A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

APRENDENDO DURANTE O SONO

Nova investigação aponta que é possível aprender durante o sono, contrariando a crença bem estabelecida de que isso seria algo impossível.

Aprendendo durante o sono

A ideia de que precisamos de nossa consciência para aprender é uma crença que parece racional e bem fundamentada em termos de conhecimento sobre neurociências. De fato, de forma geral, novas memórias são formadas durante as horas de vigília, quando nossas mentes conscientes estão no controle. No entanto, essa crença foi recentemente desafiada em um novo estudo, que sugere a possibilidade de aprender material novo de forma inconsciente todas as noites.

Uma investigação realizada na Universidade de Berna e publicada na revista Current Biology indica que essa ideia pode não ser tão improvável. Em um grupo de sujeitos falantes de alemão, os pesquisadores expuseram os participantes durante a noite ao vocabulário de uma língua inventada e posteriormente conseguiram associar essas palavras a significados em língua alemã.

Embora essa proeza esteja ainda distante de aprender uma nova linguagem durante o sono, é um avanço importante na compreensão do mecanismo de aprendizagem noturna. Os sujeitos quando acordavam eram questionados sobre as palavras fictícias, de forma indireta, e de fato responderam significativamente acima do acaso. Isso ocorreu sem que os participantes soubessem que haviam sido expostos às palavras anteriormente.

Esse resultado indica que o cérebro adormecido pode realmente codificar novas informações e armazená­las por longo prazo, além de fazer novas associações.

Uma das importantes funções do sono é o processo de reorganizar as memórias. Durante certos estágios do sono, como no período de sonho, o cérebro repete as memórias em modo rápido. Os circuitos neurais que têm a função de armazenar memórias reativam-se novamente como uma rede, ensinando o cérebro a lembrar. Essa repetição parece nos ajudar a introduzir importantes aprendizados e experiências de vida em um armazenamento mais permanente em nossos cérebros. Enquanto isso, memórias menos importantes são apagadas para abrir mais espaço para armazenamento.

Através da medição direta da atividade neural noturna em cérebros de camundongos, verifica-se que as redes neurais ativadas na codificação da memória durante o dia ficarão ativas à noite. A partir desses estudos com roedores, os cientistas descobriram que o hipocampo, uma região em forma de cavalo-marinho no interior do cérebro, se comunica com a camada externa do cérebro, o córtex, durante o sono, através de ondas de atividade que podem ser medidas usando um dispositivo de EEG.

Nesse estudo, participaram sujeitos de língua alemã de ambos os sexos. Para garantir que nenhum dos participantes tivesse contato anterior com a linguagem utilizada, os pesquisadores criaram palavras fictícias, cada uma ligada a um certo significado. Essas palavras fictícias foram apresentadas aos sujeitos nos chamados “estados ascendentes” ou “picos” durante o sono profundo, um estágio geralmente não associado aos sonhos. Durante o sono profundo, a cada meio segundo os neurônios alternam um período no qual sua atividade é coordenada com outro estado inativo. A hipótese dos pesquisadores é de que os picos de ondas lentas são propícios à codificação do sono porque demarcam períodos de excitabilidade neural.

Durante o sono dos sujeitos, foi usado um EEG para monitorar suas ondas cerebrais, enquanto os pesquisadores disparavam associações de palavras através de fones de ouvido. Pares de palavras, uma fictícia e outra com um significado, foram associados durante quatro repetições cada par.

Quando os sujeitos acordaram, os investigadores mostraram aos sujeitos as pseudo – palavras, enquanto pediam que imaginassem se o objeto referido pela palavra com significado era menor  ou maior que uma caixa de sapatos, que foi uma maneira de explorar as memórias inconscientes ou implícitas.

Quando a segunda palavra no par de palavras coincidia com o estado superior em sono profundo, os participantes puderam caracterizar corretamente a palavra inventada em 10% a mais do que o acaso. Isso revela que os traços de memória implícitas formados durante o sono persistem durante a vigília e influenciam a forma como reagimos aos estímulos apresentados, como uma intuição ou pressentimento.

Quando o cérebro dos participantes era examinado através de técnicas de neuroimagem, os pesquisadores descobriram que o hipocampo e as regiões do cérebro normalmente associadas à aprendizagem de línguas durante a vigília também estavam ativos durante a aprendizagem do sono. Essa descoberta contradiz o que sabemos sobre o funcionamento do hipocampo no aprendizado, que estaria ativo somente nas fases da consciência.

Apesar de promissores, esses resultados ainda não apontam para uma consistente capacidade de aprender línguas durante o sono, pois esse aprendizado se baseia em conhecimento explícito e não em sensações implícitas. Mais estudos são necessários para investigar essa nova forma de aprendizado, que parece interessante e promissora.

 

MARCO CALLEGARO – é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC) e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental(Artmed. 2011.)

OUTROS OLHARES

AQUECIMENTO DO ÁRTICO JÁ É IRREVERSÍVEL

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Ainda que todos os países do mundo cortem drasticamente as emissões dos gases de efeito estufa para cumprir a meta do Acordo de Paris, a temperatura média no inverno Ártico subirá de 3 a 5°C até 2050 e de 5 a 9°C até 2080. O alerta é do “Global Linkages – A graphic look at the changing Artic”, relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) na quarta-feira 13, durante a 4a Assembleia Geral do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), em Nairóbi, Quênia. Segundo a pesquisa, o aumento na temperatura tem o potencial de devastar a região e provocar a elevação do nível do mar em todo o mundo. Desde 1979, estima-se que o gelo Ártico tenha retraído 40%. Isso contribuiu, por exemplo, para a redução de vários organismos marinhos como plânctons, moluscos e ouriços que formam a base de várias cadeias alimentares. No evento, lideranças de diversos países clamaram por cortes substanciais nos gases de efeito estufa, no uso de carvão e de outros poluentes climáticos.

Aquecimento do ártico já é irreversível. 2

GESTÃO E CARREIRA

MINDSET DE CRESCIMENTO

Mindset ou mentalidade é um conceito importante, podendo ser entendido como um conjunto geral de crenças, regras e valores que é construído ao longo da vida e influencia nossa visão de mundo.

Mindset de crescimento

Carol Dweck é uma psicóloga norte-americana que estuda há décadas a motivação humana. Dweck sintetizou pesquisas na área de Psicologia social, do desenvolvimento e da personalidade para construir uma teoria poderosa sobre a mente humana, descrita em seu best-seller Mindset a Nova Psicologia do Sucesso (publicado no Brasil em 2017 pela Editora Objetiva). Mindset significa “mentalidade” na tradução literal da língua inglesa. Basicamente, Dweck acredita que existem dois tipos fundamentais de mentalidade.

O mindset fixo é uma mentalidade que se opõe à capacidade de transformação do ser humano. A inteligência é vista como estática, levando a um desejo de parecer mais esperto e levando à tendência de evitar desafios, desistir com facilidade frente a obstáculos e de ver o esforço como infrutífero. O mindset fixo leva a ignorar feedback útil e se sentir desafiado pelo sucesso dos outros. As pessoas de mentalidade fixa têm tendência a ser rígidas consigo mesmas e com as demais. Tendem a criar uma expectativa de fracasso, mesmo antes de tentar algo, e são focadas no problema, com baixa motivação para solucioná-lo. A premissa da imutabilidade das coisas faz com que resistam à aquisição de novos conhecimentos e habilidades.

O mindset de crescimento está fundado na ideia de que a inteligência pode ser desenvolvida, o que leva ao desejo de aprender e, portanto, a uma tendência a enfrentar desafios. Por adotarem crenças pessoais, nas quais a capacidade humana é mutável, as pessoas com mindset de crescimento estão mais abertas ao desenvolvimento de novos comportamentos e habilidades, através do esforço e da experiência. Tendem a enxergar erros como oportunidades de aprendizado e a perseverar mesmo mediante adversidades. São mais flexíveis e engajadas na busca de soluções para desafios diversos. As pessoas com mindset de crescimento aprendem com as críticas e descobrem lições e inspiração no sucesso dos outros.

Ao contrário das pessoas que adotam um mindset fixo, que realizam menos do que seu potencial possibilita por terem uma visão determinística da vida, os indivíduos com o mindset de crescimento estão sempre a se superar em termos de performance, e como decorrência têm um grande senso de livre arbítrio, acreditando no poder da vontade e da autodeterminação.

Podemos relacionar as ideias de Carol Dweck com uma série de outras teorias que convergem na mesma direção. A teoria da autodeterminação, por exemplo, surgiu nas décadas de 1970 e 1980 a partir do trabalho dos pesquisadores Edward L. Deci e Richard M. Ryan sobre motivação. E uma teoria que liga personalidade, motivação humana e ótimo funcionamento, propondo que existem dois tipos principais de motivação, a intrínseca e a extrínseca, e que ambos são forças poderosas na formação de quem somos e como nos comportamos. De acordo com a teoria da autodeterminação, a motivação extrínseca é um impulso para se comportar de certas maneiras que vem de fontes externas e resulta em recompensas externas. As fontes podem ser exemplificadas com prêmios e elogios, avaliações de funcionários, pontos ou sistemas de classificação em organizações, admiração e o respeito dos colegas ou amigos. Já a motivação intrínseca está ligada a impulsos de origem interior, que nos motivam a agir de certas maneiras. Os motivos são internos, como nosso senso pessoal de moralidade, nossos interesses e nossos valores fundamentais. A autodeterminação, portanto, se refere à capacidade ou ao processo de fazer as próprias escolhas e gerir suas decisões, o que é um componente crucial do bem-estar psicológico, que está sempre associado a sentir-se no controle de sua própria vida

No aspecto do componente da motivação, a psicóloga positiva Barbara Fredrickson defende a teoria que chamou de “ampliar e construir”, segundo a qual as emoções agradáveis ampliam o repertório de recursos de uma pessoa, levando a melhor desempenho e realização.

Segundo Fredrickson, as emoções positivas induzem ao aumento dos níveis de dopamina no cérebro. A dopamina é um neurotransmissor excitatório que está associado ao prazer, e cujo aumento produz uma organização mais ampla e flexível do funcionamento cerebral, ampliando a cognição e elevando a capacidade de atenção e foco de uma pessoa. Dito de outra forma, ao alimentar expectativas positivas de sucesso de forma otimista, é mais fácil persistir na busca dos objetivos e ter maior disponibilidade de recursos para atingi-los. Por outro lado, ao nutrir pensamentos determinísticos de incapacidade e fracasso, as emoções negativas reduzem capacidades cognitivas de atenção e foco, além de diminuir a motivação e o estímulo. Portanto, vários estudos e fontes apontam a importância de nutrirmos uma mentalidade ou mindset de crescimento, pois as consequências são poderosas em nosso desempenho, motivação e bem-estar mental. Enxergar a vida como um processo de crescimento e aprendizagem é fundamental e podemos cada vez mais nos beneficiar dessa mentalidade.

 

MARCO CALLEGARO – é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC) e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental (Artmed. 2011.)

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 26: 20 – 23

Alimento diário

ÓDIO E CONTENDA

 

V. 20 a 22 – A contenda é como o fogo; ela inflama o espírito, queima tudo o que é bom, e consome famílias e sociedades. Aqui lemos como este fogo é aceso, e como é mantido aceso, para que possamos evitar as oportunidades de contendas, evitando, desta maneira, as suas terríveis consequências. Se desejarmos manter a paz:

1. Não devemos dar ouvidos aos maldizentes, pois eles fornecem combustível para o fogo da contenda; ou melhor, eles o espalham com material combustível; as estórias que eles divulgam são como bolas de fogo. Aqueles que, insinuando descrições infames, revelando segredos e interpretando mal as palavras e os atos, fazem tudo o que podem para criar invejas entre parentes, amigos e vizinhos, separá-los uns dos outros, e semear a discórdia entre eles; os tais devem ser banidos das famílias e de todas as sociedades, e então cessará a contenda, tão certamente como se apagará o fogo quando não tiver lenha; os que contendiam entenderão melhor, uns aos outros, e chegarão a um melhor estado de espírito; as velhas es­ tórias logo serão esquecidas quando não houver novas para manter viva a lembrança delas, e os dois lados verão como estavam aprisionados por um inimigo comum. Os mexeriqueiros e maledicentes são incendiários que não devem ser tolerados. Para exemplificar isto, Salo­ mão repete (v. 22) o que tinha dito antes (Provérbios 18.8), que as palavras do maldizente são feridas, feridas profundas e perigosas, que atingem os órgãos vitais. Elas ferem a reputação daquele que é assunto da mentira, e talvez a ferida seja incurável, e até mesmo o curativo que seria uma retratação (que, em raros casos, pode ser obtida) pode não ser suficiente para ela. Elas ferem o amor e a caridade que aquele a quem são ditas deveria ter pelo seu próximo, e desferem um golpe fatal à amizade e à comunhão cristã. Devemos, portanto, não somente não ser maledicentes, nós mesmos, em nenhuma ocasião, nem realizar nenhum mau ofício, mas não devemos oferecer a menor tolerância com os que são maledicentes.

2. Não devemos nos relacionar com pessoas contenciosas e rixosas, que são exceções, capazes de interpretar tudo da pior maneira, que brigam por qualquer motivo e que são rápidas, e acaloradas, ao se ressentir de afrontas. Estes são homens contenciosos, que acendem rixas (v. 21). Quanto menos tivermos a ver com eles, melhor será, pois evitar brigas com os que são briguentos é algo muito difícil.

 

V. 23 – Isto pode se referir:

1. A um coração ímpio que se mostra em lábios ardentes, em palavras furiosas, inflamadas, violentas, ofensivas, que ardem com maldade, e perseguem aqueles sobre quem, ou a quem são ditas; a má vontade e as más palavras combinam tão bem como um caco de vaso de barro e escórias de prata, agora que o vaso está quebrado e a escória separada da prata, e ambos estão prestes a ser lançados juntos ao monturo.

2. A um coração ímpio que se disfarça com lábios ar­ dentes, que ardem com profissões de amor e amizade, e até mesmo perseguem um homem com adulações; isto é como um caco de vaso de barro, coberto com a escória de prata, com que podemos nos aproveitar de alguém que é fraco, como se tivesse algum valor, mas de cujo embuste um homem sábio logo se dá conta. Este sentido está de acordo com os versículos seguintes.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O LADO BOM DO ESTRESSE

Ao contrário do que muitos pensam, uma vida sem nenhum nível de estresse não é a mais saudável. É possível encarar essa reação cerebral com mais positividade e aprender com ela.

O lado bom do estresse

Ao serem perguntadas sobre o que é estresse, muitas pessoas responderiam que é algo que faz mal e que deve ser evitado. Mas a psicóloga americana e professora da Universidade de Stanford Kelly McGonigal propõe uma visão menos maléfica. Durante anos, ela pesquisou o tema e percebeu que se trata de um assunto complexo. Enquanto alguns efeitos do estresse podem aumentar os riscos de desenvolver doenças e ser prejudiciais à saúde, outros apontam melhoras no funcionamento do cérebro e aumento da resiliência, que é a capacidade de se recuperar e de se adaptar à mudanças, por exemplo.

Em seu livro The Upside of Stress (Avery Publishing Group) – O Outro Lado do Estresse, em tradução livre, sem edição em português), Kelly recupera um estudo de 1998 em que perguntou a 30.000 pessoas sobre os níveis de estresse que tinham enfrentado no ano anterior. Os participantes também foram questionados se achavam o estresse danoso para a saúde ou não. Oito anos mais tarde, os estudiosos checaram quantos dos participantes haviam morrido. O resultado: altos níveis de estresse aumentavam as chances de falecimento em 4.396. Mas a questão que merece mais atenção é que esse risco só se aplicava a quem havia respondido que o estresse era prejudicial à saúde. Os que haviam vivido situações de estresse no ano anterior, mas que não encaravam isso como algo negativo, não estavam mais propensos a morrer. “Os pesquisadores concluíram que não era apenas o estresse que estava matando as pessoas. Era a combinação do estresse e da crença de que ele é prejudicial”, diz um trecho do livro.

A visão é compartilhada por Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR) e co-presidente na Divisão de Saúde Ocupacional da Associação Mundial de Psiquiatria (WPA), de Porto Alegre. “O estresse nada mais é do que qualquer situação que requer nossa adaptação, e essa situação pode ser positiva ou negativa”, diz Ana. Ou seja, é uma resposta orgânica do corpo e não tem juízo de valor a princípio. Isso, na verdade, depende da percepção de quem vivencia aquele determinado fato. Segundo Ana, o estresse do bem (chamado pelos especialistas de “eustresse”) nos impele para a ação, para a resolução do problema e para o domínio da situação. É aquela sensação boa de se deparar com um desafio. Já o estresse ruim, é responsável por toda a fama de mau do termo (o “distresse” foca na eternidade, no sofrimento, na falta de controle e na frustração.

Essa dualidade mostra que os momentos de desconforto positivo podem gerar aprendizado, significado e ser, sim, prazerosos. Há alguns eventos que, em geral, são estressares positivos, como iniciar um novo trabalho, se casar, aprender um novo hobby, ser promovido, mudar de casa, ou se aposentar”, afirma Alberto Ogata, médico e presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), de São Paulo. “Por outro lado, algumas situações, classicamente, são geradoras de estresse negativo, como a morte de um parente, se divorciar, ficar doente ou ter algum parente doente, perder o emprego ou romper um relacionamento amoroso”, completa.

TERMO CONTAMINADO

O risco de ter doenças é apenas um dos aspectos do estresse, mas, com o passar do tempo, isso contaminou todo o seu significado e causou repulsa em quem passou a acreditar que a melhor estratégia é evitá-lo ­ sempre. Mas essa visão precisa ser transformada, caso se queira desenvolver a inteligência emocional e, principalmente, adotar uma postura mais inovadora, que gera estresse naturalmente, mas que é fundamental para se sair bem em momentos de crise como o que vivemos.

Para mudar essa mentalidade, é preciso, primeiro, entender como você encara o termo. A psicóloga Alia Crum, da Columbia Business School, nos Estados Unidos, acostumada a estudar os efeitos placebo e, por associação, o poder da mente humana, definiu duas maneiras pelas quais as pessoas costumam encarar o estresse. Para ela, existem duas visões: a de que ele é algo prejudicial que esgota a saúde e a de que é algo positivo que fortalece a vitalidade. Sua pesquisa indicou que pessoas que acreditam no estresse do bem levam muita vantagem sobre quem tem uma visão negativa. Elas são menos deprimidas e mais satisfeitas com a própria vida, têm mais energia e menos problemas de saúde. Além disso, são mais felizes e produtivas. Isso porque há a percepção de que o estresse é um desafio, e não uma sobrecarga. Assim, são mais confiantes no lidar com essas situações. “É preciso ter desafios, metas e projetos que exijam envolvimento mental, busca de novos conhecimentos e habilidades. Tudo isso traz motivação que nos enche de energia e, consequentemente, melhoram nosso desempenho”, diz Alberto.

Luciane Infanti, de 40 anos, diretora executiva da Accenture, não tem medo de situações assim. Em sua rotina, trabalha com inovação e dá consultoria para a área de saúde. Parte do trabalho é entender as necessidades dos clientes, da cadeia e do mercado. Propor novas soluções é uma constante obrigação – e algo que pode gerar ansiedade. Para ela, o ponto de estresse é o momento quando é desafiada e precisa defender uma decisão. “Em um primeiro contato, essa situação constrange”, diz. Mas, quando consigo absorver as variáveis e pensar sobre elas para reforçar minhas ideias ou me reposicionar, isso traz uma sensação de conquista maravilhosa”, afirma Luciane. Antes de entrar na consultoria, a executiva teve sua própria empresa e trabalhou durante 12 anos em hospitais, experiência que a ajudou a moldar sua rápida capacidade de adaptação e de resolução de problemas. Há pouco mais de dois anos na consultoria, ela diz que este é um período em que os profissionais serão desafiados e terão sua saúde mental testada. “Temos de ter discernimento de que este é um momento de muitos desafios”, afirma. “O estresse é positivo como alavanca de crescimento, mas é negativo quando fere os valores da pessoa.

CORAGEM DE ENCARAR

Abraçar o estresse é uma das propostas de ensino da Hyper lsland, escola sueca de inovação que não tem provas; nem professores. Eles acreditam que as pessoas talentosas do futuro serão “learners”, ou seja, gente curiosa e com facilidade de aprendizado, e não “knowers”, especialistas e detentores de conhecimento. A escola parte de uma abordagem construtivista de aprendizagem. “Acreditamos que os seres humanos constroem o conhecimento e o significado a partir de suas experiências, por isso incentivamos o aprendizado pela prática”, diz Alex Neuman, designer de aprendizado em pesquisa e desenvolvimento da Hyper Island. A educação consiste em ensinar pessoas a alcançar o seu próprio potencial, mas também a fazer isso ao trabalhar em equipe. E tudo isso pode causar nervosismo. Afinal, aprender sozinho, com os próprios erros, e prestando atenção mais na jornada do que no resultado, pode ser estressante. Não à toa, os três pilares da educação da Hyper lsland são: fricção, frustração e fracasso.

Nas dinâmicas da escola, é possível identificar rapidamente quando o estresse entra em cena. Queremos que os estudantes pisem fora do que é confortável e familiar, além de fazer descobertas. Isso significa, inevitavelmente, assumir riscos, lidar com a incerteza e experimentar o

desconhecido”, afirma Alex. Esse é o momento em que o aprendizado mais acontece, eles chamam de “zona de estiramento”. “Ao mesmo tempo, nós não queremos empurrar os alunos para longe demais, até a ‘zona de pânico’, na qual o estresse ou a pressão tornam-se tamanhos que a aprendizagem não acontece”, diz.

Para esse tipo de abordagem, em que a pessoa percebe a situação como desafio e não como ameaça, Kelly cunhou o termo “biologia da coragem”. Durante um curso para executivos realizado em São Paulo em 2014, Mikael Ahlstõm, um dos sócios da Hyper Island, contou que eles adoram quando grupos entram em colapso e fracassam. “Quando algo assim acontece numa empresa, a tendência das pessoas é esconder qualquer tipo de conflito ou fracasso, afirmou Mikael. “Mas justamente nesses momentos que ocorre o aprendizado, e eles devem ser abraçados e discutidos o máximo passível.” Então, da próxima vez que o estresse surgir – o que deve acontecer logo, – tente fazer o exercício da positividade. Isso vai ajudá-lo a encarar os desafios com mais alegria e vontade de aprender.

COMO VOCÊ LIDA COM O ESTRESSE?

Alia Crum, psicóloga da Columbia Business School, estabeleceu dois modos ­ padrão pelos quais as pessoas costumam enxergar o termo. Veja com qual você se identifica mais.

O lado bom do estresse. 2

Passar por estresse…

…esgota minha saúde e vitalidade.

…debilita minha performance e produtividade.

…inibe meu aprendizado e crescimento.

…tem efeitos negativos e deveria ser evitado.

O lado bom do estresse. 3 

Passar por estresse…

…melhora minha performance e produtividade.

…melhora minha saúde e vitalidade.

…facilita meu aprendizado e crescimento.

…tem efeitos positivos e deve ria ser utilizado.

OUTROS OLHARES

MATERNIDADE CONGELADA

Preservar os óvulos é tendência entre mulheres que se veem pressionadas pelo desejo de ser mãe e enfrentam incertezas na vida pessoal e profissional. Entenda o fenômeno e como as empresas estão se adaptando a ele.

Maternidade congelada

Um bom pacote de benefícios é um trunfo do empregador na hora de atrair e manter bons profissionais. Muitas empresas vêm se empenhando para oferecer vantagens que façam brilhar os olhos de seus funcionários. Em 2014, gigantes de tecnologia, como Apple, Facebook e Microsoft, levantaram polêmica ao anunciar que passariam a oferecer um subsídio de 20.000 dólares às funcionárias que quisessem congelar seus óvulos (A mesma iniciativa não faz parte da política dessas empresas aqui no Brasil). O procedimento consiste na coleta e na estocagem dos gametas femininos quando a mulher ainda está em idade fértil (até os 40 anos) para que possam ser usados no futuro quando ela achar oportuno. A preservação é feita em contêineres, em temperatura próxima a 200 graus negativos – dai o congelamento ou a criopreservação – e o material pode ser mantido por tempo indeterminado sem perda de qualidade, garantem os especialistas.

A indicação clássica do processamento é médica. “Mulheres que precisam passar por tratamento de saúde que pode comprometer a fertilidade (quimioterapia ou radioterapia, por exemplo) têm a chance de guardar seus óvulos para tentar uma gestação no futuro”’, afirma a ginecologista Maria do Carmo Borges de Souza, diretora médica do Fertipraxis Centro de Reprodução Humana. Os avanços nas técnicas e os bons resultados apresentados em trabalhos científicos fizeram com que a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva deixasse de considerar experimental o procedimento de congelamento de óvulos em 2013, Isso contribuiu para que, cada vez mais, pacientes quisessem se submeter a ele por motivos que não têm a ver com saúde, mas com a vida social e profissional – como mulheres jovens que desejam preservar a fertilidade e outras que se aproximam do limite da capacidade reprodutiva sem a certeza de querer filhos ou sem um parceiro disposto a ser pai.

Não há dados oficiais de procedimentos desse tipo realizados no Brasil – a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) monitora apenas o número de embriões criopreservados, o que não reflete exatamente o mesmo perfil de público nem motivações iguais. Mas, nas clínicas de reprodução assistida, a procura pela técnica mais do que dobrou nos últimos cinco anos. Na Fertipraxis, por exemplo, foram realizados 213 processos de congelamento de óvulos de 2015 a 2018, ante 102 de 2010 a 2014. A Huntington, uma das maiores clínicas de fertilização de São Paulo, conduziu 103 procedimentos em 2013 e 357 em 2018, um crescimento médio de pelo menos 10% na procura a cada ano.

CONGELAR POR QUE?

A iniciativa de Facebook, Apple e Microsoft ainda gera desconfiança quanto a real intenção por trás de bancar o congelamento de óvulos para as funcionárias. Críticos ao subsídio argumentam que se trata de uma estratégia disfarçada para que elas sigam trabalhando e deixem para pensar em maternidade depois. É que a falsa sensação de autonomia dada à mulher sobre a decisão do momento certo para ter filhos só reforça a ideia de que não dá para conciliá-los com uma carreira bem-sucedida. “É preciso olhar para as políticas de apoio à mãe durante os primeiros cuidados com a criança, como licença- paternidade e maternidade estendidas, horários flexíveis, creche. Esse é o período em que ela encontra a maior dificuldade para desempenhar bem os papéis de mãe e profissional”, diz Rita Monte, coach para mulheres e consultora em processos de mudança de cultura em empresas.

É fato que a maternidade afasta as mulheres do mercado de trabalho. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que praticamente metade das profissionais brasileiras é demitida ou se demite no primeiro ano depois de dar à luz. As justificativas para a saída são várias e vão da opção de se dedicar à nova etapa da vida à dificuldade para criar urna estrutura que permita cuidar da criança sem precisar se dedicar menos ao trabalho. No entanto, a principal motivação de quem opta por congelar a fertilidade está menos na esfera profissional do que na pessoal. Em um estudo recente da Universidade Yale, nos Estados Unidos, com 150 mulheres que preservaram seus óvulos, 85% das entrevistadas apontaram a ausência de um parceiro adequado como determinante para a decisão. Índices semelhantes (sempre acima de 80%) foram revelados em trabalhos anteriores com pacientes belgas e australianas. Para a antropóloga Márcia Inhorn, autora da pesquisa de Yale e estudiosa dos impactos sociais da infertilidade e das tecnologias de reprodução assistida em vários países do mundo, o planejamento de carreira definitivamente não é a razão principal por que as mulheres estão congelando seus óvulos. “A maioria tem de 34 a 39 anos e já conquistou boa parte das metas que tinha para a educação e a carreira”, diz a especialista, frisando que esse mesmo perfil é claramente visto em outros países em que os casos de criopreservação de óvulos vêm aumentando. “Essas mulheres estão chegando ao limite da vida fértil sem um parceiro disposto e veem na tecnologia uma chance de realizar o sonho da maternidade”, diz.

Maternidade congelada. 2

MANUAL DE INSTRUÇÕES

A criopreservação de óvulos representa até 30% da demanda dos centros de reprodução assistida, de acordo com os especialistas consultados nesta reportagem. Entenda como o procedimento funciona.

 

PASSO A PASSO

EXAMES – A primeira etapa é passar por exames de dosagem hormonal para avaliar a reserva    ovariana e determinar que expectativas ter em relação ao procedimento.

 ESTÍMULO – Quando iniciar o ciclo menstrual (até o terceiro dia), a mulher começa um tratamento que dura de oito a dez dias de estimulação ovariana por meio de injeções de hormônios, afim de estimular o crescimento de folículos (estrutura onde o óvulo se desenvolve) e garantir uma boa quantidade de gametas para ser congelados (de 15 a 20 óvulos). É comum sentir cólica, inchaço abdominal, enjoo e indisposição.

COLETA – É feita com anestesia, sedação e uso de uma agulha acoplada a um aparelho de ultrassom transvaginal, que aspira os folículos para ser selecionados. são separados para congelamento os considerados maduros. Se nessa fase não for possível colher o número desejado de óvulos, será necessário repetir o ciclo.

ARMAZENAMENTO – Os óvulos saudáveis são identificados, armazenados em uma espécie de           canudo próprio e transferidos para um contêiner com nitrogênio líquido em temperatura próxima a 200 graus negativos. O material pode permanecer ali por tempo indeterminado sem perder a qualidade, segundo os especialistas – há casos de bebês nascidos de óvulos congelados hã mais de 20 anos. vale saber que no descongelamento é prevista uma perda de 5% a 10% dos gametas. Os sobreviventes passam por fertilização in vitro e, então, são implantados no útero. Como em todo o tratamento de reprodução assistida, a gestação não é garantida.

QUANTO CUSTA – De 15.000 a 20.000 reais (procedimento) mais taxa de manutenção anual de 1.000 reais, em média, para manter os óvulos na clínica.

QUEM PODE FAZER – Mulheres em idade fértil, embora o recomendado seja para aquelas de 30 a 40 anos.

RISCOS – A criopreservação é considerada segura. Já foram levantadas hipóteses de que, por causa do uso de hormônios para a estimulação ovariana, o procedimento poderia elevar o perigo de desenvolver câncer de mama e ovário ou menopausa precoce, mas não há evidências que comprovem a teoria. Na Europa, há relatos de casos de câncer em mulheres que se submeteram ao tratamento. Porém, as ocorrências se deram entre pacientes que vendem seus óvulos (o que é permitido em alguns países) e, por isso, repetiram vários ciclos de estimulação hormonal.

GESTÃO E CARREIRA

O PODER DA EMPATIA

Definida como a habilidade de se colocar na pele dos outros, a empatia é o comportamento mais visado pelo mercado de trabalho hoje. Afinal, sua capacidade de envolver e entender as pessoas a sua volta e o que vai torna-lo um colega mais colaborativo e um líder mais eficiente.

O poder da empatia

Imagine um líder de uma empresa que precisa anunciar à equipe que a companhia passará por reestruturações e muitos serão demitidos. O que permitiria a ele dar essa notícia aos funcionários de forma que eles entendessem o cenário, mas sem acabar com a motivação daqueles que sobrarem? Ou, então, em uma negociação complicada, como fazer para convencer a outra parte de que a proposta vale a pena e é vantajosa para os dois? E, ainda, como entender e prever reações das pessoas à sua volta antes de tomar uma decisão? A resposta para tudo isso pode estar em um a palavra só: empatia. Definido pela habilidade de se colocar no lugar dos outros, esse comportamento vem sendo considerado um dos fatores mais importantes e buscados nos profissionais hoje.

Pode parecer simples, mas, na prática, essa é uma habilidade que não se aprende numa sala de aula. Os elementos que influenciaram a maneira de uma pessoa agir e pensar são inúmeros, como sua origem, crença, história de vida e situações pelas quais passou. Dar conta de perceber esses detalhes faz parte da empatia. “É colocar uma lente para entender as coisas a partir da perspectiva do outro”, diz Ana Pliopas, do Instituto Hudson, especializado em coaching, em São Paulo. E é natural do ser humano ter essa capacidade. Na psicologia, o contrário de empatia é a psicopatia. “Psicopatia é uma disfunção cerebral em que a pessoa tem dificuldade de sentir emoções”, diz Pâmela Magalhães, psicóloga clínica em São Paulo. “Existem graus variados, e o mais severo é o que pode se tornar perigoso. À exceção desses casos, todo mundo tem empatia em menor ou maior grau.

Um estudo liderado pelo cientista italiano Giacomo Hizzolati, na década de 1990 na Universidade de Parma, na Itália, ilustra bem como isso funciona. Os pesquisadores reuniram casais e fizeram um experimento analisando suas respostas corporais. Eles viram que, quando picavam o dedo do marido, a mulher, que assistia, registrava em seu cérebro as mesmas reações do parceiro, como se ela também sentisse a dor. Quanto mais empática a mulher se mostrara em entrevistas anteriores, mais sentia essa dor. Isso é possível graças aos nossos neurônios espelhos, aqueles que nos fazem bocejar quando ninguém ao nosso lado bocejou. “Tudo isso está relacionado à nossa capacidade de repetir ou internalizar sentimentos, medos e receios dos outros”, diz Denis Pincinato, professor na Fundação Instituto de Administração (FIA) e consultor associado da Negociarte, em São Paulo. Inclusive para perceber dificuldades e medos que você nunca teve e que podem ter um impacto para o outro.

E porque isso é tão importante? Pense no trabalho em equipe, um dos pilares de muitas das empresas hoje. Lidar com os outros sempre será um desafio, pois conflitos de interesse, de ideias e falhas na comunicação nunca deixarão de existir. A diversidade, outro ponto cada vez mais reforçado no ambiente corporativo, também traz desafios ao colocar na mesma sala, pessoas completamente diferentes. A empatia, nesse caso, permite enxergar os colegas a partir de uma    perspectiva com menos julgamentos e mais colaboração. Oferecer ajuda a um colega que chega atrasado ou parece confuso, por exemplo, é uma atitude de empatia. “Uma pessoa pode até recusar, mas só o gesto cria uma boa vontade entre os dois”, diz Magui Castro, sócia da The Caldwell Partners, consultoria de recrutamento, em São Paulo. E, mais tarde, aquelas pessoas que souberam manter esse clima de entendimento e de apoio serão as que mais facilmente serão cogitadas durante um processo de promoção.

Além de mais bem-sucedidos na carreira, os mais empáticos se mostram também mais felizes. Segundo um estudo da Isma-BR (International Stress Management Association no Brasil), feito em 2015 com 1.000 profissionais de São Paulo e Porto Alegre, as mulheres que possuem essa habilidade sentem 74 % mais satisfação, e os homens, 71%. A explicação é que, quando ajudamos os outros e nos importamos com eles, nos sentimos mais gratos. Pelo mesmo motivo, o comportamento empático traz também 81% mais motivação para mulheres e 76% mais para os homens. E essa competência também ajuda na habilidade de analisar sistemas complexos do negócio. Muitas vezes, o que prejudica ou ajuda no sucesso de alguma empreitada é a forma como as pessoas envolvidas se sentiram durante o processo – e é comum ignorarmos esses sentimentos. “Se eu não tiver empatia, não vou identificar as partes do outro que afetam o sistema como um todo”, diz Pâmela. Ao entender como a reação dos outros pode interferir em um cenário, as decisões tendem a ser mais bem pensadas e sustentáveis.

HABILIDADE NOVA

Por tudo isso, dá para entender por que o mercado valoriza tanto quem transborda empatia. Entre os headhunters, essa competência salta aos olhos e pode definir uma contratação. “Quando recruto, prefiro a pessoa que demonstra mais empatia a quem tem mais habilidades técnicas”, diz Áurea Imai, sócia da Boyden Executive Search, consultoria de recrutamento, em São Paulo. “Em uma entrevista, avaliamos os resultados que aquela pessoa obteve e como fez isso”. E é aí que irá residir o grau de empatia. Aos olhos dos consultores, quanto mais o profissional consegue mostrar como considerou as pessoas à sua volta em cada um dos projetos que desenvolveu, mais empático ele se torna. E não adianta inventar histórias. Esse comportamento não é algo que você possa afirmar ou falar, mas que deve transparecer nas suas atitudes.

Embora sempre fizesse diferença na carreira e na vida das pessoas, a empatia, como competência, passou a ser mais valorizada na última década. Antes era mais fácil chegar a um cargo de liderança sem se preocupar com isso. Não é à toa, no passado era mais comum (e aceitável) encontrar chefes durões, que comandavam por meio da autoridade. “O mercado não consome mais gente com essa atitude, não contrata, diz Magui. Antigamente, essa liderança funcionava porque conceitos como engajamento e propósito – tão em voga hoje nas empresas – não eram discutidos. Além disso, o conhecimento técnico era mais restrito, o que fazia com que os poucos privilegiados se destacassem apenas por essa competência, abrindo passagem para o topo.

A história hoje é bem diferente. “Antes, era o RH que avaliava e desenvolvia as pessoas, hoje ele desenha a estratégia, mas quem se compromete com isso é o líder”, diz Gustavo Costa, fundador da Unique Group, consultoria de gestão, no Rio de Janeiro. Por isso, saber reconhecer as necessidades que cada pessoa tem para se motivar e por que ela é boa em uma situação e pior em outra é crucial para um líder que precisa desenvolver e perceber quais são os maiores potenciais   para atingir os melhores resultados.

Parte disso tem a ver com o comportamento da geração mais nova, que espera ver no chefe, fonte de inspiração e apoio, e não uma figura de autoridade que causa medo. “Todo mundo quer se sentir pertencente na empresa”, diz Vera Martins, coach e autora de O Emocional Inteligente (Alta Books). Quando vemos que somos compreendidos, pelo chefe e que ele está atento a como nos sentimos, nos engajamos mais no trabalho. Temos a tendência também a nos sentir mais à vontade, porque a empatia abre espaço para diálogo. O medo de sugerir inovações e de discordar do líder diminui, favorecendo a inovação. Quem tem empatia consegue avaliar cenários e notar o que está fazendo sentido ou não para as pessoas”, diz Áurea. “Vejo vários líderes que ficam falando e falando para um público, mas não conseguem convencer porque não sabem ler o que o outro precisa.

O desafio é conseguir criar empatia com pessoas com as quais você não necessariamente se identifica – e nem mesmo conhece direito. Claro, a ideia não é que você se torne íntimo de todos ao seu redor. Além de exaustivo, isso seria impossível. Mas, para conseguir desenvolver uma compreensão empática, é necessário estar aberto e disposto a compreender o outro sem colocar suas próprias ideias e opiniões por cima da interação. Isso exige muita sensibilidade, mas também muita inteligência. Até porque, mesmo que você não sinta aquilo que a pessoa sente, pode entender o que se passa. “Você pode se colocar mentalmente no lugar do outro sem se envolver tanto emocionalmente”, diz Vera. “É uma empatia cognitiva.”

DESENVOLVENDO A EMPATIA

Para aperfeiçoar isso, o primeiro passo é ouvir os outros com atenção. Não vale digitar ou olhar para o celular ao mesmo tempo. Na escuta ativa, você nota e guarda dados sobre a pessoa, não só sobre o tema da conversa”, diz Denis. Pode-se estar discutindo um projeto do trabalho, mas o outro sempre dará sinais sobre si mesmo, de forma involuntária ou não. Um comentário rápido sobre uma experiência pessoal ou uma expressão mais sutil de desconforto são exemplos do tipo de informação que, às vezes, deixamos passar. São fatores que não importam para o projeto em si, mas que revelam muito sobre seu interlocutor. Reparar nisso faz com que você desenvolva uma compreensão melhor das pessoas que o cercam, ajuda a sair do ambiente com o qual você está acostumado e se colocar em situações desconhecidas.

Abrir-se para conversar com quem você normalmente não conversaria é também um passo nessa direção. Há formas de demonstrar aos outros que você está atento e deixá-los relaxados para se expressar, como olhar nos olhos e fazer perguntas pertinentes ao assunto. Mais do que um conjunto de ações, a empatia é uma postura. E, para além da escuta, é preciso ler os sinais não verbais. São gestos, expressões faciais e atitudes que comunicam tanto ou mais do que as palavras.  Diferentemente da comunicação verbal, estes sinais tendem a ser menos propositais e, por isso, ainda mais reveladores. Normalmente, mesmo que não os façamos de forma consciente, todo mundo sabe interpretá-los – e até podemos reagir a eles sem perceber.

Uma pessoa que fala com um tom de voz normal, mas demonstra ansiedade por meio dos seus gestos, como um balançar de pernas constante ou um olhar aflito, poderá nos deixar mais nervosos automaticamente.

É sempre bom lembrar, no entanto, que até uma pessoa mais afinada para perceber detalhes e fazer a escuta ativa pode se enganar. “Vale a pena validar suas impressões perguntando diretamente para o seu interlocutor”, diz Ana. Afinal, as pessoas podem se comportar de forma diferente para situações parecidas. Há quem chore quando está com raiva em vez de sair batendo pé, por exemplo, enquanto outros podem se fechar e se isolar pelo mesmo motivo.

E isso é parte do desafio, porque não há como adotar uma única regra para todo mundo. Engana- se quem pensa que tudo isso demonstra uma postura paternalista ou leniente com os erros dos outros. “A empatia é dar uma chance para a pessoa se preparar ou dizer que não está pronta”, diz Magui. Mas a cobrança por resultado é igualmente firme.”

Desenvolver essa habilidade é mais fácil quando entendemos o que nos leva a ser mais empáticos com algumas pessoas e menos com outras. “Às vezes, o que mais nos incomoda nos outros é o que percebemos de ruim em nós mesmos”, diz Ana. Ou seja, ser mais empático envolve também saber melhor sobre o que atinge a si mesmo. Caso você sinta dificuldade em praticar a empatia, há alguns questionamentos que pode se fazer. “Pergunte-se, por exemplo, o que você ganha não sendo empático, diz Vera. Isso porque muitas vezes, por nos sentirmos ameaçados ou inseguros, preferimos não dar abertura às outras pessoas. A outra pergunta é o que você tem perdido com isso. Aí vale ver quantas relações de confiança você deixou de ter por causa da sua postura. “A empatia ativa é um hábito, precisamos entender o que vamos ganhar com isso para desenvolvê-la, afirma Vera. Não há como fingir ou simular a empatia, por isso a sua vontade de se colocar na pele dos outros é um ingrediente essencial. Para a sua carreira – e para a sua vida.

 

AMPLIE SEU POTENCIAL EMPÁTICO

Durante l2 anos, o filósofo Roman Krznaric, autor d0 livro o poder da empatia, analisou pesquisas, fez uma série de entrevistas e descobriu como as pessoas podem expandir o potencial empático.

1 – DÊ UM SALTO IMAGINATIVO

Faça um esforço consciente para se colocar no lugar de outras pess0as – inclusive de seus “inimigos”- para reconhecer sua humanidade, individualidade e suas perspectivas.

2 – BUSQUE AVENTURAS

Experimente, explore vidas e culturas diferentes das suas por meio de imersão, viagens ou cooperação social.

3 – PRATIQUE A ARTE DA CONVERSAÇÃO

Incentive a curiosidade por estranhos e a escuta radical e tire suas máscaras emocionais.

4 – VIAJE EM SUA POLTRONA

Transporte-se para a mente de outras pessoas com a ajuda da arte, da literatura, do cinema e das redes sociais na internet.

5 – INSPIRE UMA REVOLUÇÃO NOS OUTROS

Gere empatia numa escala de massa para promover mudança social e estender suas habilidades empáticas ao mundo todo.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 26: 17 – 19

Alimento diário

ÓDIO E CONTENDA

 

V. 17

1. O que é condenado aqui é a intromissão em contendas que não nos dizem respeito. Se não devemos ser precipitados e apressados em lutar pela nossa própria causa (Provérbios 25.8), muito menos na de outras pessoas, especialmente nos casos em que não estamos, de nenhuma maneira, envolvidos, nem interessados, mas com os quais nos deparamos por acaso, acidentalmente ao passar por eles. Se pudermos ser úteis para trazer a paz entre os que estão divergindo, devemos fazê-lo, ainda que conquistemos a má vontade dos dois lados, pelos menos enquanto estão acalorados; mas nos intrometer nos assuntos dos outros, nas brigas e contendas de outros homens, não é somente buscar problemas para nós mesmos, mas também nos lançar à tentação. Quem me pôs a mim por juiz? Que terminem a questão como a começaram, entre eles mesmos.

2. Nós somos advertidos contra isto, por causa do perigo a que nos expomos; é como tomar um cão pelas orelhas, que poderá nos morder; seria melhor tê-lo deixado em paz, pois não conseguiremos nos livrar dele quando desejarmos, e devemos agradecer somente a nós mesmos se sairmos desta situação com uma mordi­ da e desonra. Aquele que toma um cão pelas orelhas, se o soltar, o cão o atacará, e se continuar a segurá-lo terá as mãos ocupadas e não poderá fazer outra coisa. Que cada um trabalhe com tranquilidade e cuide dos seus próprios assuntos, e não discuta com inquietude nem se meta com os assuntos dos outros.

 

V. 18 e 19 – Veja aqui:

1. Quão maldosos são os que não têm escrúpulos em enganar o seu próximo; são como loucos que lançam faíscas, flechas e mortandades, tal é o mal que podem causar com suas maldades. Eles se consideram, neste aspecto, homens polidos e astuciosos, mas na verdade são como loucos. Não há maior loucura neste mundo do que um pecado deliberado e voluntário. Não é somente o homem inflamado e furioso, mas também o homem enganoso e maldoso, que é um louco; ele realmente lança faíscas, flechas e mortandades; ele provoca mais danos do que consegue imaginar. A fraude e a falsidade queimam como faíscas, e matam, mesmo à distância, como flechas.

2. Veja como é frívola a desculpa que os homens comumente apresentam para a maldade que fazem: o fato de que a fizeram como uma brincadeira; com isto, pensam desviar a reprovação: “Fiz isso por brincadeira!” Mas verão que é perigoso brincar com o fogo e com objetos cortantes. Não que devam ser elogiados os que são ardilosos e não aceitam brincadeiras (os que são sensatos devem tolerar os insensatos, 2 Coríntios 11.19,20), mas certamente deverão ser condenados os que são, de alguma maneira, ofensivos e violentos com seu próximo, e se aproveitam da sua credulidade, e os enganam em seus negócios, ou mentem para eles, ou mentem sobre eles, e os insultam, ou mancham sua reputação, e então pensam desculpar tudo isto, dizendo que estavam apenas brincando. “Fiz isso por brincadeira’.” Aquele que peca brincando deve se arrepender sinceramente, ou o seu pecado será a sua ruína. A verdade é algo muito valioso para ser vendido como uma brincadeira. e assim também a reputação do nosso próximo. Com mentiras e difamações em brincadeiras os homens aprendem e ensinam os outros a mentir e caluniar a sério; e um falso relato, que surge da brincadeira, pode ser espalhado com maldade; além disto, se um homem pensa que a mentira é capaz de trazer a alegria a si mesmo, por que não se fazer rico falando a verdade? Por pensarem de um modo equivocado, a verdade praticamente perece, e os homens ensinam as suas línguas a falar a mentira (Jeremias 9.5). Se os homens considerassem que toda mentira vem do diabo, e leva ao fogo do inferno, certamente isto estragaria a diversão que ela proporciona; mentir é lançar flechas e mortandades contra si mesmo.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

EVENTO ESTRESSOR

A preparação para as provas gera ansiedade e quanto maior a tensão, pior será o desempenho em uma avaliação.

Evento estressor

Desde o nascimento, o ser humano já está exposto a diferentes situações que se apresentam como desafios que geram crescimento e desenvolvimento positivo frente à vida. Em vários momentos, ele também se depara com eventos que excederão a sua capacidade percebida para lidar com isso, podendo gerar esgotamento e ansiedade. Embora também tenha sido vivenciado por nossos antepassados, o estresse tem afetado grande parte da população atual, estando fortemente presente na vida moderna.

Ele é entendido como uma ruptura da homeostase que não ocorre apenas frente a estímulos aversivos, mas também como uma reação intensa do organismo frente a um evento que altere a vida, seja ele negativo ou não. Assim, o estresse desenvolve-se à medida que as exigências se tornam superiores à capacidade das pessoas de manejá-las ou superá-las, impossibilitando-as de criar estratégias para enfrentá-las adequadamente.

Há dois tipos de estresse: o negativo, que é repetitivo, prolongado, paralisa, transtorna e exaure, e o positivo, que impulsiona e dá forças. Respostas positivas aos estímulos estressantes são consideradas como crescimento e desenvolvimento intelectual e emocional, chamado de eustresse. O esforço de adaptação gera sensação de realização pessoal, bem-estar e satisfação, mesmo que decorrente de esforços inesperados, sendo desencadeado por situações tensas, mas sadias. Já a resposta negativa, chamada de distresse, é causada por situações danosas, podendo ser passageira ou prolongada.

Um evento pode ser entendido como irrelevante, benigno ou estressante. São consideradas fontes estressoras aquelas que têm o efeito de interferir na dinâmica da vida do organismo, o qual tenta adaptar-se ao evento estressor e, nesse processo, utiliza grande quantidade de energia. Quando a resposta é de intensidade e tempo limitados, o organismo consegue adaptar-se a ela; porém, quando a intensidade ou a duração de tempo ultrapassam a capacidade das pessoas, o estresse pode gerar como consequência distúrbios psiquiátricos e/ou outras doenças. Alguns estímulos terão a resposta de estresse vinculada à capacidade física e ao estado geral de saúde do organismo, como, por exemplo, temperaturas extremas, privações diversas (alimento, água, sono etc.) e traumas físicos, sendo que, dentro de uma estreita faixa de variabilidade, provocam respostas de estresse em praticamente todo o organismo a ele exposto.

O evento estressor, por si só, não tem a capacidade de determinar o nível de estresse, uma vez que cada pessoa irá enfrentá-lo de maneira diferente. O nível de estresse dependerá da avaliação e da interpretação subjetivas que cada um faz, estando as respostas comportamentais e cognitivas nele envolvidas. Durante o processo de avaliação, há uma tendência de interpretar as situações como mais perigosas do que realmente são. Nesse caso, o estressor é o próprio pensamento que, em função de crenças e regras aprendidas através das experiências de vida, pode relacioná-las a um novo evento e interpretá-lo como ameaçador ou não. Portanto, ao depender de uma relação entre exigência e meios in­ ternos ou externos disponíveis, as reações ao estresse são determina­ das pela capacidade do organismo em atendê-las.

O organismo sempre tenta adaptar-se ao evento estressor e, nesse processo, utiliza grandes quantidades de energia adaptativa. A reação ao estressor faz com que o organismo se modifique fisiologicamente para lidar com um ataque, alterando temporariamente a forma somática para uma ação de “luta ou fuga” que permite ao organismo dirigir toda a sua energia ao manejo da ameaça. Quando cessa a ameaça, o organismo volta ao seu estado de atividade normal; porém a capacidade de uma pessoa para suportar o estresse tem um limite. A resposta aos eventos estressores depende das forças de resistência, da necessidade de desafios, das exigências externas, dos traços de personalidade, das percepções de apoio social e do estado de saúde (equilíbrio orgânico e mental) em que se encontra o indivíduo. Fatores como estilo de vida, experiências prévias, atitudes, valores, doenças e predisposição genética também são importantes no desenvolvimento desse processo. O estresse prolongado provoca cansaço e tensão em níveis físico e mental, aumentando o risco de se contraírem problemas de saúde. Entre as respostas fisiológicas ao estresse, observa-se a ativação do sistema nervoso autônomo e do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), embora outras áreas altamente complexas do cérebro também sejam recrutadas, como aquelas que regulam os processos de memória, o aprendizado e a tomada de decisão.

Evento estressor. 2

RESISTÊNCIA E EXAUSTÃO

A síndrome de adaptação geral (SAG) é um padrão consistente de respostas ao estresse, que foi dividido em três estágios: alerta, resistência e exaustão. O primeiro estágio, o de alerta ou alarme, é uma reação inicial diante de um estímulo estressor, considerando a fase positiva da resposta, visto que prepara a pessoa para enfrentar a situação e, em seguida, retomar o equilíbrio. As respostas fisiológicas negativas, nessa fase, incluem aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, tensão muscular, insônia, entre outras. As respostas fisiológicas positivas compreendem o aumento da atenção e velocidade de pensamento, além do aumento súbito da motivação.

Caso o estressor não seja eliminado, o organismo passa para a segunda fase, a de resistência, em que a pessoa tenta adaptar-se gastando muita energia para lidar com o fator estressante. Nessa fase, as defesas do organismo são preparadas para um ataque mais longo, predominando a reação passiva na busca pela adaptação. Os sintomas observados nesse período incluem hipertensão arterial, isolamento social, queda de produtividade e criatividade, cansaço, diminuição da libido, dificuldade de atenção e problemas com a memória. Quanto maior o tempo gasto na busca da homeostase interna, maior será o desgaste; persistindo a situação estressante, a capacidade do organismo pode exceder e levar ao terceiro estágio, isto é, o da exaustão.

Evento estressor. 3

PATOLOGIAS ORGÂNICAS

Nessa fase, devido ao forte desgaste do organismo, podem surgir patologias orgânicas e psíquicas, e ocorrer sintomas semelhantes aos do primeiro estágio, embora com magnitude maior e irreversível. Além disso, se o estressor permanecer atuando, as reservas de energia do corpo serão reduzidas, ocasionando um fracasso adaptativo que pode, eventualmente, levar à morte. As patologias apresentadas nesse estágio incluem doenças cardíacas e autoimunes, síndrome de Burnout, depressão, entre outras.

Estudos identificaram uma quarta fase, chamada de quase exaustão, que se situa entre as fases de resistência e exaustão. Ela provoca uma forte sensação de esgotamento no indivíduo, aumentando a chance de descontrole emocional e enfraquecimento do organismo, gerando vulnerabilidade ou adoecimento inicial não tão grave. É importante ressaltar que a pessoa nem sempre passa pelas quatro fases e/ou apresenta todos os efeitos, mesmo em casos extremos. O indivíduo só atingirá a fase de exaustão quando o estressor for muito grave e frequente, impedindo-o de desenvolver habilidades para se adaptar à situação.

O estresse, em níveis apropria­ dos, aumenta a eficiência e o desempenho. Presente no cotidiano, trata-se de um mecanismo normal, necessário e benéfico, que proporciona maior atenção e sensibilidade frente a situações de perigo ou dificuldade, fazendo com que ele se esforce para vencer tais obstáculos. Embora o estresse seja eficaz até certo limite, a sobreposição dessas respostas nos níveis físico, cognitivo e comportamental, quando ultrapassada, pode gerar um efeito desorganizador. Especificamente, isso abrange o grau em que as pessoas experimentarão o estres­ se diante da perspectiva de uma situação de desempenho, da avaliação cognitiva e das exigências da situação, somadas à crença de dispor ou não dos recursos necessários para lidar com tudo isso.

Quando o indivíduo interpreta o evento como ameaça, prejuízo ou desafio, está fazendo um julga­ mento sobre o que a situação exige dele, tentando conhecer o que há de prejudicial ou benéfico, relevante ou irrelevante para si, fazendo uma avaliação primária dos fatos. Por outro lado, quando tenta administrar o evento analisando os próprios recursos, o seu envolvimento emocional e os resultados esperados nesse processo para evitar consequências prejudiciais e/ ou antecipar os aspectos benéficos, ele está realizando uma avaliação secundária.

Já a ansiedade, trata-se de um estado emocional desconfortável caracterizado por pressentimento de perigo iminente, atitude de espera em relação ao perigo, desestruturação ante o perigo, com sensação de estar desprotegido. É um medo sem objetivo, uma situação ou uma imagem mental, o indivíduo que a experimenta sabe que não se trata de uma ameaça objetiva. A ansiedade é uma resposta de adaptação do organismo que é propulsora do desempenho e possui componentes psicológicos e fisiológicos. Trata-se de um esta­ do emocional transitório ou uma condição do organismo humano, caracterizado por sentimentos desagradáveis de tensão e apreensão, conscientemente percebidos. As respostas orgânicas à ansiedade leve determinam o aprendiza­ do. Entretanto, a concentração, o aprendizado e a percepção aumentam ou são distorcidos quando ocorre um aumento na intensidade da ansiedade.

Em função disso, ocorrerão prejuízos que podem ser cognitivos (como pensamento e conhecimento), emocionais (como sentimentos, emoções e personalidade) ou comportamentais (relacionados igualmente aos fatores cognitivos e afetivos). Os efeitos cognitivos do excesso de estresse envolvendo desempenho estão ligados ao decréscimo da concentração e da atenção. O aumento da desatenção e a deterioração da memória de curto e longo prazo diminuem não apenas a sua amplitude, mas também a lembrança, o reconhecimento e as capacidades de organização e planejamento. A velocidade real de resposta reduz-se, aumentando o índice de erros, ilusões e distúrbios de pensamento que prejudicam a objetividade e o poder de crítica, tornando confusos e irracionais os padrões de pensamento.

Entretanto, as lembranças de uma pessoa podem ser incompletas, distorcidas ou até mesmo apresentar uma tendência específica, não sendo incomum observar a mesma lembrança ocorrer de modo diferente entre pessoas diversas. Por essa razão, é muito importante observar a memória individual, visto que uma mesma história tem várias facetas, sendo que cada pessoa guarda e recupera determinado fato de forma não igual. Com isso, demonstra-se que a memória não funciona como uma filmadora por meio da qual sempre se obtêm os dados objetivos fielmente aos fatos. A memória é uma história que a cada momento poderá ser modificada com novos fatos e relatos.

Evento estressor. 4

BOA MEMÓRIA

A memória bem treinada é uma ferramenta básica para se obter um bom rendimento, assim como em toda e qualquer área intelectual. O indivíduo precisa desenvolver a capacidade de testar conhecimentos memorizados e habilidades aprendidas, o que pode ser alcançado com a ajuda de instrumentos adequados, tais como provas ou testes bem elaborados e abrangentes. Uma memória clara, precisa e rápida será fundamental para se trabalhar com tranquilidade e eficiência.

Sabe-se, contudo, que não basta ter uma inteligência genial ou uma espetacular capacidade de improvisar se não estiverem bem gravadas e prontamente acessíveis na memória as informações pertinentes e necessárias para se resolver os problemas nos momentos certos. Se não estiverem gravados na memória os resultados que se deseja obter e os processos necessários para realizar os objetivos, será impossível fazer uma escolha racional, segura e bem-sucedida. Para muitas pessoas, pode ser habitual estudar por obrigação, e não por prazer; apesar disso, uma boa memória não dispensa a capacidade de análise crítica dos fatos. De modo simples, pode-se dizer que aprender é memorizar, sejam dados ou procedimentos, de sorte que essas informações sejam facilmente lembradas quando se precisar delas. Se as pessoas tentarem memorizar agrupando informações desordenadamente, terão dificuldades para lembrar.

Evento estressor. 5

A AUTOEFICÁCIA

A auto eficácia é considerada um dos mecanismos psicológicos que compõem a motivação, mas não basta que as capacidades estejam presentes; a pessoa precisa acreditar que possui tais capacidades e, com isso, organizar e executar linhas de ação, com a expectativa de poder alcançar determinado objetivo. As pessoas que têm crenças funcionais em sua eficácia pessoal acreditam dispor das competências necessárias ou ser capazes de assumi-las para alcançar seus objetivos e melhorar seu desempenho. As diferentes respostas poderão ser geradas frente ao mesmo estímulo e que exigências internas e externas contribuirão nesse processo.

A ansiedade, o estresse e o desempenho estão intimamente ligados, pois quanto maior a ansiedade e o estresse pior será o desempenho. Quando falamos em desempenho estamos nos referindo à preparação para provas em geral, incluindo vestibular, Enem, prova da OAB, residência médica, concursos, entre outras, bem como a uma entrevista de emprego a qual o candidato, muitas vezes, está sem trabalho há um tempo, com seu estresse elevado, podendo fazer uma entrevista não satisfatória para conseguir a vaga pretendida. O crescente aumento de estímulos, da competitividade e das exigências com as quais se confronta esse modo de vida acarreta um acúmulo de obrigações que exige grande flexibilidade e capacidade de adaptação. Diante das inúmeras situações de aprendizagem e desempenho, nas quais o estresse é necessário em níveis aceitáveis, observa-se que está cada vez mais elevado e dificulta o rendimento esperado por cada pessoa em sua trajetória de ensino e trabalho.

O autoconhecimento é o maior recurso para aprender a lidar com a ansiedade e com o estresse, no intuito de “tirar” o melhor deles na busca de um desempenho satisfatório. O apoio externo pode fazer a diferença nessa caminhada, pois sabe-se que pessoas com redes adequadas de apoio social relatam me­ nos estresse e melhores condições de saúde mental em comparação àquelas sem adequado suporte social. Além de auxiliar nas situações de estresse, como resolver conflitos e tomar decisões, a função social propõe modos de conduta adequada. Diminuindo o estresse e a ansiedade, automaticamente resultará em excelentes resultados.

Evento estressor. 6

LEI DE YERKES E DODSON

Em 1908, Yerkes e Dodson foram os primeiros cientistas a medir a relação entre estresse e desempenho com a chamada Lei de Yerkes-Dodson. Segundo os pesquisadores, a relação positiva entre eficiência e desempenho não se prolonga indefinidamente. Na medida em que as situações exigem ajustamentos constantes, o estresse pode ultrapassar um limite de   tolerância, o que contribui para reduzir o desempenho, a eficiência e até mesmo a saúde. Assim, os efeitos percebidos psicologicamente como necessários e benéficos podem ser positivos ao desempenho; todavia, quando ultrapassados, esgota- se a energia psicológica, extrapolando a capacidade de adaptação do sujeito e prejudicando o seu desempenho. Isso faz com que muitas vezes, o indivíduo sinta-se inútil e desvalorizado, com finalidade reduzida e objetivos inatingíveis.

OUTROS OLHARES

ONDE AS RELIGIÕES SE ENCONTRAM

Na Casa da Reconciliação, representantes de diversas crenças unem-se para mostrar que é possível conviver pacificamente mesmo quando a fé é diferente.

Onde as religiões se encontram

O riso corre solto entre o cônego José Bizon, o judeu Raul Meyer, o muçulmano Atilla Kus e Ruth Junginger de Andrade, membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecida como Igreja Mórmon. É hora da foto que ilustra esta reportagem e o quarteto se diverte enquanto tenta seguir a orientação do fotógrafo. Eles estavam na sala de estar da Casa da Reconciliação, em São Paulo, um lugar pertencente à Igreja Católica aberto ao diálogo inter-religioso. Dito assim, de maneira mais formal, parece algo burocrático. Quem conhece o lugar e os vê juntos, brincando uns com os outros, descobre o que é na prática o significado do respeito à crença alheia e, principalmente, que é possível conviver com o diferente. Afinal, apesar das distinções entre as religiões, todos eles desejam a mesma coisa: “tikun olam’, a expressão judaica que significa trabalhar para melhorar o mundo e tomá-lo mais harmonioso. “Esta é a lição mais importante do nosso trabalho”, afirma Bizon.

Além dos católicos, judeus e muçulmanos, participam das atividades representantes de outras religiões de origem cristã, como os mórmons e os luteranos, de raízes africanas, como a umbanda e a ioruba, e também do budismo. O objetivo é divulgar às pessoas que o amor ao próximo é o denominador comum às religiões e não o contrário. “O desconhecimento das pessoas em relação às religiões é o grande problema”, diz Raul Meyer, diretor da Federação Israelita de São Paulo na área do Diálogo Inter-religioso. “Há a formação de uma minoria que radicaliza enquanto a maioria silencia.”

Onde as religiões se encontram. 2

COMBATE AOS ATAQUES

O mundo, de fato, está repleto de um ódio religioso que grita nas redes sociais e que, de tempos em tempos, produz tragédias em nome de Deus. A última aconteceu na sexta-feira 15, na Nova Zelândia, quando um atirador matou 50 pessoas em duas mesquitas na cidade de Christchurch. O sentimento de raiva está calcado em falta de informação e em estereótipos sem sentido, como o de que muçulmanos são terroristas. Nada está tão longe da religião, fundamentada na prática do amor e na valorização da vida. “Quando alguém de nossa religião mata, ele perde sua essência de muçulmano porque, para nós, ser muçulmano significa respeitar a vida”, explica o turco Atilla Kus, secretário-geral do Centro Islâmico e de Diálogo Inter-religioso e Intercultural.

Até há alguns anos, o Brasil parecia estar distante das ondas de ódio religioso. No entanto, o fenômeno ganha terreno aqui e tem como alvo principal as religiões de matriz africana. Segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos humanos, entre 2011 e 2016 as denúncias de intolerância religiosa cresceram 4.960% no País. A maioria dos ataques (178) foi contra integrantes de crenças de raiz africana. Às vezes, a impressão é que se trata de uma guerra na qual só o lado da raiva é vitorioso. Mas trabalhos como os da Casa da Reconciliação evidenciam que há uma contrapartida forte transmitindo a mensagem da convivência pacífica. “Somos todos filhos de Deus que podem se unir em favor do amor e não do ódio”, diz Ruth de Andrade, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. E conviver significa respeitar as diferenças de práticas. “Quando me encontro com a mãe de santo, peço a sua benção”, conta a monja Heishin, praticante do zen-budismo.

Todos os meses, eles reúnem as famílias em um almoço para o qual cada um leva pratos comuns às suas origens. No início, há cerca de dois anos, havia certo estranhamento entre judeus e muçulmanos. Hoje, homens, mulheres e crianças interagem como amigos, demonstrando que nenhuma distinção religiosa torna um ser humano diferente ou melhor do que o outro. As mulheres, inclusive, preparam um livro com receitas de refeições partilhadas nos encontros. Praticantes de outra fé já participaram do Ramadã, período no qual os muçulmanos jejuam de dia e alimentam-se depois do pôr do sol. Eles são convidados pela comunidade, que tem o cuidado, inclusive, de incluir no cardápio a comida kosher consumida pelos judeus. É com gestos assim que o ódio religioso será combatido. Ou com atitudes como a da primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern. Um dia após os ataques, ela foi até os familiares das vítimas. Cobrindo a cabeça com um lenço preto disposto como o hijab das muçulmanas, ela não falou nada. Apenas abraçou os que sofriam, levando a eles, em cada abraço, a solidariedade

Onde as religiões se encontram. 3

GESTÃO E CARREIRA

O QUERIDINHO DA TURMA

Sabe aquele profissional bacana e admirado por todos em cenários econômicos cada vez mais desanimadores, são eles – os carismáticos – que se destacam. Dá para adotar essa atitude no trabalho, mas é preciso tomar cuidado para não forçar a barra.

O queridinho da turma

Há anos pesquisas e consultores de carreira apontam o carisma como uma habilidade importante para o desempenho profissional de alguém. Segundo Rohit Bhargava, professor da Georgetown University, em Washington, nos Estados Unidos, e ex- vice-presidente da Ogilvy, pessoas carismáticas têm mais chances de ser bem-sucedidas nos negócios. No seu livro intitulado Likeonomics: The Unexpected Truth Behind Earning Trust, Influencing Behavior and lnspiriting Action (Likeonomics: A Inesperada Verdade por Trás de Conquistar Confiança, Influenciar o Comportamento e Inspirar a Ação, em tradução livre, sem edição em português), lançado em 2012, ele defende que o carisma é um tipo de inteligência emocional que envolve a capacidade de ler corretamente as pessoas e se relacionar com elas.

Essa habilidade é o que diferencia, principalmente, os profissionais que almejam posições de liderança. “Hoje em dia, um grande número de pessoas fala duas línguas, tem uma boa formação e o mesmo nível técnico. Entretanto, nem todos possuem a habilidade de se conectar e influenciar colegas, o que também gera valor para as empresas”, afirma Rodrigo Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional (SBie), de São Paulo. “O carisma e a capacidade de motivar as pessoas é o que faz os líderes se tornarem inspiradores e entregarem resultados, mesmo em momentos de crise.”

E no atual momento de recessão e dificuldades econômicas, em que muitas empresas estão passando por reestruturações e cortando custos, gerando ambientes de muita pressão, o carismático passa a ser mais valorizado. “Mesmo que o profissional não exerça um cargo de liderança, ele pode ter a habilidade de envolver os colegas nos momentos difíceis, o que melhora o clima e pode trazer ganhos futuros de carreira”, diz Rafael Souto, Presidente da Produtive, consultoria com sede em São Paulo.

Muito se engana, porém, quem acredita que essa característica seja algo totalmente natural, impossível de ser desenvolvido ao longo da vida. “Pequenas atitudes diárias podem tornar até mesmo as pessoas mais tímidas um pouco mais carismáticas. Respeitando os próprios limites e sem querer mudar radicalmente é possível adquirir essa competência”, diz Renata Di Nízio, fundadora da Casa da Comunicação, consultoria especializada em treinamentos, de São Paulo.

 

6 TÉCNICAS PARA SE TORNAR MAIS CARISMÁTICO

Atitudes diárias que ajudam você a ser mais querido pelos colegas de trabalho.

TOME ALGUMAS DOSES DE SIMANCOL

Ser uma pessoa sociável em nada tem a ver com se tornar uma pessoa indiscreta e inconveniente, que pergunta sobre a vida pessoal de todo mundo. Saber dosar o que e quando perguntar também é importante para não errar a mão.

“É preciso realizar uma leitura do ambiente, observar a recepção das pessoas, ver de que forma elas reagem às suas perguntas e quão dispostas estão a interagir”, afirma Rodrigo Fonseca, da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional.

RECONHEÇA QUE PRECISA MELHORAR

Nem todo mundo possui a capacidade de ser simpático de forma espontânea. Reconhecer que precisa melhorar esse ponto é fundamental para fazer o movimento de mudança.

“Procure se expor um pouco mais, falar em público, melhorar a comunicação com alguns treinamentos. Busque se integrar em projetos pelos quais você tenha mais paixão e conhecimento, porque isso vai dar mais segurança na hora de mostrar as suas ideias”, afirma Rafael Souto, da Produtive.

SAIBA O QUE FAZ VOCÊ FELIZ

Raramente pessoas mal-humoradas são capazes de ser simpáticas e carismáticas. Mesmo nas rotinas mais estressantes, tente adotar pequenas atitudes que aumentem a sensação de bem-estar e a vontade de trabalhar.

“Passamos 12 horas do nosso dia no escritório e saímos de casa já irritados. Busque entender o que anima, irrita e motiva você e dê valor para as coisas simples, como fazer exercícios físicos antes do trabalho ou tomar um bom café da manhã, por exemplo.” diz Marcos Gimenez, sócio da lnnovative, consultoria de São Paulo.

LEMBRE-SE DA SUA POSTURA

Preste atenção à forma como você se mostra para os seus colegas. Pessoas cabisbaixas, de ombros caídos, raramente conseguem criar conexões e entusiasmar os colegas. “Você emana carisma quando as pessoas se inspiram em você. É importante criar uma postura de segurança, adquirir um tom de voz firme e seguro para melhorar a comunicação e transmitir mais confiança”, diz Rodrigo.

INSPIRE-SE, SEM COPIAR

Observe pessoas que você considera sociáveis e capte quais comportamentos elas adotam para se tornar assim.

Essa inspiração pode vir de líderes ou até de colegas. Só que não tente se tornar uma cópia do outro. “Não crie um personagem com o qual você não se sinta confortável nem que tenha comportamentos que não conferem com a sua personalidade. As pessoas percebem que não é algo natural, além de que isso não se sustenta por muito tempo”, afirma Rafael.

SEM EXCESSO DE CONFIANÇA

Engana-se quem pensa que só pessoas introvertidas precisam melhorar o carisma e a capacidade de criar conexões. Geralmente, pessoas muito expansivas tendem a ser muito autoconfiantes e às

vezes passam uma postura arrogante. “Elas também não se conectam com as pessoas porque não têm capacidade de ouvir. Sem contar que, muitas vezes, acreditam que são autossuficientes e esquecem que precisam dos outros também. Isso é tão destrutivo quanto ser introvertido demais”, diz Renata Di Nízio

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 26: 13 – 16

Alimento diário

A DESGRAÇA DA PREGUIÇA

 

V. 13 – Quando um homem fala de maneira tola, dizemos que fala de maneira preguiçosa; pois ninguém revela mais a sua tolice do que aqueles que são ociosos e procuram se justificar na sua preguiça. Da mesma maneira como a tolice dos homens os torna preguiçosos, também a sua preguiça os torna tolos. Observe:

1. O que realmente teme o preguiçoso. Ele teme o caminho, as ruas, o lugar onde deve ser feito o trabalho e pelo qual se deve empreender uma jornada; ele detesta o trabalho, detesta tudo o que exija cuidado e esforço.

2. O que ele sonha, e finge temer – um leão no caminho. Quando pressionado para ser diligente, quer em seus assuntos terrenos ou em questões de religião, esta é a sua desculpa (e uma desculpa infeliz, pior do que qualquer outra): “Um leão está no caminho”, alguma dificuldade ou perigo insuperável com que ele não pretende lutar. Os leões frequentam florestas e desertos, e. durante o dia. quando o homem sai para o seu trabalho, os leões se deitam nos seus covis (Salmos 104.22,23). Mas o preguiçoso imagina, ou finge imaginar, um leão nas ruas, ao passo que o leão existe somente na sua imaginação, ou não é tão feroz como ele o pintou. Observe que é tolice se assustar e fugir de deveres reais por dificuldades imaginadas (Eclesiastes 11.4).

 

V. 14 – Tendo visto o preguiçoso com medo do seu trabalho, aqui o vemos amando o seu sossego; ele fica na sua cama, deitado de um lado, até se cansar, e então se vira para o outro lado, mas ainda na sua cama, quando o dia já vai alto e há trabalho para ser feito, da mesma maneira como a porta se revolve nos seus gonzos, mas não sai do lugar; e assim os seus negócios são negligenciados e ele deixa escapar oportunidades. Veja o caráter do preguiçoso.

1. Ele não se preocupa em sair da cama, mas parece estar preso a ela, como a porta está presa às dobradiças. A comodidade do corpo, quando excessiva, é a triste oportunidade para muitas doenças espirituais; os que amam dormir provarão, no final que amaram a morte.

2. O preguiçoso não se preocupa em progredir no seu negócio; ele se movimenta um pouco, de um lado para outro, mas sem nenhum propósito; ele permanece na mesma posição. Os professantes preguiçosos giram, na sua profissão, como a porta, nos seus gonzos, nas suas dobradiças. O mundo e a carne são as duas dobradiças em que eles estão presos, e ainda que se movam no curso dos serviços externos, entrem no caminho dos deveres e passem por eles, como o cavalo no moinho, ainda assim não conseguem o bem, não ganham terreno, nunca se aproximam do céu – são pecadores que não se converteram, e santos que não se aperfeiçoaram.

 

V. 15 – O preguiçoso agora, com muita dificuldade, saiu da cama, mas poderia igualmente ter ficado ali, pois atua no seu trabalho de uma forma completamente desajeitada. Observe:

1. A desculpa que ele oferece para a sua preguiça: ele esconde a mão no seio, temendo o frio; perto da sua cama quente, no seu seio quente. Ou finge que é aleijado, como fazem alguns que vivem de esmolas; sugere que há alguma enfermidade na sua mão; ele de­ seja sugerir que ela está cheia de bolhas, resultado do duro trabalho de ontem; ou indica, de modo geral, a sua aversão ao trabalho; ele tentou, mas suas mãos não estão acostumadas a trabalhar, e por isto ele se mantém na sua própria comodidade e não se importa com ninguém. Observe que é comum que aqueles que não de­ sejam fazer o seu trabalho finjam que não conseguem fazê-lo. “Cavar não posso” (Lucas 16.3).

2. O prejuízo que ele sofre, pela sua preguiça. Ele mesmo é o perdedor, pois passa fome; enfada-se de a levar [a mão] à sua boca, isto é, não tem como se alimentar, mas teme, como se isto fosse um esforço imenso, levar a mão à cabeça. É uma hipérbole elegante, que agrava o seu pecado, o fato de que ele não suporta os menores esforços, nem pelos maiores benefícios, e isto mostra como o seu pecado é a sua punição. Os que são preguiçosos nas questões da religião não se esforçarão para alimentar suas próprias almas com a Palavra de Deus, o pão da vida, nem buscarão as bênçãos prometidas por meio da oração, ainda que pudessem tê-las.

 

V. 16 – Observe:

1. A elevada opinião que o preguiçoso tem de si mesmo, apesar do flagrante absurdo e da tolice da sua preguiça: “Mais sábio é o preguiçoso a seus olhos do que sete homens que bem respondem”. A sabedoria de um homem o torna capaz de responder ou oferecer uma razão, e a de um homem bom o torna capaz de oferecer uma razão para a esperança que há nele (1 Pedro 3.15). Nós devemos ser capazes de oferecer uma razão para o que fazemos, ainda que, talvez, possamos não ter inteligência suficiente para mostrar a falácia de cada objeção ao que fazemos. Aquele que se esforça na religião pode apresentar uma boa razão para isto; ele sabe que está trabalhando para um bom Mestre, e que o seu esforço não será em vão. Mas o preguiçoso se julga mais sábio do que sete pessoas como esta; pois ainda que sete pessoas o persuadissem a ser diligente, com todas as razões que pudessem apresentar para isto, seria inútil, a sua própria determinação, pensa ele, é resposta suficiente para eles e todas as suas razões.

2. A referência que isto tem para a sua preguiça. É o preguiçoso, acima de todos os homens, que é assim convencido; pois:

(1) A boa opinião que ele tem de si mesmo é o motivo da sua preguiça; ele não deseja se esforçar para obter sabedoria porque pensa que já é suficientemente sábio. O convencimento da suficiência de nossos talentos é um grande inimigo para o nosso aperfeiçoamento.

(2) A sua preguiça é a causa da boa opinião que ele tem de si mesmo. Se ele apenas se esforçasse para examinar a si mesmo, e se comparar com as leis da sabedoria. teria outra ideia a respeito de si mesmo. A preguiça tolerada está no fundo da arrogância predominante. Ou melhor:

(3) Ele está tão desgraçadamente confuso que julga que a sua preguiça é a sua sabedoria; ele pensa que é sensato poupar a si mesmo, e ter toda a comodidade e o sossego que puder, e não fazer na religião mais do que precisa, necessariamente, para estar algum sofrimento, e ficar sem fazer nada e ver o que as outras pessoas fazem, para que possa ter o prazer de encontrar falhas nelas. Com relação a estes preguiçosos, que se orgulham do que é a sua vergonha, há pouca esperança (v. 12).

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ENTRAMOS NA ERA DO CRIADOR

A qualidade criativa se torna uma espécie de atalho para o futuro, pois estamos nos distanciando do repetitivo e do previsível e voltando o interesse ao que escapa do senso comum.

Entramos na era do criador

Segundo o economista Paulo Saffo, citado pela revista americana Forbes como um dos analistas de tendências mais respeitados da atualidade, a economia se divide em ciclos que remodelam drasticamente nosso comportamento e a forma como a sociedade de organiza. Com nossa fantástica capacidade de adaptação, aderimos às mudanças, reorganizamos nossas expectativas e, sem nos darmos conta, colaboramos para a construção de uma nova fase da nossa história, batizada pelo economista como “era do criador”.

Para esclarecer como chegamos aqui e o que isso significa, ele faz uma breve revisão de momentos determinantes da economia a partir do início do século XX, quando as cidades começaram a crescer rapidamente com a industrialização, o que gerou uma demanda crescente por novos produtos. Para atender a essa classe emergente, a indústria volto u seus esforços para a eficiência produtiva, ou seja, para a necessidade de produzir mais em menos tempo e com custo menor.

O processo de fabricação precisava ser otimizado ao máximo e os trabalhadores tinham funções restritas, repetitivas e automáticas para não perderem tempo. Trabalhavam contra o relógio, em sistemas rigidamente organizados. Os primeiros automóveis, por exemplo, eram todos pretos. Não porque estava na moda ou porque outras opções eram inviáveis, mas pelo fato de a tinta preta secar mais rapidamente, o que garantia maior produtividade.

Superada a escassez de produtos, o mercado tratou de aumentar nas pessoas o desejo pelo consumo. Foi então que, na década de 1950, a publicidade ganhou força, com estratégias criativas que convenciam as pessoas de que elas precisavam de mais e mais produtos. A criatividade passou a ser uma peça importante para o aumento de consumo, mas sua demanda era restrita a alguns segmentos, como comunicação e artes.

E o apelo criativo – juntamente com incentivos econômicos – funcionou tão bem que o consumo excessivo logo revelou seu lado negativo, com o uso irresponsável do crédito e o surgimento de problemas éticos e ambientais. Na sequência, o mercado se deparou com novos desafios: agora precisava se adaptar a um consumidor já mais consciente e comedido, em um mundo onde a informação passou a ser excessiva e, por conta desse exagero, a atenção tornou-se escassa. A solução foi transformar o consumo em experiências.

Como a criatividade e o engajamento são antídotos para a desatenção, para atrair uma geração mergulhada em distrações passou a ser as pessoas, necessário engajar, envolvê-las em uma rede de criação e de ideias que conecta tudo e todos. Mais que alvo final de produtos e ideias que são impostos pelo mercado, os consumidores passaram a participar diretamente da construção das novidades. E assim surgiram cases de sucesso como Uber, Wikipedia, AirBnB e projetos culturais e científicos viabilizados por crowdfunding, financiados pelo público – e não mais por entidades distantes que decidem o que iremos consumir.

O status, segundo Saffo, deixou de ser representado pelo preço ou pela quantidade de coisas que possuímos e passou a ser representado pelo novo – o novo construído em conjunto, como experiência social e cultural.

Essa rede de conexões e ideias, em constante movimento e aprimoramento, possibilita que a criatividade corra solta e se destaque como a marca do nosso tempo. Assim, a era do consumidor criador passa a ser também a da criatividade. Quanto mais informações estão acessíveis, mais são geradas possibilidades de combinações diferentes de todo esse conhecimento. Nesse novo ciclo econômico, a criatividade é quase um pré-requisito para o sucesso nas interações sociais e profissionais.

Tanto é que essa habilidade nunca foi tão valorizada pelo mercado. O Fórum Econômico Mundial (O Futuro do Trabalho) apontou a criatividade como terceira habilidade mais necessária pela força de trabalho nos próximos anos, atrás da capacidade de resolução de problemas complexos e do pensamento crítico. De acordo com o documento, essa necessidade surge como consequência da abundância de novos produtos, tecnologias e formas de trabalhar.

O físico teórico e futurista Michio Kaku prevê que essa qualidade é uma espécie de atalho para o futuro, pois estamos nos distanciando do repetitivo e do previsível e voltando o interesse ao que escapa do senso comum. Os serviços mais valorizados são os que nos diferenciam com relação às máquinas – aqueles que dependem de pensamentos e atitudes flexíveis e de ações originais.

Ironicamente, a era de maior desenvolvimento tecnológico da história revisita a criatividade como a maior habilidade para lidar com o futuro próximo e próspero para quem estiver na contra-mão dos conceitos engessados de uma máquina.    

 

MICHELE MÜLLER – é jornalista, pesquisadora, especialista em Neurociências, Neuropsicologia Educacional e Ciências da Educação. Pesquisa e aplica estratégias para o desenvolvimento da linguagem. Seus projetos e textos estão reunidos no site www.michelemuller.com.br

OUTROS OLHARES

SEM RESSACA FINANCEIRA

Um passo a passo para economizar sem prejudicar a vida social.

Sem ressaca financeira

Depois de um divertido período na mesa do bar com colegas do trabalho, chega enfim a conta. Alguém sugere “rachar por igual”. Você, contrariado, calcula mentalmente quanto gastou e percebe que foi bem menos do que aquela divisão propõe. Corno não quer ser antipático, paga sem contestar – mesmo que isso signifique acabar o mês no vermelho. Um estudo publicado recentemente no Journal of Personality and Social Psychology mostrou que você não está sozinho nessa. Segundo a pesquisa, pessoas cordiais têm maior probabilidade de enfrentar problemas financeiros. A razão, dizem os acadêmicos, é que indivíduos assim valorizam encontros sociais mais do que dinheiro. Para Elaine Pisaneschi, diretora da Crowe, consultoria de finanças, a única saída para quem possui esse tipo de perfil é planejar antes os gastos com diversão. “As contas de restaurantes e happy hours acabam não entrando no orçamento, porque são esporádicas, diz. “Mas isso é um erro. O ideal é que a vida social ocupe em torno de 10% da renda líquida mensal e, jamais, ultrapasse 30%.”

Quando se mudou para São Paulo para fazer faculdade, a publicitária paranaense Angelita Oliveira, de 31 anos, não se preocupava com as finanças. Ao ser chamada para um evento, aceitava sem pestanejar e passava tudo no cartão. Até que entrou no cheque especial e contraiu uma dívida no cartão de crédito que passou a tirar seu sono. Desesperada, pediu ajuda a um antigo economista e foi estudar sobre finanças pessoais. Em seis meses, ela colocou todos as despesas no papel, determinando um limite de 10% do salário para gastos sociais. Também mudou sua conta para um banco digital que não cobrava taxas e passou a investir. Hoje, virou consultora da turma. “Quando colegas me procuram, sugiro que calculem o valor da hora de trabalho. Quanto levam para ganhar 100 reais? Ao fazer essas contas, pensam melhor antes de gastar mal”, diz.

A boa notícia é que ninguém precisa sumir do mapa. Encontrar pessoas é uma excelente maneira de fazer networking, alimentar-se de ideias e se manter informado. O segredo é fazer isso sem enfrentar ressaca financeira no dia seguinte. Veja, a seguir, como conseguir tal feito em nove passos.

Sem ressaca financeira. 2

1. VALORIZE PREFERÊNCIAS

Antes de cortar a diversão, entenda o que realmente o energiza e o ajuda a manter o ânimo para enfrentar as agruras diárias. Liste suas atividades de lazer preferidas, avalie a frequência que gostaria de realizá-las e faça projeções de quanto isso custaria. “Com esse cálculo em mãos, é possível entender, de verdade, o peso dessa escolha para o orçamento. Isso ajuda a tomar decisões mais pragmáticas”, afirma Cristiane Mazotto, assessora de investimentos da WFlow Advisors e consultora de carreira da Lee Hecht Harrison. Se o que o faz feliz é comer fora aos finais de semana, consulte o extrato do banco e some quanto gastou com esse tipo de saída no último mês. “Se o valor estiver acima do desejado, diminua a frequência desses programas ou os substitua por uma versão mais barata”, orienta a especialista.

2. ESTEJA À FRENTE DAS ESCOLHAS

Depender de seus amigos para definir o lugar de confraternização pode significar gastar muito mais do que pretendia na noite. Parece bobagem, mas participar do processo decisório faz toda a diferença. “Se deixarmos que os outros escolham, corremos o risco de fazer programas caros. Economizar exige esforço e dá trabalho. Mas entrar na conta bancária e ver que está no azul compensa esse esforço”, afirma Débora Helena Ribeiro Soares, coach financeira. Angelita faz exatamente isso. “Sempre que começam as conversas sobre o que fazer no final de semana, pesquiso antes e sugiro as opções mais econômicas. Se a ideia é ir para a balada, procuro aquelas que consigo colocar o nome na lista para obter descontos ou as que não cobram entrada até as 23 horas, por exemplo”, diz.

3. USE A TECNOLOGIA

Existem diversos aplicativos que ofertam vantagens aos amantes da gastronomia. O mais famoso deles é o Primeira Mesa, que permite fazer reserva de mesas em restaurantes e bares de mais de 110 cidades brasileiras em horários de menor movimento – entre 11h30 e 12h30 e entre 18h30 e 20h – com descontos de até 50% nas refeições para grupos de até seis pessoas. Para usar a tecnologia, paga-se uma taxa de 5 reais por pessoa na reserva, o que, na conta final, em geral compensa. O app DuoGourmet também é interessante: oferece aos usuários promoções “dois em um” em mais de 470 estabelecimentos em oito cidades, como Belo Horizonte, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro: na compra de um prato, Leva- se outro (com valor equivalente) de graça.

4. LIMITE OS MEIOS DE PAGAMENTO

Deixar os cartões de crédito em casa e sair apenas com o dinheiro previsto para gastar é uma forma de segurar o impulso na empolgação. “Além de procurar Locais com comandas separadas, reservo um valor, normalmente de 50 reais. Tomo um drinque ou algumas cervejas e pronto”, afirma Angelita, a publicitária que virou guru da turma baladeira. E ela está certa. Estudos de economia comportamental mostram que pagar com notas em reais dói mais do que usar cartões. Cristiane Mazotto explica que isso ocorre porque o ser humano tem aversão à perda. “Se você tira o dinheiro da carteira enxerga quanto está gastando. A sensação de supressão financeira é maior”, diz. Quando não consegue sacar dinheiro, a fotógrafa paulistana Bruna Bento, de 25 anos, tem um truque. Ela registra cada centavo gasto no bloco de notas do celular. “Desta forma, visualizo tudo. Se eu gastar demais num dia, sei que não vou poder gastar pelo resto da semana. Isso me ajuda a manter o controle”, diz.

5. FAÇA VOCÊ MESMO

Vai comer fora? Avalie se não vale a pena promover um encontro em casa – isso funciona inclusive para aquela happy hour com o pessoal do trabalho. Como os preços de pratos e bebidas em restaurantes embutem a folha de pagamentos dos funcionários, além de aluguel do imóvel, água, luz, telefone e impostos, gasta-se menos cozinhando por conta própria. Especialistas sugerem que o dono da casa faça o jantar enquanto os convidados fornecem as bebidas e os petiscos para beliscar. Na próxima celebração, trocam-se as funções. “É importante envolver a turma nesse processo, deixando claro que o objetivo é economizar sem deixar de se divertir. Ao conscientizar o pessoal fica mais fácil”, afirma Cristiane Mazotto. Para baratear festas de aniversário, por exemplo, sobretudo as infantis, aposte na moda do “faça você mesmo”. Existem inúmeros tutoriais na internet, em canais como os do YouTube, ensinando alternativas divertidas para decoração e alimentação. Outra dica é comprar bebidas em “atacarejos”, onde é possível encontrar valores até 50%, mais baratos do que os cobrados nos mercados tradicionais.

6. SE NÃO TEM COLÍRIO, VÁ DE ÓCULOS ESCUROS

A modelo Karol Christine Jordão, de 32 anos, sugere fazer substituições: em vez de passeios no shopping que exaltavam o consumismo, agora ela faz piqueniques no parque ou sessões de cinema em casa nos fins de semana. “Com a quantidade de filmes disponíveis em plataformas como Amazon Prime Vídeo e Netflix, não é preciso gastar com ingressos, pipoca, refrigerante”, diz. Quando a filha, de 11 anos, deseja assistir a um Lançamento, Karol pesquisa o dia da semana em que os tíquetes custam a metade do preço – grandes redes costumam baratear as entradas de segunda-feira a quarta-feira. Já a tática de Angelita é procurar ingressos com descontos, oferecidos por bancos e operadoras de telefonia. Outra alternativa para economizar no cinema é investir nas próprias guloseimas. Em 2016, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que cinemas que proíbem a entrada de comida praticam venda casada e limitam a liberdade de escolha do cliente. Ou seja, está liberado levar pipoca ou doces de casa.

7. COMPARTILHE

Hoje dá para encontrar de tudo um pouco na rede: de brinquedos a roupas, passando por livros. Além de aplicativos de compartilhamento como Tem Açúcar?, Tradr e Casa 247, existem vários grupos de trocas de objetos, de diferentes cidades, espalhados pelo Facebook. Vai a uma festa e quer usar uma roupa diferente daquelas que estão em seu armário? Busque bazares ou grupos em que você possa barganhar as peças que não usa mais por novos itens. Angelita e sua turma, por exemplo, criaram um grupo de WhatsApp para vender e trocar roupas entre si. Além de ser uma opção de moda sustentável, você ainda pode fazer um dinheiro extra.

8. GARIMPE O GRÁTIS

As opções não se resumem a parques e praças. Todos os museus públicos oferecem pelo menos um dia de entrada gratuita a seus visitantes. Além disso, as capitais costumam ter programação cultural com shows, peças de teatro e exposições sem cobrança de entrada. “Sigo newsletters que dão dicas de eventos gratuitos”, afirma Bruna Bento, fotógrafa de São Paulo. Sites de prefeituras também costumam ser boas fontes para quem procura cursos e atividades esportivas sem custo. Outra sugestão é usar aplicativos como o Mude, que disponibiliza aulas gratuitas (de ioga a zumba) em parques públicos de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Florianópolis, Brasília e Santos.

9. JOGUE LIMPO

Sair frequentemente com amigos que ganham mais do que você é viver com a eterna sensação de que vai precisar pedir apenas uma saladinha e um copo de suco durante toda a noite. Isso se não tiver de sair mais cedo para pagar sua parte antes que todos sugiram rachar a conta. De acordo com Elaine Pisaneschi, diretora da Crowe, o melhor é abrir o jogo e ser transparente sobre as limitações. O mesmo cuidado vale para as viagens em grupo. Como sempre há alguém que pode gastar mais, o correto é combinar antes qual será o esquema para evitar constrangimentos depois.

GESTÃO E CARREIRA

O QUE É PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS PARA A SUA EMPRESA!

o que é psicologia organizacional e quais são os benefícios para a sua empresa!.

A psicologia é uma ciência muito abrangente e está presente em tudo o que envolve o ser humano. Por isso, é claro que ela está nas empresas! Afinal, negócios são feitos de pessoas. E essa é a psicologia que nós chamamos de organizacional.

Ela é importante pois ajuda as instituições a entenderem cada vez melhor os seus colaboradores. Assim, é possível trabalhar para um funcionamento melhor e mais produtivo para o dia a dia de trabalho.

O QUE É PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL?

A psicologia organizacional é um segmento de estudo que tem como objetivo estudar e estruturar o perfil comportamental dos colaboradores das empresas. É basicamente a psicologia usada para a gestão de pessoas em uma organização.

Quando uma instituição conta com a ajuda de um psicólogo organizacional, ela consegue entender cada colaborador individualmente, como eles são, como trabalham, quais são as suas competências. Assim, é possível sair do individual e levar isso para o meio mais abrangente, ou seja, para as equipes.

Estudando e entendendo cada profissional, o psicólogo vai conseguir encaixá-lo em uma equipe que se adequa mais ao seu perfil ou adequá-lo para trabalhar com determinado grupo específico.

PARA QUE ELA SERVE?

A psicologia organizacional serve para trazer melhores resultados relacionados à sua gestão de pessoas. Entendendo cada colaborador, você e o RH da sua empresa conseguem trabalhá-lo conforme o que a organização e a equipe precisam e fazê-lo se sentir bem dentro do seu negócio.

Além disso, observando como os profissionais se comportam no ambiente de trabalho, os psicólogos organizacionais entendem como cada colaborador pode contribuir para o desenvolvimento da empresa e a harmonia no ambiente de trabalho.

Isso tudo é feito através de treinamentos, acompanhamento de cada profissional e aplicação de testes.

QUAIS SÃO AS ÁREAS DE ATUAÇÃO?

Um psicólogo organizacional pode atuar e ajudar em várias áreas da empresa. Algumas delas são:

GESTÃO DE CONFLITOS: é papel desse profissional mediar qualquer conflito que possa surgir dentro da organização;

RECRUTAMENTO E SELEÇÃO: nesse processo, o psicólogo consegue analisar qual candidato tem o perfil que mais se adequa à sua empresa através de dinâmicas e testes;

TREINAMENTOS: é função do psicólogo organizacional planejar e aplicar treinamentos para o crescimento dos profissionais;

DIAGNÓSTICO ORGANIZACIONAL: analisa como está o clima dentro da instituição e o que precisa ser melhorado;

ANÁLISE DE PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS: a motivação dos colaboradores quase sempre também está ligada a essas duas questões. Por isso, é importante que o psicólogo analise e participe desse processo!

QUAL A DIFERENÇA ENTRE PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E COACH?

Muitas pessoas confundem a psicologia organizacional e o coach. Mas elas não são a mesma coisa, na verdade se complementam!

O profissional de coaching normalmente possui um conhecimento grande da parte operacional da empresa, assim ele consegue ajudar os colaboradores. Ele é quem vai organizar metas e ajudar os profissionais a alcançarem seus objetivos.

O conhecimento e trabalho dele em conjunto com o do psicólogo organizacional e de cada colaborador pode gerar uma diferença enorme na sua empresa!

Quais são os benefícios da psicologia organizacional para a empresa?

Esse ramo da psicologia é muito importante quando se trata dos resultados relacionados à gestão de pessoas e, consequentemente, da empresa como um todo. A psicologia organizacional traz diversos benefícios para o seu negócio, entre eles:

AUMENTO DA PRODUTIVIDADE

Conhecendo os colaboradores e recebendo as orientações do psicólogo organizacional, os gestores consegue saber qual o perfil da sua equipe, o que a deixa mais motivada, quais atividades se encaixam mais para cada colaborador. Com o profissional mais engajado, a produtividade tende a aumentar!

MAIOR ENGAJAMENTO

Quando a empresa e os líderes conhecem bem seus colaboradores, é muito mais fácil mantê-los felizes com o ambiente de trabalho e com a sua função. Por isso, a psicologia organizacional promove mais engajamento – com ela os profissionais são ouvidos!

REDUÇÃO DE CUSTOS

Com colaboradores mais produtivos e engajados, a rotatividade tende a baixar, já que você contará com profissionais satisfeitos no trabalho. Consequentemente, você vai reduzir os seus custos com processos de recrutamento e seleção, treinamento e etc.

AJUSTE DO CLIMA ORGANIZACIONAL

Essa é uma outra grande vantagem de contar com a ajuda de um psicólogo dentro da empresa: o clima no ambiente de trabalho fica muito melhor, favorecendo o dia a dia de trabalho, a produtividade, a interação dos colaboradores entre si e com a diretoria.

Isso gera ótimos resultados internos e externos para a empresa, não só em questão de lucro efetivo, mas também de imagem positiva no mercado.

o que é psicologia organizacional e quais são os benefícios para a sua empresa!.2

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 26: 10 – 12

Alimento diário

O COMPORTAMENTO DOS TOLOS

 

V10 – A nossa tradução dá a este versículo uma interpretação diferente, no texto e na margem, e, consequentemente, ele expressa:

1. A equidade de um bom Deus. O Mestre, ou Senhor (este é o significado de Rab), ou, como nós interpretamos, o grande Deus que formou todas as coisas no princípio, e ainda as governa com infinita sabedoria, dá, a cada homem, segundo a sua obra. Ele recompensa o tolo, que pecou por ignorância, que não conhecia a vontade do seu Senhor, com poucas chibatadas; e recompensa o transgressor, que pecou arrogantemente e com violência, que conhecia a vontade do seu Senhor e não desejou cumpri-la, com muitas chibatadas. Alguns entendem que é uma referência à bondade da providência comum de Deus, até mesmo para com os tolos e os transgressores, sobre os quais Ele faz brilhar o seu sol e cair a sua chuva. Ou,

2. A iniquidade de um príncipe ímpio (é o que diz a margem: um nobre fere a todos, e contrata o tolo; e também contrata os transgressores. Quando um ímpio consegue o poder em sua mão, por si só, e emprega os tolos e patifes aos quais contrata e escolhe para utilizar, fere a todos os que estão subordinados a ele, e os perturba e angustia. Nós devemos, portanto, orar pelos reis e por todos os que têm autoridade, para que, sob o seu governo, as nossas vidas possam ser tranquilas e pacíficas.

 

V. 11 – Veja aqui:

1. Que coisa abominável é o pecado, e quão odioso ele parece, às vezes, até mesmo para o próprio pecador. Quando a sua consciência é convencida, ou quando ele sente a ferida do seu próprio pecado. ele se cansa dele, e o vomita; ele parece, então, detestá-lo e disposto a se separar dele. O pecado é. em si mesmo e, mais cedo ou mais tarde, será para o pecador, repugnante do que o vômito de um cão (Salmos 36.2).

2. O quanto os pecadores são propensos a recair no pecado, apesar disto. Da mesma maneira como o cão, depois de se aliviar, vomitando o que perturbava o seu estômago, volta e ingere o vômito outra vez, também os pecadores, que foram somente convencidos e não convertidos, retornarão ao pecado, esquecendo-se do quanto este os feriu. O apóstolo (2 Pedro 2.22) aplica este provérbio aos que conhecem o caminho da justiça, mas se afastaram dele; mas Deus os vomitará da sua própria boca (Apocalipse 3.16).

 

V.12 – Aqui temos:

1. Uma suposta doença espiritual, que é a arrogância: Tens visto um homem? Sim, já vimos muitos, sábios aos seus próprios olhos, em sua própria opinião, que têm pouca sensatez, mas se orgulham dela, pensam que é muito maior do que realmente é; pensam que é maior do que a de qualquer de seus vizinhos, de modo que não precisam ter mais; têm tal convencimento de suas próprias habilidades que se tornam teimosos, dogmáticos e críticos; e todo o uso que eles fazem de seu conhecimento é o que os assoberba. Ou, se entendermos como sábio um homem religioso, isto descreve o caráter daqueles que, fazendo alguma exibição da religião, concluem que a sua condição espiritual é boa, quando na realidade é má, como a de Laodicéia (Apocalipse 3.17).

2. O perigo desta doença. Ela é, de certa forma, desesperada: maior esperança há no tolo, que sabe ser tolo e se reconhece como tal, do que nele, neste homem arrogante. Salomão não era somente um homem sábio, mas um professor de sabedoria; e ele fez esta observação sobre os seus alunos, pelo fato de que julgava o seu trabalho muito mais difícil e menos bem-sucedido com aqueles que tinham uma boa opinião sobre si mesmos e não percebiam que precisavam de instrução. Portanto, aquele que se julga sábio deve se fazer de tolo, para que possa ser sábio (1 Coríntios 3.18). Há mais esperança em um publicano do que em um orgulhoso fariseu (Mateus 21.32). Muitos são impedidos de se tornar verdadeiramente sábios e religiosos por um convencimento falso e infundado de que já o são (João 9.40,41).

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

POUCA IDADE PARA MUITA PRESSÃO

Todo excesso em educação tem um preço difícil a se pagar mais tarde. A ansiedade pode levar justamente ao fracasso escolar e à desmotivação para esportes, artes e outras atividades.

Pouca idade para muita pressão

Vítimas do desconhecimento e vaidade dos pais, do excesso de zelo ou negligência dos adultos no lar e na escola, de uma agenda excessivamente cheia de afazeres e planejamento absoluto de seus deveres e até dos momentos de diversão, das exigências em ser sempre bem-sucedido, popular, líder de grupo e outros tantos desafios extenuantes, vemos hoje um número excessivo de crianças e adolescentes ansiosos e que chegam a um nível de estresse muito impróprio para a pouca idade.

Além dos danos ligados ao emocional e ao social, existe um prejuízo pessoal que compromete o desenvolvimento e o aprendizado escolar. Exigir das crianças disciplina e dedicação às tarefas que são de sua responsabilidade, em casa e na escola, incutindo um desafio gradativamente alcançável, é sem dúvida desejável, pois proporciona motivação para o amadurecimento, mas é preciso atenção e cuidado com as cobranças.

Nos primeiros seis anos de vida, as crianças precisam de brincadeiras livres, mas também de brincadeiras estruturadas, nas quais os adultos agem como “modelos”, mas sem excesso de formalidade. E preciso agir com cautela, de acordo com o desenvolvimento e a idade da criança, privilegiando oportunidades em que as aptidões sociais possam ser treinadas com a supervisão dos pais.

As crianças são seres em desenvolvimento, não estão emocional ou biologicamente preparadas para enfrentar uma maratona que vai muitas vezes das 7h da manhã às 10h da noite, sem descanso. Precisam de pausas para assimilar o aprendizado, necessitam de tempo de brincadeira com os seus pares, de ar livre, exercícios físicos e um pouco daquilo que muitos pais chamam de tempo perdido, mas que na verdade é o melhor do dia: a hora em que podem curtir seus brinquedos, usar seu Ipad, fazer o esporte favorito, assistir um programa divertido, ler, conviver com os irmãos e amiguinhos. Depois podem voltar aos afazeres escolares, às aulas de música, de esportes, de idiomas etc.

É compreensível que os pais, trabalhando fora o dia todo, queiram ver os filhos ocupados com atividades dirigidas e bem supervisionadas e desejem enxergar o progresso da criança na forma de um boletim brilhante ou u campeonato bem-sucedido.

Porém nosso cérebro tem uma forma praticamente idêntica de reagir àquilo que interpreta como uma ameaça ao seu equilíbrio, seja verdadeira ou imaginária. Via de regra, o ser humano lida com as dificuldades de quatro maneiras, que são reveladoras de estresse e apontam para a necessidade de ajuda e compreensão dos adultos.

A primeira que se instala é uma súbita resistência infantil a mudanças, a tentativa constante de permanecer em meio a situações familiares que lhe parecem seguras e a relutância em enfrentar todo tipo de risco, por menor que seja. É o chamado comportamento de luta, que pode advir inclusive das próprias ansiedades dos pais, do desencorajamento para a criança crescer fazendo gradualmente suas opções e arcando com os resultados de suas ações. Ensinar limites e responsabilidades cria pessoas fortes e independentes, desde que tenham oportunidade de vivenciar na prática essas situações em que os pros, os contras e as consequências sejam claros. Sem pressão, mas com estímulo e o aprendizado de novas estratégias, a criança vai vencer essa relutância em se arriscar e desenvolver a resiliência para a frustração.

Também é comum nas crianças estressadas um comportamento de fuga, que se caracteriza por evitar determinadas circunstâncias, usando desculpas como doenças, cansaço, ficando à margem dos amigos, dos grupos, fazendo até coisas de que não gosta para fugir de situações que acha que não consegue enfrentar.

O comportamento de bloqueio lembra uma espécie de engessamento mental e físico, do qual não se consegue identificar a causa. Quando inquerida numa prova, a criança chega a parecer que não sabe nada. Quando está em situação de ser centro das atenções, perde a fala, comporta-se de modo estranho. Não suporta pressão, não sabe lidar com situações novas, o que na escola representa um problema de difícil manejo.

Junta-se ao quadro o comportamento gregário, ou seja, vive no grupo, se diluindo nele. Quer ser exatamente como os amigos, não deseja se destacar deles, segue suas normas e se torna superficial na aprendizagem escolar. O que muitos pais chamam de pré-adolescência precoce pode ser perfeitamente um sinal bastante sério de estresse infantil. Conhecer e conviver com os amigos dos filhos podem ser úteis para saber se o grupo tem ou não uma forma similar de agir que os pais privilegiam, seja em termos de comportamento social como também de interesse pelos estudos, esportes, artes etc.

É sempre aconselhável que as crianças tenham mais de dois grupos de amigos, para aprenderem a lidar com as diferenças e se sentirem mais seguras, menos ansiosas e mais preparadas para tomar as próprias iniciativas.

Ajudar as crianças a terem metas de acordo com suas aptidões é importante, até para elas aprenderem a identificar a finalidade de seus esforços em uma atividade.

Incentivar a terem suas próprias metas, planos, responsabilidades, estarem motivadas na tarefa escolhida, sentirem-se apoiadas pelos pais e terem tempo para ser crianças é uma complexa situação que no dia a dia corresponde a dar educação, criando filhos sem estresse e com ansiedade controlada a níveis favoráveis para seu perfeito desenvolvimento e aprendizado.

 

MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, EducaçãoEspecial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia –  ABPp (gestão 2005/07). É autora de artigos em publicações nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuroaprendizagem. irenemaluf@uol.com.br

 

OUTROS OLHARES

EM DEFESA DOS BEBÊS

A ciência já oferece avanços estupendos para gerar crianças saudáveis, e mais novidades virão em breve – mas as questões éticas continuam a assustar.

Em defesa dos bebês

“Experimentos em hibridização de plantas.” Foi em um artigo científico batizado com esse título e publicado em 1866 que nasceu o que hoje se conhece como genética. Nele o autor do texto histórico – o monge austríaco Gregor Mendel (1822-1884), formado em ciências naturais pela Universidade de Viena – detalhava um experimento de sete anos de duração. No total, Mendel cultivou 30.000 plantas de ervilha, dissecando as partes reprodutivas com o objetivo de promover cruzamentos controlados que permitiam escolher atributos dos vegetais. Assim ele podia, por exemplo, manipular a cor das flores e o formato das sementes. No fim das contas, o pesquisador provou algo que já se intuía; certas características dos pais são transmitidas a filhos, netos, bisnetos. Ou seja, são hereditárias. Passados mais de 150 anos, tudo o que se sabe sobre o DNA tem como base a estupenda experiência de Mendel. O detalhe a um só tempo extraordinário e preocupante é que a genética avançou a passos tão largos que hoje já se pode falar em “experimentos em hibridização de humanos”. Sim, não mais experimentos apenas em plantas, mas em humanos. Técnicas de edição genética que começaram a ser testadas nos anos 2010 permitem, de certo modo, que a ciência faça com bebês aquilo que o austríaco fez com ervilhas.

Não há dúvida de que as conquistas científicas nessa área abriram possibilidades de resolver muitos problemas relacionados à reprodução humana. Embora alguns desses avanços só venham a ser postos em prática em um período de dez a cinquenta anos, outros já estão sendo empregados. A lista de procedimentos bem-sucedidos é promissora.

Em 2014, realizou-se o primeiro transplante de útero que realmente deu certo, no hospital sueco da Universidade Sahlgrenska, em Gotemburgo: uma mulher, infértil, recebeu o órgão de outra, fértil, e, com isso, pôde gerar um filho. Desde então, mais sete bebês nasceram graças ao método, no mesmo hospital. Em dezembro último, um avanço surpreendente foi anunciado no Brasil. O médico obstetra Dani Ejzenberg, do Centro de Reprodução Humana do Hospital das Clinicas, executou esse transplante com uma diferença fundamental: a retirada do útero da doadora foi realizada após sua morte. “A cirurgia é delicadíssima. A técnica, porém, se prova ideal para mulheres mais velhas que querem engravidar. Ou, pensando no futuro, até para possibilitar o mesmo a transexuais”; disse Ejzenberg. O obstetra paulistano realizou a operação em setembro de 2016. O feito, entretanto, foi divulgado dois anos depois, quando um artigo do médico saiu no periódico inglês The Lancet.

No caso de transplantes de útero, a interferência ocorre, é claro, na mãe. Contudo, já é possível também atuar nos embriões. O mais estarrecedor dos procedimentos nessa direção foi revelado em novembro passado, pelo biólogo chinês He Jiankui. Foi quando o cientista apresentou a história das gêmeas Lulu e Nana, que tiveram o DNA modificado em laboratório. Mexeu-se nos embriões por meio de uma técnica chamada Crispr-Cas 91 que permite manipular o sequenciamento genético com a introdução de substâncias químicas. No processo das gêmeas, Jiankui desativou o gene CCR5, responsável por produzir proteínas que deixam o organismo vulnerável ao HIV – vírus presente no pai. Com a manipulação, as gêmeas nasceram imunes à aids. O resultado é uma grande notícia, mas traz questões de fundo altamente sensível e preocupante. Afinal, a edição genética de embriões humanos, tal como realizada por Jiankui, abre as portas para intervenções semelhantes às de Mendel. Ou seja: ela possibilita mudar a cor da pele, a textura do cabelo ou até mesmo traços comportamentais. Em outras palavras, dá asas aos mais perigosos anseios eugenistas, como os que levaram às catástrofes produzidas pelo nazismo, que buscava a pureza racial. Por esse motivo, a técnica de Jiankui é proibida em países como EUA e Brasil. Na China, onde foi realizada, não há lei que a libere nem que a proíba. Mas o governo parece ter julgado o ato ilegal. Dias após o anúncio da proeza, Jiankui sumiu; desconfia-se que tenha sido preso pelas autoridades.

Entre os recentes avanços científicos na genética, há possibilidades menos polêmicas. A fisioterapeuta paulistana Tatiana Weigand beneficiou-se de uma dessas conquistas. Na primeira tentativa de gravidez, em 2013, ela e o marido, Fernando, descobriram que ambos tinham a doença hereditária gangliosidose GMI, que afeta uma em cada 100.000 pessoas e atrasa o desenvolvimento motor e cognitivo. Eles não apresentavam sintoma da enfermidade, mas poderiam transmiti-la a um filho. Foi o que aconteceu. O primogênito do casal nasceu com a doença e, em decorrência de complicações, acabou falecendo dois anos após o nascimento. Antes da segunda gravidez, em 2014, Tatiana e Fernando souberam que já era possível mapear o código genético de embriões fecundados in vitro. Não para editá-los, como realizou o biólogo chinês, mas para selecioná-los, a exemplo do que Mendel fez com ervilhas. Assim, o casal valeu-se da fertilização in vitro, e os embriões foram rastreados atrás de um que fosse livre da gangliosidose. Nasceram, então, saudáveis, os gêmeos Eduardo e Rafael. “Algumas pessoas próximas me julgaram, achando que o que fiz iria contra os planos de Deus”, relatou a mãe. “É preciso compreender que a triagem não teve o intuito de escolher características superficiais e sim garantir a sobrevivência de meus filhos.”

O procedimento é acessível a qualquer um que tenha como pagar em torno de 30.000 reais. Quem não dispõe dessa quantia pode recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS.) Foi o que fez a enfermeira Talitha Pádua, paulista da cidade de Marília. Em uma consulta prévia, o marido, Rodrigo, já havia detectado que tem neoplasia endócrina múltipla, condição que leva ao desenvolvimento de tumores que reduzem a 50% a chance de um filho saudável. “Alguns médicos especulavam que, devido aos genes do meu marido, as chances de gerar uma criança saudável eram baixíssimas sem a triagem genética”, lembrou ela, que decidiu apostar. Em procedimento realizado pelo SUS no Hospital Pérola Byington, em São Paulo, foi possível optar por um embrião saudável – e dele nasceu Davi, hoje com 4anos.

A tecnologia atual nem sempre detecta previamente doenças genéticas. A administradora de empresas paulistana Juliana Sena, por exemplo, entrou em desespero ao saber que sua filha, Giovanna, que nasceu em 2014, tinha anemia falciforme – doença que altera o formato dos glóbulos vermelhos – e estava em estágio tão grave que os médicos não davam à criança mais do que poucos meses de vida.

A solução seria um transplante de medula óssea, mas não se encontrava um doador compatível. Juliana recorreu, então, à triagem genética. “Selecionamos um embrião para gerar meu outro filho, Matheus, de forma que ele tivesse células compatíveis”, recordou a mãe. Matheus nasceu em 2016 e logo passou por uma cirurgia de transplante de células para sua irmã. Deu certo. Curada, Giovanna completará 5 anos em 2019. Em um futuro próximo, casos graves como o de Giovanna poderão ser solucionados de maneira mais simples. É o que aponta um experimento em curso com o americano Brian Madeux, de 44 anos. Ele nasceu com síndrome de Hunter, anomalia cromossômica que cria deformações físicas. Em novembro de 2018, Brian tornou-se o primeiro individuo a submeter-se a um novo tipo de tratamento, que edita os genes defeituosos. Adicionadas à sua corrente sanguínea, substâncias manipularam células do fígado. Ainda não se sabe em que medida o tratamento teve êxito, mas, se vingar, a experiência mostrará que, no futuro, será possível exterminar praticamente todas as doenças hereditárias. Já se testou até mesmo um método que mistura o DNA dos pais com o de uma doadora para diminuir a probabilidade de o filho nascer com anomalias. Exibida em 2016 por médicos mexicanos e americanos, a técnica mesclou genes para gerar uma criança sem a síndrome de Leigh, que afeta o sistema nervoso e que poderia ter sido transmitida pela mãe.

Ao que tudo indica, em poucas décadas qualquer pessoa poderá recorrer à genética para orientar a gestação. É um inegável progresso para garantir a saúde dos bebês. Entretanto, esse horizonte arrasta consigo a sombra de uma distopia aterrorizante, como a narrada pelo escritor inglês Aldous Huxley (1894-1963) em sua obra-prima Admirável Mundo Novo (1932).

No livro, conta-se a história de um mundo no qual crianças são editadas geneticamente para que uma maioria nasça com déficits físicos e mentais, “preparando-as” para encarar trabalhos insalubres, enquanto uma minoria ganha aprimoramentos. Assim, os privilegiados acabam incumbidos, naturalmente, da tarefa de governar. Fora da ficção, deve-se atentar para o que disse He Jiankui, o pioneiro editor de genes: “A sociedade decidirá o que deve fazer a seguir”.

Em defesa dos bebês. 2

 

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GESTÃO E CARREIRA

SALÁRIO DE ALTO RENDIMENTO

Manter as finanças no azul ganhando pouco é um desafio. Saiba como pagar as contas, poupar e realizar seus projetos recebendo 2.700 reais, o contracheque médio de entrada pago pelas empresas brasileiras.

Salário de alto rendimento

Os primeiros anos de vida profissional não são mais difíceis apenas pela adaptação ao mundo corporativo. Além da preocupação em dar os passos certos no início da carreira, vem a responsabilidade de administrar bem o salário recebido, que não costuma ser muito alto. De acordo com os dados da pesquisa do Guia Melhores Empresas para Começar a Carreira, realizada em parceria com a Fundação Instituto de Administração (FIA), o salário médio pago aos profissionais entre 18 e 26 anos nas 40 empresas com melhores práticas de gestão para o jovem é de 2.700 reais. Com uma inflação em torno de 7%, será que é possível pagar as próprias contas sem entrar no vermelho e poupar para realizar projetos pessoais recebendo essa quantia? “Independentemente do valor do salário, é preciso conhecer seu custo de vida e estabelecer os objetivos a serem alcançados. Assim é que se cria o hábito de poupar”, diz Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros e da consultoria DSOP Educação Financeira, de São Paulo. Cuidar bem do próprio dinheiro é importante não só para ficar no azul, mas também para fazer boas escolhas profissionais e assegurar o crescimento de carreira. “Quem não lida bem com o dinheiro e não faz reservas pode acabar tomando decisões considerando apenas o salário, e não a melhor oportunidade”, afirma Conrado Navarro, do site Dinheirama. Por outro lado, quem tem uma vida financeira organizada pode fazer um planejamento mais cuidadoso de sua carreira. “A pessoa pode optar mais facilmente por trocar de trabalho ou até empreender, se quiser. Sem contar que evita problemas de desempenho relacionados ao endividamento, como baixa produtividade, absenteísmo e estresse”, diz Conrado.

O analista comercial paulistano Luiz Henrique Ramos, de 24 anos, é um dos que enxergam a boa administração do dinheiro como um investimento na carreira. Mesmo ganhando 2.400 reais líquidos, ele inclui no orçamento um MBA na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. “O valor da mensalidade consome cerca de 60% do meu salário, e ainda poupo 20% dele para um intercâmbio que pretendo realizar em 2017. O restante uso para cobrir as despesas”, afirma. Como ele tem priorizado os investimentos na carreira, foi preciso adiar os planos de morar sozinho. “Por morar com meus pais, não tenho gastos com moradia, e isso alivia muito o meu orçamento”, diz ele. Mesmo assim, para não perder o controle de quanto pode gastar, Luiz anota todas as despesas, opta por comer sempre em casa em vez de nos restaurantes da faculdade e limitou as saídas a uma vez por mês. “Troquei o cinema ou a balada pelo Netflix”, diz.

Mas e quem não conta com a facilidade de morar com os pais? A assistente financeira Layane Oliveira, de 23 anos, de São Paulo, se enrolou com as faturas do cartão de crédito depois que se casou, há dois anos. “Quando morava com meus pais não precisava ajudar nas despesas da casa e gastava muito com roupas, sapatos, restaurantes. No ano passado, com as contas da casa, não consegui mais pagar as faturas e entrei no rotativo, naquele efeito bola de neve”, afirma. Para se reorganizar, Layane buscou um serviço de assessoria financeira oferecido pela empresa onde trabalha. Ela aderiu a uma planilha para registrar todo o dinheiro que entra e que sai, diminuiu as compras parceladas as grandes vilãs do seu orçamento e, ao lado do marido, passou a buscar opções de lazer mais baratas. “Agora procuramos descontos em sites de compras coletivas e diminuímos a frequência dos passeios”, diz. O esforço concentrado rendeu resultados. Quase um ano depois, em maio, pela primeira vez, Layane está conseguindo poupar dinheiro. “Liquidei os parcelamentos e consegui guardar 10% do meu salário”, diz ela. “Agora, em no máximo cinco anos, pretendo dar entrada na casa própria”, afirma. Para Thiago Alvarez, do aplicativo de planejamento financeiro Guia Bolso, Layane está indo pelo caminho certo ao evitar as compras parceladas no cartão. “Os parcelamentos sem juros são uma armadilha, porque fazem com que o consumidor acumule uma série de prestações. Num deter- minado momento, todo o orçamento pode ficar comprometido por causa delas, sem que sobre dinheiro para as despesas básicas do dia a dia”, diz. Por isso, o ideal é fazer um parcelamento de cada vez, e só para projetos realmente caros, como financiar um veículo ou um imóvel. Esses projetos, por sua vez, exigem atenção redobra- da. “O jovem precisa ter paciência para concretizar os sonhos de consumo, e não achar que só porque está ganhando seu dinheiro pode sair comprando tudo”, diz Conrado Navarro. “Nossas pesquisas mostram que grande parte dos brasileiros não sabe quanto ganha de verdade e superestima sua renda em cerca de 8%. Isso é um problema, porque dá uma falsa sensação de ter mais dinheiro do que se tem”, diz Thiago Alvarez.

Salário de alto rendimento. 2

ESTICA-E-PUXA

As dicas para fazer o orçamento render quando o dinheiro é curto

Salário de alto rendimento. 3

GASTOS COM MORADIA

As despesas com habitação não devem comprometer mais de 20% da renda, ou seja, para quem tem um salário líquido de 2.400 reais, os gastos não devem superar 480 reais – o que é muito pouco. Portanto, a solução é dividir o apartamento, morar mais longe do trabalho ou ficar na casa dos pais.

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CONTABILIZE TUDO

Recorrendo a aplicativos, planilhas ou até a papel e caneta, faça um controle de quanto você ganha e de quanto gasta. Desse total, destine 50% a gastos essenciais, presentes no seu orçamento todo mês. Destine 35% para gastar com lazer ou com itens do seu estilo de vida e guarde 15% para projetos pessoais.

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CASADO E COM FILHOS

Mesmo que os gastos sejam divididos, é preciso aumentar a reserva financeira para imprevistos, como perder o emprego, por exemplo. “Tenha cuidado com os gastos fixos para que eles não drenem mais da metade do orçamento. Economize em serviços como telefone, TV a cabo e internet, cujo custo é variável”, afirma Conrado Navarro.

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SOLTEIRO

Se você ainda não formou uma família, aproveite para investir melhor. Como não precisa reservar 50% do seu orçamento para gastos fixos, invista 35% dele. Quem tem um salário líquido de 2.400 reais e aplica esse percentual – 840 reais – todo mês na poupança acumula quase 23.000 reais em 24 meses. Com esse dinheiro, dá para investir em um curso ou numa viagem.

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FAÇA SOBRAR

Muita gente diz que começará a poupar quando ganhar melhor. Mas o hábito de economizar precisa estar presente sempre. “Mesmo que sejam 200 reais, o importante é criar o hábito de acumular. Assim, quando você passa a ganhar mais, esses 200 reais se tornam 500 ou 2.000 reais de forma natural, porque isso já faz parte do seu planejamento”, diz Conrado Navarro. Para ficar mais fácil, crie metas para o valor poupado, como quitar uma dívida, trocar de celular ou fazer uma viagem, por exemplo.

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DISPENSE O CARTÃO DE CRÉDITO

Quem tem um salário curto deve cancelar o cartão de crédito ou ter no máximo um. “O cartão dá a falsa sensação de que se tem dinheiro a mais, porque você gasta contando com o salário do próximo mês. Para evitar essa armadilha, o ideal é usar o cartão só para compras emergenciais”, diz Thiago Alvarez, do GuiaBolso. Se não tem esse autocontrole, cancele a função crédito e fique só com o débito.

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INVISTA MESMO COM POUCO

Ganhar pouco não é desculpa para deixar de investir. Atualmente, devido ao cenário de juros altos, o Tesouro Direto tem se mostrado uma boa alternativa, com opções de aplicações a partir de 30 reais. “O risco é baixo, a transação é feita pela internet, de forma rápida, e a rentabilidade é maior que a da poupança”, afirma Conrado. Mas fique atento à taxa de custódia das administradoras, que não deve ultrapassar 0,5% ao ano.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 26: 6 – 9

Alimento diário

O TRATAMENTO APROPRIADO PARA OS TOLOS

 

V. 6 a 9 – Para nos recomendar a sabedoria e nos incentivar ao uso diligente de todos os meios para obtê-la, Salomão aqui nos mostra que os tolos não são adequados para nada: ou são homens embrutecidos, que nunca pensam ou que não têm nenhum desígnio, ou homens ímpios, que nunca pensam o bem, ou têm boas intenções.

1. Eles não são adequados para que lhes seja confiado nenhum assunto nem missão (v. 6): Aquele que envia mensagens pela mão de um tolo, de uma pessoa descuidada e desatenta, alguém que está tão cheio de suas brincadeiras e que é tão dado aos seus prazeres que não consegue concentrar a sua mente em nada que seja sério, terá a sua mensagem mal interpretada, metade dela, esquecida, e o restante transmitido de maneira desajeitada, e com tantos equívocos que poderia ter igualmente cortado suas pernas, isto é, nunca ter enviado esse mensageiro. Na verdade, beberá dano; será para seu próprio prejuízo ter empregado este mensageiro que, em lugar de lhe trazer um bom relato de seus assuntos, o trata mal e zomba dele; pois, no linguajar de Salomão, um trapaceiro e um tolo têm o mesmo significado. Será a infelicidade de um homem usar o serviço de um tolo, pois as pessoas são propensas a julgar o senhor pelo seu mensageiro.

2. Eles não são adequados para receber nenhuma honra. Salomão tinha dito (v. 1), “não é conveniente ao louco a honra”; aqui, ele nos mostra que ela é perdida e desperdiçada nele, como se um homem jogasse uma pedra preciosa, ou uma pedra apropriada para ser usada em pesagens, em um monte de pedras comuns, onde ficaria enterrada e não teria utilidade; isto é tão absurdo como se um homem vestisse uma pedra de púrpura (segundo alguns); ou melhor, é perigoso, é como uma pedra presa em uma funda, com que um homem provavelmente fará o mal. Dar honra a um tolo é colocar uma espada na mão de um louco, com que não sabemos qual dano poderá fazer, mesmo aos que colocaram a espada na sua mão.

3. Eles não são apropriados para transmitir dizeres sábios, nem devem se dedicar a cuidar de nenhum assunto de importância, ainda que sejam instruídos a este respeito, e sejam capazes de dizer algo sobre isto. Os dizeres sábios, quando um tolo os transmite e aplica (de maneira que podemos perceber que ele não os entende corretamente) perdem sua excelência e utilidade. Uma parábola na boca dos tolos deixa de ser uma parábola, e se torna uma pilhéria. Se um homem leva uma vida de iniqüidade, mas fala religiosamente e toma o concerto de Deus em sua boca:

(1) Ele apenas envergonha a si mesmo, e à sua profissão: como as pernas do coxo não são iguais, porque o seu andar é inadequado, igualmente inadequado é que um tolo tenha a pretensão de proferir máximas, e dar conselhos, e que fale de maneira devota um homem cujo modo de vida é uma constante contradição ao que ele diz, e que o desmente. As suas boas palavras o exaltam, mas então a sua má vida o derruba, e assim suas pernas não são iguais. “Uma palavra sábia” (diz o bispo Patrick) “é tão inapropriada para um tolo como dançar é inapropriado para um aleijado, pois, da mesma maneira como a sua deficiência nunca é tão evidente como quando ele deseja parecer ágil, também a tolice do outro nunca é tão ridícula como quando ele deseja parecer sábio”. Da mesma maneira, portanto, como é melhor que um coxo fique sentado, também é melhor que um tolo, ou um homem ímpio, refreie a sua língua.

(2) Ele apenas provoca danos com essa palavra sábia, a si mesmo a aos outros, como o espinho que entra na mão do ébrio, com que o próprio bêbado fere a si mesmo e aos que estão à sua volta, porque não sabe como lidar com ele. As boas obras dos que falam bem, mas que não vivem bem, agravarão a sua própria condenação, e os outros serão insensibilizados pela sua incoerência para consigo mesmos. Alguns atribuem o seguinte sentido: a palavra mais brilhante ou perspicaz, pela qual imaginaríamos que um pecador tivesse perfurado seu coração, não causa maior impressão sobre um tolo (ainda que venha da sua própria boca), do que o arranhão de um espinho provoca na mão de um homem embriagado, que não o sente nem se queixa dele (Provérbios 23.35).

 

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ELE E ELA – COMPLETUDE OU CONFORTO?

Homens e mulheres diferem no comportamento porque uma parte importante tem suas raízes na cultura, na educação, na vida social, e tudo o que fazemos acontece a partir de determinação cerebral.

Ele e ela - completude ou conforto

Estudos neuropsicológicos constatam que as diferenças existem entre homens e mulheres e não são exclusivamente culturais. Os pesquisadores de Harvard descobriram que determinadas partes do córtex frontal, envolvido em funções cognitivas importantes, são proporcionalmente mais volumosas em mulheres do que em homens, assim como partes do córtex límbico, envolvido nas reações emocionais. Outra região do cérebro que difere anatomicamente entre os sexos em sua resposta ao estresse, e o hipocampo, estrutura essencial para o armazenamento de lembranças e para o mapeamento espacial do ambiente. Essas divergências anatômicas podem estar ligadas à diferença no modo como homens e mulheres se comportam: os homens tendem a se orientar estimando a distância e sua posição no espaço, enquanto as mulheres se orientam observando pontos de referência.

Seguindo nas comparações entre estruturas cerebrais, o aumento na densidade do córtex auditivo feminino pode estar relacionado ao melhor desempenho em testes de fluência verbal. Essas características não representam mais capacidades, mas a maneira como a estrutura do nosso cérebro se desenvolve. Existe a capacidade de reagir de maneira diferente à violência, o que não quer dizer, obviamente, que as mulheres não possam ser agressivas.

Em relação à inteligência emocional, a situação não é diferente. A inteligência emocional pode ser entendida como a capacidade de se conhecer para lidar bem consigo mesmo e, da mesma forma, conhecer e lidar bem com o outro, nos relacionamentos sociais, familiares ou profissionais. Dessa forma, trata-se da capacidade de conciliar as emoções e a razão, de modo a facilitar esse equilíbrio fundamental na habilidade de trabalho em grupo ou para ouvir nossos próprios sentimentos.

As mulheres apresentam melhor desempenho em relações humanas e tendem a se sobressair em empatia e proteção. Por outro lado, os homens têm mais facilidades na independência e nas habilidades matemático-espaciais. A região parietal inferior do córtex no hemisfério esquerdo é maior nos homens, privilegiando as habilidades mentais de raciocínio matemático, conforme foi verificado no cérebro de Albert Einstein e de outros físicos e matemáticos.

Foi descoberto, no entanto, que o cérebro das mulheres processa a linguagem verbal nos dois hemisférios simultaneamente, enquanto os homens só processam a linguagem verbal no hemisfério esquerdo. Como consequência dessa descoberta, na Universidade de Yale percebeu-se que os homens e as mulheres usam estratégias diferentes para desempenhar as funções cognitivas. Se de um lado eles têm força corporal para competir, elas conseguem vantagens sociais através da argumentação e da persuasão.

É interessante, ainda, que existe um feixe de fibras nervosas ligando os dois hemisférios cerebrais, sendo esse o ponto essencial do desenvolvimento intelectual. Esse feixe é maior nas mulheres, que acessam várias partes do cérebro para resolver determinado problema, enquanto os homens pensam com regiões mais específicas do cérebro, podendo ter respostas mais sintetizadas e objetivas, menos analíticas.

 

 

 

 

Atualmente, em virtude do acentuado desenvolvimento tecnológico, as relações sociais transformam-se em sua essência, provocando um descompasso na construção identitária do sujeito pós-moderno, que aumenta velozmente a sua interação com a máquina enquanto, inversamente, diminui seu contato com o gênero humano, dificultando o exercício da chamada inteligência emocional porque se dedica mais ao computador que ao conhecimento de si, enquanto pessoa.

Segundo Foucault (1926-1984), o estudo da sexualidade deve centrar-se nos discursos do desejo, explorando as palavras, a linguagem e os símbolos.

Desse modo, a sociedade se constrói nas relações afetivas, familiares, educacionais e profissionais. Sem dúvida, é na família que a identidade da mulher e do homem recebe as primeiras programações culturais. A divisão dos papéis entre o casal para a educação dos filhos reflete os valores e as crenças da instituição familiar. Cada família tem regras e valores próprios. É comum no Ocidente que as meninas, ainda no berçário, ganhem brincos e recebam um laço de fita na cabeça logo após nascer. Os meninos são comemorados sem esses detalhes. Assim, daquele momento em diante, instala-se um aprendizado que deverá fazer parte da identidade feminina ou masculina, num contexto social. A identidade é produto social e reflexo do olhar do outro, ou seja, de como o outro nos percebe, porque o autoconceito se forma a partir das informações que se recebe.

Para Foucault (1926-1984), que enfatiza o papel do poder na evolução do discurso em sociedade, as contradições podem ser vistas como um princípio organizador. O conjunto de traços contraditórios fundamenta os discursos que na atualidade se desdobram em diversos temas sobre os sexos, no qual a mulher é associada ao dilema entre carreira e maternidade, à culpa, à angústia, à incompletude, convergindo para uma identidade em crise, enquanto o homem segue competindo pelo poder e domínio, porém liberado para se emocionar, fazer tarefas caseiras e demonstrar afetividade.

Enfim, o crescimento do número de mulheres em lugares anteriormente ocupados apenas por homens deverá contribuir para o aumento considerável de valores como compreensão, solidariedade e aceitação de diferenças, contribuindo para um mundo mais justo e inclusivo, que abrace a diversidade de gênero.

 

LUIZA ELENA L. RIBEIRO DO VALLE – é psicóloga, doutora em Ciência no Departamento de Psicologia Social (USP/SP). Mestre em Psicologia Escolar e Educacional (PUC-Campinas), MBA Executivo em Psicologia Organizacional (AVM-Brasília), extensão em Gestão de Pessoas (FGV). Formação em Coaching (Lambent), especialização em Psicologia Clínica (CFP) na linha Cognitivo –Comportamental, consultora em Psicopedagogia, autora de livros.

OUTROS OLHARES

NOITES BRANCAS ELETRÔNICAS

Estudo comprova que usar aparelhos como smartphone e tablet em lugares escuros antes de dormir afeta a qualidade do sono dos adolescentes.

Noites brancas eletrônicas

Olhe por uma nesga da porta do quarto de seu filho: sete em cada dez adolescentes utilizam algum aparelho eletrônico antes de dormir. O impacto negativo desse hábito na qualidade do sono foi sempre uma certeza dos pais, mas não havia comprovação cientifica tão certeira. O maior estudo já conduzido sobre o assunto, publicado na revista científica Environment Interntional, decretou o fim das dúvidas: sim, usar smartphones, tablets, laptops e vídeo games na escuridão do quarto antes de dormir afeta seriamente a qualidade do sono. Ficar conectado no breu até uma hora antes de dormir é ainda pior do que fazê-lo com a luz do quarto acesa. Cinco vezes pior.

O efeito prejudicial do uso de telas no escuro tem uma base fisiológica e outra comportamental. A fisiológica: quando a luz do quarto está apagada, a pupila se dilata, e os olhos ficam ainda mais expostos à incidência da claridade proveniente das telas, chamada de “luz azul”. É um tipo de luz com grande interferência no organismo porque a cor azul inibe a produção do hormônio que induz o sono, a melatonina. Tal substância é essencial para regular o ciclo de sono e vigília. Alguns modelos de celular já vêm com uma película de proteção contra essa fonte luminosa ou estão equipados para neutralizar a luz azul à noite – o objetivo dessas novidades é diminuir quase totalmente a emissão de luz azul filtrando-a. Agora, a base comportamental: a luz apagada “engana” os pais. “O adolescente que fica no quarto escuro, em tese, não estaria mais acordado, e os pais não desconfiam que possa estar conectado nos aparelhos”, diz a neurologista Andrea Bacelar, da Associação Brasileira do Sono (meninos e meninas, desculpem-nos pela revelação, mas saibam que era um segredo de polichinelo).

Noites brancas eletrônicas. 2

O estudo, conduzido pelo Imperial College London, no Reino Unido, foi feito com 6.616 jovens com idade média de 12 anos, usuários de todos os tipos de tela e para os mais diversos fins – tanto para estudo como para diversão. Os adolescentes responderam a detalhados questionários para medir o papel dos aparelhos no sono e na qualidade de vida. Os que utilizavam os dispositivos antes de dormir tinham noites de descanso mais curtas (o ideal nessa fase da vida são ao menos nove horas de repouso) ou sofriam para pegar no sono. Além disso, despertavam várias vezes durante a noite ou acordavam mais cedo que o normal. O trabalho mostrou que o aparelho mais usado é o smartphone, seguido do tablet.

Um sono ruim afeta drasticamente a vida de qualquer pessoa. Na adolescência, o impacto no corpo é ainda maior. Nessa fase, a necessidade de sono vem, em especial, de uma mudança fundamental no organismo: a puberdade. Para que essa condição, caracterizada por uma revolução hormonal se realize plenamente, é preciso que o adolescente tenha um sono reparador -do contrário, ele poderá sofrer prejuízos ao longo do desenvolvimento. A falta crônica de sono (que significa dormir muito pouco, menos que as tais nove horas, ao longo de um mês, no mínimo) acarreta a liberação de mais cortisol, o hormônio associado ao stress. Com isso, eleva-se o risco de oscilações bruscas de humor, depressão e transtornos de ansiedade. É também durante o sono que o corpo aumenta a liberação de GH, o hormônio do crescimento ósseo e muscular. Em outras palavras: o adolescente cresce quando dorme. O risco de obesidade é igualmente maior nos jovens que dormem pouco, pois os hormônios relacionados ao ciclo de fome e saciedade, como a grelina e a leptina, são produzidos durante a noite. Se não se dorme direito, o impacto imediato também é péssimo: em relação à escola, destacam-se faltas e atrasos, dificuldades de atenção, problemas de memória, concentração e aprendizagem, que levam à redução no desempenho escolar. Despontam também problemas comportamentais, com uso e abuso de drogas, acidentes de carro e baixa imunidade.

Apesar de todas as evidências científicas, a batalha para afastar um filho da tecnologia é inglória. Há solução? Talvez não, mas convém um pouco de bom-senso. Um caminho é estabelecer regras. “Tentem fazê-lo deixar o celular carregando no corredor durante a madrugada”, diz a neurologista Andrea Bacelar. Boa sorte aos pais.

Noites brancas eletrônicas. 3

GESTÃO E CARREIRA

OU ISTO OU AQUILO

Pessoas que enxergam todos os lados de uma questão normalmente são tachadas de indecisas, mas essa qualidade – conhecida como ambivalência – pode ser uma grande ferramenta no trabalho se bem usada.

Ou isto ou aquilo

Quente e frio, claro e escuro, cabeça e coração. Operações simples como estas fazem parte de nosso cotidiano e explicam em muito a forma como raciocinamos: em pares. Quase sempre uma ideia tem seu oposto definido, que é, muitas vezes, visto como excludente. “É da natureza do ser humano a dualidade”, diz José Roberto Marques, coach e presidente do Instituto Brasileiro de Cooching, em São Paulo. Na língua, expressamos essa dualidade com esses opostos, mas a realidade é mais complicada e menos dividida. ”É por isso que uma escolha pode ser um momento difícil porque envolve optar por um destes caminhos supostamente opostos, que às vezes se confundem. Especialmente para as pessoas denominadas ambivalentes.

A ambivalência ocorre quando vemos todos os fatores de uma questão, dando igual importância às possíveis perspectivas, e nos sentimos divididos. Todos nós podemos passar por essa situação, mas há pessoas que costumam agir assim para a maior parte dos problemas. Para elas, o cenário se torna tão cheio de detalhes e nuances que uma decisão dificilmente parece ser suficiente para dar conta de tudo. Por isso, são constantemente tachadas de indecisas e em cima do muro, às vezes de forma injusta. “Ambivalência não é indiferença nem ignorância”, diz Roberto Camanho, sócio-diretor da consultoria Side-C e professor da ESPM, de São Paulo. “Significa que se tem fortes convicções em duas direções”. E essa atitude não é, necessariamente, um defeito.

Isso porque ela nos motiva a buscar mais informações e a não nos contentarmos com a primeira resposta. Em uma situação ruim, por exemplo, essas pessoas têm mais facilidade em encontrar aquilo que pode ser positivo. Também são mais hábeis em organizar as informações disponíveis e entender as consequências de diferentes decisões. Apesar de o mundo corporativo exigir respostas rápidas e decisões assertivas e cobrar dos líderes uma postura mais objetiva, a ambivalência, se bem usada, pode trazer benefícios para os negócios e para as equipes. Um estudo de 2009 feito por Nils Plambeck (professor da escola de negócios francesa HEC Paris) e Klaus Weber (da americana North­ western University) com CEOs alemães descobriu que os líderes que abrem espaço para a ambivalência conseguem resultados mais criativos e mais inovadores. A explicação é que, quando os presidentes conseguem expressar fortes sentimentos tanto a favor quanto contra uma ideia, eles despertam uma participação maior da equipe, que busca soluções diferentes para aquele problema. Assim, um líder que expressa claramente dois lados da mesma moeda pode criar uma energia positiva para a busca de soluções.

Ou isto ou aquilo. 2

UM PROCESSO DIFERENTE

Apesar de ser considerada por muitos como improdutiva, a ambivalência é apenas uma forma diferente de lidar com as coisas. Uma pessoa que age rapidamente e faz ajustes ao longo da ação para corrigir a primeira decisão normalmente é vista como alguém que resolve rápido. Já outra que pensa por mais tempo antes de agir, mas, uma vez decidida, age mais rapidamente, é vista como lenta e indecisa. “São processos diferentes, mas, no fim o tempo de entrega é o mesmo”, diz Fernando Seacero, psicólogo e cofundador da i9ação, consultoria de recursos humanos em São Paulo. A diferença é que o primeiro age antes e corrige durante o processo e o segundo tenta prever os possíveis erros para agir uma só vez – ele leva mais tempo para decidir, mas sua ação tende a ser menos custosa no longo prazo.

A cultura da decisão rápida também tem seus críticos. O autor britânico Carl Honoré defende em Solução Gradual (Editora Record) que, para resolver problemas complexos de forma consistente, temos que parar de buscar soluções simples e imediatistas. “Tentar resolver problemas com pressa, colocando esparadrapo quando se precisa de cirurgia, traz um alívio temporário. Mas mais tarde se paga o preço”, diz Carl. Paciência, energia e tempo são necessários para refletir a respeito de uma questão complexa. Nesse caso, quem tem uma visão ambivalente sai ganhando, já que essa característica pode ser um instrumento para análises mais profundas. Só que saber usá-la pode ser um grande desafio.

Ficar atormentado pelas diferentes possibilidades foi algo pelo qual o empresário Ângelo Almeida, de 41 anos, de São Paulo, já passou diversas vezes. “Quando era mais novo, ficava ansioso pensando nas coisas que tinha de resolver”, diz. Ele conta que chegou a passar noites em claro considerando os diversos cenários para uma decisão. Foi assim quando teve de decidir sair de um emprego em uma grande empresa de tecnologia para abrir sua própria consultoria de sistemas. Hoje, ele diz que desenvolveu mecanismos para lidar com o nervosismo, mas continua sendo analítico em problemas mais sérios. “Acho que pensar assim me faz tomar decisões melhores e com mais segurança, afirma.

Para não se perder, ele coloca as dúvidas no papel, com listas de prós e contras. E, a partir do momento em que toma uma decisão, vai até o fim. Ângelo costuma fazer um exercício diário de aceitar que cada decisão é uma renúncia, especialmente para não se questionar uma vez tendo feito sua escolha. Em seu trabalho como consultor, ele usa constantemente a sua ambivalência para buscar as melhores soluções para os clientes e para mediar conflitos. “Como consigo ver os dois lados, é fácil me distanciar e conduzir uma conversa”, diz. “E sou sempre aquele que diante de situações extremas levanta a mão e fala ‘mas tem outro lado, vamos tentar ver o positivo’”.

Ou isto ou aquilo. 3

MAIS DE UMA REPOSTA

Um fator que dificulta a tomada de decisão dos ambivalentes é a ideia de que há uma única resposta correta. “Aprendemos desde a escola que somos obrigados a resolver todos os problemas”, diz Roberto. Essa pressão traz sofrimento porque, às vezes, diferentes atitudes podem ser igualmente válidas. E, não sabendo lidar com isso, podemos ficar paralisados. A recomendação não está em mudar seu Jeito de analisar o problema, mas usá-lo a seu favor, como conseguiu fazer Ângelo ao longo da carreira. Importante ressaltar que esse é um processo contínuo e que melhora conforme temos mais maturidade, inclusive para perceber quais problemas merecem, de fato, toda essa atenção. “Tem gente que se perde alimentando o próprio sofrimento”, diz Roberto. “A pessoa cultiva a ambivalência em toda oportunidade.” Por exemplo, podemos perder um tempo enorme considerando escolhas simples, como o sabor de um sorvete. Para essas decisões de baixo impacto, é preciso criar rotinas para vencê-las rapidamente e dedicar energia ao que realmente importa.

A se ver dividido em uma questão importante, tente exagerar o cenário das possíveis decisões. “Esse exercício serve para sentir um impacto maior ao avaliar racionalmente as consequências”, diz José Roberto. O exagero força o cérebro a buscar outras situações que ele conhece e, por vezes, elaborar novas associações, trazendo soluções não pensadas. A intuição ou o insight, normalmente vêm disso. Você pode também separar as variáveis que interferem na sua escolha: primeiro, o que vai ganhar com uma decisão. Depois, o que perderá com ela. E, por fim, o que ganha e perde caso escolha o contrário.

Outro conselho é estabelecer uma data limite para a tomada de decisão e se permitir experimentar decisões sem ter todas as informações disponíveis, para aumentar sua confiança. Mas, caso perceba que questiona todas suas decisões e se vê frequentemente sem conseguir escolher, pode ser o caso de buscar ajuda. E é importante lembrar que não podemos cobrar de nós mesmos uma racionalidade infalível. “Não somos o doutor Spock”, diz Roberto. “Ficamos chateados porque temos a falsa ideia de que somos completamente racionais. “Mas a verdade é que não somos capazes de dar conta de todas as possibilidades e cenários que o mundo oferece. Muitas vezes o que nos faz pender para um lado ou outro é um sentimento. E tudo bem.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 26: 1 – 5

Alimento diário

O TRATAMENTO APROPRIADO PARA OS TOLOS

 

V. 1 – Observe:

1. É muito comum que recebam honra os tolos, que são completamente indignos dela, e inadequados para ela. Os homens ímpios, que não têm juízo nem razão, nem graça, são, às vezes, preferidos por príncipes, e aplaudidos e aclamados pelo povo. A tolice é considerada com grande dignidade, como observou Salomão (Eclesiastes 10.6).

2. É muito absurdo e inconveniente, quando isto acontece. É algo tão incongruente como a neve no verão, e uma perturbação tão grande na comunidade como essa neve é, no curso da natureza e nas estações do ano; na verdade, é tão prejudicial como a chuva na sega, que atrapalha os trabalha­ dores e estraga os frutos da terra quando estão prontos para ser colhidos. Quando os ímpios estão no poder, normalmente abusam desse poder, desencorajando a virtude e tolerando a iniquidade, por falta de sabedoria para discernir a primeira e de graça para detestar a segunda.

 

V. 2 – Aqui temos:

1. A tolice da paixão. Ela faz com que os homens profiram maldições sem causa, desejando o mal aos outros, supondo que eles são maus e agiram mal, quando interpretam mal a pessoa, ou quando interpretam mal os fatos, ou ao mal chamam bem e ao bem, mal. Dê honra a um tolo, e ele profere seus anátemas contra todos aqueles que o desgostam, certo ou errado. Os nobres, quando são ímpios, pensam que têm um privilégio para conservar o respeito e a reverência daqueles que estão a seu redor, amaldiçoando-os e ofendendo-os, o que é uma expressão da mais impotente perversidade e mostra a sua fraqueza, tanto quanto a sua iniquidade.

2. A segurança da inocência. Àquele que é amaldiçoado sem causa, seja por furiosas imprecações ou solenes anátemas, a maldição não lhe provocará maior dano do que o pássaro que voa sobre a sua cabeça, do que as maldições de Golias causaram dano à Davi (1 Samuel 17.43). Ela voará, como a andorinha ou a pomba, que ninguém sabe para onde vai, até que retorne ao seu lugar apropriado, como a maldição, no final, retornará sobre a cabeça daquele que a proferiu.

 

V. 3 – Aqui:

1. Os ímpios são comparados com o cavalo e o jumento, tão brutos eles são, tão irracionais. tão ingovernáveis, que não serão governados, nem pela força, nem pelo medo, tão baixo o pecado trouxe os homens, tão abaixo de si mesmos. O homem, na verdade, nasce como o filhote de jumento, mas da mesma maneira como alguns, pela graça de Deus, são modificados, e se tornam racionais, também outros, pelo costume do pecado, são endurecidos, e se tornam cada vez mais embrutecidos, como o cavalo e a mula (Salmos 32.9).

2. Orientação é dada para usá-los, de maneira apropriada. Os príncipes, em lugar de honrar um tolo (v. 1), devem levar a desgraça a ele – em lugar de colocarem poder na sua mão, devem exercer poder sobre ele. Um cavalo indomado precisa de um açoite para a sua correção, e um jumento precisa de um freio para dirigi-lo e corrigi-lo, quando sair do caminho; da mesma maneira um homem corrupto, que não aceita a orientação e as restrições da religião e da razão, deve ser açoitado e freado, deve ser castigado severa­ mente, e deve sofrer pelo que fez de errado, e deve ser impedido de cometer novas transgressões.

 

V. 4 e 5 – Veja aqui a nobre segurança do estilo das Escrituras, que parecem contradizer a si mesmas, mas na realidade, não o fazem. Os sábios precisam ser orientados sobre corno lidar com os tolos; e nunca haverá mais necessidade de sabedoria do que quando lidam com eles, para saber quando devem ficar em silêncio e quando falar, pois haverá um momento para as duas coisas.

1. Em alguns casos, um homem sábio não se assemelhará a um tolo, respondendo-lhe conforme a sua tolice. Se ele se vangloriar, não respondas a ele, vangloriando a ti mesmo. Se ele ofender e falar de maneira inflamada, não ofendas e nem fales de maneira inflamada. Se ele contar urna grande mentira, não contes outra, corno se estivesse rivalizando com a dele. Se ele caluniar os teus amigos, não calunies os dele. Se ele provocar, não lhe respondas na sua própria linguagem, para que não te faças semelhante a ele, pois conheces coisas melhores, tens mais sensatez, e tiveste melhor instrução.

2. Mas, em outros casos, um homem sábio usará a sua sabedoria para a convicção de um tolo, quando, prestando atenção ao que ele diz, pode haver esperança de fazer o bem, ou pelo menos, de evitar novos danos, quer para ele mesmo, quer para outras pessoas. Se tens razão para pensar que o teu silêncio será considerado urna evidência da fraqueza da tua causa, ou da tua própria fraqueza, neste caso, deves responder a ele, e que seja urna resposta ad hominem ao homem, combate-o com as suas próprias armas, e esta será urna resposta ad rem pertinente, ou quase. Se ele oferecer alguma coisa que se pareça a um argumento, deves responder e adequar a tua resposta à situação dele. Se não lhe responderes, e ele pensar que o que diz não tem resposta, então dá a ele urna resposta, para que não se julgue sábio e se vanglorie de urna vitória. Pois (Lucas 7.35) os filhos da sabedoria devem justificá-la.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A MAIS POTENTE ARMA CONTRA A DEPRESSÃO

EUA liberam remédio que tira pacientes de crises graves em duas horas. Festejada no mundo todo, a droga é apontada como uma revolução no tratamento da doença

A mais potente arma contra a depressão

É a maior novidade no tratamento da depressão em 33 anos. Na terça-feira 5, a Food and Drug Administration, agência americana responsável pela aprovação de medicamentos, liberou para a comercialização nos Estados Unidos o Spravato, nome comercial da droga inalável produzida pela Janssen Pharmaceuticals Inc que tem como composto principal a esketamina. Trata-se de uma parte da molécula da ketamina, um anestésico conhecido há décadas pela medicina e que, nos anos recentes, vinha se mostrando por meio de estudos científicos como uma das mais poderosas armas contra a depressão.

O remédio recebeu o sinal verde para a venda depois de passar pelo regime de aprovação urgente, aplicado somente a drogas que apresentam desempenho muito superior aos existentes. De acordo com a maioria das pesquisas, a esketamina de fato representa uma revolução contra a depressão. Sua administração tira os pacientes de crises graves em duas horas ou em dias, no máximo, afastando ideias suicidas e reduzindo a apatia que não deixa o indivíduo sequer da sair da cama, em muitos casos. Nenhum outro faz isso em tão pouco tempo. Em geral, os medicamentos levam semanas ou meses para fazer efeito.

Além desta limitação, estima-se que os remédios sejam inócuos para 30% dos pacientes. Isso ocorre por diversos motivos, entre algumas características genéticas do paciente que resultam na ineficiência das medicações. É por seu conjunto de atributos que o Spravato anima os médicos da mesma forma que o Prozac (fluoxetina), o primeiro antidepressivo, quando foi lançado em 1986. “Agora finalmente temos um remédio que funciona rapidamente contra uma doença tão grave”, explica o psiquiatra Todd Gould, professor da Universidade de Maryland (EUA) e não envolvido com as pesquisas feitas pela Jannssen.

A depressão é uma doença psiquiátrica que afeta 322 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, são 11,5 milhões de indivíduos. Junto com a ansiedade, a enfermidade compõe uma bomba relógio em termos de saúde pública. Ambas são responsáveis por índices elevados de incapacitação para o trabalho, redução de produtividade e estão associadas ao desenvolvimento de outras doenças, como o infarto e a diabetes. A incidência das duas só cresce — entre 2005 e 2015, os casos de depressão aumentaram 18% —, obrigando a ciência a correr atrás de opções eficazes e acessíveis.

A depressão é uma enfermidade de causa multifatorial, incluindo predisposição genética e ambiente. É caracterizada por um desequilíbrio na ação de substâncias que fazem a comunicação entre os neurônios (neurotransmissores), como a serotonina e a noradrenalina, envolvidos no processamento cerebral das emoções. Até hoje, os antidepressivos atuavam basicamente sobre esses compostos, tentando reequilibrar sua disponibilidade para devolver ao cérebro a capacidade de processar o humor adequadamente.

Até agora não se sabe exatamente o mecanismo de ação da ketamina. Concorda-se que ela atua sobre o glutamato, também um neurotransmissor, mas que até os anos 1990 não havia entrado no radar dos estudos sobre a depressão. No entanto, os resultados observados com a ketamina, ainda como anestésico e sabidamente atuante sobre o glutamato, levaram à conclusão de sua eficácia contra a depressão. Hoje, muitas clínicas usam a ketamina, administrada por via endovenosa, no tratamento para a doença. É uma utilização fora do rótulo e sem aprovação oficial. É importante que os pacientes não se submetam a tratamentos assim, até porque a substância apresenta riscos de episódios alucinatórios e de dependência. Por isso, qualquer tentativa de uso deve ser feita sob estrito controle médico, como os realizados em estudos conduzidos em instituições como a Universidade Federal de São Paulo.

O remédio agora liberado, feito apenas com uma parte da ketamina, exige também muito cuidado na administração (leia quadro). Só dessa maneira novidades como essa realmente beneficiam os pacientes e os deixam longe dos perigos do uso inadequado.

A mais potente arma contra a depressão. 2

OUTROS OLHARES

O CRESCIMENTO DO DELIVERY DE BELEZA

Depois de consolidados em São Paulo e Rio de Janeiro, aplicativos para profissionais da área estética miram expansão a outros centros do País

O crescimento do delivery de beleza

Camila Tebar é empresária do segmento de moda em São Paulo. Para ela, se apresentar com unhas arrumadas, sobrancelhas definidas e cabelo em ordem é mais do que um sinal de vaidade. É essencial aos negócios. “Eu me sinto mais segura”, afirma. Para manter o visual confiante, porém, ela carecia de tempo: passar no salão em meio à agenda de reuniões e compromissos da vida profissional era quase impossível. Há seis meses, ela descobriu a solução: um aplicativo de serviços de beleza, o TokBeauty. Operando como um “Uber da beleza”, ele faz a conexão entre profissionais autônomas e clientes. Lançado em 2017 e operando em Goiânia, Rio de Janeiro e São Paulo, o app veio na onda de outros, como o da Singu, que tem três anos e meio. Ambos, porém, somente agora devem se espalhar pelo País. As duas marcas preveem expansão em 2019.

A operação é simples e intuitiva. Em poucos cliques, a pessoa faz o cadastro e já pode selecionar o serviço desejado, acertar o valor e agendar o atendimento onde for mais cômodo, seja em casa, local de trabalho ou um hotel, por exemplo. As opções são a de qualquer salão de beleza: cabeleireira, designer de sobrancelha, depiladora, manicure, maquiadora e massagista. Segundo o CEO do TokBeauty, Marcelo Mendonça Calixto, “trata-se de um mercado que, entra crise, sai crise, está sempre em expansão”.

Um de seus principais concorrentes, o Singu, também prevê expansão. Lançado em junho de 2015 com investimento de R$ 15 milhões, ele opera como marketplace que reúne profissionais de diversas áreas de tratamento estético. O app foi idealizado pelo fundador do Easy Taxi, Tallis Gomes, e opera na Grande São Paulo e no Rio de Janeiro. “Vejo um mercado muito bem qualificado, que irá se tornar cada vez mais competitivo”, afirma Tallis. Em 2018, o TokBeauty recebeu aporte da 5xmais Holding Business e traçou novo plano de crescimento. A meta, segundo o investidor Marco Túlio Fernandes de Almeida, é alcançar outras 11 capitais até o fim deste ano e saltar de 65 mil para 400 mil clientes, e de 5 mil para 30 mil profissionais cadastrados.

SEGURANÇA 

Especialistas como Richard Klevenhusen, da Associação Brasileira de Salões de Beleza (ABSB), e Diego Smorigo, do Sebrae-SP, dizem que a maior preocupação é a segurança sanitária do atendimento. Os dois serviços afirmam manter rígidos controles para o cadastro das profissionais, passando por análise de registros criminais, entrevistas e amostras dos trabalhos. A TokBeauty deixa que as próprias clientes façam avaliações dos serviços prestados. Quando a média fica abaixo de 4, num máximo de 5, a profissional é suspensa até que faça uma reciclagem. A Singu adota sistema semelhante.

O crescimento do delivery de beleza. 2

GESTÃO E CARREIRA

DIVERSIDADE: COMO AGIR DA PORTA PARA FORA

Empresas com práticas internas consistentes para promover a equidade entre mulheres, negros, PCDs e LGBTI+ podem também influenciar clientes e fornecedores.

Diversidade - Como agir da porta para fora

Em 2015, o grupo de cosméticos o boticário estruturou políticas de diversidade para os funcionários com base em metodologias e indicadores que medem avanços como a ascensão de mulheres a cargos de liderança. Além de olhar para o tema internamente, a companhia decidiu promover a ideia de diversidade e inclusão de forma mais ampla. Um exemplo disso são as campanhas publicitárias que buscam retratar diferentes grupos para refletir a diversidade da sociedade brasileira. Foi naquele ano também que um vídeo do Grupo Boticário para o Dia dos Namorados, mostrando abraços de casais homossexuais e heterossexuais, agradou a uns e chocou a outros. Mais recentemente, no Dia dos Pais e no Natal de 2018, uma família negra e um menino com deficiência na fala foram retratados nas campanhas.

“A publicidade tem um forte poder de influenciar os avanços que queremos para toda a sociedade”, diz Lia Azevedo, vice-presidente de desenvolvimento humano e organizacional de O Boticário. “É coerente promover a diversidade para fora quando se faz também da porta para dentro.” A companhia treina os funcionários das lojas para que todos os clientes tenham acesso aos mesmos serviços. Uma das iniciativas é o curso em vídeo com instruções para que os consumidores com deficiência sejam adequadamente atendidos. Na rede de lojas, os franqueados e seus funcionários são orientados a distribuir adesivos a pessoas cegas para que, por meio do tato, elas possam facilmente identificar e distinguir os produtos que usam diariamente.

Levar a diversidade para fora do ambiente interno, como faz o Grupo Boticário, ainda é uma prática incipiente no Brasil. Embora um número crescente de empresas brasileiras e multinacionais venha se dando conta da importância de promover a inclusão e a diversidade entre os funcionários, são poucas as que dão passos concretos para divulgar essa bandeira a um público mais amplo, com iniciativas voltadas para clientes e, principalmente, para fornecedores.

“Quando consideramos a diversidade estrategicamente, outros públicos devem ser abrangidos, e não apenas os funcionários,” diz Ana Lucia de Melo Custodio, diretora adjunta do Instituto Ethos.

Promover a diversidade em campanhas publicitárias é uma estratégia que também passou a ser adotada pela marca de cerveja Skol, da Ambev. Em março de 2017, a campanha para o Mês da Mulher apresentou seis ilustrações feitas por mulheres para reconstruir imagens que antes usavam o corpo feminino de forma sexualizada para a venda das bebidas. De lá para cá, a marca lançou também latas em cinco cores que remetem aos diferentes tons de pele e, mais recentemente, no Carnaval deste ano, convidou deficientes auditivos para usar uma mochila que vibrava com as músicas tocadas pelo trio elétrico da cantora Anitta, em apresentações em São Paulo e no Rio de Janeiro. “A categoria de cervejas era considerada exclusivamente masculina e sem diversidade, mas, com a marca Skol, conseguimos promover mudanças”, afirma Maria Fernanda Albuquerque, diretora de marketing da Skol. No início fomos questionados, mas hoje sabemos que estamos no caminho certo.”‘

Quando as companhias promovem a representatividade de diferentes grupos sociais, seja em campanhas publicitárias voltadas para os consumidores, seja em iniciativas dirigidas a fornecedores e seus empregados, elas estão rompendo a “bolha” formada por uma pequena elite empresarial – a minoria que busca dar as mesmas oportunidades às pessoas, independentemente de gênero, idade, raça, orientação sexual ou outras características. É um trabalho que está apenas começando, sobretudo no que diz respeito às ações para promover a diversidade entre fornecedores. No dia 12 de março, a fabricante americana de bens de consumo P&G iniciou no Brasil uma série de dez encontros reunindo 25 empresárias de pequeno e médio porte com potencial para se tornarem fornecedoras da própria P&G e de outras fabricantes. A iniciativa, em parceria com a ONG WE Connect lnternational, já passou por sete países e chega aqui com o objetivo de fortalecer a cadeia de suprimentos liderada por mulheres, por meio da oferta de treinamentos em gestão de empresas e serviço aos clientes. De acordo com a P&G, em uma pesquisa global, menos de 1% dos gastos das multinacionais em compras de insumos é realizado com empresas lideradas por mulheres. “Ao melhorarmos a vida dessas mulheres, melhoramos também a cadeia de suprimentos e potencializamos um mercado mais inclusivo”, diz Thais Torritani, gerente de compras da P&G e responsável pela parceria com a WE Connect.

Diversidade - Como agir da porta para fora. 2

REPLICAR BOAS PRÁTICAS

Outra empresa que pretende difundir a ideia da diversidade entre os fornecedores é a indústria química Dow. Em fevereiro, a multinacional americana iniciou um projeto em que cerca de 30 fornecedores se reúnem durante uma manhã em São Paulo para entender como a empresa promove a diversidade entre os funcionários e como é possível replicar essas práticas. Até o momento, foi discutida a inclusão de negros e de pessoas com deficiência, sempre com a participação de diretores da Dow e de consultorias especializadas. A intenção é que o projeto siga com encontros mensais até julho, quando os resultados da fase piloto serão analisados. “É nosso papel influenciar outros públicos na jornada em que estamos inseridos e, por isso, acreditamos que a tendência do trabalho com os fornecedores seja dar resultados positivos”, diz Patrícia Lima, líder de inclusão e diversidade na Dow.

Para entender o que e como mudar, é preciso também ouvir os fornecedores. A fabricante de alimentos Nestlé descobriu em 2016 que, entre seus fornecedores da área agrícola, quem se responsabilizava pelo relacionamento com a empresa era, na maioria das vezes, um homem – mesmo quando uma mulher era a proprietária da empresa. Para promover uma conversa mais ampla com os fornecedores, a Nestlé passou a usar formas de tratamento feminino nos convites para seus eventos e formou uma equipe com mais mulheres nas visitas técnicas. Com isso, passou a perceber melhorias nesse relacionamento. “Quando convidamos as mulheres, a família toda participa. Nos eventos que pareciam direcionados para os homens, apenas eles marcavam presença”, diz Taissara Martins, gerente de criação de valor compartilhado da Nestlé. Segundo ela, a força de trabalho feminina também é importante para promover os ideais perseguidos pela empresa, como a busca de uma produção mais sustentável.

As empresas que querem levar a bandeira da diversidade para fora de seu ambiente têm outros instrumentos, como o patrocínio. O banco Itaú lançou, em agosto do ano passado, um edital que selecionou dez entre 300 propostas de caráter cultural, educacional, esportivo ou social que buscam valorizar a diversidade LGBTI+. Os vencedores passaram a ter mentoria durante um ano com a consultoria Mais Diversidade e apoio financeiro do Itaú. O banco também patrocina pesquisas para entender o comportamento das mulheres e dos negros empreendedores, com o objetivo de profissionalizar e fomentar esses núcleos de mercado. “Passamos a ser agentes de transformação ao entender a necessidade da inclusão financeira de diferentes públicos”, diz Luciana Nícola, superintendente de relações institucionais do Itaú.

As empresas que estão furando a “bolha” da diversidade, de certa forma, ajudam a preencher a lacuna criada pela ausência de políticas públicas consistentes de promoção dos direitos humanos.

“As empresas podem ser indutoras de mudanças efetivas na sociedade ao influenciar as práticas de seus fornecedores, que estão no Brasil inteiro”, diz Caio Magri, presidente do Instituto Ethos. Nesse sentido, as empresas vão na contramão do que prega o presidente, Jair Bolsonaro. Durante a campanha eleitoral, ele prometeu acabar com o que chamou de “coitadismo” de alguns grupos da sociedade. “Coitado do negro, coitado da mulher, coitado do gay, coitado do nordestino, coitado do piauiense. Vamos acabar com isso”, disse Bolsonaro numa entrevista em outubro de 2018. Em janeiro, o governo publicou um decreto extinguindo a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), órgão ligado ao Ministério da Educação responsável por orientar políticas públicas educacionais que levem em conta questões de raça, etnia, posição econômica e social, gênero, orientação sexual e outras que possam levar à exclusão social de pessoas. “O papel das empresas é permanentemente importante, mas torna-se ainda mais fundamental num contexto adverso,” diz Thiago de Souza Amparo, professor de discriminação e diversidade na Fundação Getúlio Vargas. É cedo para saber se o retrocesso ficará só no discurso, mas as empresas podem fazer sua parte para promover a diversidade – dentro ou fora de seu território.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 25: 23 – 28

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 23 – Aqui, veja:

1. Como devemos desencorajar o pecado e testemunhar contra ele, particularmente o pecado de difamação e calúnia; devemos censurá-lo, e exibindo- lhe uma face irada, fazer todo o esforço para desencorajá­ lo. Não falaríamos tão prontamente das calúnias se elas não fossem prontamente ouvidas; mas as boas maneiras silenciariam o caluniador, se ele visse que suas estórias desagradam a seus companheiros. Nós devemos nos mostrar desconfortáveis se ouvirmos um amigo, a quem apreciamos, ser caluniado; o mesmo desprazer devemos exibir com relação à maledicência, de modo geral. Se não pudermos reprová-la de outra maneira, podemos fazê­ lo com nossa expressão facial.

2. O bom resultado que provavelmente isto terá; quem sabe isto pode silenciar e desviar uma língua maledicente? O pecado, se tolerado, se torna ousado, mas, se recebe uma censura, ele se torna tão consciente da sua própria vergonha que se acovarda, e este pecado em particular, pois muitos falam mal de outros somente esperando conquistar o favor daqueles a quem falam.

 

V. 24 – Isto é o mesmo que ele tinha dito (Provérbios 21.9). Observe:

1. Como devem ser merecedores de piedade os que estão presos a um jugo desigual, especialmente com os que são contenciosos e rabugentos, seja marido ou mulher; pois isto é verdadeiro, igualmente, sobre ambos. É melhor estar sozinho do que unido a alguém que, em lugar de ser um ajudante, é um grande empecilho para o consolo da vida.

2. Como podem ser invejados, às vezes, os que vivem em solidão; da mesma maneira como lhes falta o consolo da sociedade, também estão livres da irritação que ela provoca. E da mesma maneira como há casos que fornecem oportunidades para dizer, “Bendito é o ventre que não deu à luz”, também há casos que fornecem oportunidades para dizer, “Bendito é o homem que nunca se casou, mas mora num canto de umas águas-furtadas”.

 

V. 25 – Veja aqui:

1. Como é natural que desejemos ouvir boas notícia s de nossos amigos, e a respeito de nossos assuntos, à distância. Às vezes, é com impaciência que esperamos ter notícias de algum lugar distante; as nossas almas são sedentas dessas notícias. Mas devemos controlar esse desejo desenfreado, pois, se forem más notícias, chegarão rapidamente, e se forem boas, serão bem-vindas em qualquer momento.

2. Quão aceitáveis serão estas boas notícias, quando realmente chegarem, tão revigorantes como água fria para alguém que tem sede. O próprio Salomão tinha muitos negócios em lugares distantes, bem como correspondência com cortes estrangeiras, por meio de seus embaixadores; e ele sabia, por experiência, quão agradável era ouvir sobre o sucesso de suas negociações no exterior. O céu é um lugar distante, uma terra remota; como é revigorante ou­ vir boas novas dali, tanto por meio do eterno Evangelho, que significa boas notícias, como por meio do testemunho do Espírito com nossos espíritos, o testemunho de que somos filhos de Deus.

 

V. 26 – Aqui há um fato descrito como algo muito lamentável e um agravo público, e de más consequências a muitas pessoas, como uma fonte turva e um manancial corrupto: quando o justo cai diante do ímpio. Isto é:

1. Que o justo caia em pecado aos olhos do ímpio – que ele faça alguma coisa que não é apropriada à sua profissão, o que é noticiado em Gate e publicado nas ruas de Asquelom, e com que se alegram as filhas dos filisteus. O fato de que aqueles que têm reputação de sabedoria e honra caiam da sua excelência turva as fontes, entristecendo alguns, e corrompe o manancial, infectando outros e encorajando-os a fazer a mesma coisa.

2. Que o justo seja oprimido, e pisado e humilhado pela violência ou astúcia de homens ímpios, que seja removido e lançado à obscuridade, isto é turvar as fontes da justiça e corromper os mananciais do governo (Provérbios 28.12,28; 29.2).

3. Que o justo seja covarde, que se submeta ao ímpio, que tenha medo de se opor à sua iniquidade e que ceda a ele, isto recai sobre a religião, e desencoraja os homens de bem e fortalece as mãos dos pecadores em seus pecados, e assim, é como uma fonte turva e um manancial corrupto.

 

V. 27

I – Há duas coisas para as quais devemos estar graciosamente mortos:

1. Aos prazeres dos sentidos, pois não é bom comer muito mel; ainda que seja agradável ao paladar e, se comido com moderação, seja muito saudável, se comido e excesso, se torna enjoativo, cria um mau humor e é causa de muitas doenças. Isto é verdade, sobre todos os praz eres dos filhos dos homens, que eles saciam, mas nunca satisfazem, e são perigosos aos que se permitem usá-los com liberalidade.

2. Ao louvor dos homens. Não devemos desejá-lo, não mais do que o prazer. porque o fato de que os homens busquem a sua própria glória, que cortejem aplausos e cobicem se tornar populares, não é sua glória, mas sua vergonha; todos rirão deles por isto; e a glória que é tão corteja da não é glória, quando obtida, pois não representa verdadeiramente nenhuma honra verdadeira para um homem.

II – Alguns atribuem outro sentido a este versículo: Comer muito mel não é bom, mas buscar coisas excelentes e gloriosas é muito elogiável, é a verdadeira glória; nisto, não cometeremos pecado por excesso. Outros preferem este sentido: Assim como o mel, embora agradável ao paladar, se usado sem moderação oprime o estômago, também uma busca curiosa do que é sublime e glorioso, ainda que agradável a nós, se as buscarmos excessivamente, esgotará nossa capacidade com uma glória e brilho maior do que ela pode suportar. Ou ainda: Você poderá ficar saciado por comer muito mel, mas a glória final, a sua glória, a glória dos bem-aventurados, é realmente glória; será sempre fresca, e nunca cansará o apetite.

 

V. 28 – Aqui temos:

1. O bom caráter de um homem sábio e virtuoso. Ele tem controle sobre o seu próprio espírito; ele conserva o domínio de si mesmo. e de seus próprios apetites e paixões, e não permite que eles se rebelem contra a razão e a consciência. Ele controla os seus próprios pensamentos, os seus desejos. as suas tendências. os seus ressentimentos, e os mantém todos em ordem.

2. A má situação de um homem corrupto, que não tem este controle sobre o seu próprio espírito, que, quando as tentações de comer ou beber em excesso estão diante dele, não tem o governo de si mesmo, quando provocado irrompe em paixões exorbitantes, este indivíduo é como uma cidade que é derrubada e que não tem muros. Tudo o que é bom sai, e o abandona; tudo o que é mau o invade. Ele está exposto a todas as tentações de Satanás e se torna uma presa fácil para este inimigo; ele também está sujeito a muitas dificuldades e angústias; provavelmente isto será tanta desonra para ele, como é, para uma cidade, ter seus muros derrubados (Neemias 1.3).

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

RETRATOS DE UM CASAMENTO

Somos frutos de todas as experiências que vivemos desde o nascimento. A posição que ocupamos dentro da família vai influenciar a forma como nos relacionamos com nossos pares no futuro.

Retratos de um casamento

Como escreveu o filósofo Zigmunt Bauman (2004), vivemos em uma sociedade líquida, na qual as coisas, em sua maioria, são “impermanentes”. Estamos em tempos de amores líquidos, em que nas últimas décadas criaram-se novos termos e designações para os tipos de relacionamento: “ficar”, “relacionamento aberto”, “poliamor”, “crush”, “pegação”, entre outras nomenclaturas. Deseja-se o amor, mas busca-se o prazer imediato. As pessoas procuram avidamente um relacionamento, mas quando surge um pequeno problema, geralmente, não encontram condições internas para resolvê-lo. Por falta de condições ou por escolha, as relações são descartadas, reiniciando-se a busca por outro parceiro.

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que, nos dois últimos anos, 2017 e 2018, o número de casamentos diminuiu enquanto o de divórcios aumentou. A média da duração dos casamentos caiu de 17 para 15 anos. A partir dessas estatísticas, percebemos que está cada dia mais difícil estabelecer e manter relações duradouras. No século passado, os casamentos eram para toda uma vida. Comemoravam-se bodas de prata nos 25 anos de casados e bodas de ouro aos 50. Nas últimas décadas, apesar da expectativa de vida ter aumentado consideravelmente, é muito mais difícil pensarmos nesse tipo de comemoração, devido à pouca duração da maioria dos casamentos.

Sabemos, por outro lado, que hoje em dia os casamentos que não são bons não se mantêm. Muitos autores escreveram sobre o casamento e o relacionamento. Existem dezenas de livros sobre o amor e a paixão. Mas não existe uma fórmula que possa ser aplicada quando se trata de relações humanas. O assunto é muito importante, pois a relação é um grande caminho para revelar nossos aspectos sombrios. Se aproveitarmos a oportunidade de autoconhecimento que emerge, seremos sem dúvida seres humanos mais inteiros e felizes.

No “caldeirão” chamado relacionamento cabem muitos ingredientes: a atração física, a admiração, a identificação, a projeção, as semelhanças, as diferenças, as preferências, os hobbies, o estilo de vida, os talentos, os defeitos, a convivência com as respectivas famílias de origem, as expectativas em relação a filhos e como cada um lida com dinheiro e carreira, entre outros importantes aspectos. Quanto de cada um desses ingredientes deve constar na lista de um casamento feliz e duradouro? Essa receita tão subjetiva nunca será equacionada, mas, apesar disso, devemos pensar e refletir. O casamento antigamente tinha outros propósitos em sua configuração. Era voltado a dar estabilidade aos parceiros e constituir família. Hoje, diferentemente de antigamente, podemos pensar no aplacamento da solidão e da insegurança em que vivemos em todos os sentidos: cultural, social e político.

Quando um vínculo começa a se estabelecer, é difícil o casal ir para a cama “sozinho”. As figuras introjetadas da mãe e do pai estão presentes nessa relação como modelo a ser reproduzido ou evitado. Infelizmente, poucas pessoas podem dizer que gostariam de ter um casamento como o de seus pais. O modelo da relação dos pais vivido na sua família de origem deixa marcas. Muitos dos casais que procuram psicoterapia apresentam incompatibilidade sobre vários fatores que acreditam ser certos e bons para a relação. As pessoas herdam seus modelos e se fixam a eles, às vezes inconscientemente e sem reflexão.

As pessoas têm percepções diferentes do mesmo ambiente. Irmãos que viveram décadas na mesma casa possuem visões diversas sobre o casamento de seus pais e cada um pode ser afetado de várias formas pelos conflitos familiares. Os membros desse núcleo, principalmente os filhos, podem ter tarefas relativas a manter a homeostase da família. Acabam por optar por esses papéis para suas futuras relações.

Vanda Lucio Di Yorio Benedito, terapeuta de casais, em seu livro Terapia de Casal e de Família na Clínica Junguiana, escreve: “A escolha do parceiro, geralmente, envolve um complexo arsenal de motivações. Ligadas à vivências emocionais muito íntimas e profundas, […] de difícil representação no nível da consciência. Misturam-se desejos de várias ordens, e quanto mais inconsciente o indivíduo estiver desses desejos, maior a possibilidade de tais conteúdos serem ‘fisgados’ numa relação. […] O indivíduo que não consegue tomar para si aquilo que constitui parte de seu mundo interno fica perdido de si mesmo, buscando achar-se no outro”. A psicoterapia de casais tem a grande tarefa de elucidar os inúmeros fatores que interferem na relação conflitiva. A conscientização dos aspectos gerados pela família de origem de ambos é um bom começo para o tratamento de casais. Na maioria dos casos, o conflito possibilita o conhecimento e a clarificação das fixações dos parceiros em aspectos não integrados de sua personalidade. A tarefa é criar um terceiro modelo, uma união que possa contemplar as expectativas trazidas pelos parceiros para essa relação.

 

ELAINE CRISTINA SIERVO – é psicóloga, Pós-graduada na área Sistêmica – Psicoterapia de Família e Casal pela PUC- SP. Participa do Núcleo de Psicodinâmica e Estudos Transdisciplinares da SBPA (Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica). Atuou na área de dependência de álcool e drogas com indivíduos, grupos e famílias.

OUTROS OLHARES

PARECE LOJA, MAS É BANCO

Varejistas transformam subsidiárias financeiras em instituições independentes para aumentar a oferta de crédito.

Parece loja mas é banco

O ambiente de uma loja de qualquer grande rede de varejo não se parece em nada com a frieza controlada de uma agência bancária. Em vez de oferecer mercadorias organizadas por cores e atendentes que sorriem, os bancos se protegem dos clientes com portas giratórias, seguranças armados e filas intermináveis para quem quer apenas deixar as contas em dia. Apesar das diferenças, quem pisa em estabelecimentos da Renner ou da Riachuelo, duas das maiores varejistas do País, estão, sem perceber, entrando em instituições financeiras. Nessas lojas é possível fazer cartões de crédito, contratar seguros e até contrair empréstimos. Embora a prática de disponibilizar seus balcões para vender produtos financeiros não seja nova, o varejo resolveu ir além. As empresas estão, legalmente, se transformando em bancos para ocupar espaço nos meios físico e digital. Além de encorpar os ganhos, a prática garante a fidelidade da clientela.

Em junho passado, a Renner obteve permissão do Banco Central (BC) para transformar sua subsidiária financeira em uma instituição independente, a Realiza. “Ela foi criada a partir de uma plataforma aberta, para abrigar serviços de parceiros”, diz Laurence Gomes, diretor financeiro e de relações com investidores da Renner. Um dos objetivos é tornar os processos mais ágeis. “Já estamos emitindo cartões por meio do nosso aplicativo, e conseguimos aprovar o crédito em quatro minutos”, diz Gomes. No ano passado, o plástico com bandeira própria representou 44,2% das vendas e 19,7% na geração de caixa, e a Renner quer aumentar esse percentual.

O exemplo da Renner estimulou a concorrência. Em novembro passado, a Riachuelo, controlada pelo grupo Guararapes, informou o mercado que aguarda autorização do BC para transformar a Midway, sua financeira, em um banco completo. O crescimento orgânico da operação incentivou a decisão. Até o terceiro trimestre de 2018, a receita com empréstimo pessoal da Riachuelo havia crescido 69,7% na comparação anual e somava R$ 466,6 milhões. Com esse incremento, os serviços financeiros responderam por 47% da geração de caixa do grupo nos nove primeiros meses de 2018. Até setembro do ano passado, somente os cartões da própria loja responderam por 45% das vendas. “Essa operação ainda têm um fôlego de crescimento bastante interessante ao longo de 2019”, afirmou Tulio Queiroz, diretor financeiro da companhia durante teleconferência com analistas em novembro do ano passado.

Ao transformar uma financeira em banco, as empresas ficam aptas para incrementar a captação de recursos para além do modelo antigo, ligado a fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) ao abrir mais opções para atrair recursos de investidores. “Essas instituições podem passar a emitir CDBs e Letras de Crédito Imobiliário e Agrícola”, diz Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos. No varejo, a mudança reflete no aumento da fidelidade. “A tendência é que uma pessoa física tenha um relacionamento muito maior e duradouro com um banco do que com uma financeira”, afirma. Para os investidores, a vantagem é a maior transparência na análise dos resultados. “Com a separação das atividades de varejo e finanças, é possível precificar melhor o negócio”, diz Nicolas Takeo, analista da Socopa. Com essa abertura para inovações nas operações financeiras, as varejistas podem concorrer com as fintechs na avaliação de Carlos Netto, presidente da empresa de tecnologia Matera. “Essas empresas têm um canal de distribuição já formado, o que as coloca com uma vantagem no segmento financeiro”.

Parece loja mas é banco. 2

GESTÃO E CARREIRA

DIVERSIDADE: MULHERES – ELAS PODEM SER O QUE QUISEREM

As empresas mais antenadas trabalham para combater estereótipos relacionados a gênero e promover a ascensão feminina na carreira.

Diversidade - mulhres - elas pode ser o que quiserem

Avon, grupo Boticário e Carrefour são empresas em que as mulheres representam cerca de 60% do quadro. Mas, para estar na linha de frente nas discussões sobre a representatividade de gênero, não basta ter volume. Ciente disso, a fabricante de cosméticos Avon criou, em 2015, a rede pela diversidade, um grupo de funcionários de diferentes áreas que discutem o tema, incluindo como promover a ascensão de mulheres na carreira. Após um mapeamento da situação, as lideranças identificaram, entre outras questões, a baixa representatividade feminina em cargos operacionais que pareciam reservados ao gênero masculino. Um exemplo ocorreu em São Paulo em 2017, quando várias empregadas manifestaram interesse em se tornar operadoras de empilhadeira. Um treinamento, antes exclusivo dos homens, foi oferecido a um grupo de 40 mulheres, e 12 delas passaram a ocupar a posição. “Precisávamos escutá-las e oferecer capacitação para que conquistassem novos espaços”, diz Ana Costa, vice-presidente jurídica e de relações governamentais da Avon.

A equidade de gênero é o tema sobre diversidade mais debatido nas empresas, especialmente quando impulsionado por matrizes de fora. Entre as 109 empresas que responderam ao questionário de Diversidade, 72% têm indicadores para promover a equidade de gênero e 59% têm metas para reduzir o desequilíbrio entre homens e mulheres em cargos executivos. Ambos os gêneros ocupam proporcionalmente a mesma fatia em cargos de início de carreira, mas, em níveis de vice-presidência, as mulheres representam apenas 20%, segundo uma pesquisa feita pela consultoria McKinsey em 2018. “As empresas estão em processo de convencimento de que a falta de mulheres na liderança é um problema”, diz Regina Madalozzo, professora na escola de negócios Insper.

Nesse aspecto, o Grupo Boticário está um passo à frente da maioria. Entre seus quatro vice-presidentes, há duas mulheres. A estrutura foi formada em 2015, quando a empresa assinou compromissos com a ONU Mulheres – um braço da organização para a valorização feminina – e passou a acompanhar os indicadores para promover a equidade de gênero. Com um orçamento dedicado à diversidade, realizou treinamentos para equiparar homens e mulheres nos programas de admissão e procurou analisar se a saída de funcionários tem relação com o gênero – por exemplo. após a licença-maternidade. Desde então, a empresa aborda a importância da diversidade nos encontros com fornecedores e franqueados. “A maioria das franquias é comandada por mulheres. Então, não basta olharmos da porta para dentro. Precisamos envolver os parceiros”, diz Lia Azevedo, vice-presidente de desenvolvimento humano e organizacional do Boticário.

Uma forma importante de avançar em temas de diversidade é estabelecendo metas. Foi assim que a rede varejista Carrefour conseguiu melhorar internamente a posição das mulheres. Em 2015, ano da criação da rede Carrefour por Elas, um grupo formado inicialmente por líderes, a empresa definiu algumas metas, alcançadas em 2017. Nesse período, a proporção de mulheres diretoras de hipermercados subiu de 12% para 18%; de gerentes de supermercados, de 12,5% para 25%; e de diretoras na matriz, de 21% para 29%. “Percebemos que estávamos perdendo talentos e oportunidades de negócios”, diz Karina Chaves, gerente de diversidade e inclusão do Carrefour. Para obter esses resultados, a empresa adotou medidas como ter pelo menos uma mulher na última etapa de seleção em novas vagas e ampliar a licença-maternidade de 120 para 180 dias – a cada ano, cerca de 1.000 mulheres usufruem o benefício no grupo.

Apesar dos resultados positivos, o esforço deve ser contínuo. “Traçar metas é importante para enxergar o que precisa ser melhorado e o que pode ser corrigido ao longo do tempo”, diz Margareth Goldenberg, gestora da organização Movimento Mulher 360. Para especialistas, um próximo passo é olhar a intersecção entre diferentes recortes de gênero. Exemplo: se hoje a disparidade salarial entre homens e mulheres brancos é de 24%, entre homens brancos e mulheres negras chega a 63%, segundo o Instituto Locomotiva. Ainda há muito trabalho a ser feito.

 

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 25: 21 – 22

Alimento diário

O PERDÃO AOS INIMIGOS

 

V. 21 e 22 – Com isto, parece que, ainda que os escribas e fariseus tivessem corrompido a lei, não somente o mandamento de amar o nosso próximo, mas até mesmo o mandamento de amar nossos inimigos, não era somente um mandamento novo, mas também um antigo mandamento, um mandamento do Antigo Testamento, embora o nosso Salvador nos tenha dado este mandamento com a nova imposição do seu próprio grande exemplo, amando-nos, quando éramos inimigos. Observe:

1. Como devemos expressar o nosso amor aos nossos inimigos, por meio de atos reais de bondade, mesmo os que nos são custosos e são mais aceitáveis a eles: “Se o que te aborrece tiver fome, dá-lhe pão para comer; e, se tiver sede, dá-lhe água para beber”, em lugar de sentir prazer com a sua aflição e planejar como cortar o seu fornecimento de pão e água, como Eliseu fez, com os sírios que vieram para prendê­lo (2 Reis 6.22).

2. O incentivo que temos para fazer isto.

(1) Será provavelmente um método de conquistá-los, e trazê-los à reconciliação conosco; nós os aplacaremos, como o refinador derrete o metal no crisol, não somente colocando-o sobre o fogo, mas amontoando brasas sobre ele. A maneira de converter um inimigo em um amigo é agir com ele de maneira amistosa. Se isto não o conquistar, agravará o seu pecado e a sua punição, e amontoará as brasas da ira de Deus sobre a sua cabeça, da mesma maneira como alegrar-se na sua calamidade pode ser um motivo para que Deus desvie dele a sua ira (Provérbios 24.17).

(2) No entanto, não seremos perdedores pela nossa renúncia a nós mesmos: quer ele se abrande contigo, quer não, o Senhor to pagará; ele te perdoará, porque te mostraste com um espirito misericordioso. Ele te auxiliará quando estiveres aflito (ainda que tenhas sido mau e ingrato), como fizeste com o teu inimigo; pelo menos, isto será recompensado na ressurreição dos justos, quando os atos de bondade feitos aos nossos inimigos serão lembrados, como também aqueles que foram feitos aos amigos de Deus.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ESSA TAL FELICIDADE

Devemos ter muito cuidado com a idealização que fazemos da felicidade, pois nem sempre nossa busca está conectada aos nossos valores e reais necessidades.

Essa tal felicidade

O coaching de vida ou life coaching tem como principal objetivo ajudar a pessoa a sentir-se mais feliz e realizada por meio da expansão de suas potencialidades e do equilíbrio entre suas demandas. Para tomarmos consciência de qual é nosso nível de realização em cada uma das quatro grandes áreas de realização, em geral usamos a roda da vida, que é um exercício em que a pessoa preenche um círculo, dando notas de 1 a 10 para seu nível de realização em cada um dos 12 quesitos que compõem a roda. O objetivo do exercício é fazer com que a pessoa se conscientize sobre a área em que ela mais precisa investir para melhorar seu nível de realização influenciando as outras áreas. Ou seja, essa técnica permite identificar qual área de sua vida alavancaria varias outras áreas.

A roda da vida pode nos ajudar a entender por onde começar uma mudança para melhor. Enquanto eu a descrevo, sugiro a você, leitor, que vá avaliando o quanto se sente realizado em cada um dos 12 quesitos que compõem as quatro áreas. Para isso, atribua-se nota de 1 a 10 em cada um deles. A primeira área de realização em nossa vida é a área pessoal, que é composta por três perguntas:

(1) o quanto você está satisfeito com seu estado geral de saúde e com sua disposição para a vida?

(2) qual o seu nível de satisfação com seu desenvolvimento intelectual? e

(3) como você avalia seu equilíbrio emocional no momento atual?

A área profissional compõe-se das seguintes questões:

(1) o quanto você se sente realizado através do seu trabalho?

(2) como você avalia os recursos financeiros obtidos através do set1 trabalho? e

(3) o quanto você se sente contribuindo socialmente por meio de sua atuação profissional?

A terceira área é composta pelos nossos relacionamentos e é representada pelas três perguntas que se seguem:

(1) o quanto você está satisfeito com a convivência em família?

(2) qual seu nível de satisfação na área do relacionamento amoroso? e

(3) como você avalia seus relacionamentos e sua vida social?

A quarta área da roda é a qualidade de vida, que completa os 12 quesitos com as seguintes questões:

(1) o quanto você se considera satisfeito com seu nível de diversão e lazer?

(2) qual seu nível de satisfação com sua dedicação ao campo espiritual? e

(3) como você avalia seu nível de felicidade geral na vida?

Essa última pergunta é uma síntese de todas as outras, o que nos permite afirmar que a felicidade é algo que envolve saúde, equilíbrio emocional, trabalho, relacionamentos e espiritualidade. Sigmund Freud afirma que o homem anseia pela felicidade e que esta resulta da satisfação de prazeres. O que nos dá prazeres mais intensos é a satisfação de nossas necessidades mais intensas. Ganhar muito dinheiro terá diferentes pesos para um endividado ou para um milionário. Quando estamos doentes sobre uma cama, desejamos coisas nas quais nem pensamos quando estamos saudáveis.

Ter os pés no chão com relação à nossa felicidade envolve ponderar sobre o quanto de satisfação real podemos esperar do mundo exterior, sobre o quanto estamos dispostos a modificar o mundo que nos cerca a fim de adaptá-lo aos nossos desejos ou adequar nossos desejos a ele. No processo de conquista da felicidade, a nossa constituição psíquica é mais relevante que as circunstâncias externas, pois buscaremos no mundo elementos que satisfaçam as demandas de nossa psiquê. A pessoa predominantemente erótica, por exemplo, terá como prioridade de sua felicidade ter um relacionamento que a satisfaça. Os narcisistas são, em geral, mais solitários e autossuficientes, por isso encontram mais satisfação em seus processos mentais internos, o que facilita muito a realização profissional. Por fim, as pessoas de ação precisam de um intenso relacionamento com o mundo e com as pessoas, e esse é o palco principal de sua felicidade.

Outra questão ligada à tal felicidade é o quanto nós a idealizamos. Em geral essa idealização nasce dos modelos que nos são oferecidos pela mídia, o que nos faz estabelecer critérios nem sempre conectados com nossos valores e reais necessidades. Equivale dizer que precisamos descobrir quais são os elementos da “nossa” felicidade, para não adotarmos os modelos que nos são impostos. A felicidade pode ser atingida, mas não buscada objetivamente. Nossa busca desenfreada pela felicidade nos afasta do real caminho em que ela se encontra, que é viver intensamente o momento presente nos seus mínimos e simples  detalhes. Na medida em que mais conseguimos vivenciar plenamente o momento presente, descobrimos o quão surpreendente e prazeroso é contemplar o que está ao nosso redor, incluindo as emoções que nos visitam a cada instante. Viver o presente nos leva a mudanças em vários aspectos de nossa vida. O principal deles é aprendermos a ser felizes no agora e aproveitarmos ao máximo cada momento. Isso exige uma reconfiguração da ideia de que a felicidade é algo que está por vir. Ela não é fim, é meio.

 

JÚLIO FURTADO – é professor, palestrante e coach. É graduado em Psicopedagogia, especialista em Gestalt-terapia e dinâmica de grupo. É mestre e doutor em Educação. É facilitador de grupos de desenvolvimento humano e autor de diversos livros. www.juliofurtado.com.br

OUTROS OLHARES

SAÚDE É O QUE INTERESSA

Saúde é o que interessa

As mudanças nos hábitos de consumo fazem com que marcas consagradas busquem alternativas mais saudáveis para continuarem relevantes nas gôndolas dos supermercados. Isso é o que aponta o relatório Eat, Drink & Be Healthy, elaborado pela Kantar Worldpanel, que analisa oito mercados globais – Brasil, China, Espanha, Estados Unidos, França, México, Portugal e Reino Unido. De acordo com o levantamento, o lanche saudável está em alta, mesmo com as pessoas se alimentando cada vez menos em casa. A fruta fresca, por exemplo, aumentou sua presença na mesa dos consumidores, enquanto que o café da manhã segue como a principal refeição feita nos lares mundialmente. No Brasil, o pão é o tipo de petisco preferido para 30% das pessoas no meio das tardes, diferentemente de países como China, Espanha, México e Reino Unido, onde as frutas já são privilegiadas, o que confirma que a procura por produtos saudáveis é uma tendência sem volta no mundo.

Saúde é o que interessa. 2

GESTÃO E CARREIRA

DIVERSIDADE LGBTI+: POR UM AMBIENTE SEM PRECONCEITO

Um jeito de promover a inclusão de funcionários que se identificam como LGBTI+ é ajudá-los a superar os desafios práticos do dia a dia.

Diversidade LGBTI+ - por um ambiente sem preconceito

Promover um ambiente sem discriminação para a população LGBTI+ (sigla para lésbicas, gays, bissexuais, transgênero, travestis, transexuais, intersexuais e outros tipos de orientação sexual) é um dos objetivos da empresa de tecnologia SAP Brasil desde 2012. Na época, por ser um tema novo por aqui, a subsidiária começou a seguir as políticas iniciadas na matriz alemã 11 anos antes. Atualmente, 25% dos funcionários no Brasil pertencem ao grupo ou são “aliados”, como são chamados os que vão aos eventos, participam de treinamentos e divulgam as iniciativas em prol do grupo LGBTI +. A ideia é que os empregados que se identificam com a sigla se sintam confortáveis para – se assim desejarem – “sair do armário”. Um exemplo é o especialista em soluções Fernando Cunha, que está há 13 anos na empresa e compartilha seu plano de saúde com seu companheiro. O casal recebeu o apoio da companhia quando adotou uma criança em 2016. “Quanto mais à vontade o funcionário se sente, mais ele se engaja no trabalho”, afirma Niarchos Pombo, diretor de diversidade e inclusão da SAP.

 Diferentemente dos outros três pilares abordados nesta publicação, cujos integrantes são identificados no censo demográfico, a diversidade sexual é um desafio para as empresas porque os funcionários não são obrigados a se declarar LGBTI+. No Brasil, estima-se que apenas 35% dos LGBTI+ das empresas se assumem como tais, de acordo com a consultoria holandesa OutNow. Nem por isso, as políticas para esse público devem ser frágeis. Segundo Reinaldo Bulgarelli, secretário executivo do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, é possível medir indicadores com base nas análises de planos de saúde e pesquisas de clima que não pedem a identificação dos funcionários. “Para promover uma ação efetiva, é preciso entender seu público e lhe dar visibilidade”, diz Bulgarelli. Na SAP, a pesquisa de clima conta com um indicador de diversidade, com questões como: “Me sentir tratado de forma justa independe de gênero, raça e orientação sexual?” Nesse aspecto, a filial brasileira tem uma pontuação +93, numa escala de -100 a +100.

A diversidade sexual também tem pautado campanhas de marketing de produtos e serviços considerando essa comunidade bastante ativa, especialmente nas mídias sociais. Não são raros os casos de polêmicas envolvendo marcas que cometeram deslizes e depois tiveram de mostrar que não tinham intenção homofóbica. Por sua vez, as que apoiam a diversidade são exaltadas. Em uma pesquisa da consultoria Croma, 73% dos LGBTI+ recomendam uma marca que se posiciona a favor da diversidade – entre heterossexuais, esse índice é de 48%. “Uma empresa mais diversa toma melhores decisões e pode atender mais camadas sociais de forma genuína”, diz Heloísa Callegaro, sócia da consultoria McKinsey responsável pela área de diversidade.

A sigla LGBTI+ é complexa. No Facebook, por exemplo, é possível escolher um entre mais de 50 gêneros para o perfil. Alguns são marginalizados na sociedade e nas empresas, como trans e travestis, que no Brasil têm expectativa de vida média de 35 anos – menos da metade do conjunto da população. Das 109 empresas que responderam ao questionário de Diversidade, apenas 14% têm iniciativa específica para a contratação de trans e travestis. Por vezes, a empresa se vê obrigada a iniciar esse processo ao encarar a transição de alguém já contratado, como aconteceu na consultoria Accenture em 2010. “Começamos a enfrentar questões novas, como qual banheiro a pessoa usaria”, diz Beatriz Sairafi, diretora de RH da Accenture. Desde então, treinamentos foram realizados para explicar aos demais funcionários como respeitar a transição do colega e como aceitar que ele use o banheiro do gênero no qual se identifica. Outra medida é a instalação de banheiros “sem gênero” nas 12 localidades em que a empresa atua no Brasil. Hoje, são sete trans e 1.600 funcionários aliados ao tema. “Muitas pautas surgem com a necessidade prática”, diz Beatriz. Outro exemplo aconteceu quando um homem trans engravidou e pôde usufruir da licença parental durante seis meses.

Na em presa química Dow houve um processo semelhante no chão de fábrica em 2018. O grupo de afinidade LGBTI+ prontificou-se a treinar todos os funcionários da fábrica para evitar qualquer discriminação. O grupo de trabalho, criado em 2012, obteve outros resultados, como incluir trans no programa de jovem aprendiz e mudar a identificação nos sistemas e crachás para funcionários que utilizam o nome social em vez do nome de registro. “O tema, especialmente de trans, é recente na agenda das empresas e, de modo geral, tem muito a ser trabalhado”, diz Bulgarelli. Para as empresas que ainda não deram o primeiro passo, nunca é tarde para começar.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 25: 15 – 20

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V.  15 – Aqui nos são recomendadas duas coisas, no nosso relacionamento com os outros, que provavelmente nos farão alcançar nossos objetivos:

1. Paciência, para suportar uma crítica ou discussão sem se acalorar com isto, e esperar uma oportunidade apropriada para oferecer nossas razões e dar às outras pessoas tempo para considerá-las. Pela longanimidade, até mesmo um príncipe pode ser persuadido a fazer uma coisa à qual parecia ser muito avesso, e muito mais, uma pessoa comum. Aquilo que é justiça e razão agora, também o será em outra ocasião; portanto, não precisamos insistir nisto com violência agora, mas podemos esperar um momento mais conveniente.

2. Suavidade e brandura, para falar sem paixão ou provocação: “A língua branda quebranta os ossos”; ela suaviza até os ânimos mais acirrados e violentos, e supera os que são mais irritados e rabugentos, como um relâmpago que, como dizem, às vezes quebra o osso sem ter perfurado a carne. Com uma língua branda, Gideão pacificou os efraimitas, e Abigail desviou a ira de Davi. As palavras duras, dizemos, não quebrantam ossos, e por isto devemos suportá-las pacientemente; mas, aparentemente, as palavras brandas sim, quebrantam os ossos, e por isto devemos, em todas as ocasiões, proferi­las com prudência.

 

V. 16 – Aqui:

1. Um uso sóbrio e moderado dos prazeres dos sentidos nos é permitido: Achaste mel? Não é fruto proibido para ti, como foi para Jônatas; podes comê-lo, agradecendo a Deus que, tendo criado coisas agradáveis aos nossos sentidos, nos deu permissão para fazer uso delas. Come o que te basta, e não mais do que isto. Comer o suficiente é tão bom como um banquete.

2. Somos advertidos a tomar cuidado com os excessos. Devemos usar todos os prazeres como fazemos com o mel, com um controle no nosso apetite, para que não comamos mais do que nos faz bem, para que não adoeçamos com eles. Nós corremos riscos de perder aquilo que é mais doce, e por isto os que se alimentam suntuosamente todos os dias têm necessidade de se controlar. para que seus corações não sejam sobrecarregados em alguma ocasião. Os prazeres dos sentidos perdem a sua doçura por um uso excessivo, e se tornam enjoativos, como o mel, que se torna amargo no estômago; é, portanto, de nosso interesse, bem como nosso dever, usá-los com sobriedade.

 

V. 17 – Aqui Salomão menciona outro prazer que não devemos usar em excesso, que é o de visitar nossos amigos; aquele, por medo de nos aborrecermos: este, por medo de aborrecer aos nossos amigos.

1. É um ato de cortesia visitar os nossos vizinhos algumas vezes, mostrar o nosso respeito por eles e nosso interesse por eles, e cultivar e alimentar o conhecimento mútuo e o amor, e para que possamos ter a satisfação e também os benefícios do convívio com eles.

2. É prudente, bem como uma medida de boas maneiras, não perturbar os nossos vizinhos com as nossas visitas, não visitá-los com excessiva frequência, não permanecer tempo demasiado com eles, não planejar chegar à hora das refeições, nem nos intrometer nos assuntos de suas famílias; desta maneira, nós nos tornamos mesquinhos, vis e incômodos. O teu vizinho, que se incomoda e aborrece com as tuas visitas, se cansará delas e te odiará, e será vã destruição de uma amizade aquilo que deveria ter sido o seu aprimoramento. Depois do terceiro dia, peixes e visitas se tornam desagradáveis. A familiaridade gera o desprezo. Não sejas excessivamente íntimo de ninguém. Aquele que se aproveita de seu amigo o perde. Um amigo muito melhor do que qualquer outro, portanto, é Deus, pois não precisamos tirar os nossos pés da sua casa, o trono da sua graça (Provérbios 8.34); quanto mais frequentemente viermos até Ele, mais bem recebidos seremos.

 

V. 18 – Aqui:

1. O pecado aqui condenado é o de dar falso testemunho contra nosso próximo, seja em juízo ou em conversas comuns, pecado que contraria a lei do nono mandamento.

2. Aquilo que é condenado aqui é a maldade que há nesse pecado; ele tem o poder de arruinar, não somente a reputação dos homens, mas as suas vidas, propriedades, famílias, tudo o que é precioso para eles. Um falso testemunho é tudo o que é perigoso; é um martelo (ou um taco, com o qual bater na cabeça de um homem), um mangual, contra o qual não há proteção; é uma espada, que fere o que está próximo, e uma flecha aguda, que fere à distância; por isto, precisamos orar; “Senhor, livra a minha alma dos lábios mentirosos” (Salmos 120.2).

 

V. 19 – 

1. A confiança de um homem desleal (assim interpretam alguns) será como um dente quebrado; a sua estratégia, o seu poder, o seu interesse, tudo aquilo em que ele confirma, para respaldá-lo na sua iniquidade, lhe falhará em tempo de angústia (Salmos 52.7).

2. A confiança em um homem desleal (esta é a nossa interpretação), em um homem ao qual julgávamos confiável e por isto no qual confiávamos, mas que prova não sê-lo; não somente é inútil, como dolorosa e irritante, como um dente quebrado ou um pé deslocado, que, quando o carregamos com alguma tensão, não somente nos falha, como nos faz sentir a sua inutilidade, especialmente no tempo da angústia, quando mais esperamos a sua ajuda; é como uma cana quebrada (Isaias 36.6). A confiança no Deus leal, no tempo da angústia, não será assim; nele podemos confiai; e nele podemos habitar de forma tranquila.

 

V. 20:

1. O absurdo aqui reprovado é o entoar canções a um coração aflito. Os que se encontram em grande angústia devem ser consolados com pessoas que sejam solidárias a eles, que se compadeçam deles e que lamentem com eles. Se adotarmos este método, o movimento de nossos lábios poderá abrandar a sua dor (Jó 16.5); mas segui­ remos um caminho errado com eles, se pensarmos que os aliviamos sendo alegres com eles, e nos esforçando para alegrá-los; pois contribui para a sua dor ver que seus amigos estão tão pouco preocupados com eles; isto expõe os motivos da sua angústia, e a agrava, e os faz mais insensíveis em sua dor aos esforços da alegria.

2. Os absurdos a que isto é comparado são despir um homem em um clima frio, o que faz que ele sinta ainda mais frio, e derramar vinagre sobre salitre, que, como a água sobre a cal, provoca uma efervescência; igualmente impróprio, igualmente incongruente, é entoar canções a alguém que está angustiado. Alguns interpretam com um sentido contrário: assim como aquele que se veste no clima frio aquece o corpo, ou assim como o vinagre sobre o salitre o dissolve, também aquele que entoa canções de consolo a uma pessoa angustiada o revigora, o alivia e dispersa a sua dor.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

UM SILÊNCIO QUE MATA

Todo ato que resulta em agressão física, sexual ou psicológica é considerado violência contra a mulher. Essa agressividade latente é uma triste realidade, comprovada pelas pesquisas.

Um silêncio que mata

A agressividade é a arma que o indivíduo utiliza para manifestar seu ódio. Existem vários tipos de violência e os estudos desse tipo de comportamento são constantes com o intuito de descobrir as causas que levam o ser humano a cometer tal infração e que causam indignação aos olhos atentos da sociedade.

Inúmeras pesquisas mostram, há anos, a vergonhosa prevalência da violência contra as mulheres. Em 2013, 13 mulheres morreram todos os dias vítimas de feminicídio, isto é, assassinato em função de seu gênero. Cerca de 30% foram mortas pelo parceiro ou ex – companheiro (fonte: Mapa da Violência 2015). Outra pesquisa do Instituto Locomotiva, dessa vez de 2016, aferiu que 2% dos homens admitem espontaneamente ter cometido violência sexual contra uma mulher, mas diante de uma lista de situações 18% reconhecem terem sido violentos. Quase um quinto dos 100 milhões de homens brasileiros. E, curiosamente, um estudo recente revelou que 90% concordam que quem presencia ou fica sabendo de um estupro e fica calado também é culpado. Um percentual relevante, mas porque ainda há tanto silêncio?

Cinco tipos de violência enquadram todos esses estudos:

1- VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA: causa danos à autoestima da vítima. Podendo ocorrer em casa, na escola, no trabalho, proporcionando humilhação, desvalorização, ofensa, chantagem, manipulação, constrangimento e outros;

2- VIOLÊNCIA FÍSICA: causa danos ao corpo da vítima, como socos, pontapés, chutes, amarrações e mordidas, impossibilitando defesa;

3- VIOLÊNCIA MORAL: qualquer conduta que proporcione calúnia, difamação ou injúria;

4- VIOLÊNCIA SEXUAL: esta não se limita somente ao estupro propriamente dito, mas a atos de violência proibitivos, como por exemplo não uso de contraceptivos, obrigação de práticas sexuais, “encoxada” nos transportes públicos, exploração do corpo de adolescentes e pedofilia;

5- VIOLÊNCIA SIMBÓLICA: Utilização feminina como “objetos de desejo” (propagandas, outdoors etc.), traçando uma imagem negativa da mulher.

O alerta que ecoa é que a violência é silenciosa. Ela ocorre nas residências, nos espaços públicos e em qualquer lugar onde a mulher é assediada.

O assédio é um comportamento criminoso e deve ser severamente tratado como tal. Seu desenvolvimento relaciona-se com a carência emocional ou com a separação na infância com o elo materno. A partir deste momento, criam-se no indivíduo condutas antissociais, um desajuste afetivo, podendo levá-lo ao cometimento de crimes, para sentir prazer no sofrimento dos outros, gerando uma excitação cortical, causando-lhe grande satisfação da libido e de seu ego malformado por uma personalidade psicopática e doentia, na qual os impulsos do mal ganham lugar e ímpeto para cometer tais absurdos. Nesse exato momento se instaura o grau de periculosidade do agressor. Portanto, muitas vezes, senão na maioria delas, o agressor sabe que está cometendo um delito e sente, inclusive, prazer nesse comportamento.

É necessário que as autoridades realizem emergencialmente políticas que inviabilizem esse avanço, para que esse crime não faça parte das principais estatísticas, em que 22 milhões das brasileiras com 16 anos ou mais, relatam ter sofrido algum tipo de assédio em 2018. Vítimas com ensino médio e superior relatam, em seus depoimentos, terem sofrido algum tipo de assédio em maior número, do que aquelas com ensino fundamental. O caso mais comum citado pela maioria das mulheres entrevistadas é sobre comentários desrespeitosos na rua.

Sabemos que desde a Idade Média a violência psicológica e moral contra as mulheres era muito comum e a violência física se valia até mesmo dos mais diferentes instrumentos de tortura utilizados com as mulheres de forma cruel e sem condenação aos torturadores.

O “estripador de seios”, por exemplo, costumava ser utilizado para punir mulheres acusadas de realizar bruxaria, aborto ou adultério. As garras aquecidas por brasas eram usadas para arrancar-lhes os seios. E existiram tantos outros instrumentos cruéis que marcaram a história mundial e registraram como a mulher foi e ainda é tratada.

No Brasil, a tortura se divide em duas fases: a primeira, que se estende do Brasil-Império até a nossa Constituição Federal de 1988. A produção de prova se fazia, até aquela época, de forma brutal, e a escravatura, legalizada, tornava o ambiente adequado à violação da dignidade humana. O Código Criminal de 1830 previu como agravante o aumento da dor física e o termo “tortura”, que aparece na Lei Penal Brasileira em 1940, quando é arrolada entre os meios cruéis que agravam o delito.

A segunda fase se inicia com a Constituição, sob o desrespeito sistemático às liberdades fundamentais do homem, ocorrido nas décadas anteriores.

Tipificada finalmente a tortura como crime em nossa legislação, espera-se que as formas mais silenciosas como as violências psicológica, moral e simbólica tenham um olhar atento para sua erradicação. Infelizmente, nosso país ainda caminha a passos lentos na recrudescência de leis mais efetivas, em que o respeito deveria permanecer como palavra-chave.

As mulheres têm sim exercido sua voz, mas mergulham por vezes em um conformismo de cultura social que não deverá mais ser aceito e precisa urgentemente ser resolvido com políticas públicas adequadas e com a conscientização, afinal, não se pode ficar imune diante da violência que assola o País e gera incredulidade mediante tais fatos.

Sabemos que as palavras têm a força da razão, enquanto a crueldade emana do poder do ódio e da anomia…

OUTROS OLHARES

TODO MUNDO AGORA DANÇA

Com produção profissional e intensa estratégia de marketing, os canais no YouTube que ensinam coreografias que vão do funk aos ritmos latinos alcançam milhões de seguidores.

Todo mundo agora dança

Nunca tanta gente esteve tão preparada para dançar como no último carnaval. Muito dos passinhos sincronizados que se viu nas ruas foi resultado de aulas de coreografia exibidas no Youtube e vistas por milhões de fãs. “Vivemos o melhor momento da dança”, diz Fabio Duarte, cofundador da FitDance, uma das empresas que está por trás da moda e que, com um modelo de negócios de alta potência, ajudou a torná-la onipresente em todo o País. Criada em 2014, a companhia foi inspirada na Zumba, um programa de fitness colombiano que estourou em 2006 com a mistura de dança e exercícios ao som de muita música latina. As aulas de zumba chegaram a mais de 150 países.

Todo mundo agora dança. 2

Versão brasileira criada por dois irmãos, a FitDance compõe a maior parte de seu repertório com funks cariocas — o que significa muito rebolado. A empresa está crescendo a um ritmo acelerado, triplicou seu lucro em 2018 e espera dobrá-lo em 2019. De acordo com os sócios, seu programa consiste principalmente em qualificar instrutores e estes, credenciados como “instrutores FitDance”, pagam mensalidades de R$ 70 para poderem dar aulas usando o nome do método. “O coração da empresa são as aulas presenciais. O Youtube é só uma plataforma de marketing”, diz Fabio Duarte. De “só uma plataforma” o canal da companhia não tem nada. Atualmente são 9,7 milhões de inscritos que acompanham as coreografias postadas — para se ter ideia, a cantora Anitta tem apenas 1,5 milhão a mais. O valor da empresa não é revelado, mas certamente está na casa dos milhões. Além do império no Youtube, ela está presente em mais de 15 mil academias no Brasil e na Argentina e se prepara para chegar nos EUA, na Espanha e na Índia.

Não é de agora que o País se joga nas coreografias individuais. Nos anos 1990, a moda surgiu com tudo com o grupo É o Tchan, quando Carla Perez e Jacaré colocaram o País inteiro para dançar. Depois surgiram grupos de lambaeróbica que coreografavam as músicas, como Filhos do Sol e Swing do Bixo. Com o passar dos anos, no entanto, o pagode baiano desacelerou, principalmente em São Paulo. A dança recuperou o ritmo com a Zumba, que até hoje atrai milhares para a academia. Outro que contribuiu foi o professor Daniel Saboya, o primeiro a postar no Youtube vídeos com coreografias gravados com uma qualidade profissional. Ele começou em 2012, virou febre nesse promissor mercado virtual e recentemente até se lançou como cantor. Com 13 milhões de seguidores na internet, é atualmente procurado por artistas que querem lançar músicas. Mas nem sempre foi assim. “No começo nós tínhamos muitos vídeos bloqueados porque as pessoas os encaravam como pirataria”, diz Saboya. Quando criou o canal, as gravadoras não permitiam que ele usasse as faixas dos artistas, devido aos direitos autorais. Com o crescimento, a rota mudou de direção e ele passou a ser procurado pelos cantores. “A Lexa foi uma das primeiras que bateu o pé e pediu à gravadora para liberar sua música”, diz ele. A partir daí, seu canal virou um aliado na divulgação dos lançamentos dos artistas e também sua principal fonte de renda. Para coreografar uma música e postá-la, ele cobra em torno de R$ 10 mil.

Todo mundo agora dança. 4

O NEGÓCIO É FAZER CARÃO

O professor Justin Neto também não fica para trás no assunto coreografia e é conhecido como o queridinho das celebridades. Diferentemente dos outros, no entanto, ele não utiliza as redes sociais para ensinar as danças, mas apenas para divulgar seu trabalho. Com 727 mil seguidores no Instagram, está sempre viajando pelo Brasil para dar aulas. É recorrente a participação de famosos como Dani Calabresa, Claudia Leitte e Juliana Paes. A marca de Justin é justamente ensinar suas alunas a fazer “carão”, ou seja, a colocarem atitudes nas poses, como fazem as modelos, para se sentirem com a autoestima lá em cima. Entre suas alunas, estão mulheres que recorreram à dança para recuperar o amor próprio após traumas como separações.

Outro canal que faz sucesso nas redes é o Mete Dança. Criado há cerca de dois anos, possui um número bem menor de seguidores em comparação aos outros, mas estão no auge do crescimento. No ano passado, a audiência dobrou e o faturamento quintuplicou. Com 745 mil inscritos, o pacote para montar uma coreografia e postar no canal sai em torno de R$ 5 mil. Idealizado pelo empresário baiano Danilo Alencar, que já agenciou bandas de “arrochadeira”, um estilo musical baiano, o canal conta com parcerias com dançarinos que coreografam as músicas e com uma produtora de vídeos. A monetização também ocorre por meio da divulgação de bandas e contratos publicitários. Enquanto a população se diverte, os empresários faturam.

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GESTÃO E CARREIRA

DIVERSIDADE: PESSOAS COM DEFICIÊNCIA – INCLUSÃO MUITO ALÉM DA COTA

Mais do que cumprir uma lei, as empresas com boas práticas para pessoas com deficiência sabem que é preciso ouvir os funcionários.

Diversidade - Pessoas co deficiência - inclusão muito além da cota

Marianna Jorge de Moraes, uma das personagens que aparecem na capa deste post, é gerente de marcas na Natura, fabricante de cosméticos onde trabalha desde 2007. Ela é uma entre os funcionários que possuem alguma deficiência – física ou intelectual – e representam 6,5% do total. “No primeiro dia de trabalho, fizemos uma roda e me pegaram pelo braço, sem ressalva por eu não ter uma das mãos”, diz Marianna. Atitudes do dia a dia como essa são reflexo de um trabalho das lideranças e da área de recursos humanos na Natura, que há décadas se preocupa com a inclusão de pessoas com deficiência (PCD). Em 2000, durante a construção da fábrica da empresa em Cajamar, na região metropolitana de São Paulo, especialistas avaliaram as necessidades dos funcionários e projetaram instalações que fossem acessíveis para todos. Já no centro de distribuição em São Paulo as PCDs ocupam hoje 15 % dos postos. O local está preparado para receber o dobro disso. Entre os empregados no estado de São Paulo, há 30 que, voluntariamente, aprenderam a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e podem auxiliar pessoas com deficiência na fala e na audição. “Quando se promovem práticas afirmativas contínuas, os funcionários se tornam proativos em seus temas de interesse”, diz Flávio Pesiguelo, vice-presidente de pessoas e cultura da Natura.

A empresa de cosméticos, porém, ainda é uma exceção. Desde 1999, a Lei de Cotas obriga as companhias com mais de 100 empregados a destinar parte das vagas a pessoas com deficiência –   no mínimo, de 2% a 5% dos postos, dependendo do quadro total. Embora a lei esteja em vigor há duas décadas, apenas 35% das 109 empresas que responderam ao questionário do Guia de Diversidade cumprem a cota. As demais pagam multas ao Ministério do Trabalho ou assinaram termos de ajustamento de conduta, ou seja, fizeram um acordo de reparação para evitar a ação judicial. Um dos motivos apontados pelas empresas para não cumprir a cota é a falta de escolaridade dessa parcela da população. Segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 61% dos brasileiros com deficiência e acima de 15 anos não concluíram o ensino fundamental. “As empresas dizem que não há pessoas com deficiência qualificadas para ocupar os postos, como se o problema fosse somente externo. Há também o despreparo do empregador para incluí-las”, diz Ivone Santana, fundadora do Instituto Modo Parités, que atua na inclusão de pessoas com deficiência no mercado, e secretária executiva da Rede Empresarial de Inclusão Social.

Em todo o Brasil, estima-se que haja 441.000 PCDs com carteira assinada, número que tem crescido lentamente. As empresas que avançaram no tema vão além do cumprimento da cota e da criação de um ambiente adequado, que inclui desde rampas de acesso até programas para leituras de telas em caso de deficiência visual. As ações efetivas devem envolver os demais funcionários. A John Deere, fabricante de tratores e equipamentos pesados, cumpre a cota – tem 257 funcionários com deficiência, cerca de 5% de seu efetivo no país. Mas foi somente em 2017 que a John Deere começou a estruturar um programa específico para a valorização desses profissionais. A empresa criou peças de comunicação e incentivou a inscrição das PCDs nos programas de desenvolvimento. “Percebemos uma falta de autoestima dos funcionários e iniciamos uma conversa para encorajá-los”, diz Wellingron Silvério, diretor de RH da John Deere. A meta é que, até 2022, 50% dos beneficiados em programas de bolsa-auxílio educacional sejam pessoas com deficiência. Outro passo foi a contratação de um tradutor da língua de sinais em todas as unidades da companhia.

No banco Santander, o mapeamento da situação também foi importante. Em 2017, a instituição criou um aplicativo para os então 1.800 (hoje são 2.100) funcionários com deficiência. A iniciativa deu oportunidade a eles para que contassem quem são, quais são suas necessidades e a área em que desejavam progredir. O questionário foi preenchido por 53% das PCDs. Além disso, o banco descobriu que as pessoas com deficiência ficam cerca de cinco anos na mesma função, ante à média de três anos dos demais funcionários. Por isso, está estruturando planos de desenvolvimento de carreira para esse público. “Era preciso acompanhar os indicadores para mudar o cenário e promover a inclusão”, diz Fátima Gouveia, superintendente de sustentabilidade do Santander. “Não bastava cumprir a cota. Precisávamos promover o desenvolvimento dessas pessoas.”

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 25: 11 – 14

Alimento diário

COMPARAÇÕES INSTRUTIVAS

 

V11 e 12 – Aqui, Salomão mostra o quanto é apropriado que um homem:

1. Fale de maneira pertinente: uma palavra apropriada para as circunstâncias, no momento e no lugar oportuno – instrução, aconselho ou consolação, fornecidos na ocasião adequada e com expressões apropriadas, adaptadas à situação da pessoa a quem é destinada, e em conformidade com o caráter da pessoa que fala – é como esferas douradas, com forma semelhante à das maçãs, ou como verdadeiras maçãs de cor dourada (rainetas douradas), ou talvez cobertas de ouro, como às vezes cobrimos coroas de louros, – e estas maçãs apresentadas em salvas de prata, ou trazidas à mesa em um cesto de prata, ou em uma caixa de prata daquilo que chamamos de filigrana – através de cuja trama as maçãs douradas possam ser vistas. Sem dúvida, era uma decoração para a mesa, e bastante conhecida. Da mesma maneira como esta decoração era agradável para os olhos, também uma palavra proferida de maneira apropriada é agradável para os ouvidos.

2. Repreenda com discrição, de maneira que a repreensão seja aceita. Se a repreensão for bem feita, por um repreensor sábio, e bem aceita por um ou­ vido obediente, é como pendentes de ouro e gargantilhas de ouro fino, ou seja, muito graciosa e apropriada, tanto para quem repreende como para a pessoa repreendida; ambos terão o seu louvor, o repreensor, por expressar a repreensão de maneira tão prudente, e o repreendido, por recebê-la de maneira tão paciente, e por fazer bom uso dela. Os outros elogiarão a ambos, e eles se sentirão satisfeitos, um com o outro; aquele que fez a repreensão fica satisfeito, porque ela teve o efeito desejado, e aquele que a recebeu tem razão para ficar agradecido com ela, como uma gentileza. O que é bem dito, é bem recebido, como dizemos; no entanto, isto nem sempre quer dizer que aquilo que é bem dito seja bem recebido. Seria de se desejar que um repreensor sábio sempre encontras­ se um ouvido obediente, mas frequentemente isto não acontece.

 

V. 13 – Veja aqui:

1. Qual deveria ser a preocupação de um servo, tanto o mais humilde, que é enviado em uma missão e ao qual é confiada alguma mensagem, como o mais importante, o representante e embaixador de um príncipe; o servo deve ser fiel àquele que o envia, e deve se certificar de que, por engano ou intencionalmente, não adultera o que lhe foi confiado, e que não deixará de cumprir o interesse de seu senhor, por nada que haja em seu poder. Aqueles que agem como intermediários, por comissão, devem agir de maneira tão cuidadosa como agiriam em seu próprio nome.

2. O quanto isto será a satisfação do seu senhor; revigorará a sua alma, tanto quanto a frieza da neve (que, nos países quentes, é preservada com artifícios durante o ano todo) revigorava os trabalhadores na sega, que suportavam o esforço e o calor do dia. Quanto mais importante a mensagem, e quanto maior o temor de que ela não chegasse ao seu destino, mais aceitável seria a mensagem, se tivesse cumprido a sua missão de maneira aceitável. Um ministro fiel, um mensageiro de Cristo, deve ser desta maneira aceitável por nós (Jó 33.23); de qualquer modo, ele será um bom cheiro para Deus (2 Coríntios 2.15).

 

V. 14 – Pode ser considerado como se vangloriando de uma falsa dádiva:

1. Aquele que finge ter recebido aquilo que nunca teve, ou dado o que nunca deu, fazendo um alvoroço sobre os seus grandes feitos e bons serviços, mas é tudo falso; ele não é o que finge ser. Ou:

2. Aquele que promete que dará e que fará, mas não cumpre nada, o que desperta as expectativas do povo sobre as importantes coisas que ele fará pela sua nação, por seus amigos, os nobres legados que irá deixar, mas ou lhe faltam recursos com os quais fazer o que disse que faria, ou ele nunca teve intenção de fazê-lo. Esta pessoa é como a nuvem da manhã, que se vai, desapontando os que esperavam a chuva que regasse o solo árido (Judas 12), são nuvens sem água.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

VOCÊ SE CONECTA ALÉM DA CONTA?

As descobertas científicas a seguir vão ajudar a repensar sua relação com a tecnologia

Você se conecta além da conta

“Nossa missão é tornar o mundo mais aberto e conectado”, apregoa a página oficial do Facebook, rede social que caiu no gosto de mais de 1 bilhão de usuários em todo o planeta. Correr os olhos pelo feed, a página que se atualiza a cada nova postagem dos contatos, induz a sensação de que estamos abraçando as novidades, seja das nossas mídias preferidas, seja do cotidiano de nossos amigos, próximos ou não. Tal conectividade, no entanto, tem seus custos psicológicos – é o que vários estudos revelam. Como, então, aproveitar as redes sociais e outros meios de entretenimento tecnológico de forma mais equilibrada? Não há regras, mas prestar atenção ao tempo dedicado às interações virtuais e se questionar sobre a qualidade delas pode ser um começo.

1 – FACEBOOK PIORA O HUMOR.

De acordo com um trabalho da Universidade de Michigan, por exemplo, quanto mais se usa a rede social, menor a satisfação com a própria vida. Os pesquisadores enviaram cinco mensagens de texto por dia ao longo de duas semanas para 82 adultos jovens, questionando como se sentiam naquele exato momento e quão contentes estavam com a própria vida. “Quanto mais acessavam o Facebook em determinado momento, relatavam se sentir pior na mensagem seguinte que recebiam. O declínio dos níveis de satisfação ao longo do tempo foi proporcional à intensidade de uso da rede social”, relatam os autores em artigo publicado na Plos One. Eles não encontraram nenhuma evidência para duas possíveis explicações para a constatação de que o Facebook diminui a sensação de bem-estar. As pessoas não tendiam a acessar a rede quando se sentiam mal. Embora fossem mais propensas a logar quando sós, a solidão não se revelou um fator relevante para se sentirem pior depois de usar a rede. “Num primeiro olhar, o Facebook parece um ótimo recurso para satisfazer a necessidade humana de interação social. No entanto, em vez de induzir ao bem-estar, parece ter efeito contrário”, escrevem os autores. “A interação ‘direta’ com outras pessoas não prediz esses efeitos negativos.”

2 – SMARTPHONE PODE CAUSAR SENSAÇÃO SIMILAR À PROVOCADA POR DROGAS.

Hoje em dia, 71% das trocas sociais acontecem por meio dos telefones celulares, assim como 86% dos jogos e 90% das mensagens instantâneas, segundo especialistas em análise de sistemas da ComScore (empresa de pesquisa de mercado que fornece dados de marketing e serviços relacionados à internet). E há uma boa razão para isso. Estudos sugerem que o uso de mídias sociais, videogames e outras tecnologias digitais pode provocar “uma sensação similar à provocada por algumas drogas”, segundo o professor de psicologia aplicada a negócios Tomas Chamorro-Premuzic, da Universidade College de Londres, que estuda referências de mídia e de consumo.

“Pesquisas mostram maior disparo de neurotransmissores dopaminérgicos nesses momentos. Isso significa que o cérebro experimenta a interação como altamente prazerosa e responde com uma intensa necessidade de praticá-la”, explica Chamorro-Premuzic.

3 – GATILHO DE ANSIEDADE.

Verificar o e-mail ou o celular o tempo todo em busca de eventuais mensagens é desgastante- mas muitas vezes é difícil resistir. Em pesquisa encomendada em 2012 pela instituição britânica Anxiety, cientistas da Universidade de Salford entrevistaram 300 pessoas sobre seus hábitos virtuais e a relação com seus gadgets (termo que abrange aparelhos portáteis, como celulares e smartphones). Mais de metade, 55%, relataram se sentir “preocupadas ou incomodadas” quando por algum motivo não conseguiam acessar a conta de e-mail ou perfil nas redes sociais, como Facebook e Twitter. Outro dado que chama a atenção é que mais de 60% afirmaram não resistir em checar novas atualizações – era preciso desligar os aparelhos para que conseguissem ignorá-lo. “Se você é predisposto à ansiedade, as pressões tecnológicas funcionam como um gatilho, fazendo-o se sentir mais inseguro e sobrecarregado”, diz Nicky Lidbetter, coordenadora da Anxiety.

4 – USO POSITIVO DAS REDES.

Apesar dos muitos estudos que evidenciam efeitos negativos do uso excessivo de gadgets, em especial das redes sociais, outros trabalhos mostram que esse hábito moderno pode ter suas vantagens. Cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego sugerem, em estudo publicado este ano na Plos One, que o uso de mídias sociais pode “espalhar felicidade”. Postagens de conteúdo positivo incentivam outros usuários a fazer o mesmo, constataram em um estudo que analisou mais de 1 bilhão de atualizações de status anônimas de mais de 100 milhões de usuários do Facebook entre 2009 e 2012. A triagem dos textos foi feita com a ajuda do software Linguistic lnquiry Word Count, que avalia o “conteúdo emocional” nas postagens. “Status de conteúdo positivo são mais contagiosos que os negativos e parecem influir nas expressões emocionais de outros contatos”, diz o autor do estudo James Fowler, da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia. “Podemos estar subestimando drasticamente a utilidade das redes para melhorar a saúde física e mental. Elas podem ser ferramentas úteis para pensar estratégias para difundir bem­ estar”, diz fowler.

OUTROS OLHARES

EMAGRECER NA FACA

O Brasil já é o segundo país que mais realiza a cirurgia bariátrica, nome do procedimento que reduz o tamanho do estômago. E concorre para se tornar o primeiro do mundo. Por quê?

Emagrecer na faca

Passado o Carnaval, voltemos à dura realidade. De cada 100 brasileiros, cinquenta estão fora do peso – ou melhor, acima do peso. Levam no corpo cerca de 15 quilos a mais, tomando-se como referência uma pessoa com 1,70 metro de altura. Desses cinquenta, dezesseis estão empenhados numa guerra contra a balança, mas não conseguem voltar à forma nem mudar seus hábitos alimentares. E, ainda dentro dos cinquenta, há 32 milhões de brasileiros que vivem uma situação dramática em termos de peso – são obesos, com pelo menos 30 quilos extras. Por desajustes biológicos, propensão genética ou maus hábitos alimentares, esses homens e mulheres tentam de tudo na academia e à beira da mesa, e, no entanto, nunca obtêm êxito em melhorar a silhueta e a própria saúde. O que fazer?

A alternativa, que ganha cada vez mais tração na sociedade brasileira, é a cirurgia bariátrica, nome esquisito para um procedimento que consiste na redução da dimensão do estômago e do intestino e vem sendo adotado desde o início da década de 90. É uma saída radical. Nos últimos anos, com o avanço das técnicas de operação e o desenvolvimento de medicamentos que permitem uma convivência mais saudável com o novo corpo, deu-se uma explosão de busca pela cirurgia bariátrica. Em apenas cinco anos, a procura pelo procedimento aumentou 47%, de acordo com as estatísticas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. É um crescimento superior ao de cirurgias mais simples, como a extração de vesícula (subiu 38%) ou de tireoide (6%).

Com esse salto, o Brasil pulou para o topo do ranking mundial da redução de estômago – perdendo apenas para os Estados Unidos, o império mundial da obesidade. O país, no entanto, não é o segundo lugar em obesidade no mundo – ocupa o quinto posto, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde. Mas o cenário nacional vem piorando em ritmo acelerado. Em 1980, apenas 7% da população brasileira era obesa. Em 2015, eram 18% – um aumento semelhante ao observado nos Estados Unidos. Mas, considerando-se apenas a última década, a taxa de obesidade no Brasil cresceu em ritmo superior ao da taxa americana. A continuar assim, estima-se que em cerca de dez anos os brasileiros possam estar tão obesos quanto os americanos.

Por quê? Porque, além de questões biológicas ou genéticas, estamos comendo mais em resposta aos apelos de uma indústria que incentiva o consumo de alimentos hipercalóricos, vende porções de fast- food cada vez mais robustas e espalha máquinas automáticas de alimentos em todos os cantos. O mecanismo da obesidade é comparável ao vício porque envolve o sistema cerebral de recompensa. Por isso tudo, a cirurgia bariátrica tem virado uma preferência nacional – que vai aumentar ainda mais. Em uma decisão recente, o Conselho Federal de Medicina ampliou a indicação do procedimento. Antes, a bariátrica era recomendada apenas a adultos com obesidade mórbida – ou seja, com índice de massa corporal, o IMC, acima de 40.

Agora, é indicada também para adolescentes e, para aqueles com IMC a partir de 30 e com diabetes descontrolado.

“Quanto antes for feita a cirurgia, melhor”, diz Almino Ramos, presidente da Federação Internacional para Cirurgia de Obesidade e Transtornos Metabólicos. “O cálculo é simples: quanto mais tempo uma pessoa se mantiver obesa, menor será seu tempo de vida.” Os quilos a mais ainda na juventude provocam aumento da pressão arterial e alterações importantes na estrutura do coração. É um perigo. Adultos com obesidade grave desde a infância vivem até dez anos menos do que quem manteve a linha. O desequilíbrio prematuro faz aumentar em três vezes o risco de diabetes do tipo 2. “Somente 10% das pessoas conseguem perder muito peso e manter essa condição por mais de cinco anos só com estilo de vida”, diz o endocrinologista Walmir Coutinho.

Atualmente, há 5 milhões de brasileiros elegíveis para emagrecer na faca. Repetindo: 5 milhões. As mulheres adultas, com idade de 25 a 35 anos, são as que mais recorrem ao tratamento – elas são 70% dos pacientes. Há poucos meses, a consultora de telemarketing Sarah Cortez de Sousa, 34 anos e 105 quilos, submeteu-se à bariátrica em um hospital de São Paulo. O procedimento foi feito a partir de cinco microcortes na região abdominal com menos de 1 centímetro cada um. Por eles entraram pinças, um grampeador de titânio e uma micro­ câmera. Controlados por um cirurgião, os instrumentos passaram por uma camada de 8 centímetros de gordura, até chegar ao estômago. O órgão foi então grampeado e passou a ter 10% de seu tamanho original. Em oito meses, ela perdeu 43 quilos.

O Brasil também é um dos campeões mundiais em outra área da medicina – a das cirurgias plásticas, quase sempre atreladas a preocupações estéticas, sobretudo com a redução da gordura corporal aparente. Não se pode comparar a plástica com a bariátrica, que invariavelmente nasce de um problema de saúde, e não de um padrão de beleza. Há, no entanto, uma ponte de comunicação entre as duas práticas. Em um país tropical, mais da rua do que da casa, o culto ao corpo faz diferença. Os gordos sofrem preconceito, os mais magros ganham elogios – é o que se vê desde cedo. “O bullying pode fazer inclusive com que a pessoa coma até como forma de automutilação”, diz a endocrinologista Claudia Cozer Kalil, coordenadora do núcleo de obesidade e cirurgia bariátrica do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Por tudo isso, somado ao aperfeiçoamento das técnicas cirúrgicas, a bariátrica só cresce. Quando foi criada, na década de 80, apresentava um índice de mortalidade de 1,5%. Hoje, ele caiu para 0,1%. As operações duravam três horas. Hoje, apenas uma. O paciente tinha alta cinco dias depois. Agora, deixa o hospital em 24 horas.

Há dois tipos mais comuns de cirurgia bariátrica. A de Sarah, que perdeu 43 quilos em oito meses, é a mais frequente. Chamada de by-pass gástrico, caracteriza­ se pela redução do estômago por meio de grampeamento do órgão. A segunda variante é a gastrectomia vertical, que reduz o estômago para aproximadamente um terço do tamanho original. Essa técnica é recomendada para pessoas que precisam perder menos peso. Independentemente do tipo de operação, o paciente consegue seu objetivo, emagrecer, e porque perde a fome radicalmente – a quantidade de comida consumida cai a um quarto, em média, por falta de espaço de armazenamento. É esse o grande trunfo da bariátrica: reduzir a vontade de comer.

O momento pós-cirúrgico é um dos maiores desafios. Mesmo com a fome suprimida, não é simples habituar-se a pouca comida. Na primeira semana, somente líquidos são permitidos, e em quantidade pífia. Os operados consomem 50 mililitros de água (o equivalente a um copinho de café) a cada 15 minutos. Na segunda semana, a alimentação é cremosa. Na terceira, permite-se a textura de purê, mais consistente. Só a partir da quarta semana alguns alimentos são introduzidos na dieta sólida. Para o resto da vida os pacientes devem repor nutrientes, como vitaminas, sais minerais e proteínas.

Quatro meses depois da cirurgia, perdem-se, em média, 20% do peso total. O objetivo da operação é ficar com 40% a menos dos quilos originais em dois anos. “A cirurgia bariátrica não se resume ao emagrecimento, no entanto. Ela deflagra uma sinfonia de reações”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, o cirurgião Caetano Marchesini. Ao mexer na arquitetura do intestino e do estômago, a orquestra hormonal desregulada se rearranja. É como se redefinisse o ponto de ajuste, o pontapé inicial para o corpo voltar a funcionar – a tal da nova chance. Após a cirurgia, pelo menos dez hormônios produzidos sobretudo pelo estômago e intestino e relacionados à obesidade são alterados de modo a promover o emagrecimento. E o caso do freio na grelina (composto responsável pela sensação de fome), da leptina (substância da saciedade) e da dopamina (ligada ao bem-estar). O impacto da cirurgia nas doenças associadas ao excesso de peso é brutal. “Na primeira semana, a pressão arterial já está controlada e o diabetes também”, diz Ricardo Cohen, coordenador do Centro de Cirurgia Metabólica do Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo. A longo prazo, o risco de derrame cai 80%, o de apneia do sono, 85%. Os níveis de colesterol baixam 70%.

Apesar dos avanços técnicos e das facilidades, a cirurgia está longe de ser uma intervenção simples. Seu impacto biológico e comportamental é enorme, tanto que se recomenda, em alguns casos, acompanhamento psicológico. Em outras palavras, a silhueta muda, mas a cabeça também.

Há relatos de abuso de álcool. Um grupo de trabalho da Universidade Pittsburgh, nos Estados Unidos, acompanhou homens e mulheres em dez hospitais ao longo de sete anos após a cirurgia bariátrica. Resultado: antes do procedimento, 7% abusavam de álcool. Depois da cirurgia, o índice saltou para 16%. Algumas hipóteses foram consideradas para esse aumento de consumo. A alteração fisiológica na absorção pelo intestino das bebidas e alimentos leva mais rapidamente à sensação de entorpecimento, com poucos goles. “Uma segunda possibilidade é o aumento do risco de substituição da fonte de prazer: da comida para o álcool”, diz Maurício Serpa, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da USP.

Ao lado dos desafios psicológicos, há também vantagens psicológicas. A melhora na autoestima é uma delas. Quem se submete à cirurgia bariátrica tem maior probabilidade de mudar o status de relacionamento, de acordo com um estudo sueco publicado na JAMA Surgery. Segundo os resultados, há um aumento de 15% no índice de divórcios entre os pacientes casados. Entre os solteiros, verificou-se um aumento de 21% no índice de casamentos ou de novos relacionamentos nos primeiros quatro anos depois de submetidos ao método. A cirurgia emagrecedora muda o corpo e a mente, e os depoimentos das pessoas que já se submeteram ao procedimento são um testemunho disso. Nos primeiros dias, os pacientes escondem a cirurgia, mas depois, com a redução do peso, passam a celebrá-la como uma vitória pessoal que antes soava inalcançável. É uma reviravolta extraordinária, como mostra exemplo radical – e assustador – de dom Sancho (932 – 966), rei da Península Ibérica.

O monarca tinha problema com sua circunferência exagerada, que o impedia de andar a cavalo, atividade fundamental naqueles tempos medievais. As limitações o fizeram perder o trono. Acompanhado pela avó, desesperado, ciente de que não conseguia fechar a boca, dom Sancho viajou para Córdoba, na Espanha, para ser tratado por um famoso médico de origem judaica. A solução dada pelo especialista foi aterradora: suturar os lábios do rei, deixando apenas espaço para a entrada de um canudo, pelo qual passou a se alimentar de uma dieta líquida. Sancho sofreu com dores lancinantes, mas meses depois, perdera metade de seu peso. E assim, podendo se movimentar como os outros monarcas de seu tempo, recuperou, a galope, o cetro perdido.

Emagrecer na faca. 2

GESTÃO E CARREIRA

DIVERSOS E MELHORES

Analisamos 109 empresas que promovem a inclusão de mulheres, negros, pessoas com deficiência e LGBTI+. Conheça as 36 melhores. Com a diversidade, elas ganham em seus negócios – e contribuem para um mundo melhor.

Diversos e melhores

Quando ficou paraplégico depois de ter sido baleado em 2000, aos 19 anos, o paulistano Ricardo de Carvalho Silva recebeu do médico o conselho de se aposentar por invalidez, já que, segundo o profissional, o jovem nunca mais conseguiria trabalhar. Mas Silva não desistiu de ter uma carreira. Trabalhou em diferentes setores, formou-se em direito e gestão de recursos humanos e, há 12 anos, foi contratado pelo banco Santander como assistente administrativo. Na instituição financeira, ele participa ativamente de dois grupos de discussão com os quais se identifica, o de negros e o de pessoas com deficiência (PCD), criados para promover a diversidade. Ao fazer uma radiografia das PCDs ao longo de 2017 e 2018, o Santander descobriu que esses funcionários levam mais tempo do que a média para receber uma promoção – problema que o banco pretende atacar neste ano oferecendo mais oportunidades às pessoas com deficiência. “Ainda há muito a ser feito, mas vejo de perto a evolução”, afirma Silva, que hoje é assistente jurídico no banco.

Silva é um exemplo de funcionário que se engajou nas políticas de diversidade lançadas pelo Santander há dois anos, quando o banco percebeu a necessidade de ter práticas afirmativas e se tornar um reflexo da sociedade. “A diversidade é uma das bases de fomento à inovação e deve alimentar o propósito das empresas”, diz Sergio Rial, presidente do Santander. Promover a inclusão de negros e mulheres tornou-se meta para os 150 principais executivos. Muitas vezes, os profissionais que o banco gostaria de atrair já estavam no radar, mas não havia um acompanhamento próximo para que ocorressem a inclusão e o salto na carreira. Um exemplo são os 620 jovens aprendizes de 2018, entre os quais 70% eram meninas e 55% negras. “Passamos a pensar em formas de reter esses talentos”, diz Fátima Gouveia, superintendente de recursos humanos e responsável pelas ações de diversidade no Santander. Para a diversidade sexual, as iniciativas começaram em 2018, mas o tema já era abordado de forma natural. Rial, inclusive, demitiu um diretor que fez um comentário homofóbico durante uma reunião. “Não vemos nessa discussão nenhum fundo ideológico, mas humanista e respeitoso”, afirma Rial. “Buscamos criar um ambiente em que cada um possa encontrar e desenvolver a melhor versão de si mesmo.”

Com essas práticas e bons indicadores quantitativos, o Santander desponta como a Empresa do Ano de Diversidade. Apesar de serem recentes, as iniciativas estão estruturadas nos quatro pilares de diversidade e equidade – étnico – racial, LGBTI+, mulheres e pessoas com deficiência – analisados por este guia. Trata-se de uma iniciativa em parceria com o Instituto Ethos, que há 20 anos ajuda empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável. “Essa parceria traz para o processo as mais importantes redes de atuação em diversidade nas empresas. O objetivo é fortalecer a agenda da diversidade e da inclusão social no meio empresarial”, diz Caio Magri, presidente do Ethos.

Diversos e melhores. 2

O VALOR DA DIFERENÇA

As empresas que promovem a diversidade e a inclusão não o fazem por mero bom-mocismo. Uma pesquisa da consultoria McKinsey, realizada globalmente com 1.000 companhias e divulgada no ano passado, revelou que empresas com diversidade de gênero no time executivo obtêm, em média, lucros 21% maiores do que as demais. Entre as que valorizam a diversidade racial, essa diferença sobe para 33%. “Não é mágica. É uma relação de causa e consequência”, diz Heloísa Callegaro, sócia e líder em diversidade da McKinsey. “Empresas com mais diversidade tomam decisões melhores para públicos mais amplos.” Não há uma pesquisa similar sobre o Brasil, mas mapeou-se os principais interesses das companhias que atuam no país. Os dados mostram que as empresas começam a ganhar consciência do poder da diversidade em seus negócios. Entre as 109 empresas inscritas, 95% acreditam que a diversidade gere resultados positivos nos negócios. Dessas empresas, 93% citam como benefícios da diversidade a melhoria no clima organizacional, 87% a retenção de talentos, 84% o aumento da produtividade e 58% a melhoria do desenvolvimento de produtos ou serviços. “As empresas sabem que a diversidade trará resultados positivos, mas a maioria delas ainda percebe isso de maneira inicial”, diz Ana Lucia de Melo Custódio, diretora adjunta do Ethos.

No Brasil, as empresas que dão atenção à questão da diversidade se encontram em diferentes graus de maturidade. Nesta primeira edição do guia, nenhuma das 109 inscritas obteve pontuação acima da média nos quatro pilares analisados. Contudo, é possível perceber algumas tendências entre as melhores empresas. O tema em que elas estão mais avançadas é o das mulheres, no que diz respeito à sua presença na força de trabalho e em programas de desenvolvimento de carreira e liderança. O segundo tema em que as companhias inscritas estão em estágio mais adiantado é o de pessoas com deficiência – a lei prevê, no mínimo, 5% de PCDs em empresas com mais de 1.000 funcionários. Segue-se o de diversidade étnico-racial, em que também há cotas – neste caso, para a admissão de jovens pretos e pardos em universidades. Por fim, há a promoção dos direitos do grupo LGBTI+. Nesse pilar, apenas 15 das 36 empresas destacadas neste guia obtiveram notas acima da média. Esse tema apresenta uma complexidade adicional, já que os funcionários não são obrigados a declarar sua orientação sexual e, portanto, as empresas não têm uma radiografia detalhada desse público. O que está claro é que as oportunidades são ainda mais restritas para travestis e transexuais, que vivem à margem da sociedade: grande parte deles está na prostituição, segundo estimativas. “O fim da discriminação está na agenda das empresas. O próximo passo é a promoção dos direitos”, diz Reinaldo Bulgarelli, secretário executivo do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+.

A análise das empresas que mais se destacam por promover a diversidade no Brasil revela diferenças significativas entre os setores de atividade. Naqueles conhecidos por ambientes predominantemente masculinos – geralmente fabris -, é menor o número de empresas que se classificaram entre as melhores. Os setores de agronegócio, auto indústria, bens de capital, construção civil, eletroeletrônico, siderurgia e mineração tiveram, cada um, apenas uma representante entre as melhores. Uma delas é a empresa de alimentos Cargill, onde ações afirmativas, como a inclusão de funcionários negros e trans no programa de jovens aprendizes, começam a gerar efeitos positivos, especialmente após a criação do comitê de diversidade em 2016. “Uma pesquisa de clima revelou que 85% dos funcionários sentem que podem ser eles mesmos na Cargill Brasil. Com isso, o engajamento tende a melhorar e os negócios também”, afirma Simone Beier, diretora de recursos humanos da Cargill. Outro exemplo é a Schneider Electric, do setor eletroeletrônico. Em 2011, com o apoio da então presidente Tania Cosentino, a subsidiária da multinacional francesa criou um grupo para ampliar as oportunidades de carreira para mulheres. O movimento ganhou força em 2014, quando a companhia assumiu compromissos globais junto à ONU Mulheres, braço das Nações Unidas focado na promoção da igualdade de gênero. Estabeleceu a meta de que, até 2020, 30% dos cargos de liderança sejam ocupados por mulheres. Em busca do objetivo, a empresa criou ações para envolver líderes e suas equipes. Em uma delas, adotou a regra de que, em todo processo seletivo, pelo menos uma mulher deve estar entre os candidatos finalistas para qualquer vaga. “Para ser uma empresa disruptiva, precisamos de pessoas diferentes e com ideias distintas”, diz Maristella Iannuzzi, diretora global da experiência digital e responsável pela área de diversidade e inclusão da Schneider Electric.

PASSO A PASSO

Entre as companhias que se destacam por suas práticas de diversidade, é possível identificar um caminho em comum. O primeiro passo para a maioria das empresas é realizar a coleta de informações para traçar o retrato social que existe internamente. O próximo passo é envolver os funcionários nos processos e ouvir suas necessidades. Nessa etapa, muitas companhias criam os grupos de afinidade – uma equipe de funcionários, geralmente coordenada por até uma dezena de pessoas, que discutem e compartilham as ações. Para engajar o maior número possível de funcionários, os grupos costumam ser abertos. “Se não houver membros diferentes e que se respeitem mutuamente, a diversidade perde sentido.

Quando se discute a questão de gênero, por exemplo, é necessário ter o auxílio também dos homens”, diz Margareth Goldenberg, gestora executiva da organização Movimento Mulher 360. Quando essas equipes começam a dar resultados, 54% das empresas inscritas realizam um censo interno para análise do perfil e da trajetória dos empregados, obtendo os recortes de diversidade.

Outra ação adotada por muitas empresas é o engajamento da liderança e o treinamento de “vieses inconscientes”. Esses vieses ocorrem quando uma pessoa toma, sem perceber, uma decisão tendenciosa. Por exemplo, quando um gestor contrata um estagiário que estuda na mesma universidade em que ele se formou, por acreditar ser essa a melhor opção. Segundo estudos, os funcionários que percebem esse tipo de preferência ou preconceito de seus superiores têm quase três vezes mais probabilidade de pedir demissão. A consultoria Gallup estima que o desligamento de funcionários custa cerca de 500 bilhões de dólares por ano às empresas nos Estados Unidos. “As empresas gostam de abordar o tema de vieses inconscientes porque é um modo de tornar o ambiente mais inclusivo sem apontar o dedo para ninguém. Afinal, todo mundo tem vieses e pode trabalhar para diminuí-los”, diz Regina Madalozzo, professora na escola de negócios Insper, de São Paulo.

É um trabalho árduo e contínuo e sujeito a escorregões. O Grupo Carrefour, que tem cerca de 40.000 empregados no Brasil, aparece neste guia como destaque nos temas de diversidade étnico-racial e mulheres. Ainda assim, a rede varejista se viu envolvida em um episódio ocorrido em outubro de 2018 em uma loja em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Um cliente com deficiência física alegou ter sido vítima de racismo depois de ser agredido por um segurança por ter aberto uma lata de bebida dentro da loja. O Carrefour afastou o segurança. “O funcionário havia passado por treinamentos contra racismo, mas lidamos com muitas pessoas e temos a variável incontrolável dos sentimentos humanos”, diz Karina Chaves, gerente de diversidade do Carrefour. “Entendemos que o melhor a fazer seria desliga-lo e reforçar aos empregados os nossos valores.” A companhia também já passou por episódios em que precisou ensinar aos funcionários como explicar ao cliente por que uma pessoa trans estava usando um banheiro para determinado gênero. “As empresas precisam preparar os funcionários para lidar com o público sem discriminação. Com a conscientização da sociedade sobre seus direitos, temos um aumento no número de denúncias e a judicialização do tema”, diz Daniel Teixeira, diretor de projetos do Ceert, ONG que atua pela equidade racial e de gênero.

Entre as 109 empresas inscritas no guia, 25 são de médio e três de pequeno porte. Nessas, assim como nas grandes companhias, o tema em estágio mais avançado é o da equidade entre homens e mulheres. No escritório de advocacia Trench Rossi Watanabe – que teve a melhor avaliação entre as PMEs -, as mulheres são 53% dos sócios. A existência de mulheres nessa posição é uma prática iniciada no escritório na década de 80. Mas ganhou impulso em 2016, quando foi criado um comitê de diversidade, que passou a estabelecer ações como a construção de uma sala para amamentação nos escritórios. Pequena ou grande empresa, o mapeamento feito mostra que esse é um assunto incipiente no Brasil e ainda há muito o que avançar. Por sorte, em muitas empresas, a promoção da diversidade tem sido impulsionada por suas matrizes em outros países, que estão mais avançados nessa seara. Nos Estados Unidos, questões de gênero e raça são tratadas há décadas. Na Europa, há países como a Noruega, onde, desde 2008, é obrigatório que as mulheres ocupem no mínimo 40% das cadeiras do conselho executivo das empresas, medida que está sendo copiada por países vizinhos. “Alguns pilares da diversidade estão mais bem resolvidos em alguns países, enquanto em outros, como o Brasil, ainda há um caminho a ser percorrido”, afirma a economista Sylvia Ann Hewllet, especialista em diversidade e professora na Universidade Colúmbia, nos Estados Unidos. Mas ela ressalta um ponto positivo: “Quando o tema se torna uma preocupação das empresas, os indicadores começam a mudar e os resultados efetivos a aparecer”.

 

OBS.:

ESTE POST ABRE UMA SÉRIE SOBRE DIVERSIDADE E DEVERIA TER SIDO PUBLICADO ONTEM, POR DESCUIDO INVERTI A PUBLICAÇÃO …DESCULPEM*ME E BOA LEITURA!

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 25: 8 – 10

Alimento diário

MAS DE PRUDÊNCIA

 

I – Aqui há um bom conselho a respeito de recorrer à lei:

1. Não te apresse em iniciar uma ação judicial, antes de ter considerado a questão e ter consultado os teus amigos sobre isto. “Não te apresses a litigar”; não inicie uma ação judicial acaloradamente, ou na primeira impressão de direito do teu lado, mas pondere a questão deliberadamente , porque nós somos propensos a ser parciais na nossa própria causa; considere a certeza dos custos e a incerteza do sucesso, quanta irritação e preocupação resultarão da ação, e, afinal, a causa poderá se voltar contra você; certamente, então, não deveria ter se apressado a litigar.

2. Não inicie uma ação antes de ter tentado encerrar o assunto de maneira amistosa (v. 9): “Pleiteia a tua causa com o teu próximo mesmo”, e talvez vocês se entendam melhor, e vejam que não há motivos para recorrerem à lei. Nas disputas públicas, a guerra, que deve, por fim, terminar, poderia ter sido evitada através de um tratado de paz, e uma grande quantidade de sangue e recursos seria poupada. Assim é nas disputas privativas: não processe o seu próximo como um pagão e publicano, até que tenha dito a ele qual foi o seu erro, somente entre você e ele, e até que ele tenha se recusado a examinar o assunto ou de chegar a um acordo. Talvez o motivo da divergência seja um segredo, que não deve ser divulgado a ninguém, e muito menos trazido à presença da nação; portanto, encerre a questão em particular, para que não seja revelada. Não descubras o segredo de outro, segundo alguns. Por vingança, e para trazer desgraça ao seu adversário, não revele aquilo que deve ser mantido privado e que não pertence à causa.

 

II – Salomão apresenta duas razões pelas quais nós devemos ser cautelosos para iniciar ações judiciais:

1. Porque a causa poderá ter resultado contrário a você, e você não saberá o que fazer, quando o réu tiver se justificado naquilo de que você o acusou, e terá mostrado que a sua queixa era frívola e vergonhosa, e que você não tinha causa justa para a ação, e assim envergonhará você, forçando-o a pagar as custas, e tudo isto poderia ter sido evitado, ponderando um pouco a questão.

2. Porque será muito vergonhoso para você se for caracterizado como litigioso. Não somente o próprio réu (v. 8), mas também aqueles que ouvem a causa julgada envergonharão e criticarão você, expondo-o como um homem sem princípios, e a sua infâmia não diminuirá: você nunca recuperará a sua reputação.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MENARCA AFETA TPM

Menarca afeta TPM

Meninas cuja primeira menstruação ocorreu antes dos 1O anos tendem a apresentar mais sintomas de síndrome da tensão pré-menstrual (TPM), como irritação, ansiedade e depressão. Essa é a conclusão de um estudo realizado com mais de 2 mil jovens de Pelotas, Rio Grande do Sul, por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Cerca de 85% das adolescentes estudadas menstruaram pela primeira vez entre 11 e 14 anos, período considerado mais adequado. Ainda assim, os sintomas de TPM moderada ou severa foram comuns nesse segmento da amostra, embora sua frequência tenha sido menor do que a encontrada nas garotas cuja menarca foi precoce.

Apenas 16 ,5% das adolescentes não apresentaram sintoma algum. No restante da amostra, a irritabilidade foi a característica mais frequente, e dois terços das participantes relataram dificuldades no relacionamento familiar por causa da TPM. Em 6%, os sintomas se manifestaram com grande intensidade.

Os autores acreditam que, nas garotas mais jovens, o início da vida reprodutiva vem acompanhado de novas responsabilidades, como evitar a gravidez, o que poderia contribuir para o fenômeno.

OUTROS OLHARES

A SEGUNDA CURA DA AIDS

Cientistas anunciam que mais um paciente, de Londres, está livre do HIV.

A segunda cura da aids

Pesquisadores da University College of London, na Inglaterra, anunciaram na semana passada uma notícia alentadora na luta contra a Aids. Em um artigo publicado na revista científica Nature, eles descreveram o caso da segunda pessoa no mundo curada da doença. O “paciente de Londres”, como ele foi chamado, já que não teve sua identidade revelada, junta-se agora ao americano Timothy Brown, o primeiro a ter sua cura anunciada, em 2008. Ele ficou conhecido como o “paciente de Berlim”, uma vez que foi tratado por médicos alemães da capital germânica depois de ter sido diagnosticado com HIV em 1995, quando estudava no país europeu.

Os dois passaram pelo mesmo procedimento: um transplante de medula óssea, indicado para pacientes com tumor de células sanguíneas. Além de Aids, Timothy tinha leucemia mielóide aguda e o paciente de Londres, linfoma de Hodgkin. Eles não melhoravam mesmo com as sessões de quimioterapia.

Há duas modalidades de transplante de medula óssea (o órgão que produz as células do sangue). A primeira é tirar e recolocar as próprias células do doente depois de passarem por modificações. A segunda é receber uma doação de uma pessoa saudável. Os dois passaram pela última opção. A diferença em relação a outros transplantes do gênero é que as células que Timothy e a pessoa de Londres receberam tinham uma mutação genética rara que torna o indivíduo imune ao HIV, o vírus responsável pela Aids. Chamada de “delta 32”, a alteração impede a fabricação, pelo gene CCR5, da proteína que permite que o vírus se ligue aos linfócitos-T, as células de defesa que o HIV invade e destrói.

A segunda cura da aids. 2

ESPERANÇA PARA TODOS

Timothy e o paciente de Londres não tomaram mais antiretrovirais após os transplantes e não apresentam sinais do vírus. A divulgação da notícia do segundo caso na Nature e em uma apresentação do pesquisador Ravindra Gupta, líder do trabalho, inspirou mais uma vez a esperança de que o caminho aberto pelos dois estudos leve também à cura os 35 milhões de soropositivos existentes no mundo hoje. Porém, é consenso que isso não está garantido e que ainda serão necessárias diversas experiências até que a cura para todos seja alcançada.

GESTÃO E CARREIRA

DIVERSIDADE ÉTNICO-RACIAL: TODOS GANHAM SEM O RACISMO

A definição de metas e a criação de grupos de afinidade ajudam a promover a equidade étnico -racial e o desenvolvimento profissional dos negros.

Diversidade etnico-racial - todos ganham sem o racismo

Em 2017, a fabricante de gases industriais White Martins passou a oferecer em seu programa de estágio dez vagas exclusivas para jovens negros, além das 40 regulares. A medida faz parte do programa de diversidade étnico-racial, que existe desde 2014. A companhia buscou jovens negros nas mais diversas universidades e eliminou critérios até então imprescindíveis, como o conhecimento de um segundo idioma. “Percebemos que podíamos oferecer isso a eles e ao mesmo tempo ganhar talentos”, diz Cristina Fernandes, diretora de talentos e comunicação da White Martins. A empresa também promove mentoria para jovens estudantes em vulnerabilidade social. A primeira turma contou com 23 orientados e, antes do término, oito deles já estavam empregados. Mudar a realidade desses jovens é uma iniciativa recente no Brasil. Quando Paulo Baraúna, hoje com 58 anos e diretor de negócios medicinais da companhia, tornou-se o primeiro negro em sua classe de engenharia civil na Universidade Católica de Salvador, em 1980, mal se pensava em iniciativas semelhantes. A exemplo de Baraúna, a maioria dos negros que ingressam hoje na White Martins é o primeiro de sua família a chegar à universidade. ” Tive amigos que poderiam ter seguido os estudos se tivessem mais oportunidades”, diz Baraúna. “Agora há novas opções para que esses jovens se desenvolvam e as empresas façam parte de uma nova realidade.”

A diversidade étnico-racial no meio corporativo é afetada por um problema social do Brasil. Os negros – denominação que inclui pretos e pardos são 54% da população, pelo Censo oficial. Entre eles, 67% recebem até 1,5 salário mínimo por mês. A pobreza gera outros problemas. como a baixa escolaridade e, consequentemente, a dificuldade de entrar ou permanecer nas empresas. “Mais do que contratar, é preciso saber como suprir as necessidades educacionais e sociais para que esse profissional mostre suas competências”, diz Daniel Teixeira, diretor de projetos do Centro de Estudos das Relações do Trabalho e Desigualdades. O tema também é tratado há menos tempo do que outros pilares da diversidade. Enquanto a Lei de Cotas para pessoas com deficiência em empresas existe desde 1991, foi só em 2001 que entrou em vigor a cota para pretos e pardos em universidades do Rio de Janeiro. E somente nesta década os negros começaram a conquistar cargos executivos com mais força. “É importante mostrar que eles podem ocupar esse espaço”, afirma Thiago de Souza Amparo, professor de discriminação e diversidade na Fundação Getúlio Vargas. O aumento da presença de negros em programas de ingresso nas empresas é um primeiro passo, mas já é possível praticar ações afirmativas também no quadro funcional médio. “Até que os estagiários cheguem a posições de tomada de decisão, será um longo caminho de mudanças, que podem ocorrer no médio prazo se houver diversidade em todos os níveis hierárquicos”, afirma Amparo.

Na rede varejista Carrefour, o grupo de afinidade racial, existente desde 2015, influenciou o estabelecimento da meta de aumento de negros na companhia. A meta varia conforme a área de negócios e é atrelada ao bônus dos executivos. “É um trabalho de conscientização. Não precisamos contratar alguém apenas pela cor de sua pele, mas precisamos encontrar talentos de diferentes identificações étnico-raciais para concorrer às vagas”, afirma Karina Chaves, gerente de diversidade do Carrefour. Quanto mais madura for essa prática, melhor será o resultado financeiro da empresa, como aponta uma pesquisa global da consultoria McKinsey: empresas com equipes executivas que apresentem maior diversidade étnica têm probabilidade 33% maior de superar seus concorrentes em lucratividade. Em algumas empresas, a diversidade étnico- racial é um tema que passou a ser abordado só depois de atingida a maturidade em outros temas, como gênero. Em 2016, após um mapeamento, a empresa de cosméticos Avon percebeu que os negros tinham baixa representatividade na equipe de vendas. Iniciou, então, um trabalho de atração com a ajuda de uma consultoria, além de ações de engajamento da liderança. Em 2018, 32% das contratações para as posições de gerente e gerente adjunto do setor eram ocupadas por negros – superando a meta inicial de 20%. “A criação de um ambiente plural aumenta a conexão de nossa marca com o público diverso”, diz Mafoane Odara, coordenadora do Instituto Avon. Com metas objetivas, as mudanças acontecem.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 25: 4 – 7

Alimento diário

MÁXIMAS DE PRUDÊNCIA

V. 4 e 5 – Isto mostra que o esforço vigoroso de um príncipe para suprimir a maldade e transformar os modos do seu povo é a maneira mais eficaz de sustentar o seu governo. Observe:

1. Qual é o dever dos magistrados: remover os ímpios, usar o seu poder para o terror das más obras e dos que agem mal, não somente banir os que são ímpios e profanos da sua presença, e proibir o seu comparecimento à corte, mas também assustá-los e restringi-los para que não possam espalhar a infecção da sua iniquidade entre os seus súditos. Isto é chamado de tirar da prata as escórias, o que é feito pelo fogo. Os ímpios são a escória de uma nação, o lixo da nação, e como tal devem ser removidos. Se os homens não os removerem, Deus o fará (Salmos 119.119). Se os ímpios forem tirados da presença do rei, se ele os abandonar e mostrar que detesta os seus caminhos ímpios, isto será de grande ajuda para impedi-los de fazer o mal. A reforma na corte promoverá a reforma no reino (Salmos 101.3,8).

2. Qual é a vantagem de fazerem o seu dever.

(1) Será para benefício dos súditos; eles serão como a prata refinada, apropriada para ser vaso para o fundidor.

(2) Será o estabelecimento do príncipe. O seu trono será estabelecido nesta justiça, pois Deus irá abençoar o seu governo, o povo será influenciado por ele, e assim ele será durável.

V. 6 e 7 – Aqui vemos:

1. Que a religião está muito longe de destruir as boas maneiras. Ela nos incentiva a nos comportarmos de maneira humilde e reverente para com os nossos superiores, mantendo a devida distância e dando lugar àqueles a quem de direito. “Não te glories na presença do rei”, nem na presença de nobres (os grandes); não te compares com eles (assim alguns interpretam); não queira competir com eles, em vestuário, mobília, jardins, administração da casa ou acompanhantes, pois isto é uma afronta para eles, e você desperdiçará os seus bens.

2. Que a religião nos ensina humildade e renúncia a si mesmo, o que é uma lição melhor do que a de boas maneiras: renuncie ao lugar ao qual você tem direito; não cobice fazer uma exibição, nem transmitir primazia, nem se colocar na companhia dos que estão acima de você; contente-se com uma esfera inferior, se ela é o que Deus destinou a você. A razão que Salomão apresenta é o fato de que este é, realmente, o caminho para o avanço, como o nosso Salvador mostra em uma parábola que parece tomada emprestada disto (Lucas 14.9). Não que devamos, portanto, fingir modéstia e humildade e fazer disto um estratagema para obter a honra, mas devemos ser realmente modestos e humildes, porque Deus honrará os que o são, e os homens também os honrarão. É melhor, muito melhor para a satisfação e a reputação de um homem, ser promovido acima de suas pretensões e expectativas, do que ser lançado abaixo delas, na presença do príncipe, em cuja presença era uma grande honra ser admitido, sendo uma grande presunção olhá-lo sem permissão.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O PACTO COM O DIABO E A VIDA ETERNA

Pacientes com a síndrome de Cotard, um tipo raríssimo de delírio de negação, têm certeza de que já estão mortos – e com isso, cultivam a ilusão da imortalidade.

O pacto com o diabo e a vida eterna

Estou morta. Não sou nada. Nunca serei nada. Estou completamente morta. Sou uma morta-viva,- meu corpo é apenas poeira. Logo minhas pernas não me carregarão mais… Meus pulmões são de um cadáver. Podem me radiografar que não encontrarão nada. Dentro do meu corpo há apenas pó. Sou um cadáver que anda para que ninguém me enterre… Não há mais dinheiro para me enterrar. É preciso me jogar na vala comum. Sou um cadáver que anda, uma morta-viva, uma morta que ressuscitou três vezes. Sou imortal… sou um cadáver grávido. Ando para alimentar o bebê, que também está morto. Engravidaram um cadáver… e eu estou muito, muito gorda.”

O diálogo fragmentado da paciente do psiquiatra francês Jules Cotard (1840 – 1889) parece saído de algum filme de terror. Mas não haveria surpresa se essas palavras fossem cunhadas por escritores como Fernando Pessoa, Edgar Alan Poe ou Machado de Assis. Felizmente nem o grande poeta português nem o magistral escritor brasileiro navegaram nas sombrias águas do delírio de negação. Alguns biógrafos, porém, atribuíram sintomas semelhantes a Poe, no final de sua conturbada carreira de poeta e contista genial.

O curioso é que quando alguém diz – e acredita – que morreu confere a si mesmo a epígrafe da imortalidade. Para os psiquiatras, a certeza do paciente de que está morto é conhecido como delírio de negação ou de imortalidade. O principal responsável pela descrição e divulgação dessa raríssima síndrome foi Cotard, que se imortalizou com a descrição da síndrome que leva seu nome. Sua notoriedade na psiquiatria do seu tempo passou à literatura ao ser transformado em personagem de Proust, citado logo na abertura do romance À sombra das raparigas em flor.

Em 28 de junho de 1880, em sessão da Société Médico-Psychologique de Paris, Cotard apresentou o caso de uma mulher de 43 anos que acreditava que “não tinha cérebro, nervos, seios ou entranhas, que era somente pele e osso e que nem Deus e o diabo existem”. Dizia não necessitar de alimentos porque “era eterna e viveria para sempre”. Havia pedido para ser queimada viva e fizera várias tentativas de suicídio.

Cotard tinha consciência de que casos parecidos haviam sido descritos por vários psiquiatras, dentre eles Jean-Étienne Dominique Esquirol (1772-1840). O diagnóstico que Cotard fez da sua paciente é de que ela apresentava o que então era conhecido por lipemania (categoria proposta por Esquirol para definir um episódio de depressão psicótica). Cotard admitia que o delírio hipocondríaco resultava de “uma interpretação da sensação patológica geralmente presente em pacientes com melancolia ansiosa”. Ele sugeriu ainda que uma forma similar de delírio deve ter contribuído para propagar a crença na chamada demoniomania.

Cotard estava convencido de que havia encontrado um novo tipo de lipemania, cujas principais características seriam melancolia ansiosa, ideias de danação ou possessão, comportamento suicida, insensibilidade para a dor, delírios de imortalidade e de não-existência envolvendo a pessoa como um todo ou partes do corpo.

Dois anos depois de expor o caso da paciente aos colegas da sociedade francesa, Cotard retornou ao tema e introduziu o termo delírio de negação – nihilistic delusions, em inglês. Inúmeras causas foram posteriormente arroladas como responsáveis pela síndrome. Dentre elas, doenças cerebrais degenerativas, atrofias localizadas ou generalizadas, traumas de crânio, sendo atribuído papel especial às lesões nos lobos parietais. No entanto, as explicações definitivas para o mecanismo fisiopatológico dessa síndrome permanecem obscuras.

O pacto com o diabo e a vida eterna. 2

PARECE, MAS NÃO É

O médico Anthony Joseph e seus colaboradores do departamento de psiquiatria do Hospital McLean e do Centro de Saúde Mental de Massachusetts, bem como seus colegas do departamento de radiologia do New England Deaconess Hospital, em Boston, examinaram com tomografia computadorizada oito pacientes com a síndrome de Cotard, dos quais três eram esquizofrênicos, três tinham uma forma grave de depressão e dois sofriam de transtorno bipolar. Todos apresentaram algum tipo de alteração na tomografia cerebral. Os achados mais proeminentes foram as atrofias que afetam mais os lobos frontais e temporais do que os parietais e occipitais. Embora dessas conclusões tenham surgido evidências de organicidade na origem dos sintomas, ainda reina uma considerável incerteza sobre o fenômeno.

Com a cautela peculiar perante toda hipótese científica, o neurocientista Vilayanur Ramachandran propõe uma teoria com uma lógica interna surpreendente, quase imperiosa, que pode lançar um pouco de luz sobre a nossa compreensão do fenômeno. Segundo o pesquisador, a hipótese é similar à explicação que ele próprio aventou para a síndrome de Capgras. Nesta, mais comum, porém não menos estranha, os pacientes se tornam absolutamente convencidos de que pessoas próximas (filhos, cônjuge, amigos etc.) foram substituídas por impostores. “Ela é, em tudo, parecida com minha mulher, mas não é minha mulher.” O delírio, em alguns casos, diz respeito a ambientes, lugares. O paciente se encontra na casa onde passou toda a sua vida e diz: “Esta não é a minha casa, embora se pareça com ela”.

Lembro-me de um paciente que visitei em casa a pedido da família, aterrorizada com a alegação que ele fazia de que não estava em sua própria casa e que aquela que se dizia sua mulher (e com a qual convivera durante quase 50 anos) era uma impostora. Perguntei-lhe se reconhecia os móveis no quarto onde estava acamado. Respondeu-me com veemência: “É claro que reconheço!”. Apontei-lhe um quadro na parede, depois um livro que retirei da estante.

Ele não vacilou um segundo sequer: “Reconheço, é exatamente igual ao que tenho em minha casa. Mas esta não é a minha casa”. Quando lhe perguntei se poderia explicar o fato, respondeu: “Só pode ser um complô que aprontaram contra mim”.

Ramachandran admite que as lesões cerebrais subjacentes a essas duas síndromes provocam desconexão entre áreas corticais responsáveis pelo reconhecimento facial e o sistema límbico, principal modulador da emoção. De acordo com essa hipótese, os pacientes com síndrome de Capgras não conseguem associar emoção à visualização de um rosto ou lugar – e tendem a negá-los. “Parece-se com ele, mas não é ele” é a expressão comumente ouvida quando se trata de Capgras.

O pesquisador Russel Bauer, da Universidade da Flórida, propôs que há duas vias para o reconhecimento de faces. A principal vai do córtex visual para o lobo temporal, passando através do fascículo longitudinal inferior, a chamada via ventral, que corresponde ao sistema responsável pelo reconhecimento consciente. A outra, chamada via dorsal, carreia estímulos entre o córtex visual e o sistema límbico pelo lobo parietal inferior. Essa via confere significado emocional à face; é por isso que, quando a via ventral é seletivamente danificada, o paciente pode reconhecer determinado rosto num nível inconsciente. Na lesão seletiva da via dorsal, o paciente não consegue associar emoção à imagem visualizada, explicando dessa forma a espantosa manifestação clínica dos portadores da síndrome de Capgras.

Para Ramachandran, na síndrome de Cotard, a desconexão tem dimensão mais abrangente. Em vez de ocorrer apenas a desconexão das áreas visuais que se tornariam isoladas dos centros cerebrais da emoção, todos os sentidos ficariam desconectados dessas áreas. Uma vez ocorrida a desconexão entre essas regiões, a única forma de o paciente interpretar seu completo isolamento emocional é acreditar que está morto.

Uma forma mínima da síndrome de Cotard, bem mais frequente na prática clínica, é o transtorno conhecido por desrealização ou despersonalização. Tais sensações, na maioria das vezes fugazes, costumam aparecer durante episódios de ansiedade aguda e intensa, ataques de pânico e depressão. Nessas situações, subitamente, o mundo parece completamente irreal, semelhante a um sonho. Nas palavras de Ramachandran, “o paciente se sente como um zumbi”. Pessoas com foco epilético no lobo temporal podem apresentar sensações semelhantes – são os chamados “estados de sonho”.

A mente – por mais complexa e poderosa que seja – é apenas um produto do cérebro. Essa é uma afirmativa que permeia todo o conhecimento científico contemporâneo e foi expressa pela primeira vez por Charles Darwin (1809-1882), em meados do século XIX. Se não pudemos ainda desvendar a assombrosa complexidade dos neurônios, o que dizer dos processos que levam à falhas de comunicação entre eles? Ainda não sabemos com precisão tudo o que resulta dessas incorreções, mas nada nos impede de admirar sua grandiosidade. O espanto nos domina quando ouvimos o paciente com a síndrome de Cotard falar dos seus delírios de imortalidade. Talvez porque, no fundo, tenhamos uma ponta de inveja dissimulada. Quantos de nós, ainda hoje, como Fausto, o personagem criado pelo escritor Johann Wolfgang von Goethe, não selaríamos de bom grado um pacto com o diabo, em troca da vida eterna?

OUTROS OLHARES

MEDO E MODERNIDADE LÍQUIDA

Durante a maior parte de nossa vida estamos submetidos a algum sofrimento e o tempo todo tememos a dor e o desconforto emocional que podem advir das ameaças permanentes; liberdade e segurança são e sempre serão inconciliáveis

Medo e modernidade líquida

Parece que medo e modernidade são irmãos gêmeos, até siameses, de um tipo que nenhum cirurgião, ainda que hábil e equipado com a última palavra em tecnologia, poderia separar sem colocar em risco a sobrevivência de ambos. Existem, e sempre existiram em todas as épocas, três razões para ter medo. Uma delas era (e continuará a ser) a ignorância: não saber o que vai acontecer em seguida, o quanto somos vulneráveis a infortúnios, que tipo de infortúnios serão esses e de onde provêm. A segunda era (e continuará a ser) a impotência: suspeita-se que não há nada ou quase nada a fazer para evitar um infortúnio ou se desviar dele, quando vier. A terceira era (e continuará a ser) a humilhação, ou um derivado das outras duas: a ameaça apavorante a nossa autoestima e autoconfiança quando se revela que não fizemos tudo que poderia ser feito, que nossa própria desatenção aos sinais, nossa indevida procrastinação, preguiça ou falta de vontade são em grande parte responsáveis pela devastação causada pelo infortúnio.

Como é totalmente improvável que se venha a atingir o conhecimento pleno do que está porvir, e como as ferramentas disponíveis para prevenir essa chegada dificilmente podem ser consideradas seguras, certo grau de ignorância e impotência tende a acompanhar os seres humanos em todos os seus empreendimentos. Falando claramente, o medo veio para ficar. Os seres humanos sabem disso desde os tempos imemoriais. A visão do medo como perturbação temporária – a ser afastada do caminho e eliminada de uma vez por todas pelas tropas avançadas da razão-foi apenas um episódio singular, mais ou menos curto, no segmento moderno da história humana. Esse episódio, como você observou, agora está quase encerrado.

Sigmund Freud escreveu em 1929, e ninguém o contradisse seriamente desde então: “Somos feitos de modo a só podermos derivar prazer intenso do contraste, e muito pouco de determinado estado de coisas”. Em O mal-estar na civilização, ele citou a advertência de Goethe, de que “nada é mais difícil de suportar que uma sucessão de dias lindos”, em apoio a sua própria opinião, apenas com a ligeira ressalva de que isso talvez fosse “um exagero”. Enquanto o sofrimento pode ser uma condição duradoura e ininterrupta, a felicidade, esse “prazer intenso”, só pode ser uma experiência momentânea, transitória – vivida num flash, quando o sofrimento é interrompido. “A infelicidade”, sugere Freud, “é muito menos difícil de experimentar.”

A maior parte do tempo, então, nós sofremos, e o tempo todo tememos o sofrimento que pode advir das ameaças permanentes pairando sobre nosso bem-estar. Há três direções das quais tememos que o sofrimento advenha: do poder superior da natureza, da fragilidade de nossos corpos e dos outros seres humanos. Dado que acreditamos mais na possibilidade de reformar e aperfeiçoar as relações humanas que em subjugar a natureza e por fim a fraqueza do corpo humano, temos medo da inadequação das regras que ajustam as relações mútuas dos seres humanos na família, no Estado e na sociedade. Sendo o sofrimento, ou o horror que ele provoca, um acessório per­ manente da vida , não admira que o “processo da civilização ” (essa longa e talvez interminável marcha em direção a um modo de ser e estar num mundo mais hospitaleiro e menos perigoso) se concentre em localizar e bloquear essas três fontes da infelicidade humana.

A guerra declarada ao desconforto humano em todas as suas variedades é travada em três frentes. Enquanto muitas batalhas vitoriosas têm se dado nas duas primeiras frentes, e um número crescente de forças inimigas esteja sendo desarmado e posto fora de ação, na terceira linha de batalha o destino da guerra continua indefinido, e não parece que as hostilidades irão chegar ao fim. Para libertar os seres humanos de seus medos, a sociedade deve impor restrições a seus membros, enquanto, para continuar em sua busca da felicidade, homens e mulheres precisam rebelar-se contra essas restrições. A terceira das três fontes do sofrimento humano não pode ser eliminada por decreto. A interface entre a busca da felicidade individual e as inelutáveis condições da vida em comum será sempre um local de conflito. Os impulsos instintivos dos seres humanos tendem a se chocar com as demandas de uma civilização inclinada a enfrentar e vencer as causas do sofrimento humano.

Por esse motivo, a civilização, insiste Freud, é uma permuta: para ganhar alguma coisa dela, os seres humanos devem dar algo em troca. Tanto o que se ganha quanto o que se dá é muito valorizado e desejado; cada fórmula de troca, portanto, não passa de um acordo temporário, produto de um compromisso jamais satisfatório para nenhum dos dois lados desse antagonismo sempre latente. A hostilidade terminaria se desejos individuais e demandas sociais pudessem ser atendidos simultaneamente.

Mas não é assim. A liberdade de agir de acordo com suas compulsões, inclinações, impulsos e desejos, bem como as restrições impostas a ela por motivos de segurança, são altamente necessárias para uma vida satisfatória – na verdade, suportável e sustentável; segurança sem liberdade equivale a escravidão, enquanto liberdade sem segurança significaria caos, desorientação, eterna incerteza e, em última instância, incapacidade de agir tendo em vista um propósito. Liberdade e segurança são e sempre serão mutuamente inconciliáveis. Tendo insinuado isso, Freud chegou à conclusão de que os desconfortos e aflições psicológicos surgem sobretudo quando se cede muito da liberdade em troca de uma melhoria (parcial) da segurança. A liberdade truncada e restrita é a principal baixa do “processo civilizador”, a maior e mais generalizada insatisfação, endêmica em uma vida civilizada. Foi esse o veredicto pronunciado por Freud em 1929. Imagino se ele emergiria intacto caso Freud o elaborasse hoje, mais de oitenta anos depois. Duvido. Embora suas premissas se mantivessem (as demandas da vida civilizada e também o equipamento instintivo humano, transmitido pela evolução da espécie, têm permanecido fixos por muito tempo, e presume-se que sejam imunes aos caprichos da história), o veredicto provavelmente seria invertido.

Sim, Freud repetiria que a civilização é uma questão de permuta: você ganha alguma coisa, porém cede outra. Mas ele poderia ter situado as raízes dos desconfortos psicológicos e dos descontentamentos que ele engendra no lado oposto do espectro de valor. Poderia ter concluído que, no período atual, a insatisfação dos seres humanos com a situação geral provém sobretudo de ceder muita segurança em troca de uma expansão sem precedentes dos domínios da liberdade.

Freud escrevia em alemão. Para traduzir o significado do conceito que ele usou, Sicherheit, são necessárias três palavras: certeza, segurança e proteção. A Sicherheit que em grande parte cedemos contém: a certeza sobre o que o futuro vai trazer e os efeitos (se é que haverá algum) que nossas ações irão produzir; a segurança em nossa posição socialmente atribuída e em nossas tarefas existenciais; e a proteção contra os ataques a nossos corpos e suas extensões, nossas posses. Abdicar da Sicherheit resulta na Unsicherheit, condição que não se submete tão facilmente a dissecação e a investigação anatômica. As três partes constituintes contribuem para sofrimentos, ansiedades e medos, e é difícil apontar as verdadeiras causas do desconforto vivenciado.

A ansiedade pode ser imputada à causa errada, circunstância a que os políticos atuais em busca de apoio eleitoral podem recorrer, e com frequência o fazem, em benefício próprio – mesmo que não necessariamente em proveito dos eleitores. Claro, eles preferem atribuir o sofrimento de seus eleitores a causas que podem combater, e ser vistos combatendo (como quando propõem endurecer a política de imigração e de asilo ou a deportação de estrangeiros indesejáveis), a admitir a verdadeira origem da incerteza, que nunca tiveram a capacidade ou a disposição de enfrentar nem uma esperança realista de vencer: a instabilidade no emprego; a flexibilidade dos mercados de trabalho; a ameaça de redundância; a expectativa de redução do orçamento familiar; um nível incontrolável de dívida; uma renovada preocupação com as garantias para a velhice; ou a fragilidade geral dos vínculos e parcerias humanos. Viver em condições de incerteza prolongada e em aparência incurável provoca duas sensações humilhantes: ignorância (não saber o que o futuro trata) e impotência (ser incapaz de influenciar em seu curso). Elas são humilhantes de verdade. Em nossa sociedade altamente individualizada, em que se presume que cada indivíduo seja responsável por seu próprio destino na vida, essas condições implicam a inadequação do sofredor para tarefas que outras pessoas, mais exitosas, parecem desempenhar graças à maior capacidade e ao maior esforço. Inadequação sugere inferioridade, e ser inferior, ser visto como tal, é um golpe doloroso contra a autoestima, a dignidade pessoal e a coragem da autoafirmação. A depressão é agora a doença psicológica mais comum. Ela atormenta um número crescente de pessoas que receberam a designação coletiva de “precariado”, expressão cunhada a partir do conceito de “precariedade”, denotando a incerteza existencial.

Uma centena de anos atrás, a história humana era representada como um relato do progresso da liberdade. Isso implicava, como outros relatos populares, que a história fosse guiada na mesma e inalterada direção. As recentes reviravoltas na disposição do público sugerem outra coisa. O “progresso histórico” parece lembrar mais um pêndulo que uma linha reta. No tempo em que Freud escrevia, a queixa comum era um déficit de liberdade. Seus contemporâneos estavam preparados para abrir mão de grande parte de sua segurança em troca da retirada das restrições impostas a sua liberdade. E acabaram conseguindo isso. Agora, porém, multiplicam-se os sinais de que cada vez mais pessoas não se preocupariam em abrir mão de uma parte de sua liberdade em troca de se emancipar do espectro assustador da insegurança existencial. Estaremos testemunhando outro giro do pêndulo? Se isso está acontecendo, que consequências pode produzir? O medo é parte da condição humana. Podemos até eliminar, uma a uma, as ameaças causadoras do medo (Sigmund Freud definiu a civilização como um arranjo das questões humanas inclinado a fazer exatamente isso: limitar e por vezes eliminar as ameaças de danos causadas pela aleatoriedade da natureza, pelas fraquezas do corpo e pela inimizade do próximo). Mas até agora nossa capacidade não está nem perto de eliminar a “mãe de todos os medos”, o “medo dos medos”, aquele medo-mestre exalado pela consciência de nossa mortalidade e da impossibilidade de escapar da morte. Podemos viver hoje numa “cultura do medo”, mas nosso conhecimento da inevitabilidade da morte é a razão básica de termos uma cultura, é a fonte e o motor principal da cultura de toda e qualquer cultura. Esta pode ser definida como um esforço permanente, sempre incompleto e em princípio interminável para tornar suportável a vida mortal. Ou podemos tentar avançar mais um passo e concluir que é nosso conhecimento da mortalidade e, portanto, nosso eterno medo da morte, que torna humano nosso modo de ser e estar no mundo, que faz de nós seres humanos.

A cultura é o sedimento da tentativa de tomar suportável a vida com a consciência da mortalidade. Se por algum motivo nos tornássemos imortais, como algumas vezes (tolamente) sonhamos, a cultura interromperia seu curso, como descobriu Joseph Cartaphilus, de Esmirna, personagem de Jorge Luís Borges, que procurava infatigavelmente a Cidade dos Imortais, ou Daniel 25, clonado e destinado a ser eternamente reclonado, o herói de A possibilidade de uma ilha, de Michel Houellebecq. Como Cartaphilus testemunhou: tendo percebido sua própria imortalidade, e sabendo que, “num espaço de tempo infinitamente longo, todas as coisas acontecem a todos os homens”, pelo mesmo motivo, seria “impossível que a Odisseia não fosse composta ao menos uma vez”, e então Homero deveria reverter ao estágio de troglodita. E, como Daniel 25 descobriu, uma vez eliminada a expectativa do fim dos tempos e assegurada a infinitude do ser, “o simples fato de existir já era um infortúnio”, e a tentação de abrir mão voluntariamente do direito de continuar a ser reclonado e partir para “o nada absoluto, a simples ausência de conteúdo” se tornava algo impossível de resistir.

Foi o conhecimento de que tinham da morte, da brevidade inegociável do tempo, da possibilidade de as visões permanecerem irrealizadas, de os projetos não serem concluídos e as coisas não feitas que instigaram os seres humanos à ação e fizeram sua imaginação voar. Foi esse conhecimento que tornou a criação cultural uma necessidade e transformou os seres humanos em criaturas da cultura. Desde os primórdios da cultura, e através de sua longa história, seu motor tem sido a necessidade de preencher o abismo que separa transitoriedade e eterno, finitude e infinito, vida mortal e imortalidade, ou o ímpeto de construir uma ponte que permita a passagem de uma extremidade à outra, ou o impulso de capacitar os mortais para imprimir na eternidade sua presença contínua, nela deixando a marca de nossa visita, ainda que breve.

Nada disso significa, evidentemente, que as fontes do medo, o lugar que ele ocupa na fórmula da vida e os focos das respostas que ele evoca sejam imutáveis. Pelo contrário, cada tipo de sociedade e cada era histórica têm seus próprios medos – específicos em relação à época e à sociedade. Embora seja bastante desaconselhável imaginar a possibilidade de uma alternativa “livre do medo”, é fundamental expor as características distintivas do medo específico de nossa época e sociedade em favor da clareza de nosso propósito e do realismo de nossas propostas.

Quando tinham sede, nossos ancestrais tomavam sua dose diária de água em riachos, rios e fontes – e às vezes em poças – próximos. Nós compramos uma garrafa de plástico cheia de água numa loja vizinha e a levamos conosco o dia inteiro, a todos os lugares, bebendo um gole de vez em quando. Ora, essa é uma “diferença que faz diferença”. Disparidade semelhante aparta os medos contemporâneos daqueles de nossos ancestrais. Em ambos os casos, o que faz a diferença é sua comercialização. O medo, tal como a água, foi transformado em mercadoria de consumo e submetido à lógica e às regras do mercado. Além disso, o medo tem sido uma mercadoria política, uma moeda usada na condução do jogo do poder. O volume e a intensidade do medo nas sociedades humanas não refletem mais a gravidade objetiva ou a iminência de ameaça; são, em vez disso, subprodutos da totalidade das ofertas de mercado e da magnitude da promoção (ou propaganda) comercial.

Vejamos em primeiro lugar os usos comerciais do medo. Sabe-se muito bem que a lógica de marketing de uma economia “desenvolvida” (compulsiva, obsessiva e viciosamente em desenvolvimento) não é governada pelo compromisso de satisfazer necessidades existentes, mas de expandir as necessidades até o nível da oferta e suplementá-las com desejos só de longe relacionados a necessidades, embora correlacionados às técnicas de tentação e sedução do marketing. Este dedica-se à descoberta ou à invenção de perguntas cujas respostas os produtos recém-apresentados parecem oferecer, e então a induzir o maior número possível de potenciais clientes a fazer essa pergunta com frequência cada vez maior.

Como todas as outras, a necessidade de proteção contra ameaças tende a ser amplificada e adquire um ímpeto auto propelente e auto acelerante. Uma vez no jogo da proteção contra o perigo, nenhuma das defesas já adquiridas parece suficiente, e está assegurado o potencial de sedução e tentação das “novas e aperfeiçoadas” engenhocas e geringonças. Por outro lado, quanto mais profundo o engajamento em defesas que sempre se reforçam e se enrijecem, mais profundo e agudo é o medo da ameaça: a imagem desta última cresce em horripilância e capacidade de aterrorizar proporcionalmente a intensificação das preocupações com segurança e a visibilidade e intrusividade das medidas para garanti-la. De fato, se estabelece um círculo vicioso, ou um raro caso de moto – perpétuo “autossustentável”, que não precisa mais receber energia de fora, extraindo-a de seu próprio impulso. As obsessões com segurança só inexauríveis e insaciáveis, uma vez deixadas à solta, não há como pará-las. São auto propelentes e auto exacerbantes; quando ganham novo impulso, não precisam mais do reforço de fatores externos – produzem, numa escala sempre crescente, suas próprias razões, explicações e justificativas. A febre acesa e aquecida pela introdução, o fortalecimento, a utilização e o enrijecimento das “medidas de segurança” torna-se o único reforço necessário para que medos, ansiedades e tensões de insegurança e incerteza se autorreproduzam, cresçam e proliferem. Radicais que sejam, os estratagemas e dispositivos planejados, obtidos e postos a funcionar para fins de segurança dificilmente se mostrarão radicais o bastante para acalmar os medos – não por muito tempo, de qualquer modo. Qualquer um deles pode ser ultrapassado, abandonado e tornado obsoleto em função de conspiradores traiçoeiros que aprendem a contorná-los ou ignorá-los, superando assim cada obstáculo erguido em seu caminho. Moazzam Begg, islamita britânico preso em janeiro de 2002 e solto sem acusações após três anos nas prisões de Bagram e da baía de Guantánamo, assinala corretamente em seu livro Enemy combatant (2006) que o efeito geral de uma vida levada sob alertas de segurança incessantes – beligerância, justificativas para tortura, prisão arbitrária e terror- é “ter tornado o mundo muito pior”. E, acrescentaria eu, nem um pouco mais seguro. Sem dúvida alguma, o mundo se sente bem menos seguro hoje que uma ou duas décadas atrás. E como se o principal efeito das profusas e custosas medidas extraordinárias de segurança tomadas no último decênio fosse um aprofundamento da sensação de perigo, da densidade dos riscos e da insegurança. Disseminar as sementes do medo resulta em grandes colheitas em matéria de política e comércio. O fascínio de uma safra opulenta inspira os que estão em busca de ganhos políticos e comerciais a forçar continuamente a abertura de novas terras para plantar o medo.

Em suma, talvez o efeito mais pernicioso, seminal e prolongado da obsessão com segurança (o “dano colateral” que ela produz) seja solapar a confiança mútua, plantar e cultivar a suspeita recíproca. Com a falta de confiança, traçam-se fronteiras; com a suspeita, elas são fortificadas, ocasionando prejuízos mútuos, e transformadas em linhas de frente. Um déficit de confiança leva a uma quebra da comunicação; com a retração da comunicação e a falta de interesse em sua renovação, o “estranhamento” dos estrangeiros tende a se aprofundar e adquirir tons cada vez mais sombrios e sinistros, o que por sua vez os desqualifica ainda mais como potenciais parceiros de um diálogo e na negociação de um modo de coexistência mutuamente seguro e agradável.

O tratamento dos estrangeiros como simples “problema de segurança” é subjacente a uma das causas do verdadeiro “moto-perpétuo” nos padrões de interação humana. A desconfiança em relação aos estrangeiros e a tendência a estereotipar todos eles, ou algumas categorias selecionadas, como bombas-relógios prontas a explodir crescem em intensidade a partir de uma lógica e, de um ímpeto próprios, sem necessidade de apresentar novas provas de sua adequação nem estímulos adicionais provenientes de atos de hostilidade por parte do pretenso adversário (ou seja, eles mesmos produzem provas e estímulos em pro­ fusão). Em geral, o principal efeito da obsessão com a segurança é o rápido crescimento (e não a redução) da sensação de insegurança, com todos os acessórios de pânico, ansiedade, hostilidade, agressão, mais o esvaziamento ou supressão dos impulsos morais.

Tudo isso não significa que a segurança e a ética sejam inconciliáveis e devam permanecer as­ sim. Apenas assinala as armadilhas que a obsessão com segurança tende a espalhar pela estrada que leva a uma coexistência pacífica, mutuamente lucrativa e segura (na verdade, uma cooperação) de etnias, credos e culturas em nosso globalizado mundo de diásporas. Com o aprofundamento e a consolidação das diferenças humanas em quase todos os ambientes e vizinhanças, um diálogo respeitoso e simpático entre as diásporas se torna condição cada vez mais importante, na verdade crucial, para a sobrevivência planetária comum. No entanto, por infortúnio, pelos motivos que tentei relacionar, ele está cada vez mais difícil de atingir e de defender das contingências presentes e futuras. Ser difícil, contudo, significa apenas uma coisa: a necessidade de muita boa vontade, dedicação, disposição para o acordo, respeito mútuo e aversão a todas as formas de humilhação humana; e, evidentemente, a firme determinação de restaurar o equilíbrio perdido entre o valor da segurança e o da adequação ética. Cumpridas todas essas condições, e só dessa maneira, o diálogo e o acordo (a “fusão de horizontes” de Hans Gadamer) podem (apenas podem), por sua vez, se transformar no novo “moto-perpétuo” predominante nos padrões de coexistência humana. Essa mudança não fará vítimas, só beneficiários. Isso me leva a trazer a nossa consideração mais um estímulo que alimenta, exacerba e intensifica as obsessões com segurança, ao mesmo tempo que torna as nuvens do medo ainda mais densas e sombrias: a necessidade de legitimação do Estado na era da globalização. A incerteza e a vulnerabilidade humanas são os alicerces de todo poder político: é desses acessórios gêmeos da condição humana, amplamente abominados, embora constantes, assim como do medo e da ansiedade que eles tendem a gerar, que o Estado moderno prometeu proteger seus súditos; e é sobretudo a partir dessa promessa que ele extrai sua razão de ser, assim como a obediência e o apoio eleitoral de seus cidadãos.

Numa sociedade moderna “normal”, a vulnerabilidade e a insegurança existencial, assim como a necessidade de viver e agir em condições de incerteza profunda e desesperadora, são garantidas pela exposição das ocupações da vida às forças do mercado, sabidamente voláteis e imprevisíveis. Com exceção da tarefa de criar e proteger as condições legais para o exercício das liberdades de mercado, não há necessidade de que o poder político contribua para a produção de incerteza e o consequente estado de insegurança existencial. Os caprichos do mercado são suficientes para erodir os alicerces da segurança existencial e manter pairando sobre a maioria dos membros da sociedade o espectro da degradação, humilhação e exclusão sociais.

Ao exigir de seus súditos obediência e observância à lei, o Estado pode basear sua legitimidade na promessa de reduzir a amplitude da vulnerabilidade e da fragilidade que caracterizam a atual condição de seus cidadãos: limitar os danos e prejuízos produzidos pelo livre jogo das forças do mercado, blindar os vulneráveis em relação aos infortúnios dolorosos e garantir os inseguros contra os riscos que a livre competição produz. Esse tipo de legitimação encontrou sua expressão máxima na auto definição da moderna forma de governança como um “État-providence”, uma comunidade que toma para si mesma, para sua administração e seu gerenciamento, a obrigação e a promessa que costumavam ser atribuídas à divina Providência – proteger os fiéis das inclementes vicissitudes do destino, ajudá-los na ocorrência de infortúnios pessoais e prestar-lhes socorro em suas aflições.

Essa fórmula de poder político (sua missão, tarefa e função) está recuando para o passado. Instituições do “Estado previdenciário”, voltadas para encarnar e substituir as práticas correspondentes da divina Providência, um pouco menos abrangentes, além de frustrantes e confusamente irregulares, agora são esfaceladas, desmontadas ou eliminadas, enquanto se removem as restrições antes impostas às atividades comerciais e ao livre jogo da competição do mercado e suas consequências. As funções protetoras do Estado estão limitadas e “enxugadas”, reduzidas à cobertura de uma pequena minoria dos não empregáveis e dos inválidos, embora mesmo essa minoria tenda a ser reclassificada, passo a passo, de preocupação em termos de proteção social para uma questão de lei e ordem.

A incapacidade de o indivíduo se engajar no jogo do mercado segundo suas regras estatutárias, usando seus próprios recursos e por sua própria conta e risco, tende a ser cada vez mais criminalizada, reclassificada como sintoma de intenção criminosa ou pelo menos de potencial para o crime. O Estado lava as mãos quanto à vulnerabilidade e à incerteza provenientes da lógica (da falta de logica) do livre mercado. A deletéria fragilidade da condição social agora é redefinida como assunto privado – uma questão com que os indivíduos devem lidar e se confrontar usando seus próprios recursos. Como disse Ulrich Beck, agora se espera que os indivíduos procurem soluções biográficas para contradições sistêmicas.

Essas novas tendências têm um efeito colateral: solapam os alicerces sobre os quais o poder de Estado se sustentou durante a maior parte da era moderna, quando afirmava desempenhar papel crucial na luta contra a vulnerabilidade e a incerteza que assolavam seus súditos. O crescimento da apatia política, a perda do interesse e do compromisso políticos (“não há mais salvação pela sociedade”, como Peter Drucker proclamou, numa expressão famosa}, e uma ampla retirada da população no que se refere a participar da política institucionalizada são testemunhos do esfacelamento dos alicerces remanescentes do poder de Estado.

Suspendendo a antiga interferência programática sobre a incerteza e insegurança existenciais produzidas pelo mercado, e proclamando, pelo contrário, que eliminar uma a uma as restrições residuais a atividades lucrativas é a principal tarefa de todo poder político que cuide do bem­ estar de seus súditos, o Estado contemporâneo precisa procurar outras variedades, não econômicas, de vulnerabilidade e incerteza para sustentar sua legitimidade. Essa alternativa parece se situar (em primeiro lugar e de modo mais espetacular, embora absolutamente não exclusivo, no caso do governo dos Estados Unidos) na questão da segurança pessoal: os medos atuais ou previstos, abertos ou ocultos, reais ou supostos, de ameaças aos corpos, propriedades e hábitats humanos, quer venham de dietas ou estilos de vida pandêmicos e nocivos à saúde, quer de atividades criminosas, de condutas antissociais da “subclasse” ou, mais recentemente, do terrorismo global.

Ao contrário da insegurança existencial proveniente do mercado, evidente demais para ser questionada e negada a sério, além de abundante e óbvia demais para permitir uma acomodação, essa insegurança alternativa, destinada a restaurar o monopólio perdido do Estado sobre as oportunidades de redenção, deve ser artificialmente alimentada; ou pelo menos altamente dramatizada, a fim de inspirar um volume suficiente de medo e ao mesmo tempo superar, ofuscar e relegar a posição secundária a insegurança economicamente gerada, sobre a qual a administração do Estado quase nada pode fazer, sendo seu maior desejo não fazer nada. Em oposição ao caso das ameaças à subsistência e ao bem-estar geradas pelo mercado, a gravidade e a extensão dos perigos à segurança pessoal devem ser apresentadas com as cores mais sombrias, de tal modo que a não materialização das ameaças divulgadas e dos infortúnios e sofrimentos previstos (com efeito, qualquer coisa que represente menos que os desastres prenunciados) possa ser aplaudida como uma grande vitória da razão governamental sobre o destino hostil, como resultado da vigilância, do cuidado e da boa vontade louváveis dos órgãos do Estado.

Há uma condição de alerta permanente: perigos que se diz estar à espreita bem ali na esquina, fluindo e vazando de acampamentos terroristas disfarçados em escolas e congregações religiosas islâmicas; de subúrbios habitados por imigrantes; de ruas perigosas infestadas de membros da subclasse; de “distritos turbulentos”, incuravelmente contaminados pela violência; de áreas de acesso proibido em grandes cidades. Perigos representados por pedófilos e outros delinquentes sexuais à solta, mendigos agressivos, gangues juvenis sedentas de sangue, vagabundos e stalkers (os caminhantes furtivos). As razões para ter medo são muitas. Já que é impossível calcular seu verdadeiro número e intensidade a partir da limitada perspectiva da experiência pessoal, acrescenta-se outra razão, possivelmente mais poderosa, para ter medo: não há como saber onde e quando as palavras de advertência irão se fazer carne.

Medo e modernidade líquida. 2.jpg ZVGMUNT BAUMAN – é sociólogo, professor emérito das universidades de Varsóvia e Leeds. Criador do conceito de “liquidez contemporânea”, tem mais de 30 livros publicados no Brasil pela Zahar. Este texto foi publicado originalmente em seu livro mais recente, Cegueira moral – A perda da sensibilidade na modernidade líquida (Zahar, 2014), escrito em parceria com o filósofo Leonidas Donskis, e reproduzido com autorização da editora e do autor.

 

GESTÃO E CARREIRA

PROCURAM-SE NERDS DESCOLADOS

No setor de TI, um dos poucos que seguem contratando, a demanda é por profissionais que, além do conhecimento técnico, tenham boa comunicação para interagir com outras áreas e entendam o negócio para propor soluções que contribuam para os resultados.

Procuram-se nerds descolados

No início do ano, o engenheiro de software Ronaldo Ronie Nascimento, de 30 anos, deixou seu trabalho anterior para assumir o posto de desenvolvedor pleno na Sensedia, empresa de TI de Campinas (SP), com um incremento de 15% no salário. Numa época em que a maioria dos profissionais brasileiros tem como prioridade conservar o emprego, Ronaldo pôde se dar ao luxo de arriscar e trocar de trabalho para fazer o que gosta. “Era uma oportunidade de me especializar em interfaces de programação – a área com que mais me identifico”, diz Ronaldo. Ele não é o único profissional de TI com planos de fazer mudanças profissionais num ano considerado de crise. Segundo a pesquisa Barômetro de TI, realizada pela empresa de recrutamento Page Personnel, 56% dos trabalhadores de tecnologia pretendem buscar um novo trabalho nos próximos 12 meses. Os principais motivos para esse desejo são a sensação de falta de crescimento na empresa, insatisfação com o salário e a percepção de estar numa companhia de gestão conservadora. Sinal de que boa parte dos profissionais da área não está disposta a fazer concessões em nome da manutenção do emprego, quadro bem diferente daquele vivido pelo resto dos trabalhadores.

No mês passado, enquanto o noticiário destacava as incertezas econômicas geradas pelo processo de impeachment, o crescimento dos índices de desemprego e a necessidade, por parte das empresas, de cortar custos, a Sensedia fazia a mudança de sua antiga sede, de 120 metros quadrados, para o novo escritório, com 540 metros quadrados. O novo espaço permite acolher até 70 profissionais adicionais, além dos 100 que já trabalham na companhia. A expectativa de contratações está alinhada com os resultados da companhia, que elevou seu faturamento em 77% no ano passado e espera repetir o número em 2016. A Sensedia, que tem entre seus clientes nomes como Bradesco, Itaú, Cielo, Cnova, TIM e Vivo, é especialista em um tipo de tecnologia chamada de API (application programming interface). “É uma espécie de plug que permite captar as informações de um banco de dados e disponibilizá-las de forma simples. É essa tecnologia que possibilita, por exemplo, se logar a um site usando o Facebook”, afirma Kléber Bacili, CEO da Sensedia. Ela também é muito usada no e-commerce, pois propicia a diferentes fornecedores se conectar ao sistema de lojistas como Netshoes ou Submarino para expor seus produtos. “Esse modelo de negócio, conhecido como marketplace, é o que mais cresce dentro do e-commerce. Ao permitir a diferentes comerciantes anunciar em seu site, esses lojistas aumentam enormemente o sortimento de produtos oferecidos ao consumidor sem custos adicionais com centros de distribuição ou com a entrega dos produtos”, diz Kléber. Para dar suporte a esse crescimento, a Sensedia tem contratado arquitetos de sistemas e desenvolvedores de software, além de especialistas em computação em nuvem e em aplicativos móveis. “Muitas vezes, contratamos profissionais não tão experientes e damos muitos treina- mentos, tanto no dia a dia de trabalho quanto na nossa Academia Jedi”, afirma. “Por isso, as competências essenciais para trabalhar conosco são capacidade de adaptação e de aprendizagem, já que atuamos num mercado em que há novas tecnologias surgindo o tempo todo.”

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HABILIDADE DE RELACIONAMENTO

Não são todos os segmentos nem todos os profissionais da área de TI que desfrutam desse bom momento. “Nos últimos dois anos, mudou radicalmente o perfil das posições que estão surgindo na área”, afirma Fabio Saad, gerente sênior da divisão de tecnologia da Robert Half. Segundo ele, caiu, por exemplo, a oferta de vagas para a área de infraestrutura – manutenção de redes, segurança e help desk –, cujos salários encontram-se pressionados para baixo. Por outro lado, o mercado está bastante aquecido para especialistas em nuvem, cientistas de dados e desenvolvedores de aplicativos mobile, seja para atuar em startups ou mapear os hábitos do consumidor no ramo de e-commerce, segmento que cresceu 15% em 2015 e deve faturar 44 bilhões no país em 2016, conforme estimativa da Ebit/ Buscapé. Para profissionais com esse perfil, os salários variam entre 10.000 e 20.000 reais. “A procura é por um profissional de TI que entenda do negócio”, diz Fabio.

Segundo o gerente da Robert Half, em 2016 os executivos de tecnologia da informação serão pressionados a propor ações que afetem positivamente o negócio, um cenário que implica a saída de cena de profissionais introvertidos em favor daqueles com maior habilidade para circular entre as áreas, entender os problemas da empresa como um todo e, consequentemente, contribuir com soluções para os resultados. “Por isso, segue valorizado o analista de negócios, capaz de se comunicar na linguagem técnica e na do usuário, funcionando como um elo entre o cliente e os desenvolvedores”, diz Fábio Saad.

Essa habilidade de relacionamento – essencial para a prospecção de novos clientes – foi o que pesou na contratação da administradora de empresas Camely Rabelo, de 28 anos, pela Omiexperience, provedora do software de gestão empresarial que opera em parceria com escritórios de contabilidade. Em setembro do ano passado ela recebeu uma proposta para deixar seu emprego em outra empresa de tecnologia e assumir o posto de gerente-geral da Omiexperience na divisão do Rio de Janeiro, pelo dobro de seu salário anterior. “A empresa não busca nerds fechados. Para o nosso negócio crescer, precisamos de pessoas automotivadas e com boa comunicação”, diz ela.

O problema é que encontrar pessoas que conciliem conhecimento técnico, bom relacionamento interpessoal e conhecimento do negócio nem sempre é tarefa fácil. Com uma previsão de crescimento de 430% em 2016, desde fevereiro a Omiexperience busca preencher 350 vagas, em todo o Brasil, nas áreas comercial, de atendimento, suporte, treinamento, pós-venda e desenvolvimento de software, entre outras, com salários que variam entre 1.800 e 10.000 reais. “Precisamos de pessoas com habilidade de comunicação, capazes de mostrar ao cliente como nossa ferramenta pode ajudá-lo, mas com conhecimento técnico suficiente para auxiliar na implantação do software”, diz Marcelo Lombardo, CEO da Omiexperience. “A parte técnica a gente até ensina, difícil mesmo é encontrar pessoas com conhecimentos em gestão de negócios.”

A demanda é parecida com a da Zup IT Innovation, empresa de desenvolvimento de soluções online e mobile para o relacionamento com o cliente, com sede em Uberlândia (MG). Dona de uma carteira de clientes que inclui empresas como Santander, Mastercard, Vivo e Natura, a Zup cria aplicativos que permitem ao cliente solucionar seus problemas ou adquirir produtos sem passar por um call center, o que diminui os custos dessas empresas com teleatendimento e com lojas físicas e melhora a satisfação do consumidor. Com um quadro de 200 pessoas, a previsão da empresa é fechar o ano com 300 empregados. “Além de profissionais para pesquisa e desenvolvimento, também precisaremos de técnicos de implantação, bem como de profissionais de vendas e com experiência em negócios”, afirma Felipe Almeida, sócio- fundador da empresa.

MUDANÇA DE ÁREA

Mas o que é uma barreira para muitos profissionais de tecnologia pode ser uma oportunidade para quem quer migrar para o setor de TI. Foi o que percebeu o engenheiro de produção paulistano Jackson de Souza, de 28 anos, contratado em abril para o posto de gerente de contas especializado em soluções analíticas da SAP, empresa de aplicações de software empresarial que registrou crescimento de dois dígitos na América Latina no   ano passado. “Minha função envolve ir até o cliente e entender o problema dele para, depois, fazer a ponte com nossa área técnica, que desenvolverá a solução”, diz Jackson. Antes, ele trabalhava na área de trade marketing da Goodyear. “Não conhecia nada de tecnologia”, diz. Sabendo que seu departamento na fabricante de pneus seria transferido para os Estados Unidos, Jackson foi atrás de uma oportunidade na SAP. “Busquei uma empresa de tecnologia porque via o potencial de crescimento desse setor, que ainda está investindo”, diz o engenheiro.

Por sua experiência, ele diz que o foco no negócio trazido por executivos de outros setores é bastante valorizado nas empresas de tecnologia. “Embora abrigue muitos profissionais técnicos, a indústria da tecnologia é 100% focada no negócio. Aqui, uma ideia só tem sentido se tiver potencial para gerar lucro”, diz Jackson. Completam esse perfil desejável a fluência em inglês e a habilidade de trabalhar em equipe. “Na fase da minha seleção, senti que contou a meu favor, numa dinâmica, minha postura de fazer com que outras pessoas com muito mais conhecimento técnico do que eu, trabalhassem juntas para que atingíssemos o objetivo comum”, diz ele. Além das contratações pontuais em suas diversas áreas, neste ano a SAP planeja reforçar em cerca de 10% seu quadro de 700 desenvolvedores no laboratório de São Leopoldo (RS). “A SAP Brasil tem muita visibilidade globalmente. Por isso, além de desenvolver soluções adaptadas à realidade brasileira, como nas áreas de agronegócio e impostos, nosso laboratório acaba sendo escolhido para tocar projetos que atendem o exterior mas são alocados aqui”, diz Cristina Palmaka, presidente da SAP no Brasil.

RISCO

Um dos fatores que mais atraem profissionais à área de tecnologia é a possibilidade de uma carreira acelerada. A relações-públicas Eliane Iwasaki, de 33 anos, de São Paulo, é um bom exemplo disso. Em menos de quatro anos de trabalho na Return Path, em- presa de soluções de dados para campanhas de e-commerce, ela já passou pelos cargos de gerente de marketing, gerente para América Latina, diretora de marketing para América Latina e, em janeiro, foi promovida a diretora de marketing de mercados internacionais, o que inclui Europa e Ásia. “Para atuar nesse mercado, é importante estar antenado às tendências em tecnologia para entender onde estão as oportunidades de negócio”, diz ela.

Boa parte do dinamismo do setor de TI se deve à explosão no número de startups. Para ter uma ideia, apenas no segundo semestre de 2015 o número de empresas com esse perfil cresceu 18,5% no Brasil, conforme levantamento da Associação Brasileira de Startups (ABStartups). Com crescimento exponencial e remuneração agressiva, elas movimentam o mercado e valorizam o passe dos profissionais de tecnologia. Mas Ricardo Haag, diretor da empresa de recrutamento Page Personnel, em São Paulo, aconselha a investigar o perfil da startup antes de aceitar uma posição. “Na teoria, todo mundo quer crescimento acelerado, mas lembre-se de colocar na balança o fato de uma startup não ter processos, de tudo ser para ontem e o risco envolvido, caso o negócio não dê certo”, diz ele. “Avalie se o salário maior compensa o risco de ser PJ numa startup, em vez de CLT em uma empresa mais convencional.”

Essa é uma conta, aliás, que mais e mais pessoas têm feito. Segundo a pesquisa Barômetro de TI, a remuneração não tem sido o principal motivador para o profissional de TI aceitar uma proposta de trabalho. Os aspectos que mais pesam, ao analisar uma mudança de emprego, são o pacote de benefícios, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e a flexibilidade de horário. “Esse público valoriza muito a possibilidade de trabalhar em horários alternativos”, diz Ricardo Haag.

 

O DATA CENTER DO SETOR

Conheça alguns dos principais números do segmento de TI no Brasil

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CONTRACHEQUES EM ALTA E EM BAIXA

Enquanto os profissionais de negócios e sistemas de TI têm valorizado seu passe, os de infraestrutura estão menos disputados, o que se reflete nos salários

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ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 25: 2 – 3

Alimento diário

MÁXIMAS DE PRUDÊNCIA

 

V. 2 e 3

Aqui temos:

1. Um exemplo da honra de Deus: “A glória de Deus é encobrir o negócio”. Ele não precisa investigar nada, pois conhece perfeitamente tudo, com uma visão clara e segura, e nada pode ser oculto dele; no entanto, “pelo mar foi seu caminho, e suas veredas, pelas grandes águas”. Há uma profundeza insondável nos seus conselhos (Romanos 11.33). E apenas uma pequena porção que é ouvida sobre Ele. Nuvens e trevas estão à sua volta. Nós vemos o que Ele faz, mas não conhecemos as razões. Alguns associam isto aos pecados dos homens; é sua glória perdoar o pecado, ou encobri-lo, não lembrá­lo, não mencioná-lo; a sua tolerância, que Ele exerce com os pecadores, provavelmente é a sua honra, em que Ele parece manter silêncio e não tomar conhecimento do assunto.

2. Um duplo exemplo da honra dos reis:

(1) É a glória de Deus o fato de que Ele não precisa investigar um assunto, porque o conhece sem sondar; mas é a honra dos reis, com muita dedicação e com o uso de todos os métodos de investigação, investigar os assuntos que são trazidos diante deles, e se esforçar para examinar os transgressores, para que possam descobrir seus desígnios e trazer à luz as palavras ocultas das trevas, não julgar precipitadamente ou até ter avaliado as coisas, não deixando inteiramente a cargo dos outros esse exame, mas ver as coisas com seus próprios olhos.

(2) É a glória de Deus que Ele mesmo não possa ser descoberto por investigação, e um pouco dessa honra é devolvida aos reis, reis sábios, que investigam as questões; os seus corações são insondáveis, como a altura dos céus ou a profundeza da terra, que podemos imaginar. mas não medir. Os príncipes têm seus segredos de estado, projetos que são mantidos privativamente, e razões de estado, que as pessoas não podem julgar de maneira competente, e por isto não devem se intrometer neles. Os príncipes sábios, quando investigam um assunto, têm faculdades que os homens comuns não podem sequer imaginar, como Salomão, quando pediu uma espada para dividir a criança viva, com a intenção de descobrir a sua verdadeira mãe.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O QUE SÓ AS AVES ENXERGAM

O que so as aves enxergam

Na época de acasalamento, os machos de muitas espécies de aves se cobrem com novas plumagens de cores exuberantes com o objetivo de conquistar a fêmea e garantir a reprodução da espécie. Pelo menos isso é o que nós, seres humanos, pensamos. Um estudo publicado na revista American Naturalist está causando polêmica entre os ornitólogos por sugerir que uma boa parte das pesquisas sobre comportamento reprodutivo desses animais está equivocada, pois humanos e aves enxergam cores muito diferentes. A discussão se baseia num estudo feito por pesquisadores suecos que usa um modelo computacional para investigar como funciona a retina de aves e de humanos. Os resultados mostraram que, perto dos pássaros, somos praticamente daltônicos. A principal diferença é que eles enxergam a luz ultravioleta, invisível para nós. Além disso, eles têm quatro tipos de células para detecção de cores; nós temos três. Para completar, a percepção de sombras e contrastes da retina de aves é mais sofisticada que a versão humana.

OUTROS OLHARES

DOAÇÃO NÃO É PUNIÇÃO

Para acabar com a fila do transplante, um deputado do PSL, o partido do presidente Bolsonaro, propõe a retirada compulsória de órgãos de pessoas mortas em confronto com a polícia. É mais uma aberração feita na onda de retrocessos que varre o País.

Doação não é punição

O Brasil tem cerca de 40 mil pessoas esperando por um órgão na fila de transplantes. É muita gente aguardando por uma chance de vida que só pode ser dada voluntariamente pela família de um doador. Trata-se de um gesto de amor, uma baliza que de certa forma dá a medida do grau de solidariedade de um povo. Há anos as pessoas envolvidas no assunto — profissionais de saúde e pacientes — mobilizam-se para que o número de doações cresça, baseados em um trabalho de informação e de criação de empatia da sociedade com as pessoas que aguardam por um coração, um fígado, um rim. Um esforço para conscientização colocado agora em risco por causa de um projeto de lei apresentado à Câmara dos Deputados pelo deputado Daniel Silveira (PSL/RJ).

A proposta prevê que todo brasileiro morto em confronto com agentes de segurança, portando armas no momento da morte, deve ceder compulsoriamente seus órgãos para que sejam utilizados em transplantes. Por agentes de segurança compreende-se policiais militares, civis e federais, agentes penitenciários e da Força Nacional de Segurança, guardas civis e integrantes das Forças Armadas que estiverem participando de missões de garantia da lei e da ordem em estado sob intervenção federal.

Doação não é punição. 2

SEM DIREITOS

Daniel Silveira é policial militar. Ficou conhecido nacionalmente em outubro do ano passado quando quebrou a placa de rua, no Rio de Janeiro, que levava o nome da ex-vereadora Marielle Franco (Psol), assassinada há um ano junto com o motorista Anderson Gomes. Quando quebrou a placa, ele estava acompanhado de Rodrigo Amorim, então candidato e hoje empossado deputado estadual do Rio de Janeiro.

O projeto da doação compulsória foi o primeiro que ele apresentou, logo no início do ano legislativo. O deputado não consultou nem um especialista no assunto para formular a proposta, baseando-se apenas em suas convicções. A principal delas: para Daniel, criminosos não são seres humanos. “São lixos orgânicos”, considera. A partir da premissa, o deputado defende que nem eles nem seus familiares — os únicos responsáveis pela autorização de doação — têm o direito de dispor do corpo da maneira que desejarem, como acontece com os outros brasileiros, os “cidadãos de bem”, como classifica o parlamentar.

Seu raciocínio é simples: de um lado, há demanda por órgãos. De outro, há sobra de oferta — e de órgãos de boa qualidade, segundo ele. “Bandido tem saúde boa”, assegura. Dessa maneira, sua proposta resolveria a questão matemática do problema, não havendo mais déficit de oferta e, além disso, o indivíduo morto em confronto acertaria sua conta com a sociedade. “É uma forma de fazer com que eles paguem a dívida moral que têm com os cidadãos de bem”, defende.

Em um projeto só, o deputado consegue ferir alguns dos princípios que definem humanidade e civilização. Entre eles, a não violação de corpos e a não separação dos indivíduos em categorias que os classifiquem como humanos, sub-humanos ou nem isso. Lixos, como diz. Judeus e homossexuais eram assim considerados pelo regime nazista.

Não se sabe a aceitação da ideia pelos colegas congressistas de Daniel. No entanto, a onda de retrocesso cultural que tomou boa parte do País sugere que o projeto tem até chances de seguir adiante, embora não resista à uma análise jurídica mais profunda. “É totalmente inconstitucional”, afirma o advogado criminalista Roberto Parentoni, presidente do Instituto Brasileiro do Direito de Defesa. “O Estado não pode violar o corpo de um cidadão.” O advogado criminalista Roberto Podval compartilha da opinião. “O projeto fere as garantias individuais na medida em que dá ao Estado o direito de dispor do corpo de alguém, ainda que morto”, explica.

O projeto pegou de surpresa os especialistas brasileiros em transplante. Presidida pelo cirurgião Paulo Pego Fernandes, a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos posicionou-se contrariamente à proposta. “É estapafúrdia”, considera o representante da entidade à qual o deputado Daniel acha que está ajudando. Não percebe que cometeu um erro básico: doação não é punição. Doar é um ato de amor.

Doação não é punição. 3

O SANGUE DE CHE

Crueldade não tem ideologia. Um dos ícones da esquerda mais festejados da história, o médico Che Guevara foi acusado de tirar sangue de seus prisioneiros antes de executá-los. A denúncia consta em um relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos produzido em 1967. As vítimas eram cubanos condenados à morte e presos no presídio de La Cabaña. Segundo o relato, de cada um eram extraídos 3 litros de sangue. O material teria sido vendido ao Vietnã do Norte, comunista como Cuba, então em guerra contra o Vietnã do Sul, capitalista como os Estados Unidos.

GESTÃO E CARREIRA

MEUS 30 ANOS

Quem peca pela falta de autoconhecimento e não gerencia a própria carreira, deixando-se levar pela vida, dificilmente obtém posições melhores ou a remuneração apropriada.

Meus 30 anos

Fico sempre muito atento às pesquisas que falam do comportamento e expectativas dos jovens brasileiros. Desta vez, me chamou a atenção um levantamento da Giacometti Comunicação em parceria com o Instituto Pesquiseria, que focou em rapazes e moças com 30 anos de idade. São pessoas que se formaram aos 19 ou 20 anos e, portanto, já têm dez anos de carreira. Entraram no mercado de trabalho por volta de 2008, com o país em crescimento e a economia já estabilizada. Foram mais de 1.000 entrevistados em quatro capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre. Os resultados da pesquisa mostram algo que tenho discutido muito com meus alunos: a falta de autoconhecimento! Poucos usaram algum instrumento de autoanálise ou frequentaram escolas ou empresas onde essa prática fosse comum. A falta de autoconhecimento impede o jovem de traçar um plano de carreira viável ou um plano de desenvolvimento. Uma das constatações da pesquisa é que 64% dos entrevistados não gerenciaram sua carreira. Escolheram a graduação influenciados por um amigo ou parente e hoje não estão felizes. Só 16% estão satisfeitos com o grau de estabilidade econômica alcançada. É claro! Se você não gerencia sua carreira e se deixa levar pela vida é muito pouco provável que tenha obtido posições melhores e de remuneração apropriada. Mais um dado preocupante: 67% desejam ter um negócio próprio. Mas não conseguem expressar com clareza em que negócio que- rem atuar. Seu desejo de empreender é muitas vezes realçado pela frustração com o em- prego ou o chefe atual. Um empreendimento tem que ter estudo, pesquisa, business plan, experiência-piloto. Não basta a vontade. Volto ao tema principal – o autoconhecimento! Você tem as características de um empreendedor? Está disposto a correr riscos calculados, tem inteligência emocional para resistir às frustrações naturais do processo? Mas o que fazer então para evoluir e ser feliz? Aprimorar o autoconhecimento. Que conhecimento me falta? Onde adquiri-lo? Que competências preciso desenvolver? Qual a minha taxa de resiliência?

Profissionais competentes podem ajudá-lo nessa empreitada. Depois, é tomar a carreira nas mãos, definir os próximos passos, negociar as oportunidades na empresa ou encontrá-las no mercado. Sabe o nome disso? Ser protagonista da sua vida, e não coadjuvante. Coragem! Uma coisa é certa: ainda há tempo!

Meus 30 anos. 2

LUIZ CARLOS CABRERA – escreve sobre carreira, é professor da Eaesp-FGV, diretor da Amrop Panelli Motta Cabrera e membro do Advisory Board da Amrop International.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 25: 1

Alimento diário

PRAZERES E BENEFÍCIOS DA SABEDORIA

 

V. 1 – Este versículo é o título desta segunda coletânea de provérbios de Salomão, pois ele escolheu muitos provérbios e os organizou, para que, por intermédio deles, ele ainda pudesse estar ensinando conhecimento ao povo (Eclesiastes 12.9). Observe:

1. Os provérbios eram de Salomão, que foi divinamente inspirado para transmitir, para o uso da igreja, estas sábias e importantes sentenças; nós já vimos muitas, mas ainda há mais. Nisto, Cristo é maior que Salomão, pois se tudo o que Cristo disse e fez, que fosse instrutivo, tivesse sido registrado, nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem (João 21.25).

2. Os editores foram servos de Ezequias, que, provavelmente, atuaram como seus servos, sendo designados por ele para fazer este bom serviço para a igreja, entre outros bons ofícios que ele fez, na lei e nos mandamentos (2 Crônicas 31.21). Não se sabe ao certo se ele empregou os profetas deste mundo, como Isaías, Oséias, ou Miquéias, que viveram na sua época, ou alguns que foram treinados nas escolas dos profetas, ou alguns dos sacerdotes e levitas, a quem o vemos dando uma incumbência, acerca das coisas divinas (2 Crônicas 29.4) ou (como pensam os judeus) os seus príncipes e ministros de estado, que eram mais apropriadamente chamados de seus servos; se o trabalho foi feito por Eliaquim, e Joá, e Sebna, isto não minimiza o seu caráter. Eles copiaram estes provérbios dos registros do reinado de Salomão, e os publicaram como um apêndice à primeira edição deste livro. Pode ser muito útil para a igreja publicar as obras de outros homens que ficaram na obscuridade, talvez por muito tempo. Alguns pensam que eles selecionaram estes provérbios dos três mil que Salomão pronunciou (1 Reis 4.32), excluindo os que eram materiais, e que pertencessem à filosofia natural, preservando somente os que eram divinos e morais; e nesta coletânea alguns observam que houve uma consideração especial com as observações que dizem respeito a reis e à sua administração.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

HORÁRIO DAS REFEIÇÕES REGULA RELÓGIO BIOLÓGICO

Horário das refeições regula relógio biológico

Investigando a complexa maquinaria do relógio biológico que controla os ritmos circadianos (como o ritmo da temperatura corporal, o ciclo vigília-sono e diversos ciclos hormonais), pesquisadores da Universidade Harvard encontraram um relógio secundário, associado à alimentação, que exerce um papel importante na sincronização de nossas funções fisiológicas ao ciclo ambiental de 24 horas.

Publicado na revista Science, o artigo explica como os mamíferos tiveram de adaptar seus ritmos circadianos para evitar longos períodos de jejum. Esse relógio secundário parece ter sido uma vantagem evolutiva que favoreceu a sobrevivência, na medida em que permitiu que os animais alternassem períodos de sono e vigília de modo a maximizar as oportunidades de encontrar com ida.

Os autores acreditam que esses conhecimentos podem ter aplicação prática. Segundo eles, estratégias relacionadas ao horário das refeições ajudariam tanto as pessoas que passam pelos efeitos desagradáveis do jet-lag como trabalhadores em turno que enfrentam vários problemas, físicos e mentais, decorrentes da alteração de seus ritmos biológicos.

OUTROS OLHARES

OS SUPERIDOSOS

De acordo com a tendência mundial, brasileiros chegam aos 90 anos lúcidos e ativos, apesar das dores do tempo. Levar uma vida saudável desde sempre é mais importante que a genética, dizem os pesquisadores.

Os superidosos

Os brasileiros que atingiram mais de nove décadas de vida somam 775 mil em 2019. Em termos demográficos, são menos de 0,5% da população e, junto com os octogenários, formam o grupo etário que mais cresce proporcionalmente. Em 2049, quando a turma que faz 60 este ano chegar aos 90, eles serão quase 3,5 milhões. Alguns deles aproveitam a vida bem melhor do que os mais jovens, incluindo aí as turmas dos 70 e 80 anos. Ainda que a classificação científica não exista, a vida de qualidade que levam permite que sejam chamados de superidosos, mesmo diante das dores e das limitações inevitáveis. Para os pesquisadores, o segredo não estaria na busca pela juventude nem nos genes, mas nos cuidados anteriores que mantiveram com a saúde e no estilo de vida que cultivam, com amizades e atividades.

“A genética é responsável por apenas 25% do envelhecimento saudável. A maior parte vem das condições ambientais”, diz o infectologista e especialista em envelhecimento Alexandre Kalache. Essas constatações surgiram após observações nas comunidades mais longevas do mundo, na ilha de Okinawa, no Japão, Nikoya, na Costa Rica, e Ogliastra, na Sardenha, onde não raro alguém atinge 100 anos. No Brasil, a expectativa de vida cresce e atinge todas as classes sociais. “Os problemas de alguns nonagenários são iguais aos de quem tinha 70 anos há três décadas”, diz Carlos Uehara, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).

O anúncio de que a designer e empresária americana Iris Apfel foi contratada aos 97 anos pela IMG Models é o exemplo extremo de que a vida segue para quem está bem e antenado. A agência cuida de fashionistas como Gisele Bündchen, Cindy Crawford e Tyra Banks. As contribuições de Apfel lhe renderam, desde 2005, um livro, documentários e exposições. No Brasil, a peça “Através da Iris” é estrelada por Nathalia Timberg, de 89 anos.
O estilo de vida também explica a disposição da professora universitária aposentada Nora Rónai, do Rio de Janeiro. Aos 93 anos, ela mantém uma prazeirosa rotina de exercícios, leituras e afazeres. “Sou uma apaixonada pelo divertimento”, afirma. Nadadora, ela lamenta que uma dorzinha persistente nos joelhos a fez diminuir os mergulhos na piscina do Clube Guanabara para apenas dois dias por semana. Os 1,6 mil metros caíram para 1,2 mil metros. Já a rotina de musculação leve com sua personal trainer foi mantida. Nora jura que nada a incomoda. Frugal, seu único exagero é comer um pedaço de frango frito de vez em quando.

Praticante de salto ornamental até os 30 anos, foi campeã brasileira e vice sul-americana. Parou após a segunda gravidez, quando percebeu que já não tinha a mesma elasticidade que as concorrentes adolescentes. A genética ajudou, pois Nora sempre manteve o peso do início da vida adulta. Porém, o que conta é a cabeça. Todas as manhãs ela gasta uma hora cuidando das plantas. À noite, lê em português, inglês, italiano e húngaro no tablet que ganhou da filha, a escritora Cora Rónai. Ela prefere os contemporâneos, como Svetlana Aleksiévitch e Yuval Harari.

Com ânimo e ignorando o marca-passo, o ex-desenhista Carlos Alberto Manço resolveu enfrentar a viuvez estudando. Aos 91 anos, cursa o segundo ano de arquitetura em Ribeirão Preto (SP). Senta nas primeiras cadeiras para compensar a perda de audição. Por detestar ser chamado de senhor pelos colegas 70 anos mais jovens, virou o Carlão. “Mais de 90% dos meus amigos já morreram. Ganhei novos. A molecada me faz sentir como um ‘garoto’ de 65”, brinca. Carlão tem planos para quando se formar, aos 95 anos. Quer atuar no escritório de arquitetura de seu neto.

VIAGENS E COMPANHIA

Outra serelepe é Maria de Freitas Panadés. Viúva há 32 anos, aos 95 ela não sabe o que é ficar em casa. Decana de um grupo de senhoras, foi para a Argentina quatro vezes e deve ir ao Chile em setembro. Sem doenças crônicas, só reclama de algumas dores. Ela vive com o filho, o neto e duas domésticas, o que lhe garante casa cheia. A única queixa: “Não tenho companhia para o pilates”, diz.

Respeitadas a fortuna e os tratamentos, Carlão, Nora e Maria não diferem tanto do ator americano Dick Van Dyke. Aos 93 anos, ele atuou e dançou em “O Retorno de Mary Poppins”, continuação do filme de sucesso que estrelou em 1964. Van Dyke precisou de maquiagem para parecer mais envelhecido, provando que hoje os 90 são os novos 70.

Os superidosos. 2

GESTÃO E CARREIRA

EMPATIA X SIMPATIA

Eu já vi este filme: o executivo se queixa da incompetência dos funcionários, das exigências dos chefes, da eterna insatisfação dos clientes, entre outras lamúrias corporativas. Ele é, certamente, a vítima do sistema. Os outros não o compreendem e não fazem nada por ele.

Empatia X Simpatia

Quando alguém tem essa postura, pode acreditar, não tem a menor ideia do que se passa no peito de seus funcionários, de seus patrões e de seus clientes. Ele não conhece os sentimentos e as expectativas dos outros. Não conhece e não se interessa. Só as suas dores e vontades valem, por isso ele é o eterno injustiçado – aspirante a bem-sucedido-executivo-frustrado.

Nessa hora, sabe o que resolve? Uma boa dose de empatia. Que é bem diferente de simpatia. As duas palavras vêm do grego e têm a mesma raiz: pathos, que, em sua origem, significa doença ou padecimento – mas que também tem o significado de paixão ou emoção forte. Simpatia, entretanto, usa o prefixo sim, que significa junto, ao lado de. O prefixo de empatia é eu, que remete ao interior, estar dentro de, junto de verdade. O simpático está ao seu lado; o empático está com você. O simpático olha para você; o empático o toca, mesmo que não use as mãos. O simpático é agradável; o empático é necessário.

Se alguém mostra simpatia quando você está com um grande problema, está sendo educado, solidário, compreensivo. Mas quem é empático mostra solidariedade real, disposição genuína em colaborar. O simpático tenta demonstrar seu ponto de vista. O empático quer ouvir, abrir espaço para que você desenvolva sua própria compreensão. Se você conta, em uma mesa de bar, que seu casamento acabou, o simpático vai dizer para você não ficar triste. O empático vai entender que isso não é possível, e vai oferecer a você um olhar de cumplicidade. Se precisar desabafar, prefira o empático.

Nas relações profissionais, a empatia está longe de ser um sentimento do mesmo grupo da compaixão e da solidariedade. Está mais para a turma da sociabilidade e do compromisso com o resultado. Praticar empatia ajuda o médico a tratar melhor seu paciente, o vendedor a atender o cliente com mais propriedade, o líder a comandar sua equipe com mais eficiência. Definitivamente, a empatia colabora mais com o sujeito do que com o objeto. É, portanto, um atributo da inteligência emocional que tem imenso impacto na liderança, nos negócios e nas carreiras. Vale a reflexão.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 24: 30-34

Alimento diário

A VINHA DO PREGUIÇOSO

 

V. 30 a 34 – Aqui temos:

1. A visão que Salomão teve do campo e da vinha do preguiçoso. Ele não foi com o propósito de vê-los, mas, ao passar por ali, observando a produtividade do solo, como é muito apropriado que façam os viajantes, e a administração que o seu súdito fazia da sua terra, como é muito apropriado que façam os magistrados, Salomão lançou um olhar para um campo e uma vinha, diferentes dos demais; pois, embora o solo fosse bom, não havia nada crescendo nele, exceto cardos e urtigas, não um aqui e outro ali, mas todo o terreno estava coberto de ervas daninhas; e, se tivesse havido algum fruto, teria sido comido pelos animais, pois não haja cerca; a parede de pedra estava derribada. Veja os efeitos daquela maldição sobre o solo (Genesis 3.18), “Espinhos e cardos também te produzirá”; nada além disto, a menos que te esforces com a terra. Veja que bênção para o mundo é o trabalho do agricultor, e que inverno seria esta terra, a própria Canaã, sem este trabalho. O próprio rei se serve do campo, mas seria mal servido, se Deus não ensinasse ao agricultor discernimento e diligência para limpar o terreno, plantar, semear e cercar o terreno. Veja a grande diferença que existe entre uns e outros, na administração, até mesmo de seus assuntos terrenos, e quão pouco alguns se preocupam com a sua reputação, não se importando se declaram a sua preguiça, nos seus resultados manifestos, a todos os que passam, nem se envergonhando pela diligência de seu vizinho.

2. As reflexões que ele fez, sobre isto. Salomão fez uma pausa, e considerou, olhou novamente, e recebeu instrução. Ele não explodiu em censuras inflamadas ao proprietário, não o xingou, não o ofendeu, mas se esforçou para obter benefícios da observação e para ser incitado à diligência pela observação. Observe que os que devem dar instrução aos outros devem receber instrução, e a instrução pode ser recebida, não apenas do que lemos e ouvimos, mas do que vemos, e não somente do que vemos das obras de Deus, mas do que vemos das maneiras do homem, e não somente das boas maneiras do homem, mas também de suas más maneiras. Plutarco narra uma frase de Cato Major: “Que os sábios se beneficiem mais dos tolos do que os tolos, dos sábios; pois os sábios evitarão os erros dos tolos, mas os tolos não imitarão as virtudes dos sábios”. Salomão reconheceu que recebeu instrução por esta visão, ainda que ela não lhe sugerisse nenhuma nova noção ou lição, mas somente o lembrasse de uma observação que ele mesmo tinha feito anteriormente, tanto sobre a ridícula tolice do preguiçoso (que, quando tem trabalho necessário para fazer, fica cochilando na cama, e clama, “Um pouco de sono”, adormecendo um pouco, encruzando as mãos outro pouco, para estar deitado, até que tenha se cansado de dormir, e, em vez de se revigorar e capacitar, pelo sono, para o trabalho, como os sábios, ele é entorpecido, e aturdido, e não serve para nada), e sobre a desgraça que lhe sobrevirá: “assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão”; ela se aproxima constantemente dele, e logo estará sobre ele, e deseja se apoderar dele, de maneira tão irresistível como um homem armado, um ladrão que o privará de tudo o que tem. Isto se aplica, não somente aos nossos assuntos terrenos, para mostrar que coisa vergonhosa é a preguiça, e o quanto é nociva para a família, mas também aos assuntos de nossas almas. Observe:

(1) As nossas almas são os nossos campos e vinhas, de que cada um de nós deve cuidar, e podar, e guardar. Eles podem ser aproveitados, com boa administração; para que possam ser obtidos deles o que serão frutos abundantes, para nós. Nós somos incumbidos deles, para ocupá-los, até a vinda do nosso Senhor; e é necessário que tenhamos uma grande quantidade de esforço e cuidados com eles.

(2) Estes campos e vinhas frequentemente estão em péssima condição, não somente sem produzir frutos, mas completamente tomados de cardos e urtigas (desejos desordenados, que coçam e aferroam, e paixões, soberba, cobiça, sensualidade, maldade, tudo isto são os cardos e a urtiga, as uvas bravas, que produz o coração descontente), não são protegidos do inimigo, mas a parede de pedra está derribada, e tudo está exposto.

(3) Isto se deve à preguiça e à tolice do pecador. Ele é preguiçoso, adora dormir, detesta o trabalho; e ele é falto de entendimento, não entende os seus deveres nem os seus interesses; ele está completamente enlouquecido.

(4) O resultado certamente será a destruição da alma e de todo o seu bem­ estar. É a necessidade eterna que assim sobrevém, como um homem armado. Nós conhecemos o lugar destinado ao servo ímpio e preguiçoso.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PERSONA: CARMITA HELENA NAJJAR ABDO

A psiquiatra ajudou a impulsionar a pesquisa sobre o comportamento sexual no Brasil, até então pouco valorizada pela medicina, e a diminuir preconceitos.

Persona - Helena Najjar Abdo

Se a sexualidade hoje ainda é repleta de mitos e tabus, discutir o assunto há 50 anos era uma tarefa ainda mais delicada. Mas ao atender alunos da Universidade de São Paulo (USP) na década de 70, a psiquiatra Carmita Abdo (na época praticamente com a mesma idade de seus pacientes) percebeu que esse aspecto prático da vida psíquica merecia ser compreendido. Era um tempo de intensas transformações sociais e culturais, em que já existia a pílula, mas o mundo ainda não tinha de se preocupar com a ameaça da aids. “A liberdade sexual havia se tornado muito maior, quase sem freios, mas essa era uma área pouco pesquisada, para a qual a medicina não estava suficientemente preparada. Então pensei: por que não estudar mais profundamente aquilo que vinha a mim quase como um apelo para que eu conhecesse mais e entendesse melhor?”, lembra.

Da convivência com esses alunos que Carmita acompanhava veio a inspiração para uma ideia que se concretizou no começo da década de 90: o Projeto Sexualidade no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, no qual realizou a maior pesquisa sobre a vida sexual no Brasil: Estudo do Comportamento Sexual, concluído em 2000, ampliado e atualizado em 2003, quando recebeu o nome de Estudo da Vida Sexual do Brasileiro. O trabalho foi publicado em 2004, com o título Descobrimento sexual do Brasil – Para curiosos e estudiosos, pela Summus.

Primeira de cinco irmãos, Carmita inaugurou uma geração de médicos na família. O pai era dentista, mas não exercia a profissão e a mãe era dona de casa. Para ela, a psiquiatria foi uma “escolha natural”. Era uma adolescente que adorava ler, em uma época em que o caráter interpretador da psicanálise estava em alta. “Eu fazia minhas próprias ‘análises selvagens’ daquilo que presenciava e que me chamava a atenção nas pessoas”, diz. Quando entrou na faculdade, o objetivo já era estudar psiquiatria. “Sempre quis conhecer as pessoas e sua intimidade, tinha fascínio pelas coisas não declaradas; a mente humana também sempre me encantou.” Os pais torceram um pouco o nariz para a opção, mas a oposição foi sutil.

Durante a residência, a psiquiatra interessou-se especialmente pelo estudo da sexualidade segundo a teoria psicodinâmica, que se contrapõe às então chamadas “teorias organicistas”. “Felizmente, mesmo sendo mulher e estudando um assunto polêmico, jamais sofri discriminação por parte de meus colegas”, afirma. A importância de haver naturalidade para debater assuntos em geral cercados de tabus levou Carmita a se interessar cada vez mais pela relação médico – paciente. Tanto que ela acabou dedicando sua livre-docência à teoria da comunicação. Em sua pesquisa acompanhou dez turmas de residentes de medicina e constatou em sua tese, Interações iatropatogênicas: uma contribuição ao estudo da psicologia médica, algo que muitos já intuíam: muitas vezes, por falta de preparo teórico ou experiência, quando não os dois, na relação com o paciente, o psiquiatra acaba aprisionado numa situação que não permite a comunicação saudável. A tese foi publicada pela Editora Lemos, com o título Armadilhas da comunicação – O médico, o paciente e o diálogo.

Persona - Helena Najjar Abdo. 2

NOVOS FANTASMAS

Em 1993, Carmita criou o Núcleo de Medicina Sexual na Faculdade de Medicina da USP, que acabou incubando o Projeto Sexualidade (ProSex), no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. A equipe multidisciplinar conta hoje com psiquiatras, psicólogos, urologistas, ginecologistas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e educadores. O ProSex tem dois sites, o http://www.portaldasexualidade.com.br, com conteúdos específicos para o público em geral, profissionais de saúde e educação e médicos, e o www.museudosexo.com.br, que mostra parte da produção artística de todas as épocas, tendo a sexualidade como tema. Em um dos trabalhos mais recentes que coordenou, realizado durante quatro anos em uma escola pública na Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo, profissionais que participaram do projeto acompanharam o desenvolvimento sexual dos alunos ao longo de todo o ensino médio e conseguiram reduzir o número de gestações prematuras a zero e aumentar o uso de preservativos entre os alunos em 50%. “Foi um trabalho muito bonito, com jogos, palestras e atividades lúdicas para motivar esses estudantes, pais e professores a valorizar a educação sexual.” A pesquisa também rendeu uma cartilha, para ser utilizada em ações em outras escolas. O ProSex contou por oito anos com um Tele sexo, que respondia a dúvidas sobre o assunto. Hoje, porém, o serviço está temporariamente desativado, enquanto os dez atendentes passam por reciclagem. “Esperamos retomar o serviço em breve,” diz Carmita. Embora mitos ainda permaneçam, as dúvidas e os medos dos pacientes que procuram o ProSex são muito diferentes das preocupações dos alunos atendidos por ela na USP na década de 70. “A forma como se vive o sexo hoje é diferente da de 50 anos atrás. Naquela época, para aquela população jovem, a sexualidade era uma questão muito pouco assumida. A grande dúvida era: vou fazer ou não?” Apesar de já existir a pílula, ainda prevalecia a valorização da virgindade, do sexo só depois do casamento, e a mulher ainda era discriminada ao se permitir liberdade sexual.

Segundo Carmita, hoje esse assunto ainda é polêmico, mas as pessoas estão mais bem preparadas para fazer escolhas nessa área.

A vivência sexual ganhou identidade própria, desvinculando-se do amor, do compromisso e de um relacionamento de namoro, até mesmo para a mulher. “Hoje não se pode dizer que ela faz sexo porque ama ou que, por amar, fará sexo.” No entanto, segundo as pesquisas conduzidas pelo ProSex, 40 % das mulheres, especialmente as mais velhas que já tiveram relacionamentos estáveis, consideram que viver a sexualidade com compromisso é fundamental para que se sintam realizadas como mulheres. “O afeto completa a experiência sexual, diferenciando-a daquela atividade que serve só à descarga de tensão.”

Na opinião de Carmita, o grande tabu para a mulher de hoje é o orgasmo: entre as atendidas pelo serviço, 30% reconhecem que não conseguem atingi-lo. “Passamos de um extremo a outro: antes a mulher não se cobrava o prazer, mas a partir do momento em que ganhou essa possibilidade, para muitas o orgasmo se tornou uma obsessão. E isso as aprisiona.

O sexo fica mais prejudicado quando ele se torna refém de preconceitos, não importa quais sejam eles. E, em vez de produzir prazer, produz frustração e constrangimento. “Para os homens, a velha preocupação com o tamanho do pênis ainda é prevalente, assim como a dificuldade de ereção, que atinge 45% dos brasileiros. Somos um povo curioso e sensual, muito aberto, que encara o sexo de forma lúdica. A prática acaba sendo vista como um jogo em que uma série de recursos pode ser acionada. Mas isso não nos torna de maneira alguma isentos de dificuldades nesse campo. Sexo bom é sexo saudável, e isso depende de investimento em educação e na saúde geral.”

Persona - Helena Najjar Abdo. 3

CLAREZA PARA FALAR COM OS FILHOS

Para Carmita Abdo, falar sobre sexualidade em família, de forma saudável, não é questão de rigidez nem de liberalidade. É uma necessidade, já que o tema dificilmente pode ser evitado. “O que importa é que os pais tenham coerência na hora de conversar com os filhos. Quando você tem uma postura única, que obedeça a uma lógica, a criança aprende a administrar bem a situação; tudo fica mais difícil quando existem leis e regras contraditórias. A ambiguidade é extremamente prejudicial, bloqueia, confunde e prejudica o desenvolvimento”, afirma. Mãe de uma advogada e de uma juíza, a psiquiatra sugere que a sexualidade seja debatida abertamente na educação dos filhos, mas que a intimidade sexual de cada um seja preservada. “É comum que os pais fiquem curiosos, mas é fundamental respeitar a privacidade dos jovens”, ressalta.

OUTROS OLHARES

QUANDO A CASA É A MELHOR ESCOLA

Com o intuito de criar autodidatas e garantir às crianças mais autonomia na busca pelo conhecimento, famílias decidem que a educação domiciliar é o melhor caminho para formar os filhos; governo prepara uma MP sobre o assunto.

Quando a casa é a melhor escola

A agradável casa de campo da professora de dança Ana Thomaz, no município de Piracaia, no interior de São Paulo, funciona como uma escola. Com mentalidade libertária e adepta da técnica Alexander, que propõe uma reeducação psicomotora das crianças, Ana optou por educar seus filhos em casa. O mais velho, Guto, hoje com 23 anos, pediu para sair da escola com 13. Dizia que não estava aprendendo ou evoluindo. Com as duas filhas mais novas, a situação se repetiu. Depois de poucas semanas na sala de aula, a do meio, Francisca, já não demonstrava mais interesse pela escola. Foi aí que Ana e seu marido optaram por educá-la junto com a caçula Catarina. As duas são criadas num ambiente em que todo o conhecimento é valorizado: da leitura à arte de tecido acrobático, das operações matemáticas para comprar frutas na feira à capacidade de conferir o troco. Apesar de defender a liberdade das famílias para ensinar, Ana não faz oposição ao modelo tradicional. “Não sou contra a escola, mas gosto da nossa autonomia”, diz.

A educação domiciliar é o sonho de alguns e uma realidade para poucos. Estima-se que 7,5 mil famílias eduquem seus filhos em casa atualmente no Brasil por motivos diversos. Entre as razões apresentadas pelos pais para optarem por essa modalidade educacional, segundo pesquisa da Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned), o principal, com 32% das respostas, é “oferecer educação personalizada”, como faz Ana. A segunda razão, exposta por 25% das famílias, é a de “princípios de fé e família” e, em terceiro lugar, está a “má qualidade do ambiente escolar”, com 23%. “Temos famílias de todos os tipos, desde anarquistas até evangélicas”, diz Ricardo Dias, presidente da Aned. Dias, que tirou seus filhos da escola com 12 e 9 anos, refuta a ideia de que a luta pela educação domiciliar tenha a ver apenas com famílias conservadoras e religiosas. Um dos princípios básicos dessa modalidade é a formação de autodidatas. Nesse sentido, preocupa-se menos em cumprir um determinado currículo e mais em criar nas crianças autonomia para adquirir conhecimento.

Quando a casa é a melhor escola. 2

MEDIDA PROVISÓRIA

No final de 2018, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a educação domiciliar era ilegal, pois não havia legislação a respeito. No entanto, não apontou inconstitucionalidade na atividade. Uma das promessas para os primeiros 100 dias do governo Bolsonaro é a regularização da prática no Brasil por meio de uma Medida Provisória. O texto deve garantir, principalmente, o direito das famílias optarem por instruir seus filhos em casa, mediante acompanhamento do Estado. As críticas à educação domiciliar vão desde a falta de interação social até o uso desproporcional de forças do governo para tratar a questão. “É um gasto excessivo de esforços, já que o número de crianças atingidas será pequeno”, afirma Gabriel Corrêa, do Movimento Todos pela Educação. “Além disso, há a questão do contraditório, a possibilidade da criança conviver na escola com realidades e convicções diferentes das suas. Poucos pais seriam capazes de proporcionar essas experiências às crianças”. Esse é um risco que algumas famílias decidem correr.

Quando a casa é a melhor escola. 3

GESTÃO E CARREIRA

CULTURA DA EMPRESA: POR QUE É IMPORTANTE PARA O SUCESSO

A cultura da empresa é um fator muito importante do dia a dia do seu negócio, pois com a abordagem correta da cultura da empresa, você pode ver melhorias na produção e na produtividade geral de sua empresa e na felicidade de seus empregadores.

CULTURA DA EMPRESA - POR QUE É IMPORTANTE PARA O SUCESSO

Talvez seja hora de avaliar sua cultura atual da empresa, para ver se melhorias podem ser feitas. A cultura da empresa envolve várias considerações. Por exemplo, hoje, a maioria dos empregadores espera que seus funcionários estejam disponíveis por e-mail a qualquer hora do dia. O mesmo se aplica a clientes, outros negócios e, principalmente, clientes. O que isso significa para o funcionário é que os limites entre o trabalho e a vida são indistintos. Sem tempo de inatividade adequado, os níveis de estresse aumentam e os burnouts são cada vez mais prováveis.

Combine esta realidade com o foco crescente na saúde mental e bem-estar, e você tem um ambiente tóxico onde os funcionários saem após um ano ou menos, e os empregadores são deixados para pegar os custos de recrutamento em curso. Para evitar isso, você precisa reconfigurar como você conduz os negócios e mudar a cultura de sua empresa.

DEFINIR LIMITES ENTRE TRABALHO E CASA

O primeiro passo como empregador será estabelecer limites. Você não pode e não deve esperar que seus funcionários respondam a e-mails ou trabalhem em casa sem receber horas extras . Você está reduzindo seu tempo pessoal, afetando sua saúde mental e contribuindo para a cultura pandêmica do estresse crônico.

Em vez disso, defina limites e atenha-se a eles. Não entre em contato com seus funcionários depois do expediente e espere que eles respondam fora do horário de expediente. Faça isso e você já terá contribuído para uma cultura da empresa mais positiva desde o início.

MELHORE SEUS CRITÉRIOS DE RECRUTAMENTO

Contratar alguém porque eles podem fazer o seu trabalho já não é suficiente. Você precisa contratar pessoas que você acha que vão funcionar bem juntas, porque o trabalho em equipe é fundamental para o sucesso na força de trabalho de hoje. É por isso que você deve montar o perfil de funcionário ideal.

Isso não significa contratar a mesma pessoa, mas contratar alguém com base no fato de terem ou não a mesma unidade. Se o seu escritório trabalha predominantemente em equipes, ter alguém que adora trabalhar com outras pessoas irá percorrer um longo caminho.

OFEREÇA BENEFÍCIOS E RECOMPENSAS CORPORATIVAS

Recompensas e vantagens personalizadas ajudarão a melhorar a cultura da sua empresa. Recompensar a equipe deve vir naturalmente, especialmente com recompensas que os funcionários realmente se importarão, pelo trabalho significativo que fizeram. Inscreva-se com especialistas em recompensas para que você possa manter seu orçamento de sistema de recompensas amigável. Dessa forma, você pode oferecer recompensas diariamente, melhorar a cultura da sua empresa e ainda assim sair no topo no final do trimestre.

Algumas recompensas não precisam custar nada além de algum entendimento. Por exemplo, você pode oferecer aos seus funcionários alguns dias do ano em que eles podem trabalhar em casa, então no escritório. Isso ajudará pais cujos filhos podem ficar doentes imensamente, já que eles não precisarão usar um dos seus dias de folga pessoal para cuidar da família, por exemplo, e podem trabalhar em casa. Quanto mais satisfeitos os seus funcionários estiverem com o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, melhor eles vão gostar de trabalhar para você, e melhor eles podem trabalhar para você.

FORNEÇA OPORTUNIDADES DE FORMAÇÃO DE EQUIPES

O edifício da equipe não precisa ser chato ou parecer uma tarefa árdua. Há muitos jogos e atividades por aí que ajudarão seus funcionários a se relacionar e se divertir ao mesmo tempo. Você pode recompensar uma equipe pelo excelente trabalho com uma experiência de sala de fuga, por exemplo. Dessa forma, não apenas você pode recompensá-los com algo divertido, mas também pode ajudar ainda mais no vínculo da equipe.

Combinado, isso levará a uma maior satisfação e melhor resolução de equipe entre seus funcionários.

MELHORAR O AMBIENTE

Finalmente, a última maneira pela qual você pode melhorar facilmente a cultura de sua empresa é com o próprio ambiente. Melhore o espaço do escritório e a sala de descanso para que a saúde e o bem-estar de seus funcionários sejam apoiados. Um espaço social convidativo, luminoso e cheio de elementos naturais, como plantas purificadoras de ar, contribuirá para melhorar o bem-estar e a satisfação de seus funcionários no local de trabalho. O que isso significa para o seu negócio? Isso significa que seus funcionários gostarão de estar no escritório. Isso aumentará a produtividade e a satisfação, levando a melhores resultados e maior retenção de funcionários. 

Há muitas maneiras de melhorar a cultura de sua empresa, e todas elas resultarão em maior produtividade, melhor retenção de funcionários e melhores resultados. Em caso de dúvida, pergunte a seus funcionários sobre o que você pode fazer. Construa uma família e você construirá a base de que sua empresa precisa para o sucesso.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 24: 27-29

Alimento diário

CONSELHOS PARA OS MAGISTRADOS

 

V. 27 – Este versículo é uma regra de prudência na administração dos assuntos domésticos; pois todos os homens bons devem ser bons maridos, e administrar com critério e discernimento, o que evitaria uma grande quantidade de pecados e problemas, e desgraça para a sua profissão.

1. Nós devemos preferir o que é necessário ao invés das comodidades, e não gastar para nos exibir o que deveria ser gasto para o sustento da família. Nós devemos nos contentar com uma cabana humilde para nossa habitação, em lugar de desejar ou nos endividar para obter aquilo que for supérfluo.

2. Não devemos pensar em edificar, até que tenhamos como pagar por isto: “Prepara fora a tua obra, e apronta-a no campo”, deixa em ordem o teu terreno; cuida da tua lavoura, pois é disto que ganharás o teu sustento; e, depois que estiveres melhor, então, e somente então, poderás pensar em reconstruir e embelezar a tua casa, pois é nela que terás a oportunidade para gastar. Muitos destruíram seus bens e suas famílias, gastando dinheiro naquilo que não resulta em nada, começando a edificar quando não seriam capazes de terminar. Alguns entendem isto como um conselho para que os jovens não se casem (pois é por isto que a casa é edificada), até que estejam estabelecidos no mundo, e tenham recursos para sustentar uma esposa e filhos comodamente.

3. Quando temos algum grande desígnio em andamento, é sensato tê-lo diante de nós, e fazer os preparativos necessários; se não o fizermos, poderemos ter que parar a nossa obra já iniciada por falta de material. Salomão observou pessoalmente esta regra, ao edificar a casa de Deus; tudo foi preparado antes de ser trazido ao terre no (1 Reis 6.7).

 

V. 28 e 29 – Aqui somos proibidos de prejudicar de qualquer maneira o nosso próximo, particularmente nas formas da lei, quer:

1. Como testemunha: “Não sejas testemunha sem causa contra o teu próximo”, a menos que saibas que o que dizes é a pura verdade, e que tenhas um motivo claro para testemunhar isto. Nunca dês um falso testemunho contra ninguém; pois, como está escrito a seguir: “por que enganarias com os teus lábios?” Não enganes o juiz ou o júri, não enganes aqueles com quem convives, dando uma má opinião sobre o teu próximo. Quando falas do teu próximo, não somente fales aquilo que é verdade, mas toma cuidado para que, no teu modo de falar, não insinues qualquer coisa que não é verdade, enganando, assim, por insinuações ou hipérboles. Ou,

2. Como um reclamante ou acusador. Se houver oportunidade para mover uma ação contra o teu próximo, que não seja com espírito de vingança. “Não digas: Como ele me fez a mim, assim lhe farei a ele”. Até mesmo uma causa justa se torna injusta quando é executada com maldade. “Não digas: pagarei a cada um segundo a sua obra”, e o farei pagar caro por isto, pois é prerrogativa de Deus fazer isto, e devemos deixar a vingança a Ele, e não tomar o seu trono, nem tirar o seu trabalho de suas mãos. Se desejarmos ser os responsáveis pelo nosso destino e julgar a nossa própria causa, perdemos o benefício de uma apelação ao tribunal de Deus; por isto não devemos nos vingar, porque Ele disse: “Minha é a vingança”.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O MISTÉRIO DA SÍNDROME DAS PERNAS INQUIETAS

O mistério da síndrome das pernas inquietas

O transtorno conhecido como síndrome das pernas inquietas é um dos distúrbios mais desconhecidos não só por leigos, mas também por boa parte dos médicos não-especialistas em medicina do sono. O problema atinge até 5% da população mundial, mas, nos idosos, esse número salta para 10%. Estudos feitos no Canadá e nos Estados Unidos indicam que menos de 30% dos portadores são corretamente diagnosticados e tratados; acredita-se que no Brasil a situação seja ainda pior. Para tentarem reverter esse quadro, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) publicaram um guia de diagnóstico e tratamento, dirigido a médicos de qualquer especialidade, nos Cadernos de Saúde Pública. Segundo os autores, muitos pacientes acabam sendo tratados como se tivessem ansiedade ou depressão, e o uso de antidepressivos agrava a síndrome das pernas inquietas. O distúrbio se caracteriza por desconforto dos membros inferiores, particularmente na hora de dormir e, em muitos casos, por queimação, pontadas, câimbras e formigamento. A pessoa sente uma irresistível compulsão por movimentar as pernas, na tentativa de obter algum alívio.

O problema é mais comum em mulheres após os 50 anos e durante a gravidez, em doadores frequentes de sangue ou em pessoas com Parkinson, diabetes, fibromialgia, artrite reumatoide e outras doenças. As causas são desconhecidas, mas um componente genético foi identificado. O tratamento é feito com medicamentos, prática de exercícios, psicoterapia, suspensão de remédios que agravam o quadro e de substâncias estimulantes (como cafeína e nicotina).

OUTROS OLHARES

ALÉM DA BOA ALIMENTAÇÃO

Quando o processo de adaptação alimentar é adequado, a nutrição e o desenvolvimento da criança são bem-sucedidos. E esse hábito também fortalece a relação com os pais e cuidadores.

Além da boa alimentação

Tem sido cada vez mais comum a queixa dos pais com relação à qualidade da alimentação dos seus filhos, seja em um grupo de mães, consultórios pediátricos, psicólogos ou nutricionistas infantis. O discurso na maioria das vezes é: “Meu filho não come bem”. Como entender se é fase de criança ou um transtorno que merece atenção e cuidados profissionais? Como agir? Devo forçar meu filho a comer o que não gosta? Deixá-lo com fome? Alimentar-se é algo essencial na manutenção da vida. Por meio de uma alimentação equilibrada garantimos o crescimento físico e a qualidade do funcionamento de todo organismo. Quando o processo de inserção e de adaptação alimentar é bem-sucedido, a criança tem uma nutrição e desenvolvimento adequados. Além disso, há fortalecimento da relação pais/ cuidador-filho. No entanto, quando problemas alimentares se instalam, essas variáveis podem ser colocadas em risco.

Considera-se dificuldade alimentar (DA) todo e qualquer problema que interfere de forma negativa no processo de suprir alimento ou nutrientes à criança. Porém tais dificuldades abrangem uma série de níveis de gravidade, que incluem: crianças “muito exigentes” com a comida, casos mais sérios de seletividade alimentar (típicos em crianças autistas) e crianças com transtorno alimentar restritivo evitativo.

Dentre os aspectos associados ao desenvolvimento dos problemas com a alimentação, Maranhão e colaboradores (2017) enfatizam alguns pontos principais: dificuldades precoces com alimentação (falha na amamentação e inadequada introdução dos primeiros alimentos) e problemas comportamentais. Os autores apresentam relatos de pesquisa que mostram a associação entre duração reduzida do aleitamento materno e introdução precoce de alimentação complementar com o desenvolvimento de seletividade alimentar na infância, além de outros que apontam que crianças amamentadas por, pelo menos, seis meses apresentam menor índice de dificuldades com a adaptação a novos alimentos.

Com relação ao comportamento, mencionam que, apesar de a maioria das crianças com alterações alimentares apresentar mais de uma causa subjacente, se destaca a frequência dos fatores comportamentais, presentes em cerca de 80% dos casos. Inclui-se como fator comportamental a presença de uma prática alimentar anormal e intrusiva dos pais/ cuidadores (fator mais importante). Buscando auxiliar o entendimento das diferentes dificuldades alimentares, Kerzner e colaboradores (2015) propõem uma classificação baseada em sete perfis.

MÁ INTERPRETAÇÃO DOS PAIS – Nessa categoria encontram-se crianças que apresentam algum tipo de inapetência ou recusa diante de certos tipos de alimento, porém ainda possuem uma alimentação variável. Tais crianças não apresentam problemas de crescimento ou de desnutrição, apesar da excessiva preocupação dos pais. Algumas vezes, a ansiedade dos pais pode até colaborar para uma dificuldade alimentar real, na medida em que adotam práticas inapropriadas diante do momento das refeições, como, por exemplo: gritar, bater ou forçar a criança a comer toda a comida quando esta já está satisfeita.

INGESTÃO ALTAMENTE SELETIVA – Inclui crianças que selecionam ou recusam alimentos de determinada característica (cheiro, sabor, textura, aparência ou consistência) e está intimamente relacionada a quadros de transtorno do espectro autista. Nesses casos, algumas alterações sensoriais podem estar relacionadas, como sensibilidade auditiva, desconforto em manipular ou tocar em produtos de determinadas consistências, como massas de modelar, pisar em areia, entre outros.

A gravidade pode variar desde uma aversão a certo grupo de alimentos (como as frutas ou as verduras) até casos mais graves, como determinar apenas dois tipos de alimentos em sua dieta (p. ex.: suco e arroz). A seletividade pode incluir também preferência para uma única forma de preparação ou marca comercial.

CRIANÇA AGITADA E COM BAIXO APETITE – Fazem parte desse perfil crianças extremamente ativas e inquietas que não possuem necessariamente uma seletividade, mas se preocupam mais em brincar do que comer. Normalmente se levantam durante as refeições, são os últimos a terminar e por isso podem não ganhar peso adequadamente ou ter certo déficit de nutrientes.

FOBIA ALIMENTAR – Normalmente associada a quadros de traumas alimentares (intubações, engasgos, asfixia, vômitos ocasionados por alimentação forçada). Na fobia alimentar, as crianças apresentam reação intensa de medo e estresse ao se deparar com o alimento.

PRESENÇA DE DOENÇA ORGÂNICA – Nesse caso, as crianças demonstram dificuldades alimentares decorrentes de alguma doença fisiológica de base, como transtornos gastrointestinais, doenças neurológicas ou psicomotoras. Não são consideradas, nesses casos, doenças transitórias e mais leves, como aftas ou estomatites agudas.

ALTERAÇÕES PSICOLÓGICAS OU NEGLIGÊNCIA – Casos de abandono, negligência na primeira infância ou problemas de vínculo mãe/ filho podem resultar em alterações de apetite e transtornos alimentares. Muitas vezes, a terceirização precoce dos cuidados com o bebê interfere na formação do apego, muito importante para o desenvolvimento saudável.

TRANSTORNO ALIMENTAR RESTRITIVO / EVITATIVO – Algumas vezes, as dificuldades alimentares trazem sérios problemas para a saúde física, emocional ou social do indivíduo, passando a se encaixarem nos critérios de transtorno. De acordo com os critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais – DSM-V, o transtorno alimentar restritivo/ evitativo refere-se a uma esquiva ou restrição da atividade alimentar que causa perda de peso, deficiência nutricional significativa, dependência de suplementação oral ou dieta enteral e/ ou interferência visível na área psicossocial da criança. A perturbação alimentar pode acontecer diante de alterações sensoriais relacionadas a odor, textura ou cor dos alimentos ou pela falta de interesse ou aversão ao alimento e merece maior atenção e tratamento por uma equipe multidisciplinar (APA, 2014).

QUANDO BUSCAR AJUDA?

Alguns problemas podem ser transitórios e se resolvem na ausência de intervenção. Outros precisarão de um acompanhamento especializado. Não é necessário que haja um transtorno estabelecido para a procura de ajuda. Os pais podem e devem buscar orientação e/ ou tratamento sempre que houver algum indício de sofrimento ou prejuízo por parte da criança ou que, de alguma forma, as dificuldades alimentares estejam atrapalhando na dinâmica familiar (p. ex.: as refeições da criança sempre precisam ser diferenciadas das do restante da família; quando sai com a família para algum restaurante não come nada) ou social (criança evita ir para casa de amigos devido à restrição alimentar).

PSICOTERAPIA

Como a terapia cognitivo­ comportamental (TCC) é uma abordagem semiestruturada, objetiva e baseada em metas, tem sido bem indicada nas intervenções associadas às dificuldades com alimentação, pois é possível identificar os pensamentos distorcidos e padrões comportamentais que influenciam e mantêm o padrão de resistência, seletividade ou aversão ao alimento. Ainda existem poucos registros sobre técnicas específicas para casos de dificuldades alimentares e padrões restritivos, sendo mais comum na literatura estratégias voltadas a transtornos como anorexia e bulimia.

É importante destacar que a família tem uma influência enorme nos hábitos e comportamentos alimentares. É imprescindível que o profissional faça questionamentos precisos sobre a dinâmica alimentar da família, numa construção de uma anamnese seletiva para a questão principal, com a investigação do estilo parental e do perfil da criança.

O processo terapêutico deve ser baseado em atividades lúdicas. Gradativamente, com psicoeducação e exposição, favorecendo inicialmente segurança no processo. Algumas estratégias práticas podem ser adotadas com o auxílio de materiais lúdicos.

PLANO DE INTERVENÇÃO

O desenvolvimento de dificuldades alimentares é complexo e envolve uma série de fatores. A identificação dos fatores causais e a avaliação multidisciplinar colaboram para a elaboração de um plano de intervenção individualizada considerando as particularidades de cada criança e da dinâmica familiar.

O psicólogo tem papel importante nesse processo, na medida em que desenvolve um novo olhar (reestruturação) do ato de comer, trazendo técnicas cognitivas e comportamentais eficazes para mudanças emocionais e comportamentais associadas à alimentação.

De acordo com a literatura e resultados de pesquisas sobre o problema, percebemos que não existe uma única causa para as dificuldades alimentares das crianças, assim como podemos contar com abordagens diferentes em lidar com o problema, por isso é de suma importância que os pais não se desesperem diante dos sintomas e sim busquem observar os fatores associados ao ato de comer, os possíveis ganhos secundários que a criança está tendo e acima de tudo, procurar ajuda de um profissional habilitado para melhor avaliação do caso e tratamento.

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FATORES DE RISCO PARA UMA DIFICULDADE ALIMENTAR

Predisposição genética: restrição do crescimento intrauterino, prematuros, baixo peso ao nascer; ausência de aleitamento materno nos primeiros meses: dificuldades alimentares muito precoces (cólicas. vômitos. alimentação prolongada, dificuldade na sucção); introdução tardia dos sólidos para além dos 9 meses; práticas de desmame inadequadas; práticas alimentares inadequadas (pouca variação de alimentos na dieta, poucos alimentos novos apresentados e refeição desestruturada: história de doença médica prévia (doenças neurológicas, doença orgânica crônica, anomalias craniofaciais e síndromes genéticas); distúrbio do sono; conflito entre a criança e o cuidador durante a refeição: história materna de ansiedade, problemas alimentares e preocupação com a imagem corporal.

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UMA PREOCUPAÇÃO MUNDIAL

A preocupação relacionada à dificuldade alimentar do filho ocorre em diversos países. Mais de 50% das mães se queixam de que, pelo menos um de seus filhos come mal, o que implica aproximadamente 20% a 30% das crianças. Muitas vezes, a ansiedade materna para que as crianças comam é tão grande que a mãe acaba oferecendo alimentos substitutivos de baixo valor nutritivo e a criança rapidamente associa que quando não come, tem o que deseja, gerando um ciclo vicioso.                                                                                   

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PROBLEMAS ALIMENTARES PODEM NÃO SER TRANSTORNO

Como a pirâmide proposta por Kerzner e colaboradores (2015) mostra, nem todas as crianças cujos pais queixam-se de problemas alimentares apresentam diagnóstico de transtorno. Na verdade, apenas uma estimativa de 1% a 5% preenchem os critérios diagnósticos de transtorno na área. A causa de tais dificuldades é multifatorial, envolvendo patologia orgânica, problemas motores, transtornos do neurodesenvolvimento, influência de fatores ambientais e comportamentais.

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ESTRATÉGIAS PRÁTICAS COM MATERIAIS LÚDICOS

JOGO DA BOA ALIMENTAÇÃO – Criado pela equipe Bbdu, é um jogo de dados em que cada lado possui uma tarefa a ser cumprida. Durante a refeição, cada pessoa joga o dado uma vez e vai cumprindo o que é proposto. O jogo acaba quando o último terminar seu prato. Embora seja um jogo, não é uma competição e não há ganhadores. Ou melhor, todos ganham. Contém: 2 dados e 12 adesivos, você monta os 2 dados e vai variando as jogadas.

ÁLBUM DE FIGURINHAS – Desenvolvido pela nutricionista Bruna Cavalheiro para estimular as crianças a experimenta rem novos alimentos, o álbum vem acompanhado de todas as figurinhas (113) A mãe ou o pai passa o álbum para seu filho e fica com as figurinhas em seu domínio. Somente entregará a figurinha para preencher o álbum quando ele comer ou experimentar o alimento referente à figurinha. E para estimular mais ainda, ao completar um grupo alimentar com todas as figurinhas, a criança recebe um “troféu figurinha” e tem direito a uma recompensa (mas nada de bens materiais, combine algo com seu filho como passear no parque, ir no cinema…). Contém um álbum e 113 figurinhas.

AVENTAL ALIMENTAR – Criado pela psicóloga Ligia Rodrigues com o objetivo de auxiliar na psicoeducação e estimulação por parte dos pais, profissionais e educadores, por meio do lúdico e do concreto, com manuseio do aparelho digestório e alimentos saudáveis e não saudáveis, numa grande brincadeira, para desmistificar crenças e reestruturar o pensamento sobre o alimento. Contém: um avental com os órgãos do aparelho digestório e cérebro; 2 tags; 1caneta; 4 alimentos: 2 saudáveis e 2 não saudáveis; 1 cocô.

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS- Envolvem os personagens na educação nutricional e funcionam como processo de psicoeducação quanto aos alimentos, auxiliando a terapia, tais como: Turma da Mónica Alimentos Saudáveis e Emília e a Turma do Sítio.

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TÉCNICAS TERAPÊUTICAS

O psicólogo pode guiar os pais nessa orientação, com treinamento dirigido à questão alimentar.

ALGUMAS ATITUDES QUE PODEM AJUDAR NO PROCESSO:

  • Construir uma rotina alimentar com horários pré-estabelecidos para refeições.
  • Refeições servidas em local agradável e limpo, favorável para essa aprendizagem.
  • Ambiente de refeição deve ser: tranquilo, sem brigas, agressões e ameaças, para construir registros emocionais positivos.
  • Sempre que possível, estimular a participação ativa da criança no preparo do alimento (respeitando a idade e a habilidade; pode ser um agente motivador para provar novos sabores e texturas.
  • Refeições em família. Estar na mesa junto com a criança, servindo de “modelo” tanto do ato de comer como pela construção de memórias positivas e agradáveis.
  • Transforme o momento das refeições em momento lúdico. Brincar e interagir com os alimentos serve como dessensibilização e construção positiva alimentar. A criança pode tocar na comida e sujar-se. É por meio dos sentidos que ela se relaciona com o mundo.
  • Levar a criança a ambientes distintos. que ofereçam a alimentação como foco (supermercado, feiras livres, restaurantes).
  • Evitar frases de desanimo: ‘Já sei que não vai experimentar nada’. ‘Hoje você não vai comer, não é?’. ‘Será que um milagre vai acontecer e você vai comer?’.
  • Retirar distrações como: televisão, tablet, celulares.
  • Podem utilizar de criatividade para organizar as refeições da criança, que podem servir como estímulo para o ato de comer. Varie no formato, faça detalhes divertidos e invista no humor.
  • Mantenha os alimentos saudáveis em lugar visível para a criança, para que ela possa se familiarizar.

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PADRÕES QUE PRECISAM MUDAR

O livro Comer, Comer É o Melhor para Poder Correr. Entendendo os Padrões de Dificuldade Alimentar auxilia o terapeuta a abordar o tema junto às crianças e aos familiares, ensinando-os de forma lúdica a reconhecer emoções e pensamentos associados ao padrão alimentar, compreender a importância de uma alimentação e elaborar um plano de ação baseado em técnicas cognitivo- comportamentais. Tem base na TCC e envolve uma série de técnicas que têm função de reduzir sintomas e proporcionar melhor funcionamento do indivíduo na sua vida diária. Para o acesso das crianças é necessário adequação da linguagem e fornecer elementos práticos, lúdicos e concretos para melhor engajamento e mudança. Por essa razão, o material traz uma série de exercícios práticos com técnicas eficazes no tratamento de transtornos alimentares.                                                                                                      

GESTÃO E CARREIRA

MANEIRAS COMPROVADAS DE INCENTIVAR A COMUNICAÇÃO ABERTA NO LOCAL DE TRABALHO

Maneiras de incentivar a comunicação aberta no trabalho

A maioria das organizações adota hoje uma cultura de comunicação honesta e aberta, mas não basta simplesmente dizer as palavras ou nomeá-las como um valor corporativo. Você tem que andar a conversa se você realmente quer que gerentes e funcionários compartilhem ideias e opiniões.

Muitos funcionários relutam em discordar da liderança e gestão da empresa por medo de retaliação. Muitas empresas têm uma cultura forçada, “feliz”, que nomeia “comunicação aberta” como um valor corporativo, enquanto os gerentes ativamente e / ou passivamente desencorajam opiniões divergentes.

Como resultado, os funcionários evitarão manifestar suas preocupações a todo custo e preferirão continuar fazendo as coisas conforme instruído por seus chefes, mesmo quando suspeitam (ou sabem) que existe uma maneira melhor.

A maioria das organizações tem espaço para melhorias quando se trata de incentivar a comunicação aberta. Os funcionários muitas vezes lutam para se abrir e falar livremente quando se comunicam com seus gerentes e algumas das razões mais comuns pelas quais se sentem assim são:

  • gerentes que nunca se incomodam em pedir opiniões, pontos de vista e opiniões dos empregados;
  • os gerentes não estão ouvindo, respondendo ou tomando qualquer ação com base na entrada do funcionário;
  • os gerentes não param para olhar para o empregado e reconhecer o que estão dizendo;
  • os gestores descontando as ideias, opiniões e preocupações dos funcionários, e;
  • os gerentes ficam loucos e / ou de confronto, inspirando medo de retaliação.

É muito mais provável que os funcionários acreditem no ambiente de comunicação que realmente vivenciam no dia-a-dia no escritório, não importando quão brilhantes sejam os cartazes de “abertura e honestidade” que eles veem no saguão.

Isso significa que sua organização deve criar um ambiente em que os gerentes saibam claramente que a empresa valoriza a comunicação e os funcionários se sintam à vontade para falar.

Abrir a comunicação exige comprometimento e esforço intencional, mas os resultados valem a pena. Veja como incentivar a comunicação aberta para criar esse ambiente.

Maneiras de incentivar a comunicação aberta no trabalho. 2

RECONHEÇA QUE AS OPINIÕES DE SEUS FUNCIONÁRIOS SÃO IMPORTANTES

O primeiro passo para abrir a comunicação é reconhecer para si mesmo que seus funcionários têm grandes percepções e compreensão sobre o que está acontecendo na sua empresa e na indústria como um todo.

Os funcionários da linha de frente são frequentemente os primeiros a perceber as necessidades e demandas futuras de seus clientes. Quando você dedica tempo e energia para solicitar informações e ouvir uma compreensão completa da situação, aumenta as chances de a organização permanecer ágil e inovadora.

PERGUNTE AOS SEUS FUNCIONÁRIOS POR INFORMAÇÕES

Infelizmente, muitos gerentes geralmente respondem ao interesse de um funcionário em fornecer informações dizendo que não têm tempo para isso. Deixe claro que os gerentes devem reservar um tempo para pedir sugestões aos seus funcionários.

Isso pode parecer simples e óbvio, mas é importante comunicar de forma inequívoca que a administração, na verdade, quer ouvir os funcionários: ideias, preocupações e perguntas.

OUÇA SEUS FUNCIONÁRIOS DE MANEIRA REFLEXIVA

Incentive os gerentes a mostrar claramente que ouviram as opiniões dos funcionários. Uma maneira de fazer isso é pausar um pouco antes de responder e, talvez, repetir para o funcionário o que ele disse, em vez de reavivar rapidamente sua própria opinião, sem qualquer indicação de que você tenha ouvido ou considerado sua opinião.

Demonstre que você não apenas ouve o que o funcionário está dizendo, mas também compreende as emoções por trás dele. Afirme que você percebe uma emoção específica em seu tom ou linguagem corporal. Não desconsidere como uma pessoa se sente ou sugira que ela não deveria se sentir assim.

Por exemplo, reflita dizendo “Eu ouço a preocupação em sua voz”, em vez de “Não há necessidade de se preocupar” ou “Eu posso ver como você está agitado por isso”, em vez de “Você precisa relaxar”.

ENVOLVA SEUS FUNCIONÁRIOS EM UM NÍVEL PESSOAL

Cumprimente seus funcionários quando os vir. Você não precisa saber o nome de cada funcionário (ninguém espera que você o faça), mas um simples “Bom dia!” Ou “Belo dia, não é?” Ajuda a criar um ambiente mais relaxado e confortável no qual os funcionários podem. Sinta-se confiante o suficiente para ser mais aberto.

Faça um esforço para conhecer seus funcionários além do papel deles na empresa. Pergunte o que eles fizeram no fim de semana, como seus filhos ou pais estão fazendo ou como seu time favorito está fazendo. Mostrar interesse nos funcionários comunica que eles são valorizados além do trabalho – como seres humanos.

SEJA RESPEITOSO COM SEUS FUNCIONÁRIOS

Quando seus funcionários chegarem até você com problemas ou sugestões, deixe claro que eles têm total atenção; Pare o que você está fazendo, olhe-os diretamente nos olhos, escute e faça perguntas sobre o que eles estão dizendo.

Não dê aos funcionários a impressão de que eles não são importantes por não reconhecê-los, continuar a digitar, verificar e-mails, atender chamadas telefônicas ou vasculhar seus arquivos.

RECONHEÇA A ENTRADA DE SEUS FUNCIONÁRIOS

Os gerentes não precisam agir de acordo com todas as sugestões. Os funcionários entendem que nem todas as ideias são apropriadas ou realistas, mas apenas querem saber se suas ideias foram ouvidas e consideradas.

Mesmo que você não possa agir, compartilhar a contribuição de seus funcionários na próxima publicação da empresa, por exemplo, vai longe. A chave é mostrar aos seus funcionários que suas opiniões são ouvidas e respeitadas.

RECONHEÇA SEUS FUNCIONÁRIOS

Quando os funcionários dizem que querem mais reconhecimento, a liderança da empresa frequentemente supõe que eles estão falando sobre dinheiro – que eles querem um bônus ou um aumento. Na verdade, eles costumam falar sobre duas palavras simples: “Obrigado”.

Expressar gratidão aos funcionários por assumirem a liderança em um projeto, ficarem atrasados ​​ou dedicar um tempo extra ajuda muito a incentivar a comunicação aberta em sua empresa.

FAÇA UM CRONOGRAMA E CUMPRA-O

Agende horários regulares para pequenas reuniões com funcionários e honre esses compromissos. Os funcionários muitas vezes reclamam que os gerentes anunciam uma série de reuniões de equipe quinzenais, realizando as primeiras e depois se tornando “muito ocupadas” para outras sessões.

Não sugira um cronograma que não seja realista – é melhor organizar reuniões quinzenais que você possa honrar consistentemente.

DESCREVA EM VEZ DE JULGAR

Ao discutir o comportamento de um funcionário ou uma decisão tomada, evite julgar seu comportamento ou o raciocínio por trás de sua decisão. Em vez disso, descreva o que você observou.

Por exemplo, “notei que os relatórios de status estão atrasados ​​há três semanas”, em vez de “Você ficou preguiçoso e não parece se importar com o seu trabalho”. O primeiro deixa espaço para o funcionário explicar eles próprios e / ou comprometem-se a melhorar, enquanto o último simplesmente os empurra para se desvencilhar e sentir-se envergonhado ou agitado.

NÃO SE OMITA DOS PROBLEMAS

Quando há um problema que precisa ser corrigido ou o trabalho de um funcionário precisa ser melhorado, tenha a coragem de reconhecer a situação nos estágios iniciais antes que ela saia do controle. Quando os líderes evitam problemas ou se afastam dos problemas de desempenho, as situações sempre pioram.

Além disso, quando você evita enfrentar o problema de desempenho, todos os integrantes da equipe sabem que você não é capaz de responsabilizar as pessoas, o que, por sua vez, prejudica sua confiança em você.

Além de afirmar que sua empresa valoriza “uma comunicação honesta e aberta”, é absolutamente essencial que os funcionários em todos os níveis de sua organização pratiquem comportamentos que promovam uma troca aberta de informações e ideias e também incentivem a comunicação aberta e a contribuição honesta de todos.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 24: 21-26

Alimento diário

CONSELHOS PARA OS MAGISTRADOS

 

V. 21 e 22 – Observe:

1. A religião e a lealdade devem andar juntas. Como homens, é nosso dever honrar o nosso Criador, adorá-lo e reverenciá-lo, e sempre temê-lo como membros de uma comunidade incorporada para benefício mútuo, é nosso dever ser fiéis e dedicados ao governo que Deus colocou sobre nós (Romanos 13.1,2). Os que são verdadeiramente religiosos serão leais a Deus na sua consciência; os devotos na terra serão os libertos na terra. Porém aqueles que não são religiosos não são verdadeiramente leais, ou o serão somente em benefício dos seus próprios interesses. Como poderia ser fiel ao seu príncipe aquele que é falso para com o seu Deus? E, se eles vierem a competir, este será um caso já decidido: deveremos obedecer a Deus, e não aos homens.

2. Devem ser temidas as inovações a ambas. Não te entremetas, Salomão nos diz, com os que buscam mudanças, com os que são dados a mudanças, que desejam mudar pelo simples prazer de mudar, por um descontentamento rabugento com o que existe, e um afeto pela novidade, ou um desejo de pescar em águas revoltas. Não te entremetas com os que buscam mudanças, na religião ou em um governo civil; não te envolvas com os seus segredos; não te unas a eles em suas intrigas, nem no mistério da sua iniquidade.

3. Os que têm espíritos inquietos, turbulentos, normalmente trazem danos às suas cabeças antes que se deem conta: de repente, se levantará a sua perdição. Embora eles prossigam em seus desígnios com o máximo de discrição, serão descobertos, e levados à punição merecida, quando menos esperarem. Quem saberá o momento e a maneira da ruína que Deus e o rei trarão sobre os que os menosprezam, tanto sobre eles, como aos que se envolvem com eles?

 

V. 23 a 26 – Aqui há lições para homens sábios, isto é, juízes e príncipes. Da mesma maneira como os súditos devem cumprir o seu dever, e obedecer aos magistrados, também os magistrados devem cumprir o seu dever, administrando justiça aos seus súditos, tanto em defesa à coroa como em causas entre grupos. Estas são lições para eles.

1. Eles devem sempre ponderar os méritos de uma causa, e não ser influenciados, por qualquer aspecto, para um lado ou para o outro, pelos grupos envolvidos. Ter respeito a pessoas no juízo não é bom, e nunca será; as consequências disto não podem ser outras além da corrupção da justiça e das ações iníquas sob o pretexto da lei e da equidade. Um bom juiz conhecerá a verdade, não conhecerá rostos, de modo a tolerar um amigo e ajudá-lo em uma causa má, ou de modo a omitir qualquer coisa que possa ser dita ou feita em favor de uma causa justa, quando for a causa de um inimigo.

2. Eles nunca devem conspirar com os ímpios, em suas práticas ímpias, nem encorajá-los. Os magistrados, por um lado, e os ministros, por outro, devem lidar fielmente com o ímpio, ainda que seja um nobre ou um amigo particular, condená-lo por sua iniquidade, mostrar-lhe qual será o seu fim, expô-lo a outras pessoas, para que possam evita ­lo. Mas se aqueles cuja função é mostrar às pessoas a sua transgressão os encobrirem e forem coniventes com eles, se desculparem o ímpio, e muito mais se o promoverem e se associarem com ele (o que equivale, na verdade, a dizer, Justo és), serão, com razão, considerados inimigos da paz e do bem-estar públicos, que deveriam promover, e as pessoas os amaldiçoarão e gritarão “que vergonha”; e mesmo os de outras nações os detestarão, como infames traidores da sua confiança.

3. Eles devem repudiar e censurar toda fraude, violência, injustiça e imoralidade; e, ainda que possam desagradar a uma pessoa em particular, se recomendarão, com isto, ao favor de Deus e do homem. Que os magistrados e ministros e também os indivíduos que são capazes de fazer isto censurem e repreendam os ímpios, para que possam leva­los ao arrependimento ou envergonhá-los publicamente, dito: deveremos obedecer a Deus, e não aos homens.

4. Devem ser temidas as inovações a ambas. Não te entremetas, Salomão nos diz, com os que buscam mudanças, com os que são dados a mudanças, que desejam mudar pelo simples prazer de mudar, por um descontentamento rabugento com o que existe, e um afeto pela novidade, ou um desejo de pescar em águas revoltas. Não te entremetas com os que buscam mudanças, na religião ou em um governo civil; não te envolvas com os seus segredos; não te unas a eles em suas intrigas, nem no mistério da sua iniquidade.

5. Os que têm espíritos inquietos, turbulentos, normalmente trazem danos às suas cabeças antes que se deem conta: de repente, se levantará a sua perdição. Embora eles prossigam em seus desígnios com o máximo de discrição, serão descobertos, e levados à punição merecida, quando menos esperarem. Quem saberá o momento e a maneira da ruína que Deus e o rei trarão sobre os que os menosprezam, tanto sobre eles, como aos que se envolvem com eles?

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

 

QUETAMINA DESATIVA EMOÇÃO NEGATIVA

Quetamina desativa emoção negativa

A quetamina, um antigo anestésico de uso veterinário, é considerada uma das grandes promessas no tratamento da depressão, embora seu mecanismo de ação no cérebro ainda seja mal compreendido. Um estudo recém-publicado nos Archives of General Psychiatry fornece novas evidências nessa área.

Usando imagens de ressonância magnética, pesquisadores da Universidade de Manchester, Reino Unido, observaram que a droga desativa neurônios do córtex orbito frontal (na região acima dos olhos), associado a reações somáticas como taquicardia e desconforto estomacal e a sentimentos negativos como culpa e baixa autoestima.

Embora satisfeitos com o resultado, os cientistas declararam estar surpresos, porque esperavam que a quetamina atuasse predominantemente nas áreas laterais do cérebro, onde a atividade do medicamento foi mínima. O trabalho confirmou evidências anteriores, segundo as quais a quetamina inibe a liberação do neurotransmissor glutamato. Essa, aliás, é a grande diferença do fármaco em relação a outros antidepressivos, que atuam basicamente nos receptores de serotonina. O entusiasmo dos pesquisadores se deve principalmente à ação rápida da droga, que tem início em até 24 horas após a administração. Os tratamentos convencionais podem levar semanas para surtir efeito.

Quetamina desativa emoção negativa. 2

 

OUTROS OLHARES

A INDÚSTRIA SE DESDOBRA

Depois da queda nas vendas, os fabricantes de smartphones ensaiam um golpe contra a mesmice: um celular cuja tela pode duplicar de tamanho. Fará sucesso?

A indústria se desdobra

Desde o lançamento do iPhone, em 2007, deu-se uma espetacular proliferação de aparelhos portáteis que fazem de tudo um pouco. Hoje, estima -se que dois terços da população mundial tenham em mãos um smartphone. Os celulares multifunção não foram criados por Steve Jobs (1955 – 2011), mas ganharam sua feição mais conhecida – a tela negra espelhada, cujo nome, em inglês, dá título ao instigante seriado da Netflix Black Mirror, que debate justamente seu impacto na sociedade – graças à visão e à iniciativa do inventivo gênio californiano. A tela serviu bem à Apple e suas concorrentes por mais de uma década. No ano passado, porém, a mesmice cobrou um alto preço: o comércio global de smartphones, emprestando um jargão da aviação, ”estolou”. Com 1,4 bilhão de novos aparelhos vendidos, a indústria regrediu ao patamar de 2014. Na visão de especialistas, há um fato concreto: os consumidores já não veem necessidade de trocar o celular a cada novo modelo lançado. “A criatividade é a chave para reanimar o mercado”, afirma o analista Francisco Jeronimo, da consultoria IDC.

O que fazer? Arriscar, inovar, ainda que muitas das novidades nem de perto alcancem a relevância pioneira do iPhone. Mas tenta­ se. No contra-ataque à queda nas vendas, algumas das principais rivais da Apple apresentaram releituras originais do smartphone. Nas últimas semanas houve vários lançamentos. A chinesa Huawei, que praticamente empatou com a Apple em participação no mercado, revelou na maior feira do setor, a MWC, realizada em Barcelona, na Espanha, o Mate X, cujo principal atributo é a enorme tela de 6,6 polegadas. Não é a maior de todas, mas tem uma vantagem insólita em relação à concorrência: a capacidade de dobrar-se ao meio através de uma dobradiça mecânica de nome imponente, a Asa de Falcão. Dias antes, a Samsung, a líder do mercado, expôs um aparelho com inovação similar durante sua convenção em São Francisco: batizado de Galaxy Fold, ele, sim, oferece, quando aberto, o maior display do mercado, de 7,3 polegadas. ”Vivemos num mundo onde o tamanho da tela era definido pela própria dimensão do aparelho”, disse Justin Denison, porta-voz do segmento mobile da empresa coreana. ”Bem, acabamos de abrir uma nova dimensão.”

A chegada dos smartphones de tela dobrável só foi possível graças à introdução de um novo tipo de visor, feito à base de diodos emissores de luz orgânicos, mais conhecidos pela sigla Oled. Presente nas televisões mais modernas (e caras) disponíveis no mercado, a tecnologia viabilizou, inicialmente, a criação de telas em formato côncavo, que nas TVs possibilitam uma melhor visão para quem observa sua imagem em diagonal. As novas versões de telas Oled já permitem que sua superfície seja dobrada sem risco de danificar-se. Para isso, também foi substituída a película de vidro que protege o display por outro tipo de polímero, mais fino e maleável. A Samsung garante que o Galaxy Fold pode ser aberto e fechado “centenas de milhares” de vezes. Tal inovação, porém, tem preço, e é alto: o modelo chegará às lojas em abril por 1.980 dólares. O Mate X, da Huawei, custará ainda mais, cerca de 2.600 dólares, com lançamento marcado para junho – nenhum dos dois, porém, tem comercialização prevista no Brasil.

Embora seja evidente a comodidade de carregar no bolso um celular cuja tela pode multiplicar de tamanho, nada garante que os telefones dobráveis se tornem padrão da indústria, mesmo que haja otimismo. ”Esses primeiros aparelhos dobráveis podem parecer um truque mercadológico”, disse Chris Harrison, do Instituto de Interação Homem­ Computador da Universidade Carnegie Mellon, nos EUA. “Mas a tendência é que, com o passar do tempo e o avanço da tecnologia, as telas Oled se tornem tão acessíveis quanto os modelos convencionais. E há demanda por telas maiores.” Os fabricantes também apostam nas novas funcionalidades proporcionadas por esse tipo de aparelho. No Galaxy Fold, por exemplo, será possível operar três aplicativos simultaneamente. Parece muito interessante, mas para que mesmo?

A industria se desdobra. 2

GESTÃO E CARREIRA

RELAÇÃO ENTRE LIDERANÇA E MOTIVAÇÃO DOS COLABORADORES

relação entre liderança e motivação dos colaboradores

O conceito de liderança vem se transformando ao longo do tempo. Para alguns autores, ela estaria diretamente ligada aos traços da personalidade de um indivíduo, enquanto para outros, atrelada ao estilo de comando. Já um terceiro grupo acredita que ela seria definida pelo ambiente em que o líder está inserido.

Podemos pensar que ela é a junção de todos esses aspectos. Consequentemente, isso faz com que a união entre liderança e motivação de colaboradores seja crucial.

Neste post vamos falar sobre o papel que o líder tem de motivar seus colaboradores e também apresentaremos dicas para desempenhar essa tarefa de maneira eficiente. Confira!

O PAPEL DO LÍDER NA MOTIVAÇÃO DOS COLABORADORES

Estratégiacultura estão entre os pontos fundamentais para os resultados de uma empresa, impactando diretamente no sucesso de mercado. A estratégia, por exemplo, é responsável por dar mais clareza e foco nas tomadas de decisões, baseando planos e ações que mobilizam os colaboradores. Ela pode ser fortalecida de diferentes maneiras, como bonificações pelo atingimento de metas, mas principalmente pela boa atuação da liderança.

Já a cultura é o conjunto de comportamentos embasados nos valores da corporação, também impactados diretamente pelos gestores. Assim, podemos concluir que em ambos os aspectos, o papel do líder é significativo para engajar os colaboradores, que são o principal ativo de uma empresa!

OS PRINCIPAIS SEGREDOS PARA ALIAR LIDERANÇA E MOTIVAÇÃO

Como dissemos, para que um líder consiga de fato motivar os seus colaboradores é muito importante que ele alie estratégia e cultura. Dentro desses dois aspectos existe uma série de ações que podem ser tomadas, a fim de potencializar o engajamento dos profissionais.

Hoje, por exemplo, as pessoas não almejam apenas uma carreira, mas também ter o seu trabalho ligado a um propósito. Falaremos mais sobre alguns segredos a seguir!

DAR ATENÇÃO INDIVIDUALIZADA

Cada colaborador tem algumas necessidades mais importantes do que outras. Por isso, é essencial que o líder atente à sua equipe, mas também olhe de forma individualizada para os colaboradores.

Alguns profissionais, por exemplo, prezam mais pelo reconhecimento e outros preferem bonificações. Logo, a liderança deve observar essas necessidades para conseguir usar isso a favor da organização. Isso significa valorizar as competências e ressaltar os pontos fortes individuais para atingir os objetivos corporativos.

OFERECER FEEDBACK

Priorize sempre o feedback para motivar os colaboradores. A ação de avaliar o trabalho e o comportamento dos colaboradores, levando em consideração os pontos fortes e fracos, é fundamental para construir feedbacks mais consistentes.

Aliás, algumas boas práticas são bastante valorizadas. Entre elas está observar o comportamento cotidiano do colaborador, sempre levando em consideração as suas atitudes, no que ele se destaca e também aqueles pontos em que precisa melhorar.

A partir disso, é possível construir uma avaliação mais apropriada e oferecer um feedback rico.

TER UMA BOA RELAÇÃO COM A EQUIPE

O bom relacionamento com a equipe é essencial para garantir a alta performance e engajá-la. Mostrar que cada um dos colaboradores tem um papel importante para o desenvolvimento do trabalho contribui para que eles se envolvam mais em suas atividades diárias.

Cabe ao líder construir esse relacionamento harmônico e incentivar os colegas a terem uma sinergia entre si. Uma empresa de sucesso é construída com o trabalho de várias pessoas e elas precisam estar em sintonia, até mesmo para aplicar as estratégias predefinidas, se diferenciando dos concorrentes.

DELEGAR FUNÇÕES

Um colaborador desmotivado pode fruto também de tarefas mal distribuídas, que não fazem jus à função para a qual ele foi contratado. O líder tem por obrigação definir o papel de cada profissional em um projeto e fazer com que cada um cumpra as suas tarefas.

Ao delegar funções, o gestor incentiva os profissionais a aprenderem novas habilidades e conseguirem se desenvolver internamente. A divisão do trabalho estimula e mostra que a organização preza por todas as pessoas que estão ali dentro, dando a elas o seu devido valor.

SABER OUVIR

Saber ouvir é uma habilidade indispensável, ainda mais quando se trata de liderança e motivação. O líder que procura desenvolver essa característica estimula os colaboradores a se expressarem, a apontarem melhorias, os ajuda a resolver questões com mais proatividade, contribuindo assim para que eles se sintam motivados e engajados.

A habilidade de escutar também colabora para uma maior troca de conhecimento e ajuda a evitar problemas, o que é essencial quando se fala em aumentar a motivação no ambiente de trabalho. Isso tudo porque é criado um relacionamento saudável entre os membros do time e os gestores.

ESTIMULAR OS COLABORADORES

É essencial que o líder tenha abertura o suficiente para conversar com a sua equipe. Isso o ajudará de diferentes maneiras, entre elas a fazer com que os colaboradores dialoguem mais. Consequentemente, se eles passam a ter mais liberdade, o líder consegue estimulá-los a dar ideias que promovam o crescimento do negócio e melhorem os processos.

Aliás, ao abrir esse espaço para o colaborador, é possível não só que eles deem o melhor de si, mas também é uma oportunidade perfeita para que o gestor os desafie. Ao ser desafiado, o profissional consegue se desenvolver melhor e trazer resultados mais satisfatórios para a organização.

CELEBRAR AS CONQUISTAS

O reconhecimento é algo muito importante no processo de motivação e é uma maneira de a liderança engajar os colaboradores para que eles produzam cada vez mais e melhor. Logo, é essencial que os objetivos preestabelecidos e conquistados sejam recompensados.

Isso pode ser feito de diferentes maneiras. O primordial é que a equipe possa comemorar o momento — bônus financeiros, folgas, viagens corporativas, entre outros. Independentemente da escolha, a celebração servirá para renovar as energias e preparar a equipe para os próximos desafios. Assim, as chances de alcançá-los serão muito maiores.

Liderança e motivação precisam andar lado a lado para engajar os colaboradores, como mostramos ao longo do artigo. Para motivar os profissionais que atuam na sua equipe, o primeiro passo é conhecê-los bem. A partir disso é possível determinar as ações mais eficazes para que eles possam atingir a alta performance e impactar o sucesso do negócio.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 24: 15-20

Alimento diário

ADVERTÊNCIAS CONTRA A INVEJA

 

V.  15 e 16 – Isto é dito, não sob a forma de conselhos para os homens ímpios (eles não desejam receber instrução, Provérbios 23.9), mas em desafio a eles, para o incentivo das pessoas de bem, que são ameaçadas por eles. Veja aqui:

1. Os desígnios dos ímpios, contra os justos, e o sucesso que prometem a si mesmos, nesses desígnios. O plano é exibido abertamente: eles espiam a habitação do justo, pensando lançar alguma iniquidade sobre ela, ou algum mau desígnio contra ela; eles esperam à porta, para surpreendê-lo, quando sair, como os perseguidores de Davi (Salmos 59, título). A esperança é elevada; eles não hesitam em danificar a habitação do justo, porque ele é fraco e não pode suportar isto, porque ele é humilde e afligido, e porque já está quase destruído. Tudo isto é fruto da antiga inimizade entre a semente da serpente e a semente da mulher. Os sedentos de sangue odeiam os justos.

2. A tolice e frustração desses desígnios.

(1) O justo, cuja destruição se esperava, se recupera. Ele cai sete vezes em meio às dificuldades, mas, pela bênção de Deus sobre a sua sabedoria e integridade, ele se levanta outra vez, examina os seus problemas e vê tempos melhores depois deles. O justo cai, às vezes cai sete vezes, no pecado, pecados de fraqueza, pela surpresa da tentação; mas ele se levanta outra vez pelo arrependimento, encontra misericórdia diante de Deus, e reconquista a sua paz.

(2) O ímpio, que esperava ver a destruição do justo e ajudar a promovê-la, é destruído. Ele cai na perversidade; os seus pecados e aflições são a sua total destruição.

 

V. 17 e 18 – Aqui:

1. O prazer que somos inclinados a sentir com as dificuldades de um inimigo nos é proibido. Se alguém nos fizer mal, ou se tivermos maus desejos em relação a eles, por estarem no nosso caminho, quando algum dano lhes acontecer (suponhamos que eles caiam), ou algum perigo os surpreender (suponhamos que tropecem), os nossos corações corruptos são muito propensos a conceber um prazer e uma satisfação secretos nisto – Ah! Ah! era o que queríamos; eles se enredaram; o deserto os prendeu – ou, como disse Tiro, no tocante a Jerusalém, “Eu me tornarei rico, agora que ela está assolada” (Ezequiel 26.2, na versão RA). Os homens desejam e esperam a destruição de seus inimigos ou rivais, para executar a sua vingança, ou encontrar o seu acerto de contas; mas não sejas tão desumano; não te alegres, quando o teu pior inimigo cair. Pode haver uma santa alegria na destruição dos inimigos de Deus, uma vez que esta destruição tende a glorificar a Deus e a trazer um bem-estar à igreja (Salmos 58.10), mas na destruição dos nossos inimigos não devemos, de maneira nenhuma. nos alegrar; ao contrário, devemos chorar com eles, quando chorarem (como Davi, Salmos 35.13,14), e com sinceridade, não permitindo que os nossos corações se alegrem secretamente pelas calamidades que os afligem.

2. A provocação que este prazer causa a Deus é atribuída como a razão para esta proibição: O Senhor o verá, ainda que esteja escondido no coração, e isto o desagradará, como desagrada um pai prudente ver um filho triunfar na correção de outro, algo que ele deve temer, e com que deve ser advertido, não sabendo quando poderá ser o seu próprio caso, tendo merecido isto tantas vezes. Salomão acrescenta um argumento dirigido ao indivíduo: Não podes fazer uma bondade maior ao teu inimigo, quando ele cai, do que te regozijares nisto, pois então, para te atormentar e irritar, Deus desviará dele a sua ira; pois, da mesma maneira como a ira do homem não opera a justiça de Deus, também a justiça de Deus nunca pretendeu gratificar a ira do homem, e tolerar as suas tolas paixões; em vez de fazer isto, Ele irá adiar a execução da sua ira: ou melhor, está implícito que quando Ele desviar dele a sua ira, Ele a dirigirá a ti, e o cálice da vacilação será posto na tua mão.

 

V. 19 e 20 – Aqui:

1. Ele repete a advertência que tinha feito antes, sobre invejar os prazeres e sucessos dos ímpios em seus caminhos iníquos. Ele cita as palavras de seu pai, Davi (Salmos 37.1). Não devemos, de maneira nenhuma, nos irritar, nos atormentar ou nos inquietar, por quaisquer coisas que Deus faça na sua providência; por mais desagradável que seja para os nossos sentimentos, interesses e expectativas, devemos concordar com isto. Nem mesmo aquilo que nos angustia deve nos irritar; nem o nosso olho deve ser malévolo com alguém porque Deus é bom. Somos mais sábios ou justos do que Ele? Ainda que os ímpios prosperem, não devemos nos inclinar a agir como eles.

2. Salomão apresenta uma razão para esta advertência, extraída do fim daquele caminho pelo qual andam os ímpios. Não invejes a sua prosperidade, pois:

(1) Não existe verdadeira felicidade nela: o homem maligno não terá galardão algum; a sua prosperidade serve somente para a sua subsistência atual; estas são todas as boas coisas que ele deve esperar; nenhuma delas é destinada para ele, no mundo da retribuição. Eles já receberam o seu galardão (Mateus 6.2). Ele não terá nada. Não devem ser invejados os que têm a sua porção nesta vida. e que só podem ter a sua alegria aqui (Salmos 17.14).

(2) Não há continuidade nela; a lâmpada dos ímpios brilha intensamente, mas se apagará, e um ponto final será posto em todas as suas consolações (Jó 21.14; Salmos 37.1,2).

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

NO LIMIAR ONÍRICO

Produto da ativação autônoma do cérebro, os sonhos também trazem consigo toda a complexidade da história afetiva e emocional do sonhador.

No limiar onírico

No ano passado comemoraram-se 64 anos da descoberta do sono REM, um evento que revolucionou nossa concepção do fenômeno e abriu às neurociências a porta do sonho, mantida rigorosamente trancada até 1953. Muito antes dessa data, já em 1895, Sigmund Freud entreabrira essa porta com Projeto de uma psicologia, para em seguida explorar, na interpretação dos sonhos os meandros dos processos oníricos. Desde então, e por 64 anos, o sonho permaneceu domínio da psicanálise, que construiu o conceito do inconsciente e sua teoria da mente em toro do fenômeno.

Em contrapartida, o sono e suas fases sempre foram matéria de interesse fisiológico antes que psicológico. Até os anos 50, o sono era visto como um fenômeno caracterizado por atividade eletroencefalográfica sincrônica com ondas lentas de alta voltagem, e as diversas fases do sono do homem definidas como mais ou menos profundas de acordo com a maior ou menor sincronização dos ritmos eletroencefalográficos (EEG). Desde o adormecimento até a fase do sono profundo, sabia-se que os ritmos são progressivamente mais lentos e sincronizados. Uma fase particular do sono no homem, porém, paradoxalmente similar à vigília, não recebeu a atenção devida, apesar de ter sido descrita no gato por A. J. Derbyshire e colaboradores, em 1936. Somente muitos anos depois, em 1953, Eugene Aserinsky e Nathaniel Kleitman descreveram essa fase “paradoxal” na criança. Mais tarde, em 1962, Michel Jouvet estudou suas características fisiológicas, demonstrando que aquela fase do sono (atualmente conhecida como sono REM) é, de fato, do ponto do vista eletroencefalográfico, parecida com a vigília, pois apresenta uma dessincronização do eletroencefalograma. Além disso, envolve uma queda completa do tônus muscular, movimentos oculares rápidos, ondas monofásicas ponto genículo occipitais (PGO), arritmias cardíacas e respiratórias, variações da pressão arterial e secreção de diversos hormônios (particularmente da tireoide e das supra- renais). O quadro abaixo ilustra as estruturas e as vias cerebrais envolvidas nessas manifestações do sono REM.

Foram justamente as observações realizadas por Aserinsky e Kleitman em 1953 que abriram caminho para a pesquisa neurocientífica do sonho. De fato, esses autores descreveram fenomenologicamente o sono REM, o que permitiu o estudo da atividade mental durante as várias fases do sono. Dessa forma, foi possível descobrir, em 1957 -, com a contribuição de William Dement, entre outros-, que uma porcentagem muito alta de pessoas acordadas durante ou no final de um episódio de sono REM era capaz de descrever uma experiência feita de representações visuais (alucinações) e auto- representações, acompanhadas por um forte componente emocional ou por uma alteração da realidade em termos de espaço e tempo. Tudo isso podia ser claramente definido como sonho.

No limiar onírico. 2

A CONSTRUÇÃO DOS SONHOS

Se, ao contrário, o despertar ocorresse fora da fase REM ou em plena fase não-REM, a experiência relatada seria mais próxima do pensamento e seus conteúdos associados à realidade, sem auto- representações ou participação emocional da história vivida. Nascia, assim, um modelo dicotômico de sono REM e não-REM que representava o equivalente fisiológico da diferença na atividade mental verificada durante o sono: de tipo onírico na fase REM, mais próximo da realidade na fase não-REM.

Essas experiências permitiram pensar o sono REM como a “moldura neurobiológica dentro da qual o sonho pode organizar-se e, portanto, ser narrado. Isso é possível por causa da dessincronização EEC, como expressão de uma ativação neocortical, e da atividade teta hipocampal, como expressão de uma ativação das estruturas límbicas do cérebro. Assim como os movimentos oculares e as ondas ponto genículo occiptiais, esses processos neurofisiológicos foram considerados a expressão de uma atividade de decodificação e leitura das informações que nascem no interior do sistema nervoso e são vividas pelo sujeito como uma história entremeada por fatos bizarros, emoções e alucinações visuais. Uma história que, enfim, pode ser contada.

Pesquisas conduzidas por Mário Bertini e Cristiano Violani demonstraram que na fase REM do sono existe uma dominância de determinado hemisfério relativa aos diversos componentes do sonho: o hemisfério direito ocupa-se de sua organização geométrico – espacial e da ativação das emoções, enquanto o esquerdo tem a tarefa de lembrar e narrar o sonho.

Com base nesse modelo, muitas hipóteses foram formuladas para demonstrar a natureza essencialmente biológica do evento onírico, que prescinde da história pessoal, afetiva e emocional de quem sonha.

A entrada das neurociências na abordagem do sonho como fenômeno fisiológico necessariamente introduziu uma transição da análise de seu conteúdo para o estudo de sua forma. O principal protagonista dessa linha foi Allan Hobson, que se interessou particularmente pelas estruturas cerebrais capazes de gerar, emoções e percepções e que são ativadas de forma seletiva no sono REM. A hipótese de “ativação-síntese, formulada por ele e por Robert W. McCarley em 1977, sugere que a ativação das estruturas da ponte que induzem a fase REM solicitaria o cérebro produzindo informações que, projetadas no prosencéfalo e no sistema límbico, seriam elaboradas para a recuperação da memória, a construção da trama e a participação emocional do sonho.

Mais recentemente, Hobson considerou os principais aspectos cognitivos que o sonho modifica provocando a perda de consciência, de habilidade para a orientação, de pensamento direto, de raciocínio lógico e empobrecendo a memória durante e depois do sonho. Os quadros fisiológicos que podem explicar essa disfunção são, por um lado, a ativação seletiva das estruturas cerebrais responsáveis por emoções e percepções e, por outro, a inibição seletiva das estruturas das quais dependem a memória, a consciência auto- reflexiva e o raciocínio lógico.

Todos esses processos de ativação e inibição neuronal nascem no interior do cérebro e podem explicar as diversas funções mentais no sonho. Isso permitiu a Hobson radicalizar seu pensamento, afirmando que a mente no sonho nada mais é que o cérebro auto- ativado”.

O estudo com técnicas de imageamento evidenciou que durante a fase REM verifica-se no homem um aumento da atividade das seguintes áreas cerebrais: o tegmento da ponte, a amígdala bilateral, o tálamo de esquerda, o córtex do cíngulo e o opérculo parietal, região importante para a construção espacial. Como demonstraram Pierre Marquet e outros pesquisadores em 1996, a ativação límbica poderia representar, por outro lado, o substrato fisiológico da participação emocional do sonho.

Uma confirmação da ativação de determinadas áreas cerebrais – límbicas e paralímbicas, incluídas a ínsula, o córtex do cíngulo e o lobo temporal medial – durante as fases de sono REM veio de Allen R. Braun e colaboradores em 1997. Em seguida, os mesmos autores observaram, sempre durante o sono REM, um aumento de atividade do hipocampo e do giro para- hipocampal juntamente ao córtex extra- estriado. Em contrapartida, o córtex estriado aparece desativado durante essa fase do sono, assim como o córtex pré-frontal dorsolateral e orbital.

Isso poderia significar que a formação da alucinação visual requer a ativação do córtex visual associativo e a desativação da área específica da visão. A desativação do córtex pré­ frontal pode justificar a facilidade com a qual se esquecem os sonhos, que esvaecem de manhã sem deixar sinais.

SONHOS ESQUECIDOS

Pesquisas neuropsicológicas realizadas em 1995 por Mark Solms em pacientes com lesões cerebrais demonstraram que os sonhos e o sono REM desenvolvem-se a partir de regiões anatômicas diferentes: os centros organizadores do sonho não são regulados apenas pelas estruturas da ponte, pois pacientes com lesões, até extensas, do tronco encefálico também sonham. Por outro lado, as lesões do cérebro anterior e das áreas associativas correspondentes impedem os sonhos. Se, porém, a lesão afeta o córtex associativo têmporo-ocipital, os sonhos não desaparecem, mas perdem seu componente alucinatório, enquanto os indivíduos cujas estruturas associativas límbicas estão comprometidas tornam-se incapazes de distinguir os sonhos da realidade e podem viver em situação praticamente contínua de sonho.

Solms reporta ainda várias observações que gerem uma possível dissociação entre o sonho e os vários estados de ativação cerebral. O sonho ocorre, de fato, quando entram em jogo os circuitos dopaminérgicos do cérebro anterior ventromedial, os mesmos que, provavelmente, são responsáveis pelas modificações no nível do aparato genital que se verificam no homem e na mulher durante o sono REM.

Recentemente, Claudio Bassetti notou que os pacientes que apresentam lesões localizadas nas áreas inferiores paretais médio-têmporo-occipitais ou bifrontais cessam de sonhar, e que os sonhos são alterados nos indivíduos com várias patologias límbicas ou do lobo temporal.

Considerados em seu conjunto, esses resultados levantam dúvidas sobre a hipótese, muito redutora, de McCarley: a da “ativação-síntese. Além disso, colocam ao mesmo tempo o problema do papel, durante o sono REM, de amplas áreas associativas (têmporo-parietais frontais e límbicas) que podem ser consideradas responsáveis pelas funções mnemônicas, semânticas, simbólicas e emocionais que caracterizam o pensamento onírico.

A pesquisa cognitivista sobre a atividade onírica se interessou muito pela maneira como o sonho se forma e se organiza, evidenciando a necessidade de que se verifiquem as seguintes condições para a produção do sonho, ativação do córtex cerebral, maturação do córtex associativo que preside a organização simbólica da experiência e possibilidade para o cérebro de criar uma experiência    “multimidial” comparável àquela da vigília. Também a hipótese formulada em 1991 por Rodolfo Llinás e Denis Pare alinha-se a esse modelo cognitivista, para esses autores o sonho que ocorre durante o sono REM é um estado de atenção dirigido ao interior e às lembranças.

A pesquisa psicofisiológica mais recente redimensionou a importância da fase REM para a produção do sonho. De fato, uma atividade mental comparável em tudo à que se registra na fase REM está presente também nas fases não-REM e no adormecimento. Existem, todavia, algumas diferenças, por exemplo, a estruturação espacial e o nível de auto participação do sonho, o número de palavras usadas para contá-lo e sua própria bizarria encontram- se mais presentes e mais bem definidos na fase REM em comparação com as outras. Isso porque nessa fase, as melhores condições de ativação cerebral garantem uma recuperação da memória que permite narrações de uma certa duração. Segundo Llinás e Urs Ribary, a atividade cortical rápida de 40 hetz, observada no sono REM, poderia sugerir uma maior disponibilidade dessa fase para uma atividade cognitiva e para uma organização linguística mais articulada.

Esses dados sugerem que a menor ativação cortical que caracteriza o sono não-REM pode comportar a produção de sonhos com uma menor elaboração das experiências memorizadas e uma menor capacidade narrativa. Todavia, em ambos os tipos de sono, existe uma atividade mental com características comuns que sugere a existência de um único sistema de produção da atividade onírica.

O SONHO E A PSICANÁLISE

A pergunta que podemos colocar aqui é que relação pode existir entre o sonho estudado pelos neurocientistas (e pelos cognitivistas) e o sonho estudado pela psicanálise. O próprio Freud colocou-se um problema análogo em 1895, quando apresentou um modelo de relação mente-cérebro em seu Projeto de uma psicologia. Nesse texto, Freud havia intuído o papel da inibição da motricidade e do afastamento da realidade na produção do sonho. Seguindo seu modelo pulsional, havia considerado a alucinação do sonho como a expressão da satisfação de um desejo removido e, com base nisso, havia definido o sonho como a satisfação alucinatória de um desejo removido na infância.

Nos últimos 64 anos, essa teoria sofreu uma transformação profunda com a passagem de um modelo pulsional para um modelo relacional da mente que valorizou a história pessoal, afetiva e emocional do sujeito, a partir da relação primária que a criança tem com a mãe e com o ambiente em que cresce. Essas primeiras experiências são associadas à sensorialidade e ao corpo através do qual a mãe transmite ao recém-nascido afetos e emoções indispensáveis para seu crescimento mental. Estas, inclusive as traumáticas, são depositadas na memória, uma memória que definimos implícita, porque não podemos guardar a lembrança. As estruturas necessárias para a memória explícita ou autobiográfica não amadurecem, de fato, antes dos 2 – 3 anos de idade. Portanto, estas experiências que precedem a expressão verbal e simbólica formarão um núcleo inconsciente que condicionará a vida afetiva, emocional, cognitiva e até sexual do adulto e não será removido.

A experiência psicanalítica ensina que o sonho consegue dar uma forma simbólica a conteúdos vividos originalmente pré simbólicos, e, consequentemente, permite expressar com palavras aquilo que pertence à história anterior à expressão verbal. Em virtude desse processo, o sonho torna pensáveis, mesmo sem sua lembrança, emoções passadas depositadas na memória implícita e partes estruturais de um inconsciente não removido. O sonho torna-se, assim, um processo de dramatização de afetos e emoções enraizados na história do sujeito, que podem voltar à tona na situação analítica específica. Isso é possível graças à transferência, instrumento específico da psicanálise, que falta à investigação neurocientífica.

Ele é entendido seja como uma situação relacional transferida do passado ao presente, seja como uma projeção, no presente, da análise de objetos internos do indivíduo, isto é, de suas representações arcaicas carregadas de afetos. É em virtude da transferência que o sujeito pode representar no sonho o estado, mesmo de conflito, de suas figuras internas (a dimensão intra- psíquica do sonho) e suas relações com a realidade (a dimensão intersubjetiva do sonho). O drama onírico é, portanto, enraizado na história relacional do indivíduo e na estrutura de seu inconsciente (removido e não removido). Isso faz com que o sonho forneça um conhecimento que diz respeito ao mundo interno de quem sonha, especialmente em sua dimensão inconsciente relativa a experiências primárias, mesmo traumáticas, e, portanto, a fantasias e defesas depositadas na memória implícita, que, por isso, não é possível lembrar. A diferença entre o sonho estudado pela psicanálise e aquele estudado pela neurociência reside, essencialmente, na abordagem epistemológica.

Voltemos, agora, à hipótese reducionista de Hobson – que o sonho nada mais é que mero subproduto da atividade cerebral e, portanto, de interesse puramente fisiológico. Podemos confutar suas conclusões, dizendo que é justamente graças à intervenção do cérebro em suas várias componentes durante o sono que a atividade mental pode expressar-se sob a forma de sonhos. Todavia, essa atividade mental não é um processo fisiológico, mas uma representação pictográfica da mente, tornada possível – através de modalidades das quais, atualmente, não conhecemos as passagens mais íntimas – pela organização fisiológica específica do cérebro.

A experiência analítica ensina que o sonho é um processo de ativação interna só em aparência caótico: na realidade, denso de significados determinados pela história afetiva e emocional do sujeito. É produto do cérebro que, desconectado da realidade perceptiva, pode ativar-se autonomamente. Mas os pensamentos, as percepções e as emoções do sonho