PSICOLOGIA ANALÍTICA

FICAR SÓ INCOMODA MAIS DO QUE LEVAR CHOQUE ELÉTRICO

Muitos preferem qualquer coisa a permanecer sentados em silêncio sem fazer nada.

Ficar só incomoda mais do que levar choque elétrico

“Todos os problemas da humanidade decorrem da incapacidade do homem de sentar-se calmamente em uma sala sozinho”, disse o filósofo e matemático francês Blaise Pascal em meados do século 17. Faz sentido, segundo uma série de experimentos divulgada na revista Science. No primeiro, pesquisadores pediram aos participantes que simplesmente ficassem alguns minutos em um quarto sem nada para fazer e depois relatassem como se sentiram. Dos 409 voluntários, quase metade afirmou que a experiência foi desconfortante. Quando os cientistas solicitaram que tentassem fazer o mesmo em casa por 6 a 15 minutos, um terço admitiu ter trapaceado.

Em outro teste, 55 participantes foram conduzidos, um a um, a um quarto vazio e tranquilo, sem nada para fazer ­ a não ser apertar um botão (descrito anteriormente como “desagradável”) que disparava um leve choque elétrico no tornozelo. Durante apenas 15 minutos de solidão, 67% dos homens e 25% das mulheres escolheram a sensação incômoda em vez de simplesmente sentar-se calmamente. O psicólogo Timothy Wilson, da Universidade da Virgínia, principal autor do estudo, acredita que, com o amplo acesso a smartphones, tablets e TV, muitos de nós não sabemos o que fazer quando temos tempo de sobra para refletir, sem distração – mas ainda assim os resultados do experimento com o choque são impressionantes. Wilson sugere deixar os momentos ociosos, mesmo nos engarrafamentos e nas salas de espera, mais interessantes e relaxantes – para isso, basta aprender a permanecer sozinho com os pensamentos.

“Acredito que esse exercício pode ajudar ao menos a encontrar um assunto sobre o qual se gosta de meditar detalhadamente e voltar a ele sempre que quiser, sem precisar começar do zero a cada vez”, conclui.

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OUTROS OLHARES

GENES DA MONOGAMIA

Estudo aponta variações do DNA que indicam a tendência de uma espécie a permanecer para sempre com um único parceiro. Aviso: a lógica, claro, não vale para humanos.

Genes da monogamia

Quem quer manter uma relação matrimonial fiel pode se mirar nos flamingos. A ave, de belíssima plumagem, é famosa por ter usualmente um único parceiro sexual ao longo da vida. O símbolo dessa união é a forma como o macho e a fêmea entrelaçam os pescoços. A notoriedade do casamento dos flamingos se justifica. A monogamia é rara no reino animal – e, convenhamos, entre os humanos também.

O que levaria certas espécies a ser inabalavelmente fiéis do ponto de vista conjugal? Um estudo publicado no início deste mês pode ter encontrado a resposta da ciência para essa questão intrigante. Biólogos da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, analisaram o DNA de dez espécies divididas em pares cujos membros pertenciam à mesma linha evolutiva, a fim de permitir comparações. Cinco eram animais monogâmicos e cinco poligâmicos. Do grupo constavam quatro mamíferos, dois anfíbios, dois peixes e duas aves – nenhum flamingo, devido à inexistência de primos, digamos assim, promíscuos, que possibilitassem o contraponto com os fiéis. Com tal amostragem, foi possível identificar, por meio de características genéticas, o que faz, por exemplo, a ratazana-da-pradaria ser monogâmica, enquanto o rato- do – mato, seu parente próximo, se comporta de maneira poligâmica. No trabalho, os pesquisadores levantaram 24 variações genéticas que indicam a tendência de alguns animais a se dedicar a um único parceiro sexual.

A configuração do chamado “kit monogâmico” é ligada a genes que também colaboram para melhores habilidades cognitivas, como aquelas ligadas à memória. Acredita-se que isso ocorra como um modo de capacitar o animal para conseguir reconhecer seu parceiro eterno, sua prole e o ninho compartilhado pela família. A preferência pela monogamia traria vantagens ante a seleção natural. Apesar de a característica resultar em menor número de descendentes, a união indestrutível entre parceiros levaria à criação de uma cumplicidade maior diante de outros desafios, como o enfrentamento de predadores. Além disso, o cuidado com os filhotes seria maior, o que garantiria a sobrevivência deles até avida adulta.

“No futuro, a intenção é usar manipulação genética para alterar a tendência monogâmica para poligâmica”, disse a bióloga Rebecca Young Brim na divulgação do estudo. Porque diabos os cientistas querem tornar os animais libertinos?! É simples: algumas espécies já se extinguiram em consequência da monogamia. Com o aumento da presença humana em seus hábitats, cresceu igualmente a caça. Quando um desses animais monogâmicos é morto, seu parceiro não procura outra companhia sexual – e a espécie vai desaparecendo. Foi o que ocorreu na década de 70 com o macaco-colobo-vermelho-de-miss­ waldron, primata do Arquipélago de Zanzibar, onde era endêmico. Atualmente, animais como a pomba rola­ brava, nativa da Península Ibérica e usada na pesquisa americana, correm o mesmo risco – e poderiam ser beneficiados pela alteração do DNA.

É preciso, contudo, sublinhar que em humanos a situação é distinta. Nada indica que determinações genéticas levem à monogamia ou à poligamia. “Não há prova de que a definição social desse comportamento tenha algum tipo de influência do DNA”, declarou Rebecca. Em uma palestra num evento TED, o psicólogo americano Christopher Ryan, autor de Sexat Dawn (Sexo ao Alvorecer), resumiu a questão: “Somos naturalmente poligâmicos, como chimpanzés e bonobos. A monogamia surge somente no processo civilizatório. A mulher comprometeu-se a ficar com um único homem em troca de proteção, abrigo e comida, enquanto o homem, por sua vez, teria assim a certeza de que seus filhos realmente seriam dele”. Não por acaso, a “infidelidade” não é alheia ao contexto social. Ao mesmo tempo, frisa Ryan, somos uma das poucas espécies – ao lado de alguns primatas e outros casos raríssimos – que não se importam com determinações naturais no momento das relações sexuais. Promovemos, por exemplo, o sexo recreativo. Enquanto entre mamíferos o comum é que nasça um descendente a cada doze relações, entre humanos isso só ocorre a cada 1.000 encontros sexuais. Que, aliás, não muito raramente acontecem com mais de um parceiro. Os flamingos são mesmo diferentes.

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GESTÃO E CARREIRA

VENCENDO A BUROCRACIA

Abrir empresa, escolher o melhor regime tributário, emitir notas, fazer contratos eficientes. Neste post ensinaremos quem trabalha por conta própria a lidar com esses e outros perrengues.

Vencendo a burocracia

Quando a empreendedora paulistana Fernanda Saad, de 36 anos, decidiu iniciar um negócio de aconselhamento online para imigrantes brasileiros na Austrália, país onde morou por 11 anos, o processo foi extremamente rápido. Ela entrou na internet e, no mesmo minuto, conseguiu o Australian Business Number, a versão local do nosso CNPJ. O sistema de emissão de notas e declaração de imposto de renda era tão descomplicado que ela jamais precisou recorrer a um contador. “Era só fazer uma lista do que gastou e ganhou naquele ano”, diz.

De volta ao Brasil no ano passado, para ficar mais próxima à família, Fernanda se surpreendeu com as dificuldades da terra natal na hora de abrir sua empresa. “Me senti forçada a contratar alguém para ajudar. A burocracia é enorme. “De fato, o Brasil não é dos lugares mais amigáveis com quem está iniciando uma jornada profissional independente. Segundo o relatório Doing Business 2019, do Banco Mundial, o país ocupa a posição 109° no ranking que compara o ambiente de negócios em 190 nações. Fica atrás de vizinhos como Colômbia (65º) e Chile (562º lugar).

O país é o local do planeta em que cidadãos e empresários gastam mais tempo para calcular e pagar impostos. Uma empresa de médio porte, por exemplo, leva em média 1.958 horas por ano. Para ter uma noção, esse período é de 312 horas na Argentina e de 241 horas no México. A Austrália, onde Fernanda começou a empreender, fica em 189º lugar na lista: o cálculo de impostos consome apenas 105 horas por ano.

MENOS EMPREGO FORMAL

Em paralelo às dificuldades corre o fato de que trabalhar por conta própria tem se tornado uma realidade cada vez mais comum no Brasil.

Seja por opção, seja pela precarização da economia, a verdade é que o volume de trabalhadores sem carteira assinada vem aumentando por aqui. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem hoje no país 23,8 milhões de pessoas nessas condições. Só entre setembro e novembro de 2018, 771.000 profissionais deixaram empregos formais, um aumento de 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Embora a vida de autônomos e empreendedores tenha lá suas vantagens, como liberdade, flexibilidade e autonomia, existem inúmeros desafios em ser o próprio chefe. O primeiro deles é decidir por onde começar.

Pensando nisso, criamos o Guia do Empreendedor: uma série especial para ajudar aqueles que estão dando os passos iniciais nessa caminhada. Além desta reportagem, que traz seis dicas para vencer a intrincada burocracia brasileira, haverá outras duas. Em março, ensinaremos a lidar com o dinheiro e a fazer uma administração financeira eficiente e, em abril, mostraremos quais são as alternativas para quem cresceu e agora precisa contratar sob demanda.

1 – FORMALIZE O NEGÓCIO

De acordo com o Sebrae, para que os clientes contratem os serviços com segurança e a atividade prospere, o ideal é ter um CNPJ. “Uma boa maneira de iniciar a jornada empreendedora é aderir ao Simples Nacional, que permite o recolhimento de impostos por meio do documento de arrecadação simplificada”, afirma Hugo Roth Cardoso, especialista em capitalização e serviços financeiros da instituição. Veja as opções:

MEI (MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL)

O indicado para quem fatura até 81.000 reais por ano é tornar-se microempreendedor individual. A abertura pode ser feita no mesmo dia pela internet, no site portaldoempreendedor.gov.br. Para isso, é preciso informar o número do CPF, a data de nascimento, o número do título de eleitor e o número do último recibo de entrega da Declaração Anual de Imposto de Renda da Pessoa Física. Como nem todas as ocupações se enquadram na modalidade, aconselha-se a verificar a relação de atividades no mesmo portal. Uma das principais vantagens da modalidade é a carga tributária, fixa em 5% do salário mínimo vigente. Quem vira MEI paga 49,90 reais por mês, mais 5 reais de imposto sobre serviços (ISS) se a atividade for de serviço, como um adestrador de animais ou um agente de viagens, ou 1 real de ICMS se a atividade estiver relacionada a comércio ou indústria, como um fabricante de calçados independente. Todos os tributos são recolhidos numa única guia, chamada Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS). Funcionários públicos e pessoas que já possuem empresa em seu nome não podem se tornar MEI. Funcionários com carteira assinada, por sua vez, estão liberados.

ME (MICROEMPRESA)

Quem fatura acima de 81.000 reais ou não está enquadrado nas ocupações permitidas na MEI pode abrir uma microempresa. Nela, não há restrição nos tipos de atividade, mas o faturamento é limitado a 360.000 reais por ano. Diferentemente da MEI, cuja alíquota é fixa, essa categoria exige a contratação de um contador. O processo de abertura leva de 15 dias a um mês e custa entre 500 e 1.000 reais. A emissão de notas fiscais é obrigatória, e os impostos são cobrados numa só guia, também chamada DAS, que vence no dia 20 do mês seguinte à emissão. Fábio Silva, coordenador do MBA de gestão tributária da Fipecafi, explica que a tributação é variável de acordo com a atividade e o faturamento. Empresas de setores como jurídico e construção civil pagam entre 4,5% e 9%, por exemplo; academias e consultorias ligadas à tecnologia, entre 6% e 11,2%; e empreendimentos de medicina veterinária, auditoria e publicidade, entre 15,5% e 18%.

CARNÊ-LEÃO

Presta serviço apenas para pessoas físicas e não deseja ter CNPJ? Uma alternativa é declarar como pessoa física usando o “carnê leão”, que deve ser preenchido mensalmente de forma eletrônica por meio do programa Carnê-Leão, baixado no site da Receita Federal. As taxas são as mesmas da tabela do imposto de renda (de 7,5% a 27,5%) e, muitas vezes, acabam sendo mais salgadas do que as opções com CNPJ. “Também é preciso prestar atenção em todo dinheiro que cai na conta para não se esquecer de declarar rendimentos”, diz Thaiana Trevisan, diretora de marketing do Contabilizei, escritório de contabilidade online. Cair na malha fina significa pagar multas que chegam a 150% do valor sonegado.

2 – ORGANIZE A EMISSÃO DE NOTAS

Se você precisa emitir notas (e qualquer um que trabalhe como pessoa jurídica precisa), o mais importante é ter disciplina. Para começar, deve-se lançar o documento antes do pagamento. Logo depois de o serviço ser realizado. Cada prefeitura tem um procedimento (em São Paulo isso é feito pela internet). É importante dizer que, embora seja uma prática corriqueira, usar o CNPJ de um terceiro para  emitir nota é arriscado. “Isso é ilegal e, se for caracterizado crime de falsidade ideológica, a pessoa pode ser processada e até mesmo presa”, diz o advogado Fábio Silva. Para quem presta serviços como freelancer apenas ocasionalmente, há uma alternativa mais segura: emitir o Recibo de Pagamento Autônomo (RPA), documento que pode ser feito pelo computador ou adquirido em papelarias e entregue ao contratante do serviço. A desvantagem desse tipo de nota é a tributação alta, que em alguns municípios chega a 20%. Em muitos casos, por exemplo, sairia mais barato virar MEI. Isso porque o custo anual nessa modalidade é de 598,80 reais. Um profissional que preste serviços no valor de 1.500 reais, três vezes ao ano, por exemplo, recebe 4.500 reais. Isso significa que, com o RPA, pagará cerca de 900 reais de tributos por ano;

3 – FAÇA PREVISÃO DOS IMPOSTOS

Antes de aceitar o trabalho, coloque os impostos na equação. Outro cuidado é receber os pagamentos na conta bancária da empresa e nunca na pessoal. Isso é importante, pois os ganhos na conta pessoa física serão tributados pela Receita Federal. Ou seja, o empreendedor corre o risco de ser taxado duas vezes – primeiro como empresa, quando emite a nota, e depois como pessoa física, se o dinheiro for parar nessa conta. Também é essencial se assegurar de que o contador tenha feito a contabilidade completa no final do ano, com demonstração de resultados para apurar o lucro líquido. Esse valor deve ser declarado no imposto de renda como pessoa física, numa ficha chamada “rendimentos isentos e não tributáveis”. Dessa forma, evita-se que a Receita Federal cobre ganhos novamente. Os que se enquadram na categoria MEI são obrigados a declarar somente se a receita for superior a 28.559,70 reais anuais. O Lucro entra na ficha de “rendimento tributável recebido de PJ” da declaração da pessoa física.

4 – AVALIE O MELHOR REGIME TRIBUTÁRIO PARA VOCÊ

Embora o Simples seja o regime tributário mais comum no Brasil, escolhido por 70% dos empreendedores e autônomos, é possível decidir por outros. Uma opção é o Lucro Presumido, no qual a tributação é feita com base no lucro estimado. Para prestadores de serviço, o cálculo considera que o ganho equivale a 32% da receita, enquanto para o comércio e a indústria é de 8%. Com base nesse valor presumido, o empresário paga 15% de imposto de renda e 9% de contribuição social sobre o Lucro. Mesmo sem aparentar, isso pode ser vantajoso, dependendo da atividade e do faturamento, a carga tributária do Simples sai mais cara. Outro regime é o de Lucro Real. Nele, calculam-se os impostos de acordo com o rendimento efetivamente apurado pela empresa. Em ambos os casos, as tabelas de taxas variáveis são enormes. E só um expert consegue decifrá-las – contadores cobram entre 30% e 50% mais para operar nesses sistemas. O SEBRAE oferece um simulador para dimensionar qual regime tributário é mais competitivo, (bit.ly/28SWYrv).

5 – ESCOLHA UM SERVIÇO DE CONTABILIDADE CONFIÁVEL

Escritórios tradicionais de contabilidade cobram em média meio salário mínimo para prestar o serviço. A boa notícia é que já existem opções mais baratas oferecidas por empresas de contabilidade online, como Agilize (agilize.com.br), Contabilizei (contabilizei.com.br), Contabilivre (contabilivre.com.br), Conube (conube.com.br) e Meu Contador Online (meucontadoronline.com.br). O preço é de 100 reais mensais, em média. Val e dizer que a modalidade na internet é uma boa alternativa para negócios menores, sem funcionários e sem necessidade de gestão de estoques e fluxo de caixa. “Quando a empresa começa a crescer e precisa cuidar de planejamento tributário, é recomendado contratar um contador”, afirma Hugo, do Sebrae. Foi isso que fez Fernanda Saad. Quando voltou ao Brasil para ficar mais perto da família, adaptou o empreendimento que tinha na Austrália direcionado a imigrantes e passou a oferecer um programa de coach mais abrangente, com duração de oito semanas. “Ao pesquisar, descobri que não poderia abrir a empresa pela internet, como fiz na Austrália”, lembra. Depois de quebrar a cabeça com o labirinto tributário, resolveu buscar um contador. “Contratei o serviço sem deixar claro do que precisava. Meu primeiro contador não tinha paciência e fazia tudo sem dar explicações.” Obstinada a encontrar alguém que a ensinasse o caminho das pedras, pediu indicação a amigos empreendedores. Conseguiu. “O atual contador cobra 520 reais por mês, o dobro do anterior. Mas tira minhas dúvidas, me ajuda a fazer fluxo de caixa e virou um guia”, afirma. Com o tempo, Fernanda aprendeu a emitir notas fiscais eletrônicas, a separar as finanças pessoais daquelas da empresa, a pagar o pró-labore para si mesma e a recolher INSS. Hoje, ela tem 266 clientes em sua plataforma online. Para administrar o negócio, vem estudando gestão em cursos gratuitos na internet. “Para abrir uma empresa no Brasil, não basta ter uma boa ideia. Fazer a gestão financeira e contábil é o grande desafio.”

 6 – BUSQUE SEGURANÇA JURÍDICA

Não são raras as histórias de autônomos que levaram calote. Embora registros de e-mail e até mesmo mensagens de WhatsApp possam servir como provas na Justiça, fazer um contrato é sempre a forma mais eficiente de ganhar uma disputa judicial, caso seja necessária. O empreendedor Alan Soares, de 37 anos, aprendeu isso do pior jeito possível. À frente há oito anos da empresa de educação financeira Trader Brasil, que atua no Rio de Janeiro e em São Paulo, ele e os dois sócios tiveram de contratar em 2015 um advogado a 1.000 reais por mês para prestar consultoria jurídica, elaborar contratos e acompanhá-los nas audiências. Hoje, quando o aluno (são cerca de 400 por ano) compra um curso, já recebe um documento detalhando que tem 24 horas para pedir o cancelamento da compra, desde que não tenha assistido a mais de 20% das aulas. Com essas mudanças, as ações judiciais caíram. Até 2016, eram cerca de 40 pedidos de devolução por ano, dos quais 20 iam parar na Justiça. “Agora, cerca de dez casos vão para a esfera judicial”, diz Al an. Márcio Lavelberg, sócio da consultoria de gestão Blue Numbers, especializada em pequenas e médias empresas, afirma que todo profissional independente deve reservar um dinheiro para questões jurídicas. Para quem não tem grana para contratar um advogado permanente, uma boa pedida também são os escritórios jurídicos online, como o Contraktor (contractor.com.br), o Juridoc (juridoc.com.br), o Netlex (netlex.com.br) e o Contrato Rápido (cont ratorapido.com.br). Mas aí vai um aviso: bom senso é importante para não assustar novos clientes. “Não é recomendável chegar com contrato para uma atividade que vai durar algumas horas e custar 400 reais. Isso pode dar um gelo na relação”, diz Hugo, do Sebrae.

AMBIENTE FAVORÁVEL

Veja os 20 países com maior facilidade para fazer negócios do mundo

Vencendo a burocracia. 2

DEVAGAR, DEVAGARINHO

Compare o tempo para abrir uma empresa entre o Brasil e seus vizinhos (em dias)

Vencendo a burocracia. 3

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 18: 19 – 24

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 19 – Observe:

1. Deve-se tomar grande cuidado para evitar contendas entre parentes, e os que têm algum compromisso especial, uns com os outros, não somente porque estas contendas são pouco naturais e totalmente inconvenientes, mas porque entre estas pessoas as coisas são normalmente ditas e recebidas com muita crueldade, e os ressentimentos vão longe demais. A sabedoria e a graça, na verdade, devem fazer com que nos seja fácil perdoar nossos parentes e amigos, se nos ofendem, porém a corrupção faz com que nos seja muito difícil perdoá-los; devemos, portanto, tomar cuidado para não afrontar um irmão, ou alguém que nos seja como um irmão – a ingratidão é uma grande provocação.

2. Devem ser feitos grandes esforços para decidir as questões que geram divergências entre os parentes. o mais rapidamente possível, porque é algo de extrema dificuldade, e, consequentemente, é muito honroso que seja feito. Esaú foi um irmão ofendido, e pareci a mais difícil de conquistar do que uma cidade forte, mas, por uma obra de Deus em seu coração, em resposta à oração de Jacó, ele foi conquistado.

 

V. 20 – Observe:

1. A nossa consolação depende do testemunho das nossas próprias consciências, a nosso favor ou contra nós. Aqui, o ventre significa a consciência, como em Provérbios 20.27. É muito importante para nós que ela fique satisfeita, e que esteja cheia do que será a nossa satisfação e a nossa paz interior.

2. O testemunho elas nossas consciências será a nosso favor; ou contra nós, conforme tenhamos tido um bom ou mau controle de nossas línguas. Conforme o fruto da boca, bom ou mau, de iniquidade ou de justiça, assim é o caráter do homem, e, consequentemente, o testemunho da sua consciência a seu respeito. “Devemos tomar um cuidado tão grande com as palavras que proferimos como com os frutos de nossas árvores ou a produção da terra, que iremos comer; pois, conforme sejam saudáveis ou não, também será o prazer ou a dor com que seremos cheios”.

 

V. 21 – Observe:

1. Um homem pode fazer uma grande quantidade ele bem ou uma grande quantidade de mal, tanto para os outros como a si mesmo, conforme o uso que faz da sua língua. Muitos provocaram a sua própria morte, por uma língua traiçoeira, ou a morte de outros por uma língua mentirosa; e, por outro lado, muitos sal­ varam a sua própria viria, ou buscaram a sua consolação, por uma língua gentil e prudente, e salvaram as vidas de outros, por um oportuno testemunho ou intercessão a favor deles. E, se pelas nossas palavras nós devemos ser justificados ou condenados a vida e a morte, sem dúvida, estão no poder da língua. A língua foi o melhor alimento de Êsopo, e o pior.

2. As palavras dos homens serão julgadas pelos sentimentos com que falam; aquele que não somente fala de maneira correta (o que um homem ímpio pode fazer, para salvar sua reputação ou agradar a seus amigos), mas ama falar bem, fazendo-o voluntariamente, e com prazer, para o tal a língua será a vida; e aquele que não somente fala de maneira equivocada (o que um homem bom pode fazer, inadvertidamente), mas ama falar assim (Salmos 52.4), para este a língua será a morte. Conforme os homens a amem, comerão os seus frutos correspondentes.

 

V. 22 – Observe:

1. Uma boa esposa é uma grande bênção para um homem. O que acha uma mulher (isto é, uma esposa, verdadeiramente; uma má esposa não merece ser chamada por este nome de tanta honra ), que encontra uma adjutora adequada para ele (isto é uma esposa, na acepção original da palavra), que busca uma esposa com cuidado e oração, e encontra o que busca, acha uma coisa boa, uma joia muito valiosa, uma joia rara; ele achou aquela que não somente contribuirá, mais do que qualquer coisa, para o seu conforto nesta vida, mas o auxiliará no caminho para o céu.

2. Deus deve ser reconhecido nisto, com gratidão; é um sinal da sua benevolência, e um feliz prenúncio de nossos benefícios; é um sinal de que Deus se alegra com um homem para lhe fazer bem, e tem misericórdia armazenada para ele; por isto, portanto, Deus deve ser buscado.

 

V. 23 – Observe:

1. A pobreza, embora acompanhada por muitas inconveniências para o corpo, frequentemente tem um bom efeito sobre o espirito, pois torna os homens humildes e submissos, e elimina a sua soberba. Ela os ensina a usar rogos. Quando a necessidade força os homens a implorar, ela lhes diz que não devem ordenar nem exigir, mas aceitar o que lhes é dado e ser gratos. Diante do trono da graça de Deus, somos todos pobres, e devemos usar de súplicas e rogos, não responder, mas suplicar, rogar, devemos agir como um mendigo.

2. Uma condição próspera, ainda que tenha muitas vantagens, frequentemente é acompanhada daquela iniquidade que torna os homens soberbos, arrogantes e altivos: “O pobre fala com rogos, mas o rico responde com durezas”, como Nabal respondeu aos mensageiros de Davi com insultos. É um capricho muito tolo, de alguns homens ricos, especialmente aqueles que começaram com pouco, que pensem que suas riquezas lhes permitirão usar de palavras duras, e, mesmo quando não tencionam nenhuma atitude áspera, que lhes convém responder de maneira dura, quando os cavalheiros devem ser gentis (Tiago 3.17).

 

V24 – Aqui, Salomão nos recomenda a amizade, e mostra:

1. O que devemos fazer para que possamos obter e cultivar amizades: devemos nos mostrar amistosos. Para ter amigos e mantê-los, devemos não somente não afrontá-los nem discutir com eles, mas devemos amá-los, e mostrar­ lhes que os amamos, por todas as expressões de carinho, sendo espontâneos com eles, agradáveis a eles, visitando­ os e recebendo-os, e, especialmente, fazendo todas as boas coisas que pudermos e servindo-os em tudo o que estiver em nosso poder; isto é nos mostrar amistosos.

2. Que vale a pena fazer isto, pois podemos prometer a nós mesmos uma grande quantidade de consolação através de um amigo fiel. Um irmão realmente nasce na angústia, como Salomão tinha dito (Provérbios 17.17). Nas nossas dificuldades, esperamos consolação e alívio dos nossos parentes, mas às vezes há um amigo, que não tem nenhum parentesco conosco, cujos laços de estima e amor provam ser mais fortes do que os da natureza, e, quando chegar à provação, fará mais por nós do que um irmão. Cristo é um amigo de todos os crentes, que é mais intimo do que um irmão; a Ele, portanto, devem todos se mostrar amistosos.