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ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 26: 47–56

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Cristo é traído por Judas.

O Servo do Sacerdote é Agredido por Pedro. Cristo E Abandonado pelos seus Discípulos

 Somos informados aqui de como o bendito Senhor Jesus foi apanhado e levado preso. Isto se seguiu imediatamente à sua agonia, enquanto Ele ainda falava; porque desde o início até o fim de sua paixão, Ele não teve a mínima interrupção ou pausa, mas a situação só se agravou. Sua dificuldade, até este ponto, havia sido em seu interior; mas agora o cenário está mudado, agora os filisteus estão sobre ti, bendito Sansão. “O respiro das nossas narinas, o Ungido do Senhor, foi preso nas suas covas” (Lamentações 4.20).

Agora, com respeito à prisão do Senhor Jesus, observe:

I – Quem eram as pessoas que foram empregadas nessa situação.

1. Aqui estava “Judas, um dos doze”, na frente de sua guarda infame; ele foi o guia para aqueles que prenderam Jesus (Atos 1.16); sem a sua ajuda, eles não poderiam tê-lo encontrado em seu retiro. Observe e se admire; o primeiro que aparece com os seus inimigos é um dos seus próprios discípulos, que, uma ou duas horas antes, estava comendo pão com ele!

2. Aqui estava, com Judas, uma grande multidão, para que a Escritura pudesse ser cumprida: “Senhor, como se têm multiplicado os meus adversários!” (Salmos 3.1). Essa multidão era composta, em parte, por um destacamento dos guardas que foi colocado na torre de Antonia pelo governador romano; esses eram gentios, pecadores, como Cristo os chama (v. 45). Os demais eram servos e oficiais do sumo sacerdote, e eram judeus; aqueles que divergiam uns dos outros, puseram-se de acordo contra Cristo.

II – Como eles estavam armados para esta empreitada.

1. Com que armas eles estavam armados: eles vieram “com espadas e porretes”. Os soldados romanos, sem dúvida alguma, tinham espadas; os servos dos sacerdotes, aqueles que não possuíam espadas, levaram porretes e varas. Furor arma ministra Sua fúria fornecia as suas armas. Eles não eram tropas regulares, mas uma turba agitada. Mas para que todo esse trabalho? Se eles fossem dez vezes mais em quantidade, não poderiam tê-lo prendido se Ele não tivesse permitido; e, tendo chegado a sua hora de renunciar a si mesmo, toda essa força foi desnecessária. Quando um açougueiro entra no campo par a pegar um cordeiro para matar, ele levanta uma milícia e vem armado? Não, ele não precisa disso; no entanto, toda essa força foi usada para apanhar o Cordeiro de Deus.

2. Com que mandado eles estavam armados. “Eles vinham dos príncipes dos sacerdotes, e anciãos do povo”; essa multidão armada foi enviada por eles para essa missão. Ele foi preso por ordem do grande sinédrio, como uma pessoa que lhes era odiosa. Pilatos, o governador romano, não lhes deu nenhum mandato de busca, porque não tinha inveja de Jesus; mas os homens que fingiam agir em nome da religião, e presidiam os assuntos da sinagoga, é que estavam ativos nessa perseguição, e eram os inimigos mais vingativos que Cristo tinha. Esse era um sinal de que Ele era apoiado por um poder divino, porque Ele não só foi desertado por todos os poderes terrenos, mas foi atacado por eles. Pilatos lançou lhe isto em rosto: ”A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim” (João 18.35).

III – O modo como isso foi feito, e o que se passou nesse período.

1. Como Judas o traiu; ele fez esse acordo de forma eficiente, e a sua resolução nessa maldade pode envergonhar a todos nós que falhamos naquilo que é bom. Considere:

 

(1)  As instruções que ele deu aos soldados (v. 48): “Ele lhes deu um sinal”; como o comandante do grupo nessa ação, ele dá a palavra ou o sinal. Ele lhes deu um sinal, para que não prendessem por engano um dos discípulos em vez dele, tendo os discípulos recentemente dito, aos ouvidos de Judas, que estariam dispostos a morrer por Ele. Que abundância de cuidados, aqui, para não deixar de prendê-lo: “O que eu beijar é esse”; e quando eles o prenderam, para não deixá-lo fugir: “Prendei-o”; porque Ele algumas vezes tinha escapado daqueles que pensavam tê-lo segurado (Lucas 4.29,30). Embora os judeus que frequentavam o templo o conhecessem, os soldados romanos talvez nunca o tivessem visto, e o sinal tinha a finalidade de orientá-los. E Judas, através de seu beijo, tinha não só a intenção de identificá-lo, mas de detê-lo, enquanto eles viriam por trás, e colocariam as suas mãos sobre Ele.

(2)  A saudação hipócrita que ele fez ao seu Mestre. “Ele se aproximou de Jesus”. Se alguma vez o coração mau de Judas pensou em voltar atrás, isso certamente aconteceu naquele momento. Quando veio olhá-lo no rosto, ele deve ter ficado admirado com a sua majestade, ou encantado pela sua beleza. Judas ousa colocar-se diante de sua presença e traí-lo? Pedro negou a Cristo, mas quando o Senhor virou-se e fitou-o, ele vacilou imediatamente. Porém, Judas se coloca diante da face de seu Mestre, e o trai. Ele disse: “Eu te saúdo, Rabi”. E beijou-o. Parece que o nosso Senhor Jesus tinha por hábito permitir um certo grau de familiaridade consigo, dando-lhes a sua face para beijar depois de eles terem estado ausentes por algum tempo, o que Judas maldosamente usou para facilitar essa traição. Um beijo é um sinal de lealda­ de e amizade (Salmos 2.12). Mas Judas, quando violou todas as leis do amor e do dever, profanou esse sinal sagrado para servir ao seu propósito. Note que há muitos que traem a Cristo com um beijo, e o saúdam, dizendo Rabi. Sob o pretexto de honrá-lo, traem e desprezam os interesses de seu reino. Abraçar é uma coisa, amar é outra. O beijo de Joabe e o beijo de Judas foram muito parecidos.

(3)  Como o seu Mestre o recebeu (v. 50).

[1] Ele o chama de amigo. Se Jesus o tivesse chamado de canalha, traidor, maldito, louco, e filho do diabo, não teria dito nada errado; mas Ele nos ensinou, sob a maior provocação, a suportar a amargura e a calúnia, e a mostrar toda mansidão. ”Amigo”, porque Judas tinha sido um amigo, e deveria ter sido, e até parecia ser. Assim o Senhor Jesus o repreende, como Abraão, quando chamou de filho o homem rico que estava no inferno. Jesus o chama de amigo, porque Judas promoveu os seus sofrimentos, e assim agiu como seu amigo; ao passo que Jesus chamou a Pedro de Satanás, por tentar impedir os seus sofrimentos.

[2] Ele lhe pergunta: “‘A que vieste?’ É paz, Judas? Explica-te; se tu vens como um inimigo, o que significa este beijo? Se como um amigo, o que significam estas espadas e porretes? A que vieste? Que dano fiz a ti? Em que te desgastei? Qual é a razão da tua presença? Por que não tens tanta vergonha, quanto a manter-se fora da vista, o que poderias ter feito, mesmo comunicando ao oficial onde eu estava?” Este foi um exemplo de grande insolência, através do qual Judas se mostra atrevido e descarado nessa transação iníqua. Mas é habitual que os apóstatas da religião sejam os seus inimigos mais amargos. Juliano é prova disso. Portanto, Judas fez a sua parte.

2. Como os oficiais e os soldados o prenderam: ”Aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus e o prenderam”; eles o fizeram seu prisioneiro. Como não estavam com medo de estender as suas mãos contra o Ungido do Senhor? Podemos muito bem imaginar que mãos rudes e cruéis elas eram, as mãos que essa multidão bárbara colocou sobre Cristo; e como certamente o trataram de modo tosco, por terem tão frequentemente ficado desapontados quando procuraram colocar as suas mãos sobre Ele. Eles não poderiam tê-lo prendido, se Ele não tivesse se entregado, e sido entregue “pelo determinado conselho e presciência de Deus” (Atos 2.23). Aquele que disse a respeito de seus servos ungidos: “Não toqueis nos meus ungidos” (Salmos 105.14,15), não poupou a seu Filho ungido, mas o entregou por todos nós; e outra vez, “deu a sua força ao cativeiro, e a sua glória à mão do inimigo” (Salmos 78.61). Veja qual foi a queixa de Jó (cap. 16.11): “Entrega-me [ou entregou-me] Deus ao perverso”. Esta e outras passagens no livro de Jó tipificam a Cristo.

O nosso Senhor Jesus foi feito prisioneiro, porque Ele seria tratado, em todas as coisas, como um criminoso, punido pelo nosso crime; e como um penhor Ele seria confiscado pela nossa dívida. O jugo das nossas transgressões estava ligado pela mão do Pai ao pescoço do Senhor Jesus (Lamentações 1.14). O Senhor Jesus se tornou um prisioneiro, para que pudesse nos colocar em liberdade. Ele disse: “Se, pois, me buscais a mim, deixai ir estes” (João 18.8); e aqueles que Ele liberta certamente estão livres.

3. Como Pedro lutou por Cristo, e sentiu as suas dores. Aqui ele é mencionado apenas como um dos que estavam com Jesus no jardim; mas em João 18.10, somos informados de que foi Pedro quem se distinguiu nessa ocasião. Observe:

(1)  A precipitação de Pedro (v. 51). Ele “puxou a espada”. Entre todos eles, só haviam duas espadas (Lucas 22.38), e parece que uma delas foi deixada com Pedro; e agora ele achou que seria a hora de puxá-la, e deu golpes impetuosos à sua volta como se tivesse feito algo muito importante; mas tudo o que ele fez foi cortar uma orelha de um servo do sumo sacerdote. Ê provável que Pedro desejasse arrancar-lhe a cabeça, pelo fato de tê-lo visto mais à frente do que os demais que colocavam as mãos em Cristo; mas ele deve ter errado o golpe, decepando então a orelha daquele homem. Porém, se Pedro estivesse lutando, em meu pensamento ele deveria ter antes mirado Judas, e tê-lo marcado como um trapaceiro. Pedro havia falado muito do que faria pelo seu Mestre, e disse que até mesmo sacrificaria a sua vida por Ele; sim, ele faria isso. E agora ele seria tão bom quanto a sua palavra, e arriscaria a sua vida para resgatar o seu Mestre. Até este ponto, ele era louvável por demonstrar um grande zelo por Cristo, por sua honra e segurança. Mas Pedro não agiu de acordo com o conhecimento, nem foi guiado pela discrição, porque:

[1] Ele fez isso sem autorização; alguns dos discípulos realmente perguntaram: “Senhor, feriremos à espada?” (Lucas 22.49). Mas Pedro golpeou antes que tivesse uma resposta. Devemos ver não só a nossa boa causa, mas o nosso chamado claro, antes de puxarmos a espada; devemos mostrar com que autoridade fazemos aquilo que fazemos, e quem nos deu esta autoridade.

[2] Ele indiscretamente expôs a si mesmo e aos seus companheiros discípulos à fúria da multidão. Porque, o que eles poderiam fazer com apenas duas espadas, contra um bando de homens?

(2)  A repreensão que o nosso Senhor Jesus lhe fez (v. 52): “Mete no seu lugar a tua espada”. O Senhor não ordenou aos oficiais e soldados que guardassem as suas espadas, que foram puxadas contra Ele; o Senhor os deixou a critério de Deus Pai, que julga aquele s que estão fora; mas Ele ordena a Pedro que guarde a sua espada, não o censurando, na verdade, pelo que fez, porque foi feito com boa intenção, mas interrompendo a sua ação, estabelecendo que não haja um precedente. A missão de Cristo no mundo é fazer a paz. Note que “as armas da nossa milícia não são carnais, mas espirituais”; e os ministros de Cristo, embora sejam seus soldados, não guerreiam com a carne (2 Coríntios 10.3,4). Isso não significa que a lei de Cristo derrube a lei da natureza ou a lei das nações, na medida que esses códigos se colo­ quem em defesa de seus direitos e liberdades civis, e de sua religião de uma forma legal; mas ela sustenta a preservação da paz e da ordem pública, proibindo que qualquer pessoa resista aos poderes estabelecidos. Não, temos um preceito geral para que não resistamos ao mal (cap. 5.39), nem Cristo mandará que os seus ministros propaguem a sua religião pela força das armas: A religião não pode ser forçada; e deve ser defendida, não matando, mas morrendo. Assim como Cristo proibiu os seus discípulos de tentarem dominar o mundo através da espada (cap. 20.25,26), aqui Ele proíbe a espada da guerra. Cristo ordenou que Pedro guardasse a sua espada, e nunca lhe ordenou que fizesse uso dela novamente.  No entanto, Pedro é culpado, aqui, de fazer isso intempestivamente; havia chegado a hora de Cristo sofrer e morrer. O Senhor sabia que Pedro conhecia isso, e a espada do Pai foi levantada contra Ele (Zacarias 13.7). Ao puxar a sua espada, Pedro estava dizendo: “Mestre, poupe a ti mesmo”.

Três razões que Cristo dá a Pedro para essa repreensão:

[1] Puxar a espada seria uma atitude perigosa tanto para Pedro como para os seus companheiros discípulos. “Todos os que lançarem mão da espada à espada morrerão”. Aqueles que usam a violência, cairão pela violência; e os homens apressam e aumentam os seus próprios problemas proferindo ameaças de métodos sangrentos de defesa pessoal. Aqueles que pegam a espada antes de lhes ser dadas, que a usam sem um mandato ou autorização, expõem a si mesmos à espada de guerra, ou à justiça pública. Se não tivesse sido pelo cuidado e providência especiais do Senhor Jesus, Pedro e o restante deles, pelo que sei, teriam sido feitos em pedaços imediatamente. Grotius dá um outro sentido provável à expressão do Senhor, como se os oficiais e os soldados que vêm com espadas para prender a Cristo é que fossem morrer pela espada, e não Pedro. “Pedro, você não precisa puxar a espada para puni-los. Deus Pai certamente, em breve, ajustará contas com eles de uma forma severa”. Eles pegaram a espada romana para prender a Cristo, e pela espada romana, não muito tempo depois, eles, o seu lugar, e a sua nação foram destruídos. Portanto, não devemos nos vingar, porque Deus Pai retribuirá (Romanos 12.19); portanto, devemos sofrer com fé e paciência, porque os perseguidores serão pagos com a sua própria moeda. Veja Apocalipse 13.10.

[2] Era desnecessário alguém puxar a sua espada em defesa de seu Mestre, pois Ele, agora, se quisesse, poderia convocar a seu serviço todas as hostes celestiais (v. 53). “‘Ou pensas tu que eu não poderia, agora, orar a meu Pai e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?’ Pedro, se Eu fosse desviar estes sofrimentos, poderia fazê-lo facilmente, sem a tua ajuda e sem a tua espada”. Note que Deus não precisa de nós, dos nossos serviços, muito menos dos nossos pecados, para executar os seus propósitos; a nossa falta de confiança e a nossa falta de fé no poder de Cristo é evidenciada quando saímos do caminho da nossa obediência para servir aos seus interesses. Deus pode fazer a sua obra sem nós; se olharmos para os céus, e virmos como Ele é servido ali, poderemos facilmente inferir que, mesmo que sejamos justos, Ele não nos deve nada (Jó 35.5,7). Embora Cristo tenha sido crucificado em fraqueza, essa foi uma fraqueza voluntária. Ele se sujeitou à morte, não porque não pudesse lutar contra ela, mas porque não desejou fazê-lo. Isto remove a ofensa da cruz, e prova que o Cristo crucificado é o poder de Deus. Mesmo agora, na profundidade de seus sofrimentos, o Senhor Jesus poderia convocar a ajuda de legiões de anjos. “Agora”. “Embora a história já tenha passado, eu ainda poderia, com uma palavra, reverter todas as coisas”. Cristo aqui nos faz saber:

Em primeiro lugar, que grande interesse o Senhor Jesus demonstrou por seu Pai. Eu posso orar a meu Pai, e Ele enviará ajuda do santuário. Eu posso solicitar de meu Pai esses reforços. A oração de Cristo tem autoridade. Note que é uma grande consolação para o povo de Deus, quando está cercado de inimigos por todos os lados, ter um caminho aberto em direção ao céu. Se o povo de Deus não puder fazer mais nada, ele pode orar àquele que pode fazer todas as coisas. E aqueles que oram muito em outros momentos, têm uma grande consolação ao orar quando surgem os tempos turbulentos. Observe que Cristo disse não só que Deus poderia lhe enviar tal número de anjos, mas que, se Ele o pedis­ se, Deus o faria. Embora o Senhor tenha realizado a obra da nossa redenção, parece que se Ele tivesse desejado ser livre, o Pai não o teria impedido. Ele poderia ter se retirado, evitando tamanho sofrimento. Mas o Senhor Jesus amou a sua obra salvadora, e por essa razão Ele não se retiraria; assim, foi apenas com as cordas de seu próprio amor que Ele foi atado ao altar.

Em segundo lugar, que grande interesse Ele tinha pelas hostes celestiais. O Pai “lhe daria agora mais de doze legiões de anjos”, perfazendo mais de setenta e dois mil seres celestiais. Observe aqui:

1. Existe uma companhia inumerável de anjos (Hebreus 12.2). Um destaca­ mento de mais de doze legiões poderia ser cedido para o nosso serviço, e não haveria falta ao redor do trono. Veja Daniel 7.10. Eles são dispostos em ordem exata, como as legiões bem disciplinadas; não são uma multidão confusa, mas tropas regulares; todos conhecem o se u posto, e observam a palavra de comando.

2. Essa companhia inumerável de anjos está toda à disposição do nosso Pai celestial, e executa o seu beneplácito (Salmos 103.20,21).

3. Essas hostes angelicais estavam prontas para vir em auxílio do nosso Senhor Jesus em seus sofrimentos, se Ele tivesse precisado ou desejado isso. Veja Hebreus 1.6,14. Eles teriam estado com Ele como estiveram com Eliseu, em carros de fogo e cavalos de fogo, não só para protegê-lo, mas para consumir aqueles que procurassem atentar contra Ele.

4. O nosso Pai celestial deve ser visto e reconhecido em todos os ser viços das hostes celestiais: “Ele me daria”; portanto, não devemos orar aos anjos, mas ao Senhor dos anjos (Salmos 91.11).

5. É uma questão de conforto para todos os que desejam o bem do reino de Cristo, que haja um mundo de anjos sempre a serviço do Senhor Jesus, e que podem fazer maravilhas. Aquele que possui os exércitos do céu às suas ordens, pode fazer o que lhe agrada entre os habitantes da terra: “Ele me daria agora”. Veja como o Pai estava pronto a ouvir a oração do Senhor Jesus, e como os anjos estavam prontos a obedecer às suas ordens; eles são servos dispostos, mensageiros alados, eles voam rapidamente. Isto é muito animador para aqueles que desejam intimamente que Cristo seja honrado, e o bem-estar de sua igreja. Será que alguém pensa que tem mais cuidado e preocupação por Cristo e sua igreja, do que o próprio Deus e os seus santos anjos?

[3] Não era hora de fazer qualquer defesa, ou se oferecer para desviar o golpe: “Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?” (v. 54). Foi escrito que Cristo deveria “ser levado como um cordeiro para o matadouro” (Isaias 53.7). Se o Senhor Jesus chamasse os anjos para lhe auxiliarem, Ele não seria de modo algum levado para o matadouro; se Ele permitisse que os seus discípulos lutassem, Ele não seria levado silenciosamente e sem resistência; portanto, Ele e os seus discípulos deveriam se submeter ao cumprimento das profecias. Note que, em todos os casos difíceis, a Palavra de Deus deve ser conclusiva contra os nossos próprios conselhos, e nada deve ser feito, nada tentado, contra o cumprimento das Escrituras. Se o alívio das nossas dores, a quebra das nossas amarras, a salvação das nossas vidas, não coincidirem com o cumprimento das Escrituras, devemos dizer: “Que seja feita a vontade de Deus, que a sua Palavra seja cumprida, que a sua lei seja louvada e respeitada, a despeito daquilo que nos aconteça”. Assim Cristo deteve a Pedro, quando este quis se colocar como seu defensor, e capitão salva-vidas.

4. Em seguida, somos informados sobre como Cristo resolveu o caso com aqueles que foram buscá-lo (v. 55). Embora não tenha resistido a eles, o Senhor argumentou com eles. Note que condiz com a paciência cristã debater calmamente com os nossos inimigos e perseguido­ res quando estamos sob os nossos sofrimentos, como aconteceu no caso de Davi e Saul (1 Samuel 24.14; 26.18). “Saístes”:

(1)  Com fúria e hostilidade, como contra um ladrão, como se Eu fosse um inimigo para a segurança pública, e como se sofresse isso merecidamente? Os ladrões atraem para si mesmos o ódio comum; todos ajudarão a deter um ladrão; e então eles caíram sobre Cristo como a escória de todas as coisas. Se Ele tivesse sido a praga de sua nação, não poderia ter sido perseguido com mais empenho e violência.

(2)  Com todo esse poder e força, como contra o pior dos ladrões, que desafia a lei e a justiça pública, e acrescenta a rebelião ao seu pecado? Saístes, como para prender um salteador, com espadas e porretes, como se houvesse perigo de resistência; considerando que “matastes o justo; “ele não vos resistiu” (Tiago 5.6). Se ele não estivesse disposto a sofrer, seria loucura sair com espadas e porretes, porque eles não poderiam vencê-lo; se Jesus desejasse resistir, teria considerado o ferro como palha, e as suas espadas e porretes teriam sido como a sarça diante do fogo consumidor; mas, estando disposto a sofrer, foi tolice irem assim armados, porque Ele não iria discutir com eles.

Ele posteriormente debate com eles, lembrando-os de como havia se comportado com eles até aquele momento, e eles em relação a Ele.

[1] De sua presença pública: “Todos os dias me assentava junto de vós, ensinando no templo”. E:

[2] Da conivência pública deles: “E não me prendestes”. Qual o motivo dessa mudança? Eles foram muito irracionais, ao agirem com Ele como o fizeram. Em primeiro lugar, Ele não lhes havia dado motivo para considerá-lo como um ladrão, pois havia ensinado no Templo. E o assunto e a maneira de seu ensino era tal, que o Senhor Jesus foi manifestado na consciência de todos os que o ouviram como sendo um homem bom. As palavras bondosas que saíram de sua boca não foram palavras de um ladrão, nem de alguém que tinha um demônio. Em segundo lugar, Ele não lhes havia dado motivos para que o considerassem como um foragido da lei e da justiça, para que viessem à noite para capturá-lo; se eles tivessem alguma coisa para lhe dizer, poderiam encontrá-lo todos os dias no Templo, pronto para responder a todos os desafios, a todas as acusações, e ali poderiam fazer o que bem entendessem com Ele; porque os príncipes dos sacerdotes tinham a custódia do Templo, e o comando dos guardas que estavam em torno do Templo. Mas vir até Ele assim, clandestinamente, no local de seu retiro, era uma atitude vil e covarde. Desse modo, o maior herói pode ser perversamente assassinado em uma esquina, por alguém que, em campo aberto, tremeria só por encará-lo.

Mas tudo isso aconteceu (vê-se em seguida, v. 56) para que as Escrituras dos profetas pudessem ser cumpridas. Ê difícil dizer se essas foram as palavras do sagrado historiador, como um comentário sobre essa história, e uma instrução ao leitor cristão, para compará-lo com as Escrituras do Antigo Testamento, que apontavam para esse fato. Ou ainda se foram as palavras do próprio Cristo, como se estivesse expressando o motivo de tudo aquilo estar ocorrendo. Mesmo assim, Ele não poderia deixar de se ressentir por esse tratamento tão vil. Ele precisou se sujeitar à situação para que as Escrituras dos profetas pudessem se cumprir. O Senhor Jesus havia acabado de fazer uma referência a essa necessidade (v. 54). Note que as Escrituras se cumprem todos os dias; e todas as Escrituras que falam do Messias tiveram o seu pleno cumprimento em nosso Senhor Jesus Cristo.

5. Como Ele foi, em meio a essa aflição, vergonhosa­ mente desertado pelos seus discípulos: “Então, todos os discípulos, deixando-o, fugiram” (v. 56).

(1)  Esse foi o pecado deles; e foi um grande pecado para aqueles que haviam deixado tudo para segui-lo, agora deixá-lo por algo que nem sabiam o que era. Houve crueldade nisso, considerando a relação que havia entre eles, os favores que eles haviam recebido da parte dele, e as circunstâncias melancólicas que agora se apresentavam. Houve infidelidade nisso, porque eles haviam prometido solenemente se unir a Ele, e nunca abandoná-lo. Ele havia reivindicado o salvo-conduto deles (João 18.8); no entanto, eles não puderam confiar nisso, e fugiram vergonhosamente. Que coisa insensata foi essa; por medo da morte, fugiram daquele a quem conheciam e haviam reconhecido como a Fonte da vida? (João 6.67,68). “Senhor, que é o homem”!

(2)  Foi parte do sofrimento de Cristo, e acrescentou aflição às suas cadeias, ser dessa maneira desertado, como aconteceu com Jó (cap.19.13): “Pôs longe de mim a meus irmãos”. E também com Davi (Salmos 38.11): “Os meus amigos e os meus propínquos [ou companheiros] afastam-se da minha chaga”. Eles deveriam ter permaneci­ do com o Senhor, para servi-lo e apoiá-lo; e, se fosse necessário, deveriam ser testemunhas favoráveis a Ele em seu julgamento no tribunal. Mas eles traiçoeiramente o desertaram. Algo parecido aconteceu com o apóstolo Paulo, pois, em sua primeira defesa, nenhum homem ficou do lado dele. Porém, havia um mistério nisso.

[1] Cristo, como um sacrifício pelos pecados, foi assim abandonado. O cervo que, pela flecha do seu dono, é marcado para ser caçado e abatido é imediatamente abandonado por todo o rebanho. Nisso, Ele foi feito uma maldição por nós, pois foi deixado como alguém que é separado para o mal.

[2] Cristo, como o Salvador de almas, ficou assim sozinho. Ele não precisava, e não teve a ajuda de nenhum outro ao operar a nossa salvação. Tudo Ele suportou, e fez tudo sozinho. Ele pisou o lagar sozinho, e como não havia ninguém que o apoiasse, então o seu próprio braço trouxe a salvação (Isaias 63.3,5). Assim o Senhor, sozinho, conduziu o seu Israel; eles só precisaram “contemplar esta grande salvação” (Deuteronômio 32.12).

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POR QUÊ CRIAR O BLOG? POR QUÊ O TÍTULO?

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Nos dias atuais gastamos mais tempo conectados  que o diálogo e a leitura de livros de papel tornaram-se absoletos.  Em contrapartida, a leitura visual através de mídias vem crescendo e ocupando o tempo das pessoas que, imperceptíveis aderem aos novos hábitos. Assim, faz-se necessário que nós, os que ainda prezam pelos bons e velhos hábitos ajustarmos às novas necessidades e assim, servir de leme aos que naufragam  ante a ignorância não somente de conhecimento mas até mesmo de conhecimento de verdades que consolidam suas opiniões.

A igreja é ainda o principal elo de ligação entre a sociedade e as necessidades do homem para a aproximação do Criador e sua criatura. Àqueles que entendem que precisam se preparar melhor e que não encontram tempo para a leitura e seminários cuja presença física se faz  necessária, ofereço a oportunidade de compartilhar conhecimento e aprendizado acumulados ao longo de mais de vinte anos de caminhada e serviço cristão como uma forma de auxiliar na capacitação para transformar pessoas comuns em líderes extraordinários.

Fazendo assim, não só cresceremos na graça e conhecimento como glorificaremos o nome do Senhor entre povos e nações.

 

PSICOLOGIA ANALÍTICA

O MELHOR CEGO É AQUELE QUE NÃO QUER VER

Artista se dispôs a passar três dias no mais completo breu: foi hermeticamente vendado e imediatamente assumiu a postura de um ancião.

o melhor cego é aquele que não quer ver

A predominância da visão entre os sentidos humanos é tão grande que chegamos a usar coloquialmente as expressões “olha isso” ou “viu?” para indicar estímulos não visuais. Caçadores e coletores, nossos ancestrais viveram em estrita dependência da visão, pois apenas ela fornece imagens detalhadas de objetos distantes. Viver sem ver parece catastrófico para quem normalmente vê, mas o convívio com cegos bem adaptados demonstra que as compensações sensoriais e o aprendizado da falta permitem um notável grau de autonomia. Exímios navegadores da memória, refinados cartógrafos de texturas, senhores dos sons e odores, excepcionais interlocutores no trato com o próximo, os cegos bem temperados não inspiram pena e sim a mais franca admiração.

Em 2015 foi publicado o estudo eletrofisiológico de uma cegueira psicogênica, isto é, provocada não por deficiência anatômica ou fisiológica (hardware) mas por uma disfunção psíquica (software). O caso envolve o raríssimo transtorno dissociativo de identidade, em que o paciente atua como se possuísse distintas personalidades. Descrito há mais de um século por Charcot, Janet e Freud, esse transtorno foi posteriormente questionado como sendo um artefato terapêutico ou cultural. No caso em questão, uma paciente com múltiplas personalidades tornou-se cega após um traumatismo cranioencefálico, mas anos depois recuperou a visão quando sob a identidade de um adolescente do sexo masculino. Após uma sessão em que foram tratados temas especialmente traumáticos, subitamente a paciente tornou-se capaz de ler palavras inteiras. Depois, progressivamente, passou a reconhecer letras e finalmente imagens em geral. Sessões de hipnose levaram a uma generalização da visão para algumas outras personalidades da paciente, de modo que estados videntes e cegos passaram a se alternar na mesma pessoa em questão de segundos.

O registro de potenciais elétricos evocados por estímulos visuais mostrou que o córtex visual respondia apenas quando a paciente declarava ver, mas não quando reportava cegueira. Em outras palavras, a resposta fisiológica do cérebro dependia efetivamente da personalidade assumida a cada instante pela paciente. Ainda não está claro se este caso de cegueira histérica reflete processos cerebrais de cancelamento da imagem visual ou simplesmente um sutil mas eficaz desfocamento dos olhos. Seja como for, a documentação neurofisiológica do fenômeno indica que o transtorno dissociativo de identidade tem caráter biológico.

Se a instalação involuntária da cegueira sem causa orgânica aparente representa um quadro mental potencialmente revelador das misteriosas estruturas da mente, a cegueira voluntária é uma opção instrutiva para quem deseja explorar os limites da consciência. Buscando a experiência do verdadeiro escuro, o artista Leonardo Costa Braga dispôs-se a três dias de breu. Foi hermeticamente vendado e imediatamente assumiu a postura de um ancião. Durante as primeiras horas após o vendamento, expressou fragilidade, necessidade constante de apoio, medo evidente de perigos invisíveis e uma constante sensação de morte da personalidade que achava que a vida era apenas ver. Mover-se e viver tornou-se épico. A atenção chegou a tal extremo de foco que mesmo o som do mar a poucos metros tornou-se inaudível durante uma conversação com um guia durante uma caminhada.

Mas após uma noite de muitos sonhos, a adaptação foi emocionante. Retornou a postura corporal de adulto saudável, revigorada pelo aumento da sensibilidade dos outros sentidos. Instalou-se uma sinestesia poderosa, capaz de transformar em cores e formas os contatos do corpo com superfícies e sons do ambiente. Mestre da fotografia e da semiótica do cotidiano, Leonardo passou a retratar seu entorno com a clarividência de quem vê além da luz. Ao final da experiência, o artista nadava no Atlântico como se viajasse no espaço sideral, destemido e infinitamente livre.

Essa experiência encontra-se bem documentada no livro Olho mágico, fruto de um Prêmio Nacional Rede Funarte de Artes Visuais, em colaboração com o Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e do curso de alfabetização visual para deficientes visuais do Centro Universitário Senac-SP. Para conhecer o trabalho do artista: http://www.leonardocosta braga.com

OUTROS OLHARES

MENOS MÉDICOS, MAIS CONFUSÃO

Cuba rompe acordo com o Brasil e chama de volta profissionais participantes do Programa Mais Médicos. Foi uma retaliação às críticas de Bolsonaro, que promete asilo a quem quiser ficar.

menos médicos, mais confusão

Era esperado que acontecesse, só não se imaginava que seria tão rápido. Na quarta-feira 14, o governo de Cuba anunciou sua saída do Programa Mais Médicos, criado em 2013 na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff com o objetivo de assegurar assistência médica em localidades onde faltam profissionais. Polêmico desde seu início, o programa dividiu setores médicos, políticos e de organizações sociais. Enquanto parte criticou a iniciativa sob o argumento de que o País não precisava de mais profissionais e sim de melhor distribuição e de financiamento, outra a apoiava baseada na afirmação de que centenas de cidades, especialmente as do interior, não tinham qualquer tipo de atendimento e que médicos brasileiros se recusavam a deixar as capitais.

A presença dos cubanos foi sempre especialmente incômoda. Eles somam a maior parte de profissionais envolvidos no programa, totalizando 8.332 médicos em um total de pouco mais de 16 mil. O restante é composto por brasileiros formados no Brasil e no Exterior e por intercambistas (de outras nacionalidades). Os que vieram de Cuba chegaram ao Brasil por meio de um acordo intermediado pela Organização Pan-americana da Saúde que previa o pagamento de uma bolsa hoje no valor de R$ 11.865,60. Porém, os médicos ficam apenas com R$ 3 mil. O resto é repassado ao governo de Cuba.

Essa forma de remuneração e a não exigência de que os médicos passassem por um exame de validação de seus diplomas no Brasil tornaram-se os principais pontos de crítica. As entidades contrárias ao projeto acusavam o governo da ilha de explorar o trabalho de seus médicos – além de proibi-los de pedir asilo – e também o governo brasileiro, ao colocar na ponta da assistência à população carente profissionais cuja qualidade nunca foi testada no Brasil. “Muitos nem são médicos”, afirma o médico José Luiz do Amaral, presidente da Associação Paulista de Medicina. “Não se qualificam minimamente nos exames. São técnicos treinados para ocupar lugares em postos de saúde”, completa.

Em sua campanha, Bolsonaro já havia avisado que mudaria os termos do acordo se eleito. Primeiro, exigiria que os profissionais se submetessem ao Revalida, o teste de validação do diploma. Depois, faria com que os médicos ficassem com o salário integral, sem repasse à “ditadura cubana”, como escreveu em seu twitter. “É trabalho escravo. Não poderia compactuar com isso”, afirmou depois, em entrevista. Por último o presidente eleito disse que permitiria que os cubanos trouxessem suas famílias para morar no País.

CONTRATAÇÃO DE EMERGÊNCIA

O súbito rompimento do acordo, de forma unilateral, surpreendeu e foi entendido como uma retaliação ao futuro presidente brasileiro. Ninguém sabe ao certo como será a repatriação dos profissionais até o fim de dezembro e, principalmente, de que forma o atendimento hoje feito pelos cubanos continuará sendo oferecido. Em nota, o Conselho dos Secretários Municipais de Saúde afirma que chegam a 29 milhões o total de brasileiros hoje atendidos por cubanos. A região Nordeste é onde se concentra a maior parte dos profissionais. “Em caráter emergencial, sugerimos a manutenção das condições atuais de contratação”, pediram os secretários. Na Bahia, onde há 822 cubanos, o prefeito de Salvador, ACM Neto, também manifestou apreensão. “Não é possível acabar com o programa de uma hora para outra. É preciso uma intervenção rápida”, disse. “O governo tem direito de mudar o programa, desde que tenha capacidade de suprir as demandas.” O Ministério da Saúde anunciou que lançará um edital para a contratação emergencial de médicos.

A atitude cubana, que não deu margem a qualquer diálogo entre os governos, deixa o Brasil em uma situação difícil, é verdade. Mas o governo de Miguel Díaz- Canel enfrentará também um cenário complicado. Os médicos que estão aqui foram igualmente surpreendidos e a maioria lamentou a decisão. Anonimamente, muitos pretendem pedir asilo político e continuar no Brasil, onde estabeleceram redes de contatos sociais e profissionais. E Bolsonaro já adiantou que pretende conceder asilo aos cubanos que desejarem permanecer em território brasileiro. Ou seja, menos médicos, mais confusão.

menos médicos, mais confusão.2

GESTÃO E CARREIRA

É MUITO CHATO MESMO…

Pesquisa mostra o que os funcionários fazem durante reuniões com apresentação de slides. A maioria faz tudo, menos prestar atenção…

É muito chato mesmo...

Poucas coisas podem ser mais enfadonhas no dia a dia das empresas do que apresentações, em salas à meia-luz. A companhia húngara Prezi, dona de um sistema concorrente do PowerPoint, resolveu investigar para onde vai o pensamento dos funcionários enquanto um slide se segue a outro e a mais outro e…. Foram ouvidos 2 mil profissionais americanos. Nesses momentos, 95% das pessoas fazem alguma coisa, que não é prestar atenção ao que está sendo dito e mostrado. Alguns conversam no celular, outros leem e-mails e há até aqueles que trabalham, mas longe de onde estão em corpo presente. Resultado: um em cada três perde o fio da meada e um em cada cinco comete erros ao lidar com vários assuntos ao mesmo tempo. A dispersão é maior na faixa etária de 18 a 34 anos – 56% deles precisam rever o conteúdo das apresentações, ante 44% dos que têm 55 anos ou mais. “As apresentações não cativam”, diz Nadjya Ghausi, vice-presidente de marketing da Prezi. O problema está na forma. “Projeções carregadas de estatísticas não engajam ninguém”, explica. Seria diferente se as informações fossem sob a forma de narrativa com exemplos – 35% dos jovens disseram prestar atenção quando a apresentação contém uma ótima história.

É muito chato mesmo...2

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 20: 11-18 – PARTE II

alimento diário

A Ressurreição

 

II – A visão que ela teve de dois anjos no sepulcro, v. 12. Observe aqui:

1. A descrição das pessoas que ela viu. Eram “dois anjos vestidos de branco, assentados” (provavelmente, em algum banco de pedra ou em nichos escavados na rocha), “um à cabeceira e outro aos pés”. Aqui temos:

(1) Sua natureza. Eram anjos, mensageiros do céu, enviados intencionalmente, nesta grande ocasião:

[1] Para honrar o Filho, e para agraciar a solenidade da sua ressurreição. Agora que o Filho de Deus seria novamente introduzido no mundo, os anjos tinham a incumbência de adorá-lo, como tinham feito no seu nascimento, Hebreus 1.6.

[2] Para consolar os santos. Para dizer boas palavras àqueles que estavam sofrendo, e, dando-lhes a notícia de que o Senhor tinha ressuscitado, prepará-los para a visão dele.

(2) Seu número: “dois”, não “uma multidão dos exércitos celestiais”, para cantar louvores, somente dois, para dar testemunho. Pois, pela boca de duas testemunhas, esta palavra seria confirmada.

(3) Sua forma de vestir: eles estavam “vestidos de branco”, indicando:

[1] Sua pureza e santidade. Os melhores homens, diante dos anjos, e comparados com eles, estão vestidos de “vestes sujas” (Zacarias 3.3), mas os anjos são imaculados. E os santos glorificados, quando vierem a ser como os anjos, andarão com Cristo vestidos de branco.

[2] Sua glória, e glorificação, nesta ocasião. O branco em que eles apareceram representava o esplendor daquele estado no qual Cristo agora estava.

(4) Sua posição e seu lugar: eles estavam assentados, como se repousando, no sepulcro de Cristo. Pois os anjos, embora não precisassem de uma restauração, deveriam adorar e honrar a Cristo por terem sido estabelecidos por Ele. Estes anjos entraram no sepulcro, para nos ensinar a não temê-lo, nem pensar que o fato de permanecer ali durante algum tempo irá prejudicar de alguma maneira nossa imortalidade. Não irá. As questões estão organizadas de tal maneira que o sepulcro não é um desvio no nosso caminho para o céu. Isto evidencia, da mesma maneira, que os anjos devem estar emprega­ dos junto aos santos, não somente na sua morte, para levar suas almas ao seio de Abraão, mas no grande dia, para ajuntar seus corpos, Mateus 24.31. Estas guardas angelicais (e os anjos são chamados de vigias, Daniel 4.23), guardando a sepultura, depois de terem afastado os guardas que os inimigos tinham colocado ali, representam a vitória de Cristo sobre os poderes das trevas, derrotando-os e afugentando-os. Assim, Miguel e seus anjos são mais do que vencedores. Eles estão sentados, um em frente ao outro, um à cabeceira da sua cama, o outro aos pés, o que indica seu cuidado pelo corpo inteiro de Cristo, seu corpo místico, assim como pelo seu corpo natural, da cabeça aos pés. Isto também nos lembra dos dois querubins, colocados um em cada extremidade do propiciatório, um olhando para o outro, Êxodo 25.18. Cristo crucificado era o grande propiciatório, e na sua cabeça e aos seus pés estavam estes dois querubins, não com espadas flamejantes, para nos afastar do caminho da vida, mas como mensageiros de boas-vindas, para nos conduzir ao caminho da viela.

2. A misericordiosa pergunta elos anjos sobre a causa da tristeza de Maria Madalena (v. 13): “Mulher, por que choras?” Esta pergunta foi:

(1) Uma repreensão ao seu pranto: “Por que você chora, quando tem motivos para alegrar-se?” Muitas correntes das nossas lágrimas se secariam diante de uma pergunta como esta, diante da busca da fonte das tristezas. Por que você está abatida?

(2) Pretendia mostrar o quanto os anjos se preocupam com as tristezas dos santos, tendo a incumbência ele ministrar-lhes para seu consolo. Os cristãos devem, desta maneira, ser solidários uns com os outros.

(3) Propiciava uma oportunidade de informá-la daquilo que transformaria sua tristeza em gozo, removendo seu pano de saco, envolvendo-a em alegria.

3. A explicação melancólica que ela lhes dá sobre sua tristeza atual: “Porque levaram” o corpo bendito que eu vim embalsamar, e “não sei onde o puseram”. A mesma coisa que ela tinha dito anteriormente, v. 2. Nisto, podemos ver:

(1) A fraqueza da sua fé. Se ela tivesse tido uma fé como um grão de mostarda, esta montanha teria sido removida. Mas frequentemente nós nos confundimos, desnecessariamente, com dificuldades imaginárias, que a fé nos revelaria como sendo vantagens reais. Muitas pessoas boas se queixam das nuvens e das trevas sob as quais se encontram, quando são necessários métodos de graça para humilhar suas almas, mortificar seus pecados, e despertar nelas o afeto por Cristo.

(2) A força do seu amor. Aqueles que têm um afeto verdadeiro por Cristo não podem evitar grande aflição quando perdem os sinais consoladores do seu amor nas suas almas ou as oportunidades consoladoras de estar com Ele, e honrá-lo nas suas ordenanças. Maria Madalena não se desvia da sua busca pela surpresa da visão, nem se satisfaz com esta honra, mas ela ainda repete o mesmo refrão: “Levaram o meu Senhor”. Uma visão de anjos e dos seus sorrisos não será suficiente sem uma visão de Cristo e dos seus sorrisos. Não. A visão dos anjos é apenas uma oportunidade para prosseguir na sua procura por Cristo. Todas as criaturas, as mais excelentes, as mais queridas, devem ser usadas como meios, mas somente como meios, para nos levar ao conhecimento de Deus em Cristo. Os anjos lhe perguntaram: “Por que choras?” Eu tenho motivos suficientes para chorar, diz ela, pois “levaram o meu Senhor”, e, como Mica, “que mais me fica agora?” Vocês me perguntam por que choro? “Já o meu amado se retirou e se foi”. Observe que ninguém, exceto aqueles que já a sentiram, conhece a tristeza de uma alma abandonada, que tinha evidências consoladoras do amor de Deus em Cristo, e esperanças no céu, mas agora as perdeu, e caminha nas trevas. ”Ao espírito abatido, quem o levantará?”

PSICOLOGIA ANALÍTICA

O QUE OS OUTROS SABEM SOBRE VOCÊ?

o que os outros sabem sobre você

TIPO 1

Pode-se dizer, para começar, que você tem necessidade de ser amado e admirado, e, contudo, pode ser muito crítico consigo mesmo. No plano das relações pessoais, você tem uma grande propensão a se dedicar ao outro. Inimigo do superficial, você não oferece sua amizade ou confiança a qualquer um. Sabe, por experiência própria, que não dá certo mostrar seus sentimentos tão facilmente. Mas sua sociabilidade sempre o leva a estabelecer relações de amizade sinceras, especialmente com as pessoas que escolheu para estar a seu redor. Apesar disso, você às vezes precisa ficar sozinho para recarregar as energias e se reencontrar. Sua abertura de espírito o faz aceitar com entusiasmo as ideias novas e enriquecedoras. Você pode se mostrar um tanto ciumento no amor, principalmente quando outra pessoa parece ameaçar a integridade e estabilidade de sua relação amorosa.

TIPO 2

As sensações prazerosas o atraem. Você adora alimentos saborosos, o que por vezes o leva a excessos na comida e na bebida. O belo e atraente provoca-lhe admiração e prazer. Por isso, a poluição do ambiente o preocupa e as cenas de destruição da Natureza o deixam indignado. Em sua vida, você curte certa dose de mudança e variedade pequenas ou grandes viagens, por exemplo – e por isso é difícil quando alguém (ou algo) lhe impõe limites. Às vezes sua calma es­ conde nervosismo. Você gosta de mostrar seu espírito independente e só aceita a opinião dos outros se seu proveito for claro – ainda que, vez por outra, você possa se deixar influenciar por alguém de que gosta muito. Seu senso de humor é bastante desenvolvido e o riso é para você sinal de saúde.

TIPO 3

A honestidade e a franqueza são qualidades que você preserva e seu senso de justiça o faz criticar todo tipo de injustiça e desigualdade, pois você acredita num mundo melhor. A preguiça é uma tentação a que você sucumbe de vez em quando, mas, quando está realmente motivado, sabe fazer seu trabalho com a maior dedicação e interesse. Você tem um potencial admirável e tudo o que é necessário para usá-lo a seu favor, mas muitas vezes as circunstâncias se opõem a você mais intensamente do que se poderia imaginar. Como ocorre a todo mundo, sua personalidade tem pontos fracos, mas geralmente você sabe muito bem como compensá-los. Nesse sentido, os defeitos são ótimas chances para seu crescimento pessoal, e é com determinação que você os assume. Mas seu lado levemente conservador permite que você aprecie um equilíbrio estável e seguro. Muitas vezes você se pergunta se tomou a decisão certa ou se fez o que deveria ser feito. Algumas de suas aspirações tendem a ser irrealistas, mas você tem consciência disso, pois acredita que na vida é preciso ter sonhos para mobilizar as energias e viver plenamente.

Já sabe em qual tipo se encaixa? Muito bem! Agora vale a pena saber: tendemos a nos reconhecer em análises generalizadas de personalidade como se dissessem respeito unicamente a nós e revelassem nossas características psíquicas. No ímpeto de nos adequarmos a descrições, preenchemos – sem nos darmos conta – as lacunas das descrições com nossas próprias imagens mentais. Em psicologia, esse fenômeno é chamado de efeito Barnum.

As pessoas adoram fazer testes que ofereçam informações sobre seus traços de personalidade. E eles proliferam nas revistas femininas e no Facebook. Em geral, diante do resultado da análise (muitas vezes mero resultado de combinações de informações geridas por algum algoritmo) a pessoa fica estupefata, com a impressão de que seu modo de ser e se relacionar com o mundo foi revelado. A curiosidade em relação às respostas que vêm prontas, de fora, responde a uma curiosidade moderna, já que em nenhuma outra época tentamos seguir de maneira tão estrita a injunção “Conhece-te a ti mesmo”. Ao lado de técnicas psicológicas reconhecidas de investigação da personalidade, horóscopo, grafologia e tantas outras áreas buscam revelar nosso universo interior, o que costuma despertar grande curiosidade. O efeito Barnum, assim denominado pelo psicólogo americano Bertram Forer, refere-se justamente à tendência que as pessoas têm de tomar o genérico como específico – e acreditar que dados gerais, superficiais e amplos, que facilmente se aplicariam a grande número de pessoas, dizem respeito a elas. Com isso, a descrição de personalidade apresentada (qualquer que seja ela) produz o mesmo efeito, contanto que seja um pouco gratificante e que o sujeito esteja convencido de que é específica para ele.

Em 1948, para denunciar a banalidade e generalidade dos horóscopos, Forer teve a ideia de fazer uma experiência surpreendente. Uma semana depois de submeter 39 estudantes a um teste sobre motivação, ele lhes apresentou uma curta análise da personalidade de cada um e pediu que avaliassem sua exatidão segundo uma escala de zero (nenhuma exatidão) a 5 (total exatidão). Acredite ou não, a descrição era a mesma para todos. E, ainda assim, cada um deles se reconheceu nela: dos 39 participantes, 16 deram nota 5; 18 optaram pela nota 4 e 4 pela nota 3. Apenas 1 deu nota 2. E ninguém escolheu nota 1 ou zero. É incrível que, nesse tipo de caso, nunca ocorre aos envolvidos, nem por um segundo, que sua descrição possa convir igualmente ao vizinho – exceto quando se pergunta a esse respeito de modo explícito. A impressão imediata de se reconhecer especificamente parece irrefreável.

Os criadores de testes duvidosos, formulados sem critérios científicos – muito diferentes dos usados por profissionais da psicologia que recorrem a ferramentas estudadas para psicometria, sem qualquer pretensão de antever o futuro – se fiam muito no sentimento de busca de adequação de seu público para assegurar seu sucesso. E o curioso é que mesmo pessoas bem informadas podem se mostrar facilmente ludibriáveis. De fato, não é raro que se argumente que determinado resultado é “verdadeiro” porque todo mundo se reconhece nas características apresentadas.

Ora, o efeito Barnum demonstra que o fato de as pessoas acharem correto o que é dito sobre sua personalidade absolutamente não comprova a validade da avaliação.

O efeito, aliás, aparece também nos testes sérios e validados cientificamente. É análogo ao placebo, que contribui para os resultados benéficos de remédios e práticas sem eficácia comprovada. Também chamado de “efeito da validação subjetiva”, o fenômeno foi batiza do de efeito Barnum em 1956 por Paul Meehl, em homenagem ao criador do primeiro circo moderno, o célebre Phineas Barnum Circus. Ele, que possivelmente ficaria espantado de ver seu nome passar do mundo dos espetáculos populares para o da psicologia, atribuía seu sucesso a duas razões, chegou a declarar que “a cada minuto nasce um trouxa” e que “é preciso reservar algo para apresentar a cada um deles”. A credulidade do público, evocada na primeira afirmação, não está somente no efeito Barnum; e a segunda afirmação aponta aquilo que evidencia os processos da percepção que o indivíduo tem de sua própria identidade.

A experiência de Forer foi refeita diversas vezes, com pequenas variações destinadas a verificar hipóteses secundárias, mas sempre se confirmou. Na mesma escala de zero a 5, a média das avaliações quanto à exatidão da descrição é 4,2, com desvio muito pequeno. Assim, nem a idade nem o sexo dos participantes parecem ter influência sobre os resultados e o mesmo vale para profissão (além dos estudantes, grupo preferido dos psicólogos responsáveis pela experiência, operários, funcionários da área administrativa de empresas e diretores de recursos humanos também passaram por testes).

Foi constatado, entretanto, que a manifestação do efeito Barnum varia levemente, de acordo com o elemento ou a prova que serve de base para a análise da personalidade. Assim, as pessoas julgam um pouco mais exata a descrição proposta quando acreditam que ela é feita a partir de um teste projetivo.

PREENCHENDO CONTORNOS

Mas como explicar o efeito Barnum? Será somente resultado de ingenuidade ou vaidade? Ao que tudo indica, para responder isso é preciso estender um pouco a análise e se debruçar sobre os processos presentes na elaboração de nossa percepção sobre nós mesmos.

Os primeiros elementos para a explicação residem na redação do retrato “personalizado”: o texto emprega termos vagos e genéricos, as apreciações podem se aplicar a muitas situações e abranger grande número de condutas. É aquele que recebe a análise e, sem perceber, define seus contornos ou preenche as lacunas com suas próprias imagens e representações mentais. Além disso, a maior parte dessas descrições apresenta um traço de personalidade e seu contrário, dando a impressão de um retrato com nuances. Consequentemente, o elemento de personalidade com que a pessoa mais se identifica se impõe no processo de seleção perceptiva, em detrimento de sua alternativa.

Certos analistas vão ainda mais longe: estimam que, como seus elementos são universais e caracterizam as pessoas em geral, podemos considerar os retratos Barnum como “verdadeiros”. Sendo assim, o fato de se identificar com eles não é sinal de credulidade excessiva. Sem dúvida, os seres humanos são muito mais parecidos que costumamos supor. De onde vem então essa impressão de que o texto descreve de maneira tão precisa aquilo que nos descreve como uma pessoa única?

É claro que os retratos propõem às pessoas uma avaliação globalmente positiva. Ora, diversas experiências demonstraram que ninguém se estima inferior à média quando se trata de avaliar uma de suas qualidades ou um traço de personalidade socialmente desejável. Assim, numa enquete sobre a avaliação de qualidades sociais, as pessoas se declararão de acordo com a frase “De modo geral, sou consciente dos efeitos de minhas ações sobre os outros”, e em desacordo com “De modo geral, as pessoas são conscientes de suas ações em relação aos outros”. Parece, portanto, que cada um de nós se julga ligeiramente melhor que os outros – mas não muito, pois é preciso ser realista em relação aos diversos aspectos da personalidade. Ademais, alguns elementos desfavoráveis do retrato Barnum, ainda que sejam pouco numerosos, podem às vezes ser julgados exatos, pois permitem que a pessoa admita pequenos defeitos, mostrando-se lúcida em relação a si mesma – outra qualidade muito valorizada socialmente.

Além disso, falando em aspectos negativos, parece que quanto mais se está convencido da competência do analista ou da verdade do sistema empregado, mais os elementos desfavoráveis na avaliação de sua personalidade são aceitos.

A maneira como construímos nossa identidade pode explicar melhor o fenômeno Barnum. Primeiro, como mostraram as teorias psicológicas, na maioria das vezes, não temos acesso direto àquilo que somos de verdade; falta-nos visão clara de nossos processos e de nossas características. É claro que percebemos nossos estados afetivos, até com muita intensidade em dadas situações, mas o cérebro só constrói o conhecimento a partir de informações exteriores a ele, e a percepção de si não escapa à regra. Assim, o conceito de si, que alguns ligam à identidade, repousa em um sistema de representações (o que chamamos de introspecção é apenas um trabalho mais ou me­ nos aprofundado sobre essas representações).

A observação de nossos comportamentos e reações emocionais, as informações de nós mesmos que os outros nos oferecem (que na verdade são filtradas por nossa percepção), assim como as conclusões e deduções tiradas de categorias precedentes constituem o essencial do material de base dessas representações. O cérebro tem a tarefa de fazer uma síntese desses elementos, ou pelo menos criar uma impressão de unidade, coerência, estabilidade e sentido. Para que seja aceitável, essa avaliação deve ser reconfortante, e é por isso que escolhemos os elementos que confirmam nossas ideias já estabelecidas, mais fáceis de serem aceitas. Nós as interpretamos fazendo relações entre esses elementos e “desligando-os” de explicações e significados anteriores. As inferências que fazemos sobre nós mesmos se exprimem como traços de personalidade estáveis, que parecem perdurar e dar conta de condutas diversas – é o papel da memória na identidade pessoal. Apesar de serem categorias semânticas vagas, as palavras que traduzem esses traços são aquelas que empregamos todos os dias para descrever e explicar nossa personalidade e a dos outros.

A imagem de si é estável e, contudo, nunca é definitiva – nutre-se constantemente de novas informações. Para cada um de nós, ela é um frágil edifício virtual, já que nossa imagem não se funda sobre um conhecimento verdadeiro do que se passa em nosso interior e dos fatores reais que regem nossa conduta. Mas, a inda assim, essa quimera é consubstancial a todos os aspectos de nossa existência, intervindo como um poderoso fator de motivação. Esse processo pode ser mais ou menos cambiante, mais ou menos intenso – de acordo com a pessoa e as circunstâncias, tendo em conta, por exemplo, o caráter familiar ou de novidade de uma situação -, mas o conceito de si funciona como uma teoria que precisa ser continuamente confirmada, total ou parcialmente.

UM POUQUINHO MAIS BONITOS

Como toda percepção, nossas representações de nós mesmos são povoadas de algumas ilusões – como a de sermos (um pouco) melhores que os outros; já que tendemos a superestimar levemente os julgamentos positivos que fazem de nós, pensamos dominar o meio em que vivemos. E temos um otimismo irrealista em relação ao futuro. Tendemos a crer, por exemplo, que “a infelicidade só acontece com os outros!” – e nos surpreendemos quando algo grave se passa conosco.

Para nosso bem-estar psicológico, compomos uma imagem positiva de nós mesmos, e, para consegui-la, procuramos prioritariamente coisas que a confirmem, assumindo deliberadamente a complacência. Demonstramos, com efeito, que descrições lisonjeiras, mesmo que redigidas como retratos Barnum, não somente fazem bem, como também aumentam a sensação de nossa competência. Alguns psicólogos acreditam que a saúde mental é diretamente ligada a essa sutil superestimação, e que se enganam aqueles que creem curar seus clientes levando-os a uma visão “objetiva” e realista de si mesmos. Ao contrário, pesquisas diversas revelam que pessoas depressivas têm uma percepção mais exata do julgamento dos outros e tendem menos a “embelezar” tal julgamento. O efeito Barnum é mais manifesto quanto mais positivo for o julgamento: quanto mais elogioso for, mais a pessoa tende a considera ­ lo justo e específico. Para construir nossa imagem interior, temos, portanto, uma inexorável necessidade de apreciações favoráveis. O efeito Barnum revela esse anseio. As descrições propostas pelos “peritos” são para nós um presente dos céus: nos poupam por um momento da busca de informações e do esforço para tratá-las cognitivamente, dando-nos a chance de saborear por um instante a doce e reconfortante sensação de sermos únicos e notáveis, estáveis e coerentes.

Os pseudopsicólogos levam a melhor, numa época em que o autoconhecimento é um imperativo da moda. Mas a credulidade de uns ou a facilidade de se enganar de outros são explicações insuficientes para o fenômeno. O fato de se reconhecer em uma descrição feita “por nós” não é sinal de tolice, mas o reflexo de processos cognitivos e afetivos que estão na base de nossa identidade.

Para além do efeito Barnum, resta uma questão: é possível conhecer a nós mesmos de forma objetiva? Podemos até nos perguntar se é legítimo falar em personalidade e em meios de desvendá-la. Não se trata, absolutamente, de negar as diferenças entre as pessoas, mas de constatar que os recursos de que dispomos para dar conta um caminho longo, que certamente não vem de fora de nós.

o que os outros sabem sobre você.2

 AO ALCANCE DE TODOS

A experiência idealizada por Forer em 1948 foi repetida dezenas de vezes. De fácil execução, sempre oferece resultados bastante consistentes. Em um módulo de astrologia num curso sobre comportamento realizado pela Sociedade Rádio Canadá, refizemos a experiência em uma classe com 20 alunos dos dois sexos, com idades entre 18 e 48 anos.

Num primeiro encontro, pedimos que os voluntários avaliassem o grau de acerto da descrição de sua personalidade feita a partir de seu signo solar. O texto foi entregue por escrito e eles deveriam proceder “com a maior objetividade possível”, independentemente de sua crença na astrologia, como se nós quiséssemos verificar em que medida os signos do zodíaco seriam capazes de descrever personalidades. Avisamos ainda que os textos haviam sido redigidos por um psicólogo, sem as metáforas e alusões mitológicas normalmente empregadas pelos astrólogos. Por fim, os 18 alunos interessados em participar da experiência escreveram seu nome e data de nascimento em uma folha.

As 18 pessoas leram, sem saber, a mesma descrição, que foi escrita a partir de várias fontes e incluía elementos relativos a diversas dimensões da existência: social, afetiva, intelectual etc. Dezoito cópias do texto foram impressas, e para personalizar o retrato, cada uma continha o nome e o signo astrológico do participante; os adjetivos eram flexionados de acordo com o sexo dele. Note-se que nossa amostra continha nove dos 12 signos zodiacais. Para evitar que a aparência dos papéis distribuídos revelasse nossa (tão inocente) manobra, a divisão de parágrafos era diferente para cada signo. Uma folha de resposta era entregue junto com a descrição. Os participantes deveriam anotar se o retrato os descrevia totalmente (5), em grande medida (4), em boa medida (3), regularmente (2), um pouco (1), ou em nada (O). A título indicativo, deveriam responder se, independentemente da descrição que acabavam de ler, acreditavam em astrologia (as opções de resposta eram: muito, mais ou menos, e não acredito).

Uma semana depois, reencontramos os estudantes. A descrição personalizada e a folha de resposta foram distribuídas e repetimos as instruções, insistindo sobre o caráter objetivo da avaliação. Eles levaram entre cinco e dez minutos para ler o texto e responder. Em seguida – obviamente depois de recolher as folhas de res posta -, explicamos o que é o efeito Barnum, do qual eles tinham acabado de ser vítimas.

Os resultados foram os seguintes: duas pessoas acharam que o texto as descrevia totalmente; 12, correto em grande medida; três, em boa medida; uma, achou que a descrevia regularmente. Esses números são totalmente condizentes com os que forer e outros pesquisadores obtiveram. Além disso, nada indica que tenham relação com a crença na astrologia: ninguém disse acreditar muito em nessa área; os dois participantes que disseram se reconhecer totalmente nas descrições acreditavam medianamente; dos 12 que se reconhecem “em grande medida”, oito se fiavam “medianamente” o poder dos astros e quatro não acreditam; os três que se reconheceram em boa medida no retrato alegaram crer medianamente. E o estudante que se identificou regularmente não acreditava. Em outros termos, das cinco pessoas que disseram não acreditar em astrologia, quatro acharam que o texto proposto as descrevia em grande medida. Portanto, não é o fato de crer nas pseudociências que ocasiona o efeito Barnum. Pensamos que uma descrição que parecesse ainda mais personalizada para o participante, que lhe fosse apresentada como feita a partir de seu mapa astral, em vez de expor características gerais de seu signo, teria provavelmente provocado resultados ainda mais convincentes.

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OUTROS OLHARES

ESCOLA SEM PARTIDO É UM RETROCESSO

O movimento propõe a censura aos professores na sala de aula. O STF decidirá se ele é legal.

escola sem partido é um retrocesso

Paulo Freire (1921-1997), o mais célebre educador brasileiro e reconhecido internacionalmente pela consistência de suas ideias, ensinou que educar é sinônimo de dialogar, de se abrir para o outro. Opiniões são crenças a partir das quais constroem-se diálogos, abrindo o espaço para a criação de conhecimento. As escolas, nessa visão, são lugares para despertar nas crianças a curiosidade, a inquietação, bem longe das platitudes de um ensino pautado pela debilidade de uma verdade apenas. Nos dias atuais, quando é urgente a necessidade de reaprender a ouvir e de respeitar posições contrárias as nossas, os princípios de Paulo Freire deveriam ser mais considerados do que nunca. No entanto, observa-se o avanço do oposto, consolidado nas propostas do movimento Escola sem partido.

Promovido por alas mais conservadoras da sociedade, o programa tem por objetivo inibir o que consideram “a prática da doutrinação política e ideológica em sala de aula e a usurpação do direito dos pais dos alunos sobre a educação moral dos seus filhos”, segundo descrição oficial da iniciativa. Há alguns anos ele vem sendo discutido, mas pegou fôlego a partir de 2015, quando projetos de lei municipais, estaduais e federais pedindo o estabelecimento de normas com esse propósito começaram a tramitar nas esferas legislativas correspondentes. A principal medida é a obrigatoriedade da fixação nas classes de um cartaz com seis deveres dos professores. Entre eles, o de não “promover suas próprias preferências ideológicas” e o de respeitar “o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções”. Em caso de desobediência, os docentes estariam sujeitos a punições que vão de reparação de danos à perda do cargo e pena de detenção de seis meses.

Poucas vezes o País viveu ideias tão obscurantistas na educação quanto essas. Na prática, o movimento significa instituir a censura dentro da sala de aula, por concepção território que deveria ser intocável para o trânsito livre de conceitos. Do que se trata exatamente a tal doutrinação de que fala o Escola sem partido? Na concepção deles, consiste basicamente na transmissão do que entendem como pensamentos de esquerda e também a adoção de boas novidades, como a discussão de gênero dentro das escolas. Ou seja, doutrinação é quando o professor informa aos alunos visões de mundo que não são compartilhadas por eles. Se fossem as por eles defendidas, seria educação. É a aplicação da máxima de que apenas o meu pensamento está correto. O que estiver fora da minha aceitação não existe e, portanto, deve ser ignorada.

Não há nada mais anacrônico do que isso, considerando-se um mundo globalizado que pede, acima de tudo, aceitação da pluralidade de pensamentos e de formas de viver. Hoje, o avanço do conhecimento científico em todas as áreas derruba compartimentos que por muito tempo mantiveram as sociedades estáticas, como os que ainda separam conceitos como de “esquerda” e de “direita”. Atualmente, a boa ciência política ensina que esses rótulos pouco a pouco perdem o sentido e dão lugar a uma nova forma de fazer política que vai além dessa classificação. Outro exemplo é a constatação de que há em andamento uma revolução de comportamento sexual e de gênero cuja base está na liberdade de cada um ser o que quiser. E ser respeitado com qualquer escolha que fizer.

O verbo conjugado hoje é transitar. Por isso, cabe à escola formar indivíduos capazes de entender a complexidade que envolve as relações sociais, políticas e culturais das sociedades. E conviver com ela de forma harmônica. Esse tem sido, inclusive, um atributo cada vez mais valorizado no mercado de trabalho. Sabe-se que em qualquer empresa sincronizada com o século 21 não basta ser o melhor no desempenho de uma tarefa estrita. Aliás, por vezes não é necessário nem ser o melhor. Se o indivíduo for capaz de trabalhar em grupo – o que exige ouvido aberto ao diferente — e de saber juntar peças fragmentadas de conhecimento para criar soluções, ele certamente terá mais sucesso do que alguém que foi doutrinado a enxergar tudo com apenas uma cor.

As reações ao Escola sem partido começaram tímidas, mas estão mais contundentes. Na terça-feira 13, os protestos contra o movimento barraram, mais uma vez, a discussão de um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados desde 2016. Neste, especificamente, constam as propostas gerais dos outros tramitando em outras instâncias legislativas e definições mais precisas quanto à questão de gênero. Relatado pelo deputado Flavinho (PSC-SP), o texto prevê que “a educação não desenvolverá políticas de ensino nem adotará currículo escolar, disciplinas obrigatórias nem mesmo de forma complementar ou facultativa que tendam a aplicar a ideologia de gênero ou orientação sexual.”

Foi a sexta tentativa de a comissão discutir e votar o projeto. A reunião foi tensa e houve muito bate-boca entre parlamentares contrários e apoiadores da iniciativa. Em um momento, o deputado Delegado Éder Mauro (PSD-PA) chegou a se dirigir a um grupo de manifestantes fazendo gestos que simulavam o ato de atirar. Atitudes assim deixam evidente que os defensores do projeto querem muito mais do que apenas caçar a liberdade que os professores devem ter para ensinar. Um apoiador da causa, por exemplo, portava um cartaz pedindo a obrigatoriedade de exame toxicológico para os docentes da rede pública. Há uma histeria conservadora que parece querer levar o Brasil para a sombra da ignorância. E seria injusto comparar com o período que muita gente chama equivocadamente de idade das trevas, a Idade Média (período da história da Europa compreendido entre os séculos V e XV). Ao contrário do senso comum, muito conhecimento foi gerado durante aqueles séculos. As primeiras universidades surgiram nessa fase.

Dentro de uma semana, na quarta-feira 28, espera-se que a questão tenha um ponto final. Nesse dia, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar em plenário uma decisão monocrática tomada em março de 2017 pelo ministro Luís Roberto Barroso suspendendo uma lei que havia sido aprovada em Alagoas instituindo os preceitos do Escola sem partido. Na liminar que concedeu contra a adoção da lei, o magistrado pontuou a necessidade de respeito à pluralidade de ideias e da liberdade de ensinar e de aprender como maneira de assegurar a formação de cidadãos com pensamento crítico. Se o plenário do STF seguir a posição de Barroso e mantiver a lei suspensa, estará indicando aos tribunais do País que façam o mesmo em relação a qualquer outra iniciativa relacionada ao Escola sem partido. E a educação brasileira será poupada de pelo menos mais esse retrocesso.

GESTÃO E CARREIRA

ANSIEDADE: UM VENENO DIÁRIO

A ansiedade passou a ser considerada o mal dos novos tempos. Nossas próprias expectativas acabam se tornando um redemoinho de emoções e fica impossível dar a todas o mesmo grau de atenção.

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Os sintomas da ansiedade são complexos e podem ocorrer com tanta severidade que prejudicam a produtividade e geram o absenteísmo. Casos mais graves podem levar profissionais talentosos ao abandono total de suas atividades. Essas situações deixaram de ser excepcionalidades e a cada dia se tornam mais frequentes.

Ansiedade é um nome moderno, e mais sutil, para uma das seis emoções presentes no homem: o medo!

De fato, as emoções existem como forma de preservar a existência da espécie, e todas (sem exceção) servem muito bem a esse propósito. Ocorre que, devido à evolução social e cultural da espécie humana, as emoções ficaram fora da sintonia da vida atual.

Alegria, nojo, tristeza, raiva, espanto e medo são as emoções aceitas na atualidade, resultado do trabalho do psicólogo americano Paul Ekman. Na década de 1960 ele conseguiu identificar a natureza filogenética dessas emoções. Muitos outros trabalhos já foram realizados e comprovaram não só a existência dessas seis emoções naturais como também outras duas sociais: o desprezo e o desdenho, que são aprendidas durante as relações que ocorrem no desenvolvimento social.

O medo tem a função de paralisar e promover a fuga de situações que coloquem em risco a vida do organismo. Isso, com certeza, foi extremamente útil nos primórdios de nossa existência nesse planeta. Até certo ponto, evitar uma rua escura em um bairro perigoso ainda é um evidente trabalho dessa emoção que nos faz fugir sempre que o risco está em alta probabilidade.

Os tempos são outros. No entanto, nosso coração acelera diante da cena em que o Duende Verde lança granadas no Homem-Aranha. Sequer são atores de carne e osso! É pura computação gráfica! Mas o cérebro não se atenta a esses detalhes, e a adrenalina surge em nosso sistema alterando nossas emoções. Não iremos fugir, permaneceremos sentados no cinema. A tensão criada não terá vazão em movimentos aeróbicos de fuga.

O cenário é outro. Na realidade lidamos com prazos curtos para finalização de projetos, esposa ou marido que cobram mais carinho, filhos que necessitam de atenção, carro que apresenta problemas mecânicos, pressões sociais que brotam de todos os lados… Uma imensidão de turbulências que leva o organismo ao projeto inicial: fuga ou luta!

Não existe a opção luta corpórea (para as pessoas consideradas normais e mais sensatas, claro) nessas situações. É necessária uma sublimação da emoção que gera a conhecida palavra do tema deste texto: a ansiedade.

Sem nenhuma opção de resolução física, a sublimação irá, com certeza, se apresentar como sintomas dos mais variados.

Há pouco tempo uma empresa quase teve seu seguro de saúde rompido com uma grande instituição de saúde por conta dos procedimentos que, de forma alarmante, subiram vertiginosamente em três meses. Chamada para verificar o que poderia ter ocorrido, nossa equipe descobriu que um novo sistema de gestão havia sido implantado quase exatamente no mesmo período do aumento dos problemas de saúde da equipe (a companhia conta com cerca de 6 mil vidas). Um projeto inovador ofertava, a cada elemento das equipes, o mesmo nível de informação do supervisor. “Gerente Estepe” era o título do projeto piloto que criou uma concorrência anormal entre todos os elementos que desejavam a posição de seu gestor. A intenção foi positiva a fim de permitir que o setor jamais tivesse uma paralisação. O efeito foi cruel: de dores de cabeça, prisão de ventre a (até mesmo) pressão alta em vários membros das equipes.

Essa pré-ocupação da mente, com resultados negativos no futuro, é uma alta auto cobrança que cria uma atmosfera destrutiva interna. E como sair disso?

A ressignificação das situações vividas no passado e um propósito de vida bem definido são os segredos para a destruição da ansiedade. O problema reside em ter um foco claro do que se deseja para a vida em longo prazo e saber se livrar do peso das emoções negativas vividas no passado.

Para isso, não tenha dúvida, um texto em página de papel não será o bastante. Busque os cuidados de um profissional de saúde: terapeuta, psicólogo ou até mesmo um coaching de carreira se for um problema mais simples de direcionamento. Mas não dê vazão ou prolongamento a essa estafa emocional. Sem tratamento ela só tende a piorar.