A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A ESCOLHA DO PARCEIRO

Em geral, a busca é pelo que nos falta e na maioria das vezes fazemos isso de forma inconsciente. O companheiro já chega com o peso de suprir todas as lacunas existentes.

A escolha do párceiro

Afinal, quais são os fatores que determinam a escolha de um parceiro amoroso? Para começar a responder essa indagação, precisamos olhar para a nossa família de origem, pois é de lá que derivam os primeiros exemplos de relacionamento e de identificação com as figuras masculina e feminina.

A família sempre será o ponto de partida para modelos ou contramodelos pessoais. Se admiramos qualidades nos pais ou em outros que fizeram esse papel, provavelmente haverá identificação. O indivíduo passa a desenvolver essas qualidades em si, o que interfere na busca de um parceiro de forma inconsciente, porque vai buscar encontrar os mesmos aspectos no outro.

As heranças familiares estão longe de limitar-se a transferência de bens e dinheiro. É transmitida também, através das gerações, toda uma gama de valores morais, hábitos, cultura e crenças. Durante toda nossa vida, podemos observar e identificar os padrões herdados na convivência com as pessoas. Como em um espelho, o nosso “eu” é refletido pelo outro e as relações de qualquer tipo são oportunidades de reconhecimento dos padrões de comportamento e outros aspectos saudáveis e patológicos. Geralmente os conflitos e problemas relacionais agem como denunciantes dos aspectos mal resolvidos em nossa psique.

Existem duas formas básicas de escolha do parceiro: a escolha por semelhança ou por complementariedade. As semelhanças entre os casais podem ser por idade, escolaridade, origem cultural, área profissional, aspectos físicos, hobbies, entre outros aspectos. De forma geral, a opção por um companheiro com mais semelhanças e afinidades é considerada um facilitador para a harmonia no relacionamento. As relações complementares, ou seja, aquelas em que algumas características da personalidade são bem diferentes entre o casal, têm sua forma específica de funcionamento, e essa escolha revela motivações mais profundas do que podemos imaginar.

O que pode ilustrar esse ponto, é o mito grego de Eco e Narciso. Eco era uma ninfa muito falante que andava pelos bosques. A última palavra tinha sempre que ser a dela. Um dia a deusa Juno procurava pelo marido, desconfiada de que o mesmo se divertia entre as ninfas. Eco resolveu distraí-la enquanto suas amigas se escondiam. Juno percebeu o ardil e, com raiva, lançou uma maldição em Eco. Ela continuaria tendo a última palavra, mas nunca mais a primeira. Eco poderia apenas repetir a última palavra ou frase que escutasse de alguém, impossibilitada assim de comunicar-se de outra forma. Um dia viu Narciso em caçada pelas montanhas e apaixonou-se por ele. Desejava lhe dizer palavras de afeto, mas não podia, só podia repetir o que ele lhe dizia. Narciso tentou conversar com ela em vão, pois somente ouvia de sua boca a última palavra que tinha pronunciado. Desprezou Eco assim como todas as outras ninfas, também atraindo para si uma maldição que o levou a definhar, pois ficou enfeitiçado por sua imagem refletida nas águas de um rio.

Esse mito fala sobre a escolha do parceiro de uma forma muito idealizada, prenhe de características narcísicas acentuadas. Na relação, o outro precisa funcionar como um eco para a manutenção de seu narcisismo, isto é: precisa “refletir” e ecoar sua personalidade. Em maior grau, essa pode ser uma relação de muita desigualdade, na qual o outro sacrifica seus projetos pessoais, desejos e sonhos priorizando os de seu companheiro. Quando existe uma patologia narcísica grave, a relação pode conter abuso e violência física e psicológica.

Sempre tentaremos buscar em um parceiro o que nos falta, e na maioria das vezes faremos isso de forma inconsciente. O companheiro afetivo será designado a suprir todas as lacunas existentes ou resgatar o paraíso perdido das primeiras relações objetais e eliminar o vazio existencial. Deposita-se no parceiro a árdua e difícil tarefa de sanar as mazelas emocionais, resultado de falhas do desenvolvimento e amadurecimento, iniciadas desde o nascimento. A trajetória do desenvolvimento e amadurecimento pode estar contida por vários fatores: doenças físicas e mentais na família, situações de privação afetiva, pobreza extrema, negligência nos cuidados básicos, violência familiar, abuso e dependência de álcool e drogas na família. As figuras materna/paterna introjetadas, e a forma com que foi vivenciada a conflitiva edípica, irão ditar o papel que se espera que o parceiro ocupe na relação e também a maneira como o indivíduo adulto se relaciona com sua família de origem.

Os conflitos gerados decorrentes do relacionamento afetivo são uma boa oportunidade de autoconhecimento. A partir da angústia e dor emocional provocadas pelos problemas de relacionamento, muitas pessoas buscam a psicoterapia e iniciam aí uma grande jornada em busca de si mesmas. O campo relacional é uma ótima oportunidade de individuação.

 

ELAINE CRISTINA SIERVO – é psicóloga. Pós-graduada na área Sistêmica – Psicoterapia de Família e Casal pela PUC- SP. Participa do Núcleo de Psicodinâmica e Estudos Transdisciplinares da SBPA (Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica.) Atuou na área de dependência de álcool e drogas com indivíduos, grupos e famílias.

OUTROS OLHARES

SAPATO DE GEEK

A última excentricidade do Vale do Silício é o tênis de lã merino. E não é que é confortável?

Sapato de Geek

Os empreendedores do Vale do Silício adoram um estilo casual, um visual que os diferencie dos sisudos senhores da velha economia e dê a impressão de que gastam o tempo com coisas mais importantes do que roupas. Moletons com capuz e camisetas cinza fazem parte desse guarda-roupa. Nos pés, já houve o tempo do New Balance e do Crocs. Agora é a vez do Allbirds, um tênis felpudo de linhas minimalistas. Lançado em 2016 por empresários da Nova Zelândia, é feito de lã merino, uma fibra natural de uma raça específica de ovinos. A vantagem, segundo os adeptos, é que o tecido funciona como um isolante térmico, que aquece no inverno e ventila no verão, absorve o suor e minimiza o odor.

De olho nesse mercado, Eduardo Glitz, Pedro Englert, Marcelo Maisonnave e Mateus Schaumloffel investiram 4 milhões de reais para criar, em 2018, a Yuool sigla para young (“jovem”) urban (“urbano”) e wool (“lã”), a versão brasileira do Allbirds. A meta era vender no primeiro ano 1.900 pares. A marca ultrapassou 7.400.

Os quatro sócios trabalharam na XP. Depois de deixarem a gestora de investimento, por questões contratuais, não poderiam investir no setor financeiro. Partiram para uma temporada sabática. “O Marcelo foi morar na Califórnia, o Pedro passou uma temporada no Vale do Silício e eu visitei 42 países em 407 dias. “Fomos ver o que estava rolando no mundo e curtir a vida”, afirma Glitz. Em 2016 começaram a escolher em que investir. Hoje, têm cinco fintechs, a empresa de educação continuada StartSe e a Yuool.

O tecido nobre vem da Itália onde a marca já iniciou uma operação de venda. Para chegar a um bom preço final mesmo com um material nobre, os empreendedores optaram pela verticalização. Eles produzem as peças em Estância Velha (RS) onde fica a sede da empresa e vendem pela internet. “Dessa forma tiramos do caminho os intermediários”, diz Glitz.”Nosso próximo passo será marcar presença nos Estados Unidos e na China. Também colocamos como meta vender 30.000 pares neste ano, entre Brasil e Itália”.

GESTÃO E CARREIRA

PESQUISA MAPEIA CURIOSIDADE NO AMBIENTE DE TRABALHO

 A inovação buscada por tantas empresas tem seu início a partir da curiosidade dos funcionários e como eles se sentem confortáveis para desenvolvê-la. O “Relatório Global de Curiosidade 2018” realizado pela Merck, mapeou como está o nível de curiosidade de 3 mil funcionários em países e empresas diferentes.

Pesquisa mapeia curiosidade no ambiente de trabalho

A motivação da pesquisa veio após um estudo de Harvard com mil líderes sobre o que seria a base para uma cultura inovadora nas empresas e a resposta mais utilizada foi o encorajamento e a recompensa da curiosidade.

Um mapeamento prévio à pesquisa apontou que aqueles muito curiosos, com alto desempenho e maior potencial para inovar têm quatro características distintas que juntas formaram o Índice de Curiosidade, variável entre 0 e 100. “Sensibilidade a privação”, “alegria em explorar”, “tolerância ao estresse” e “abertura para outras ideias” foram os componentes principais.

De acordo com as respostas, o perfil mais curioso de todos os entrevistados é tipicamente um millennial, nascido entre 1982 e 1995, e trabalha no departamento de pesquisa e desenvolvimento de uma grande empresa. A surpresa é em relação a população mais jovem, denominada de Geração Z (nascidos após 1995), que ficou com o título de menos curiosa com um modesto índice de 66,5. Já os mais velhos, apresentaram altos índices em abertura para novas ideias, habilidade que se torna cada vez mais relevante em um mundo onde as mudanças acontecem de maneira mais rápida.

Os millennials se destacaram com as notas mais altas para a curiosidade. Quando destrinchamos por característica, esta geração pontua mais alto em todas, mas as maiores discrepâncias em relação aos demais são em índices maiores de alegria em explorar e em tolerância ao estresse.

Segundo Todd Kashdan, Ph.D., professor na George Mason University e colaborador da pesquisa de curiosidade da Merck, “as pessoas que acreditam que podem lidar com ambientes voláteis, incertos, complexos e ambíguos são mais propensas a obter as melhores posições e serem mais competitivas no mundo das ideias”, afirma.

Quanto ao corte por setor, os mais curiosos estão em empresas de ciência, tecnologia e manufatura, com um índice médio de 70,3. Saúde e serviço público estão abaixo da média da curiosidade.

Outro ponto importante é o tamanho; 37% dos funcionários que trabalham em grandes organizações são altamente curiosos comparado a apenas 20% dos empregados trabalhando em organizações de pequeno porte.

O PAPEL DAS EMPRESAS

Os entrevistados identificaram incentivos ou barreiras da curiosidade em suas organizações. 84% pontuaram que lidam com mais incentivos do que barreiras e os principais elementos para o incentivo são autonomia, responsabilidade e liberdade.

A maioria dos participantes que afirmam ser altamente curiosos no trabalho dizem que recebem oportunidades de tempo e de treinamento necessárias para desenvolver novas ideias.

Já as barreiras para ser mais curioso e explorador são hierarquia, falta de troca e vigilância. 34% dos entrevistados em funções administrativas sentem que os projetos e as iniciativas são ditados pelas lideranças, deixando pouca ou nenhuma oportunidade para a aplicação de ideias próprias.

“A curiosidade não é apenas encontrar novas ideias. É sobre poder lidar com o novo, o complexo. É sobre ser capaz e disposto a continuar, mesmo que o novo traga consigo sentimentos desagradáveis”, disse Carl Naughton, linguista e cientista educacional e um dos consultores da Merck para a elaboração da pesquisa. “Essa é a verdadeira força da Escala Multidimensional de Curiosidade: ela combina todas as peças que você realmente precisa para ser curiosa e funcionar como combustível para a inovação”, pontua.

É necessário que as empresas estejam atentas, já que a habilidade das organizações em inovar está diretamente ligada à sua cultura de curiosidade, pois segundo a pesquisa, 36% da variação total da inovação é explicada pela curiosidade, ou seja, um crescimento de um ponto na curiosidade representa um aumento de 0,68 na inovação.

A pesquisa mostra que as empresas estão no caminho certo; apenas 26% dos entrevistados dizem ter pouca ou nenhuma percepção da curiosidade no trabalho. O interessante é que somente 12% dos participantes acredita que os investimentos nesta área valem a pena.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 22: 17-21

Alimento diário

UMA SÉRIA ATENÇÃO É INCULCADA

 

V. 17 a 21 – Aqui, Salomão modifica seu estilo e sua maneira de falar. Até aqui, desde o princípio do capítulo 10, de modo geral, ele tinha apresentado verdades doutrinárias, e apenas aqui e ali inseria uma palavra de exortação, deixando que fizéssemos a aplicação como quiséssemos; mas aqui, e até o final do capítulo 24, ele dirige as suas palavras ao seu filho, seu aluno, seu leitor, seu ouvinte, falando como a uma pessoa em particular. Até aqui, de modo geral, o seu sentido era contido em um único versículo, mas aqui normalmente ele se estende um pouco mais. Veja como a Sabedoria experimenta vários métodos conosco, para que não nos saciemos com qualquer um deles. Para chamar a nossa atenção e ajudar a nossa aplicação, o método direto é aqui adotado. Os ministros não devem pensar que basta pregar diante de seus ouvintes, mas devem pregar para eles; não é suficiente pregar a eles, em geral, mas devem se dirigir a pessoas, em particular, como aqui: Você: faça isto e aquilo. Aqui temos:

 

I – Uma fervorosa exortação para a obtenção de sabedoria e graça, prestando atenção às palavras dos sábios, tanto as escritas como as pregadas, as palavras dos profetas e sacerdotes, e particularmente àquele conhecimento que Salomão, neste livro, transmite aos homens, sobre o bem e o mal, o pecado e o dever, as recompensas e as punições. A estas palavras, a este conhecimento, devemos inclinar os ouvidos, em humildade e com séria atenção, e aplicar o coração pela fé, e pelo amor, e com intensa consideração. O ouvido não servirá de nada, sem o coração.

 

II – Considere:

1. O peso e a importância das coisas de que Salomão, neste livro, nos dá o conhecimento. Não são coisas triviais, para diversão, nem provérbios jocosos, para serem repetidos como brincadeira, e para passar o tempo. Não. Mas são coisas excelentes, que dizem respeito à glória de Deus, a santidade e a felicidade de nossas almas, o bem-estar da humanidade e de todas as comunidades; são coisas principescas (este é o significado da palavra), apropriadas para serem proferidas por reis, e ouvidas por senados; são coisas que dizem respeito a conselhos e a conhecimento, isto é, sábios conselhos, relativos às mais importantes preocupações; coisas que não somente nos trarão conhecimento, como também nos capacitarão a aconselhar os outros.

2. A clareza da revelação destas coisas, e a designação delas a nós, em particular. Elas são dadas a conhecer, publicamente, para que todos possam ler – claramente, para que a possa ler o que correndo passa – dadas a conhecer hoje mais plenamente do que antes, neste dia de luz e conhecimento – dadas a conhecer neste teu dia. Mas essa luz ainda está convosco por um pouco de tempo; talvez as coisas que neste dia te são dadas a conhecer, se não aproveitas o dia da tua visitação, possam, antes de amanhã, ser ocultas dos teus olhos. Elas são escritas, para maior segurança, e para que possam ser recebidas e mais seguramente transmitidas puras e íntegras à posteridade. Mas o que é enfatizado aqui é o fato de que te serão dadas a conhecer, a ti, e escritas para ti, como se fossem uma carta destinada a ti, pessoalmente. Elas são apropriadas a ti e ao teu caso; podes, neste cristal, ver o teu próprio rosto; elas são destinadas a ti, para que sejam uma regra para ti, e por elas deverás ser julgado. Não podemos dizer, sobre estas coisas: são coisas boas, mas não são nada para nós; não, elas são do maior interesse imaginável para nós.

3. Como isto é agradável para nós, tanto com relação à consolação como à credibilidade.

(1) Se escondermos estas coisas em nossos corações, elas serão muito agradáveis e nos trarão abundante satisfação (v. 18): porque é coisa suave, e será teu constante prazer se as guardares no teu coração; se as digerires e fores governado por elas, e te entregares a elas, como a um molde. A forma da santidade, quando é nela que nos apoiamos, é apenas uma força, sobre um homem, e ele apenas faz uma penitência naquela veste branca; somente os que se submetem à força da santidade, e fazem dela o seu interesse sincero, encontram o prazer dela (Provérbios 2.10).

(2) Se as usarmos em nosso discurso, elas se tornarão muito atraentes, e nos conquistarão uma boa reputação. Elas serão adequadas aos teus lábios. Fala sobre estas coisas, e falarás como tu mesmo, e é adequado que fales, considerando o teu caráter; também terás prazer em falar destas coisas, bem como em pensar nelas.

4. Os benefícios destinados a nós por elas. As coisas excelentes que Deus escreveu para nós não são como as ordens que um senhor dá a seu servo, que visam o benefício do senhor, mas são como as que um mestre dá a seu aluno, todas elas visando o benefício do aluno. Estas coisas devem ser guardadas por nós, pois foram escritas para nós.

(1) Que podemos ter confiança nele, e comunhão com Ele. “Que a tua confiança esteja no Senhor” (v. 19). Não poderemos confiar em Deus, exceto no caminho do dever. Por isto, nosso dever nos é ensinado, para que possamos ter motivos para confiar em Deus. Na verdade, este é um grande dever que devemos aprender, e um dever que é a base de toda religião prática, que é viver uma vida de deleite em Deus e de confiança nele.

(2) Que podemos ter satisfação no nosso próprio juízo: “Para te fazer saber a certeza das palavras de verdade”; para que possas saber o que é verdade, e possas distinguir claramente entre ela e a falsidade, e possas saber com que razões recebes e crês nas verdades de Deus. Observe:

[1] É desejável conhecer, não somente as palavras da verdade, mas a sua certeza, para que a nossa fé possa ser inteligente e racional, e para que possa crescer até uma certeza completa.

[2] A maneira de conhecer a certeza das palavras da verdade é ter consciência do nosso dever; pois, se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina, conhecerá se ela é de Deus (Jó 7.17).

(3) Que podemos ser úteis para os outros, na sua instrução: “Para que possas responder palavras de verdade” aos que te procuram, para te consultar, como um oráculo, ou (como dizem algumas traduções), aos que te buscam, que te empregam como agente ou embaixador, em qualquer assunto. O conhecimento nos é dado, para que façamos o bem com ele, para que outras pessoas possam acender suas velas com a nossa lâmpada, e para que possamos servir a nossa geração, de acordo com a vontade de Deus; e os que se preocupam em guardar os mandamentos de Deus serão mais capacitados para apresentar uma razão para a esperança que há neles.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A INTERNET, UMA ALDEIA DE ÓDIO

As redes sociais acumulam eventos de disseminação da raiva exacerbada na defesa de um posicionamento, mas há uma grande diferença entre posição firme de opinião e manifestação de fúria.

A internet, uma aldeia de ódio

Ao receber o título honoris causa na Universidade de Turim, na Itália, Umberto Eco disse que “o drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”. Para o autor, antes das redes sociais, os “idiotas da aldeia” tinham direito à palavra “em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade”.

Fora de contexto, pode parecer uma atitude elitista, antidemocrática. Mas ele parece fazer referência a atividades como as dos haters, que não só postam e viralizam mensagens de ódio, mas também são conhecidos pela forma rasa com que manejam supostas informações, sem checagem. Duas obras podem nos ajudar nesse panorama. Uma do próprio Eco. Na criação literária O Nome da Rosa há um embate entre os personagens Jorge de Burgos, monge e bibliotecário, e Willian de Baskerville, franciscano: “O riso é a fraqueza, a corrupção, a insipidez de nossa alma”, afirma Jorge de Burgos. O riso seria o contrário da fé. Fé que, no viés do monge, implica atitude constrita e abandono da razão.

Em paralelo, no desabafo em forma de livro Escuta, Zé Ninguém!, Reich descreve a gênese e o modo de ser do Homo normalis e sua comezinha existência pautada pelo rancor, ressentimento, inveja e destrutividade, tanto no plano pessoal, quanto no social. E o falso moralista, o vigia dos usos e costumes, a propagadora das maledicências sobre a vida sexual da  vizinhança. Um protótipo da combinação de frustração afetiva sexual e da necessidade de destruir a vida e a felicidade em quaisquer de suas modulações enquanto busca entregar a sua existência às mãos de uma liderança dominadora.

São irrupções da camada da personalidade portadora do que Reich definiu como impulsos secundários, subjacentes à fachada apresentada socialmente.

Existe diferença entre um posicionamento firme e a raiva e o ódio, a destrtutividade e a negação de qualquer positividade no outro. Há aí, nesse caso, a ação de um mecanismo (inconsciente) em que projetamos no outro toda e qualquer imperfeição que possamos portar, e nos tornamos exemplares. Num plano mais profundo, o “zé ninguém” tenta anular a dor insuportável que a vitalidade no outro, vivida como inalcançável para ele, evoca.

O conceito de frustração afetiva sexual, na obra reichiana, não guarda relação unicamente com o fator quantitativo, não é meramente atividade sexual.

Essa é uma das sementes da radicalização, do exacerbamento verificado nas redes sociais, quando das postagens com ataques a personalidades e nas manifestações político-partidárias de qualquer tribo. Aí, essas redes merecem realmente a adjetivação “esgotosfera”.

Detalhe importante: na obra de Eco mencionada, a biblioteca (simbolizando o conhecimento) termina consumida por um incêndio provocado. O idiota da aldeia vence.

OUTROS OLHARES

APELO COMERCIAL

O movimento de mulheres contra a depilação não é exatamente novidade. A diferença é que a publicidade começa a explorar a nova onda feminista.

Apelo comercial

No disco que a consagrou, easter, que tem entre outras ótimas músicas o hit Because the Night, Patti Smith aparece na capa olhando para a axila sem depilar. O ano era 1978, e a foto do álbum foi provavelmente o auge da repercussão do movimento que começou nos anos 60. De poucos anos para cá, a nova onda feminista voltou a pregar o livre crescimento dos pelos do corpo como ação de liberdade e independência. Entre os dois momentos há uma sensível diferença: o protesto foi incorporado pelo mercado, e campanhas publicitárias começaram a explorar imagens de mulheres com pernas e axilas au naturel.

O barulho mais recente em torno dos pelos femininos foi causado pela Vetements, a irreverente marca francesa queridinha dos fashionistas. No início de fevereiro, a grife lançou uma foto no Instagram para celebrar sua coleção primavera-verão com uma jovem deitada em uma cama, braços levantados e axilas com pelos. Em seu desfile da Semana de Moda de Paris, em setembro, as modelos já haviam se apresentado com as pernas devidamente cabeludas. Lourdes Leon, filha de Madonna, também percorreu no ano passado as passarelas da Semana de Moda de Nova York com as canelas e axilas sem depilar, pela Gypsy Sport.

A marca sueca & Other Stories lançou uma campanha com mulheres fora dos padrões, com cicatrizes, tatuagens e, claro, pelos. Também da Suécia, a Weekday divulga com frequência fotos de modelos com penugem natural. Um anúncio que chamou a atenção foi o de uma marca popular chamada Billie, veja só, de barbeadores – certamente o segmento com maior interesse em que as mulheres se depilem. “Pelos. Todo inundo tem. Até as mulheres”, dizia a peça. O comercial mostrava mulheres com pelos na barriga, nas pernas e até nos dedos dos pés. Sem tabu, com naturalidade. E concluía: “Se algum dia você quiser se depilar, estaremos aqui”.

O mercado apenas acompanha – e lucra com – um comportamento crescente, principalmente entre as millennials. O tumblr Hairy Legs Club exibe fotos e depoimentos de mulheres que escolheram não se depilar. Entre na conta @pitangels no Instagram e você vai ver axilas e mais rutilas cabeludas. No mês passado, Laura Jackson, uma estudante de teatro e ativista americana de 21 anos, lançou o movimento # january nas redes sociais. Junção das palavras january (“janeiro”) e hairy (“peludo”), é uma campanha que encoraja as mulheres a abandonar a cera quente e as sessões de laser. O objetivo, além de divulgar a causa, é arrecadar fundos para a instituição Body Gossip, que ajuda jovens a melhorar a auto- imagem.

Curiosamente, campanhas publicitárias também ajudaram, no início do século 20, a disseminar o ato de depilar-se. Antes da Primeira Guerra Mundial pelos não eram uma questão para a mulher –   nem sequer os faciais. Até a Gillette lançar, em 1915, uma lâmina para mulheres chamada Milady Décolleté, com uma nova mensagem: as axilas precisavam manter a suavidade da pele do rosto. Com o tempo as saias foram encurtando e surgiu o biquíni. Nos anos 50, a depilação já era um hábito entre as mulheres, isso até ter início o movimento feminista dos anos 60. Na década de 70 ficou célebre a expressão 70s bush, que usou a metáfora do arbusto para pregar a libertação feminina.

Dos anos 80 em diante, os biquinis diminuíram de tamanho e a Brazilian wax, depilação genital radical, virou até tema da série Sex and the City. De lá para cá, a pele lisa virou regra, quebrada por eventuais exceções. Em 1999, Julia Roberts foi à premiere do filme Notting Hill com um vestido rosa Vivienne Tam e axilas peludas. Ela só foi comentar o caso no ano passado no talk show Busy Tonight. “Aquilo foi um posicionamento?”, perguntou a apresentadora Busy Phillips. Resposta de Julia: “Não. Eu calculei mal o comprimento das mangas. Não foi um posicionamento, mas parte de um posicionamento como ser humano no planeta Terra”. Simples assim.

GESTÃO E CARREIRA

COMO OS JOVENS LIDAM COM A PRESSÃO NO TRABALHO

Como os jovens lidam com a pressão no trabalho

O mundo corporativo é um lugar competitivo e demanda desafios cada vez maiores. As empresas visam as metas e esperam dos colaboradores esforços para alcançá-las. Logo, os profissionais e aspirantes a vagas devem se preparar para esse cenário. Levando em conta tal cenário, o Nube – Núcleo Brasileiro de Estágios fez uma pesquisa com o seguinte enfoque: “como você convive com a pressão no trabalho?”. O resultado apontou maturidade por parte dos jovens.

O estudo contou com 47.769 pessoas, entre 15 e 29 anos e foi realizado em todo o país. Do total, 44,81%, ou 21.404 participantes disseram: “para mim, é um processo de amadurecimento”. Segundo Everton Santos, analista de treinamento do Nube, ter consciência de todos os afazeres diários e conseguir elaborar um check list será um diferencial. “Isso dá maior flexibilidade e foco nas prioridades, tornando as cobranças mais leves”, explica.

Já 43,49% (20.773) lidam “tranquilamente, pois isso faz parte da vida”. No entanto, é recomendável a dosagem das exigências e ver a forma como elas são feitas. “Despertar a vontade da equipe em atingir o objetivo precisa ser feito com uma gestão centrada no colaborador, por meio de estímulos positivos, os quais alavanquem a motivação. Se há a tentativa de imposição, o time recua e pode adoecer”, esclarece.

Outros 7,66% (3.657) revelaram: “em alguns momentos me estresso”, enquanto 2,42% (1.155) já disseram como fazem para contornar o problema e alegaram: “sempre tento fugir da rotina para dar conta das atividades”. Para esses, ter uma jornada saudável, a qual proporcione qualidade de vida é o principal. “Realizar ações físicas com frequência, ir ao médico para exames periódicos e ter hobbies são formas de inibir ou amenizar o problema”, incentiva Santos.

Por fim, 1,63% (780) enfatizaram: “isso me faz muito mal”. Conhecer as nossas limitações é válido para evitar complicações. É um processo de autoconhecimento entender quais são as preferências, para assim elaborar um plano capaz de satisfazer as demandas pessoais e profissionais. “Ter o diagnóstico após essa reflexão é uma maneira de saber o momento de recuar ou agir, sempre de forma justa com nossos sentimentos”.

Fora isso, a inteligência emocional é imprescindível, mesmo para quem já sabe lidar com pressão. “Em algum momento será preciso gerenciar as emoções para não ter prejuízos, como o desenvolvimento de doenças”, assegura o especialista. Portanto, descansar é muito importante, além de saber delegar tarefas e solicitar ajuda quando necessário.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 22: 13-16

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 13 – Observe:

1. Aos que não amam o trabalho nunca faltarão desculpas para se livrar dele. Multidões são arruinadas, tanto na alma como no corpo, por sua preguiça, e ainda assim têm uma coisa ou outra a dizer em seu favor, tão engenhosos são os homens em enganar as suas próprias almas. E quem sairá ganhando no final, quando os pretextos forem todos rejeitados, como sendo vãos e frívolos?

2. Muitos fogem de trabalhos reais, assustados por dificuldades imaginárias: o preguiçoso tem trabalho para fazer nos campos, mas imagina que há um leão ali; na verdade, ele finge que não ousa sair pelas ruas, por temer que um ou outro o encontre e mate. Na verdade, ele não pensa isto, ele apenas diz isto aos que o convocam. Ele fala de um leão que está lá fora, mas não considera o perigo real do diabo, esse leão que ruge, que está na cama com ele, e o perigo da sua própria preguiça, que o mata.

 

V. 14 – Isto tenciona advertir todos os jovens sobre os desejos da impureza. Quando considerarem o bem-estar de suas almas, que tomem cuidado com mulheres estranhas, mulheres libertinas, às quais eles devem ser estranhos, e que tomem cuidado com a boca da mulher estranha, com os beijos dos seus lábios (Provérbios 7.13), com as palavras dos seus lábios, seus encantos e suas seduções. Tema-os; não tenhas nada a ver com eles, pois:

1. Os que se entregam a este pecado provam que são abandonados por Deus: é uma cova profunda, em que caem os que são abominados pelo Senhor, pois Ele os deixa à sua própria sorte, para entrar nessa tentação, e remove o freio da sua graça restritiva, para puni-los por outros pecados. Não valorizes o fato de que tens graça com estas mulheres, quando isto te coloca sob a ira de Deus.

2. É raro que eles se recuperem, pois é uma cova profunda: será difícil sair dela, pois ela confunde a mente e engana a consciência, ao agradar a carne.

 

V. 15 – Aqui temos duas considerações muito tristes:

1. A de que a corrupção está entretecida com a nossa natureza. O pecado é estultícia, é tolice; ele é contrário, tanto à nossa razão justa como aos nossos interesses. Ela está no coração; há uma inclinação interior ao pecado, para falar e agir tolamente. Ela está no coração dos filhos; eles a trazem consigo ao mundo; é aquilo de que eles foram formados, e em que foram concebidos. Não somente é encontrada ali, como está presa ali; está anexada ao coração (segundo alguns); as disposições malévolas se apegam fortemente à alma, presas a ela como o broto ao caule ao qual está enxertado, alterando significativa­ mente a propriedade. Há um nó entre a alma e o pecado, um verdadeiro nó de amor; os dois se tornam uma só carne. Isto é verdade, a nosso respeito, a respeito de nossos filhos, aos quais geramos à nossa semelhança. Ó Deus! Tu conheces esta tolice.

2. A de que a correção é necessária para a cura desta tolice. Ela não será eliminada por meios gentis; deve haver rigidez e severidade, e isto causará tristeza. Os filhos precisam ser corrigidos, e mantidos sob disciplina por seus pais; e todos nós precisamos ser corrigidos pelo nosso Pai celestial (Hebreus 12.6,7), e na correção, devemos golpear a tolice e beijar a vara.

 

V. 16 – Isto mostra os maus caminhos que os ricos tomam, às vezes, pelos quais, no final, ficarão empobrecidos, pois provocam a Deus para que Ele os leve à necessidade, apesar de sua abundância atual; eles oprimem os pobres para engrandecerem a si mesmos.

1. Eles não ajudam nem socorrem ao pobre, em caridade, mas retêm dele o alívio, de modo que, economizando aquilo que é real­ mente o melhor, mas que eles pensam que é a parte mais desnecessária de seus gastos, aumentam as suas riquezas; mas em contrapartida farão presentes aos ricos, e os receberão, seja com orgulho e vanglória, para que possam parecer nobres e grandiosos, ou, como política, para que possam recebê-lo novamente e com vantagens. Estes certamente virão a passar necessidades. Muito s chegaram à mendicância por uma tola generosidade, mas nunca por uma caridade prudente. Assim Cristo nos ordena que convidemos os pobres (Lucas 14.12,13).

2. Não somente não auxiliam os pobres, como os oprimem, lhes roubam o abrigo, extorquem seus pobres lavradores e vizinhos, invadem os direitos dos que não têm como se defender, e então dão subornos aos ricos, para protegê-los e incentivá-los. Mas é tudo em vão; todos empobrecerão e passarão necessidades. Os que roubam a Deus, e assim fazem dele seu inimigo, não podem se proteger, dando aos ricos, para torná-los seus amigos.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CONHECER A SI MESMO

Quem desenvolve o autoconhecimento possui uma visão clara de suas aptidões, capacidades e fraquezas e cria estratégias para lidar com suas características positivas e negativas.

Conhecer a si mesmo

É possível observar nos dias de hoje, em algumas ruínas de templos, teatros e estádios originários da Grécia Antiga, resquícios da inscrição original do Oráculo de Delfos. Segundo arqueólogos, essa inscrição tinha o objetivo de lembrar ao cidadão grego a importância do autoconhecimento, por isso a inscrição vigorava nos locais públicos mais importantes das cidades – estado gregas. Conhecer a si mesmo não significa descobrir segredos profundos e\ou motivações inconscientes. Autoconhecimento significa desenvolver uma compreensão sincera e honesta sobre você mesmo (conhecer forças e fraquezas, administrando as mesmas adequadamente). Envolve procurar respostas para uma das questões humanas mais difíceis e fundamentais: “Quem sou eu?” A Psicologia Positiva possui uma série de instrumentos e técnicas que pode auxiliar o indivíduo a responder essa questão fundamental. Esta disciplina dispõe de vários instrumentos para ajudar na jornada em busca do autoconhecimento, como por exemplo exercícios com o objetivo de identificar forças (talentos, pontos fortes, forças de caráter, habilidades), características de personalidade, valores, bem como pontos fracos. Identificar e manejar crenças autolimitadoras e apoiadoras, desenvolver o engajamento, encontrando e vivendo em harmonia com sua proposta de vida (ou significado). Além disso, a Psicologia Positiva incentiva o conhecimento de sua singularidade e respeito a essa, o que significa focalizar no que se é em vez de se comparar e preocupar-se constantemente com os outros.

Depois de identificar e trabalhar valores, crenças, virtudes e forças, o indivíduo estará pronto para responder à pergunta: “O que vou fazer com minha vida?” Isto é, pode, a partir daí, estabelecer e alcançar metas que possam melhorar sua qualidade de vida e desempenho em diversas aspectos.

A terapia positiva constitui uma proposta de prevenção secundária e possui diferenciais em relação às outras modalidades terapêuticas. Em primeiro lugar, as terapias positivas (como a terapia da esperança, a terapia focada em metas e a terapia cognitiva-comportamental positiva) trabalham com o foco nas metas e não nos problemas e queixas do cliente.

Em segundo lugar, as terapias positivas mapeiam e desenvolvem as forças, enfatizando o lado saudável e funcional do indivíduo. Por mais doente que uma pessoa possa estar, sempre terá um lado saudável e pelo menos algum aspecto da vida que esteja minimamente funcional.

A orientação positiva incentiva e desenvolve o autoconhecimento e a autogestão, uma vez que estimula a responsabilidade pessoal no conduzir da vida, levando o indivíduo a mapear e lidar com suas características (positivas e negativas). As terapias positivas reconhecem que os traços positivos e os comportamentos adaptativos servem como fatores protetores contra estressores e dificuldades futuras, funcionando assim como prevenção primária de problemas. Dessa maneira, ao tomar conhecimento dos aspectos positivos e funcionais, os indivíduos podem lidar melhor com seus problemas e dificuldades. À medida que desenvolve o autoconhecimento, a satisfação com a vida aumenta consideravelmente. O autoconhecimento ajuda o indivíduo a alcançar muitos benefícios, como: a satisfação com a vida dispara; uma maior propensão a alcançar metas pessoais e profissionais; reconhecer situações e oportunidades benéficas, tanto na vida pessoal quanto profissional. Identifica e maneja as tendências limitadoras (como, por exemplo, de pontos fracos, crenças autolimitadoras, traços de personalidade negativos, entre outros); diminui danos; gera conhecimento do que se quer (metas) e das estratégias de como alcançá-lo.

O autoconhecimento pode ser explorado na prática. Por exemplo, a pessoa que conhece seus talentos, pontos fortes, força de caráter e pontos fracos pode escolher trabalhos que tenham relação com esse perfil. Assim, maximiza as chances de sucesso e realização. Aqueles que reconhecem seus valores, em geral, fazem escolhas que os levam a decisões acertadas e mais felizes a médio e longo prazo.

O autoconhecimento pode também aumentar a intensidade e frequência de emoções positivas, aumentando o bem-estar e a satisfação.

Além disso, o autoconhecimento ajuda o indivíduo na busca de um sentido ou propósito de vida, e, de acordo com as pesquisas em Psicologia Positiva, pessoas que conhecem o significado ou propósito de sua vida são mais resilientes e conseguem lidar melhor com as adversidades e crises.

Os relacionamentos profundos podem potencializar a felicidade, e, para isso, o autoconhecimento é fundamental, pois auxilia na descoberta de pessoas com as quais podemos estabelecer relações profundas e significativas. Vale lembrar que esse tipo de relacionamento não se limita aos relacionamentos de sangue, como prega parte da cultura ocidental. Momentos psicológicos de pico muitas vezes envolvem importantes conexões humanas profundas.

Portanto, podemos concluir que o autoconhecimento oferece ao indivíduo a proposta de uma vida com mais significado, com metas reais que podem ser alcançadas e uma vida mais funcional e feliz. E hoje os consultórios estão repletos de pessoas que buscam encontrar propósito e felicidade em sua vida, seja em qualquer abordagem terapêutica.

 

PROFª. DRA. MÔNICA PORTELLA: Diretora científica e de cursos de extensão do CPAF-RJ e do PSI+. Pós Doutora em Psicologia pela PUC-RJ. Doutora em Psicologia Social pela UFRJ. Professora e supervisora da Pós-Graduação em Psicologia Positiva Aplicada a Saúde. Negócios e Educação e Terapia cognitivo comportamental Autora de livros e artigos na área.  CRP: 05\22229. site: http://www.psimasi.com.br

OUTROS OLHARES

QUEM MANDA É VOCÊ

A presença de produções da Netflix no Oscar consagra a ascensão do streaming rumo ao tapo do mercado de entretenimento – uma revolução cuja força motriz é a vontade do espectador.

Quem manda é você

Por uma década, o cineasta Alfonso Cuarón cultivou o desejo de fazer um longa-metragem inspirado em suas reminiscências de infância na Cidade do México nos anos 70. Com suas refinadas imagens em preto e branco, o projeto era grandioso – e talhado, imaginava o diretor do premiado Gravidade (2013), para a tela gigante do cinema. Quando enfim conseguiu realizar Roma, porém, seu criador foi tentado a rever os próprios conceitos. Além dos estúdios tradicionais, um expoente notório do novo mundo do entretenimento digital candidatou-se a abraçar a empreitada. Por 20 milhões de dólares, a Netflix garantiu os direitos de distribuição de Roma – pavimentando, assim, o caminho para vencer ferozes resistências à entrada da empresa no mercado das superproduções do cinema. Sua chegada tem implicações não só comerciais, mas existenciais: como uma plataforma de séries e filmes para ver nas comezinhas telas da TV, do tablet ou do celular ousaria competir com adita grande arte cinematográfica? Pois ousou – e levou a melhor.

Neste domingo 24, Roma conquistou não as estatuetas principais do Oscar, a Netflix já venceu. As quinze indicações da plataforma – além das dez de Roma, são três para o faroeste The Ballad of Buster Scruggs dos irmãos Joel e Ethan Coen, uma para O A Partida Final e outra para Absorvendo o Tabu, ambos na categoria documentário de curta-metragem – constituem um triunfo não apenas da Netflix. É a locomotiva (ou melhor: o trem-bala) da história que passa atropelando as forças que dominaram o entretenimento por décadas. O advento dos serviços de vídeo por streaming ou sob demanda abalou, de uma tacada, a lógica das indústrias da TV e do cinema, da produção à veiculação de suas obras, do modo como são consumidas à capacidade de diagnosticar os gostos do público. O streaming, com a Netflix à frente, pôs abaixo antigas convenções da televisão, derrubando a ditadura da grade de programação e abrindo espaço à oferta ilimitada de atrações.

No lado do cinema, seu trunfo não é menos extraordinário: agora, qualquer filme, não só as megaproduções de Hollywood para adolescentes, pode dispor de uma vitrine em escala global. O fator que seduziu Cuarón foi a possibilidade de Roma, uma obra tão intimista, atingir os 139 milhões de assinantes da Netflix ao redor do planeta. O acordo garantiu que seu longa­ metragem ganhasse exibição nas salas convencionais antes de chegar ao streaming. Diante dos que ainda teimam em denunciar sua suposta “rendição”, ele resumiu a questão: “Quantos cinemas exibiriam um filme mexicano, em preto e branco, falado em espanhol e mix­ teco (dialeto indígena) – e sem grandes estrelas?”.

Nos Estados Unidos, onde a revolução se encontra em estágio mais avançado, as mudanças são avassaladoras. Entre 2017 e 2018, milhões de americanos abandonaram a até então inabalável TV a cabo em favor dos serviços de streaming. Segundo estudo recém­ lançado da Nielsen, já são 16 milhões de domicílios sem cabo por lá – ou 14% do total. Enquanto isso, a Netflix dispõe de quase 59 milhões de assinantes. No Brasil, a tendência vai se repetindo. Pesquisa inédita da Kantar Ibope Media revela que o número de pessoas que acessam plataformas de streaming ou serviços sob demanda (como o NOW) sextuplicou, indo de 5% dos espectadores nas principais regiões metropolitanas, em 2014, para 32%, em 2018.

É ingênuo supor que o streaming vai matar a TV tradicional. A mesma pesquisa do Kantar Ibope Media revela que o poderio dela está longe de ser ameaçado: o brasileiro vê, em média, seis horas e

28 minutos de televisão por dia, contra duas horas e 35 minutos devotados aos serviços de streaming – note bem – em uma semana inteira. Quando se olha com lupa, contudo, verifica-se que a Netflix e afins têm uma avenida desimpedida adiante. Nas classes A e B, em que o acesso às smart TVs e assinaturas desses serviços é mais disseminado, a vantagem dos canais estabelecidos já não é tão significativa, de acordo com outra métrica do Ibope: 51% das pessoas viram programas por streaming ou sob demanda nos últimos trinta dias, contra 83% que prestigiaram a TV aberta. Já a TV paga surge como a maior prejudicada. No Brasil, houve uma queda de 550.000 assinaturas entre 2017 e 2018, segundo a Anatel. Como resposta, canais como HBO e Fox investem em plataformas próprias de streaming. E, para não perderem mais terreno, as operadoras se aliam ao inimigo: NET e Claro acabam de anunciar pacotes em parceria com a Netflix. Empresa que disponibiliza o serviço sob demanda NOW, a NET não descarta transformar sua conhecida ferramenta em uma plataforma independente de TV. “Queremos levar o conteúdo aos clientes de forma mais prática. Se eles buscam isso, cabe a nós atendê-los”, diz o diretor de marketing Márcio Carvalho.

A Netflix não divulga nem confirma seus números – fazendo jus à sua fama de ”caixa-preta”. Mas há consenso entre fontes especializadas de que a plataforma soma em torno de 8 milhões de assinantes no país. Um sinal que corrobora aquilo que não se pode aferir nas estatísticas está nos ônibus e metrôs, onde sempre se veem pessoas curtindo filmes e séries no celular. “Até há alguns anos, o único espaço para ver TV era dentro de casa. Agora, acontece em qualquer lugar”, diz Melissa Vogel, CEO da Kantar Ibope. As plataformas de streaming não criaram, mas provocaram uma expansão exponencial das “novas telas”. Segundo a Com­ score, empresa que mede o fluxo dedados na internet, quase 33 milhões de brasileiros viram atrações na Netflix pelo celular só em dezembro passado. A Globoplay, que vem na segunda posição, alcançou 14 milhões de pessoas.

No alto escalão de Hollywood, há uma corrida ao ouro do streaming, processo que dos, com orçamentos de 20 milhões a 200 milhões de dólares, noventa filmes originais. Só para efeito de comparação: o gigante Disney, o estúdio mais lucrativo de Hollywood, tem onze títulos anunciados para os cinemas em 2019.

A gastança levanta em certos segmentos a desconfiança de que, assim como ocorreu com a explosão da internet, no início dos anos 2000, o streaming vive uma bolha peculiar –   estimulada com galhardia pela Netflix. ”A bolha ainda está em formação. Em algum momento, com tantas plataformas, a pessoa vai olhar a fatura do cartão de crédito e pensar: por que estou pagando por tudo isso?”, diz Paul C. Hardart, professor de entretenimento e tecnologia na Universidade de Nova York. A suspeita de que esse dia fatalmente chegará é, por paradoxal que pareça, um impulso que leva a Netflix agastar em ritmo acelerado –   até agora, com a aprovação entusiasmada dos investidores em suas ações, apesar de carregar uma dívida estimada em 8,5 bilhões de dólares. De olho na lição de outros gigantes digitais, como Google e Facebook, ela sabe que precisa perenizar sua liderança hoje inconteste para continuar reinando no futuro. Possuir um catálogo próprio imbatível e controlar a cadeia de produção é essencial para atingir esse feito.

Há quem diga – e a Netflix nitidamente aposta nisso – que a teoria da bolha não teria efeito em um mercado cuja lógica põe em xeque tantas verdades estabelecidas da indústria da TV e do cinema. A diluição dos custos proporcionada pela escala global do streaming, bem como a segurança de que haverá plateias até para produções voltadas para os nichos mais peculiares, favorece a agressiva política de lançamentos da Netflix. Seu chefe criativo, Ted Sarandos, tem vinte times com carta branca para torrar dinheiro nos projetos que quiserem.

A fome de produzir é a força, mas também o calcanhar de aquiles da Netflix: com tantos tiros para todos os lados, seu padrão de qualidade nem sempre condiz com a propaganda. Para cada Roma capaz de seduzir a academia do Oscar, há uma enxurrada de séries e filmes irrelevantes chegando ao serviço toda semana, muitas vezes jogados a esmo no catálogo. “É uma tática que vai na contramão da estratégia da HBO – que, embora tenha sido destronada do posto de estrela-guia da TV pela Netflix, possui algo que a rival ainda não conseguiu alcançar: fenômenos culturais do porte de Familia Soprano ou Game of Thrones. Ou, ainda, da concorrente que hoje se revela mais bem posicionada para espezinhar sua vida: a Amazon, com seu Prime Vídeo. Devagarinho, como quem não quer nada, a potência do varejo on-line vai compondo um catálogo forte de séries e filmes originais, com o selo de qualidade de seu estúdio. Jeff Bezos já confessou o desejo de que sua empresa crie o próximo Game of Thrones. Ao investir 250 milhões de dólares nos direitos para uma série de O Senhor dos Anéis, corre o risco de conseguir.

Há, por fim, outro belíssimo motivo para a Netflix não diminuir seu ritmo: de todos os lados, existe gente disposta a tirar um naco do streaming. “Temos absoluta convicção de que esse não será um jogo de um só ganhador. Haverá múltiplos serviços disputando a atenção de milhões de pessoas pelo mundo que procuram quantidade e variedade. Estamos nos primeiros dias do fenômeno”, disse Tim Leslie, VP da Amazon Prime Vídeo International. Canais e grandes estúdios correndo atrás do prejuízo estão de olho na nova seara. A estreia da plataforma da Disney, neste ano, é o lance mais aguardado.

A Netflix enfrenta ainda uma batalha peculiar. Na busca por assinantes em qualquer canto do planeta, a companhia realizou o feito de ser a primeira força do entretenimento genuinamente global. Não só disponibiliza títulos em dezenas de línguas – do Brasil à Coreia do Sul – como investe pesado em produções locais. Isso a expõe a mais um desafio: a necessidade de brigar com competidores regionais. ”A Netflix tem de disputar com empresas dos 190 países em que atua”, diz David Lieberman, da The New School, de Nova York. Lieberman cita o caso do Eros Now, plataforma da Índia que ostenta 100 milhões de assinantes, amparada no catálogo robusto de Bollywood. “São empresas que dominam o próprio mercado e entendem os gostos daquele povo.” No caso do Brasil, esse lugar é ocupado pelo Globoplay. Mais que a Amazon ou qualquer outra estrangeira, o filhote no streaming da Globo se revela a maior rival da Netflix por aqui – com a ressalva de que uma fatia crucial de sua audiência vem de conteúdo gratuito, não de assinaturas. ”Ainda não somos nem metade do que queremos ser, mas tivemos grande crescimento com séries como The Good Doctor e, agora, o BBB’: diz João Mesquita, CEO do Globoplay.

As câmeras 24 horas do BBB, forte do serviço da Globo no momento, amparam-se nas transmissões ao vivo. Estas costumavam ser exclusividade da TV convencional. Não mais: a Amazon já entrou nesse filão no exterior. E há intensas movimentações em uma fonte lucrativa da TV ao vivo: a programação esportiva. Desde o início deste ano, a hegemonia dos tradicionais canais de esportes foi posta à prova com a entrada de novos concorrentes, em sua maioria ancorados em dinheiro de fora do Brasil. O Facebook adquiriu os direitos de campeonatos de futebol como a Liga dos Campeões da Europa e a Libertadores. E a plataforma DAZN, que se vende como a “Netflix do esporte” e opera em vários países, acaba de chegar ao Brasil. Ao custo estimado de 44 reais mensais, os usuários poderão assistir à Copa Sul-Americana e aos campeonatos francês e italiano. No disputadíssimo jogo do streaming, o telespectador sai ganhando.

 

GESTÃO E CARREIRA

A IMPORTÂNCIA DA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NA LIDERANÇA

Inteligência emocional recentemente se tornou um tema muito falado em termos de características de liderança. Uma coisa que sabemos com certeza é que é uma característica que pode ser medida e desenvolvida. Mas o que exatamente é e como isso influencia o conceito de liderança como o conhecemos hoje?

A importância da inteligência emocional na liderança

A inteligência emocional tem a ver com a capacidade de reconhecer e controlar suas próprias emoções, ao mesmo tempo em que as aproveita adequadamente para obter a melhor reação possível, conforme as situações determinam. Também tem a ver com a consciência e a sensibilidade em relação às emoções dos outros.

Portanto, é uma característica importante para qualquer pessoa em qualquer nível de uma organização, mas é particularmente importante para aqueles que ocupam cargos de liderança. A inteligência emocional de um líder pode ter ampla influência sobre seus relacionamentos, como eles gerenciam suas equipes e como eles interagem com os indivíduos no local de trabalho.

O QUE É INTELIGÊNCIA EMOCIONAL?

Inteligência emocional ou IE é a capacidade de entender e gerenciar suas próprias emoções e as das pessoas ao seu redor. Pessoas com alto grau de inteligência emocional sabem o que estão sentindo, o que significam suas emoções e como essas emoções podem afetar outras pessoas.

Para os líderes, ter inteligência emocional é vital para o sucesso. Pense nisso: quem tem mais chances de conseguir levar a organização adiante – um líder que grita com a equipe quando está estressado, ou alguém que mantém o controle de suas emoções e de outras pessoas, e calmamente avalia a situação?

A definição original, criada pelos estudiosos Salovey e Mayer (1990), é: inteligência emocional (IE) refere-se à coleção de habilidades usadas para identificar, compreender, controlar e avaliar as emoções de si e dos outros. De acordo com Daniel Goleman, um psicólogo americano que ajudou a popularizar a inteligência emocional, existem cinco elementos-chave para isso:

1. autoconsciência;

2. auto-regulação;

3. motivação;

4. empatia;

5. habilidades sociais.

Quanto mais um líder gerencia cada uma dessas áreas, maior sua inteligência emocional. Saiba mais sobre cada um desses elementos.

AUTO-CONSCIÊNCIA

Se você é autoconsciente, você sempre sabe como se sente e sabe como suas emoções e suas ações podem afetar as pessoas ao seu redor.

Ser autoconsciente quando você está em uma posição de liderança também significa ter uma imagem clara de seus pontos fortes e fracos, e isso significa se comportar com humildade.

AUTO-REGULAÇÃO

Líderes que se regulam efetivamente, raramente atacam verbalmente as outras pessoas, tomam decisões precipitadas ou emocionais, estereotipam as pessoas ou comprometem seus valores.

A auto-regulação é tudo sobre manter o controle de suas emoções e como elas afetam os outros. Esse elemento de inteligência emocional, de acordo com Goleman, também cobre a flexibilidade e o compromisso de um líder com a responsabilidade pessoal.

MOTIVAÇÃO

Líderes auto-motivados trabalham consistentemente em direção aos seus objetivos, motivam seus colaboradores e têm padrões extremamente altos para a qualidade de seu trabalho.

Eles desenvolvem uma conexão emocional saudável com os resultados que buscam de seus esforços, aproveitando-os para levá-los adiante sem serem obsessivos.

EMPATIA

Para os líderes, ter empatia é fundamental para gerenciar uma equipe ou organização de sucesso. Líderes com empatia têm a capacidade de se colocar na situação de outra pessoa.

Eles ajudam a desenvolver os profissionais em seu time, desafiam outras pessoas que estão agindo de forma injusta, dão feedback construtivo e ouvem aqueles que precisam. Esses líderes muitas vezes inspiram seus colaboradores a superar suas expectativas.

HABILIDADES SOCIAIS

Líderes que se saem bem no elemento de habilidades sociais da inteligência emocional são ótimos comunicadores. Eles estão tão abertos a ouvir notícias ruins, quanto boas, o que aumenta a confiança dos colaboradores, e eles são especialistas em conseguir que sua equipe os apoie e se empolgue com uma nova missão ou projeto.

Gestores que possuem boas habilidades sociais também são bons em administrar mudanças e resolver conflitos. Eles raramente ficam satisfeitos em deixar as coisas como estão, mas não se acomodam e fazem todo mundo fazer o trabalho: elas dão um exemplo de como as coisas devem ser feitas com seu próprio comportamento.

O QUE ACONTECE QUANDO OS LÍDERES SÃO EMOCIONALMENTE INTELIGENTES?

Líderes que são emocionalmente inteligentes adotam ambientes seguros, onde os colaboradores se sentem confortáveis ​​para assumir riscos calculados, sugerir ideias e expressar suas opiniões. Em ambientes seguros, trabalhar de forma colaborativa não é apenas um objetivo, mas se insere na cultura organizacional como um todo.

Quando um gestor possui inteligência emocional, ele pode aproveitar as emoções para o bem da organização. Os líderes muitas vezes precisam atuar como agentes de mudança e, se estiverem cientes de como os outros reagirão emocionalmente às mudanças, poderão antecipar isso e planejar as formas mais apropriadas de introduzi-los e realizá-los.

Além disso, eles não tomam as coisas pessoalmente e são capazes de seguir em frente com os planos sem se preocupar com o impacto sobre seus egos. Conflitos pessoais entre líderes e colaboradores são um dos obstáculos mais comuns à produtividade em muitos locais de trabalho.

O QUE ACONTECE QUANDO OS LÍDERES NÃO SÃO EMOCIONALMENTE INTELIGENTES?

A maioria dos líderes frequentemente enfrenta situações estressantes. Líderes com baixa inteligência emocional tendem a atuar em situações estressantes porque não são capazes de controlar seus próprios sentimentos. Eles também costumam ser muito propensos a comportamentos como gritar, culpar e ser passivo agressivo com outras pessoas.

Isso pode criar um ambiente ainda mais estressante, onde os colaboradores estão sempre preocupados, tentando evitar que a próxima explosão aconteça. Isso geralmente tem efeitos desastrosos na produtividade e na coesão da equipe, porque os profissionais ficam muito distraídos com esse medo para se concentrar no trabalho e no vínculo.

Não ser emocionalmente inteligente dificulta a colaboração dentro da organização. Quando um líder não tem controle sobre suas próprias emoções e reage inadequadamente, a maioria de seus colaboradores tende a se sentir nervosos em contribuir com suas ideias e sugestões, por medo de como o líder reagirá.

No entanto, um líder que não tem inteligência emocional não necessariamente ataca seus colaboradores. Não ser emocionalmente inteligente também pode significar uma incapacidade de lidar com situações que podem ser carregadas de emoção. A maioria dos gestores lida com conflitos, e um líder que não esteja informado sobre as emoções dos colaboradores, muitas vezes, terá dificuldade em reconhecer o motivo da briga e lidar com a resolução dela.

Líderes que possuem inteligência emocional geram diversos benefícios para a equipe e para a empresa em geral.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 22: 9-12

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 9 – Aqui temos:

1. A descrição de um homem caridoso; ele tem olhos bons. em oposição aos olhos malignos (Provérbios 23.6). A mesma virtude é enfatizada em Mateus 6.22 – um olho que busca objetos de caridade, além dos que se oferecem – um olho que, ao ver alguém em necessidade e miséria, se comove com compaixão – um olho que, com as esmolas, dirige um olhar agradável, o que torna a es­ mola duplamente aceitável. Ele tem também uma mão generosa: ele dá do seu pão aos que têm necessidade – o seu pão, o pão reservado para que ele o comesse. Ele preferirá reduzir o que tem para comer, a ver o pobre perecer por necessidade; no entanto, ele não dá todo o seu pão, mas dá do seu pão; o pobre terá a sua porção com a sua própria família.

2. A bem-aventurança de um homem como este. O pobre o abençoará, todos ao seu redor falarão bem dele, e o próprio Deus o abençoará, em resposta a muitas boas orações que serão feitas por ele, e ele será abençoado.

 

V. 10 – Veja aqui:

1. O que faz o escarnecedor. Aqui está sugerido que ele semeia a discórdia e faz perversidade onde quer que vá. Grande parte da luta e da contenda que perturbam a paz de todas as sociedades é devida ao mau intérprete (como entendem alguns), que atribui a tudo o pior significado, aos que desprezam e ridicularizam todos os que surgem em seu caminho e se orgulha de desafiar e maltratar toda a humanidade.

2. O que deve ser feito com o escarnecedor que não se recuperar: ele deve ser expulso da sua sociedade, como Ismael, que quando zombou de !saque, foi lançado fora da família de Abraão. Os que desejam assegurar a paz devem excluir o escarnecedor.

 

V. 11 – Aqui temos:

1. A qualificação de uma pessoa perfeita, alguém completamente bem educado, adequado a ser empregado em tarefas públicas. Deve ser um homem honesto, que ama a pureza de coração e odeia toda impureza, alguém não somente puro e livre de todos os desejos carnais pecaminosos, mas também de todo engano e dissimulação, de todo egoísmo e de todos os desejos sinistros, alguém que se preocupa em se aprovar como um homem sincero, um homem que é justo e reto por princípio, e em nada se alegra mais do que em conservar a sua própria consciência limpa e sem pecado. Ele também deve ser capaz de falar com graça, sem lisonjear mas transmitir seus sentimentos de maneira decente e habilidosa, em linguajar limpo e suave, como seu espírito.

2. A honra que este homem tem: o rei, se for sábio e bom, e entender os seus interesses e os do seu povo, será seu amigo, e o incluirá no seu conselho, como houve uma pessoa na corte de Davi, e outra na de Salomão, que era chamada de amigo do rei. Ou, em qualquer atividade que tenha, o rei será seu amigo. Alguns entendem que a reverência é ao Rei dos reis. Um homem em cujo espírito não há maldade, e cujas palavras sempre têm graça, Deus será seu amigo, o Messias. o Príncipe, será seu amigo. Esta honra tem todos os santos.

 

V. 12 – Aqui temos:

1. O cuidado especial que Deus tem em preservar o conhecimento, isto é, em conservar a religião no mundo, conservando entre os homens o conhecimento de Si mesmo e o do bem e do mal, apesar da corrupção da humanidade e dos artifícios de Satanás para cegar as mentes dos homens e conversá-los na ignorância. É um maravilhoso exemplo do poder e da bondade dos olhos do Senhor, isto é, da sua vigilante providência. Ele preserva os homens que têm conhecimento, os homens sábios e bons (2 Crônicas 16.9), particularmente as testemunhas fiéis, que falam do que conhecem; Deus protege essas pessoas, e faz prosperar seus conselhos. Pela sua graça, Ele preserva o conhecimento nessas pessoas, protege a sua própria obra, e o seu interesse nelas. Veja Provérbios 2.7,8.

2. A justa vingança de Deus sobre os que falam e agem contra o conhecimento e contra os interesses do conhecimento e da religião no mundo: ”As palavras do iníquo ele transtornará”, e preservará o conhecimento, apesar dele. O Senhor derrota todos os conselhos e desígnios de homens falsos e traiçoeiros, e os converte, para sua confusão.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

OS APOSENTOS VAZIOS DA DEPRESSÃO

Estimativas da OMS apontam a depressão como a doença psiquiátrica mais diagnosticada atualmente: ocupa o quarto lugar entre os maiores problemas de saúde do Ocidente. Um autêntico tratamento psiquiátrico implica reconhecer, enfrentar e respeitar experiências -limite que reavaliam o sentido e o significado de nosso existir e sofrer.

Os aposentos vazios da depressão

O termo depressão assume significados diferentes se utilizado na linguagem comum ou na psiquiátrica. Se na primeira indica o estado de tristeza e desânimo da pessoa diante de acontecimento desagradável, decepção ou luto, em âmbito psiquiátrico designa um quadro clínico preciso (distúrbio depressivo), caracterizado por sintomas biológicos e psíquicos espontâneos, aparentemente desproporcionais em intensidade e duração aos acontecimentos que o provocaram. Essa condição se distingue por sintomas como perda de interesse, astenia, incapacidade de sentir prazer, insônia, falta de apetite, diminuição da libido, facilidade em fatigar-se e alterações cognitivas, psicomotoras e neurovegetativas. Esse estado de ânimo invade por inteiro a personalidade acometida. Um indivíduo deprimido experimenta – às vezes com angústia, outras com gélido desespero – a irremediável negatividade da vida. Mas se em algumas pessoas atinge a existência pessoal (e neste caso podem prevalecer ideias persecutórias, sentimentos de exclusão, inferioridade, indignidade, culpabilidade), outros sentem a própria vida como intolerável. Tudo parece negativo, terrível, irremediável. O mundo se toma um lugar de baixezas e maldades, dominado pela luz sinistra de dor e mal metafísicos.

O distúrbio depressivo – que aqui definiremos intencionalmente também como melancolia – é conhecido desde a Antiguidade. Nas últimas décadas, os conhecimentos sobre etiologia, nosografia, diagnóstico e terapia das diversas formas de depressão progrediram notavelmente. As ciências de base – da bioquímica à biologia molecular, da neurofisiologia à psicofarmacologia – forneceram novos elementos, úteis para a compreensão dos mecanismos patogenéticos, para a elaboração de modelos sobre a transmissão genética, a identificação das áreas e dos circuitos nervosos responsáveis pelas diversas manifestações da depressão. Além disso, o renovado interesse pela observação do paciente e pela descrição dos sintomas levou a uma atenção maior para com o diagnóstico e a uma redefinição dos distúrbios depressivos. Desse modo, foram melhor especificados os diversos subtipos de depressão e, para muitos deles, afinadas modalidades de intervenções personalizadas. Algumas formas atenuadas, outrora definidas como “neuróticas” e tidas como traços estáveis da personalidade, são hoje consideradas manifestações depressivas leves e persistentes, que respondem a terapias. A avaliação da incidência da história familiar do caráter, da personalidade e da adaptação pré-doença permitiu incluir em seu espectro clínico algumas formas bipolares mistas crônicas, cujo quadro é amiúde dominado por delírios, alucinações e distúrbios do pensamento.

Não se pode negar, entretanto, que no âmbito terapêutico foram obtidos importantes progressos. A introdução de novas substâncias para tratamento agudo e preventivo permitiu alcançar, na terapia dos distúrbios do humor, resultados nada inferiores aos de outros setores da medicina. Especialmente, a síntese de antidepressivos com a ação seletiva sobre os diversos sistemas neurotransmissores permitiu que fossem dadas respostas às formas clínicas antes não tratáveis.

O GÉLIDO ABISMO

Em geral, a experiência depressiva se caracteriza por sofrimentos de tamanha intensidade que dificilmente podem ser imaginados por quem não os sentiu. Para quem sofre de depressão, sentir-se não compreendido na própria dor torna mais aguda a sensação de estranheza e de pena de si. Estímulos, conselhos, exortações para reagir e fortalecer-se nada mais fazem que acentuar a desesperada solidão do paciente, sua insustentável responsabilização por alguma coisa que já não controla. Ele percebe, com penosa intensidade, um irreprimível empobrecimento afetivo e, ao mesmo tempo, a perda, inimaginável do contato com um mundo exterior rico e vital.

Embora a perda de energia e vitalidade, as sensações de confusão, incapacidade de concentrar-se, fazer escolhas, trabalhar e amar possam ter intensidades diferentes de pessoa para pessoa, significam, de todo modo, um pano de fundo constante. Além disso, sentimentos de impotência e derrota dominam o cenário. As noites insones, povoadas por medo e mal-estar, são aguardadas com terror. Os dias começam como pesadelo de novas e intermináveis provas a enfrentar. Até as atividades elementares, como levantar-se, lavar-se, passear e outras tantas, custam esforços inimagináveis. Vai ganhando terreno, para usarmos as palavras de von Hofmannsthal, “uma existência nua, exposta à dor, atormentada pela luz, ferida por todo som”. A sucessão de dias que parecem iguais, sem melhoras, revigora a visão pessimista do paciente quanto ao próprio futuro. A postura em relação a esse distúrbio, todavia, muda de indivíduo para indivíduo. Há quem, sem uma adequada consciência da doença não perceba totalmente o que está acontecendo. Alguns sentem que estão doentes, mas recusam ajuda, outros sabem que estão sofrendo de uma doença física, grave, ou ainda lutam contra a doença e procuram ajuda, por vezes de maneiras apelativas e manipuladoras, que causam incompreensão nos que estão ao redor e equívocos quanto a real gravidade da situação. Outros, por fim, conseguem dissimular o distúrbio, esconder a inibição e parecer animados, até inesperadamente surpreenderem parentes e colegas com um gesto suicida, como uma espécie de ato de libertação de um sofrimento, vício incorrigível e desesperançado.

Na depressão, o suicídio é muito frequente. Em 1791, Pinel evidenciou com espanto como os autores – tanto antigos quanto modernos – que haviam descrito todo tipo de ”melancolia nervosa”, tinham se descuidado daquela forma que se caracteriza por um desgosto insuportável pela vida, ou antes, por um desejo irresistível de dar-se a morte, sem que possamos encontrar uma causa. Em Luto e melancolia, Freud interpretou a tendência ao suicídio do melancólico como forma de agressividade contra o próprio Eu, no qual o sentimento de culpa tem um papel central. Basta nos simplesmente notar que, do ponto de vista psicanalítico, podemos identificar essencialmente dois tipos de culpa, uma persecutória, que deriva da pulsão de morte e que tende à auto -repreensão e ao receio de punição; a outra, função da pulsão de vida, que tende à reparação.

Para além das sugestivas e pertencentes hipóteses psicanalíticas, a culpa constitui um elemento psicopatológico nuclear da depressão, motivando um dos mais importantes fatores de transição do apego à vida ao suicídio. Esse, todavia, não seria voltado apenas a interromper a própria vida, dolorosa e sem esperanças, mas, também a libertar o mundo da própria presença, considerada abjeta e nefasta.

Além disso, o sofrimento se torna ainda mais doloroso pela impossibilidade de sua aceitação. É tido como indigno e, até por isto, como numa espiral infinita, na qual o paciente é envolvido pela culpa. Seja com relação a si próprio, aos outros, à vida, aos seus desejos, ao próprio corpo ou à sua resistência, a culpa constitui um elemento central do mundo melancólico. Convencido, como está de que tocou o fundo, o paciente acredita que nunca mais poderá levantar-se. É a culpa que leva os pacientes a fugir do mundo e isolar-se em casa, na certeza de não poder superar a punição.

Naturalmente, uma coisa é o sentimento de culpa, outra é o delírio de culpa. Enquanto o primeiro é a experiência de quem considera, errônea ou acertadamente, estar em culpa, no segundo a certeza de que deve ser punido não deixa espaço a mais nada.

A experiência da culpa, elemento­ chave na patogênese da doença nunca termina porque o paciente está sempre à procura de elementos num passado “culpado”. Esse “estar em culpa” remete o deprimido a um modo peculiar de experimento à morte. No entanto, só alguns melancólicos se definem culpados. Os outros sentem-se devedores pelo não poder, pela incapacidade de agir.

Decisivos, aqui, não são os conteúdos, mas a forma do passado que ocupa toda a vida psíquica. Nesse sentido, se é verdade que a identidade e a estabilidade do Eu de um ser humano lançam suas raízes no passado, então podemos compreender como o esquecimento sobre as próprias culpas, sobre a angústia dos remorsos e as saudades assumam para o melancólico o caráter ameaçador de uma separação do próprio Eu, de uma perda definitiva da própria identidade. De fato, o deprimido busca no passado esse suporte, essa espécie de segurança diante de um mundo que lhe escapa.

TEMPOS DA MELANCOLIA

Todas as experiências psicológicas humanas são marcadas pela presença do tempo. Mas o tempo dos homens não é apenas aquele do relógio que marca as horas em igual medida e que é estranho a toda repercussão interior. Há também um tempo interior. Um tempo vivido, que muda em cada um de nós, de momento em momento, de situação em situação. Um tempo vivo, independente da marcação cronológica das horas. Esse é o tempo da consciência. Quando estamos cansados, tristes ou entediados nossa percepção interior do tempo muda radicalmente com relação a quando estamos contentes ou intensamente interessados em algo. No primeiro caso, uma hora parece longa e interminável, no segundo, breve demais. Tudo isso está fortemente ligado a nossos diversos estados de ânimo e às diversas emoções que se repetem na percepção subjetiva. A alteração da consciência interna do tempo tem um espaço crucial na experiência melancólica. O   paciente assiste impotente à penosa deformação de seu tempo interior. Sem abertura para o futuro, ele desacelera, até parar, na impossibilidade de renovação temporal. Autores como Eugene Minkowski, Erwin Straus e Victor von gebsattel escreveram passagens importantes sobre cada desaceleração e a estagnação do “tempo vivenciado” como expressão crucial da melancolia.

A temporalidade – talvez fosse mais correto falarmos de intemporalidade – é a dimensão que mais apreende a essência da melancolia. Aqui, o tempo do Eu, já não estão no mesmo ritmo que o tempo do mundo, paradoxalmente só pode se salvar ancorando-se no passado cinzento, sem diferenças cromáticas, apartado do presente e do futuro. Desse passado se alimenta-se o presente, vazio e angustiante, que assim se defende do horror do vazio e da experiência do nada que se cumprem na ideia da morte. Aí o tempo se torna instante imóvel, imutável, eterno. Nesse ponto o advir perde todo significado positivo. Prevalece, irrevogavelmente, a noção de ”mal”. Numa vida morta, as lembranças se tomam remorsos e as ações cumpridas, culpas.

Já não podem ser inscritas num projeto, numa esperança. Para o melancólico, a mortalidade é a perda do objeto de amor, a perda do ser como tal. Esse caminhar em direção ao nada é extremamente visível na síndrome de Cotard, na qual o paciente se sente condenado ao “não existir”- uma morte em vida, mesmo sem de fato morrer.

Embora sejam raros, os casos de pacientes de Cotard testemunham, até um grau externo, a impossibilidade de morrer, estando o corpo a tal ponto esvaziado, tão inconsistente que a morte não lhes diz respeito. Esses pacientes, que se definem mortos vivos, dizem sofrer de sua mortalidade, da impossibilidade de morrer, e pedem para ser libertados de destino tão atroz. Alguns consideram a morte real e concomitantemente falam de uma morte que não devora a existência, mas que se acompanha de uma misteriosa sobrevivência a ponto de tornar a própria morte vã. Em outras melancolias falta até a esperança de poder morrer.

Cito as palavras do filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard: “Se quiséssemos falar de uma doença mortal no sentido mais estrito, essa deveria ser uma doença cujo fim seria a morte e a morte seria o fim. E essa é precisamente o desespero. Todavia, noutro sentido, ainda mais preciso, o desespero é a doença mortal. De fato, é extremamente improvável que venhamos a morrer fisicamente dessa doença ou que essa doença termine com a morte física. Ao contrário, o tormento do desespero é precisamente o de não poder morrer. Por isso mais se parece com o estado do moribundo quando está agonizando sem poder morrer. Portanto cair na doença mortal é não poder morrer, mas não como se houvesse a esperança da vida: a ausência de toda esperança significa aqui, que não há sequer a última esperança, a da morte. Quando o perigo maior é a morte, espera se na vida; mas, quando se conhece o perigo ainda mais temível, espera-se na morte. Quando o perigo é tão grande que a morte se tornou esperança, então nasce o desespero vindo a faltar a esperança de poder morrer’.

A temporalidade da melancolia, portanto, está fora de qualquer duração, ausente em sua própria essência. A articulação dinâmica de passado, presente e futuro se torna vã mediante uma radical desistoricização. Eis porque tão frequentemente, terminado o episódio, a experiência melancólica é esquecida. Não poderia ser recordada (no sentido de ser reconduzida para as “intermitências do coração”), porque nessa intemporalidade tudo se anula. Todo gesto se debruça sobre um vazio abismal. Mas não se trata de um vazio de futuro, de presente ou de passado. Trata-se de um vazio do passado, do presente, do futuro. Vazio do tempo. Vazio da vida como presença reduzida a corpo desprovido de espírito. Precisamente como a temporalidade o próprio tema da corporeidade se inscreve: no melancólico em uma dramática queda de “doação de sentido, num eclipse da consciência intencional. O deprimido arrasta o próprio corpo, identificando-se inconsciente e plenamente nele, um corpo pesado e lento, já não voltado ao mundo, mas encerrado dentro dos próprios limites. Na experiência melancólica o olhar é radicalmente interiorizado, voltado para dentro, abstraído das coisas. As mãos já não permitem agarrar os objetos distantes do corpo. O paciente é incapaz de chorar, de expressar a tristeza e o desespero, a angústia e a nostalgia. No rosto essa divergência entre os sentimentos como realidades psíquicas e o corpo como lugar de sua expressividade se torna dilacerante O rosto, perdido, se obscurece, não há signo de choro ou sorriso: está petrificado em sua imagem corpórea que não e lança no mundo, mas se consome na própria imanência.

O espaço do deprimido tende a ser desesperadamente vazio, chato, sem relevos, sem perspectivas. As coisas são vividas como isoladas, distantes, inalcançáveis. É um espaço fechado, enrugado, bloqueado, opressor. Por sua capacidade de criar relações e interrogações, o espaço parece uma dimensão aberta à possibilidade de planejamento da existência, um movimento que se torna comunicação, linguagem, interlocução, investimento, projeto. Portanto, mais que de espaço temos de falar de espacialização. O deprimido se insere nos interstícios de um espaço que não é o seu, porque não produziu, o que se consome é uma dramática metamorfose, mortificação, dissolvência da espacialidade.

O ECLIPSE DA ESPERANÇA

Embora na literatura psiquiátrica e psicopatológica seja pouco considerada, a esperança – como postura existencial de base e cifra essencial da historicidade do homem e de seu status existires – tem papel crucial no mundo melancólico. Ele solicita nosso olhar não para a nossa vida interior, mas para o que é independente da ação: em especial, da ação sobre nós mesmos. Ao falar do “caráter profético da esperança, o filósofo francês Gabriel Marcel definiu-a como uma “memória. do futuro”, um “dispor­ se na perspectiva do acontecer”. No polo oposto, o desespero é fechamento à temporalidade, negação de qualquer promessa de amor pelo futuro. Nesse sentido, se esperança é busca carregada de confiança, tendência a ultrapassar passado e presente por um porvir de sentido, o desespero é o tempo fechado da consciência, o questionamento de tudo o que de mais profundo há na existência. Aqui se revela extremamente útil a distinção de Lersch entre desespero biológico e existencial, o primeiro se refere aos fundamentos vitais do indivíduo, o segundo diz respeito à falência dos próprios valores existenciais.

Mas há que se perguntar: pode haver no melancólico uma patologia da esperança”, uma distorção qualitativa do esperar e, em casos extremos, um “esperar delirante”? Uma metamorfose da espera parece evidente nas temáticas delirantes de culpa e de danação, nos quais o que é questionado é a própria possibilidade de alcançar os modos transcendentes da esperança e o sentimento de culpa afeta profundamente o agir do homem e vida psicológica até que todo motus sper é neutralizado e enrijecido num desespero profundo e irrevogável. O melancólico não pode se subtrair a esse “eclipse da esperança”, porque ela investe todo aspecto mundano, pessoal e vital. Esse é o motivo que o torna fixo em sua gélida inércia, indiferente a qualquer espécie de alento, indisponível a qualquer exortação. O futuro desaparece e, com ele, a própria possibilidade de projetar-se, resgatar-se, redimir-se. O êxito é o niilismo absoluto, no qual mesmo os aspectos mais primordiais e vitais são expostos a uma deformação inimaginável – e, por vezes, grotesca. Nesse abismo de sentimentos vitais devem ser procurados alguns dos motivos do suicídio, paradoxal e extrema defesa de uma angústia infindável.

No entanto, a esperança permanece parte essencial da vida do homem: mesmo quando se apresenta de forma contrapolar, como sentimento da falta de sentimento, como um esperar que nada espera. Mesmo diante disso tudo, a esperança sempre tem uma dimensão criadora. Ela consegue força no vazio e nas adversidades sem, todavia, opor-se a nada, sem se lançar em qualquer tensão. Cria, permanecendo suspensa acima da realidade, sem ignorá-la; deixa aflorar mundos inéditos, palavras não ditas. Essa esperança pode crescer também no deserto da angústia e do desespero, do mal de viver e da fadiga. Como uma ponte ela nos acompanha para fora de nossa solidão, colocando-nos em relação com os outros. Como uma ponte devolve ao homem a possibilidade de caminhar sobre os próprios tumultos interiores, de elevar-se acima do tempo que passa, de devolver às lágrimas e à dor que as fazem brotar, um inesperado fragmento de porvir. Naquelas lágrimas, que alcançam o olho vindas dos mares extremos da alma, naquelas lágrimas que mil e mil vezes vimos entre infinitos carrosséis de gestos visíveis e invisíveis, flutuam inquietudes e sonhos despedaçados, a nostalgia do silêncio e das palavras do silêncio. Ao velar a visão elas desvelam a essência do olhar, fazem sair do esquecimento em que o olhar as guardava, a verdade dos olhos, o amor, a alegria, a oração mais do que uma visão científica.

ALÉM DO NATURALISMO

Em Genealogia da moral, Nietzsche escrevia, “Não existe, julgando rigorosamente, ciência ‘sem  pressupostos,’ o pensamento de uma ciência desta feita é impensável, paralógico, uma filosofia, uma ‘fé’ sempre tem de preexitsir, para que dela derive uma direção, um sentido, um limite, um método, um direito à existência”.

Um tratamento psiquiátrico autêntico tem de encontrar o próprio sentido nas questões fundamentais da condição humana, que dizem respeito a todos nós, a alegria e a tristeza, o tédio e o enfado, a melancolia e a esperança, a dor e o desespero. Uma psiquiatria que não saiba aceitar as fronteiras de seu não-conhecimento e, sobretudo, que delega o confronto com as categorias constituitivas de toda experiência psicopatológica a métodos terapêuticos indiferenciados está fadada a falir. Para além de toda absolutização biológica, o emaranhado dos conflitos imanentes ao arquipélago da loucura não pode abrir mão de uma presença humana que ouça e dê assistência.

Escreveu, provocativamente, Romano Giardini: “A melancolia é excessivamente dolorosa e lança suas raízes muito profundamente em nós para que possamos largá-la nas mãos dos psiquiatras”. As chaves de acesso de um autêntico tratamento psiquiátrico – que sempre nos expõe a situações e dimensões existenciais inéditas – estão nos aspectos radicalmente estranhos a tecnologias, rótulos, códigos, números e estatísticas, tão caros ao naturalismo psiquiátrico hoje dominante. O que resta a fazer, então, é inscrever tais experiências num horizonte de sentido antropológico, a única possibilidade é reconhecer, enfrentar e respeitar experiências-limite que colocam em questão o sentido e o significado de nosso existir e sofrer.

 

OS SINTOMAS DA DEPRESSÃO MAIOR

A Associação Psiquiátrica Americana considera que a depressão clínica envolve cinco ou mais dos sintomas abaixo, desde que sejam manifestados quase todos os dias, ao longo de duas semanas. Eles devem incluir pelo menos um dos dois primeiros critérios, causar angústia ou prejudicar as atividades diárias e não podem resultar de medicação, abuso de drogas ou condição médica pré­ existentes. Para os critérios formais, consultar a 4ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

  • Humor deprimido na maior parte do dia (em crianças e adolescentes a irritabilidade pode significar depressão).
  • Diminuição do interesse ou do prazer em relação à maioria das atividades diárias.
  • Acentuado aumento ou diminuição do apetite.
  • Insônia ou sono excessivo.
  • Agitação (evidenciada pelo torcer das mãos) ou lentidão dos movimentos.
  • Fadiga ou falta de energia.
  • Sentimentos autodepreciativos e culpa excessiva.

Os aposentos vazios da depressão. 2

UM MAL QUE SE ALASTRA

Do ponto de vista epidemiológico, os dados que concernem a depressão se mostram preocupantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a depressão atualmente é a doença psiquiátrica mais diagnosticada; ocupa o quarto lugar entre os maiores problemas de saúde do Ocidente, e é a segunda causa de invalidez, precedida apenas pelas doenças cardiovasculares. O chamado distúrbio depressivo maior (antiga depressão endógena), caracteriza-se por pelo menos duas semanas de  humor deprimido ou perda de interesse na maior parte das atividades, acompanhada de ao menos quatro sintomas como sentimentos de desesperança, desvalia, culpa e desamparo, associados a alterações do apetite e sono, fadiga, retardo ou agitação psicomotora, diminuição do desempenho sexual, dificuldade de concentração e raciocínio e pensamentos recorrentes sobre a morte, com ou sem tentativas de suicídio.

A prevalência é de 2,3% a 3.2%, para o sexo masculino e de 4,5% a 9,3% para o sexo feminino. Além disso, o risco de sofrer um distúrbio depressivo maior no decurso da vida é de 7% a l2%, para os homens e 20% a 25% no caso de mulheres. Os fatores de risco aumentam para o sexo feminino (tornando­ se ainda mais elevados no período pós-parto), quando parentes de primeiro grau já sofreram da doença ou ocorreram episódios anteriores de depressão maior. Mulheres são duas vezes mais vulneráveis à distimia do que os homens, ao passo que a depressão maior as atinge três vezes mais.

Os aposentos vazios da depressão. 3 

DAS FORÇAS NATURAIS À CIÊNCIA

As primeiras referências são atribuídas a Homero, que na Ilíada descreve a melancolia de Belerofonte (“…errou sozinho, através da planície Aloia, consumindo o seu coração, evitando as pegadas dos homens…”). Já o personagem Ajax Telamon vive bruscas mudanças do estado de espírito, indo da superexcitação a um profundo desespero, até chegar ao suicídio. Culturas antigas nos legaram textos que mencionam mudanças de humor de indivíduos que hoje enquadraríamos no aspecto psicopatológico-clínico da depressão. Naqueles tempos, porém, prevalecia uma visão ético-religiosa que não só atribuía a melancolia à intervenção de forças sobrenaturais malévolas, ou divinas, mas a considerava uma forma de punição.

No século IV a. C, Hipócrates, subtraindo esse distúrbio à filosofia e as ciências morais, que na época se preocupavam de seu estudo, situou-o no âmbito da medicina. Formulou uma hipótese etiopatogênica “científica”, descrevendo de forma aprimorada as características clínicas e a evolução do quadro melancólico. O grande médico grego aventou a ideia de que o cérebro seria a  sede de todas as emoções (“De nada mais se formam os prazeres e a serenidade e o riso e a brincadeira, a não ser do cérebro, e da mesma forma as dores, as perdas, a tristeza e o pranto”) e atribuiu a depressão à ação de uma substância endógena  nesse órgão, a bile negra (daí o termo “melancolia”; melan, “negro” e chole “Bile negra”. Sua presença no organismo seria determinada pela umidade e pelas estações.

Aristóteles (século III a.C.) evidenciou uma relação estreita entre personalidade melancólica e criatividade. Ele salientou que artistas, poetas, filósofos e políticos sofriam com mais frequência do distúrbio que as pessoas comuns. No século I d.C. Areteu da Capadócia (que levantou o caráter periódico e por vezes cíclicos desse distúrbio) e depois Galeno (131-201d.C,) aventaram a ideia de uma influência dos fatores genéticos e ambientais no desenvolvimento da melancolia, atribuindo sua origem a uma alteração primária do cérebro.

Durante a idade Média, tanto a abordagem organicista dos antigos pensadores gregos e romanos quanto a hipótese ”humoral” de Hipócrates foram abandonadas. Sob a influência da escola árabe de Avicena (980 – 1037 d. C.) a origem dos distúrbios psíquicos mais uma vez foi atribuído à causas       mágicas e religiosa.  Assim, a melancolia foi restituída ao âmbito moral: não mais como doença, mas como expressão de culpa e pecado a serem imputados à possessão demoníaca., que deviam ser debelados mediante exorcismos e torturas ou, na melhor das possibilidades, com o trabalho e a “força de vontade”. A alguns séculos de distância, Vesálio (1514-1564) tornou a expor a observação objetiva dos pacientes, afirmando a necessidade de um enquadramento científico das diversas formas clínicas. Entre 1700 e 1800, autores como Pinel, Falret, Baillarger, Kahlbaum, Kraft- Ebing e Kraepelin contribuíram para uma sistematização dos distúrbios do humor que influenciou o pensamento psiquiátrico mundial até a primeira metade do século XX.

OUTROS OLHARES

SIM, PODE – E DEVE

Pesquisas mostram que cortar radicalmente fibras e carboidratos; como propõem os regimes da moda, faz mal à saúde. E acredite: macarrão (com moderação) não engorda.

Sim, pode - e deve

Fazer regime é privar-se de pão, macarrão, batata e tudo o que se encaixe na demoníaca qualificação de carboidrato, o nome científico das coisas que engordam. O low carb, esse princípio da vida moderna, continua a vigorar nas dietas da moda e a fazer infelizes os bons de garfo que precisam perder alguns quilos. A eles, uma esperança: pesquisa divulgada na revista The Lancet concluiu que fibras – presentes nos grãos em geral, nas farinhas, no trigo da macarronada da mamma – são essenciais para a prevenção de uma série de doenças graves. O estudo mostra que reduzir a quase nada as fibras nas dietas – o que acontece, naturalmente, quando carboidratos são proibidos – priva o organismo de nutrientes essenciais para seu bom funcionamento. O consumo regular de fibras e, portanto, dos tão mal falados carboidratos não só é saudável como também diminui o risco de se vir a morrer em consequência de três tipos de enfermidades: doenças cardíacas (menos 32% de probabilidade), acidentes vasculares (menos 22%) e câncer de intestino (menos 16%). Para chegar a essa conclusão, o pesquisador Jim Mann, médico e professor de nutrição da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, analisou estudos envolvendo 1 milhão de pessoas.

Sim, pode - e deve. 3

Para quem faz regime, um benefício concreto e cotidiano apontado pela pesquisa é reinstalar o pãozinho no café da manhã. Consumir duas fatias feitas com trigo integral supre um quinto da necessidade diária de fibra, além de prover ao organismo cálcio, ferro e vitaminas do complexo B. “É equivocado achar que pão não é saudável. Mesmo o pão branco, feito com trigo de que se removeram o germe, seu centro rico em nutrientes, e o farelo, sua camada externa, continua a ter uma quantidade de fibras equivalente à de uma banana, por exemplo”, diz Helen Bond, porta-voz da Associação Dietética Britânica.

A ingestão de fibras é crucial para alimentar a microbiota, o vasto conjunto de fungos e bactérias que regula o sistema digestivo. A média mundial de consumo está hoje em 20 gramas por dia, inferior ao mínimo recomendado, de 25 a 30 gramas diárias. Pelos cálculos da pesquisa de Jim Mann, se 1.000 pessoas aumentarem a ingestão de fibras para o mínimo, treze mortes poderão ser evitadas. ”A longo prazo, dietas muito restritivas resultam em deficiência de nutrientes essenciais, como vitaminas e minerais”, diz a médica Maria Edna de Melo, diretora do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabiologia.

As dietas low carb – como Atkins, paleolítica, Dukan e tantas outras que vão e vêm, ora estão em voga, ora não – pregam que, privado de carboidratos, o organismo vai buscar energia diretamente nas células de gordura, acelerando o processo de perda de peso. Há, porém, efeitos colaterais nítidos, como diminuição da atenção e da memória, alterações de humor e queda da imunidade, como alerta outra pesquisa, essa da Universidade Tufts, em Massachusetts, nos Estados Unidos. “O carboidrato é a principal fonte de energia para o corpo e o cérebro, e sua limitação impacta diretamente o desempenho físico e mental do indivíduo”, esclarece Paulo Roberto Santos Silva, fisiologista do Centro de Medicina Esportiva do Hospital das Clínicas de São Paulo.

A reabilitação do carboidrato torna ainda mais saborosa a derrubada de outros mitos no mundo dos regimes alimentares. No ano passado, John Sievenpiper, pesquisador do Centro de Nutrição Clínica do Hospital St. Michael, no Canadá, promoveu trinta testes clínicos que envolveram mais de 2.500 pessoas e concluiu, vejam só, que o macarrão emagrece.

Sim, pode - e deve. 2

De acordo com o nutricionista, à diferença da maioria dos carboidratos refinados, o índice glicêmico do macarrão é baixo e não eleva o açúcar no sangue. Os participantes dos testes ingeriram urna média de 3,3 porções de massa por semana e perderam 1,5 quilo ao longo de doze semanas. “O consumo de macarrão não resultou em ganho de peso nem em aumento da gordura corporal. Houve, ao contrário, uma pequena perda”, relatou Sievenpiper.

A proliferação das dietas low carb tem provocado uma reviravolta nos hábitos alimentares enraizados na cultura de cada país. No Brasil, o consumo de feijão, parte do cardápio em todas as casas, caiu pela metade nas últimas quatro décadas. Pesquisadores da Universidade de Surrey, na Inglaterra, alertaram em dezembro passado sobre a perda de popularidade da batata: seu consumo diminuiu 40% no mundo, uma perda nutritiva relevante, visto que a batata-inglesa, principalmente, é uma fonte de vitaminas – basta uma para suprir a necessidade diária das vitaminas C e B6. Ao contrário do que se costuma acreditar, a ingestão de batata não dificulta a perda de peso. ”Amidos proveem a entrada lenta dos nutrientes na circulação, estimulando a saciedade”, explica a médica Maria Elizabeth Rossi da Silva, chefe da Unidade de Diabetes do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Segundo ela, há carboidratos e carboidratos. ”Os ultraprocessados são, eles sim, os vilões do regime”, diz. Portanto, aos vencedores na luta contra a balança, as batatas – e o pão e o macarrão.

Sim, pode - e deve. 4

GESTÃO E CARREIRA

10 CARACTERÍSTICAS COMUNS AOS PROFISSIONAIS DE SUCESSO

10 características comuns aos profissionais de sucesso

No mercado de trabalho, já me deparei com profissionais diversos. Cada um com características que os diferenciavam dos demais. Algumas, no entanto, foram mais recorrentes entre aqueles que se destacaram nas equipes. Os profissionais com esses atributos, que explico a seguir, costumam ser cobiçados pelas empresas e constroem carreiras sólidas e de sucesso.

E não é apenas para os patrões que esses profissionais fazem a diferença. Eles também contribuem para deixar o clima de trabalho mais ameno e servem de exemplo e fonte de motivação para o restante da equipe. Selecionei aqui as 10 características mais comuns entre esses profissionais. Confira:

COMPROMETIMENTO COM O RESULTADO

O profissional de sucesso tem sempre em mente os resultados que pretende alcançar. Tanto os resultados pessoais, quanto os resultados esperados pela empresa e por sua equipe. Para isso, ele se esforça em compreender o que esperam dele e se compromete verdadeiramente em alcançar esses objetivos. Afinal de contas, como diz aquela velha máxima, para quem não sabe onde ir, qualquer caminho serve.  Para alcançar resultados, é preciso ter foco e entender exatamente onde se espera chegar.

FORMAR SEMPRE 

Para ter sucesso na vida profissional, sobretudo em cargos de liderança, é indispensável que o indivíduo tenha aptidão em lidar com pessoas. Não só isso. É preciso que eles contribuam na formação dessas pessoas, para que aqueles que convivam com ele saiam sempre renovados e profissionais ainda melhores.

ALTA DISPONIBILIDADE

Do mais alto escalão do organograma, à sua base, o profissional de sucesso está sempre disponível para todos. É fundamental que ele não seja seletivo e que saiba lidar com as pessoas independentemente de seus cargos. Há sempre algo a aprender e a ensinar, por isso, se você quer ser bem-sucedido precisa aprender a ouvir.

ACOMPANHAMENTO CONTÍNUO

Não há como evoluir, se você não sabe bem como são seus processos, objetivos e métodos. Aqueles que se destacam no mercado de trabalho fazem um acompanhamento contínuo de suas atividades e seguem um script do que deve ser feito. Pode parecer banal, mas a organização da rotina, até mesmo por meio de uma agenda, é fundamental para quem pretende ter um lugar ao sol.

VISÃO FINANCEIRA

Em qualquer empresa, cujo o principal objetivo seja a obtenção de lucro, estar de olho nos números é essencial. Um bom profissional deve ficar atento aos resultados práticos de seu trabalho, aos valores financeiros que gera para a empresa. Aprender a medir quanto o seu esforço vale, é difícil, mas é fundamental.

COMPREENDER O MELHOR DAS PESSOAS

Todo mundo tem habilidades e fraquezas. O bom profissional, especialmente aquele que exerce um cargo de liderança, compreende e extrai o melhor das pessoas.  Além disso, ele aprende como motivar sua equipe para obter melhores resultados. É preciso estar atento às pessoas ao redor para compreendê-las e consequentemente fazê-las entregar aquilo que elas fazem melhor.

INSATISFEITOS CRÔNICOS

Não, não estamos falando de pessoas ranzinzas e antipáticas. Estamos falando sobre aqueles profissionais que nunca ficam acomodados. Aqueles que sabem que sempre é possível melhorar. A pequena diferença, entre o ranzinza e o insatisfeito crônico, está na maneira como eles  lidam com sua insatisfação. Ao invés de reclamar, elas usam esse olhar crítico para se aprimorarem e produzirem ainda mais e melhor.

MATURIDADE PROFISSIONAL

A maturidade traz benefícios para a vida pessoal e também para a profissional. Ao alcançar esse estado, o profissional já aprendeu com seus erros e também com os erros dos outros. Ele consegue tirar o que de melhor a vida o ensinou. Por isso, está bem preparado para lidar com as adversidades e consegue ter uma visão geral de tudo o que lhe rodeia.

SENSIBILIDADE COM AS SITUAÇÕES

Empatia. Essa é uma característica comum aos profissionais bem-sucedidos. Ele consegue compreender as dificuldades e as necessidades do cliente, da equipe, dos fornecedores e de todos aqueles que estejam envolvidos no projeto. Essa sensibilidade o ajuda a entender e atender às demandas, fazendo o processo da forma mais completa possível.

DEIXAR O ORGULHO DE LADO

Bons profissionais estão sempre prontos para ouvir e para reconhecer suas fragilidades e erros. E isso não quer dizer que eles não tenham uma postura firme. Apenas, aceitam que podem haver soluções melhores do que as sugeridas por eles. É preciso estar aberto para ouvir opiniões.

E então, conseguiu identificar alguma dessas características em você ou em algum colega de trabalho? Em quais pontos acha que precisa melhorar?

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 22: 5-8

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 5 – Observe:

1. O caminho do pecado é angustiante e perigoso: espinhos de angústia pelos pecados passados e laços que envolvem o indivíduo em novos pecados há no caminho do perverso, esse caminho tortuoso, que é contrário à vontade e à Palavra de Deus. Aquele que não se preocupa com o que diz e faz se encontrará enredado por esta liberdade imaginária e atormentado por seus prazeres. As pessoas rebeldes, que logo se enfurecem, se expõem às dificuldades a cada passo. Tudo irrita e atormenta àquele que se irrita e atormenta com tudo.

2. O caminho do dever é seguro e suave: o que guarda a sua alma, que mantém uma vigilância cuidadosa do seu próprio coração, retira-se para longe desse caminho tortuoso, dos espinhos e dos laços, pois o seu caminho é plano e agradável.

 

V. 6 – Aqui temos:

1. A recomendação de um grande dever, particularmente aos que são pais e instrutores de crianças, para a propagação da sabedoria, para que esta não morra com eles: instrui o menino, na idade do aprendizado, para prepará-lo no caminho em que deve andar, na idade da futilidade, para afastá-lo dos laços e dos pecados. Discipula- os; conserva-os sob disciplina. Treina-os como soldados, que são ensinados a manusear suas armas, observar a hierarquia e obedecer à palavra de comando. Treina-os, não no caminho em que desejam ir (a tendência de seus corações corruptos os desviaria), mas no caminho em que devem andar, o caminho em que, se os amas, desejarás que eles andem. Treina um filho conforme aquilo de que ele é capaz (assim interpretam alguns). com mão gentil. como as amas amamenta m as crianças (Deuteronômio 6.7).

2. Uma boa razão para isto, tomada do grande benefício deste cuidado e dos esforços com os filhos: quando crescer, e “até quando envelhecer, não se desviará dele”, é o que se espera. As boas impressões que lhes foram provocadas permanecerão sobre eles, todos os seus dias. Normalmente o recipiente retém o sabor daquilo que conteve. Muitos, na verdade, se afastaram do bom caminho em que foram instruídos; o próprio Salomão fez isto. Mas a instrução dada desde cedo pode ser uma maneira de recuperá-los, como supostamente aconteceu com Salomão. Pelo menos os pais terão a consolação de ter cumprido o seu dever e usado os métodos adequados.

 

V. 7 – O escritor tinha dito (v. 2), o rico e o pobre se encontraram; mas aqui ele descobre, e mostra que, no que diz respeito às coisas desta vida, há uma grande diferença; pois:

1. Os que têm pouco estarão sujeitos aos que têm muito, porque dependem deles, recebem e esperam receber, ajuda deles. O rico domina sobre os pobres, e muito frequentemente, mais do que lhe convém, com soberba e rigor, não como Deus, que, mesmo sendo realmente grande. não despreza a ninguém. É parte da aflição dos pobres o fato de que devam esperar ser humilhados. e é parte do seu dever ser úteis, tanto quanto puderem, aos que são gentis com eles, e procurar ser gratos.

2. Aqueles que estão em uma condição menos afortunada, perceberão que estão à mercê dos que têm mais recursos: “O que toma emprestado é servo do que empresta”, está em dívida com ele, e deve, algumas vezes, implorar, tenha paciência comigo. Portanto, é parte da felicidade prometida de Israel o fato de que eles devam emprestar e tomar emprestado (Deuteronômio 28.12). E nós devemos nos esforçar para nos conservar, tanto quanto pudermos, sem dívidas. Alguns vendem a sua liberdade para gratificar a sua luxúria.

 

V. 8 – Observe:

1. Os ganhos obtidos com desonestidade não prosperarão: o que semear a perversidade, que fizer algo injusto, esperando conseguir algo com isto, segará males; o que ele conseguir, nunca lhe trará nenhum bem, nem lhe dará nenhuma satisfação. Ele não encontrará nada, senão desapontamento. Os que criam problemas para os outros apenas preparam problemas para si mesmos. Os homens irão colher o que semearam.

2. O poder usado de maneira inadequada não durará. Se a vara da autoridade se converter em uma vara de indignação, se os homens governarem pela paixão, e não pela prudência, e, em lugar do bem público, desejarem apenas a gratificação de seus próprios ressentimentos, ela falhará e se quebrará, e o seu poder não os respaldará nas suas extravagâncias (Isaias 10.24,25).

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

OS BENEFÍCIOS DO TEMPO

Neurociência comprova que células neuronais mais idosas não têm necessariamente pior desempenho. Muitas tarefas são realizadas com maior eficiência pelos mais velhos.

Os benefícios do tempo

Eles são muito lentos, esquecidos, inacessíveis. Quando submetidos a pressão, cometem mais erros, desconhecem o trabalho em equipe e ignoram as novas técnicas. Essa é a opinião corrente sobre os profissionais mais velhos. Com frequência, os superiores decidem em favor de candidatos na faixa dos 25 anos. Pesquisas recentes, entretanto, mostram que, com o avanço da idade, algumas capacidades cognitivas são fortalecidas. Muitas vezes, isso ocorre como resultado de um mecanismo que procura compensar a menor velocidade de trabalho de outras funções. Nos últimos anos, estudos realizados com técnicas de imageamento revelaram que, com o transcorrer do tempo, as redes neurais são reestruturadas e o sistema nervoso central simplesmente passa a ativar diferentes áreas cerebrais. Como a expectativa de vida aumentou, a idade de ingresso na aposentadoria é cada vez maior e muitas pessoas retornam ao mercado de trabalho, cresceu também o contingente de pessoas que permanecem profissionalmente ativas por mais tempo. Algumas áreas já apresentam um quadro paradoxal, enquanto os profissionais com mais de 40 anos têm muita dificuldade para se empregar, as organizações reclamam da falta de candidatos qualificados. Minguam os trabalhadores mais jovens e bem formados. Faz-se necessária uma mudança de modelos, pois considerar um candidato com mais de 45 anos como obsoleto em decorrência da idade corresponde a desqualificar sua experiência e seus valiosos recursos.

Pesquisas gerontológicas mostram que, quando comparadas entre si, as pessoas mais velhas apresentam diferenças de desempenho notáveis em muitas tarefas consideradas críticas. Tal fato contradiz a opinião generalizada de que, ao envelhecer, todo ser humano necessariamente desenvolve deficiências. Os estudos comprovam ainda mais: só alguns processos cerebrais são afetados pelo envelhecimento. Hoje, nenhum especialista crê na ideia de que as funções cognitivas são prejudicadas em sua totalidade com o passar do tempo.

O pesquisador Cheryl Grady, do Instituto de Pesquisa Rotman, em Toronto, Canadá, demonstrou que, nos indivíduos mais velhos, outras regiões do córtex cerebral, diferentes das utilizadas pelos jovens, são responsáveis pelo reconhecimento fisionômico, por exemplo. Na Universidade Duke Carolina do Norte, Roberto Cabreza encontrou provas de que as pessoas com mais idade e pior desempenho de memória tinham ativadas as mesmas regiões cerebrais que os jovens. Já os mais velhos com boa performance apresentavam um padrão de ativação neurológica diverso, ficou claro que a reestruturação neural pode compensar eventuais déficits de rendimento. Aparentemente, porém, nem todas as pessoas com idade avançada apresentam essa capacidade.

VANTAGEM PELA EXPERIÊNCIA

De qualquer maneira, os idosos possuem uma vantagem muito nítida sobre os principiantes: o conhecimento constituído por meio da experiência, a que os pesquisadores chamam ‘inteligência cristalizada”. Esta abrange os conhecimentos gerais e o vocabulário dominado pela pessoa. Além disso, os mais velhos frequentemente apresentam competência social muito superior à dos jovens. Tal fato é crescentemente reconhecido pelos empregadores, que preferem os mais experientes para as tarefas de assessoria e relacionamento com o cliente. Com o avanço da idade, o rendimento da inteligência cristalizada se mantém constante ou até aumenta em indivíduos saudáveis. Todavia, cada vez menos o mundo do trabalho moderno faz uso das competências dessa habilidade. O que conta em todas as profissões é rapidez e flexibilidade. Motoristas de caminhão têm rotinas de trabalho muito dinâmicas e precisam se orientar com agilidade em ambientes desconhecidos. A realização dessas tarefas fica a cargo da chamada “inteligência fluida” responsável pelo bom desempenho quando é necessário mudar rapidamente de uma tarefa para outra ou em ocasiões em que é preciso direcionar o foco de atenção e selecionar informações relevantes.

Nesse âmbito, os mais velhos ficam em pior atuação. A psicóloga Jutta Kray, da Universidade de Saarbrücken, Alemanha, comprovou que as dificuldades são especialmente grandes quando é necessário coordenar duas tarefas simultâneas. A pesquisadora expôs pessoas de diferentes idades a figuras coloridas ou em preto e branco nas quais estava representado um retângulo ou um triângulo. Elas tinham de informar se viam cores ou formas – no caso um triângulo ou um retângulo. A informação deveria vir intercalada, duas vezes seguidas era preciso identificar a cor da figura e nas duas vezes subsequentes, o formato; depois novamente a cor, e assim por diante.

Ficou demonstrado que os mais velhos sempre apresentavam performance pior quando mudavam de tarefa. O custo da alteração cognitiva era, portanto, mais alto para eles. As capacidades basais do controle cognitivo pareciam afetadas, mesmo depois de transcorridos inúmeros testes, as dificuldades permaneciam e não era possível remove-las com treinamento. Porém, em todas as notícias são ruins. Algumas indicações relativizam a ideia da ‘idade inflexível’, pois as falhas dependem bastante de condições marginais. As restrições questões podem ser plenamente compensadas quando as condições de trabalhos são modificadas.

DIFÍCIL DECISÃO

Com o estudo mais detalhado das bases fisiológicas no cérebro, muitas restrições cognitivas adquirem novo significado. Recentemente, nosso grupo de trabalho associou-se a Juliana Yordanova e Vasil Kolev, da Academia Búlgara de Ciências, para estudar o motivo do atraso da reação em pessoas mais idosas expostas a estímulos que exigiam respostas diferenciadas.

Elaboramos um experimento no qual os participantes liam em um monitor ou ouviam em um fone uma das quatro vogais: A, E, I e O. A cada letra lida ou ouvida, deveriam pressionar uma tecla o mais rápido possível. A tecla correspondente a cada vogal deveria ser acionada com um dedo diferente (indicador ou médio da mão esquerda e da direita, respectivamente). Quando surgiam novos estímulos, as pessoas tinham, então, de decidir como reagir enquanto sua atividade cerebral era medida por meio deum eletroencefalograma.

Nos processos cognitivos ou nas percepções sensoriais, ocorrem os chamados potenciais relacionados a eventos (event-related brain potentials – ERPs). Os componentes do ERP permitem interferir no funcionamento dos processos neurais. A porção inicial do sinal corresponde, no experimento das vogais, ao processamento do estímulo. As ondas seguintes representam o desenvolvimento do pensamento e da decisão de ação. Por fim, pouco antes da resposta motora, há um componente que representa a preparação do movimento do dedo. O tempo de reação dos mais velhos foi cerca de 60 milissegundos mais longo que o dos mais jovens e a porcentagem de erro foi mais baixa.

Como se produz o retardamento da reação, Esse experimento não mostrou em qual etapa os cérebros mais idosos perdiam mais tempo: se na percepção visual ou na auditiva, na decisão sobre qual dedo usar ou na execução da resposta motora. Para obter essa informação, foi feito um teste de controle, no qual os estímulos eram os mesmos que no primeiro experimento, mas a reação deveria ocorrer sempre com o mesmo dedo.

Essa tarefa simplificada era realizada com mais velocidade por todos, e as diferenças de desempenho entre jovens e velhos desapareciam. As faixas etárias apresentavam diferenças estatisticamente insignificantes. Seria possível concluir que o processo de decisão sobre qual dedo usar era responsável pelo retardamento da reação nas pessoas mais velhas.

Contudo, como se apresentava o quadro quando os potenciais relacionados a eventos desse teste eram analisados. Surpreendentemente, os potenciais responsáveis pelo reconhecimento do estímulo eram bem mais altos nos indivíduos mais idosos que nos jovens. Assim, seu cérebro parecia compensar algo, ou seja, despendia maior esforço para chegar ao mesmo resultado.

Além disso, os ERPs relativos à percepção visual dos mais velhos eram retardados por alguns milissegundos, o que não acontecia com os estímulos acústicos. Isso mostra que o processamento visual é um pouco menos eficiente nos mais velhos, embora a diferença com relação aos moços seja muito pequena. Todavia, não explica por que os primeiros demoravam mais a decidir entre as teclas no experimento em que era necessário determinar qual dedo usar, e porque esse retardo era igualmente longo em estímulos visuais e sonoros, apesar de a percepção visual ser um pouco mais tenra que a sonora.

A explicação foi encontrada na porção do ERP que espelha o preparo da resposta. Quando um determinado dedo é mobilizado, há aumento substancial de atividade na área cerebral correspondente a esse dedo. O chamado potencial lateralizado de prontidão (Lateralized readness  potential – LRP) indica quão intensamente o cérebro se prepara para determinada ação.

O sinal elétrico do potencial de prontidão era iniciado sem demora nos mais velhos. Porém, era bem mais intenso que nos jovens. E até que a reação fosse desencadeada, passava-se mais tempo. O real motivo do atraso não é então a demanda de tempo maior para a tomada de decisão, mas reside muito mais no tempo necessário para os preparativos da resposta motora.

ELOGIO À LENTIDÃO

Pode ser que o centro motor do cérebro mais velho seja menos sensível. Isso é pouco provável, já que o teste-controle evidenciaria diferenças entre pessoas jovens e velhas, o que não foi o caso. Estamos convencidos de que se trata de uma segunda alternativa: o limiar de reação parece aumentado nas pessoas mais velhas por motivos estratégicos: para reagir com mais cautela e diminuir as possibilidades de erro. Essa hipótese está em conformidade com os resultados corroborados pela análise de muitos outros potenciais. Parece que cérebros mais velhos “gostam” de trabalhar mais devagar, porém o fazem com maior precisão. A conclusão do estudo é que as pessoas com mais idade não possuem audição prejudicada em comparação com os mais jovens e, apesar de processarem a informação visual de modo levemente pior, a do seu cérebro é capaz de tomar decisões com relação a respostas motoras com a mesma rapidez dos jovens. Apenas o seu limiar motor é mais alto.

As consequências para o cotidiano profissional são grandes. As atividades de controle de qualidade, por exemplo, requerem decisões frequentes e habilidades de seleção rápida. Como mostra nosso estudo, os processos cognitivos implicados nessas tarefas não ficam prejudicados com o passar dos anos. Mesmo quando há uma diminuição na velocidade de sua execução devido ao limiar de reação um pouco mais elevado, não há motivos práticos para não delegar tais tarefas aos funcionários mais velhos. Pelo contrário, pode haver evidentes vantagens em fazê-lo, pois é certo que as atividades de controle de qualidade dependem de uma baixa taxa de erro, tal como é observada nos mais experientes.

Outros experimentos demonstraram que indivíduos mais velhos muitas vezes cometem menos erros que os moços, em especial nas tarefas que exigem capacidade de concentração. Os resultados causaram surpresa, pois em geral considera-se que as pessoas de mais idade são mais suscetíveis a distração. Pensava-se que desviavam a atenção de um interlocutor com mais facilidade quando, por exemplo, houvesse pessoas conversando em volta.

Nossa equipe trabalhou com estímulos visuais desenvolvidos pelo neuropsicólogo Bruno Knopp, da Universidade de Braunschweig, Alemanha. As pessoas deveriam reagir ao aparecimento das setas luminosas que surgiam no centro de um pequeno monitor pressionando uma tecla, usando a mão para a qual a seta apontasse.

Procuramos distrair as pessoas pouco antes do aparecimento estímulo, usando outras setas próximas à principal na parte superior ou inferior do monitor. Em metade dos casos, as setas marginais apontavam na mesma direção da seta no centro da tela (congruente), na outra metade, apontavam na direção oposta (incongruentes).

DISTRAÇÃO? NÃO, OBRIGADO!

Quando ocorria a interferência de estímulos que apontavam na direção oposta, os tempos de reação eram mais longos, independentemente da idade. Todas as pessoas apresentavam maior taxa de erro. O potencial lateralizado de prontidão ratificou essa observação: de início, sua curva era ascendente, indicando uma reação incorreta. Nesse caso, a mão errada estava sendo preparada para agir. Apenas depois disso, acurva era descendente, indicando a ativação da mão correta.

Os mais velhos são tão suscetíveis quanto os mais jovens a estímulos de distração, o que se espelha no pico positivo da curva. Além disso, a reação correta, refletida no vale da curva, demora mais a ser desencadeada. Apesar disso, os idosos cometem apenas metade da quantidade de erros dos moços. Qual a causa disso?

Notamos que os LRP’s dos mais jovens eram iniciados antes, o que significa que reagiam com mais rapidez aos estímulos falsos (as setas incongruentes), de modo que não era possível evitar a resposta incorreta: eles pressionavam a tecla errada. Nas pessoas com mais idade, a ativação da resposta demora mais, o que evitava os equívocos. Os supostamente mais vagarosos possuem, portanto, enorme vantagem conferida por esse mecanismo de retardamento.

Situações como essas podem ocorrer, por exemplo, no trânsito, em que há frequente alteração dos estímulos. Em um cruzamento com inúmeros semáforos, os jovens podem errar com mais facilidade, reagindo precocemente a um sinal verde que talvez não seja o correto para a faixa em que se encontram.

A propensão ao erro depende, todavia, do tipo de tarefa. Os mais velhos não apresentam desempenho tão bom se submetidos a pressão temporal, sobretudo quando necessitam encontrar algo com rapidez usando a visão. Desenvolvemos um experimento para demonstrar tal dificuldade. A tarefa consistia em encontrar no monitor um sinal luminoso específico: um anel aberto de um dos lados. Apenas metade dos mostradores possuía tal característica a qual os indivíduos deveriam reagir pressionando uma tecla. Seu tempo de busca era de 15 segundos, intervalo aproximado para a reação em um cruzamento viário.

As pessoas mais velhas apresentavam porcentagem de erro maior, e a resolução da tarefa era invariavelmente mais demorada quando comparada a dos jovens. Além disso, os sujeitos com mais idade consideravam o teste muito cansativo, o que se refletia em seu padrão de ondas cerebrais. Antes do aparecimento do sinal luminoso na tela, uma onda especial de preparação, a chamada “variação contingente negativa”, surgia na região frontal do cérebro. Essa onda era visivelmente aumentada nas pessoas mais idosas. Seu cérebro parecia se preparar muito mais para a execução da tarefa. Concluímos que se trata de um mecanismo de compensação, cujo esforço adicional levava a um grande cansaço, embora neste caso não fosse registrado melhor desempenho.

Tais tarefas de busca visual realizadas sob pressão constituem uma dificuldade para os trabalhadores mais velhos. Entretanto, na execução de uma atividade profissional, o problema seria solucionado com facilidade. Os motoristas de caminhão poderiam dispor de um sistema computadorizado de navegação por estímulos sonoros. É claro que tal sistema não deveria distrair o condutor. Um projeto de pesquisa financiado pela Comunidade Europeia atualmente desenvolve um sistema dessa natureza.

Deficiências relacionadas à idade aparecem apenas em determinadas ocupações. Como os profissionais mais experientes apresentam melhor performance em muitas outras tarefas, sua classificação genérica como menos eficientes não se justifica. Muitos dos eventuais déficits podem ser compensados pela reorganização dos locais de trabalho. Os métodos neurofisiológicos hoje permitem encontrar com precisão as causas de deficiências de desempenho, abrindo a possibilidade da reestruturação de tarefas.

MAIS TEMPO PARA DECIDIR. E MENOS ERROS

Os benefícios do tempo. 2

 

OUTROS OLHARES

ESCALADA ANTIABORTO

Desde o início do ano, oito estados americanos aprovaram leis que restringem a interrupção da gravidez, prática legalizada nos EUA há 46 anos

Escalada antiaborto

O desmonte do direito ao aborto nos Estados Unidos radicalizou-se neste mês. “Hoje sancionei a lei de proteção à vida humana do Alabama. Para os vários apoiadores, essa legislação representa uma confirmação da crença que têm os cidadãos do Alabama de que toda vida é preciosa e de que toda vida é um presente sagrado de Deus”, escreveu a governadora do estado sulista americano, a republicana Kay lvey, em um tuíte em 15 de maio. A postagem, com mais de 40 mil curtidas – muito acima da média de algumas centenas que a estadista de 74 anos costuma receber na rede social -, representou um marco que os americanos contra o aborto esperavam havia anos e que em 2019 parece convergir em uma série de outras iniciativas legislativas pelo país: com a assinatura de Ivey, o Alabama se tornou o estado americano com as leis mais restritivas em relação à interrupção da gravidez, prática legalizada nacionalmente nos EUA desde 1973.

Na noite anterior à assinatura de Ivey, a Assembleia Legislativa do Alabama aprovou por 25 votos contra 6 a lei que permite aborto apenas em casos de “sério risco à saúde da mãe, ou se o feto possui, uma doença letal”, o que é visto como uma proibição quase total da prática. De acordo com o texto, a punição para médicos que forem pegos realizando esse procedimento é de 99 anos de prisão e, ainda que as mães não sejam criminalizadas imediatamente, é possível que sejam julgadas como cúmplices. A rigidez da medida foi observada inclusive pelo presidente Donald Trump, que, também no Twitter, fez questão de ressaltar suas preferências e exceções – com elação ao tema: “Sou extremamente pró-vida, com três ressalvas estupro, incesto e a proteção à ida da mãe”, disse ele no dia 18, apontando situações em que a lei aprovada no Alabama não cede. No mesmo comentário, no entanto, Trump não se furtou a desenhar sua estratégia antiaborto: “Chegamos muito longe nos últimos dois anos, com 105 novos juízes federais, dois novos juízes da Suprema Corte. (…) A esquerda radical, com o aborto tardio (e pior) está implodindo nessa discussão. (…) Se formos tolos e não nos mantivermos unidos, todos os nossos difíceis ganhos pela vida poderão, e vão, desaparecer rapidamente”.

O que o presidente americano quis dizer com os “difíceis ganhos pela vida” nos últimos tempos pode ser mensurado somente com dados de 2019. Desde janeiro, oito estados americanos já aprovaram leis que tornam mais restritivas as situações em que o aborto é permitido. Além do Alabama, cuja lei é a mais rígida entre eles, os governos de Ohio, Mississippi, Kentucky, Georgia, Missouri, Arkansas e Utah também corroboraram legislações que diminuem o intervalo de semanas em que uma mulher pode decidir pela interrupção da gravidez. Com exceção dos dois últimos, cujas novas leis permitem o aborto até a 18ª semana, os outros cinco estados adotaram medidas que tomam por referência a primeira pulsação eletromagnética do feto, que mais tarde se tornará seu batimento cardíaco e que costuma ocorrer entre a sexta e a oitava semana de gestação – período em que muitas mulheres podem ainda não saber que estão grávidas. Apenas o Alabama, que anteriormente dava até 22 semanas para o procedimento ser realizado, baniu a opção quase completamente, sem oferecer períodos de escolha. Antes das novas legislações, os outros sete estados podiam considerar o aborto legal até a 26ª semana, dependendo do estado, como acontece com a maioria das outras 50 unidades federativas dos EUA.

Ainda que tenham sido aprovadas, a possibilidade de alguma dessas leis entrar em vigor em um futuro próximo é quase zero, e os deputados responsáveis pela elaboração e pelo apoio a essas medidas já sabiam disso quando decidiram por essa estratégia. Em uma disputa legal de 1973 que marcou a história americana, a Suprema Corte decidiu garantir o direito de todas as mulheres ao aborto no país inteiro até o feto ser considerado “viável”, aquele que poderia sobreviver caso fosse retirado do útero, o que costuma acontecer entre a 23{ e 24ª semana de gestação. A decisão – que ficou conhecida como “Roe versus Wade” e se baseia no “direito fundamental à privacidade” garantido pela 14ª Emenda da Constituição americana – é responsável por barrar as iniciativas estaduais de vigorarem imediatamente, o que foi feito via ações de inconstitucionalidade movidas por associações pró­ aborto (ou pró-escolha), como a American Civil Liberties Union e a Planned Parenthood, assim que as novas medidas restritivas foram aprovadas nos oito estados. O plano dos partidários pró-vida, no entanto, não é fazer as leis estaduais valerem de imediato. Como detalhou a própria governadora do Alabama no mesmo comunicado em que anunciou seu sinal verde à nova lei, a meta é a mais alta Corte dos EUA: “Não importa a opinião pessoal sobre o aborto, todos reconhecemos que, ao menos no curto prazo, essa lei pode não vigorar. (…) Os apoiadores dessa lei (do Alabama) acreditam que é a hora, mais uma vez, de a Suprema Corte revisitar esse assunto importante, e que esse texto pode proporcionar a melhor oportunidade de isso ocorrer”.

A afirmação de Ivey quanto ao momento faz eco nas outras esferas contra o aborto nos EUA. ” Não há dúvidas de que já tivemos momentos bons, em que a luta contra o aborto ganhou relevância e ficou mais forte desde 1973, mas claramente há um aumento nestes últimos dois anos”, disse Clarke D. Forsythe, advogado e conselheiro jurídico sênior na Americans United for Life, organização pró­ vida da qual faz parte desde 1985. Autor de um livro que examina criticamente, sob o ponto de vista jurídico, a lei de aborto nos EUA, Forsythe classificou as recentes medidas contra o aborto como vitórias que representam a vontade dos americanos de ver o assunto novamente na Suprema Corte. Mais ainda, ele acredita que as iniciativas estaduais apontam para outra tendência: “Creio que esse assunto nunca deveria ter ido para escalas federais, mas permanecido na jurisdição de cada estado, de forma que cada um poderia decidir como proceder em casos de aborto. Pode não ser daqui a dois ou três anos que vamos conseguir uma proibição, mas essas últimas medidas mostram que os estados americanos estão dispostos a desafiar a Suprema Corte para ter questões que lhes interessam novamente em pauta”.

Embora as americanas nos oito estados ainda possam interromper a gestação legalmente e com segurança, a aprovação das leis foi suficiente para mobilizar manifestantes em diversas casas legislativas no país. Com centenas de cartazes exibindo dizeres já conhecidos nos EUA quando se trata de atos pró-aborto, como “Meu corpo, minha escolha” e “Mantenha o aborto seguro e legal”, os partidários desse lado da disputa temem o que Trump fez questão de detalhar em seu tuíte – a nova configuração da Suprema Corte americana. Desde sua posse, em 2017, o presidente nomeou os juízes Neil Gorsuch e Brett Kavanaugh, este último após denúncias de assédio sexual que chegaram a ameaçar sua confirmação na casa no lugar de Anthony Kennedy, que costumava ser o voto decisivo na Corte. O receio é de que, entre os nove membros, a maioria professe decisões conservadoras quanto ao aborto e que a Roe versus Wade possa ser eventualmente derrubada.

De acordo com Forsythe, essas leis levarão em média de um a três anos para chegar à Suprema Corte, o que não quer dizer que elas serão julgadas, uma vez que a casa tem liberdade absoluta para decidir o que colocará em pauta. Atualmente, já existem quatro casos sobre aborto na mais alta Corte dos EUA, nenhum deles exatamente pedindo o cancelamento da Roe versus Wade, mas “erodindo” lentamente a lei de 1973 com algumas restrições. Segundo o advogado, a Suprema Corte já deu sinais de que não vai considerar esses casos rapidamente, mas “os juízes não podem ignorar para sempre a vontade dos estados, que estão exercendo sua independência”.

A Americans United for Life se enquadra entre as diversas organizações pró-vida à frente da disputa, como a SBA List e a National Right to Life, mas Forsythe garantiu que não há uma articulação nacional entre todas, com cada uma atuando com independência, sem um pequeno grupo de líderes. Ainda que o movimento não seja único, a antropóloga e professora da Universidade de Brasília (UnB) Debora Diniz vê a influência dessas recentes decisões nos EUA como parte de um “ecossistema” que não só influencia o país internamente, como também internacionalmente. É o caso da chamada “gag rule” ou “lei da mordaça”, política adotada por Trump que impede, entre outras coisas, que organizações humanitárias que realizam procedimentos de aborto no mundo recebam dinheiro dos EUA. Para Diniz, o ponto alto na decisão do Alabama representa uma concepção moral que quer ser exportada para o resto do mundo e que, por uma série de “estratagemas”, procura derrubar a lei em vigor nos EUA: “Quase todas essas restrições, por exemplo a referente ao batimento cardíaco do feto, são estratagemas para impedir que as mulheres façam o aborto. Já outras leis obrigam exames e ‘tempo para pensar’ antes de decidir pela interrupção. Ora, para fazer esses exames essa mulher já tem de faltar ao trabalho, gastar dinheiro e passar por mais uma série de obstáculos, o que dificulta todo o processo”, afirmou ela.

Acompanhando a legislação de diversos países sobre o tema, Diniz afirmou que, recentemente, não há uma guinada comparável à dos EUA em nações onde o aborto também é legalizado, com exceção de tentativas no Leste Europeu. Ela alertou sobre a estratégia que essas leis têm de “minar o acesso ao aborto” e impor uma pergunta que, a seu ver, é indevida nesse contexto: “Discutir quando se inicia a vida não deve ser a questão que pauta as decisões”. A resposta no caso do EUA vem com uma mobilização maior dos movimentos pró-aborto, ainda de acordo com Diniz, que calcula um prazo mais longo para a chegada das novas leis à Suprema Corte: de cinco a dez anos.

Ainda que tenham pontos de vista diferentes, tanto Forsythe quanto Diniz concordam que a discussão sobre o tema nos EUA nunca foi tranquila desde 1973. Ambos reconhecem que a situação atual, com dezenas de manifestações pelo país, representa outra etapa em uma discussão que parece crescer, ao menos até o período em que as campanhas presidenciais acontecerão, em 2020 – e que um dos processos sobre aborto na Suprema Corte, relacionado à Louisiana, pode ser retomado na casa.

Trump, ainda no mesmo tuíte em que comentou o tema, já deixou claro como as duas coisas, aborto e eleições, se combinam no país: “Devemos permanecer juntos e vencer pela vida em 2020,”.

Escalada antiaborto. 2

GESTÃO E CARREIRA

CULTURA DA EMPRESA É, NA BASE, CRESCER JUNTOS

Cultura da empresa é, na base, crescer juntos

Que a rotatividade de funcionários nas startups é alta, não há dúvidas. Empresas menores e em seu estágio inicial são, em sua maioria, compostas por jovens que iniciam seu caminho profissional. Isso implica em um tempo maior para a construção de uma cultura de empresa sólida e que norteie todas as operações que você venha a realizar interna e externamente. No entanto, a construção destes valores coletivos é de extrema importância para os próximos passos e futuras conquistas.

Como CEO de uma startup, digo que esta tarefa não é das mais simples, mas vale o esforço. Da nossa parte, conseguimos construir uma cultura cada vez mais forte com a nitidez do que acreditamos. Estamos em atividade desde 2016 e, além de aumentarmos exponencialmente o nosso time nestes quatro anos, também mantivemos muitos funcionários. Dividimos o mesmo ramo de atuação com grandes nomes nacionais e empresas estrangeiras que atuam no Brasil, portanto, é uma conquista que tantos profissionais excelentes escolham voltar para nosso escritório todas as manhãs.

Em termos de base, quando se inicia um negócio pode haver uma expectativa para a formação do “time ideal”. Acredito que, primeiramente, o empreendedor deva deixar de lado estas expectativas. Obviamente sempre devemos buscar os melhores profissionais, mas a mistura de experiências, vivências e a contribuição individual de cada um também são fatores fundamentais para que se construa uma cultura com solidez.

Outro ponto importante é que os novos colaboradores conheçam bem os ideais da empresa logo no seu primeiro contato. Uma atividade que colocamos em prática aqui, e que aconselho muitos gestores a tentarem é que, antes de aceitarem ou não ingressarem em nossa equipe, os profissionais trabalhem um dia inteiro conosco antes de “baterem o martelo”. Esse test-drive corporativo se mostrou muito eficiente para que o primeiro dia de trabalho deste novo funcionário já seja baseado em uma experiência real. Ou seja, ele já chega pautado de nossos valores. Isso evita frustrações ou expectativas além do possível.

Reafirmar estes preceitos básicos do trabalho em equipe interno também é um ponto essencial no dia a dia da equipe. Por exemplo, no início de fevereiro fizemos uma ação para que nossos funcionários do escritório tivessem a experiência de nossos colaboradores que fazem dezenas de entregas diariamente. O time escritório foi para a rua viver de perto o trabalho da ponta do nosso serviço: nossos shoppers.

Como são eles que estão em contato direto com a nossa base de clientes diariamente, conhecer todos os passos de seu processo é fundamental para crescermos juntos. Saber as dores da nossa linha de frente nos permite desenvolver nosso produto para que estas arestas sejam aparadas e a operação flua da melhor forma. Gerenciar uma equipe que presta serviço nos faz ter uma tarefa dupla: conhecer nossos clientes e também nossos colaboradores em suas complexidades, vontades e objetivos.

O resumo é que, como já diz o título, uma cultura de empresa forte precisa ser baseada na vontade de crescer juntos. Os resultados são conquistados coletivamente, portanto, que o coletivo seja o mais fortalecido possível. Ações como as que eu mencionei anteriormente trazem o melhor de cada funcionário para dentro da equipe e para os clientes também.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 22: 1-4

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 1 – Aqui há duas coisas que são muito valiosas, às quais devemos cobiçar mais do que às grandes riquezas:

1. Que falem bem de nós: um nome (isto é, um bom nome, um nome honrado diante de Deus e das pessoas de bem) deve ser preferido às grandes riquezas; isto é, nós devemos ter mais cuidado em fazer aquilo que nos permitirá conseguir e manter um bom nome, do que aquilo que nos permitirá ter grandes e muitas propriedades. As grandes riquezas trazem consigo grandes preocupações, expõem os homens a perigos, e não acrescentam nenhum valor verdadeiro a um homem. Um tolo e um trapaceiro podem ter grandes riquezas, mas um bom nome deixa o homem sossegado e seguro, pressupõe que o homem é sábio e honesto, e resulta na glória de Deus e dá ao homem maior oportunidade de fazer o bem. Com grandes riquezas, nós podemos aliviar as necessidades físicas dos outros, mas com um bom nome, nós podemos lhes recomendar a religião.

2. Ser amado, ter interesse na estima e nos afetos de todos os que estão à nossa volta; isto é melhor do que a prata e o ouro. Cristo não teve prata nem ouro, mas crescia em graça para com Deus e os homens (Lucas 2.52). Isto deve nos ensinar a considerar com santo desprezo a riqueza deste mundo, não nos dedicar a ela, mas, com todo o cuidado possível, pensar naquelas coisas que são amáveis e têm boa fama (Filipenses 4.8).

 

V. 2 – Observe:

1. Entre os filhos dos homens, a divina Providência ordenou que alguns fossem ricos e outros pobres, e eles estão misturados nas sociedades: a todos os fez o Senhor, que é tanto o Autor da sua existência como o que dispõe da sua sorte. O maior homem do mundo deve reconhecer que Deus é o seu Criador, e que está sob as mesmas obrigações de se sujeitar a Ele que tem o mais humilde; e o mais pobre tem a honra de ser a obra das mãos de Deus, tanto quanto o maior. Não temos nós todos um mesmo Pai? (Malaquias 2.10; Jó 31.15). Deus torna alguns ricos, para que possam ser caridosos com os pobres, e faz outros pobres, para que possam servir aos ricos; e eles têm necessidade, uns dos outros (1 Coríntios 12.21). Ele fez alguns pobres, para exercitar sua paciência, e seu contentamento, e sua dependência de Deus; e fez outros ricos, para exercer a sua gratidão e beneficência. Porquanto sempre tendes convosco os pobres, eles não desaparecerão da terra, e nem os ricos.

2. Apesar da distância que existe, em muitos aspectos, entre os ricos e os pobres, ainda assim, em outros aspectos, eles se encontrarão, especialmente diante do Senhor, que é o Criador de todos eles, e que não estima o rico mais do que o pobre (Jó 34.19). Os ricos e os pobres se encontram no tribunal da justiça de Deus, sendo todos culpados perante Deus, considerados culpados pelos pecados praticados e por terem sido moldados em iniquidade, tanto os ricos como os pobres; e se encontram diante do trono da graça de Deus; os pobres são tão bem-vindos como os ricos. Há o mesmo Cristo, as mesmas Escrituras, o mesmo Espírito, o mesmo concerto de promessas, para ambos. Há o mesmo céu para os santos pobres que existe para os ricos; Lázaro está no seio de Abraão. E há o mesmo inferno para os pecadores ricos que existe para os pobres. Todos estão no mesmo nível perante Deus, como também na sepultura. Os pequenos e os grandes estão ali.

 

V. 3 – Veja aqui:

1. O benefício da sabedoria e da consideração: um homem prudente, com a ajuda da sua prudência, poderá prever um mal antes da sua chegada, e se esconder; ele terá ciência de quando está entrando em uma tentação, e vestirá sua armadura e permanecerá vigilante. Quando as nuvens estiverem se ajuntando para uma tempestade, ele percebe o aviso, e foge para o nome do Senhor como a sua torre forte. Noé previu o dilúvio, José previu os anos de fome, e ambos tomaram as providências devidas.

2. O mal da precipitação e da falta de consideração. O simples, que acredita em qualquer palavra que o lisonjeie, não crerá nas palavras que o advertem, e assim passa e sofre a pena. Os simples se aventuram no pecado, ainda que lhes seja dito qual será o fim dele; eles se lançam em problemas, apesar do aviso que lhes é dado, e se arrependem de sua arrogância quando já é tarde demais. Veja um exemplo de ambos (Êxodo 9.20,21). Nada é tão fatal para as almas preciosas como o fato de que não dão ouvidos aos avisos.

 

V.  4 – Veja aqui:

1. De que consiste, em grande parte, a religião – na humildade e no temor ao Senhor; isto é, andar humildemente com Deus. Nós devemos reverenciar tanto a majestade e a autoridade de Deus, a ponto de nos submeter com toda humildade aos mandamentos da sua Palavra e às disposições da sua providência. Nós devemos ter pensamentos tão humildes a nosso respeito a ponto de nos comportar humildemente com Deus e os homens. Onde houver o temor a Deus, haverá humildade.

2. O que se obtém com isto – riquezas, honra, consolação, e vida longa neste mundo, na medida em que Deus julgar bom, riquezas espirituais e honra na bondade de Deus, e as promessas e os privilégios do concerto da graça, e, por fim, a vida eterna.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CONSEQUÊNCIAS HORMONAIS DO ABANDONO

Crianças negligenciadas produzem menos substancias que afetam as emoções.

Consequências hormonais do abandono

Mesmo nos depois da adoção, crianças abandonadas ou negligenciadas podem apresentar problemas de adaptação social. Se os primeiros anos foram vividos em instituições, é provável que desenvolvam dificuldades para criar laços duradouros e íntimos. O psicólogo americano Seth Pollack, da Universidade de Wisconsin, aponta causas biológicas muito concretas para que isso ocorra: a falta de oxitocina e vasopressina – dois neuro-hormônios que influenciam fortemente o estado emocional.

Pollack observou 18 órfãos brincando no colo de suas respectivas mães adotivas, enquanto elas lhes faziam cócegas, contavam seus dedos e sussurravam gracejos. E, seguida, o psicólogo comparou a taxa de neuropeptídios presentes na urina das crianças com os valores obtidos de exames de 21 crianças de mesma idade sob os cuidados dos pais biológicos. Crianças adotivas, em geral, apresentavam menor quantidade de vasopressina no sangue. Além disso, a taxa de oxitocina não se elevava depois da brincadeira, diferentemente do que aconteceria com as crianças do grupo de comparação. O psicólogo atribui a resultado às experiências anteriores dos órfãos que nos primeiros meses de vida tinham recebido pouca atenção.

OUTROS OLHARES

BASEADO EM EVIDÊNCIAS

O mais completo estudo já conduzido sobre os efeitos da maconha comprova que a droga faz muito mal ao cérebro dos adolescentes – e vira atalho para a depressão e pensamentos suicidas.

Baseado em evidências

Com exceção das drogas legais, não há nenhuma outra com aceitação tão crescente como a maconha, a erva consumida por cerca de 180 milhões de pessoas no planeta. A aceitação se mostra no debate em favor de sua legalização, ou de sua descriminalização. Nos Estados Unidos, 33 dos cinquenta estados já descriminalizaram o porte da maconha para uso recreativo ou medicinal – e em onze deles houve liberação de venda. O exemplo mais notável é o Uruguai, um país com apenas 3,4 milhões de habitantes, que se tornou o primeiro, em 2013, a legalizar a produção, o comércio e o uso da marijuana.

As experiências são relativamente recentes e, portanto, seu saldo definitivo ainda é desconhecido. Mas, enquanto isso. há movimentos em diversos países em prol da liberalização do consumo e do porte da droga. Mesmo no Brasil o Supremo Tribunal Federal retomará agora em junho uma discussão, interrompida em 2015 por um pedido de vista do então ministro Teorí Zavascki, sobre a descriminalização do porte de até 25 gramas para cidadãos com mais de 18 anos. Quando a discussão foi paralisada, o placar estava em 3 a O a favor da descriminalização.

No bojo desse movimento global, os profissionais de saúde fazem um sério alerta. Eles julgam que a discussão jurídica e comportamental não inclui um aspecto essencial, a questão da saúde dos consumidores. “De forma surpreendente e assustadora, o hábito entre os jovens tem sido ignorado na maioria das decisões das autoridades”, diz o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Universidade Federal de São Paulo, referência no tratamento de dependência química no Brasil. “Com isso, estamos criando uma legião de adultos psicóticos”. Pois é justamente no campo da saúde física e mental que acaba de surgir uma novidade.

Na edição de fevereiro, o conceituado jornal americano Jama Psichiatry publicou um estudo que reúne informações de onze pesquisas de universidades dos Estados Unidos, da Europa e da Oceania. O resultado: pessoas que usam maconha quando jovens têm risco maior de se tornar adultos com depressão (37¾ acima da média populacional), ter pensamentos suicidas (50% a mais) e são três vezes mais propensas a tentar tirar a própria vida. O levantamento reuniu dados de 23.317 pessoas. Eram homens e mulheres que haviam fumado até perto dos 18 anos e tinham parado; e também pessoas que continuaram a fumar pelo menos até os 32anos. Os problemas de saúde detectados nos dois grupos – dos que pararam aos 18 e dos que continuaram a consumir a erva – foram altamente semelhantes. A conclusão dos pesquisadores: é na adolescência que a maconha inflige seus maiores danos. Os efeitos deletérios são detectados a partir de quatro cigarros semanais, ao longo de pelo menos um ano – quantidade que define o consumo crônico da droga. “Tolerar o uso da maconha nessa fase da vida é um dos atos mais irresponsáveis que os pais podem ter com seus filhos, e eles mesmos com sua consciência”, diz Laranjeira.

O motivo da agressão tem origem na própria constituição do organismo humano. Nenhuma droga encontra tantos receptores prontos para interagir com o cérebro como a maconha. Tal efeito vem sobretudo de um dos compostos da erva, o tetraidrocanabinol (THC). Ele imita a ação de substâncias produzidas naturalmente, os endocanabinoides, neurotransmissores que participam da comunicação entre os neurônios, as chamadas sinapses. Interferir nesse mecanismo pode tornar as sinapses ineficientes. É o que faz o THC, ao ocupar o lugar dos endocanabinoides. No corpo jovem, isso pode deixar marcas indeléveis. Da puberdade até por volta dos 25 anos, o cérebro vive um processo conhecido no jargão científico como podo neural. Nela, as sinapses modificam-se intensamente, para se consolidar na fase adulta. A presença da maconha, nessa sinfonia, desafina a orquestra, e os neurônios passam a fabricar sinapses frágeis. É ineficiência que, tendo começado cedo, pode se perpetuar. “Se o adulto que fumou maconha de modo crônico na juventude se considera bem, intelectualmente apto e ágil, a medicina revela que ele muito possivelmente está aquém do que poderia ter sido”, explica o psiquiatra Valentim Gentil, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo.

Por algum motivo ainda não totalmente decifrado pela medicina, há áreas em que a perigosa afinidade neural com a maconha é ainda mais intensa. Uma delas é o córtex frontal, associado a habilidades como aprendizado, memória, atenção e tomada de decisões. Ou a região parietal, que responde pela percepção de estímulos sensoriais. Quando essas áreas são afetadas pelo THC, dá-se o aumento do risco de depressão e tentativa de suicídio na vida adulta, como apontou o estudo publicado no Jama. O usuário adolescente pode vir a ter, mais tarde, também dificuldades permanentes de concentração, raciocínio e planejamento, mesmo quando deixa de usar a droga. “As consequências tardias podem contribuir para a maconha ser subestimada e ter fama de inofensiva. Talvez esse seja o maior perigo dessa droga”, diz o neurocirurgião Arthur Cukiert, da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.

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Em contraste, os efeitos diretos do álcool e da cocaína sobre o cérebro se dissipam, na maioria das vezes, com mais facilidade, poucos dias depois de interrompido o consumo – embora, ressalve-se, os distúrbios provocados pelo uso contínuo de álcool e cocaína sejam devastadores. No cérebro, essas duas substâncias deixam as membranas dos neurônios mais frágeis. Mas essas estruturas celulares têm alta capacidade de regeneração, com a interrupção do consumo. Tanto a cocaína quanto o álcool liberam grandes quantidades de dopamina, o hormônio do prazer. A sensação é de euforia, de poder. Já os efeitos da maconha, o relaxamento e o torpor, caem como uma luva para o adolescente, que está numa fase da vida em que não se encarara grandes responsabilidades práticas, mas se experimenta uma montanha-russa de comportamentos e emoções provocados pelas alterações hormonais. Mais: a maconha é barata. Com cerca de 4 reais compra-se 1 grama, o suficiente para um cigarro.

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Nunca se usou tanta maconha como agora. Dos 180 milhões de consumidores no mundo, 3 milhões estão no Brasil – o dobro em relação há uma década. Seis em cada dez usuários são adolescentes – dos quais cerca de 30% fumam acima de um cigarro por semana. Isso equivale a dizer que, no Brasil, cerca de 540.000 dos adolescentes que estão consumindo a droga hoje podem vir a ser adultos com as disfunções mentais que o estudo do Jama apontou.

Há alguns anos, alastraram-se entre os usuários mais jovens duas formas particularmente prejudiciais de utilizar a droga. Uma delas é o skunk (gambá, em português), uma variedade de planta da maconha com maior concentração de THC. O skunk costuma conter mais de 10¾ de THC. A maconha comum, por volta de 2% a 4%. O preço de 1 grama de skunk chega a ser até vinte vezes mais alto – e a ação, muito mais agressiva. Um estudo conduzido em 2015 pelo Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King’s College em Londres, com 780 pessoas, revelou que o risco de consumidores do skunk ser acometidos de psicoses, como delírios e alucinações, pode ser até três vezes maior em relação aos jovens que nunca usaram a maconha.

A outra maneira agressiva de consumo é pelo estômago. Proliferam nos Estados Unidos e na Europa alimentos preparados com maconha. Há de tudo: balas, pirulitos, bolos, cereais matinais, doces. Hoje em Denver, capital do Colorado, o primeiro estado americano a autorizar o uso recreativo da maconha, em 2014, 45% do consumo da droga já ocorre dessa forma. No Brasil, proliferam em festas e grupos de amigos os alimentos feitos de modo caseiro com a erva. Na internet, há receitas do “chocotonha”, “brigadonha” e “bolonha”. Parte do sucesso nesse tipo de uso é a crença de se tratar de uma via menos agressiva em relação à droga fumada. Não é verdade. O estômago absorve o THC mais lentamente que os pulmões – após a ingestão, uma pessoa pode levar de meia a uma hora completa para sentir os efeitos, ou até mais, dependendo da quantidade de alimento que precisa ser digerida para que a substância possa ser absorvida ao estômago. E tende-se a comer mais porque não se sente o efeito imediato da droga.

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A maconha é originária da planta asiática Cannabis sativa, que contém 480 compostos. Sua ação psicoativa é conhecida desde a antiguidade. mas o THC foi isolado e reconhecido como o principal responsável pelo efeito há apenas meio século, pelo Centro de Pesquisas de Dor da Faculdade de Medicina da Universidade Hebraica de Jerusalém. A morfina, em termos de comparação, foi isolada do ópio há mais de 200 anos, e a cocaína, das folhas de coca há 150. Além do THC, há outro composto que tem sido estudado atualmente pela ciência, o CBD. Ele é o principal responsável pela ação terapêutica da planta, sobejamente aceita pela comunidade científica. Saber que um dos componentes da maconha faz bem tem o mesmo valor de entender, em detalhes, os mecanismos químicos que levam ao mal, sobretudo até o início da vida adulta. E conhecimento é sempre bom, especialmente em relação a um tema que costuma dividir as gerações e provocar opiniões apaixonadas.

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A DROGA COMO REMÉDIO

A maconha pode não só ser saudável, mas também salvar vidas. O poder terapêutico está no CBD, um dos 480 compostos da planta que origina a droga, a Cannabis sativa. Ele não é psicoativo nem tóxico como o THC. Não altera o raciocínio, não produz lapsos de memória nem perda cognitiva.       Tampouco causa dependência. O CBD é comprovadamente eficaz no controle de convulsões associadas a surtos epiléptico. Ele Interfere na metabolização de substâncias que regulam diversos neurotransmissores e age quando há um desequilíbrio na produção natural desses compostos – o que pode ocorrer nos processos de epilepsia. Por muitos anos, os portadores brasileiros de epilepsia recorriam à Justiça ou eram obrigados a importar o produto dos Estados Unidos, onde na maioria dos estados ele é liberado para uso medicinal. Lá, na forma de pasta, spray ou gotas, é vendido em farmácias de manipulação ou diretamente pelos fabricantes.

Em 2015, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) retirou o CBD da lista de substâncias proibidas e o pôs no rol de substâncias controladas, reconhecendo de maneira inédita seu efeito terapêutico. Dos cerca de 600.000 brasileiros epilépticos, 30% não respondem aos anticonvulsivantes convencionais. Para eles, o extrato de maconha é uma esperança. Novos estudos conduzidos pela Universidade de São Paulo, no campus de Ribeirão Preto, começam a esmiuçar outro uso do CBD: sua aplicação em tratamentos de fobia social. Realizado em parceria com o Instituto de Pesquisas sobre Abuso de Drogas de Baltimore, nos EUA, o trabalho mostrou que o CBD reduz o medo de falar em público, comum entre os portadores do problema.

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GESTÃO E CARREIRA

O MITO DO GANHA-GANHA

O mito do ganha-ganha

Em gestão, muitos mitos vão se criando impune ou – às vezes – inocentemente. Há os que acreditam de verdade que a propaganda é a alma do negócio. Os que chegam a jurar que o cliente tem sempre razão. Além dos que defendem, com unhas e dentes, que é melhor vender alguma coisa que o cliente não quer ou não precisa comprar do que sair da entrevista sem um “pedidinho”. E por aí vai.

Nos seminários e palestras que faço, sempre procuro discutir os deletérios efeitos que a crença em alguns desses mitos acabam por produzir nas organizações.

Hoje quero conversar com você sobre um dos mais frequentes mitos da negociação: o do método ganha-ganha.

Se formos a qualquer dicionário, verificaremos que a palavra método pode ser traduzida como forma ou processo de se fazer alguma coisa. Inspirados pelo mito, alguns negociadores chegam à conclusão que é possível percorrer cada passo do processo de negociação “ganhando” alguma coisa. Vejamos se essa ideia faz sentido.

Se toda a negociação tem origem numa divergência quanto aos meios e numa convergência quanto aos fins, o único método possível para chegar a um acordo favorável para ambas as partes é o cede-cede.

Tomemos por base uma negociação comercial. O lado (a) quer vender um produto, mas só pode entrega-lo em 90 dias. O lado (b) quer comprar o produto – eis aí a tal convergência quanto os fins – mas tem que recebê-lo em, no máximo, 45 dias – logo, há aqui uma divergência quanto aos meios. Supondo que os prazos reivindicados pelas partes sejam verdadeiros, a única forma de estabelecer o acordo é obtendo de cada lado uma concessão e, por exemplo, fechando o negócio para entrega daqui a 70 dias (ambos tiveram que ceder, não é verdade?).

Não quero aqui negar que muitas vezes as partes pedem muito mais do que consideram o mínimo aceitável. Aqui a tática é fingir que se está fazendo concessões para obter contrapartidas do outro (em outras palavras: aquilo que dizemos ser o máximo que podemos conceder é apenas o mínimo). Algumas vezes, batemos pé em uma determinada solicitação quando o que verdadeiramente queremos é algo bastante diferente (chamamos isso de agenda oculta). Nesse caso, a estratégia é levar a outra parte a conceder coisas que ela imagina não ser o nosso principal objetivo (um exemplo seria o cliente que insiste em redução de preço quando o que realmente lhe interessa é o prazo de pagamento). Mas isso é praticar o ganha-perde, não é verdade?

Existem inúmeras táticas que, embora levem ao ganha-perde, são amplamente utilizadas visando forçar o outro lado a fazer concessões acima do que seria possível considerar razoável:

COBERTOR: consiste em revelar tudo aquilo que queremos para depois verificar do que abriremos mão (a analogia é: vamos deixar os pés ou a cabeça descoberta?).

COLCHETE: consiste em isolar aquilo que a outra parte mais deseja visando colocá-la na defensiva.

SURPRESA: consiste na súbita mudança do objeto da negociação, deixando a outra parte desconcertada e despreparada para negociar.

INTIMIDAÇÃO: consiste em ameaçar a outra parte – sugerindo encerrar a negociação imediatamente, por exemplo.

SILÊNCIO: consiste em não emitir qualquer opinião ou crítica quanto ao que está sendo proposto, visando desorientar a outra parte.

DRIBLE: consiste em insistir que queremos uma determinada coisa quando o que nos interessa é outra.

AUTORIDADE LIMITADA: consiste em criar uma instância superior que precisa ser consultada antes de darmos uma resposta final sobre uma proposta.

MOCINHO/BANDIDO: negociadores que trabalham em dupla. Um faz o papel do bonzinho e o outro é o mal.

Poderíamos aqui mencionar uma lista muito mais ampla, que envolveria truques, artimanhas e falcatruas. Ao conversarmos sobre isso com os participantes dos nossos eventos, um número muito grande afirma utilizar-se desses recursos para obter o acordo. Sua opinião é que estão agindo da forma que propõem os livros e manuais (infelizmente muitos deles realmente propõem isso) e, consequentemente, não se percebem infringindo qualquer limite ético ou moral.

Sinceramente, eu não penso assim. É por isso que sempre enfatizo que “é melhor perder um bom negócio do que fazer um mau negócio”.

Acredito sinceramente que o principal elemento da negociação é o comportamental. Por isso valorizo tanto o autoconhecimento. Mas há coisas que você, como gestor, pode incentivar a equipe a fazer para visando a melhora da performance como negociador:

a)    incentive as pessoas a se debruçar sobre o processo para identificar pontos fortes da sua oferta e pontos fortes da oferta da outra parte, para que as obrigatórias concessões que farão possam ser recompensadas com vantagens – financeiras, emocionais, estratégicas – oferecidas pelo outro lado;

b)    defina empatia como uma das melhores estratégias para conseguir “pensar como o outro pensa”;

c)    esclareça que a ideia de ganhar em uma negociação não implica que a outra parte tenha que perder;

d)    estabeleça limites de autoridade para os negociadores, permitindo que eles exercitem sua capacidade de convencimento e troca;

e)    reforce comportamentos que levam a construção de confiança entre as partes e desestimule aqueles que levam os outros a desconfiar de nós.

Por último, vale a pena dizer que minha crença é que o ganha-ganha existe sim, mas não no processo. Ele é atingido quando ao final da negociação cada parte avalia as concessões que fez e as compara com os resultados que obteve e chega à conclusão que, realmente, valeu a pena todo o esforço.

 

JOÃO BATISTA VILHENA – é consultor sênior do Instituto MVC. Tem 35 anos de experiência profissional em Treinamento, Consultoria e Coaching, nas áreas de educação, gestão, marketing, negociação, vendas e distribuição.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 21: 29 – 31

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 29 – Aqui temos:

1. A arrogância e o atrevimento de um ímpio: ele endurece o seu rosto – como se estivesse revestindo-o de bronze. para não enrubescer – como se estivesse revestindo-o de aço, para que não trema, quando cometer os maiores crimes; ele desafia os terrores da lei e as repreensões da sua própria consciência, as censuras da Palavra e as repreensões da Providência; ele terá as coisas à sua maneira, e nada o impedirá (Isaias 57.17).

2. A cautela e a circunspecção de um homem bom: Quant o ao reto, ele não diz, O que quero fazer? De que tenho vontade? E. isto terei. Mas ele diz: O que devo fazer? O que Deus deseja de mim ? Qual é o meu dever? O que é a prudência? O que é para edificação? E assim, ele não força o seu caminho, mas o direciona de acordo com uma regra segura e certa.

 

V. 30 e 31 – A parte ocupada da humanidade é orientada, em todos os seus conselhos e esforços, a ter Deus em vista, e crer:

1. Que não pode haver sucesso contra Deus; portanto, jamais devem agir em oposição a Ele, com desprezo pelos seus mandamentos, ou em contradição aos seus conselhos. Embora pensem que têm sabedoria, e entendimento, e conselho, os melhores políticos e as melhores políticas do seu lado, ainda assim, se forem contra o Senhor, não poderão prosperar por muito tempo; isto não prevalecerá. Aquele que se assenta no céu se ri dos projetos dos homens contra Ele e o seu Ungido, e conseguirá o seu intento, apesar deles, (Salmos 2.1-6); os que lutam contra Deus estão preparando vergonha e ruína para si mesmos; quem quer que combata o Cordeiro, Ele certamente o derrotará (Apocalipse 17.14).

2. Que não pode haver sucesso sem Deus, e por isto os ímpios nunca devem agir, senão em dependência dele. Ainda que a causa seja muito boa, e os seus benfeitores muito fortes, e sábios, e fiéis, e ainda que sejam muito prováveis a maneira de realizá-la e conseguir o seu objetivo, ainda assim eles devem reconhecer Deus e levá-lo com eles. Os meios, realmente, existem para serem usados; o cavalo deve ser preparado para o dia da batalha, e também os pés; eles devem estar armados e disciplinados. Nos tempos de Salomão até os reis de Israel usavam cavalos na guerra, ainda que lhes fosse proibido multiplicá-los. Mas, afinal, a segurança e a salvação são do Senhor; Ele pode salvar sem exércitos, mas exércitos não podem salva r sem Ele; e, por isto, os homens devem buscá-lo e confiar nele para o sucesso, e quando o sucesso é obtido, Ele deve receber toda a glória. Quando estivermos nos preparando para o dia da batalha, a nossa grande preocupação deve ser a de fazer de Deus nosso amigo e assegurar a sua benevolência.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SOBRE A TRANSISTORIEDADE

Ao pensarmos que tudo que temos de bom – as belezas da natureza, o universo de sentimentos que cultivamos, nossos amores e até sabedoria – desvanece e se transforma em nada sob a ação do tempo, podemos tanto nos desiludir quanto valorizar ainda mais o presente.

Sobre a transistoriedade

Há algum tempo, em um dia de verão, fiz um passeio por um campo florescente em companhia de um amigo, um jovem e calado poeta, que já desfruta de considerável fama. Ele admirava a beleza da natureza à nossa volta, mas sem tirar grande experiência dela. Incomodava-o a ideia de que toda aquela beleza estava fadada a se esvanecer, no inverno teria se dissipado, assim como se perde a beleza humana e todas as coisas bonitas e nobres que os homens já criaram e podem vir ainda a criar. Todas as outras coisas que ele, de alguma forma, teria amado e admirado lhe pareciam desvalorizadas pela sina da transitoriedade à qual estão destinadas.

Sabemos que duas noções psíquicas diversas podem surgir do reconhecimento de que tudo, mesmo o   que é belo e perfeito, se deteriora. Uma delas leva ao aflito fastio do mundo do jovem poeta; a outra, à insurreição contra a enunciada fatalidade. Podemos pensar ser impossível que todas essas maravilhas da natureza e da arte, de nosso universo de sentimentos e do mundo exterior realmente tenham de se desfazer em nada. Seria insensato e ultrajante demais acreditar nisso. Elas têm de subsistir de alguma forma, alheias a todas as influências destrutivas.

Essa exigência de eternidade é um desejo humano tão evidente que se costuma pleitear valor de realidade para esse anseio. Aquilo que nos aflige, porém, pode ser até mais real. Não posso contestar a impermanência generalizada para tudo o que existe nem encontrar exceção para o belo e o perfeito. Mas contestei o poeta pessimista, quando ele dizia que a transitoriedade do belo traz consigo a desvalorização da própria beleza. Acontece justamente o contrário, há uma valorização! A importância de tudo o que se transforma e por fim se esvai está associada justamente a sua escassez no tempo. É a restrição da possibilidade de fruição que eleva a preciosidade de algo. Enquanto caminhava com meu amigo, declarei ser incompreensível que a ideia da transitoriedade do belo pudesse turvar o prazer despertado pela beleza.

No que diz respeito à natureza, as flores retornam exuberantes no ano seguinte, após cada destruição causada pelo inverno, e esse regresso pode ser qualificado, em relação à duração de nossa vida, como eterno. Já a beleza do corpo e do rosto humanos, típica da juventude, nós a vemos perder-se para sempre no decorrer de nossa própria vida, mas essa efemeridade acrescenta aos seus encantos um outro, novo. Se existe uma flor que desabrocha apenas por uma noite, ela não nos parece por isso menos esplêndida. Assim, tampouco pude compreender como a graça e a perfeição da obra de arte e do trabalho intelectual poderiam perder seu valor devido à limitação temporal. Pode ser que venha um tempo em que as pinturas e as esculturas que hoje admiramos estejam arruinadas, ou que o ser humano, nascido depois de nós, não compreenda mais a obra de nossos poetas e intelectuais; ou mesmo é possível que chegue uma época geológica em que tudo o que vive sobre a Terra desapareça. Se o valor de todas essas coisas belas e perfeitas é definido apenas pelo seu significado para nossa vida sentimental, então ele não precisa sobreviver a nós, independendo, mas ao qual atribuímos inúmeras obscuridades. Imaginamos possuímos que certa capacidade de amar, que podemos chamar de libido, se voltou ao próprio Eu (Ich) nos primórdios do desenvolvimento. Mais tarde – mas na verdade desde muito cedo – a libido se desvia do Eu, voltando-se para os objetos que internalizamos. Se os objetos são destruídos ou se os perdemos, então nossa capacidade de amar se torna livre de novo. Ela pode tanto tomar outros objetos como substitutos ou retornar temporariamente para o Eu. Não compreendemos, porém, por que motivo esse desligamento libidinal dos objetos é necessariamente um processo tão doloroso, e não podemos, neste momento, fazer deduções com base em nenhuma suposição. Vemos apenas que a libido se agarra a seus objetos e não quer abrir mão daqueles que foram perdidos, mesmo quando o substituto já está disponível. Isso, portanto, é o luto.

A conversa com o poeta ocorreu no verão antes da guerra. Um ano mais tarde, o conflito eclodiu, de fato roubando as belezas do mundo. Ela destruiu não apenas as paisagens que atravessou e as obras de arte que roçou em seu caminho, mas também arruinou nosso orgulho pelos feitos da cultura, o respeito por tantos intelectuais e artistas, nossa esperança de uma superação e, finalmente, as diferenças entre povos e raças. A guerra contaminou a honorável imparcialidade das ciências, expôs nossa vida pulsional em sua nudez, libertou dentro de nós os maus espíritos que acreditávamos estarem permanentemente domados pela educação secular e por nossas mais nobres intenções. Ela voltou a tornar nossa pátria pequena e as outras terras distantes e vastas. Ela nos roubou tantas portanto, de sua duração temporal absoluta.

Eu pensava que essas considerações eram incontestáveis, mas percebi que não havia causado grande impressão ao meu amigo poeta. Depois desse insucesso, percebi que um forte momento afetivo turvava seu julgamento. Provavelmente fora a rebelião psíquica contra o luto que lhe tirara o prazer pela apreciação do belo. A ideia de que essa beleza era transitória fez com que ele experimentasse antecipadamente o luto pelo seu declínio, e como o psiquismo se desvia instintivamente de tudo o que é doloroso, ele sentia seu prazer pelo belo prejudicado pela ideia de sua impermanência.

O luto pela perda de algo que amamos ou admiramos parece tão natural ao leigo que ele o considera óbvio. Para o psicólogo, no entanto, o luto é um grande enigma, um daqueles fenômenos que nós mesmos não esclarecemos, coisas que amávamos e nos mostrou a efemeridade de outras que considerávamos perenes.

Não admira que nossa libido, tão empobrecida de objetos, tenha investido com grande intensidade naquilo que nos restou; e que o amor pela pátria, a afeição pelo próximo e o orgulho de nossas similaridades tenham sido repentinamente fortalecidos. Mas aqueles outros bens, agora perdidos, será que realmente deixaram de ter valor para nós por terem se revelado tão efêmeros e incapazes de resistir às mudanças? Para muitos entre nós, parece que sim; mas eu, em particular, considero essa postura injusta. Acredito que aqueles que pensam assim e parecem dispostos a uma renúncia permanente ao prazer pelo fato de o objeto valioso não ter se revelado durável, encontram-se apenas em luto pela perda. Porém, sabemos que o luto, por mais doloroso que possa ser, dissipa-se espontaneamente. Se renunciamos a tudo o que foi perdido, nossa libido se torna livre, por sua vez, para substituir, enquanto ainda somos jovens e cheios de vida, os objetos perdidos por outros novos e, se possível, tão ou mais preciosos. Existe a esperança de que nada diferente disso ocorra com as perdas desta guerra. Quando o luto houver sido superado, será revelado que nossa reverência pelos bens culturais não foi afetada pela experiência de sua fragilidade. Nós vamos reconstruir tudo o que a guerra destruiu, talvez sobre uma base ainda mais firme e de forma mais duradoura que antes.

 

Viena, novembro de 1915

Sigmund Freud

OUTROS OLHARES

BABADO FORTE NO PANCADÃO

Nos bailes onde se celebra o funk, o machismo persiste e facções criminosas mantêm controle sobre tudo. Mas algo mudou: o público LGBT agora é bem-vindo.

Babado forte no pancadão

O relógio marca 6h50 da manhã de domingo quando o DJ carioca Renan Santos da Silva, conhecido como Rennan da Penha, assume um dos cinco pickups do Baile da Gaiola – festa funk que reúne 10.000 pessoas todo fim de semana na Vila Cruzeiro, favela do Complexo da Penha, no Rio de Janeiro. De óculos Oakley, boné Calvin Klein, camiseta Gucci e catorze correntes de ouro no pescoço, o ex­ vendedor de refrigerante em semáforo é o mentor e a principal atração do mais badalado pancadão carioca do momento, com seu cardápio frenético de funk a 150 batidas por minuto – variação do gênero que ganha cada vez mais apelo nos bailes cariocas. Por oito quarteirões, testemunha-se o roteiro usual das festas em áreas dominadas por facções – no caso, o Comando Vermelho: música que enaltece a bandidagem, traficantes desfilando com fuzis e consumo sem cerimônia de drogas como lança-perfume, maconha, ecstasy e cocaína. Se, no que diz respeito à ausência do Estado, o enredo se mantém o mesmo por décadas, agora há um novo padrão comportamental. Sob a tenda de lona do Baile da Gaiola, que protege de chuva e dos binóculos da polícia, o público LGBT é muito bem-vindo.

Antes um típico endemismo carioca, o funk ganhou inegável dimensão nacional nos últimos anos. Com o impulso de artistas como Anitta, mesclou­ se ao pop e conquistou as rádios e plataformas digitais. Graças à ascensão de uma geração de funkeiros paulistas, agora se torna definitivamente mais profissionalizado e palatável. Mas é nos grandes bailes das favelas que o funk “de raiz” continua pulsante. Ali se forjam os próximos Negos do Borel ou Ludmillas (aliás, as duas estrelas já se apresentaram no Baile da Gaiola). É também onde certas marcas originais do funk resistem, como as letras explícitas e a flagrante simbiose com a marginalidade – além de certos preconceitos arraigados.

Embora alguns artistas do funk enalteçam a liberdade sexual, como fizeram o DJ Marlboro no passado e Valesca Popozuda mais recentemente, a realidade dos bailes nunca foi rósea para o público LGBT. Isso está mudando. “Há quatro anos, se eu visse dois caras se beijando, iria recriminar e pedir para se afastarem”, admite o próprio Rennan da Penha. “Mas amadureci. Preconceito é coisa de gente velha da cabeça.” Estima-se que 30% dos frequentadores de bailes como o da Gaiola sejam gays, lésbicas e transexuais, a maioria com idade entre 15 e 25 anos. Há marombados que dispensam camisa para mostrar os músculos e os ditos “fashionistas”, adeptos de roupas cheias de logomarcas. A grife da vez é a italiana Gucci, presente em camisetas, bonés e tênis (tudo em geral falsificado). Gays se beijam e paqueram ao lado de heterossexuais, sem sinal de preconceito. ” Podemos usar roupas chamativas que não tem caô”, diz o estudante de teatro Jonas Lima, de 19 anos. “Já beijei sete caras em uma noite, e ninguém olhou feio.”

Fundador da produtora Furacão 2000 e responsável por lançar gente como Anitta, o empresário do funk Rômulo Costa vê a mudança de público como algo comum: “O baile é um recorte da sociedade. Os gays conquistaram direitos como a união civil, então é natural que exerçam a liberdade de curtir uma festa de mãos dadas com o companheiro”. O Baile da Gaiola não é fenômeno isolado no Rio. Os pancadões Via Show da 13, na Cidade de Deus, e Baile da Colômbia, no Complexo do Lins, são tomados pela diversidade sexual. “Até cinco anos atrás, as pessoas ligadas ao tráfico não trocavam ideia com gays”, diz o bailarino Tago Oli, de 24 anos, morador da Cidade de Deus. “Hoje, nós nos sentimos seguros.”

Em São Paulo, o Baile da DZ7, na favela de Paraisópolis, reúne dois atributos: é o maior baile funk da capital paulista, com 15.000 pessoas, e exibe expressivo público LGBT. “Ando de mãos dadas com meu namorado sem ser incomodada”, conta a transexual Vitória Monforte. Ela recorda um episódio recente para ilustrar a tolerância. Ao ser caçoada por um sujeito que bebia em cima de uma moto, viu quatro homens heterossexuais – todos moradores de Paraisópolis – expulsar o homofóbico.

Mas seria enganoso achar que esses ambientes se tornaram livres de preconceito da noite para o dia. Letras de funk retratam as mulheres como objetos sexuais – ainda é corrente a infame qualificação “cachorra”. O funkeiro MM elevou a octanagem da grosseria com uma pérola intitulada Adestrador de Cadela. “Tem mulher que não liga e até gosta, mas é fundamental que exija respeito”, explica Iasmin Turbininha, a MC feminina mais popular no Rio. Ex-chapeira do McDonald’s, Iasmin é lésbica assumida. Criada pela avó, virou arrimo de família: chega a fazer cinco apresentações por noite. Ela é muito tietada: “Faço 200 selfies por madrugada”. Para adquirir suas peças Gucci (só originais), ela não tem problema: a MC fatura 50.000 reais por mês. “O DJ tem de respeitar gay, heterossexual, favelado, playboy ou patricinha: todo mundo quer descer até o chão”, diz.

Os bailes funk nasceram nos anos 80 nas favelas do Rio. O morador colocava uma caixa de som na rua, as pessoas se reuniam e acontecia a festa. Era uma diversão gratuita para os jovens pobres. Ao longo dos anos, o negócio ficou mais profissional – e as facções criminosas, que não são amadoras, passaram a controlar absolutamente tudo: quem canta, quem entra e quem vende bebida (ou drogas). No Baile da Gaiola há sistema de som integrado, com dezenas de potentes caixas acústicas espalhadas pelas ruas. No Baile da DZ7, de Paraisópolis, área dominada pelo PCC, o aparato musical é menos profissional. Há outras diferenças expressivas entre os pancadões do Rio e de São Paulo. Na DZ7, cada um liga o som como quiser em carros estacionados na rua. É um caos. Alguns usam energia elétrica de residências para plugar seus alto-falantes. Os moradores sofrem em silêncio – ou tentam tirar algum proveito de morar no olho do furacão. “O tráfico gosta dos bailes para vender drogas. Mas não posso reclamar. Já que não consigo dormir de quinta a domingo, abri um bar na garagem”, conta um vizinho do DZ7.

As festas também atraem público endinheirado. No Baile da Gaiola há excursões da classe média de cidades como Juiz de Fora e Petrópolis. “Também tem gente de Ipanema, Leblon, Laranjeiras”, diz Rennan da Penha. O baile virou tema de música de Nego do Borel. Seu criador hoje é requisitado para até dez shows por noite e fatura 100.000 reais ao mês. A recém-instaurada tolerância do funk impulsionou coletivos de dançarinos gays, alguns dos quais têm patrocínio de marca de cerveja e atuam em festas de bairros nobres do Rio e de São Paulo. “O funk nasceu marginalizado e precisa respeitar minorias. E o mercado não é bobo: respeita quem tem dinheiro, e isso inclui os gays”, explica Rômulo Costa. Como diz a gíria do meio: o babado é forte.

Babado forte no pancadão. 2

GESTÃO E CARREIRA

DESENVOLVA SUA CRIATIVIDADE

Desenvolva sua criatividade

Quando éramos crianças, sempre estávamos criando algo novo. Não perdemos esse potencial depois de adultos, mas precisamos quebrar nosso bloqueio criativo. Albert Einstein já dizia que “criatividade é a inteligência divertindo-se”. O mercado atual valoriza a criatividade em qualquer área, portanto, para se manter ativo profissionalmente é preciso estimular seu potencial criativo.

Nós precisamos de referências! Elas são o alimento para a criatividade. Por isso é importante criar hábitos, o que auxilia no cansaço da mente. Você já pensou que a rotina pode ser um dos motivos que diminui a criatividade? Foi comprovado que ela é um dos maiores inimigos dos criativos.

Mas nunca esqueça, é necessário variar as atividades diárias, mesmo que sejam rápidas. Mas, lembre-se, sempre variar. Se fizermos tudo igual vamos conviver com as mesmas pessoas que tendem a falar das mesmas coisas. A mesma música nos leva as mesmas emoções e assim por diante.

É muito fácil viver na rotina, por isso sair dela pode ser dolorido. Buscar novidade produz novas “sinapses” no nosso cérebro e o contato com o novo nos torna mais inovadores. Por isso, alguns pequenos hábitos podem ser experimentados e virarem uma experiência agradável. Além de ajudar a melhorar a nossa criatividade.

FUJA DA ROTINA
Nem que seja em rápidos momentos. Escolha uma mudança por dia. Faça novos caminhos quando for trabalhar ou estudar, tome banho de olhos fechados, fale com um amigo que não vê há muito tempo.

DESCANSE A MENTE
Que tal usar o intervalo no trabalho, para fazer algo mais prazeroso? Cada vez que tomar café, faça algo a mais. Escute uma música, ande descalço na grama, escreva algo, desenhe. No ócio é comum surgirem soluções que não encontramos quando precisamos, e ainda de forma muito mais tranquila.

NÃO EXISTE CERTO OU ERRADO
Tente diversas possibilidades antes de decidir algo definitivo. Nosso cérebro tende a buscar uma resposta rápida e que já conhecemos.

LEIA 10 MINUTOS POR DIA
Criatividade e conhecimento andam juntos. Melhor ainda, leia aquilo que não está acostumado ler. Além de ampliar o conhecimento, você aumenta as possibilidades de fazer algo diferente.

BLOCOS DE ANOTAÇÃO
São úteis até no meio da noite. Uma palavra nova ou ideia diferente poderá ser o início de um novo projeto ou solução de algum problema. Mesmo que anotações sejam desconexas, uma palavra poderá virar um título, tema ou algo que você procurava há muito tempo.

EXERCITAR A MENTE
Aprender outro idioma, fazer exercícios de raciocínio lógico, como palavras cruzadas, ativam a mente.

TRABALHAR EM LUGARES VARIADOS
Está comprovado que os cafés são ótimos ambientes, deixa a pessoa mais conectada vendo outras pessoas também em sintonia. Até o simples fato de mudar de sala ou de mesa pode ajudar. Harry Potter nasceu de uma anotação em um guardanapo em uma viagem de trem. Pense nisso!

EXISTEM SONS PARA CRIAR
Nem sempre uma música conhecida é a melhor opção. Segundos de distração podem atrapalhar seu momento criativo. Sons de ambientes, como cafés, por exemplo, ou música com idioma desconhecido, são ótimos aliados.

CRIE HISTÓRIAS
Muitos filmes e livros começaram a partir de histórias imaginadas para contar para os filhos. Por exemplo, J. R. R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis, criou a história para contá-la aos seus filhos. Mais tarde, o livro se tornaria o sucesso conhecido no mundo inteiro.

UTILIZE IDEIAS ANTIGAS
Não pense que só novas ideias funcionam. Anotações feitas no passado, hoje poderão ser usadas com outro olhar e com novas funções.

DIVIRTA-SE
Faça atividades a que não esteja acostumado, isso poderá despertar novas ideias. Vá ao futebol, feiras, bairros novos. Enfim, descubra sua cidade com olhos de turista.

VALORIZE SUAS IDEIAS
Quando precisar criar algo novo, encare como um novo desafio e no decorrer do processo não peça opiniões. Qualquer comentário negativo, vai tirá-lo do foco e poderá bloquear sua criatividade.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 21: 25 – 28

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 25 e 26 – Aqui temos:

1. As desgraças do preguiçoso, cujas mãos se recusam a trabalhar em uma ocupação honesta, pela qual poderiam obter um meio de sustento honesto. Eles são tão adequados para o trabalho como os outros homens, e muitas vezes os negócios se oferecem a eles, negócios em que poderiam pôr as mãos e aplicar suas mentes, mas não desejam fazer isto; assim, eles pensam que se arranjam bem sozinhos, veja Provérbios 26.16. Alma, descansa. Mas, na verdade, são inimigos de si mesmos; pois, além do fato de que a sua preguiça os faz passar fome, privando-os de seu sustento necessário, os seus desejos, ao mesmo tempo, os apunhalam. Embora as suas mãos se recusem a trabalhar, os seus corações não cessam de cobiçar riquezas, e prazeres, e honras, que não podem, no entanto, ser obtidos sem trabalho. Os seus desejos são impetuosos e insaciáveis; eles cobiçam, com avareza, o dia todo, e clamam, dá, dá; eles esperam que todos façam algo por eles, ainda que não façam nada por si mesmos, e muito menos, por outra pessoa. Os seus desejos os matam, são um tormento perpétuo para eles, preocupando-os até a morte, e talvez os coloquem em caminhos tão perigosos para a satisfação de seus desejos e ânsias que os apressam prematuramente para o seu fim. Muitos que precisam ter dinheiro com o qual satisfazer a carne, e não desejam se esforçar para obtê-lo honestamente, se tornam ladrões, e isto os mata. Os que são preguiçosos nas questões de suas almas, e ainda assim desejam aquilo que seria a felicidade de suas almas, sofrem devido a estes desejos: estes os matarão, agravarão a sua condenação e testemunharão contra eles, pois estavam convencidos do valor das bênçãos espirituais, mas se recusaram a fazer os esforços que eram necessários para obtê-las.

2. As honras dos honestos e diligentes. Os justos e diligentes têm seus desejos satis­ feitos, e desfrutam, não somente dessa satisfação, mas da satisfação adicional de fazerem o bem aos outros. Os preguiçosos estão sempre ansiando e esperando receber, mas os justos estão sempre cheios, e planejando dar; e é mais bem-aventurado dar do que receber. Eles dão, e não poupam, dão com generosidade e não censuram; eles dão uma porção a uns e também a outros, e não poupam, pois não temem a necessidade.

 

V. 27 – Os sacrifícios eram uma instituição divina; e quando oferecidos com fé, e com arrependimento e transformação, Deus era grandemente honrado por eles, e se comprazia neles. Mas frequentemente eles não eram aceitáveis, mas eram uma abominação para Deus, e Ele assim os declarava, o que era uma indicação de que eles não eram exigidos. e que havia coisas melhores, e eficazes, res ervadas, quando o sacrifício e a oferta fossem extintos. Eles eram uma abominação:

1. Quando eram trazidos por homens ímpios, que não se arrependiam de seus pecados. nem mortificavam seus desejos ou corrigiam suas vidas, de acordo com a intenção e o significado do sacrifício. Caim trouxe a sua oferta. Até mesmo os ímpios podem ser encontrados no desempenho de ado­ ração religiosa. Muitos podem dedicar espontaneamente a Deus seus animais, seus lábios, seus joelhos, mas não lhe darão seus corações; os fariseus davam esmolas. Mas quando a pessoa é uma abominação, como todo ímpio é uma abominação para Deus, o desempenho não pode deixar de ser também uma abominação; mesmo quando ele traz o sacrifício diligentemente, assim alguns interpretam a parte final do versículo. Embora as suas ofertas estejam continuamente diante de Deus (Salmos 50.8), são uma abominação para Ele.

2 . Muito mais, quando são trazidos com intenção maligna, quando seus sacrifícios foram feitos, não somente de maneira consistente com a sua iniquidade, mas de maneira a servi-la, como o voto de Absalão, o jejum de Jezabel, e as longas orações dos fariseus. Quando os homens fazem uma exibição de devoção, para que possam, com mais facilidade e eficácia, maquinar alguma intenção cobiçosa ou perversa, quando a santidade é fingida, mas a intenção é algum tipo de iniquidade, então, e particularmente então, a exibição é uma abominação (Isaias 66.5).

 

V. 28 – Aqui temos:

1. O destino de uma testemunha mentirosa. Aquele que, para favorecer um lado ou prejudicar o outro, apresenta uma falsa evidência, ou faz uma declaração sob juramento de algo que sabe que é falso, ou pelo menos não sabe se é verdade, se for descoberto, terá a sua reputação arruinada. Um homem pode mentir, talvez na sua pressa, mas aquele que dá um falso testemunho o faz com deliberação e solenidade, e este não pode deixar de ser um pecado arrogante, e significar a perda da reputação do homem. Mas, mesmo que não seja descoberto, ele mesmo será arruinado; a vingança que ele rogou sobre si mesmo, quando fez o falso juramento, lhe sobrevirá.

2. O louvor do que é consciencioso: Aquele que ouve (isto é, que obedece) o mandamento de Deus, que é de falar a verdade sobre o seu próximo, aquele que não testemunha nada exceto o que ouviu e que sabe que é verdade, fala sem imputação, isto é, de maneira consistente consigo mesmo: ele conta sempre a mesma história; ele fala até o fim; as pessoas lhe darão crédito e o ouvirão: ele fala para a vitória; ele sustenta a causa, que a falsa testemunha perderá; ele fala por toda a eternidade. Aquilo que é verdade será verdade eternamente. O lábio da verdade é estabelecido para sempre.

 

 

 

 

 

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PALAVRAS QUE ENSINAM A ENXERGAR

Palavras que ensinam a enxergar

Estudo conduzido por Aubrey Gilbert e seus colegas da Universidade de Berkeley, Estados Unidos, mostrou que existe um “princípio de relatividade linguística”. De acordo com esse princípio, a língua que falamos influencia todos os nossos pensamentos e até o nosso modo de percepção.

Na pesquisa de Gilbert, 27 estudantes com visão normal deveriam fazer  soar uma campainha  tão logo  deparassem com uma tela  com um campo de outra matiz  inserido em um círculo  de campos verdes. Mostrou-se que os estudantes reconhecem mais rapidamente um campo destoante quando este tenda para o azul. Quando o campo diferente se aproximava da coloração verde, demorava mais para ser percebido. Uma explicação para o resultado é que na língua materna dos estudantes, o inglês americano uma cor é classificada como azul ou como verde, como no português. A distinção linguística aparentemente reforça a percepção de diferenças cromáticas existentes entre o azulado e o esverdeado. O resultado, porém, só era observado quando a mancha azul aparecia no campo de visão direito, lado cuja informação visual é conduzida ao hemisfério cerebral esquerdo e que abriga também o centro de linguagem. Muitas línguas não diferenciam o verde do azul. Assim, os berinmos, povo da Papua Nova Guiné não possuem vocábulos para os dois tons – e invariavelmente têm problemas para diferenciá-los. Observações desse tipo levaram os linguistas Edward Sapir e Benjamin Lee Whorf  a elaborar a hipótese de Sapir-Whorf da relatividade linguística, teoria que até hoje é objeto de controvérsia. O resultado obtido por Gilbert reforça a teoria, embora somente para os estágios iniciais de percepção visual. Nos estágios avançados, há novamente a atuação de ambos os hemisférios cerebrais.

OUTROS OLHARES

CIBERSEXO: PORNOGRAFIA SEM FRONTEIRAS

Pouco se sabe sobre as causas da dependência de sexo virtual, sendo sugeridas algumas possibilidades: experiências de condicionamento, predisposição genética aos transtornos do controle dos impulsos, transtornos do humor e histórico de traumas

Cibersexo - Pornografia sem fronteiras

Considera-se o cibersexo um fenômeno contemporâneo crescente, com poucos estudos conduzidos até o momento. Além disso, não há consenso na literatura quanto à classificação diagnóstica. Discutia-se, até então, a inclusão deste possível transtorno no DSM-V como uma psicopatologia específica (vinculado ao transtorno de hipersexualidade).

O usuário de sexo virtual que apresenta dependência compromete o seu bom funcionamento em diversos aspectos: liberdade de escolha, presença de cognições saudáveis (observa-se componentes obsessivos), comportamentos adaptativos (o dependente apresenta ações compulsivas) e relacionamentos saudáveis (é comum a presença de altos índices de isolamento).

Os sintomas de um dependente de sexo virtual são semelhantes aos de outras dependências tecnológicas (sintomas a seguir adaptados a partir da dependência de jogos eletrônicos), assim como proposto por Lemmens, Valkenburg e Peter (2009): saliência (utilização desta atividade como a mais importante na vida do usuário, dominando seus pensamentos, sentimentos e comportamento); tolerância (tendência a aumentar o tempo de uso para obter satisfação,  modificação do humor (irritabilidade, tristeza); retrocesso (emoções negativas ou efeitos físicos que ocorrem quando o usuário reduz ou descontinua o uso); recaída (tendência a tentar repetida­ mente reverter o padrão de tempo de uso, rapidamente restaurado após período de abstinência ou controle); conflito (problemas interpessoais, que podem envolver mentiras ou decepções); problemas na área social (piora no rendimento no trabalho, ambiente de estudo e socialização).

Uma parcela crescente de adolescentes utiliza a Internet para fins sexuais. A preocupação de pais, educadores e profissionais da saúde em relação a esse fenômeno ocorre por dois motivos: a) possibilidade do desenvolvimento de uma dependência; e b) comportamentos sexuais de risco (contato com redes de prostituição e alvos de pedofilia). Apesar de haver uma preocupação de diversos estudiosos, podemos observar também a opinião de outros pesquisadores, que acreditam que o sexo virtual (visualização de pornografia e conversas sexuais) é um caminho saudável para descobertas cognitivas e comporta­ mentais nesta fase do desenvolvimento humano.

Moreno et ai. (2012) discutem, por outro lado, uma alarmante proliferação, pelos adolescentes, de referências sexuais nas redes sociais. A pesquisa mostrou que esse fenômeno está diretamente ligado à intenção de iniciar atividades sexuais. Apesar de o Facebook apresentar diversas possibilidades de uso, os autores sugerem que esse modelo virtual pode se tornar uma possibilidade de expressão sexual problemática, havendo a necessidade de mensagens educacionais a esse público.

CAMPOS NEBULOSOS

Até então pouco se sabe sobre as causas da dependência de sexo virtual, sendo sugeridas algumas possibilidades teóricas: experiências de condicionamento, predisposição genética aos transtornos do controle dos impulsos, transtornos do humor e histórico de traumas na infância. Em relação às comorbidades (ocorrência de psicopatologias de forma simultânea), a depressão, os transtornos de ansiedade, transtornos de personalidade e dependência de uso de substâncias são os mais citados na literatura científica. Esses dados sucintos sugerem a necessidade de mais estudos etiológicos e de comorbidades. Inegavelmente, precisam ser urgentemente respondidos para que a dependência de sexo virtual apresente maior possibilidade de inclusão nas próximas edições dos manuais psiquiátricos, além de uma melhor compreensão do seu funcionamento.

Em relação à dependência sexual (off-line) é revelado que entre 3% e 6% da população mundial possa apresentar esse transtorno. Em pesquisa feita na Coreia do Sul, com 690 adolescentes, por Koo e Kim (2007), os seguintes resultados foram disponibilizados: 5,7% possuem uso problemático (poucos sintomas de dependência); 0,4% estão no grupo dos moderadamente dependentes (alguns sintomas de dependência) e, por fim, 0,6% como severamente dependentes (quase todos ou todos os sintomas de dependência).

Através de uma investigação com 1.913 participantes, na Suécia, os resultados apontaram para um total de 5% das mulheres e 13% dos homens apresentando algum tipo de problema com sexo na Internet. Os autores ainda mencionam que 2% das mulheres e 5% dos homens indicavam problemas graves com o sexo virtual. Esse dado corrobora com os resultados encontrados na dependência de jogos eletrônicos, outra possível psicopatologia, de maior incidência do sexo masculino. O oposto se observa na dependência de celular (predominância do sexo feminino); a de Internet apresenta equivalência epidemiológica entre os sexos.

Ainda há um número expressivo de terapeutas e psiquiatras que desconhecem formas de intervenções em usuários acometidos pela dependência de sexo virtual. O artigo mais antigo que cita um modelo de tratamento data de 1996. Uma das queixas mais recorrentes é a do sujeito que utiliza indiscriminadamente a pornografia na Internet e acaba por se tornar um estranho para o seu parceiro, afetando o bom relacionamento do casal.

O programa intitulado A Relational Intervention Sequence for Engagement (ARISE) é citado na literatura científica como uma possibilidade para a resolução de conflitos familiares, implicando em modificações de atitudes e emoções vinculadas ao transtorno.

As técnicas que podem ser utilizadas no manejo e prevenção do uso problemático do sexo virtual são:

a) assegurar que o periférico (computador ou portáteis) seja utilizado exclusivamente em locais de constante movimentação;

b) limitar os dias e o tempo de uso;

c) especificar locais onde o periférico possa ou não ser utilizado;

d) instalar planos de fundo (screen savers ou backgrounds) de pessoas importantes (familiares, parceiro/a). Outro estudo revela outras técnicas: melhoria na intimidade do casal, recondicionamento de estimulação e desenvolvimento de estratégias de enfrentamento. A terapia familiar e o treinamento de habilidades sociais são outras opções viáveis. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) também é sugerida, especialmente pela sua satisfatória eficácia na modificação de crenças distorcidas e comportamentos desadaptativos desses pacientes.

Dentre os diversos medicamentos utilizados no tratamento da dependência de sexo virtual, é citada, com maior ênfase, a Naltrexona, comumente utilizada no tratamento do alcoolismo. A ação desse fármaco ocorre no centro de recompensa do indivíduo, influenciando na liberação da dopamina, diminuindo consideravelmente a compulsão à pornografia virtual.

Infelizmente, ainda há um número limitado de materiais científicos sobre o cibersexo. Em relação ao diagnóstico, é fundamental o desenvolvimento de novos estudos com o objetivo de afirmar se a dependência de sexo virtual pode ser considerada um novo transtorno psiquiátrico. As comorbidades são semelhantes às da dependência de Internet e de jogos eletrônicos.

No que se refere à etiologia, foram encontradas poucas informações que pudessem fornecer subsídios para o estudo da dependência de sexo virtual. Apesar das hipóteses mencionadas, ainda estão distantes de serem conclusivas. Em relação ao tratamento, apesar da existência de modelos psicoterapêuticos e farmacológicos, ainda não há resultados comprovados de sua eficácia em longo prazo. Entretanto, diversas técnicas, apresentadas anteriormente, podem ser utilizadas pelos profissionais da saúde. Estes profissionais devem refletir, no momento da entrevista inicial, sobre a inserção de questionamentos sobre o uso de tecnologia do paciente, seja da Internet, de jogos eletrônicos ou da Internet associada ao sexo com terceiros e/ou outros tipos de pornografia.

Vislumbra-se, de forma positiva, um futuro em que tratamentos (psicoterapêuticos e/ou farmacológicos) de dependentes de sexo virtual seja m aplicados nos sistemas públicos e privados (é necessário, por exemplo, a criação de protocolos de modelos terapêuticos para o cibersexo, no Brasil, com sessões estruturadas em quantidade limitada).Para isso ,se faz necessário capacitar os profissionais da saúde, além de divulgar, à população em geral, a existência dessa problemática. Ainda é comum verificar, de acordo com a prática clínica, o profundo desconhecimento dos pacientes sobre as dependências tecnológicas, a gravidade desse possível transtorno e a frequente ocorrência, seja em adolescentes ou adultos.

Cibersexo - Pornografia sem fronteiras. 2

O QUE É CIBERSEXO?

O cibersexo é uma das subcategorias de um grupo maior a Online Sexual Acfivifies (OSA); traduzido no Brasil por “atividades sexuais on-line”. Carnes Delmonico e Griffin apontam três principais características do cibersexo: o acesso à pornografia on-line, a interação com um parceiro virtual e o uso de softwares (programas de computador). O sexo virtual ocorre quando duas ou mais pessoas compartilham de uma conversa de cunho sexual enquanto estão on-line. O propósito desta interação é o prazer sexual, não sendo uma necessidade obrigatória a prática da masturbação.

Southern menciona que o cibersexo está relacionado aos seguintes comportamentos: visualizar imagens eróticas e/ou pornográficas de serviços de notícias ou web sites; expor detalhes explícitos sobre a vida sexual de alguém através do upload(carregar conteúdos na Internet) ou disseminando essa informação; interação com profissionais do sexo empregados por sites específicos (serviços de webcam ou acompanhantes): interação com parceiros anônimos por salas de chat, blogs, ou outros tipos de contatos; encontrar potenciais parceiros sexuais para contatos off­line.