuir ao nosso “beliscar”. A expressão japonesa não é entendida como compulsão alimentar. Não designa fraqueza de caráter, nem indício de transtorno. Para os japoneses, beliscar fora de hora não é condenável. É algo que faz parte da vida. É como se dissessem: se você tem vontade de entreter a boca mastigando bobagens sem o devido apetite, então vá em frente, sem culpa, entregue-se ao kuchisabishii. Melhor assim do que tentar reprimir o desejo, cobrando-se sem trégua uma atitude de determinação férrea em relação ao que come.

Gostei de conhecer a palavra e de saber que a filosofia dos japoneses os estimula a perdoar esse comportamento. E gostei porque, de certa maneira, me reconheci nessa atitude. Ouvi na expressão ecos de meus próprios conselhos. Afinal, minha dieta sempre considerou eventuais derrapadas em direção à cozinha como parte do processo de reeducação alimentar. É preciso identificar a linha tênue que separa a autocondescendência do perdão que merecemos nos conceder. É necessário, por vezes, calar o irritante grilo falante – a nossa consciência – que nos exige demais. Ou seja, depois de saborear um pedaço de bolo no meio da tarde, evite pensar que, só por isso, o regime fracassou. Nesse caso, você estaria desistindo precocemente de uma rotina saudável. Seria o equivalente à autossabotagem. Não resistiu ao bolo? Comeu antes de pensar? Tudo bem, aprenda com os japoneses: isso é apenas kuchisabishii.

A pandemia tem cobrado um preço alto. Por isso, sejamos gentis com nós mesmos. Lembre-se de que, em tempos de superação, é o.k. não se sentir o.k. – um conceito trazido à pauta na Olimpíada, com a desistência da Simone Biles de concorrer em algumas provas para preservar sua sanidade mental. Sim, a positividade pode ser tóxica, uma ideia que os japoneses aplicam aos supostos desvios da dieta. Descontar nossas ansiedades na comilança é uma coisa. É compulsão. Outra coisa, diferente, é se permitir snacks imprevistos. Não por gula desmedida, não por voracidade excessiva, mas apenas para atender a recaídas demasiadamente humanas.

*** LUCÍLIA DINIZ

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

COVID LONGA EXIGE MAIS DE HOSPITAIS PEDIÁTRICOS

Médicos têm tratado de casos de fraqueza a problemas cardíacos em crianças

Fraqueza, perda de memória, dificuldade de concentração e até problemas cardíacos. As sequelas da covid-19, mais conhecidas em adultos, também atingem crianças e adolescentes. Para monitorar sintomas persistentes da doença, hospitais criam ambulatórios pediátricos, e pesquisadores brasileiros coletam dados sobre a recuperação dos mais jovens. Além de ajudar as crianças a superar as consequências da doença, o objetivo é descobrir as repercussões da covid-19 a longo prazo – e quanto tempo elas podem durar.

Crianças e adolescentes, em geral, têm a forma mais branda da covid-19, mas podem manifestar sintomas que dificultam a retomada das atividades cotidianas após a alta. Um estudo britânico recente apontou que sintomas de longa duração são mais raros em crianças. Médicos e pesquisadores ainda não sabem porque algumas têm sintomas persistentes e outras não, mas já identificaram que até mesmo aquelas que tiveram quadros bem leves da doença podem manifestar a chamada covid longa meses depois.

Em junho, a estudante paulistana Anara de Quadros, de 14 anos, chegou ao hospital com uma dor forte no abdome. Os médicos suspeitaram primeiro de apendicite. Só depois veio o diagnóstico: era a covid-19. A adolescente ficou quatro dias internada, mas a alta não significou o fim dos problemas. ” Ela teve um susto grande, deu uma descompensada emocional. Quando saiu do hospital, ficaram ainda náuseas, vertigem e isso a levava a ter até uma falta de ar por batimento acelerado do coração”, conta a mãe, a dentista Iadasa de Quadros, de 44 anos. A família voltou ao hospital para acompanhar os sintomas pós-covid. A menina, então, recebeu tratamento para gastrite e foi encaminhada para tratar o quadro de ansiedade na terapia.

Para acompanhar o desenvolvimento de crianças que se infectaram, o Sabará Hospital Infantil, no bairro de Higienópolis, criou há dois meses um ambulatório pós-covid voltado a crianças e adolescentes. O atendimento tem recebido inicialmente meninos e meninas que lá ficaram internados – mas está aberto ao público infantil em geral. “Os sintomas são muito abrangentes. Depois de quatro semanas (da alta), vemos nas crianças a partir de 7 anos alguns sintomas parecidos com os de adultos, como ansiedade, insônia, cefaleia, dor abdominal. E, nas menores, inapetência, déficit de atenção”, explica

Júlia Carvalho Seabra, pediatra intensivista do ambulatório pós-covid para crianças e adolescentes no Sabará. Segundo Júlia, um dos desafios dos médicos é diferenciar o que são sequelas do vírus do que são repercussões do isolamento e da angústia trazida pela pandemia.

O acompanhamento de crianças também esbarra na dificuldade que os mais novos têm de relatar sintomas. São os pais que indicam mudanças no comportamento das crianças e até dificuldades na escola. “Esses pacientes precisam ser acolhidos, identificados”, diz a médica. Não há um tratamento específico contra a covid longa, mas alternativas para aplacar os sintomas e fazer com que a criança volte a se desenvolver normalmente. No caso de Anara, foram sugeridas caminhadas regulares, além da terapia. Hoje, a adolescente já se sente melhor. “As crianças não estão isentas do risco”, afirma Marco Aurélio Sáfadí, presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Segundo ele, há casos clássicos de perda do paladar e olfato, mas também complicações pulmonares, como broncoespasmos (contrações das vias aéreas), e cardíacas, além de fadiga e prejuízo da parte cognitiva entre as criança. Podem ocorrer ainda repercussões bastante raras após a infecção pelo coronavírus, como a síndrome inflamatória multissistêmica, duas a quatro semanas depois da contaminação. Nesses casos, graves, os sintomas incluem febre persistente, problemas gastrointestinais, inflamação na pele e complicações cardíacas. Até o dia 7de agosto, o Brasil registrava 1.204 casos da síndrome inflamatória multissistêmica e 74 mortes.

CASOS COMPLEXOS

O monitoramento pode ser, em geral, apenas clínico, com observação de sintomas pelo médico, mas, em algumas situações, demanda exames mais complexos. Foi o caso de João Amador da Silva, de apenas 4 meses. O bebê teve miocardite, uma inflamação no músculo do coração, após contrair a covíd-19 logo depois que nasceu, em abril deste ano. Na época, ele ficou 12 dias internado – três na UTI do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. Por causa das complicações, voltou a ser hospitalizado, desta vez para tratar a alteração cardiovascular.

“Até então, eu não sabia que criança estava pegando covid e achava que o meu era o primeiro bebê que tinha pegado. Quando saiu o resultado dos exames, foi um susto muito grande para mim e para toda família. Ficamos com medo de perder o João, pois a gente sabe o estrago que a covid faz, ainda mais quando pega uma criança”, diz a mãe, a auxiliar odontológica Joraci Kolodin.

Maior hospital exclusivamente pediátrico do Brasil, o Pequeno Príncipe tem mais de 100 crianças cm acompanhamento cardiológico, depois de terem contraído o coronavírus. “Sabemos que a população pediátrica é menos acometida pela covid-19, mas entre os casos que chegam ao hospital, que são os de maior gravidade, a proporção de crianças com envolvimento cardíaco é expressiva”, afirma a médica eletro fisiologista e cardiologista pediátrica Lânia Xavier.

A quantidade de casos levou o Pequeno Príncipe a criar uma ala específica para acompanhamento cardiológico de pacientes. Dos 1.100 casos de covid-19 que passaram pelo hospital, 230 necessitaram de internação. Desses, praticamente a metade apresentou complicações cardíacas. “Temos a expectativa de acompanhar esses casos por mais de um ano”, diz Lânia.

POESIA CANTADA

JOÃO E MARIA

CHICO BUARQUE

JOÃO E MARIA

COMPOSIÇÃO: CHICO BUARQUE / SIVUCA.

Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você, além das outras três

Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês

Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz

Pois você foi a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país

Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão, a gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem era nascido

Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim

Pois, você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida irá fazer de mim?

OUTROS OLHARES

ATRAÇÃO FATAL

Carentes de festas e bares, brasileiros solitários caem cada vez mais em golpes via aplicativos de encontros, um crime tão disseminado que é alvo de alertas da Interpol e do FBI

Separada e sentindo-se muito sozinha na pandemia, uma comerciante paulistana de 52 anos estava trocando mensagens cada vez mais íntimas e afetuosas com Albert Paul Chester, piloto americano de uma grande companhia aérea, 50 anos, divorciado, belos olhos azuis e corpo atlético. “Você é minha paz, a verdadeira definição de descanso para minha alma”, proferia o galanteador Chester, em tom poético – sempre por escrito, porque ele alegava não falar português e usar um tradutor virtual para se comunicar. O romance via Tinder, a plataforma de encontros mais popular do mundo, foi evoluindo, com promessas de mudança do piloto para o Brasil.

Para selar o compromisso, ele despachou pelo correio uma caixa com joias, perfumes e 260.000 dólares, para ela comprar o imóvel em que os dois morariam juntos. Problema: a suposta caixa foi “retida” na alfândega e para retirá-la era preciso pagar inúmeras taxas por meio de transferências bancárias. Ali começava o golpe mirabolante que arrancou 700.000 reais da comerciante, sugados de sua poupança, previdência privada e empréstimos hipotecando a própria casa. A trama, que se estendeu de março a outubro de 2020, envolveu falsos funcionários da Receita Federal, uma transportadora internacional e um banco britânico. “Era tudo tão elaborado que caí feito uma idiota. Estava apaixonada e cega”, conta a paulistana, que pediu para não ser identificada. Ela prestou queixa à polícia e tem esperança de reaver ao menos parte do dinheiro.

Esse tipo de estelionato virtual, também conhecido como “golpe Don Juan”, existe há tempos, mas ganhou tamanho impulso durante a quarentena imposta pela pandemia que levou a Divisão de Crimes Financeiros da Interpola emitir recentemente um alerta formal a 194 países, entre eles o Brasil. Também o FBI divulgou, no início do ano, uma notificação sobre os riscos dos falsos namoros pela web. Nos Estados Unidos, levantamento da Federal Trade Commission (FTC) mostra que esse tipo de artimanha cresceu 50% no ano passado, causando, além do rastro de corações partidos, um rombo de 304 milhões de dólares na conta bancária de americanos solitários. A polícia brasileira não dispõe de estatísticas precisas, mas é certo que o crime se disseminou no país. Segundo o instituto americano Pew Research, durante a pandemia o uso de aplicativos de relacionamento no Brasil aumentou até 400%, dependendo da região, e 78% da população usa ou já usou algum deles. Por outro lado, só entre março e maio de 2021, o número de fraudes eletrônicas de todos os tipos quase triplicou, somando mais de 15 milhões de registros. Os golpes envolvem muita vergonha. Pouca gente tem coragem de denunciar, mas no consultório percebo aumento no número de pacientes com problemas em decorrência dessas fraudes”, diz Christian Dunker, psicanalista e professor da USP. “Antes da pandemia, recebia no escritório uma pessoa por semana vítima de um golpe desses. Agora, são pelo menos três”, afirma o criminalista José Beraldo.

Os estelionatários cibernéticos lançam mão dos mais variados recursos para atacar suas presas. O chamado catfish, em que o golpista se passa por outra pessoa – como aconteceu com a comerciante paulistana -, está entre os mais usados. Já na sextorsão, o criminoso arquiva, ou diz que arquivou, nudes de seu alvo como forma de arrancar dinheiro dele. Os aplicativos de encontros são ainda ponto de partida para o conhecido “boa noite, Cinderela”, em que, no almejado encontro físico, a presa é dopada e roubada. O engenheiro Murilo Marques, 31 anos, ex- participante do programa Bake Off Brasil, relata que, há uns meses, trocou mensagens no aplicativo Grindr com um homem que usava foto dele mesmo, mas com nome de outra pessoa. Combinou de recebê-lo em casa, no centro de São Paulo, e o encontro casual virou pesadelo. Depois de manterem relações sexuais, o golpista disse ser garoto de programa e, de posse de uma máquina de débito, exigiu o cartão para efetuar o pagamento. Àquela altura, Marques, que suspeita ter sido drogado durante o sexo, sentia que perdia a noção da realidade. Irritado, o ladrão lhe deu um soco no rosto, exigiu que passasse as senhas dos cartões e o drogou novamente. Em vinte minutos, realizou transferências, empréstimos e pagamentos que somaram 45.000 reais e em seguida fugiu. “Decidi tornar a história pública para alertar outras pessoas. É tudo premeditado e esses criminosos não agem sozinhos”, relata Marques, que faz tratamento psicológico para superar o trauma.

Na “carentena”, gíria cunhada em meio ao isolamento social, os cibercriminosos encontraram terreno fértil nos solitários que, privados das festas e dos bares onde costumavam conhecer pessoas, acabaram se rendendo aos sites de relacionamento. “Diferentemente do europeu ou americano, o brasileiro é dependente do convívio social encontrou nos apps uma alternativa à privação de contato. A malandragem, por sua vez, sempre migra para onde há público”, observa o antropólogo Bernardo Conde, da PUC-Rio. “Muitas pessoas ficaram mais frágeis e vulneráveis, tornando-se presas fáceis para esse tipo de crime”, acrescenta a psicóloga Lídia Aratangy. Valendo-se disso, farsantes como Danilo Melo, 32 anos, são suspeitos de aplicar seguidos golpes em mulheres nos últimos meses. Bonito, viajado, com gosto requintado e se apresentando como executivo ora da XP Investimentos, orado Bank of America, Melo é acusado de induzir pelo menos treze garotas a lhe dar dinheiro para aplicar e, depois, sumiu de vista. Após a denúncia de uma das vítimas, em abril, ele foi preso em Balneário Camboriú, Santa Catarina, mas acabou liberado por falta de flagrante. “É impressionante esse Danilo continuar à solta e dando golpes em série”, diz uma médica de 27 anos, que pediu para não ser identificada e administra um grupo de enganadas pelo trambiqueiro no Instagram. Ela relata que se relacionou com o sujeito por quatro meses e perdeu 5.800 reais, mas sabe de um caso em que ele embolsou 100.000 reais.

Os casos virtuais de estelionato são tantos e tão frequentes que estão chegando ao streaming: a Netflix anunciou a compra dos direitos do documentário Tinder Swindler (Vigarista do Tinder, em tradução livre), relato da trajetória de um israelense que se passava por magnata russo para aplicar golpes em mulheres escandinavas. No Brasil, mentir na paquera virtual é esporte nacional. Em pesquisa global feita neste ano pelo aplicativo Happn, os brasileiros sagraram-se campeões nesse departamento: 51% dos entrevistados já contaram alguma balela na cantada, acima da média mundial, de 29%. Evidentemente que apenas uma fração das lorotas resvala para a criminalidade.

Para dar mais segurança aos usuários, o Tinder criou em 2020 um selo de verificação, a tag azul, que indica que a imagem do perfil é genuína. Outro aplicativo, o Bumble, dispõe de uma equipe em tempo integral encarregada de verificar se os inscritos são realmente quem dizem ser. Todos orientam os participantes a jamais aceitar pedidos de dinheiro, mas mesmo assim as fraudes seguem proliferando e se sofisticando. O ator Ricky Tavares, de 29 anos, conta que até o mês passado sua imagem estava sendo usada no Tinder por outra pessoa, que se fazia passar por ele. “Nunca usei o aplicativo e, de uma hora para outra, comecei a receber uma enxurrada de mensagens no Instagram. Resolvi fazer um vídeo denunciando o caso”, diz. Na azaração virtual, todo o cuidado é pouco.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 03 DE SETEMBRO

A PERVERSIDADE DÁ À LUZ A VERGONHA

Vindo a perversidade, vem também o desprezo; e, com a ignomínia, a vergonha (Provérbios 18.3).

A perversidade é filha da impiedade. A impiedade diz respeito à nossa relação com Deus, enquanto a perversidade se refere à nossa relação com o próximo. Aqueles que se afastam de Deus e se rebelam contra ele degradam-se moralmente e transtornam a vida do próximo. A teologia desemboca na ética. Nossas crenças se refletem em nossas ações. Como o homem pensa no seu coração, assim ele é. Uma pessoa perversa, rendida ao pecado, escrava de suas paixões, acaba colhendo o desprezo. Por ser egoísta, avarenta e violenta em suas palavras e ações, termina no ostracismo social, desprezada por todos. Quem mancha seu nome e perde sua reputação pessoal cobre-se de vergonha. O pecado não compensa. Arruína o caráter, produz desprezo e traz vergonha. Os maus são desprezados e acabam cobertos pelos trapos da vergonha. Colhem o que plantam. O mal que intentam contra os outros cai sobre sua própria cabeça. Eles sofrem as consequências de suas próprias ações perversas. É impossível semear o mal e colher o bem. É impossível agir com perversidade e não ceifar o desprezo. É impossível deixar o nome se arrastar na lama sem se cobrir de opróbrio.

GESTÃO E CARREIRA

O QUE OS CEOS CONTAM SOBRE O TRABALHO REMOTO

Pensar no futuro das empresas ainda é incerto, mesmo após a vacinação, diante disso, o home-office um modelo que parecia apenas uma alternativa à pandemia está cada vez mais consolidado no mercado

As incertezas sobre o retorno aos escritórios ainda rondam os profissionais e empreendedores, ainda assim, muitas empresas viram no home-office um modelo mais produtivo.

Alguns CEOs de startups afirmam que o trabalho remoto tem ajudado no dia a dia de suas empresas. É o caso de Rogério Vairo, fundador da Eu Amo Cupons – plataforma de cupons de descontos, que cresceu 30% no ano passado. Para ele, as vantagens do trabalho remoto vão desde a qualidade de vida, custos até a produtividade dele e do time.

Vairo, que mudou para Atibaia, interior de São Paulo, no início do isolamento social destaca que na capital “a gente faz tudo com muita pressa” e ressalta que atualmente está mais concentrado e focado em suas tarefas, pois se sente menos estressado e as executa com mais qualidade que antes.

“Também reduzimos custos com aluguel, estacionamento, transporte, entre outros e como startup, eliminar esses custos faz muita diferença no caixa da empresa”, destaca o CEO.

Com o enorme avanço tecnológico das últimas décadas, diversas áreas e setores conseguiram se adaptar rapidamente ao ambiente remoto após a pandemia. O home-office deve continuar no futuro, mesclado com encontros presenciais assim que for viável. Marcelo França, CEO da Celcoin – maior plataforma de Open Finance do país -, por exemplo, gosta de ir ao escritório, localizado em Alphaville, Região Metropolitana de São Paulo, esporadicamente.

No entanto, elogia o trabalho remoto, que o ajuda, inclusive, a contratar pessoas de todo país. “O trabalho remoto nos auxilia na contratação de novos talentos, que podem estar em qualquer parte do Brasil e do mundo e para nós foi super fácil essa adaptação, pois o time é engajado e está cada dia mais produtivo”.

Rogério viu no trabalho remoto e no interior uma forma de alavancar negócios por meio da qualidade de vida e é super a favor do modelo. “Penso em não voltar mais pra capital paulista”, ressalta. Por fim, ele dá dicas para outros empreendedores: é essencial fazer uma agenda com tudo o que você precisa fazer no dia e se policiar para cumprir a lista toda.

Nessa listagem é muito importante reservar, ao menos, uma hora do seu dia para alguma atividade física. De acordo com ele, tendo a agenda organizada e disciplina na execução, o empreendedor vai ter mais tempo para a família e descanso.