VOCACIONADOS

ESTUDO A DISTÂNCIA

Os cursos EAD estão em crescimento no Brasil por serem mais baratos e flexíveis do que os presenciais. Para garantir uma formação eficiente nessa modalidade de ensino é necessário tomar alguns cuidados.

3d e-learning concept

Em 1729, um anúncio de um professor na Gazeta de Boston, nos Estados Unidos, divulgava aulas de taquigrafia por correspondência. Esse, talvez, tenha sido o primeiro curso de ensino a distância de que se tem conhecimento. Hoje, com o acesso fácil à internet e com o desenvolvimento das tecnologias móveis, essa modalidade é uma das que mais crescem no país. De fato, a educação superior a distância no Brasil avança em ritmo mais acelerado do que o ensino presencial. De acordo com o Censo da Educação Superior de 2016, do lnep, enquanto o ensino presencial teve queda anual de 0,08% nas matriculas, o ensino a distância (EAD) teve expansão de 7,2%.

Isso pode ser explicado por dois fatores: o custo (mais baixo do que o dos cursos tradicionais) e a flexibilidade para estudar a qualquer hora e em qualquer lugar. “A educação a distância abre uma perspectiva fantástica para as pessoas que trabalham ou moram muito longe de universidades”, diz Carlos Eduardo Bielschowsky, presidente da Fundação Cecierj, um consórcio de instituições públicas do Rio de Janeiro que oferece cursos remotamente.

Para responder ao aumento dessa demanda, a oferta dessa modalidade cresceu 51% nas instituições privadas brasileiras de 2011 a 2015, de acordo com mais recente Censo EAD.BR, realizado pela Associação Brasileira de Educação a Distância(Abed) e publicado neste ano. O estudo revelou também que 31% das 341 instituições entrevistadas tinham planos de aumentar seus investimentos em formações totalmente online em 2017.

MISTURA DE MUNDOS

A Fundação Getúlio Vargas é uma das mais experientes nesse formato – há 20 anos atua na área e teve um crescimento expressivo das matriculas em 2016 (64%) e em 2017 (2.8%).”Os cursos são mais flexíveis, o aluno pode se especializar nos horários que lhe convêm e pagando bem menos”, diz Gerson Lachtermacher, diretor de programas e processos acadêmicos da FGV do Rio de Janeiro. Segundo ele, um modelo que deve crescer cada vez mais é o que integra o online com o presencial – o estudante mescla a participação nas aulas da maneira que achar mais conveniente. “O mundo não vai ser só virtual ou só físico, mas uma mistura dos dois”, diz Gerson

É isso que Eder Saizaki, de 35 anos, engenheiro na Siemens, em São Paulo, vivencia. Ele adoraria fazer um MBA presencial, mas era impossível encaixar as aulas na sua rotina. Ao mesmo tempo, tinha medo de um EAD porque precisa de interação para ter um bom aprendizado. “Quando um colega me explicou o método que oferece conteúdo online e aulas presenciais, achei que esse seria o melhor balanço”, afirma Eder. Isso o fez escolher o curso de gestão de negócios e inteligência de mercado na Saint Paul – escola de negócios paulistana que tem apostado no EAD. “É uma tendência que veio para ficar. Teremos cada vez mais do online no presencial”, diz Claudio Securato, presidente da instituição. A ideia de que o estudante deve ter independência para fazer o próprio percurso educacional e decidir como quer acessar os conteúdos norteou a decisão da Saint Paul de lançar, em março deste ano, o LIT, plataforma de educação que dá autonomia para os estudantes escolherem o que querem aprender. O LIT usa inteligência artificial para criar uma espécie de tutor robótico, que tira dúvidas e ajuda a desenhar o perfil de estudo para cada um. “O aluno poderá montar um caminho único dentro da plataforma e reunir micro certificações para conseguir certificações ou diplomas mais robustos”, afirma o presidente da Saint Paul.

Estudo a distância.3

MAIS DEDICAÇÃO

No passado, era muito comum ouvir que cursos a distância são mais fáceis – mas isso tem mudado. “Lembro que, 20 anos atrás, professores olhavam torto para o EAD, achavam que, por ser mais acessível, teria menor qualidade”, diz João Vianney, professor e consultor de EAD na Hoper, consultoria de educação, de Florianópolis. “Mas, nos últimos anos, os alunos a distância começaram a mostrar um desempenho tão bom ou melhor que os colegas que fizeram a escolha tradicional”. Os especialistas afirmam que o curso online é, na verdade, mais exigente, pois demanda do estudante mais comprometimento, organização e proatividade para concluir o programa. Mas isso não quer dizer que o aluno deva ser auto­didata, pois a ideia não é que ele fique soltinho, e sim que tenha o apoio da instituição e de tutores. “Antes, a gente imaginava que, para estudar remotamente, a pessoa tinha de ter perfil empreendedor, de estudar sozinha. Mas isso é bobagem”, diz João.

Ainda assim, é preciso disciplina. Até porque a maioria de nós sempre aprendeu assistindo aos professores em sala de aula. Para Flora Barreto, de 29 anos, do Rio de Janeiro, esse esforço a mais é compensador. Depois de se formar em turismo pela Universidade Federal Fluminense, ela começou a procurar um MBA em gestão empresarial.

Inicialmente, sua preferência era por cursos presenciais, mas as opções custavam mais do que ela podia pagar e cruzavam com sua agenda de trabalho. Durante sua pesquisa, Flora encontrou o MBA a distância da FGV, concluído em novembro de 2017. “Queria estudar numa instituição de prestigio e vi que, no curso online, isso seria passivei”, diz. “Eu achava que poderia ter algum prejuízo em relação ao aprendizado, mas foi o contrário. No EAD, o aluno precisa se dedicar e há muito mais formas de ensino disponíveis, então eu acabava indo a fundo no conteúdo para ter certeza de que tinha compreendido.” Isso a ajudou a selecionar melhor as informações e a aprender de maneira independente.

A disponibilidade dos professores para o esclarecimento de dúvidas também fez toda a diferença. Com o projeto desenvolvido ao longo do curso, Flora teve tranquilidade para abrir sua empresa, a Rio Leão, uma plataforma online de serviços de turismo e relacionamento com clientes. “Sem essa base, não teria sido possível empreender”, afirma.

 Estudo a distância.2

 

Fonte: Revista Você SA – Edição 236

PSICOLOGIA ANALÍTICA

POR QUE CASAR?

O Casamento deve estar apoiado em diversos pilares essenciais para seu sucesso e que precisam estar equilibrados para que o casal funcione verdadeiramente como parceiros.

Por que Casar

Notei que todos, incluindo o professor, me olhavam com expressão de “não estou entendendo”, mas eu prossegui:

– É preciso perceber que, ao se casar no civil, assina-se um contrato repleto de regras, cláusulas que, se não forem cumpridas à risca, justificam um divórcio, processos e outras situações afins. Se o casal também se casa na igreja, assume então o elo espiritual segundo suas crenças. Ainda que não se submetam a nenhum contrato ou ritual, o simples fato de morarem juntos já implica divisão de espaço, gastos, lucros, ou seja, passam a investir para o bem-estar do casal. Como o “senhor” pode resumir tudo isso ao simples fato de “unir dois seres que se amam?”

A resposta do professor foi:

– Como sempre, a mocinha aqui está tentando tumultuar a aula, mas vamos continuar com nosso raciocínio inicial…

Porém, eu continuei:

– Eu quero completar meu raciocínio, professor. Acho que, para se casar, as pessoas deveriam cursar uma faculdade onde aprenderiam economia doméstica, primeiros socorros, culinária, conceitos básicos de Psicologia, entre outras matérias que são essenciais ao sucesso de um casamento. Dessa forma entrariam no relacionamento de forma consciente e não de forma alienada como a maioria entra e se descobre tarde demais que não sabia nada de convivência, educação de filhos e outros assuntos pertinentes à vida a dois.

  • Mas de onde você está tirando tudo isso, menina?
  • Ora, professor, da minha cabeça, é obvio!

Nessas alturas a classe explodiu em gargalhadas e, nesse clima, o professor expulsou-me da sala de aula, pois eu estava “tumultuando”. Eu saí, mas nunca deixei de pensar dessa forma, hoje, 40 anos após, ainda penso assim e estou relatando isso como uma introdução ao tema deste artigo.

Penso que o casamento é uma instituição que deve estar apoiada em, no mínimo, três pilares. O físico, o intelectual e o espiritual e, dentro desses pilares, englobam-se tantos outros como o profissional, o social, o financeiro e diversos pontos que precisam estar equilibrados para que o casal funcione verdadeiramente como parceiros e não como colegas de quarto ou apaixonados inconsequentes e outras formas que verificamos na atualidade.

Quanto aos pilares, entendamos a combinação do físico, do intelectual e do espiritual como base essencial, ou seja, é necessário que o casal tenha um nível intelectual parecido, um conceito espiritual que também se harmonize e, dessa forma, a atração física passa a ser um complemento, tornando a relação prazerosa como um todo. Se os dois trabalham na mesma área ou em áreas complementares, tem amigos e interesses em comum, então torna-se um casamento de almas, tudo se resolve com diálogo, nada abala a união que se solidifica cada vez mais.

Porém esse tipo de casamento é raro, o que acontece na maioria das vezes é uma grande atração física ou, em alguns casos, interesses financeiros. E só por isso já se busca a união, cada um entendendo ao seu modo a relação, só depois disso é que se pensa em outros detalhes essenciais ao casamento.

O físico acaba servindo como combustível, as brigas, discórdias, insatisfações se acumulam, as dívidas se juntam ao caos diário e só resta o sexo que, geralmente, é bom e justifica todo o resto que não vai bem entre o casal.

Em geral, decide-se pelo casamento depois de poucos meses de namoro. Não sabe mais nada de casamento, muitas vezes nem conhece o outro a fundo, há pessoas que sequer conhecem a si mesmas, como conhecerão as outras! E, ao unir-se apenas por amor, sem sequer pensar na responsabilidade de viver sob o mesmo teto, a tendência é o fracasso, daí vem a frustração, as acusações, as separações…

Há casais que, depois de um casamento sem planejamento, ao descobrirem que nada possuem em comum buscam nos filhos ou em animais de estimação ou em outros seres as motivações de um casamento mal resolvido ou que já terminou, mas não têm coragem para desfazer vínculos. Então a relação, que já não estava sendo pensada, nem planejada, acaba se arrastando, usando como desculpa a criação dos filhos ou dos animais de estimação ou a necessidade de cuidar de algum idoso que dependa do casal.

Há ainda os que se casam porque a mulher engravidou ou por vários outros motivos que impedem o casal de planejar…

Aliás, aí está um dos principais segredos para o sucesso não só do casamento, mas de tudo que precisa se solidificar: planejamento. É por intermédio do planejamento que se estipulam as regras, os objetivos, os meios, os resultados desejados em tudo que precisa se fortificar. E isso inclui o casamento, a quantidade de filhos, os bens que o casal já tem de forma individual e/ou quer adquirir em conjunto. Enfim, tudo isso deve ser planejado de forma racional, sempre com muito diálogo. Entendendo o amor como uma união de vários fatores e não apenas a paixão só pelo físico ou a união financeira como uma sociedade ou ainda a busca da solução para a solidão, como se viver sozinho fosse a pior situação possível.

Aliás, acho que vale um alerta: quem não consegue conviver bem consigo mesmo, e necessita desesperadamente de companhia, tem que perceber que algo vai muito mal e procurar ajuda terapêutica. Obviamente não é bom ficar o tempo todo sozinho, mas não conseguir ficar nenhum tempo consigo mesmo e viver em busca da “outra metade” também são problemáticos. Na verdade, os extremos são problemáticos, ou seja, ficar sempre sozinho ou nunca ficar sozinho. É preciso gostar de conviver consigo mesmo, amar a si mesmo para saber escolher e amar o seu par, e não apenas se agarrar a alguém como tábua de salvação. É preciso conviver bem na solidão para saber se doar em companhia de alguém.

Esse é um assunto complexo e bem abrangente que precisa ser bem pensado antes de qualquer decisão baseada apenas na emoção.

 

LOU DE OLIVIER – é multiterapeuta, psicopedagoga, psicoterapeuta, especialista em Medicina Comportamental, bacharel em Artes Cênicas e Artes Visuais. Detectora do distúrbio da dislexia adquirida/Acquired Dyslexia, precursora da Multiterapia, introdutora da Brinquedoteca aliada à aprendizagem no Brasil e Europa e criadora do método Terapia do Equilíbrio Total/Universal. http://loudeolivier.com

GESTÃO E CARREIRA

UMA HABILIDADE QUE TODO LÍDER DEVERIA TER: SIMPLIFICAR AS COISAS.

Uma qualidade que todo lider deveria ter

Escutei certa vez uma afirmação que não deveria ter mexido tanto comigo, mas mexeu.

Ao participar de um grupo de trabalho em uma empresa cliente, à medida que evoluíamos nos detalhes para ter uma solução para um problema, alguém pediu a palavra e disse:

Pessoal, o mundo é um lugar complexo”. Todos pararam e se olharam sem entender nada, e ele continuou: “Vivemos em um mundo complicado, acordamos e não sabemos o que irá acontecer ao longo do dia, pois pode ter ocorrido algo lá no Japão que poderá refletir em nosso negócio 12 horas depois. Então, não vamos nos prender a detalhes, mas, sim, na solução dos problemas. Naquele momento foi difícil não vir à mente uma afirmação que usamos muito por aqui: “por que simplificar, se podemos complicar as coisas?”. Lembro-me de um dos hábitos do Covey: “Primeiro o mais importante”. Os líderes devem ter a habilidade de saber definir o que é importante. Esse é o papel do líder, criar um foco simples sobre o que é realmente importante. Você nota se o líder de uma empresa trabalha dessa maneira ao ler a proposta de valor dela. Uma proposta de valor complexa, com certeza demonstrará que nessa empresa existem processos complexos para conseguir entregá-la ao cliente. Qual a coisa mais importante direcionada à nossa estratégia que devemos trabalhar neste exato momento? O líder deve ter a resposta para essa pergunta diariamente. Para que a mudança exista, ele deve aplicar a simplicidade em vez da complexidade, para que consiga estabelecer hoje o curso de ações direcionadas para a execução estratégica. Como se concentrar, então, no que é importante? Em uma folha, anote o primeiro passo a dar, que é definir o problema, e busque o máximo de informação sobre ele. Após ter “destrinchado” o problema de um lado da folha, coloque do outro lado dela algumas possíveis soluções. Feito isso, procurar as soluções mais simples. Ao encontra-las. crie uma história para usar na comunicação com a equipe, focada no futuro, com ideias claras, para que você consiga apoiadores para o seu plano. Feito isso, hora de “colocar a mão na massa” e colher os frutos desejados.

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 16: 13- 20 – PARTE I

20180104_191613

O Discurso de Cristo aos seus discípulos 

Aqui temos um discurso em particular a seu respeito, que Cristo dirigiu aos seus discípulos. Isso aconteceu junto à costa de Cesareia de Filipe, a mais longínqua fronteira ao norte da terra de Canaã. Ali, naquela região distante, talvez houvesse menos procura por Ele do que em outros lugares, o que lhe deu tempo livre para essa conversa em particular com os seus discípulos. Quando o trabalho público dos ministros diminui, eles devem se esforçar para fazer mais nas suas próprias famílias.

Aqui Cristo está “discipulando” aqueles que Ele escolheu como seus discípulos.

 I – Ele pergunta qual é a opinião dos outros a seu respeito: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?”

1.Jesus se refere a si mesmo como o “Filho do Homem”; o que pode ser interpretado:

(1).  Como um título comum a Ele, e a outros. Ele era chamado, de maneira adequada, de “Filho de Deus”, pois Ele o era (Lucas 1.35); mas Ele se chamava de Filho do Homem, pois Ele é verdadeira e realmente “homem, nascido de mulher”. Nas cortes de honra, é comum distinguir os homens pelos seus títulos mais elevados; mas Cristo, tendo agora se esvaziado, embora fosse o Filho de Deus, será conhecido pelo estilo e pelo título de Filho do Homem. Ezequiel era frequentemente assim chamado, para conservar-se humilde; Cristo assim também se chamava, para mostrar que Ele era humilde. Ou:

(2).  Como um título peculiar a Ele como Mediador. Ele se dá a conhecer, na visão de Daniel, como o “Filho do Homem” (Daniel 7.13). Eu sou o Messias, aquele Filho do Homem que foi prometido. Mas:

2.Ele pergunta quais são os sentimentos das pessoas a seu respeito. Em outras palavras: “Quem os homens dizem que Eu sou? O Filho do Homem? Eles acham que Eu sou o Messias?” Ele não pergunta: “Quem os escribas e os fariseus dizem que Eu sou?” Eles tinham preconceito contra Ele, e diziam que Ele era um enganador e que estava aliado a Satanás. Mas: “Quem os homens dizem que Eu sou?”. Ele se referia às pessoas comuns, que eram desprezadas pelos fariseus. Cristo fez essa pergunta, não como alguém que não conhece a resposta; pois se Ele sabe o que os homens pensam, muito mais Ele saberá o que dizem. Ele fez a pergunta, não como alguém desejoso de ouvir elogios a si mesmo, mas para fazer com que os discípulos se preocupassem com o sucesso da sua pregação, mostrando quem Ele realmente era. As pessoas comuns conversavam com maior familiaridade com os discípulos do que com o seu Mestre, portanto, a partir deles, Ele saberia melhor o que elas diziam. Cristo não dizia claramente quem Ele era, mas deixava que as pessoas chegassem às suas conclusões a partir das obras dele (João 10.24,25). Agora Ele iria saber quais eram as conclusões a que as pessoas chegavam a partir das suas obras, e dos milagres que os seus apóstolos realizavam em seu nome.

3.A essa pergunta, os discípulos lhe deram uma resposta (v. 14): “Uns, João Batista; outros” etc. Havia alguns que diziam que Ele era o Filho de Davi (cap. 12.23) e o grande Profeta (João 6.14). Os discípulos, no entanto, não mencionam essas opiniões, mas somente as opiniões que eram realmente a verdade, que eles obtinham dos seus compatriotas. Observe que:

(1).  São opiniões diferentes. Alguns dizem uma coisa, outros dizem outra. A verdade é uma só; mas aqueles que divergem dela normalmente divergem entre si.

Assim, Cristo veio para trazer dissensão (Lucas 12.51). Sendo uma Pessoa tão conhecida, todos deveriam estar preparados para dar o veredicto sobre Ele, e “muitas pessoas, muitas mentes”. Aqueles que não desejavam dizer que Ele era o Cristo, vagavam por labirintos in­ termináveis, e seguiam a pista de todos os palpites in­ certos e hipóteses loucas.

(2). São opiniões honoráveis, e indicam o respeito que as pessoas sentiam por Ele, de acordo com a melhor opinião que conseguiam ter. Esses não eram os sentimentos dos inimigos de Jesus, mas os pensamentos equilibrados daqueles que o seguiam com amor e com admiração. Observe que é possível que os homens tenham bons pensamentos a respeito de Cristo, e que estes pensamentos não sejam os corretos; uma elevada opinião a respeito dele, e ainda assim, não suficientemente elevada.

(3).  Todas supõem que Ele é alguém que ressuscitou dos mortos: o que talvez se originasse de uma noção confusa que eles tinham da ressurreição do Messias, antes da sua pregação pública, como aconteceu com Jonas. Ou as suas noções derivavam de uma valorização excessiva pela antiguidade; como se não fosse possível que um homem excelente fosse produzido na sua própria geração, mas devesse ser algum dos antigos que tivesse retornado à vida.

(4).  São todas opiniões falsas, construídas sobre enganos, e enganos voluntários. As doutrinas e os milagres de Cristo diziam que Ele era uma Pessoa extraordinária; mas devido à simplicidade da sua aparência, tão diferente do que eles tinham esperado, eles não pensavam que Ele fosse o Messias, mas concordavam que Ele pudesse ser qualquer coisa diferente disso.

[1].  “Alguns dizem, João Batista”. Herodes tinha dito isso (cap. 14.2), e aqueles que estavam ao seu lado teriam dito a mesma coisa. Essa noção pode ter sido fortalecida por uma opinião que eles tinham, de que aqueles que haviam morrido como mártires, deveriam ressuscitar antes dos demais. E alguns pensam que o segundo dos sete filhos se refere a isso, na sua resposta a Antíoco (2 Macabeus 7.9): “O rei do mundo nos fará ressuscitar para uma ressurreição eterna de vida, a nós que agora morrermos pelas leis dele”.

[2]. “Outros, Elias”; aproveitando, sem dúvida, a oportunidade dada pela profecia de Malaquias (Malaquias 4.5): “Eis que eu vos envio o profeta Elias”. E ainda mais, porque Elias (como Cristo) realizou muitos milagres, e ele mesmo, na sua trasladação, foi o maior milagre de todos.

[3]. “E outros, Jeremias”. Muitos se prendiam a ele, porque tinha sido o profeta que chorava, e Cristo estava frequentemente em lágrimas. Ou porque Deus o tinha posto sobre os reinos e as nações (Jeremias 1.10), o que eles supunham estar de acordo com a sua noção do Messias.

[4]. “Ou um dos profetas”. Isso mostra que noção honrosa o povo tinha dos profetas, embora eles fossem os filhos daqueles que os perseguiram e assassinaram (cap. 23.29). Em vez de reconhecerem que Jesus de Nazaré, uma pessoa da sua própria nação, era tal Pessoa extraordinária, como as suas obras evidenciavam que Ele era, eles diziam: “Este não é Ele, mas um dos antigos profetas”.

 

II – Jesus pergunta quais eram os pensamentos dos próprios discípulos a respeito dele: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (v. 15). Em outras palavras: “Vocês estão me dizendo o que os outros dizem a meu respeito: vocês podem dizer algo melhor?”

1.Os discípulos tinham sido melhor ensinados do que os outros: eles tinham, pela sua intimidade com Cristo, maiores vantagens para adquirir conhecimentos do que tinham as demais pessoas. Espera-se, de forma justa, que aqueles que desfrutam de maior abundância dos meios de conhecimento e de graça do que os outros, tenham um conhecimento mais claro e distinto das coisas de Deus do que os outros. Aqueles que têm maior conhecimento de Cristo do que os outros devem ter sentimentos mais verdadeiros a seu respeito, e devem ser capazes de testemunhar melhor a seu respeito.

2.Os discípulos eram treinados para ensinar os outros, e por isso era um requisito essencial que eles mesmos compreendessem a verdade. Em outras palavras: “Vocês que vão pregar o Evangelho do reino, quais são as suas noções a respeito daquele que lhes enviou?” Os ministros devem passar por um exame antes de serem enviados, especialmente quanto a quais são os seus sentimentos sobre Cristo, e quem eles dizem que Ele é. Pois como podem ser considerados ministros de Cristo aqueles que são ignorantes a respeito dele, ou que estão enganados a seu respeito? Esta é uma pergunta que cada um de nós deveria fazer a si mesmo frequentemente. “Quem nós dizemos, que tipo de pessoa nós dizemos, que o Senhor Jesus é? Ele é precioso para nós? Ele é, aos nossos olhos, o maioral de dez mil? Ele é o Amado da nossa alma?” A nossa vida será abençoada ou irá mal, dependendo dos pensamentos que tivermos a respeito de Jesus Cristo. Se forem pensamentos corretos, teremos uma vida abençoada; se forem pensamentos errados, teremos grandes problemas.

Bem, essa é a pergunta. Agora observemos:

(1).  A resposta de Pedro a essa pergunta (v. 16). À pergunta anterior, sobre a opinião que os outros tinham de C1isto, vários discípulos responderam, de acordo com o que ouviam as pessoas dizendo; mas a essa pergunta, Pedro responde em nome de todos os demais, tendo todos consentido nisso e estando de acordo com a resposta. O temperamento de Pedro o levava a adiantar-se para falar em todas as ocasiões desse tipo, e algumas vezes ele falava bem, porém algumas vezes de maneira inadequada. Em todos os grupos podemos encontrar alguns homens ousados e entusiasmados, a quem cai naturalmente a precedência das palavras. Pedro era uma pessoa assim; apesar disso, encontramos outros dos apóstolos falando algumas vezes, como porta-vozes dos outros; como João (Marcos 9.38), Tomé, Filipe e Judas (João 14.5,8,22). De modo que isso está longe de ser uma prova de tal primazia e superioridade de Pedro sobre o restante dos apóstolos, como a igreja de Roma lhe atribui. Eles precisam promovê-lo a juiz, quando o máximo que podem fazer dele é que seja apenas o representante dos jurados, que falava em nome dos outros, e que isso somente; não o ditador perpétuo ou o presidente do congresso, somente o presidente de uma ocasião.

A resposta de Pedro é curta, mas abrangente, verdadeira, e objetiva: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Aqui está uma confissão da fé cristã, dirigida a Cristo, e dessa forma transformada em um ato de devoção. Aqui está uma confissão do Deus verdadeiro como o Deus vivo, em oposição aos ídolos tolos e mortos, e de Jesus Cristo, que Ele tinha enviado, e que vive eternamente. Esta é a conclusão de toda a questão.

[1].  As pessoas o chamavam de um profeta, o Profeta (João 6.14); mas os discípulos reconheciam que Ele era o Cristo, o Ungido; o grande Profeta, Sacerdote e Rei da igreja; o verdadeiro Messias prometido aos pais, que asseguravam que Ele era aquele que viria. Era uma grande coisa ter essa crença a respeito de alguém cuja aparência exterior era tão contrária à ideia geral que os judeus tinham do Messias.

[2].  Ele tinha se referido a si mesmo como o Filho do Homem; mas os discípulos consideravam que Ele era o “Filho do Deus vivo”. A noção das pessoas era de que Ele era o fantasma de um homem morto, como Elias ou Jeremias. Mas os discípulos sabem e creem que Ele é o “Filho do Deus vivo”, que é a própria vida, e que Deus deu o seu Filho para dar a vida que existe em si mesmo, para ser a vida do mundo. Se Ele é o Filho do Deus vivo, Ele tem a mesma natureza que Ele; e embora essa natureza divina agora esteja encoberta pela nuvem da carne, ainda assim existem aqueles que conseguem ver através dela, e viam “a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”. Agora podemos, com certeza e fé, aderir a essa confissão? Então vamos a Cristo com fervoroso afeto e adoração, dizendo-lhe: Senhor Jesus, “tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.

(2).  A aprovação de Cristo a essa resposta (vv.17-19) na qual Pedro recebe a resposta, tanto como um crente quanto como um apóstolo.

[1]. Como um crente (v. 17). Cristo se mostra satisfeito com a confissão de Pedro, que foi tão claramente expressa, sem rodeios, como dizemos. Observe que a proficiência dos discípulos de Cristo no conhecimento e na graça é aceitável aos seus olhos; e Cristo mostra a ele de onde Ele tinha recebido o conhecimento dessa verdade. Na primeira descoberta dessa verdade, no amanhecer do dia do Evangelho, essa era uma mensagem poderosa em que alguém poderia crer; nem todos os homens tinham esse conhecimento, não tinham essa mesma fé. Mas:

Em primeiro lugar, Pedro teve essa felicidade: “Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas”. Ele recorda a Pedro a sua origem, a simplicidade da sua família, a obscuridade das suas raízes; ele era Barjonas – o filho de uma pomba, segundo alguns. Ele deve se lembrar da rocha da qual foi extraído, para que possa ver que não nasceu para essa dignidade; mas teve preferência a ela por divino favor; foi a graça divina que o fez diferenciar-se. Aqueles que receberam o Espírito devem recordar quem é o seu Pai (1 Samuel 10.12). Tendo recordado isso a Pedro, Jesus o sensibiliza para a sua grande felicidade como um crente: “Bem-aventurado és tu”. Os verdadeiros crentes são verdadeiramente bem-aventurados, e são verdadeiramente bem-aventurados aqueles a quem Cristo diz: “Bem-aventurados”. Quando Ele diz isso, eles são bem-aventurados, eles se tornam bem-aventurados. Pedro, você é um bem-aventurado, que “conhece o som festivo” (Salmos 89.15). “Bem-aventurados os vossos olhos” (cap.13.16). Toda a felicidade está presente no conhecimento correto de Cristo.

Em segundo lugar, Deus deve receber a glória: “‘Porque não foi carne e sangue quem to revelou’. Tu não recebeste essa informação nem pela invenção da tua própria inteligência e razão, nem pela instrução e informação de outros; essa luz não te veio nem pela natureza nem pela educação, mas do ‘meu Pai, que está nos céus”‘. Observe que:

1.A religião cristã é uma religião revelada, tem a sua origem no céu; é uma religião do céu, dada por inspiração de Deus, não pelo conhecimento dos filósofos, nem pela política dos homens de estado.

2.A fé salvadora é a dádiva de Deus, e onde quer que ela ocorra, ela é operada por Ele, como o Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, em nome dele, e como resultado da sua mediação (Filipenses 1.29). Por isso, vocês são bem-aventurados, porque o meu Pai revelou isso a vocês. Observe que a revelação de Cristo a nós e em nós é um sinal distintivo da boa vontade de Deus, e uma base firme de uma verdadeira felicidade; e bem-aventurados são aqueles que assim são altamente favorecidos.

Talvez Cristo discernisse algo de orgulho e glória vaidosa na confissão de Pedro; um pecado sutil, e que consegue se mesclar até mesmo com as nossas boas obras. É difícil, para os homens bons, compararem a si mesmos com os outros, e não terem um conceito elevado demais de si mesmos. Para evitar isso, devemos considerar que a nossa preferência acima dos outros não se deve a uma realização nossa, mas à dádiva da graça de Deus, que nos foi livremente concedida, e não aos outros. Nós não temos nada de que nos vangloriar (Salmos 115.1; 1 Coríntios 4.7).

[2]. Cristo responde a Pedro considerando-o como um apóstolo ou ministro (vv. 18,19). Pedro, em nome da igreja, tinha confessado a Cristo; portanto, a promessa tencionada à igreja lhe foi revelada. Observe que não se perde nada em se adiantar a confessar a Cristo; pois àqueles que o honram, Ele honrará.