A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

QUANDO SE POTE TER UM PERITO DA PARTE

O cenário e o clima conflituosos que se instauram nos processos em varas de família imprimem a necessidade de olhar mais aprofundado para se buscar alternativas à cronificação do litígio.

Quando se pode ter um perito da parte

Existe na atualidade uma desordem que perpassa as relações familiares não só nessa esfera, há ainda uma dimensão maior a esse respeito quando observamos a própria sociedade como um todo. Esses conflitos muitas vezes escapam do âmbito doméstico e acabam por desaguar no Judiciário. Felizmente assistimos a uma maior cooperação e integração do trabalho em equipe multiprofissional e de profissionais de saúde mental que se juntam a uma maior humanização do âmbito jurídico. O psicólogo jurídico militante nesse campo está habilitado tecnicamente com sua escuta especializada com sensibilidade e entendimento acerca da personalidade e dos conflitos humanos e pode contribuir de forma a iluminar pontos que frequentemente não são observados dentro da dinâmica familiar.

O assistente técnico, que é o perito da parte, tem sido cada vez mais convocado a assessorar nos processos em Varas de Família; o profissional irá representar a parte interessada na perícia através de um parecer. Nesse caso, o psicólogo é contratado pelas partes em litígio – um assistente técnico para cada parte -, que em virtude de sua capacidade técnica fará a avaliação do trabalho pericial por meio da análise e da conclusão do laudo do mesmo. Cada um dentro de seu espaço delimitado será peça fundamental na atuação cooperativa com intuito de realizar sua função de modo a buscar uma melhor condução do caso.

O psicólogo perito, diferente do assistente técnico, é o profissional de confiança do juízo designado a fazer a perícia no intuito de auxiliar a justiça dentro dos limites de suas atribuições; e o psicólogo, na função de assistente técnico, deverá ser de confiança da parte que o contratou, garantindo assim o direito ao contraditório em uma determinada questão-problema. Os procedimentos éticos sobre os limites da atuação do assistente técnico constam descritos na Resolução CFP de nº 008/ 2010.

É de suma importância ao psicólogo que atua na esfera jurídica estar afinado não somente com os limites do Código de Ética profissional, mas também com as resoluções sobre atuação como perito e assistente técnico no Poder Judiciário.

É importante mencionar que com intuito de preservar a intimidade e equidade de condições, o assistente técnico de confiança da parte que o contratou não pode ser na atualidade, ou ter sido no passado, psicoterapeuta das partes envolvidas no litígio; essa dupla função está vedada ao psicólogo como consta no art. 10 da resolução referida.

É muito comum encontrar pareces técnicos contestados por esbarrarem no Código de Ética do psicólogo quando são elaborados por psicoterapeutas das pessoas envolvidas no litígio. Esse conflito de papéis, ou sobreposição de duas funções, poderia colocar em risco tanto o trabalho profissional, que fica contaminado pela função que se tem nas relações quanto a respeito da ausência de respaldo ético legal, de isenção e neutralidade. No Código de Ética, art. 2, é vedado ao psicólogo “ser perito, avaliador ou parecerista em situações nas quais seus vínculos pessoais ou profissionais, atuais ou anteriores, possam afetar a qualidade do trabalho a ser realizado ou a fidelidade aos resultados da avaliação” (item K do art. 2 do código).

O magistrado, como leigo no assunto, muitas vezes poderá não saber sobre o Código de Ética do psicólogo, entretanto o profissional interessado deve estar bem alinhado com as normas e limites éticos de sua profissão.

O trabalho do assistente técnico na elaboração de quesitos para o perito deverá ser pautado na colheita da história familiar por meio de entrevistas e na leitura do processo. Para elaboração desses quesitos é fundamental compreender os conflitos existentes naquela família. Uma diferença importante acerca do trabalho de avaliação técnica do perito e do parecerista, que é o assistente técnico, é que sua atuação não se dá por meio de avaliação da personalidade e sim por intermédio da análise no laudo/documento escrito de outro psicólogo. É através dos dados fornecidos no laudo que o assistente técnico poderá se debruçar para avaliar sobre a validade do documento técnico, abrindo novos questionamentos.

No capítulo II, sobre produção e análise de documentos, no art. 6 consta: “Os documentos produzidos por psicólogos que atuam na justiça devem manter o rigor técnico exigido na Resolução CFP nº 07/2003, que institui o Manual de Elaboração de Documentos Escritos produzidos pelo psicólogo, decorrentes da avaliação psicológica”.

A competência legal quanto ao julgamento do caso sempre caberá ao juízo, não sendo este o papel do psicólogo em nenhuma das esferas. Caberá ao especialista na função de assistente técnico discriminar e avaliar criticamente no laudo do perito os fatores psicológicos tão somente descritos e verificar não só a imparcialidade como o nível de coesão e congruência do documento apresentado e reencaminhar ao juízo através do advogado da parte. Essa integração de experiências profissionais faz com que os fechamentos dos processos que envolvem famílias tenham melhores resultados.

 

RENATA BENTO – é psicóloga e psicanalista, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro. Perita em Vara de Família assistente técnica em processos judiciais. Filiada à IPA – lnternational Psychoanalytical Association, à Fepal – Federación Psicoanalítica de América Latina e à Febrapsi – Federação Brasileira de Psicanálise.

OUTROS OLHARES

MAIS PESO, MAIS CÂNCER

O número de casos dos tipos da doença associados à obesidade está crescendo. É mais um fardo que o excesso de gordura impõe ao corpo.

Mais peso, mais câncer

Embora a obesidade tenha sido apontada pela ciência como um dos principais fatores de risco para o surgimento do câncer, a maioria das pessoas ainda desconhece o fato. O excesso de peso é facilmente apontado como uma das causas do infarto e da diabete, mas quase ninguém o relaciona com o desenvolvimento de tumores. Entre a população, ainda prevalece a concepção de que a doença tem causas genéticas, o que é verdade em vários casos, emocionais, o que é uma bobagem total, ou que, no máximo, está vinculada a hábitos como o tabagismo ou o alcoolismo, o que também é verdadeiro. Porém, o total de casos relacionados ao estilo de vida é bastante superior ao daqueles originados em erros genéticos. A adoção de hábitos saudáveis — incluem-se aqui uma dieta equilibrada e a prática de exercícios físicos — reduziria a incidência da enfermidade em cerca de 40%.

Por isso, um levantamento recente publicado na revista científica The Lancet ganha importância ao trazer à tona números preocupantes associando o câncer à obesidade, chamando a atenção de médicos e pacientes para o tema. Coordenado por médicos da Associação Americana do Câncer, o trabalho coletou dados de pacientes de 25 estados americanos, o que representava 67% da população. Foram analisados mais de 14 milhões de casos de 30 tipos da doença surgidos entre 1995 e 2014 em pessoas com idades entre 25 e 84 anos. Doze dos tumores estudados estão comprovadamente associados ao acúmulo de gordura: colorretal, esofágico, bexiga, gástrico, renal, hepático, mieloma múltiplo, pancreático, de tireóide, uterino, de mama e ovário. Os dados revelaram que em seis deles (mieloma múltiplo, corretal, uterino, bexiga, rim e pancreático) houve aumento de casos entre os participantes de 25 a 49 anos, particularmente entre os obesos

JOVENS ALVOS

Pior, a pesquisa revelou que o crescimento é maior entre os mais jovens, faixa etária na qual o índice de obesidade atinge cerca de 20% da população naquele país. Um exemplo é o que foi registrado com tumor de pâncreas. Entre 40 e 84 anos, a média anual de crescimento é de igual ou menos de 1%. Entre 35 e 39, a elevação média é de 1,3%. Entre 30 e 34 anos, é de 2,5%. Entre 25 e 29 anos o índice de crescimento de casos registrado foi de 4,3%. O aumento expressivo entre os mais jovens chamou a atenção dos pesquisadores porque, até recentemente, o câncer de pâncreas era considerado raro em indivíduos com menos de 30 anos. A maioria dos casos surgia depois dos 60 anos. No Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer, dos 19 tipos mais incidentes em 2018, nove estavam associados à obesidade.

As conclusões deixaram os estudiosos preocupados. “Esse crescimento recente de tumores vinculados ao excesso de peso entre jovens adultos pode interromper e até fazer retroceder o progresso que fizemos nas últimas décadas para reduzir a mortalidade pela doença”, disse a epidemiologista Hyuna Sung, a líder do trabalho. “As pessoas devem estar mais atentas ao vínculo entre as duas enfermidades. Nossos resultados são um aviso dos danos que a ignorância sobre isso pode trazer”, completou o médico Ahmedin Jemal, da Sociedade Americana de Câncer.

Mais peso, mais câncer. 2

GESTÃO E CARREIRA

SEJA UM PROFISSIONAL ÁGIL

A metodologia agile está ganhando o mercado por estimular a colaboração, a capacidade de adaptação e a inovação. Aprenda quais são as competências essenciais para atuar nesse novo estilo de trabalho.

Seja um profissional àgil

Na manhã do dia 4 de junho de 1996, o clima era de ansiedade entre os funcionários da Agência Espacial Europeia que trabalhavam no Centro Espacial da cidade de Kourou, na Guiana Francesa. Depois de dez anos de desenvolvimento e um investimento de 8 bilhões de dólares, enfim, o foguete Ariane-5 realizaria seu voo inaugural. As 9h36, a aeronave saiu da base francesa, levando consigo quatro satélites caríssimos. Apenas 45 segundos depois, quando estava a 4.000 metros de altura, o Ariane-5 explodiu, liberando uma enorme nuvem tóxica e causando um prejuízo de 370 milhões de dólares. Sete dias de pois, um relatório da Agência Espacial Europeia apontou que a causa do acidente não havia sido um ato de sabotagem ou uma falha mecânica, como imaginavam, mas um simples erro no software, que fez cálculos equivocados na hora do lançamento. Falhas de desenvolvimento semelhantes, com sondas espaciais ou outros projetos importantes, como o sistema interno do FBI, eram muito frequentes até um tempo atrás. As dificuldades na área de programação de sistemas eram tantas que na década de 70 surgiu a expressão “crise do software”. Estima-se que, naquela época, 80% dos projetos de programação não eram entregues e, mesmo quando chegavam ao fim, 90% deles eram concluídos estourando orçamentos e prazos.

Foi para discutir como melhorar a eficiência desses projetos que, em 2001, 17 programadores e consultores de empresas de tecnologia reuniram-se na cidade de Utah, nos Estados Unidos. Na ocasião, chegaram a algumas conclusões do que seria uma abordagem mais eficiente na implementação de softwares. Como forma de oficializar as práticas, redigiram um documento com 12 princípios. Entre eles estavam a necessidade de se adaptar às mudanças, em vez de seguir planos à risca; ter mais interações entre os indivíduos, em vez de passar horas documentando burocraticamente as ações; e ouvir mais o cliente durante o desenvolvimento de um projeto, em vez de oferecer uma proposta pronta. Assim nascia o manifesto Ágil.

Rapidamente, os conceitos desse documento se espalharam por empresas de tecnologia, principalmente startups, como Spotify e Zappos, criando novas formas de organizar times – os já famosos squads – e de estruturar projetos – como os sprints. O modo de trabalhar dessas empresas, que criam produtos inovadores, tornam-se cada vez mais lucrativas e abocanham grandes fatias de mercado, obrigou companhias tradicionais, como bancos e gigantes de educação e varejo, a adotar metodologias ágeis. Caso contrário, elas ficariam para trás. Segundo um estudo de 2016 realizado pelo Instituto Coleman Parkes, que entrevistou 1.770 executivos de 21 países, entre eles o Brasil, cerca de 88% das companhias aplicam os métodos ágeis em algum nível da organização. “Hoje, as empresas precisam ser capazes de reagir rapidamente a eventos e oportunidades, mas as velhas formas de trabalhar são simplesmente lentas demais para possibilitar isso. Aqueles que continuam fazendo as coisas do mesmo jeito são dinossauros em vias de extinção, mas muitos nem sequer perceberam isso”, diz o jornalista J.J. Sutherland, coautor do livro Scrum: A Arte de Fazer o Dobro do Trabalho na Metade do Tempo (Sextante, 49,90 reais).

RAPIDEZ PARA MUDAR

Uma das premissas do conceito ágil é substituir o modelo de planejamento tradicional, conhecido como cascata. Neste, todos os detalhes e as fases do projeto são delineados minuciosamente e, só com o plano pronto, inicia-se a execução, que deve seguir exatamente o que foi previamente construído. Uma área começa sua tarefa apenas depois que a outra termina – e assim por diante, como numa cascata. No método ágil, entretanto, o primeiro passo para realizar uma demanda é, simplesmente, criar um esboço do que se deseja como resultado final, poupando as longas horas dedicadas a traçar todas as fases. O planejamento ocorre em tempo real: o acompanhamento do sucesso (ou fracasso) de um projeto e os ajustes acontecem durante a execução. O que gera, claro, mais agilidade para redefinir as rotas.

Quem trocou o padrão antigo pelo ágil – que facilita a tomada de decisão e a aprendizagem mais frequente – já começa a colher os resultados. De acordo com um estudo da consultoria PwC com 2. 216 executivos do mundo todo, publicado em 2017, 22% das empresas que lucraram mais nos três anos anteriores à pesquisa usavam metodologias ágeis na maioria de seus projetos. “O ágil tem uma proposta de aprimoramento frequente, ciclos contínuos de feedback e a capacidade de errar mais rápido. Tudo isso impacta no resultado do negócio”, afirma Giuliana Mitidieri, sócia ela consultoria de desenvolvimento e inovação Laura Widal.

Essa nova forma de trabalhar exige, é claro, um perfil de profissional diferente, mais flexível e autônomo. “No mundo Vuca (sigla em inglês para volátil, incerto, complexo e ambíguo), cada vez mais as companhias precisam de pessoas capazes de enfrentar problemas complicados, como novos concorrentes, avanço da tecnologia e necessidade de inovar”, afirma Giuliana. “O mindset ágil nos proporciona a capacidade de desaprender e reaprender, ou seja, de se adaptar constantemente.” Para conseguir reproduzir esse pensamento com êxito, os profissionais devem abraçar a incerteza. “Antes conseguíamos fazer planos longos, que se sustentavam mesmo após muito tempo. Hoje, com o mundo mudando velozmente, muitas vezes, ao entregar um projeto, aquela solução talvez não responda mais aos problemas que eu tenho agora”, diz Fernando Ruano, professor do curso de pós-graduação em metodologias ágeis aplicadas aos negócios na ESPM. Mas cuidado: lidar com a ambiguidade não quer dizer sair fazendo coisas às cegas, sem o mínimo de estudo ou reflexão. “Na verdade, o que o profissional ágil faz é replanejar continuamente. Conforme avança em um plano, ele observa as entregas que realizou e o que continua fazendo sentido ou deve ser revisto”, afirma Ari Amaral, professor do curso de extensão em gestão ágil na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

DIVERSIDADE E COLABORAÇÃO

Além da flexibilização, o método ágil tem outros princípios: cooperação, trabalho em equipe e diversidade de pensamentos e de perfis. “No modelo convencional, os departamentos agem praticamente como se fossem empresas distintas. Se algo dá errado, um joga a culpa no outro. Na filosofia ágil, cria-se uma noção de unidade, pois, quando há um problema, todos precisam se juntar para resolvê-lo”, afirma Susanne Andrade, consultora e autora do livro O Poder da Simplicidade no Mundo Ágil (Gente, 39,30 reais). Thiago Martins, coordenador- acadêmico do Programa de Inovação para o Cooperativismo da Isae, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, completa o raciocínio: ”É como um time de futebol, no qual eu tenho atletas jogando em diversas posições, mas que se complementam para alcançar um único objetivo”.

Trabalhar de forma colaborativa num mundo em que o individualismo foi, por tanto tempo, a coisa certa a fazer não é tão simples assim. “Desde a escola somos incentivados a competir, e não a compartilhar”, afirma Ari, da PUC-SP. Transformar essa percepção é um trabalho interno, que passa por um convencimento pessoal de que debater, discordar, compreender a ideia do outro e mudar de opinião é importante para a excelência do resultado final. “Existe um conceito chamado ‘genialidade coletiva’, que diz que a probabilidade de encontrar uma grande ideia na discussão em grupo é maior do que chegar a uma solução criativa sozinho”, diz Thiago. A criadora dessa teoria, Linda Hill, professora e diretora dos programas de liderança da Universidade Harvard, passou uma década estudando executivos que são referência em inovação para chegar a essa conclusão. “Profissionais em organizações inovadoras aprendem a ouvir e a perguntar, mas também a defender seu ponto de vista. Eles entendem que a inovação raramente acontece, a não ser que você tenha diversidade e conflito”, explicou Linda em uma palestra do Ted X Cambridge em 2014.

FOCO NO QUE INTERESSA

Boa parte das ideias sobre agilidade não é algo tão original assim. Elas vêm do sistema japonês de produção da Toyota, criado em 1947 e praticamente o avô do agile. Uma das ideias mais importantes copiadas do método oriental é a eliminação dos desperdícios. Claro que achar perdas numa linha de produção de automóveis pode ser mais fácil do que encontrar os ladrões de produtividade de uma agência de publicidade, por exemplo, mas existem alguns “canos furados” que se repetem em todos os ambientes de trabalho.

O mais comum deles é a multitarefa. Você já deve saber que fazer várias atividades ao mesmo tempo gera um prejuízo enorme para a concentração. Mas não custa lembrar de um estudo da Microsoft que aponta que interromper uma tarefa para fazer algo banal, como checar os e-mails, faz com que nosso cérebro leve 15 minutos para retornar à atividade anterior. “Vivemos em um mundo que exige que a gente dê conta de várias coisas ao mesmo tempo. Mas o custo de ser interrompido repetidamente quando realizamos uma atividade é levar o dobro do tempo para completá-la”, afirma Susanne. Ser ágil não é deixar de executar diversas atividades. Pelo contrário, é entender que, para cada uma delas, há um momento especifico. “Vamos continuar fazendo várias coisas, o que muda, é que focaremos uma de cada vez.”

MODISMO?

Embora exista uma série de metodologias com base no agile (como Scrum, Kanbau e Lean), a natureza desse conceito é, simplesmente, auxiliar pessoas e empresas a aperfeiçoar seus processos de trabalho em busca de mais eficiência. Mas a mudança tem de ser verdadeira. Organizar os times em equipes multidisciplinares, encher os escritórios de post-its coloridos ou definir entregas mais curtas de projetos são atitudes que não bastam para mudar a forma de trabalhar. “O ‘ágil’ virou o termo da moda. Muitas empresas encomendam 50 squads e querem que todo o time funcione em modelos ágeis em seis meses, mas não se perguntam por que estão fazendo isso”, afirma Ari, da PUC-SP. Segundo ele, o ágil deve ser usado como um meio, e não um fim em si mesmo. “É possível utilizar alguns processos, mas é preciso verificar se aquilo é coerente com a cultura e o contexto.”

Empresas que possuem uma hierarquia muito rígida ou uma liderança que ainda se baseia em comando e controle, por exemplo, vão sentir mais dificuldade se só reconfigurarem os processos internos e modificarem a cultura organizacional. “Para fomentar a agilidade, os gestores precisam assumir um papel servidor e solícito, em vez de estimular a competitividade destrutiva, que não abre espaço para debates”, diz Susanne. De nada adianta, também, decidir que toda a empresa vai trabalhar em um novo formato sem incitar a autonomia e a coragem de reconhecer que estavam fazendo algo errado. “As empresas precisam criar um ambiente em que os empregados se sintam seguros para aprender e ensinar, além de expor as próprias fraquezas e pedir ajuda quando necessário”, afirma Ari.

O conceito de agilidade, no fundo, é uma nova forma de pensar que só funcionará se vier de dentro para fora. “Se eu não tiver valores como transparência, colaboração e confiança, as práticas ágeis não vão se sustentar no longo prazo”, afirma Giuliana, da consultoria de desenvolvimento e inovação Laura Widal. E é importante lembrar que, assim como outras metodologias e teorias do mundo dos negócios, o ágil não vai resolver os problemas do dia para a noite. O segredo é ter bom senso para extrair o que faz sentido para você e encontrar seu próprio caminho na busca pela eficiência.

Seja um profissional àgil. 2

5 ATITUDES ÁGEIS

Veja como desenvolver alguns comportamentos para praticar a agilidade em seu dia a dia:

SEJA MAIS FLEXÍVEL

Raramente o que foi planejado se transforma em realidade. Um profissional ágil vai desenhar um esboço de onde quer chegar, mas tem flexibilidade para pensar em alternativas quando um problema ou uma ideia nova aparecem. é essencial ter humildade para reconhecer que todos estamos sujeitos a errar e não temos, de antemão, as melhores respostas. Como exercício, reconheça que você é inflexível algumas vezes e tente se observar quando reproduzir esse comportamento para, aos poucos, reduzi-lo.

DEFINA O QUE FAZER PRIMEIRO

Os times que usam metodologias ágeis para desenvolver novos produtos aplicam um conceito que pode ajudar a estabelecer prioridades: o de que 80% do valor de um serviço ou artigo está apenas em 20% de suas funcionalidades. Isso quer dizer que apenas um quinto do que foi desenvolvido pelas empresas realmente tem utilidade. para definir onde está o valor máximo de seu trabalho, faça a seguinte pergunta: quais são as atividades ou projetos que podem gerar mais dinheiro e são mais fáceis de realizar?

COLABORE MAIS, COMPITA MENOS

Michel Jordan ficou imortalizado pelas enterradas nas partidas de basquete. mas, analisando as estatísticas do “Dream Team”, equipe que foi campeã invicta na olimpíada de Barcelona em 1992, ele foi um dos atletas que deram mais assistência aos demais. Na prática, o que isso quer dizer é que você só terá sucesso se conseguir auxiliar o restante do time a ganhar a partida. Para ter uma postura colaborativa, deixe de lado a comparação com os colegas e se mostre disponível para ajudar quando puder, perguntando como poderia ser útil para o trabalho do outro.

REDUZA O DESPERDÍCIO

Um dos pilares do conceito de agilidade é reduzir os hábitos que drenam a produtividade. Entre eles podemos citar o já conhecido mito da multitarefa e o excesso de trabalho, causado por fatores como metas irreais por parte da chefia, burocracias sem sentido das empresas e até mesmo expectativas inviáveis dos próprios trabalhadores, que acreditam que precisam de atos heroicos para ter reconhecimento. O melhor é se concentrar em apenas uma tarefa de cada vez, criar objetivos alcançáveis e se organizar para cumprir as metas sem extrapolar o horário de expediente. esforços homéricos devem ser vistos como falhas, e não méritos.

REAVALIE SEU TRABALHO (E DE SEUS COLEGAS) COM FREQUÊNCIA

Times ágeis organizam projetos em etapas curtas porque precisam, ao final de cada período, analisar o que foi feito. A ideia não é apenas avaliar o resultado em si, mas também a maneira como o processo foi conduzido. Esse exercício ajuda a enxergar o que deu certo e o que pode ser melhorado – mas só funciona quando o feedback é propositivo, ou seja, não é focado em encontrar culpados pelas falhas. para isso dar certo, é preciso que todo mundo se responsabilize coletivamente, tenha inteligência emocional para abordar questões incômodas e maturidade para ouvir críticas sem ficar na defensiva.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 24: 1-6

Alimento diário

A EXCELÊNCIA DA SABEDORIA

 

V. 1 e 2

Aqui:

1. A advertência é praticamente a mesma que vimos antes (Provérbios 23.17): não invejar os pecadores, não julgar que são felizes, nem desejar estar na sua condição, ainda que prosperem muito neste mundo, e sejam felizes e muito seguros. Que este pensamento sequer passe pela sua mente: Ó, se eu pudesse me livrar das restrições da religião e consciência, e ter uma liberdade tão grande, a ponto de me permitir um apetite sensual desenfreado, como vejo neste e naquele’. Não; não deseje estar com eles, fazer o que fazem, e obter o que eles obtêm, e ter o mesmo destino que eles.

2. Aqui está outra razão apresentada para esta advertência: Não os inveje, não somente porque o seu fim será mau, mas porque o seu caminho é mau (v. 2). Não pense em estar com eles, pois o seu coração medita a rapina, planeja a destruição dos outros, mas será a destruição para eles mesmos. Não fale como eles, pois os seus lábios falam maliciosamente. Tudo o que eles dizem têm má intenção, que é desonrar a Deus, envergonhar a religião, ou prejudicar o seu próximo; mas no final, será perversidade para eles mesmos. É, portanto. sensato, que não tenhas nada a ver com eles. Você não terá nenhuma razão para considerá-lo; com inveja, mas com piedade, ou com uma justa indignação pelo seu comportamento ímpio.

 

V. 3 a 6 

Nós somos tentados a invejar os que enriquecem, e edificam suas propriedades e sua família, por caminhos tão injustos que as nossas consciências não permitiriam, de maneira nenhuma, que adotássemos. Mas. para deixar de lado esta tentação, Salomão mostra aqui que um homem, com controle e prudência, pode edificar sua propriedade e sua família, por meios lícitos e honestos, com uma boa consciência, e uma boa reputação, e a bênção de Deus no seu esforço; e, se aquelas forem edificadas em menos tempo, pelo menos estas durarão muito mais tempo.

1. Aquilo que nos é recomendado aqui, como a melhor influência sobre a nossa prosperidade exterior, é a sabedoria, e a inteligência, e o conhecimento; isto é, tanto a piedade com relação a Deus (pois isto é a verdadeira sabedoria) como a prudência no controle de nossas questões externas. Devemos nos governar, em todos os aspectos, pelas regras da religião, antes de mais nada, e então, pelas do discernimento. Alguns que são verdadeiramente piedosos não prosperam no mundo, por falta de prudência; e alguns que são suficientemente prudentes, ainda assim não prosperam, porque se apoiam em seu próprio entendimento e não reconhecem Deus em seus caminhos; por isto, a piedade e a prudência devem andar juntas, para completar um homem sábio.

2. Aquilo que nos é apresentado como a vantagem da verdadeira sabedoria é o fato de que tornará os assuntos dos homens prósperos e bem-sucedidos.

(1) Ela edifica uma casa (v. 3), e a firma. Os homens podem, por meio de procedimentos injustos, edificar suas casas, mas não podem firmá-las, pois a fundação está podre (Habacuque 2.9,10); ao passo que aquilo que é obtido com honestidade será como o aço, e será uma herança para os filhos dos filhos.

(2) Ela enriquecerá uma casa. e a abastecerá (v.4). Os que administram seus assuntos com sabedoria e equidade, que são diligentes no uso de meios lícitos para aumentar o que têm, que poupam da luxúria e gastam em caridade, estão em um bom caminho, para ter seus depósitos, seus armazéns, suas câmaras, cheios de todas as substâncias preciosas e deleitáveis – preciosas, porque foram obtidas com trabalho honesto, e a substância de um homem diligente é preciosa – e deleitáveis, porque são aproveitadas e desfrutadas com santa alegria. Alguns pensam que aqui o significado é principalmente o de riquezas espirituais. Pelo conhecimento, as câmaras da alma se enchem com as graças e as consolações do Espírito. essas riquezas preciosas e deleitáveis; pois o Espírito. ao instruir o entendimento, realiza todas as suas outras operações na alma.

(3) Ela fortificará uma casa, e a converterá em um castelo: a sabedoria é melhor do que armas de guerra, ofensivas ou defensivas. Um varão sábio é forte, é uma fortaleza, sim, um varão de conhecimento consolida a força, isto é, aumenta-a (v. 5). À medida que crescemos em conhecimento. crescemos em toda a graça (2 Pedro 3.18). Os que crescem em sabedoria são fortalecidos com toda a força (Colossenses 1.9,11). Um sábio conseguirá, com a sua sabedoria, aquilo que um homem forte não poderá conseguir, pela força de armas. O espírito é fortalecido, tanto para a obra espiritual quanto para a batalha espiritual, pela verdadeira sabedoria.

(4) Ela governará uma casa, e também um reino, e os negócios de ambos (v. 6). A sabedoria erigirá um colégio, ou conselho de estado. A sabedoria será útil,

[1] para o controle das disputas públicas, para que não nos envolvamos nelas, exceto por uma boa causa, e com alguma probabilidade de sucesso, e, quando já estivermos envolvidos nelas, para que as administremos bem, de modo a conquistar uma paz vantajosa, ou uma honrosa retirada: com conselhos prudentes tu farás a guerra, o que é uma coisa que poderá ter más consequências, se não for feita com conselhos prudentes.

[2] Para assegurar a paz pública: há vitória na multidão dos conselheiros, pois um deles pode prever o perigo, e discernir as vantagens, que outro não pode. Nos nossos conflitos espirituais, precisamos de sabedoria, pois o nosso inimigo é sutil.