A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

OS BENEFÍCIOS DO TEMPO

Neurociência comprova que células neuronais mais idosas não têm necessariamente pior desempenho. Muitas tarefas são realizadas com maior eficiência pelos mais velhos.

Os benefícios do tempo

Eles são muito lentos, esquecidos, inacessíveis. Quando submetidos a pressão, cometem mais erros, desconhecem o trabalho em equipe e ignoram as novas técnicas. Essa é a opinião corrente sobre os profissionais mais velhos. Com frequência, os superiores decidem em favor de candidatos na faixa dos 25 anos. Pesquisas recentes, entretanto, mostram que, com o avanço da idade, algumas capacidades cognitivas são fortalecidas. Muitas vezes, isso ocorre como resultado de um mecanismo que procura compensar a menor velocidade de trabalho de outras funções. Nos últimos anos, estudos realizados com técnicas de imageamento revelaram que, com o transcorrer do tempo, as redes neurais são reestruturadas e o sistema nervoso central simplesmente passa a ativar diferentes áreas cerebrais. Como a expectativa de vida aumentou, a idade de ingresso na aposentadoria é cada vez maior e muitas pessoas retornam ao mercado de trabalho, cresceu também o contingente de pessoas que permanecem profissionalmente ativas por mais tempo. Algumas áreas já apresentam um quadro paradoxal, enquanto os profissionais com mais de 40 anos têm muita dificuldade para se empregar, as organizações reclamam da falta de candidatos qualificados. Minguam os trabalhadores mais jovens e bem formados. Faz-se necessária uma mudança de modelos, pois considerar um candidato com mais de 45 anos como obsoleto em decorrência da idade corresponde a desqualificar sua experiência e seus valiosos recursos.

Pesquisas gerontológicas mostram que, quando comparadas entre si, as pessoas mais velhas apresentam diferenças de desempenho notáveis em muitas tarefas consideradas críticas. Tal fato contradiz a opinião generalizada de que, ao envelhecer, todo ser humano necessariamente desenvolve deficiências. Os estudos comprovam ainda mais: só alguns processos cerebrais são afetados pelo envelhecimento. Hoje, nenhum especialista crê na ideia de que as funções cognitivas são prejudicadas em sua totalidade com o passar do tempo.

O pesquisador Cheryl Grady, do Instituto de Pesquisa Rotman, em Toronto, Canadá, demonstrou que, nos indivíduos mais velhos, outras regiões do córtex cerebral, diferentes das utilizadas pelos jovens, são responsáveis pelo reconhecimento fisionômico, por exemplo. Na Universidade Duke Carolina do Norte, Roberto Cabreza encontrou provas de que as pessoas com mais idade e pior desempenho de memória tinham ativadas as mesmas regiões cerebrais que os jovens. Já os mais velhos com boa performance apresentavam um padrão de ativação neurológica diverso, ficou claro que a reestruturação neural pode compensar eventuais déficits de rendimento. Aparentemente, porém, nem todas as pessoas com idade avançada apresentam essa capacidade.

VANTAGEM PELA EXPERIÊNCIA

De qualquer maneira, os idosos possuem uma vantagem muito nítida sobre os principiantes: o conhecimento constituído por meio da experiência, a que os pesquisadores chamam ‘inteligência cristalizada”. Esta abrange os conhecimentos gerais e o vocabulário dominado pela pessoa. Além disso, os mais velhos frequentemente apresentam competência social muito superior à dos jovens. Tal fato é crescentemente reconhecido pelos empregadores, que preferem os mais experientes para as tarefas de assessoria e relacionamento com o cliente. Com o avanço da idade, o rendimento da inteligência cristalizada se mantém constante ou até aumenta em indivíduos saudáveis. Todavia, cada vez menos o mundo do trabalho moderno faz uso das competências dessa habilidade. O que conta em todas as profissões é rapidez e flexibilidade. Motoristas de caminhão têm rotinas de trabalho muito dinâmicas e precisam se orientar com agilidade em ambientes desconhecidos. A realização dessas tarefas fica a cargo da chamada “inteligência fluida” responsável pelo bom desempenho quando é necessário mudar rapidamente de uma tarefa para outra ou em ocasiões em que é preciso direcionar o foco de atenção e selecionar informações relevantes.

Nesse âmbito, os mais velhos ficam em pior atuação. A psicóloga Jutta Kray, da Universidade de Saarbrücken, Alemanha, comprovou que as dificuldades são especialmente grandes quando é necessário coordenar duas tarefas simultâneas. A pesquisadora expôs pessoas de diferentes idades a figuras coloridas ou em preto e branco nas quais estava representado um retângulo ou um triângulo. Elas tinham de informar se viam cores ou formas – no caso um triângulo ou um retângulo. A informação deveria vir intercalada, duas vezes seguidas era preciso identificar a cor da figura e nas duas vezes subsequentes, o formato; depois novamente a cor, e assim por diante.

Ficou demonstrado que os mais velhos sempre apresentavam performance pior quando mudavam de tarefa. O custo da alteração cognitiva era, portanto, mais alto para eles. As capacidades basais do controle cognitivo pareciam afetadas, mesmo depois de transcorridos inúmeros testes, as dificuldades permaneciam e não era possível remove-las com treinamento. Porém, em todas as notícias são ruins. Algumas indicações relativizam a ideia da ‘idade inflexível’, pois as falhas dependem bastante de condições marginais. As restrições questões podem ser plenamente compensadas quando as condições de trabalhos são modificadas.

DIFÍCIL DECISÃO

Com o estudo mais detalhado das bases fisiológicas no cérebro, muitas restrições cognitivas adquirem novo significado. Recentemente, nosso grupo de trabalho associou-se a Juliana Yordanova e Vasil Kolev, da Academia Búlgara de Ciências, para estudar o motivo do atraso da reação em pessoas mais idosas expostas a estímulos que exigiam respostas diferenciadas.

Elaboramos um experimento no qual os participantes liam em um monitor ou ouviam em um fone uma das quatro vogais: A, E, I e O. A cada letra lida ou ouvida, deveriam pressionar uma tecla o mais rápido possível. A tecla correspondente a cada vogal deveria ser acionada com um dedo diferente (indicador ou médio da mão esquerda e da direita, respectivamente). Quando surgiam novos estímulos, as pessoas tinham, então, de decidir como reagir enquanto sua atividade cerebral era medida por meio deum eletroencefalograma.

Nos processos cognitivos ou nas percepções sensoriais, ocorrem os chamados potenciais relacionados a eventos (event-related brain potentials – ERPs). Os componentes do ERP permitem interferir no funcionamento dos processos neurais. A porção inicial do sinal corresponde, no experimento das vogais, ao processamento do estímulo. As ondas seguintes representam o desenvolvimento do pensamento e da decisão de ação. Por fim, pouco antes da resposta motora, há um componente que representa a preparação do movimento do dedo. O tempo de reação dos mais velhos foi cerca de 60 milissegundos mais longo que o dos mais jovens e a porcentagem de erro foi mais baixa.

Como se produz o retardamento da reação, Esse experimento não mostrou em qual etapa os cérebros mais idosos perdiam mais tempo: se na percepção visual ou na auditiva, na decisão sobre qual dedo usar ou na execução da resposta motora. Para obter essa informação, foi feito um teste de controle, no qual os estímulos eram os mesmos que no primeiro experimento, mas a reação deveria ocorrer sempre com o mesmo dedo.

Essa tarefa simplificada era realizada com mais velocidade por todos, e as diferenças de desempenho entre jovens e velhos desapareciam. As faixas etárias apresentavam diferenças estatisticamente insignificantes. Seria possível concluir que o processo de decisão sobre qual dedo usar era responsável pelo retardamento da reação nas pessoas mais velhas.

Contudo, como se apresentava o quadro quando os potenciais relacionados a eventos desse teste eram analisados. Surpreendentemente, os potenciais responsáveis pelo reconhecimento do estímulo eram bem mais altos nos indivíduos mais idosos que nos jovens. Assim, seu cérebro parecia compensar algo, ou seja, despendia maior esforço para chegar ao mesmo resultado.

Além disso, os ERPs relativos à percepção visual dos mais velhos eram retardados por alguns milissegundos, o que não acontecia com os estímulos acústicos. Isso mostra que o processamento visual é um pouco menos eficiente nos mais velhos, embora a diferença com relação aos moços seja muito pequena. Todavia, não explica por que os primeiros demoravam mais a decidir entre as teclas no experimento em que era necessário determinar qual dedo usar, e porque esse retardo era igualmente longo em estímulos visuais e sonoros, apesar de a percepção visual ser um pouco mais tenra que a sonora.

A explicação foi encontrada na porção do ERP que espelha o preparo da resposta. Quando um determinado dedo é mobilizado, há aumento substancial de atividade na área cerebral correspondente a esse dedo. O chamado potencial lateralizado de prontidão (Lateralized readness  potential – LRP) indica quão intensamente o cérebro se prepara para determinada ação.

O sinal elétrico do potencial de prontidão era iniciado sem demora nos mais velhos. Porém, era bem mais intenso que nos jovens. E até que a reação fosse desencadeada, passava-se mais tempo. O real motivo do atraso não é então a demanda de tempo maior para a tomada de decisão, mas reside muito mais no tempo necessário para os preparativos da resposta motora.

ELOGIO À LENTIDÃO

Pode ser que o centro motor do cérebro mais velho seja menos sensível. Isso é pouco provável, já que o teste-controle evidenciaria diferenças entre pessoas jovens e velhas, o que não foi o caso. Estamos convencidos de que se trata de uma segunda alternativa: o limiar de reação parece aumentado nas pessoas mais velhas por motivos estratégicos: para reagir com mais cautela e diminuir as possibilidades de erro. Essa hipótese está em conformidade com os resultados corroborados pela análise de muitos outros potenciais. Parece que cérebros mais velhos “gostam” de trabalhar mais devagar, porém o fazem com maior precisão. A conclusão do estudo é que as pessoas com mais idade não possuem audição prejudicada em comparação com os mais jovens e, apesar de processarem a informação visual de modo levemente pior, a do seu cérebro é capaz de tomar decisões com relação a respostas motoras com a mesma rapidez dos jovens. Apenas o seu limiar motor é mais alto.

As consequências para o cotidiano profissional são grandes. As atividades de controle de qualidade, por exemplo, requerem decisões frequentes e habilidades de seleção rápida. Como mostra nosso estudo, os processos cognitivos implicados nessas tarefas não ficam prejudicados com o passar dos anos. Mesmo quando há uma diminuição na velocidade de sua execução devido ao limiar de reação um pouco mais elevado, não há motivos práticos para não delegar tais tarefas aos funcionários mais velhos. Pelo contrário, pode haver evidentes vantagens em fazê-lo, pois é certo que as atividades de controle de qualidade dependem de uma baixa taxa de erro, tal como é observada nos mais experientes.

Outros experimentos demonstraram que indivíduos mais velhos muitas vezes cometem menos erros que os moços, em especial nas tarefas que exigem capacidade de concentração. Os resultados causaram surpresa, pois em geral considera-se que as pessoas de mais idade são mais suscetíveis a distração. Pensava-se que desviavam a atenção de um interlocutor com mais facilidade quando, por exemplo, houvesse pessoas conversando em volta.

Nossa equipe trabalhou com estímulos visuais desenvolvidos pelo neuropsicólogo Bruno Knopp, da Universidade de Braunschweig, Alemanha. As pessoas deveriam reagir ao aparecimento das setas luminosas que surgiam no centro de um pequeno monitor pressionando uma tecla, usando a mão para a qual a seta apontasse.

Procuramos distrair as pessoas pouco antes do aparecimento estímulo, usando outras setas próximas à principal na parte superior ou inferior do monitor. Em metade dos casos, as setas marginais apontavam na mesma direção da seta no centro da tela (congruente), na outra metade, apontavam na direção oposta (incongruentes).

DISTRAÇÃO? NÃO, OBRIGADO!

Quando ocorria a interferência de estímulos que apontavam na direção oposta, os tempos de reação eram mais longos, independentemente da idade. Todas as pessoas apresentavam maior taxa de erro. O potencial lateralizado de prontidão ratificou essa observação: de início, sua curva era ascendente, indicando uma reação incorreta. Nesse caso, a mão errada estava sendo preparada para agir. Apenas depois disso, acurva era descendente, indicando a ativação da mão correta.

Os mais velhos são tão suscetíveis quanto os mais jovens a estímulos de distração, o que se espelha no pico positivo da curva. Além disso, a reação correta, refletida no vale da curva, demora mais a ser desencadeada. Apesar disso, os idosos cometem apenas metade da quantidade de erros dos moços. Qual a causa disso?

Notamos que os LRP’s dos mais jovens eram iniciados antes, o que significa que reagiam com mais rapidez aos estímulos falsos (as setas incongruentes), de modo que não era possível evitar a resposta incorreta: eles pressionavam a tecla errada. Nas pessoas com mais idade, a ativação da resposta demora mais, o que evitava os equívocos. Os supostamente mais vagarosos possuem, portanto, enorme vantagem conferida por esse mecanismo de retardamento.

Situações como essas podem ocorrer, por exemplo, no trânsito, em que há frequente alteração dos estímulos. Em um cruzamento com inúmeros semáforos, os jovens podem errar com mais facilidade, reagindo precocemente a um sinal verde que talvez não seja o correto para a faixa em que se encontram.

A propensão ao erro depende, todavia, do tipo de tarefa. Os mais velhos não apresentam desempenho tão bom se submetidos a pressão temporal, sobretudo quando necessitam encontrar algo com rapidez usando a visão. Desenvolvemos um experimento para demonstrar tal dificuldade. A tarefa consistia em encontrar no monitor um sinal luminoso específico: um anel aberto de um dos lados. Apenas metade dos mostradores possuía tal característica a qual os indivíduos deveriam reagir pressionando uma tecla. Seu tempo de busca era de 15 segundos, intervalo aproximado para a reação em um cruzamento viário.

As pessoas mais velhas apresentavam porcentagem de erro maior, e a resolução da tarefa era invariavelmente mais demorada quando comparada a dos jovens. Além disso, os sujeitos com mais idade consideravam o teste muito cansativo, o que se refletia em seu padrão de ondas cerebrais. Antes do aparecimento do sinal luminoso na tela, uma onda especial de preparação, a chamada “variação contingente negativa”, surgia na região frontal do cérebro. Essa onda era visivelmente aumentada nas pessoas mais idosas. Seu cérebro parecia se preparar muito mais para a execução da tarefa. Concluímos que se trata de um mecanismo de compensação, cujo esforço adicional levava a um grande cansaço, embora neste caso não fosse registrado melhor desempenho.

Tais tarefas de busca visual realizadas sob pressão constituem uma dificuldade para os trabalhadores mais velhos. Entretanto, na execução de uma atividade profissional, o problema seria solucionado com facilidade. Os motoristas de caminhão poderiam dispor de um sistema computadorizado de navegação por estímulos sonoros. É claro que tal sistema não deveria distrair o condutor. Um projeto de pesquisa financiado pela Comunidade Europeia atualmente desenvolve um sistema dessa natureza.

Deficiências relacionadas à idade aparecem apenas em determinadas ocupações. Como os profissionais mais experientes apresentam melhor performance em muitas outras tarefas, sua classificação genérica como menos eficientes não se justifica. Muitos dos eventuais déficits podem ser compensados pela reorganização dos locais de trabalho. Os métodos neurofisiológicos hoje permitem encontrar com precisão as causas de deficiências de desempenho, abrindo a possibilidade da reestruturação de tarefas.

MAIS TEMPO PARA DECIDIR. E MENOS ERROS

Os benefícios do tempo. 2

 

OUTROS OLHARES

ESCALADA ANTIABORTO

Desde o início do ano, oito estados americanos aprovaram leis que restringem a interrupção da gravidez, prática legalizada nos EUA há 46 anos

Escalada antiaborto

O desmonte do direito ao aborto nos Estados Unidos radicalizou-se neste mês. “Hoje sancionei a lei de proteção à vida humana do Alabama. Para os vários apoiadores, essa legislação representa uma confirmação da crença que têm os cidadãos do Alabama de que toda vida é preciosa e de que toda vida é um presente sagrado de Deus”, escreveu a governadora do estado sulista americano, a republicana Kay lvey, em um tuíte em 15 de maio. A postagem, com mais de 40 mil curtidas – muito acima da média de algumas centenas que a estadista de 74 anos costuma receber na rede social -, representou um marco que os americanos contra o aborto esperavam havia anos e que em 2019 parece convergir em uma série de outras iniciativas legislativas pelo país: com a assinatura de Ivey, o Alabama se tornou o estado americano com as leis mais restritivas em relação à interrupção da gravidez, prática legalizada nacionalmente nos EUA desde 1973.

Na noite anterior à assinatura de Ivey, a Assembleia Legislativa do Alabama aprovou por 25 votos contra 6 a lei que permite aborto apenas em casos de “sério risco à saúde da mãe, ou se o feto possui, uma doença letal”, o que é visto como uma proibição quase total da prática. De acordo com o texto, a punição para médicos que forem pegos realizando esse procedimento é de 99 anos de prisão e, ainda que as mães não sejam criminalizadas imediatamente, é possível que sejam julgadas como cúmplices. A rigidez da medida foi observada inclusive pelo presidente Donald Trump, que, também no Twitter, fez questão de ressaltar suas preferências e exceções – com elação ao tema: “Sou extremamente pró-vida, com três ressalvas estupro, incesto e a proteção à ida da mãe”, disse ele no dia 18, apontando situações em que a lei aprovada no Alabama não cede. No mesmo comentário, no entanto, Trump não se furtou a desenhar sua estratégia antiaborto: “Chegamos muito longe nos últimos dois anos, com 105 novos juízes federais, dois novos juízes da Suprema Corte. (…) A esquerda radical, com o aborto tardio (e pior) está implodindo nessa discussão. (…) Se formos tolos e não nos mantivermos unidos, todos os nossos difíceis ganhos pela vida poderão, e vão, desaparecer rapidamente”.

O que o presidente americano quis dizer com os “difíceis ganhos pela vida” nos últimos tempos pode ser mensurado somente com dados de 2019. Desde janeiro, oito estados americanos já aprovaram leis que tornam mais restritivas as situações em que o aborto é permitido. Além do Alabama, cuja lei é a mais rígida entre eles, os governos de Ohio, Mississippi, Kentucky, Georgia, Missouri, Arkansas e Utah também corroboraram legislações que diminuem o intervalo de semanas em que uma mulher pode decidir pela interrupção da gravidez. Com exceção dos dois últimos, cujas novas leis permitem o aborto até a 18ª semana, os outros cinco estados adotaram medidas que tomam por referência a primeira pulsação eletromagnética do feto, que mais tarde se tornará seu batimento cardíaco e que costuma ocorrer entre a sexta e a oitava semana de gestação – período em que muitas mulheres podem ainda não saber que estão grávidas. Apenas o Alabama, que anteriormente dava até 22 semanas para o procedimento ser realizado, baniu a opção quase completamente, sem oferecer períodos de escolha. Antes das novas legislações, os outros sete estados podiam considerar o aborto legal até a 26ª semana, dependendo do estado, como acontece com a maioria das outras 50 unidades federativas dos EUA.

Ainda que tenham sido aprovadas, a possibilidade de alguma dessas leis entrar em vigor em um futuro próximo é quase zero, e os deputados responsáveis pela elaboração e pelo apoio a essas medidas já sabiam disso quando decidiram por essa estratégia. Em uma disputa legal de 1973 que marcou a história americana, a Suprema Corte decidiu garantir o direito de todas as mulheres ao aborto no país inteiro até o feto ser considerado “viável”, aquele que poderia sobreviver caso fosse retirado do útero, o que costuma acontecer entre a 23{ e 24ª semana de gestação. A decisão – que ficou conhecida como “Roe versus Wade” e se baseia no “direito fundamental à privacidade” garantido pela 14ª Emenda da Constituição americana – é responsável por barrar as iniciativas estaduais de vigorarem imediatamente, o que foi feito via ações de inconstitucionalidade movidas por associações pró­ aborto (ou pró-escolha), como a American Civil Liberties Union e a Planned Parenthood, assim que as novas medidas restritivas foram aprovadas nos oito estados. O plano dos partidários pró-vida, no entanto, não é fazer as leis estaduais valerem de imediato. Como detalhou a própria governadora do Alabama no mesmo comunicado em que anunciou seu sinal verde à nova lei, a meta é a mais alta Corte dos EUA: “Não importa a opinião pessoal sobre o aborto, todos reconhecemos que, ao menos no curto prazo, essa lei pode não vigorar. (…) Os apoiadores dessa lei (do Alabama) acreditam que é a hora, mais uma vez, de a Suprema Corte revisitar esse assunto importante, e que esse texto pode proporcionar a melhor oportunidade de isso ocorrer”.

A afirmação de Ivey quanto ao momento faz eco nas outras esferas contra o aborto nos EUA. ” Não há dúvidas de que já tivemos momentos bons, em que a luta contra o aborto ganhou relevância e ficou mais forte desde 1973, mas claramente há um aumento nestes últimos dois anos”, disse Clarke D. Forsythe, advogado e conselheiro jurídico sênior na Americans United for Life, organização pró­ vida da qual faz parte desde 1985. Autor de um livro que examina criticamente, sob o ponto de vista jurídico, a lei de aborto nos EUA, Forsythe classificou as recentes medidas contra o aborto como vitórias que representam a vontade dos americanos de ver o assunto novamente na Suprema Corte. Mais ainda, ele acredita que as iniciativas estaduais apontam para outra tendência: “Creio que esse assunto nunca deveria ter ido para escalas federais, mas permanecido na jurisdição de cada estado, de forma que cada um poderia decidir como proceder em casos de aborto. Pode não ser daqui a dois ou três anos que vamos conseguir uma proibição, mas essas últimas medidas mostram que os estados americanos estão dispostos a desafiar a Suprema Corte para ter questões que lhes interessam novamente em pauta”.

Embora as americanas nos oito estados ainda possam interromper a gestação legalmente e com segurança, a aprovação das leis foi suficiente para mobilizar manifestantes em diversas casas legislativas no país. Com centenas de cartazes exibindo dizeres já conhecidos nos EUA quando se trata de atos pró-aborto, como “Meu corpo, minha escolha” e “Mantenha o aborto seguro e legal”, os partidários desse lado da disputa temem o que Trump fez questão de detalhar em seu tuíte – a nova configuração da Suprema Corte americana. Desde sua posse, em 2017, o presidente nomeou os juízes Neil Gorsuch e Brett Kavanaugh, este último após denúncias de assédio sexual que chegaram a ameaçar sua confirmação na casa no lugar de Anthony Kennedy, que costumava ser o voto decisivo na Corte. O receio é de que, entre os nove membros, a maioria professe decisões conservadoras quanto ao aborto e que a Roe versus Wade possa ser eventualmente derrubada.

De acordo com Forsythe, essas leis levarão em média de um a três anos para chegar à Suprema Corte, o que não quer dizer que elas serão julgadas, uma vez que a casa tem liberdade absoluta para decidir o que colocará em pauta. Atualmente, já existem quatro casos sobre aborto na mais alta Corte dos EUA, nenhum deles exatamente pedindo o cancelamento da Roe versus Wade, mas “erodindo” lentamente a lei de 1973 com algumas restrições. Segundo o advogado, a Suprema Corte já deu sinais de que não vai considerar esses casos rapidamente, mas “os juízes não podem ignorar para sempre a vontade dos estados, que estão exercendo sua independência”.

A Americans United for Life se enquadra entre as diversas organizações pró-vida à frente da disputa, como a SBA List e a National Right to Life, mas Forsythe garantiu que não há uma articulação nacional entre todas, com cada uma atuando com independência, sem um pequeno grupo de líderes. Ainda que o movimento não seja único, a antropóloga e professora da Universidade de Brasília (UnB) Debora Diniz vê a influência dessas recentes decisões nos EUA como parte de um “ecossistema” que não só influencia o país internamente, como também internacionalmente. É o caso da chamada “gag rule” ou “lei da mordaça”, política adotada por Trump que impede, entre outras coisas, que organizações humanitárias que realizam procedimentos de aborto no mundo recebam dinheiro dos EUA. Para Diniz, o ponto alto na decisão do Alabama representa uma concepção moral que quer ser exportada para o resto do mundo e que, por uma série de “estratagemas”, procura derrubar a lei em vigor nos EUA: “Quase todas essas restrições, por exemplo a referente ao batimento cardíaco do feto, são estratagemas para impedir que as mulheres façam o aborto. Já outras leis obrigam exames e ‘tempo para pensar’ antes de decidir pela interrupção. Ora, para fazer esses exames essa mulher já tem de faltar ao trabalho, gastar dinheiro e passar por mais uma série de obstáculos, o que dificulta todo o processo”, afirmou ela.

Acompanhando a legislação de diversos países sobre o tema, Diniz afirmou que, recentemente, não há uma guinada comparável à dos EUA em nações onde o aborto também é legalizado, com exceção de tentativas no Leste Europeu. Ela alertou sobre a estratégia que essas leis têm de “minar o acesso ao aborto” e impor uma pergunta que, a seu ver, é indevida nesse contexto: “Discutir quando se inicia a vida não deve ser a questão que pauta as decisões”. A resposta no caso do EUA vem com uma mobilização maior dos movimentos pró-aborto, ainda de acordo com Diniz, que calcula um prazo mais longo para a chegada das novas leis à Suprema Corte: de cinco a dez anos.

Ainda que tenham pontos de vista diferentes, tanto Forsythe quanto Diniz concordam que a discussão sobre o tema nos EUA nunca foi tranquila desde 1973. Ambos reconhecem que a situação atual, com dezenas de manifestações pelo país, representa outra etapa em uma discussão que parece crescer, ao menos até o período em que as campanhas presidenciais acontecerão, em 2020 – e que um dos processos sobre aborto na Suprema Corte, relacionado à Louisiana, pode ser retomado na casa.

Trump, ainda no mesmo tuíte em que comentou o tema, já deixou claro como as duas coisas, aborto e eleições, se combinam no país: “Devemos permanecer juntos e vencer pela vida em 2020,”.

Escalada antiaborto. 2

GESTÃO E CARREIRA

CULTURA DA EMPRESA É, NA BASE, CRESCER JUNTOS

Cultura da empresa é, na base, crescer juntos

Que a rotatividade de funcionários nas startups é alta, não há dúvidas. Empresas menores e em seu estágio inicial são, em sua maioria, compostas por jovens que iniciam seu caminho profissional. Isso implica em um tempo maior para a construção de uma cultura de empresa sólida e que norteie todas as operações que você venha a realizar interna e externamente. No entanto, a construção destes valores coletivos é de extrema importância para os próximos passos e futuras conquistas.

Como CEO de uma startup, digo que esta tarefa não é das mais simples, mas vale o esforço. Da nossa parte, conseguimos construir uma cultura cada vez mais forte com a nitidez do que acreditamos. Estamos em atividade desde 2016 e, além de aumentarmos exponencialmente o nosso time nestes quatro anos, também mantivemos muitos funcionários. Dividimos o mesmo ramo de atuação com grandes nomes nacionais e empresas estrangeiras que atuam no Brasil, portanto, é uma conquista que tantos profissionais excelentes escolham voltar para nosso escritório todas as manhãs.

Em termos de base, quando se inicia um negócio pode haver uma expectativa para a formação do “time ideal”. Acredito que, primeiramente, o empreendedor deva deixar de lado estas expectativas. Obviamente sempre devemos buscar os melhores profissionais, mas a mistura de experiências, vivências e a contribuição individual de cada um também são fatores fundamentais para que se construa uma cultura com solidez.

Outro ponto importante é que os novos colaboradores conheçam bem os ideais da empresa logo no seu primeiro contato. Uma atividade que colocamos em prática aqui, e que aconselho muitos gestores a tentarem é que, antes de aceitarem ou não ingressarem em nossa equipe, os profissionais trabalhem um dia inteiro conosco antes de “baterem o martelo”. Esse test-drive corporativo se mostrou muito eficiente para que o primeiro dia de trabalho deste novo funcionário já seja baseado em uma experiência real. Ou seja, ele já chega pautado de nossos valores. Isso evita frustrações ou expectativas além do possível.

Reafirmar estes preceitos básicos do trabalho em equipe interno também é um ponto essencial no dia a dia da equipe. Por exemplo, no início de fevereiro fizemos uma ação para que nossos funcionários do escritório tivessem a experiência de nossos colaboradores que fazem dezenas de entregas diariamente. O time escritório foi para a rua viver de perto o trabalho da ponta do nosso serviço: nossos shoppers.

Como são eles que estão em contato direto com a nossa base de clientes diariamente, conhecer todos os passos de seu processo é fundamental para crescermos juntos. Saber as dores da nossa linha de frente nos permite desenvolver nosso produto para que estas arestas sejam aparadas e a operação flua da melhor forma. Gerenciar uma equipe que presta serviço nos faz ter uma tarefa dupla: conhecer nossos clientes e também nossos colaboradores em suas complexidades, vontades e objetivos.

O resumo é que, como já diz o título, uma cultura de empresa forte precisa ser baseada na vontade de crescer juntos. Os resultados são conquistados coletivamente, portanto, que o coletivo seja o mais fortalecido possível. Ações como as que eu mencionei anteriormente trazem o melhor de cada funcionário para dentro da equipe e para os clientes também.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 22: 1-4

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 1 – Aqui há duas coisas que são muito valiosas, às quais devemos cobiçar mais do que às grandes riquezas:

1. Que falem bem de nós: um nome (isto é, um bom nome, um nome honrado diante de Deus e das pessoas de bem) deve ser preferido às grandes riquezas; isto é, nós devemos ter mais cuidado em fazer aquilo que nos permitirá conseguir e manter um bom nome, do que aquilo que nos permitirá ter grandes e muitas propriedades. As grandes riquezas trazem consigo grandes preocupações, expõem os homens a perigos, e não acrescentam nenhum valor verdadeiro a um homem. Um tolo e um trapaceiro podem ter grandes riquezas, mas um bom nome deixa o homem sossegado e seguro, pressupõe que o homem é sábio e honesto, e resulta na glória de Deus e dá ao homem maior oportunidade de fazer o bem. Com grandes riquezas, nós podemos aliviar as necessidades físicas dos outros, mas com um bom nome, nós podemos lhes recomendar a religião.

2. Ser amado, ter interesse na estima e nos afetos de todos os que estão à nossa volta; isto é melhor do que a prata e o ouro. Cristo não teve prata nem ouro, mas crescia em graça para com Deus e os homens (Lucas 2.52). Isto deve nos ensinar a considerar com santo desprezo a riqueza deste mundo, não nos dedicar a ela, mas, com todo o cuidado possível, pensar naquelas coisas que são amáveis e têm boa fama (Filipenses 4.8).

 

V. 2 – Observe:

1. Entre os filhos dos homens, a divina Providência ordenou que alguns fossem ricos e outros pobres, e eles estão misturados nas sociedades: a todos os fez o Senhor, que é tanto o Autor da sua existência como o que dispõe da sua sorte. O maior homem do mundo deve reconhecer que Deus é o seu Criador, e que está sob as mesmas obrigações de se sujeitar a Ele que tem o mais humilde; e o mais pobre tem a honra de ser a obra das mãos de Deus, tanto quanto o maior. Não temos nós todos um mesmo Pai? (Malaquias 2.10; Jó 31.15). Deus torna alguns ricos, para que possam ser caridosos com os pobres, e faz outros pobres, para que possam servir aos ricos; e eles têm necessidade, uns dos outros (1 Coríntios 12.21). Ele fez alguns pobres, para exercitar sua paciência, e seu contentamento, e sua dependência de Deus; e fez outros ricos, para exercer a sua gratidão e beneficência. Porquanto sempre tendes convosco os pobres, eles não desaparecerão da terra, e nem os ricos.

2. Apesar da distância que existe, em muitos aspectos, entre os ricos e os pobres, ainda assim, em outros aspectos, eles se encontrarão, especialmente diante do Senhor, que é o Criador de todos eles, e que não estima o rico mais do que o pobre (Jó 34.19). Os ricos e os pobres se encontram no tribunal da justiça de Deus, sendo todos culpados perante Deus, considerados culpados pelos pecados praticados e por terem sido moldados em iniquidade, tanto os ricos como os pobres; e se encontram diante do trono da graça de Deus; os pobres são tão bem-vindos como os ricos. Há o mesmo Cristo, as mesmas Escrituras, o mesmo Espírito, o mesmo concerto de promessas, para ambos. Há o mesmo céu para os santos pobres que existe para os ricos; Lázaro está no seio de Abraão. E há o mesmo inferno para os pecadores ricos que existe para os pobres. Todos estão no mesmo nível perante Deus, como também na sepultura. Os pequenos e os grandes estão ali.

 

V. 3 – Veja aqui:

1. O benefício da sabedoria e da consideração: um homem prudente, com a ajuda da sua prudência, poderá prever um mal antes da sua chegada, e se esconder; ele terá ciência de quando está entrando em uma tentação, e vestirá sua armadura e permanecerá vigilante. Quando as nuvens estiverem se ajuntando para uma tempestade, ele percebe o aviso, e foge para o nome do Senhor como a sua torre forte. Noé previu o dilúvio, José previu os anos de fome, e ambos tomaram as providências devidas.

2. O mal da precipitação e da falta de consideração. O simples, que acredita em qualquer palavra que o lisonjeie, não crerá nas palavras que o advertem, e assim passa e sofre a pena. Os simples se aventuram no pecado, ainda que lhes seja dito qual será o fim dele; eles se lançam em problemas, apesar do aviso que lhes é dado, e se arrependem de sua arrogância quando já é tarde demais. Veja um exemplo de ambos (Êxodo 9.20,21). Nada é tão fatal para as almas preciosas como o fato de que não dão ouvidos aos avisos.

 

V.  4 – Veja aqui:

1. De que consiste, em grande parte, a religião – na humildade e no temor ao Senhor; isto é, andar humildemente com Deus. Nós devemos reverenciar tanto a majestade e a autoridade de Deus, a ponto de nos submeter com toda humildade aos mandamentos da sua Palavra e às disposições da sua providência. Nós devemos ter pensamentos tão humildes a nosso respeito a ponto de nos comportar humildemente com Deus e os homens. Onde houver o temor a Deus, haverá humildade.

2. O que se obtém com isto – riquezas, honra, consolação, e vida longa neste mundo, na medida em que Deus julgar bom, riquezas espirituais e honra na bondade de Deus, e as promessas e os privilégios do concerto da graça, e, por fim, a vida eterna.