PSICOLOGIA ANALÍTICA

SINCRONIA NA DOR

Sincronia na dor

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Colorado Boulder (EUA) e da Universidade de Haifa, Israel, descobriu que a empatia de um parceiro num momento de dor física, manifestada por meio de toque físico (mãos dadas), reconforta a mulher e melhora o sintoma. O fenômeno seria promovido por uma sincronia de ondas cerebrais que ocorre entre o casal nesse momento – e quanto mais sincronizam, mais a dor diminui e tende a desaparecer.

Ao todo, 22 casais heterossexuais, de 23 a 32 anos, foram selecionados como voluntários da pesquisa. Trata-se de parceiros que estiveram juntos por pelo menos um ano, que foram solicitados a se expor em diversos cenários, que envolviam algum ou nenhum toque físico entre eles. Tais situações se repetiram com a parceira sofrendo algum estímulo doloroso. As atividades cerebrais dos casais foram medidas por eletroencefalografia (EEG).

Entre os casais, somente em presença um do outro, com ou sem toque, houve alguma sincronia de ondas cerebrais na banda alfa mu, um comprimento de onda associado à atenção dirigida. Quando eles mantinham as mãos dadas enquanto a parceira sentia dor, a sincronia mostrava-se mais intensa. No momento de dor, a ausência do toque do parceiro também foi associada a menor sincronia de ondas cerebrais.

O mecanismo cessador ativado no experimento ainda não foi decifrado, sendo evidente apenas a relação causa-efeito entre os fenômenos. Os pesquisadores também alertam para o fato de que esses resultados podem variar entre casais de natureza homossexual, sendo necessários outros experimentos para averiguá-los. O mesmo vale para um experimento em que o homem seja o voluntário a receber estímulos dolorosos e a empatia da parceira.

OUTROS OLHARES

AVATAR DO CÂNCER

Médicos recriam, em animais, os tumores dos pacientes. O modelo é usado para testar os remédios mais eficazes para cada caso

Avatar do câncer

Uma experiência pioneira no Brasil está sendo conduzida no Hospital A e Camargo Câncer Center, em São Paulo. Lá, pacientes começam a ter adicionado ao tratamento um recurso que vem sendo chamado de “avatar do câncer”. Uma amostra do tumor de cada um é reproduzida e cresce implantada em um camundongo, sob a pele ou no órgão correspondente do animal. funcionando como um espelho da doença. Em casos difíceis, a estratégia é valiosa. Por meio dela, os médicos podem experimentar contra aquele tumor específico remédios que podem ser mais eficazes e observar seu comportamento, inclusive agressividade, mas de forma que o corpo do paciente fique preservado de eventuais prejuízos que as tentativas possam trazer.

A aplicação clínica no A e Camargo começou há cerca de um ano e meio, em pacientes com tumores tradicionalmente mais agressivos, como melanoma (tipo de câncer de pele) e algumas variedades de tumor de rim.  “O trabalho é inicial, mas os resultados são muito interessantes”, afirma a médica Vilma Regina Martins, superintendente de pesquisas da instituição, referência no combate à enfermidade no País.

O que anima os médicos são especialmente as respostas que podem ser observadas em relação aos medicamentos. No avatar são testadas medicações novas, em geral com tempo de uso mundial insuficiente para conclusões definitivas sobre sua eficácia de maneira generalizada. Além disso, em muitos casos esses remédios funcionam muito bem para um paciente, mas não dão resultado, ou pelo menos não tão bons, para outro, apesar de o tipo de tumor ser o mesmo. “Os minis tumores fazem parte da oncologia de precisão. Quanto mais personalizado o tratamento, melhor”, explica Luiz Henrique Araújo, pesquisador do Instituto Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro. Em trabalho recente, o médico George Vlachoginannis, do Instituto de Pesquisa do Câncer, de Londres, atestou a eficácia do recurso. “Os modelos em animais funcionam como o tumor do humano. Por isso, são muito eficientes para que possamos estimar as reações dos pacientes”, disse.

ESPELHO PERFEITO

Como são feitas as amostras

  • São extraídas células do tumor do paciente
  • São injetadas em camundongos, de preferência no órgão correspondente ao atingido no paciente.
  • Após um período variável, o animal desenvolve tecido tumoral bastante semelhante ao registrado no doente.

GESTÃO E CARREIRA

CAIU NA REDE

As empresas estão aderindo a plataformas de mídia social internas para dar mais agilidade aos processos e rapidez à comunicação. Se bem usadas, os profissionais podem aproveitá-las para crescer dentro da companhia.

Caiu na rede

As redes sociais são uma febre em todo o mundo. No planeta, segundo um estudo global realizado pelo Hootsuite, site de gerenciamento de mídias sociais, em parceria com a agência We Are Social, quase 4 bilhões de pessoas estão cadastradas em plataformas desse tipo. Dados da pesquisa mostram que o Brasil é o segundo país que passa mais tempo conectado às redes sociais: são 3 horas e 43 minutos diários. Nós perdemos apenas para as Filipinas, onde o tempo médio é de 4 horas e 17 minutos. Com esses números, fica mais fácil entender por que cada vez mais empresas adotam plataformas internas de mídias sociais. Para ter ideia, 44% das organizações presentes no Guia VOCÊ S/A – As 150 Melhores Empresas para Trabalhar utilizam ferramentas desse tipo, e entre as dez companhias mais bem avaliadas o índice sobe para 50%.

De olho nessa tendência, o Facebook lançou em 2016 o Workplace, ferramenta de mídias sociais voltada para empresas que é concorrente do Yammer, da Microsoft, que chegou ao mercado em 2012. Em dois anos de existência, a plataforma conquistou 30 000 clientes no mundo – a marca não divulga os dados brasileiros. “Há um esforço para conectar os funcionários, independentemente do cargo e da função, e dar voz a eles. As empresas querem criar cenários em que qualquer pessoa tenha o poder de dar visibilidade ao próprio trabalho”, afirma Leonardo Leão, gerente de vendas do Workplace na América Latina.

Do ponto de vista da organização, as redes corporativas ajudam a difundir informações com mais rapidez. “As empresas estão cada vez mais utilizando essas redes corporativas para fazer seus processos de atração e seleção e também de promoção e mobilidade interna”, diz Denize Dutra, coordenadora do MBA de recursos humanos da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. Para o profissional, essas plataformas auxiliam no compartilhamento de conhecimentos, na troca de ideias e no fortalecimento do networking – o que pode levar, até, a promoções e melhoria de competências. Mas é preciso ter cuidado. “São ferramentas muito poderosas. No entanto, podem virar uma arma contra si mesmo quando mal utilizadas”, afirma Denize.

VITRINE PESSOAL

Visibilidade é um dos principais atrativos dessa tecnologia, pois, nesse ambiente, o famoso (e tão mal falado) marketing pessoal é visto com naturalidade. ”Se ninguém souber o que você faz, fica mais difícil mostrar que está pronto para uma movimentação ou promoção”, diz Maria Cândida Baumer de Azevedo, da People & Results, consultoria de carreira, de São Paulo. Só é preciso prestar atenção para que a promoção do próprio trabalho seja feita de uma maneira que gere valor para o profissional e para os colegas de trabalho – e não pareça um culto narcisista. “Quem quer passar uma imagem de super-herói gera desconfiança. Deve-se ser comedido nessas questões”, afirma Denize.

TROCA DE EXPERIÊNCIAS

Um comportamento que costuma funcionar bem é compartilhar seus insights e, assim, se tornar naturalmente uma referência interna na companhia. Foi isso o que ajudou Tamara Baldassari, de 27 anos, a mudar de setor em dezembro. A paulistana saiu do atendimento ao cliente e migrou para a área de comunicação do Mercado Livre, companhia de e-commerce que começar á a atuar, também, no ramo de empréstimos a lojistas. Para divulgar seu trabalho e melhorar a relação da empresa com os usuários, ela postava no Workplace os problemas mais comuns que os clientes da multinacional argentina enfrentavam, indicava os erros do site, mostrava as melhores soluções para cada um deles e dava dicas de atendimento. ”Todo mundo começou a ver meu rosto na página, e pessoas de diferentes áreas passaram a me procurar quando tinham alguma dúvida sobre esses assuntos”, afirma Tamara. “Consegui me aproximar dos colegas, e líderes que não tinham contato comigo, conheceram meu trabalho. Isso me ajudou a obter a movimentação que eu desejava”.

Sua projeção profissional foi grande porque o Mercado Livre, primeira companhia a usar o Workplace na América Latina, estimulou os empregados a se cadastrarem. Hoje, 97% dos funcionários usam a plataforma e, a cada semana, são 1200 publicações no Brasil. “Repensamos nossa estratégia de comunicação para que as informações globais chegassem com mais agilidade”, diz Helen Menezes, gerente de RH do Mercado Livre.

A transparência e a agilidade dos dados é algo importante e demandado, porém os profissionais devem tomar alguns cuidados na hora de postar –  nem tudo que se sabe pode ser divulgado para todo mundo. Para garantir que um erro não seja cometido, o caminho é conversar com o chefe antes de publicar, ainda mais quando o conteúdo envolve números e dados ligado aos resultados da área. “Sempre conversava com a chefia para ver se estava tudo certo e pesquisava para não compartilhar algo incorreto”, afirma Tamara.

CONEXÃO GLOBAL

Usar as redes internas com assiduidade é bom não apenas par conquistar objetivos profissionais, mas também para desenvolver habilidades e entrar em contato com tendências e conceitos de sua área de atuação. Na WmWare, multinacional americana especializada em desenvolvimento de softwares e infraestrutura de nuvem, essa prática é bastante estimulada desde que a rede social interna global foi lançada, em 2013. Tanto que um dos pilares da avaliação de desempenho está ligado às postagens e às interações na plataforma. “Há muita troca de ideias pelo chat online. A rede amplia o networking e coloca o profissional em contato com pessoas de outros países e com outros times” diz Luciana Depiere, diretora de RH da organização.

Quem tem usado assiduamente o site para aprender é Alexandre Stratikopoulos, de 40 anos, engenheiro de sistemas da WmWare. Ele aproveita que a plataforma indica mentores sobre diversos assunto para entrar em contato com um deles e aprender sobre um tema em que deseja se aprofundar. Foi assim que ele se especializou na virtualização de redes, uma tendência da área em que atua. “Desenvolvi minha habilidade com uma pessoa que estava nos Estados Unidos – que só fui conhecer mais tarde, num evento da empresa em Palo Alto [Califórnia]”, afirma Alexandre, que não se contentou em ser apenas aluno e já dá mentoria a outros colegas. “É algo prazeroso para mim, pois estou ajudando os outros a dominar temas que conheço. Nessa experiência, aprendi a raciocinar melhor.” A lição que fica para os profissionais é que, ao usar as redes sociais sem narcisismo e com o objetivo de aprender, todos podem ganhar com isso – tanto os funcionários, que crescem na carreira, quanto as empresas, que se transformam em ambientes colaborativos e mais abertos à inovação.

EM EXPANSÃO

O uso das redes sociais aumenta ano a ano no Brasil e no mundo – veja os dados do crescimento.

Desde 2013, o Hootsuite, plataforma de gerenciamento de redes sociais, e a agência We Are Social fazem uma pesquisa sobre a internet. Os multados do estudo de 2017 mostram que mais da metade da população mundial tem acesso à web e quase 4 bilhões de pessoas tem perfis nas mídias sociais. E o Brasil é o segundo país mais aficionado do mundo por redes sociais – perdemos apenas para as Filipinas. Confira os dados abaixo:

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ESTÁ FAZENDO ERRADO

Os principais deslizes que as pessoas cometem ao utilizar as mídias sociais:

DADOS INCORRETOS – As mentiras contadas no ambiente de trabalhos são descobertas com facilidade nas redes sociais (sejam estas internas ou externas). Por isso, nunca descole suas atitudes de seu discurso e tome cuidado para checar tudo o que você divulga ­ querer aumentar ou mascarar algum dado pode manchar sua reputação.

VALORES DESALINHADOS – Pense antes de postar. Compartilhar algo que vá contra a cultura corporativa será rapidamente detectado pelos colegas e pela liderança. Em casos mais graves, é possível que o conteúdo seja denunciado internamente, levando a empresa a tomar atitudes sérias, como uma advertência ou demissão.

SEM FILTROS – Quando se está buscando uma mudança de área ou uma promoção, é fundamental ter cuidado com a maneira de abordar o assunto. Ficar reclamando da chefia ou do setor em que se está pega muito mal. A interpretação é de que você está expondo negativamente a si mesmo e a seus colegas.

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 17: 14-21

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A Expulsão de um Demônio

Aqui temos a cura milagrosa de uma criança que era lunática e sofria muito por causa de um demônio. Considere:

 

I – Uma representação melancólica do caso dessa criança, apresentada a Cristo pelo pai aflito. Isso aconteceu logo depois da sua descida do monte onde se transfigurou. As glórias de Cristo não o fazem deixar de pensar em nós, ou nas nossas necessidades e infelicidades. Cristo, ao descer do monte, onde teve uma conversa com Moisés e Elias, não assumiu nenhuma atitude de cerimônia, mas fez-se facilmente acessível, tão ao alcance de pobres mendigos e tão familiar com a multidão quanto sempre costumava ser. A abordagem desse homem foi muito importuna; ele se pôs de joelhos diante de Cristo. Observe que o sentimento de aflição sempre deixa as pessoas de joelhos. Aqueles que percebem que a sua necessidade de Cristo é muito grande, estarão confiantes ao se dirigirem a Ele; e Ele se alegra por ser abordado assim.

O pai do menino se queixa de duas coisas:

1.O sofrimento do seu filho (v. 15): “Senhor, tem misericórdia de meu filho”. O sofrimento dos filhos não pode deixar de afetar os pais carinhosos, pois são partes deles. E o caso de um filho que sofre deve ser apresentado a Deus por meio de uma oração fiel e fervorosa. A perturbação desse menino provavelmente o deixava incapacitado para orar por si mesmo. Os pais são duplamente interessados em orar pelos seus filhos, não somente por aqueles que são inaptos e não podem fazê-lo, mas muito mais por aqueles que são maus e não irão orar por si mesmos. Considere que:

(1). A natureza da enfermidade dessa criança era muito triste: “o menino era lunático e sofria muito”. Um lunático é uma pessoa cuja incapacidade está no cérebro, e o seu comportamento se modifica com a mudança da lua. O diabo, por permissão divina, causava essa enfermidade, ou, pelo menos, colaborava para aumentá-la e piorá-la. O menino sofria de quedas, e a mão de Satanás estava nisso; com isso, ele o atormentava, e tornava a situação muito pior do que era. Aqueles de quem Satanás se apossa, ele atormenta com aquelas doenças do corpo que mais afetam a mente, pois é à alma que ele pretende fazer mal. O pai, em sua queixa, disse: “E lunático”, e observou o efeito que suas palavras causaram. Mas Cristo, na cura, repreendeu o demônio, e assim eliminou a causa do mal. É assim que o Senhor age nas curas espirituais.

(2). Os efeitos da doença eram deploráveis: “muitas vezes cai no fogo e, muitas vezes, na água”. Se a força da doença o fazia cair, a maldade do demônio o fazia cair no fogo ou na água – pois ele é excessivamente maligno quando se apossa e se apodera de alguma alma. Ele busca “a quem possa tragar” (1 Pedro 5.8).

2.O desapontamento da expectativa do pai em relação aos discípulos (v. 16): “Trouxe-o aos teus discípulos e não puderam curá-lo”. Cristo deu aos seus discípulos o poder de expulsar demônios (cap. 10.1,8), e eles eram bem-sucedidos (Lucas 10.17); mas, nessa ocasião, eles fracassaram, embora estivessem nove deles juntos, e diante de uma grande multidão. Cristo permitiu que isso acontecesse:

(1). Para conservá-los humildes, e para mostrar que eles dependiam dele, e que sem Ele nada podiam fazer.

(2). Par a glorificar a si mesmo, bem como ao seu próprio poder. É uma honra para Cristo se apresentar com ajuda, quando outros não conseguem ajudar. O bordão de Eliseu na mão de Geazi não ressuscitou o menino; ele precisou vir pessoalmente. Observe que existem alguns favores especiais cujo direito de concessão Cristo reserva para si. E algumas vezes Ele deixa a cisterna vazia, para que possa nos levar a si mesmo, a fonte. Mas os fracassos dos instrumentos não devem impedir as operações da sua graça, que se realizarão, se não por eles, até mesmo sem eles.

 

II – As repreensões de Cristo, primeiro ao povo, e depois ao demônio.

1.Ele censura os que estão à sua volta (v. 17): “Ó geração incrédula e perversa!” Isto não foi dito aos discípulos, mas ao povo, e talvez, em especial, aos escribas, que são mencionados em Marcos 9.14, e que, aparentemente, insultavam os discípulos, porque agora tinham encontrado um caso que era difícil demais para eles. O próprio Cristo não pôde realizar muitas obras milagrosas em meio a um povo dominado pela descrença. Era devido à falta de fé dessa geração, que eles não podiam obter essas bênçãos de Deus, que, de outra maneira, poderiam ter recebido, e era devido à fraqueza da fé dos discípulos, que eles não conseguiam realizar estas obras de Deus, que, de outra maneira, poderiam ter conseguido. O povo era incrédulo e perverso. Aqueles que são incrédulos serão perversos; e a perversidade é o pecado nas suas piores características. A fé é concordar com Deus, a descrença é opor-se a Deus, e contradizê-lo. A nação de Israel de antigamente era perversa porque era incrédula (Salmos 95.9), e não havia lealdade na vida de seu povo (Deuteronômio 32.20).

Ele os repreende com respeito a duas coisas.

(1). A sua presença com eles por tanto tempo: “Até quando estarei eu convosco?” Ou, em outras palavras: “Vocês vão precisar sempre da minha presença corpórea, e nunca terão maturidade suficiente para poderem ser independentes, um povo sob a orientação dos discípulos, e os discípulos sob a orientação do Espírito e da sua comissão? Os filhos sempre precisarão ser conduzidos, e nunca irão aprender a caminhar sozinhos?”

(2). A sua paciência com eles, até aquele momento: “Até quando vos sofrerei?” Observe que:

[1]. A incredulidade e a perversidade naqueles que desfrutam os meios da graça são uma grande tristeza para o Senhor Jesus. Assim Ele suportou os costumes da antiga nação de Israel (Atos 13.18).

[2]. Quanto mais Cristo suporta um povo perverso e incrédulo, mais Ele se entristece com a sua perversidade e a sua incredulidade; e Ele é Deus, e não homem, caso contrário Ele não sofreria por tanto tempo, nem toleraria tanto, como Ele faz.

2.Ele curou o menino, e o endireitou novamente. Ele ordenou: “trazei-mo aqui”. Embora o povo fosse perverso, e Cristo fosse provocado, ainda assim Ele cuidou do menino. Embora Cristo possa estar irado, Ele nunca deixa de ser bom; tampouco Ele, em meio ao seu maior desprazer, fecha as entranhas da sua compaixão aos infelizes: “Trazei-mo aqui”. Observe que quando todas as outras ajudas e os outros auxílios falham, nós somos bem recebidos por Cristo, e podemos estar confiantes nele, no seu poder, e na sua bondade.

Veja aqui um símbolo da missão de Cristo como o nosso Redentor.

(1). Ele destrói o poder de Satanás (v. 18): “E repreendeu Jesus o demônio”, como alguém que tem autoridade, que respaldava com a força a sua palavra de ordem. Observe que as vitórias de Cristo sobre Satanás são obtidas pelo poder da sua palavra, a espada que sai da sua boca (Apocalipse 19.21). Embora estivesse possuindo o menino por tanto tempo, Satanás não consegue suportar a repreensão de Cristo. É consolador para aqueles que estão lutando contra principados e potestades saber que Cristo os despoja (Colossenses 2.15). O Leão da tribo de Judá será extremamente severo com o leão que brama, procurando tragar.

(2). Ele dá fim ao sofrimento dos filhos dos homens: “Desde aquela hora, o menino sarou”. Foi uma cura instantânea, e perfeita. Este é um incentivo para que os pais tragam até Cristo os seus filhos, cujas almas estão sob o poder de Satanás. Ele pode curá-los, e deseja fazer isso, pois é capaz. Eles não devem ser apenas trazidos a Cristo por meio da oração, mas devem ser trazidos à palavra de Cristo, o meio comum pelo qual as fortalezas de Satanás são demolidas na alma. Se a repreensão de Cristo convencer o coração, ela arruinará o poder que Satanás tiver ali.

 

III – As palavras de Cristo ao seus discípulos, como consequência desse episódio.

1.Os discípulos perguntam a razão pela qual eles não puderam expulsar o demônio nessa ocasião (v. 19): “Os discípulos, aproximando-se de Jesus em particular, disseram…”. Note que os ministros, que devem fazer a obra de Cristo, têm necessidade de manter uma comunhão particular com Ele, para que possam, em segredo, sem ser vistos, lamentar a sua fraqueza e as suas dificuldades, as suas limitações e inseguranças, nas suas atividades públicas, e perguntar qual é a causa delas. Devemos fazer uso da liberdade de acesso que temos a Jesus em particular, quando podemos estar à vontade com Ele. Tais perguntas como essa que os discípulos fizeram a Cristo, deveríamos fazer a nós mesmos, conversando intimamente com os nossos corações, antes de dormir: Por que fui tão tolo e descuidado em tal ocasião? Por que não consegui cumprir satisfatoriamente tal dever? Para que aquilo que estiver incorreto possa, quando descoberto, ser corrigido.

2.Cristo lhes dá duas razões para o fracasso que tiveram.

(1). “Por causa da vossa pequena fé” (v. 20). Quando Jesus falou com o pai do menino e com o povo, Ele censurou a sua incredulidade; quando Ele falou aos seus discípulos, Ele censurou a deles, pois a verdade era que havia falhas nos dois lados. Mas nós estamos mais preocupados em ouvir falar sobre as falhas dos outros do que sobre as nossas próprias falhas, e a imputar o que está incorreto aos outros, e não a nós mesmos. Quando a pregação da Palavra não parece ser tão bem-sucedida como já chegou a ser algumas vezes, as pessoas estão prontas a atribuir toda a falha aos ministros, e os ministros a atribuem ao povo, embora fosse mais conveniente que cada um admitisse as suas próprias falhas e dissesse: “Ê por minha causa”. Os ministros, ao repreenderem ou acusarem, precisam aprender a dar a cada um a sua porção da palavra, e a evitar que as pessoas julguem umas às outras. Eles devem ensinar que cada um julgue a si mesmo: “Por causa da vossa pequena fé”. Embora tivessem fé, a fé deles era fraca e não produzia nenhum efeito. Observe que:

[1]. A medida que a fé falha em termos de força, vigor e atividade, pode ser dito com verdade: “Este é um caso de incredulidade”. Muitos podem ser acusados de ter pouca fé, embora não devam ser chama­ dos de incrédulos.

[2]. Por causa da nossa pequena fé, somos os responsáveis por acontecerem poucos milagres na religião, e por eles não acontecerem, frequentemente, como deveriam. Assim, a situação fica em um nível aquém do esperado, naquilo que é bom.

O nosso Senhor Jesus aproveita essa ocasião para mostrar aos discípulos o poder da fé, para que eles não fracassem, em outra ocasião, como fracassaram agora: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda, nada vos será impossível” (v. 20). Alguns interpretam a comparação como referindo-se à qualidade do grão de mostarda, que é, quando moído, agudo e penetrante. “Se vocês tivessem uma fé ativa e em crescimento, não morta, achatada ou insípida, vocês não teriam ficado frustrados dessa maneira”. Mas, na verdade, isso se refere à quantidade. “Se vocês tiverem apenas um grão de fé verdadeira, mesmo que tão pequeno quanto o menor dos grãos, nada lhes será impossível; vocês farão maravilhas”. A fé em geral é uma aquiescência firme, uma concordância e uma confiança em toda a revelação divina. A fé que se exige aqui, é aquela que tem como seu objeto aquela revelação particular pela qual Cristo deu aos seus discípulos o poder para realizar milagres em seu nome, para a confirmação da doutrina que eles pregavam. É nesse tipo de fé que eles são deficientes. Eles duvidam da validade da sua chamada, ou temem que ela tenha expirado com a sua primeira missão, e que não devesse continuar quando retornassem para junto do seu Mestre; que, de alguma maneira, ela teria sido retirada ou perdida. Talvez a ausência do Mestre juntamente com os três principais discípulos, com a ordem de que os demais não deviam segui-lo, pudesse ter ocasionado algumas dúvidas a respeito do seu poder, ou melhor, do poder do Senhor com eles, para fazer isso. Entretanto, não havia, naquela ocasião, uma confiança ou dependência tão grande na promessa da presença de Cristo com eles, como devia ter havido. E bom não termos confiança em nós mesmos, nem na nossa própria força. Mas é desagradável para Cristo quando nós perdemos a confiança em qualquer poder obtido dele, ou concedido por Ele.

Se tiverdes ainda que um pouco dessa fé com sinceridade, se verdadeiramente confiardes nos poderes que vos foram concedidos, “direis a este monte: Passa”. Esta é uma expressão conhecida, que denota aquilo que vem a seguir, e nada mais: “Nada vos será impossível”. Eles tinham uma comissão plena, entre outras coisas, para expulsar demônios, sem exceção; mas, pelo fato desse demônio ter uma maldade inveterada, acima do normal, eles não tiveram confiança no poder que haviam recebido, e por isso falharam. Para convencê-los disso, Cristo lhes mostra o que poderiam ter feito. Observe que uma fé ativa pode mover montanhas, não por si mesma, mas na virtude do poder divino, que está ligado a uma promessa divina; e a fé se mantém sobre essa virtude e sobre essa promessa.

(2). Porque havia alguma coisa no tipo de doença que tornava a cura mais difícil do que o normal (v. 21): ‘”Esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum’. Esta e possessão, que opera através de uma doença, ou este tipo de demônios que são furiosos dessa maneira, não é expulsa pela maneira normal, mas por meio de grandes atos de devoção, e nisso vocês são deficientes”. Observe que:

[1]. Embora os adversários que combatemos sejam todos principados e potestades, ainda assim alguns são mais fortes do que outros, e há poderes mais difíceis de serem subjugados.

[2]. O extraordinário poder de Satanás não deve desencorajar a nossa fé, mas sim nos estimular a agir nela com maior intensidade, tendo mais fervor em nossas orações a Deus, pedindo que o Senhor aumente a nossa fé. Por isso alguns têm a seguinte interpretação: “Este tipo de fé (que remove montanhas) não pode proceder, não pode ser obtido de Deus, não pode ser trazido ao seu crescimento completo, nem pode se transformar em ações e exercícios, exceto por meio de fervorosas orações”.

[3]. O jejum e a oração são meios adequados para destruir o poder de Satanás contra nós, e para trazer o poder divino em nosso auxílio. O jejum é útil para aprimorar a oração; é uma evidência e um exemplo de humilhação que é necessário na oração, e é um meio de eliminar alguns hábitos corruptos, e de dispor o corpo para servir à alma em oração. Quando o interesse do demônio pela alma é confirmado pela disposição e pela constituição do corpo, o jejum deve ser acompanhado pela oração, para que o indivíduo possa manter o seu corpo em sujeição ao Senhor.