PSICOLOGIA ANALÍTICA

O DESENVOLVIMENTO DA IDENTIDADE

Pesquisas mostram que as pessoas transexuais com disforia de gênero apresentam maiores chances de exibir transtornos psiquiátricos ao longo de suas vidas.

O desenvolvimento da identidade

A publicação da 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-5), da Associação Psiquiátrica Americana (APA), expandiu a visão sobre sexo e gênero: sexo refere­ se tanto a masculino quanto a feminino, relacionado aos aspectos biológicos como: cromossomos sexuais, gônadas, hormônios sexuais e genitália interna e externa não ambíguas; e gênero é utilizado para designar o papel social – menino ou menina, homem ou mulher, que, na maioria das pessoas, está relacionado ao sexo de nascimento. Entretanto, o desenvolvimento individual do gênero sofre influências biopsicossociais e nem todos os indivíduos se percebem como homens ou mulheres. Daí, várias classificações:

(a) DESIGNAÇÃO DE GÊNERO: refere­ se à designação inicial como homem ou mulher, e geralmente isso ocorre no nascimento e, por conseguinte, cria-se o “gênero de nascimento”;

(b) IDENTIDADE DE GÊNERO: é uma categoria da identidade social e refere-se à identificação do indivíduo como homem ou mulher, ou, ocasionalmente, com alguma categoria diferente de homem ou mulher;

(c) TRANSGÊNERO(S): refere-se ao amplo conjunto de indivíduos que transitoriamente ou persistentemente não se identificam com o seu sexo e/ou gênero de nascimento;

(d) TRANSEXUAL: é quem não se identifica com seu sexo de nascimento e procura adequar, ou passou por adequação, para o gênero com o qual se identifica, o que, em vários, mas não em todos os casos, envolve transição somática por tratamento hormonal e cirurgia de redesignação sexual (adequação do sexo de nascimento para o gênero com o qual o indivíduo se identifica);

(e) DISFORIA DE GÊNERO: refere-se à incongruência acentuada entre o sexo de nascimento e como ele é percebido e manifestado no comportamento do indivíduo, com duração de pelo menos seis meses; além do mais, essa condição deverá estar associada a sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. Embora nem todos os indivíduos venham a sentir desconforto com o resultado de tal desarmonia, muitos sentirão, se as intervenções desejadas sobre o físico, por meio de hormônios e/ ou cirurgias, não estiverem disponíveis.

Pessoas que se identificam como transexuais reportam na sua história desconforto persistente com o sexo que lhe foi designado no nascimento e apresentam forte identificação com o gênero oposto ao seu sexo de nascimento. Muitos relatam sintomas significativos de estresse psicológico e procuram tomar medidas para alterar as características de seus corpos (por exemplo, por meio do uso de hormônios sexuais e cirurgia plástica), de forma a se adequarem, o mais próximo possível, ao gênero com o qual se identificam. Vale lembrar que os indivíduos transexuais podem ou não apresentar disforia de gênero, segundo o DSM-5.

Pesquisas mostram que as pessoas transexuais com disforia de gênero têm maiores chances de exibir transtornos psiquiátricos ao longo de suas vidas; entre eles: episódios depressivos, tentativas de e/ou suicídio e história de trauma (físico e/ou emocional) durante a infância. Mais especificamente, pessoas que apresentam transtorno ansioso associado à transexualidade com disforia de gênero tendem a apresentar mais problemas psiquiátricos que a população em geral, além de serem, junto com os transtornos afetivos (como a depressão, por exemplo), os distúrbios mais frequentes nessa população. O uso abusivo de substâncias psicoativas ilícitas ou sem prescrição médica é outro aspecto relevante: 10% dos transgêneros comentam que procuraram tratamento para uso abusivo de substâncias em pesquisa realizada na população americana.

Apesar de a conscientização pública sobre o amplo espectro de indivíduos transgêneros estar se desenvolvendo, a compreensão científica sobre o fenômeno do desenvolvimento da identidade de gênero ainda é limitada. Não há nenhuma evidência de que o ambiente social após o nascimento desempenhe papel crucial na determinação da identidade de gênero, entretanto as relações entre as diferenças sexuais estruturais e funcionais de várias áreas do cérebro em relação às variações hormonais durante o período gestacional têm sido verificadas.

 

GIANCARLO SPIZZIRRI – é psiquiatra doutorando pelo Instituto de Psiquiatria (IPq) da Faculdade de Medicina da USP, médico do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do IPq e professor do curso de especialização em Sexualidade Humana da USP.

OUTROS OLHARES

O MUNDO DISCUTE O ABORTO

Embalados pelos movimentos que lutam pelos direitos das mulheres, vários países voltam a debater a liberação da interrupção da gravidez em todos os casos. No Brasil, a discussão avança, mas o País ainda está muito dividido.

O mundo disxcute o aborto

Um dos temas mais polêmicos envolvendo as mulheres, o aborto voltou a ser assunto de debate em vários países. Na quarta-feira 8, o Senado argentino votou o projeto de lei que permitia a interrupção da gravidez até a 14ª semana. Três dias antes, o Supremo Tribunal Federal encerrava, em Brasília, um ciclo de audiências públicas destinado a ouvir de entidades médicas, religiosas, jurídicas e movimentos sociais argumentos contra e a favor da descriminalização do aborto no Brasil. No mês passado, mulheres tomaram as ruas do Chile pedindo a liberação para todos os casos e, em maio, na Irlanda, um referendo popular aprovou a legalização naquele pais. A ascensão do tema às instâncias de poder mais elevadas dessas nações mais um resultado do movimento global pela transformação do papel da mulher nas sociedades, com ênfase na luta por maior autonomia, direitos e igualdade. É sob essa ótica que o mundo discute agora o aborto.

Os debates evidenciam, no entanto, que a discussão ainda se encontra mais próxima da polêmica, e não do consenso, em especial em países com fortes raízes religiosas. O que aconteceu na Argentina é exemplo disso. Lá, o aborto é permitido em casos de gestação resultante de estupro ou quando a saúde da mãe está em risco. Em outras circunstâncias, é penalizado com quatro anos de prisão para a mulher e o médico. O projeto de lei reprovado pelo Senado, havia sido aprovado semanas antes pela Câmara dos Deputados. Porém, as pressões dos grupos contrários derrubaram a iniciativa. Parte dos argumentos levavam em conta a posição do Papa Francisco, argentino, que considera o aborto um ato ofensivo à doutrina cristã.

Na Irlanda, país com grande presença católica, a permissão do aborto de forma irrestrita até a 12 ª semana de gravidez e, em caso de risco para a saúde da mãe e de anormalidade fetal até a 23ª semana, só aconteceu depois de décadas. Por isso, o dia 26 de maio foi considerado histórico pelo primeiro-ministro irlandês.  Taoiseach Varadkar. Logo em seguida à aprovação, ele tuitou: “Dia memorável. Uma revolução silenciosa aconteceu.”

No Brasil. o aborto é permitido em casos de gravidez depois de estupro, risco para a saúde materna ou quando o feto apresenta anencefalia (má formação caracterizada pela ausência parcial do encéfalo e da calota craniana). A pena para a mãe que provocar o aborto fora dessas condições é de um a três anos de prisão. Para o médico, de um a quatro anos. A discussão levada ao plenário do STF na semana passada foi originada da ação ajuizada pelo Anis, Instituto de Bioética, e pelo PSOL, pedindo a revisão dos artigos 124 e 126 do Código Penal, que criminalizam o procedimento.

ARGUMENTOS NO TRIBUNAL

Ao longo de dois dias, os representantes de entidades revezaram-se diante da ministra Rosa Weber, relatora do processo, colocando suas posições. Ao todo, 32 apresentaram-se favoráveis à descriminalização, 16, contra e 2 não manifestaram considerações claras. O placar a favor, no entanto, não significa que haja consenso. Várias organizações contrárias à interrupção da gravidez não compareceram. As audiências mostraram que a discussão no Brasil ainda é pautada por visões distintas. Um aspecto levantado por muitos participantes foi a necessidade de entender o aborto como uma questão de saúde pública, e, como tal, merecedora de assistência do Estado e não de punição. Segundo o Ministério da Saúde, uma a cada cinco mulheres já interrompeu a gravidez. Por ano, são um milhão. O aborto causa uma morte a cada dois dias. “Há mais de três décadas a Organização Mundial de Saúde trata o aborto como problema de saúde pública e recomenda que seja tirado da ilegalidade. É a única forma de diminuir o número de abortos e de mortes, afirma Olímpio Moraes Filho, presidente da Comissão de Pré Natal da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia.

FOCO NA MÃE

Na opinião de pessoas que se opõem à liberação, não se pode focar apenas na mãe. “Há vida desde a fecundação. Muitas pessoas que defendem o aborto não querem ver que já há outro ser humano envolvido, diz a médica Lenise Garcia, do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida. Um dos que representou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, o bispo Dom Ricardo Hoepers, partilha da mesma opinião. “Estamos preocupados em equilibrar a defesa da mulher com a da criança. É preciso entender que se trata também de outro sujeito, que deve ser considerado”, afirma, A pastora luterana Lusmarina Campos tem entendimento diferente. “A ênfase da CNBB é equivocada. Volta-se o olhar para uma pré-pessoa em detrimento de uma pessoa que já existe, que é a mãe. Essa visão é resultado de uma construção histórica de desprezo pela mulher”, diz.

Do lado de fora do STF, a divisão ficou clara com manifestações pró e contra. Entre as favoráveis, muitas vestiam roupas que imitavam o figurino da série The Handmaids Tale, onde mulheres são escravizadas e usadas como reprodutoras, e usavam lenço verde, símbolo da luta pela descriminalização. Ainda não há previsão de quando o processo no STF será concluído.

O QUE ESTÁ EM JULGAMENTO

  • As audiências públicas realizadas no STF são decorrência de ação ajuizada pelo Anis, Instituto de Bioética, em parceria com o Psol, de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental.
  • As entidades argumentam que a criminalização do aborto fere os preceitos constitucionais ao colocar em risco a dignidade e a inviolabilidade da vida das mulheres, direitos garantidos pela Constituição.
  • Por isso, pedem ao Ministério Público Federal que reveja, sob a ótica constitucional, os artigos 124 e 126 do Código Penal e descriminalize o aborto até 12 semanas de gestação.
  • As discussões foram encerradas na segunda ­ feira, 6 e não há data para que o tribunal delibere sobre o tema.

O mundo disxcute o aborto.2

GESTÃO E CARREIRA

SOMENTE COM DINHEIRO!

Parece até mentira, mas muitos estabelecimentos no comércio ainda não aceitam cartões de débito e crédito. Então, qual a saída para esses negócios? Existem outras formas de pagamento? O que fazer com aquele consumidor “aceita cartão?” não ir embora?

Somente com dinheiro

Você consegue se imaginar pagando um produto sem o seu cartão de crédito/débito ou sequer uma folha de cheque? Nos dias atuais é impensável fazer uma compra e não paga-la com uma das formas mencionadas.

Algumas pesquisas de tendência de mercado varejista indicam até que, no futuro, todos os pagamentos serão feitos por aplicativos/smartphone e que o dinheiro de nota, cartão de crédito e cheques serão raridade no mercado.

Na China, essa prática já vem sendo utilizada em alguns estabelecimentos, mas paro o Brasil ainda se trata de uma condição muito embrionária. E enquanto essa moda não chega por aqui, são os cartões de crédito/débito, dinheiro “vivo” ou folhas de cheque que pagam as nossas compras.

Mas acredite, existem alguns estabelecimentos que ainda não adotaram o cartão de crédito e débito e muito menos aceitam cheques. Muitas vezes perdem clientes por isso e ficam na dúvida se haveria outra forma de cobrar por seus produtos.

Não dá para negar que a forma mais segura, prática e rápida de pagarmos os produtos e serviços que consumimos no mercado por meio do uso do cartão – o conhecido dinheiro de plástico. “Aceitar o cartão é uma escolha que, além de mais segura para o estabelecimento, potencializa as vendas, pois a maioria da população paga dessa maneira, aumentando a probabilidade de aumentar o faturamento, explica o professor do curso de ciências contábeis da Faculdade Santa Marcelina (FASM), Joaquim Xavier.

Dessa maneira, não precisamos carregar dinheiro, planejamos os nossos pagamentos, não corremos o risco de assalto e podemos consumir tendo saldo ou não –  no caso do cartão de crédito. “Além disso, o cartão garante ao comerciante o recebimento do valor da venda, independentemente de o portador do cartão pagar a fatura pontualmente ou não. Portanto, apesar das altas taxas e prazo para recebimento, a entrada do dinheiro é líquida e certa”, endossa o professor da incubadora Mackenzie, Alexandre Nabil.

É bom para o consumidor, e para o comerciante também é um ótimo negócio’. “Ao vendedor cabe buscar um ganho maior nessa relação em que a restrição de pagamento é muito grande. Para convencer o cliente a pagar em dinheiro, é preciso trabalhar o seu lado emocional. Nem sempre a conquista dará certo, mas é importante faze-lo compreender o prazer da experiência vivida. o que ele, cliente pode dizer aos amigos sobre a experiência em adquirir o produto ou serviço, a sua contribuição para a economia e cultura local e, obviamente, a colaboração dele para o vendedor e sua família”, indica também o contador formado pela UFRJ e coordenador de Finanças da Petrobras em Salvador /BA, Luís de Carvalho Soares.

MOEDA DE PLÁSTICO

Pagar com o dinheiro de plástico tornou-se a melhor opção por diversos motivos: um deles é a questão da segurança, pois os índices de furtos e roubos aumentaram. Por outro lado, uma razão para a diminuição do uso de dinheiro é a falta de praticidade.

Com relação aos cheques, os altos indicadores de devolução fazem dessa uma modalidade de pagamento pouco atrativa. “Cartão de crédito é o mais seguro, pois a responsabilidade do recebimento do cliente é da Administradora de Cartões, que correrá esse risco. Já com o cheque não existe garantia do recebimento, o empresário deve se cercar de consultas às empresas que oferecem esse serviço para reduzir o risco de inadimplência”, indica o professor do curso de ciências contábeis da FASM.

No entanto, muitas vezes a grande questão para os donos de empreendimentos pequenos e que ainda não trabalham com cartões de crédito/débito é analisar como os seus clientes podem consumir os seus serviços e produtos sem o uso dessas opções de pagamentos. Soares aponta as várias formas de pagamentos existentes no comércio: o pagamento à vista, pagamento antecipado, pagamento por boleto bancário, pagamento por transferência entre contas-correntes, pagamento por Bitcoins, pagamento por utilização de créditos/ pontos/códigos promocionais etc.”, diz frisando, no entanto, que quando não se aceita cartões, tem que ser em dinheiro.

PORQUE TÃO RUDIMENTAR?

Xavier relata que as empresas de pequeno porte representam 99% das empresas com CNPJ em nosso País; no estado de São Paulo, as Micro e Pequenas Empresas (MPEs) respondem por 67 % dos empregos diretos e 2% da pauta das exportações. “Neste ponto também vale destacar que o nível médio do empresário das empresas de pequeno porte chega ao antigo primeiro grau incompleto, o que mostra que essas inovações, como o cartão de crédito, não fazem parte da rotina dessas empresas”; lembra o especialista.

Por conta desse desconhecimento, muitos empresários ainda usam métodos rudimentares, como “cadernetas para pagamentos futuros, demonstrando credibilidade em sua carteira de clientes, outros, vendem fiado”, na base da confiança, o que também pode ser considerado arcaico no mercado.

O professor da FASM explica que uma das maneiras do resolver essas questões é excluir da rotina do pequeno empreendedor formas ultrapassadas de recebimentos e, aos poucos, familiarizar-se com essas novas modalidades de pagamento. “Anotarem em caderneta e vender fiado mostra-se contraproducente, pois não contribui com o desenvolvimento do negócio, ao passo que a venda por cartão de credito terá a garantia do recebimento”, diz.

BOLETOS E TRANSFERÊNCIAS

Algumas alternativas também suo interessantes e até já utilizadas para os comerciantes que não aceitam pagamentos com cartões. O especialista em sistemas de pagamento para MEIs e pequenas empresas, cofundador e CEO da Asaas, Piero Contezini, dá algumas sugestões, entre elas, a de o comerciante receber usando outras tecnologias, como boletos, depósitos, transferências ou até mesmo fintechs como Asaas, PicPay e PayPal. “Os comerciantes também devem se preocupar em começar a aceitar criptomoedas, como o Bitcoin e o Etherium”, lembra.

Dentre todas essas soluções, o boleto é a melhor opção, pois a partir de um computador ou aplicativo de celular, o empreendedor pode emitir boletos, notas e até aceitar pagamentos por cartão de crédito. Para não perder os clientes, o comerciante pode falar que existem métodos alternativos e que são aceitos pelo estabelecimento.

NÃO TEM JEITO, SÓ DINHEIRO MESMO

Mas para os estabelecimentos que só aceitam dinheiro não perderem os seus clientes é necessário montar uma estratégia.

Atualmente, andar com dinheiro é algo raro, pois as pessoas se sentem inseguras com assaltos e roubos. Portanto, para que essa prática não tenha resultados negativos, é preciso uma operação inteligente por parte dos comerciantes, promovendo preços competitivos e estimulantes ao consumidor. “Com esta atitude de não aceitar cartão, o lojista corre um grande risco de o cliente mudar de ideia no caminho e muitas vezes não voltar, por isso, obter preços extremamente competitivos é o que pode garantir o retorno e a fidelidade”, relata a diretora da HAI Consultoria & Varejo, Gabrielle Fernandes.

Além do preço, o coordenador Luís de Carvalho Soares explica que o cliente volta por diversas razões: “A experiência a ser vivida por causa da exclusividade de algo que não se acha em todo lugar, a qualidade no atendimento, o ponto de localização do negócio, a limpeza do estabelecimento, a variedade de produtos que criam alternativas aos olhos e ao gosto (que pode ser também alternativo) do cliente”, diz complementando que conhecer os endereços de poucos de postos de atendimento bancário e caixas eletrônicos para saque e guiar o cliente até o local é também uma boa estratégia.

É importante fazer uma avaliação criteriosa de conversão de vendas, o lojista precisa sempre parar e avaliar quantas vendas não foram finalizadas pela falta de aceitação de cartões de crédito e cheques.

Gabrielle Fernandes explica que só assim o lojista terá conhecimento quantitativo em relação à perda x conversão e certamente se convencerá de que a utilização dessas ferramentas é fundamental para o mercado atual e o cliente final. Mas saliento a importância de que todas as práticas na utilização de cartão sejam muito bem negociadas para que o lojista controle suas margens com sucesso. Já com o cheque existe um risco maior, como a possibilidade de um futuro questionamento em caso de cheques sem fundo. Lembrando que o risco de cheques sem fundo existe tanto para o lojista, que não recebe, quanto para o comprador, de “sujar o nome, lembra a sócia-diretora da HAI Consultoria &Varejo.

NEM DINHEIRO, NEM VALE

Existem alguns comércios e restaurantes famosos, como o Sujinho em São Paulo, que mantém sua política de não aceitar cartões nem vale-alimentação. E continuam com a casa cheia, pela tradição, boa relação preço/custo percebida pelos clientes e assim seguem com um público fiel.

O professor da incubadora Mackenzie, Alexandre Nabil, conta que esses estabelecimentos alegam que não aceitam pagar taxas que consideram exorbitantes, por volta de 3,5% no crédito e 7% no vale-alimentação, além da espera de 30 dias para receber. Mas ele explica, no entanto, que esses restaurantes que não aceitam cartões de crédito estão perdendo vendas e lucro”. Quando o ticket médio é alto, essa perda é ainda mais significativa, finaliza.

SAIBA MAIS

Só teria sentido não aceitar cartão no seu estabelecimento sob as seguintes condições:

  • O seu produto/serviço é exclusivo ou essencial, altamente demandado e o cliente não tem outras opções (exemplo: alguns serviços públicos, mensalidade de clubes e escolas).
  • Se a margem de contribuição for menor que o custo financeiro de aceitar o cartão (casos raros, dificilmente se trabalha com margens tão baixas).
  •  Se estiver com capacidade instalada esgotada para a demanda atual (caso do restaurante Sujinho).

FIQUE SABENDO

Em contrapartida, alguns estabelecimentos também acabam não querendo mais aceitar dinheiro em espécie dos seus consumidores diante dos altos índices de assalto no mercado. Mas essa prática, segundo o Código de Defesa do Consumidor (CDC), é proibida pela Lei das Contravenções Penais e pelo Código Civil Brasileiro. O cliente pode recorrer aos órgãos de defesa do consumidor ou à polícia.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 4: 1-3

Alimento diário

A Viagem de Cristo à Galileia

Lemos sobre a chegada de Cristo à Judéia (cap. 3.22), depois que Ele tinha participado das festividades da Páscoa em Jerusalém. E agora Ele deixou a Judéia quatro meses antes da ceifa, como é narrado aqui (v.35), de forma que é calculado que Ele permaneceu na Judéia por cerca de seis meses, para edificar sobre os alicerces que João havia estabelecido ali. Não temos nenhuma descrição especifica de seus sermões e milagres realizados ali, mas apenas uma citação geral, v. 1.

 

I – Que Ele fez discípulos. Ele convenceu muitos a abraçar sua doutrina, e a segui-lo como um Mestre vindo de Deus. Seu ministério era bem-sucedido, não obstante a oposição encontrada (Salmos 110.2,3). Compare com Gênesis 12.5. As almas que eles haviam conquistado, que eles haviam “feito” (esse é o significado da palavra), que eles haviam feito prosélitos. Note que é uma prerrogativa de Cristo fazer discípulos, primeiro para trazê-los aos seus pés, e depois para formá-los e adequá-los à sua vontade. Os cristãos são feitos, não nascem assim.

 

II – Que Ele batizava aqueles que se tornavam seus discípulos, aceitando-os ao lavá-los com água. Ele mesmo não batizava, mas o fazia por intermédio do ministério dos seus discípulos, v. 2.

1. Ele costumava estabelecer uma diferença entre seu batismo e o de João. João batizava, ele próprio, a todos, pois ele batizava como um servo, e Cristo, como um mestre.

2. Ele se dedicava mais ao trabalho de evangelizar, que era o mais extraordinário, 1 Coríntios 1.17.

3. Ele dignificava seus discípulos, ao autorizá-los e empregá-los para fazerem sua obra, e, neste caso específico, para batizarem. Portanto, o Senhor os educava para realizarem novos serviços.

4. Se Ele próprio tivesse batizado alguns, estes estariam propensos a se valorizar por esse fato, e depreciar os demais. E isso Ele evitava, como Paulo, 1 Coríntios 1.13,14.

5. Ele reservava para si a glória de batizar com o Espírito Santo, Atos 1.5.

6. Ele nos ensina que a eficácia dos sacramentos não depende de qualquer virtude da mão que os ministra, como também que aquilo que é feito por seus ministros, de acordo com sua orientação, Ele reconhece como feito por Ele mesmo.

 

III – Que “Jesus fazia e batizava mais discípulos do que João”. Não apenas mais do que João tinha feito até essa ocasião, mas mais do que ele havia feito em qualquer tempo. O discurso de Cristo era mais cativante do que o de João. Seus milagres eram convincentes, e as curas que Ele realizava gratuitamente, muito atraentes.

 

IV – Que os fariseus foram informados disso. Eles ouviram falar das multidões que Ele batizou, pois, desde sua primeira aparição pública, eles o tinham sob uma enciumada observação, e não precisavam de espiões para lhes dar notícias sobre ele. Observe:

1. Quando os fariseus pensaram que estavam livres de João (ele estava preso nessa época), e estavam se regozijando com isso, aparece Jesus, que era para eles um aborrecimento maior do que João já havia sido. As testemunhas de Deus se levantarão sucessivamente.

2. Que o que os angustiava era o fato de Cristo fazer muitos discípulos. O sucesso do Evangelho exaspera seus inimigos, e quando os poderes das trevas estão enfurecidos contra o Evangelho, este é um bom indício de que ele está ganhando terreno.

 

V – Que nosso Senhor Jesus Cristo sabia muito bem quais informações contrárias a Ele haviam sido passadas aos fariseus. É provável que os informantes desejassem manter seus nomes em segredo, e os fariseus estivessem relutantes em terem seus desígnios revelados. Mas ninguém pode cavar tão fundo a ponto de esconder seus propósitos do Senhor (Isaias 29.15), e Cristo é aqui chamado “o Senhor”. Ele sabia o que havia sido contado aos fariseus, e se o relato excedia ou não a verdade. Sim, Jesus já deveria ter batizado mais do que João. E eles já o viam como alguém formidável. Veja 2 Reis 6.12.

 

VI – Que depois disso nosso Senhor Jesus “deixou a Judéia e foi outra vez para a Galileia”.

1. Ele “deixou a Judéia”, porque era provável que lá Ele fosse perseguido até à morte. A ira dos fariseus contra Jesus era como aquele plano iníquo para devorar o menino-Deus em sua infância. Para escapar das intenções deles, Cristo deixou a região e foi para onde aquilo que Ele fazia fosse menos irritante do que à vista deles. Pois:

(1) Ainda não era chegada sua hora (cap. 7.30), a hora estabelecida nos desígnios de Deus, e nas profecias do Antigo Testamento, para o Messias morrer. Ele não havia ter minado seu testemunho, e por essa razão não se entregaria ou se exporia.

(2) Os discípulos que Ele havia reunido na Judéia não eram capazes de suportar dificuldades, e por isso ele não os exporia.

(3) Desse modo, Ele deu um exemplo para sua própria regra: “Quando vos perseguirem em uma cidade, fugi para outra”. Nós não somos chamados para sofrer, enquanto pudermos evitar o sofrimento sem pecar. E, embora não possamos, para nossa própria preservação, mudar nossa religião, ainda assim podemos mudar de lugar. Cristo não se protegeu através de um milagre, mas de uma maneira muito comum aos homens, para assim orientar e encorajar seu povo sofredor.

2. Ele partiu para a Galileia, porque tinha uma obra para realizar ali, além de ter muitos amigos e menos inimigos naquela região. Ele foi para a Galileia agora:

(1) Porque lá o ministério ele João havia preparado o caminho para Ele. Porque a Galileia, que estava sob a jurisdição de Herodes, era o último cenário do batismo de João.

(2) Porque a prisão de João havia aberto espaço para Ele ali. Estando agora aquela luz debaixo do alqueire, o pensamento das pessoas não ficaria dividido entre João e Cristo. Assim, tanto os privilégios quanto as restrições dos bons ministros são para o proveito do Evangelho, Filipenses 1.12. Mas com que finalidade Ele entra para sua segurança na Galileia? Herodes, o perseguidor de João, não será jamais o protetor de Jesus.