PSICOLOGIA ANALÍTICA

MUDANÇA OU ACEITAÇÃO?

Somente quando a pessoa rompe com conceitos distorcidos e aceita que sozinha não está dando conta das transformações que precisa fazer, para deixar de sofrer, o tratamento psicoterápico obtém êxito.

Mudança ou aceitação

Quando falamos em psicoterapia, o primeiro conceito que nos vem à te é o de mudança. Mudança de valores, de crenças limitantes, conceitos antigos, expectativas, perspectivas, mudança de um comportamento indesejado, de emprego, de parceiro etc.

Mudança do que traz dor e sofrimento para o que trará paz e satisfação. E, ainda assim, mudanças muito difíceis de serem realizadas com apoio e quase impossíveis se feitas sozinhas.

Até para que o paciente sofrido consiga buscar ajuda que tanto necessita na psicoterapia, há que se ter uma mudança de paradigma e mentalidade da população. Já que muitos aprendem coisas do tipo: “precisar de ajuda é sinal de fraqueza” ou que “homens não choram” ou ainda que “psicólogo é coisa de maluco” e por aí vai… E ainda ouvimos e lemos afirmações de que um processo terapêutico equivale a um chopp num bar ou a uma boa viagem com os amigos. Antes fosse simples assim… Ambos são fantásticos – bons momentos com amigos e terapia -, mas um não exclui a necessidade do outro ocorrer. Talvez, se assim fosse, não veríamos cada vez mais pessoas doentes da alma; machucando-se uns aos outros na busca de coisas que, por fim, acabam não trazendo sentido para sua existência.

Somente quando a pessoa muda ou rompe com esses conceitos distorcidos e aceita que sozinha não está dando conta das mudanças que precisa fazer, para deixar de sofrer, essa procura ocorre e o tratamento psicoterápico finalmente se dá. E quando isso ocorre é comum escutarmos relatos, carregados de arrependimento, do tipo: “ah, por que não procurei ajuda antes?” ou “se eu soubesse que ia me ajudar assim, não teria enrolado tanto tempo até procurar ajuda” ou mesmo “não precisava ter sofrido tudo isso sozinho”.

E vemos essas pessoas chegando para a psicoterapia num estado deplorável, já no limite de suas forças. Claramente trazidas pela dor excessiva e insuportável e depois de terem ficado longo tempo tentando administrar sozinhas suas dores e seus conflitos.

Mudança e aceitação são, na verdade, palavras que andam juntas. Afinal, aceitar algo significa em alguma instância uma mudança – se não de paradigma, a mudança de um comportamento ou atitude.

Aceitar significa parar de resistir ou dispender energia ou esforços com algo que não pode nem poderá ser diferente. É abrir mão da queda de braço que travamos com situações ou pessoas na vida que não nos levarão a lugar algum e que acarretarão apenas exaustão e sofrimento físico, emocional e mental, podendo desencadear, inclusive, graves questões psicológicas. Daí provém o corriqueiro e sábio jargão: “aceita que dói menos”.

Quantos de nós nos pegamos sofrendo excessivamente pela dificuldade de aceitar algo em nossas vidas? Seja uma reação inadequada que continuamos mantendo, um emprego que não era o sonhado, um casamento difícil que nos faz questionar se devemos insistir naquele caminho e até o simples fato de que cada um é um ser diferente – com valores, crenças, anseios, educação familiar, forma de ser, pensar e agir diferentes. E embora todos saibam disso vemos a maio ria das pessoas sofrendo pela maneira diferente do outro ser. Seja pela expectativa que foi gerada em relação ao outro com base em nossa bagagem pessoal, que faz com que eu espere que o outro pense ou se comporte como eu faria, ou nas demandas que foram criadas em relação ao outro, mas que, na verdade, o outro não tem capacidade para atender, o que faz com que eu me frustre por isso e culpe o outro.

Se eu não me conscientizo disso e aceito essas diferenças entre as pessoas, fato real e concreto, me frustro frequentemente e crio conflitos esperando que o outro pense ou responda de uma maneira que ele não é capaz de fazer. É dolorido para ambos os lados: o que cobra ou espera uma resposta diferente da possível. E o que nunca conseguirá responder satisfatoriamente às expectativas ou anseios do outro.

Mudança ou aceitação. 2

FANTASIAS

Dessa forma vemos muitas pessoas hoje se relacionando não com as pessoas reais, mas com fantasias ou ilusões que criam umas em relação às outras. E muitas vezes de si mesmos. O que gera muito mais dor, conflito e sofrimento para todos os lados.

São pessoas que se machucam e sofrem as consequências por julgarem o outro de acordo com sua ótica e ponto de vista, porque imputam-lhe intenções, sentimentos e pensamentos que nada têm a ver com o outro. São falsas e distorcidas especulações, frutos do espelhamento de suas próprias marcas no outro ou projeções de seus maiores temores, causando caos e dor como se reais fossem.

Se não aceito, deixo de viver o mundo real e me mantenho aprisionado ao mundo da ilusão, onde residem não só os sonhos como também nossos medos e traumas profundos. Nego o mundo que na realidade existe e insisto em tentar viver no mundo que eu julgo que deveria existir. Vivo o “como deveria ser” e não o como de fato a vida é ou pode ser ou vir a ser.

Sofre-se repetindo o mesmo padrão de escolhas ou comportamento, considerando sempre o mesmo modelo engessado de lógica ou raciocínio que nada tem a ver com a realidade. Estamos presos aí num padrão mental adoecido.

E quão complicado parece ser viver num mundo como se em outro estivesse; lidar com alguém como se diferente fosse ou esperar de si mesmo coisas que não somos capazes de realizar. É como estar na vida sem viver. Uma queda de braço interminável com modelos idealizados de perfeição e uma constante negação da realidade. Uma insistência constante e cega pela dor.

Mudança ou aceitação. 3

NO PASSADO

Se já falamos da enorme dor e desgaste que envolvem a dificuldade de aceitar o que é ou se tem, imagine o agravante de não se conseguir aceitar o que foi ou o que tivemos no passado. Uma infância sofrida, uma vida familiar difícil, uma criança violentada ou abandonada, uma situação humilhante vivida no passado precisam de aceitação para que deixem de causar tantos danos e sofrimentos em nossa vida atual.

Quantos de nós não seguem em sua vida, permanecem paralisados, aprisionados na falta e na dor, não conseguindo desfrutar o bem-estar e a alegria do que têm?

Enquanto não aceitamos algo, não o deixamos ir. Permanecemos presos àquela dor, escravizados pela fixação e apego criados e mantemos aquele passado dolorido vivo dia a dia dentro de nós.

E só quem pode nos libertar dessa dura pena somos nós mesmos. E essa libertação passa por uma mu­ dança de padrão e postura, no sentido de aceitar o que não pode ser para que se possa conviver em paz e desfrutando o que é possível em cada momento ou situação.

No processo terapêutico, muitos se punem ou sentem-se mal quando notam que ainda não conseguem fazer diferente. Quando notam que não modificaram um padrão que estão trabalhando para modificar. Eles têm dificuldade, inclusive, de aceitar o processo de mudança tal como é – um processo que envolve a repetição cada vez menos frequente do padrão antigo até sua definitiva transformação ou extinção.

E tantos são os que se depreciam, se desanimam, se punem ou até os que desistem de todo o trabalho duro que realizaram até ali quando percebem que repetiram mais uma vez o antigo padrão ou “erro”.

E aí está em jogo também o pro­ cesso de mudança primordial em sua estrutura rigorosa e rígida, que não lhe permite o natural processo de ensaio e erro de todo aprendiz no caminho de crescimento e autoconhecimento.

Como exigir que depois de ensinada uma lição o aprendiz siga de pronto acertando sem nenhuma possibilidade de equívoco ou erro?

A capacidade de aceitar os erros e encará-los como um caminho necessário para conquistar os acertos é o caminho mais tranquilo e humano a se percorrer.

Mudança ou aceitação. 4

PREPOTÊNCIA

A culpa, um sentimento tão sofrido e aprisionador, traz com ela uma carga de prepotência tão grande que se deflagra claramente na incapacidade do culpado em aceitar o que fez ou como fez.

Vemos o culpado se penalizar duramente por não ter tido condições de fazer algo, por não ter pensado de outra forma ou por não ter considerado algo naquela ocasião. Ele não consegue aceitar que cometeu aquele erro e não se perdoa pelo que fez. Como se ele exigisse dele uma perfeição que não tem.

Não aceita que, naquele momento do erro, não teve condições de pensar de outra forma e, por isso, fica incessantemente se martirizando e se condenando, procurando posteriormente alternativas que agora ele acredita que deveria ter escolhido.

E essas alternativas se materializam numa lista obsessiva e torturante de falsas possibilidades que começam com duas palavras comumente usadas nessas situações: e se… Palavras aparentemente inofensivas, mas altamente torturantes e paralisadoras se usadas juntas para descrever algo que julgamos que poderia ter sido feito no passado.

“E se eu não tivesse falado?”, “e se ele não tivesse ido?”, “e se eu ti­ vesse tentado?”, “e se ele tivesse perdido aquele voo?”

Muitas possibilidades falsas que só aumentam a dor e o martírio de quem se desgasta por não aceitar o fato como foi. A dor de quem se machuca mesmo sabendo que sua intenção no fundo não era de que algo ruim acontecesse.

A culpa acaba se tornando uma prisão perpétua. Na qual o réu é também seu implacável juiz, que se aplica a mais dura pena. E por mais que todos o absolvam e tentem livrá-lo daquela pena excessiva e inadequada, ele não se permite libertar e seguir adiante. Se torna seu pior algoz, se punindo por não ter feito melhor do que, de fato, podia fazer naquele momento.

Outro caso na Psicologia, frequentemente recebido nos consultórios e que também está diretamente ligado à incapacidade de aceitação, é a depressão.

A depressão também envolve uma grande dificuldade da pessoa em aceitar algo em sua vida, nela mesma ou em alguma pessoa, que não funciona como ela gostaria. Diante da impossibilidade de ser como gostaria ou de viver como gostaria, o deprimido se ressente, se entrega e, frequentemente, se revolta contra a vida, estagnando diante de uma situação que ele não desejava que ocorresse.

Alguns viverão isso com uma tristeza enorme aparente e outros demonstrarão sua imensa raiva e contrariedade diante da impossibilidade do que eles querem viver, ser ou ter.

Outros acabam se suicidando, direta ou indiretamente, demonstrando em parte dos casos forte perda de sentido de vida, apatia e tristeza e, em outros, forte raiva, irritação e insatisfação constante quando impelidos a viver a realidade possível ao invés da situação desejada por eles.

Negam tudo que existe ao seu redor enquanto campo de possibilidades e permanecem irredutíveis e teimosos, presos à única saída aceita por eles. E quando falamos em única saída, precisamos dizer que não se trata da melhor saída ou da saída mais adequada para aquele sujeito. Falamos da saída elegida por ele como a única solução possível para resolver satisfatoriamente aquela questão. O sujeito se fecha e se aprisiona a essa ideia fixa, não se permitindo experienciar nenhuma outra alternativa.

Mudança ou aceitação. 5

PRISÃO

Aceitar o passado é fundamental para se viver efetivamente o presente. Enquanto não aceitamos algo em nosso passado, não o deixamos ir. Permanecemos presos a ele e o tornamos parte viva e atuante do nosso presente. Aceitar o passado significa se libertar e apaziguar uma questão, significa encerrar um ciclo ou um assunto.

Aceitar o presente é fundamental para se criar um futuro sadio. Aceitar o presente é caminhar dentro das possibilidades existentes. Enquanto não aceito permaneço paralisado, bloqueado e insatisfeito.

Cabe pontuar aqui que aceitar não é desistir de tudo o que não nos vem facilmente às mãos. Mudar de casamento, emprego, escola ou grupo social não é, muitas das vezes, a solução adequada para determinado conflito. Senão, passaríamos a vida precisando mudar de escola, emprego, amigos e parceiro para dar conta de uma necessidade de satisfação pessoal não atendida. O que sinaliza, na verdade, a necessidade de uma mudança pessoal para se adequar àquele tipo de situação difícil.

Mas quando seria o caso em que necessitaríamos modificar a situação externa ou o caso de mudar algo interno em nossa estrutura?

Acho que como passo inicial numa situação de sofrimento ou conflito, a parte sofredora deve buscar identificar o que nela precisa ser mu­ dado para que possa lidar com aquela dificuldade de uma forma melhor.

Mudar simplesmente o ambiente externo a fim de evitar aquele tipo de dor pode não ser uma saída eficaz, já que o novo ambiente externo pode apresentar, com o tempo, novos fatores que tragam o mesmo tipo de incômodo ou dor. E, se assim for, não poderemos ficar simplesmente mu­ dando de ambiente a todo momento incessantemente, como escola, trabalho, grupo social etc.

Precisamos aproveitar o momento de dor para aprendermos todas as lições que a vida pretende nos trazer com aquele sofrimento. Dessa forma, vamos nos munindo cada vez mais de novas ferramentas para lidar com o mundo a nossa volta e evitando que em situações futuras, como essa, sintamos a mesma dor.

Como saber se estamos aprendendo as lições que precisávamos com aquela dor? Observando apenas se a dor inicial cede ao estarmos em contato novamente com a antiga fonte de dor ou sofrimento.

E somente quando já fizemos todas as mudanças necessárias para lidar com aquele conflito podemos pensar e modificar nosso ambiente externo e nos afastar então da fonte geradora de dor até então. Pois se encontrarmos em nosso novo caminho algo parecido, já saberemos sentir e lidar de uma forma diferente.

Quando falamos em mudança, falamos da transformação do que é para o que se quer ou precisa vir a ser. A maior mola propulsora da mudança é a dor.

Sempre que estamos acomodados ou aprisionados em algo que não faz mais sentido para a nossa realidade atual, a dor chega como forma de nos sinalizar de que algo necessita ser modificado.

Às vezes, a dor chega como maneira de percebermos que houve um erro na rota, que estamos tentando avançar num caminho errado, que desviamos do nosso destino final, dispendendo muito esforço e energia sem extrair satisfação e crescimento na caminhada. Eis que a dor aparece como um sinal vermelho, um sinal de alerta para nós mesmos nos conscientizarmos sobre o rumo que estamos dando à nossa vida.

Diante da dor, nem sempre se sabe o que exatamente não vai bem nessa caminhada. O que mudar para aliviar essa dor? – esse é o tema de muitos processos terapêuticos. Marcando o início de uma importante jornada de autoconhecimento e transformações.

Outras pessoas já conseguem perceber o que precisam modificar para retomar o bem-estar e a paz na caminhada, mas sua questão é: como mudar? Como deixar de repetir aquele antigo padrão que insiste em causar dor e desconforto, mas quando percebemos já aconteceu novamente? Sabemos que ninguém muda ninguém. Mas, muitas vezes, não se consegue mudar sozinho.

Mudança ou aceitação. 6

SINAL

Com o trabalho árduo e vigilante, o sinal de que a mudança foi feita e o grande motivador do processo contínuo de mudança pessoal é o alívio da dor. Isso porque, ao iniciar a mudança, o sujeito começa a sentir o alívio do sofrimento e passa a se empenhar mais e mais nesse processo até retomar o caminho original de onde ele nunca devia ter se afastado.

É comum vermos as pessoas constantemente desejando a mudança de algo externo, algo fora delas mesmas: do parceiro, da empresa, do sistema, dos políticos, do mundo…

Elas se incomodam e se perturbam com coisas e questões fora delas e acreditam que seu bem-estar e satisfação dependem da mudança dessas coisas/ pessoas. Colocam sua felicidade e realização na mão do outro e se tornam dependentes deles para se sentirem bem. Porque, se o outro não deseja ou não se empenha em mudar, sua paz e realização caem por terra!

E o que elas não têm consciência, na maior parte das vezes, é que o outro nos serve apenas como espelhos onde refletimos e vemos refletido características de nós mesmos. Quando nos irritamos ou nos entristecemos, por exemplo, com algo que enxergamos no outro, estamos na verdade sendo alertados sobre o que precisamos modificar em nós mesmos. E todo o nosso mal-estar é apenas um sinal do que deve ser trabalhado para mudar em nós.

Mas é muito difícil notar isso, já que em grande parte desses casos o insatisfeito julga não possuir aquelas características altamente condenadas por ele. Ou não percebe que é um comportamento dele ou sua forma de pensar que provocam a reação tão indesejada.

Perdemo-nos no outro e passamos muito tempo frustrados e impotentes, canalizando nossas forças na tentativa de modificar o mundo a nossa volta. E mesmo que o mundo inteiro se modificasse, continuaríamos mal necessitando de reparo.

Costumo dizer que quando uma pessoa não está satisfeita com alguma pessoa ou situação tem corno única possibilidade de resolução trabalhar em sua mudança pessoal. A única forma de modificarmos o que não nos satisfaz no mundo exterior é modificar a maneira que lidamos ou reagimos com aquele desconforto. Pode ser que a partir daí ocorram mudanças no seu entorno e a situação perturbadora se altere. Mas, caso isso não ocorra, o maior interessado – a pessoa incomodada com a situ ação perturbadora – terá modificado pelo menos seu mal­estar em relação àquela situação e poderá reagir e sentir de forma diferente e extinguir unilateralmente o problema que o estava aborrecendo ou causando desgaste.

Pagamos um alto preço tentando evitar ou negar a realidade. Pois além do desgaste e sofrimento que carregamos com a não aceitação, nos mantemos presos ao que tanto tentamos negar, tornando-o mais presente e atuante em nossas vidas.

Hellinger, o pai das Constelações Familiares, costuma dizer que tudo o que excluímos ou negamos nos prende e o que aceitamos e incluímos em nossa vida nos deixa livres para seguir nosso caminho.

Mudança ou aceitação. 7

SUICÍDIO

De acordo com dados recentes, divulgados em junho de 2018, a cada 40 segundos alguém no mundo comete o ato extremo do suicídio. Segundo a Organização Mundial da Saúde (0MS), o número de mortes provocadas por quem tira a própria vida é significativamente maior que o daqueles causados por homicídio: 800 mil por ano contra 470 mil. São mortes prematuras, que na maioria dos casos poderiam ser evitadas.

O pensamento suicida, em geral, é gerado por alguma dor ou um desconforto, que não são tratados e se agravam á ponto de a pessoa não ver mais saída.       

Mudança ou aceitação. 8         

CONSTELAÇÃO FAMILIAR

Também chamada de Constelação Sistêmica, a Constelação Familiar é uma nova abordagem da Psicoterapia Sistémica Fenomenológica. Foi criada e desenvolvida pelo alemão Bert Hellinger, depois de anos de pesquisas com famílias, empresas e organizações em várias partes do mundo. A busca é pelo diagnóstico e solução de problemas e conflitos se baseando num conjunto de “leis” naturais que rege o equilíbrio dos sistemas.

Mudança ou aceitação. 9

A SOLUÇAO ESTÁ NA BUSCA PELA MUDANÇA PESSOAL

Quando alguém não está satisfeito com alguma pessoa ou situação tem como única possibilidade de resolução trabalhar em sua mudança pessoal. A única forma de mudarmos o que não nos satisfaz no mundo exterior é modificar a maneira como reagimos ou lidamos com aquele desconforto. Pode ser que, a partir daí, ocorram mudanças no seu entorno e a situação perturbadora se altere. Mas. caso isso não ocorra, o maior interessado – a pessoa incomodada com a situação per turbadora – terá modificado pelo menos seu mal-estar em relação àquela situação e poderá reagir e sentir de forma diferente e extinguir unilateralmente o problema que o estava aborrecendo ou causando desgaste.

Anúncios

OUTROS OLHARES

A NOVA ONDA DA TERCEIRA IDADE

Idosos somam 8,6 milhões de usuários na internet. Apesar de ser o menor grupo, é o que mais cresce no Brasil. A preocupação com eles envolve disseminação de notícias falsas, principalmente em grupos de WhatsApp, que limitou o envio de mensagens

A nova onda da terceira idade

Pela primeira vez, depois de um longo tempo de vida, milhões de brasileiros acima dos 60 anos tiveram a sensação de serem novatos. Dados apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no último trimestre de 2017 apontam que 2,3 milhões de pessoas a partir desta faixa etária usaram a internet pela primeira vez naquele ano. Ingênuos na vida digital, a turma da terceira idade soma 8,6 milhões de usuários no País, perfazendo 7% do total de internautas. É um índice baixo, mas a tendência é de rápida elevação. “No mesmo período (entre 2016-2017), a população brasileira idosa cresceu cerca de 1 milhão”, diz a pesquisadora do IBGE Adriana Beringuy. A participação de cada vez mais gente sênior nas redes sociais acarreta oportunidades de negócios e também maiores cuidados com a circulação da informação.

A questão é que a inexperiência e a boa-fé fazem desse público o maior disseminador de notícias falsas, as fake news, nas mídias sociais. No Facebook, os idosos acima de 65 compartilham, em média, sete vezes mais notícias falsas que usuários entre 18 e 29 anos. Eles também distribuem o dobro de notícias falsas que o grupo de internautas entre 45 e 65 anos. O estudo é das universidades de Princeton e Nova York e foi publicado na revista “Science Advances”. Foram analisados 3,5 mil internautas durante as eleições americanas de 2016. Não houve variação significativa no comportamento de idosos em função de gênero, raça, renda e educação. O elo está no perfil conservador. Um fato determinante seria o baixo conhecimento sobre mídia digital, tornando difícil que eles determinem a confiabilidade dos textos compartilhados. Outro fator seria a perda de memória.

A correlação dos americanos com os usuários brasileiros não é direta, mas a disseminação de boatos contra todos os candidatos foi uma prática nos dois turnos da recente eleição presidencial, o que alertou a Justiça Eleitoral, partidos políticos e estudiosos. “Sei que tenho muito que aprender. Não pago minhas contas ainda pelo celular, mas sou viciada. Tenho grupos de amigos, da família, do colégio”, afirma a bancária aposentada e modelo da terceira idade Amélia Hatanaka, de 66 anos. Ela se transformou numa internauta mais intensa nos últimos três anos e mantém perfis no WhatsApp, Facebook, Instagram e Telegram. Sobre notícias falsas, ela comenta que ficou sabendo do assunto em um curso e, garante, não acredita em tudo que lê. “Mas acho que ainda caio em algumas”, diz.

A nova onda da terceira idade. 2

MENOS MENSAGENS

Para evitar esse tipo de problema e melhorar seu controle sobre o serviço, o Facebook, que é controlador do WhatsApp, anunciou a redução de 20 para 5 o limite de encaminhamentos de seu serviço de mensagens. No início, eram até 250 por vez. Testes foram feitos ano passado, na Índia, o maior mercado do aplicativo, onde a disseminação de mensagens falsas em grupos provocou agressões e homicídios. Mais experiente, a aposentada Vera Lúcia Mendes de Oliveira, 75 anos, usa as redes com intensidade há uns 15 anos. Além de falar com as amigas abusando dos emojis e de trocar fotos, ela faz compras e paga suas contas sem problemas. “Percebi que sem a tecnologia eu ficaria fora do tempo e do espaço”, diz. Sobre o compartilhamento de notícias por demais escabrosas, ela afirma que prefere se conter. “Mas comento bastante”, completa.

A nova onda da terceira idade. 3

GESTÃO E CARREIRA

AS PROPOSTAS DOURADAS

Com a economia em recuperação, empresas voltam a disputar talentos e maquiar vagas. O profissional em busca de oportunidade deve ficar atento a ofertas muito sedutoras

As propostas douradas

O mercado de trabalho brasileiro passou por severas mudanças nos últimos anos. Até a década de 90, o desemprego era uma dádiva para os recrutadores, que se esbaldavam com profissionais desesperados por uma vaga. Era fácil contratar numa época de hiperinflação e empresas obsoletas.

Nos anos 2000, a situação era outra. A economia amadureceu e as companhias passaram a disputar os talentos, que começaram a fazer escolhas. De lá para cá, os negócios se sofisticaram e a discussão sobre planejamento de carreira ganhou uma enorme atenção.

Hoje, não basta uma proposta. Indivíduos de alta empregabilidade querem não só selecionar seu futuro projeto como ser agente, interferindo em seu rumo. Eles buscam um propósito, uma causa na qual acreditem de verdade. São questionadores.

As organizações mais “antenadas” perceberam essa mudança de comportamento e passaram a formar equipes de talent acquisittion, especializadas em buscar os melhores empregados. São os antigos profissionais de recrutamento e seleção, mas com uma roupagem contemporânea e com a missão de contratar pessoas extremamente qualificadas num mercado competitivo e escasso de opções. Eles funcionam como os massais, guerreiros tribais nômades que habitam regiões do Quênia e da Tanzânia e caçam enfrentando o enorme grau de dificuldade das savanas africanas. Em centenas de anos, eles desenvolveram técnicas para lidar com a adversidade do ambiente e para cumprir a missão de alimentar sua aldeia.

Os massais do século 21 também criaram meios inteligentes para ter um banco de talentos qualificado. Mudaram a lógica dos processos para atrair suas presas. Mas, muitos deles, exageraram na dose e se especializaram em dourar as propostas de trabalho.

Isso gerou um efeito colateral perverso. Na caça por gente qualificada, os talent acquisttion alteram a realidade da oferta de emprego, minimizando as dificuldades da empresa ou ampliando o lado positivo dos projetos. Com a economia em recuperação (o que deve gerar novas posições), essas “vagas douradas” vão aumentar e são um alerta vermelho para quem tende a ficar seduzido por um belo pote de ouro, sem se preocupar com o impacto que ele poderá trazer à própria carreira. Então, fique atento. Se você está buscando oportunidades ou sendo assediado por recrutadores, cuidado com a decisão. Um dos guerreiros massais pode estar presente em sua próxima entrevista de emprego.

 

RAFAEL SOUTO – É fundador da e CEO da Consultoria Produtive, de São Paulo. Atua com planejamento e gestão de carreira, programas de demissão responsável e de aposentadoria.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 19: 12-14

Alimento diário

AS ANGÚSTIAS DOMÉSTICAS

 

V. 12 – Isto tem o mesmo propósito que vimos em Provérbios 16.14,15; e este propósito é:

1. Tornar os reis sábios e atentos na dispensação de seus olhares de repreensão e seus sorrisos. Eles não são como os das pessoas comuns; os seus olhares de repreensão são terríveis, e os seus sorrisos, consoladores, e por isto eles devem ser muito cuidadosos para jamais amedrontar um homem, fazendo com que ele deixe de fazer o bem, por seus olhares de repreensão, como também jamais estimular um homem ímpio em suas más atitudes, com seus sorrisos, pois então estarão usando mal sua influência (Romanos 13.3).

2. Tornar os súditos fiéis e obedientes aos seus príncipes. Que reprimam toda deslealdade, pela consideração das terríveis consequências de ter o governo contra eles; e que sejam incentivados em todos os bons serviços ao público, pelas esperanças do favor de seu príncipe. Cristo é um Rei cuja ira contra os seus inimigos será como o bramido de um leão (Apocalipse 10.3), e a sua benevolência para com o seu povo é como o orvalho refrescante (Salmos 72.6).

 

V. 13 – É um exemplo da futilidade do mundo o fato de que estejamos sujeitos à maior tristeza por aquelas coisas nas quais prometemos, a nós mesmos, a maior consolação. Que maior consolação temporal pode ter um homem, senão uma boa esposa e bons filhos? Todavia:

1. Um filho tolo é uma grande aflição, e pode fazer um homem desejar mil vezes que não tivesse tido filhos. Um filho que não se dedica a nenhum estudo ou profissão, que não aceita conselhos, que vive uma vida libertina, sem rumo, devassa, e gasta de maneira extravagante o que tem, desperdiçando-o em tumultos, ou que é soberbo, convencido e arrogante, este filho é uma grande miséria para seu pai, porque é a desgraça, e provavelmente será a ruína, de sua família. Ele aborrece todo o seu trabalho e esforço, quando vê a quem deverá deixar o fruto desse trabalho.

2. Uma esposa rabugenta e que está sempre contrariada e irritada é uma aflição igualmente grande: suas contenções são contínuas; todos os dias, e todas as horas do dia, ela encontra oportunidades para provocar desconforto a si mesma e a todos os que estão à sua volta. Aos que estão acostumados a criticar nunca faltará uma coisa ou outra para criticar; mas isto é como um gotejar contínuo, isto é, uma irritação contínua, é como ter uma casa tão mal conservada, em que a chuva penetra, e um homem não fica seco dentro dela. Tem uma vida desconfortável, e tem necessidade de uma grande quantidade de sabedoria e graça, que lhe permitam suportar a sua aflição e cumprir o seu dever, o homem que tem um beberrão como filho, e uma mulher rabugenta como esposa.

 

V. 14 – Observe:

1. Uma esposa discreta e virtuosa é uma dádiva excelente da providência de Deus para um homem – uma esposa que é prudente, em oposição a uma que é contenciosa (v. 13). Pois, embora uma esposa que está continuamente à procura de defeitos e falhas possa julgar que é inteligente e sábia, isto é, na realidade, a sua tolice; uma esposa prudente é mansa e quieta, e tira o melhor proveito de todas as coisas. Se um homem tem uma esposa assim, prudente, não deve atribuir isto à sabedoria da sua própria escolha, ou ao seu próprio controle (pois até os mais sábios foram enganados por uma mulher), mas sim à bondade de Deus, que lhe criou uma adjutora apropriada, e talvez, por algumas voltas da providência que pareceram casuais, trouxe esta mulher para ele. Cada criatura é aquilo que Ele faz com que ela seja. Os casamentos felizes, temos certeza, são planejados no céu; o servo de Abraão orou, com esta fé (Genesis 24.12).

2. Uma esposa prudente é uma dádiva mais valiosa do que uma casa e riquezas, contribui mais para a consolação e a reputação da vida de um homem, e para o bem-estar da sua família, é um sinal maior e melhor da benevolência de Deus. A providência divina age, de maneira especial, neste sentido. Uma boa propriedade pode ser herança dos pais, que, pela orientação comum da Providência, vem ao caminho de um homem; mas nenhum homem tem uma boa esposa por descendência ou herança. Os pais que são materialistas, nos seus cuidados com seus filhos, não desejam nada além de casá-los com casas e riquezas; mas, se além disto, o filho tiver uma esposa prudente, que Deus tenha toda a glória.