A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

APRENDENDO DURANTE O SONO

Nova investigação aponta que é possível aprender durante o sono, contrariando a crença bem estabelecida de que isso seria algo impossível.

Aprendendo durante o sono

A ideia de que precisamos de nossa consciência para aprender é uma crença que parece racional e bem fundamentada em termos de conhecimento sobre neurociências. De fato, de forma geral, novas memórias são formadas durante as horas de vigília, quando nossas mentes conscientes estão no controle. No entanto, essa crença foi recentemente desafiada em um novo estudo, que sugere a possibilidade de aprender material novo de forma inconsciente todas as noites.

Uma investigação realizada na Universidade de Berna e publicada na revista Current Biology indica que essa ideia pode não ser tão improvável. Em um grupo de sujeitos falantes de alemão, os pesquisadores expuseram os participantes durante a noite ao vocabulário de uma língua inventada e posteriormente conseguiram associar essas palavras a significados em língua alemã.

Embora essa proeza esteja ainda distante de aprender uma nova linguagem durante o sono, é um avanço importante na compreensão do mecanismo de aprendizagem noturna. Os sujeitos quando acordavam eram questionados sobre as palavras fictícias, de forma indireta, e de fato responderam significativamente acima do acaso. Isso ocorreu sem que os participantes soubessem que haviam sido expostos às palavras anteriormente.

Esse resultado indica que o cérebro adormecido pode realmente codificar novas informações e armazená­las por longo prazo, além de fazer novas associações.

Uma das importantes funções do sono é o processo de reorganizar as memórias. Durante certos estágios do sono, como no período de sonho, o cérebro repete as memórias em modo rápido. Os circuitos neurais que têm a função de armazenar memórias reativam-se novamente como uma rede, ensinando o cérebro a lembrar. Essa repetição parece nos ajudar a introduzir importantes aprendizados e experiências de vida em um armazenamento mais permanente em nossos cérebros. Enquanto isso, memórias menos importantes são apagadas para abrir mais espaço para armazenamento.

Através da medição direta da atividade neural noturna em cérebros de camundongos, verifica-se que as redes neurais ativadas na codificação da memória durante o dia ficarão ativas à noite. A partir desses estudos com roedores, os cientistas descobriram que o hipocampo, uma região em forma de cavalo-marinho no interior do cérebro, se comunica com a camada externa do cérebro, o córtex, durante o sono, através de ondas de atividade que podem ser medidas usando um dispositivo de EEG.

Nesse estudo, participaram sujeitos de língua alemã de ambos os sexos. Para garantir que nenhum dos participantes tivesse contato anterior com a linguagem utilizada, os pesquisadores criaram palavras fictícias, cada uma ligada a um certo significado. Essas palavras fictícias foram apresentadas aos sujeitos nos chamados “estados ascendentes” ou “picos” durante o sono profundo, um estágio geralmente não associado aos sonhos. Durante o sono profundo, a cada meio segundo os neurônios alternam um período no qual sua atividade é coordenada com outro estado inativo. A hipótese dos pesquisadores é de que os picos de ondas lentas são propícios à codificação do sono porque demarcam períodos de excitabilidade neural.

Durante o sono dos sujeitos, foi usado um EEG para monitorar suas ondas cerebrais, enquanto os pesquisadores disparavam associações de palavras através de fones de ouvido. Pares de palavras, uma fictícia e outra com um significado, foram associados durante quatro repetições cada par.

Quando os sujeitos acordaram, os investigadores mostraram aos sujeitos as pseudo – palavras, enquanto pediam que imaginassem se o objeto referido pela palavra com significado era menor  ou maior que uma caixa de sapatos, que foi uma maneira de explorar as memórias inconscientes ou implícitas.

Quando a segunda palavra no par de palavras coincidia com o estado superior em sono profundo, os participantes puderam caracterizar corretamente a palavra inventada em 10% a mais do que o acaso. Isso revela que os traços de memória implícitas formados durante o sono persistem durante a vigília e influenciam a forma como reagimos aos estímulos apresentados, como uma intuição ou pressentimento.

Quando o cérebro dos participantes era examinado através de técnicas de neuroimagem, os pesquisadores descobriram que o hipocampo e as regiões do cérebro normalmente associadas à aprendizagem de línguas durante a vigília também estavam ativos durante a aprendizagem do sono. Essa descoberta contradiz o que sabemos sobre o funcionamento do hipocampo no aprendizado, que estaria ativo somente nas fases da consciência.

Apesar de promissores, esses resultados ainda não apontam para uma consistente capacidade de aprender línguas durante o sono, pois esse aprendizado se baseia em conhecimento explícito e não em sensações implícitas. Mais estudos são necessários para investigar essa nova forma de aprendizado, que parece interessante e promissora.

 

MARCO CALLEGARO – é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC) e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental(Artmed. 2011.)

OUTROS OLHARES

AQUECIMENTO DO ÁRTICO JÁ É IRREVERSÍVEL

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Ainda que todos os países do mundo cortem drasticamente as emissões dos gases de efeito estufa para cumprir a meta do Acordo de Paris, a temperatura média no inverno Ártico subirá de 3 a 5°C até 2050 e de 5 a 9°C até 2080. O alerta é do “Global Linkages – A graphic look at the changing Artic”, relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) na quarta-feira 13, durante a 4a Assembleia Geral do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), em Nairóbi, Quênia. Segundo a pesquisa, o aumento na temperatura tem o potencial de devastar a região e provocar a elevação do nível do mar em todo o mundo. Desde 1979, estima-se que o gelo Ártico tenha retraído 40%. Isso contribuiu, por exemplo, para a redução de vários organismos marinhos como plânctons, moluscos e ouriços que formam a base de várias cadeias alimentares. No evento, lideranças de diversos países clamaram por cortes substanciais nos gases de efeito estufa, no uso de carvão e de outros poluentes climáticos.

Aquecimento do ártico já é irreversível. 2

GESTÃO E CARREIRA

MINDSET DE CRESCIMENTO

Mindset ou mentalidade é um conceito importante, podendo ser entendido como um conjunto geral de crenças, regras e valores que é construído ao longo da vida e influencia nossa visão de mundo.

Mindset de crescimento

Carol Dweck é uma psicóloga norte-americana que estuda há décadas a motivação humana. Dweck sintetizou pesquisas na área de Psicologia social, do desenvolvimento e da personalidade para construir uma teoria poderosa sobre a mente humana, descrita em seu best-seller Mindset a Nova Psicologia do Sucesso (publicado no Brasil em 2017 pela Editora Objetiva). Mindset significa “mentalidade” na tradução literal da língua inglesa. Basicamente, Dweck acredita que existem dois tipos fundamentais de mentalidade.

O mindset fixo é uma mentalidade que se opõe à capacidade de transformação do ser humano. A inteligência é vista como estática, levando a um desejo de parecer mais esperto e levando à tendência de evitar desafios, desistir com facilidade frente a obstáculos e de ver o esforço como infrutífero. O mindset fixo leva a ignorar feedback útil e se sentir desafiado pelo sucesso dos outros. As pessoas de mentalidade fixa têm tendência a ser rígidas consigo mesmas e com as demais. Tendem a criar uma expectativa de fracasso, mesmo antes de tentar algo, e são focadas no problema, com baixa motivação para solucioná-lo. A premissa da imutabilidade das coisas faz com que resistam à aquisição de novos conhecimentos e habilidades.

O mindset de crescimento está fundado na ideia de que a inteligência pode ser desenvolvida, o que leva ao desejo de aprender e, portanto, a uma tendência a enfrentar desafios. Por adotarem crenças pessoais, nas quais a capacidade humana é mutável, as pessoas com mindset de crescimento estão mais abertas ao desenvolvimento de novos comportamentos e habilidades, através do esforço e da experiência. Tendem a enxergar erros como oportunidades de aprendizado e a perseverar mesmo mediante adversidades. São mais flexíveis e engajadas na busca de soluções para desafios diversos. As pessoas com mindset de crescimento aprendem com as críticas e descobrem lições e inspiração no sucesso dos outros.

Ao contrário das pessoas que adotam um mindset fixo, que realizam menos do que seu potencial possibilita por terem uma visão determinística da vida, os indivíduos com o mindset de crescimento estão sempre a se superar em termos de performance, e como decorrência têm um grande senso de livre arbítrio, acreditando no poder da vontade e da autodeterminação.

Podemos relacionar as ideias de Carol Dweck com uma série de outras teorias que convergem na mesma direção. A teoria da autodeterminação, por exemplo, surgiu nas décadas de 1970 e 1980 a partir do trabalho dos pesquisadores Edward L. Deci e Richard M. Ryan sobre motivação. E uma teoria que liga personalidade, motivação humana e ótimo funcionamento, propondo que existem dois tipos principais de motivação, a intrínseca e a extrínseca, e que ambos são forças poderosas na formação de quem somos e como nos comportamos. De acordo com a teoria da autodeterminação, a motivação extrínseca é um impulso para se comportar de certas maneiras que vem de fontes externas e resulta em recompensas externas. As fontes podem ser exemplificadas com prêmios e elogios, avaliações de funcionários, pontos ou sistemas de classificação em organizações, admiração e o respeito dos colegas ou amigos. Já a motivação intrínseca está ligada a impulsos de origem interior, que nos motivam a agir de certas maneiras. Os motivos são internos, como nosso senso pessoal de moralidade, nossos interesses e nossos valores fundamentais. A autodeterminação, portanto, se refere à capacidade ou ao processo de fazer as próprias escolhas e gerir suas decisões, o que é um componente crucial do bem-estar psicológico, que está sempre associado a sentir-se no controle de sua própria vida

No aspecto do componente da motivação, a psicóloga positiva Barbara Fredrickson defende a teoria que chamou de “ampliar e construir”, segundo a qual as emoções agradáveis ampliam o repertório de recursos de uma pessoa, levando a melhor desempenho e realização.

Segundo Fredrickson, as emoções positivas induzem ao aumento dos níveis de dopamina no cérebro. A dopamina é um neurotransmissor excitatório que está associado ao prazer, e cujo aumento produz uma organização mais ampla e flexível do funcionamento cerebral, ampliando a cognição e elevando a capacidade de atenção e foco de uma pessoa. Dito de outra forma, ao alimentar expectativas positivas de sucesso de forma otimista, é mais fácil persistir na busca dos objetivos e ter maior disponibilidade de recursos para atingi-los. Por outro lado, ao nutrir pensamentos determinísticos de incapacidade e fracasso, as emoções negativas reduzem capacidades cognitivas de atenção e foco, além de diminuir a motivação e o estímulo. Portanto, vários estudos e fontes apontam a importância de nutrirmos uma mentalidade ou mindset de crescimento, pois as consequências são poderosas em nosso desempenho, motivação e bem-estar mental. Enxergar a vida como um processo de crescimento e aprendizagem é fundamental e podemos cada vez mais nos beneficiar dessa mentalidade.

 

MARCO CALLEGARO – é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC) e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental (Artmed. 2011.)

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 26: 20 – 23

Alimento diário

ÓDIO E CONTENDA

 

V. 20 a 22 – A contenda é como o fogo; ela inflama o espírito, queima tudo o que é bom, e consome famílias e sociedades. Aqui lemos como este fogo é aceso, e como é mantido aceso, para que possamos evitar as oportunidades de contendas, evitando, desta maneira, as suas terríveis consequências. Se desejarmos manter a paz:

1. Não devemos dar ouvidos aos maldizentes, pois eles fornecem combustível para o fogo da contenda; ou melhor, eles o espalham com material combustível; as estórias que eles divulgam são como bolas de fogo. Aqueles que, insinuando descrições infames, revelando segredos e interpretando mal as palavras e os atos, fazem tudo o que podem para criar invejas entre parentes, amigos e vizinhos, separá-los uns dos outros, e semear a discórdia entre eles; os tais devem ser banidos das famílias e de todas as sociedades, e então cessará a contenda, tão certamente como se apagará o fogo quando não tiver lenha; os que contendiam entenderão melhor, uns aos outros, e chegarão a um melhor estado de espírito; as velhas es­ tórias logo serão esquecidas quando não houver novas para manter viva a lembrança delas, e os dois lados verão como estavam aprisionados por um inimigo comum. Os mexeriqueiros e maledicentes são incendiários que não devem ser tolerados. Para exemplificar isto, Salo­ mão repete (v. 22) o que tinha dito antes (Provérbios 18.8), que as palavras do maldizente são feridas, feridas profundas e perigosas, que atingem os órgãos vitais. Elas ferem a reputação daquele que é assunto da mentira, e talvez a ferida seja incurável, e até mesmo o curativo que seria uma retratação (que, em raros casos, pode ser obtida) pode não ser suficiente para ela. Elas ferem o amor e a caridade que aquele a quem são ditas deveria ter pelo seu próximo, e desferem um golpe fatal à amizade e à comunhão cristã. Devemos, portanto, não somente não ser maledicentes, nós mesmos, em nenhuma ocasião, nem realizar nenhum mau ofício, mas não devemos oferecer a menor tolerância com os que são maledicentes.

2. Não devemos nos relacionar com pessoas contenciosas e rixosas, que são exceções, capazes de interpretar tudo da pior maneira, que brigam por qualquer motivo e que são rápidas, e acaloradas, ao se ressentir de afrontas. Estes são homens contenciosos, que acendem rixas (v. 21). Quanto menos tivermos a ver com eles, melhor será, pois evitar brigas com os que são briguentos é algo muito difícil.

 

V. 23 – Isto pode se referir:

1. A um coração ímpio que se mostra em lábios ardentes, em palavras furiosas, inflamadas, violentas, ofensivas, que ardem com maldade, e perseguem aqueles sobre quem, ou a quem são ditas; a má vontade e as más palavras combinam tão bem como um caco de vaso de barro e escórias de prata, agora que o vaso está quebrado e a escória separada da prata, e ambos estão prestes a ser lançados juntos ao monturo.

2. A um coração ímpio que se disfarça com lábios ar­ dentes, que ardem com profissões de amor e amizade, e até mesmo perseguem um homem com adulações; isto é como um caco de vaso de barro, coberto com a escória de prata, com que podemos nos aproveitar de alguém que é fraco, como se tivesse algum valor, mas de cujo embuste um homem sábio logo se dá conta. Este sentido está de acordo com os versículos seguintes.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O LADO BOM DO ESTRESSE

Ao contrário do que muitos pensam, uma vida sem nenhum nível de estresse não é a mais saudável. É possível encarar essa reação cerebral com mais positividade e aprender com ela.

O lado bom do estresse

Ao serem perguntadas sobre o que é estresse, muitas pessoas responderiam que é algo que faz mal e que deve ser evitado. Mas a psicóloga americana e professora da Universidade de Stanford Kelly McGonigal propõe uma visão menos maléfica. Durante anos, ela pesquisou o tema e percebeu que se trata de um assunto complexo. Enquanto alguns efeitos do estresse podem aumentar os riscos de desenvolver doenças e ser prejudiciais à saúde, outros apontam melhoras no funcionamento do cérebro e aumento da resiliência, que é a capacidade de se recuperar e de se adaptar à mudanças, por exemplo.

Em seu livro The Upside of Stress (Avery Publishing Group) – O Outro Lado do Estresse, em tradução livre, sem edição em português), Kelly recupera um estudo de 1998 em que perguntou a 30.000 pessoas sobre os níveis de estresse que tinham enfrentado no ano anterior. Os participantes também foram questionados se achavam o estresse danoso para a saúde ou não. Oito anos mais tarde, os estudiosos checaram quantos dos participantes haviam morrido. O resultado: altos níveis de estresse aumentavam as chances de falecimento em 4.396. Mas a questão que merece mais atenção é que esse risco só se aplicava a quem havia respondido que o estresse era prejudicial à saúde. Os que haviam vivido situações de estresse no ano anterior, mas que não encaravam isso como algo negativo, não estavam mais propensos a morrer. “Os pesquisadores concluíram que não era apenas o estresse que estava matando as pessoas. Era a combinação do estresse e da crença de que ele é prejudicial”, diz um trecho do livro.

A visão é compartilhada por Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR) e co-presidente na Divisão de Saúde Ocupacional da Associação Mundial de Psiquiatria (WPA), de Porto Alegre. “O estresse nada mais é do que qualquer situação que requer nossa adaptação, e essa situação pode ser positiva ou negativa”, diz Ana. Ou seja, é uma resposta orgânica do corpo e não tem juízo de valor a princípio. Isso, na verdade, depende da percepção de quem vivencia aquele determinado fato. Segundo Ana, o estresse do bem (chamado pelos especialistas de “eustresse”) nos impele para a ação, para a resolução do problema e para o domínio da situação. É aquela sensação boa de se deparar com um desafio. Já o estresse ruim, é responsável por toda a fama de mau do termo (o “distresse” foca na eternidade, no sofrimento, na falta de controle e na frustração.

Essa dualidade mostra que os momentos de desconforto positivo podem gerar aprendizado, significado e ser, sim, prazerosos. Há alguns eventos que, em geral, são estressares positivos, como iniciar um novo trabalho, se casar, aprender um novo hobby, ser promovido, mudar de casa, ou se aposentar”, afirma Alberto Ogata, médico e presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), de São Paulo. “Por outro lado, algumas situações, classicamente, são geradoras de estresse negativo, como a morte de um parente, se divorciar, ficar doente ou ter algum parente doente, perder o emprego ou romper um relacionamento amoroso”, completa.

TERMO CONTAMINADO

O risco de ter doenças é apenas um dos aspectos do estresse, mas, com o passar do tempo, isso contaminou todo o seu significado e causou repulsa em quem passou a acreditar que a melhor estratégia é evitá-lo ­ sempre. Mas essa visão precisa ser transformada, caso se queira desenvolver a inteligência emocional e, principalmente, adotar uma postura mais inovadora, que gera estresse naturalmente, mas que é fundamental para se sair bem em momentos de crise como o que vivemos.

Para mudar essa mentalidade, é preciso, primeiro, entender como você encara o termo. A psicóloga Alia Crum, da Columbia Business School, nos Estados Unidos, acostumada a estudar os efeitos placebo e, por associação, o poder da mente humana, definiu duas maneiras pelas quais as pessoas costumam encarar o estresse. Para ela, existem duas visões: a de que ele é algo prejudicial que esgota a saúde e a de que é algo positivo que fortalece a vitalidade. Sua pesquisa indicou que pessoas que acreditam no estresse do bem levam muita vantagem sobre quem tem uma visão negativa. Elas são menos deprimidas e mais satisfeitas com a própria vida, têm mais energia e menos problemas de saúde. Além disso, são mais felizes e produtivas. Isso porque há a percepção de que o estresse é um desafio, e não uma sobrecarga. Assim, são mais confiantes no lidar com essas situações. “É preciso ter desafios, metas e projetos que exijam envolvimento mental, busca de novos conhecimentos e habilidades. Tudo isso traz motivação que nos enche de energia e, consequentemente, melhoram nosso desempenho”, diz Alberto.

Luciane Infanti, de 40 anos, diretora executiva da Accenture, não tem medo de situações assim. Em sua rotina, trabalha com inovação e dá consultoria para a área de saúde. Parte do trabalho é entender as necessidades dos clientes, da cadeia e do mercado. Propor novas soluções é uma constante obrigação – e algo que pode gerar ansiedade. Para ela, o ponto de estresse é o momento quando é desafiada e precisa defender uma decisão. “Em um primeiro contato, essa situação constrange”, diz. Mas, quando consigo absorver as variáveis e pensar sobre elas para reforçar minhas ideias ou me reposicionar, isso traz uma sensação de conquista maravilhosa”, afirma Luciane. Antes de entrar na consultoria, a executiva teve sua própria empresa e trabalhou durante 12 anos em hospitais, experiência que a ajudou a moldar sua rápida capacidade de adaptação e de resolução de problemas. Há pouco mais de dois anos na consultoria, ela diz que este é um período em que os profissionais serão desafiados e terão sua saúde mental testada. “Temos de ter discernimento de que este é um momento de muitos desafios”, afirma. “O estresse é positivo como alavanca de crescimento, mas é negativo quando fere os valores da pessoa.

CORAGEM DE ENCARAR

Abraçar o estresse é uma das propostas de ensino da Hyper lsland, escola sueca de inovação que não tem provas; nem professores. Eles acreditam que as pessoas talentosas do futuro serão “learners”, ou seja, gente curiosa e com facilidade de aprendizado, e não “knowers”, especialistas e detentores de conhecimento. A escola parte de uma abordagem construtivista de aprendizagem. “Acreditamos que os seres humanos constroem o conhecimento e o significado a partir de suas experiências, por isso incentivamos o aprendizado pela prática”, diz Alex Neuman, designer de aprendizado em pesquisa e desenvolvimento da Hyper Island. A educação consiste em ensinar pessoas a alcançar o seu próprio potencial, mas também a fazer isso ao trabalhar em equipe. E tudo isso pode causar nervosismo. Afinal, aprender sozinho, com os próprios erros, e prestando atenção mais na jornada do que no resultado, pode ser estressante. Não à toa, os três pilares da educação da Hyper lsland são: fricção, frustração e fracasso.

Nas dinâmicas da escola, é possível identificar rapidamente quando o estresse entra em cena. Queremos que os estudantes pisem fora do que é confortável e familiar, além de fazer descobertas. Isso significa, inevitavelmente, assumir riscos, lidar com a incerteza e experimentar o

desconhecido”, afirma Alex. Esse é o momento em que o aprendizado mais acontece, eles chamam de “zona de estiramento”. “Ao mesmo tempo, nós não queremos empurrar os alunos para longe demais, até a ‘zona de pânico’, na qual o estresse ou a pressão tornam-se tamanhos que a aprendizagem não acontece”, diz.

Para esse tipo de abordagem, em que a pessoa percebe a situação como desafio e não como ameaça, Kelly cunhou o termo “biologia da coragem”. Durante um curso para executivos realizado em São Paulo em 2014, Mikael Ahlstõm, um dos sócios da Hyper Island, contou que eles adoram quando grupos entram em colapso e fracassam. “Quando algo assim acontece numa empresa, a tendência das pessoas é esconder qualquer tipo de conflito ou fracasso, afirmou Mikael. “Mas justamente nesses momentos que ocorre o aprendizado, e eles devem ser abraçados e discutidos o máximo passível.” Então, da próxima vez que o estresse surgir – o que deve acontecer logo, – tente fazer o exercício da positividade. Isso vai ajudá-lo a encarar os desafios com mais alegria e vontade de aprender.

COMO VOCÊ LIDA COM O ESTRESSE?

Alia Crum, psicóloga da Columbia Business School, estabeleceu dois modos ­ padrão pelos quais as pessoas costumam enxergar o termo. Veja com qual você se identifica mais.

O lado bom do estresse. 2

Passar por estresse…

…esgota minha saúde e vitalidade.

…debilita minha performance e produtividade.

…inibe meu aprendizado e crescimento.

…tem efeitos negativos e deveria ser evitado.

O lado bom do estresse. 3 

Passar por estresse…

…melhora minha performance e produtividade.

…melhora minha saúde e vitalidade.

…facilita meu aprendizado e crescimento.

…tem efeitos positivos e deve ria ser utilizado.

OUTROS OLHARES

MATERNIDADE CONGELADA

Preservar os óvulos é tendência entre mulheres que se veem pressionadas pelo desejo de ser mãe e enfrentam incertezas na vida pessoal e profissional. Entenda o fenômeno e como as empresas estão se adaptando a ele.

Maternidade congelada

Um bom pacote de benefícios é um trunfo do empregador na hora de atrair e manter bons profissionais. Muitas empresas vêm se empenhando para oferecer vantagens que façam brilhar os olhos de seus funcionários. Em 2014, gigantes de tecnologia, como Apple, Facebook e Microsoft, levantaram polêmica ao anunciar que passariam a oferecer um subsídio de 20.000 dólares às funcionárias que quisessem congelar seus óvulos (A mesma iniciativa não faz parte da política dessas empresas aqui no Brasil). O procedimento consiste na coleta e na estocagem dos gametas femininos quando a mulher ainda está em idade fértil (até os 40 anos) para que possam ser usados no futuro quando ela achar oportuno. A preservação é feita em contêineres, em temperatura próxima a 200 graus negativos – dai o congelamento ou a criopreservação – e o material pode ser mantido por tempo indeterminado sem perda de qualidade, garantem os especialistas.

A indicação clássica do processamento é médica. “Mulheres que precisam passar por tratamento de saúde que pode comprometer a fertilidade (quimioterapia ou radioterapia, por exemplo) têm a chance de guardar seus óvulos para tentar uma gestação no futuro”’, afirma a ginecologista Maria do Carmo Borges de Souza, diretora médica do Fertipraxis Centro de Reprodução Humana. Os avanços nas técnicas e os bons resultados apresentados em trabalhos científicos fizeram com que a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva deixasse de considerar experimental o procedimento de congelamento de óvulos em 2013, Isso contribuiu para que, cada vez mais, pacientes quisessem se submeter a ele por motivos que não têm a ver com saúde, mas com a vida social e profissional – como mulheres jovens que desejam preservar a fertilidade e outras que se aproximam do limite da capacidade reprodutiva sem a certeza de querer filhos ou sem um parceiro disposto a ser pai.

Não há dados oficiais de procedimentos desse tipo realizados no Brasil – a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) monitora apenas o número de embriões criopreservados, o que não reflete exatamente o mesmo perfil de público nem motivações iguais. Mas, nas clínicas de reprodução assistida, a procura pela técnica mais do que dobrou nos últimos cinco anos. Na Fertipraxis, por exemplo, foram realizados 213 processos de congelamento de óvulos de 2015 a 2018, ante 102 de 2010 a 2014. A Huntington, uma das maiores clínicas de fertilização de São Paulo, conduziu 103 procedimentos em 2013 e 357 em 2018, um crescimento médio de pelo menos 10% na procura a cada ano.

CONGELAR POR QUE?

A iniciativa de Facebook, Apple e Microsoft ainda gera desconfiança quanto a real intenção por trás de bancar o congelamento de óvulos para as funcionárias. Críticos ao subsídio argumentam que se trata de uma estratégia disfarçada para que elas sigam trabalhando e deixem para pensar em maternidade depois. É que a falsa sensação de autonomia dada à mulher sobre a decisão do momento certo para ter filhos só reforça a ideia de que não dá para conciliá-los com uma carreira bem-sucedida. “É preciso olhar para as políticas de apoio à mãe durante os primeiros cuidados com a criança, como licença- paternidade e maternidade estendidas, horários flexíveis, creche. Esse é o período em que ela encontra a maior dificuldade para desempenhar bem os papéis de mãe e profissional”, diz Rita Monte, coach para mulheres e consultora em processos de mudança de cultura em empresas.

É fato que a maternidade afasta as mulheres do mercado de trabalho. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que praticamente metade das profissionais brasileiras é demitida ou se demite no primeiro ano depois de dar à luz. As justificativas para a saída são várias e vão da opção de se dedicar à nova etapa da vida à dificuldade para criar urna estrutura que permita cuidar da criança sem precisar se dedicar menos ao trabalho. No entanto, a principal motivação de quem opta por congelar a fertilidade está menos na esfera profissional do que na pessoal. Em um estudo recente da Universidade Yale, nos Estados Unidos, com 150 mulheres que preservaram seus óvulos, 85% das entrevistadas apontaram a ausência de um parceiro adequado como determinante para a decisão. Índices semelhantes (sempre acima de 80%) foram revelados em trabalhos anteriores com pacientes belgas e australianas. Para a antropóloga Márcia Inhorn, autora da pesquisa de Yale e estudiosa dos impactos sociais da infertilidade e das tecnologias de reprodução assistida em vários países do mundo, o planejamento de carreira definitivamente não é a razão principal por que as mulheres estão congelando seus óvulos. “A maioria tem de 34 a 39 anos e já conquistou boa parte das metas que tinha para a educação e a carreira”, diz a especialista, frisando que esse mesmo perfil é claramente visto em outros países em que os casos de criopreservação de óvulos vêm aumentando. “Essas mulheres estão chegando ao limite da vida fértil sem um parceiro disposto e veem na tecnologia uma chance de realizar o sonho da maternidade”, diz.

Maternidade congelada. 2

MANUAL DE INSTRUÇÕES

A criopreservação de óvulos representa até 30% da demanda dos centros de reprodução assistida, de acordo com os especialistas consultados nesta reportagem. Entenda como o procedimento funciona.

 

PASSO A PASSO

EXAMES – A primeira etapa é passar por exames de dosagem hormonal para avaliar a reserva    ovariana e determinar que expectativas ter em relação ao procedimento.

 ESTÍMULO – Quando iniciar o ciclo menstrual (até o terceiro dia), a mulher começa um tratamento que dura de oito a dez dias de estimulação ovariana por meio de injeções de hormônios, afim de estimular o crescimento de folículos (estrutura onde o óvulo se desenvolve) e garantir uma boa quantidade de gametas para ser congelados (de 15 a 20 óvulos). É comum sentir cólica, inchaço abdominal, enjoo e indisposição.

COLETA – É feita com anestesia, sedação e uso de uma agulha acoplada a um aparelho de ultrassom transvaginal, que aspira os folículos para ser selecionados. são separados para congelamento os considerados maduros. Se nessa fase não for possível colher o número desejado de óvulos, será necessário repetir o ciclo.

ARMAZENAMENTO – Os óvulos saudáveis são identificados, armazenados em uma espécie de           canudo próprio e transferidos para um contêiner com nitrogênio líquido em temperatura próxima a 200 graus negativos. O material pode permanecer ali por tempo indeterminado sem perder a qualidade, segundo os especialistas – há casos de bebês nascidos de óvulos congelados hã mais de 20 anos. vale saber que no descongelamento é prevista uma perda de 5% a 10% dos gametas. Os sobreviventes passam por fertilização in vitro e, então, são implantados no útero. Como em todo o tratamento de reprodução assistida, a gestação não é garantida.

QUANTO CUSTA – De 15.000 a 20.000 reais (procedimento) mais taxa de manutenção anual de 1.000 reais, em média, para manter os óvulos na clínica.

QUEM PODE FAZER – Mulheres em idade fértil, embora o recomendado seja para aquelas de 30 a 40 anos.

RISCOS – A criopreservação é considerada segura. Já foram levantadas hipóteses de que, por causa do uso de hormônios para a estimulação ovariana, o procedimento poderia elevar o perigo de desenvolver câncer de mama e ovário ou menopausa precoce, mas não há evidências que comprovem a teoria. Na Europa, há relatos de casos de câncer em mulheres que se submeteram ao tratamento. Porém, as ocorrências se deram entre pacientes que vendem seus óvulos (o que é permitido em alguns países) e, por isso, repetiram vários ciclos de estimulação hormonal.

GESTÃO E CARREIRA

O PODER DA EMPATIA

Definida como a habilidade de se colocar na pele dos outros, a empatia é o comportamento mais visado pelo mercado de trabalho hoje. Afinal, sua capacidade de envolver e entender as pessoas a sua volta e o que vai torna-lo um colega mais colaborativo e um líder mais eficiente.

O poder da empatia

Imagine um líder de uma empresa que precisa anunciar à equipe que a companhia passará por reestruturações e muitos serão demitidos. O que permitiria a ele dar essa notícia aos funcionários de forma que eles entendessem o cenário, mas sem acabar com a motivação daqueles que sobrarem? Ou, então, em uma negociação complicada, como fazer para convencer a outra parte de que a proposta vale a pena e é vantajosa para os dois? E, ainda, como entender e prever reações das pessoas à sua volta antes de tomar uma decisão? A resposta para tudo isso pode estar em um a palavra só: empatia. Definido pela habilidade de se colocar no lugar dos outros, esse comportamento vem sendo considerado um dos fatores mais importantes e buscados nos profissionais hoje.

Pode parecer simples, mas, na prática, essa é uma habilidade que não se aprende numa sala de aula. Os elementos que influenciaram a maneira de uma pessoa agir e pensar são inúmeros, como sua origem, crença, história de vida e situações pelas quais passou. Dar conta de perceber esses detalhes faz parte da empatia. “É colocar uma lente para entender as coisas a partir da perspectiva do outro”, diz Ana Pliopas, do Instituto Hudson, especializado em coaching, em São Paulo. E é natural do ser humano ter essa capacidade. Na psicologia, o contrário de empatia é a psicopatia. “Psicopatia é uma disfunção cerebral em que a pessoa tem dificuldade de sentir emoções”, diz Pâmela Magalhães, psicóloga clínica em São Paulo. “Existem graus variados, e o mais severo é o que pode se tornar perigoso. À exceção desses casos, todo mundo tem empatia em menor ou maior grau.

Um estudo liderado pelo cientista italiano Giacomo Hizzolati, na década de 1990 na Universidade de Parma, na Itália, ilustra bem como isso funciona. Os pesquisadores reuniram casais e fizeram um experimento analisando suas respostas corporais. Eles viram que, quando picavam o dedo do marido, a mulher, que assistia, registrava em seu cérebro as mesmas reações do parceiro, como se ela também sentisse a dor. Quanto mais empática a mulher se mostrara em entrevistas anteriores, mais sentia essa dor. Isso é possível graças aos nossos neurônios espelhos, aqueles que nos fazem bocejar quando ninguém ao nosso lado bocejou. “Tudo isso está relacionado à nossa capacidade de repetir ou internalizar sentimentos, medos e receios dos outros”, diz Denis Pincinato, professor na Fundação Instituto de Administração (FIA) e consultor associado da Negociarte, em São Paulo. Inclusive para perceber dificuldades e medos que você nunca teve e que podem ter um impacto para o outro.

E porque isso é tão importante? Pense no trabalho em equipe, um dos pilares de muitas das empresas hoje. Lidar com os outros sempre será um desafio, pois conflitos de interesse, de ideias e falhas na comunicação nunca deixarão de existir. A diversidade, outro ponto cada vez mais reforçado no ambiente corporativo, também traz desafios ao colocar na mesma sala, pessoas completamente diferentes. A empatia, nesse caso, permite enxergar os colegas a partir de uma    perspectiva com menos julgamentos e mais colaboração. Oferecer ajuda a um colega que chega atrasado ou parece confuso, por exemplo, é uma atitude de empatia. “Uma pessoa pode até recusar, mas só o gesto cria uma boa vontade entre os dois”, diz Magui Castro, sócia da The Caldwell Partners, consultoria de recrutamento, em São Paulo. E, mais tarde, aquelas pessoas que souberam manter esse clima de entendimento e de apoio serão as que mais facilmente serão cogitadas durante um processo de promoção.

Além de mais bem-sucedidos na carreira, os mais empáticos se mostram também mais felizes. Segundo um estudo da Isma-BR (International Stress Management Association no Brasil), feito em 2015 com 1.000 profissionais de São Paulo e Porto Alegre, as mulheres que possuem essa habilidade sentem 74 % mais satisfação, e os homens, 71%. A explicação é que, quando ajudamos os outros e nos importamos com eles, nos sentimos mais gratos. Pelo mesmo motivo, o comportamento empático traz também 81% mais motivação para mulheres e 76% mais para os homens. E essa competência também ajuda na habilidade de analisar sistemas complexos do negócio. Muitas vezes, o que prejudica ou ajuda no sucesso de alguma empreitada é a forma como as pessoas envolvidas se sentiram durante o processo – e é comum ignorarmos esses sentimentos. “Se eu não tiver empatia, não vou identificar as partes do outro que afetam o sistema como um todo”, diz Pâmela. Ao entender como a reação dos outros pode interferir em um cenário, as decisões tendem a ser mais bem pensadas e sustentáveis.

HABILIDADE NOVA

Por tudo isso, dá para entender por que o mercado valoriza tanto quem transborda empatia. Entre os headhunters, essa competência salta aos olhos e pode definir uma contratação. “Quando recruto, prefiro a pessoa que demonstra mais empatia a quem tem mais habilidades técnicas”, diz Áurea Imai, sócia da Boyden Executive Search, consultoria de recrutamento, em São Paulo. “Em uma entrevista, avaliamos os resultados que aquela pessoa obteve e como fez isso”. E é aí que irá residir o grau de empatia. Aos olhos dos consultores, quanto mais o profissional consegue mostrar como considerou as pessoas à sua volta em cada um dos projetos que desenvolveu, mais empático ele se torna. E não adianta inventar histórias. Esse comportamento não é algo que você possa afirmar ou falar, mas que deve transparecer nas suas atitudes.

Embora sempre fizesse diferença na carreira e na vida das pessoas, a empatia, como competência, passou a ser mais valorizada na última década. Antes era mais fácil chegar a um cargo de liderança sem se preocupar com isso. Não é à toa, no passado era mais comum (e aceitável) encontrar chefes durões, que comandavam por meio da autoridade. “O mercado não consome mais gente com essa atitude, não contrata, diz Magui. Antigamente, essa liderança funcionava porque conceitos como engajamento e propósito – tão em voga hoje nas empresas – não eram discutidos. Além disso, o conhecimento técnico era mais restrito, o que fazia com que os poucos privilegiados se destacassem apenas por essa competência, abrindo passagem para o topo.

A história hoje é bem diferente. “Antes, era o RH que avaliava e desenvolvia as pessoas, hoje ele desenha a estratégia, mas quem se compromete com isso é o líder”, diz Gustavo Costa, fundador da Unique Group, consultoria de gestão, no Rio de Janeiro. Por isso, saber reconhecer as necessidades que cada pessoa tem para se motivar e por que ela é boa em uma situação e pior em outra é crucial para um líder que precisa desenvolver e perceber quais são os maiores potenciais   para atingir os melhores resultados.

Parte disso tem a ver com o comportamento da geração mais nova, que espera ver no chefe, fonte de inspiração e apoio, e não uma figura de autoridade que causa medo. “Todo mundo quer se sentir pertencente na empresa”, diz Vera Martins, coach e autora de O Emocional Inteligente (Alta Books). Quando vemos que somos compreendidos, pelo chefe e que ele está atento a como nos sentimos, nos engajamos mais no trabalho. Temos a tendência também a nos sentir mais à vontade, porque a empatia abre espaço para diálogo. O medo de sugerir inovações e de discordar do líder diminui, favorecendo a inovação. Quem tem empatia consegue avaliar cenários e notar o que está fazendo sentido ou não para as pessoas”, diz Áurea. “Vejo vários líderes que ficam falando e falando para um público, mas não conseguem convencer porque não sabem ler o que o outro precisa.

O desafio é conseguir criar empatia com pessoas com as quais você não necessariamente se identifica – e nem mesmo conhece direito. Claro, a ideia não é que você se torne íntimo de todos ao seu redor. Além de exaustivo, isso seria impossível. Mas, para conseguir desenvolver uma compreensão empática, é necessário estar aberto e disposto a compreender o outro sem colocar suas próprias ideias e opiniões por cima da interação. Isso exige muita sensibilidade, mas também muita inteligência. Até porque, mesmo que você não sinta aquilo que a pessoa sente, pode entender o que se passa. “Você pode se colocar mentalmente no lugar do outro sem se envolver tanto emocionalmente”, diz Vera. “É uma empatia cognitiva.”

DESENVOLVENDO A EMPATIA

Para aperfeiçoar isso, o primeiro passo é ouvir os outros com atenção. Não vale digitar ou olhar para o celular ao mesmo tempo. Na escuta ativa, você nota e guarda dados sobre a pessoa, não só sobre o tema da conversa”, diz Denis. Pode-se estar discutindo um projeto do trabalho, mas o outro sempre dará sinais sobre si mesmo, de forma involuntária ou não. Um comentário rápido sobre uma experiência pessoal ou uma expressão mais sutil de desconforto são exemplos do tipo de informação que, às vezes, deixamos passar. São fatores que não importam para o projeto em si, mas que revelam muito sobre seu interlocutor. Reparar nisso faz com que você desenvolva uma compreensão melhor das pessoas que o cercam, ajuda a sair do ambiente com o qual você está acostumado e se colocar em situações desconhecidas.

Abrir-se para conversar com quem você normalmente não conversaria é também um passo nessa direção. Há formas de demonstrar aos outros que você está atento e deixá-los relaxados para se expressar, como olhar nos olhos e fazer perguntas pertinentes ao assunto. Mais do que um conjunto de ações, a empatia é uma postura. E, para além da escuta, é preciso ler os sinais não verbais. São gestos, expressões faciais e atitudes que comunicam tanto ou mais do que as palavras.  Diferentemente da comunicação verbal, estes sinais tendem a ser menos propositais e, por isso, ainda mais reveladores. Normalmente, mesmo que não os façamos de forma consciente, todo mundo sabe interpretá-los – e até podemos reagir a eles sem perceber.

Uma pessoa que fala com um tom de voz normal, mas demonstra ansiedade por meio dos seus gestos, como um balançar de pernas constante ou um olhar aflito, poderá nos deixar mais nervosos automaticamente.

É sempre bom lembrar, no entanto, que até uma pessoa mais afinada para perceber detalhes e fazer a escuta ativa pode se enganar. “Vale a pena validar suas impressões perguntando diretamente para o seu interlocutor”, diz Ana. Afinal, as pessoas podem se comportar de forma diferente para situações parecidas. Há quem chore quando está com raiva em vez de sair batendo pé, por exemplo, enquanto outros podem se fechar e se isolar pelo mesmo motivo.

E isso é parte do desafio, porque não há como adotar uma única regra para todo mundo. Engana- se quem pensa que tudo isso demonstra uma postura paternalista ou leniente com os erros dos outros. “A empatia é dar uma chance para a pessoa se preparar ou dizer que não está pronta”, diz Magui. Mas a cobrança por resultado é igualmente firme.”

Desenvolver essa habilidade é mais fácil quando entendemos o que nos leva a ser mais empáticos com algumas pessoas e menos com outras. “Às vezes, o que mais nos incomoda nos outros é o que percebemos de ruim em nós mesmos”, diz Ana. Ou seja, ser mais empático envolve também saber melhor sobre o que atinge a si mesmo. Caso você sinta dificuldade em praticar a empatia, há alguns questionamentos que pode se fazer. “Pergunte-se, por exemplo, o que você ganha não sendo empático, diz Vera. Isso porque muitas vezes, por nos sentirmos ameaçados ou inseguros, preferimos não dar abertura às outras pessoas. A outra pergunta é o que você tem perdido com isso. Aí vale ver quantas relações de confiança você deixou de ter por causa da sua postura. “A empatia ativa é um hábito, precisamos entender o que vamos ganhar com isso para desenvolvê-la, afirma Vera. Não há como fingir ou simular a empatia, por isso a sua vontade de se colocar na pele dos outros é um ingrediente essencial. Para a sua carreira – e para a sua vida.

 

AMPLIE SEU POTENCIAL EMPÁTICO

Durante l2 anos, o filósofo Roman Krznaric, autor d0 livro o poder da empatia, analisou pesquisas, fez uma série de entrevistas e descobriu como as pessoas podem expandir o potencial empático.

1 – DÊ UM SALTO IMAGINATIVO

Faça um esforço consciente para se colocar no lugar de outras pess0as – inclusive de seus “inimigos”- para reconhecer sua humanidade, individualidade e suas perspectivas.

2 – BUSQUE AVENTURAS

Experimente, explore vidas e culturas diferentes das suas por meio de imersão, viagens ou cooperação social.

3 – PRATIQUE A ARTE DA CONVERSAÇÃO

Incentive a curiosidade por estranhos e a escuta radical e tire suas máscaras emocionais.

4 – VIAJE EM SUA POLTRONA

Transporte-se para a mente de outras pessoas com a ajuda da arte, da literatura, do cinema e das redes sociais na internet.

5 – INSPIRE UMA REVOLUÇÃO NOS OUTROS

Gere empatia numa escala de massa para promover mudança social e estender suas habilidades empáticas ao mundo todo.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 26: 17 – 19

Alimento diário

ÓDIO E CONTENDA

 

V. 17

1. O que é condenado aqui é a intromissão em contendas que não nos dizem respeito. Se não devemos ser precipitados e apressados em lutar pela nossa própria causa (Provérbios 25.8), muito menos na de outras pessoas, especialmente nos casos em que não estamos, de nenhuma maneira, envolvidos, nem interessados, mas com os quais nos deparamos por acaso, acidentalmente ao passar por eles. Se pudermos ser úteis para trazer a paz entre os que estão divergindo, devemos fazê-lo, ainda que conquistemos a má vontade dos dois lados, pelos menos enquanto estão acalorados; mas nos intrometer nos assuntos dos outros, nas brigas e contendas de outros homens, não é somente buscar problemas para nós mesmos, mas também nos lançar à tentação. Quem me pôs a mim por juiz? Que terminem a questão como a começaram, entre eles mesmos.

2. Nós somos advertidos contra isto, por causa do perigo a que nos expomos; é como tomar um cão pelas orelhas, que poderá nos morder; seria melhor tê-lo deixado em paz, pois não conseguiremos nos livrar dele quando desejarmos, e devemos agradecer somente a nós mesmos se sairmos desta situação com uma mordi­ da e desonra. Aquele que toma um cão pelas orelhas, se o soltar, o cão o atacará, e se continuar a segurá-lo terá as mãos ocupadas e não poderá fazer outra coisa. Que cada um trabalhe com tranquilidade e cuide dos seus próprios assuntos, e não discuta com inquietude nem se meta com os assuntos dos outros.

 

V. 18 e 19 – Veja aqui:

1. Quão maldosos são os que não têm escrúpulos em enganar o seu próximo; são como loucos que lançam faíscas, flechas e mortandades, tal é o mal que podem causar com suas maldades. Eles se consideram, neste aspecto, homens polidos e astuciosos, mas na verdade são como loucos. Não há maior loucura neste mundo do que um pecado deliberado e voluntário. Não é somente o homem inflamado e furioso, mas também o homem enganoso e maldoso, que é um louco; ele realmente lança faíscas, flechas e mortandades; ele provoca mais danos do que consegue imaginar. A fraude e a falsidade queimam como faíscas, e matam, mesmo à distância, como flechas.

2. Veja como é frívola a desculpa que os homens comumente apresentam para a maldade que fazem: o fato de que a fizeram como uma brincadeira; com isto, pensam desviar a reprovação: “Fiz isso por brincadeira!” Mas verão que é perigoso brincar com o fogo e com objetos cortantes. Não que devam ser elogiados os que são ardilosos e não aceitam brincadeiras (os que são sensatos devem tolerar os insensatos, 2 Coríntios 11.19,20), mas certamente deverão ser condenados os que são, de alguma maneira, ofensivos e violentos com seu próximo, e se aproveitam da sua credulidade, e os enganam em seus negócios, ou mentem para eles, ou mentem sobre eles, e os insultam, ou mancham sua reputação, e então pensam desculpar tudo isto, dizendo que estavam apenas brincando. “Fiz isso por brincadeira’.” Aquele que peca brincando deve se arrepender sinceramente, ou o seu pecado será a sua ruína. A verdade é algo muito valioso para ser vendido como uma brincadeira. e assim também a reputação do nosso próximo. Com mentiras e difamações em brincadeiras os homens aprendem e ensinam os outros a mentir e caluniar a sério; e um falso relato, que surge da brincadeira, pode ser espalhado com maldade; além disto, se um homem pensa que a mentira é capaz de trazer a alegria a si mesmo, por que não se fazer rico falando a verdade? Por pensarem de um modo equivocado, a verdade praticamente perece, e os homens ensinam as suas línguas a falar a mentira (Jeremias 9.5). Se os homens considerassem que toda mentira vem do diabo, e leva ao fogo do inferno, certamente isto estragaria a diversão que ela proporciona; mentir é lançar flechas e mortandades contra si mesmo.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

EVENTO ESTRESSOR

A preparação para as provas gera ansiedade e quanto maior a tensão, pior será o desempenho em uma avaliação.

Evento estressor

Desde o nascimento, o ser humano já está exposto a diferentes situações que se apresentam como desafios que geram crescimento e desenvolvimento positivo frente à vida. Em vários momentos, ele também se depara com eventos que excederão a sua capacidade percebida para lidar com isso, podendo gerar esgotamento e ansiedade. Embora também tenha sido vivenciado por nossos antepassados, o estresse tem afetado grande parte da população atual, estando fortemente presente na vida moderna.

Ele é entendido como uma ruptura da homeostase que não ocorre apenas frente a estímulos aversivos, mas também como uma reação intensa do organismo frente a um evento que altere a vida, seja ele negativo ou não. Assim, o estresse desenvolve-se à medida que as exigências se tornam superiores à capacidade das pessoas de manejá-las ou superá-las, impossibilitando-as de criar estratégias para enfrentá-las adequadamente.

Há dois tipos de estresse: o negativo, que é repetitivo, prolongado, paralisa, transtorna e exaure, e o positivo, que impulsiona e dá forças. Respostas positivas aos estímulos estressantes são consideradas como crescimento e desenvolvimento intelectual e emocional, chamado de eustresse. O esforço de adaptação gera sensação de realização pessoal, bem-estar e satisfação, mesmo que decorrente de esforços inesperados, sendo desencadeado por situações tensas, mas sadias. Já a resposta negativa, chamada de distresse, é causada por situações danosas, podendo ser passageira ou prolongada.

Um evento pode ser entendido como irrelevante, benigno ou estressante. São consideradas fontes estressoras aquelas que têm o efeito de interferir na dinâmica da vida do organismo, o qual tenta adaptar-se ao evento estressor e, nesse processo, utiliza grande quantidade de energia. Quando a resposta é de intensidade e tempo limitados, o organismo consegue adaptar-se a ela; porém, quando a intensidade ou a duração de tempo ultrapassam a capacidade das pessoas, o estresse pode gerar como consequência distúrbios psiquiátricos e/ou outras doenças. Alguns estímulos terão a resposta de estresse vinculada à capacidade física e ao estado geral de saúde do organismo, como, por exemplo, temperaturas extremas, privações diversas (alimento, água, sono etc.) e traumas físicos, sendo que, dentro de uma estreita faixa de variabilidade, provocam respostas de estresse em praticamente todo o organismo a ele exposto.

O evento estressor, por si só, não tem a capacidade de determinar o nível de estresse, uma vez que cada pessoa irá enfrentá-lo de maneira diferente. O nível de estresse dependerá da avaliação e da interpretação subjetivas que cada um faz, estando as respostas comportamentais e cognitivas nele envolvidas. Durante o processo de avaliação, há uma tendência de interpretar as situações como mais perigosas do que realmente são. Nesse caso, o estressor é o próprio pensamento que, em função de crenças e regras aprendidas através das experiências de vida, pode relacioná-las a um novo evento e interpretá-lo como ameaçador ou não. Portanto, ao depender de uma relação entre exigência e meios in­ ternos ou externos disponíveis, as reações ao estresse são determina­ das pela capacidade do organismo em atendê-las.

O organismo sempre tenta adaptar-se ao evento estressor e, nesse processo, utiliza grandes quantidades de energia adaptativa. A reação ao estressor faz com que o organismo se modifique fisiologicamente para lidar com um ataque, alterando temporariamente a forma somática para uma ação de “luta ou fuga” que permite ao organismo dirigir toda a sua energia ao manejo da ameaça. Quando cessa a ameaça, o organismo volta ao seu estado de atividade normal; porém a capacidade de uma pessoa para suportar o estresse tem um limite. A resposta aos eventos estressores depende das forças de resistência, da necessidade de desafios, das exigências externas, dos traços de personalidade, das percepções de apoio social e do estado de saúde (equilíbrio orgânico e mental) em que se encontra o indivíduo. Fatores como estilo de vida, experiências prévias, atitudes, valores, doenças e predisposição genética também são importantes no desenvolvimento desse processo. O estresse prolongado provoca cansaço e tensão em níveis físico e mental, aumentando o risco de se contraírem problemas de saúde. Entre as respostas fisiológicas ao estresse, observa-se a ativação do sistema nervoso autônomo e do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), embora outras áreas altamente complexas do cérebro também sejam recrutadas, como aquelas que regulam os processos de memória, o aprendizado e a tomada de decisão.

Evento estressor. 2

RESISTÊNCIA E EXAUSTÃO

A síndrome de adaptação geral (SAG) é um padrão consistente de respostas ao estresse, que foi dividido em três estágios: alerta, resistência e exaustão. O primeiro estágio, o de alerta ou alarme, é uma reação inicial diante de um estímulo estressor, considerando a fase positiva da resposta, visto que prepara a pessoa para enfrentar a situação e, em seguida, retomar o equilíbrio. As respostas fisiológicas negativas, nessa fase, incluem aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, tensão muscular, insônia, entre outras. As respostas fisiológicas positivas compreendem o aumento da atenção e velocidade de pensamento, além do aumento súbito da motivação.

Caso o estressor não seja eliminado, o organismo passa para a segunda fase, a de resistência, em que a pessoa tenta adaptar-se gastando muita energia para lidar com o fator estressante. Nessa fase, as defesas do organismo são preparadas para um ataque mais longo, predominando a reação passiva na busca pela adaptação. Os sintomas observados nesse período incluem hipertensão arterial, isolamento social, queda de produtividade e criatividade, cansaço, diminuição da libido, dificuldade de atenção e problemas com a memória. Quanto maior o tempo gasto na busca da homeostase interna, maior será o desgaste; persistindo a situação estressante, a capacidade do organismo pode exceder e levar ao terceiro estágio, isto é, o da exaustão.

Evento estressor. 3

PATOLOGIAS ORGÂNICAS

Nessa fase, devido ao forte desgaste do organismo, podem surgir patologias orgânicas e psíquicas, e ocorrer sintomas semelhantes aos do primeiro estágio, embora com magnitude maior e irreversível. Além disso, se o estressor permanecer atuando, as reservas de energia do corpo serão reduzidas, ocasionando um fracasso adaptativo que pode, eventualmente, levar à morte. As patologias apresentadas nesse estágio incluem doenças cardíacas e autoimunes, síndrome de Burnout, depressão, entre outras.

Estudos identificaram uma quarta fase, chamada de quase exaustão, que se situa entre as fases de resistência e exaustão. Ela provoca uma forte sensação de esgotamento no indivíduo, aumentando a chance de descontrole emocional e enfraquecimento do organismo, gerando vulnerabilidade ou adoecimento inicial não tão grave. É importante ressaltar que a pessoa nem sempre passa pelas quatro fases e/ou apresenta todos os efeitos, mesmo em casos extremos. O indivíduo só atingirá a fase de exaustão quando o estressor for muito grave e frequente, impedindo-o de desenvolver habilidades para se adaptar à situação.

O estresse, em níveis apropria­ dos, aumenta a eficiência e o desempenho. Presente no cotidiano, trata-se de um mecanismo normal, necessário e benéfico, que proporciona maior atenção e sensibilidade frente a situações de perigo ou dificuldade, fazendo com que ele se esforce para vencer tais obstáculos. Embora o estresse seja eficaz até certo limite, a sobreposição dessas respostas nos níveis físico, cognitivo e comportamental, quando ultrapassada, pode gerar um efeito desorganizador. Especificamente, isso abrange o grau em que as pessoas experimentarão o estres­ se diante da perspectiva de uma situação de desempenho, da avaliação cognitiva e das exigências da situação, somadas à crença de dispor ou não dos recursos necessários para lidar com tudo isso.

Quando o indivíduo interpreta o evento como ameaça, prejuízo ou desafio, está fazendo um julga­ mento sobre o que a situação exige dele, tentando conhecer o que há de prejudicial ou benéfico, relevante ou irrelevante para si, fazendo uma avaliação primária dos fatos. Por outro lado, quando tenta administrar o evento analisando os próprios recursos, o seu envolvimento emocional e os resultados esperados nesse processo para evitar consequências prejudiciais e/ ou antecipar os aspectos benéficos, ele está realizando uma avaliação secundária.

Já a ansiedade, trata-se de um estado emocional desconfortável caracterizado por pressentimento de perigo iminente, atitude de espera em relação ao perigo, desestruturação ante o perigo, com sensação de estar desprotegido. É um medo sem objetivo, uma situação ou uma imagem mental, o indivíduo que a experimenta sabe que não se trata de uma ameaça objetiva. A ansiedade é uma resposta de adaptação do organismo que é propulsora do desempenho e possui componentes psicológicos e fisiológicos. Trata-se de um esta­ do emocional transitório ou uma condição do organismo humano, caracterizado por sentimentos desagradáveis de tensão e apreensão, conscientemente percebidos. As respostas orgânicas à ansiedade leve determinam o aprendiza­ do. Entretanto, a concentração, o aprendizado e a percepção aumentam ou são distorcidos quando ocorre um aumento na intensidade da ansiedade.

Em função disso, ocorrerão prejuízos que podem ser cognitivos (como pensamento e conhecimento), emocionais (como sentimentos, emoções e personalidade) ou comportamentais (relacionados igualmente aos fatores cognitivos e afetivos). Os efeitos cognitivos do excesso de estresse envolvendo desempenho estão ligados ao decréscimo da concentração e da atenção. O aumento da desatenção e a deterioração da memória de curto e longo prazo diminuem não apenas a sua amplitude, mas também a lembrança, o reconhecimento e as capacidades de organização e planejamento. A velocidade real de resposta reduz-se, aumentando o índice de erros, ilusões e distúrbios de pensamento que prejudicam a objetividade e o poder de crítica, tornando confusos e irracionais os padrões de pensamento.

Entretanto, as lembranças de uma pessoa podem ser incompletas, distorcidas ou até mesmo apresentar uma tendência específica, não sendo incomum observar a mesma lembrança ocorrer de modo diferente entre pessoas diversas. Por essa razão, é muito importante observar a memória individual, visto que uma mesma história tem várias facetas, sendo que cada pessoa guarda e recupera determinado fato de forma não igual. Com isso, demonstra-se que a memória não funciona como uma filmadora por meio da qual sempre se obtêm os dados objetivos fielmente aos fatos. A memória é uma história que a cada momento poderá ser modificada com novos fatos e relatos.

Evento estressor. 4

BOA MEMÓRIA

A memória bem treinada é uma ferramenta básica para se obter um bom rendimento, assim como em toda e qualquer área intelectual. O indivíduo precisa desenvolver a capacidade de testar conhecimentos memorizados e habilidades aprendidas, o que pode ser alcançado com a ajuda de instrumentos adequados, tais como provas ou testes bem elaborados e abrangentes. Uma memória clara, precisa e rápida será fundamental para se trabalhar com tranquilidade e eficiência.

Sabe-se, contudo, que não basta ter uma inteligência genial ou uma espetacular capacidade de improvisar se não estiverem bem gravadas e prontamente acessíveis na memória as informações pertinentes e necessárias para se resolver os problemas nos momentos certos. Se não estiverem gravados na memória os resultados que se deseja obter e os processos necessários para realizar os objetivos, será impossível fazer uma escolha racional, segura e bem-sucedida. Para muitas pessoas, pode ser habitual estudar por obrigação, e não por prazer; apesar disso, uma boa memória não dispensa a capacidade de análise crítica dos fatos. De modo simples, pode-se dizer que aprender é memorizar, sejam dados ou procedimentos, de sorte que essas informações sejam facilmente lembradas quando se precisar delas. Se as pessoas tentarem memorizar agrupando informações desordenadamente, terão dificuldades para lembrar.

Evento estressor. 5

A AUTOEFICÁCIA

A auto eficácia é considerada um dos mecanismos psicológicos que compõem a motivação, mas não basta que as capacidades estejam presentes; a pessoa precisa acreditar que possui tais capacidades e, com isso, organizar e executar linhas de ação, com a expectativa de poder alcançar determinado objetivo. As pessoas que têm crenças funcionais em sua eficácia pessoal acreditam dispor das competências necessárias ou ser capazes de assumi-las para alcançar seus objetivos e melhorar seu desempenho. As diferentes respostas poderão ser geradas frente ao mesmo estímulo e que exigências internas e externas contribuirão nesse processo.

A ansiedade, o estresse e o desempenho estão intimamente ligados, pois quanto maior a ansiedade e o estresse pior será o desempenho. Quando falamos em desempenho estamos nos referindo à preparação para provas em geral, incluindo vestibular, Enem, prova da OAB, residência médica, concursos, entre outras, bem como a uma entrevista de emprego a qual o candidato, muitas vezes, está sem trabalho há um tempo, com seu estresse elevado, podendo fazer uma entrevista não satisfatória para conseguir a vaga pretendida. O crescente aumento de estímulos, da competitividade e das exigências com as quais se confronta esse modo de vida acarreta um acúmulo de obrigações que exige grande flexibilidade e capacidade de adaptação. Diante das inúmeras situações de aprendizagem e desempenho, nas quais o estresse é necessário em níveis aceitáveis, observa-se que está cada vez mais elevado e dificulta o rendimento esperado por cada pessoa em sua trajetória de ensino e trabalho.

O autoconhecimento é o maior recurso para aprender a lidar com a ansiedade e com o estresse, no intuito de “tirar” o melhor deles na busca de um desempenho satisfatório. O apoio externo pode fazer a diferença nessa caminhada, pois sabe-se que pessoas com redes adequadas de apoio social relatam me­ nos estresse e melhores condições de saúde mental em comparação àquelas sem adequado suporte social. Além de auxiliar nas situações de estresse, como resolver conflitos e tomar decisões, a função social propõe modos de conduta adequada. Diminuindo o estresse e a ansiedade, automaticamente resultará em excelentes resultados.

Evento estressor. 6

LEI DE YERKES E DODSON

Em 1908, Yerkes e Dodson foram os primeiros cientistas a medir a relação entre estresse e desempenho com a chamada Lei de Yerkes-Dodson. Segundo os pesquisadores, a relação positiva entre eficiência e desempenho não se prolonga indefinidamente. Na medida em que as situações exigem ajustamentos constantes, o estresse pode ultrapassar um limite de   tolerância, o que contribui para reduzir o desempenho, a eficiência e até mesmo a saúde. Assim, os efeitos percebidos psicologicamente como necessários e benéficos podem ser positivos ao desempenho; todavia, quando ultrapassados, esgota- se a energia psicológica, extrapolando a capacidade de adaptação do sujeito e prejudicando o seu desempenho. Isso faz com que muitas vezes, o indivíduo sinta-se inútil e desvalorizado, com finalidade reduzida e objetivos inatingíveis.

OUTROS OLHARES

ONDE AS RELIGIÕES SE ENCONTRAM

Na Casa da Reconciliação, representantes de diversas crenças unem-se para mostrar que é possível conviver pacificamente mesmo quando a fé é diferente.

Onde as religiões se encontram

O riso corre solto entre o cônego José Bizon, o judeu Raul Meyer, o muçulmano Atilla Kus e Ruth Junginger de Andrade, membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecida como Igreja Mórmon. É hora da foto que ilustra esta reportagem e o quarteto se diverte enquanto tenta seguir a orientação do fotógrafo. Eles estavam na sala de estar da Casa da Reconciliação, em São Paulo, um lugar pertencente à Igreja Católica aberto ao diálogo inter-religioso. Dito assim, de maneira mais formal, parece algo burocrático. Quem conhece o lugar e os vê juntos, brincando uns com os outros, descobre o que é na prática o significado do respeito à crença alheia e, principalmente, que é possível conviver com o diferente. Afinal, apesar das distinções entre as religiões, todos eles desejam a mesma coisa: “tikun olam’, a expressão judaica que significa trabalhar para melhorar o mundo e tomá-lo mais harmonioso. “Esta é a lição mais importante do nosso trabalho”, afirma Bizon.

Além dos católicos, judeus e muçulmanos, participam das atividades representantes de outras religiões de origem cristã, como os mórmons e os luteranos, de raízes africanas, como a umbanda e a ioruba, e também do budismo. O objetivo é divulgar às pessoas que o amor ao próximo é o denominador comum às religiões e não o contrário. “O desconhecimento das pessoas em relação às religiões é o grande problema”, diz Raul Meyer, diretor da Federação Israelita de São Paulo na área do Diálogo Inter-religioso. “Há a formação de uma minoria que radicaliza enquanto a maioria silencia.”

Onde as religiões se encontram. 2

COMBATE AOS ATAQUES

O mundo, de fato, está repleto de um ódio religioso que grita nas redes sociais e que, de tempos em tempos, produz tragédias em nome de Deus. A última aconteceu na sexta-feira 15, na Nova Zelândia, quando um atirador matou 50 pessoas em duas mesquitas na cidade de Christchurch. O sentimento de raiva está calcado em falta de informação e em estereótipos sem sentido, como o de que muçulmanos são terroristas. Nada está tão longe da religião, fundamentada na prática do amor e na valorização da vida. “Quando alguém de nossa religião mata, ele perde sua essência de muçulmano porque, para nós, ser muçulmano significa respeitar a vida”, explica o turco Atilla Kus, secretário-geral do Centro Islâmico e de Diálogo Inter-religioso e Intercultural.

Até há alguns anos, o Brasil parecia estar distante das ondas de ódio religioso. No entanto, o fenômeno ganha terreno aqui e tem como alvo principal as religiões de matriz africana. Segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos humanos, entre 2011 e 2016 as denúncias de intolerância religiosa cresceram 4.960% no País. A maioria dos ataques (178) foi contra integrantes de crenças de raiz africana. Às vezes, a impressão é que se trata de uma guerra na qual só o lado da raiva é vitorioso. Mas trabalhos como os da Casa da Reconciliação evidenciam que há uma contrapartida forte transmitindo a mensagem da convivência pacífica. “Somos todos filhos de Deus que podem se unir em favor do amor e não do ódio”, diz Ruth de Andrade, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. E conviver significa respeitar as diferenças de práticas. “Quando me encontro com a mãe de santo, peço a sua benção”, conta a monja Heishin, praticante do zen-budismo.

Todos os meses, eles reúnem as famílias em um almoço para o qual cada um leva pratos comuns às suas origens. No início, há cerca de dois anos, havia certo estranhamento entre judeus e muçulmanos. Hoje, homens, mulheres e crianças interagem como amigos, demonstrando que nenhuma distinção religiosa torna um ser humano diferente ou melhor do que o outro. As mulheres, inclusive, preparam um livro com receitas de refeições partilhadas nos encontros. Praticantes de outra fé já participaram do Ramadã, período no qual os muçulmanos jejuam de dia e alimentam-se depois do pôr do sol. Eles são convidados pela comunidade, que tem o cuidado, inclusive, de incluir no cardápio a comida kosher consumida pelos judeus. É com gestos assim que o ódio religioso será combatido. Ou com atitudes como a da primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern. Um dia após os ataques, ela foi até os familiares das vítimas. Cobrindo a cabeça com um lenço preto disposto como o hijab das muçulmanas, ela não falou nada. Apenas abraçou os que sofriam, levando a eles, em cada abraço, a solidariedade

Onde as religiões se encontram. 3

GESTÃO E CARREIRA

O QUERIDINHO DA TURMA

Sabe aquele profissional bacana e admirado por todos em cenários econômicos cada vez mais desanimadores, são eles – os carismáticos – que se destacam. Dá para adotar essa atitude no trabalho, mas é preciso tomar cuidado para não forçar a barra.

O queridinho da turma

Há anos pesquisas e consultores de carreira apontam o carisma como uma habilidade importante para o desempenho profissional de alguém. Segundo Rohit Bhargava, professor da Georgetown University, em Washington, nos Estados Unidos, e ex- vice-presidente da Ogilvy, pessoas carismáticas têm mais chances de ser bem-sucedidas nos negócios. No seu livro intitulado Likeonomics: The Unexpected Truth Behind Earning Trust, Influencing Behavior and lnspiriting Action (Likeonomics: A Inesperada Verdade por Trás de Conquistar Confiança, Influenciar o Comportamento e Inspirar a Ação, em tradução livre, sem edição em português), lançado em 2012, ele defende que o carisma é um tipo de inteligência emocional que envolve a capacidade de ler corretamente as pessoas e se relacionar com elas.

Essa habilidade é o que diferencia, principalmente, os profissionais que almejam posições de liderança. “Hoje em dia, um grande número de pessoas fala duas línguas, tem uma boa formação e o mesmo nível técnico. Entretanto, nem todos possuem a habilidade de se conectar e influenciar colegas, o que também gera valor para as empresas”, afirma Rodrigo Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional (SBie), de São Paulo. “O carisma e a capacidade de motivar as pessoas é o que faz os líderes se tornarem inspiradores e entregarem resultados, mesmo em momentos de crise.”

E no atual momento de recessão e dificuldades econômicas, em que muitas empresas estão passando por reestruturações e cortando custos, gerando ambientes de muita pressão, o carismático passa a ser mais valorizado. “Mesmo que o profissional não exerça um cargo de liderança, ele pode ter a habilidade de envolver os colegas nos momentos difíceis, o que melhora o clima e pode trazer ganhos futuros de carreira”, diz Rafael Souto, Presidente da Produtive, consultoria com sede em São Paulo.

Muito se engana, porém, quem acredita que essa característica seja algo totalmente natural, impossível de ser desenvolvido ao longo da vida. “Pequenas atitudes diárias podem tornar até mesmo as pessoas mais tímidas um pouco mais carismáticas. Respeitando os próprios limites e sem querer mudar radicalmente é possível adquirir essa competência”, diz Renata Di Nízio, fundadora da Casa da Comunicação, consultoria especializada em treinamentos, de São Paulo.

 

6 TÉCNICAS PARA SE TORNAR MAIS CARISMÁTICO

Atitudes diárias que ajudam você a ser mais querido pelos colegas de trabalho.

TOME ALGUMAS DOSES DE SIMANCOL

Ser uma pessoa sociável em nada tem a ver com se tornar uma pessoa indiscreta e inconveniente, que pergunta sobre a vida pessoal de todo mundo. Saber dosar o que e quando perguntar também é importante para não errar a mão.

“É preciso realizar uma leitura do ambiente, observar a recepção das pessoas, ver de que forma elas reagem às suas perguntas e quão dispostas estão a interagir”, afirma Rodrigo Fonseca, da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional.

RECONHEÇA QUE PRECISA MELHORAR

Nem todo mundo possui a capacidade de ser simpático de forma espontânea. Reconhecer que precisa melhorar esse ponto é fundamental para fazer o movimento de mudança.

“Procure se expor um pouco mais, falar em público, melhorar a comunicação com alguns treinamentos. Busque se integrar em projetos pelos quais você tenha mais paixão e conhecimento, porque isso vai dar mais segurança na hora de mostrar as suas ideias”, afirma Rafael Souto, da Produtive.

SAIBA O QUE FAZ VOCÊ FELIZ

Raramente pessoas mal-humoradas são capazes de ser simpáticas e carismáticas. Mesmo nas rotinas mais estressantes, tente adotar pequenas atitudes que aumentem a sensação de bem-estar e a vontade de trabalhar.

“Passamos 12 horas do nosso dia no escritório e saímos de casa já irritados. Busque entender o que anima, irrita e motiva você e dê valor para as coisas simples, como fazer exercícios físicos antes do trabalho ou tomar um bom café da manhã, por exemplo.” diz Marcos Gimenez, sócio da lnnovative, consultoria de São Paulo.

LEMBRE-SE DA SUA POSTURA

Preste atenção à forma como você se mostra para os seus colegas. Pessoas cabisbaixas, de ombros caídos, raramente conseguem criar conexões e entusiasmar os colegas. “Você emana carisma quando as pessoas se inspiram em você. É importante criar uma postura de segurança, adquirir um tom de voz firme e seguro para melhorar a comunicação e transmitir mais confiança”, diz Rodrigo.

INSPIRE-SE, SEM COPIAR

Observe pessoas que você considera sociáveis e capte quais comportamentos elas adotam para se tornar assim.

Essa inspiração pode vir de líderes ou até de colegas. Só que não tente se tornar uma cópia do outro. “Não crie um personagem com o qual você não se sinta confortável nem que tenha comportamentos que não conferem com a sua personalidade. As pessoas percebem que não é algo natural, além de que isso não se sustenta por muito tempo”, afirma Rafael.

SEM EXCESSO DE CONFIANÇA

Engana-se quem pensa que só pessoas introvertidas precisam melhorar o carisma e a capacidade de criar conexões. Geralmente, pessoas muito expansivas tendem a ser muito autoconfiantes e às

vezes passam uma postura arrogante. “Elas também não se conectam com as pessoas porque não têm capacidade de ouvir. Sem contar que, muitas vezes, acreditam que são autossuficientes e esquecem que precisam dos outros também. Isso é tão destrutivo quanto ser introvertido demais”, diz Renata Di Nízio

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 26: 13 – 16

Alimento diário

A DESGRAÇA DA PREGUIÇA

 

V. 13 – Quando um homem fala de maneira tola, dizemos que fala de maneira preguiçosa; pois ninguém revela mais a sua tolice do que aqueles que são ociosos e procuram se justificar na sua preguiça. Da mesma maneira como a tolice dos homens os torna preguiçosos, também a sua preguiça os torna tolos. Observe:

1. O que realmente teme o preguiçoso. Ele teme o caminho, as ruas, o lugar onde deve ser feito o trabalho e pelo qual se deve empreender uma jornada; ele detesta o trabalho, detesta tudo o que exija cuidado e esforço.

2. O que ele sonha, e finge temer – um leão no caminho. Quando pressionado para ser diligente, quer em seus assuntos terrenos ou em questões de religião, esta é a sua desculpa (e uma desculpa infeliz, pior do que qualquer outra): “Um leão está no caminho”, alguma dificuldade ou perigo insuperável com que ele não pretende lutar. Os leões frequentam florestas e desertos, e. durante o dia. quando o homem sai para o seu trabalho, os leões se deitam nos seus covis (Salmos 104.22,23). Mas o preguiçoso imagina, ou finge imaginar, um leão nas ruas, ao passo que o leão existe somente na sua imaginação, ou não é tão feroz como ele o pintou. Observe que é tolice se assustar e fugir de deveres reais por dificuldades imaginadas (Eclesiastes 11.4).

 

V. 14 – Tendo visto o preguiçoso com medo do seu trabalho, aqui o vemos amando o seu sossego; ele fica na sua cama, deitado de um lado, até se cansar, e então se vira para o outro lado, mas ainda na sua cama, quando o dia já vai alto e há trabalho para ser feito, da mesma maneira como a porta se revolve nos seus gonzos, mas não sai do lugar; e assim os seus negócios são negligenciados e ele deixa escapar oportunidades. Veja o caráter do preguiçoso.

1. Ele não se preocupa em sair da cama, mas parece estar preso a ela, como a porta está presa às dobradiças. A comodidade do corpo, quando excessiva, é a triste oportunidade para muitas doenças espirituais; os que amam dormir provarão, no final que amaram a morte.

2. O preguiçoso não se preocupa em progredir no seu negócio; ele se movimenta um pouco, de um lado para outro, mas sem nenhum propósito; ele permanece na mesma posição. Os professantes preguiçosos giram, na sua profissão, como a porta, nos seus gonzos, nas suas dobradiças. O mundo e a carne são as duas dobradiças em que eles estão presos, e ainda que se movam no curso dos serviços externos, entrem no caminho dos deveres e passem por eles, como o cavalo no moinho, ainda assim não conseguem o bem, não ganham terreno, nunca se aproximam do céu – são pecadores que não se converteram, e santos que não se aperfeiçoaram.

 

V. 15 – O preguiçoso agora, com muita dificuldade, saiu da cama, mas poderia igualmente ter ficado ali, pois atua no seu trabalho de uma forma completamente desajeitada. Observe:

1. A desculpa que ele oferece para a sua preguiça: ele esconde a mão no seio, temendo o frio; perto da sua cama quente, no seu seio quente. Ou finge que é aleijado, como fazem alguns que vivem de esmolas; sugere que há alguma enfermidade na sua mão; ele de­ seja sugerir que ela está cheia de bolhas, resultado do duro trabalho de ontem; ou indica, de modo geral, a sua aversão ao trabalho; ele tentou, mas suas mãos não estão acostumadas a trabalhar, e por isto ele se mantém na sua própria comodidade e não se importa com ninguém. Observe que é comum que aqueles que não de­ sejam fazer o seu trabalho finjam que não conseguem fazê-lo. “Cavar não posso” (Lucas 16.3).

2. O prejuízo que ele sofre, pela sua preguiça. Ele mesmo é o perdedor, pois passa fome; enfada-se de a levar [a mão] à sua boca, isto é, não tem como se alimentar, mas teme, como se isto fosse um esforço imenso, levar a mão à cabeça. É uma hipérbole elegante, que agrava o seu pecado, o fato de que ele não suporta os menores esforços, nem pelos maiores benefícios, e isto mostra como o seu pecado é a sua punição. Os que são preguiçosos nas questões da religião não se esforçarão para alimentar suas próprias almas com a Palavra de Deus, o pão da vida, nem buscarão as bênçãos prometidas por meio da oração, ainda que pudessem tê-las.

 

V. 16 – Observe:

1. A elevada opinião que o preguiçoso tem de si mesmo, apesar do flagrante absurdo e da tolice da sua preguiça: “Mais sábio é o preguiçoso a seus olhos do que sete homens que bem respondem”. A sabedoria de um homem o torna capaz de responder ou oferecer uma razão, e a de um homem bom o torna capaz de oferecer uma razão para a esperança que há nele (1 Pedro 3.15). Nós devemos ser capazes de oferecer uma razão para o que fazemos, ainda que, talvez, possamos não ter inteligência suficiente para mostrar a falácia de cada objeção ao que fazemos. Aquele que se esforça na religião pode apresentar uma boa razão para isto; ele sabe que está trabalhando para um bom Mestre, e que o seu esforço não será em vão. Mas o preguiçoso se julga mais sábio do que sete pessoas como esta; pois ainda que sete pessoas o persuadissem a ser diligente, com todas as razões que pudessem apresentar para isto, seria inútil, a sua própria determinação, pensa ele, é resposta suficiente para eles e todas as suas razões.

2. A referência que isto tem para a sua preguiça. É o preguiçoso, acima de todos os homens, que é assim convencido; pois:

(1) A boa opinião que ele tem de si mesmo é o motivo da sua preguiça; ele não deseja se esforçar para obter sabedoria porque pensa que já é suficientemente sábio. O convencimento da suficiência de nossos talentos é um grande inimigo para o nosso aperfeiçoamento.

(2) A sua preguiça é a causa da boa opinião que ele tem de si mesmo. Se ele apenas se esforçasse para examinar a si mesmo, e se comparar com as leis da sabedoria. teria outra ideia a respeito de si mesmo. A preguiça tolerada está no fundo da arrogância predominante. Ou melhor:

(3) Ele está tão desgraçadamente confuso que julga que a sua preguiça é a sua sabedoria; ele pensa que é sensato poupar a si mesmo, e ter toda a comodidade e o sossego que puder, e não fazer na religião mais do que precisa, necessariamente, para estar algum sofrimento, e ficar sem fazer nada e ver o que as outras pessoas fazem, para que possa ter o prazer de encontrar falhas nelas. Com relação a estes preguiçosos, que se orgulham do que é a sua vergonha, há pouca esperança (v. 12).

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ENTRAMOS NA ERA DO CRIADOR

A qualidade criativa se torna uma espécie de atalho para o futuro, pois estamos nos distanciando do repetitivo e do previsível e voltando o interesse ao que escapa do senso comum.

Entramos na era do criador

Segundo o economista Paulo Saffo, citado pela revista americana Forbes como um dos analistas de tendências mais respeitados da atualidade, a economia se divide em ciclos que remodelam drasticamente nosso comportamento e a forma como a sociedade de organiza. Com nossa fantástica capacidade de adaptação, aderimos às mudanças, reorganizamos nossas expectativas e, sem nos darmos conta, colaboramos para a construção de uma nova fase da nossa história, batizada pelo economista como “era do criador”.

Para esclarecer como chegamos aqui e o que isso significa, ele faz uma breve revisão de momentos determinantes da economia a partir do início do século XX, quando as cidades começaram a crescer rapidamente com a industrialização, o que gerou uma demanda crescente por novos produtos. Para atender a essa classe emergente, a indústria volto u seus esforços para a eficiência produtiva, ou seja, para a necessidade de produzir mais em menos tempo e com custo menor.

O processo de fabricação precisava ser otimizado ao máximo e os trabalhadores tinham funções restritas, repetitivas e automáticas para não perderem tempo. Trabalhavam contra o relógio, em sistemas rigidamente organizados. Os primeiros automóveis, por exemplo, eram todos pretos. Não porque estava na moda ou porque outras opções eram inviáveis, mas pelo fato de a tinta preta secar mais rapidamente, o que garantia maior produtividade.

Superada a escassez de produtos, o mercado tratou de aumentar nas pessoas o desejo pelo consumo. Foi então que, na década de 1950, a publicidade ganhou força, com estratégias criativas que convenciam as pessoas de que elas precisavam de mais e mais produtos. A criatividade passou a ser uma peça importante para o aumento de consumo, mas sua demanda era restrita a alguns segmentos, como comunicação e artes.

E o apelo criativo – juntamente com incentivos econômicos – funcionou tão bem que o consumo excessivo logo revelou seu lado negativo, com o uso irresponsável do crédito e o surgimento de problemas éticos e ambientais. Na sequência, o mercado se deparou com novos desafios: agora precisava se adaptar a um consumidor já mais consciente e comedido, em um mundo onde a informação passou a ser excessiva e, por conta desse exagero, a atenção tornou-se escassa. A solução foi transformar o consumo em experiências.

Como a criatividade e o engajamento são antídotos para a desatenção, para atrair uma geração mergulhada em distrações passou a ser as pessoas, necessário engajar, envolvê-las em uma rede de criação e de ideias que conecta tudo e todos. Mais que alvo final de produtos e ideias que são impostos pelo mercado, os consumidores passaram a participar diretamente da construção das novidades. E assim surgiram cases de sucesso como Uber, Wikipedia, AirBnB e projetos culturais e científicos viabilizados por crowdfunding, financiados pelo público – e não mais por entidades distantes que decidem o que iremos consumir.

O status, segundo Saffo, deixou de ser representado pelo preço ou pela quantidade de coisas que possuímos e passou a ser representado pelo novo – o novo construído em conjunto, como experiência social e cultural.

Essa rede de conexões e ideias, em constante movimento e aprimoramento, possibilita que a criatividade corra solta e se destaque como a marca do nosso tempo. Assim, a era do consumidor criador passa a ser também a da criatividade. Quanto mais informações estão acessíveis, mais são geradas possibilidades de combinações diferentes de todo esse conhecimento. Nesse novo ciclo econômico, a criatividade é quase um pré-requisito para o sucesso nas interações sociais e profissionais.

Tanto é que essa habilidade nunca foi tão valorizada pelo mercado. O Fórum Econômico Mundial (O Futuro do Trabalho) apontou a criatividade como terceira habilidade mais necessária pela força de trabalho nos próximos anos, atrás da capacidade de resolução de problemas complexos e do pensamento crítico. De acordo com o documento, essa necessidade surge como consequência da abundância de novos produtos, tecnologias e formas de trabalhar.

O físico teórico e futurista Michio Kaku prevê que essa qualidade é uma espécie de atalho para o futuro, pois estamos nos distanciando do repetitivo e do previsível e voltando o interesse ao que escapa do senso comum. Os serviços mais valorizados são os que nos diferenciam com relação às máquinas – aqueles que dependem de pensamentos e atitudes flexíveis e de ações originais.

Ironicamente, a era de maior desenvolvimento tecnológico da história revisita a criatividade como a maior habilidade para lidar com o futuro próximo e próspero para quem estiver na contra-mão dos conceitos engessados de uma máquina.    

 

MICHELE MÜLLER – é jornalista, pesquisadora, especialista em Neurociências, Neuropsicologia Educacional e Ciências da Educação. Pesquisa e aplica estratégias para o desenvolvimento da linguagem. Seus projetos e textos estão reunidos no site www.michelemuller.com.br

OUTROS OLHARES

SEM RESSACA FINANCEIRA

Um passo a passo para economizar sem prejudicar a vida social.

Sem ressaca financeira

Depois de um divertido período na mesa do bar com colegas do trabalho, chega enfim a conta. Alguém sugere “rachar por igual”. Você, contrariado, calcula mentalmente quanto gastou e percebe que foi bem menos do que aquela divisão propõe. Corno não quer ser antipático, paga sem contestar – mesmo que isso signifique acabar o mês no vermelho. Um estudo publicado recentemente no Journal of Personality and Social Psychology mostrou que você não está sozinho nessa. Segundo a pesquisa, pessoas cordiais têm maior probabilidade de enfrentar problemas financeiros. A razão, dizem os acadêmicos, é que indivíduos assim valorizam encontros sociais mais do que dinheiro. Para Elaine Pisaneschi, diretora da Crowe, consultoria de finanças, a única saída para quem possui esse tipo de perfil é planejar antes os gastos com diversão. “As contas de restaurantes e happy hours acabam não entrando no orçamento, porque são esporádicas, diz. “Mas isso é um erro. O ideal é que a vida social ocupe em torno de 10% da renda líquida mensal e, jamais, ultrapasse 30%.”

Quando se mudou para São Paulo para fazer faculdade, a publicitária paranaense Angelita Oliveira, de 31 anos, não se preocupava com as finanças. Ao ser chamada para um evento, aceitava sem pestanejar e passava tudo no cartão. Até que entrou no cheque especial e contraiu uma dívida no cartão de crédito que passou a tirar seu sono. Desesperada, pediu ajuda a um antigo economista e foi estudar sobre finanças pessoais. Em seis meses, ela colocou todos as despesas no papel, determinando um limite de 10% do salário para gastos sociais. Também mudou sua conta para um banco digital que não cobrava taxas e passou a investir. Hoje, virou consultora da turma. “Quando colegas me procuram, sugiro que calculem o valor da hora de trabalho. Quanto levam para ganhar 100 reais? Ao fazer essas contas, pensam melhor antes de gastar mal”, diz.

A boa notícia é que ninguém precisa sumir do mapa. Encontrar pessoas é uma excelente maneira de fazer networking, alimentar-se de ideias e se manter informado. O segredo é fazer isso sem enfrentar ressaca financeira no dia seguinte. Veja, a seguir, como conseguir tal feito em nove passos.

Sem ressaca financeira. 2

1. VALORIZE PREFERÊNCIAS

Antes de cortar a diversão, entenda o que realmente o energiza e o ajuda a manter o ânimo para enfrentar as agruras diárias. Liste suas atividades de lazer preferidas, avalie a frequência que gostaria de realizá-las e faça projeções de quanto isso custaria. “Com esse cálculo em mãos, é possível entender, de verdade, o peso dessa escolha para o orçamento. Isso ajuda a tomar decisões mais pragmáticas”, afirma Cristiane Mazotto, assessora de investimentos da WFlow Advisors e consultora de carreira da Lee Hecht Harrison. Se o que o faz feliz é comer fora aos finais de semana, consulte o extrato do banco e some quanto gastou com esse tipo de saída no último mês. “Se o valor estiver acima do desejado, diminua a frequência desses programas ou os substitua por uma versão mais barata”, orienta a especialista.

2. ESTEJA À FRENTE DAS ESCOLHAS

Depender de seus amigos para definir o lugar de confraternização pode significar gastar muito mais do que pretendia na noite. Parece bobagem, mas participar do processo decisório faz toda a diferença. “Se deixarmos que os outros escolham, corremos o risco de fazer programas caros. Economizar exige esforço e dá trabalho. Mas entrar na conta bancária e ver que está no azul compensa esse esforço”, afirma Débora Helena Ribeiro Soares, coach financeira. Angelita faz exatamente isso. “Sempre que começam as conversas sobre o que fazer no final de semana, pesquiso antes e sugiro as opções mais econômicas. Se a ideia é ir para a balada, procuro aquelas que consigo colocar o nome na lista para obter descontos ou as que não cobram entrada até as 23 horas, por exemplo”, diz.

3. USE A TECNOLOGIA

Existem diversos aplicativos que ofertam vantagens aos amantes da gastronomia. O mais famoso deles é o Primeira Mesa, que permite fazer reserva de mesas em restaurantes e bares de mais de 110 cidades brasileiras em horários de menor movimento – entre 11h30 e 12h30 e entre 18h30 e 20h – com descontos de até 50% nas refeições para grupos de até seis pessoas. Para usar a tecnologia, paga-se uma taxa de 5 reais por pessoa na reserva, o que, na conta final, em geral compensa. O app DuoGourmet também é interessante: oferece aos usuários promoções “dois em um” em mais de 470 estabelecimentos em oito cidades, como Belo Horizonte, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro: na compra de um prato, Leva- se outro (com valor equivalente) de graça.

4. LIMITE OS MEIOS DE PAGAMENTO

Deixar os cartões de crédito em casa e sair apenas com o dinheiro previsto para gastar é uma forma de segurar o impulso na empolgação. “Além de procurar Locais com comandas separadas, reservo um valor, normalmente de 50 reais. Tomo um drinque ou algumas cervejas e pronto”, afirma Angelita, a publicitária que virou guru da turma baladeira. E ela está certa. Estudos de economia comportamental mostram que pagar com notas em reais dói mais do que usar cartões. Cristiane Mazotto explica que isso ocorre porque o ser humano tem aversão à perda. “Se você tira o dinheiro da carteira enxerga quanto está gastando. A sensação de supressão financeira é maior”, diz. Quando não consegue sacar dinheiro, a fotógrafa paulistana Bruna Bento, de 25 anos, tem um truque. Ela registra cada centavo gasto no bloco de notas do celular. “Desta forma, visualizo tudo. Se eu gastar demais num dia, sei que não vou poder gastar pelo resto da semana. Isso me ajuda a manter o controle”, diz.

5. FAÇA VOCÊ MESMO

Vai comer fora? Avalie se não vale a pena promover um encontro em casa – isso funciona inclusive para aquela happy hour com o pessoal do trabalho. Como os preços de pratos e bebidas em restaurantes embutem a folha de pagamentos dos funcionários, além de aluguel do imóvel, água, luz, telefone e impostos, gasta-se menos cozinhando por conta própria. Especialistas sugerem que o dono da casa faça o jantar enquanto os convidados fornecem as bebidas e os petiscos para beliscar. Na próxima celebração, trocam-se as funções. “É importante envolver a turma nesse processo, deixando claro que o objetivo é economizar sem deixar de se divertir. Ao conscientizar o pessoal fica mais fácil”, afirma Cristiane Mazotto. Para baratear festas de aniversário, por exemplo, sobretudo as infantis, aposte na moda do “faça você mesmo”. Existem inúmeros tutoriais na internet, em canais como os do YouTube, ensinando alternativas divertidas para decoração e alimentação. Outra dica é comprar bebidas em “atacarejos”, onde é possível encontrar valores até 50%, mais baratos do que os cobrados nos mercados tradicionais.

6. SE NÃO TEM COLÍRIO, VÁ DE ÓCULOS ESCUROS

A modelo Karol Christine Jordão, de 32 anos, sugere fazer substituições: em vez de passeios no shopping que exaltavam o consumismo, agora ela faz piqueniques no parque ou sessões de cinema em casa nos fins de semana. “Com a quantidade de filmes disponíveis em plataformas como Amazon Prime Vídeo e Netflix, não é preciso gastar com ingressos, pipoca, refrigerante”, diz. Quando a filha, de 11 anos, deseja assistir a um Lançamento, Karol pesquisa o dia da semana em que os tíquetes custam a metade do preço – grandes redes costumam baratear as entradas de segunda-feira a quarta-feira. Já a tática de Angelita é procurar ingressos com descontos, oferecidos por bancos e operadoras de telefonia. Outra alternativa para economizar no cinema é investir nas próprias guloseimas. Em 2016, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que cinemas que proíbem a entrada de comida praticam venda casada e limitam a liberdade de escolha do cliente. Ou seja, está liberado levar pipoca ou doces de casa.

7. COMPARTILHE

Hoje dá para encontrar de tudo um pouco na rede: de brinquedos a roupas, passando por livros. Além de aplicativos de compartilhamento como Tem Açúcar?, Tradr e Casa 247, existem vários grupos de trocas de objetos, de diferentes cidades, espalhados pelo Facebook. Vai a uma festa e quer usar uma roupa diferente daquelas que estão em seu armário? Busque bazares ou grupos em que você possa barganhar as peças que não usa mais por novos itens. Angelita e sua turma, por exemplo, criaram um grupo de WhatsApp para vender e trocar roupas entre si. Além de ser uma opção de moda sustentável, você ainda pode fazer um dinheiro extra.

8. GARIMPE O GRÁTIS

As opções não se resumem a parques e praças. Todos os museus públicos oferecem pelo menos um dia de entrada gratuita a seus visitantes. Além disso, as capitais costumam ter programação cultural com shows, peças de teatro e exposições sem cobrança de entrada. “Sigo newsletters que dão dicas de eventos gratuitos”, afirma Bruna Bento, fotógrafa de São Paulo. Sites de prefeituras também costumam ser boas fontes para quem procura cursos e atividades esportivas sem custo. Outra sugestão é usar aplicativos como o Mude, que disponibiliza aulas gratuitas (de ioga a zumba) em parques públicos de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Florianópolis, Brasília e Santos.

9. JOGUE LIMPO

Sair frequentemente com amigos que ganham mais do que você é viver com a eterna sensação de que vai precisar pedir apenas uma saladinha e um copo de suco durante toda a noite. Isso se não tiver de sair mais cedo para pagar sua parte antes que todos sugiram rachar a conta. De acordo com Elaine Pisaneschi, diretora da Crowe, o melhor é abrir o jogo e ser transparente sobre as limitações. O mesmo cuidado vale para as viagens em grupo. Como sempre há alguém que pode gastar mais, o correto é combinar antes qual será o esquema para evitar constrangimentos depois.

GESTÃO E CARREIRA

O QUE É PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS PARA A SUA EMPRESA!

o que é psicologia organizacional e quais são os benefícios para a sua empresa!.

A psicologia é uma ciência muito abrangente e está presente em tudo o que envolve o ser humano. Por isso, é claro que ela está nas empresas! Afinal, negócios são feitos de pessoas. E essa é a psicologia que nós chamamos de organizacional.

Ela é importante pois ajuda as instituições a entenderem cada vez melhor os seus colaboradores. Assim, é possível trabalhar para um funcionamento melhor e mais produtivo para o dia a dia de trabalho.

O QUE É PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL?

A psicologia organizacional é um segmento de estudo que tem como objetivo estudar e estruturar o perfil comportamental dos colaboradores das empresas. É basicamente a psicologia usada para a gestão de pessoas em uma organização.

Quando uma instituição conta com a ajuda de um psicólogo organizacional, ela consegue entender cada colaborador individualmente, como eles são, como trabalham, quais são as suas competências. Assim, é possível sair do individual e levar isso para o meio mais abrangente, ou seja, para as equipes.

Estudando e entendendo cada profissional, o psicólogo vai conseguir encaixá-lo em uma equipe que se adequa mais ao seu perfil ou adequá-lo para trabalhar com determinado grupo específico.

PARA QUE ELA SERVE?

A psicologia organizacional serve para trazer melhores resultados relacionados à sua gestão de pessoas. Entendendo cada colaborador, você e o RH da sua empresa conseguem trabalhá-lo conforme o que a organização e a equipe precisam e fazê-lo se sentir bem dentro do seu negócio.

Além disso, observando como os profissionais se comportam no ambiente de trabalho, os psicólogos organizacionais entendem como cada colaborador pode contribuir para o desenvolvimento da empresa e a harmonia no ambiente de trabalho.

Isso tudo é feito através de treinamentos, acompanhamento de cada profissional e aplicação de testes.

QUAIS SÃO AS ÁREAS DE ATUAÇÃO?

Um psicólogo organizacional pode atuar e ajudar em várias áreas da empresa. Algumas delas são:

GESTÃO DE CONFLITOS: é papel desse profissional mediar qualquer conflito que possa surgir dentro da organização;

RECRUTAMENTO E SELEÇÃO: nesse processo, o psicólogo consegue analisar qual candidato tem o perfil que mais se adequa à sua empresa através de dinâmicas e testes;

TREINAMENTOS: é função do psicólogo organizacional planejar e aplicar treinamentos para o crescimento dos profissionais;

DIAGNÓSTICO ORGANIZACIONAL: analisa como está o clima dentro da instituição e o que precisa ser melhorado;

ANÁLISE DE PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS: a motivação dos colaboradores quase sempre também está ligada a essas duas questões. Por isso, é importante que o psicólogo analise e participe desse processo!

QUAL A DIFERENÇA ENTRE PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E COACH?

Muitas pessoas confundem a psicologia organizacional e o coach. Mas elas não são a mesma coisa, na verdade se complementam!

O profissional de coaching normalmente possui um conhecimento grande da parte operacional da empresa, assim ele consegue ajudar os colaboradores. Ele é quem vai organizar metas e ajudar os profissionais a alcançarem seus objetivos.

O conhecimento e trabalho dele em conjunto com o do psicólogo organizacional e de cada colaborador pode gerar uma diferença enorme na sua empresa!

Quais são os benefícios da psicologia organizacional para a empresa?

Esse ramo da psicologia é muito importante quando se trata dos resultados relacionados à gestão de pessoas e, consequentemente, da empresa como um todo. A psicologia organizacional traz diversos benefícios para o seu negócio, entre eles:

AUMENTO DA PRODUTIVIDADE

Conhecendo os colaboradores e recebendo as orientações do psicólogo organizacional, os gestores consegue saber qual o perfil da sua equipe, o que a deixa mais motivada, quais atividades se encaixam mais para cada colaborador. Com o profissional mais engajado, a produtividade tende a aumentar!

MAIOR ENGAJAMENTO

Quando a empresa e os líderes conhecem bem seus colaboradores, é muito mais fácil mantê-los felizes com o ambiente de trabalho e com a sua função. Por isso, a psicologia organizacional promove mais engajamento – com ela os profissionais são ouvidos!

REDUÇÃO DE CUSTOS

Com colaboradores mais produtivos e engajados, a rotatividade tende a baixar, já que você contará com profissionais satisfeitos no trabalho. Consequentemente, você vai reduzir os seus custos com processos de recrutamento e seleção, treinamento e etc.

AJUSTE DO CLIMA ORGANIZACIONAL

Essa é uma outra grande vantagem de contar com a ajuda de um psicólogo dentro da empresa: o clima no ambiente de trabalho fica muito melhor, favorecendo o dia a dia de trabalho, a produtividade, a interação dos colaboradores entre si e com a diretoria.

Isso gera ótimos resultados internos e externos para a empresa, não só em questão de lucro efetivo, mas também de imagem positiva no mercado.

o que é psicologia organizacional e quais são os benefícios para a sua empresa!.2

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 26: 10 – 12

Alimento diário

O COMPORTAMENTO DOS TOLOS

 

V10 – A nossa tradução dá a este versículo uma interpretação diferente, no texto e na margem, e, consequentemente, ele expressa:

1. A equidade de um bom Deus. O Mestre, ou Senhor (este é o significado de Rab), ou, como nós interpretamos, o grande Deus que formou todas as coisas no princípio, e ainda as governa com infinita sabedoria, dá, a cada homem, segundo a sua obra. Ele recompensa o tolo, que pecou por ignorância, que não conhecia a vontade do seu Senhor, com poucas chibatadas; e recompensa o transgressor, que pecou arrogantemente e com violência, que conhecia a vontade do seu Senhor e não desejou cumpri-la, com muitas chibatadas. Alguns entendem que é uma referência à bondade da providência comum de Deus, até mesmo para com os tolos e os transgressores, sobre os quais Ele faz brilhar o seu sol e cair a sua chuva. Ou,

2. A iniquidade de um príncipe ímpio (é o que diz a margem: um nobre fere a todos, e contrata o tolo; e também contrata os transgressores. Quando um ímpio consegue o poder em sua mão, por si só, e emprega os tolos e patifes aos quais contrata e escolhe para utilizar, fere a todos os que estão subordinados a ele, e os perturba e angustia. Nós devemos, portanto, orar pelos reis e por todos os que têm autoridade, para que, sob o seu governo, as nossas vidas possam ser tranquilas e pacíficas.

 

V. 11 – Veja aqui:

1. Que coisa abominável é o pecado, e quão odioso ele parece, às vezes, até mesmo para o próprio pecador. Quando a sua consciência é convencida, ou quando ele sente a ferida do seu próprio pecado. ele se cansa dele, e o vomita; ele parece, então, detestá-lo e disposto a se separar dele. O pecado é. em si mesmo e, mais cedo ou mais tarde, será para o pecador, repugnante do que o vômito de um cão (Salmos 36.2).

2. O quanto os pecadores são propensos a recair no pecado, apesar disto. Da mesma maneira como o cão, depois de se aliviar, vomitando o que perturbava o seu estômago, volta e ingere o vômito outra vez, também os pecadores, que foram somente convencidos e não convertidos, retornarão ao pecado, esquecendo-se do quanto este os feriu. O apóstolo (2 Pedro 2.22) aplica este provérbio aos que conhecem o caminho da justiça, mas se afastaram dele; mas Deus os vomitará da sua própria boca (Apocalipse 3.16).

 

V.12 – Aqui temos:

1. Uma suposta doença espiritual, que é a arrogância: Tens visto um homem? Sim, já vimos muitos, sábios aos seus próprios olhos, em sua própria opinião, que têm pouca sensatez, mas se orgulham dela, pensam que é muito maior do que realmente é; pensam que é maior do que a de qualquer de seus vizinhos, de modo que não precisam ter mais; têm tal convencimento de suas próprias habilidades que se tornam teimosos, dogmáticos e críticos; e todo o uso que eles fazem de seu conhecimento é o que os assoberba. Ou, se entendermos como sábio um homem religioso, isto descreve o caráter daqueles que, fazendo alguma exibição da religião, concluem que a sua condição espiritual é boa, quando na realidade é má, como a de Laodicéia (Apocalipse 3.17).

2. O perigo desta doença. Ela é, de certa forma, desesperada: maior esperança há no tolo, que sabe ser tolo e se reconhece como tal, do que nele, neste homem arrogante. Salomão não era somente um homem sábio, mas um professor de sabedoria; e ele fez esta observação sobre os seus alunos, pelo fato de que julgava o seu trabalho muito mais difícil e menos bem-sucedido com aqueles que tinham uma boa opinião sobre si mesmos e não percebiam que precisavam de instrução. Portanto, aquele que se julga sábio deve se fazer de tolo, para que possa ser sábio (1 Coríntios 3.18). Há mais esperança em um publicano do que em um orgulhoso fariseu (Mateus 21.32). Muitos são impedidos de se tornar verdadeiramente sábios e religiosos por um convencimento falso e infundado de que já o são (João 9.40,41).

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

POUCA IDADE PARA MUITA PRESSÃO

Todo excesso em educação tem um preço difícil a se pagar mais tarde. A ansiedade pode levar justamente ao fracasso escolar e à desmotivação para esportes, artes e outras atividades.

Pouca idade para muita pressão

Vítimas do desconhecimento e vaidade dos pais, do excesso de zelo ou negligência dos adultos no lar e na escola, de uma agenda excessivamente cheia de afazeres e planejamento absoluto de seus deveres e até dos momentos de diversão, das exigências em ser sempre bem-sucedido, popular, líder de grupo e outros tantos desafios extenuantes, vemos hoje um número excessivo de crianças e adolescentes ansiosos e que chegam a um nível de estresse muito impróprio para a pouca idade.

Além dos danos ligados ao emocional e ao social, existe um prejuízo pessoal que compromete o desenvolvimento e o aprendizado escolar. Exigir das crianças disciplina e dedicação às tarefas que são de sua responsabilidade, em casa e na escola, incutindo um desafio gradativamente alcançável, é sem dúvida desejável, pois proporciona motivação para o amadurecimento, mas é preciso atenção e cuidado com as cobranças.

Nos primeiros seis anos de vida, as crianças precisam de brincadeiras livres, mas também de brincadeiras estruturadas, nas quais os adultos agem como “modelos”, mas sem excesso de formalidade. E preciso agir com cautela, de acordo com o desenvolvimento e a idade da criança, privilegiando oportunidades em que as aptidões sociais possam ser treinadas com a supervisão dos pais.

As crianças são seres em desenvolvimento, não estão emocional ou biologicamente preparadas para enfrentar uma maratona que vai muitas vezes das 7h da manhã às 10h da noite, sem descanso. Precisam de pausas para assimilar o aprendizado, necessitam de tempo de brincadeira com os seus pares, de ar livre, exercícios físicos e um pouco daquilo que muitos pais chamam de tempo perdido, mas que na verdade é o melhor do dia: a hora em que podem curtir seus brinquedos, usar seu Ipad, fazer o esporte favorito, assistir um programa divertido, ler, conviver com os irmãos e amiguinhos. Depois podem voltar aos afazeres escolares, às aulas de música, de esportes, de idiomas etc.

É compreensível que os pais, trabalhando fora o dia todo, queiram ver os filhos ocupados com atividades dirigidas e bem supervisionadas e desejem enxergar o progresso da criança na forma de um boletim brilhante ou u campeonato bem-sucedido.

Porém nosso cérebro tem uma forma praticamente idêntica de reagir àquilo que interpreta como uma ameaça ao seu equilíbrio, seja verdadeira ou imaginária. Via de regra, o ser humano lida com as dificuldades de quatro maneiras, que são reveladoras de estresse e apontam para a necessidade de ajuda e compreensão dos adultos.

A primeira que se instala é uma súbita resistência infantil a mudanças, a tentativa constante de permanecer em meio a situações familiares que lhe parecem seguras e a relutância em enfrentar todo tipo de risco, por menor que seja. É o chamado comportamento de luta, que pode advir inclusive das próprias ansiedades dos pais, do desencorajamento para a criança crescer fazendo gradualmente suas opções e arcando com os resultados de suas ações. Ensinar limites e responsabilidades cria pessoas fortes e independentes, desde que tenham oportunidade de vivenciar na prática essas situações em que os pros, os contras e as consequências sejam claros. Sem pressão, mas com estímulo e o aprendizado de novas estratégias, a criança vai vencer essa relutância em se arriscar e desenvolver a resiliência para a frustração.

Também é comum nas crianças estressadas um comportamento de fuga, que se caracteriza por evitar determinadas circunstâncias, usando desculpas como doenças, cansaço, ficando à margem dos amigos, dos grupos, fazendo até coisas de que não gosta para fugir de situações que acha que não consegue enfrentar.

O comportamento de bloqueio lembra uma espécie de engessamento mental e físico, do qual não se consegue identificar a causa. Quando inquerida numa prova, a criança chega a parecer que não sabe nada. Quando está em situação de ser centro das atenções, perde a fala, comporta-se de modo estranho. Não suporta pressão, não sabe lidar com situações novas, o que na escola representa um problema de difícil manejo.

Junta-se ao quadro o comportamento gregário, ou seja, vive no grupo, se diluindo nele. Quer ser exatamente como os amigos, não deseja se destacar deles, segue suas normas e se torna superficial na aprendizagem escolar. O que muitos pais chamam de pré-adolescência precoce pode ser perfeitamente um sinal bastante sério de estresse infantil. Conhecer e conviver com os amigos dos filhos podem ser úteis para saber se o grupo tem ou não uma forma similar de agir que os pais privilegiam, seja em termos de comportamento social como também de interesse pelos estudos, esportes, artes etc.

É sempre aconselhável que as crianças tenham mais de dois grupos de amigos, para aprenderem a lidar com as diferenças e se sentirem mais seguras, menos ansiosas e mais preparadas para tomar as próprias iniciativas.

Ajudar as crianças a terem metas de acordo com suas aptidões é importante, até para elas aprenderem a identificar a finalidade de seus esforços em uma atividade.

Incentivar a terem suas próprias metas, planos, responsabilidades, estarem motivadas na tarefa escolhida, sentirem-se apoiadas pelos pais e terem tempo para ser crianças é uma complexa situação que no dia a dia corresponde a dar educação, criando filhos sem estresse e com ansiedade controlada a níveis favoráveis para seu perfeito desenvolvimento e aprendizado.

 

MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, EducaçãoEspecial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia –  ABPp (gestão 2005/07). É autora de artigos em publicações nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuroaprendizagem. irenemaluf@uol.com.br

 

OUTROS OLHARES

EM DEFESA DOS BEBÊS

A ciência já oferece avanços estupendos para gerar crianças saudáveis, e mais novidades virão em breve – mas as questões éticas continuam a assustar.

Em defesa dos bebês

“Experimentos em hibridização de plantas.” Foi em um artigo científico batizado com esse título e publicado em 1866 que nasceu o que hoje se conhece como genética. Nele o autor do texto histórico – o monge austríaco Gregor Mendel (1822-1884), formado em ciências naturais pela Universidade de Viena – detalhava um experimento de sete anos de duração. No total, Mendel cultivou 30.000 plantas de ervilha, dissecando as partes reprodutivas com o objetivo de promover cruzamentos controlados que permitiam escolher atributos dos vegetais. Assim ele podia, por exemplo, manipular a cor das flores e o formato das sementes. No fim das contas, o pesquisador provou algo que já se intuía; certas características dos pais são transmitidas a filhos, netos, bisnetos. Ou seja, são hereditárias. Passados mais de 150 anos, tudo o que se sabe sobre o DNA tem como base a estupenda experiência de Mendel. O detalhe a um só tempo extraordinário e preocupante é que a genética avançou a passos tão largos que hoje já se pode falar em “experimentos em hibridização de humanos”. Sim, não mais experimentos apenas em plantas, mas em humanos. Técnicas de edição genética que começaram a ser testadas nos anos 2010 permitem, de certo modo, que a ciência faça com bebês aquilo que o austríaco fez com ervilhas.

Não há dúvida de que as conquistas científicas nessa área abriram possibilidades de resolver muitos problemas relacionados à reprodução humana. Embora alguns desses avanços só venham a ser postos em prática em um período de dez a cinquenta anos, outros já estão sendo empregados. A lista de procedimentos bem-sucedidos é promissora.

Em 2014, realizou-se o primeiro transplante de útero que realmente deu certo, no hospital sueco da Universidade Sahlgrenska, em Gotemburgo: uma mulher, infértil, recebeu o órgão de outra, fértil, e, com isso, pôde gerar um filho. Desde então, mais sete bebês nasceram graças ao método, no mesmo hospital. Em dezembro último, um avanço surpreendente foi anunciado no Brasil. O médico obstetra Dani Ejzenberg, do Centro de Reprodução Humana do Hospital das Clinicas, executou esse transplante com uma diferença fundamental: a retirada do útero da doadora foi realizada após sua morte. “A cirurgia é delicadíssima. A técnica, porém, se prova ideal para mulheres mais velhas que querem engravidar. Ou, pensando no futuro, até para possibilitar o mesmo a transexuais”; disse Ejzenberg. O obstetra paulistano realizou a operação em setembro de 2016. O feito, entretanto, foi divulgado dois anos depois, quando um artigo do médico saiu no periódico inglês The Lancet.

No caso de transplantes de útero, a interferência ocorre, é claro, na mãe. Contudo, já é possível também atuar nos embriões. O mais estarrecedor dos procedimentos nessa direção foi revelado em novembro passado, pelo biólogo chinês He Jiankui. Foi quando o cientista apresentou a história das gêmeas Lulu e Nana, que tiveram o DNA modificado em laboratório. Mexeu-se nos embriões por meio de uma técnica chamada Crispr-Cas 91 que permite manipular o sequenciamento genético com a introdução de substâncias químicas. No processo das gêmeas, Jiankui desativou o gene CCR5, responsável por produzir proteínas que deixam o organismo vulnerável ao HIV – vírus presente no pai. Com a manipulação, as gêmeas nasceram imunes à aids. O resultado é uma grande notícia, mas traz questões de fundo altamente sensível e preocupante. Afinal, a edição genética de embriões humanos, tal como realizada por Jiankui, abre as portas para intervenções semelhantes às de Mendel. Ou seja: ela possibilita mudar a cor da pele, a textura do cabelo ou até mesmo traços comportamentais. Em outras palavras, dá asas aos mais perigosos anseios eugenistas, como os que levaram às catástrofes produzidas pelo nazismo, que buscava a pureza racial. Por esse motivo, a técnica de Jiankui é proibida em países como EUA e Brasil. Na China, onde foi realizada, não há lei que a libere nem que a proíba. Mas o governo parece ter julgado o ato ilegal. Dias após o anúncio da proeza, Jiankui sumiu; desconfia-se que tenha sido preso pelas autoridades.

Entre os recentes avanços científicos na genética, há possibilidades menos polêmicas. A fisioterapeuta paulistana Tatiana Weigand beneficiou-se de uma dessas conquistas. Na primeira tentativa de gravidez, em 2013, ela e o marido, Fernando, descobriram que ambos tinham a doença hereditária gangliosidose GMI, que afeta uma em cada 100.000 pessoas e atrasa o desenvolvimento motor e cognitivo. Eles não apresentavam sintoma da enfermidade, mas poderiam transmiti-la a um filho. Foi o que aconteceu. O primogênito do casal nasceu com a doença e, em decorrência de complicações, acabou falecendo dois anos após o nascimento. Antes da segunda gravidez, em 2014, Tatiana e Fernando souberam que já era possível mapear o código genético de embriões fecundados in vitro. Não para editá-los, como realizou o biólogo chinês, mas para selecioná-los, a exemplo do que Mendel fez com ervilhas. Assim, o casal valeu-se da fertilização in vitro, e os embriões foram rastreados atrás de um que fosse livre da gangliosidose. Nasceram, então, saudáveis, os gêmeos Eduardo e Rafael. “Algumas pessoas próximas me julgaram, achando que o que fiz iria contra os planos de Deus”, relatou a mãe. “É preciso compreender que a triagem não teve o intuito de escolher características superficiais e sim garantir a sobrevivência de meus filhos.”

O procedimento é acessível a qualquer um que tenha como pagar em torno de 30.000 reais. Quem não dispõe dessa quantia pode recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS.) Foi o que fez a enfermeira Talitha Pádua, paulista da cidade de Marília. Em uma consulta prévia, o marido, Rodrigo, já havia detectado que tem neoplasia endócrina múltipla, condição que leva ao desenvolvimento de tumores que reduzem a 50% a chance de um filho saudável. “Alguns médicos especulavam que, devido aos genes do meu marido, as chances de gerar uma criança saudável eram baixíssimas sem a triagem genética”, lembrou ela, que decidiu apostar. Em procedimento realizado pelo SUS no Hospital Pérola Byington, em São Paulo, foi possível optar por um embrião saudável – e dele nasceu Davi, hoje com 4anos.

A tecnologia atual nem sempre detecta previamente doenças genéticas. A administradora de empresas paulistana Juliana Sena, por exemplo, entrou em desespero ao saber que sua filha, Giovanna, que nasceu em 2014, tinha anemia falciforme – doença que altera o formato dos glóbulos vermelhos – e estava em estágio tão grave que os médicos não davam à criança mais do que poucos meses de vida.

A solução seria um transplante de medula óssea, mas não se encontrava um doador compatível. Juliana recorreu, então, à triagem genética. “Selecionamos um embrião para gerar meu outro filho, Matheus, de forma que ele tivesse células compatíveis”, recordou a mãe. Matheus nasceu em 2016 e logo passou por uma cirurgia de transplante de células para sua irmã. Deu certo. Curada, Giovanna completará 5 anos em 2019. Em um futuro próximo, casos graves como o de Giovanna poderão ser solucionados de maneira mais simples. É o que aponta um experimento em curso com o americano Brian Madeux, de 44 anos. Ele nasceu com síndrome de Hunter, anomalia cromossômica que cria deformações físicas. Em novembro de 2018, Brian tornou-se o primeiro individuo a submeter-se a um novo tipo de tratamento, que edita os genes defeituosos. Adicionadas à sua corrente sanguínea, substâncias manipularam células do fígado. Ainda não se sabe em que medida o tratamento teve êxito, mas, se vingar, a experiência mostrará que, no futuro, será possível exterminar praticamente todas as doenças hereditárias. Já se testou até mesmo um método que mistura o DNA dos pais com o de uma doadora para diminuir a probabilidade de o filho nascer com anomalias. Exibida em 2016 por médicos mexicanos e americanos, a técnica mesclou genes para gerar uma criança sem a síndrome de Leigh, que afeta o sistema nervoso e que poderia ter sido transmitida pela mãe.

Ao que tudo indica, em poucas décadas qualquer pessoa poderá recorrer à genética para orientar a gestação. É um inegável progresso para garantir a saúde dos bebês. Entretanto, esse horizonte arrasta consigo a sombra de uma distopia aterrorizante, como a narrada pelo escritor inglês Aldous Huxley (1894-1963) em sua obra-prima Admirável Mundo Novo (1932).

No livro, conta-se a história de um mundo no qual crianças são editadas geneticamente para que uma maioria nasça com déficits físicos e mentais, “preparando-as” para encarar trabalhos insalubres, enquanto uma minoria ganha aprimoramentos. Assim, os privilegiados acabam incumbidos, naturalmente, da tarefa de governar. Fora da ficção, deve-se atentar para o que disse He Jiankui, o pioneiro editor de genes: “A sociedade decidirá o que deve fazer a seguir”.

Em defesa dos bebês. 2

 

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GESTÃO E CARREIRA

SALÁRIO DE ALTO RENDIMENTO

Manter as finanças no azul ganhando pouco é um desafio. Saiba como pagar as contas, poupar e realizar seus projetos recebendo 2.700 reais, o contracheque médio de entrada pago pelas empresas brasileiras.

Salário de alto rendimento

Os primeiros anos de vida profissional não são mais difíceis apenas pela adaptação ao mundo corporativo. Além da preocupação em dar os passos certos no início da carreira, vem a responsabilidade de administrar bem o salário recebido, que não costuma ser muito alto. De acordo com os dados da pesquisa do Guia Melhores Empresas para Começar a Carreira, realizada em parceria com a Fundação Instituto de Administração (FIA), o salário médio pago aos profissionais entre 18 e 26 anos nas 40 empresas com melhores práticas de gestão para o jovem é de 2.700 reais. Com uma inflação em torno de 7%, será que é possível pagar as próprias contas sem entrar no vermelho e poupar para realizar projetos pessoais recebendo essa quantia? “Independentemente do valor do salário, é preciso conhecer seu custo de vida e estabelecer os objetivos a serem alcançados. Assim é que se cria o hábito de poupar”, diz Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros e da consultoria DSOP Educação Financeira, de São Paulo. Cuidar bem do próprio dinheiro é importante não só para ficar no azul, mas também para fazer boas escolhas profissionais e assegurar o crescimento de carreira. “Quem não lida bem com o dinheiro e não faz reservas pode acabar tomando decisões considerando apenas o salário, e não a melhor oportunidade”, afirma Conrado Navarro, do site Dinheirama. Por outro lado, quem tem uma vida financeira organizada pode fazer um planejamento mais cuidadoso de sua carreira. “A pessoa pode optar mais facilmente por trocar de trabalho ou até empreender, se quiser. Sem contar que evita problemas de desempenho relacionados ao endividamento, como baixa produtividade, absenteísmo e estresse”, diz Conrado.

O analista comercial paulistano Luiz Henrique Ramos, de 24 anos, é um dos que enxergam a boa administração do dinheiro como um investimento na carreira. Mesmo ganhando 2.400 reais líquidos, ele inclui no orçamento um MBA na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. “O valor da mensalidade consome cerca de 60% do meu salário, e ainda poupo 20% dele para um intercâmbio que pretendo realizar em 2017. O restante uso para cobrir as despesas”, afirma. Como ele tem priorizado os investimentos na carreira, foi preciso adiar os planos de morar sozinho. “Por morar com meus pais, não tenho gastos com moradia, e isso alivia muito o meu orçamento”, diz ele. Mesmo assim, para não perder o controle de quanto pode gastar, Luiz anota todas as despesas, opta por comer sempre em casa em vez de nos restaurantes da faculdade e limitou as saídas a uma vez por mês. “Troquei o cinema ou a balada pelo Netflix”, diz.

Mas e quem não conta com a facilidade de morar com os pais? A assistente financeira Layane Oliveira, de 23 anos, de São Paulo, se enrolou com as faturas do cartão de crédito depois que se casou, há dois anos. “Quando morava com meus pais não precisava ajudar nas despesas da casa e gastava muito com roupas, sapatos, restaurantes. No ano passado, com as contas da casa, não consegui mais pagar as faturas e entrei no rotativo, naquele efeito bola de neve”, afirma. Para se reorganizar, Layane buscou um serviço de assessoria financeira oferecido pela empresa onde trabalha. Ela aderiu a uma planilha para registrar todo o dinheiro que entra e que sai, diminuiu as compras parceladas as grandes vilãs do seu orçamento e, ao lado do marido, passou a buscar opções de lazer mais baratas. “Agora procuramos descontos em sites de compras coletivas e diminuímos a frequência dos passeios”, diz. O esforço concentrado rendeu resultados. Quase um ano depois, em maio, pela primeira vez, Layane está conseguindo poupar dinheiro. “Liquidei os parcelamentos e consegui guardar 10% do meu salário”, diz ela. “Agora, em no máximo cinco anos, pretendo dar entrada na casa própria”, afirma. Para Thiago Alvarez, do aplicativo de planejamento financeiro Guia Bolso, Layane está indo pelo caminho certo ao evitar as compras parceladas no cartão. “Os parcelamentos sem juros são uma armadilha, porque fazem com que o consumidor acumule uma série de prestações. Num deter- minado momento, todo o orçamento pode ficar comprometido por causa delas, sem que sobre dinheiro para as despesas básicas do dia a dia”, diz. Por isso, o ideal é fazer um parcelamento de cada vez, e só para projetos realmente caros, como financiar um veículo ou um imóvel. Esses projetos, por sua vez, exigem atenção redobra- da. “O jovem precisa ter paciência para concretizar os sonhos de consumo, e não achar que só porque está ganhando seu dinheiro pode sair comprando tudo”, diz Conrado Navarro. “Nossas pesquisas mostram que grande parte dos brasileiros não sabe quanto ganha de verdade e superestima sua renda em cerca de 8%. Isso é um problema, porque dá uma falsa sensação de ter mais dinheiro do que se tem”, diz Thiago Alvarez.

Salário de alto rendimento. 2

ESTICA-E-PUXA

As dicas para fazer o orçamento render quando o dinheiro é curto

Salário de alto rendimento. 3

GASTOS COM MORADIA

As despesas com habitação não devem comprometer mais de 20% da renda, ou seja, para quem tem um salário líquido de 2.400 reais, os gastos não devem superar 480 reais – o que é muito pouco. Portanto, a solução é dividir o apartamento, morar mais longe do trabalho ou ficar na casa dos pais.

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CONTABILIZE TUDO

Recorrendo a aplicativos, planilhas ou até a papel e caneta, faça um controle de quanto você ganha e de quanto gasta. Desse total, destine 50% a gastos essenciais, presentes no seu orçamento todo mês. Destine 35% para gastar com lazer ou com itens do seu estilo de vida e guarde 15% para projetos pessoais.

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CASADO E COM FILHOS

Mesmo que os gastos sejam divididos, é preciso aumentar a reserva financeira para imprevistos, como perder o emprego, por exemplo. “Tenha cuidado com os gastos fixos para que eles não drenem mais da metade do orçamento. Economize em serviços como telefone, TV a cabo e internet, cujo custo é variável”, afirma Conrado Navarro.

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SOLTEIRO

Se você ainda não formou uma família, aproveite para investir melhor. Como não precisa reservar 50% do seu orçamento para gastos fixos, invista 35% dele. Quem tem um salário líquido de 2.400 reais e aplica esse percentual – 840 reais – todo mês na poupança acumula quase 23.000 reais em 24 meses. Com esse dinheiro, dá para investir em um curso ou numa viagem.

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FAÇA SOBRAR

Muita gente diz que começará a poupar quando ganhar melhor. Mas o hábito de economizar precisa estar presente sempre. “Mesmo que sejam 200 reais, o importante é criar o hábito de acumular. Assim, quando você passa a ganhar mais, esses 200 reais se tornam 500 ou 2.000 reais de forma natural, porque isso já faz parte do seu planejamento”, diz Conrado Navarro. Para ficar mais fácil, crie metas para o valor poupado, como quitar uma dívida, trocar de celular ou fazer uma viagem, por exemplo.

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DISPENSE O CARTÃO DE CRÉDITO

Quem tem um salário curto deve cancelar o cartão de crédito ou ter no máximo um. “O cartão dá a falsa sensação de que se tem dinheiro a mais, porque você gasta contando com o salário do próximo mês. Para evitar essa armadilha, o ideal é usar o cartão só para compras emergenciais”, diz Thiago Alvarez, do GuiaBolso. Se não tem esse autocontrole, cancele a função crédito e fique só com o débito.

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INVISTA MESMO COM POUCO

Ganhar pouco não é desculpa para deixar de investir. Atualmente, devido ao cenário de juros altos, o Tesouro Direto tem se mostrado uma boa alternativa, com opções de aplicações a partir de 30 reais. “O risco é baixo, a transação é feita pela internet, de forma rápida, e a rentabilidade é maior que a da poupança”, afirma Conrado. Mas fique atento à taxa de custódia das administradoras, que não deve ultrapassar 0,5% ao ano.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 26: 6 – 9

Alimento diário

O TRATAMENTO APROPRIADO PARA OS TOLOS

 

V. 6 a 9 – Para nos recomendar a sabedoria e nos incentivar ao uso diligente de todos os meios para obtê-la, Salomão aqui nos mostra que os tolos não são adequados para nada: ou são homens embrutecidos, que nunca pensam ou que não têm nenhum desígnio, ou homens ímpios, que nunca pensam o bem, ou têm boas intenções.

1. Eles não são adequados para que lhes seja confiado nenhum assunto nem missão (v. 6): Aquele que envia mensagens pela mão de um tolo, de uma pessoa descuidada e desatenta, alguém que está tão cheio de suas brincadeiras e que é tão dado aos seus prazeres que não consegue concentrar a sua mente em nada que seja sério, terá a sua mensagem mal interpretada, metade dela, esquecida, e o restante transmitido de maneira desajeitada, e com tantos equívocos que poderia ter igualmente cortado suas pernas, isto é, nunca ter enviado esse mensageiro. Na verdade, beberá dano; será para seu próprio prejuízo ter empregado este mensageiro que, em lugar de lhe trazer um bom relato de seus assuntos, o trata mal e zomba dele; pois, no linguajar de Salomão, um trapaceiro e um tolo têm o mesmo significado. Será a infelicidade de um homem usar o serviço de um tolo, pois as pessoas são propensas a julgar o senhor pelo seu mensageiro.

2. Eles não são adequados para receber nenhuma honra. Salomão tinha dito (v. 1), “não é conveniente ao louco a honra”; aqui, ele nos mostra que ela é perdida e desperdiçada nele, como se um homem jogasse uma pedra preciosa, ou uma pedra apropriada para ser usada em pesagens, em um monte de pedras comuns, onde ficaria enterrada e não teria utilidade; isto é tão absurdo como se um homem vestisse uma pedra de púrpura (segundo alguns); ou melhor, é perigoso, é como uma pedra presa em uma funda, com que um homem provavelmente fará o mal. Dar honra a um tolo é colocar uma espada na mão de um louco, com que não sabemos qual dano poderá fazer, mesmo aos que colocaram a espada na sua mão.

3. Eles não são apropriados para transmitir dizeres sábios, nem devem se dedicar a cuidar de nenhum assunto de importância, ainda que sejam instruídos a este respeito, e sejam capazes de dizer algo sobre isto. Os dizeres sábios, quando um tolo os transmite e aplica (de maneira que podemos perceber que ele não os entende corretamente) perdem sua excelência e utilidade. Uma parábola na boca dos tolos deixa de ser uma parábola, e se torna uma pilhéria. Se um homem leva uma vida de iniqüidade, mas fala religiosamente e toma o concerto de Deus em sua boca:

(1) Ele apenas envergonha a si mesmo, e à sua profissão: como as pernas do coxo não são iguais, porque o seu andar é inadequado, igualmente inadequado é que um tolo tenha a pretensão de proferir máximas, e dar conselhos, e que fale de maneira devota um homem cujo modo de vida é uma constante contradição ao que ele diz, e que o desmente. As suas boas palavras o exaltam, mas então a sua má vida o derruba, e assim suas pernas não são iguais. “Uma palavra sábia” (diz o bispo Patrick) “é tão inapropriada para um tolo como dançar é inapropriado para um aleijado, pois, da mesma maneira como a sua deficiência nunca é tão evidente como quando ele deseja parecer ágil, também a tolice do outro nunca é tão ridícula como quando ele deseja parecer sábio”. Da mesma maneira, portanto, como é melhor que um coxo fique sentado, também é melhor que um tolo, ou um homem ímpio, refreie a sua língua.

(2) Ele apenas provoca danos com essa palavra sábia, a si mesmo a aos outros, como o espinho que entra na mão do ébrio, com que o próprio bêbado fere a si mesmo e aos que estão à sua volta, porque não sabe como lidar com ele. As boas obras dos que falam bem, mas que não vivem bem, agravarão a sua própria condenação, e os outros serão insensibilizados pela sua incoerência para consigo mesmos. Alguns atribuem o seguinte sentido: a palavra mais brilhante ou perspicaz, pela qual imaginaríamos que um pecador tivesse perfurado seu coração, não causa maior impressão sobre um tolo (ainda que venha da sua própria boca), do que o arranhão de um espinho provoca na mão de um homem embriagado, que não o sente nem se queixa dele (Provérbios 23.35).

 

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ELE E ELA – COMPLETUDE OU CONFORTO?

Homens e mulheres diferem no comportamento porque uma parte importante tem suas raízes na cultura, na educação, na vida social, e tudo o que fazemos acontece a partir de determinação cerebral.

Ele e ela - completude ou conforto

Estudos neuropsicológicos constatam que as diferenças existem entre homens e mulheres e não são exclusivamente culturais. Os pesquisadores de Harvard descobriram que determinadas partes do córtex frontal, envolvido em funções cognitivas importantes, são proporcionalmente mais volumosas em mulheres do que em homens, assim como partes do córtex límbico, envolvido nas reações emocionais. Outra região do cérebro que difere anatomicamente entre os sexos em sua resposta ao estresse, e o hipocampo, estrutura essencial para o armazenamento de lembranças e para o mapeamento espacial do ambiente. Essas divergências anatômicas podem estar ligadas à diferença no modo como homens e mulheres se comportam: os homens tendem a se orientar estimando a distância e sua posição no espaço, enquanto as mulheres se orientam observando pontos de referência.

Seguindo nas comparações entre estruturas cerebrais, o aumento na densidade do córtex auditivo feminino pode estar relacionado ao melhor desempenho em testes de fluência verbal. Essas características não representam mais capacidades, mas a maneira como a estrutura do nosso cérebro se desenvolve. Existe a capacidade de reagir de maneira diferente à violência, o que não quer dizer, obviamente, que as mulheres não possam ser agressivas.

Em relação à inteligência emocional, a situação não é diferente. A inteligência emocional pode ser entendida como a capacidade de se conhecer para lidar bem consigo mesmo e, da mesma forma, conhecer e lidar bem com o outro, nos relacionamentos sociais, familiares ou profissionais. Dessa forma, trata-se da capacidade de conciliar as emoções e a razão, de modo a facilitar esse equilíbrio fundamental na habilidade de trabalho em grupo ou para ouvir nossos próprios sentimentos.

As mulheres apresentam melhor desempenho em relações humanas e tendem a se sobressair em empatia e proteção. Por outro lado, os homens têm mais facilidades na independência e nas habilidades matemático-espaciais. A região parietal inferior do córtex no hemisfério esquerdo é maior nos homens, privilegiando as habilidades mentais de raciocínio matemático, conforme foi verificado no cérebro de Albert Einstein e de outros físicos e matemáticos.

Foi descoberto, no entanto, que o cérebro das mulheres processa a linguagem verbal nos dois hemisférios simultaneamente, enquanto os homens só processam a linguagem verbal no hemisfério esquerdo. Como consequência dessa descoberta, na Universidade de Yale percebeu-se que os homens e as mulheres usam estratégias diferentes para desempenhar as funções cognitivas. Se de um lado eles têm força corporal para competir, elas conseguem vantagens sociais através da argumentação e da persuasão.

É interessante, ainda, que existe um feixe de fibras nervosas ligando os dois hemisférios cerebrais, sendo esse o ponto essencial do desenvolvimento intelectual. Esse feixe é maior nas mulheres, que acessam várias partes do cérebro para resolver determinado problema, enquanto os homens pensam com regiões mais específicas do cérebro, podendo ter respostas mais sintetizadas e objetivas, menos analíticas.

 

 

 

 

Atualmente, em virtude do acentuado desenvolvimento tecnológico, as relações sociais transformam-se em sua essência, provocando um descompasso na construção identitária do sujeito pós-moderno, que aumenta velozmente a sua interação com a máquina enquanto, inversamente, diminui seu contato com o gênero humano, dificultando o exercício da chamada inteligência emocional porque se dedica mais ao computador que ao conhecimento de si, enquanto pessoa.

Segundo Foucault (1926-1984), o estudo da sexualidade deve centrar-se nos discursos do desejo, explorando as palavras, a linguagem e os símbolos.

Desse modo, a sociedade se constrói nas relações afetivas, familiares, educacionais e profissionais. Sem dúvida, é na família que a identidade da mulher e do homem recebe as primeiras programações culturais. A divisão dos papéis entre o casal para a educação dos filhos reflete os valores e as crenças da instituição familiar. Cada família tem regras e valores próprios. É comum no Ocidente que as meninas, ainda no berçário, ganhem brincos e recebam um laço de fita na cabeça logo após nascer. Os meninos são comemorados sem esses detalhes. Assim, daquele momento em diante, instala-se um aprendizado que deverá fazer parte da identidade feminina ou masculina, num contexto social. A identidade é produto social e reflexo do olhar do outro, ou seja, de como o outro nos percebe, porque o autoconceito se forma a partir das informações que se recebe.

Para Foucault (1926-1984), que enfatiza o papel do poder na evolução do discurso em sociedade, as contradições podem ser vistas como um princípio organizador. O conjunto de traços contraditórios fundamenta os discursos que na atualidade se desdobram em diversos temas sobre os sexos, no qual a mulher é associada ao dilema entre carreira e maternidade, à culpa, à angústia, à incompletude, convergindo para uma identidade em crise, enquanto o homem segue competindo pelo poder e domínio, porém liberado para se emocionar, fazer tarefas caseiras e demonstrar afetividade.

Enfim, o crescimento do número de mulheres em lugares anteriormente ocupados apenas por homens deverá contribuir para o aumento considerável de valores como compreensão, solidariedade e aceitação de diferenças, contribuindo para um mundo mais justo e inclusivo, que abrace a diversidade de gênero.

 

LUIZA ELENA L. RIBEIRO DO VALLE – é psicóloga, doutora em Ciência no Departamento de Psicologia Social (USP/SP). Mestre em Psicologia Escolar e Educacional (PUC-Campinas), MBA Executivo em Psicologia Organizacional (AVM-Brasília), extensão em Gestão de Pessoas (FGV). Formação em Coaching (Lambent), especialização em Psicologia Clínica (CFP) na linha Cognitivo –Comportamental, consultora em Psicopedagogia, autora de livros.

OUTROS OLHARES

NOITES BRANCAS ELETRÔNICAS

Estudo comprova que usar aparelhos como smartphone e tablet em lugares escuros antes de dormir afeta a qualidade do sono dos adolescentes.

Noites brancas eletrônicas

Olhe por uma nesga da porta do quarto de seu filho: sete em cada dez adolescentes utilizam algum aparelho eletrônico antes de dormir. O impacto negativo desse hábito na qualidade do sono foi sempre uma certeza dos pais, mas não havia comprovação cientifica tão certeira. O maior estudo já conduzido sobre o assunto, publicado na revista científica Environment Interntional, decretou o fim das dúvidas: sim, usar smartphones, tablets, laptops e vídeo games na escuridão do quarto antes de dormir afeta seriamente a qualidade do sono. Ficar conectado no breu até uma hora antes de dormir é ainda pior do que fazê-lo com a luz do quarto acesa. Cinco vezes pior.

O efeito prejudicial do uso de telas no escuro tem uma base fisiológica e outra comportamental. A fisiológica: quando a luz do quarto está apagada, a pupila se dilata, e os olhos ficam ainda mais expostos à incidência da claridade proveniente das telas, chamada de “luz azul”. É um tipo de luz com grande interferência no organismo porque a cor azul inibe a produção do hormônio que induz o sono, a melatonina. Tal substância é essencial para regular o ciclo de sono e vigília. Alguns modelos de celular já vêm com uma película de proteção contra essa fonte luminosa ou estão equipados para neutralizar a luz azul à noite – o objetivo dessas novidades é diminuir quase totalmente a emissão de luz azul filtrando-a. Agora, a base comportamental: a luz apagada “engana” os pais. “O adolescente que fica no quarto escuro, em tese, não estaria mais acordado, e os pais não desconfiam que possa estar conectado nos aparelhos”, diz a neurologista Andrea Bacelar, da Associação Brasileira do Sono (meninos e meninas, desculpem-nos pela revelação, mas saibam que era um segredo de polichinelo).

Noites brancas eletrônicas. 2

O estudo, conduzido pelo Imperial College London, no Reino Unido, foi feito com 6.616 jovens com idade média de 12 anos, usuários de todos os tipos de tela e para os mais diversos fins – tanto para estudo como para diversão. Os adolescentes responderam a detalhados questionários para medir o papel dos aparelhos no sono e na qualidade de vida. Os que utilizavam os dispositivos antes de dormir tinham noites de descanso mais curtas (o ideal nessa fase da vida são ao menos nove horas de repouso) ou sofriam para pegar no sono. Além disso, despertavam várias vezes durante a noite ou acordavam mais cedo que o normal. O trabalho mostrou que o aparelho mais usado é o smartphone, seguido do tablet.

Um sono ruim afeta drasticamente a vida de qualquer pessoa. Na adolescência, o impacto no corpo é ainda maior. Nessa fase, a necessidade de sono vem, em especial, de uma mudança fundamental no organismo: a puberdade. Para que essa condição, caracterizada por uma revolução hormonal se realize plenamente, é preciso que o adolescente tenha um sono reparador -do contrário, ele poderá sofrer prejuízos ao longo do desenvolvimento. A falta crônica de sono (que significa dormir muito pouco, menos que as tais nove horas, ao longo de um mês, no mínimo) acarreta a liberação de mais cortisol, o hormônio associado ao stress. Com isso, eleva-se o risco de oscilações bruscas de humor, depressão e transtornos de ansiedade. É também durante o sono que o corpo aumenta a liberação de GH, o hormônio do crescimento ósseo e muscular. Em outras palavras: o adolescente cresce quando dorme. O risco de obesidade é igualmente maior nos jovens que dormem pouco, pois os hormônios relacionados ao ciclo de fome e saciedade, como a grelina e a leptina, são produzidos durante a noite. Se não se dorme direito, o impacto imediato também é péssimo: em relação à escola, destacam-se faltas e atrasos, dificuldades de atenção, problemas de memória, concentração e aprendizagem, que levam à redução no desempenho escolar. Despontam também problemas comportamentais, com uso e abuso de drogas, acidentes de carro e baixa imunidade.

Apesar de todas as evidências científicas, a batalha para afastar um filho da tecnologia é inglória. Há solução? Talvez não, mas convém um pouco de bom-senso. Um caminho é estabelecer regras. “Tentem fazê-lo deixar o celular carregando no corredor durante a madrugada”, diz a neurologista Andrea Bacelar. Boa sorte aos pais.

Noites brancas eletrônicas. 3

GESTÃO E CARREIRA

OU ISTO OU AQUILO

Pessoas que enxergam todos os lados de uma questão normalmente são tachadas de indecisas, mas essa qualidade – conhecida como ambivalência – pode ser uma grande ferramenta no trabalho se bem usada.

Ou isto ou aquilo

Quente e frio, claro e escuro, cabeça e coração. Operações simples como estas fazem parte de nosso cotidiano e explicam em muito a forma como raciocinamos: em pares. Quase sempre uma ideia tem seu oposto definido, que é, muitas vezes, visto como excludente. “É da natureza do ser humano a dualidade”, diz José Roberto Marques, coach e presidente do Instituto Brasileiro de Cooching, em São Paulo. Na língua, expressamos essa dualidade com esses opostos, mas a realidade é mais complicada e menos dividida. ”É por isso que uma escolha pode ser um momento difícil porque envolve optar por um destes caminhos supostamente opostos, que às vezes se confundem. Especialmente para as pessoas denominadas ambivalentes.

A ambivalência ocorre quando vemos todos os fatores de uma questão, dando igual importância às possíveis perspectivas, e nos sentimos divididos. Todos nós podemos passar por essa situação, mas há pessoas que costumam agir assim para a maior parte dos problemas. Para elas, o cenário se torna tão cheio de detalhes e nuances que uma decisão dificilmente parece ser suficiente para dar conta de tudo. Por isso, são constantemente tachadas de indecisas e em cima do muro, às vezes de forma injusta. “Ambivalência não é indiferença nem ignorância”, diz Roberto Camanho, sócio-diretor da consultoria Side-C e professor da ESPM, de São Paulo. “Significa que se tem fortes convicções em duas direções”. E essa atitude não é, necessariamente, um defeito.

Isso porque ela nos motiva a buscar mais informações e a não nos contentarmos com a primeira resposta. Em uma situação ruim, por exemplo, essas pessoas têm mais facilidade em encontrar aquilo que pode ser positivo. Também são mais hábeis em organizar as informações disponíveis e entender as consequências de diferentes decisões. Apesar de o mundo corporativo exigir respostas rápidas e decisões assertivas e cobrar dos líderes uma postura mais objetiva, a ambivalência, se bem usada, pode trazer benefícios para os negócios e para as equipes. Um estudo de 2009 feito por Nils Plambeck (professor da escola de negócios francesa HEC Paris) e Klaus Weber (da americana North­ western University) com CEOs alemães descobriu que os líderes que abrem espaço para a ambivalência conseguem resultados mais criativos e mais inovadores. A explicação é que, quando os presidentes conseguem expressar fortes sentimentos tanto a favor quanto contra uma ideia, eles despertam uma participação maior da equipe, que busca soluções diferentes para aquele problema. Assim, um líder que expressa claramente dois lados da mesma moeda pode criar uma energia positiva para a busca de soluções.

Ou isto ou aquilo. 2

UM PROCESSO DIFERENTE

Apesar de ser considerada por muitos como improdutiva, a ambivalência é apenas uma forma diferente de lidar com as coisas. Uma pessoa que age rapidamente e faz ajustes ao longo da ação para corrigir a primeira decisão normalmente é vista como alguém que resolve rápido. Já outra que pensa por mais tempo antes de agir, mas, uma vez decidida, age mais rapidamente, é vista como lenta e indecisa. “São processos diferentes, mas, no fim o tempo de entrega é o mesmo”, diz Fernando Seacero, psicólogo e cofundador da i9ação, consultoria de recursos humanos em São Paulo. A diferença é que o primeiro age antes e corrige durante o processo e o segundo tenta prever os possíveis erros para agir uma só vez – ele leva mais tempo para decidir, mas sua ação tende a ser menos custosa no longo prazo.

A cultura da decisão rápida também tem seus críticos. O autor britânico Carl Honoré defende em Solução Gradual (Editora Record) que, para resolver problemas complexos de forma consistente, temos que parar de buscar soluções simples e imediatistas. “Tentar resolver problemas com pressa, colocando esparadrapo quando se precisa de cirurgia, traz um alívio temporário. Mas mais tarde se paga o preço”, diz Carl. Paciência, energia e tempo são necessários para refletir a respeito de uma questão complexa. Nesse caso, quem tem uma visão ambivalente sai ganhando, já que essa característica pode ser um instrumento para análises mais profundas. Só que saber usá-la pode ser um grande desafio.

Ficar atormentado pelas diferentes possibilidades foi algo pelo qual o empresário Ângelo Almeida, de 41 anos, de São Paulo, já passou diversas vezes. “Quando era mais novo, ficava ansioso pensando nas coisas que tinha de resolver”, diz. Ele conta que chegou a passar noites em claro considerando os diversos cenários para uma decisão. Foi assim quando teve de decidir sair de um emprego em uma grande empresa de tecnologia para abrir sua própria consultoria de sistemas. Hoje, ele diz que desenvolveu mecanismos para lidar com o nervosismo, mas continua sendo analítico em problemas mais sérios. “Acho que pensar assim me faz tomar decisões melhores e com mais segurança, afirma.

Para não se perder, ele coloca as dúvidas no papel, com listas de prós e contras. E, a partir do momento em que toma uma decisão, vai até o fim. Ângelo costuma fazer um exercício diário de aceitar que cada decisão é uma renúncia, especialmente para não se questionar uma vez tendo feito sua escolha. Em seu trabalho como consultor, ele usa constantemente a sua ambivalência para buscar as melhores soluções para os clientes e para mediar conflitos. “Como consigo ver os dois lados, é fácil me distanciar e conduzir uma conversa”, diz. “E sou sempre aquele que diante de situações extremas levanta a mão e fala ‘mas tem outro lado, vamos tentar ver o positivo’”.

Ou isto ou aquilo. 3

MAIS DE UMA REPOSTA

Um fator que dificulta a tomada de decisão dos ambivalentes é a ideia de que há uma única resposta correta. “Aprendemos desde a escola que somos obrigados a resolver todos os problemas”, diz Roberto. Essa pressão traz sofrimento porque, às vezes, diferentes atitudes podem ser igualmente válidas. E, não sabendo lidar com isso, podemos ficar paralisados. A recomendação não está em mudar seu Jeito de analisar o problema, mas usá-lo a seu favor, como conseguiu fazer Ângelo ao longo da carreira. Importante ressaltar que esse é um processo contínuo e que melhora conforme temos mais maturidade, inclusive para perceber quais problemas merecem, de fato, toda essa atenção. “Tem gente que se perde alimentando o próprio sofrimento”, diz Roberto. “A pessoa cultiva a ambivalência em toda oportunidade.” Por exemplo, podemos perder um tempo enorme considerando escolhas simples, como o sabor de um sorvete. Para essas decisões de baixo impacto, é preciso criar rotinas para vencê-las rapidamente e dedicar energia ao que realmente importa.

A se ver dividido em uma questão importante, tente exagerar o cenário das possíveis decisões. “Esse exercício serve para sentir um impacto maior ao avaliar racionalmente as consequências”, diz José Roberto. O exagero força o cérebro a buscar outras situações que ele conhece e, por vezes, elaborar novas associações, trazendo soluções não pensadas. A intuição ou o insight, normalmente vêm disso. Você pode também separar as variáveis que interferem na sua escolha: primeiro, o que vai ganhar com uma decisão. Depois, o que perderá com ela. E, por fim, o que ganha e perde caso escolha o contrário.

Outro conselho é estabelecer uma data limite para a tomada de decisão e se permitir experimentar decisões sem ter todas as informações disponíveis, para aumentar sua confiança. Mas, caso perceba que questiona todas suas decisões e se vê frequentemente sem conseguir escolher, pode ser o caso de buscar ajuda. E é importante lembrar que não podemos cobrar de nós mesmos uma racionalidade infalível. “Não somos o doutor Spock”, diz Roberto. “Ficamos chateados porque temos a falsa ideia de que somos completamente racionais. “Mas a verdade é que não somos capazes de dar conta de todas as possibilidades e cenários que o mundo oferece. Muitas vezes o que nos faz pender para um lado ou outro é um sentimento. E tudo bem.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 26: 1 – 5

Alimento diário

O TRATAMENTO APROPRIADO PARA OS TOLOS

 

V. 1 – Observe:

1. É muito comum que recebam honra os tolos, que são completamente indignos dela, e inadequados para ela. Os homens ímpios, que não têm juízo nem razão, nem graça, são, às vezes, preferidos por príncipes, e aplaudidos e aclamados pelo povo. A tolice é considerada com grande dignidade, como observou Salomão (Eclesiastes 10.6).

2. É muito absurdo e inconveniente, quando isto acontece. É algo tão incongruente como a neve no verão, e uma perturbação tão grande na comunidade como essa neve é, no curso da natureza e nas estações do ano; na verdade, é tão prejudicial como a chuva na sega, que atrapalha os trabalha­ dores e estraga os frutos da terra quando estão prontos para ser colhidos. Quando os ímpios estão no poder, normalmente abusam desse poder, desencorajando a virtude e tolerando a iniquidade, por falta de sabedoria para discernir a primeira e de graça para detestar a segunda.

 

V. 2 – Aqui temos:

1. A tolice da paixão. Ela faz com que os homens profiram maldições sem causa, desejando o mal aos outros, supondo que eles são maus e agiram mal, quando interpretam mal a pessoa, ou quando interpretam mal os fatos, ou ao mal chamam bem e ao bem, mal. Dê honra a um tolo, e ele profere seus anátemas contra todos aqueles que o desgostam, certo ou errado. Os nobres, quando são ímpios, pensam que têm um privilégio para conservar o respeito e a reverência daqueles que estão a seu redor, amaldiçoando-os e ofendendo-os, o que é uma expressão da mais impotente perversidade e mostra a sua fraqueza, tanto quanto a sua iniquidade.

2. A segurança da inocência. Àquele que é amaldiçoado sem causa, seja por furiosas imprecações ou solenes anátemas, a maldição não lhe provocará maior dano do que o pássaro que voa sobre a sua cabeça, do que as maldições de Golias causaram dano à Davi (1 Samuel 17.43). Ela voará, como a andorinha ou a pomba, que ninguém sabe para onde vai, até que retorne ao seu lugar apropriado, como a maldição, no final, retornará sobre a cabeça daquele que a proferiu.

 

V. 3 – Aqui:

1. Os ímpios são comparados com o cavalo e o jumento, tão brutos eles são, tão irracionais. tão ingovernáveis, que não serão governados, nem pela força, nem pelo medo, tão baixo o pecado trouxe os homens, tão abaixo de si mesmos. O homem, na verdade, nasce como o filhote de jumento, mas da mesma maneira como alguns, pela graça de Deus, são modificados, e se tornam racionais, também outros, pelo costume do pecado, são endurecidos, e se tornam cada vez mais embrutecidos, como o cavalo e a mula (Salmos 32.9).

2. Orientação é dada para usá-los, de maneira apropriada. Os príncipes, em lugar de honrar um tolo (v. 1), devem levar a desgraça a ele – em lugar de colocarem poder na sua mão, devem exercer poder sobre ele. Um cavalo indomado precisa de um açoite para a sua correção, e um jumento precisa de um freio para dirigi-lo e corrigi-lo, quando sair do caminho; da mesma maneira um homem corrupto, que não aceita a orientação e as restrições da religião e da razão, deve ser açoitado e freado, deve ser castigado severa­ mente, e deve sofrer pelo que fez de errado, e deve ser impedido de cometer novas transgressões.

 

V. 4 e 5 – Veja aqui a nobre segurança do estilo das Escrituras, que parecem contradizer a si mesmas, mas na realidade, não o fazem. Os sábios precisam ser orientados sobre corno lidar com os tolos; e nunca haverá mais necessidade de sabedoria do que quando lidam com eles, para saber quando devem ficar em silêncio e quando falar, pois haverá um momento para as duas coisas.

1. Em alguns casos, um homem sábio não se assemelhará a um tolo, respondendo-lhe conforme a sua tolice. Se ele se vangloriar, não respondas a ele, vangloriando a ti mesmo. Se ele ofender e falar de maneira inflamada, não ofendas e nem fales de maneira inflamada. Se ele contar urna grande mentira, não contes outra, corno se estivesse rivalizando com a dele. Se ele caluniar os teus amigos, não calunies os dele. Se ele provocar, não lhe respondas na sua própria linguagem, para que não te faças semelhante a ele, pois conheces coisas melhores, tens mais sensatez, e tiveste melhor instrução.

2. Mas, em outros casos, um homem sábio usará a sua sabedoria para a convicção de um tolo, quando, prestando atenção ao que ele diz, pode haver esperança de fazer o bem, ou pelo menos, de evitar novos danos, quer para ele mesmo, quer para outras pessoas. Se tens razão para pensar que o teu silêncio será considerado urna evidência da fraqueza da tua causa, ou da tua própria fraqueza, neste caso, deves responder a ele, e que seja urna resposta ad hominem ao homem, combate-o com as suas próprias armas, e esta será urna resposta ad rem pertinente, ou quase. Se ele oferecer alguma coisa que se pareça a um argumento, deves responder e adequar a tua resposta à situação dele. Se não lhe responderes, e ele pensar que o que diz não tem resposta, então dá a ele urna resposta, para que não se julgue sábio e se vanglorie de urna vitória. Pois (Lucas 7.35) os filhos da sabedoria devem justificá-la.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A MAIS POTENTE ARMA CONTRA A DEPRESSÃO

EUA liberam remédio que tira pacientes de crises graves em duas horas. Festejada no mundo todo, a droga é apontada como uma revolução no tratamento da doença

A mais potente arma contra a depressão

É a maior novidade no tratamento da depressão em 33 anos. Na terça-feira 5, a Food and Drug Administration, agência americana responsável pela aprovação de medicamentos, liberou para a comercialização nos Estados Unidos o Spravato, nome comercial da droga inalável produzida pela Janssen Pharmaceuticals Inc que tem como composto principal a esketamina. Trata-se de uma parte da molécula da ketamina, um anestésico conhecido há décadas pela medicina e que, nos anos recentes, vinha se mostrando por meio de estudos científicos como uma das mais poderosas armas contra a depressão.

O remédio recebeu o sinal verde para a venda depois de passar pelo regime de aprovação urgente, aplicado somente a drogas que apresentam desempenho muito superior aos existentes. De acordo com a maioria das pesquisas, a esketamina de fato representa uma revolução contra a depressão. Sua administração tira os pacientes de crises graves em duas horas ou em dias, no máximo, afastando ideias suicidas e reduzindo a apatia que não deixa o indivíduo sequer da sair da cama, em muitos casos. Nenhum outro faz isso em tão pouco tempo. Em geral, os medicamentos levam semanas ou meses para fazer efeito.

Além desta limitação, estima-se que os remédios sejam inócuos para 30% dos pacientes. Isso ocorre por diversos motivos, entre algumas características genéticas do paciente que resultam na ineficiência das medicações. É por seu conjunto de atributos que o Spravato anima os médicos da mesma forma que o Prozac (fluoxetina), o primeiro antidepressivo, quando foi lançado em 1986. “Agora finalmente temos um remédio que funciona rapidamente contra uma doença tão grave”, explica o psiquiatra Todd Gould, professor da Universidade de Maryland (EUA) e não envolvido com as pesquisas feitas pela Jannssen.

A depressão é uma doença psiquiátrica que afeta 322 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, são 11,5 milhões de indivíduos. Junto com a ansiedade, a enfermidade compõe uma bomba relógio em termos de saúde pública. Ambas são responsáveis por índices elevados de incapacitação para o trabalho, redução de produtividade e estão associadas ao desenvolvimento de outras doenças, como o infarto e a diabetes. A incidência das duas só cresce — entre 2005 e 2015, os casos de depressão aumentaram 18% —, obrigando a ciência a correr atrás de opções eficazes e acessíveis.

A depressão é uma enfermidade de causa multifatorial, incluindo predisposição genética e ambiente. É caracterizada por um desequilíbrio na ação de substâncias que fazem a comunicação entre os neurônios (neurotransmissores), como a serotonina e a noradrenalina, envolvidos no processamento cerebral das emoções. Até hoje, os antidepressivos atuavam basicamente sobre esses compostos, tentando reequilibrar sua disponibilidade para devolver ao cérebro a capacidade de processar o humor adequadamente.

Até agora não se sabe exatamente o mecanismo de ação da ketamina. Concorda-se que ela atua sobre o glutamato, também um neurotransmissor, mas que até os anos 1990 não havia entrado no radar dos estudos sobre a depressão. No entanto, os resultados observados com a ketamina, ainda como anestésico e sabidamente atuante sobre o glutamato, levaram à conclusão de sua eficácia contra a depressão. Hoje, muitas clínicas usam a ketamina, administrada por via endovenosa, no tratamento para a doença. É uma utilização fora do rótulo e sem aprovação oficial. É importante que os pacientes não se submetam a tratamentos assim, até porque a substância apresenta riscos de episódios alucinatórios e de dependência. Por isso, qualquer tentativa de uso deve ser feita sob estrito controle médico, como os realizados em estudos conduzidos em instituições como a Universidade Federal de São Paulo.

O remédio agora liberado, feito apenas com uma parte da ketamina, exige também muito cuidado na administração (leia quadro). Só dessa maneira novidades como essa realmente beneficiam os pacientes e os deixam longe dos perigos do uso inadequado.

A mais potente arma contra a depressão. 2

OUTROS OLHARES

O CRESCIMENTO DO DELIVERY DE BELEZA

Depois de consolidados em São Paulo e Rio de Janeiro, aplicativos para profissionais da área estética miram expansão a outros centros do País

O crescimento do delivery de beleza

Camila Tebar é empresária do segmento de moda em São Paulo. Para ela, se apresentar com unhas arrumadas, sobrancelhas definidas e cabelo em ordem é mais do que um sinal de vaidade. É essencial aos negócios. “Eu me sinto mais segura”, afirma. Para manter o visual confiante, porém, ela carecia de tempo: passar no salão em meio à agenda de reuniões e compromissos da vida profissional era quase impossível. Há seis meses, ela descobriu a solução: um aplicativo de serviços de beleza, o TokBeauty. Operando como um “Uber da beleza”, ele faz a conexão entre profissionais autônomas e clientes. Lançado em 2017 e operando em Goiânia, Rio de Janeiro e São Paulo, o app veio na onda de outros, como o da Singu, que tem três anos e meio. Ambos, porém, somente agora devem se espalhar pelo País. As duas marcas preveem expansão em 2019.

A operação é simples e intuitiva. Em poucos cliques, a pessoa faz o cadastro e já pode selecionar o serviço desejado, acertar o valor e agendar o atendimento onde for mais cômodo, seja em casa, local de trabalho ou um hotel, por exemplo. As opções são a de qualquer salão de beleza: cabeleireira, designer de sobrancelha, depiladora, manicure, maquiadora e massagista. Segundo o CEO do TokBeauty, Marcelo Mendonça Calixto, “trata-se de um mercado que, entra crise, sai crise, está sempre em expansão”.

Um de seus principais concorrentes, o Singu, também prevê expansão. Lançado em junho de 2015 com investimento de R$ 15 milhões, ele opera como marketplace que reúne profissionais de diversas áreas de tratamento estético. O app foi idealizado pelo fundador do Easy Taxi, Tallis Gomes, e opera na Grande São Paulo e no Rio de Janeiro. “Vejo um mercado muito bem qualificado, que irá se tornar cada vez mais competitivo”, afirma Tallis. Em 2018, o TokBeauty recebeu aporte da 5xmais Holding Business e traçou novo plano de crescimento. A meta, segundo o investidor Marco Túlio Fernandes de Almeida, é alcançar outras 11 capitais até o fim deste ano e saltar de 65 mil para 400 mil clientes, e de 5 mil para 30 mil profissionais cadastrados.

SEGURANÇA 

Especialistas como Richard Klevenhusen, da Associação Brasileira de Salões de Beleza (ABSB), e Diego Smorigo, do Sebrae-SP, dizem que a maior preocupação é a segurança sanitária do atendimento. Os dois serviços afirmam manter rígidos controles para o cadastro das profissionais, passando por análise de registros criminais, entrevistas e amostras dos trabalhos. A TokBeauty deixa que as próprias clientes façam avaliações dos serviços prestados. Quando a média fica abaixo de 4, num máximo de 5, a profissional é suspensa até que faça uma reciclagem. A Singu adota sistema semelhante.

O crescimento do delivery de beleza. 2

GESTÃO E CARREIRA

DIVERSIDADE: COMO AGIR DA PORTA PARA FORA

Empresas com práticas internas consistentes para promover a equidade entre mulheres, negros, PCDs e LGBTI+ podem também influenciar clientes e fornecedores.

Diversidade - Como agir da porta para fora

Em 2015, o grupo de cosméticos o boticário estruturou políticas de diversidade para os funcionários com base em metodologias e indicadores que medem avanços como a ascensão de mulheres a cargos de liderança. Além de olhar para o tema internamente, a companhia decidiu promover a ideia de diversidade e inclusão de forma mais ampla. Um exemplo disso são as campanhas publicitárias que buscam retratar diferentes grupos para refletir a diversidade da sociedade brasileira. Foi naquele ano também que um vídeo do Grupo Boticário para o Dia dos Namorados, mostrando abraços de casais homossexuais e heterossexuais, agradou a uns e chocou a outros. Mais recentemente, no Dia dos Pais e no Natal de 2018, uma família negra e um menino com deficiência na fala foram retratados nas campanhas.

“A publicidade tem um forte poder de influenciar os avanços que queremos para toda a sociedade”, diz Lia Azevedo, vice-presidente de desenvolvimento humano e organizacional de O Boticário. “É coerente promover a diversidade para fora quando se faz também da porta para dentro.” A companhia treina os funcionários das lojas para que todos os clientes tenham acesso aos mesmos serviços. Uma das iniciativas é o curso em vídeo com instruções para que os consumidores com deficiência sejam adequadamente atendidos. Na rede de lojas, os franqueados e seus funcionários são orientados a distribuir adesivos a pessoas cegas para que, por meio do tato, elas possam facilmente identificar e distinguir os produtos que usam diariamente.

Levar a diversidade para fora do ambiente interno, como faz o Grupo Boticário, ainda é uma prática incipiente no Brasil. Embora um número crescente de empresas brasileiras e multinacionais venha se dando conta da importância de promover a inclusão e a diversidade entre os funcionários, são poucas as que dão passos concretos para divulgar essa bandeira a um público mais amplo, com iniciativas voltadas para clientes e, principalmente, para fornecedores.

“Quando consideramos a diversidade estrategicamente, outros públicos devem ser abrangidos, e não apenas os funcionários,” diz Ana Lucia de Melo Custodio, diretora adjunta do Instituto Ethos.

Promover a diversidade em campanhas publicitárias é uma estratégia que também passou a ser adotada pela marca de cerveja Skol, da Ambev. Em março de 2017, a campanha para o Mês da Mulher apresentou seis ilustrações feitas por mulheres para reconstruir imagens que antes usavam o corpo feminino de forma sexualizada para a venda das bebidas. De lá para cá, a marca lançou também latas em cinco cores que remetem aos diferentes tons de pele e, mais recentemente, no Carnaval deste ano, convidou deficientes auditivos para usar uma mochila que vibrava com as músicas tocadas pelo trio elétrico da cantora Anitta, em apresentações em São Paulo e no Rio de Janeiro. “A categoria de cervejas era considerada exclusivamente masculina e sem diversidade, mas, com a marca Skol, conseguimos promover mudanças”, afirma Maria Fernanda Albuquerque, diretora de marketing da Skol. No início fomos questionados, mas hoje sabemos que estamos no caminho certo.”‘

Quando as companhias promovem a representatividade de diferentes grupos sociais, seja em campanhas publicitárias voltadas para os consumidores, seja em iniciativas dirigidas a fornecedores e seus empregados, elas estão rompendo a “bolha” formada por uma pequena elite empresarial – a minoria que busca dar as mesmas oportunidades às pessoas, independentemente de gênero, idade, raça, orientação sexual ou outras características. É um trabalho que está apenas começando, sobretudo no que diz respeito às ações para promover a diversidade entre fornecedores. No dia 12 de março, a fabricante americana de bens de consumo P&G iniciou no Brasil uma série de dez encontros reunindo 25 empresárias de pequeno e médio porte com potencial para se tornarem fornecedoras da própria P&G e de outras fabricantes. A iniciativa, em parceria com a ONG WE Connect lnternational, já passou por sete países e chega aqui com o objetivo de fortalecer a cadeia de suprimentos liderada por mulheres, por meio da oferta de treinamentos em gestão de empresas e serviço aos clientes. De acordo com a P&G, em uma pesquisa global, menos de 1% dos gastos das multinacionais em compras de insumos é realizado com empresas lideradas por mulheres. “Ao melhorarmos a vida dessas mulheres, melhoramos também a cadeia de suprimentos e potencializamos um mercado mais inclusivo”, diz Thais Torritani, gerente de compras da P&G e responsável pela parceria com a WE Connect.

Diversidade - Como agir da porta para fora. 2

REPLICAR BOAS PRÁTICAS

Outra empresa que pretende difundir a ideia da diversidade entre os fornecedores é a indústria química Dow. Em fevereiro, a multinacional americana iniciou um projeto em que cerca de 30 fornecedores se reúnem durante uma manhã em São Paulo para entender como a empresa promove a diversidade entre os funcionários e como é possível replicar essas práticas. Até o momento, foi discutida a inclusão de negros e de pessoas com deficiência, sempre com a participação de diretores da Dow e de consultorias especializadas. A intenção é que o projeto siga com encontros mensais até julho, quando os resultados da fase piloto serão analisados. “É nosso papel influenciar outros públicos na jornada em que estamos inseridos e, por isso, acreditamos que a tendência do trabalho com os fornecedores seja dar resultados positivos”, diz Patrícia Lima, líder de inclusão e diversidade na Dow.

Para entender o que e como mudar, é preciso também ouvir os fornecedores. A fabricante de alimentos Nestlé descobriu em 2016 que, entre seus fornecedores da área agrícola, quem se responsabilizava pelo relacionamento com a empresa era, na maioria das vezes, um homem – mesmo quando uma mulher era a proprietária da empresa. Para promover uma conversa mais ampla com os fornecedores, a Nestlé passou a usar formas de tratamento feminino nos convites para seus eventos e formou uma equipe com mais mulheres nas visitas técnicas. Com isso, passou a perceber melhorias nesse relacionamento. “Quando convidamos as mulheres, a família toda participa. Nos eventos que pareciam direcionados para os homens, apenas eles marcavam presença”, diz Taissara Martins, gerente de criação de valor compartilhado da Nestlé. Segundo ela, a força de trabalho feminina também é importante para promover os ideais perseguidos pela empresa, como a busca de uma produção mais sustentável.

As empresas que querem levar a bandeira da diversidade para fora de seu ambiente têm outros instrumentos, como o patrocínio. O banco Itaú lançou, em agosto do ano passado, um edital que selecionou dez entre 300 propostas de caráter cultural, educacional, esportivo ou social que buscam valorizar a diversidade LGBTI+. Os vencedores passaram a ter mentoria durante um ano com a consultoria Mais Diversidade e apoio financeiro do Itaú. O banco também patrocina pesquisas para entender o comportamento das mulheres e dos negros empreendedores, com o objetivo de profissionalizar e fomentar esses núcleos de mercado. “Passamos a ser agentes de transformação ao entender a necessidade da inclusão financeira de diferentes públicos”, diz Luciana Nícola, superintendente de relações institucionais do Itaú.

As empresas que estão furando a “bolha” da diversidade, de certa forma, ajudam a preencher a lacuna criada pela ausência de políticas públicas consistentes de promoção dos direitos humanos.

“As empresas podem ser indutoras de mudanças efetivas na sociedade ao influenciar as práticas de seus fornecedores, que estão no Brasil inteiro”, diz Caio Magri, presidente do Instituto Ethos. Nesse sentido, as empresas vão na contramão do que prega o presidente, Jair Bolsonaro. Durante a campanha eleitoral, ele prometeu acabar com o que chamou de “coitadismo” de alguns grupos da sociedade. “Coitado do negro, coitado da mulher, coitado do gay, coitado do nordestino, coitado do piauiense. Vamos acabar com isso”, disse Bolsonaro numa entrevista em outubro de 2018. Em janeiro, o governo publicou um decreto extinguindo a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), órgão ligado ao Ministério da Educação responsável por orientar políticas públicas educacionais que levem em conta questões de raça, etnia, posição econômica e social, gênero, orientação sexual e outras que possam levar à exclusão social de pessoas. “O papel das empresas é permanentemente importante, mas torna-se ainda mais fundamental num contexto adverso,” diz Thiago de Souza Amparo, professor de discriminação e diversidade na Fundação Getúlio Vargas. É cedo para saber se o retrocesso ficará só no discurso, mas as empresas podem fazer sua parte para promover a diversidade – dentro ou fora de seu território.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 25: 23 – 28

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 23 – Aqui, veja:

1. Como devemos desencorajar o pecado e testemunhar contra ele, particularmente o pecado de difamação e calúnia; devemos censurá-lo, e exibindo- lhe uma face irada, fazer todo o esforço para desencorajá­ lo. Não falaríamos tão prontamente das calúnias se elas não fossem prontamente ouvidas; mas as boas maneiras silenciariam o caluniador, se ele visse que suas estórias desagradam a seus companheiros. Nós devemos nos mostrar desconfortáveis se ouvirmos um amigo, a quem apreciamos, ser caluniado; o mesmo desprazer devemos exibir com relação à maledicência, de modo geral. Se não pudermos reprová-la de outra maneira, podemos fazê­ lo com nossa expressão facial.

2. O bom resultado que provavelmente isto terá; quem sabe isto pode silenciar e desviar uma língua maledicente? O pecado, se tolerado, se torna ousado, mas, se recebe uma censura, ele se torna tão consciente da sua própria vergonha que se acovarda, e este pecado em particular, pois muitos falam mal de outros somente esperando conquistar o favor daqueles a quem falam.

 

V. 24 – Isto é o mesmo que ele tinha dito (Provérbios 21.9). Observe:

1. Como devem ser merecedores de piedade os que estão presos a um jugo desigual, especialmente com os que são contenciosos e rabugentos, seja marido ou mulher; pois isto é verdadeiro, igualmente, sobre ambos. É melhor estar sozinho do que unido a alguém que, em lugar de ser um ajudante, é um grande empecilho para o consolo da vida.

2. Como podem ser invejados, às vezes, os que vivem em solidão; da mesma maneira como lhes falta o consolo da sociedade, também estão livres da irritação que ela provoca. E da mesma maneira como há casos que fornecem oportunidades para dizer, “Bendito é o ventre que não deu à luz”, também há casos que fornecem oportunidades para dizer, “Bendito é o homem que nunca se casou, mas mora num canto de umas águas-furtadas”.

 

V. 25 – Veja aqui:

1. Como é natural que desejemos ouvir boas notícia s de nossos amigos, e a respeito de nossos assuntos, à distância. Às vezes, é com impaciência que esperamos ter notícias de algum lugar distante; as nossas almas são sedentas dessas notícias. Mas devemos controlar esse desejo desenfreado, pois, se forem más notícias, chegarão rapidamente, e se forem boas, serão bem-vindas em qualquer momento.

2. Quão aceitáveis serão estas boas notícias, quando realmente chegarem, tão revigorantes como água fria para alguém que tem sede. O próprio Salomão tinha muitos negócios em lugares distantes, bem como correspondência com cortes estrangeiras, por meio de seus embaixadores; e ele sabia, por experiência, quão agradável era ouvir sobre o sucesso de suas negociações no exterior. O céu é um lugar distante, uma terra remota; como é revigorante ou­ vir boas novas dali, tanto por meio do eterno Evangelho, que significa boas notícias, como por meio do testemunho do Espírito com nossos espíritos, o testemunho de que somos filhos de Deus.

 

V. 26 – Aqui há um fato descrito como algo muito lamentável e um agravo público, e de más consequências a muitas pessoas, como uma fonte turva e um manancial corrupto: quando o justo cai diante do ímpio. Isto é:

1. Que o justo caia em pecado aos olhos do ímpio – que ele faça alguma coisa que não é apropriada à sua profissão, o que é noticiado em Gate e publicado nas ruas de Asquelom, e com que se alegram as filhas dos filisteus. O fato de que aqueles que têm reputação de sabedoria e honra caiam da sua excelência turva as fontes, entristecendo alguns, e corrompe o manancial, infectando outros e encorajando-os a fazer a mesma coisa.

2. Que o justo seja oprimido, e pisado e humilhado pela violência ou astúcia de homens ímpios, que seja removido e lançado à obscuridade, isto é turvar as fontes da justiça e corromper os mananciais do governo (Provérbios 28.12,28; 29.2).

3. Que o justo seja covarde, que se submeta ao ímpio, que tenha medo de se opor à sua iniquidade e que ceda a ele, isto recai sobre a religião, e desencoraja os homens de bem e fortalece as mãos dos pecadores em seus pecados, e assim, é como uma fonte turva e um manancial corrupto.

 

V. 27

I – Há duas coisas para as quais devemos estar graciosamente mortos:

1. Aos prazeres dos sentidos, pois não é bom comer muito mel; ainda que seja agradável ao paladar e, se comido com moderação, seja muito saudável, se comido e excesso, se torna enjoativo, cria um mau humor e é causa de muitas doenças. Isto é verdade, sobre todos os praz eres dos filhos dos homens, que eles saciam, mas nunca satisfazem, e são perigosos aos que se permitem usá-los com liberalidade.

2. Ao louvor dos homens. Não devemos desejá-lo, não mais do que o prazer. porque o fato de que os homens busquem a sua própria glória, que cortejem aplausos e cobicem se tornar populares, não é sua glória, mas sua vergonha; todos rirão deles por isto; e a glória que é tão corteja da não é glória, quando obtida, pois não representa verdadeiramente nenhuma honra verdadeira para um homem.

II – Alguns atribuem outro sentido a este versículo: Comer muito mel não é bom, mas buscar coisas excelentes e gloriosas é muito elogiável, é a verdadeira glória; nisto, não cometeremos pecado por excesso. Outros preferem este sentido: Assim como o mel, embora agradável ao paladar, se usado sem moderação oprime o estômago, também uma busca curiosa do que é sublime e glorioso, ainda que agradável a nós, se as buscarmos excessivamente, esgotará nossa capacidade com uma glória e brilho maior do que ela pode suportar. Ou ainda: Você poderá ficar saciado por comer muito mel, mas a glória final, a sua glória, a glória dos bem-aventurados, é realmente glória; será sempre fresca, e nunca cansará o apetite.

 

V. 28 – Aqui temos:

1. O bom caráter de um homem sábio e virtuoso. Ele tem controle sobre o seu próprio espírito; ele conserva o domínio de si mesmo. e de seus próprios apetites e paixões, e não permite que eles se rebelem contra a razão e a consciência. Ele controla os seus próprios pensamentos, os seus desejos. as suas tendências. os seus ressentimentos, e os mantém todos em ordem.

2. A má situação de um homem corrupto, que não tem este controle sobre o seu próprio espírito, que, quando as tentações de comer ou beber em excesso estão diante dele, não tem o governo de si mesmo, quando provocado irrompe em paixões exorbitantes, este indivíduo é como uma cidade que é derrubada e que não tem muros. Tudo o que é bom sai, e o abandona; tudo o que é mau o invade. Ele está exposto a todas as tentações de Satanás e se torna uma presa fácil para este inimigo; ele também está sujeito a muitas dificuldades e angústias; provavelmente isto será tanta desonra para ele, como é, para uma cidade, ter seus muros derrubados (Neemias 1.3).

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

RETRATOS DE UM CASAMENTO

Somos frutos de todas as experiências que vivemos desde o nascimento. A posição que ocupamos dentro da família vai influenciar a forma como nos relacionamos com nossos pares no futuro.

Retratos de um casamento

Como escreveu o filósofo Zigmunt Bauman (2004), vivemos em uma sociedade líquida, na qual as coisas, em sua maioria, são “impermanentes”. Estamos em tempos de amores líquidos, em que nas últimas décadas criaram-se novos termos e designações para os tipos de relacionamento: “ficar”, “relacionamento aberto”, “poliamor”, “crush”, “pegação”, entre outras nomenclaturas. Deseja-se o amor, mas busca-se o prazer imediato. As pessoas procuram avidamente um relacionamento, mas quando surge um pequeno problema, geralmente, não encontram condições internas para resolvê-lo. Por falta de condições ou por escolha, as relações são descartadas, reiniciando-se a busca por outro parceiro.

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que, nos dois últimos anos, 2017 e 2018, o número de casamentos diminuiu enquanto o de divórcios aumentou. A média da duração dos casamentos caiu de 17 para 15 anos. A partir dessas estatísticas, percebemos que está cada dia mais difícil estabelecer e manter relações duradouras. No século passado, os casamentos eram para toda uma vida. Comemoravam-se bodas de prata nos 25 anos de casados e bodas de ouro aos 50. Nas últimas décadas, apesar da expectativa de vida ter aumentado consideravelmente, é muito mais difícil pensarmos nesse tipo de comemoração, devido à pouca duração da maioria dos casamentos.

Sabemos, por outro lado, que hoje em dia os casamentos que não são bons não se mantêm. Muitos autores escreveram sobre o casamento e o relacionamento. Existem dezenas de livros sobre o amor e a paixão. Mas não existe uma fórmula que possa ser aplicada quando se trata de relações humanas. O assunto é muito importante, pois a relação é um grande caminho para revelar nossos aspectos sombrios. Se aproveitarmos a oportunidade de autoconhecimento que emerge, seremos sem dúvida seres humanos mais inteiros e felizes.

No “caldeirão” chamado relacionamento cabem muitos ingredientes: a atração física, a admiração, a identificação, a projeção, as semelhanças, as diferenças, as preferências, os hobbies, o estilo de vida, os talentos, os defeitos, a convivência com as respectivas famílias de origem, as expectativas em relação a filhos e como cada um lida com dinheiro e carreira, entre outros importantes aspectos. Quanto de cada um desses ingredientes deve constar na lista de um casamento feliz e duradouro? Essa receita tão subjetiva nunca será equacionada, mas, apesar disso, devemos pensar e refletir. O casamento antigamente tinha outros propósitos em sua configuração. Era voltado a dar estabilidade aos parceiros e constituir família. Hoje, diferentemente de antigamente, podemos pensar no aplacamento da solidão e da insegurança em que vivemos em todos os sentidos: cultural, social e político.

Quando um vínculo começa a se estabelecer, é difícil o casal ir para a cama “sozinho”. As figuras introjetadas da mãe e do pai estão presentes nessa relação como modelo a ser reproduzido ou evitado. Infelizmente, poucas pessoas podem dizer que gostariam de ter um casamento como o de seus pais. O modelo da relação dos pais vivido na sua família de origem deixa marcas. Muitos dos casais que procuram psicoterapia apresentam incompatibilidade sobre vários fatores que acreditam ser certos e bons para a relação. As pessoas herdam seus modelos e se fixam a eles, às vezes inconscientemente e sem reflexão.

As pessoas têm percepções diferentes do mesmo ambiente. Irmãos que viveram décadas na mesma casa possuem visões diversas sobre o casamento de seus pais e cada um pode ser afetado de várias formas pelos conflitos familiares. Os membros desse núcleo, principalmente os filhos, podem ter tarefas relativas a manter a homeostase da família. Acabam por optar por esses papéis para suas futuras relações.

Vanda Lucio Di Yorio Benedito, terapeuta de casais, em seu livro Terapia de Casal e de Família na Clínica Junguiana, escreve: “A escolha do parceiro, geralmente, envolve um complexo arsenal de motivações. Ligadas à vivências emocionais muito íntimas e profundas, […] de difícil representação no nível da consciência. Misturam-se desejos de várias ordens, e quanto mais inconsciente o indivíduo estiver desses desejos, maior a possibilidade de tais conteúdos serem ‘fisgados’ numa relação. […] O indivíduo que não consegue tomar para si aquilo que constitui parte de seu mundo interno fica perdido de si mesmo, buscando achar-se no outro”. A psicoterapia de casais tem a grande tarefa de elucidar os inúmeros fatores que interferem na relação conflitiva. A conscientização dos aspectos gerados pela família de origem de ambos é um bom começo para o tratamento de casais. Na maioria dos casos, o conflito possibilita o conhecimento e a clarificação das fixações dos parceiros em aspectos não integrados de sua personalidade. A tarefa é criar um terceiro modelo, uma união que possa contemplar as expectativas trazidas pelos parceiros para essa relação.

 

ELAINE CRISTINA SIERVO – é psicóloga, Pós-graduada na área Sistêmica – Psicoterapia de Família e Casal pela PUC- SP. Participa do Núcleo de Psicodinâmica e Estudos Transdisciplinares da SBPA (Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica). Atuou na área de dependência de álcool e drogas com indivíduos, grupos e famílias.

OUTROS OLHARES

PARECE LOJA, MAS É BANCO

Varejistas transformam subsidiárias financeiras em instituições independentes para aumentar a oferta de crédito.

Parece loja mas é banco

O ambiente de uma loja de qualquer grande rede de varejo não se parece em nada com a frieza controlada de uma agência bancária. Em vez de oferecer mercadorias organizadas por cores e atendentes que sorriem, os bancos se protegem dos clientes com portas giratórias, seguranças armados e filas intermináveis para quem quer apenas deixar as contas em dia. Apesar das diferenças, quem pisa em estabelecimentos da Renner ou da Riachuelo, duas das maiores varejistas do País, estão, sem perceber, entrando em instituições financeiras. Nessas lojas é possível fazer cartões de crédito, contratar seguros e até contrair empréstimos. Embora a prática de disponibilizar seus balcões para vender produtos financeiros não seja nova, o varejo resolveu ir além. As empresas estão, legalmente, se transformando em bancos para ocupar espaço nos meios físico e digital. Além de encorpar os ganhos, a prática garante a fidelidade da clientela.

Em junho passado, a Renner obteve permissão do Banco Central (BC) para transformar sua subsidiária financeira em uma instituição independente, a Realiza. “Ela foi criada a partir de uma plataforma aberta, para abrigar serviços de parceiros”, diz Laurence Gomes, diretor financeiro e de relações com investidores da Renner. Um dos objetivos é tornar os processos mais ágeis. “Já estamos emitindo cartões por meio do nosso aplicativo, e conseguimos aprovar o crédito em quatro minutos”, diz Gomes. No ano passado, o plástico com bandeira própria representou 44,2% das vendas e 19,7% na geração de caixa, e a Renner quer aumentar esse percentual.

O exemplo da Renner estimulou a concorrência. Em novembro passado, a Riachuelo, controlada pelo grupo Guararapes, informou o mercado que aguarda autorização do BC para transformar a Midway, sua financeira, em um banco completo. O crescimento orgânico da operação incentivou a decisão. Até o terceiro trimestre de 2018, a receita com empréstimo pessoal da Riachuelo havia crescido 69,7% na comparação anual e somava R$ 466,6 milhões. Com esse incremento, os serviços financeiros responderam por 47% da geração de caixa do grupo nos nove primeiros meses de 2018. Até setembro do ano passado, somente os cartões da própria loja responderam por 45% das vendas. “Essa operação ainda têm um fôlego de crescimento bastante interessante ao longo de 2019”, afirmou Tulio Queiroz, diretor financeiro da companhia durante teleconferência com analistas em novembro do ano passado.

Ao transformar uma financeira em banco, as empresas ficam aptas para incrementar a captação de recursos para além do modelo antigo, ligado a fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) ao abrir mais opções para atrair recursos de investidores. “Essas instituições podem passar a emitir CDBs e Letras de Crédito Imobiliário e Agrícola”, diz Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos. No varejo, a mudança reflete no aumento da fidelidade. “A tendência é que uma pessoa física tenha um relacionamento muito maior e duradouro com um banco do que com uma financeira”, afirma. Para os investidores, a vantagem é a maior transparência na análise dos resultados. “Com a separação das atividades de varejo e finanças, é possível precificar melhor o negócio”, diz Nicolas Takeo, analista da Socopa. Com essa abertura para inovações nas operações financeiras, as varejistas podem concorrer com as fintechs na avaliação de Carlos Netto, presidente da empresa de tecnologia Matera. “Essas empresas têm um canal de distribuição já formado, o que as coloca com uma vantagem no segmento financeiro”.

Parece loja mas é banco. 2