PSICOLOGIA ANALÍTICA

SUTIL DIFERENÇA

Cérebros masculino e feminino operam em ritmos diferentes.

Sutis diferenças

Tão sutil, que apenas a inteligência artificial de um computador de precisão pode detectar: assim é a diferença encontrada na atividade cerebral feminina, em relação à masculina. Olhos treinados de um neurologista não seriam capazes de interpretar a pequena alteração que aparece no eletroencefalograma, enquanto o equipamento foi capaz, pela primeira vez, de provar o que já se supunha sobre o ritmo cerebral de homens e mulheres. Mais de 1.300 exames foram observados com a máquina, como parte do trabalho publicado recentemente por pesquisadores da Universidade de Twente e do Instituto Brainclinics, em Nijmegen (ambos na Holanda) e de Zurique (Suíça). A principal diferença encontrada está nas ondas beta, uma faixa de frequência entre 20 e 25 Hz, presente, entre outras funções, na execução de tarefas cognitivas e no processamento das emoções positivas ou negativas oriundas dessas atividades. Tal constatação sugere relação com um maior reconhecimento das emoções entre as mulheres, algo já relatado em pesquisas anteriores, mas cuja atividade cerebral correspondente ainda não foi totalmente decifrada.

Tendo sido constatadas anteriormente as diferenças anatômicas entre os cérebros masculino e feminino, bem como a observação de que mulheres e homens agem diferentemente sob transtornos mentais, assim como respondem de maneira diversa ao tratamento desses distúrbios, tal novidade abre caminhos para o desenvolvimento de terapêuticas mentais adequadas, levando em conta cada vez mais variáveis que possam influenciar o tratamento.

GESTÃO E CARREIRA

CARTEIRA DIGITAL

Por meio dos smartphones, hoje as pessoas fazem tudo: telefonam, trocam mensagens, consultam redes sociais, veem e-mails, fazem videoconferências, utilizam-no como GPS e, em um futuro não muito distante, também substituirão o cartão de plástico por ele.

Carteira digital

Febre, hábito, mania, moda, vício, dependência… Não importa o que se tomou o uso intensivo dos smartphones, o que vale agora é que essa é uma tecnologia que não tem mais volta. Resta então evoluirmos com eles.

Por falar em evoluir, as pessoas já fazem de tudo com seus smartphones, mas há sempre mais a fazer. Um tipo de serviço que tem grande espaço ainda para crescer por esse meio são as transações financeiras, especialmente o mobile payment.

Uma pesquisa da Febraban de Tecnologia Bancária, realizada pela Deloitte em 2015, diz que o uso dos canais digitais no setor bancário segue em consolidação no Brasil com destaque para a forte expansão registrada pelo mobile banking, de 11,2 bilhões de transações bancárias, um crescimento de 138% em relação a 2014, quando 4,7 bilhões de operações foram feitas pelos clientes.

Além disso, de acordo o “Global Mobile Consumer Survey – GMCS 2016” – estudo da Deloitte que apura o hábito de consumo de equipamentos e serviços de tecnologia móvel em 31 países do mundo e no Brasil realizada com 2.005 pessoas -, oito em cada dez pessoas já possuíam um smartphone. Esses números apenas demonstram o potencial que existe para o mercado de mobile payment no País

EVOLUÇÃO E SEGURANÇA

De acordo com o CEO da Kanamobi – empresa de tecnologia criativa que oferece soluções 360° em serviços de inteligência mobile -, Cristiano Kanashiro, a forma de pagar está mudando através do uso das novas tecnologias, oferecendo facilidade, comodidade e velocidade.

“É um meio seguro, e as empresas devem utilizar essas novas formas para receber e potencializar as vendas, podendo ser uma transação via smartphone, aplicações móveis, bots, pulseira (wearable), entre outras”, afuma.

Contudo, em sua opinião, a segurança ainda é algo que precisa ser explanado com mais intensidade, pois cada vez mais teremos uma gama gigantesca de soluções em meios de pagamentos. E Kanashiro tem razão, pois, em se tratando de segurança, 44 % daqueles que têm um celular afirmaram à pesquisa da Deloitte não ter sequer, nos últimos três meses, acessado pelo aparelho extratos bancários, feito pagamentos de contas ou de serviços, ou realizado transferências de dinheiro local) ou internacionalmente. Para se ter uma ideia, o temor em relação à segurança que envolve as transações financeiras por telefone móvel é a principal justificativa dada por essas pessoas que se negam a fazer pagamentos a lojas por meio do celular.

Hoje ainda temos a internet das coisas (IOT) sendo impulsionada em diversos segmentos e conectando cada vez mais dispositivos entre si, o uso do bluetooth, Wi-Fi, entre outras formas de conexão.

“E isso tudo possibilita que os usuários fiquem mais expostos. abrindo caminho para o desenvolvimento de vírus bem mais inteligentes e maliciosos. Então a segurança é responsabilidade e um assunto que envolve os fabricantes de devices, empresas de pagamento e bancos”, considera Kanashiro.

Mesmo assim, o fundador da MUXI, Alexandre Pi, acredita que o mobile payment faz parte do futuro. “No caso das lojas físicas, acredito que quando o mobile payment começar a oferecer mais conveniência ao consumidor, como diminuir filas exaustivas ou adiantar os pedidos em um estabelecimento de alimentação, por exemplo, eles serão responsáveis pelo aumento de vendas dos micro e pequenos empresários”, aponta.

Já no mercado de e-commerce, é questão de tempo até o consumidor aderir. “Os clientes ainda esperam que o mobile payment ofereça mais segurança nas operações on-line. Mas depois que eles se sentirem mais seguros, com certeza o e-commerce venderá mais por esta modalidade”, estima.

O CEO da Kanamobi, por exemplo, aposta que agora se abre uma nova oportunidade para impulsionar as vendas, uma vez que os micro e pequenos varejistas comecem a adotar essas novas formas de recebimento. “Hoje existem inúmeras soluções de ‘mobile payment’ que podem ser utilizadas no comércio, porém é importante analisar qual se adéqua melhor ao seu negócio, ”afirma.

Uma estratégia para adoção das novas tecnologias e meios de pagamento, segundo ele, deve ser atrelada ao perfil dos clientes. Um ótimo exemplo é o aplicativo BeBlue, que hoje é aceito em mais de 700 lojas participantes, entre restaurantes, postos de gasolina. supermercados, etc. “O aplicativo oferece um sistema de cashback, ou seja, parte da sua compra retorna em dinheiro que é acumulado no aplicativo e pode ser utilizado para novas compras nas redes credenciadas. Hoje são mais de 100 mil usuários. Essa é uma solução aderente a qualquer micro e pequeno varejista, o qual pode utilizar um novo meio de pagamento e ampliar as suas vendas”, exemplifica.

O CEO da Pague Veloz, José Henrique Kracik da Silva, reforça que o mercado de meios de pagamentos está evoluindo de forma extremamente acelerada, e o objetivo é exatamente a dinâmica de recebimentos, especialmente para os empreendedores e para os micro e pequenos empresários. E é isso que acontece com esta modalidade. “O ponto a ser observado é que as regras dos meios de pagamentos (bandeiras, banco emissores de cartões e das credenciadoras) não evoluem na mesma velocidade, o que dificulta o processo de inovação. Uma iniciativa bastante revolucionária, mas embrionária ainda, é o pagamento por contato, porém verifica-se que isso facilita neste momento, apenas para o cliente final, ou seja, para quem efetua o pagamento, pois a maioria das maquininhas já tem nativa esta facilidade’, revela.

REMANDO JUNTO

Segundo Alexandre Pi, como o mobile payment é capaz de oferecer grandes vantagens para os consumidores, os micro e pequenos negócios são diretamente afetados por esses tipos de tecnologia. Ou seja, em tempos de crise, o empreendedor não pode perder a oportunidade de investir em uma tecnologia que ofereça mais segurança e conveniência para o seu consumidor na hora do pagamento, agregando mais valor ao seu negócio.

As vantagens são inúmeras na visão de Cristiano Kanashiro, pois muitos aplicativos, inclusive os de meios de pagamentos, funcionam como mídia e divulgam as parcerias e estabelecimentos. “Além de se criar uma nova forma para venda de produtos e serviços, é possível melhorar o ‘ check-out’. Pois hoje a demora para o pagamento da conta influencia e é um problema em diversos estabelecimentos. Quantas vezes não perdemos tempo para realizar o pagamento? demonstra

Então soluções de pagamento móvel são mais ágeis e possibilitam que você otimize seu fluxo operacional imagine no seu estabelecimento um aplicativo com cardápio e possibilidade de pagamento, sendo assim, o cliente entra no estabelecimento apenas para degustar a sua refeição e o fluxo de clientes aumenta. ”Outro ponto importante é que você conhece melhor os seus clientes, quem são, qual sua frequência. o que consomem e ainda pode criar um novo canal de relacionamento para continuar impulsionando as vendas. É possível aplicar descontos, incentivos e inúmeras outras possibilidades’, afirma o CEO da Kanamobi.

O CEO da Pague Veloz, destaca também que atualmente os equipamentos para recebimentos de pagamentos têm um custo alto, seja de aluguel ou de aquisição, logo, estas novas tecnologias permitem a customização em relação ao porte e segmento de atuação do empresário, de modo a facilitar o acesso e com um custo menor que os atuais.

Mas, antes de pensar em aderir a essa ferramenta, Alexandre Pi da Muxi diz que o lojista e/ou empresário precisa checar se a empresa que oferece o software de automação comercial ao seu negócio está apta a receber o modelo de mobile payment. “Também é necessário que o dono do negócio realize um acordo contratual com as empresas de pagamento que atendem à loja. Já no caso de um e-commerce ou de um negócio que também possui loja virtual, é necessário que o empreendedor confirme se a provedora da loja virtual está adaptada para receber o modelo de mobile payment, ensina.

Além disso, o empreendedor tem que verificar se a empresa que está oferecendo o serviço é confiável, se garante a entrega contratada. Uma maneira de se preparar para isso é pesquisando se a prestadora desse serviço tem condições financeiras de honrar seus acordos.

SERVIÇO

Das grandes marcas no mercado que já oferecem o serviço de mobile payment para as empresas temos o Samsung Pay e o Apple Pay. “Esta última, no entanto, ainda nem chegou ao Brasil. Além dessas, temos iniciativas mobile de pequenas empresas”, afirma Alexandre Pi.

Mas o que está ocorrendo por enquanto é a migração do plástico para o smartphone, relógios inteligentes, pulseiras, etc. “Contudo, a operação que roda por trás e os valores cobrados não têm sido um diferencial no momento para empresas tradicionais que estão atuando no mercado. Por outro lado, temos as fintechs que entram com diferenciais em taxas, como o Nubank, Digio, Neon e por aí vai’, conta Cristiano Kanashiro.

O fundador da MUXI acredita que as soluções de mobile payment que existem hoje funcionam muito bem. mas ainda não oferecem uma conveniência adicional, porque o consumidor precisa esperar na fila e aproximar o seu celular da maquininha de cartão. “‘São modelos que substituem o cartão, mas não trazem um serviço adicional capaz de aumentar o número de clientes”, frisa e completa que as próprias taxas cobradas por este modo ainda são parecidas ou até um pouco maiores do que os modos tradicionais. E imagina que quando o mobile payment oferecer novas conveniências e mais segurança, a taxa poderá aumentar. De acordo com o CEO da Kanamobi, pesquisas mostram que a expectativa é de que em 2030 os meios de pagamentos móveis tenham dominado o mercado. Entretanto, por muito tempo ainda o dinheiro em papel e os cartões de plástico continuarão a existir. ‘Cada dia mais surgem novas formas de pagamento, novas tecnologias, novas startups no mercado de fintechs, criando uma descentralização de tudo. Existe um processo de evolução e isso já é realidade no mundo”, aponta.

No Brasil, ele diz que existe um mercado gigantesco de oportunidades. Contudo, até o pagamento móvel via NFC, que já é realidade em outros países, existe em pouquíssimos estabelecimentos aqui. “O maior problema é que muitos aparelhos não são compatíveis com o NFC. Assim como tudo, é um processo de evolução e, aos poucos, os smartphones e dispositivos móveis devem começar a embarcar nesse tipo de tecnologia em contrapartida novas tecnologias estão chegando ao Brasil e tudo irá mudar, finaliza Kanashiro.

SEM VENDEDOR

A Muxi é uma empresa especializada exatamente em soluções para o mercado de meios eletrônicos de pagamento e, de acordo com Alexandre Pi, acabou de desenvolver uma solução chamada de Selfie PAY”. Inicialmente a tecnologia dará a opção ao consumidor de efetuar o pagamento de uma compra sem a presença de um vendedor. Se adotada em um restaurante, por exemplo, o cliente não precisará esperar o garçom levar a conta e a máquina de cartão até a mesa – nem enfrentar a fila do caixa’ expõe.

Para usufruir da tecnologia, no entanto, será necessário baixar um aplicativo, que está em fase de desenvolvimento. Mas bastará abrir o aplicativo para receber e encerrar a conta. O consumidor poderá escolher no celular entre uma das duas ferramentas de identificação, o QR Code, código de barras em 2D, ou o RFID, um selo de radiofrequência, que estarão presentes na mesa.

Um dos diferenciais, segundo o fundador da empresa, é que essas tecnologias detêm basicamente a informação numérica de onde o cliente está sentado e se conectam por nuvem com um sistema instalado no restaurante. Ao acionar uma dessas ferramentas aproximando o celular, o estabelecimento receberá um alerta de pedido de fechamento de conta e tudo o que foi consumido é enviado automaticamente para o aplicativo. “O pagamento será efetuado pelo usuário por meio do próprio celular, que emulará uma tradicional maquininha de cartão. O comprovante é enviado automaticamente para o caixa do varejista”, demonstra

GESTÃO FINANCEIRA

A fintech Pague Veloz também criou no mercado uma solução para as micro e pequenas empresas. Através da criação de login e senha, o cliente acessa gratuitamente a plataforma e pode emitir e gerenciar boletos, cadastrar e acompanhar diversas contas bancárias, realizar cobranças e pagamentos parcelados no cartão de crédito. Ele paga apenas a tarifa das transações, com preços mais baixos que os dos serviços bancários tradicionais. Enquanto o cliente parcela as compras, a empresa usuária do Pague Veloz recebe o saldo total da venda efetivada em até 24 horas” E os custos são extremamente competitivos em relação aos praticados por outros players atualmente    afirma Kracik da Silva.

Em 2016 a empresa atingiu um crescimento de 500 % (mesmo percentual de 2015). Participou do programa Startup SC, projeto catarinense para alavancar negócios inovadores, e foi selecionada para a segunda turma do programa de aceleração Darwin Starter. Além disso, hoje ela já ultrapassou a marca de 2 mil clientes cadastrados.

A fintech Pague Veloz trouxe também uma novidade para o segmento de soluções de gestão financeira do País. Ela lançou no ano passado um aplicativo para iOS com opção de comando de voz. Através da assistente virtual Siri, os usuários poderão realizar pagamentos e transferências.

De acordo com José Henrique Kracik da Silva, da Pague Veloz, o DNA da empresa é alinhar serviços financeiros com a tecnologia de forma a disponibilizar em meios de pagamentos. “‘Atualmente, na mesma plataforma e ambiente, nosso cliente tem acesso à maioria dos serviços de meios de pagamentos e recebimento de forma simplificada e intuitiva. Outra vertical importante que podemos destacar nas soluções é a gestão, pois disponibilizamos diversas ferramentas de conciliação e controle de modo que nosso cliente tenha muito mais tempo para se dedicar ao seu principal negócio e atividade”, pontua.

PAGAMENTO CLÁSSICO E MODERNO

O PagSeguro é uma empresa do grupo UOL que oferece soluções completas para pagamentos on-line e presencial. Pensando no mercado de micro e pequenos empresários, ele já vem há anos lançando produtos que facilitem a vida desse nicho no ponto de venda. A primeira experiência foi com o Leitor de Crédito, um aparelho que era acoplado ao celular.

E uma das últimas soluções criadas foi a Moderninha, em março de 2015, que fez com que a maquininha dispensasse o uso de celular ou tablet para realizar as transações. Em junho de 2016, o PagSeguro promoveu uma evolução ainda maior de conectividade e lançou a Moderninha Wi-Fi, que traz a opção de conexão por chip ou Vili-Fi. Agora foi a vez da Moderninha Pró, que oferece diversas opções de conexão, além de soluções ainda mais completas em capacidade de transação, quantidade de bandeiras, etc. “O que a gente oferece é justamente para o público do micro e pequeno empresário, tentando trazer a sua inclusão no mercado através de um novo modelo de venda, com um custo menor e com maior facilidade de uso”, explicou o diretor do PagSeguro, Juan Fuentes.

Segundo ele, foi uma solução da empresa para resolver os problemas que esse público tinha em contratar máquinas de cartão de crédito e débito no mercado, tendo que adquiri-las por um alto valor, pagar aluguel caro, ou seja, um modelo inviável para micro e pequenas empresas que têm um faturamento baixo. “Imagina um pequeno lojista tendo que pagar o aluguel daquela máquina todo mês. Ou uma pessoa que vende de porta em porta. Então lançamos esse modelo de negócio para um público que estava sendo muito mal atendido. Disponibilizamos o equipamento para o empresário de acordo com o tamanho do negócio dele, perfil do produto e demanda, e ele escolhe o melhor equipamento, adquire e não temos mais nenhum tipo de relação comercial com ele, só cobramos uma pequena taxa em cada venda como em qualquer outra transação”, demonstra o diretor.

Agora, eles caminham cada vez mais para a modernização das máquinas para atender esse público carente dos micro e pequenos por soluções de pagamento para atender seus clientes. “A novidade que lançamos agora junto com a moderninha foi a nossa plataforma gratuita de fluxo de caixa que conversa com as nossas máquinas, não só com a moderninha. como também com todas as outras para o pequeno lojista ter um controle das suas vendas. Ele consegue cadastrar os produtos, e é totalmente free, disponível para download no site do PagSeguro para você começar a gerir o seu negócio. Ajudar o micro e pequeno a crescer, esse é sempre o nosso objetivo, conclui.

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 SIGA A DICA!

Antes de implementar qualquer tipo de meio de pagamento, o microempreendedor deve analisar alguns pontos:

  • Escolher uma solução que aceite as principais bandeiras;
  • Analisar as taxas, mensalidades e estudar os benefícios de cada tipo de pagamento disponível no mercado;
  • Estudar se as empresas e soluções de meios de pagamentos são aderentes ao perfil do estabelecimento / empresa. As pessoas irão de fato utilizar? Quem são os seus clientes;
  • Pensar também na operação, isso de fato facilitará ou gerará um custo? Como mencionei. existem inúmeras soluções que podem ajudar, mas se não for planejado muito bem pode gerar um problema como, por exemplo. a falta de treinamento e capacitação dos funcionários.

 

 Fonte: Revista Gestão & Negócios – Edição 97

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 14: 13-21

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Cinco Mil São Alimentados

Esta passagem bíblica sobre o episódio em que Cristo alimentou cinco mil homens com cinco pães e dois peixes encontra-se registrada pelos quatro evangelistas, um fato que ocorre com poucos milagres de Cristo, se é que ocorre com algum. Isso dá a entender que existe alguma coisa neste milagre que merece uma observação especial. Considere:

I – A procura das pessoas por Cristo, quando Ele se retirou “para um lugar deserto” (v. 13). Ele se afastou quando soube, não da morte de João, mas das ideias que Herodes tinha a seu respeito, que Ele fosse João Batista ressuscitado dos mortos, e, portanto, tão temido por Herodes quanto odiado. Ele se retirou para sair da jurisdição de Herodes. Note que em situação de perigo, quando Deus abre um caminho de fuga, é lícito fugir para a nossa própria preservação, a menos que tenhamos alguma chamada especial para nos expormos. A hora de Cristo ainda não era chegada, e, portanto, Ele não se lançaria ao sofrimento. Ele poderia ter se protegido por meio do poder divino, mas como a sua vida tinha o objetivo de ser um exemplo, Ele o fez por prudência humana. Ele “retirou-se dali num barco”. Mas “não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte”. Quando as pessoas souberam, elas o seguiram a pé, vindas de todas as partes. Cristo tinha tal interesse nos sofrimentos da multidão, que o seu afastamento somente levou a que ela o seguisse com muito mais fervor. Aqui, como acontece com frequência, “cumpriu-se a Escritura que diz” que “a ele se congregarão os povos”. Aparentemente, havia mais procura por Cristo depois do martírio de João do que havia antes. Às vezes, o sofrimento dos santos acontece para maior proveito do Evangelho (Filipenses 1.12), e “o sangue dos mártires é a semente da igreja”. Agora que o testemunho de João estava concluído, este testemunho era recordado e mais aperfeiçoado do que nunca. Considere que:

1.Quando o Senhor Jesus Cristo e a sua palavra se afastam de nós, é melhor que (por mais que a carne e o sangue objetem em contrário) o sigamos, preferindo as oportunidades para as nossas almas a quaisquer benefícios seculares. Quando a arca se mover, “parti vós também do vosso lugar e segui-a” (Josué 3.3).

2.Aqueles que realmente desejam a verdadeira nutrição da Palavra, não vacilarão diante das dificuldades que poderão encontrar no seu caminho até ela. A presença de Cristo e do seu Evangelho tornam um lugar deserto não apenas suportável, mas desejável; só Ele faz “o seu deserto como o Éden” (Isaias 51.3; 41.19,20).

II – A compaixão carinhosa do nosso Senhor Jesus para com aqueles que assim o seguiam (v. 14).

1. Ele saiu e apareceu publicamente entre eles. Embora Ele tivesse se afastado para a sua própria segurança, e para o seu descanso, ainda assim Ele saiu do seu retiro quando viu as pessoas desejosas de ouvi-lo, como alguém que deseja, ao mesmo tempo, se expor e se cansar pelo bem das almas; pois nem mesmo “Cristo … agradou a si mesmo”.

2.Quando Jesus viu a multidão, Ele foi possuído de íntima compaixão para com ela. Observe que a visão de uma grande multidão pode, com justiça, despertar compaixão. Ver uma grande multidão, pensar quantas almas preciosas e imortais há ali. e quantas estão negligenciadas e prontas para morrer (temos motivos para pensar que são muitas), produz em nós uma tristeza profunda. Ninguém tem tanta piedade das almas como Cristo. A sua compaixão não falha.

3.Ele não somente sentiu compaixão por eles, mas ajudou-os. Muitos deles estavam doentes e Ele, movido pela compaixão, “os curou”; pois Ele veio ao mundo para ser o Médico por excelência. Depois de algum tempo, todos eles estavam famintos e Ele, sentindo compaixão, os alimentou. Em toda a generosidade que Cristo demonstra ter por nós, Ele é movido pela compaixão (Isaias 63.9).

III – A proposta que os discípulos fizeram para dissipar a multidão, e a rejeição de Cristo a esta proposta.

1.A noite se aproximava (a hora era já avançada) e os discípulos aproximaram-se de Cristo para que despedisse a multidão; eles pensavam que havia terminado um bom dia de trabalho, e que era hora de dispersar. Os discípulos de Cristo são, frequentemente, mais cuidadosos para mostrar discrição do que para mostrar o seu zelo, e para mostrar maior consideração do que afeição pelas coisas relacionadas a Deus.

2.Cristo não os dispensaria famintos como estavam, nem os reteria por mais tempo sem comida, e nem lhes traria problemas e a responsabilidade de comprar alimento para si mesmos. Ele ordena aos seus discípulos que lhes deem de comer. Durante o tempo todo, Cristo sempre expressou mais carinho para com as pessoas do que os seus discípulos; pois o que é a compaixão dos homens mais misericordiosos, comparada com a misericórdia de Deus em Cristo? Veja como é difícil para Cristo separar-se daqueles que estão decididos a se apegar a Ele! Eles não precisam partir. Aqueles que têm a Cristo têm o suficiente, e não precisam partir para procurar a felicidade e um meio de vida neste mundo; aqueles que têm garantida a única coisa necessária não precisam ser sobrecarregados com muitas preocupações. Tampouco Cristo irá causar aos seus seguidores voluntários uma despesa desnecessária, mas facilitará as situações para que possam segui-lo. Mas se sentem fome, eles têm a necessidade de partir, pois esta é uma necessidade que não pode esperar. Portanto, “dai-lhes vós de comer”. O Senhor cuida do corpo; esta é uma obra das suas mãos, é uma parte do seu resgate. Ele mesmo se vestiu com um corpo, para que pudesse nos incentivar a confiar nele para o fornecimento das nossas necessidades do corpo. Mas Ele toma um cuidado especial com o corpo quando este é empregado para servir a alma no seu serviço mais imediato. Se buscarmos o Reino de Deus em primeiro lugar, e fizermos disso a nossa principal preocupação, nós podemos confiar que Deus nos acrescentará outras coisas, tanto quanto Ele julgar adequado, e podemos deixar que Ele cuide de todas essas coisas. Estas pessoas seguiram a Cristo apenas como uma experiência, num ataque de entusiasmo, e ainda assim Cristo cuidou delas dessa maneira; muito mais Ele cuidará daqueles que o seguem integralmente.

IV – A escassa provisão que havia para tal multidão. Aqui nós precisamos comparar o número de visitantes com o cardápio.

1.O número de visitantes era de “quase cinco mil homens, além das mulheres e crianças”; e é provável que houvesse tantas mulheres e crianças quanto homens, se não mais. Era um grande público a quem Cristo pregava, e temos razão para pensar que era um público atento; e, aparentemente, a maior parte deles, apesar de todo este entusiasmo e ímpeto, não tinha vindo com um objetivo definido. Eles foram embora e não o seguiram mais; pois “muitos são chamados, mas poucos, escolhidos”. Nós devemos avaliar a aceitação da Palavra pela conversão dos ouvintes, e não pelo número de ouvintes; embora isto também seja algo bom, e um bom sinal.

2.O cardápio era muito desproporcional ao número de visitantes, somente cinco pães e dois peixes. Estes alimentos foram trazidos por um seguidor do Senhor, para uso pessoal, agora que estavam afastados, no “deserto”. Cristo poderia tê-los alimentado por milagre, mas para nos dar um exemplo de como proporcionar alimento para as nossas próprias famílias, Ele faz com que o acampamento seja abastecido de uma maneira comum. Aqui não existe nem quantidade, nem variedade, nem guloseimas; uma refeição de peixe não era incomum para aqueles que eram pescadores, mas era um alimento apropriado para os doze; dois peixes para o jantar, e pão que os alimentasse talvez por um ou dois dias: aqui não havia vinho nem outra bebida forte; a água limpa dos rios do deserto era o melhor que eles tinham para beber durante a refeição; e com isso Cristo alimentaria a multidão. Aqueles que têm somente um pouco, quando a necessidade é urgente devem ajudar os outros, usando o pouco que têm, e é assim que os recursos são multiplicados. Pode Deus preparar “uma mesa no deserto”? Sim, Ele pode, quando assim o desejar, uma mesa farta.

V – A distribuição generosa desse alimento entre a multidão (vv. 18,19). “Trazei-mos aqui”. Observe que a maneira de dar conforto aos nossos semelhantes – na verdade, conforto a nós – é levá-los a Cristo; pois tudo é santificado pela Palavra de Deus, e pela oração a Ele. Aquilo que nós colocarmos nas mãos de Deus, para que Ele possa utilizar como quiser, certamente irá prosperar e ter êxito em nossas mãos. E poderemos receber novamente estas bênçãos de suas mãos, e elas então serão duplamente doces para nós. Aquilo que estivermos dispostos a dar através ele uma atitude de caridade, devemos primeiramente entregar a Cristo, para que Ele possa graciosamente aceitá-lo de nós e graciosamente abençoá-lo para aqueles a quem será doado; isto é fazer algo “como ao Senhor”.

Nesta refeição milagrosa, nós podemos observar:

1.Que os visitantes se sentaram (v. 19). Jesus mandou que a multidão se assentasse, pois enquanto Ele lhes falava, eles se mantinham em pé, o que é uma postura de reverência e disposição para o movimento. Mas como conseguiremos cadeiras para todos? Deixemos que se sentem na grama. Quando Assuero mostrou as riquezas do seu glorioso reino, e a honra da sua majestade excelente, em um banquete real para os homens importantes de todas as suas províncias, os leitos eram de ouro e de prata, sobre um pavimento de pórfiro, e de mármore, e de alabastro, e de pedras preciosas (Ester 1.6). O nosso Senhor Jesus mostrou aqui, em um banquete divino, as riquezas de um reino muito mais glorioso do que aquele, e a honra de uma majestade muito mais excelente, com um domínio sobre a própria natureza; mas aqui não há uma toalha de mesa, nem pratos ou guardanapos, nem garfos ou facas, nem mesmo um banco onde se sentar; Porém, como se Cristo realmente pretendesse reduzir o mundo à simplicidade e também à inocência e à felicidade de Adão no paraíso, Ele mandou que eles se assentassem na grama. Ao fazer tudo dessa maneira, sem nenhuma pompa ou esplendor, Ele mostrou claramente que o seu reino não era deste mundo, nem vinha “com aparência exterior”.

2.O pedido de uma bênção. Jesus não indicou um de seus discípulos para que fosse o seu capelão, mas Ele mesmo ergueu os olhos ao céu, abençoou, e deu graças. Ele deu graças a Deus Pai pela refeição que tinham, e pediu que Ele a abençoasse. O seu pedido de uma bênção era como a ordem de uma bênção; pois assim como Ele pregava, também orava como alguém que tem autoridade; e nessa oração e ação de graças, podemos supor, Ele fez especial referência à multiplicação do alimento; mas aqui Ele nos ensinou este bom dever de pedir uma bênção e dar graças por nossas refeições. “Tudo que Deus criou é bom, e [deve ser] recebido com ações de graças” (1 Timóteo 4.4, versão RA). Samuel abençoou a refeição (1 Samuel 9.13; Atos 2.46,47; 27.34,35). Isto é comer e beber para a glória de Deus (1 Coríntios 10.31); dar graças a Deus (Romanos 14.6); é comer diante de Deus, como Moisés e seu sogro (Êxodo 18.12,15). Quando Cristo abençoou, Ele ergueu os olhos para o céu, para nos ensinar, em oração, a ver Deus como o nosso Pai que está nos céus. Quando recebermos os nossos confortos terrenos, devemos olhar para lá, como tomando-os da mão de Deus, e dependendo dele para uma bênção.

3.A distribuição da refeição. O Mestre distribuiu, Ele mesmo, a refeição, pois “partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos, à multidão”. Com isto, Cristo pretendia honrar os seus discípulos, para que eles pudessem ser respeitados como trabalhadores associados a Ele; e também para demonstrar de que maneira o alimento espiritual da palavra deveria ser distribuído ao mundo. De Cristo, o autor original, por intermédio dos seus ministros. Aquilo que Cristo designou às igrejas, Ele notificou ao seu servo João (Apocalipse 1.1,4); eles transmitiam tudo aquilo que recebiam do Senhor, e somente isso (1 Coríntios 11.23). Os ministros nunca podem preencher o coração das pessoas, a menos que Cristo preencha as suas mãos em primeiro lugar. E o que Ele deu aos discípulos, eles devem dar à multidão; pois eles são despenseiros, para dar a cada um a sua porção da refeição (cap. 24.45). E, bendito seja Deus, não importa quão grande seja a multidão, sempre haverá o suficiente para todos, o suficiente para cada um.

4.A multiplicação do alimento. Esta só é observada no seu efeito, não na sua causa ou na maneira como ocorreu; não existe menção a alguma palavra que Cristo tenha dito, pela qual o alimento tenha sido multiplicado. Os objetivos e as intenções da sua mente e da sua vontade se realizarão, embora não sejam mencionados ou pronunciados: mas a multiplicação do alimento pode ser observada, não na quantidade inicial, mas na sua distribuição. Assim como o azeite da viúva aumentou quando foi derramado, o pão foi multiplicado ao ser partido. Assim cresce a graça à medida que a colocamos em prática, e, enquanto outras coisas se extinguem com o uso, os dons espirituais crescem com o uso. Deus fornece a semente ao semeador, e multiplica, não a semente acumulada, mas a semente semeada (2 Coríntios 9.10). Assim, existem aqueles que espalham, e ainda assim os seus bens aumentam; espalham e prosperam.

VI – A satisfação plena de todos os convidados com esta provisão. Embora a desproporção fosse tão grande, ainda assim foi suficiente e ainda sobrou.

1.Foi suficiente: “Comeram todos e saciaram-se”. Observe que aqueles a quem Cristo alimenta, ficam saciados; esta era a promessa (Salmos 37.19), de que eles “se fartarão”. Como havia o suficiente para todos, todos comeram. Havia o suficiente para cada um, e todos se saciaram; embora houvesse pouco, era suficiente, e isto é tão bom quanto um banquete. Observe que a bênção de Deus pode fazer com que o pouco se torne muito, e seja muito útil; se Deus amaldiçoar aquilo que tivermos, nós comeremos e não nos fartaremos (Ageu 1.6).

2.Houve tamanha abundância que sobrou: “Levantaram dos pedaços que sobejaram doze cestos cheios”, um cesto para cada apóstolo: assim, aquilo que havia sido doado foi restituído de forma multiplicada. E como eram inteligentes, poderiam fazer com que esta refeição ainda fosse servida outra vez, o que também seria motivo de ações de graças. Este fato teve a finalidade de manifestar e engrandecer o milagre, e mostrar que a provisão que Cristo faz para aqueles que são seus não é pequena e limitada, mas rica e farta; o Senhor concede o pão que nos é necessário (Lucas 15.17), com uma completa abundância. A multiplicação que Eliseu fez dos pães foi semelhante a esta, porém muito menor que esta; e então foi dito: “Comer-se-á, e sobejará” (2 Reis 4.43).

É o mesmo poder divino, embora exercido de uma maneira normal, que multiplica a semente semeada no solo todos os anos, e faz com que a terra produza com abundância. Isso ocorre para que aquilo que foi trazido em punhados seja levado para casa em feixes. Esta é a obra do Senhor: “Foi o Senhor que fez isto, e é coisa maravilhosa aos nossos olhos”. Todas as coisas naturais existem através de Cristo, e é pela palavra do seu poder que elas são sustentadas.

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 14: 1 – 12

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A Morte de João Batista

Aqui temos a história do martírio de João. Observe:

I – A ocasião da história aqui relatada (vv. 1, 2). Lemos aqui sobre:

1.O relato trazido a Herodes sobre os milagres que Cristo realizou. Herodes, o tetrarca, principal governador da Galileia, ouviu falar sobre a fama de Jesus. Naquela época, enquanto os seus compatriotas o desprezavam, por causa da sua simplicidade e obscuridade, Ele começou a ficar famoso na corte. Deus honra aqueles que são desprezados por sua causa. E o Evangelho, como o mar, consegue em um lugar o que perde em outro. Cristo já estava pregando e realizando milagres há mais de dois anos; ainda assim, aparentemente Herodes não ouvira falar dele até aquele momento, e somente então soube da sua fama. A infelicidade das pessoas importantes do mundo é que elas não ouvem as melhores coisas (1 Coríntio 1.26); ” nenhum dos príncipes deste mundo conheceu” (1 Coríntios 2.8). Os discípulos de Cristo eram enviados para pregar, e para realizar milagres em seu nome, e isto espalhou a sua fama mais do que nunca, o que era uma indicação de como seria a pregação do Evangelho, por eles, depois da ascensão de Jesus.

2.O s ignificado que Herodes atribui aos fatos (v. 2); ele disse aos seus servos que lhe contaram sobre a fama de Jesus: “Este é João Batista; ressuscitou dos mortos”. O fermento de Herodes não era a doutrina dos saduceus, pois eles diziam que não havia ressurreição (Atos 23.8. A consciência culpada de Herodes (como é comum com os ateus), nessa ocasião, obteve o controle da sua opinião, e ele concluiu que, quer existisse uma ressurreição geral ou não, João Batista certamente havia ressuscitado, e, portanto, milagres poderosos se manifestavam nele. João, enquanto viveu, não realizou nenhum milagre (João 10.41); mas Herodes conclui que, tendo ressuscitado dos mortos, ele estava revestido de um poder maior do que tinha anterior mente. E adequadamente ele chama os milagres que imagina que foram realizados por João, não de maravilhas, mas sim de “maravilhas que operam nele”. Considere, a respeito de Herodes:

(1) Como ele ficou desapontado em relação ao que

pretendia quando mandou decapitar João. Ele pensou que se pudesse tirar aquele impertinente do caminho, poderia continuar com seus pecados, sem que ninguém o perturbasse ou controlasse; tão logo isso aconteceu, ele ouviu de Jesus e seus discípulos pregando a mesma doutrina que João pregava; e, além disso, até mesmo os discípulos confirmando-a por milagres em nome do seu Mestre. Ministros podem ser silenciados, e aprisionados, expulsos e assassinados, mas a Palavra de Deus não pode ser detida. Os profetas não viveram para sempre, mas sua palavra nos alcança (Zacarias 1.5,6; veja 2 Timóteo 2.9). Às vezes, Deus levanta muitos ministros fiéis das cinzas de um ministro. Há esperança para as árvores de Deus, mesmo que sejam cortadas (Jó 14.7-9).

(2) Como Herodes foi tomado por temores sem fundamento, meramente devido à culpa da sua própria consciência. Assim o sangue clama, não somente da terra sobre a qual foi derramado, mas do coração daquele que o derramou, e o torna um terror por todos os lados, um terror em si mesmo. Uma consciência culpada sugere tudo o que é assustador e, como um turbilhão, chama para si tudo o que se aproxima dela. “Assim fogem os ímpios, sem que ninguém os persiga” (Provérbio 28.1); acham-se em grade pavor (Salmos 114.5), onde ele não existe. Herodes, com uma pequena investigação, poderia ter descoberto que este Jesus existia muito tempo antes da morte de João Batista, e por isto não poderia ser João de volta à vida; e assim ele poderia ter descoberto o seu engano; mas Deus, com justiça, deixou-o entregue a este desvario.

(3) Como, apesar disso, ele continuou insensível na sua maldade. Embora ele estivesse convencido de que João era um profeta, e propriedade de Deus, ainda assim ele não expressa o menor remorso ou tristeza pelo seu pecado de tê-lo levado à morte. Os demônios creem e estremecem, mas nunca creem e se arrependem. Observe que pode existir o terror das fortes convicções onde não existe a verdade de uma conversão salvadora.

II – A própria história da prisão e do martírio de João. Estes sofrimentos extremos daquele que foi o primeiro pregador do Evangelho mostram claramente que as prisões e aflições sobrevirão a muitos daqueles que ensinam a Palavra de Deus. Assim como o primeiro santo do Antigo Testamento. o primeiro ministro do Novo Testamento também morreu como mártir. E se o precursor de Cristo foi tratado assim, os seus seguidores não devem esperar ser tratados pelo mundo com carinho. Observe aqui:

1.A fidelidade de João ao reprovar Herodes (vv. 3, 4). Herodes era um dos que ouviam a João (Marcos 6.20), e por isso João podia ser mais ousado com ele. Os ministros, que têm por função censurar, são especialmente obrigados a censurar aqueles que estão sob a sua responsabilidade, e não permitir que o pecado recaia sobre eles; eles têm a oportunidade mais justa e imparcial para lidar com eles, e é deles que poderão esperar a aceitação mais favorável.

O pecado que João reprovou, em especial em Herodes, foi o fato de ele se casar com a esposa do seu irmão Filipe, e não com a sua viúva (isto não teria sido tão pecaminoso). Filipe estava vivo, e Herodes seduziu a sua esposa, e a afastou dele, tomando-a para si. Aqui havia uma mistura de maldade, adultério e incesto. além do mal feito a Filipe, que tinha um filho com essa mulher; e em um agravo do mal o fato de ser seu irmão, seu meio-irmão por parte de pai, mas não de mãe (veja Salmos 50.20). Foi por este pecado que João o censurou; não por insinuações tácitas e indiretas, mas em termos claros. “Não te é lícito possuí-la”. Ele lhe imputa isto como um pecado; ele não disse: Não é honrado, ou: Não é seguro, mas sim: Não é lícito – a corrupção do pecado, por ser a transgressão da lei, é a pior coisa que há. Esta era a iniquidade de Herodes, o seu pecado apreciado, e por isso João Batista lhe fala desse particular. Observe:

(1) Aquilo que pela lei de Deus é ilícito às outras pessoas, pela mesma lei é ilícito par a os príncipes e para os homens mais importantes. Aqueles que governam não devem esquecer que nada são, além de homens, e sujeitos a Deus. Em outras palavras, corromper a esposa de outro homem não é lícito para você, nem para o seu menor súdito. Não existe a prerrogativa de infringir as leis de Deus – nem mesmo para os reis maiores e mais tirânicos.

(2) Se os príncipes e homens importantes infringirem a lei de Deus, é muito adequado que eles sejam informados disso pelas pessoas apropriadas, e de uma maneira apropriada. Assim como eles não estão acima dos mandamentos da Palavra de Deus, também não estão acima das censuras dos seus ministros. Não é adequado, na verdade, dizer a um rei: “Tu és vil” (Jó 34.18, versão TB), não mais do que chamar a um irmão de raca, ou chamá-lo de louco; não é adequado, enquanto o rei se conservar na esfera na sua própria autoridade, denunciá-lo. Mas é adequado que, por aqueles cujo ministério seja este, eles saibam o que é ilícito, e que saibam com adequação: “Tu és este homem”; pois o versículo que segue (Jó 34.19) diz que Deus (cujos agentes e embaixadores são ministros leais) não faz acepção da pessoa de príncipes, nem estima o rico mais do que o pobre.

2.A prisão de João devido à sua fidelidade (v. 3). Herodes prendeu João quando ele estava pregando e batizando. Fez com que o seu trabalho chegasse ao fim, manietou-o e encerrou-o no cárcere; parcialmente para satisfazer a sua própria vingança, e parcialmente para agradar a Herodias, que, entre os dois, parecia ser a mais inflamada contra João; foi por ela que ele fez isso. Observe:

(1) As censuras leais, se não traz em frutos, normalmente provocam; se não fazem o bem, são interpretadas como afrontas, e aqueles que não se curvam à censura se imporão diante de quem os censura e os odiarão, como Acabe odiou a Micaías (1 Reis 22.8; veja Provérbio 9.8; 15.10.12). A verdade produz ódio.

(2) Não é novidade que os ministros de Deus sofram o mal por fazerem o bem. Os problemas persistem sobre aqueles que são mais diligentes e fiéis na realização do seu dever (Atos 20.20). Talvez alguns dos amigos de João o culpassem por ter sido imprudente ao censurar o tetrarca, e lhe dissessem que ele teria feito melhor ficando calado em lugar de provocar Herodes, cujo caráter ele conhecia muito bem. João foi, assim, privado da sua liberdade. Mas rejeitemos essa prudência que impede que os homens realizem o seu trabalho corno magistrados, ministros, ou amigos cristãos; eu acredito que o próprio coração de João não o censurava por isso, mas esse testemunho da sua consciência tornou mais fácil o seu sofrimento, pois ele sofreu por fazer o bem, e não “como o que se entremete em negócios alheios” (1 Pedro 4.15).

3.A restrição que impedia Herodes de descarregar toda a sua ira contra João (v. 5).

(1) Ele teria mandado matá-lo. Talvez essa não fosse a sua intenção a princípio, quando o aprisionou, mas a sua vingança foi gradativamente chegando a este nível. Observe que o caminho do pecado, especialmente o pecado da perseguição, é descendente; e quando o respeito aos ministros de Cristo é abandonado e esquecido em alguma situação, o resultado final faz com que o homem prefira ser um cão a ser o culpado por tal situação (2 Reis 8.13).

(2) O que impedia Herodes era o seu medo da multidão, porque eles consideravam João um profeta. Não foi porque ele temesse a Deus (se ele temesse a Deus, não teria aprisionado a João), nem porque temesse a João, embora tivesse senti do certo respeito por ele (a sua luxúria superou isso), mas porque ele temia a multidão – ele tinha medo por si mesmo, pela sua própria segurança e pela segurança do seu governo, pois sabia que o seu abuso de poder já o tinha tornado odioso ao povo, cuja raiva, já bastante inflamada, poderia, com uma provocação suficiente – como a de matar o profeta -, explodir em uma revolta. Observe que:

[1]. Os tiranos têm os seus medos. Aqueles que são, e fingem ser, o terror dos poderosos são, muitas vezes, o maior de todos os terrores para si mesmos; e quando eles mais desejam ser temidos pelo povo, é quando sentem mais medo.

[2] Os homens maus evitam os atos mais malévolos simplesmente pelo seu próprio interesse secular, e não por qualquer consideração a Deus. Uma preocupação pelo seu conforto, crédito, riqueza e segurança, como seu princípio dominante, assim como os afasta de muitos deveres, também os afasta de muitos pecados, os quais, não fosse por isto, não evitariam; e esta é a única razão pela qual os pecado­ res não são demasiadamente ímpios (Eclesiastes 7.17). O perigo do pecado que se insinua aos sentidos, ou somente à imaginação, é que ele influencia mais os homens do que aquilo que pode levá-los à fé. Herodes temia o fato de que levar João à morte pudesse suscitar uma revolta do povo, o que não ocorreu; mas ele nunca temeu que isto pudesse suscitar uma revolta na sua própria consciência, o que realmente veio a acontecer (v. 2). Os homens temem ser mortos por determinadas coisas; porém, mu­ itas vezes, não temem ser amaldiçoados por elas.

4.O estratagema de levar João à morte. João Batista ficou muito tempo na prisão e, contra a liberdade individual (que, bendito seja Deus, nos é garantida por lei nesta nação), não podia ser julgado nem libertado sob fiança. Avalia-se que ele tenha permanecido um ano e meio como prisioneiro, o que era praticamente o mesmo período de tempo que ele tinha passado no seu ministério público, desde o seu início. Aqui nós temos o relato da sua libertação, não por nenhuma absolvição, mas pela morte, que põe fim a todos os problemas de um bom homem, onde “os presos juntamente repousam e não ouvem a voz do exator” (Jó 3.18).

Herodias traçou o plano; a sua vingança implacável estava sedenta do sangue de João, e não seria satisfeita com menos do que isto. Interfira com os apetites carnais, e eles se transformam nas mais bárbaras paixões. Herodias era uma mulher, uma prostituta e mãe das prostituições, que estava sedenta do sangue dos santos (Apocalipse 17.5,6). Herodias planejou executar o assassinato de João de maneira tão artificial para, simultaneamente, salvar o nome de Herodes e pacificar o povo. Uma desculpa ruim ainda é melhor do que nenhuma. Mas eu penso que se a verdade fosse conhecida, o próprio Herodes faria parte do plano, e com todas as suas desculpas de surpresa e tristeza, estava secretamente de acordo com o plano, e sabia de antemão o que lhe seria pedido. E a sua desculpa do juramento e do respeito aos seus convidados não era nada além de fingimento. Mas se ele caiu na cilada antes de ter se dado conta, porque isto era o tipo de coisa que ele podia ter evitado e não o fez, ele é, com justiça, considerado culpado de toda a trama. Embora Jezabel tenha levado Nabote ao seu fim, ao tomar posse da vinha, o próprio Acabe se torna participante do assassinato. Assim, embora Herodias tenha planejado a decapitação de João, se Herodes consentiu com isto, e ficou satisfeito com isto, ele não foi apenas um auxiliar, masco-autor do assassinato com ela. Bem, com a cena se desenrolando nos bastidores, vejamos como ela foi encenada, e de que maneira. Aqui, temos:

(1) A dança da jovem como um presente a Herodes, no seu aniversário. Aparentemente, o aniversário de Herodes era celebrado com alguma solenidade – para honrar o dia precisa haver, como é usual, um baile na corte; e, para dar graça à solenidade, a filha de Herodias dançou diante dos convidados; e sendo a filha da rainha, houve uma condescendência maior do que a usual. Observe que as ocasiões de festa e celebração carnal são ocasiões convenientes para se colocar em execução os planos malignos contra o povo de Deus. Quando o rei ficou embriagado pelas muitas garrafas de vinho que consumiu, ele estendeu a sua mão com os escarnecedores (Oseias 7.5), pois “um divertimento é para o tolo praticar a iniquidade” (Provérbio 10.23). Quando o coração dos filisteus estava alegre, chamaram Sansão para ofendê-lo. O massacre parisiense ocorreu durante a celebração de umas bodas. A dança dessa jovem agradou a Herodes. Não sabemos quem dançou com ela, mas ninguém agradou a Herodes mais que ela, com a sua dança. Observe que um coração vaidoso e grosseiro está apto a apaixonar-se profundamente pela luxúria da carne e dos olhos, e quando isto acontece, cede ainda mais à tentação; pois é dessa maneira que Satanás consegue se apossar de alguém (veja Provérbio 23.31-33). Herodes estava alegre, e nada lhe era mais agradável que aquilo que alimentasse a sua vaidade.

(2J A promessa impensada e tola que Herodes fez a essa jovem devassa, de que lhe daria qualquer coisa que ela lhe pedisse, confirmando a promessa com juramento (v. 7). A obrigação que Herodes assumiu era muito extravagante; de maneira alguma, ele agiu como o homem prudente que tem medo de se prender com as palavras da sua boca (Provérbio 6.2), muito menos um homem bom que teme o juramento (Eclesiastes 9.2). Colocar esta promessa em branco na mão da jovem e permitir que ela extraísse dele o que bem desejasse era uma recompensa grande demais para uma obra de mérito tão pequeno; e sou levado a pensar que Herodes não teria sido culpado de tal absurdo se não tivesse sido instruído por Herodias, assim como o tinha sido a jovem. Observe que os juramentos e promessas são coisas que enredam, e, quando feitos de forma impensada, são o resultado da corrupção interior, e dão ocasião a muitas tentações. Portanto, não jure nunca, de maneira nenhuma, para que você não tenha a chance de dizer: “Foi erro” (Eclesiastes 5.6).

(3) O pedido sangrento que a jovem fez da cabeça de João Batista (v. 8). Ela tinha sido instruída pela sua mãe de antemão. Triste é a situação dos filhos cujos pais são seus conselheiros para que procedam impiamente, como os pais de Acazias (2 Crônicas 22.3); que os orientam a pecar, e incentivam o seu pecado, e lhes dão maus exemplos; pois a natureza corrupta será mais prontamente despertada por más orientações do que será restrita e envergonhada por boas orientações. As crianças não devem obedecer aos seus pais contra o Senhor, mas, se estes ordena­ rem que seus filhos pequem, eles devem dizer, como Levi disse ao seu pai e à sua mãe: “Nunca os vi”.

Tendo Herodes concedido um pedido à jovem, e Herodias lhe dado as instruções, ela pede, num prato, a cabeça de João Batista. Talvez Herodias temesse que Herodes se cansasse dela (pois a luxúria costuma enjoar e trazer enfado), e então faria da censura de João Batista uma desculpa para livrar-se dela. Para impedir isso, Herodias planejou firmar o compromisso de Herodes com ela, envolvendo-o no assassinato de João. Então, João devia ser decapitado – esta seria a morte pela qual ele deveria glorificar a Deus; e por ser ele o primeiro que morreu depois do início do Evangelho, embora os mártires morressem de diversas maneiras, nem tão fáceis nem tão honrosas quanto esta, a sua é apresentada para todo o resto (Apocalipse 20.4), onde se lê sobre as almas daqueles que foram “degolados pelo testemunho de Jesus”. Mas isto não bastava, o ato também deveria ser agradável, e não apenas uma vingança, mas um capricho que deveria ser satisfeito; a cabeça deveria ser dada a ela num prato, servida em sangue, como um prato de carne no banquete, ou molho para os outros pratos. Ele estaria reservado como o terceiro prato da noite, servido junto com as raridades. João não deve ter um julgamento, nem audiência pública; nenhuma forma de lei ou justiça deve acrescentar uma solenidade à sua morte; mas ele é julgado, condenado e executado num instante. João Batista estava tão mortificado para o mundo, que a morte não seria nenhuma surpresa para ele, mesmo que ocorresse de forma tão repentina. Herodes tinha que conceder à jovem a cabeça de João Batista, e ela consideraria isto como uma recompensa pela sua dança, e não desejaria mais nada.

(4) Herodes atende ao pedido da jovem (v. 9). O rei estava pesaroso, pelo menos foi isto que ele demonstrou; mas, devido ao juramento, ordenou que ela fosse atendi­ da. Aqui estão:

[1]. Uma preocupação fingida por João. O rei estava pesaroso. Observe que muitos homens pecam com pesar, nunca tendo nenhum pesar verdadeiro pelos seus pecados; eles sentem pesar por pecar, mas são completamente estranhos ao pesar piedoso; pecam com relutância, e ainda assim continuam pecando. O Dr. Hammond sugere que um dos motivos do pesar de Herodes era o fato de ser este o banquete do seu aniversário, e seria um mau agouro derramar sangue nesse dia, que, como outros dias de alegria, costumava ser honrado com atos de clemência.

[2]. Uma consciência fingida pelo seu juramento, com uma demonstração ilusória de honra e honestidade. Ele precisa fazer alguma coisa, devido ao juramento. Trata-se de um grande engano pensar que um juramento mal-intencionado irá justificar uma ação mal-intencionada. Estava tão necessariamente implícito, de maneira que não precisava ser expresso, que ele faria por ela qualquer coisa que fosse lícita e honesta; e quando ela exigiu algo que não o era, ele devia ter declarado (e o teria feito honradamente) que o juramento era nulo e vazio, e teria cessado a sua obrigação para com ele. Nenhum homem pode se colocar na obrigação de pecar, porque Deus já ordenou enfaticamente que os homens não pequem.

[3]. Uma maldade real em conformidade com as más companhias. Herodes cedeu, não tanto pelo juramento, mas porque ele era um homem público, e como uma atitude de respeito àqueles que se sentavam para a refeição com ele. Ele concedeu a exigência para não dar a impressão, diante deles, de que tinha rompido o seu compromisso. Observe que uma questão de honra, para alguns, é muito superior a uma questão de consciência. Aqueles que se sentavam para a refeição com ele provavelmente estavam tão satisfeitos com a dança quanto ele, e, portanto, teriam desejado que ela fosse satisfeita nessa brincadeira, e talvez estivessem tão desejosos quanto ela de ver João Batista decapitado. No entanto, nenhum deles teve a honestidade de intervir, como deveriam ter feito, para impedir isso, como fizeram os príncipes de Jeoaquim (Jeremias 36.25). Se tivessem estado ali pessoas do povo, elas teriam livrado este Jônatas, como em 1 Samuel 14.45.

[4]. Uma verdadeira má intenção para com João Batista por trás da concessão do desejo, caso contrário Herodes teria encontrado desculpas suficientes para desobrigar-se da sua promessa. Observe que embora uma mente pecadora nunca deseje uma desculpa, ainda assim a verdade é que todo homem “é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência” (Tiago 1.14). Talvez Herodes – refletindo sobre a extravagância da sua promessa, na qual ela poderia basear uma exigência de uma grande soma em dinheiro, algo que ele adorava muito mais do que a João Batista – estivesse satisfeito por se livrar da promessa tão facilmente; e, portanto, imediatamente dá a autorização da decapitação de João Batista, aparentemente não por escrito, mas apenas verbalmente; tão pouca consideração foi dedicada àquela preciosa vida; ele “ordenou que se lhe desse”.

(5) A execução de João, em seguida à autorização (v. 10). Ele enviou alguém para decapitar João Batista na prisão. Provavelmente a prisão era muito próxima, às portas do palácio; e até lá foi enviado um oficial para cortar a cabeça desse grande homem. João deve ter sido decapitado rapidamente, para agradar a Herodes, que estava à espera, até que isto fosse feito. Aconteceu à noite, pois era a hora da ceia, provavelmente depois da ceia. Realizou-se na prisão, e não no lugar usual para as execuções, por medo de uma revolta. Uma grande quantidade de sangue inocente, de sangue de mártires, foi igualmente derramado às escondidas, sangue que, quando Deus vier para inquirir do derramamento de sangue, “a terra descobrirá o seu sangue e não encobrirá mais aqueles que foram mortos” (Isaias 26.21; veja Salmos 9.12).

Assim essa voz foi silenciada, assim essa luz ardente e brilhante foi extinta; assim esse profeta, esse Elias do Novo Testamento, foi sacrificado pelo rancor de uma mulher infiel e dominadora. Assim aquele que era grande diante do Senhor morreu como morre um tolo, com suas mãos amarradas e seus pés acorrentados; e assim como um homem cai diante dos homens maus, também ele caiu, um verdadeiro mártir, diante das más intenções e dos maus propósitos; morrendo não pela profissão de sua fé, mas pelo cumprimento do seu dever. No entanto, embora o seu trabalho tenha passado tão rapidamente, ele se realizou e o seu testemunho foi concluído, pois até então nenhuma das testemunhas de Deus tinha sido assassinada. E Deus extraiu algo de bom disso, pois os discípulos de João Batista que, enquanto ele viveu, mesmo na prisão, se mantinham próximos a ele, agora, depois da sua morte, se uniram sinceramente a Jesus Cristo.

5.O que foi feito dos pobres restos desse bendito santo e mártir. Sendo a sua cabeça separada do corpo:

(1) A jovem trouxe triunfalmente a cabeça à sua mãe, como um troféu das vitórias da sua maldade e vingança (v. 11). Jerome ad Rufin relata que quando Herodias recebeu a cabeça de João Batista, ela se dedicou à bárbara diversão de furar a sua língua com uma agulha, como Fúlvia fez com a de Túlio. As mentes sanguinárias se satisfazem com visões sangrentas, aquelas que os espíritos piedosos evitam e temem. Algumas vezes, a ira insaciável de perseguidores sanguinários caiu sobre os cadáveres dos santos, e se divertira m com eles (Salmos 79.2). Quando as testemunhas são assassinadas, aqueles que habitam na terra se regozijam sobre eles, e se alegram (Apocalipse 11.10; Salmos 14.4,5).

(2) Os discípulos sepultaram o corpo, e, em lágrimas, foram anunciar a notícia ao Senhor Jesus. Os discípulos de João jejuavam frequentemente enquanto o seu mestre estava na prisão, enquanto o esposo estava afastado deles, e eles oravam fervorosamente pela sua libertação, como a igreja fez pela libertação de Pedro (Atos 12.5). Eles tinham livre acesso a ele na prisão, o que era um consolo para eles; mas eles queriam vê-lo em liberdade, para que ele pudesse pregar aos outros; mas agora, de repente, todas as suas esperanças são frustradas. Os discípulos choram e lamentam, enquanto o mundo se alegra. Vejamos o que eles fizeram.

[1]. Eles sepultaram o corpo. Observe que existe um respeito devido aos servos de Cristo, não somente enquanto eles vivem, mas aos seus corpos e às suas memórias, quando morrem. Sobre os dois primeiros mártires do Novo Testamento, é particularmente registrado que eles foram sepultados decentemente: João Batista, por seus discípulos, e Estêvão, por varões piedosos (Atos 8.2). Mas não houve consagração dos seus ossos ou de outros restos como relíquias, uma superstição que surgiu muito tempo depois, quando o inimigo já havia semeado as ervas daninhas. Este exagero, a respeito dos cadáveres dos santos, destrói; embora eles não devam ser desonra­ dos, também não devem ser divinizados.

[2] Eles foram e anunciaram a Jesus – não tanto para que Ele pudesse fugir para a sua própria segurança (sem dúvida, Ele tinha ouvido isso de outros, todo o povo falava disso), mas para que pudessem receber consolo dele, e serem aceitos entre os seus discípulos. Devemos considerar que, em primeiro lugar, quando alguma coisa nos aflige, em qualquer ocasião, é nosso dever e nosso privilégio informar isso a Cristo. Será um alívio para o nosso espírito sobrecarregado poder desabafar com um amigo com quem nos sentimos à vontade. A morte de um amigo ou a falta de cortesia de alguém, um consolo perdido ou a amargura, devemos contar a Jesus, que já conhece o fato, mas saberá, por nossa boca, a per­ turbação que aflige as nossas almas em meio à adversidade. Em segundo lugar, nós devemos tomar cuidado para que a nossa religião e a profissão dela não pereçam com os nossos ministros; quando João morreu, os discípulos dele não retornaram aos seus familiares, mas resolveram perseverar na fé. Quando os pastores são mortos, as ovelhas não precisam se espalhar enquanto tiverem o grande Pastor para seguir, aquele que ainda é o mesmo (Hebreus 13.8,20). A remoção de ministros deveria nos levar para mais perto de Cristo, em uma comunhão mais próxima com Ele. Em terceiro lugar, o consolo, em outras circunstâncias altamente valioso, algumas vezes nos é negado, porque se coloca entre nós e Cristo, e pode afastar aquele amor e aquele afeto que são devidos somente a Ele. João tinha, durante muito tempo, orientado seus discípulos em direção a Cristo, e os tinha entregado a Ele, mas eles não poderiam abandonar o seu antigo mestre enquanto ele vivesse; por isso João foi removido, para que eles pudessem ir a Jesus, a quem algumas vezes eles tinham imitado e invejado, por causa de João. É melhor ser levado a Cristo pela falta ou pela perda, do que não ser levado a Ele por motivo nenhum. Se os nossos mestres deixarem de ser a nossa cabeça, este será o nosso consolo: nós temos um Mestre no céu, e Ele mesmo é a nossa Cabeça.

Josefo menciona a história da morte de João Batista (Antiq., liv. 18, cap. 7) e acrescenta que a destruição do exército de Herodes, na sua guerra com Aretas, rei da Petréia (cuja filha era a mulher de Herodes, que ele rejeitou para poder receber Herodias), em geral era considerada pelos judeus como sendo um justo julgamento sobre ele, por levar João Batista à morte. Tendo Herodes se recusa­ do a obedecer ao imperador, instigado por Herodias, foi destituído do seu governo e ambos foram expulsos para Lyon, na França; o que, segundo Josefo, foi o seu justo castigo por ter dado ouvidos aos pedidos dela. E, finalmente, a respeito da filha de Herodias, diz-se que, quando andava sobre o gelo, no inverno, o gelo se rompeu, e ela mergulhou até o pescoço, que foi cortado pelo gelo pontiagudo. Deus exigiu a sua cabeça (diz Dr. Whitby) em troca da de João Batista; o que, se for verdade, pode ser considerada uma providência admirável.

GESTÃO E CARREIRA

A COMPLEXA ARTE DE VENDER E ENCANTAR

A complexa arte de vender e encantar

Você já ouviu falar em Joe Girard? Em 1997 ele foi eleito pelo Guiness Book, livro dos recordes, como o maior vendedor do mundo. O título foi dado pelo alto desempenho em vendas de automóveis. O norte-americano atingiu uma marca de 1.500 carros comercializados por mês em uma revendedora de automóveis para a qual trabalhou. De menino pobre a pai de família desempregado, Girard passou a ser um incansável estrategista porque tinha foco total no cliente e no produto e sempre planejava o que fazer. Enquanto seus colegas ficavam na loja aguardando o movimento de pessoas, ele realizava uma série de ações para atrair novos potenciais compradores. Esse homem foi um grande exemplo de como vender com magia, porque foi uma espécie de encantador de clientes. E, obviamente, os proprietários das lojas por onde passou lucraram muito com isso.

Hoje, em tempos de recessão econômica, na qual os clientes assumem novos hábitos de consumo que consistem em pensar duas vezes antes de comprar algo, se faz necessário que os vendedores tenham a mesma garra de Girard, com a representação do produto cada vez mais eficiente. Esse profissional é o elo entre a marca, o cliente e o grande divulgador. Ou seja, não basta apenas vender.

Por isso, uma das áreas que mais empregam no mundo, a de vendas, tem recebido uma atenção especial das empresas atualmente. “Durante muito tempo, ser vendedor era mais uma atividade de improviso. Nos dias de hoje, cada vez mais as pessoas querem fazer carreira na área comercial e não simplesmente cair de paraquedas”, analisa a head da escola de Vendas da Affero Lab, Carolina Manciola. “Vender é mais que uma atividade. É uma competência das mais requeridas no mundo dos negócios'”, completa.

OS NOVOS DONOSDO JOGO

De acordo com Carolina Manciola, o desafio do vendedor hoje é criar conexão entre oferta e demanda; entre solução e problema, entre produto e cliente; entre razão e emoção. “Mas nada disso será possível se o profissional não se conectar com ele e com o mundo em sua volta”, afirma.

Por isso, uma boa equipe de vendas mais do que nunca é tão essencial para uma empresa como ter bons produtos e inovações constantes. “Um time motivado, focado em metas e treinado faz a diferença. Sempre será mais fácil aumentar o volume de vendas do que reduzir custos”, explica o presidente da Associação Brasileira de Automação para o Comércio (AFRAC), Zenon Leite. Ele acredita que todas as empresas sabem a importância de um bom vendedor, e o bom vendedor hoje é aquele que planeja sua atuação, faz agenda, faz o pós-venda e, sobretudo, é ético também.

Para a coach Vivian Sant’anna, os melhores vendedores hoje se destacam porque alcançam assertivamente o número de vendas superior à média. “O vendedor de hoje é educado, sabe ouvir e se interessa em descobrir a real necessidade do cliente. E, na maioria dos casos, sabe principalmente como não vender e quando é hora de se afastar. Sabe também analisar o que deu errado para ajustar o comportamento em uma próxima tentativa’, explica.

Para o coordenador de treinamento da Marco Marketing Brasil, Thiago Oya, ser um excelente vendedor acima de tudo é também cativar e conseguir decifrar todos os sinais que o cliente dá durante o atendimento. “Com isso e por meio da oferta de um produto ou serviço, realizar sonhos. E aborda de forma diferente, deixando seus clientes à vontade”, assume.

Além disso, o vendedor tem que gostar de gente e se preocupar em resolver os problemas das pessoas. Não é um mero tirador de pedidos ou alguém que apenas domina os aspectos do produto que vende. “Este perfil de profissional vai além da negociação e consegue atingir resultados acima da média e sustentar seu desempenho por longos períodos”, acrescenta o coordenador do curso de Administração de Empresas da faculdade FADISP, Roberto Flores Falcão.

Para o especialista, quem sabe vender de verdade costuma se diferenciar dos que possuem desempenho mediano. E isso porque conhecem profundamente seu produto, por isso estão prontos para responder com tranquilidade às questões. E também porque acreditam no que vende e sabem escutar. “Um vendedor acima da média não empurra seus produtos, mas busca entender as necessidades dos seus clientes’, reforça Falcão. Muitos vendedores pensam em comercializar sempre o produto de maior valor ou o que está em campanha, mas os que realmente desejam fidelizar seus compradores indicam o produto ideal para a necessidade apresentada. ”Ele também   consegue identificar aspirações e plantar sementes para uma eventual venda de maior valor. Tem domínio sobre os serviços e acessórios que casam com determinado produto, oferecendo sempre uma solução 360°’ complementa Thiago Oya.

Isso significa transformar as características do produto e serviços em benefícios reais para o cliente, além disso, atuar também como um consultor sempre à disposição para auxiliar nas dúvidas que surgem. “Outra característica é que são pessoas muito organizadas, disciplinadas, carismáticas, sinceras, determinadas e humildes”, diz o psicanalista e consultor funcional Rodrigo Buoro. Em sua visão, esses pequenos detalhes fazem toda a diferença no mundo em que vivemos atualmente.

Uma boa característica em comum desses bons profissionais atualmente é que estudam muito e nunca acham que sabem tudo. Por isso, são eternos aprendizes. “Costumam pedir feedbacks e ouvem mais do que falam. Isso é crucial, pois o tomam capazes de fazer um diagnóstico seguro para oferecer a melhor solução ao cliente. O cuidado é para não fingir apenas que estão ouvindo o cliente, mas de fato treinar uma escuta empática e entender o que o cliente quer’, explica a máster coache autora do livro “Faça o tempo trabalhar para você”, Tathiane Deândhela.

Esses vendedores costumam treinar muito e este é outro segredo, segundo ela ‘”Quanto mais treinamos, mais capacidade e inteligência emocional temos. Improviso eficaz nada mais é do que previsões de acontecimentos e preparação para lidar com diversos tipos de situação- “.

PASSOS PARA ENCANTAR

Quando o assunto é arte de encantar, é preciso existir uma estratégia para adotar técnicas que sejam eficazes. Grandes redes de varejo já estão aplicando metodologias e demonstrando isso. “A Loungerie, roupa de moda íntima feminina, é um exemplo em criar experiência única de compra que se expressa desde a loja até a embalagem do produto”, explica o CEO da Voulez – empresa especializada em inteligência corporativa, Renato Costa

De acordo com ele, para aplicar um método que garanta alto desempenho em vendas é preciso, antes mesmo do contato como cliente em potencial, preparar uma estratégia inicial para planejar exatamente como será o serviço. É necessário também definir metas, estabelecer um padrão de abordagem, saber quais são as prioridades e estudar o consumidor. “Com a estratégia inicial definida, o segundo passo é avançar para a implementação de passos essenciais para a arte de encantar”, comenta.

Existem cinco passos para alcançar a excelência em vendas, segundo Costa. O primeiro é conquistar a sintonia, o que significa manter o foco nas vontades do cliente, estabelecer confiança e formas de comunicação direcionadas ao cliente; buscar assuntos relacionados a ele, exaltar pontos positivos e chamá-lo pelo nome. O segundo é despertar o interesse e, para isso, o ideal é entender as reais necessidades do cliente, antecipando-se ao levantar os obstáculos que impediriam a compra dos produtos, direcionar o foco ao objetivo do comprador e entender o que ele quer, como quer e o que o impede da possibilidade de não adquirir.

Já o terceiro está relacionado à solução, e isso significa apresentar a melhor resolução ao cliente, conhecendo, claro, o produto que vende e seus benefícios. A quarta etapa é o desejo; é necessário despertar a vontade do cliente em adquirir o produto, criar sinestesia entre ambiente e produto, avaliar custo-benefício e valores agregados, além do diferencial competitivo. E o último passo é denominado de fechamento; isso significa que após realizar a venda é preciso controlar o seu desfecho, assim como garantir os benefícios agregados e fidelizar o relacionamento com o cliente.

RECEITAS QUEDÃO CERTO

O gerente de Relacionamento da empresa Crowe Horwath – expert em auditoria e consultoria -, Juliano Esposto, tem uma receita que costuma ser infalível para encantar os clientes.

Começa pelo ingrediente principal: saber ouvir. ”Esta é uma das técnicas mais complexas, porque sempre que fala, o cliente expõe suas necessidades, que poderão ser utilizadas pelo vendedor no momento da negociação”, explica.

Mas ele sugere ser sempre ético e transparente para não enganar ou tentar ludibriar no momento da transação comercial. “É importante também saber persuadir e ser o responsável por conduzir a negociação, utilizando técnicas de perguntas fechadas que funcionam como respostas que geralmente o vendedor precisa ouvir do cliente, como sim e não, e perguntas abertas que permitem ao cliente interagir no momento da negociação”, pondera.

A gerente do grupo PLL – especializado em assistência técnica para celulares -, Geyse Câmera, tem como estratégia principal ter paixão pelo que faz. “O universo do vendedor é mágico, porque em questões de minutos ele precisa se identificar com o cliente e superar expectativas, agregando serviços e produtos que irão potencializar o objeto de desejo do comprador’, explica.

Relacionamento, verdade e velocidade. Esses são os três pilares essenciais para conquistar excelência em vendas defendidos pelo CEO da Prestus – especializada em desenvolver soluções de atendimento remoto para empresas de diversos portes e segmentos -, Alexandre Borin Cardoso.

O relacionamento significa que um vendedor somente pode ser considerado um profissional habilidoso quando é parceiro e proativo. “Este quesito significa parceria a longo prazo, por isso é necessário gostar de pessoas e de resolver problemas”, diz.

Além disso, ele reforça a opinião de Juliano Esposto sobre ética e transparência dizendo que a relação entre marcas e pessoas se constrói na base da confiança. “Por isso, meias verdades não permitem relacionamento a longo prazo. Prezar por isso em qualquer relacionamento comercial é essencial para o sucesso de uma empresa”, avalia.

Já a velocidade do atendimento é a valorização dos contatos que a empresa recebe. Atender ao telefone prontamente, de preferência em horário estendido, é um dos exemplos. “Este tipo de atendimento é prioridade para 88 % dos brasileiros que preferem resolver assuntos com empresas por telefone”, explica o CEO.

DOS ERROS À PERFEIÇÃO

Quando um cliente diz que vai pesquisar mais produtos e lugares e que “entrará em contato” caso queira fechar negócio, isso significa que uma venda foi perdida. E se isso acontece com frequência é um sinal de que há algo muito errado na estratégia de vendas. Os especialistas dizem ainda que vendas perdidas são um dos pontos que mais impactam no desempenho de pequenas empresas. Por isso, é importante identificar as falhas e corrigi-las.

O cofundador da empresa Confere Cartões, com MBA em Gestão e Estratégia de Negócios, Eduardo Salgado, diz que alguns dos motivos responsáveis por afastar os clientes estão na falta de educação, saber dar espaço ao cliente sem deixá-lo de lado, ser inflexível e não fazer uma proposta irrecusável.

No entanto, ele confessa que venda é um processo complicado que sempre vai ter que unir a procura com a oferta”. Muitas coisas podem acontecer para matar uma venda, mas a principal é quando o vendedor deixa de focar no serviço para o cliente’, afirma.

Até por isso, Salgado hoje é extremamente cuidadoso para fugir desses erros. E esse zelo ocorre muito em função de experiências passadas que justamente o fizeram perder vendas. ‘Acredito que o erro mais marcante que cometi foi deixar o cliente de lado.  Não o estudei melhor para conhecê-lo, sequer marquei uma boa reunião, apenas mandei o orçamento e cheguei a ligar para pedir um feedback, mas como não queria ser um vendedor chato, não combinei uma data para um próximo contato nem perguntei suas impressões reais sobre o orçamento. Deixei em stand by para dar espaço. Um bom tempo depois retornei a ligação e descobri que o cliente acabou fechando negócio com um concorrente porque eu ‘sumi’. A lição que ficou é que os clientes não querem tanto espaço assim, eles querem ser atendidos por profissionais competentes com uma relação clara de onde é que cada um ganha”, relembra.

O consultor sênior da Igapó Consultoria, Alcides Vezozzo Jr., explica que essas deficiências no processo de vendas acontecem pela falta de planejamento e estratégia. “De forma geral, as atuações de venda são erráticas e ineficientes e, assim, acabam sem ligação direta entre a oferta de produto/serviço e os clientes. A origem desse erro quase sempre vem de empresas que não dão o devido valor para a área de vendas’ esclarece.

Podemos observar, segundo ele, que as empresas são bastante orgulhosas quanto à tecnologia, produção ou res­ peito ao ambiente. Mas não tratam o comercial como locomotiva da empresa, que é o lugar mais apropriado.

Na visão de Vezozzo, as companhias americanas e europeias são mais planejadas e disciplinadas neste sentido.” Nós, latinos, temos a tendência de improvisar e a cultuar o talento individual”, aponta. Mas é necessário preparar a equipe de vendas para que seja uma extensão da estratégia da empresa, e não um grupo estressado que busca resultados a todo custo. “A ideia é que a equipe busque excelência como se estivesse sendo avaliada para conquistar uma certificação ISO de Vendas”, comenta.

Para o consultor, o pior erro é não entender que vendas é um processo que deve ser incorporado à atuação de todos da equipe comercial. Como todo processo, tem início, meio e fim, além de necessidade de medição e utilização de ferramentas apropriadas.

Nesse contexto, Thiago Oya diz ainda que é um grande equívoco do profissional estar despreparado. “Costumo dizer em nossos treinamentos que se a pessoa não está segura para falar é melhor dizer que irá pesquisar para fornecer a informação correta e, após isso, retornar ao cliente”, afirma.

De acordo com ele, fazer a leitura errada dos sinais do cliente e vender o produto inadequado por falta de pesquisa ou por pressa em fechar o negócio são erros também imperdoáveis. “Para evitar isso, é necessário realizar um processo de sondagem que esclareça a real necessidade do comprador, sem presumir ou se basear no ‘achismo.’ E não devemos subestimar o cliente. Todas as pessoas devem receber o mesmo tratamento”, lembra.

Para evitar a ineficiência é preciso que a empresa se certifique que possui uma equipe de vendas competente também. E montar um time certo começa na contratação. “Devemos ser transparentes o tempo todo, tratar os candidatos com respeito e aproveitar todos os momentos para engajar o vendedor.  Falar sobre a marca. Valores e como o trabalho dele irá contribuir para fortalecer esta imagem”, explica Thiago Oya.

Além disso, de acordo com o executivo, a empresa precisa ter um plano de desenvolvimento para este time. “Por último, deve-se aferir os resultados individuais e os coletivos para entender melhor as lacunas de conhecimento e traçar estratégias para continuar desenvolvendo esta equipe”.

Ainda sobre a escolha acertada de uma equipe de vendas, o coordenador do curso de   Administração da FADISP, Roberto Flores Falcão, diz que na hora da contratação é importante dar preferência aos candidatos honestos e que gostem de gente em relação aos supostos especialistas em vendas. “Aspectos técnicos podem ser ensinados, porém os valores pessoais dificilmente mudam”, alfineta.

TREINAMENTOS

A performance de um vendedor deve ser aprimorada constantemente. Isso é essencial para que o atendimento ocorra de acordo com as necessidades atuais do mercado e que seja eficiente para consolidar uma venda. “Um bom vendedor nasce com o dom, mas que precisa ser desenvolvido. Por isso a importância de treinamentos com técnicas em vendas que proporcionam dicas e ensinamentos para atendimento consultivo”, explica Thiago Oya.

O investimento em treinamento por parte da empresa deve começar desde a contratação do funcionário para engajá-lo e fazê-lo sentir-se parte do time.

“Também é preciso explicar todas as tarefas. Muitas empresas deixam este tópico somente para o momento da entrevista ou em supervisão direta. É necessário oferecer a visão de suas atribuições durante o treinamento, exemplificar e abrir espaço para a discussão em grupo. Um novo colaborador nem sempre fica à vontade para discutir suas tarefas no momento da entrevista ou diante do seu superior’: comenta.

O CEO do Instituto Passadori, Reinaldo Passadori, diz que na maioria das vezes é preciso um preparo específico sobre técnicas, com treinamento direcionado e o devido acompanhamento no processo de desenvolvimento do profissional. “Dessa forma, é possível conquistar a excelência, com base em diagnóstico, reconhecimento das qualidades desenvolvidas, aprendizados de novos recursos e aperfeiçoamento contínuo”, diz.

Ele indica cursos de vendas em geral, com as técnicas tradicionais, como abordagem, empatia, lidar com objeções, fechamento, conhecimento de clientes, entre outras. Um dos tópicos mais importantes para o vendedor é saber negociar, explorando elementos-chave de uma negociação, a saber: método expositivo, método ativo, técnica role playing, autoscopia, método interrogatório, etc. Além disso, as tradicionais ferramentas das vendas consultivas, nas quais o vendedor cria um ambiente ecológico e de relacionamento com o cliente, gerando a continuidade do processo em uma relação de negócios ganha-ganha”, expõe. Mas, mesmo com esses cursos, ele alerta: em qualquer desses treinamentos, é na prática que se desenvolve o processo de aprendizado.

Para Roberto Flores Falcão, da FADISP, o treinamento básico também deve ensinar sobre a postura profissional do vendedor, que aborda o que se deve vestir e o que não se pode vestir, como falar, uso de perfumes, apresentação pessoal e ética na relação com o cliente.

Além disso, é recomendável oferecer alternativas para os vendedores serem capacitados e treinados em oratória e redação, técnicas de venda e de negociação. “O treinamento é uma das ferramentas mais eficazes na capacitação de vendedores. Podemos incluir como treinamento, além de algumas premissas básicas, motivação, empatia, comunicação, gerenciamento de objeções, técnicas de fechamento, entre outras”, completa Rodrigo Buoro.

CONSTRUA SUA MARCA PESSOAL

O empresário prodígio e fundador da BCY Global (Brand Called You) – empresa com foco em monetização de marcas pessoais -, Rafa Prado, faz a seguinte provocação ao leitor: “Você já pensou que nasceu, cresceu e carregará pela eternidade algo chamado seu nome?”. De acordo com ele, seria inteligente transformá-lo em uma marca que possa apoiar em empreitadas. “Se estamos falando de sucesso, saiba que você deve começar a cuidar de seu nome com muita cautela e respeito, pois ele é único e basta apenas um deslize para toda uma carreira, imagem pública ou negócios em seu entorno virem por água abaixo. A visibilidade e o investimento em sua marca pessoal pode ser o maior diferencial que você venha a ter no mundo contemporâneo”, explica.

Esse é o primeiro passo a ser seguido por um profissional que deseja se tomar um excelente vendedor. A criação de uma marca é um dos principais cuidados que um bom vendedor deve ter para construir uma trajetória de sucesso. Rafa Prado também recomenda a autenticidade com aquilo que o profissional acredita, ainda que isso possa ir contra as ideias da maioria. “Não é necessário forjar personalidades alternativas para ter sucesso, mas ter consistência naquilo que acredita, valores bem definidos e honestidade consigo. Pessoas autênticas são muito mais respeitadas e admiradas”, explica.

Outra recomendação diz respeito a mostrar suas competências. “Não basta ser bom. É preciso parecer ser bom. Há muitas pessoas que são boas tecnicamente, porém sem sucesso real em suas vidas. É preciso reconhecer suas habilidades”, explica.

O último alerta está relacionado à autoconfiança. Acreditar no potencial e entender que a condição do passado não define o futuro. Somos merecedores do melhor que o mundo pode nos dar e impomos nossos limites. O primeiro passo para aumentarmos a nossa régua de crenças é perceber que o que nos separados outros é apenas um muro de imaginação’ diz.

O profissional simpático, bem relacionado e que cumpre a função de tirador de pedidos já não é o suficiente para garantir bons resultados para a empresa. Para sobreviver e se destacar, o vendedor precisa assumir o papel de consultor, conhecendo não apenas o produto, mas também o mercado, tendências, oportunidades e antecipar as necessidades de seus clientes com soluções que façam a diferença.

Para o especialista do Grupo Bridge – empresa de soluções em desenvolvimento humano e que atua fortemente na prestação de serviços de consultoria em diferentes segmentos -, Felipe Urbano, não existe mais o chamado “argumento matador de vendas”. Existe o melhor argumento para cada situação. “Não existe mais uma regra a ser seguida, mas sim uma adequação personalizada para cada situação. Para isso, o consultor precisa ampliar seu repertório e assumir uma nova postura diante das vendas’ afirma.

O caminho para isso é tornar-se um consultor de fato. Ou seja, analisar todos os aspectos diretos e indiretos à venda. É preciso estudar o mercado, entender a realidade de cada cliente, quais são os seus desafios e, consequentemente, oferecer uma solução de negócio que passe pela efetivação da venda. Para isso, o planejamento é fundamental. O vendedor precisa dedicar mais tempo no seu preparo antes de uma visita comercial. Ele precisa se munir de informações para ofertar ao seu cliente soluções assertivas”, diz Urbano.

 EXEMPLOS PARA SE INSPIRAR

Conheça a história de empresas que adotaram técnicas e práticas para aprimorar o desenvolvimento das vendas. Os resultados colhidos são sempre um maior volume de vendas.

MEDIDA CERTA DE FIDELIZAÇÃO

A Khea Thai – rede de franquias especializada em culinária tailandesa – preza pela fidelização da clientela. Para isso, investe em treinamento em grupo e individual. “Com isso, conseguimos sanar as dificuldades dos nossos garçons sobre os nossos produtos, aumentando assim sua confiança ao explicar cada item do cardápio, fazendo com que o cliente siga as indicações de nossos garçons”, explica a sócia – proprietária, Mill Dellatore.

A empresa abriu as portas com a intenção de ser conhecida, além da qualidade e diferencial da comida tailandesa, como a melhor casa de drink de São José do Rio Preto, no interior paulista. “Fizemos diversos treinamentos sobre os destilados, insumos, qualidade e preparo. E com tudo isso, no ano de 2016, ultrapassamos nossa meta de 900 drinks por mês, atingindo a marca de 1.230 drinks mensais. Para comparação, no ano de 2015 a nossa meta era de 800 drinks l mês’ conta.

De acordo com ela, a estratégia de remuneração e incentivo para os colaboradores foi juntar toda a equipe comercial responsável pelas vendas de franquia com a equipe de garçons para mostrar que a arte da venda estava nas mãos de cada um deles também. E incorporar esse entendimento foi crucial para o aumento de vendas. ” Além dos treinamentos, as remunerações em grupo e individuais eram o que faltava para nossos colaboradores sentirem no bolso a vantagem de bater as metas”, acrescenta

A equipe entendeu que, apesar do preço mais alto do drink, se comparado com o da cerveja, o privilégio de tomar algo feito artesanalmente e exclusivo faz com que a experiência seja melhor e mais especial. E isso acabou sendo passado para os clientes também.

Segundo Mill, cada cliente também precisa se sentir especial para que possa fazer a indicação boca a boca, trazendo mais clientes cada dia. “Precisamos encantar nossos clientes para que eles tenham uma experiência visual, sensorial e de atendimento única; servimos mais que comida, trazemos novas sensações”, completa.

A estratégia realizada pelo Khea Thai aumentou a frequência do cliente. “Todos os que visitam o restaurante recebem por WhatsApp a pesquisa de satisfação que, em sua maioria, é recebida com bastante surpresa e atenção. Este espírito de excelência de atendimento, trabalho em equipe, treinamento e bonificação faz com que o Khea Thai continue crescendo, conquistando e encantando mais clientes todos os dias”, diz.

DIAGNÓSTICO E ABORDAGEM

No ano de 2016, a Marco Marketing Brasil recebeu um desafio muito importante: treinar vendedores de cartões de crédito de uma bandeira bastante difundida no mercado para a rede de varejo. “Iniciamos exploração do briefing com uma imersão em campo, e o que vimos foi desanimador: abordagens erradas, falta de conhecimento do produto, marketing pessoal que pecava muito, especialmente em comunicação’ relembra o coordenador de treinamento da Marco Marketing Brasil, Thiago Oya.

Para adotar um treinamento eficiente foi preciso customizar integralmente o conteúdo de técnica de vendas para o mercado de cartões. “Fizemos a adaptação de conteúdo com forte argumentação de vendas, ensinamos os vendedores a fazer uma abordagem mais simpática e instigante que deixasse os clientes com vontade de ouvir a proposta. Não somente demos os argumentos de vendas, mas ensinamos os promotores a formular seus próprios argumentos. Foi um treinamento dinâmico, com muita interação e resultados de absorção surpreendentes’ explica.

Segundo ele, foi identificada uma carência muito grande do público em treinamento e, por isso, o discurso do treinamento foi extremamente motivacional para o público. “Nossas dicas não serviram somente para vender cartão, mas para vender o que fosse necessário”, finaliza.

SOLDADOS MUITO BEM TREINADOS

A Herbalife – empresa de nutrição com atuação global e presente em mais de 90 países – faz dos seus representantes a alma do negócio. Possui diversas técnicas de vendas testadas e consolidadas. Entre elas estão as tradicionais reuniões para degustações de produtos; montagem de grupo para manter ativa uma rede de relacionamento com seus potenciais clientes; organização de grupos de exercícios físicos, conhecidos como Fit Camp; reuniões de apresentação de negócio; plano de acompanhamento com cada cliente, entre outros.

Além disso, fazem encontros dos consultores com nutricionistas para que eles aprendam sobre os produtos e possam ter uma melhor performance de venda. ‘”Todo esse conhecimento é passado para os consultores por meio de treinamentos constantes, acessíveis em diversas plataformas (on-line, presencial, catálogos, etc.). que auxiliam desde os primeiros passos de um novo consultor e qual a definição de cada produto do portfólio até dicas de como desenvolver o negócio quando já está mais avançado”, explica o diretor sênior de Vendas e Eventos da Herbalife Brasil, Jordan Rizetto.

A empresa atua somente por vendas diretas, por isso o desempenho de vendas do consultor independente é o principal pilar da companhia. “Quanto melhor for a performance dos nossos consultores independentes, melhor é o desempenho da Herbalife. É importante ressaltar que a companhia oferece todos os subsídios para que este crescimento aconteça de forma sólida e sustentável’,’ diz o porta-voz.

 RECONHECIMENTO

A Ecoville Franchising faz uma abordagem personalizada com os franqueados com o objetivo de manter uma cadeia eficiente de vendas. São realizadas demonstrações dos produtos comprovando a qualidade e eficácia. Além disso, garante que todos eles apliquem no dia a dia o diferencial de não apenas esperar o cliente ir até a loja, mas fazer uma venda pessoal para criar relacionamento e fidelização.

Seguem um conceito da venda através da indicação, pensando sempre no ditado que ‘”o amigo do meu amigo é meu amigo também’: Como possuem um produto de consumo, a preparação do profissional para envolver o cliente é fator decisivo na venda pessoal.

O consultor em vendas e responsável pela expansão da Ecoville Franchising, Neder Kassem, explica que, além disso, investe em treinamentos de vendas e, para atingir todos os franqueados em diversas regiões do País, desenvolveu uma plataforma de ensino a distância, em que o franqueado tem acesso a todos os conteúdos on-line, além dos treinamentos presenciais.

Atualmente, a plataforma abriga uma série de conteúdos, com informações nos seguintes temas: Como transmitir credibilidade e vender mais; vendendo você – antes de vender o produto venda você; Vender valor e não preço; Como se comportam os maiores vendedores do mundo; Faça do seu cliente o seu maior vendedor; Técnicas de vendas, abordagem, interesse, desejo e ação; Seja um conselheiro e não um vendedor; Cuide da sua carteira de clientes. A Ecoville Franchising trabalha com bonificações, comissões e prêmios em cima do resultado superado. Também há bônus diário, semanal e mensal, maior comissionamento de acordo com os resultados superados, através de tabelas progressivas, e prêmios para os primeiros lugares. Dessa forma, o vendedor não fica na sua zona de conforto.

MEDIDOR DE PERFORMANCE

Fugir das metas de vendas. Esse é o propósito da nova forma de medir o desenvolvimento dos vendedores criada pela Rede Outer Shoes. A técnica é simples, em vez de exigir um volume de vendas por mês, os vendedores são estimulados a persuadir o comprador a levar um item diferente. “É um desafio simples, mas extremamente eficaz, que têm feito as lojas elevarem o faturamento em cerca de 10% ao mês. No lugar de pedir, por exemplo, que um vendedor venda 150 peças ao invés das 100 que costuma vender, perguntamos se a cada venda ele consegue vender um item a mais para o cliente. No final do mês, temos o mesmo resultado sem deixar os colaboradores das lojas estressados e apreensivos”, explica o gerente de expansão, Filipe Lamim.

Quando um vendedor é contratado pela Outer Shoes, o primeiro treinamento é feito na franqueadora, diretamente com o presidente da empresa. Eles se reúnem para ouvir a história da empresa e entender conceitos sobrea marca e o conceito dos produtos. Motivados com esta ação, em seguida vão passar para o treinamento técnico e motivador focado em resultados.

Através de seu modelo próprio de gestão, passa a acompanhar de perto cada vendedor e sabe agir rapidamente quando há alguma queda nas vendas. “Temos uma série de indicadores, criados para o nosso próprio negócio, que avaliam individualmente cada item, como padronização de loja, ambientação, processos de caixa, estoque e equipe e conseguimos observar as vendas em tempo real. É a soma de todos eles que nos trazem a análise de peso de cada operação, finaliza.

A complexa arte de vender e encantar2 

PSICOLOGIA ANALÍTICA

VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA: UMA PRÁTICA SILENCIOSA QUE ATINGE MILHÕES

A violência psicológica se trata de um tipo de agressão que envolve, muitas vezes, somente um jogo de palavras duras e difíceis, xingamentos ou ·chacotas”, que vão minando o bem-estar e a autoconfiança.

Violência Psicológica

O conceito do termo violência psicológica, retirado do Conselho Nacional de Justiça, é bem claro: ”Ação ou omissão destinada a degradar ou controlar as ações, comportamentos, crenças e decisões de outra pessoa por meio de intimidação, manipulação, ameaça direta ou indireta, humilhação, isolamento ou qualquer outra conduta que implique prejuízo à saúde psicológica, à autodeterminação ou ao desenvolvimento pessoal”.

A violência psicológica é um tipo de agressão que envolve, muitas vezes, somente um jogo de palavras duras e difíceis, xingamentos ou “chacotas” que vão minando o bem-estar, a auto­ confiança e o sentido de vida de muitas pessoas.

Essas agressões verbais podem estar acompanhadas por outros tipos de sinais e atitudes como: feições negativas ou reprovadoras do agressor (como uma cara feia, o balançar reprovador da cabeça ou a emissão de algum som lamuriante ou crítico, por exemplo), afastamento e isolamento da vítima como forma de repreensão ou punição, desprezo afetivo ou indiferença do agressor etc.

E, sem que a vítima perceba, num curto espaço de tempo lá está ela se esforçando arduamente em ser e agir como o agressor deseja, com o objetivo de evitar a dor e o desconforto da violência psicológica. Com o passar do tempo, esse mecanismo inútil e sempre insuficiente vai fazendo com que a vítima se sinta cada vez mais incapaz de acertar e agradar seu agressor – que geralmente é alguém muito amado ou admirado, uma figura com alguma relevância e/ ou ascendência em relação à vítima ou alguém de quem a vítima dependa materialmente ou emocionalmente.

É comum que a vítima da violência psicológica passe a se sentir uma pessoa ruim, inferior, alguém que não merece ser amado e deprima diante de todo esforço desenvolvido em vão.

Por mais que se esforce ao máximo, vigiando suas falas e atitudes a cada instante, mais cedo ou mais tarde chega o momento em que ela percebe que todo seu esforço não valeu nada. Seu agressor encontra-se insatisfeito por algum motivo nem sempre conhecido ou revelado e ela está novamente sendo punida por ele.

Esse jogo é muito cruel e insano, pois chega um momento em que a vítima não sabe sequer o motivo de estar sendo punida. E, ao indagar ao agressor, se a vítima tivesse alguma capacidade de discernimento ou percepção da realidade naquele momento de grande conturbação emocional, notaria que muitas vezes nem mesmo o agressor sabe explicar o real motivo da tortura. É um jogo que dá prazer, segurança e/ ou empodera o agressor. Um jogo usado por ele para atingir algum objetivo.

Digo que isso é um jogo porque não se discute abertamente o real motivo das insatisfações e repreensões do agressor. Trata-se de uma forma de manipular, coagir ou coibir a ação da vítima sem que ela mesmo perceba, em muitos casos, o que ocorre. E agradar ou satisfazer o agressor passa a ser o seu maior desejo / desafio. A vítima começa a depender emocionalmente dessa aprovação e sua vida passa a ser norteada por isso. Torna­se prisioneira emocional do agressor e seu bem-estar depende da tão difícil satisfação dele.

Nos casos de violência psicológica, a vítima vive por dias, meses e anos se esforçando a cada segundo para satisfazer seu agressor. E o mais devastador é que por mais que o esforço aumente e o tempo passe, isso nunca consegue ser atingido. Isso vai fazendo com que a vítima se perca dela mesma. Numa tentativa desenfreada de ser e fazer o que ela imagina que o agressor gosta e espera dela, a vítima se anula, se agride e se afasta de todos que se ressentem disso e tentam alertá-la de alguma forma.

Reinventando-se a cada dia, na esperança de que a tortura emocional acabe e ela possa receber um afago ou ao menos um olhar amoroso, a vítima vai se perdendo dela mesma e de todas as outras relações que construiu até ali. Mas nada de positivo vem do agressor, e o deserto na alma só aumenta, podendo levar a vítima até mesmo à tentativa de suicídio. Esse é um jogo velado e enlouquecedor que causa extremo sofrimento a pessoas de todas as idades ao redor de todo o mundo.

Os demais parentes e amigos notam muitas vezes a vítima perdendo seu brilho, suas características pessoais habituais e principalmente sua alegria de viver. Com isso, a vítima da violência psicológica normalmente recebe questionamentos do tipo: estou preocupada com você, pois anda tão triste! Não estou lhe reconhecendo mais, você sempre foi tão segura/ animada, o que você tem? e etc.

Não se trata do gelo que uma mãe dá num filho arteiro a que pretende chamar atenção, utilizando comportamentos inaceitáveis ou proibidos para que ele se emende ou conserte. Trata-se de algo muito mais massacrante, que oprime, subjuga, submete e escraviza. Que enche a vítima de medo. Limita e cerceia suas ações, pensamentos, falas e a faz perder muitas vezes sua própria identidade na tentativa inútil de receber amor, atenção ou aprovação do agressor. Todo o esforço, muitas vezes, se dá pelo fato de a vítima desejar apenas fazer parte, ser incluída num grupo ou relação. Mas o agressor insiste em rejeitá-la como forma de punir, dominar ou controlar.

Esse tipo de violência – a psicológica – pode ocorrer em diversos tipos de relação nos quais uma pessoa (o agressor) possui, de alguma forma, ascendência sobre outra. Seja pela posição social que ocupa ou pela representação afetiva que tem diante da vítima. Pode se dar numa relação conjugal, entre pais e filhos, professores e alunos, entre amigos, chefes e subordinados, mestres e seguidores, cuidadores e pacientes…

É, de todos os tipos de violência, um dos mais devastadores e perigosos que podem ocorrer, já que dificilmente é notado, para poder ser tratado.

CRIME

Por ter consequências devastadoras e muitas vezes irreparáveis, a violência psicológica foi incluída pela Lei Maria da Penha como um tipo de violência. Ela está descrita nesta lei da seguinte forma: Segundo o artigo 7° da Lei n° 11.340/ 2006 são formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:

II – a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação.

 Considerada crime, a Lei Maria da Penha prevê penalidades e algumas medidas protetivas de urgência quando se constata a prática desse tipo de violência doméstica e familiar contra a mulher.

Nos termos desta lei, conforme o Artigo 22, seção II, o juiz poderá aplicar as seguintes penalidades:

I – Suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente, nos termos da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003;

II – Afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida;

III – proibição de determinadas condutas, entre as quais:

1.aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor;

2.contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação;

3.frequentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da ofendida;

IV – Restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar;

V – Prestação de alimentos provisionais ou provisórios.

A VÍTIMA

Entre crianças e jovens, nas escolas, não é difícil notarmos ofensas ou brincadeiras de mau gosto que têm a clara motivação de submeter e prejudicar determinada minoria de indivíduos. Para sobressair, ganhar destaque, poder ou popularidade podemos ver grupos de alunos vitimizando, humilhando e maltratando os eleitos a vítima. Esses eleitos tendem a apresentar algumas características em comum, como baixa estima, retração social, carência afetiva, além de certa necessidade de agradar os demais. Outros desenvolvem ou intensificam essas características após começarem a sofrer a violência psicológica.

Não somente os casais ou estudantes vivenciam esse tipo de violência. Ela pode ser vista com certa frequência contra crianças, pessoas com deficiência e idosos que dependem de cuidados de outros para viver. Nessa situação, na qual as pessoas se encontram submetidas aos cuidados de outra, a violência pode aparecer sob a forma de impaciência, negligência e nas falas ou atitudes que demostram o peso e o trabalho que elas dão, o que vai minando sua capacidade de viver dignamente e as faz sentirem-se um peso que só dá trabalho e dor de cabeça.

A vítima tende a perder sua capacidade de julgamento e autoavaliação e, por isso, acredita ser o que o outro diz. Reduzindo-se ao produto das críticas e humilhações exacerbadas, sem perceber, por vezes, que aquelas acusações do agressor não dizem respeito a ela e não condizem com a realidade. Dessa forma, sua autoestima se degrada e ela passa a julgar que devia ser melhor, que o agressor, de certa forma, tem razão, passando em muitos casos a se desculpar constantemente e se omitir na tentativa de não dar trabalho ao outro.

As vítimas de violência psicológica são pessoas que normalmente supervalorizam a opinião e o julgamento alheio, principalmente das figuras que exercem determinado poder ou dependência emocional sobre elas. Pessoas sensíveis às críticas e que tendem a querer agradar as pessoas que lhes são importantes e, para isso, abrem mão de suas vontades e necessidades em prol do desejo e satisfação do outro.

DESAFIO

Mas o que parece que a vida deseja dos envolvidos? Qual parece ser o desafio deles?

Diante de adversidades e momentos de dor, somos convidados a reavaliar nossa conduta e a modificar crenças, traços de caráter e atitudes que já não faz sentido mantermos em nossas vidas. A dor nos aponta um caminho inevitável: o da transformação. Ao mantermos condutas e formas de pensar que não fazem mais sentido, surge a dor como um aviso de que algo em nossa estrutura interna ou externa precisa ser modificado. E quando resistimos às mudanças, a dor e a pressão aumentam ainda mais até que a mudança se faça. Não existe outra saída ou caminho.

Parece que somos impulsionados a nos modificar e nos desenvolver a cada dia. E quando emperramos, lá vêm a dor e o sofrimento nos dar um empurrãozinho. Nossas relações e experiências vivenciadas nos levam a disparar novos processos que precisamos trabalhar.

Algumas pessoas têm maior facilidade em modificar estruturas antigas e logo fazem o movimento necessário para acabar com aquele desconforto. Outras, mais rígidas ou temerosas, tentam manter a estrutura antiga até que a dor fica tão insuportável a ponto de ela sucumbir e fazer qualquer movimento que possa aliviar aquela dor.

O fato inegável é que uma vítima acaba sempre atraindo um agressor. E isso ocorre infinitas vezes, até que a vítima se modifique, fortaleça a sua estrutura e consiga sair desse papel. Isso demanda uma árdua e longa jornada, que envolve desde a tomada de consciência do papel que ela ocupa nas relações até o momento em que se empenha em modificar o que é preciso para mudar essa difícil e dolorosa realidade.

Dizem que ninguém muda ninguém. Mas também podemos afirmar que ninguém muda sozinho. Existe sempre uma força que provoca e impulsiona a mudança que se faz necessária. E, muitas vezes, essa caminhada exige o acompanhamento não só de parentes e amigos como de um profissional habilitado a auxiliar nessa travessia. O mais importante na jornada é fazer o movimento para aliviar a dor e deixar de atrair o mesmo padrão de relacionamento abusivo. Pois enquanto não aprendermos a lição necessária continuaremos atraindo para nosso campo pessoas e situações semelhantes. Repetimos o mesmo padrão, inúmeras vezes. Até que de alguma forma possamos perceber isso e nos esforçar para modificar. Enquanto não tomamos consciência e fazemos o movimento preciso, vamos atrair repetidamente a situação dolorosa. Então, por que não transformar a dor em amor?

A RELAÇÃO

Muito difícil uma vítima desse tipo de violência, a psicológica, conseguir alcançar a solução desejada inicialmente – que é agradar o agressor para chegar a uma relação pacífica, respeitosa e sadia. Parece que quanto mais ela muda, mais o agressor se irrita e a reprova. Seja pela falta de clareza do que realmente o agressor deseja ou necessita, seja pela incapacidade pessoal do agressor de conviver bem com alguém, as tentativas são cada vez mais frustrantes e fracassadas.

Em alguns casos, a mudança de atitudes e padrões de comportamento da vítima consegue levar a uma mudança na relação vítima-agressor. Essa parece ser a única saída para esse tipo de caso, já que raramente o agressor se conscientiza de suas ações e das consequências delas sobre o outro, a ponto de modificar o tipo de conduta.

Em muitos casos, esse movimento de mudança só vai ser iniciado depois que a vítima já perdeu as esperanças de conseguir um dia agradar ou ter o respeito e reconhecimento do seu agressor. Nesse momento, suas forças já estão esgotadas e quase sempre ela se encontra num estado de depressão moderada ou grave.

Mas como a vítima consegue se fortalecer a ponto de conseguir sair dessa trama tão difícil? O primeiro passo deve ser um trabalho no senti­ do de se conhecer e se reconhecer tal como verdadeiramente é. Depois de passar por esse jogo massacrante de violência psicológica, a vítima, que normalmente tende a ter baixa estima, perde por completo a capacidade de perceber o seu valor.

Mesmo que outras pessoas próximas notem e a valorizem, ela passou tanto tempo focando e esperando o valor vir do agressor que nem consegue qualificar o reconhecimento dos demais. Parece que o peso da avaliação do agressor oprime e abafa todas as demais avaliações a seu respeito. E por mais que a vítima receba elogios e valor de parentes e amigos, sua autoimagem será sempre afetada pela visão e leitura negativa que o agressor fará dela.

Aprender a gostar de quem é e reconhecer suas qualidades são os primeiros passos. Poder reconhecer suas limitações e falhas e aceitar que, naquele momento, aquilo é o melhor que ele pode ser e fazer vêm em seguida. E aceitar que ninguém erra por maldade ou intencionalmente. Erramos por ignorância ou incapacidade de acertar naquela situação ou circunstância. E quando começamos a desenvolver essa visão acerca de nós mesmos passamos a ter mais compaixão conosco e com o outro e amenizamos o peso da nossa caminhada.

Somos seres humanos, passíveis de erros e acertos, e estamos sempre em construção. E a cada novo dia, vivenciamos novas situações e nos relacionamos com diferentes pessoas, com o objetivo de aprender novas lições.

Outra questão que merece nossa atenção, no que se refere à solução da relação vítima-agressor, é a seguinte: o que realmente precisa ser modificado em mim? E para nos ajudar a achar essa resposta recorremos à pergunta: a serviço de quem devem ser feitas essas mudanças?

Considerando que a vítima dispendeu grande parte do seu tempo tentando se modificar para se tornar algo que o agressor esperava ou desejava que ela fosse, e consequentemente deixar de sofrer a violência psicológica, sua capacidade de discernir o que de fato deve ser modificado nessa relação encontra-se comprometida.

E essa é uma questão crucial, uma vez que é ela quem vai determinar uma estimulação da relação abusiva ou sua extinção. A vítima normalmente precisa de ajuda para trabalhar e modificar em si o que a leva a necessitar do amor e/ ou aprovação do agressor. Esse é um passo importante. Onde ela começa a tratar do mal-estar que sente toda vez que é submetida à violência. Uma vez extinguido o mal-estar da vítima começamos a conseguir que ela se comporte de forma diferente diante das manipulações e maus-tratos de seu agressor.

As mudanças eleitas devem sempre priorizar o bem-estar da vítima e o alívio de seu sofrimento. Devem-se evitar as mudanças que têm como finalidade a evitação do confronto com o agressor ou sua insatisfação.

A vítima, quando chega nesse momento, precisa abrir mão de continuar tentando agradar e fazer parte. A lei deve ser se amar e se poupar de situações dolorosas. E, aos poucos, suas atitudes diante do agressor se modificam e ela passa a dar limites para ele. Com o reconhecimento do seu valor e a aceitação da sua incapacidade de satisfazer o agressor, suas atitudes podem modificar a ponto de fazer com que este procure uma nova maneira de conseguir o que deseja! E, assim, a vítima sai do jogo e o agressor precisa definir se continuará nele ou procurará uma forma sadia de se relacionar.

O AGRESSOR. GERALMENTE, SE SENTE COMO UM SER SUPERIOR

Este normalmente se considera um ser superior. Não tem consciência, sensibilidade e não qualifica o estrago feito. Acha que tem razão nas suas reclamações ou condutas. Sente-se intolerante por conviver com alguém com aquelas limitações e, geralmente, possui um egocentrismo exacerbado e uma vaidade que o faz ter prazer em chamar a atenção dos que estão no entorno. Dificilmente o agressor diz abertamente quais são as situações e comportamentos que, de fato. o incomodam ou que espera da vítima. Tendem a ser manipuladores, arrogantes, controladores e possessivos, buscando sempre que as coisas saiam como desejam, sem que eles, muitas vezes, tenham que pedir. Cobram e punem, como se desejassem que a vítima pudesse adivinhar e realizar suas vontades. E com frequência podemos ver uma necessidade de deter o poder nas relações, utilizando-se do medo que a vítima sente para fazer valer suas vontades e exigências. Algo que precisa ficar claro é que o agressor, tanto quanto a vítima, torna-se refém desse tipo de relação e comportamento. Essa prática não se trata de uma escolha consciente sua e, sim, da forma com que é capaz de lidar com suas questões e dores internas. O agressor não se torna intimamente feliz e realizado com a subjugação e os maus-tratos. Isso torna-se parte de sua patologia e foi apenas a forma que ele encontrou de lidar com suas próprias fraquezas.

NÚMEROS

Uma em cada três mulheres brasileiras sofreu algum tipo de violência em 2016. Esses números fazem parte de uma pesquisa realizada pelo Datafolha e encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança. Para se ter uma ideia do grau de insegurança, os dados mostram que 22% das brasileiras sofreram ofensa verbal, um total de 12 milhões de mulheres. Além disso, 10% das pesquisadas sofreram ameaça de violência física. Outro dado alarmante indica que entre as mulheres vítimas de violência 52% se calaram.

LEI MAIS RIGOROSA

Apesar de aumentar a punição para situações de violência doméstica e familiar contra a mulher, a Lei Maria da Penha ainda não conseguiu atender todas as demandas das brasileiras vítimas de maus-tratos, da mesma forma que as individualidades de cada conflito. Uma pesquisa encomendada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indica que inúmeras mulheres agredidas têm vínculos afetivos com os agressores, o que impede a aplicação da lei nos mais diversos casos de violência.

 

Daniele Vanzan é psicóloga e se especializou em Psicologia Jurídica. Fez a formação como Terapeuta de Vida Passada. Realizou o Curso Introdutório e o Introdutório Avançado de Gestalt Terapia com Crianças. ministrado por Luciana Aguiar. É autora do livro infantil Não Consigo Desgrudar da Mamãe (Editora Boa Nova) e do livro Eu Sou o Rei de Todo o Mundo, que aborda crianças que têm dificuldade de aceitar limites.

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 13: 53-58

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Cristo É Desprezado pelos seus Compatriotas

Encontramos aqui Cristo em seu próprio país. Ele se dedicou a fazer o bem, mas não deixou nenhum lugar até que tivesse terminado o seu testemunho ali. Seus próprios compatriotas o haviam rejeitado uma vez, mas mesmo assim Ele veio até eles novamente. Cristo não considera como final a palavra daqueles que o recusam pela primeira vez, mas por sua misericórdia repete as suas ofertas àqueles que várias vezes as rejeitaram. Nisto, como em outras coisas, Cristo é como os seus irmãos. Ele demonstrou uma afeição natural pelo seu próprio país. O tratamento dado ao Senhor Jesus foi o mesmo de antes: desdenhoso, iníquo e rancoroso. Observe:

 I – Como eles expressaram o desprezo que sentiam por Ele. Quando o Senhor Jesus os ensinou na sinagoga, eles ficaram chocados; não que eles tenham se impressionado com a sua pregação, ou admirado a sua doutrina em si, mas apenas porque era dele; eles não o consideravam como o precioso Mestre que Ele realmente era.

Eles o censuravam por duas razões:

1.Por sua falta de formação acadêmica. Eles admitiam que Ele tinha sabedoria, e que realizava grandes feitos; mas a questão era: Onde Ele os conseguiu? Pois eles sabiam que Ele não havia sido criado aos pés dos rabinos. Ele nunca havia estado na escola, não havia sido diplomado, nem era chamado pelos homens de Rabi, Rabi. Note que as pessoas de espírito pequeno e preconceituoso se dispõem a julgar os homens pela sua educação, e a inquirir mais sobre o seu destaque do que sobre aquilo que expressam. “De onde esse homem tira esses prodígios? Ele os obteve honestamente? Será que ele não tem estudado a magia negra?” Assim, eles procuravam voltar contra o Senhor aquilo que de fato estava a favor dele; pois se não tivessem sido propositadamente cegos, teriam concluído que Ele era divinamente designado e assistido, por ter dado, sem a ajuda dos estudos, tantas provas de sabedoria e poder extraordinários.

1.A pouca importância e pobreza de suas relações (vv. 55,56).

(1). Eles o censuravam de vido ao seu pai. “Não é este o filho do carpinteiro?” Sim, é verdade que assim eles o reputavam. E qual era o mal nisso? Não havia desonra para Ele por ser o filho de um trabalhador honesto. Eles não se lembraram (apesar de terem o dever de lembrar disso) que esse carpinteiro era da casa de Davi (Lucas 1.27), um filho de Davi (cap. 1.20); apesar de ter uma profissão simples, José era um homem honrado. Aqueles que estiverem dispostos a causar discussões vão desconsiderar tudo aquilo que for de valor e honroso, e se concentrarão naquilo que apenas aparenta ser de pouco valor. Aqueles que têm um espírito sórdido não consideram ramo nenhum, nem mesmo o Ramo do tronco de Jessé (Isaias 11. 1), a não ser que lhes pareça que seja o ramo principal.

(2). Eles o censuravam devido à sua mãe. E qual era o problema deles com ela? Sim, verdadeiramente sua mãe se chamava Maria, e esse era um nome muito comum, e todos a conheciam, e sabiam que ela era uma pessoa comum; ela era chamada de Maria, não rainha Maria, ou Sra. Maria, nem mesmo Dona Maria, mas simplesmente Maria. E isso foi usado como uma crítica a Ele, como se os homens não tivessem nada a ser valorizado, a não ser uma origem estrangeira, um berço nobre, ou títulos esplêndidos; todas estas coisas são pobres quando se trata de medir o valor de uma pessoa.

(3). Eles o censuravam devido aos seus irmãos, cujos nomes eles sabiam, e podiam pronunciá-los prontamente; Tiago, José, Simão e Judas, bons homens, mas homens pobres, e por isso desprezados. E Cristo foi desprezado por causa deles. Estes irmãos, é provável, eram filhos de José com uma esposa anterior; ou, qualquer que fosse a sua relação com ele, parece terem sido criados com ele na mesma família. E daí a chamada de três deles, que eram dos doze, para aquela honra (Tiago, Simão e Judas, o mesmo que Tadeu), não foi expressa em particular, porque eles não precisavam de um chamado específico para conhecer a Cristo, já que haviam passado a sua juventude com Ele.

(4). Suas irmãs também estão todas conosco; assim, eles deveriam tê-lo amado e respeitado ainda mais, pois Ele era um deles. Mas, por esta razão, eles o desprezaram. Eles se escandalizaram nele; eles se detinham nessas pedras de tropeço, pois Ele foi posto como um sinal que seria contraditado (Lucas 2.34; Isaias 8.14).

II – Observe como o Senhor Jesus se portava diante daquele desprezo (vv. 57,58).

1.Isso não perturbava o seu coração. Parece que Ele não estava muito preocupado com isso; ele desprezava a vergonha (Hebreus 12.2). Em vez de piorar a afronta, ou expressar qualquer ofensa por causa dela, ou dar uma resposta às tolas sugestões deles, como mereciam, Ele calmamente atribuía esta atitude aos procedimentos dos filhos dos homens, que não dão o devido valor às pessoas e coisas excelentes que lhes são oferecidas gratuitamente, considerando-as comuns e de casa. Geralmente é assim. O profeta não tem honra em seu próprio país. Observe que:

(1) Os profetas deveriam ser honrados, e isto geralmente acontece. Os homens de Deus são grandes homens, e homens honrados. Eles despertam o respeito daqueles que os conhecem. De fato, deve-se estranhar que haja pessoas que não honrem os profetas.

(2) Apesar disso, eles são normalmente os menos respeitados e reverenciados em seus próprios países. E, mais ainda, às vezes são muito invejados. A familiaridade cria o desprezo.

2.Naquele momento (falando com reverência), a atitude deles lhe atou as mãos: “E não fez ali muitas maravilhas, por causa da incredulidade deles”. Note que a incredulidade é a grande obstrução para se receber os favores de Cristo. Todas as coisas são possíveis a Deus (cap. 19.26), e Ele as concede de uma forma específica àqueles que creem (Marcos 9.23). O Evangelho é o poder de Deus para a salvação, mas para a salvação de todo aquele que crê (Romanos 1.16). Desse modo, se os prodígios não forem realizados em nossa vida, não será por falta de poder ou graça em Cristo, mas pela nossa própria incredulidade. “Porque pela graça sois salvos”, e isso é um prodígio; mas ele se realiza através da fé (Efésios 2.8).

GESTÃO E CARREIRA

O PODER DA AUTOCONFIANÇA NA GESTÃO DAS EMPRESAS

O poder da autoconfiança na gestão das empresas

 Ser autoconfiante é um condicionamento necessário para gerir pessoas e processos dentro de empresas e organizações. Esse comportamento é imprescindível para aqueles que buscam o sucesso. Autoconfiança é um estado mental que faz com que a pessoa tenha poder sobre si mesma ê sobre suas ações, mantendo a convicção de que sua trajetória é a melhor opção que poderia haver.

Mas como identificar o nível de autoconfiança? Como desenvolvê-la? O fato é que esse comportamento pode ser aprimorado. Grandes líderes e gestores, antes de se tornarem bem-sucedidos, experimentaram insegurança ou desconforto em algum momento da carreira. Por isso, empenharam tempo e energia para reverter esses cenários e para dominar qualquer situação com confiança. Há alguns passos para aprimorar sua autoconfiança de maneira consistente:

O primeiro é cercar-se de pessoas positivas. Você tem o poder de escolher com quem anda. Esteja perto de pessoas que vibram com seu sucesso, que transbordam felicidade e que sempre olham para a frente, e elimine da sua convivência os chatos e os que reclamam o tempo todo. O segundo passo é investir em si mesmo. Vista-se bem, use perfume, cuide da aparência. Além disso, faça cursos e leia livros. Seja lembrado como alguém inspirador e agregador. O terceiro é fazer aquilo de que goste. Ouça sua música preferida no som do carro e vá a lugares que realmente o agradem. Busque ter experiências inesquecíveis na sua vida. Viagens, festas e beneficência ajudam bastante.

O quarto é ter metas. Estabeleça os pontos de conquista da sua caminhada. Comece com pequenos desafios, de curto prazo, e vá aumentando conforme seus avanços. Celebre seus pontos conquistados e vá em frente. O quinto e último passo é trabalhar sua mente. Escreva ao menos 20 frases positivas e poderosas sobre você, do tipo ”Eu sou…”. Diariamente leia em voz alta, na frente do espelho. Sua mente precisa se acostumar com seu novo “eu”, portanto, leve a sério para que seu cérebro entenda que isso é sério.

Não conheço nenhuma pessoa de sucesso que reo seja autoconfiante. Correr riscos faz parte do processo, mas a tentativa do êxito o levará mais longe do que o receio do fracasso. Por isso, tenha domínio sobre esse comportamento que, sendo bem desenvolvido e elaborado, pode levá-lo a um patamar superior de gestão e liderança dentro do seu negócio!

PSICOLOGIA ANALÍTICA

DOR NA ALMA

Os diversos tipos e níveis de agressão física e psicológica afetam crianças, adultos e idosos. Um problema ainda difícil de solucionar.

Dor na alma

A VIOLÊNCIA NÃO ESCOLHE VÍTIMA

Nem sempre é a mulher que sofre com a prática de maus-tratos. A agressão pode acontecer com uma criança, um idoso e até mesmo com um homem, situação não tão incomum como parece.

Quando o tema é violência, são inúmeros os artigos, vídeos e materiais que abordam a agressão física e sempre contra as mulheres. Porém é preciso perceber que a violência não existe só na forma física, ela pode ser verbal, psicológica e até patrimonial. E a vítima nem sempre é a mulher, pode ser uma criança, um idoso e, por mais estranho que possa parecer, a vítima pode até ser um homem. Neste artigo pretendo mostrar, de forma resumida, esses tipos de violência e abordar, de maneira mais ampla, a violência psicológica em várias percepções.

De modo simplista, define-se como violência doméstica “qualquer ação ou omissão que possa causar lesão, sofrimento físico, sexual, psicológico, morte, dano moral ou patrimonial”. Parte-se do princípio de que a violência física ou sexual em um relacionamento afetivo sempre é precedida por violências psicológicas ou morais, em forma de críticas, zombarias, ameaças e, quando há uma agressão física, todo esse processo psicológico de agressão já foi desenvolvido. Nesse tipo de definição há sempre papéis estabelecidos do agressor e do agredido, da vítima e do algoz. Porém, eu percebo de maneira mais ampla. Mas, antes de discorrer sobre o modo como percebo essa situação, devo informar o seguinte:

O parágrafo II do artigo 7 da Lei Maria da Penha estipula que “a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ame­ aça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação”.

Aqui já cabe iniciar minha forma de raciocínio. Por lidar há muitos anos com seres humanos, e também com animais, tenho uma percepção bem mais ampla e posso assegurar que, apesar dessa maneira simplista de definição ser, de fato, uma parte da realidade, não o é em sua totalidade. Em primeiro lugar, como já citei e agora definirei melhor, a vítima nem sempre é uma mulher. Conheço muitos casos de idosos, crianças e até alguns homens que passam por muitas situações de humilhações, manipulações, perseguições e até agressões, sejam verbais ou físicas, e isso, em muitos casos, parte das mulheres, ou seja, há também mulheres extremamente violentas com seus pais idosos, seus filhos e até com seus maridos.

Pode-se estender essa violência psicológica feminina também ao mundo empresarial, ou seja, há mulheres que, assim como certos homens, humilham, ameaçam e perseguem seus subordinados. Então, penso que, de início, já se deve excluir essa vitimização das mulheres e definir a violência corno própria dos seres humanos que, em determinadas situações, passam a humilhar, perseguir e violentar seus semelhantes. E isso independe de sexo, educação, classe social ou qualquer outro fator. Simplesmente há, em alguns seres humanos, a necessidade de se mostrar superior ou por autoafirmação ou por algum trauma de infância ou por alguma disfunção, ou seja, qual for o motivo, há um tipo de ser humano que parece sentir prazer em diminuir seus semelhantes.

Essa atitude desequilibrada pode ser reforçada por um alto cargo, é mais comum um grande executivo (ou uma grande executiva) de uma multinacional tratar seus subordinados de forma agressiva. Mas não é uma regra rígida, pode-se encontrar um chefe (ou uma chefe) em cargos menos elevados que também desenvolve agressividade verbal com seus subordinados. Mas na empresa, ou no mundo comercial em geral, o mais comum é que o agressor esteja em um cargo mais elevado, seja ou não de alto escalão, até porque se um funcionário sem nenhum poder dentro da empresa começar a ameaçar, humilhar ou constranger seus colegas, logo será despedido e acabará seu domínio. Então, ao menos no setor comercial, esse tipo de situação depende, quase sempre, de um cargo mais alto. Atenção, não estou afirmando que grandes executivos sejam agressivos ou pratiquem bullying com seus funcionários, apenas estou citando casos isolados, já que a grande maioria dos executivos alcançou sua posição subindo degrau a degrau na empresa e, justo por saber o quanto custa chegar ao topo, em geral trata bem seus subordinados. A exceção aqui vai para o executivo inseguro, que pode ter receio de perder seu cargo. Pode passar então a humilhar, perseguir ou assediar algum subordinado que se mostre tão ou mais preparado do que ele. É raro, mas pode ocorrer.

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DOMÉSTICO

Se no setor empresarial há necessidade de um cargo de chefia para que haja um posicionamento violento ou intimidador, no setor doméstico independe de cargos. Na verdade, é comum que o menos preparado se torne agressivo. Então, em se tratando de um casal com diferenças gritantes de personalidade ou em nível de estudos, pode-se instalar uma disputa entre o casal que poderá culminar em divergências e violência.

Suponhamos que um deles estudou até formar-se numa faculdade, o outro só fez o ensino fundamental – este é um fator de disputa, ainda que inconsciente, entre o casal. Por isso, é possível que o menos estudado se torne o agressor. Mas esse é só um dos pontos, há diversos outros fatores que influenciam essa situação de violência. Há também a hipótese de um ser poliglota, muito letrado, e o outro mal saber se expressar em português (ou em sua língua natal), o que também é um fator que pode desencadear disputa que chega ao extremo da violência, seja verbal ou física. De forma geral, casais que apresentam muita diferença de ideias, ideais, objetivos divergentes, acabam desenvolvendo relaciona­ mentos violentos. Esse é um tipo de mau casamento, que parece fadado ao fracasso, pois falta o básico que é a comunhão de ideias e ideais.

Em meu livro Acontece nas Melhores Famílias, que depois foi reeditado como Distúrbios Familiares, discorri sobre o tema: ”É bom frisar que um mau casamento pode existir em vários níveis, indo desde discussões e bate-bocas (gerados por ciúmes em nível normal, pequenas frustrações etc.) até agressões físicas e/ ou humilhações públicas (geradas por divergências mais graves). O mau casamento pode, entre outras coisas, estar baseado na incompatibilidade de sentimentos (sensibilidade) e/ ou ideias (opiniões / conceitos), na incompatibilidade de gênios e até na incompatibilidade sexual. E tudo isso é sentido e assimilado pelos filhos. Mesmo que o casal evite brigar na presença dos filhos e não deixe transparecer nenhuma divergência, ainda assim o clima de discórdia é captado pela criança. Essa criança, com certeza, se tornará insegura, apresentará problemas de aprendizagem, dificuldades em relacionar-se afetivamente e, em casos mais graves, poderá crescer com aversão ao casamento, à família etc.”.

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VIOLÊNCIA VAI ALÉM

É aqui que quero chegar, a violência tanto verbal quanto física não prejudica somente os envolvidos, geralmente o casal, prejudica também parentes próximos que, em geral, vivem sobressaltados, tentando ajudar a resolver a questão dos atritos, e prejudica, em especial, os filhos que assistem a tudo e, em alguns casos, também sofrem agressões verbais, psicológicas e / ou físicas. Essas crianças acabam sendo uma cópia dos pais, ou se posicionam como vítimas ou como agressoras e podem tornar-se, elas próprias, as próximas agressoras ou as próximas vítimas. Isso acaba sendo um círculo vicioso, ou seja, crianças que crescem em meio à violência dos pais tornam-se adultos ou violentos ou submissos a ponto de imaginarem que precisam ser humilhados ou feridos para merecerem ser aceitos.

Esse é um tema bem complexo, não pretendo discorrer de modo profundo para não fugir do tema principal, mas é necessário pensar de maneira mais ampla sobre a violência, que tem várias formas de manifestação e diversas consequências para os envolvidos tanto direta quanto indiretamente.

A agressividade está ligada, em geral, à possessividade e a vitimização está ligada à submissão. Ambas podem ser originadas por fatores hereditários, de educação, fases mal resolvidas na infância e/ ou adolescência, egoísmo (egocentrismo), insegurança e imaturidade, entre outros, ou seja, uma mescla de todos esses fatores.

Pode-se definir o possessivo crônico como o indivíduo que tem necessidade de se impor, de se auto afirmar diante do outro. Assim, se posiciona sempre no comando, precisa sempre ser bajulado ou cuidado em excesso, e qualquer desvio, ou seja, se não se sentir cuidado como quer e/ou julga merecer, é motivo para gritos, ameaças e outras agressões. Nessa situação, seu companheiro ou companheira, em geral, se posiciona de forma pacífica, submissa, sem força para lutar. A partir daí se estabelece a relação possessiva-submissa, que traz essa sequência de violência já descrita.

Por outro lado, há outros tipos de relação que também costumam desencadear cenas violentas, mas que quase nunca são citados. Uma delas é quando o indivíduo que se torna vítima de violência comporta-se de forma alienada dentro do casamento. Algumas pessoas estão emocional e amorosamente desligadas e desvinculadas do cônjuge, mas permanecem casadas por causa dos filhos ou pelo status que o casamento lhes dá ou por não terem para onde ir. Enfim, há casamentos que se mantêm apenas pelo apego a uma situação e não por amor ou por uma construção a dois.

Há casos (raros, mas existem) de pessoas que se casam por interesse financeiro ou outro interesse qualquer e, desde o início, não demonstram amor pelo outro. Há casos em que, inclusive, um dos envolvidos se posiciona só em primeira pessoa, continua agindo como solteiro(a), parece nem incluir o casamento em sua rotina diária. O outro, geralmente tão apaixonado que não percebe o desinteresse do par, vai se entregando, se esforçando, se sentindo mal-amado até que começa a xingar, exigir, ameaçar e pode até chegar a agredir o parceiro (ou parceira).

Para o mundo, quem grita e agride é o vilão, mas se analisarmos a fundo perceberemos que a vítima é justamente o “agressor” que, de tanto se sentir rejeitado e ignorado, passou a berrar por uma atenção que não existe. Provavelmente, não existirá nunca, independentemente de berros ou ameaças ou carinhos e afagos. Eu conheço casos assim, por sinal, muito próximos de mim. E penso que deveriam constar em análises também, já que são o inverso do que as leis e associações pregam sobre quem é a vítima e quem é o agressor.

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ANTECIPAÇÃO

Há ainda um tipo de violência psicológica que nunca é citado, mas que também bate de frente com esse conjunto de regras estipuladas para definição do que vêm a ser agressor e agredido. É a violência praticada pela vítima antes de sofrer a agressão. Caso da mulher que humilha o marido (ou do marido que humilha a mulher), ridiculariza suas roupas ou seu modo de agir, em casos mais graves busca um(a) amante, enfim, vai praticando uma violência psicológica das mais graves e o outro vai aguentando até que perde a paciência e aqui há dois tipos de reação: ou há uma agressão física com as próprias mãos ou pode haver um crime com armas como faca, revólver etc. Também nesse caso, a vítima é quem aguentou até perder a paciência, embora o mundo julgue-o(a) apenas agressor(a).

Aliás, em se tratando de vítimas e agressores é preciso refletir também sobre o fato de que uma situação desconfortável só tem continuidade se todos os envolvidos estiverem de acordo. Óbvio que se houver crianças, idosos ou inválidos envolvidos essa regra não se aplica, já que são considerados incapazes, dependendo do caso, não têm como se defender ou sair da situação. Mas se a relação de violência se estabelece entre adultos perfeitamente capazes de reagir e sair da relação, e estes não o fazem, estão sendo coniventes e permitindo que a situação se prolongue indefinidamente. Isso é ruim para todos os envolvidos, até porque a tendência é aumentar e se agravar. O que começa com gritos e cobranças pode acabar em agressões físicas e, na sequência, ocorrer até um crime chamado passional, que de paixão não tem nada, como já se pode perceber.

São muitos os tipos de agressores e agredidos, mas penso ter citado os principais. Vamos agora definir as melhores soluções para cada situação.

Voltando ao caso da violência verbal/psicológica na empresa. Se houver abertura para isso, a solução pode ser uma conversa franca com o chefe durão ou, se não houver essa abertura, pode-se procurar um superior e relatar a situação, não havendo nenhuma possibilidade de negociação. O melhor deve ser pedir as contas e procurar uma nova colocação, não necessariamente nessa ordem, já que o mais inteligente será procurar um novo emprego e só sair do atual já recolocado(a). Dependendo do tipo de agressão sofrida, a vítima pode procurar um advogado, entrar com ação indenizatória ou mesmo ir a uma delegacia denunciar o agressor.

Em se tratando da violência doméstica, cada caso é um caso. Quem está vivendo um mau casamento deve, antes de tudo, se autoanalisar, pedir ao companheiro que faça o mesmo e, em seguida, os dois devem conversar longamente sobre suas virtudes, seus defeitos e, acima de tudo, sobre os problemas que enfrentam em seu casamento. Se as brigas são constantes, qual o motivo que as desencadeia; se há incompatibilidades, quais são. Enfim, deve haver um diálogo franco e definitivo. Se o casal chegar à conclusão de que está em atrito apenas por ciúmes em nível normal, alguma frustração simples, enfim, algum motivo de fácil solução, bastarão tolerância, compreensão e respeito mútuos (cada um concedendo um pouco) para transformar um mau num bom, talvez ótimo, casamento. Nesse caso, a ajuda de um terapeuta poderá agilizar em muito a reaproximação do casal.

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MOTIVO

Em relação à violência, é preciso analisar a fundo o motivo que faz com que ela ocorra. Se a violência está em nível inicial, ou seja, ocorreu apenas uma ou duas vezes, é possível o casal dialogar, procurar uma boa terapia de casal e seguir sem mais problemas. Porém, se a violência já está instalada e as cenas, sejam agressões verbais sejam físicas, são frequentes, a atitude mais correta é o divórcio. Mas aqui também vale lembrar que o divórcio deve ser consciente e amistoso, pois um divórcio inconsciente, cheio de acusações, ameaças, brigas, geralmente usando os filhos como armas e/ ou escudos, não só faz mal ao casal como também gera crianças problemáticas, com graves distúrbios psicológicos, com problemas de aprendizagem e, na tentativa de reaproximar os pais, crescem anulando-se e acabam buscando para si uma relação contrária à de seus pais, ou nunca se casando ou procurando o casamento indissolúvel, o nunca se divorciar, o que nem sempre é a melhor solução.

O divórcio consciente é aquele em que o casal conversa muito, coloca todas as “cartas na mesa”, discute prós e contras e decide junto que a separação física é a melhor solução. O que não os impede de continuarem amigos ou, ao menos, manterem um clima amistoso e verdadeiro. Os filhos não necessitam acompanhar todo o processo do divórcio, mas, de acordo com a idade e maturidade, podem ser comunicados e esclarecidos sobre o que está ocorrendo na família e precisam sentir-se amados, protegidos e, acima de tudo, desvinculados da relação/ separação dos pais. Ou seja, é preciso deixar claro para a criança que, casados ou divorciados, juntos ou separados, seus pais continuam amando-a, cuidando e amparando-a em todos os momentos. Aconteça o que for, o pai será sempre pai, a mãe sempre mãe. Se os filhos forem bem preparados diante da situação, mesmo que se sintam um pouco inseguros no início do processo, certamente superarão a fase e se tornarão crianças felizes, seguras, sem nenhum problema afetivo ou de aprendizagem. E crescerão sabendo que os adultos podem errar, reconhecer erros, recomeçar, que casamento não é um mal incurável e é possível até casar-se mais de uma vez até encontrar a pessoa certa para si.

Em todos os tipos de relação submissa-possessiva é aconselhável procurar terapia. Costumo sempre afirmar que quem precisa de terapia é a relação do casal, é o casal e não apenas um ou outro. Não adianta afirmar que o agressor é desequilibrado e o agredido é coitadinho, ambos precisam de terapia para se reequilibrarem e se posicionarem de forma mais sólida e centrada diante da vida e das relações. No caso do(a) possessivo(a), na maioria das vezes necessita de alguns anos de terapia para conseguir perceber seus erros e se posicionar de forma mais maleável numa relação. Seu parceiro, no caso o controlado, também precisa de terapia para ter consciência de que dificilmente será amado pelo controlador da forma como imagina que será amado se for “bonzinho” e “obediente”. Na verdade, tanto controlado quanto controlador necessitam de uma boa terapia e precisam conscientizar-se de que se relacionando um com o outro estão reforçando seu problema. O ideal é que procurem parceiros que os ajudem a libertar-se desses vínculos, ou seja, o possessivo necessita de alguém compreensivo, amoroso, mas que tenha uma forte personalidade, alguém decidido que saiba impor limites para a relação e saiba inclusive colocar um ponto final e definitivo na relação, pois a separação definitiva provoca reflexões e crescimento.

Dessa forma, o possessivo, ao longo dos anos, irá “se melhorando”, ainda que para isso precise passar por muitos relacionamentos com várias pessoas de forte personalidade. O controlado (submisso), por sua vez, necessita de alguém extremamente seguro que o incentive a mostrar-se, soltar-se, tomar decisões, que o faça enxergar que de submisso ele não tem nada. Enfim, que o “liberte”. Que mostre o real sentido do amor que, por si só, já transmite segurança. É bem mais fácil para o controlado se reestruturar, geralmente encontra realização plena num segundo casamento, enquanto que o controlador precisa de várias relações e/ ou casamentos para reestruturar-se.

LEI MARIA DA PENHA MODIFICA O CÓDIGO PENAL E PROTEGE AS MULHERES

Lei Maria da Penha é o nome dado a uma legislação brasileira que assegura proteção às mulheres contra qualquer forma de violência doméstica, seja física, psicológica, patrimonial ou moral. A Lei nº 11340, sancionada em 7 de agosto de 2006, modificou o Código Penal brasileiro, fazendo com que os agressores sejam presos em flagrante ou que tenham a prisão preventiva decretada caso cometam qualquer ato de violência doméstica preestabelecido pela lei. Outra mudança significativa que a Lei Maria da Penha trouxe foi a eliminação das penas alternativas para os agressores, que antes eram punidos com pagamento de cesta básica ou pequenas multas. O agressor também pode ser condenado a três anos de reclusão, sendo que a pena é aumentada em um terço caso o crime seja praticado contra uma pessoa portadora de deficiência. Todos os crimes que se enquadram na Lei Maria da Penha deverão ser julgados pelos Juizados Especializados de Violência Doméstica contra a Mulher que foram criados a partir dessa legislação. Pode ser aplicada, também. para casais homoafetivos formados por duas mulheres ou transgêneros (que se identificam com o gênero feminino).

TERAPIA DE CASAL

Trata-se de uma modalidade clínica de atendimento cujo intuito é promover melhor qualidade de vida para os membros do casal e, consequentemente na dinâmica familiar. A terapia de casal busca colaborar com a solução dos conflitos e abre espaço para uma comunicação mais reflexiva e assertiva, compreendendo a expectativa de cada um e o que fazer para alinhá-las. O psicólogo tem o papel de intermediador entre o casal, ampliando o diálogo e a visão de mundo de ambos.

 ESTATÍSTICAS

Apesar da criação da Lei Maria da Penha. que ajuda muito no combate à violência doméstica. os números recentes assustam. Pelo menos sete mulheres morrem todos os dias vítimas de violência no Brasil, estatística que coloca o país em quinto lugar no ranking entre os que mais cometem feminicídio no mundo. Um número altíssimo. Ainda há desafios, como o atendimento especializado às vítimas, muito deficiente, e a necessidade de aumentar a conscientização sobre o que é violência doméstica.

 

Lou de Oliver é psicopedagoga psicoterapeuta especialista em Medicina Comportamental. Detectora/defensora da dislexia adquirida, precursora da Multiterapia, introdutora da brinquedoteca aliada à aprendizagem e criadora da Multiterapia do Equilíbrio Total/Universal. https· //loudeoliver.com

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 13: 44-52

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Várias Parábolas

Temos quatro breves parábolas nesses versículos.

 I – A do “tesouro escondido num campo”. Até aqui, temos comparado o Reino dos céus com coisas pequenas, porque o seu início foi pequeno; mas, para evitar que por isso se pense nele corno algo pequeno ou desprezível, nessa parábola e na próxima, o Senhor o representa como tendo grande valor por si próprio, e como sendo de grande vantagem para aqueles que o abraçam, e que estão dispostos a aceitar os seus termos. O Reino de Deus é aqui comparado com um tesouro escondido no campo, que pode ser nosso, se o quisermos.

1.Jesus Cristo é o verdadeiro tesouro; nele há urna abundância de tudo que é rico e útil, e haverá urna parte para nós: toda a plenitude (Colossenses 1.19; João 1.16). Estes são tesouros de sabedoria, conhecimento (Colossenses 2.3), justiça, graça e paz; tudo isto está reservado para nós em Cristo; e, se nos interessarmos pelo Senhor, todas estas bênçãos serão nossas.

2.O Evangelho é o campo no qual o tesouro está escondido: está escondido na Palavra do Evangelho, tanto no Antigo Testamento corno no Evangelho que está expresso no Novo Testamento. Nas ordenanças do Evangelho, esse tesouro está escondido como o leite no peito, como a medula nos ossos, como o maná no orvalho, como a água no poço (Isaias 12.3), e como o mel no favo. Ele está escondido, não em um jardim cercado, nem em uma fonte que foi fechada, mas em um campo, em um campo aberto; quem quiser pode vir e buscá-lo nas Escrituras. Todos podem cavar nesse campo (Provérbio 2.4); e quaisquer minas valiosas que achemos serão nossas, desde que tornemos o caminho certo.

3.É algo valioso descobrir o tesouro escondido nesse campo, e o valor indescritível que ele possui. A razão de tantos darem pouca importância ao Evangelho, e não desejarem se dedicar a ele, não se sujeitarem a correr riscos por ele, é por que só estão olhando para a superfície do campo, e o julgam superficialmente. E assim não estão enxergando a excelência que está contida nas instituições cristãs, que são muito superiores às dos filósofos; e mais que isso, as mais ricas minas estão frequentemente nos solos que parecem ser os mais estéreis. Assim, eles se recusam a fazer qualquer oferta pelo campo, e muito menos se dispõem a pagar o preço que devem pagar para tê-lo. Por que é o teu amado mais que o amado de outrem? Por que a Bíblia Sagrada é superior a outros bons livros? Por que o Evangelho de Cristo é superior à filosofia de Platão, ou às sentenças morais de Confúcio? Mas aqueles que têm pesquisado as Escrituras com a finalidade de encontrar nelas Cristo e a vida eterna (João 5.39), descobriram um tesouro nesse campo que o torna infinitamente mais valioso do que qualquer outro.

4.Aquele que discerne esse tesouro no campo, e o avalia corretamente, não sossegará até que o faça seu em quaisquer termos. Aquele que encontrou o seu tesouro, o esconde. Isto denota um ciúme sagrado, que tem a finalidade de evitar que fiquemos para trás (Hebreus 4.1), tomando o cuidado necessário (Hebreus 7.15) para evitar que Satanás se coloque entre nós e o nosso tesouro. Então aquele que encontra este tesouro se delicia, como se a barganha ainda não tivesse sido feita; ele está contente por haver uma barganha como esta a ser feita. Ele está ficando interessado por Cristo. Os termos dessa negociação estão sendo negociados: alegre-se o coração daqueles que buscam ao Senhor (Salmos 105.3). Então aquele que encontrou o tesouro no campo decide comprá-lo: aqueles que abraçam as ofertas do Evangelho, nos termos do Evangelho, compram esse campo, fazem-no seu, devido ao valor do tesouro que está escondido nele. É em Cristo – que está no Evangelho que devemos manter os nossos olhos bem fixos; nós não precisamos subir ao céu, pois o Senhor Jesus Cristo está bem perto de nós, em sua Palavra. Então aquele que encontrou o tesouro no campo está tão interessado nele, que vende tudo o que tem para comprar esse campo. Aqueles que desejam o benefício da salvação em Cristo devem estar dispostos a se separar de tudo, para assegurarem este precioso tesouro para si. Eles devem considerar todas as coisas como perda, para que possam ganhar a Cristo, e ser achados nele.

 

II – A da” pérola de grande valor” (vv.45,46), que tem o mesmo significado da anterior, falando de um tesouro. O sonho é assim dobrado, pois a coisa é certa.

Considere que:

1.Todos os filhos dos homens estão ocupados, buscando boas pérolas: um quer ser rico, outro quer ter honras, outro quer ser sábio; mas a maioria sofre imposições, e se afeiçoa a pérolas falsificadas.

2.Jesus Cristo é a pérola de grande valor, a joia de valor inestimável, que fará os que a possuem ricos, verdadeiramente ricos, ricos em relação a Deus; se o tivermos, teremos o suficiente para sermos felizes aqui e na eternidade, para sempre.

3.Um cristão verdade iro é um mercador espiritual, no bom sentido do termo, pois procura e encontra essa pérola valiosa. Ele não se afeiçoa a nada que não leve a um interesse em Cristo, e, como alguém que está deter­ minado a ser espiritualmente rico, negocia alto: ele foi e comprou aquela pérola. Não só ofertou um lance por ela, mas a adquiriu. De que irá nos ajudar conhecer a Cristo, se nós não o conhecermos como nosso, “feito para nós sabedoria” (1 Coríntios 1.30).

4.Aqueles que têm interesse na salvação através de Jesus Cristo, devem estar desejosos de se separar de tudo por amor a Ele, de deixar tudo por Ele. Devemos deixar, com alegria – mesmo que se trate de algo que seja muito estimado por nós -, qualquer coisa que se opuser a Cristo, ou que vier a entrar em competição com Ele pelo nosso amor e serviço. Um homem pode comprar ouro por um alto preço, mas não essa pérola de grande valor.

 

III – A da “rede lançada ao mar” (vv. 47-49).

1.Eis aqui a parábola. Observe nela que:

(1) O mundo é um mar vasto, e os filhos dos homens são seres inumeráveis, animais pequenos e grandes, nesse oceano (Salmos 104.25). Os homens, em seu estado natural, são como os peixes dos mares que não têm um soberano sobre si (Habacuque 1.14).

(2) A pregação do Evangelho consiste em se lançar uma rede para dentro desse mar, mas para pegar algo dele, para a glória daquele que tem a soberania sobre esse mar. Os ministros são pescadores de homens, empregados para lançar e recolher essa rede; e então eles prosperam quando, pela Palavra de Deus, lançam a rede. De outro modo, eles trabalhariam e não pegariam nada.

(3) Essa rede junta peixes de todos os tipos, assim como fazem as grandes redes de arrasto. Na igreja visível, há uma determinada quantidade de lixo e detritos, sujeira, vermes e ervas daninhas, e também peixes.

(4) Aproxima-se o tempo em que esta rede estará cheia, e será levada à praia; um tempo determinado quando o Evangelho terá cumprido o objetivo pelo qual foi enviado; e temos a certeza de que ele não retornará vazio (Isaias 55.10,11). A rede está se enchendo agora; às vezes, ela enche mais rápido do que em outros momentos, mas ainda está enchendo, e quando estiver cheia, será levada à praia, tempo em que o mistério de Deus concluíra sua obra.

(5) Quando a rede estiver cheia e for levada à praia, haverá uma separação entre o bom e o ruim que estão recolhidos nela. Os hipócritas e os cristãos verdadeiros serão então separados; os bons serão juntados em cestos, como valiosos, e por isso serão cuidadosamente guardados. Porém os maus serão lançados para fora, como vis e inúteis. A condição daqueles que serão lançados fora naquele dia será miserável. Enquanto a rede estiver no mar, não se saberá o que está dentro dela, nem mesmo os próprios pescadores poderão distinguir. Mas então eles a recolhem cuidadosamente, levando tudo o que está nela para a praia, por amor e consideração aos bons que estão nela. Tal é o cuidado de Deus para com a igreja visível, e tal deve ser a preocupação dos ministros por aqueles que estão sob a sua responsabilidade, apesar de todos estarem misturados.

2.Aqui está a explicação da última parte da parábola. A primeira é óbvia e clara o suficiente; nós vemos juntos, na igreja visível, pessoas de todos os tipos. Mas a última parte se refere àquilo que ainda está por vir, e por isso é mais detalhadamente explicada (vv. 49,50). Assim será no fim do mundo; então, e não antes disso, será o dia da divisão e da descoberta. Não devemos procurar pela rede cheia apenas de todos os tipos de peixes bons; os cestos serão assim; mas na rede eles estão misturados. Veja aqui:

(1) A distinção entre os justos e os ímpios. Os anjos do céu virão para fazer aquilo que os anjos das igrejas nunca puderam fazer; eles separarão os justos e os ímpios. E não precisamos perguntar como é que eles farão esta distinção quando estiverem cumprindo as instruções daquele que conhece todos os homens, que conhece particularmente aqueles que são seus, e aqueles que não o são. Devemos ter a certeza de que não haverá engano ou confusão, de forma alguma.

(2) A ruína dos ímpios, quando forem assim separados. Eles serão lançados para dentro da fornalha. Note que um sofrimento eterno e tristezas eternas certamente serão a parte que caberá aos ímpios que vivem entre os santificados. Esta é a mesma situação que vimos anteriormente (v. 42). O próprio Cristo pregava frequentemente a respeito dos tormentos do inferno, como a punição eterna dos hipócritas; desse modo, é bom sermos frequentemente relembrados dessa verdade que nos revigora e desperta.

 

IV – Aqui está a parábola do bom “pai de família”, que tem a finalidade de fazer com que gravemos todas as demais.

1.A sua ocasião era a boa proficiência que os discípulos haviam atingido em aprender, e o ganho deles com esse sermão em particular.

(1) O Senhor lhes perguntou: “Entendestes todas estas coisas?”, sugerindo que estava pronto para explicar aquilo que eles não tivessem entendido. A vontade de Cristo é que todos aqueles que leem e ouvem a Palavra a entendam. Pois, de outro modo, como poderiam ser beneficiados por ela? Portanto, será bom se ao lermos ou ouvirmos a Palavra, nos examinarmos, para verificar se a entendemos ou não. Ser discipulados não foi nenhum demérito para os apóstolos de Cristo. O Senhor Jesus Cristo nos convida a buscar nele a instrução de que necessitamos, e os ministros devem estar sempre dispostos a ajudar aqueles que tenham qualquer boa indagação, oferecendo-se para explicar os seus ensinos detalhadamente.

(2) Eles responderam: “Sim, Senhor”, e nós temos motivos para crer que eles falaram a verdade, porque, quando não haviam compreendido, pediram uma explicação (v. 36). E a explicação dessa parábola foi a chave para as demais. A compreensão correta de um bom sermão será uma importante ajuda para que possamos compreender outro; pois as boas verdades se explicam mutuamente, e ilustram umas às outras. E o conhecimento é fácil para aquele que tem entendimento.

2.O próprio objetivo da parábola foi dar a sua aprovação e elogiar a proficiência deles. Cristo está pronto para encorajar aqueles que tiverem o desejo de aprender em sua escola, mesmo que sejam fracos. O Senhor tem sempre uma palavra de elogio e estímulo aos seus seguidores: “Bem está, servo bom e fiel”.

(1). O Senhor os elogia como escribas instruídos sobre o Reino dos céus. Eles estavam agora aprendendo o que poderiam ensinar; e os professores, entre os judeus, eram os escribas. Esdras, que preparou o seu coração para ensinar em Israel, é considerado um escriba muito hábil (Esdras 7.6,10). Agora, um habilidoso e fiel ministro do Evangelho também é um escriba. Mas, por distinção, ele é chamado de escriba instruído sobre o Reino dos céus, bem versado nas coisas do Evangelho, e bem capacitado para ensinar essas coisas. Perceba que:

[1]. Aqueles que vão instruir outros precisam ser bem instruídos. Se os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, é necessário que ele tenha, primeiramente, o conhecimento.

[2]. O ministro do Evangelho deve ser instruído a respeito do Reino dos céus, pois este é um pré-requisito para que ele seja bem-sucedido em sua tarefa, que consiste em contribuir para o crescimento desse reino. Um homem pode ser um grande filósofo e orador; porém, se não for instruído a respeito do Reino dos céus, ele não será mais do que um mau ministro.

(2). Ele os compara com um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas; os frutos da estação passada e os frutos da colheita desse ano – abundância e variedade, para o enriquecimento de seus amigos (Cantares 7.13). Observe aqui:

[1]. Quais são os recursos que um ministro deve ter: um tesouro de coisas novas e velhas. Aqueles que têm tantas e tão variadas ocasiões, têm a necessidade de armazenar, bastante em seus dias de colheita, guardando verdades antigas e novas, extraídas tanto do Antigo como do Novo Testamento. É necessário ter em mente as melhorias modernas e antigas, para que o homem de Deus esteja amplamente capacitado (2 Timóteo 3.16-17). Tanto as experiências antigas como as observações novas têm o seu uso. E não devemos nos contentar com velhas descobertas, mas devemos estar adicionando novas. Viver e aprender.

[2]. Que uso ele deve fazer de suas posses. O obreiro deve saber administrar; é necessário armazenar para que se possa gastar em benefício de outros. – Vocês devem armazenar, mas não para si próprios. Muitos estão cheios de recursos, mas eles não têm um “respiradouro” (Jó 32.19); têm um talento, mas o enterram. Assim se comportam os servos inúteis. Mas veja a diferença: o próprio Senhor Jesus Cristo recebeu para que pudesse dar; assim devemos agir, e teremos cada vez mais para compartilhar. Quando o objetivo é produzir, as coisas antigas e novas devem estar juntas, pois trarão um ótimo resultado; verdades antigas, mas métodos e expressões novas, especialmente afeições novas.

GESTÃO E CARREIRA

FRANQUIAS: PROVA DE FOGO

Processo seletivo de franqueadores pode ser um desafio para quem sonha em ter uma franquia de sucesso. Apesar de muitas redes exigirem pouco no momento pré-contrato, é preciso estar bem preparado para evitar decepção.

Prova de fogo

O mercado de franquias é dinâmico: a quantidade de interessados na abertura de novas unidades cresce ano a ano, mesmo diante da crise. A procura é grande, mas, para que o resultado não seja decepcionante, as franqueadoras passam um pente fino na vida do candidato. Algumas são mais rígidas, outras nem tanto.

Apesar de toda a discussão em relação à seleção do perfil ideal do franqueado, boa parte das redes de franquia ainda continua fazendo a triagem de candidatos apenas com base no capital que ele tem disponível para investir, o que é um erro grave, segundo o especialista em franchising e CEO da FranquiAZ, Diego Simioni. “Uma boa triagem de candidatos deve analisar não só experiência e habilidades, mas também aspectos comportamentais. Por isso, para que aconteça uma boa triagem, é necessário, antes de tudo, ter muito claro qual é o perfil do franqueado procurado”, afirma Simioni, que complementa: “Costumo dizer que traçamos o perfil do candidato ideal, mas na realidade ele é um mito. A partir do perfil ideal, o franqueador deve saber de quais aspectos do perfil ele poderá abrir mão pois será capaz de treinar o franqueado até que ele fique mais próximo daquilo que é esperado para a rede”.

BOM PARA QUEM?

Uma boa análise de perfil é benéfica tanto para a franqueadora quanto para o candidato, mas quem sai ganhando de fato é o candidato. Afinal, se ele entra para a rede sem perfil, pode se frustrar e ter um grande prejuízo financeiro. Isso poderá acarretar um grande impacto em sua vida futura. Já o franqueador também terá prejuízos, mas, na maioria dos casos, seguirá com a sua rede de franquias.

Para o consultor de franchising da Global Franchise, Fábio Cesar Di Mauro, o processo seletivo é sinônimo de segurança. até mesmo como forma de evitar que o franqueado compre uma franquia achando que está adquirindo um emprego ou uma fórmula mágica de fazer dinheiro. “O processo de triagem precisa alinhar as expectativas do candidato com as expectativas reais do negócio, pois muitas vezes o candidato gosta da marca, é cliente dela, mas todo o processo para aquele negócio funcionar pode apresentar uma realidade bem diferente da que ele acredita”, diz Di Mauro.

PERFIL COMERCIAL

A exigência de perfil comercial é uma das principais requisições feitas pela rede de intercâmbio Global Study. Além disso, a equipe de expansão analisa qual o nível de experiência do candidato sobre a gestão de pessoas, como é o comportamento do candidato perante a adversidade, a intensidade do poder de inovação e de que forma ele se adapta às mudanças de mercado. “Aceitar um franqueado somente porque tem capital e aumentar o número de unidades, para nossa franquia não é um bom modelo.

Temos dois casos em que o franqueado não tinha todo o capital necessário, mas tinha muito potencial, hoje estão entre as melhores unidades da rede, comenta o sócio fundador da Global Study, Flávio Imamura.

A marca pretende expandir em cidades do Estado de São Paulo e capitais brasileiras com mais de 400 mil habitantes. Porém, em 2018, segundo Imamura, o processo será muito mais criterioso do que em anos anteriores. “Iremos valorizar bem o perfil do franqueado. Investidores são bem-vindos, desde que tenham um sócio operador com perfil desejado”, pontua.

DETALHADO, MAS SEM RIGIDEZ

Na rede de cafeterias Sterna Café, o processo seletivo é detalhado, mas sem rigidez. Como na maioria das redes, o primeiro passo é o preenchimento de uma ficha de pré-qualificação. “A franqueadora observa o capital disponível, a disponibilidade de tempo e a expectativa em relação ao faturamento e retomo do candidato. pontua um dos franqueadores da rede Sterna Café, Deiverson Migliatti,

Foi por esse tipo de critério que passaram os franqueados das oito cidades que estão em operação – a rede tem ainda duas lojas próprias. Quem passa a operar uma unidade da marca faz parte de um negócio que tem como estratégia estar locado em lugares com grande circulação de pessoas. São três pilares de atendimento: o próprio espaço do café, eventos corporativos (Coffee Break, Welcome Coffee, Coquetel e Happy Hour) e delívery.

 ALINHAMENTO

A   rede   de    restaurantes   BurBurrito adotou como estratégia a análise de perfil que destaca os seguintes fatores: know-how de gestão empresarial capacidade de investimento, liderança, comprometimento, capacidade de motivar pessoas, bom relacionamento, organização, entusiasmo pessoal, automotivação, capacidade persuasiva, ser bom negociador, saber gerenciar conflitos e ter ótima comunicação verbal e escrita. “Todos esses fatores são analisados durante a negociação entre o consultor e o investidor através de uma ficha de candidatura e de todo o contato estabelecido entre eles”, explica o gerente nacional de expansão da Teaser Franchising – empresa responsável pela expansão da BurBurrito -, Jeremias Atanázio Andrade. Andrade diz que por ser de um modelo de franquia simplificado, o franqueado não precisa ter experiência na área, devido aos treinamentos a que a franqueadora submete o investidor para ele estar apto a gerir seu negócio. “Diversas vezes recebemos investidores interessa­ dos em ‘comprar’ a franquia, porém não em administrá-la presencialmente, assim consequentemente oferecemos alguma outra marca de nosso portfólio por não se encaixar no perfil proposto pela franqueadora”, esclarece o executivo.

A marca que entrou para o sistema de franquias no ano passado conta atualmente com duas unidades franqueadas. A expansão está focada em cidades do litoral brasileiro.

 

RISCOS

As franqueadoras que não analisam o perfil do candidato e fazem negócio apenas para ganhar o dinheiro da taxa de franquia, que o candidato paga para fazer parte da rede, tem um perfil visto como inaceitável por especialistas.

De acordo com Fábio Cesar Di Mauro da Global Franchise, as redes de franquias precisam entender o que aquele candidato quer, e não vender sonhos, promessas e iludi-lo para que o negócio seja concretizado. “Não vejo sentido em vender uma franquia que vai ter um resultado líquido de R$5 mil por mês, quando o candidato procura algo que sobre R$10 mil ou R$15 mil. Ou um retorno de investimento que o candidato só vai conseguir com mais de três anos no negócio, quando ele gostaria muito de recuperar o investimento em até dois anos”, exemplifica.

Alinhar as expectativas quanto ao suporte da franqueadora, os valores que a franquia costuma gerar e o papel de cada um na relação franqueador X franqueado são fundamentais no processo de venda da franquia.

Além das expectativas financeiras, é preciso alinhar com o candidato o papel das partes, ou seja, o que cabe à franqueadora e o que cabe ao candidato no dia a dia da franquia. Portanto, questões sobre gestão de pessoas no ponto de venda do franqueado, divulgação do negócio na região do candidato, administração financeira da unidade franqueada, serão funções do franqueado e não da franqueadora. É preciso que o franqueado entenda que a franqueadora não vai administrar e fazer o negócio dar certo. Outro ponto importante é que a franquia, como qualquer outro negócio, tem riscos. Riscos reduzidos, pois o candidato terá acesso a todo um know-how e suporte da franqueadora para enfrentar desafios, mas isso não significa que não tenha riscos.

 

3 ATITUDES QUE PODEM ATRAPALHAR NO PROCESSO SELETIVO

  • Não ter o espirito de “querer fazer acontecer”
  • Demonstrar dificuldade em seguir padrões. Falar sobre possíveis mudanças do modelo de negócio antes mesmo de fechar negócio pode ser um tiro no pé.
  • Não ter afinidade ou interesse pelo ramo de atuação da marca e pensar, única e exclusivamente, no retorno financeiro. Esse pode ser um sinal vermelho que a franqueadora identifica e avalia negativamente.

 

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 Fonte: Revista Gestão e Negócios – Edição 97

 

 

PSICOLOGIA ANALÍTICA

5 APLICATIVOS PARA CRIANÇAS COM AUTISMO

Visuais e intuitivas, essas ferramentas podem facilitar e estimular as habilidades de comunicação e interação dos pequenos com transtorno do espectro autista (TEA), além de ajudar a reduzir o estresse causado por dificuldades de linguagem e eventuais mudanças na rotina.

5 aplicativos pa crianças com autismo

 

  1. PARA LIDAR COM MUDANÇAS: Minha rotina especial

Em português, ajuda a organizar atividades do dia a dia e a diminuir a ansiedade quando necessária a inclusão de uma atividade diferente, como visita ao médico ou uma viagem. Segue a linha da ferramenta First Then, permitindo planejamento detalhado e instrução para o passo a passo de atividades, mesmo as mais simples, como ir ao banheiro e escovar os dentes. Não é gratuita, disponível para Android e iPad: minharotina.com.br.

 5 Aplicativos para crianças com autismo (2)

  1. COMUNICAÇÃO RÁPIDA: Tobii

Totalmente baseado em símbolos muito objetivos, permite a comunicação rápida de necessidades para crianças com TEA que não se expressam verbalmente. Possibilita construir frases específicas e informar sobre necessidade de ida ao banheiro, dores, fome, vontades, preferências por lugares e atividades. É possível baixar preview gratuito em português no iTunes: apple. co/2unyS5L.

 5 Aplicativos para crianças com autismo (4)

  1. TRADUÇÃO DE COMANDOS EM VOZ: Livox

Vencedor de prêmio da ONU de melhor aplicativo de inclusão, o Livox (Liberdade em voz alta) foi criado pelo analista de sistemas pernambucano Carlos Pereira, pai de uma menina com paralisia cerebral, e já traduzido para 25 línguas. Traduz para comandos em voz símbolos tocados na tela pelo usuário. A vantagem é que possibilita a comunicação de pessoas não apenas com dificuldades de comunicação, mas também motoras. Já conta com repertório de mais de 12 mil imagens, que direcionam para alternativas bem específicas. Por exemplo, a criança pode escolher comer uma massa e o tipo de molho. Disponível em http://www.livox.com.br, conta com informações específicas para usar o aplicativo de acordo com o tipo de deficiência da criança.

5 Aplicativos para crianças com autismo (3) 

  1. FAZER RELATOS: Story Creator

Permite a criação de histórias rápidas para que a criança se comunique e conte suas vivências por meio de desenhos, com a possibilidade de inserir fotografias e convidar um adulto para narrar a história desenhada. Pode ser adquirido pelo iTunes: apple.co/2ueevr2.

5 Aplicativos para crianças com autismo (5) 

  1. MENSAGENS INSTANTÂNEAS: Tippy Talk

Em inglês, mas totalmente visual, permite a comunicação instantânea por celular entre crianças com TEA e os pais ou outros adultos. A criança pode montar frases com símbolos, que chegam por mensagem de texto ao celular da pessoa com quem ela deseja se comunicar. Pode ser baixado na Google Play ou na Apple Store: www.tippy-talk.com.

 5 Aplicativos para crianças com autismo()5

Fonte: Revista Mente & Cérebro – Edição 296

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 13: 24-43 – PARTE 2

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A Parábola do Trigo e do Joio, do Grão de Mostarda, e do Fermento – Parte 2

 

III – Aqui está a parábola do grão de mostarda (vv. 31,32). O escopo dessa parábola é mostrar

que o início do Evangelho seria pequeno, mas que, no seu final, ele aumentaria grandemente. Desse modo, a igreja cristã, o Reino de Deus entre nós, seria implantado no mundo; desse modo, a obra ela graça no coração, o Reino de Deus dentro de nós, seria implantado dentro de cada cristão.

A respeito da obra do Evangelho, observe:

1.Que ela é geralmente muito frágil e pequena no início, como ocorre com a semente de mostarda, que é uma das menores sementes. O reino do Messias, que estava então sendo implantado, tinha pouca expressão. Cristo e os seus apóstolos, comparados com os grandes do mundo, se pareciam com a semente de mostarda, com as coisas mais frágeis do mundo. Em alguns lugares em particular, os primeiros raios da luz do Evangelho são como a aurora do dia; e nas almas em particular, o Evangelho é, inicialmente, o dia das coisas pequenas, como uma cana quebrada. Os recém-convertidos são como cordeiros que têm que ser carregados nos braços (Isaias 40.11). Nesse caso, a fé está presente, mas ainda lhes faltam muitas coisas (1 Tessalonicenses 3.10). E os gemidos, que não podem ser sequer expressos, são muito pequenos. Estes podem ser considerados o início de uma vida espiritual, e a evidência de algum movimento, mas são raramente discerníveis.

2.Que ela ainda assim está crescendo e se desenvolvendo. O reino de Cristo se firmou de uma forma surpreendente. Grandes adições lhe foram feitas, nações nasceram de uma vez, apesar de toda oposição imposta pelo inferno e pela terra. Na alma onde a graça é verdadeira, ela crescerá verdadeiramente; contudo, ela talvez nem seja sentida. Um grão de mostarda é pequeno, mas é uma semente, e tem em si uma disposição para crescei A graça estará ganhando terreno, brilhando mais e mais (Provérbio 4.18). Observe como a semente cresce: os hábitos da graça são confirmados, ocorre um avivamento que leva as pessoas à ação e a um conhecimento mais claro, a fé é cada vez mais confirmada, e o amor fica mais inflamado.

3.Que ela finalmente chegará a um grande grau de força e utilidade; quando ela tiver crescido e alcançado uma certa maturidade, ela se tornará uma árvore, bem maior em alguns países do que em outros. A igreja, como a vinha trazida do Egito, lançou raízes e encheu a terra (SaImos 80.9-11). A igreja é como uma grande árvore, em que os pássaros do céu se abrigam; o povo de Deus tem, nela, um grande auxílio para a obtenção de alimento, repouso, proteção e abrigo. Em algumas pessoas em particular, o princípio da graça, se for verdadeiro, perseverará e será finalmente aperfeiçoado. A graça que cresce será um a graça forte, e fará com que muitas coisas aconteçam. Os cristãos mais maduros devem ter o anseio de serem úteis aos outros, assim como o grão de mostarda que, quando crescido, é útil para os pássaros. Para que aqueles que vivem perto, ou sob a sua sombra, possam desfrutar preciosas bênçãos (Oseias 14.7).

 

IV – Aqui está a parábola do fermento (v. 33). O escopo é basicamente o mesmo da parábola anterior, para mostrar que o Evangelho deveria prevalecer e ter um sucesso gradual, silencioso, e sem ser sentido; a pregação do Evangelho é como o fermento, e trabalha como fermento nos corações daqueles que a recebem.

1.Uma mulher pegou esse fermento; era o trabalho dela. Os ministros são empregados para fermentar as almas com o Evangelho. A mulher é o vaso mais fraco, e nós temos este tesouro em vasos frágeis.

2.O fermento foi escondido em três medidas de farinha. O coração é, como a farinha, leve e maleável. E é o coração macio que tende a ser beneficiado pela Palavra. O fermento, no meio de grãos que não estão moídos, não tem efeito. Da mesma forma, o Evangelho, em almas altivas e não quebrantadas em relação ao pecado, não traz os benefícios que estão disponíveis. A lei mói o coração, e então o Evangelho age nele como fermento. Aqui se fala de três medidas de fermento, que é uma grande quantidade, pois um pouco de fermento faz crescer a massa toda. A farinha deve ser sovada, antes que receba o fermento. Da mesma forma, os nossos corações devem ser quebrantados e umedecidos, e devemos ter o cuidado de prepará-los para a Palavra, para que recebam as bênçãos que estão disponíveis. O fermento deve ser escondido no coração (SaImos 119.11), nem tanto pelo segredo (pois ele se mostrará), mas por segurança; o nosso pensamento interior deve estar nele, e devemos guardá-lo como Maria guardou as palavras de Jesus (Lucas 2.51). Quando a mulher esconde o fermento na farinha, a intenção é que ele transmita a sua essência, para que possa agir nela. Ê assim que devemos guardar e reverencial’ a Palavra em nossas almas, para que sejamos santificados por ela (João 17.17).

3.O fermento assim escondido na massa ali trabalha, ele fermenta; a Palavra é rápida e poderosa (Hebreus 4.12). O fermento trabalha velozmente, como a Palavra, mas ele trabalha gradualmente. Que súbita mudança o manto de Elias causou na vida de Eliseu! (1 Reis 19.20). A Palavra trabalha silenciosa e imperceptivelmente (Marcos 4.26), mas também forte e irresistivelmente; ela faz o seu trabalho sem barulho – pois esse é o modo do Espírito, mas o faz sem falhar. Basta esconder o fermento na massa, e nem mesmo o mundo todo poderá impedi-lo de passar o seu gosto e fazer com que seja saboreado. Embora ninguém veja como isso é feito, aos poucos tudo se torna levedado.

(1). Assim foi no mundo. Os apóstolos, pela sua pregação, esconderam um punhado de fermento na grande massa da humanidade, e ele teve um poderoso efeito; ele colocou o mundo em um processo de fermentação, e, de certa forma, virou-o de ponta cabeça (Atos 17.6), e aos poucos fez uma mudança incrível no gosto e no apetite. O sabor do Evangelho se manifestou em todos os lugares (2 Coríntios 2.14; Romanos 15.19). Assim, ele foi eficaz, não por alguma força exterior, por alguma força resistível e conquistável, mas pelo Espírito do Senhor dos Exércitos, que trabalha e ninguém pode impedir.

(2). Assim é no coração. Quando o Evangelho entra na alma:

[1] Ele causa uma mudança, não na essência (pois a massa continua sendo a mesma), mas na qualidade; ele nos traz um paladar diferente daquele que temos, e faz com que saboreemos as coisas de uma forma diferente da que fazíamos antes (Romanos 8.5).

[2] Ele causa uma mudança universal; ele se difunde em todos os poderes e faculdades da alma, alterando até mesmo as propriedades dos membros do corpo (Romanos 6.13).

[3] Essa mudança é tal que faz com que a alma compartilhe a natureza da Palavra, assim como a massa compartilha a natureza do fermento. Nós somos postos nele como em um molde (Romanos 6.17), e assim somos transformados na mesma imagem (2 Coríntios 3.18), como a impressão de um selo sobre a cera. O Evangelho tem o sabor de Deus, de Cristo, da graça e das bênçãos gratuitas, e de outro mundo; e essas coisas agora se misturam com a nossa alma, trazendo um sabor extremamente agradável. A Palavra de Deus é uma palavra de fé e arrependimento, santidade e amor, e estas virtudes são trabalhadas na alma por esta Palavra. Este sabor tão precioso é transmitido de uma forma imperceptível, pois a nossa vida está escondida. Mas a graça que permeia todo este processo, e que está na alma de cada um de nós, é inseparável, pois é uma boa pa1·te que jamais será tirada daqueles que a possuem. Quando a massa recebe a ação do fermento, ela é levedada. Então ela é levada ao forno; as provas e as aflições geralmente participam dessa mudança. Mas é assim que os santos são preparados para que se tornem pão para a mesa do nosso Mestre.

GESTÃO E CARREIRA

UM DUELO PESSOAL

O medo está presente na vida de todos porque faz parte da essência humana. E com os líderes e gestores não é diferente, no entanto, até que ponto isso pode atrapalhar os negócios e transformá-los em chefes ruins?

Um duelo pessoal

Quem nunca ouviu um colaborador reclamar de um chefe que dá bronca ou que exige demais, aquele ainda que não assume quando erra e desconta nos outros seus fracassos e imperfeições? Você já parou para pensar que isso pode ser reflexo do medo que esse líder enfrenta?

Mas líderes não sentem medo! Um total engano. Todos sentimos medo da rejeição, da perda medo do fracasso. E esse medo pode atrapalhar, muito, se for um sentimento dominante. Pode até virar fobia. E o maior problema ainda não é o sentimento em si mas o que fazemos com ele quando sentimos. Tem gente que fica paralisado ou que age impulsivamente de forma defensiva e se fecha. Há também aqueles que até agridem como forma de enfrentar o medo, como é o caso de alguns líderes e gestores. Mas a pergunta é: dessa forma que você quer liderar a sua empresa e a sua equipe?

Na opinião do consultor, palestrante e autor de best-sellers, César Souza o medo pode atrapalhar bastante a carreira de um líder ou gestor. “Existem três sentimentos que são terríveis: o medo, a raiva e a culpa. Se não conseguimos processar esses sentimentos e agirmos inconscientemente ou impulsivamente quando os sentimos, temos alta possibilidade de desastre na nossa auto liderança, que é a competência mais importante de um líder“, explica.

O estudioso do comportamento humano, coach de alta performance e especialista em transformação pessoal, Diógenes Gomes, esclarece ainda que o medo é a emoção que surge quando a pessoa acredita que não tem condições necessárias para realizar determinada tarefa ou que condições externas irão impedi-lo de cumpri-la. As emoções de medo incluem tudo, dos níveis mais baixos de preocupação e apreensão à preocupação intensa. ansiedade, pavor e até mesmo terror. “Acontece com todas as pessoas, e nos líderes essa emoção pode ser potencializada pelo fato de que o medo do líder pode ‘contaminar’ os liderados, gerando uma espécie de reação em cadeia”.

EU MEREÇO SER UM LÍDER!

O medo pode ter várias origens. Sentimento de ser incapaz para o cargo. Despreparo (a pessoa se sente despreparada). O medo de não corresponder e decepcionar quem o colocou no cargo e até mesmo decepcionar a família. “Existe sim a crença de que o líder deve ser corajoso. Deve realmente ser corajoso, porém alto lá! Coragem não é a ausência do medo. Coragem é saber enfrentar o medo e dominá-lo na hora crítica”, mostra Souza.

Obviamente que existem pessoas com mais facilidade para superar o medo do que outras. Mas a sócia-fundadora da Dromos Consult, Claudia Lemoine, diz que reconhecer e saber superar seus medos são as características fundamentais à liderança.

Logo, o primeiro sentimento que um líder precisa eliminar é este: De que por sentir medo ele não seja capaz de estar nessa posição. “O medo é uma emoção natural e surge em qualquer pessoa. A ideia não é eliminá-lo, e sim transformá-lo em algo positivo que possa impulsionar o líder a seguir em frente”, completa Gomes.

O estudioso do comportamento humano ressalta que alguns medos são comuns a todos os líderes, como medo do fracasso, da rejeição, de não ser bom o suficiente, ou não estar à altura para as tarefas. Esses são os medos mais frequentes, mas geralmente os líderes podem chamá-los por outro nome: Estresse, que é o medo somatizado. “Quando o medo domina as ações e começa a afetar o líder e seus liderados, é aconselhável buscar ajuda profissional. Um coach que tenha um conhecimento sobre intervenções estratégicas é alguém a quem se pode recorrer”, aconselha. Para César Souza, os líderes hoje querem controlar tanto esses medos e acabam não admitindo que ele exista, o que os leva a delegarem pouco. Por isso ele reforça a opinião de Gomes de que é bom buscar ajuda quando a pessoa se torna refém dos medos, fica paranoica, exagera ou quando também perde a noção do perigo e fica arrogante, autoritária e se julga imune ou ambiciosa de alguma forma. “‘Neste momento no Brasil presenciamos líderes que estão pagando alto preço e destruíram suas carreiras e suas empresas por se julgarem imunes e acima do perigo. Sim, procurar ajuda: terapeuta. conselheiro, amigo, parente. Uma sugestão que eu sempre dou é buscar um amigo e compartilhar receios. Ouvir outros e medir melhor a dimensão da situação versus o sentimento”, de monstra.

 

EU, EU MESMO E MINHA EQUIPE

“O melhor a se fazer é aprender a dançar com o medo”, pois ou se aprende a dominá-lo ou ele nos domina. A rejeição provavelmente seja o maior deles, especialmente quando vem da equipe. E é impossível evitar, afinal quem consegue agradar a gregos e troianos? Mas, caso aconteça, é o momento de analisar que estratégia de comunicação com os liderados você está adotando e, talvez mudá-la. “Se tentar impor, pode aumentar a rejeição da sua equipe. Lembre-se de que só se pode influenciar alguém quando se aprende o que já os influencia”, considera o coach Diógenes Gomes.

Claudia Lemoine dá a dica de que o autoconhecimento é a premissa para um bom exercício de liderar pessoas, olhar para si mesmo, rever sua história e seu passado, como foi o aprendizado e exemplos práticos de liderança aos quais foi submetido, possíveis rejeições, crenças limitantes, etc. “Essa autoanálise pode responder a muitas posturas e comportamentos do líder”, indica.

Mas, segundo o consultor César Souza, só a possibilidade de rejeição da equipe já atormenta muitos líderes. Por isso ele vai mais a fundo e ensina o quefazer:

a) defina em conjunto com a equipe a causa, o significado do negócio e o propósito comum da equipe; b) estabeleçam em conjunto metas claras e explícitas; c) reconheça sempre quando alguém acerta e conquiste as pessoas através do reconhecimento e premiação; d) ouça, ouça e ouça; e) tenha coragem para decidir e velocidade para agir quando as circunstâncias assim exigirem, não procrastine. Fundamental: transparência total com sua equipe. Afinal, ninguém perdoa quando o líder falta com a transparência e a sinceridade.

O palestrante alerta que, se existir um medo infundado, a equipe pode perder a confiança na capacidade de análise e julgamento do líder. Por isso ele repete: defina uma causa, metas claras, ouça muito, compartilhe sempre com outros suas percepções e aja rápido se o fato for real. “O que passa segurança é a tranquilidade mesmo em momento de crises adversas. Não entrar em pânico nem se deixar abater por rumores ou fatos. Se a situação for realmente grave, um acidente, um falecimento, uma decisão muito errada, o importante é tentar encontrar soluções em vez de buscar culpados ou ficar paralisado. Hora do caos sempre é um momento que pode revelar líderes capazes de enfrentar dificuldades e superá-las”, avalia.

SOB PRESSÃO

Liderar sob pressão, críticas, ou seja, em um ambiente onde tem que se comprovar constantemente aos superiores o seu valor, toma a vida de um líder muito mais difícil, e isso também pode fazer o medo aumentar. Por isso, Souza reforça quanto é importante negociar sempre um “Contrato de Expectativas” com metas claras e atitudes desejadas bem explicitadas. O líder deve ter isso com seus liderados, assim como com seu próprio líder. Mas não nos iludamos: nos próximos cinco anos a pressão não será menor que nos últimos cinco anos. A pressão tende a aumentar. As cobranças também”, avisa.

Mas cabe a cada um se capacitar. No entanto, se houver bullying ou se um superior estiver assediando de forma tóxica um líder ou liderado, o melhor na opinião do consultor, é mudar de área, de cargo ou de empresa. “Às vezes é mais importante a pessoa demitir o seu chefe. Ou seja, nem sempre vale a pena passar a vida se provando a quem não merece. Quando não há empatia e a pessoa fica refém dos humores de um chefe aterrorizante e passa a ter seu sentimento de medo contaminado de forma injusta, melhor mudar de ares”, recomenda Souza.

Por isso que na visão da sócia-fundadora da Dromos Consult, o verdadeiro líder entende e aceita opiniões adversas, mas não se abstém em debater novos e mostrar novos caminhos. Deve ser resiliente, ter a capacidade de se adaptar ou até mesmo evoluir após momentos de adversidade, transformando experiências negativas em aprendizado, mantendo equilíbrio para enfrentar situações e cenários, como, por exemplo, críticas e pressão no ambiente de trabalho. “Ele não se prende a situações que possam limitá­lo e/ou limitar sua equipe. Ele deve valorizar o que cada membro de sua equipe tem de melhor, corrigir com sabedoria e reconhecer com generosidade”, pontua Claudia.

MULHER X LIDERANÇA

As mulheres conquistaram um espaço no mercado e hoje já ocupam cargos de lideranças em várias empresas. No entanto, até mais que os homens, elas ainda carregam algum medo em relação a essa posição.

Segundo a especialista em equidade feminina e CEO da CKZ Diversidade, Cristina Kerr, infelizmente ainda existe a síndrome da impostora que algumas mulheres carregam, que é “eu sou uma fraude, não sou competente”. “A mulher é supercompetente, ela chegou lá, já tem cargo de liderança, mas ela não se acha competente para superar esse medo”. acredita.

Ela afirma que a mulher é capaz e está preparada, mas ainda é muito rígida com si mesma, se cobra perfeição em todos os aspectos na vida e para se candidatar a um cargo de liderança, por exemplo, se não preencher 100% dos quesitos, ela vai ficar insegura.

O maior medo de uma mulher na liderança, segundo Cristina Kerr, é de serem ouvidas. “É muito difícil para a mulher se posicionar em uma sala com vários homens. o que é muito comum nas diretorias e conselhos porque os homens as interrompem e elas não têm voz. O ideal é que haja três mulheres, pelo menos, para que elas consigam se posicionar”, aposta.

Na opinião ainda da especialista, as mulheres precisam provar mais que os homens que são competentes. “O homem está sempre preparado, sempre pronto para assumir posições de liderança, e a mulher não, é sempre uma chance que nos é dada para mostrar que damos conta e que somos capazes, apesar de sermos tão (ou até mais, dependendo do caso) competentes quanto os homens, lamenta.

Para vencer isso, Cristina diz que é necessário que as mulheres que já estão em cargos de média e alta liderança, deem a chance para outras mulheres, puxem-nas para cargos mais altos. “Ao invés de ser mentora, as mulheres devem ser patrocinadoras de outras mulheres, ou seja, abrir caminho efetivamente para elas a fim de ajudar essas que estão vindo, para que possam chegar mais rapidamente à liderança”, afirma

Além disso, é muito importante também mostrar para os homens o quanto ter mulheres em cargos de alta liderança traz resultado, performance financeira, para que eles também sejam agentes de transformação nessa causa e ajudem essas mulheres a irem para cargos de liderança. “Porque não é mais apenas uma questão de responsabilidade social, é uma questão de ganhos financeiros”, opina.

CONSIDERAÇÕES

Por aspectos culturais e organizacionais em transição, entrada de novas gerações no mercado de trabalho, estruturas organizacionais mais enxutas, competitividade acirrada e até mesmo o cenário macroeconômico, Claudia Lemoine acredita que a tendência é a de exigir líderes mais bem preparados para lidar com todos os tipos de cenários e, assim, estes devem responder com mais maturidade emocional.

Por fim, Diógenes Gomes diz que até por conta disso é importante entender também que o líder é alguém que serve a um bem maior do que os seus próprios interesses. “liderar pessoas não é um privilégio, é uma missão. A principal função de um líder é maximizar recursos e promover mais do que mudança, é progresso: é a capacidade de fazer as coisas acontecerem, maximizar os recursos e inspirar. É a capacidade de criar um ambiente em que as pessoas prosperem’ pontua.

MUDANDO A REALIDADE

Você sabia que o problema de termos lideres despreparados nas empresas vem da falta de incentivo que poderia começar na infância? Mas essa é uma realidade que já está mudando. Algumas escolas já possuem projetos voltados ao incentivo para aflorar nas crianças o líder que existe dentro delas. O Colégio Renovação – instituição de ensino de Educação Infantil ao Ensino Médio com unidades localizadas na capital paulista e na cidade de Indaiatuba, interior de São Paulo -, por exemplo, pensando na formação integral dos alunos, promove o projeto “O líder em Mim”. Trata-se de um programa com conteúdo, metodologia, material didático e treinamento para o aprendizado de liderança, valores e competências fundamentais para o sucesso na escola e na vida. “O liderem Mim” é fundamentado em teorias do desenvolvimento humano e que provoca processo de mudança comportamental para alunos e educadores. O projeto é voltado para alunos do lº ao 9º ano e envolve toda a escola. O programa foi desenvolvido pela Franklin Covey Co., nos EUA, baseado no livro “Os 7 hábitos de pessoas altamente eficazes” e adaptado à realidade brasileira.

5 PERGUNTAS CONSTANTES PARA EVITAR O MEDO

  • Do que realmente eu tenho medo?
  • Esse medo vem de mim ou foi algo que eu aprendi com alguém?
  • Quais benefícios esse medo me trouxe até hoje?
  • Que benefícios terei se ficar livre dele agora? Por que ê importante ficar livre desse medo agora?

 

10 PERGUNTAS CONSTANTES PARA EVITAR O MEDO

  • Seja transparente.
  • Seja sincero
  • Seja exigente, mas justo
  • Peça apoio
  • Ajude outros que estejam sentindo medo de forma inadequada ou desproporcional
  • Seja solidário com o outro
  • Seja integro
  • Seja agregador
  • Respeite para ser respeitado
  • Não inspire pela hierarquia nem pelo temor.

Inspire por valores, mas de forma bem pragmática: Dê resultados, supere suas metas, faça mais que o combinado. Sô assim você poderá dosar melhor seus sentimentos, pois quem não dá resultados já vive sob pressão e deixa a porta sempre aberta para o medo entrar.

 

12 MEDOS COMUNS AOS LÍDERES

  • Medo de decepcionar
  • Medo de não cumprir a meta
  • Medo de não se posicionar na hora certa
  • Medo de falar em público
  • Medo de tomar uma decisão errada
  • Medo de não ser capaz de esconder algo errado que está fazendo
  • Medo de perder o emprego
  • Medo de não agradar ao chefe
  • Medo da mudança Medo do desconhecido Medo do outro
  • Medo de acontecer algo inesperado ou indesejado que surpreenda

 

 

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A JORNADA DOS BEBÊS

Ainda no útero, eles reconhecem e preferem a voz materna e, com poucas horas de vida, eles já distinguem sabores e aromas; identificam também formas pelo toque e estão aptos a enxergar o suficiente para notar características do rosto de quem os pega no colo.

A jornada dos bebês

Eles não enxergam exatamente como adultos nos primeiros meses de vida, mas distinguem aromas, têm capacidade de reconhecer texturas pelo toque, preferem determinados tipos de som e desde bem novinhos gostam (ou desgostam) de certos sabores. Estudos desenvolvidos nos últimos anos revelam que os bebês nascem muito mais “prontos” do que se supunha há algumas décadas. Por volta dos 7 meses, por exemplo, já são capazes de se lembrar de músicas vários dias depois de tê-las ouvido. Com poucas semanas de vida, diferenciam sabores e emitem suas opiniões por meio das expressões faciais. Quanto aos odores, recém-nascidos notam a diferença entre os perfumes e os cheiros fétidos – virando a cabeça para se aproximar do que lhes agrada ou na direção oposta para evitar o desconforto. A sensibilidade das mãozinhas também é fundamental para as primeiras explorações do mundo. Desde que nasce, a criança apresenta capacidade para coordenar informações, obtidas por meio do tato, sobre forma dos objetos, associando-as à experiência visual.

Embora a visão seja um dos sentidos mais estudados, durante muito tempo se pensou, por exemplo, que as crianças nasciam cegas ou que só poderiam distinguir imagens com precisão após muito tempo. Atualmente, médicos e cientistas admitem que o bebê de poucas horas de vida enxerga, sim, ainda que não nitidamente, já que seu sistema visual é imaturo e os sentidos não estão totalmente desenvolvidos. Ao nascer, ele vê suficientemente para perceber os olhos, a boca e até uma mosca no nariz de quem o pega no colo. Um bebê de algumas semanas consegue seguir com os olhos uma pessoa que se movimenta ao seu redor, apenas com um pouco de atraso, sobretudo se a pessoa andar rapidamente.

 TUDO EMBAÇADO

No início vê o mundo de forma desfocada. Isso acontece porque tem dificuldade de executar uma função orgânica chamada “acomodação”. Trata-se, na verdade, da habilidade de fazer a curvatura do cristalino variar para obter uma imagem nítida, permitindo ajustar a visão para objetos próximos ou distantes. O mundo se torna um pouco mais nítido para os pequenos a uma distância entre 20 cm e 75 cm, uma faixa em que o cristalino consegue se acomodar parcialmente. A partir de 2 meses, a acomodação se desenvolve. E um fato interessante: aos 3 meses e meio, ela é superior à dos adultos, e os bebês conseguem enxergar nitidamente um objeto situado a 5 cm – uma distância que não facilita a visão em nenhum outro momento da vida.

Quanto ao campo visual, se o dos adultos é de 180 graus, o de um recém-nascido é de apenas 60 graus. Esse campo visual se desenvolve lentamente durante os dois primeiros meses de vida, aumentando rapidamente até os 8 meses.

Mesmo apresentando acuidade visual aproximadamente 60 vezes mais fraca que a do adulto, os pequeninos são capazes de identificar expressões faciais, embora tenham dificuldades para perceber detalhes. Mas o recém-nascido enxergará cada vez melhor com o tempo. Aos 6 meses, sua acuidade visual será apenas cinco vezes menor que a do adulto.

A maneira como os olhos dos bebês se deslocam também apresenta particularidades. Quando um adulto segue um objeto com os olhos, a “perseguição ocular” é suave. Os bebês nem sempre têm essa facilidade. Para comprovarem isso, pesquisadores mostraram a vários recém-nascidos um objeto preto se movimentando sobre um fundo branco a fim de estudar se seus olhos se moviam de forma suave ou brusca. Perceberam que crianças de até 5 semanas eram capazes de seguir o alvo quando ele se deslocava lentamente, mas assim que o objeto acelerava seu movimento a perseguição ocular ocorria aos trancos. O estudo, várias vezes replicado, mostra que, mesmo se a visão dos pequenos seja limitada em relação à dos adultos, ela é funcional.

SONS DO ÚTERO

Há mais de duas décadas os psicólogos americanos A. J. De Casper e W. P. Fifer realizaram uma das mais surpreendentes experiências com recém-nascidos. Os resultados foram publicados pela revista Science. Eles pediram que dez mulheres que tinham acabado de dar à luz lessem um texto durante 25 minutos e gravaram sua voz. Os pesquisadores colocaram fones de ouvido nos bebês dessas mulheres, cinco meninos e cinco meninas, e lhes deram uma chupeta ligada a um aparelho que permitia acionar o gravador.

Com apenas alguns dias de vida, os bebês ouviam então a voz da própria mãe e depois a de uma mãe desconhecida, ou o inverso. Suas reações de sucção foram observadas enquanto escutavam a gravação que podiam acionar. Resultado: de forma geral, os recém-nascidos modificavam sua sucção, aumentando ou diminuindo o ritmo, de maneira a ouvir mais frequentemente a voz da mãe. Essa experiência mostrou não somente que o pequeno reconhecia e preferia a voz materna, como também era capaz de aprender como produzir o som que preferia. Experiências semelhantes, feitas também por De Casper, com a voz do pai não revelaram o mesmo comportamento. Crianças de até 4 meses não reconheceram a voz paterna. Os psicólogos acreditam que isso ocorre provavelmente porque a experiência pré-natal influencia significativamente a preferência, já que o feto está mais exposto à voz da mãe que à do pai.

Outro estudo se propôs a avaliar a capacidade de identificação da voz materna antes mesmo do nascimento. Participaram da experiência 60 grávidas que estavam por volta da 39a semana de gestação. A metade dos fetos ouviu uma gravação em fita magnética da mãe lendo um poema durante dois minutos. Os outros ouviram o mesmo texto lido por uma voz desconhecida. O som era emitido por um alto-falante a uma distância de 10 cm acima da barriga da mãe, a 95 decibéis.

GOSTINHO BOM

Os pesquisadores registraram a frequência cardíaca dos fetos durante a sessão e repararam que ela aumentava com a voz da mãe e diminuía com o som. Para os pesquisadores, a aceleração se deve ao fato de que a voz da mãe estimula o bebê. Esse estudo prova que o bebê reconhece a diferença entre a voz da mãe e a voz de uma desconhecida antes mesmo de nascer. Ou seja: se antes de nascer a criança já reconhece – e prefere – a voz de sua mãe, faz sentido, portanto, que as grávidas conversem com os filhos quando ainda estão na barriga.

É comum dizer que os recém-nascidos não têm o paladar tão apurado quanto os adultos. Da mesma forma, nos perguntamos se conseguem distinguir o doce do salgado, o amargo do azedo. Foram feitas várias experiências para descobrir se eles eram instintivamente capazes de perceber essas diferenças.

Em um desses estudos, as psicólogas Harriet Oster e Diana Rosenstein, ambas pesquisadoras da Universidade de Nova York, realizaram um teste no qual colocaram na boca de 12 recém-nascidos de duas horas de vida, alternadamente, açúcar, cloreto de sódio, ácido cítrico e cloridrato de quinino – com sabores, respectivamente, salgado, cítrico e amargo. Elas observaram e filmaram as expressões faciais dos bebês em contato com essas quatro substâncias. Com o açúcar, as crianças ficavam tranquilas e relaxadas e começavam a mamar. Mas, em resposta às soluções salgadas, ácidas e amargas, mostraram expressões emocionais negativas: para o gosto ácido, os lábios ficavam apertados; ao sentirem o amargo, os bebês bocejavam, e não houve expressão facial específica para o gosto salgado.

Outro pesquisador, Jacob E. Steiner, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, demonstrou com o mesmo tipo de experiência que o açúcar fazia com que os bebês mostrassem a língua, relaxassem os músculos do rosto e às vezes até sorrissem. Com o quinino, bocejavam e faziam caretas, arqueando os lábios, franzindo a testa e o nariz e enrugando os músculos ao redor dos olhos. Os recém-nascidos balançavam as mãos e os braços e era possível ver sacudidelas ou afastamento da cabeça. Com o ácido, Steiner notou reações intermediárias entre essas observações extremas. Como não houve nenhuma resposta facial para o gosto salgado até aproximadamente os 4 meses, o pesquisador supôs que a capacidade de detecção do sal se desenvolve mais tarde.

Mesmo que não tenham nenhuma experiência anterior do paladar – exceto a ingestão pré-natal do líquido amniótico –, os recém-nascidos sabem diferenciar o amargo, o doce e o ácido. Cada um desses três sabores provoca reações faciais específicas. Segundo os cientistas, podemos interpretar essas reações como prazerosas ou desagradáveis.

É possível que a origem do comporta- mento facial seja funcional: ele pode ter um valor comunicativo para a mãe, para informar de qual sabor o bebê gosta mais.  As preferências parecem ser adaptativas. A inclinação inata pelo doce pode ser o resultado de uma evolução para detectar e identificar as fontes mais calóricas de alimentos. Assim como a aversão ao amargo e ao ácido indica habilidade seletiva para evitar itens não comestíveis e até tóxicos. Isso explica, do ponto de vista evolucionista, por que tantas crianças rejeitam comidas amargas como certos legumes e verduras (jiló, agrião e rúcula, por exemplo). A melhor forma de driblar a resistência é a persistência: os pais não devem desistir de apresentar repetida- mente os alimentos aos pequenos até que essas comidas, em geral bastante nutritivas, passem a ser toleradas e até apreciadas.

 TOCAR PARA SABER

O bebê é capaz de reconhecer com os olhos aquilo que toca: assim, a informação passa da mão para os olhos. Para comprovarem essa “transferência toque-visão”, os psicólogos Arlette Streri, da Universidade Paris Descartes, e Edouard Gentaz, da Universidade Pierre-Mendès-France, desenvolveram uma pesquisa com 12 meninos e meninas com apenas 3 dias. Eles colocaram na mão direita de cada bebê um prisma ou um cilindro. Se a criança largasse o objeto, um dos pesquisadores o apresentava novamente até que ela se acostumasse com a forma.

Numa segunda fase da experiência, os psicólogos ofereciam dois objetos lado a lado diante dos olhos do bebê durante 60 segundos e mediam o tempo durante o qual ele olhava para cada um. Os pesquisadores perceberam então que os bebês se detinham mais tempo naquele que não havia sido explorado pelo toque – os que tinham segurado o prisma olhavam mais para o cilindro, e vice-versa. Isso demonstra que a forma previamente explorada pelo toque era familiar ao bebê, enquanto a outra era percebida como nova.

Tempos depois, Streri e Gentaz tiveram a ideia de estudar o comportamento visual de 12 outros recém-nascidos, sem que tivessem de segurar nas mãos o cilindro ou o prisma. Os resultados mostraram que esses bebês olhavam durante o mesmo tempo para ambos, o que confirmou que o cérebro de um bebê de 3 dias é capaz de realizar uma “transferência intermodal”. Isso quer dizer que um objeto percebido por um sentido pode ser reconhecido por outro: desde o nascimento, o ser humano tem a capacidade de coordenar as informações sobre a forma dos objetos entre as modalidades visual e tátil antes mesmo de ter aprendido isso a partir das associações resultantes de suas experiências.

NOVOS AROMAS

Um adulto consegue identificar logo um odor desagradável ao entrar em uma sala. Mas será que um bebê com poucas horas de vida também é capaz de ter a mesma reação? Empenhados em encontrar a resposta para essa pergunta, cientistas realizaram uma experiência com 20 bebês de 16 a 100 horas de vida: colocaram um frasco contendo um pouco de amoníaco perto do rosto de cada criança, de um lado de cada vez. Essa operação foi repetida em várias ocasiões com todos os bebês. Após breve apresentação do produto, os movimentos dos pequenos foram filmados.

Em cerca de 70% das vezes, eles viraram a cabeça na direção oposta ao recipiente. Os que faziam esse gesto mais vigorosamente eram os que mostravam menos agitação de- pois de cheirar o amoníaco. Inversamente, aqueles que tinham dificuldade para desviar a cabeça ficavam muito mais agitados.

Para estudar a reação infantil aos cheiros bons, também foram feitas algumas pesquisas. Ao apresentar diferentes aromas para recém-nascidos de menos de 12 horas de vida, Steiner, por exemplo, demonstrou que eles eram receptivos a vários odores. Após ter filmado cada um dos bebês, ele notou que os extratos de banana, baunilha e manteiga provocavam sorrisos e movimentos de sucção. Em compensação, os cheiros de camarão e ovo podre causavam comporta- mentos como curvar os cantos da boca para baixo e apertar os lábios.

As experiências mostraram que os bebês notam a diferença entre os aromas e perfumes agradáveis e os odores fétidos e outros cheiros irritantes. É possível concluir que a criança tem a capacidade inata de evitar, por meio de uma ação (virar a cabeça), e de comunicar (pela sua expressão facial) sua repulsa pelos cheiros desagradáveis. O inverso é verdadeiro para os cheiros agradáveis. As reações nesse caso, aliás, são bastante similares às de adultos. A “esperteza olfativa” infantil aparece também em outra situação: recém-nascidos são capazes de perceber o odor materno, em comparação com o de outras mulheres.

 CADA UM DO SEU JEITO

Assim como acontece com adultos, bebês têm reações que podem ser consideradas universais, mas também devem ser levadas em conta as particularidades de cada criança: são indivíduos únicos e, como tal, desde muito cedo apresentam comportamentos e reações específicas.

Essa diversidade já está presente mesmo antes de virem ao mundo. Durante a gravidez, muitas mães relatam diferenças na movimentação fetal, em situações de tranquilidade e estresse, em comparação a gestações anteriores ou mesmo entre os fetos no caso de gêmeos. O recém-nascido demonstra sua individualidade, por exemplo, ao responder de maneira complexa aos estímulos ambientais.

De certo modo, porém, a percepção da individualidade é algo recente. Para o pediatra e neonatologista T. Berry Brazelton, da Escola Médica da Universidade Harvard, em Boston, o conhecimento científico das três últimas décadas permitiu alterar de forma radical a concepção que até então considerava o bebê um ser provido de reflexos isolados, incapaz de responder a estímulos visuais e auditivos, insensível à dor e pronto a ser moldado pelo ambiente. Hoje, ele é considerado um ser dinâmico organizado, com habilidade para se adaptar socialmente – uma característica essencial para enfrentar o desafio da vida pós-natal.

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 13: 24-43 – PARTE 1

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A Parábola do Trigo e do Joio, do Grão de Mostarda, e do Fermento – Parte 1

Nesses versículos, nós temos:

I – Uma outra razão pela qual Cristo pregava em parábolas (vv. 34,35). O Senhor proferiu todos estes ensinos através de parábolas, porque não havia chegado o tempo para a descoberta mais clara e direta dos mistérios do Reino. Para manter as pessoas comparecendo e esperando, o Senhor Jesus Cristo pregava utilizando parábolas, e não lhes falou sem utilizar parábolas, como, por exemplo, na ocasião desse sermão. Note que Cristo tenta todos os modos e métodos para fazer o bem às almas dos homens, e para fazer o melhor por elas. Se os homens não quiserem ser instruídos e influenciados por uma pregação direta, o Senhor tentará instruí-los através de parábolas. E a razão dada aqui é muito importante: para que as Escrituras fossem cumpridas. A passagem aqui mencionada é parte do prefácio para aquele Salmo histórico (78.2): ”Abrirei a boca numa parábola”. As palavras que o salmista Davi, ou Asafe, expressa em sua narrativa estão em harmonia com os sermões de Cristo; e este grande precedente serviria para justificar esse modo de pregar, mostrando que ele não era ofensivo, como alguns o consideravam. Aqui está:

1.O tema da pregação de Cristo; Ele pregava coisas que haviam sido mantidas em segredo desde a fundação do mundo. O mistério do Evangelho havia estado escondido em Deus, nos seus conselhos e decretos, desde o começo do mundo (Efésios 3.9; compare Romanos 16.25; 1 Coríntios 2.7; Colossenses 1.26). Se nos deliciamos com as descrições de coisas da antiguidade, e com a revelação de coisas secretas, quão bem-vindo o Evangelho deve ser para nós, pois ele tem em si tanta antiguidade e mistério! Elas estavam – desde a fundação do mundo – envoltas em tipos e sombras que agora passaram; e aquelas coisas secretas se tornaram aquilo que foi manifesto a nós e aos nossos filhos (Deuteronômio 29.29). 2. A maneira como Cristo pregou. Ele pregou por parábolas, que eram discursos sábios, mas figurativos, e que ajudavam a prender a atenção e levar a uma busca diligente. As pomposas instruções de Salomão, que estão repletas de analogias, são chamadas de provérbios, ou parábolas. Ê a mesma palavra. Mas tanto em palavras como em obras, “eis que está aqui quem é mais do que Salomão”; no Senhor Jesus Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria.

 

II – A parábola do joio, e a sua elucidação; elas devem ser tomadas juntas, pois a elucidação explica a parábola e a parábola ilustra a elucidação.

Observe:

1.O pedido dos discípulos ao Mestre; eles queriam que a parábola lhes fosse explicada (v. 36). O Senhor Jesus dispensou a multidão; e é de se temer que muitos deles tenham ido embora sem terem se tornado mais sábios do que quando vieram; eles ouviram um som de palavras, e isso foi tudo. Ê triste pensar que muitos ouvem os sermões sem que a Palavra da graça penetre em seus corações. Cristo foi para dentro de casa, nem tanto para seu próprio repouso, mas para uma conversa particular com os seus discípulos; a instrução era o objetivo maior de todas as suas pregações. Ele estava pronto para fazer o bem em todos os lugares; os discípulos aproveitaram a oportunidade e vieram a Ele. Aqueles que desejam ser sábios em todas as coisas, devem ser sábios para discernir e melhorar as suas oportunidades, especialmente de conversar com Cristo, de conversar com Ele a sós, meditando e orando de forma secreta. É muito bom, quando retornamos da assembleia sagrada, conversarmos uns com os outros sobre a mensagem que ali ouvimos, e em linguagem familiar nos ajudarmos uns aos outros a entendê-la e lembrá-la, e sermos tocados por ela; pois nós perdemos o benefício de muitos sermões através de conversas vãs e inúteis que temos depois de ouvi-lo. Veja Lucas 24.32; Deuteronômio 6.6,7. É especialmente bom, se possível, perguntar aos ministros da Palavra o significado da palavra escrita e pregada, pois os seus lábios devem guardar o conhecimento (Malaquias 2.7). As conversas particulares contribuiriam muito para que aproveitássemos melhor os discursos públicos. A frase proferida por Natã: “Tu és este homem”, foi o que tocou o coração de Davi.

O pedido dos discípulos ao Mestre foi: “Explique-nos a parábola do joio do campo”. Isso implicava em um reconhecimento de sua ignorância, algo que eles não tiveram vergonha de fazer. E provável que tenham captado o escopo geral da parábola, mas desejassem compreendê-la com mais detalhes, tendo a certeza de que a haviam compreendido corretamente. Aqueles que estão inteiramente predispostos aos ensinos de Cristo, são aqueles que estão conscientes da ignorância em que vivem, e desejam, sinceramente, ser ensinados. Ele ensinará os humildes (Salmos 25.8, 9), mas é necessário pedir isso. Se qualquer homem necessitar de instrução, peça-a a Deus. Cristo havia explicado a parábola anterior sem que eles pedissem; mas no caso desta parábola do joio, eles pediram a explicação.  As misericórdias que nós recebemos devem ser melhoradas, tanto por orientação como ao que pedir em oração, para o encorajamento em oração. A primeira luz e a primeira graça são dadas de um modo preventivo; porém, a sequência das bênçãos, os graus mais elevados da luz e da graça do Senhor, tem que ser pedida diariamente em oração.

2.A explicação que o Senhor Jesus Cristo deu da parábola, atendendo ao pedido deles. Jesus está sempre pronto para atender tais pedidos de seus discípulos. O sentido da parábola é representar para nós o estado presente e futuro do Reino dos céus, a igreja cristã. O cuida­ do de Cristo com ela, a inimizade do diabo contra ela, a mistura de futuros eventos bons e maus relacionados a ela. A igreja visível é uma parte do Reino dos céus; apesar de haver alguns hipócritas nela, Cristo a governa como Rei. E há um grupo nela – formado pelos súditos e herdeiros do céu – que a domina, por serem a sua melhor parte. A igreja é o reino dos céus sobre a terra.

Examinemos os detalhes da explicação da parábola.

(1). “O que semeia a boa semente é o Filho do Homem”. Jesus Cristo é o Senhor do campo, o Senhor da colheita, o semeador da boa semente. Quando Ele ascendeu ao céu, deu dons aos homens em todo o mundo; não só aos bons ministros, mas a outros bons homens. Note que toda e qualquer boa semente que houver no mundo veio das mãos de Cristo, veio de sua semeadura: verdades pregadas, graças plantadas, almas santificadas, são boas sementes, e tudo isto pertence a Cristo. Os ministros são instrumentos nas mãos de Cristo para semear a boa semente. Eles são empregados por Ele e estão sob as ordens dele; e o sucesso de seus labores só depende da bênção dele. E assim podemos dizer, com toda razão: É Cristo, e ninguém mais, que semeia a boa semente; Ele é o Filho do Homem, um de nós, para que não nos sintamos amedrontados pela sua grandeza. Ele é o Filho do Homem, o Mediador, e Ele tem toda a autoridade.

(2). “O campo é o mundo”; o mundo da humanidade, um grande campo, capaz de produzir bons frutos; muito se deve lamentar que ele produza tantos frutos ruins. Porém, nesta parábola, entendemos que o mundo é a igreja visível, que está espalhada pelo mundo todo, e que não está confinada a uma só nação. Observe que, na parábola, o mundo é chamado de “seu campo”; o mundo é o campo de Cristo, pois todas as coisas lhe foram entregues por Deus Pai. Qualquer poder e interesse que o diabo tenha no mundo, foi usurpado e obtido de modo injusto. Quando Cristo vier tomar posse, Ele virá para aquilo que é seu por direito. O campo é dele; e, pelo fato de ser dele, Ele teve o cuidado de semeá-lo com a boa semente.

(3). “A boa semente são os filhos do Reino”, os verdadeiros santos. Eles são: [

[1] Os filhos do Reino; não só em profissão de fé, como os judeus o eram (cap. 8.12), mas em sinceridade; judeus por dentro, israelitas de fato, incorporados em fé e obediência a Jesus Cristo, o grande Rei da Igreja.

[2] Eles são a boa semente, preciosos como sem entes (Salmos 126.6). A semente é a essência do campo, e o mesmo ocorre com a semente sagrada (Isaias 6.13). A semente é espalhada, e o mesmo ocorre com os santos. Eles estão dispersos, um está aqui e outro ali, apesar de em alguns lugares estarem semeados mais juntos do que em outros. A semente é aquilo de que se espera fruto; qualquer fruto de honra e serviço que Deus tenha desse mundo, Ele o obtém dos santos. Ele os semeou para si na terra (Oseias 2.23).

(4). “O joio são os filhos do Maligno”. Aqui está o caráter dos pecadores, hipócritas, e também de todos aqueles que são profanos e iníquos.

[1]. Eles são os filhos do diabo, como o maligno. Apesar de não levarem seu nome, eles têm a sua imagem, satisfazem as suas luxúrias, e dele têm a sua educação; o maligno domina sobre eles, e trabalha neles (Efésios 2.2; João 8.44).

[2]. Eles são o joio no campo desse mundo; eles não fazem o bem, mas ferem. São inúteis por si só, e danosos à boa semente, tanto pelas tentações corno pelas perseguições. Eles são ervas daninhas no jardim, embora tenham a mesma chuva, estejam no mesmo solo, e recebam o mesmo brilho do sol que as plantas boas recebem. Eles não servem para nada: o joio está entre o trigo. Deus assim ordenou que o bem e o mal estejam misturados nesse mundo, que o bem seja exercitado, que o mal seja inescusável, e uma diferença seja feita entre a terra e o céu.

(5). “O inimigo que o semeou é o diabo”; um inimigo jurado de Cristo e de tudo que é bom, da glória de Deus e do conforto e da alegria de todos os homens bons. Ele é um inimigo do campo do mundo, mesmo se esforçando para se apossar deste, ao semear nele o seu joio. Desde que Satanás se tornou um espírito mau, ele tem se dedicado a promover a iniquidade, e fez disso a sua ocupação, esforçando-se, assim, para trabalhar contra Cristo.

A respeito da semeadura do joio, observe na parábola:

[1]. Que ele foi semeado enquanto o homem dormia. Os magistrados dormiam, e, pelo seu poder, os ministros dormiam. Mas eram os ministros que, através de sua pregação, deveriam ter evitado esse dano. Satanás está atento a todas as oportunidades, e aproveita tudo o que possa ser vantajoso à propagação dos vícios e da profanação. O prejuízo que o diabo causa às pessoas em particular se dá quando a razão e a consciência estão adormecidas, quando estas virtudes baixam a guarda. Portanto, precisamos estar sóbrios e vigilantes. O joio foi semeado à noite, pois essa é a hora de dormir. Satanás governa nas trevas deste mundo; elas lhe dão a oportunidade de semear o joio (Salmos 104.20). Este triste evento ocorreu enquanto os homens dormiam; e não há remédio, pois os homens precisam ter um tempo para dormir. É impossível impedir que os hipócritas estejam na igreja. Da mesma forma, o lavrador, enquanto dorme, não pode impedir que um inimigo mine ou estrague o seu campo.

[2]. O inimigo se retirou logo após ter semeado o joio (v. 25), para que ninguém soubesse quem o fez. Quando Satanás está causando o maior dano, ele faz o máximo para se ocultar; pois, se ele for visto, os seus planos podem ser frustrados. E assim, quando vem semear o joio, ele se transforma em um anjo de luz (2 Coríntios 11.13,14). O inimigo seguiu o seu caminho, corno se não tivesse causado nenhum dano; este é o procedimento da mulher adúltera (Provérbio 30.20). Observe que esta é a propensão que os homens caídos têm ao pecado; se o inimigo semeia o joio, ele pode até mesmo se retirar, pois o joio brotará por si só, e causará grandes danos. Porém, quando a boa semente é semeada, ela precisa receber vários cuidados; ela precisa ser regada e cercada, caso contrário não frutificará.

[3]. O joio não apareceu até que a folha se formou, e produziu frutos (v. 26). Há muita maldade em segredo nos corações dos homens que está bem escondida, sob o manto de uma profissão de fé plausível, mas que aparece no final. Como a boa semente, também o joio fica bastante tempo sob os torrões, e assim que brota é difícil diferenciá-lo. Mas quando vêm os tempos de adversidade, quando o fruto tem que ser produzido, quando o bem deve ser feito mesmo que haja dificuldade e perigo para fazê-lo, então você poderá discernir entre o sincero e o hipócrita. Então você poderá dizer: Isto é trigo, e aquilo é joio.

[4]. Quando os servos se deram conta, reclamaram ao seu senhor (v. 27): “Senhor; não semeaste boa semente em vosso campo?”. Sem dúvida que ele o fez; seja lá o que houver de errado na igreja, nós temos a certeza de que não foi Cristo quem semeou o mal. Considerando a semente que Cristo semeou, nós bem que podemos perguntar, com surpresa: De onde vem esse joio? Note que o surgimento de erros, o aparecimento de escândalos e o crescimento da profanação são motivos de grande sofrimento para os servos de Cristo, especialmente para os seus ministros fiéis, que devem reclamar disso ao dono do campo. É triste ver tal joio, tais ervas daninhas, no jardim do Senhor; ver o bom solo desperdiçado, a boa semente sufocada, e tal imagem refletida contra o nome e a honra de Cristo, como se o seu campo não fosse melhor do que o do preguiçoso, que está repleto de espinhos.

[5]. O Senhor logo se deu conta de onde isso vinha (v. 28): “Um inimigo é quem fez isso”. Ele não coloca a culpa nos servos; eles não o podem evitar, pois fizeram o que estava ao seu alcance para evitá-lo. Os ministros de Cristo que forem fiéis e diligentes não serão julgados por Cristo, e, por esta razão, não devem ser criticados pelos homens devido à mistura do mal com o bem, dos hipócritas com os sinceros, no campo da igreja. É necessário que essas ofensas venham, e elas não serão postas contra nós, se cumprirmos o nosso dever, mesmo que não tenhamos o sucesso desejado. Apesar de dormirmos, não amamos o sono; apesar do joio ser semeado, não fomos nós que o semeamos nem o regamos, nem os aceitamos. Assim, a culpa não será posta à nossa porta.

[6]. Os servos foram muito solícitos em arrancar o joio pela raiz. “Queres, pois, que vamos arrancá-lo?” Note o zelo precipitado e a falta de ponderação dos servos de Cristo. Eles se mostraram prontos a agir; mesmo antes de terem consultado o Mestre. Eles se dispuseram a arrancar pela raiz tudo o que presumissem que era joio; esta ação representaria um perigo iminente para a igreja. Em outra situação, chegaram a dizer: “Senhor, queres que peçamos fogo do céu?”

[7]. O Senhor com muita sabedoria, impediu isso (v. 29). “Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele.” Não é possível a nenhum homem distinguir infalivelmente entre joio e trigo, pois ele pode se confundir; e assim aqui está a sabedoria e a graça de Cristo. Ele permitirá que o joio cresça, para que não coloque, de maneira alguma, o trigo em perigo. Certamente os ofensores escandalosos devem ser censurados, e devemos nos separar deles; aqueles que são, abertamente, filhos do maligno, não devem ter o acesso permitido às ordenanças especiais. Mas ainda assim é possível haver uma disciplina que seja tão equivocada em suas regras, ou tão condescendente em sua aplicação, a ponto de ser perturbadora para muitos que são, verdadeiramente, servos de Deus e conscienciosos. Grande cautela e moderação devem ser usadas pela igreja ao infligir e manter censuras, para que o trigo não seja pisado, nem arrancado. A sabedoria do alto é tão pura quanto pacífica, e aqueles que se opõe não devem ser desligados, mas instruídos, e isto deve ser feito com mansidão (2 Timóteo 2.25). Alguns entendem que se o joio continuar sob os meios da graça, ele pode se tornar um bom grão; portanto, tenha paciência com ele.

(6). “A ceifa é o fim do mundo” (v. 39). Este mundo terá um fim; apesar de continuar por muito tempo, ele não continuará para sempre; o tempo será, em breve, engolido pela eternidade. No fim do mundo haverá uma grande colheita, um dia de julgamento; na colheita, tudo está maduro e pronto para ser cortado: tanto o bem como o mal estarão prontos naquele grande dia (Apocalipse 6.11). Esta é a colheita da terra (Apocalipse 14.15). Na colheita, os segadores cortam tudo que estiver à sua frente; nem um campo, nem uma esquina é deixada para trás; assim, no grande dia, tudo deve ser julgado (Apocalipse 20.12,13). Deus preparou a colheita (Oseias 6.11), e ela não falhará (Genesis 8.22). Na colheita, todo homem colherá aquilo que plantou; o solo, a semente, a habilidade, e a dedicação de cada homem será manifestada (veja Gálatas 6.7 ,8). Então, aquele que semeou uma boa semente virá com alegria (Salmos 126.5,6), com a felicidade da colheita (Isaias 9.3). Nessa ocasião, os preguiçosos, que não araram devido ao frio, implorarão, e não terão nada (Provérbio 20.4). Eles clamarão: “Senhor, Senhor”, mas este clamor será em vão. Nessa ocasião, a colheita daqueles que semearam para a carne será um dia de pesar, de desespero e tristeza (Isaias 17.11).

(7). “Os ceifeiros são os anjos”: eles serão empregados, no grande dia, na execução da sentença correta de Cristo, tanto de aprovação como de condenação, como ministros da sua justiça (cap. 25.31). Os anjos são habilidosos, fortes e ágeis. São servos obedientes a Cristo, inimigos sagrados do maligno, e amigos fiéis dos santos; por isso, estão aptos a serem assim empregados. Aquele que colhe recebe um pagamento, e os anjos não serão deixados sem um pagamento pelo seu trabalho, pois aquele que semeou, e aquele que colheu, se alegrarão juntos (João 4.36); haverá alegria no céu, na presença dos anjos de Deus.

(8). O tormento infernal é o fogo, dentro do qual o joio será então lançado, e no qual será queimado. No grande dia, uma distinção será feita, e com ela haverá uma grande diferença; este será, de fato, um dia notável.

[1] O joio será então reunido e lançado fora. Os ceifeiros (cujo trabalho fundamental é juntar o grão) serão primeiro encarregados de juntar o joio e colocá-lo para fora. Note que apesar do bem e do mal estarem juntos nesse mundo, sem distinção, no grande dia eles serão separados. Nenhum joio estará então entre o trigo; nenhum pecador, entre os santos; então será possível discernir facilmente entre o justo e o ímpio, o que aqui é, às vezes, difícil de fazer (Malaquias 3.18; 4.1). Cristo não os tolerará para sempre (Salmos 1. 1 ss.). Eles juntarão e colocarão para fora do Reino todas as coisas perversas que ofendem, e todas as pessoas ímpias que cometem iniquidades. O Senhor iniciará este processo, e irá até o final. Toda doutrina, adoração e prática corrupta que ofenderam, que foram escândalos para a igreja, e pedras de tropeço para a consciência dos homens, serão condenadas pelo justo Juiz naquele dia, e consumidas pelo brilho da sua vinda. Toda a madeira, feno, e palha serão consumidos (1 Coríntios 3.12). E então ai daqueles que cometem iniquidades, e fazem disso um negócio, e persistem nisso; não só aqueles que viveram na última era do reino de Cristo na terra, mas também aqueles que viveram em todas os períodos. Talvez haja aqui uma alusão a Sofonias 1.3: “Consumirei… os tropeços com os ímpios”.

[2]. Eles serão então atados em fardos (v. 30). Peca­ dores do mesmo tipo serão atados juntos no grande dia: um monte de ateístas, um monte de hedonistas, um monte de perseguidores, e um grande monte de hipócritas. Aqueles que estiveram juntos no pecado, assim estarão na vergonha e na dor; e isso será um agravo de sua miséria. Mas o grupo dos santos glorificados terá a sua bênção aumentada. Oremos como Davi: “Não colhas a minha alma com a dos pecadores, nem a minha vida com a dos homens sanguinolentos” (Salmos 26.9), mas ajunte-a no feixe dos que vivem com o Senhor (1 Samuel 25.29).

[3]. Eles serão lançados em uma fornalha de fogo; tal será o fim dos perversos e nocivos, que são, na igreja, como joio em meio ao trigo; eles não servem para nada, a não ser para o fogo. E para lá irão, pois é o melhor lugar para eles. O inferno é uma fornalha de fogo, acesa pela ira de Deus, e mantida pelos montes de joio que são lançados dentro dela, e que estarão sendo eternamente consumidos. Mas o Senhor passa da metáfora para uma descrição dos tormentos que são concebidos para serem causados por ela. Haverá pranto e ranger de dentes; um sofrimento inconsolável e uma indignação incurável em relação a Deus, a si mesmos, e de uns para com os outros. Esta será a tortura infindável das almas condenadas. Conhecendo, assim, esses terrores do Senhor, sejamos persuadidos a não cometer nenhuma iniquidade.

(9). O céu é o celeiro no qual todo o trigo de Deus será reunido no grande dia da colheita. “Mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro”, diz a parábola (v. 30). Considere que:

[1]. No campo deste mundo, as pessoas boas são o trigo, o grão mais precioso, e a parte valiosa do campo.

[2]. Esse trigo será juntado em breve, juntado do meio do joio e das ervas daninhas: todos serão juntados em uma assembleia geral, todos os santos do Antigo Testamento, todos os santos do Novo Testamento, nenhum deles faltará. Reunirá os seus santos junto a si (Salmos 50.5).

[3] Todo o trigo de Deus será armazenado junto no celeiro de Deus. Alguns entendem que as almas são guardadas, na morte, como uma pilha de grãos (Jó 5.26), mas a reunião geral ocorrerá no fim dos tempos. O trigo de Deus então será reunido, e não estará mais espalhado. Haverá feixes de grãos, como também montes de joio. Os grãos de trigo serão, então, colocados a salvo, e não serão mais expostos ao vento e ao tempo, ao pecado e à dor; não serão mais separados, e embora estejam distantes no campo, estarão próximos no celeiro. O céu é um celeiro de grãos (cap. 3.12), no qual o trigo será não só separado do joio das más companhias, mas separado da palha de suas próprias corrupções.

Na explicação da parábola, isso é gloriosamente representado (v. 43): “Então, os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai”. Em primeiro lugar, eles têm uma grande honra no presente: Deus é Pai deles. Agora somos os filhos de Deus (1 João 3.2); o nosso Pai celestial é o Rei ali. Quando Cristo foi para o céu, Ele foi para o seu Pai, e nosso Pai (João 20.17). O céu é a casa de nosso Pai, e não somente isto, mas é o palácio de nosso Pai; é o seu trono (Apocalipse 3.21). Em segundo lugar, a honra que ali está reservada para eles é que brilharão como o sol naquele reino. Aqui eles estão obscuros e escondidos (Colossenses 3.3), o seu brilho é eclipsado pela sua pobreza, e pela pequenez de sua condição exterior; as suas próprias fraquezas e enfermidades, assim como a reprovação e a desgraça que são lançadas contra eles, os ocultam. Mas então eles brilharão como o sol por detrás de uma nuvem escura; na m01te, eles brilharão para si mesmos; porém no grande dia, eles brilharão publicamente perante todo o mundo, e os seus corpos serão semelhantes ao corpo glorioso de Cristo. Eles brilharão por reflexo, com uma luz emprestada da Fonte da luz. A sua santificação será aperfeiçoada, e a sua justificação se tornará pública. Eles pertencerão a Deus como seus filhos, e Ele mesmo produzirá o registro de todos os serviços e sofrimentos que enfrentaram por amor ao seu glorioso nome. Eles brilharão como o sol, a mais gloriosa de todas as coisas visíveis. A glória dos santos é, no Antigo Testamento, comparada com o firmamento e com as estrelas, mas aqui ela é comparada com o sol; pois a vida e a imortalidade são trazidas a uma luz muito mais clara pelo Evangelho, do que pela lei de Moisés. Aqueles que brilham como luzes nesse mundo, para que Deus possa ser glorificado, brilharão como o sol no outro mundo, para que possam ser glorificados. O nosso Salvador conclui, como antes, mandando que prestemos atenção; aqueles que têm ouvidos para ouvir, ouçam. A nossa felicidade está em ouvirmos essas palavras tão preciosas. A nossa obrigação é darmos ouvidos a elas.

GESTÃO E CARREIRA

TER UMA VIDA AOS 30 X COMEÇAR UMA VIDA AOS 30.

Ter uma vida aos 30

Quando se ouve falar que os 30 são os novos 20, a conclusão a que se chega é que a faixa dos 20 anos não tem grande importância. Chamada até mesmo de adolescência estendida, essa fase não vem tendo a devida atenção, e os jovens acabam se perdendo em um turbilhão de desinformação que banaliza aquele que realmente é o período mais transformador da vida adulta.

Pesquisas mostram que 80% dos fatos substanciais e com consequências duradouras que levam ao sucesso na carreira, a uma boa situação financeira e à felicidade pessoal acontecem até os 35 anos: depois os adultos são levados a continuar (ou, se passivei, corrigir) as ações iniciadas na faixa dos 20 anos. Trata-se de um período especial demais p:ira não ser levado a sério.

Recentemente recebi um e-mail de uma senhora me perguntando se eu poderia orientar seu filho em relação à carreira, pois ele estava com muitas dúvidas. Orientei essa mãe para que seu filho me escrevesse diretamente e aproveitei para perguntar a idade dele, pois imaginei que se tratava das dúvidas recorrentes na escolha sobre qual faculdade ingressar aos 17 anos. Para o meu espanto, essa senhora me respondeu que a orientação profissional seria para o seu filho de 33 anos que nunca tinha trabalhado!

Meu espanto se deu não pelo fato da dúvida sobre carreira, pois isso é perfeitamente normal e recorrente para todos profissionais em qualquer idade, mas fiquei me questionando sobre as razões dessa mãe tomar a iniciativa no lugar do filho. O maior prejudicado com esse excesso de cuidado da mãe com absoluta certeza será esse filho de 33 anos.

Quando temos 20 anos, a impressão é de que existem décadas à frente para ganharmos cada vez mais, mas, os últimos dados do censo americano (infelizmente não encontrei dados do censo no Brasil) mostram que, em média, os salários chegam ao pico – e se estabilizam – aos 40 anos.

O que sugiro é para que todo jovem a partir dos 20 anos comece imediatamente sua experiência profissional, independentemente das dúvidas sobre qual carreira seguir. A dúvida não pode ser um impedimento de começar a desenvolver competências comporta mentais no trabalho.

Claro que deve cuidar paralelamente de sua qualificação acadêmica. Desenvolvimento acadêmico e experiência profissional sempre devem caminhar juntos.

Recomendo a todos um livro da Dra. Meg Jay chamado “A idade decisiva”, que aborda questões cruciais para essa faixa etária e compartilha relatos cativantes dos próprios jovens. #ficadica

DANIELA DO LAGO – é especialista em comportamento no trabalho, mestre em administração, coach de carreira, palestrante e professora na área de liderança e gestão de pessoas.  www.danieladolago.com.br

PSICOLOGIA ANALÍTICA

ATRAVÉS DE UM VIDRO SOMBRIO

Embora estejamos acostumados a olhar para nossa imagem em espelhos todos os dias, a maioria de nós não entende como eles funcionam – o que pode resultar em curiosos enganos reflexivos.

Através de um vidro sombrio

Passamos o dia rodeados por espelhos, seja quando dirigimos, andamos pelos corredores dos shoppings, escovamos os dentes ou ajeitamos os cabelos antes de sair de casa. No entanto, apesar de sua onipresença, esses objetos permanecem misteriosos. Nos contos populares e na ficção, eles podem nos levar para reinos mágicos, espirituais ou sobrenaturais: são capazes também de libertar vampiros sem alma ou invocar o lendário assassino conhecido como Candyman. E o espelho de Ojesed, que alcançou fama com Harry Potter, tem o notável poder de revelar o desejo mais profundo de seu espectador.

Talvez nosso fascínio venha do fato de que esses objetos quebram as expectativas. Não só costumamos achar incômoda a inversão entre direita e esquerda dos espelhos, como muitas das nossas intuições, duramente conquistadas sobre o funcionamento dessas superfícies reflexivas, estão erradas. O psicólogo Marco Bertamini e seus colegas da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, identificaram três falsas crenças que, em geral, temos sobre esses objetos: primeiro, tendemos a acreditar que nos veremos no espelho assim que chegarmos à sua frente. Em outras palavras, superestimamos o que é visível em sua superfície.

Essa falha de cálculo é chamada de “erro inicial”. Segundo, a maioria de nós acredita que nosso reflexo no espelho (o contorno que podemos traçar com uma caneta em sua superfície) tem a mesma dimensão que nosso corpo. De fato, a projeção, como a vemos, é metade do nosso tamanho. Terceiro, é comum que imaginemos que nosso reflexo encolherá com a distância e que, se nos afastarmos o suficiente, poderemos ver nosso corpo inteiro em um espelho pequeno. Mas, na realidade, a distância não afeta a dimensão da projeção. Além disso, algumas pesquisas indicam que, de alguma forma, vemos as coisas nessa superfície menos reais. As ilusões que apresentamos aqui aproveitam o pouco que entendemos desse misterioso objeto.

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O MAIS HONESTO DE TODOS?

Bertamini e seus colegas Richard Latto e Alice Spooner, ambos então da Universidade de Liverpool, cunharam o termo “efeito Vênus” para descrever um fenômeno curioso que é exemplificado por representações artísticas da deusa romana do amor, a partir de famosos retratos do Renascimento. Em algumas pinturas, Vênus aparece com um pequeno espelho (que ela mesma, ou alguém próximo, segura) que reflete seu rosto.

Quando uma pessoa nos pede que descrevamos pinturas como Vênus ao espelho (ou Rokeby Venus), de Diego Velázquez, a maioria de nós diz que a deusa está olhando sua imagem refletida. O problema, no entanto, é que o espelho não está na linha de visão de Vênus – e, de acordo com as leis da óptica, se podemos ver seu rosto nessa superfície refletora, então a deusa também nos observa em vez de admirar sua própria imagem. Esse tipo de ilusão não se limita a pinturas: ocorre também nas fotografias e na vida real, fato do qual muitas produções de televisão e filmes se aproveitam.

Um dos motivos do efeito Vênus é que não temos muita habilidade para estimar a visão do ponto de vista dos outros. Os pesquisadores ainda não sabem se os antigos mestres incluíam esse recurso em seus trabalhos sem querer ou se era resultado de escolhas artísticas conscientes. Talvez nunca saibamos, mas parece provável que Velázquez – o criador do intrincado jogo de espelhos da pintura de As meninas – conhecesse bem essas superfícies refletoras e também nossa incapacidade de compreendê-las com clareza.

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DOIS PONTOS DE VISTA

O interesse de Kokichi Sugihara em ilusões surgiu do que a princípio parecia um problema num software. O engenheiro matemático da Universidade Meiji, no Japão, desenvolveu um programa de computador para ler planos de construção e outros desenhos de linha de objetos tridimensionais. Para testá-lo, ele alimentou as imagens do software com objetos impossíveis, como A escada de Penrose, de M. C. Escher, que parece subir e descer ao mesmo tempo. Para sua surpresa, o programa nem sempre enviava mensagem de erro, mas interpretava muitas dessas figuras como 3D sólidos que só pareciam irreais se visualizados de um ponto de vista específico. De- pois de ficar convencido de que a leitura do software estava correta, ele começou a construir “sólidos impossíveis”, inicialmente com papelão e, mais recentemente, com uma impressora 3D. No processo, Sugihara também produziu outras coisas improváveis. Suas ilusões mais recentes dependem de espelhos e simbolizam o axioma de que nem tudo é o que parece. (Para mais detalhes e modelos para fazer alguns desses objetos, visite o site de Sugihara em http://home.mims.meiji.ac. jp/~sugihara/Welcomee.html).

Na ilusão abaixo, um carro de brinquedo amarelo dentro de uma pequena garagem fica na frente de um espelho vertical, mas, no reflexo, a forma do telhado parece estar errada. O truque de Sugihara requer dois pontos de vista específicos e simultâneos – ver o automóvel diretamente e através do espelho. No entanto, a forma real do telhado não combina com a aparência de qualquer uma dessas perspectivas. Você pode construir seu próprio modelo de papel do telhado da garagem ambígua de Sugihara. Para isso, basta seguir o passo a passo pelos links da página inicial de seu site.

A mais nova ilusão de Sugihara mostra um espelho que não reflete metade de um objeto sólido colocado à sua frente. Mas não precisa lançar mão do colar de alho nem da água benta: é uma questão de perspectiva, mais uma vez. A parte inferior (não refletida) da imagem é um desenho 2D que fica nivelado no chão e parece ganhar volume apenas de um ponto de vista específico. Para fazer o seu próprio hexágono pela metade, acesse o link com o nome “Quarta geração: objetos parcialmente invisíveis” no site de Sugihara. Para ter melhor efeito, incline o espelho ligeiramente para baixo.

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UM PAR DE LUMINÁRIAS?

O psicólogo F. Richard Ferraro, da Universidade da Dakota do Norte, e sua esposa, Jacqueline Lee Foster Ferraro, estavam reorganizando a cozinha quando descobriram uma ilusão intrigante. Olhe para a imagem abaixo. Você vê duas luminárias ou uma e seu reflexo no espelho? Richard Ferraro sabia que eram duas porque tinha acabado de mover uma delas da sala de estar para a cozinha. Mas, enquanto estava sentado no sofá, ele não conseguia se livrar da sensação de que observava um único abajur refletido numa superfície (na realidade, uma passagem para a cozinha). O casal se juntou com a estudante Cassidy Brougham, da Universidade da Dakota do Norte, e mostrou essa mesma imagem a 100 estudantes do campus. A equipe revela que 72 pessoas viram uma luminária enquanto 28 enxergaram duas. A preferência do nosso sistema visual pelas explicações perceptuais mais fáceis para o que vemos ao redor, o chamado princípio da simplicidade, pode explicar essa inclinação.

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SUSANA MARTINEZ-CONDE e STEPHEN L. MACKNIK são professores de oftalmologia do Centro Médico SUNY Downstate, em Nova York. São coautores do livro Truques da mente (Zahar, 2011).

 

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 13: 1-23 – PARTE 2

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As Parábolas de Jesus – Parte 2

II – Nesses versículos, temos uma das parábolas que o nosso Salvador apresentou: a do semeador e da semente. Temos tanto a parábola em si, como também a sua explicação. As parábolas de Jesus eram tiradas de coisas comuns, habituais, não de alguma noção ou especulação filosófica, ou de fenômenos incomuns da natureza, apesar de serem suficientemente aplicáveis ao ponto em questão. Porém, as suas parábolas estavam fundamentadas nas coisas mais óbvias, aquelas que podemos observar todos os dias, e que estão até mesmo ao alcance daqueles que possuem a menor capacidade de entendimento. Muitas delas foram tiradas do ofício do agricultor, como a do semeador e do joio. Cristo escolheu fazer assim:

1.Para que as coisas espirituais estivessem mais claras, e, por similitudes mais familiares, fossem ainda mais fáceis de alcançar o nosso entendimento.

2.Para que as coisas mais comuns pudessem ser aplicadas à vida espiritual, e nós pudéssemos prestar atenção às coisas que tão frequentemente passam pela nossa vista. Para que meditássemos com prazer nas coisas de Deus, e assim, quando as nossas mãos estiverem mais ocupadas com o mundo, nós possamos – não só apesar disso, mas até mesmo com a ajuda disso – ter os nossos corações dirigidos ao céu. Assim, a Palavra de Deus falará conosco de modo familiar (Provérbio 6.22).

A parábola do semeador é suficientemente explicada (vv. 3-9). A sua explicação é feita pelo próprio Senhor Jesus Cristo, que sabia melhor do que todos o que era que Ele próprio queria dizer. Quando os discípulos perguntaram: “Por que lhes falas por parábolas?” (v. 10), eles sugeriram um desejo de que a parábola fosse explicada por causa das pessoas; porém, não era um descrédito ao conhecimento deles o desejo de que o Senhor Jesus explicasse a parábola para eles mesmos. O nosso Senhor Jesus graciosamente aceitou aquele pedido, e explicou o significado, e fez com que eles compreendessem a parábola. Ele dirigiu o seu discurso aos discípulos, mas a multidão continuava ouvindo, pois não nos é relatado que Ele a tenha dispensado, até o versículo 36. “‘Escutai vós, pois, a parábola do semeador, (v.18); vós a ouvistes, mas vamos revê-la”. Note que é de bom uso, e contribui muito para o nosso benefício e para a compreensão da Palavra, ouvir novamente aquilo que já ouvimos (Filipenses 3.1). “Vocês a ouviram, mas ouçam a sua interpretação”. Note que somos abençoados apenas quando ouvimos a Palavra corretamente, e com bons propósitos, e quando compreendemos o que ouvimos. Pode-se considerar que uma pessoa não estará ouvindo, se não estiver ouvindo com entendimento (Neemias 8.2). É, de fato, a graça de Deus que dá o entendimento; mas o nosso dever é prestar toda a atenção, dirigindo o nosso pensamento ao entendimento.

Vamos, portanto, comparar a parábola com a exposição.

(1). A semente semeada é a Palavra de Deus, aqui chamada de a palavra do reino (v. 19): o reino dos céus é o reino; os reinos do mundo, comparados a ele, não podem sequer ser chamados de reinos. O Evangelho vem do reino, e conduz a esse reino; a palavra do Evangelho é a palavra do reino; é a palavra do Rei, e onde ela estiver, ali estará o poder; ela é uma lei, pela qual nós devemos ser regidos e governados. Essa palavra é a semente semeada, o que para alguns parece uma coisa morta e seca, mas ela tem, de fato, uma riqueza dentro de si. Ê uma semente incorruptível (1 Pedro 1.23); é o Evangelho que produz frutos nas almas (Colossenses 1.5,6).

(2). O semeador que lança a semente é o nosso Senhor Jesus Cristo, e Ele mesmo o faz, ou o faz através de seus ministros (veja v. 37). As pessoas são a lavoura de Deus, o seu cultivo, este é o significado da palavra; e os ministros são cooperadores de Deus (1 Coríntios 3.9). Pregar a uma multidão é semear o grão; não sabemos onde a semente cairá, apenas cuidamos para que a semeadura seja boa, que seja limpa, e nos certificamos de que haja semente suficiente. Semear a preciosa Palavra é semear um povo no campo de Deus, o grão da sua eira (Isaias 21.10).

(3). O solo no qual essa semente é semeada são os corações dos filhos dos homens, que são de disposições e qualidades diferentes; da mesma maneira, o sucesso da palavra é diferente em cada um deles. Note que o coração do homem é como o solo, capaz de melhorar, de produzir bons frutos. É uma pena que muitos corações estejam como um solo não semeado, ou seja, como o campo do preguiçoso (Provérbio 24.30). A alma é o lugar apropriado para a Palavra de Deus residir, e trabalhar, e governar; a sua operação se dá na consciência. É o mesmo que acender ali a luz do Senhor. Agora, de acordo com o que somos, assim é a palavra para nós: A recepção depende do receptor. O mesmo ocorre com a terra; alguns tipos de solo dão muito trabalho, e por mais sementes que lancemos neles, não produzem frutos que sirvam para algum propósito. Porém, o solo bom produz abundantemente. O mesmo ocorre com os corações dos homens, cujos diferentes caracteres es­ tão aqui representados pelos quatro tipos de solo, dos quais três são ruins, e apenas um é bom. Note que muitos ouvintes não darão frutos, mesmo em se tratando daqueles que ouviram o próprio Cristo. Quem creu em nossa pregação? Quem deu crédito ao nosso relato? Essa parábola nos traz uma perspectiva melancólica sobre aqueles que ouvem o Evangelho ser pregado; ela sugere que um entre quatro produz frutos perfeitos. Muitos são chamados com um chamado comum, mas em poucos a escolha eterna está evidenciada pela eficácia desse chamado (cap. 20.16).

Observe agora os tipos de pessoas representadas por esses quatro tipos de solo.

[1] O solo ao pé do caminho (vv. 4-10). Havia trilhas através de seus campos (cap. 12.1), e a semente que nelas caiu nunca penetrou o solo, e assim os pássaros as pegaram. O lugar onde os ouvintes de Cristo estavam representava o caráter da maioria deles; para a semente, a areia na beira da praia era como o solo do caminho.

Observe, em primeiro lugar, que tipo de ouvintes é comparado com o solo do caminho; os que ouvem a Palavra e não a compreendem. Eles são os únicos culpados por esta situação. Eles não a levam em consideração, não a retém; eles não se comportam como se desejas­ sem receber o bem. São como a estrada; nunca houve a intenção de semeá-la. Eles vêm à presença de Deus como os seus filhos vêm, e se sentam diante dele como os seus filhos se sentam, mas o fazem simplesmente por costume, ou ainda para verem e serem vistos. Eles não se importam com o que é dito; as palavras entram por um ouvido e saem pelo outro, e não deixa neles nenhuma impressão duradoura.

Em segundo lugar, como eles chegam a ser ouvintes ineficazes. O iníquo, ou seja, o diabo, veio e levou aquilo que foi semeado. Esses ouvintes mecânicos, descuida­ dos e levianos, são uma presa fácil para Satanás; como ele é o grande assassino, também é o grande ladrão de sermões, e certamente nos roubará a Palavra se não ti­ vermos o cuidado de guardá-la. Esta situação é como a dos pássaros que pegam as sementes que caem no solo que não foi inicialmente arado, nem tratado depois de semeado. Precisamos revolver a terra do solo que não está cultivado, preparando os nossos corações para a Palavra, humilhando-nos a ela, dando-lhe toda a nossa atenção. Mas seremos como o solo da estrada se não tomarmos alguns cuidados: devemos cobrir a semente depois que a recebemos, através da meditação na Palavra de Deus e das nossas orações. Também precisamos dar atenção, com dedicação, às coisas que ouvimos. O diabo é um inimigo jurado, que luta para não recebermos os benefícios que nos são trazidos pela Palavra de Deus. E ninguém é mais amigo de suas intenções malignas do que os ouvintes descuidados, que estão pensando em alguma outra coisa, quando deveriam estar pensando nas coisas que pertencem à sua paz.

[2] O solo rochoso. Algumas caíram em locais pedregosos (vv. 5,6), que representam os ouvintes que vão além dos anteriores, que recebem algumas boas impressões da palavra, mas estas não permanecem (vv. 20,21). Note que é possível sermos melhores do que alguns outros, porém ainda não somos tão bons quanto deveríamos ser. Podemos ir além dos nossos vizinhos, e ainda não alcançar o céu. Observe, a respeito dos ouvintes que são representados pelo solo pedregoso: Em primeiro lugar, quão longe eles foram.

1.Eles ouviram a Palavra; eles não dão as costas a ela, nem se comportam como se fossem surdos para ela. O fato de alguém ouvir a Palavra, ainda que muito frequentemente, ainda que com seriedade, não levará a pessoa ao céu; é necessário crer na Palavra e confiar nela.

2.Eles ouvem bem, são rápidos para ouvir, e logo recebem a Palavra, estão prontos para recebê-la, e assim ela brota rapidamente (v. 5). Logo aparece sobre a terra aquilo que foi semeado em solo bom. Os hipócritas frequentemente têm um início na fé cristã que é semelhante ao dos verdadeiros cristãos, em termos de profissão de fé, mostrando-se até mesmo empolgados. Eles a recebem imediatamente, sem prová-la; “engolem-na” sem mastigar, e por esta razão não pode haver uma boa digestão. Aqueles que provam todas as coisas têm mais facilidade para se apegar àquilo que é bom (1 Tessalonicenses 5.21l. 3. Eles a recebem com alegria. Observe que existem muitos que ficam felizes por ouvir um bom sermão, mas que, contudo, não tiram proveito dele; eles podem gostar da Palavra, e ainda não serem transformados ou governados por ela. O coração pode se derreter sob a Palavra, mas ainda assim não ser derretido pela Palavra, muito menos derreter-se sobre a palavra, como em um molde. Muitos provam a boa palavra de Deus (Hebreus 6.5), e dizem encontrar doçura nela; mas alguma luxúria que lhes é querida (com a qual a Palavra não combina) se esconde por baixo da língua, e assim eles a cospem para fora.

3.Eles a suportam por um tempo, como um movimento violento, que continua enquanto a impressão da força permanece, mas logo ela se esgota. Muitos perseveram por um tempo, porém não perseveram até o final, e assim não alcançam a felicidade que é prometida àqueles que perseveram (cap. 10.22); eles corriam bem, mas algo os deteve (Gálatas 5.7).

Em segundo lugar, eles se retiraram, de modo que nenhum fruto chegou à perfeição. A vida deles se assemelhou ao grão, que, não tendo profundidade na terra para dela retirar a umidade, seca e murcha sob o calor do sol. E a razão para isto é:

1.Eles não têm raízes em si mesmos, nenhum princípio fixo e determinado em seus julgamentos, nenhuma resolução firme em seus desejos, e nenhum hábito enraizado em suas afeições. Não possuem nada firme que seja a seiva da força de sua profissão de fé. Observe:

(1) É possível que haja a folha verde de uma profissão de fé, mas sem que haja a raiz da graça; a dureza prevalece no coração, e o que há de solo e maciez está apenas na superfície; por dentro, eles não foram mais afetados do que uma pedra o seria. Eles não têm raiz; não são, pela fé, unidos a Cristo, que é a nossa Raiz; eles não provêm dele, e não dependem dele.

(2) Onde não houver um princípio, mesmo que haja uma profissão de fé, não podemos esperar que haja perseverança. Aqueles que não tiverem raízes não suportarão por muito tempo. Um navio sem lastro, apesar de a princípio navegar melhor que um navio carregado, certamente fracassará no teste das intempéries, e jamais chegará ao seu porto.

1.Os tempos de adversidade sempre chegam, e então aqueles que foram semeados entre as pedras não são bem-sucedidos. Quando a tribulação e a perseguição começam por causa do mundo, eles se sentem ofendidos.

Essa é uma pedra de tropeço no caminho que eles não conseguem transpor, e assim o abandonam. É nisto que resulta a profissão de fé dessas pessoas. Observe:

(1) Depois de um considerável vento de oportunidade, geralmente se segue uma tempestade de perseguições, para testar aqueles que receberam a Palavra com sinceridade, e aqueles que não agiram desse modo. O teste ocorre quando a Palavra do Reino de Cristo se torna a Palavra da paciência de Cristo (Apocalipse 3.10). Nesse teste, se verifica quem guarda a Palavra do Senhor, e quem não a guarda (Apocalipse 1.9). A verdadeira sabedoria consiste em nos prepararmos para esse dia.

(2) Quando chegam os tempos de adversidade, aqueles que não têm raízes se ofendem rapidamente. Eles primeiramente discutem com a sua profissão de fé, e então a abandonam; primeiro encontram algo de errado nela, e depois lançam-na fora. E, dessa forma, lemos a respeito da ofensa da cruz (Gálatas 5.11). Observe que a perseguição é representada, na parábola, pelo sol abrasador (v.6). Este é o mesmo sol que aquece e alegra aquilo que está bem enraizado, mas que queima e faz murchar aquilo que não tem a raiz de que precisava. Assim como a Palavra de Cristo, a cruz de Cristo também é, para alguns, o sabor da vida para a vida, e para outros é o sabor da morte para a morte. Desse modo, a mesma tribulação que leva alguns à apostasia e à ruína, funciona para outros como um peso de glória muito maior e eterno. As provas que agitam alguns, confirmam outros (Filipenses 1.12). Observe como, no final, eles logo se vão; como apodrecem tão rapidamente quanto amadureceram. Uma profissão de fé assumida sem a devida consideração também é geralmente abandonada sem a devida consideração: “Ela vem de forma leviana, e se vai de forma leviana”.

[3] O solo espinhoso. Algumas caíram entre espinhos (que são um bom guarda para a semente, quando está junto a uma cerca, mas uma má companhia, quando está no campo); e os espinhos brotaram, o que sugere que eles não apareceram, nem apenas se destacaram quando a semente foi semeada. Mais tarde, estes espinhos se mostraram prejudiciais à semente (v. 7). Essa semente vai mais longe que a anterior, pois ela tem raiz. Ela representa a condição daqueles que não chegam a rejeitar a sua profissão de fé, mas que não chegam a obter dela nenhum benefício de salvação. O bem que eles recebem através da Palavra é insensivelmente recoberto e sobreposto pelas coisas do mundo. A prosperidade pode destruir os preciosos efeitos da Palavra no coração, assim como a perseguição o faz. E o grande perigo é que ela o faz silenciosamente: as pedras prejudicaram a raiz; os espinhos prejudicam a frutificação.

No entanto, o que são esses espinhos que sufocam a semente?

Em primeiro lugar, as preocupações desse mundo. Preocupar-se com outro mundo apressaria a germinação dessa semente, mas o cuidado com esse mundo a sufoca. As preocupações mundanas são adequadamente comparadas com espinhos, pois elas vêm com o pecado, e são um fruto da maldição. Elas são boas até certo ponto, para preencher uma lacuna, no sentido de precaução; mas o homem que lida muito com elas deve estar bem prevenido (2 Samuel 23.6,7); elas são ardilosas, ofensivas e ferem, e o fim daqueles que se entregam às preocupações é amargo (Hebreus 6.8). Esses espinhos sufocam a boa semente. Note que os cuidados mundanos são grandes empecilhos para que desfrutemos a Palavra de Deus, e para que cresçamos na graça e no conhecimento do Senhor. Eles consomem aquele vigor da alma que deveria ser usado em coisas divinas. Eles nos distraem quanto ao nosso dever, e mais tarde nos causam os maiores problemas. Os espinhos apagam as centelhas das boas afeições, e acabam com a determinação que está contida nas boas decisões. Aqueles que são excessivamente atarefados, e que se mostram cuidadosos em relação a muitas coisas, normalmente negligenciam aquilo que é o mais necessário.

Em segundo lugar, o engano das riquezas. Há alguns que estão correndo o risco de cair em uma grande armadilha; são aqueles que, pela sua dedicação e trabalho, aumentam as suas posses, e assim o perigo que vem dos cuidados deste mundo parece ter acabado. Mas eles continuam dando ouvidos ao mundo, e aí está o grande laço (Jeremias 5.4,5). É difícil para tais pessoas entrarem no Reino dos céus: eles tendem a prometer a si mesmos aquilo que não está neles, mas nas riquezas. E assim passam a confiar nas riquezas, demonstrando uma complacência excessiva por elas; e isso sufoca a Palavra tanto quanto o cuidado o faz. Observe que o problema não é tanto a riqueza, mas sim a falsidade que a riqueza traz; isso sim causa o problema. Mas também não podemos acusar as riquezas de serem falsas conosco, a menos que depositemos nelas a nossa confiança, e aumentemos as expectativas que temos em relação a elas. E aí que elas sufocam a boa semente.

[4] O solo bom (v.18). Outras caíram em solo bom, e é uma pena que nem toda semente encontre um solo bom, pois assim não haveria nenhuma perda. Estes são os bons ouvintes da Palavra (v.23). Note que apesar de haver muitos que recebem a graça de Deus e a sua Palavra em vão, Deus ainda tem um remanescente que a recebe para um bom propósito; pois a Palavra de Deus não retornará vazia (Isaias 55.10,11).

Vemos que aquilo que distingue o solo bom dos demais tipos de solo é, em uma palavra, a frutificação. É por ela que os verdadeiros cristãos se distinguem dos hipócritas, por produzirem os frutos da justiça. ”Assim se­ reis meus discípulos” (João 15.8). O Senhor não diz que esse solo bom não tenha pedras nem espinhos; mas não há nenhum que prevaleça a ponto de prejudicar a frutificação. Os santos, os fiéis seguidores do Senhor nesse mundo, não são perfeitamente livres de pecar; mas, felizmente, são libertos do domínio do pecado.

Os ouvintes que representam o solo bom são:

Em primeiro lugar, ouvintes inteligentes; eles ouvem a Palavra e a entendem, eles entendem não só o seu sentido e significado, mas o seu próprio envolvimento com a Palavra. Eles a entendem como um homem de negócios entende do seu negócio. O Senhor Deus, em sua Palavra, trata com os homens como homens, de uma maneira racional, e Ele ganha a posse da vontade e da afeição abrindo o entendimento dos homens. Porém, o inimigo, Satanás, que é um ladrão e salteador, não vem por essa porta, mas procura chegar por outro caminho.

Em segundo lugar, ouvintes que frutificam, o que é uma evidência de sua boa compreensão: e esta também produz frutos. O fruto é, para cada semente, o seu próprio corpo, um produto substancial no coração e na vida, e que combina com a semente da palavra recebida. Nós, então, damos frutos quando agimos de acordo com a Palavra; quando o temperamento de nossas mentes e o senso de nossas vidas estão de acordo como o Evangelho que recebemos, e nós agimos conforme aquilo que nos é ensinado.

Em terceiro lugar, nem todos frutificam igualmente; alguns produzem 100 vezes, outros 60, e alguns 30. Note que, entre os cristãos, alguns são mais produtivos do que outros. Onde existe a verdadeira graça, também existem os seus graus; alguns alcançam maiores realizações em conhecimento e ações do que outros; nem todos aqueles que se dedicam a estudar a vida e o Evangelho do Senhor Jesus Cristo estão no mesmo nível. Nós devemos almejar o mais elevado dos graus, para produzir a cem por um, como aconteceu com o solo de Isaque (Genesis 26.12), sendo assim abundantes na obra do Senhor (João 15.8). Mas se o solo for bom, e o fruto vier na estação certa, se o coração for honesto, e a vida estiver de acordo com ele, aqueles que produzirem à razão de trinta por um serão graciosamente aceitos por Deus, e estes frutos serão abundantemente contabilizados para eles, pois nós estamos sob a graça, e não sob a lei de Moisés.

Finalmente, Ele conclui a parábola com um solene chamado à atenção (v. 9): “Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça”. Observe que o sentido da audição não pode ser empregado melhor do que em ouvir a Palavra de Deus. Alguns vivem para ouvir uma doce melodia, seus ouvidos são somente “as filhas da música” (Eclesiastes 12.4, versão inglesa KJV): não há melodia semelhante àquela da Palavra de Deus; outros vivem para ouvir coisas novas (Atos 17.21); não novas como aquelas.

GESTÃO E CARREIRA

FRANQUIAS PARA OPERAR DE CASA: OPORTUNIDADE OU FURADA?

Franquias para operar em casa. oportunidade ou furada

Em todo final de ano, grande parte da população estipula metas para perseguir no período seguinte: emagrecer, trocar de carro, reformar a casa, praticar exercícios e até mudar de emprego. As pessoas obtêm renovada esperança que, sim, este será um ano de realizações. E então surge, em rédeas com a atual situação econômica do País, o desejo de se tornar empreendedor, abrir o próprio negócio. “ser SEU próprio patrão”.

Respeitados todos os cuidados que o segmento merece, já é evidente que o franchising apresenta a melhor opção – mais segura e menos custosa – para quem deseja empreender e não ter que iniciar um negócio do “zero”. Com o desemprego em alta, cada vez mais brasileiros buscam na abertura do próprio negócio sua principal fonte de renda e trabalho. Todos sonham com sua recém-aberta empresa crescendo exponencialmente, ganhando bastante dinheiro do dia para a noite, sendo imediatistas. Não é o intuito minar o sonho de ninguém, mas tenho o dever de alertar: a trilha do empreendedorismo é traiçoeira e fatigante, e não é para qualquer um.

Nos últimos tempos, surgiu uma oportunidade de investimento no franchising voltada, em especial para pequenos investidores: as chamadas franquias home based, nas quais o empresário tem a chance de trabalhar da própria casa. Como franqueado, você terá diversas opções no segmento para escolher aquela com a qual mais se identifica: de franquias de limpeza a consultoria de negócios, de cuidados domésticos a serviços automotivos. E você terá toda a força da marca a seu dispor, e as estratégias de marketing já testadas e de sucesso a seu favor, dentro do conforto da sua própria casa.

Há opções com custo baixíssimo (quando comparadas a pontos comerciais), a partir de R$3 mil de investimento total. Apesar de, aparentemente, parecer um negócio fácil de ser iniciado e desenvolvido (como divulgam a maior parte das franqueadoras), o trabalho home based requer uma série de cuidados antes de ser iniciado.

De qualquer forma, o modelo parece de simples operação, certo? Vamos com calma. Primeiramente, é fundamental conhecer a fundo a marca da qual deseja ser franqueado, bem como seu segmento de atuação. Pode não ser a maioria, mas há redes franqueadoras que só pensam em ganhar – no sentido da palavra, a meu ver, afanar – o dinheiro de investidores com a taxa de franquia. Então, apesar da ânsia em abrir e iniciar logo sua própria operação dentro do franchising, tenha cautela. Entre conversas e pesquisas sobre a marca em questão, dê-se o tempo de, pelo menos, 30 dias antes de assinar o contrato de franquia.

Tão importante quanto a vontade de abrir uma franquia a partir da própria casa é o autoconhecimento. Faça algumas perguntas a si mesmo e responda com franqueza: I) Você consegue trabalhar em um ambiente solitário? II) Sua casa possui espaço que se mantenha organizado, para o ”escritório?”; III) Você possui disciplina, automotivação, foco e organização? Trabalhar em casa não é tarefa fácil, justamente pelas distrações que o conforto do lar pode oferecer.

Sabe aquela história de comprar uma bike e uma esteira para fazer exercícios em casa? E o aspirante a atleta, tão satisfeito com seu desempenho ou (falta de) disciplina, prefere sair de casa, ir à academia, para fazer exatamente a mesma atividade tisica?

O que vejo é que, para as pessoas menos disciplinadas. é necessário um “ritual” diário para sempre se manter motivado. É a mesma questão de pessoas que não possuem bom controle financeiro: elas preferem que o banco abaixe seus limites de crédito para não gastarem dinheiro a se disciplinarem para não obterem dívidas que não possam pagar.

Em suma, para o pleno sucesso de sua franquia – ou negócio, em geral – home based é fundamental possuir organização e resiliência. Não desistir em momentos de dificuldade que, pode acreditar, aparecerão. E sempre lembrar-se de gigantes mundiais, como a Ford, Apple, Hershey’s, Microsoft, Mary Kay, entre tantas outras, que iniciaram as empresas da própria casa. Confie no SEU sonho, tenha disciplina e trabalhe duro, que eu garanto: você chegará onde quiser.

 

ALLAN COMPLOIER – é engenheiro mecânico, já foi franqueado e franqueador, e atua como consultor especialista em formatação e expansão de franquias, diretor da Comploier Franchise.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

EU E O UNIVERSO

A interação entre os ambientes externo e interno, mediada por processos sensoriais, cognitivos e afetivos, lhes permite entrar em contato com o que os cerca e apreender informações    fundamentais.Eu e o universo

A consciência ainda é um enigma. Nem mesmo sofisticadas técnicas de imageamento cerebral puderam desvendar seu substrato orgânico.

Embora nas últimas décadas a neurociência tenha novas revelações sobre alguns dos mecanismos essenciais do funcionamento do cérebro humano – da memória à percepção, da linguagem às emoções –, pouco esclarece sobre o fenômeno da consciência. O modo como determinados processos físico-químicos podem dar origem, no âmbito dos neurônios, a experiências como alegria, dor, dúvida, fé, desejo e felicidade permanece um mistério.

Para não incorrermos em aporias, poderíamos definir a consciência como a síntese espaço temporal da experiência subjetiva. Em suma, a condição essencial dos processos psíquicos. Essa definição, no entanto, não é válida para todas as culturas. De acordo com o psiquiatra e pesquisador italiano Bruno Callieri, nas línguas africanas, por exemplo, não há um termo que se aproxime do conceito ocidental de “consciência”; nas culturas indianas, esse termo indica uma minúscula qualidade individual diante do Onisciente; na civilização islâmica, indica o conhecimento do que é íntimo, inapropriável, inacessível. Os significados do termo são, portanto, diferentes e inúmeros. Com o trabalho de gerações de pesquisadores, há mais de um século, a psicologia científica tenta solucionar essa matéria fascinante e controversa. Entre a segunda metade do século 19 e os primeiros anos do século 20, as pesquisas de Wilhelm Wundt, William James e outros resultaram, na Europa e nos Estados Unidos, no nascimento dos estudos sobre a consciência, que na época pertenciam à esfera da anatomofisiologia cerebral, e que hoje poderíamos identificar, com boa aproximação, com a área da neurociência.

Por vários motivos, até quase toda a primeira metade do século 20 os programas de pesquisa sobre o assunto foram ofuscados pelo behaviorismo, o paradigma que tinha exclusividade de estudo sobre o comportamento. Para os que sustentam essa corrente de pesquisa, a psicologia deve limitar-se ao que é observável. O que a isso não corresponde pode ser considerado expressão da denominada “caixa-preta”. Fundado por John B. Watson, o behaviorismo – cujo expoente mais conhecido é Burrhus Frederic Skinner –  estuda as leis do aprendizado e os relativos comportamentos, de acordo com o princípio estímulo-resposta; e foi predominante nas psicologias americana e europeia durante muito tempo.

REVOLUÇÃO COGNITIVA

Entre as décadas de 50 e 60, com as incertas bases epistemológicas de um paradigma que não consegue estabelecer invariáveis ou regularidades da mente ao deduzi-las apenas do comportamento, tampouco pode explicar aspectos essenciais da vida de relação humana e animal, surge a revolução cognitiva. Embora dividida em tendências e orientações diferentes, como a computacional e a conexionista, enseja o nascimento das ciências cognitivas, cujo objeto de estudo são os conteúdos cognitivos.

A ideia fundadora do cognitivismo é que o modelo behaviorista não tem como dar conta da complexidade dos processos mentais. Para desvendar o funcionamento da mente, é preciso considerá-la como um sistema de elaboração e processamento das informações (human information processing). Nos Estados Unidos e na Europa, o impacto das ciências cognitivas foi forte a ponto de ofuscar as pesquisas sobre a consciência, considerada mais como dilema filosófico que objeto de indagação científica. Logo um modelo da mente como global workspace, proposto pelo neurobiólogo Bernard Baars, do Instituto de Neurociências de La Jolla, na Califórnia, foi ganhando espaço: seria uma espécie de triagem central das informações, em que é possível estudar o nas- cimento de uma percepção, o funcionamento da memória, os mecanismos de uma emoção e muito mais. Além disso, as pesquisas em neurociência – que começavam a valer-se de novas técnicas de observação das estruturas e das funções do cérebro – possibilitaram não apenas levantar a hipótese de correlações entre comportamentos observados e eventos mentais, mas estabelecer padrões específicos da estrutura das funções cerebrais, como foi apresentado em 1994 pelo psicólogo da Universidade Stanford Stephen Kosslyn.

As novas técnicas de imageamento cerebral (fMRI – ressonância magnética funcional, PET – tomografia por emissão de pósitrons etc.), que fazem uma reconstrução tridimensional do cérebro do paciente vivo, permitem hoje a análise de lesões enquanto a observação comportamental ou cognitiva está em andamento.

Apesar dos espantosos progressos rumo a uma física das representações da mente e das tentativas de preencher a distância entre neurônio e pensamento, a pergunta ainda está aberta: o modelo neuronal tem condições de resistir à prova da vivência? É justo duvidar. Inúmeras evidências acumuladas pela neurociência, de fato, deixam enormes lacunas. A ponto de sugerirem que ainda estamos muito distantes da compreensão do aspecto fundamental da vida do homem: a vivência. Com efeito, mais que estabelecer suas bases, os correlatos neuronais ou um improvável centro, a verdadeira aposta do estudo da consciência é compreender o que torna possível esse fenômeno único no universo, o que seria, afinal, compreender o significado de ter uma experiência ou uma vivência.

Mas o que é uma vivência? E que relações tem com a consciência? Da tradição fenomenológica, a vivência – ou seja, a experiência imediata e primária do mundo dos significados, própria do indivíduo em sua unicidade – representa o ponto crucial. Na medida em que é experiência original, está sujeita às categorias do pensamento consciente e às “operações ocultas” da consciência intencional. Suas características fundamentais são as de uma estrutura de sentido aberto: histórica, transitória, nada unitária.

Com um movimento teoricamente brilhante – que se apoia na dicotomia freudiana entre consciente e inconsciente –, Merleau-Ponty distingue, no início dos anos 60, a intencionalidade da consciência perceptiva (ativa) e a intencionalidade da consciência intelectual (puramente reflexiva). Essa representação da experiência consciente se afasta sensivelmente daquela de conteúdo mental como concebido na philosophy of mind de tradição anglo-americana – defendida no trabalho de Daniel Dannett, do Centro de Estudos Cognitivos da Universidade Tufts, em Massa- chusetts, e de John Searle, da Universidade da Califórnia em Berkeley – em que o “mental” é incapaz de olhar e explorar a si mesmo.

EM SINTONIA

Essa posição trai secretas solidariedades com o subjetivismo (e o solipsismo) daqueles filósofos que pensam que a consciência só existe em nossa cabeça e que a vivência é lógica e empiricamente irredutível a uma função neuronal.

Mas a consciência não está na cabeça, como dizia o filósofo e neurocientista chileno Francisco Varela. Talvez seja, isso sim, a condição de possibilidade desta. Ou seja, a consciência vive na relação com o corpo e com o mundo. O cérebro (o “tear encantado”, como poeticamente o definiu o neurofisiologista Charles Sherrington) integra e coordena as atividades sensoriais e motoras, a fisiologia da vida vegetativa e assim por diante. Esse esquema incorpora de modo completo e simultâneo fatores e fenômenos essenciais, internos e externos (o cérebro à musculatura, ao aparelho esquelético, ao intestino, ao sistema imunológico, aos sistemas hormonais), numa relação que faz de nossa mente um ponto de conexão entre o ambiente exterior e o interior. Além disso, se recusarmos a ideia da racionalidade como princípio fundamental da mente – ou seja, da existência de uma relação do tipo recipiente/conteúdo que faz do psiquismo um lugar e da mente, um recipiente com alguns conteúdos – ficará evidente que a consciência não é um lugar fechado. Portanto, não deveríamos mais nos perguntar como alguma coisa entra ali vinda de fora, mas de que modo a consciência se abre ao mundo exterior entre o si e o fora de si, dado que ela, desde sempre, está do lado de fora de si própria, conforme demonstrou em sua obra o filósofo francês Paul Ricoeur.

A consciência está em forte sintonia com o ambiente, como evidenciam determinadas deformações induzidas por elementos externos (por exemplo, substâncias psicotrópicas) ou com a modificação voluntária de nosso estado de consciência, independentemente da situação em que nos encontramos (recolhendo-nos e concentrando-nos, como na meditação transcendental). E mais: é até mesmo possível admitir tanto a atitude espontânea de transformação da consciência quanto a capacidade de passar “naturalmente” de um estágio a outro não condicionado pelo ambiente. Isso torna ainda mais plausível a ideia de que uma larga parte de sua base seja pré-reflexiva, não conceitual, pré-noética, afetiva.

Portanto, haveria fundamento na afirmação do neurocientista António Damásio de que a consciência se inicia como um sentimento. Não no sentido de alguma coisa claramente perceptível – assim como qualquer percepção (visual, auditiva, olfativa, gustativa ou tátil) –, mas como uma expressão concomitantemente poderosa e elusiva, inconfundível e vaga, que se revela por meio de sinais não verbais do corpo, solicitados pelas regiões cerebrais que, em sua maioria, se situam nos núcleos subcorticais do tronco encefálico, do hipotálamo, do prosencéfalo basal e da amígdala. As bases neuronais de tais dinâmicas, de fato, estão em intensa relação de coimplicação com as mudanças biológicas ligadas ao estado corpóreo e ao estado cognitivo. Esse território sustenta uma tonalidade emocional mutável que se transforma em categorias, elementos distintos e sequências de raciocínio: em breve, nas clássicas unidades descritivas da mente.

No entanto, há que perguntar que espaço de investigação e reflexão haveria para uma fenomenologia da consciência que não correspondesse à tentativa de naturalização ou de subjetivação, que coloca a intencionalidade na consciência. Aqui é evidente a exigência de uma postura epistemológica e de um método que investigue os nexos conceituais e as estruturas de conexão entre dois âmbitos aparentemente irredutíveis entre si. O ponto fundamental, em outros termos, é o de uma nova aliança entre o “fenômeno lógico” e o “biológico” que se alimente de desafios, de diálogos e até mesmo de tensões, num horizonte de reciprocidade entre conhecimento científico e conhecimento fenomenológico da mente. Dessa forma, os dados imediatos da experiência e os modelos neuronais – ambos submetidos a rigorosas validações – podem se tornar elementos de um discurso comum sobre as “regularidades da experiência humana”.

De modo esquemático, poderíamos retomar a discussão de três esferas da consciência, essenciais e de interesse comum: a atenção, a estrutura temporal da consciência, o campo da consciência. Ora, se é verdade que a consciência pode estabelecer um diálogo consigo mesma e ter acesso à autonomia de sua organização em sua relação com o corpo vivenciado, ainda as- sim não devemos confundir o ser consciente com seu campo de consciência. A modalidade do ser consciente, com efeito, decerto se articula com a estrutura fundamental do campo da consciência, mas a excede bastante. Trata-se, portanto, de estudar o emergir do eu e aquilo que funda sua historicidade. Naturalmente, o eu é aqui entendido não como espectador, mas como ator que toma forma numa dinâmica ascendente por meio dos diversos graus constitutivos da consciência, até o ordenamento mais elevado do campo da presença humana.

Em definitivo, as pesquisas dos processos neurobiofisiológicos são parte essencial de uma fenomenologia da consciência. Todavia, para ela concorrem com igual importância e significado dois aspectos da vida da consciência: a própria “história de vida no mundo” (ou seja, a do indivíduo que toma posição, avalia, escolhe e se confronta consigo mesmo e com os outros) e o psicobiológico atual (a experiência do momento). Se considerarmos essas premissas, talvez seja possível superar as radicalizações naturalistas e metafísico-subjetivistas que barram o caminho ao conhecimento da esfera mais complexa e fascinante do humano.

 AS ESFERAS DA CONSCIÊNCIA

1 – ATENÇÃO

Essa capacidade pode ser entendida como a base do mecanismo consciente. Os estudos de imageamento cerebral identificaram redes neuronais que podem representar plausivelmente o substrato de funções essenciais para uma distinção entre eventos cognitivos conscientes e inconscientes. Essas evidências indicam que os mecanismos da atenção se constituem como uma sequência distinta de processos mentais, não localizáveis nem em poucos neurônios nem em um conjunto neurofuncional do cérebro. Desse ponto de vista, a atenção representaria um aspecto essencial da consciência, ou seja, da capacidade de voltar a consciência para determinado estímulo, objeto, fonte perceptiva. Esse conceito remete, muito de perto, ao da intencionalidade, segundo o qual a consciência sempre se dirige para alguma coisa. Como William James, Wilhelm Wundt e Théodule Ribot já haviam intuído, a atenção é o indicador da unidade funcional na coordenação geral da vida de relação. Ou seja, ela expressa uma orientação eletiva de atividade, que implica fenômenos de ativação e inibição sistemáticos, em diversos níveis neuronais. Altos níveis de atenção exigem graus elevados de integração: ou seja, de unificação e individualização da atividade. Isso significa que a atenção, como atividade geral e formal, não existe: ela só existe como formação constante da consciência, direcionamento consciente rumo a alguma coisa.

2 – ESTRUTURA TEMPORAL

A temporalidade é a condição de possibilidade da experiência. Embora os neurocientistas cognitivos insistam em considerar de interesse predominante o diferencial diacrônico entre um evento neural e um evento cognitivo, é preciso dizer que a estrutura temporal é a expressão de uma integração cerebral difundida e extremamente complexa. A consciência, de fato, é presença, aqui e agora, vivenciada de cada acontecimento, campo de presença que “contém” o tempo e integra pulsões, emoções e instintos numa “estrutura temporal” que exige a constante “presença do sujeito”.

Em plena atividade e num estado normal de vigília, a consciência é um processo de mudança perpétua de perspectivas que supõe uma estrutura “facultativa” e uma “disponibilidade” de propriedade do sujeito e que implica uma dinâmica vertical de “campo” temporalmente determinada, como demonstrou Maurice Merleau-Ponty em 1964. Nesse sentido, pode-se falar de um “estado normal de vigília”: ou seja, de um estado de clareza entre o sono e a hipervigília, que favorece a possibilidade especificamente humana de encetar um diálogo consigo mesmo, numa perfeita consciência situacional e/ou, também, numa percepção crítica da própria doença. Nesse aspecto revela-se extremamente importante o estudo clínico dos distúrbios da consciência nos pacientes “amnésticos”, nos quais a alteração da “estrutura temporal” da consciência – a memória e a orientação, entre outros – corresponde à desestruturação de áreas cerebrais definidas.

3 –  CENTRO E MARGEM

A tradição fenomenológica aborda o campo da consciência articulando a distinção entre um ponto central e áreas periféricas. Em seu significado e em suas dimensões, trata-se de uma estrutura momentânea, transitória, sincrônica que permite o emergir e o constituir-se da consciência a partir de uma protoexperiência que brota da tensão entre a pulsão e o objeto. É desse modo que o sujeito se abre para o mundo com uma orientação e um significado que marcam essa relação intencional. A essa “consciência constituída” – que afinal é a estrutura que invariavelmente dá forma à relação do eu com o mundo – corresponde uma tripla estratificação funcional: a) a possibilidade de abrir-se para o mundo e nele orientar-se; b) a capacidade de distribuir o espaço vivenciado conforme o que pertence ao sujeito ou ao mundo dos objetos; c) a faculdade de deter (e preencher) o tempo como “espaço de tempo” que constitui o presente. Essa faculdade deve ser entendida como uma intencionalidade consciente que permite explicitar histórica, axiológica e verbalmente os acontecimentos e o sentido de si, como ser problemático na (e mediante) sua própria formulação.

ENTRE O REAL E O IMAGINÁRIO

Para as ciências da mente, tudo que experimentamos resulta da perspectiva de cada um. Segundo a neurociência, o que sentimos e vemos é consequência de sinais elétricos interpretados pelo cérebro; para a psicologia, resulta também de nossas experiências e do somatório e da interação entre a realidade objetiva e subjetiva.

Nossos sentidos captam os estímulos do mundo externo, mas é o cérebro, com suas complexas operações internas, que os decodifica. Embora nossas sensações pareçam precisas e confiáveis, elas não reproduzem necessariamente a realidade física do mundo exterior. Naturalmente, muitas experiências do dia a dia refletem estímulos físicos que enviam sinais ao cérebro, a “máquina” responsável tanto por interpretar informações captadas pelos olhos, ouvidos, pele e outros órgãos dos sentidos como por produzir sonhos, delírios e lapsos de memória. Em outras palavras, real e imaginário compartilham a mesma fonte física. Desse ponto de vista, a famosa lição de Sócrates “só sei que nada sei” faz todo o sentido.

A ilusão óptica, por exemplo, tornou-se uma ferramenta útil para os neurocientistas: ela ajuda a entender as complexas operações do sistema visual. Esse fenômeno é conhecido desde a Antiguidade.

Muito antes de os cientistas estudarem as propriedades dos neurônios, artistas e ilusionistas já criavam várias técnicas para enganar o cérebro, como fazer uma tela plana parecer tridimensional ou converter uma série de pinceladas em uma natureza-morta.

Os efeitos ópticos podem ser definidos pela desconexão entre realidade física e percepção subjetiva de um objeto ou evento. Quando experimentamos uma ilusão desse tipo, podemos ver algo que na realidade não existe (ou o contrário). Esse fenômeno demonstra, portanto, que o cérebro pode deixar de recriar o mundo físico em diversas situações. Ao estudar essas “falhas”, é possível aprender quais mecanismos ele utiliza para construir a experiência visual.

Claridade, cor, sombreamento, movimentação dos olhos e outros fatores influenciam de maneira decisiva o que “vemos”. Assim como um pintor consegue criar um efeito de profundidade em uma tela plana, nosso cérebro baseia-se em informações que chegam de nossas retinas, essencialmente bidimensionais, para formar as ilusões de óptica. Estas nos mostram que a profundidade, a cor, o brilho e a forma não são conceitos absolutos, mas sim experiências relativas, subjetivas, geradas por circuitos cerebrais complexos. Isso não ocorre apenas no campo das experiências visuais: a sensação de “vermelho”, a aparência de “quadrado” ou emoções como o amor e o ódio são estímulos que resultam da atividade elétrica de nossas células neurais.

No filme Matrix, o personagem Morpheus pergunta ao protagonista Neo: “O que é real? Como você o define? Se estamos falando sobre o que você sente, o que cheira, o que prova e vê, então a realidade é constituída simplesmente por sinais elétricos interpretados pelo seu cérebro”. Em certo momento da trama, Neo retorna de um mundo de sonhos (Matrix) para a “realidade”, mas seu cérebro (assim como o nosso) continua construindo sua experiência subjetiva, que por vezes se iguala ao mundo concreto. Ou seja: todos nós vivemos, de certo modo, em uma “matrix” criada por nosso cérebro. Por um lado, podemos pensar que se trata de uma prisão. Por outro, porém, essa perspectiva abre a possibilidade de nos descolarmos do que estamos tão acostumados a chamar de “realidade”. E considerar não só que universos (internos e externos) estão em constante transformação, mas também que o mundo depende dos olhos de quem o vê – e, portanto, pode ser transformado de dentro para fora.

 

MAURO MALDONATO – é psiquiatra e filósofo italiano, professor da Universidade de Basilicata. É coautor de Na base do farol não há luz: cultura, educação e liberdade (Sesc, 2017), autor de Da mesma matéria que os sonhos: sobre consciência, racionalidade e livre-arbítrio (Sesc, 2014), Passagens do tempo (Sesc, 2012), Raízes errantes (Editora 34, 2004), entre outros.

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 13: 1-23 – PARTE – I

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As Parábolas de Jesus – Parte 1

Vemos aqui Jesus pregando, e podemos observar:

1.Quando Cristo pregou esse sermão: foi no mesmo dia em que havia pregado o sermão do capítulo anterior isto mostra como Ele estava bem-disposto em fazer o bem, e em realizar a obra daquele que o havia enviado. Jesus era a favor que se pregasse do começo ao fim do dia, e pelo seu exemplo esta prática foi recomendada à sua igreja. Nós devemos semear a nossa semente pela manhã e também à tarde (Eclesiastes 11.6). Um sermão à tarde, bem ouvido, estará longe de repor o sermão da manhã; ele irá, na verdade, fixá-lo, e segurar o prego em um lugar firme. Apesar de Jesus ter sido, pela manhã, capciosamente contestado pelos seus inimigos, perturbado e interrompido pelos seus amigos, Ele ainda perseverou com seu trabalho; e não verificamos ter Ele encontrado tais desencorajamentos na parte final do dia. Aqueles que com coragem e zelo vencem dificuldades no nome do Senhor, vão notar que elas não tendem a voltar como eles temem. Resista-lhes e elas desaparecerão.

2.A quem Ele pregava: ajuntava-se muita gente ao redor dele, e eram os ouvintes. Não vemos nenhum dos escribas ou fariseus presentes. Estes estavam dispostos a ouvi-lo quando Ele pregava na sinagoga (cap. 12.9,14), mas acreditavam ser algo abaixo deles ouvir um sermão à beira-mar, apesar do próprio Cristo ser o pregador. E verdadeiramente Ele preferia a ausência à companhia deles, pois quando eles estavam ausentes, Ele podia seguir calmamente e sem ser contraditado. Às vezes, há mais poder do Evangelho quando existe o mínimo de sua pompa: os pobres recebiam o Evangelho. Quando Cristo ia à praia, multidões rapidamente se ajuntavam ao seu redor. Onde o rei está, ali está a corte; onde Cristo está, ali está a igreja, mesmo que seja na praia. Aqueles que se beneficiam das palavras devem estar dispostos a segui-la em todos os lugares – quando a arca mudar, mude-se também, seguindo-a. Os fariseus haviam estado em ação, com calúnias e sugestões baixas, para evitar que as pessoas seguissem a Cristo, mas elas o seguiam tanto quanto antes. Cristo será glorificado apesar de toda a oposição; Ele será seguido.

1 – Onde Ele pregou esse sermão.

(1) Seu ponto de encontro era a praia. Ele saiu de dentro de casa (porque não havia espaço para a audiência), indo para o ar livre. Era uma pena, mas tal pregador devia ter tido o local mais espaçoso, suntuoso e conveniente para pregar que pudesse ser concebido, como um dos teatros romanos; mas Ele estava agora no seu estado de humilhação; e nisso, como em outras coisas. Ele se negava as honras que lhe eram devidas; nem uma casa própria para morar Ele tinha, assim como não tinha um templo próprio onde pudesse pregar. Com isso, Ele nos ensina – através das circunstâncias exteriores de adoração – a não invejar aquilo que é majestoso, mas aproveitar o melhor possível das facilidades que Deus, na sua providência, nos distribuiu. Quando Cristo nasceu, Ele estava apertado em um estábulo, e agora vemo-lo em uma praia, na areia, onde todas as pessoas podiam vir a Ele livremente. Ele, que a era a própria verdade, não buscava santuários, como os mistérios pagãos faziam. ”A suprema Sabedoria altissonantemente clama de fora” (Provérbio 1.20; João 13.20).

(2) Seu púlpito era um barco; não como o púlpito de Esdras, que havia sido feito para esse propósito (Neemias 8.4), mas convertido para esse uso, por falta de outro melhor. Não havia lugar impróprio para esse pregador, cuja presença dignificava e consagrava qualquer lugar. Aqueles que pregam a Cristo não devem se envergonhar, apesar de terem locais simples e inconvenientes para pregar. Alguns observam que as pessoas estavam em pé, em solo seco e firme, enquanto o pregador estava na água, com algum risco. Os ministros estão mais expostos aos perigos. Vemos que havia aqui uma verdadeira tribuna, o barco-púlpito.

4.O quê e como o Senhor Jesus pregava.

(1) Ele “falou-lhe de muitas coisas”. É provável que muito mais do que está registrado aqui, mas todas coisas excelentes e necessárias, coisa s que pertencem à nossa paz, coisas a respeito do Reino dos céus: elas não eram irrelevâncias, mas sim de importância eterna. Cabe a nós dar a mais sincera atenção quando Cristo tem tantas coisas a nos dizer, de modo a não perdemos nada.

(2) Ele falou por parábolas. Uma parábola, às vezes, significa qualquer ditado sábio e importante que seja instrutivo; mas aqui nos Evangelhos geralmente significa uma similitude ou comparação contínua, pela qual coisas espirituais ou divinas são descritas com uma linguagem emprestada das coisas da vida cotidiana. Era uma maneira muito usada de ensinar, não só pelos rabinos judeus, mas pelos árabes, e por outros homens sábios do Oriente; e era considerada muito proveitosa, em grande parte devido ao fato de ser agradável. O nosso Salvador a usava muito, e com isso condescendia com a capacidade das pessoas, e se dirigia a elas em sua própria linguagem. Há muito tempo Deus usava símiles através dos seus servos, os profetas (Oseias 12.10), e, às vezes, com pouco proveito; agora Ele usa símiles através de seu Filho, pois certamente eles reverenciarão aquele que fala do céu, e de coisas divinas, mas as reveste com expressões emprestadas de coisas terrenas. Veja João 3.12. Observe:

 I – Nós temos aqui a razão geral pela qual Cristo ensinou por parábolas. Os discípulos estavam um pouco surpresos com isso, pois até aquele momento, em suas pregações, Jesus não as havia usado muito, e por isso perguntam: “Por que lhes falas por parábolas?” Porque eles estavam verdadeiramente desejosos que as pessoas ouvissem e compreendessem. Eles não dizem: Por que falas a nós? (eles sabiam como ter as parábolas explicadas), mas a eles. Note que nós devemos estar preocupados com a edificação de outros, e com a nossa, pela palavra pregada; e devemos ser fortes para que possamos “suportar as fraquezas dos fracos”.

Cristo responde amplamente a essa questão (vv. 11-17). Ele lhes diz que pregava por parábolas, para que assim as coisas de Deus fossem expostas de uma maneira fácil e clara para aqueles que eram propositadamente ignorantes; e dessa forma o Evangelho seria “cheiro de vida” para alguns, e de morte, para outros. Uma parábola, com o a coluna de nuvem e fogo, volta um lado escuro para os egípcios, o qual os confunde, mas um lado claro para os israelitas, que os conforta, e assim atende a um duplo propósito. A mesma luz dirige o olhar de alguns, mas ofusca os olhos de outros. Note que:

1.Essa razão é exposta (v. 11): “Porque a vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos céus, mas a eles não lhes é dado”. Ou seja:

(l].  Os discípulos tinham conhecimento, mas as pessoas não. Vocês já sabem algo desses mistérios, e não precisam ser instruídos dessa maneira familiar; mas as pessoas estão desprovidas de conhecimento, são como bebês, e devem ser ensinadas como tais, através de símiles claras, sendo ainda incapazes de receber instruções de qualquer outra maneira: pois apesar de terem olhos, elas não sabem como usá-los. Ou:

(2) Os discípulos estavam bem familiarizados com o conhecimento dos mistérios do Evangelho, e analisariam as parábolas, e por elas seriam levados a um conhecimento mais íntimo desses mistérios. Mas os ouvintes carnais, que só contavam com o que podiam ouvir, e não se dariam ao trabalho de pesquisar mais, nunca seriam mais sábios, e assim sofreriam merecidamente por seu enfraquecimento. Uma parábola é como uma casca que protege o bom fruto para os diligentes, mas o guarda dos preguiçosos. Note que existem mistérios no Reino dos céus, e “sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade”: a encarnação de Cristo, expiação, intercessão, nossa justificação e santificação pela união com Cristo, e, de fato, toda a questão da redenção, da primeira à última, são mistérios que nunca poderiam ter sido descobertos senão pela revelação divina (1 Coríntios 15.51). Eles foram nessa ocasião revelados, em parte, aos discípulos, e não seriam completamente descobertos até que o véu fosse rasgado. Mas o mistério da verdade do Evangelho não deve desencorajar, e sim estimular, a nossa busca dele, e os nossos estudos a seu respeito.

[1] O conhecimento dos mistérios do Reino dos céus é, de graça, dado aos discípulos de Cristo, para se familiarizarem com esses mistérios. O conhecimento é o primeiro presente de Deus, e é um presente que distingue (Provérbio 2.6); ele foi dado aos apóstolos, por que eles eram os seguidores e apoiadores constantes de Cristo. Note que quanto mais próximo nos chegamos a Cristo, e quanto mais conversamos com Ele, tanto mais nos familiarizamos com os mistérios do Evangelho.

[2] Ele é dado a todos os verdadeiros crentes, que têm um conhecimento experimental dos mistérios do Evangelho, e esse é, sem dúvida, o melhor conhecimento – um princípio de graça no coração, é o que faz com que os homens tenham uma rápida compreensão do temor ao Senhor, e da fé em Cr isto, e do significado das parábolas. Pela falta dessa bênção, Nicodemos, um mestre em Israel, falava do novo nascimento como um homem cego fala das cores.

[3) Há aqueles para os quais esse conhecimento não é dado: “O homem não pode receber coisa alguma, se lhe não for dada do céu” (João 3.27). Devemos nos lembrar de que Deus não é devedor a homem algum; a graça pertence somente a Ele. E Ele a dá ou a retém como lhe convém (Romanos 11.35); esta questão deve ser decidida pela soberania de Deus, como já vimos anteriormente (cap. 11.25,26).

2.Essa razão é melhor ilustrada pela regra que Deus observa ao distribuir seus dons. Ele os dá àqueles que os aperfeiçoam, mas os tira daqueles que os enterram. É uma regra entre os homens preferir confiar seu dinheiro àqueles que aumentam seus bens através de seu trabalho, do que àqueles que os diminuem pela sua preguiça.

(1). Aqui vemos a promessa àquele que tem a verdadeira graça, de acordo com a escolha da graça, e que usa aquilo que tem; ele terá maior abundância. Os favores de Deus são a garantia de mais favores; Ele construirá onde Ele colocar os alicerces. Os discípulos de Cristo usavam o conhecimento que tinham agora, e teriam maior abundância quando recebessem o Espírito (Atos 2). Aqueles que têm a verdade da graça, terão o aumento da graça, chegando a uma abundância de glória (Provérbio 4.18). José – Ele acrescentará (Genesis 30.24).

(2). Aqui há uma ameaça àqueles que não desejam a graça, que não fazem bom uso dos dons e talentos que têm: não têm raiz, não têm princípios sólidos; têm, mas não usam o que possuem; destes, será tirado aquilo que têm ou parece que têm. Suas folhas murcharão, seus dons decairão; os meios de graça que têm, e dos quais não fazem uso, lhes serão tirados. Deus tirará os seus talentos das mãos daqueles que correm o risco de sucumbir rapidamente.

3.Essa razão é explicada, em particular, com referência aos dois tipos de pessoas com quem Cristo entrou em contato.

(1) Alguns eram intencionalmente ignorantes; e esses se divertiam com as parábolas (v. 13): “Porque eles, vendo, não veem”. Eles cerraram seus olhos à clara luz das pregações mais óbvias de Cristo, e assim foram agora deixados no escuro. Ao verem a pessoa de Cristo, eles não viam sua glória, não viam diferença entre Ele e outro homem qualquer. Vendo seus milagres, e ouvindo a suas pregações, eles não viam; não ouviam com qualquer preocupação ou dedicação; eles não compreendiam nem a Cristo nem os seus milagres. Observe que:

[1) Existem muitos que veem a luz do Evangelho, ouvem o som do Evangelho, mas nunca permitem que o Evangelho alcance os seus corações, nem abrem os seus corações para ele.

[2) É justo da parte de Deus retirar a luz daqueles que cerram os seus olhos a ela. E aqueles que preferem ser ignorantes, que sejam. Ao lidar dessa maneira com eles, o Senhor Deus aumenta a sua graça para com os seus discípulos, distinguindo-os.

Nisto se cumpririam as Escrituras (vv. 14,15). Esta é uma citação de Isaías 6.9,10. O profeta messiânico que falou mais claramente da graça do Evangelho previu o desprezo a ele, e a consequência de tal desprezo. São citadas não menos que seis vezes no Novo Testamento que, nos tempos do Evangelho, o julgamento espiritual seria muito comum. Isto faz menos ruído, mas é uma situação mais terrível. Aquilo que foi dito dos pecadores no tempo de Isaías foi cumprido no tempo de Cristo, e está se cumprindo todos os dias; pois enquanto o perverso coração do homem se mantém no mesmo pecado, a justa mão de Deus inflige a mesma punição. Vemos isso aqui:

Em primeiro lugar, temos uma descrição da cegueira e dureza propositais dos pecadores, que é o pecado de que são culpados: “O coração deste povo está endurecido”, ou seja, está engrossado; isto denota tanto sensualidade como insensatez (SaImos 119.70). Sentindo-se seguro sob a Palavra e a vara de Deus, um escarnecedor como Jesurum engordou e se engrossou (Deuteronômio 32.15). E quando o coração está assim pesado, não é de surpreender que os ouvidos ouçam mal; eles não ouvem nada dos gemidos do Espírito; os altos clamores da Palavra. Apesar de a Palavra estar próxima deles, eles não a levam em consideração, nem são afetados em nada por ela: eles têm seus ouvidos tapados (SaImos 58.4,5). E por estarem decididos a ser ignorantes, eles bloqueiam ambos os sentidos do aprendizado; pois também fecharam os seus olhos, decididos de que não veriam a luz vir ao mundo, quando o Filho da Justiça se manifestou, mas cerraram as suas janelas, pois “amaram mais as trevas do que a luz” (João 3.19; 2 Pedro 3.5).

Em segundo lugar, temos a descrição dessa cegueira dos sentidos, que é a sua justa punição. “Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis”. Quaisquer meios de graça que tenham não lhes serão proveitosos, de modo nenhum. Embora prossigam recebendo misericórdias por causa de outros, quando entram em juízo, a bênção lhes é negada. A condição mais triste que um homem pode ter desse lado do inferno é estar sob as ordenanças mais vivas com um coração morto, estúpido e insensível, perdendo a oportunidade de ser tocado pelo Senhor nosso Deus. Ouvir a Palavra de Deus, e ver as suas providências, e ainda não entender nem perceber a sua vontade, é o maior pecado e a maior condenação que pode haver. Observe que é o trabalho de Deus dar um coração compreensivo, e Ele, muitas vezes, em um julgamento justo, o nega àqueles a quem Ele deu ouvidos que ouvem, e olhos que veem, em vão. Assim, Deus escolhe as ilusões dos pecadores (Isaias 66.4), e os entrega à sua grande ruína, ao abandoná-los aos desejos dos seus próprios corações (Salmos 81.11,12), deixando-os sós (Oseias 4.17). “O meu espírito não permanecerá para sempre no homem” (Genesis 6.3, versão TE).

Em terceiro lugar, o doloroso efeito e a causa da cegueira e dureza propositais: “Para que não veja com os olhos”. Eles não verão porque não se voltarão ao Senhor; e Ele mesmo diz que eles não verão, porque não se voltarão: “Para que não… compreenda com o coração, e se converta, e eu o cure”.

Note que:

1.Ouvir; ver e compreender são atitudes necessárias à conversão; pois Deus, ao agir conforme a sua graça, lida com homens como homens, como agentes racionais. Ele atrai o homem, muda o seu coração, abrindo-lhe os olhos, e o converte do poder de Satanás a Deus, ao convertê-lo primeiro das trevas à luz (Atos 26.18).

2.Todos aqueles que estão verdadeiramente convertidos a Deus, serão certamente curados por Ele. “Se eles se converterem, eu os curarei, eu os salvarei”. Assim, se os pecadores perecem, que isto não seja imputado a Deus, mas a eles mesmos. Eles tolamente esperam ser curados, sem se converterem.

3.Ê justo da parte de Deus negar a sua graça àqueles que têm recusado, há muito tempo e frequentemente, as propostas da sua graça, e resistido ao poder dela. O Faraó, por um bom tempo, endureceu o seu próprio coração (Êxodo 8.15,32), e posteriormente o próprio Deus o endureceu (Êxodo 9.12; 10.20). Que temamos então, para que não pequemos contra a graça divina; pois se assim procedermos, ela se retirará da nossa vida.

(2) Outros foram efetivamente chamado s para ser discípulos de Cristo, e estavam realmente desejosos de ser ensinados por Ele; estes foram instruídos, e seu conhecimento grandemente aumentou por essas parábolas, especialmente quando elas foram explicadas; e por elas as coisas de Deus se tornaram mais claras e fáceis, mais inteligíveis e familiares, e mais propícias de se­ rem lembradas (vv. 16,17). “Os vossos olhos… veem, e os vossos ouvidos… ouvem”. Eles viram a glória de Deus na pessoa de Cristo; eles ouviram qual era o pensamento de Deus, pois estava expresso na doutrina de Cristo; eles viram muito, e estavam desejosos de ver mais, e assim estavam preparados para receber mais instruções – eles tiveram oportunidade para isso, por estarem constantemente na companhia de Cristo. E eles receberiam as suas preciosas instruções diariamente, e elas estariam acompanhadas pela graça. Agora Cristo fala dessa situação:

[1] Como uma bênção: “Bem-aventurados os vossos olhos, porque veem, e os vossos ouvidos, porque ouvem” – isso é uma felicidade, e é uma felicidade pela qual estais em dívida com os peculiares favores e bênçãos de Deus. Essa é uma bênção que foi prometida no Antigo Testamento – de que nos dias do Messias “os olhos dos que veem não olharão para trás” (Isaias 32.3). Os olhos do menor crente que já experimentou a graça de Cristo são mais bem-aventurados do que os dos maiores sábios, dos maiores mestres da filosofia experimental, que são estranhos a Deus; estes, como os deuses a quem eles servem, “têm olhos, mas não veem”. A verdadeira bênção envolve o entendimento correto e um adequado aperfeiçoamento na compreensão dos mistérios do reino de Deus. “O ouvido que ouve e o olho que vê” são obra de Deus naqueles que são santificados; eles são obra de sua graça (Provérbio 20.12), e são uma obra abençoada, que será realizada com poder, quando aqueles que hoje veem “por espelho, em enigma”, verão “face a face”. Foi para ilustrar essa bem-aventurança que Cristo falou tanto da miséria daqueles que são deixados na ignorância; eles têm olhos e não veem; mas “bem-aventurados os vossos olhos, porque veem”. O conhecimento de Cristo é um favor que distingue aqueles que o têm, e, por conta disso, eles estão sob grandes obrigações (veja João 14.22). Os apóstolos deveriam ensinar a outros, e assim eles mesmos seriam abençoados com as mais claras descobertas da verdade divina. Os “atalaias… olho a olho verão” (Isaias 52.8).

[2] Como uma bênção transcendente, desejada (mas não alcançada) por muitos profetas e justos (v. 17). Os santos do Antigo Testamento, que tinham alguns vislumbres, algumas ideias vagas, da luz do Evangelho, desejavam ardentemente maiores descobertas. Eles tinham tipos, sombras e profecias, mas queriam ver a Essência, o final glorioso daquelas coisas para as quais eles não poderiam olhar fixamente; o glorioso interior daquelas coisas dentro das quais eles não podiam olhar. Eles desejavam ver a grande Salvação, a Consolação de Israel, mas não a viram, pois o tempo certo ainda não havia chegado. Note, em primeiro lugar, que aqueles que sabem algo de Cristo, não podem deixar de ansiar por saber mais. Em segundo lugar, que as descobertas da graça divina são feitas, mesmo pelos profetas e justos, somente de acordo com o que lhes é dispensado. Apesar de eles serem os favoritos do céu, com os quais estava o segredo de Deus, mesmo assim eles não viram as coisas que desejavam ver, porque Deus havia determinado não trazê-las à luz ainda; e seus favores não anteciparão seus desígnios. Havia, naquela época, como ainda há, uma glória a ser revelada; algo reservado, de modo que eles, sem nós, não poderiam ser aperfeiçoados (Romanos 8.18; Hebreus 11.40). Em terceiro lugar, para estimular a nossa gratidão e apressar a diligência, é bom considerarmos de que meios dispomos. e que revelações nos foram feitas, agora, sob o Evangelho, acima das que tinham e dispunham aqueles que viviam sob a dispensação do Antigo Testamento, especialmente no que tange à revelação da expiação do pecado. Vejamos quais são as vantagens do Novo Testamento acima do Antigo (2 Coríntios 3.7ss.; Hebreus 12.18); e vivamos de modo que o nosso aperfeiçoamento esteja de acordo com as vantagens que temos na Nova Aliança.

GESTÃO E CARREIRA

PARE DE TRABALHAR!

Pare de trabalhar

Fiquei algum tempo em bloqueio criativo com muita dificuldade para escrever e produzir. Ao me encontrar exaurida de forças, decidi

tirar alguns dias de férias em um lugar distante de casa, sozinha, onde eu pude me dedicar à alimentação balanceada, à saúde e a fazer exercícios físicos.

Me considero privilegiada por poder trabalhar em algo que amo muito e me sinto útil. É fascinante acompanhar o desempenho de empresas, auxiliando em seu crescimento. É muito gratificante ajudar pessoas a conhecerem suas competências e potenciais por meio dos treinamentos. É um trabalho que me realiza muito, porém eu perdi a mão. Como assim? Eu faço o que gosto e me extingui? Pois é. Essa pergunta me acompanhou nos 15 dias onde eu estava reaprendendo a viver de forma saudável e fazendo a conta do quanto eu fui displicente com a minha saúde. Em que momento me atropelei na minha própria rotina de trabalho de tal forma que afetou meus resultados.

Não é novidade dizer que 2017 foi um ano exigente. Juntei ouvir isso mil vezes, sentir isso outras 500 vezes e por alguns anos consecutivos chegar ao final do ano exausta. Fui eu para as férias, a então rainha da culpa, me achando a única nesta situação. Grande foi a minha surpresa quando encontrei várias outras pessoas na mesma situação em que eu estava, buscando o mesmo que eu.

Pessoas cansadas. apesar de terem produzido. Pessoas infelizes consigo mesmas. Pessoas que precisavam se reencontrar com elas, pois lá fora não tinham tempo para elas. Pessoas que racionalmente não tinham nada para reclamar sobre nada. Pessoas que estavam – como EU – com o corpo pedindo equilíbrio. Pessoas bem-sucedidas lá fora e ponto.

Refletindo sobre tudo isso, cheguei a uma conclusão triste. Veja bem: a palavra trabalho vem do latim tripalium, que é um instrumento de tortura comum em tempos remotos no velho mundo. Aqueles que não podiam pagar os impostos sofriam torturas realizadas com esse instrumento. Sendo então trabalhador aquele que era destituído de posses, precisando dedicar seu tempo a atividades difíceis ou então ser torturado com o tripalium.  Nos acostumamos a usar um verbete relacionado com tortura, dor e sofrimento para o que tem de mais importante na nossa vida que é a obra que vamos deixar como legado, o trabalho.

Aprendi pagando caro em moeda não financeira que me dedicar à alimentação, à saúde e a exercícios físicos é o que deve ser rotina. A hora extra, a noite adentro trabalhando, as mil viagens sem qualidade de sono e ficar sem tempo para comer de três em três horas… Ufa! Isso tem que ser exceção! Uma vez ou outra para alcançar um objetivo especifico. Aí faz sentido. aí é sustentável, aí dá prazer. Senão, assim como aconteceu comigo, a gente perde a mão e não há férias que curem o cansaço de fazer algo que não tem mais propósito para você.

Se o SEU trabalho é desculpa para uma vida desequilibrada, se o seu trabalho não está inspirando em você uma vontade imensa de acordar e ir realizar o que você acredita, o seu dom, o que você é bom, a sua missão. Epa!  Pode parar agora e colocar – sim, você pode colocar – significado no que você está fazendo. Só com significado o cotidiano tem sabor.

E quando lhe disserem: ”Você não tem férias? Que dó!”.  E você responder normalmente: ”Que nada…”, dando a entender que VOCÊ vive “de férias”.  Aí você encontrou o seu propósito.

No sentido etimológico da palavra, esse é o aprendizado que compartilho aqui: pare de trabalhar hoje mesmo.

 

CECILIA BETTERO – é administradora e especializada em gestão empresarial pela Fundação Getúlio Vargas. E-mail: celiliabetterconsultoria.com.br

PSICOLOGIA ANALÍTICA

COMO A RESPIRAÇÃO AFETA OS SENTIMENTOS

O fato de inspirar ou expirar pela boca ou pelo nariz altera a maneira como as pessoas percebem os estímulos externos.

Como a respiração afeta os sentimentos

A forma como respiramos influi em nossas emoções e até na maneira como pensamos. Cientistas comprovaram, pela primeira vez, que o ritmo da entrada e saída de ar no corpo cria uma atividade elétrica no cérebro humano que acentua os julgamentos emocionais e até lembranças desconfortáveis. Esses efeitos se alteram se a pessoa está inspirando ou expirando – e se ela respira pelo nariz ou pela boca. No estudo, desenvolvido na Faculdade de Medicina da Universidade de North western, voluntários foram capazes de identificar uma expressão amedrontada mais rapidamente quando deparavam com o rosto enquanto inalavam do que quando exalavam. Os participantes tiveram mais facilidade em se lembrar de um objeto quando se deparavam com ele enquanto inspiravam do que quando expiravam. O efeito desaparecia se eles estivessem respirando pela boca.

“Uma das principais descobertas desse estudo é que existe uma grande diferença na atividade cerebral na amígdala e no hipocampo durante a inspiração em comparação com a expiração”, explicou a autora principal do estudo, Christina Zelano, professora assistente de neurologia da Escola de Medicina Feinberg da Universidade North western. “Quando você inspira, nós descobrimos que você está estimulando neurônios no córtex olfativo, amígdala e hipocampo, através de todo o seu sistema límbico.” O estudo foi publicado no periódico científico Journal of Neuroscience. O autor sênior é Jay Gottfried, professor de neurologia na Feinberg.

Os pesquisadores chegaram a essas conclusões ao acompanhar sete pacientes com epilepsia que estavam com cirurgias cerebrais marcadas. Uma semana antes dos procedimentos, um cirurgião implantou eletrodos no cérebro dos pacientes para identificar a origem das convulsões. Isso permitiu que os cientistas adquirissem dados eletrofisiológicos diretamente do cérebro dos pacientes. Os sinais elétricos registrados mostraram que a atividade cerebral flutuou durante a respiração. A atividade ocorre em áreas cerebrais nas quais emoções, memórias e cheiros são processados.

A descoberta levou os cientistas a se perguntar se as funções cognitivas tipicamente associadas com essas regiões do cérebro – especialmente o processamento do medo e da memória – poderiam ser afetadas também pela respiração. A amígdala está fortemente associada com o processamento emocional, em particular emoções relacionadas ao medo. Desse modo, os cientistas pediram a 60 pessoas, no ambiente do laboratório, que tomassem uma decisão rápida sobre expressões emotivas enquanto registravam a respiração deles.

Os voluntários receberam fotos de rostos com expressões de medo ou surpresa e tiveram de indicar rapidamente qual emoção cada rosto estava expressando. Quando encaravam as fotos durante a inspiração, os indivíduos as reconheciam como amedrontadas mais rapidamente do que quando faziam o mesmo durante a expiração. Isso não aconteceu com as expressões de surpresa. Esse efeito diminuiu quando os participantes realizaram a mesma tarefa enquanto respiravam pela boca. Portanto, o efeito é específico para estímulos de emoções de medo durante a respiração pelo nariz. Em um experimento que tinha como objetivo acessar a função da memória (ligada ao hipocampo), os mesmos participantes observaram fotos de objetos em uma tela de computador e foram instruídos a memorizá-las. Os pesquisadores descobriram que os participantes do experimento se lembraram melhor quando tinham encarado as imagens durante a inspiração.

“Isso significa que uma respiração rápida poderia conferir vantagens quando alguém está numa situação perigosa”, explica Zelano. “Se você está em um estado de pânico, o ritmo da sua respiração se torna mais rápido”, afirma. “Como resultado, você passará proporcionalmente mais tempo inalando do que em um estado calmo; assim, a resposta natural do nosso corpo ao medo em aumentar a frequência da respiração pode ter um impacto positivo no funcionamento do cérebro e resultar em uma resposta mais rápida a estímulos perigosos do ambiente.” Outro insight potencial da pesquisa diz respeito aos mecanismos básicos da meditação ou percepção da respiração. “Quando a pessoa inspira, em certa medida está sincronizando oscilações cerebrais por meio da rede límbica.”

MAIS COMPLEXO DO QUE PARECE

Seres humanos respiram automaticamente, em média, 12 vezes por minuto. O cérebro ajusta a cadência da inspiração e expiração às necessidades do corpo sem nenhum trabalho consciente, embora todos tenhamos a capacidade de prender deliberadamente a respiração por curtos períodos.

Essa habilidade é valiosa quando precisamos evitar que água ou poeira invadam nossos pulmões, estabilizar o tórax antes do esforço muscular e aumentar o fôlego para falarmos sem pausas. É surpreendente que, apesar de mantermos a respiração de forma tão natural, a ciência ainda não tenha a compreensão clara desse processo e de todos os seus efeitos no cérebro.

Quando falta oxigênio, o diafragma envia ao cérebro informações sobre a bioquímica do organismo. Inicialmente, esses sinais são interpretados apenas como leve desconforto; quando se tornam intoleráveis forçam o retorno da respiração para evitar a perda da consciência – e, muito antes de haver danos, mecanismos neurológicos entram em ação.

Mas o que determina o tempo durante o qual conseguimos reter a respiração?  Surpreendentemente, investigar esse problema não é tão fácil.

Embora todos os mamíferos tenham essa habilidade, não foi descoberta uma forma de persuadir animais de laboratório a prender a respiração voluntariamente por mais de alguns segundos. Consequentemente, a apneia voluntária só pode ser estudada em humanos. Se o cérebro deixar de receber oxigênio durante um período muito longo, há riscos imediatos de perda da consciência, dano cerebral e morte – perigos que tornariam vários experimentos antiéticos potencialmente esclarecedores. Na verdade, alguns estudos tomados como referências nas últimas décadas são impossíveis de serem reproduzidos por violarem as normas de segurança.

Em 1959 o fisiologista Hermann Rahn, da Faculdade de Medicina da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, usou uma combinação de métodos pouco comuns – como desaceleração do metabolismo, hiperventilação, preenchimento dos pulmões com oxigênio puro – para manter sua própria respiração suspensa por quase 14 minutos. Num experimento similar, Edward Schneider, pioneiro da pesquisa sobre retenção da respiração na Escola Técnica de Medicina Aeronáutica do Exército, em Mitchel Field, Nova York, anteriormente instalada na Universidade Wesleyan, descreveu o caso de uma pessoa que ficou sem respirar por 15 minutos e 13 segundos sob condições semelhantes na década de 30.

No entanto, estudos e experiência diária sugerem que a maioria de nós, depois de inflar os pulmões ao máximo, não consegue manter a respiração presa por mais de um minuto em média. O dióxido de carbono (gás residual exalado pelas células à medida que consomem alimentos e oxigênio) não se acumula em níveis tóxicos no sangue suficientemente rápido para explicar esse limite.

Teoricamente, seria possível absorver oxigênio suficiente para manter a respiração presa por cerca de quatro minutos, mas poucas pessoas conseguem fazer isso por um intervalo até mesmo próximo desse limite sem treinamento.

Curiosamente, dentro d’água é possível prender a respiração por períodos bem maiores. Esse aumento da capacidade decorre, em parte, da motivação de evitar que os pulmões se encham de água. Mergulhadores que prendem a respiração sentem-se compelidos a respirar muito antes de esgotarem seu oxigênio.

 Como a respiração afeta os sentimentos 2

 

Como a respiração afeta os sentimentos3

(Por Michael J. Parkes, doutor em fisiologia, da Faculdade de Ciências dos Esportes e Exercícios da Universidade de Birmingham, na Inglaterra).

 

Fonte: Revista Mente Cérebro – Edição 296

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 12: 46-50

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Quem São os Parentes de Cristo

Muitas palavras admiráveis e úteis saíram dos lábios de nosso Senhor Jesus Cristo em ocasiões especiais; até as suas divagações eram educativas, assim como os seus discursos, como aqui:

Observe:

I – Como Cristo foi interrompido, em suas pregações, por sua mãe e seus irmãos, que estavam fora, e desejavam falar com Ele (vv. 40-47); esse desejo deles lhe foi transmitido pela multidão. É desnecessário indagar quais eram os seus irmãos que vieram com Maria (talvez fossem aqueles que não criam nele, João 7.5); ou qual era o assunto deles. Talvez tivessem somente a intenção de interrompê-lo, por temerem que Ele se cansasse, ou para adverti-lo de que prestasse atenção para não ofender com o seu discurso os fariseus, ou ainda se envolvesse em apuros; como se eles pudessem lhe ensinar sabedoria.

1.Ele estava ainda falando com o povo. Observe que a pregação de Cristo estava sendo proferida; era simples, fácil, familiar e condizia com a capacidade e exemplo dos ouvintes. Aquilo que Cristo dizia, era criticado, e ainda assim Ele continuou. Note que a oposição que encontramos no nosso trabalho não deve nos afastar dele. Ele parou de falar com os fariseus, porque viu que não poderia fazer nada de bom por eles; mas continuou a falar com as pessoas comuns, que, não tendo tal presunção de seu conhecimento como os fariseus tinham, estavam desejosas de aprender.

2.Sua mãe e irmãos estavam do lado de fora, desejando falar com Ele, quando deveriam estar do lado de dentro, ouvindo-o. Eles tinham a vantagem de sua conversa diária em particular, e, por consequência, não se preocupavam tanto em comparecer à sua pregação pública. Observe que frequentemente aqueles que estão muito próximos dos meios do conhecimento e da graça, são mais negligentes. A familiaridade e a facilidade de acesso originam doses de desdém. Nós somos capazes de negligenciar, neste dia, aquilo que achamos que podemos ter em qualquer dia, esquecendo-nos de que só podemos ter certeza do tempo presente; o amanhã não nos pertence. Há muita verdade neste provérbio simples: “Quanto mais próximo da igreja, mais longe de Deus”; é uma pena que este provérbio seja verdadeiro, em alguns casos.

1.Eles não somente não o ouviriam, mas também interromperiam outros que o ouviam satisfeitos. O diabo era um inimigo declarado à pregação do Salvador. Ele procurou frustrar o seu discurso com a crítica ir racional dos escribas e fariseus, e quando não conseguiu marcar o seu ponto desta maneira, se empenhou em interrompê-lo com a visita inoportuna dos seus parentes. Observe que frequentemente nos deparamos com impedimentos e obstáculos em nosso trabalho, por parte dos nossos amigos que estão ao nosso redor, e que tentam nos remover de nosso relacionamento espiritual através das relações civis. Aqueles que realmente desejam o bem para nós e para o nosso trabalho, podem, às vezes, por sua indiscrição, se tornar falsos amigos, nos obstruindo em nosso dever; assim como Pedro foi ofensivo com Cristo, através de sua expressão: “Senhor, tem compaixão de ti”. O apóstolo pensou que estivesse sendo muito agradável ao Senhor ao proferir estas palavras. A mãe de nosso Senhor desejava falar com Ele; parecia que ela não tinha aprendido a controlar o seu Filho, conforme a iniquidade e a idolatria da igreja romana desejariam ensiná-la; nem ela não estava tão livre das faltas e da insensatez como eles supunham. Era a prerrogativa de Cristo, e não a de sua mãe, fazer tudo sabiamente, e bem, e no momento propício. Certa vez Ele disse à sua mãe: “Por que é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?” E então foi dito que “sua mãe guardava no coração todas essas coisas” (Lucas 2.49,51). Mas se ela tivesse se lembrado disso nesse momento, não o teria interrompido quando estava tratando dos negócios de seu Pai. Observe que há muitas verdades úteis que pensávamos ter sido bem guardadas quando as ouvimos; porém, elas parecem estar fora do nosso alcance, quando temos a oportunidade de usá-las.

II – Como Jesus reprovou esta interrupção (vv.48-50).

1.Ele não daria atenção a ela porque estava tão absorto em seu trabalho que nenhum motivo natural ou civil o afastaria dele. “Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos?” Isto não significa que a afeição natural possa ser evitada, ou que, sob a desculpa da religião, possamos ser desrespeitosos com os pais, ou indelicados com outros parentes, mas cada coisa é bela no momento propício, e o dever menor deve esperar, enquanto o maior é realizado. Quando a nossa atenção aos nossos parentes compete com o serviço a Deus, e temos a oportunidade de fazer o bem, em tal situação devemos dizer a nosso Pai: “Nunca o vi”, como disse Levi (Deuteronômio 33.9). Os parentes mais próximos devem ser tratados dessa forma, isto é, devemos amá-los menos do que a Cristo (Lucas 14.26), e o nosso dever para com Deus deve ter a preferência. Cristo nos deu aqui um exemplo sobre isso; a dedicação à casa de Deus o consumiu, a ponto de fazer com que Ele se esquecesse não apenas de si mesmo, mas também dos seus parentes mais queridos. E nós não devemos nos sentir ofendidos com os nossos amigos, nem exagerar por causa de suas maldades, se eles preferirem agradar a Deus antes de nos agradar; mas devemos prontamente perdoar estas negligências que podem facilmente ser atribuídas a uma dedicação religiosa à glória de Deus e ao bem dos outros. Nós devemos negar a nós mesmos e à nossa própria satisfação, em vez de fazer aquilo que pode, de alguma maneira, desviar nossos amigos, ou afastá-los do seu dever para com Deus.

2;Jesus aproveitou aquela ocasião para dar preferência aos seus discípulos – que eram a sua família espiritual -, e não aos seus parentes naturais. Esta é uma boa razão que explica por que Ele não deixaria de pregar para falar com seus irmãos, preferindo favorecer os seus discípulos a agradar os seus parentes. Observe:

(1). A descrição dos discípulos de Cristo. Eles faziam a vontade do seu Pai; não somente a ouviam, mas a conheciam e falavam dela, e também a praticavam; porque fazer a vontade de Deus é o melhor preparativo para o discipulado (João 7.17), e a melhor prova dele (cap. 7.21) ­ é o que nos estabelece como seus verdadeiros discípulos. Cristo não diz: “Qualquer que fizer a minha vontade”, porque Ele não veio realizar ou fazer a sua própria vontade, uma vontade distinta da vontade do seu Pai: a sua vontade e a do seu Pai são as mesmas. Mas Ele nos conduz a fazer a vontade do seu Pai, porque, naquele momento, vivendo aqui na terra, Ele também se sujeitou a esta preciosa vontade (João 6.38).

(2). A dignidade dos discípulos de Cristo: “Eis aqui minha mãe e meus irmãos”. Os seus discípulos, que deixaram tudo para segui-lo e aceitaram a sua doutrina, eram mais queridos por Ele do que qualquer um com quem tivesse um parentesco segundo a carne. Ao invés de seus parentes, eles tinham dado preferência a Cristo; deixaram seus pais (cap. 4.22; 10.37); e agora para compensá-los, e mostrar que não havia amor perdido, Ele dava preferência a eles ao invés de aos seus parentes. Por causa disso, eles não haviam de receber “cem vezes tanto”? (cap. 19.29). Era muito encorajador e afetuoso para Cristo dizer: “Eis aqui minha mãe e meus irmãos”; mas este privilégio não era só deles, pois todos os santos têm esta honra. Observe que todos os crentes obedientes são parentes próximos de Jesus Cristo. Eles usam o seu nome, trazem em si mesmos a sua imagem, têm a sua natureza, são a sua família. Ele os ama, e conversa livremente com eles como se fossem seus parentes. Ele os recebe em sua mesa, cuida deles, provê o seu sustento, e se certifica de que não queiram nada que não seja bom para si mesmos. Quando Ele morreu, deixou-lhes uma rica herança. E agora que está no céu, Ele continua a manter contato com eles, todos estarão com Ele no final, e Ele desempenhará a função de parente remidor (Rute 3.13). O Senhor não se envergonhará de seus parentes pobres, mas os confessará diante dos homens, diante dos anjos, e diante do seu Pai.

GESTÃO E CARREIRA

10 PASSOS PARA SER UM LÍDER DE SUCESSO

10 Passos para ser um líder de sucesso

Todos nós temos potencial para ser um líder eficaz, mas, logicamente, algumas características e comportamentos podem favorecer o aprendizado da liderança. Se considerarmos que liderar é “exercer influência”, logo percebemos que se trata de uma habilidade tão importante para o sucesso profissional quanto pessoal e, portanto, imprescindível para aqueles que desejam ocupar posições de destaque.

Por muitos anos atuei na formação e no desenvolvimento de líderes em grandes organizações, bem como fui gestora de equipes numerosas em grandes organizações. Com base nessa experiência, destaco dez características essenciais – que não estão dispostas em ordem de importância ou de prioridade – para ter êxito na posição de influenciador.

 

1 – INSPIRE CONFIANÇA – Ser integro e liderar pelo exemplo, com coerência entre discurso e atitude, independentemente do cargo ocupado, é um importante passo aos que desejam se tornar referência.

2 –  ESTEJA ABERTO A TROCAS – Invista parte do seu tempo conversando com as pessoas. Peça opinião, troque ideias e dê espaço para que seus interlocutores exponham seus pontos de vista sobre os processos. É muito importante ter atenção à qualidade da comunicação, já que, segundo estudos, apenas7%das pessoas são influenciadas simplesmente de maneira verbal. As demais estão atentas aos sinais não verbais (54% dos entrevistados) e à musicalidade da voz (33%).

3 – SAIBA OUVIR – Mostrar-se disponível a ouvir e tentar entender verdadeiramente os interesses e necessidades do outro é uma excelente estratégia para estabelecer empatia com as pessoas. Muitas vezes, divergências de opiniões podem render trocas ricas.

4 – COMPREENDA A INCOMPREENSÃO – Cada pessoa possui um mapa mental, que tem como base suas experiências. Todos captam as informações do meio externo da mesma maneira, porém é individual o processo de filtragem mental, que faz as generalizações, eliminações e interpretações dos fatos. Nesse contexto, um dos piores erros da liderança é esperar que todos a sua volta tenham a exata compreensão do que está sendo transmitido.

5 – PERCEBA OS PARES COMO SERES INDIVIDUAIS – As pessoas são diferentes, seja no aspecto físico, emocional ou intelectual. Um bom líder procura entender que essa pluralidade tende a ser benéfica para a companhia e, por essa razão, está disposto a ser flexível para orientar a equipe de acordo com o estilo de cada membro. Procure respeitar o jeito de ser de cada um, valorizando os pontos fortes e se colocando à disposição para dar suporte nos pontos de melhoria.

6 – RECONHEÇA – Tende a ser engajada e motivada a equipe que sentir ser reconhecida por sua dedicação, esforço e resultados. Todo ser humano deseja o reconhecimento como forma de perceber sua capacidade de realização e potencial. Reconhecer não é somente dar prêmios, bônus ou aumento de salário, mas, sobretudo, dizer que gostou do trabalho ”X’,’ da postura “Y” em uma apresentação além de dar visibilidade a essas pessoas, estimulando que elas propaguem os próprios resultados em reuniões, por exemplo. Pontuar o elogio é uma estratégia para não banalizá-lo.

7 – DESENVOLVA PESSOAS – Delegar é um excelente caminho para que o líder desenvolva a equipe. enquanto cria espaço na própria agenda paia atividades mais estratégicas e de aprimoramento profissional. Colocando-se na posição de facilitador, de maneira gradativa, permita que os membros da equipe tomem decisões que tenham relação direta com o próprio trabalho. Em geral, as pessoas gostam de desafios, aprendem com eles e têm capacidade para criar novos métodos de trabalho e serem melhores. Quem sabe nesse processo você descobre um novo talento?

8 – ESTABELEÇA METAS – Como disse Lúcio Aneu Séneca, escritor e intelectual do império romano, “se um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável…Ou seja, a meta é uma maneira objetiva de mostrar às pessoas o foco, o objetivo e o que se pretende com cada ação.

9 – FAÇA A GESTÃO DA ÁREA – Líder que não sabe extrair o melhor de cada membro da equipe, analisar indicadores, avaliar o que realmente está impactando nos resultados, identificar a questão que deve ser solucionada ou o processo que precisa ser aprimorado ou substituído não está fazendo a gestão adequada da área. Logo, os resultados estão comprometidos.

10 – CELEBRE- Crie o hábito de comemorar cada ação que deu certo. Isso cria um estado mental de positividade, possibilidade, gratidão, reconhecimento e sucesso.

Todos esses fatores juntos tendem a motivar a equipe e dar ânimo para avanços em projetos ou desafios maiores.

Em resumo, o bom líder é aquele que consegue se ausentar da empresa sem causar impactos negativos na rotina dos negócios, porque conta com um time de parceiros de trabalho!

 

MEG CHIARAMELU – é consultora da Integração Escola de Negócios.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

MARCA-PASSOS CEREBRAIS PARA CURAR A DEPRESSÃO

Marca-passos cerebrais para curar a depressão

Já utilizada em outros transtornos, como a doença de Parkinson, existe hoje tecnologia para o implante cirúrgico de eletrodos permanentes no cérebro para estimulação elétrica profunda. Por serem introduzidos de maneira invasiva, os marca-passos cerebrais – já testados em pessoas de vários países – nunca serão a primeira opção de terapia, mas são hoje uma esperança de alívio para pessoas com formas graves de transtornos devastadores de humor. Além disso, a técnica pode ajudar a compreender melhor a patologia que afeta milhões de pessoas em todo o planeta.

 “De repente me sinto calma”, diz a paciente, uma mulher de meia-idade que sofria de depressão grave. As palavras foram pronunciadas ainda na sala de cirurgia, apenas alguns segundos depois que um de nós (Lozano) aplicou estimulação elétrica em uma área profunda específica de seu cérebro. O procedimento, feito há mais de uma década, no Toronto Western Hospital, teve apenas anestesia local para que a paciente permanecesse consciente e conversasse conosco.

Conforme a energia da corrente foi aumentada, perguntamos se ela percebia algo diferente. Para nossa surpresa, ela descreveu a sala mudando de “preto e branco para colorido” – como se um interruptor de luz tivesse sido acionado e melhorasse subitamente seu humor.

Esse foi o primeiro de muitos estudos que levaram ao desenvolvimento de uma forma potencialmente nova de tratar a depressão: a estimulação cerebral profunda, uma técnica já utilizada em outros transtornos, como a doença de Parkinson. Novas opções de tratamento para a depressão atenderiam a uma necessidade premente. Durante a vida, algo em torno de 17% da população sofre uma ou mais crises do que psiquiatras de- nominam “transtorno depressivo maior”. A prevalência estimada do transtorno é de 8% em mulheres e 5% em homens. Não são meros episódios de tristeza. O transtorno depressivo maior, que ocorre de forma intermitente, é marcado por um período de humor triste contínuo, sentimentos de culpa, sensação de inutilidade e perda de interesse em atividades cotidianas. É o bastante para prejudicar o pensamento, o sono, o apetite e a libido e pode ser experimentado como dor física. Winston Churchill, que lutou contra a doença, chamou-a de seu “cão negro”.

O quadro pode ser letal. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 15% dos pacientes com de- pressão maior se suicidam. Também pode exacerbar problemas de saúde como doenças cardíacas e diabetes, reduzindo a expectativa de vida.

Tratamentos como psicoterapia, medicação e eletroconvulsoterapia costumam ser bastante eficazes na maioria dos casos, mas oferecem pouco ou nenhum alívio a algo em torno de 10% a 20% dos pacientes deprimidos. Com o estabelecimento da técnica cirúrgica, esse subgrupo de pessoas pode se tornar candidato à estimulação cerebral profunda.

A tecnologia ainda não está aprovada para uso rotineiro nos hospitais, mas já foi testada em algumas centenas de pessoas em todo o mundo. A terapêutica exige que médicos façam perfurações no crânio (trepanação) e implantem eletrodos permanentes no cérebro – por isso nunca será a primeira opção de tratamento. Porém, cientistas esperam que, se os resultados dos próximos testes forem bem-sucedidos, possa oferecer qualidade de vida a pessoas que, de outra forma, poderiam estar condenadas ao desespero sem fim.

O teste de 2003 foi desenvolvido com base em pesquisas realizadas por um de nós (Mayberg) para identificar as regiões do cérebro envolvidas na depressão. Neurocientistas reconheceram, na época, que os sintomas de depressão e de vários outros transtornos cerebrais surgem de distúrbios no funcionamento de circuitos neuronais específicos. O tremor ou a rigidez da doença de Parkinson ocorre devido a falhas no disparo de circuitos que controlam o movimento. Circuitos envolvidos na formação de novas memórias, ou na recuperação de antigas, não funcionam na doença de Alzheimer. Da mesma forma, evidências anteriores consideráveis apontaram para distúrbios nos circuitos mediadores do humor como o cerne da depressão.

Os circuitos são formados por conexões entre subconjuntos de 86 bilhões de neurônios do cérebro. Cada célula se liga a milhares de outras, algumas com o neurônio vizinho, outras alcançam grandes distâncias no sistema nervoso central. O tipo de ligação entre as células depende da genética, das experiências iniciais de vida e do estresse. O mau funcionamento dos circuitos envolvidos na depressão provavelmente cobre muitas regiões do cérebro, mas identificar a localização dessa rede de conexões continua sendo um desafio para neurocientistas.

A partir de meados da década de 90, Mayberg projetou uma série de experiências para identificar áreas do cérebro envolvidas na regulação do humor em pessoas saudáveis e em pacientes depressivos. Em uma das primeiras experiências, voluntários saudáveis tiveram de passar por um exercício mental de reviver uma experiência triste de suas vidas.

Escaneamento do cérebro, conhecido como tomografia por emissão de pósitrons (PET), mapeou áreas que apresentaram mu- dança significativa na atividade quando o paciente se sentia desanimado. Um tipo de imagem do PET revelou que pacientes deprimidos mostram aumento do fluxo sanguíneo, uma medida da atividade de células cerebrais, em uma área específica no meio do cérebro quando comparados a pessoas saudáveis. Em contraste, áreas do cérebro envolvidas na motivação, ânimo e funções executivas mostram diminuição de atividade. O local no escaneamento que exibiu maior atividade foi uma pequena região no centro do cérebro denominada área do cíngulo subgenual, conhecida também como área de Brodmann 25, denominação toma- da emprestada do neuroanatomista alemão que criou um mapa do cérebro em 1909 usando designações numéricas, com base no modo como as células estão dispostas em uma localização particular. Mayberg descobriu também que a atividade do córtex frontal diminui proporcionalmente ao grau de tristeza experimentado.

Em um segundo conjunto de experimentos, pacientes deprimidos receberam de Mayberg medicação antidepressiva por várias semanas. Depois, imagens do PET revelaram que, quando os sintomas dos pacientes abrandaram, a melhoria foi acompanhada por diminuição na atividade na área de Brodmann 25, juntamente com o aumento de atividade no córtex frontal. Embora mudanças cerebrais também tenham ocorrido em outras áreas, as diferenças marcantes na área do cíngulo subgenual apontaram para aquela região como exercendo papel fundamental na modulação de humores negativos.

A área de Brodmann 25 projeta e recebe conexões de muitas outras áreas importantes do cérebro, inclusive das seções orbitais e mediais dos lobos frontais, hipotálamo, núcleo accumbens, amígdala e hipocampo, da área periaquedutal e da dorsal da rafe. Essas áreas regem a forma como o cérebro regula atributos básicos do comportamento humano, inclusive o ciclo circadiano, a motivação, respostas a ameaças percebidas e a novos estímulos, sensações de recompensa e reforço, memória de curto prazo e capacidade de usar a experiência passada para orientar o pensamento sobre eventos futuros. Esses processos cerebrais críticos não funcionam bem durante a depressão. Assim, Mayberg pensou que, talvez estimulando esse centro de atividade neural com corrente elétrica, pudesse ajudar deprimidos.

 MEMÓRIA MANTIDA

Até 2002 a estimulação cerebral profunda em outras regiões do cérebro foi aprovada para Parkinson e uma condição denominada tremor essencial. Sabíamos, portanto, que era viável e podia ser usada em humanos. Atualmente, mais de 100 mil pacientes em todo o mundo são submetidos ao procedi- mento para aliviar sintomas de Parkinson. O procedimento cirúrgico básico para a de- pressão é idêntico. Pacientes que atendam a critérios semelhantes aos exigidos de nossa primeira paciente em Toronto Western Hospital são selecionados para estudos. Devem estar doentes por um período mínimo de um ano, sem nenhuma melhoria com pelo menos quatro tipos diferentes de medicamentos. Além disso, não devem ter apresentado melhora após eletroconvulsoterapia ou recusado sua administração.

A estimulação cerebral profunda não é apenas outra forma de terapia eletroconvulsiva – que induz uma convulsão controlada, mas generalizada, enquanto o paciente está anestesiado e que ocorre em sessões curtas, repetidas ao longo de várias semanas. A nova tecnologia aplica tênues pulsos elétricos em uma região do cérebro que tem conexões com muitas outras áreas associadas ao transtorno. Pacientes devem ser submetidos a uma cirurgia grande para implantar os eletrodos que promovem estimulação contínua, mas não sofrem perda de memória, como pode acontecer na eletroconvulsoterapia.

No dia da cirurgia de nossa primeira paciente depressiva no Toronto Western Hospital, a equipe cirúrgica afixou uma estrutura na cabeça da mulher para mantê-la estável. A ressonância magnética identificou o local específico na área do cíngulo subgenual onde o eletrodo deveria ser colocado. Na sala de cirurgia, sob anestesia local e sem sedação, a equipe cirúrgica fez dois orifícios no crânio para inserir elétrodos.

Com a ajuda de William D. Hutchison e Jonathan O. Dostrovsky, ambos especialistas em neurofisiologia, filmamos pela primeira vez neurônios na região do cíngulo subgenual para mapear a atividade e aprender sobre a função desses neurônios. Com base em experimentos com imagens realiza- dos anteriormente, suspeitamos que essas áreas estariam envolvidas no processamento de emoções relacionadas à tristeza. Usando um microeletrodo com ponta mais fina que um fio de cabelo humano, obtivemos medidas diretas de atividade celular dos neurônios dessa região cerebral.

Durante o registro dos neurônios, apresentamos à paciente várias fotografias retratando uma série de cenas emotivas, tanto positivas quanto negativas. Descobrimos, pelas gravações, que esses neurônios se tornaram mais ativos quando a paciente observou fotografias tristes e perturbadoras e que não reagiram em absoluto a cenas alegres, divertidas ou neutras.

Depois, inserimos eletrodos de estimulação na área de Brodmann 25, nos hemisférios esquerdo e direito do cérebro. Segundos depois de termos ligado a corrente, nossa paciente relatou uma redução acentuada na dor mental e peso emocional. De alguma forma, esse peso foi retirado, sensação que constatamos na grande maioria dos pacientes, mas não em todos. Os efeitos foram mais pronunciados quando a estimulação foi aplicada pela primeira vez. Quando repetidos em sequência, ocorreram novamente, mas menos evidentes. Sabemos agora que, se o tratamento é contínuo ao longo de dias ou semanas na mesma região, o paciente geralmente tem benefícios duradouros.

Com essa cirurgia, e com outras que realizamos, verificamos a necessidade de posicionamento preciso dos contatos elétricos que enviam um nível constante de estimulação. Nessa primeira cirurgia, o alívio surgiu apenas quando um ou dois dos quatro contatos elétricos geraram uma corrente constante para a paciente.

A partir de observações contínuas, Patrício Riva-Posse e Ki Sueng Choi, ambos do laboratório de Mayberg, na Universidade Emory, desenvolveram uma nova abordagem de imagens para identificar redes de feixes nervosos mais precisamente, conhecidos como substância branca, que se cruzam na área de Brodmann 25 e parecem produzir tanto alívio imediato quanto efeitos antidepressivos no longo prazo quando estimulados.

Assim que os eletrodos estão no lugar e fixos ao crânio, um cirurgião implanta um gerador de pulsos, semelhante a um marcapasso cardíaco, sob a pele abaixo da clavícula – um marca-passo alimentado por bateria que estimula continuamente a área-alvo com 130 pulsos por segundo. Es- colhemos os parâmetros de estimulação, em parte, com base na nossa experiência no tratamento de pacientes com Parkinson, e até agora parece que essa pulsação de alta frequência proporciona melhor benefício ao paciente.

Feitos os ajustes, a cirurgia está concluída. Depois disso, médicos usam um controle remoto sem fio, portátil, para ajustar a estimulação para cada paciente. Segundo nossa experiência, assim que uma configuração efetiva é estabelecida, não são mais necessários ajustes adicionais. Trabalhos posteriores determinarão se diferentes configurações podem ser necessárias para aqueles que não respondem aos ajustes-padrão, ou se configurações diferentes podem acelerar efeitos antidepressivos. As baterias precisam ser substituídas a cada três anos ou mais, ou quando se esgotam, e unidades recarregáveis já estão disponíveis.

UM TANTO DE CONFUSÃO

Alguns pacientes viram desaparecer completamente os sintomas, mas as respostas variaram, e nem todos foram ajudados. A proporção de pacientes que apresenta resposta clínica – redução de 50% ou mais em escalas que medem a depressão – pode diferir entre hospitais e oscilou de 40% a 70% em um período de seis meses. A variação das descobertas pode estar relacionada ao desafio contínuo de usar sintomas e escaneamentos cerebrais para identificar os pacientes mais indicados para estimulação cerebral profunda.

Um estudo com resultados sofríveis recebeu alguma atenção. A investigação, patrocinada pela indústria e conduzida pela St. Jude Medical, com sede em St. Paul, Minnesota, decidiu suspender a aceitação de novos pacientes em 2013, mantendo apenas os que já haviam iniciado a terapia experimental. Não houve grandes questões relacionadas à segurança do procedimento, mas uma análise exigida pela Food and Drug Administration (FDA) no meio da experiência mostrou que pacientes com implantes estimuladores não tiveram maior alívio de sintomas comparativamente a um grupo em que os eletrodos permaneceram desligados por seis meses. Cientistas reveem a metodologia do estudo para determinar se a terapia pode melhorar com uma diferente configuração.

Não entendemos completamente o motivo para as disparidades entre os vários estudos que examinaram a estimulação cerebral profunda. As explicações podem estar relacionadas a diferenças de critérios para seleção de pacientes. Alguns pacientes podem ter tido depressão combinada com outros sintomas psiquiátricos. Um fator potencial de confusão é que alguns pacientes com melhora podem ter tido sucesso simplesmente por acreditarem no poder da cirurgia (o efeito placebo, em outras palavras) ou por se beneficiarem psicologicamente das interações por vezes intensas que têm com a equipe de tratamento. Algumas dessas preocupações podem diminuir com o tempo. Estudos mais recentes sugerem que a terapia tem efeito genuíno: pacientes pioram quando a bateria está fraca ou a estimulação é desligada. Eles se recuperam novamente quando a estimulação é retomada, fazendo com que o efeito placebo seja uma explicação pouco plausível.

Vários estudos clínicos de pesquisa experimental estão em andamento em Atlanta, Hanover, New Hampshire e Toronto e proporcionarão novas informações relevantes sobre o possível alcance da técnica. Enquanto isso, cientistas continuam a refinar técnicas cirúrgicas para implantar os eletrodos. Pretendem também desenvolver uma com- preensão de como otimizar a quantidade precisa de estímulo para determinado paciente e ao mesmo tempo aprender sobre os efeitos de curto e longo prazo da estimulação cerebral profunda sobre a depressão.

 A MELHOR OPÇÃO

Algumas novas vias de investigação exploram locais diferentes para estimular circuitos cerebrais porque a área do cíngulo subgenual pode não ser a ideal para todos os pacientes. Volker Coenen e Thomas Schläpfer, ambos, na época, na Universidade de Bonn, na Alemanha, alcançaram melhora rápida com a intervenção em uma região denominada feixe prosencefálico medial de um pequeno grupo de pacientes. Outras regiões profundas no cérebro também são alvos potenciais: o corpo estriado ventral, o ramo anterior da cápsula interna, o pedúnculo talâmico inferior e a habênula.

Testar locais diferentes no cérebro que possam estar ligados à depressão pode permitir a seleção de alvos com base em sintomas específicos, como se faz com a doença de Parkinson. Pacientes depressivos têm diferentes combinações de sintomas que se refletem em um padrão diverso de escaneamentos do cérebro. Observar esses padrões de atividade cerebral anormal já adianta a tomada de decisões sobre qual fármaco ou psicoterapia é a melhor opção, e pode finalmente permitir o mesmo encaminhamento para a estimulação cerebral profunda.

Tentativas de aperfeiçoar essas técnicas devem ser complementadas por mais pesquisa básica para entender como a tecnologia muda o funcionamento cerebral. Após um período prolongado de estimulação, efeitos antidepressivos podem persistir durante dias ou semanas, mesmo quando a estimulação é desligada. O cérebro pode sofrer alterações de longa duração, processo conhecido como neuroplasticidade – quando circuitos cerebrais mudam devido à estimulação. Estudos com roedores mostram evidências de que a estimulação cerebral profunda altera a atividade de grandes redes de circuitos cerebrais e que pode também induzir o nascimento de novos neurônios no hipocampo, processo que outro trabalho mostrou ser importante tanto na formação de novas memórias quanto no alívio de depressão. Se a terapia é interrompida durante um período prolongado, no entanto, os sintomas retornam, sugerindo que o cérebro não consegue se recuperar de forma permanente.

A capacidade de controlar circuitos elétricos com a estimulação cerebral profunda gerou interesse no uso da técnica para outras doenças psiquiátricas, inclusive o transtorno bipolar, o transtorno obsessivo-compulsivo, a síndrome de Tourette e a dependência de álcool e drogas. A técnica tem potencial para tratamento de pacientes que não obtiveram sucesso com as outras opções e daqueles com transtorno relacionado a circuitos com funcionamento anormal.

PERDA DE PESO

Recentemente, o grupo de Lozano aplicou estimulação cerebral profunda no mesmo alvo do cíngulo subgenual usado na depressão para tratar anorexia nervosa crônica. Em alguns pacientes que conviviam com o transtorno alimentar por dez anos ou mais, a estimulação cerebral profunda aliviou os sintomas de depressão, ansiedade e obsessão. Pacientes tornaram-se menos ansiosos para comer e ganhar peso e conseguiram participar de programas terapêuticos. Em metade dos 18 casos, a mudança de humor dos pacientes permitiu-lhes voltar ao peso normal após um ano.

Os resultados, até o momento, apontam para novas direções. Crescente compreensão sobre o funcionamento dos circuitos cerebrais tem ajudado a explicar a atividade anormal do cérebro. Com esse conhecimento neurocirurgiões devem conseguir colocar eletrodos em locais estratégicos mais específicos nas profundezas do cérebro para permitir o alívio necessário a pacientes deprimidos que não respondem a medicamentos e à terapia de fala, incluindo pessoas que lutam contra outros transtornos, como anorexia e Alzheimer.

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 ANDRES M. LOZANO – é doutor em medicina, professor do Departamento de Cirurgia da Universidade de Toronto, especialista no tratamento de transtornos do movimento e registros cerebrais.

HELEN S. MAYBERG – é doutora em medicina, professora de psiquiatria, neurologia e radiologia na Universidade Emory.

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 12: 38-45

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Os Fariseus Pedem um Sinal

É provável que esses fariseus com quem Cristo se deparou na ocasião desse sermão não fossem os mesmos que o criticaram (v. 24), e não acreditaram nos sinais que Ele fez; mas outro grupo deles, que viram que não havia razão para desacreditá-los, mas não se contentariam com eles, nem admitiriam a sua evidência, a menos que Ele lhes desse mais provas de acordo com a exigência deles. Aqui está:

 

I – A saudação deles para com Ele (v. 38). Eles o saudaram com o título de “Mestre”, fingindo ter respeito por Ele, quando, na verdade, pretendiam maltratá-lo; pois nem todos eram servos de Cristo para chamá-lo de Mestre. A solicitação deles foi: “Quiséramos ver da tua parte algum sinal”. Era muito razoável que eles vissem um sinal, e que o Senhor Jesus pudesse, através dos milagres provar a sua missão divina (veja Êxodo 4.8-9). Ele veio para anular um modelo de religião que estava baseado em milagres, e, consequentemente, era necessário que Ele produzisse as mesmas referências; mas era extremamente irracional exigir um sinal agora, quando Ele já tinha dado tantos sinais que provavam copiosamente que Ele tinha sido enviado por Deus. Observe que é natural para o homem arrogante exigir de Deus, e fazer disso uma desculpa para não aceitá-lo; mas a ofensa de um homem nunca será a sua defesa.

 II – A resposta de Jesus para esta saudação, esta exigência insolente:

1.Ele condena a exigência, classificando-a como a linguagem de uma geração má e adúltera (v. 39). Ele impõe a acusação não somente sobre os escribas e fariseus, mas sobre toda a nação dos judeus; todos eles eram semelhantes aos seus líderes, eram uma descendência e sucessão de malfeitores. Eles, na verdade, eram uma geração má, pois não somente se obstinaram contra a convicção dos milagres de Cristo, como também se uniram para maltratá-lo e desprezar os seus milagres. Eles eram uma geração adúltera:

(1) Como uma descendência adúltera, estavam tão miseravelmente degenerados quanto à fé e a obediência de seus antepassados, que Abraão e Israel não os reconheceriam. Veja Isaias 57.3. Ou:

(2) Como uma esposa adúltera, eles se afastaram daquele Deus, com quem, por concerto, eles tinham se casado. Eles não eram culpados por se prostituírem pela idolatria, como tinham feito antes pela servidão, mas eram culpados pela infidelidade e por toda iniquidade que também é prostituição. Eles não procuraram deuses de sua própria criação, mas procuraram por sinais de sua própria invenção, e isto era adultério.

2.Jesus se recusa a dar-lhes qualquer outro sinal além dos que já havia apresentado, exceto o do profeta Jonas. Observe que embora Cristo esteja sempre pronto para ouvir e atender às orações e aos desejos verdadeiros, ainda assim Ele não satisfará luxúrias pervertidas e caprichos. Aqueles que pedem errado, pedem, mas não recebem. Os sinais foram concedidos para aqueles que os desejavam para a confirmação de sua fé, como Abraão e Gideão; mas foram negados para aqueles que os exigiam como desculpa para a sua incredulidade.

Com muita justiça, Cristo disse que Eles nunca presenciariam outro milagre; mas veja a bondade maravilhosa do Senhor:

(1) Eles terão os mesmos sinais ainda repetidos, para seu benefício adicional e para a sua convicção ainda mais ampla.

(2) Eles terão um tipo de sinal diferente de todos esses, que é a ressurreição de Cristo pelo seu próprio poder, aqui chamado de sinal do profeta Jonas – isto ainda estava reservado para a convicção deles, e seria uma grande prova de que Cristo era o Messias; por isso Ele foi declarado como o “Filho de Deus em poder” (Romanos 1.4). Este foi um sinal que superou todos os outros, completando-os e coroando-os. Se por acaso ainda não crerem nestes sinais, crerão neste (Êxodo 4.9), e se isto não os convencer, nada o fará. Mas ainda assim os judeus, em sua incredulidade, tentaram encontrar uma evasiva para evitar maiores constrangi­ mentos, quando disseram: “Vieram de noite os seus discípulos e, dormindo nós, o furtaram”; pois ninguém é tão irremediavelmente cego quanto aqueles que estão de­ terminados a não ver.

Agora, quanto ao sinal do profeta Jonas, Jesus esclarece aqui (v. 40): “Como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do Homem três dias e três noites no seio da terra”. E após este período, Ele saiu dali.

[1] O sepulcro era, para Cristo, o que o ventre da baleia era para Jonas. Ali Cristo ficou, como um resgate pelas vidas prestes a serem perdidas numa tempestade; lá Jonas ficou, como no ventre do inferno (Jonas 2.2), e pareceu ser banido da visão de Deus.

[2] Ele permaneceu no sepulcro exatamente o mesmo período que Jonas permaneceu no ventre da baleia, três dias e três noites; não três dias e noites inteiros. É provável que Jonas não tenha permanecido tanto tempo no ventre da baleia, mas parte dos três dias normais. Jesus foi sepultado na tarde do sexto dia da semana, e ressuscitou na manhã do primeiro dia; esta era uma maneira de falar muito comum (veja 1 Reis 20.29; Efésios 4.16; 5.1; Lucas 2.21). O mesmo período de tempo em que Jonas foi um prisioneiro por seus pecados, Cristo foi um prisioneiro pelos nossos.

[3] Assim como Jonas se consolou no ventre da baleia com a certeza de que ainda “tornaria a ver o templo da… santidade” de Deus (Jonas 2.4), também diz-se expressamente que Cristo, quando permaneceu na sepultura, repousou em esperança, como alguém que recebe a certeza de não ver a corrupção (Atos 2.26,27).

[4] Como Jonas, no terceiro dia, foi liberado de sua prisão, e retornou à terra dos vivos novamente, vindo da congregação dos mortos (diz-se que as coisas mortas estão debaixo das águas, Jó 26.5), também Cristo, no terceiro dia, retornaria para a vida, e se levantaria do seu túmulo e difundir o Evangelho aos gentios.

3.Cristo aproveita esta ocasião para revelar o caráter e a triste condição da geração em que Ele viveu, uma geração que não poderia ser transformada, e, consequentemente, só poderia ser destruída; e mostrou-lhes o seu caráter, como Ele estaria no dia do julgamento, sob as revelações e sentenças finais daquele dia. Pessoas e coisas aparecem agora sob cores falsas; condições e caráter são passíveis de transformação aqui; portanto, se pudermos fazer uma avaliação correta, deveremos tomar nossas providências sobre o último julgamento; a verdadeira identidade das coisas e pessoas é aquilo que serão eternamente, e não aquilo que são hoje.

Aqui Cristo revela o povo judeu:

(1) Como uma geração que seria condenada pelos homens de Nínive, cujo arrependimento pela pregação de Jonas se ergueria no julgamento contra eles (v. 41). A ressurreição de Cristo será para eles o sinal do profeta Jonas – mas não terá sobre eles um efeito tão favorável, como o de Jonas teve sobre os ninivitas. Por Jonas, eles foram levados ao arrependimento que evitou a sua destruição; mas os judeus serão obstinados na descrença que deverá apressar a sua destruição; e no Dia do Juízo, o arrependimento dos ninivitas será mencionado como um agravamento do pecado, e, consequentemente, a condenação daqueles para quem Cristo pregou então, e daqueles a quem Cristo está pregando agora; por esta razão, Cristo é maior que Jonas.

[1] Jonas era apenas um homem, sujeito às mesmas paixões pecaminosas que nós; mas Cristo é o Filho de Deus.

[2] Jonas era um forasteiro em Nínive, ele veio entre os forasteiros que sofreram preconceito contra seu país; mas Cristo veio aos seus quando pregou aos judeus, e muito mais quando é pregado entre os cristãos professos, que são chamados pelo seu nome.

[3] Jonas pregou apenas um curto sermão, sem grandes solenidades, à medida que andava pelas ruas; Cristo renovou os seus chamados, sentou-se e ensinou, e ensinou nas sinagogas.

[4] Jonas pregou nada além de ira e ruína no prazo de 40 dias; não deu instruções, orientações ou incentivo para que se arrependessem; mas Cristo, além de nos avisar sobre o nosso perigo, mostrou do que devemos nos arrepender, e nos assegurou da aceitação que temos mediante o nosso arrependimento, porque é chegado o Reino dos céus.

[5] Jonas não realizou nenhum milagre para confirmar a sua doutrina, nem mostrou boa vontade para com os ninivitas; mas Cristo realizou muitos milagres, e todos eles milagres de misericórdia; ainda assim, os ninivitas se arrependeram através da pregação de Jonas, mas os judeus não foram transformados pela pregação de Cristo. Note que a bondade de alguns, que têm menos amparo e benefícios para suas almas, agravará a maldade daqueles que têm muito mais. Aqueles que no crepúsculo descobrem as coisas que pertencem à sua paz envergonharão aqueles que tateiam ao meio-dia.

(2) Como uma geração que seria condenada pela Rainha do Sul, a Rainha de Sabá (v. 42). Os ninivitas se envergonhariam deles por não se arrependerem, a Rainha de Sabá, por não crerem em Cristo. Ela veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; embora o povo não seja persuadido a vir e ouvir a sabedoria de Cristo, mesmo assim Ele é mais do que Salomão.

[l] A Rainha de Sabá não tinha convite para vir até Salomão, ou qualquer promessa de ser bem recebida; mas nós somos convidados por Cristo para nos sentarmos aos seus pés e ouvirmos suas palavras.

[2] Salomão era apenas um homem sábio, mas Cristo é sabedoria em si, “em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria”.

[3] A Rainha de Sabá teve muitas dificuldades para chegar até Salomão: ela era uma mulher, inapta para fazer uma viagem longa e perigosa; era uma rainha, e o que seria do seu país na sua ausência? Nós não temos tais preocupações que nos impeçam.

[4] Ela não podia ter certeza de que valeria a pena ir tão longe nessa missão; a fama costuma adular os seres humanos, e talvez ela tivesse em seu país ou corte homens suficientemente sábios para instruí-la; ainda assim, tendo ouvido falar sobre a fama de Salomão, foi vê-lo; mas nós não vamos até Cristo com tais incertezas.

[5] Ela veio dos confins da terra, mas nós temos Cristo entre nós, e a sua palavra próxima de nós: “Eis que estou à porta e bato”.

[6] Aparentemente, a sabedoria pela qual a Rainha de Sabá veio de tão longe era somente filosofia e política; mas a sabedoria que se deve ter em Cristo é a sabedoria para a salvação.

[7] Ela só poderia ouvir a sabedoria de Salomão; ele não poderia dar sabedoria a ela; mas Cristo dá sabedoria para aqueles que vêm até Ele; mais ainda, Ele mesmo será a sabedoria de Deus para eles; de maneira que, com todos estes relatos, se nós não ouvirmos a sabedoria de Cristo, a audácia da Rainha de Sabá em vir e ouvir a sabedoria de Salomão se erguerá em julgamento contra nós e nos condenará; porque Jesus Cristo é mais e maior que Salomão.

(3) Como uma geração que resolveu continuar no domínio, e sob o poder, de Satanás, apesar de todos os métodos que foram usados para expulsá-lo e salvá-los. Eles são comparados a alguém de quem o diabo se foi, mas retorna com força multiplicada (vv. 43-45). O demônio é chamado aqui de espírito imundo, porque perdeu toda a sua pureza e promove todas as formas de impureza entre os homens, e se deleita com elas. Aqui:

[l] A parábola representa a possessão que o demônio faz dos corpos dos homens – Cristo havia recentemente expulsado um demônio, porém eles disseram que Ele tinha um demônio; isto mostrou o quanto eles estavam sob o poder de Satanás. Esta é mais uma prova de que Cristo não expulsou os demônios por ter um acordo com o diabo, porque se fosse assim, ele teria logo retornado; mas a expulsão dele por Cristo foi final, e de tal modo que barrava uma reentrada; nós o encontramos ordenando ao espírito imundo que saísse, e não entrasse novamente (Marcos 9.25). Provavelmente, algumas vezes, o demônio estava acostumado a zombar dessa maneira daqueles que eram possuídos; ele saía e retornava com mais fúria; por isso os intervalos lúcidos daqueles que estavam nessas condições eram comumente seguidos dos mais violentos ataques. Quando o demônio sai, ele fica inquieto, porque, como os ímpios, não repousa se não fizer mal (Provérbio 4.16); anda por lugares áridos, como alguém que está muito melancólico; busca repouso, e não o encontra, até retornar novamente. Quando Cristo baniu a legião de demônios do homem, eles imploraram para sair e entrar em uma manada de porcos, e já não foram para lugares áridos, mas para dentro do lago.

[2] A aplicação da parábola serve para representar o caso do corpo da religião judaica e a nação: ”Assim acontecerá também a esta geração má”, que agora resiste e finalmente rejeitará o evangelho de Cristo. O demônio, que, pelo trabalho de Cristo e dos seus discípulos, foi expulso de muitos judeus, procurou abrigar-se entre os pagãos, tendo saído daquelas pessoas e templos de onde os cristãos o expulsariam. Conforme o Dr. Whitby, pode ser que eles não tenham encontrando outro lugar, no mundo pagão, onde sentissem tal prazer, habitações agradáveis, para a sua satisfação, como aqui no coração dos judeus. Conforme o Dr. Hammond, Satanás deverá, portanto, entrar novamente neles, pois Cristo não encontrou acesso entre eles, e eles, por sua prodigiosa maldade e descrença obstinada, não estavam, de forma alguma, prontos para recebê-lo. E então sofreriam aqui uma possessão duradoura, e a condição desse povo provavelmente seria mais desesperadamente deplorável (conforme o Dr. Hammond) do que era antes que Cristo viesse a eles, ou mais do que teria sido se Satanás nunca tivesse sido expulso.

A comunidade dessa nação está aqui representada. Em primeiro lugar, como um povo apóstata. Depois do cativeiro na Babilônia, eles começaram a transformação, abandonaram os seus ídolos e apareceram com algum tipo de religião; mas logo se corromperam novamente; embora nunca tivessem reincidido na idolatria, caíram em todas as formas de irreligiosidade e profanação, pioraram cada vez mais, e adicionaram a todo o resto de sua maldade um desprezo intencional para com Cristo e o seu Evangelho. Em segundo lugar, como um povo marcado pela destruição. Uma nova comissão estava sendo enviada contra esta nação hipócrita, o povo da ira de Deus (como em Isaias 10.6), e sua destruição pelos romanos seria provavelmente maior do que qualquer outra, como os seus pecados tinham sido mais evidentes: foi então que “a ira de Deus caiu sobre eles até ao fim” (1 Tessalonicenses 2.15,16). Que isto seja um aviso para todas as nações e igrejas, para que prestem atenção e não abandonem o seu primeiro amor, não deixem que se perca a excelente obra de transformação que começou entre eles, retornando para a maldade que pareciam ter abandonado; pois a última condição dessas pessoas será pior do que a primeira.

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Conheça a recém-chegada Home Refill, que quer revolucionar o mercado de consumo básico com uma maneira consciente de comprar pela internet.

Aposente os carrinhos

Frequentar supermercados periodicamente para repor itens básicos de consumo, além de absorver o tempo das pessoas, não é uma das tarefas mais agradáveis. Foi ao observar essas questões que o empresário e especialista em Tecnologia da Informação Guilherme Aere dos Santos teve a ideia de criar uma maneira prática e econômica de fazer a compra do mês, ou da quinzena, sem precisar se deslocar. Ele e um grupo de empresários desenvolveram uma solução on-line que permite ao consumidor repor produtos que compõem a cesta básica, como itens de higiene e alimentos não perecíveis (arroz e feijão).

Esse sistema é oferecido por aplicativo ou acessado pelo site e disponibiliza, além de um portfólio de artefatos, uma forma mais inteligente de fazer a reposição dos produtos. Quem opta por essa facilidade tem disponível uma lista personalizada de acordo com seu perfil de consumo. Ao todo, são dois mil produtos. A partir de pesquisas, a Home Refill criou dez tipos: solteiro, solteira, casal, gestante, lar com crianças, lar com adolescentes, lar com filhos adultos, lar com idosos, republica e pequenos escritórios. A solteira, por exemplo, que decide utilizar esse e-commerce encontrará uma lista com sugestões compatíveis com sua realidade e na quantidade exata para o carrinho. As entregas são feitas em até oito dias e o frete é gratuito.

Como se trata de um modelo repetitivo de compra, o cliente pode programá-la para recebimento de 15 em 15 dias ou a cada 30 dias. Feita a primeira compra, o aplicativo começa a monitorar o consumo daqueles produtos, enviando lembretes a respeito da necessidade da próxima compra.

 PROPOSTA

O site também mostra a economia que estão obtendo com a aquisição de cada um dos itens, fazendo a comparação com o preço médio dos principais supermercados. ”Mais do que urna opção on-line, a Home Refill é uma excelente experiência, porque auxilia na administração. O consumidor passa a comprar de maneira programada, “comenta o sócio proprietário e atual CEO da empresa, Guilherme dos Santos.

Em operação desde outubro de 2015, a empresa recebeu investimento com recursos próprios de R$10 milhões, absorvidos em tecnologia e logística e já possui carteira com seis mil clientes fixos. Para que seja um modelo de negócio realmente interessante e possa oferecer benefícios reais aos usuários, além do aplicativo, a Home Refill possui também um grande galpão principal de armazenamento – que funciona como um centro de distribuição -, 22 pequenos estabelecimentos que são pontos de transição para a mercadoria e uma frota de caminhões próprios para a entrega.

Com a proposta de entregar mais tempo aos consumidores que, ao usarem a ferramenta, não precisarão mais frequentar supermercados para fazer reposição de itens básicos, a empresa também tem um preço baixo como um atrativo bastante forte que pode ser explicado pelo ponto de vista logístico. “Um dos nossos sócios também é dono de uma operadora logística, ”explica Santos.

A empresa possui também mais de 200 parceiros com quem compra os produtos. Seguindo o conceito inteligente de logística, não armazena no galpão um estoque. mas itens das listas pré­montadas que disponibiliza no site e no aplicativo.

Por enquanto, o serviço é oferecido apenas para a capital paulista e grande São Paulo, mas o empresário já adiantou que para 2018 haverá a expansão para mais dois estados.

GERAÇÃO DE VALOR

Ao ser questionado sobre qual é a previsão para retorno do investimento, Guilherme dos Santos diz que esta ainda não é a preocupação da empresa. O que eles querem a princípio é que o aplicativo agregue valor na vida das pessoas que o utilizam. Sendo assim, poupando tempo e auxiliando na administração. “‘Estamos contribuindo para a construção de uma sociedade mais sustentável, para que as pessoas consumam o que realmente precisam e com a real necessidade, evitando o desperdício”, explica. E vai além: ”vamos ajudar as pessoas a pararem de acreditar em milagre promocional e começarem a questionar mais o porquê das promoções”, explica.

Ainda na questão sustentabilidade, a Home Refill ajuda o consumidor a reduzir emissão de CO sempre que deixa de ir ao supermercado. Foi com esse mote, inclusive, que a empresa deu início no fim de 2016 à sua campanha oficial de lançamento. Em parceria com o artista paulistano Eduardo Srur – reconhecido por intervenções urbanas -, a ação “Encoste o Carrinho” teve como objetivo transmitir a mensagem de que é preciso refletir sobre seus níveis de consumo de desperdício.

A partir daí, o artista desenvolveu o conceito artístico da ação: carrinhos de supermercados gigantes destruídos que foram espalhados em diversos pontos da cidade de São Paulo. Era como se estivessem convidando as pessoas a repensarem a forma de fazer compras, destacando as promoções enganosas e dificuldades que as pessoas passam para irem até o supermercado: como o trânsito, filas e inconveniência das sacolas.

Para realizar a campanha, foi feito um estudo de percepção da marca e como os consumidores entendem e se relacionam com seu serviço. Houve também a investigação dos principais pontos da experiência proporcionada pelos supermercados. O levantamento gerou ideias que guiaram o marketing da Home Refill na criação dos pilares da campanha, posicionando a empresa como uma plataforma de consumo consciente que promove sustentabilidade, evita desperdícios e entrega tempo livre para que as pessoas se dediquem a atividades prazerosas. O objetivo da empresa com essa ação foi reforçar o cará ter inovador do serviço e dar ênfase para o conceito de sustentabilidade.

DIGITAL

Além dessa iniciativa criativa, a empresa também desenvolveu um desdobramento da campanha em peças de rua e digital No Facebook, a fanpage da Home Refill faz campanhas constantes mostrando os vários motivos pelos quais os consumidores devem abandonar os supermercados para realizar compra de itens básicos. Em um dos posts mais recentes, a empresa pergunta aos seguidores se eles acham difícil planejar a compra no site para o mês inteiro. Com depoimento em vídeo de uma consumidora que usa o aplicativo, a empresa mostra que, com a ferramenta é possível logo nas primeiras experiências aprender qual é exatamente a quantidade necessária de cada produto.

Há outros depoimentos, como o da apresentadora Ana Maria Braga. Ela recomenda o uso do aplicativo para facilitar a vida das pessoas e anuncia R$50,00 de desconto para as compras a partir de R$ 1SO,OO. Para cativar seus consumidores e quebrar paradigmas em relação ao modelo atual de consumo, a empresa postou também mensagens como: “Conheci o grande amor da minha vida enquanto alcançava o sabão em pó”, assinado Ninguém. No enunciado, há o seguinte comentário: “Isso só acontece em novela, na vida real você pode fazer compras e paquerar com o celular”. Ainda na fanpage, a Home Refill recebe apoio de marcas como a Unilever. Em um dos posts, aparece uma foto do sabão em pó OMO incentivando a mudança de hábitos do consumidor.

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HOME REFILL EM NÚMEROS

  • Investimento: R$ 10 milhões (capital próprio)
  • Mais de 200 parceiros, o que permite negociação com preços mais favoráveis
  • 1 galpão de distribuição e 22 pontos de distribuição.
  • Clientes: 6 mil até o momento

VANTAGENS PARA O CONSUMIDOR

  • Auxilia na administração e na programação da compra
  • Poupa tempo
  • Oferece economia em torno de 20% a 30%(dependendo do produto)
  • Estimula consumo consciente
  • Promove sustentabilidade
  • Evita que o cliente caia em promoções falsas
  • Frete grátis
  • O consumidor consegue verificar no site ou pelo aplicativo quanto estão economizando com cada produto, em relação aos preços de supermercados e varejistas

COMO USAR

  • Baixe o aplicativo ou navegue pelo site
  • Selecione uma das listas personalizadas que se enquadrem às suas necessidades ou selecione os produtos que deseja. Selecione a    data de entrega (no mínimo 8 dias)
  • Receba em casa com frete grátis.

 

COMO FUNCIONAM OS PREÇOS

A Home Refill consegue oferecer economia pelos seguintes motivos:

  • A empresa compra direto dos fabricantes de acordo com o pedido, eliminando estoque e A cada semana, um parceiro de tecnologia monitora os preços das lojas físicas dos principais varejistas da grande São Paulo.
  • O consumidor deixa de gastar para se locomover.
  • Como um dos sócios é operador logístico, a empresa consegue oferecer o frete gratuito.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

O CHEIRO DA PERCEPÇÃO

A ação conjunta dos neurônios faz o cérebro transformar, quase que instantaneamente, as mensagens sensoriais em impressões conscientes.

O cheiro da percepção

Quando vemos o rosto de um ator conhecido, ouvimos a voz de um amigo ou sentimos o aroma de um prato apetitoso, mento é instantâneo. Uma fração de segundo depois que os olhos, os ouvidos, o nariz, a língua ou a pele são estimulados, sabemos estar diante de um objeto conhecido, se ele representa perigo ou não. Como esse reconhecimento se dá de maneira tão rápida e precisa mesmo quando os estímulos são complexos e o contexto do qual emergem varia?

Sabemos que o córtex cerebral (a cama- da externa do cérebro) analisa inicialmente as mensagens sensoriais, mas apenas começamos a entrever de que maneira o cérebro se comporta após o puro e simples reconhecimento das características da mensagem (isto é, como combina as percepções sensoriais com a experiência vivida e as expectativas para identificar tanto o estímulo como seu significado particular).

Os estudos realizados durante décadas por meu grupo na Universidade da Califórnia em Berkeley permitem afirmar que a percepção não pode ser compreendida examinando-se apenas as propriedades individuais de cada neurônio, segundo uma abordagem microscópica da pesquisa que hoje tende a dominar a neurociência. Constatamos que a percepção depende da atividade simultânea e cooperativa de milhões de neurônios espalhados em todas as circunvoluções do córtex. Essa atividade global pode ser identificada, medida e interpretada somente se, além da visão microscópica do cérebro, trabalharmos no nível macroscópico. No campo da música, existe uma analogia com esse tipo de abordagem. Para apreciar a beleza de um coral, não basta escutar as vozes individuais dos cantores: deve-se escutá-los em conjunto, já que as diversas partes se relacionam entre si.

Nossos estudos nos permitiram descobrir também uma atividade cerebral caótica, um comportamento complexo que parece casual, mas que na realidade possui uma ordem oculta. Essa atividade é evidente na tendência que amplos grupos de neurônios têm de passar brusca e simultaneamente de um quadro complexo de atividade a outro, em resposta ao menor dos estímulos. Tal capacidade é característica primária de muitos sistemas caóticos. Ela não danifica o cérebro: acreditamos, ao contrário, que seria essa justamente a chave da percepção. Avançamos também a hipótese de que ela seja a base da capacidade do cérebro de responder de maneira flexível às solicitações do mundo externo e de gerar novos tipos de atividade – incluída a concepção de novas ideias.

PELO NARIZ

Para compreender os mecanismos da percepção, é necessário conhecer as propriedades dos neurônios envolvidos nesse pro- cesso. Meus colaboradores e eu nos concentramos no estudo dos neurônios do sistema olfativo. Há tempos sabemos que, quando um animal ou um ser humano sente o cheiro de uma substância, as moléculas desta são captadas por alguns neurônios específicos misturados aos numerosos receptores presentes nas vias nasais. Esses receptores são especializados em reagir a uma dada categoria de odores. Os neurônios excitados desencadeiam potenciais de ação, isto é, impulsos que se propagam ao longo de seus prolongamentos, os axônios, até uma área específica do córtex, o bulbo olfativo. O número de receptores ativados representa um índice da intensidade do estímulo, enquanto sua localização nas fossas nasais é associada à natureza do odor. Em resumo, cada cheiro se expressa mediante uma configuração espacial da atividade dos receptores, que, por sua vez, é transmitida ao bulbo. O bulbo olfativo é que transmite ao córtex olfativo a análise de cada estímulo. Daí, novos sinais são enviados a muitas partes do cérebro, entre as quais o córtex entorrinal, onde os sinais se combinam com os de outros sistemas sensoriais.

O resultado é uma Gestalt, uma percepção carregada de significado, única para cada indivíduo. Para um cão, reconhecer o cheiro de uma raposa pode evocar o alimento e a espera de uma refeição. Em um coelho, o mesmo cheiro desperta lembranças de fuga e o medo de ser agredido.

Todas essas noções forneceram um ponto de partida válido para uma análise mais detalhada do olfato, mas não resolvem duas questões importantes. A primeira é o clássico problema de conseguir distinguir de que maneira o cérebro diferencia um cheiro particular no meio de todos os outros que o acompanham.

Além disso, como o cérebro consegue generalizar e tratar uma informação equivalente que provém de receptores diferentes? Devido à turbulência existente nas correntes de ar que atravessam as fossas nasais, somente alguns entre os numerosos receptores sensíveis a determinado odor são excitados durante uma inspiração, e essa situação varia imprevisivelmente entre uma inspiração e outra. Como faz o cérebro para estabelecer que sinais provenientes de diversos grupos de receptores se referem todos ao mesmo estímulo? Nossas pesquisas começam a oferecer respostas para ambos os problemas.

Os experimentos demonstram claramente que todos os neurônios contribuem para a geração de cada percepção olfativa. Em outros termos, a informação sobre o estímulo é contida em uma configuração de neurônios ativados que interessa a todo o bulbo e não apenas a um pequeno subconjunto de neurônios que podem identificar as características do estímulo e excitar-se exclusivamente, por exemplo, quando expostos a odores como o da raposa.

Além disso, essa atividade coletiva dos neurônios, apesar de refletir a natureza do odor, não é determinada somente pelo estímulo. A função do bulbo se auto organiza e é bem controlada por fatores internos, entre os quais a sensibilidade dos neurônios ao estímulo.

Atualmente podemos entrever a dinâmica geral da percepção. O cérebro procura a in- formação, principalmente orientando o indivíduo a olhar, escutar e cheirar. Esse processo é produto de uma atividade que se organiza autonomamente e se realiza no sistema límbico (a parte do cérebro que inclui o córtex entorrinal, envolvida nos estados emocionais e na formação da memória), que transmite uma ordem de busca aos sistemas motores. Quando a ordem é transmitida, o sistema límbico emite a chamada mensagem de referência, que coloca em estado de alerta todos os sistemas sensoriais para que se preparem para responder à nova informação.

Efetivamente, eles respondem à descarga de impulsos com cada neurônio de uma dada área que participa da atividade coletiva. A atividade sincrônica em cada sistema é, portanto, retransmitida ao sistema límbico, onde se combina com sinais provenientes de outros sistemas sensoriais, analogamente gerados, para formar um todo rico de significado. Depois, em uma fração de segundo, pede-se outra busca de informação e os sistemas sensoriais são novamente preparados por outros estímulos aferentes.

A consciência poderia ser a experiência subjetiva desse processo recorrente de comando motor, referência e percepção. Se assim é, permite que o cérebro planeje cada ação sucessiva e se prepare para ela com base em ações passadas, estímulos sensoriais e sínteses perceptivas. Em resumo, o ato da percepção não é simplesmente a reprodução de um estímulo que está chegando, mas um passo no caminho que o cérebro percorre para crescer, organizar-se e tomar contato com o ambiente, que depois modifica em seu benefício.

O poeta William Blake escreveu: “Se as portas da percepção fossem eliminadas, cada coisa se apresentaria ao homem como efetivamente é: infinita”. Uma eliminação desse tipo não é desejável. Sem a proteção das portas da percepção, isto é, sem a atividade caótica autocontrolada do córtex do qual nas- cem as percepções, os seres humanos e os animais seriam dominados pelo infinito.

REDE DE SINAPSES

Os neurônios do sistema olfativo trocam informações através de uma rica rede de sinapses, isto é, junções   nas quais os sinais fluem de um neurônio para o outro.

De maneira geral, os sinais passam de prolongamentos chamados axônios para projeções denominadas dendritos; mas, às vezes, passam de dendrito a dendrito ou de axônio a axônio. Essa ampla troca de informações conduz a uma atividade coletiva. No desenho, bastante esquematizado, o vermelho indica que um neurônio está excitando outra célula e o preto, que o neurônio está inibindo a outra.

O cheiro da percepção2 

DENTRO DO CÉREBRO

As ondas do eletroencefalograma refletem a excitação média de grupos de neurônios. Estímulos excitatórios no nível das sinapses geram correntes elétricas que fluem em círculos fechados no interior do neurônio receptor em direção ao axônio, atravessam a membrana celular, atingem o espaço extracelular e retornam para a sinapse (setas em amarelo). Os estímulos inibitórios criam correntes que se propagam na direção oposta (setas em azul). No interior dos neurônios, a zona de disparo soma a intensidade das correntes (refletida nas diferenças de voltagem através da membrana) e disparará um potencial de ação se a soma for suficientemente positiva.

Os eletrodos aplicados ao cérebro registram essas mesmas correntes no espaço extracelular. As neuroimagens resultantes indicam a excitação de grupos inteiros de neurônios, não de células individuais, pois as áreas extracelulares nas quais são registrados contêm correntes provenientes de milhares de neurônios.

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WALTER J. FREEMAN – é doutor em neurobiologia, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley.