A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

HORÁRIO DAS REFEIÇÕES REGULA RELÓGIO BIOLÓGICO

Horário das refeições regula relógio biológico

Investigando a complexa maquinaria do relógio biológico que controla os ritmos circadianos (como o ritmo da temperatura corporal, o ciclo vigília-sono e diversos ciclos hormonais), pesquisadores da Universidade Harvard encontraram um relógio secundário, associado à alimentação, que exerce um papel importante na sincronização de nossas funções fisiológicas ao ciclo ambiental de 24 horas.

Publicado na revista Science, o artigo explica como os mamíferos tiveram de adaptar seus ritmos circadianos para evitar longos períodos de jejum. Esse relógio secundário parece ter sido uma vantagem evolutiva que favoreceu a sobrevivência, na medida em que permitiu que os animais alternassem períodos de sono e vigília de modo a maximizar as oportunidades de encontrar com ida.

Os autores acreditam que esses conhecimentos podem ter aplicação prática. Segundo eles, estratégias relacionadas ao horário das refeições ajudariam tanto as pessoas que passam pelos efeitos desagradáveis do jet-lag como trabalhadores em turno que enfrentam vários problemas, físicos e mentais, decorrentes da alteração de seus ritmos biológicos.

OUTROS OLHARES

OS SUPERIDOSOS

De acordo com a tendência mundial, brasileiros chegam aos 90 anos lúcidos e ativos, apesar das dores do tempo. Levar uma vida saudável desde sempre é mais importante que a genética, dizem os pesquisadores.

Os superidosos

Os brasileiros que atingiram mais de nove décadas de vida somam 775 mil em 2019. Em termos demográficos, são menos de 0,5% da população e, junto com os octogenários, formam o grupo etário que mais cresce proporcionalmente. Em 2049, quando a turma que faz 60 este ano chegar aos 90, eles serão quase 3,5 milhões. Alguns deles aproveitam a vida bem melhor do que os mais jovens, incluindo aí as turmas dos 70 e 80 anos. Ainda que a classificação científica não exista, a vida de qualidade que levam permite que sejam chamados de superidosos, mesmo diante das dores e das limitações inevitáveis. Para os pesquisadores, o segredo não estaria na busca pela juventude nem nos genes, mas nos cuidados anteriores que mantiveram com a saúde e no estilo de vida que cultivam, com amizades e atividades.

“A genética é responsável por apenas 25% do envelhecimento saudável. A maior parte vem das condições ambientais”, diz o infectologista e especialista em envelhecimento Alexandre Kalache. Essas constatações surgiram após observações nas comunidades mais longevas do mundo, na ilha de Okinawa, no Japão, Nikoya, na Costa Rica, e Ogliastra, na Sardenha, onde não raro alguém atinge 100 anos. No Brasil, a expectativa de vida cresce e atinge todas as classes sociais. “Os problemas de alguns nonagenários são iguais aos de quem tinha 70 anos há três décadas”, diz Carlos Uehara, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).

O anúncio de que a designer e empresária americana Iris Apfel foi contratada aos 97 anos pela IMG Models é o exemplo extremo de que a vida segue para quem está bem e antenado. A agência cuida de fashionistas como Gisele Bündchen, Cindy Crawford e Tyra Banks. As contribuições de Apfel lhe renderam, desde 2005, um livro, documentários e exposições. No Brasil, a peça “Através da Iris” é estrelada por Nathalia Timberg, de 89 anos.
O estilo de vida também explica a disposição da professora universitária aposentada Nora Rónai, do Rio de Janeiro. Aos 93 anos, ela mantém uma prazeirosa rotina de exercícios, leituras e afazeres. “Sou uma apaixonada pelo divertimento”, afirma. Nadadora, ela lamenta que uma dorzinha persistente nos joelhos a fez diminuir os mergulhos na piscina do Clube Guanabara para apenas dois dias por semana. Os 1,6 mil metros caíram para 1,2 mil metros. Já a rotina de musculação leve com sua personal trainer foi mantida. Nora jura que nada a incomoda. Frugal, seu único exagero é comer um pedaço de frango frito de vez em quando.

Praticante de salto ornamental até os 30 anos, foi campeã brasileira e vice sul-americana. Parou após a segunda gravidez, quando percebeu que já não tinha a mesma elasticidade que as concorrentes adolescentes. A genética ajudou, pois Nora sempre manteve o peso do início da vida adulta. Porém, o que conta é a cabeça. Todas as manhãs ela gasta uma hora cuidando das plantas. À noite, lê em português, inglês, italiano e húngaro no tablet que ganhou da filha, a escritora Cora Rónai. Ela prefere os contemporâneos, como Svetlana Aleksiévitch e Yuval Harari.

Com ânimo e ignorando o marca-passo, o ex-desenhista Carlos Alberto Manço resolveu enfrentar a viuvez estudando. Aos 91 anos, cursa o segundo ano de arquitetura em Ribeirão Preto (SP). Senta nas primeiras cadeiras para compensar a perda de audição. Por detestar ser chamado de senhor pelos colegas 70 anos mais jovens, virou o Carlão. “Mais de 90% dos meus amigos já morreram. Ganhei novos. A molecada me faz sentir como um ‘garoto’ de 65”, brinca. Carlão tem planos para quando se formar, aos 95 anos. Quer atuar no escritório de arquitetura de seu neto.

VIAGENS E COMPANHIA

Outra serelepe é Maria de Freitas Panadés. Viúva há 32 anos, aos 95 ela não sabe o que é ficar em casa. Decana de um grupo de senhoras, foi para a Argentina quatro vezes e deve ir ao Chile em setembro. Sem doenças crônicas, só reclama de algumas dores. Ela vive com o filho, o neto e duas domésticas, o que lhe garante casa cheia. A única queixa: “Não tenho companhia para o pilates”, diz.

Respeitadas a fortuna e os tratamentos, Carlão, Nora e Maria não diferem tanto do ator americano Dick Van Dyke. Aos 93 anos, ele atuou e dançou em “O Retorno de Mary Poppins”, continuação do filme de sucesso que estrelou em 1964. Van Dyke precisou de maquiagem para parecer mais envelhecido, provando que hoje os 90 são os novos 70.

Os superidosos. 2

GESTÃO E CARREIRA

EMPATIA X SIMPATIA

Eu já vi este filme: o executivo se queixa da incompetência dos funcionários, das exigências dos chefes, da eterna insatisfação dos clientes, entre outras lamúrias corporativas. Ele é, certamente, a vítima do sistema. Os outros não o compreendem e não fazem nada por ele.

Empatia X Simpatia

Quando alguém tem essa postura, pode acreditar, não tem a menor ideia do que se passa no peito de seus funcionários, de seus patrões e de seus clientes. Ele não conhece os sentimentos e as expectativas dos outros. Não conhece e não se interessa. Só as suas dores e vontades valem, por isso ele é o eterno injustiçado – aspirante a bem-sucedido-executivo-frustrado.

Nessa hora, sabe o que resolve? Uma boa dose de empatia. Que é bem diferente de simpatia. As duas palavras vêm do grego e têm a mesma raiz: pathos, que, em sua origem, significa doença ou padecimento – mas que também tem o significado de paixão ou emoção forte. Simpatia, entretanto, usa o prefixo sim, que significa junto, ao lado de. O prefixo de empatia é eu, que remete ao interior, estar dentro de, junto de verdade. O simpático está ao seu lado; o empático está com você. O simpático olha para você; o empático o toca, mesmo que não use as mãos. O simpático é agradável; o empático é necessário.

Se alguém mostra simpatia quando você está com um grande problema, está sendo educado, solidário, compreensivo. Mas quem é empático mostra solidariedade real, disposição genuína em colaborar. O simpático tenta demonstrar seu ponto de vista. O empático quer ouvir, abrir espaço para que você desenvolva sua própria compreensão. Se você conta, em uma mesa de bar, que seu casamento acabou, o simpático vai dizer para você não ficar triste. O empático vai entender que isso não é possível, e vai oferecer a você um olhar de cumplicidade. Se precisar desabafar, prefira o empático.

Nas relações profissionais, a empatia está longe de ser um sentimento do mesmo grupo da compaixão e da solidariedade. Está mais para a turma da sociabilidade e do compromisso com o resultado. Praticar empatia ajuda o médico a tratar melhor seu paciente, o vendedor a atender o cliente com mais propriedade, o líder a comandar sua equipe com mais eficiência. Definitivamente, a empatia colabora mais com o sujeito do que com o objeto. É, portanto, um atributo da inteligência emocional que tem imenso impacto na liderança, nos negócios e nas carreiras. Vale a reflexão.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 24: 30-34

Alimento diário

A VINHA DO PREGUIÇOSO

 

V. 30 a 34 – Aqui temos:

1. A visão que Salomão teve do campo e da vinha do preguiçoso. Ele não foi com o propósito de vê-los, mas, ao passar por ali, observando a produtividade do solo, como é muito apropriado que façam os viajantes, e a administração que o seu súdito fazia da sua terra, como é muito apropriado que façam os magistrados, Salomão lançou um olhar para um campo e uma vinha, diferentes dos demais; pois, embora o solo fosse bom, não havia nada crescendo nele, exceto cardos e urtigas, não um aqui e outro ali, mas todo o terreno estava coberto de ervas daninhas; e, se tivesse havido algum fruto, teria sido comido pelos animais, pois não haja cerca; a parede de pedra estava derribada. Veja os efeitos daquela maldição sobre o solo (Genesis 3.18), “Espinhos e cardos também te produzirá”; nada além disto, a menos que te esforces com a terra. Veja que bênção para o mundo é o trabalho do agricultor, e que inverno seria esta terra, a própria Canaã, sem este trabalho. O próprio rei se serve do campo, mas seria mal servido, se Deus não ensinasse ao agricultor discernimento e diligência para limpar o terreno, plantar, semear e cercar o terreno. Veja a grande diferença que existe entre uns e outros, na administração, até mesmo de seus assuntos terrenos, e quão pouco alguns se preocupam com a sua reputação, não se importando se declaram a sua preguiça, nos seus resultados manifestos, a todos os que passam, nem se envergonhando pela diligência de seu vizinho.

2. As reflexões que ele fez, sobre isto. Salomão fez uma pausa, e considerou, olhou novamente, e recebeu instrução. Ele não explodiu em censuras inflamadas ao proprietário, não o xingou, não o ofendeu, mas se esforçou para obter benefícios da observação e para ser incitado à diligência pela observação. Observe que os que devem dar instrução aos outros devem receber instrução, e a instrução pode ser recebida, não apenas do que lemos e ouvimos, mas do que vemos, e não somente do que vemos das obras de Deus, mas do que vemos das maneiras do homem, e não somente das boas maneiras do homem, mas também de suas más maneiras. Plutarco narra uma frase de Cato Major: “Que os sábios se beneficiem mais dos tolos do que os tolos, dos sábios; pois os sábios evitarão os erros dos tolos, mas os tolos não imitarão as virtudes dos sábios”. Salomão reconheceu que recebeu instrução por esta visão, ainda que ela não lhe sugerisse nenhuma nova noção ou lição, mas somente o lembrasse de uma observação que ele mesmo tinha feito anteriormente, tanto sobre a ridícula tolice do preguiçoso (que, quando tem trabalho necessário para fazer, fica cochilando na cama, e clama, “Um pouco de sono”, adormecendo um pouco, encruzando as mãos outro pouco, para estar deitado, até que tenha se cansado de dormir, e, em vez de se revigorar e capacitar, pelo sono, para o trabalho, como os sábios, ele é entorpecido, e aturdido, e não serve para nada), e sobre a desgraça que lhe sobrevirá: “assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão”; ela se aproxima constantemente dele, e logo estará sobre ele, e deseja se apoderar dele, de maneira tão irresistível como um homem armado, um ladrão que o privará de tudo o que tem. Isto se aplica, não somente aos nossos assuntos terrenos, para mostrar que coisa vergonhosa é a preguiça, e o quanto é nociva para a família, mas também aos assuntos de nossas almas. Observe:

(1) As nossas almas são os nossos campos e vinhas, de que cada um de nós deve cuidar, e podar, e guardar. Eles podem ser aproveitados, com boa administração; para que possam ser obtidos deles o que serão frutos abundantes, para nós. Nós somos incumbidos deles, para ocupá-los, até a vinda do nosso Senhor; e é necessário que tenhamos uma grande quantidade de esforço e cuidados com eles.

(2) Estes campos e vinhas frequentemente estão em péssima condição, não somente sem produzir frutos, mas completamente tomados de cardos e urtigas (desejos desordenados, que coçam e aferroam, e paixões, soberba, cobiça, sensualidade, maldade, tudo isto são os cardos e a urtiga, as uvas bravas, que produz o coração descontente), não são protegidos do inimigo, mas a parede de pedra está derribada, e tudo está exposto.

(3) Isto se deve à preguiça e à tolice do pecador. Ele é preguiçoso, adora dormir, detesta o trabalho; e ele é falto de entendimento, não entende os seus deveres nem os seus interesses; ele está completamente enlouquecido.

(4) O resultado certamente será a destruição da alma e de todo o seu bem­ estar. É a necessidade eterna que assim sobrevém, como um homem armado. Nós conhecemos o lugar destinado ao servo ímpio e preguiçoso.