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POR QUÊ CRIAR O BLOG? POR QUÊ O TÍTULO?

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Nos dias atuais gastamos mais tempo conectados  que o diálogo e a leitura de livros de papel tornaram-se absoletos.  Em contrapartida, a leitura visual através de mídias vem crescendo e ocupando o tempo das pessoas que, imperceptíveis aderem aos novos hábitos. Assim, faz-se necessário que nós, os que ainda prezam pelos bons e velhos hábitos ajustarmos às novas necessidades e assim, servir de leme aos que naufragam  ante a ignorância não somente de conhecimento mas até mesmo de conhecimento de verdades que consolidam suas opiniões.

A igreja é ainda o principal elo de ligação entre a sociedade e as necessidades do homem para a aproximação do Criador e sua criatura. Àqueles que entendem que precisam se preparar melhor e que não encontram tempo para a leitura e seminários cuja presença física se faz  necessária, ofereço a oportunidade de compartilhar conhecimento e aprendizado acumulados ao longo de mais de vinte anos de caminhada e serviço cristão como uma forma de auxiliar na capacitação para transformar pessoas comuns em líderes extraordinários.

Fazendo assim, não só cresceremos na graça e conhecimento como glorificaremos o nome do Senhor entre povos e nações.

 

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PSICOLOGIA ANALÍTICA

SEGREDOS DA INTELIGÊNCIA

Segredos da inteligência

Quer ser brilhante como uma lâmpada e rápido como um raio? Afie sua inteligência dominando o poder das palavras, dos idiomas e da mnemônica.

Numa época em que a geladeira pode nos ajudar a fazer a lista de compras e o celular responde a quase todas as perguntas, não é mais preciso se lembrar de nada. E assim as façanhas dos campeões de memória, que recordam centenas de nomes e rostos, sequências aleatórias de números ou palavras ou a ordem das cartas em vários baralhos, parecem mais super-humanas do que nunca.

Mas essa gente de memória fenomenal tem um ótimo segredinho: em um estudo publicado recentemente na revista Neuron, pesquisadores consta­ taram que os supermemorizadores não têm regiões cerebrais maiores que lhes permitam absorver e guardar uma quantidade prodigiosa de informações. Sua estrutura cerebral, em essência, é a mesma que a nossa.

 COMO MELHORAR A MEMÓRIA

Ao comparar exames cerebrais de 23 campeões da memória (que ficaram entre os 50 primeiros lugares do Campeonato Mundial de Memória) com os de 23 pessoas comuns da mesma idade, sexo e QI, os cientistas só encontraram uma diferença: no cérebro dos campeões, as regiões associadas à memória e ao aprendizado visual e espacial se iluminaram com um padrão específico. No cérebro das pessoas comuns, essas mesmas regiões se ativaram de forma diferente.

Por que isso é importante? Porque aprendemos vendo, e quanto mais vemos, mais recordamos coisas. Esses supermemorizadores aperfeiçoaram o método de converter os itens que querem recordar (números, rostos, cartas e até formas abstratas) em imagens que eles ”veem” na mente. É um processo chamado ”construção do palácio da memória”.

Eis como funciona: primeiro, você transforma os itens numa imagem – qualquer coisa da qual vá se lembrar. Por exemplo, para recordar sequências de cartas, Ed Cooke (reconhecido como Grão-Mestre da Memória pelo Conselho Mundial de Esportes de Memorização) contou ao escritor americano Tim Ferriss que atribui a cada carta uma celebridade, uma ação e um objeto; assim, cada combinação de três cartas forma uma imagem única com a celebridade da primeira carta, a ação da segunda e o objeto da terceira. Dessa maneira, ”valete de espadas, seis de espadas, ás de ouros” se tornam o dalai-lama usando o vestido de carne de Lady Gaga e segurando a bola de basquete de Michael Jordan. O sistema de Cooke se baseia na ideia de que a memória se prende melhor às pistas incomuns.

Depois, ponha mentalmente essa imagem em algum lugar que você conheça: em sua casa ou em algum ponto da ida para o trabalho, por exemplo. Finalmente, crie uma história sobre os itens que vai ajudá-lo a ligá-los na ordem correta.

Eis alguns truques favoritos que ajudam a lembrar coisas na vida cotidiana.

Para lembrar: Palavras novas Técnica: Mude a rotina

Em um estudo clássico realizado na década de 1970 na Universidade de Michigan, um grupo de alunos estudou uma lista de palavras em duas sessões separadas. Alguns o fizeram numa salinha cheia de coisas e outros num espaço com duas janelas e um espelho falso. Um grupo de alunos passou ambas as sessões na mesma sala, enquanto o outro fez cada sessão num ambiente. Numa prova realizada numa sala totalmente diferente, os alunos que estudaram em vários lugares recordaram 53% mais do que os que estudaram em uma só sala.

Estudos subsequentes mostraram que variar outros aspectos do ambiente (a hora do dia, a música de fundo, ficar sentado ou em pé etc.) também ajuda a recordar, pois o cérebro liga as palavras (ou o que você estiver aprendendo) ao contexto que o cerca, e, quanto mais pistas contextuais você associar às palavras, mais base o cérebro terá para recordá-las.

Para lembrar: Senha numérica Técnica: Conte-a

Você pode usar seu aniversário, é claro, ou o número de telefone, mas os ladrões de identidade conseguem descobrir essas senhas bem depressa. Em vez disso, experimente esta dica de Dominic O’Brien, oito vezes Campeão Mundial de Memória: escreva uma frase de quatro palavras e conte o número de letras de cada uma. Por exemplo ”Esta é minha senha”= 4155.

Para lembrar: Fatos e números Técnica: Dê tempo ao tempo Mamãe tinha razão: estudar na véspera não é a melhor maneira de memorizar. Para aprender e recordar estatísticas (ou praticamente qualquer tipo de informação factual), reler o material algumas vezes num período maior é muito mais eficaz do que repeti-lo num período curto.

Essa técnica data de 1885, quando o psicólogo Hermann Ebbinghaus descobriu que conseguia aprender uma lista de palavras sem sentido se a repetisse 68 vezes num dia e mais sete vezes antes de ser testado no dia seguinte. Mas aprendia igualmente bem o mesmo número de palavras se as repetisse um total de 38 vezes no decorrer de três dias.

Pesquisas mais recentes demonstraram o intervalo ótimo das sessões de estudo: se a prova for daqui a uma se­ mana, estude hoje e, novamente, daqui a um dia ou dois. Se for daqui a um mês, estude hoje e espere uma semana antes de rever o conteúdo. Daqui a três meses? Espere três semanas para voltar a estudar. Quanto mais distante for a prova, maior o intervalo ótimo entre as duas primeiras sessões de estudo.

(Uma revisão final na véspera da prova também é boa ideia.)

Para lembrar: Um novo idioma Técnica: Leia e escute

Em um estudo realizado na Universidade de Porto Rico, 137 estudantes falantes de espanhol foram separados em dois grupos. Durante oito sema­ nas, um grupo leu um livro em inglês enquanto, ao mesmo tempo, escutava a versão em áudio; o outro só leu o livro em silêncio. A cada semana, todos os estudantes respondiam a um questionário. Em todos os oito questionários, os que leram e escutaram tiveram pontuação melhor do que o grupo que só leu.

Para lembrar: Rostos Técnica: Foco no nariz

Embora alguns supermemorizadores se especializem em associar nomes a rostos (uma das disciplinas dos Campeonatos Mundiais da Memória), a técnica do palácio da memória não funciona tão bem quando a imagem do rosto estiver cortada, com as cores corrigidas ou com alguma alteração.

Recordar rostos e lembrar-se deles em contextos diferentes pode ser uma habilidade especial que vários estudos ligam à personalidade: os extrovertidos reconhecem rostos muito melhor do que os introvertidos, por exemplo. Uma dica: em vez de se concentrar nos olhos, como faz a maioria, concentre-se no centro ou à esquerda do nariz. Isso permite que você capte o rosto inteiro de uma vez.

Para lembrar: A lista de compras

Técnica: Envolva o corpo

Com que frequência você já escreveu sua lista e depois esqueceu onde a guardou? Nessa variante do palácio da memória, visualize os itens da lista em diversas partes do corpo. Por exemplo, imagine que equilibra o queijo na cabeça, um ovo no nariz e uma caixa de leite no ombro.

POR QUE LER É IMPORTANTE

A pergunta é simples; responda com franqueza, porque sua resposta pode aumentar o prazer da vida cotidiana, retardar a demência e até ajudá-lo a viver mais: quantas horas você dedicou à leitura de livros na semana passada?

Desde 1992, essa pergunta chega a milhares de lares americanos de dois em dois anos, no Estudo de Saúde e Aposentadoria (HRS, na sigla em inglês) da Universidade de Michigan. Item pequeno numa pesquisa imensa com mais de 20 mil aposentados, ela foi ignorada por muito tempo na análise da saúde cerebral dos idosos.

Mas, em 2016, quando pesquisadores da Escola de Saúde Pública de Yale, nos EUA, desenterraram 12 anos de dados do HRS sobre hábitos de leitura e saúde de mais de 3.600 homens e mulheres com mais de 50 anos, um padrão esperançoso surgiu: quem lê livros – ficção ou não ficção, prosa ou poesia – pelo menos meia hora por dia durante vários anos vive em média dois anos mais do que quem não lê nada.

Ainda mais estranho, os leitores de livros que relataram mais de três horas de leitura por semana tiveram probabilidade 23% menor de morrer entre 2001 e 2012 do que os colegas que só liam jornais e revistas.

Se você estiver lendo isso, provavelmente não é preciso convencê-lo dos méritos da palavra escrita. Talvez já conheça estudos recentes que indicam que crianças de apenas 6 meses cujos pais liam livros para elas várias vezes por semana apresentam, quatro anos depois, maior capacidade de alfabetização, pontuação melhor em testes de inteligência e maior chance de realização profissional no futuro.

Mas pesquisas recentes defendem que a leitura pode ser igualmente importante na idade adulta. Quando praticada a vida inteira, a leitura e a capacidade de aquisição da linguagem promovem, de forma substancial, o funcionamento saudável do cérebro. Para entender por quê – e o que cada um de nós pode fazer para obter o máximo das palavras -, comece fazendo a mesma pergunta que a equipe de Yale: o que há na leitura de livros que aumenta o poder cerebral e que a leitura de jornais e revistas não tem? Para começar, postulam os pesquisadores, os livros com capítulos estimulam a ”leitura profunda’: Ao contrário, digamos, de dar uma olhada numa página cheia de títulos, ler um livro (de qualquer gênero) força o cérebro a pensar de maneira crítica e a fazer conexões entre um capítulo e outro e com o mundo exterior. Quando você faz conexões, o cérebro também faz, forjando literalmente novas vias entre regiões dos quatro lobos e de ambos os hemisférios. Com o tempo, essas redes neurais promovem pensamento mais rápido e permitem uma defesa melhor contra os piores efeitos da degeneração cognitiva.

Em segundo lugar, já se demonstrou que a leitura de livros, principalmente de ficção, eleva a empatia e a inteligência emocional. Um estudo de 2013 constatou que os participantes que leram apenas a primeira parte ou primeiro capítulo de uma história exibiram, uma semana depois, um aumento perceptível da empatia, enquanto os leitores de notícias mostraram redução. Esses achados talvez pareçam triviais, mas não são; o desenvolvimento de ferramentas sociais como a empatia e a inteligência emocional pode levar a mais e melhores interações humanas, que, por sua vez, baixam o nível de estresse – e ambos os fatores ajudam a viver mais e ter mais saúde. Isso não é dizer que revistas, jornais e textos da internet não tenham seus méritos. Ler qualquer coisa que preencha a mente e nos exponha a novos mundos, expressões e fatos traz benefícios mentais. Novas pesquisas indicam que um vocabulário maior pode tornar a mente mais resiliente por alimentar o que os cientistas chamam de reserva cognitiva.

Um modo de entender essa reserva é como a capacidade do cérebro de se adaptar a lesões. A reserva cognitiva ajuda os neurônios a encontrarem novas vias mentais em torno de áreas danificadas por AVCs, demência e outras formas de degeneração.

Isso pode explicar por que, depois da morte, descobriu-se que muitos idosos aparentemente saudáveis abrigavam no cérebro sinais avançados da doença de Alzheimer, apesar de terem poucos sintomas em vida. Acredita-se que a reserva cognitiva permita a alguns idosos compensar, de forma imperceptível, lesões cerebrais ocultas.

E como se aumenta a reserva cognitiva? É outra boa notícia para os amantes da palavra. Sabe-se que o vocabulário resiste ao envelhecimento; de acordo com pesquisadores da Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha, ter um vocabulário rico pode retardar de forma significativa a manifestação do declínio mental. Ao analisar a pontuação de mais de trezentos voluntários com 50 anos ou mais em testes de vocabulário, a equipe verificou que os participantes com nota mais baixa tinham risco de degeneração cognitiva três a quatro vezes maior do que os participantes com nota mais alta.

Aprender palavras estrangeiras também oferece importantes nutrientes cognitivos. A pesquisa mostra que aprender algo novo, como tocar um instrumento ou falar outro idioma, é uma das melhores coisas que se pode fazer pelo cérebro em qualquer idade. Lembra-se daquela poderosa rede de conexões cerebrais que obtemos com a leitura? Aprender um segundo idioma faz essa rede crescer; já se comprovou que os poliglotas são melhores do que os monolíngues na multitarefa, na memorização e na concentração em informações importantes.

Um estudo publicado em 2013 na revista Neurology mostrou que pacientes que falavam dois ou mais idiomas desenvolveram demência 4,5 anos mais tarde, em média, do que pacientes monolíngues. E, embora o cérebro que aprende uma segunda língua no início da vida provavelmente tenha mais vantagens cognitivas do que o que aprende depois, nunca é tarde demais. Também não é preciso se tornar um falante fluente. ”Basta ter o básico daquelas conexões linguísticas para retardar a demência’; disse à revista Atlantic o Dr. Thomas Bak, da Universidade de Edimburgo.

É claro que aprender um novo idioma não é algo rápido. Por sorte, o efeito de uma única aula pode dar gratificação instantânea. Pesquisadores da Alemanha e da Espanha mandaram 36 participantes lerem duas frases contendo a mesma palavra estrangeira: ”Todo domingo, a avó ia ao jedin” e ”O homem foi enterrado no jedin’: Quando perguntaram o que significa jedin, os que adivinharam corretamente ”cemitério” mostraram reações nas mesmas partes do cérebro que percebem o prazer e que reagem a comida, sexo, jogo e outros estímulos satisfatórios.

Mas, quando se trata de palavras, o abuso é incentivado. Vale a pena aumentar sua competência com elas – hoje, amanhã e pelo resto da vida.

OUTROS OLHARES

PERSEGUIÇÃO ON-LINE

Maiores alvos de assédio e violência na internet, mulheres ganham amparo com nova Iei que atribui investigações à Polícia Federal. Em dois anos, número de casos cresceu 26.000%

Perseguição On-line

Faz um ano que a dona de casa Alessandra Cristiane de Castro Fuzinaka, 44 amos, abre sua conta do Facebook com medo. Desde que checou suas mensagens e viu que um desconhecido havia lhe escrito, elogiando a roupa que ela usava no caminho para a academia, passou a se sentir ameaçada. “Não tem coisa melhor do que acordar e dar de cara com você”, ele disse certa vez, entre outras coisas que mostravam que ele a perseguia. “Ficou amedrontador, cheguei ao ponto de não sair mais sozinha de casa”, afirma Alessandra. Foi à delegacia, onde minimizaram sua situação e sugeriram, que procurasse a Defensoria Pública. Foi a uma Delegada da Mulher, mas estavam sem sistema. A epopeia enfrentada por mulheres que, como Alessandra, são assediadas pela internet, é resultado da dificuldade de acesso à Justiça para se investigar autores dos assédios virtuais e puni-los. Com isso, a prática deixa de ser coibida, e é natural que o número de casos cresça vertiginosamente.

Segundo levantamento do Instituto Avon, situações de assédio on-line aumentaram 26.000% entre 2015 e 2017. E esse é apenas um dos tipos de problema enfrentados. O espectro da violência abrange agressões verbais, ameaças diretas, exposição de dados, fotos e disseminação de discursos de ódio –  que podem incluir, além de ofensas de gênero, racismo e homofobia. De acordo com a Organização das Nações Unidas, (ONU), 95% de todos os comportamentos agressivos e difamadores em ambientes virtuais têm mulheres como alvo. Uma nova legislação promulgada em abril pode mudar o cenário. Agora, uma denúncia de misoginia na internet, o que significa ódio a mulheres, é investigada pela Polícia Federal, que tem mais estrutura para apurar os casos.

A nova lei já surtiu efeito. Na quinta-feira 1O, a Polícia Federal executou a operação Bravata -expedindo oito mandados de prisão contra pessoas acusadas de propagar ódio na internet, principalmente contra mulheres. Um dos presos, Marcelo Valle Silveira Mello, detido em Curitiba, já havia sido indiciado em 2009 por crime de racismo na internet   foi inclusive a primeira pessoa a responder por isso no Brasil, mas liberado alegando insanidade. Voltou a ser condenado em 2012, durante a operação Intolerância, também da PF, e cumpriu um ano de pena. Desta vez, foi detido por incitar a violência contra diversos grupos sociais, inclusive com registro de disseminação de conteúdo pedófilo em um fórum anônimo na internet. Está em prisão preventiva. Para a professora Lola Aronovich, da Universidade Federal do Ceará (UFC), é uma vitória. Lola acusa Mello de ameaça de morte e de ter criado, em 2015, um site em nome dela em que se vendiam remédios abortivos e se dizia que ela havia feito um aborto em sala de aula. A legislação, inclusive leva seu nome: Lei Lola. Blogueira feminista que publica denúncias de violência contra mulheres em seu site desde 2011, começou a ser perseguida em 2012 e, desde então, fez 11 boletins de ocorrência.

Conseguir fazer uma denúncia, portanto, é difícil, seja porque as autoridades ainda não estão preparadas ou porque há muita descrença em relação a esse tipo de crime, o virtual. Em relatório enviado à Organização das Nações Unidas (ONU) sobre violências de gênero na internet brasileira, as organizações Coding Rights e lnternetLab mostraram que a falta de credibilidade dada às vítimas é um dos motivos que levam ao aumento de casos. “A banalização de manifestações de violência on-line sob a crença de que elas começam e terminam no meio digital é a primeira forma de diminuir a gravidade desse problema”, aponta o documento. As mulheres são subestimadas em

suas denúncias e, quando há respostas da Justiça, não são eficientes”. Afirma Juliana Cunha; diretora de projetos especiais da ONG Safernet. Na semana passada surgiu uma iniciativa para auxiliar as vítimas: o Facebook e a ONG brasileira Think Olga lançaram a plataforma Conexões que Salvam, com orientações sobre o que fazer em situações de perseguição e ameaças virtuais.

MEDIDA PROTETIVA

Há ainda outras dificuldades para dar continuidade a uma investigação, explica a promotora de Justiça do Estado de São Paulo, Marta Gabriela Prado Manssur. “A Vítima precisa contratar um advogado pra entrar com ação penal num prazo de seis meses, e muitas vezes não tem condição financeira, o que cria um, obstáculo de acesso à Justiça.”  Para ela, o alto índice dos crimes é ligado à sensação de impunidade, já que são raros os casos em que o criminoso é condenado. No caso da paulistana Márcia (nome fictício), a vitória foi conseguir uma medida protetiva que impede o ex-namorado de manter qualquer contato com ela. “Terminei o relacionamento, e ele começou a me ameaçar, dizendo que vazaria fotos íntimas minhas. Disse que ia me matar. Vivi essa chantagem por três meses”. Agora, ele não pode se aproximar dela nem virtualmente. Espera-se que, em breve, a justiça que chegou a Marcia funcione para todas.

Perseguição on-line2

GESTÃO E CARREIRA

O SHOPPING DO SEU NEGÓCIO

Se a sua empresa ainda tem dúvidas se deve estar presente em um marketplace, veja os benefícios e as oportunidades que se abrirão ao optar por essa estratégia.

O shopping do seu negócio

Se você está começando no mercado e ainda não vende no e­commerce, ou já tenham uma loja virtual, mas queira melhorar o desempenho das suas vendas, o marketplace se tornou um dos caminhos mais bem-sucedidos no País nos últimos tempos. Segundo a Sieve – empresa de inteligência de preços -, quase 20% das ofertas do e-commerce brasileiro já se dão por meio deles.

Segundo o CEO do Elo7 – marketplace de produtos criativos e autorais-, Carlos Curioni, os marketplaces são hoje um dos grandes apoiadores dos PMEs no Brasil. ”Além de oferecerem um espaço onde esse empreendedor poderá criar e desenvolver sua marca na internet, é também uma opção mais econômica para as empresas que ainda não conseguem investir em uma loja física ou em um site próprio”, afirma.

Entrar em um marketplace significa também participar das principais vitrines do Brasil. Além da visibilidade de marca, é uma estratégia que requer baixo investimento, o que é essencial para quem está começando. “Em um modelo tradicional, um lojista precisa investir em marketing (anúncios, adwords, newsletters) para atrair usuários para seu e-commerce. Esse investimento é feito sem a garantia de venda, além de exigir um bom fôlego financeiro. No marketplace ele só pagará a comissão, que geralmente é uma porcentagem predeterminada caso a venda seja concretizada”, conta o CEO do Digital Commerce Group – que detém as plataformas EZ Commerce, CORE e a recém-lançada Octopus, voltada totalmente a marketplaces -, Henrique Mengue.

ESTRATÉGIA

Claro que ter seus produtos ou serviços na internet podendo ser vistos por milhares de pessoas é sempre uma boa estratégia para alavancar ainda mais o negócio. No entanto, para o fundador da ReachOut Business Solutions, Edsel Oliveira, é importante que o empreendedor tenha consciência do que ele deseja alcançar ao criar e divulgar sua empresa nesse tipo de canal. “O marketplace pode ser uma opção dentro de uma estratégia. Como, por exemplo, se a estratégia for deixar o produto disponível ao consumidor, sem ter o próprio e-commerce. Porém, é fundamental lembrar que o produto estará concorrendo com outros muito similares, onde o fator preço é relevante”, avalia.

Para o diretor de marketplace e serviços do Walmart.com, Luiz Pimentel, não há dúvidas de que ele seja o canal perfeito. “O Marketplace é uma grande oportunidade para as PMEs – como já dito, o pequeno empreendedor não precisa gastar com marketing, além disso, acessa toda base de clientes, não corre risco de fraude, recebendo o pagamento. Enfim, uma grande vantagem versus canais de marketing pagos onde não se tem certeza sobre a venda”, reforça.

Sem contar ainda que é uma plataforma de fácil utilização. Em poucos minutos, é possível começar a vender um produto, sem grandes burocracias e sem nenhuma dificuldade.  “O pequeno e microempreendedor deve diversificar os seus canais de vendas e ampliar a disponibilidade do seu produto para a maior quantidade de clientes possíveis. Por esse motivo, nada mais fácil que estar em uma plataforma de tecnologia que tem milhões de visitantes por mês nas diferentes regiões do Brasil”, informa o diretor de marketplace do Mercado Livre, Leandro Soares.

 OS DOIS LADOS DA MOEDA

Importante o empreendedor saber, contudo, que não é só porque ele está inserido no marketplace que não poderá ter um e-commerce. É importante, na verdade, ter os dois. “O e-commerce é a sua marca, sua relação direta com os clientes. O marketplace traz o volume, mas, após uma venda, o cliente poderá virar um cliente direto, melhorando a sua margem”, acredita o CEO do Digital Commerce Group.

Carlos Curioni complementa que uma opção não exclui a outra e existem muitos negócios com presença nos dois canais. Entretanto, o marketplace tipicamente apresenta três vantagens sobre uma loja virtual típica: O custo inicial para montar a loja é menor, o marketplace faz o papel de marketing para o negócio e, na maioria dos casos, não há custo fixo para a operação.

Edsel Oliveira diz ainda que, se for o caso, alguns marketplaces podem até enriquecer a presença on-line. Afinal, assim como a loja física e o varejo on­line são complementares, os marketplaces e os e-commerces podem trabalhar juntos e se complementarem. “Prova é que o Mercado Livre possui uma ferramenta chamada Mercado Shops para qualquer pessoa e empresa produzir seu próprio site de e-commerce. Além disso, por meio do sistema de APTs do Mercado Livre é possível fazer o espelhamento da nossa plataforma com outros sites, isto é, ao anunciar um produto no XYZ, o vendedor adicionará um estoque, ao vender, a quantidade será subtraída do estoque das duas plataformas, fazendo assim com que o gerenciamento se torne muito fácil e intuitivo”,  exemplifica o diretor Leandro Soares.

Ele reforça ainda que, ao contrário do que muitos empreendedores pensam, o varejo on-line também não é excludente do off-line, e sim complementar. ”A loja física não é dispensável por causa das vendas on-line e vice­ versa. Umas das novidades do mercado de e-commerce tem sido a compra no on-line e retirada no off-line. E por que uma pessoa compraria no on-line e retiraria no off-line? Isso ocorre porque na internet é muito mais simples e rápido comparar preços, fabricantes e modelos de produtos, e não existem os custos de transporte entre diversas lojas ou shoppings e/ou estacionamento, tempo de deslocamento que é um agravante em grandes cidades, entre outros fatores”.

OPERAÇÃO

É importante entender que trabalhar em um marketplace e atender clientes no varejo on-line não tem muitas diferenças do mundo físico. Segundo Soares do Mercado Livre, é preciso dar atenção ao cliente, responder às perguntas de forma rápida e clara, apresentar bem o produto e ter um processo de pós-venda cuidadoso. “Para isso, é preciso entender qual o tamanho da demanda desse produto, o que pode demonstrar a necessidade da contratação de um gerente de e­commerce para gerenciar a operação. É necessário ainda investirem treinamento para o setor de vendas e logística. Existem microempresas que não possuem funcionários ou têm apenas um. Mas há outras que já começam a operação precisando de mais investimentos. Então é necessário analisar caso a caso”, afirma.

Por isso, Henrique Mengue dá algumas dicas para começar a operar dentro de um Marketplace: “O primeiro ponto é decidir quais produtos o lojista venderá. A dica aqui é procurar se diferenciar, pois o desejo do marketplace é ter um grande mix de produtos. Vender o que todo mundo já vende pode tirar sua competitividade”, alerta o CEO do Digital Commerce Group.

Além disso, ele afirma que é preciso o empresário conversar com os próprios marketplaces. “Todos eles possuem canais para cadastrar novos Sellers (nome dado a um vendedor dentro de um marketplace). Nessa conversa, o lojista vai conhecer as taxas, as regras, etc.”, diz Mengue.

Depois disso, organize sua operação. Planejamento aqui é fundamental para o lojista definir como será o processo de compra de produtos, embalagem, expedição e atendimento. É importante lembrar que a venda é realizada pelo Marketplace, mas a entrega e o atendimento serão feitos pela sua empresa.

E, assim como Leandro Soares, Mengue indica que contratar uma plataforma para gestão de marketplace também é indicado. “Sistemas como o Octopus ajudam o empreendedor a administrar a venda em dezenas de marketplaces, tudo centralizado em um único painel. Além da tecnologia, essas empresas ajudam em conceitos e treinam o cliente nas principais operações do marketplace”, ensina.

SEGMENTADOS

Uma dúvida de muitos empreendedores antes de entrar em um marketplace é se é melhor estar presente em um que ofereça vários tipos de produtos e serviços ou naqueles mais segmentados. Edsel Oliveira explica que quando o seu produto está em um marketplace segmentado, ele estará se associando a marcas que também estão presentes nele, o que pode ser uma vantagem. “Mas, muitas vezes, existirão marcas ou produtos que concorrem somente em preço, o que pode prejudicar também a imagem do seu produto”, ajuíza.

Mengue do Digital Commerce Group já diz que isso vai depender do seu segmento. “O importante é testar e ver qual canal se adapta mais ao seu caso. Obviamente, os marketplaces de nicho, como de ‘moda’ ou de ‘decoração’, por exemplo, terão mais consumidores procurando por itens desses segmentos, mas os genéricos podem compor uma venda adicional significativa, já que contam com um tráfego maior. Como o lojista só paga a comissão se vender, a regra é testar todos e analisar o que traz melhores resultados”, aconselha.

POTENCIALIZE

Pronto, você já entrou no marketplace, como fazer agora para potencializar as suas vendas dentro deste canal?

A melhor maneira, de acordo com Henrique Mengue, é com uma boa reputação, conquistada através de um serviço impecável. “É essencial ser cuidadoso com os prazos de entrega, qualidade da embalagem e atendimento pós-venda. Apesar da venda ter acontecido em outro canal, o cliente iniciará um relacionamento com a loja. Além disso, muitos marketplaces criam ‘rankings’ e priorizam vendedores que possuem melhores notas de reputação”, explica.

O diretor do Mercado Livre diz ainda que preço competitivo é um dos fatores que mais chamam a atenção e ajudam na venda também. Porém, sempre destacam a importância de uma foto de boa qualidade que pode ser tirada com qualquer celular hoje em dia. Além disso, a produção de um pequeno vídeo mostrando o funcionamento e a qualidade do produto, descrever no campo ‘descrição os detalhes, como o tempo de uso, tamanho, voltagem, cor e todas as características possíveis, além de possíveis defeitos e estado atual do produto são boas formas de captar melhores vendas também.

Soares ressalta que é de extrema importância responder às perguntas dos interessados de forma rápida e completa. “Uma pessoa que vai a uma loja física e questiona sobre um produto espera ter a resposta rapidamente, o mesmo ocorre na internet. Quanto menor o tempo de resposta, maior a conversão em vendas. É importante lembrar que essas dicas valem tanto para um produto usado como um novo, e um vendedor profissional também pode segui-las para alcançar o sucesso em suas vendas”, indica.

Mengue alerta ainda que é imprescindível estar preparado para vender e atender os clientes.  “Ao entrar nos marketplaces, o vendedor passa a ofertar seus produtos em diferentes canais, com muitos acessos. Grandes portais como Mercado Livre, Americanas, Extra, entre outros, possuem muitos usuários diariamente. A loja que estiver em todos esses portais terá grande chance de realizar vendas, mas a operação deverá estar redonda para atender a essa demanda, lembrando que a reputação é peça ­ chave, e atraso na entrega poderá bani-lo da operação”.

Erros de cadastro, como títulos, descrições, preços e estoques, são outros cuidados que devem ser tomados. Se o marketplace passar uma informação errada para o cliente, o vendedor será corresponsável. É muito importante revisar tudo e garantir que a informação enviada esteja correta.

5 DICAS AO COLOCAR O SEU PRODUTO NO MARKETPLACE

  • Faça um título que diga exatamente qual é o produto que está sendo vendido. Afinal, pense nas buscas. Um bom título deverá conter: Nome do produto + marca + modelo + especificações técnicas e características + serviços adicionais. Exemplo: Capa celular iPhone 6S emborrachada preta verde resistente;
  • Descreva seu produto ou serviço detalhadamente, contendo tamanho, cor, voltagem, tempo de uso, se possui caixa original, manual, garantia, funcionamento em perfeito estado ou o que deve ser arrumado;
  • Coloque sempre fotos e, se possível, até mesmo vídeo que mostre o real estado do produto, com qualidade, preferencialmente de fundo todo branco e em diferentes posições;
  • Ofereça um preço real e competitivo + o valor do frete. Ou seja, pratique os melhores ou bons preços. Trabalhe ofertas. Combos de produtos. Não foque em um único produto, tenha variedade;
  • Tenha atendimento pré e pós-venda, pois o anúncio estará disponível para milhões de pessoas, que farão perguntas para tirar suas dúvidas. Responder a essas perguntas de forma rápida e eficiente, sanando todas as dúvidas fará com que o produto seja vendido. Após a venda, não deixe de responder ao seu comprador caso ele tenha dúvidas e outras necessidades. O pós­ venda é muito importante.

 

5 DICAS PARA NÃO QUEIMAR A REPUTAÇÃO NO MARKETPLACE

1 –  Não anunciar um produto e vendê-lo sem ter estoque;

2 –  Não demorar horas ou dias para responder a uma pergunta feita na plataforma;

3 –  Enviar o produto o mais rápido possível e sempre manter o seu cliente informado sobre a entrega;

4 –  Fazer um pós-venda de qualidade. Pode ocorrer de, no momento de logística, ser enviado o produto errado, algum problema durante o transporte, ou até mesmo um defeito de fabricação não identificado antes;

5 –  Seja competitivo, mas não pratique nada antiético na rede. Isso se espalhará rapidamente.

 

CONFIRA ALGUNS MARKETPLACES DO MERCADO

MERCADO LIVRE

Mercado Livre é uma companhia de tecnologia na América Latina presente em 19 países que oferece soluções de comércio eletrônico para que pessoas físicas e em presas possam comprar, vender, pagar, anunciar e enviar produtos e serviços por meio da internet. “Desde que foi fundado, em 1999, ele vem ajudando pessoas físicas, micro e pequenos empresários, além de potencializar e influenciar no surgimento de novos empreendedores”, diz o diretor de marketplace da empresa, Leandro Soares.

De acordo com pesquisa encomendada pelo Mercado Livre em 2013, em parceria com a Nielsen, 150 mil famílias na América Latina vivem da renda gerada pelos negócios no Mercado Livre. Somente no Brasil, são 50 mil famílias. A empresa possui também diversos clientes que começaram como pessoa física ou microempreendedor e hoje são grandes vendedores na internet.

Investindo cada vez mais para que isso aconteça, eles possuem diversos materiais e eventos. Entre eles, a Universidade Mercado Livre pocket, que ocorre em diferentes cidades do Brasil, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, etc., e o Mercado Livre Experience, que já acontece há três anos. “Esses eventos são para apresentar as facilidades da nossa plataforma e ensinar sobre o varejo on-line, nos aproximar de nossos vendedores e motivar o empreendedorismo”, declara Soares.

Entre suas áreas de negócios estão: Mercado Livre.com; Mercado Pago; Mercado Livre Classificados; Mercado Livre Publicidade; Mercado Envios + Axado; e KPL, que oferece soluções de comércio eletrônico para que pessoas e empresas possam comprar, vender, pagar, anunciar e enviar produtos por meio da internet. “Hoje, o Mercado Livre.com atende mais de 152 milhões de usuários registrados e criou um mercado com ampla variedade de bens e serviços de uma forma fácil, segura e eficiente. Em abril de 2015, o Mercado Livre Brasil adquiriu a empresa KPL Soluções, provedora de ferramentas de gestão para o e-commerce. Com a KPL, passamos a oferecer sistemas de ERP e BackOffice para empresas de e­commerce – mais um serviço de seu ecossistema de soluções. Em junho de 2016, adquirimos o Axado, empresa de soluções em gestão de frete que simplifica a logística e a torna mais eficiente, em relação ao prazo, valor e rastreamento da entrega, reduzindo os custos logísticos”, mostra.

ELO 7

Criado em 2008, o Elo7 é hoje um dos maiores marketplaces de produtos criativos e autorais do País.

O site possui três milhões de produtos anunciados e mais de 70 mil vendedores cadastrados.

Além disso, o Elo? lançou no mercado uma nova forma de compra on-line, que torna a compra por celulares tão fácil quanto usar um aplicativo de mensagens. “Com a tecnologia exclusiva chamada Talk7, o Elo? é o marketplace pioneiro ao criar e migrar suas vendas para o novo sistema de compras via chat em tempo real”, afirma o CEO da empresa, Carlos Curioni.

Com a tecnologia desenvolvida pelo próprio Elo7, o comprador consegue fazer tudo pelo chat. Desde perguntas ao vendedor até receber sugestões de materiais, cores e texturas que integrarão o produto, e concretizar o pedido na mesma interface. “Isso simplifica e agiliza muito a vida de quem compra, porque o pedido e a conversa com o vendedor ficam organizados em uma linha de tempo fácil de ser consultada pelo celular de qualquer lugar”, explica Curioni.

Segundo ele, o criador de produtos criativos e autorais que entra no marketplace encontrará na plataforma um local para divulgar suas criações, se posicionar no mercado e encontrar compradores interessados em produtos criativos e autorais. Além disso, a plataforma também oferece todo tipo de suporte para a criação da sua loja – desde dicas para ter uma loja mais atraente até o auxílio para gerenciar seu próprio negócio. “O Elo? t em como maior objetivo desenvolver as melhores tecnologias e oferecer aos vendedores soluções simples e práticas para o gerenciamento de suas vendas, e para os compradores, uma experiência de compra fora de série”, afirma.

Em 2015, a empresa fechou com 30 mil novos lojistas, conquistando um crescimento expressivo, com a marca de R$300 milhões em volume de transações e um crescimento de 80% se comparado ao mesmo período de 2014. Para 2018, pretendem manter esse ritmo para chegar ao final do ano com R$500 milhões em vendas, além de crescimento de 66%.

WALMART.COM

Em outubro de 2013, o Walmart também começou a oferecer uma plataforma marketplace no mercado brasileiro. De acordo com o diretor de marketplace e serviços da empresa, Luiz Pimentel, eles investiram em recursos financeiros e pessoal capacitado. “Hoje, possibilitamos que um lojista assine contrato conosco on-line. Damos orientação quanto à melhor forma de divulgar o catálogo e seu conteúdo, visando acelerar as vendas. Além disso, damos feedback constante do que pode ser melhorado.

E nos baseamos em comentários de nossos clientes quanto à satisfação obtida na experiência de compra”, mostra.

Aqueles que utilizarem a plataforma de marketplace do Walmart terão acesso a todos os milhares de clientes que acessam o próprio site. “Hoje contamos com o processo de contrato mais rápido do mercado, um laboratório de integração presencial para sanar todas as dúvidas do lojista, grande ajuda no processo de geração de conteúdo para vender mais, fortes investimentos em marketing que ajudam a dar visibilidade aos produtos, acesso às informações de produtos mais buscados no site e pós-venda conectado com o lojista para dar mais rapidez e satisfação aos consumidores”, informa Pimentel.

O catálogo da empresa já disponibiliza mais de dois milhões de itens. O número de lojistas cresceu 350% em 2017 se comparado ao ano anterior.

 HOUPET

Lançada em maio de 2016, a Holipet funciona como um marketplace de serviços pet além de outras funcionalidades de divulgação e buscas de eventos, produtos e estabelecimentos pet. Trata-se de uma plataforma que possibilita aos profissionais deste mercado ampliar o seu negócio de maneira sustentável, facilitar a comunicação com os donos de animais de estimação que possuem necessidades semelhantes, mas muitas vezes especificas, e também apoiar causas de proteção animal.

Segundo a fundadora da empresa, Vanessa Louzada, eles já possuem 280 usuários consumidores cadastrados, 40 prestadores e 101 estabelecimentos. “Os marketplaces promovem e ampliam em um único local a oferta de produtos e serviços para os micro ou pequenos empreendedores. É o local ideal para esse público! Quando se trata de um segmento específico é ainda melhor, pois tanto o marketplace quanto os anunciantes convergem para o mesmo objetivo, além de ganhar referência dada pelos próprios consumidores.

É o que queremos com a Holipet, ser o marketplace referência do segmento pet para micro ou pequenos prestadores de serviços e lojistas”, pontua.

Para os consumidores, a Holipet oferece facilidades na busca e contratação de serviços através de filtros por região, avaliação, preços, etc. É possível também buscar locais petfriendly, eventos, animais perdidos e resgatados e um blog cheio de informações e dicas para o dia a dia de quem tem pets.

“Já para o prestador de serviço ou estabelecimento pet, oferecemos recursos que os permitem organizar o seu negócio e proporcionamos uma boa possibilidade de aumento de receita. Além da publicidade do perfil ser disponibilizado para o consumidor final e do agendamento dos serviços on-line, oferecemos agenda inteligente, envio de SMS, lembretes, relatórios de gestão, site institucional e busca por produtos, entre outras funcionalidades”, informa Vanessa.

VINTECONTO

O Marketplace voltado para freelancers e empresas funciona como um canal onde o profissional e o estudante monetiza o que ama fazer.

Traz uma exclusividade de serviços em sua maioria por R$20,00. Fundada em dezembro de 2015, a CEO da empresa, Monique Medeiros Costa, conta que, no marketplace, freelancer compra de freelancer, profissionais buscam ajuda com tarefas do dia a dia e, principalmente, pequenos empresários que estão começando um negócio com pouco capital procuram a plataforma para contratar serviços de qualidade comprovada na página de cada freelancer com o melhor preço do mercado brasileiro.

São serviços essenciais para empresas como logotipo, cartão de visitas, criação de aplicativos, folders, criação e otimização de sites, além de diversos recursos para a internet. “Isso faz toda a diferença para muitos pequenos empresários e redes de franquias que estão começando um negócio, seja ele virtual ou não. Temos criação de e-books, criação de conteúdo criativo e otimizado para os mecanismos de busca, comerciais, vídeos demonstrativos de produtos e de apresentação da empresa, serviços de marketing, assistente virtual. E também estamos crescendo nossa categoria de cursos virtuais e educação”, divulga.

Inicialmente, Monique diz que investiram R$57 mil na plataforma e hoje estão esperando gerar em torno de R$500 mil em receita. Já passaram de 10 mil usuários e devem ultrapassar 15 mil até o final deste ano. “Esse é um ótimo número para nós, porque 95% dos clientes voltam para contratar mais serviços poucos dias após o uso da Vinte conto”, comemora.

A CEO diz que quem entra no marketplace pode vender quantos serviços quiser, pagando apenas uma taxa de 12% só quando vendem.

“Tudo o que o freelancer precisa fazer é anunciar o serviço uma vez e esperar por muitos e-mails de notificações de suas vendas e de perguntas dos clientes. Tempo é algo que valorizamos muito na Vinte conto. Então ele não precisa visitar a plataforma diariamente e enviar propostas aos clientes, ele expõe todo o seu trabalho e aguarda a manifestação dos clientes. Marketplaces como o nosso é uma tendência, já que o mercado de freelancers cresce a cada dia. Os empreendedores têm a oportunidade de contratar serviços pelo menor preço do mercado, de ficar por dentro das ferramentas de marketing mais recentes e ao mesmo tempo ajudam a Vinte conto a manter este espaço para todos que tenham um talento e queiram monetizá-lo”, comemora.

 XBW

A empresa é uma plataforma destinada a intermediar o contato entre compradores e fornecedores de produtos e serviços de diversos segmentos. Surgiu em 2014, desenvolvida no parque tecnológico Tecnosinos.

Segundo o CEO da empresa, Anderson Detogni, para uma empresa cadastrar seu negócio na plataforma, ela deve pagar uma assinatura mensal de R$35,00. “Esse é o único valor cobrado e não há diferença de preço em relação ao tamanho da companhia. Além de facilitar o encontro entre grupos de empresas, a plataforma ainda é capaz de cruzar os dados de seus clientes para indicar, a cada assinante, potenciais compradores ou vendedores. Outra facilidade oferecida aos assinantes é o banco de prestadores de serviço, no qual constam profissionais de áreas como contabilidade, advocacia e marketing, que podem se cadastrar de graça no site. Juntando tudo isso, posso dizer que as companhias conseguem concentrar todas as suas necessidades em um único lugar, o que facilita muito os processos do dia a dia. Também contribui para diminuir custos e maximizar ganhos”, explica Detogni.

Ele diz que já são mais de 6 mil empresas e 250 mil usuários. A plataforma já gerou mais de R$2 milhões em negócios fechados, e o movimento dobrou de maio para junho, somando mais de 500 mil visitas. Até o final de 2018, a

expectativa é que a XBW chegue a 16 mil empresas assinantes. “Pequenos negócios conseguem aparecer ao lado de grandes corporações e até mesmo disputar com elas.

Atualmente, das mais de 6 mil empresas cadastradas, quase 80% são pequenas e médias. Todo mês, o empreendedor recebe também um relatório que pode ajudar no fechamento de novos negócios de compra ou venda”, informa.

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 24: 32 – 51 – PARTE I

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A Parábola da Figueira. Predições Terríveis. O Dever da Vigilância. O Bom e o Mau Administrador

 

Aqui temos a aplicação prática da predição anterior. De maneira geral, nós devemos esperar e estar prepara­ dos para os eventos aqui preditos.

I – Nós devemos esperá-los. “‘Aprendei, pois, esta parábola da figueira’ (vv. 32,33). Agora aprendei que uso fazer das coisas que ouvistes; observai e conhecei os sinais dos tempos, comparando-os com as predições da Palavra, para, a partir daqui, poderem prever o que está à porta, para que possais prover de maneira adequada”. A parábola da figueira nada mais é que isso, o seu germinar e o seu florescer são um presságio do verão; pois assim como as cegonhas no céu, também as árvores no campo conhecem o seu tempo. O início da realização das causas secundárias nos assegura do seu progresso e da sua perfeição. Assim, quando Deus começa a cumprir profecias, Ele alcança o seu objetivo. Existe uma série determinada nas obras da providência, assim como existe nas obras da natureza. Os sinais dos tempos são comparados com os prognósticos da “face do céu” (cap. 16.3), e também aqui, com os da face da terra – quando ela se renova, nós prevemos que o verão se aproxima, não imediatamente, mas depois de algum tempo. Quando “os ramos se tornam tenros”, nós podemos esperar, por exemplo, os ventos de março e as chuvas de abril em nosso país, antes da vinda do verão. No entanto, temos a certeza de que o verão se aproxima. Da mesma maneira, nós podemos confiar que quando o dia do Evangelho amanhecer, por meio dessa variedade de eventos que o Senhor nos revelou, o dia perfeito virá. As coisas reveladas devem acontecer em breve (Apocalipse 1.1). Elas devem acontecer na sua própria ordem, na ordem indicada para elas. “Sabei que ele está próximo”. Jesus não diz aqui o que está próximo, mas é aquilo que está nos corações dos seus discípulos, e sobre o que eles fazem perguntas, e pelo que anseiam. O Reino de Deus está próximo, como está dito na passagem paralela (Lucas 21.31). Note que quando as árvores da justiça começam a brotar e florescer, quando o povo de Deus promete fidelidade, é um feliz presságio de bons tempos. Neles, Deus inicia a sua obra, preparando primeiro os seus corações. E então Ele prosseguirá com o seu plano; pois, no que diz respeito a Deus, a sua obra é perfeita, e Ele a avivará no meio dos anos.

Quanto aos eventos preditos aqui, temos algo a esperar.

1. Cristo nos assegura aqui da certeza desses acontecimentos (v. 35): “O céu e a terra passarão”. Eles ainda continuam a existir em nossos dias, de acordo com as ordens de Deus; mas não continuarão para sempre (Salmos 102.25,26; 2 Pedro 3.10). “Mas as minhas palavras não hão de passar”. Note que a palavra de Cristo é mais confiável e duradoura do que o céu e a terra. “Diria ele e não o faria?” Nós podemos edificar com mais segurança sobre a palavra de Cristo do que sobre as colunas do céu, ou as fortes fundações da terra; pois quando elas estiverem trêmulas e cambaleantes, e não existirem mais, a palavra de Cristo ainda permanecerá, e estará em pleno vigor, em plena força e virtude (veja 1 Pedro 1.24,25). É mais fácil o céu e a terra passarem do que alguma letra da palavra de Cristo não se cumprir (Lucas 16.17. Compare com Isaias 54.10). O cumprimento dessas profecias pode parecer ter sido atrasado, e os eventos intervenientes podem parecer não estar em conformidade com elas, mas não pense que por isso a Palavra de Deus terá desmoronado, pois ela nunca passará; mesmo que ela não se cumpra, nem na época ou da maneira como prescrevemos; ainda assim, no tempo de Deus, que é o melhor tempo, e da maneira de Deus, que é a melhor maneira, certamente ela se cumprirá. Cada palavra de Cristo é muito pura, e, consequentemente, muito confiável.

2. O Senhor Jesus os instrui aqui quanto à época em que essas coisas aconteceriam (vv. 34,36). Quanto a isso, o sábio Grotius bem observa que existe uma distinção evidente feita entre tauta (v. 34) e ekein e (v. 36), “essas coisas” e “daquele dia e hora”, o que irá ajudar a esclarecer essa profecia.

(1)  Quanto a essas coisas, as guerras, os enganos e as perseguições aqui preditos, e em particular, a destruição da nação judaica: ‘”Não passará esta geração sem que todas essas coisas aconteçam’ (v. 34). Há aqueles que agora estão vivos que verão Jerusalém destruída, e o fim da instituição judaica”. Como isso poderia parecer estranho, o Senhor apoia este fato com uma afirmação solene. ‘”Em verdade vos digo’. Vós tendes a minha Palavra; estas coisas estão às portas”. Cristo frequentemente fala da proximidade daquela desolação, para tocar as pessoas e estimulá-las a se prepararem para ela. Pode haver provações e dificuldades diante de nós, na nossa época, maiores do que estamos cientes. Os mais velhos não sabem que filhos de Anaque podem estar reservados para os seus próprios encontros.

(2)  “Porém daquele Dia e hora” que porá um fim no tempo, “ninguém sabe” (v. 36). Por isso, tomem cuidado para não confundir estes dias, como eles faziam, baseando-se nas palavras de Cristo e nas epístolas dos apóstolos, inferindo que o dia de Cristo já estava perto (2 Tessalonicenses 2.2). Não, não estava; esta geração e muitas outras irão passar antes que cheguem aquele dia e aquela hora. Observe:

[1] Existe um determinado dia e hora para o julgamento que há de vir; ele é chamado de Dia do Senhor, porque é fixado de maneira imutável. Nenhum dos julgamentos de Deus é adiado sine die sem a fixação de um dia determinado.

[2] Este dia e esta hora são um grande segredo.

Nenhum homem o sabe; nem o mais sábio, pela sua sagacidade, nem o melhor, por qualquer descoberta divina. Todos nós sabemos que haverá est e dia, mas ninguém sabe quando isso acontecerá; nem os anjos, embora a sua capacidade de conhecimento seja grande, e as suas oportunidades de terem essa informação sejam vantajosas (eles habitam na fonte de luz), e embora eles devam ser empregados na solenidade daquele dia, nem por isso sabem quando será: “ninguém sabe,… mas unicamente meu Pai”. Este é um dos segredos que pertencem ao Senhor, nosso Deus. A incerteza da ocasião da vinda de Cristo é, para aqueles que são vigilantes, um cheiro de vida para vida, e os torna ainda mais vigilantes; mas para aqueles que são descuidados, é um cheiro de morte para morte, e os torna ainda mais descuidados.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

EM BUSCA DO “EU”

Diversas regiões cerebrais participam do reconhecimento de nosso próprio rosto. Fenômenos complexos como memória, planejamento ou autoconsciência não podem ser encontrados numa única área, e os cientistas estão apenas começando a desvendar a sede do eu no cérebro.

Em busca do Eu

Pouco depois de ter iniciado meu trabalho com Gordon Gallup, em Albany, conheci Bruce McCutcheon. Como biopsicólogo da escola antiga ele havia trabalhado com roedores em laboratório e, além disso, era conhecido por seu detalhismo.  McCutcheon sabia de meu interesse por autoconsciência e técnicas de imageamento, já que eu tinha acabado de concluir uma pesquisa sobre o cérebro de jovens alcoólatras. Certa tarde, ele me levou ao seu escritório, e mostrou um gráfico e diversas tabelas num quadro negro. O gráfico tinha dois rostos e um cilindro. Ele se perguntava se com a ajuda de técnicas de neuroimagem desenvolvidas nos anos 90, a chamada “década do cérebro”, seria possível localizar as regiões relacionadas ao “eu”.

Segundo imaginara, alguém estaria deitado no interior do cilindro – que representava um tomógrafo por ressonância magnética funcional (fMRI) – e seria apresentado primeiro a uma imagem de seu próprio rosto e depois, como comparação, à de outro rosto. Se marcássemos as regiões cerebrais ativas enquanto essa pessoa observava seu, rosto e depois “subtraíssemos” as áreas ativas durante a observação de outro rosto, as regiões ativas restantes corresponderiam à autoconsciência. McCurcheon estava convencido de que a fMRI poderia nos ajudar a localizar o “cu” no cérebro, pelo menos inicialmente. No fim de sua explanação, meu colega, habitualmente circunspecto, estava entusiasmadíssimo e me perguntou minha opinião. Eu logo percebi que ele tivera uma ideia grandiosa.

Achamos melhor primeiramente confrontar os participantes do estudo com o próprio rosto. Concordamos em realizar um experimento por meio de fMRI no qual contrastássemos o estimulo de nosso interesse (o rosto do participante) com algo semelhante. Como nos interessava saber qual o efeito de X, queríamos comparar a atividade cerebral diante da visão de XYZ com a de YZ. A atividade restante poderia, portanto, ser associada exclusivamente a X. O objetivo era o isolamento das regiões responsáveis pelo reconhecimento do próprio rosto, diferentes daquelas encarregadas de reconhecer rostos de maneira geral.

A escolha de estímulos de controle (ou seja, imagens que não fossem do próprio rosto) não foi fácil. Para obter bons dados com fMRl, esses rostos deveriam ser apresentados diversas vezes no decorrer do experimento. Procuramos uma feição não muito emocional, mas ao mesmo tempo interessante.

Um rosto que despertasse muita emoção nos levaria à “área de sentimentos” do cérebro, em vez da região do “eu”. Outro muito inexpressivo, ao contrário, poderia nos levar ao “centro de monotonia”. Após alguns experimentos-piloto, escolhemos Einstein como rosto de controle. Ele tem fisionomia marcante e, em experimentos prévios, provocou reações que variaram pouco. Além disso, os participantes conseguiam se concentrar por um tempo mais longo em seu rosto.

VER, SIM – MAS E OUVIR?

Ao lado de Glenn Sanders, decidimos não ficar apenas em experimentos de reconhecimento do próprio rosto. Se há de fato uma região onde se forma a autoconsciência, então qualquer estímulo do “eu” deveria ativá-la. Assim confrontamos as pessoas com a própria voz e com a voz de outras pessoas durante a tomografia.

A experiência ocorreu na Universidade Médica da Carolina do Norte, em Charleston, no laboratório de Mark George. Duas pessoas foram confrontadas com a imagem do próprio rosto e do rosto de Einstein, assim como com gravações das vozes. Tudo correu sem problemas, mas a espera pelos resultados esgotou nossos nervos. Ao lado de George e sua equipe, tínhamos acabado de realizar o primeiro estudo sobre auto reconhecimento com a utilização de fMRI.

Constatamos que a visão do próprio rosto ativara regiões do hemisfério direito. Tais resultados coincidiram com as descobertas de outros pesquisadores de que o hemisfério direito reagia de forma bem mais intensa que o esquerdo ao próprio rosto. Constatamos que a região responsável pelo auto reconhecimento se situa possivelmente na parte anterior do córtex frontal direito. Os dados relativos à voz também mostraram atividade no hemisfério direito, no entanto, os resultados não eram tão claros. De qualquer forma, estávamos no melhor caminho para descobrir o significado do hemisfério direito no processamento da autoconsciência, ou melhor para redescobrir seu significado.

Paralelamente aos nossos estudos na Carolina do Sul, McCutcheon, Sander e eu, examinamos o mesmo fenômeno na Escola Médica de Albany, em Nova York. Em vez de Einstein, usamos Bill Clinton como rosto familiar.

Essa decisão –  tomada quando ainda não se falava em Mônica Lewisnky -, baseou-se na reação positivados participantes à foto do presidente.

Por sugestão de Glenn para reforçar ainda mais a autoconsciência dos participantes, modificamos o estímulo. Em vez de lhes mostrar apenas o próprio rosto e, como contraste, o de Clinton, escrevemos sobre a imagem do participante frases como “eu penso” ou “eu acredito”.  Na foto de Clinton estava escrito “ele pensa” e “ele acredita”. Durante a experiência, eles eram instruídos a se concentrar totalmente nas fotos e frases. Assim, como tinham de se concentrar no próprio rosto e, estimulados pelas frases, e seus próprios pensamentos, atingimos com alguma certeza um alto grau de autoconsciência.

Aqui também concluímos que as regiões da área frontal anterior direita do cérebro apresentavam sinais de ativação reagindo aos auto- estímulos com atividade mais intensa. Esse estudo indicava, assim como exames anteriores, que o hemisfério direito exerce importante papel no reconhecimento do próprio rosto.

Uma questão interessante no ato de reconhecermos o próprio rosto é ilustrada com o que chamo “efeito loja de departamentos”. Nesses locais, espelhos diversos são colocados em ângulos estranhos e, ao nos depararmos inesperadamente com um deles, por um curto espaço de tempo achamos que a imagem refletida é de outra pessoa. Logo percebemos que se tratada nossa própria imagem. Mas essa experiência pode nos deixar confusos.

Passamos muitas horas olhando nosso rosto. Toda manhã nos barbeamos ou maquiamos, examinamos nossa roupa penteamos o cabelo. No decorrer do dia, sempre nos observamos e usamos tal informação para arrumar nossa aparência. Quando uma pessoa se deita em um tomógrafo, ela já tem grande experiência em se ver no espelho. Conseguir reconhecer a si mesmo significa ter a capacidade para a autoconsciência. No entanto, simplesmente olhar para própria imagem não significa ser autoconsciente.

Faça essa pequena experiência, tente se concentrar apenas em si mesmo cada vez que se olhar no espelho. Você provavelmente vai perceber que isso é muito difícil porque quando nos olhamos no espelho, nós nos observamos atentamente no início, mas então nossos pensamentos voam. Vamos para outro mundo, fazemos planos e imaginamos como seria bom dormir mais uma hora, por exemplo. Mark Weeler, da Universidade de Têmple, Filadélfia, descreveu tal experiência e observou que olhar-se no espelho ou reconhecer a si mesmo não implica necessariamente estar em estado de autoconsciência.

Uma coisa estava clara: se queríamos testar a autoconsciência das pessoas em função de seu próprio rosto, seria preciso assegurar que realmente estivessem em estado de “autoconsciência”. No entanto, pode levar até 30 segundos para se obter uma boa representação imagética do cérebro ativo com uma tomografia por ressonância magnética funcional. Sendo assim, os participantes tinham de observar a própria face atentamente durante 30 segundos e repetir até dez vezes tal procedimento.

Em nossas tentativas piloto em Albany, algumas pessoas se distraiam em pensamentos enquanto observavam seu rosto.

O problema foi solucionado quando pedimos que olhassem alternadamente o próprio rosto e lessem as legendas abaixo das imagens.

Algum as dessas possibilidades foram estudadas pelo grupo do neurologista Motoaki Sugiura por meio de tomografias por emissão de pósitrons (PEl). Em busca das regiões que participam do reconhecimento do próprio rosto, os pesquisadores examinaram dois tipos diferentes de auto reconhecimento, que denominaram “passivo” e “ativo”. Depois de fotografarem os participantes do estudo sob ângulos diversos, eles misturaram imagens de rostos desconhecidos, também tiradas de pontos diferentes. Durante o experimento, apresentaram as imagens sob três condições. Na situação controle, em que mostraram desconhecidos, na variante passiva, exibiram a própria face do participante, e pediram que descrevessem o ângulo do rosto mostrado. Como não sabiam que a imagem era do próprio rosto, as pessoas não tentavam encontra-lo expressamente.

Na variante ativa, os participantes foram informados de que seu rosto seria mostrado e que eles deveriam reagir cada vez que o vissem.

Sugiura e seus colegas realizaram diversas análises dos dados. Ao comparar o reconhecimento passivo do próprio rosto e a visão das feições de controle, perceberam que a área ativada no hemisfério direito era 1,26 vez maior. Portanto, apenas a observação passiva do próprio rosto gerava maior participação do lado direito do cérebro.

Na comparação da observação ativa com a situação controle, o grupo não encontrou nenhuma diferença significativa entre os hemisférios cerebrais, mas ao compararem as observações passiva e ativa do próprio rosto, constataram que a área ativa no hemisfério direito era 2,18 vezes maior. Aparentemente, portanto, foram ativadas mais regiões no hemisfério direito.

Como a PET permite que sejam examinadas regiões específicas do cérebro, o grupo definiu com seus experimentos as áreas que participavam das observações ativa e passiva. No hemisfério direito a região frontal direita, o giro do cíngulo e o chamado pulvinar do tálamo, núcleo que processa informações dos sentidos, eram responsáveis pela observação ativa do próprio rosto.

No hemisfério esquerdo foi registrada atividade no giro fusiforme, área que fica no fundo da parte posterior do cérebro e que tem grande participação geral no reconhecimento de rostos. Lesões nessa região podem levar à prosopagnosia, incapacidade de reconhecer rostos familiares. Nos homens, assim como nos primatas, essa espiral do cérebro se torna ativa quando se trata de diferenciar rostos. Não é de espantar que tal região apresente certa atividade durante uma tarefa de reconhecimento de rostos. No entanto, é pouco provável que o giro lusiforme tenha forte participação no reconhecimento do próprio rosto, pois as dificuldades decorrentes de uma lesão nessa área não se limitam à própria face.

O EQUILÍBRIO É TUDO

A partir dos estudos japoneses e dos resultados de nossas pesquisas, constatamos que o hemisfério direito é muito importante para o reconhecimento da própria face. Segundo os exames realizados por Sugiura, algumas regiões da área frontal do cérebro exercem importante função durante o reconhecimento ativo. Porém, diversas áreas do cérebro participaram ativamente também no reconhecimento passivo. Ao que tudo indica, não há uma única região especializada em tal tarefa. Assim, o órgão pensador pode ser comparado a um móbile em que o equilíbrio de uma parte depende das outras. Fenômenos complexos como memória, planejamento ou autoconsciência não podem ser encontrados em uma única área. Pode ser que, aparentemente, diferentes aspectos de cada uma dessas habilidades cognitivas existam isoladamente, mas na verdade eles dependem da função de outras regiões cerebrais.

Os experimentos de Bruno Preilowski, Sugiura e os meus forneceram, sem dúvida, indícios da dominância do hemisfério direito em processos relacionados ao “eu”. Porém, Roger Sperry e Preilowski demonstraram que ambos os hemisférios são capazes do auto reconhecimento, e Sugiura encontrou diferentes regiões que participam do processamento de si, o que também coincide com nossos resultados. Pode ser que o processamento ocorra predominantemente no hemisfério direito, mas é evidente que outras regiões participam desse processo.

Mesmo assim, todos esses resultados foram fascinantes. Aos poucos, os cientistas começam a desvendar os segredos que ocupam pesquisadores há séculos. Estávamos prontos para descobrir as regiões do cérebro em que surge a autoconsciência.

OUTROS OLHARES

CONTINUAMOS ESCRAVOS

130 anos após a abolição da escravatura, população negra permanece sofrendo com a desigualdade, a violência e o abandono social

Continuamos escravos

Passados exatos 130 anos da sanção da Lei Áurea pela princesa Isabel, em 13 de maio de 1888, os brasileiros ainda convivem com a escravidão ou com uma condição análoga a ela rotineiramente e a desigualdade entre negros e brancos continua escandalosa. A lei imperial 3.353 solucionou o grande problema da liberdade dos escravos, mas manteve os indivíduos das duas raças profundamente desiguais e sem condições de competir, com permanente desvantagem para os negros – empurrados para o ponto mais baixo da pirâmide social. O Brasil foi o último país americano a abolira escravidão – o penúltimo foi Cuba, em 1885. E também foi o lugar que mais recebeu escravos africanos ao longo de sua história. Calcula-se que entre 1550 e 1860 cerca de 4.8 milhões de pessoas tenham sido trazidas contra a vontade da África para o Brasil. As relações de poder do velho sistema se entranharam na cultura nacional e deixaram um passivo gigantesco de injustiça e preconceito, encoberto pelo mito da democracia racial, que até hoje não foi superado.

“A Lei Áurea foi uma lei muito breve, muito conservadora, não veio acompanhada de nenhum projeto de inclusão social e nem foi capaz de redimir desigualdades assentadas ou apagar hierarquias naturalizadas”, diz a historiadora Lilia Moritz Schwarcz, organizadora, junto com Flávio dos Santos Gomes, do “Dicionário da Escravidão e Liberdade” (Companhia das Letras), lançado a propósito da efeméride abolicionista.

“E o racismo estrutural que experimentamos hoje no Brasil não é só herança – novas formas de racismo estão sendo construídas e se expressam na educação, na saúde ou nos números da violência contra os jovens. “Em muitos aspectos, a Lei Áurea condenou uma grande parte da população a permanecer nas margens da sociedade. A condição de trabalho do liberto continuou extremamente precária e para o negro não houve nenhum tipo de proteção legal, trabalhista e social.

A situação atual do mercado de trabalho é exemplar da desigualdade entre brancos e negros e escancara um preconceito racial na ocupação das vagas de emprego, na distribuição dos cargos e na remuneração. Segundo os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), os salários dos trabalhadores brancos são, em média, 80 % superiores ao dos negros. Considerando todas as ocupações, enquanto um branco tem um ganho real de R$ 2.660, a renda do negro é de R$ 1.461 e a dos pardos, R$ 1.480. Mais grave: a escolaridade não basta para equiparar renda de brancos e negros. Conforme ela aumenta, maior a diferença salarial, de acordo com pesquisa da Fundação Seade/Dieese. Entre os trabalhadores com ensino médio completo, na região metropolitana de São Paulo, por exemplo, os negros receberam 85 % do valor ganho pelos brancos. em 2016. Segundo o relatório “A distância que nos une”, realizado pela Oxfam, ONG dedicada ao combate da pobreza e da desigualdade no mundo, em 2017, 67 % dos negros brasileiros receberam até 1.5 salário mínimo, enquanto menos de 45 % dos brancos estão nessa faixa salarial. Mantido o ritmo de inclusão observado no período, a equiparação da renda média de brancos e negros acontecerá somente em 2089, duzentos anos depois da abolição.

 VIOLÊNCIA

“Além de acentuar desigualdades, o racismo também traz consequências violentas”, diz Tauá Pires, coordenadora de programas da Oxfam. Homens jovens e negros são as maiores vítimas de homicídios no país, segundo o Atlas da Violência 2017 produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública: de cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. O feminicídio, o assassinato de mulheres por razões de gênero, atinge principalmente mulheres negras.

Negros e negras também são vítimas frequentes de ofensas e injúrias raciais. É o caso do empresário Luiz Henrique da Silva, 33 anos, que, em abril de 2017, foi com a família fazer compras em um mercado de Pirituba e foi violentamente ofendido. Ele vestia um agasalho da torcida Gaviões da Fiel e precisava comprar ingredientes para fazer cachorro quente na casa de amigos. Porém, os planos dele mudaram quando, na fila do caixa, ele foi xingado por urna mulher branca que estava na frente dele por ter supostamente batido o carrinho na perna dela. Ele pediu desculpas, mas isso não impediu que a mulher se virasse para a caixa do mercado e falasse: “Além de corintiano, é preto. “Depois de digitara senha, ela teria então, dito para ele: “Preto, macaco, filho da p…, ladrão.” A polícia foi chamada e Luiz registrou um boletim de ocorrência contra a mulher por injúria racial. Mais de um ano depois, o empresário afirma que o caso ainda o abala: “Me sinto como todos os negros do mundo: injustiçado. Não vejo a hora desse pesadelo acabar”, afirma.

Estima-se que 160 mil pessoas no Brasil sofram, atualmente, com condições de trabalho análogas à escravidão. Negros e pardos, de acordo com dados do Ministério Público do Trabalho, representam mais de 64 % das cerca de 43 mil pessoas que foram resgatadas dessa situação degradante entre 2003 e 2017. Segundo a procuradora da República Ana Carolina Roman, é possível identificar o trabalho escravo contemporâneo quando o trabalhador tem jornadas de trabalho exaustivas, servidão por dívidas, retenção de documentos, confusão do local de moradia como de trabalho, ameaças e muitas outras situações que tiram a dignidade do ser humano.

“Ainda há segmentos da sociedade que não consideram a população negra como humana. É por isso que a submete a condições de trabalho análogas à escravidão”, afirma Juarez Xavier, professor da Universidade Estadual Paulista, (Unesp), que vê no País uma situação de “apartheid social”. Essa visão é compartilhada por Leci Brandão (PC do B), segunda mulher negra na história a se eleger deputada estadual em São Paulo. “A princesa assinou a lei no dia 13 e no dia 14 os negros estavam com uma mão na frente e a outra atrás. Vai fazer o que sem condição nenhuma de política pública para que estivesse realmente liberta?”

A implantação do sistema de cotas foi um ponto importante na luta pelos direitos da comunidade negra. A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo(USP), por exemplo, formou apenas sete mulheres negras em mais de 120 anos de existência. Larissa Mendes, que estuda na faculdade, faz parte da Poli Negra, grupo que trouxe a discussão sobre cotas para a instituição e mostrou por meio deum plebiscito que 70 % dos alunos as apoiavam em 2017. Por conta da iniciativa, no mesmo ano, o Conselho Universitário da USP aprovou cotas sociais e raciais. Segundo Larissa, a luta por cotas é uma forma de reparação histórica. “São medidas importantes para a gente conseguir se preservar com aquela chama de esperança que pelo menos através do conhecimento a gente pode chegar a alguma coisa”, afirma. Para a estudante. essa é uma solução temporária. “[As cotas] não têm como objetivo ser para sempre, mas é para durar enquanto a gente tiver uma diferença entre negros e brancos nas universidades e em todos os outros espaços da sociedade”, diz.

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GESTÃO E CARREIRA

O NEGÓCIO É FAZER ARTE

Para quem deseja complementar a renda ou aproveitar o momento de desemprego para empreender com flexibilidade, setor de artesanato se mostra promissor e cada vez mais valorizado.

O Negócio é fazer arte

Quando se vive momentos de a perto financeiro, seja pelo desemprego, seja por uma crise econômica, a primeira alternativa de uma pessoa é explorar as suas aptidões para suprir a renda ou mesmo para complementar o seu orçamento. Ela procura transformar esse conhecimento em um negócio que, geralmente, está ligado a habilidades manuais.

De acordo com a gerente da Unidade de Atendimento Individual do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), Adriana Rebecchi, em tempos de recessão financeira, a atividade de artesanato, por exemplo, é uma opção escolhida por cerca de dez milhões de brasileiros. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), virou a principal fonte de renda deles, movimentando cerca de R$ 50 bilhões por ano.

Fazer artesanato então pode ser uma boa estratégia para conseguir pagar as contas? Na opinião de Adriana, sim! “É um mercado dinâmico, criativo, que se adequa rapidamente às necessidades dos clientes. O empreendedor pode colocar em prática as suas habilidades para as atividades manuais, seja fazendo uma receita de culinária elogiada pelos amigos ou desenvolvendo produtos que levam matérias-primas como madeira, tecido, folhas de árvores secas, sementes, etc.”, exemplifica.

Contudo, com a visibilidade que já conquistou, muito além de uma fonte de renda extra ou um negócio para pagar as contas, o artesanato pode ser também um empreendimento vantajoso e lucrativo, na opinião do empreendedor digital. idealizador do ArtesCon e criador do programa lnfoCriativo, Eder Machado. “No momento em que as pessoas começam a se interessar pela atividade de artesanato como um negócio, se elas buscarem conhecimento e capacitação para desenvolver um trabalho sério, vão descobrir que este é sim um negócio rentável e que, se bem administrado, pode ser altamente lucrativo”, aponta.

CAINDO DE PARA QUEDAS

Boa parte das trajetórias dos artesãos brasileiros é de pessoas que optaram pelo artesanato como atividade de terapia, ou porque quiseram fazer o enxoval da casa ou do filho, e até mesmo por um simples hobby. No entanto, essa ingênua escolha virou uma atividade de negócio que ele sequer imaginava. ”As pessoas começam pelo hobby e chega um vizinho ou um amigo que acaba se interessando por aquilo e quer encomendar. É daí que surge a pergunta: ‘quanto você cobra?”. Inicialmente a pessoa nem sabe a resposta, mas nesse momento é que se descobre um novo mundo e a possibilidade de ganhar dinheiro”, demonstra Eder Machado.

Um dos principais objetivos do especialista é exatamente o de ajudar esses artesãos e profissionais de artes manuais a desenvolver negócios rentáveis e lucrativos. Por meio de cursos, palestras e conteúdos digitais, ele dissemina essa ideia e auxilia para que o negócio dê certo, pois uns dos maiores problemas que muitos profissionais que decidem entrar nesse mercado enfrentam é a falta de capacitação e o conhecimento, que vai muito além das técnicas de trabalho.

Outro ponto que precisa ser melhorado é em relação à valorização do trabalho. Pois quem é artesão sabe que tem sempre um cliente que solta a velha frase de aterrorizar qualquer vendedor: “Tá muito caro, não tem como dar um desconto?”. Mas acontece como em qualquer outra atividade, quem vai valorizar o trabalho é o próprio profissional e como ele se porta diante do mercado. “O artesão que se capacita e se profissionaliza entende que o que ele está ofertando não é um conjunto de peças de matéria-prima, e sim o seu tempo e a sua habilidade. Quando ele mesmo enxerga isso e valoriza o que faz, o cliente também vai perceber esse valor agregado e começar a dar mais valor”, esclarece o empreendedor digital.

O próprio Ministério do Trabalho já admitiu que o artesanato é uma atividade muito importante para a economia e para a cultura do País, tanto que o Governo sancionou em 2015 a Lei n° 13.180, que regulamentou a atividade e trouxe a Carteira Nacional do Artesão.

Lá fora, o artesanato brasileiro é ainda mais valorizado. “Depois da internet não houve mais barreiras, então conseguimos oferecer nossos artesanatos ao mundo todo. Além disso, existem até pessoas especializadas no exterior responsáveis em pegar os produtos aqui e ofertar lá fora como produto de alto valor agregado, especialmente os artesanatos voltados para a reciclagem”, conta Machado.

Por essas e outras, segundo ele, para quem quer empreender neste ramo, não existe mais espaço para amadorismo. “E aqui entra um ponto muito importante. Aquela pessoa que não se capacita, não busca informações para se desenvolver e conhecer melhor o seu negócio, não tem espaço”, alerta.

POR ONDE COMEÇAR

Uma boa ideia para quem decide empreender neste mercado, segundo Adriana Rebecchi do Sebrae-SP, é começar a atividade em casa. Eder Machado compartilha da mesma opinião: “Começar em casa é um caminho plausível e eu até indico, especialmente porque, quando a pessoa começa, não tem inicialmente uma grande demanda”, pontua.

No entanto, antes de começar o negócio, ele diz que é essencial fazer um planejamento, que envolve demanda e a sua capacidade de produção. “Esse é um grande problema do artesão, por mais que tenha mercado, ele tem um limite de produção. Então, essa é a primeira etapa do planejamento, se questionar sobre: até quantos clientes eu consigo atender? Se aumentar a demanda, até onde eu consigo produzir? Quanto eu consigo faturar com isso? E para fazer esse atendimento, eu preciso ter quanto de matéria­ prima em estoque?”.

Machado explica que o artesão deverá fazer um planejamento levando em conta um curto, médio e longo prazo. “Evidentemente você não vai comprar matéria-prima para mais de três anos. É apenas para um primeiro momento, por exemplo, para três meses. Mas você precisa desse planejamento para diminuir o seu risco e não acontecer de ter um monte de matéria-prima parada”, alerta. Material parado, na opinião do especialista, é dinheiro parado, que poderia estar sendo usado para outra coisa, como divulgação, cartão de visita, curso de capacitação, etc. “E tudo isso tem que estar no planejamento. Até chegar a um determinado ponto que ele vai avaliar se precisará contratar um funcionário, quanto mais de material precisará, se precisará de mais espaço ou deve parar naquela demanda que consegue ele mesmo atender”, argumenta.

Adriana Rebecchi aconselha que inicialmente é necessário investir também no desenvolvimento de amostras ou poucas peças para testar a aceitação do produto. “Daí em diante a produção crescerá de acordo com a demanda. E aos poucos ele pode diversificar, criando um mix de produtos de acordo com o interesse do cliente”, esclarece.

De início, além dos amigos e familiares, o criador do programa lnfoCriativo aconselha o artesão também a captar clientes através da internet. “Esse é o principal canal para esse tipo de negócio hoje. E a entrega você pode trabalhar com serviços de motoboy, correios, transportadoras, etc. Acerta com o cliente o valor de entrega e a partir de então você abre um leque enorme de consumidores. Conheço pessoas que trabalham em casa e nem pensam em abrir um ponto comercial porque, dependendo do negócio, não vale a pena”, afirma e diz ainda que se a demanda aumentar, talvez vai valer mais a pena a pessoa investir em um espaço maior dentro da própria casa do que montar uma loja. ”A internet hoje permite isso, se ela não existisse você precisaria estar em algum ponto para que as pessoas chegassem ao seu produto, mas com ela não é mais necessário”, acredita.

CAPACITAÇÃO

Para quem quer aprender artesanato, Adriana do Sebrae-SP diz que existem vários cursos de técnicas no mercado oferecidos pelo Senai, Marketplaces como Elo 7, Sutaco, entre outros, inclusive cursos on-line. No entanto, para quem busca capacitação nessa área em termos de administrar, ainda são poucas escolas. “É um problema que temos no mercado brasileiro de artesanato. Temos muita capacitação na área técnica, em que se consegue fazer peças lindas e maravilhosas, porém não existe capacitação para fazer uma boa oferta, uma precificação correta do produto, uma boa divulgação, uma boa gestão do negócio”, informa o especialista Eder Machado.

Por conta disso, ele acredita que muitos negócios nessa área acabam estagnados, não se tornam rentáveis e não dão certo. Porém, com a grande visibilidade, esse cenário começa a mudar, mesmo que em doses homeopáticas. “Os artesãos têm muita falta de confiança de empreender neste mercado. E como você elimina isso? Obtendo informação e conhecimento. Não existia capacitação nenhuma nesse sentido, mas agora existe, mesmo que pequena. Isso começou a mudar especialmente por causa da internet. Há profissionais que estão disseminando seus conhecimentos quanto a isso. Em relação ao custo do seu produto, divulgação, ou seja, capacitação e informação, que são primordiais para a alavancagem desse tipo de negócio”, pontua.

PECULIARIDADES

Outro ponto importante que o artesão precisa conhecer melhor na hora de investir neste mercado é sobre o público-alvo. “Existe um público que está interessado em um objeto único e exclusivo, esse sim é o produto do artesão”, demonstra Eder Machado.

Em sua opinião, esse também tem sido outro problema a ser enfrentado, pois alguns profissionais querem concorrer com shoppings, lojas, inclusive nos preços, e não tem como. “Esse não é o público dele. O público do artesão é diferente, é aquele que gosta de exclusividade, de peças únicas, que quer presentear um amigo ou parente com algo inovador. Que quer decorar a sua casa com algo que não vai ver nas grandes lojas. Então não tem como ele concorrer com varejistas, muito menos em preço”, afirma.

Investir em um tipo de artesanato só porque está na moda também não dá certo. Por exemplo, de acordo com Adriana, o reaproveitamento de material para atividade artesanal está em alta, como as biojoias, que nasceram do reaproveitamento de cápsulas de café expresso. “Evidentemente existem ondas e períodos que determinadas técnicas e produtos vão estar mais em alta. Se um ator na novela das oito utiliza crochê, existirá uma onda muito forte nesse segmento. A mesma coisa acontece com penteado, biscuit, etc. Mas quando a onda diminuir, não quer dizer que o trabalho saturou, ele teve uma queda, mas não vai parar, principalmente por causa da internet”, explica Machado.

O empreendedor digital volta a dizer que qualquer profissional que começar a utilizar a internet como ferramenta de trabalho não está limitado à sua região geográfica e, portanto, o mercado para a venda de seus produtos se tornará gigante. “E não terá como existir uma saturação, sempre terá aquele artesanato que estará na moda, mas o público que gosta desse tipo de produto nunca deixará de comprar quando a moda passar. Tem espaço para todos, só não pode querer concorrer com produto industrializado”, enfatiza.

Ele recomenda, no entanto, sempre tentar inovar nas próprias peças que produz trazendo algo novo. “Qualquer inovação nos produtos, tecidos, madeiras, palhas, etc., são bem-vindas. Mas uma coisa interessante é que o artesão é criativo, então isso sempre o leva à inovação. Uma característica muito boa dele”, elogia Machado que ensina também que uma boa estratégia é focar em um único tipo de público, mas utilizando várias técnicas. “Por exemplo, você foca em lembrancinhas para bebê, mas com diversas técnicas. Existem muitas possibilidades, cabe ao artesão ficar atento e sempre se atualizar, ver o que está acontecendo no mercado, os conteúdos, participar de feiras, etc. Com isso, ele descobre nichos de mercado que não estão sendo explorados”, orienta.

HORA DE OUSAR MAIS

Na opinião de Adriana do Sebrae­ SP, à medida que o negócio cresce e necessita aumentar a capacidade produtiva gerando emprego e renda, a participação em feiras permite ampliar a divulgação e cria oportunidade de venda para lojistas também. “Participar de feiras de artesanato representa grande oportunidade de mostrar sua arte. Em São Paulo, por exemplo, aconteceu a primeira edição da Feira de Artesanato Brasil Original, em outubro, no Anhembi, com a participação de 31 expositores de todo o Brasil, gerando mais de 2,9 milhões em negócios em quatro dias de evento”, mostra.

Segundo ela, o processo de curadoria aconteceu em todo o Brasil para seleção dos artesãos expositores “Com critérios bem definidos, selecionamos 24 expositores de São Paulo, a partir de análise de técnicas e materiais empregados no artesanato que retrate a cultura das cidades participantes”, afirma.

Eder Machado diz que toda exposição é válida, sim. Mas o que o empreendedor precisa avaliar é o retorno sobre esse investimento. Se a feira tiver um custo de R$1.000,00 e o retorno for de R$900,00, não vale a participação. Mas se resultar em R$1.100,00 já valerá, pois, o retorno é baixo, mas a divulgação é um ponto positivo. “Dependendo do custo, para aquele que está começando, participar de feiras grandes poderá ser oneroso. Mas se for uma feira local no bairro, vale a pena. Tem que avaliar caso a caso”, indica.

Panfletos, redes sociais, feiras, jornais locais, blog e WhatsApp também são boas formas de divulgação. Além disso, firmar parcerias com lojas no bairro, salões de beleza ou com amigos não é uma ideia ruim. Mas é preciso avaliar se todos sairão ganhando.

Por fim, o especialista diz que o artesanato está no começo de um novo tempo, passando por transformações muito positivas. “Está deixando de lado o amadorismo. E aquele que não se profissionalizar, não buscar o diferencial, seja na sua técnica, no se u trabalho ou na gestão do seu negócio, vai ficar para trás. Por isso, para quem tem esse sonho, vale a pena, comece, busque o seu objetivo, coloque-o em prática e trabalhe para isso”, conclui.

6 PASSOS PARA QUEM QUER ABRIR UM NEGÓCIO COM ARTESANATO

 1 – Obtenha segurança para começar a empreender, por meio de informação e conhecimento. Pesquise o mercado.

2 – Faça um teste inicial dos seus produtos para avaliar se as pessoas gostam e o que pode aprimorar. Comece a produzir oferecendo para amigos e familiares.

3 – Faça um planejamento básico, apenas para definir as ações iniciais, como a forma que vai trabalhar, quanto pretende faturar no início, quanto precisa de matéria, quanto consegue produzir por dia (horas x dia).

4 – Faça acontecer, coloque em prática definitivamente. Monte o espaço em casa, vá à compra dos produtos, etc. Às vezes, não acaba fazendo por postergar demais.

5 – Supere as adversidades. Erros vão acontecer, mas entenda que isso faz parte do processo de aprendizado. Quem vence é aquele que, mediante a falha, não desiste, mas busca alternativas.

6 – Empenhe-se sempre. Se não o fizer, não terá resultados. E não deixe o pessimismo acabar com a sua motivação. Esteja cercado por pessoas que valorizam o seu trabalho, essas ações resultam em resultados positivos. Não adianta ter dinheiro se tem a falta de motivação.

 

COMO COBRAR PELO SEU TRABALHO

TÉCNICAS COM BAIXÍSSIMO CUSTO DE MATÉRIA-PRIMA

Nesse caso é aplicado quando a técnica trabalhada possui baixo custo com matéria-prima (exemplo: tricô e crochê). Aqui o artesão deve definir quanto vale a sua hora de trabalho (o que varia em função de sua experiência, capacitação, habilidade, reconhecimento no mercado, etc.) e cobrar em função das horas trabalhadas.

OUTRAS TÉCNICAS

Nesse caso o artesão deve considerar, basicamente, o custo variável, fixo e lucro desejado. O custo variável é o custo que terá em função da quantidade de peças produzidas. Ou seja, quanto mais peças fizer, mais linha, tecido, massa, entre outros, irá gastar. O custo fixo é o custo existente independentemente de peças produzidas. Exemplo: Hospedagem mensal da loja virtual e aluguel do ateliê.

O lucro é a porcentagem de ganho em cada peça. Essa margem vai variar em função da técnica, concorrência, preço de mercado.

Obs.: Um erro comum dos artesãos que trabalham em casa é acharem que não têm custos fixos, na verdade, o custo existe, só que geralmente ele não está pagando (o custo entra nas despesas da casa).

 

EDER MACHADO – Facilitador do processo de empreendimentos artesanais.