PSICOLOGIA ANALÍTICA

O PROTAGONISMO DE SER PAI

Vários fatores colaboram para que os homens assumam um papel mais consciente de educador familiar, em uma função que, histórica e culturalmente, foi delegada às mulheres.

O protagonismo de ser pai

Por muito tempo a educação dos filhos perante a sociedade era responsabilidade da mãe, sendo que esse comportamento adquirido foi construído, em caráter, meramente por questões culturais. Hoje, novas tendências e rearranjos familiares estão frente às outras possibilidades de organização familiar. Alguns fatores contribuem para que os homens assumam esse papel mais consciente de educador familiar. Por exemplo: quando encontram-se diante de uma situação de separação, no momento de viuvez, ou na escolha de um novo formato de casamento, ou até na decisão de exercer a paternidade mais intensamente, ressignificando a formatação da família. Sem dúvida, o pai pode e deve assumir toda a responsabilidade de educar os filhos nesse caso.

Como o pai pode promover através da educação a plasticidade neural intencional do cérebro das crianças? Existem algumas dicas que podem ser utilizadas como estratégias educacionais nas atividades lúdicas, cognitivas e afetivas como ferramentas potencializadoras de estímulos. São as seguintes:

Disponibilize o tempo com qualidade, entregando-se afetivamente para aquele momento. Evite desfocar da situação; escolha junto com a criança os jogos analógicos e/ou digitais para estimular as brincadeiras integrativas – cognitiva, afetiva e social; estimule a leitura e a Contação de histórias – essas estratégias podem aumentar o potencial criativo e a inteligência da criança, promovem novas conexões das células neuroglias e estimulam a produção de neurotransmissores neurotróficos do prazer; planeje passeios ao ar livre e peça para que a criança conte o que mais gostou ou não; ouça músicas, dance; realize um simples caminhar até um supermercado, permita que a criança use o sensorial para também escolher os alimentos; promova atividades lúdicas orientadas. A brincadeira é um estímulo e auxilia na construção neurobiológica cognitiva, afetiva e social do relacionamento entre o pai e a criança; sorria mais; fale sério quando perceber que a criança precisa de mais orientações e regras para conviver melhor socialmente; promova mais liberdade para aprender com responsabilidade.

Pesquisas mostram que crianças quando estimuladas no momento certo, e com bons estímulos, têm chances de ter o cérebro potencializado. É um mito achar que a educação é tarefa só ou mais da mãe. Promover plasticidade neural é potencializar as funções cognitivas, executivas e afetivas. Também deve ser tarefa do pai.

Conclui-se que não existem diferenças anatômicas entre as inteligências e habilidades do homem e da mulher, mas os estímulos são fundamentais para que as habilidades sejam desenvolvidas.  Com isso, entende-se que o pai é fundamental para desenvolver outras capacidades no cérebro de seus filhos.

Existe uma grande necessidade de se repensar a educação das crianças, pois, perante a sociedade, ainda é a mãe a responsável por esse processo. Mas as necessidades sociais estão mudando e as relações familiares ressignificando-se diante das necessidades econômicas e sociais. Sem dúvida, o homem cada vez mais se reintegra no papel de gerenciador das tarefas do lar e do desenvolvimento educativo cognitivo, sócio e emocional dos filhos, no dia adia.

Neste momento cabe uma profunda reflexão: o que está mudando para que o homem assuma um novo “papel” na sociedade, como as tarefas de casa e a educação dos filhos! O que antes eram atividades tão femininas! A resposta está na necessidade de sobrevivência biológica, afetiva e social

DESAFIO

Estudos neurocientíficos comprovam que os estímulos paternos são fundamentais para o excelente desenvolvimento das crianças e adolescentes no período escolar. Aprender qualquer assunto leva tempo, existe o tempo do amadurecimento e da assimilação do conteúdo, inclusive se o assunto é gênero, sexualidade e papéis sociais.

Cada vez mais, torna-se necessário internalizar que, independentemente do gênero, a tarefa de educar os filhos não é só da mãe, é também do pai. E a construção dessa ideia começa a partir de um diálogo entre os pais e as crianças, ou seja, no universo da família.

Como desatar essas amarras, se os adultos nem mesmo se conhecem em suas potencialidades e, muitas vezes, se acham incompetentes para exercer atividades ditas femininas? Dessa maneira, torna-se difícil estabelecer a escuta e o diálogo entre os pares. O assunto sobre quem vai ser responsável pela tarefa de educar os filhos ainda é enfrentado com tabus.

 OS CÉREBROS

A neurociência comprova que as diferenças anatômicas entre o cérebro masculino e feminino são sutis, quase imperceptíveis a olho nu. O que promove as diferenças comportamentais nos aspectos neurobiológicos? São os estímulos e as possíveis conexões neurais realizadas ao longo do desenvolvimento do cérebro cognitivo, emocional e social, influenciado pela cultura. Vale destacar que os hormônios desempenham funções importantes nas ações relacionadas às habilidades especificas de cada gênero no contexto da aprendizagem, mas não podem ser considerados como fatores determinantes. Atuam, também, nas características secundárias da sexualidade, como por exemplo voz, pelos, etc.

Pesquisas neurocientíficas, não invasivas, por meio de imagens, demonstram reais assimetrias anatômicas entre os cérebros feminino e masculino, e também apresentam relevantes diferenças neuroquímicas de neurotransmissores conhecidos como norepinefrina, que é desigualmente distribuída na metade direita do tálamo (estrutura subcortical que atua como principal centro de distribuição dos impulsos elétricos para o córtex. No homem, apresenta mais quantidade no tálamo direito, enquanto nas mulheres no esquerdo). Essas diferenças demonstram como os estímulos são recebidos, distribuídos e interpretados em cada estrutura cerebral, promovendo diferentes assimilações.

Outra questão cientifica relevante entre os cérebros masculino e feminino é que a diferença de gênero pode provir especificamente das regiões frontais de cada hemisfério, devido ao encontro de feixes nervosos que, nas mulheres, são mais densos que nos homens. Essa anatomia promove um funcionamento mais rápido dos impulsos nervosos. E mais: enquanto o lobo frontal direito exerce a função da habilidade de alterar uma estratégia, o lobo frontal esquerdo é envolvido na habilidade de avançar ou elaborar uma nova estratégia rapidamente.

O mecanismo para essas diferenças entre os gêneros não é totalmente conhecido, mas provavelmente é envolvido também pelos efeitos de organização e ativação dos hormônios sexuais (estrogênio e testosterona). Além disso, os efeitos organizacionais dos hormônios ocorrem durante o desenvolvimento dos órgãos sexuais e a masculinização ou feminilização do cérebro de forma relativamente permanente.

 NA ESCOLA

Muitas crianças chegam à sala de aula com ideias preestabelecidas, como o pai deve ser forte, e a mãe, meiga e delicada. A educação trazida de casa promove uma série de valores, mas nem sempre eles apontam para o melhor caminho. Se não fizermos nada, não daremos oportunidades para que as habilidades individuais apareçam (Relvas, 2010).

A ideia central é que as crianças superem os modelos construídos em virtude dos estereótipos de gênero. É importante estarmos atentos a essas questões, pois preparamos nossos filhos para os enfrentamentos dos desafios da vida. E a escola pode ser um a excelente parceira para repensar, junto com a família, as novas tendências das organizações familiares.

No geral, para os professores, bom aluno(a) é aquele(a) curioso(a) que demonstra iniciativa. Meninas são mais dóceis, meigas e tranquilas, podendo até ser denominadas de feminilidade silenciosa, a típica aluna que enfeita o caderno com desenhos feitos com canetinhas coloridas. O que diverge do universo masculino. Meninos costumam ser interpretados como descompromissados e desleixados com os estudos, além de manterem seu material desorganizado e sujo.

O que releva e entende-se com isso é que a educação se dá, portanto, dentro de um contexto mais amplo que o da aquisição de conteúdos escolares, pois comporta as relações subjetivas em jogo entre educadores e educandos. Nesse contexto, faz-se necessária uma reforma urgente do pensamento sobre as atividades realizadas entre os gêneros, com objetivo de minimizar preconceitos.

A escola, ao contribuir com esses aspectos sociais e emocionais sobre o entendimento dos gêneros, pode ensinar que não existem diferenças em funções nas atividades exercidas. Não existem tarefas específicas de meninos e meninas. O importante é a colaboração, cooperação interativa, integrativa e inclusiva.

É importante enfrentar as barreiras que as crianças apresentam, como “não tenho jeito para isso” ou “não consigo”, “tenho medo de quebrar”, “não gosto desse tipo de atividade”, “é muito difícil”, etc. É neste momento que os trabalhos com os temas transversais de conteúdos atitudinais são necessários para serem evidenciados nas atividades escolares, porém com muito diálogo.

Como o educador pode atuar para potencializar essas mudanças de comportamentos e promover novas aprendizagens no que tange ao tema sobre atividades dos gêneros no contexto social? A resposta é reverter as expectativas emocionais em torno dos papéis de gêneros numa reflexão cooperativa e solidária. Por exemplo: com carinho, solicite para uma menina que carregue uma caixa {leve) e a um menino que compre um lanche na cantina para uma colega; realizar atividades lúdicas para meninos e meninas, como: oficina de cozinhar, fazer consertos, jogar bola, organizar caixa de insetos; propor às meninas tarefas “incomuns”, como trabalhar com ferramentas para aparafusar peça no laboratório de ciências e informática; estimular as meninas à compreensão para a Ciência, Matemática, Física, e os meninos para Artes.

Segundo Aristóteles, o homem é um “animal social” e, por isso, essa abordagem perpassa pelos argumentos biológicos, psicológicos, sociais da construção do humano. Esses aspectos influenciaram o indivíduo ao longo dos tempos, tanto sobre a identidade de gênero quanto sobre a orientação sexual.

O cérebro humano é o ator principal do sistema nervoso central, e é nele que toda compreensão e entendimento consciente e não consciente se manifestam, pois nele estão localizadas as regiões que têm relação com todas as atividades referentes a gêneros, sexos e comportamentos, sexualidade biológica, psicológica e social do humano.

Pequenas diferenças nas habilidades espaciais, verbais e cognitivas não se tornam tão relevantes entre homens e mulheres. Do ponto de vista cerebral, o que distingue homem e mulher é tão óbvio que acaba sendo esquecido, que é a preferência ou tendência sexual. A partir da adolescência, a maioria dos meninos se sente atraído sexualmente por garotas, para a felicidade de todos, pois assim é possível garantir a perpetuação da espécie. E a reciproca é verdadeira, pois, na maioria das vezes, elas sentem atração pelos rapazes.

 TRÊS ASPECTOS

Evidências científicas demonstram que a preferência sexual é determinada biologicamente ainda no útero. Como acontece? Destacamos três aspectos:

1) Biológicos – Durante a gestação, o cérebro do bebê em formação recebe grandes quantidades de hormônios secretado pelos ovários ou testículos do embrião em desenvolvimento. Esses hormônios darão ao cérebro uma conformação masculina ou feminina, de acordo com a gónada do feto. Esses hormônios também interferirão no hipotálamo, tornando-o sensível aos feromônios masculinos ou femininos, determinando a orientação sexual heterossexual ou homoafetiva.

Na região central do cérebro, denominada hipotálamo, encontra-se a Stria Terminalis, que é maior no homem do que na mulher e regulam o comportamento de gênero (masculino e feminino). Essa regulação é feita pelo cérebro e, junto com as influências do meio onde a criança é educada, definirá, até os dois anos e meio, a identidade de gênero. A partir dessa idade, características passam a ser definitivas. O menino já sabe que é menino e a menina entende que é menina.

Existem estudos que consideram a possibilidade de haver influência cerebral e predisposição genética nessa definição. Pesquisa sobre marcadores de DNA e os cromossomos sexuais masculinos e femininos demostra que todos os seres já nasceriam com a predisposição genética para ser heterossexual, homoafetivo ou bissexual, sendo a puberdade a fase em que a orientação sexual se revela, embora a definição seja na vida adulta.

Neurociência aponta para origem biológica da escolha sexual humana, pois evidências ainda não foram encontradas de que somente os fatores sociais ou psicológicos possam influenciar diretamente na escolha sexual do indivíduo.

2) Psicológicos – São aqueles referentes à identidade sexual, que têm duas vertentes distintas e não obrigatoriamente interdependentes: a identidade de gênero (masculino / feminino) e a orientação sexual (heterossexual / homoafetiva / bissexual). A identidade de género, sensação de ser homem ou mulher, desenvolve-se na interrelação da criança com toda a sua história biológica, junto à família inserida na sociedade.

Na identificação do sexo ao nascer só se considera a genitália externa. Quando nasce, a criança recebe uma certidão de nascimento que será “definitiva” até o fim da sua vida, a não ser que o indivíduo pertença à categoria dos Inter sexos, ou seja, os que nascem com genitália com problemas congênitos.

Meninas e meninos serão tratados por meio de códigos sociais pré-estabelecidos de comportamentos do gênero masculino e feminino e aprenderão o significado da dimensão do seu corpo, do como cuidar, expressar e comportar-se corporalmente com o outro. Aprenderão, enfim, como deve ser o comportamento social de um menino e de uma menina. Esse aprendizado é intenso, contínuo e é exercido por pais, irmãs, irmãos, amigos, amigas, instituições sociais e, ao longo do tempo, estruturam-se no cérebro.

Dessa maneira, meninos e meninas constroem sua identidade sexual: o menino pode ser macho, masculino, homem. A menina, fêmea, feminina, mulher. O corpo diz se é “macho”, mas é o psiquismo que determina se ele se sente “homem”. É o social que o caracteriza ser masculino, e o mesmo acontece com o feminino para as meninas.

3) Sociais – A identidade de gênero é expressa pelos papéis sociais masculino ou feminino. O ser humano se manifesta socialmente sempre por meio de papéis sociais: filho, irmão, estudante, profissional, namorado, pai, esposo… o mesmo para as mulheres.

A sociedade só aceita dois modelos de comportamentos de gênero, masculino e feminino. Porém, alguém pode ter a tendência para outro padrão de comportamento, mas seus documentos constaram sempre de um nome socialmente vinculado ao sexo masculino ou feminino.

 GANHO AFETIVO

Importante refletir que a identidade de gênero será demostrada pelos papéis sociais que o humano exerce nos relacionamentos. Entretanto, a orientação sexual só será relevada pelo papel sexual desempenhado, sendo único e privado. O fundamental é respeitar o outro com suas possibilidades.

A integração e o funcionamento simbiótico desses três aspectos poderão transformar crianças em adultos saudáveis, onde não apresentem resistências afetivas, cognitivas e sociais diante das tarefas que lhes são colocadas para serem resolvidas. O fundamental é resgatar o intenso ser humano em constante desenvolvimento do vir a ser dentro do contexto social e entender que independentemente de sexo e tendência sexual, todos são capazes de potencializar a educação de uma criança, basta querer fazer.

“Independentemente de gênero e sexo, o principal é tornar-me pessoa (Relvas, 20!0).

O homem é um ser multifacetado, um “diamante bruto” que precisa passar pelo processo cuidadoso de “lapidação”. Assim é o cérebro da criança, não nasce perfeito e acabado. Antes, parece como um feixe de potencialidades que deve ser orientado e amado ao longo da vida. E, sem dúvida, essa tarefa não é apenas materna. É paterna, também.

Importante é que o pai possa potencializar inteligências e habilidades em suas crianças. O principal nesse processo é que estimule os sonhos de seus filhos e filhas, permitindo que suas metas possam ser alcançadas, pois só assim estará fazendo o principal papel de educador, que é promover a educação cognitiva, sócio e emocional para enfrentar as diversidades da vida.

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MELHOR RENDIMENTO NA APRENDIZAGEM

Pesquisas demonstram que quando o pai estimula e participa das atividades lúdicas, afetivas e sociais das crianças, elas apresentam maior rendimento das funções cognitivas e executivas na aprendizagem e comportamento escolar. O interessante é entender que o pai concede às crianças maior autonomia e permite a liberdade de errar, promovendo, então, uma interação mais cognitiva para sentir, pensar e agir. Algumas dicas: brincar com o filho ou filha possibilita novas conexões neurais tanto na criança como no adulto. Por isso reaprender a brincar é fundamental as crianças têm muito a nos ensinar. É necessário ressignificar o lúdico por meio de atividades prazerosas que ativem o sistema de recompensa, emocional e cognitivo. O brincar promove uma ativação na área tegmental ventral, que é um grupo de neurônios mesencefálicos que secretam dopamina, e essa substância é enviada para muitas regiões do cérebro. Acredita-se que essa atividade fisiológica desempenha funções relativas à recompensa, motivação e função cognitiva da criança no ato da brincadeira. Os estímulos e desafios precisam fazer sentido ao cérebro da criança.

Corpo, cérebro e mente são interdependentes – contudo, faz- se necessário criar hábitos e rotinas saudáveis, pois promovem a longevidade vital do cérebro.

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TENDÊNCIA

É importante ressaltar que gênero e sexualidade podem ser a única razão para se explicar as questões da heterossexualidade ou homo afetividade, e que quando se entendem as diferenças conceituais entre a normalidade e a variação, torna-se mais natural compreender que a distribuição de características determinantes biologicamente não é uma questão de escolha, mas sim, uma tendência.

OUTROS OLHARES

FALSAS ACUSAÇÕES DE PEDOFILIA

Como peças de um quebra-cabeça, é preciso encaixar os fatos para obter a imagem da verdade.

Falsas acusações de pedofilia

Falsas acusações de pedofilia costumam ocorrer nos processos de separação litigiosa e guarda de menor. O caminho percorrido apresenta características muito similares: um dos cônjuges, ao receber o filho após a visitação, ao perceber a criança nervosa, irrequieta e com vermelhidão nas partes íntima, começa a suspeitar de que algo aconteceu. Assim, inicia-se o interrogatório do menor, com questões malfeitas e tendenciosas, carregadas de sentimentos de rancor nutridos pelo ex-cônjuge.

Se a criança, na sua inocência, por medo, egoísmo, ciúmes etc., assentir com a cabeça à pergunta “o papai (ou a mamãe) tocou em você?”, já é o suficiente para nascer a “certeza de que houve abuso”. A seguir, o cônjuge conta o caso ou pede ajuda a uma amiga, avó, avô, que voltam a interrogar a criança, a qual, introjetando a seu modo as circunstâncias, “confirma o abuso” e tudo acaba na polícia, que novamente interroga o menor.

Todos esses envolvidos se convencem da desgraça e procuram a colaboração de psiquiatras e psicólogos para lhes fornecerem relatórios. Esses profissionais, normalmente sem preparo para esse tipo de caso, voltam a interrogar a criança e aplicam “testes”, como se fossem o “abre-te sésamo” da mente infantil. Agravando a situação, concluem que “de fato houve abuso”. E o “abusador” não somente perde o direito à visitação como também vai para a cadeia. Porém, é possível resolver a questão de forma eficiente. Primeiro, nunca se deve examinar a criança, pois dela jamais sairá a verdade, considerando que já prestou inúmeros depoimentos e foi “remexida” psiquicamente por questionamentos múltiplos.  Tudo o que disser é ineficaz e improdutivo para a resolução do caso, pois não existe técnica ou teste capaz de indicar o que realmente aconteceu.

O correto é examinar o acusado, pois se de fato aconteceu o abuso, o examinador irá se deparar com um pedófilo, lembrando que pedofilia não é entidade clínica autônoma, mas sintoma de algo. Em outras palavras e por analogia: dor de cabeça existe em gripe, ressaca, traumatismo de crânio etc., tal qual pedofilia se observa em condutopatas, alcoolistas, maníacos, toxicômanos etc. Ou seja, para ser pedófilo é preciso ter um diagnóstico de base que o suporte, do contrário não pode haver pedofilia, assim como a dor de cabeça, que sempre é sintoma de algo.

Além do exame direto e minudente do acusado, existem muitas outras linhas confluentes que o perito deve observar, por exemplo, examinar o genitor que acusa e perguntar quais aberrações sexuais o “abusador”, durante o tempo de união do casal, pedia para fazer, não esquecendo que pedófilos são anormais da vontade e se for caso de pedofilia aparecerão outras anormalidades do instinto genésico. Citem-se ainda algumas variáveis de análise: o acusado tem passado criminal, psiquiátrico ou má reputação? Sofre outras acusações de pedofilia (nenhum pedófilo é fiel a uma só vítima, pois é vício de vontade, por isso que em caso positivo sempre aparecem outras acusações)? Além da acusação do menor existe pelo menos um fato concreto que suporte a denúncia ou um feixe de indícios de que houve abuso? Tudo é originado tão somente da acusação do menor e do cônjuge que reproduz a sua fala?

Dessa forma é possível obter resultados bem menos desastrosos para o processo e para a criança.

 

GUIDO ARTURO PALOMBA – é psiquiatra forense e membro emérito da Academia de Medicina de São Paulo.

GESTÃO E CARREIRA

EM BUSCA DO LÍDER PERFEITO

Desenvolver a próxima geração de executivos é a prioridade para dois terços dos presidentes de empresa. Conheça o que faz um bom chefe hoje em dia e saiba como formá-lo.

Em busca do líder perfeito

Nem a crise econômica nem o aumento da concorrência, muito menos a incerteza política global. A maior preocupação dos presidentes de empresa em 2018 é desenvolver a próxima geração de líderes executivos. Esse item ocupa o topo de uma lista com 28 desafios apresentados a 1.000 CEOs de todo o mundo pelos consultores da DDI, especializada em negócios, ao realizar a pesquisa Global Leadership Forecast. Nada novo, já que preparar a liderança tem se mantido como um tema prioritário para os empresários nas últimas décadas – e deverá continuar pelos próximos dez anos. O que muda é o tipo de chefe desejado.

Até alguns anos atrás, a capacidade de exercer influência no comportamento ou no modo de pensar de alguém era tida como inata e não necessariamente estava associada a um cargo de gestão. Mais tarde, descobriu-se que essa habilidade poderia ser ensinada. De lá para cá, brotaram as receitas “definitivas” para se tornar um bom líder – desde a exigência de um MBA até ser inspirador. A cada semana publicam-se livros adicionando novas palavras à já extensa lista de características necessárias para quem está no comando. “Agora, por exemplo, não basta inspirar. É preciso influenciar”, diz Emerson Dias, professor de liderança na Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) e autor do livro O Inédito Viável (Editora D’Livros). Tem gente até usando palavras como “antifrágil”.

Verdade é que nunca foi tão complexo dirigir uma equipe e um negócio. Antigamente, a estrutura corporativa era hierárquica, as avaliações de desempenho ocorriam esporadicamente e a carreira era linear. Atualmente, a organização é matricial, levando funcionários a interagir com pessoas de áreas, funções, negócios e localidades diferentes; a avaliação de desempenho acontece no modo “quanto mais, melhor”; e a carreira é fluida, podendo o profissional ser movido vertical ou lateralmente, de forma linear ou saltando etapas. “Além de todas as mudanças que já ocorreram, o líder deve se preparar para o que vai acontecer, pois os ciclos são cada vez mais curtos”, diz Daniel Motta, presidente da consultoria de gestão BMI.

Nesse ambiente em que a instabilidade é o novo normal, exige-se cada vez mais dos dirigentes de negócios. “Os executivos estão se perguntando como liderar num mundo como esse”, diz Dominique Turpin, professor na escola de liderança IMD, na Suíça. Em contra­ponto ao acrónimo Vuca (sigla para as palavras volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, em inglês), que traduz tão bem o momento atual, surge outro, cunhado por professores do IMD, para resumir as características necessárias a um bom capitão: Rock, que quer dizer “respeito, abertura, coerência e conhecimento”.

Outras pesquisas apontam que o gestor deve ser cuidadoso, estar próximo às pessoas e pensar (e agir) como um esportista de alto desempenho. Um dos treinamentos mais encomendados por profissionais de recursos humanos no ano passado na Affero Lab, especializada em desenvolvimento profissional, foi o de coragem. “Nele, é ensinado uma mistura de tomada de decisão com entendimento de vulnerabilidade e mudanças”, diz Daniela Leonardi Libâneo, gerente de solução de aprendizado.

Um estudo da consultoria americana Gartner (antiga CEB) indica que um líder integrador – aquele que dá feedback preciso, que conecta o funcionário a outras áreas e cria um ambiente propício para o desenvolvimento – aumenta a produtividade da equipe em 26%.

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VIVÊNCIAS PERSONALIZADAS

Fora a dificuldade de estabelecer as características ideais para um líder, está a de ensinar tais habilidades. O estudo da Gartner revela que, apesar da queda ele 3% na verba para treinamento e desenvolvimento nos últimos anos, o investimento na formação de gestores aumentou 11%. Engana-se quem acha que ele segue o modelo tradicional de ensino. “O desenvolvimento está deixando de ser padronizado para se tornar personalizado, focando o indivíduo e seu autoconhecimento”, diz a especialista em imagem pessoal Ilana Berenholc, dona da consultoria que leva seu nome.

Na farmacêutica Roche, a forma de ensinar a liderança passa longe da sala de aula. Criado no ano passado, o Roche Experience inclui trilhas customizadas e vivências especialmente pensadas para quem está à frente da equipe. O programa já levou os gestores a uma visita guiada à Sala São Paulo para conversar com os músicos sobre disciplina e trabalho em equipe e também os convidou a assistir a uma banda de jazz a fim de falar sobre liderança compartilhada e improviso. As excursões eram opcionais, mas tiveram 81% de participação. Depois, os executivos voltavam à companhia para discutir sobre o que tinham aprendido com outros funcionários e estudar qual seria a aplicação daquilo. “Falamos em coragem para tomar decisões, compartilhamento de poder e confiança na equipe”, diz Denise Horato, diretora de RH da Roche Farma. Inspirada em uma dessas vivências, uma líder lançou urna plataforma para que os empregados divulguem seus talentos e possam se conectar de outra forma à corporação e aos colegas. “Esse é um exemplo de como a mentalidade colaborativa está sendo aplicada em todas as instâncias”, afirma Denise.

A indústria química Dow foi outra que buscou um jeito diferente para formar o corpo diretivo: criou o Food for Talk, um almoço para os gestores compartilharem experiências e dúvidas. “Procuramos conectar os gestores entre si, para que todos trabalhem de forma conjunta”, diz Cesar Abramides, gerente de recursos humanos na companhia. Embora faltem resultados quantitativos, o programa aponta melhorias internas. “Perceber que há outras pessoas na mesma situação deixa os executivos mais abertos, empáticos e humildes, o que faz deles líderes melhores.” Espírito de colaboração e empatia, segundo a consultora Ilana Berenholc, são habilidades essenciais para inspirar os mais jovens. “Uma das coisas mais importantes para a geração millennial é ter a sensação de pertencimento e ser ouvido”, afirma Ilana.

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SOBRE-HUMANOS

Com esses novos papéis, talvez a capacidade mais importante de um gestor seja “aprender a desaprender”, como diz Anderson Silva, diretor de gente e da corretora de seguros da Rodobens, empresa que vende de serviços financeiros a carros e caminhões. “Mostramos à liderança que o que nos trouxe até aqui não serve para nos levar adiante.” Para ajudar os profissionais nesse caminho, a empresa fechou em 2016 uma parceria com a Startse para se aproximar de startups de diversos setores. Uma vez por mês, os líderes trabalham nelas como mentores. “Ninguém entende melhor de adaptação cio que os empreendedores”, afirma Silva. Mais de 30 executivos já participaram e um dos produtos da ação foi a criação do Inova, um canal para funcionários sugerirem melhorias. Mas o melhor resultado, para o gestor de RH, tem sido a mudança de mentalidade. “Começamos a falar de tolerância ao erro e aceleração de projetos. Então, criam os um piloto para trabalho de equipes multifuncionais”, afirma.

Com um mantra de que o gestor é coach, mentor e o maior responsável pela própria carreira, os treinamentos para a liderança também falam da necessidade de formar sucessores. A tática tem funcionado: nos últimos três anos, o número de posições de chefia ocupadas internamente subiu de 60% para 84%.

O fato é que a natureza da liderança está evoluindo. Passou da autoridade para a confiança, da hierarquia para o networking, da tomada de decisão para a inspiração e do poder para a autoconsciência. “Para liderar em um cenário como o nosso, estar no topo não significa mais ter mão de ferro”, afirma Dominique Turpin, do IMD. O líder, afinal, precisa ser quase um super-herói: ter visão além do alcance, estar preparado para tudo e ter paciência e empatia acima dos níveis humanos tradicionais. Não vai ser nada fácil para o gestor de recursos humanos formar esse pessoal.

 

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ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 2: 23-25

Alimento diário

O Sucesso do Ministério de Cristo

Aqui temos um pequeno relato do sucesso da pregação e dos milagres de Cristo em Jerusalém, enquanto Ele passava a Páscoa ali. Observe:

I – Que nosso Senhor Jesus, quando estava em Jerusalém para a Páscoa, pregou e realizou milagres. A fé das pessoas nele indicava que Ele pregava, e está escrito expressamente: “Vendo os sinais que fazia”. Agora Ele estava em Jerusalém, a cidade santa, de onde a palavra do Senhor devia se espalhar. Sua residência era principalmente na Galileia, e, portanto, quando estava em Jerusalém, Ele estava muito ocupado. A época era uma época santa, uma festa, uma ocasião indicada para o serviço a Deus. Na Páscoa, os levitas ensinavam o bom conhecimento do Senhor (2 Crônicas 30.22), e Cristo aproveitou esta oportunidade para pregar, quando havia muita gente na cidade, e, desta maneira, Ele reconhecia e honrava a instituição divina da Páscoa.

 II – Que muitos foram levados a crer no seu nome, a reconhecê-lo como um mestre vindo de Deus, como aconteceu com Nicodemos (cap. 3.2), um grande profeta. E, provavelmente, alguns daqueles que “esperavam a redenção em Jerusalém” creram que Ele era o Messias prometido, tão preparados estavam para dar as boas-vindas à primeira aparição daquela “resplandecente Estrela da manhã”.

 III – Que Jesus não se comprometeu com eles (v.24): Ele não confiava neles. É a mesma expressão usada para “crer” nele. De modo que para crer em Cristo devemos nos entregar a Ele e à sua orientação. Cristo não viu motivo para depositar nenhuma confiança nestes novos convertidos em Jerusalém, lugar onde havia tantos inimigos que procuravam destruí-lo, ou:

1.  Porque pelo menos alguns deles eram falsos e iriam traí-lo se tivessem uma oportunidade, ou seriam fortemente tentados a fazê-lo. Ele tinha mais discípulos em quem poderia confiar entre os galileus do que entre os habitantes de Jerusalém. Em tempos e lugares perigosos, é prudente ter cuidado quanto a quem você confia, aprender a desconfiar. Ou:

2.  Porque eram fracos, e eu espero que esta fosse a pior característica. Não que fossem traidores e desejassem mal a Ele, mas:

(1) Eram medrosos, e lhes faltava zelo e coragem, e talvez pudessem temer fazer algo errado. Em tempos de dificuldades e perigos, não se deve confiar nos covardes. Ou:

(2) Eram turbulentos, e lhes faltava discrição e controle. Talvez estes, em Jerusalém, tivessem suas expectativas do reino temporal do Messias mais elevadas que as dos outros, e, com esta expectativa, estariam prontos a desferir alguns ataques ousados contra o governo se Cristo tivesse se comprometido com eles e se tivesse colocado para liderá-los. Mas Ele não fez isto, pois seu reino não é deste mundo. Nós devemos ter receio das pessoas turbulentas e inquietas, como nosso Mestre aqui, ainda que professem crer em Cristo, como eles faziam.

IV – Que a razão pela qual Ele não se comprometeu com eles devia-se ao fato de que Ele os conhecia (v. 25), conhecia a maldade de alguns e a fraqueza de outros. O evangelista aproveita esta oportunidade par a afirmar a onisciência de Cristo.

1.  Ele a todos conhecia, não somente seus nomes e rostos, como é possível que nós conheçamos alguns, mas pela sua natureza, suas disposições, seus afetos, desejos, como nós não conhecemos nenhum homem, e mal conhecemos a nós mesmos. Ele conhece todos os homens, pois sua mão poderosa os criou a todos, seu olhar penetrante vê a todos, vê o interior de todos. Ele conhece seus astutos inimigos, e todos os seus projetos secretos; seus falsos amigos, e suas verdadeiras personalidades; o que eles realmente são, e o que eles fingem ser. Ele conhece aqueles que são verdadeiramente seus, conhece sua integridade, e também conhece suas fraquezas. Ele conhece sua estrutura.

2.  Ele “não necessitava de que alguém testificasse do homem”. Seu conhecimento não se originava das informações de outros, mas do seu próprio conhecimento infalível. Uma das infelicidades dos príncipes terrenos consiste no fato de que eles precisam ver com os olhos de outros homens, e ouvir com ouvidos de outros homens, e aceitar as coisas como lhes são apresentadas, mas Cristo segue puramente seu próprio conhecimento. Os anjos são seus mensageiros, mas não seus espiões, pois seus olhos passam por toda a terra, 2 Crônicas 16.9. Isto pode nos consolar com referência às acusações de Satanás, pois Cristo não aceitará as informações que Satanás tenta transmitir a respeito do caráter dos homens.

3.  “Ele bem sabia o que havia no homem”, em pessoas em particular, na natureza e na raça do homem. Ele sabe o que os homens fazem. Cristo sabe o que há neles, Ele põe à prova o coração e os pensamentos mais profundos do homem. Isto é prerrogativa da Palavra essencial e eterna, Hebreus 4.12,13. Nós invadimos sua prerrogativa quando passamos a julgar os corações dos homens. Como é adequado que Cristo seja o Salvador dos homens, muito adequado que Ele seja o médico que tem um conhecimento tão perfeito da situação e do caso de cada paciente, do seu ânimo e do seu destempero. Ele sabe o que há nele! Como é adequado que Ele seja o Juiz de todos! Pois o julgamento daquele que conhece todos os homens, e tudo o que há nos homens, deve, necessariamente, ser de acordo com a verdade.

Este foi o resultado da pregação e dos milagres de Cristo em Jerusalém, nesta viagem. Muitos creram no seu nome (v. 23). O Senhor vem ao seu Templo, e um grande grupo de pessoas o busca. Ele recebe o crédito delas, mas não pode confiar nelas. Porém, no final, “o trabalho da sua alma ele verá”.