PSICOLOGIA ANALÍTICA

JUNG E O CAMINHO EM DIREÇÃO A SI MESMO

Os conceitos de inconsciente coletivo, individuação, sombra e arquétipo revelam o caráter universal de imagens e dinâmicas do inconsciente.

Jung e o caminho em direção a si mesmo

Uma das ideias centrais da psicologia analítica, criada pelo psiquiatra Carl Gustav Jung, é o processo de individuação, que percorre toda a evolução humana (tanto no nível pessoal como no coletivo). Trata-se do processo de “tornar-se uma pessoa inteira”, subjetivamente integrada, o que desperta um sentido de autorrealização. É claro que falamos aqui de uma visão idealizada, mas motiva o ser humano do nascimento à velhice e o guia nas escolhas afetivas e profissionais.

Embora todos nós tenhamos os mesmos padrões básicos de comportamento, a relação desses aspectos com a consciência se transforma à medida que novos conteúdos da subjetividade são assimilados pela consciência coletiva. Portanto, a psicologia junguiana é claramente evolutiva, revelando que o nível de consciência teve grande transformação desde nossos ancestrais até hoje, o que inclui conhecimento, cultura, ética e moral.

Por outro lado, “ser” e “existir”, independentemente da educação ou da cultura em que vivemos, é uma experiência intuitiva cujas bases não podem ser localizadas em uma célula ou em algum lugar no cérebro. Basta observar recém-nascidos para encontrarmos certos traços de personalidade que não podem ser reduzidos apenas à genética ou ao ambiente familiar. É comum crianças entre 3 e 5 anos falarem de si mesmas ou de sua origem não biológica com grande convicção. Uma menina de 5 anos, ao visitar a casa dos avós, pergunta: “M mãe, onde eu estava quando você dormia nesse quarto?”. A certeza de haver uma existência anterior à vida consciente, embora não seja uma prova cientifica de existência pré ou pós-morte, é uma convicção psicológica arquetípica, isto é, comum a toda a humanidade. É, portanto, um fato psicológico, assim como a sensação da existência de um ser transcendente, um deus. Com isso, Jung introduziu a possibilidade de estudar a religião como manifestação psicológica, distinguindo a teologia da psicologia do estudo das religiões. Aqui não se disputa a “existência de Deus”, mas é possível afirmar que a ideia de uma representação divina e onipotente está presente na psique. Apenas aparência, forma e características dinâmicas da imagem divina são singulares para cada cultura e época – mas a essência é a mesma. Ao observar povos primitivos, Jung concluiu que o comportamento religioso é tão elementar quanto a sexualidade e não necessariamente resulta de uma projeção de aspectos reprimidos da vida erótica. Jung observou que povos livres na sua expressão sexual cultivavam seus deuses, mantinham suas crenças e seus rituais tradicionais. A vida religiosa decorrente da repressão sexual era resultante de uma cultura moralista e proibitiva (como na Viena do século 19, em que viveu Freud), que limitava a livre expressão e produzia certas psicopatologias. Em sociedades menos repressoras, a vida sexual e a religiosa não se opunham e eram integradas culturalmente por meio de ritos e imagens de fertilidade. Essa afirmação foi em grande medida um dos pomos da discórdia da célebre ruptura de Freud com Jung, em 1913, e tem sido objeto de estudos científicos no campo da psiconeurologia contemporânea.

O processo de individuação, tal como concebido por Jung, é resultante da interação do indivíduo com o coletivo. No plano individual, à medida que acriança se desenvolve, aptidões e características da subjetividade se tornam mais evidentes e singulares. De certo modo, o processo de individuação depende dessa fina sintonia com o que podemos chamar de nossa essência, que, embora dependa da genética, da educação e do ambiente familiar e cultural, certamente a tudo transcende.

A alegria é a nossa bússola no caminho da individuação, uma convicção forte e espontânea que emerge quando escolhas atuais estão alinhadas com nossa essência inata. Por isso se diz que o horizonte do processo de individuação é formado pelas inúmeras elaborações simbólicas que aproximam o indivíduo de sua essência. Essa singularidade diferencia um ser de qualquer outro e o torna insubstituível, pois a tarefa que cada um deve cumprir de acordo com seus talentos não pode ser reproduzida por nenhuma outra pessoa e tampouco reprimida.

Sistemas educativos e políticos rígidos, que tentam adequar o indivíduo a fins lucrativos ou ao bem do Estado, produzem distorções de subjetivação e graves neuroses. Depressões e suicídios de jovens são frequentes em sistemas totalitaristas ou alienantes, que obrigam à servidão a uma causa ou a se colocar a serviço de uma idealização em detrimento do desenvolvimento da singularidade. Dessa forma, a psicologia junguiana apenas no fim do século 20 entrou na Rússia, pois foi execrada na antiga União Soviética, onde a educação estava a serviço do Estado, e não do bem-estar individual.

O mesmo acontece com a criatividade. Indivíduos criativos são mais livres em sua autoexpressão em todos os campos. Sua ligação com o inconsciente, com o material ainda desconhecido pela consciência coletiva, traz à tona perspectivas e novas soluções técnicas e instrumentais para problemas antes insolúveis. Exemplos notáveis são encontrados na literatura e na biografia de pessoas célebres que, mesmo desprovidas de qualquer possibilidade educativa ou de recursos materiais, desenvolveram grandes talentos. James Hillman dá como exemplo um grande pianista de jazz americano (possivelmente Van Cliburn Jr.) que, por falta de recursos financeiros para comprar o próprio instrumento, utilizava o desenho de um teclado sobre uma folha de papel para exercitar a leitura musical. Durante muito tempo em sua infância, esse desenho foi o único teclado em que ensaiou e treinou suas capacidades até o dia em que se transformou em um músico profissional.

DINÂMICAS DO INCONSCIENTE

Saindo dos exemplos excepcionais, a forma como cada um de nós lida com dificuldades e desafios do cotidiano revela, em boa parte, as qualidades da nossa essência, do Si Mesmo. Por esse conceito entendemos tanto a totalidade psíquica, que inclui os aspectos conscientes e inconscientes, como também o arquétipo do centro da personalidade, que confere orientação e sentido à vida psíquica. O Si Mesmo é entendido paradoxalmente como totalidade dinâmica e arquétipo central de onde emergem os símbolos que podem ser experimentados e integrados pela psique subjetiva. Esse arquétipo abrange toda experiência humana e representa uma trama de sentidos potenciais, de caráter universal, que caracteriza a natureza igualmente paradoxal do homem como ser coletivo e ontológico.

Jung concebe o inconsciente como fonte de criatividade e potencialidade, e não apenas como o depositário de conteúdos recalcados, imagens infantis e vivências dolorosas protegidas por mecanismos de defesa. Do inconsciente surgem impulsos que tomam forma na matéria, de acordo com o espaço, a educação e o tempo de cada pessoa.

O conceito de arquétipo como representação psicológica da vida instintiva explica o aspecto universal dos padrões de comportamento, tal como o esqueleto que confere estrutura e base ao corpo. Embora todos nós tenhamos a mesma anatomia e fisiologia, não há um ser idêntico a outro. A maneira como cada pessoa atualiza os arquétipos depende das vivências individuais, educacionais e socioculturais. Em cada época, os arquétipos mudam a roupagem com que se apresentam, embora seu dinamismo básico permaneça o mesmo.

A exemplo do arquétipo da Grande Mãe, podemos observar que desde as épocas das cavernas já havia cultos a imagens femininas de largos quadris e muitas mamas, apontadas como criadoras do mundo e deusas da fertilidade. Essa imagem passou por transformações ao longo do tempo e hoje aparece no Brasil, por exemplo, nas formas de Iemanjá e de Nossa Senhora Aparecida. A crescente expansão do culto a Iemanjá observada em todo o litoral é uma demonstração da força que esse arquétipo exerce sobre a psique do povo brasileiro. Nesse ritual, repete-se o culto que os antigos gregos faziam à deusa Afrodite, com oferendas de flores, perfumes e pedidos levados em pequenos barcos lançados ao mar. Para muitos brasileiros, a esperança de renovação da vida por meio desse ritual independe da religião e se tornou um ritual pagão feito por pessoas de diferentes níveis socioculturais.

Os arquétipos são facilmente observáveis também na literatura e nas artes em geral. Nos contos de fadas podemos identificar as tarefas que o ego infantil deve superar durante seu crescimento. A história de João e Maria, por exemplo, mostra que, quando as crianças são fragilizadas pela falta de capacidade dos pais em alimentá-las (amorosamente), elas são levadas a uma jornada solitária pela floresta, onde são seduzidas com doces e guloseimas pela bruxa má. Pais excessivamente ocupados, sem tempo para se dedicar aos filhos, geram uma “fome emocional” nas crianças, tornando­ as vulneráveis e presas fáceis da sedução de adultos abusadores. A falta de um ambiente familiar acolhedor e amoroso faz com que os pequenos tenham de desenvolver por si mesmos a capacidade de superar o desamparo e a aridez de uma mãe (ou pai) que vive da vida dos filhos, isto é, de uma grande mãe devoradora. O caráter atual do conto pode ser observado também na psicodinâmica simbólica da anorexia e da bulimia, transtornos bastante comuns na cultura contemporânea. A ditadura da moda da magreza extrema obriga jovens, principalmente os de uma base afetiva extremamente frágil, a perseguir um padrão estético por vezes incompatível com o seu bem-estar físico. Vivemos numa cultura em que ser benquisto está profundamente associado (e estimulado pela mídia) a um corpo escultural, pele impecável (de bebê) e roupas que escondem as formas femininas em seu aspecto maternal. Vemos com isso duas polaridades do arquétipo da Grande Mãe: a positiva – quando sua imagem é reverenciada nos rituais de renovação do ano-novo, dando a esperança de saúde e abundância – e a negativa – como nas dietas exageradas e transformações estéticas extremas, na tentativa de ir além dos limites do corpo para “vencê-lo” como forma de superar a própria natureza. No processo evolutivo, observamos também os movimentos ecológicos como uma maior consciência da Mãe Natureza, antes menosprezada e vilipendiada. A passagem do arquétipo da Grande Mãe para o do Pai Espiritual é ilustrada na história dos três porquinhos e o lobo mau. Aqui vemos a necessidade de fortalecimento do ego para enfrentar as adversidades do crescimento, deixando a casa da mãe para construir um mundo independente. Ao depararem com o lobo, o aspecto negativo da figura paterna, os porquinhos percebem que uma casa feita às pressas, com material frágil, é facilmente derrubada pelo sopro da violência. A experiência ensina que somente uma casa solidamente construída (ego forte e em contato com a realidade) pode oferecer um abrigo suficientemente seguro, no qual poderão sobreviver longe da proteção materna.

UNIÃO DOS OPOSTOS

O arquétipo subjacente a essas histórias é o mito do herói, talvez o mais presente no mundo literário e cinematográfico de todos os tempos. De Tarzan, o rei da selva, a Neo, o herói de Matrix, a imagem arquetípica do jovem que é levado a desafiar os valores predominantes da cultura nos ensina a incorporar habilidades inovadoras e a vencer obstáculos aparentemente intransponíveis. Sua função libertadora ajuda a humanidade a confiar no aspecto transcendente e transitório da condição humana. Os símbolos presentes nessas histórias são também elementos facilitadores na integração dos conteúdos inconscientes.

Jung usou o conceito de símbolo de acordo com sua etimologia: sym = juntar, unir; ballein= em direção a uma meta, um objetivo. Nesse sentido, symballein significava, na antiga Grécia, o ato de unir duas metades de uma mesma moeda que fora partida na separação de duas pessoas. Quando uma delas desejava enviar uma mensagem importante à outra, o mensageiro trazia consigo uma das metades da moeda. Desse modo, o destinatário da mensagem poderia verificar sua autenticidade ao constatar a perfeita união das duas metades (uma conhecida, outra incógnita).

A palavra “símbolo” passou a ser empregada para designar a união de opostos – algo conhecido, consciente, com algo desconhecido, inconsciente. Como aquilo que é desconhecido tem um valor afetivo, o símbolo sempre desperta uma emoção. O conceito aponta para uma conexão entre aspectos conscientes e inconscientes de um mesmo fenômeno. Por mais que saibamos o significado racional das cores e da forma da bandeira brasileira, muitos se emocionam quando a veem tremulando em um evento de importância internacional, por exemplo.

O símbolo sempre contém um aspecto irracional e enorme poder de mobilização; é capaz de provocar grandes transformações de caráter estruturante, mas também conflitos étnicos e religiosos. Podemos perceber o símbolo em formas concretas, como slogans e hinos, ou em eventos como a queda do Muro de Berlim, a derrubada da estátua de Stalin ou de Saddam Hussein. O símbolo representa a conexão com a energia arquetípica necessária para a consecução de feitos que alteram o estado das coisas e podem trazer novas soluções para conflitos aparentemente insolúveis.

Grandes invenções tiveram o símbolo como mediador do processo de conhecimento, como conta a história da descoberta do anel de benzol. Friedrich Kekulé, químico alemão do século 19 que tentava, com pouco sucesso, descobrir a estrutura química do benzeno, sonhou que as moléculas se reuniam na forma de serpentes. Quando uma delas mordeu a própria cauda, de súbito Kekulé entendeu que a estrutura era um anel, dando assim um grande passo no progresso da química orgânica.

O símbolo é também o elemento que traz nova luz a uma situação aparentemente sem saída. Um jovem executivo bem-sucedido de 42 anos, solteiro e muito assediado pelas mulheres, achava-se bastante deprimido e desmotivado, pois, em sua opinião, “já havia alcançado o topo de tudo que desejava, nada mais restando a fazer”. Um sonho lhe esclareceu bem sua situação, revelando o perigo em que se encontrava: estava em uma nave espacial brilhante e prateada, que de repente despencou sobre um charco na periferia da cidade. Imediatamente, mendigos sujos e maltrapilhos invadiram a nave e roubaram tudo que era precioso. Percebemos que o sonhador estava vivendo com uma atitude de superioridade, inflada e dissociada de seus aspectos mais simples e humildes, correndo o risco de tudo perder. Ele precisava entrar em contato com seu lado menos desenvolvido e mais pobre para poder crescer.

Aspectos menosprezados ou reprimidos pela atitude consciente podem surgir nos sonhos sob a forma de figuras degeneradas, ladrões, personagens estrangeiros ou de constituição física oposta. À vezes aparecem também em preconceitos, atos falhos e lapsos de linguagem, como no caso de uma jovem que, aterrorizada perante seu professor de física, um homem muito severo e repressor, pergunta aos colegas, ao tentar entender uma formulação complexa sobre o movimento parabólico: “O que é movimento paralítico?”. A situação provavelmente provocou a emergência de um complexo paterno autoritário projetado sobre a figura do professor, paralisando a capacidade de pensar da jovem.

Os complexos fazem parte do nosso inconsciente pessoal, isto é, da sombra, e são responsáveis em grande parte por nossos comportamentos mais aberrantes e pobremente adaptados à realidade. Podem levar, por exemplo, um pai de família calmo e tranquilo a se tornar um assassino em potencial quando provocado no trânsito. Nesse momento, o complexo de inferioridade assume o controle e subjuga o ego, e uma enorme quantidade de energia é despendida na tarefa de vencer um adversário imaginário. Da ótica da psicologia analítica, esse adversário intangível pertence ao seu mundo interno, desconhecido, e se apresenta como uma qualidade projetada sobre um motorista qualquer que inadvertidamente cruzou seu caminho, de­ flagrando o complexo. Esse sofrimento pode ter origem em um conflito recente ou primitivo, mas de todo modo inacessível à consciência.

MÁSCARAS E PROJEÇÕES

A necessidade de nos adaptarmos à vida em sociedade e às exigências culturais leva-nos também a desenvolver aquilo que Jung chamou de persona, isto é, uma máscara coletivamente reconhecível e socialmente aceitável. Ela é responsável por nossa adaptação ao mundo social e é expressa no nosso estilo de vida, nas imagens que temos sobre as categorias profissionais e até mesmo na moda. A persona bem adaptada – que corresponde às expectativas da moda – tem importância cada vez maior na sociedade, pois aquele que dispõe dela tem maiores chances de ser visto como uma pessoa bem-sucedida e amada. Entretanto, quando extremamente rígida, a persona pode se dissociar dos aspectos mais profundos do ser e passa a expressar apenas um aspecto desejado externamente, sem refletir o caráter mais ontológico do Si Mesmo. Quando integrada, a persona é criativa e possibilita a expressão de diferentes facetas do indivíduo.

Outro conceito importante na psicologia de Jung é a hipótese sobre aspectos do inconsciente mais indiretamente observados: a anima e o animus, que são as contrapartes sexuais do homem e da mulher, respectivamente, e funcionam como ponte entre o mundo interno e o ego. Assim como existem aspectos biológicos masculinos na mulher, há também aspectos psicológicos masculinos correspondentes ao arquétipo do animus. Anima e animus contêm as qualidades humanas que faltam na disposição consciente. Uma mulher muito feminina tem aspectos inconscientes mais viris, assim como um homem muito másculo guarda em seu mundo interno qualidades profundamente enraizadas no feminino. Na cultura contemporânea o masculino e o feminino estão em constantes transformações, possibilitando maiores ampliações no desenvolvimento da personalidade à medida que podemos experimentar novas formas de ser homem ou mulher.

O essencial desse conceito é que anima e animus são representações psíquicas daquilo que nos inspira a seguir nossos desejos e ideais, de modo a ampliar nossa consciência. As projeções românticas têm a função de estabelecer um confronto com o inconsciente, e sua retirada permite uma expansão do autoconhecimento. Mediante a relação com o sexo oposto, podemos conhecer a realidade de nosso potencial, pois tornar-se consciente não é um projeto isolado. Embora requeira certa dose de introspecção, essa jornada implica um convívio com o outro para se realizar.

PADRÃO MORAL E CONSCIÊNCIA

Ao longo dos séculos, a figura feminina tem sido para o homem a inspiradora nas suas descobertas e feitos heroicos. Tomando a mitologia grega como ilustração, percebemos em Ariadne a imagem da anima, cuja promessa de amor não apenas inspira a luta de Teseu contra o Minotauro – o aspecto sombrio e monstruoso do herói -, mas também fornece a ele o fio condutor para um retorno seguro para fora do labirinto. Ela é, ao mesmo tempo, a musa que inspira a luta heroica e a luz que aponta a saída da escuridão do inconsciente. Deusas, divas, pin-ups, modelos e artistas são o objeto dessa projeção arquetípica e inspiram desde sempre os feitos heroicos, artísticos e científicos que dão sentido à busca da individualidade.

Enquanto a anima se associa à receptividade afetiva no homem, o animus representa sistemas de avaliação e capacidade de julgamento. Assim, liga-se a convicções por vezes indiferenciadas quando uma mulher passa a se acreditar portadora de certezas absolutas e defensora de valores extremamente rígidos. Em seu aspecto criativo, o animus associa a mulher à capacidade de discriminação, às atitudes e iniciativas construtivas de modo consciente. Por meio da dinâmica do animus, ela aprende a aceitar a reparação, a independência e a responsabilidade por suas reações emocionais. Em geral, o animus é projetado em professores, líderes e outras figuras de autoridade que inspiram nas mulheres a realização de seu potencial social e a saída dos recônditos do mundo familiar. Entretanto, quando a união entre mãe e filha é tão intensa que a possibilidade de um casamento é sentida quase como um ato de ruptura abrupta, figuras de homem-vilão podem emergir. É a história de Perséfone, filha da grande mãe Deméter, que foi raptada por Hades, o rei do mundo inferior, quando passeava pelos campos floridos. Aqui, Hades representa a imagem do animus que transporta Perséfone para outra dimensão, retirando-a das limitações do mundo conhecido. A mesma temática pode ser percebida em novelas e filmes em que o homem­ vilão desempenha o papel daquele que abre, por vezes dolorosamente, os horizontes e oferece, apesar do sofrimento, novas perspectivas para o desenvolvimento do potencial da mulher.

Os complexos também se manifestam no plano da identidade de um grupo social, e nesse caso são denominados complexos culturais. No Brasil, o mais evidente é o de sentimento de inferioridade, visível especialmente nas relações dos brasileiros com pessoas de outros países. Supervalorização do estrangeiro em detrimento do produto nacional e atitudes autodepreciativas presentes em piadas têm contribuído em grande parte para a tolerância com corrupção, quebra da lei, favoritismos e outros comportamentos espúrios, principalmente, de figuras de autoridade. Somente a consciência desse complexo, cuja raiz remonta à época do descobrimento e da escravidão, possibilitará a recuperação da autoestima, dando a real dimensão do valor da identidade brasileira.

Embora a incorporação dos elementos inconscientes na consciência seja um processo lento e doloroso, cada passo nessa direção, mesmo que comece por um pequeno grupo, certamente contribuirá para uma melhora na qualidade de vida de todos. O desenvolvimento da consciência traz, também, uma mudança no padrão ético. O comportamento moral e a saúde mental são, sem dúvida, as bases de uma sociedade saudável. Em sua última entrevista, em 1959, aos 84 anos, Jung disse a um repórter da BBC de Londres que precisaríamos cada vez mais da psicologia, pois todo mal que estava por vir partiria do próprio homem. A história continua como testemunho dessa verdade, mas também podemos dizer que todo bem que está por vir só depende do desenvolvimento de nossa consciência – e esse caminho é, sem dúvida, a grande contribuição do mestre Jung.

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OUTROS OLHARES

BEBÊ S.A

Recém-nascidos de celebridades promovem produtos em mídias sociais e movimentam um mercado cada vez mais lucrativo

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Eles são bebês, mas já são verdadeiras máquinas de marketing. Zoe Sato (2 meses), Enrico Bacchi (1 ano), as gêmeas Marina e Helena Sangalo (11 meses), Sophia Cardi (3 meses) e Filippo Abreu (2 semanas), são alguns dos nomes das pequenas celebridades que movimentam milhões na roda da fortuna do negócio de maternidade. Enrico Bacchi e Sophia Cardi, filhos da atriz Karina Bacchi e da empresária Mayra Cardi, respectivamente, já têm suas próprias contas no Instagram somando quase 2 milhões de seguidores. A apresentadora Sabrina Sato soube aproveitar bem o momento da gravidez. Logo no começo, contou ao mundo que estava esperando um neném por meio de uma propaganda patrocinada por uma marca de teste de gravidez. Os nove meses seguintes foram um verdadeiro reality show com direito a uma equipe do próprio programa da apresentadora grudada nela e na família para capturar os movimentos da mãe mais famosa do Brasil. O parto de Zoe, no dia 29 de novembro do ano passado, que durou mais de 24 horas, foi esperado e assistido (televisionado pelo “Programa da Sabrina”) por milhões de brasileiros. Com a ajuda da internet, Zoe ultrapassou a marca do nascimento mais famoso do país, o de Sasha Meneghel, em 29 de julho de 1998, que foi televisionado pelo Jornal Nacional.

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“Todas as campanhas e licenciamentos que fiz durante a gestação são com a minha imagem de mãe e com o que acredito, gosto e aprovo, e sem usar a imagem ou nome da Zoe”, conta Sabrina. “Criei com a Grão de Gente três linhas de quartinhos e enxoval para bebês; lançamos a nova linha de fraldas da PomPom; represento a BioOil, uma marca que evita estrias e nesse período é muito usado por nós na gestação; e também tenho uma coleção assinada de roupinhas de bebê na DingDong”. Sabrina diz, porém, que nenhuma dessas marcas usam ou associam a imagem da Zoe. ”Tudo a que me associo é real, são marcas nas quais eu confio e uso os produtos, participo da criação e aprovo tudo”, completa. “Quando Zoe nasceu, eu renasci como mulher e mãe. Me tornei uma leoa”.

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INFLUENCIADORAS DIGITAIS

Durante três dias a reportagem analisou os perfis de Sabrina Sato e Mayra Cardi, duas das maiores influenciadoras da atualidade. Sabrina fez cerca de 40 stories (ferramenta do Instagram) com permutas de mais de 15 lojas diferentes. Entre os objetos apresentados estão roupas, sapatos, kit higiênico, fraudas, entre outros mimos. Mayra Cardi não fica atrás, embora tenha se afastado um pouco das mídias sociais devido às críticas que enfrentou pelo modo de cuidar da filha enquanto gravava os famosos vídeos de 15 segundos. Ela diminuiu a exposição da herdeira, mas ainda posta os famosos “recebidos”. Em um dos vídeos altamente reprovado pelos seus seguidores, Mayra mostra a roupa que a filha ganhou de uma das empresas infantis, enquanto a cabeça do neném pende para fora do braço da mãe. O vídeo mostra a agonia da criança tentando levantar a cabeça.
Um negócio que vem crescendo no mundo dos bebês-celebridades são os “produtos de oportunidade”, ou a antiga permuta.

Funciona conforme o desejo e a necessidade do famoso em determinado produto. Por exemplo, se uma influenciadora está grávida e deseja comunicar ao mundo sobre a sua gravidez, ela faz um acordo de milhares de reais com uma empresa relacionada ao produto que ela almeja e fecha um “combo” com um número certo de postagens e vídeos que fará nas redes sociais ou propaganda na televisão. Fátima Pisarra, diretora geral da Mynd e Music2, especializada em música e marketing de influenciadores, faz a ponte entre as empresas e os famosos. Ela explica que os combos podem ser diversos: uma postagem e 4 vídeos no stories ou 3 postagens e 10 stories vão de 2 mil à 700 mil reais, dependendo do contrato feito entre a influenciadora e a empresa. A loja Bali Bebê, que vende artigos e roupas de luxo para recém-nascidos, é uma das empresas que faz esse tipo de permuta. A proprietária Carima Moumtez, 25, diz que a iniciativa pode dar bons resultados. Recentemente a Bali deu algumas roupas para a influenciadora digital Shantal Abreu, mãe do pequeno Filippo, para promover a marca no Instagram.

Entre as lojas e empresas mais procuradas pelas mamães super- poderosas está a MacroBaby, localizada em Orlando, nos Estados Unidos. A empresa é a maior em número de produtos para o segmento bebê e maternidade. São mais de 40 mil itens que vão de carrinhos para bebês até o enxoval completo do recém-nascido. Entre suas clientes estão Deborah Secco, Thaeme, da dupla Thaeme e Thiago, Ivete Sangalo e Sabrina Sato. Segundo a gerente da loja, Yaluan Giurizatto, a média que essas famosas gastam na MacroBaby é de 6 a 7 mil reais. Neste mês, por exemplo, em um passeio por Orlando, Ivete Sangalo fechou a empresa para fazer compras para as gêmeas. “Geralmente elas procuram produtos diferenciados, como aquecedores portáteis de mamadeira, repelente de mosquito para crianças pequenas, protetor solar especial e bomba de tirar leite”, revela Yaluan.

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GESTÃO E CARREIRA

PENSAR COMO O DONO DA EMPRESA

Sua empresa permite que você aja como empreendedor? Aceita sugestões e novidades?

Pensar como o dono da empresa

Você, como funcionário, já teve ter escutado alguém lhe falar que “é preciso pensar ou agir como se você fosse o dono da empresa”. Mas, como fazer isso sem parecer arrogância da sua parte, e sim apenas comprometimento com o emprego? Madalena Feliciano, diretora de projetos da Outliers Careers, explica as melhores maneiras de pensar como o dono – e os benefícios que isso pode lhe trazer.

“Normalmente, ao dizerem que você precisa pensar como o dono, as pessoas estão se referindo a maneira com a qual você se preocupa com a empresa. Em tese, quando você pensa como o proprietário, suas preocupações, comprometimento e resultados aumentam – assim como o conhecimento sobre o local de trabalho e clientes”, resume a especialista.

Porém, será que os trabalhadores conseguem pensar na empresa em que trabalham como se fossem donos dela, em vez de meros empregados? O mundo atual comprova que sim – prova disso são as instituições mais bem-sucedidas do mundo procurarem por profissionais que pensem ‘fora da caixinha’. “Independente do cargo, os trabalhadores devem encarar qualquer desafio como se fossem os empresários responsáveis pelo setor, pensando como melhorar processos e economizar recursos dentro de sua área”, comenta Madalena.

Como você acha que os líderes chegaram onde estão? Muitos deles possuem essa característica em comum: a de agirem como empreendedores e estarem dispostos a errar. “O fundamental para o profissional atual é ter uma atitude empreendedora, independente do seu emprego e cargo. Quem não arrisca, não petisca”, lembra Madalena.

Quem empreende corre maiores riscos. É difícil acertar desde o começo – e os possíveis erros significam tempo e dinheiro que foram “jogados fora” na visão de muitas pessoas. Por isso, se você trabalha em uma empresa, garanta que ela apoie o seu empreendimento e possíveis falhas.

Apresente bem as suas ideias e diga o que você espera alcançar com seu novo plano. “Praticamente todos os chefes gostam de ouvir novas ideias para sua empresa. Apresente-as formalmente, marcando uma reunião e estando disposto para possíveis críticas. Se não conseguir o apoio da primeira vez, não desista. Melhore o que foi pedido e peça opiniões para pessoas diferentes”, sugere a gestora.

Em geral, os jovens dessa nova geração buscam ser empreendedores, as empresas, por outro lado, buscam reter os seus melhores e jovens talentos. Portanto, quando se é um bom profissional, ter o apoio da empresa é algo mais fácil para apostar em novidades. “Faça tudo bem feito e planejado. Essas preocupações antecipadas podem lhe dar uma imensa vantagem, afinal de contas, a liderança e o empreendimento são a arte de fazer as coisas simples – mas muito bem feitas”, conclui Madalena.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 19: 15-17

Alimento diário

CIRCUNSPEÇÃO E CARIDADE

 

V. 15 – Veja aqui o mal de uma disposição preguiçosa.

1. Ela deixa os homens estupefatos, os torna irracionais e descuidados de seus próprios assuntos, como se estivessem mergulhados em um sono profundo, sonhando muito, mas sem fazer nada. As pessoas preguiçosas desperdiçam seu tempo, enterram seus talentos, vivem uma vida inútil, e são os fardos improdutivos da terra; pois qualquer serviço que façam, quando despertas, são tão desprovidos de valor, que elas bem poderiam estar dormindo. As suas almas são ociosas e adormecidas; os seus poderes racionais são resfriados e até mesmo congelados.

2. Ela empobrece os homens e faz com que eles passem necessidades. Os que não trabalham, não podem esperar ter o que comer, mas deverão sofrer fome: uma alma ociosa, que se mantém ociosa nas questões de sua alma, que não se importa nem se esforça em trabalhar pela sua salvação, perecerá, por falta do que é necessário para a vida e a felicidade da alma.

 

V. 16 – Aqui temos:

1. A felicidade dos que andam de maneira circunspecta. Os que se importam em guardar os mandamentos, em tudo, que vivem em obediência à lei, como convém a servos e pacientes, guardam suas próprias almas; eles preservam a sua paz atual, e a sua bênção futura, e estarão bem providos. Se guardarmos a Palavra de Deus, ela nos guardará de tudo o que é realmente nocivo.

2. A desgraça dos que vivem sem limites, e não se importam com o que fazem: o que desprezar os seus caminhos morrerá, perecerá eternamente; ele está no caminho certo para a destruição. Com respeito aos que são descuidados quanto ao objetivo de seus caminhos e não consideram para onde estão indo, e não ordenam os seus caminhos, que andam pelo caminho de seus corações e segundo o curso do mundo (Eclesiastes 11.9), que nunca consideram o que fizeram nem o que deveriam fazer, mas andam de aventura em aventura (Levítico 26.21), para os quais o certo ou o errado são a mesma coisa – o que resultará disto, além de um grande engano?

 

V. 17 – Aqui temos:

I – A descrição do dever da caridade. Ele inclui duas coisas:

1. Compaixão, que é o princípio interior da caridade no coração; é ter piedade dos pobres. É não ser avarento em relação aos pobres, mas sentir piedade deles e ter um interesse caridoso e simpatia por eles; e, se um homem doa todos os seus bens para alimentar os pobres, e não tem esta caridade no seu coração, nada disso se lhe aproveitará (1 Coríntios 13.3). Devemos abrir nossas almas aos famintos (Isaias 58.10).

2. Generosidade e desprendimento. Devemos não somente ter piedade dos pobres, mas dar, conforme a sua necessidade e a nossa capacidade (Tiago 2.15,16). Aquilo que ele deu. Nas anotações de margem lemos: a sua obra. É uma caridade fazer algo pelos pobres, bem como dar; e, se eles tiverem seus membros (braços e pernas) e sabedoria, poderão ser caridosos uns com os outros.

 

II –  O incentivo à caridade.

1. Uma interpretação muito gentil será atribuída a ela. O que é dado aos pobres, ou feito por eles. Deus considerará como emprestado a Ele, emprestado a juros (este é o significado da palavra); Ele o recebe, gentilmente, como se fosse feito para Ele mesmo, e deseja que nós recebamos a consolação disto, e que estejamos tão satisfeitos como qualquer usurário, quando deixou uma boa soma de dinheiro em boas mãos.

2. Uma recompensa muito rica haverá, por ela: Ele lhe pagará, lhe retribuirá em bênçãos temporais, espirituais, e eternas. Dar esmolas é a maneira mais segura e garantida de prosperar.