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ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 26: 47–56

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Cristo é traído por Judas.

O Servo do Sacerdote é Agredido por Pedro. Cristo E Abandonado pelos seus Discípulos

 Somos informados aqui de como o bendito Senhor Jesus foi apanhado e levado preso. Isto se seguiu imediatamente à sua agonia, enquanto Ele ainda falava; porque desde o início até o fim de sua paixão, Ele não teve a mínima interrupção ou pausa, mas a situação só se agravou. Sua dificuldade, até este ponto, havia sido em seu interior; mas agora o cenário está mudado, agora os filisteus estão sobre ti, bendito Sansão. “O respiro das nossas narinas, o Ungido do Senhor, foi preso nas suas covas” (Lamentações 4.20).

Agora, com respeito à prisão do Senhor Jesus, observe:

I – Quem eram as pessoas que foram empregadas nessa situação.

1. Aqui estava “Judas, um dos doze”, na frente de sua guarda infame; ele foi o guia para aqueles que prenderam Jesus (Atos 1.16); sem a sua ajuda, eles não poderiam tê-lo encontrado em seu retiro. Observe e se admire; o primeiro que aparece com os seus inimigos é um dos seus próprios discípulos, que, uma ou duas horas antes, estava comendo pão com ele!

2. Aqui estava, com Judas, uma grande multidão, para que a Escritura pudesse ser cumprida: “Senhor, como se têm multiplicado os meus adversários!” (Salmos 3.1). Essa multidão era composta, em parte, por um destacamento dos guardas que foi colocado na torre de Antonia pelo governador romano; esses eram gentios, pecadores, como Cristo os chama (v. 45). Os demais eram servos e oficiais do sumo sacerdote, e eram judeus; aqueles que divergiam uns dos outros, puseram-se de acordo contra Cristo.

II – Como eles estavam armados para esta empreitada.

1. Com que armas eles estavam armados: eles vieram “com espadas e porretes”. Os soldados romanos, sem dúvida alguma, tinham espadas; os servos dos sacerdotes, aqueles que não possuíam espadas, levaram porretes e varas. Furor arma ministra Sua fúria fornecia as suas armas. Eles não eram tropas regulares, mas uma turba agitada. Mas para que todo esse trabalho? Se eles fossem dez vezes mais em quantidade, não poderiam tê-lo prendido se Ele não tivesse permitido; e, tendo chegado a sua hora de renunciar a si mesmo, toda essa força foi desnecessária. Quando um açougueiro entra no campo par a pegar um cordeiro para matar, ele levanta uma milícia e vem armado? Não, ele não precisa disso; no entanto, toda essa força foi usada para apanhar o Cordeiro de Deus.

2. Com que mandado eles estavam armados. “Eles vinham dos príncipes dos sacerdotes, e anciãos do povo”; essa multidão armada foi enviada por eles para essa missão. Ele foi preso por ordem do grande sinédrio, como uma pessoa que lhes era odiosa. Pilatos, o governador romano, não lhes deu nenhum mandato de busca, porque não tinha inveja de Jesus; mas os homens que fingiam agir em nome da religião, e presidiam os assuntos da sinagoga, é que estavam ativos nessa perseguição, e eram os inimigos mais vingativos que Cristo tinha. Esse era um sinal de que Ele era apoiado por um poder divino, porque Ele não só foi desertado por todos os poderes terrenos, mas foi atacado por eles. Pilatos lançou lhe isto em rosto: ”A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim” (João 18.35).

III – O modo como isso foi feito, e o que se passou nesse período.

1. Como Judas o traiu; ele fez esse acordo de forma eficiente, e a sua resolução nessa maldade pode envergonhar a todos nós que falhamos naquilo que é bom. Considere:

 

(1)  As instruções que ele deu aos soldados (v. 48): “Ele lhes deu um sinal”; como o comandante do grupo nessa ação, ele dá a palavra ou o sinal. Ele lhes deu um sinal, para que não prendessem por engano um dos discípulos em vez dele, tendo os discípulos recentemente dito, aos ouvidos de Judas, que estariam dispostos a morrer por Ele. Que abundância de cuidados, aqui, para não deixar de prendê-lo: “O que eu beijar é esse”; e quando eles o prenderam, para não deixá-lo fugir: “Prendei-o”; porque Ele algumas vezes tinha escapado daqueles que pensavam tê-lo segurado (Lucas 4.29,30). Embora os judeus que frequentavam o templo o conhecessem, os soldados romanos talvez nunca o tivessem visto, e o sinal tinha a finalidade de orientá-los. E Judas, através de seu beijo, tinha não só a intenção de identificá-lo, mas de detê-lo, enquanto eles viriam por trás, e colocariam as suas mãos sobre Ele.

(2)  A saudação hipócrita que ele fez ao seu Mestre. “Ele se aproximou de Jesus”. Se alguma vez o coração mau de Judas pensou em voltar atrás, isso certamente aconteceu naquele momento. Quando veio olhá-lo no rosto, ele deve ter ficado admirado com a sua majestade, ou encantado pela sua beleza. Judas ousa colocar-se diante de sua presença e traí-lo? Pedro negou a Cristo, mas quando o Senhor virou-se e fitou-o, ele vacilou imediatamente. Porém, Judas se coloca diante da face de seu Mestre, e o trai. Ele disse: “Eu te saúdo, Rabi”. E beijou-o. Parece que o nosso Senhor Jesus tinha por hábito permitir um certo grau de familiaridade consigo, dando-lhes a sua face para beijar depois de eles terem estado ausentes por algum tempo, o que Judas maldosamente usou para facilitar essa traição. Um beijo é um sinal de lealda­ de e amizade (Salmos 2.12). Mas Judas, quando violou todas as leis do amor e do dever, profanou esse sinal sagrado para servir ao seu propósito. Note que há muitos que traem a Cristo com um beijo, e o saúdam, dizendo Rabi. Sob o pretexto de honrá-lo, traem e desprezam os interesses de seu reino. Abraçar é uma coisa, amar é outra. O beijo de Joabe e o beijo de Judas foram muito parecidos.

(3)  Como o seu Mestre o recebeu (v. 50).

[1] Ele o chama de amigo. Se Jesus o tivesse chamado de canalha, traidor, maldito, louco, e filho do diabo, não teria dito nada errado; mas Ele nos ensinou, sob a maior provocação, a suportar a amargura e a calúnia, e a mostrar toda mansidão. ”Amigo”, porque Judas tinha sido um amigo, e deveria ter sido, e até parecia ser. Assim o Senhor Jesus o repreende, como Abraão, quando chamou de filho o homem rico que estava no inferno. Jesus o chama de amigo, porque Judas promoveu os seus sofrimentos, e assim agiu como seu amigo; ao passo que Jesus chamou a Pedro de Satanás, por tentar impedir os seus sofrimentos.

[2] Ele lhe pergunta: “‘A que vieste?’ É paz, Judas? Explica-te; se tu vens como um inimigo, o que significa este beijo? Se como um amigo, o que significam estas espadas e porretes? A que vieste? Que dano fiz a ti? Em que te desgastei? Qual é a razão da tua presença? Por que não tens tanta vergonha, quanto a manter-se fora da vista, o que poderias ter feito, mesmo comunicando ao oficial onde eu estava?” Este foi um exemplo de grande insolência, através do qual Judas se mostra atrevido e descarado nessa transação iníqua. Mas é habitual que os apóstatas da religião sejam os seus inimigos mais amargos. Juliano é prova disso. Portanto, Judas fez a sua parte.

2. Como os oficiais e os soldados o prenderam: ”Aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus e o prenderam”; eles o fizeram seu prisioneiro. Como não estavam com medo de estender as suas mãos contra o Ungido do Senhor? Podemos muito bem imaginar que mãos rudes e cruéis elas eram, as mãos que essa multidão bárbara colocou sobre Cristo; e como certamente o trataram de modo tosco, por terem tão frequentemente ficado desapontados quando procuraram colocar as suas mãos sobre Ele. Eles não poderiam tê-lo prendido, se Ele não tivesse se entregado, e sido entregue “pelo determinado conselho e presciência de Deus” (Atos 2.23). Aquele que disse a respeito de seus servos ungidos: “Não toqueis nos meus ungidos” (Salmos 105.14,15), não poupou a seu Filho ungido, mas o entregou por todos nós; e outra vez, “deu a sua força ao cativeiro, e a sua glória à mão do inimigo” (Salmos 78.61). Veja qual foi a queixa de Jó (cap. 16.11): “Entrega-me [ou entregou-me] Deus ao perverso”. Esta e outras passagens no livro de Jó tipificam a Cristo.

O nosso Senhor Jesus foi feito prisioneiro, porque Ele seria tratado, em todas as coisas, como um criminoso, punido pelo nosso crime; e como um penhor Ele seria confiscado pela nossa dívida. O jugo das nossas transgressões estava ligado pela mão do Pai ao pescoço do Senhor Jesus (Lamentações 1.14). O Senhor Jesus se tornou um prisioneiro, para que pudesse nos colocar em liberdade. Ele disse: “Se, pois, me buscais a mim, deixai ir estes” (João 18.8); e aqueles que Ele liberta certamente estão livres.

3. Como Pedro lutou por Cristo, e sentiu as suas dores. Aqui ele é mencionado apenas como um dos que estavam com Jesus no jardim; mas em João 18.10, somos informados de que foi Pedro quem se distinguiu nessa ocasião. Observe:

(1)  A precipitação de Pedro (v. 51). Ele “puxou a espada”. Entre todos eles, só haviam duas espadas (Lucas 22.38), e parece que uma delas foi deixada com Pedro; e agora ele achou que seria a hora de puxá-la, e deu golpes impetuosos à sua volta como se tivesse feito algo muito importante; mas tudo o que ele fez foi cortar uma orelha de um servo do sumo sacerdote. Ê provável que Pedro desejasse arrancar-lhe a cabeça, pelo fato de tê-lo visto mais à frente do que os demais que colocavam as mãos em Cristo; mas ele deve ter errado o golpe, decepando então a orelha daquele homem. Porém, se Pedro estivesse lutando, em meu pensamento ele deveria ter antes mirado Judas, e tê-lo marcado como um trapaceiro. Pedro havia falado muito do que faria pelo seu Mestre, e disse que até mesmo sacrificaria a sua vida por Ele; sim, ele faria isso. E agora ele seria tão bom quanto a sua palavra, e arriscaria a sua vida para resgatar o seu Mestre. Até este ponto, ele era louvável por demonstrar um grande zelo por Cristo, por sua honra e segurança. Mas Pedro não agiu de acordo com o conhecimento, nem foi guiado pela discrição, porque:

[1] Ele fez isso sem autorização; alguns dos discípulos realmente perguntaram: “Senhor, feriremos à espada?” (Lucas 22.49). Mas Pedro golpeou antes que tivesse uma resposta. Devemos ver não só a nossa boa causa, mas o nosso chamado claro, antes de puxarmos a espada; devemos mostrar com que autoridade fazemos aquilo que fazemos, e quem nos deu esta autoridade.

[2] Ele indiscretamente expôs a si mesmo e aos seus companheiros discípulos à fúria da multidão. Porque, o que eles poderiam fazer com apenas duas espadas, contra um bando de homens?

(2)  A repreensão que o nosso Senhor Jesus lhe fez (v. 52): “Mete no seu lugar a tua espada”. O Senhor não ordenou aos oficiais e soldados que guardassem as suas espadas, que foram puxadas contra Ele; o Senhor os deixou a critério de Deus Pai, que julga aquele s que estão fora; mas Ele ordena a Pedro que guarde a sua espada, não o censurando, na verdade, pelo que fez, porque foi feito com boa intenção, mas interrompendo a sua ação, estabelecendo que não haja um precedente. A missão de Cristo no mundo é fazer a paz. Note que “as armas da nossa milícia não são carnais, mas espirituais”; e os ministros de Cristo, embora sejam seus soldados, não guerreiam com a carne (2 Coríntios 10.3,4). Isso não significa que a lei de Cristo derrube a lei da natureza ou a lei das nações, na medida que esses códigos se colo­ quem em defesa de seus direitos e liberdades civis, e de sua religião de uma forma legal; mas ela sustenta a preservação da paz e da ordem pública, proibindo que qualquer pessoa resista aos poderes estabelecidos. Não, temos um preceito geral para que não resistamos ao mal (cap. 5.39), nem Cristo mandará que os seus ministros propaguem a sua religião pela força das armas: A religião não pode ser forçada; e deve ser defendida, não matando, mas morrendo. Assim como Cristo proibiu os seus discípulos de tentarem dominar o mundo através da espada (cap. 20.25,26), aqui Ele proíbe a espada da guerra. Cristo ordenou que Pedro guardasse a sua espada, e nunca lhe ordenou que fizesse uso dela novamente.  No entanto, Pedro é culpado, aqui, de fazer isso intempestivamente; havia chegado a hora de Cristo sofrer e morrer. O Senhor sabia que Pedro conhecia isso, e a espada do Pai foi levantada contra Ele (Zacarias 13.7). Ao puxar a sua espada, Pedro estava dizendo: “Mestre, poupe a ti mesmo”.

Três razões que Cristo dá a Pedro para essa repreensão:

[1] Puxar a espada seria uma atitude perigosa tanto para Pedro como para os seus companheiros discípulos. “Todos os que lançarem mão da espada à espada morrerão”. Aqueles que usam a violência, cairão pela violência; e os homens apressam e aumentam os seus próprios problemas proferindo ameaças de métodos sangrentos de defesa pessoal. Aqueles que pegam a espada antes de lhes ser dadas, que a usam sem um mandato ou autorização, expõem a si mesmos à espada de guerra, ou à justiça pública. Se não tivesse sido pelo cuidado e providência especiais do Senhor Jesus, Pedro e o restante deles, pelo que sei, teriam sido feitos em pedaços imediatamente. Grotius dá um outro sentido provável à expressão do Senhor, como se os oficiais e os soldados que vêm com espadas para prender a Cristo é que fossem morrer pela espada, e não Pedro. “Pedro, você não precisa puxar a espada para puni-los. Deus Pai certamente, em breve, ajustará contas com eles de uma forma severa”. Eles pegaram a espada romana para prender a Cristo, e pela espada romana, não muito tempo depois, eles, o seu lugar, e a sua nação foram destruídos. Portanto, não devemos nos vingar, porque Deus Pai retribuirá (Romanos 12.19); portanto, devemos sofrer com fé e paciência, porque os perseguidores serão pagos com a sua própria moeda. Veja Apocalipse 13.10.

[2] Era desnecessário alguém puxar a sua espada em defesa de seu Mestre, pois Ele, agora, se quisesse, poderia convocar a seu serviço todas as hostes celestiais (v. 53). “‘Ou pensas tu que eu não poderia, agora, orar a meu Pai e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?’ Pedro, se Eu fosse desviar estes sofrimentos, poderia fazê-lo facilmente, sem a tua ajuda e sem a tua espada”. Note que Deus não precisa de nós, dos nossos serviços, muito menos dos nossos pecados, para executar os seus propósitos; a nossa falta de confiança e a nossa falta de fé no poder de Cristo é evidenciada quando saímos do caminho da nossa obediência para servir aos seus interesses. Deus pode fazer a sua obra sem nós; se olharmos para os céus, e virmos como Ele é servido ali, poderemos facilmente inferir que, mesmo que sejamos justos, Ele não nos deve nada (Jó 35.5,7). Embora Cristo tenha sido crucificado em fraqueza, essa foi uma fraqueza voluntária. Ele se sujeitou à morte, não porque não pudesse lutar contra ela, mas porque não desejou fazê-lo. Isto remove a ofensa da cruz, e prova que o Cristo crucificado é o poder de Deus. Mesmo agora, na profundidade de seus sofrimentos, o Senhor Jesus poderia convocar a ajuda de legiões de anjos. “Agora”. “Embora a história já tenha passado, eu ainda poderia, com uma palavra, reverter todas as coisas”. Cristo aqui nos faz saber:

Em primeiro lugar, que grande interesse o Senhor Jesus demonstrou por seu Pai. Eu posso orar a meu Pai, e Ele enviará ajuda do santuário. Eu posso solicitar de meu Pai esses reforços. A oração de Cristo tem autoridade. Note que é uma grande consolação para o povo de Deus, quando está cercado de inimigos por todos os lados, ter um caminho aberto em direção ao céu. Se o povo de Deus não puder fazer mais nada, ele pode orar àquele que pode fazer todas as coisas. E aqueles que oram muito em outros momentos, têm uma grande consolação ao orar quando surgem os tempos turbulentos. Observe que Cristo disse não só que Deus poderia lhe enviar tal número de anjos, mas que, se Ele o pedis­ se, Deus o faria. Embora o Senhor tenha realizado a obra da nossa redenção, parece que se Ele tivesse desejado ser livre, o Pai não o teria impedido. Ele poderia ter se retirado, evitando tamanho sofrimento. Mas o Senhor Jesus amou a sua obra salvadora, e por essa razão Ele não se retiraria; assim, foi apenas com as cordas de seu próprio amor que Ele foi atado ao altar.

Em segundo lugar, que grande interesse Ele tinha pelas hostes celestiais. O Pai “lhe daria agora mais de doze legiões de anjos”, perfazendo mais de setenta e dois mil seres celestiais. Observe aqui:

1. Existe uma companhia inumerável de anjos (Hebreus 12.2). Um destaca­ mento de mais de doze legiões poderia ser cedido para o nosso serviço, e não haveria falta ao redor do trono. Veja Daniel 7.10. Eles são dispostos em ordem exata, como as legiões bem disciplinadas; não são uma multidão confusa, mas tropas regulares; todos conhecem o se u posto, e observam a palavra de comando.

2. Essa companhia inumerável de anjos está toda à disposição do nosso Pai celestial, e executa o seu beneplácito (Salmos 103.20,21).

3. Essas hostes angelicais estavam prontas para vir em auxílio do nosso Senhor Jesus em seus sofrimentos, se Ele tivesse precisado ou desejado isso. Veja Hebreus 1.6,14. Eles teriam estado com Ele como estiveram com Eliseu, em carros de fogo e cavalos de fogo, não só para protegê-lo, mas para consumir aqueles que procurassem atentar contra Ele.

4. O nosso Pai celestial deve ser visto e reconhecido em todos os ser viços das hostes celestiais: “Ele me daria”; portanto, não devemos orar aos anjos, mas ao Senhor dos anjos (Salmos 91.11).

5. É uma questão de conforto para todos os que desejam o bem do reino de Cristo, que haja um mundo de anjos sempre a serviço do Senhor Jesus, e que podem fazer maravilhas. Aquele que possui os exércitos do céu às suas ordens, pode fazer o que lhe agrada entre os habitantes da terra: “Ele me daria agora”. Veja como o Pai estava pronto a ouvir a oração do Senhor Jesus, e como os anjos estavam prontos a obedecer às suas ordens; eles são servos dispostos, mensageiros alados, eles voam rapidamente. Isto é muito animador para aqueles que desejam intimamente que Cristo seja honrado, e o bem-estar de sua igreja. Será que alguém pensa que tem mais cuidado e preocupação por Cristo e sua igreja, do que o próprio Deus e os seus santos anjos?

[3] Não era hora de fazer qualquer defesa, ou se oferecer para desviar o golpe: “Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?” (v. 54). Foi escrito que Cristo deveria “ser levado como um cordeiro para o matadouro” (Isaias 53.7). Se o Senhor Jesus chamasse os anjos para lhe auxiliarem, Ele não seria de modo algum levado para o matadouro; se Ele permitisse que os seus discípulos lutassem, Ele não seria levado silenciosamente e sem resistência; portanto, Ele e os seus discípulos deveriam se submeter ao cumprimento das profecias. Note que, em todos os casos difíceis, a Palavra de Deus deve ser conclusiva contra os nossos próprios conselhos, e nada deve ser feito, nada tentado, contra o cumprimento das Escrituras. Se o alívio das nossas dores, a quebra das nossas amarras, a salvação das nossas vidas, não coincidirem com o cumprimento das Escrituras, devemos dizer: “Que seja feita a vontade de Deus, que a sua Palavra seja cumprida, que a sua lei seja louvada e respeitada, a despeito daquilo que nos aconteça”. Assim Cristo deteve a Pedro, quando este quis se colocar como seu defensor, e capitão salva-vidas.

4. Em seguida, somos informados sobre como Cristo resolveu o caso com aqueles que foram buscá-lo (v. 55). Embora não tenha resistido a eles, o Senhor argumentou com eles. Note que condiz com a paciência cristã debater calmamente com os nossos inimigos e perseguido­ res quando estamos sob os nossos sofrimentos, como aconteceu no caso de Davi e Saul (1 Samuel 24.14; 26.18). “Saístes”:

(1)  Com fúria e hostilidade, como contra um ladrão, como se Eu fosse um inimigo para a segurança pública, e como se sofresse isso merecidamente? Os ladrões atraem para si mesmos o ódio comum; todos ajudarão a deter um ladrão; e então eles caíram sobre Cristo como a escória de todas as coisas. Se Ele tivesse sido a praga de sua nação, não poderia ter sido perseguido com mais empenho e violência.

(2)  Com todo esse poder e força, como contra o pior dos ladrões, que desafia a lei e a justiça pública, e acrescenta a rebelião ao seu pecado? Saístes, como para prender um salteador, com espadas e porretes, como se houvesse perigo de resistência; considerando que “matastes o justo; “ele não vos resistiu” (Tiago 5.6). Se ele não estivesse disposto a sofrer, seria loucura sair com espadas e porretes, porque eles não poderiam vencê-lo; se Jesus desejasse resistir, teria considerado o ferro como palha, e as suas espadas e porretes teriam sido como a sarça diante do fogo consumidor; mas, estando disposto a sofrer, foi tolice irem assim armados, porque Ele não iria discutir com eles.

Ele posteriormente debate com eles, lembrando-os de como havia se comportado com eles até aquele momento, e eles em relação a Ele.

[1] De sua presença pública: “Todos os dias me assentava junto de vós, ensinando no templo”. E:

[2] Da conivência pública deles: “E não me prendestes”. Qual o motivo dessa mudança? Eles foram muito irracionais, ao agirem com Ele como o fizeram. Em primeiro lugar, Ele não lhes havia dado motivo para considerá-lo como um ladrão, pois havia ensinado no Templo. E o assunto e a maneira de seu ensino era tal, que o Senhor Jesus foi manifestado na consciência de todos os que o ouviram como sendo um homem bom. As palavras bondosas que saíram de sua boca não foram palavras de um ladrão, nem de alguém que tinha um demônio. Em segundo lugar, Ele não lhes havia dado motivos para que o considerassem como um foragido da lei e da justiça, para que viessem à noite para capturá-lo; se eles tivessem alguma coisa para lhe dizer, poderiam encontrá-lo todos os dias no Templo, pronto para responder a todos os desafios, a todas as acusações, e ali poderiam fazer o que bem entendessem com Ele; porque os príncipes dos sacerdotes tinham a custódia do Templo, e o comando dos guardas que estavam em torno do Templo. Mas vir até Ele assim, clandestinamente, no local de seu retiro, era uma atitude vil e covarde. Desse modo, o maior herói pode ser perversamente assassinado em uma esquina, por alguém que, em campo aberto, tremeria só por encará-lo.

Mas tudo isso aconteceu (vê-se em seguida, v. 56) para que as Escrituras dos profetas pudessem ser cumpridas. Ê difícil dizer se essas foram as palavras do sagrado historiador, como um comentário sobre essa história, e uma instrução ao leitor cristão, para compará-lo com as Escrituras do Antigo Testamento, que apontavam para esse fato. Ou ainda se foram as palavras do próprio Cristo, como se estivesse expressando o motivo de tudo aquilo estar ocorrendo. Mesmo assim, Ele não poderia deixar de se ressentir por esse tratamento tão vil. Ele precisou se sujeitar à situação para que as Escrituras dos profetas pudessem se cumprir. O Senhor Jesus havia acabado de fazer uma referência a essa necessidade (v. 54). Note que as Escrituras se cumprem todos os dias; e todas as Escrituras que falam do Messias tiveram o seu pleno cumprimento em nosso Senhor Jesus Cristo.

5. Como Ele foi, em meio a essa aflição, vergonhosa­ mente desertado pelos seus discípulos: “Então, todos os discípulos, deixando-o, fugiram” (v. 56).

(1)  Esse foi o pecado deles; e foi um grande pecado para aqueles que haviam deixado tudo para segui-lo, agora deixá-lo por algo que nem sabiam o que era. Houve crueldade nisso, considerando a relação que havia entre eles, os favores que eles haviam recebido da parte dele, e as circunstâncias melancólicas que agora se apresentavam. Houve infidelidade nisso, porque eles haviam prometido solenemente se unir a Ele, e nunca abandoná-lo. Ele havia reivindicado o salvo-conduto deles (João 18.8); no entanto, eles não puderam confiar nisso, e fugiram vergonhosamente. Que coisa insensata foi essa; por medo da morte, fugiram daquele a quem conheciam e haviam reconhecido como a Fonte da vida? (João 6.67,68). “Senhor, que é o homem”!

(2)  Foi parte do sofrimento de Cristo, e acrescentou aflição às suas cadeias, ser dessa maneira desertado, como aconteceu com Jó (cap.19.13): “Pôs longe de mim a meus irmãos”. E também com Davi (Salmos 38.11): “Os meus amigos e os meus propínquos [ou companheiros] afastam-se da minha chaga”. Eles deveriam ter permaneci­ do com o Senhor, para servi-lo e apoiá-lo; e, se fosse necessário, deveriam ser testemunhas favoráveis a Ele em seu julgamento no tribunal. Mas eles traiçoeiramente o desertaram. Algo parecido aconteceu com o apóstolo Paulo, pois, em sua primeira defesa, nenhum homem ficou do lado dele. Porém, havia um mistério nisso.

[1] Cristo, como um sacrifício pelos pecados, foi assim abandonado. O cervo que, pela flecha do seu dono, é marcado para ser caçado e abatido é imediatamente abandonado por todo o rebanho. Nisso, Ele foi feito uma maldição por nós, pois foi deixado como alguém que é separado para o mal.

[2] Cristo, como o Salvador de almas, ficou assim sozinho. Ele não precisava, e não teve a ajuda de nenhum outro ao operar a nossa salvação. Tudo Ele suportou, e fez tudo sozinho. Ele pisou o lagar sozinho, e como não havia ninguém que o apoiasse, então o seu próprio braço trouxe a salvação (Isaias 63.3,5). Assim o Senhor, sozinho, conduziu o seu Israel; eles só precisaram “contemplar esta grande salvação” (Deuteronômio 32.12).

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POR QUÊ CRIAR O BLOG? POR QUÊ O TÍTULO?

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Nos dias atuais gastamos mais tempo conectados  que o diálogo e a leitura de livros de papel tornaram-se absoletos.  Em contrapartida, a leitura visual através de mídias vem crescendo e ocupando o tempo das pessoas que, imperceptíveis aderem aos novos hábitos. Assim, faz-se necessário que nós, os que ainda prezam pelos bons e velhos hábitos ajustarmos às novas necessidades e assim, servir de leme aos que naufragam  ante a ignorância não somente de conhecimento mas até mesmo de conhecimento de verdades que consolidam suas opiniões.

A igreja é ainda o principal elo de ligação entre a sociedade e as necessidades do homem para a aproximação do Criador e sua criatura. Àqueles que entendem que precisam se preparar melhor e que não encontram tempo para a leitura e seminários cuja presença física se faz  necessária, ofereço a oportunidade de compartilhar conhecimento e aprendizado acumulados ao longo de mais de vinte anos de caminhada e serviço cristão como uma forma de auxiliar na capacitação para transformar pessoas comuns em líderes extraordinários.

Fazendo assim, não só cresceremos na graça e conhecimento como glorificaremos o nome do Senhor entre povos e nações.

 

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

QUANDO A VIRTUDE DESVIRTUA

Reafirmação do bom caráter moral do ser humano (nas redes sociais e fora delas) é a mais nova virose contemporânea

Quando a virtude desvirtua

Greta Thunberg tem sido elogiada por chefes de Estado, foi recebida pelo papa e discursou na abertura da Cúpula de Ação Climática da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro. São distinções raras, se não inéditas, para uma adolescente de 16 anos. A jovem sueca tornou-se um símbolo global e, como todo símbolo, evoca reações diversas e contraditórias: para os admiradores, a face limpa e as tranças que conferem um ar de inocência pueril à líder das greves estudantis pelo clima representam a pureza de um movimento internacional que deseja salvar o planeta; para os críticos, o ricto que contorceu o rosto de Thunberg nos momentos mais passionais do discurso na ONU – “Tudo que vocês fazem é falar em dinheiro e no conto da carochinha do crescimento econômico eterno. Como vocês se atrevem? (…) A mudança está chegando, quer vocês queiram, quer não” – é a expressão radical de um catastrofismo cego. A personalidade de Thunberg e suas fragilidades – em especial, o fato de ela ser portadora da síndrome de Asperger – são arrastadas para a disputa. Fatalmente, levantou-se a acusação de que ela seria uma jovem mimada praticando a “sinalização de virtude”. Em anos recentes, essa expressão pejorativa – “virtue signaling”, em inglês – tornou-se corrente na guerra cultural entre a esquerda e a direita americanas. Designa uma forma de exibicionismo público: aqueles que alardeiam sua adesão a uma causa, mas não se comprometem efetivamente com ela, estariam apenas dando sinais de sua própria virtude, sem que isso lhes custasse qualquer esforço ou dispêndio. A dedicação integral que Thunberg demonstra ao ambientalismo a princípio descartaria a possibilidade de que ela esteja apenas propagandeando os próprios méritos. Mas a admiração quase sagrada e, de outro lado, a repulsa visceral que sua figura inspira indicam a presença dessa virose contemporânea. Greta Thunberg, como qualquer um de nós que já tenha feito declarações políticas exaltadas no Twitter, está imersa no que o psicólogo americano Geoffrey Miller chamou, em um livro recente, de “cultura da sinalização de virtude”.

Não é só Greta Thunberg: qualquer tema ou figura controversas convidam à sinalização de virtude. Quando consideramos que apenas nosso ponto de vista está “do lado certo da história”, o simples fato de anunciá­lo se torna uma afirmação de nosso bom caráter moral. As queimadas na Amazônia e o aborto, a liberação das armas e os protestos no Chile, o Brexit e a reforma da Previdência: quantos posts em redes sociais sobre esses temas você, leitor, já encontrou (ou escreveu) que incluíssem informação sólida e argumentação ponderada – e não apenas adesão passional ou rejeição rápida?

A sinalização de virtude, porém, não foi criada pela polarização política ou pela pulverização informativa das redes sociais. Nos ensaios reunidos em Virtue signaling, Miller ensina que a espécie humana desde sempre se dedicou a sinalizar virtude. E isso não é tão ruim assim.

Professor do departamento de psicologia da Universidade do Novo México, Miller segue a linha teórica conhecida como “psicologia evolutiva”, que busca entender o comportamento humano a partir da biologia darwinista. Suas pesquisas centram-se na seleção sexual, um mecanismo da evolução proposto por Charles Darwin na obra posterior ao seminal. A evolução das espécies. Sob os imperativos draconianos da seleção natural, os seres vivos devem se adaptar às pressões cambiantes do ambiente – ou morrerão sem propagar seus genes para futuras gerações. Mas os animais também precisam adaptar-se para atrair parceiros sexuais – ou, mais uma vez, morrerão sem deixar herança genética. Danças de acasalamento e o canto dos pássaros estão entre os produtos mais vistosos da seleção natural, e o ser humano de ambos os gêneros também segue certos rituais de sedução. Miller argumenta que a seleção sexual teve parte importante na evolução da moral humana – e, por extensão, da sinalização de virtude.

Na fase do flerte, parceiros avaliam-se mutuamente, selecionando valores como honestidade, generosidade, altruísmo. E até a ideologia política tem seu papel nos ritos da seleção sexual. Em um dos ensaios mais provocativos de Virtue signaling, Miller recorda uma greve estudantil contra o apartheid na Universidade Columbia, em Nova York, onde ele estudava em 1985. Os manifestantes exigiam que a universidade se desfizesse de todos os investimentos em empresas que apoiavam o governo da África do Sul – medida que exerceria uma pressão pouco significativa sobre o regime racista. Miller recorda que muitos participantes acharam parceiros sexuais durante as manifestações. Surgiram daí até algumas relações estáveis, que duraram mais do que o interesse dos estudantes pela África do Sul. A exibição mútua de boas intenções político ­ ideológicas propiciou condições ideais para a seleção sexual. A participação no protesto teria, portanto, uma função análoga à cauda multicolorida do pavão, um apêndice sem função outra que dar sinais de vigor e saúde genética para a fêmea da espécie.

O autor admite que considerar expressões ideológicas como estratégias para levar parceiros para a cama pode “trivializar todo o discurso político”, mas acredita que essa perspectiva também confere uma visão mais acurada da irracionalidade que move as paixões políticas. Nessa perspectiva, qualquer profissão de fé em uma causa ou partido seria uma sinalização de virtude – com o fim último de seduzir o objeto do desejo que por acaso compartilha das mesmas crenças (também há, claro, ganhos sociais: professar as ideias mais aceitas em determinado grupo traz prestígio). Não haveria nada de errado, porém, em ostentar bons sentimentos para, inconscientemente, perseguir a satisfação erótica ou o sucesso social. Sempre fizemos isso, diz Miller. A expressão “virtue signaling” só teria se popularizado na conversa sobre política a partir da campanha presidencial americana de 2016, da qual Donald Trump saiu vencedor. Mas desde tempos perdidos na memória da espécie humana já gostávamos de propagar nossos valores morais, nossas concepções éticas, nossas crenças religiosas. A generosidade é quase sempre ostensiva: o voluntário que limpa o óleo nas praias do Nordeste e o profissional do Médico sem Fronteiras que administra vacinas em áreas conflagradas do Congo gostam de ser reconhecidos pelo que fazem, e é bom que seja assim, pois seus exemplos incentivam mais pessoas a doarem tempo e dinheiro para as causas que julgam importantes.

Há sinais de virtude que custam tempo, esforço, dinheiro. E há a camiseta com slogan, o adesivo do candidato político no vidro do carro, o post no Facebook. Cara ou barata, a sinalização de virtude responde pelo melhor e pelo pior do ser humano, diz Miller: combinada a uma mentalidade aberta e tolerante, à curiosidade científica e à racionalidade, a sinalização de virtude já nos deu o abolicionismo, o sufragismo, os movimentos pela liberdade de expressão. Quando carece desses atributos, a sinalização de virtude gera monstros como “o Reino de Terror de Robespierre, o Holodomor de Stálio, o Holocausto de Hitler, a Revolução Cultural de Mao e o Twitter”.

Equiparar o Twitter aos maiores genocídios do século XX, deve ser óbvio, é uma blague de Miller. O autor, aliás, é bem ativo na rede social – e já teve problemas por lá, quando fez uma piada desastrada sobre obesidade. Mas é claro que a sinalização de virtude só ganhou conotações pejorativas porque, graças às redes sociais, nunca foi tão fácil e barato emitir sinais de nossa elevada moralidade: menos de um minuto no celular, e você já demonstra a todos os seus amigos que está indignado com o novo governo, cujas reformas roubam os direitos do trabalhador, ou com a hipocrisia dos “vermelhos” que passaram anos envolvidos em esquemas de corrupção bilionária e hoje reclamam de triviais rachadinhas. Miller, porém, não chega a discutir as novas oportunidades que a comunicação virtual oferece à informação duvidosa e à opinião inconsequente. Não é a única lacuna de seu novo livro: coletânea de ensaios cuja relação com o tema anunciado no título nem sempre é direta, Virtue signaling acaba não entregando tudo que seu instigante prefácio promete – e não explica exatamente o que é a tal “cultura da sinalização de virtude” em que vivemos hoje.

Um bom ponto de partida para entender o alcance dessa cultura pode ser “A horrenda ascensão da sinalização de virtude”, breve ensaio que o jornalista britânico James Bartholomew publicou na revista The Spectator, em 2015 – esse texto, aliás, tem sido creditado como o pioneiro na popularização do termo “sinalização da virtude”. Bartholomew comenta sobretudo casos de sinalização na política britânica, mas abre o ensaio com um exemplo da publicidade: os anúncios da rede americana Whole Foods, que vende comida orgânica, apregoam uma nova “consciência” abraçada pela empresa – uma consciência que “defende o que é bom”. É uma tendência clara da publicidade contemporânea, que já não se contenta em afirmar que o produto anunciado é melhor que os concorrentes: o suco em caixa afirma que é “do bem”, a rede de lanchonetes garante que seu hambúrguer toma o mundo melhor e inúmeras empresas vangloriam-se de suas práticas “sustentáveis” e “inclusivas”.

O artigo é especialmente acurado ao notar que a virtude pode ser sinalizada até por declarações de ódio ou repulsa. Dizer “eu detesto SUVs” é uma forma de se mostrar preocupado com o meio ambiente. Figuras políticas divisivas servem bem a esse jogo: declarações de ódio a Bolsonaro ou Lula garantem acolhida fácil à esquerda ou à direita. O ódio, no entanto, não é um sentimento dos mais virtuosos. Em sua modalidade contemporânea, a sinalização de virtude tem, a rigor, pouco a ver com virtude.

A bondade de um indivíduo, lamenta Bartholomew, não se prova mais com gestos simples como ajudar um idoso a atravessar a rua ou doar dinheiro para caridade. “Ninguém precisa mais fazer coisa alguma. A virtude vem de meras palavras ou até de crenças cultivadas em silêncio”, diz o jornalista. Este é o cerne da cultura de sinalização de virtude: a retórica auto celebratória conta mais que a ação altruísta.

O filósofo australiano Peter Singer, conhecido por sua defesa dos direitos dos animais, certa vez propôs que a doação de sangue seria um exemplo de gesto altruísta inteiramente desinteressado: em geral, o doador não é pago e nem terá tratamento privilegiado na eventualidade de um dia precisar de uma transfusão. O biólogo Richard Alexander contestou a ideia generosa de Singer: o doador é pago não em dinheiro, mas em reconhecimento social. “Quem entre nós não tem certa reverência pela pessoa que nos diz casualmente que acabou de doar sangue?”, pergunta Alexander. A sinalização de virtude – nesse caso, virtude real, exercida em um ato efetivo – vem na forma do esparadrapo no braço, atestando para vizinhos e colegas de trabalho que a doação foi realizada naquele mesmo dia. Pode-se dizer que a vazia sinalização de virtude hoje praticada nas redes sociais consiste em aumentar o esparadrapo até que, de tão grande e chamativo, ele torne dispensável a doação de sangue Mas qual seria o problema de fazer alarde em torno de causas pelas quais nada se fez se a causa é justa? Quando a virtude certa é sinalizada, no fim das contas algum bem não pode sair daí? Talvez. Mas há custos para a vida política, que abandona a discussão de ideias para se centrar sobre a exaltação – ou o achincalhe – de personalidades públicas. E há custo talvez maiores para a vida social, para a mais básica civilidade cotidiana: se uma opinião ligeira expressa no Twitter ou até uma hashtag – #Lulalivre, #BolsonaroMito – valem por uma afirmação de virtude, então opiniões memes divergentes só poderão ser o Mal encarnado. Abre-se a porta para a intolerância, o sectarismo, a ignorância, a propagação da mentira, que tomam tóxico o debate público.

Na guerra de vaidades dos sinalizadores da virtude, os problemas cada vez mais complexos que nos afetam são reduzidos a expressões de narcisismo exacerbado. É assim com aquecimento global. Em sua fala na ONU Greta Thunberg até citou números do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) órgão internacional que monitora a temperatura do planeta. Ninguém deu atenção a esses dados: estavam todos comovidos com o drama da estudante sueca cujos sonhos se perderam porque os gananciosos líderes mundiais não querem ouvir sua mensagem virtuosa.

Quando a virtude desvirtua. 2

OUTROS OLHARES

OS SONS DO PASSADO

Levantamento de mercado mostra que, pela primeira vez desde 1986, os vinis vão superar os CDs – ambos ainda resistem apenas pelo fervor de alguns apaixonados

Os sons do passado

exatos 38 anos, celebrava-se o estrondoso lançamento: “O mercado de discos não recebia uma novidade tão grande desde que a Columbia Records anunciou, em 1948, o long-play de 30 centímetros de diâmetro e cinquenta minutos de gravação. Em conjunto, a Philips holandesa e a Sony japonesa lançam agora o disco compacto, de apenas 12 centímetros de diâmetro e que, nessa superfície exígua, contêm, em sua única face gravada, sessenta minutos de som”. A notícia ecoava o primeiro grande sucesso mundial em CD, o álbum The Visitors, da banda sueca Abba, levado às lojas em novembro de 1981 – embora algumas pequenas gravadoras de música clássica tivessem testado a plataforma algum tempo antes. No Brasil, o CD inaugural foi uma antologia gravada por Nara Leão e Roberto Menescal, Garota de Ipanema, em 1986.

Em setembro, um relatório da associação americana de gravadoras – a RIAA, na sigla em inglês – revelou o impensável: ainda neste ano a venda de vinis deve superar a de CDs nos Estados Unidos, algo que não acontecia desde 1986. O disco compacto terá vivido quatro décadas – pouca coisa menos que o LP de vinil, que começou a minguar já cinquentão, a despeito de, ressalve-se, ainda respirar, firme e forte, com o típico chiado analógico, em nichos. Para o guitarrista Jack White, o mais notório defensor da permanência das bolachas, há um novo tempo atrás da porta. “Na próxima década, teremos a coexistência do streaming com o vinil – o streaming no carro e na cozinha, o vinil na sala de estar e no quarto de dormir”, diz ele, aparentemente esquecido do apogeu dos fones de ouvidos plugados aos smartphones, com ou sem fio.

Mas, afinal de contas, quem ainda ouve LPs e, logo mais, quem ainda ouvirá CDs, para além do prazer tátil de pôr as mãos em produtos vintage? Os nostálgicos do vinil costumam dizer que as nuances das músicas, como eventuais acordes dissonantes, são suprimidas nas produções digitais, que dominam 80% do mercado – daí o apego ao passado. “Mas o revival está mais relacionado à busca pela autenticidade, ao interesse por todo o processo de criação deum LP, que vai da gravação ao encarte”, diz o pesquisador Marco Resende Rapeli, mestre em ciências sociais aplicadas da ESPM. O prazer, para alguns, é literalmente físico. “Tem gente que até aproxima o nariz do LP e exulta: “Que cheiro de disco antigo”, afirma Caio Figueiroa, que trabalha na Sonzera, uma das lojas dedicadas aos LPs da Galeria Nova Barão, recanto clássico da cultura paulistana dedicado à indústria fonográfica dos velhos tempos.

O CD, embora seja mais jovem, também atrai colecionadores, e uma categoria em especial: os amantes de música clássica. Um levantamento feito ao Reino Unido pela Royal Philharmonic Orchestra mostra que 39% dos compradores das peças de Bach, Brahms, Mozart, Beethoven e cia. querem o produto físico, devidamente catalogado e exposto nas prateleiras – uma minoria vai de streaming. Essa turma reticente, apaixonada pelos compactos, também defende a qualidade do som em comparação com a das versões mais modernas, mas trata-se de uma diferença que um ouvido comum não identifica.

 Tudo somado, o ocaso do CD, agora novamente ultrapassado pelo vinil, faz parte do inexorável progresso da indústria da música, uma revolução que começou na tecnologia MP3, ganhou força com o iPod de Steve Jobs e provocou o nascimento de serviços práticos e incontornáveis como o Spotify. E certamente outras inovações surgirão no horizonte. Mas, para os fiéis amantes de vinis e CDs, toda essa modernidade ainda não superou a qualidade e o prazer dos sons do passado.

Os sons do passado. 2

GESTÃO E CARREIRA

PARE DE PROCRASTINAR

O que é necessário fazer para sua vida deslanchar? É essa pergunta que Christian Barbosa, especialista em gestão do tempo e produtividade, busca responder em seu novo livro, Por Que as Pessoas Não Fazem o Que Deveriam Fazer? Na obra, recém-lançada, ele se debruça sobre o tema da procrastinação e apresenta ferramentas para que as pessoas organizem as ideias e vençam a dicotomia “quem se quer ser”, versus “o que se quer ter”. Leia, a seguir, trecho Inédito no qual o autor ensina a otimizar nossos pensamentos.

Pare de procrastinar

TRECHO DO LIVRO

 

1.  ESCREVA SUAS IDEIAS

Imagine que você está com um grupo de amigos, em carros e motos, descendo uma serra que desconhece. De repente surge uma neblina bastante densa que dificulta muito a visibilidade. Nesse momento você não consegue ver seus amigos, seu senso de localização fica comprometido, seu nível de estresse aumenta em função do risco imposto pela condição da estrada, seus amigos aparecem e desaparecem no meio da neblina. Eu moro em Santos, no litoral de São Paulo. Em alguns períodos do ano, quando desço a serra de São Paulo para Santos, é essa situação que encontro. Essas condições climáticas são muito comuns nessa região e o risco de acidente aumenta consideravelmente, pois é impossível, por mais que você conheça a estrada, ter segurança e visibilidade. O que a concessionária da rodovia costuma fazer nessas condições é fechar o pedágio até juntar uma certa quantidade de veículos e fazê-los descer em comboio, com a polícia rodoviária na frente a uma velocidade média de 50 quilômetros por hora. Com isso, o efeito da neblina é minimizado, você começa a ver os carros, que agora estão próximos, em quantidade e a uma velocidade constante.

Parece que nem existe neblina, o que faz com que muitos motoristas reclamem do que consideram um excesso de precaução. A neblina na serra e a sua mente cheia de ideias são muito parecidas. Enquanto estão na cabeça, as ideias se encontram de certa forma envolvidas por uma “névoa”, elas podem escapar rapidamente da sua visão, e você pode nunca mais encontrá-las. Sem que possam ser vistas com clareza de detalhes, elas acabam se perdendo.

A forma de começar a limpar a neblina é tirar as ideias da cabeça e colocá-las em outro lugar. Assim como recomendo que você organize suas tarefas a fim de gerenciar seu tempo, é necessário tirar as ideias da cabeça se quiser filtrá-las e executá-las.

Tirar ideias da cabeça significa escrevê-las (ou gravar em áudio, se preferir) para que possamos passar para outras etapas da seleção. Pode parecer simples, mas, quando perguntei às pessoas do teste se tinham o costume de escrever ideias, apenas 38% disseram que faziam isso com regularidade.

Escrever também estimula o cérebro (existem diversos estudos publicados sobre isso). Um deles define inclusive que as crianças precisam do movimento da escrita para desenvolvimento cerebral pois, sem isso, teríamos algumas deficiência em nossa fase adulta.

Virgínia Berninger, psicóloga da Universidade de Wisconsin, testou estudantes e descobriu que, ao fazer redações escritas a mão, eles geravam mais ideias do que quando faziam usando o computador. Em outra pesquisa, Berninger mostra que a sequência de movimentos dos dedos, necessária para escrever, ativa regiões do cérebro envolvidos com pensamento, linguagem e memória de curta duração. O mesmo efeito acontece se você escrever com uma caneta em um tablet.

Eu, particularmente, considero o resultado da pesquisa bastante concludente. Quando estou travado de ideias, gosto de escrever a mão ou no tablet. Quando já tenho a ideia e preciso apenas tirá-la da cabeça para destrinchá-la melhor eu gosto de usar um software de mapas mentais – um tipo de apresentação de ideias em forma de neurônio, desenvolvido por Buzan, que facilita a geração, a classificação, a estruturação e a visualização de ideias, desde as simples até textos bem complexos em um único gráfico.

Nessa primeira etapa do processo de seleção de ideias, o objetivo é escrever todas as ideias que rondam a cabeça. Não se preocupe se são viáveis nem se são muito importantes para você. Também não ligue para o que os outros vão pensar. Apenas escreva tudo o que lhe vai na cabeça (.,)

 

2. AGRUPE SUAS IDEIAS EM EQUILÍBRIO E RESULTADO

Antes de selecionar suas ideias é necessário verificar se você tem clareza do que realmente necessita neste momento da sua vida. Sem saber o que precisa, tudo vai servir, você ficará sem foco e mais e mais ideias vão brotar em sua cabeça (.,)

Agrupar ideias permite identificar essa deficiência e o ajuda a reforçar aquelas de que realmente necessita e a não ficar na mesma para sempre. Existem milhares de exemplos de ideias em cada uma dessas áreas. Vou citar alguns, para reforçar o que foi discutido anteriormente:

IDEIAS DE EQUILÍBRIO: tempo para a família; melhorar a saúde; descobrir meus hobbies; achar o verdadeiro amor; descobrir minha missão pessoal; emagrecer; reduzir o estresse; desenvolver meu lado espiritual; melhorar minha capacidade de feedback; viver intensamente; melhorar meu relacionamento com fulano; sair do sedentarismo; parar de fumar; aceitar minha autoimagem; adquirir mais cultura; aproveitar o que já tenho; aprimorar minha capacidade de dizer não a algo que não me agrade etc.

IDEIAS DE RESULTADO: falar inglês fluente; MBA em gestão empresarial desenvolver carreira de consultoria; fazer dinheiro na minha profissão; comprar casa própria; viajar para Disney; obter cargo de diretor; criar meu próprio negócio; aprender a investir meu dinheiro; correr a maratona São Paulo; ganhar o prêmio profissional do ano; escrever um livro etc.

Claro que são apenas exemplos, não ideias, que você precisa usar. Dificilmente alguém além de você é capaz de entender suas mais profundas necessidades e, quando tentam, você pode até aceitar, mas, se não for algo que queira, a ideia vai ser bloqueada na fase de procrastinação. Repare que essas ideias são bem vagas, portanto, este não é o momento de julgá-la, apenas de agrupá-las. (.,)

 

3.DEFINA O QUE É PRIORITÁRIO

Agora que já ternos as ideias e sabemos a que grupo pertencem, é o momento de ver quais delas vamos levar adiante. Se o problema de ter ideias é o excesso, a solução é ter poucas ideias, mas ideias que realmente nos ajudem a obter aquilo de que precisamos (equilíbrio e resultado). (..)

Priorizar é a chave para você filtrar suas ideias para saber o que precisa ser feito e o que deve se posto de lado no momento ou mesmo apagado de vez da sua vida. Quem tenta fazer tudo não faz nada, só gasta energia, tempo e perde a oportunidades. (.,)

O primeiro passo para priorizar é definir as variáveis que servirão para avaliar todas as ideias. Você pode criar suas próprias variáveis, critérios (desde que sejam poucos), mas sugiro como início estes três:

NECESSIDADE: esta, sem dúvida, é a variável mais importante. Se você não precisa, para que investir tempo e energia? Entendendo a relação entre resultado e equilíbrio, aquilo em que você pensou é realmente o que você mais precisa? A ideia é extremamente necessária para sua vida. Conseguirá viver sem essa ideia feliz?

VIABILIDADE: eu adoraria fazer uma campanha nacional para mudar os dispositivos do código penal brasileiro, que considero um dos maiores problemas do país, mas infelizmente não é uma ideia viável neste momento da minha vida. No mínimo seria um esforço hercúleo que poderia comprometer outras prioridades. Sua ideia é viável? Você é capaz de executa-la ou ela é apenas um sonho distante?

PAIXÃO: ideias não podem ser apenas racionais, precisamos do nosso cérebro emocional para apoiar a persistência no caminho. Você está apaixonado a ponto de querer se dedicar à sua ideia? Sem paixão nada acontece; se você não vai se apaixonar pela sua ideia, para que insistir em algo que vai se dissolver em pouco tempo? Essas variáveis precisam ter peso, uma nota que permita classificar nossas ideias. Eu sugiro um peso maior para necessidade, algo como uma nota 3, depois para viabilidade (nota 2) e, em seguida, para paixão (nota 1). Fique à vontade para montar sua própria escala. Se não tiver uma, experimente esta que testamos e veja se funciona. (.,)

 

4. FILTRE DE FORMA RACIONAL E EMOCIONAL

Com as ideias escritas, classificadas na variável da matriz que indica o que você mais precisa no momento e já com o devido peso atribuído ao momento final de seleção. Para dar seguimento, selecione as cinco ideias (caso não tenha cinco ideias não há problema, melhor ainda) que tiveram maior pontuação na fase anterior(…).

Se você chegou até aqui é porque conseguiu limitar seu número de opções, de informação e tem alguns critérios que podem ajudá-lo a decidir. O que fizemos até agora foi preparar o terreno para ajudar seu cérebro a decidir melhor o que deve ser feito. Nós filtramos suas ideias e deixamos apenas aquelas mais coerentes com o seu propósito de conseguir mais resultados e equilíbrio na vida.

Se as ideias selecionadas ainda não são totalmente satisfatórias para você, sugiro que espere alguns dias ou até algumas semanas e repita todo o processo a fim de verificar se as ideias se confirmam ou são alteradas. Dê tempo ao tempo: às vezes, você precisa esperar um pouco para que as ideias assentem na sua cabeça.

O processo de escolha do nosso cérebro é extremamente complexo, tem muitas áreas envolvidas, não permite ter uma fórmula única de tomada de decisões. Agora é o momento de pensar racionalmente e também emocionalmente; é o momento do feeling, pois na escuridão da incerteza humana é que na maioria das vezes, lá no fundo, sabemos o que vai dar certo.

Pare de procrastinar. 2

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

Quando o Céu invade a Terra

CAPÍTULO 14 – GUERREANDO PARA INVADIR!

O verdadeiro cristão é um guerreiro do rei. Somente ele tem enorme prazer em entrar na batalha com toda a sua alma, fazendo com que toda situação se torne cativa do Senhor Jesus Cristo.

 

“Por muito tempo a Igreja tem atuado na defensiva, na batalha pelas almas. Quando ouvimos falar sobre o que uma determinada seita, ou um outro ramo das trevas, está planejando fazer, reagimos criando estratégias para confrontar os planos do inimigo. Criamos comissões; líderes discutem; e os pastores pregam contra o que possa estar o diabo fazendo, ou que esteja próximo de o fazer.

Talvez você se surpreenda com o que vou dizer: não dou a mínima importância para o que o diabo possa estar planejando fazer. A Grande Comissão coloca-me na ofensiva. Eu estou com a bola. E se eu a levar para a frente, sabendo jogar, os planos dele não terão importância.

Num jogo de futebol, vence o time que se preocupa com o seu jogo, e não se intimida com o adversário. O técnico do adversário, muitas vezes, faz declarações antes da partida, procurando criar um clima de superioridade e levar o seu oponente a jogar na defesa. E, por causa disso, preocupando-se com o adversário, o time ameaçado acaba não fazendo o seu jogo, mas sim o jogo do time contrário, e acaba sofrendo uma derrota.

Por mais tolo que seja esse tipo de comportamento, esta é a condição de uma grande parte da Igreja nos dias atuais. Satanás revela seus planos para nos colocar na defensiva. Ele ruge, procura impor-se, e nós agimos como se estivéssemos sob o seu controle. Paremos com essa tolice, e deixemos de ficar louvando o diabo com discussões intermináveis sobre o que há de errado no mundo por causa dele. Nós temos o nosso jogo, e estamos com a bola.

O potencial da presente geração, que é maior do que o das anteriores, não tem nada a ver com a nossa própria piedade, mas tem tudo a ver como plano mestre de nosso Senhor de nos colocar neste ponto da história. Temos que nos tornar o pior pesadelo do diabo.

 

POR QUE O DIABO DEIXA VAZAR OS SEUS SEGREDOS

Creio honestamente que satanás permite que suas estratégias se tornem conhecidas de modo que venhamos a reagir a elas. Ele adora ficar no controle. E, sempre que nós não estamos no controle, ele fica. E, quando reagimos, nossas reações são decorrentes do medo.

Não temos que ficar aguentando a situação até a volta de Jesus! Somos um corpo de pessoas vencedoras, corpo esse que foi comprado por sangue, foi cheio do Espírito, e foi comissionado pelo próprio Deus, de forma que tudo o que Ele falou no passado viesse a acontecer. Quando planejamos segundo os planos de satanás, automaticamente ficamos com uma postura mental errada. E nossas atitudes incorretas podem tornar­ se verdadeiras fortalezas em nosso pensamento, provocando assim uma investida legal do inferno contra nós. Desse modo, nossos temores acabam se tornando profecias que por si mesmas se cumprem.

 

SEGREDOS BÍBLICOS ACERCA DA GUERRA

A guerra espiritual é inevitável, e ignorá-la não fará com que ela não aconteça. Portanto, temos de aprender a batalhar com uma autoridade sobrenatural! Os seguintes princípios são verdades muitas vezes esquecidas:

 

  1. “Tendo Faraó deixado ir o povo, Deus não o levou pelo caminho da terra dos filisteus, posto que mais perto, pois disse: Para que, porventura, o povo não se arrependa, vendo a guerra, e torne ao Egito.” (Êxodo 13:17)

Deus tem plena convicção sobre até que ponto poderemos atuar na presente situação. Ele nos faz desviar de qualquer batalha que possa nos fazer dar meia volta e abandonar o nosso chamado. E assim concluímos que Ele nos encaminha apenas para as batalhas em que podemos derrotar o inimigo.

O lugar de maior segurança nesta guerra acha-se na obediência.

Quando estamos no centro da vontade de Deus, enfrentamos apenas aquelas situações em que estejamos em condições de vencer. Mas, por estarem afastados da Sua vontade, muitos cristãos caem, tendo que enfrentar uma excessiva pressão, por eles mesmos engendrada. É na Sua vontade que se encontra o lugar mais seguro para se ficar.

 

  1. “Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários.”(Salmo 23:5}

Deus de modo algum Se intimida com as táticas do inimigo. De fato Ele quer ter comunhão conosco bem diante dos olhos do diabo. É na intimidade com Deus que temos a nossa postura mais forte. Nunca permita que nada o faça sair dela. Muitos são os que se tornam “intensivos batalhadores” para o seu próprio bem. Tal intensidade frequentemente exibe a força humana, não a graça. Quando optamos por essa condição de ser “intensivos batalhadores”, isso nos afasta da alegria e da intimidade com Deus. É uma indicação de que nos desviamos do nosso primeiro amor. No caso de Paulo, a intimidade que ele tinha com Deus fez com que ele dissesse, lá daquela prisão infestada de demônios em que se encontrava: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai­ vos!”

 

  1. “…e que em nada estais intimidados pelos adversários. Pois o que é para eles prova evidente de perdição é, para vós outros, de salvação, e isto da parte de Deus.” (Filipenses 1:28}

Quando rejeitamos o medo, o inimigo é que fica aterrorizado. Um coração confiante é um sinal seguro da destruição final dele e da nossa vitória no dia de hoje! Não tenha medo, nunca! Volte-se para as promessas de Deus, passe tempo com pessoas de fé, e que cada um encoraje o outro com os testemunhos do Senhor. Louve a Deus por quem Ele é, até que o medo não mais bata à sua porta. Isto não é uma opção, pois na verdade o medo convida o inimigo a vir para matar, roubar e destruir.

 

  1. “Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” (Tiago 4:7)

 A submissão a Deus é a chave para o sucesso pessoal. Nossa principal batalha na guerra espiritual não é contra o diabo. É contra a carne. Sujeitando-nos ao Senhor é o que coloca os recursos de Deus à nossa disposição para uma permanente vitória, para executarmos o que Jesus já conquistou para nós no Calvário.

 

  1. “…e as portas do inferno não prevalecerão contra ela (a Igreja).” (Mateus 16:18)

Eu não fui deixado no planeta terra para ficar escondido, esperando a volta de Jesus. Aqui estou como um representante militar do céu. A Igreja está no ataque. É por isso que as portas do inferno – o lugar do poderio e do domínio dos demônios – NÃO PREVALECERÃO contra a Igreja.

 

  1. “Deus fez sobremodo fecundo o Seu povo e o tornou mais forte do que os seus opressores. Mudou-lhes o coração para que odiassem o Seu povo e usassem de astúcia para com os Seus servos.” (Salmo 105:24-25)

Primeiramente Deus nos fortalece, mas também instiga o ódio do diabo contra nós. Por quê? Não é porque Ele queira criar problemas para a Sua Igreja. É porque Ele gosta de ver o diabo derrotado por aqueles que foram feitos à Sua imagem, por aqueles que, por sua livre escolha, têm com Ele um relacionamento de amor. Deus nos delegou a Sua autoridade. É um grande prazer para o Senhor quando exercemos o triunfo de Jesus sobre os demônios, quando nos dispomos a “executar contra eles a sentença escrita, e que será honra para todos os santos.” (Salmo 149:9)

 

  1. ” …exultem os que habitam nas rochas e clamem do cimo dos montes; deem honra ao SENHOR e anunciem a Sua glória nas terras do mar. O SENHOR sairá como valente, despertará o Seu zelo como homem de guerra; clamará, lançará forte grito de guerra e mostrará Sua força contra os Seus inimigos.” (Isaías 42: 12-13)

O nosso culto a Deus é um dos maiores privilégios da nossa vida. O louvor honra a Deus. Mas também nos edifica e destrói os poderes do inferno! É algo estupendo pensar que posso louvar ao Senhor, ter a Sua paz enchendo a minha alma, e ouvi-Lo dizer que sou um homem poderoso e de valor. Tudo o que fiz foi adorá-Lo. Ele destruiu os poderes do inferno para me favorecer e me deu os “gols” da vitória.

Tudo isso, porém, não é tudo. É apenas o necessário para fazer com que a nossa perspectiva se volte para a guerra espiritual, para que ela não mais contemple o que é religioso e carnal, mas para firmá-la na visão do Reino. Arrependa-se, mude o seu modo de pensar, e você verá quão “próximo” de você o Reino de Deus de fato está.

Nascemos numa guerra. Não há tréguas, não há períodos de férias, e nenhuma folga. O lugar mais seguro é estarmos no centro da vontade de Deus, onde estamos em profunda intimidade com Ele. Neste lugar Ele somente permite que enfrentemos as batalhas que estamos plenamente capacitados a vencer.

Não somente este lugar é o mais seguro, é também o lugar de maior regozijo para o crente. Fora da intimidade com Deus provavelmente estaríamos desperdiçando a oportunidade de participarmos do acontecimento mais grandioso na terra. Mas esse é o assunto de nosso próximo capítulo.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DE FRENTE COM A RAIVA

A raiva é claramente oposta à paciência, essa habilidade de se manter emocionalmente estável e tolerante, diante de incômodos e dificuldades. Apesar dos estragos que pode causar, cientistas apostam que é possível usar esse sentimento de forma saudável.

Alguns autores argumentam que a raiva tem seu lado positivo, desde que seja usada de maneira adequada. “Qualquer um pode irritar-se, isso é fácil; difícil é zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, no momento certo, com o propósito certo”, escreveu Aristóteles, há mais de 2000 anos, em sua obra clássica A arte da retórica. Ter essa medida, entretanto, não é fácil. Justamente por isso tendemos a associar a ira ou mesmo a irritação à destrutividade – o que é bastante compreensível, já que essa emoção realmente pode destruir relacionamentos e carreiras profissionais. O segredo para reverter esse quadro pouco promissor parece estar na clareza a respeito de quando, onde, como e por que dar vazão a essa emoção – sem que ela nos controle.

Um estudo particularmente interessante sobre a raiva veio na esteira dos ataques terroristas de 11 se setembro de 2001, nos Estados Unidos. A psicóloga Jennifer Lerner, atualmente na Universidade de Harvard, reuniu informações sobre as emoções e atitudes de aproximadamente mil americanos adultos e adolescentes apenas nove dias após os atentados e continuou o acompanhamento nos anos subsequentes. Ela descobriu que as pessoas que se sentiram irritadas com o terrorismo foram mais otimistas sobre o futuro do que aqueles que simplesmente tinham medo de novos ataques. Os homens do estudo se mostravam mais irritados que as mulheres, e eram geralmente mais otimistas.

ESTUDOS SOBRE A RAIVA

Em um estudo de laboratório, publicado no periódico científico Biological Psychiatry, Jennifer Lerner descobriu que aqueles que sentem raiva em vez de medo numa situação estressante têm resposta biológica menos intensa, com menor variação da pressão arterial e dos níveis de hormônios do estresse. Isso mostra que quando você está em uma situação enlouquecedora e sua raiva é contextualizada, a emoção não é necessariamente ruim – desde que fique restrita a aquela situação.

“Por sua natureza, a raiva tende a ser uma emoção bastante energizante, e desde que bem encaminhada pode ajudar promover mudanças na vida pessoal e social”, diz o psicólogo Brett Ford, na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Por exemplo: sentir raiva da própria preguiça ou impulsividade, que constantemente trazem problemas à própria pessoa, pode impulsionar a mudança desses comportamentos.

Nesse caso, a raiva tem o importante papel de criar uma separação psíquica entre o eu e aquilo que incomoda – no caso, a preguiça ou impulsividade. Essas características não “são” a pessoa e, dessa maneira, podem ser arrefecidas, transformadas. É como se a ira estivesse direcionada para curar em vez de ferir. Mas é importante respeitar o “prazo de validade” da raiva. Remoer a irritação (ainda que seja consigo mesmo, com atitudes depreciativas e autopunitivas), sem se direcionar para alterar aquilo que incomoda costuma ser meramente autodestrutivo.

A raiva também pode ser de vital importância para mobilizar apoio para um movimento social. A psicóloga Nicole Tausch, professora da Escola de Neurociência e Psicologia da Universidade de St. Andrews, no Reino Unido, afirma que em contextos políticos, principalmente quando as pessoas se engajam de manifestações pacíficas na esperança de convencer o adversário a corrigir injustiças sociais, a raiva pode sinalizar que os participantes se sentem ligados e representados pelo sistema político. “Expressões de raiva durante os protestos, podem ser vistas não como ameaças ao sistema, mas como sinais de uma democracia saudável”, afirma.

Um estudo recente conduzido pelo psicólogo Andrew Livingstone, da Universidade de Stirling, no Reino Unido, enfatiza a ideia de que, em caso de ameaça, a raiva pode ter efeito protetor, fazendo com que as pessoas se mobilizem para se protegerem não só a si mesmas, mas também umas às outras. Para chegar a essa conclusão sua equipe trabalhou com dois grupos de pessoas: no primeiro deles os participantes tinham em comum a procedência do sul do País de Gales; no segundo a formação era aleatória. Nos dois casos foram medidas as reações emocionais desencadeadas nos participantes ao ser dito aos voluntários que o governo retiraria o apoio oferecido a moradores do sul do País de Gales. Irritadas, as pessoas passaram a se articular buscando formas de reverter esse quadro.

CONQUISTA DA PACIÊNCIA

É possível adotar práticas que ajudam a manter a serenidade e o relaxamento, nos momentos mais críticos. O diferencial está no treino: exercitar conscientemente uma atitude calma quando estamos tranquilos é fundamental para enfrentar as tormentas com maior equilíbrio

ASSUMA – Não adianta negar, esconder ou disfarçar a irritação. Simplesmente admitir o que está sentindo e aceitar que isso às acontece, sem fazer julgamentos, em muitos casos é suficiente para acalmar-se.

CHEGUE “PERTO” – Entre em contato com a sensação incômoda. Mesmo em meio ao caos emocional, tome alguns minutos para você. Sente-se em silêncio, preste atenção à sua respiração, deixe que a sensação de raiva ou tensão se manifeste e apenas a “observe” o que sente por alguns minutos.

DEIXE A POEIRA ABAIXAR -Tente não pensar sobre a raiva nem falar dela na hora da irritação, isso só vai deixá-lo ainda mais enfurecido.

AFASTE-SE – Se acha que pode fazer algo de que possa se arrepender no futuro, fique longe do objeto de raiva. Tenha em mente que a fúria passa, mas os estragos feitos podem permanecer por muito tempo.

CUIDADO COM A METRALHADORA – Em geral, evitamos despejar a ira sobre as figuras de autoridade que nos incomodam, mas podem promover alguma retaliação. Parece mais fácil descontar o mau humor sobre aqueles que não podem se defender, como os que ocupam cargos subalternos, ou pessoas próximas, que sabemos que nos amam (filho, pais, amigos ou cônjuges).

NÃO JUSTIFIQUE – Passado o auge da raiva, é comum buscarmos estratégias para culpabilizar o outro, mas a verdade é que somos responsáveis por nossas escolhas e atitudes. Não importa o que o outro fez – ele não obrigou você a fazer o quer que fosse.

RESPIRE – A primeira pista da perda de controle é a alteração da respiração. Por isso, quando se sentir irritado, preste atenção na cadência com que inspira e expira e no percurso que o ar faz dentro do seu corpo.

FAÇA O QUE LHE FAZ BEM – Em vez de continuar sob o efeito desgastante da situação que provocou tanto estresse, mude o foco. Desligue-se conscientemente do que o incomoda e dedique-se a fazer algo que lhe traga bem-estar: fique perto da natureza, leia um livro ou assista a um filme, de preferência divertido

CONSIDERE OUTRO JEITO DE AGIR – Passado o momento irritação, pense na situação que provocou o descontrole e imagine-se exatamente no mesmo contexto agindo de outra forma com mais serenidade, escolhendo as palavras e o tom que realmente gostaria de usar.

PROCURE AJUDA – Falar sobre o que o aborrece com amigos ou colegas não costuma trazer grandes benefícios, principalmente se a irritação acontece com frequência. O mais indicado é tratar do assunto numa sessão de psicoterapia, num ambiente protegido, em que a situação possa ser ressignificada com a ajuda de um psicólogo.

OUTROS OLHARES

A VIDA ENTRE MUROS

Como é a rotina dos internos da instituição para doentes psiquiátricos, localizada em Niterói

Quando chegou ao Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Henrique Roxo, em Niterói, Rio de Janeiro, Daniel Coutinho, então com 41 anos, era recluso, não gostava de conversar e, sobretudo, era obcecado pela leitura de livros de espiritismo. Nunca apresentou sinal de agressividade. Seu laudo de sanidade mental informava que ele era portador de um transtorno de personalidade esquizotípica, caracterizado pela dificuldade de manter relacionamentos. Fora internado em abril de 2015 depois de cometer um crime atroz: matara o pai, o cineasta Eduardo Coutinho, a golpes de faca. Com a mesma arma, feriu a mãe, Maria das Dores, que sobreviveu. Ao seguir a rotina do hospital — que previa o tratamento psiquiátrico e a medicação que jamais tomara antes da tragédia —, Daniel Coutinho começou a apresentar melhora. Tocava violão nas horas livres e, jornalista de formação, se dispôs a confeccionar os convites para as festas de Carnaval no hospital. Não demorou até se tornar o “repórter” da unidade.

Houve um dia em que, espontaneamente, Coutinho falou sobre o crime que cometera. Disse que se arrependia. No segundo ano de tratamento, passou a ter direito às chamadas “saídas terapêuticas”. Visitava o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e passou a frequentar o Shopping Rio Sul, em Botafogo, parada obrigatória para comer pizza, seu prato predileto. Em maio último, foi autorizado a deixar o Henrique Roxo e mudar-se para uma residência terapêutica, onde tem uma vida praticamente independente. No hospital em que vivia encarcerado, é lembrado como um “filho” ou um “passarinho que precisava voar”. Deixou saudade.

Outros 97 internos (80 homens e 17 mulheres) que cumprem medidas de segurança no Henrique Roxo aguardam o dia em que, assim como Coutinho, deixarão o encarceramento. O hospital, sediado em Niterói desde 1968, é o que restou do Heitor Carrilho, o mais antigo hospital do sistema prisional brasileiro, inaugurado em 1921, no centro do Rio de Janeiro. Em 1975, fundiu-se ao Henrique Roxo, mantido pelo governo do Rio e conveniado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2016, a unidade do centro do Rio foi desativada. Esta equipe de reportagem foi a primeira autorizada a visitar as instalações do local, fotografar e entrevistar seus funcionários desde sua inauguração, há mais de 50 anos. Além de pioneiro no atendimento de custódia, o hospital também foi o primeiro a colocar em prática o sistema de saídas terapêuticas, como aquelas a que Coutinho teve direito antes de deixar a internação.

Os internos do Henrique Roxo são considerados inimputáveis — ou seja, sem a plena capacidade de entender os crimes que cometeram por padecerem de doenças psiquiátricas. Ao serem admitidos, cumprem a chamada “medida de segurança”, em que se recomenda o tratamento compulsório em hospital psiquiátrico sob custódia ou em ambulatórios, a depender da gravidade do delito. O tempo mínimo de internação é de um ano. O máximo, depende do juiz.

Cada paciente tem um relatório psicossocial que contempla informações colhidas pela equipe com parentes, além da rede de saúde mental que vai atendê-lo depois que deixar o hospital de custódia. Um denominador comum entre a maior parte dos internos é o fato de terem apresentado, ao longo da vida, sintomas de doença psiquiátrica não captados pela família ou por pessoas próximas. Por isso, não recebiam tratamento adequado. “Mais de 90% dos pacientes cometeram delitos porque não estavam inseridos nas unidades de saúde mental. Para piorar, a crise contribuiu para o desabastecimento de medicamentos em centros de atenção psicossocial. Há alguns casos em que o paciente vai morar na rua, tornando-se agressivo”, contou a psicóloga Fernanda de Oliveira Guimarães Santos. No Henrique Roxo, 22% dos internos não têm referência ou vínculo familiar. A equipe do hospital sai então em busca de um padrinho para o paciente. Se não encontra, requer o benefício do INSS para o interno. O valor ajuda a pagar por uma vaga em residência terapêutica.

As mulheres são menos numerosas — apenas 17 entre 90 internos — e ficam em alas separadas dos homens.

Vinte e cinco passos separam o pavilhão hospitalar de dois andares do Henrique Roxo do acesso à Rua Heitor Carrilho, que leva esse nome em homenagem ao psiquiatra que dirigiu o primeiro manicômio judiciário do país. Depois de passar por dois portões de ferro, o primeiro de quase 5 metros e outro de 4 metros de altura, permanentemente fechados, há dois amplos corredores com azulejos brancos. O pé-direito dos cômodos tem cerca de 4 metros. Os locais são limpos, pelo menos, duas vezes ao dia. Neles, há várias portas acopladas com um visor em acrílico que permite ver o que acontece no ambiente interior, medida adotada há dez anos. A ideia foi do inspetor penitenciário Márcio Felipe Pombo, de 46 anos, atual diretor da unidade. Há outras portas de ferro vazadas, fechadas apenas à noite, por motivos de segurança.

Tudo deve ser pensado para que nada sirva como instrumento para ferir ou matar. As escovas de dente têm de ser cortadas pela metade, pois, se afiadas, podem virar uma faca improvisada. Os vasos sanitários não chegam a ser os “bois”, os buracos no chão comuns em presídios, mas uma pequena parede de cimento, a cerca de 25 centímetros do piso. A justificativa é similar à das escovas: qualquer pedaço de louça pode servir como arma. Apesar de raros, há casos de suicídio. Não houve nenhum nos últimos três anos, segundo a direção, mas, em 2016, foram dois. Certa vez, um paciente chegou a desfiar uma parte da costura da bermuda e tecer uma linha mais resistente para tentar se enforcar. Ele fazia isso no quarto, na hora de dormir. Foi pego durante uma revista.

Na ala masculina, os internos que têm bom comportamento e melhor controle mental são designados “olheiros”. Dormem nas enfermarias e avisam ao menor sinal de problema. Do toque de recolher, às 20 horas, quando os portões das galerias são trancados e a circulação pelos corredores é proibida, até as 7 horas da manhã do dia seguinte, eles se transformam em auxiliares da direção. Um dos pacientes, apelidado de Naval, chega a prestar continência aos inspetores penitenciários ao informar que está tudo sob controle.

Pombo, o diretor, é conhecido pelo talento para acalmar os internos mais agitados. Um, em especial, lhe desperta saudade. Com 120 quilos distribuídos em 2,05 metros de altura, Bebezão, como foi apelidado no local, deu entrada na emergência da unidade numa tarde de 30 de dezembro de 2015, véspera de Ano-Novo. “Ele chegou aqui em surto. Gritava que iam jogar uma bomba. Tentou agredir um servidor e, por ser grandão, ninguém queria tocar nele”, contou Pombo, que, à época, era chefe da segurança. Na confraternização de Ano-Novo, Pombo se encheu de coragem e abriu a grade onde estava o interno, ainda alterado. Ofereceu-lhe uma Coca-Cola. “Ele se sentou e cruzou as pernas. Pegou a garrafa e a segurou com as duas mãos. Parecia uma mamadeira para um bebê tamanho família. Daí o apelido: Bebezão. Ele passou a confiar em mim e, com o apoio de cinco colegas, tomou a injeção com tranquilizantes”, relembrou o diretor, ao sacar o celular e mostrar as fotos da despedida de Bebezão. Pombo se emocionou ao ver as imagens. “Ele faz falta aqui dentro. Era uma pessoa pura. Comia à beça! Dava o maior prejuízo.”

Bebezão chegou ao Henrique Roxo vindo do Instituto Philippe Pinel, no Rio. Lá, ao receber a visita de uma tia, que teria gritado com ele, ficou irritado e surtou. Acabou empurrando a senhora, que caiu e bateu a cabeça. Sem perceber a força que empregara, matou a tia.

Mas nem todos os casos são acidentais. Há aqueles maquinados por mentes consideradas perigosas e que requerem atenção redobrada. No banho de sol de uma manhã de agosto, durante uma visita à unidade, o clima de vigilância sobre determinados internos é visível. Um, em específico, é alvo de maior atenção: Marcelo Costa de Andrade, conhecido como o Vampiro de Niterói. O apelido lhe foi dado na década de 1990, quando confessou ter matado 13 meninos. Hoje, aos 52 anos, está há 28 no Henrique Roxo. Um funcionário revelou à reportagem que ele ainda sente atração por crianças. “Ele ficou louco em um dia de visita quando viu o filho de um interno. Tivemos de tirá-lo do pátio”, contou o servidor, que pediu para não ser identificado, ao relatar a ida de um adolescente ao local.

Com olhar intimidador, Andrade fica atento aos movimentos dos guardas o tempo todo. Na visita feita pela reportagem, ele chegou a se aproximar para fazer perguntas. Por determinação da direção, não estava autorizado a dar entrevistas. Depois de suas dúvidas serem sanadas, Andrade voltou ao lugar onde estava sentado, sempre sozinho. Não fez amigos. Recentemente, chegou ao hospital uma carta endereçada a ele. Como de praxe, a correspondência foi aberta. Estava escrita em inglês. O remetente dizia ser um serial killer americano admirador do brasileiro.

Qualquer surto psicótico de um interno pode servir como faísca para um desarranjo coletivo. Pombo contou que, certa vez, um paciente teve uma crise e agrediu outro, que revidou. “Quando fomos separá-los, o que reagiu disse: ‘Seu Márcio, não tive culpa. Eu surtei no surto dele’. É realmente isso que acontece. Um pode instigar o outro. Cada um foi para uma enfermaria individual, ter um tratamento especial da enfermagem, que reforça a medicação de acordo com as recomendações do psiquiatra de plantão. Não é castigo. Ficam lá até se estabilizarem”, explicou o diretor, negando se tratar de uma solitária.

Há duas atividades de tensão no hospital: a barbearia e as refeições. Há dois internos “barbeiros”, que têm habilidades mínimas para o ofício e estão estabilizados mentalmente a ponto de poderem usar uma lâmina ou a máquina de cortar cabelo, sempre sob supervisão da segurança. Há um ano e dois meses no Henrique Roxo, o barbeiro Cabeludo se gabou: “A maioria quer cortar cabelo comigo. Gosto do que faço. Quero até fazer curso de cabeleireiro quando sair daqui”. Cada paciente tem um aparelho separado em uma caixa com seu nome escrito. Cabeludo foi internado depois de uma tentativa de homicídio. Mas se justificou: “Ouço vozes pedindo que eu faça coisas erradas”. Disse que gosta do hospital, principalmente da comida, e “mantém o cabelo longo por ser homossexual”.

Entre a cozinha e o refeitório existe uma grade. Mesmo com a divisória, a cozinheira Lídia Maria Borges Franklin, de 67 anos, confessou sentir medo, embora esteja há oito meses no lugar. Ela sabe que ali há pessoas que mataram algum dia e isso a assusta. “Até que me obedecem direitinho, elogiam minha comida. Me chamam de tia. Sempre me pedem frango assado. Faço duas vezes por mês. Não querem que eu vá embora porque dizem que minha comida é a melhor que eles já comeram”, contou ela, que entrou para cobrir uma licença de quatro meses, mas acabou contratada porque a outra cozinheira não quis voltar.

Apenas o fornecimento de comida é terceirizado. Os serviços de limpeza, jardinagem e pequenos reparos são feitos pelos próprios pacientes. Foi uma forma de resolver a escassez de recursos na unidade. Com o dinheiro da venda de camisetas pintadas pelos internos, são compradas tintas, produtos de beleza e de limpeza para as atividades. Quando há sobras, compram-se fumo de rolo e cigarros. “Tentamos proibir o fumo, mas a equipe percebeu que eles ficavam ainda mais ansiosos. O jeito foi liberar, de acordo com a recomendação médica, e vigiar”, justificou o diretor.

As mulheres são as que mais gostam de fumar. Apesar de minoria, também são as mais agitadas e barulhentas. Algumas falam pelos cotovelos. Mas há aquelas que, afetadas pelos sedativos, guardam um olhar distante. Uma delas gosta de pintar o cabelo de uma cor diferente a cada semana. Ela se aproxima de “Seu Márcio”, o diretor, e o toca no braço para pedir tinta nova quando as madeixas ainda estão pintadas de roxo. Um subdiretor já foi repreendido pela esposa que encontrou uma nota fiscal com o valor da compra de uma tintura.

A fuga da realidade é comum nos transtornos. Clark Kent, um paciente que dizia morar na Lua, marcou a carreira da psicóloga Fernanda Santos. Ele deu entrada na unidade em 26 de agosto do ano passado. “Ele tinha linguagem rebuscada. Comecei, com a ajuda da assistência social, a procurar informações sobre sua identidade. Ele falava sempre do ‘Boneco’ que, na verdade, seria o dono do corpo dele. Reclamava que ‘Boneco’ tomava muita barrigudinha (cachaça) com guaraná. Por isso, estava com cirrose. Ele dizia que, como Clark Kent, moraríamos na Lua. Criou uma realidade paralela”, lembrou a psicóloga.

Em agosto, William Augusto da Silva sequestrou um ônibus na Ponte Rio-Niterói e foi morto por um sniper do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Antes do fim trágico, contou a parentes que ouvia “vozes dentro da cabeça”. Na madrugada do crime, mandou uma mensagem aos pais avisando que atentaria contra a própria vida. A família percebeu que o jovem andava deprimido, mas não imaginou que precisasse de tratamento psiquiátrico. “Ele tinha depressão, e a mãe relata que passou a ter um comportamento estranho. Mas não tiveram a iniciativa de levá-lo ao médico”, disse a assistente social Tânia Dahmer, da equipe de perícia forense do Instituto de Perícias Heitor Carrilho, ligado à Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). A psiquiatra Cristina Erthal, que trabalha na Seap desde 2001, disse que a conscientização das famílias sobre os transtornos mentais poderia evitar a maioria dos crimes. “As famílias precisam prestar atenção aos sinais. Quem tem algum tipo de problema mostra os sintomas, mas há quem finja não ver. Qualquer um pode surtar, mas desenvolver a doença é outra coisa”, explicou. Segundo ela, o hospital de custódia não é um “depósito de pacientes irreversíveis”.

GESTÃO E CARREIRA

PROMOÇÃO OU CILADA?

O que fazer quando a empresa quer aumentar suas responsabilidades, mas não oferece nenhum tipo de contrapartida financeira no curto prazo?

Ser promovido com direito a aumento de salário e novo cargo é sonho de muitos funcionários, mas nem sempre, as oportunidades de crescimento aparecem embrulhada nesse tipo de papel de presente. Em muitos casos, os profissionais passam a acumular responsabilidades sem receber uma contrapartida imediata, seja porque a liderança quer testar sua capacidade antes oficializar o aumento, seja porque os recursos financeiros estão limitados naquele momento. Essa realidade se torna ainda mais comum em um cenário de crise econômica, devido ao enxugamento das equipes. Isso não é um privilégio do mercado brasileiro. Segundo uma pesquisa feita pela consultoria Robert Half nos Estados Unidos em 2018, 39 dos empregadores admitiram que essa é uma prática comum e 649 dos profissionais disseram estar dispostos a passar por essa situação.

O grande desafio para quem recebe uma “promoção fantasma” é saber diferenciar se a movimentação trará chances de subir a escada corporativa ou se será um mero acúmulo de funções com um gostinho amargo de não ser reconhecido. Movimentações sem contrapartida financeira podem ser uma excelente oportunidade de mostrar comprometimento com a empresa e conquistar a confiança da liderança, mas não devem ser aceitas pelos funcionários a qualquer custo. “Se a empresa mantém a pessoa no mesmo lugar, e ela apenas acumula responsabilidades, aí não é tão interessante”, afirma João Villa, especialista em gestão de pessoas e processo da consultoria especializada e pequenas empresas Blue Number.

ALÉM DE DINHEIRO

Para valer a pena, a proposta deve atender a, pelo menos, os seguintes benefícios: autonomia para toma decisões, exposição a diferentes círculos de relacionamento e novos aprendizados alinhados com os objetivos profissionais. Se houver essas experiências, será mais provável que o profissional impulsione sua carreira e consiga melhorar seu currículo, mesmo sem ter uma mudança de cargo. Com isso, ficará mais fácil conseguir uma contrapartida dentro da empresa ou até mesmo em outra posição no mercado no futuro.

Thaís Barreto de Souza, de 24 anos, enfrentou esse desafio. Formada em ciências contábeis, ela entrou em uma empresa importadora de utilidades domésticas como auxiliar de cobrança em fevereiro de 2018. Apenas um ano depois conseguiu um cargo de líder do setor financeiro, com um aumento de 40% no salário. Mas o processo para chegar lá não foi fácil. Primeiro, foi promovida a analista, mas com função de coordenação da área de cobrança, comandando uma equipe de cinco pessoas. “Eu sabia fazer todo o serviço, e a empresa disse que eu teria a oportunidade de coordenar o departamento. Se desse certo, havia a possibilidade de um aumento, mas não era certeza”, diz Thaís. Nesse processo, ela contou com o apoio de um consultor de gestão contratado pela empresa, que oferecia sessões

semanais de mentoria. Seis meses depois, Thaís assumiu também a coordenação da área de contas a pagar, passando a liderar uma equipe de nove pessoas. Com um ano completo na posição de coordenação, veio o esperado aumento salarial e o crachá de líder. “Em um período curto tive muitas oportunidades e o total suporte da empresa, e isso eu não teria em qualquer lugar”, diz Thaís. O dinheiro fez falta, mas não chegou a atrapalhar a vida pessoal, porque ela mora com os pais e conta com o apoio financeiro da família.

PERÍODO LIMITADO

Para quem está vivendo uma situação parecida, um ponto importante é avaliar o tempo de duração dessa experiência. De acordo com os especialistas em carreira, o ideal é que a empresa se posicione em relação ao desempenho do profissional até seis meses depois da promoção fantasma. Nessa conversa, o funcionário deve saber se está correspondendo às expectativas, o que é esperado dele e como poderia melhorar.

Mesmo que a companhia não consiga dar um aumento após seis meses, a situação não deve passar de um ano sem uma definição. “Pode ser que a empresa não enxergue que a pessoa tem as habilidades necessárias ou pode haver outra restrição. É fundamental ter uma conversa transparente”, diz Roberto Picino, diretor executivo da consultoria recrutamento Michael Page.

Embora falar sobre remuneração ainda seja um tabu, os especialistas recomendam que o profissional traga o assunto à tona na hora que for convidado para assumir a nova função e mantenha um diálogo aberto nos meses seguintes. O ideal é mostrar que está disposto a aceitar o desafio, mas deixar claro que gostaria de ter uma conversa sobre seu crescimento profissional no futuro. “A pessoa deve questionar se existe a perspectiva de receber um aumento no médio prazo ou não. Senão o gestor vai pensar que ela está feliz e não está esperando nada”, diz Bruno Andrade, líder de soluções digitais de RH da Mercer.

Na hora de conversar sobre assunto, evite apelar para o senso de justiça da companhia. O melhor é levantar dados concretos sobre seu desempenho para demonstrar que você está fazendo um bom trabalho. “Fica mais fácil convencer a liderança quando o profissional mostra indicadores positivos, como número de novos clientes, melhorias no clima e redução nas reclamações”, diz Costabile Matarazzo, consultor de liderança da How2do.

CONTINUAR OU SAIR?

Levar em conta os objetivos pessoais e profissionais é fundamental na hora de decidir aceitar ou não uma promoção sem contrapartida. Foi o que aconteceu com Alexandre Abdalla, de 34 anos, formado em engenharia da computação. No início da carreira, ele já havia ficado dois anos em um cargo de gestão sem receber aumento, em uma consultoria de tecnologia. Depois de trabalhar em um grande banco vivenciou a mesma situação. Contratado como analista de sistemas, passou a atuar num cargo de gerente de projetos, liderando equipes sem nenhuma compensação financeira ou mudança de cargo.

Na ocasião, o banco havia acabado de passar por uma fusão com outra instituição financeira e deixou claro que não faria nenhum tipo promoção nos dois anos seguintes. Como Alexandre era recém-casado e sua esposa estava empreendendo na área de comércio, ainda sem ter retorno do negócio, ele avaliou que seria mais interessante deixar o banco para buscar uma posição com a remuneração adequada em outra empresa. “Eu já havia trabalhado pela filosofia de crescimento e isso me trouxe ganhos, mas naquele momento eu precisava cuidar do lado financeiro também”, afirma. Com a mudança para uma consultoria, ele conseguiu um cargo de gerente para exercer a mesma função que tinha no banco, com aumento salarial de 80%.

SINAIS DE ALERTA

Depois de avaliar as prioridades as emoções também devem ser levadas em conta. “O mais importante é não fique uma sensação de injustiça ou exploração, até porque isso pode impactar o desempenho do profissional e prejudicar sua carreira no futuro”, diz Maria Elisa Moreira, psicóloga especialista em liderança nas organizações e professora no Insper. Nessa hora, vale a pena fazer uma leitura do contexto para avaliar se existe uma boa razão para a falta de contrapartida. Se a empregadora está vivendo um momento de restrição financeira ou testando um nova frente de atuação, pode ser interessante aceitar responsabilidades sem um retorno imediato, “Nesses casos a empresa pode não conseguir reconhecer no ato, mas vê o potencial daquele profissional e pode reconhecer no futuro”, afirma Cristina Fortes, diretora da consultoria Lee Hecht Harrison.

Agora, caso a companhia tenha um histórico de não cumprir promessas e não esteja promovendo ninguém no último ano, é preciso acender o sinal vermelho. A lei trabalhista prevê que o funcionário contratado deve realizar todas as funções compatíveis com seu preparo técnico, mas as empresas não devem gerar um acúmulo de tarefas nem colocar o empregado em uma área incompatível com o contrato de trabalho estabelecido.Quando isso ocorre, é possível buscar a Justiça do Trabalho para obter uma compensação financeira. Para isso, é necessário comprovar que existia outra pessoa na empresa realizando exatamente as mesmas funções com um salário superior para conseguir uma equiparação salarial, o que nem sempre é fácil. “Quando a empresa tem um plano de cargos e salários definido, é mais fácil verificar, mas na maioria das vezes isso não acontece”, diz Beatriz Tilkian, advogada trabalhista do escritório Gaia Silva Gaede Advogados. Os trabalhadores que conseguem ganhar na Justiça obtêm a correção do salário e de todos os benefícios, como 13°salário, férias e horas extras. Em casos de má-fé por parte da empresa, é possível ainda buscar compensação por danos psicológicos e morais.

5 ATITUDES PARA LIDAR COM UMA PROMOÇÃO FANTASMA

1. Avalie o contexto interno para verificar se existe uma boa razão para não receber aumento

2. Descubra se terá mais autonomia, networking e aprendizado com a nova posição

3. Converse claramente sobre as expectativas da empresa e a possibilidade de aumento no futuro

4. Verifique se o ganho de aprendizado está alinhado com seu plano de carreira e momento de vida