A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A ESCOLHA DO PARCEIRO

Em geral, a busca é pelo que nos falta e na maioria das vezes fazemos isso de forma inconsciente. O companheiro já chega com o peso de suprir todas as lacunas existentes.

A escolha do párceiro

Afinal, quais são os fatores que determinam a escolha de um parceiro amoroso? Para começar a responder essa indagação, precisamos olhar para a nossa família de origem, pois é de lá que derivam os primeiros exemplos de relacionamento e de identificação com as figuras masculina e feminina.

A família sempre será o ponto de partida para modelos ou contramodelos pessoais. Se admiramos qualidades nos pais ou em outros que fizeram esse papel, provavelmente haverá identificação. O indivíduo passa a desenvolver essas qualidades em si, o que interfere na busca de um parceiro de forma inconsciente, porque vai buscar encontrar os mesmos aspectos no outro.

As heranças familiares estão longe de limitar-se a transferência de bens e dinheiro. É transmitida também, através das gerações, toda uma gama de valores morais, hábitos, cultura e crenças. Durante toda nossa vida, podemos observar e identificar os padrões herdados na convivência com as pessoas. Como em um espelho, o nosso “eu” é refletido pelo outro e as relações de qualquer tipo são oportunidades de reconhecimento dos padrões de comportamento e outros aspectos saudáveis e patológicos. Geralmente os conflitos e problemas relacionais agem como denunciantes dos aspectos mal resolvidos em nossa psique.

Existem duas formas básicas de escolha do parceiro: a escolha por semelhança ou por complementariedade. As semelhanças entre os casais podem ser por idade, escolaridade, origem cultural, área profissional, aspectos físicos, hobbies, entre outros aspectos. De forma geral, a opção por um companheiro com mais semelhanças e afinidades é considerada um facilitador para a harmonia no relacionamento. As relações complementares, ou seja, aquelas em que algumas características da personalidade são bem diferentes entre o casal, têm sua forma específica de funcionamento, e essa escolha revela motivações mais profundas do que podemos imaginar.

O que pode ilustrar esse ponto, é o mito grego de Eco e Narciso. Eco era uma ninfa muito falante que andava pelos bosques. A última palavra tinha sempre que ser a dela. Um dia a deusa Juno procurava pelo marido, desconfiada de que o mesmo se divertia entre as ninfas. Eco resolveu distraí-la enquanto suas amigas se escondiam. Juno percebeu o ardil e, com raiva, lançou uma maldição em Eco. Ela continuaria tendo a última palavra, mas nunca mais a primeira. Eco poderia apenas repetir a última palavra ou frase que escutasse de alguém, impossibilitada assim de comunicar-se de outra forma. Um dia viu Narciso em caçada pelas montanhas e apaixonou-se por ele. Desejava lhe dizer palavras de afeto, mas não podia, só podia repetir o que ele lhe dizia. Narciso tentou conversar com ela em vão, pois somente ouvia de sua boca a última palavra que tinha pronunciado. Desprezou Eco assim como todas as outras ninfas, também atraindo para si uma maldição que o levou a definhar, pois ficou enfeitiçado por sua imagem refletida nas águas de um rio.

Esse mito fala sobre a escolha do parceiro de uma forma muito idealizada, prenhe de características narcísicas acentuadas. Na relação, o outro precisa funcionar como um eco para a manutenção de seu narcisismo, isto é: precisa “refletir” e ecoar sua personalidade. Em maior grau, essa pode ser uma relação de muita desigualdade, na qual o outro sacrifica seus projetos pessoais, desejos e sonhos priorizando os de seu companheiro. Quando existe uma patologia narcísica grave, a relação pode conter abuso e violência física e psicológica.

Sempre tentaremos buscar em um parceiro o que nos falta, e na maioria das vezes faremos isso de forma inconsciente. O companheiro afetivo será designado a suprir todas as lacunas existentes ou resgatar o paraíso perdido das primeiras relações objetais e eliminar o vazio existencial. Deposita-se no parceiro a árdua e difícil tarefa de sanar as mazelas emocionais, resultado de falhas do desenvolvimento e amadurecimento, iniciadas desde o nascimento. A trajetória do desenvolvimento e amadurecimento pode estar contida por vários fatores: doenças físicas e mentais na família, situações de privação afetiva, pobreza extrema, negligência nos cuidados básicos, violência familiar, abuso e dependência de álcool e drogas na família. As figuras materna/paterna introjetadas, e a forma com que foi vivenciada a conflitiva edípica, irão ditar o papel que se espera que o parceiro ocupe na relação e também a maneira como o indivíduo adulto se relaciona com sua família de origem.

Os conflitos gerados decorrentes do relacionamento afetivo são uma boa oportunidade de autoconhecimento. A partir da angústia e dor emocional provocadas pelos problemas de relacionamento, muitas pessoas buscam a psicoterapia e iniciam aí uma grande jornada em busca de si mesmas. O campo relacional é uma ótima oportunidade de individuação.

 

ELAINE CRISTINA SIERVO – é psicóloga. Pós-graduada na área Sistêmica – Psicoterapia de Família e Casal pela PUC- SP. Participa do Núcleo de Psicodinâmica e Estudos Transdisciplinares da SBPA (Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica.) Atuou na área de dependência de álcool e drogas com indivíduos, grupos e famílias.

OUTROS OLHARES

SAPATO DE GEEK

A última excentricidade do Vale do Silício é o tênis de lã merino. E não é que é confortável?

Sapato de Geek

Os empreendedores do Vale do Silício adoram um estilo casual, um visual que os diferencie dos sisudos senhores da velha economia e dê a impressão de que gastam o tempo com coisas mais importantes do que roupas. Moletons com capuz e camisetas cinza fazem parte desse guarda-roupa. Nos pés, já houve o tempo do New Balance e do Crocs. Agora é a vez do Allbirds, um tênis felpudo de linhas minimalistas. Lançado em 2016 por empresários da Nova Zelândia, é feito de lã merino, uma fibra natural de uma raça específica de ovinos. A vantagem, segundo os adeptos, é que o tecido funciona como um isolante térmico, que aquece no inverno e ventila no verão, absorve o suor e minimiza o odor.

De olho nesse mercado, Eduardo Glitz, Pedro Englert, Marcelo Maisonnave e Mateus Schaumloffel investiram 4 milhões de reais para criar, em 2018, a Yuool sigla para young (“jovem”) urban (“urbano”) e wool (“lã”), a versão brasileira do Allbirds. A meta era vender no primeiro ano 1.900 pares. A marca ultrapassou 7.400.

Os quatro sócios trabalharam na XP. Depois de deixarem a gestora de investimento, por questões contratuais, não poderiam investir no setor financeiro. Partiram para uma temporada sabática. “O Marcelo foi morar na Califórnia, o Pedro passou uma temporada no Vale do Silício e eu visitei 42 países em 407 dias. “Fomos ver o que estava rolando no mundo e curtir a vida”, afirma Glitz. Em 2016 começaram a escolher em que investir. Hoje, têm cinco fintechs, a empresa de educação continuada StartSe e a Yuool.

O tecido nobre vem da Itália onde a marca já iniciou uma operação de venda. Para chegar a um bom preço final mesmo com um material nobre, os empreendedores optaram pela verticalização. Eles produzem as peças em Estância Velha (RS) onde fica a sede da empresa e vendem pela internet. “Dessa forma tiramos do caminho os intermediários”, diz Glitz.”Nosso próximo passo será marcar presença nos Estados Unidos e na China. Também colocamos como meta vender 30.000 pares neste ano, entre Brasil e Itália”.

GESTÃO E CARREIRA

PESQUISA MAPEIA CURIOSIDADE NO AMBIENTE DE TRABALHO

 A inovação buscada por tantas empresas tem seu início a partir da curiosidade dos funcionários e como eles se sentem confortáveis para desenvolvê-la. O “Relatório Global de Curiosidade 2018” realizado pela Merck, mapeou como está o nível de curiosidade de 3 mil funcionários em países e empresas diferentes.

Pesquisa mapeia curiosidade no ambiente de trabalho

A motivação da pesquisa veio após um estudo de Harvard com mil líderes sobre o que seria a base para uma cultura inovadora nas empresas e a resposta mais utilizada foi o encorajamento e a recompensa da curiosidade.

Um mapeamento prévio à pesquisa apontou que aqueles muito curiosos, com alto desempenho e maior potencial para inovar têm quatro características distintas que juntas formaram o Índice de Curiosidade, variável entre 0 e 100. “Sensibilidade a privação”, “alegria em explorar”, “tolerância ao estresse” e “abertura para outras ideias” foram os componentes principais.

De acordo com as respostas, o perfil mais curioso de todos os entrevistados é tipicamente um millennial, nascido entre 1982 e 1995, e trabalha no departamento de pesquisa e desenvolvimento de uma grande empresa. A surpresa é em relação a população mais jovem, denominada de Geração Z (nascidos após 1995), que ficou com o título de menos curiosa com um modesto índice de 66,5. Já os mais velhos, apresentaram altos índices em abertura para novas ideias, habilidade que se torna cada vez mais relevante em um mundo onde as mudanças acontecem de maneira mais rápida.

Os millennials se destacaram com as notas mais altas para a curiosidade. Quando destrinchamos por característica, esta geração pontua mais alto em todas, mas as maiores discrepâncias em relação aos demais são em índices maiores de alegria em explorar e em tolerância ao estresse.

Segundo Todd Kashdan, Ph.D., professor na George Mason University e colaborador da pesquisa de curiosidade da Merck, “as pessoas que acreditam que podem lidar com ambientes voláteis, incertos, complexos e ambíguos são mais propensas a obter as melhores posições e serem mais competitivas no mundo das ideias”, afirma.

Quanto ao corte por setor, os mais curiosos estão em empresas de ciência, tecnologia e manufatura, com um índice médio de 70,3. Saúde e serviço público estão abaixo da média da curiosidade.

Outro ponto importante é o tamanho; 37% dos funcionários que trabalham em grandes organizações são altamente curiosos comparado a apenas 20% dos empregados trabalhando em organizações de pequeno porte.

O PAPEL DAS EMPRESAS

Os entrevistados identificaram incentivos ou barreiras da curiosidade em suas organizações. 84% pontuaram que lidam com mais incentivos do que barreiras e os principais elementos para o incentivo são autonomia, responsabilidade e liberdade.

A maioria dos participantes que afirmam ser altamente curiosos no trabalho dizem que recebem oportunidades de tempo e de treinamento necessárias para desenvolver novas ideias.

Já as barreiras para ser mais curioso e explorador são hierarquia, falta de troca e vigilância. 34% dos entrevistados em funções administrativas sentem que os projetos e as iniciativas são ditados pelas lideranças, deixando pouca ou nenhuma oportunidade para a aplicação de ideias próprias.

“A curiosidade não é apenas encontrar novas ideias. É sobre poder lidar com o novo, o complexo. É sobre ser capaz e disposto a continuar, mesmo que o novo traga consigo sentimentos desagradáveis”, disse Carl Naughton, linguista e cientista educacional e um dos consultores da Merck para a elaboração da pesquisa. “Essa é a verdadeira força da Escala Multidimensional de Curiosidade: ela combina todas as peças que você realmente precisa para ser curiosa e funcionar como combustível para a inovação”, pontua.

É necessário que as empresas estejam atentas, já que a habilidade das organizações em inovar está diretamente ligada à sua cultura de curiosidade, pois segundo a pesquisa, 36% da variação total da inovação é explicada pela curiosidade, ou seja, um crescimento de um ponto na curiosidade representa um aumento de 0,68 na inovação.

A pesquisa mostra que as empresas estão no caminho certo; apenas 26% dos entrevistados dizem ter pouca ou nenhuma percepção da curiosidade no trabalho. O interessante é que somente 12% dos participantes acredita que os investimentos nesta área valem a pena.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 22: 17-21

Alimento diário

UMA SÉRIA ATENÇÃO É INCULCADA

 

V. 17 a 21 – Aqui, Salomão modifica seu estilo e sua maneira de falar. Até aqui, desde o princípio do capítulo 10, de modo geral, ele tinha apresentado verdades doutrinárias, e apenas aqui e ali inseria uma palavra de exortação, deixando que fizéssemos a aplicação como quiséssemos; mas aqui, e até o final do capítulo 24, ele dirige as suas palavras ao seu filho, seu aluno, seu leitor, seu ouvinte, falando como a uma pessoa em particular. Até aqui, de modo geral, o seu sentido era contido em um único versículo, mas aqui normalmente ele se estende um pouco mais. Veja como a Sabedoria experimenta vários métodos conosco, para que não nos saciemos com qualquer um deles. Para chamar a nossa atenção e ajudar a nossa aplicação, o método direto é aqui adotado. Os ministros não devem pensar que basta pregar diante de seus ouvintes, mas devem pregar para eles; não é suficiente pregar a eles, em geral, mas devem se dirigir a pessoas, em particular, como aqui: Você: faça isto e aquilo. Aqui temos:

 

I – Uma fervorosa exortação para a obtenção de sabedoria e graça, prestando atenção às palavras dos sábios, tanto as escritas como as pregadas, as palavras dos profetas e sacerdotes, e particularmente àquele conhecimento que Salomão, neste livro, transmite aos homens, sobre o bem e o mal, o pecado e o dever, as recompensas e as punições. A estas palavras, a este conhecimento, devemos inclinar os ouvidos, em humildade e com séria atenção, e aplicar o coração pela fé, e pelo amor, e com intensa consideração. O ouvido não servirá de nada, sem o coração.

 

II – Considere:

1. O peso e a importância das coisas de que Salomão, neste livro, nos dá o conhecimento. Não são coisas triviais, para diversão, nem provérbios jocosos, para serem repetidos como brincadeira, e para passar o tempo. Não. Mas são coisas excelentes, que dizem respeito à glória de Deus, a santidade e a felicidade de nossas almas, o bem-estar da humanidade e de todas as comunidades; são coisas principescas (este é o significado da palavra), apropriadas para serem proferidas por reis, e ouvidas por senados; são coisas que dizem respeito a conselhos e a conhecimento, isto é, sábios conselhos, relativos às mais importantes preocupações; coisas que não somente nos trarão conhecimento, como também nos capacitarão a aconselhar os outros.

2. A clareza da revelação destas coisas, e a designação delas a nós, em particular. Elas são dadas a conhecer, publicamente, para que todos possam ler – claramente, para que a possa ler o que correndo passa – dadas a conhecer hoje mais plenamente do que antes, neste dia de luz e conhecimento – dadas a conhecer neste teu dia. Mas essa luz ainda está convosco por um pouco de tempo; talvez as coisas que neste dia te são dadas a conhecer, se não aproveitas o dia da tua visitação, possam, antes de amanhã, ser ocultas dos teus olhos. Elas são escritas, para maior segurança, e para que possam ser recebidas e mais seguramente transmitidas puras e íntegras à posteridade. Mas o que é enfatizado aqui é o fato de que te serão dadas a conhecer, a ti, e escritas para ti, como se fossem uma carta destinada a ti, pessoalmente. Elas são apropriadas a ti e ao teu caso; podes, neste cristal, ver o teu próprio rosto; elas são destinadas a ti, para que sejam uma regra para ti, e por elas deverás ser julgado. Não podemos dizer, sobre estas coisas: são coisas boas, mas não são nada para nós; não, elas são do maior interesse imaginável para nós.

3. Como isto é agradável para nós, tanto com relação à consolação como à credibilidade.

(1) Se escondermos estas coisas em nossos corações, elas serão muito agradáveis e nos trarão abundante satisfação (v. 18): porque é coisa suave, e será teu constante prazer se as guardares no teu coração; se as digerires e fores governado por elas, e te entregares a elas, como a um molde. A forma da santidade, quando é nela que nos apoiamos, é apenas uma força, sobre um homem, e ele apenas faz uma penitência naquela veste branca; somente os que se submetem à força da santidade, e fazem dela o seu interesse sincero, encontram o prazer dela (Provérbios 2.10).

(2) Se as usarmos em nosso discurso, elas se tornarão muito atraentes, e nos conquistarão uma boa reputação. Elas serão adequadas aos teus lábios. Fala sobre estas coisas, e falarás como tu mesmo, e é adequado que fales, considerando o teu caráter; também terás prazer em falar destas coisas, bem como em pensar nelas.

4. Os benefícios destinados a nós por elas. As coisas excelentes que Deus escreveu para nós não são como as ordens que um senhor dá a seu servo, que visam o benefício do senhor, mas são como as que um mestre dá a seu aluno, todas elas visando o benefício do aluno. Estas coisas devem ser guardadas por nós, pois foram escritas para nós.

(1) Que podemos ter confiança nele, e comunhão com Ele. “Que a tua confiança esteja no Senhor” (v. 19). Não poderemos confiar em Deus, exceto no caminho do dever. Por isto, nosso dever nos é ensinado, para que possamos ter motivos para confiar em Deus. Na verdade, este é um grande dever que devemos aprender, e um dever que é a base de toda religião prática, que é viver uma vida de deleite em Deus e de confiança nele.

(2) Que podemos ter satisfação no nosso próprio juízo: “Para te fazer saber a certeza das palavras de verdade”; para que possas saber o que é verdade, e possas distinguir claramente entre ela e a falsidade, e possas saber com que razões recebes e crês nas verdades de Deus. Observe:

[1] É desejável conhecer, não somente as palavras da verdade, mas a sua certeza, para que a nossa fé possa ser inteligente e racional, e para que possa crescer até uma certeza completa.

[2] A maneira de conhecer a certeza das palavras da verdade é ter consciência do nosso dever; pois, se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina, conhecerá se ela é de Deus (Jó 7.17).

(3) Que podemos ser úteis para os outros, na sua instrução: “Para que possas responder palavras de verdade” aos que te procuram, para te consultar, como um oráculo, ou (como dizem algumas traduções), aos que te buscam, que te empregam como agente ou embaixador, em qualquer assunto. O conhecimento nos é dado, para que façamos o bem com ele, para que outras pessoas possam acender suas velas com a nossa lâmpada, e para que possamos servir a nossa geração, de acordo com a vontade de Deus; e os que se preocupam em guardar os mandamentos de Deus serão mais capacitados para apresentar uma razão para a esperança que há neles.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A INTERNET, UMA ALDEIA DE ÓDIO

As redes sociais acumulam eventos de disseminação da raiva exacerbada na defesa de um posicionamento, mas há uma grande diferença entre posição firme de opinião e manifestação de fúria.

A internet, uma aldeia de ódio

Ao receber o título honoris causa na Universidade de Turim, na Itália, Umberto Eco disse que “o drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”. Para o autor, antes das redes sociais, os “idiotas da aldeia” tinham direito à palavra “em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade”.

Fora de contexto, pode parecer uma atitude elitista, antidemocrática. Mas ele parece fazer referência a atividades como as dos haters, que não só postam e viralizam mensagens de ódio, mas também são conhecidos pela forma rasa com que manejam supostas informações, sem checagem. Duas obras podem nos ajudar nesse panorama. Uma do próprio Eco. Na criação literária O Nome da Rosa há um embate entre os personagens Jorge de Burgos, monge e bibliotecário, e Willian de Baskerville, franciscano: “O riso é a fraqueza, a corrupção, a insipidez de nossa alma”, afirma Jorge de Burgos. O riso seria o contrário da fé. Fé que, no viés do monge, implica atitude constrita e abandono da razão.

Em paralelo, no desabafo em forma de livro Escuta, Zé Ninguém!, Reich descreve a gênese e o modo de ser do Homo normalis e sua comezinha existência pautada pelo rancor, ressentimento, inveja e destrutividade, tanto no plano pessoal, quanto no social. E o falso moralista, o vigia dos usos e costumes, a propagadora das maledicências sobre a vida sexual da  vizinhança. Um protótipo da combinação de frustração afetiva sexual e da necessidade de destruir a vida e a felicidade em quaisquer de suas modulações enquanto busca entregar a sua existência às mãos de uma liderança dominadora.

São irrupções da camada da personalidade portadora do que Reich definiu como impulsos secundários, subjacentes à fachada apresentada socialmente.

Existe diferença entre um posicionamento firme e a raiva e o ódio, a destrtutividade e a negação de qualquer positividade no outro. Há aí, nesse caso, a ação de um mecanismo (inconsciente) em que projetamos no outro toda e qualquer imperfeição que possamos portar, e nos tornamos exemplares. Num plano mais profundo, o “zé ninguém” tenta anular a dor insuportável que a vitalidade no outro, vivida como inalcançável para ele, evoca.

O conceito de frustração afetiva sexual, na obra reichiana, não guarda relação unicamente com o fator quantitativo, não é meramente atividade sexual.

Essa é uma das sementes da radicalização, do exacerbamento verificado nas redes sociais, quando das postagens com ataques a personalidades e nas manifestações político-partidárias de qualquer tribo. Aí, essas redes merecem realmente a adjetivação “esgotosfera”.

Detalhe importante: na obra de Eco mencionada, a biblioteca (simbolizando o conhecimento) termina consumida por um incêndio provocado. O idiota da aldeia vence.

OUTROS OLHARES

APELO COMERCIAL

O movimento de mulheres contra a depilação não é exatamente novidade. A diferença é que a publicidade começa a explorar a nova onda feminista.

Apelo comercial

No disco que a consagrou, easter, que tem entre outras ótimas músicas o hit Because the Night, Patti Smith aparece na capa olhando para a axila sem depilar. O ano era 1978, e a foto do álbum foi provavelmente o auge da repercussão do movimento que começou nos anos 60. De poucos anos para cá, a nova onda feminista voltou a pregar o livre crescimento dos pelos do corpo como ação de liberdade e independência. Entre os dois momentos há uma sensível diferença: o protesto foi incorporado pelo mercado, e campanhas publicitárias começaram a explorar imagens de mulheres com pernas e axilas au naturel.

O barulho mais recente em torno dos pelos femininos foi causado pela Vetements, a irreverente marca francesa queridinha dos fashionistas. No início de fevereiro, a grife lançou uma foto no Instagram para celebrar sua coleção primavera-verão com uma jovem deitada em uma cama, braços levantados e axilas com pelos. Em seu desfile da Semana de Moda de Paris, em setembro, as modelos já haviam se apresentado com as pernas devidamente cabeludas. Lourdes Leon, filha de Madonna, também percorreu no ano passado as passarelas da Semana de Moda de Nova York com as canelas e axilas sem depilar, pela Gypsy Sport.

A marca sueca & Other Stories lançou uma campanha com mulheres fora dos padrões, com cicatrizes, tatuagens e, claro, pelos. Também da Suécia, a Weekday divulga com frequência fotos de modelos com penugem natural. Um anúncio que chamou a atenção foi o de uma marca popular chamada Billie, veja só, de barbeadores – certamente o segmento com maior interesse em que as mulheres se depilem. “Pelos. Todo inundo tem. Até as mulheres”, dizia a peça. O comercial mostrava mulheres com pelos na barriga, nas pernas e até nos dedos dos pés. Sem tabu, com naturalidade. E concluía: “Se algum dia você quiser se depilar, estaremos aqui”.

O mercado apenas acompanha – e lucra com – um comportamento crescente, principalmente entre as millennials. O tumblr Hairy Legs Club exibe fotos e depoimentos de mulheres que escolheram não se depilar. Entre na conta @pitangels no Instagram e você vai ver axilas e mais rutilas cabeludas. No mês passado, Laura Jackson, uma estudante de teatro e ativista americana de 21 anos, lançou o movimento # january nas redes sociais. Junção das palavras january (“janeiro”) e hairy (“peludo”), é uma campanha que encoraja as mulheres a abandonar a cera quente e as sessões de laser. O objetivo, além de divulgar a causa, é arrecadar fundos para a instituição Body Gossip, que ajuda jovens a melhorar a auto- imagem.

Curiosamente, campanhas publicitárias também ajudaram, no início do século 20, a disseminar o ato de depilar-se. Antes da Primeira Guerra Mundial pelos não eram uma questão para a mulher –   nem sequer os faciais. Até a Gillette lançar, em 1915, uma lâmina para mulheres chamada Milady Décolleté, com uma nova mensagem: as axilas precisavam manter a suavidade da pele do rosto. Com o tempo as saias foram encurtando e surgiu o biquíni. Nos anos 50, a depilação já era um hábito entre as mulheres, isso até ter início o movimento feminista dos anos 60. Na década de 70 ficou célebre a expressão 70s bush, que usou a metáfora do arbusto para pregar a libertação feminina.

Dos anos 80 em diante, os biquinis diminuíram de tamanho e a Brazilian wax, depilação genital radical, virou até tema da série Sex and the City. De lá para cá, a pele lisa virou regra, quebrada por eventuais exceções. Em 1999, Julia Roberts foi à premiere do filme Notting Hill com um vestido rosa Vivienne Tam e axilas peludas. Ela só foi comentar o caso no ano passado no talk show Busy Tonight. “Aquilo foi um posicionamento?”, perguntou a apresentadora Busy Phillips. Resposta de Julia: “Não. Eu calculei mal o comprimento das mangas. Não foi um posicionamento, mas parte de um posicionamento como ser humano no planeta Terra”. Simples assim.

GESTÃO E CARREIRA

COMO OS JOVENS LIDAM COM A PRESSÃO NO TRABALHO

Como os jovens lidam com a pressão no trabalho

O mundo corporativo é um lugar competitivo e demanda desafios cada vez maiores. As empresas visam as metas e esperam dos colaboradores esforços para alcançá-las. Logo, os profissionais e aspirantes a vagas devem se preparar para esse cenário. Levando em conta tal cenário, o Nube – Núcleo Brasileiro de Estágios fez uma pesquisa com o seguinte enfoque: “como você convive com a pressão no trabalho?”. O resultado apontou maturidade por parte dos jovens.

O estudo contou com 47.769 pessoas, entre 15 e 29 anos e foi realizado em todo o país. Do total, 44,81%, ou 21.404 participantes disseram: “para mim, é um processo de amadurecimento”. Segundo Everton Santos, analista de treinamento do Nube, ter consciência de todos os afazeres diários e conseguir elaborar um check list será um diferencial. “Isso dá maior flexibilidade e foco nas prioridades, tornando as cobranças mais leves”, explica.

Já 43,49% (20.773) lidam “tranquilamente, pois isso faz parte da vida”. No entanto, é recomendável a dosagem das exigências e ver a forma como elas são feitas. “Despertar a vontade da equipe em atingir o objetivo precisa ser feito com uma gestão centrada no colaborador, por meio de estímulos positivos, os quais alavanquem a motivação. Se há a tentativa de imposição, o time recua e pode adoecer”, esclarece.

Outros 7,66% (3.657) revelaram: “em alguns momentos me estresso”, enquanto 2,42% (1.155) já disseram como fazem para contornar o problema e alegaram: “sempre tento fugir da rotina para dar conta das atividades”. Para esses, ter uma jornada saudável, a qual proporcione qualidade de vida é o principal. “Realizar ações físicas com frequência, ir ao médico para exames periódicos e ter hobbies são formas de inibir ou amenizar o problema”, incentiva Santos.

Por fim, 1,63% (780) enfatizaram: “isso me faz muito mal”. Conhecer as nossas limitações é válido para evitar complicações. É um processo de autoconhecimento entender quais são as preferências, para assim elaborar um plano capaz de satisfazer as demandas pessoais e profissionais. “Ter o diagnóstico após essa reflexão é uma maneira de saber o momento de recuar ou agir, sempre de forma justa com nossos sentimentos”.

Fora isso, a inteligência emocional é imprescindível, mesmo para quem já sabe lidar com pressão. “Em algum momento será preciso gerenciar as emoções para não ter prejuízos, como o desenvolvimento de doenças”, assegura o especialista. Portanto, descansar é muito importante, além de saber delegar tarefas e solicitar ajuda quando necessário.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 22: 13-16

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 13 – Observe:

1. Aos que não amam o trabalho nunca faltarão desculpas para se livrar dele. Multidões são arruinadas, tanto na alma como no corpo, por sua preguiça, e ainda assim têm uma coisa ou outra a dizer em seu favor, tão engenhosos são os homens em enganar as suas próprias almas. E quem sairá ganhando no final, quando os pretextos forem todos rejeitados, como sendo vãos e frívolos?

2. Muitos fogem de trabalhos reais, assustados por dificuldades imaginárias: o preguiçoso tem trabalho para fazer nos campos, mas imagina que há um leão ali; na verdade, ele finge que não ousa sair pelas ruas, por temer que um ou outro o encontre e mate. Na verdade, ele não pensa isto, ele apenas diz isto aos que o convocam. Ele fala de um leão que está lá fora, mas não considera o perigo real do diabo, esse leão que ruge, que está na cama com ele, e o perigo da sua própria preguiça, que o mata.

 

V. 14 – Isto tenciona advertir todos os jovens sobre os desejos da impureza. Quando considerarem o bem-estar de suas almas, que tomem cuidado com mulheres estranhas, mulheres libertinas, às quais eles devem ser estranhos, e que tomem cuidado com a boca da mulher estranha, com os beijos dos seus lábios (Provérbios 7.13), com as palavras dos seus lábios, seus encantos e suas seduções. Tema-os; não tenhas nada a ver com eles, pois:

1. Os que se entregam a este pecado provam que são abandonados por Deus: é uma cova profunda, em que caem os que são abominados pelo Senhor, pois Ele os deixa à sua própria sorte, para entrar nessa tentação, e remove o freio da sua graça restritiva, para puni-los por outros pecados. Não valorizes o fato de que tens graça com estas mulheres, quando isto te coloca sob a ira de Deus.

2. É raro que eles se recuperem, pois é uma cova profunda: será difícil sair dela, pois ela confunde a mente e engana a consciência, ao agradar a carne.

 

V. 15 – Aqui temos duas considerações muito tristes:

1. A de que a corrupção está entretecida com a nossa natureza. O pecado é estultícia, é tolice; ele é contrário, tanto à nossa razão justa como aos nossos interesses. Ela está no coração; há uma inclinação interior ao pecado, para falar e agir tolamente. Ela está no coração dos filhos; eles a trazem consigo ao mundo; é aquilo de que eles foram formados, e em que foram concebidos. Não somente é encontrada ali, como está presa ali; está anexada ao coração (segundo alguns); as disposições malévolas se apegam fortemente à alma, presas a ela como o broto ao caule ao qual está enxertado, alterando significativa­ mente a propriedade. Há um nó entre a alma e o pecado, um verdadeiro nó de amor; os dois se tornam uma só carne. Isto é verdade, a nosso respeito, a respeito de nossos filhos, aos quais geramos à nossa semelhança. Ó Deus! Tu conheces esta tolice.

2. A de que a correção é necessária para a cura desta tolice. Ela não será eliminada por meios gentis; deve haver rigidez e severidade, e isto causará tristeza. Os filhos precisam ser corrigidos, e mantidos sob disciplina por seus pais; e todos nós precisamos ser corrigidos pelo nosso Pai celestial (Hebreus 12.6,7), e na correção, devemos golpear a tolice e beijar a vara.

 

V. 16 – Isto mostra os maus caminhos que os ricos tomam, às vezes, pelos quais, no final, ficarão empobrecidos, pois provocam a Deus para que Ele os leve à necessidade, apesar de sua abundância atual; eles oprimem os pobres para engrandecerem a si mesmos.

1. Eles não ajudam nem socorrem ao pobre, em caridade, mas retêm dele o alívio, de modo que, economizando aquilo que é real­ mente o melhor, mas que eles pensam que é a parte mais desnecessária de seus gastos, aumentam as suas riquezas; mas em contrapartida farão presentes aos ricos, e os receberão, seja com orgulho e vanglória, para que possam parecer nobres e grandiosos, ou, como política, para que possam recebê-lo novamente e com vantagens. Estes certamente virão a passar necessidades. Muito s chegaram à mendicância por uma tola generosidade, mas nunca por uma caridade prudente. Assim Cristo nos ordena que convidemos os pobres (Lucas 14.12,13).

2. Não somente não auxiliam os pobres, como os oprimem, lhes roubam o abrigo, extorquem seus pobres lavradores e vizinhos, invadem os direitos dos que não têm como se defender, e então dão subornos aos ricos, para protegê-los e incentivá-los. Mas é tudo em vão; todos empobrecerão e passarão necessidades. Os que roubam a Deus, e assim fazem dele seu inimigo, não podem se proteger, dando aos ricos, para torná-los seus amigos.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CONHECER A SI MESMO

Quem desenvolve o autoconhecimento possui uma visão clara de suas aptidões, capacidades e fraquezas e cria estratégias para lidar com suas características positivas e negativas.

Conhecer a si mesmo

É possível observar nos dias de hoje, em algumas ruínas de templos, teatros e estádios originários da Grécia Antiga, resquícios da inscrição original do Oráculo de Delfos. Segundo arqueólogos, essa inscrição tinha o objetivo de lembrar ao cidadão grego a importância do autoconhecimento, por isso a inscrição vigorava nos locais públicos mais importantes das cidades – estado gregas. Conhecer a si mesmo não significa descobrir segredos profundos e\ou motivações inconscientes. Autoconhecimento significa desenvolver uma compreensão sincera e honesta sobre você mesmo (conhecer forças e fraquezas, administrando as mesmas adequadamente). Envolve procurar respostas para uma das questões humanas mais difíceis e fundamentais: “Quem sou eu?” A Psicologia Positiva possui uma série de instrumentos e técnicas que pode auxiliar o indivíduo a responder essa questão fundamental. Esta disciplina dispõe de vários instrumentos para ajudar na jornada em busca do autoconhecimento, como por exemplo exercícios com o objetivo de identificar forças (talentos, pontos fortes, forças de caráter, habilidades), características de personalidade, valores, bem como pontos fracos. Identificar e manejar crenças autolimitadoras e apoiadoras, desenvolver o engajamento, encontrando e vivendo em harmonia com sua proposta de vida (ou significado). Além disso, a Psicologia Positiva incentiva o conhecimento de sua singularidade e respeito a essa, o que significa focalizar no que se é em vez de se comparar e preocupar-se constantemente com os outros.

Depois de identificar e trabalhar valores, crenças, virtudes e forças, o indivíduo estará pronto para responder à pergunta: “O que vou fazer com minha vida?” Isto é, pode, a partir daí, estabelecer e alcançar metas que possam melhorar sua qualidade de vida e desempenho em diversas aspectos.

A terapia positiva constitui uma proposta de prevenção secundária e possui diferenciais em relação às outras modalidades terapêuticas. Em primeiro lugar, as terapias positivas (como a terapia da esperança, a terapia focada em metas e a terapia cognitiva-comportamental positiva) trabalham com o foco nas metas e não nos problemas e queixas do cliente.

Em segundo lugar, as terapias positivas mapeiam e desenvolvem as forças, enfatizando o lado saudável e funcional do indivíduo. Por mais doente que uma pessoa possa estar, sempre terá um lado saudável e pelo menos algum aspecto da vida que esteja minimamente funcional.

A orientação positiva incentiva e desenvolve o autoconhecimento e a autogestão, uma vez que estimula a responsabilidade pessoal no conduzir da vida, levando o indivíduo a mapear e lidar com suas características (positivas e negativas). As terapias positivas reconhecem que os traços positivos e os comportamentos adaptativos servem como fatores protetores contra estressores e dificuldades futuras, funcionando assim como prevenção primária de problemas. Dessa maneira, ao tomar conhecimento dos aspectos positivos e funcionais, os indivíduos podem lidar melhor com seus problemas e dificuldades. À medida que desenvolve o autoconhecimento, a satisfação com a vida aumenta consideravelmente. O autoconhecimento ajuda o indivíduo a alcançar muitos benefícios, como: a satisfação com a vida dispara; uma maior propensão a alcançar metas pessoais e profissionais; reconhecer situações e oportunidades benéficas, tanto na vida pessoal quanto profissional. Identifica e maneja as tendências limitadoras (como, por exemplo, de pontos fracos, crenças autolimitadoras, traços de personalidade negativos, entre outros); diminui danos; gera conhecimento do que se quer (metas) e das estratégias de como alcançá-lo.

O autoconhecimento pode ser explorado na prática. Por exemplo, a pessoa que conhece seus talentos, pontos fortes, força de caráter e pontos fracos pode escolher trabalhos que tenham relação com esse perfil. Assim, maximiza as chances de sucesso e realização. Aqueles que reconhecem seus valores, em geral, fazem escolhas que os levam a decisões acertadas e mais felizes a médio e longo prazo.

O autoconhecimento pode também aumentar a intensidade e frequência de emoções positivas, aumentando o bem-estar e a satisfação.

Além disso, o autoconhecimento ajuda o indivíduo na busca de um sentido ou propósito de vida, e, de acordo com as pesquisas em Psicologia Positiva, pessoas que conhecem o significado ou propósito de sua vida são mais resilientes e conseguem lidar melhor com as adversidades e crises.

Os relacionamentos profundos podem potencializar a felicidade, e, para isso, o autoconhecimento é fundamental, pois auxilia na descoberta de pessoas com as quais podemos estabelecer relações profundas e significativas. Vale lembrar que esse tipo de relacionamento não se limita aos relacionamentos de sangue, como prega parte da cultura ocidental. Momentos psicológicos de pico muitas vezes envolvem importantes conexões humanas profundas.

Portanto, podemos concluir que o autoconhecimento oferece ao indivíduo a proposta de uma vida com mais significado, com metas reais que podem ser alcançadas e uma vida mais funcional e feliz. E hoje os consultórios estão repletos de pessoas que buscam encontrar propósito e felicidade em sua vida, seja em qualquer abordagem terapêutica.

 

PROFª. DRA. MÔNICA PORTELLA: Diretora científica e de cursos de extensão do CPAF-RJ e do PSI+. Pós Doutora em Psicologia pela PUC-RJ. Doutora em Psicologia Social pela UFRJ. Professora e supervisora da Pós-Graduação em Psicologia Positiva Aplicada a Saúde. Negócios e Educação e Terapia cognitivo comportamental Autora de livros e artigos na área.  CRP: 05\22229. site: http://www.psimasi.com.br

OUTROS OLHARES

QUEM MANDA É VOCÊ

A presença de produções da Netflix no Oscar consagra a ascensão do streaming rumo ao tapo do mercado de entretenimento – uma revolução cuja força motriz é a vontade do espectador.

Quem manda é você

Por uma década, o cineasta Alfonso Cuarón cultivou o desejo de fazer um longa-metragem inspirado em suas reminiscências de infância na Cidade do México nos anos 70. Com suas refinadas imagens em preto e branco, o projeto era grandioso – e talhado, imaginava o diretor do premiado Gravidade (2013), para a tela gigante do cinema. Quando enfim conseguiu realizar Roma, porém, seu criador foi tentado a rever os próprios conceitos. Além dos estúdios tradicionais, um expoente notório do novo mundo do entretenimento digital candidatou-se a abraçar a empreitada. Por 20 milhões de dólares, a Netflix garantiu os direitos de distribuição de Roma – pavimentando, assim, o caminho para vencer ferozes resistências à entrada da empresa no mercado das superproduções do cinema. Sua chegada tem implicações não só comerciais, mas existenciais: como uma plataforma de séries e filmes para ver nas comezinhas telas da TV, do tablet ou do celular ousaria competir com adita grande arte cinematográfica? Pois ousou – e levou a melhor.

Neste domingo 24, Roma conquistou não as estatuetas principais do Oscar, a Netflix já venceu. As quinze indicações da plataforma – além das dez de Roma, são três para o faroeste The Ballad of Buster Scruggs dos irmãos Joel e Ethan Coen, uma para O A Partida Final e outra para Absorvendo o Tabu, ambos na categoria documentário de curta-metragem – constituem um triunfo não apenas da Netflix. É a locomotiva (ou melhor: o trem-bala) da história que passa atropelando as forças que dominaram o entretenimento por décadas. O advento dos serviços de vídeo por streaming ou sob demanda abalou, de uma tacada, a lógica das indústrias da TV e do cinema, da produção à veiculação de suas obras, do modo como são consumidas à capacidade de diagnosticar os gostos do público. O streaming, com a Netflix à frente, pôs abaixo antigas convenções da televisão, derrubando a ditadura da grade de programação e abrindo espaço à oferta ilimitada de atrações.

No lado do cinema, seu trunfo não é menos extraordinário: agora, qualquer filme, não só as megaproduções de Hollywood para adolescentes, pode dispor de uma vitrine em escala global. O fator que seduziu Cuarón foi a possibilidade de Roma, uma obra tão intimista, atingir os 139 milhões de assinantes da Netflix ao redor do planeta. O acordo garantiu que seu longa­ metragem ganhasse exibição nas salas convencionais antes de chegar ao streaming. Diante dos que ainda teimam em denunciar sua suposta “rendição”, ele resumiu a questão: “Quantos cinemas exibiriam um filme mexicano, em preto e branco, falado em espanhol e mix­ teco (dialeto indígena) – e sem grandes estrelas?”.

Nos Estados Unidos, onde a revolução se encontra em estágio mais avançado, as mudanças são avassaladoras. Entre 2017 e 2018, milhões de americanos abandonaram a até então inabalável TV a cabo em favor dos serviços de streaming. Segundo estudo recém­ lançado da Nielsen, já são 16 milhões de domicílios sem cabo por lá – ou 14% do total. Enquanto isso, a Netflix dispõe de quase 59 milhões de assinantes. No Brasil, a tendência vai se repetindo. Pesquisa inédita da Kantar Ibope Media revela que o número de pessoas que acessam plataformas de streaming ou serviços sob demanda (como o NOW) sextuplicou, indo de 5% dos espectadores nas principais regiões metropolitanas, em 2014, para 32%, em 2018.

É ingênuo supor que o streaming vai matar a TV tradicional. A mesma pesquisa do Kantar Ibope Media revela que o poderio dela está longe de ser ameaçado: o brasileiro vê, em média, seis horas e

28 minutos de televisão por dia, contra duas horas e 35 minutos devotados aos serviços de streaming – note bem – em uma semana inteira. Quando se olha com lupa, contudo, verifica-se que a Netflix e afins têm uma avenida desimpedida adiante. Nas classes A e B, em que o acesso às smart TVs e assinaturas desses serviços é mais disseminado, a vantagem dos canais estabelecidos já não é tão significativa, de acordo com outra métrica do Ibope: 51% das pessoas viram programas por streaming ou sob demanda nos últimos trinta dias, contra 83% que prestigiaram a TV aberta. Já a TV paga surge como a maior prejudicada. No Brasil, houve uma queda de 550.000 assinaturas entre 2017 e 2018, segundo a Anatel. Como resposta, canais como HBO e Fox investem em plataformas próprias de streaming. E, para não perderem mais terreno, as operadoras se aliam ao inimigo: NET e Claro acabam de anunciar pacotes em parceria com a Netflix. Empresa que disponibiliza o serviço sob demanda NOW, a NET não descarta transformar sua conhecida ferramenta em uma plataforma independente de TV. “Queremos levar o conteúdo aos clientes de forma mais prática. Se eles buscam isso, cabe a nós atendê-los”, diz o diretor de marketing Márcio Carvalho.

A Netflix não divulga nem confirma seus números – fazendo jus à sua fama de ”caixa-preta”. Mas há consenso entre fontes especializadas de que a plataforma soma em torno de 8 milhões de assinantes no país. Um sinal que corrobora aquilo que não se pode aferir nas estatísticas está nos ônibus e metrôs, onde sempre se veem pessoas curtindo filmes e séries no celular. “Até há alguns anos, o único espaço para ver TV era dentro de casa. Agora, acontece em qualquer lugar”, diz Melissa Vogel, CEO da Kantar Ibope. As plataformas de streaming não criaram, mas provocaram uma expansão exponencial das “novas telas”. Segundo a Com­ score, empresa que mede o fluxo dedados na internet, quase 33 milhões de brasileiros viram atrações na Netflix pelo celular só em dezembro passado. A Globoplay, que vem na segunda posição, alcançou 14 milhões de pessoas.

No alto escalão de Hollywood, há uma corrida ao ouro do streaming, processo que dos, com orçamentos de 20 milhões a 200 milhões de dólares, noventa filmes originais. Só para efeito de comparação: o gigante Disney, o estúdio mais lucrativo de Hollywood, tem onze títulos anunciados para os cinemas em 2019.

A gastança levanta em certos segmentos a desconfiança de que, assim como ocorreu com a explosão da internet, no início dos anos 2000, o streaming vive uma bolha peculiar –   estimulada com galhardia pela Netflix. ”A bolha ainda está em formação. Em algum momento, com tantas plataformas, a pessoa vai olhar a fatura do cartão de crédito e pensar: por que estou pagando por tudo isso?”, diz Paul C. Hardart, professor de entretenimento e tecnologia na Universidade de Nova York. A suspeita de que esse dia fatalmente chegará é, por paradoxal que pareça, um impulso que leva a Netflix agastar em ritmo acelerado –   até agora, com a aprovação entusiasmada dos investidores em suas ações, apesar de carregar uma dívida estimada em 8,5 bilhões de dólares. De olho na lição de outros gigantes digitais, como Google e Facebook, ela sabe que precisa perenizar sua liderança hoje inconteste para continuar reinando no futuro. Possuir um catálogo próprio imbatível e controlar a cadeia de produção é essencial para atingir esse feito.

Há quem diga – e a Netflix nitidamente aposta nisso – que a teoria da bolha não teria efeito em um mercado cuja lógica põe em xeque tantas verdades estabelecidas da indústria da TV e do cinema. A diluição dos custos proporcionada pela escala global do streaming, bem como a segurança de que haverá plateias até para produções voltadas para os nichos mais peculiares, favorece a agressiva política de lançamentos da Netflix. Seu chefe criativo, Ted Sarandos, tem vinte times com carta branca para torrar dinheiro nos projetos que quiserem.

A fome de produzir é a força, mas também o calcanhar de aquiles da Netflix: com tantos tiros para todos os lados, seu padrão de qualidade nem sempre condiz com a propaganda. Para cada Roma capaz de seduzir a academia do Oscar, há uma enxurrada de séries e filmes irrelevantes chegando ao serviço toda semana, muitas vezes jogados a esmo no catálogo. “É uma tática que vai na contramão da estratégia da HBO – que, embora tenha sido destronada do posto de estrela-guia da TV pela Netflix, possui algo que a rival ainda não conseguiu alcançar: fenômenos culturais do porte de Familia Soprano ou Game of Thrones. Ou, ainda, da concorrente que hoje se revela mais bem posicionada para espezinhar sua vida: a Amazon, com seu Prime Vídeo. Devagarinho, como quem não quer nada, a potência do varejo on-line vai compondo um catálogo forte de séries e filmes originais, com o selo de qualidade de seu estúdio. Jeff Bezos já confessou o desejo de que sua empresa crie o próximo Game of Thrones. Ao investir 250 milhões de dólares nos direitos para uma série de O Senhor dos Anéis, corre o risco de conseguir.

Há, por fim, outro belíssimo motivo para a Netflix não diminuir seu ritmo: de todos os lados, existe gente disposta a tirar um naco do streaming. “Temos absoluta convicção de que esse não será um jogo de um só ganhador. Haverá múltiplos serviços disputando a atenção de milhões de pessoas pelo mundo que procuram quantidade e variedade. Estamos nos primeiros dias do fenômeno”, disse Tim Leslie, VP da Amazon Prime Vídeo International. Canais e grandes estúdios correndo atrás do prejuízo estão de olho na nova seara. A estreia da plataforma da Disney, neste ano, é o lance mais aguardado.

A Netflix enfrenta ainda uma batalha peculiar. Na busca por assinantes em qualquer canto do planeta, a companhia realizou o feito de ser a primeira força do entretenimento genuinamente global. Não só disponibiliza títulos em dezenas de línguas – do Brasil à Coreia do Sul – como investe pesado em produções locais. Isso a expõe a mais um desafio: a necessidade de brigar com competidores regionais. ”A Netflix tem de disputar com empresas dos 190 países em que atua”, diz David Lieberman, da The New School, de Nova York. Lieberman cita o caso do Eros Now, plataforma da Índia que ostenta 100 milhões de assinantes, amparada no catálogo robusto de Bollywood. “São empresas que dominam o próprio mercado e entendem os gostos daquele povo.” No caso do Brasil, esse lugar é ocupado pelo Globoplay. Mais que a Amazon ou qualquer outra estrangeira, o filhote no streaming da Globo se revela a maior rival da Netflix por aqui – com a ressalva de que uma fatia crucial de sua audiência vem de conteúdo gratuito, não de assinaturas. ”Ainda não somos nem metade do que queremos ser, mas tivemos grande crescimento com séries como The Good Doctor e, agora, o BBB’: diz João Mesquita, CEO do Globoplay.

As câmeras 24 horas do BBB, forte do serviço da Globo no momento, amparam-se nas transmissões ao vivo. Estas costumavam ser exclusividade da TV convencional. Não mais: a Amazon já entrou nesse filão no exterior. E há intensas movimentações em uma fonte lucrativa da TV ao vivo: a programação esportiva. Desde o início deste ano, a hegemonia dos tradicionais canais de esportes foi posta à prova com a entrada de novos concorrentes, em sua maioria ancorados em dinheiro de fora do Brasil. O Facebook adquiriu os direitos de campeonatos de futebol como a Liga dos Campeões da Europa e a Libertadores. E a plataforma DAZN, que se vende como a “Netflix do esporte” e opera em vários países, acaba de chegar ao Brasil. Ao custo estimado de 44 reais mensais, os usuários poderão assistir à Copa Sul-Americana e aos campeonatos francês e italiano. No disputadíssimo jogo do streaming, o telespectador sai ganhando.

 

GESTÃO E CARREIRA

A IMPORTÂNCIA DA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NA LIDERANÇA

Inteligência emocional recentemente se tornou um tema muito falado em termos de características de liderança. Uma coisa que sabemos com certeza é que é uma característica que pode ser medida e desenvolvida. Mas o que exatamente é e como isso influencia o conceito de liderança como o conhecemos hoje?

A importância da inteligência emocional na liderança

A inteligência emocional tem a ver com a capacidade de reconhecer e controlar suas próprias emoções, ao mesmo tempo em que as aproveita adequadamente para obter a melhor reação possível, conforme as situações determinam. Também tem a ver com a consciência e a sensibilidade em relação às emoções dos outros.

Portanto, é uma característica importante para qualquer pessoa em qualquer nível de uma organização, mas é particularmente importante para aqueles que ocupam cargos de liderança. A inteligência emocional de um líder pode ter ampla influência sobre seus relacionamentos, como eles gerenciam suas equipes e como eles interagem com os indivíduos no local de trabalho.

O QUE É INTELIGÊNCIA EMOCIONAL?

Inteligência emocional ou IE é a capacidade de entender e gerenciar suas próprias emoções e as das pessoas ao seu redor. Pessoas com alto grau de inteligência emocional sabem o que estão sentindo, o que significam suas emoções e como essas emoções podem afetar outras pessoas.

Para os líderes, ter inteligência emocional é vital para o sucesso. Pense nisso: quem tem mais chances de conseguir levar a organização adiante – um líder que grita com a equipe quando está estressado, ou alguém que mantém o controle de suas emoções e de outras pessoas, e calmamente avalia a situação?

A definição original, criada pelos estudiosos Salovey e Mayer (1990), é: inteligência emocional (IE) refere-se à coleção de habilidades usadas para identificar, compreender, controlar e avaliar as emoções de si e dos outros. De acordo com Daniel Goleman, um psicólogo americano que ajudou a popularizar a inteligência emocional, existem cinco elementos-chave para isso:

1. autoconsciência;

2. auto-regulação;

3. motivação;

4. empatia;

5. habilidades sociais.

Quanto mais um líder gerencia cada uma dessas áreas, maior sua inteligência emocional. Saiba mais sobre cada um desses elementos.

AUTO-CONSCIÊNCIA

Se você é autoconsciente, você sempre sabe como se sente e sabe como suas emoções e suas ações podem afetar as pessoas ao seu redor.

Ser autoconsciente quando você está em uma posição de liderança também significa ter uma imagem clara de seus pontos fortes e fracos, e isso significa se comportar com humildade.

AUTO-REGULAÇÃO

Líderes que se regulam efetivamente, raramente atacam verbalmente as outras pessoas, tomam decisões precipitadas ou emocionais, estereotipam as pessoas ou comprometem seus valores.

A auto-regulação é tudo sobre manter o controle de suas emoções e como elas afetam os outros. Esse elemento de inteligência emocional, de acordo com Goleman, também cobre a flexibilidade e o compromisso de um líder com a responsabilidade pessoal.

MOTIVAÇÃO

Líderes auto-motivados trabalham consistentemente em direção aos seus objetivos, motivam seus colaboradores e têm padrões extremamente altos para a qualidade de seu trabalho.

Eles desenvolvem uma conexão emocional saudável com os resultados que buscam de seus esforços, aproveitando-os para levá-los adiante sem serem obsessivos.

EMPATIA

Para os líderes, ter empatia é fundamental para gerenciar uma equipe ou organização de sucesso. Líderes com empatia têm a capacidade de se colocar na situação de outra pessoa.

Eles ajudam a desenvolver os profissionais em seu time, desafiam outras pessoas que estão agindo de forma injusta, dão feedback construtivo e ouvem aqueles que precisam. Esses líderes muitas vezes inspiram seus colaboradores a superar suas expectativas.

HABILIDADES SOCIAIS

Líderes que se saem bem no elemento de habilidades sociais da inteligência emocional são ótimos comunicadores. Eles estão tão abertos a ouvir notícias ruins, quanto boas, o que aumenta a confiança dos colaboradores, e eles são especialistas em conseguir que sua equipe os apoie e se empolgue com uma nova missão ou projeto.

Gestores que possuem boas habilidades sociais também são bons em administrar mudanças e resolver conflitos. Eles raramente ficam satisfeitos em deixar as coisas como estão, mas não se acomodam e fazem todo mundo fazer o trabalho: elas dão um exemplo de como as coisas devem ser feitas com seu próprio comportamento.

O QUE ACONTECE QUANDO OS LÍDERES SÃO EMOCIONALMENTE INTELIGENTES?

Líderes que são emocionalmente inteligentes adotam ambientes seguros, onde os colaboradores se sentem confortáveis ​​para assumir riscos calculados, sugerir ideias e expressar suas opiniões. Em ambientes seguros, trabalhar de forma colaborativa não é apenas um objetivo, mas se insere na cultura organizacional como um todo.

Quando um gestor possui inteligência emocional, ele pode aproveitar as emoções para o bem da organização. Os líderes muitas vezes precisam atuar como agentes de mudança e, se estiverem cientes de como os outros reagirão emocionalmente às mudanças, poderão antecipar isso e planejar as formas mais apropriadas de introduzi-los e realizá-los.

Além disso, eles não tomam as coisas pessoalmente e são capazes de seguir em frente com os planos sem se preocupar com o impacto sobre seus egos. Conflitos pessoais entre líderes e colaboradores são um dos obstáculos mais comuns à produtividade em muitos locais de trabalho.

O QUE ACONTECE QUANDO OS LÍDERES NÃO SÃO EMOCIONALMENTE INTELIGENTES?

A maioria dos líderes frequentemente enfrenta situações estressantes. Líderes com baixa inteligência emocional tendem a atuar em situações estressantes porque não são capazes de controlar seus próprios sentimentos. Eles também costumam ser muito propensos a comportamentos como gritar, culpar e ser passivo agressivo com outras pessoas.

Isso pode criar um ambiente ainda mais estressante, onde os colaboradores estão sempre preocupados, tentando evitar que a próxima explosão aconteça. Isso geralmente tem efeitos desastrosos na produtividade e na coesão da equipe, porque os profissionais ficam muito distraídos com esse medo para se concentrar no trabalho e no vínculo.

Não ser emocionalmente inteligente dificulta a colaboração dentro da organização. Quando um líder não tem controle sobre suas próprias emoções e reage inadequadamente, a maioria de seus colaboradores tende a se sentir nervosos em contribuir com suas ideias e sugestões, por medo de como o líder reagirá.

No entanto, um líder que não tem inteligência emocional não necessariamente ataca seus colaboradores. Não ser emocionalmente inteligente também pode significar uma incapacidade de lidar com situações que podem ser carregadas de emoção. A maioria dos gestores lida com conflitos, e um líder que não esteja informado sobre as emoções dos colaboradores, muitas vezes, terá dificuldade em reconhecer o motivo da briga e lidar com a resolução dela.

Líderes que possuem inteligência emocional geram diversos benefícios para a equipe e para a empresa em geral.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 22: 9-12

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 9 – Aqui temos:

1. A descrição de um homem caridoso; ele tem olhos bons. em oposição aos olhos malignos (Provérbios 23.6). A mesma virtude é enfatizada em Mateus 6.22 – um olho que busca objetos de caridade, além dos que se oferecem – um olho que, ao ver alguém em necessidade e miséria, se comove com compaixão – um olho que, com as esmolas, dirige um olhar agradável, o que torna a es­ mola duplamente aceitável. Ele tem também uma mão generosa: ele dá do seu pão aos que têm necessidade – o seu pão, o pão reservado para que ele o comesse. Ele preferirá reduzir o que tem para comer, a ver o pobre perecer por necessidade; no entanto, ele não dá todo o seu pão, mas dá do seu pão; o pobre terá a sua porção com a sua própria família.

2. A bem-aventurança de um homem como este. O pobre o abençoará, todos ao seu redor falarão bem dele, e o próprio Deus o abençoará, em resposta a muitas boas orações que serão feitas por ele, e ele será abençoado.

 

V. 10 – Veja aqui:

1. O que faz o escarnecedor. Aqui está sugerido que ele semeia a discórdia e faz perversidade onde quer que vá. Grande parte da luta e da contenda que perturbam a paz de todas as sociedades é devida ao mau intérprete (como entendem alguns), que atribui a tudo o pior significado, aos que desprezam e ridicularizam todos os que surgem em seu caminho e se orgulha de desafiar e maltratar toda a humanidade.

2. O que deve ser feito com o escarnecedor que não se recuperar: ele deve ser expulso da sua sociedade, como Ismael, que quando zombou de !saque, foi lançado fora da família de Abraão. Os que desejam assegurar a paz devem excluir o escarnecedor.

 

V. 11 – Aqui temos:

1. A qualificação de uma pessoa perfeita, alguém completamente bem educado, adequado a ser empregado em tarefas públicas. Deve ser um homem honesto, que ama a pureza de coração e odeia toda impureza, alguém não somente puro e livre de todos os desejos carnais pecaminosos, mas também de todo engano e dissimulação, de todo egoísmo e de todos os desejos sinistros, alguém que se preocupa em se aprovar como um homem sincero, um homem que é justo e reto por princípio, e em nada se alegra mais do que em conservar a sua própria consciência limpa e sem pecado. Ele também deve ser capaz de falar com graça, sem lisonjear mas transmitir seus sentimentos de maneira decente e habilidosa, em linguajar limpo e suave, como seu espírito.

2. A honra que este homem tem: o rei, se for sábio e bom, e entender os seus interesses e os do seu povo, será seu amigo, e o incluirá no seu conselho, como houve uma pessoa na corte de Davi, e outra na de Salomão, que era chamada de amigo do rei. Ou, em qualquer atividade que tenha, o rei será seu amigo. Alguns entendem que a reverência é ao Rei dos reis. Um homem em cujo espírito não há maldade, e cujas palavras sempre têm graça, Deus será seu amigo, o Messias. o Príncipe, será seu amigo. Esta honra tem todos os santos.

 

V. 12 – Aqui temos:

1. O cuidado especial que Deus tem em preservar o conhecimento, isto é, em conservar a religião no mundo, conservando entre os homens o conhecimento de Si mesmo e o do bem e do mal, apesar da corrupção da humanidade e dos artifícios de Satanás para cegar as mentes dos homens e conversá-los na ignorância. É um maravilhoso exemplo do poder e da bondade dos olhos do Senhor, isto é, da sua vigilante providência. Ele preserva os homens que têm conhecimento, os homens sábios e bons (2 Crônicas 16.9), particularmente as testemunhas fiéis, que falam do que conhecem; Deus protege essas pessoas, e faz prosperar seus conselhos. Pela sua graça, Ele preserva o conhecimento nessas pessoas, protege a sua própria obra, e o seu interesse nelas. Veja Provérbios 2.7,8.

2. A justa vingança de Deus sobre os que falam e agem contra o conhecimento e contra os interesses do conhecimento e da religião no mundo: ”As palavras do iníquo ele transtornará”, e preservará o conhecimento, apesar dele. O Senhor derrota todos os conselhos e desígnios de homens falsos e traiçoeiros, e os converte, para sua confusão.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

OS APOSENTOS VAZIOS DA DEPRESSÃO

Estimativas da OMS apontam a depressão como a doença psiquiátrica mais diagnosticada atualmente: ocupa o quarto lugar entre os maiores problemas de saúde do Ocidente. Um autêntico tratamento psiquiátrico implica reconhecer, enfrentar e respeitar experiências -limite que reavaliam o sentido e o significado de nosso existir e sofrer.

Os aposentos vazios da depressão

O termo depressão assume significados diferentes se utilizado na linguagem comum ou na psiquiátrica. Se na primeira indica o estado de tristeza e desânimo da pessoa diante de acontecimento desagradável, decepção ou luto, em âmbito psiquiátrico designa um quadro clínico preciso (distúrbio depressivo), caracterizado por sintomas biológicos e psíquicos espontâneos, aparentemente desproporcionais em intensidade e duração aos acontecimentos que o provocaram. Essa condição se distingue por sintomas como perda de interesse, astenia, incapacidade de sentir prazer, insônia, falta de apetite, diminuição da libido, facilidade em fatigar-se e alterações cognitivas, psicomotoras e neurovegetativas. Esse estado de ânimo invade por inteiro a personalidade acometida. Um indivíduo deprimido experimenta – às vezes com angústia, outras com gélido desespero – a irremediável negatividade da vida. Mas se em algumas pessoas atinge a existência pessoal (e neste caso podem prevalecer ideias persecutórias, sentimentos de exclusão, inferioridade, indignidade, culpabilidade), outros sentem a própria vida como intolerável. Tudo parece negativo, terrível, irremediável. O mundo se toma um lugar de baixezas e maldades, dominado pela luz sinistra de dor e mal metafísicos.

O distúrbio depressivo – que aqui definiremos intencionalmente também como melancolia – é conhecido desde a Antiguidade. Nas últimas décadas, os conhecimentos sobre etiologia, nosografia, diagnóstico e terapia das diversas formas de depressão progrediram notavelmente. As ciências de base – da bioquímica à biologia molecular, da neurofisiologia à psicofarmacologia – forneceram novos elementos, úteis para a compreensão dos mecanismos patogenéticos, para a elaboração de modelos sobre a transmissão genética, a identificação das áreas e dos circuitos nervosos responsáveis pelas diversas manifestações da depressão. Além disso, o renovado interesse pela observação do paciente e pela descrição dos sintomas levou a uma atenção maior para com o diagnóstico e a uma redefinição dos distúrbios depressivos. Desse modo, foram melhor especificados os diversos subtipos de depressão e, para muitos deles, afinadas modalidades de intervenções personalizadas. Algumas formas atenuadas, outrora definidas como “neuróticas” e tidas como traços estáveis da personalidade, são hoje consideradas manifestações depressivas leves e persistentes, que respondem a terapias. A avaliação da incidência da história familiar do caráter, da personalidade e da adaptação pré-doença permitiu incluir em seu espectro clínico algumas formas bipolares mistas crônicas, cujo quadro é amiúde dominado por delírios, alucinações e distúrbios do pensamento.

Não se pode negar, entretanto, que no âmbito terapêutico foram obtidos importantes progressos. A introdução de novas substâncias para tratamento agudo e preventivo permitiu alcançar, na terapia dos distúrbios do humor, resultados nada inferiores aos de outros setores da medicina. Especialmente, a síntese de antidepressivos com a ação seletiva sobre os diversos sistemas neurotransmissores permitiu que fossem dadas respostas às formas clínicas antes não tratáveis.

O GÉLIDO ABISMO

Em geral, a experiência depressiva se caracteriza por sofrimentos de tamanha intensidade que dificilmente podem ser imaginados por quem não os sentiu. Para quem sofre de depressão, sentir-se não compreendido na própria dor torna mais aguda a sensação de estranheza e de pena de si. Estímulos, conselhos, exortações para reagir e fortalecer-se nada mais fazem que acentuar a desesperada solidão do paciente, sua insustentável responsabilização por alguma coisa que já não controla. Ele percebe, com penosa intensidade, um irreprimível empobrecimento afetivo e, ao mesmo tempo, a perda, inimaginável do contato com um mundo exterior rico e vital.

Embora a perda de energia e vitalidade, as sensações de confusão, incapacidade de concentrar-se, fazer escolhas, trabalhar e amar possam ter intensidades diferentes de pessoa para pessoa, significam, de todo modo, um pano de fundo constante. Além disso, sentimentos de impotência e derrota dominam o cenário. As noites insones, povoadas por medo e mal-estar, são aguardadas com terror. Os dias começam como pesadelo de novas e intermináveis provas a enfrentar. Até as atividades elementares, como levantar-se, lavar-se, passear e outras tantas, custam esforços inimagináveis. Vai ganhando terreno, para usarmos as palavras de von Hofmannsthal, “uma existência nua, exposta à dor, atormentada pela luz, ferida por todo som”. A sucessão de dias que parecem iguais, sem melhoras, revigora a visão pessimista do paciente quanto ao próprio futuro. A postura em relação a esse distúrbio, todavia, muda de indivíduo para indivíduo. Há quem, sem uma adequada consciência da doença não perceba totalmente o que está acontecendo. Alguns sentem que estão doentes, mas recusam ajuda, outros sabem que estão sofrendo de uma doença física, grave, ou ainda lutam contra a doença e procuram ajuda, por vezes de maneiras apelativas e manipuladoras, que causam incompreensão nos que estão ao redor e equívocos quanto a real gravidade da situação. Outros, por fim, conseguem dissimular o distúrbio, esconder a inibição e parecer animados, até inesperadamente surpreenderem parentes e colegas com um gesto suicida, como uma espécie de ato de libertação de um sofrimento, vício incorrigível e desesperançado.

Na depressão, o suicídio é muito frequente. Em 1791, Pinel evidenciou com espanto como os autores – tanto antigos quanto modernos – que haviam descrito todo tipo de ”melancolia nervosa”, tinham se descuidado daquela forma que se caracteriza por um desgosto insuportável pela vida, ou antes, por um desejo irresistível de dar-se a morte, sem que possamos encontrar uma causa. Em Luto e melancolia, Freud interpretou a tendência ao suicídio do melancólico como forma de agressividade contra o próprio Eu, no qual o sentimento de culpa tem um papel central. Basta nos simplesmente notar que, do ponto de vista psicanalítico, podemos identificar essencialmente dois tipos de culpa, uma persecutória, que deriva da pulsão de morte e que tende à auto -repreensão e ao receio de punição; a outra, função da pulsão de vida, que tende à reparação.

Para além das sugestivas e pertencentes hipóteses psicanalíticas, a culpa constitui um elemento psicopatológico nuclear da depressão, motivando um dos mais importantes fatores de transição do apego à vida ao suicídio. Esse, todavia, não seria voltado apenas a interromper a própria vida, dolorosa e sem esperanças, mas, também a libertar o mundo da própria presença, considerada abjeta e nefasta.

Além disso, o sofrimento se torna ainda mais doloroso pela impossibilidade de sua aceitação. É tido como indigno e, até por isto, como numa espiral infinita, na qual o paciente é envolvido pela culpa. Seja com relação a si próprio, aos outros, à vida, aos seus desejos, ao próprio corpo ou à sua resistência, a culpa constitui um elemento central do mundo melancólico. Convencido, como está de que tocou o fundo, o paciente acredita que nunca mais poderá levantar-se. É a culpa que leva os pacientes a fugir do mundo e isolar-se em casa, na certeza de não poder superar a punição.

Naturalmente, uma coisa é o sentimento de culpa, outra é o delírio de culpa. Enquanto o primeiro é a experiência de quem considera, errônea ou acertadamente, estar em culpa, no segundo a certeza de que deve ser punido não deixa espaço a mais nada.

A experiência da culpa, elemento­ chave na patogênese da doença nunca termina porque o paciente está sempre à procura de elementos num passado “culpado”. Esse “estar em culpa” remete o deprimido a um modo peculiar de experimento à morte. No entanto, só alguns melancólicos se definem culpados. Os outros sentem-se devedores pelo não poder, pela incapacidade de agir.

Decisivos, aqui, não são os conteúdos, mas a forma do passado que ocupa toda a vida psíquica. Nesse sentido, se é verdade que a identidade e a estabilidade do Eu de um ser humano lançam suas raízes no passado, então podemos compreender como o esquecimento sobre as próprias culpas, sobre a angústia dos remorsos e as saudades assumam para o melancólico o caráter ameaçador de uma separação do próprio Eu, de uma perda definitiva da própria identidade. De fato, o deprimido busca no passado esse suporte, essa espécie de segurança diante de um mundo que lhe escapa.

TEMPOS DA MELANCOLIA

Todas as experiências psicológicas humanas são marcadas pela presença do tempo. Mas o tempo dos homens não é apenas aquele do relógio que marca as horas em igual medida e que é estranho a toda repercussão interior. Há também um tempo interior. Um tempo vivido, que muda em cada um de nós, de momento em momento, de situação em situação. Um tempo vivo, independente da marcação cronológica das horas. Esse é o tempo da consciência. Quando estamos cansados, tristes ou entediados nossa percepção interior do tempo muda radicalmente com relação a quando estamos contentes ou intensamente interessados em algo. No primeiro caso, uma hora parece longa e interminável, no segundo, breve demais. Tudo isso está fortemente ligado a nossos diversos estados de ânimo e às diversas emoções que se repetem na percepção subjetiva. A alteração da consciência interna do tempo tem um espaço crucial na experiência melancólica. O   paciente assiste impotente à penosa deformação de seu tempo interior. Sem abertura para o futuro, ele desacelera, até parar, na impossibilidade de renovação temporal. Autores como Eugene Minkowski, Erwin Straus e Victor von gebsattel escreveram passagens importantes sobre cada desaceleração e a estagnação do “tempo vivenciado” como expressão crucial da melancolia.

A temporalidade – talvez fosse mais correto falarmos de intemporalidade – é a dimensão que mais apreende a essência da melancolia. Aqui, o tempo do Eu, já não estão no mesmo ritmo que o tempo do mundo, paradoxalmente só pode se salvar ancorando-se no passado cinzento, sem diferenças cromáticas, apartado do presente e do futuro. Desse passado se alimenta-se o presente, vazio e angustiante, que assim se defende do horror do vazio e da experiência do nada que se cumprem na ideia da morte. Aí o tempo se torna instante imóvel, imutável, eterno. Nesse ponto o advir perde todo significado positivo. Prevalece, irrevogavelmente, a noção de ”mal”. Numa vida morta, as lembranças se tomam remorsos e as ações cumpridas, culpas.

Já não podem ser inscritas num projeto, numa esperança. Para o melancólico, a mortalidade é a perda do objeto de amor, a perda do ser como tal. Esse caminhar em direção ao nada é extremamente visível na síndrome de Cotard, na qual o paciente se sente condenado ao “não existir”- uma morte em vida, mesmo sem de fato morrer.

Embora sejam raros, os casos de pacientes de Cotard testemunham, até um grau externo, a impossibilidade de morrer, estando o corpo a tal ponto esvaziado, tão inconsistente que a morte não lhes diz respeito. Esses pacientes, que se definem mortos vivos, dizem sofrer de sua mortalidade, da impossibilidade de morrer, e pedem para ser libertados de destino tão atroz. Alguns consideram a morte real e concomitantemente falam de uma morte que não devora a existência, mas que se acompanha de uma misteriosa sobrevivência a ponto de tornar a própria morte vã. Em outras melancolias falta até a esperança de poder morrer.

Cito as palavras do filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard: “Se quiséssemos falar de uma doença mortal no sentido mais estrito, essa deveria ser uma doença cujo fim seria a morte e a morte seria o fim. E essa é precisamente o desespero. Todavia, noutro sentido, ainda mais preciso, o desespero é a doença mortal. De fato, é extremamente improvável que venhamos a morrer fisicamente dessa doença ou que essa doença termine com a morte física. Ao contrário, o tormento do desespero é precisamente o de não poder morrer. Por isso mais se parece com o estado do moribundo quando está agonizando sem poder morrer. Portanto cair na doença mortal é não poder morrer, mas não como se houvesse a esperança da vida: a ausência de toda esperança significa aqui, que não há sequer a última esperança, a da morte. Quando o perigo maior é a morte, espera se na vida; mas, quando se conhece o perigo ainda mais temível, espera-se na morte. Quando o perigo é tão grande que a morte se tornou esperança, então nasce o desespero vindo a faltar a esperança de poder morrer’.

A temporalidade da melancolia, portanto, está fora de qualquer duração, ausente em sua própria essência. A articulação dinâmica de passado, presente e futuro se torna vã mediante uma radical desistoricização. Eis porque tão frequentemente, terminado o episódio, a experiência melancólica é esquecida. Não poderia ser recordada (no sentido de ser reconduzida para as “intermitências do coração”), porque nessa intemporalidade tudo se anula. Todo gesto se debruça sobre um vazio abismal. Mas não se trata de um vazio de futuro, de presente ou de passado. Trata-se de um vazio do passado, do presente, do futuro. Vazio do tempo. Vazio da vida como presença reduzida a corpo desprovido de espírito. Precisamente como a temporalidade o próprio tema da corporeidade se inscreve: no melancólico em uma dramática queda de “doação de sentido, num eclipse da consciência intencional. O deprimido arrasta o próprio corpo, identificando-se inconsciente e plenamente nele, um corpo pesado e lento, já não voltado ao mundo, mas encerrado dentro dos próprios limites. Na experiência melancólica o olhar é radicalmente interiorizado, voltado para dentro, abstraído das coisas. As mãos já não permitem agarrar os objetos distantes do corpo. O paciente é incapaz de chorar, de expressar a tristeza e o desespero, a angústia e a nostalgia. No rosto essa divergência entre os sentimentos como realidades psíquicas e o corpo como lugar de sua expressividade se torna dilacerante O rosto, perdido, se obscurece, não há signo de choro ou sorriso: está petrificado em sua imagem corpórea que não e lança no mundo, mas se consome na própria imanência.

O espaço do deprimido tende a ser desesperadamente vazio, chato, sem relevos, sem perspectivas. As coisas são vividas como isoladas, distantes, inalcançáveis. É um espaço fechado, enrugado, bloqueado, opressor. Por sua capacidade de criar relações e interrogações, o espaço parece uma dimensão aberta à possibilidade de planejamento da existência, um movimento que se torna comunicação, linguagem, interlocução, investimento, projeto. Portanto, mais que de espaço temos de falar de espacialização. O deprimido se insere nos interstícios de um espaço que não é o seu, porque não produziu, o que se consome é uma dramática metamorfose, mortificação, dissolvência da espacialidade.

O ECLIPSE DA ESPERANÇA

Embora na literatura psiquiátrica e psicopatológica seja pouco considerada, a esperança – como postura existencial de base e cifra essencial da historicidade do homem e de seu status existires – tem papel crucial no mundo melancólico. Ele solicita nosso olhar não para a nossa vida interior, mas para o que é independente da ação: em especial, da ação sobre nós mesmos. Ao falar do “caráter profético da esperança, o filósofo francês Gabriel Marcel definiu-a como uma “memória. do futuro”, um “dispor­ se na perspectiva do acontecer”. No polo oposto, o desespero é fechamento à temporalidade, negação de qualquer promessa de amor pelo futuro. Nesse sentido, se esperança é busca carregada de confiança, tendência a ultrapassar passado e presente por um porvir de sentido, o desespero é o tempo fechado da consciência, o questionamento de tudo o que de mais profundo há na existência. Aqui se revela extremamente útil a distinção de Lersch entre desespero biológico e existencial, o primeiro se refere aos fundamentos vitais do indivíduo, o segundo diz respeito à falência dos próprios valores existenciais.

Mas há que se perguntar: pode haver no melancólico uma patologia da esperança”, uma distorção qualitativa do esperar e, em casos extremos, um “esperar delirante”? Uma metamorfose da espera parece evidente nas temáticas delirantes de culpa e de danação, nos quais o que é questionado é a própria possibilidade de alcançar os modos transcendentes da esperança e o sentimento de culpa afeta profundamente o agir do homem e vida psicológica até que todo motus sper é neutralizado e enrijecido num desespero profundo e irrevogável. O melancólico não pode se subtrair a esse “eclipse da esperança”, porque ela investe todo aspecto mundano, pessoal e vital. Esse é o motivo que o torna fixo em sua gélida inércia, indiferente a qualquer espécie de alento, indisponível a qualquer exortação. O futuro desaparece e, com ele, a própria possibilidade de projetar-se, resgatar-se, redimir-se. O êxito é o niilismo absoluto, no qual mesmo os aspectos mais primordiais e vitais são expostos a uma deformação inimaginável – e, por vezes, grotesca. Nesse abismo de sentimentos vitais devem ser procurados alguns dos motivos do suicídio, paradoxal e extrema defesa de uma angústia infindável.

No entanto, a esperança permanece parte essencial da vida do homem: mesmo quando se apresenta de forma contrapolar, como sentimento da falta de sentimento, como um esperar que nada espera. Mesmo diante disso tudo, a esperança sempre tem uma dimensão criadora. Ela consegue força no vazio e nas adversidades sem, todavia, opor-se a nada, sem se lançar em qualquer tensão. Cria, permanecendo suspensa acima da realidade, sem ignorá-la; deixa aflorar mundos inéditos, palavras não ditas. Essa esperança pode crescer também no deserto da angústia e do desespero, do mal de viver e da fadiga. Como uma ponte ela nos acompanha para fora de nossa solidão, colocando-nos em relação com os outros. Como uma ponte devolve ao homem a possibilidade de caminhar sobre os próprios tumultos interiores, de elevar-se acima do tempo que passa, de devolver às lágrimas e à dor que as fazem brotar, um inesperado fragmento de porvir. Naquelas lágrimas, que alcançam o olho vindas dos mares extremos da alma, naquelas lágrimas que mil e mil vezes vimos entre infinitos carrosséis de gestos visíveis e invisíveis, flutuam inquietudes e sonhos despedaçados, a nostalgia do silêncio e das palavras do silêncio. Ao velar a visão elas desvelam a essência do olhar, fazem sair do esquecimento em que o olhar as guardava, a verdade dos olhos, o amor, a alegria, a oração mais do que uma visão científica.

ALÉM DO NATURALISMO

Em Genealogia da moral, Nietzsche escrevia, “Não existe, julgando rigorosamente, ciência ‘sem  pressupostos,’ o pensamento de uma ciência desta feita é impensável, paralógico, uma filosofia, uma ‘fé’ sempre tem de preexitsir, para que dela derive uma direção, um sentido, um limite, um método, um direito à existência”.

Um tratamento psiquiátrico autêntico tem de encontrar o próprio sentido nas questões fundamentais da condição humana, que dizem respeito a todos nós, a alegria e a tristeza, o tédio e o enfado, a melancolia e a esperança, a dor e o desespero. Uma psiquiatria que não saiba aceitar as fronteiras de seu não-conhecimento e, sobretudo, que delega o confronto com as categorias constituitivas de toda experiência psicopatológica a métodos terapêuticos indiferenciados está fadada a falir. Para além de toda absolutização biológica, o emaranhado dos conflitos imanentes ao arquipélago da loucura não pode abrir mão de uma presença humana que ouça e dê assistência.

Escreveu, provocativamente, Romano Giardini: “A melancolia é excessivamente dolorosa e lança suas raízes muito profundamente em nós para que possamos largá-la nas mãos dos psiquiatras”. As chaves de acesso de um autêntico tratamento psiquiátrico – que sempre nos expõe a situações e dimensões existenciais inéditas – estão nos aspectos radicalmente estranhos a tecnologias, rótulos, códigos, números e estatísticas, tão caros ao naturalismo psiquiátrico hoje dominante. O que resta a fazer, então, é inscrever tais experiências num horizonte de sentido antropológico, a única possibilidade é reconhecer, enfrentar e respeitar experiências-limite que colocam em questão o sentido e o significado de nosso existir e sofrer.

 

OS SINTOMAS DA DEPRESSÃO MAIOR

A Associação Psiquiátrica Americana considera que a depressão clínica envolve cinco ou mais dos sintomas abaixo, desde que sejam manifestados quase todos os dias, ao longo de duas semanas. Eles devem incluir pelo menos um dos dois primeiros critérios, causar angústia ou prejudicar as atividades diárias e não podem resultar de medicação, abuso de drogas ou condição médica pré­ existentes. Para os critérios formais, consultar a 4ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

  • Humor deprimido na maior parte do dia (em crianças e adolescentes a irritabilidade pode significar depressão).
  • Diminuição do interesse ou do prazer em relação à maioria das atividades diárias.
  • Acentuado aumento ou diminuição do apetite.
  • Insônia ou sono excessivo.
  • Agitação (evidenciada pelo torcer das mãos) ou lentidão dos movimentos.
  • Fadiga ou falta de energia.
  • Sentimentos autodepreciativos e culpa excessiva.

Os aposentos vazios da depressão. 2

UM MAL QUE SE ALASTRA

Do ponto de vista epidemiológico, os dados que concernem a depressão se mostram preocupantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a depressão atualmente é a doença psiquiátrica mais diagnosticada; ocupa o quarto lugar entre os maiores problemas de saúde do Ocidente, e é a segunda causa de invalidez, precedida apenas pelas doenças cardiovasculares. O chamado distúrbio depressivo maior (antiga depressão endógena), caracteriza-se por pelo menos duas semanas de  humor deprimido ou perda de interesse na maior parte das atividades, acompanhada de ao menos quatro sintomas como sentimentos de desesperança, desvalia, culpa e desamparo, associados a alterações do apetite e sono, fadiga, retardo ou agitação psicomotora, diminuição do desempenho sexual, dificuldade de concentração e raciocínio e pensamentos recorrentes sobre a morte, com ou sem tentativas de suicídio.

A prevalência é de 2,3% a 3.2%, para o sexo masculino e de 4,5% a 9,3% para o sexo feminino. Além disso, o risco de sofrer um distúrbio depressivo maior no decurso da vida é de 7% a l2%, para os homens e 20% a 25% no caso de mulheres. Os fatores de risco aumentam para o sexo feminino (tornando­ se ainda mais elevados no período pós-parto), quando parentes de primeiro grau já sofreram da doença ou ocorreram episódios anteriores de depressão maior. Mulheres são duas vezes mais vulneráveis à distimia do que os homens, ao passo que a depressão maior as atinge três vezes mais.

Os aposentos vazios da depressão. 3 

DAS FORÇAS NATURAIS À CIÊNCIA

As primeiras referências são atribuídas a Homero, que na Ilíada descreve a melancolia de Belerofonte (“…errou sozinho, através da planície Aloia, consumindo o seu coração, evitando as pegadas dos homens…”). Já o personagem Ajax Telamon vive bruscas mudanças do estado de espírito, indo da superexcitação a um profundo desespero, até chegar ao suicídio. Culturas antigas nos legaram textos que mencionam mudanças de humor de indivíduos que hoje enquadraríamos no aspecto psicopatológico-clínico da depressão. Naqueles tempos, porém, prevalecia uma visão ético-religiosa que não só atribuía a melancolia à intervenção de forças sobrenaturais malévolas, ou divinas, mas a considerava uma forma de punição.

No século IV a. C, Hipócrates, subtraindo esse distúrbio à filosofia e as ciências morais, que na época se preocupavam de seu estudo, situou-o no âmbito da medicina. Formulou uma hipótese etiopatogênica “científica”, descrevendo de forma aprimorada as características clínicas e a evolução do quadro melancólico. O grande médico grego aventou a ideia de que o cérebro seria a  sede de todas as emoções (“De nada mais se formam os prazeres e a serenidade e o riso e a brincadeira, a não ser do cérebro, e da mesma forma as dores, as perdas, a tristeza e o pranto”) e atribuiu a depressão à ação de uma substância endógena  nesse órgão, a bile negra (daí o termo “melancolia”; melan, “negro” e chole “Bile negra”. Sua presença no organismo seria determinada pela umidade e pelas estações.

Aristóteles (século III a.C.) evidenciou uma relação estreita entre personalidade melancólica e criatividade. Ele salientou que artistas, poetas, filósofos e políticos sofriam com mais frequência do distúrbio que as pessoas comuns. No século I d.C. Areteu da Capadócia (que levantou o caráter periódico e por vezes cíclicos desse distúrbio) e depois Galeno (131-201d.C,) aventaram a ideia de uma influência dos fatores genéticos e ambientais no desenvolvimento da melancolia, atribuindo sua origem a uma alteração primária do cérebro.

Durante a idade Média, tanto a abordagem organicista dos antigos pensadores gregos e romanos quanto a hipótese ”humoral” de Hipócrates foram abandonadas. Sob a influência da escola árabe de Avicena (980 – 1037 d. C.) a origem dos distúrbios psíquicos mais uma vez foi atribuído à causas       mágicas e religiosa.  Assim, a melancolia foi restituída ao âmbito moral: não mais como doença, mas como expressão de culpa e pecado a serem imputados à possessão demoníaca., que deviam ser debelados mediante exorcismos e torturas ou, na melhor das possibilidades, com o trabalho e a “força de vontade”. A alguns séculos de distância, Vesálio (1514-1564) tornou a expor a observação objetiva dos pacientes, afirmando a necessidade de um enquadramento científico das diversas formas clínicas. Entre 1700 e 1800, autores como Pinel, Falret, Baillarger, Kahlbaum, Kraft- Ebing e Kraepelin contribuíram para uma sistematização dos distúrbios do humor que influenciou o pensamento psiquiátrico mundial até a primeira metade do século XX.

OUTROS OLHARES

SIM, PODE – E DEVE

Pesquisas mostram que cortar radicalmente fibras e carboidratos; como propõem os regimes da moda, faz mal à saúde. E acredite: macarrão (com moderação) não engorda.

Sim, pode - e deve

Fazer regime é privar-se de pão, macarrão, batata e tudo o que se encaixe na demoníaca qualificação de carboidrato, o nome científico das coisas que engordam. O low carb, esse princípio da vida moderna, continua a vigorar nas dietas da moda e a fazer infelizes os bons de garfo que precisam perder alguns quilos. A eles, uma esperança: pesquisa divulgada na revista The Lancet concluiu que fibras – presentes nos grãos em geral, nas farinhas, no trigo da macarronada da mamma – são essenciais para a prevenção de uma série de doenças graves. O estudo mostra que reduzir a quase nada as fibras nas dietas – o que acontece, naturalmente, quando carboidratos são proibidos – priva o organismo de nutrientes essenciais para seu bom funcionamento. O consumo regular de fibras e, portanto, dos tão mal falados carboidratos não só é saudável como também diminui o risco de se vir a morrer em consequência de três tipos de enfermidades: doenças cardíacas (menos 32% de probabilidade), acidentes vasculares (menos 22%) e câncer de intestino (menos 16%). Para chegar a essa conclusão, o pesquisador Jim Mann, médico e professor de nutrição da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, analisou estudos envolvendo 1 milhão de pessoas.

Sim, pode - e deve. 3

Para quem faz regime, um benefício concreto e cotidiano apontado pela pesquisa é reinstalar o pãozinho no café da manhã. Consumir duas fatias feitas com trigo integral supre um quinto da necessidade diária de fibra, além de prover ao organismo cálcio, ferro e vitaminas do complexo B. “É equivocado achar que pão não é saudável. Mesmo o pão branco, feito com trigo de que se removeram o germe, seu centro rico em nutrientes, e o farelo, sua camada externa, continua a ter uma quantidade de fibras equivalente à de uma banana, por exemplo”, diz Helen Bond, porta-voz da Associação Dietética Britânica.

A ingestão de fibras é crucial para alimentar a microbiota, o vasto conjunto de fungos e bactérias que regula o sistema digestivo. A média mundial de consumo está hoje em 20 gramas por dia, inferior ao mínimo recomendado, de 25 a 30 gramas diárias. Pelos cálculos da pesquisa de Jim Mann, se 1.000 pessoas aumentarem a ingestão de fibras para o mínimo, treze mortes poderão ser evitadas. ”A longo prazo, dietas muito restritivas resultam em deficiência de nutrientes essenciais, como vitaminas e minerais”, diz a médica Maria Edna de Melo, diretora do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabiologia.

As dietas low carb – como Atkins, paleolítica, Dukan e tantas outras que vão e vêm, ora estão em voga, ora não – pregam que, privado de carboidratos, o organismo vai buscar energia diretamente nas células de gordura, acelerando o processo de perda de peso. Há, porém, efeitos colaterais nítidos, como diminuição da atenção e da memória, alterações de humor e queda da imunidade, como alerta outra pesquisa, essa da Universidade Tufts, em Massachusetts, nos Estados Unidos. “O carboidrato é a principal fonte de energia para o corpo e o cérebro, e sua limitação impacta diretamente o desempenho físico e mental do indivíduo”, esclarece Paulo Roberto Santos Silva, fisiologista do Centro de Medicina Esportiva do Hospital das Clínicas de São Paulo.

A reabilitação do carboidrato torna ainda mais saborosa a derrubada de outros mitos no mundo dos regimes alimentares. No ano passado, John Sievenpiper, pesquisador do Centro de Nutrição Clínica do Hospital St. Michael, no Canadá, promoveu trinta testes clínicos que envolveram mais de 2.500 pessoas e concluiu, vejam só, que o macarrão emagrece.

Sim, pode - e deve. 2

De acordo com o nutricionista, à diferença da maioria dos carboidratos refinados, o índice glicêmico do macarrão é baixo e não eleva o açúcar no sangue. Os participantes dos testes ingeriram urna média de 3,3 porções de massa por semana e perderam 1,5 quilo ao longo de doze semanas. “O consumo de macarrão não resultou em ganho de peso nem em aumento da gordura corporal. Houve, ao contrário, uma pequena perda”, relatou Sievenpiper.

A proliferação das dietas low carb tem provocado uma reviravolta nos hábitos alimentares enraizados na cultura de cada país. No Brasil, o consumo de feijão, parte do cardápio em todas as casas, caiu pela metade nas últimas quatro décadas. Pesquisadores da Universidade de Surrey, na Inglaterra, alertaram em dezembro passado sobre a perda de popularidade da batata: seu consumo diminuiu 40% no mundo, uma perda nutritiva relevante, visto que a batata-inglesa, principalmente, é uma fonte de vitaminas – basta uma para suprir a necessidade diária das vitaminas C e B6. Ao contrário do que se costuma acreditar, a ingestão de batata não dificulta a perda de peso. ”Amidos proveem a entrada lenta dos nutrientes na circulação, estimulando a saciedade”, explica a médica Maria Elizabeth Rossi da Silva, chefe da Unidade de Diabetes do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Segundo ela, há carboidratos e carboidratos. ”Os ultraprocessados são, eles sim, os vilões do regime”, diz. Portanto, aos vencedores na luta contra a balança, as batatas – e o pão e o macarrão.

Sim, pode - e deve. 4

GESTÃO E CARREIRA

10 CARACTERÍSTICAS COMUNS AOS PROFISSIONAIS DE SUCESSO

10 características comuns aos profissionais de sucesso

No mercado de trabalho, já me deparei com profissionais diversos. Cada um com características que os diferenciavam dos demais. Algumas, no entanto, foram mais recorrentes entre aqueles que se destacaram nas equipes. Os profissionais com esses atributos, que explico a seguir, costumam ser cobiçados pelas empresas e constroem carreiras sólidas e de sucesso.

E não é apenas para os patrões que esses profissionais fazem a diferença. Eles também contribuem para deixar o clima de trabalho mais ameno e servem de exemplo e fonte de motivação para o restante da equipe. Selecionei aqui as 10 características mais comuns entre esses profissionais. Confira:

COMPROMETIMENTO COM O RESULTADO

O profissional de sucesso tem sempre em mente os resultados que pretende alcançar. Tanto os resultados pessoais, quanto os resultados esperados pela empresa e por sua equipe. Para isso, ele se esforça em compreender o que esperam dele e se compromete verdadeiramente em alcançar esses objetivos. Afinal de contas, como diz aquela velha máxima, para quem não sabe onde ir, qualquer caminho serve.  Para alcançar resultados, é preciso ter foco e entender exatamente onde se espera chegar.

FORMAR SEMPRE 

Para ter sucesso na vida profissional, sobretudo em cargos de liderança, é indispensável que o indivíduo tenha aptidão em lidar com pessoas. Não só isso. É preciso que eles contribuam na formação dessas pessoas, para que aqueles que convivam com ele saiam sempre renovados e profissionais ainda melhores.

ALTA DISPONIBILIDADE

Do mais alto escalão do organograma, à sua base, o profissional de sucesso está sempre disponível para todos. É fundamental que ele não seja seletivo e que saiba lidar com as pessoas independentemente de seus cargos. Há sempre algo a aprender e a ensinar, por isso, se você quer ser bem-sucedido precisa aprender a ouvir.

ACOMPANHAMENTO CONTÍNUO

Não há como evoluir, se você não sabe bem como são seus processos, objetivos e métodos. Aqueles que se destacam no mercado de trabalho fazem um acompanhamento contínuo de suas atividades e seguem um script do que deve ser feito. Pode parecer banal, mas a organização da rotina, até mesmo por meio de uma agenda, é fundamental para quem pretende ter um lugar ao sol.

VISÃO FINANCEIRA

Em qualquer empresa, cujo o principal objetivo seja a obtenção de lucro, estar de olho nos números é essencial. Um bom profissional deve ficar atento aos resultados práticos de seu trabalho, aos valores financeiros que gera para a empresa. Aprender a medir quanto o seu esforço vale, é difícil, mas é fundamental.

COMPREENDER O MELHOR DAS PESSOAS

Todo mundo tem habilidades e fraquezas. O bom profissional, especialmente aquele que exerce um cargo de liderança, compreende e extrai o melhor das pessoas.  Além disso, ele aprende como motivar sua equipe para obter melhores resultados. É preciso estar atento às pessoas ao redor para compreendê-las e consequentemente fazê-las entregar aquilo que elas fazem melhor.

INSATISFEITOS CRÔNICOS

Não, não estamos falando de pessoas ranzinzas e antipáticas. Estamos falando sobre aqueles profissionais que nunca ficam acomodados. Aqueles que sabem que sempre é possível melhorar. A pequena diferença, entre o ranzinza e o insatisfeito crônico, está na maneira como eles  lidam com sua insatisfação. Ao invés de reclamar, elas usam esse olhar crítico para se aprimorarem e produzirem ainda mais e melhor.

MATURIDADE PROFISSIONAL

A maturidade traz benefícios para a vida pessoal e também para a profissional. Ao alcançar esse estado, o profissional já aprendeu com seus erros e também com os erros dos outros. Ele consegue tirar o que de melhor a vida o ensinou. Por isso, está bem preparado para lidar com as adversidades e consegue ter uma visão geral de tudo o que lhe rodeia.

SENSIBILIDADE COM AS SITUAÇÕES

Empatia. Essa é uma característica comum aos profissionais bem-sucedidos. Ele consegue compreender as dificuldades e as necessidades do cliente, da equipe, dos fornecedores e de todos aqueles que estejam envolvidos no projeto. Essa sensibilidade o ajuda a entender e atender às demandas, fazendo o processo da forma mais completa possível.

DEIXAR O ORGULHO DE LADO

Bons profissionais estão sempre prontos para ouvir e para reconhecer suas fragilidades e erros. E isso não quer dizer que eles não tenham uma postura firme. Apenas, aceitam que podem haver soluções melhores do que as sugeridas por eles. É preciso estar aberto para ouvir opiniões.

E então, conseguiu identificar alguma dessas características em você ou em algum colega de trabalho? Em quais pontos acha que precisa melhorar?

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 22: 5-8

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 5 – Observe:

1. O caminho do pecado é angustiante e perigoso: espinhos de angústia pelos pecados passados e laços que envolvem o indivíduo em novos pecados há no caminho do perverso, esse caminho tortuoso, que é contrário à vontade e à Palavra de Deus. Aquele que não se preocupa com o que diz e faz se encontrará enredado por esta liberdade imaginária e atormentado por seus prazeres. As pessoas rebeldes, que logo se enfurecem, se expõem às dificuldades a cada passo. Tudo irrita e atormenta àquele que se irrita e atormenta com tudo.

2. O caminho do dever é seguro e suave: o que guarda a sua alma, que mantém uma vigilância cuidadosa do seu próprio coração, retira-se para longe desse caminho tortuoso, dos espinhos e dos laços, pois o seu caminho é plano e agradável.

 

V. 6 – Aqui temos:

1. A recomendação de um grande dever, particularmente aos que são pais e instrutores de crianças, para a propagação da sabedoria, para que esta não morra com eles: instrui o menino, na idade do aprendizado, para prepará-lo no caminho em que deve andar, na idade da futilidade, para afastá-lo dos laços e dos pecados. Discipula- os; conserva-os sob disciplina. Treina-os como soldados, que são ensinados a manusear suas armas, observar a hierarquia e obedecer à palavra de comando. Treina-os, não no caminho em que desejam ir (a tendência de seus corações corruptos os desviaria), mas no caminho em que devem andar, o caminho em que, se os amas, desejarás que eles andem. Treina um filho conforme aquilo de que ele é capaz (assim interpretam alguns). com mão gentil. como as amas amamenta m as crianças (Deuteronômio 6.7).

2. Uma boa razão para isto, tomada do grande benefício deste cuidado e dos esforços com os filhos: quando crescer, e “até quando envelhecer, não se desviará dele”, é o que se espera. As boas impressões que lhes foram provocadas permanecerão sobre eles, todos os seus dias. Normalmente o recipiente retém o sabor daquilo que conteve. Muitos, na verdade, se afastaram do bom caminho em que foram instruídos; o próprio Salomão fez isto. Mas a instrução dada desde cedo pode ser uma maneira de recuperá-los, como supostamente aconteceu com Salomão. Pelo menos os pais terão a consolação de ter cumprido o seu dever e usado os métodos adequados.

 

V. 7 – O escritor tinha dito (v. 2), o rico e o pobre se encontraram; mas aqui ele descobre, e mostra que, no que diz respeito às coisas desta vida, há uma grande diferença; pois:

1. Os que têm pouco estarão sujeitos aos que têm muito, porque dependem deles, recebem e esperam receber, ajuda deles. O rico domina sobre os pobres, e muito frequentemente, mais do que lhe convém, com soberba e rigor, não como Deus, que, mesmo sendo realmente grande. não despreza a ninguém. É parte da aflição dos pobres o fato de que devam esperar ser humilhados. e é parte do seu dever ser úteis, tanto quanto puderem, aos que são gentis com eles, e procurar ser gratos.

2. Aqueles que estão em uma condição menos afortunada, perceberão que estão à mercê dos que têm mais recursos: “O que toma emprestado é servo do que empresta”, está em dívida com ele, e deve, algumas vezes, implorar, tenha paciência comigo. Portanto, é parte da felicidade prometida de Israel o fato de que eles devam emprestar e tomar emprestado (Deuteronômio 28.12). E nós devemos nos esforçar para nos conservar, tanto quanto pudermos, sem dívidas. Alguns vendem a sua liberdade para gratificar a sua luxúria.

 

V. 8 – Observe:

1. Os ganhos obtidos com desonestidade não prosperarão: o que semear a perversidade, que fizer algo injusto, esperando conseguir algo com isto, segará males; o que ele conseguir, nunca lhe trará nenhum bem, nem lhe dará nenhuma satisfação. Ele não encontrará nada, senão desapontamento. Os que criam problemas para os outros apenas preparam problemas para si mesmos. Os homens irão colher o que semearam.

2. O poder usado de maneira inadequada não durará. Se a vara da autoridade se converter em uma vara de indignação, se os homens governarem pela paixão, e não pela prudência, e, em lugar do bem público, desejarem apenas a gratificação de seus próprios ressentimentos, ela falhará e se quebrará, e o seu poder não os respaldará nas suas extravagâncias (Isaias 10.24,25).

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

OS BENEFÍCIOS DO TEMPO

Neurociência comprova que células neuronais mais idosas não têm necessariamente pior desempenho. Muitas tarefas são realizadas com maior eficiência pelos mais velhos.

Os benefícios do tempo

Eles são muito lentos, esquecidos, inacessíveis. Quando submetidos a pressão, cometem mais erros, desconhecem o trabalho em equipe e ignoram as novas técnicas. Essa é a opinião corrente sobre os profissionais mais velhos. Com frequência, os superiores decidem em favor de candidatos na faixa dos 25 anos. Pesquisas recentes, entretanto, mostram que, com o avanço da idade, algumas capacidades cognitivas são fortalecidas. Muitas vezes, isso ocorre como resultado de um mecanismo que procura compensar a menor velocidade de trabalho de outras funções. Nos últimos anos, estudos realizados com técnicas de imageamento revelaram que, com o transcorrer do tempo, as redes neurais são reestruturadas e o sistema nervoso central simplesmente passa a ativar diferentes áreas cerebrais. Como a expectativa de vida aumentou, a idade de ingresso na aposentadoria é cada vez maior e muitas pessoas retornam ao mercado de trabalho, cresceu também o contingente de pessoas que permanecem profissionalmente ativas por mais tempo. Algumas áreas já apresentam um quadro paradoxal, enquanto os profissionais com mais de 40 anos têm muita dificuldade para se empregar, as organizações reclamam da falta de candidatos qualificados. Minguam os trabalhadores mais jovens e bem formados. Faz-se necessária uma mudança de modelos, pois considerar um candidato com mais de 45 anos como obsoleto em decorrência da idade corresponde a desqualificar sua experiência e seus valiosos recursos.

Pesquisas gerontológicas mostram que, quando comparadas entre si, as pessoas mais velhas apresentam diferenças de desempenho notáveis em muitas tarefas consideradas críticas. Tal fato contradiz a opinião generalizada de que, ao envelhecer, todo ser humano necessariamente desenvolve deficiências. Os estudos comprovam ainda mais: só alguns processos cerebrais são afetados pelo envelhecimento. Hoje, nenhum especialista crê na ideia de que as funções cognitivas são prejudicadas em sua totalidade com o passar do tempo.

O pesquisador Cheryl Grady, do Instituto de Pesquisa Rotman, em Toronto, Canadá, demonstrou que, nos indivíduos mais velhos, outras regiões do córtex cerebral, diferentes das utilizadas pelos jovens, são responsáveis pelo reconhecimento fisionômico, por exemplo. Na Universidade Duke Carolina do Norte, Roberto Cabreza encontrou provas de que as pessoas com mais idade e pior desempenho de memória tinham ativadas as mesmas regiões cerebrais que os jovens. Já os mais velhos com boa performance apresentavam um padrão de ativação neurológica diverso, ficou claro que a reestruturação neural pode compensar eventuais déficits de rendimento. Aparentemente, porém, nem todas as pessoas com idade avançada apresentam essa capacidade.

VANTAGEM PELA EXPERIÊNCIA

De qualquer maneira, os idosos possuem uma vantagem muito nítida sobre os principiantes: o conhecimento constituído por meio da experiência, a que os pesquisadores chamam ‘inteligência cristalizada”. Esta abrange os conhecimentos gerais e o vocabulário dominado pela pessoa. Além disso, os mais velhos frequentemente apresentam competência social muito superior à dos jovens. Tal fato é crescentemente reconhecido pelos empregadores, que preferem os mais experientes para as tarefas de assessoria e relacionamento com o cliente. Com o avanço da idade, o rendimento da inteligência cristalizada se mantém constante ou até aumenta em indivíduos saudáveis. Todavia, cada vez menos o mundo do trabalho moderno faz uso das competências dessa habilidade. O que conta em todas as profissões é rapidez e flexibilidade. Motoristas de caminhão têm rotinas de trabalho muito dinâmicas e precisam se orientar com agilidade em ambientes desconhecidos. A realização dessas tarefas fica a cargo da chamada “inteligência fluida” responsável pelo bom desempenho quando é necessário mudar rapidamente de uma tarefa para outra ou em ocasiões em que é preciso direcionar o foco de atenção e selecionar informações relevantes.

Nesse âmbito, os mais velhos ficam em pior atuação. A psicóloga Jutta Kray, da Universidade de Saarbrücken, Alemanha, comprovou que as dificuldades são especialmente grandes quando é necessário coordenar duas tarefas simultâneas. A pesquisadora expôs pessoas de diferentes idades a figuras coloridas ou em preto e branco nas quais estava representado um retângulo ou um triângulo. Elas tinham de informar se viam cores ou formas – no caso um triângulo ou um retângulo. A informação deveria vir intercalada, duas vezes seguidas era preciso identificar a cor da figura e nas duas vezes subsequentes, o formato; depois novamente a cor, e assim por diante.

Ficou demonstrado que os mais velhos sempre apresentavam performance pior quando mudavam de tarefa. O custo da alteração cognitiva era, portanto, mais alto para eles. As capacidades basais do controle cognitivo pareciam afetadas, mesmo depois de transcorridos inúmeros testes, as dificuldades permaneciam e não era possível remove-las com treinamento. Porém, em todas as notícias são ruins. Algumas indicações relativizam a ideia da ‘idade inflexível’, pois as falhas dependem bastante de condições marginais. As restrições questões podem ser plenamente compensadas quando as condições de trabalhos são modificadas.

DIFÍCIL DECISÃO

Com o estudo mais detalhado das bases fisiológicas no cérebro, muitas restrições cognitivas adquirem novo significado. Recentemente, nosso grupo de trabalho associou-se a Juliana Yordanova e Vasil Kolev, da Academia Búlgara de Ciências, para estudar o motivo do atraso da reação em pessoas mais idosas expostas a estímulos que exigiam respostas diferenciadas.

Elaboramos um experimento no qual os participantes liam em um monitor ou ouviam em um fone uma das quatro vogais: A, E, I e O. A cada letra lida ou ouvida, deveriam pressionar uma tecla o mais rápido possível. A tecla correspondente a cada vogal deveria ser acionada com um dedo diferente (indicador ou médio da mão esquerda e da direita, respectivamente). Quando surgiam novos estímulos, as pessoas tinham, então, de decidir como reagir enquanto sua atividade cerebral era medida por meio deum eletroencefalograma.

Nos processos cognitivos ou nas percepções sensoriais, ocorrem os chamados potenciais relacionados a eventos (event-related brain potentials – ERPs). Os componentes do ERP permitem interferir no funcionamento dos processos neurais. A porção inicial do sinal corresponde, no experimento das vogais, ao processamento do estímulo. As ondas seguintes representam o desenvolvimento do pensamento e da decisão de ação. Por fim, pouco antes da resposta motora, há um componente que representa a preparação do movimento do dedo. O tempo de reação dos mais velhos foi cerca de 60 milissegundos mais longo que o dos mais jovens e a porcentagem de erro foi mais baixa.

Como se produz o retardamento da reação, Esse experimento não mostrou em qual etapa os cérebros mais idosos perdiam mais tempo: se na percepção visual ou na auditiva, na decisão sobre qual dedo usar ou na execução da resposta motora. Para obter essa informação, foi feito um teste de controle, no qual os estímulos eram os mesmos que no primeiro experimento, mas a reação deveria ocorrer sempre com o mesmo dedo.

Essa tarefa simplificada era realizada com mais velocidade por todos, e as diferenças de desempenho entre jovens e velhos desapareciam. As faixas etárias apresentavam diferenças estatisticamente insignificantes. Seria possível concluir que o processo de decisão sobre qual dedo usar era responsável pelo retardamento da reação nas pessoas mais velhas.

Contudo, como se apresentava o quadro quando os potenciais relacionados a eventos desse teste eram analisados. Surpreendentemente, os potenciais responsáveis pelo reconhecimento do estímulo eram bem mais altos nos indivíduos mais idosos que nos jovens. Assim, seu cérebro parecia compensar algo, ou seja, despendia maior esforço para chegar ao mesmo resultado.

Além disso, os ERPs relativos à percepção visual dos mais velhos eram retardados por alguns milissegundos, o que não acontecia com os estímulos acústicos. Isso mostra que o processamento visual é um pouco menos eficiente nos mais velhos, embora a diferença com relação aos moços seja muito pequena. Todavia, não explica por que os primeiros demoravam mais a decidir entre as teclas no experimento em que era necessário determinar qual dedo usar, e porque esse retardo era igualmente longo em estímulos visuais e sonoros, apesar de a percepção visual ser um pouco mais tenra que a sonora.

A explicação foi encontrada na porção do ERP que espelha o preparo da resposta. Quando um determinado dedo é mobilizado, há aumento substancial de atividade na área cerebral correspondente a esse dedo. O chamado potencial lateralizado de prontidão (Lateralized readness  potential – LRP) indica quão intensamente o cérebro se prepara para determinada ação.

O sinal elétrico do potencial de prontidão era iniciado sem demora nos mais velhos. Porém, era bem mais intenso que nos jovens. E até que a reação fosse desencadeada, passava-se mais tempo. O real motivo do atraso não é então a demanda de tempo maior para a tomada de decisão, mas reside muito mais no tempo necessário para os preparativos da resposta motora.

ELOGIO À LENTIDÃO

Pode ser que o centro motor do cérebro mais velho seja menos sensível. Isso é pouco provável, já que o teste-controle evidenciaria diferenças entre pessoas jovens e velhas, o que não foi o caso. Estamos convencidos de que se trata de uma segunda alternativa: o limiar de reação parece aumentado nas pessoas mais velhas por motivos estratégicos: para reagir com mais cautela e diminuir as possibilidades de erro. Essa hipótese está em conformidade com os resultados corroborados pela análise de muitos outros potenciais. Parece que cérebros mais velhos “gostam” de trabalhar mais devagar, porém o fazem com maior precisão. A conclusão do estudo é que as pessoas com mais idade não possuem audição prejudicada em comparação com os mais jovens e, apesar de processarem a informação visual de modo levemente pior, a do seu cérebro é capaz de tomar decisões com relação a respostas motoras com a mesma rapidez dos jovens. Apenas o seu limiar motor é mais alto.

As consequências para o cotidiano profissional são grandes. As atividades de controle de qualidade, por exemplo, requerem decisões frequentes e habilidades de seleção rápida. Como mostra nosso estudo, os processos cognitivos implicados nessas tarefas não ficam prejudicados com o passar dos anos. Mesmo quando há uma diminuição na velocidade de sua execução devido ao limiar de reação um pouco mais elevado, não há motivos práticos para não delegar tais tarefas aos funcionários mais velhos. Pelo contrário, pode haver evidentes vantagens em fazê-lo, pois é certo que as atividades de controle de qualidade dependem de uma baixa taxa de erro, tal como é observada nos mais experientes.

Outros experimentos demonstraram que indivíduos mais velhos muitas vezes cometem menos erros que os moços, em especial nas tarefas que exigem capacidade de concentração. Os resultados causaram surpresa, pois em geral considera-se que as pessoas de mais idade são mais suscetíveis a distração. Pensava-se que desviavam a atenção de um interlocutor com mais facilidade quando, por exemplo, houvesse pessoas conversando em volta.

Nossa equipe trabalhou com estímulos visuais desenvolvidos pelo neuropsicólogo Bruno Knopp, da Universidade de Braunschweig, Alemanha. As pessoas deveriam reagir ao aparecimento das setas luminosas que surgiam no centro de um pequeno monitor pressionando uma tecla, usando a mão para a qual a seta apontasse.

Procuramos distrair as pessoas pouco antes do aparecimento estímulo, usando outras setas próximas à principal na parte superior ou inferior do monitor. Em metade dos casos, as setas marginais apontavam na mesma direção da seta no centro da tela (congruente), na outra metade, apontavam na direção oposta (incongruentes).

DISTRAÇÃO? NÃO, OBRIGADO!

Quando ocorria a interferência de estímulos que apontavam na direção oposta, os tempos de reação eram mais longos, independentemente da idade. Todas as pessoas apresentavam maior taxa de erro. O potencial lateralizado de prontidão ratificou essa observação: de início, sua curva era ascendente, indicando uma reação incorreta. Nesse caso, a mão errada estava sendo preparada para agir. Apenas depois disso, acurva era descendente, indicando a ativação da mão correta.

Os mais velhos são tão suscetíveis quanto os mais jovens a estímulos de distração, o que se espelha no pico positivo da curva. Além disso, a reação correta, refletida no vale da curva, demora mais a ser desencadeada. Apesar disso, os idosos cometem apenas metade da quantidade de erros dos moços. Qual a causa disso?

Notamos que os LRP’s dos mais jovens eram iniciados antes, o que significa que reagiam com mais rapidez aos estímulos falsos (as setas incongruentes), de modo que não era possível evitar a resposta incorreta: eles pressionavam a tecla errada. Nas pessoas com mais idade, a ativação da resposta demora mais, o que evitava os equívocos. Os supostamente mais vagarosos possuem, portanto, enorme vantagem conferida por esse mecanismo de retardamento.

Situações como essas podem ocorrer, por exemplo, no trânsito, em que há frequente alteração dos estímulos. Em um cruzamento com inúmeros semáforos, os jovens podem errar com mais facilidade, reagindo precocemente a um sinal verde que talvez não seja o correto para a faixa em que se encontram.

A propensão ao erro depende, todavia, do tipo de tarefa. Os mais velhos não apresentam desempenho tão bom se submetidos a pressão temporal, sobretudo quando necessitam encontrar algo com rapidez usando a visão. Desenvolvemos um experimento para demonstrar tal dificuldade. A tarefa consistia em encontrar no monitor um sinal luminoso específico: um anel aberto de um dos lados. Apenas metade dos mostradores possuía tal característica a qual os indivíduos deveriam reagir pressionando uma tecla. Seu tempo de busca era de 15 segundos, intervalo aproximado para a reação em um cruzamento viário.

As pessoas mais velhas apresentavam porcentagem de erro maior, e a resolução da tarefa era invariavelmente mais demorada quando comparada a dos jovens. Além disso, os sujeitos com mais idade consideravam o teste muito cansativo, o que se refletia em seu padrão de ondas cerebrais. Antes do aparecimento do sinal luminoso na tela, uma onda especial de preparação, a chamada “variação contingente negativa”, surgia na região frontal do cérebro. Essa onda era visivelmente aumentada nas pessoas mais idosas. Seu cérebro parecia se preparar muito mais para a execução da tarefa. Concluímos que se trata de um mecanismo de compensação, cujo esforço adicional levava a um grande cansaço, embora neste caso não fosse registrado melhor desempenho.

Tais tarefas de busca visual realizadas sob pressão constituem uma dificuldade para os trabalhadores mais velhos. Entretanto, na execução de uma atividade profissional, o problema seria solucionado com facilidade. Os motoristas de caminhão poderiam dispor de um sistema computadorizado de navegação por estímulos sonoros. É claro que tal sistema não deveria distrair o condutor. Um projeto de pesquisa financiado pela Comunidade Europeia atualmente desenvolve um sistema dessa natureza.

Deficiências relacionadas à idade aparecem apenas em determinadas ocupações. Como os profissionais mais experientes apresentam melhor performance em muitas outras tarefas, sua classificação genérica como menos eficientes não se justifica. Muitos dos eventuais déficits podem ser compensados pela reorganização dos locais de trabalho. Os métodos neurofisiológicos hoje permitem encontrar com precisão as causas de deficiências de desempenho, abrindo a possibilidade da reestruturação de tarefas.

MAIS TEMPO PARA DECIDIR. E MENOS ERROS

Os benefícios do tempo. 2

 

OUTROS OLHARES

ESCALADA ANTIABORTO

Desde o início do ano, oito estados americanos aprovaram leis que restringem a interrupção da gravidez, prática legalizada nos EUA há 46 anos

Escalada antiaborto

O desmonte do direito ao aborto nos Estados Unidos radicalizou-se neste mês. “Hoje sancionei a lei de proteção à vida humana do Alabama. Para os vários apoiadores, essa legislação representa uma confirmação da crença que têm os cidadãos do Alabama de que toda vida é preciosa e de que toda vida é um presente sagrado de Deus”, escreveu a governadora do estado sulista americano, a republicana Kay lvey, em um tuíte em 15 de maio. A postagem, com mais de 40 mil curtidas – muito acima da média de algumas centenas que a estadista de 74 anos costuma receber na rede social -, representou um marco que os americanos contra o aborto esperavam havia anos e que em 2019 parece convergir em uma série de outras iniciativas legislativas pelo país: com a assinatura de Ivey, o Alabama se tornou o estado americano com as leis mais restritivas em relação à interrupção da gravidez, prática legalizada nacionalmente nos EUA desde 1973.

Na noite anterior à assinatura de Ivey, a Assembleia Legislativa do Alabama aprovou por 25 votos contra 6 a lei que permite aborto apenas em casos de “sério risco à saúde da mãe, ou se o feto possui, uma doença letal”, o que é visto como uma proibição quase total da prática. De acordo com o texto, a punição para médicos que forem pegos realizando esse procedimento é de 99 anos de prisão e, ainda que as mães não sejam criminalizadas imediatamente, é possível que sejam julgadas como cúmplices. A rigidez da medida foi observada inclusive pelo presidente Donald Trump, que, também no Twitter, fez questão de ressaltar suas preferências e exceções – com elação ao tema: “Sou extremamente pró-vida, com três ressalvas estupro, incesto e a proteção à ida da mãe”, disse ele no dia 18, apontando situações em que a lei aprovada no Alabama não cede. No mesmo comentário, no entanto, Trump não se furtou a desenhar sua estratégia antiaborto: “Chegamos muito longe nos últimos dois anos, com 105 novos juízes federais, dois novos juízes da Suprema Corte. (…) A esquerda radical, com o aborto tardio (e pior) está implodindo nessa discussão. (…) Se formos tolos e não nos mantivermos unidos, todos os nossos difíceis ganhos pela vida poderão, e vão, desaparecer rapidamente”.

O que o presidente americano quis dizer com os “difíceis ganhos pela vida” nos últimos tempos pode ser mensurado somente com dados de 2019. Desde janeiro, oito estados americanos já aprovaram leis que tornam mais restritivas as situações em que o aborto é permitido. Além do Alabama, cuja lei é a mais rígida entre eles, os governos de Ohio, Mississippi, Kentucky, Georgia, Missouri, Arkansas e Utah também corroboraram legislações que diminuem o intervalo de semanas em que uma mulher pode decidir pela interrupção da gravidez. Com exceção dos dois últimos, cujas novas leis permitem o aborto até a 18ª semana, os outros cinco estados adotaram medidas que tomam por referência a primeira pulsação eletromagnética do feto, que mais tarde se tornará seu batimento cardíaco e que costuma ocorrer entre a sexta e a oitava semana de gestação – período em que muitas mulheres podem ainda não saber que estão grávidas. Apenas o Alabama, que anteriormente dava até 22 semanas para o procedimento ser realizado, baniu a opção quase completamente, sem oferecer períodos de escolha. Antes das novas legislações, os outros sete estados podiam considerar o aborto legal até a 26ª semana, dependendo do estado, como acontece com a maioria das outras 50 unidades federativas dos EUA.

Ainda que tenham sido aprovadas, a possibilidade de alguma dessas leis entrar em vigor em um futuro próximo é quase zero, e os deputados responsáveis pela elaboração e pelo apoio a essas medidas já sabiam disso quando decidiram por essa estratégia. Em uma disputa legal de 1973 que marcou a história americana, a Suprema Corte decidiu garantir o direito de todas as mulheres ao aborto no país inteiro até o feto ser considerado “viável”, aquele que poderia sobreviver caso fosse retirado do útero, o que costuma acontecer entre a 23{ e 24ª semana de gestação. A decisão – que ficou conhecida como “Roe versus Wade” e se baseia no “direito fundamental à privacidade” garantido pela 14ª Emenda da Constituição americana – é responsável por barrar as iniciativas estaduais de vigorarem imediatamente, o que foi feito via ações de inconstitucionalidade movidas por associações pró­ aborto (ou pró-escolha), como a American Civil Liberties Union e a Planned Parenthood, assim que as novas medidas restritivas foram aprovadas nos oito estados. O plano dos partidários pró-vida, no entanto, não é fazer as leis estaduais valerem de imediato. Como detalhou a própria governadora do Alabama no mesmo comunicado em que anunciou seu sinal verde à nova lei, a meta é a mais alta Corte dos EUA: “Não importa a opinião pessoal sobre o aborto, todos reconhecemos que, ao menos no curto prazo, essa lei pode não vigorar. (…) Os apoiadores dessa lei (do Alabama) acreditam que é a hora, mais uma vez, de a Suprema Corte revisitar esse assunto importante, e que esse texto pode proporcionar a melhor oportunidade de isso ocorrer”.

A afirmação de Ivey quanto ao momento faz eco nas outras esferas contra o aborto nos EUA. ” Não há dúvidas de que já tivemos momentos bons, em que a luta contra o aborto ganhou relevância e ficou mais forte desde 1973, mas claramente há um aumento nestes últimos dois anos”, disse Clarke D. Forsythe, advogado e conselheiro jurídico sênior na Americans United for Life, organização pró­ vida da qual faz parte desde 1985. Autor de um livro que examina criticamente, sob o ponto de vista jurídico, a lei de aborto nos EUA, Forsythe classificou as recentes medidas contra o aborto como vitórias que representam a vontade dos americanos de ver o assunto novamente na Suprema Corte. Mais ainda, ele acredita que as iniciativas estaduais apontam para outra tendência: “Creio que esse assunto nunca deveria ter ido para escalas federais, mas permanecido na jurisdição de cada estado, de forma que cada um poderia decidir como proceder em casos de aborto. Pode não ser daqui a dois ou três anos que vamos conseguir uma proibição, mas essas últimas medidas mostram que os estados americanos estão dispostos a desafiar a Suprema Corte para ter questões que lhes interessam novamente em pauta”.

Embora as americanas nos oito estados ainda possam interromper a gestação legalmente e com segurança, a aprovação das leis foi suficiente para mobilizar manifestantes em diversas casas legislativas no país. Com centenas de cartazes exibindo dizeres já conhecidos nos EUA quando se trata de atos pró-aborto, como “Meu corpo, minha escolha” e “Mantenha o aborto seguro e legal”, os partidários desse lado da disputa temem o que Trump fez questão de detalhar em seu tuíte – a nova configuração da Suprema Corte americana. Desde sua posse, em 2017, o presidente nomeou os juízes Neil Gorsuch e Brett Kavanaugh, este último após denúncias de assédio sexual que chegaram a ameaçar sua confirmação na casa no lugar de Anthony Kennedy, que costumava ser o voto decisivo na Corte. O receio é de que, entre os nove membros, a maioria professe decisões conservadoras quanto ao aborto e que a Roe versus Wade possa ser eventualmente derrubada.

De acordo com Forsythe, essas leis levarão em média de um a três anos para chegar à Suprema Corte, o que não quer dizer que elas serão julgadas, uma vez que a casa tem liberdade absoluta para decidir o que colocará em pauta. Atualmente, já existem quatro casos sobre aborto na mais alta Corte dos EUA, nenhum deles exatamente pedindo o cancelamento da Roe versus Wade, mas “erodindo” lentamente a lei de 1973 com algumas restrições. Segundo o advogado, a Suprema Corte já deu sinais de que não vai considerar esses casos rapidamente, mas “os juízes não podem ignorar para sempre a vontade dos estados, que estão exercendo sua independência”.

A Americans United for Life se enquadra entre as diversas organizações pró-vida à frente da disputa, como a SBA List e a National Right to Life, mas Forsythe garantiu que não há uma articulação nacional entre todas, com cada uma atuando com independência, sem um pequeno grupo de líderes. Ainda que o movimento não seja único, a antropóloga e professora da Universidade de Brasília (UnB) Debora Diniz vê a influência dessas recentes decisões nos EUA como parte de um “ecossistema” que não só influencia o país internamente, como também internacionalmente. É o caso da chamada “gag rule” ou “lei da mordaça”, política adotada por Trump que impede, entre outras coisas, que organizações humanitárias que realizam procedimentos de aborto no mundo recebam dinheiro dos EUA. Para Diniz, o ponto alto na decisão do Alabama representa uma concepção moral que quer ser exportada para o resto do mundo e que, por uma série de “estratagemas”, procura derrubar a lei em vigor nos EUA: “Quase todas essas restrições, por exemplo a referente ao batimento cardíaco do feto, são estratagemas para impedir que as mulheres façam o aborto. Já outras leis obrigam exames e ‘tempo para pensar’ antes de decidir pela interrupção. Ora, para fazer esses exames essa mulher já tem de faltar ao trabalho, gastar dinheiro e passar por mais uma série de obstáculos, o que dificulta todo o processo”, afirmou ela.

Acompanhando a legislação de diversos países sobre o tema, Diniz afirmou que, recentemente, não há uma guinada comparável à dos EUA em nações onde o aborto também é legalizado, com exceção de tentativas no Leste Europeu. Ela alertou sobre a estratégia que essas leis têm de “minar o acesso ao aborto” e impor uma pergunta que, a seu ver, é indevida nesse contexto: “Discutir quando se inicia a vida não deve ser a questão que pauta as decisões”. A resposta no caso do EUA vem com uma mobilização maior dos movimentos pró-aborto, ainda de acordo com Diniz, que calcula um prazo mais longo para a chegada das novas leis à Suprema Corte: de cinco a dez anos.

Ainda que tenham pontos de vista diferentes, tanto Forsythe quanto Diniz concordam que a discussão sobre o tema nos EUA nunca foi tranquila desde 1973. Ambos reconhecem que a situação atual, com dezenas de manifestações pelo país, representa outra etapa em uma discussão que parece crescer, ao menos até o período em que as campanhas presidenciais acontecerão, em 2020 – e que um dos processos sobre aborto na Suprema Corte, relacionado à Louisiana, pode ser retomado na casa.

Trump, ainda no mesmo tuíte em que comentou o tema, já deixou claro como as duas coisas, aborto e eleições, se combinam no país: “Devemos permanecer juntos e vencer pela vida em 2020,”.

Escalada antiaborto. 2

GESTÃO E CARREIRA

CULTURA DA EMPRESA É, NA BASE, CRESCER JUNTOS

Cultura da empresa é, na base, crescer juntos

Que a rotatividade de funcionários nas startups é alta, não há dúvidas. Empresas menores e em seu estágio inicial são, em sua maioria, compostas por jovens que iniciam seu caminho profissional. Isso implica em um tempo maior para a construção de uma cultura de empresa sólida e que norteie todas as operações que você venha a realizar interna e externamente. No entanto, a construção destes valores coletivos é de extrema importância para os próximos passos e futuras conquistas.

Como CEO de uma startup, digo que esta tarefa não é das mais simples, mas vale o esforço. Da nossa parte, conseguimos construir uma cultura cada vez mais forte com a nitidez do que acreditamos. Estamos em atividade desde 2016 e, além de aumentarmos exponencialmente o nosso time nestes quatro anos, também mantivemos muitos funcionários. Dividimos o mesmo ramo de atuação com grandes nomes nacionais e empresas estrangeiras que atuam no Brasil, portanto, é uma conquista que tantos profissionais excelentes escolham voltar para nosso escritório todas as manhãs.

Em termos de base, quando se inicia um negócio pode haver uma expectativa para a formação do “time ideal”. Acredito que, primeiramente, o empreendedor deva deixar de lado estas expectativas. Obviamente sempre devemos buscar os melhores profissionais, mas a mistura de experiências, vivências e a contribuição individual de cada um também são fatores fundamentais para que se construa uma cultura com solidez.

Outro ponto importante é que os novos colaboradores conheçam bem os ideais da empresa logo no seu primeiro contato. Uma atividade que colocamos em prática aqui, e que aconselho muitos gestores a tentarem é que, antes de aceitarem ou não ingressarem em nossa equipe, os profissionais trabalhem um dia inteiro conosco antes de “baterem o martelo”. Esse test-drive corporativo se mostrou muito eficiente para que o primeiro dia de trabalho deste novo funcionário já seja baseado em uma experiência real. Ou seja, ele já chega pautado de nossos valores. Isso evita frustrações ou expectativas além do possível.

Reafirmar estes preceitos básicos do trabalho em equipe interno também é um ponto essencial no dia a dia da equipe. Por exemplo, no início de fevereiro fizemos uma ação para que nossos funcionários do escritório tivessem a experiência de nossos colaboradores que fazem dezenas de entregas diariamente. O time escritório foi para a rua viver de perto o trabalho da ponta do nosso serviço: nossos shoppers.

Como são eles que estão em contato direto com a nossa base de clientes diariamente, conhecer todos os passos de seu processo é fundamental para crescermos juntos. Saber as dores da nossa linha de frente nos permite desenvolver nosso produto para que estas arestas sejam aparadas e a operação flua da melhor forma. Gerenciar uma equipe que presta serviço nos faz ter uma tarefa dupla: conhecer nossos clientes e também nossos colaboradores em suas complexidades, vontades e objetivos.

O resumo é que, como já diz o título, uma cultura de empresa forte precisa ser baseada na vontade de crescer juntos. Os resultados são conquistados coletivamente, portanto, que o coletivo seja o mais fortalecido possível. Ações como as que eu mencionei anteriormente trazem o melhor de cada funcionário para dentro da equipe e para os clientes também.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 22: 1-4

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 1 – Aqui há duas coisas que são muito valiosas, às quais devemos cobiçar mais do que às grandes riquezas:

1. Que falem bem de nós: um nome (isto é, um bom nome, um nome honrado diante de Deus e das pessoas de bem) deve ser preferido às grandes riquezas; isto é, nós devemos ter mais cuidado em fazer aquilo que nos permitirá conseguir e manter um bom nome, do que aquilo que nos permitirá ter grandes e muitas propriedades. As grandes riquezas trazem consigo grandes preocupações, expõem os homens a perigos, e não acrescentam nenhum valor verdadeiro a um homem. Um tolo e um trapaceiro podem ter grandes riquezas, mas um bom nome deixa o homem sossegado e seguro, pressupõe que o homem é sábio e honesto, e resulta na glória de Deus e dá ao homem maior oportunidade de fazer o bem. Com grandes riquezas, nós podemos aliviar as necessidades físicas dos outros, mas com um bom nome, nós podemos lhes recomendar a religião.

2. Ser amado, ter interesse na estima e nos afetos de todos os que estão à nossa volta; isto é melhor do que a prata e o ouro. Cristo não teve prata nem ouro, mas crescia em graça para com Deus e os homens (Lucas 2.52). Isto deve nos ensinar a considerar com santo desprezo a riqueza deste mundo, não nos dedicar a ela, mas, com todo o cuidado possível, pensar naquelas coisas que são amáveis e têm boa fama (Filipenses 4.8).

 

V. 2 – Observe:

1. Entre os filhos dos homens, a divina Providência ordenou que alguns fossem ricos e outros pobres, e eles estão misturados nas sociedades: a todos os fez o Senhor, que é tanto o Autor da sua existência como o que dispõe da sua sorte. O maior homem do mundo deve reconhecer que Deus é o seu Criador, e que está sob as mesmas obrigações de se sujeitar a Ele que tem o mais humilde; e o mais pobre tem a honra de ser a obra das mãos de Deus, tanto quanto o maior. Não temos nós todos um mesmo Pai? (Malaquias 2.10; Jó 31.15). Deus torna alguns ricos, para que possam ser caridosos com os pobres, e faz outros pobres, para que possam servir aos ricos; e eles têm necessidade, uns dos outros (1 Coríntios 12.21). Ele fez alguns pobres, para exercitar sua paciência, e seu contentamento, e sua dependência de Deus; e fez outros ricos, para exercer a sua gratidão e beneficência. Porquanto sempre tendes convosco os pobres, eles não desaparecerão da terra, e nem os ricos.

2. Apesar da distância que existe, em muitos aspectos, entre os ricos e os pobres, ainda assim, em outros aspectos, eles se encontrarão, especialmente diante do Senhor, que é o Criador de todos eles, e que não estima o rico mais do que o pobre (Jó 34.19). Os ricos e os pobres se encontram no tribunal da justiça de Deus, sendo todos culpados perante Deus, considerados culpados pelos pecados praticados e por terem sido moldados em iniquidade, tanto os ricos como os pobres; e se encontram diante do trono da graça de Deus; os pobres são tão bem-vindos como os ricos. Há o mesmo Cristo, as mesmas Escrituras, o mesmo Espírito, o mesmo concerto de promessas, para ambos. Há o mesmo céu para os santos pobres que existe para os ricos; Lázaro está no seio de Abraão. E há o mesmo inferno para os pecadores ricos que existe para os pobres. Todos estão no mesmo nível perante Deus, como também na sepultura. Os pequenos e os grandes estão ali.

 

V. 3 – Veja aqui:

1. O benefício da sabedoria e da consideração: um homem prudente, com a ajuda da sua prudência, poderá prever um mal antes da sua chegada, e se esconder; ele terá ciência de quando está entrando em uma tentação, e vestirá sua armadura e permanecerá vigilante. Quando as nuvens estiverem se ajuntando para uma tempestade, ele percebe o aviso, e foge para o nome do Senhor como a sua torre forte. Noé previu o dilúvio, José previu os anos de fome, e ambos tomaram as providências devidas.

2. O mal da precipitação e da falta de consideração. O simples, que acredita em qualquer palavra que o lisonjeie, não crerá nas palavras que o advertem, e assim passa e sofre a pena. Os simples se aventuram no pecado, ainda que lhes seja dito qual será o fim dele; eles se lançam em problemas, apesar do aviso que lhes é dado, e se arrependem de sua arrogância quando já é tarde demais. Veja um exemplo de ambos (Êxodo 9.20,21). Nada é tão fatal para as almas preciosas como o fato de que não dão ouvidos aos avisos.

 

V.  4 – Veja aqui:

1. De que consiste, em grande parte, a religião – na humildade e no temor ao Senhor; isto é, andar humildemente com Deus. Nós devemos reverenciar tanto a majestade e a autoridade de Deus, a ponto de nos submeter com toda humildade aos mandamentos da sua Palavra e às disposições da sua providência. Nós devemos ter pensamentos tão humildes a nosso respeito a ponto de nos comportar humildemente com Deus e os homens. Onde houver o temor a Deus, haverá humildade.

2. O que se obtém com isto – riquezas, honra, consolação, e vida longa neste mundo, na medida em que Deus julgar bom, riquezas espirituais e honra na bondade de Deus, e as promessas e os privilégios do concerto da graça, e, por fim, a vida eterna.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CONSEQUÊNCIAS HORMONAIS DO ABANDONO

Crianças negligenciadas produzem menos substancias que afetam as emoções.

Consequências hormonais do abandono

Mesmo nos depois da adoção, crianças abandonadas ou negligenciadas podem apresentar problemas de adaptação social. Se os primeiros anos foram vividos em instituições, é provável que desenvolvam dificuldades para criar laços duradouros e íntimos. O psicólogo americano Seth Pollack, da Universidade de Wisconsin, aponta causas biológicas muito concretas para que isso ocorra: a falta de oxitocina e vasopressina – dois neuro-hormônios que influenciam fortemente o estado emocional.

Pollack observou 18 órfãos brincando no colo de suas respectivas mães adotivas, enquanto elas lhes faziam cócegas, contavam seus dedos e sussurravam gracejos. E, seguida, o psicólogo comparou a taxa de neuropeptídios presentes na urina das crianças com os valores obtidos de exames de 21 crianças de mesma idade sob os cuidados dos pais biológicos. Crianças adotivas, em geral, apresentavam menor quantidade de vasopressina no sangue. Além disso, a taxa de oxitocina não se elevava depois da brincadeira, diferentemente do que aconteceria com as crianças do grupo de comparação. O psicólogo atribui a resultado às experiências anteriores dos órfãos que nos primeiros meses de vida tinham recebido pouca atenção.

OUTROS OLHARES

BASEADO EM EVIDÊNCIAS

O mais completo estudo já conduzido sobre os efeitos da maconha comprova que a droga faz muito mal ao cérebro dos adolescentes – e vira atalho para a depressão e pensamentos suicidas.

Baseado em evidências

Com exceção das drogas legais, não há nenhuma outra com aceitação tão crescente como a maconha, a erva consumida por cerca de 180 milhões de pessoas no planeta. A aceitação se mostra no debate em favor de sua legalização, ou de sua descriminalização. Nos Estados Unidos, 33 dos cinquenta estados já descriminalizaram o porte da maconha para uso recreativo ou medicinal – e em onze deles houve liberação de venda. O exemplo mais notável é o Uruguai, um país com apenas 3,4 milhões de habitantes, que se tornou o primeiro, em 2013, a legalizar a produção, o comércio e o uso da marijuana.

As experiências são relativamente recentes e, portanto, seu saldo definitivo ainda é desconhecido. Mas, enquanto isso. há movimentos em diversos países em prol da liberalização do consumo e do porte da droga. Mesmo no Brasil o Supremo Tribunal Federal retomará agora em junho uma discussão, interrompida em 2015 por um pedido de vista do então ministro Teorí Zavascki, sobre a descriminalização do porte de até 25 gramas para cidadãos com mais de 18 anos. Quando a discussão foi paralisada, o placar estava em 3 a O a favor da descriminalização.

No bojo desse movimento global, os profissionais de saúde fazem um sério alerta. Eles julgam que a discussão jurídica e comportamental não inclui um aspecto essencial, a questão da saúde dos consumidores. “De forma surpreendente e assustadora, o hábito entre os jovens tem sido ignorado na maioria das decisões das autoridades”, diz o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Universidade Federal de São Paulo, referência no tratamento de dependência química no Brasil. “Com isso, estamos criando uma legião de adultos psicóticos”. Pois é justamente no campo da saúde física e mental que acaba de surgir uma novidade.

Na edição de fevereiro, o conceituado jornal americano Jama Psichiatry publicou um estudo que reúne informações de onze pesquisas de universidades dos Estados Unidos, da Europa e da Oceania. O resultado: pessoas que usam maconha quando jovens têm risco maior de se tornar adultos com depressão (37¾ acima da média populacional), ter pensamentos suicidas (50% a mais) e são três vezes mais propensas a tentar tirar a própria vida. O levantamento reuniu dados de 23.317 pessoas. Eram homens e mulheres que haviam fumado até perto dos 18 anos e tinham parado; e também pessoas que continuaram a fumar pelo menos até os 32anos. Os problemas de saúde detectados nos dois grupos – dos que pararam aos 18 e dos que continuaram a consumir a erva – foram altamente semelhantes. A conclusão dos pesquisadores: é na adolescência que a maconha inflige seus maiores danos. Os efeitos deletérios são detectados a partir de quatro cigarros semanais, ao longo de pelo menos um ano – quantidade que define o consumo crônico da droga. “Tolerar o uso da maconha nessa fase da vida é um dos atos mais irresponsáveis que os pais podem ter com seus filhos, e eles mesmos com sua consciência”, diz Laranjeira.

O motivo da agressão tem origem na própria constituição do organismo humano. Nenhuma droga encontra tantos receptores prontos para interagir com o cérebro como a maconha. Tal efeito vem sobretudo de um dos compostos da erva, o tetraidrocanabinol (THC). Ele imita a ação de substâncias produzidas naturalmente, os endocanabinoides, neurotransmissores que participam da comunicação entre os neurônios, as chamadas sinapses. Interferir nesse mecanismo pode tornar as sinapses ineficientes. É o que faz o THC, ao ocupar o lugar dos endocanabinoides. No corpo jovem, isso pode deixar marcas indeléveis. Da puberdade até por volta dos 25 anos, o cérebro vive um processo conhecido no jargão científico como podo neural. Nela, as sinapses modificam-se intensamente, para se consolidar na fase adulta. A presença da maconha, nessa sinfonia, desafina a orquestra, e os neurônios passam a fabricar sinapses frágeis. É ineficiência que, tendo começado cedo, pode se perpetuar. “Se o adulto que fumou maconha de modo crônico na juventude se considera bem, intelectualmente apto e ágil, a medicina revela que ele muito possivelmente está aquém do que poderia ter sido”, explica o psiquiatra Valentim Gentil, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo.

Por algum motivo ainda não totalmente decifrado pela medicina, há áreas em que a perigosa afinidade neural com a maconha é ainda mais intensa. Uma delas é o córtex frontal, associado a habilidades como aprendizado, memória, atenção e tomada de decisões. Ou a região parietal, que responde pela percepção de estímulos sensoriais. Quando essas áreas são afetadas pelo THC, dá-se o aumento do risco de depressão e tentativa de suicídio na vida adulta, como apontou o estudo publicado no Jama. O usuário adolescente pode vir a ter, mais tarde, também dificuldades permanentes de concentração, raciocínio e planejamento, mesmo quando deixa de usar a droga. “As consequências tardias podem contribuir para a maconha ser subestimada e ter fama de inofensiva. Talvez esse seja o maior perigo dessa droga”, diz o neurocirurgião Arthur Cukiert, da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.

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Em contraste, os efeitos diretos do álcool e da cocaína sobre o cérebro se dissipam, na maioria das vezes, com mais facilidade, poucos dias depois de interrompido o consumo – embora, ressalve-se, os distúrbios provocados pelo uso contínuo de álcool e cocaína sejam devastadores. No cérebro, essas duas substâncias deixam as membranas dos neurônios mais frágeis. Mas essas estruturas celulares têm alta capacidade de regeneração, com a interrupção do consumo. Tanto a cocaína quanto o álcool liberam grandes quantidades de dopamina, o hormônio do prazer. A sensação é de euforia, de poder. Já os efeitos da maconha, o relaxamento e o torpor, caem como uma luva para o adolescente, que está numa fase da vida em que não se encarara grandes responsabilidades práticas, mas se experimenta uma montanha-russa de comportamentos e emoções provocados pelas alterações hormonais. Mais: a maconha é barata. Com cerca de 4 reais compra-se 1 grama, o suficiente para um cigarro.

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Nunca se usou tanta maconha como agora. Dos 180 milhões de consumidores no mundo, 3 milhões estão no Brasil – o dobro em relação há uma década. Seis em cada dez usuários são adolescentes – dos quais cerca de 30% fumam acima de um cigarro por semana. Isso equivale a dizer que, no Brasil, cerca de 540.000 dos adolescentes que estão consumindo a droga hoje podem vir a ser adultos com as disfunções mentais que o estudo do Jama apontou.

Há alguns anos, alastraram-se entre os usuários mais jovens duas formas particularmente prejudiciais de utilizar a droga. Uma delas é o skunk (gambá, em português), uma variedade de planta da maconha com maior concentração de THC. O skunk costuma conter mais de 10¾ de THC. A maconha comum, por volta de 2% a 4%. O preço de 1 grama de skunk chega a ser até vinte vezes mais alto – e a ação, muito mais agressiva. Um estudo conduzido em 2015 pelo Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King’s College em Londres, com 780 pessoas, revelou que o risco de consumidores do skunk ser acometidos de psicoses, como delírios e alucinações, pode ser até três vezes maior em relação aos jovens que nunca usaram a maconha.

A outra maneira agressiva de consumo é pelo estômago. Proliferam nos Estados Unidos e na Europa alimentos preparados com maconha. Há de tudo: balas, pirulitos, bolos, cereais matinais, doces. Hoje em Denver, capital do Colorado, o primeiro estado americano a autorizar o uso recreativo da maconha, em 2014, 45% do consumo da droga já ocorre dessa forma. No Brasil, proliferam em festas e grupos de amigos os alimentos feitos de modo caseiro com a erva. Na internet, há receitas do “chocotonha”, “brigadonha” e “bolonha”. Parte do sucesso nesse tipo de uso é a crença de se tratar de uma via menos agressiva em relação à droga fumada. Não é verdade. O estômago absorve o THC mais lentamente que os pulmões – após a ingestão, uma pessoa pode levar de meia a uma hora completa para sentir os efeitos, ou até mais, dependendo da quantidade de alimento que precisa ser digerida para que a substância possa ser absorvida ao estômago. E tende-se a comer mais porque não se sente o efeito imediato da droga.

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A maconha é originária da planta asiática Cannabis sativa, que contém 480 compostos. Sua ação psicoativa é conhecida desde a antiguidade. mas o THC foi isolado e reconhecido como o principal responsável pelo efeito há apenas meio século, pelo Centro de Pesquisas de Dor da Faculdade de Medicina da Universidade Hebraica de Jerusalém. A morfina, em termos de comparação, foi isolada do ópio há mais de 200 anos, e a cocaína, das folhas de coca há 150. Além do THC, há outro composto que tem sido estudado atualmente pela ciência, o CBD. Ele é o principal responsável pela ação terapêutica da planta, sobejamente aceita pela comunidade científica. Saber que um dos componentes da maconha faz bem tem o mesmo valor de entender, em detalhes, os mecanismos químicos que levam ao mal, sobretudo até o início da vida adulta. E conhecimento é sempre bom, especialmente em relação a um tema que costuma dividir as gerações e provocar opiniões apaixonadas.

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A DROGA COMO REMÉDIO

A maconha pode não só ser saudável, mas também salvar vidas. O poder terapêutico está no CBD, um dos 480 compostos da planta que origina a droga, a Cannabis sativa. Ele não é psicoativo nem tóxico como o THC. Não altera o raciocínio, não produz lapsos de memória nem perda cognitiva.       Tampouco causa dependência. O CBD é comprovadamente eficaz no controle de convulsões associadas a surtos epiléptico. Ele Interfere na metabolização de substâncias que regulam diversos neurotransmissores e age quando há um desequilíbrio na produção natural desses compostos – o que pode ocorrer nos processos de epilepsia. Por muitos anos, os portadores brasileiros de epilepsia recorriam à Justiça ou eram obrigados a importar o produto dos Estados Unidos, onde na maioria dos estados ele é liberado para uso medicinal. Lá, na forma de pasta, spray ou gotas, é vendido em farmácias de manipulação ou diretamente pelos fabricantes.

Em 2015, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) retirou o CBD da lista de substâncias proibidas e o pôs no rol de substâncias controladas, reconhecendo de maneira inédita seu efeito terapêutico. Dos cerca de 600.000 brasileiros epilépticos, 30% não respondem aos anticonvulsivantes convencionais. Para eles, o extrato de maconha é uma esperança. Novos estudos conduzidos pela Universidade de São Paulo, no campus de Ribeirão Preto, começam a esmiuçar outro uso do CBD: sua aplicação em tratamentos de fobia social. Realizado em parceria com o Instituto de Pesquisas sobre Abuso de Drogas de Baltimore, nos EUA, o trabalho mostrou que o CBD reduz o medo de falar em público, comum entre os portadores do problema.

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GESTÃO E CARREIRA

O MITO DO GANHA-GANHA

O mito do ganha-ganha

Em gestão, muitos mitos vão se criando impune ou – às vezes – inocentemente. Há os que acreditam de verdade que a propaganda é a alma do negócio. Os que chegam a jurar que o cliente tem sempre razão. Além dos que defendem, com unhas e dentes, que é melhor vender alguma coisa que o cliente não quer ou não precisa comprar do que sair da entrevista sem um “pedidinho”. E por aí vai.

Nos seminários e palestras que faço, sempre procuro discutir os deletérios efeitos que a crença em alguns desses mitos acabam por produzir nas organizações.

Hoje quero conversar com você sobre um dos mais frequentes mitos da negociação: o do método ganha-ganha.

Se formos a qualquer dicionário, verificaremos que a palavra método pode ser traduzida como forma ou processo de se fazer alguma coisa. Inspirados pelo mito, alguns negociadores chegam à conclusão que é possível percorrer cada passo do processo de negociação “ganhando” alguma coisa. Vejamos se essa ideia faz sentido.

Se toda a negociação tem origem numa divergência quanto aos meios e numa convergência quanto aos fins, o único método possível para chegar a um acordo favorável para ambas as partes é o cede-cede.

Tomemos por base uma negociação comercial. O lado (a) quer vender um produto, mas só pode entrega-lo em 90 dias. O lado (b) quer comprar o produto – eis aí a tal convergência quanto os fins – mas tem que recebê-lo em, no máximo, 45 dias – logo, há aqui uma divergência quanto aos meios. Supondo que os prazos reivindicados pelas partes sejam verdadeiros, a única forma de estabelecer o acordo é obtendo de cada lado uma concessão e, por exemplo, fechando o negócio para entrega daqui a 70 dias (ambos tiveram que ceder, não é verdade?).

Não quero aqui negar que muitas vezes as partes pedem muito mais do que consideram o mínimo aceitável. Aqui a tática é fingir que se está fazendo concessões para obter contrapartidas do outro (em outras palavras: aquilo que dizemos ser o máximo que podemos conceder é apenas o mínimo). Algumas vezes, batemos pé em uma determinada solicitação quando o que verdadeiramente queremos é algo bastante diferente (chamamos isso de agenda oculta). Nesse caso, a estratégia é levar a outra parte a conceder coisas que ela imagina não ser o nosso principal objetivo (um exemplo seria o cliente que insiste em redução de preço quando o que realmente lhe interessa é o prazo de pagamento). Mas isso é praticar o ganha-perde, não é verdade?

Existem inúmeras táticas que, embora levem ao ganha-perde, são amplamente utilizadas visando forçar o outro lado a fazer concessões acima do que seria possível considerar razoável:

COBERTOR: consiste em revelar tudo aquilo que queremos para depois verificar do que abriremos mão (a analogia é: vamos deixar os pés ou a cabeça descoberta?).

COLCHETE: consiste em isolar aquilo que a outra parte mais deseja visando colocá-la na defensiva.

SURPRESA: consiste na súbita mudança do objeto da negociação, deixando a outra parte desconcertada e despreparada para negociar.

INTIMIDAÇÃO: consiste em ameaçar a outra parte – sugerindo encerrar a negociação imediatamente, por exemplo.

SILÊNCIO: consiste em não emitir qualquer opinião ou crítica quanto ao que está sendo proposto, visando desorientar a outra parte.

DRIBLE: consiste em insistir que queremos uma determinada coisa quando o que nos interessa é outra.

AUTORIDADE LIMITADA: consiste em criar uma instância superior que precisa ser consultada antes de darmos uma resposta final sobre uma proposta.

MOCINHO/BANDIDO: negociadores que trabalham em dupla. Um faz o papel do bonzinho e o outro é o mal.

Poderíamos aqui mencionar uma lista muito mais ampla, que envolveria truques, artimanhas e falcatruas. Ao conversarmos sobre isso com os participantes dos nossos eventos, um número muito grande afirma utilizar-se desses recursos para obter o acordo. Sua opinião é que estão agindo da forma que propõem os livros e manuais (infelizmente muitos deles realmente propõem isso) e, consequentemente, não se percebem infringindo qualquer limite ético ou moral.

Sinceramente, eu não penso assim. É por isso que sempre enfatizo que “é melhor perder um bom negócio do que fazer um mau negócio”.

Acredito sinceramente que o principal elemento da negociação é o comportamental. Por isso valorizo tanto o autoconhecimento. Mas há coisas que você, como gestor, pode incentivar a equipe a fazer para visando a melhora da performance como negociador:

a)    incentive as pessoas a se debruçar sobre o processo para identificar pontos fortes da sua oferta e pontos fortes da oferta da outra parte, para que as obrigatórias concessões que farão possam ser recompensadas com vantagens – financeiras, emocionais, estratégicas – oferecidas pelo outro lado;

b)    defina empatia como uma das melhores estratégias para conseguir “pensar como o outro pensa”;

c)    esclareça que a ideia de ganhar em uma negociação não implica que a outra parte tenha que perder;

d)    estabeleça limites de autoridade para os negociadores, permitindo que eles exercitem sua capacidade de convencimento e troca;

e)    reforce comportamentos que levam a construção de confiança entre as partes e desestimule aqueles que levam os outros a desconfiar de nós.

Por último, vale a pena dizer que minha crença é que o ganha-ganha existe sim, mas não no processo. Ele é atingido quando ao final da negociação cada parte avalia as concessões que fez e as compara com os resultados que obteve e chega à conclusão que, realmente, valeu a pena todo o esforço.

 

JOÃO BATISTA VILHENA – é consultor sênior do Instituto MVC. Tem 35 anos de experiência profissional em Treinamento, Consultoria e Coaching, nas áreas de educação, gestão, marketing, negociação, vendas e distribuição.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 21: 29 – 31

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 29 – Aqui temos:

1. A arrogância e o atrevimento de um ímpio: ele endurece o seu rosto – como se estivesse revestindo-o de bronze. para não enrubescer – como se estivesse revestindo-o de aço, para que não trema, quando cometer os maiores crimes; ele desafia os terrores da lei e as repreensões da sua própria consciência, as censuras da Palavra e as repreensões da Providência; ele terá as coisas à sua maneira, e nada o impedirá (Isaias 57.17).

2. A cautela e a circunspecção de um homem bom: Quant o ao reto, ele não diz, O que quero fazer? De que tenho vontade? E. isto terei. Mas ele diz: O que devo fazer? O que Deus deseja de mim ? Qual é o meu dever? O que é a prudência? O que é para edificação? E assim, ele não força o seu caminho, mas o direciona de acordo com uma regra segura e certa.

 

V. 30 e 31 – A parte ocupada da humanidade é orientada, em todos os seus conselhos e esforços, a ter Deus em vista, e crer:

1. Que não pode haver sucesso contra Deus; portanto, jamais devem agir em oposição a Ele, com desprezo pelos seus mandamentos, ou em contradição aos seus conselhos. Embora pensem que têm sabedoria, e entendimento, e conselho, os melhores políticos e as melhores políticas do seu lado, ainda assim, se forem contra o Senhor, não poderão prosperar por muito tempo; isto não prevalecerá. Aquele que se assenta no céu se ri dos projetos dos homens contra Ele e o seu Ungido, e conseguirá o seu intento, apesar deles, (Salmos 2.1-6); os que lutam contra Deus estão preparando vergonha e ruína para si mesmos; quem quer que combata o Cordeiro, Ele certamente o derrotará (Apocalipse 17.14).

2. Que não pode haver sucesso sem Deus, e por isto os ímpios nunca devem agir, senão em dependência dele. Ainda que a causa seja muito boa, e os seus benfeitores muito fortes, e sábios, e fiéis, e ainda que sejam muito prováveis a maneira de realizá-la e conseguir o seu objetivo, ainda assim eles devem reconhecer Deus e levá-lo com eles. Os meios, realmente, existem para serem usados; o cavalo deve ser preparado para o dia da batalha, e também os pés; eles devem estar armados e disciplinados. Nos tempos de Salomão até os reis de Israel usavam cavalos na guerra, ainda que lhes fosse proibido multiplicá-los. Mas, afinal, a segurança e a salvação são do Senhor; Ele pode salvar sem exércitos, mas exércitos não podem salva r sem Ele; e, por isto, os homens devem buscá-lo e confiar nele para o sucesso, e quando o sucesso é obtido, Ele deve receber toda a glória. Quando estivermos nos preparando para o dia da batalha, a nossa grande preocupação deve ser a de fazer de Deus nosso amigo e assegurar a sua benevolência.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SOBRE A TRANSISTORIEDADE

Ao pensarmos que tudo que temos de bom – as belezas da natureza, o universo de sentimentos que cultivamos, nossos amores e até sabedoria – desvanece e se transforma em nada sob a ação do tempo, podemos tanto nos desiludir quanto valorizar ainda mais o presente.

Sobre a transistoriedade

Há algum tempo, em um dia de verão, fiz um passeio por um campo florescente em companhia de um amigo, um jovem e calado poeta, que já desfruta de considerável fama. Ele admirava a beleza da natureza à nossa volta, mas sem tirar grande experiência dela. Incomodava-o a ideia de que toda aquela beleza estava fadada a se esvanecer, no inverno teria se dissipado, assim como se perde a beleza humana e todas as coisas bonitas e nobres que os homens já criaram e podem vir ainda a criar. Todas as outras coisas que ele, de alguma forma, teria amado e admirado lhe pareciam desvalorizadas pela sina da transitoriedade à qual estão destinadas.

Sabemos que duas noções psíquicas diversas podem surgir do reconhecimento de que tudo, mesmo o   que é belo e perfeito, se deteriora. Uma delas leva ao aflito fastio do mundo do jovem poeta; a outra, à insurreição contra a enunciada fatalidade. Podemos pensar ser impossível que todas essas maravilhas da natureza e da arte, de nosso universo de sentimentos e do mundo exterior realmente tenham de se desfazer em nada. Seria insensato e ultrajante demais acreditar nisso. Elas têm de subsistir de alguma forma, alheias a todas as influências destrutivas.

Essa exigência de eternidade é um desejo humano tão evidente que se costuma pleitear valor de realidade para esse anseio. Aquilo que nos aflige, porém, pode ser até mais real. Não posso contestar a impermanência generalizada para tudo o que existe nem encontrar exceção para o belo e o perfeito. Mas contestei o poeta pessimista, quando ele dizia que a transitoriedade do belo traz consigo a desvalorização da própria beleza. Acontece justamente o contrário, há uma valorização! A importância de tudo o que se transforma e por fim se esvai está associada justamente a sua escassez no tempo. É a restrição da possibilidade de fruição que eleva a preciosidade de algo. Enquanto caminhava com meu amigo, declarei ser incompreensível que a ideia da transitoriedade do belo pudesse turvar o prazer despertado pela beleza.

No que diz respeito à natureza, as flores retornam exuberantes no ano seguinte, após cada destruição causada pelo inverno, e esse regresso pode ser qualificado, em relação à duração de nossa vida, como eterno. Já a beleza do corpo e do rosto humanos, típica da juventude, nós a vemos perder-se para sempre no decorrer de nossa própria vida, mas essa efemeridade acrescenta aos seus encantos um outro, novo. Se existe uma flor que desabrocha apenas por uma noite, ela não nos parece por isso menos esplêndida. Assim, tampouco pude compreender como a graça e a perfeição da obra de arte e do trabalho intelectual poderiam perder seu valor devido à limitação temporal. Pode ser que venha um tempo em que as pinturas e as esculturas que hoje admiramos estejam arruinadas, ou que o ser humano, nascido depois de nós, não compreenda mais a obra de nossos poetas e intelectuais; ou mesmo é possível que chegue uma época geológica em que tudo o que vive sobre a Terra desapareça. Se o valor de todas essas coisas belas e perfeitas é definido apenas pelo seu significado para nossa vida sentimental, então ele não precisa sobreviver a nós, independendo, mas ao qual atribuímos inúmeras obscuridades. Imaginamos possuímos que certa capacidade de amar, que podemos chamar de libido, se voltou ao próprio Eu (Ich) nos primórdios do desenvolvimento. Mais tarde – mas na verdade desde muito cedo – a libido se desvia do Eu, voltando-se para os objetos que internalizamos. Se os objetos são destruídos ou se os perdemos, então nossa capacidade de amar se torna livre de novo. Ela pode tanto tomar outros objetos como substitutos ou retornar temporariamente para o Eu. Não compreendemos, porém, por que motivo esse desligamento libidinal dos objetos é necessariamente um processo tão doloroso, e não podemos, neste momento, fazer deduções com base em nenhuma suposição. Vemos apenas que a libido se agarra a seus objetos e não quer abrir mão daqueles que foram perdidos, mesmo quando o substituto já está disponível. Isso, portanto, é o luto.

A conversa com o poeta ocorreu no verão antes da guerra. Um ano mais tarde, o conflito eclodiu, de fato roubando as belezas do mundo. Ela destruiu não apenas as paisagens que atravessou e as obras de arte que roçou em seu caminho, mas também arruinou nosso orgulho pelos feitos da cultura, o respeito por tantos intelectuais e artistas, nossa esperança de uma superação e, finalmente, as diferenças entre povos e raças. A guerra contaminou a honorável imparcialidade das ciências, expôs nossa vida pulsional em sua nudez, libertou dentro de nós os maus espíritos que acreditávamos estarem permanentemente domados pela educação secular e por nossas mais nobres intenções. Ela voltou a tornar nossa pátria pequena e as outras terras distantes e vastas. Ela nos roubou tantas portanto, de sua duração temporal absoluta.

Eu pensava que essas considerações eram incontestáveis, mas percebi que não havia causado grande impressão ao meu amigo poeta. Depois desse insucesso, percebi que um forte momento afetivo turvava seu julgamento. Provavelmente fora a rebelião psíquica contra o luto que lhe tirara o prazer pela apreciação do belo. A ideia de que essa beleza era transitória fez com que ele experimentasse antecipadamente o luto pelo seu declínio, e como o psiquismo se desvia instintivamente de tudo o que é doloroso, ele sentia seu prazer pelo belo prejudicado pela ideia de sua impermanência.

O luto pela perda de algo que amamos ou admiramos parece tão natural ao leigo que ele o considera óbvio. Para o psicólogo, no entanto, o luto é um grande enigma, um daqueles fenômenos que nós mesmos não esclarecemos, coisas que amávamos e nos mostrou a efemeridade de outras que considerávamos perenes.

Não admira que nossa libido, tão empobrecida de objetos, tenha investido com grande intensidade naquilo que nos restou; e que o amor pela pátria, a afeição pelo próximo e o orgulho de nossas similaridades tenham sido repentinamente fortalecidos. Mas aqueles outros bens, agora perdidos, será que realmente deixaram de ter valor para nós por terem se revelado tão efêmeros e incapazes de resistir às mudanças? Para muitos entre nós, parece que sim; mas eu, em particular, considero essa postura injusta. Acredito que aqueles que pensam assim e parecem dispostos a uma renúncia permanente ao prazer pelo fato de o objeto valioso não ter se revelado durável, encontram-se apenas em luto pela perda. Porém, sabemos que o luto, por mais doloroso que possa ser, dissipa-se espontaneamente. Se renunciamos a tudo o que foi perdido, nossa libido se torna livre, por sua vez, para substituir, enquanto ainda somos jovens e cheios de vida, os objetos perdidos por outros novos e, se possível, tão ou mais preciosos. Existe a esperança de que nada diferente disso ocorra com as perdas desta guerra. Quando o luto houver sido superado, será revelado que nossa reverência pelos bens culturais não foi afetada pela experiência de sua fragilidade. Nós vamos reconstruir tudo o que a guerra destruiu, talvez sobre uma base ainda mais firme e de forma mais duradoura que antes.

 

Viena, novembro de 1915

Sigmund Freud

OUTROS OLHARES

BABADO FORTE NO PANCADÃO

Nos bailes onde se celebra o funk, o machismo persiste e facções criminosas mantêm controle sobre tudo. Mas algo mudou: o público LGBT agora é bem-vindo.

Babado forte no pancadão

O relógio marca 6h50 da manhã de domingo quando o DJ carioca Renan Santos da Silva, conhecido como Rennan da Penha, assume um dos cinco pickups do Baile da Gaiola – festa funk que reúne 10.000 pessoas todo fim de semana na Vila Cruzeiro, favela do Complexo da Penha, no Rio de Janeiro. De óculos Oakley, boné Calvin Klein, camiseta Gucci e catorze correntes de ouro no pescoço, o ex­ vendedor de refrigerante em semáforo é o mentor e a principal atração do mais badalado pancadão carioca do momento, com seu cardápio frenético de funk a 150 batidas por minuto – variação do gênero que ganha cada vez mais apelo nos bailes cariocas. Por oito quarteirões, testemunha-se o roteiro usual das festas em áreas dominadas por facções – no caso, o Comando Vermelho: música que enaltece a bandidagem, traficantes desfilando com fuzis e consumo sem cerimônia de drogas como lança-perfume, maconha, ecstasy e cocaína. Se, no que diz respeito à ausência do Estado, o enredo se mantém o mesmo por décadas, agora há um novo padrão comportamental. Sob a tenda de lona do Baile da Gaiola, que protege de chuva e dos binóculos da polícia, o público LGBT é muito bem-vindo.

Antes um típico endemismo carioca, o funk ganhou inegável dimensão nacional nos últimos anos. Com o impulso de artistas como Anitta, mesclou­ se ao pop e conquistou as rádios e plataformas digitais. Graças à ascensão de uma geração de funkeiros paulistas, agora se torna definitivamente mais profissionalizado e palatável. Mas é nos grandes bailes das favelas que o funk “de raiz” continua pulsante. Ali se forjam os próximos Negos do Borel ou Ludmillas (aliás, as duas estrelas já se apresentaram no Baile da Gaiola). É também onde certas marcas originais do funk resistem, como as letras explícitas e a flagrante simbiose com a marginalidade – além de certos preconceitos arraigados.

Embora alguns artistas do funk enalteçam a liberdade sexual, como fizeram o DJ Marlboro no passado e Valesca Popozuda mais recentemente, a realidade dos bailes nunca foi rósea para o público LGBT. Isso está mudando. “Há quatro anos, se eu visse dois caras se beijando, iria recriminar e pedir para se afastarem”, admite o próprio Rennan da Penha. “Mas amadureci. Preconceito é coisa de gente velha da cabeça.” Estima-se que 30% dos frequentadores de bailes como o da Gaiola sejam gays, lésbicas e transexuais, a maioria com idade entre 15 e 25 anos. Há marombados que dispensam camisa para mostrar os músculos e os ditos “fashionistas”, adeptos de roupas cheias de logomarcas. A grife da vez é a italiana Gucci, presente em camisetas, bonés e tênis (tudo em geral falsificado). Gays se beijam e paqueram ao lado de heterossexuais, sem sinal de preconceito. ” Podemos usar roupas chamativas que não tem caô”, diz o estudante de teatro Jonas Lima, de 19 anos. “Já beijei sete caras em uma noite, e ninguém olhou feio.”

Fundador da produtora Furacão 2000 e responsável por lançar gente como Anitta, o empresário do funk Rômulo Costa vê a mudança de público como algo comum: “O baile é um recorte da sociedade. Os gays conquistaram direitos como a união civil, então é natural que exerçam a liberdade de curtir uma festa de mãos dadas com o companheiro”. O Baile da Gaiola não é fenômeno isolado no Rio. Os pancadões Via Show da 13, na Cidade de Deus, e Baile da Colômbia, no Complexo do Lins, são tomados pela diversidade sexual. “Até cinco anos atrás, as pessoas ligadas ao tráfico não trocavam ideia com gays”, diz o bailarino Tago Oli, de 24 anos, morador da Cidade de Deus. “Hoje, nós nos sentimos seguros.”

Em São Paulo, o Baile da DZ7, na favela de Paraisópolis, reúne dois atributos: é o maior baile funk da capital paulista, com 15.000 pessoas, e exibe expressivo público LGBT. “Ando de mãos dadas com meu namorado sem ser incomodada”, conta a transexual Vitória Monforte. Ela recorda um episódio recente para ilustrar a tolerância. Ao ser caçoada por um sujeito que bebia em cima de uma moto, viu quatro homens heterossexuais – todos moradores de Paraisópolis – expulsar o homofóbico.

Mas seria enganoso achar que esses ambientes se tornaram livres de preconceito da noite para o dia. Letras de funk retratam as mulheres como objetos sexuais – ainda é corrente a infame qualificação “cachorra”. O funkeiro MM elevou a octanagem da grosseria com uma pérola intitulada Adestrador de Cadela. “Tem mulher que não liga e até gosta, mas é fundamental que exija respeito”, explica Iasmin Turbininha, a MC feminina mais popular no Rio. Ex-chapeira do McDonald’s, Iasmin é lésbica assumida. Criada pela avó, virou arrimo de família: chega a fazer cinco apresentações por noite. Ela é muito tietada: “Faço 200 selfies por madrugada”. Para adquirir suas peças Gucci (só originais), ela não tem problema: a MC fatura 50.000 reais por mês. “O DJ tem de respeitar gay, heterossexual, favelado, playboy ou patricinha: todo mundo quer descer até o chão”, diz.

Os bailes funk nasceram nos anos 80 nas favelas do Rio. O morador colocava uma caixa de som na rua, as pessoas se reuniam e acontecia a festa. Era uma diversão gratuita para os jovens pobres. Ao longo dos anos, o negócio ficou mais profissional – e as facções criminosas, que não são amadoras, passaram a controlar absolutamente tudo: quem canta, quem entra e quem vende bebida (ou drogas). No Baile da Gaiola há sistema de som integrado, com dezenas de potentes caixas acústicas espalhadas pelas ruas. No Baile da DZ7, de Paraisópolis, área dominada pelo PCC, o aparato musical é menos profissional. Há outras diferenças expressivas entre os pancadões do Rio e de São Paulo. Na DZ7, cada um liga o som como quiser em carros estacionados na rua. É um caos. Alguns usam energia elétrica de residências para plugar seus alto-falantes. Os moradores sofrem em silêncio – ou tentam tirar algum proveito de morar no olho do furacão. “O tráfico gosta dos bailes para vender drogas. Mas não posso reclamar. Já que não consigo dormir de quinta a domingo, abri um bar na garagem”, conta um vizinho do DZ7.

As festas também atraem público endinheirado. No Baile da Gaiola há excursões da classe média de cidades como Juiz de Fora e Petrópolis. “Também tem gente de Ipanema, Leblon, Laranjeiras”, diz Rennan da Penha. O baile virou tema de música de Nego do Borel. Seu criador hoje é requisitado para até dez shows por noite e fatura 100.000 reais ao mês. A recém-instaurada tolerância do funk impulsionou coletivos de dançarinos gays, alguns dos quais têm patrocínio de marca de cerveja e atuam em festas de bairros nobres do Rio e de São Paulo. “O funk nasceu marginalizado e precisa respeitar minorias. E o mercado não é bobo: respeita quem tem dinheiro, e isso inclui os gays”, explica Rômulo Costa. Como diz a gíria do meio: o babado é forte.

Babado forte no pancadão. 2

GESTÃO E CARREIRA

DESENVOLVA SUA CRIATIVIDADE

Desenvolva sua criatividade

Quando éramos crianças, sempre estávamos criando algo novo. Não perdemos esse potencial depois de adultos, mas precisamos quebrar nosso bloqueio criativo. Albert Einstein já dizia que “criatividade é a inteligência divertindo-se”. O mercado atual valoriza a criatividade em qualquer área, portanto, para se manter ativo profissionalmente é preciso estimular seu potencial criativo.

Nós precisamos de referências! Elas são o alimento para a criatividade. Por isso é importante criar hábitos, o que auxilia no cansaço da mente. Você já pensou que a rotina pode ser um dos motivos que diminui a criatividade? Foi comprovado que ela é um dos maiores inimigos dos criativos.

Mas nunca esqueça, é necessário variar as atividades diárias, mesmo que sejam rápidas. Mas, lembre-se, sempre variar. Se fizermos tudo igual vamos conviver com as mesmas pessoas que tendem a falar das mesmas coisas. A mesma música nos leva as mesmas emoções e assim por diante.

É muito fácil viver na rotina, por isso sair dela pode ser dolorido. Buscar novidade produz novas “sinapses” no nosso cérebro e o contato com o novo nos torna mais inovadores. Por isso, alguns pequenos hábitos podem ser experimentados e virarem uma experiência agradável. Além de ajudar a melhorar a nossa criatividade.

FUJA DA ROTINA
Nem que seja em rápidos momentos. Escolha uma mudança por dia. Faça novos caminhos quando for trabalhar ou estudar, tome banho de olhos fechados, fale com um amigo que não vê há muito tempo.

DESCANSE A MENTE
Que tal usar o intervalo no trabalho, para fazer algo mais prazeroso? Cada vez que tomar café, faça algo a mais. Escute uma música, ande descalço na grama, escreva algo, desenhe. No ócio é comum surgirem soluções que não encontramos quando precisamos, e ainda de forma muito mais tranquila.

NÃO EXISTE CERTO OU ERRADO
Tente diversas possibilidades antes de decidir algo definitivo. Nosso cérebro tende a buscar uma resposta rápida e que já conhecemos.

LEIA 10 MINUTOS POR DIA
Criatividade e conhecimento andam juntos. Melhor ainda, leia aquilo que não está acostumado ler. Além de ampliar o conhecimento, você aumenta as possibilidades de fazer algo diferente.

BLOCOS DE ANOTAÇÃO
São úteis até no meio da noite. Uma palavra nova ou ideia diferente poderá ser o início de um novo projeto ou solução de algum problema. Mesmo que anotações sejam desconexas, uma palavra poderá virar um título, tema ou algo que você procurava há muito tempo.

EXERCITAR A MENTE
Aprender outro idioma, fazer exercícios de raciocínio lógico, como palavras cruzadas, ativam a mente.

TRABALHAR EM LUGARES VARIADOS
Está comprovado que os cafés são ótimos ambientes, deixa a pessoa mais conectada vendo outras pessoas também em sintonia. Até o simples fato de mudar de sala ou de mesa pode ajudar. Harry Potter nasceu de uma anotação em um guardanapo em uma viagem de trem. Pense nisso!

EXISTEM SONS PARA CRIAR
Nem sempre uma música conhecida é a melhor opção. Segundos de distração podem atrapalhar seu momento criativo. Sons de ambientes, como cafés, por exemplo, ou música com idioma desconhecido, são ótimos aliados.

CRIE HISTÓRIAS
Muitos filmes e livros começaram a partir de histórias imaginadas para contar para os filhos. Por exemplo, J. R. R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis, criou a história para contá-la aos seus filhos. Mais tarde, o livro se tornaria o sucesso conhecido no mundo inteiro.

UTILIZE IDEIAS ANTIGAS
Não pense que só novas ideias funcionam. Anotações feitas no passado, hoje poderão ser usadas com outro olhar e com novas funções.

DIVIRTA-SE
Faça atividades a que não esteja acostumado, isso poderá despertar novas ideias. Vá ao futebol, feiras, bairros novos. Enfim, descubra sua cidade com olhos de turista.

VALORIZE SUAS IDEIAS
Quando precisar criar algo novo, encare como um novo desafio e no decorrer do processo não peça opiniões. Qualquer comentário negativo, vai tirá-lo do foco e poderá bloquear sua criatividade.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 21: 25 – 28

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 25 e 26 – Aqui temos:

1. As desgraças do preguiçoso, cujas mãos se recusam a trabalhar em uma ocupação honesta, pela qual poderiam obter um meio de sustento honesto. Eles são tão adequados para o trabalho como os outros homens, e muitas vezes os negócios se oferecem a eles, negócios em que poderiam pôr as mãos e aplicar suas mentes, mas não desejam fazer isto; assim, eles pensam que se arranjam bem sozinhos, veja Provérbios 26.16. Alma, descansa. Mas, na verdade, são inimigos de si mesmos; pois, além do fato de que a sua preguiça os faz passar fome, privando-os de seu sustento necessário, os seus desejos, ao mesmo tempo, os apunhalam. Embora as suas mãos se recusem a trabalhar, os seus corações não cessam de cobiçar riquezas, e prazeres, e honras, que não podem, no entanto, ser obtidos sem trabalho. Os seus desejos são impetuosos e insaciáveis; eles cobiçam, com avareza, o dia todo, e clamam, dá, dá; eles esperam que todos façam algo por eles, ainda que não façam nada por si mesmos, e muito menos, por outra pessoa. Os seus desejos os matam, são um tormento perpétuo para eles, preocupando-os até a morte, e talvez os coloquem em caminhos tão perigosos para a satisfação de seus desejos e ânsias que os apressam prematuramente para o seu fim. Muitos que precisam ter dinheiro com o qual satisfazer a carne, e não desejam se esforçar para obtê-lo honestamente, se tornam ladrões, e isto os mata. Os que são preguiçosos nas questões de suas almas, e ainda assim desejam aquilo que seria a felicidade de suas almas, sofrem devido a estes desejos: estes os matarão, agravarão a sua condenação e testemunharão contra eles, pois estavam convencidos do valor das bênçãos espirituais, mas se recusaram a fazer os esforços que eram necessários para obtê-las.

2. As honras dos honestos e diligentes. Os justos e diligentes têm seus desejos satis­ feitos, e desfrutam, não somente dessa satisfação, mas da satisfação adicional de fazerem o bem aos outros. Os preguiçosos estão sempre ansiando e esperando receber, mas os justos estão sempre cheios, e planejando dar; e é mais bem-aventurado dar do que receber. Eles dão, e não poupam, dão com generosidade e não censuram; eles dão uma porção a uns e também a outros, e não poupam, pois não temem a necessidade.

 

V. 27 – Os sacrifícios eram uma instituição divina; e quando oferecidos com fé, e com arrependimento e transformação, Deus era grandemente honrado por eles, e se comprazia neles. Mas frequentemente eles não eram aceitáveis, mas eram uma abominação para Deus, e Ele assim os declarava, o que era uma indicação de que eles não eram exigidos. e que havia coisas melhores, e eficazes, res ervadas, quando o sacrifício e a oferta fossem extintos. Eles eram uma abominação:

1. Quando eram trazidos por homens ímpios, que não se arrependiam de seus pecados. nem mortificavam seus desejos ou corrigiam suas vidas, de acordo com a intenção e o significado do sacrifício. Caim trouxe a sua oferta. Até mesmo os ímpios podem ser encontrados no desempenho de ado­ ração religiosa. Muitos podem dedicar espontaneamente a Deus seus animais, seus lábios, seus joelhos, mas não lhe darão seus corações; os fariseus davam esmolas. Mas quando a pessoa é uma abominação, como todo ímpio é uma abominação para Deus, o desempenho não pode deixar de ser também uma abominação; mesmo quando ele traz o sacrifício diligentemente, assim alguns interpretam a parte final do versículo. Embora as suas ofertas estejam continuamente diante de Deus (Salmos 50.8), são uma abominação para Ele.

2 . Muito mais, quando são trazidos com intenção maligna, quando seus sacrifícios foram feitos, não somente de maneira consistente com a sua iniquidade, mas de maneira a servi-la, como o voto de Absalão, o jejum de Jezabel, e as longas orações dos fariseus. Quando os homens fazem uma exibição de devoção, para que possam, com mais facilidade e eficácia, maquinar alguma intenção cobiçosa ou perversa, quando a santidade é fingida, mas a intenção é algum tipo de iniquidade, então, e particularmente então, a exibição é uma abominação (Isaias 66.5).

 

V. 28 – Aqui temos:

1. O destino de uma testemunha mentirosa. Aquele que, para favorecer um lado ou prejudicar o outro, apresenta uma falsa evidência, ou faz uma declaração sob juramento de algo que sabe que é falso, ou pelo menos não sabe se é verdade, se for descoberto, terá a sua reputação arruinada. Um homem pode mentir, talvez na sua pressa, mas aquele que dá um falso testemunho o faz com deliberação e solenidade, e este não pode deixar de ser um pecado arrogante, e significar a perda da reputação do homem. Mas, mesmo que não seja descoberto, ele mesmo será arruinado; a vingança que ele rogou sobre si mesmo, quando fez o falso juramento, lhe sobrevirá.

2. O louvor do que é consciencioso: Aquele que ouve (isto é, que obedece) o mandamento de Deus, que é de falar a verdade sobre o seu próximo, aquele que não testemunha nada exceto o que ouviu e que sabe que é verdade, fala sem imputação, isto é, de maneira consistente consigo mesmo: ele conta sempre a mesma história; ele fala até o fim; as pessoas lhe darão crédito e o ouvirão: ele fala para a vitória; ele sustenta a causa, que a falsa testemunha perderá; ele fala por toda a eternidade. Aquilo que é verdade será verdade eternamente. O lábio da verdade é estabelecido para sempre.

 

 

 

 

 

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PALAVRAS QUE ENSINAM A ENXERGAR

Palavras que ensinam a enxergar

Estudo conduzido por Aubrey Gilbert e seus colegas da Universidade de Berkeley, Estados Unidos, mostrou que existe um “princípio de relatividade linguística”. De acordo com esse princípio, a língua que falamos influencia todos os nossos pensamentos e até o nosso modo de percepção.

Na pesquisa de Gilbert, 27 estudantes com visão normal deveriam fazer  soar uma campainha  tão logo  deparassem com uma tela  com um campo de outra matiz  inserido em um círculo  de campos verdes. Mostrou-se que os estudantes reconhecem mais rapidamente um campo destoante quando este tenda para o azul. Quando o campo diferente se aproximava da coloração verde, demorava mais para ser percebido. Uma explicação para o resultado é que na língua materna dos estudantes, o inglês americano uma cor é classificada como azul ou como verde, como no português. A distinção linguística aparentemente reforça a percepção de diferenças cromáticas existentes entre o azulado e o esverdeado. O resultado, porém, só era observado quando a mancha azul aparecia no campo de visão direito, lado cuja informação visual é conduzida ao hemisfério cerebral esquerdo e que abriga também o centro de linguagem. Muitas línguas não diferenciam o verde do azul. Assim, os berinmos, povo da Papua Nova Guiné não possuem vocábulos para os dois tons – e invariavelmente têm problemas para diferenciá-los. Observações desse tipo levaram os linguistas Edward Sapir e Benjamin Lee Whorf  a elaborar a hipótese de Sapir-Whorf da relatividade linguística, teoria que até hoje é objeto de controvérsia. O resultado obtido por Gilbert reforça a teoria, embora somente para os estágios iniciais de percepção visual. Nos estágios avançados, há novamente a atuação de ambos os hemisférios cerebrais.

OUTROS OLHARES

CIBERSEXO: PORNOGRAFIA SEM FRONTEIRAS

Pouco se sabe sobre as causas da dependência de sexo virtual, sendo sugeridas algumas possibilidades: experiências de condicionamento, predisposição genética aos transtornos do controle dos impulsos, transtornos do humor e histórico de traumas

Cibersexo - Pornografia sem fronteiras

Considera-se o cibersexo um fenômeno contemporâneo crescente, com poucos estudos conduzidos até o momento. Além disso, não há consenso na literatura quanto à classificação diagnóstica. Discutia-se, até então, a inclusão deste possível transtorno no DSM-V como uma psicopatologia específica (vinculado ao transtorno de hipersexualidade).

O usuário de sexo virtual que apresenta dependência compromete o seu bom funcionamento em diversos aspectos: liberdade de escolha, presença de cognições saudáveis (observa-se componentes obsessivos), comportamentos adaptativos (o dependente apresenta ações compulsivas) e relacionamentos saudáveis (é comum a presença de altos índices de isolamento).

Os sintomas de um dependente de sexo virtual são semelhantes aos de outras dependências tecnológicas (sintomas a seguir adaptados a partir da dependência de jogos eletrônicos), assim como proposto por Lemmens, Valkenburg e Peter (2009): saliência (utilização desta atividade como a mais importante na vida do usuário, dominando seus pensamentos, sentimentos e comportamento); tolerância (tendência a aumentar o tempo de uso para obter satisfação,  modificação do humor (irritabilidade, tristeza); retrocesso (emoções negativas ou efeitos físicos que ocorrem quando o usuário reduz ou descontinua o uso); recaída (tendência a tentar repetida­ mente reverter o padrão de tempo de uso, rapidamente restaurado após período de abstinência ou controle); conflito (problemas interpessoais, que podem envolver mentiras ou decepções); problemas na área social (piora no rendimento no trabalho, ambiente de estudo e socialização).

Uma parcela crescente de adolescentes utiliza a Internet para fins sexuais. A preocupação de pais, educadores e profissionais da saúde em relação a esse fenômeno ocorre por dois motivos: a) possibilidade do desenvolvimento de uma dependência; e b) comportamentos sexuais de risco (contato com redes de prostituição e alvos de pedofilia). Apesar de haver uma preocupação de diversos estudiosos, podemos observar também a opinião de outros pesquisadores, que acreditam que o sexo virtual (visualização de pornografia e conversas sexuais) é um caminho saudável para descobertas cognitivas e comporta­ mentais nesta fase do desenvolvimento humano.

Moreno et ai. (2012) discutem, por outro lado, uma alarmante proliferação, pelos adolescentes, de referências sexuais nas redes sociais. A pesquisa mostrou que esse fenômeno está diretamente ligado à intenção de iniciar atividades sexuais. Apesar de o Facebook apresentar diversas possibilidades de uso, os autores sugerem que esse modelo virtual pode se tornar uma possibilidade de expressão sexual problemática, havendo a necessidade de mensagens educacionais a esse público.

CAMPOS NEBULOSOS

Até então pouco se sabe sobre as causas da dependência de sexo virtual, sendo sugeridas algumas possibilidades teóricas: experiências de condicionamento, predisposição genética aos transtornos do controle dos impulsos, transtornos do humor e histórico de traumas na infância. Em relação às comorbidades (ocorrência de psicopatologias de forma simultânea), a depressão, os transtornos de ansiedade, transtornos de personalidade e dependência de uso de substâncias são os mais citados na literatura científica. Esses dados sucintos sugerem a necessidade de mais estudos etiológicos e de comorbidades. Inegavelmente, precisam ser urgentemente respondidos para que a dependência de sexo virtual apresente maior possibilidade de inclusão nas próximas edições dos manuais psiquiátricos, além de uma melhor compreensão do seu funcionamento.

Em relação à dependência sexual (off-line) é revelado que entre 3% e 6% da população mundial possa apresentar esse transtorno. Em pesquisa feita na Coreia do Sul, com 690 adolescentes, por Koo e Kim (2007), os seguintes resultados foram disponibilizados: 5,7% possuem uso problemático (poucos sintomas de dependência); 0,4% estão no grupo dos moderadamente dependentes (alguns sintomas de dependência) e, por fim, 0,6% como severamente dependentes (quase todos ou todos os sintomas de dependência).

Através de uma investigação com 1.913 participantes, na Suécia, os resultados apontaram para um total de 5% das mulheres e 13% dos homens apresentando algum tipo de problema com sexo na Internet. Os autores ainda mencionam que 2% das mulheres e 5% dos homens indicavam problemas graves com o sexo virtual. Esse dado corrobora com os resultados encontrados na dependência de jogos eletrônicos, outra possível psicopatologia, de maior incidência do sexo masculino. O oposto se observa na dependência de celular (predominância do sexo feminino); a de Internet apresenta equivalência epidemiológica entre os sexos.

Ainda há um número expressivo de terapeutas e psiquiatras que desconhecem formas de intervenções em usuários acometidos pela dependência de sexo virtual. O artigo mais antigo que cita um modelo de tratamento data de 1996. Uma das queixas mais recorrentes é a do sujeito que utiliza indiscriminadamente a pornografia na Internet e acaba por se tornar um estranho para o seu parceiro, afetando o bom relacionamento do casal.

O programa intitulado A Relational Intervention Sequence for Engagement (ARISE) é citado na literatura científica como uma possibilidade para a resolução de conflitos familiares, implicando em modificações de atitudes e emoções vinculadas ao transtorno.

As técnicas que podem ser utilizadas no manejo e prevenção do uso problemático do sexo virtual são:

a) assegurar que o periférico (computador ou portáteis) seja utilizado exclusivamente em locais de constante movimentação;

b) limitar os dias e o tempo de uso;

c) especificar locais onde o periférico possa ou não ser utilizado;

d) instalar planos de fundo (screen savers ou backgrounds) de pessoas importantes (familiares, parceiro/a). Outro estudo revela outras técnicas: melhoria na intimidade do casal, recondicionamento de estimulação e desenvolvimento de estratégias de enfrentamento. A terapia familiar e o treinamento de habilidades sociais são outras opções viáveis. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) também é sugerida, especialmente pela sua satisfatória eficácia na modificação de crenças distorcidas e comportamentos desadaptativos desses pacientes.

Dentre os diversos medicamentos utilizados no tratamento da dependência de sexo virtual, é citada, com maior ênfase, a Naltrexona, comumente utilizada no tratamento do alcoolismo. A ação desse fármaco ocorre no centro de recompensa do indivíduo, influenciando na liberação da dopamina, diminuindo consideravelmente a compulsão à pornografia virtual.

Infelizmente, ainda há um número limitado de materiais científicos sobre o cibersexo. Em relação ao diagnóstico, é fundamental o desenvolvimento de novos estudos com o objetivo de afirmar se a dependência de sexo virtual pode ser considerada um novo transtorno psiquiátrico. As comorbidades são semelhantes às da dependência de Internet e de jogos eletrônicos.

No que se refere à etiologia, foram encontradas poucas informações que pudessem fornecer subsídios para o estudo da dependência de sexo virtual. Apesar das hipóteses mencionadas, ainda estão distantes de serem conclusivas. Em relação ao tratamento, apesar da existência de modelos psicoterapêuticos e farmacológicos, ainda não há resultados comprovados de sua eficácia em longo prazo. Entretanto, diversas técnicas, apresentadas anteriormente, podem ser utilizadas pelos profissionais da saúde. Estes profissionais devem refletir, no momento da entrevista inicial, sobre a inserção de questionamentos sobre o uso de tecnologia do paciente, seja da Internet, de jogos eletrônicos ou da Internet associada ao sexo com terceiros e/ou outros tipos de pornografia.

Vislumbra-se, de forma positiva, um futuro em que tratamentos (psicoterapêuticos e/ou farmacológicos) de dependentes de sexo virtual seja m aplicados nos sistemas públicos e privados (é necessário, por exemplo, a criação de protocolos de modelos terapêuticos para o cibersexo, no Brasil, com sessões estruturadas em quantidade limitada).Para isso ,se faz necessário capacitar os profissionais da saúde, além de divulgar, à população em geral, a existência dessa problemática. Ainda é comum verificar, de acordo com a prática clínica, o profundo desconhecimento dos pacientes sobre as dependências tecnológicas, a gravidade desse possível transtorno e a frequente ocorrência, seja em adolescentes ou adultos.

Cibersexo - Pornografia sem fronteiras. 2

O QUE É CIBERSEXO?

O cibersexo é uma das subcategorias de um grupo maior a Online Sexual Acfivifies (OSA); traduzido no Brasil por “atividades sexuais on-line”. Carnes Delmonico e Griffin apontam três principais características do cibersexo: o acesso à pornografia on-line, a interação com um parceiro virtual e o uso de softwares (programas de computador). O sexo virtual ocorre quando duas ou mais pessoas compartilham de uma conversa de cunho sexual enquanto estão on-line. O propósito desta interação é o prazer sexual, não sendo uma necessidade obrigatória a prática da masturbação.

Southern menciona que o cibersexo está relacionado aos seguintes comportamentos: visualizar imagens eróticas e/ou pornográficas de serviços de notícias ou web sites; expor detalhes explícitos sobre a vida sexual de alguém através do upload(carregar conteúdos na Internet) ou disseminando essa informação; interação com profissionais do sexo empregados por sites específicos (serviços de webcam ou acompanhantes): interação com parceiros anônimos por salas de chat, blogs, ou outros tipos de contatos; encontrar potenciais parceiros sexuais para contatos off­line.

GESTÃO E CARREIRA

DESAFIOS E RECOMPENSAS DO EMPREENDEDORISMO FEMININO

Desafios e recompensas do empreendedorismo feminino

Elas são maioria na população brasileira, mas ainda ocupam menos cargos de liderança nas empresas nacionais. Trabalham quase o dobro do que os homens por conta da jornada dupla nos afazeres de casa, mas recebem um salário até 53% menor.

A luta das mulheres no mercado de trabalho por condições de igualdade segue importante em nosso país, mas algumas barreiras já estão sendo ultrapassadas. A principal delas é no aumento da participação feminina no empreendedorismo, constituindo suas próprias empresas e ocupando cargos de gestão em grandes corporações.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados em 2018 refletem esse cenário. As mulheres brasileiras têm maior escolarização do que os homens tanto no ensino médio quanto na universidade. Elas também trabalham 73% a mais do que os homens nos afazeres domésticos, mas ganham apenas 76,5% dos rendimentos que um homem ganha na mesma ocupação. Além disso, elas ocupam apena2 37,8% dos cargos de gestão nas empresas.

Contudo, a trajetória feminina para superar esses números (e continuar evoluindo) é cheia de percalços, com recompensas e desafios se intercalando no dia a dia.

DESAFIOS
Cada segmento tem suas particularidades, evidentemente, mas, no geral, o principal desafio enfrentado pela mulher que deseja empreender é o julgamento de incapacidade ligado ao seu conhecimento, postura, estratégia, entre outros.

Sempre vai haver desconfiança de suas decisões e dos mais variados públicos, como colaboradores, clientes, fornecedores e até familiares. Além disso, pela nossa cultura ainda machista, nós mesmas nos depreciamos e nos consideramos incapazes em diversas situações.

Para a mulher empreendedora que também é mãe chega a ser difícil ficar afastada dos filhos por conta das exigências do trabalho. A “jornada dupla” ainda é um problema que precisa ser resolvido.

RECOMPENSAS
Porém, neste novo mundo que está se formando, onde o propósito tem grande valor, as líderes mulheres têm a capacidade de transitar com mais fluidez no ambiente corporativo. Afinal, seu olhar está voltado mais para as pessoas e o clima organizacional. Uma líder com um time engajado, focado e com um propósito nobre pode alcançar resultados incríveis.

Além disso, a equidade de gênero só traz benefícios para a empresa. Com olhares diferentes é possível encontrar novas soluções para um determinado problema e, portanto, obter um crescimento sustentável. Nós temos muito a contribuir e as empresas têm muito a ganhar com nossa presença em cargos de liderança.

Para isso, é necessário ter um comprometimento da diretoria executiva com a causa para que esse cenário de igualdade possa se tornar cada vez mais comum no ambiente corporativo.

O trabalho de aculturamento deve ser implementado por meio de palestras e cases, mas o mais importante é que o funcionário reconheça seus preconceitos e queira transformá-los. Ou seja, as empresas podem e devem trabalhar a favor da equidade de gêneros, porém, a mudança real deve partir dos indivíduos.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 21: 21 – 24

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 21 – Veja aqui:

1. O que significa fazer da religião a nossa ocupação: é seguir ajustiça e a bondade, não nos contentarmos com fáceis realizações, mas fazer o nosso dever com o máximo cuidado e esforço, como os que temem não conseguir realizar o que devem. Devemos agir com justiça e amar a misericórdia, e devemos proceder e perseverar desta maneira; e, ainda que não possamos alcançar a perfeição, ainda assim será uma consolação para nós, se a buscarmos e a seguirmos.

2. Qual será a vantagem de fazer isto: os que seguem a justiça encontrarão justiça; Deus lhes dará a graça para fazer o bem, e eles terão o prazer e a consolação de fazê-lo; os que se preocupam em ser justos com os outros terão o prazer e a consolação de fazê-lo; os que se preocupam em ser justos com os outros serão tratados com justiça pelos outros, e os outros serão bondosos com eles. Os judeus buscaram a justiça, e não a encontraram, porque a buscaram de maneira errada (Romanos 9.31). Por outro lado, buscai, e achareis, e com ela, encontrareis vida e honra, a vida e a honra eternas, a coroa da justiça.

 

V. 22 – Observe:

1. Aqueles que têm poder são propensos a prometer grandes coisas a si mesmos, através do poder que possuem. A cidade dos fortes se julga inexpugnável, e por isto a sua força é a sua confiança. aquilo de que ela se vangloria e em que confia, desafiando o perigo.

2. Os que têm sabedoria, ainda que sejam modestos a ponto de não prometerem muito, frequentemente realizam grandes coisas com esta sabedoria, ainda que de uma forma contrária a todos aqueles que são tão confiantes em sua própria força. A boa conduta irá longe, mesmo contra grande força; e um estratagema, bem administrado, pode invadir a cidade dos fortes e derrubar a força em que eles tinham tal confiança, um homem sábio ganhará o afeto do povo e o conquistará pela força da razão, uma conquista que é muito mais nobre do que aquela obtida pela força de armas. Os que entendem o seu interesse se submeterão de bom grado a um homem sábio e bom, e os muros mais fortes não resistirão a eles.

 

V. 23 – Observe:

1. É nosso grande interesse proteger a nossa alma de dificuldades, impedir que se enredem em armadilhas e perplexidades, e que se inquietem com problemas, de modo que possamos preservar a posse e o prazer do nosso próprio ser, e de modo que a nossa alma possa estar em condições de servir a Deus.

2. Os que desejam proteger suas almas devem manter a vigilância junto à porta de seus lábios, devem guardar a boca com temperança, para que nenhum fruto proibido entre nela, nem águas furtadas, e que nada seja comido ou bebido em excesso; devem guardar também a língua, para que nenhuma palavra proibida saia pela porta de seus lábios, nenhuma comunicação corrupta. Com constante vigilância sobre as nossas palavras, evitaremos a abundância de danos aos quais uma língua descontrolada leva os homens. Guarda o teu coração, e isto guardará a tua língua do pecado; guarda a tua língua, e isto guardará o teu coração de angústias.

 

V. 24 – Veja aqui os danos da soberba e da arrogância.

1. Elas expõem os homens ao pecado; elas os tornam inflamados, e acende neles o fogo da indignação e soberba. Eles estão continuamente cuidando desse fogo, como se fosse sua profissão ser irados, e não tivessem nada mais para fazer além de intercambiar paixões e trocar palavras amargas. Grande parte da ira que inflama os ânimos e as sociedades dos homens se deve à indignação e à soberba. Os homens não conseguem suportar o menor desprezo, nem ser contrariados ou contraditos em qualquer coisa, a ponto de perderem o bom humor, e se inflamarem, imediatamente. De igual maneira, isto os torna insolentes, quando estão irados, muito cruéis com suas línguas, insolentes com os que estão acima deles, e imperiosos com os que estão à sua volta. Somente pela soberba vem tudo isto.

2. Elas expõem os homens à vergonha. Com isto, eles obtêm uma má reputação, e todos os chamam de soberbos e presumidos, e ninguém, por­ tanto, se interessa em ter alguma coisa a ver com eles. Se os homens apenas levassem em consideração a sua reputação, e a credibilidade de sua confissão, e o quanto estas sofrem com a soberba, não seriam indulgentes com ela, como são.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

AGULHAS CONTRA A DEPRESSÃO

A técnica milenar, que age diretamente nos nervos, também alivia o estresse e, segundo estudos recentes, surte bons efeitos mesmo em casos mais graves, ajudando, por exemplo, a fortalecer o sistema imunológico e a controlar infecções.

Agulhas contra a depressão

Muita gente tem buscado alternativas para medicamentos alopáticos e encontrado na acupuntura uma opção promissora, cada vez mais embasada por estudos científicos. Um desses trabalhos sugere que a terapêutica tradicional chinesa oferece resultados tão eficazes no tratamento da depressão quanto compostos medicamentosos; outro indica que a técnica pode ajudar a amenizar efeitos colaterais de algumas drogas. Uma terceira pesquisa mostra que as picadas podem fortalecer o sistema imunológico e ser muito eficientes para pessoas com reações inflamatórias graves. Os resultados corroboram grande número de pesquisas que já apontam a eficácia da acupuntura no combate principalmente de ansiedade, náuseas e dor crônica.

Do latim acus, agulha, e punctura, picada, o método chegou a ser descrito por Marco Polo, no século 13, em seus relatos de viagem. Seu uso, porém, tem registros bem mais antigos, durante a dinastia Han, 206 a.C. Na prática da acupuntura, o profissional especializado insere agulhas na pele de um paciente em pontos do corpo que correspondem a órgãos específicos. Cientistas da Universidade Western afirmam que a técnica pode ativar analgésicos naturais do cérebro. Já a medicina tradicional chinesa defende a ideia de que o processo melhora o funcionamento orgânico de forma global, corrigindo desequilíbrios e bloqueios de energia.

Um estudo publicado no ano passado no Journal of Alternative and Complementary Medicine demonstrou que a eletroacupuntura (em que uma corrente elétrica suave é transmitida através de agulhas) tem o mesmo índice de eficiência da fluoxetina (nome genérico do Prozac) na redução dos sintomas da depressão. Durante seis semanas, pacientes voluntários foram divididos em dois grupos. Um deles foi submetido ao procedimento cinco vezes por semana e o outro recebeu uma dose diária padrão de fluoxetina. Os pesquisadores (a maioria com formação em medicina tradicional chinesa) avaliaram os sintomas dos participantes a cada duas semanas e acompanharam os níveis de uma linha de células da glia – fator neurotrófico derivado (GDNF), uma proteína neuroprotetora. Pesquisas anteriores já tinham demonstrado que pacientes com transtorno depressivo maior (que apresentam sintomas bastante acentuados) têm menos quantidades de GDNF no organismo, e outro estudo apontou que é possível aumentar a presença dessa substância no organismo com medicação antidepressiva.

Após seis semanas, integrantes de ambos os grupos apresentaram melhora semelhante. Os dois tipos de tratamento ajudou a restaurar a concentração regular de GDNF. A acupuntura, porém, agiu mais rapidamente, reduzindo os sintomas de forma contundente entre a segunda e a quarta semana, em comparação à droga. Além disso, uma percentagem mais elevada dos que receberam o tratamento alternativo demonstrou o que os pesquisadores classificaram como “grande recuperação”.

Outro estudo sugere que a acupuntura pode ajudar com um aspecto particularmente difícil no tratamento da depressão: os efeitos colaterais sexuais de alguns medicamentos. Doze semanas de aplicação das agulhas ajudou homens e mulheres em vários aspectos do funcionamento sexual, segundo estudo também publicado no Journal of Alternative and Complementary Medicine.

PARA CONTER A INFECÇÃO

O ponto de acupuntura A ST36 Zusanli está localizado logo abaixo da articulação do joelho. Em camundongos (e espera-se também em humanos), a área pode ser uma porta de entrada para o controle de reações inflamatórias que acompanham infecções sistêmicas e podem até mesmo causar a morte. A septicemia, doença frequentemente associada à morte em hospitais, particularmente dentro de unidades de terapia intensiva (UTls), causa a morte de 220 mil pacientes a cada ano no Brasil, segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde. O Brazilian epidemiologic sepsis study (Bases), estudo de referência nesse campo, demonstrou a incidência de infecção generalizada grave no país em aproximadamente 27% dos pacientes com mais de 24 horas de internação em UTI e mortalidade de 47% após 28 dias de internação. O Instituto Latino­ Americano de Sepse (Ilas) apurou que 48,7% dos pacientes com sepse grave e 65,5% dos que entram em choque séptico acabam morrendo em instituições brasileiras.

Os antibióticos podem controlar infecções relacionadas ao problema, mas, por enquanto, não há drogas aprovadas pela Administração de Drogas e Alimentos (FDA, na sigla em inglês) para neutralizar a resposta imune descontrolada. Pesquisadores da Universidade Rutgers e da Escola Médica de New Jersey publicaram na revista on-line Nature Medicine em fevereiro a informação de que a estimulação da área ST36 Zusanli com corrente elétrica por meio de uma agulha de acupuntura ativou duas vias nervosas em ratos que levaram a uma produção bioquímica que amenizou uma espécie de inflamação séptica induzida. A descoberta, que teve a colaboração de cientistas de instituições como o Centro Médico Nacional Século XXI, na Cidade do México, sugere que o conhecimento da medicina alternativa pode ajudar a descobrir novas vias nervosas para controlar diversos distúrbios do sistema imunológico, desde artrite reumatoide até a doença de Crohn. Se estudos futuros alcançarem resultados semelhantes, a acupuntura poderá ser integrada no campo emergente da medicina bioeletrônica, também chamado de eletrocêutico, uma área que tem chamado a atenção de acadêmicos e empresas farmacêuticas. O biólogo Luis Ulloa, que conduziu o estudo no Centro de Imunidade e Inflamação da Universidade Rutgers, pesquisou por mais de uma década como sinais neurais controlam a função imunológica. Inspirado pela sugestão de um colega mexicano, decidiu testar se a acupuntura poderia ajudar a encontrar alguns desses intrincados caminhos neuroimunes.

Ulloa e sua equipe usaram a eletroacupuntura para estimular o ponto Zusanli ST36 em 20 camundongos expostos a lipídios e carboidratos da membrana externa das bactérias, produzindo uma resposta inflamatória que imita a septicemia. Outros 20 roedores receberam um tratamento inócuo, sendo estimulados em áreas não relacionadas à acupuntura. Metade dos animais do primeiro grupo sobreviveu, enquanto todos os ratos tratados de forma simulada morreram. Um resultado semelhante foi observado em dois grupos de camundongos expostos a um coquetel de microrganismos que vivem no intestino.

Então, os pesquisadores decidiram analisar os nervos e os órgãos envolvidos. Eles traçaram um caminho a partir de um ramo do nervo ciático, próximo à área ST36 Zusanli, que transmitiu um sinal para a medula espinhal e, em seguida, para o cérebro. Depois de processado, foi envia­ do para o nervo vago, finalmente atingindo as glândulas suprarrenais, o que produziu o agente anti-inflamatório-chave, o neurotransmissor dopamina. Para confirmar esse esquema de ligação biológica, a equipe de Ulloa removeu seções de forma independente dos nervos principais, além de toda a glândula adrenal. A excisão de qualquer uma das ligações do recém­ descoberto circuito neuroimune anula os efeitos anti-inflamatórios da eletroacupuntura. Os pesquisadores também conseguiram conter a inflamação com uma droga chamada fenoldopam (Corlopam), que agiu como substituta da dopamina produzida pela glândula adrenal em ratos que tiveram esse órgão removido cirurgicamente. Contar com o medicamento pode ser essencial porque em muitos pacientes com septicemia as glândulas suprarrenais não funcionam como deveriam, o que os torna candidatos inadequados para esse tipo de terapia.

É inegável, porém, que o trabalho com acupuntura pode ser uma maneira praticamente não invasiva para garantir a estimulação neuroimune e pesquisar a interação entre os sistemas nervoso e imunológico. “Há centenas de circuitos não mapeados, e alguns podem traçar pontos de acupuntura”, diz o neurocirurgião e um dos pioneiros da medicina bioeletrônica Kevin Tracey, do Instituto Feinstein de Pesquisa Médica, em Long lsland.

Tracey, que já trabalhou com Ulloa, acrescenta que estudos como o da equipe da Rutgers poderia ajudar a estabelecer um mecanismo fisiológico para explicar a eficácia da acupuntura. Os estudos do neurocirurgião levaram à fundação de uma empresa chamada SetPoint Medical em Valencia, na Califórnia, que atualmente desenvolve um dispositivo implantável para ativar um caminho neuroimune isolado com o objetivo de tratar doenças inflamatórias.

TOQUES DE ELETRICIDADE

Apesar dos avanços das pesquisas, a acupuntura ainda enfrenta preconceito em alguns meios médicos, mas seus defensores consideram os resultados dos estudos uma oportunidade de a medicina ocidental finalmente validar técnicas aceitas como tratamento há milhares de anos. O presidente da Sociedade Cética Nova Inglaterra, Steven Novella, por exemplo, considera os estudos da septicemia como apenas uma demonstração de que um nervo responde à aplicação de uma corrente elétrica. “Na minha opinião, a própria eletroacupuntura não é uma entidade real; é apenas estimulação elétrica. Fazer isso com uma agulha de acupuntura não tem sentido e não passa de um objeto fino. Não há nada que prove sua eficácia. E não há nenhuma evidência de que os pontos de acupuntura de fato existem.”

No entanto, a intenção de Ulloa não era determinar se os fluxos de energia vital, ou qi, fizeram seu caminho através dos “meridianos” do corpo, com base na interpretação de como a acupuntura funciona na medicina tradicional chinesa. De fato, ela concorda com o argumento de Novella sobre a estimulação do nervo. No estudo, os investigadores não observaram nenhum efeito anti-inflamatório quando um palito foi utilizado para sondar a área ST 36 Zusanli, de uma maneira semelhante ao modo como as agulhas são inseridas há séculos, antes do surgimento da eletroacupuntura.

Como investigador de caminhos neuroimunes, Ulloa insiste que não perdeu o interesse em explorar os pontos de acupuntura. “Não é por acaso que todas as áreas descritas no humano, exceto uma (360 de 361), são próximas a um nervo importante”, argumenta. O estudo do ST36 Zusanli levou diretamente à descoberta de um dos circuitos neuroimunes mais intrincados encontrados até agora. “Em vez de testarmos milhões de áreas possíveis, concluímos que os pontos de acupuntura podem nos dar vantagens para estimular redes neurais de forma mais eficiente”, acredita.

Poucos dias após a publicação do artigo na Nature Medicine, um estudo veiculado pelo periódico Science Translational Medicine apontou que um componente da erva Salvia miltiorrhiza, antigo conhecido da tradicional farmacopeia chinesa, também demonstrou potentes propriedades anti-inflamatórias. Os pesquisadores das instituições que conduziram os estudos seguiram o mesmo caminho que Ulloa e sua equipe. A ideia era verificar se o tratamento milenar seria capaz, por meio de tentativa e erro, de produzir algum efeito biológico ou potencial terapêutico possível de ser testado rigorosamente em laboratório. Em ambos os relatórios, os autores seguiram as exigências dos editores e revisores de artigos dos renomados periódicos (e até dos próprios céticos) que endossam a medicina baseada em evidências – e o que elas mostram é que as agulhas podem ser fortes aliadas da saúde e do bem-estar.

Agulhas contra a depressão. 2

PONTOS DE SAÚDE, DIFICULDADES DE COMPROVAÇÃO

A maioria dos pontos de acupuntura se localiza perto de grandes nervos. Na imagem acima, os seis que são utilizados no estudo que demonstra que a técnica é tão eficaz quanto o Prozac no tratamento contra a depressão. Outras pesquisas também estudam os efeitos da estimulação desses locais.

Estudos consistentes contam com um grupo de controle confiável, consideram o efeito placebo e asseguram que nem médicos nem voluntários saibam se o procedimento é real ou inativo. Os resultados devem ser replicados com sucesso em vários laboratórios pelo mundo. Apesar das dificuldades de manter o rigor científico nessa área, pesquisadores que trabalham com a acupuntura vêm buscando driblar os entraves. Conheça alguns deles:

EFEITO PLACEBO: é um grande obstáculo elaborar uma boa técnica de acupuntura falsa que sirva de parâmetro de sua eficácia. O primeiro estudo descrito acima não fez um controle fidedigno, o que torna impossível saber se as agulhas, a corrente elétrica ou qualquer outra forma de tratamento representam de fato os resultados. Além disso, a técnica é associada a um grande efeito do placebo (simplesmente ser visto e tocado por um profissional faz a maioria das pessoas se sentir significativamente melhor, o que poderia fazê-la parecer mais eficaz do que realmente é). Por outro lado, o poder do procedimento inerte pode ofuscar uma pequena – mas real – diferença entre os grupos de tratamento regular e com placebo, mascarando o verdadeiro potencial da acupuntura.

OCULTAÇÃO: não é fácil criar um experimento duplo-cego (método de ensaio clínico em que nem o objeto de estudo nem o examinador conhecem determinada variável). Observadores e participantes podem distorcer os resultados, mesmo sem se dar conta, se souberem quando o procedimento é verdadeiro ou simulado. O acupunturista certamente reconhece se o método é real ou não, o que pode sutilmente alterar seu próprio comportamento. O primeiro estudo acima foi parcialmente cego, em que os médicos que avaliaram os sintomas dos pacientes não sabiam o tratamento que haviam recebido.

PARCIALIDADE: vários estudos demonstram uma inclinação sistemática na literatura médica: pesquisadores revisaram ensaios clínicos randomizados feitos na China, no Japão, na Rússia e em Taiwan e descobriram que a maioria apresenta resultados positivos para a acupuntura. Estudos feitos em outras partes do mundo não encontram tantos benefícios. O problema ainda é agravado pela tendência de arquivar resultados negativos e publicar somente os positivos. No geral, as evidências da eficácia da técnica são ambíguas e bastante contraditórias, e os resultados difíceis de reproduzir.

Agulhas contra a depressão. 3

ATENDIMENTO DE EMERGÊNCIA

Com raros efeitos colaterais, a maioria decorrente da prática incorreta e da falta de formação dos profissionais, a acupuntura é tema de polêmica, apesar de o Brasil ser considerado um dos centros mundiais de excelência nessa área. Atualmente, a técnica é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, pela Associação Médica Brasileira e pela Comissão Nacional de Residência Médica. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) abriga desde 1992 o Setor de Medicina Chinesa – Acupuntura, ligado ao Departamento de Ortopedia e Traumatologia da instituição. Desde 1998, o Hospital São Paulo, ligado à Unifesp, dispõe de um serviço de pronto-atendimento.

PICADAS NA PELE, EFEITOS ANALGÉSICOS NO CÉREBRO

Sob a óptica da medicina ocidental, a picada de uma agulha de acupuntura produz a condução de um impulso: receptores cutâneos transmitem informações sobre o local e a intensidade da dor até a medula espinhal. A partir daí, o sinal passa por diversas transformações (no mesencéfalo, por exemplo) até que, pela via do tronco cerebral e do diencéfalo, chega enfim ao tálamo (que faz parte do sistema límbico) e ao córtex somatossensorial, onde a dor é percebida de forma consciente. Então, o sistema límbico agrega ao impulso uma componente emocional: o incômodo da dor. Além disso, o cérebro reage ao estímulo da acupuntura da mesma maneira como a outras irritações provocadas por estresse: o corpo passa a secretar o hormônio ACTH (adrenocorticotrofina) em maior quantidade, o que, por sua vez, leva à produção de substâncias analgésicas.

O estímulo atua em pelo menos três planos. A primeira inibição da dor ocorre na medula espinhal. O estímulo provoca a secreção de encefalina e dinorfina, o que resulta na inibição da excitabilidade elétrica das células nervosas condutoras. Assim se explica também o rápido alívio da dor, o chamado efeito analgésico imediato da acupuntura: enquanto a agulha estiver fincada na pele, o estímulo atua contra as dores reais à maneira de uma manobra diversionista, ou seja, distraindo o paciente.

Especialistas como o médico Markus Backer, do Instituto de Medicina Natural e Integrada da Universidade de Duisburg-Essen, postulam ainda um segundo mecanismo, mais a longo prazo, no plano da medula espinhal: sinapses inibidoras diminuiriam de forma duradoura a força de transmissão das fibras nervosas condutoras, de tal modo que a dor real já não chegaria ao cérebro e, portanto , não poderia ser sentida.

Um terceiro mecanismo que também conduz à inibição mais duradoura pode ser atribuído a uma espécie de contrairritação do cérebro: mesmo bom tempo depois de retirada a agulha, a atividade que foi acionada em partes do diencéfalo persiste. A partir do hipotálamo ou da hipófise, hormônios como a betaendorfina retornam à medula espinhal, proporcionando ali um efeito analgésico duradouro.

OUTROS OLHARES

VALE-TUDO CIENTÍFICO

A China quer se tornar uma potência também na área acadêmica. Mas suas conquistas são postas em xeque pelo histórico de fraudes e questões morais.

Vale-tudo científico

Foi com desconfiança que a comunidade científica do Ocidente recebeu recentemente uma notícia extraordinária. De acordo com a Administração Nacional Espacial da China, no dia 3 de janeiro a nave Chang’e 4 desceu na parte ocultada Lua – aquela que não é vista da Terra -, em um feito até então inédito na história. Não só isso: segundo o comunicado, a sonda plantou batatas e mostarda no solo lunar, que, vale frisar, é considerado território internacional. “Esse aparenta ser o primeiro pouso com sucesso no lado mais longínquo da Lua. Um feito impressionante”, disse, no Twitter, Jim Bridenstine, o administrador da Nasa, a agência espacial americana. Note o detalhe: Bridenstine escreveu “aparenta”. Mesmo depois da divulgação das primeiras fotos realizadas pela Chang’e 4 – veiculadas na CCTv, a emissora do Partido Comunista Chinês -, a interrogação sobre a veracidade do êxito da missão permaneceu incomodamente no ar.

Por que tamanha incredulidade em relação a uma conquista que, no fim das contas, se revelou verdadeira? A resposta é simples: há sobre a ciência chinesa uma escura nuvem ética formada por incontáveis casos de fraude e outros procedimentos de caráter duvidoso no âmbito acadêmico – o que deixa a comunidade científica com o pé atrás quando o assunto é China.

Um levantamento realizado pelo site americano Quartz, agregador de notícias corporativas, mostrou que, entre 2012 e 2016, nada menos que 276 artigos científicos vindos da China foram recusados pela comunidade internacional por desconfiança de trapaça. O número representa mais que a soma de todos os textos devolvidos originários de outros países. Em 2017, depois de anos de silêncio sobre o assunto, o Partido Comunista Chinês admitiu que 486 pesquisadores haviam se envolvido em 107 estudos fraudulentos – relacionados tão somente a pesquisas sobre câncer.

Para além da questão das fraudes, a ciência praticada na China também tem se caracterizado por avançar sinais em terrenos que ferem normas éticas observadas pela maioria dos países. Em janeiro do ano passado, por exemplo, cientistas do Instituto de Neurociência da Academia Chinesa de Ciências, em Xangai, foram os primeiros do mundo a clonar primatas – dois macacos – pelo mesmo método que fez surgir a ovelha Dolly, em 1996. O uso da técnica é proibido em primatas em boa parte dos países justamente porque ela poderia ser replicada em humanos. Pois bem: em 24 de janeiro deste ano, uma equipe daquele mesmo instituto ainda realizou a replicação dos macacos, mas agora a partir de um embrião cujo DNA fora manipulado em laboratório. A China, aliás, é pioneira em procedimentos genéticos proibidos em outros lugares. Em novembro de 2018, o biólogo He Jiankui anunciou que criara os primeiros humanos nascidos com genes modificados, algo não permitido nos Estados Unidos e na Europa.

O desrespeito à legislação também é espantoso. De acordo com um levantamento feito pela revista britânica Nature, até ao menos 2012 existiam na China clínicas que realizavam tratamentos com células-tronco – um método que fora proibido pelo próprio governo chinês em 2009.

É inegável que a China vem liderando progressos científicos em áreas como a biomedicina e, de certo modo, a exploração espacial. Nas últimas duas décadas, o Partido Comunista começou a se empenhar para transformar o país em líder global em pesquisas acadêmicas. O presidente Xi Jinping estabeleceu até uma data para isso: o ano de 2049, quando ele espera que a China se torne um “país socialista magnífico e moderno”. Se em 2000 os chineses gastavam o mesmo que a França na área da ciência, hoje já destinam mais dinheiro às pesquisas do que toda a União Europeia. Em seu território também há mais laboratórios do que em qualquer outra nação.

Contudo, apesar do ritmo acelerado da produção científica da China, com mais de 420.000 artigos publicados por ano – o país também é líder mundial nesse quesito -, os resultados continuam sendo constantemente postos em xeque pela comunidade internacional. A boa notícia é que Xi Jinping parece ter compreendido que será preciso atentar para as questões éticas caso queira ver seu país de fato no topo da ciência internacional. Em dezembro, ele anunciou, pela primeira vez, que punirá com cortes de subsídio e multas cientistas que adotarem o que o Partido Comunista considerar “más condutas”. Resta saber o que será tido como “má conduta” em solo chinês.

Vale-tudo científico. 2

GESTÃO E CARREIRA

A OPINIÃO DOS JOVENS SOBRE FEEDBACK

A opinião dos jovens sobre feedback

Em um mercado mais dinâmico e com novas ambições, práticas antigas passaram a ter maior presença no dia a dia das corporações. É o caso das devolutivas. Jovens com sede de aprendizado e desenvolvimento desejam, constantemente, por uma resposta ao seu trabalho. Levando esse cenário em consideração, o Nube – Núcleo Brasileiro de Estágios realizou uma pesquisa com o seguinte foco: “o que você acha do feedback?”. A resposta mostra a importância da comunicação ativa nas empresas.

Indivíduos com a faixa etária de 15 a 26 anos foram analisados, entre 5 e 16 de novembro. O estudo ocorreu em todo o país e contou com a interação de 20.711 participantes. Sem exitar, 90,06%, ou 18.653 votantes, disseram: “acho muito importante! Sempre me ajuda a evoluir”.

Para o analista de treinamento, Everton Santos, há uma cultura inovadora se estabelecendo nas companhias. “Hoje, existe um interesse muito grande na qualidade de vida do funcionário. Logo, as organizações se preocupam em entender qual a dinâmica de suas equipes, para validar a individualidade de cada um e proporcionar um ambiente mais harmonioso”, explica.

Ainda de acordo com o levantamento, 5,66% (1.172) afirmaram: “serve para ajustar posturas, mas pode frustrar as pessoas”. Para evitar situações ruins, o ideal é conhecer os seus talentos, pois isso trará uma sensibilidade no processo e permitirá ser mais assertivo na maneira de se expressar. “Já para os avaliados, cabe manter-se atento a todas as informações, refletir sobre a conversa e melhorar os pontos indicados”, indica.

Outros 2,95% (611) revelaram: “se tenho ou não tenho, nada muda na minha rotina”. Para esses, é preciso repensar o comportamento e se manter mais aberto à fala do supervisor. “Sem um vínculo construído e ambos envolvidos realmente no diálogo, a troca será de fato improdutiva. Por isso, a recomendação é tornar a experiência reflexiva e com frutos para uma maior produtividade”, enfatiza o especialista.

Por fim, 1,33% (275) desabafaram: “desnecessário, é um tempo perdido”. Contudo, fica um alerta: o feedback torna a relação mais transparente, favorece a comunicação e deixa claro os aspectos a serem revistos e melhorados. “Por isso, o indicado é aproveitar esse espaço para ouvir, expor os pensamentos e realizar uma autoanálise. Assim, será possível contribuir com melhorias, aperfeiçoar sua imagem profissional e tomar decisões mais assertivas no ambiente corporativo”, aconselha Santos.

Também vale lembrar aos gestores o fato da situação não ocorrer apenas para apontar erros, mas ser uma grande oportunidade para indicar acertos. “Por isso, é válido deixar o local menos tenso, com um sorriso ou um comentário informal”, finaliza.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 21: 17 – 20

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 17 – Aqui está um argumento contra uma vida voluptuosa e de luxos, extraído da ruína que ela traz aos interesses temporais dos homens. Aqui temos:

1. A descrição de um epicureu: ele ama os prazeres. Deus nos permite o uso dos prazeres dos sentidos, de maneira sóbria e moderada; sim, o suco das uvas para alegrar o coração e revigorar o espírito, e o azeite, para fazer brilhar o rosto e embelezar a fisionomia; mas aquele que ama estes prazeres, que os cobiça fervorosamente, deseja ter todos os prazeres dos sentidos levados até o máximo da satisfação, que é impaciente com qualquer coisa que o contrarie no desfrutar de seus prazeres, que os saboreia como os melhores deleites, e cuja boca, por causa deles, deixa de sentir os prazeres espirituais, sim, este indivíduo é um epicureu (2 Timóteo 3.4).

2. A punição de um epicureu neste mundo: ele será um homem pobre; pois os desejos da sensualidade não são mantidos, senão com grandes custos, e há casos dos que passam necessidade, e vivem de esmolas, pessoas que antes não conseguiam viver sem manjares e variedades. Muitos grã-finos têm se tornado mendigos por causa do pecado descrito neste versículo.

 

V.18 – Isto sugere:

1. O que deveria ser feito, pela justiça dos homens: os ímpios, que são os que criam problemas em uma terra, devem ser punidos, para a prevenção e o desvio dos juízos nacionais que, caso contrário, serão infligidos, e em que até mesmo os justos estão, muitas vezes, envolvidos. Assim, quando Acã foi apedrejado, ele foi um resgate pelo acampamento dos justos de Israel; e os sete filhos de Saul, quando foram enforcados, foram um resgate pelo reino do justo Davi.

2. O que frequentemente é feito, pela providência de Deus: O justo é resgatado da dificuldade, e o ímpio vem em seu lugar, e assim parece que o ímpio é um resgate pelo justo (Provérbios 11.8). Deus preferirá deixar que muitos ímpios sejam extirpados, a abandonar o seu próprio povo. Dei homens por ti (Isaias 43.3,4).

 

V. 19 – Observe:

1. As paixões desenfreadas azedam e maculam a consolação de todos os relacionamentos. Uma esposa rixosa e iracunda torna desconfortável a vida de seu esposo, a quem ela deveria ser uma consolação e um auxílio adequado. Não podem viver em paz e felicidade os que não vivem em paz e amor. Mesmo os que são uma só carne, se não forem de um só espirito, não têm a alegria de sua união.

2. É melhor não ter nenhuma companhia do que ter má companhia. A esposa do teu concerto é a tua companhia, mas, se for rixosa e iracunda, é melhor habitar em um deserto solitário, exposto ao vento e às intempéries, a habitar com ela. Um homem pode desfrutar melhor de Deus e de si mesmo em um deserto do que em meio a parentes e vizinhos briguentos. Veja versículo 9.

 

V. 20 – Observe:

1. Os que são sábios farão crescer o que têm e viverão em abundância; a sua sabedoria os ensinará a proporcionar os seus gastos à sua renda, e poupar seus recursos para o futuro; de modo que há um tesouro de coisas a serem desejadas, e que também devem ser desejadas, um bom estoque de todas as coisas convenientes, guardadas oportunamente, e particularmente, como o azeite, um dos produtos básicos de Canaã (Deuteronômio 8.8). Isto há na habitação, ou na casa, do sábio; e é melhor ter uma casa antiquada, e tê-la bem equipada, do que uma casa moderna, com má administração. Deus abençoa os esforços dos sábios, e então suas casas são abastecidas.

2. Os que são insensatos gastarão mal o que têm, gastarão em seus deleites, e assim reduzem a nada o que têm. São maus administradores os que se apressam em gastar o que têm, mas não se apressam em buscar como ganhar mais. Filhos tolos gastam o que seus sábios pais acumularam. Um pecador destrói uma grande quantidade de bem, como o filho pródigo.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PAIXÃO, AMOR, CASAMENTO…

Pesquisas neurocientíficas mostram que é possível sentir-se encantado pela mesma pessoa por décadas.

Paixão, amor, casamento...

Você já se imaginou vivendo 10, 20 ou 50 anos com a mesma pessoa? Sentindo sempre o mesmo prazer em sua companhia, o mesmo conforto em seus braços? Se a perspectiva parece interessante, agradeça ao seu cérebro (e se não lhe agrada, a culpa é dele, também). De certa forma, é curioso que laços afetivos fortes, como os amorosos, sejam tão importantes para nossa espécie. Tecnicamente, viver em sociedade, ou mesmo em pares, não é obrigatório para a sobrevivência de nenhum animal – vide tantos mamíferos, aves e outros bichos que procuram um par somente para o acasalamento e imediatamente depois seguem cada um o seu caminho.

Se gostamos de formar pares a ponto de investir boa parte de nossa energia, tempo e esforços cognitivos em convencer um belo exemplar do sexo interessante de que nós somos a pessoa mais sensacional e desejável na face da Terra, é porque o sistema cerebral humano, como o de outros animais sociais, é capaz de atribuir um valor positivo incrível à companhia alheia. Isso é função do sistema de recompensa, conjunto de estruturas no centro do cérebro especializadas em detectar quando algo interessante acontece, premiar-nos com uma sensação física inconfundível de prazer e satisfação e ainda associar esse prazer com o que levou a ele – o que pode ser uma ação, uma situação, um objeto ou… alguém. Conforme o prazer se repete na companhia dessa pessoa, o valor positivo que atribuímos a ela é reforçado (enquanto torcemos para que o mesmo aconteça no cérebro dela, associando um valor cada vez mais positivo à nossa própria companhia, claro). É o que fazemos no período de namoro, quando conversas interessantes, passeios agradáveis, boa música, boa comida e carinho oferecem prazeres que vão sendo associados à companhia do outro. Se rola sexo, então, melhor ainda: o prazer do orgasmo funciona como uma cola extraordinária para o sistema de recompensa, que atribui (corretamente!) a satisfação incrível àquela pessoa específica (mas é verdade que isso não funciona tão bem em alguns cérebros…).

Com a repetição, o sistema de recompensa vai aprendendo a ficar ativado não apenas em resposta, mas também em antecipação à presença daquela pessoa. Esse prazer antecipado é a motivação, que nos dá forças para alterar compromissos, abrir espaço na agenda e ficar acordado madrugada adentro. Essa é a paixão, estado de motivação enorme em que se faz tudo em nome de mais tempo na presença do ser amado.

Quando vira amor? Essa questão é complicada, mas existe ao menos uma definição operacional curiosa: passado o ardor da paixão, descobre-se que se ama alguém quando pensar em uma vida sem ela causa angústia sincera e profunda. O amor é esse laço que faz seu cérebro achar que sua felicidade está vinculada à presença e à felicidade do outro e que fazê-lo feliz dá novo sentido à sua vida. Nesse estado, desejar o casamento é apenas natural.

Se é para sempre? Depende de vários fatores, alguns deles fora de nosso alcance, como ser traído (e não apenas sexualmente). A boa notícia da neurociência sobre a longevidade dos relacionamentos amorosos é que eles não estão necessariamente fadados ao esgotamento: é, sim, possível se sentir apaixonado décadas a fio pela mesma pessoa. E não é mero acaso de sorte: você pode fazer sua parte. É uma questão de continuar inventando e descobrindo novos prazeres a dois. Tudo para manter o sistema de recompensa do outro interessado em você…

OUTROS OLHARES

A ERA DO DOUTOR ROBÔ

Em uma decisão que incentiva a telemedicina, o Brasil autoriza as consultas pela internet, o que terá um impacto incancelável no relacionamento entre médico e paciente.

A era do doutor robô

Poucos contatos humanos são mais reverenciados que o diálogo entre um médico e seu paciente – aquela troca, nem sempre fácil, às vezes francamente tensa, entre o profissional que zela pela saúde alheia e a pessoa que teme estar se aproximando da pior das notícias. Tem sido assim desde que Hipócrates (460 a.C.-377 a.C.), o pai da medicina, intuiu a necessidade de detalhar as doenças de quem o procurava para chegar ao diagnóstico, inicialmente com muita conversa, depois com cuidadosos exames. Desse modo, com variações mínimas, passaram-se séculos. Nos últimos anos, dada a explosão tecnológica que destruiu muitas atividades e inventou outras, abrindo atalhos inimagináveis para a humanidade, também a medicina passou a atravessar aceleradas modificações – e no centro da revolução está a convivência entre homens e mulheres de jaleco e os enfermos. Ela sempre exigiu o contato pessoal, a presença física no consultório, mas essa era está chegando ao fim.

Na semana passada, o Conselho Federal de Medicina (CFM), o órgão que regula a atividade, divulgou uma resolução de doze páginas. Nela, autoriza e incentiva o recurso à telemedicina, ou seja, o uso das inovações eletrônicas e dos meios de comunicação que surgiram com a internet para a prática de uma medicina que já não exige o contato físico. A resolução – que entra em vigor dentro de noventa dias – permite, por exemplo, que os médicos atendam seus pacientes através de um simples vídeo, coisa que, até agora, era expressamente proibida.

Telos, em grego, raiz da expressão telemedicina, significa distância. E é justamente a distância, o avesso da proximidade, que produz a estranheza. A inexistência do encontro pessoal pode parecer a negação de um princípio básico ensinado em início de carreira: a medicina de qualidade se faz sobre a tríade “ver, sentir e escutar”. Diz Renato Anghinah, professor de neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo: “Conhecer opa­ ciente é essencial. O médico precisa saber da história de vida, da família, dos problemas e frustrações de cada doente que chega ao consultório. Quanto mais empatia houver com o paciente, mais informações ele conseguirá coletar”.

Empatia, eis um conceito-chave para acompanhar a novidade. Estudo conduzido pela Universidade da Califórnia revela que, em qualquer sociedade, apenas 7% da comunicação emocional ocorre através da palavra, enquanto 38% são dados pelo tom de voz e 55% pela postura e pelo contato visual. Será que, com os recursos da inteligência artificial, com a distância física proporcionada pela tecnologia, haverá espaço para uma comunicação completa entre médico e paciente? Ainda não há resposta para essa questão, mas as primeiras reações à decisão do CFM mostraram que as resistências são grandes. Conselhos regionais alegaram não ter participado da elaboração das normas. Chegou-se a pedir inclusive a suspensão do documento. O CFM refutou as críticas declarando que a resolução foi resultado de dois anos de amplas discussões deflagradas em todo o país, e não aceitou adiar sua publicação.

Não será uma adoção fácil, e nas dores iniciais de qualquer parto é sempre bom olhar para experiências mais antigas. Nos Estados Unidos, a medicina baseada na tecnologia foi muito celebrada nos últimos trinta anos, desde a popularização do computador doméstico e, depois, com a chegada da internet. O efeito colateral: o esfriamento da relação entre o médico e o paciente. Ancorados nas máquinas, auxiliados por algoritmos, os especialistas são capazes de revelar detalhes duros do prognóstico e apontar chances de cura com extrema objetividade, mas sem exibir envolvimento emocional. A relação médico-paciente ficou técnica, fria, impessoal.

A partir dos anos 2000, como reação a esse estado de coisas, surgiu entre os americanos um movimento de “humanização na medicina”, que prega a reaproximação do profissional com o paciente. As faculdades criaram disciplinas específicas para ensinar a boa conduta deum médico. Os críticos do uso da telemedicina afirmam que, por mais que o vídeo tenha alta resolução, que a conexão seja boa, que o microfone tenha bom alcance e o médico do outro lado da tela seja experiente, a consulta a distância pulveriza o convívio primordial. “A humanização precisa ser um princípio básico também da telemedicina”, diz um dos maiores estudiosos do tema no Brasil, Chao Lung Wen, professor da USP.

Em termos práticos, como se dará essa humanização? Como contraponto ao “ver, sentir e escutar” da medicina tradicional, os entusiastas da telemedicina baseiam-se em uma trinca diferente: “praticidade, redução de custos e ampliação do acesso à saúde”. O Hospital Albert Einstein, em São Paulo, é uma instituição que usa o recurso de forma experimental desde 2012. Circula, em seus corredores, um robô com jeitão de enceradeira, controlado por celular, cuja missão é visitar os pacientes nos quartos. No topo do robô, numa tela que funciona à guisa de cabeça, aparece o médico, que pode estar a milhares de quilômetros de distância. Parece coisa de seriado futurista, mas está acontecendo neste momento. A telemedicina funciona? No Einstein, um projeto de orientação aos pacientes a distância evitou 83% das idas desnecessárias à emergência e obteve 96% de aprovação dos usuários. “A telemedicina agrada aos pacientes, evita desperdícios e desafoga o pronto-socorro”, diz Sidney Klajner, presidente do Albert Einstein.

Saliente-se, contudo, que a telemedicina não serve para todos os momentos. Pode ser útil para situações pontuais, como nos casos de acompanhamento pré-natal e mesmo depois do nascimento, já que as mães podem receber instrução remotamente sobre a melhor forma de amamentar o bebê ou sanar as angústias tão naturais dessa fase da vida. No entanto, a telemedicina não serve – pelo menos no estágio em que se encontra hoje – para pacientes com queixa de dores abdominais ou para aqueles que precisam realizar exames ginecológicos e urológicos. Muito menos para dar o diagnóstico de um câncer. “A medicina virtual dificilmente conseguirá ser tão completa quanto a consulta presencial”, diz o cirurgião oncológico Adernar Lopes, do A.C. Camargo.

Na resolução divulgada na semana passada, o CFM chancelou a cirurgia a distância (mediada pelos braços de um robô), o diagnóstico a distância (com os dados de exames transmitidos pelo computador) e a triagem a distância (uma orientação para o próximo passo do cuidado), entre outras modalidades. Para consultas, a regra impõe uma relação prévia entre o médico e o paciente. Ou seja: não é permitido marcar consulta virtual com um cardiologista desconhecido. O contato inaugural tem de ser cara a cara, presencial. A consulta a distância pode servir para contatos posteriores em que médico e paciente queiram discutir o resultado de um exame ou fazer o acompanhamento de situações pontuais. A exceção, segundo o CFM, é para as pessoas que vivem em regiões remotas do país, embora não se tenha dito ainda quais são elas.

A consulta a distância, num país desigual como o Brasil, porém, tem limites – e nota-se aí a fragilidade do lema “ampliação do acesso à saúde”. Como ampliar o acesso à telemedicina no Nordeste se nessa região somente 64% das pessoas estão conectadas à internet, contra 81% no Sudeste? Argumenta-se que a medicina a distância é promissora para os doentes crônicos. Sete em cada dez idosos vivem com problemas como hipertensão, diabetes ou colesterol alto. Um acesso remoto ao médico evitaria deslocamentos cansativos e resolveria situações emergenciais com mais facilidade. De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, em 2017, o Brasil superou a marca de 30 milhões de idosos. O problema é que somente 25% da população brasileira com 60 anos ou mais, um dos alvos evidentes da telemedicina, usa a internet. “É preciso que haja uma participação ativa do governo. Se as novas práticas forem bem aplicadas, vamos ter uma redução de filas em hospitais e melhor atendimento nas localidades isoladas, sem acesso à saúde”, diz Roberto Stryjer, fundador da Telecardio.

Há obstáculos, sem dúvidas, mas parece inexorável que, num futuro muito próximo, vejamos cada vez mais bons exemplos da telemedicina. Imaginava-se, lá atrás, que o bom gerente de uma instituição bancária se­ ria personagem vitalício, que as filas à frente dos caixas eram uma imposição sem saída. Os aplicativos de instituições financeiras, cada vez mais práticos e seguros, estabeleceram um novo mundo – tão cômodo que quase já nos esquecemos de como era antes. Será assim com a medicina. Vivemos agora um extraordinário ensaio geral, como comprovam o robô do Einstein e outros exemplos internacionais. O Reino Unido, os Estados Unidos e a Tailândia já praticam a telemedicina há um bom tempo – fizeram muito sucesso os vídeos e as fotografias de uma simpática enfermeira de alumínio, um autômato que distribui exames e remédios num hospital de Bangcoc. Nos EUA, 76% dos hospitais usam a telemedicina e 35 estados têm leis próprias em torno do assunto. Mas existe evidente espaço para crescimento. Uma pesquisa americana realizada pela Physicians Foundation com mais de 8.000 especialistas informa que apenas 18,5% dos médicos usam alguma forma de tecnologia para diagnóstico remoto. Ha­ verá expansão porque ela resulta em economia e, afinal de contas, é sempre disso que se trata (“redução de custos”, não nos esqueçamos, é um dos lemas da telemedicina).

Na Inglaterra, um serviço de cuidados a distância para idosos com doenças crônicas reduziu em 15% as visitas de emergência; em 20% as admissões hospitalares; em 14% a ocupação de leitos hospitalares; e em 45% as taxas de mortalidade. São números que explicam como e por qu ea tecnologia se expande cada vez mais no campo da saúde. Não por acaso, proliferam, especialmente nos Estados Unidos, os aparelhos de uso doméstico preparados para avaliações médicas e ingestão de medicamentos em casa.

A jornada da medicina colada às descobertas da ciência e da tecnologia é um belo capítulo da inteligência humana, e as inclinações luditas são, quase sempre, apenas uma manifestação do atraso. Você ainda será atendido por um robô – eis o que já era possível prever lá atrás, em 1959, quando médicos da Universidade de Nebraska deram o primeiríssimo passo e transmitiram exames neurológicos a estudantes em todo o campus por meio de televisores. No fim dos anos 1960, a Nasa, a agência espacial americana, deu o empurrão definitivo. Os cientistas estavam preocupados com os efeitos fisiológicos da gravidade zero nos astronautas. Para isso, criaram-se formas de estabelecer a distância um monitoramento de funções fisiológicas como frequência cardíaca, pressão arterial e temperatura. Eles estavam longe, no lugar mais longe possível, na franja da Lua. A necessidade de saber o que lhes ocorria impulsionou a telemedicina – que está cada vez mais próxima de nós.

A era do doutor robô. 2

 

A era do doutor robô. 3

GESTÃO E CARREIRA

AUTORRESPONSABILIDADE NO TRABALHO

Autorresponsabilidade no trabalho

 “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Certamente você já deve ter visto esta frase, trecho de O Pequeno Príncipe, livro do escritor francês Saint Exupéry. Na maioria das vezes, ela é citada quando nos referimos a relacionamentos afetivos, mas também pode ter um impacto significativo na sua vida profissional.

A autorresponsabilidade está ligada à disciplina, compromisso, proatividade, capacidade de assumir riscos e autorreflexão, atitudes necessárias para desenvolver mentalidade positiva e autoconfiança”, afirma a palestrante no assunto Louise Soares, especialista em Saúde Integrativa.

“Profissionais que não acreditam em sua capacidade física, mental e intelectual não colhem bons resultados, mesmo que se esforcem exaustivamente. Por isso, precisam expandir a consciência com injeções de ânimo e garra para superar desafios e se sentirem capazes de assumir responsabilidade por seus atos”, conta Louise Soares.

Segundo ela, toda pessoa pode e deve ser protagonista da própria vida pessoal e profissional. Existem recursos para isso. Um deles é entender que somos um só e que os problemas da vida pessoal podem, sim, impactar na rotina de trabalho na empresa se você não estiver atento.

“Sabemos que resultado depende de engajamento, mas se estivermos presos a problemas pessoais, não conseguimos ser responsáveis no trabalho. Muitos profissionais não conseguem separar as coisas e acabam deixando a vida pessoal minar sua produtividade no trabalho”, acrescenta a Dra. Louise.

Neste processo, os gestores têm papel importante e, também, de muita responsabilidade. É importante que eles saibam delegar tarefas corretamente, motivar os colaboradores a agirem de uma maneira mais autônoma e desenvolver uma postura de autorresponsabilidade.

A abordagem dentro da empresa que estimule seus funcionários quanto a mudança de hábitos, inteligência mental-emocional, disciplina e foco nos objetivos pode transformar o resultado de profissionais, equipes e empresa como um todo.

“Até hoje, ainda é raro empresas que abrem espaços para diálogos sobre relacionamentos tóxicos, mentalidade fixa, conflitos, comportamentos destrutivos e sentimentos de autodesvalorização, que acarretam muitos prejuízos à carreira dos colaboradores. Então é importante abrir os olhos para isso e, principalmente, abrir um canal de conversas de qualidade”, afirma a palestrante Louise Soares.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 21: 13-16

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 13 – Aqui temos a descrição e o destino de um homem não caridoso.

1. A sua descrição: Ele tapa seus ouvidos para o clamor do pobre, para o clamor de suas necessidades e misérias (ele decide não tomar conhecimento delas), para o clamor de seus pedidos e súplicas – ele decide que nem mesmo dará ouvidos a eles, e assim o expulsa de sua porta, e proíbe que se aproxime dele, ou, se não conseguir evitar ouvi-lo, não prestará atenção a ele, nem será comovido por suas queixas, nem se deixará vencer pela sua importunação; ele fechará as entranhas da sua compaixão, e isto é equivalente a tapar os seus ouvidos (Atos 7.57).

2. O seu destino. Ele mesmo será reduzido a dificuldades, aflições, que o farão clamar, e então não será ouvido. Os homens não o ouvirão, mas o recompensarão assim como ele recompensou a outros. Deus não o ouvirá; porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia (Tiago 2.13), e aquele que, na terra, negou uma migalha de pão, no inferno lhe foi negada uma gota de água. Deus se fará de surdo para as orações dos que são surdos para os clamores dos pobres, pois, se não forem ouvidos por nós, serão ouvidos contra nós (Êxodo 22.23).

 

V. 14 – Aqui temos:

1. O poder que se encontra normalmente nos presentes. Nada é mais violento do que a ira. Oh, o forte poder da ira! E um presente agradável, administrado com prudência, afastará a ira de alguns homens, quando ela parecia implacável, e desarmará os mais inflamados e vorazes ressentimentos. A cobiça é, normalmente, um pecado superior, e tem o controle de outros desejos. O dinheiro comanda todas as coisas. Assim Jacó pacificou Esaú, e Abigail pacificou Davi.

2. A política que é comumente usada ao dar e receber subornos. Deve ser um presente dado em segredo, e uma recompensa no seio, pois aquele que o recebe não deve ser julgado como cobiçando-o, nem ser conhecido por recebê-lo, nem estaria, de bom grado, em dívida com aquele que o ofereceu; mas pensam que se isto for feito particularmente, não haverá problema. Nenhum homem de­ veria estar disposto demais a dar qualquer presente, nem a se vangloriar dos presentes que envia; mas, se o presente for um suborno para perverter a justiça, isto é tão escandaloso, que aqueles que o admiram se envergonham da situação.

 

V. 15 – Observe:

1. É um prazer e uma satisfação para os homens bons, tanto ver a justiça administrada pelo go­ verno sob o qual vivemos, com a aplicação do direito e a supressão da iniquidade, como também praticar a justiça, eles mesmos, conforme a sua esfera. Eles não somente fazem a justiça, mas a fazem com prazer, não somente por temor à vergonha, mas também pelo amor à virtude.

2. É um terror para os ímpios ver as leis postas em execução contra a maldade e a profanação. Para os tais, é destruição, como também é um tormento para eles serem forçados (seja para o sustento da sua reputação ou por temor à punição) a realizarem o juízo, eles mesmos. Ou, se interpretarmos como está escrito, o significado é: Há verdadeiro prazer na prática da religião, mas uma destruição garantida no final de todos os caminhos iníquos.

 

V. 16 – Aqui temos:

1. O pecador, em sua perambulação. Ele anda desviado do caminho do entendimento, e uma vez deixado esse bom caminho, ele vaga incessantemente. O caminho da religião é o caminho do entendimento; os que não são verdadeiramente piedosos não são verdadeiramente inteligentes; os que se desviam deste caminho rompem os limites que Deus estabeleceu, e seguem a conduta do mundo e da carne; eles se desgarram como ovelhas perdidas.

2. O pecador em seu repouso, ou melhor, sua ruína: Ele permanecerá (repousará, mas não em paz) na congregação dos gigantes (assim alguns interpretam), os pecadores do mundo antigo, que foram varridos pelo dilúvio; a isto é comparada a condenação dos pecadores, como também às vezes à destruição de Sodoma, quando eles são descritos como tendo a sua porção de fogo e enxofre. Ou na congregação dos condenados, que estão sob o poder da segunda morte. Há uma grande congregação de pecadores condenados, ajuntados em feixes para o fogo, e nela permanecerão, para sempre, os que são expulsos da congregação dos justos. Aquele que abandona o caminho para o céu, se não retornar a ele, certamente mergulhará nas profundezas do inferno.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SOMOS TODOS “PSICOSSOMÁTICOS”

Quando as dificuldades enfrentadas são muito intensas ou ocorrem num curto intervalo, sem que tenhamos tempo para nos recuperar, mesmo os mais equilibrados dificilmente conseguem absorver e elaborar os problemas. E o sofrimento se expressa no corpo de alguma forma.

Somos todos psicossomáticos

No dia a dia observamos pessoas que adoeceram gravemente após terem tido um grande problema na vida. Cada vez mais, nos últimos anos, tem sido reconhecido o fato de que fatores psicológicos participam do aparecimento e curso de patologias físicas. Um caso que não deixa margem à dúvida: os pesquisadores americanos D. Phillips e D.G. Smith constataram que, na colheita chinesa da Califórnia, na semana que precede a festa da Colheita da Lua, em setembro, a mortalidade diminui 35% .Na semana seguinte, os índices se reequilibram, numa espécie de “compensação”, e as pessoas voltam a ser vitimadas por acidentes vasculares cerebrais, doenças cardíacas e neoplasias. “Vemos que a expectativa feliz da festa é um fator psicológico que garante um novo alento de vida aos chineses, diminuindo a mortalidade”, escreveu o oncologista francês Claude Jasmin ao analisar o caso.

Reconhecidamente, o estresse tem papel importante no desenvolvimento de doenças, tanto físicas quanto mentais. Esse estado, porém, parece impreciso, às vezes até mesmo para psicólogos. Nesse sentido, a psicossomática tem se mostrado uma opção para a compreensão dos processos mentais envolvidos no adoecimento físico. Curiosamente, essa área surgiu na França e nos Estados Unidos, embora seus formuladores não soubessem das pesquisas um do outro. Os europeus, na verdade, precederam os americanos em nove anos. Em 1963, Pierre Marty, então presidente da Sociedade Francesa de Psicanálise, e seus colaboradores publicaram o artigo O pensamento operatório. Em 1972, o psicanalista Peter Sifneos, professor da Universidade Harvard, introduziu a noção de alexitimia, que se referia praticamente ao mesmo que Marty. Ambos os termos significam que, numa situação difícil da vida (como perda ou separação, falência, ameaça persistente, forte humilhação), é mais comum que voltemos nosso pensamento para o que aconteceu, muitas vezes independentemente de nossa vontade, trazendo lembranças, imaginando consequências e tirando conclusões. Com isso, elaboramos o problema – e não importa se nossas conclusões são as melhores, nem se nosso pensamento corresponde à realidade, o que conta é que nossa mente se ocupe do problema.

No pensamento operatório, no entanto, a mente se volta minimamente ao que aconteceu. A formulação central proposta pela psicossomática é a seguinte: de qualquer forma o indivíduo é afetado pelo problema; se sua mente não o elabora, ele atinge o corpo, o soma, daí o termo somatização.

Particularmente, prefiro a psicossomática de Marty porque nela o pensamento operatório foi se refinando e dando lugar a diversificações e ao conceito de mentalização, oferecendo espaço a gradações. Fala-se hoje em pessoas “melhor” ou “pior” mentalizadas. Podemos pensar em exemplificar com dois indivíduos hipotéticos, A e B, relatando como foi seu dia:

A) Tomei café da manhã ouvindo as notícias.

B) Tomei café da manhã pensando na discussão ontem à noite com meu filho.

A) No trânsito, fiquei ouvindo música e pensando em tudo que ia fazer durante o dia.

B) No trânsito fiquei ouvindo música e uma delas me fez lembrar a vez em que dancei esta música com minha primeira namorada.

A) Fiquei pensando em C, em como será nossa convivência no trabalho, já que fui promovido e ele não.

B) Fiquei pensando sobre que faculdade meu filho deveria cursar e na viagem de formatura dele daqui a quatro anos. Será que vale a despesa?

A) Passei a tarde conversando com clientes. Quando finalmente fiquei só, pensei em como deveria conversar no dia seguinte com D sobre o projeto.

B) Passei a tarde conversando com os clientes.

A) À noite fiquei assistindo TV com minha mulher.

B) À noite fui à casa de minha mãe e me senti culpado de ter ficado pouco tempo lá, mas ando muito ocupado. Quando eu namorava, estava com minha mãe e queria logo ir embora ver minha namorada. No caminho me sentia culpado.

 Podemos perceber que B é mais bem mentalizado em comparação a A, cujo pensamento é voltado a ações e ao momento presente (poucos dias antes, poucos dias depois). O pensamento de B tem autonomia, distancia-se das ações, tece relações (ou associações de ideias), faz incursões pelo passado longínquo ou futuro distante. Em razão das limitações decorrentes da pouca autonomia e do fato de se ater ao presente, a quantidade de pensa­ mentos de B acaba, consequentemente, sendo menor do que a de A. Numa psicoterapia, B não tem muito a dizer. Mas nos momentos difíceis da vida, A e B não mudam o funcionamento mental; o pensamento de B continua sendo sumário – mas em momentos críticos isso prejudica sua saúde física.

Somos todos psicossomáticos. 2

LIMITES TÊNUES

Quando a mentalização é precária e o pensamento é muito unido às ações, a vida onírica também se apresenta empobrecida. Quando dormimos e deixamos de agir, o pensamento se esvai e não há produção de sonhos – eles são muito raros, de tipo simples, sem elementos insólitos e de fácil interpretação, revelando assim a pouca atividade mental na sua construção.

Há algo importante a ser considerado: essa concepção de somatização só é válida para doenças graves (por definição, aquelas em que a possibilidade de morte é quase certa se a medicina não for capaz de intervir). Doenças crônicas muito comuns, que se apresentam geralmente na forma de crises – como asma, enxaqueca, cefaleia tensional, dores nas costas, prisão de ventre, gastrite e úlcera-, não seguem esse esquema, não têm relação com a mentalização, embora cada manifestação corresponda a uma dificuldade psicológica característica do paciente.

Porém, se as dificuldades enfrentadas forem muito intensas, principalmente se surgirem vários problemas simultâneos ou estes se sucederem em curto intervalo, mesmo uma pessoa com mentalização de boa qualidade dificilmente conseguirá absorver e elaborar os problemas e terá grandes possibilidades de somatizar gravemente – o que nos leva a crer que somos todos “psicossomáticos”. É importante destacar, porém, que o aparecimento de doenças graves depende de nossas predisposições genéticas e adquiridas – por exemplo, pelo uso do tabaco, ou de agentes do meio ambiente, como vírus e bactérias.

A personalidade mais vulnerável a somatizações graves foi chamada por Marty de neurose de comportamento. Nos Estados Unidos, alguns anos depois, o psicanalista Otto Kernberg descreveu o mesmo tipo de personalidade, designada borderline, que depois passou para a classificação do DSM- IV. A descrição de Marty, entretanto, continua mais completa por incluir a mentalização. Uma primeira característica dessa personalidade é a impulsividade. Significa que a ação é intempestiva, não há retenção no pensamento e a ação “transborda” em direção ao alvo. Isso ocorre porque o indivíduo é tomado por uma emoção muito intensa. Ora, a emoção fica muita intensa porque não cai na rede dos pensamentos, não é modulada por eles, justamente por haver “pouco pensamento”, ou seja, uma má mentalização. Outra característica do borderline consiste em estar quase permanentemente ligado a coisas externas, assistindo TV, por exemplo, ou fazendo algo.

Somos seres sociais; se não estamos nos relacionando com alguém presente, tecemos relações em nosso mundo interno, imaginando diálogos e as mais diversas situações. Como para o paciente com características borderlines falta esse contato interno, o processo se dá externamente. A pessoa vive temendo separações, e seu ponto fraco para somatizações é justamente a ruptura de relacionamentos. Nessas ocasiões, o indivíduo fica desesperado, até eventualmente encontrar substitutos.

A principal causa da constituição da personalidade borderline está nos maus cuidados com o bebê. Na prática, isso se dá em situações de falta de amor ou incoerência afetiva (na qual sentimentos positivos se alternam com negativos de um momento para o outro), violência física, caos na guarda (a criança passa semanas ou meses com a mãe, outras semanas ou meses com a avó, até poder ir parar num abrigo). Nos casos mais graves, encontramos todos esses antecedentes. Nessas condições de maus cuida dos, a mentalização mal se constitui. O prejuízo pode ser revertido na infância se as condições mudarem, mas depois dessa fase torna-se mais difícil reparar os prejuízos.

Pessoas com mentalização um pouco melhor que os que sofrem com a personalidade borderline podem apresentar neurose de caráter (o termo foi usado por Marty e substituído depois por neurose mal mentalizada). A descrição do psicanalista francês também precedeu a da personalidade narcísica apresentada pelos psicanalistas Heinz Kohut e Otto Kernberg, que também passou para a classificação do DSM- IV. A descrição de Marty é mais abrangente porque parte de formas mais amenas – embora já vulneráveis a somatizações graves – em vez de manifestações nas quais a patologia mental é mais evidente. O DSM­ IV volta-se para quadros sintomáticos mais “evidentes e barulhentos” e assim considera dentro de uma faixa de normalidade formas mais brandas que, no entanto, podem estar correlacionadas com maior vulnerabilidade para somatizações graves.

Na personalidade narcísica o investimento essencial está na formação de um ego ideal, segundo a nomenclatura de Marty – ou self grandioso, conforme Kohut e Kernberg. Ainda na infância o sujeito mostra certa independência, como se não precisasse dos cuidadores.

Na adolescência formam-se fantasias de muito poder, riqueza, beleza e principalmente a necessidade da relação superior-inferior, na qual o narcisista estaria obviamente identificado com o superior. Nesse caso, os cuidados negligentes com o bebê não foram tão ruins quanto no caso do paciente borderline. Aqui, geralmente, o que mais ocorre é falta de amor e dedicação, uma hostilidade encoberta. Compensatoriamente o bebê infla seu self e agarra-se a ele (enquanto o borderline se agarra às pessoas). Como os cuidados não foram de boa qualidade, consequentemente, além do self grandioso, deparamos com uma má mentalização.

Maiores problemas na vida, como falência e traição, por exemplo, ferem o self grandioso. Se o indivíduo não consegue culpar outros ou responsabilizar as circunstâncias, fica arrasado, o que pode ser uma porta de entrada da somatização grave. Mas o próprio ciclo da vida com a chegada da meia-idade e o início do processo de envelhecimento dificilmente é aceito pelo self grandioso, já que a pessoa cultiva a ideia de que estar envelhecendo é sinal de inferioridade, o que pode resultar em somatizações graves.

Um terceiro funcionamento mental propenso ao adoecimento foi chamado por Marty de mentalização incerta. O paciente mostra pouca presença da mente como nas más mentalizações vistas antes, no entanto, um dia a pessoa relata um sonho complexo ou tece relações reflexivas como nas boas mentalizações. Isso, porém, é “sem amanhã” – e o paciente volta por muito tempo à precariedade dos conteúdos mentais. Na realidade, não se trata de uma má mentalização, mas sim de uma repressão maciça do pré-consciente (numa referência a conteúdos que sabemos existirem, diferentemente dos conteúdos inconscientes). O indivíduo não quer saber de si (é como se existisse outro ele dentro dele). Muitas vezes mais voltada a profissões e atividades técnicas, essa pessoa isola seu universo psíquico e tende a ver a psicologia com certo escárnio. Esse tipo de paciente chega à terapia normalmente por insistência de alguém próximo. Se o terapeuta não focar logo essa repressão maciça, a possibilidade de o paciente deixar o tratamento é grande. Como esse indivíduo não apresenta nenhum sintoma “barulhento”, ele ficou excluído do DSM-IV.

Somos todos psicossomáticos. 3

RAÍZES NA INFÂNCIA

Há duas causas da repressão maciça. A primeira e mais comum consiste na educação relativamente afetuosa mas muito severa e aplicada precocemente. Em linhas gerais, é como se o bebê tivesse de aprender a dizer “obrigado” quando ganha algo, antes mesmo de aprender a dizer “mama” e “papa”. Uma segunda causa vem de traumas ocorridos depois dos 2 anos, como a morte de um dos pais, as separações muito tumultuadas entre eles ou o abuso sexual. Não querer pensar no que aconteceu aparece como defesa natural da criança, mas se perdurar isso trará prejuízos ao seu desenvolvimento, já que a defesa pode se cristalizar e se generalizar, resultando na mentalização incerta – infelizmente, na intenção de preservar a criança, muitos cuidadores favorecem esse desdobramento.

Os momentos muito difíceis são acompanhados normalmente de ansiedades difusas. São estados de aflição muito intensos, relativamente justificados pelos fatos. No DSM-IV, caberiam no item que se refere a transtorno de adaptação, e não aos transtornos de ansiedade (pânico, ansiedade generalizada, fobias, transtorno obsessivo ­ compulsivo, reapresentação do trauma), cuja causa aparentemente não é justificada. No paciente bordeline, os estados de desespero são equivalentes da ansiedade difusa, e, no paciente narcísico, os momentos em que se sente arrasado que são equivalentes da ansiedade difusa. Na realidade, a ansiedade difusa propriamente dita ocorre mais nas melhores mentalizações (que podem conduzir a somatizações graves). Também nas melhores mentalizações podemos constatar, antes que a doença se instaure, o que Marty chamou de depressão essencial. Ela é indolor, sem a tristeza e/ou imobilidade que caracteriza a depressão na classificação do DSM-IV. Na manifestação à qual Marty se refere, vemos desaparecer a vida onírica, a pessoa deixa de ter ideias e cai em fórmulas feitas, na repetição do mesmo, em automatismos.

Na psicoterapia, o profissional procura, de imediato, assumir o papel do ego auxiliar da mentalização do paciente, trazendo a dificuldade de vida como tema a ser tratado e examinando os vários aspectos da questão, de forma a chegar gradativamente às partes mais dolorosas, não deixando o assunto esmorecer, que seria uma tendência natural na má mentalização. Ao longo do processo terapêutico, a proposta é ajudar a pessoa a melhorar sua capacidade de mentalização para que possa elaborar os problemas futuros de maneira mais eficiente.

OUTROS OLHARES

CYBERSLACKING

Observa-se, com uma frequência cada vez maior, uma parcela de funcionários que apresentam comportamentos desadaptativos no uso dos recursos eletrônicos no ambiente de trabalho, causando tanto prejuízos pessoais como organizacionais.

Cyberslacking

Davis (2002) comenta que a Internet modificou substancialmente o ambiente de trabalho, de forma irreparável. Liberman et ai. (2011) sustentam a afirmação de Davis, e ainda apontam uma perfeita sincronia no posicionamento dos autores em um ponto em específico: apesar da ampla disseminação dos recursos eletrônicos, pouco se tem estudado sobre os seus efeitos no comportamento organizacional, revelando a existência de uma área, até então, pouco explorada. Como dito anteriormente, a tecnologia é neutra, e apesar dos variados benefícios desse uso, observa-se, com uma frequência cada vez maior, uma parcela de funcionários que apresentam comportamentos desadaptativos no uso desses recursos eletrônicos no ambiente de trabalho. Esse ponto, em especial, é o que justificou a confecção deste artigo, no qual será enfocado no grupo de colaboradores que utilizam tais elementos tecnológicos de forma inadequada, causando tanto prejuízos pessoais como organizacionais. E isso tem um nome: cyberslacking. O termo equivalente, em português, “cibervadiagem”, não será usado, devido à sonoridade vulgar que essa denominação obteve.

Blanchard e Henle (2008) sugerem que o uso de periféricos eletrônicos no ambiente de trabalho, com propósito estritamente pessoal (atividades que poderiam ser feitas, por exemplo, na residência do trabalhador após o expediente), é denominado cyberloafing, cyberbludging ou cyberslacking.

Atividades que se referem ao minor cyberloafing podem, aparentemente, ser questionadas se são realmente prejudiciais, em especial por ser um hábito frequente de muitos funcionários. Blanchard e Henle (2008) apontam, em resposta a essa possível inquietação: o cyberslacking pode, inicialmente, ser inofensivo, porém, torna-se problemático quando a produtividade do funcionário é afetada e ele não mais consegue controlar o tempo despendido nessa atividade, que se tornou de uso pessoal, não mais empresarial. Em relação ao serious cyberloafing, é possível que o funcionário esteja expondo a empresa a responsabilidades legais (o ciber-sexo no ambiente de trabalho é uma prática condenável).

Cyberslacking. 2

CAUSAS DO CYBERSLACKING

Runing-Savitri (2012) e Kim e Byrne (2011) sugerem as possíveis causas do cyberslacking:

  1. A) DIFICULDADE DE AUTOCONTROLE (usuários que possuam dificuldades em controlar o comportamento impulsivo em relação à tecnologia podem estar vulneráveis à manifestação sintomatológica no ambiente de trabalho);
  2. B) PROCRASTINAÇÃO (o hábito de procrastinar, ou seja, “deixar para depois”, induz o funcionário a manter-se disperso dos objetivos do trabalho. Desta forma, é possível que esse profissional engaje-se em atividades que não deveriam ser praticadas no horário de trabalho. Não é objetivo aqui investigar outros fatores intrínsecos relacionados à procrastinação);
  3. C) MONOTONIA NO AMBIENTE DE TRABALHO (funcionários que realizam atividades que, de acordo com eles, sejam consideradas desprazerosas ou repetitivas, que podem levá-lo a buscar recursos mais “interessantes” no horário da jornada de trabalho);
  4. D) OPORTUNIDADE PARA LIBERAÇÃO DO ESTRESSE (funcionários que estejam sobrecarregados de tarefas ou apresentem desequilíbrio emocional podem utilizar os jogos eletrônicos, o celular ou a Internet como estratégia lúdica para sentirem-se mais relaxados. Essa prática, controlada, pode ser incentivada);
  5. E) ESCAPISMO (de forma mais grave, é possível que alguns funcionários utilizem os recursos tecnológicos como uma forma de ausentar-se do enfrentamento de suas obrigações, como uma estratégia de fuga);
  6. F) DEPENDÊNCIA DE JOGOS ELETRÔNICOS, INTERNET E CELULAR (o nível mais complexo de comprometimento do uso da tecnologia é a dependência, caracterizada como a incapacidade do funcionário em controlar o seu tempo de uso da tecnologia. Além disso, ele apresenta alterações emocionais, como irritabilidade e tristeza quando interrompe o uso. Para esse indivíduo, a tecnologia pode se tornar o aspecto mais importante de sua vida, interferindo no seu bem-estar psíquico, refletindo em prejuízos, também, no ambiente de trabalho).

Cyberslacking. 3

IMPLICAÇÕESDO CYBERSLACKING

ESGOTAMENTO DO EGO: Hagger et ai. (2010) ressaltam que a autorregulação é a capacidade finita do sujeito em ter controle sobre as respostas dominantes. Quando essa capacidade é enfraquecida, ocorre um significativo prejuízo no auto­controle, levando ao esgotamento do ego. Wagner et al. (2012) relacio naram o cyberslacking ao conceito de autorregulação. Os pesquisadores ressaltaram, em um estudo realizado em Singapura, que funcionários com qualidade de sono prejudicada apresentaram uma tendência maior ao cyberslacking quando comparados aos colegas de trabalho que tiveram uma noite de sono reparadora.

CRENÇAS DISTORCIDAS: funcionários que desconsideram estarem diante de uma problemática (quando na verdade estão) podem estar fazendo parte do grupo de colaboradores com a prática mais debilitante de cyberslacking. Suas crenças a respeito do líder, da possibilidade do anonimato e da conveniência no acesso à Internet podem funcionar como cognições reforçadoras desse hábito nocivo. Apesar de serem pensamentos distorcidos, Kim e Byrne (2011) mencionam que, em algumas empresas, esses são os pensamentos comuns de alguns empregados. De certa forma, os funcionários minimizam os reais riscos desse comportamento, além das consequências negativas que ele pode causar tanto para a sua carreira como para a própria empresa em que trabalha.

Liberman et ai. (2011) também sugerem, em relação às crenças do funcionário, que aqueles que interpretam que a empresa não necessita de que este funcionário esteja envolvido com ela podem apresentar uma tendência maior ao uso inadequado da Internet.

Ávila e Stein (2006) comentam que o Modelo dos Cinco Grandes Fatores considera que a personalidade é constituída por cinco grandes traços: extroversão, socialização, escrupulosidade, neuroticismo e abertura para experiência. Buckner, Castille e Sheets (2012), através desse modelo, relacionaram-no ao uso problemático de tecnologia no âmbito organizacional. Os autores sugerem que investigar a personalidade do funcionário é uma estratégia a ser cogitada pelas empresas, especialmente em como ela se relaciona ao uso de tecnologia no trabalho. De acordo com os pesquisadores, quanto maior o nível de escrupulosidade do funcionário menor é a tendência de que o empregador observe o cyberslacking dentro de sua empresa.

Everton, Mastrangelo e Jolton (2005), em um estudo realizado com 80 empregados, por meio de um questionário sobre comportamentos contraprodutivos na Internet em horário de trabalho, apresentaram que homens utilizam a Internet de forma desadaptativa em maior nível do que as mulheres e que quanto mais jovem o trabalhador, maiores são as chances de cyberslacking. Em relação à personalidade do trabalhador foi identificado que quanto menor a escrupulosidade, maior o nível de utilização da Internet com fins pessoais no local de trabalho, resultado semelhante ao estudo de Castille e Sheets (2012).

Cooper, Safir e Rosenmann (2006) realizaram um estudo com 3.466 participantes. Destes, 18.5% (642 usuários) afirmaram engajar-se em atividades sexuais on-line enquanto estão no ambiente de trabalho. Os resultados, de acordo com os autores da pesquisa, são preocupantes. Além das implicações legais que o funcionário possa precisar enfrentar, ainda há outros pontos negativos, como a diminuição da produtividade e a repercussão negativa desta prática dentro da organização.

Os participantes que utilizam pornografia no ambiente de trabalho mencionaram que são conscientes de que estão engajados em uma atividade considerada ilegal, quando dentro da empresa. Entretanto, afirmam que, como estratégia, escolhem o momento mais oportuno do expediente para o cibersexo.

Cyberslacking. 4

QUEM DEVE SER CONTRATADO?

Davis, Flett e Besser (2002) mediaram o uso problemático de Internet no ambiente de trabalho, em um estudo realizado com 211 estudantes de graduação em Psicologia. Foi realizada a aplicação dos seguintes instrumentos: On-line Cognition Scale (OCS) (escala de uso problemático na Internet), Barratt Impulsiveness Scale 11 (BIS-11) (escala relacionada à impulsividade), Center for Epidemiological Studies Depression Scale (CES -D) (escala referente à sintomatologia depressiva na população em geral), UCLA Loneliness Scale (version 3) (escala que mede o sentimento de solidão e a discrepância entre o contato social desejado e o alcançado), Procrastinatory Cognitions lnventory (PCI) (escala que mede a procrastinação), Internet Behavior and Attitude Scale (IBAS) (escala sobre uso problemático da Internet) e, por fim, a Rejection Sensitivity Questionnaire (RSQ) (questionário sobre a temática da rejeição).

Após o preenchimento dos instrumentos, os resultados demonstraram que: nível moderado ou alto de distração, procrastinação e uso problemático de Internet são prognósticos negativos, sendo sinais para possível avaliação do empregador, no momento da seleção. Os autores sugerem que estes participantes, quando se tornarem funcionários, poderão gerar possível prejuízo à empresa devido ao cyberslacking.

Diversas empresas nos Estados Unidos vêm adotando estratégias no combate ao cyberslackíng. Abaixo os resultados de alguns pesquisadores:

a) Mills et ai. (2001): estabelecimento de uma política de gestão de Internet, além da instalação de filtragens em aplicações específicas.

b) Whitty e Carr (2006): uso de testes psicológicos que possam ajudar os empregadores a identificar funcionários potencialmente problemáticos.

c) Anandarajan, Simmers e D’Ovidio (2011): reforçam o aspecto mais subjetivo, quando apontam a necessidade de reformular a percepção dos empregadores e empregados sobre o uso pessoal de Internet no ambiente de trabalho.

d) Frangos, Frangos e Sotiropoulos (2010): aconselham palestras e seminários na empresa sobre o tema, assim como a inserção de estratégias de monitoramento do uso de Internet.

O cyberslacking é um assunto lamentavelmente escasso na literatura nacional. Aparentemente trata-se de um paradoxo a falta de artigos científicos sobre esse tema tomando como referência a importância do que pode ser feito quando esse fenômeno ocorre no ambiente de trabalho. Consideramos, por fim, para as empresas que buscam um olhar prático em relação ao tema (monitoramento e seleção de emprego) que, apesar de ter sido mostrada a existência de modelos que possam dificultar o cyberslacking do funcionário, o prognóstico ainda é negativo.

GESTÃO E CARREIRA

COMO SOMOS EDUCADOS PARA FALHAR NA CARREIRA

Como somos educados para falhar na carreira.png

É interessante o fato de a profissão moderna de enfermeiro ter aparecido somente a 150 anos, apesar da doença ser uma condição que sempre nos acompanhou. Cuidadores existiam até então, mas se restringiam aos familiares próximos, amigos, religiosos (freiras, por exemplos) ou, raramente, a voluntários.

Foi então que, no século 19, uma nobre britânica chamada Florence Nightingale se dedicou a cuidar de doentes, acreditando que uma boa educação e princípios científicos poderiam ajudar nessa recuperação. Sua atuação na guerra da Crimeia e consequente redução do número de mortes entre os soldados feridos, foi amplamente divulgada na sociedade britânica. No final do século 19, quase toda a sociedade ocidental adotava a ideia de Florence de ter enfermeiros capacitados em hospitais.

Pela previsão de especialistas, essa profissão ainda tem muito futuro. Empurrada pelo aumento da renda e por uma população que vive mais, se espera que enfermagem seja uma das profissões que mais crescerá no setor de saúde. Estima-se de 80 a 130 milhões de novas posições até 2030, o que representa 2 a 4 vezes mais do que as relacionadas à área de tecnologia. Assim como na saúde, outros setores tradicionais também criarão mais postos do que a tecnologia, como o de varejo, construção e educação.

Todo o ‘buzz’ relacionado à tecnologia e ao futuro do trabalho criou a falsa percepção de que as posições na área serão predominantes no futuro. Elas são uma boa opção de carreira, estão crescendo e irão crescer, mas estão longe de serem predominantes no mercado de trabalho. Pensar dessa forma reduz a ansiedade, principalmente de pais que me perguntam se deverão colocar os filhos em escolas de programação para prepará-los para a vida.

Pensar a carreira no futuro não será tão diferente do que deveria ser hoje. O mundo deverá ter muito trabalho, apesar dos prognósticos relativos à automação e à eliminação de posições. Antigas profissões continuarão a existir, várias vão sumir e outras aparecerão. Um lado positivo é que, em vez de menos teremos mais opções.

As possibilidades não são só em relação ao trabalho em si. O modelo de emprego que conhecemos ainda será predominante por muito tempo, como mostram recentes levantamentos estatísticos. Mas o trabalho do profissional autônomo qualificado, que já tem sido mais aceito por grandes corporações, assim como o trabalho temporário, deve crescer. Ambos se beneficiam das plataformas de negócio que conectam a oferta e a demanda por esses serviços.

Mas, isso não significa que todos serão bem-sucedidos. Excluindo os modelos de gestão econômica ou sistemas políticos que excluem multidões de postos de trabalho, existem tendências que contribuem para aumentar esse risco. A tecnologia tem um papel fundamental nisso. A enfermagem evoluiu muito desde os tempos de Florence. Novas tecnologias permitirão que muitas das tarefas hoje realizadas por médicos sejam transferidas para enfermeiros e realizadas com eficácia mesmo longe de hospitais.

A maioria das profissões não estará na área de tecnologia, mas ela transformará praticamente todas as formas de trabalho. Assistentes digitais, inteligência artificial e sensores inteligentes mudarão a maneira como fazemos as tarefas, como aconteceu com o e-mail na década de 90.

O legal é que não será necessário aprender a programar para isso. Será preciso apenas o mínimo de curiosidade e criatividade para aplicar a tecnologia. E essas são habilidades que temos desde criança até que o sistema de educação nos condiciona a dar as respostas certas para nos sentirmos aceitos. Passamos então a viver sempre sob a ameaça de falharmos. Esse é o fardo que a maioria carrega em suas carreiras e que é reforçado pelas organizações.

Carreiras em sua maioria não são lineares, mas desenvolvidas ao longo do tempo, seja por nossas buscas pessoais ou por influência de fatores externos. O sucesso da transição do mundo do trabalho atual para o futuro requer mais do que capacitação. Ele exige um novo modelo mental para interagimos que seja estimulado pela curiosidade e pela vontade de realizar. Características que devíamos ter à disposição, mas que somos condicionados como sociedade a esquecer.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 21: 9-12

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 9 – Veja aqui:

1. Que grande aflição é para o homem ter uma mulher rixosa como sua esposa, que em cada ocasião, e frequentemente sem motivo, irrompe em irritação, e censura, a ele ou aos que estão à sua volta, é nervosa consigo mesma, furiosa com seus filhos e servos, e, em todos os casos, vergonhosa para seu esposo. Se um homem tem uma casa ampla, espaçosa e pomposa, esta esposa irá amargurar o conforto da mesma para ele – uma casa de sociedade (é o significado da palavra), em que um homem pode ser sociável, e receber os seus amigos; a sua esposa o fará, e à sua casa, insociáveis, e inadequados para os prazeres da verdadeira amizade. Ela torna um homem envergonhado da sua escolha e da sua administração, e incomoda e perturba os seus amigos.

2. O que muitos homens são forçados a fazer, sob tal aflição. Eles não conseguem manter a sua autoridade. Um homem sob tal condição não vê propósito em contradizer esta paixão tão irracional de sua esposa, pois ela é desregrada e enfurecida; e a sua sabedoria e graça não permitirão que ele retribua ataque com ataque, nem o seu afeto conjugal permitirá que ele use de qualquer severidade, e por isto ele percebe que o melhor caminho é isolar-se em “num canto de umas águas-furtadas”, e ficar sozinho ali, sem ouvir o clamor dela; e se ele se ocupar bem ali, como pode fazer, este é o mais prudente caminho que pode adotar. É melhor fazer isto, do que deixar a casa e sair com más companhias, por diversão, como muitos, que, como Adão, fazem do pecado de sua esposa a desculpa para o seu.

 

V. 10 – Veja aqui o caráter de um homem muito ímpio.

1. A forte inclinação que ele tem para fazer o mal. A sua própria alma deseja o mal, deseja que o mal possa ser feito e que ele possa ter o prazer, não somente de vê-lo, mas de participar dele. A raiz da iniquidade está na alma; o desejo que os homens têm de fazer o mal é o desejo que planeja e executa o pecado.

2. A forte aversão que ele sente pelo bem: o seu próximo, o seu amigo, o seu parente mais próximo, não agrada aos seus olhos, não consegue obter dele a menor generosidade, ainda que esteja na maior necessidade. E, quando ele está na busca do mal, o seu coração torna-se inteiramente dedicado a isto, e ele não poupará nenhum homem que se ponha em seu caminho; o seu próximo não será considerado melhor do que um estranho, do que um inimigo.

 

V. 11 – Nós já lemos isto anteriormente (Provérbios 19.25), e isto mostra que há duas maneiras pelas quais o simples pode se tornar sábio:

1. Por meio das punições que são infligidas aos que são incorrigivelmente ímpios. Que a lei seja executada sobre um escarnecedor, e mesmo aquele que é simples será despertado e alarmado por isto, e irá discernir, mais do que antes, o mal do pecado, e por meio disto será avisado, e tomará cuidado.

2. Por meio das instruções que são fornecidas aos que são sábios e dispostos a ser ensinados: quando o sábio é instruído pela pregação da palawa (n ão somente o próprio sábio, mas o simples que está peito dele), recebe o conhecimento. Não é injustiça a ninguém aproveitar uma boa lição que era destinada a outra pessoa.

 

V. 12

1. Quando lemos este versículo, ele mostra por que os homens bons, quando chegam a entende r correta­ mente todas as coisas, não irão invejar a prosperidade dos malfeitores. Quando veem a casa do ímpio, que talvez esteja tão cheia de todas as coisas boas desta vida, são tentados à inveja: mas quando a consideram prudentemente, quando a observam com um olhar de fé, quando vão a Deus derrotando os ímpios devido às iniquidades que praticam, que são maldições sobre a sua habitação, o que certamente será a destruição dela, em breve, eles veem mais razões para desprezá-los, ou se apiedar deles, do que para temê-los ou invejá-los.

2. Alguns interpretam de outra maneira: o homem justo (o juiz ou magistrado, a quem é confiada a execução da justiça e a preservação da paz pública ) examina a casa do ímpio, procura nela armas ou bens roubados, faz uma investigação diligente a respeito da família do ímpio e o caráter do que estão a seu redor, para que possa, por meio do seu poder, der­ rotar os ímpios, pela sua iniquidade, e impedir que continuem fazendo o mal, e também para que possa incendiar seus ninhos, nos quais as aves de rapina ou os pássaros impuros são protegidos.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A TERAPIA DA JUSTIÇA E DO PERDÃO

Encontro entre vítima e agressor pode trazer alívio para ambos

A terapia da justiça e do perdão

Em muitos casos, o sistema legal não consegue ajudar quem sofreu uma ofensa nem quem a praticou. Anos depois de um crime, a pessoa que sofreu a agressão ainda pode sofrer de estresse pós-traumático, e os ex – condenados muitas vezes apresentam dificuldades depois de sair da prisão. Não é novidade que uma reabilitação ineficaz costuma significar o retorno à prática de delitos. Na opinião de alguns especialistas, no entanto, o método da justiça restaurativa (em que réus e agredidos ficam face a face) pode ajudar nessas situações e mudar a trajetória dos envolvidos, em geral traumática.

A maioria das vítimas que se dispõe a participar desse processo frequentando grupos de discussão e tem acesso ao depoimento dos criminosos depois de algum tempo sentem que podem perdoá-los. Os infratores, por sua vez, alegam sentir responsabilidade por suas ações. Dois estudos recentes randomizados controlados reforçam o crescente corpo de pesquisa sobre a eficácia desse tipo de abordagem.

A criminologista Caroline M. Angel e seus colegas, da Universidade da Pensilvânia, analisaram os efeitos da justiça restaurativa para as vítimas e os agressores em casos de roubos e furtos em Londres. Pessoas que passaram por situação de violência foram encaminhadas aleatoriamente tanto para reuniões de justiça restaurativa apenas quanto para esse serviço e também ao sistema judicial.

Paralelamente, facilitadores treinados propuseram a infra­ tores que discutissem sobre os efeitos do crime na vida das vítimas e de seus familiares e amigos. Aproximadamente 25% das pessoas atendidas somente pelo sistema de justiça criminal apresentaram sintomas clínicos de estresse pós-traumático, mas apenas 12% das pessoas do outro grupo manifestaram esses sinais. “Um dos pontos mais interessantes da justiça restaurativa é que permite às vítimas ressignificar a própria vida e curar algumas feridas ao longo desse processo”, diz a pesquisadora.

O segundo estudo, coordenado pelos criminologistas Lawrence Sherman e Heather Strang, da Universidade de Cambridge, se propunha a avaliar se esses métodos podem reduzir a reincidência. A pesquisa, publicada em março no journal of Quantitative Criminology, analisou dez estudos que utilizaram controles randomizados para investigar o efeito das reuniões de justiça restaurativa nos infratores. Os cientistas constataram que os criminosos que participaram dessas discussões cometeram menos crimes subsequentes.

Apesar do excelente custo-benefício, o uso dessa prática ainda é bastante restrito. Defensores da técnica acreditam que a cultura de punição severa e a necessidade de políticos de serem vistos como rigorosos em relação ao crime interferem na aceitação do método.

 

OUTROS OLHARES

PARA APRENDER, NÃO BASTA OBSERVAR

A educação ganhou espaço para falar e também para ouvir. Os projetos práticos adotados hoje comprovam eficácia na cognição e na formação do sujeito.

Para aprender, não basta observar

Imagine uma criança em frente à televisão, assistindo a programas em alemão ou qualquer outra língua desconhecida, durante várias horas por dia. Em quanto tempo ela aprenderia a falar alemão? Depois de múltiplas exposições a uma mesma palavra ou frase, ela ganharia, no máximo, o entendimento de um vocabulário bastante limitado, que dificilmente conseguiria aplicar em uma conversa. Coloque a mesma criança para brincar com colegas e adultos que só falam alemão e em algumas horas de interação ela vai começar a testar palavras. Com interesse e necessidade, em poucos meses irá se comunicar naturalmente. Ninguém aprende a falar ouvindo, assim como não se aprende a andar assistindo a outros andarem.

Para aprender, é preciso fazer – errar inúmeras vezes, repetir de diversas formas. Em qualquer lugar do inundo, esse processo é base do trabalho com crianças pequenas. Elas aprendem a controlar as emoções, a dividir, a esperar a vez e a respeitar o outro em atividades práticas e interações sociais. E dessa mesma forma desenvolvem as habilidades motoras, de linguagem e de raciocínio.

Até que iniciam a fase de receber informações, divididas em disciplinas, geralmente independentes. E todas aquelas habilidades, que deveriam continuar sendo formadas, cedem lugar aos fatos, muitas vezes entregues de forma desconexa e distante da realidade dos alunos. São tantos que, para as escolas baseadas em conteúdo, não sobra tempo para as atividades coletivas. Nem para falar, nem para trocar ideias com colegas – apenas ouvir. A educação eficaz compreende que pouco se aprende somente escutando. Sabe que menos ainda há o aprendizado se aquilo o que se escuta está totalmente longe da realidade e fora do campo de interesse do ouvinte.

Uma educação focada no aluno não é compartimentada nem hierarquizada. Ela forma – e não apenas informa. O conteúdo não é desconexo e forçado, mas assimilado naturalmente em atividades que respeitam o processo de aprendizagem do ser humano, tão evidente em crianças pequenas – aquele que acontece na prática, envolvendo o ambiente e as pessoas que nele estão.

Toda a aprendizagem acontece por associação: a nova informação necessariamente é relacionada a um conhecimento já consolidado para que faça sentido. O que não faz sentido não é compreendido e sem compreensão não há aprendizagem. Há o que chamamos de “decoreba” – o que pode ser suficiente para passar em alguns testes, mas não para que a informação possa ser manipulada, aplicada e transferida para outras áreas. Um conteúdo muito distante da realidade da criança, portanto, não promove ganhos de habilidades nem de conhecimento e tende a ser logo esquecido. Nas escolas centradas no aluno, o que ele aprende não é depositado em algum lugar da memória para que um dia, se precisar, possa acessar. O Google e outros extensores da mente que carregamos no bolso tornaram essa prática mais desnecessária que nunca. Em meio à sobrecarga de informações, precisamos, mais que nunca, saber onde procurá-las e o que fazer com elas para transformá-las em conhecimento. Necessitamos, portanto, estimular nossa competência inata de questionar, desenvolver o pensamento crítico e fazer jus a um dos grandes diferenciais do cérebro humano, que é a capacidade de manipular informações para a resolução criativa de problemas.

Uma pessoa verdadeiramente educada, para o linguista e cientista cognitivo Noam Chomsky, não é aquela que tem mais facilidade para memorizar uma quantidade enorme de fatos e nomes, mas a que sabe onde procurar a informação, como formular questões relevantes e sabe questionar doutrinas padrão.

O escritor e pedagogo português José Pacheco faz parte do grupo de educadores desobedientes que questionam doutrinas padrão e participam ativamente do processo de transformação do ensino. Desde o início de sua jornada na educação, ele se recusou a seguir o sistema convencional, centrado no professor. Percebeu que a aprendizagem é movida por interesse e pela ação e revolucionou as práticas da Escola da Ponte, na cidade do Porto, que passaram do que ele chama de “paradigma da instrução” para o “paradigma da aprendizagem”.

Esse paradigma parte da instrução como evento cooperativo, centrada na ação e na interação – como acontece com a linguagem, raciocínio e habilidades motoras. “Ninguém é autônomo sozinho”, costuma destacar. Autonomia talvez seja a palavra que mais repete em seus discursos. Pois mais que ensinar, o grande papel das escolas é justamente esse: formar pessoas autônomas. Não individualistas nem autossuficientes, mas capazes de entender e cumprir seu papel em uma equipe, de planejar, de comunicar-se bem, de pesquisar e buscar conhecimento além dos muros da escola, de respeitar o outro, os limites e as diferenças.

Assim, no decorrer de um processo movido pela motivação e pela ação, os alunos trabalham habilidades que precisam ser continuamente exercitadas em todo o período da vida escolar (e não apenas no início): as sociais e emocionais, motoras, de linguagem e raciocínio. Sustentado por essas competências, o conhecimento – que inclui as informações previstas pela base comum curricular – passa a ser significativo e transformador; e os alunos, indivíduos que não apenas sabem, mas que pensam, decidem e fazem.

 

MICHELE MÜLLER – é jornalista, pesquisadora, especialista em Neurociências, Neuropsicologia Educacional e Ciências da Educação. Pesquisa e aplica estratégias para o desenvolvimento da linguagem. Seus projetos e textos estão reunidos no site www.michelemuller.com.br

GESTÃO E CARREIRA

COMUNICAÇÃO NA NOVA ERA: FALA QUE EU NÃO TE ESCUTO

Comunicação na nova era - fala que eu não te escuto

Retirada do livro “Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças”, de Javier Naranjo, obra que surpreendeu o mundo ao se tornar o maior sucesso da Feira Internacional do Livro de Bogotá em abril de 2013, essa frase esconde atrás de si uma grande verdade, o egoísmo latente de nossa comunicação.

Em “O Gene Egoísta”, Richard Dawkins, etólogo, biólogo evolutivo e escritor britânico, diz:

Um indivíduo se comunica com outro quando há uma influência no comportamento ou no estado de seu sistema nervoso.

Os exemplos de comunicação no mundo animal são numerosos: o canto das aves; o balançar da cauda e eriçar dos pelos em cães; o arreganhar dos dentes nos chimpanzés.

Os pintos, por exemplo, influenciam o comportamento de suas mães soltando pios agudos e penetrantes quando estão perdidos ou com frio. Isto geralmente tem o efeito imediato de chamar a mãe, a qual conduz o pinto de volta à ninhada. Poder-se-ia dizer que este comportamento desenvolveu-se para o benefício mútuo, no sentido de que a seleção natural favoreceu os filhotes que piam quando estão perdidos, e também as mães que respondem adequadamente ao pio.

No humano, esse sistema se dá pela linguagem e pelos gestos.

Segundo a analogia de Dawkins, nossa linguagem e gestos deveriam ter a função de influenciar o comportamento de outro indivíduo.

Porém, não é o que temos visto com frequência.

Cada vez mais pessoas reclamam de reuniões chatas e sem objetivo, apresentações entediantes, em que são perdidas horas e horas com comunicadores que falam de interesses próprios, de valores, missão, clientes, serviços e produtos maravilhosos. O modelo “eu falo e você me escuta” gera desinteresse e tédio e, de forma alguma, influencia o comportamento do ouvinte. Se não influencia, podemos entender que não existe comunicação?

Estamos tateando um momento novo, obscuro, imprevisível, uma nova geração de indivíduos com novos hábitos e uma nova forma de se comunicar.

A criança dessa geração já nasce em meio a controles remotos, milhares de canais na televisão, informação disponível em diferentes dispositivos, em todos os idiomas. A música, a dança, a arte, os games são parte dos exercícios escolares e as redes sociais e mensagens de texto representam amigos conectados 24 horas por dia.  

Surge um indivíduo mais crítico, mais contestador.

Pais e professores começam a enfrentar uma mudança de papéis, uma vez que já não são mais os únicos detentores da informação.

“Isso é assim porque é assim” não funciona com a nova geração. Tudo deve ter uma razão de existir, tudo tem uma explicação lógica. Tudo tem que ser comprovado. Não sabe? Procura no Google.

Na nova geração, não existe comunicação sem troca. O mundo digital nos abre a porta da revolução cognitiva, onde o repertório, ou seja, a bagagem de experiências de cada indivíduo deve ser levada em consideração.

Termos como colaborativoconexão e rede nunca estiveram tão em alta. E não tem como ser colaborativo sem prestar atenção no outro, sem construir junto, sem tratar cada ato de comunicar-se como único e sob medida para cada indivíduo, para cada situação.

Em seu livro, “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, um dos maiores best-sellers do mundo desde 1937, Dale Carnegie dizia:

Ouvir é uma arte, uma habilidade e uma disciplina e, tal como outras habilidades, exige autocontrole. Você precisa aprender a ignorar suas necessidades e concentrar a atenção na pessoa que está falando. Escutar se transforma em ouvir apenas quando você dá atenção e acompanha de perto aquilo que está sendo dito.

Este é um dos fatos mais básicos da psicologia humana. Ficamos lisonjeados diante da atenção de outras pessoas. Isso nos faz sentir especiais. Queremos estar perto de pessoas que demonstram interesse por nós. Queremos mantê-las por perto. Nossa tendência é retribuir seu interesse mostrando interesse por elas.

Setenta e seis anos depois, ainda não sabemos ouvir. Por isso, temos aqui um dos desafios mais interessantes e motivadores da nossa era. A evidência clara que o interesse e a motivação do ouvinte são tarefas do comunicador.

Muitas vezes pensa-se que, para gerar interesse no ato de comunicar uma ideia, basta usar vídeos, imagens, novas tecnologias. As pessoas gastam um tempo enorme com seus PowerPoints, Prezis e keynotes, porém, nada disso irá provocar mudança de comportamento no outro se não gerar comunicação efetiva.

Se o novo indivíduo é colaborativo, é impossível não considerar sua participação na construção da comunicação. Aguçar a percepção e ouvir mais se tornam, então, as principais ferramentas dessa construção. As tecnologias ajudam; porém, são apenas alegorias que devem ser utilizadas para reforçar a troca de experiências.

Um exemplo:

Quando um vendedor expõe uma quantidade enorme de produtos e serviços utilizando as tecnologias mais modernas, com milhões de detalhes “super” importantes, gera uma angústia terrível no cliente, que não consegue nem solucionar o seu problema, nem guardar as informações recebidas.

Para provocar mudança de comportamento, ou seja, fazer com que o cliente queira comprar o produto oferecido, a comunicação deve ser construída em conjunto.

Primeiro, o comunicador ouve o cliente, convida-o a expor seus conflitos e necessidades e, em troca, recebe um cenário muito mais preciso do problema a ser resolvido. Após perceber esse cenário, ele tem condições de trazer uma solução objetiva e clara, direto ao ponto, sem precisar expor informações desnecessárias. O resultado é muito mais interessante, tanto para o vendedor, que não precisa ficar horas falando, quanto para o cliente, que fica satisfeito ao perceber que encontrou uma solução para resolver seu problema.

Não há mais espaço para uma comunicação em que há um indivíduo falando e outro ouvindo. Temos que pensar em um indivíduo dividindo seu conhecimento, baseado em percepções construídas em conjunto com o ouvinte.

Não estamos mais falando de reuniões cujo objetivo é ver quem tem razão. Estamos falando de reuniões cuja solução de um determinado assunto é o foco e os participantes são peças fundamentais para dividir conhecimento e chegar à solução.

Na nova era da comunicação não há mais espaço para a verdade absoluta. As experiências e repertório de cada indivíduo são levados em consideração, bem como suas diferentes percepções sobre um mesmo assunto. A união dessas percepções dá origem a novas ideias, que são discutidas e encontradas ao longo da construção da comunicação. Não é mais a sua ideia ou a minha ideia. É uma nova ideia que surgiu da junção de duas ou mais ideias.

Dessa forma, é possível criar uma identificação com o ouvinte, fazê-lo perceber que o seu momento está sendo valorizado. Que o assunto é ele e não o ego do comunicador.

Usar o egoísmo, ou seja, o interesse do público na construção da comunicação, pode nos ajudar, enfim, a influenciar seu comportamento.

JOYCE BAENA – é sócia-diretora da La Gracia Design, graduada em Comunicação Social pela PUC-SP e desde 2008 é jurada do Festival Universitário de Comunicação.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 21: 5-9Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 5 – Aqui temos:

1. O caminho para ser rico. Se desejarmos viver com abundância e conforto no mundo, devemos ser diligentes em nossas atividades, e não recuar do esforço e das dificuldades, mas prosseguir neles, aproveitando todas as vantagens e oportunidades para realizá-las, e fazendo o que fazemos, com todas as nossas forças; mas não devemos ser precipitados nisto, nem nos apressar ou apressar aos outros com isto, mas continuar agindo corretamente e suavemente, o que, como dizemos, faz grandes avanços em um dia. Com a diligência deve haver planejamento. Os pensamentos do diligente são tão necessários como as mãos do diligente. A previsão é tão boa como o trabalho. Vês um homem prudente e diligente? Ele terá o suficiente de que viver.

2. O caminho para ser pobre. Os que são precipitados, que agem impensadamente em seus negócios, e que não tomam tempo para pensar, que ambicionam o ganho, certo ou errado, e que se apressam para ser ricos com práticas injustas ou projetos imprudentes, estão no caminho certo para a pobreza. Os seus planos e pensamentos, pelos quais esperam se exaltar os destruirão.

 

V. 6 – Este verso mostra a tolice dos que esperam enriquecer, por meios desonestos, oprimindo e sobrepujando aqueles com quem lidam, por meio de falsos testemunhos, ou por contratos fraudulentos, a tolice dos que não têm escrúpulos em mentir quando há a possibilidade de lucrar alguma coisa com tal atitude. Eles podem, talvez, ajuntar tesouros desta maneira, mas:

1. Não encontrarão a satisfação que esperam. É uma vaidade, levada de um lado a outro, será desapontamento e angústia de espírito para eles; eles não terão a consolação desta riqueza, nem poderão confiar nela, mas serão perpetuamente inquietos e intranquilos. Esta satisfação será atirada, de um lado a outro, por suas consciências, e pelas censuras dos homens, e eles devem esperar estar em uma pressa constante.

2. Eles encontrarão a destruição que não esperam. Enquanto estão procurando riquezas, por meio destas práticas tão ilícitas, estão, na verdade, procurando a morte; eles se expõem à inveja e à má vontade dos homens pelos tesouros que obtêm, e à ira e à maldição de Deus, pela língua falsa com que obtêm os tesouros, que Ele fará cair sobre eles, e afundá-los no inferno.

 

V. 7 – Veja aqui:

1. A natureza da injustiça. Obter dinheiro com mentiras (v. 6) não é melhor do que o roubo puro e simples. Trapacear é roubar; você pode roubar a carteira de um homem ou pode, ao fazer um negócio, se aproveitar dele por meio de uma mentira, da qual ele não tem proteção nenhuma, a não ser não crendo em você; e não será desculpa para a culpa do roubo dizer que ele poderia decidir se iria crer ou não em você, pois esta é uma dívida que devemos ter com todos os homens.

2. A causa da injustiça. Os homens se recusam a praticar a justiça; eles não darão a todos o que lhes é devido, mas o reterão, e as omissões abrem caminho para comissões; com o tempo eles chegam ao próprio roubo. Os que se recusam a praticar a justiça decidirão praticar a injustiça.

3. Os efeitos da injustiça; ela retornará sobre a cabeça do próprio pecador. O roubo dos ímpios os aterrorizará (segundo alguns); as suas consciências se encherão de horror e espanto, os cortarão, os separarão (segundo outros ); isto os destruirá, aqui e para sempre, por isto foi dito (v. 6) que eles buscam a morte.

 

V. 8 – Isto mostra que, assim como são os homens, também é o seu caminho.

1. Os homens maus têm maus caminhos. Se o homem é rebelde, o seu caminho também é tortuoso; e este é o caminho de muitos homens, tal é a corrupção geral da humanidade. Desviaram-se todos (Salmos 14.2,3); toda a carne perverteu o seu caminho. Mas o homem perverso, o homem de fraude, que age com astúcia e trapaça em tudo o que faz, o seu caminho é tortuoso, contrário a todas as regras de honra e honestidade. É tortuoso, pois você não sabe onde encontrá-lo, nem quando o terá; é tortuoso, pois está alienado de todo o bem, e afasta os homens de Deus e da sua bondade. É aquilo que Ele contempla à distância, e todos os homens honestos também o fazem.

2. Os homens que são puros provam sê-lo por suas obras, pois são retas, são justas e regulares; e são aceitas por Deus e aprovadas pelos homens. O caminho da humanidade, na sua apostasia, é perverso e tortuoso; mas quanto aos puros, os que, pela graça de Deus, são recuperados deste estado, de que há um aqui e outro ali, a sua obra é reta, como foi a de Noé, no mundo antigo (Genesis 7.1).

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CÉREBRO DE HOMENS E MULHERES REAGE A MEDICAMENTOS DE MANEIRA DIFERENTE

Em média, elas são até 75% mais propensas a manifestar efeitos colaterais

Cérebro de homens e milheres reagem a medicamentos de maneira diferente

As diferenças de gênero na resposta do organismo às medicações são muitas vezes negligenciadas em testes clínicos. Nos Estados Unidos, até meados dos anos 90, praticamente não havia voluntárias em estudos que avaliavam novos medicamentos. No entanto, elas são as principais pacientes: recebem quase duas vezes mais prescrições de remédios psicotrópicos (que alteram a química cerebral) que os homens. Pesquisas sugerem que hormônios femininos e diferenças na composição corporal e no metabolismo podem torná-las mais sensíveis a certas drogas. Não por acaso, mulheres são 50% a 75% mais propensas a manifestar efeitos colaterais.

No ano passado, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos anunciou as primeiras diretrizes para dosagem de medicamentos de acordo com cada sexo. O efeito do indutor de sono Ambien, por exemplo, é duas vezes mais potente nas mulheres. Algumas evidências sobre como alguns fármacos agem de acordo com o sexo:

ANSIOLÍTICOS

Como no caso dos antidepressivos, o meio estomacal menos ácido das mulheres absorve a medicação mais rapidamente – de maneira que doses padronizadas são potencialmente mais tóxicas para elas.

Os rins dos homens filtram os componentes das drogas mais rápido. Assim, mulheres devem esperar mais tempo entre uma dose e outra, especialmente benzodiazepínicos.

Benzodiazepínicos, aliás, são planejados para ser solúveis em lipídios e atravessar a corrente sanguínea em direção ao cérebro. Assim, a maior gordura corporal das mulheres aumenta as chances de o remédio permanecer mais tempo no organismo, tornando-as mais vulneráveis a sua toxicidade.

ANALGÉSICOS

Prescritos para combater dores crônicas e dores agudas intensas, os medicamentos opioides, como a morfina, são mais eficientes em mulheres. Isso ocorre provavelmente porque o hormônio estrogênio, que oscila durante o ciclo menstrual, é importante na modulação do sistema opioide endógeno.

Homens são mais propensos a se automedicar com doses exageradas de analgésicos. Mulheres, porém, têm mais dificuldade em deixar de usá-los. Uma vez dependentes, são mais propensas à recaída, particularmente na metade do ciclo menstrual, quando os níveis de glicose no cérebro estão mais baixos, o que compromete o autocontrole.

ANTIDEPRESSIVOS

Vários estudos sugerem que as mulheres respondem melhor a inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS). já os homens parecem se adaptar mais aos tricíclicos.

Alguns antidepressivos são mais potentes no sexo feminino. A eficácia de uma droga é afetada pelo grau em que ela se liga a proteínas no plasma sanguíneo. Quanto menos ligante a droga for, melhor ela pode transpor a membrana celular ou se difundir. O sangue das mulheres tem, em geral, menos capacidade de ligação, o que significa que as proteínas sanguíneas “limpam” menos substâncias estranhas. Se forem administrados com outras drogas, antidepressivos tricíclicos (como a amitriptilina) podem ficar em excesso na corrente sanguínea, o que aumenta a chance de efeitos colaterais. Além disso, o estômago das mulheres é menos ácido, de maneira que os ISRSs podem ser absorvidos mais rapidamente, o que aumenta sua toxicidade. A gordura corporal das mulheres é outro fator que pode manter os antidepressivos no corpo por mais tempo – de maneira que a chance de efeitos colaterais com doses menores é maior.

INDUTORES DE SONO

A maioria das drogas psicotrópicas é metabolizada no fígado. O organismo masculino metaboliza o Ambien e outros indutores de sono com mais rapidez, de maneira que as mulheres costumam apresentar mais quantidades do medicamento no corpo na manhã seguinte, o que pode prejudicar o desempenho em tarefas que exigem atenção, como trabalhar e dirigir

ANTICONVULSIVANTES

Abundante no fígado e no intestino e especialmente ativa em mulheres jovens, a CYP3A4 é uma enzima importante para o funcionamento do organismo. Ela oxida moléculas estranhas, como toxinas e drogas, de maneira a removê­las do corpo. Algumas substâncias são ativadas por essa enzima, mas outras são desativadas: é o caso dos anticonvulsivantes, que costumam ter menos eficácia nas mulheres. Estudos preliminares sugerem que a velocidade das reações catalisadas por enzimas difere em homens e mulheres, o que afeta a resposta a medicamentos de forma geral.

ANTIPSICÓTICOS

Exemplares da primeira geração, como o haloperidol, parecem ser mais eficazes para controlar alucinações em mulheres. Homens necessitam de doses maiores para responder ao tratamento.

OUTROS OLHARES

COMPULSÃO PELA INTERNET

As redes sociais são uma realidade e estão na nossa vida para o bem e para o mal. Estar plugado constantemente é uma forma de desplugar de “si mesmo”

Compulsão pela internet

Um husky siberiano persegue freneticamente a própria cauda e gira sem parar, outra vez e outra vez. Um gato, toda noite, acorda sua dona mordiscando repetidamente seu ombro ou sua orelha. O que tem isso a ver com a internet? Imagine uma cena de laboratório: Um ratinho branco aciona urna alavanca para receber uma gota de água açucarada, num experimento de condicionamento. Agora troque a alavanca por um celular.

Animais domesticados também desenvolvem compulsão e sofrem de estresse, tédio, ansiedade e depressão. Não só o vício em drogas, mas também o uso compulsivo da internet apresenta-se em pessoas que frequentemente são tomadas por estados de raiva (frustração), ansiedade e depressão.

Se décadas atrás até a propaganda subliminar era empregada para aumentar a venda de produtos a qualquer custo, hoje as empresas de internet gastam bilhões pesquisando como fazer com que você e eu passemos mais horas ainda plugados.

A internet e as redes sociais são uma realidade e estão nas nossas vidas para o bem e para o mal. Não se trata de demonizar as ferramentas. A vida antes seguiu, e segue agora. Porém, atualmente, organizações ocuparam-se de estratégias de como capturar o nosso desejo com fetiches, mas não nos tornamos (totalmente) robotizados e submetidos.

O que o husky, o gato, eu e você temos em comum é o fato de todo mal­ estar emocional disparar mecanismos de defesa (mantenedores de homeostase) de dois tipos: 1- ação, movimento (gastar energia, Reich explica) e 2- desviar a atenção, evitar a constatação, “saber”. Como nos três macaquinhos que cobrem olhos, ouvidos e boca. No caso da internet, estar plugado compulsivamente é uma forma de desplugar de “si mesmo”. Ou seja, não é a internet isoladamente – apesar dos investimentos – que “vicia”. Há a contra­partida no sofrimento emocional presente naquele que desenvolve o sintoma.

Mas há também uma dimensão coletiva envolvida. Heidegger, por exemplo, equivocadamente tornado como crítico à tecnologia, em verdade apontou que a modernidade (e o desenvolvimento tecnológico) foi acompanhada de uma forma coletiva de “ser no mundo” em que a reflexão tornou- se ausente. Reflexão como autorreflexão. Aquilo que é vivido quando se observa em quietude uma fogueira. Reich, por sua vez, demonstrou como a neurose individual tem como contraponto uma neurose de massa na qual a angústia e os mecanismos de evitação da mesma são onipresentes, levando a uma forma de alienação.

Um bom exercício de imaginação é ficar quieto, sem fazer nada (e sem dormir). Ou então ir a um lugar sem energia elétrica, sem a possibilidade de uso de tecnologias, por uma semana. Sem internet.

Em síntese, a internet não “cansa” nada. É a nossa relação com ela que determina sua utilidade ou as desordens e sintomas. O objetivo das grandes empresas de tecnologia só é alcançado, em última instância, em função de nossas eventuais fragilidades emocionais. Por causa da nossa condição humana, e naquilo que partilhamos com os outros animais.

 

NICOLAU JOSÉ MALUF JR. – é psicólogo, analista reichiano. Doutor em História das Ciências. Técnicas e Epistemologia(HCTE/UFRJ) Psicanalista, precursor das psicoterapias corporais.

GESTÃO E CARREIRA

ALTA QUILOMETRAGEM

Em 11 anos, o Brasil terá mais idosos do que jovens. Ao mesmo tempo que preocupa, o envelhecimento da população pode ser um ótimo negócio.

Alta quilometragem

O Brasil está envelhecendo rápido. Previsões do Instituto Brasileiro ele Geografia e Estatística (IBGE) mostram que até 2030 os idosos chegarão a 41,5 milhões (18%) – jovens de até 14 anos serão 39,2 milhões (17,6%). Isso significa que, em 11 anos, haverá mais pessoas acima de 65 anos do que crianças no país. Além disso, a expectativa de vida seguirá aumentando, chegando a 80 anos nas próximas décadas (hoje é de 76). O fenômeno, apelidado por especialistas como “tsunami prateado”, implicará mudanças profundas na economia, nas políticas públicas, na assistência social, no mercado de trabalho, na Previdência e, claro, nos negócios.

Se por um lado esse mar de grisalhos impõe desafios, por outro gera oportunidades. Embora não existam pesquisas mensurando a capacidade exata de consumo desse pessoal, os números dão pistas do potencial. Um levantamento da Quorum, consultoria especializada em hábitos de consumo da população mais velha, estima que os clientes mais maduros movimentem 12,4 bilhões de reais ao ano só no Brasil. Globalmente, as cifras são ainda mais impressionantes. Segundo o relatório Consumer Generations, divulgado pela Tetra Pak em 2017, o poder de compra dessa geração será de 20 trilhões de dólares até 2020. As perspectivas são tão positivas que a Euromonitor International, empresa global de pesquisa de mercado, classificou produtos voltados para idosos como a principal tendência para 2019.

Empreendedores brasileiros estão começando a sacar isso. Após conduzirem um levantamento no ano passado, a Hype60+, consultoria de marketing especializada no consumidor sênior, e a Pipe.Social, vitrine de negócios de impacto social, notaram que o movimento é bem recente. Ao mapear 221 iniciativas com soluções para o envelhecimento, a conclusão foi de que os negócios do setor ainda engatinham: 73% possuem menos de cinco anos e 40% ainda nem sequer têm faturamento. “Tudo nessa área é muito embrionário. Empresas e investidores atinaram agora para esse mercado”, diz Layla Vallias, co­fundadora da Hype60+.

Embora existam negócios voltados para saúde, bem-estar, segurança, autonomia, moradia, geração de renda e lazer, as propostas mais bem­ sucedidas, por enquanto, vêm da área de tecnologia – uma tendência que se observa não só por aqui, mas ao redor do mundo também.

Que o diga o robô americano Elliq, desenvolvido para atuar como companheiro, assistente e cuidador de idosos. Recém – lançado nos Estados Unidos, esgotou rapidamente por fazer de tudo um pouco: cria lembretes, responde a perguntas, envia mensagens, atente telefone, toca música e exibe vídeos.

No Brasil, as inovações são menos audaciosas e, segundo especialistas, ainda se limitam a coisas mais básicas, com sensores de mobilidade, que ajudam a subir escadas e evitam quedas no banheiro, por exemplo.

Como o mercado é incipiente, quem deseja atuar nele precisa ser resiliente e ter perspicácia para fazer a leitura de dados ainda pouco consolidados. A maior dificuldade é atender a diversidade desse público, que possui realidades e necessidades bem diferentes, sobretudo de renda e capacidade física e mental. “Ao mesmo tempo que é complicado, ser pioneiro numa área onde falta praticamente tudo é também muito promissor”, diz Layla, da Hype60+.

Alta quilometragem. 2

ONDE HÁ DEMANDA

Com sessentões, setentões e oitentões trocando remédios e hospitais por diversão e bem-estar, além dos empreendedores, ganham relevância diversos profissionais. Vanessa Cepellos, professora de gestão de pessoas da Fundação Getúlio Vargas, diz que serão altamente valorizados psicólogos, geriatras, gerontólogos, personal trainers para a terceira idade, fisioterapeutas, agentes de turismo e até especialistas em aconselhamento para aposentadoria. “Haverá demanda na área da saúde e em setores como alimentação, estética, finanças, moradia, entretenimento e tecnologia. “Mas, a despeito de todo otimismo, é preciso colocar à mesa alguns problemas incômodos. Dados mostram que idosos brasileiros são, de modo geral, pobres. A parcela de grisalhos que desfruta de uma condição financeira confortável é pequena – a maioria dos aposentados do INSS (72%) recebe apenas um salário mínimo. Ou seja, a renda necessária para que essa população consuma e usufrua de tantos produtos esbarra em duas questões importantes: a atual reforma da Previdência, que corta na carne dos mais desfavorecidos, e o preconceito do mercado de trabalho, que exclui trabalhadores com rugas e cabelos brancos.

Foi pensando em reverter essa situação que o engenheiro de software Mórris Litvak, de 36 anos, criou a Maturi Jobs, plataforma de empregos para pessoas com mais de 50 anos. A ideia dele é justamente conectar essa mão de obra com empresas interessadas. Desde 2017, a startup já publicou cerca de 1.000 vagas em 750 empresas. Ao todo, 40.000 pessoas se candidataram e 850 foram contratadas. “O preconceito etário ainda faz parte do cenário brasileiro, o que é um equívoco. Cerca de 70% de nossos 85.000 inscritos têm nível superior e 20% tem MBA, por exemplo,” afirma o empreendedor.

Na visão dele, empregar essa fatia da população é interessante por vários aspectos: redução de gastos do governo com saúde, incentivo ao consumo, aumento da autoestima dessa população e ganhos macroeconômicos. Para ter noção, um estudo da consultoria PwC em parceria com a FGV mostrou que o Brasil aumentaria seu PIB em 18,2 bilhões de reais por ano se elevasse para cerca de 60% o nível de empregabilidade de pessoas acima de 50 anos (em 2015, esse índice estava em 26%). “Profissionais com bagagem e experiência na tomada de decisões só trazem ganhos para as companhias”, afirma João Lins, professor na FGV. Resta saber se o mercado, além de vender, também está disposto a trazer os idosos para dentro de suas operações.

Alta quilometragem. 3

APOSTA

Oito setores promissores e os profissionais mais cobiçados em cada um deles.

TURISMO

Planejadores voltados para a criação de roteiros de viagens para idosos e guias para acompanhar esse tipo de grupo.

BELEZA

Engenheiros químicos capazes de desenvolver itens especiais que atendam às necessidades de pele de pessoas com mais de 60 anos; vendedores especializados em atender esse público.

ALIMENTAÇÃO

Nutricionistas e engenheiros de alimentos capazes de criar produtos para idosos e dietas adequadas à faixa etária.

SAÚDE

Enfermeiros, cuidadores, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e médicos que façam diagnóstico, prevenção e acompanhamento de idosos.

MOBILIDADE

Arquitetos, urbanistas e engenheiros que sejam especializados em planejar espaços que facilitem a locomoção e a acessibilidade desse pessoal em ruas, edifícios e espaços públicos.

TECNOLOGIA

Desenvolvedores e programadores, para sustentar soluções inovadoras que minimizem as agruras do envelhecimento.

PUBLICIDADE

Marqueteiros, jornalistas e social media, gente com habilidade para analisar o comportamento e os novos hábitos de consumo dessa população.

EDUCAÇÃO

Professores, sobretudo de idiomas e informática. há mais de 9 milhões de brasileiros acima de 55 anos no Facebook: 50,82% deles têm de 61 a 70 anos. o interesse em aprender e o tempo disponível levam os mais maduros a procurar cursos.

FONTE: Especialistas FGV, PwC e HYPER60+

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 21: 1 – 4

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 1 – Observe:

1. Até mesmo os corações dos homens estão na mão de Deus, e não somente os seus passos, como ele tinha dito (Provérbios 20.24). Deus pode modificar as mentes dos homens; Ele pode, por uma poderosa e imperceptível operação em seus espíritos, desviá-los daquilo a que parecem mais decididos, e incliná-los àquilo a que pareciam mais contrários, da mesma maneira como o lavrador, por meio de canais, pode fazer com que a água atravesse as suas terras, da maneira como ele quiser, o que não altera a natureza da água, nem lhe impõe nada, não mais do que a providência de Deus atua sobre a liberdade nativa da vontade do homem, mas direciona o seu curso, para servir aos seus propósitos. 

2. Até mesmo os corações dos reis estão na mão de Deus, apesar de seus poderes e suas prerrogativas, tanto quanto os corações das pessoas comuns. Os corações dos reis são insondáveis para nós, e muito mais impossíveis de controlar por nós; da mesma maneira como eles têm seus ii segredos de estado, também têm grandes prerrogativas de sua coroa; mas o grande Deus os tem, não somente sob os seus olhos, mas na sua mão. Os reis são aquilo que Ele os torna. Os que são mais absolutos estão sob o governo de Deus; Ele põe coisas em seus corações (Apocalipse 17.17; Ed 7.27).

 

V. 2 – Observe:

1. Todos nós podemos ser parciais, na avaliação de nós mesmos e das nossas próprias ações, e podemos pensar de maneira excessivamente favorável sobre o nosso próprio caráter, como se não houvesse nada de erra do nele: “Todo caminho do homem é reto aos seus olhos”. O coração soberbo é muito inventivo, em dar uma aparência agradável a algo feio, e ao fazer com que pareça correto, para si mesmo, aquilo que está longe de sê-lo, para calar a boca da consciência.

2. Nós temos certeza de que o juízo de Deus, a nosso respeito, é segundo a verdade. Qualquer que seja a nossa opinião a nosso respeito, o Senhor sonda o coração. Deus investiga o coração e julga os homens de acordo com ele, e julga os seus atos de acordo com seus princípios e intenções; e o seu juízo é tão exato como o nosso juízo é, sobre aquilo que mais ponderamos, ou ainda mais; Ele o pesa em uma balança que não é enganosa (Provérbios 16.2).

 

V. 3 – Aqui:

1. Está a sugestão de que muitos se enganam com um conceito de que, se oferecerem sacrifício, isto os isentará de fazer justiça, e lhes obterá uma dispensa pela sua injustiça; e isto faz com que o seu caminho pareça correto (v. 2). “Jejuamos” (Isaias 58.3). “Sacrifícios pacíficos tenho comigo” (Provérbios 7.14).

2. Está a declaração clara de que viver uma boa vida (agir com justiça e misericórdia caridosa) é mais agradável para Deus do que os mais pomposos e caros exemplos de devoção. Os sacrifícios haviam sido instituídos por Deus, e eram aceitáveis por Ele, se oferecidos com fé e arrependimento, caso contrário, não (Isaias 1.11, etc.). Mas até mesmo então, os deveres morais eram preferidos a eles (1 Samuel 15.22), o que indica que a sua excelência não era inata, nem a obrigação a eles, perpétua (Malaquias 6.6-8). Grande parte da religião está em fazer justiça e julgar com retidão, por um princípio de dever para com Deus, desprezo para com o mundo, e amor pelo nosso próximo; e isto é mais agradável para Deus do que todas as ofertas de holocausto e sacrifícios (Marcos 12.33).

 

V. 4 – Isto pode ser interpretado, como nos mostrando:

1. As marcas de um homem ímpio. Aquele que tem um olhar altivo e um coração soberbo, que se comporta com insolência e escárnio, com relação a Deus e ao homem, e que está sempre tramando, planejando uma ou outra maldade, é, verdadeiramente, um homem ímpio. A lâmpada do ímpio é o pecado (conforme a versão RA). O pecado é a soberba, a ambição, a glória e a alegria, e os assuntos de homens ímpios.

2. As desgraças do homem ímpio. As suas expectativas, os seus altos desígnios, e os seus planos mais detalhados, são um pecado para ele; ele contrai culpa neles e assim prepara dificuldades para si mesmo. O interesse de todos os ímpios, bem como o seu prazer, não é nada, senão pecado. Eles fazem tudo para servir a seus desejos, e não consideram a glória de Deus nisto, e por isto o seu esforço, a sua lavoura, é pecado, e não é de admirar que até o seu sacrifício também seja pecado (Provérbios 15.8).

PSICOLOGIA ANALÍTICA

PRECONCEITOS CONTRA SI MESMO

Quando nos sentimos discriminados, somos dominados pela angústia, a mente divaga e sofremos de um esgotamento momentâneo da memória que prejudica a capacidade intelectual. O mais curioso é que as ideias preconcebidas que nos fazem tanto mal são mantidas por nossas próprias crenças.

Preconceitos contra si mesmo

O astrônomo americano Neil Degrasse Tyson obteve seu doutorado em astrofísica na Universidade Colúmbia em 1991. Algo em torno de 4 mil astrofísicos viviam no país naquela época.

Tyson elevou o total de afro-americanos entre eles a parcos sete membros. Em discurso de formatura, ele falou abertamente sobre os desafios que enfrentava: “Na percepção da sociedade, meus fracassos acadêmicos são esperados e minhas conquistas atribuídas a outros”, disse Tyson. “Passar a maior parte da minha vida combatendo essas atitudes representa um imposto emocional que equivale a uma forma de castração intelectual. É um encargo que não desejo para meus inimigos.”

As palavras de Tyson abordam uma verdade desconfortável: estereótipos negativos impõem uma sobrecarga intelectual para muitas pessoas que acreditam ser vistas pelos outros como inferiores. Em muitas situações – escola, trabalho, esportes -, essas pessoas receiam fracassar e, assim, reforçar estereótipos depreciativos. Jovens atletas brancos temem não ter desempenho tão bom quanto seus colegas negros, por exemplo, e mulheres em aulas de matemática avançada têm medo de receber notas inferiores às dos homens. Essa ansiedade – o tal “imposto emocional” ao qual Tyson se refere – é conhecida como ameaça dos estereótipos. Centenas de estudos confirmaram que o fenômeno contribui para o fracasso: as pessoas ficam confinadas a um círculo vicioso em que os baixos resultados aumentam a preocupação, o que prejudica ainda mais o desempenho.

Nos últimos anos, psicólogos ampliaram muito o conhecimento sobre como preconceitos não só sobre os outros, mas também em relação a si mesmo, afetam as pessoas, por que isso acontece e, mais importante, como evitar essa situação. Embora atualmente alguns pesquisadores questionem se alguns estudos laboratoriais refletem com fidelidade a ansiedade no mundo real, destacando que esse seria apenas um dos muitos fatores que contribuem para a desigualdade social e acadêmica, outros cientistas argumentam que esse é um dos fatores que podem ser facilmente mudados – o que tornaria melhor a vida das pessoas. Em estudos realizados em escolas, intervenções relativamente simples – como exercícios de redação para aumentar a autoestima, concluídos em menos de uma hora – produziram efeitos espetaculares e de longa duração, diminuindo a disparidade de resultados e eliminando a ameaça dos estereótipos.

IDENTIFICANDO O RISCO

Foi em 1995 que os psicólogos Claude Steele, da Universidade Stanford, e Joshua Aronson, na época trabalhando na mesma instituição, cunharam o termo ameaça dos estereótipos. Assim como acontece atualmente, há quase duas décadas estudantes negros americanos obtinham, na média, notas piores que seus colegas e mostravam maior probabilidade de abandonar os estudos antes dos brancos em todos os níveis de ensino. As várias explicações para essa desigualdade incluía a ideia perniciosa (e preconceituosa) de que os estudantes negros eram, de forma inata, menos inteligentes. Steele e Aronson não estavam convencidos disso. Eles argumentavam que a própria existência desse estereótipo negativo poderia prejudicar o desempenho dos estudantes negros.

Numa experiência agora clássica eles apresentaram a mais de 100 universitários um teste frustrante. Os voluntários foram divididos em dois grupos. No primeiro, no qual os pesquisadores disseram que o exame não mediria habilidades intelectuais, participantes negros e brancos -com pontuação comparável num dos mais utilizados exames de admissão à faculdade, o SAT (originalmente chamado Scholastic Aptitude Test) – se saíram igualmente bem. Na outra equipe, onde Steele e Aronson informaram aos jovens que o teste iria avaliar sua capacidade intelectual, a pontuação dos alunos negros caiu, mas a dos brancos não. O simples pedido para que os estudantes registrassem sua etnia antecipadamente teve o mesmo efeito.

O estudo foi inovador. Steele e Aronson mostraram que testes padronizados estão longe de serem de fato padronizados: quando apresenta­ dos de forma que evoquem a ameaça dos estereótipos, mesmo que sutilmente, colocam muitas pessoas automaticamente em desvantagem. “Houve muito ceticismo no início, mas isso está diminuindo com o tempo. No começo, mesmo eu não acreditava no quanto esses efeitos eram fortes; eu pensava que mais alguém precisava replicar o experimento”, conta Aronson.

Muitos pesquisadores o fizeram. Até agora, centenas de estudos descobriram evidências da ameaça dos estereótipos nos mais variados tipos de grupos. Ela aflige estudantes de origem mais pobre em testes acadêmicos e homens em tarefas de sensibilidade social. Estudantes brancos sofrem diante de colegas asiáticos em testes de matemática e frente a colegas negros em esportes. Em muitos desses estudos, os mais hábeis enfrentam os maiores reveses. Os que cultivam maior expectativa de sucesso têm mais probabilidade de se aborrecer com um estereótipo negativo e grande probabilidade de apresentar desempenho inferior como resultado.

O grau exato de existência da ameaça dos estereótipos no mundo real continua incerto, provavelmente porque os estudos relevantes enfrentam os mesmos problemas que rondam boa parte dos experimentos de psicologia social. A maioria foi realizada com poucos estudantes universitários – o que aumenta as probabilidades de acasos estatísticos – e nem todos os estudos demonstraram um efeito intenso. Alguns críticos também ressaltam que experimentos são, com frequência, um fraco substituto do mundo real. Paul Sackett, da Universidade de Minnesota, argumenta que, fora do laboratório, a ameaça dos estereótipos pode ser menos comum e mais facilmente superada. Recentemente, Gijsbert Stoet, então na Universidade de Leeds, Inglaterra, e David C. Geary, da Universidade de Missouri- Columbia, examinaram cada estudo sobre ameaça dos estereótipos entre mulheres que realizavam testes de matemática.

A pesquisadora Ann Marie Ryan, da Universidade do Estado de Michigan, identificou algumas razões plausíveis para essas conclusões inconsistentes. Em 2008, ela e a psicóloga Hanna-Hanh Nguyen, então na Universidade do Estado da Califórnia em Long Beach, compararam os resultados de 76 diferentes estudos sobre a ameaça dos estereótipos em estudantes de ensino médio e universitários. Descobriram que no laboratório os cientistas são capazes de detectar a ameaça apenas sob determinadas condições, como quando pedem que voluntários resolvam um teste especialmente difícil, ou em ocasiões em que trabalham com pessoas que se identificam fortemente com seu grupo social.

O QUE É IMPORTANTE?

Na última década, psicólogos deixaram de apenas mostrar que a ameaça dos estereótipos existe e detiveram em entender como ela funciona. Pesquisadores demonstraram que a ameaça opera da mesma forma em diferentes grupos de pessoas. A ansiedade chega, a motivação cai e as expectativas ficam mais baixas. Avançando nessas descobertas, a psicóloga Toni Schmader, da Universidade da Colúmbia Britânica, sugeriu que a ameaça ataca algo fundamental. O alvo mais óbvio seria a memória operacional – habilidades cognitivas que nos permitem reter e manipular temporariamente a informação. Esse conjunto de habilidades é finito e a ameaça dos estereótipos pode esgotá-lo. É possível que as pessoas se tornem psicologicamente exauridas ao se preocupar com os preconceitos alheios e tentando provar que os outros estão errados. Para testar esta ideia, a cientista deu a 75 voluntários um teste difícil: eles tinham de memorizar uma lista de palavras enquanto resolviam equações matemáticas. Ela disse a alguns participantes que avaliaria sua capacidade de memória e que homens e mulheres podem ter diferenças inatas de habilidades. As mulheres, informadas sobre a suposta discrepância, guardaram menos palavras, enquanto os homens não tiveram esses problemas.

O esgotamento da memória operacional cria vários bloqueios ao sucesso. As pessoas tendem a repensar ações que, de outra forma, seriam automáticas e se tornam mais sensíveis a sugestões que possam indicar discriminação. Uma expressão ambígua pode ser equivocadamente entendida como escárnio, e mesmo a ansiedade pode se tornar um sinal de fracasso iminente. A mente divaga e o autocontrole enfraquece. Quando Toni Schmader interrompeu mulheres no meio de um teste de matemática e perguntou o que elas estavam pensando, as que estavam sob a ameaça do estereótipo mostraram probabilidade maior de estarem devaneando.

Mais recentemente, pesquisadores passaram do estudo da ameaça dos estereótipos nos laboratórios para escolas e salas de palestras reais, onde tentaram dissipar ou evitar a ameaça totalmente. “Vejo três linhas de pesquisa: a primeira foi para identificar o fenômeno e até onde ele vai; a segunda olhou para quem experimenta o efeito e seus mecanismos; a terceira traduz esses resultados em intervenções”, diz a cientista. O doutor em psicologia Geoffrey Cohen, também de Stanford, conseguiu resultados particularmente impressionantes. Seu método é de uma simplicidade desconcertante: ele pede que as pessoas considerem o que é importante para elas (popularidade ou habilidade musical, por exemplo) e escrevam por que isso é importante. O exercício de 15 minutos age como uma vacina mental que aumenta a autoconfiança dos estudantes, ajudando-os a combater qualquer futura ameaça dos estereótipos.

Em 2003 Cohen visitou escolas de ensino médio na Califórnia e aplicou seu exercício num experimento controlado de forma aleatória – o teste consagrado em medicina que checa se uma intervenção funciona comparando-a com um placebo. Cohen administrou seu exercício a estudantes do sétimo ano: metade escreveu sobre seus próprios valores e os demais sobre coisas não importantes para eles. O teste foi o duplo-cego, o que significa que nem Cohen nem os estudantes sabiam a que grupo estavam integrados.

No fim do trimestre, estudantes negros que concluíram o exercício reduziram em 40% a defasagem acadêmica entre eles e seus colegas brancos. Melhor ainda, os alunos mais fracos da classe foram os que mais se beneficiaram. Nos dois anos seguintes os mesmos estudantes realizaram duas ou três versões de reforço do exercício original. Apenas 5% dos que tinham notas mais baixas que escreveram sobre seus valores precisaram de aulas de reforço ou repetiram de ano, em comparação com 18% do grupo de controle. Finalmente, as médias de notas dos estudantes negros subiram 0,25 ponto e as dos que exibiam pior desempenho aumentaram 0,40 ponto.

Umas poucas frações de pontos aqui e ali podem não parecer um grande avanço, mas mesmo pequenas mudanças no grau de confiança – positivas ou negativas – têm efeito cumulativo. Crianças que vão mal desde cedo podem rapidamente perder autoconfiança ou a atenção de um professor; em contrapartida, sinais de um progresso modesto podem motivar um avanço muito maior. Ao intervir no início, assegura Cohen, os educadores podem tornar ciclos viciosos em virtuosos.

A tarefa proposta por Cohen é tão simples que Ann Marie Ryan e outros pesquisadores não ficaram inteiramente convencidos dos seus resultados. Desde então o teste tem sido replicado inúmeras vezes. Nos últimos cinco anos o exercício foi usado para “mudar a sorte” de estudantes negros em três escolas de nível médio e para praticamente eliminar a desigualdade entre os gêneros numa classe de física de nível universitário.

Cohen, porém, tem buscado novos meios de ajudar estudantes. Ele colaborou com Greg Walton, também de Stanford, para abordar um isolamento induzido com frequência pela ameaça dos estereótipos. Muitos componentes de grupos minoritários temem que seus colegas acadêmicos não os aceitem. Walton combateu essas preocupações com estudos e citações de estudantes mais velhos, mostrando que esses sentimentos são comuns a todos, independentemente de etnia, e que eles desaparecem com o tempo. “Isso faz com que os jovens reformulem suas próprias experiências por meio das lentes dessa mensagem e não pela da etnia”, considera Walton. Walton e Cohen testaram seu exercício de uma hora de duração com estudantes universitários no primeiro trimestre. Três anos depois, quando os estudantes se graduaram, a disparidade de resultados entre negros e brancos havia caído pela metade. Os jovens negros estavam mais felizes e saudáveis que seus colegas que não participaram do exercício de Walton e nos últimos três anos eles haviam adoecido menos que os colegas do grupo de controle. Walton reconhece que um exercício tão simples pode parecer trivial, mas, para quem está preocupado se será aceito, saber que suas angústias são partilhadas e temporárias é muito significativo. Cohen e Walton trabalham atualmente na ampliação de intervenções simples e baratas. Os dois – assim como Carol Dweck e Dave Paunesku -, também de Stanford, criaram o Project for Education Research That Scales (PERTS), que permite administração rápida de intervenções on-line, combinando programas e avaliando resultados. Esse esforço está na aposta de que desfazer o efeito estereótipo não é panaceia contra a desigualdade ou uma solução definitiva e muito menos única para uma questão psíquica e pessoal tão complexa. Cohen, por exemplo, testou seu exercício de redação apenas em escolas com etnias mistas e admite que não está seguro se funcionaria em outros contextos. Mas o que é animador é a perspectiva de avançar no enfrentamento de situações que trazem sofrimento a tanta gente. Trabalhos recentes sobre o fenômeno do estereótipo oferecem esperança realista de aliviar o problema e subverter crenças arraigadas. Ao diminuir a ameaça, os pesquisadores mostram que nossos próprios preconceitos não têm fundamento. As desigualdades de desempenho entre estudantes negros e brancos ou entre cientistas homens e mulheres não indicam diferenças de capacidade, mas refletem preconceitos que se pode mudar.

Preconceitos contra si mesmo. 2

OUTROS JEITOS DE VER A BELEZA

Pense em uma propaganda de um produto, um carro, por exemplo, e tente descrever a primeira imagem que vem à cabeça – há por acaso mulheres magras e altas, dentro dos padrões de beleza atualmente tão valorizados (e inacessíveis), junto à máquina? Agora busque evocar alguma peça publicitária de veículos adaptados para deficientes. “Se se lembrar de alguma, vai perceber que há somente o carro na imagem. Um anúncio totalmente focado no produto, não no público para o qual é voltado. Apesar de haver cerca de 45 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência, eles ainda não são vistos pelo mercado como consumidores, como parte da economia e da sociedade”, diz a fotógrafa Kica de Castro, criadora de uma agência de modelos exclusiva para deficientes físicos. Atualmente são 81 homens e mulheres agenciados, a maioria com passagem por cursos de moda e teatro, com algum tipo de deficiência, como paralisia cerebral, paraplegia, membros amputados e nanismo.

A seleção para fazer parte do casting é por meio de entrevistas e avaliação do preparo profissional do candidato a modelo – o que não significa que pessoas sem formação voltada para esse mercado, mas com aptidão natural, apesar de mais raras, não possam ser escolhidas. Se o candidato é aprovado na entrevista, a própria agência arca com os custos do material fotográfico, o book, que servirá como amostra. Mais tarde, se chamado para algum trabalho, o modelo paga uma porcentagem à agência, que fica em São Paulo. “No início as pessoas disseram que o projeto não daria certo, mas houve aceitação. Ainda não há tantas oportunidades no Brasil, mas no exterior sim”, diz Kica, que começou a fotografar pessoas com deficiência há quase uma década, quando trabalhava em um centro de reabilitação fazendo fotos nas quatro posições globais (frente, costa e laterais) para prontuários e fichas médicas. As fotografias de moda foram uma maneira de se aproximar dos fotografados e ajudá-los a relaxar. Segundo Kica, as pessoas chegavam cabisbaixas, ficavam seminuas, e era evidente a baixa autoestima delas nesse momento.

“Depois de uma conversa com uma amiga psicóloga, comprei várias quinquilharias na rua 25 de Março (centro de comércio popular em São Paulo) e passei a dizer, antes das fotos, que estava fazendo um trabalho para um editorial de moda e os convidava para se enfeitar e participar.

Eram uns poucos minutos que os ajudavam a fazer as fotos médicas com mais satisfação”, diz Kica, que pouco depois começou a fazer books particulares a pedido dos fotografados, tipo de trabalho que ainda continua a fazer. Nenhuma das fotos é tratada com programas de edição de imagem, como o Photoshop, que geralmente é usado para retocar “imperfeições” das modelos como, aliás, também acontece em outros trabalhos fotográficos.

Preconceitos contra si mesmo. 3

NO FIM, TODOS SAEM PREJUDICADOS

A psicologia caracteriza o preconceito como a presença, profundamente arraigada na memória, de associações negativas vinculadas a pessoas de culturas estrangeiras. Estudos realizados em muitos países evidenciam que todo ser humano nutre várias reservas e age em consonância com elas. Nesse contexto, a violência praticada contra estrangeiros, que em muitos casos culmina com assassinatos, é apenas a ponta do iceberg. Como mostra um teste idealizado pelos psicólogos sociais Andreas Klink e Ulrich Wagner, das universidades alemãs Jena e Marburg, respectivamente, o comportamento discriminatório se manifesta principalmente em situações cotidianas.

Com a ajuda de uma estudante de psicologia, os pesquisadores propuseram a seguinte situação: na calçada, a jovem pergunta qual o caminho até a estação rodoviária. A maioria dos transeuntes ofereceu informações à moça e só uns poucos mal-educados ou apressados a ignoraram. Um pouco mais tarde, ela retornou ao local para fazer a mesma pergunta, mas com uma diferença: a garota vestia roupas orientais e um véu na cabeça. Resultado: o número de pessoas que ignoraram a suposta estrangeira mais que duplicou.

Em outro experimento, os dois psicólogos solicitaram a pessoas com nomes estrangeiros que respondessem a anúncios imobiliários e de emprego. A proposta da dupla era observar se haveria algum sinal de repúdio por parte dos funcionários que analisavam os currículos e as propostas para alugar imóveis. E de fato houve: estrangeiros eram preteridos. A causa, evidente, era uma só: preconceito.

Os estereótipos, entretanto, não dificultam a vida apenas de pessoas e grupos estigmatizados. Os psicólogos sociais americanos Robert A. Baron e Donn Byrne observam que pessoas com atitudes preconceituosas tendem a se sentir extremamente expostas a conflitos e enfrentam medos muitas vezes exagerados e desnecessários. Sentem constante temor, por exemplo, de ser atacadas ou molestadas por pessoas supostamente hostis, de classe social ou cor de pele diferente da sua. Ou seja, essa postura redunda em considerável prejuízo para a qualidade de vida dos preconceituosos.

OUTROS OLHARES

CELEBRAÇÃO SEM SUSTO

O bilionário mercado de festas de formatura, que custam em média 600.000 reais, atraiu o interesse de uma fintech paulistana, a Keeper. Ela gere o dinheiro das turmas e já fatura 20 milhões de reais.

Celebração sem susto

O administrador paulista Caio Zenatti, de 32 anos, até hoje lembra em detalhes de sua festa de formatura do ensino médio. Ele estudou no Bandeirantes, um dos colégios mais tradicionais de São Paulo, e fez parte da comissão que organizou o evento. As celebrações de encerramento de curso costumam reunir 5.000 pessoas, contando os alunos e seus familiares. Os próprios estudantes contratam empresas especializadas em eventos e escolhem quanto vão pagar por mês para ter a celebração dos sonhos. Na formatura das faculdades, a dificuldade de organização e de gestão do dinheiro se mantém. Zenatti começou a acompanhar de perto o mercado de formaturas e seus gargalos e viu que havia oportunidade ali. Em 2014, criou a Keeper, startup de arrecadação e gestão do dinheiro de alunos de cursos universitários com a finalidade de pagar a festa de formatura. “Notamos que havia urna lacuna de negócios que administrassem de forma transparente os recursos financeiros depositados pelos alunos que vão usar o dinheiro para a formatura”, diz Zenatti.

A empresa, lançada no final de 2014, já atendeu mais de 200 turmas de formandos de universidades, como a Católica de São Paulo, a Unicamp e a Mackenzie. No ano passado, a receita da Keeper chegou a 20 milhões de reais. A meta é dobrar em 2019. O negócio ganhou corpo há quatro anos, quando Zenatti conheceu Ricardo Buckup, de 39 anos, fundador de uma das maiores empresas de festas de formatura do país, a B2, de São Paulo. Ambos frequentavam a Endeavor, ONG que oferece apoio a empreendedores. Buckup já havia percebido que existia uma demanda por negócios que se dedicassem exclusivamente a gerenciar o dinheiro dos formandos. Os valores são coletados durante ao menos dois anos para bancar festas que custam em média 600.000 reais. O mercado de festas de formatura e casamento fatura cerca de 17 bilhões de reais por ano no país. Mais de 1 milhão de universitários se formam todos os anos. Desses, ao menos 40% fazem festas de formatura. Mas é um negócio em que são comuns as histórias de empresas que quebram ou não conseguem entregar o produto prometido, um problema que se acentuou nos últimos anos com a retração econômica e o aumento da inadimplência. O mercado é pulverizado, e está nas mãos de centenas de companhias regionais, que passaram por dificuldades nos últimos anos. Empresas como a Celebração Eventos, do Piauí, e a Original, de Goiânia, faliram em 2018, cancelando mais de 100 festas de formatura que estavam programadas para os próximos anos.

Como os clientes são jovens acostumados a realizar transações online, os sócios decidiram criar uma plataforma virtual. Os empreendedores chamaram Guilherme Mori para participar do negócio. Mori foi coordenador da área de análise de dados e estratégia da 99 (antiga 99 táxis), aplicativo de transporte que, no ano passado, se tornou a primeira startup brasileira a atingir um valor de mercado de 1 bilhão de dólares. No início, todos os clientes vinham por meio de indicações da B2, que já existe há 16 anos e é uma das líderes do setor. Para expandir a base de usuários, os empreendedores investiram em campanhas em mídias sociais e na comunicação direta com os consumidores. A plataforma permite simulações de festas de diversos jeitos e de quanto é preciso pagar mensalmente para chegar lá. As regras de como será aplicado o dinheiro e o resultado das operações financeiras podem ser acessados, em tempo real, no site da Keeper. É dada preferência a investimentos conservadores, de bancos tradicionais, com perfil de baixo risco. A startup fica com cerca de 5% sobre o valor total depositado pelos formandos. Os rendimentos são devolvidos aos formandos – em média, chegam a 0,5%ao mês.

A Keeper é um exemplo de como as empresas do tipo fintech, as startups financeiras, abrem terreno em nichos de mercado cada vez mais específicos. Hoje, o Brasil já tem algumas centenas de fintechs. A metade delas foi criada de 2016 para cá e, como costuma acontecer em negócios muito novos, apenas 12% conseguiram conquistar faturamento anual superior a 10 milhões de reais, segundo um estudo da consultoria PwC. Nos Estados Unidos e na Europa, startups de serviços financeiros receberam mais de 40 bilhões de dólares de investimento em 2018, de acordo com urna pesquisa da consultoria KPMG. “O mundo está assistindo a uma expansão desses serviços, que atendem a necessidades específicas de certos públicos e contam com ferramentas de aproximação com os clientes”, diz Oliver Cunningharn, sócio em inovação e transformação digital em serviços financeiros da KPMG no Brasil. “Mesmo quem inova num segmento logo ganha novos concorrentes.” A festa da Keeper deve ganhar novos convidados em breve. Para os formandos, quanto mais opções, melhor.

Celebração sem susto. 2

GESTÃO E CARREIRA

A INOVAÇÃO QUE VEM DE PARCEIROS

Em tempos de dificuldade crescente para inovar a portas fechadas, grandes empresas se aproximam de startups para buscar soluções para seus problemas, gerar novos negócios e transformar a cultura interna.

A inovação que vem dos parceiros

A lentidão da justiça brasileira, cujo excesso de burocracia costuma retardar a conclusão dos processos, é uma velha conhecida das empresas. O setor jurídico do banco Itaú, no entanto, está cada vez menos preocupado com esse problema. Isso porque a área ganhou no ano passado um reforço tecnológico: uma parceria com a startup Mediação Online levou as demandas judiciais a um ambiente integralmente digital, facilitando a resolução de casos que envolvam pessoas físicas e empresas. O banco passou a usar uma plataforma da Mediação Online para resolver pendências financeiras dos clientes. Após um período de avaliação de cerca de um ano, com mais de 700 mediações, o Itaú fechou uma parceria com a startup para a gestão de 5.000 casos por mês. O banco avalia que, para cada real investido na parceria, já teve um retorno de 103 reais.

O aumento da eficiência na área jurídica é apenas um dos resultados obtidos pelo banco desde a criação do centro de empreendedorismo tecnológico Cubo Itaú em 2015. Instalado em São Paulo, o prédio abriga mais de 300 pequenas empresas e serve de espaço para coworking e geração de negócios com grandes corporações que buscam inovação. “Não há receita de bolo para a transformação digital. As startups são ferramentas para facilitar esse processo”, diz Renata Zanuto, executiva responsável pelo relacionamento com as startups do Cubo. Em três anos, o Itaú já realizou mais de 70 projetos com startups residentes no cubo. “Grande parte delas não é ligada à área financeira, mas impacta na transformação de processos internos do banco”, afirma Reynaldo Gama, responsável por fomentar os negócios entre grandes empresas e as startups do Cubo.

O que o Itaú está colocando em prática é o que se chama de inovação aberta, um conceito formulado no início dos anos 2000 pelo americano Henry Chesbrough, professor na Universidade da Califórnia. A expressão se refere à disposição de uma empresa em aceitar cooperação externa, seja de startups, seja de instituições de ensino, seja de governos, para desenvolver novas tecnologias em produtos e processos. Foi o caso do revolucionário iPod, lançado pela Apple em 2001, mas com parte de sua tecnologia desenvolvida pela startup americana PortalPlayer. Hoje, a ideia de inovação aberta passa por uma ampliação: engloba o corporate venture capital – prática mais ligada a investimentos de grandes companhias em startups ou de criação de uma startup interna. Mais recentemente, surgiu o conceito de corporate – startup engagement, algo que vai além da criação de novos negócios. “As grandes empresas querem trabalhar em diversas modalidades com as startups, e não necessariamente ser donas delas”, afirma Bruno Rondani, presidente da 100OpenStartups, uma plataforma que conecta grandes organizações às pequenas inovadoras. “A ideia é unir para criar mais valor”.

A contratação de serviços de startups é apenas uma das possibilidades de parcerias com grandes empresas. A indústria química Basf, por exemplo, aposta na estratégia de aceleração. Em uma parceria com a aceleradora ACE, a empresa alemã criou o programa AgroStart e, por meio dele, investiu em mais de dez startups, trazendo a inovação para dentro de casa. “A iniciativa é voltada para melhorar, de uma forma digital, a eficácia da aplicação de agro- defensivos e as tecnologias de análise de solo”, afirma Manfredo Rübens, presidente da Basf para a América do Sul. Hoje, por exemplo, a empresa usa drones para identificar situações de risco em lavouras. Após a análise, o aparelho transmite dados a uma equipe da Basf, que envia recomendações para que o agricultor resolva o problema de forma eficiente.

A Basf está satisfeita com os resultados que vem obtendo com a inovação aberta. E quer mais. Há cerca de duas semanas, inaugurou em São Paulo um centro colaborativo de experiências científicas digitais, batizado de Onono. “É um lugar onde confrontamos clientes e funcionários com as novas tecnologias e a digitalização”. diz Rübens. Ele acredita que o Brasil tenha um ambiente propício para transformações na cultura da empresa. “Já trabalhei na Alemanha, nos Estados Unidos e no Brasil. Por aqui, as mudanças são muito mais reconhecidas como oportunidades e menos como ameaças aos funcionários do que em outras regiões do mundo”.

Essas transformações, claro, acabam afetando os clientes finais em sua relação com a tecnologia. De olho na evolução das formas de pagamento, a empresa de serviços financeiros Visa fechou uma parceria, no início de abril, com a empresa de entregas Rappi na terra natal da startup: a Colômbia. Juntas, elas vão lançar um cartão de débito. A ideia é substituir o dinheiro vivo em transações pequenas. A Visa também tem centros de inovação espalhados pelo mundo – um deles em São Paulo -, além de um programa de aceleração de startups desde 2017. De lá para cá, mais de 50 empresas de inovação receberam investimentos. “As parcerias quebram o mito de que os bancos são rivais das fintechs”, diz Percival Jatobá, vice-presidente de produtos da Visa. “O envolvimento com startups nos permite também estabelecer nossa marca no ecossistema, além de sermos instigados por seus modelos de pensamento”.

Não são apenas as startups que enriquecem o ecossistema da inovação. Na indústria de alimentos BRF, a experiência positiva com pequenas empresas levou a corporação a ficar ainda mais receptiva às ideias externas. Depois de criar o programa b.Connect em 2016, para se aproximar das startups, a BRF aprimorou a iniciativa e lançou, em fevereiro deste ano, o brfHU, que reúne novos parceiros. “Entendemos que havíamos deixado de fora uma parte relevante do modelo de conexão: instituições de ensino superior, de ensino técnico e empresas de tecnologia em geral”, diz Sérgio Pinto, gerente executivo de inovação da BRF. “Colocando todos os parceiros em uma única avenida, o diálogo fica mais fácil”. No novo programa, a BRF lançou um site onde publica desafios em áreas diversas, como pesquisa e desenvolvimento, recursos humanos e vendas. “Há muitas ações bacanas na academia e no mercado. O que faltava era conexão”, diz Pinto. Para a BRF e outras empresas que perceberam os benefícios da inovação aberta, não falta mais.

A inovação que vem dos parceiros. 2

ABERTAS PARA APRENDER – E FAZER NEGÓCIOS

Algumas formas de cooperação entre grandes empresas e startups

 RECONHECIMENTO

Para construir uma reputação de marca inovadora, a empresa pode promover competições de inovação, oferecer mentorias para startups ou compartilhar espaços de trabalho.

QUEM FAZ: O Itaú mantém o Cubo, espaço que abriga startups. Elas têm acesso livre para eventos promovidos no local, e o banco pode fazer parcerias com fornecedoras mais inovadoras.

COCRIAÇÃO

Para resolver problemas de clientes ou ter parceiros inovadores, as empresas podem atrair startups e manter rotinas de exposição a alguns de seus desafios.

QUEM FAZ: a Visa passou a receber startups e clientes para discutir inovação. Assim ajudou por exemplo, o Bradesco a criar um atendimento automático em rede social.

ACELERAÇÃO

Em parceria com aceleradoras de startups, a empresa pode lançar seu próprio programa para ajudar as novatas a crescer, com foco em temas que considera estratégicos.

QUEM FAZ: a empresa química Basf lançou em 2018, o programa AgroStart e, desde então, acelerou dez startups. Os novos serviços ajudam os produtores rurais a detectar problemas nas lavouras.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 20: 29-30

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 29 – Isto mostra que tanto os jovens como os velhos têm seus benefícios, e por isto cada um deles deve, de acordo com suas capacidades, ser útil para o público, e nenhum deles deve invejar ou desprezar o outro.

1. Que os velhos não desprezem os jovens, pois são fortes e preparados para a ação, capazes de desempenhar atividades e atravessar dificuldades contra as quais os velhos e fracos não conseguem lutar. A glória cios jovens é a sua força, com a condição ele que a usem bem (no serviço de Deus e da sua nação, e não dos seus desejos), e de que não se orgulhem dela, nem confiem nela.

2. Que os jovens não desprezem os velhos, pois são graves, e apropriados para os conselhos, e, embora não tenham a força que têm os jovens, ainda assim têm mais sabedoria e experiência. Deus honrou o velho, pois a sua cabeça branca é a sua beleza. Veja Daniel 7.9.

 

V. 30 – Observe:

1. Muitos precisam de severas repreensões. Alguns filhos são tão obstinados que seus pais não conseguem lhes fazer o bem, sem severa correção; alguns criminosos precisam sentir o rigor ela lei e da justiça pública; métodos gentis não funcionarão com eles: eles elevem ser castigados com severidade. E o Deus sábio percebe que os seus próprios filhos, às vezes, precisam de aflições muito intensas.

2. As repreensões severas, às vezes, fazem um grande bem, da mesma maneira como uma substância corrosiva contribui para a cura de um ferimento, corroendo o inchaço. A vara expulsa até mesmo aquela tolice que estava presa no coração, purificando o mal que havia ali.

3. Frequentemente, aqueles que mais precisam de severas repreensões, são os que as menos suportam. Tal é a corrupção da natureza que os homens detestam ser repreendidos severamente por seus pecados, tanto quanto detestam ser espancados até que doam seus ossos. A correção é dolorosa para aquele que abandona o caminho, mas, apesar disto, é boa para ele (Hebreus 12.11).

PSICOLOGIA ANALÍTICA

MENSAGENS PARA O INCONSCIENTE

Os sentidos captam informações que escapam à consciência, mas há dúvidas de que esses dados possam manipular nossa vontade. Pesquisas mostram, porém, que esses estímulos provocam reações cerebrais mensuráveis.

Mensagens para o inconsciente

Quando falamos em estímulos subliminares, em geral pensamos em imagens que aparecem de forma tão fugaz a ponto de não serem percebidas pela consciência, mas que mesmo assim são capazes de influenciar as nossas decisões. Alguns acreditam que esse recurso permite criar determinados estados de ânimo e até obter ganhos, influenciando as pessoas a fazer certas escolhas. Usada de forma indiscriminada, essa técnica poderia ser um risco nas mãos de publicitários e políticos. Os cientistas demonstraram, porém, que o efeito da percepção subliminar não é tão espetacular como durante muito tempo se acreditou.

Essas técnicas vieram à tona em 1957, com uma experiência desenvolvida pelo publicitário americano James Vicary (1915 – 1977), especialista em pesquisa de mercado. Durante uma projeção em um drive-in, ele exibiu – em velocidade muito alta, sem que o público notasse – uma mensagem na tela: “Coma pipoca e beba Coca-Cola”. Na ocasião, Vicary anunciou que o sistema aumentou em 20% o consumo do refrigerante e em 60% o de pipoca. No entanto, cinco anos mais tarde o próprio Vicary admitiu que nunca levara a cabo uma experiência nesses moldes, e que queria apenas incrementar o faturamento de sua agência publicitária. Mas o mito da manipulação inconsciente já tinha nascido. Posteriormente, ele de fato fez uma experiência em um cinema na presença de um grupo de jornalistas, mas os dados haviam sido falsificados: o famigerado tactoscópio, aparelho que envia as breves mensagens, teria tido seus dados fraudados.

Para o cinquentenário de “Coma pipoca e tome Coca-Cola”, em 2007, o psicoterapeuta Jim Brackin, especialista em publicidade e hipnose, realizou uma experiência similar em um congresso de marketing em Istambul. Usando imagens subliminares, divulgou o produto inexistente, Delta. Após a projeção, os 400 congressistas tinham de escolher entre o Delta e outro produto, Theta. Resultado: 81% escolheu a primeira opção. Mas nunca se procedeu a uma comprovação – normalmente usada nos estudos científicos – para estabelecer se a mesma experiência sem as mensagens subliminares poderia trazer um resultado diferente.

CRUCIFIXO MISTERIOSO

No final de 2007, suspeitou-se que o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos    Mike Huckabee tivesse procurado manipular os eleitores durante a propaganda eleitoral. No centro das suspeitas havia uma estante de livros branca, visível na propaganda atrás de Huckabee. Com a ajuda do enquadramento e de um pouco de boa vontade, os eixos horizontais e verticais da estante formavam uma cruz. A acusação feita ao ex-pregador batista era de que ele pretendia associar, na mente do público, a própria imagem a um símbolo cristão. Aqui, porém, o termo “subliminar” é insuficiente. Em latim sub limen significa “sob o limite” e se refere a estímulos tão fracos a ponto de não serem percebidos conscientemente; mas a estante “em cruz” era bem reconhecível pelos espectadores.

Os cientistas desenvolveram um critério mais rigoroso que o limite de tempo, no qual um símbolo pode ser considerado “subliminar”. Se, por exemplo, o “4” aparece por um segundo na tela, é percebido conscientemente. Mas se o tempo de exibição for reduzido, chega-se a um patamar limite e quem observa garante que não enxerga nenhum número. Ainda assim, caso se deva adivinhar se o número mostrado é inferior ou superior a “5”, a resposta é descoberta com frequência superior à média: evidentemente, quem olha enxerga alguma coisa sem se dar conta.

Portanto, uma percepção é considerada subliminar mesmo se, como no caso descrito, os participantes adivinham só por acaso. O número não deve aparecer na tela por mais de 30 milissegundos. Além disso, deve ser logo “disfarçado” por uma faixa com uma série de letras colocadas por acaso. É assim que os pesquisadores definem esse artifício – caso contrário a imagem que fica na retina poderia ter uma impressão fixa. Assim sendo, a estante de Huckabee estava muito acima desse limite da percepção.

Como deve ser o estímulo para que passe despercebido? Pode ser de vários tipos, como demonstraram experiências desenvolvidas por psicólogos e neurocientistas. Sem que saibamos, o cérebro entende palavras, interpreta a mímica dos rostos, decifra símbolos e capta sons. Numerosas experiências de priming (facilitação) desvendam a influência dos símbolos que escapam à consciência: um impulso desencadeado abaixo do patamar limite, o prime, influencia a reação a um estímulo percebido conscientemente, o target (alvo). Os exemplos clássicos dessas experiências têm base nos números: os participantes veem na tela um número entre 1 e 9 e devem classificá-lo, apertando a tecla esquerda se inferior a 5 e a direita, se superior. É uma tarefa tão simples que, em geral, ninguém costuma errar.

A ação dos estímulos subliminares se manifesta principalmente no tempo da reação: os indivíduos reagem mais rápido se, antes do estímulo-target percebido conscientemente, aparecer ligeiramente um estímulo-prime subliminar, que requer apertar a mesma tecla. Se, por exemplo, um 7 for rapidamente iluminado antes de um 8 percebido conscientemente, os participantes decidem com mais rapidez apertar a tecla correta. Ao contrário, um 4 subliminar os faria hesitar por mais tempo. A experiência também funciona se o número estiver escrito por extenso, como no caso de “sete”. As palavras com significado emotivo, como “medo”, também influenciam a escolha, e a mímica dos rostos, mais ainda.

A elaboração subliminar da expressão facial foi acompanhada em 2007 pelos psicólogos Monika Kiss e Martin Eimer, pesquisadores da Universidade de Londres, por meio do registro de medidas com o eletroencefalograma (EEG). Durante a experiência, 14 participantes eram orientados a diferenciar as fotos de pessoas com expressão assustada ou neutra. Os voluntários conseguiam realizar a tarefa com desenvoltura se o rosto fosse exibido por 200 milissegundos. Quando o tempo era reduzido para 8 milissegundos, as respostas eram eventuais. Neste caso, o estímulo podia ser definido como subliminar. Mesmo assim o eletroencefalograma mostrava as mesmas variações que têm origem também com a percepção consciente.

FORTES EMOÇÕES

O “mito da ação subliminar” tem, portanto, uma base empírica: estímulos não captados conscientemente provocam reação que pode ser medida no cérebro. Não é aceitável, porém, falar de 1 manipulação profunda dos nossos julgamentos e decisões.

Em 2000 surgiu o temor de possíveis influências políticas ocultas quando, para combater o adversário político Al Gore, um assessor da equipe de George W. Bush sugeriu iluminar muitas vezes em uma propaganda eleitoral a palavra bureaucrats (burocratas) e, por três centésimos de segundo apenas, as quatro últimas letras: rats, ou seja, ratos. Mas o uso da palavra “negativa” realmente influenciava os eleitores? O grupo de pesquisa coordenado pelo neurocientista cognitivo Stanislas Dehaene, pesquisador do Collège de France, em Paris, estudou de que maneira os estímulos subliminares podem ser captados. O pesquisador Lionel Naccache, membro da equipe, forneceu a primeira demonstração direta da influência das palavras com conteúdo emotivo. Ao acompanhar três pacientes epiléticos que tinham em seu cérebro eletrodos para o trata- mento da patologia, chamou sua atenção que palavras subliminares com forte dose emotiva exercem influência sobre a amígdala, uma região cerebral determinante no processamento de emoções. “Tais vocábulos modificavam a atividade da amígdala, justamente como acontece com a elaboração consciente”, afirmou Naccache.

O cientista Raphael Gaillard, outro pesquisador da equipe de Paris, demonstrou que palavras fugazes com conteúdo emotivo entram na consciência antes daquelas com sentido neutro. Durante sua experiência, mudou o tempo em que um vocábulo apresentado de forma subliminar é disfarçado, aleatoriamente, pela exibição de vá- rias de letras na mesma cena. No caso daquelas neutras, de cada dois pacientes um se lembrava do que estava representado na tela. Quando se tratava de termos com conotação negativa, três em cada duas pessoas se recordavam deles. Gaillard concluiu que o conteúdo emotivo de uma palavra pode reduzir o limiar da percepção consciente. E que as palavras percebidas de que possamos nos dar conta são elaboradas de maneira específica, de acordo com o seu conteúdo semântico. É muito improvável que com esses artifícios seja possível manipular as pessoas, porque, quando o estímulo não atinge a consciência, a influência dura pouco tempo. A experiência de Gaillard demonstra serem determinantes não apenas a duração da percepção, mas também o seu conteúdo. Além disso, os estímulos subliminares são elaborados de acordo com a atividade que a pessoa está desempenhando naquele momento.

Esse tema foi estudado pelo neurologista Kimihiro Nakamura, da Universidade de Kyoto. Fazendo uso da estimulação magnética transcraniana (EMT), ele desativou algumas áreas do cérebro em um grupo de pessoas que enxergavam imagens subliminares nas palavras. Com essa técnica, ele podia interromper dois efeitos priming. No primeiro caso, em um teste de reconhecimento verbal, os voluntários deveriam apertar uma tecla para comunicar se a faixa de letras rapidamente sobrepostas formava ou não uma palavra. Se o mesmo vocábulo era proposto de forma subliminar, os voluntários reagiam com mais velocidade, desde que o estímulo magnético não impedisse essa ação.

No segundo caso, os participantes do teste tinham de pronunciar em voz alta uma palavra inscrita. Desta vez a resposta era mais rápida quando era projetada de forma subliminar. E, também neste caso, a EMT podia anular o efeito priming.

Com base nessa tarefa, era preciso desativar várias áreas do cérebro: se os indivíduos mantinham separadas entre si as palavras e as faixas com as letras colocadas ao acaso, havia uma desativação da parte superior do lobo temporal. Ao contrário, na tarefa de leitura a área magnética precisava estar na parte inferior do lobo temporal. Isso significa que a área em que o estímulo subliminar deixa rastros no cérebro é determinada pela tarefa na qual os candidatos são submetidos à percepção subliminar.

Segundo Stanislas Dehaene, pode ser que elaboremos o estímulo subliminar em nível semântico. Seria um resultado fascinante: o estímulo óptico é reconhecido como palavra, a faixa de letras é decifrada e a representação da palavra é lembrada pelo cérebro. Tudo isso acontece sem nos darmos conta.

De acordo com Nakamura, o efeito priming subliminar passa de uma modalidade sensorial a outra. Mesmo se a palavra fosse inserida sob a forma escrita por 3 centésimos de segundo e a tarefa sucessiva de reconhecimento verbal consistisse na sua pronúncia, a faixa de letras inserida de forma subliminar diminuía o tempo de reação das pessoas. Dehaene deduz que percebemos os estímulos de maneira consciente quando produzem uma “reverberação” distribuída e duradoura no cérebro. Portanto, não apenas o tempo do estímulo é determinante, mas também os processos cognitivos superiores: por exemplo, a tarefa em que a pessoa está envolvida naquele momento ou na qual deve se concentrar.

Mas a questão científica ainda está aberta. Os céticos refutam a ideia de que possamos ler palavras em um nível inferior ao patamar da consciência. É provável que as faixas com poucas letras tenham sido “arquivadas” no cérebro como figura completa e criado efeitos priming.

Em 2000, o psicólogo Richard Abrams, da Universidade de Washington, encontrou alguns indícios disso. Inicialmente, permitiu que os indivíduos determinassem o conteúdo emotivo dos termos: a palavra smile (sorriso), por exemplo, tinha efeito positivo, enquanto smut (sujeira) assumia conotação negativa. Após a experiência de priming, Abrams confirmou que uma palavra subliminar de cunho negativo provocava reações mais rápidas nos indivíduos quando se davam conta conscientemente de uma palavra que tinha o mesmo significado.

Mas também os acrônimos sem sentido como anrm suscitavam o efeito de uma palavra prime de caráter positivo se antes os indivíduos tivessem lido várias vezes palavras de conotação positiva, como angel (anjo) e warm (calor). Abrams conseguiu até transformar smile em uma palavra subliminar emotiva- mente negativa: deixou que os indivíduos lessem várias vezes smut (sujo) e bile (bílis). O psicólogo deduz que, em nível subliminar, reconhecemos apenas fragmentos das palavras na memória.

Em 2007, a empresa coreana Xtive lançou um programa de computador que sussurrava em frequências não audíveis frases bem-humoradas como “desligue este treco” às pessoas dependentes do computador. Os produtores argumentam que a mensagem subliminar pode curar a dependência. Existe até “CDs subliminares” à venda: em geral, são inofensivas gravações de textos extraídos do seu contexto, acrescidos à música relaxante, que ajudam as pessoas a pegar no sono (pelo menos tem esse efeito para boa parte delas). No entanto, não existe uma indicação com relação ao efeito exato desse material. E há poucas pesquisas em curso: do ponto de vista científico, esses produtos são pouco discutidos. Por definição, quem os compra não sabe que alcance têm as mensagens “disfarçadas” – se é que realmente têm algum efeito.

Essas propostas estão quase totalmente em desacordo com a definição científica do estímulo subliminar. Se, por um lado, pesquisadores como Stanislas Dehaene usam esses recursos para medir o limite da consciência, por outro alguns supostos especialistas se apropriam do assunto e propõem uma “programação da mente”, apostando que um estímulo imperceptível do inconsciente pode fazer a fantasia humana alçar voo. Porém, se excluímos o que foi demonstrado pela ciência, o efeito que se pode obter com essas técnicas é pura questão de fé.

OUTROS OLHARES

TODOS CONTRA A NETFLIX

A plataforma de streaming deixou a TV por assinatura para trás nos Estados Unidos e vai pelo mesmo caminho no Brasil. Seu sucesso forçou operadoras e produtoras de conteúdo a reagir. A disputa é boa para o consumidor?

Todos contra a netflix

Se faltava um marco na impressionante trajetória da plataforma americana de streaming Netflix, não falta mais. Em janeiro, Roma, um filme produzido e lançado pela empresa, do diretor mexicano Alfonso Cuarón, foi indicado a dez prêmios Oscar, incluindo o de melhor filme. É a primeira vez que uma produção feita para streaming disputa o maior prêmio da indústria do cinema. E é mais um lembrete do poderio da empresa que surgiu como uma locadora de DVDs na virada do século e virou um gigante com 145 bilhões de dólares de valor de mercado. A Netflix tem 139 milhões de assinantes no mundo e cresce a uma taxa anual na casa dos 30%. No início de 2017, ela superou o total de clientes da televisão a cabo no maior mercado do mundo, os Estados Unidos, com 51 milhões de assinantes versus 48 milhões das TVs. No Brasil, a história não é tão diferente. A consultoria britânica Ampere Analysis estima que a Netflix fechou 2018 com 10 milhões de usuários no Brasil. Ainda não é o suficiente para ultrapassar os 21milhões de clientes de TV a cabo, mas é o bastante para deixar para trás a líder do setor no país, a Claro Brasil, que engloba as marcas Net e Claro TV.

O sucesso da Netflix estimulou a entrada de novos participantes no mercado de streaming aqui. Atualmente, no Brasil, além da Netflix, é possível assinar diversos aplicativos de conteúdo de vídeo sob demanda: Amazon Prime Video, Globo Play, Fox+, YouTube Premium, HBO Go, Esporte Interativo Plus e Watch ESPN, entre outros. A enxurrada veio bem num momento de crise financeira, quando mais famílias passaram a repensar gastos domésticos. Resultado: houve uma onda de transferência de clientes da televisão por assinatura, com pacotes mais caros, para o streaming. A consultoria de pesquisa de mercado CVA Solutions ouviu mais de 7.000 pessoas que possuem um smartphone e descobriu que 15% dos assinantes da Netflix no país cancelaram a assinatura de TV paga. “A Netflix chega aos que não tinham TV por assinatura e mostra para um perfil de cliente que o streaming pode ser o suficiente”, diz Sandro Cimatti, sócio da CVA Solutions. A mensalidade básica da Net é 49,99 reais, ante19,90 da Netflix.

As operadoras tentam reagir enquanto há tempo. Um dos caminhos é responder na mesma moeda, com conteúdo próprio a fim de se diferenciar das concorrentes. Mas há uma jabuticaba no caminho: uma lei brasileira não permite que empresas de conteúdo sejam distribuidoras nem que as empresas de distribuição produzam conteúdo. Por causa da separação que impõe, a lei foi apelidada no setor de “Tratado de Tordesilhas”. A questão está se tornando caso de disputa. No fim do ano passado, a Claro Brasil entrou com um questionamento na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sobre a estratégia de empresas corno Fox e Esporte Interativo, produtores de conteúdo que estão oferecendo sua programação por meio de serviços sob demanda, ao estilo Netflix. Eles também ofertam a programação ao vivo, sem a necessidade da assinatura de um pacote de TV. Isso, na visão da Claro, é ilegal – a empresa, basicamente, quer que a lei mude para poder lançar seus próprios pacotes de conteúdo. A lei é o motivo para a Anatel não ter aprovado, em 2017, a fusão da AT&T, controladora da Sky, com a Time Warner, responsável por canais como Warner Channel, Cartoon Network e o próprio Esporte Interativo.

Se a legislação for alterada, a Claro investirá em conteúdo no Brasil, segundo declarações dadas por seu presidente, José Félix, na época da entrada do questionamento na Anatel. Esse caminho poderia ser percorrido também pela espanhola Telefônica, dona da Vivo no Brasil. A companhia já realizou parcerias com ligas esportivas como a NBA, de basquete americano, para a distribuição de conteúdo exclusivo no Brasil. Na Espanha, a operadora investiu 70 milhões de euros para produzir a série La Peste, que conta a história da epidemia de peste bubônica no século 16. A Telefónica também firmou uma parceria para integrar os serviços da Netflix a seus aparelhos. O lançamento da parceria ocorreu com uma propaganda simulando uma ligação entre Reed Hastings e José Maria Álvarez-Pallete López, presidentes da Netflix e da Telefónica, respectivamente. “Essas parcerias trarão uma melhor experiência para o cliente, que pode pagar a Netflix por meio da conta telefônica”, diz Márcio Fabbris, vice­ presidente da Vivo.

A Oi foca na distribuição do streaming dentro de seus pacotes de telefonia. Para ter acesso aos conteúdos digitais de Fox, ESPN, HBO, Discovery I<ids e ainda assistir a vídeos na Netflix sem utilizar dados da franquia, o cliente precisa assinar um plano de telefone pós-pago de 250 reais. “É uma tendência de médio e longo prazo aumentar a oferta de conteúdo junto com a banda larga”, diz Bernardo Winik, diretor de varejo e digital da Oi. “Essa mudança é influenciada por um comportamento geracional. Meus filhos não assistem mais TV.” Netflix e Sky não deram entrevista.

As empresas de conteúdo, por sua vez, investem em suas próprias plataformas de streaming. A Fox, cujo serviço é contestado pela Claro, cobra 35 reais ao mês por seu aplicativo, e não concorda que seu avanço no mercado seja contra as regras nem que esteja afetando as empresas de TV paga. “Não rivalizamos com as operadoras, pois estamos atrás daqueles clientes que têm um smartphone e não querem ter um plano de televisão por assinatura”, afirma Michel Piestun, diretor-geral da Fox Brasil. A Globo Play, serviço sob demanda da Globo, aposta no sucesso especialmente de novelas e séries. O produto que deve ser o grande diferencial, no entanto, é o Premiere Play. Por 79,90 reais, o cliente pode ter acesso a todas as partidas de futebol do Campeonato Brasileiro, que a Globo transmite com exclusividade, sem precisar ter uma assinatura de TV. “A visão do Grupo Globo é que, a médio prazo, a área de streaming vai ser tão importante para as receitas quanto a TV Globo.

todos contra a netflix. 2

GESTÃO E CARREIRA

VOCÊ SABE O QUE É RESILIÊNCIA?

Businessman in crisis

Do universo da física, o conceito de resiliência migrou para o cotidiano das empresas e tornou-se uma competência cada vez mais valorizada e requerida pelas empresas, que buscam profissionais com capacidade de resolver problemas e suportar reveses.

Segundo Emerson Weslei Dias, coach e consultor de carreira, ser resiliente significa que, mesmo diante de adversidades, é possível lidar com os próprios problemas, encontrar alternativas e enxergar oportunidades para alcançar o seu propósito. As empresas buscam profissionais com essa característica porque acreditam que eles vão conseguir, mesmo passando por dificuldades, superá-las com alguma facilidade. Além disso, pessoas resilientes não vão transpor pro ambiente o que sentiram de negativo, porque já absorveram e já trabalharam internamente os problemas, solucionando-os.

Como desenvolver essa habilidade? O primeiro passo é tentar se conhecer melhor. Não existe a possibilidade de mudarmos como a gente reage perante determinada situação se, em primeiro lugar, não soubermos como reagimos. Portanto, a sugestão para o desenvolvimento dessa habilidade é passar por um processo de autoconhecimento.

Para atingir esse objetivo, vale a pena investir em um programa de coaching. Quem passa por essa experiência ganha vantagens em situações como dinâmicas de grupo e painéis de negócios da seleção. O candidato adquire maior capacidade de adaptação, consegue identificar suas debilidades e tem a possibilidade de tentar se fortalecer nesses pontos.

A seguir, o especialista lista algumas atitudes que podem ser praticadas no dia a dia.

ENCARE MUDANÇAS COMO OPORTUNIDADES
Aceite que a mudança é uma oportunidade de crescimento e de melhoria. Não se faça de vítima. Ainda que a situação seja complicada, é possível aproveitar o momento para amadurecer de maneira muito mais rápida.

TENHA AUTOCONFIANÇA
Esse comportamento está relacionado à segurança para enfrentar diversas situações. Acredite que você é capaz de superar os desafios.

SAIA DA ZONA DE CONFORTO
Evite o comodismo intencionalmente através de experiências que promovam novas possibilidades em sua vida. Desafie a si mesmo. Essa prática permitirá que você pense diferente e tenha novas crenças a respeito daquilo que se deseja.

OUÇA A OPINIÃO DOS OUTROS
Saber ouvir opiniões diferentes e aceitar críticas é outro ponto que ajuda a fortalecer sua resiliência.

SEJA FLEXÍVEL
Ter flexibilidade é a ser capaz de se adaptar. Quando não conseguir, tente identificar quais são seus limites e o que pode fazer para ultrapassá-los.

LISTE AS COISAS QUE LHE DÃO ÂNIMO
Pense em todas as coisas que mais gosta de fazer, como assistir um filme, praticar um esporte ou frequentar determinado lugar. Tenha essa lista sempre à mão e assim será mais fácil saber o que fazer quando se sentir desmotivado.

CULTIVE BOAS RELAÇÕES
Mantenha relacionamentos com familiares, amigos e colegas de trabalho que sejam significativos pra você. Conversar com pessoas que gosta e que se sente à vontade para falar sobre suas dificuldades promove bem-estar e saúde psicofísica.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 20: 25-28

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 25 – Duas coisas, pelas quais Deus é grandemente ofendido, são aqui descritas como laços para os homens, envolvendo-os não somente em culpa, mas em dificuldades e destruição, no final:

1. O sacrilégio, a separação, por parte do homem, de coisas santas, e a sua conversão para seu próprio uso, o que é aqui, descrito como devorá-las. O que é dedicado de alguma maneira ao serviço e à honra ele Deus, para o sustento da religião e ela adoração divina ou para o alívio dos pobres, deve ser conscienciosamente preservado para os propósitos aos quais foi designado; e aquele que, diretamente ou indiretamente, se apropria ilegalmente de tais coisas, ou anula o propósito para o qual se destinavam, terá muito a explicar. Roubará o homem a Deus? Nos dízimos e nas ofertas alçadas? (Malaquias 3.8). Os que passam por cima dos deveres religiosos (a sua pregação e oração) e os realizam apressadamente e sem cuidado, como impacientes para que logo sejam concluídos, podem ser descritos como devorando o que é sagrado.

2. A ruptura do concerto. É um laço para o homem, depois ele ter feito votos a Deus, indagar como poderá escapar deles, ou ser dispensado deles, e inventar desculpas para infringi-los. Se o seu assunto era duvidoso, e as expressões ambíguas, era culpa dele: ele deveria tê-los feito com mais cautela e consideração, pois isto envolverá a sua consciência (se ela for sensível) em grandes perplexidades, se ele tiver que investigar a respeito de tais fatos, posteriormente (Eclesiastes 5.6); pois, depois que abrimos a nossa boca para o Senhor , é tarde demais para pensar em recuar (Atos 5.4).

 

V. 26 – Veja aqui:

1. Qual é a função dos magistrados. Eles devem ser um terror para os malfeitores. Eles devem dissipar os ímpios, que se aliam, para auxiliar e encorajar; uns aos outros, nas obras do mal: e não há como fazer isto, se não trazendo castigos sobre eles, isto é, colocando as leis em execução contra eles, esmagando o seu poder e reprimindo os seus projetos. A severidade deve, às vezes. ser usada para livrar a nação daqueles que são abertamente malévolos e pecadores, pervertidos e corruptores.

2. Qual é a qualificação necessária dos magistrados para que possam fazer isto. Eles precisam ser piedosos e prudentes, pois é o rei sábio, que é religioso e também criterioso, que irá conseguir a supressão do mal e a reforma dos costumes.

 

V. 27 – Temos aqui a dignidade da alma, a magnífica alma do homem, aquela luz que ilumina todos os homens.

1. É uma luz divina; é a lâmpada do Senhor, uma lâmpada da sua luz, pois é a inspiração do Todo-Poderoso que nos dá entendimento. Ele forma o espírito do homem dentro dele. É segundo a imagem de Deus que o homem se renova para o conhecimento. A consciência, esta nobre faculdade, é a representante de Deus na alma: é uma lâmpada dos espíritos é, portanto, chamado de Pai das luzes.

2. É uma luz reveladora. Com a ajuda da razão, nós podemos conhecer os homens, avaliar seu caráter e mergulhar em seus desígnios, e com a ajuda da consciência, podemos conhecer a nós mesmos. O espírito de um homem tem uma autoconsciência (l Coríntios 2.11); ela investiga as disposições e sentimentos da alma, louva o que é bom, condena o que não é, e julga os pensamentos e as intenções do coração. Esta é a função, este é o poder da consciência, devemos, portanto. nos preocupar com que seja informada corretamente, e mantida sem profanação.

 

V.  28 – Aqui temos :

1. As virtudes de um bom rei são a benignidade e a verdade, particularmente a benignidade, pois é mencionada duas vezes aqui. Ele deve ser estritamente fiel à sua palavra, deve ser sincero e abominar toda e qualquer dissimulação, deve desempenhar religiosamente todas as atribuições que lhe foram confiadas, deve sustentar e encorajar a verdade. De igual maneira, deve governar com clemência, e por todos os atos de compaixão, conquistar o afeto do seu povo. A benignidade e a verdade são as glórias do trono de Deus, e os reis são chamados de deuses.

2. Os benefícios que ele obtém com elas. Estas virtudes preservarão a sua pessoa e sustentarão o seu governo, e o tornarão tranquilo e seguro, amado pelo seu próprio povo e temido por seus inimigos, se vier a ter algum.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

ANSIEDADE

A principal característica do transtorno é o pensamento voltado para o futuro: há a sensação permanente de que algo desconfortável ou mesmo catastrófico pode acontecer. Na tentativa de fugir de ameaças imaginárias, muitos deixam, por exemplo, de ir a uma festa para evitar o julgamento alheio ou de sair de casa com receio de sofrer um ataque de pânico. felizmente, há tratamento. O primeiro passo é reconhecer quando a preocupação está passando dos limites e buscar ajuda médica ou psicológica

“Um pedaço de pão comido em paz é melhor que um banquete mastigado com ansiedade.” A citação de Esopo revela um aspecto crucial dessa emoção: o pensamento voltado para o futuro. Com a mente focada no que pode acontecer, vivemos em alerta e não usufruímos o presente. Ela atinge diretamente o bem-estar. “A princípio, não existe ansiedade boa. É essencialmente desagradável, de caráter antecipatório. É uma emoção complexa, que envolve o medo como sintoma”, define o psiquiatra e terapeuta do comportamento Tito Paes de Barros Neto, autor de Sem medo de ter medo (Casa do Psicólogo, 2000). Isso não significa que seja sempre patológica, pelo contrário. A ansiedade é uma reação saudável quando associada a situações que podem causar mudanças em nossa vida ou comprometer nossa integridade física ou a de quem amamos, como uma prova importante, receber os resultados de um exame médico, a demora de um ente querido para chegar em casa. “Imagine atravessar a rua. O medo de ser atropelado nos faz olhar para os dois lados. Tem função protetora. Mas, se deixamos de sair de casa porque existe possibilidade de sofrer um acidente, é patológico”, diz Barros Neto.

Sintomas físicos da ansiedade são muito próximos dos do estresse – coração acelerado, boca seca, mãos frias, respiração ofegante. Surgem quando há estímulo real, sinalizando que o corpo e a mente estão se preparando para enfrentar um desafio. Nesse caso, a ansiedade é adaptativa. “É uma função mental normal e útil. Ela ajuda a nos preocuparmos com o futuro e a tomar medidas antecipadas para evitar problemas. Mas, quando passa dos limites, começa a causar prejuízos. Por exemplo, a pessoa fica tão preocupada com uma prova que nem consegue dormir nem se concentrar para estudar, ou fica tão ansiosa com uma festa que passa mal e não consegue ir”, diz o psiquiatra Antônio Egídio Nardi, coordenador do Laboratório de Pânico e Respiração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Na ansiedade patológica, sintomas físicos, psíquicos e comportamentais podem surgir sem estímulo específico: irritabilidade, insônia, inquietação, dores de cabeça, diarreia, comportamentos de evitação e sensação de estar perdendo o controle. “Muitas das pessoas que buscam ajuda médica chegam com o receio de estarem ficando loucas. Relatam ter medo de se descontrolar, de cometer um desatino”, diz Barros Neto.

A ansiedade patológica compreende vários espectros. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais (DSM) prevê diferentes tipos do transtorno, que diferem nos sintomas e no tratamento indicado. Os transtornos de ansiedade são, juntos, o problema de saúde mental mais comum no mundo – a prevalência na população é de 25%, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso sugere que a patologia não é causada apenas por fatores sociais e culturais – uma “doença moderna” -, como o senso comum considera. Não existe nenhum marcador ou exame laboratorial que ajude no diagnóstico de um transtorno de ansiedade, que é clínico, ou seja, baseado nos sintomas. O psiquiatra deve descartar possíveis causas orgânicas subjacentes aos sintomas, como alterações hormonais da menopausa ou disfunções da glândula tireoide.

A hipótese mais aceita é que cada transtorno de ansiedade é o resultado da interação entre genética e estímulos ambientais estressantes. “Sem o fator genético não existe o transtorno, mas a presença dele também não é um destino, é apenas uma possibilidade”, diz Nardi. No pânico, por exemplo, há mais influência dos fatores hereditários. Já os transtornos de ansiedade generalizada (TAG) e fobia social sofrem mais influência ambiental. “Nesse caso, a cultura de meritocracia e a urbanização aumentam, sim, a incidência”, diz o psiquiatra Márcio Bernik, coordenador do Ambulatório de Ansiedade (Amban) do Hospital das Clínicas do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). O estudo epidemiológico São Paulo Megacity Mental Survey, que avaliou a morbidade psiquiátrica na região metropolitana paulista, levantou uma prevalência de 29% da população. “Grupos de risco incluem imigrantes, pessoas que vivem em regiões com alto índice de violência e mulheres jovens de baixa renda”, diz Bernik.

O tratamento medicamentoso var ia conforme o tipo de transtorno. No pânico, geralmente, é inicialmente feito com a associação de ansiolíticos (benzodiazepínicos) e antidepressivos, especialmente os inibidores seletivos da receptação de serotonina (ISRS). Quando estes últimos começam a fazer efeito, os ansiolíticos são retirados.

Segundo Barros Neto, ansiolíticos devem ser usados com reserva. “Podem causar de­ pendência química e problemas de memória quando há uso prolongado”. O tratamento com antidepressivos é mais eficaz quando combinado à psicoterapia. “Há estudos somente com psicoterapia, outros somente com medicação. Em trabalhos que avaliam a combinação, os resultados costumam ser superiores, porém há ainda controvérsias”, diz Bernik. “Para evitar recaídas, de modo geral deve-se prolongar o tratamento por um ano. Poucos pacientes precisam de tratamento continuado de longo prazo.”

MEDO DE GENTE

O mais comum dos transtornos de ansiedade é a fobia social, ou ansiedade social, que afeta de 3,5% a 16% da população geral – os dados variam devido à metodologia e às amostras dos diferentes estudos. Os primeiros sinais costumam surgir ainda na infância. Bernik enumera possíveis sintomas do transtorno nessa fase da vida, que devem ser examina­ dos com cuidado. “Ansiedade de separação, uma preocupação exagerada em se afastar dos pais ou de que algo ruim aconteça com eles. Situações em que a criança fala somente na presença dos pais ou parentes próximos, recusa-se a ir para a escola ou manifesta sofrimento excessivo na véspera de provas ou competições esportivas.”

A fronteira entre a timidez excessiva e o transtorno é difícil de demarcar – basicamente, é necessário tratamento quando o receio de ser observado e avaliado pelos outros começa a causar sofrimento ou prejuízos em algum campo da vida, seja profissional, como a perda do emprego por evitar o ambiente de trabalho, seja pessoal, como a dificuldade em travar relacionamentos. “O fóbico social costuma ser monossilábico, econômico nas palavras. Isso é geralmente interpretado pelas outras pessoas como desinteresse. A pessoa com o transtorno tende, assim, a se isolar. Evita situações cotidianas nas quais pode se sentir constrangida, como comer ou escrever na frente dos outros”, diz Barros Neto. Além disso, a ansiedade social está particularmente relacionada ao abuso de álcool e outras drogas que facilitam a interação social.

O tratamento da fobia social é feito com antidepressivos e terapia comportamental, que compreende estratégias como terapia de exposição e treino de habilidades sociais. O terapeuta simula em consultório situações que geram ansiedade – como incentivar o paciente a preencher um cheque na presença de outras pessoas e, principalmente, iniciar e manter conversas. A ideia é que a exposição repetida e prolongada diminui gradualmente a sensibilidade ao estímulo.

Mais recentemente, é possível contar com a tecnologia para o tratamento da ansiedade social. Na terapia de exposição à realidade virtual, o paciente vivencia, num cenário fictício e controlável, a situação que teme. Um estudo do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (IPQ-USP) analisou os efeitos da terapia de exposição à realidade virtual (ERV) não imersiva em 21 pessoas diagnosticadas com fobia social. Feita com imagens tridimensionais (3D) em monitores de computador, com o uso de óculos estereoscópicos e fones de ouvido, essa modalidade tem menor custo que a RV imersiva, que demanda o uso capacetes. Assim, orientados pela psicóloga Cristiane Gebara, autora do estudo, cada participante interagiu com um programa de computador que apresentava várias simulações: desde caminhar na rua – e ser observado por transeuntes – e arriscar pedir uma informação até receber convidados em uma festa e discursar para todos em agradecimento, lidando com imprevistos, como um celular que toca e pessoas que cochicham. O tratamento se completou, em média, em sete sessões e o tempo de habituação aos estímulos foi de cerca de 20 minutos. A média de redução dos sintomas de ansiedade social foi de mais de 70%. A pesquisadora reavaliou os pacientes seis meses depois do fim do tratamento e constatou que a melhora se manteve. “A técnica de exposição à realidade virtual preserva a privacidade do paciente, o que aumenta as chances de ele aderir ao tratamento, que pode ser oferecido em consultório”, explica a autora.

REAÇÕES PRIMITIVAS

A maior parte das mudanças químicas e estruturais observadas nos transtornos de ansiedade é similar às do estresse crônico. Um exemplo são as alterações do eixo endócrino hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), que tem papel fundamental na resposta aos estressores psicológicos. Também há diminuição do controle dos receptores de CRF (fator ou hormônio liberador de corticotrofinas) sobre a produção do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), que estimula as glândulas adrenais, nos rins, a liberar cortisol, o hormônio do estresse. Nos quadros de fobias e pânico, há diminuição do controle do córtex pré-frontal (responsável, entre outras funções, por inibir comportamentos) sobre o funcionamento da amígdala – região subcortical, isto é, mais primitiva do cérebro -, associada ao processamento de emoções como medo e raiva.

A ansiedade foi um mecanismo importante para a evolução. Se não houvéssemos nos preocupado com nossos predadores e outros perigos, não teríamos tomado medidas de preservação da espécie. “O processo biológico de luta ou fuga do estresse permanece. A mente cria fantasias: uma ameaça fictícia é capaz de desencadear toda a bioquímica do estresse”, diz o psicólogo e psicanalista Rubens de Aguiar Maciel, coordenador da Clínica de Redução do Estresse da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), que ensina técnicas de meditação de atenção plena (mindfulness) a pessoas com problemas de saúde relacionados ao estresse. A prática consiste basicamente em tentar focar a atenção no momento presente e observar pensamentos e sensações que transitam na mente. “A mente ansiosa é uma mistura do mecanismo ‘sempre alerta’ que adquirimos durante a evolução e de pensamento catastrófico. A meditação permite olhar para dentro e reconhecer ‘o lado negro da força’: medo, raiva e demais emoções que devem ser trabalhadas. E isso incomoda”, explica Maciel.

A prática compreende, por exemplo, a conscientização dos movimentos respiratórios. Inspirar e expirar o ar lentamente induz ao relaxamento e à introspeção, o que tem impacto imediato sobre sintomas físicos da ansiedade. As relações biológicas entre sistema respiratório e crises de ansiedade são pesquisadas por Nardi e seus colegas no Laboratório de Pânico e Respiração da UFRJ. Os ataques de pânico têm sintomas comuns à síndrome de hiperventilação (aumento da frequência e quantidade de ar que chega aos pulmões quando respiramos rápida e profundamente): palpitações, tremores, sensação de desmaio. Assim, a hiperventilação é capaz de desencadear a parte “automática” de um ataque. O excesso de ar ventilando nos pulmões reduz as concentrações de gás carbônico (C0) no sangue alterando o equilíbrio ácido-base do sistema nervoso central, o que desencadeia os sintomas cardiorrespiratórios. Assim, explica Nardi, as técnicas respiratórias são capazes de reestabilizar o pH sanguíneo e bloquear o automatismo da crise. Além disso, “mantêm o pensamento ‘longe’ do foco de ansiedade, ajudando a relaxar”, diz. Tanto é que uma das estratégias da terapia de exposição interoceptiva (que consiste em aumentar a conscientização das variações físicas que ocorrem no próprio corpo) para transtorno de pânico é provocar a hiperventilação. Com orientação do terapeuta, o paciente aprende a reconhecer que os sintomas físicos do distúrbio podem ser administráveis.

AGULHAS QUE TRATAM

” Da perspectiva da medicina tradicional chinesa não se fala em estresse, mas em adoecimento físico e emocional causado pelo contexto de vida do indivíduo”, explica a médica especialista em acupuntura Márcia Yamamura, do Setor de Medicina Chinesa – Acupuntura da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Cada emoção está relacionada a um órgão – a ansiedade está associada ao coração. A técnica consiste em aplicar agulhas em pontos definidos, distribuídos pelos meridianos – canais energéticos – correspondentes ao órgão em desarmonia, de forma a equilibrar disfunções ainda no nível energético e impedir, de acordo com a medicina tradicional chinesa, que evoluam para os graus funcional (inflamatório, quando há alterações na função do órgão) e orgânico (quando há lesão no tecido). O diagnóstico considera a saúde física e mental do paciente como um todo.

A acupuntura da medicina chinesa tem também efeito preventivo, como a alimentação saudável e a prática de atividade física. Pode evitar que o desequilíbrio psicoemocional venha a se desdobrar em problemas orgânicos no futuro. “No nível orgânico, a acupuntura é um tratamento coadjuvante à medicina convencional, não curativo. Ela atua no fator emocional desencadeante da doença, no grau energético”, diz a especialista, que estuda e aplica a técnica de mobilização do Qi mental, desenvolvida no mesmo setor da Unifesp. Basicamente, consiste em voltar a mente para as próprias emoções e reconhecer e trabalhar aquelas que levam à doença antes que se tornem alterações funcionais e orgânicas. “A maioria das pessoas não se previne contra doenças, muitas delas diagnosticáveis no nível energético”.


OUTROS OLHARES

DEPENDÊNCIA TECNOLÓGICA

Expansão indiscriminada da Internet, em graus mais contundentes, pode provocar uma espécie de vício aos usuários, desde em jogos eletrônicos em rede até em sexo virtual.



A expansão em larga escala da Internet, no Brasil, é uma faceta relativamente recente. Apenas em 1995 esse modelo tecnológico tornou-se uma realidade nos domicílios brasileiros (ainda que circunscrito, inicialmente, em lares de famílias com maior poder aquisitivo), tendo em vista que, anteriormente, o seu acesso era restrito a centros acadêmicos.

Indiscutivelmente, o usufruto da Internet, dos jogos eletrônicos e do celular, traduzidos pela popularização da cibernética, modificou substancialmente o processo de comunicação, diversão e trabalho. Tornou-se comum, exemplificando de forma breve, a utilização desses recursos de forma simultânea, ou seja, independentemente da necessidade de se ter um periférico eletrônico específico. É possível, enquanto se navega na Internet, jogar com os amigos e conversar com outras pessoas por programas de chat (Skype, que é equivalente ao uso do celular, um recurso de comunicação, porém, sendo possível ver a outra pessoa, caso ela tenha uma webcam). Esta é apenas uma das facilidades que os recursos cibernéticos propiciaram à população, que acabaram por revolucionar a maneira de experienciar o mundo.

As modificações descritas anteriormente não ficaram circunscritas apenas às residências, elas foram disseminadas a outros ambientes, sendo inseridas também no âmbito organizacional. Carlotto (2011) comenta que é visível que as organizações têm incorporado os modelos de interações virtuais, o que pode ser traduzido por novos processos de comunicação intermediados por vídeo ­ conferência, telefone ou e-mail. Desta forma, é possível questionar: a tecnologia interfere na vida dos sujeitos? Apesar da possível obviedade da resposta, Carlotto opta por afirmar que o mais relevante, antes de buscarmos este posicionamento, é apontá-la como sendo neutra. O que se deve levar em consideração é o modo como o sujeito interpreta (aspecto cognitivo) e usa (aspecto comportamental) esta tecnologia.

Estes dois fatores, em sintonia, podem levar o indivíduo ao estado patológico ou saudável, neste íntimo relacionamento com os jogos eletrônicos, a Internet e o celular.

USOS PROBLEMÁTICOS

O uso problemático da Internet, que pode, em nível mais grave, desenvolver-se para uma dependência tecnológica, possui disseminações relevantes, desde o uso de jogos eletrônicos em rede até a dependência de sexo virtual e a pornografia.

Apesar de a pornografia ser antiga na história da civilização, apenas nas duas últimas décadas estudos foram desenvolvidos sobre o acontecimento restrito ao ciberespaço. Desta forma, contemporaneamente, considera-se, pela literatura científica, a existência de um novo tipo de interação sexual, agora, em caráter virtual.

Este novo comportamento on­line obteve amplo êxito na avaliação dos seus usuários, devido às inúmeras vantagens do seu usufruto: não há a necessidade da presença física do parceiro ou da parceira para haver interação sexual; o anonimato (o que pode se tornar uma fonte de problemas judiciais, tendo em vista a possibilidade de fuga de crimes cibernéticos, como a pedofilia); a busca imediata pelo prazer, sem a necessidade do deslocamento do internauta para um local de estrutura física real (motel, apartamento, boate etc); a existência de um mercado ilimitado para essa prática; prevenção do medo da rejeição (podendo ser considerado, em alguns casos, uma estratégia compensatória do usuário, como os pacientes com transtorno de ansiedade social); e, por fim, um espaço seguro para a experimentação entre a fantasia e o mundo off-line (termo em inglês que equivale a “estar desconectado da Internet”).

Ressalta-se que há diferenças entre a dependência de sexo virtual (tendo como seus principais sintomas a obsessão e a compulsão pelo uso da pornografia na Internet, agressividade e isolamento social) em detrimento de um viés caracterizado pelo uso recreativo de tal artefato tecnológico, que não é considerado patológico (nesse sentido o usuário tem total controle do seu comportamento e cognições, assim como não há o envolvimento com atividades ilegais na rede).

Delmonico e Griffin (2011) sugerem que este último grupo (usuários com uso saudável), que não revela problemas em seu comportamento on-line, perfaz 80% dos internautas que utilizam recursos pornográficos na Internet, sendo um número visivelmente superior aos 20% dos sujeitos que possam estar inclusos no grupo de uso desadaptativo desse recurso virtual. Um estudo conduzido por Grov et ai. (2011) revela vantagens comportamentais dos internautas de uso saudável, sendo uma delas a melhoria na comunicação sexual em seus relacionamentos.

GESTÃO E CARREIRA

BIRD BOX: PARA O QUE VOCÊ TEM FECHADO OS OLHOS NA GESTÃO DE PESSOAS?

Se você ficou interessado no tema, provavelmente, foi atraído por duas questões: a primeira pode ser por que não assistiu o filme e ficou curioso para saber do que se trata “Bird Box”. Ou, a segunda opção, por que não conseguir associar o que esse filme tem relação com Gestão de Pessoas. O longa-metragem foi baseado no livro com o mesmo nome e de autoria do autor Josh Malerman – publicado no Brasil pela Editora Intrínseca com o título de “Caixa de Pássaros”.

Para você que ainda não assistiu, prometo que não darei “spoiler” ou qualquer dica do clímax que acontece no filme, mas vou apresentar uma síntese para que entenda a relação entre a história e a minha análise feita. O filme acompanha a história de Malorie (Sandra Bullock) onde, em sua primeira cena, já mostra trabalhando em seu ateliê, pintando uma tela.

Nessa cena, já podemos inferir a inabilidade das pessoas de se conectarem naquele momento que já se mostra hostil. Além do quadro que ela está pintando, existem vários outros diversos que possuem o mesmo padrão: um fundo escuro e pessoas sozinhas. É apresentado, também, as problemáticas da personagem e do seu contexto que é desenvolvido no decorrer da história. Malorie tem dificuldades para se conectar com as pessoas e, ainda mais, não acredita na conexão com seu futuro bebê, ao descobrir logo em seguida sua gravidez.

O fato é que podemos associar algumas lições e ações que podemos aprender com o filme. Veja as principais que relacionei:

CONEXÃO SÓCIO RELACIONAL 
No filme fica claro que, a partir do momento em que essa crise e problema se alastra, o extinto de sobrevivência fala mais alto e aumenta ainda mais o isolamento de cada sobrevivente.

Os psicanalistas definiriam uma série de mensagens subliminares no filme. Uma delas, a de depressão em massa – doença que tem assolado os dias atuais e devastado uma quantidade significativa de pessoas. Mas, além dessa mensagem que realmente é um apelo subliminar, percebemos mais lições que podemos analisar.

O contexto de isolamento é visto atualmente em diversos segmentos empresariais, principalmente, quando se sobrevive a diversos altos e baixos das corporações. O “não vou mais falar ou comentar sobre” ou “minha opinião não é ouvida. Melhor ficar quieto” são sinais de isolamento corporativo.

EXCESSO DA CONEXÃO ONLINE
Você já parou para pensar que, embora sejamos todos altamente conectados com as tecnologias que estão disponíveis, temos perdido parte da capacidade de socialização. E isso tem acontecido com todas as atuais e futuras gerações: a necessidade de estar sempre “online”!

O filme nos apresenta o isolamento das pessoas e percebemos que estamos seguindo o mesmo caminho da individualidade relacional. É fato que precisamos da individualidade respeitada, mas estamos perdendo nossa habilidade de conversação real, de diálogos olhos nos olhos e de contato com a vida real.

E, por maior que seja a quantidade de coisas que tentem nos conectar (redes sociais, aplicativos de conversação, etc.), as relações têm se tornado cada vez mais frágeis. Isso vai reforçando, cada vez mais, o nosso individualismo e não o nosso espírito de coletivismo. Ou seja, nossas conexões têm se tornado rasas, superficiais e voláteis.

A PREOCUPAÇÃO EM CONECTAR PESSOAS
Mas o que isso tem a ver com a gestão de pessoas? Eu posso afirmar que tem tudo a ver!

Se temos gerações inábeis ou com dificuldades relacionais, que preferem o contato digital ao real, a gestão de pessoas precisa de mais tempo e dedicação por parte dos RH´s e dos líderes para conectar pessoas aos propósitos. E o que seria das organizações sem a conexão dessas dois?

Conectar pessoas precisa estar constantemente em nosso radar de gestores e, em muitos casos, ser uma ação constante em nosso planejamento estratégico. Perceber esse movimento da presença online é primordial e importante, mas sempre se fazendo entender que, por trás do “online”, há uma pessoa e sentimento que são humanos e reais.

A FAIXA QUE ESCONDE O INVISÍVEL: AS DOENÇAS!
Hoje em dia, vivemos a realidade “fast consumer”. Tudo está ao alcance das mãos e de forma muito rápida. Não nos desconectamos em nenhum momento.

Somos bombardeados por várias notícias, das curiosas às mais aterrorizantes, e não temos paciência para esperar ou ficar para trás em relação ao conhecimento. Isso tudo tem gerado em nossos colaboradores vários tipos de transtornos psíquicos (depressão, bipolaridade, pânico, Transtorno Obsessivo Compulsivo – TOC, psicoses, Transtorno de Ansiedade Generalizada -TAG, isolamento social e o excesso de consumismo ou doenças psicossomáticas).

Portanto, é muito importante entender seus colaboradores, suas dores, ambições e expectativas. A empatia dentro das empresas nunca foi um assunto tão tratado e disseminado quanto nestes últimos anos.

É PRECISO SABER SE ADAPTAR
A história de “Bird box” nos convida a descobrir uma nova forma de viver e que nos obrigue a ter contato com coisas que nem sempre queremos. Por exemplo, o contato com o interno, com o seu “eu interior”.

No filme, a personagem principal tem como objetivo manter os filhos em segurança e, por vários momentos, é enfrentada a sair da sua “zona de conforto”. A protagonista é forçada a enxergar o que precisa ser feito, tentando focar em uma esperança de sair do caos e envolvendo sua mudança física e emocional.

Todos sabemos o quanto é difícil sair da zona de conforto e enfrentar qualquer mudança. Quantas travessias, dificuldades, problemas e reviravoltas (como as da Malorie) muitos de nós já não passou e ainda vamos passar. A adaptabilidade também é algo bastante prezado nas corporações e na vida pessoal.

ESCOLHAS DIFÍCEIS
Sempre fomos desafiados a tomar decisões complicadas que implicam, muitas vezes, em resultados que tem efeito rebote.

Trabalhar as pessoas de sua empresa para aprender a analisar a situação, enxergar os efeitos que vem a rebote, mitigar os impactos e lidar de forma humana com as consequências, precisam ser uma de nossas preocupações com gestão dos recursos humanos.

Na película, temos várias situações difíceis em que alguém precisa tomar uma decisão. O fato é que sempre seremos desafiados a tomar decisões e muitas delas difíceis. Mas nunca paramos para analisar após a decisão feita. Como ficamos e em que nos tornamos? Foi a decisão certa a fazer? Se não, há como voltar atrás?

Lidar com o efeito da decisão em muitos casos pode nos consumir e, caso não façamos da forma estruturada, não saberemos como trabalhar de forma produtiva e estratégica nossas principais decisões.

COMO TRABALHAR A “DECISÃO” NAS EMPRESAS
Muitas vezes, deparamo-nos com situações delicadas, mas lidar com elas é a grande questão. Podemos proporcionar uma Gestalt terapia para grupos que são mais expostos a esse tipo de decisão ou grupos focais para debater. Além disso, compartilhar situações ou até mesmo propiciar nas empresas acompanhamento com terapeutas e psicólogos, pode ser uma excelente decisão para diagnóstico e melhoria de questões que não foram resolvidas.

O importante é entender que, para muitas questões, não teremos respostas e que isso precisa ser trabalhado nas organizações.

Ou seja, acesse sua biblioteca interna de referência. Quanto mais nos conhecemos mais acesso a essas informações teremos e com maior agilidade.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 20: 21-24

MÁXIMAS DIVERSAS

V. 21 – Observe:

1. É possível que alguém obtenha uma propriedade repentinamente e rapidamente. Existem aqueles que desejam ser ricos, de um modo certo ou errado, que não se importam com o que dizem ou fazem, se puderem apenas conseguir dinheiro com isto, e que, se puderem, enganarão seu próprio pai, e que sordidamente economizam e acumulam o que conquistam, negando a si mesmos e às suas famílias o alimento conveniente, e pensando que nada é importante, exceto aquilo com que compram terra ou que aplicam a juros. É desta maneira que um homem pode ficar rico, pode ficar muito rico, em pouco tempo, na sua primeira tentativa.

2. Uma propriedade que é obtida repentinamente é, com a mesma rapidez, arruinada. Ela foi obtida precipitadamente, mas não tendo sido adquirida honestamente, logo amadurece e logo apodrece: o seu fim não será bendito por Deus, e, se Ele não o abençoar, não poderá ser confortável nem ter continuidade, de modo que, no final, aquele que a possui, será um tolo. Seria melhor que ele tivesse levado algum tempo, e a tivesse construído firmemente.

V. 22 – Os que vivem neste mundo devem esperar que lhes sejam feitas ofensas,  afrontas, e que lhes sejam criadas dificuldades injustamente, pois vivem entre espinhos. Aqui, lemos o que fazer quando nos for feita uma injustiça.

1. Não devemos nos vingar, nem mesmo pensar em vingança. nem desejá-la: não digas, nem mesmo em teu coração:- vingar-me- ei do mal” . Não te alegres com a ideia de que, em uma ocasião ou outra, terás a oportunidade de ajustar as coisas com ele. Não desejes vingança, nem esperes por ela, e muito menos decidas vingar-te, nem mesmo quando a ofensa for recente e o ressentimento causado por ela, muito profundo. Nunca digas que farás alguma coisa que não possas, com fé, pedir que Deus te ajude a colocar em prática, e que venha a ser uma atitude vingativa.

2. Nós devemos recorrer a Deus, e deixar que Ele defenda a nossa causa, preserve o nosso direito e ajuste as contas com aqueles que nos fazem o mal, da maneira como Ele julgar adequado, e no seu devido tempo: espera pelo Senhor, e dedica-te a agradá-lo, aquiesce com a sua vontade, e Ele não diz que irá punir aquele que te ofendeu (pelo contrário, Ele deseja que tu o perdoes e ore por ele), mas Ele te livrará, e isto é o suficiente. Ele te protegerá, de modo que quando passares por uma ofensa (como tememos, normalmente), não te exporá a outra; na verdade, Ele te recompensará com o bem, para contrabalançar a tua dificuldade e encorajar a tua paciência, como Davi esperou. quando Simei o amaldiçoou (2 Samuel 16.12).

V. 23 –

1.Isto tem o mesmo objetivo que o que foi dito no verso 10. 1. Isto é repetido aqui, porque é um pecado que Deus detesta duplamente (como a mentira, que é da mesma natureza que este pecado, e que é mencionada duas vezes, entre os sete pecados que Deus detesta, Provérbios 6.17.19 ), e porque provavelmente fosse muito praticado naquela época, em Israel, e por isto. menosprezado, como se não houvesse mal nele, sob a desculpa de que, como era comumente usado, não haveria comércio sem ele.

2. Aqui é acrescentado, “Balanças enganosas não são boas”, indicando que não somente esta prática é abominável para Deus, mas também não lucrativa para o próprio pecador: não existe. realmente, nenhum bem a ser obtido por esta prática, nem uma boa barganha, pois uma barganha obtida por meio de fraude será, no final, uma barganha de perdas.

V.24 – Aqui, nos é ensinado que, em todos os nossos assuntos:

1. Temos uma dependência necessária e constante de Deus. Todos os nossos atos naturais dependem da sua providência, todos os nossos atos espirituais dependem da sua graça. O melhor homem não será melhor do que Deus o faz; e cada criatura é, para nós, aquilo que a vontade de Deus determinou que ela seja. A. nossas iniciativas são bem sucedidas, não conforme nosso desejo, mas como Deus ordena e dispõe. Os passos do homem, até mesmo de um homem forte (pois este é o significado da palavra) são dirigidos pelo Senho1; pois a sua força é fraqueza, sem Deus, e a batalha nem sempre é do forte.

2. Não temos a presciência de eventos futuros, e por isto. não sabemos como prevê-los; então, como é que um homem entenderá o seu caminho? Como ele poderá dizer o que lhe acontecerá, uma vez que os conselhos de Deus. a respeito dele. são secretos? Portanto, como ele poderá. por si só, imaginar o que fazer, sem a orientação divina? Nós entendemos tão pouco o nosso próprio caminho que não sabemos o que é bom para nós, e por isto devemos usar a necessidade como se ela fosse uma virtude, e confiar o nosso caminho ao Senhor (pois o nosso caminho já está em suas mãos), seguir a sua orientação e nos submeter à disposição da sua Providência. .

PSICOLOGIA ANALÍTICA

QUE COISA FEIA!

Numa sociedade em que as queixas em relação à aparência e a busca pela perfeição do corpo e da pele são tão frequentes, algumas pessoas passam a supervalorizar em si mesmas “falhas” físicas – mínimas, comuns e às vezes até inexistentes – que as incomodam profundamente, a ponto de se considerarem deformadas.

Que coisa feia!

Aos 17 anos, sem motivo aparente, o jovem S. passou a se incomodar com os cabelos cacheados, considerando-os um sério problema. Decidiu alisá-los. Durante um ano, passou por procedimentos químicos semanais, que só interrompeu depois de danificar seriamente os fios, deixando-os alaranjados. Anos mais tarde, ao ver seu reflexo na vitrine de uma loja, percebeu que seu nariz era muito grande e torto. Depois disso, só conseguia pensar nesse “terrível defeito” e passava horas diante do espelho.

O rapaz optou então pela cirurgia plástica. Mas uma semana após a operação estava de volta ao espelho – e percebia cada vez mais falhas. Para piorar, arrependera-se da cirurgia. Isso não o impediu de procurar novamente o médico para remoção da cartilagem das orelhas. Deprimido, já não trabalhava nem estudava. Meses depois, ele reconheceu seus sintomas em um livro sobre transtorno dismórfico corporal (TDC), também chamado de dismorfia, um quadro no qual a pessoa se torna patologicamente preocupada com uma característica física imaginada ou pouco perceptível em sua aparência. A preocupação excessiva em relação à própria aparência costuma ser associada ao transtorno obsessivo compulsivo (TOC), à ansiedade e à depressão e, nos casos mais graves, ao risco de suicídio.

O distúrbio é surpreendentemente comum. De maneira geral, os pacientes com o transtorno sofrem por características faciais, como acne, cicatrizes, excesso de pelos ou forma de seu nariz e de seus lábios. Também podem rejeitar partes específicas do próprio corpo, como seios e quadris, ou se sentirem insatisfeitos em relação à altura e aos genitais. Muitos acreditam ser repulsivos, ainda que sejam considerados atraentes ou até mesmo com beleza acima da média.

Essa convicção perturbadora pode trazer diversos prejuízos. Em geral, aqueles que sofrem do TDC gastam diversas horas diariamente na frente do espelho enquanto examinam a aparência, conferem a pele com os dedos ou adotam outros comportamentos compulsivos que tomam o tempo do trabalho, da família ou de atividades importantes. Capturados pelo próprio reflexo, muitos perdem a noção de tempo e acabam demitidos por atrasos constantes. Pesquisadores estimam que pelo menos durante uma semana aproximadamente30% dos pacientes com TDC não conseguem sair de casa; 30% apresentam algum transtorno alimentar e 25%, em média, tentam o suicídio. O abuso de álcool e drogas ilícitas também é bastante presente nessa população.

É inegável que fatores psicológicos como fragilidades egoicas, dificuldade de apropriação da própria identidade, baixa autoestima e absorção idealizada de modelos socialmente construídos sobre beleza e perfeição estão na base do distúrbio. Recentemente, porém, pesquisadores descobriram que pacientes com TDC também apresentam percepção visual distorcida, o que sugere que no futuro essas pessoas poderão ser beneficiadas por tratamentos que desenvolvam o sistema visual.

Originalmente, o transtorno dismórfico corporal era conhecido como dismorfofobia (medo da feiura), um termo cunhado pelo psiquiatra italiano Enrico Morselli em 1891. Ele havia tratado 80 pacientes preocupados com deformidades imaginadas que interferiam excessivamente na vida cotidiana. Em 1980, a dismorfofobia apareceu na terceira edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM). O termo “transtorno dismórfico corporal” substituiu o antigo na versão de 1987, após a constatação de que o estado estava mais relacionado a convicções irracionais do que a fobias.

Apesar de ser considerado oficialmente como um transtorno psiquiátrico, o TDC – também conhecido como complexo de Térsites, por causa do guerreiro descrito na Ilíada, de Homero, como o “homem mais feio do exército grego” – é relativamente desconhecido, mesmo entre psicólogos e médicos. Não raro, pacientes com a doença são diagnosticados com depressão, ansiedade, transtornos alimentares ou até mesmo com os três tipos de distúrbio de uma vez.

E frequentemente os profissionais não percebem que o TDC pode ser a causa de todos esses sintomas.

Por outro lado, é comum indivíduos com TDC falarem pouco sobre o problema porque não o reconhecem como um distúrbio menta l, pois acreditam que são simplesmente feios. Muitos também têm vergonha de citar seus comporta­ mentos estranhos numa consulta médica. Como resultado, não raro esperam de três a 13 anos pelo diagnóstico correto. Nesse tempo, muitos procuram a ajuda de cirurgiões plásticos. Mas, assim como no caso do jovem S., esse tipo de intervenção não resolve porque não consegue alcançar a raiz do problema. Já num processo psicoterápico ou analítico esses temas invariavelmente terminam vindo à tona, por isso é tão importante buscar atendimento psicológico.

É comum que o TDC surja na puberdade, quando mudanças radicais no corpo podem contribuir com sentimentos de inadequação relacionados à autoimagem. A maioria dos pacientes afirma ter sentido os primeiros sinais da doença nesse período.

Fatores como crescer num lar que coloca ênfase excessiva na beleza física ou ter vivido situações traumáticas como bullying e repetidas críticas sobre características físicas, como peso e manchas faciais, também podem contribuir para o aparecimento dos sintomas dismórficos. Em um estudo de 2007, o psicólogo clínico Ulrike Buhlmann e seus colegas da Escola Médica da Universidade Harvard e do Hospital Geral de Massachusetts constataram que voluntários com TDC disseram sofrer provocações sobre a aparência mais frequentemente do que participantes do grupo de controle que não tinham o distúrbio.

É provável, porém, que fatores biológicos, como genes e química cerebral, predisponham uma pessoa a essas inseguranças – embora dificilmente, por si sós, determinem o aparecimento do quadro. Seguindo a abordagem neurológica, alguns pesquisadores acreditam que o distúrbio esteja relacionado a alterações nos níveis do neurotransmissor serotonina no cérebro, um problema semelhante ao que acontece na depressão, que atinge aproximadamente 70% dos pacientes com TDC. Há alguns anos, a psiquiatra Katharine A. Phillips e seus colegas da Escola de Medicina Alpert da Universidade Brown relataram em dois estudos separados que a maioria dos pacientes com TDC apresenta melhora após o tratamento com antidepressivos que inibem a recaptação de serotonina por células cerebrais. Porém, sem acompanhamento psicológico, que permita ao paciente ressignificar a própria imagem e lidar com os efeitos que a distorção da própria imagem lhe causou ao longo dos anos, os efeitos da medicação não se sustenta.

QUEM PROCURA ACHA

Nos últimos anos, alguns pesquisadores começaram a questionar se a combinação entre uma personalidade vulnerável e um ambiente desfavorável poderia explicar o distúrbio. Embora na maioria dos casos a resposta seja sim, surgiu recentemente a hipótese de que o transtorno esteja relacionado, pelo menos em parte, a um problema perceptivo. Em um estudo coordenado pelo  psiquiatra José A. Yaryura-Tobias, do Instituto Biocomportamental em Great Neck, de Nova York, foi pedido a três grupos de dez voluntários cada – um com pacientes com TDC, outro com pessoas com TOC e um terceiro com participantes emocionalmente saudáveis – que fizessem alterações, se julgassem necessário, em uma figura computadorizada mais precisa de seu próprio rosto para corresponder ao que acreditavam representá-los. Metade dos pacientes com TDC e TOC modificou as figuras, ao passo que ninguém do grupo de controle propôs mudança significativa. Os dados sugerem que algumas pessoas com o distúrbio não percebem o próprio rosto da mesma forma que a maioria.

Evidências apontam que pacientes com TDC podem ser visualmente mais “sintonizados”. Em um estudo publicado na Abnormal Psychology, o psicólogo Ulrich Stangier e seus colegas da Universidade de Jena, na Alemanha, apresentaram brevemente uma figura de um rosto feminino junto com cinco representações alteradas digitalmente da mesma imagem a 21 voluntárias com TDC, 20 pacientes com doenças de pele desfigurantes e 19 participantes sem nenhum distúrbio – e pediram que julgassem o grau de deturpação. Nos rostos manipulados, os olhos eram mais espaçados, os cabelos mais claros, o nariz era maior e havia espinhas e cicatrizes adicionais. As voluntárias deveriam escolher entre cinco níveis de distorção que variaram de “baixo” a “extremo”. Os pesquisadores constataram que as pacientes com TDC julgavam melhor o grau de manipulação da imagem do que as demais, o que sugere que tinham percepção mais aguçada.

Curiosamente, essa capacidade apurada pode resultar numa assimilação deturpada. O psicólogo Thilo Deckersbach e seus colegas da Universidade Harvard publicaram um estudo em que pediram a pessoas com TDC que copiassem uma figura complexa e, em seguida, que a duplicassem de memória. Os pacientes demonstraram baixo desempenho (desenharam muitos detalhes, mas sem capturar a figura de forma geral) quando comparados com indivíduos emocionalmente saudáveis. Embora tenham mostrado pensamento estratégico pobre na tarefa, o principal problema pode ser a ênfase exagerada em detalhes visuais, o que ajuda a explicar por que se preocupa m tanto com “defeitos” minúsculos em sua aparência.

Feusner e a neurocientista cognitiva Susan Bookheimer, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, encontraram evidências que reforçam a tese. Os pesquisadores utilizaram a ressonância magnética funcional para observar o cérebro de 12 pacientes com TDC e 12 indivíduos saudáveis enquanto viam três versões de várias fotografias de faces: comuns, borradas e achatadas, mas altamente detalhadas.

Os voluntários sem o distúrbio processaram os rostos comuns e os borrados em áreas do hemisfério direito do cérebro, região responsável pela decodificação de características visuais de maior escala; o lado esquerdo foi ativado somente quando viram as imagens detalhadas. Já aqueles com TDC usaram o hemisfério esquerdo para interpretar todas as fotografias. “Eles processam todas as figuras como se fossem altamente detalhadas. É como se o cérebro tentasse extrair nuances que não existem”, observa Feusner.

Os resultados sugerem que o TDC pode estar relacionado, em parte, a alterações no processamento da informação visual. Afinal, é possível pensar que a capacidade de apreciar a beleza tem valor evolutivo. Um corpo atraente pode, em alguns casos, estar associado ao estado de saúde. Ou seja, a “feiura” indicaria menor aptidão. É possível que a habilidade de escolher a pessoa “mais bonita” como parceira tenha aumentado as chances de transmitir bons genes para a prole. Nesse sentido, o TDC representa uma versão extrema desse talento. “Mas ainda não sabemos se pessoas com TDC nascem com dificuldades no processamento visual ou se o distúrbio deflagra o problema”, admite Feusner.

O ROSTO DOS OUTROS

Considerando que alterações no processamento visual contribuem com o TDC, no futuro terapias poderão ser desenvolvidas para ajudar pacientes a enxergar as coisas de forma mais global usando o lado direito do cérebro. Feusner acredita que a exposição repetida a imagens borradas, vistas à distância ou visualizadas por apenas uma fração de segundo, por exemplo, poderia forçar o cérebro a adotar essa estratégia.

O psiquiatra afirma que medicamentos também podem alterar o lado do cérebro usado para processar informações visuais. Estudos preliminares sugerem que benzodiazepínicos favorecem a transferência da atividade neural para a direita durante uma tarefa do processamento visual, mas os efeitos colaterais são inegáveis. A saída seria o uso de drogas alternativas que podem agir de maneira similar, causando menos danos.

Contudo, especialistas concordam que o problema não é totalmente visual. Levando em conta que nove entre dez pacientes com TDC afirmam também examinar a aparência alheia, principalmente as características que mais detestam em si mesmos, uma pesquisa desenvolvida por Buhlmann e seus colegas mostrou que pessoas com o distúrbio não enxergam as mesmas distorções que veem em si no rosto dos outros. Indivíduos que sofriam de dismorfia classificaram fotografias de outras pessoas (consideradas “atraentes” pelos pesquisadores) como significativamente mais bonitas do que fizeram outros grupos sem o distúrbio. Isso sugere que a percepção detalhada sobre os outros não evoca a mesma resposta emocional negativa relacionada à própria aparência.

De fato, alguns profissionais tratam o TDC abordando aspectos emocionais, como o perfeccionismo e o medo de rejeição, focando as percepções distorcidas e sugerindo ações para ajudar os pacientes a abandonar hábitos destrutivos. Em alguns casos, são instruídos a pedir um retorno sobre a própria aparência para outras pessoas, como amigos, familiares ou até mesmo estranhos. Psicólogos cognitivo-comportamentais apostam que comentários alheios positivos, ou pelo menos neutros, podem ajudar o paciente a desenvolver uma autoimagem melhor e mais realista. No entanto, essa técnica mais uma vez coloca o referencial de auto aceitação fora da pessoa. Nesse sentido, psicoterapias comportamentais podem ser úteis num primeiro momento, mas os processos terapêuticos mais eficientes ainda parecem ser aqueles que permitem a reelaboração das vivências mais profundas. Lidar com as próprias faltas abre possibilidade efetiva de aceitar que aquilo que se considera imperfeito no próprio corpo não impede a pessoa de ser atraente, merecedora de afeto e de relacionamentos saudáveis.

Que coisa feia!. 2

EM BUSCA DA IMAGEM PERFEITA

Em tempos de selfies e outras formas de auto exposição, em especial nas redes sociais, a preocupação exacerbada com a própria imagem parece cada vez mais presente. E o resultado disso se vê nos consultórios médicos. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica revelam que o número de procedimentos estéticos aumentou 10% em 2014, no Brasil, o que significa aproximadamente 1 milhão de cirurgias plásticas realizadas. Embora na opinião de alguns profissionais como a dermatologista Luciana Conrado, doutora em ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o termo “dismórfico” não seja necessariamente o mais adequado para descrever o transtorno, ela reconhece que a insatisfação é a “massa de trabalho” dos profissionais que atendem pessoas em busca de correções físicas. “O limite é tênue, mas em certos casos, a diferença entre a maneira que o indivíduo vê o próprio corpo e a maneira como os outros o enxergam é muito distante”, observa a médica, pós-graduada em psicossomática psicanalítica pelo Instituto Sedes Sapientiae.

O interesse por compreender melhor o que estava por trás da preocupação exagerada com um defeito pequeno ou inexistente apresentada por alguns pacientes que chegavam ao seu consultório a motivou a estudar esse “problema secreto”, que muitas vezes os pacientes escondem e, não raro, os próprios profissionais têm dificuldade de identificar e manejar. Segundo ela, na população em geral, 2%das pessoas apresentam o transtorno; entre pacientes dermatológicos 7% se enquadram no diagnóstico e quando consideramos os que buscam tratamentos cosméticos esse percentual chega a 14%, um índice considerado bastante alto.

Para chegar a esses resultados, a dermatologista desenvolveu uma pesquisa, inspirada no estudo da psiquiatra americana Katherine Phillips, para a conclusão de seu doutorado, em 2009, levando em conta o enquadre diagnóstico, a epidemiologia e a avaliação do nível de crítica dos voluntários, usando testes psiquiátricos para fazer a avaliação. Na ocasião, entrevistou 350 pessoas: 150 pacientes dermatológicos, outros 150 que haviam procurado tratamento cosmético e 50 provenientes da ortopedia, que compuseram o grupo de controle. Luciana Conrado salienta ainda que não apenas dermatologistas e cirurgiões plásticos recebem essas pessoas, mas também otorrinolaringologistas, oftalmologistas, dentistas e mesmo profissionais que trabalham com estética devem ficar atentos aos clientes que nunca parecem satisfeitos e continuam pedindo novas intervenções. Ela defende o atendimento multiprofissional para esses pacientes. Trabalhando na Universidade Justus Von Liebig, em Giessen, na Alemanha, ela acompanhou o tratamento de pessoas com o transtorno que recebiam atendimento diversificado: acompanhamento dermatológico e psiquiátrico, medicação para conter a obsessão, sessões de terapia de grupo e arte terapia. Ainda que seja difícil falar em cura definitiva, o acompanhamento focado na diminuição da percepção do suposto defeito pode trazer grande alívio ao paciente.

Que coisa feia!. 3

ESPELHO, ESPELHO MEU …

Em sua clínica em São Paulo, a médica Noemi Wahrhaftig, membro da Sociedade Europeia de Dermatologia e Psiquiatria, costuma receber com frequência pessoas ansiosas por fazer tratamentos estéticos que as tornem mais jovens e belas. Recentemente, porém, ela se surpreendeu quando uma paciente de 40 anos desatou a chorar copiosamente em sua frente, profundamente angustiada com a constatação de que estava envelhecendo. A dermatologista acredita que a mulher apresente um subtipo de dismorfia conhecido como síndrome de Dorian Gray, numa alusão ao personagem de Oscar Wilde que faz um pacto com o demônio no intuito de manter a juventude enquanto um retrato seu, cuidadosamente escondido, se deforma com o passar do tempo.

A médica reconhece, porém, que sua própria angústia diante do pedido de muitos pacientes de se submeter compulsivamente a procedimentos estéticos não é muito comum entre profissionais

que trabalham com procedimentos cosméticos – e sua atitude crítica, por vezes, provoca estranhamento entre seus pares. “Vivemos em uma sociedade que nos cobra sermos assépticos, sem cheiro, com dentes brancos, sem pelos ou poros abertos, com cabelos lisos, sem manchas ou marcas na pele e isso me incomoda”, comenta. “Muitos pacientes cultivam a fantasia de que um médico os tornará perfeitos, mas sofrem com a insatisfação numa busca que continua, continua…”. E ainda que o corpo se transforme, permanece a rejeição por si mesmo.

OUTROS OLHARES

EDUCAÇÃO LIDERA STARTUPS BRASILEIRAS

A má notícia: num ranking de 21 cidades do planeta, São Paulo, com 62 edtechs, está em 18º lugar. Pequim tem 3.000

Educação lidera startups brasileiras

Fintechs? Que nada. Num levantamento feito pela Associação Brasileira de Startups, em parceria com o Centro de Inovação para a Educação Brasileira, o segmento que lidera em quantidade é o da educação, as chamadas edtechs. Elas representam 7,8% do total de startups. O mapeamento mostrou a presença de edtechs em 25 dos 26 estados brasileiros. “São 364 startups de educação mapeadas no Brasil, acredito que esse número possa chegar a 600 no total”, diz Thiago Chaer, CEO da Future Education, aceleradora de startups com sede no Brasil e escritório no Canadá. “Existe um movimento no mundo de repensar a educação, de repensar o papel dos professores e dos pais, é aí que surgem oportunidades para essas edtechs.”

O crescimento das edtechs é fenômeno mundial. Mas o Brasil ainda ocupa um lugar modesto nesse ranking. Em julho de 2018 a Navitas Venture, empresa australiana pioneira no setor de startups de educação, fez uma pesquisa em 21 cidades do planeta. São Paulo, com 62 edtechs, ficou apenas no 18º lugar. Pequim, com 3.000 edtechs, lidera a lista. Outra cidade chinesa, Xangai, aparece em segundo lugar, ao lado de Nova York, com 1.000 edtechs – para chegar perto do topo São Paulo precisaria multiplicar por quase 50 suas edtechs. Para Chaer, a boa notícia é que o mercado está aquecido e vai continuar assim, inclusive com cada vez mais participação de fundos de investimentos.

Apesar de todo o otimismo com as edtechs, ainda existem barreiras para um crescimento maior. Como 80% das escolas de ensino básico são públicas, a aquisição de tecnologia ainda é muito baixa por causa da burocratização e da pouca estrutura. Junte-se a isso a questão comportamental dos professores, que precisam se adaptar às novas tecnologias. Mudar essa postura será decisivo, diz Pedro Filizzola, CEO da Samba Tech, que licencia a tecnologia de vídeos educacionais para universidades e cursos preparatórios. “É preciso uma mudança de mentalidade, mas temos visto com bons olhos a flexibilização do governo em relação ao modelo de ensino a distância”, diz Filizzola. “O que a gente tem percebido é a preferência pelo modelo híbrido, complementando o ensino presencial, que tem gerado maior engajamento dos alunos.”

Quem consegue furar o bloqueio e entrar na educação pública consegue bons resultados. É o caso da startup Mira Educação, que criou o aplicativo Mira Aula para ajudar a combater a evasão de alunos. As ferramentas são oferecidas gratuitamente para as escolas. Não há necessidade de se usar wifi ou 3G. Com apenas alguns toques, o professor registra a presença ou ausência e as mensagens são enviadas para os pais, que também recebem o conteúdo das aulas e as avaliações. Recentemente, a edtech entrou no ranking das empresas mais amadas do Brasil, que foi criado pelo site Love Mondays, em 2013. Foi a primeira vez que uma startup que cria ferramentas para a educação pública apareceu no ranking. Exemplos assim não passam mais sem chamar
a atenção.

Os chineses, por exemplo, já estão colocando dinheiro no Brasil. Desde o ano passado, a Microduono, edtech com projetos de eletrônica e de robótica, trabalha com 30 instituições de educação. A meta é que até o fim deste ano ela esteja em mais de 500, tornando o país o seu terceiro mercado em cinco anos. Por isso se tornou comum funcionários de consulados e embaixadas buscarem informações para empresas de seus países investirem no Brasil. “Nós já fomos procurados pelas embaixadas de Austrália e Dinamarca”, afirma Chaer. “O País é uma forte opção para eles, principalmente na educação básica, um grande mercado.” Sua empresa, a Future, já ajudou a criar 32 edtechs em três anos, captando R$ 3,1 milhões e atingindo 50 mil alunos, mais de 1.500 professores e 600 escolas. Um caminho que ainda parece longo, mas altamente promissor.

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DOS GAMES PARA A SALA DE AULA, A REINVENÇÃO DA SAMBATECH

A Samba Tech nasceu criando jogos para celular, em 2004, e foi a pioneira na distribuição de vídeos na América Latina. Nos últimos dois anos, a startup percebeu que grupos educacionais estavam procurando por segurança e qualidade, e começou a investir nesse setor. Hoje, metade dos clientes já vem dessa área, casos da PUC Minas, Kroton e Estácio de Sá. O portfólio da empresa, que era de 200 clientes, superou os 300.

“A revolução do ensino começa pelo vídeo”, afirma Pedro Filizzola, CEO da Sambatech. “A gente oferece soluções inovadoras de segurança para que não haja pirataria, e qualidade para que a experiência do aluno seja a melhor possível.” Mas isso, o próprio Filizzola diz, não garantia a atenção. “Claro que o conteúdo, que é propriedade intelectual das instituições, precisa ser atraente para fazer um bom casamento com a tecnologia e reter a atenção do aluno.”

O empresário calcula que nos próximos 5 anos, 50% dos cursos educacionais no país serão feitos a distância. Hoje o ensino superior, por exemplo, já alcança mais de 1 milhão de alunos. “As matrículas para os cursos presenciais estão caindo e há um crescimento nos cursos a distância. Há casos como o de cursos preparatórios para o Enem em que o ensino 100% on-line funciona muito bem”, afirma. “Mas em cursos universitários, o sentimento de pertencer e de ter contato com outras pessoas é fundamental. Nesse caso, a tecnologia é usada para complementar o ensino presencial.”

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RECONHECIMENTO FACIAL E ROBÔS NA SALA DE AULA

A USP inovou no vestibular deste ano e utilizou a biometria facial no processo seletivo da Fuvest para aumentar o controle de segurança do exame e agilizar a identificação dos vestibulandos. A tecnologia substituiu a coleta da impressão digital feita em papel. O sistema foi criado por um time de profissionais com mais de 15 anos de experiência em biometrias que desenvolveu, com a equipe técnica da Fuvest, um aplicativo que compara as faces dos candidatos presentes com as fotos das matrículas. A Full Face, startup brasileira especializada em biometria facial, percebeu que havia essa demanda no setor educacional e começou a atuar no segmento. A empresa desenvolveu um algoritmo facial que transforma a imagem original em números, o que traz mais segurança e privacidade. No sistema, não existe a foto da pessoa, mas um registro com 16 mil dígitos. “O processo fica mais rápido, porque ocupa menos espaço”, diz Danny Kabiljo, CEO e fundador da Full Face. “Trabalhamos com a autenticação de alunos em provas online, presença em salas de aula e controle de acesso pelas catracas.”

CANTA, DANÇA, CONVERSA 

Assim como o reconhecimento facial, os robôs também têm invadido as salas de aula. A Somai é a representante oficial no Brasil do robô NAO, criado por franceses. No Recife, a máquina de 57cm interage com 40 mil alunos e uma em cada dez escolas municipais já usa o robozinho, que surgiu no ensino fundamental e hoje é utilizado no ensino médio. O NAO é uma máquina que dança, canta, anda e conversa. Equipado com câmeras, microfones, autofalantes e vários sensores, entre eles sensores táteis, de pressão e sonares. Tudo isso permite que reconheça face, voz e expresse emoções, fazendo com que a programação da sua capacidade de interação seja contínua. Os robozinhos também estão sendo utilizados para ajudar crianças com déficit de atenção, síndrome de down, autismo e para quem tem Alzheimer. Matar aula será cada vez menos divertido.

GESTÃO E CARREIRA

SOLIDÃO PROFISSIONAL

A solidão profissional é o preço que se paga pelo desenvolvimento da carreira, mas também o resultado pela forma como nos relacionamos com as pessoas no ambiente corporativo e pode ser um desastre na trajetória profissional.

Solidão profissional

Para o professor Luciano Salamacha, da Fundação Getúlio Vargas, “a relação dentro de uma empresa faz com que a troca de experiências com vários profissionais, da mesma área ou setores coligados, ajude no crescimento profissional e pessoal e nas tomadas de decisões mas, principalmente no aumento de conhecimento na própria área de atuação. É o principal pilar do crescimento numa empresa”.

Pessoas do mesmo nível hierárquico dividem dúvidas, angústias e insatisfações, além de receber ou dar conselhos sobre o trabalho mas, à medida que um profissional alcança postos de chefia ou liderança, o seu círculo de relacionamento muda.

O número de pessoas com quem se pode ter o feedback é menor. Quanto mais promoções o profissional recebe menor é o número de pessoas que estarão no mesmo nível na empresa e como gestor não pode dividir certas decisões ou acontecimentos com todos.

Salamacha alerta que quanto mais alto for o cargo exercido na estrutura organizacional maior é chance de se sentir solitário, por isso, esse fator acomete mais profissionais de cargos mais altos como presidência, CEO. A solidão profissional cresce na mesma proporção em que aumenta o poder de decisão na empresa e uma forma de combater esse efeito, existe hoje dentro das corporações o Mentor, uma das atribuições do professor Salamacha. O mentor é um consultor externo que pode com isenção, dar conselhos aos profissionais de cargos mais altos numa companhia.

O professor também afirma que pessoas com dificuldade em se relacionar com os colegas no trabalho também podem sofrer os efeitos da solidão profissional. Pessoas extremamente fechadas, às vezes, são mal compreendidas e até excluídas pelos grupos. Pessoas que trabalham sozinhas em home office também podem sofrer de solidão profissional e acabam se desestimulando, perdem a graça em trabalhar, mesmo com tantas vantagens que pode trazer esse tipo de atividade, cada vez mais comum nas grandes cidades com prestadores de serviços e profissionais autônomos.

Salamacha alerta para esse fenômeno que pode influenciar a performance no trabalho. O professor de gestão de empresas da FGV, especialista em carreira diz que pessoas que se sentem sozinhas passam a ficar inseguras por falta de referência, de informação. A insegurança, por sua vez, afeta muitas vezes o desempenho em tomadas de decisões simples.

O professor, que integra conselhos de administração em grandes empresas diz que já assistiu muitos gestores errar ao terem que decidir pequenas questões, mas diante de um impasse mais polêmico, acabam tomando medidas mais duras.

Salamacha afirma que no mundo corporativo, muitos bons profissionais acabam se perdendo nos melhores momentos de suas carreiras porque não reconheceram que necessitavam de ajuda e aconselha: “reveja suas relações, perceba se sente só e infeliz, tome uma atitude mais saudável para sua vida profissional e tenha certeza que terá mais sucesso”.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 20: 17-20

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 V. 17 – Observe:

1. Pode ser agradável, à carne, aceitar o pecado: o pão da mentira, a riqueza obtida por meio de fraude, por mentira e opressão, pode ser doce para um homem, e ainda mais doce por ser obtida de maneira ilícita; tal é o prazer que a mente carnal sente com o sucesso de seus projetos ímpios. Todos os prazeres e benefícios do pecado são o pão da mentira. Eles são roubados, pois são frutos proibidos; e enganarão os homens, pois não são aquilo que prometem. Durante algum tempo, no entanto, ficam debaixo da língua, como um doce bocado, e o pecador se considera bem-aventurado neles. Mas:

2. Amargos se tornarão. Posteriormente, a boca do pecador se encherá de pedrinhas de areia. Quando a sua consciência for despertada, quando ele vir que foi enganado, e perceber a ira de Deus contra ele, pelo seu pecado, como será, então doloroso e desconfortável a lembrança desse pecado! Os prazeres do pecado duram apenas algum tempo, e são seguidos pela angústia. Algumas nações puniam os malfeitores, misturando areia ao seu pão.

 

V. 18 – Observe:

1. É bom, em todos os aspectos, agir com deliberação, e ponderar, pelo menos em nosso próprio pensamento, e, em questões importantes, consultar nossos amigos, antes de decidir, mas particularmente pedir o conselho de Deus, e implorar que Ele nos oriente, e observar a orientação que vier dele. Esta é a maneira de estabelecer nossas mentes e nossos propósitos, e de sermos bem sucedidos em nossos negócios; ao passo que tudo o que é feito apressadamente e com precipitação se torna o motivo de um arrependimento constante. Dedique tempo à ponderação, e, no cômputo final, você agirá mais depressa.

1. É particularmente sensato que sejamos cautelosos ao fazer guerras. Considere, e aconselhe-se, se a guerra deve começar ou não, se isto será justo, se será prudente, se nós seremos um páreo para o inimigo, e capazes de dar continuidade a ela, quando for tarde demais para a retirada (Lucas 14.31); e, uma vez iniciada, considere como e com quais estratégias deverá ter continuidade, pois a administração é tão necessária como a coragem. Recorrer à lei é uma maneira de ir à guerra; por esta razão, é algo que deve ser feito com conselhos prudentes (Provérbios 25.8). A lei entre os romanos era nem insistir na guerra, nem fugir dela

V. 19 – É perigoso conviver com dois tipos de pessoas:

1. Os mexeriqueiros, ainda que sejam aduladores e, por palavras agradáveis, se insinuem nos relacionamentos dos homens. São pessoas sem princípios as que vivem difundindo estórias que provocam discórdias entre vizinhos e parentes, que semeiam, nas mentes das pessoas, inveja de seus governantes, de seus ministros, e uns dos outros, que revelam segredos que lhes são confiados ou que, por meios ilícitos, vêm a conhecer, e que, sob o pretexto de adivinhar os pensamentos e as intenções dos homens, dizem quais deles são realmente falsos. “Não te relaciones com estas pessoas, não lhes dês ouvidos, quando contam suas estórias e revelam segredos, pois podes ter certeza de que trairão os teus segredos também, e contarão estórias sobre ti”.

2. Os aduladores, pois normalmente são mexeriqueiros. Se um homem o adula, o lisonjeia e elogia, suspeite que ele tem algum mau propósito em relação a você, e fique vigilante; ele tomará de você aquilo que servirá para que ele invente uma estória para outra pessoa, para prejudicá-lo, por isto, com o que afaga com seus lábios, não te entremetas. Os que amam muito o seu próprio louvor, e que o compram pagando muito caro, depositarão a sua confiança em um homem, e lhe confiarão um segredo, porque ele os adula.

 

V. 20 – Aqui temos:

1. Um filho desobediente que se tornou muito ímpio gradualmente. Ele começou desprezando seu pai e sua mãe, ignorando suas instruções, desobedecendo às suas ordens, e se enraivecendo com suas repreensões, mas chegou a tal nível de atrevimento e impiedade, a ponto de amaldiçoá-los, de se dirigir a eles com linguajar obsceno e ultrajante, e de desejar o mal àqueles que foram essenciais para a sua existência e que tiveram tantos cuidados com ele; ele faz isto desafiando a Deus e à sua lei, segundo a qual, este era um crime punível com a morte (Êxodo 21.17, Mateus 15.4), e uma violação a todos os laços de dever, afeto natural e gratidão.

2. Um filho desobediente que se tornará muito infeliz, no final: “Apagar-se-lhe-á a sua lâmpada e ficará em trevas densas”; toda a sua honra cairá por terra, e ele perderá para sempre a sua reputação. Que nunca espere nenhuma paz ou consolação em sua mente, nem prosperidade neste mundo. Os seus dias serão abreviados, e a sua lâmpada se apagará, de acordo com o inverso da promessa do quinto mandamento. O relacionamento com a sua família será rompido, e a sua descendência será uma maldição para ele. E isto será a sua eterna ruína: a lâmpada da sua felicidade ficará na mais negra das trevas (este é o significado da palavra), aquela que é eterna (Judas 13, Mateus 22.13).

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A MÍNIMA DIFERENÇA

Os ícones da feminilidade se modificaram e as diferenças entre os sexos têm se diluído, mas permanecem os impasses e as pretensões de homens e mulheres em torno do amor e do desejo.

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Há mais de cem anos não se fala em outra coisa. O falatório surpreenderia o próprio Freud. Se ele criou um espaço e uma escuta para que a histérica pudesse fazer falar seu sexo em um tempo cuja norma era o silêncio, o que restaria ainda por dizer ao psicanalista quando a sexualidade circula freneticamente em palavras e imagens como a mais universal das mercadorias? O escândalo e o enigma do sexo permanecem deslocados – já não se trata da interdição dos corpos e dos atos – , avisando que a psicanálise ainda não acabou de cumprir seu papel. Mulheres e homens vão aos consultórios dos analistas (e, como sempre, mais mulheres do que homens), procurando, no mínimo, restabelecer um lugar fora de cena para uma fala que, despojada de seu papel de lata de lixo do inconsciente (no que reside justamente sua obscenidade), vem sendo exposta à exaustão, ocupando lugar de destaque na cena social, até a produção de uma aparência de total normalidade.

Parece que nada mudou muito: mulheres e homens continuam procurando a psicanálise para falar da sexualidade e de suas ressonâncias, mas o que se diz já não é a mesma coisa. “O que devo fazer para ser amada e desejada?”, perguntam as mulheres, com algum ressentimento: não era de esperar que o amor se tornasse tão difícil já nos primeiros degraus do paraíso da emancipação sexual feminina. “O que faço para ser capaz de amar aquela que afinal me revelou seu desejo?”, perguntam os homens, perplexos diante da inversão da antiga observação freudiana segundo a qual é próprio do feminino fazer-se amar e desejar e próprio do homem, Narciso ferido eternamente em busca de restauração, amar sem descanso aquela que parece deter os segredos de sua cura. Mulheres que já não sabem se fazer amar, homens que já não amam como antigamente. Como se pedissem aos psicanalistas: “O que faço para (voltar a) ser mulher?”, “Como posso (voltar a) ser homem?”.

CAMPO MINADO

Incapaz de formular uma interpretação satisfatória para o que ouço no consultório e na vida, dou voltas em torno desse mal-estar. Tento cercar com perguntas aquilo para o que não encontro resposta. É possível que a relação consciente/ inconsciente se modifique à medida que mudam as normas, os costumes, a superfície dos comportamentos, os disc ursos dominantes? A questão remete, sim, à relação entre recalque e repressão. Se mudam as normas, mudam os ideais e o campo das identificações – e, com eles, parte das exigências do superego, parte das representações submetidas pelo menos ao recalque secundário – , mudam também as chamadas soluções de compromisso, os sintomas que tentam dar conta simultaneamente da interdição e do desejo recalcado… Dito de outra forma: os “novos tempos” nos trazem novos sujeitos? No ­ vos homens e mulheres colocam outras questões à observação psicanalítica? E aqui vai a ressalva: não há nenhuma euforia, nenhum otimismo no emprego da palavra “novo”. A própria psicanálise já nos ensinou que a cada barreira removida, a cada véu levantado deparamos não com um paraíso de conflitos resolvidos, e sim com um campo minado ainda desconhecido.

Avancemos mais alguns passos nesse campo minado. O lugar reservado às mulheres na cena social {e sexual) desde o surgimento da psicanálise foi sendo alterado {por obra, entre outras coisas, das próprias contribuições freudianas) e ampliado; as insígnias da feminilidade se modificaram, se confundiram, as diferenças entre os sexos foram sendo borradas até o ponto em que a revista americana Time publicou em 1992, como artigo de capa, a seguinte pesquisa: “Homens e mulheres nascem diferentes?”. Na dinâmica de encontro e desencontro entre os sexos, a intensa movimentação das tropas femininas nas últimas décadas parece ter deslocado os significantes do masculino e do feminino a tal ponto que vemos caber aos homens o papel de Narcises frígidos e às mulheres o de desejantes sempre insatisfeitas. Não cabe hoje aos homens dizer “Devagar com a louça!”, aterrados diante da audácia dessas que até uma ou duas gerações atrás pareciam aceitar as investidas do desejo masculino como homenagem a sua perfeição ou como o mal necessário da vida conjugal?

Já sabemos que o homem odeia o que o aterroriza. Se a verdade do sexo vazio da mulher sempre tem de ser dissimulada com os engodes fálicos da beleza e da indiferença , tal a angústia que é capaz de provocar em quem ainda sente que tem “algo a perder”, essa angústia parece redobrar diante da evidência de que esse sexo vazio também é faminto, voraz. “O que elas querem de nós?”, indagam entre si os varões, tentando se assegurar de que ainda é possível entrar e sair da relação com a mulher, sem deixar por isso de ser homens – mas como, se a mulher que expõe seu desejo sexual age “como um homem” e com isso os feminiza?

AGRURAS DA PAIXÃO

Os artistas da virada do século 19 para o 20 já previam a sorte dessas novas-ricas da conquista amorosa. Ana Karenina (Tolstoi, 1873 -1877) pagou por sua ousadia debaixo das rodas de um trem, como “a mais desgraçada das mulheres”, enlouquecida ao descobrir que o amor não é meio de vida, não garante nada – o casamento, sim. Emma Bovary (Flaubert, 1853-1856) queimou as entranhas com arsênico por não ter sido capaz de tomar a aventura amorosa do mesmo modo que seu amante Rodolfo – apenas como uma aventura. Na virada do século, já não havia Werther que destruísse sua vida pela utopia do amor de uma mulher, que foi deixando de ser utopia para se tornar fato corriqueiro: são as grandes amorosas que se matam, então, ao descobrir que seu dom mais precioso perde parte do valor, justamente na medida em que é dado.

O destino de Nora (lbsen, 1879) nos parece mais promissor, porque a peça termina quando tudo ainda está por começar. Ela abandona a “casa de bonecas” ao descobrir que sua alienação (termo que lbsen nunca usou) era condição de felicidade conjugal. Depois de entender que no código do marido o amor mais apaixonado só iria até onde fossem as conveniências, Nora recusa o retorno à condição feminina-infantil de seu tempo e sai em busca de…mas aqui cai o pano e agora, mais de um século depois, fazemos o balanço do que ela encontrou. Independência econômica, algum poder, cultura e possibilidades de sublimação impensáveis para a mulher restrita ao espaço doméstico. Também a possibilidade da escolha sexual, e a segunda (e a terceira, e a quarta…) chance de um casamento feliz. E a possibilidade de conhecer vários homens e compará-los. De ser parceira do homem, reduzindo a distância entre os sexos até o limite da mínima diferença. Mas teria Nora, melhor que as contemporâneas literárias, conquistado alguma garantia de corresponder às paixões masculinas sem “se desgraçar”?

No Brasil, onde historicamente todas as diferenças são menos acentuadas, a história de amor mais marcante já no século 20 é a de um engano. É por engano que o jagunço Riobaldo (Guimarães Rosa, 1956) se apaixona por seu companheiro Diadorim, ou Maria Deodorina, que acaba perdendo a vida em consequência de sua mascarada viril. É por engano – ou não é? – que Diadorim desperta a paixão de um homem, travestida de homem, por sua feminilidade diabólica que se insinua e se inscreve justo onde deveriam estar os traços mais fortes de sua masculinidade – a audácia, a coragem física, o silêncio taciturno. Como se Guimarães Rosa tivesse dado a entender, lacanianamente: se uma mulher quer ser homem, isso não faz a menor diferença, desde que continue sendo mulher. Ou mais: se uma mulher quer ser homem e se esconde nisso, daí, sim, é que ela é mesmo mulher.

O fato é que não se trata só de esconder ou disfarçar, como no caso de Diadorim. O avanço das Noras do século 21 sobre espaços tradicionalmente masculinos, as novas identificações (mesmo que de traços secundários) feitas pelas mulheres em relação a atributos que até então caracterizavam os homens não são meros disfarces: são aquisições que tornaram a(s) identidade(s) feminina(s) mais rica(s) e mais complexa(s)- o que teve, é claro, seu preço em intolerância e desentendimento, de parte a parte. Aqui tomo emprestado um conceito que Freud empregou em Mal-estar na cultura (1920), sem ter se estendido mais sobre ele. Nesse texto Freud cunhou a expressão “narcisismo das pequenas diferenças”, tentando explicar as grandes intolerâncias étnicas, raciais e nacionais, sobretudo as que pesavam sobre os judeus na Europa. É quando a diferença é pequena, e não quando é acentuada, que o outro se torna alvo de intolerância. É quando territórios que deveriam estar bem apartados se tornam próximos demais, quando as insígnias da diferença começam a desfocar que a intolerância é convocada a restabelecer uma discriminação, no duplo sentido da palavra, sem a qual as identidades ficariam muito ameaçadas.

FALOS E BRUXAS

No caso das pequenas diferenças entre homens e mulheres, parecem ser os homens os mais afetados pela recente interpenetração de territórios – e não só porque isso implica possíveis perdas de poder, como argumentaria um feminismo mais belicoso, e sim porque coloca a própria identidade masculina em questão. Sabemos que a mulher encara a conquista de atributos “masculinos” como direito seu, reapropriação de algo que de fato lhe pertence e há muito lhe foi tomado. Por outro lado, a uma mulher é impossível roubar a feminilidade: se a feminilidade é máscara sobre um vazio, todo atributo fálico virá sempre incrementar essa função. já para o homem, toda feminização é sentida como perda – ou como antiga ameaça que afinal se cumpre. Ao homem interessa manter a mulher a distância, tentando garantir que esse “a mais” inscrito em seu corpo lhe confira de fato alguma imunidade.

A aproximação entre as aparências, as ações, os atributos masculinos e femininos são para o homem mais do que angustiantes. É de terror e de fascínio que se trata quando um homem se vê diante da pretensão feminina de ser também homem sem deixar de ser mulher. Bruxas, feiticeiras, possuídas pelo demônio, assim se designavam na Antiguidade essas aberrações do mundo feminino que levavam a mascarada de sua feminilidade até um limite intolerável. Se a morte, a fogueira ou a guilhotina seriam capazes de pôr fim à onipotência dessas que já nasceram “sem nada a perder”.

SERES ESVAZIADOS

E quem duvida de que Ana Karenina, Emma Bovary, Nora, Deodorina tenham se tornado aquilo que se costuma chamar de “mulheres de verdade” a partir do momento em que abandonaram seus postos na conquista desse “a mais” que, tão logo conquistado, parece lhes cair como uma luva? Mas quem duvida também de que o preço dessas conquistas continue sendo altíssimo? Quando não a morte do corpo (pois não é no corpo que se situa o tal “a mais” da mulher!), a morte de um reconhecimento pelo outro, na falta do qual a mulher cai em um vazio intolerável. Pois, se a mulher se faz também homem, é ainda por amor que ela o faz – para ser ainda mais digna do amor.

Quando o amor e o desejo da mulher se libertam de seu aprisionamento narcísico e repressivo para corresponder aos do homem, parece que alguma coisa se esvazia no próprio ser da mulher. Os suicídios de Ana e Emma são, nesse caso, exemplares. Teriam suas vidas perdido o sentido depois que elas se entregaram sem restrições ao conde Vronsky e a Rodolfo Boulanger? Não; eu diria que a perda de sentido se dá nelas próprias. Ao desejarem e amarem tanto quanto foram amadas e desejadas, elas deixaram de fazer sentido como mulheres – primeiro para os amantes, depois para si mesmas.

Na defesa do narcisismo das pequenas diferenças, é do reconhecimento amoroso que o homem ainda pode privar a mulher, esta que parece não se privar de mais nada, não se deter mais no gozo de suas recentes conquistas. Mas não se imagine que o homem o faz (apenas) por cálculo vingativo. É que ele já não consegue reconhecer essa mulher tão parecida consigo mesmo, na qual também odiaria ter de se reconhecer.

Vale ainda dizer que não é só da falta de reconhecimento masculino que se trata o abandono e a solidão da mulher. já nos primórdios dessa movimentação toda, os psicanalistas Melanie Klein e Joan Riviere escreviam que, muito mais do que a vingança masculina, o que uma mulher teme em represália por suas conquistas é o ódio de outra mulher, aquela a quem se tentou suplantar etc. etc. – ódio que frequentemente se confirma “no real”, para além das fantasias persecutórias.

E aqui abandono o campo minado das “novas sexualidades” sem nada além de hipóteses e questões a respeito de nosso mal-estar, antes que este texto se torne paranoico ; mas como não ser paranoico um texto escrito por mulher, sobre a ambiguidade, os impasses e as pretensões da sexualidade feminina?

 

MARIA RITA KEHL – é psicanalista, doutora em psicanálise e autora, entre outros livros, de O tempo e o cão: a atualidade das depressões (Boitempo, em impressão). Este artigo foi publicado originalmente no livro A mínima diferença o masculino e o feminino na cultura (Imago, 1996), esgotado.

 

 

 

OUTROS OLHARES

ANIMAIS MÁGICOS

O homem não é a única espécie que faz uso de artimanhas visuais; aves, répteis e insetos recorrem a estratagemas para se disfarçar ou criar percepções equivocadas, a fim de enganar tanto possíveis pretendentes quanto potenciais predadores e até aqueles que desejam transformar em sua próxima refeição.

Animais mágicos

Nas florestas da Austrália e da Nova Guiné, vive uma criatura muito curiosa. Do tamanho de uma pomba, a ave é brilhante na arte da construção, mas também no ilusionismo. O pássaro-pavilhão (Chlamydera nuchalis) – um primo dos corvos e das gralhas – tem um ritual de acasalamento elaborado, marcado pela habilidade do macho de criar uma perspectiva forçada. Como é isso? Durante todo o ano ele constrói e mantém com muito cuidado sua “obra arquitetônica”: um corredor com cerca de 60 centímetros de comprimento feito com gravetos, que dá para um pátio decorado com seixos, conchas e ossos, com pouca variação de cores (veja imagem ao lado). Algumas espécies acrescentam também flores, frutas, penas, tampinhas de garrafa, cascas de nozes, brinquedos abandonados e qualquer outro objeto encontrado que sirva de ornamento. O macho toma enorme cuidado para arrumar os objetos de acordo com o tamanho, de modo que as peças menores fiquem mais perto da entrada do caramanchão e os itens menores, mais longe.

A estrutura exuberante não é um ninho. Seu único propósito é atrair a fêmea para o acasalamento. Uma vez completa a construção, o macho faz uma apresentação no pátio para a visitante, instalada no meio do corredor para a apreciação do espetáculo.

O pássaro canta, dança e desfila, brincando com alguns objetos que escolhe para impressionar sua potencial companheira. O ponto de observação da fêmea é bastante estreito, de modo que ela percebe os objetos que cobrem o pátio como se fossem todos do mesmo tamanho. Essa perspectiva forçada faz com que as prendas oferecidas pareçam grandes e, portanto, mais tentadoras.

Os objetos, e o próprio macho, são percebidos como se fossem maiores do que realmente são graças a um efeito visual chamado pelos cientistas de ilusão Ebbinghaus, que faz com que as coisas pareçam superdimensionadas quando são circundadas por objetos menores. É como diz aquela máxima: se quer parecer mais alto, ande em companhia de pessoas mais baixas que você. Em 2012, os ecólogos Laura Kelley e John A. Endler, ambos então na Universidade Deakin, na Austrália, confirmaram que entre os pássaros-pavilhão que viviam em Queensland, o grau de desempenho do macho ao criar essas ilusões constitui um prognóstico para o sucesso do acasalamento. Embora o comportamento da ave seja curioso, os pássaros-pavilhão são somente um dos muitos animais que empregam regularmente a duplicidade visual para permanecerem vivos e se reproduzirem. O fato de a ilusão visual não ser incomum no reino animal talvez ajude a explicar por que tantas culturas têm histórias de bichos trapaceiros – como o coelho que cria estratagemas para enganar a tartaruga ou o lobo nas fábulas de Esopo, ou mesmo o coiote dos mitos dos nativos indígenas americanos. Como costuma acontecer, porém, a realidade ultrapassa a ficção: as adaptações constituem argumentos para dizer que as ilusões não são simplesmente erros de percepção, mas também estratégias capazes de promover vantagens significativas. Alguns animais fazem mudanças em seu ambiente, como os pássaros-pavilhão, mas muitos outros transformam sua aparência ou comportamento para enganar um inimigo potencial ou uma refeição inocente. Analisamos aqui as três principais ilusões de que os animais lançam mão para alterar sua aparência – criptismo, disfarce e mimetismo – e pesquisamos alguns dos exemplos mais extraordinários de cada um.

Animais mágicos. 2

Alguns animais são menos atraentes aos predadores, pois se assemelham a objetos familiares inanimados ou não comestíveis. Por exemplo, a larva da borboleta gigante rabo-de-andorinha (Papilio cresphontes) (2) se disfarça de fezes de passarinho, assim como a aranha-da-teia-arredondada (Cyclosa ginnaga). A larva da mariposa feathered thorn (Selenia dentaria)  (1) se disfarça de galho. A semelhança não está na forma e na cor: o inseto também se posiciona em um ângulo muito semelhante ao dos galhos na planta hospedeira. De modo semelhante, pássaros do gênero Nyctibius, com a plumagem da cor de casca de árvore, se camuflam como projeções de árvore ao permanecer imóveis durante o dia. Algumas espécies têm a flexibilidade de se assemelhar a diversos objetos pouco palatáveis em seu ambiente. Lulas, com sua pele de polvo, têm talentos de camuflagem incríveis e são capazes de mudar a cor de sua pele de repente. Podem se disfarçar prontamente de pedras ou algas. Assim como o camaleão, as larvas da mariposa peppered (Biston betularia) também são capazes de variar sua coloração para se assemelhar a diferentes galhos vizinhos. Alguns predadores também fazem uso desse truque. O louva-a-deus-fantasma (Phyllocrania paradoxa) (3) se disfarça de folhas mortas para enganar insetos incautos – e transformá-los em refeição.

Animais mágicos. 3

MIMETISMO

Manchas ocelares – círculos concêntricos que se assemelham a olhos de vertebrados – são frequentes entre as mariposas e borboletas, mas podem também ser pequenos e localizados somente perifericamente ou ser grandes e centrais. As manchas menores podem desviar a atenção dos predadores da cabeça ou outras partes vitais do corpo. Já as maiores se assemelham aos olhos do inimigo do predador, o que sugere que servem para intimidar potenciais atacadores. No livro infanto juvenil O caso da borboleta Atíria (coleção Vagalume,Ática, 1996), a autora, Lúcia Machado de Almeida, se valeu dessa característica noromance policial que se passa no mundo dos insetos. Na história, o assassino usa disfarces para cometer crimes.Em 2014 o biólogo Sebastiano DeBona, pesquisador da Universidade de Jyväskylä, na Finlândia, e seus colegas concluíram que o mimetismo dos olhos – enão a conspicuidade de uma mancha ocelar – era responsável por evitar predadores.Para chegar a essa conclusão, os cientistasbiólogos fizeram um experimento: mostraram várias imagens numa tela de computador a passarinhos da espécie great tits (Parus major), que se alimentam de borboletas. As fotografias incluíam corujas (quese alimentam de great tits) e borboletas dediversos tipos. Algumas das imagens de borboletas apresentavam manchas ocelares que pareciam naturais, outras não tinham nenhuma, e um terceiro grupo exibia manchas manipuladas digitalmente, com o mesmo contraste de cor que as manchas reais, mas se assemelhavam menos a olhos. Resultado: os pássaros produziam respostas aversivas equivalentes quando se tratava de manchas ocelares miméticas e dos olhos verdadeiros da coruja. E respondiam de modo menos radical aos olhos modificados. Os animais miméticos descritos são criaturas inofensivas que, em virtude de seu som, aparência, comportamento ou odor, enganam seus predadores fazendo com que sejam tomados por espécies repugnantes ou nocivas. Um exemplo disso é a mosca-das-flores, que imita os padrões e cores da abelha. Os predadores que aprenderam a se afastar de picadas doloridas serão motiva-dos a deixar esse mímico em paz.

Animais mágicos. 4

 CRIPTISMO

Alguns animais se mesclam ao seu ambiente para passar despercebidos pelos predadores. Essa técnica, chamada criptismo, conta com o fato de o outro animal não perceber o enganador. Em contraste, criaturas que se disfarçam ou imitam não são difíceis de detectar, porém o animal que os vê os toma por outra espécie ou por um objeto inanimado. Há uma série de modos em que os animais crípticos, como essa esperança-do-líquen (acima), evitam detecção por meio da camuflagem. Graças à coloração e aos padrões que se confundem em sua pele ou no exoesqueleto, muitas criaturas efetivamente desaparecem no pano de fundo. Outras empregam ainda comportamentos crípticos, escondendo-se em tocas ou cobrindo-se com sedimentos.

GESTÃO E CARREIRA

LIDERANÇA MEDIADORA

Liderança mediadora: uma nova filosofia de trabalho

Liderança mediadora

As pessoas passam a maior parte de sua vida produtiva dentro das organizações e durante esse período são estimuladas a buscar altos índices ou padrões de desempenho profissional. Se o entendimento de que a exposição a uma situação-problema é parte fundamental para o desenvolvimento do ser humano, pode-se afirmar que é no ambiente organizacional que acontece o maior salto no desenvolvimento pessoal e profissional das pessoas, pois é nele que elas se submetem, quase que diariamente, a situações que mobilizam conhecimentos e habilidades para atingir objetivos pessoais, coletivos e, principalmente, profissionais. Nesse sentido, a educação corporativa e a formação no ambiente de trabalho aparecem hoje como questões fundamentais para o sucesso de organizações de alto desempenho.

Além dos múltiplos fatores que podem afetar o resultado do processo de aprendizagem nas organizações, tais como, nível de escolaridade, competências e habilidades necessárias para o desempenho da função, potencial de aprendizagem do colaborador ou as condições que tornam o ambiente organizacional favorável à aprendizagem, é importante enfatizar o papel do líder ou gestor que se interpõe entre um conjunto de conhecimentos, habilidades ou um know-how e o colaborador, com o objetivo de promover sua aprendizagem.

De acordo com a Bersin by Deloitte, uma subsidiária da Deloitte que oferece pesquisa e estratégias para desenvolvimento de pessoas destinadas a ajudar os líderes a impulsionar o desempenho de seus negócios, os maiores desafios para o RH das empresas são: Gestão de Talentos (atrair, recrutar, desenvolver e reter); Engajamento da Força de Trabalho e Desenvolvimento da Liderança. Suas pesquisas apontam que mais de 60% dos executivos citam “gaps” de liderança como o principal desafio de negócios:

Desafios comuns se tratando de lideranças

  • 83% das empresas alegam estar preocupadas com seu processo de desenvolvimento de líderes;
  • Até 2020 a geração do milênio deve chegar a 75% da força global de trabalho;
  • Apenas 8% das empresas têm programas consistentes para desenvolver competências de liderança voltadas à geração do milênio.

A multiplicidade de situações que ocorrem simultaneamente nas empresas acaba exigindo do líder um conjunto de competências que necessitam estar afinadas tanto com a identidade da organização, com as exigências do mercado e da sociedade contemporânea, quanto com o relacionamento interpessoal e desenvolvimento profissional de seus colaboradores.

Para Erickson, os líderes devem ter capacidade de reunir e gerir diversidade, capacidade para promover e gerir um ambiente colaborativo, capacidade de criar condições no ambiente que deem significado ao trabalho (orgulho da empresa) e capacidade de fazer perguntas.

Nesse contexto, a Liderança Mediadora surge como uma importante contribuição ao conceito de liderança, pois, por meio de intervenções intencionais e planejadas, o líder transforma o ambiente de trabalho em uma organização que continuamente aprende e evolui. Estamos, portanto, falando do potencial de mediação do líder e os possíveis efeitos desse potencial sobre processos de aprendizagem dentro da organização.

FUNDAMENTOS PARA A LIDERANÇA MEDIADORA

A Liderança Mediadora traz uma série de benefícios para líderes e suas equipes, pois desperta a motivação intrínseca, eleva a autoestima, o sentimento de competência e a capacidade analítica, estimulando o pensamento reflexivo para a tomada de decisões, resultando em soluções criativas e inovadoras.

Essa abordagem está baseada nos princípios da teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural (MCE) e na Experiência de Aprendizagem Mediada (EAM) de Reuven Feuerstein3, que objetivam ampliar o nível de concentração e abstração, promover a flexibilidade do pensamento, incentivar o controle da impulsividade e desenvolver métodos para busca e resolução de problemas, produzindo mudanças significativas e duradouras nas pessoas e no ambiente organizacional.

A teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural (MCE) contribui para o líder adquirir o preparo necessário para atuar junto a seus funcionários e equipes no aprimoramento dos processos de raciocínio que se constituem no cerne da modificabilidade4 da ação ou prática profissional.

A Experiência da Aprendizagem Mediada (EAM) é um meio de interação em que os estímulos que chegam ao sujeito são transformados por um “agente mediador”. Na empresa, esse agente é o líder. A Liderança Mediadora é o caminho pelo qual os estímulos são transformados pelo líder mediador, guiado por suas experiências profissionais, intuições, emoções e sua cultura. É por meio desse processo de mediação que a estrutura cognitiva do colaborador adquire padrões de comportamento que determinarão sua capacidade de ser modificada. Assim, quanto mais mediação for oferecida, maior será a capacidade de o colaborador ser afetado e se modificar. Portanto, na Liderança Mediadora, o líder se torna responsável por transformar as potencialidades cognitivas de seus colaboradores em habilidades de raciocínio.

Ambas as teorias enfatizam a busca de elevação do potencial de aprendizagem dos liderados, ajudando-os a criar estratégias que favoreçam adaptações às novas e contínuas exigências do mundo do trabalho.

A Liderança Mediadora não pode e nem deve ser confundida ou rotulada como um estilo de liderança. Ela é uma filosofia de vida, de trabalho, baseada na crença de que todo indivíduo pode elevar seu potencial de aprendizagem alcançando níveis cada vez mais altos de eficiência e eficácia.  

Com a Liderança Mediadora, o líder torna-se um profissional com desejo genuíno de promover nos membros de sua equipe a modificabilidade necessária ao contínuo aprendizado, por meio do estabelecimento de rotinas de trabalho que contribuam para o desenvolvimento pessoal, profissional e organizacional. O líder passa a utilizar grande parte do seu tempo e esforço no desenvolvimento de sua equipe, interagindo com a intenção de oferecer orientação, coaching e apoio, compartilhando meios didáticos eficazes e estratégias de mediação para ajudar a materializar, nos colaboradores, o potencial para aprender e pensar de forma autônoma.

O volume de mudanças ou situações-problema ao qual as equipes são expostas, muitas vezes, faz com que as pessoas passem a operar no automático, buscando, na melhor das hipóteses, soluções padronizadas ou cases de “sucesso”, e na pior, soluções por meio do “método” tentativa e erro. Isso, além de elevar o custo das empresas e de atrasar o processo de mudança, eleva o número de retrabalho, gera insegurança e não contribui no desenvolvimento das equipes.

Com a utilização da EAM, o líder cria o hábito na equipe de certificar-se de que todas as informações acerca do problema foram devidamente observadas, incentiva o processo de elaboração de hipóteses na busca de solução para o problema ou desafio e destaca a importância de planejar mentalmente as ações antes de executá-las, fatores determinantes para elaboração de soluções adequadas e definitivas.

Dessa forma, é possível transformar e desenvolver nas equipes habilidades que estimulem o pensamento estratégico e que despertem a motivação intrínseca dos indivíduos, transformando a atitude do funcionário de passivo receptor de informação em ativo gerador de conhecimento.

No artigo “A liderança necessária”, in Reflexões Amana Key – gestão, estratégia e liderança, agosto/2013, Oscar Motomura afirma:

“Queremos protagonistas em nossas organizações. Pessoas engajadas, comprometidas, automotivadas, com elevado senso de responsabilidade. Com espírito de quem é “dono do negócio”. Na realidade, queremos líderes em todos os lugares. Em todos os cargos. Em todas as funções.”

O líder deve indicar caminhos, proporcionar condições suficientes para que os colaboradores possam convergir para os resultados esperados, ser um norteador, enfim, engajar pessoas. Essa caracterização do líder exige discernimento e muitos saberes que devem ser transformados em competências de liderança. Portanto, entender como os componentes envolvidos na solução de um problema ou tomada de decisão: capacidade, necessidade e orientação atuam no sistema de motivação é imprescindível para tornar as pessoas engajadas.

CAPACIDADE

A capacidade é uma habilidade inata que possibilita às pessoas executarem uma tarefa ou que possam desenvolver algo em um determinado nível de complexidade. Diz respeito à estrutura cognitiva, ou seja, todos nascem dotados de capacidade para aprender.  O que acontece, em alguns casos, por exemplo, é a falta de crença na capacidade de aprender que alguns indivíduos apresentam, ou seja, não se sentem capazes de aprender novos conhecimentos e não se desafiam. Isso explica por que temos pessoas passivas nas equipes.

NECESSIDADE

A necessidade é um aspecto psicológico de energia interiorizada e diz respeito ao fator energético da motivação: é o que nos leva a agir para alcançar os objetivos ou metas. A necessidade estimula ou inibe a ação, de acordo com seu grau de intensidade. A necessidade de uma pessoa para solucionar um problema ou tomar uma decisão está intimamente ou diretamente relacionada com o significado que a tarefa tem para ela. Quando o sistema de necessidade atribui o significado no “querer fazer”, gera uma força energética que torna a pessoa interessada.

ORIENTAÇÃO

A orientação é um componente que dirige a ação do mediado, determinado pelo seu conhecimento sobre o assunto, métodos e estratégias para lidar com o problema. Diz respeito ao “como fazer”, é a dimensão na qual o líder orienta a equipe ou o funcionário a encontrar os caminhos, processos e alternativas que buscam o atingimento dos objetivos e metas. É ser orientado ou possuir conhecimento, habilidades e atitude, necessários para o desempenho da função. Neste sentido, é necessário que o líder desenvolva o olhar da equipe para a complexidade dos projetos, ações, processos, canalizando o potencial dos envolvidos de forma que a inteligência do grupo seja maior que a individual.

Em outras palavras, não basta o funcionário ter capacidade, é preciso fazer com que ele acredite que é capaz. Também ter necessidade ou desejo de fazer parte de algo, mas não ter orientação ou competência é apenas motivação, o que não leva para lugar algum. Por fim, ser orientado ou ter competência, mas não ver sentido no que faz, é apenas comprometimento.

Portanto, é preciso desenvolver nos funcionários o sentimento de capacidade, a necessidade ou desejo de fazer parte e a competência no cumprimento da função, pois só assim teremos a certeza de que o funcionário estará engajado. Percebemos engajamento quando vemos brilho nos olhos da equipe, satisfação em realizar o trabalho.

Assim, um líder entende que uma equipe mediada, engajada e aberta à aprendizagem sabe movimentar-se entre o diálogo e a discussão. Discutir ideias traz a diversidade de propostas, de soluções; traz o pensamento divergente, que instiga o aparecimento de outras possibilidades e, por fim, traz o pensamento convergente, que facilita a tomada de decisão.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 20: 13-16

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V.13 – Observe:

1. Os que se gratificam no seu ócio podem esperar que lhes faltem itens necessários e essenciais, que deveriam ter sido obtidos por meio do trabalho honesto. Ainda que precises dormir (a natureza o exige), não ames o sono, como os que odeiam o trabalho. Não ames o sono, em si mesmo. mas somente como seja apropriado para que possas trabalhar. Não ames o sono, mas lamenta o tempo que é perdido nele, e deseja que possas viver sem ele, para que possas estar sempre envolvido no exercício de algo bom. Nós devemos permitir o sono ao nosso corpo, como os homens o permitem aos seus servos, porque estes não podem evitá-lo, e, não fosse assim, não lhes serviriam para nada. Os que amam o sono provavelmente serão empobrecidos, não somente porque perdem o tempo que usaram com o excesso de sono, mas porque contraem uma disposição apática e descuidada, e permanecem meio adormecidos, jamais estando totalmente despertos.

2. Os que se entusiasmam em seu trabalho podem esperar ter comodidade: abre os teus olhos, desperta-te e livra-te do sono, vê como já vai alto o dia, como o teu trabalho te necessita, e como estão atarefados os que estão à tua volta; e, quando estiveres desperto, olha os teus benefícios, e não percas oportunidades; dedica a tua mente intensamente aos teus negócios, e preocupa-te com eles. É a condição cômoda de um grande benefício: “Abre os teus olhos e te fartarás de pão”; ainda que não enriqueças, terás o suficiente, e isto é tão bom como um banquete.

 

V. 14 – Veja aqui:

1. Os artifícios que usam os homens, para conseguir uma boa barganha e pagar barato pelo que compram. Não somente pechincham com indiferença, como se não tivessem necessidade, não se importassem com a mercadoria, quando, talvez. não consigam passar sem ela (isto pode ser sinal de prudência), mas também denigrem e desvalorizam aquilo que sabem ter valor; clamam, “Nada vale, nada vale; tem este e aquele defeito, ou talvez possa ter; não é bom; e é caro demais: nós poderemos encontrar a mesma coisa, mais barata e melhor, em outro lugar, ou já compramos algo melhor e mais barato”. Este é o seu modo comum de lidar com os seus assuntos e negócios; e, afinal, pode ser que eles saibam que a verdade é o oposto do que afirmam; mas o comprador; que pode pensar que não tem outra maneira de ser justo com o vendedor, elogia de maneira extravagante as suas mercadorias, e justifica o preço que lhes atribui, e assim há erros dos dois lados. Assim sendo, a barganha seria feita igualmente bem, se tanto o comprador como o vendedor fossem modestos e falassem o que pensam.

2. O orgulho e o prazer que os homens obtêm de uma boa barganha, quando a conseguem, ainda que nisto contradigam a si mesmos. e reconheçam que foram dissimulados quando estavam realizando a barganha. Quando o comprador derrota o vendedor, que prefere baixar seu preço a perder um cliente (como muitos comerciantes pobres são forçados a fazer – um pequeno lucro é melhor do que nenhum), então segue o seu caminho, e se vangloria da mercadoria excelente que comprou, pelo preço que ele mesmo estipulou, e interpreta como uma afronta sobre o seu juízo se alguém desprestigia a sua barganha. Talvez ele conhecesse o valor da mercadoria melhor do que o próprio vendedor, e soubesse que grande negócio ele fez. Veja como os homens são propensos a sentir satisfação com suas conquistas, e orgulho de seus truques; ao passo que uma fraude e uma mentira são aquilo de que um homem deveria se envergonhar, ainda que tenha lucrado muito com elas.

 

V. 15 – Os lábios do conhecimento (um bom entendimento, que oriente os lábios, e uma boa elocução, para difundir o conhecimento) devem ser preferidos ao ouro, e pérolas, e rubis, pois:

1. São mais raros, mais difíceis de obter, e menos abundantes. Têm ouro nos bolsos muitos homens que não têm graça no seu coração. Nos tempos de Salomão, havia abundância de ouro (1 Reis 10.21), e abundância de rubis; todos os usavam; eles podiam ser comprados em todas as cidades. Mas a sabedoria é uma coisa rara, uma joia preciosa; poucos a têm de modo a fazer o bem com ela, e ela não pode ser comprada dos comerciantes.

2. Eles nos trazem mais riquezas e mais adornos. Eles nos tornam ricos, com relação a Deus, ricos em boas obras (1 Timóteo 2.9,10). Muitos apreciam o ouro, e um ou dois rubis não lhes adiantarão, eles precisam ter um grande número deles, um armário de joias; mas aquele que tem os lábios do conhecimento despreza estas joias, porque conhece e possui coisas melhores.

 

V. 16 – Aqui são mencionados dois tipos de pessoas, que estão destruindo seus bens, e em breve serão mendigos, e por isto não devemos ser seus fiadores:

1. Aqueles que se fazem fiadores de qualquer pessoa que lhes peça, que se envolvem em garantias impensadas para satisfazer a seus companheiros ociosos. No final, eles fraquejarão, não poderão resistir por muito tempo; estes desperdiçam os seus bens por atacado.

2. Os que se aliam com pessoas abandonadas, que tratam delas, e as cortejam, e lhes fazem companhia. Em pouco tempo, serão mendigos; nunca lhes dê crédito, sem uma boa garantia. Os estranhos têm estranhas maneiras de empobrecer os homens, para enriquecer a si mesmos.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

DO LUTO À LUTA

Um diagnóstico devastador de uma doença sem cura abala qualquer pessoa. Mas alguns casos podem surpreender e contrariar as expectativas dos médicos.

Do luto à luta

 

Essa é uma história de resiliência que mostra como o equilíbrio psicológico é tão importante na vida de todos nós. Quem conversa hoje com a astróloga de 55 anos Denise Medeiros, vivendo a expectativa de lançar um livro, não imagina que ela esteve à beira da morte em 2011. Na verdade, quando começou a escrevê-lo, nem sabia se conseguiria terminá-lo: o diagnóstico de miocardiopatia dilatada (doença progressiva do músculo cardíaco, agravada por um bloqueio total pelo ramo esquerdo) trouxe, na época, a sentença de três meses de vida e muito medo. Mesmo sem cura, depois de quatro cirurgias e muitos processos, Denise vive agora sem os sintomas. Onde o Deserto Encontra o Mar (Autografia) é o registro diário, contado em detalhes, de quem perdeu a saúde e passou a conviver com a antinaturalidade do estar doente. Denise precisou se reencontrar nesse caminho, desde a descoberta da doença até o resultado, passando pela experiência de quase morte e assumindo a montanha-russa de sentimentos que tomaram conta dela: da revolta pelo diagnóstico à aceitação e decisão de lutar pela vida.

“A aceitação do diagnóstico passa por diferentes fases e pode ser comparada ao processo de luto. Uma das teorias mais conhecidas sobre o processo de luto foi desenvolvida por Elizabeth Kübler-Ross, em seu livro Sobre a Morte e o Morrer, que divide o luto em cinco fases: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Ao receber o diagnóstico de uma doença crônica grave, o indivíduo precisa fazer o luto daquele corpo saudável e passar a conviver com as limitações impostas pela nova condição, pois jamais terá o mesmo vigor que tinha até então. Portanto, é comum que o indivíduo flutue entre essas fases, assim como fez Denise, até chegar na aceitação e, a partir daí, se movimentar para se adaptar a uma nova realidade.”

A história real e transformadora de Denise é uma injeção de coragem e faz pensar sobre o quanto o ser humano é capaz de superar desafios, ainda que derradeiros. O importante, no caso de Denise, foi buscar fazer dar certo, aliado ao tratamento adequado e ao acesso a médicos, enfermeiros e outros profissionais determinantes para a guinada na sua condição.

“Não é fácil, nem imediato, mas é preciso estar determinado ao sucesso, mesmo diante daquilo que parece impossível. É aí que um novo universo vai se abrir. Meu envolvimento com esse livro é muito profundo, nasceu dentro de mim em um momento bem diferente do atual. Hoje, a emoção me inunda de tal forma que tenho certeza de que fiz a coisa certa” acredita Denise, alinhada à missão de dividir com pessoas que vivem uma situação difícil o relato de esperanças, vitórias e superação.

“Essa capacidade que Denise demonstrou de lidar com a adversidade e fortalecer-se a partir do seu diagnóstico é denominada de resiliência. Em situações de doença grave, por vezes, o indivíduo pode apresentar elevados sintomas de estresse, deixando o organismo ainda mais suscetível à doença. Apesar de difícil, estar resiliente nesse contexto pode contribuir com a melhora dos sintomas. Muitos fatores pessoais e sociais influenciam na maneira como o indivíduo utiliza seus recursos internos, mas um fator importante é o suporte oriundo do sistema familiar. Atualmente, reconhece-se a necessidade de implementar ações, no contexto de doença crônica, que visem o fortalecimento da resiliência, dados seus benefícios para estes pacientes.

ETAPAS

Em Onde o Deserto Encontra o Mar, o leitor conhece as etapas diversas desse pedaço da vida da autora, incluindo, entre outros, a reação das pessoas e as decisões médicas. Ela aponta, como uma das passagens principais, o estado de ânimo que se instalou nela como fundamental para mudar o destino, encontrar as pessoas certas e chegar a um resultado surpreendente. O livro mostra como Denise decidiu que o que chegasse primeiro, a morte ou a vida, a encontraria preparada. ”A doença foi a minha melhor professora. Nesses sete anos vivi séculos, sou muito grata a ela: “São muitas as pesquisas que destacam o papel positivo da espiritualidade no tratamento de doenças crônicas, como as doenças cardíacas. Vale destacar que espiritualidade se trata da relação do indivíduo com valores, significados e sentidos de vida, enquanto que a religiosidade está ligada à devoção por alguma coisa. Existe um estudo bem importante que avaliou 4.028 indivíduos com cardiopatias congênitas, em 15 países de cinco continentes, e encontrou que a espiritualidade e a religiosidade estavam associadas com maior qualidade devida e satisfação com a vida, além de comportamentos voltados para maior cuidado com a saúde. Essa busca de Denise por uma nova forma de viver, a partir de um diagnóstico tão devastador, foi permeada por recursos da sua espiritualidade, uma vez que ela precisou conectar-se ao sentido de sua vida e ressignificá-la. É comum que a gente viva no piloto automático, sem nos darmos conta do que acreditamos ser o sentido da nossa vida, até nos depararmos com esse tipo de situação: Após ter o seu caso negado em diversos hospitais, foi no Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul que Denise encontrou parceiros na luta por recuperar a sua saúde. A primeira tentativa, um tratamento medicamentoso para insuficiência cardíaca, não conseguiu controlar a progressão da doença e dos seus sintomas. “Era necessário realizar um procedimento que fosse capaz de melhorar a qualidade e expectativa de vida de Denise. Para o seu caso, as possibilidades giravam em torno de um transplante cardíaco ou do implante de um marcapasso ressincronizador’ relembra um dos cirurgiões cardíacos que acompanharam o caso, dr. Roberto Sant’Anna.

Apesar de reverter completamente o quadro da insuficiência cardíaca, o transplante é um procedimento de alto risco que depende da doação de um órgão compatível. Por isso, a escolha dos médicos foi apostar no marcapasso ressincronizador, tecnologia que faz com que o coração funcione de forma sincrônica e assim recupere sua força de contração.

O implante de marcapasso é um procedimento pouco invasivo e pode ser realizado apenas com anestesia local e sedação. A cardiologista que acompanha o caso de Denise, dra. Imarilde Giusti, considera a intervenção um sucesso. “Ela teve uma resposta excelente à terapia de ressincronização cardíaca. Isso, em conjunto com o tratamento clínico, permitiu que a função cardíaca se recuperasse gradualmente.

Hoje os sintomas da insuficiência cardíaca como falta de ar e fraqueza quase não estão mais presentes e a expectativa de vida da Denise é normal. Uma situação completamente diferente da que encontramos quando ela chegou até nós”, diz a especialista.

PSICÓLOGA

Denise também teve atendimentos com uma psicóloga, que foi importante durante todo o tempo de tratamento, desde o descobrimento da doença até nas fases de recuperação de cirurgias e no pós-cirúrgico e lembra que essa profissional foi de suma importância para o seu tratamento. Com isso, percebe-se a importância da assistência psicológica em pacientes com doença crônica, que tem por finalidade minimizar o sofrimento do paciente que apresenta esse diagnóstico e promover a melhoria da qualidade de vida através de intervenções que possam auxiliar os pacientes e seus familiares e profissionais da saúde no enfrentamento da patologia.

Há algum tempo, o psicólogo trabalhava somente nos aspectos relacionados à saúde-doença, ou em instituições que promoviam saúde mental. Hoje se sabe que esse profissional possui uma atuação mais ampliada em diversos setores da saúde, realizando promoção e manutenção da saúde, prevenção e tratamento de doenças. O psicólogo começou a adquirir seu espaço em hospitais, unidades básicas, postos de saúde, dentre outras instituições, sendo figura de extrema importância nesses serviços para suporte a pacientes, familiares e toda equipe de profissionais.

De acordo com a definição do órgão que rege o exercício profissional do psicólogo no Brasil, o psicólogo especialista em Psicologia Hospitalar tem sua função centrada no âmbito de atenção à saúde, atuando em instituições de saúde e realizando atividades como: atendimento psicoterapêutico; grupos psicoterapêuticos; grupos de psicoprofilaxia; atendimentos em ambulatório/ unidade de terapia intensiva; pronto atendimento; enfermaria geral; psicomotricidade no contexto hospitalar; avaliação diagnóstica; psicodiagnóstico; consultoria e interconsultoria, refletindo no número de demandas para esses profissionais, inclusive na área da oncologia (CFP, 2003). Nesse sentido, a Psicologia, atuando em pacientes com doenças crônicas, consiste na área de atuação ampliada que se aplica no acompanhamento psicológico ao paciente com doenças crônicas e a sua família e aos profissionais de saúde envolvidos em seu tratamento, na reabilitação e na fase terminal da doença (se for o caso), utilizando conhecimento educacional, profissional e metodológico proveniente da Psicologia da Saúde. O psicólogo também pode atuar na pesquisa e no estudo de variáveis psicológicas e sociais relevantes para a compreensão da incidência, da recuperação e do tempo de sobrevida após o diagnóstico. Além disso, pode auxilia r na organização de serviços que visem ao atendimento integral do paciente, enfatizando de modo especial a formação e o aprimoramento dos profissionais da saúde envolvidos nas diferentes etapas do tratamento.

APOIO

O papel do psicólogo em doenças crônicas propõe o apoio psicossocial e psicoterapêutico diante do impacto do diagnóstico e de suas consequências. Além disso, mostra a possibilidade de auxílio para melhor enfrentamento e qualidade de vida do doente e de seus familiares, através de um apoio psicossocial no enfrentamento dos efeitos negativos do tratamento contra a doença. Também demandam intervenções psicoterapêuticas especializadas. Além disso, as funções desse profissional devem: favorecer a adaptação dos limites, das mudanças impostas pela doença e da adesão ao tratamento; auxiliar no manejo da dor e do estresse associados à doença e aos procedimentos necessários; auxiliar na tomada de decisões; preparar o paciente para a realização de procedimentos invasivos e dolorosos, e enfrentamento de possíveis consequências dos mesmos; promover melhoria da qualidade de vida através de intervenções que possam auxiliar os pacientes e seus familiares no enfrentamento e na aceitação da realidade; auxiliar na aquisição de novas habilidades ou retomada de habilidades preexistentes; e revisão de valores para o retorno à vida profissional, familiar e social ou para o final da vida.

Sugere-se que o trabalho da equipe multidisciplinar seja pautado no enfoque integral do sujeito, com o intuito de possibilitar a ressignificação da doença e aumentar sua sobrevida. Outra constatação importante é a formação do vínculo que ocorre entre profissionais da saúde e pacientes, visando assegurar a sua adesão às propostas e às orientações combinadas, no sentido de fortalecer sua autonomia, competência e segurança na busca das metas, para que alcancem resultados positivos em sua saúde e, por conseguinte, em sua qualidade de vida. As estratégias utilizadas para se atingir essa condição devem ser inspiradoras para o indivíduo, almejando seu envolvimento no processo. Também é fundamental o respeito à autonomia do educando por parte do educador, evitando o autoritarismo. Quando o vínculo se estabelece, propicia-se mais facilmente a identificação das necessidades de respostas mais apropriadas, ficando facilitado, com isso, o acompanhamento dos indivíduos e das famílias nos diferentes momentos da vida.

Ademais, a equipe multidisciplinar tem papel fundamental na educação de pacientes e familiares, para que tenham um entendimento completo em relação aos efeitos na sua doença. Os objetivos desse processo são ensinar, reforçar, melhorar e avaliar constantemente as habilidades dos pacientes para o autocuidado. Sob esse prisma, o psicólogo é o profissional tecnicamente capacitado para abordar os aspectos emocionais e deve ser membro permanente nas equipes, auxiliando no tratamento e contribuindo, assim, para uma melhor adesão ao processo, fornecendo subsídios para os pacientes enfrentarem as várias mudanças que ocorrerão no estilo de vida.

Do luto à luta. 2

 DOENÇAS CRÔNICAS: DESAFIOS DA ERA CONTEMPORÂNEA

As doenças crônicas se apresentam como um grande desafio da época contemporânea, por ainda serem associadas à dor, ao sofrimento e, muitas vezes, à morte, requerendo tratamentos dolorosos, invasivos e, muitas vezes, mutiladores, que comprometem a qualidade de vida dos indivíduos. Os pacientes precisam lidar com as questões do dia a dia, acrescidas pelas características e necessidades de tratamentos agressivos e longos desse tipo de patologia. A doença crônica pode produzir diversos sintomas. como baixa autoestima, depressão, incertezas sobre o futuro, pânico, tristeza profunda, revolta, angústia, insegurança. Com todo esse sofrimento emocional, os pacientes e seus familiares não conseguem lidar como problema e, muitas vezes, o paciente tem dificuldades de aderir ao tratamento, o que acarreta perdas importantes na qualidade de vida dos indivíduos com esse diagnóstico.

Do luto à luta. 3

MIOCARDIOPATIA DILATADA

Trata-se de uma doença do músculo do coração, que impede o bombeamento eficiente de sangue para o corpo, provocando problemas, como arritmias, coágulos de sangue, e até morte súbita. A miocardiopatia dilatada atinge, especialmente, o ventrículo esquerdo, uma importante câmara de bombeamento do coração. O ventrículo esquerdo fica ampliado e as fibras musculares se esticam ao máximo.

Do luto à luta. 4 

TANATOLOGIA

A psiquiatra suíça Elizabeth Kúbler-Ross (1926-2004) publicou seu livro mais famoso em 1969, com o título “Sobre a Morte e o Morrer. A obra marcou o rumo de seu trabalho, que foi enriquecido, em seguida, por contribuições de especialistas de uma área específica da profissão médica: a tanatologia. No livro. Elizabeth identifica fases nos períodos que antecedem a morte e cria métodos para médicos, enfermeiros e familiares acompanharem e ajudarem um paciente terminal.

OUTROS OLHARES

MONTEIRO LOBATO PARA O SÉCULO XXI

Ao cair em domínio público, os livros do Sítio do Picapau Amarelo incentivam grandes autores infantis brasileiros a recontar as histórias de Narizinho e Emília com uma linguagem politicamente correta.