PSICOLOGIA ANALÍTICA

VOCÊ ESTÁ AQUI?

Tragados pela velocidade do mundo atual, encontramos cada vez mais dificuldades de nos focarmos no momento presente. A saída pode estar em tarefas simples, tais como escovar os dentes.

Você está aqui

A pergunta pode parecer estranha. Mas eu mesma tenho que me concentrar para ter a certeza de estar aqui, escrevendo esta coluna. Pior, me lembro de uma tarefa importante, paro e vou até ela. No caminho encontro aquele papelzinho com o telefone de uma paciente nova que aguarda um retorno meu para marcarmos uma consulta para amanhã. Não consigo retornar a ela porque aguardo uma confirmação de outro paciente sem a qual não consigo saber ao certo quais horários disponíveis terei para marcar a nova consulta. Volto a este texto. Releio a primeira frase. “Caramba, aquele paciente já devia ter me retornado!”. Pego o celular, entro no WhatsApp a fim de checar as mensagens. Não. Ele ainda não respondeu. Volto ao texto. Escrevo mais uma frase. O celular treme. Mensagem nova.

Finalmente o retomo que eu esperava. Volto ao texto com a urgência de uma colunista que está com seu prazo de entrega estourando. Releio as linhas até então produzidas e sou assaltada por um pensamento que diz: “Não posso me esquecer de dar um retorno àquela paciente nova!”. É quando a conclusão surreal se faz óbvia. Não, definitivamente não estou aqui. O que significa que estou escrevendo este texto como se estivesse em outra dimensão. Ou em várias delas, pra ser mais precisa.

É por isso que a pergunta expressa no título desta coluna se faz tão pertinente. Principalmente porque você, caro leitor, muito provavelmente ao longo deste parágrafo esteve tão ausente quanto eu. O que torna nosso encontro quase que um verdadeiro milagre! Não me lembro de, nas deliciosas aulas de Teoria Literária, ter lido algum artigo que falasse sobre a qualidade do texto que consegue resgatar o leitor de outras dimensões. Talvez porque, naquela época, tudo se resumisse à qualidade de um texto capaz de, simplesmente, prender a atenção desse leitor que estava aí no presente à espera de ser tocado, fisgado ou puramente entretido pelas palavras do autor.

É certo que vivemos cm um ritmo diferente – discos de vinil que saltaram da rotação 33 para a 78 -, mas tal velocidade tem nos imposto um preço, que é nossa dificuldade em parar. Sim, porque a vivência do presente depende da captura do instante. E na captura do instante, velocidade é igual a zero (V=O).

A ciência já reconhece a importância de focarmos nossa atenção no presente. Trata-se do conceito de mindfulness, que muitos, erroneamente, acreditam ter nascido a partir da Psicologia Positiva. Na verdade, embora amplamente discutido por pesquisadores desse movimento científico, o conceito de mindfulness parece ter sido introduzido na língua inglesa já em 1881. Uma outra confusão recorrente é a crença de que a única maneira de atingirmos o estado mindful (presença no aqui e agora) seja por meio da meditação mindfulness. De fato, esse tipo de meditação é muito útil e tem sido objeto de diversas pesquisas que a relacionam como eficaz na redução de estresse, ansiedade, dores crônicas etc.

Contudo, infelizmente, as evidências científicas nesse caso parecem não ser suficientes para incutir na sociedade ocidental, ou pelo menos na maioria dela, a disciplina necessária para uma prática diária meditativa.

Eu mesma, confesso, um tanto envergonhada, ser uma aprendiz rebelde e indisciplinada. Talvez por isso me compadeça daqueles que, a despeito de reconhecerem a importância do estado mindfulness, não conseguem aderir à meditação mindfulness. Para esses, vale salientar, entretanto, que existem outras práticas de mindfulness que simplesmente não incluem a meditação. Fazer uma refeição com atenção focada exclusivamente na experiência presente, obrigar-nos a escovar os dentes com a mão não dominante a fim de tirar-nos do “piloto automático” são pequenas inciativas que podem nos levar ao estado mindfulness, talvez preparando nosso cérebro para uma futura prática mais estruturada tal como a meditação.

Mas enquanto isso não ocorre, a “briga” para executarmos tarefas simples, tais como escrever (ou ler) um texto, continuará – ainda que, ao final, consigamos sair vencedores.

 

LILIAN GRAZIANO –  é psicóloga e doutora em Psicologia pela USP, com curso de extensão em Virtudes e Forças Pessoais pelo VIA Institute on Character, EUA. É professora universitária e diretora do Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento, onde oferece atendimento clinico, consultoria empresarial e cursos na área. graziano@psicologiapositiva.com.br

OUTROS OLHARES

A LEI QUE MATA MULHERES

No Brasil, 1,1 milhão de abortos clandestinos causam a morte de 11.000 brasileiras por ano. Essa é apenas uma das razões pelas quais alguns defendem a legalização do aborto.

A lei que mata mulheres

As últimas semanas foram recheadas de simbolismos para as mulheres. Na quinta-feira 14, a Câmara de Deputados da Argentina aprovou um projeto de lei que descriminaliza o aborto até a 14ª semana de gestação. A proposta se configura como um avanço inestimável. Um pouco antes, a Irlanda, radicalmente conservadora e católica, aprovou em um referendo a mudança da lei do aborto, até recentemente uma das mais restritivas do mundo. Quase 70% da população endossou a confiança nas mulheres e no seu direito de tomar as decisões certas sobre sua vida, nas palavras do primeiro-ministro, Leo Varadkar.

A ONU estabeleceu em 2000 o Projeto do Milênio, que propõe ações para reduzir a miséria no mundo. De maneira compreensível, uma das oito metas incluía medidas de valorização e proteção à mulher. Isso porque a cadeia intergeracional de transmissão da fome e da pobreza só pode ser quebrada quando os desprovidos, auxiliados por governantes dignos, conseguem propiciar a seus filhos níveis mais elevados de escolaridade, segurança física e psicológica no ambiente de crescimento, alimentação equilibrada e resistência às doenças transmissíveis. E, nas sociedades pobres, as mulheres têm um papel único, muitas vezes solitário, na concretização dessas aspirações. Aspirações que, sabe-se, são atingidas de forma mais exuberante e rápida quando a mãe, e não o pai, lidera a família.

Contrastando com a relevância de seu papel na superação da miséria, as mulheres têm seus direitos cerceados ou ignorados na maioria das nações. Por esse motivo, 70% dos pobres no mundo são do sexo feminino. Refletindo essa brutal desigualdade, 600 milhões de mulheres vivem em sociedades nas quais a violência doméstica não é reconhecida como crime. Nesses locais, que aceitam o “homicídio pela honra”, 38% dos assassinatos de mulheres são cometidos pelo marido ou por companheiro íntimo.

Ainda que ações significativas para reduzir as desigualdades de gênero tenham sido adotadas em muitos países, elas pouco avançaram no direito das mulheres de controlar sua vida reprodutora. Um tema obviamente sensível, por confrontar a maternidade desejada (sentimento inato e arrebatador da condição feminina) com a maternidade indesejada (aquela que o personagem Riobaldo, o jagunço-filósofo de Guimarães Rosa, descreveu como “um descuido prosseguido”), a prática do aborto voluntário é uma realidade desconfortável tanto por sua dimensão humana quanto por suas implicações médico-sociais. Segundo a OMS, cerca de 55 milhões de abortos são realizados por ano no mundo. Metade deles é executada de forma insegura, principalmente nos países que mantêm leis restritivas ao procedimento. No Brasil, estima-se que 1,1 milhão de abortos clandestinos sejam feitos anualmente. Em decorrência disso, no mesmo período, morrem 11.000 brasileiras por complicações do procedimento. O drama não é menor para as mulheres que sobrevivem: milhares delas ficam marcadas por sequelas psicológicas, esterilidade, lesões genitais incapacitantes ou infecções crônicas. Em breve, nosso país terá uma chance de mudar esse cenário dramático, quando o Supremo Tribunal Federal der início às audiências públicas para debater a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. Já presenciei a angústia dessas mulheres. Fiquei marcado pela expressão de pavor de pessoas pobres que, sem opção, se submetiam a abortos imundos e de risco na periferia da cidade. Recorriam depois ao Hospital das Clínicas e, arrebentadas, aceitavam o momento de dor intensa, quando, também sem nenhuma opção, removíamos os restos fetais retidos em seu ventre. Essa e outras razões me levam a defender a legalização do aborto.

Em primeiro lugar, está claro que leis restritivas não impedem abortos, só aumentam o número de procedimentos clandestinos e inseguros. De acordo com a ONU, em 52 países com leis liberais, quase sempre os mais desenvolvidos, o número de abortos e de mortes associadas ao procedimento é 90% menor do que as taxas observadas em 82 nações, em geral pobres, que proíbem a intervenção. Obviamente, não é preciso explicar em qual lado estão as brasileiras – muitas vivendo nos primórdios da sua existência, incapazes de expressar seus sentimentos e vítimas da discriminação de gênero prevalente na nossa sociedade.

Em segundo lugar, reconheço o direito de outros que se postam contra o aborto legal, sob o argumento de que o embrião já é um ser vivo logo após o encontro de um espermatozoide com um óvulo. Contudo, essa interpretação nunca foi confirmada cientificamente. Ao contrário, constitui apenas uma ideia especulativa. Os dados científicos mais racionais que conheço mostram que o início da atividade elétrica do córtex cerebral do embrião ocorre após a vigésima semana de gestação, o que define o princípio da consciência mental. Dessa forma, os abortos realizados até a 12ª semana de gravidez apenas interromperiam o crescimento de um ser inanimado.

Em terceiro lugar, o aborto confunde-se com a história de nossa civilização, e é utópico imaginar que ele possa ser banido. Sempre existirão gestações indesejadas, ilegítimas, arriscadas ou inviáveis. Ao ignorarmos tal realidade, estaremos rejeitando o direito inegociável de qualquer ser humano, incluindo as mulheres, de governar sua vida. Ainda mais, o que esperar do futuro de uma gestação indesejada levada a cabo num país disfuncional como o nosso? Certamente, uma legião indecente de crianças rejeitadas, condenadas a viver em ambientes carentes e hostis, sem chance de usufruir a existência com dignidade.

Finalmente, não me parece razoável impor a toda a sociedade a posição dogmática de grupos religiosos contra o aborto. Essa atitude coercitiva apoia-se em conceitos filosóficos ou morais abstratos e alimenta certa hipocrisia quando ignora que o aborto nunca é uma opção prazerosa, mas quase sempre o único caminho que se põe à frente de uma mulher em situação de vulnerabilidade extrema.

Pedindo desculpas pela minha contundência, dirijo um olhar de reconhecimento às mulheres, cujo papel social se confunde com a superação da miséria no planeta e com o manto de aconchego da condição humana. Como médico e como cidadão, não consigo aceitar que a discriminação injusta de gênero prevalente nas sociedades patriarcais e a falta de assistência médica no parto ou as complicações do aborto inseguro matem anualmente 530.000 mulheres no mundo, quase todas em países pobres. No toque, enquanto nos países ricos a notícia de que um filho está por vir é muitas vezes o dia mais feliz de uma mulher, nos países pobres esse pode ser o dia em que morre uma mulher.

 

MIGUEL SROUGI – é professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP, pós-graduado em urologia pela Harvard Medical School e presidente do conselho do Instituto Criança É Vida.

 

GESTÃO E CARREIRA

O QUE VOCÊ DIZ OU NÃO DIZ

“As cores falam e influenciam muito na nossa imagem pessoal, elas desempenham um papel crítico na formação de opinião que os outros têm de você”

O que você diz ou não diz.

Imagine uma posição corporal que expresse segurança e liderança, como colocar as duas mãos na cintura de coluna ereta. Ou ainda erguer os dois braços para cima mostrando os músculos como um super-herói. Agora, permaneça nessa posição por cerca de dois minutos. Pronto, você diminuiu os níveis de cortisol do seu corpo e aumentou a testosterona, ficando mais ativo para realizar as atividades que precisa. Quem explica isso é a psicóloga social e professora de Harvard. Amy Cudy, em sua palestra para o TED Talks.

Esse é apenas um dos exemplos de como mudar a postura diante do mundo ajuda a ter uma rotina mais produtiva. Se essas alterações interferem internamente, imagine o que as nuances da comunicação não verbal podem fazer a seu favor diante de outras pessoas!

Um estudo do americano Ray Birdwhistell, mostrou que a linguagem corporal é responsável por 55% da mensagem transmitida enquanto a voz controla 38% e as palavras em si, ficam com apenas 7%.

No fim das contas, cada detalhe importa. Desde suas micro expressões faciais até a tonalidade de voz, o tipo de roupa que está vestindo e as cores que você escolhe. “As cores falam e influenciam muito na nossa imagem pessoal, elas desempenham um papel crítico na formação de opinião que os outros têm de você. Da mesma forma que elas podem passar confiança, podem também sabotar sua aparência. Por isso, é importante saber o que usar em determinadas ocasiões para que não passe uma imagem contrária ao que deseja”, explica a consultora de moda Gil Paes.

Já a consultora de comunicação e imagem Gislaine Westphal conta que existem diversos estudos científicos comprovando a influência da cor no marketing, na decoração e no humor. “Um detalhe importante: não é somente escolher a cor. Existe também a análise cromática, um teste realizado na pessoa, por meio de tecidos, em que descobrimos se a pele dela é quente, fria ou neutra. A partir daí, podemos dizer qual tom de azul ela pode usar, por exemplo. Estudos mostram que existem tons diferenciados de pele e uma gama de opções que podem ressaltar os defeitos, apagar a pessoa, deixá-la pálida ou potencializar o que ela tem de melhor”, completa.

NEGÓCIO FECHADO!

Na hora de assinar o contrato, passar uma imagem de segurança é fundamental. Na dúvida, uma roupa social na cor azul desperta confiança e respeito e, portanto, é mais fácil acertar. “Para os homens que usam temo e gravata, a escolha da cor da gravata é essencial. As vermelhas são muito usadas por políticos devido à cor contribuir para que as pessoas escutem seu discurso”. conta Gil. Entre as sugestões de composição em azul para homens, se a empresa tiver um perfil mais formal, ternos nas cores chumbo, marrom e azul-marinho são convidativos. Para completar, uma camisa em tom mais claro e sapato combinando com o cinto. Agora, se o contrato será assinado por um parceiro com estilo informal, blazer com calça social é o mais indicado. Calça jeans está liberada se for escura, com uma camisa social e blazer.

Já as mulheres podem optar por terninhos azul-marinho e camisa em tom mais claro, por exemplo. Um vestido mídi azul-marinho e scarpin preto também são uma boa pedida. Outra saída é a saia mídi preta, camisa azul marinho, blazer vermelho – combinando com o escuro, passa a imagem de segurança e credibilidade – e scarpin preto. Por outro lado, evite estampas e acessórios em excesso. Um look infalível? Gil dá a dica! Para os homens, calça social, camisa arrumada e sapato combinando com cinto. As mulheres podem vestir calça social ou alfaiataria e um sapato com salto, diz.

Seja qual for sua escolha na hora de vestir as peças, lembre-se de que a roupa não faz milagre sozinha. O contexto de detalhes pode ser decisivo na hora de assinar o contrato. A decisão daquilo que você veste indica também características da sua identidade, que é importante no ambiente de trabalho e até para fechar o negócio. Descobrir seu próprio estilo deve ser sempre o ponto de partida para depois adequar a dicas e padrões. “Hoje, o que mais procuramos são pessoas autênticas em quem podemos confiar. Quando vemos incoerência na imagem (algo inconsciente), passamos a desconfiar, porque tem um ruído na comunicação não verbal”, completa Gislaine.

No mercado financeiro, em ambientes mais rígidos e tradicionais, é seguro apostar em cortes mais retos nas roupas, linhas verticais e cores mais neutras ou escuras. “Essas cores são assertivas para fechar negócios, pois passam credibilidade, profissionalismo e equilíbrio emocional”, indica ainda a consultora de imagem e estilo Rita Heroína.

Ela ainda explica que um bom paletó com calça ou terno de duas peças funcionam bem, desde que sejam evitados materiais sintéticos. Vale mais a pena, por exemplo, investir em 100% lã fria.

Outro look que cai bem é camisa xadrez, verde escura, calça preta e blazer preto. Uma bela calça xadrez escuro de alfaiataria, camisa de seda off White de botões podem ser infalíveis para as mulheres.

DIA A DIA

Não é apenas na hora de fechar negócio que um look bem montado e com as cores certas faz diferença. A rotina de trabalho também pode ser melhor quando você transmite a mensagem certa. As cores mais escuras, por exemplo, são ótimas escolhas para falar em público ou em alguma reunião onde é preciso que as pessoas ouçam você com atenção, já que passam credibilidade e seriedade.

Gislaine lembra ainda que, da cintura para baixo, o ideal é sempre vestir cores escuras ou neutras, a não ser que seja algum tipo de peça de alfaiataria com excelente forro. Calças claras podem marcar muito as roupas de baixo. “Segundo pesquisas, as cores mais apreciadas no ambiente profissional são as verde, preto, violeta, rosa, branco, vermelho, laranja e amarelo”, conta.

Já se o objetivo for de interação em equipe ou um momento mais casual dentro da empresa, cores claras são essenciais, por darem a sensação de proximidade. Os tons pastel, branco e nude são as sugestões de Gil, compostos com tons médios ou escuros para que não passem a mensagem de fragilidade. Ao mesmo tempo. o claro revela pequenos defeitos, sujam com facilidade e ficam amarelados. Por isso, é preciso tomar ainda mais cuidado com a qualidade dessas peças na hora da compra. Independentemente do momento, se o que você quer passar é confiança, além do já citado azul, preto e cinza funcionam bem, sendo apostas seguras e que dão possibilidades fáceis de combinação. No caso específico do preto, tome apenas cuidado com o tipo de peça que vai selecionar para não passar do clássico elegante que transmite poder para o mistério excessivo e até luto. O verde também pode ser algo bem aceito, por transmitir uma sensação boa de esperança – um respiro a ideias novas, porém confiáveis.

Em geral, as escuras são mais indicadas para o ambiente empresarial, por serem percebidas como fortes e de autoridade. O cuidado nas pequenas atitudes deve estar em não transmitir uma rigidez excessiva. Porém, cores intermediárias podem ser uma opção para quem quiser variar, considerando que são percebidas como tradicionais.

O que você diz ou não diz.2 

COMO DECIDIR?

Você sabia que a maneira como a cor é exposta pode causar reações físicas?

  • Tons específicos: amarelo e vermelho juntos, por exemplo, dão a sensação de fome. Na hora de escolher o que vai usar no ambiente de trabalho, também vale a pena pensar no tipo de sensação que você quer transmitir.

 

  • Reunião de negócios: cores marcantes, porém em um look mais clean, comum vermelho ou verde em uma gravata, uma camisa social mais clara e um terno chumbo ou preto. Para mulheres, uma camisa social ou blusa social mais viva, como vermelho, amarelo ou rosa, porém em tons escuros e a parte de baixo neutra. Se é a primeira reunião, opte pelas cores sóbrias e as mais aceitas, como o azul e suas diversas variações ou uma camisa branca com lenço.

 

  •  Fechamento de contrato: Prefira tons de azul mais escuro e

 

  • Almoço de negócios: cores claras e vivas.

 

  •  Conversas delicadas, como mudar, o valor do escopo: Prefira branco, azul ou preto, pois são cores mais aceitas e neutras. Algumas pessoas optam pelo amarelo, que é a corda criatividade, porém ele é também contraditório e, dependendo do contexto, pode ser um tiro no pé, chegando a irritar a outra pessoa.

 

  • Evitar: o marrom mais claro. Não transmite boas sensações. Nesse caso, opte pelo marrom bem escuro.

O que você diz ou não diz.3 

SAIA, DECOTE, TRANSPARÊNCIA

Para além do conservadorismo, essas características não são indicadas no ambiente de trabalho porque, assim como o excesso de acessórios ou cores gritantes, podem chamar atenção para outras coisas que não aquilo que está sendo realizado. Considerando que a maior parte da comunicação não está nas palavras, quanto menos você puder distrair a pessoa com quem dialoga, melhor. Se optar por uma blusa transparente, por exemplo, prefira utilizar com uma segunda pele por baixo. Isso significa que, mesmo escondendo esses itens, busque harmonizar com peças mais sutis.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 3: 22-36 – PARTE II

Alimento diário

O Testemunho de João a respeito de Cristo

V -Aqui está a resposta de João às queixas que seus discípulos fizeram, v. 27ss. Seus discípulos esperavam que ele se ofendesse com esse fato, como eles, mas a manifestação de Cristo para Israel não era surpresa para João, porém o que ele procurava; não era uma perturbação para ele, mas era o que ele desejava. Por isso, reprovou a queixa, como Moisés: “Tens tu ciúmes por mim?” E aproveitou a ocasião para confirmar os testemunhos que tinha dado anteriormente de Cristo como superior a ele, alegremente entregando e confiando a Ele todos os interesses que tinha em Israel. Neste discurso, o primeiro ministro do evangelho (porque João o era) é um excelente exemplo para todos os ministros, para que se humilhem e exaltem ao Senhor Jesus.

1. João aqui se humilha em comparação a Cristo, vv. 27-30. Quanto mais os outros nos exaltarem, mais deveremos nos humilhar e nos fortalecer contra as tentações de lisonja e aplauso, e a inveja dos nossos amigos pela nossa honra, ao nos lembrarmos de nosso lugar e do que somos, 1 Coríntios 3.5.

(1) João concorda com a disposição divina e se satisfaz com ela (v. 27): “O homem não pode receber coisa alguma, se lhe não for dada do céu”, de onde “toda boa dádiva vem” (Tiago 1.17), uma verdade comum muito aplicável a este caso. Diferentes aplicações estão de acordo com as orientações da Providência divina, diferentes dons são distribuídos de acordo com a graça divina. “Ninguém toma para si essa honra”, Hebreus 5.4. Nós temos uma dependência tão necessária e constante da graça de Deus em todos os movimentos e ações da vida espiritual como temos da providência de Deus em todos os movimentos e ações da vida natural. Isto é apresentado aqui como uma razão:

[1] Por que não devemos invejar aqueles que possuem muito mais dons do que nós, ou se movimentam em uma esfera de utilidade mais ampla. João relembra seus discípulos de que Jesus não o teria superado dessa maneira, a menos que tivesse recebido do céu, porque, como homem e Mediador, Ele recebeu dons. E se Deus lhe deu o Espírito sem medida (v. 34), eles deveriam reclamar por isto? A mesma razão vale para com os outros. Se Deus quer dar aos outros mais habilidade e sucesso do que a nós, será que devemos ficar descontentes com isso, e criticá-lo como sendo injusto, imprudente e parcial? Veja Mateus 20.15.

[2] Por que não devemos estar descontentes, mesmo que sejamos inferiores aos outros em dons e utilidade, e sejamos ofuscados por seus méritos. João estava pronto para reconhecer que era um dom, um dom espontâneo do céu, que o fez um pregador, um profeta, um batista. Foi Deus que lhe deu o interesse que despertou no amor e estima das pessoas. E se agora o interesse diminuiu, seja feita a vontade de Deus! Aquele que dá, pode tomar. Aquilo que recebemos do céu, devemos receber como nos foi dado. João nunca tinha recebido uma comissão para realizar um trabalho eterno, mas somente uma incumbência temporária, que logo terminaria, e, portanto, quando ele tivesse terminado seu ministério, poderia alegremente vê-lo ultrapassado. Alguns dão um sentido bem diferente a estas palavras: João tinha se esforçado perante seus discípulos, para ensiná-los a importância que seu batismo tinha para Cristo, que viria após ele, e que tinha a preeminência sobre dele. O Senhor Jesus Cristo faria por eles o que João não poderia fazer, e ainda assim, afinal, eles idolatraram João e relutaram em reconhecer a preeminência de Cristo sobre ele. Bem disse João, “o homem não pode receber”, isto é, compreender, “coisa alguma, se lhe não for dada do céu”. A tarefa dos ministros será totalmente perdida, a menos que a graça de Deus a torne efetiva. Os homens não entendem o que é mais explicado, nem acreditam no que é mais evidente, a menos que lhes seja concedido do céu que entendam e acreditem nisto.

(2) João recorre ao testemunho que tinha dado anteriormente a respeito de Cristo (v. 28): “Vós mesmos me sois testemunhas de que disse, repetidas vezes: Eu não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele”. Veja como João era firme e constante no seu testemunho a respeito de Cristo. João não era como uma cana agitada pelo vento. Nem as censuras dos principais dos sacerdotes, nem as adulações dos seus próprios discípulos poderiam fazê-lo modificar suas palavras. Isto serve:

[1] Como uma condenação dos seus discípulos, pela irracionalidade da sua queixa. Eles tinham falado do testemunho que seu mestre tinha dado a respeito de Jesus (v. 26): “Agora”, João disse, “vocês não lembram qual foi o testemunho que eu dei? Lembrem-se, e verão sua própria crítica respondida. Eu não tinha dito: Eu não sou o Cristo? Por que, então, vocês me colocam como um rival daquele que realmente o é? Eu não tinha dito: Eu sou enviado adiante dele? Por que, então, parece estranho a vocês que eu me afaste e dê passagem a Ele?”

[2] Como um consolo para si mesmo, pelo fato de nunca ter dado aos seus discípulos nenhuma oportunidade de colocá-lo em competição com Cristo, mas, ao contrário, ele os tinha particularmente advertido contra este engano, embora ele pudesse ter obtido benefícios para si. E uma satisfação para os ministros fiéis quando fazem tudo o que poderiam para evitar quaisquer extravagâncias com que seu povo possa se deparar. João não somente não os tinha incentivado a esperar que ele fosse o Messias, mas lhes tinha dito claramente o contrário, o que agora representava uma satisfação para ele. E uma desculpa comum daqueles que recebem honras indevidas: Se o povo quer ser enganado, que seja. Mas esta é uma máxima ruim para aqueles cujo trabalho é mostrar o erro do povo. “O lábio de verdade ficará para sempre”.

(3) João professa a grande satisfação que teve com a manifestação de Cristo e o interesse que Ele desperta. João estava tão longe de lamentar isto, como faziam seus discípulos, que se alegrava com isto. Ele expressa isso (v. 29) com uma comparação elegante.

[1) Ele compara nosso Salvador ao esposo: “Aquele que tem a esposa é o esposo”. Todos os homens vão a Ele? Está certo, para onde iriam eles? Ele alcançou o trono das afeições dos homens? Quem mais o teria? E seu direito. A quem deve ser trazida a esposa, senão ao esposo? Cristo tinha sido profetizado no Antigo Testamento como um esposo, Salmos 45. O Verbo se fez carne, para que a disparidade da natureza não fosse um obstáculo ao enlace. Existe uma provisão para a purificação da igreja, para que a depravação do pecado não seja um obstáculo. Cristo se casa com sua igreja. Ele tem a esposa, pois Ele tem seu amor, Ele tem o compromisso dela. A igreja está sujeita a Cristo. Enquanto as almas individual­ mente são devotadas a Ele em fé e amor, também o es­ poso tem a esposa.

[2] Ele se compara ao amigo do esposo, que o assiste, que o honra e serve, que o ajuda a proceder o casamento, fala bem dele, usa seus recursos para seu benefício, alegra-se quando o casamento acontece, e, acima de tudo, quando se chega ao ponto desejado, quando o amigo recebe a esposa. Tudo o que João tinha feito pregando e batizando era para apresentá-lo, e agora que Ele chegou, João tem aquilo que desejava: “O amigo do esposo está ali (ver são NTLH), e o ouve. Está ali esperando-o. Alegra-se com a voz do esposo, porque Ele veio às bodas depois de ter sido esperado por muito tempo”. Observe que, em primeiro lugar, os ministros fiéis são amigos do esposo, para recomendá-lo aos interesses e escolhas dos filhos dos homens; para trazer mensagens dele, pois Ele corteja por procuração, e nisto devem ser fiéis a Ele. Em segundo lugar, os amigos do esposo devem estar ali, e ouvir sua voz; devem receber dele suas instruções e cumprir suas ordens; devem desejar ter provas de que Cristo fala neles, e com eles (2 Coríntios 13.3). Esta é a voz do esposo. Em terceiro lugar, o casamento das almas com Jesus Cristo, em fé e amor, é o cumprimento da alegria de todo bom ministro. Se o dia das bodas de Cristo for o dia do júbilo do seu coração (Cantares 3.11), este não pode deixar de ser também o dia do júbilo daqueles que o amam e que têm bons desejos em relação à sua honra e ao seu reino. Eles certamente não terão uma alegria maior.

(4) João reconhece que é altamente adequado e necessário que a reputação e o interesse que Cristo desperta progridam, com a diminuição da sua reputação e do interesse que ele desperta (v. 30): “É necessário que ele cresça e que eu diminua”. Se eles se lamentam com a grandeza crescente do Senhor Jesus, eles terão ainda mais oportunidades para lamentar, como têm aqueles que se permitem invejar e imitar. João fala do crescimento de Cristo e da sua própria diminuição, não somente como necessários e inevitáveis, o que não pode ser impedido, e, portanto, deve ser suportado, mas como altamente justo e agradável, e que lhe proporciona completa satisfação.

[1) Ele estava muito satisfeito por ver o reino de Cristo avançando: “Ele deve crescer. Vocês pensam que Ele conseguiu muita coisa, mas isto não é nada em comparação com o que Ele irá conseguir”. Observe que o reino de Cristo é, e será, um reino crescente, como a luz da aurora, como o grão de mostarda.

[2) Ele não estava nem um pouco descontente com o fato de que o efeito disto seja a diminuição do interesse que ele desperta: “Eu devo diminuir”. As excelências criadas estão sujeitas a esta lei, elas devem diminuir. “A toda perfeição vi limite”. Observe que, em primeiro lugar, o brilho da glória de Cristo eclipsa o brilho de qualquer outra glória. A glória que compete com a de Cristo, a glória do mundo e da carne, decresce e perde terreno na alma à medida que o conhecimento e o amor de Cristo crescem e ganham terreno. Mas aqui se fala daquilo que é subserviente a Ele. À medida que a luz da manhã aumenta, a da estrela da manhã diminui. Em segundo lugar, se nossa diminuição ou humilhação podem, pelo menos, contribuir para a promoção do nome de Cristo, nós devemos nos submeter a elas com alegria, e estar satisfeitos por sermos alguma coisa, ou até mesmo por não sermos nada, para que Cristo possa ser tudo.