PSICOLOGIA ANALÍTICA

COMPORTAMENTO: NOTA 10!

Problemas comportamentais infantis têm enorme influência nas relações familiares e sociais e por isso é importante nos determos para uma breve reflexão sobre o assunto.

Comportamento nota 10

Algumas variáveis determinam o comportamento de uma criança: seu temperamento, idade cronológica e seu desenvolvimento emocional, físico e cognitivo, além dos sentimentos de segurança emocional, autoimagem e, é claro, a sua história de vida.

Há a idade certa para determinados comportamentos, pois estes são a forma de comunicação com o meio ambiente, uma espécie de resposta aos estímulos recebidos e elaborados pelo sistema nervoso.

A birra, por exemplo, é natural nos dois ou três primeiros anos de vida, pois a criança tem dificuldade em lidar com a frustração devido a sua imaturidade, inclusive neurológica. Além disso, treina sua identidade e autonomia como em um jogo, que cabe ao adulto compreender e conter quando necessário.

Mas com o passar do tempo, comportamentos desse tipo passam a ter outras conotações e influenciam na qualidade de vida, aprendizagem e socialização da criança.

Nos primeiros 36 meses, o temperamento infantil rege o comportamento, ou seja, há crianças por natureza mais calmas, mais acessíveis e outras que tem menor tolerância à contrariedade, mais dificuldades de adaptação a rotinas, regras, comandos.

Mas a  formação gradual de  sua autoimagem, a percepção de valor que a criança atribui  a si mesma, o  ajustamento  às  normas  familiares, as crenças incutidas pelas vivências e exemplos familiares, o amadurecimento do sistema nervoso, as novas experiências  físicas, mentais e sociais  vão fazer com que comece a se comportar de maneira mais equilibrada, porém ainda instável, que  varia muito no quanto se sente querida, aprovada ou rejeitada. Não se perceber amada, aceita, pertencente ao grupo familiar faz com que a forma de tentar alcançar um pouco de atenção nem sempre seja a mais conveniente. O problema é que, muitas vezes, esse sentimento dos filhos é uma surpresa para os próprios pais, que acreditam estar demonstrando seus cuidados, seu amor incondicional e sua confiança em suas crianças.

Assim, crianças e adultos se baseiam em crenças errôneas para tentar obter aprovação! Claro que há comportamentos inadequados promovidos pela impulsividade infantil, cansaço físico e mental, doença ou incapacidade de vencer a frustração, mas de modo geral podemos, a partir dos estudos de Dreikurs, entender quatro classes de objetivos errados na educação e comunicação com nossos filhos:

ATENÇÃO NEGATIVA: se a criança percebe que com seu mau comportamento deixa o adulto irritado, preocupado ou culpado, ela vai se comportar sempre assim, pois consegue, de alguma maneira, a atenção (ainda que negativa) deles! E atenção é sinônimo de amor, valorização.

PODER NEGATIVO: é uma forma de auto­ valorização perigosa, pois dá margem a tentar obter o controle sobre o adulto de modo muito incerto. Em geral os conflitos gerados são duradouros e deixam marcas afetivas na criança e no relacionamento com os pais.

VINGANÇA INFANTIL: promove satisfação compensatória quando a criança se sente desvalorizada. Compreender onde erramos e mostrar-lhe nossos sentimentos ajudam a vencer suas frustrações e a se comportar de outra forma ignorar a má conduta e sugerir novas tarefas, as quais sabe-se que a criança se sairá bem, em geral resolvem.

DESISTÊNCIA OU INCAPACIDADE ASSUMIDA: desânimo e desencorajamento fazem com que a criança busque sempre o fracasso como modo de obter atenção e o expressa com comportamentos que confirmam essa crença dos pais. Portanto, valorizar- lhe o empenho e crescimento é uma forma de mudar a situação.

Nunca é demais lembrar que pais excessivamente autoritários criam filhos introvertidos, com reduzidas condições de decisão, baixa autoestima, mas também desafiadores, conflituosos, rebeldes, pois copiam a linguagem paterna. Pais muito negligentes em relação a normas e regras criam filhos igualmente despreparados para a vida autônoma: apesar de geralmente parecerem ser independentes, eles sofrem com a sobrecarga emocional que as decisões precoces obrigam. E se comportam igualmente mal, para conseguir atenção e segurança com as respostas dos adultos. Esse conhecimento é útil para que os familiares consigam entender que grande parte dos problemas que enfrentam com o comportamento dos filhos advém de seu próprio comportamento. E preciso aprender a lidar, ensinar e manter um ambiente de segurança emocional, harmônico, com regras e consequências claras ao seu não cumprimento. Crianças precisam desses cuidados para desenvolver comportamentos adaptativos positivos, maturidade, responsabilidade e autocontrole.

Condutas desajustadas na vida familiar e social repercutem na escola e no aproveitamento pedagógico. E podem sugerir aos leigos problemas de neurodesenvolvimento, que na verdade são apenas comportamentais. Uma mudança na forma de perceber a mensagem embutida no comportamento infantil é a melhor maneira de avaliação, antes de qualquer outra providência.

 

MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/07). É autora de artigos em publicações nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuroaprendizagem – irenemaluf@uol.com.br

OUTROS OLHARES

BRINCADEIRA É COISA SÉRIA

Brincar é a melhor forma de aprender diversas matérias, desenvolver inúmeras aptidões e até controlar alguns distúrbios.

Bribcadeira é coisa séria

Parece brincadeira, mas a afirmação que farei a seguir é séria: brincar é a melhor forma de aprender diversas matérias, desenvolver inúmeras aptidões e até controlar alguns distúrbios. E a afirmação aprofunda-se para salientar que uma criança que não brinca pode até desenvolver algum distúrbio e o próprio fato de não brincar pode acusar um distúrbio. Complexo? Talvez, porém muito verdadeiro. É a base de uma ferramenta de atuação que desenvolvi há quase 20 anos, mas continua muito atual e sempre trouxe excelentes resultados tanto em clínicas quanto em escolas. E pode-se ir além da infância. Na verdade, o ato de brincar pode e deve acompanhar o indivíduo por toda a sua vida. Obviamente, deve-se adaptar as brincadeiras para cada faixa etária. Mas, seja qual for a idade, o ato de brincar estimula muitos canais de aprendizagem e desenvolvimento. É um poderoso auxiliar no controle de diversos distúrbios.

 O QUE É BRINQUEDOTECA?

A brinquedoteca pode ser definida como um espaço lúdico, onde as crianças podem brincar de forma livre e também direcionada, e isso estimula a criatividade e desenvolve habilidades cognitivas, estendendo-se também às motoras. Embora se apresente como um espaço para um ambiente de brincadeira livre e sem pressões, é possível aliar esse ambiente a outros recursos, que passarão a estimular os pequenos de forma a aprender brincando. É essa a “mágica” da brinquedoteca, em que as crianças são levadas a brincar de diversas formas e, como resultado, passam a apresentar melhora na aprendizagem, na concentração, na socialização, na percepção do mundo, enfim, em diversos segmentos. O brinquedo passa a ter, além da diversão, um objetivo a mais que é estimular o desenvolvimento intelectual, emocional e social.

ESPAÇO ESCOLAR

Como o nome já diz, é uma brinquedoteca que funciona dentro de uma escola. Este tipo de brinquedoteca busca no brincar uma forma de construir a identidade e estimular a autonomia das crianças pequenas. Ao brincar, a criança vai se expressando, desenvolvendo a linguagem e trocando informações e experiências com outras crianças, e isso estimula também a aprendizagem. Em geral, esse tipo de brinquedoteca oferece diversos cantinhos, ou seja, o cantinho da leitura, o cantinho das colagens, o cantinho dos jogos, enfim, cada brinquedoteca desenvolve seus “cantinhos” de acordo com seu espaço disponível e com as crianças que se uti­ lizarão dela.

MODELO HOSPITALAR

Como já se percebe pelo nome, esse tipo de brinquedoteca, além do brincar, busca a interação. Também pode incentivar o emocional das crianças, suprindo carências que elas desenvolvem pela internação ou pelo próprio distúrbio que apresentam. Desde 1971, quando a primeira brinquedoteca considerada hospitalar foi realizada pela APAE- SP – Brasil, foram muitos anos de implantação até que, em 21 de março de 2005, pela Lei nº 11.104, tornou­ se obrigatório que os hospitais com atendimento pediátrico em regime de internação ofereçam também brinquedotecas. Isso pode amenizar traumas, estimular o desenvolvimento físico e psicológico e auxiliar no tratamento motivo da internação.

 APRENDIZAGEM NO BRINCAR

Pode-se dizer que é uma forma intermediária entre a brinquedoteca lúdica e a hospitalar. A brinquedoteca aliada à aprendizagem traz uma série de exercícios, brincadeiras e brinquedos estimuladores da aprendizagem e da alfabetização. Essa ideia nasceu em 1997, quando eu conheci a brinquedoteca do Instituto da Criança FMUSP e notei que seria possível adaptar o método hospitalar para a aprendizagem e alfabetização de disléxicos, disgráficos e outras crianças com dificuldades de aprendizagem.

 PARA HAVER INCLUSÃO

Essas duas formas de atuação em brinquedoteca fundem-se na medida em que as duas têm objetivo principal de estimular a aprendizagem. Porém, deve-se entender que a brinquedoteca aliada à aprendizagem se divide em estímulo na alfabetização de crianças consideradas com desenvolvimento normal e estímulo da aquisição da aprendizagem em crianças que apresentam dificuldades significativas de aprendizagem, como dislexia, disgrafia, entre outros distúrbios. Enquanto isso, a brinquedoteca inclusiva busca desenvolver as aptidões de crianças e adolescentes com deficiências físicas ou mentais.

Na brinquedoteca inclusiva, os estímulos vão além da aprendizagem, pois a busca é por desenvolver aptidões em crianças com deficiências físicas e/ou intelectuais. Dessa forma, os brinquedos, jogos e brincadeiras são mais voltados aos estímulos de cor, movimentos, percepções, exercícios de concentração, sons diversos e outros estímulos que podem melhorar os sintomas e características de diversos distúrbios, síndromes e transtornos como autismo, down, entre outros. Também busca desenvolver com brinquedos, jogos e brincadeiras as habilidades físicas das pessoas com deficiência física, como andar, gesticular, se movimentar, entre outros.

Há uma grande diferença entre brinquedo e brincar e, dentro desse assunto, a brinquedoteca vem somar um terceiro item importantíssimo. Desde a montagem até o uso correto de cada brinquedo ou instrumento, tudo deve ser bem elaborado e definido para que se consigam os melhores e mais rápidos resultados.

É preciso também entender e saber desenvolver cada brincadeira de acordo com a faixa etária e a necessidade de cada criança ou grupo de crianças. E, no caso de se alfabetizar uma criança (ou grupo de crianças), há várias formas de adaptar a brincadeira, tornando o período de alfabetização prazeroso e produtivo.

Para isso, obviamente, é preciso um bom treinamento do profissional de saúde ou professor (ou mesmo pai que queira ajudar seu filho a se desenvolver satisfatoriamente) e, pensando nisso, há dez anos eu elaborei um curso on-line, “Brinquedoteca aliada à aprendizagem”, que ensina passo a passo a montagem de uma brinquedoteca, as diversas formas de utilizá-la, funções do brinquedo, do brincar e da brinquedoteca, como ensinar matemática ou alfabetizar com brinquedos, como desenvolver as diversas inteligências por intermédio dos brinquedos e diversos outros tópicos que contribuirão para o aprimoramento dos participantes, tornando-os aptos a comandar uma brinquedoteca e aliá-la à aprendizagem e detecção de problemas ou distúrbios de aprendizagem.

 Brincadeira é coisa séria2

ENTRE AS CRIANÇAS

Na criança especificamente é possível desenvolver desde percepções visuais, auditivas e táteis até a própria aprendizagem e, em caso de haver algum distúrbio. é possível detectá­lo e até tratá-lo com o auxílio de brinquedos e brincadeiras. A utilização correta dos brinquedos jogos e brincadeiras pode facilitar a aprendizagem tanto de crianças consideradas com desenvolvimento normal quanto daquelas que apresentam algum distúrbio de aprendizagem E é possível montar uma brinquedoteca com brinquedos usados ou reciclados.

Brincadeira é coisa séria3

REGISTROS DA PRIMEIRA BRINQUEDOTECA

O surgimento da brinquedoteca ocorreu por volta de 1934, justamente na época da grande depressão econômica que castigou a população norte-americana.

Os primeiros registros de uma brinquedoteca são da cidade de Los Angeles, em um local que ficou conhecido como Toy Loam. No Brasil, o Centro de Habilitação da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE de São Paulo foi inaugurado em 1971, quando foi realizada uma grande exposição de brinquedos pedagógicos. Isso antecedeu a implantação, no ano de 1973, do Sistema de Rodízio de Brinquedos e Materiais Pedagógicos, em que todos os brinquedos foram centralizados e passaram a ser usados nos moldes de uma biblioteca circulante. E, em 1984, foi fundada a ABB (Associação Brasileira de Brinquedoteca).

 

LOU DE OLIVIER – é multiterapeuta, psicopedagoga, psicoterapeuta, especialista em Medicina Comportamental, bacharel em Artes Cênicas e Artes Visuais. Detectora do distúrbio da dislexia adquirida/Acquired Dyslexia, precursora da Multiterapia, introdutora da Brinquedoteca aliada à aprendizagem no Brasil e Europa e criadora do método Terapia do Equilíbrio Total/Universal. http://loudeolivier.com

GESTÃO E CARREIRA

CONSELHOS SOB MEDIDA

Criar um time de mentores e pares de confiança ajuda a tomar decisões melhores e a transformar você no protagonista da sua carreira.

Conselho sob medida

Quando recebeu o contato de um headhunter oferecendo uma vaga, Rafael Zanon, de 35 anos, ouviu a proposta com atenção.

Administrador por formação, ele vinha de uma carreira de seis anos na Vale, onde atuava com planejamento estratégico para a área de logística. O convite era para se tornar consultor de planejamento estratégico na Votorantim Energia – área com a qual nunca tinha atuado. A proposta exigia, também, que ele se mudasse de Vitória, no Espírito Santo, onde estava baseado, para a capital paulista. A sugestão era interessante do ponto de vista de carreira, pois significava um novo desafio e, também, uma promoção. Mas a decisão não foi simples. Para tomá-la, Rafael fez o que muitos profissionais conscientes têm feito: acionar um conselho pessoal – que nada mais é do que uma rede de pessoas nas quais se confia e que pode dar sugestões e fazer avaliações sobre questões delicadas, como uma mudança de emprego. “Foi uma decisão difícil porque eu tinha um horizonte bom na Vale e correria o risco de atuar em uma área na qual não sou especialista”, diz Rafael. “Por isso, conversei com alguns contatos nos quais confio muito, como um amigo que é diretor de uma multinacional e já foi headhunter, e colegas mais jovens.” Com várias opiniões na cabeça, Rafael conseguiu fazer uma análise mais completa e aceitou a proposta com tranquilidade. “Levei quase um mês para decidir e conversei com seis pessoas. Isso me ajudou a ter certeza de que estava dando o passo certo”, afirma Rafael.

Quem tem, como Rafael, um time de conselheiros pessoais está um passo à frente, pois se comporta como protagonista da própria carreira. “Se, até um tempo atrás, esse papel era das empresas, hoje, quem tem que direcionar os passos profissionais é o próprio indivíduo”, diz Anderson Sant’Anna, professor de gestão empresarial da Fundação Dom Cabral, de Minas Gerais. Nesse sentido, ter um grupo com o qual se possa conversar sobre questões do trabalho é fundamental – afinal, as decisões estão nas suas mãos, e não mais nas mãos do RH da companhia para a qual você trabalha. “Se você for observar as declarações e entrevistas de grandes líderes, vai notar que sempre há a menção a pessoas que foram importantes em suas trajetórias”, diz Adriana Prates, presidente da Dasein Executive Search, empresa de recrutamento executivo, de Belo Horizonte. Essas pessoas nada mais são do que conselheiras individuais.

OUVIDOS ABERTOS

Pode parecer algo complexo, mas montar um time de conselheiros que consiga ser acionado facilmente em vários momentos não é tão complicado assim. O primeiro passo é encontrar as pessoas certas dentro do seu círculo de contatos. “No começo, pode ser com a família, ouvindo os parentes que têm opiniões importantes para você”, diz José Augusto Minarelli, sócio da Lens & Minarelli, consultoria de recolocação profissional, de São Paulo. “O importante é não ficar sozinho em momentos difíceis, como os de transição de carreira.” Para entender quem pode, ou não, ajudar você com opiniões relevantes, é necessário ouvir – só assim você vai perceber quais pessoas são melhores para dar opinião sobre cada assunto específico e vai conseguir criar, aos poucos, uma equipe sólida de conselheiros. Vá lá e converse com as pessoas, sem preconceito. Esse é um modo bastante interessante de criar redes, conhecer diferentes histórias de vida e criar possíveis afinidades.

E isso pode estar em qualquer lugar. É comum, claro, que os profissionais encontrem conselheiros nos locais em que passam mais seu tempo, como no trabalho ou na universidade. Nesses casos, a convivência ajuda a entender quais são as pessoas com as quais você pode contar, quais delas dão abertura para conversas desse tipo e quais podem ajudá-lo em assuntos específicos. A rede é montada naturalmente e, no início, a afinidade pode falar um pouco mais alto. “É preciso encontrar profissionais com valores semelhantes aos seus e, a partir daí, cultivar um relacionamento em que se dá e se recebe”, afirma Andreza Venício, sócia da Fors & Yamaguti, consultoria especializada em coaching, de São Paulo.

 OPINIÕES DIVERSAS

Embora o alinhamento com os valores seja importante, é necessário, também, que haja uma diversidade de opiniões entre os conselheiros. Só assim será possível fazer uma análise completa da questão a ser tratada. “A pior coisa que pode acontecer é ter um time que fale apenas o que você quer ouvir”, afirma Anderson. Isso é uma armadilha, pois, para tomar boas decisões é preciso estar atento a diversos fatores – inclusive aqueles que mostram que aquilo que se está propenso a decidir pode ser mais negativo do que positivo. Rafael Zanon, da Votorantim Energia, fez questão de ouvir seis pessoas de diferentes níveis hierárquicos e idades antes de bater o martelo e mudar de emprego – algumas das opiniões eram bem diferentes entre si. “Havia pessoas dizendo que era arriscado demais assumir uma nova posição em um momento delicado da economia. Outras afirmavam que seria um desafio importante para a minha carreira. Levei essas provocações em consideração antes de dar minha resposta”, diz Rafael.

Claro que só ouvir opiniões varia- das não é bastante. É preciso trabalhar o autoconhecimento quando for raciocinar. O bom é que pedir conselhos ajuda a treinar essa competência porque, quanto mais você ouve, mais ferramentas você tem para entender o que quer e o que não quer fazer. Isso aconteceu com Rafael Tchintchicas, de 32 anos, especialista em relacionamento com cliente, vendas e service-desk na área de tecnologia. Ao longo de sua trajetória, ele conseguiu cultivar uma equipe de conselheiros com os quais conversa, de tempos em tempos, para definir novos rumos de carreira. “Ouvir os outros opinando fez com que eu aprimorasse meu autoconhecimento e entendesse melhor por que eu gostava ou não de determinada coisa”, diz Rafael Tchintchicas. Ele escutou seus conselheiros, por exemplo, para determinar que, agora, era a hora de sair da Salesforce, empresa de TI na qual ficou por dois anos, e direcionar sua carreira para o exterior. Para isso, dividiu seu desejo com conselheiras muito próximas, como Tatiana Batistella, que foi sua gerente há alguns anos, e Isabel Whitaker, com quem trabalhou na Symantec. Além da amizade que travou com elas, Rafael acredita que os conselhos só são efetivos porque ele mostrou, na época em que trabalhavam lado a lado, que era um profissional no qual valia a pena acreditar. “Não adianta ter só afinidade, você precisa demonstrar resultados para que o outro perceba que você pode se desenvolver”, afirma. “Simpatia não basta, é preciso ter também algum tipo de contrapartida.”

MÃO DUPLA

Algo interessante que costuma acontecer com quem cria conselhos pessoais é que, em algum momento, esse profissional será incluído no rol de conselheiros de outra pessoa. Isso ocorreu com

Rafael Tchintchicas, que, hoje, acaba aconselhando outros colegas. “É uma escadinha: quem tem menos experiência do que eu, me acessa, porque eu dou abertura para esse tipo de coisa”, diz Rafael. Essa é mesmo a regra básica do relacionamento que dá certo: as trocas e as entregas precisam ser uma via de mão dupla. “Para que o networking funcione, você tem que ter um interesse genuíno no outro, não pode só pedir e nunca querer dar nada em troca”, afirma José Augusto Minarelli. Por isso, quando pedir conselhos, coloque-se à disposição para também aconselhar quando preciso – como você, outras pessoas podem estar sofrendo para dar o próximo passo e precisando da ajuda de alguém. “Uma decisão pode arrasar ou alavancar sua vida, então nutra a sua rede de conselheiros, falando e escutando sempre”, afirma Adriana.

  5 PASSOS PARA FORMAR O SEU CONSELHO

 1 – EVITE PRECONCEITOS

Opiniões valiosas podem vir de qualquer pessoa, por isso, não restrinja a consulta apenas a profissionais com cargos altos. Alguém com menos experiência do que você pode destacar um ponto de vista diferente e interessante.

 2 – OUÇA ANTES DE FALAR

Em vez de ir contra uma visão muito diferente da sua, escute. A diversidade de olhares ajuda a ponderar e, consequentemente, a tomar decisões melhores.

 3 – ENCONTRE UM EQUILÍBRIO

Para que um conselho seja efetivo, você precisa encontrar pessoas com histórias de vida variadas. É importante ter gente que entenda do seu negócio e, também, gente que tenha uma visão de mundo completamente diferente.

 4 – FAÇA ISSO CONSTANTEMENTE

A prática leva à perfeição e, quando se trata de relacionamentos, é preciso cultivar constantemente a proximidade com as pessoas que fazem parte do seu conselho.

5 – MOSTRE-SE DISPONÍVEL

O conselho é uma via de mão dupla. Além de pedir opiniões, deixe claro que você também pode dar sugestões, caso seja necessário. Quanto mais aberto você for, mais chances de criar boas conexões.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 1: 19-28

Alimento diário

O Testemunho de João a respeito de Cristo / João é interrogado pelos Sacerdotes

 

Aqui temos o testemunho de João, que ele transmitiu aos mensageiros enviados de Jerusalém para interrogá-lo. Observe aqui:

I – Quem enviou, e quem foi enviado a João:

1. Aqueles que enviaram foram os judeus de Jerusalém, o grande Sinédrio, ou tribunal supremo, cuja sede estava em Jerusalém. Este tribunal era o representante da religião judaica, e tomava conhecimento de todas as questões relacionadas à religião. Poderíamos pensar que aqueles que eram as fontes de conhecimento, e os guias da igreja, deveriam, por livros, ter compreendido os tempos tão bem, a ponto de saber que o Messias era chegado, e, por isto, deveriam imediatamente ter conhecido aquele que era seu precursor, e prontamente deveriam tê-lo aceito. Mas, em vez disto, eles enviaram mensageiros para interrogá-lo. O aprendizado secular, a honra e o poder raramente tornam as mentes dos homens dispostas à recepção da luz divina.

2. Os que foram enviados eram:

(1) “Sacerdotes e levitas”, provavelmente membros do conselho, homens de erudição, seriedade e autoridade. João Batista era também um sacerdote da semente de Arão, e, portanto, não era adequado que ele fosse interrogado por ninguém, exceto sacerdotes. A respeito do ministério de João, foi profetizado que ele purificaria os Filhos de Levi (Malaquias 3.3), e por isto eles tinham inveja dele e da sua reforma.

(2) Eles eram dos “fariseus”, orgulhosos, juízes de si mesmos, que pensavam não precisar de arrependimento, e por isto não podiam suportar alguém cujo ofício era pregar o arrependimento.

II – Em que missão foram enviados: para perguntar sobre João e seu batismo. Eles não tinham ordenado que levassem João até eles, provavelmente porque temiam o povo, para que o povo, onde João estava, não fosse provocado a um tumulto, ou para que as pessoas onde eles estavam não fossem levadas a conhecê-lo. Eles acreditavam que era bom mantê-lo à distância. Eles investigaram sobre ele:

1. Para satisfazer em sua curiosidade. Como os atenienses inquiriram a respeito da doutrina de Paulo, pelo seu aspecto de novidade, Atos 17.19,20. Tal era o convencimento orgulhoso que eles tinham a seu próprio respeito, que a doutrina do arrependimento lhes era uma doutrina estranha.

2. Para mostrarem sua autoridade. Eles pensaram que pareceriam importantes quando o convocassem para dar explicações, quando inquirissem aquele a quem todos os homens consideravam como profeta, e o denunciassem no seu tribunal.

3. Foi com um desígnio de contê-lo e silenciá-lo, se encontrassem algum fundamento para isto, pois eles sentiam inveja do crescente interesse que ele despertava, e seu ministério não estava de acordo, nem com a dispensação mosaica, sob a qual eles tinham estado durante muito tempo, nem com as noções que eles tinham formado sobre o reino do Messias.

 

III – Qual foi a resposta que ele lhes deu, e sua explicação, tanto de si mesmo quanto do seu batismo, nas quais ele testificou de Cristo.

1. A respeito de si mesmo, e o que ele professou ser. Eles lhe perguntaram: – Quem és? A aparição de João no mundo foi uma surpresa. Ele esteve no deserto até o dia em que se apresentou a Israel. Seu espírito, suas palavras, sua doutrina, tinham algo que exigia e obtinha respeito, mas ele não aparentava, como fazem os enganadores, ser alguém grandioso. Ele estava mais empenhado em fazer o bem do que em parecer grandioso, e, portanto, evitava dizer qualquer coisa a seu respeito, até que foi legalmente interrogado. Falam melhor por Cristo aqueles que menos falam de si mesmos, cujas próprias obras, e não seus próprios lábios, são seus elogios. Ele responde ao seu interrogatório:

(1) De forma negativa. Ele não era aquele grandioso que alguns pensavam que ele era. As testemunhas fiéis de Deus levantam mais sua guarda contra o respeito indevido do que contra o desprezo injusto. Paulo escreve tão calorosamente contra aqueles que o supervalorizavam, e diziam: “Eu sou de Paulo”, como contra aqueles que o subvalorizavam, e diziam que sua presença corpórea era fraca, e ele rasgou suas vestes quando foi chamado de deus.

[1] O próprio João nega ser o Cristo (v. 20). Ele disse: “Eu não sou o Cristo”, que agora era tão esperado. Observe que os ministros de Cristo devem se lembrar de que não são Cristo, e por isto não devem usurpar seus poderes e suas prerrogativas, nem receber os louvores devidos somente a Ele. Eles não são Cristo, e por isto não devem ter soberania sobre a herança de Deus, nem pretender um domínio sobre a fé dos cristãos. Eles não podem criar graça ou paz. Eles não podem iluminar; converter, restaurar ou consolar, pois eles não são Cristo. Observe com que ênfase isto está aqui expresso a respeito de João: “Confessou e não negou; confessou”. Isto evidencia sua veemência e fidelidade ao fazer este protesto. Observe que as tentações para orgulhar-nos, e recebermos a honra que não nos pertence, devem ser resistidas com uma grande dose de vigor e sinceridade. Quando João foi considerado o Messias, ele não foi conivente com isto, com um “Se as pessoas quiserem ser enganadas, que sejam. Mas, abertamente e solenemente, sem nenhuma ambiguidade, ele confessou: “Eu não sou o Cristo”. “Há outro que é chegado, e é Ele, mas eu não sou”. O fato dele ter negado que era o Cristo foi classificado como uma confissão, e não como uma negação de Cristo. Observe que aqueles que se humilham, desta maneira, confessam a Cristo, e dão honra a Ele, mas aqueles que não negam a si mesmos, na verdade, negam a Cristo.

[2] Ele próprio nega ser Elias, v. 21. Os judeus esperavam que Elias voltasse do céu, e vivesse entre eles, e prometeram a si mesmos grandes coisas quando isto acontecesse. Ouvindo a respeito do caráter de João, da sua doutrina e do seu batismo, e observando que ele apareceu como alguém vindo do céu, na mesma região do país da qual Elias foi levado ao céu, não é de admirar que eles estivessem prontos a tomá-lo por este Elias. Mas João também recusou esta honra. Ele, na verdade, havia sido profetizado sob o nome de Elias (Malaquias 4.5), e ele veio no espírito e virtude de Elias (Lucas 1.17), e era o Elias que havia de vir (Mateus 11.14), mas ele não era a pessoa de Elias, nem aquele Elias que subiu ao céu em um carro de fogo, aquele que encontrou a Cristo na sua transfiguração. Ele era o Elias que Deus tinha prometido, não o Elias sobre o qual eles tinham, tolamente, sonhado. Elias já veio, e não o conheceram (Mateus 17.12). Ele nem se fez conhecer como sendo Elias, porque eles tinham prometido a si mesmos um Elias completamente diferente daquele que Deus lhes havia prometido. [3] Ele nega ser aquele profeta, ou o profeta. Em primeiro lugar, ele não era aquele profeta que Moisés disse que o Senhor levantaria do meio dos seus irmãos, semelhante a ele. Se eles se referiam a isto, não precisavam fazer esta pergunta, pois este profeta mencionado por Moisés era o Messias, e João já tinha dito: “Eu não sou o Cristo”. Em segundo lugar, ele não era um profeta como eles esperavam e desejavam, que, como Samuel e Elias, e alguns dos outros profetas, interferiria nas questões públicas, e os libertaria do jugo romano. Em terceiro lugar, ele não era um dos antigos profetas ressuscitado, como esperavam, alguém que viesse antes do Messias, e que fosse como Elias. Em quarto lugar, embora João fosse um profeta, na verdade mais do que um profeta, ele tinha tido sua revelação, não por sonhos e visões, como os profetas do Antigo Testamento tiveram as suas. Sua comissão e obra eram de outra natureza, e pertenciam a outra revelação. Se João tivesse dito que era Elias, e que era um profeta, ele poderia ter provado suas palavras, mas os ministros devem, em todas as ocasiões, expressar-se com extremo cuidado, tanto para não confirmar as pessoas em nenhum engano, como, especialmente, para que não deem oportunidade para que ninguém pense, a seu respeito, além do que é devido.

(2) De forma afirmativa. O comitê que foi enviado para interrogá-lo insistiu em uma resposta afirmativa (v. 22), insistindo na autoridade daqueles que os tinham enviado, aos quais eles esperavam que ele mostrasse alguma honra: “‘Diga-nos: Quem és?’ Não para que possamos crer, e ser batizados por ti, mas para que demos resposta àqueles que nos enviaram, e que não se diga que fomos enviados em uma missão tola”. João era considerado um homem sincero, portanto, eles acreditavam que ele não daria uma resposta evasiva ou ambígua, mas seria justo e autêntico, e daria uma resposta clara a uma pergunta clara: “Que dizes de ti mesmo?” E ele fez assim: “Eu sou a voz do que clama no deserto”. Observe:

[1] Ele dá sua resposta com as palavras das Escrituras, para mostrar que as Escrituras se cumpriam nele, e que seu trabalho era sustentado por uma autoridade divina. Aquilo que as Escrituras dizem sobre o ofício do ministério deve estar sempre no pensamento daqueles que têm esta elevada vocação, que devem se considerar como aquilo, e somente aquilo, que a Palavra de Deus os torna.

[2] Ele dá sua resposta com expressões muito humildes, modestas e abnegadas. Ele decide aplicar a si mesmo as Escrituras que evidenciam não sua dignidade, mas seu dever e dependência, que dão alguns indícios a seu respeito: “Eu sou a voz”, como se ele fosse “uma mera voz”.

[3] Ele dá tal explicação de si mesmo de modo que seja proveitosa para eles, e possa estimulá-los e despertá-los a ouvi-lo, pois ele era a voz (veja Isaias 40.3), uma voz para despertar, uma voz expressiva para instruir. Os ministros são apenas a voz, o veículo, pelo qual Deus se agrada em transmitir seu pensamento. O que o apóstolo Paulo e Apolo são, senão mensageiros? Observe que, em primeiro lugar, Ele é uma voz humana. As pessoas estavam preparadas para receber a lei pela voz de trovões, e uma trombeta excessivamente alta, de modo a fazê-las tremer. Mas elas foram preparadas para o Evangelho pela voz de um homem como nós, uma voz “mansa e delicada”, como aquela com que Deus veio a Elias, 1 Reis 19.12. Em segundo lugar, Ele é a voz do que clama, o que evidencia:

(1) Sua veemência e insistência ao chamar o povo ao arrependimento. Ele clamava, e não se poupava. Os ministros devem pregar com seriedade, e como aqueles que estão tocados, eles mesmos, por aquelas coisas com as quais desejam tocar os outros. As palavras que se congelam entre os lábios de quem fala certamente não derreterão os corações dos ouvintes.

(2) Sua divulgação aberta da doutrina que ele pregava. Ele era a voz do que clama, para que todos os tipos de pessoas pudessem ouvir e perceber. “Não clama, porventura, a Sabedoria?” (Provérbios 8.1). Em terceiro lugar, era no deserto que esta voz clamava, em um lugar de silêncio e solidão, fora do ruído do mundo e da pressa dos negócios. Quanto mais retirados do tumulto dos assuntos seculares estivermos mais preparados estaremos para ouvir a respeito de Deus. Em quarto lugar, o que ele clamava era: “Endireitai o caminho do Senhor”. Isto é:

1. 2Ele veio para corrigir os enganos do povo a respeito dos caminhos de Deus. É certo que são caminhos retos, mas os escribas e fariseus, com seus acréscimos corruptos à lei, os tinham tornado tortos. Agora, João Batista conclama as pessoas ao retorno à regra original.

2. Ele veio para preparar e predispor as pessoas para a recepção de Cristo e do seu Evangelho. Esta é uma alusão aos arautos de um príncipe ou nobre, que clamam: “Abram caminho”. Observe que quando Deus vem em nossa direção, nós devemos nos preparar para recebê-lo, e deixar que a palavra do Senhor tenha caminho livre. Veja Salmos 24.7.

3. Aqui está seu testemunho a respeito do seu batismo.

(1)  A pergunta que o comitê lhe fez a respeito do seu batismo: “Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?” v. 25.

[1] Eles prontamente entenderam que o batismo era usado adequadamente como uma cerimônia ou rito sagrado, pois a igreja judaica o tinha usado com a circuncisão na admissão de prosélitos, para indicar sua purificação das contaminações no seu estado anterior. Alguns pensam que este símbolo foi usado na igreja cristã para que ela pudesse ser mais aceitável. Mas não devemos nos esquecer de que o batismo foi instituído pelo próprio Senhor Jesus Cristo (Mateus 28.19). Ele não se influenciava pelas inovações, e seus ministros também não devem se influenciar por elas.

[2] Eles esperavam que ele fosse usado nos tempos do Messias, porque havia a promessa de que então haveria uma fonte aberta (Zacarias 13.1), e água pura seria espalhada (Ezequiel 36.25). Acei­ta-se como fato verdadeiro que Cristo, e Elias, e aquele profeta batizariam, quando viessem para purificar um mundo corrompido. A justiça divina tinha afogado o mundo antigo na sua imundícia, mas a graça divina tinha possibilitado que este novo mundo se limpasse da sua sujeira.

[3] Eles desejavam, por isto, saber com que autoridade João batizava. O fato de que ele negasse ser Elias, ou aquele profeta, sujeitou-o a esta pergunta adicional: “Por que batizas?” Observe que não é novidade que a humildade de um homem se volte contra ele, e contribua para o preconceito contra ele. Mas é melhor que os homens se aproveitem dos nossos pensamentos humildes a nosso próprio respeito, para nos espezinhar, do que o Diabo se aproveite dos nossos pensamentos elevados a nosso próprio respeito, para nos tentar ao orgulho e nos arrastar à mesma condenação que ele sofrerá.

(2)  A explicação que ele deu a respeito do seu batismo, vv. 26,27.

[1] Ele reconhecia ser somente o ministro do sinal exterior: “Eu batizo com água”, e isto é tudo. “Eu não sou nada, e não faço nada além daquilo que vocês podem ver; eu não tenho outro título, além de João Batista; eu não posso conceder a graça espiritual que o batismo representa”. Paulo preocupou-se que ninguém pensasse dele mais do que viam que ele era (2 Coríntios 12.6). Assim era João Batista. Os ministros não devem parecer ser mestres.

[2] Ele indicou-lhes aquele que era maior do que ele mesmo, e que faria por eles, se eles assim o desejassem, o que ele não podia fazer: “Eu batizo com água, e este é o máximo alcance da minha comissão. Eu não tenho nada a fazer, exceto, com isto, conduzir vocês até aquele que vem após mim, e confiá-los a Ele”. Observe que a maior tarefa dos ministros de Cristo é conduzir todas as pessoas a Ele. Nós não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor. João deu a este comitê a mesma explicação que ele tinha dado ao povo (v. 15): “Este era aquele de quem eu dizia”. João era constante e uniforme no seu testemunho, não como uma cana agitada pelo vento. O Sinédrio tinha inveja do interesse que ele despertava no povo, mas ele não tem receio de dizer-lhes que há alguém, à porta, que irá além dele. Em primeiro lugar, ele lhes fala da presença de Cristo, entre eles, agora, nesta época: “No meio de vós, está um a quem vós não conheceis”. Cristo estava no meio das pessoas comuns, e era uma delas. Observe:

1. Há muita coisa realmente importante oculta neste mundo. A obscuridade é frequentemente o que cabe à excelência verdadeira. Os santos são os protegidos de Deus (Salmos 83.3), de modo que o mundo não os conhece.

2. O próp1io Deus frequentemente está mais próximo de nós do que temos consciência. “O Senhor está neste lugar, e eu não o sabia”. Eles observavam, na expectativa do Messias: “Ei-lo aqui!” ou: “Ei-lo ali!”, quando o reino de Deus já estava entre eles, Lucas 17.21. Em segundo lugar, ele lhes fala da superioridade de Cristo sobre si mesmo: Ele “vem após mim” e “foi antes de mim”. Isto ele tinha dito anteriormente. Aqui, ele acrescenta: “Do qual eu não sou digno de desatar as correias das sandálias”. “Eu não sou digno de ser mencionado no mesmo dia em que Ele. E uma honra grande demais para mim pretender exercer o trabalho mais humilde para Ele”, 1 Samuel 25.41. Aqueles para quem Cristo é precioso, consideram seu serviço a Ele, até mesmo as tarefas mais desprezíveis, como uma honra para si mesmos. Veja Salmos 84.10. Se um homem tão grandioso como João se considerava indigno da honra de estar próximo a Cristo, como indignos, então, de tamanha honra, nós deveríamos nos considerar! Poderíamos pensar que estes principais dos sacerdotes e fariseus, depois desta indicação a respeito da chegada e da proximidade do Messias, deveriam imediatamente ter perguntado quem era esta excelente pessoa, e onde estava. E quem melhor poderia dizer-lhes, do que aquele que lhes tinha dado este aviso? Não, eles não pensaram que isto fizesse parte dos seus interesses ou de suas preocupações. Eles tinham vindo para perturbar João, e não para receber nenhuma instrução dele, de modo que sua ignorância era voluntária. Eles podiam ter conhecido a Cristo, e não quiseram.

Finalmente, é mencionado o lugar onde tudo isto aconteceu: “Em Betânia, do outro lado cio Jordão”, v. 28. Betânia quer dizer “casa de passagem”. Alguns pensam que era o mesmo lugar onde Israel transpôs o Jordão, rumo à terra prometida, sob a liderança de Josué. Estava aberto o caminho para a nação do Evangelho, por Jesus Cristo. Havia uma grande distância até Jerusalém, do outro lado do Jordão. Provavelmente João pregasse aqui porque o que ele fizesse aqui seria menos ofensivo para o governo. Amós deve ir profetizar no interior, não perto da corte. Mas era triste que Jerusalém afastasse tanto de si as coisas que pertenciam à sua paz. Ele fez esta confissão no mesmo lugar onde estava batizando, para que todos os que buscavam seu batismo pudessem ser testemunhas dela, e ninguém pudesse dizer que não sabia o que pensar dele.