PSICOLOGIA ANALÍTICA

COMO ENFRENTAR A SÍNDROME DE BURNOUT?

Doença se caracteriza por um sofrimento que se origina no total esgotamento físico e psicológico. causado por vários fatores. Pode levar. como consequência, a um quadro depressivo ou a outro problema ainda mais grave.

Como enfrentar a síndrome de burnout

O nome dessa síndrome foi dado por um psicanalista naturalizado norte-americano chamado Herbert Freudenberger. Ele sentiu na pele um verdadeiro esgotamento profissional nos anos 1970. Deu o nome a esse esgotamento do trabalho de burnout. Pode-se traduzir livremente para o português como burn out = fogo que vai se apagando aos poucos. É possível definir, também, como o velho e simples esgotamento.

O sentimento e as sensações são de ter “queimado o pavio”. Mas isso não quer dizer que essa síndrome se caracterize, apenas, por se esgotar no trabalho, que é um aspecto muito comum em quem sofre de esgotamento por trabalhar horas a fio – essa não é a única causa. Existem outros vilões, como o desgaste frente à falta de dinheiro – muito comum em nossos dias de crise no Brasil. Bem como diante do fato de um parente estar muito doente ou desempregado. Qualquer sofrimento mental que nos acometa pode ser a causa, até mesmo o desgaste físico por falta de sono e cansaço acumulado. Daí o nome esgotamento.

O que vem acontecendo nos últimos anos com o tempo das pessoas? A maioria fica quase 24 horas “plugada” na internet, no WhatsApp etc. O ser humano não foi programado para ficar atento tanto tempo. Necessita de momentos de silêncio, de recuperação, sono e paz para corpo e mente. E o mundo está, definitivamente, na era do ligado em tudo! Acontece algo do outro lado do planeta e todos ficam sabendo imediatamente. Quem descansa? Nem as crianças “O ser humano precisa de tempo de recuperação e descanso, sim. E se não tiver o merecido de canso, à mente e ao corpo, o preço a pagar é muito caro.

Francis Bacon disse: ”A natureza foi feita para ser obedecida…”.

Se as pessoas apenas se limitarem a seguir a corrida dos ratos, ou seja, sair correndo atrás do dinheiro, do querer só bater metas, ganhar mais, ter aquela promoção, corre-se o risco de esquecer um valioso bem: a saúde. Em termos de moeda final, o prejuízo de adotar a corrida dos ratos é terrível. Além do mais, a vida é muito curta para que se corra tanto com o objetivo de alcançar o “tal cume” daquilo que se planejou –  e, com isso, nem se admira a jornada.

As pessoas precisam aprender que, se não seguirem a própria natureza, elas irão trazer o descanso à força em forma de dor de cabeça, doenças autoimunes, alergias etc. A natureza humana é que está no comando. E a pessoa cai de cama, fica sem vontade de nada e pode chegar a um quadro depressivo ou a uma doença mais grave também.

Admirar a jornada enquanto caminha é muito importante. Se se opta por subir uma montanha para chegar ao topo e ver lá de cima o pôr do sol, será que não é possível apreciar a subida? Parar vez ou outra, tomar um lanchinho, tirar umas fotos, fazer uma brincadeira, simplesmente recuperar o fôlego e respirar fundo são fundamentais.

Todos podem e devem apreciar a jornada. Aquela velha história que um dia se aprende um slogan comum – o no pain no gain, ou, em português, que “sem dor (trabalho), sem ganho” – é coisa do passado. É possível aprender a ganhar dinheiro e a ser mais feliz. Basta trabalhar com engajamento e prazer, basta ficar mais focado na jornada e em algo que dê mais prazer e com que se tenha mais habilidades para trabalhar.

É fundamental pensar nisso o mais rápido possível. Em uma vida com mais bem-estar. Trabalhar em alguma coisa que possa unir prazer à habilidade e que também possa trazer um significado para a vida. Isso, sim, proporciona bem­ estar, mesmo que o trabalho seja duro. Aqui, a melhor dica para não ser surpreendido pela síndrome de burnout: “O menos que faz mais”.

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VILÃO

O grande vilão dos últimos tempos tem sido algo que passa em branco para a maioria das pessoas e a que todos estão sujeitos: o não se desligar, ficar preso na internet, no WhatsApp e em outros devices que a mantêm “plugadas” além da conta. Isso mesmo: ficar tempo demais só mexendo com tecnologias, com a carinha na tela do computador ou no celular tem desgastado a mente humana. Um hábito cada vez mais comum em nossas rotinas.

Quantas horas as pessoas gastam por dia em frente ao computador vendo e-mails? E no celular lendo e mandando mensagens? Dá para contar? Ninguém sequer imagina, mas parece que é tempo suficiente para respirar fundo, dar uma volta, bater um papo com um amigo, almoçar fora…

Não é aconselhável adotar uma conduta na qual o mais importante é correr atrás de um monte de coisas boas. Quantidade afeta a qualidade. O que é necessário fazer, caso se queira ter uma vida mais feliz, é menos no lugar de mais. Isso parece mais fácil de falar do que de fazer. Mas é possível. Não se trata de levar essa situação aos extremos. Basta inserir as mudanças aos poucos. Pequenas mudanças podem afetar a vida como um todo.

É imprescindível lembrar que felicidade é contagiante e tem um efeito dominó. Então, por exemplo, voltando do trabalho, nada irá acontecer se a pessoa desligar seu celular por duas ou três horas, enquanto está passando um tempo com seu parceiro(a) e filhos. A menos que o profissional seja um motorista de ambulância ou esteja de plantão. Nesses casos é preciso ficar de sobreaviso. Todos devem experimentar desligar o telefone por duas horas ou mais, para se dedicar a interagir com pessoas queridas. A menos que seja uma emergência ou uma ligação que esteja esperando. Mas, via de regra, nada irá acontecer se o telefone for desligado por um tempo. Muito pelo contrário, a pessoa ficará muito mais feliz e essas horinhas poderão ser uma fonte de prazer, felicidade e uma forma de recuperação. Porque estar ao celular mandando mensagens e brincando com o filho ao mesmo tempo não é se recuperar. É, ao contrário disso, se estressar. Além disso, a pessoa deixará de curtir a jornada de estar com o filho, as funções do toque, do carinho e do aconchego – e elas são muito importantes para a alegria.

Em um estudo desenvolvido em Harvard por 75 anos, o dr. Robert Waldinger, um dos pesquisadores da universidade, acompanhou homens ao longo de suas vidas. O que ele constatou? Que o fator previsor de boa saúde e longevidade, que estava relacionado à felicidade, nada tinha a ver com sucesso ou ter muito dinheiro. Mas, sim, com manter bons relacionamentos. Os homens que tiveram bons relacionamentos, se casaram e puderam ter suas companheiras ao longo da vida, bem como amigos sinceros, foram os mais longevos. A pergunta que surge é a seguinte: Quando foi a última vez que você esteve realmente com as pessoas que você ama?

A terceira tarefa que é fundamental fazer é simplificar a vida. O mesmo acontece com o trabalho: é preciso simplificar. Reduzir as multitarefas. Quem nunca mandou e-mail enquanto fazia outro trabalho que requer concentração? A maioria das pessoas faz isso várias vezes e nem percebe.

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COMPROVAÇÃO

De acordo com a pesquisa The Impact of Distractions on IQ – O Impacto da Distração no QI -, feita, em Londres, por um grupo de psiquiatras coordenados por Glen Wilson (2005), pessoas que verificam seus e-mails enquanto fazem outros trabalhos, que requerem concentração, perdem o equivalente a 10 pontos no teste de QI. É muito! Só para ter uma noção do quanto é isso, digamos que a pessoa não tenha dormido a noite toda e que tenha ficado meio tonta, sem concentração – esse efeito é equivalente a menos 10 pontos no QI. Se a pessoa fumar maconha ou haxixe, perderá 4 pontos de QI. Todos pagam um preço muito alto por querer fazer mais em menos tempo no trabalho também.

Vemos que a pessoa que sofre um esgotamento, o burnout, tem uma dedicação exagerada ao trabalho ou atividade profissional que está exercendo. Pode ser estudar para um concurso, vestibular, trabalhar noite e dia sem parar e até mesmo cuidar de um parente enfermo. É um desgaste imenso. O desejo de ser o melhor e demonstrar sempre alto grau de desempenho também levam ao quadro de esgotamento.

Muita gente mede sua própria autoestima pelo tanto que produz. Muito natural. O que não é natural é dar a vida pelo trabalho – seja ajudando pessoas ou fazendo seu serviço profissional. A moeda final será sempre a mesma: desgaste pessoal, desânimo e, depois, depressão.

Assim, aquilo que em um primeiro momento parece maravilhoso e engana, como se fosse gerar prazer ao fim da jornada, pelo contrário, acaba trazendo desgaste emocional e físico – e tudo acaba pior no final. Muitos ficam com compulsão pelo trabalho ou por ajudar pessoas e se esquecem de que seu próprio cuidado é sua melhor poupança e benefício imediato. O importante é curtir a jornada. Não só trabalhar, mas ter descanso, tempo de recuperação, aproveitar enquanto se faz alguma coisa e, ainda, seguir seu propósito de vida.

Todos podem, sim, trabalhar muito. Mas é preciso realizar essas atividades durante o melhor tempo. Seguindo a regra 80/20 – Regra Pareto -, que ensina que se pode usar essa proporção para trabalhar as atividades principais nas melhores horas do dia, guardando tempo para brincar com as crianças, sair com seu amor, ir ao cinema, descansar e se divertir também. Assim, uma pessoa que trabalha muito pode fazer suas atividades principais em sua melhor hora do dia ou da noite (os da manhã, da tarde ou noite – conforme sua preferência). E ainda vai sobrar tempo para fazer muitas outras coisas.

Entretanto, infelizmente, observa-se que essa patologia tem atingido pessoas de várias áreas com mais facilidade, como as de saúde, segurança pública, os bancários, quem trabalha em educação, cartorários, profissionais de tecnologia da informação, administração, comunicação, direito e até mesmo as que exercem trabalhos voluntários.

Então, quem apresentar os seguintes sintomas deve ter cuidado: fortes dores de cabeça; tonturas e treinares; muita falta de ar; oscilações de humor; distúrbios do sono; dificuldade de concentração; problemas digestivos; desânimo. Quem apresentar todos os sintomas citados, e principalmente o último, que envolve a falta de vontade de se levantar, significa que chegou ao fundo do poço. É a hora de pedir ajuda.

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O QUE FAZER

O primeiro passo é procurar um médico porque, a essa altura, a pessoa, provavelmente, precisará de remédios que a ajudem a ter mais serotonina. Outra boa opção é buscar a yoga e a meditação. Essas são duas boas alternativas para iniciar a recuperação – e bem depressa – de um quadro de esgotamento.

Estudos norte-americanos desenvolvidos por muitas universidades e de pesquisadores renomados, como a dra. Barbara Fredrickson (especialmente os que ela divide em seu livro Amor 2.0), mostram que a meditação pode ajudar – e muito – o cérebro a produzir mais ocitocina e a ter mais racionalidade e paz. De acordo com a autora, quando se medita) respira-se fundo. Essa respiração profunda e mais prolonga da faz com que a pessoa abrace o próprio coração com os pulmões, em um ato de aconchego que faz o coração emitir uma mensagem (bem rápida, aliás), via nervo vago, para o cérebro, avisando que se está bem. Nesse momento, o cérebro produz a ocitocina, hormônio do amor, que reduz a noradrenalina e o cortisol e deixa a pessoa mais calma.

Quanto mais se exercita a meditação, de acordo com estudos de neuroimagem, mais o lobo pré-frontal esquerdo é ativado e mais a pessoa fica calma, focada e racional. Quando se está ansioso ou deprimido, o lado oposto do cérebro fica muito ativado, o lobo pré-frontal direito. Ou seja, quem quiser ficar bem melhor e rápido precisa começar a meditar. Ou fazer yoga, pois, por intermédio dessa técnica, sempre surge aquele momento das respirações e, no final, a hora da meditação. O melhor ainda é praticar os dois procedimentos. E, além disso, dar mais tempo para bons relacionamentos e descanso.

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NOVA VISÃO

Portanto, é perfeitamente possível se recuperar da síndrome de burnout com uma nova visão da própria pessoa. Dando mais tempo para a recuperação do estresse do dia a dia. E arranjando, também, tempo para a diversão. É importante ter em mente que a vida é muito curta para esperar pela aposentadoria. Ou para bater aquela meta, pagar aquele carrão, que sempre foi um sonho de consumo. Quanto mais cedo começar a mudar as escolhas, melhor para a saúde. Mas é preciso mudar de forma gradativa, em pequenos passos. Mesmo assim, é preciso que seja logo, agora.

Aprender como meditar ou ir a uma academia de yoga pode ser um bom começo. Importante, também, é planejar melhor o dia, deixando as tarefas difíceis para a melhor hora. É bom não esquecer, também, de encontrar com os amigos, frequentar o cinema, enfim, sair e se divertir. Não se deve esperar adoecer para dar mais valor à vida.

É aconselhável diminuir o mais rápido possível o ritmo das atividades profissionais e, acima de tudo, a pessoa deve procurar ao máximo trabalhar com o que gosta. Se não for viável, deve arrumar um hobby. Encontrar amigos ajuda muito a conseguir um tempo bom de recuperação. Do contrário, a vida vai mostrar logo que a pessoa não comanda sua própria natureza.

Todos podem ter mais qualidade de vida, trabalhar mais felizes, usufruir de tempo de diversão e de recuperação se, apenas, simplificarem a vida com o lema “menos faz mais”.

Como enfrentar a síndrome de burnout3 REGRA PARETO

A Regra Pareto, ou Regra 80/20, foi criada pelo economista italiano Vilfredo Pareto, em 1906. A teoria surgiu quando ele percebeu que 20% dos italianos detinham 80% das terras da nação. A conclusão socioeconômica revelou depois a mesma proporção da distribuição de riquezas em inúmeros países. Por isso, a relação passou a ser aplicada em outras áreas. Em resumo, a lei defende que 80% das consequências advêm de 20% das causas.

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DOENÇAS AUTOIMUNES

As DA, como são conhecidas as doenças autoimunes, são um grupo de mais de 100 patologias que se correlacionam e envolvem qualquer sistema do organismo. Podem ser doenças que alcançam simultaneamente ou sequencialmente órgãos, ou que atingem especificamente alguns desses sistemas. A consequência leva o sistema imunológico a se desorientar, atacando o próprio corpo e os órgãos que deveria justamente proteger.  Acometem três vezes mais mulheres do em que homens e, normalmente, são difíceis de serem diagnosticadas por apresentarem sintomas variados

 FREUDENBERGER, REFERÊNCIA E PIONEIRISMO EM BURNOUT

O psicólogo Herbert J. Freudenberger (1925-1999), embora tenha nascido na Alemanha, naturalizou- se norte-americano, se radicando em Nova York. Desenvolveu ampla atividade profissional na prática clínica e se destacou, também, como autor de publicações que contribuíram sobremaneira para o entendimento e para o tratamento do estresse, especialmente no que se refere a síndrome de burnout, e na abordagem terapêutica do abuso de substâncias. Freudenberger foi um dos pioneiros na função de descrever os sintomas do esgotamento profissional, o que caracterizou seus estudos por uma detalhada definição do burnout. Sua primeira publicação a respeito do assunto data de 1980, livro que se tornou uma referência especial para a pesquisa e compreensão desse fenômeno. Por seus importantes serviços prestados na área, foi reconhecido com o prêmio American Psychological Foundation Gold Meda/ Awar for Life Achievement, na prática da Psicologia, em 1999.

 

SOFIA BAUER – é psiquiatra, possui título de especialista em Psiquiatria pela ABP, especialização em Psicologia Positiva com Tal Ben-Shahar (NY).  Entre os livros lançados estão Manual de Hipnoterapia e Cartilha do Otimismo (Wak Editora).

OUTROS OLHARES

NARCISISMO, SOLIDÃO E RELACIONAMENTOS NO MUNDO DIGITAL

A era virtual traz benefícios, porém, sendo o progresso apenas uma maneira de ver o mundo, mudaram os meios, mas mantiveram-se as satisfações que sempre acompanharam os homens.

Narcisismo, solidão e relacionamentos no mundo digital

A era virtual – a era das imagens e fantasias ancoradas em telas de olhar a si mesmo -, desde sua disseminação, possibilitou e estreitou ainda mais as relações entre pessoas de toda e qualquer parte do mundo, permitindo-as se relacionarem entre si. Porém, sendo o progresso apenas uma maneira de ver o mundo e não uma verdade absoluta do homem, uma vez que se mudaram os meios e se mantiveram as satisfações que sempre acompanharam os seres humanos. Essa nova ferramenta também trouxe consigo novas configurações nos padrões de relacionamentos e no posicionamento frente às produções oriundas do contato com o outro, tudo é mais prático, menos o contato com o afeto e o corporal. Aproxima-se em virtual e perde-se na dimensão viva do corpo e seu calor. Estaria a era virtual ofertando novo vício para a fuga do mundo externo, desse mal-estar, apontado por Freud, em 1930, como o mais difícil de lidar, que é estar com outras pessoas?

Certos encontros são fugas. Encontros em redes sociais são, por algumas vezes, fugas dos encontros do mundo externo. Ali deslocam-se tresloucados de amigos, de grupos, tiram, incrementam, bloqueiam, acrescentam, brigam, alimentam-se de curtidas e tudo mais. Mas quando aparece algo mais real, poucos são os que saem das telas de olharem a si mesmos para irem ao encontro da vida. Quais relacionamentos estamos promovendo no uso desse novo objeto?

O “apressamento de gente improvisada” (Freud, 1930) tem sido destaque. Em épocas anteriores, o prazo de retorno era mais longo, via exemplo de cartas. Sabe-se por Freud, em 1917, que um bisturi que não corta tampouco pode ser usado para curar. O excesso a mais dela é que são as mazelas. Estaríamos vivendo no mal-estar da solidão? No excesso não há sujeito, permanece o vazio, já que o desejo não ganha espaço. Desse fato é possível extrair solidão na multidão. Mas quais relacionamentos podem ir a esse avesso?

DA EPÍSTOLA Á ERA VIRTUAL

Com o avanço tecnológico, as relações humanas passaram por diversas transformações na forma como se davam, o que inclui a forma que se comunicavam. O papel possibilitou que cartas fossem enviadas de qualquer lugar para qualquer lugar, ligando assim pessoas do mundo inteiro, permitindo uma comunicação contínua sem a necessidade de se empreender uma grande viagem todas as vezes que se desejasse conversar com outra pessoa. Freud, em o Mal-estar na Civilização, escreve que esses aparatos tecnológicos, cada época com os seus objetos de horizonte, afastam e depois ajeitam-se para aproximarem o que outrora afastaram. Cartas eram enviadas aos que, de navio, atravessavam oceanos, aos que, nos tanques e aviões, iam para as guerras. Também aproximavam aqueles que eram por excelência separados, pessoas que não se conheciam podiam se conhecer.

As tecnologias foram se deslocando, a comunicação ganhando novas roupagens e assim segue. Logo o telégrafo e posteriormente o telefone encurtaram o tempo de espera da resposta do outro, a escrita deu espaço à invocante voz. Bastava um telefonema e tudo era dito, resolvido ou complicado. Pelo telefone, era possível perceber a hesitação do outro lado da linha, a respiração ofegante após um convite… E o mundo se tornava em sensações, um pouco menor e um pouco mais rápido.

Com o aumento das relações e com o estreitamento das distâncias logo surgiu a necessidade de criar algo mais rápido, mais acessível e que fosse possível agregar um número maior de relações ao mesmo tempo, para relacionar-se mais com mais e mais gente. Isso se tornou possível pelo advento da internet, acessível a todos. Acompanhando os processos da globalização deu início a uma nova maneira de ver, conceber e se relacionar no mundo. A escrita e a voz se aliaram à imagem e agora fotos eram compartilhadas.

A era virtual, desde sua disseminação, seguiu possibilitando e estreitando, imaginariamente ainda mais, as relações entre pessoas de toda e qualquer parte do mundo, ao passo que o encontro real se afasta. Agora, podemos não somente escutar do outro lado da linha, pois temos as interações via vídeos, imagens em tempo real, e-mails, compras on-line, é possível até mesmo encontrar um par perfeito para a vida toda na internet, ou não. Há aplicativos que simulam beijos em tempos reais e outras coisas aí. Ainda que nós saibamos o cheiro, o perfume, o odor singular da presença, este não é transmitido, mas sabe-se lá até quando.

As redes sociais são agora o novo “tchã” do momento. Em qualquer lugar que vá é possível observar diversas pessoas interagindo com seu telefone, seu tablet ou smartphone, em meio à massa, que “é preguiçosa e pouco inteligente” (Freud, 1927). Sozinhos em grupos, solidão em multidão. A infinidade dos meios de comunicação atuais possibilita ao sujeito uma “privacidade inversa”, um controle na palma da mão da realidade que o mesmo molda, ou passa a ignorá-la, transmutando­ a em twits, likes e emoticons.

AS REALIDADES VIRTUAIS

Não é mais algo de outro mundo dizer que se apaixonou por alguém que mora no extremo sul do Paquistão, ou que seu melhor amigo é uma interface de interação com inteligência artificial. Cada vez mais essas e outras muitas variações entre homem e máquina vêm deixando as telas e páginas da ficção para se tornar parte ativa da realidade. Os amigos imaginários das crianças ganharam corpos e vidas compartilhadas. Não se trata de delírio, se trata de novas possibilidades. Afinal, “torna-se um louco alguém que, na maioria das vezes, não encontra ninguém para ajudá-lo a tornar real seu delírio” (Freud, 1930).

As realidades virtuais estão aí e não adianta tentar ignorá-las, pois as mesmas já estão intrinsecamente ligadas à ideia de progresso humano, e é, nesse contexto, que temos um novo posicionamento dos sujeitos frente ao que é real, ou seja, aquilo que atravessa e limita o homem em sua existência e tudo que é oriundo desta. De fato, como nos alerta Ferenczi, em carta a Freud:

“É preciso substituirmos de tempos em tempos nossa relação epistolar por uma relação pessoal) senão perderemos facilmente o contato com a realidade e deixaremos de corresponder com uma pessoa realmente vivente para correspondermos com alguém que nós arranjamos em nossa imaginação, segundo o nosso bom prazer” (Ferenczi), 1911, carta a Freud).

O real confronta e imprime ao ser Homem um princípio de movimentação regido por uma busca incessante de prazeres e satisfações, negando o fim inevitável e qualquer outro fazer que cause um desprazer ou frustração. É nesse contexto de “tudo quero”) “de poder” que as ferramentas ofertadas on-line irão proporcionar um caminho “fácil” amortecido ao real e mais fácil de fugir do punitivo) sendo assim mais virtual e permissivo, recriando a percepção da interação com os objetos sexuais pari-passu que com as relações com o outro. Quantas e quantas pessoas são capazes de ficar horas ou até mesmo dias navegando na internet, interagindo com diversas pessoas on-line, e quando têm de se posicionar frente a um outro, real, não conseguem dizer uma só palavra. O que acontece? Como fica o sujeito nessas novas configurações?

É impossível negar os benefícios trazidos pelas redes sociais, mas os prejuízos para os laços sociais, e para o modo como se posiciona cada sujeito diante dessa realidade virtual que atinge o real, também são inegáveis.

O NARCISISMO NAS REDES

O mito de Narciso foi utilizado por Freud para ilustrar as diferentes moções pulsionais que co­existem no sujeito, que o impele à movimentação em busca de uma satisfação e, consequentemente, à obtenção de prazer através das relações deste com os objetos que elege. Nessas movimentações empreendidas pelo sujeito, em busca de sua satisfação, o outro, que também é incluído como alvo pulsional, é peça fundamental no desenrolar dessa busca.

É nessa etapa do desenvolvi­ mento do indivíduo que se constitui uma imagem ideal, um ideal a ser alcançado, um ideal do eu que, a todo momento, irá ser referência no modo como se posiciona o sujeito, frente ao que é real, frente ao olhar do outro, o modo como este irá empreender sua busca para atingir ou se tornar esse ideal. É sob o olhar crítico do outro que o sujeito se localiza em seu posicionamento frente à falta, e organiza seu modo de coexistir no meio social.

Dessa maneira, hoje, inerente às relações humanas, a internet não é somente um meio de comunicação e de encurtamento de distâncias, mas, sim, um local com um amontoado de simbolismos e significantes pré-fabricados, que se tornou próprio aos seus usuários. Um lugar em que os sujeitos ocupam e utilizam como “veículo transicional” para realizar as projeções desses ideais, construindo e vivenciando na imaginação e, virtualmente, uma imagem idealizada de si para se mostrar ao outro como um ser sem falhas, faltas ou defeitos.

Na busca desenfreada para viver esse ideal, cada usuário constrói um perfil, um avatar, um novo eu para, assim, de um modo “ideal”, tecer novos laços sociais que melhor os adaptem e os distanciem do desamparo que, assim como a condição de Eros para a vida, nos é tão inerente. E é na busca de distanciar-se do desamparo que é ter de haver consigo mesmo que, cada vez mais, inúmeros usuários utilizam-se da internet como o Santo Graal de nossa época.

O mundo virtual convida todos de maneira a dizer: Venha! Aqui você pode desfrutar como quiser, quando quiser e com quem desejar sem perder nada por isso. Venha e goze. E nessa máxima narcísica, o sujeito se vê em uma gama enorme de possibilidades e não leva em conta que o mesmo perde muito vivendo nessa busca utópica de ser feliz para sempre.

A busca dessa utopia, com a utilização da internet e, consequentemente, das redes sociais para isso, diz de uma das saídas, uma das várias, que o ser humano empreende para se posicionar frente ao desemparo e à castração real da existência de cada um e do crivo do olhar do outro, vestindo-se de ideais que melhor o defenda dessa visão que o castra e o limita e que, desse modo, o aproxime mais da plenitude.

Ceccarelli nos dá a prova de que o homem se utiliza da formação dos laços sociais para se haver com esse desamparo quando diz: “Frente à angústia buscamos alento nas construções imaginárias simbólicas: os laços sociais que o mundo externo nos oferece fazem parte dessas construções. Nessa perspectiva, os laços sociais que construímos para lidar com desamparo psíquico variam segundo a cultura e o contexto histórico” (Ceccarelli, 2009).

E, de acordo com esse contexto, não seria a internet a nova droga do atual momento histórico? Com seus discursos preparados e significantes pré-fabricados, que aderem ao sujeito de maneira perfeita, como “queijo e goiabada”, proporciona um relacionar-se sem causa, sem causa aparente, é claro, pois por um viés psíquico essa relação virtual proporciona ao eu uma satisfação, ao passo que o coloca em um movimento de repetir-se em busca dessa realização de uma relação utópica.

GOZAR SEM PROBLEMAS

Realmente, digitando, o mundo virtual é, sem sombra de dúvidas, um prato cheio para gozar sem problemas. O que a maioria não leva em conta, ao adentrar nesse “país das maravilhas”, é que as fantasias vividas lá influenciam também em seu mundo real, refletem diretamente em um mundo onde ser bloqueado ou receber milhares de curtidas culminam em dores reais. Aquele que se vê fora, ou é posto para fora dessa realidade virtual, se não houver um simbolismo próprio, um meio de lidar com esse corte, poderá adoecer e até mesmo morrer em nome dessa fantasia de gozar plenamente a toda hora.

De certo, não há como negar que o mundo onde Freud erigiu a Psicanálise difere-se em aparatos tecnológicos da nossa era atual para suportar o mal-estar inerente à existência humana. Muda-se o Orkut, mas não se muda essa busca pelo prazer, mesmo que para isso um novo eu virtual seja necessário. Isso não dá para bloquear ou fingir que essa notificação não está lá, em vez de o sujeito se esbarrar com isso.

Não existe receita para lidar com isso, e longe de dizer que a internet é só isso, é necessário contornar esses excessos perigosos que podem se tornar destrutivos ao sujeito. Um assunto atual, real e virtual, não impossível para a Psicanálise, desde que exista sua matéria-prima, independentemente em qual contexto se encontre, do primitivo ao internauta. Onde houver seres humanos a escuta chegará.

NARCISO PASSOU DE LENDA A SÍMBOLO DA VAIDADE NA PSICOLOGIA

Personagem da mitologia grega, filho do deus do rio Cefiso e da ninfa Liriope, Narciso representa um forte símbolo da vaidade, sendo um dos personagens mitológicos mais citados nas áreas de Psicologia, Filosofia, letras de música, artes plásticas e literatura. Ele era muito belo e teria uma vida longa, mas não deveria admirar sua beleza. Despertava a atenção de homens e mulheres, mas era arrogante e, ao invés de se apaixonar por outras pessoas, se apaixonou pela própria imagem, ao se ver refletido em um lago. Por ser menosprezada por Narciso, a ninfa Eco lançou um feitiço sobre ele, que definhou até morrer no leito do rio. Com sua morte, o belo jovem foi transformado em flor. Na Psicologia, o narcisismo é o nome dado a um conceito elaborado por Sigmund Freud, que define o amor exagerado de um indivíduo por si próprio e, principalmente, por sua imagem. O nome do transtorno de personalidade está ligado ao mito de Narciso, uma vez que recupera sua essência egoísta de sobrevalorização de si. Nos estudos da Psicologia, a pessoa narcisista se preocupa excessivamente com si mesma e com sua imagem. Essa vaidade descontrolada pode provocar outros problemas no indivíduo, que, geralmente, necessita ser admirado e não admite que sua presença passe despercebida em determinado grupo.

  

EDUARDO LUCAS ANDRADE – é psicólogo, psicanalista, membro do Fatias de Analise e diretor do Psicanálise em Cena, palestrante em temáticas educacionais, sociais, clínica e em saúde mental. Escritor membro da Academia Bom-Despachense de Letras (ABDL). Autor dos livros AMORnheci Pensando em Nós: Psicanálise e Educação: Contribuições da Psicanálise à Pedagogia; Arte e Psicanálise: o Ninho. psicanaliseemcena@hotma.cilom

ALEXANDRE APARECIDO DOS SANTOS – é psicólogo com clínica em Bom Despacho (MG) e Nova Serrana (MG). Membro do Fatias de Análise: Psicanálise e Diálogo. Palestrante em temáticas educacionais, sociais, empresariais, clínica e em saúde mental. alexandrepsico8@gmail.com

GESTÃO E CARREIRA

OLÁ! ESTOU AQUI PARA AJUDAR

Cada vez mais humanizados, os chatbots são mensagens automáticas que auxiliam o atendimento das empresas pela internet e oferecem métricas para melhorar os serviços.

Olá, estou aqu para ajudar

Já faz um tempo que a televisão tradicional entendeu o conceito de “second skin, quando o público já não se contenta mais em apenas acompanhar o que passa na telinha, mas quer comentar, saber o que os outros pensam sobre o assunto e, de alguma maneira, fazer parte daquilo. Antes, os 140 caracteres do twitter e algumas hashtags bastavam para fazer esse papel, que acabava sendo orgânico. Enquanto o tapete vermelho do Oscar, por exemplo, desfilava artistas em suas câmeras a internet falava sobre os modelos de roupas mais bonitos ou polêmicos, entre outras coisas. Depois. veio Facebook, Instagram e assim segue.

Premiações como essa são transmitidas, hoje pela TNT Brasil. Por isso, o chatbot surgiu como uma das soluções para atrair ainda mais público às ações importantes do canal. “Começamos a usar o bot em fevereiro de 2017, durante o Oscar. Tivemos uma ideia bacana de interação diretamente com os nossos seguidores – ajudar as pessoas a opinarem sobre os filmes que elas não tinham assistido por meio de uma série de interações, além de comentar o prêmio junto com elas – e pedimos ajuda a uma agência para criar o mecanismo. O resultado foi muito bom e nós acabamos sendo citados como case de sucesso em eventos do Messenger”‘, conta a Community manager da empresa, Marina Ferreira.

Em época de modelos de economia criativa e futurista, estar um passo à frente torna-se primordial para o sucesso das empresas. “A participação das pessoas em ações mais complexas do bot, como quízes e jogos, está sendo bem representativa em relação ao número de participantes e envolvimento. Observando as palavras mais utilizadas na interação, foi possível analisar profundamente o que as pessoas esperam da nossa empresa na internet, que tipo de informações elas desejam receber, quais são as suas principais dúvidas e sobre o que elas querem conversar. Com isso em mãos, estamos lapidando cada vez mais o bot para deixá-lo ainda mais útil para o nosso público, completa Marina.

Enquanto a TNT é case no uso da ferramenta, a Zenvia é uma das empresas que ajudam no desenvolvimento da função. A diretora de Marketing e Desenvolvimento Organizacional, Gabriela Vargas, conta que os dois principais pilares para o processo de criação foram o consumidor e um modelo de negócio fundamentado em escala, ou seja, que dê certa autonomia ao cliente para criar, operar e gerir suas conversas. “É uma forma de automatizar e personalizar o atendimento e, assim, resolver mais demandas e problemas em menor tempo. Com a melhor experiência para o consumidor, as marcas também podem aumentar a relevância no mercado e fidelizar clientes, afirma.

Segundo ela, tiveram um cliente que conseguiu dobrar, já no segundo mês, a geração de leads por Facebook – tendo, inclusive, que parar de investir em mídias pagas para dar conta da demanda crescente. “Outro conseguiu alcançar, no primeiro mês de ação, uma efetividade de mais de 40% na confirmação de entrega, o que reduz muito os custos de logística, evitando que os caminhões se desloquem para realizar entregas não efetivadas. Só neste ano, mais de 3,5 milhões de conversas iniciaram em nossa plataforma”, completa.

 QUE BICHO É ESSE?

Você já percebeu que o chatbot pode auxiliar bastante a empresa. Mas, afinal, do que se trata? De uma maneira objetiva, é uma série de mensagens, respostas e interações programadas para o atendimento, principalmente via Messenger do Facebook. “Chatbots são robôs capazes de se comunicar com humanos através de mensagens de texto. Eles são essenciais para quem quer melhorar o atendimento aos seus clientes e otimizar processos internos, propiciando ganho de escala e aumento na rentabilidade”, completa o diretor de operações da Nama, Lúcio de Oliveira. A empresa é pioneira no desenvolvimento de Inteligência Artificial aplicada aos negócios no Brasil.

Oliveira ressalta ainda que, independentemente do canal, o serviço tem capacidade de automatizar em até 90% o processo, reduzindo de 70% a 90% as despesas do setor, que acaba deslocando funcionários humanos para tarefas mais analíticas, complexas e menos operacionais. A necessidade surge de um consumidor moderno que é impaciente e impulsivo. Quando alguém chama uma empresa no Messenger, ela quer a resposta imediatamente. Uma espera maior pode levar o cliente a outra marca, sem pensar duas vezes. “Quando falamos de atendimento comum, a grande reclamação dos consumidores é o excesso de tempo de duração de uma ligação, a quantidade de transferências entre áreas e a dificuldade de efetivar a solução do cliente, explica Gabriela.

Mesmo o e-mail comum fica ultrapassado com a tecnologia, que faz toda as validações necessárias em um processo comum, como nome, CPF e motivo do contato, em poucos segundos.

Segundo pesquisa da Zenvia, os consumidores já consideram como principais meios de contatos os chats e a conversa por voz em tempo real. “Ele é mais moderno, mais direto e está exatamente onde o nosso público está.  Além disso, é uma escolha da própria pessoa receber ou não o nosso conteúdo e também é muito fácil parar de receber. A autonomia que as pessoas têm na utilização do bots faz parte da comunicação moderna”, ressalta Marina.

A HDI Seguros foi a primeira seguradora a investir na ferramenta pelo Facebook, além de implementar a assistente virtual Sofia no site oficial da empresa, com a mesma tecnologia de inteligência artificial do robô Watson, da IBM. Isso quer dizer que ela processa não apenas informações objetivas, mas também subjetivas em busca da resposta mais humanizada possível. Além de agilizar os processos, o diretor de marketing Paulo Moraes percebeu uma maior interação e facilidade em resolver questões da rotina.

Se o feedback foi positivo? “Foi positivo, sim. O usuário que escolhe esse meio de comunicação quer rapidez nas respostas, e o chatbot permite isso. A Sofia, que já está há mais tempo em produção, tem uma quantidade de interações maior, por volta de seis mil atendimentos mensais. Com a entrada da inteligência Artificial, nossa expectativa é que esse número dobre nos primeiros meses após a implantação. Já o chatbot do Messenger teve uma evolução significativa desde que lançamos. Hoje, são mais de 1.600 interações (no primeiro mês foram apenas 130)”, conta.

A Nama tem também empregado processos como o Deep Learning, que compreende até gírias e erros de português. “Além da Nama, tem muita gente boa espalhada pelo País rompendo barreiras. Em São Paulo, a Pluvion está usando machine learning para antever a possibilidade de enchentes.

Elos montaram uma rede de estações de medição de chuva que entrega informação em tempo real e de forma hiperlocalizada”, ressalta Lúcio. Ele ainda completa que o Poupinha – chatbot do poupa tempo – é o melhor exemplo aplicado em serviços públicos, já tendo completado 100 milhões de mensagens trocadas com os cidadãos e agendado 2.5 milhões de ações desde seu lançamento, em dezembro de 2016.

DICAS DE USABILIDADE

O chatbot não precisa ter iniciativa apenas de um dos lados do computador. Tanto é possível a empresa puxar assunto com o consumidor quanto o cliente iniciar a conversa.

Qualquer que seja o procedimento, é necessário sempre haver muita transparência na comunicação, começando por deixar o público ciente de quais são as reais questões que aquele bot pode resolver para ele. “A interação é positiva, mas ainda existe uma seleção de assuntos para se tratar ou não com chatbots. Responder à pesquisa de satisfação, comunicar um serviço e analisar cadastros são ações que as pessoas se sentem à vontade em realizar por meio de chatbots, lembra Gabriela, destacando ainda um erro comum: apesar de a inteligência artificial ser  uma grande aliada nessa ferramenta, ela não é essencial ao funcionamento, pois cada modelo de negócio exige um tipo diferente de interação.

Com os objetivos da função bem claros, é possível encontrar a tecnologia e o tom de voz certos para aplicação do processo. Não se esqueça também de fazer alguns testes antes de colocar o serviço à disposição do público final. “Alguns erros que a empresa pode cometer são linguagem muito robótica, que afasia as pessoas, e excesso de mensagens – ninguém quer ser importunado por um robô várias vezes por dia. É preciso saber exatamente quais são os objetivos da marca no bot e tentar manter sempre uma conversa boa, como a de amigos, finaliza Marina.

Olá, estou aqu para ajudar2 

IMPLANTAÇÃO

  • Identifique a necessidade do seu negócio e o objetivo do chatbot (atendimento pós-venda, SAC, agendamento de serviços, comunicação interna da empresa, entre outros).

 

  •  Faça um bom planejamento com expectativas e metas.

 

  • Identifique o público que quer atingir.

 

  • Crie uma personalidade para o chatbot que gere algum tipo de vínculo emocional (tom de voz empático).

 

  • Conecte-se a uma empresa que possa desenvolver a tecnologia com a melhor opção para o seu negócio.

 

  • Crie um fluxo de conversa que conclua o atendimento, sem gerar novos problemas a resolver ou deixar a interação em aberto.

 

  • Entenda as necessidades do seu público para melhorar o engajamento.

 

  • Não tente abraçar o mundo inteiro de uma vez. Identifique uma necessidade de comunicação da empresa e invista profundamente nela, de maneira humanizada.

 

  • Faça questão de garantir a segurança dos dados do cliente, promovendo a conversa em ambiente onde ele esteja logado com senha e mantendo as informações criptografadas.

Olá, estou aqu para ajudar3 

BETA

O Coletivo Nossas lançou recentemente o chatbot Beta – diminutivo de Betânia. Aliados às causas femininas, os assinantes da ferramenta recebem via inbox uma série de notícias relacionadas ao ativismo, podendo inclusive votar projetos e enviar e-mails direto para a Câmara. Na campanha mais recente, o robô estimulou o envio de mensagens a favor dos projetos de lei de Marielle Franco, que estavam sendo votados, e o resultado foi positivo: cinco dos sete foram aprovados.

OUTRASFERRAMENTAS

Além do chatbot, ferramentas como site, blog, aplicativos ou página no YouTube são complementares ao serviço. Em um momento em que o público busca o máximo de informação disseminada possível, não ficar preso a um único formato é essencial para atingir o maior engajamento. Há ainda softwares de apoio à gestão. Por exemplo, um chatbot de rastreamento de entrega, quando integrado a um software de logística, torna a conversa mais capaz de resolver um problema e assim por diante.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 4: 4-26 – PARTE IV

Alimento diário

Cristo no Poço de Samaria

(2) ”A salvação vem dos judeus”. Portanto, eles sabem o que adoram, e em que e sobre que bases se apoiam em sua adoração. Não que todos os judeus fossem salvos, nem que não fosse possível que muitos dos gentios e dos samaritanos pudessem ser salvos, pois, em toda nação, aquele que teme a Deus e age com justiça é aceito por Ele. Mas:

[1] O autor da salvação eterna vem dos judeus, surge entre eles (Romanos 9.5), e é enviado primeiro para abençoá-los.

[2] Os meios da salvação eterna são oferecidos a eles. A palavra da salvação (Atos 13.26) havia sido enviada aos judeus. Foi confiada a eles, e outras nações a receberam através deles. Esta era uma diretriz confiável para eles em suas devoções, e eles a seguiam. Consequentemente, eles sabiam a quem adoravam. A eles, foram confiadas as Palavras de Deus (Romanos 3.2), e o serviço a Deus (Romanos 9.4). Portanto, sendo os judeus tão privilegiados e superiores, competir com eles era uma arrogância dos samaritanos.

Em segundo lugar, Ele descreve a única adoração evangélica que Deus aceitava e com a qual estaria muito satisfeito. Havendo mostrado que o lugar de adoração não tem importância, Ele consegue mostrar o que é necessário e essencial – que adoremos a Deus “em espírito e em verdade”, vv. 23,24. A ênfase não deve ser colocada sobre o lugar onde adoramos a Deus, mas sobre o estado de espírito em que o adoramos. Observe que o modo mais eficaz de diminuirmos as divergências nas questões menores da religião é sermos mais zelosos no tocante às maiores. Acredito que aqueles que diariamente fazem da adoração em espírito o centro de suas preocupações, não devem entrar em divergências nas quais se discute se o Senhor deve ser adorado aqui ou acolá. Cristo havia preferido, de forma justa, a adoração dos judeus à dos samaritanos. Porém, ainda assim Ele aqui sugere a imperfeição dela. A adoração era cerimonial, Hebreus 9.1,10. Os adoradores geralmente não eram espirituais, e desconheciam a parte interior da adoração divina. Note que é possível que sejamos melhores do que nossos vizinhos, e mesmo assim não sejamos tão bons quanto deveríamos ser. Cabe a nós sermos corretos, não somente quanto ao propósito da nossa adoração, mas na maneira de conduzi-la, e é quanto a isso que Cristo nos instrui aqui. Observe:

A. A grande e gloriosa revolução que deveria introduzir essa mudança: ”A hora vem, e agora é” – o dia que estava marcado, referente àquilo que estava determinado desde os dias da Antiguidade, quando deveria vir e o quanto deveria durar. O tempo de sua aparição foi fixado em uma hora. As deliberações divinas são assim exatas e pontuais. O tempo que o Senhor estaria na terra tinha uma duração limitada a uma hora. Observe como está próxima a oportunidade da graça divina, e como ela é urgente, 2 Coríntios 6.2. Essa hora vem, e está vindo na plenitude de sua força, esplendor, e perfeição, ela está agora no embrião e na infância. O dia perfeito está chegando e raiando.

B. A bendita mudança em si. Nos tempos do Evangelho, os verdadeiros adoradores deverão adorar “o Pai em espírito e em verdade”. Como criaturas, adoramos o Pai de tudo e de todos. Como cristãos, devemos adorar o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. E a mudança será:

(a) Na natureza da adoração. Os cristãos adorarão a Deus, não nas práticas cerimoniais da instituição mosaica, mas nas práticas espirituais, consistindo menos no exercício corporal, e mais naquele que é reavivado e revigorado pela força e pela energia divinas. A maneira de adorar que Cristo instituiu é racional e intelectual, e um aprimoramento daqueles ritos exteriores e cerimônias com os quais a adoração do Antigo Testamento era tanto obscurecida quanto obstruída. Esta é chamada a verdadeira adoração, ao contrário daquela que era típica. Os serviços válidos eram símbolos da verdadeira adoração, Hebreus 9.3,24. Quanto àqueles que se rebelaram em relação ao cristianismo, e voltaram ao judaísmo, é dito que começaram pelo Espírito e acabaram pela carne, Gálatas 3.3. Tal era a diferença entre as instituições do Antigo e do Novo Testamento.

(b) No temperamento e na disposição dos adoradores. Portanto, os verdadeiros adoradores são bons cristãos, diferenciados dos hipócritas. Todos devem, e irão adorar a Deus em espírito e em verdade. Isso é dito como sendo (v. 23) sua natureza, e (v. 24) seu dever. Observe que é requerido de todos os que adoram a Deus que o façam em espírito e em verdade. Nós devemos adorar a Deus:

[a] “Em espírito”, Filipenses 3.3. Devemos confiar no Espírito de Deus quando precisarmos de força e ajuda, colocando nossas almas sob suas influências e processos. Devemos devotar e empregar nosso próprio espírito a serviço de Deus (Romanos 1.9). Devemos adorá-lo com firmeza de pensamento e uma chama de amor, com tudo aquilo que está dentro de nós. O espírito dos salvos é investido de uma nova natureza em oposição à carne, que é a natureza corrompida. E, desse modo, adorar a Deus com nosso espírito é adorá-lo com nossas graças, Hebreus 12.28.

[b] “Em verdade”, isto é, em sinceridade. Deus requer não apenas nosso íntimo em nossa adoração, mas “a verdade no íntimo”, Salmos 51.6. Nós devemos considerar mais o poder do que a forma, devemos visar a glória de Deus, e não a possibilidade de sermos notados pelos homens. Devemos nos chegar “com verdadeiro coração”, Hebreus 10.22.

Em terceiro lugar, Ele declara as razões porque Deus deve ser adorado dessa maneira:

A. Porque nos tempos do Evangelho, eles, e somente eles, são considerados os verdadeiros adoradores. O Evangelho estabelece um modo espiritual de adoração, de forma que aqueles que professam o Evangelho não são verdadeiros em sua profissão, não correspondem à luz e às leis do Evangelho, se não adorarem a Deus em espírito e em verdade.

B. “Porque o Pai procura a tais que assim o adorem”. Isso indica:

(a) Que tais adoradores são muito raros e difíceis de ser encontrados, Jeremias 30.21. A porta da adoração espiritual é estreita.

(b) Que tal adoração é necessária, e é aquela que o Deus do céu exige. Quando Deus vem em busca de seus adoradores, a pergunta não é: “Quem adora em Jerusalém?” Mas: “Quem adorava em espírito?” Esse será o critério.

(c) Que Deus fica muito satisfeito e aceita bondosamente tal adoração e tais adoradores. “Eu o desejei”, Salmos 132.13,14; Cantares 2.14.

(d) Que houve e haverá, até o fim, um remanescente daqueles adoradores. Sua procura por tais adoradores implica em torná-los assim. Deus está reunindo para si, em todas as épocas, uma geração de adoradores espirituais.

C. Porque “Deus é Espírito”. Cristo veio para nos trazer a bênção de conhecer a Deus (cap. 1.18), e esta foi a declaração que o Senhor Jesus expressou em relação a Deus, o Pai. Ele o declarou para essa pobre mulher samaritana, porque, geralmente, os mais pobres estão interessados em conhecer a Deus, e com esse desígnio, poderia corrigir os erros dela relativos à adoração religiosa. Nada contribuirá mais, para a verdadeira adoração, do que o conhecimento apropriado de Deus. Observe que:

(a) Deus é Espírito, porque Ele é uma mente infinita e eterna, um ser inteligente, incorpóreo, imaterial, invisível e incorruptível. É mais fácil dizer o que Deus não é do que o que Ele é. “Um espírito não tem carne nem ossos”, mas quem conhece o modo de ser de um espírito’? Se Deus não fosse Espírito, Ele não poderia ser perfeito, nem infinito, nem eterno, nem independente, nem o Pai dos espíritos.

(b) A espiritualidade da natureza divina é uma boa razão para a espiritualidade da adoração divina. Se não adoramos em espírito a Deus, que é Espírito, nós não damos a Ele a glória devida ao seu nome, e, portanto, não realizamos o ato da adoração, nem podemos esperar obter seu favor e aceitação, e assim nos afastamos da finalidade da adoração, Mateus 15.8,9.

4. O último tópico da conversa de Jesus com essa mulher é relativo ao Messias, vv. 25,26. Observe aqui:

(1) A fé da mulher; através da qual ela esperava o Messias: “Eu sei que o Messias vem” e “quando ele vier, nos anunciará tudo”. Ela não tinha nada a objetar contra o que Cristo havia dito. Seu discurso foi, pelo que ela sabia, o que seria apropriado ao Messias então esperado. Apenas dele ela aceitaria isso, e, por enquanto, ela acha melhor deixar sua crença temporariamente pendente. Muitos não dão valor ao que têm em suas mãos porque pensam que têm algo melhor em vista (Provérbios 17.16), e se iludem com a promessa de que no futuro aprenderão aquilo que negligenciam agora. Observe aqui:

[1] A quem ela espera: “Eu sei que o Messias vem”. Os judeus e os samaritanos, embora vivessem em extremo desacordo, concordavam na esperança do Messias e de seu reino. Os samaritanos aceitavam os manuscritos de Moisés, e não desconheciam os profetas, nem as esperanças da nação judaica. Aqueles que menos sabiam, sabiam que o Messias estava para vir. Tão geral e inconteste era a expectativa por Ele, e nesse momento mais elevada do que nunca (pois o cetro havia partido de Judá, as semanas de Daniel estavam perto de terminar), que ela conclui não somente: Ele virá, mas “Ele vem, Ele está próximo”: “O Messias (que se chama o Cristo)”. O evangelista, embora conserve a palavra hebraica Messias (que a mulher utilizou) em respeito ao idioma sagrado, e à igreja judaica, que a usava livremente, escrevendo para o benefício dos gentios, toma o cuidado de representá-la através de uma palavra grega com o mesmo significado. Esta palavra designa o Cristo-Ungido, dando um exemplo da regra dos apóstolos de que tudo o que é falado em um idioma desconhecido ou menos comum deve ser interpretado, 1 Coríntios 14.27,28.

[2] O que ela espera dele: “Ele nos anunciará tudo”, nos falará sobre todas as coisas relativas ao serviço de Deus que é necessário que saibamos, nos dirá aquilo que compensará nossos defeitos, retificará nossos erros, e porá um fim às nossas disputas. Ele nos falará sobre o pensamento de Deus de forma clara e completa, e não ocultará nada”. E isso implica em um reconhecimento, em primeiro lugar, da deficiência e da imperfeição da revelação que eles agora tinham da vontade divina, e do domínio que eles tinham da adoração divina. Isso não podia levá-los à perfeição, e, portanto, eles esperavam algum grande avanço e aprimoramento em questões de religião, um tempo de reforma. Em segundo lugar, da capacidade do Messias para realizar essa mudança: “‘Ele nos anunciará tudo’ que queremos sabei; e sobre as quais nós discutimos de forma exasperada na escuridão. Ele introduzirá a paz ao nos conduzir para a verdade, e ao dispersar as névoas do erro”. Parece que esse era o consolo das pessoas boas naqueles tempos obscuros em que a luz iria surgir. Se eles se achassem perdidos, e em um beco sem saída, era para eles uma satisfação dizer: “Quando o Messias vier, ele nos anunciará tudo”. Como pode ser para nós agora com referência à sua segunda vinda: Agora, vemos por espelho, mas então veremos “face a face”.

(2) O favor de nosso Senhor Jesus em se fazer conhecido dela: “Eu o sou, eu que falo contigo”, v. 26. Cristo jamais se fez conhecido tão expressamente a qualquer outro como Ele se fez aqui a esta pobre samaritana, e ao homem cego (cap. 9.37). Não, não a João Batista, quando ele lhe enviou mensageiros (Mateus 11.4,5). Não, não aos judeus, quando eles o desafiaram a dizer-lhes se Ele era o Cristo, cap. 10.24. Mas:

[1] Cristo, deste modo, colocaria uma honra sobre os que eram pobres e desprezados, Tiago 2.6

[2] Esta mulher, pelo que sabemos, jamais tinha tido qualquer oportunidade de ver os milagres de Cristo, os quais eram então o método ordinário de convicção. Note que, para aqueles que não têm a vantagem da forma externa do conhecimento e da graça, Deus têm meios secretos de suprir a necessidade deles. Devemos, portanto, julgar caridosamente a respeito de tal coisa. Deus pode fazer com que a luz da graça brilhe no coração mesmo onde Ele não fez a luz do evangelho brilhar na face.

[3] Esta mulher foi preparada para receber tal revelação melhor do que os outros foram. Ela estava cheia da expectativa do Messias, e pronta para receber instrução da parte dele. Cristo se manifestará àqueles que, com um coração honesto e humilde, desejarem conhecê-lo pessoalmente: “Eu o sou, eu que falo contigo”. Veja aqui, em primeiro lugar, como Jesus Cristo estava próximo a ela, embora ela não conhecesse quem Ele era, Gênesis 28.16. Muitos estão lamentando a ausência de Cristo, e desejando por sua presença, quando, ao mesmo tempo, Ele está falando a eles. Em segundo lugar, como Cristo se faz conhecido de nós, falando a nós: “Eu que falo contigo”, tão estreitamente, de maneira tão convincente, com tal segurança, com tal autoridade, “Eu o sou”.