A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O CRESCIMENTO DO TRANSTORNO OPOSITIVO DESAFIADOR

A prevalência do TOD em diagnóstico isolado atualmente é de aproximadamente 6% a 16%; a incidência como comorbidade secundária no TDAH é de 50%, e no autismo esse percentual é de 29%.

O cresimento do Transtorno Opositivo Desafiador

Transtorno opositivo desafiador (TOD) é um transtorno do neurodesenvolvimento de diagnóstico independente, mas é frequentemente estudado em conjunto com o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) ou com o transtorno de conduta (TC). Novos estudos indicam que o TOD consiste em múltiplas dimensões, e essas diferentes dimensões podem estar associadas a transtornos externalizantes e internalizantes, posteriormente.

A característica principal do TOD é estar incluído nos transtornos disruptivos, cujos sintomas principais são a criança apresentar um padrão de comportamento negativo, desafiador, desobediente e hostil, todos com intensidade, frequência e duração acima do esperado para sua idade, e, em alguns casos, o descontrole emocional pode levar à agressividade e a alguns episódios de violência verbal e física.

A prevalência do TOD em diagnóstico isolado hoje é de aproximadamente 6% a 16%; a incidência como comorbidade secundária no TDAH é de 50%, e no autismo esse percentual é de 29%.

O quadro é de maior incidência nos meninos, para a primeira e segunda infância, e de incidência igualitária em meninas e meninos na adolescência.

Hoje, os números de casos vêm subindo, mas sugere-se que tais dados sejam mais relevantes porque os testes específicos, bem como o conhecimento dos profissionais, estão favorecendo o reconhecimento dos sintomas principais, que em sua grande maioria podem ser detectados de forma eficaz por meio de protocolos específicos.

 

CORRELATOS

HORMÔNIOS E NEUROTRANSMISSORES – Uma das linhas atuais de maior investigação são os estudos com base nos hormônios e neurotransmissores, que possam correlacionar fatores específicos para a etiologia do TOD.

Pesquisas recentes demonstraram que os níveis de andrógenos adrenais dos pacientes com TOD são mais altos que os dos escritos como controle ou até mesmo de crianças com outros diagnósticos, incluindo o TDAH. Outra alteração encontrada é na frequência cardíaca, que pode chegar a ser muito alta após provocação e frustração, mesmo comparada à de outras crianças na mesma situação.

GENÉTICOS – Recentemente, estudos levaram a associarem genes específicos para o TOD aos sintomas desafiadores de oposição. Trata-se dos genes receptores para andrógeno DAT, DRD2 e D-beta-H.

Uma série de marcadores neurobiológicos, da condutância da pele, reatividade do cortisol basal reduzida, anormalidades no córtex pré-frontal e na amígdala são fatores que continuamente estão sendo estudados e reavaliados para se chegar a um aspecto específico que explique melhor o TOD.

COGNITIVOS, EMOCIONAIS E AMBIENTAIS – Fatores temperamentais relacionados a problemas de regulação emocional, como baixa tolerância a frustração, elevada reatividade emocional.

AMBIENTAIS: Práticas agressivas, inconsistentes ou negligentes de criação dos filhos são comuns em famílias de crianças e adolescentes com TOD.

 

PROGNÓSTICO

A causa do TOD é desconhecida ainda, mas pesquisadores identificaram diversas linhas de abordagem. Um dos estudos mais atuais sugere que a exposição pré-natal a álcool, nicotina, entre outros teratógenos aumenta as chances de a criança vir a ter o TOD. Muitos pais de crianças com TOD sofrem de transtornos emocionais, como transtornos de ansiedade e depressão.

Geralmente, os primeiros sintomas surgem durante os anos de pré­escola e, raramente, mais tarde, após o começo da adolescência. É uma comorbidade de início e curso contínuo. Com frequência, o TOD precede o desenvolvimento do TC, mas em números mínimos também pode preceder o transtorno de ansiedade e depressivo maior, e os que possuem sua classificação dentro dos sintomas de humor raivoso/irritável respondem pela maior parte dos riscos para os transtornos emocionais.

Atualmente vem se buscando distinguir os dois subtipos e suas dimensões, que foram abordados por pesquisadores da Universidade de Calgary, no Canadá, que relatam que há dois subtipos:

1- Sintoma de afeto negativo (ODDNA) – Sensível, raivoso, rancoroso e ou vingativo;

2- Sintoma comportamento oposição (ODDB) – Argumentador, desafiador, intolerante.

A criança TOD é difícil de ser tratada. Tende a exibir o comportamento desafiador com maior frequência com pessoas do seu convívio diário do que com terceiros. E esse comportamento, infelizmente, tende a piorar caso não haja um treinamento parental. Em sua grande maioria, para evitar que a criança tenha uma “crise’ os pais respondem ao comportamento do filho cedendo às suas exigências para obter breves adiamentos da hostilidade, das discussões e desobediência. No entanto, esse comportamento somente reforça e aumenta a intensidade e frequência dos atos.

O TOD não afeta somente a criança, mas todos ao seu redor. Infelizmente, os sintomas só começam a ser levados a sério e não classificados como birra, falta de educação ou falta de corretivo quando a criança já está moldada num círculo vicioso e destrutivo.

A desobediência, normal ou patológica, é um comportamento caracterizado por incapacidade de seguir regras ou acatar ordens, sendo ela ocasional, reativa (endereçada ou não), impulsiva/ constante, opositora/ desafiadora, transgressora.

Também navega por aspectos socioeducativos, desde novos padrões de interação pais/ autoridades x crianças/ adolescentes às manifestações sintomáticas de momento evolutivo, déficits cognitivos, transtornos neuropsicológico/ psiquiátricos, reações conflitivas diversas (aspectos psicológicos).

A criança de 3 a 5 anos atinge o estágio do personalismo (Wallon) e ocorre incremento da emoção, objetivando a aquisição da identidade.

A criança se expressa em oposição ao outro, dizendo não a tudo e aprende a delimitar o que é ela e o que é o outro, iniciando o uso dos pronomes (eu, meu, teu), ao mesmo tempo em que deseja diferenciar-se dos demais, percebe a profunda dependência que tem em relação à sua família. Momentos de oposição se alternam com atitudes de sedução, quando a criança busca aceitação e amor dos pais.

Quando a criança já conhece a autoridade do adulto ela não oculta sua falta, compreende intelectualmente a proibição, sabe da necessidade de acatar as ordens, já experimentou consequências: irritabilidade dos pais, castigos, privações etc.

E mesmo assim mantém comportamento opositor. Este comportamento pode ser classificado como “desobediência patológica” com as seguintes características:

1- A criança comete a falta repetidas vezes: tão logo é admoestada, volta a fazer o que lhe foi proibido: “Não registra o que se lhe diz”;

2- Parece não compreender por que é castigada e demonstra sentir que é injustamente tratada;

3- Não há eficácia nos castigos, sejam físicos, sejam de privação;

4- Reage “catastroficamente”, com reações exageradas frente aos limites, repreensões e castigos impostos.

É importante considerar as condições da desobediência antes de considerá-la patológica, sendo:

1- Como meio de se auto afirmar;

2- Para manipular o adulto;

3- Porque não entende as ordens;

4- Por que não sabe executar o que lhe foi pedido;

5- Porque as ordens tão pouco razoáveis e, portanto, incompreensível para a criança.

A EVOLUÇÃO DO TOD

O bebê, por instinto, usa o choro para conseguir o que quer. Conforme ele vai crescendo e aprendendo as questões sociais, vai modulando esse comportamento e utilizando a comunicação para ter suas demandas atendidas. Mas até os 3 anos esse comportamento vai se intensificando. À medida que vão sendo alcançados seus feitos, a criança tende a querer chamar a atenção de qualquer forma, e para tal grita, chora, em alguns momentos se joga no chão. Mas, ao ser direcionada, ela consegue se moldar ao querer dos pais. Esses comportamentos tendem a sumir até os 4 anos e meio de idade numa criança neurotípica, o que não acontece numa criança com TOD, muito pelo contrário. Esse comportamento só aumenta, principalmente a intensidade dos atos, não ficando só restrito ao ambiente familiar, pois começa a se estender ao convívio social. Quando a criança chega aos 5 anos de idade é quando geralmente esse comportamento se torna preocupante para os pais, pois nesse período 60% dos pais de crianças com TOD não “conseguem” controlar as crises. Uma das primeiras coisas a ser eliminada não são os sintomas da criança, e sim o convívio social. Os pais deixam de frequentar locais públicos, festas, reuniões e atividades em que lhes possa causar algum tipo de transtorno emocional.

TRATAMENTO

A agressão é um importante preditor de incapacidade e resultados psicossociais negativos em crianças com TDAH, TOD e TC. Estes estão entre os diagnósticos psiquiátricos mais comuns na infância, com 4,1% das crianças em idade escolar diagnosticadas com TDAH, 1% a 6% das crianças, com TOD e 0,2% a 2%, com TC. Na adolescência e na idade adulta influenciam negativamente a qualidade de vida das crianças e famílias. O tratamento farmacológico entra em associação com o tratamento terapêutico como forma de reduzir, tornar o tratamento eficaz e seguro. Nesse ponto de vista, reduzir e/ ou eliminar os sintomas de agressão e outros comportamentos disruptivos é de extrema importância.

As abordagens são específicas para cada caso. O tratamento com fármacos inclui estudos de eficácia na redução dos sintomas e aponta alguns como mais eficientes. Em casos de crianças com quadro grave de TOD e TC, os estudos mostraram que o uso de Metilfenidato diminuiu os sintomas de oposição; que Haloperidol e Lítio demonstraram eficácia nos casos de agressão, não aderência ao tratamento e explosões de raiva; que a Risperidona foi verificada em eficácia na melhoria da “calma ou adesão’: Outro em linha de uso e verificação da eficácia é a Quetiapina, com a qual se verificaram a redução da irritabilidade e o controle da frustração.

Ainda não há estudos que comprovem efetivamente a eficácia real de nenhum dos fármacos, mas, sim, uma redução dos sintomas, levando em consideração cada caso. Analisando-se os efeitos adversos, alterando-se as dosagens e monitorando-se o processo pode-se chegar ao fármaco mais propício à criança.

Infelizmente, os sintomas do TOD, em sua grande maioria, não são reduzidos somente com a terapia e o treinamento parental. Em 2,7% a 40% de ocorrência do caso é necessário o tratamento farmacológico conjunto para que se alcancem os resultados esperados.

EM CONJUNTO

O transtorno opositivo desafiador, quando isolado, é tratado com terapia

psicológica específica para modelação de comportamento. E a cognitiva-comportamental. Outro aspecto é o treinamento parental em conjunto, para que todos os procedimentos que são utilizados nas terapias sejam reforçados em casa. Assim, a criança consegue realmente compreender que tais esforços são para sua mudança e redução dos sintomas. O TOD não tem uma cura específica, mas uma redução significativa dos sintomas, chegando à possibilidade de autorregulação por parte da criança/jovem.

Quando a criança apresenta o TOD como uma comorbidade concomitante ao TDAH se faz necessária a introdução de medicação para controlar os sintomas pertinentes ao TDAH e minimizar os efeitos coligados dos transtornos.

O que mais ouvimos, quando se inicia um atendimento terapêutico, e isso é em quase 90% dos casos, é que somente a criança necessita de atendimento, pois os pais visam apenas corrigir o que está visível. Entretanto, se esquecem que todos são afetados pelo transtorno. Muitos casais não compreendem que suas ações e atos interferem de forma crucial no desenvolvimento e eficácia do tratamento. A criança/jovem, em todos os momentos, sente o que de fato acontece na família e se ele(a) é realmente compreendido(a) ou não.

O treinamento parental é a base para compreender o que realmente acontece com a pessoa com TOD, como eles se sentem, reagem e interpretam o seu entorno. O treinamento consiste em preparar os pais e responsáveis para intervir de forma eficaz, com controle da situação. O primeiro passo é reconhecer os sintomas do TOD, saber quando é uma birra (por­ que toda criança faz birra) e quando é uma crise, saber essa diferença facilita muito o segundo passo, que é saber qual a atitude a ser tomada.

O crescimento do Transtorno Opositivo Desafiador. 2 DETECTANDO SINTOMAS

A primeira etapa é a observação e anotação dos sintomas em três etapas: frequência, duração e intensidade dos comportamentos disruptivos. A criança não apresenta tais sintomas somente em casa, vai apresentar em todos os locais que frequenta e, dependendo do fator causador, poderá apresentar maior intensidade ou não.

Outro meio de detecção é através do quadro de diagnóstico clínico do DSM- V, que nos orienta com os critérios para diagnóstico. Código 313.81 (F91.3)

A – Um padrão de humor raivoso/ irritável, de comportamento questionador / desafiante ou índole vingativa com duração de pelo menos seis meses, como evidenciado por pelo menos quatro sintomas de qualquer das categorias seguintes exibido na interação com pelo menos um indivíduo que não seja irmão.

 

HUMOR RAIVOSO/IRRITÁVEL

  • Com frequência perde a calma.
  • Com frequência é sensível ou facilmente incomodado.
  • Com frequência é raivoso e ressentido.

 

COMPORTAMENTO QUESTIONADOR/ DESAFIANTE

4 – Frequentemente questiona figuras de autoridade ou, no caso de crianças e adolescentes, adultos.

5 – Frequentemente desafia acintosamente ou se recusa a obedecer às regras ou pedidos de figuras de autoridade.

6 – Frequentemente incomoda deliberadamente outras pessoas.

7 – Frequentemente culpa outros por seus erros ou mau comportamento.

 

ÍNDOLE VINGATIVA

8 – Foi malvado ou vingativo pelo menos duas vezes nos últimos seis meses.

NOTA: A persistência e a frequência desses comportamentos devem ser utilizadas para fazer a distinção entre um comportamento dentro dos limites normais e um comportamento sintomático. No caso de crianças com 5 anos ou mais, o comportamento deve ocorrer pelo menos uma vez por semana durante no mínimo seis meses, exceto se explicitado de outro modo (critério AB). Embora tais critérios de frequência sirvam de orientação quanto a um nível mínimo de frequência para definir os sintomas, outros fatores também devem ser considerados, tais como se a frequência e intensidade dos comportamentos estão fora de uma faixa normativa para o nível de desenvolvimento, o gênero e a cultura do indivíduo.

B – A perturbação no comportamento está associada a sofrimento para o indivíduo ou para os outros em seu contexto social imediato (p. ex. família, grupo de pares, colegas de trabalho) ou causa impactos negativos no funcionamento social, educacional, profissional ou outras áreas importantes da vida do indivíduo

C – Os comportamentos não ocorrem exclusivamente durante o curso de um transtorno psicótico, por uso de substância, depressivo ou bipolar. Além disso, os critérios para transtorno disruptivo da desregulação do humor não são preenchidos.

 

ESPECIFICAR A GRAVIDADE ATUAL:

Leve: Os sintomas limitam-se a apenas um ambiente (p. ex., em casa, na escola, no trabalho com os colegas).

Moderada: Alguns sintomas estão presentes em pelo menos dois ambientes.

Grave: Alguns sintomas estão presentes em três ou mais ambientes.

O crescimento do Transtorno Opositivo Desafiador. 3 PADRÃO PATOLÓGICO

Não podemos classificar tudo como um padrão patológico. A criança passa por fases e, com isso, apresenta certos níveis de desobediência. Até os 5 anos não podemos classificar como TOD. Mesmo que os sintomas já estejam presentes, devemos traçar um perfil sempre com base na frequência e intensidade das ocorrências, mas o quanto antes começarem as abordagens de eliminação mais rápido pode-se enquadrar se é um padrão normal do desenvolvimento ou uma situação patológica.

O crescimento do Transtorno Opositivo Desafiador. 4 FAMÍLIA E ESCOLA

Em um primeiro momento pode parecer completamente difícil lidar com os comportamentos e sintomas do TOD, principalmente quando se iniciam as atividades escolares. Mas se todos realmente se prepararem verão que existem várias possibilidades de se alcançar êxito.

 

A – COMPREENDA O COMPOR­ TAMENTO

  • – Identifique os sintomas do TOO.
  • – Converse sempre com a criança sobre suas reações.
  • – Reconheça a necessidade de manter o controle.
  • – Comece a ensinar formas positivas de lidar com a frustração.

 

B – AJUSTAR E INICIAR AS TÉCNICAS PARENTAIS

1 – Aprenda a se comunicar de forma clara e eficiente.

2 – Não reaja de maneira raivosa.

3 – Não culpe a criança/ jovem ou o veja como um problema na sua vida.

4 – Assuma a responsabilidade pelos seus próprios sentimentos e atitudes, torne­-se um exemplo.

5 – Seja consistente, não é não, regras e limites devem ser claros e obedecer ao único comportamento aceitável.

6 – A juste seus pensamentos, pois são eles que comandarão suas reações, substitua os negativos pelos positivos, veja que a criança/jovem precisa de ajuda e você é a referência.

 7 – Identifique os estressores tanto familiares como ambientais.

8 – Ajude a identificar as emoções, tanto as suas como as da criança, não tente ser forte o tempo todo.

9 – Deixe sempre claro a importância do respeito e dos limites.

 

C – PROCURE AJUDA

  • – Comece o tratamento o mais breve possível, pois estudos mostram que 67% das crianças com TOD se tornam assintomáticas no prazo de três anos caso iniciem o tratamento correto.
  • – Trate outros problemas de saúde mental, investigue se há outras comorbidades além do TOD.
  • – Participe sempre de palestras, programas e atividades de treinamento, esteja preparado para realmente compreender e ajudar.
  • – Entre em grupos de apoio.
  • – Caso seja necessário, não relute em iniciar tratamento farmacológico.

O crescimento do Transtorno Opositivo Desafiador. 5 SINTOMAS

Aspectos sintomatológicos psiquiátricos. Como diferenciar os sintomas nas comorbidades:  SINTOMAS  –  hostilidade com os pais (TDAH – e TOD +); destrutividade (TDAH – e TOD +); distração/desatenção (TDAH + e TOD -); dificuldade escolar (TDAH ++ e TOD – ou +}; sentimento de culpa (TDAH + e TOD -); comportamento antissocial na família (TDAH –  e TOD –  ou +).                                                                                                          

OUTROS OLHARES

MUDANÇAS DE HÁBITO: VIDA SAUDÁVEL E EQUILIBRADA.

Cada vez mais, homens e mulheres têm compreendido que aderir a uma rotina mais tranquila e saudável pode promover mudanças significativas na vida.

Mudança de hábito - vida saudável e equilibrada

Longe das dietas milagrosas, das mudanças radicais e dos padrões estabelecidos pelas celebridades, observamos uma onda crescente de pessoas em busca de filosofias de vida mais pragmáticas e reais, pensadas a longo prazo e baseadas em descobertas da neurologia.

Cada vez mais, homens e mulheres têm compreendido que aderir a uma rotina mais tranquila e saudável pode promover mudanças significativas em vários aspectos da vida. No trabalho, por exemplo, onde passamos a maior parte do nosso dia, a introdução de pequenos novos hábitos melhora significativamente o bem-estar e, com o tempo, a própria saúde.

FAÇA UMA ANÁLISE DA SITUAÇÃO

Antes de começar a escrever a lista de boas resoluções, identifique primeiro os hábitos existentes. Você sabia que aquelas ações que você realiza sem pensar condicionam 40% das suas atividades no dia a dia? Seja olhar o celular logo ao acordar, tomar um café chegando no trabalho ou arrumar a sua mesa antes de sair.

Tomar consciência desses costumes deixa a tarefa de mudá-los mais fácil. Muito melhor que apenas dar fim aos maus hábitos, é implementar outros novos e mais saudáveis, transformando velhas atitudes em algo positivo.

Para isso, é preciso entender qual é a situação, sentimento, contexto físico e emocional que desencadeiam a ação a ser eliminada. Por exemplo, você costuma comer um doce no trabalho, lá pelo meio da tarde, quando bate o cansaço do dia? O elemento desencadeador é essa sensação de desânimo, de baixa energia, compensado com uma comida reconfortante. Você não tem como eliminar esse elemento, mas tem o poder de mudar a sua reação a ele!

ALGUNS EXEMPLOS DE MUDANÇA DE HÁBITO, NO TRABALHO E EM CASA

SEDENTARISMO: é difícil enxergar hoje o custo do sedentarismo que pagaremos em alguns anos. Nada melhor do que já inserir pequenas ações na rotina para salvar sua saúde e qualidade de vida de amanhã.

Bloqueie na sua agenda, ou programe alarmes no seu celular, para fazer pausas de 5 minutos ao longo do dia (por exemplo, a cada duas horas). Use esses instantes para movimentar o seu corpo e as regiões que sofrem mais da postura sentada: pescoço, ombros, quadris, pernas. Procure realizar exercícios de fortalecimento e alongamento daquelas regiões do corpo. Além de aumentar a sensação de bem-estar, essas pausas ajudam a melhorar a concentração e a produtividade no trabalho.

ANSIEDADE: você está no trabalho e não se concentra para concluir uma tarefa complexa, ou deita na cama à noite e não consegue dormir. O seu cérebro está agitado, não para de cogitar os acontecimentos do dia e os de amanhã. Ao invés vez de pegar o celular e navegar nas redes sociais – uma atividade que só vai aumentar o fluxo de informações transitando pela sua cabeça -, feche os olhos e realize uma pequena meditação autossugestiva: respirando profundamente, faça um escaneamento do corpo, observando cada parte dele, começando pela planta dos pés até o topo da cabeça. Existem vários exercícios de respiração e aplicativos de meditação para auxiliar os iniciantes.

DOR DE CABEÇA: que tal implementar um hábito simples de prevenção à dor de cabeça (entre outros benefícios)? Fácil: mantenha-se hidratado(a) ao longo do dia. Deixe uma garrafa de água na mesa e toda vez que for sentar (o nosso novo elemento desencadeador), tome pequenos goles, garantindo que no fim do dia tenha ingerido pelo menos 2 litros de água.

Seja realista, adote pequenos e bons hábitos pela vida inteira, independentemente das circunstâncias, e deixe que façam parte daqueles 40% referentes as ações realizadas sem pensar. E, claro, comemore a cada vitória!

GESTÃO E CARREIRA

LEVANTE A MÃO

Ainda há chefes que pensam ser donos da carreira dos subordinados. Mas quem manda em sua trajetória é você mesmo. Por isso, não tenha vergonha de falar sobre suas realizações.

Levante a mão

O ato de levantar a mão é ensinado no início da jornada educacional, como uma maneira educada de chamar a atenção do professor ou da professora para tirar dúvidas, fazer comentários ou pedir favores. Treinamos as crianças para que elas aprendam a chamar a atenção de maneira silenciosa e respeitosa. Mas esse ato não fica restrito apenas à infância. Temos que levá-lo para nosso dia a dia profissional. Por muitos anos, trabalhou-se com o pressuposto de que a gestão da carreira era responsabilidade da empresa, da chefia e da área de recursos humanos. Isso fazia com que as pessoas adotassem uma atitude passiva em relação às oportunidades: era preciso esperar o convite do superior imediato para avançar. Falar com colegas e chefes sobre as próprias realizações ou mencionar um curso importante era visto como “marketing pessoal”. Nesse cenário, cometiam-se dois erros. O primeiro era inibir a pessoa de divulgar suas realizações; o segundo, dar sentido pejorativo a uma ciência fundamental às organizações, o marketing.

Com o passar dos anos, foi ficando claro que a trajetória de carreira pertence a cada um dos profissionais e que cabe a nós administrar nossa evolução na empresa. Mas essa mudança de paradigma trouxe um desafio: ensinar aos trabalhadores o velho ato de levantar a mão para chamar a atenção dos líderes. “Olha eu aqui! Terminei minha pós-graduação e estou pronto(a) para novas oportunidades”; “Olha eu aqui! Terminei meu curso de inglês e estou pronto(a) para discutir uma expatriação”; “Olha eu aqui! Estou fazendo um trabalho voluntário que reforçou minhas habilidades pessoais.”

Tudo isso parece simples. Mas não é. Os anos de passividade e o fato de ainda termos uma ou duas gerações de chefes que pensam que são os donos da carreira de seus subordinados, dificultam até hoje o exercício de levantar a mão.

Os jovens millennials, por sua vez, já entram nas companhias com os dois braços erguidos, clamando por chances e falando de si mesmos com propriedade. Lideranças antigas, infelizmente, tentam desclassificá-los – dizendo que não passa de uma geração imediatista.

Mas os profissionais não devem se intimidar. É preciso levantar a mão! Exponha suas realizações, fale sobre as atividades extras que realiza fora do escritório, mostre que está pronto para novos desafios. Não fique esperando ser conhecido – ou reconhecido. A carreira é seu maior patrimônio. Zele por ele.

Levante a mão. 2

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 23: 6-11

Alimento diário

ADVERTÊNCIAS CONTRA A LUXÚRIA E A COBIÇA

 

V. 6 a 8 – Aqueles que são voluptuosos e dados aos apetites (v. 2), ficam satisfeitos por estarem onde há bom ânimo, e os que são cobiçosos e econômicos, de modo que possam poupar em casa, ficarão felizes em conseguir uma refeição à mesa de outro homem, e por isto ambos são aqui aconselhados a não se entusiasmar a aceitar o convite, mas, particularmente, a não comparecerem sem que sejam convidados. Observe:

1. Há os que fingem dar as boas-vindas a seus amigos, sem ser sinceros nisto. Eles têm uma língua lisonjeira, e sabem o que devem dizer: come, e bebe, diz o dono da casa, porque se espera que o anfitrião cumprimente assim seus convidados; mas eles têm olhos malignos, e reclamam de dar a seus hóspedes cada bocado, especialmente se eles comerem sem inibições. Eles parecem generosos em oferecer o banquete, e teriam o crédito disto, mas têm tão grande amor por seu dinheiro e tão pouco por seus amigos, que não têm a consolação do banquete nem o desfrutam com seus amigos. O banquete do avarento é a sua penitência. Se um homem for tão egoísta, e tão sórdido e mesquinho, que não consiga receber seus amigos para compartilhar o que tem, não deve acrescentar a isto a culpa da dissimulação, convidando-os, mas deve reconhecer que é como é, de modo que ao louco nunca mais se chamará nobre; e do avarento nunca mais se dirá que é generoso (Isaias 32.5).

2. Não é possível ter bem-estar ao aceitar o que é oferecido com relutância: “Não comas o pão daquele”; que ele o guarde para si. Em outras palavras, não viva às custas do que é generoso, nem se torne um fardo para ninguém; mas desdenhe. especialmente, ser visto com os que são desprezíveis e não são sinceros. É melhor ter uma refeição de ervas, e ser verdadeiramente bem-vindo, do que ter manjares sem ser bem-vindo. Portanto:

(1) Julgue o homem conforme a sua mente. Você pensa em lhe prestar respeito como um amigo, como você pensa que ele é, porque ele elogia você, mas como imaginou na sua alma, assim é, e não como ele fala com sua língua. Nós somos aquilo que somos internamente, tanto para com Deus como para com os homens; e nem a religião nem a amizade merecem qualquer coisa além do que é sincero.

(2) Julgue o alimento conforme a sua digestão, e conforme o bem que este lhe faça. Ele lhe diz que coma à vontade, porém, mais cedo ou mais tarde, revelará o seu espírito sórdido e cobiçoso, e como imaginou na sua alma, assim é; e lhe dará a entender que você não é bem­ vindo, e então você vomitará o bocado que comeu; este simples pensamento fará com que você vomite o alimento que comeu, e engula as palavras que você proferiu, em retribuição aos elogios dele, e como agradecimento pelas suas cortesias. Perderás as tuas palavras suaves, sim, as que o anfitrião te disse, e as que disseste a ele.

 

V.  9 – Aqui somos orientados a não lançar pérolas aos porcos (Mateus 7.6), e não expor coisas sagradas ao desprezo e ao ridículo de escarnecedores profanos. É nosso dever aproveitar todas as oportunidades adequadas para falar de coisas divinas, mas :

1. Há alguns que zombarão de tudo, ainda que seja dito de maneira muito prudente e pertinente, que não somente desprezam as palavras de um homem sábio, como desprezam até mesmo a sabedoria dessas palavras, aquilo que mais poderiam aproveitar nelas, para sua própria edificação; eles as desprezarão particularmente, como se elas tivessem algum mau desígnio com relação a eles, e das quais devem se proteger.

2. Os que fazem isto perdem o benefício dos bons conselhos e da instrução, e um homem sábio não somente tem permissão para não falar aos ouvidos de tolos como estes, como é aconselhado a não fazê-lo; que continuem tolos, não desperdice o seu fôlego precioso com eles. Se o que um homem sábio diz, na sua sabedoria, não for ouvido, que ele fique calado, e tente em um lugar onde a sabedoria do que ele diz será levada em consideração.

 

V. 10 e 11 – Observe:

1. Os órfãos estão sob a proteção especial de Deus; com Ele, não somente encontram misericórdia (Oseias 14.3), mas também justiça. Ele é o seu Redentor, o seu Remidor, o seu parente próximo, que tomará o seu lado e os defenderá com zelo, considerando-se afrontado pelas ofensas feitas a eles. Como seu Redentor, Ele defenderá a sua causa contra os que lhes fizerem algum mal, e, de uma maneira ou de outra, não somente defenderá o seu direito, e o recuperará para eles, como vingará os males feitos a eles. E Ele é poderoso, Todo-Poderoso; a sua onipotência é envolvida e empregada na proteção deles, e os mais soberbos e poderosos opressores não somente descobrirão que não são páreo para ela, como perceberão que correm riscos em contender com ela.

2. Cada homem, portanto, deve tomar cuidado para não ofendê-los, de maneira nenhuma, nem invadir os seus direitos, seja por uma remoção clandestina dos antigos limites ou por uma entrada forçosa em suas herdades. Sendo órfãos. eles não têm ninguém para reparar as injustiças que lhes são feitas, e, estando em sua infância. nem mesmo apreendem o mal que lhes é feito. O senso de honra, e muito mais, o temor de Deus. impedirá que os homens prejudiquem crianças, especialmente crianças órfãs.