PSICOLOGIA ANALÍTICA

A MÍNIMA DIFERENÇA

Os ícones da feminilidade se modificaram e as diferenças entre os sexos têm se diluído, mas permanecem os impasses e as pretensões de homens e mulheres em torno do amor e do desejo.

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Há mais de cem anos não se fala em outra coisa. O falatório surpreenderia o próprio Freud. Se ele criou um espaço e uma escuta para que a histérica pudesse fazer falar seu sexo em um tempo cuja norma era o silêncio, o que restaria ainda por dizer ao psicanalista quando a sexualidade circula freneticamente em palavras e imagens como a mais universal das mercadorias? O escândalo e o enigma do sexo permanecem deslocados – já não se trata da interdição dos corpos e dos atos – , avisando que a psicanálise ainda não acabou de cumprir seu papel. Mulheres e homens vão aos consultórios dos analistas (e, como sempre, mais mulheres do que homens), procurando, no mínimo, restabelecer um lugar fora de cena para uma fala que, despojada de seu papel de lata de lixo do inconsciente (no que reside justamente sua obscenidade), vem sendo exposta à exaustão, ocupando lugar de destaque na cena social, até a produção de uma aparência de total normalidade.

Parece que nada mudou muito: mulheres e homens continuam procurando a psicanálise para falar da sexualidade e de suas ressonâncias, mas o que se diz já não é a mesma coisa. “O que devo fazer para ser amada e desejada?”, perguntam as mulheres, com algum ressentimento: não era de esperar que o amor se tornasse tão difícil já nos primeiros degraus do paraíso da emancipação sexual feminina. “O que faço para ser capaz de amar aquela que afinal me revelou seu desejo?”, perguntam os homens, perplexos diante da inversão da antiga observação freudiana segundo a qual é próprio do feminino fazer-se amar e desejar e próprio do homem, Narciso ferido eternamente em busca de restauração, amar sem descanso aquela que parece deter os segredos de sua cura. Mulheres que já não sabem se fazer amar, homens que já não amam como antigamente. Como se pedissem aos psicanalistas: “O que faço para (voltar a) ser mulher?”, “Como posso (voltar a) ser homem?”.

CAMPO MINADO

Incapaz de formular uma interpretação satisfatória para o que ouço no consultório e na vida, dou voltas em torno desse mal-estar. Tento cercar com perguntas aquilo para o que não encontro resposta. É possível que a relação consciente/ inconsciente se modifique à medida que mudam as normas, os costumes, a superfície dos comportamentos, os disc ursos dominantes? A questão remete, sim, à relação entre recalque e repressão. Se mudam as normas, mudam os ideais e o campo das identificações – e, com eles, parte das exigências do superego, parte das representações submetidas pelo menos ao recalque secundário – , mudam também as chamadas soluções de compromisso, os sintomas que tentam dar conta simultaneamente da interdição e do desejo recalcado… Dito de outra forma: os “novos tempos” nos trazem novos sujeitos? No ­ vos homens e mulheres colocam outras questões à observação psicanalítica? E aqui vai a ressalva: não há nenhuma euforia, nenhum otimismo no emprego da palavra “novo”. A própria psicanálise já nos ensinou que a cada barreira removida, a cada véu levantado deparamos não com um paraíso de conflitos resolvidos, e sim com um campo minado ainda desconhecido.

Avancemos mais alguns passos nesse campo minado. O lugar reservado às mulheres na cena social {e sexual) desde o surgimento da psicanálise foi sendo alterado {por obra, entre outras coisas, das próprias contribuições freudianas) e ampliado; as insígnias da feminilidade se modificaram, se confundiram, as diferenças entre os sexos foram sendo borradas até o ponto em que a revista americana Time publicou em 1992, como artigo de capa, a seguinte pesquisa: “Homens e mulheres nascem diferentes?”. Na dinâmica de encontro e desencontro entre os sexos, a intensa movimentação das tropas femininas nas últimas décadas parece ter deslocado os significantes do masculino e do feminino a tal ponto que vemos caber aos homens o papel de Narcises frígidos e às mulheres o de desejantes sempre insatisfeitas. Não cabe hoje aos homens dizer “Devagar com a louça!”, aterrados diante da audácia dessas que até uma ou duas gerações atrás pareciam aceitar as investidas do desejo masculino como homenagem a sua perfeição ou como o mal necessário da vida conjugal?

Já sabemos que o homem odeia o que o aterroriza. Se a verdade do sexo vazio da mulher sempre tem de ser dissimulada com os engodes fálicos da beleza e da indiferença , tal a angústia que é capaz de provocar em quem ainda sente que tem “algo a perder”, essa angústia parece redobrar diante da evidência de que esse sexo vazio também é faminto, voraz. “O que elas querem de nós?”, indagam entre si os varões, tentando se assegurar de que ainda é possível entrar e sair da relação com a mulher, sem deixar por isso de ser homens – mas como, se a mulher que expõe seu desejo sexual age “como um homem” e com isso os feminiza?

AGRURAS DA PAIXÃO

Os artistas da virada do século 19 para o 20 já previam a sorte dessas novas-ricas da conquista amorosa. Ana Karenina (Tolstoi, 1873 -1877) pagou por sua ousadia debaixo das rodas de um trem, como “a mais desgraçada das mulheres”, enlouquecida ao descobrir que o amor não é meio de vida, não garante nada – o casamento, sim. Emma Bovary (Flaubert, 1853-1856) queimou as entranhas com arsênico por não ter sido capaz de tomar a aventura amorosa do mesmo modo que seu amante Rodolfo – apenas como uma aventura. Na virada do século, já não havia Werther que destruísse sua vida pela utopia do amor de uma mulher, que foi deixando de ser utopia para se tornar fato corriqueiro: são as grandes amorosas que se matam, então, ao descobrir que seu dom mais precioso perde parte do valor, justamente na medida em que é dado.

O destino de Nora (lbsen, 1879) nos parece mais promissor, porque a peça termina quando tudo ainda está por começar. Ela abandona a “casa de bonecas” ao descobrir que sua alienação (termo que lbsen nunca usou) era condição de felicidade conjugal. Depois de entender que no código do marido o amor mais apaixonado só iria até onde fossem as conveniências, Nora recusa o retorno à condição feminina-infantil de seu tempo e sai em busca de…mas aqui cai o pano e agora, mais de um século depois, fazemos o balanço do que ela encontrou. Independência econômica, algum poder, cultura e possibilidades de sublimação impensáveis para a mulher restrita ao espaço doméstico. Também a possibilidade da escolha sexual, e a segunda (e a terceira, e a quarta…) chance de um casamento feliz. E a possibilidade de conhecer vários homens e compará-los. De ser parceira do homem, reduzindo a distância entre os sexos até o limite da mínima diferença. Mas teria Nora, melhor que as contemporâneas literárias, conquistado alguma garantia de corresponder às paixões masculinas sem “se desgraçar”?

No Brasil, onde historicamente todas as diferenças são menos acentuadas, a história de amor mais marcante já no século 20 é a de um engano. É por engano que o jagunço Riobaldo (Guimarães Rosa, 1956) se apaixona por seu companheiro Diadorim, ou Maria Deodorina, que acaba perdendo a vida em consequência de sua mascarada viril. É por engano – ou não é? – que Diadorim desperta a paixão de um homem, travestida de homem, por sua feminilidade diabólica que se insinua e se inscreve justo onde deveriam estar os traços mais fortes de sua masculinidade – a audácia, a coragem física, o silêncio taciturno. Como se Guimarães Rosa tivesse dado a entender, lacanianamente: se uma mulher quer ser homem, isso não faz a menor diferença, desde que continue sendo mulher. Ou mais: se uma mulher quer ser homem e se esconde nisso, daí, sim, é que ela é mesmo mulher.

O fato é que não se trata só de esconder ou disfarçar, como no caso de Diadorim. O avanço das Noras do século 21 sobre espaços tradicionalmente masculinos, as novas identificações (mesmo que de traços secundários) feitas pelas mulheres em relação a atributos que até então caracterizavam os homens não são meros disfarces: são aquisições que tornaram a(s) identidade(s) feminina(s) mais rica(s) e mais complexa(s)- o que teve, é claro, seu preço em intolerância e desentendimento, de parte a parte. Aqui tomo emprestado um conceito que Freud empregou em Mal-estar na cultura (1920), sem ter se estendido mais sobre ele. Nesse texto Freud cunhou a expressão “narcisismo das pequenas diferenças”, tentando explicar as grandes intolerâncias étnicas, raciais e nacionais, sobretudo as que pesavam sobre os judeus na Europa. É quando a diferença é pequena, e não quando é acentuada, que o outro se torna alvo de intolerância. É quando territórios que deveriam estar bem apartados se tornam próximos demais, quando as insígnias da diferença começam a desfocar que a intolerância é convocada a restabelecer uma discriminação, no duplo sentido da palavra, sem a qual as identidades ficariam muito ameaçadas.

FALOS E BRUXAS

No caso das pequenas diferenças entre homens e mulheres, parecem ser os homens os mais afetados pela recente interpenetração de territórios – e não só porque isso implica possíveis perdas de poder, como argumentaria um feminismo mais belicoso, e sim porque coloca a própria identidade masculina em questão. Sabemos que a mulher encara a conquista de atributos “masculinos” como direito seu, reapropriação de algo que de fato lhe pertence e há muito lhe foi tomado. Por outro lado, a uma mulher é impossível roubar a feminilidade: se a feminilidade é máscara sobre um vazio, todo atributo fálico virá sempre incrementar essa função. já para o homem, toda feminização é sentida como perda – ou como antiga ameaça que afinal se cumpre. Ao homem interessa manter a mulher a distância, tentando garantir que esse “a mais” inscrito em seu corpo lhe confira de fato alguma imunidade.

A aproximação entre as aparências, as ações, os atributos masculinos e femininos são para o homem mais do que angustiantes. É de terror e de fascínio que se trata quando um homem se vê diante da pretensão feminina de ser também homem sem deixar de ser mulher. Bruxas, feiticeiras, possuídas pelo demônio, assim se designavam na Antiguidade essas aberrações do mundo feminino que levavam a mascarada de sua feminilidade até um limite intolerável. Se a morte, a fogueira ou a guilhotina seriam capazes de pôr fim à onipotência dessas que já nasceram “sem nada a perder”.

SERES ESVAZIADOS

E quem duvida de que Ana Karenina, Emma Bovary, Nora, Deodorina tenham se tornado aquilo que se costuma chamar de “mulheres de verdade” a partir do momento em que abandonaram seus postos na conquista desse “a mais” que, tão logo conquistado, parece lhes cair como uma luva? Mas quem duvida também de que o preço dessas conquistas continue sendo altíssimo? Quando não a morte do corpo (pois não é no corpo que se situa o tal “a mais” da mulher!), a morte de um reconhecimento pelo outro, na falta do qual a mulher cai em um vazio intolerável. Pois, se a mulher se faz também homem, é ainda por amor que ela o faz – para ser ainda mais digna do amor.

Quando o amor e o desejo da mulher se libertam de seu aprisionamento narcísico e repressivo para corresponder aos do homem, parece que alguma coisa se esvazia no próprio ser da mulher. Os suicídios de Ana e Emma são, nesse caso, exemplares. Teriam suas vidas perdido o sentido depois que elas se entregaram sem restrições ao conde Vronsky e a Rodolfo Boulanger? Não; eu diria que a perda de sentido se dá nelas próprias. Ao desejarem e amarem tanto quanto foram amadas e desejadas, elas deixaram de fazer sentido como mulheres – primeiro para os amantes, depois para si mesmas.

Na defesa do narcisismo das pequenas diferenças, é do reconhecimento amoroso que o homem ainda pode privar a mulher, esta que parece não se privar de mais nada, não se deter mais no gozo de suas recentes conquistas. Mas não se imagine que o homem o faz (apenas) por cálculo vingativo. É que ele já não consegue reconhecer essa mulher tão parecida consigo mesmo, na qual também odiaria ter de se reconhecer.

Vale ainda dizer que não é só da falta de reconhecimento masculino que se trata o abandono e a solidão da mulher. já nos primórdios dessa movimentação toda, os psicanalistas Melanie Klein e Joan Riviere escreviam que, muito mais do que a vingança masculina, o que uma mulher teme em represália por suas conquistas é o ódio de outra mulher, aquela a quem se tentou suplantar etc. etc. – ódio que frequentemente se confirma “no real”, para além das fantasias persecutórias.

E aqui abandono o campo minado das “novas sexualidades” sem nada além de hipóteses e questões a respeito de nosso mal-estar, antes que este texto se torne paranoico ; mas como não ser paranoico um texto escrito por mulher, sobre a ambiguidade, os impasses e as pretensões da sexualidade feminina?

 

MARIA RITA KEHL – é psicanalista, doutora em psicanálise e autora, entre outros livros, de O tempo e o cão: a atualidade das depressões (Boitempo, em impressão). Este artigo foi publicado originalmente no livro A mínima diferença o masculino e o feminino na cultura (Imago, 1996), esgotado.

 

 

 

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OUTROS OLHARES

ANIMAIS MÁGICOS

O homem não é a única espécie que faz uso de artimanhas visuais; aves, répteis e insetos recorrem a estratagemas para se disfarçar ou criar percepções equivocadas, a fim de enganar tanto possíveis pretendentes quanto potenciais predadores e até aqueles que desejam transformar em sua próxima refeição.

Animais mágicos

Nas florestas da Austrália e da Nova Guiné, vive uma criatura muito curiosa. Do tamanho de uma pomba, a ave é brilhante na arte da construção, mas também no ilusionismo. O pássaro-pavilhão (Chlamydera nuchalis) – um primo dos corvos e das gralhas – tem um ritual de acasalamento elaborado, marcado pela habilidade do macho de criar uma perspectiva forçada. Como é isso? Durante todo o ano ele constrói e mantém com muito cuidado sua “obra arquitetônica”: um corredor com cerca de 60 centímetros de comprimento feito com gravetos, que dá para um pátio decorado com seixos, conchas e ossos, com pouca variação de cores (veja imagem ao lado). Algumas espécies acrescentam também flores, frutas, penas, tampinhas de garrafa, cascas de nozes, brinquedos abandonados e qualquer outro objeto encontrado que sirva de ornamento. O macho toma enorme cuidado para arrumar os objetos de acordo com o tamanho, de modo que as peças menores fiquem mais perto da entrada do caramanchão e os itens menores, mais longe.

A estrutura exuberante não é um ninho. Seu único propósito é atrair a fêmea para o acasalamento. Uma vez completa a construção, o macho faz uma apresentação no pátio para a visitante, instalada no meio do corredor para a apreciação do espetáculo.

O pássaro canta, dança e desfila, brincando com alguns objetos que escolhe para impressionar sua potencial companheira. O ponto de observação da fêmea é bastante estreito, de modo que ela percebe os objetos que cobrem o pátio como se fossem todos do mesmo tamanho. Essa perspectiva forçada faz com que as prendas oferecidas pareçam grandes e, portanto, mais tentadoras.

Os objetos, e o próprio macho, são percebidos como se fossem maiores do que realmente são graças a um efeito visual chamado pelos cientistas de ilusão Ebbinghaus, que faz com que as coisas pareçam superdimensionadas quando são circundadas por objetos menores. É como diz aquela máxima: se quer parecer mais alto, ande em companhia de pessoas mais baixas que você. Em 2012, os ecólogos Laura Kelley e John A. Endler, ambos então na Universidade Deakin, na Austrália, confirmaram que entre os pássaros-pavilhão que viviam em Queensland, o grau de desempenho do macho ao criar essas ilusões constitui um prognóstico para o sucesso do acasalamento. Embora o comportamento da ave seja curioso, os pássaros-pavilhão são somente um dos muitos animais que empregam regularmente a duplicidade visual para permanecerem vivos e se reproduzirem. O fato de a ilusão visual não ser incomum no reino animal talvez ajude a explicar por que tantas culturas têm histórias de bichos trapaceiros – como o coelho que cria estratagemas para enganar a tartaruga ou o lobo nas fábulas de Esopo, ou mesmo o coiote dos mitos dos nativos indígenas americanos. Como costuma acontecer, porém, a realidade ultrapassa a ficção: as adaptações constituem argumentos para dizer que as ilusões não são simplesmente erros de percepção, mas também estratégias capazes de promover vantagens significativas. Alguns animais fazem mudanças em seu ambiente, como os pássaros-pavilhão, mas muitos outros transformam sua aparência ou comportamento para enganar um inimigo potencial ou uma refeição inocente. Analisamos aqui as três principais ilusões de que os animais lançam mão para alterar sua aparência – criptismo, disfarce e mimetismo – e pesquisamos alguns dos exemplos mais extraordinários de cada um.

Animais mágicos. 2

Alguns animais são menos atraentes aos predadores, pois se assemelham a objetos familiares inanimados ou não comestíveis. Por exemplo, a larva da borboleta gigante rabo-de-andorinha (Papilio cresphontes) (2) se disfarça de fezes de passarinho, assim como a aranha-da-teia-arredondada (Cyclosa ginnaga). A larva da mariposa feathered thorn (Selenia dentaria)  (1) se disfarça de galho. A semelhança não está na forma e na cor: o inseto também se posiciona em um ângulo muito semelhante ao dos galhos na planta hospedeira. De modo semelhante, pássaros do gênero Nyctibius, com a plumagem da cor de casca de árvore, se camuflam como projeções de árvore ao permanecer imóveis durante o dia. Algumas espécies têm a flexibilidade de se assemelhar a diversos objetos pouco palatáveis em seu ambiente. Lulas, com sua pele de polvo, têm talentos de camuflagem incríveis e são capazes de mudar a cor de sua pele de repente. Podem se disfarçar prontamente de pedras ou algas. Assim como o camaleão, as larvas da mariposa peppered (Biston betularia) também são capazes de variar sua coloração para se assemelhar a diferentes galhos vizinhos. Alguns predadores também fazem uso desse truque. O louva-a-deus-fantasma (Phyllocrania paradoxa) (3) se disfarça de folhas mortas para enganar insetos incautos – e transformá-los em refeição.

Animais mágicos. 3

MIMETISMO

Manchas ocelares – círculos concêntricos que se assemelham a olhos de vertebrados – são frequentes entre as mariposas e borboletas, mas podem também ser pequenos e localizados somente perifericamente ou ser grandes e centrais. As manchas menores podem desviar a atenção dos predadores da cabeça ou outras partes vitais do corpo. Já as maiores se assemelham aos olhos do inimigo do predador, o que sugere que servem para intimidar potenciais atacadores. No livro infanto juvenil O caso da borboleta Atíria (coleção Vagalume,Ática, 1996), a autora, Lúcia Machado de Almeida, se valeu dessa característica noromance policial que se passa no mundo dos insetos. Na história, o assassino usa disfarces para cometer crimes.Em 2014 o biólogo Sebastiano DeBona, pesquisador da Universidade de Jyväskylä, na Finlândia, e seus colegas concluíram que o mimetismo dos olhos – enão a conspicuidade de uma mancha ocelar – era responsável por evitar predadores.Para chegar a essa conclusão, os cientistasbiólogos fizeram um experimento: mostraram várias imagens numa tela de computador a passarinhos da espécie great tits (Parus major), que se alimentam de borboletas. As fotografias incluíam corujas (quese alimentam de great tits) e borboletas dediversos tipos. Algumas das imagens de borboletas apresentavam manchas ocelares que pareciam naturais, outras não tinham nenhuma, e um terceiro grupo exibia manchas manipuladas digitalmente, com o mesmo contraste de cor que as manchas reais, mas se assemelhavam menos a olhos. Resultado: os pássaros produziam respostas aversivas equivalentes quando se tratava de manchas ocelares miméticas e dos olhos verdadeiros da coruja. E respondiam de modo menos radical aos olhos modificados. Os animais miméticos descritos são criaturas inofensivas que, em virtude de seu som, aparência, comportamento ou odor, enganam seus predadores fazendo com que sejam tomados por espécies repugnantes ou nocivas. Um exemplo disso é a mosca-das-flores, que imita os padrões e cores da abelha. Os predadores que aprenderam a se afastar de picadas doloridas serão motiva-dos a deixar esse mímico em paz.

Animais mágicos. 4

 CRIPTISMO

Alguns animais se mesclam ao seu ambiente para passar despercebidos pelos predadores. Essa técnica, chamada criptismo, conta com o fato de o outro animal não perceber o enganador. Em contraste, criaturas que se disfarçam ou imitam não são difíceis de detectar, porém o animal que os vê os toma por outra espécie ou por um objeto inanimado. Há uma série de modos em que os animais crípticos, como essa esperança-do-líquen (acima), evitam detecção por meio da camuflagem. Graças à coloração e aos padrões que se confundem em sua pele ou no exoesqueleto, muitas criaturas efetivamente desaparecem no pano de fundo. Outras empregam ainda comportamentos crípticos, escondendo-se em tocas ou cobrindo-se com sedimentos.

GESTÃO E CARREIRA

LIDERANÇA MEDIADORA

Liderança mediadora: uma nova filosofia de trabalho

Liderança mediadora

As pessoas passam a maior parte de sua vida produtiva dentro das organizações e durante esse período são estimuladas a buscar altos índices ou padrões de desempenho profissional. Se o entendimento de que a exposição a uma situação-problema é parte fundamental para o desenvolvimento do ser humano, pode-se afirmar que é no ambiente organizacional que acontece o maior salto no desenvolvimento pessoal e profissional das pessoas, pois é nele que elas se submetem, quase que diariamente, a situações que mobilizam conhecimentos e habilidades para atingir objetivos pessoais, coletivos e, principalmente, profissionais. Nesse sentido, a educação corporativa e a formação no ambiente de trabalho aparecem hoje como questões fundamentais para o sucesso de organizações de alto desempenho.

Além dos múltiplos fatores que podem afetar o resultado do processo de aprendizagem nas organizações, tais como, nível de escolaridade, competências e habilidades necessárias para o desempenho da função, potencial de aprendizagem do colaborador ou as condições que tornam o ambiente organizacional favorável à aprendizagem, é importante enfatizar o papel do líder ou gestor que se interpõe entre um conjunto de conhecimentos, habilidades ou um know-how e o colaborador, com o objetivo de promover sua aprendizagem.

De acordo com a Bersin by Deloitte, uma subsidiária da Deloitte que oferece pesquisa e estratégias para desenvolvimento de pessoas destinadas a ajudar os líderes a impulsionar o desempenho de seus negócios, os maiores desafios para o RH das empresas são: Gestão de Talentos (atrair, recrutar, desenvolver e reter); Engajamento da Força de Trabalho e Desenvolvimento da Liderança. Suas pesquisas apontam que mais de 60% dos executivos citam “gaps” de liderança como o principal desafio de negócios:

Desafios comuns se tratando de lideranças

  • 83% das empresas alegam estar preocupadas com seu processo de desenvolvimento de líderes;
  • Até 2020 a geração do milênio deve chegar a 75% da força global de trabalho;
  • Apenas 8% das empresas têm programas consistentes para desenvolver competências de liderança voltadas à geração do milênio.

A multiplicidade de situações que ocorrem simultaneamente nas empresas acaba exigindo do líder um conjunto de competências que necessitam estar afinadas tanto com a identidade da organização, com as exigências do mercado e da sociedade contemporânea, quanto com o relacionamento interpessoal e desenvolvimento profissional de seus colaboradores.

Para Erickson, os líderes devem ter capacidade de reunir e gerir diversidade, capacidade para promover e gerir um ambiente colaborativo, capacidade de criar condições no ambiente que deem significado ao trabalho (orgulho da empresa) e capacidade de fazer perguntas.

Nesse contexto, a Liderança Mediadora surge como uma importante contribuição ao conceito de liderança, pois, por meio de intervenções intencionais e planejadas, o líder transforma o ambiente de trabalho em uma organização que continuamente aprende e evolui. Estamos, portanto, falando do potencial de mediação do líder e os possíveis efeitos desse potencial sobre processos de aprendizagem dentro da organização.

FUNDAMENTOS PARA A LIDERANÇA MEDIADORA

A Liderança Mediadora traz uma série de benefícios para líderes e suas equipes, pois desperta a motivação intrínseca, eleva a autoestima, o sentimento de competência e a capacidade analítica, estimulando o pensamento reflexivo para a tomada de decisões, resultando em soluções criativas e inovadoras.

Essa abordagem está baseada nos princípios da teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural (MCE) e na Experiência de Aprendizagem Mediada (EAM) de Reuven Feuerstein3, que objetivam ampliar o nível de concentração e abstração, promover a flexibilidade do pensamento, incentivar o controle da impulsividade e desenvolver métodos para busca e resolução de problemas, produzindo mudanças significativas e duradouras nas pessoas e no ambiente organizacional.

A teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural (MCE) contribui para o líder adquirir o preparo necessário para atuar junto a seus funcionários e equipes no aprimoramento dos processos de raciocínio que se constituem no cerne da modificabilidade4 da ação ou prática profissional.

A Experiência da Aprendizagem Mediada (EAM) é um meio de interação em que os estímulos que chegam ao sujeito são transformados por um “agente mediador”. Na empresa, esse agente é o líder. A Liderança Mediadora é o caminho pelo qual os estímulos são transformados pelo líder mediador, guiado por suas experiências profissionais, intuições, emoções e sua cultura. É por meio desse processo de mediação que a estrutura cognitiva do colaborador adquire padrões de comportamento que determinarão sua capacidade de ser modificada. Assim, quanto mais mediação for oferecida, maior será a capacidade de o colaborador ser afetado e se modificar. Portanto, na Liderança Mediadora, o líder se torna responsável por transformar as potencialidades cognitivas de seus colaboradores em habilidades de raciocínio.

Ambas as teorias enfatizam a busca de elevação do potencial de aprendizagem dos liderados, ajudando-os a criar estratégias que favoreçam adaptações às novas e contínuas exigências do mundo do trabalho.

A Liderança Mediadora não pode e nem deve ser confundida ou rotulada como um estilo de liderança. Ela é uma filosofia de vida, de trabalho, baseada na crença de que todo indivíduo pode elevar seu potencial de aprendizagem alcançando níveis cada vez mais altos de eficiência e eficácia.  

Com a Liderança Mediadora, o líder torna-se um profissional com desejo genuíno de promover nos membros de sua equipe a modificabilidade necessária ao contínuo aprendizado, por meio do estabelecimento de rotinas de trabalho que contribuam para o desenvolvimento pessoal, profissional e organizacional. O líder passa a utilizar grande parte do seu tempo e esforço no desenvolvimento de sua equipe, interagindo com a intenção de oferecer orientação, coaching e apoio, compartilhando meios didáticos eficazes e estratégias de mediação para ajudar a materializar, nos colaboradores, o potencial para aprender e pensar de forma autônoma.

O volume de mudanças ou situações-problema ao qual as equipes são expostas, muitas vezes, faz com que as pessoas passem a operar no automático, buscando, na melhor das hipóteses, soluções padronizadas ou cases de “sucesso”, e na pior, soluções por meio do “método” tentativa e erro. Isso, além de elevar o custo das empresas e de atrasar o processo de mudança, eleva o número de retrabalho, gera insegurança e não contribui no desenvolvimento das equipes.

Com a utilização da EAM, o líder cria o hábito na equipe de certificar-se de que todas as informações acerca do problema foram devidamente observadas, incentiva o processo de elaboração de hipóteses na busca de solução para o problema ou desafio e destaca a importância de planejar mentalmente as ações antes de executá-las, fatores determinantes para elaboração de soluções adequadas e definitivas.

Dessa forma, é possível transformar e desenvolver nas equipes habilidades que estimulem o pensamento estratégico e que despertem a motivação intrínseca dos indivíduos, transformando a atitude do funcionário de passivo receptor de informação em ativo gerador de conhecimento.

No artigo “A liderança necessária”, in Reflexões Amana Key – gestão, estratégia e liderança, agosto/2013, Oscar Motomura afirma:

“Queremos protagonistas em nossas organizações. Pessoas engajadas, comprometidas, automotivadas, com elevado senso de responsabilidade. Com espírito de quem é “dono do negócio”. Na realidade, queremos líderes em todos os lugares. Em todos os cargos. Em todas as funções.”

O líder deve indicar caminhos, proporcionar condições suficientes para que os colaboradores possam convergir para os resultados esperados, ser um norteador, enfim, engajar pessoas. Essa caracterização do líder exige discernimento e muitos saberes que devem ser transformados em competências de liderança. Portanto, entender como os componentes envolvidos na solução de um problema ou tomada de decisão: capacidade, necessidade e orientação atuam no sistema de motivação é imprescindível para tornar as pessoas engajadas.

CAPACIDADE

A capacidade é uma habilidade inata que possibilita às pessoas executarem uma tarefa ou que possam desenvolver algo em um determinado nível de complexidade. Diz respeito à estrutura cognitiva, ou seja, todos nascem dotados de capacidade para aprender.  O que acontece, em alguns casos, por exemplo, é a falta de crença na capacidade de aprender que alguns indivíduos apresentam, ou seja, não se sentem capazes de aprender novos conhecimentos e não se desafiam. Isso explica por que temos pessoas passivas nas equipes.

NECESSIDADE

A necessidade é um aspecto psicológico de energia interiorizada e diz respeito ao fator energético da motivação: é o que nos leva a agir para alcançar os objetivos ou metas. A necessidade estimula ou inibe a ação, de acordo com seu grau de intensidade. A necessidade de uma pessoa para solucionar um problema ou tomar uma decisão está intimamente ou diretamente relacionada com o significado que a tarefa tem para ela. Quando o sistema de necessidade atribui o significado no “querer fazer”, gera uma força energética que torna a pessoa interessada.

ORIENTAÇÃO

A orientação é um componente que dirige a ação do mediado, determinado pelo seu conhecimento sobre o assunto, métodos e estratégias para lidar com o problema. Diz respeito ao “como fazer”, é a dimensão na qual o líder orienta a equipe ou o funcionário a encontrar os caminhos, processos e alternativas que buscam o atingimento dos objetivos e metas. É ser orientado ou possuir conhecimento, habilidades e atitude, necessários para o desempenho da função. Neste sentido, é necessário que o líder desenvolva o olhar da equipe para a complexidade dos projetos, ações, processos, canalizando o potencial dos envolvidos de forma que a inteligência do grupo seja maior que a individual.

Em outras palavras, não basta o funcionário ter capacidade, é preciso fazer com que ele acredite que é capaz. Também ter necessidade ou desejo de fazer parte de algo, mas não ter orientação ou competência é apenas motivação, o que não leva para lugar algum. Por fim, ser orientado ou ter competência, mas não ver sentido no que faz, é apenas comprometimento.

Portanto, é preciso desenvolver nos funcionários o sentimento de capacidade, a necessidade ou desejo de fazer parte e a competência no cumprimento da função, pois só assim teremos a certeza de que o funcionário estará engajado. Percebemos engajamento quando vemos brilho nos olhos da equipe, satisfação em realizar o trabalho.

Assim, um líder entende que uma equipe mediada, engajada e aberta à aprendizagem sabe movimentar-se entre o diálogo e a discussão. Discutir ideias traz a diversidade de propostas, de soluções; traz o pensamento divergente, que instiga o aparecimento de outras possibilidades e, por fim, traz o pensamento convergente, que facilita a tomada de decisão.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 20: 13-16

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V.13 – Observe:

1. Os que se gratificam no seu ócio podem esperar que lhes faltem itens necessários e essenciais, que deveriam ter sido obtidos por meio do trabalho honesto. Ainda que precises dormir (a natureza o exige), não ames o sono, como os que odeiam o trabalho. Não ames o sono, em si mesmo. mas somente como seja apropriado para que possas trabalhar. Não ames o sono, mas lamenta o tempo que é perdido nele, e deseja que possas viver sem ele, para que possas estar sempre envolvido no exercício de algo bom. Nós devemos permitir o sono ao nosso corpo, como os homens o permitem aos seus servos, porque estes não podem evitá-lo, e, não fosse assim, não lhes serviriam para nada. Os que amam o sono provavelmente serão empobrecidos, não somente porque perdem o tempo que usaram com o excesso de sono, mas porque contraem uma disposição apática e descuidada, e permanecem meio adormecidos, jamais estando totalmente despertos.

2. Os que se entusiasmam em seu trabalho podem esperar ter comodidade: abre os teus olhos, desperta-te e livra-te do sono, vê como já vai alto o dia, como o teu trabalho te necessita, e como estão atarefados os que estão à tua volta; e, quando estiveres desperto, olha os teus benefícios, e não percas oportunidades; dedica a tua mente intensamente aos teus negócios, e preocupa-te com eles. É a condição cômoda de um grande benefício: “Abre os teus olhos e te fartarás de pão”; ainda que não enriqueças, terás o suficiente, e isto é tão bom como um banquete.

 

V. 14 – Veja aqui:

1. Os artifícios que usam os homens, para conseguir uma boa barganha e pagar barato pelo que compram. Não somente pechincham com indiferença, como se não tivessem necessidade, não se importassem com a mercadoria, quando, talvez. não consigam passar sem ela (isto pode ser sinal de prudência), mas também denigrem e desvalorizam aquilo que sabem ter valor; clamam, “Nada vale, nada vale; tem este e aquele defeito, ou talvez possa ter; não é bom; e é caro demais: nós poderemos encontrar a mesma coisa, mais barata e melhor, em outro lugar, ou já compramos algo melhor e mais barato”. Este é o seu modo comum de lidar com os seus assuntos e negócios; e, afinal, pode ser que eles saibam que a verdade é o oposto do que afirmam; mas o comprador; que pode pensar que não tem outra maneira de ser justo com o vendedor, elogia de maneira extravagante as suas mercadorias, e justifica o preço que lhes atribui, e assim há erros dos dois lados. Assim sendo, a barganha seria feita igualmente bem, se tanto o comprador como o vendedor fossem modestos e falassem o que pensam.

2. O orgulho e o prazer que os homens obtêm de uma boa barganha, quando a conseguem, ainda que nisto contradigam a si mesmos. e reconheçam que foram dissimulados quando estavam realizando a barganha. Quando o comprador derrota o vendedor, que prefere baixar seu preço a perder um cliente (como muitos comerciantes pobres são forçados a fazer – um pequeno lucro é melhor do que nenhum), então segue o seu caminho, e se vangloria da mercadoria excelente que comprou, pelo preço que ele mesmo estipulou, e interpreta como uma afronta sobre o seu juízo se alguém desprestigia a sua barganha. Talvez ele conhecesse o valor da mercadoria melhor do que o próprio vendedor, e soubesse que grande negócio ele fez. Veja como os homens são propensos a sentir satisfação com suas conquistas, e orgulho de seus truques; ao passo que uma fraude e uma mentira são aquilo de que um homem deveria se envergonhar, ainda que tenha lucrado muito com elas.

 

V. 15 – Os lábios do conhecimento (um bom entendimento, que oriente os lábios, e uma boa elocução, para difundir o conhecimento) devem ser preferidos ao ouro, e pérolas, e rubis, pois:

1. São mais raros, mais difíceis de obter, e menos abundantes. Têm ouro nos bolsos muitos homens que não têm graça no seu coração. Nos tempos de Salomão, havia abundância de ouro (1 Reis 10.21), e abundância de rubis; todos os usavam; eles podiam ser comprados em todas as cidades. Mas a sabedoria é uma coisa rara, uma joia preciosa; poucos a têm de modo a fazer o bem com ela, e ela não pode ser comprada dos comerciantes.

2. Eles nos trazem mais riquezas e mais adornos. Eles nos tornam ricos, com relação a Deus, ricos em boas obras (1 Timóteo 2.9,10). Muitos apreciam o ouro, e um ou dois rubis não lhes adiantarão, eles precisam ter um grande número deles, um armário de joias; mas aquele que tem os lábios do conhecimento despreza estas joias, porque conhece e possui coisas melhores.

 

V. 16 – Aqui são mencionados dois tipos de pessoas, que estão destruindo seus bens, e em breve serão mendigos, e por isto não devemos ser seus fiadores:

1. Aqueles que se fazem fiadores de qualquer pessoa que lhes peça, que se envolvem em garantias impensadas para satisfazer a seus companheiros ociosos. No final, eles fraquejarão, não poderão resistir por muito tempo; estes desperdiçam os seus bens por atacado.

2. Os que se aliam com pessoas abandonadas, que tratam delas, e as cortejam, e lhes fazem companhia. Em pouco tempo, serão mendigos; nunca lhes dê crédito, sem uma boa garantia. Os estranhos têm estranhas maneiras de empobrecer os homens, para enriquecer a si mesmos.