PSICOLOGIA ANALÍTICA

ENTRAMOS NA ERA DO CRIADOR

A qualidade criativa se torna uma espécie de atalho para o futuro, pois estamos nos distanciando do repetitivo e do previsível e voltando o interesse ao que escapa do senso comum.

Entramos na era do criador

Segundo o economista Paulo Saffo, citado pela revista americana Forbes como um dos analistas de tendências mais respeitados da atualidade, a economia se divide em ciclos que remodelam drasticamente nosso comportamento e a forma como a sociedade de organiza. Com nossa fantástica capacidade de adaptação, aderimos às mudanças, reorganizamos nossas expectativas e, sem nos darmos conta, colaboramos para a construção de uma nova fase da nossa história, batizada pelo economista como “era do criador”.

Para esclarecer como chegamos aqui e o que isso significa, ele faz uma breve revisão de momentos determinantes da economia a partir do início do século XX, quando as cidades começaram a crescer rapidamente com a industrialização, o que gerou uma demanda crescente por novos produtos. Para atender a essa classe emergente, a indústria volto u seus esforços para a eficiência produtiva, ou seja, para a necessidade de produzir mais em menos tempo e com custo menor.

O processo de fabricação precisava ser otimizado ao máximo e os trabalhadores tinham funções restritas, repetitivas e automáticas para não perderem tempo. Trabalhavam contra o relógio, em sistemas rigidamente organizados. Os primeiros automóveis, por exemplo, eram todos pretos. Não porque estava na moda ou porque outras opções eram inviáveis, mas pelo fato de a tinta preta secar mais rapidamente, o que garantia maior produtividade.

Superada a escassez de produtos, o mercado tratou de aumentar nas pessoas o desejo pelo consumo. Foi então que, na década de 1950, a publicidade ganhou força, com estratégias criativas que convenciam as pessoas de que elas precisavam de mais e mais produtos. A criatividade passou a ser uma peça importante para o aumento de consumo, mas sua demanda era restrita a alguns segmentos, como comunicação e artes.

E o apelo criativo – juntamente com incentivos econômicos – funcionou tão bem que o consumo excessivo logo revelou seu lado negativo, com o uso irresponsável do crédito e o surgimento de problemas éticos e ambientais. Na sequência, o mercado se deparou com novos desafios: agora precisava se adaptar a um consumidor já mais consciente e comedido, em um mundo onde a informação passou a ser excessiva e, por conta desse exagero, a atenção tornou-se escassa. A solução foi transformar o consumo em experiências.

Como a criatividade e o engajamento são antídotos para a desatenção, para atrair uma geração mergulhada em distrações passou a ser as pessoas, necessário engajar, envolvê-las em uma rede de criação e de ideias que conecta tudo e todos. Mais que alvo final de produtos e ideias que são impostos pelo mercado, os consumidores passaram a participar diretamente da construção das novidades. E assim surgiram cases de sucesso como Uber, Wikipedia, AirBnB e projetos culturais e científicos viabilizados por crowdfunding, financiados pelo público – e não mais por entidades distantes que decidem o que iremos consumir.

O status, segundo Saffo, deixou de ser representado pelo preço ou pela quantidade de coisas que possuímos e passou a ser representado pelo novo – o novo construído em conjunto, como experiência social e cultural.

Essa rede de conexões e ideias, em constante movimento e aprimoramento, possibilita que a criatividade corra solta e se destaque como a marca do nosso tempo. Assim, a era do consumidor criador passa a ser também a da criatividade. Quanto mais informações estão acessíveis, mais são geradas possibilidades de combinações diferentes de todo esse conhecimento. Nesse novo ciclo econômico, a criatividade é quase um pré-requisito para o sucesso nas interações sociais e profissionais.

Tanto é que essa habilidade nunca foi tão valorizada pelo mercado. O Fórum Econômico Mundial (O Futuro do Trabalho) apontou a criatividade como terceira habilidade mais necessária pela força de trabalho nos próximos anos, atrás da capacidade de resolução de problemas complexos e do pensamento crítico. De acordo com o documento, essa necessidade surge como consequência da abundância de novos produtos, tecnologias e formas de trabalhar.

O físico teórico e futurista Michio Kaku prevê que essa qualidade é uma espécie de atalho para o futuro, pois estamos nos distanciando do repetitivo e do previsível e voltando o interesse ao que escapa do senso comum. Os serviços mais valorizados são os que nos diferenciam com relação às máquinas – aqueles que dependem de pensamentos e atitudes flexíveis e de ações originais.

Ironicamente, a era de maior desenvolvimento tecnológico da história revisita a criatividade como a maior habilidade para lidar com o futuro próximo e próspero para quem estiver na  contramão dos conceitos engessados de uma máquina.    

 

MICHELE MÜLLER – é jornalista, pesquisadora, especialista em Neurociências, Neuropsicologia Educacional e Ciências da Educação. Pesquisa e aplica estratégias para o desenvolvimento da linguagem. Seus projetos e textos estão reunidos no site www.michelemuller.com.br

 

OUTROS OLHARES

CARROS AUTÔNOMOS ATROPELAM MAIS PESSOAS NEGRAS DO QUE BRANCAS

Carros autônomos atropelas mais pessoas negras do que brancas

A lista de preocupações sobre carros autônomos ficou mais longa. Além de se preocuparem com sua segurança e como poderiam piorar o tráfego, também precisamos nos preocupar em como poderiam prejudicar pessoas de cor. Se você é uma pessoa com pele escura, pode ser mais provável que seja atingido por um carro autônomo, de acordo com um novo estudo do Georgia Institute of Technology. Isso porque os veículos automatizados podem ser melhores na detecção de pedestres com tons de pele mais claros.

Os autores do estudo começaram com uma pergunta simples: com que precisão os modelos de detecção de objetos de última geração, como aqueles usados por carros autônomos, percebem pessoas de grupos demográficos diferentes? Para descobrir, eles analisaram um grande conjunto de imagens contendo pedestres. Eles dividiram as pessoas usando a escala de Fitzpatricj, um sistema para classificar os tons de pele humanos do claro ao escuro.

Os pesquisadores então analisaram quantas vezes os modelos detectaram corretamente a presença de pessoas no grupo de pele clara versus a frequência com que acertaram as pessoas no grupo de pele escura. O resultado? A detecção foi cinco pontos percentuais menos precisos, em média, para o grupo de pele escura. Essa disparidade persistiu mesmo quando os pesquisadores controlavam variáveis como a hora do dia em imagens ou a visão ocasionalmente obstruída de pedestres. Os estudos prosseguem.

GESTÃO E CARREIRA

VOCÊ NO COMANDO

Profissionais que se mostram dependentes da empresa correm o risco de deixar sua carreira nas mãos de gestores amedrontados.

Você no comando

Vivemos um período de transformação intensa na sociedade e uma das mudanças mais significativas está na gestão de carreira. Desde o início da industrialização, priorizou-se o modelo em que o rumo dos profissionais era definido pelas organizações. A pessoa ingressava em uma empresa e lá se desenvolvia. A carreira seguia por um caminho definido e previsível. Apresentando bons resultados e fazendo as alianças corretas era possível se aposentar na companhia.

A partir dos anos 90, essa previsibilidade terminou. As estruturas foram enxugadas e o plano de carreira foi engolido pelas transformações da época. No século 21, com as frenéticas mudanças impostas pela digitalização, a situação se agravou. A dinâmica dos negócios não permite mais projeção alguma de estrutura futura, o que, por consequência, impede promessas de planos de carreira mais estruturados.

O problema é que nos encontramos no limbo da falta de definições. E gestores ficam atônitos quando são questionados por seus liderados sobre os próximos passos para crescer. Sem clareza do que podem oferecer, eles também estão em compasso de espera. Adicione a essa indefinição uma boa dose de falta de repertório para ajudar no desenvolvimento de pessoas. Atualmente são poucos os gestores com ímpeto de melhorar uma importante habilidade: a de saber dialogar sobre oportunidades de trabalho com seus times. A maioria aguarda a criação de cargos e promoções para abordar o assunto e, como a tendência do mercado é exatamente oposta, muitos chefes não têm nada a oferecer. A saída, então, é delegar o assunto para a área de recursos humanos. Um passa a jogar a bola para o outro, e ficamos num carrossel de lamúrias sem que o assunto seja direcionado. Gestores com medo de conversas sobre emprego e trabalhadores com a visão antiga de delegação para a companhia compõem um cenário caótico, carregado de frustração e risco de baixa produtividade.

As respostas não são fáceis. Passam pela clareza de que a profissão é responsabilidade dos indivíduos e de que o líder é aquele que apoia o desenvolvimento, sugere ações e transfere experiência.

Por isso, a palavra do momento é protagonismo. Devemos ter consciência de nossas vontades e de aonde queremos chegar. O controle é do profissional, não da empresa. Par a que isso aconteça, é preciso que haja uma mudança de um modelo mental profundamente infiltrado em nossa cultura, de dependência e paternalismo. É uma jornada de evolução profunda, que envolve transformar as responsabilidades de cada uma das partes no processo profissional.

RAFAEL SOUTO – é fundador e CEO da consultoria Produtive, de São Paulo. Atua com planejamento e gestão de carreira, programas de demissão responsável e de aposentadoria.

 

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 18: 9–13

Alimento diário

A TOLICE E A SOBERBA SÃO REVELADAS

 

V. 9 – Observe:

1. O desperdício é uma administração muito ineficaz. Aqueles que não somente são considerados, com razão, tolos, entre os homens, mas também apresentam uma explicação desconfortável para Deus sobre os talentos que Ele lhes confiou, que desperdiçam seus bens, que vivem acima do que têm, que gastam e doam mais do que seus bens lhes permitem, na verdade, praticamente jogam fora o que têm, e permitem que seja totalmente desperdiçado.

2. A ociosidade não é melhor. Aquele que é negligente no seu trabalho, cujas mãos estão penduradas (este é o significado da palavra), que fica, como diríamos, sem fazer nada, que negligencia o seu trabalho, não faz nada, ou é como se não fizesse nada, é irmão daquele que desperdiça, isto é, é igualmente tolo, e está em um caminho igualmente assegurado para a pobreza; um esparrama o que tem, e o outro deixa que escape por entre os seus dedos. A observação é também verdadeira em questões relacionadas à religião; aquele que for escarnecedor e descuidado ao orar e ouvir, será considerado irmão daquele que não ora nem ouve; e as omissões do dever são tão fatais para a alma quanto as comissões do pecado.

 

V. 10 – Aqui temos:

1. A suficiência de Deus para os santos: o seu nome é uma torre forte para eles, em que eles podem descansar quando estão cansados, e se refugiar, quando perseguidos, onde poderão ser exaltados acima de seus inimigos, e protegidos deles. Há o suficiente em Deus, e nas revelações que Ele fez de si mesmo, para nos tranquilizar, em todas as ocasiões. A riqueza armazenada nessa torre é suficiente para enriquecê-los, é um banquete continuo e um contínuo tesouro para eles. Esta torre é forte e resistente o suficiente para protegê-los. O nome do Senhor é tudo aquilo com que Ele se fez conhecer como Deus, e nosso Deus, não somente os seus títulos e atributos, mas o seu concerto e as promessas dele; tudo isto constitui uma torre, uma torre forte, impenetrável, inexpugnável, para todo o povo de Deus.

2. A segurança dos santos em Deus. O nome do Senhor é uma torre forte para os que sabem como usá-lo como tal. Os justos, pela fé e oração, pela devoção a Deus e confiança nele, correm para ela, como sua cidade de refúgio. Tendo assegurado o seu interesse no nome de Deus, eles recebem a consolação e o benefício dele; eles saem por si só, se afastam do mundo, vivem acima dele, habitam em Deus e Deus neles, e assim estão a salvo, assim se consideram, e assim estarão.

 

V. 11 – Tendo descrito a firme e fiel proteção do homem justo (v. 10), aqui Salomão mostra qual é a proteção falsa e enganosa do rico, que tem a sua porção e o seu tesouro nas coisas deste mundo, e se dedica a elas. A sua riqueza é a sua confiança, a tal ponto que ele espera tanto dela como um homem devoto espera do seu Deus. Veja:

1. Como ele se mantém. Ele faz da sua riqueza a sua cidade, onde habita, onde governa com grande autocomplacência, como se tivesse uma cidade toda sob o seu comando. É a sua fortaleza, onde ele se abriga, e então desafia o perigo, como se nada pudesse feri-lo. A sua balança é o seu orgulho; a sua riqueza é o seu muro, onde ele se encerra, e ele julga que é um muro alto, tão alto que não pode ser escalado ou sobre o qual não se pode pular (Jó 31.24; Apocalipse 18.7).

2. Como ele se engana nisto. É uma fortaleza, e um muro alto, mas somente no seu próprio conceito; na verdade, não é nada disto, mas é como a casa edificada sobre a areia, que falhará ao construtor, quando ele mais necessitar dela.

 

V. 12 – Observe:

1. A soberba é o prenúncio da ruína, e a ruína, no final, será a punição pela soberba; pois, antes da destruição, os homens normalmente estão tão impressionados com o justo juízo de Deus, que são mais arrogantes do que nunca, de modo que a sua destruição será mais amarga, e mais surpreendente. Ou, se a soberba nem sempre resistir, ainda assim, depois que o coração estiver exaltado com orgulho, virá uma queda (Provérbios 16.18).

2. A humildade é o prenúncio da honra, e prepara os homens para ela, e a honra será, no final, a recompensa da humildade, como o escritor tinha dito antes (Provérbios 15.33). É necessário repetir com frequência aquilo que os homens são relutantes em acreditar.

 

V. 13 – Veja aqui como os homens frequentemente se expõem por aquela mesma coisa pela qual esperam conseguir aplauso.

1. Alguns se orgulham de serem rápidos. Respondem a alguma coisa antes de ouvir, ou melhor, mal ouvindo, já respondem. Eles pensam que é sua honra aceitar uma causa repentinamente, e, depois que tiverem ouvido a um dos lados, julgarão que a questão é tão clara que não precisarão se incomodar em ouvir o outro; acreditam que já estão familiarizados com o caso, e dominam todos os méritos da causa. Ao passo que, embora uma inteligência pronta seja algo agradável com a qual brincar, ela é juízo genuíno e sabedoria verdadeira, que realizam obras.

2. Os que se orgulham por serem rápidos comumente caem sob a justa crítica de serem impertinentes. É tolice que um homem saia falando sobre uma coisa que ele não entende, ou que avalie uma questão da qual não esteja plenamente e verdadeiramente informado, e não tenha a paciência para investigar rigorosamente; e, se for loucura, é e será vergonha.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

POUCA IDADE PARA MUITA PRESSÃO

Todo excesso em educação tem um preço difícil a se pagar mais tarde. A ansiedade pode levar justamente ao fracasso escolar e à desmotivação para esportes, artes e outras atividades.

Pouca idade para muita pressão

Vítimas do desconhecimento e vaidade dos pais, do excesso de zelo ou negligência dos adultos no lar e na escola, de uma agenda excessivamente cheia de afazeres e planejamento absoluto de seus deveres e até dos momentos de diversão, das exigências em ser sempre bem-sucedido, popular, líder de grupo e outros tantos desafios extenuantes, vemos hoje um número excessivo de crianças e adolescentes ansiosos e que chegam a um nível de estresse muito impróprio para a pouca idade.

Além dos danos ligados ao emocional e ao social, existe um prejuízo pessoal que compromete o desenvolvimento e o aprendizado escolar. Exigir das crianças disciplina e dedicação às tarefas que são de sua responsabilidade, em casa e na escola, incutindo um desafio gradativamente alcançável, é sem dúvida desejável, pois proporciona motivação para o amadurecimento, mas é preciso atenção e cuidado com as cobranças.

Nos primeiros seis anos de vida, as crianças precisam de brincadeiras livres, mas também de brincadeiras estruturadas, nas quais os adultos agem como “modelos”, mas sem excesso de formalidade. E preciso agir com cautela, de acordo com o desenvolvimento e a idade da criança, privilegiando oportunidades em que as aptidões sociais possam ser treinadas com a supervisão dos pais.

As crianças são seres em desenvolvimento, não estão emocional ou biologicamente preparadas para enfrentar uma maratona que vai muitas vezes das 7h da manhã às 10h da noite, sem descanso. Precisam de pausas para assimilar o aprendizado, necessitam de tempo de brincadeira com os seus pares, de ar livre, exercícios físicos e um pouco daquilo que muitos pais chamam de tempo perdido, mas que na verdade é o melhor do dia: a hora em que podem curtir seus brinquedos, usar seu Ipad, fazer o esporte favorito, assistir um programa divertido, ler, conviver com os irmãos e amiguinhos. Depois podem voltar aos afazeres escolares, às aulas de música, de esportes, de idiomas etc.

É compreensível que os pais, trabalhando fora o dia todo, queiram ver os filhos ocupados com atividades dirigidas e bem supervisionadas e desejem enxergar o progresso da criança na forma de um boletim brilhante ou u campeonato bem-sucedido.

Porém nosso cérebro tem uma forma praticamente idêntica de reagir àquilo que interpreta como uma ameaça ao seu equilíbrio, seja verdadeira ou imaginária. Via de regra, o ser humano lida com as dificuldades de quatro maneiras, que são reveladoras de estresse e apontam para a necessidade de ajuda e compreensão dos adultos.

A primeira que se instala é uma súbita resistência infantil a mudanças, a tentativa constante de permanecer em meio a situações familiares que lhe parecem seguras e a relutância em enfrentar todo tipo de risco, por menor que seja. É o chamado comportamento de luta, que pode advir inclusive das próprias ansiedades dos pais, do desencorajamento para a criança crescer fazendo gradualmente suas opções e arcando com os resultados de suas ações. Ensinar limites e responsabilidades cria pessoas fortes e independentes, desde que tenham oportunidade de vivenciar na prática essas situações em que os pros, os contras e as consequências sejam claros. Sem pressão, mas com estímulo e o aprendizado de novas estratégias, a criança vai vencer essa relutância em se arriscar e desenvolver a resiliência para a frustração.

Também é comum nas crianças estressadas um comportamento de fuga, que se caracteriza por evitar determinadas circunstâncias, usando desculpas como doenças, cansaço, ficando à margem dos amigos, dos grupos, fazendo até coisas de que não gosta para fugir de situações que acha que não consegue enfrentar.

O comportamento de bloqueio lembra uma espécie de engessamento mental e físico, do qual não se consegue identificar a causa. Quando inquerida numa prova, a criança chega a parecer que não sabe nada. Quando está em situação de ser centro das atenções, perde a fala, comporta-se de modo estranho. Não suporta pressão, não sabe lidar com situações novas, o que na escola representa um problema de difícil manejo.

Junta-se ao quadro o comportamento gregário, ou seja, vive no grupo, se diluindo nele. Quer ser exatamente como os amigos, não deseja se destacar deles, segue suas normas e se torna superficial na aprendizagem escolar. O que muitos pais chamam de pré-adolescência precoce pode ser perfeitamente um sinal bastante sério de estresse infantil. Conhecer e conviver com os amigos dos filhos podem ser úteis para saber se o grupo tem ou não uma forma similar de agir que os pais privilegiam, seja em termos de comportamento social como também de interesse pelos estudos, esportes, artes etc.

É sempre aconselhável que as crianças tenham mais de dois grupos de amigos, para aprenderem a lidar com as diferenças e se sentirem mais seguras, menos ansiosas e mais preparadas para tomar as próprias iniciativas.

Ajudar as crianças a terem metas de acordo com suas aptidões é importante, até para elas aprenderem a identificar a finalidade de seus esforços em uma atividade.

Incentivar a terem suas próprias metas, planos, responsabilidades, estarem motivadas na tarefa escolhida, sentirem-se apoiadas pelos pais e terem tempo para ser crianças é uma complexa situação que no dia a dia corresponde a dar educação, criando filhos sem estresse e com ansiedade controlada a níveis favoráveis para seu perfeito desenvolvimento e aprendizado.

 

MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, EducaçãoEspecial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia –  ABPp (gestão 2005/07). É autora de artigos em publicações nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuroaprendizagem. irenemaluf@uol.com.br

OUTROS OLHARES

O CIENTISTA POP DA INTERNET

Hábil para explicar questões complicadas e disposto a encarar qualquer polêmica, o doutor Pirula virou uma celebridade no YouTube.

O cientista pop da internet

A paixão por crocodilos e dinossauros rendeu ao paulistano Paulo Pedrosa, o Pirula (apelido de faculdade), um doutorado em zoologia pela Universidade de São Paulo. Mas, ao criar um canal no YouTube, há oito anos, ele resolveu ampliar os horizontes e tratar de ciência em geral, o que o pôs em contato direto com outro tipo de ser com o qual se deve tomar cuidado: os contestadores de fatos científicos que fazem e acontecem nas redes sociais. Didático nas explicações e disposto a encarar qualquer polêmica, Pirula virou fenômeno da internet: seu canal conta com mais de 780.000 inscritos e 80 milhões de visualizações. Preocupado com os rumos da ciência diante da disseminação de pensamentos retrógrados, Pirula – que, em lugar da idade, prefere revelar que é “velho o suficiente para ter conhecido o Balão Mágico” – lançou no mês passado, em parceria com Reinaldo José Lopes, seu primeiro livro, Darwin sem Frescura (HarperCollins). A seguir, trechos de sua entrevista.

QUEM TEM MEDO DE DARWIN?

“Percebo nas pessoas um preconceito contra a ideia da evolução das espécies, um receio de que isso vá contra aquilo em que acreditam, as histórias que estão na Bíblia. No entanto, a ideia de que uma espécie pode se transformar em outra já era discutida uns sessenta anos antes de Darwin, e é sobejamente aceita. A única inovação dele foi a teoria da seleção natural – a sobrevivência do mais apto, daquele que consegue aguentar o tranco das mudanças no ambiente. Através da ideia da seleção conseguimos entender como as espécies se desenvolveram até chegar ao que são hoje, inclusive em termos de hábitos, de comportamentos.”

A EVOLUÇÃO DA MORAL

“Podemos dizer que a própria noção de certo e errado tem, em algum grau, um componente inato. Ao contrário do que imaginamos, quando nascemos nosso cérebro não é uma tábula rasa, sem informação alguma. A gente já vem, por assim dizer, com certos aplicativos instalados, mas vazios – como um WhatsApp sem nenhum contato. Esses aplicativos são componentes genéticos que podem ser transmitidos entre gerações, uma determinada combinação de genes que influencia uma índole ou comportamento, por exemplo. Fatores externos como a cultura, a criação e as experiências vão moldar o funcionamento do aplicativo, mas o instinto para agir de tal maneira já estava lá, selecionado ao longo da evolução da espécie.”

O GENE INTERESSEIRO

“Valores como altruísmo e justiça também estão embutidos na seleção natural, na lei da sobrevivência do mais apto. O ser humano sobrevive melhor em comunidade, mas precisa agir de maneira agradável para que o ambiente seja saudável e as pessoas não queiram matar umas às outras. Somos predispostos a ter algum nível de altruísmo e a aprovar essa conduta nos demais porque entendemos que esse comportamento gera uma vantagem para o grupo. É claro que a atitude egoísta, que produz vantagem imediata, também está presente, mas, se ela fosse predominante, a sociedade entraria em colapso. No fim das contas, a tendência é a natureza selecionar um pouco de cada: prevalece quem é bonzinho, mas não é trouxa.”

HOMOSSEXUALIDADE FAZ PARTE

“Os dados de que dispomos indicam que a tendência à homossexualidade é determinada principalmente por um pacote de genes. Nas famílias em que esse código está presente, as mulheres têm mais filhos. Ou seja: é possível que a fertilidade e a tendência à homossexualidade estejam embrulhadas em um mesmo pacote genético. Sendo assim, não há risco para a população passar o conjunto de genes adiante, mesmo com menor chance de reprodução em uma pequena parcela, pois a alta fertilidade compensa. Sabe-se que a tendência ao comportamento homossexual se mantém fixa entre 4% e 10% da população. Esse número nunca aumentou. Nunca houve uma ‘epidemia gay’, como dizem uns tantos preconceituosos.

A CIÊNCIA PEDE SOCORRO

“Venho notando sinais de crise na ciência. É preocupante. Um deles é a distância que nós, cientistas, pusemos entre nós e a sociedade. A maioria ficou por muitos anos encastelada na academia, e, agora que a disseminação do conhecimento faz com que seja confrontada, não sabe lidar com o grande público. Outra questão é a escassez de verbas, e também nela atribuo uma parcela de responsabilidade aos próprios pesquisadores, que sempre trabalharam como se não tivessem de prestar contas. Incluo também a alta carga de trabalho institucional e a falta de incentivo à divulgação científica. O terceiro ponto da crise é o avanço da tecnologia, que permite que a informação seja disseminada antes que algum agente, como a imprensa, atue para entregar a novidade mastigadinha, fácil de ser entendida. Qualquer um pode ligar uma câmera, falar uma bobagem e em duas horas atingir 20 milhões de pessoas.”

JOGADOR EM VÁRIOS TIMES

“Comparado com quem está no poder em Brasília, sou praticamente o Che Guevara. Mas na verdade eu me considero um progressista, no sentido de acreditar que, é preciso respeitar as vontades das pessoas, desde que não prejudiquem ninguém, e rejeito qualquer tipo de autoritarismo. Ao mesmo tempo, defendo o investimento privado nas universidades, porque, para mim, não há alternativa, a fonte secou. No entanto, para meus colegas da USP, que não aceitam bem a ideia, isso faz de mim um coxinha. Apesar de lutar contra o conservadorismo de Estado, na vida pessoal sou bastante conservador. Não uso drogas e não incentivo ninguém a usar, não recomendaria à minha mulher que fizesse um aborto e sou mais permissivo em relação a porte de armas do que as pessoas imaginam.”

GESTÃO E CARREIRA

CHEFIANDO PELO WHATSAPP

Como impor limites quando o gestor abusa do aplicativo de mensagens?

Chefiando pelo WhatsApp.

Em meados de fevereiro, o Brasil vivenciou uma crise política causada por uma ferramenta que, alguns anos atrás, não seria perigosa para nenhum presidente: o WhatsApp. Uma série de áudios trocados entre o então ministro da Secretaria­ Geral, Gustavo Bebianno, e Jair Bolsonaro revelaram que o presidente usava o aplicativo de mensagens para despachar com o subordinado e mostrar sua contrariedade por ele ter colocado na agenda um encontro com um executivo da TV Globo. As conversas foram o estopim de uma crise que culminou na demissão de Bebianno.

Quando o WhatsApp é ferramenta de gestão até no Palácio do Planalto é sinal de que a tecnologia contaminou a liderança. Na vida real, as consequências da utilização não são tão drásticas a ponto de gerar crises, mas podem trazer desconforto. Era o que acontecia com Eloisa Leal, de 33 anos, gerente da clínica multidisciplinar Espaço ComPasso. Ela lidava com o celular apitando por causa das mensagens da chefe, Lílian Kuhn, de 35 anos, nos horários mais inapropriados, como aos sábados à noite – numa rotina que se repetiu por meses. “Ela realmente mandava muitas mensagens, todos os dias, mesmo tarde da noite. Às vezes, nem tinha como fazer nada, mas respondia. Aí, para mim, ficou desgastante. Virou uma preocupação constante”, diz Eloisa. A própria Lílian, fonoaudióloga e diretora da clínica, admite que perdeu o controle no relacionamento com sua gerente. ”Eu gerava uma demanda imensa para ela com muitas mensagens fora do horário”, diz. As duas ficaram um ano nesse ritmo frenético, mas pararam, há mais ou menos seis meses, aliviadas. A mudança aconteceu com um empurrãozinho da família de ambas, que disseram que era preciso impor limites. Com muito diálogo, elas conseguiram contornar o  problema sem brigar. “Resolvi limitar meu horário, inclusive com os pacientes, das 8  às 20 horas, e sem responder nos fins de semana.”

A REGRA É CLARA?

Até sentar para conversar e se reeducar, o comportamento da dupla seguia um padrão frequente. “As pessoas sempre esperam que o outro responda rapidamente, quando não imediatamente. A maioria absoluta das vezes não é urgente, mas cria-se um senso de urgência que pode ser nocivo com o  tempo”, diz Vanessa Cepellos, professora do mestrado em RH na Fundação Getúlio Vargas. E quando não há abertura para o diálogo (e certa propensão da chefia para a readequação da postura) o uso do WhatsApp pode resultar em sobrecarga e estresse. Por isso é tão importante que normas de convivência sejam estabelecidas com antecedência, justamente para evitar excessos. Na ausência de regras, o ideal é conversar abertamente com o chefe ou com o colega que manda as mensagens em horários inapropriados. Se isso não resolver ou não for possível negociar, aí deve-se recorrer aos superiores hierárquicos da pessoa que manda as mensagens ou ao departamento de RH da empresa. Todos com bom senso sabem – ou pelo menos deveriam saber –    que mensagens além do horário, em dias de descanso ou com conteúdo inapropriado são atitudes condenadas no ambiente corporativo.

E mais: além de erradas, essas práticas podem ser ilegais. De acordo com a advogada trabalhista Mariana Machado Pedroso, sócia do Chenut Oliveira Santiago Advogados, o uso do WhatsApp fora do horário de trabalho motiva litígios cada vez mais comuns na Justiça. “Mensagens em horários e dias inapropriados têm consequências jurídicas, a depender do volume e da frequência”, afirma Mariana. Caso seja movida uma ação pelo empregado, a Justiça poderá mandar a companhia pagar horas extras, adicional noturno, além de danos morais e outras verbas indenizatórias. As disputas judiciais, porém, acontecem (em quase a totalidade dos casos) quando o funcionário já se desligou da empresa e quer cobrar pelo tempo trabalhado além do período normal.

GOVERNANÇA DIGITAL

“Muitos líderes e liderados sabem que o uso fora do expediente configura hora extra, mas continuam fazendo”, diz Paulo Vieira de Campos, professor de educação executiva na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Para evitar que isso aconteça, empresas mais atentas já trabalham com um conceito chamado “governança no uso de grupos”, orientando seus gestores a não abusar das mensagens e a ter atenção aos conteúdos compartilhados. Já os funcionários são ensinados a não enviar nem responder a mensagens fora dos turnos de trabalho. Segundo Bruno Andrade, especialista em soluções digitais para RH da Mercer Brasil, tem crescido a orientação de não obrigatoriedade de um funcionário sem telefone corporativo aderir a grupos de trabalho. “Mas é raríssimo alguém se abster de participar de grupos por só ter telefone pessoal. Há sempre o temor de ser tachado de antissocial, não colaborativo, e sofrer represálias dos colegas e gestores”, diz Bruno.

Para impor limites reais, aplicativos de respostas automáticas estão entre as soluções adotadas pelas empresas tanto para avisar a clientes sobre o horário de atendimento quanto para evitar excessos. Quando um smartphone recebe uma mensagem depois das 18 horas, por exemplo, o aplicativo responde, via WhatsApp mesmo, que o horário de atendimento se encerrou. É possível usar o mesmo procedimento em celulares corporativos evitando que as equipes respondam a seus gestores após determinados horários. ”O nível de consciência em relação ao uso é baixo. Devemos ter muito cuidado para não invadir a esfera pessoal. Algumas pessoas e alguns contextos são mais sensíveis do que outros”, diz Cíntia Borttoto, sócia na Exec, consultoria de recrutamento e desenvolvimento de executivos.

Em casos de equipe de trabalho que se comunica por meio da tecnologia, é responsabilidade do gestor conduzir o grupo e moderá-lo quando notar excessos como fofocas e palavrões. “O grupo acaba sendo um reflexo do comportamento do gestor. Cabe a ele moderar, orientar quando responder, zelar pela atenção ao tempo de urgência e às prioridades.” Além das questões trabalhistas que devem ser respeitadas, os usuários corporativos têm de cuidar do código de ética de suas empresas e seguir regras sociais de boa educação. ”Não é de bom-tom compartilhar memes ou piadas em grupos de trabalho”, afirma Claudia Matarazzo, consultora comportamental empresarial.

Mas, talvez, a melhor recomendação seja manter a prudência e o respeito às regras de convivência comuns a todos. ”Pode-se pensar em algum nível de compliance para o WhatsApp, mas tudo passa pelo bom senso. Pessoas se comportam de maneira diferente em círculos sociais distintos, na família, entre amigos, no trabalho, na presença de clientes. Há regras sociais não escritas que todo mundo mais ou menos sabe – ou deveria saber – e que devem ser respeitadas na vida real e virtual”, diz Paulo Vieira, da ESPM. Ou seja, é preciso usar o aplicativo com muita moderação.

Chefiando pelo WhatsApp. 2

BOM SENSO VIRTUAL

Sete dicas para não deslizar no uso do aplicativo de mensagens, de acordo com os especialistas ouvidos por para esta reportagem:

ESCREVA COM CONSCIÊNCIA

Pense, leia, releia e só depois mande a mensagem. Textos mal escritos podem ter interpretações equivocadas. Isso para não falar dos casos em que se compartilham, de cabeça quente, mensagens agressivas ou incompreensivas. Lembre-se de que, uma vez enviada, a mensagem pode ser vista pelos outros mesmo, que seja deletada minutos depois.

PENSE NA RELEVÂNCIA

Compartilhe apenas informações realmente pertinentes no grupo. Evite perguntar o que já foi respondido anteriormente. Os gestores jamais devem usar o grupo para chamar a atenção de algum funcionário ou mesmo da equipe toda, isso configura constrangimento e assédio moral. As conversas e reuniões de alinhamento ou de cobrança devem ser feitas pessoalmente.

FUJA DE MEMES E PIADAS

Melhor evitá-los. Mas, e quando o próprio gestor compartilha tais mensagens? as regras de convivência devem ser estabelecidas antes. Se o grupo não vê problema em disseminar piadas ou memes, tudo bem. a decisão deve ser de comum acordo entre todos os participantes.

CONFIGURE RESPOSTAS AUTOMÁTICAS

É possível configurar respostas automáticas (que são enviadas num período pré-determinado, como nos fins de semana, ou após as 16 horas. Na versão WhatsApp business, o recurso é nativo, mas mesmo na versão gratuita é possível fazer isso. Há aplicativos, também gratuitos, como away e auto responder (ambos para android) e scheduled (Ios), que enviam mensagens automáticas.

ATENÇÃO AOS ÁUDIOS

Os áudios são ainda mais rápidos de ser gravados e compartilhados do que as mensagens escritas, por isso vêm se popularizando no aplicativo. Porém, é preciso prestar atenção no tom de voz, no português e na duração do áudio – especialistas afirmam que o limite tolerável é 3 minutos. Mensagens com tempo de duração acima disso fazem o espectador perder o interesse e a concentração necessária para a compreensão.

TOME CUIDADO COM O TAMANHO

Evite a criação de grupos com mais de dez pessoas, pois, mais do que isso, a participação individual se dilui a ponto de tornar-se irrelevante, caso a equipe esteja muito maior. Utilize a tecnologia apenas para compartilhar informações genéricas e úteis a todos – como se fosse um canal de avisos e não um fórum de discussão. Muitas empresas impedem a participação irrestrita, permitindo apenas ao gestor a possibilidade de compartilhar informações.

CRIE GRUPOS TEMPORÁRIOS

São alternativas eficientes para projetos de tempo determinado, quando uma equipe tem de entregar um trabalho até certa data, cria-se um grupo específic0 com as pessoas que estão envolvidas na tarefa. Terminado o projeto, finda também o grupo. Muitas vezes, esses grupos são mais eficientes e focados do que os corporativos do dia a dia.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 18: 4–8

Alimento diário

A LINGUAGEM DA TOLICE

 V. 4 – As similitudes aqui parecem elegantemente transpostas.

1. A fonte da sabedoria é como águas profundas. Um homem inteligente e instruído tem em si um bom tesouro de coisas úteis, o que o capacita com algo a dizer praticamente em todas as ocasiões, algo que é pertinente e benéfico. É como águas profundas, que não fazem ruído, mas que nunca se esgotam, nunca secam.

2. As palavras da boca deste homem são como ribeiro transbordante. O que ele vê, faz com que as palavras fluam naturalmente dele, e com grande facilidade, e liberdade, e fluência natural: as suas palavras são limpas e frescas, limpam e revigoram; das suas águas profundas flui aquilo que a oportunidade exige, transbordando sobre os que estão à sua volta, como os ribeiros transbordam sobre as terras baixas.

 

V. 5 – Isto condena, com razão, os que, empregados na administração da justiça, pervertem o juízo:

1. Tolerando os crimes dos homens, e protegendo-os e aceitando-os, na opressão e violência, por causa da sua posição, ou riqueza, ou alguma simpatia pessoal que possam ter por eles. A despeito de quaisquer desculpas que os homens possam apresentar para isto, certamente não é bom aceitar assim a pessoa do ímpio; é uma ofensa para Deus, uma afronta para a justiça, uma injustiça para a humanidade, e um serviço realmente feito para o reino do pecado e de Satanás. Os méritos da causa devem ser considerados, e não a pessoa.

2. Dando causa contra a justiça e a equidade, porque a pessoa é pobre e humilde no mundo, ou não do mesmo grupo ou convicção, ou um estrangeiro, de outra nação. Isto é derrubar o justo em juízo, que deveria ser apoiado, e a quem Deus fará com que se levante e permaneça.

V. 6 e 7 – Salomão mostrou frequentemente o mal que os homens ímpios fazem aos outros, com suas línguas descontroladas: aqui, ele mostra o mal que fazem a si mesmos.

1. Eles se envolvem em contendas: os lábios do tolo, sem qualquer causa, entram em contendas, ao promover noções tolas às quais os outros se vêm obrigados a se opor, e, desta maneira, começa uma contenda, ou se envolvem em contendas por meio de palavras provocadoras, que causarão ressentimento, e exigirão satisfação, ou ainda por meio de desafios aos homens, convidando-os à contenda, se tiverem coragem. Os homens soberbos, e inflamados, e os ébrios, são tolos, cujos lábios entram em contendas. Um homem sábio pode, contra a sua vontade, ser arrastado para uma contenda, mas é um louco quem entra nela por sua espontânea vontade, quando poderia evitá-la, e certamente o tal se arrependerá disto, quando já for tarde demais.Eles se expõem à correção: a sua boca brada por açoites, ele disse aquilo

2. que merece ser punido com açoites, e ainda está dizendo o que precisa ser repreendido, e restringido, com açoites, como Ananias injustamente ordenou que Paulo fosse ferido na boca.

3. Eles se envolvem em destruição: a boca do tolo, que já foi, ou teria sido, a destruição dos outros, acaba sendo é a sua própria destruição, talvez pelos homens. A boca de Simei foi a sua própria destruição, e também a boca de Adonias, que falou contra a sua própria cabeça. E quando um tolo, por suas palavras tolas, se envolve em alguma discórdia, e pensa escapar, justificando o que disse, a sua defesa acaba sendo a sua ofensa, e os seus lábios acabam sendo um laço para a sua alma, enredando-o ainda mais. No entanto, quando os homens, por suas palavras perversas, forem condenados no juízo de Deus, as suas bocas serão a sua destruição, e serão um agravamento à sua ruína, a ponto de não admitir uma gota de água, uma gota de consolação para abrandar a sua língua, que é o seu laço, e ali serão fortemente atormentados.

V. 8 – Os mexeriqueiros são aqueles que levam estórias secretamente, de casa em casa, estórias que talvez contenham algo de verdade, mas são segredos que não devem ser contados, ou são de modo infame apresentadas de maneira inadequada, e são deturpadas, e contadas com a intenção de prejudicar a reputação das pessoas, romper amizades, provocar maldades entre parentes e vizinhos, e fazer que se desentendam. As palavras dessas pessoas são aqui descritas:

1. Como quando os homens são feri­ dos (segundo a margem); eles fingem estar muito abalados com as dificuldades deste ou daquele indivíduo, e sofrer por eles, e fingem que é com a maior angústia e relutância imaginável que falam sobre eles. Eles dão a impressão de terem sido, eles mesmos, feridos, ao passo que, na realidade, eles se alegram na iniquidade, apreciam a história, e a contam com orgulho e prazer. Assim parecem suas palavras, mas elas descem como veneno até o íntimo do ventre, como uma pílula dourada e doce.

2. Como feridas (isto diz o texto), feridas profundas, feridas mortais, feridas no íntimo do ventre: o ventre médio ou inferior, o tórax ou o abdômen, e em qualquer um deles as feridas são mortais. As palavras do mexeriqueiro ferem aqueles de quem se fala, ferem a sua reputação e interesse, e ferem também aqueles a quem são ditas, ferem seu amor e caridade. Elas trazem consigo o pecado à vida do homem, o que é uma ferida para a consciência. Talvez ele pareça desdenhá-las, mas elas o tornarão insensível, afastando o seu afeto de alguém a quem ele deveria amar.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

ELE E ELA – COMPLETUDE OU CONFORTO?

Homens e mulheres diferem no comportamento porque uma parte importante tem suas raízes na cultura, na educação, na vida social, e tudo o que fazemos acontece a partir de determinação cerebral.

Ele e ela - completude ou conforto

Estudos neuropsicológicos constatam que as diferenças existem entre homens e mulheres e não são exclusivamente culturais. Os pesquisadores de Harvard descobriram que determinadas partes do córtex frontal, envolvido em funções cognitivas importantes, são proporcionalmente mais volumosas em mulheres do que em homens, assim como partes do córtex límbico, envolvido nas reações emocionais. Outra região do cérebro que difere anatomicamente entre os sexos em sua resposta ao estresse, e o hipocampo, estrutura essencial para o armazenamento de lembranças e para o mapeamento espacial do ambiente. Essas divergências anatômicas podem estar ligadas à diferença no modo como homens e mulheres se comportam: os homens tendem a se orientar estimando a distância e sua posição no espaço, enquanto as mulheres se orientam observando pontos de referência.

Seguindo nas comparações entre estruturas cerebrais, o aumento na densidade do córtex auditivo feminino pode estar relacionado ao melhor desempenho em testes de fluência verbal. Essas características não representam mais capacidades, mas a maneira como a estrutura do nosso cérebro se desenvolve. Existe a capacidade de reagir de maneira diferente à violência, o que não quer dizer, obviamente, que as mulheres não possam ser agressivas.

Em relação à inteligência emocional, a situação não é diferente. A inteligência emocional pode ser entendida como a capacidade de se conhecer para lidar bem consigo mesmo e, da mesma forma, conhecer e lidar bem com o outro, nos relacionamentos sociais, familiares ou profissionais. Dessa forma, trata-se da capacidade de conciliar as emoções e a razão, de modo a facilitar esse equilíbrio fundamental na habilidade de trabalho em grupo ou para ouvir nossos próprios sentimentos.

As mulheres apresentam melhor desempenho em relações humanas e tendem a se sobressair em empatia e proteção. Por outro lado, os homens têm mais facilidades na independência e nas habilidades matemático-espaciais. A região parietal inferior do córtex no hemisfério esquerdo é maior nos homens, privilegiando as habilidades mentais de raciocínio matemático, conforme foi verificado no cérebro de Albert Einstein e de outros físicos e matemáticos.

Foi descoberto, no entanto, que o cérebro das mulheres processa a linguagem verbal nos dois hemisférios simultaneamente, enquanto os homens só processam a linguagem verbal no hemisfério esquerdo. Como consequência dessa descoberta, na Universidade de Yale percebeu-se que os homens e as mulheres usam estratégias diferentes para desempenhar as funções cognitivas. Se de um lado eles têm força corporal para competir, elas conseguem vantagens sociais através da argumentação e da persuasão.

É interessante, ainda, que existe um feixe de fibras nervosas ligando os dois hemisférios cerebrais, sendo esse o ponto essencial do desenvolvimento intelectual. Esse feixe é maior nas mulheres, que acessam várias partes do cérebro para resolver determinado problema, enquanto os homens pensam com regiões mais específicas do cérebro, podendo ter respostas mais sintetizadas e objetivas, menos analíticas.

Atualmente, em virtude do acentuado desenvolvimento tecnológico, as relações sociais transformam-se em sua essência, provocando um descompasso na construção identitária do sujeito pós-moderno, que aumenta velozmente a sua interação com a máquina enquanto, inversamente, diminui seu contato com o gênero humano, dificultando o exercício da chamada inteligência emocional porque se dedica mais ao computador que ao conhecimento de si, enquanto pessoa.

Segundo Foucault (1926-1984), o estudo da sexualidade deve centrar-se nos discursos do desejo, explorando as palavras, a linguagem e os símbolos.

Desse modo, a sociedade se constrói nas relações afetivas, familiares, educacionais e profissionais. Sem dúvida, é na família que a identidade da mulher e do homem recebe as primeiras programações culturais. A divisão dos papéis entre o casal para a educação dos filhos reflete os valores e as crenças da instituição familiar. Cada família tem regras e valores próprios. É comum no Ocidente que as meninas, ainda no berçário, ganhem brincos e recebam um laço de fita na cabeça logo após nascer. Os meninos são comemorados sem esses detalhes. Assim, daquele momento em diante, instala-se um aprendizado que deverá fazer parte da identidade feminina ou masculina, num contexto social. A identidade é produto social e reflexo do olhar do outro, ou seja, de como o outro nos percebe, porque o autoconceito se forma a partir das informações que se recebe.

Para Foucault (1926-1984), que enfatiza o papel do poder na evolução do discurso em sociedade, as contradições podem ser vistas como um princípio organizador. O conjunto de traços contraditórios fundamenta os discursos que na atualidade se desdobram em diversos temas sobre os sexos, no qual a mulher é associada ao dilema entre carreira e maternidade, à culpa, à angústia, à incompletude, convergindo para uma identidade em crise, enquanto o homem segue competindo pelo poder e domínio, porém liberado para se emocionar, fazer tarefas caseiras e demonstrar afetividade.

Enfim, o crescimento do número de mulheres em lugares anteriormente ocupados apenas por homens deverá contribuir para o aumento considerável de valores como compreensão, solidariedade e aceitação de diferenças, contribuindo para um mundo mais justo e inclusivo, que abrace a diversidade de gênero.

 

LUIZA ELENA L. RIBEIRO DO VALLE – é psicóloga, doutora em Ciência no Departamento de Psicologia Social (USP/SP). Mestre em Psicologia Escolar e Educacional (PUC-Campinas), MBA Executivo em Psicologia Organizacional (AVM-Brasília), extensão em Gestão de Pessoas (FGV). Formação em Coaching (Lambent), especialização em Psicologia Clínica (CFP) na linha Cognitivo –Comportamental, consultora em Psicopedagogia, autora de livros.

OUTROS OLHARES

PERIGO NA TORNEIRA

Perigo na torneira

A água das torneiras das principais capitais e de muitas outras cidades brasileiras está cheia de agrotóxicos. Pelo menos uma em cada quatro metrópoles do Brasil enfrentaram problemas de água contaminada por pesticidas entre 2014 e 2017. Os números são de um estudo coordenado pela ONG Repórter Brasil e pela Agência Pública. No período destacado, as empresas de abastecimento de 1.396 cidades detectaram todos os 27 tipos de pesticidas que são obrigados por lei a testar. Desses, 16 são classificados pela Anvisa como extremamente ou altamente tóxicos e 11 estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas como câncer, malformação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas.

São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Manaus, Curitiba, Porto Alegre, Campo Grande, Cuiabá, Florianópolis e Palmas estão entre os locais com contaminação múltipla. Para o diagnóstico, foram utilizados dados do Ministério da Saúde, obtidos em investigação conjunta entre as empresas e a organização suíça Public Eye. A falta de monitoramento é um dos problemas. Dos 5.570 municípios brasileiros, 2.931 não realizaram testes nas suas redes de abastecimento entre 2014 e 2017. Os testes comprovam que milhares de pessoas estão correndo risco ao beber um copo d’ água contaminada direto de suas torneiras de casa.

Perigo na torneira. 2

GESTÃO E CARREIRA

CARREIRAS MÚLTIPLAS

Atuar em mais de uma área acelera o desenvolvimento, aumenta a empregabilidade e ainda gera satisfação. Saiba o que fazer para conciliar várias tarefas e ingressar nesse novo time de profissionais.

Carreiras múltiplas

Se o Linkedln, rede social para profissionais, existisse durante os anos do Renascimento, Leonardo da Vinci teria dificuldade em resumir, em seu perfil, tudo o que fazia. Afinal, o italiano era pintor, escultor, desenhista, cientista, engenheiro, anatomista, inventor, matemático, arquiteto, botânico, poeta, músico. Se quisesse pontuar todas as suas áreas de atuação, ele teria de lançar mão das barras – e colocá-las separando cada atividade. O desafio do gênio da Renascença não poderia ser mais atual.

Ter várias carreiras simultaneamente é uma tendência que, nos Estados Unidos, recebeu o nome de portfolio career, ou “carreira em portfólio”, na tradução literal para o português. O fenômeno está ganhando mais adeptos por causa da flexibilização do mercado, mas já era descrito no início da década de 90 pelo guru dos negócios Charles Handy. Ele disse que esse comportamento significa “perseguir um portfólio de atividades – algumas que fazemos por dinheiro, algumas por interesse, algumas por prazer, outras por uma causa”.

A movimentação em torno do tema tem crescido nos últimos anos e levou a americana Marci Alboher a criar mais um termo para o fenômeno: slash efect, ou “efeito barra”, símbolo do teclado que precisaria ser usado por Da Vinci em seu hipotético currículo “Percebi que as pessoas estavam com dificuldade em preencher o perfil no LinkedIn porque não tinham mais apenas uma profissão. E, então, adotaram a barra para descrever seu portfólio de atividades”, diz Marci, autora do livro One Person / Multiple Careers (“Uma Pessoa / Múltiplas Carreiras”, ainda sem edição brasileira, e-book por 12,49 reais na Amazon).

Segundo especialistas, esse tipo de atuação não é mero bico. Isso porque se caracteriza como um projeto de vida que é construído em torno de uma coleção de habilidades e interesses em comum. “Bico é quando as pessoas usam o tempo livre para ganhar um troco a mais, sem frequência. Mas, quando você investe seu tempo com paixão e propósito, está construindo uma nova carreira”, diz Marcelo Veras, co- fundador da Inova Escola de Negócios.

EQUAÇÃO EQUILIBRADA

Você pode estar pensando: “Duas carreiras? Eu já fico esgotado investindo em uma só”. No entanto, para muitos, a dupla – ou tripla – jornada tem sido a recarga de combustível que faltava para dar aquele gás à vida profissional. “Vivemos em uma época de busca por propósito e identidade. Encaramos o trabalho como uma arena de realização pessoal, e não apenas como uma fonte de renda”, explica Mônica Barroso, coach e também diretora de aprendizagem da The School of Life Brasil, escola com sede em São Paulo que se dedica a desenvolver a inteligência emocional.

Para essa turma, quando existe equilíbrio entre trabalhar por dinheiro e trabalhar para perseguir interesses pessoais, há mais felicidade. Prova disso é um estudo realizado em 2017 pela And Co, empresa criadora de um aplicativo para autônomos, que revelou que 68% das pessoas sentem ter mais qualidade de vida quando gerenciam diversos projetos ao mesmo tempo. Além disso, 94% dos entrevistados disseram ter escolhido conscientemente viver dessa maneira – e têm a pretensão de continuar nesse esquema para sempre.

Embora no Brasil ainda não existam estudos específicos sobre o assunto, a sensação dos especialistas é que a tendência vai crescer por aqui, considerando a aptidão das próximas gerações para o autogerenciamento. De acordo com um levantamento global desenvolvido pelo europeu Grupo Sage, 66% dos millennials não querem emprego formal. Entre os brasileiros, o número salta para 71%. “É uma geração que busca o propósito e o bem-estar e que nem sempre encontra isso no mercado corporativo. Por esse motivo, passaram a buscar a realização em paralelo a uma carreira formal”, diz Alexandre Attauah, gerente sênior de recrutamento da consultoria executiva Robert Half.

MUITAS RAZÕES

As motivações para ter mais de uma carreira são diversas. Do ponto de vista pessoal podem variar da vontade de atuar numa área complementar ao desejo de aprender coisas novas e à necessidade de encontrar maneiras de ampliar os ganhos financeiros em atividades que gerem satisfação. Do ponto de vista do mercado, é inteligente se preparar para uma realidade na qual trabalhar por projeto e com contrato flexível será a regra. ”À medida que a economia avançar para contratos de curto prazo e projetos freelances, será útil cultivar mais de uma maneira de ganhar a vida. Assim você poderá se movimentar conforme as mudanças das condições de mercado”, diz a americana Marci. “Uma pessoa que tem uma vivência diversa possui mais repertório e pode ampliar suas f rentes de atuação”, diz Henrique Dias, diretor de planejamento da consultoria Box 1824.

Além de aumentar o escopo de trabalho, um profissional múltiplo fortalece sua empregabilidade, pois desenvolve habilidades altamente demandadas, como o poder de adaptação, a agilidade frente às mudanças e a boa e velha resiliência. “Essas são qualidades bem-vistas por qualquer empresa.”, diz Alexandre.

PERFIL ESPECÍFICO

Mas esse tipo de carreira não é para todo mundo (faça o teste no final do post). Aqueles que forem apegados à rotina e à estabilidade financeira provavelmente serão infelizes atuando em mais de uma frente, a não ser que consigam conciliar um trabalho de meio período com as atribuições de outra carreira. As características mais importantes para se sentir realizado nesse esquema são: gostar de desenvolver vários projetos ao mesmo tempo, ter aptidão para criar relacionamentos, sentir vontade de desbravar um novo mercado, ter certa tolerância ao risco e, claro, ser curioso. “Quem descobre que uma segunda profissão faz sentido já pesquisou e experimentou vários tipos de trabalho. Sabe que o mundo está rodando e que precisa rodar junto”, afirma Eduardo Migliano, um dos fundadores da 99 Jobs, plataforma que conecta profissionais a empresas.

Criatividade e organização também são essenciais. “Essas pessoas têm vontade e energia acima da média, porque a dupla jornada requer maior esforço e disciplina, já que é preciso lidar com duas ou mais agendas”, diz Alexandre, da Robert Half.

Os atributos podem até parecer excessivos. Mas não se desespere: ninguém precisa ser um gênio da Renascença para trabalhar desse jeito. Tudo é uma questão de perfil. Por isso, antes de encarar a jornada, lance mão de uma boa dose de auto­conhecimento para entender se esse estilo tem, ou não, a ver com você. Afinal, só vale a pena entrar numa tendência se ela realmente fizer sentido para sua vida. Se parecer que essa não é sua praia, faça testes e reflita sobre os resultados. Essas são duas das verdadeiras habilidades dos gênios. Certamente Leonardo da Vinci aprovaria a atitude.

 MULTIPLIQUE-SE

Destacamos atitudes que ajudam a encontrar (e a equilibrar) mais de uma área de atuação.

 PENSE NO QUE DÁ PRAZER

Avalie seus hobbies e interesses. Invista tempo refletindo sobre as atividades que lhe dão mais satisfação. Quando não está trabalhando, como gosta de passar o tempo? O que lhe daria muito prazer em fazer mesmo que não ganhasse dinheiro?

CRIE UMA LISTA

Anote todas essas atividades em um bloco de papel e considere se alguma delas poderi ser transformada em fonte de renda.

REFLITA SOBRE SI MESMO

Identifique no que você é bom e quais atividades fazem seus olhos brilhar. Quais são seus valores? Com que tipo de pessoa você deseja interagir? Quais projetos ou clientes o ajudarão a criar o impacto que deseja no mundo?

AMPLIE SEU REPERTÓRIO

Concentre-se em dominar algumas habilidades que se alinham com seus pontos fortes. Se necessário, busque conhecimento por meio de cursos extras e especializações.

REÚNA COMPETÊNCIAS

Quando pensar em quais carreiras seguir, prefira as que se complementam – tanto do ponto de vista das competências quanto dos possíveis clientes. Alguns exemplos são: executivo e consultor corporativo, jornalista e escritor de um blog especializado, advogado e professor.

USE O TEMPO LIVRE

Comece devagar com projetos que realmente o empolgam e que possam ser feitos em seu horário vago, como trabalhar ao lado de um amigo ou atuar como voluntário.

PRECIFIQUE CORRETAMENTE

Não negocie tempo por dinheiro. É melhor cobrar por projeto, e não por hora trabalhada. Caso contrário, você se verá trabalhando exaustivamente e correrá o risco de perder a flexibilidade.

REDISTRIBUA AS ATIVIDADES

Se puder, reduza seu trabalho principal para focar o crescimento de sua nova carreira. Um fisioterapeuta, por exemplo, que atende na própria clínica pode atuar três dias no consultório e usar os outros dois para a outra atividade.

TRABALHE COM EQUILÍBRIO

Organize sua agenda. Lembre-se de que ter mais de uma carreira não significa dormir menos horas, mas equilibrar as atividades e o tempo. Trabalhar 2 horas a mais por dia (pela manhã e à noite) e fazer um almoço mais rápido são algumas saídas.

MEÇA SEU DESEMPENHO

Trate sua outra carreira com a importância que dá a um grande cliente ou projeto. Elenque as prioridades e faça métricas de seus resultados.

IMAGINE O FUTURO

Tenha um plano para os próximos anos. É importante pensar sobre quais são os possíveis empregadores e clientes e em que local você teria de trabalhar caso a segunda carreira crescesse muito.

TROQUE IDEIAS

Use seu networking. Converse regularmente com as pessoas em sua rede sobre tendências em suas empresas e setores, especialmente no que se refere à terceirização e ao processo de contratação de consultores ou contratados independentes. E não se esqueça de expandir sua rede à medida que você entrar em novas áreas.

MANTENHA O NÍVEL

Cuide de sua reputação. Ela é a alma de quem está buscando novas atuações, pois são as indicações de clientes e colegas que vão ajudá-lo a encontrar novos projetos.

ESCOLHA A DEDO

Aprenda a dizer não. Ter uma carreira múltipla não significa fazer vários trabalhos como freelance por um tempo, mas construir fortes possibilidades de atuação em mais de uma área.

 

SERÁ QUE É PARA VOCÊ?

Escolha uma das alternativas nas questões abaixo e saiba se seu perfil é adequado a desenvolver múltiplas carreiras.

1 – EM UMA ENTREVISTA DE EMPREGO, QUANDO O RECRUTADOR PERGUNTA SE HÁ ALGUMA DÚVIDA SOBRE A EMPRESA, O QUE VOCÊ QUESTIONA?

A – Como é o pacote de benefícios, a remuneração e os bônus

B – Se há possibilidade de home office e jornada flexível

2 – VOCÊ FICA MAIS FELIZ QUANDO É DESIGNADO PARA LIDERAR UM GRANDE E LONGO PROJETO OU PREFERE VÁRIAS ENTREGAS NO CURTO PRAZO?

A – projeto único

B – várias entregas

3 – EM RELAÇÃO A ASSUMIR RISCOS, VOCÊ SE SENTE:

A – confortável.

B – muito confortável.

4 – SE PUDESSE, FARIA MAIS HORAS EXTRAS PARA GANHAR MAIS DINHEIRO?

A – sim! quanto mais melhor

B – não troco minha qualidade de vida por grana extra

5 – Seu chefe dos sonhos seria:

A – Um líder inspirador que recompensa financeiramente seu esforço

B – vários contratantes de diferentes empresas

 

GABARITO

Conte suas escolhas

MAIS LETRA A

Você é mais tradicional quando se trata de carreira e prefere manter o foco em uma área de atuação num único empregador. Não hã nenhum problema nisso, mas, caso queira ter mais flexibilidade, comece a pensar em quais de suas habilidades poderiam ser usadas para exercer uma nova atividade.

MAIS LETRA B

Suas respostas demonstram que você não teme o risco, que valoriza mais flexibilidade do que um pacote de benefícios associado à estabilidade de um emprego formal e que qualidade de vida e inovação estão entre suas prioridades. Você está mais alinhado ao estilo de vida de quem atua em múltiplas carreiras.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 18: 1–3

Alimento diário

SABEDORIA E TOLICE

 

V. 1 – O texto original aqui é difícil, e tem sido interpretado de várias maneiras.

1. Alguns entendem que se trata de uma repreensão a uma singularidade fingida. Quando os homens se orgulham de se separar dos sentimentos e da sociedade dos outros, contradizendo tudo o que foi dito diante deles, e promovendo novas noções de sua própria mente, às quais, ainda que muito absurdas, eles aderiram, isto visa gratificar um desejo ou luxúria de vanglória, e eles buscam e se envolvem com aquilo que não lhes diz respeito. Busca seu próprio desejo aquele que se separa, e se envolve com todos os assuntos, e pretende julgar os assuntos de todos os homens. É ressentido e arrogante. Em geral, essas pessoas são obstinadas e arrogantes, e assim se tornam ridículas, e perturbam os outros.

2. Algumas traduções parecem interpretar como um incentivo à diligência, na busca da sabedoria. Se nós quisermos obter conhecimento ou graça, devemos desejá-lo, como aquilo de que precisamos, e que será muito benéfico para nós (1 Coríntios 12.31). Nós devemos nos separar de todas aquelas coisas que nos desviam ou retardam na busca, e nos afastam do ruído das futilidades deste mundo, e então buscar e nos envolver com todos os meios e as instruções da sabedoria, estar dispostos a nos esforçar e tentar todos os métodos para nos aprimorar, estar familiarizados com várias opiniões, para que possamos provar todas as coisas e nos apegar ao que é bom.

 

V. 2 – Um tolo pode ter pretensões ao entendimento, e buscar e se envolver com os meios para isto, mas:

1. Ele não tem verdadeiro prazer no entendimento; é somente para agradar seus amigos, ou salvar a sua reputação; ele não ama os seus estudos, nem seus negócios, nem a sua Bíblia, nem as suas orações; ele preferiria estar se fazendo de tolo com suas diversões. Os que não têm prazer no aprendizado ou na religião não farão qualquer esforço para obter nenhum deles. Nenhum progresso será feito neles, se forem considerados uma tarefa e um trabalho árduo.

2. Ele não tem um bom desígnio nisto, somente em que se descubra o seu coração, para que ele possa ter algo a exibir, algo com que encobrir a sua tolice, para que possa transmitir melhor impressão, porque ele ama se ouvir falar.

V. 3 – Isto pode incluir um duplo sentido:

1. Os ímpios são pessoas desdenhosas, e desprezam os outros. Quando o ímpio entra em algum grupo, seja nas escolas de sabedoria ou nas assembleias para adoração religiosa, então vem o desprezo por Deus, pelo seu povo e os seus ministros, e sobre tudo o que é dito e feito. Você não pode esperar nada diferente dos que são profanos, exceto que sejam desdenhosos; eles serão uma ignomínia e uma vergonha; eles zombarão de tudo o que é sério e grave. Mas que os homens sábios e bons não considerem fazer a mesma coisa, pois o provérbio dos antigos diz: esta iniquidade vem do ímpio.

2. Os ímpios são pessoas vergonhosas, e trazem o desprezo sobre si mesmos, pois Deus disse que quem desprezar a Ele será pouco considerado. Tão logo o pecado entrou, a vergonha o seguiu. e os pecadores se tornaram desprezíveis. Os ímpios não somente trarão desprezo sobre si mesmos, como trarão ignomínia e vergonha para suas famílias, seus amigos, seus ministros, e todos os que, de alguma maneira, se relacionam com eles. Aqueles, portanto, que desejarem conservar a sua honra, deverão manter a sua virtude.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

ESSA TAL FELICIDADE

Devemos ter muito cuidado com a idealização que fazemos da felicidade, pois nem sempre nossa busca está conectada aos nossos valores e reais necessidades.

Essa tal felicidade

 O coaching de vida ou life coaching tem como principal objetivo ajudar a pessoa a sentir-se mais feliz e realizada por meio da expansão de suas potencialidades e do equilíbrio entre suas demandas. Para tomarmos consciência de qual é nosso nível de realização em cada uma das quatro grandes áreas de realização, em geral usamos a roda da vida, que é um exercício em que a pessoa preenche um círculo, dando notas de 1 a 10 para seu nível de realização em cada um dos 12 quesitos que compõem a roda. O objetivo do exercício é fazer com que a pessoa se conscientize sobre a área em que ela mais precisa investir para melhorar seu nível de realização influenciando as outras áreas. Ou seja, essa técnica permite identificar qual área de sua vida alavancaria varias outras áreas.

A roda da vida pode nos ajudar a entender por onde começar uma mudança para melhor. Enquanto eu a descrevo, sugiro a você, leitor, que vá avaliando o quanto se sente realizado em cada um dos 12 quesitos que compõem as quatro áreas. Para isso, atribua-se nota de 1 a 10 em cada um deles. A primeira área de realização em nossa vida é a área pessoal, que é composta por três perguntas:

(1) o quanto você está satisfeito com seu estado geral de saúde e com sua disposição para a vida?

(2) qual o seu nível de satisfação com seu desenvolvimento intelectual? e

(3) como você avalia seu equilíbrio emocional no momento atual?

A área profissional compõe-se das seguintes questões:

(1) o quanto você se sente realizado através do seu trabalho?

(2) como você avalia os recursos financeiros obtidos através do set1 trabalho? e

(3) o quanto você se sente contribuindo socialmente por meio de sua atuação profissional?

A terceira área é composta pelos nossos relacionamentos e é representada pelas três perguntas que se seguem:

(1) o quanto você está satisfeito com a convivência em família?

(2) qual seu nível de satisfação na área do relacionamento amoroso? e

(3) como você avalia seus relacionamentos e sua vida social?

A quarta área da roda é a qualidade de vida, que completa os 12 quesitos com as seguintes questões:

(1) o quanto você se considera satisfeito com seu nível de diversão e lazer?

(2) qual seu nível de satisfação com sua dedicação ao campo espiritual? e

(3) como você avalia seu nível de felicidade geral na vida?

Essa última pergunta é uma síntese de todas as outras, o que nos permite afirmar que a felicidade é algo que envolve saúde, equilíbrio emocional, trabalho, relacionamentos e espiritualidade. Sigmund Freud afirma que o homem anseia pela felicidade e que esta resulta da satisfação de prazeres. O que nos dá prazeres mais intensos é a satisfação de nossas necessidades mais intensas. Ganhar muito dinheiro terá diferentes pesos para um endividado ou para um milionário. Quando estamos doentes sobre uma cama, desejamos coisas nas quais nem pensamos quando estamos saudáveis.

Ter os pés no chão com relação à nossa felicidade envolve ponderar sobre o quanto de satisfação real podemos esperar do mundo exterior, sobre o quanto estamos dispostos a modificar o mundo que nos cerca a fim de adaptá-lo aos nossos desejos ou adequar nossos desejos a ele. No processo de conquista da felicidade, a nossa constituição psíquica é mais relevante que as circunstâncias externas, pois buscaremos no mundo elementos que satisfaçam as demandas de nossa psiquê. A pessoa predominantemente erótica, por exemplo, terá como prioridade de sua felicidade ter um relacionamento que a satisfaça. Os narcisistas são, em geral, mais solitários e autossuficientes, por isso encontram mais satisfação em seus processos mentais internos, o que facilita muito a realização profissional. Por fim, as pessoas de ação precisam de um intenso relacionamento com o mundo e com as pessoas, e esse é o palco principal de sua felicidade.

Outra questão ligada à tal felicidade é o quanto nós a idealizamos. Em geral essa idealização nasce dos modelos que nos são oferecidos pela mídia, o que nos faz estabelecer critérios nem sempre conectados com nossos valores e reais necessidades. Equivale dizer que precisamos descobrir quais são os elementos da “nossa” felicidade, para não adotarmos os modelos que nos são impostos. A felicidade pode ser atingida, mas não buscada objetivamente. Nossa busca desenfreada pela felicidade nos afasta do real caminho em que ela se encontra, que é viver intensamente o momento presente nos seus mínimos e simples  detalhes. Na medida em que mais conseguimos vivenciar plenamente o momento presente, descobrimos o quão surpreendente e prazeroso é contemplar o que está ao nosso redor, incluindo as emoções que nos visitam a cada instante. Viver o presente nos leva a mudanças em vários aspectos de nossa vida. O principal deles é aprendermos a ser felizes no agora e aproveitarmos ao máximo cada momento. Isso exige uma reconfiguração da ideia de que a felicidade é algo que está por vir. Ela não é fim, é meio.

 

JÚLIO FURTADO – é professor, palestrante e coach. É graduado em Psicopedagogia, especialista em Gestalt-terapia e dinâmica de grupo. É mestre e doutor em Educação. É facilitador de grupos de desenvolvimento humano e autor de diversos livros. www.juliofurtado.com.br

OUTROS OLHARES

O CORAÇÃO HUMANO EM 3D

“Já não há dúvidas de que no futuro órgãos necessários serão impressos em 3D, totalmente personalizados para cada paciente” Declaração da Universidade de Tel-Aviv.

O coração humano em 3D

Mede três centímetros de altura uma das maiores e mais novas revoluções da medicina. Foi anunciada na semana passada pela revista científica “Advanced Science” e pode num futuro de dez anos (intervalo de tempo que para a ciência é um piscar de olhos) facilitar essencialmente o procedimento de transplantes de órgãos. Trata-se de um coração desenvolvido por pesquisadores israelenses a partir de células adiposas humanas e por meio da tecnologia de uma impressora 3D. Principal coordenador do estudo, o professor Tal Dvir, da Universidade de Tel-Aviv, explica que foi realizada uma “pequena biópsia” do tecido adiposo (gordura) de um paciente. O segundo passo consistiu na reprogramação genética das células desse tecido para que elas se tornassem células-mães capazes de originar qualquer órgão. Em seguida ocorreu uma nova programação, como se tal célula ficasse exclusivamente com a missão de se reproduzir no formato e com as funções do coração humano. Finalmente, o órgão nasceu numa impressora 3D. É um importante, mas primeiro avanço, e, portanto, é natural que tenha de ser aprimorado, sobretudo em sua força de bombeamento de sangue para que possa atingir o patamar das condições cardíacas normais.

GESTÃO E CARREIRA

UBER CHAMANDO

Empresa que reinventou o conceito de mobilidade fará seu IPO no próximo mês e deve valer (muito) mais que a Ford.

Uber chamando

Há um poderoso dilema pairando sobre o IPO da Uber, que acontecerá no próximo mês. Comprar uma ação significa apostar suas economias em uma empresa que faz receitas de US$ 21,5 mil a cada 60 segundos. Ao mesmo tempo, representa a aposta numa companhia que perdeu o equivalente a US$ 3,4 mil por minuto ao longo de 2018. A startup americana que mudou a definição a respeito de mobilidade no mundo fará a abertura de capital e a projeção é de que levante US$ 10 bilhões, o que será um dos 15 maiores IPOs da história — Alibaba, que fez US$ 21,8 bilhões em 2014, lidera o ranking.

De acordo com a história oficial da Uber, seus dois fundadores , Garrett Camp e Travis Kalanick, não conseguiam um táxi numa manhã de neve em dezembro de 2008, em Paris. Ali decidiram pensar um aplicativo, o UberCab, que seria lançado em São Francisco, EUA, quatro meses depois. De início, era para chamar carros de luxo. A primeira corrida foi feita em julho de 2009. Em dezembro de 2011, ao internacionalizar a operação e estrear em Paris, mudou o modo como pensamos a mobilidade.

O IPO da Uber contém esse componente inescapável. Uma empresa disruptiva de um lado, mas deficitária do outro. Espécie de Dr. Jekyll e Mr. Hyde da tecnologia. Seu faturamento anual foi de US$ 11,3 bilhões em 2018, 43% acima do ano anterior. Suas despesas, porém, somaram US$ 14,3 bilhões, 19% mais que em 2017. O prejuízo no ano passado bateu US$ 1,8 bilhão (a conta exclui outras despesas com aquisições e/ou vendas de ativos), bem abaixo dos US$ 4 bilhões de 2017. Receita ascendente com despesas e prejuízos descendentes são bom sinal. Mas não no curto prazo. Em carta a investidores, o CEO, Dana Khosrowshahi, não esconde isso. “Não vamos deixar de fazer sacrifícios financeiros de curto prazo quando vemos benefícios claros a longo prazo.”

O paradoxismo também se dá em terreno que envergonha a empresa. Por um lado, ela se tornou uma máquina de empregabilidade a pessoas de diferentes formações. Por outro, vive às voltas com casos de agressão sexual por parte de motoristas, relatos de assédio internamente, práticas de espionagem da concorrência e outros penduricalhos que culminaram, em 2017, com a saída de Kalanick do cargo de CEO.

Para adensar o cenário, a concorrência aumentou. Tanto a local (Lyft) quanto a global (Didi, que no Brasil opera como 99). Esta, aliás, é a maior no segmento, com 550 milhões de usuários e 30 milhões de corridas diárias — a Uber tem 75 milhões de usuários (22 milhões no Brasil, seu segundo maior mercado) e faz 15 milhões de corridas por dia. Concorrentes de peso exigem recursos contínuos. Além disso, os serviços são cada vez mais diversificados. Scooters, aluguel de bikes, carros autônomos, delivery de comida, tudo entra no radar. O que pede mais dinheiro.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 17: 25 – 28

Alimento diário

A TOLICE E A INIQUIDADE

 

V25 – Observe:

1. Os filhos ímpios são uma aflição para os seus pais. Eles são um motivo de ira para o pai (este é o significado da palavra), porque desprezam a sua autoridade, mas de angústia e amargura para a mãe, porque abusam da sua ternura e carinho. Os pais, que sofrem juntos, devem, portanto, ter consolação mútua, que os sustente nesse sofrimento, e procurar torná-lo tão cômodo quanto puderem: a mãe, aplacando a ira do pai, e o pai, aliviando a tristeza da mãe.

2. Salomão frequentemente repete esta observação, provavelmente porque era o seu próprio caso; é um caso comum, entretanto.

V. 26 – Diante das diferenças que acontecem entre os magistrados e os súditos (e estas diferenças surgem frequentemente):

1. Que os magistrados se certifiquem de jamais punir os justos, de maneira que não sejam, em nenhuma situação, um terror para as boas obras, pois isto é abusar do seu poder e trair a grande confiança que foi depositada neles. Isto não é bom, isto é, é uma coisa muito má, e terminará mal, qualquer que seja o objetivo que possam ter nisto. Quando os príncipes se tornam tiranos e perseguidores, os seus tronos já não são mais cômodos nem firmes.

2. Que os súditos se certifiquem de que não têm o que criticar no governo, por fazer o seu dever, pois é uma coisa ímpia atacar príncipes por sua equidade, difamar a sua administração ou, por algum esforço secreto contra eles, atingi-los, como as dez tribos que se revoltaram contra Salomão, por imposição de taxas necessárias. Alguns interpretam do seguinte modo: Nem atacar os simples por sua equidade. Os magistrados devem se certificar de que ninguém sujeito a eles sofra, por fazer o bem, por agir com justiça; nem os pais devem provocar seus filhos à ira, com repreensões injustas.

V. 27 e 28 – Duas maneiras pelas quais um homem pode mostrar que é um homem sábio:

1. Pelo bom temperamento, a doçura e a serenidade da sua mente: o homem de entendimento é de espírito excelente, um precioso espírito (este é o significado da palavra); ele é alguém que cuida do seu espírito, para que seja como deve ser, e assim o mantém agradável, para si mesmo e para os outros. Um espírito benevolente é um espírito precioso, e torna um homem amistoso e mais excelente do que o seu próximo. Ele tem espírito tranquilo (assim alguns interpretam), não acalorado com a paixão, nem levado a nenhum tumulto ou desordem, pelo ímpeto de um temeroso de dizer algo indevido: aquele que tem conhecimento, e deseja fazer o bem com ele, é cuidadoso; quando fala, fala de maneira pertinente, e diz pouco, para que tenha tempo de deliberar. Ele poupa as suas palavras, porque é melhor que elas sejam poupadas do que mal usadas.

2 – De modo geral, é interpretado como indicação segura de sabedoria, que um tolo possa conquistar a reputação de ser um homem sábio, se tiver apenas inteligência sufi­ ciente para refrear sua língua, para ouvir, e observar, e dizer pouco. Se um tolo se calar, os francos o julgarão sábio, porque nada dará impressão contrária, e porque pensarão que ele está observando o que os outros dizem, e ganhando experiência, e ponderando consigo mesmo o que dirá, para que possa falar de maneira pertinente. Veja como é fácil conquistar a boa opinião dos homens e se aproveitar deles. Mas quando um tolo se cala, Deus conhece o seu coração, e a tolice que está contida ali; os pensamentos são palavras para Ele, e por isto Ele não pode ser enganado, nos juízos que faz dos homens.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

UM SILÊNCIO QUE MATA

Todo ato que resulta em agressão física, sexual ou psicológica é considerado violência contra a mulher. Essa agressividade latente é uma triste realidade, comprovada pelas pesquisas.

Um silêncio que mata

A agressividade é a arma que o indivíduo utiliza para manifestar seu ódio. Existem vários tipos de violência e os estudos desse tipo de comportamento são constantes com o intuito de descobrir as causas que levam o ser humano a cometer tal infração e que causam indignação aos olhos atentos da sociedade.

Inúmeras pesquisas mostram, há anos, a vergonhosa prevalência da violência contra as mulheres. Em 2013, 13 mulheres morreram todos os dias vítimas de feminicídio, isto é, assassinato em função de seu gênero. Cerca de 30% foram mortas pelo parceiro ou ex – companheiro (fonte: Mapa da Violência 2015). Outra pesquisa do Instituto Locomotiva, dessa vez de 2016, aferiu que 2% dos homens admitem espontaneamente ter cometido violência sexual contra uma mulher, mas diante de uma lista de situações 18% reconhecem terem sido violentos. Quase um quinto dos 100 milhões de homens brasileiros. E, curiosamente, um estudo recente revelou que 90% concordam que quem presencia ou fica sabendo de um estupro e fica calado também é culpado. Um percentual relevante, mas porque ainda há tanto silêncio?

Cinco tipos de violência enquadram todos esses estudos:

1- VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA: causa danos à autoestima da vítima. Podendo ocorrer em casa, na escola, no trabalho, proporcionando humilhação, desvalorização, ofensa, chantagem, manipulação, constrangimento e outros;

2- VIOLÊNCIA FÍSICA: causa danos ao corpo da vítima, como socos, pontapés, chutes, amarrações e mordidas, impossibilitando defesa;

3- VIOLÊNCIA MORAL: qualquer conduta que proporcione calúnia, difamação ou injúria;

4- VIOLÊNCIA SEXUAL: esta não se limita somente ao estupro propriamente dito, mas a atos de violência proibitivos, como por exemplo não uso de contraceptivos, obrigação de práticas sexuais, “encoxada” nos transportes públicos, exploração do corpo de adolescentes e pedofilia;

5- VIOLÊNCIA SIMBÓLICA: Utilização feminina como “objetos de desejo” (propagandas, outdoors etc.), traçando uma imagem negativa da mulher.

O alerta que ecoa é que a violência é silenciosa. Ela ocorre nas residências, nos espaços públicos e em qualquer lugar onde a mulher é assediada.

O assédio é um comportamento criminoso e deve ser severamente tratado como tal. Seu desenvolvimento relaciona-se com a carência emocional ou com a separação na infância com o elo materno. A partir deste momento, criam-se no indivíduo condutas antissociais, um desajuste afetivo, podendo levá-lo ao cometimento de crimes, para sentir prazer no sofrimento dos outros, gerando uma excitação cortical, causando-lhe grande satisfação da libido e de seu ego malformado por uma personalidade psicopática e doentia, na qual os impulsos do mal ganham lugar e ímpeto para cometer tais absurdos. Nesse exato momento se instaura o grau de periculosidade do agressor. Portanto, muitas vezes, senão na maioria delas, o agressor sabe que está cometendo um delito e sente, inclusive, prazer nesse comportamento.

É necessário que as autoridades realizem emergencialmente políticas que inviabilizem esse avanço, para que esse crime não faça parte das principais estatísticas, em que 22 milhões das brasileiras com 16 anos ou mais, relatam ter sofrido algum tipo de assédio em 2018. Vítimas com ensino médio e superior relatam, em seus depoimentos, terem sofrido algum tipo de assédio em maior número, do que aquelas com ensino fundamental. O caso mais comum citado pela maioria das mulheres entrevistadas é sobre comentários desrespeitosos na rua.

Sabemos que desde a Idade Média a violência psicológica e moral contra as mulheres era muito comum e a violência física se valia até mesmo dos mais diferentes instrumentos de tortura utilizados com as mulheres de forma cruel e sem condenação aos torturadores.

O “estripador de seios”, por exemplo, costumava ser utilizado para punir mulheres acusadas de realizar bruxaria, aborto ou adultério. As garras aquecidas por brasas eram usadas para arrancar-lhes os seios. E existiram tantos outros instrumentos cruéis que marcaram a história mundial e registraram como a mulher foi e ainda é tratada.

No Brasil, a tortura se divide em duas fases: a primeira, que se estende do Brasil-Império até a nossa Constituição Federal de 1988. A produção de prova se fazia, até aquela época, de forma brutal, e a escravatura, legalizada, tornava o ambiente adequado à violação da dignidade humana. O Código Criminal de 1830 previu como agravante o aumento da dor física e o termo “tortura”, que aparece na Lei Penal Brasileira em 1940, quando é arrolada entre os meios cruéis que agravam o delito.

A segunda fase se inicia com a Constituição, sob o desrespeito sistemático às liberdades fundamentais do homem, ocorrido nas décadas anteriores.

Tipificada finalmente a tortura como crime em nossa legislação, espera-se que as formas mais silenciosas como as violências psicológica, moral e simbólica tenham um olhar atento para sua erradicação. Infelizmente, nosso país ainda caminha a passos lentos na recrudescência de leis mais efetivas, em que o respeito deveria permanecer como palavra-chave.

As mulheres têm sim exercido sua voz, mas mergulham por vezes em um conformismo de cultura social que não deverá mais ser aceito e precisa urgentemente ser resolvido com políticas públicas adequadas e com a conscientização, afinal, não se pode ficar imune diante da violência que assola o País e gera incredulidade mediante tais fatos.

Sabemos que as palavras têm a força da razão, enquanto a crueldade emana do poder do ódio e da anomia…

OUTROS OLHARES

GÊMEOS ENTRE O CÉU E A TERRA

A Nasa fez uma experiência com dois irmãos idênticos: um foi para o espaço, o outro ficou na Terra. Depois de quase um ano, observaram-se diferenças surpreendentes entre eles.

Gêmeos entre o céu e a terra

“A imaginação é mais importante que o conhecimento. Pois o conhecimento é limitado, enquanto a imaginação abraça o mundo.” A máxima do físico alemão Albert Einstein (1879-1955) pode ser aplicada, sem esforço, para descrevera própria genialidade. Afinal, suas teorias eram de tal modo criativas, inusitadas, desconcertantes que, na impossibilidade de então comprová-las na prática, ele recorria a alegorias para torná-las compreensíveis – os famosos Gedankenexperiment. Tome-se o caso da Teoria da Relatividade, que, entre outras conclusões, trouxe a ideia de que tempo e espaço fazem parte da mesma equação, são flexíveis e também – com o perdão da redundância – relativos. Uma das formas utilizadas por Einstein para ilustrar o conceito foi o Paradoxo dos Gêmeos. Nele, imaginam­se gêmeos idênticos na seguinte situação: um é enviado ao cosmo, viajando próximo da velocidade da luz, enquanto o outro fica na Terra. O que aconteceria a ambos? Pela distorção do espaço­ tempo, o gêmeo cosmonauta envelheceria bem menos. Pois bem: no último dia 11, a Nasa divulgou, na revista científica americana Science, um estudo que lembra o Paradoxo dos Gêmeos.

Os personagens, agora reais, do experimento foram os americanos Mark e Scott Kelly, gêmeos idênticos nascidos em 21 de fevereiro de 1964, cinco anos antes de Neil Armstrong tornar-se o primeiro homem a pisar na Lua. Os irmãos cresceram no Estado de Nova Jérsey, ambos com o sonho de aventurar-se no espaço – como Armstrong. Formaram-se em engenharia, ingressaram na Aeronáutica e, após missões militares, candidataram-se ao trabalho na Nasa, sendo aprovados no mesmo ano, 1996, para a carreira de astronauta. Mark, porém, aposentou-se precocemente, em 2011, devido a uma tragédia: sua mulher, a deputada democrata Gabrielle Giffords, foi alvo de um atentado sórdido, e ele largou tudo para se dedicar ao seu restabelecimento. Scott, entretanto, continuou na profissão. Os caminhos diferentes seguidos por eles a partir daí deram abertura para uma experiência inédita, realizada entre 2015 e 2016: enviar ao cosmo um gêmeo (Scott) enquanto seu irmão (Mark) ficava por aqui, na Terra. Assim, Scott foi para a Estação Espacial Internacional e permaneceu lá durante 340 dias (um recorde para um astronauta da Nasa) enquanto Mark continuou sua vida normal no planeta. Cientistas de doze universidades americanas debruçaram-se sobre os resultados do estudo Em comparação com o corpo de Mark, o de Scott experimentou um grande número de mudanças em razão de sua permanência no espaço. Seu sistema imunológico produziu novos mecanismos de defesa e ele ganhou 5 centímetros de altura. No entanto, seu desempenho físico decaiu – mesmo com a exigência de duas horas de exercícios diários na estação espacial, enquanto Mark não seguia uma rotina similar e tinha uma dieta irregular. Em decorrência da falta de gravidade na estação espacial, Scott teve o organismo fragilizado: partes do globo ocular inflamaram-se, os ossos se tornaram 10% mais finos e músculos se atrofiaram. Já seu cérebro demonstrou boa performance: Scott levou vantagem em testes de atenção em relação a Mark.

Na pesquisa, detectaram-se ainda alterações nos genes. Uma delas, de teor surpreendente: houve um prolongamento dos telômeros, partes do DNA que protegem o organismo do envelhecimento. No espaço, esses trechos se alongaram, o que retardou a deterioração do corpo. Diferentemente do que prevê o Paradoxo dos Gêmeos na hipótese criada por Einstein, isso não ocorreu por causa de alguma distorção no espaço-tempo – Scott, claro, não viajou à velocidade da luz -, e sim por prováveis efeitos da radiação dos raios cósmicos. “Mesmo depois de estar aqui por quase um ano, não me sinto normal”, declarou Scott em 2017, após seu retorno ao solo terrestre. O corpo do astronauta começou a se adaptar ao planeta cerca de um mês depois do regresso – lentamente. Durante algum tempo, Scott relatou, por exemplo, que sentia as “pernas bambas, as juntas doendo e a pele queimando”. “O fato de que Scott e Mark são gêmeos idênticos realmente eliminou alternativas do motivo de terem surgido diferenças entre os organismos deles no período da experiência”, afirma a bióloga Susan Bailey, da Universidade do Colorado, que participou do estudo. ”Podemos dizer que as alterações em Scott se deram em razão do voo espacial, “completa ela.

Desde o início da exploração espacial o próprio cosmo serve de principal laboratório para a preparação das missões. Em 1967, os soviéticos puseram em órbita a primeira nave Soyuz tripulada, na tentativa de descobrir se seria possível realizar o que hoje é um feito corriqueiro: acoplar a nave a outro módulo em pleno espaço. O experimento culminou em tragédia: ao entrar na atmosfera, o paraquedas da nave não se abriu e ela se chocou contra o solo, matando o cosmonauta Vladimir Komarov. Contudo, somente porque houve tentativas como essa – e outras, bem-sucedidas – é que hoje se tem o conhecimento necessário para realizar missões regulares em direção à estação espacial.

Um dos principais objetivos da pesquisa com os gêmeos foi fornecer informações que possam ajudar outros astronautas. Para combater, por exemplo, a deterioração de ossos e músculos, podem ser desenvolvidos exercícios físicos e até mesmo medicamentos capazes de reduzir tais efeitos provocados por uma eventual longa estada fora de órbita. Já as transformações genéticas e do sistema imunológico podem vir a orientar quais tipos de vacina devem ser tomados antes do embarque para uma jornada nas estrelas.

Para além dessa proposta de buscar mitigar efeitos físicos da permanência no cosmo, será     preciso atentar ainda para as consequências psíquicas decorrentes de viagens dessa natureza. No fim do primeiro dia de exploração da Lua, o astronauta americano James Irwin (1930 – 1991), por exemplo, integrante da Apollo 15, avisou no rádio de comunicações que estaria tendo visões epifânicas enquanto caminhava no satélite (ele foi o oitavo homem a realizar tal proeza). Ao retornar à Terra, em 1971, Irwin pôs de lado a ciência e se dedicou a fundar uma seita, que tentou encontrar destroços da Arca de Noé. Preparar os astronautas, física e psiquicamente, para longas estadas sem gravidade será fundamental para o êxito de um dos mais ambiciosos projetos humanos: enviar uma primeira missão tripulada a Marte, algo que a Nasa planeja fazer até os anos 2030.

Gêmeos entre o céu e a terra. 2 

SEM O PESO DO MUNDO

Enquanto Mark Kelly permaneceu na Terra, seu irmão Scott passou 340 dias na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês). Leia as principais consequências da vivência em órbita.

Gêmeos entre o céu e a terra. 3

GESTÃO E CARREIRA

A ARMADILHA DO BOM QUEIJO

O comportamento perigoso da acomodação, pela sensação de conforto e estabilidade, pode limitar em muito a real produção que um profissional poderia ter em sua carreira.

A armadilha do bom queijo

Pessoas simplesmente param de buscar crescimento porque, por comparação, se encontram em melhor posição que seus pares. O olhar, no entorno, vicia como uma armadilha invisível, criando uma ilusão de faixa de chegada: “Cheguei ao máximo de minha carreira!”. Essa frase finalista pode estagnar uma vida que poderia contribuir mais com a empresa, família, sociedade e (obviamente) consigo mesmo.

Sabemos, pela programação neurolinguística e os informes dos neurocientistas, que o cérebro adora novidades, mas detesta mudanças. Vivemos buscando padrões para explicar tudo o que nossos sentidos podem captar. Por isso é difícil dormir com uma torneira pingando: não há padrão perfeito entre uma gota e outra, o que gera um ruído sem cadência rítmica. O cérebro não gosta muito de coisas sem um padrão previsível.

Assim, sempre que for possível detectar uma relação confortável entre produção e rendimento (retorno financeiro), com certa estabilidade previsível, é possível ocorrer uma paralisação pela busca de crescimento profissional. Esse perfil é muito comum em servidores públicos de uma forma geral, mas também existe em bom tamanho em todos os perfis de atuação dos seres humanos, desde os pequenos comerciantes aos renomados profissionais liberais.

A justificativa mais encontrada, quando se questiona o indivíduo sobre sua escolha em deter o próprio desenvolvimento profissional, é que ele – responde-se prontamente – não é ganancioso, ou que não vive apenas em busca de retorno financeiro. A frase campeã é: “Prefiro qualidade de vida a uma vida só de trabalho!”.

Não há nada de errado nisso e são boas falas, na verdade, o problema é que podem não corresponder à plena verdade dos resultados que poderiam ser alcançados caso existisse a motivação certa.

Durante o lançamento de uma campanha para a aquisição de casa própria no Estado do Rio de Janeiro pelo valor de R$ 1,00 (isso mesmo: um único e mísero real por uma casa popular), um grupo de amigos psicólogos trabalhava na captação de possíveis futuros moradores. O perfil procurado eram moradores de rua, pessoas que viviam em condições sub-humanas e moradores de comunidades carentes. Um dia encontraram uma família que residia sob uma ponte em um valão fora do perímetro urbano, e não havia argumentação suficiente que convencesse a família a deixar a arriscada condição de vida. Em dado momento, o chefe da família argumentou que isso iria gerar despesas que eles não tinham até o momento, como: IPTU, conta de água, de luz e até mesmo gás. O psicólogo, então, como última forma de convencimento, disse: “Mas aqui, de vez em quando, ocorrem cheias, e a água chega a cobrir até mesmo a pista sobre a ponte”. O senhor fechou o semblante, abaixou a cabeça e terminou a conversa com o seguinte argumento: “É só uma vez por ano!”.

Nós, seres humanos, estamos muito bem preparados para defender as crenças que temos como verdade pessoal. Por isso temos guerras. Como, então, uma empresa deve agir em seu corpo laboral a fim de estar sempre motivando o crescimento de seus colaboradores?

Os treinamentos são bem-vindos sempre. No entanto, quando o foco é provocar a busca pelo crescimento, deve-se ter o cuidado de saber direcionar o resultado para a própria instituição, quando for o caso de uma empresa, ou para o amplo mercado quando o foco forem os profissionais liberais.

Pode ser que sua empresa não lhe ofereça essa oportunidade, e a única forma de estar nela é ficando justamente no seu lugar, mantendo essa conhecida segurança. Caso surjam o desconforto e a necessidade de escalar novos degraus, o jeito é deixar de fazer parte da instituição. Por isso, eventos motivacionais dentro das instituições devem ofertar quais possibilidades estão disponíveis em seu próprio ambiente. Caso contrário, o risco de perder elementos será inevitável.

Outro exemplo de como isso pode ser danoso: quando uma grande empresa pública foi privatizada no Rio de Janeiro, na década de 1980, um grupo de recrutadores visitou todas as unidades pelo interior do estado fazendo a seguinte pergunta aos antigos funcionários: “Há quanto tempo o senhor está nessa função?”. A linha de corte foi os que estavam estacionados há mais de dez anos. Não interessava à nova administração pessoas sem ambição. Para ela, isso era um forte indicativo de falta de proatividade.

Uma avaliação pessoal deve ter uma agenda recorrente. Em nossa cultura é normal essa checagem ocorrer no final ou começo de um novo ano ou nos aniversários natalícios. Muitos planos, várias metas e uma curta memoria para mudança. Basta lembrar dessa frase que elaborei em um de nossos livros: “A única constante na vida é a mudança constante na vida”. Se prepare para crescer mais um pouco ainda hoje!

A armadilha do bom queijo. 2

JOEL DE OLIVEIRA – é doutor em Saúde Pública, psicólogo e diretor de Cursos do Instituto de Psicologia Ser e Crescer (www.isec.psc.br). Entre seus livros estão: Relacionamento em Crise: Perceba Quando os Problemas Começam, Tenha as Soluções; Jogos para Gestão de Pessoas; Maratona para o Desenvolvimento Organizacional; Mente Humana: Entenda Melhor a Psicologia da Vida e Saiba Quem Está à sua Frente Análise Comportamental pelas Expressões Faciais e Corporais (Wak Editora).

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 17: 20 – 24

Alimento diário

A TOLICE E A INIQUIDADE

 

V. 20 – Observe:

1. Tramar perversidades não será vantajoso para nós; não se obtém nada com elas: O perverso de coração, que semeia discórdia e é cheio de ressentimentos, não pode se prometer que vá obter o suficiente para contrabalançar a perda do seu repouso e da sua reputação, nem poderá ter nenhuma satisfação racional com isto, e assim sendo, nunca achará o bem.

2. Usar de palavras más será uma grande desvantagem para nós: O que tem a língua dobre, perversa e cruel, maledicente e vulgar, virá a cair no mal, uma maldade após outra, ele perderá seus amigos, provocará seus inimigos, e trará problemas à sua própria cabeça. Muitos têm pago muito caro por uma língua sem controle.

 

V21 – Isto expressa muito enfaticamente o que muitos homens sábios e bons sentem profundamente: a sensação angustiosa que é ter um filho tolo e ímpio. Veja aqui:

1. Quão incertas são todas as nossas consolações de criaturas, de modo que frequentemente não somente somos desapontados por elas, como aquilo em que nos prometemos maior satisfação frequentemente acaba sendo o nosso maior fardo. Havia alegria quando um filho de homem nascia neste mundo, mas, se ele fosse ímpio, seu próprio pai desejaria que ele nunca tivesse nascido. O nome Absalão significa a paz de seu pai, mas foi o seu maior problema. O fato dos filhos poderem ser uma angústia para seus pais deveria moderar o desejo de ter filhos, e o prazer dos pais pela vida deles; mas no caso em que um filho é um tolo, o fato dele ser um tolo gerado por seu pai deveria silenciar as queixas do pai aflito, e, por isto, ele deve fazer o melhor que puder pelo seu próprio filho, e assumi-lo como a sua cruz, particularmente porque cada homem gera filhos à sua própria semelhança.

2. Quão tolos somos nós, em permitir que uma aflição (e a de um filho insensato, tão provavelmente como qualquer outra ) sufoque a percepção de mil bênçãos. O pai do insensato não se alegrará com nada mais. Porém ele pode ser grato a Deus, pois há alegrias suficientes para contrabalançar até mesmo esta tristeza.

 

V. 22 – Observe:

1. É saudável ser alegre. O Senhor é, para o corpo, e providenciou para ele, não somente alimento, mas remédio, e aqui nos disse que o melhor remédio é um coração alegre, não um coração viciado em alegrias vãs, carnais, sensuais; o próprio Salomão disse, sobre esta alegria: Não é remédio, mas desvario; não é alimento, mas veneno; de que serve? Mas ele se referia a uma sincera alegria em Deus, e servi-lo com contentamento, e então receber a consolação dos prazeres externos, e particularmente a alegria de um modo de vida agradável. É uma grande misericórdia que Deus nos dê permissão de sermos alegres, e causas para sermos alegres, especialmente se pela sua graça, Ele nos der corações para sermos alegres. Isto faz bem a um remédio (assim alguns interpretam); tornará o remédio mais eficiente. Ou faz bem como um remédio para o corpo, tornando-o adequado para o trabalho. Mas, se a alegria for um remédio (com o significado de diversão e recreação), deve ser usada com parcimônia, e somente quando houver oportunidade, não deve ser convertida em alimento, mas deve ser usada de maneira medicinal, como uma dieta prescrita.

2. As tristezas da mente frequentemente contribuem, em grande parte, para as doenças do corpo: o espírito abatido, oprimido pelas aflições, e especialmente uma consciência ferida com a sensação da culpa e o temor da ira, virá a secar os ossos, exaurindo a própria medula óssea, e tornando o corpo um mero esqueleto. Devemos, portanto, vigiar e orar contra todas as disposições melancólicas, pois elas nos levam a problemas, e também à tentação.

 

V23 – Veja aqui:

1. Que coisa terrível é o suborno: O ímpio tira o presente (ou “suborno”) do seio, para dar um falso testemunho, veredicto ou juízo; quando faz isto, ele se envergonha disto, pois tira o presente com toda a discrição imaginável, do seio onde sabe que já está preparado para ele; ele está escondido habilmente, e de maneira tão furtiva que, se pudesse, ele o esconderia da sua própria consciência. Um presente é tirado do seio de um ímpio (assim alguns interpretam); pois é um homem mau o que dá subornos, e também o que os aceita.

2. Que coisa poderosa é o suborno. Ele tem tal força que perverte as veredas da justiça. O curso da justiça não somente é obstruído, mas é também convertido em injustiça; e as maiores injustiças são feitas com o pretexto de se fazer justiça.

 

V. 24 – Observe:

1. Deve ser considerado inteligente aquele que não somente tem sabedoria, mas que a tem pronta para uso, quando chega a oportunidade de utilizá-la. Ele coloca a sua sabedoria diante de si mesmo, como sua bússola, pela qual se orienta, tem sempre seus olhos sobre ela, assim como aquele que escreve tem a sua cópia; e ele a tem diante de si; não para procurar, mas à mão.

2. Aquele que tem uma mente volúvel, um capricho divagante, nunca será adequado para nenhum trabalho sadio. É um louco, e não serve para nada, é alguém cujos olhos estão nas extremidades da terra, aqui, ali, em todas as partes, em qualquer lugar, menos onde deveriam estar; os tais não conseguem fixar seus pensamentos em nenhum assunto especifico, nem buscar nenhum propósito com alguma firmeza. Quando a sua mente deveria se aplicar ao seu estudo e às suas atividades, ela se enche de mil coisas, alheias e irrelevantes.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

RETRATOS DE UM CASAMENTO

Somos frutos de todas as experiências que vivemos desde o nascimento. A posição que ocupamos dentro da família vai influenciar a forma como nos relacionamos com nossos pares no futuro.

Retratos de um casamento

Como escreveu o filósofo Zigmunt Bauman (2004), vivemos em uma sociedade líquida, na qual as coisas, em sua maioria, são “impermanentes”. Estamos em tempos de amores líquidos, em que nas últimas décadas criaram-se novos termos e designações para os tipos de relacionamento: “ficar”, “relacionamento aberto”, “poliamor”, “crush”, “pegação”, entre outras nomenclaturas. Deseja-se o amor, mas busca-se o prazer imediato. As pessoas procuram avidamente um relacionamento, mas quando surge um pequeno problema, geralmente, não encontram condições internas para resolvê-lo. Por falta de condições ou por escolha, as relações são descartadas, reiniciando-se a busca por outro parceiro.

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que, nos dois últimos anos, 2017 e 2018, o número de casamentos diminuiu enquanto o de divórcios aumentou. A média da duração dos casamentos caiu de 17 para 15 anos. A partir dessas estatísticas, percebemos que está cada dia mais difícil estabelecer e manter relações duradouras. No século passado, os casamentos eram para toda uma vida. Comemoravam-se bodas de prata nos 25 anos de casados e bodas de ouro aos 50. Nas últimas décadas, apesar da expectativa de vida ter aumentado consideravelmente, é muito mais difícil pensarmos nesse tipo de comemoração, devido à pouca duração da maioria dos casamentos.

Sabemos, por outro lado, que hoje em dia os casamentos que não são bons não se mantêm. Muitos autores escreveram sobre o casamento e o relacionamento. Existem dezenas de livros sobre o amor e a paixão. Mas não existe uma fórmula que possa ser aplicada quando se trata de relações humanas. O assunto é muito importante, pois a relação é um grande caminho para revelar nossos aspectos sombrios. Se aproveitarmos a oportunidade de autoconhecimento que emerge, seremos sem dúvida seres humanos mais inteiros e felizes.

No “caldeirão” chamado relacionamento cabem muitos ingredientes: a atração física, a admiração, a identificação, a projeção, as semelhanças, as diferenças, as preferências, os hobbies, o estilo de vida, os talentos, os defeitos, a convivência com as respectivas famílias de origem, as expectativas em relação a filhos e como cada um lida com dinheiro e carreira, entre outros importantes aspectos. Quanto de cada um desses ingredientes deve constar na lista de um casamento feliz e duradouro? Essa receita tão subjetiva nunca será equacionada, mas, apesar disso, devemos pensar e refletir. O casamento antigamente tinha outros propósitos em sua configuração. Era voltado a dar estabilidade aos parceiros e constituir família. Hoje, diferentemente de antigamente, podemos pensar no aplacamento da solidão e da insegurança em que vivemos em todos os sentidos: cultural, social e político.

Quando um vínculo começa a se estabelecer, é difícil o casal ir para a cama “sozinho”. As figuras introjetadas da mãe e do pai estão presentes nessa relação como modelo a ser reproduzido ou evitado. Infelizmente, poucas pessoas podem dizer que gostariam de ter um casamento como o de seus pais. O modelo da relação dos pais vivido na sua família de origem deixa marcas. Muitos dos casais que procuram psicoterapia apresentam incompatibilidade sobre vários fatores que acreditam ser certos e bons para a relação. As pessoas herdam seus modelos e se fixam a eles, às vezes inconscientemente e sem reflexão.

As pessoas têm percepções diferentes do mesmo ambiente. Irmãos que viveram décadas na mesma casa possuem visões diversas sobre o casamento de seus pais e cada um pode ser afetado de várias formas pelos conflitos familiares. Os membros desse núcleo, principalmente os filhos, podem ter tarefas relativas a manter a homeostase da família. Acabam por optar por esses papéis para suas futuras relações.

Vanda Lucio Di Yorio Benedito, terapeuta de casais, em seu livro Terapia de Casal e de Família na Clínica Junguiana, escreve: “A escolha do parceiro, geralmente, envolve um complexo arsenal de motivações. Ligadas à vivências emocionais muito íntimas e profundas, […] de difícil representação no nível da consciência. Misturam-se desejos de várias ordens, e quanto mais inconsciente o indivíduo estiver desses desejos, maior a possibilidade de tais conteúdos serem ‘fisgados’ numa relação. […] O indivíduo que não consegue tomar para si aquilo que constitui parte de seu mundo interno fica perdido de si mesmo, buscando achar-se no outro”. A psicoterapia de casais tem a grande tarefa de elucidar os inúmeros fatores que interferem na relação conflitiva. A conscientização dos aspectos gerados pela família de origem de ambos é um bom começo para o tratamento de casais. Na maioria dos casos, o conflito possibilita o conhecimento e a clarificação das fixações dos parceiros em aspectos não integrados de sua personalidade. A tarefa é criar um terceiro modelo, uma união que possa contemplar as expectativas trazidas pelos parceiros para essa relação.

 

ELAINE CRISTINA SIERVO – é psicóloga, Pós-graduada na área Sistêmica – Psicoterapia de Família e Casal pela PUC- SP. Participa do Núcleo de Psicodinâmica e Estudos Transdisciplinares da SBPA (Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica). Atuou na área de dependência de álcool e drogas com indivíduos, grupos e famílias.

OUTROS OLHARES

CONSTRUTOR DE OSSOS

A aprovação de um novo medicamento nos Estados Unidos é a esperança para os 200 milhões de pessoas em todo o mundo portadoras de osteoporose.

Construtor de ossos

A osteoporose é silenciosa. Não há dor nem sintomas – até que os ossos se tornam tão frágeis que podem partir-se como gravetos. A doença afeta 200 milhões de pessoas no mundo, 10 milhões só no Brasil. O pesadelo assombra principalmente as mulheres que já passaram pela menopausa. Uma em cada três mulheres com mais de 50 anos tem a doença. Entre os homens da mesma faixa etária, um em cada cinco é afetado. Os medicamentos tradicionais atuam de duas maneiras distintas, uma ou outra, separadamente: ou diminuem o ritmo de perda dos ossos ou estimulam a formação de massa óssea. A boa notícia é que, depois de quase vinte anos sem novidades, deu-se um salto na semana passada.

Na terça-feira 9, a FDA, órgão americano que regula os medicamentos, concedeu o aval para a comercialização do romosozumabe. Desenvolvida pelos laboratórios Amgen e UCB, a substância é o primeiro remédio que funde as duas funções terapêuticas: desacelera a degradação e, ao mesmo tempo, aumenta a massa óssea. Esse ineditismo só foi possível a partir do entendimento de uma mutação genética rara que deixa seus portadores com ossos tão densos que nunca se quebram.

A droga é indicada para os casos mais severos: mulheres na pós-menopausa com alto risco de fraturas. A molécula atua bloqueando os efeitos da esclerostina, uma proteína que impede o crescimento excessivo dos ossos. O romosozumabe reduz o risco de fratura vertebral em 48% e nos quadris em 38%, em comparação com a terapia-padrão. Nos estudos clínicos da nova droga, os pacientes apresentaram um aumento de 15% na densidade da coluna. Diz Charlles Heldan de Moura Castro, presidente da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo: “É um ganho comparável àquele do início da adolescência”. O tratamento consiste em doze doses do remédio, uma por mês. Os efeitos adversos incluem dores nas articulações e na cabeça e aumento no risco cardiovascular. Nos EUA, uma dose custa o equivalente a 7.300 reais. No Brasil, o medicamento só deve ser aprovado em 2020.

Construtor de ossos. 2

GESTÃO E CARREIRA

MESTRE EM SUPERAÇÃO

Primeira professora com síndrome de Down no Brasil, Débora Seabra de Moura lutou para conquistar seu espaço no mercado de trabalho. Hoje, ela é uma referência na inclusão de pessoas com deficiência.

Mestre em superação

“O que será que essa professora ensina?” Esse foi o comentário que a desembargadora Marília Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, fez no Facebook quando soube que o Brasil tinha uma educadora com síndrome de Down. A fala dizia respeito à Débora Seabra de Moura, que desde 2005 é auxiliar de uma classe de ensino fundamental em Natal (RN). A profissional não se intimidou como preconceito e respondeu sobre seu trabalho em uma carta aberta: “Estudo planejamento, participo das reuniões, dou opiniões, conto histórias acompanho aulas de inglês, música e educação física e muitas outras coisas”. O amor pelos livros começou na infância, quando Débora pôde estudar numa escola que não era específica para quem tem Down. Isso gerou uma sensação de acolhimento e estimulou sua vontade de trabalhar na área. Para conquistar o objetivo, entrou no magistério da Escola Estadual Luiz Antônio e, mais uma vez, enfrentou o preconceito. Alguns colegas foram intolerantes e o coordenador do curso teve de intervir. Com a ajuda da mãe, que a auxiliava nos estudos, ela superou os obstáculos e conquistou o diploma. Formada, bateu à porta de uma escola particular de Natal e se voluntariou como educadora auxiliar. “As professoras me ajudaram a aprender o trabalho.” Mas suas tarefas não se limitam aos quadros-negros. Débora é vice-diretora da regional do Nordeste da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, função que a Ieva à  viajar pelo Brasil e para o exterior – já ministrou palestra até na sede da ONU em Nova York. Além disso, é autora de um livro de fábulas infantis sobre superação e amizade.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 17: 17–19

Alimento diário

A AMIZADE FIEL

 

V.  7 – Isto indica a força dos laços pelos quais estamos ligados, uns aos outros, e aos quais deveríamos ser sensíveis.

1. Os amigos devem ser constantes, uns com os outros, em todas as ocasiões. Não é uma amizade fiel aquela que não é constante; ela o será se for sincera, e motivada por um bom princípio. Os que são caprichosos ou egoístas em sua amizade não amarão depois que o seu capricho tiver sido satisfeito e o seu interesse, servido, e por isto os seus sentimentos mudam com o vento e variam com o clima. Amigos como andorinhas, que voam ao seu encontro no verão, mas desaparecem no inverno; estes amigos não fazem falta. Mas se a amizade for prudente, generosa, e cordial, se eu amar meu amigo porque ele é sábio, e virtuoso, e bom, e continuar assim, ainda que ele venha a cair em pobreza e desgraça, eu o amarei. Cristo é um amigo que ama em todas as ocasiões (João 13.1), e devemos amá-lo assim também (Romanos 8.35).

2. Os parentes devem, de uma maneira especial, cuidar uns dos outros, em tempos de aflição: “Na angústia se faz o irmão” (na versão RA), e este irmão socorre um irmão ou uma irmã em aflição, pois estando assim tão fortemente unido pela natureza, ele pode sentir com mais intensidade os seus fardos, e se inclinar e envolver mais fortemente, como se fosse por instinto, para ajudá-lo. Nós devemos sempre considerar para que nascemos, não somente como homens, mas em que situação e em que família. Quem sabe se viemos a esta família para uma ocasião como esta? Nós não cumprimos o objetivo dos nossos relacionamentos se não realizarmos o dever delas. Alguns interpretam isto da seguinte maneira: “Na angústia nasce o irmão”. Um amigo que ama em todas as ocasiões nasce, isto é, se torna um irmão na angústia, e isto deve ser valorizado.

 

V. 18 – Embora Salomão tivesse elogiado a amizade na angústia (v. 17), que ninguém, sob nenhum pretexto de ser generoso com seus amigos, seja injusto com suas famílias, prejudicando-as; uma parte do nosso dever deve ser consistente com outra. Observe:

1. É sensato evitar dívidas, tanto quanto possível, e, especialmente, temer garantias ou fianças. Pode haver uma ocasião justa para que um homem diga boas coisas sobre seu amigo, na sua ausência, até que ele venha e se envolva pessoalmente, mas ser fiador na presença do seu amigo, quando ele está no local, pressupõe que a sua própria palavra não será aceita, ele será considerado insolvente ou desonesto, e então quem poderia, com segurança, dizer coisas boas sobre ele?

2. Os que não têm entendimento são comumente aprisionados nesta cilada, para prejuízo de suas famílias, e por isto não devem receber excessiva confiança, nem nos seus mesmos próprios negócios, mas devem ser orientados e controlados.

 

V. 19 – Observe:

1. Os que são contenciosos se envolvem com uma grande dose de culpa: O que ama a contenda, que em suas atividades terrenas ama recorrer à lei, que na religião, ama as controvérsias, e que no comportamento comum ama corromper e brigar, que nunca está bem, exceto quando está inflamado, ama a transgressão; pois uma grande quantidade de pecados acompanha este pecado, e o caminho é descendente. Ele finge defender a verdade, e a sua honra e a justiça, mas na verdade, ama o pecado, que Deus detesta.

2. Os que são ambiciosos e as­ piram se expor a uma grande quantidade de problemas, o que frequentemente leva à sua ruína: O que alça a sua porta, que edifica uma casa imponente, no mínimo com uma bela fachada, visando ofuscar seus vizinhos, busca a ruína, e faz grandes esforços para destruir a si mesmo; ele faz tão grande a sua porta que a sua casa e propriedade saem por ela.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

APRENDENDO DURANTE O SONO

Nova investigação aponta que é possível aprender durante o sono, contrariando a crença bem estabelecida de que isso seria algo impossível.

Aprendendo durante o sono

A ideia de que precisamos de nossa consciência para aprender é uma crença que parece racional e bem fundamentada em termos de conhecimento sobre neurociências. De fato, de forma geral, novas memórias são formadas durante as horas de vigília, quando nossas mentes conscientes estão no controle. No entanto, essa crença foi recentemente desafiada em um novo estudo, que sugere a possibilidade de aprender material novo de forma inconsciente todas as noites.

Uma investigação realizada na Universidade de Berna e publicada na revista Current Biology indica que essa ideia pode não ser tão improvável. Em um grupo de sujeitos falantes de alemão, os pesquisadores expuseram os participantes durante a noite ao vocabulário de uma língua inventada e posteriormente conseguiram associar essas palavras a significados em língua alemã.

Embora essa proeza esteja ainda distante de aprender uma nova linguagem durante o sono, é um avanço importante na compreensão do mecanismo de aprendizagem noturna. Os sujeitos quando acordavam eram questionados sobre as palavras fictícias, de forma indireta, e de fato responderam significativamente acima do acaso. Isso ocorreu sem que os participantes soubessem que haviam sido expostos às palavras anteriormente.

Esse resultado indica que o cérebro adormecido pode realmente codificar novas informações e armazená­las por longo prazo, além de fazer novas associações.

Uma das importantes funções do sono é o processo de reorganizar as memórias. Durante certos estágios do sono, como no período de sonho, o cérebro repete as memórias em modo rápido. Os circuitos neurais que têm a função de armazenar memórias reativam-se novamente como uma rede, ensinando o cérebro a lembrar. Essa repetição parece nos ajudar a introduzir importantes aprendizados e experiências de vida em um armazenamento mais permanente em nossos cérebros. Enquanto isso, memórias menos importantes são apagadas para abrir mais espaço para armazenamento.

Através da medição direta da atividade neural noturna em cérebros de camundongos, verifica-se que as redes neurais ativadas na codificação da memória durante o dia ficarão ativas à noite. A partir desses estudos com roedores, os cientistas descobriram que o hipocampo, uma região em forma de cavalo-marinho no interior do cérebro, se comunica com a camada externa do cérebro, o córtex, durante o sono, através de ondas de atividade que podem ser medidas usando um dispositivo de EEG.

Nesse estudo, participaram sujeitos de língua alemã de ambos os sexos. Para garantir que nenhum dos participantes tivesse contato anterior com a linguagem utilizada, os pesquisadores criaram palavras fictícias, cada uma ligada a um certo significado. Essas palavras fictícias foram apresentadas aos sujeitos nos chamados “estados ascendentes” ou “picos” durante o sono profundo, um estágio geralmente não associado aos sonhos. Durante o sono profundo, a cada meio segundo os neurônios alternam um período no qual sua atividade é coordenada com outro estado inativo. A hipótese dos pesquisadores é de que os picos de ondas lentas são propícios à codificação do sono porque demarcam períodos de excitabilidade neural.

Durante o sono dos sujeitos, foi usado um EEG para monitorar suas ondas cerebrais, enquanto os pesquisadores disparavam associações de palavras através de fones de ouvido. Pares de palavras, uma fictícia e outra com um significado, foram associados durante quatro repetições cada par.

Quando os sujeitos acordaram, os investigadores mostraram aos sujeitos as pseudo – palavras, enquanto pediam que imaginassem se o objeto referido pela palavra com significado era menor  ou maior que uma caixa de sapatos, que foi uma maneira de explorar as memórias inconscientes ou implícitas.

Quando a segunda palavra no par de palavras coincidia com o estado superior em sono profundo, os participantes puderam caracterizar corretamente a palavra inventada em 10% a mais do que o acaso. Isso revela que os traços de memória implícitas formados durante o sono persistem durante a vigília e influenciam a forma como reagimos aos estímulos apresentados, como uma intuição ou pressentimento.

Quando o cérebro dos participantes era examinado através de técnicas de neuroimagem, os pesquisadores descobriram que o hipocampo e as regiões do cérebro normalmente associadas à aprendizagem de línguas durante a vigília também estavam ativos durante a aprendizagem do sono. Essa descoberta contradiz o que sabemos sobre o funcionamento do hipocampo no aprendizado, que estaria ativo somente nas fases da consciência.

Apesar de promissores, esses resultados ainda não apontam para uma consistente capacidade de aprender línguas durante o sono, pois esse aprendizado se baseia em conhecimento explícito e não em sensações implícitas. Mais estudos são necessários para investigar essa nova forma de aprendizado, que parece interessante e promissora.

 

MARCO CALLEGARO – é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC) e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental(Artmed. 2011.)

OUTROS OLHARES

O DRAMA DOS PROFESSORES BRASILEIROS

Rede pública paga salários baixos, carece de condições materiais para uma boa educação e convive com um número excessivo de trabalhadores temporários.

O drama dos professores brasileiros.

Se existe uma profissão desprestigiada hoje no Brasil é a de professor. Não se trata exatamente de um problema atual, mas de uma situação que se arrasta e não se resolve. Passam-se os anos e nada é feito para valorizar os profissionais do ensino. Além de sofrerem frequentes humilhações e violências em sala de aula, serem acusados, em tempos recentes, de doutrinação ideológica, ainda têm de conviver com uma baixa remuneração, que não corresponde à importância de seu trabalho. A hora aula de um professor da rede pública estadual de São Paulo, que está próxima da média nacional, atualmente gira em torno de 12 reais. Se der 40 horas aula por semana, 8 horas por dia, um professor iniciante concursado vai ter rendimentos de cerca de R$ 2,4 mil. O salário médio dos professores não é muito diferente do obtido, por exemplo, por uma empregada diarista, que, em São Paulo, cobra, em média, R$ 100 reais por dia. E está abaixo do piso salarial de um garçom, cuja remuneração base é de R$ 2,8 mil. Por questão de formação e conhecimento e pelo que significam para o futuro das crianças e adolescentes, os professores deveriam ganhar muito mais. Ouvido, um professor veterano que não quis se identificar, chorou ao falar de sua condição financeira.

O drama dos professores brasileiros. 2

SISTEMA INJUSTO

“O sistema é injusto, faz a gente pegar duas aulas de manhã e na terceira já tem que sair para outra escola”, afirma o professor Rafael Canudense, 33 anos, que dá aulas de história na Escola Estadual Renata Graziano de Oliveira Prado, no Jardim Guarujá, em São Paulo. “Às vezes, no meio da tarde, o professor já rodou quatro escolas. Tem dias que dou cinco aulas, tem dias que dou nove. Tem mês que vem R$ 900 de salário, em outros vêm R$ 1,5 mil e, no máximo, R$ 2,4 mil”. Canudense é o chamado professor eventual, que realiza as mesmas funções dos concursados, mas não goza dos benefícios e nem possuem um vínculo empregatício duradouro. Esse grupo de substitutos representa cerca de 14% do total de professores da rede pública do estado, um contingente de mais de 180 mil profissionais. Para os eventuais não há nenhum direito.

Ser professor do ensino público, principalmente nas periferias, não é fácil. Um dos problemas é a precariedade dos colégios. Outra é a logística para professores que circulam entre diversas escolas. Falta verba de manutenção e recursos educacionais. Que o diga Andressa dos Santos Silva, 36 anos, que dá aulas de sociologia na escola estadual Alberto Conti, em Santo Amaro. “Recursos na escola? Que recursos? Não tem nada além do giz e lousa”, afirma Andressa. “Depois das últimas chuvas, caiu um pedaço do muro e o conserto só foi feito porque os professores e a associação de Pais e Mestres fizeram uma vaquinha para pagar”. Ela conta que em algumas escolas mais da metade dos professores são temporários. Por falta de mão-de-obra, há muitos profissionais readaptados, com restrições físicas ou mentais, prestando serviços.

“Hoje tomo remédio para depressão. É de tanto passar nervoso na profissão” Andrea Patrícia Schianti, professora de matemática.

A professora Valmira Coelho, 69 anos, readaptada para a função de secretária na Escola Estadual Maria Luiza de Andrade Martins Roque, no Jardim Eliana, é um desses casos “Tenho duas filhas desempregadas e consigo sobreviver porque tenho pensão do meu marido”, diz. “Sofro também com a sobrecarga de funções porque sou readaptada e, em tese, não possuo mais condições físicas ou mentais de dar aula”. A sobrecarga é um problema frequente de muitos professores, como José Augusto, 52, que dá aulas de sociologia e história nas escola estaduais Renato Braga, no Jardim Casablanca, e Arnaldo Laurindo, no Parque Santo Antônio. “Para ter o sustento da família hoje é preciso ter dois cargos, de manhã até de noite. Pois o salário de um cargo não é suficiente, são poucos que conseguem”, diz.

O alto número de profissionais que não trabalham apenas em uma escola é apontado por Cláudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da FGV, como um dos principais problemas da educação brasileira. “O professor não pega uma aula em cada escola porque ele deseja, o sistema é desenhado para isso”, diz. Segundo ela, há professores concursados com cargas horárias abaixo de 10 horas semanais. Ela avalia que profissionais da educação precisam de um contrato como qualquer outro profissional, com 40 horas semanais.

 

SAÚDE MENTAL

As dificuldades dentro da sala de aula muitas vezes afetam a saúde mental dos professores. No caso da professora de matemática Andrea Patrícia Schianti, 50 anos, da Escola Estadual Dogival Barros Gomes, os problemas se acumularam de uma forma que levaram à síndrome do pânico e à depressão. Convivendo com fibromialgia há 11 anos, precisou pedir afastamento por três anos por não ter condições de dar aula, algo que implica em salários mais baixos. “Hoje tomo remédio para depressão. É de tanto passar nervoso na profissão”, diz. Após um período afastada, Andrea conseguiu a readaptação para trabalhar na secretaria da escola por dois anos e optou por voltar para as salas de aula neste ano. Se a vida não está fácil para ninguém, é certo que para os professores, ela está muito pior.

“NÃO APRENDEMOS COM NOSSOS ERROS”
O economista chefe do Instituto Ayrton Senna e professor do Insper, Ricardo Paes de Barros, faz um diagnóstico dos problemas da educação no Brasil e diz que falta governança para que as escolas funcionem melhor

POR QUE A EDUCAÇÃO PÚBLICA BRASILEIRA NÃO FUNCIONA DIREITO?
Há diversas razões educacionais e pedagógicas para isso. Mas a sensação que a gente tem é de que tudo decorre de uma questão de governança. O Brasil está se esforçando. Já chegamos a 6% do PIB com gastos em educação, mas nosso desempenho é fraco.

A POBREZA AFETA NOSSO DESEMPENHO?
Não. Há cidades do Ceará e do Piauí, por exemplo, que têm índices ótimos de qualidade educacional. E se tem lugares que vão muito bem é porque a gente sabe fazer. Uma das razões pelas quais não evoluímos é que não conseguimos aprender com nossos erros e acertos.

QUE TIPO DE ERROS SE COMETE?
A nossa educação média, por exemplo, é um absurdo. Hoje, a diferença entre a nota média de matemática do aluno do final do ensino fundamental e do aluno do ensino médio é de 10 pontos na escala do Saeb. Dez pontos é pouco. Isso significa que no final do ensino médio o aluno sabe a mesma coisa que sabia no final do fundamental. Algo de errado está acontecendo.

GESTÃO E CARREIRA

AS CARÊNCIAS MAIS SENTIDAS PELOS MILENNIALS

Profissionais jovens percebem em si mesmo falta de habilidades relacionadas à inteligência emocional e pensamento crítico.

As carências mais sentidas pelos milennials.

Brasileiros jovens entram no mercado de trabalho e se ressentem de um déficit de habilidades fundamentais para a vida profissional. Uma pesquisa recente da empresa de educação online Udemy colheu respostas de mais de mil profissionais com idade entre 21 e 35 anos. Para quase dois terços deles, o que mais faz falta não são conhecimentos técnicos, e sim capacidades que deveriam ser treinadas na escola e na universidade, relacionadas a inteligência emocional, comunicação, gestão do tempo e pensamento crítico – todas fundamentais para a produtividade e para os ambientes de trabalho mais competitivos de hoje. Além das deficiências óbvias em transmissão de conhecimento, o sistema educacional brasileiro falha também no desenvolvimento dessas habilidades, diz Sérgio Agudo, diretor da Udemy no Brasil. O executivo lembra que esse tipo de ponto fraco é hoje considerado problema grave num profissional e pode prejudicar carreiras seriamente. Um quarto dos jovens também se ressentiu de falta de habilidades de liderança, o que é facilmente compreensível em profissionais na primeira metade da carreira. Cerca de 95% dos respondentes consideram que existe uma lacuna de habilidades profissionais no país.

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ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 17: 12 – 16

Alimento diário

DECLARAÇÕES IMPORTANTES

 

V. 12 – Observe:

1. Um homem inflamado é um homem embrutecido. Ainda que, em outras ocasiões, ele possa ter alguma sabedoria, surpreenda-o em meio a uma paixão desenfreada, e ele será um louco na sua estultícia; são loucos aqueles em cujo seio há ira, e em quem a ira é estimulada. Ele se despe do homem e se comporta como uma ursa, uma ursa furiosa, a quem roubaram os filhotes; ele gosta das gratificações de seus desejos e paixões, assim como uma ursa gosta de seus filhotes (que, ainda que sejam feios, são seus), está tão ansioso em busca destas gratificações quanto a ursa em busca de seus filhotes, quando privada da companhia deles, e se sente igualmente cheio de indignação, perturbado pela busca.

2. É um homem perigoso, que guerreia com todos os que se põem em seu caminho, embora inocentes, embora seus amigos, como uma ursa à qual roubaram os filhotes ataca o primeiro homem que encontra, como se fosse o ladrão. A ira é uma loucura temporária. Seria mais fácil deter uma ursa enfurecida, ou fugir dela, ou defender-se dela, do que de um homem furioso. Devemos, portanto, vigiar nossas próprias paixões (para que elas não façam o mal), e assim, buscar a nossa própria honra; e devemos evitar a companhia de homens furiosos, e sair do seu caminho, quando estiverem furiosos, e assim buscar a nossa própria segurança.

 

V. 13 – Um homem iníquo é aqui descrito:

1. Como ingrato para com os seus amigos. Frequentemente, ele se comporta de maneira tão absurda e insensível com relação às gentilezas que lhe são feitas, que torna mal por bem. Davi se encontrou com os que eram seus adversários em paga do seu amor (Salmos 109.4). Tornar mal por mal é algo brutal, mas tornar mal por bem é demoníaco. É um homem de má índole aquele que, por estar decidido a não retribuir uma gentileza, realiza uma vingança como retribuição.

2. Como cruel com a sua família, pois transmite uma maldição a ela. É um crime tão hediondo que será punido, não somente na pessoa de seu cônjuge, mas na sua descendência, para quem acumula ira. A espada não se afastará da casa de Davi, porque ele recompensou Urias com maldade pelos seus bons serviços. Os judeus apedrejaram a Cristo por suas boas obras; por isto o seu sangue está sobre eles e sobre seus filhos.

 

V. 14 – Aqui temos:

1. O perigo que existe, no início da contenda. Uma palavra acalorada, uma reflexão mesquinha, uma exigência irada, uma contradição maldosa, gera outra, e depois uma terceira, e assim por diante, até que prove ser como o romper de uma barragem; quando a água tem uma pequena passagem, ela mesma alarga a abertura, derruba tudo o que está à sua frente e então não há como detê-la.

 2. A inferência a uma boa advertência, para que tomemos cuidado com a primeira fagulha da contenda e a apaguemos assim que apareça. Tema o romper do gelo, pois, uma vez rompido, irá se quebrar cada vez mais; por isto, deixe a contenda, não somente quando você vir o pior dela, pois então poderá ser tarde demais, mas quando você vir o princípio dela. Deixe-a antes que seja envolvido; deixe-a, se possível, antes mesmo de começar.

 

V. 15 – Isto mostra a transgressão que é, para Deus:

1. Quando aqueles a quem é confiada a administração da justiça pública, juízes, jurados, testemunhas, acusadores, advogados, absolvem os culpados ou condenam os que não são culpados, ou, pelo menos, contribuem para uma destas situações; isto frustra a finalidade do governo, que é proteger os bons e punir os maus (Romanos 13.3,4). É igualmente provocador a Deus, tanto justificar os ímpios (ainda que seja por piedade e para salvar a vida), como condenar os justos.

2. Quando algum indivíduo defende o pecado e os pecadores, suaviza e desculpa a iniquidade, ou argumenta contra a virtude e a piedade, desta maneira pervertendo os caminhos justos do Senhor e confundindo a eterna distinção entre o bem e o mal.

 

V. 16 – Aqui são mencionadas duas coisas com assombro:

1. A grande bondade de Deus para com os tolos, ao colocar um preço na sua mão, para obter sabedoria, adquirir conhecimento e graça, para adequá-lo para os dois mundos. Nós temos almas racionais, os meios da graça, os esforços do Espírito, o acesso a Deus por meio da oração; nós temos tempo e oportunidade. Aquele que tem boas propriedades (assim alguns interpretam) têm vantagens, portanto, para obter a sabedoria, comprando a instrução. Bons pais, parentes, ministros, amigos, são auxílios para obter sabedoria. É um preço, portanto um valor, um talento. É um preço na mão, um preço de que se tem posse; a palavra está perto de ti. É um preço para obter; é para nosso próprio benefício; é para adquirir sabedoria, exatamente aquilo que, sendo tolos, mais necessitamos. Temos razões para nos maravilhar com o fato de que Deus considerasse a nossa necessidade, e as­ sim nos confiasse tais benefícios, ainda que Ele previsse que não os aproveitaríamos adequadamente.

2. A grande iniquidade do homem, a sua negligência em relação à benevolência de Deus e ao seu próprio interesse, o que é totalmente absurdo e inexplicável: Ele não tem o ânimo necessário nem a sabedoria que deve ser obtida, nem os pré-requisitos básicos para consegui-la. Ele não tem coragem, nem talento, nem vontade, para aprimorar os seus benefícios. Ele se dedica a outras coisas, de modo que não se importa com o seu dever nem com as grandes preocupações da sua alma. Por que um preço seria jogado fora, e perdido, com alguém que o merece tão pouco?

 

PSICOLOGIA ANALÍTICA

CRIANÇAS MAIS FELIZES

Quando se trata de criar filhos, o mais importante não é a identidade ou o sexo dos pais ou substitutos, e sim a qualidade do cuidado e o comprometimento com os pequenos.

Crianças mais felizes

Famílias monoparentais são um fato. Uma em cada quatro crianças americanas vive apenas com um dos pais, geralmente a mãe. No Brasil, 12,2 % das mulheres vivem com filhos, sem cônjuge. Entre os homens, o número é de 1,8%, segundo dados de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Também cresce o número de famílias formadas da união de pessoas do mesmo sexo. No entanto, isso não parece representar nenhum tipo de desvantagem. A análise cuidadosa de várias pesquisas coloca por terra a ideia de que uma das condições para que uma criança seja saudável e feliz é ter, necessariamente, o pai e a mãe vivendo sob o mesmo teto. Aliás, cada vez mais parece claro que os elementos mais importantes da criação dos filhos não é a identidade ou o sexo dos adultos envolvidos, mas sim a qualidade do cuidado prestado e a sua consistência ao longo dos anos.

A verdade é que criar um filho nunca foi fácil e raramente alguém desempenha essa tarefa sem ajuda. Uma pesquisa com famílias em situação de risco feita por um grupo de cientistas das universidades Colúmbia e Princeton mostrou que apenas 17% das mães solteiras relataram criar os filhos completamente por conta própria. A maioria recebia auxílio do pai da criança, dos próprios pais ou de outros parentes e amigos. Ainda assim, salvo raras exceções, essas mães sentiam-se sobrecarregadas emocionalmente.

Para a criança, a consistência do cuidado recebido e a certeza de poder contar com uma pessoa de referência, que dê conta de suas demandas físicas e psíquicas, é fundamental. “Não basta ter um adulto na função paterna ou materna ‘por um período’; por exemplo, num ano a mãe, no próximo a avó e no outro o pai. É necessário ter alguém com quem contar a longo prazo”, afirma a psicóloga do desenvolvimento Anne Martin, da Universidade Colúmbia. “Ela precisa se sentir segura e protegida para se desenvolver intelectual e emocionalmente.”

Crianças mais velhas podem até contar com professores, monitores de instituições que frequentam ou líderes religiosos para receber apoio, desde que a presença dessa pessoa seja contínua em sua vida. A organização não governamental americana Big Brothers Big Sisters, por exemplo, requer que se comprometam por pelo menos um ano e os voluntários estabeleçam uma relação de mentor-aprendiz com o jovem que acompanha.

JEITOS DE CUIDAR

No entanto, a dura realidade é que o principal cuidador de uma família fragmentada não raro enfrenta dificuldades para encontrar alguém que assuma uma década ou mais de apoio incansável. Pesquisadores da Universidade Columbia e da Universidade Princeton demonstraram que a maioria dos pais (homens) não casados de um estudo relatou vontade de se envolver na vida dos filhos. Mas, após três anos do nascimento de um bebê, aproximadamente metade não mantinha contato recente.

Uma forma de ajudar a envolver o pai e outros cuidadores seria focar o relacionamento com a mãe da criança. O psicólogo clínico Kyle Pruett, pesquisador do Centro de Estudo da Criança da Universidade Yale, destaca essa variável em seus esforços para aproximar pais descomprometidos com a vida dos filhos. “Focar somente os homens resultou em desperdício de esforço e de dinheiro”, afirma Pruett.

Ele acompanhou um grupo de mães e constatou que o maior desafio era ajudá-las a aceitar a forma como o ex-companheiro (ou outro cuidador) exercia a paternidade. Um es­ tudo realizado em 2001 por pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio confirmou o que psicólogos já dizem há anos: quando há desavenças entre as pessoas que cuidam da criança, o conflito é claramente percebido por ela e lhe causa sofrimento. Os pesquisadores americanos constataram que, um ano após os pais (que conviviam na mesma casa) terem assumido tarefas coordenadas pelas mães, os casais se tornaram mais combativos e propensos a minar o outro.

Com base nesse resultado, os autores da pesquisa sugerem que a melhor estratégia é decidir em conjunto qual a esfera de influência de cada um. Por exemplo, um dos pais fica no comando do banho e o outro se responsabiliza pelas refeições. E uma coisa é fundamental para o bem-estar da criança, não só imediatamente, mas também em razão dos efeitos futuros: jamais atacar ou menosprezar o outro na frente do filho, ainda que haja ressalvas ou discordâncias.

A relação positiva entre os cuidadores tem grande impacto sobre o desenvolvimento psicológico dos filhos. Em um estudo com famílias afro-americanas de 2013, pesquisadores da Universidade de Vermont e da Universidade da Carolina do Norte em Chapei Hill descobriram que, quanto melhor for a relação entre uma mãe solteira e seu principal “ajudante”, melhores serão o comportamento e a saúde mental das crianças. Maior qualidade no vínculo entre pais que não convivem sob o mesmo teto também pode reforçar o comprometimento com os filhos. Em um estudo de2008, os sociólogos Lawrence Berger e Mareia Carlson, da Universidade de Wisconsin-Madison, constataram que pais que viviam separados mas mantinham boa comunicação e dividiam tarefas com a mãe da criança eram mais propensos a se manter envolvidos na vida dos filhos cinco anos após o nascimento, independentemente de estarem romanticamente envolvidos com outras mulheres.

Crianças mais felizes. 2

RACIOCÍNIO LÓGICO

Ainda hoje, apesar de todas as transformações sociais e culturais, são as mulheres que continuam a cumprir a maioria das tarefas que se referem aos cuidados primários, como alimentação, banho e acolhimento das crianças. Mas também é fato que os pais tendem a participar de atividades complementares, como brincadeiras (menos importantes para a sobrevivência de uma criança, mas de grande importância no desenvolvimento cognitivo). Como resultado, a qualidade do envolvimento parece importar mais do que a quantidade de horas passadas com os filhos.

Em um estudo de 2013 desenvolvido com pais que vivem separados dos filhos biológicos, por exemplo, cientistas das universidades de Connecticut e Tufts descobriram que contribuições financeiras e frequência de visitas não têm efeito significativo no bem-estar da criança. O fator crítico é a quantidade de vezes que o pai a envolve em ações específicas, como ajudá-la nas lições de casa, brincar com ela ou participar de eventos esportivos e atividades da escola.

“Esse tipo de envolvimento ajuda no desenvolvimento cognitivo, uma vez que faz com que a criança aumente suas habilidades gerais com base no conhecimento acumulado”, escreveram os autores do trabalho. Chamado por eles de “andaime”, por dar sustentação à constituição psíquica do sujeito, esse engajamento ajuda os pequenos a desenvolver o raciocínio lógico e a capacidade de resolver problemas em várias situações ao longo da vida. Pais biológicos e casados tendem a realizar esse processo com mais uniformidade, pelas condições que a rotina impõe. No entanto, crianças que vivem longe do pai costumam ter menor chance de exposição a atividades cognitivamente estimulantes, de acordo com um estudo de 2013 de Mareia Carlson e Lawrence Berger.

Cada vez mais estudos comprovam que pais disponíveis não só para estar com os filhos, mas também para oferecer suporte emocional à mãe são de grande importância para o desenvolvimento intelectual das crianças. Uma revisão recente publicada no Journal of Community Psychology mostrou que figuras parentais substitutas (avós, tios, professores ou outros adultos de referência) ajudam a reforçar o desempenho escolar das crianças com a introdução de novas ideias e experiências que as desafiam a pensar criticamente. Na verdade, a construção do conhecimento pode ocorrer em qualquer lugar, não somente em passeios a museus ou na sala de aula, mas também no jantar, durante uma brincadeira ou no caminho do futebol. O importante é prestar atenção naquilo que interessa à criança e não desperdiçar a oportunidade de apresentar a ela um mundo interessante, que vale a pena ser conhecido.

Crianças mais felizes. 3

FALHAS E EQUÍVOCOS

Pais de adolescentes sabem muito bem: não é nada fácil lidar com crises e desafios escolares e sociais que com frequência aparecem na passagem da infância para a idade adulta. Surgem muitas dúvidas quando se trata de escolher o melhor modo de lidar com os impasses, até porque, não raro, as questões dos jovens remetem os adultos às angústias já vividas por eles nessa etapa (nem sempre elaboradas). No entanto, ser um bom pai tem muito a ver com aceitar os filhos – embora seja mais fácil dizer isso do que agir, principalmente quando aparecem com uma tatuagem ou quando os pais recebem uma ligação da escola convocando uma reunião para falar do mau comportamento.

O psicólogo Ronald P. Rohner, pesquisador da Universidade de Connecticut, estuda as consequências da rejeição de crianças e adolescentes pelos pais e a influência que o olhar parental tem sobre aspectos importantes da personalidade. Jovens que se sentem acolhidos em casa costumam ser mais independentes e emocionalmente estáveis, têm maior autoestima e mantêm uma visão positiva do mundo. Aqueles que se sentem rejeitados não raro demonstram o oposto: hostilidade, sentimentos de inadequação, instabilidade e uma visão negativa das mais variadas situações.

Em seu trabalho Rohner analisou dados de 36 estudos sobre aceitação e rejeição dos pais. “Não parece haver dúvidas de que o investimento emocional tanto materno quanto paterno está associado com essas características de personalidade”, afirma o psicólogo. E, segundo ele, o afeto do pai é tão importante quanto o da mãe. “Culturalmente, a grande ênfase na figura da mãe levou a uma tendência inadequada de responsabilizá-la pelos problemas de comportamento das crianças quando, de fato, o homem está muito mais implicado nessas situações do que as pessoas em geral imaginam.”

O pai parece ter também um papel surpreendentemente importante no fortalecimento da empatia dos filhos. O psicólogo Richard Koestner, da Universidade McGill, analisou um estudo com 75 homens e mulheres acompanhados por pesquisadores da Universidade Yale em 1950, quando os voluntários eram crianças. Koestner e seus colegas examinaram diversos fatores que poderiam afetar a capacidade empática na fase adulta, mas um em especial lhe chamou a atenção: o tempo que o pai passava com os filhos.

“Ficamos espantados ao descobrir que o carinho recebido pela dupla pai- mãe em si não fez diferença significativa em relação à empatia. E nos surpreendemos mais ainda ao constatar quanto era forte a influência especificamente paterna”, diz Koestner.

A psicóloga Melanie Chifre Mallers, da Universidade Estadual da Califórnia em Fullerton, também descobriu que filhos com boas lembranças do pai eram mais capazes de lidar com as tensões cotidianas da vida adulta. Na mesma época, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Toronto submeteu um grupo de adultos a um escâner de ressonância magnética funcional para avaliar as reações quando observavam o rosto dos pais. Imagens da mãe provocaram, de imediato, maior atividade em várias regiões cerebrais, algumas associadas ao processamento de características da face. Já o rosto do pai acionou, em primeiro lugar, circuitos no núcleo caudado, uma estrutura relacionada a sentimentos de amor.

As evidências mostram que o homem contribui de forma única com os filhos. Mas o contrário não é necessariamente verdadeiro: crianças que não convivem com ele na mesma casa não estão de forma alguma condenadas ao fracasso. Embora o pai seja importante, esse papel pode ser substituído. Obviamente, conhecemos crianças que cresceram em circunstâncias difíceis, mas que hoje desfrutam de uma vida rica e gratificante. Nem todos se tornam o presidente dos Estados Unidos, mas Barack Obama é um exemplo do que pode ser alcançado por uma criança que passou a infância sem pai, mas conseguiu superar a situação. A paternidade tem a ver com orientar as crianças para que possam ser adultos felizes e saudáveis, à vontade no mundo, preparados para viver relações de afeto, respeito e cuidado e, eventualmente, ser pais ou mães.

OUTROS OLHARES

A SOMBRA DO INVISÍVEL

A revelação da primeira foto de um buraco negro reafirma a Teoria da Relatividade de Einstein e representa um extraordinário avanço nos estudos sobre o universo.

A sombra do invisível

A princípio, pode soar apenas como uma contradição, um paradoxo, um oximoro, enfim: ver o invisível. No entanto, não há melhor definição para o que permitiu enxergar a imagem divulgada mundo afora dia 10 de abril por astrônomos do projeto internacional Event Horizon Telescope (EHT, na sigla em inglês). Em um comunicado simultâneo feito em seis países, os cientistas exibiram a primeira fotografia de um buraco negro, nome dado a esses avassaladores abismos cósmicos capazes de sugar para o seu interior tudo, absolutamente tudo, até mesmo a luz. A foto, que logo viralizou, mostra a silhueta de uma sombra, abraçada por um anel irregular e resplandecente. O nome do buraco negro é M87 e suas dimensões são estupendamente exponenciais: ele é 6.5 bilhões de vezes maior que o Sol. O colosso está localizado a 55 milhões de anos-luz da Terra, bem no centro da gigantesca galáxia de Messier 87, na constelação de Virgem.

A ciência já havia provado a intensa força de gravidade exercida pelos buracos negros. Também já tinha captado o som das ondas gravitacionais que ecoavam o estrondo provocado pela colisão de duas daquelas monumentais estruturas cósmicas. A forma de um buraco negro, contudo, permanecia apenas no campo técnico. Isso porque, como os buracos negros não refletem luminosidade, eles são, a rigor, invisíveis. Eis a razão pela qual a fotografia foi recebida com espanto e aplausos. “Estou muito feliz em informar que pela primeira vez nós vimos o que pensávamos ser invisível”, comemorou Sheperd Doeleman, diretor responsável pelo EHT, durante a apresentação da imagem. “Isso é só o começo. A partir daqui as descobertas parecerão histórias de ficção científica”, disse a astrônoma americana Feryal Ozel, integrante do EHT.

O prodígio alcançado por Feryal, Doeleman e seus colegas começou a ganhar corpo em um experimento iniciado em 2017, que envolveu oito radio­telescópios, espalhados pela Espanha, Estados Unidos, Chile, México e Antártica. Os oito equipamentos captaram imagens de partes diferentes do buraco negro. Em seguida, tais imagens foram combinadas, por meio de uma técnica conhecida como interferometria, como se tivessem sido produzidas por um único telescópio gigantesco, com tamanho equivalente ao da circunferência da Terra. Ou seja: em vez de usar um telescópio de dimensões planetárias, o que não existe, os cientistas criaram um enorme telescópio virtual. Ao todo, foram captadas 65 horas de ondas de rádio vindas do buraco negro M87, que ocupariam 1.024 discos rígidos de 8 terabytes. Após dois anos de processamento desses dad0os, realizado por um software alimentado por mais de 200 cientistas, chegou-se à histórica foto, que, em termos técnicos, exibe as manifestações das ondas de rádio provenientes da atividade gravitacionais do buraco negro e dos corpos astronômicos que ele atraiu.

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O Event Horizon Telescope também observou outro buraco negro, situado no coração da Via Láctea: o Sagitário A” (diz-se “a-estrela”), com diâmetro estimado em 60 milhões de quilômetros e massa de 4 milhões de sóis. Comparado ao M87, com os seus já citados 6,5 bilhões de sóis e tamanho aproximado de 40 bilhões de quilômetros de diâmetro, o Sagitário A” é – em termos astronômicos – um buraco negro “pequeno”. Por causa disso, coletar suas ondas de rádio de modo a obter definição suficiente para a formatação de uma fotografia como a que foi feita do M87 é mais complicado. “Também temos resultados de Sagitário A”, porém são mais difíceis de processar. Estamos trabalhando neles e esperamos apresentá-los em breve”, declarou Sheperd Doeleman. Portanto, em algum momento também poderemos ter o buraco negro que habita o centro da Via Láctea.

Para compreender a magnitude da proeza – cujos resultados foram publicados na revista científica Astrophysical Journal  Letters – realizada pelos astrônomos do EHT, é preciso deter-se um pouco na conformação de um buraco negro. A borda interna da parte alaranjada que é vista no retrato constitui a região conhecida como “horizonte de eventos”. É onde a matéria que acabará sendo engolida pelo buraco negro é acelerada a altíssimas velocidades pela força gravitacional do corpo celeste. No centro da imagem está o que os cientistas batizaram de “sombra de Einstein”. Ali fica também o “núcleo de singularidade”, impossível de ser visto por não emitir luz – é o buraco negro propriamente dito. Os físicos estimam que essa parte do corpo celeste tenha 40% das dimensões de sua sombra e seja tão densa que mesmo o tempo é distorcido – segundos de lá representam dezenas de anos aqui.

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A ideia da existência dos buracos negros surgiu meses depois que o físico alemão Albert Einstein (1879-1955) formulou a Teoria da Relatividade Geral, em 1915. Sua teoria revolucionou a física ao concluir que a maneira com que a gravidade atua só poderia ser plenamente entendida no cruzamento de domínios distintos da natureza – massa, velocidade, área etc.-, com os corpos pesados deformando o espaço à sua volta e atraindo para seu centro as coisas ao redor, tal como uma esfera de aço colocada no meio de uma rede de pesca que acaba por curvá-la. Em resumo: os buracos negros surgiram como consequência inevitável da teoria de Einstein. Com base nas equações matemáticas trabalhadas na Teoria da Relatividade Geral, o também físico alemão Karl Schwarzschild (1873-1916) calculou pela primeira vez o que aconteceria se fosse possível comprimir a massa de uma estrela em um único ponto. Schwarschild chegou à conclusão de quem em uma situação assim, a gravidade seria tão intensa que nada, absolutamente nada, poderia escapar de sua atração. Dessa armadilha não se livrariam sequer as chamadas ondas-partículas de luz – foi uma pioneira conceituação do buraco negro, à época chamado por Schwarschild de “singularidade”. O termo buraco negro só seria cunhado em 1967, pelo físico americano John Archibald Wheeler (1911-2008), em palestra proferida no Instituto Goddard de Estudos Espaciais, da Nasa.

Schwarzschild chegou a enviar o rascunho de seus estudos para Einstein ainda em 1915. O pai da Teoria da Relatividade Geral ficou inicialmente entusiasmado com a ideia e a apresentou à Academia Prussiana de Ciências após a morte do colega, em 1916. Entretanto, Einstein fez ressalvas às conclusões de Schwarschild, classificando os buracos como uma mera curiosidade, muito distante de uma teoria comprovável. “A singularidade de Schwarschild não existe na realidade física”, sentenciou o Nobel de Física de 1921. Para Einstein, um buraco negro implicaria a existência de algo que se desconectaria do espaço-tempo – seria capaz de rasgar aquela “rede de pesca” de que se falou antes para ilustrar a Teoria da Relatividade Geral, obrigando tudo o que existisse a cair ali, sem chance de ser resgatado. Acontece que não tardou paro os cientistas aprenderem como as estrelas vivem e morrem, e concluírem definitivamente que, de fato, era possível, ao fim da vida das maiores delas, o seu colapso resultar numa espécie de raio cósmico – o buraco negro – por onde parte da massa do universo fluiria”, disse o engenheiro brasileiro Nilton Renno, que atua na pesquisa da formação de planetas na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

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“O formato do buraco negro corresponde exatamente aos cálculos de atração gravitacional que sustentam a Teoria da Relatividade Geral”, explica Renno. Eram esses cálculos, aliás, que permitiam aos cientistas simular as representações gráficas dos buracos negros.

Se tudo o que foi observado até agora sobreo M87 é consistente com a teoria de Einstein, não se pode descartar a possibilidade de que observações mais detalhadas de novos buracos negros revelem características inesperadas desses corpos celestes – principalmente no que diz respeito a velocidade com que eles se movimentam. Isso poderia elucidar, sobretudo, uma hipótese do físico inglês Stephen Hawking (1912-2018), que há mais de quarenta anos escreveu que o universo é repleto de partículas regurgitadas por buracos negros ao mesmo tempo em que eles estão absorvendo matéria. Nesse processo, acreditava Hawking, o buraco negro perderia energia – levada pelas tais partículas – e massa, até o seu desaparecimento. As partículas seriam, então, o único testemunho do buraco negro extinto. Sobre isso, ainda pouco se sabe.

O fascínio exercido pelos buracos negros está longe de se restringir ao campo científico. No cinema, por exemplo, o conceito de distorção do tempo causada pela gravidade aparece em clássicos que nada têm a ver com buracos negros. Como O Planeta dos Macacos, do cineasta francês Pierre Boulle (1968). Nele, um astronauta passa por uma nebulosa e tem sua realidade temporal distorcida, o que o leva para um planeta onde os símios, não os humanos, prosperaram. No filme de ficção científica Interestelar (2014), do diretor inglês Christopher Nolan, faz parte da trama um buraco negro supermaciço, o monstruoso Gargantua – uma espécie de pino cósmico que roda velozmente sobre si mesmo, mas em seu horizonte de eventos é capaz de abrigar planetas que poderiam receber humanos que tentam fugir de uma terra devastada por mudanças climáticas. Para representar o buraco negro, a produção do longa contratou um dos mais respeitados físicos modernos, o americano Kip Thorne. A intenção foi criar uma história o mais plausível possível do ponto de vista científico. Assim, foi feita uma simulação realística de um buraco negro e da visão que os humanos teriam se chegassem lá. Até a divulgação da foto do M87 aquela era considerada uma das mais perfeitas representações de um buraco negro.

Para alguns pesquisadores, faz sentido dizer que, daqui a muitos bilhões ou talvez trilhões de anos, acontecerá a morte do universo tal como o conhecemos hoje – embora muito falte ainda para conhecer. A extinção do cosmo se daria especialmente pelo esgotamento de energia dos corpos que o compõem. Quando isso estiver prestes a ocorrer, as únicas fontes de energia disponíveis serão justamente aquelas provenientes das estrelas que os buracos negros tiverem atraído para si. Eis aí o vislumbre de um futuro: a civilização, se ainda existir alguma, provavelmente habitará em um dos gigantes que hoje engolem parte do espaço.

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