GESTÃO E CARREIRA

HABILIDADES SOCIAIS NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS

Relacionamentos são parte integrante da natureza humana e permeiam toda a nossa vida, tendo como efeito colateral o aumento da nossa felicidade.

Habilidades sociais nas relações interpessoais

Os relacionamentos entre as pessoas representam uma parte fundamental da atividade humana, e como nossa vida irá transcorrer dependerá, pelo menos em parte, do desenvolvimento das habilidades sociais. Para Morris (1994), o homem é um “animal social”, um ser que vive em sociedade e que precisa manter relações sociais, formando um elo entre o indivíduo e o meio ambiente. É a presença ou a ausência de habilidades sociais no repertório comportamental de um indivíduo que determinará o sucesso que este obterá em suas relações interpessoais, ou seja, a sua competência social. De acordo com Seligman (2011), pessoas socialmente competentes estão propensas a ter relações pessoais e profissionais mais produtivas, satisfatórias e duradouras, além de bem-estar físico e mental e bom funcionamento psicológico.

No decorrer da nossa vida somos instruídos por normas de conduta perante as pessoas, situações, e em determinados contextos, apesar disso, a atuação interpessoal não possui um protocolo a ser seguido.

Os grupos culturais e sociais possuem regras gerais de comportamento que funcionam como parâmetros para a avaliação da funcionalidade de uma determinada conduta social. Dessa maneira, um comportamento considerado adequado em determinada cultura pode ser completamente inadequado em outra. A habilidade social, conforme Alberti (1977, citado por Caballo, 2008), é uma característica do comportamento e não das pessoas.

De acordo com pesquisas em Psicologia Positiva, existem alguns fatores que seriam responsáveis por uma melhor qualidade de vida e bem-estar. Dentre esses fatores se destaca a relação com outros seres humanos. Os relacionamentos com familiares e amigos são fundamentais para a felicidade das pessoas.

Segundo Lyubomirsky (2008), estudos sobre a felicidade demonstram que pessoas felizes têm melhores relacionamentos do que seus pares menos felizes. Investir em relações sociais é uma estratégia utilizada por essas pessoas, bem como praticar gestos de cortesia ou ser capaz de atos altruístas. Assim, podemos dizer que o treinamento em habilidades sociais aparece como um instrumento importante para melhorar nossas relações interpessoais, tendo como efeito colateral o aumento da nossa felicidade. Dessa maneira é possível trabalhar a melhora dessas habilidades.

Pessoas felizes são excepcionalmente boas em suas amizades, família e relacionamentos íntimos. Quanto mais feliz, maior a probabilidade de crescimento de seu círculo de amigos e de poder contar com o apoio social. Muitas ocasiões envolvem importantes conexões humanas, como a formatura de uma pessoa querida, o nascimento de um filho, apaixonar-se ou um casamento. A nosso ver, sem as habilidades sociais necessárias, teremos dificuldade de desfrutar do que há de melhor nas relações humanas e, consequentemente, alcançar conexões profundas com as pessoas nesses momentos psicológicos chamados de pico.

Indivíduos que estabelecem relações em que os laços são mais estreitos apresentam maior capacidade de superação de seus traumas, aprendem a lidar melhor com o sofrimento, com as doenças e as perdas. Isso se dá em razão de receberem o apoio social de que necessitam, por meio de amigos e companheiros, não se sentem sós, confiam porque sabem que existem pessoas que se importam com eles e que estão dispostas a ouvir e a ajudar. O apoio social é inestimável no auxílio às pessoas que enfrentam desafios e infortúnios na vida.

Quando estabelecemos relações significativas e contamos com o apoio social nos sentimos mais fortalecidos e nos tornamos mais resilientes aos traumas, perdas e adversidades da vida. Eis aqui mais um motivo para investirmos no treinamento das habilidades sociais. Atribuímos um sentido à situação, valorizando as relações interpessoais (que nos oferecem um senso de pertencimento), temos um olhar mais positivo e nos munimos de coragem, esperança, confiança na superação das crises e reavaliamos nossos valores, propostas e objetivos de vida. Criamos e visualizamos novas possibilidades, aprendemos e crescemos através dessas adversidades.

Por mais que se busque adaptar-se a conflitos interpessoais comuns no nosso dia a dia, estes nos prejudicam e, mesmo quando nos afastamos da pessoa com quem tivemos os conflitos, poderemos permanecer ruminando a respeito dele. Para Hlaidt (2006), a existência de relacionamentos sociais fortes tem efeitos positivos no sistema imunológico, aumenta o tempo de vida e é capaz de acelerar a recuperação de um indivíduo após procedimentos médicos, além de reduzir o risco de depressão e transtornos ansiosos.

Nenhum ser humano funciona como uma “ilha”. Precisamos dos outros para obtermos uma sensação de completude, de pertencimento. Necessitamos do ar, tanto quanto precisamos receber e, muitas vezes, doar ainda nos traz mais benefícios do que receber ajuda. Somos dotados de emoções que nos sintonizam para amar, oferecer amizade em um compartilhamento de nossa vida com a vida de outros, embora essa relação possa nos causar dor, ainda assim precisamos das relações sociais para nos sentirmos completos.

 

MÔNICA PORTELLA – é diretora cientifica de cursos de extensão do Cpaf­RJ e do PSI+ – Consultona e Educação. Pós-doutorado em Psicologia pela PUC-RJ, doutora em Psicologia Social pela UFRJ, mestre em Psicologia Cognitiva pela UFRJ, professora e supervisora da Pós-Graduação em Terapia Cognitivo-Comportamental e Psicologia Positiva Integrada ao Coaching do PSl+\ Cpaf-RJ\AVM.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.