VOCACIONADOS

LICENÇA MATERNIDADE = LICENÇA PATERNIDADE

Rever licença-maternidade pode ajudar mulheres na liderança e na igualdade de gênero.

Licença maternidade x licença paternidade.2

No atual cenário de discussões feministas em redes sociais e nos veículos de comunicação, nos deparamos cada vez mais com informações sobre a redução da diferença entre os gêneros no mercado de trabalho. Mesmo diante dessa melhoria, porém, muitas pesquisas confirmam que essa desigualdade ainda existe.

Hoje, as mulheres compõem quase a metade da força de trabalho, entretanto, não desfrutam do mesmo poder que os homens. De acordo com dados revelados pela instituição Peterson lnstitute for lnternational Economics, dos Estados Unidos, 60% das empresas não contam com mulheres em seus conselhos, e apenas 5% contam com presidentes-executivas mulheres. A pesquisa ouviu 22 mil companhias em 91 países.

Observo que mesmo quando atingem cargos mais altos, as mulheres nem sempre são bem recebidas. Quando conseguem avançar na hierarquia, são julgadas de acordo com os padrões masculinos e não de acordo com suas próprias características. Muitas vezes são desvalorizadas por outras mulheres também. Isso transmite a sensação de que os homens podem tomar determinadas atitudes livremente, mas nós, mulheres, não.

Falando especificamente sobre a situação aqui no Brasil, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do IBGE, revela que as mulheres trabalham cinco horas a mais por dia que os homens. Para chegar a esse número, o estudo consultou 150 mil famílias e concluiu que essas horas a mais são fruto da dupla jornada entre o trabalho e as atividades dentro de casa.

E em relação ao salário? O Brasil apresenta um dos maiores níveis de disparidade salarial entre os 18 países pesquisados pelo estudo recém-divulgado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). No País, os homens ganham aproximadamente 30% a mais do que as mulheres da mesma idade e nível de instrução, quase o dobro da média da região (que é de 17.2%).

Pois é, esses dados relevantes nos confirmam que ainda temos muito que caminhar quando o assunto é igualdade de gênero. Minha opinião é que para começarmos a discutir esse tema neste País temos que primeiro ajustar nossa CLT. Infelizmente, por exemplo, dentro de algumas empresas o que interfere é o fato de as mulheres engravidarem – em função da licença-maternidade ou por receio que a profissional resolva sair da companhia para se dedicar exclusivamente à maternidade e deixe a equipe na mão.

Se por um lado temos a empresa, que paga tributos excessivos previstos em nossa CLT para manter cada funcionário empregado, e por isso realmente é uma questão complicada e delicada quando se tem muitas mulheres empregadas. pois sentem o “desfalque” na equipe durante o período de licença-maternidade, por outro lado, também vejo muitas executivas perderem oportunidades de assumir cargos mais altos na hierarquia exatamente por esse motivo. o de estarem na idade “crucial” de terem filhos.

As poucas mulheres que conseguem ocupar cargos mais altos na hierarquia acabam ganhando até 30% a menos que os homens, e não podemos afirmar que é somente por uma questão cultural, há de se considerar que o mundo corporativo calcula um certo “risco financeiro” contratar mulher devido à hipótese de ela se ausentar por causa da maternidade.

Alguém duvida de que devemos rever nossas leis trabalhistas? A nossa CLT já não comporta faz tempo o esquema de trabalho que hoje vivenciamos. Veja bem que não sou a favor do retrocesso do que já foi conquistado para mulheres. mas um ajuste de carga tributária para as empresas, flexibilização do período de licença­ maternidade tanto para homens quanto para mulheres podem ajudar muito no quesito igualdade de gênero nas empresas.

O objetivo deste artigo é justamente alertar que a igualdade de gênero na empresa é uma questão ampla, profunda e cultural, não é assunto fácil de se tratar. O que podemos fazer imediatamente dentro das empresas e em qualquer ambiente de trabalho é levar em consideração somente a capacidade de exercer os cargos na empresa, observando os profissionais de forma igualitária, sem entrar no mérito dos gêneros. Ter profissionais de ambos os sexos só trará resultados positivos.

 

DANIELA DO LAGO – é especialista em comportamento no trabalho, mestre em administração, coach de carreira, palestrante e professora na área de liderança e gestão de pessoas.

http://www.danieladolago.com.br

PSICOLOGIA ANALÍTICA

HONESTIDADE: CARÁTER PESSOAL OU CULTURA DE UMA NAÇÃO?

O que a Psicologia ou a Neurociência podem falar sobre essa questão? Todas as dimensões podem ser descritas como impulsos ou instintos, arquétipos, complexos e tipos de caráter, necessidades ou hábitos.

HONESTIDADE - Caráter pessoal oou cultura de uma nação

Existem muitas teorias de personalidade que podem descrever, medir e avaliar cada indivíduo. Cada teoria identifica e descreve aspectos da persona que têm sido submetidos a várias espécies de mensuração. Essas dimensões podem ser impulsos ou instintos, arquétipos, complexos e tipos de caráter, necessidades ou até mesmo hábitos.

O senso comum nos diz que os indivíduos diferem uns dos outros, e assim sabemos que uma pessoa é mais ou menos agressiva do que a outra, através da observação de seu comportamento e de suas atitudes. A leitura do caráter, utilizando sinais externos, pode ser detectada através da fisiognomonia (leitura das micro expressões faciais e corporais, timbre, tom e ritmo da voz, gestos e outros), da grafologia (leitura a partir da caligrafia e alguns pontos específicos de observação) e da psicognomia (leitura do caráter, através do comportamento, atos e atitudes).

As atitudes de um indivíduo, em relação a um objeto ou uma ideia, podem ser deduzidas pela observação de todas as suas relações e todos os seus pensamentos, sobre esse mesmo objeto, por um período de tempo. Admitindo que o resultado seria a tarefa de colecionar informações relevantes sobre ela. Para se ter uma certeza sobre o que se quer descobrir indaga-se o indivíduo, diretamente, sobre um fato a ser investigado e observa sua linha de raciocínio e comportamento para aferir e comprovar o que está sendo averiguado.

Para avaliar as atitudes de um indivíduo, ou seja, sua honestidade e seu caráter, precisamos observar suas reações fisiológicas, incluindo gestos, micro expressões, íris, pulsação, tônus muscular, timbre de voz, para que seja averiguado e comprovado seu estado emocional junto à sua personalidade.

A reação da pupila, tanto a dilatação quanto a constrição, se relaciona com determinado tipo de excitação e intensidade, que deve ser observado com muita atenção.

O processo de formação do caráter ocorre através do processo de identificação dos laços parentais e cumpre a função de aliviar a pressão do recalque e fortalecer o ego. Essa base de reação, na tentativa de proteger o ego, torna o indivíduo rígido e limitado em suas percepções e ações.

Assim, a função da formação do caráter e suas resistências servem para evitar o desprazer, estabelecer e manter o equilíbrio psíquico. O caráter tem relação com a forma com que a pulsão e a frustração serão elaboradas na fase do desenvolvimento sexual.

Embora o termo caráter tenha conotação moral, a sua definição em Psicopatologia seria a soma dos traços de personalidade, a forma como o indivíduo reage em sua trajetória de vida, em suas formas de interação social, aptidões, gosto e vontade.

O caráter reflete o temperamento moldado e inserido no meio familiar, sendo o resultado da história pessoal do indivíduo. Mas o temperamento não deve ser confundido com caráter, pois o primeiro é básico, constitutivo do sujeito, e o último é a reação do indivíduo perante diversas situações, resultante da forma com que equacionou, consciente e inconscientemente, seu temperamento em relação às suas expectativas.

 ENERGIA VITAL

Freud dizia que a constituição da personalidade perpassa pela libido, a energia vital que estrutura o desejo inconsciente e as formas como vai lidar com seus conflitos e frustrações.

A personalidade se constitui de três importantes sistemas, segundo Sigmund Freud: 

a) ID: é a matriz de onde se originam o ego e o superego, nosso incosciente.

Todo o material herdado geneticamente, desde o nascimento à construção do instinto, opera como o reservatório da energia psíquica, que fornece dados para os dois outros sistemas.

O id se manifesta através do princípio do prazer, lutando para que os instintos primários governem nossa conduta, independentemente das consequências que o prazer desses instintos possa acarretar. O id é considerado, segundo Freud, “a verdadeira realidade psíquica”, porque representa o mundo interno de uma experiência subjetiva, sem nenhum conhecimento da realidade objetiva.

O id não aceita estados tensionais, por isso, quando o nível de tensão do organismo aumenta, como resultado de excitações ou estimulações produzidas internamente, ele descarrega essa tensão de imediato, fazendo o organismo retornar a um baixo nível de energia (princípio do prazer).

Para evitar a dor ou mesmo obter prazer, o id comanda dois processos: ações reflexas (reações inatas como piscar, que reduzem a tensão) e o processo primário (tenta descarregar a tensão, formando a imagem de um objeto para remover essa tensão, por exemplo, apresentando a um indivíduo com fome uma imagem mental de um alimento desejado, denominada “realização do desejo”).

b) EGO: considerado o mediador entre o id e o É mais direcionado para o exterior, sendo assim é a partir da formação do ego que começamos a pensar sobre as consequências práticas daquilo que fazemos e os problemas que podem ser gerados através de nossos atos.

Podemos dizer que o ego obedece o princípio da realidade e opera através do meio secundário (pensamento realista, no qual o ego formula um plano para satisfação da necessidade e, logo após, testa-o com algum tipo de ação, para saber se irá funcionar ou não). Como exemplo, o indivíduo faminto pensa sobre onde e como conseguir encontrar seu desejo (alimento) e segue para o local a fim de se sentir realizado.

O ego controla a ação, seleciona as características do ambiente e decide quais instinto s serão satisfeitos e de qual modo.

c) SUPEREGO: considerado o representante internalizado dos valores tradicionais, conforme foram interpretados pela criança através dos ensinamentos obtidos dos pais.

É chamado de força moral da persona, representando o ideal mais do que o real, buscando muito mais a perfeição do que o prazer propriamente dito. Ele se desenvolve em relação às recompensas e punições impostas pelos pais. Para obter as recompensas e evitar os castigos, a criança aprende a conduzir seu comportamento imitando o dos pais.

Suas funções se destacam em inibir os impulsos do id, persuadir o ego a substituir objetivos realistas por moralistas e, finalmente, buscar a perfeição. De modo que o id pode ser imaginado como o componente biológico da realidade, o ego como o componente psicológico e o superego como um componente social, perfazendo assim a junção da personalidade do indivíduo que funciona como um todo e não em partes.

 SISTEMAS DIFERENCIADOS

Para Carl Jung, a formação da personalidade consiste em vários sistemas diferenciados:

a) EGO: mente consciente.

Nele constituem-se as memórias, os sentimentos e pensamentos conscientes.

b) INCONSCIENTE PESSOAL: consiste em experiências que um dia foram conscientes, mas que se tornaram reprimidas, esquecidas ou ignoradas, porque foram experiências fracas para deixarem impressões marcadas no consciente do indivíduo.

c) COMPLEXOS: grupo de sentimentos, pensamentos, percepções e memórias do inconsciente pessoal. Por exemplo, o indivíduo, cuja personalidade é denominada pela mãe, tem um forte complexo materno. O que a mãe diz terá sempre grande valor em sua mente.

d) INCONSCIENTE COLETIVO: considerado o reservatório de traços de memória latentes, que foram herdados de um passado ancestral. Também chamado de resíduo psíquico do desenvolvimento humano, acumulado de experiências de repetidas gerações. O indivíduo não se recorda das imagens de forma consciente, porém herda uma predisposição para reagir ao mundo da forma com que seus ancestrais faziam. Sendo assim, a teoria estabelece que o ser humano nasce com muitas predisposições para pensar, entender e agir de certas formas.

É a base herdada, de toda a estrutura da persona, onde são construídos o ego, o inconsciente pessoal e todas as aquisições pessoais. A persona, segundo Jung, é a máscara adotada pelo indivíduo nas relações sociais.

e) ARQUÉTIPOS: forma universal de pensamento (ideia) que contém um grande elemento de emoção, criando imagens correspondentes à realidade. O conteúdo arquetípico é trazido do inconsciente para a consciência quando transformado nas histórias que são contadas.

Na Psicologia do indivíduo, os instintos são fatores impessoais, de caráter mobilizador, que se encontram afastados do limiar da consciência; os arquétipos entram com a simbologia da representação, perfazendo uma analogia entre o imaginário e o real.

f) PERSONA: máscara adotada pelo indivíduo em resposta às tradições sociais e suas necessidades internas. É a personalidade pública, ou seja, aqueles aspectos apresentados ao mundo, que fazem contraste com a persona existente por trás da fachada social.

g) ANIMA: arquétipo feminino no homem.

h) ANIMUS: arquétipo masculino na mulher.

O homem apreende a natureza da mulher através de sua anima, e a mulher apreende a natureza do homem por meio de seu animus. Mas a anima e o animus podem levar a desentendimento e à discórdia, se a imagem arquetípica for projetada sem consideração pelo real caráter do parceiro, ou seja, se um homem identificar sua imagem idealizada de mulher com uma mulher real, ele pode se desapontar quando perceber que as duas nunca serão idênticas.

i) SOMBRA: são os instintos animais que os humanos herdaram em sua evolução. Representa o lado animal da natureza humana. É responsável pelo surgimento de pensamentos e ações desagradáveis reprimidos no inconsciente pessoal.

j) SELF: considerado a meta da vida, a busca incessante que raramente é alcançada; a totalidade plena. O self é a realidade psicológica. Cada indivíduo possui uma imagem do divino em seu íntimo, é uma imagem interior particular, influenciada pela cultura e pelo meio onde está inserido, sendo o centro regulador da psiquê. O encontro com essa imagem leva ao processo de individuação, que consiste em desempenhar seu papel único na sociedade, desde o nascimento até a morte.

PLATÃO E KANT

A Neurociência estuda a origem do comportamento humano e revelou que esse embate é tão antigo quanto a própria civilização. Platão a Kant, grandes observadores do comportamento e de suas facetas, descobriram motivações através de lacunas introspectivas, como uma causa direta que interfere em cada modo de ação.

Atualmente, os neurocientistas dividem o cérebro em três regiões importantes, de acordo com sua fisiologia, funções e desenvolvimento. A região mais primitiva, o cérebro reptiliano, responsável pela autopreservação e agressão, onde residem as emoções mais primitivas, as mais agressivas, sem qualquer empatia, em que o prazer é quem comanda esse domínio. O cérebro reptiliano exerce simplesmente a ação imediata de atender a vontade.

Na segunda região mais importante, destaca-se o sistema límbico, responsável pelas respostas emocionais, comportamento instintivo e de extrema importância para a formação do caráter do indivíduo. Dentre as principais estruturas do sistema destacam-se:

  • HIPOCAMPO: armazenamento da memória. TÁLAMO: responsável por integrar os sistemas sensorial e motor. HIPOTÁLAMO: regula as funções do sono, da libido, do apetite e da temperatura corporal. AMIGDALA: responsável pela formação e manutenção das emoções. Uma lesão nessa região seria desencadeada por uma redução na capacidade de detecção do medo, diminuição da emocionalidade, e seu estímulo leva a um estado de ansiedade, medo e atenção aumentada.
  • GIRO DO CÍNGULO: localizado logo abaixo do corpo caloso. Coordena odores e visões agradáveis de emoções vivenciadas. O cérebro controla a fisiologia em seu ritmo cardíaco, pressão arterial, apetite, sono, vigília, libido e até mesmo o sistema imunológico, que ocorre pela ação dos neurotransmissores.
  • ACETILCOLINA: inicia a contração muscular e estimula a secreção de certos hormônios. No cérebro participa do despertar, raiva, agressividade, sexualidade, sede…
  • DOPAMINA: responsável pelo controle dos movimentos, postura, humor e sensação de frio e calor.
  • NORADRENALINA: controla a reação de luta ou fuga, gerada pelo estresse.
  • SEROTONINA: regula a temperatura, sono, apetite e humor. Uma desordem nessas ações pode conduzir à depressão e ao suicídio.

A ação desses neurotransmissores produzirá variadas reações psíquicas e orgânicas, que prontificarão o indivíduo para se defender ou atacar.

FRENOLOGIA

A frenologia, fundada pelo dr. Gall, era tida como uma ciência da observação e análise cranial. Buscou analisar o caráter do indivíduo em parceria com a criminologia, no intuito de descobrir reações na formação moral do analisado. FRENOLOGIA

As observações da anatomia científica, em diversas reações humanas e também nos animais, foram comparadas à frenologia com êxito, no desenvolvimento dos lobos temporais, onde os instintos destruidores e selvagens formam a parceria da agressividade.

A frenologia propunha uma leitura analítica do caráter, suas disposições e aptidões, diagnosticando a estrutura da individualidade em suas respectivas dosagens. Essa ciência explica que o caráter nativo poderá mudar pela repetição de atos voluntários, opostos à tendência hereditária, ou seja, desde que o crânio atinja seu pleno desenvolvimento e a impulsividade procure controlar o autodomínio de suas escolhas, tecendo um elo entre o ideal e o projetado, no percurso até a formação do caráter.

Dr. Gall esforçou-se por demonstrar através da anatomia comparada, em suas dissecações anatômicas, que o cérebro era o órgão material do pensamento humano, como um instrumento da alma, onde o ambiente físico integra, modifica e molda o ser humano. Demonstrou que as ideias impregnadas do meio em que se vive operam indiretamente nas modificações do caráter do indivíduo.

Freud foi o precursor da descoberta do inconsciente e analisou casos em que o mundo fascinante e fantasioso da mente, oriundos de fantasias, desejos, lapsos, chistes e impulsos não controláveis, permitiu descobrir grande parte dos transtornos mentais não como doenças somáticas, mas como alterações pontuais na nossa mente, onde o inconsciente mente cada detalhe na tentativa de ocultar um desejo reprimido.

Não podemos nos esquecer que Freud foi o primeiro a discorrer sobre os traumas emocionais, os conflitos mentais, as lembranças escondidas na mente … O caso de Anna levou Sigmund Freud a iniciar os estudos sobre a estrutura da mente e revelar os caminhos do inconsciente. Em meados de 1980, diversos estudos indicavam a grande influência do inconsciente, onde os indivíduos ainda não percebiam as razões de como se sentiam, comportavam e julgavam as outras pessoas.

 FUNÇÃO PROTETORA

Na Psicologia freudiana, o caráter age como função protetora do nosso ego real contra os perigos internos e externos, limitando a mobilidade psíquica da personalidade. Essa função protetora forma uma espécie de couraça de caráter, cuja finalidade é proteger o nosso ego verdadeiro dos perigos internos e externos. É essa couraça, suportada pela censura que impomos a nós mesmos, que acaba frustrando o choque entre as exigências pulsionais e as do mundo externo. Daí ser a crítica exagerada a nós mesmos perniciosa em relação à autoestima. Quando a criança se desenvolve de maneira saudável, se os impulsos foram parcialmente gratificados e reprimidos de maneira equilibrada e as ações sofridas são incorporadas ao ego real, este se torna forte e integrado, voltado para a realidade do dia a dia. Dessa forma, o ego resulta fortalecido, mas precisa-se ter o cuidado de saber educar o ego real a ponto de não afetar o ego verdadeiro ou espiritual, tudo no sentido de manter um equilíbrio harmônico entre os dois.

A riqueza do cérebro está relacionada à sua capacidade de receber, armazenar e elaborar informações para que o indivíduo possa interagir socialmente, demonstrando lisura de caráter em suas ações e atitudes para com o próximo.

A Neurociência investiga as relações entre o indivíduo, em suas funções psicológicas, buscando respostas para seu comportamento através de seu caráter, nas inter-relações sociais, a fim de percorrer a trajetória organizada em sua formação genética, para desvelar sua personalidade interior. Sabemos, então, que a honestidade está vinculada à formação do caráter, e que o pilar fundamental para a construção desse elo se encaixa nas primeiras referências parentais, em que as emoções desencadeiam vínculos significativos…

AS PRIMEIRAS OBSERVAÇÕES DO CÉREBRO EM PLENA AÇÃO

O primeiro sinal de que o cérebro poderia ser realmente observado em plena ação surgiu no século XIX, quando alguns cientistas perceberam que a atividade nervosa provocava alterações no fluxo sanguíneo e também nos níveis de oxigênio. William James. em seu livro Os Princípios da Psicologia. em 1890. referendando o psicólogo Mosso, registrou a pulsação do cérebro em pacientes com sérias lacunas no crânio, resultantes de cirurgias cerebrais. Ele observou que as pulsações, em determinadas regiões, aumentavam durante a atividade mental e percebeu que essas alterações se originavam das atividades neuronais daquelas regiões. Assim, concluiu que a chave para identificar qual parte cerebral estava em funcionamento era observar as células nervosas ativas e o aumento da circulação local devido ao acúmulo de oxigênio das células.

ARQUÉTIPOS

Podem ser definidos como o primeiro modelo ou imagem de alguma coisa, antigas impressões a respeito de algo. Trata-se de um conceito explorado em inúmeras áreas de estudo, como Psicologia, Filosofia e psicognomia. Arquétipo, na Psicologia Analítica, significa a forma imaterial na qual os fenômenos psíquicos tendem a se moldar. Jung utilizou o termo para se referir a estruturas inatas que servem de matriz para a expressão e o desenvolvimento da psique.

 

CLÁUDIA MARIA FRANÇA PÁDUA – é psicóloga, criminóloga, perita judicial grafotécnica. Especialista em Criminologia pela PUC e Acadepol/MG. Autora do livro: O Criminoso e Seu Juízo…Existe Prazer em Matar…??? e prefaciadora do livro Criminologia Comparada, de Gabriel Tarde. Presidente do Núcleo de Estudos Pens’Arte & Ponto Criminal. Pesquisadora da área de Inteligência Criminal. Palestrante, escritora, comentarista criminal e conferencista na área de Criminologia, Fisiognomonia, Psicognomia e Inteligência Criminal.

E-mail: pontocriminal@gmail.com

GESTÃO E CARREIRA

SOBREVIVENDO A UM CHEFE “SACANA”

A grande maioria das pessoas tem um, me arrisco a dizer que todos tem, mesmo aqueles que são donos de sua própria empresa também desfrutam desse privilegio que é ter um chefe que pode ser o seu cliente ou até mesmo o próprio mercado.

Sobrevivendo a um chefe sacana

A palavra chefe tem sua origem no termo em francês chef e vem do latim caput, que quer dizer cabeça, parte superior. Então não me venham com essa de que quem tem chefe é somente o índio, porque a palavra é sinônima de líder, comandante, capitão, condutor, mestre, superior, guia, maioral, mentor, dirigente, autoridade, diretor, patrão, gestor, manda chuva, entre outros. A escolha é sua! Pouco importa; para resumir, chefe é aquele que tem a palavra final na empresa.

É mais comum encontrar reclamação do que elogio sobre a atuação do chefe. Talvez isso aconteça pelo fato de que muitos deles assumirem cargos de liderança sem serem preparados para tal responsabilidade, por simplesmente desempenharem bem suas atividades e, como consequência dos bons resultados, “ganham” um cargo de liderança, erro básico que muitas empresas ainda cometem, o de considerar a elevação do nível hierárquico como uma espécie de caminho “natural” de crescimento do profissional. Muitas vezes perde-se um excelente especialista e ganha-se um péssimo líder.

 MAS NÃO CONFUNDA COBRANÇA COM HOSTILIDADE

Desde o trabalho mais modesto, de baixo salário, até trabalhos mais complexos, todo funcionário tem tarefas a fazer e resultados a entregar. A cobrança faz parte das atribuições de seu chefe.

Veja bem, qual seria o motivo dessa cobrança excessiva e chata do seu chefe com você? Seria porque você não faz o que tem que ser feito?

Não gosta de ser cobrado? Faça o que deve ser feito, com excelência, no prazo, e então provavelmente terá um trabalho mais prazeroso.

Será que todo chefe tido como legal não é aquele que tem em sua equipe colaboradores comprometidos e que fazem com excelência o que tem que ser feito? Penso que sim. Talvez o culpado de ter um chefe chato seja você!

Deixe de ser um observador e passe a assumir o controle das suas experiências profissionais.

Agora se você realmente é um colaborador nota dez, apresenta excelentes resultados, está alinhado com as regras de sua empresa e mesmo assim tem um chefe que não larga do seu pé e nada está bom o suficiente, o que fazer? Como sobreviver a um chefe FDP?

Ter um chefe abusivo é uma das situações mais estressantes. A longo prazo, essa pode ser a receita para a exaustão emocional e o esgotamento. Assim, se você não pode mudar a situação, eu recomendo que mude sua reação a ela. Assuma o controle do seu mundo interior.

 Mantenha foco no trabalho que precisa realizar, deixe de lado a ansiedade e os problemas com o chefe e procure buscar alternativas para não se deixar abalar emocionalmente.

É o que o ajudará sobreviver, até que você mude de trabalho ou até que seu chefe seja promovido e então todos poderão celebrar sua partida.

Saiba que a verdade é que seu chefe é um cara muito inteligente, senão ele não seria o seu chefe!

Mesmo para aqueles que conseguiram seus cargos por meio de favores e amizades, o fato é que neste caso seu chefe foi inteligente o bastante para fazer as amizades certas! Alguma coisa você tem a aprender com ele.

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 16: 5 – 12

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Sobre o Fermento dos Fariseus

Aqui temos o discurso de Cristo aos seus discípulos a respeito do pão, no qual, como em muitos outros discursos, Ele lhes fala de coisas espirituais usando comparações, e eles interpretam que Ele está falando de coisas carnais, pois nessa ocasião eles tinham se esquecido de abastecer o barco com alimentos, e levar consigo provisões para o seu grupo do outro lado do lago. Normalmente eles levavam pão consigo, porque algumas vezes ficavam em lugares desertos; e quando não era esse o caso, não queriam nada fatigante. Mas eles tinham se esquecido – esperamos que isso tenha acontecido pelo fato de suas mentes e lembranças estarem preenchidas com assuntos melhores. Observe que os discípulos de Cristo frequentemente são vistos como pessoas que não têm boas previsões para o mundo.

I – Aqui está o conselho que Cristo lhes deu: “Acautelai-vos do fermento dos fariseus”. Ele tinha estado discursando aos fariseus e saduceus, e os considerava como sendo homens de um espírito tal, que era necessário advertir os seus discípulos para não se relacionarem com eles. Os discípulos correm grandes perigos com os hipócritas; eles devem se proteger contra aqueles que são abertamente maus, mas quanto aos fariseus, que fingem uma procura pela verdade, de maneira livre e, imparcial, eles normalmente ficavam desprevenidos; e portanto, o aviso é duplo: “Adverti e acautelai-vos”.

Os princípios e costumes corruptos dos fariseus e saduceus são comparados ao fermento; eles azedavam, e se inchavam, e se espalhavam, como o fermento; eles fermentavam em qualquer lugar onde estivessem.

II –  O engano dos discípulos a respeito desse aviso (v. 7). Eles pensavam que Cristo, aqui, os estava repreendendo por causa da sua imprudência e do seu esquecimento, por causa do pão, por terem estado tão compenetrados, ouvindo as suas palavras que eram direcionadas aos fariseus, que dessa maneira teriam se esquecido das suas preocupações particulares. Ou porque, não tendo seu próprio pão consigo, eles precisariam contrair uma dívida com os seus amigos. Ele não lhes diria que pedissem aos fariseus ou aos saduceus, nem que recebessem ofertas deles, porque haveria uma possibilidade de confronto. Ou, por medo de que, com o pretexto de lhes conseguir alimento, eles enganassem os discípulos. Ou, ainda, eles podem ter imaginado que a advertência era para não ter contatos mais íntimos com os fariseus e saduceus, não comer com eles (Provérbios 23.6), ao passo que o perigo não estava no pão deles (o próprio Cristo comeu com eles, Lucas 7.36; 11.37; 14.1), mas nos seus princípios.

 III – A repreensão que Cristo lhes faz por causa disso.

1.Ele os repreende pela falta de confiança na sua habilidade e prontidão para lhes fornecer suprimentos nessa situação difícil (v. 8): “Por que arrazoais entre vós, homens de pequena fé, sobre o não vos terdes fornecido de pão?” Em outras palavras: “Vocês não conseguem pensar em outra coisa, vocês pensam que o seu Mestre está tão preocupado com isso quanto vocês, e aplicam tudo o que Ele diz a isso?” Jesus não os repreende pela sua pouca previsão, como eles esperariam que Ele fizesse. Os pais e os mestres não devem se zangar mais do que é necessário com o esquecimento dos seus filhos e servos, para fazê-los prestar mais atenção nas ocasiões futuras. Todos somos capazes de nos esquecer do nosso dever. Isto deve servir para desculpar uma falha, se por acaso ocorreu por descuido. Veja com que facilidade Cristo perdoou o descuido dos seus discípulos, embora se tratasse de uma questão material, tal como levar o pão com eles; e faça da mesma maneira. Mas Ele os repreende por terem pouca fé.

(1). Jesus queria que os discípulos confiassem nele para as provisões, embora pudessem estar em um deserto, e não se inquietassem com pensamentos ansiosos a esse respeito. Embora os discípulos pudessem passar necessidades e dificuldades, por causa da sua própria desatenção e negligência, ainda assim Jesus os incentiva a confiar nele para o seu alívio. Portanto, não devemos usar isso como uma desculpa para a nossa falta de caridade para com aqueles que são realmente pobres, alegando que deveriam ter cuidado melhor dos seus assuntos, pois assim não estariam passando necessidades. Pode ser assim, mas eles não devem, por isso, ser deixados com fome quando estão passando necessidades.

(2). Jesus fica desgostoso com a preocupação dos discípulos a esse respeito. A fraqueza e a falta de recursos das pessoas boas, nas suas questões mundanas, são as razões pelas quais os homens estão sempre aptos a condená-las; mas esta não é uma ofensa tão grave a Cristo como a preocupação e a ansiedade desordenadas que demonstram a respeito dessas coisas. Devemos nos esforçar para ficar em uma posição equilibrada – entre o extremo do descuido e da negligência, e o outro extremo, o do excesso de cuidados. Mas entre os dois extremos, o excesso de preocupação pelas piores coisas do mundo é o que sobrevém aos discípulos de Cristo: “Por que arrazoais entre vós, homens de pequena fé, sobre o não vos terdes fornecido de pão?” Observe que deixar de confiar em Cristo, e nos preocuparmos quando estamos com dificuldades, é uma evidência da fraqueza da nossa fé, que, se fosse exercitada como deveria, nos aliviaria do peso da preocupação, deixando-a para o Senhor, que cuida de nós.

(3). O agravamento da sua falta de confiança era a experiência em que eles tinham tão recentemente sentido o poder e a bondade de Cristo ao prover para eles (vv. 9, 10). Embora eles não levassem pão consigo, eles tinham a Ele, que poderia lhes dar pão. Se eles não tinham a cis­ terna, eles tinham a Fonte. “Não compreendeis ainda, nem vos lembrais?” Os discípulos de Cristo são frequentemente culpados pela superficialidade da sua compreensão, e pela volatilidade das suas recordações. “Nem vos lembrais dos cinco pães para cinco mil homens e de quantos cestos levantastes? Nem dos sete pães para quatro mil e de quantos cestos levantastes?”. Estes cestos tinham o objetivo de serem como que monumentos comemorativos, para manter na lembrança a misericórdia, como a porção de maná que foi guardada na arca (Êxodo 16.32). Algumas porções daquelas refeições seriam um banquete agora, e aquele que tinha podido dar-lhes alimento com tanta abundância naquelas ocasiões, poderia certamente fornecer-lhes o que era necessário agora. O alimento para os seus corpos pretendia ser o alimento da sua fé (Salmos 74.14), pelo que eles deviam viver, agora que tinham esquecido de trazer o pão. Nós ficamos perplexos com os cuidados e a falta de confiança atuais, porque não nos lembramos, como deveríamos, das nossas experiências anteriores com o poder e a bondade divina.

2.Ele reprova a falta de compreensão dos discípulos a respeito da advertência que Ele lhes fez (v. 11): “Como não compreendestes?” Os discípulos de Cristo podem muito bem ficar envergonhados da lentidão e do embotamento ao apreenderem as coisas divinas, especial­ mente quando já desfrutaram dos meios da graça: “Não vos falei a respeito do pão”. Jesus não gostou:

(1).  De que eles pensassem que Ele se preocupava com o pão tanto quanto eles; quando, na verdade, o seu alimento e a sua bebida eram fazer a vontade do seu Pai.

(2).  De que eles estivessem tão pouco familiarizados com a sua maneira de pregar, a ponto de interpretar literalmente aquilo que Ele lhes dizia em forma de parábolas; e que, assim, se comportassem como a multidão que, quando lhes falava em parábolas, “vendo, não viam; e, ouvindo, não ouviam, nem compreendiam” (cap. 13.13).

IV – A correção do engano através da sua repreensão (v. 12): “Então, compreenderam”. Cristo nos mostra a nossa tolice e a nossa fraqueza, para que possamos nos mobilizar para entender corretamente as coisas. Ele não lhes disse expressamente o que tinha querido dizer, mas repetiu o que tinha dito, ou seja, que eles deviam guardar-se do fermento e, dessa forma, os obrigou, pela comparação desse com os seus outros discursos, a alcançar o sentido desse nos seus próprios pensamentos. Dessa maneira, Cristo ensina pelo Espírito de sabedoria no coração, abrindo o entendimento ao Espírito de revelação que está na Palavra. E as verdades mais preciosas são aquelas que precisamos escavar para encontrar, e que só encontramos depois de alguns enganos. Embora Cristo não lhes explicasse claramente, ainda assim eles estavam cientes de que, falando sobre o fermento dos fariseus e dos saduceus, Ele se referia à doutrina e aos métodos deles, que eram corruptos e iníquos; mas, através da maneira como eles os manejavam, eram muito capazes de se insinuar nas mentes dos homens, como o fermento, e de corromper como uma ferida. Eles eram homens que lideravam, e que tinham uma reputação, o que tornava ainda maior o perigo da infecção pelos seus erros. Na nossa era, nós podemos identificar o ateísmo e o deísmo como sendo o fermento dos saduceus, e o papismo como sendo o fermento dos fariseus; e contra ambos, todos os cristãos devem se preocupar em ficar em guarda.