PSICOLOGIA ANALÍTICA

PREOCUPAÇÃO COM DINHEIRO PODE CAUSAR DOR FÍSICA

Estudo recente relaciona a economia instável à sintomas somáticos e à maior sensibilidade ao desconforto.

Preocupação com dinheiro pode causar dor física

Poucas coisas causam tanta ansiedade quanto não saber quando chega o próximo pagamento. Ou ter a convicção de que o montante a ser recebido não será suficiente para quitar todas as contas. Além das dificuldades práticas, a insegurança econômica traz consigo um amplo espectro de efeitos negativos, incluindo sentimentos de baixa autoestima e prejuízo do funcionamento cognitivo. Cientistas descobriram ainda que o estresse financeiro pode causar dor física. É o que mostra um artigo publicado este ano no periódico científico Psychological Science.

A pesquisadora Eileen Chou, doutora em ciências e professora de políticas públicas na Universidade da Virgínia, e seus colaboradores começaram o estudo pela análise de um conjunto de dados de 33.720 famílias americanas. Os cientistas constataram que aquelas com maiores níveis de desemprego eram mais propensas a comprar analgésicos isentos de prescrição. Utilizando comparação de dados e revendo experimentos já realizados nessa área, a equipe descobriu que o simples fato de pensar sobre insegurança financeira bastava para aumentar a sensação dolorosa. Por exemplo, as pessoas relatavam sentir quase o dobro de dor física após se lembrar de um período financeiramente instável em suas vidas, em comparação aos momentos em que rememoraram algum período de segurança econômica.

Em outro experimento, foi pedido a estudantes universitários que mantivessem as mãos num balde de gelo o máximo que pudessem, até que a sensação se tornasse dolorosa. Os voluntários mais ansiosos, que ouviam informações com o objetivo de despertar neles sentimentos de ansiedade em relação ao futuro profissional, removiam as mãos do balde de gelo mais rápido (mostrando menos tolerância à dor) do que aqueles que não eram. Os pesquisadores descobriram também que a insegurança econômica reduzia o senso de autocontrole das pessoas, o que, por sua vez, aumentava a sensação dolorosa.

Chou e seus colegas sugerem que, por causa dessa relação entre insegurança financeira e diminuição da tolerância à dor, a recessão pode ter sido um fator de promoção da epidemia da prescrição de analgésicos nos Estados Unidos. No Brasil, não há dados que mostrem a correlação recente entre venda de analgésicos e crise financeira. Mas a ideia é bastante plausível, principalmente se considerarmos que o estresse em geral é bastante conhecido como responsável pelo aumento das sensações de dor. Mais pesquisas são necessárias para separar a ansiedade financeira de outras fontes de pressão. “A hipótese de que o estresse financeiro causa dor tem lógica, embora seja útil ver outras evidências rigorosas num ambiente do mundo real”, diz a economista Heather Schofield, professora da Universidade da Pensilvânia, que não participou do estudo.

AFETO AJUDA A ALIVIAR OS INFORTÚNIOS FINANCEIROS

Além de contribuir para o aumento da sensibilidade à dor física, o estresse financeiro pode influir também nos estados emocionais, exacerbando a sensação de angústia. Estudos comprovaram que ganhar menos dinheiro intensifica a tristeza que normalmente resulta de situações difíceis que enfrentamos na vida, como divórcio, problemas de saúde e solidão. Mas as dificuldades financeiras não significam que a pessoa esteja fadada a sofrer. Um estudo americano de 2014 constatou que o apoio social pode ajudar a proteger tanto contra a dor psicológica quanto contra a física associada ao estresse financeiro. Nesse sentido, o afeto pode funcionar como fator de proteção.

Em relação à dor física, a eficácia do toque carinhoso para diminuir a intensidade do desconforto já havia sido comprovada há alguns anos, por cientistas da Universidade de Gotemburgo, na Suécia. Levando em conta o fato já conhecido de que sinais elétricos percorrem fibras neurais especializadas para informar o cérebro de que nossa pele está sendo tocada, os pesquisadores usaram uma técnica conhecida como microneurografia. Eles “seguiram” esses impulsos no braço de voluntários e observaram que, quanto maior sua frequência – proporcional à intensidade do afago -, maior a sensação de prazer relatada pelos participantes. Essas fibras especializadas, uma vez estimuladas, são capazes de atenuar sinais dolorosos originados em outras partes do corpo, relataram os autores do artigo publicado na revista Nature Neuroscience.

OUTROS OLHARES

COMO NOSSOS AVÓS

Quem são e o que pensam os jovens adeptos do “namoro de corte”, em que o primeiro beijo é dado depois do casamento.

Como nossos avós

Aos 22 anos, a professora Samila Souza Rodrigues namora há dois e está de casamento marcado para janeiro de 2018. Subir ao altar com o noivo, Roney Reis de Andrade, 23anos, significará mais do que a celebração de uma nova vida. É quando vai acontecer o primeiro beijo do casal. Isso mesmo, primeiro beijo. Para além de movimentos como “Eu Escolhi Esperar”, em que casais decidem ter relações sexuais apenas depois de se casarem, e na contramão das reivindicações dos jovens por mais liberdade quando o assunto é sexo, há pessoas que decidem começar um relacionamento e namorar nos moldes de antigamente sem beijo, sem contato físico, sempre com alguém por perto. É o chamado “namoro de corte”. “Quem vê de fora pensa que é loucura, mas não, é uma decisão bem consciente. Claro que tenho desejo, mas quero fazer tudo dentro da aliança do casamento, no tempo certo'”, afirma Roney.

REDUÇÃO DE “DANOS”

A ideia de “namoro de corte” está totalmente atrelada à religião. Entre os casais que aderem à prática, pelo menos uma das duas pessoas faz parte de alguma igreja em que se discute sobre a importância de se relacionar mais intimamente só depois de firmado o compromisso do matrimônio. Pode parecer pouca gente, mas há um grande número de comunidades on-line dedicadas a tratar apenas desse assunto. Os defensores explicam o que é, discutem o que vale e o que não vale dentro da “corte” e trocam experiências. O consultor de marketing Rodrigo Santos Rodrigues de Andrade, 25 anos, é dono de um dos grupos nas redes sociais que tratam do assunto, ele próprio adepto dessa modalidade de namoro. “Antes de saber o que era, já tinha decidido que era o que eu queria. Como não tem contato físico, é livre de depravações”, diz Rodrigo. “Comecei a conversar com minha atual namorada em fevereiro sobre a possibilidade de nos relacionarmos. Tiramos um período para oração, para ter certeza se era o que queríamos e, em abril, oficializamos nossa ‘corte’.  Segundo os casais, não há garantia do sucesso do relacionamento, ainda que os riscos sejam menores. No site Eu Escolhi Esperar, que integra um movimento nacional, há depoimentos como o da advogada e cristã Kamila Carvalho Borges, “A corte também não é uma garantia que o romance dará certo, mas que se não acontecer da maneira esperada, os ‘danos’ serão menores, e em alguns casos, Inexistentes”, afirma ela, que é casada com o cantor e compositor Lincoln Borges, membro da Missão Cristo Vive, de Vitória (ES), “Não significa reprimir desejos. Apenas esperar o momento certo. Posso dizer isso pela minha vida e por tudo que tenho desfrutado que está sendo uma experiência preciosa”, afirma Roney.

 

INSPIRAÇÃO NA ESCRITURAS

A maioria dos jovens pratica o namoro de corte por motivação religiosa, citando os versículos bíblicos de I Tessalonicenses 4:3-4

“A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual”.

“Cada um saiba controlar o seu próprio corpo de maneira santa e honrosa”.

GESTÃO E CARREIRA

AS LIÇÕES DA DAMA DE OURO

O que a brilhante trajetória de Maria Esther Bueno, maior tenista brasileira de todos os tempos, nos ensina sobre superação e sucesso na vida pessoal, na carreira e na esfera empresarial.

Maria Bueno

O tênis me levou a lugares inimagináveis. Por exemplo, ao convívio com Maria Esther Bueno, maior tenista brasileira de todos os tempos e, por quatro vezes, em 1959, 1960, 1964 e 1966, também melhor do mundo. Com Maria Esther, que nos deixou no dia 8 de junho, aprendi lições que pareciam pertencer ao universo do esporte. Eram, na realidade, lições de vida, de carreira e de sucesso empresarial.

Quando Maria Esther e eu nos conhecemos, em meados dos anos 70, ela ainda jogava alguns torneios, mas estava encerrando a carreira. Eu tinha 16 anos e havia me tornado o melhor tenista do clube que representava. Lá, porém, não tinha mais espaço para crescer. Meu pai sabia da tradição da Sociedade Harmonia de Tênis, clube fundado há quase 90 anos em São Paulo por amantes do esporte pelo qual eu, adolescente, me apaixonei. Éramos de uma família de classe média baixa, muito longe do poder aquisitivo necessário para ter um título, mas de alguma maneira ele conseguiu que eu fosse admitido como sócio- atleta. Foi o melhor presente que recebi dele.

No Harmonia, dei de cara com os melhores tenistas do Brasil. E com Maria Esther. Diferentemente dela, eu não tinha um talento natural, mas ganhava no esforço. Naquele momento, o que tínhamos em comum era a paixão pelo tênis e uma imensa vontade de treinar. Vendo minha vontade de melhorar, ela decidiu treinar comigo. Começou assim nossa amizade de 43 anos, dentro e fora das quadras. Uma amizade que fortaleceu minha formação e ajudou a moldar minha visão do mundo empresarial. No fim do dia, alta performance é alta performance, seja na quadra, seja na empresa. Compartilho algumas das lições que aprendi com a Rainha porque acredito nas afinidades entre esses dois mundos — o dos negócios e o dos esportes de alto rendimento, no qual brilhou Maria Esther.

1. TALENTO SOZINHO NÃO LEVA NINGUÉM MUITO LONGE.

Maria Esther era uma tenista maravilhosamente talentosa, mas não se acomodava nesse status privilegiado: trabalhava duro para maximizar o dom que era só dela. Treinava todos os dias, muitas horas por dia, com chuva ou sol. Vejo muitos jovens executivos e esportistas cujo talento é desperdiçado porque não estão dispostos a pagar o preço de cultivá-lo. Maria Esther me ensinou que talento sem trabalho árduo não leva a lugar nenhum.

2. SOMOS RESPONSÁVEIS POR NOSSO APRENDIZADO.

Em sua obsessão por treinar, Maria Esther saiu de casa cedo, aos 14 anos, e mudou-se para a Europa somente com a passagem de ida. Sabia que, se ficasse no Brasil, não teria oportunidades. Foi sozinha, sem pai, sem mãe e sem staff — coisa que outras atletas de sua geração, de outras nacionalidades, já tinham. Certa vez, o técnico australiano Harry Hopman se ofereceu para treiná-la. Durou uma semana: Maria Esther entendeu rapidamente que lhe bastavam seu foco e sua genialidade. Enquanto todo mundo apregoa a necessidade de coaches, mentores e afins, ela me mostrou que não vale a pena entregar nossa educação e nossa carreira aos outros. Cabe a cada um assumir a responsabilidade pelo próprio desenvolvimento.

3. “DESCULPABILITY” É PARA OS FRACOS.

Adoro a palavra “desculpability”, título do livro de um amigo, João Cordeiro. João escreve sobre nossa tendência a encontrar desculpas para justificar todas as nossas fraquezas. Maria Esther não conhecia a desculpability. Enquanto jogava tênis, passou por 22 cirurgias para corrigir lesões nos braços, ombros, ligamentos. Nunca pensou em desistir. Era o preço a ser pago, e ela pagava. Li em um site da Inglaterra que a tenista “ignorou o destino que lhe foi prescrito e assumiu o comando de sua carreira vitoriosa”.

4. A OBSESSÃO PELA VITÓRIA FAZ BEM.

Quando jogava nos Grand Slams, Maria Esther competia em três categorias: simples, duplas e duplas mistas. Chegou a jogar 120 games num único dia, com raquete de madeira, muito mais pesada do que as de hoje, e acertando uma bola que se movimentava mais lentamente. Não chegou a levar o título nas três num único torneio. “Uma vez, em Wimbledon, ganhei simples, ganhei dupla feminina, fui para a final de dupla mista, mas meu parceiro fez dupla falta no match point”, disse-me em certa ocasião. Quando perguntei a ela se preferiria ter jogado em uma só categoria, como os atletas de hoje, me respondeu: “Eu jogaria tudo de novo”. Em tempo: quando foi a melhor do mundo, os jogadores não recebiam os prêmios milionários de hoje. Depois de uma vitória em Wimbledon, o prêmio foi um voucher para comprar um traje esportivo na loja do torneio. Seu objetivo era a vitória, o troféu, entrar para a história.

5. SEMPRE É POSSÍVEL INOVAR.

Maria Esther foi uma jogadora inovadora em pelo menos dois aspectos. Primeiro, na tática. Enquanto todas as outras jogavam no fundo da quadra (e até hoje é assim: poucas vêm para a rede, preferindo mandar pauladas da linha de fundo), ela aprendeu a jogar na rede. Seus voleios ficaram famosos e inspiraram as jogadoras Billie Jean King e Martina Navratilova. Segundo, ao levar a moda para as quadras. Seus vestidos mais elegantes foram desenhados pelo estilista Ted Tinling, abrindo caminho para os trajes fashion de estrelas como Serena Williams e Maria Sharapova.

6. BOA COMUNICAÇÃO É COISA SÉRIA.

Com outros atletas, Maria Esther tinha uma comunicação fácil, fluida, baseada em frases curtas e ideias fortes. Quando me via meio estático em quadra, totalmente concentrado, ela dizia: “Happy feet, parceirinho (ela me chamava assim), happy feet!” “Pés felizes” era a senha para que eu me movimentasse mais, e a frase marcou minha trajetória como empresário, instigando-me a ficar atento, focado em situações de tensão. Da mesma forma, quando eu jogava uma sequência de bolas curtas, fáceis de rebater, ela me repreendia: “Bola chata, parceirinho!” — exigindo que eu a desafiasse com bolas longas, que a colocassem para trás. “Bola chata” ficou para mim como uma maneira eficaz de lidar com a concorrência.

7. VALORES NÃO SÃO NEGOCIÁVEIS.

Para Maria Esther, a lealdade à família e aos amigos vinha em primeiro lugar. Em 2012, quando seu irmão, Pedro Bueno, adoeceu com Alzheimer, ela era contratada pela Federação Internacional de Tênis para dar clínicas e palestras pelo mundo. Maria Esther cancelou tudo para acompanhar o tratamento dele e ficou a seu lado até o fim. Em 2014, quando se celebravam os 50 anos de sua vitória em Wimbledon e no US Open, propus a ela que lhe prestássemos uma homenagem em minha casa. Discreta, ela relutou, mas acabou cedendo à ideia, com uma condição: “Parceirinho, eu convido”. De fato, convidou oito amigos, todos homens, tenistas com quem dividia quadras havia décadas. Descartou minha sugestão de chamar imprensa e celebridades, fazendo valer seu conhecido “ego zero” — bem diferente de tantos executivos e empresários hoje.

A morte de Maria Esther foi uma perda pessoal. Convivi com ela, aprendi com ela, me emociono quando entro no Harmonia e penso que ela não virá. Como Peter Drucker, com quem também tive a honra de conviver, era uma pessoa iluminada. Como Drucker, poderia ter tido uma vida glamourosa, mas optou por uma rotina pacata, focada no trabalho duro e na busca pela vitória e pela excelência. Naquele jantar em 2014, combinamos que cada um dos amigos faria um pequeno relato de como Maria Esther tinha influenciado sua vida. Ela ouviu tudo, levemente surpresa, e ao final disse: “Nossa, eu não tinha ideia do que tinha feito por vocês. Para mim, eu estava apenas jogando tênis”.

 

JOSÉ SALIBI NETO – é consultor e coautor do livro Gestão do Amanhã (Editora Gente).

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 5: 1-16 – PARTE I

Alimento diário

A Cura no Tanque de Betesda

Essa cura milagrosa não é registrada por nenhum outro dos evangelistas, que se restringem principalmente aos milagres realizados na Galileia, mas João relata aqueles realizados em Jerusalém. Com relação a isso. observe:

I – A época em que essa cura foi realizada: foi em “uma festa dos judeus”, isto é, a da Páscoa, pois era a festa mais celebrada. Cristo, embora residindo na Galileia, subiu a Jerusalém para a festa, v 1.

1. Porque esta era uma ordenança de Deus, a qual. como um súdito, Ele cumpriria, pois fora imposta sob a lei. Embora, como Filho, Ele pudesse ter pleiteado uma isenção. Desse modo, o Senhor Jesus nos ensinaria a participar das reuniões religiosas, dos cultos ao Senhor, Hebreus 10.25. 2. Porque esta era uma oportunidade de fazer o bem, pois:

(1 ) Havia grande s multidões reunidas em Jerusalém naquele momento. Era um encontro geral, ao menos de t odos os pensadores sérios de todas as partes do país, além de prosélitos de outras nações. E a Sabedoria deve clamar nos lugares de grande afluência de pessoas, Provérbios 1.21.

(2) Seria de se esperar que elas estivessem em um bom estado de espírito, pois tinham vindo para juntas adorar a Deus e passar o tempo em práticas religiosas. Sendo assim, uma mente propensa à devoção, e isolando-se com vistas aos exercícios de piedade, permanece muito aberta às futuras descobertas da luz e amor divinos, e para ela Cristo será agradável.

II – O lugar onde essa cura foi realizada: no tanque de Betesda, que tinha em si uma milagrosa virtude de cura, e que aqui é detalhadamente descrita, vv. 2-4.

1. Onde ele estava situado: “Em Jerusalém … próximo à Porta das Ovelhas”. Poderia muito bem ser traduzido como o estábulo das ovelhas, onde o rebanho era mantido, ou a Porta do Gado, sobre a qual lemos em Neemias 3.1, através da qual os rebanhos eram trazidos, como o mercado das ovelhas, onde estas eram vendidas. Alguns acham que este se situava próximo ao Templo, e, se é assim, este foi um espetáculo melancólico, porém produtivo, para aqueles que subiram ao Templo para orar.

2. Como ele era chamado: era um “tanque” (um reservatório ou banho), “chamado em hebreu Betesda” casa de misericórdia. Porque nele aconteciam muitas das misericórdias de Deus para com os doentes e enfermos. Em um mundo de tanta miséria como este nosso, é bom que existam alguns Betesdas casas de misericórdia (remédios contra esses males), para que o cenário não seja totalmente de melancolia. O lugar era um abrigo para pobres, segundo o Dr. Hammond. O Dr. Lightfoot acredita que esse era o viveiro superior (Isaias 7.3), o viveiro velho, Isaías 22.11, que tinha sido usado para a lavagem de contaminações cerimoniais, cujos alpendres foram construídos a fim de que as pessoas se vestissem e se despissem dentro deles, e que mais tarde se tornara um local de curas.

3. Como ele foi adaptado: havia cinco alpendres, claustros, varandas ou calçadas cobertas, onde jaziam os doentes. Desse modo, a caridade dos homens cooperava com a misericórdia de Deus para o alívio dos enfermos. A natureza fornece os remédios, mas os homens devem fornecer os hospitais.

4. Como ele era frequentado por doentes e paralíticos (v. 3): “Nestes jazia grande multidão de enfermos”. Quantas são as angústias dos aflitos neste mundo! Como são repletos de queixas todos os lugares, e quantas multidões de pessoas estão incapacitadas! Pode nos fazer bem visitar os hospitais algumas vezes, para que possamos nos valer da oportunidade, a partir das adversidades dos outros, de agradecer a Deus pelo nosso bem-estar. O evangelista especifica três tipos de pessoas enfermas que jazem aqui: cegos, coxos e paralíticos ou de pouca força, em uma parte em particular, como o homem com a mão mirrada, ou completamente paralíticos. Esses são mencionados porque, sendo menos capazes de se locomoverem para dentro da água, permaneciam por mais tempo esperando nos alpendres. Aqueles que estavam enfermos ou acometidos dessas doenças corporais esforçavam-se para vir de longe e tinha paciência para esperar muito tempo por uma cura. Qualquer um de nós teria feito o mesmo, e assim nós devemos fazer. Mas, Oh! Se os homens fossem tão sábios com suas almas, e tão ansiosos para ter suas doenças espirituais cura das! Somos todos, por natureza, impotentes nas coisas espirituais, cegos, coxos e paralíticos, mas uma provisão eficaz é feita para nossa cura, se simplesmente seguirmos as ordens que recebemos do Senhor.

5. Que virtude tinha este tanque para curar essas pessoas incapazes (v. 4). “Um anjo descia”, e “agitava a água”, e “o primeiro que ali descia… sarava de qualquer enfermidade que tivesse”. Que essa estranha virtude no tanque era natural, ou, mais exatamente, artificial, e que era o efeito da lavagem dos sacrifícios que impregnava a água com alguma virtude curativa, mesmo para as pessoas cegas, e que o anjo era apenas um mensageiro, uma pessoa comum, enviada para revolver a água, é completamente infundado. No Templo, havia um recinto exclusivo para a lavagem dos sacrifícios. Os comentaristas concordam, geralmente, que a virtude que esse tanque tinha era sobrenatural. É verdade que nenhum dos autores judeus, que não são econômicos ao relatar as glórias de Jerusalém, faz qualquer menção a este tanque de cura, e talvez a razão do silêncio a seu respeito se deva ao fato de que as curas ali realizadas eram interpretadas como um presságio de que a chegada do Messias estava próxima. E, por essa razão, aqueles que negaram que Ele estava para chegar, habilmente ocultavam tal presságio de sua vinda. Portanto, isso é tudo o que temos a esse respeito. Observe:

(1) A preparação do remédio por um anjo, que descia ao tanque e agitava a água. Anjos são servos de Deus, e amigos da humanidade. E talvez sejam mais efetivos na eliminação de doenças (como os anjos maus em infligi-las) do que temos ciência. Rafael, o suposto nome de um anjo, significa medicina Dei remédio de Deus, ou, mais exatamente, médico. Veja a que funções inferiores os santos anjos se submetem para o bem dos homens. Se fizermos a vontade de Deus, como fazem os anjos, devemos considerar que somente o pecado está abaixo de nós. A agitação da água era o sinal dado da descida do anjo, como a marcha pelas copas das amoreiras fora para Davi, e então eles deviam se apressar. As águas do santuário são então curativas quando postas em movimento. Os ministros de­ vem despertar o dom que há em si mesmos. Quando eles são indiferentes e tediosos em seus ministérios, as águas se acalmam, e não são capazes de curar. O anjo descia, para agitar a água, não diariamente, talvez não frequentemente, mas em um certo tempo. Alguns acreditam que o anjo descia por ocasião das três festas solenes, para abrilhantar aquelas cerimônias. Ou, de vez em quando, como a Sabedoria Infinita considerava adequado. Deus é independente ao conceder seus favores.

(2) A ação do remédio: fosse quem fosse o primeiro que ali entrasse, era curado. Eis aqui:

[1] A milagrosa amplitude da virtude quanto às doenças curadas. Qualquer que fosse a doença, essa água a curava. Banhos naturais e artificiais são tão prejudiciais em alguns casos quanto proveitosos em outros, mas este era um remédio para todas as enfermidades, até mesmo para aquelas que eram incuráveis. O poder dos milagres tem sucesso onde o da natureza sucumbe.

[2] Uma milagrosa limitação da virtude quanto às pessoas curadas: aquele que entrasse primeiro tinha a recompensa, isto é, aquele ou aqueles que entrassem imediatamente eram curados, não aqueles que demoravam e entravam depois. Isso nos ensina a observar e a aproveitar nossas oportunidades, e a estarmos atentos, para que não deixemos escapar um momento que pode nunca mais voltar. O anjo agitava as águas, mas os doentes tinham que entrar por sua própria conta. Deus introduziu virtude nas Escrituras e nas ordenanças, pois Ele deseja nos curar, mas, se não fizermos o uso devido destas, não seremos curados, por nossa própria culpa.

E esta é toda descrição que temos desse milagre permanente. É indeterminado quando ele começou e quando cessou. Alguns presumem que ele começou quando Eliasibe, o sumo sacerdote, iniciou a construção do muro em volta de Jerusalém, e o santificou com uma oração, e que Deus afirmou sua aceitação ao conceder essa virtude ao tanque adjacente. Alguns pensam que ele começou naqueles dias, por ocasião do nascimento de Cristo. Enquanto outros entendem que este início ocorreu em seu batismo. O Dr. Lightfoot, ao encontrar em Josefo, Antiq., liv. 15, cap. 7, menção de um grande terremoto no sétimo ano de Herodes, trinta anos antes do nascimento de Cristo, supôs, visto que ali costumavam acontecer terremotos durante a descida dos anjos, que esta foi a ocasião em que o primeiro anjo desceu para agitar essa água. Alguns pensam que cessou com esse milagre, outros, com a morte de Cristo. Contudo, é certo que teve um significado piedoso. Em primeiro lugar, era um símbolo da boa vontade de Deus para com aquelas pessoas, e um indício de que, embora eles estivessem há muito sem profetas e milagres, ainda assim Deus não os havia rejeitado. Embora eles fossem agora pessoas oprimidas e desprezadas, e muitas estivessem prontas para dizer: “O que é feito de todas as suas maravilhas que nossos pais nos contaram?”, Deus, através disso, os fez saber que Ele ainda tinha um benefício para a cidade das solenidades deles. Nós podemos, através disso, aproveitar a ocasião para reconhecer com gratidão o poder e a bondade de Deus nas águas minerais, que tanto contribuem para a saúde da humanidade, pois Deus fez as fontes das águas, Apocalipse 14.7. Em segundo lugar, era uma figura do Messias, que é a fonte acessível, e destinava-se a aumentar as expectativas das pessoas sobre aquele que é o Sol da Justiça, que surge com a cura sob suas asas. Essas águas haviam sido usadas antigamente para purificar agora para curar, para significar tanto a purificação quanto a virtude curativa do sangue de Cristo, aquele banho incomparável, que cura todas as nossas doenças. As águas de Siloé, que enchiam esse tanque, representavam o reino de Davi e de Cristo, o Filho de Davi (Isaias 8.6). De maneira adequada, então, eles têm agora essa virtude soberana introduzida em si mesmos. A lavagem da regeneração é para nós como o tanque de Betesda, curando nossas doenças espirituais, não em certas épocas, mas sempre. Quem quiser, venha.