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DEPENDÊNCIA TECNOLÓGICA

Expansão indiscriminada da Internet, em graus mais contundentes, pode provocar uma espécie de vício aos usuários, desde em jogos eletrônicos em rede até em sexo virtual.



A expansão em larga escala da Internet, no Brasil, é uma faceta relativamente recente. Apenas em 1995 esse modelo tecnológico tornou-se uma realidade nos domicílios brasileiros (ainda que circunscrito, inicialmente, em lares de famílias com maior poder aquisitivo), tendo em vista que, anteriormente, o seu acesso era restrito a centros acadêmicos.

Indiscutivelmente, o usufruto da Internet, dos jogos eletrônicos e do celular, traduzidos pela popularização da cibernética, modificou substancialmente o processo de comunicação, diversão e trabalho. Tornou-se comum, exemplificando de forma breve, a utilização desses recursos de forma simultânea, ou seja, independentemente da necessidade de se ter um periférico eletrônico específico. É possível, enquanto se navega na Internet, jogar com os amigos e conversar com outras pessoas por programas de chat (Skype, que é equivalente ao uso do celular, um recurso de comunicação, porém, sendo possível ver a outra pessoa, caso ela tenha uma webcam). Esta é apenas uma das facilidades que os recursos cibernéticos propiciaram à população, que acabaram por revolucionar a maneira de experienciar o mundo.

As modificações descritas anteriormente não ficaram circunscritas apenas às residências, elas foram disseminadas a outros ambientes, sendo inseridas também no âmbito organizacional. Carlotto (2011) comenta que é visível que as organizações têm incorporado os modelos de interações virtuais, o que pode ser traduzido por novos processos de comunicação intermediados por vídeo ­ conferência, telefone ou e-mail. Desta forma, é possível questionar: a tecnologia interfere na vida dos sujeitos? Apesar da possível obviedade da resposta, Carlotto opta por afirmar que o mais relevante, antes de buscarmos este posicionamento, é apontá-la como sendo neutra. O que se deve levar em consideração é o modo como o sujeito interpreta (aspecto cognitivo) e usa (aspecto comportamental) esta tecnologia.

Estes dois fatores, em sintonia, podem levar o indivíduo ao estado patológico ou saudável, neste íntimo relacionamento com os jogos eletrônicos, a Internet e o celular.

USOS PROBLEMÁTICOS

O uso problemático da Internet, que pode, em nível mais grave, desenvolver-se para uma dependência tecnológica, possui disseminações relevantes, desde o uso de jogos eletrônicos em rede até a dependência de sexo virtual e a pornografia.

Apesar de a pornografia ser antiga na história da civilização, apenas nas duas últimas décadas estudos foram desenvolvidos sobre o acontecimento restrito ao ciberespaço. Desta forma, contemporaneamente, considera-se, pela literatura científica, a existência de um novo tipo de interação sexual, agora, em caráter virtual.

Este novo comportamento on­line obteve amplo êxito na avaliação dos seus usuários, devido às inúmeras vantagens do seu usufruto: não há a necessidade da presença física do parceiro ou da parceira para haver interação sexual; o anonimato (o que pode se tornar uma fonte de problemas judiciais, tendo em vista a possibilidade de fuga de crimes cibernéticos, como a pedofilia); a busca imediata pelo prazer, sem a necessidade do deslocamento do internauta para um local de estrutura física real (motel, apartamento, boate etc); a existência de um mercado ilimitado para essa prática; prevenção do medo da rejeição (podendo ser considerado, em alguns casos, uma estratégia compensatória do usuário, como os pacientes com transtorno de ansiedade social); e, por fim, um espaço seguro para a experimentação entre a fantasia e o mundo off-line (termo em inglês que equivale a “estar desconectado da Internet”).

Ressalta-se que há diferenças entre a dependência de sexo virtual (tendo como seus principais sintomas a obsessão e a compulsão pelo uso da pornografia na Internet, agressividade e isolamento social) em detrimento de um viés caracterizado pelo uso recreativo de tal artefato tecnológico, que não é considerado patológico (nesse sentido o usuário tem total controle do seu comportamento e cognições, assim como não há o envolvimento com atividades ilegais na rede).

Delmonico e Griffin (2011) sugerem que este último grupo (usuários com uso saudável), que não revela problemas em seu comportamento on-line, perfaz 80% dos internautas que utilizam recursos pornográficos na Internet, sendo um número visivelmente superior aos 20% dos sujeitos que possam estar inclusos no grupo de uso desadaptativo desse recurso virtual. Um estudo conduzido por Grov et ai. (2011) revela vantagens comportamentais dos internautas de uso saudável, sendo uma delas a melhoria na comunicação sexual em seus relacionamentos.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.