A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O QUE SÓ AS AVES ENXERGAM

O que so as aves enxergam

Na época de acasalamento, os machos de muitas espécies de aves se cobrem com novas plumagens de cores exuberantes com o objetivo de conquistar a fêmea e garantir a reprodução da espécie. Pelo menos isso é o que nós, seres humanos, pensamos. Um estudo publicado na revista American Naturalist está causando polêmica entre os ornitólogos por sugerir que uma boa parte das pesquisas sobre comportamento reprodutivo desses animais está equivocada, pois humanos e aves enxergam cores muito diferentes. A discussão se baseia num estudo feito por pesquisadores suecos que usa um modelo computacional para investigar como funciona a retina de aves e de humanos. Os resultados mostraram que, perto dos pássaros, somos praticamente daltônicos. A principal diferença é que eles enxergam a luz ultravioleta, invisível para nós. Além disso, eles têm quatro tipos de células para detecção de cores; nós temos três. Para completar, a percepção de sombras e contrastes da retina de aves é mais sofisticada que a versão humana.

OUTROS OLHARES

DOAÇÃO NÃO É PUNIÇÃO

Para acabar com a fila do transplante, um deputado do PSL, o partido do presidente Bolsonaro, propõe a retirada compulsória de órgãos de pessoas mortas em confronto com a polícia. É mais uma aberração feita na onda de retrocessos que varre o País.

Doação não é punição

O Brasil tem cerca de 40 mil pessoas esperando por um órgão na fila de transplantes. É muita gente aguardando por uma chance de vida que só pode ser dada voluntariamente pela família de um doador. Trata-se de um gesto de amor, uma baliza que de certa forma dá a medida do grau de solidariedade de um povo. Há anos as pessoas envolvidas no assunto — profissionais de saúde e pacientes — mobilizam-se para que o número de doações cresça, baseados em um trabalho de informação e de criação de empatia da sociedade com as pessoas que aguardam por um coração, um fígado, um rim. Um esforço para conscientização colocado agora em risco por causa de um projeto de lei apresentado à Câmara dos Deputados pelo deputado Daniel Silveira (PSL/RJ).

A proposta prevê que todo brasileiro morto em confronto com agentes de segurança, portando armas no momento da morte, deve ceder compulsoriamente seus órgãos para que sejam utilizados em transplantes. Por agentes de segurança compreende-se policiais militares, civis e federais, agentes penitenciários e da Força Nacional de Segurança, guardas civis e integrantes das Forças Armadas que estiverem participando de missões de garantia da lei e da ordem em estado sob intervenção federal.

Doação não é punição. 2

SEM DIREITOS

Daniel Silveira é policial militar. Ficou conhecido nacionalmente em outubro do ano passado quando quebrou a placa de rua, no Rio de Janeiro, que levava o nome da ex-vereadora Marielle Franco (Psol), assassinada há um ano junto com o motorista Anderson Gomes. Quando quebrou a placa, ele estava acompanhado de Rodrigo Amorim, então candidato e hoje empossado deputado estadual do Rio de Janeiro.

O projeto da doação compulsória foi o primeiro que ele apresentou, logo no início do ano legislativo. O deputado não consultou nem um especialista no assunto para formular a proposta, baseando-se apenas em suas convicções. A principal delas: para Daniel, criminosos não são seres humanos. “São lixos orgânicos”, considera. A partir da premissa, o deputado defende que nem eles nem seus familiares — os únicos responsáveis pela autorização de doação — têm o direito de dispor do corpo da maneira que desejarem, como acontece com os outros brasileiros, os “cidadãos de bem”, como classifica o parlamentar.

Seu raciocínio é simples: de um lado, há demanda por órgãos. De outro, há sobra de oferta — e de órgãos de boa qualidade, segundo ele. “Bandido tem saúde boa”, assegura. Dessa maneira, sua proposta resolveria a questão matemática do problema, não havendo mais déficit de oferta e, além disso, o indivíduo morto em confronto acertaria sua conta com a sociedade. “É uma forma de fazer com que eles paguem a dívida moral que têm com os cidadãos de bem”, defende.

Em um projeto só, o deputado consegue ferir alguns dos princípios que definem humanidade e civilização. Entre eles, a não violação de corpos e a não separação dos indivíduos em categorias que os classifiquem como humanos, sub-humanos ou nem isso. Lixos, como diz. Judeus e homossexuais eram assim considerados pelo regime nazista.

Não se sabe a aceitação da ideia pelos colegas congressistas de Daniel. No entanto, a onda de retrocesso cultural que tomou boa parte do País sugere que o projeto tem até chances de seguir adiante, embora não resista à uma análise jurídica mais profunda. “É totalmente inconstitucional”, afirma o advogado criminalista Roberto Parentoni, presidente do Instituto Brasileiro do Direito de Defesa. “O Estado não pode violar o corpo de um cidadão.” O advogado criminalista Roberto Podval compartilha da opinião. “O projeto fere as garantias individuais na medida em que dá ao Estado o direito de dispor do corpo de alguém, ainda que morto”, explica.

O projeto pegou de surpresa os especialistas brasileiros em transplante. Presidida pelo cirurgião Paulo Pego Fernandes, a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos posicionou-se contrariamente à proposta. “É estapafúrdia”, considera o representante da entidade à qual o deputado Daniel acha que está ajudando. Não percebe que cometeu um erro básico: doação não é punição. Doar é um ato de amor.

Doação não é punição. 3

O SANGUE DE CHE

Crueldade não tem ideologia. Um dos ícones da esquerda mais festejados da história, o médico Che Guevara foi acusado de tirar sangue de seus prisioneiros antes de executá-los. A denúncia consta em um relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos produzido em 1967. As vítimas eram cubanos condenados à morte e presos no presídio de La Cabaña. Segundo o relato, de cada um eram extraídos 3 litros de sangue. O material teria sido vendido ao Vietnã do Norte, comunista como Cuba, então em guerra contra o Vietnã do Sul, capitalista como os Estados Unidos.

GESTÃO E CARREIRA

MEUS 30 ANOS

Quem peca pela falta de autoconhecimento e não gerencia a própria carreira, deixando-se levar pela vida, dificilmente obtém posições melhores ou a remuneração apropriada.

Meus 30 anos

Fico sempre muito atento às pesquisas que falam do comportamento e expectativas dos jovens brasileiros. Desta vez, me chamou a atenção um levantamento da Giacometti Comunicação em parceria com o Instituto Pesquiseria, que focou em rapazes e moças com 30 anos de idade. São pessoas que se formaram aos 19 ou 20 anos e, portanto, já têm dez anos de carreira. Entraram no mercado de trabalho por volta de 2008, com o país em crescimento e a economia já estabilizada. Foram mais de 1.000 entrevistados em quatro capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre. Os resultados da pesquisa mostram algo que tenho discutido muito com meus alunos: a falta de autoconhecimento! Poucos usaram algum instrumento de autoanálise ou frequentaram escolas ou empresas onde essa prática fosse comum. A falta de autoconhecimento impede o jovem de traçar um plano de carreira viável ou um plano de desenvolvimento. Uma das constatações da pesquisa é que 64% dos entrevistados não gerenciaram sua carreira. Escolheram a graduação influenciados por um amigo ou parente e hoje não estão felizes. Só 16% estão satisfeitos com o grau de estabilidade econômica alcançada. É claro! Se você não gerencia sua carreira e se deixa levar pela vida é muito pouco provável que tenha obtido posições melhores e de remuneração apropriada. Mais um dado preocupante: 67% desejam ter um negócio próprio. Mas não conseguem expressar com clareza em que negócio que- rem atuar. Seu desejo de empreender é muitas vezes realçado pela frustração com o em- prego ou o chefe atual. Um empreendimento tem que ter estudo, pesquisa, business plan, experiência-piloto. Não basta a vontade. Volto ao tema principal – o autoconhecimento! Você tem as características de um empreendedor? Está disposto a correr riscos calculados, tem inteligência emocional para resistir às frustrações naturais do processo? Mas o que fazer então para evoluir e ser feliz? Aprimorar o autoconhecimento. Que conhecimento me falta? Onde adquiri-lo? Que competências preciso desenvolver? Qual a minha taxa de resiliência?

Profissionais competentes podem ajudá-lo nessa empreitada. Depois, é tomar a carreira nas mãos, definir os próximos passos, negociar as oportunidades na empresa ou encontrá-las no mercado. Sabe o nome disso? Ser protagonista da sua vida, e não coadjuvante. Coragem! Uma coisa é certa: ainda há tempo!

Meus 30 anos. 2

LUIZ CARLOS CABRERA – escreve sobre carreira, é professor da Eaesp-FGV, diretor da Amrop Panelli Motta Cabrera e membro do Advisory Board da Amrop International.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 25: 1

Alimento diário

PRAZERES E BENEFÍCIOS DA SABEDORIA

 

V. 1 – Este versículo é o título desta segunda coletânea de provérbios de Salomão, pois ele escolheu muitos provérbios e os organizou, para que, por intermédio deles, ele ainda pudesse estar ensinando conhecimento ao povo (Eclesiastes 12.9). Observe:

1. Os provérbios eram de Salomão, que foi divinamente inspirado para transmitir, para o uso da igreja, estas sábias e importantes sentenças; nós já vimos muitas, mas ainda há mais. Nisto, Cristo é maior que Salomão, pois se tudo o que Cristo disse e fez, que fosse instrutivo, tivesse sido registrado, nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem (João 21.25).

2. Os editores foram servos de Ezequias, que, provavelmente, atuaram como seus servos, sendo designados por ele para fazer este bom serviço para a igreja, entre outros bons ofícios que ele fez, na lei e nos mandamentos (2 Crônicas 31.21). Não se sabe ao certo se ele empregou os profetas deste mundo, como Isaías, Oséias, ou Miquéias, que viveram na sua época, ou alguns que foram treinados nas escolas dos profetas, ou alguns dos sacerdotes e levitas, a quem o vemos dando uma incumbência, acerca das coisas divinas (2 Crônicas 29.4) ou (como pensam os judeus) os seus príncipes e ministros de estado, que eram mais apropriadamente chamados de seus servos; se o trabalho foi feito por Eliaquim, e Joá, e Sebna, isto não minimiza o seu caráter. Eles copiaram estes provérbios dos registros do reinado de Salomão, e os publicaram como um apêndice à primeira edição deste livro. Pode ser muito útil para a igreja publicar as obras de outros homens que ficaram na obscuridade, talvez por muito tempo. Alguns pensam que eles selecionaram estes provérbios dos três mil que Salomão pronunciou (1 Reis 4.32), excluindo os que eram materiais, e que pertencessem à filosofia natural, preservando somente os que eram divinos e morais; e nesta coletânea alguns observam que houve uma consideração especial com as observações que dizem respeito a reis e à sua administração.