A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

OS EFEITOS DA INFIDELIDADE

A traição conjugal se constitui como uma das experiências mais temidas e devastadoras de um relacionamento amoroso. Geralmente traz consequências ao casamento e ao equilíbrio emocional do casal.

Os efeitos da infidelidade

A infidelidade conjugal talvez seja um dos temas mais complexos no âmbito das relações afetivas.

Carregado de intensa reatividade emocional, sofrimento e forte apreciação negativa, tanto no aspecto moral quanto no aspecto religioso, a infidelidade é um comportamento que ocorre com frequência nos relacionamentos amorosos.

No consultório, a infidelidade aparece representada por um turbilhão de sentimentos intensos e desorganizadores. Raiva, tristeza, ciúmes, dor, desesperança, impotência, vergonha, culpa,  mágoa, ansiedade, confusão em relação aos próprios sentimentos e à vida que se construiu, dúvida em relação a si mesmo, sensação de perda de controle, medo de perda do cônjuge, desejo de morrer ou de desaparecer e desejo de vingança são emoções que se misturam.

Desejo de isolamento e de não querer ver o cônjuge alterna-se aos desejos de proximidade e de explicações minuciosas sobre o ocorrido, associado ao medo de perder o cônjuge e todos os projetos e construções que decorrem da união.

A infidelidade conjugal é vivenciada como um trauma sendo comum, na tentativa de nomear, de representar ou de buscar entendi­ mento para essa dor, a equiparação dessa vivência a acidentes e catástrofes ambientais como forma de demonstrar seu potencial destrutivo e desorganizador. Surgem falas como: “de repente, tudo desmoronou” eu vivi um tsunami. “me sinto devastada, parece que vivi um terremoto”.

A fase aguda dessa experiência é caracterizada pela revelação do comportamento de infidelidade e nesse momento tudo é vivenciado de forma intensa e ambivalente, num processo de grande sofrimento, estranhamento de si e do outro. A infidelidade pode ter efeitos negativos no casamento e se constitui como uma das experiências mais temidas e devastadoras de um relacionamento amoroso, podendo levar à ruptura do vínculo.

De acordo com Scheeren, Apellániz e Wagner, as razões para a infidelidade são as mais variadas, podendo-se notar um ponto em comum entre os estudos. A maioria das pesquisas aponta para fatores relacionados à insatisfação com o relacionamento conjugal e/ou com o cônjuge. Ressaltam, ainda, a busca de amor romântico; aspectos relacionados à sexualidade, como busca de novas experiências sexuais ou insatisfação sexual, busca de liberdade e quebra da rotina, infidelidade como uma resposta à traição sofrida e oportunidade ou um contexto próprio à traição.

Na pesquisa realizada por essas autoras, que teve como objetivo conhecer a vivência da infidelidade em homens e mulheres, foram entrevistados 237 sujeitos que referenciaram terem sido infiéis ao companheiro atual, sendo a amostra composta de 106 homens e 131 mulheres com idade entre 21 e 73 anos. Ficou evidenciada similaridade na proporção dos comportamentos de infidelidade entre homens e mulheres, o que demonstrou uma mudança se comparado com os estudos das décadas de 1980 e 1990, que demonstravam que a infidelidade era um comportamento que predominava nos homens. A pesquisa mostrou, ainda, que os homens justificam a infidelidade na busca de novas experiências em relação ao comportamento sexual. Já as mulheres alegam a procura por envolvimento emocional.

O levantamento demonstrou, também, que a motivação do comportamento de infidelidade tem como pano de fundo a insatisfação afetiva, seja com a relação, seja com o companheiro, corroborando com as pesquisas acerca do tema.

Os resultados do estudo apontaram para a necessidade da compreensão da infidelidade como um fenômeno relacional, emergindo daí também a necessidade de um enfoque relacional para o   tratamento dos casais que vivenciam essa experiência.

Entender a infidelidade conjugal e as circunstâncias ao qual ela emerge se torna um desafio para os profissionais que trabalham com casais e requer um olhar sistêmico.

Compreender a infidelidade conjugal, sob o enfoque da abordagem sistêmica, perpassa tanto pela compreensão dos contextos sociais e culturais e como tais contextos influenciam os valores, as crenças e os modelos relacionais vigentes, em cada época. E como requer a compreensão das histórias individuais e familiares de cada cônjuge na busca pela compreensão dos seus modelos afetivos e pela construção de um sentido ou significado para esse comportamento na história do casal. Nessa perspectiva, compreender a infidelidade requer olhar para três pontos de vista: do cônjuge traído, do cônjuge que traiu e para o ponto de vista da relação.

No livro Amar e Trair, Carotenuto propõe refletir sobre tal comportamento usando a perspectiva etimológica e semântica do verbo “trair”.

Na forma reflexiva, o verbo tradere significa “abandonar-se a alguém”, “dedicar-se a uma atividade”. O substantivo correspondente, traditio, significa “entrega”, “ensinamento”, “narração”, “transmissão de narrações”, “tradição”. Note-se que o nomem agentis (nome do agente) traditor significa tanto “traidor” como “quem ensina”.

A reflexão aponta para o caráter ambíguo do significado da palavra e propõe pensar a infidelidade distanciada dos valores morais, religiosos e da conotação negativa que esses valores impregnam. Na perspectiva desse autor, o distanciamento das díades complementares “traidor­traído” e “culpado-vítima” pode apresentar ensinamentos a ambos os envolvidos e à própria relação.

No setting terapêutico, trabalhar a infidelidade conjugal se constitui uma tarefa complexa, dadas as apreciações morais e carregadas de preconceitos acerca desse comportamento, a polarização dos papéis que se estabelecem no triângulo amoroso, os padrões afetivos disfuncionais e, ainda, pelo fato de que o enfrentamento de uma experiência traumática requer um tempo maior de  processamento quando comparado a outras situações clínicas.

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ABORDAGEM TERAPÊUTICA

O enfrentamento de uma vivência de infidelidade ocorre de maneira gradual sendo considerados três estágios: assimilar o impacto da informação, elaborar a vivência e, por fim, a tomada de decisão ao que se refere manter ou romper com o relacionamento.

O primeiro estágio de enfrentamento está associado à fase aguda da vivência e impõe ao casal assimilar o impacto da descoberta e lidar com os sentimentos negativos que emergem.

Apoio emocional, acolhimento à dor e ao sofrimento e contenção das reações emocionais intempestivas e destrutivas são estratégias de intervenção fundamentais para assegurar o cuidado a todos os envolvidos e, assim, evitar que ocorram situações sem possibilidade de reparação e que venham fragilizar ainda mais o relacionamento.

Negação, instabilidade emocional, ansiedade, desesperança, sintomas, pensamentos somáticos, intrusivos do tipo flashbacks, pesadelos, medo, desmotivação, prejuízo do sono, comprometimento da capacidade funcional são reações naturais e esperadas nesse período de assimilação da informação.

Nessa fase, como o pensamento lógico e a capacidade de reflexão estão comprometidos, é importante que seja constituída uma rede de apoio ao cônjuge magoado como forma de favorecer o restabeleci­ mento do seu equilíbrio emocional e garantir seu autocuidado.

Passada a fase aguda, a elaboração da situação é imprescindível e se torna possível quando o casal apresenta disponibilidade emocional para identificar e compreender os aspectos da relação que culminaram para a existência de conflitos de lealdade.

Se essa tomada de consciência não acontece e a separação passa a ser a única solução para o conflito, é muito provável que, futuramente, essa história seja reeditada, porém com personagens diferentes.

A reedição pode ocorrer, ainda, quando o casal faz a opção pelo esquecimento. Uma característica do comportamento humano é a busca por minimizar eventos dolorosos e desagradáveis. A negação e o não enfrentamento da situação levam à constituição de segredos familiares.

Os segredos estão relacionados a eventos dolorosos de vida e que ocorrem fora das normas sociais e culturais.

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LEALDADE

A constituição de segredos familiares, frequentemente, ocorre por lealdade ou alianças entre os membros de uma família, com o intuito de assegurar proteção e perpetuação da família. Pode ter em sua base aspectos positivos, mas por outro lado abre precedentes para a repetição de padrões disfuncionais, uma vez que o que é negado permanece obscuro e sem possiblidade de resolução saudável.

A fase de elaboração preconiza a busca de um sentido para a experiência dolorosa, por meio da avaliação e compreensão dos fatores que contribuíram para a instalação do comportamento de infidelidade.

Nessa fase, o diálogo respeitoso e acolhedor, mediado por um terapeuta de casal, torna possível legitimar o sofrimento de ambos os cônjuges nessa vivência e dimensionar as consequências para a relação e para as pessoas envolvidas, considerando filhos, família, amigos, entre outras redes.

O espaço de escuta proposto pela psicoterapia favorece a acomodação dos sentimentos e a reorganização da vivência, agora com a perspectiva do cônjuge que traiu. Isso abre possibilidades para a compreensão, para o perdão e para a reparação de elementos da relação que foram deteriorados, como a confiança e o respeito.

Avaliar o relacionamento, como fazer uma espécie de “radiografia do casamento”, no momento em que se instalou o comportamento de infidelidade, é uma estratégia importante dessa fase de enfrentamento para entender o contexto que conduziu ao relacionamento extra­ conjugal.

Nessa avaliação devem ser considerados elementos estruturantes da dinâmica relacional  do  casal, como: comunicação, respeito e admiração,  amizade, companheirismo, intimidade, qualidade do carinho e do sexo, saúde emocional e humor, existência de afinidades de valores e crenças, capacidade de apoio, habilidades para resolução de conflitos, organização dos papéis e das funções na família, divisão de tarefas, entre outros aspectos considerados importantes pelo casal. A proposta desse exercício pode trazer esclarecimentos dos fatores que motivaram o distanciamento emocional e a deterioração da relação.

Analisar os aspectos não propõe estabelecer uma comunicação acusatória para nomear culpados. Ao contrário, auxilia o casal a identificar comportamentos abusivos, negligências, situações de desrespeito e desligamento emocional para que, assim, possa repensar seus padrões de vinculação e interação, bem como as crenças relacionadas ao amor que alimentam padrões disfuncionais na relação.

A avaliação exige de cada cônjuge a necessidade de reconhecer a sua contribuição nas dificuldades do relacionamento e na configuração do conflito.

Outra estratégia de intervenção importante nessa fase é propiciar o conhecimento do funcionamento emocional de cada cônjuge, auxiliando-os a examinar suas histórias pregressas de relacionamento afetivo e os modelos de relacionamentos vivenciados na família de origem para identificar repetições ou, ainda, a existência de tentativas inconscientes de reparar alguma situação vincular mal resolvida.

Analisar a fase do ciclo vital que o casal se encontra também pode trazer elucidações importantes para entender fatores negativos que influenciaram o comportamento de infidelidade. A presença de eventos imprevisíveis no curso de vida da família, como perda do emprego por um dos cônjuges, uma morte prematura, existência de dúvidas na relação e conflitos de lealdade ou o diagnóstico de uma doença física ou emocional, traz desafios e, por vezes, mobiliza ou acentua conflitos na relação conjugal. As próprias crises normativas do desenvolvimento da família, como a chegada de um filho, também impõem desafios e mudanças adaptativas desencadeando estresse e desajustes na relação do casal.

Fatores externos relacionados a hábitos sociais ou hobbies com frequência significativa de eventos sociais, que estabelecem distância física do cônjuge, uso de bebida alcoólica ou de outras substâncias são fatores que geram oportunidades e, portanto, favorecedores para o comportamento de infidelidade.

Atribuir um significado para a vivência dolorosa, seja simbólico ou concreto, marca o fechamento da fase de elaboração.

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APRENDIZADO

O processo de autoconhecimento, o entendimento da dinâmica relacional, as possibilidades de aprendizado e as transformações trazidas por meio da infidelidade abrem caminho para seguir adiante com essa vivência ou apesar dela e se configuram como o último estágio de enfrentamento.

Pensar nas repercussões e nos desdobramentos concretos da infidelidade para o relacionamento faz parte dessa fase, que tem como fechamento a tomada de decisão ao que se refere manter o casamento ou optar pela separação.

Toda crise pressupõe mudança e se constitui como ameaça e/ou oportunidade. A crise provocada por uma relação extraconjugal segue essa perspectiva.

A literatura apresenta posiciona­ mentos distintos entre teóricos do tema, quando falamos das repercussões de uma relação extraconjugal.

Pittman, em seu livro Mentiras Privadas, defende a visão de que a infidelidade é contra o casamento e enfatiza as suas consequências disruptivas à relação. As autoras Nabarro e Ivanir reconhecem o caráter devastador e caótico trazido pela infidelidade, mas reconhecem também, nessa situação, um potencial de desenvolvimento para a relação.

Para elas, a ampliação da consciência do casal, para reconhecer partes suas que tenham sido renunciadas ou negligenciadas na relação, abre espaço para que ambos passem a considerar e satisfazer suas próprias necessidades.

Na perspectiva sistêmica, cada situação de infidelidade é única, particular e cumpre funções e efeitos distintos, podendo, em alguns casos, colaborar para a aproximação do casal e, em outros, gerar ansiedade, distanciamento, mudanças não suportadas e ruptura do vínculo.

Para alguns casais, a iminência de ruptura e de dissolução permite refletir as vicissitudes do vínculo e cria a possibilidade de reformulação, produzindo novas maneiras de vivenciar a sexualidade, a atração, a ternura, a confiança e estabeleci­ mento de acordos de fidelidade.

A literatura referência que a marca da infidelidade na história de um casal ativa, em momentos de fragilidade do vínculo, conteúdos imaginários que se conectam com a experiência vivida no passado e cria um estado confusional no cônjuge que foi traído.

Esse fator aponta para a necessidade de precaução e cuidado do vínculo, sendo necessário, por par­ te do casal, buscar estratégias para o fortalecimento do vínculo.

Na perspectiva terapêutica, o elemento essencial para o fechamento do processo de enfrentamento é a construção de um significado para a vivência. Entender a função desse comportamento para a relação confere a ambos os cônjuges conhecer o seu padrão de vinculação e ampliar seu repertório emocional.

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COMPREENSÃO SOCIOCULTURAL

Da Antiguidade à Idade Média, o casamento, logo, as relações de proximidade e intimidade entre o homem e a mulher, não representava um relacionamento amoroso.

O casamento era restrito à classe social dominante e concebido como um arranjo decorrente das expectativas dos pais dos noivos. Essas alianças familiares tinham como objetivo assegurar a transmissão de patrimônio e poder por herança e a procriação de filhos legítimos.

Nesse cenário, apesar da família e da Igreja exercerem grande interferência na intimidade dos casais, restringindo a vida sexual, tanto dos casados quanto dos solteiros, ao casamento com objetivo exclusivo da procriação, as relações extraconjugais surgiram como forma de dar vazão ou espaço ao desejo, à atração sexual e ao afeto na relação.

Observa-se que, originalmente, no casamento aspectos importantes da relação afetiva, como amor, atração, afeto, paixão, sexualidade e intimidade, não podiam ser vivenciados de forma integrada, necessitando ser destinados a pessoas diferentes.

O sexo, permeado de preconceito, vivenciado como tabu e de forma reprimida, favorecia uma espécie de distinção entre as mulheres na sociedade. De um lado, tínhamos as mulheres que pertenciam à classe dominante e que lhes cabia o papel de “esposa ideal”, às quais estavam destinados os afazeres domésticos, a educação dos filhos e a prática religiosa. De outro lado, tínhamos as “prostitutas” ou a “boa amante”, às quais era permitido o contato sexual mais íntimo, sendo vista como um mero objeto de prazer.

Na década de 1930, a Revolução Industrial colocou o mundo urbano no centro, surgindo assim o fenômeno da migração da massa de trabalhadores para os grandes centros urbanos, em busca de melhores oportunidades e condições de vida. Esse fenômeno abriu espaço para duas novas classes sociais, os em­ pregadores e os empregados. As relações de poder, que na antiga aristocracia se estabeleciam por meio da herança, na sociedade burguesa industrial passam a ser conquistadas, e é a profissão que confere status e espaço social.

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EXIGÊNCIAS

Essa mudança faz novas exigências às pessoas em relação ao estudo e ao trabalho e, consequentemente, no âmbito das relações afetivas.

Nessa nova organização social, o distanciamento entre o campo e o local de trabalho favoreceu uma fragilidade nos laços com as famílias e comunidades de origem, emergindo novas formas de aproximação entre as pessoas.

O casamento abandona o caráter funcional, pragmático e rígido e passa a ser direcionado pela afinidade entre as pessoas, pelos sentimentos e pelas emoções.

A emergência do capitalismo e da sociedade burguesa favoreceu, também, a descentralização do poder da Igreja e, com isso, diminuiu o alcance e o controle sobre a vida das pessoas, conferindo-lhes maior autonomia e liberdade de escolhas.

Um novo modelo social e relacional é instaurado, e no âmbito das relações afetivas o amor conjugal ganha novos contornos pelo direito de escolha do cônjuge e do consentimento mútuo.

É apenas na Modernidade, embasado pelas influências da ideologia burguesa, que o casamento assume a dimensão afetiva integrando amor, escolha pessoal e sexo na relação conjugal.

Esse modelo de relacionamento trouxe aos casais muitas expectativas acerca do amor e da felicidade conjugal e familiar.

Baseado no amor romântico, esse modelo tinha como premissas: o amor à primeira vista, o amor eterno, a noção de par complementar, a busca de validação de si no outro, a fidelidade, a monogamia e a distinção dos papéis e funções baseados em gênero. Nesse espaço, homem e mulher assumiam o papel de pai e mãe, marido e esposa e masculino e feminino.

Apesar de todas as transformações na conjugalidade, o vivenciar da sexualidade e do prazer, por meio do sexo, era algo, basicamente, dirigido ao homem, dada a sua posição social lhe conceber poder, maior liberdade e trânsito social. À mulher era restrito o ambiente doméstico e religioso, o que dificultava o seu acesso à sociedade.

Logo, esse modelo de amor e sua idealização conduziram homens e mulheres a decepções decorrentes da quebra de expectativas, trazendo um elemento importante a ser considerado e que, mais tarde, se tornaria balizador das relações amorosas: a satisfação.

Ao longo do século XX, diversas transformações foram determinantes para as mudanças nos papéis de gênero e, logo, para as transformações nos padrões relacionais.

Nas décadas de 1970 e 1980, a inserção e a participação da mulher na sociedade ganharam expressão, destacando-se a conquista da autonomia e da independência financeira.

Esses fatores contribuíram para alterar a hierarquização dos papéis de gênero, no qual as relações assumiram uma condição mais igualitária, tanto no espaço social quanto no espaço privado das relações.

METÁFORA

O filme Shirley Valentine representa uma metáfora que traduz a mulher e seus anseios, na década de 1980, em um cenário de repressão sexual, de aprisionamento ao ambiente doméstico e solidão, na busca por transformações e vislumbrando ressignificar seu papel e sua forma de se relacionar afetivamente.

No filme, Shirley, representada por Pauline Collins, é uma dona de casa aprisionada ao papel de esposa, mãe e dona de casa exemplar e submissa ao marido. Joe, representado por Barnard Hill, é um homem rígido e pouco afetivo. O casamento vivido por eles é caracterizado pela falta de atenção, de companheirismo e de carinho por parte do marido.

Solidão e vazio marcam a vida dessa mulher de meia-idade, até que o convite de uma amiga para uma viagem à Grécia leva Shirley a encontrar novos significados para a vida e para sua existência.

No filme, a relação com o amante grego possibilita que Shirley vivencie não somente a satisfação sexual, mas proporciona o contato com seu feminino, esmaecido no papel de dona de casa perfeita, e possibilita repensar suas decisões e escolhas na vida.

Nesse contexto, a relação extraconjugal permanece cumprindo um papel integrador à medida que possibilita que partes renunciadas sejam, agora, consideradas, na forma de se relacionar consigo mesma e com o marido. Em uma de suas reflexões, Shirley expressa: “Eu não me apaixonei por ele. Eu estou me apaixonando pela ideia de viver”.

Na proposta de Carotenuto, Shirley se deu a chance de ser fiel a si mesma e de resgatar partes suas renunciadas pela dedicação ao outro.

OUTROS OLHARES

O DESDOBRAMENTO DOS SMARTPHONES

Chinesa Huawei e sul-coreana Samsung lançam celulares com telas que dobram e deixam a americana Apple para trás.

O desdobramento dos smartphones

Surgiu uma nova categoria de smartphones que muda os rumos da tecnologia: o celular dobrável. Híbrido de celular com tablet, ele proporciona ao usuário tanto a experiência de carregar um aparelho pequeno, que cabe em uma mão e é de fácil manuseio, quanto poder transformá-lo em uma tela grande com até 8 polegadas, em que é possível abrir vários aplicativos ao mesmo tempo. No domingo 24, a chinesa Huawei, segunda companhia que mais fabrica celulares do mundo, apresentou seu modelo Mate X, na Mobile World Congress (MWC), em Barcelona, o maior congresso mundial de telefonia móvel. Além de dobrar, o aparelho já vem com 5G, uma conexão tão rápida que, segundo a empresa, conseguiria fazer o download de um vídeo de 1 GB em apenas três segundos. A previsão é que chegará ao mercado internacional apenas no final de 2019, e o preço estimado é tão impressionante quanto o próprio aparelho: US$ 2.600, cerca de R$ 9.700.

A chinesa veio na cola da Samsung, que ocupa o primeiro lugar como maior fabricante de smartphones do mundo. Uma semana antes, em São Francisco, a sul-coreana também apresentou seu primeiro modelo dobrável, o Samsung Galaxy Fold. Igualmente preparado para o 5G, o modelo possui diferenças em relação ao chinês, como a maneira que dobra sua tela. O Galaxy Fold se fecha “para dentro”, como um livro, e tem duas telas, uma para o formato menor e outra para quando está aberto. A rival tem apenas uma tela, que dobra “para fora” e fica menor porque se divide ao meio. O valor da Samsung é mais convidativo que o do concorrente, US$ 2 mil (cerca de R$ 7.500), uma diferença que se reflete no aparelho.

A tela do Samsung é ligeiramente menor quando está aberto, 0,7 polegadas a menos em relação ao modelo da Huawei. Além disso, quando fechado tem 14mm de espessura, três a mais que o concorrente. A memória também possui leves discrepâncias. O modelo da Samsung, apesar de ser superior quanto à RAM, com 12 GB, não consegue expandir sua capacidade de armazenamento de 512 GB. Já o aparelho da Huawei possui 68 GB de memória RAM e consegue ampliar o armazenamento. As câmeras de ambos impressionam, assim como as baterias duplas de alta capacidade de armazenamento. Apesar dos dois modelos permitirem carregamento de bateria sem fio, a chinesa possui o super charge de 55W, que permite recuperar até 85% da bateria em apenas 30 minutos.

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CORRIDA TECNOLÓGICA

Independente das diferenças, o fato é que o mercado de celulares entrou por uma nova rota. É de se surpreender que a americana Apple não esteja lado a lado na inovação, já que outrora foi quem mais revolucionou a relação dos consumidores com os aparelhos móveis. O presidente americano, Donald Trump, está incomodado com a liderança da Huawei, mas os motivos são outros. No ano passado, ele proibiu o uso da tecnologia da chinesa pelo governo por acreditar que é uma ameaça à segurança nacional. A CFO e filha do cofundador da empresa, Meng Wanzhou, chegou a ser presa sob acusação de ter violado sanções internacionais para fazer negócios com o Irã e pagou uma fiança de US$ 7,5 milhões. Agora os “applemaníacos” torcem pela chegada do iPhone dobrável. E aqueles dispostos a desembolsar milhares de dólares pelos aparelhos já anunciados terão de torcer para que sua durabilidade seja tão satisfatória quanto a inovação de suas telas.

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GESTÃO E CARREIRA

LIDERE

Lidere

Liderar é arte de adquirir confiança de um grupo e se tornar responsável por mobilizar, preparar, tomar decisões e obter resultados. Sem desenvolvimento constante, as equipes ficam estagnadas, paradas e perdem o brilho, a motivação e o ritmo certo para o trabalho render mais. Não existe o certo e o errado, sempre digo que o principal é o resultado. Se ele é positivo lhe aproximará de seus objetivos e quando contrário, lhe afasta. Você precisa decidir enquanto líder de sua vida, de sua empresa, de suas ações, como se superar, a cada dia, a cada hora. É o que o mundo dos negócios nos demanda, superação e crescimento constante.

Você conhece alguma empresa que planeja diminuir suas vendas no ano seguinte? Você já ouviu falar de alguém que pretende reduzir seu salário por que está ganhando demais?

Se queremos sempre mais, temos que fazer sempre mais. Líderes devem refletir onde estão os limites da sobrecarga de trabalho que demanda o crescimento, no entanto, o pensamento limitante não pode ser aceito, derivados de comodismo e falta de atitude, como se vê no mundo empresarial, fatos como, 20% de uma equipe faz 80% do resultado (lei 80/20), e ainda, muita gente pensa e age mediocremente, dizendo não ser pago para fazer mais por sua empresa. É extremamente necessário que se tenha prazer pelo que se faz, ou que se faça aquilo que nos dá prazer, pois sem isso, o trabalho faz jus a origem da palavra:

A palavra “trabalho” tem sua origem no vocábulo latino “TRIPALIU” – denominação de um instrumento de tortura formado por três (tri) paus (paliu). Desse modo, originalmente, “trabalhar” significa ser torturado no tripaliu. 

O título deste artigo é a denominação em acróstico (palavra que forma uma sigla abreviando outras palavras), LI.DE.RE. – que, como já perceberam no início, refere-se a aquilo que eu considero primordial para obter sucesso com inteligência: Liderança, Desenvolvimento e Resultados.

Sucesso em Vendas e Inteligência em Vendas são meus livros e minha história como profundo interessado no crescimento das empresas, das pessoas. Como vendedor, sempre fui obstinado ao resultado, como todos que vivem a pressão de vencer a briga diária dos nãos, do atingir metas, de defender sua sobrevivência e crescer. Acordar desempregado todo dia não é fácil, mas é assim que um vendedor se sente. Não temos sonhos, mas metas e isso determina que vencer um determinado momento, não basta. A meta do mês passado não pode servir de alento para o mês seguinte. Quando vivemos de vender aprendemos que tudo é importante, cada detalhe, cada oportunidade. Na vida é assim também, especialmente quando assumimos o desafio de liderar outras pessoas. Durante 16 anos, treinando e liderando equipes comerciais, posso concluir que o mais importante o segredo do sucesso está nos 3 R’s que citei em último livro: Regras, Reconhecimento e Resultado.

Eles têm tudo a ver com o conceito LI.DE.RE: Liderar sem regras não é liderar, é fingir que o faz. Um líder define prazos, cria metas com a equipe e os ajuda a atingi-las. Mas todos sabem que existe um tempo para isso e riscos, afinal a empresa depende disso. Desenvolver sem reconhecer não dá o significado que todo ser humano precisa: ter causas para repetir, como por exemplo, ao elogiar alguém em público, estamos praticando uma das mais valiosas ferramentas de liderança, pois o elogiado sente-se na obrigação de repetir aquilo que fez, tem valor para ele. Quando treinamos alguém e não monitoramos e reconhecemos avanços, estamos dizendo que o treinamento não teve tanto valor, ou ainda, é como um pai que paga os melhores colégios para seu filho e, portanto, quer as melhores notas.

Tenho grande envolvimento com as equipes comerciais de meus principais clientes e neles pratico o programa de desenvolvimento intitulado LIDERE (LIderança | DEsenvolvimento | Resultados) que é resumidamente a forma mais intensa e efetiva de capacitar uma equipe comercial, com treinamentos regulares e com o acompanhamento em grupo, para corrigir desvios e medir avanços. Por fazer este trabalho consultivo e próximo dos problemas e desafios destas empresas, posso lhe garantir que treinamento deve começar de cima, pelos líderes e tem que ter a proposta de aplicação real na empresa, do contrário, é só motivação convencional.

Para finalizar, Resultado é o que vale. Não adianta ser competente se não tem resultados e tem muita gente que vive da média, de ser mediano, e ainda, líderes que nada fazem para mudar isso: Médio me lembra medíocre e faz com que se perpetue na empresa a lei de dar desculpas, de explicar, de culpar os outros e de fazer só o que é pago para fazer. Mudança como liderança, é o que realmente faz de você e de sua equipe, um sucesso.

 

MARCELO ORTEGA – Palestrante Internacional, especialista em desenvolver equipes comerciais. Autor do best-seller Sucesso em Vendas – Ed. Saraiva (base de seu treinamento de vendedores) e Inteligência em Vendas Ed. Saraiva (base do programa LIDERE – desenvolvimento de liderança inteligente

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 23: 19-28

Alimento diário

OS CONSELHOS DOS PAIS

 

V. 19 a 28 – Aqui há bons conselhos para que os pais deem a seus filhos; palavras são postas em suas bocas, para que possam instruí-los no caminho que devem percorrer. Aqui temos:

I – Um sincero apelo  para  que os  jovens  deem atenção ao conselho de seus devotos pais, não  somente a este, que é aqui dado, mas a todas as outras instruções benéficas: “Ouve tu, filho meu, e sê sábio” (v. 19). Esta será uma evidência de que és sábio, e um meio de te tornar mais sábio. A sabedoria, como a fé, vem pela audição. E, novamente (v. 22): “Ouve a teu pai, que te gerou”, e que, portanto, tem autoridade sobre ti, e afeto por ti, e, podes ter certeza, não tem outra intenção além do teu próprio bem. Nós devemos ter reverência pelos pais da nossa carne, que nos geraram, e foram os instrumentos da nossa existência; e muito mais devemos obedecer e ser sujeitos ao Pai dos nossos espíritos, que nos criou e é o Autor da nossa existência. E, uma vez que a mãe também, por um senso de dever para com Deus, e pelo seu amor por seu filho, lhe dá boas instruções, este não deverá desprezá-la, nem ao seu conselho, quando ela envelhecer. Quando a mãe envelhece, supomos que os filhos já estão crescidos; mas que eles não se julguem não precisando mais ser ensinados, mesmo que por ela, mas, em vez disto, que a respeitem ainda mais, pelo seu número de anos, e a sabedoria que eles ensinam. É possível que os jovens insolentes e escarnecedores zombem dos bons conselhos de um a mãe idosa, e se julguem não interessados em ouvir o que uma mulher idosa diz: pois os que assim fazem terão muito que explicar em outro dia, não somente por terem reduzido a nada um bom conselho, mas por terem desprezado e entristecido uma boa mãe (Provérbios 30.17).

 

II – Um argumento para reforçar este apelo, extraído da grande consolação que isto será para seus pais (vv. 24,25). Observe:

1. E dever dos filhos examinar como podem alegrar os corações de seus bons pais, e fazer isto cada vez mais, de modo que os pais possam ter grande alegria com os filhos, mesmo quando vierem os maus dias e aqueles anos, sobre os quais os pais dizem não ter nenhum prazer, senão este, ver seus filhos fazendo o bem, como Barzilai, ao ver Quimã promovido.

2. Os filhos serão uma alegria para seus pais, se forem justos e sábios. A justiça é a verdadeira felicidade; os que fazem o bem também o terão. São exatamente como devem ser aqueles que não são somente sábios (isto é, que têm conhecimento e instrução), mas justos (isto é, honestos e bons), e não somente justos (isto é, conscienciosos e com boas intenções), mas sábios (isto é, prudentes e criteriosos) no controle de si mesmos. Se os filhos forem assim, especialmente todos os filhos, o pai e a mãe se alegrarão, e não julgarão demasiado nada do que tenham feito, ou façam, por eles; eles se alegrarão neles, e darão graças a Deus por eles; particularmente, aquela que os gerou com dores, e que os amamentou com sofrimentos, se alegrará neles, e se considerará recompensada, e a tristeza será mais do que esquecida, porque um homem sábio e bom é o produto de tudo isto. o tal homem é uma bênção para o mundo em que nasceu.

 

III – Alguns princípios gerais, de sabedoria e virtude.

1. “Dirige no caminho o teu coração” (v. 19). É o coração que deve ser cuidado e dirigido corretamente; os movimentos e os sentimentos da alma devem se dirigir a objetos corretos, sob uma orientação firme. Se o coração for dirigido em seu caminho, os passos serão guiados, e o modo de vida bem ordenado.

2. “Com­ pra a verdade e não a vendas” (v. 23). O coração deverá ser guiado e governado segundo a verdade, pois sem a verdade não há bondade; não há práticas regulares sem princípios corretos. É pelo poder da verdade, que se conhece e na qual se crê, que devemos ser mantidos longe do pecado, e coagidos ao dever. O entendimento deve ser bem informado com sabedoria e instrução, e por isto:

(1) Devemos comprá-lo, isto é, devemos estar dispostos a nos separar de qualquer coisa por ele. Salomão não diz quanto devemos pagar para comprá-lo, porque não temos muitos recursos para pagar por ele; porém ele deixa claro que devemos tê-lo a qualquer preço; por mais elevado que seja o custo, não nos arrependeremos da negociação. Quando tivermos que gastar para obter o conhecimento, e decidirmos não deixar de nutrir uma causa tão boa, então compramos a verdade. As riquezas devem ser empregadas para a obtenção do conhecimento, e não o conhecimento, para a obtenção de riquezas. Quando nos empenhamos na busca da verdade, para que possamos ter o conhecimento dela, e possamos distinguir entre ela e o erro, então a compramos. O céu concede tudo ao diligente. Quando preferimos sofrer perdas em nosso interesse temporal a negar ou negligenciar a verdade, então a compramos; e ela é uma pérola de tal preço, que devemos estar dispostos a nos separar de tudo, para comprá-la. Podemos perder todas as coisas como, por exemplo, as nossas propriedades, o nosso comércio, e a nossa primazia; porém jamais poderemos perder a fé e a boa consciência.

(2) Não devemos vendê-la. Não se separe dela, por prazeres, honras, riquezas, quaisquer coisas deste mundo. Não negligencie o estudo dela, nem lance fora a profissão dela, nem se revolte sob o domínio dela, para obter ou conservar qualquer interesse secular. Agarre a forma de palavras genuínas, e nunca se separe dela, quaisquer que sejam as condições.

3. “Dá-me, filho meu. o teu coração” (v. 20). Deus, nesta exortação, nos fala como a filhos: “Dá-me, filho, filha, o teu coração”. O coração é aquilo que o grande Deus exige de cada um de nós; se não lhe dermos os nossos corações, Ele não aceitará as outras ofertas que lhe dermos. Devemos fixar nele o nosso amor. Os nossos pensamentos devem estar sempre voltados a Ele, e estar nele, como nosso fim mais sublime. A. intenções de nossos corações devem estar fixadas. Nós devemos assumir o compromisso de nos devotar ao Senhor, e devemos ser livres e alegres ao fazê­lo. Não devemos pensar em dividir o coração entre Deus e o mundo; Ele terá tudo ou nada. ”Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração”. A este apelo, devemos responder, prontamente: meu Pai, toma o meu coração, tal como ele é, e torna-o como ele deve ser: toma posse dele, e estabelece nele o teu trono.

4. “Os teus olhos observem os meus caminhos”; conserve teus olhos no governo da Palavra de Deus, na conduta da sua providência, e nos bons exemplos do seu povo. Os nossos olhos devem guardar estas coisas, como aquele que escreve guarda a sua cópia, para que possamos nos manter nos caminhos cor­ retos, e seguir e perseverar neles.

 

IV – Algumas advertências em particular contra os pecados que são, entre todos os pecados, os mais destrutivos às sementes de sabedoria e graça na alma, que a empobrecem e destroem.

1. A glutonaria e a embriaguez (vv. 20.21). O mundo está cheio de exemplos deste pecado, e de tentações a ele, e todas as pessoas devem montar guarda contra este pecado, e manter distância dele. “Não estejas entre os beberrões de vinho”. Não estejas entre os comilões de carne, como os israelitas, que a desejavam intente, dizendo: “Quem nos dará carne a comer?” Ao passo que Paulo, ainda que fosse livre para comer carne, decidiu que se fosse necessário não comeria carne, enquanto houvesse mundo, para que seu irmão não se ofendesse; tão indiferente ele era para com a carne (1 Coríntios 8.13). Não estejas entre os comilões de carne”. A intemperança deve ser evitada na comida, bem como na bebida. Não seja um comedor voluptuoso de carne, não se satisfaça com nada, exceto o que são pratos simples e agradáveis, saborosos. Alguns não têm somente prazer, mas orgulho de serem diferentes ou até mesmo estranhos em sua dieta e, como dizem, ao comer bem; como se isto fosse o ornamento de um nobre, quando é, na verdade, a vergonha de um cristão, fazendo do ventre um deus. Não sejas um beberrão de vinho, nem um comilão de carne; e, portanto, não estejas entre os beberrões de vinho, nem entre os comilões de carne; não os tolere, para que não apresse os seus caminhos e não caias, sem perceber, nesses –            ou, pelo menos, não percas o temor e a abominação deles. Os beberrões de vinho e os comilões de carne cobiçam que estejas no meio deles; pois os que são corruptos são muito desejosos de corromper os outros; por isto, não os gratifiques, para que não corras perigo. Salomão baseia o argumento contra este pecado no seu preço, e na tendência que ele tem de empobrecer os homens; e se os homens não forem afastados de tais práticas, sabendo da destruição que elas  trazem a seus interesses seculares, que estão mais próximos de seus corações, não é de admirar  que não sejam afastados delas pelo que ouvimos da Palavra de Deus sobre o mal que isto lhes faz, em seus interesses espirituais e eternos. O bêbado e o glutão detestam ser transformados, ainda  que ouçam que serão pobres, ou melhor, ainda que lhes seja dito que irão para o inferno. A embriaguez é a causa da sonolência; ela atordoa os homens e os tornam desatentos aos negócios, e então tudo é arruinado: assim, os homens que outrora viveram com credibilidade acabam com as  vestes rotas.

2. Prostituição. Este é outro pecado que tira o coração que deveria ser dado a Deus (Oseias 4.11). Salomão mostra o perigo que acompanha este pecado (vv. 27,28).

(1) É um pecado do qual poucos se recuperam, uma vez envolvidos nele. É como uma cova profunda e um poço estreito, de onde é quase impossível sair; portanto, é sensato manter-se à distância dele. Tome cuidado para não fazer qualquer aproximação deste pecado, porque é difícil afastar-se dele, com a consciência, que deveria liderar a retirada, corrompida por ele, e a graça divina, perdidas.

(2) É um pecado que enfeitiça os homens, até a sua ruína; como um salteador, ela se põe a espreitar, fingindo amizade, mas tencionando com a maior perversidade, roubá-los de tudo o que têm que é valioso, despi-los de sua armadura e de seus ornamentos. Até mesmo os que, tendo sido virtuosamente educados, se esforçam para repelir a adúltera, ela os espreitará, para que possa atacá-los quando não estiverem vigilantes, e ela terá vantagem sobre eles. Que ninguém, portanto, se sinta seguro, em nenhum momento.

(3) É um pecado que contribui, mais do que qualquer outro, para a disseminação da perversidade e da imoralidade em um reino: ela “multiplica entre os homens os iníquos”. Uma adúltera, uma prostituta, pode ser a ruína de muitas almas preciosas, e pode ajudar a corromper uma cidade inteira. Ela multiplica os traidores ou pérfidos; não somente dá oportunidades para que os esposos sejam falsos com suas esposas. e os servos, com seus senhores, mas também para que muitos que professavam religião lancem fora a sua profissão e rompam o concerto com Deus. As casas de impureza são, portanto, casas de peste, que devem ser suprimidas por aqueles cuja função é cuidar do bem-estar público.