OUTROS OLHARES

Modelo que morreu havia se convertido: “Entreguei minha vida e planos nas mãos de Deus”

untitled-42

A MORTE AO VIVO

Cria da internet, a bela modelo Nara Almeida virou um fenômeno ao compartilhar no Instagram, por nove meses, sua luta — perdida — contra um câncer

MILHÕES DE AMIGOS – Caras e bocas contra a dor: “Nunca me senti sozinha”, dizia ela sobre as mensagens que recebia (redes sociais)

Internada havia dois meses no quarto 318 da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital 9 de Julho, em São Paulo, devido ao agravamento de um câncer no estômago, a modelo e influenciadora digital Nara Almeida acordou com a pele dolorida e avermelhada. A dermatite era efeito colateral do excesso de morfina para amenizar as dores. Nara pegou o celular, fotografou e compartilhou seu momento de dor em sua conta no Instagram. “Eu só peço a Deus misericórdia, porque não tá fácil passar por isso”, escreveu na legenda do post publicado em 13 de abril. A foto recebeu 935 000 curtidas. Uma multidão de seguidores fez companhia a Nara Almeida, uma menina linda e graciosa, até o momento em que a doença a venceu, na semana passada, aos 24 anos.

Nara recebeu o diagnóstico do tumor raro em agosto de 2017, após sucessivas crises de gastrite e idas ao médico. Na época, como divulgadora de moda, já era quase uma celebridade: somava 400 000 seguidores no Instagram. O número foi se multiplicando sem parar desde então, alimentado pelas constantes fotos e notícias sobre o tratamento contra o câncer. Sensibilizadas, as pessoas reagiam com carinho e apoio a cada novo post. Nara, por sua vez, sentia-se acolhida e amada em um momento de extrema fragilidade. “As mensagens me fazem companhia. Nunca me senti sozinha”, disse em dezembro passado.

PUBLICIDADE

Evidentemente, tamanha exposição também foi alvo de críticas e mal-entendidos. Antes de iniciar as sessões de quimioterapia, Nara resolveu ver o mar, já que poderia ser a última vez que pisaria na areia — e foi mesmo. Havia emagrecido muito e usava uma sonda na narina esquerda para receber um complexo de vitaminas. Vendo as fotos e ignorando a doença, muitas seguidoras perguntaram que dieta ela andava fazendo para alcançar aquele corpo — a própria Nara condenou os elogios descabidos. “Os jovens estão acostumados a dividir cada passo que dão”, avalia Fernando Fernandes, psiquiatra do Hospital das Clínicas de São Paulo. “Eles enxergam como natural expor um momento de dor, sentem-se amparados e integrados com o mundo.”

À medida que a doença avançava, a casa de Nara virava uma espécie de santuário, para onde fãs mandavam imagens de santos, terços, perucas e outros presentes. Famosos como Adriane Galisteu, Tata Werneck e a modelo Lea T enviaram mensagens de apoio. O jogador Alexandre Pato arcou com as despesas da droga imunoglobulina: pagou 36 000 reais por duas doses do remédio, destinado a tentar fortalecer o sistema imunológico da paciente.

A trajetória de Nara Almeida passa longe do mundo de glamour das blogueiras de moda. Ela nasceu em João Lisboa, cidade maranhense de 20 000 habitantes a 637 quilômetros de São Luís. Sua mãe, Eva Maria, então empregada doméstica, deu a filha aos avós, quando ela tinha 1 ano e 2 meses, e foi tentar vida nova em Roraima. Na adolescência, Nara se mudou para Goiânia, onde passou fome e trabalhou como faxineira antes de começar a vender roupas pela internet, usando a si própria como garota-propaganda. Bonita e despachada, viu o negócio crescer, obteve contratos com confecções de São Paulo e decidiu mudar-se para a cidade. A doença apareceu justamente nessa fase, quando Nara estava faturando 30 000 reais por mês.

Em paralelo à comoção nas redes sociais, a modelo vivenciou experiências marcantes no mundo real. Sua mãe soube do câncer da filha pelo Instagram. Largou o emprego de cabeleireira, o marido e dois filhos e viajou de Roraima para São Paulo. “Deus me deu uma chance de me redimir”, diz ela, que dormiu noventa noites no hospital. Revezava-se no posto de acompanhante com o namorado da filha, o engenheiro Pedro Rocha, presente a todo momento. Nara e Pedro se casaram no civil em janeiro, para que ela pudesse usufruir os benefícios do plano de saúde dele. No último dia 16, Nara, que tinha uma tatuagem no pulso com a frase “Don’t forget to smile” (não se esqueça de sorrir), pediu para dormir. Não suportava mais as dores fortes. Foi sedada, e não acordou mais. Morreu na madrugada da segunda 21, dois dias depois de completar um ano de namoro com Pedro. Pesava 33 quilos e somava 4,6 milhões de seguidores.

Publicado em VEJA, edição nº 2584

VOCACIONADOS

500-posts

Enfim…seis meses se passaram desde a primeira postagem e, apesar de ainda estar aprendendo a utilizar o blog, me alegro por ter chegado aqui.

Quero agradecer a cada um dos amigos blogueiros  a quem acompanho e que tem me dado o prazer de me acompanhar e compartilharmos juntos no dia a dia nossos assuntos prediletos e, às vezes, desabafos e aspirações…

Quero compartilhar uma postagem especial pois trata-se de um assunto que nos orgulha como brasileiros por termos exemplos de pessoas que se destacam naquilo que fazem.

OUTROS OLHARES

CORAÇÃO: UMA OUSADIA BRASILEIRA

Há cinquenta anos o cirurgião Euryclides Zerbini realizava o primeiro transplante cardíaco do País. Naquela madrugada memorável, o médico e seu time elevaram a cardiologia nacional ao primeiro mundo da medicina.

Coração - uma ousadia brasileira2

“Euclydes, você é um merda…! O palavrão não combinava com o estilo cordato do professor Euryclides de Jesus Zerbini (1912 – 1993). Mas, 50 anos depois, o Dr. Euclydes Marques relembra com bom humor a reprimenda do chefe, ao chegar ao Hospital das Clinicas de São Paulo (HC/SP) naquela manhã do dia 4 de dezembro de 1967. Ainda atônito, ouviu a chocante justificativa para a   bronca: “O africano fez um transplante nesta madrugada”. A notícia surpreendeu e frustrou as equipes dedicadas naquele momento à viabilização do primeiro transplante cardíaco, como o fabuloso time de Zerbini no HC/SP. O africano em questão era Christian Barnard, um cirurgião da Cidade do Cabo, África do Sul, que os medalhões da especialidade conheciam de relance em congressos internacionais e não por qualquer destaque na área. Pela lógica, o pioneiro dos transplantes deveria ter sido o americano Norman Shunway, que primeiro protocolara a técnica.

Mas por que o sul-africano? ”Talvez tenha sido uma soma de circunstâncias. Tínhamos paciente, doador e vontade de fazer. Chegamos à frente dos americanos porque eles tinham medo do litígio ético e esperaram demais”, diria Barnard vinte anos depois. E por que a bronca de Zerbini em Euclydes? Todos sabiam que, se dependesse da ”petulância” do jovem, encarregado de aprimorar a técnica do transplante em cães, ao lado do médico residente Noedir Stolf, o transplante pioneiro teria sido feito no HC/SP. A estreia em humanos foi sendo adiada por dilemas éticos não resolvidos e pela resistência da ala mais conservadora da equipe.

Na verdade, o transplante cardíaco não era, na época, uma terapia idealizada para salvar um doente, como um remédio novo. Era uma meta a ser alcançada, um passo a mais no avanço da cirurgia cardíaca e no arrojo do espírito humano. Em tese, as principais equipes do mundo queriam saltar à frente – mas o coração dos médicos palpitava de dúvidas na hora de fazer o primeiro. O atrevimento de Barnard mudou o cenário. Tal como as demais escuderias de cirurgia cardíaca. Zerbini e seu time decidiram que era preciso correr atrás do tempo perdido. Mas foi só cinco meses e 23 dias depois da operação na África do Sul que o mato-grossense João Ferreira da Cunha, o João Boiadeiro, recebia o órgão do alagoano Luís Barros, atropelado em São Paulo. Na madrugada do dia 26 de maio, o Brasil se tornava o sétimo país a transplantar um coração. Enquanto trocava de roupa, depois da eletrizante insônia noturna, Zerbini parecia descansado. E, segundo os assistentes, teria declarado, com sua característica voz em falsete: “Nunca me diverti tanto…

Cinquenta anos depois da noite mágica, o transplante ainda é uma terapia vital para diversos tipos de insuficiência cardíaca terminal –  na qual o paciente, ligado a tubos e máquinas, não sairá vivo do hospital sem um novo coração. Mas a primeira fase do recurso, que pode ser rotulada como Era A.C (Antes dia Ciclosporina), não fugiu ao velho clichê que atenua as frustrações científicas: a cirurgia foi um sucesso, mas o paciente morreu. João resistiu 28 dias até seu organismo rechaçar o segundo coração.

O fato é que a modalidade cirúrgica continha em si o germe da falência momentânea. No final dos anos 60, os centros cardiológicos foram desistindo de transplantar novos paciente ou reduzindo o número de enxertos. A técnica estava dominada; os caprichos das defesas biológicas contra corpos estranhos, não. Os corticoides, drogas imunodepressoras até então disponíveis, não davam conta da reação do organismo contra o órgão.

A segunda era dos transplantes é a D.C – depois da ciclosporina, substância imunodepressora isolada de fungos em 1972. No fim daquela data, ela começou a ser incorporada aos transplantes. Os procedimentos dispararam – com aprimoramentos técnicos e de gestão organizacional. O cardiologista Noedir Stolf faria, nessa nova era, nada menos que 400 deles – a maior estatística   individual do país. E o InCor tem hoje transplantados com mais de vinte anos de segunda vida.

Nesses 50 anos, novas técnicas, como os dispositivos metálicos que mantêm coronárias abertas e saudáveis por anos, revolucionaram a cardiologia, reduzindo os casos transplantáveis. Mas a troca de corações ainda salva e fascina. Se Zerbini nunca se divertiu tanto no primeiro, pode-se dizer o mesmo sobre os cirurgiões de agora.

“Acabei de fazer um” diz Fábio Gaiotto, um dos integrantes do Núcleo de Transplantes do Instituto… “Não há quem não fique tocado quando o coração volta a bater no peito do receptor”. Este também é o sentimento de Fábio Jateme, vice-presidente do lnCor e filho de Adib Jatene, um dos pioneiros da segunda era dos transplantes.

“Todo cirurgião gosta. ´´E uma delícia”. São Paulo, onde tudo começou, tem oito centros onde o transplante é rotina. No InCor, foi criado há cinco anos um núcleo que reúne as equipes cirúrgicas, clínicas e multiprofissionais de transplante de coração adulto, infantil e de pulmão. A dinâmica propiciada pelo serviço agregada à eficiência do Sistema Nacional de Transplantes e à disposição permanente de um avião da FAB para o transporte de órgãos aumentou o número de cirurgias e reduziu a mortalidade de pacientes na espera e no pós-operatório. “A mortalidade caiu de 30% para 15% e l2 % respectivamente”, informa o Cardiologista Roberto Kalil Filho, presidente do InCor. E os 32 transplantes realizados em 2012, saltaram para 69 em 2017 entre adultos e crianças.

A demanda ainda é maior do que a oferta. O InCor tinha, na semana passada, sete pacientes internados à espera de um coração. É provável que nem todos resistam à espera pela chegada de um órgão compatível. Essa é a média, num país em que a cultura da não-doação ainda mata.

Coração - uma ousadia brasileira3

PSICOLOGIA ANALÍTICA

DESEJOS (QUE TENTAMOS GUARDAR) LONGE DA CONSCIÊNCIA

Há em nossa mente significados codificados, revestidos de metáforas e imagens; sentimentos reprimidos, porém, reaparecem disfarçados e deslocados, tanto nos sonhos quanto no cotidiano.

Desejos que tentamos guardar loge da consciência

 “O inconsciente é por definição incognoscível. O psicanalista está, portanto, na posição infeliz de um estudioso daquilo que não se pode conhecer”, escreveu Thomas Ogden, em The primitive edge of experience, de 1989.  Na verdade, podemos pensar o inconsciente sob duas ópticas. Como adjetivo, é possível associá-lo ao que escapa à consciência, sem estabelecer discriminação entre conteúdos dos sistemas pré-consciente e inconsciente.  Para melhor compreender, vale observar aqui que a concepção de consciência parece semelhante à de atenção: estamos conscientes daquilo para o que nos voltamos e inconscientes daquilo com que não nos ocupamos.

Poderíamos, segundo essa lógica, estar conscientes de situações e fenômenos para os quais voltássemos nossa atenção – entraríamos então no que Freud chamou de pré-consciente. Aquilo para que evitamos dar atenção por acharmos que podem deflagrar perturbação e dor está no inconsciente reprimido.  É possível, nesse caso, falar do inconsciente como substantivo, no sentido tópico. Trata-se, assim, de uma instância psíquica, faz parte da primeira teoria do aparelho psíquico desenvolvida por Freud, constituído de material recalcado, não diretamente acessível à consciência.

A consciência pode ser comparada com o que está visível na tela do computador. Temos acesso imediato a outras informações “pulando” para outra parte do documento ou mudando de janela. Esse gesto seria aná­ logo às partes consciente e pré-consciente da mente. Mas pode ser mais difícil acessar outros conteúdos, pois podem estar criptografados ou atachados, podem exigir senha ou ainda estar sido corrompidos, de modo que a informação esteja embaralhada e, portanto, incompreensível.

A ideia de que guardamos motivações sobre as quais não temos controle (e, por vezes, nem mesmo, ciência) traz à tona a hipótese que oferece consistência a comportamentos e vivências que, de outra forma, pareceriam completamente incoerentes. Freud se deu conta de que lapsos verbais e de escrita, falhas da memória, ações confusas e outros equívocos podem ser, em um nível mais profundo, não casuais – mas inconscientemente intencionais. Para ele, os sonhos constituem um caminho privilegiado para o inconsciente, embora não seja possível desvendá-los completamente. Da mesma forma que os sonhos, outras formas de comunicação podem apresentar representações de desejos e observações inconscientes que empregam os mesmos mecanismos oníricos. Os significados inconscientes são codificados, revestidos de metáforas e imagens. Um exemplo muito comum disso se dá em situações em que sentimos raiva, mas reprimimos essa emoção por sabermos que desencadeará sentimentos dolorosos e em especial quando é dirigida a alguém com quem temos relação mais próxima. Assim, os sentimentos reprimidos são disfarçados e deslocados – e aparecem, por exemplo, quando criticamos outra pessoa.

É possível pensar na seguinte situação: a orientadora de pesquisa de uma jovem avisa que vai ausentar-se do país durante um período crítico do trabalho. A estudante pode até compreender, de forma sincera, as razões da orientadora. Mas, prosseguindo a conversa, ela fala de um caso que ouvira: uma mãe havia deixado o filho pequeno sozinho em casa para fazer compras, a criança acordou e terminou se ferindo ao cair da escada. A mensagem inconsciente é clara: a orientadora é tida como a mãe negligente, a aluna é o filho desprotegido. A queda faz alusão ao risco que ela julga correr. Conscientemente, a garota fala como adulta, mas inconscientemente se ressente com a orientadora que não cumpre a função de mãe.

Cabe considerar que a consciência tem gradações. Vivências infantis que evocaram grande vergonha ou culpa podem ficar tão abafadas que se torna muito difícil resgatá-las, sendo possível ter apenas indícios desse material. Já uma introspecção momentânea, aliada a alguma capacidade psicológica de tolerar o desconforto de lidar com algum conteúdo que estava inconsciente, pode levar o desejo que parecia escondido ao pleno conhecimento. Do mesmo modo, no decorrer de uma terapia psicanalítica na qual o paciente é encorajado a falar e pensar com maior liberdade para estabelecer associações, seus anseios e temores tendem a se aproximar, gradualmente, da consciência.

CARACTERÍSTICAS DA MENTE OCULTA {*)

  • Impulsos ou ideias incompatíveis podem existir simultaneamente sem parecer contraditórios. É aceitável que amor e ódio se expressem ao mesmo tempo, sem que haja discordância.
  • Os significados podem ser facilmente deslocados de uma imagem para outra. Muitos significados podem ser reunidos em uma única imagem; é o que chamamos de condensação.
  • Processos inconscientes são atemporais e as ideias não têm ordem cronológica. Conteúdos referentes a anos atrás podem surgir misturados aos mais recentes.
  • O inconsciente independe do mundo externo, representa a realidade psíquica, interna. Por isso, sonhos e alucinações são percebidos como reais.

(“) Identificadas por Freud no texto O inconsciente, de 1915.

FREUD E O HOMEM DA AREIA

Em 1919 Freud escreveu o ensaio das Unheimliche, na maioria das vezes traduzido para o português como O estranho e, mais recentemente, por Paulo César de Souza, direto do alemão (e publicado pela Companhia das Letras), como O inquietante.

Souza reconhece, porém, que é “desnecessário chamar a atenção do leitor para a insuficiência desse termo”.  Em seu texto, o criador da psicanálise não trata propriamente do inconsciente, mas de temas de afins, como castração, compulsão à repetição, pulsão de morte, narcisismo e o duplo, tomando como ponto de partida o conto de E. T. de A. Hoffman, O homem da areia. Para Freud, o estranhamento tem origem em traumas da infância, é recalcado no inconsciente e se torna algo, de alguma forma, “familiar” e ao mesmo tempo “suspeito”; ele chega à conclusão de que o inquietante é algo já conhecido, enclausurado no inconsciente – e quando vem à tona causa sensação de medo, terror, estranheza. O conto de Hoffman revela estreita ligação entre o medo de perder os olhos com a castração na fase edípica. Nessa época, “poetas e escritores já dominavam um pensamento diferente daquele racional imposto pela ciência positivista que Freud bem articulou à nova ciência humana emergente, a psicanálise”, escreve a psicanalista Sandra Edler, na apresentação de livro Freud e o estranho, organizado por Bráulio Tavares (Casa da Palavra, 2007). “A qualquer momento podemos nos confrontar com um episódio estranho, sem explicação à primeira vista, e por isso mesmo perturbador; mas Freud nos lembra que vamos acabar por reencontrá-lo ou ainda reviver a inquietante sensação de estranheza que experimentamos.”    

OUTROS OLHARES

O NOVO MELHOR AMIGO DO HOMEM

O novo melhor amigo do homem

Um estudo global publicado recentemente revelou que 49% dos jovens brasileiros da geração Z (entre 16 e 20 anos) que usam smartphone consideram o aparelho como “melhor amigo”.

A pesquisa, realizada pela Motorola em parceria com a pesquisadora e professora da Universidade Harvard Nancy Etcoff, investigou os comportamentos e hábitos de utilização do celular de diferentes gerações e o impacto do smartphone nas relações do usuário. Participaram entrevistados de quatro países: Brasil, França, Estados Unidos e Índia, com idade entre 16 e 65 anos.

De acordo com o levantamento, 33% dos participantes priorizam o smartphone em detrimento de passar mais tempo com amigos, família ou pessoas importantes. No caso do Brasil, esse número aumenta para 36%. Apesar disso, os entrevistados demonstraram consciência de que é necessário buscar um maior equilíbrio no que diz respeito ao uso do smartphone: 61% concordam que querem aproveitar o aparelho quando estão com ele, mas, ao mesmo tempo, aproveitar melhor a vida quando estão sem ele. Além disso, 60% dos participantes afirmam que é importante ter uma vida separada do celular. No Brasil, os percentuais são de 61% e 48%, respectivamente.

O levantamento também identificou três comportamentos ligados ao smartphone que impactam as relações interpessoais – e que são mais prováveis em gerações mais novas, já que cresceram em um mundo digital.

Verificação compulsiva: quase metade (49%) dos entrevistados admite verificar o celular numa frequência maior do que gostaria (no Brasil, o número é similar, de 48%).

Tempo demais no celular: um terço (35%) concorda que passa tempo demais no smartphone e 34% acreditam que estariam mais felizes se passassem menos tempo usando o aparelho. Considerando-se apenas o Brasil, os percentuais são de 33% e 30%, respectivamente.

Superdependência emocional: dois terços (65%) admitem que entram em pânico quando acham que perderam o celular (no Brasil, 56%), e 29% concordam que, quando não estão usando o smartphone, estão pensando no próximo uso. No caso brasileiro, o número é um pouco maior, de 31%.

GESTÃO E CARREIRA

GERAÇÃO COCA-COLA, APPLE E MARPINN…

Já parou para pensar que o comportamento de compra do se cliente est á ligado não só à necessidade ou ao desejo, mas também às características pessoais, culturais e históricas do nascimento cada um deles? Conheça as gerações que movimentam o mercado e como fidelizá-las como consumidoras de sua empresa.

Geração Coca-cola, apple e marppin...

Uma das variáveis mais estudadas no mercado – o comportamento de compra do ser humano – pode ser definida a partir de duas questões fundamentais: a necessidade e o desejo. A primeira pode ser descrita como algo que é imprescindível para a sobrevivência do ser humano, é aquilo que não se pode viver sem. Já a segunda pode ser entendida como tudo aquilo que se quer e que está acima da linha da necessidade. Aqui entram, portanto, os estudiosos que se dedicam a criar esse desejo no consumidor, uma vez que ele pode ser estimulado.

No momento da compra, sabe se que o consumidor é influenciado por quatro principais fatores: estímulos pessoais, ambientais, situacionais e de marketing. Os pessoais estão relacionados às emoções, percepções, crenças e experiências do cliente. Já os ambientais envolvem questões de natureza social, cultural, econômica e valores. As situacionais, por sua vez, têm a ver com o momento do consumidor, as circunstâncias que o levaram àquela compra, sua disponibilidade de tempo. Finalmente, as de marketing estão ligadas a decisões de produto, preço, promoção e distribuição, e que essas, sim, estão sob controle da empresa e têm o objetivo de conquistar e promover respostas específicas nos clientes.

Mas por que isso tudo é importante para o empreendedor? Entender as razões pelas quais o seu cliente está interessado em seu produto pode determinar o sucesso ou o fracasso de sua empreitada. Consumo, como pode ser analisado de acordo com as características descritas acima, tem a ver com necessidade, com desejo, com as emoções, com o meio em que se vive, com status, com oportunidade, com condições econômicas e sociais.

Cientes da importância do processo decisório no ato da compra de um produto ou de um serviço para a sobrevivência e o sucesso de suas empreitadas, empresários têm cada vez mais pesquisado a respeito das chamadas gerações, conceito que engloba um conjunto de indivíduos que nascem em uma mesma época e que seguem certos comportamentos devido à influência do contexto histórico em suas vidas.

Grande estudiosa sobre gerações e suas interações com o mundo em que estão inseridas, a administradora e sócia da Stanton Chase Internacional, Eline Kullock, destaca que conhecer as características de seu público-alvo dá uma vantagem competitiva muito grande aos empresários, especialmente aos micro e pequenos, que precisam de toda ajuda possível para conquistar e fidelizar a clientela. “O problema é que não há uma única característica de cada geração, mas um conjunto de características e comportamentos de consumo, e é importante entender cada uma dessas gerações na s suas complexidades”, pondera ela.

A professora de liderança e coaching do Instituto Superior de Administração e Economia (ISAE), Melissa Antonychyn, também vê o estudo das gerações como importante para que as pequenas empresas se posicionem de forma mais assertiva no mercado. “O empreendedor precisa entender os quadros de referência de seu público­ alvo, ou seja, não só o período de nascimento, mas também as questões geográficas, econômicas, a história, a cultura local; para muitos, os costumes religiosos e as crenças filosóficas definem sua maneira de consumir. É importante ampliarmos nossa percepção em relação ao modo de pensar das pessoas e também fazermos um paralelo em estarmos vivenciando uma época que a informação e as conexões permitem que as pessoas reavaliem seus gostos, sua forma de se mostrar para o mundo”, opina.

Veja a seguir quais são as gerações que detêm o poder de compra, suas características e veja como vender a cada uma delas.

Gestão & Negócios - Edição 90

Geração Coca-cola, apple e marppin....3

Geração Coca-cola, apple e marppin....4

Geração Coca-cola, apple e marppin....5

E DENTRO DAS EMPRESAS?

Ao falar de gerações, as diferenças entre elas aparecer não só no comportamento de consumo, mas também na postura corporativa. A maioria das corporações hoje possui equipes compostas por pessoas de idades diferentes. Cabe ao gestor equilibrar, unir e potencializar as competências de cada colaborador, segundo Melissa Antonychyn. O diálogo entre as partes é fundamental, e os trabalhos em grupo podem ser importantes para a construção de uma relação sinérgica e harmônica. “Trabalhos participativos, em que todos opinem, que a tarefas e os comportamentos necessários sejam contratados conforme as necessidades de cada período”, avalia.

 0 QUE ESPERAR DO FUTURO?

Apesar de ainda ser cedo para falar na próxima geração, estudiosos apontam o surgimento de uma nova a partir dos nascidos em 2010. Atualmente ainda pequenos demais para tomarem decisões de compra, em pouco tempo essa nova geração chegará ao mercado e estará completamente conectada, munida de informações mil. Grande analista de gerações, Eline Kullock destaca que só é possível definir uma geração quando seu comportamento difere da anterior. Contudo, ela prevê que a características da geração Z devem se intensificar. “Decisões mais rápidas, comunicação mais rápida, maior necessidade de gratificação, mais auto­centrados, mais volúveis, menos apego à marca. Resta ver o que vem por aí”, projeta.

A professora do Instituto Superior de Administração e Economia (ISAE), Melissa Antonychyn, endossa a previsão de Eline e reforça que a próxima geração deve chegar pronta para priorizar produtos e serviços que unam tecnologia e sustentabilidade: “consumidores ávidos por produto e serviços que integrem toda a tecnologia, praticidade e ao mesmo tempo sejam desenvolvidos com todos os ditames de uma produção sustentável, que, além de atender às suas necessidades individuais, também atendam às necessidades do planeta”.

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 19: 13-15

20180104_191613

A Ternura de Cristo para com as Crianças

Temos aqui as boas-vindas que Cristo deu a algumas crianças que lhe foram trazidas. Observe:

 I – A fé daqueles que as trouxeram. Quantas foram trazidas não nos foi dito; mas elas eram tão pequenas a ponto de serem carregadas nos braços, um ano de idade, talvez, ou dois no máximo. A explicação dada aqui é que foram trazidas crianças até Ele “para que lhes impusesse as mãos e orasse” (v. 13). Provavelmente as pessoas que as trouxeram eram seus pais, guardiões, ou amas-secas; e neste ponto:

1. Eles declararam sua consideração por Cristo, e a importância que davam a sua bondade e a sua bênção. Note que aqueles que glorificam a Cristo vindo até Ele, devem glorificá-lo ainda mais trazendo até Ele, do mesmo modo, tudo o que têm, ou aquilo sobre o que têm podei: Devemos dar a Ele, dessa maneira, a glória pelas insondáveis riquezas da sua graça e por sua abundante e infalível plenitude. Não há melhor maneira de glorificar e honrar a Cristo do que tendo comunhão com Ele.

2. Eles fizeram, sem dúvida, um favor para os seus filhos, mas também precisavam se preparar melhor neste mundo para as bênçãos do porvir; como também para receber bênçãos como resultado das orações do Senhor Jesus, a quem eles viam, pelo menos, como uma pessoa extraordinária, como um profeta, se não como um sacerdote e rei. As suas bênçãos eram valorizadas e desejadas. Outros trouxeram seus filhos para Cristo, para serem curados quando estavam doentes; mas as crianças citadas aqui não estavam sofrendo nenhuma enfermidade naquele momento – aqueles que as traziam apenas queriam uma bênção para elas. Trata-se de uma boa coisa quando nós mesmos vamos a Cristo, e levamos nossos filhos a Ele, antes que sejamos conduzidos a Ele (como dizemos) por uma necessidade premente. Deus se compraz quando nos dirigimos a Ele não apenas quando estamos em dificuldades, mas quando nos dirigimos a Ele mostrando a nossa total dependência dele, e do benefício que esperamos dele.

Eles desejavam que Ele impusesse as suas mãos sobre as criancinhas e orasse. A imposição das mãos era um rito utilizado principalmente na transmissão de bênçãos paternais. Jacó fez uso dessa prática quando abençoou e adotou os filhos de José (Genesis 48.14). Isso sugere algum amor e alguma intimidade combinados com poder e autoridade, e evidencia uma eficácia na bênção. Através do seu Espírito, Cristo coloca a sua mão sobre aqueles por quem Ele intercede no céu. Note que:

(1).  Crianças pequeninas podem ser levadas a Cristo quando necessário, pois são capazes de receber as suas bênçãos, e têm interesse em sua intercessão.

(2).  Por isso, elas devem ser levadas a Ele. Não podemos fazer nada melhor por nossas crianças do que confiá-las ao Senhor Jesus, para que Ele cuide e interceda por elas. Nós só podemos pedir que sejam abençoadas, e somente Cristo pode ordenar a bênção.

II – O erro dos discípulos por repreender àqueles que as traziam. Eles desaprovaram a abordagem como vã e frívola e os censuraram por torná-la impertinente e incômoda. Eles podem ter agido assim porque consideravam que prestar atenção às crianças era algo que estava em um nível inferior ao do seu Mestre, exceto se alguma coisa em particular as afligisse; ou pensavam que Ele tinha trabalho suficiente com suas outras tarefas, e não queriam que Ele se desviasse disso; ou ainda podem ter pensado que se uma abordagem como essa fosse encorajada, todo o país levaria suas crianças até Ele, e isso nunca teria fim. Note que é bom para nós que Cristo tenha em si mais amor e ternura do que o melhor dos seus discípulos. E devemos aprender com Ele a não desaprovar qualquer desejo de almas bem-intencionadas em seus questionamentos a respeito de Cristo, mesmo que sejam frágeis. Se Ele não quebra os galhos fracos, nós também não devemos quebrá-los. Aqueles que procuram a Cristo, não devem estranhar se encontra­ rem oposição e reprovação, mesmo por parte de homens bons, que pensam conhecer o pensamento de Cristo melhor do que realmente conhecem.

III – A bondade de nosso Senhor Jesus. Veja como Ele a exercitou aqui.

1. Ele repreendeu os seus discípulos (v. 14): “Deixai os pequeninos e não os estorveis de vir a mim”. Ele tolerou as criancinhas e não as proibiu; e corrigiu o engano que os discípulos cometeram, acrescentando: “porque dos tais é o Reino dos céus”. Note que:

(1).  Os filhos de pais crentes pertencem ao reino e são membros da igreja visível. Dos tais, não somente dos tais em disposição e amor (esta pode ter sido uma das razões pelas quais pombos ou cordeiros deviam ser levados a Ele), mas dos tais, em idade, é o Reino dos céus; a eles, como aos judeus da antiguidade, pertencem os privilégios de fazer parte da igreja visível. “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos…”. Eu serei por Deus “a ti e à tua semente”.

(2).  Por essa razão, eles são bem-vindos a Cristo, que está pronto para acolher aqueles que, quando não podem vir por si mesmos, são trazidos a Ele. E isso:

[1].  A respeito das próprias criancinhas, por quem Ele, em diversas ocasiões, havia manifestado uma preocupação; e que, tendo participado das malignas influências do primeiro pecado de Adão, devem necessariamente compartilhar as riquezas da segunda graça de Adão, do contrário o que seria da analogia do apóstolo? (1 Coríntios 15.22; Romanos 5.14,15 etc.). Cristo não lançará fora, de modo nenhum, aqueles que lhe são dados como parte de sua aquisição.

[2].  Observando a fé dos pais que os trouxeram, e os apresentaram como sacrifícios vivos. Os pais são fiéis depositários do testamento de seus filhos, e são autorizados pela natureza a agir em benefício deles. Por essa razão, Cristo aceita a consagração que eles fazem de seus filhos como obra e ato deles, e receberá aqueles que lhe forem dedicados no dia em que reunir as suas joias.

[3]. Por esse motivo, Ele considera isso como uma ofensa da parte daqueles que proíbem e excluem as crianças a quem Ele recebeu: aqueles que os excluem da herança do Senhor, e dizem: “Não tendes parte no Senhor” (veja Josué 22.27). E quem poderá impedir o fornecimento da água com a qual devem ser batizados aqueles que, com o cumprimento daquela promessa (Isaias 44.3), “receberam, como nós, o Espírito Santo”, pelo que sabemos.

2. Ele recebeu as criancinhas, e fez como desejavam; impôs as suas mãos sobre elas, isto é, Ele as abençoou. O crente mais forte vive, não tanto por conquistar a Cristo, mas por ser conquistado por ele (Filipenses 3.12); não tanto por conhecer a Deus, mas por ser conhecido dele (Gálatas 4.9); e disso, a menor criança é capaz. Se elas não podem estender as suas mãos para Cristo, mesmo assim Ele pode impor as suas mãos sobre elas, e assim torná-las suas e confessá-las como suas.

Parece-me que há algo notável no fato de que, tendo-lhes imposto as mãos, partiu dali (v. 15). É como se Ele pensasse que havia feito o suficiente ali, quando havia então declarado os direitos dos cordeiros do seu rebanho, e tomado as devidas providências para a sucessão das pessoas em seu reino.