PSICOLOGIA ANALÍTICA

LIDAR COM A AUTOSSABOTAGEM

É comum criarmos obstáculos e empecilhos de forma consciente ou inconsciente que atrapalham na hora de realizar tarefas ou conquistar objetivos.

Lidar com a autossabotagem

Por mais absurdo que nos possa parecer, alguns de nós temos medo de ser feliz. Esse medo é quase sempre inconsciente, embora lenha grande influência em nossas atitudes diante dos desafios e conquistas ao longo da vida. Se, por alguma razão consciente ou inconsciente, achamos que não merecemos ser felizes, faremos de tudo para que essa profecia se realize. Esse medo desenvolve um mecanismo ao qual chamamos de autossabotagem. Não são poucas as pessoas que ao conquistarem um ótimo emprego, um relacionamento feliz ou a viagem dos sonhos sabotam as próprias conquistas, não se permitindo usufruí-las e, pior, fazendo de tudo para que dê errado pelo simples medo de ser feliz.

A autossabotagem pode estar presente em todas as áreas de nossa vida: relacional, educacional, profissional e até mesmo na saúde. O primeiro passo para que tomemos as rédeas da vida em nossas mãos é nos conscientizar de nossos mecanismos de autossabotagem e do quanto eles prejudicam o alcance de nossas metas. Nunca ter tempo para a vida social ou para fazer aquele curso que tanto queremos, pensarmos que não há mais perspectivas no trabalho ou mesmo não conseguir fazer um tratamento de saúde até o fim podem ser indicativos de autossabotagem.

Essa autopunição, em geral, tem origem na infância e frequentemente é moldada no núcleo familiar, onde adquirimos nossas primeiras referências e elaboramos nossa percepção do mundo pautada nesses critérios. Se sofremos muitas comparações em condições inferiores, por exemplo, podemos desenvolver o sentimento de menos valia, responsável pela sensação de que não merecemos vencer ou usufruir dos prazeres do prêmio.

A autossabotagern pode se tornar tão grave a ponto de provocar transtornos de ansiedade, cardiopatias, obesidade, depressão e pensamentos suicidas. Em seu 1úvel crônico, pode levar a pessoa a se automutilar, provocando feridas que simbolizam a punição pelos sucessos e prazeres da vida. No entanto, fiquemos todos atentos a esse estranho processo, pois a grande maioria das pessoas sofre desse mal, em maior ou menor escala. Quantas vezes temos que fazer algo importante mas procrastinamos e acabamos não fazendo? Quantas vezes já iniciamos uma dieta e não conseguimos levá-la até o fim? Quantas vezes nos vemos reféns de relações tóxicas que nós mesmos buscamos?

Existe uma técnica interessante que aprendi na Gestalt-terapia que diz que precisamos perguntar insistentemente “para quê” fazemos as coisas e não “por quê”. Quando fazemos a primeira pergunta somos remetidos à utilidade prática da ação, ao “para quê” me serve fazer isso. Outra pergunta insistente que devemos fazer para toda ação autossabotadora é o que ganhamos com ela. Essa pergunta parte do princípio de que toda ação mantida tem um ganho secundário, subjacente e que na maioria das vezes nos escapa à consciência imediata.

Podemos exemplificar essa técnica por meio de uma situação prática. Imagine uma pessoa que foge toda vez que um relacionamento íntimo começa a ficar sério. Ela pode tentar se libertar dessa autossabotagem, perguntando-se insistentemente: “Para que me serve fugir? O que eu ganho com essa fuga?” A resposta pode ser difícil, mas é recomendável que anote e repita sobrea primeira resposta que lhe vier à cabeça. Anote também a segunda e a terceira e reflita com coragem sobre as três. Em geral, o ganho secundário está entre elas. Um ganho subjacente muito comum desse comportamento de fuga é evitar entregar-se por inteiro com medo de se machucar depois. Esse comportamento é comum às pessoas que tiveram experiências dolorosas no passado, mas é igualmente frequente em pessoas que se sentem muito poderosas e inatingíveis. Nesse caso, o medo é de se mostrar frágil e dependente, perdendo a onipotência ilusória.

Outra forma bastante comum de autossabotagem é a procrastinação. O conhecido “deixar pra depois” ou “ir empurrando com a barriga”, embora seja famoso como “filho da preguiça”, frequentemente esconde o medo de falhar, de cometer erros ou mesmo o medo de vencer. A formula é a mesma: pergunte ­ se que ganhos você tem procrastinando. Que zona de conforto você está mantendo ao empurrar essa decisão para depois. A autossabotagem é uma doença da alma que tem tratamento e cura, mas exige que sejamos firmes e insistentes na mudança de nossos hábitos e atitudes. Não basta apenas o desejo de mudar, é preciso que nos autodesafiemos e desconfiemos de nossas desculpas. Esse me­ canismo de autossabotagem só é vencido com determinação, pois ele é construído ao longo de muitos anos de lógica distorcida. Não basta apenas repetir para si mesmo uma nova maneira de ser, essa batalha é constante, até que nosso inconsciente desista de manter o status ao qual se acostumou. O caminho da libertação começa com o reconhecimento de nossas próprias armadilhas, pois conforme disse Dostoiévski: a maior felicidade é saber por que se é infeliz.

OUTROS OLHARES

O PESO DA IDADE

Com base em dados da reta final da campanha presidencial americana de 2016, estudo descobre que os idosos são os maiores propagadores de notícias falsas

Senior Man Using a Smartphone

Durante as derradeiras semanas das eleições que levaram Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos, um quarto da população em idade votante no país visitou sites disseminadores de notícias falsas – tanto a favor do republicano como de sua rival democrata, Hillary Clinton. Com as redes sociais, sobretudo o Facebook, servindo então como o principal veículo de acesso aos portais de mentiras e invenções, surgiu a questão: quais seriam as faixas etárias campeãs no compartilhamento desse tipo nocivo de conteúdo? Um estudo realizado em conjunto pelas universidades de Princeton e de Nova York (NYU), publicado no início deste mês na revista Science Advances, trouxe uma conclusão algo curiosa: indivíduos com mais de 65 anos têm maior tendência a compartilhar notícias fabricadas por terceiros quando comparados aos mais jovens.

O grupo de pesquisadores, formado por cientistas políticos, analisou 1.200 perfis no Facebook para descobrir o que eles compartilharam ao longo daquela fase do pleito americano. Revelou-se que os mais velhos espalharam sete vezes mais fake news, em comparação com a faixa de 18 a 29 anos. Além disso, 11% dos idosos distribuíram lorotas, ante 3% dos jovens. A boa notícia é que 90% dos pesquisados não fizeram nada disso.

“São muitos os motivos para que os mais velhos sejam suscetíveis às notícias falsas”, declarou o cientista político Andrew Guess, da Universidade Princeton e um dos autores do trabalho. “Já é certo, porém, dizermos que os nativos digitais, que nasceram e cresceram com as novas tecnologias, apresentam maior habilidade de peneirar o que veem nas redes.” Segundo Guess, é preciso considerar também que “os idosos vieram de uma época em que estavam acostumados a confiar no que liam”. A aderência às novidades digitais parece estar atrelada à capacidade de distinguir o que é crível. O próprio estudo afirmou que, quanto mais se visitam mídias sociais e quanto mais se compartilham links por meio delas, menor é a tendência a cair no conto das invencionices.

Seja lá o que pese mais para a disseminação de mentiras na web, ninguém duvida que sua contenção é urgente. Assim como nos EUA de Trump, o Brasil de Bolsonaro teve as eleições marcadas pela proliferação de notícias falsas. Segundo relatório da empresa de cibersegurança PSafe, entre julho e setembro de 2018, 4,8 milhões de fake news circularam pelo país. Dessas, 46% eram de cunho político. Diante desse cenário, as redes sociais tentam criar medidas coibidoras. Na semana passada, o WhatsApp, que pertence ao Facebook, reduziu a quantidade de destinatários de mensagens a ser compartilhadas de vinte para cinco pessoas. No entanto, para o psicólogo Cristiano Nabuco, do Grupo de Dependência Tecnológica da USP, o que poderia conter as fake news não seriam os sites, e sim os usuários: “Está com eles a responsabilidade de refletir sobre os posts antes de fazer qualquer ação”.

O peso da idade. 2

GESTÃO E CARREIRA

GUIA EXCÊNTRICO DE AUTOAJUDA

13 dicas que podem mudar sua vida (ou não).

Guia excêntrico de autoajuda

Tenho observado milhares de empreendedores e pensado bastante sobre o que é necessário para ganhar muito dinheiro ou criar algo importante. Normalmente, as pessoas começam querendo o primeiro e acabam buscando o segundo.

Aqui estão 13 ideias de como atingir esse nível atípico de sucesso. Todas elas são mais fáceis de ser executadas quando já se alcançou um nível básico de sucesso — por meio de privilégio ou esforço — e se quer trabalhar para transformá-lo naquele sucesso excepcional. Mas a maioria se aplica a qualquer pessoa.

INVISTA EM VOCÊ

Crescimento exponencial é mágico. Procure por ele em todo lugar. Curvas exponenciais são a chave para a geração de riqueza.

Uma empresa de médio porte cujo valor aumenta 50% todo ano se torna gigantesca num espaço bem curto de tempo. Poucos negócios no mundo têm efeitos de rede reais e escalabilidade extrema. Porém, com a tecnologia, mais e mais terão. Achá-los e criá-los vale o enorme esforço

 Você também deveria almejar ser uma curva exponencial – direcionar sua vida para seguir uma   trajetória sempre crescente, para cima e para a direita. É importante seguir uma carreira que tenha um efeito exponencial — o progresso da maioria delas é bastante linear.

Você não quer investir numa carreira em que pessoas que estão trabalhando há dois anos conseguem ser tão eficazes quanto pessoas que estão trabalhando há 20. Seu ritmo de aprendizado deve ser sempre alto. À medida que sua carreira progride, cada unidade de trabalho que você faz deve gerar mais e mais resultados. Há muitas maneiras de alcançar essa influência — com capital, tecnologia, marca, efeito de rede e gerenciamento de pessoal.

É útil adicionar mais um zero àquilo que você define como sua métrica de sucesso — dinheiro, status, impacto no mundo ou o que for. Estou disposto a demorar o tempo necessário entre dois projetos até encontrar minha próxima paixão. Mas sempre quero que seja uma iniciativa que, se bem-sucedida, fará o resto de minha carreira parecer uma nota de rodapé.

A maioria das pessoas se perde em oportunidades lineares. Esteja preparado para deixar para lá oportunidades pequenas e focar em potenciais saltos qualitativos.

Creio que a maior vantagem competitiva nos negócios — seja para uma companhia, seja para uma carreira individual — é pensar a longo prazo, com uma visão ampla de como diferentes sistemas do mundo se unirão. Um dos aspectos notáveis de crescimento exponencial é que os anos mais longínquos são os mais importantes. Em um mundo onde quase ninguém tem visão a longo prazo, o mercado recompensa bastante aqueles que têm.

Confie no crescimento exponencial, tenha paciência e você se surpreenderá de maneira agradável.

TENHA AUTOCONFIANÇA ATÉ DEMAIS

Acreditar em si é imensamente poderoso. As pessoas mais bem-sucedidas que conheço acreditam tanto nelas próprias que é praticamente um delírio.

Cultive a autoconfiança desde cedo. À medida que você recebe dados indicando que seu discernimento é bom e que você é capaz de gerar bons resultados de forma consistente, confie mais em si mesmo.

Se você não acredita em si mesmo, fica difícil se permitir ter ideias divergentes sobre o futuro. E é nelas que está a maior parte dos ganhos.

Eu me lembro de quando Elon Musk me levou para um passeio pela fábrica da SpaceX, muitos anos atrás. Ele falou em detalhes sobre a manufatura de todas as partes do foguete, mas o que nunca me saiu da memória foi aquela expressão de confiança absoluta em seu rosto quando falou sobre enviar foguetes enormes a Marte. Eu saí pensando: “Ah, então esse é o conceito de convicção”.

Gerenciar seu moral — e o de sua equipe — é um dos maiores desafios de grande parte das iniciativas. É quase impossível sem bastante autoconfiança. E, infelizmente, quanto mais ambicioso você é, mais o mundo vai tentar derrubá-lo.

A maioria das pessoas altamente bem-sucedidas esteve muito certa sobre o futuro pelo menos uma vez numa época em que os outros pensavam que ela estava errada. Do contrário, a competição teria sido mais acirrada.

É preciso equilibrar autoconfiança e autoconsciência. Eu costumava odiar qualquer tipo de crítica e evitá-la. Agora, tento sempre escutar, partindo do princípio de que ela está certa, e, então, decido se quero fazer al- go a respeito ou não. Buscar a verdade é difícil e muitas vezes doloroso, mas é o que separa a autoconfiança do delírio.

Esse equilíbrio também ajuda a evitar que você soe soberbo e fora da realidade.

APRENDA A PENSAR COM INDEPENDÊNCIA

É muito difícil ensinar empreendedorismo porque é muito difícil ensinar a ter pensamentos originais. A escola não foi feita para isso — inclusive, ela geralmente premia o oposto. Então você tem de cultivar isso por conta própria.

Pensar a partir dos primeiros princípios e tentar gerar novas ideias é divertido, e encontrar pessoas com as quais trocá-las é um ótimo jeito de aperfeiçoar essa habilidade. O próximo passo é achar maneiras fáceis e rápidas de testar essas ideias no mundo real.

“Fracassarei muitas vezes e estarei muito certo uma vez” é o lema do empreendedor. Você tem de se dar muitas chances para ter sorte. Uma das lições mais poderosas a aprender é que você consegue descobrir o que fazer em situações que parecem não ter solução. Quanto mais vezes fizer isso, mais vai acreditar nisso. A garra vem de saber que você consegue se reerguer depois de cair.

APRIMORE SUAS “VENDAS”

Apenas autoconfiança não é suficiente — você também tem de ser capaz de convencer outras pessoas daquilo em que acredita.

Todas as grandes carreiras, até certo ponto, transformam-se em trabalho de vendedor. Você tem de pregar seus planos aos consumidores, empregados em potencial, à imprensa, aos investidores etc. Isso requer visão inspiradora, forte habilidade comunicativa, um certo carisma e uma evidente capacidade de execução.

Aperfeiçoar a comunicação — especialmente a escrita — é um investimento que vale a pena. Meu melhor conselho para conseguir uma comunicação clara é: primeiro certifique- se de que seu pensamento é claro e, em seguida, use uma linguagem simples e concisa.

A melhor maneira de aprimorar sua capacidade em vendas é acreditar de fato no que você está ofertando. Vender aquilo em que você verdadeiramente acredita é ótimo, e tentar vender gato por lebre é péssimo.

Tornar-se um bom vendedor é como aperfeiçoar qualquer outra habilidade — cada um pode melhorar se praticar. Mas, por alguma razão, talvez porque pareça desagradável, muitas pessoas tratam como se fosse algo que não pode ser aprendido.

Minha outra grande dica sobre vendas é aparecer pessoalmente quando for importante. Quando eu estava começando, sempre me disponibilizava a pegar um avião. Muitas vezes não era necessário, mas em três ocasiões essa atitude me levou a momentos decisivos, desses que constroem uma carreira; caso eu não tivesse viajado, o desfecho teria sido outro.

ARRISQUE-SE COM MAIS FACILIDADE

A maioria das pessoas superestima os riscos e subestima a recompensa. É importante arriscar porque é impossível estar certo o tempo todo — você tem de tentar muitas coisas e adaptar-se rapidamente conforme aprende.

Muitas vezes, é mais fácil arriscar no começo da carreira: você não tem muito a perder e, potencialmente, tem muito a ganhar. Assim que atingir o patamar em que cobriu as obrigações básicas, você deve tentar arriscar-se com mais facilidade. Procure por apostas pequenas nas quais você perca X se estiver errado, mas ganhe 100 X se der certo. Em seguida, aposte ainda mais nessa direção.

Mas não demore. Na aceleradora de empresas Y Combinator, muitas vezes percebemos um problema com empreendedores que passaram muito tempo trabalhando no Google ou no Facebook. Quando as pessoas se acostumam a uma vida confortável, um emprego previsível e à reputação de ser bem-sucedidas no que quer que façam, fica muito difícil deixar tudo para trás (e as pessoas têm a incrível habilidade de condicionar seu estilo de vida a seu salário do ano seguinte). Mesmo se saírem disso, é muito tentador voltar. É fácil — e parte da natureza humana — priorizar o ganho e a conveniência a curto prazo em detrimento da realização a longo prazo.

Mas, ao escapar da rotina, você consegue seguir sua intuição e usar seu tempo fazendo coisas que podem se tornar interessantes. Baratear e flexibilizar sua vida o máximo possível é uma maneira poderosa de alcançar isso, mas obviamente há um lado negativo.

TENHA FOCO

O foco é um multiplicador de força no trabalho. Quase todo mundo que conheço estaria bem servido se passasse mais tempo pensando no que deve se concentrar. É muito mais importante trabalhar na coisa certa do que trabalhar muitas horas. A maioria das pessoas desperdiça a maior parte de seu tempo em coisas que não são importantes.

Assim que descobrir o que fazer, não pare até que suas poucas prioridades sejam conquistadas rapidamente. Estou para conhecer uma pessoa de ritmo devagar que seja bem-sucedida.

TRABALHE BASTANTE

É possível alcançar o 90% em seu ramo trabalhando de maneira inteligente ou trabalhando muito, o que é um grande feito. Mas chegar a 99% requer ambos — você estará competindo com outras pessoas muito talentosas que terão ótimas ideias e estarão dispostas a trabalhar bastante.

Pessoas extremas alcançam resultados extremos. Trabalhar muito envolve ter de fazer inúmeras concessões, e é perfeitamente racional decidir não fazer isso. Mas há muitas vantagens. Como na maioria dos casos, impulso gera crescimento, e sucesso traz sucesso.

E muitas vezes é bem divertido. Uma das grandes alegrias da vida é encontrar seu propósito, sobressair-se e descobrir que seu impacto é importante para algo maior que você. Recentemente, um empreendedor da Y Combinator expressou sua total surpresa em ver quão mais feliz e realizado ele estava depois de se demitir de uma grande empresa e trabalhar para alcançar seu máximo impacto possível. Nesse aspecto, trabalhar duro para isso deveria ser celebrado.

Não vejo muito bem por que trabalhar muito tem se tornado uma coisa ruim em algumas partes dos Estados Unidos. Esse certame outras partes do mundo — a quantidade de e do — a quantidade de energia e garra exibida por empreendedores fora dos EUA está rapidamente se tornando o novo ponto de referência. Você precisa descobrir como trabalhar muito sem sentir os efeitos do esgotamento. Cada um tem suas próprias estratégias para isso, mas uma que quase sempre funciona é trabalhar no que você gosta e com quem você gosta de passar muito tempo.

Acho que pessoas que afirmam ser possível ter muito sucesso profissional sem trabalhar a maior parte do tempo (por um período da vida) estão fazendo um desserviço. Na verdade, a energia aplicada no trabalho aparenta ser um dos grandes indicadores do sucesso a longo prazo.

Mais uma reflexão sobre trabalhar muito: faça isso no começo de sua carreira. O trabalho duro funciona como os juros, e, quanto mais cedo você faz isso, mais tempo vai ter para os benefícios começarem a dar frutos. Também é mais fácil trabalhar muito quando as outras responsabilidades que se tem são poucas, o que acontece frequentemente, porém nem sempre, quando se é jovem.

SEJA OUSADO

Acredito que é mais fácil desenvolver um projeto inicial difícil do que um fácil. As pessoas querem fazer parte de algo estimulante e sentir que o trabalho delas tem valor. Se você está progredindo na resolução de um problema importante, terá uma fila constante de pessoas querendo ajudá-lo. Per- mita-se ser mais ambicioso e não tenha me- do de trabalhar com o que de fato você quer trabalhar.

Se todos os outros estão abrindo empresas de memes e você quiser abrir uma empresa de edição de genes, então faça isso e não duvide de si.

Deixe-se guiar por sua curiosidade. Aquilo que parece estimulante para você muitas vezes parece estimulante para outras pessoas também.

SEJA OBSTINADO

Aqui vai um segredo: você pode moldar o mundo a seu bel-prazer uma grande parte do tempo — a maioria das pessoas nem tenta fazer isso e apenas aceita que as coisas são do jeito que são.

As pessoas têm uma enorme capacidade de fazer as coisas acontecer. Uma mistura de ser inseguro, desistir cedo demais e não insistir o suficiente é o que impede a maior parte delas de chegar perto de seu potencial. Se você quer algo, peça. Normalmente, você não conseguirá, e muitas vezes a rejeição será dolorosa. Mas, quando isso funciona, funciona surpreendentemente bem.

Quase sempre, as pessoas que dizem “Eu vou continuar até que isso dê certo e, quaisquer que sejam os desafios, vou descobrir como superá-los” — e que de fato se dispõem a isso — alcançam o sucesso. Elas persistem o tempo necessário para dar uma chance para a maré virar a seu favor.

O Airbnb um ótimo exemplo disso. Seus fundadores fizeram muitas coisas que eu jamais recomendaria (colecionar cartões de crédito com o limite estourado e acondicioná-los em pastas tipo fichário, comer cereal barato em todas as refeições, travar batalha após batalha com entidades poderosas, entre outras), mas eles conseguiram sobreviver por tempo suficiente até a sorte alcançá-los.

Para ser obstinado, você tem de ser otimista — é, com sorte, esse é um traço de personalidade que pode ser aperfeiçoado pela prática. Nunca conheci uma pessoa bem-sucedida que fosse pessimista.

TORNE-SE UM ADVERSÁRIO DIFÍCIL

A maioria das pessoas entende que as em- presas são mais valiosas quando é difícil competir com elas. Isso é importante e obviamente é verdade.

Mas isso também serve para você como indivíduo. Se aquilo que você faz pode ser feito por outra pessoa, uma hora vai ser, e por menos dinheiro.

A melhor maneira de se tornar um adversário difícil é aumentando sua influência. Por exemplo, você pode fazer isso com relacionamentos pessoais, desenvolvendo uma marca pessoal forte ou aperfeiçoando a interseção de múltiplos ramos diferentes. Há muitas outras estratégias, mas você tem de descobrir um jeito de fazer isso.

A maioria das pessoas faz aquilo que a maioria das pessoas com quem convive faz. Esse comportamento de imitação costuma ser um erro — se você faz o mesmo que todos os outros, não é difícil competir com você.

CONSTRUA UMA REDE

Um bom trabalho requer equipes. Desenvolver uma rede de pessoas talentosas para trabalhar junto — às vezes perto, às vezes esporadicamente — é uma parte essencial de uma grande carreira. O tamanho da rede de pessoas realmente talentosas que você conhece muitas vezes se torna o limite do que consegue alcançar.

Uma maneira efetiva de construir uma rede é ajudar as pessoas o máximo que puder. Fazer isso, durante um longo período de tempo, foi o que me levou à maioria de minhas melhores oportunidades na carreira e a três de meus quatro melhores investimentos. Continuo me surpreendendo com a frequência com uma coisa boa acontece comigo por causa de algo que fiz para ajudar um empreendedor dez anos atrás.

Uma das melhores maneiras de construir uma rede de contatos é ser conhecido como alguém que realmente cuida das pessoas com quem trabalha. Seja excessivamente generoso ao compartilhar o lado bom; isso volta para você dez vezes mais forte. Além disso, aprenda a avaliar no que as pessoas são boas e coloque-as nesses papéis. (Essa é a lição mais importante que aprendi sobre gerenciamento e não tenho lido muito sobre isso.) Você deve ser conhecido como alguém que encoraja as pessoas a conquistarem mais do que pensavam que podiam, mas não tanto que elas cheguem à exaustão.

Todo mundo é melhor em algumas coisas do que em outras. Defina-se por seus pontos fortes, não pelos fracos. Reconheça suas fraquezas e descubra como contorná-las, mas não deixe que elas o impeçam de fazer o que quer. “Eu não posso fazer X porque não sou bom em Y” é algo que ouço de empreendedores com uma frequência surpreendentemente alta, e quase sempre revela falta de criatividade. A melhor maneira de compensar suas fraquezas é contratar uma equipe com habilidades complementares, em vez de contratar pessoas que são boas nas mesmas coisas que você.

Construir uma rede é importante porque ensina você a descobrir talentos secretos. Notar rapidamente inteligência, garra e criatividade se torna mais fácil com a prática. A maneira mais simples de aprender é conhecer muita gente e lembrar quem impressionou e quem não impressionou. Lembre-se de que você está procurando aprimorar esse talento e não valorize demais experiência ou conquistas atuais.

Tento sempre perguntar a mim mesmo quando conheço uma pessoa nova: “Ela é uma força da natureza?”. É uma boa heurística para encontrar quem provavelmente vai conquistar grandes coisas.

Um caso especial de desenvolvimento de rede consiste em achar alguém em uma posição de destaque que aposte em você, de preferência no começo de sua carreira. A melhor maneira de fazer isso é, claro, não medindo esforços para ser prestativo. (E saiba que você vai ter de retribuir essa aposta em algum momento!)

Por último, lembre-se de passar seu tempo com pessoas positivas que apoiem suas ambições.

ENRIQUEÇA AO SER DONO DE COISAS

O maior desentendimento econômico de minha infância foi achar que pessoas ficavam ricas com salários altos. Apesar de existirem algumas exceções — artistas, por exemplo —, quase ninguém na história da lista da Forbes alcançou tal posição por causa de seu salário.

Você se torna de fato rico ao ser dono de coisas cujo valor aumenta rapidamente.

Pode ser parte de um negócio, um imóvel, recurso natural, uma propriedade intelectual ou outras coisas similares. Mas, de um jeito ou de outro, você precisa ser dono de um patrimônio em vez de somente vender seu tempo. A escala do tempo é apenas linear.

O melhor jeito de fazer algo cujo valor aumente rapidamente é fazer coisas que as pessoas queiram em escala.

SEJA AUTOMOTIVADO

A maioria das pessoas é primeiramente motivada por fatores externos: elas fazem o que fazem porque querem impressionar os outros. Isso é ruim por vários motivos, mas aqui explico dois importantes.

Em primeiro lugar, isso fará com que você trabalhe com ideias de outras pessoas e trilhe uma carreira escolhida por outras pessoas; e se importará demais — muito mais do que pensa — se as outras pessoas acham que você está fazendo a coisa certa. Tal atitude, provavelmente, vai impedi-lo de realizar um trabalho de fato interessante e, mesmo que você o faça, alguém já vai ter feito, de qualquer forma.

Em segundo lugar, provavelmente fará com que você erre no cálculo dos riscos. Você estará muito concentrado em acompanhar as outras pessoas e em não ficar para trás em jogos competitivos, mesmo a curto prazo.

O perigo da motivação externa parece afetar especialmente as pessoas inteligentes. Estar consciente disso ajuda, mas só um pouco —você provavelmente vai ter de se esforçar bastante para não cair novamente na armadilha da imitação.

As pessoas mais bem-sucedidas que conheço são primeiramente motivadas interna- mente; elas fazem o que fazem para impressionar a si próprias e porque se sentem obrigadas a criar algo no mundo. Depois de conseguir dinheiro suficiente para comprar o que quiser e ganhar tanto status social que deixa de ser divertido ter ainda mais, esse é o único impulso que conheço que continuará a levá-lo a níveis de desempenho mais altos.

É por isso que a pergunta sobrea motivação de uma pessoa é tão importante. É a primeira coisa que tento entender quando conheço alguém. É difícil definir regras para as motivações certas, mas você sabe quando depara com elas. Jessica Livingston e Paul Graham são minhas referências. A Y Combinator foi alvo de muitas piadas nos primeiros anos, e, quando eles começaram, quase ninguém acreditava que seriam bem-sucedidos. Mas eles achavam que, se desse certo, seria ótimo para o mundo; eles amam ajudar as pessoas e estavam convencidos de que o novo modelo era melhor do que o modelo existente. Uma hora, sua definição de sucesso será um trabalho excelente executado em áreas que lhe são importantes. Quanto mais cedo se encaminhar para essa direção, mais longe chegará. É difícil ser extremamente bem-sucedido em algo se você não é obcecado por isso.        

Guia excêntrico de autoajuda. 2

SAM ALTMAN – é blogueiro americano e empreendedor. Este texto foi originalmente publicado em seu blog

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 20: 1-4Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 1 – Aqui temos:

1. O pecado da embriaguez: “O vinho é escarnecedor, e a bebida forte, alvoroçadora”. Assim é para o próprio pecador; o vinho zomba dele, faz dele um tolo, e lhe promete uma satisfação que jamais lhe poderá dar. Ele lhe sorri, a princípio, mas no final, o morde. Ele se enfurece na sua consciência, no seu corpo, faz ferver o temperamento. Quando o vinho entra, a sensatez sai, e então o homem, de acordo com o seu temperamento natural. ou zomba como um tolo, ou se enfurece, como um louco. A ingestão de bebidas alcoólicas, que se faz como urna prática sociável, torna os homens inadequados para a sociedade, pois faz com que sejam cruéis com suas línguas e afrontosos em suas paixões, (Provérbios 23.29).

2. Com base nisto, é fácil deduzir a tolice daqueles que se embriagam. Todo aquele que neles errar, que se permitir ser arrastado para este pecado, quando foi tão claramente advertido das suas consequências, nunca será sábio; ele mostra que não tem bom senso nem considera as coisas; e não somente isto, mas se torna incapaz de obter sabedoria; pois este é um pecado que encanta cegamente e confunde os homens, e captura seu coração. Aquele que se embriaga é um tolo, e tolo provavelmente será.

 

V. 2 – Veja aqui:

1. Como são formidáveis os reis, e o ter­ ror que eles provocam naqueles com os quais se iram. O terror dos reis, com que (especialmente quando são absolutos , e a sua vontade é uma lei) conservam seus súditos reverentes, é como o bramido de um leão, que é aterrorizante para as criaturas elas quais ele se alimenta, e as faz tremer tanto que não conseguem escapar dele. Os príncipes que governam com sabedoria e amor governam como o próprio Deus, e trazem a sua imagem, mas os que governam meramente pelo terror, e com violência, governam apenas como um leão na floresta, com poder brutal.

2. Como são insensatos, portanto, os que entram em conflitos com os reis, que se iram com eles, desta maneira provocando a sua fúria. Estes pecam contra suas próprias vidas. Muito mais o fazem os que provocam a ira do Rei cios reis.

 

V. 3 – Isto pretende retificar os enganos dos homens, a respeito de contendas.

1. Os homens pensam que é sensato se envolver em questões e contendas, quando é a maior tolice que pode haver. Julga-se como um homem sensato aquele que é rápido para se ressentir de afrontas, que insiste em todas as minúcias de honra e direito, e que não declina de uma vírgula sequer, que ordena, e impõe, e faz a lei para todos; mas aquele que faz isto é um tolo, e cria uma grande quantidade de perturbação desnecessária para si mesmo.

2. Os homens pensam, quando se envolvem em contendas, que seria uma vergonha voltar atrás e abaixar as armas, quando, na realidade, para um homem é uma honra deixar de lutar, uma honra abandonar uma controvérsia, perdoar uma ofensa, e ter amizade com aqueles com quem brigou. É honra para um homem, um homem sábio, um homem de coragem, mostrar o controle que tem sobre si mesmo, deixando de lutai; cedendo, curvando-se, e abandonando suas justas exigências, pelo bem da paz, como Abraão, o melhor homem (Genesis 13.8).

 

V. 4 – Veja aqui o mal da preguiça e do amor pela ociosidade.

1. 1.A preguiça afasta os homens das atividades mais necessárias, como arar e semear, na época adequada: o preguiçoso tem um terreno para ocupar, e tem a habilidade de fazê-lo, ele pode arar. mas não quer fazê-lo; uma desculpa ou outra ele poderá apresentai; para se livrar do trabalho, mas a ver­ dadeira razão é o fato de que é inverno. Ainda que o tempo de arar não seja no auge do inverno, é próximo ao inverno, quando o preguiçoso julga que o clima está frio demais para que ele saia de casa. São escandalosamente preguiçosos aqueles que, nos seus negócios, não conseguem encontrar ânimo para se dedicar a uma tarefa tão pequena como a de arar; sob o pretexto de uma dificuldade tão pequena como a de um vento frio. Da mesma maneira, muitos são descuida­ dos nos assuntos de suas almas; uma dificuldade insignificante os amedrontará e afastá-la do dever mais importante; mas os bons soldados devem suportar dificuldades.

2. Desta maneira, a preguiça os priva do que é mais necessário: os que não desejam arar no tempo da semeadura não podem esperar ter o que colher na sega; e por isto deverão mendigar o seu pão com estupor, enquanto os diligentes levam seus molhos para casa com alegria. Aquele que não deseja se submeter ao trabalho de arar deverá se submeter à vergonha de mendigar: Eles mendigarão na sega, e nada terão, nada receberão, nem quando houver uma grande abundância. Embora possa ser caridade promover o alívio dos preguiçosos, ainda assim um homem pode, com razão, não aliviá-los; eles merecem ser deixados à mendicância e à fome. As virgens que não providenciaram azeite para suas lâmpadas no momento certo, imploraram, quando o esposo chegou, mas seus pedidos foram negados.