A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A MORTE PARA A CRIANÇA

Dois novos documentos científicos dão orientações sobre como falar de um assunto tabu, o fim inexorável – e mostram como essa postura pode ter função terapêutica.

A morte para a criança

Tratar do fim da vida com uma pessoa que está apenas no começo da existência é um dos grandes dramas da condição humana. Haveria um pai, uma mãe e mesmo um psicólogo ou médico completamente preparados para confortar uma criança com um diagnóstico terminal? Há ainda um tabu quase incontornável mesmo para anunciar a morte de uma pessoa próxima. A psicóloga Erika Pallottino, coordenadora do Instituto Entrelaças, do Rio de Janeiro, tem uma frase cortantemente singela para resumir o que ocorre: “O adulto tem dificuldade enorme em lidar com o sofrimento infantil e tende a proteger as crianças da verdade”. Mas, aos poucos, está ocorrendo uma mudança comportamental – e a má notícia começa a ser anunciada aos pequenos de modo mais assertivo, ainda que igualmente doloroso.

Dois artigos recém-publicados na revista britânica The Lancet trazem orientações valiosas para lidar com a situação. Sugerem novas diretrizes para conversar com crianças e adolescentes sobre a morte e doenças que ameaçam a vida. Um dos documentos é voltado para comunicar à própria criança que ela está doente. O outro aborda como deve ser a conversa quando os pais é que estão muito doentes. Ambos os textos são destinados a médicos, mas podem ser úteis para qualquer pessoa. Dada a relevância da The Lancet, os conselhos tendem a ser adotados pelas principais organizações médicas dos EUA e da Europa. A situação, embora difícil, não é incomum. Milhares de crianças e adolescentes ao redor do mundo são diagnosticados com problemas graves. Tome-se o câncer como exemplo. Das 300.000 crianças que recebem a notícia da doença a cada ano, 20% morrem. Outra estatística: nos Estados Unidos, 2,8 milhões de jovens com menos de 18 anos vivem em uma família em que o pai ou a mãe tem câncer e, portanto, precisa suportar as agruras dos tratamentos. “Os profissionais de saúde deveriam servir como um suporte para os pais, para ajudá-los a comunicar-se com as crianças, mas nem todos estão preparados”, afirma a anestesista Ana Paula Santos, diretora do Cuidar Ativo, centro de controle de dor e terapias integrativas.  “Poucos recebem orientação e treinamento para falar sobre a morte.”

Os documentos divulgados agora dão exemplos claros de como o tema deve ser abordado. “Para as crianças, a compreensão do conceito de morte ainda está em construção”, diz a psicóloga Luciana Mazorra, do Instituto Quatro Estações, em São Paulo. Apenas a partir dos 5 anos elas começam a entender que o fim é irreversível, e por isso doloroso. E é depois dos 10 anos que compreendem a inevitabilidade da morte. Do ponto de vista de meninas e meninos acamados, as evidências científicas demonstram que o conhecimento sobre uma doença ajuda na adesão ao tratamento médico (e, portanto, aumenta a sobrevivência). A falta de comunicação objetiva – seja para um paciente, seja para quem convive com um parente ou pessoa próxima claramente à beira da morte – amplia sintomas como ansiedade e depressão. Quando não são informados sobre o problema (a própria doença ou a enfermidade de um familiar), os pacientes jovens podem ter reações diferentes. No caso dos adolescentes, pode ocorrer revolta pela quebra da relação de confiança. No que diz respeito aos menores, o risco é que comecem a fantasiar sobre o que está acontecendo de verdade. No pior dos mundos, podem achar, inclusive, que a culpa é deles.

A filosofia em torno do compartilhamento de informações sobre o fim inexorável mudou drasticamente. Até os anos 1960, a prática predominante era esconder o diagnóstico inclusive de um adulto, para protege ­ lo de maiores sofrimentos. Mais recentemente, houve uma guinada ao descobrir-se a importância de dar a informação verdadeira. As regras ainda não estão estabelecidas. A abordagem, é claro, depende de cada caso. Mas os novos manuais ajudam a iluminar essa escuridão.

A morte para a criança. 3

TRÊS VIDAS

P., uma garotinha do Rio de Janeiro, tinha 7 anos quando recebeu o diagnóstico deum câncer raríssimo e agressivo. Depois de algumas tentativas malsucedidas de tratamento, foi submetida a uma terapia experimental. No hospital, ao ser atendida pela psicóloga Erika Pallottino, que a ajudava a lidar com a situação, P. fez o desenho que ilustra esta reportagem. Uma das figuras, à esquerda, representa como ela se via no futuro, que não veio: sorridente, de vestido azul, com lacinhos.

No centro, P. aparece forte e saudável, aspecto que tinha antes da doença. À direita, a menina está careca, em virtude da queda de cabelos provocada pelas sessões de quimioterapia. Ela sempre soube da enfermidade e tinha esperança de melhorar. Com o passar do tempo e o avanço do câncer, desabafou para a profissional que a acompanhava: “Estou dando muito trabalho para os meus pais. Eles ficam me tirando e me colocando na cadeira de rodas o tempo todo. Eles falam que quando eu ficar velhinha vou poder fazer por eles tudo o que eles estão agora fazendo comigo.  É mentira! Eu não vou ficar velhinha”. P. morreu em 2009.

A morte para a criança. 2

 UMA CONVERSA DELICADA

Novas diretrizes orientam os médicos e os pais a tratar do fim da vida com crianças que sofrem de doenças graves ou têm parente próximo em situação semelhante

SEJA HONESTO

É preciso ser direto, claro e adotar uma linguagem compreensível, adequada a cada faixa etária. A palavra morte, no entanto, deve ser sempre utilizada. O uso de eufemismos como “virou estrelinha” ou “foi viajar” é contraindicado

EVITE RODEIOS

Mantenha um ambiente de confiança em casa ou no hospital. É importante que a criança saiba que pode fazer perguntas quando desejar. Talvez ela tenha dúvidas em relação à doença e questione os efeitos colaterais de remédios. A omissão de informações pode ser atalho para fantasias exageradas

SEJA COMPREENDIDO

O silêncio de uma criança na hora da conversa pode significar duas coisas – que a mensagem foi entendida ou o oposto, que nada foi compreendido. É fundamental, portanto, certificar-se de que o diálogo foi útil

ESTEJA PRESENTE

Cada um reage de uma forma a uma notícia difícil – pode demonstrar raiva, tristeza, apatia e até indiferença. É fundamental manter-se próximo da criança o máximo de tempo possível, observando-a e deixando claro que ela não está sozinha.

 

FONTES: THE LANCET e as psicólogas ERIKA PALLOTTINO e LUCIANA MAZORRA

OUTROS OLHARES

A REINVENÇÃO DA MICROSOFT

A Microsoft, empresa cujos dias de glória pareciam ter ficado para trás, aposta em computação na nuvem e inteligência artificial. O resultado: a companhia volta a ser líder em inovação, o preço da ação triplicou e ela é novamente a empresa mais valiosa do mundo.

A reinvenção da Microsoft

Uma notícia publicada no dia 30 de novembro do ano passado pegou muita gente de surpresa: a Microsoft tinha ultrapassado a Apple no ranking das empresas de maior valor de mercado do mundo. Ela mesma, a Microsoft, que popularizou a computação pessoal, mas depois perdeu o bonde dos smartphones; a empresa que provavelmente é o ponto de contato com o mundo digital mais antigo e constante das pessoas (com o Windows, o Word e o Excel), mas há muito tempo não desperta paixões nem é lembrada quando se fala em inovação. Aparência não é tudo no mundo da tecnologia, mas conta, e muito. Na percepção da maioria dos consumidores, a Microsoft era uma companhia cujos dias de glória tinham ficado para trás. O presente pertenceria à Apple, ao Facebook, à Amazon, ao Google; o futuro, a alguma startup que está nascendo numa garagem.

Mas o gráfico das ações da Microsoft conta uma história bem diferente. Há cinco anos sob o comando do indiano Satya Nadella, somente o terceiro presidente de uma companhia que está prestes a comemorar 44 anos de existência, a Microsoft vem passando por uma das maiores transformações de sua história. Em sua primeira aparição pública na liderança da empresa fundada por Bill Gates, Nadella falou de um futuro em que a computação em nuvem, a inteligência artificial e a mobilidade viriam em primeiro lugar. Em nenhum momento ele mencionou o Windows, produto que deu à empresa um virtual monopólio dos sistemas operacionais no começo dos anos 2000 e levou o governo americano a mover um processo antitruste contra a Microsoft por causa da distribuição do navegador Internet Explorer junto com o sistema. Em entrevista Nadella afirmou: “A ilusão de que o sucesso dura para sempre é algo que nós queremos expurgar de nossa consciência. Porque é aí que a arrogância acaba se instalando”.

Nadella sucedeu ao falastrão e arrogante Steve Ballmer, que, em 2007, afirmou que o iPhone, da Apple, “não tinha chance nenhuma” de sucesso no então nascente mercado de smartphones e chamou o sistema Linux de um “câncer” que ameaçaria de morte o modelo de negócios do software proprietário, a vaca leiteira que transformou a Microsoft na maior potência global de software. Enquanto Ballmer curtia a aposentadoria cuidando de seu novo negócio, o time da NBA Los Angeles Clippers, Nadella começou a arrumar a casa. Ele se concentrou, acima de tudo, em mudar a cultura da empresa. Reescreveu a missão da companhia e apostou tudo na nuvem, no software por assinatura e, quem diria, até se atreveu a falar em amor pelo software livre. Em termos concretos, o resultado até aqui é uma ação que vale quase o triplo de cinco anos atrás. Um indicador talvez mais importante seja o ânimo, que não pode ser medido com números, mas tem impacto na hora de contratar e de reter talentos, de energizar os funcionários e de cristalizar a visão que vem do topo. Como constatado em uma visita à sede da Microsoft no fim do ano passado, o clima é de otimismo. Ou como diz o francês Jean-Philippe Courtois, há 34 anos na empresa e um dos principais executivos da equipe de Nadella: “Voltamos a ter aquela atitude do desafiador”.

O serviço de computação em nuvem Azure é o maior símbolo da nova Microsoft. A venda de licenças de programas como Windows e Office ainda é responsável por uma fatia considerável do faturamento e pelo grosso dos lucros. Mas o crescimento – e, na visão de Nadella, o futuro da tecnologia digital – está nos serviços de “computação por assinatura”. O Azure é uma rede de mais de 100 data centers espalhados pelo mundo. Os clientes, de startups recém-fundadas a multinacionais, pagam conforme o uso da infraestrutura. Isso vai desde serviços tão simples, como obter espaço para armazenar dados, até o uso de aplicações sofisticadas de inteligência artificial. Julia White, responsável por tudo o que se refere à computação em nuvem na empresa, diz que a transformação sob Nadella foi essencial para o sucesso nessa nova fronteira dos negócios. “A empresa era muito insular e rígida”, diz Julia, há 17 anos na Microsoft. “Já tínhamos as competências e a energia necessárias para o sucesso, mas Nadella permitiu que elas viessem à tona.”

O que era quase uma curiosidade na gestão anterior tornou-se o motor do crescimento da Microsoft de hoje. Em 2015, as receitas do Azure eram de “apenas” 1 bilhão de dólares. Em 2020, a expectativa é que elas cheguem a 22 bilhões. Ainda falta um pouco para alcançar a líder AWS, da vizinha Amazon, que faturou mais de 25 bilhões de dólares em 2018. A empresa, fundada por Jeff Bezos, tem sede em Seattle, a apenas 20 quilômetros do campus da Microsoft, que fica no subúrbio de Redmond. “A migração para a nuvem continua, e todas as empresas do setor estão se beneficiando disso”, diz Kim Forrest, vice-presidente do fundo Fort Pitt Capital Group. “Ninguém está perdendo, mas alguns são mais rápidos do que outros”, diz a gestora em relação à Microsoft.

O Azure e outros serviços por assinatura, como o pacote Office 365, estão mudando a narrativa de uma Microsoft antes destinada à insignificância – a morte mais dolorosa para empresas de tecnologia. Considere o exemplo do Uber. O aplicativo de transporte desenvolveu um tipo de autenticação baseada em reconhecimento facial para garantir que os motoristas do serviço são de fato quem dizem ser. Senhas são facilmente compartilhadas, mas rostos são únicos. O motorista tira uma selfie de tempos em tempos e o aplicativo do celular se conecta com um sistema de inteligência artificial da Microsoft para fazer a conferência. “Se a Uber tivesse de desenvolver a tecnologia, levaria meses”, diz Julia.

A ideia da computação em nuvem existe há muitos anos, é claro, mas na Microsoft pré-Nadella a primeira pergunta que se fazia em relação a qualquer nova tecnologia era o impacto potencial no Windows. Foi em nome de proteger o Windows que a empresa hesitou em abraçar a internet e, depois, em aceitar que o smartphone seria o verdadeiro computador pessoal. Tudo o que pudesse ameaçar o império construído sobre a fundação do Windows estava fora de questão ou era relegado a segundo plano. O reflexo era colocar o Windows em todos os computadores do mundo. No mundo de hoje, com diferentes smartphones, tablets e cada vez mais aparelhos conectados à internet, a estratégia simplesmente não fazia mais sentido. Para Nadella, o novo front é o que ele chama de “nuvem inteligente”, ou seja, serviços que rodam em enormes data centers, construídos com inteligência artificial e que possam ser acessados pelos mais diversos dispositivos, de forma agnóstica. O Windows ainda tem seu altar, mas o dogma do sistema deu lugar ao sincretismo. No exemplo do Uber descrito antes, não importa se o aplicativo estiver num iPhone ou num celular Android – a Microsoft também está presente, mesmo que nos bastidores.

A reinvenção da Microsoft. 1

A VIDA POS-WINDOWS

Os produtos mais famosos, Windows e Office, ainda dão dinheiro, mas o mercado global de PCs encolheu 4,3% no último trimestre do ano passado, de acordo com a empresa de pesquisas de mercado Gartner. “O negócio de softwares para desktop é um legado para a Microsoft e sabemos que esse mercado é terrível”, diz Daniel Morgan, gestor do fundo Synovus Trust. Nessa frente, uma das estratégias é tentar ser mais parecida com a Apple: produzir computadores completos. A linha de tablets e notebooks híbridos Surface é um exemplo. Em cafés e saguões de aeroportos, os elegantes computadores da Microsoft já começam a marcar presença em meio ao mar de MacBooks. A empresa lançou até mesmo uma linha própria de fones de ouvido “inteligentes”, o Surface Headphone, que se conecta com assistentes de voz e tem um sistema inovador de controle de volume.

“Queremos aprender tudo, em vez de saber tudo”, diz Jean-Philippe Courtois, vice-presidente executivo responsável por vendas globais e marketing. “Essa foi uma das maiores mudanças feitas por Nadella. Antes, a empresa estava fechada em silos. Hoje, a palavra de ordem é ‘colaboração’.” Em conversas com mais de uma dezena de funcionários e executivos da companhia, a palavra “colaboração” foi ouvida com frequência. A Microsoft vende o pacote de programas Office no modelo de assinaturas desde 2011, o que já representou uma mudança importante em relação às antigas licenças. Mas uma transformação ainda maior está acontecendo longe do olhar dos usuários. O Word, por exemplo, acessa um módulo baseado em aprendizado de máquina (machine learning, em inglês) que lê e entende os textos, corrige automaticamente erros gramaticais e sugere alternativas para o texto ficar mais claro e conciso (o serviço, por enquanto, não está disponível em português). Outra inovação é um botão no PowerPoint que monta automaticamente uma sugestão de design para os slides com base no texto e nas imagens incluídos pelo usuário. Esse é um bom exemplo da integração entre diferentes áreas da companhia – com ênfase na nuvem e na inteligência artificial – que Nadella enxerga como o futuro.

É importante entender essa visão de futuro porque esse é o novo campo de batalha dos gigantes da tecnologia. Os serviços baseados em inteligência artificial – como reconhecimento de voz e interpretação de texto, por exemplo – serão como peças de Lego, à disposição de qualquer programador. Eles podem ser encaixados nos programas de terceiros, estejam num iPhone, numa geladeira conectada à internet ou numa máquina de chão de fábrica. “Essas peças serão usadas não só no Windows ou no Office, mas em qualquer sistema”, diz David A. Heiner, assessor estratégico de políticas da Microsoft. “Qualquer empresa vai criar os próprios sistemas de inteligência artificial, mas a infraestrutura já existe. Ninguém precisa inventar a roda de novo.”

Como diz Nadella, toda empresa é de software, pois todas dependem da tecnologia digital. A nova Microsoft quer replicar a relevância – mas talvez não a dominância – conquistada na era do computador pessoal no novo mundo da computação em nuvem. A concorrência é poderosa. A Amazon é líder tanto nos serviços de infraestrutura tecnológica como em assistentes inteligentes baseados em voz, com a Alexa. O sistema Google Assistant tem enorme participação nos smartphones, graças ao Android, e o mesmo vale para a Apple, com a Siri. O negócio da Microsoft sempre foi o das plataformas. O Windows só se tornou um sucesso porque a Microsoft atraiu desenvolvedores para criar programas que rodassem no sistema operacional. Mas a empresa chegou atrasada na onda da internet e deixou passar batido o trem dos smartphones. (A compra da fabricante de celulares finlandesa Nokia em 2013 foi um ato de desespero e um fracasso retumbante. Dois anos depois da aquisição, ela virou um prejuízo de 7,6 bilhões de dólares).

Desse ponto de vista, entende-se melhor a aquisição do site GitHub. Embora não seja conhecido do grande público, o GitHub é uma ferramenta essencial para programadores. Trata-se de um repositório de códigos usado por mais de 30 milhões de desenvolvedores, uma grande central de colaboração para desenvolvimento, testes e melhorias de seus softwares. O GitHub também é vital para a comunidade do software livre. Foi por isso que a compra da empresa pela Microsoft deixou muita gente espantada. Não só por causa do valor – 7,5 bilhões de dólares por uma companhia que fatura 200 milhões -, mas porque a Microsoft, conhecida entre os adeptos do software livre como “o lado negro da Força”, estava abraçando o antigo inimigo. Nadella prometeu manter o GitHub independente, ou seja, os desenvolvedores poderão continuar trabalhando em projetos que não têm nada a ver com a Microsoft. Numa entrevista, o presidente do GitHub, Nat Friedman, afirmou: “Não estamos comprando o GitHub para transformá-lo numa Microsoft. Estamos comprando o GitHub para, talvez, ajudar a Microsoft a ser um pouco mais parecida com o GitHub”. Ou seja: mais colaborativa, mais aberta, menos engessada.

As transformações também se refletem no gigantesco campus da Microsoft, que começou a ser construído em 1986 e hoje ocupa uma área de cerca de 2 quilômetros quadrados. Alguns dos prédios mais antigos (de um total de 125) serão demolidos. Em seu lugar, serão erguidas 18 novas estruturas mais modernas e com espaço para novos 8.000 funcionários – que se somarão aos 50.000 da sede e a outros quase 84.000 espalhados pelo resto dos Estados Unidos e pelo mundo. Um dos reflexos da reinvenção da Microsoft é um interesse renovado na empresa por parte dos melhores talentos do hipercompetitivo mercado de trabalho de tecnologia. O animado argentino Diego Rejtman dirige a Microsoft Global University Recruiting, divisão que busca estudantes recém-formados do mundo inteiro. Sorrindo sem parar, ele fala da nova formulação da missão da empresa. A versão antiga – e antiquada – descrevia a missão da Microsoft como “colocar um computador em cada mesa e em cada casa”. Sob o comando de Nadella, o objetivo agora é “capacitar pessoas e empresas do mundo a concretizar seu potencial”. “Aqui, o importante não é que você seja legal”, diz Rejtman. “O importante é ajudar os outros a serem legais.”

Mas é claro que parecer “legal” ajuda na hora de convencer quando o candidato também tem ofertas para trabalhar numa Amazon, num Google ou numa startup. Nos últimos anos, a imagem da Microsoft também tem mudado de maneira significativa, e um dos responsáveis é Alex Kipman, um curitibano de 40 anos que vive há mais de 22 nos Estados Unidos e está na Microsoft há 17. Kipman é um dos 250 vice-presidentes corporativos da empresa e faz parte de um clube ainda mais restrito, o dos technical fellows. Em toda a Microsoft, apenas 16 pessoas têm esse título.

Kipman obteve a distinção por ser o inventor do Kinect, sistema de câmeras e sensores lançado em 2010 que permite controlar videogames com movimentos do corpo. Atualmente, ele dirige o projeto Hololens, óculos de realidade aumentada, apontados como uma das principais inovações da Microsoft nos últimos tempos.

Apesar de ser destinado ao uso corporativo, o Hololens chamou a atenção dos fãs de tecnologia. A segunda versão do produto, apresentada no fim de fevereiro, é mais confortável e mais imersiva, como repetiu Kipman algumas vezes quando mostrou o Hololens 2 no Mobile World Congress, em Barcelona. A companhia aérea Japan Airlines usa o Hololens original para treinar os funcionários que fazem manutenção das turbinas dos aviões. A ideia é que eles possam ver, em escala real, os detalhes internos dos motores, sem a necessidade de desmontá-los. Técnicos da fabricante de elevadores alemã Thyssenkrupp podem ser guiados remotamente em trabalhos mais complexos por funcionários mais especializados – que não precisam se deslocar até o cliente para realizar o conserto. O Hololens ainda não é confortável, imersivo e barato o suficiente para ser um produto para o consumidor final, mas Kipman acredita que seja mera questão de tempo. “Temos de ter paciência. Todas as novidades tecnológicas passam por um hype inicial: ‘Oh, esse negócio vai mudar o mundo amanhã’ “, diz Kipman. “Depois vem a desilusão, porque as coisas não acontecem tão rápido quanto as pessoas esperavam.”

A paciência e a tolerância com os inevitáveis fracassos são a maior diferença da nova Microsoft, diz ele, entremeando anglicismos e traindo um sotaque de quem está longe do Brasil há tanto tempo. “Agora temos esse growth mindset, nem sei como dizer isso em português [mentalidade de crescimento, ou foco no crescimento]. Antes, a ideia era acertar a todo custo. Mas, quando você pensa assim, acaba não correndo riscos. No nosso negócio, isso significa ficar para trás. “O programa Microsoft Garage é um exemplo concreto desse novo gosto pelo risco. A iniciativa foi criada há cinco anos para permitir que funcionários se envolvam em projetos inovadores que não tenham necessariamente relação com suas funções. A “garagem” também organiza hackathons, maratonas de programação para estimular a criação e a colaboração entre os desenvolvedores da companhia. A edição de 2018 contou com a participação de 23.500 funcionários, em 75 países, o que a empresa afirma ser a maior maratona de programação privada do mundo. Hackathons são parte da identidade de empresas de tecnologia, como Google e Facebook – mas, na Microsoft, esse tipo de iniciativa é uma novidade digna de nota.

Como na conversa com Kipman, a palavra mindset é ouvida em várias entrevistas. Não é por acaso. O livro Mindset: A Nova Psicologia do Sucesso, de Carol Dweck, psicóloga da Universidade Stanford, foi apontado por Nadella como a inspiração para transformar a Microsoft. Carol afirma que as pessoas que acreditam que seus talentos possam ser desenvolvidos com esforço, estratégia e contribuições dos outros (a tal mentalidade de crescimento) tendem a ser mais bem­ sucedidas do que aquelas que acreditam que o talento é um dom natural, com um potencial limitado. Segundo Carol, quem acha que sabe tudo sempre será superado no longo prazo por quem está disposto a aprender tudo. O próprio Bill Gates elogiou o livro de Carol, o que é curioso, pois nos tempos de presidente da Microsoft ele costumava destruir as ideias de subordinados com a frase: “Essa é a coisa mais idiota que eu já ouvi na vida”. Na Microsoft de hoje, nenhuma ideia é idiota – com exceção de acreditar que o império construído graças ao Windows duraria para sempre.

A reinvenção da Microsoft. 2

 

A reinvenção da Microsoft. 3

 

A reinvenção da Microsoft. 4

GESTÃO E CARREIRA

TOMANDO AS RÉDEAS

Está deixando a vida de CLT? Elaboramos um plano tático para que você não perca o controle das finanças.

Tomando as rédeas.

Quem deixa a realidade da carteira assinada para se aventurar no mundo dos negócios sabe bem o que significa trocar o conforto do holerite mensal pelo desgastante fluxo de caixa. A estabilidade do emprego CLT cede lugar à imprevisibilidade. Matando um leão por dia, o empreendedor enfrenta toda sorte de problemas. No sufoco, mistura as receitas de seu empreendimento com as despesas pessoais. Vende o almoço como PJ para pagar o jantar como pessoa física. As contas, antes sob controle, desandam.

Prova disso é que apenas cinco em cada dez microempresas (aquelas que faturam até 360.000 reais anuais) sobrevivem aos dois primeiros anos de operação. Segundo levantamento do Sebrae, muitas delas morrem por questões financeiras: a maior parte dos empreendedores se vê obrigada a encerrar as atividades por falta de capital ou lucro (19%). Baixo número de clientes (9%) e problemas de planejamento (8%) são alguns dos outros motivos apontados pela pesquisa. “Muita gente não faz contas e abre a empresa confiando que tudo vai dar certo. Mas ganhar dinheiro com achismo não funciona”, diz Samuel Barros, coordenador do curso de administração do Ibmec Rio de Janeiro. Nas próximas linhas, apresentamos um plano tático com seis etapas para que você tome, de uma vez por todas, as rédeas financeiras de seu negócio.

 

ETAPA 1 – ESCOLHA DO BANCO

Assim que obtiver o número do CNPJ, o primeiro passo é abrir uma conta bancária no nome da pessoa jurídica para que as movimentações aconteçam ali.

Isso é fundamental para garantir que o dinheiro da empresa não se misture com as finanças pessoais, um erro comum. Na hora de escolher o banco, fuja de armadilhas como a da comodidade. Optar pela instituição mais próxima não é um bom critério. Antes de decidir, vasculhe os pacotes de serviços disponíveis para PJs. O ideal, de acordo com experts, é comparar pelo menos quatro instituições. Busque pacotes que sejam adequados às suas necessidades, fazendo perguntas do tipo: quanto custa a emissão de boletos para clientes? Quais são as taxas de transferências bancárias para outros bancos? Como funciona o saque em dinheiro? Há vantagens par a quem usa máquina de cartão? Se eu precisar financiar o negócio, quais são as taxas? “Avaliar as linhas de crédito oferecidas pelo banco é essencial, pois pode ser necessário usá-las mais adiante”, diz Marcus Quintella, coordenador do MBA de empreendedorismo e desenvolvimento de novos negócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Vale lembrar também que hoje existem alterativas aos grandes bancos de varejo. Segundo Adalberto Luiz, especialista em capitalização e serviços financeiros do Sebrae, sistemas cooperativos, como os da Sicoob e do Sicredi, oferecem contas-correntes para empresas com boas condições. Além disso, há instituições digitais atendendo pessoas jurídicas, como o Neon e o Banco Inter.

Neste caso, preste atenção ao custo individual dos serviços: a tarifa para manter a conta é zero, mas o restante é cobrado à parte.

 

ETAPA 2 – SEPARAÇÃO DE CONTAS

Considerar-se o dono do dinheiro da empresa é um equívoco recorrente entre os empreendedores. Especialistas em gestão são categóricos: as contas do negócio e as pessoas precisam ser administradas separadamente.

Sem isso, perde-se o controle. “Na prática, o trabalhador autônomo não consegue contabilizar corretamente custos e receitas. Isso afeta até a precificação de seus serviços”, afirma Marcus Quintella, da FGV.

O correto é fixar um salário para si mesmo, o chamado pró-labore. Esse valor deve ser enviado todo mês da conta PJ para a conta pessoal. Além disso, dividendos só devem ser retirados uma vez ao ano (isso se a empresa já tiver uma reserva para cobrir seis meses de operação em caso de imprevistos).

 

ETAPA 3 – CAPITAL DE GIRO

Estudos mostram que, em geral, um negócio demora de seis meses a um ano para engrenar. Enquanto isso, fornecedores, impostos e contas-correntes precisam ser pagos. O dinheiro reservado para honrar essas despesas é o famoso capital de giro – esse valor deve ficar na conta empresarial. Quem não tem esse montante corre o risco de se enforcar com cheque especial ou empréstimos já no começo da operação. “Se está iniciando algo, o planejamento será um chute, mas você pode chutar de olhos vendados ou de olhos abertos, e essa é a grande diferença. Fica muito mais fácil acertar se você chuta de olhos abertos”, afirma Aleksander Avalca, especialista em gestão financeira para pequenas empresas e fundador da consultoria 4blue. Ele recomenda traçar três cenários: um realista, um pessimista e um desastroso. Calcule o capital de giro considerando o pior cenário.

 

ETAPA 4 – ANTECIPAÇÃO DE IMPREVISTOS

Inclua as más notícias, como calotes de clientes e períodos de baixa do negócio, em sua previsão de receitas. Ninguém gosta de pensar nisso, mas problemas vão ocorrer e é melhor estar preparado. De acordo com especialistas, as taxas de inadimplência dos negócios costumam variar de 10% a 20%. Outro desafio a ser considerado é a sazonalidade. Um exemplo clássico é o que ocorre com sorveterias e pousadas na praia. Empresas desse tipo se preparam para a queda de movimento no inverno. Independentemente do setor de atuação, todo negócio tem períodos ruins. A saída é guardar dinheiro para enfrentá-los.

Se não for possível fazer isso com recursos próprios, o empreendedor deve se preparar com antecedência, buscando crédito antes de a crise se instalar. “É mais fácil negociar boas condições quando o cenário está positivo”, diz Adalberto, do Sebrae.

 

ETAPA 5 – ORGANIZAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA

Muitos empreendedores novatos registram apenas os valores mais altos, desconsiderando pequenas cifras. Mas o fluxo de caixa, registro de entradas e saídas de dinheiro, deve ser detalhado ao máximo, contemplando, inclusive, as movimentações não operacionais, como os empréstimos. Além de dar uma visão de presente e futuro, o fluxo de caixa baliza o profissional em momentos­ chave, como redução de despesas, planejamento de investimentos, tomada de crédito ou negociação de prazos de pagamento com fornecedores. Geralmente, os pequenos negócios são gerenciados por meio de planilhas Excel. Mas existem diversas ferramentas online para controle financeiro. O Sebrae também oferece um modelo de planilha gratuita para fazer fluxo de caixa (bit.ly/ 2t 27y F3).

 

ETAPA 6 – DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA

Para evitar problemas com a Receita Federal, não basta emitir notas e pagar impostos em dia. A contabilidade da empresa precisa ter balanço e demonstração de resultados para apurar o lucro obtido ao longo do ano. Esse lucro deve ser transferido para a conta pessoa física e declarado como dividendo no imposto de renda. O mesmo acontece com o pró-labore. Vale lembrar que ambos fazem parte da ficha de rendimentos isentos, portanto não são tributados. A confusão costuma acontecer quando o empreendedor recebe dinheiro dos clientes direto na conta pessoa física e se esquece de declarar. Se esse valor ultrapassar 1.900 reais por mês, o risco de cair na malha fina é grande – mais um motivo para não misturar as finanças pessoais com as da empresa.

Tomando as rédeas. 2  ADEUS, EXCEL

Cinco aplicativos para fazer a gestão financeira dos negócios

CONTA AZUL

O sistema inclui contas a receber, fluxo de caixa mensal, emissão de boletos, relatório de custos e de despesas e receitas. Também permite a importação de informações do extrato bancário. Os planos custam a partir de 49,90 reais por mês.

contaazul.com

GRANATUM

Criado para ajudar empresas a organizar as contas e a fazer a análise dos dados financeiros, o software automatiza processos manuais como cobranças, geração de relatórios e emissão de notas fiscais. a mensalidade é de 151 reais.

granatum.com.br

QUICKBOOKS

Oferece gestão financeira online para micro e pequenas empresas. Entre outras coisas, permite importação de informações da conta PJ. Também possibilita a criação de relatórios por meio do celular. As mensalidades vão de 14,50 reais por mês (para profissionais autônomos e freelancers) a 49,50 (para pequenas e médias empresas).

quickbooks.intuit.com/br/

NIBO

Gerenciador financeiro que auxilia o empreendedor a acompanhar o fluxo de caixa, organizar contas a pagar e receber e automatizar o processo de cobrança. Também envia automaticamente as informações financeiras para o contador. A partir de 58,25 reais.

nibo.com.br

BLING

Voltado para micro e pequenas empresas, o sistema faz o controle das contas e do orçamento, além de gerenciar vendas e estoques. A partir de 25 reais por mês.

bling.com.br

Tomando as rédeas. 3

EMPRÉSTIMO INTELIGENTE

Três dicas para levantar dinheiro sem perrengue

ATENTE-SE ÀS EXIGÊNCIAS

Ao fazer um financiamento bancário, observe as garantias que são exigidas pela instituição financeira. Em geral, os bancos pedem garantias reais pelo crédito, como um imóvel, um equipamento de valor da empresa ou um carro.

CORRA POR FORA

Uma alternativa para quem não tem nada a oferecer como garantia é procurar fintechs de crédito, como biva e nexoos. Elas conectam pequenas empresas à pessoas físicas interessadas em financiar esse tipo de empreitada, num modelo conhecido como peer topeer.

CONCENTRE TUDO NUM SÓ LUGAR

 Independentemente da instituição escolhida, é importante manter um relacionamento estreito com ela. A dica é que o pequeno empreendedor concentre todos os recursos no mesmo lugar, ganhando mais relevância e poder de barganha.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 24: 7-10

Alimento diário

OS PERVERSOS E OS ESCARNECEDORES

 

V. 7 a 9 – Aqui temos a descrição:

1. De um homem fraco: a sabedoria é demasiadamente alta para ele; ele pensa que é; portanto, perdendo a esperança de obtê-la, não se esforçará para alcançá-la, mas ficará satisfeito sem ela. E, na verdade, é isto mesmo, ele não tem capacidade para obtê-la, portanto as oportunidades que tem para obtê-la são todas inúteis para ele. Não é fácil obter sabedoria; alguns têm partes naturais suficientemente boas, mas se forem tolos, isto é, se forem preguiçosos e não se esforçarem, se forem excessivamente brincalhões e dados a prazeres, se tiverem tendências perversas e más companhias, a sabedoria será demasiadamente elevada para eles; provavelmente não a alcançarão. E, por falta dela, eles não são apropriados para o serviço da sua nação: na porta não abrirão a boca; eles não são aceitos no conselho ou na magistratura, ou, se forem, são estátuas mudas, e são como números; não dizem nada, porque não têm nada para dizer, e sabem que se dissessem alguma coisa, não lhes dariam ouvidos, ou melhor, a sua contribuição seria vaiada. Que os jovens se esforcem para obter sabedoria, para que possam ser qualificados para o trabalho público, e que o realizem gerando para si uma boa reputação.

2. De um homem ímpio, que não somente é desprezado como um tolo é, mas também é detestado. Há dois tipos de homens ímpios assim:

(1) Os que são secretamente maldosos. Embora falem de maneira cortês e se comportem de maneira plausível, planeja m fazer o mal, planejam prejudicar aqueles de quem se ressentem, ou aos quais invejam. Aquele que faz isto será chamado de uma pessoa perversa, ou um mestre de maus intentos, o que talvez fosse, então, um nome comum de censura; ele será considerado inventor de males (Romanos 1.30), ou, se for feita alguma maldade, ele será suspeito de ser o autor, ou pelo menos, cúmplice. Este planejamento de maldades é o pensamento do tolo (v. 9). Ele é desprezado com uma brincadeira, como somente uma coisa tola, mas na verdade é pecado, é extremamente pecaminoso; não há nome pior para designar isto, do que chamá-lo de pecado. É muito ruim fazer o mal, e é pior ainda planejá-lo; pois isto tem a sutileza e o veneno da velha serpente. Mas isto pode ser interpretado de maneira mais genérica. Nós contraímos culpa, não somente pelo ato da tolice, mas por pensar nele, ainda que não sigamos adiante nele. Os primeiros sinais do pecado no coração são pecado, ofensivo para Deus, e devemos nos arrepender dele, ou seremos destruídos. Não somente os pensamentos maldosos, impuros, soberbos, mas também os pensa­ mentos tolos são pensamentos pecaminosos. Se pensa­ mentos vãos se alojam no coração, eles o profanam (Jeremias 4.14), o que é uma razão pela qual devemos guardar nossos corações com toda diligência, e não alimentar pensamentos que não possam ter uma boa explicação (Genesis 4.5).

(2) Os que são abertamente cruéis: “É abominável aos homens o escarnecedor”, que usa de palavras cruéis com todos, que se alegra em afrontar as pessoas; ninguém que tenha algum senso de honra e virtude se interessará em se relacionar com ele. O assento do escarnecedor é o assento da peste (como a Septuaginta o chama, Salmo 1.1), do qual nenhum homem sábio se aproximará, por medo do contágio. Os que se esforçam para tornar os outros odiosos são os que se tornam odiosos.

 

V. 10 – Observe:

1. No dia da adversidade, nós podemos desfalecer e ser desencorajados, desistir do nosso trabalho, e perder a esperança de alívio. Os nossos espíritos se angustiam, e nossas mãos se enfraquecem e nossos joelhos se desfazem em água, e nós nos tornamos inadequados para qualquer coisa. E frequentemente os que são mais alegres, quando estão bem, são os que mais desanimam, e mais se deprimem, quando alguma coisa os aflige.

2. Isto é uma evidência de que a nossa força é pequena, e é um meio de enfraquecê-la ainda mais. É um sinal de que não és um homem de nenhuma determinação, nenhuma firmeza de pensamento, nenhuma consideração, nenhuma fé (pois a fé é a força de uma alma), se não podes suportar uma mudança aflitiva da tua condição. Alguns são tão frágeis que não conseguem suportar nada; se uma dificuldade os toca (Jó 4.5), ou melhor, se apenas os ameaça, desmaiam imediatamente, e estão prestes a desistir de tudo; e isto significa que se tornam incapacitados para enfrentar o seu problema, e incapazes de solucioná-lo. Esforça-te, portanto, e Deus fortalecerá o teu coração.